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Numero do processo: 10380.906894/2012-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
DCOMP. COFINS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS ADVINDOS DE DCTF. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF.
Não deve prosperar o pedido de compensação, cujo argumento solidifica-se na existência de crédito em DCTF, enquanto, na verdade, ao compulsar os autos, verifica-se que tais valores foram efetivamente confessados, conforme descrito em Despacho Decisório e declarada em DCTF.
Numero da decisão: 3001-000.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cléber Magalhães e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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COFINS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS ADVINDOS DE DCTF. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. Não deve prosperar o pedido de compensação, cujo argumento solidificase na existência de crédito em DCTF, enquanto, na verdade, ao compulsar os autos, verificase que tais valores foram efetivamente confessados, conforme descrito em Despacho Decisório e declarada em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cléber Magalhães e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 68 94 /2 01 2- 11 Fl. 113DF CARF MF 2 Relatório Despacho Decisório 040064698 Tratase de decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 21406.80205.070410.1.7.047880, enviada em 07/04/2010, referente a pagamento indevido ou a maior, sendo que o crédito analisado corresponde ao valor original na data de transmissão do Per/Dcomp no total de R$ 4.458,08. A partir das características do DARF discriminado no Per/Dcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, no caso, os constantes no Per/Dcomp 17736.54221.290807.1.3.042535, 06547.75511.270907.1.3.046474 e 19910.21056.151007.1.3.045076 não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp 21406.80205.070410.1.7.047880. Manifestação de Inconformidade Em sua defesa, a Recorrente mencionou a equivocada declaração de débito na Dcomp. Erro no preenchimento da Dcomp Aduz a Recorrente, que embora tenha sido declarado débito nos Per/Dcomps 17736.54221.290807.1.3.042535, 06547.75511.270907.1.3.046474 e 19910.21056.151007.1.3.045076, tais valores não encontram respaldo na DCTF correspondente, havendo, portanto, mero erro de preenchimento nas Declarações de Compensação. DRJ/RPO A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1449.467 4ª Turma ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2006 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DComp. RETIFICAÇÃO. Consideramse confissões de dívida os débitos declarados em Declaração de Compensação. Os débitos contidos na DComp podem ser retificados/cancelados por iniciativa da contribuinte, nos termos da norma de regência. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10380.906894/201211 Acórdão n.º 3001000.130 S3C0T1 Fl. 114 3 A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que se verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Trata o presente processo de PER/Dcomp de crédito da Contribuição para a Cofins de setembro de 2006, no valor de R$ 4.458,08. A DRF em Fortaleza, por meio do despacho decisório de fl. 07, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado ter sido parcialmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte nas DComp 17736.54221.290807.1.3.042535, 06547.75511.270907.1.3.04 6474 e 19910.21056.151007.1.3.045076, anteriormente entregue e não canceladas/retificadas. Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 11/12. Argumenta que: Os débitos indicados no PER/DCOMP n° 17736.54221.290807.1.3.042535, 06547.75511.270907.1.3.04 6474 e 19910.21056.151007.1.3.045076 não existem conforme se verifica na DCTF em anexo do período correspondente; Por fim, solicita a homologação da compensação apresentada. No voto, a autoridade julgadora de primeira instância firma seu entendimento no sentido de delimitar o tema a ser enfrentado, qual seja, a possibilidade de autorizar a compensação quando existe divergência entre débito declarado na Dcomp, e a ausência deste débito em DCTF. o crédito indicado no PER/Dcomp já fora utilizado na DComp nº Dcomp nas DComp nº 17736.54221.290807.1.3.042535, 06547.75511.270907.1.3.046474 e 19910.21056.151007.1.3.045076. Não existe, portanto, saldo passível de restituição além daquele indicado no Despacho Decisório. Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado ou cancelado a Dcomp anteriormente até a transmissão da nova PER/Dcomp. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. Não o tendo feito, não cabe à autoridade da RFB suprirlhe a falta, investigando um suposto débito inexistente e sendo este confessado pela contribuinte, tendo em vista que a Dcomp é documento com conteúdo confessional, Fl. 115DF CARF MF 4 Falta de Prova Indo além no voto, percebese que a autoridade de primeira instância, além de julgar inexistente o crédito alegado, pela ausência de retificação da Dcomp, entendeu que, mesmo havendo o crédito, não teria condições de demonstrálo com a parca documentação acostada a esses autos. Seguese a trechos do voto com a exposição de seu raciocínio: ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível o reconhecimento do direito creditório, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior.. não juntou qualquer documento que comprovasse os valores recolhidos indevidamente ou maior que o devido. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. para desconstituir o débito confessado, a contribuinte deveria indicar o erro, o motivo do erro e juntar toda a documentação para comprovar a argumentação. Contudo, nada foi juntado, preferindo ficar somente nas alegações Recurso Voluntário A recorrente, em sua defesa, apresentou resumo fático no qual destacou que protocolou o Per/Dcomp n.º 21406.80205.070410.1.7.047880. O motivo foi o pagamento a maior relativo à Cofins competência de agosto de 2006. Contornos desta Líde Sua divergência perante a decisão de primeira instância administrativa, parte da indicação, no Despacho Decisório (DDE) e pela autoridade julgadora, aos Per/Dcomps 17736.54221.290807.1.3.042535, 06547.75511.270907.1.3.046474 e 19910.21056.151007.1.3.045076, vez que o crédito pleiteado teria sido utilizado nestes procedimentos. Ainda, insurgese contra a necessidade de retificação de suas Perd/Dcomp, em que pese a argumentação oficial pela existência do débito tributário nela confessado. Possibilidade de Compensação de Créditos Advindos de DCTF Válida Antes de adentrar no mérito, a recorrente introduz breve resumo sobre a legislação que disciplina o instituto da compensação, mencionando seus requisitos, quais sejam, a. autorização legal, b. obrigações recíprocas, e c. dívidas líquidas e certas. Validade da DCTF Retificadora Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10380.906894/201211 Acórdão n.º 3001000.130 S3C0T1 Fl. 115 5 Traz aos autos jurisprudência deste CARF, cuja ementa indica a possibilidade de formalização de informações através de DCTF retificadora. Ausência de Débito em DCTF Neste ponto, evidenciase a insurgência da recorrente em face da exigência, exposta na decisão de primeira instância administrativa, de haver, necessariamente, a retificação da Per/Dcomp 14047.53693.131107.1.3.049486 original, na qual constava a informação declarando o débito. Segundo consta, a recorrente busca legitimar seu direito no fato de a DCTF não conter a informação do débito, mas tão somente, na DComp; ainda, q ue seria a DCTF o meio para formalizar o crédito. Fundamenta seu raciocínio no artigo 8.º da IN 1.110/2010. Prescrição a partir da entrega da DCTF Por fim, a recorrente busca a declaração da prescrição da cobrança ora em curso, vez que transcorreramse mais de 05 anos da entrega da DCTF e da efetiva cobrança judicial. Alega não se tratar de decadência, justamente pelo motivo de o débito estar confessado, e, a partir daí, não se necessitar mais de lançamento para constituir o crédito tributário. Por fim, segundo a tese da recorrente, o fisco teria 5 anos para exigir o débito judicialmente. Do pedido Pugnou pela aplicação dos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. A legitimação do crédito pago a maior. Protestou por todos os meios de prova, inclusive perícia. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Mérito Ao analisar a documentação nos presentes autos, pôdese evidenciar a alegação da ocorrência de pagamento indevido, relativo à Cofins do mês de setembro de 2006. Em 2010, a recorrente protocolizou a Dcomp 21406.80205.070410.1.7.04 7880, objeto desta análise, a qual reclamava a utilização do crédito gerado com o alegado pagamento indevido de Cofins de setembro de 2006 em contraponto ao débito de Cofins, relativo ao mês Fevereiro de 2010. Possibilidade de Compensação de Créditos Advindos de DCTF Válida Fl. 117DF CARF MF 6 Em 2009, houve o envio das DCTFs n.º 1000.000.2009.2080234049 relativas ao 2.º semestre de 2005, e n.º 1002.007.2009.2070329655 referente ao 2.º semestre de 2007, ambas acostadas a estes eautos, destacandose que na DCTF 1002.007.2009.2070329655 2.º semestre de 2007; não consta, no período de apuração Agosto/2007, lançamento de débito de IRPJ, nem de CSL. E, na DCTF 1000.000.2009.2080234049 2.º semestre de 2005 consta na ficha 'Débito Apurado e Créditos Vinculados', grupo de tributos CSLL, no período de apuração dezembro de 2005, débito apurado no valor de R$ 14.280,82. Foi efetuado pagamento de R$11.701,53 e compensado, em razão de pagamento indevido ou a maior, a quantia de R$ 2.579,29. Ainda, a formalização do pedido se deu através da DComp 17736.54221.290807.1.3.042535. No ano de 2012, em resposta à DComp 21406.80205.070410.1.7.047880, sobreveio o Despacho Decisório Eletrônico n.º 040064698, o qual houve por bem, homologar parcialmente a compensação declarada. O motivo exposto no mencionado DDE, fora que o crédito advindo do pagamento indevido de Cofins, setembro de 2006, teria sido absorvido pelo débito declarado nas Dcomp 17736.54221.290807.1.3.042535, 06547.75511.270907.1.3.046474 e 19910.21056.151007.1.3.045076. Como visto em Relatório, as alegações em manifestação de inconformidade da recorrente, o argumento indicado para legitimar a utilização do crédito, é a inexistência de débito constituído em DCTF válida, qual seja, a de n.º DCTF 1002.007.2009.2070329655 e DCTF 1000.000.2009.2080234049. Existência de débito em DCTF A recorrente alega que a compensação declarada na DComp 21406.80205.070410.1.7.047880 devem prevalecer sobre os débitos expostos nas DComp 17736.54221.290807.1.3.042535, 06547.75511.270907.1.3.046474 e 19910.21056.151007.1.3.045076 por não estarem lançados nas respectivas DCTF. Contudo, na DCTF 1000.000.2009.2080234049 referente ao 2.º semestre de 2005, consta na ficha 'Débito Apurado e Créditos Vinculados', grupo de tributos CSLL, no período de apuração dezembro de 2005, débito apurado no valor de R$ 14.280,82. E mais. Constatase que foi efetuada a compensação, em razão de pagamento indevido ou a maior, conforme a DComp 17736.54221.290807.1.3.042535, exatamente nos moldes do Despacho Decisório. Não prosperando, assim, a alegação da recorrente no sentido de inexistir débito em DCTF válida, vez que existe débito e foi compensado . Ausência de Débito em DCTF Já em relação à DCTF 1002.007.2009.2070329655 2.º semestre de 2007; não consta, no período de apuração Agosto/2007, lançamento de débito de IRPJ, nem de CSL. Prescrição a partir da entrega da DCTF Não existe prescrição em favor do contribuinte conforme postulado pela recorrente. Segue acórdão: Acórdão nº 1401002.067 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10380.906894/201211 Acórdão n.º 3001000.130 S3C0T1 Fl. 116 7 COMPENSAÇÃO DCTF INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA A homologação tácita é previsão peculiar e exclusiva da compensação mediante DCOMP. Não pode ser estendida por analogia para outras formas de compensação. Desse modo, no caso de valores registrados na DCTF, assim como em outras declarações, como a DIPJ, a Fazenda Pública tem o direito de verificar as informações que julgar necessárias para reconhecer o indébito tributário e não se sujeitar a um suposto prazo decadencial não previsto em lei. Evidentemente que, esgotados os cinco anos da realização da compensação, o Fisco perde o direito de cobrar o crédito tributário, mas por força do fenômeno da prescrição do direito de cobrar. Isso não significa que tenha que acatar que a efetiva liquidação da dívida foi promovida para fins de aferir o direito de repetição do contribuinte. RESTITUIÇÃO INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO Não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além das fronteiras da interpretação, especialmente porque não haveria limites ao indébito. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir, como na usucapião, que, apesar de se caracterizar como uma prescrição aquisitiva, está limitada ao próprio bem concreto que se pretende adquirir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes estratosféricos e totalmente irreais. Os prazos extintivos visam à pacificação social, à consolidação pelo tempo de situações já estabelecidas. Em razão disso, há dois tipos de prazos em matéria tributária, ambos relativos à extinção de direitos do Fisco em face do particular: a decadência que fulmina o poder de constituir o crédito tributário, e a prescrição que elimina o direito de cobrar. Ambos os casos consolidam situações concretas que se perpetuaram no tempo, ou seja, como o sujeito passivo até então não pagou, então por inércia do Fisco continuará a não pagar. Na prescrição aquisitiva da usucapião, há de igual sorte uma perpetuação no tempo, pois aquele que adquire a propriedade já dispunha da posse, vale dizer, a relação concreta com o bem permanece a mesma. Já uma suposta prescrição aquisitiva de pretenso indébito tributário geraria uma modificação no plano fático, qual seja, a transferência de recursos ilimitados de domínio público para a esfera privada. Em suma, no curso do processo administrativo de restituição, a Administração tem o poder de verificar e o particular o dever de manter todos os documentos que se referiram ao direito pleiteado. Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso e negolhe provimento. Fl. 119DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.908751/2012-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de votos, converteu-se o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinatura digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de votos, converteu-se o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinatura digital) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto. (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de votos, converteuse o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinatura digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 08 75 1/ 20 12 -5 5 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10983.908751/201255 Resolução nº 3201001.095 S3C2T1 Fl. 71 2 O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s) com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins nãocumulativa, relativo ao fato gerador de 30/09/2005. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico (fl. 6) no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi localizado, mas não houve saldo reconhecido para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Nas “Informações Complementares da Análise de Crédito” (fl. 18) foi apresentada a justificativa para o não reconhecimento do crédito: “Ausência de documentação comprobatória”, com a seguinte observação: “Valores informados na Dacon/DCTF retificadoras c/ redução Cofins a pagar n esclarecida”. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 18/01/2013 (fl. 43), o contribuinte apresentou, em 18/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 2/5, a seguir sintetizada. Alega que o pagamento indevido informado no Per/Dcomp decorre da exclusão das receitas relativas à Conta de Consumo de Combustíveis – CCC e à Conta de Desenvolvimento Energético – CDE. O fundo setorial CCC, criado na década de 70, tem a finalidade de reembolsar parte do custo total de geração para atendimento ao serviço público de energia elétrica nos Sistemas Isolados. Esse custo abrange o preço da energia e da potência contratadas pelos agentes de distribuição, inclusive aluguel de máquinas, e a importação de energia e potência associada, incluindo o custo da respectiva transmissão. Também compreende os encargos e impostos não recuperados, os investimentos em geração própria, o preço da prestação do serviço de energia elétrica em regiões remotas e a contratação de reserva de capacidade para garantir a segurança do suprimento de energia elétrica. Do custo apurado, a CCC reembolsa a diferença em relação ao custo médio da potência e energia comercializadas no Ambiente de Contratação Regulada (ACR) do Sistema Interligado Nacional (SIN). A receita da CCC é proveniente do recolhimento de cotas pelas empresas distribuidoras, permissionárias e transmissoras de todo o país, na proporção e em valores determinados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A partir da Lei nº 12.111/2009, não há mais previsão de data para o encerramento das atividades desse fundo setorial. Já a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) é destinada à promoção de desenvolvimento energético dos estados, a projetos de universalização dos serviços de energia elétrica, ao programa de subvenção aos consumidores de baixa renda e à expansão da malha de gás natural. Foi criada pela Lei nº 10.438/2002 e é gerida pela Eletrobrás. Os recursos desse fundo são também utilizados para garantir a competitividade da energia produzida a partir de fontes alternativas (eólica, pequenas hidrelétricas e biomassa) e do carvão mineral. Apenas cinco usinas termelétricas movidas a carvão mineral estão incluídas na CDE, entre elas a da Tractebel. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10983.908751/201255 Resolução nº 3201001.095 S3C2T1 Fl. 72 3 Esse ingressos claramente não são considerados receitas do contribuinte, não podendo incidir sobre eles o PIS e a Cofins. Por fim, requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, sobretudo a documental inclusa, a documental superveniente e a pericial, e seja julgada procedente a sua defesa, com a nulidade da incidência e a anulação do lançamento, com fundamento no art. 145, I, do CTN. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, por intermédio da 1ª Turma, no Acórdão nº 0263.100, sessão de 12/01/2015, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2005 EMPRESAS GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. VALORES DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS E DA CONTA DE DESENVOLVIMENTO ENERGÉTICO. INCIDÊNCIA NO CASO DETRIBUTAÇÃO NÃOCUMULATIVA. Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), repassados a título de subsídio às sociedades empresárias geradoras de energia elétrica que se utilizam de usinas termelétricas, cujo objetivo é a compensação do alto custo decorrente do consumo de combustíveis fósseis, integram a base de cálculo da contribuição social calculada na sistemática da nãocumulatividade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2005 JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. DILIGÊNCIAS. DESCABIMENTO NO CASO DE LITÍGIO ACERCA DE QUESTÕES DE DIREITO. Como as diligências são destinadas à elucidação de questões de fato não devidamente evidenciadas nos autos, não podem elas ser realizadas nos casos em que os litígios se resumem à elucidação de questões de direito. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresenta recurso voluntário, no qual repisa os mesmos argumentos da peça impugnatória e suscita novos para rebater o despacho decisório e a decisão recorrida, com destaque aos tópicos: 1. A contribuinte é agente gerador de energia participante do Sistema Interligado Nacional SIN; Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10983.908751/201255 Resolução nº 3201001.095 S3C2T1 Fl. 73 4 2. Tal sistema funcional com mecanismo de rateio de custos de geração de energia com fins à segurança ao sistema; 3. A Conta de Consumo de Combustíveis CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético CDE, são fundos geridos pela Eletrobrás que viabiliza economicamente a geração de energia com base em matrizes elétricas, por intermédio da utilização de combustíveis fósseis; 4. Os valores recebidos são utilizados nas aquisições de combustíveis fósseis carvão mineral e consumidos na geração de energia termoelétricas; 5. Os agentes geradores procedem ao registro contábil para controle dos custos adquiridos com recursos da CCC e CDE; 6. Aduz que os combustíveis fósseis não integra seus ativos e não se constituem custos em decorrência da aquisição de terceiros pela Eletrobrás; 7. Os custos dos combustíveis são cobrados dos consumidores finais da energia, através das distribuidoras e permissionárias; 8. A sistemática de contabilização dos custos com combustíveis como receita se alterou exsurgindo um crédito da recorrente com o Fisco em razão dos valores que foram oferecidos à tributação pelo PIS e Cofins não se constituírem receitas, mas sim simples ingressos; 9. Procedeu à retificação de suas DCTFs para excluir dos débitos as parcelas da CCC e CDE e transmitiu DCOMPs visando a compensação; 10. As compensações foram indeferidas, vez que o Fisco entende erroneamente trataremse de receitas passíveis de tributação; 11. O despacho decisório acusou falta de documentação comprobatória; 12. Entende que o procedimento deveria ser precedido de retificação de ofício das declarações DCTF e DACON. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10983.908751/201255 Resolução nº 3201001.095 S3C2T1 Fl. 74 5 Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para defini lo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo nº 10983.908751/201255, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. Durante os debates orais realizados na sessão de julgamento, suscitouse a necessidade de conversão do processo em diligência para que a unidade de origem promova a reanálise e eventuais correções no despacho decisório em face da existência de DCTF retificadora apresentada e não apreciada. Da referida questão arguida discordei, por perfilhar o entendimento de que a contribuinte deveria fazer prova da liquidez e certeza de seu direito creditório em sede de manifestação de inconformidade, o que não o fêz. Assim, voto contrariamente à conversão do julgamento em diligência, por entender que o processo encontrase apto a ser julgado neste Conselho. Paulo Roberto Duarte Moreira Voto vencedor. Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta resolução. Por conter matéria preventa desta Seção de Julgamento e estarem presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10983.908751/201255 Resolução nº 3201001.095 S3C2T1 Fl. 75 6 Contudo, é preciso esclarecer que esta lide administrativa fiscal não está em condições de julgamento, uma vez que existe situação que impossibilita a sua imediata solução. Como já mencionado no voto do Conselheiro Relator, durante a sessão de julgamento foi debatida a necessidade de conversão do processo em diligência, diante da existência de DCTF retificadora, apresentada e não apreciada. Conforme debatido, o Despacho Decisório reconheceu a retificadora, mas não homologou o pedido do contribuinte fundamentada na seguinte premissa: "retificação não esclarecida". Cumpre ressaltar que, a retificadora, quando anterior ao procedimento de ofício, substitui integralmente a DCTF original, sem necessidade de esclarecimento, conforme pode ser verificado na IN 1.599/2015, Art. 9.º ( mesmo teor desde IN´s de 2002): "Art. 9ºA alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2ºA retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I redução dos débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alteração dos débitos de impostos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado de início de procedimento fiscal. § 3ºA retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4ºNa hipótese prevista no inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento à intimação fiscal e nos termos desta, Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10983.908751/201255 Resolução nº 3201001.095 S3C2T1 Fl. 76 7 para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma prevista no art. 7º. § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. § 6ºA pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador." Tais disposições normatizam, para a DCTF, o princípio da espontaneidade, conforme garantia prevista no Art. 138 do CTN. Assim, para que houvesse acusação de falta de esclarecimento da DCTF retificadora (que no caso, foi espontânea e tem a mesma natureza da original), deveria existir, nos autos, uma intimação anterior do Fisco, solicitando o esclarecimento e motivo da retificação. Assim, contribuiria para a solução desta lide fiscal que a fiscalização apresentasse essa intimação ou alguma tentativa, do Fisco, de esclarecer a retificação, ou seja, uma possível falha de instrução do processo. Esta Turma de julgamento não identificou a presença de tal intimação ao contribuinte, assim como a ausência de despacho decisório próprio ao caso, que considerasse esta situação exposta, que considerasse o caso concreto do contribuinte. Constatada esta irregularidade que poderia afrontar o devido processo legal, decidiuse por converter o julgamento em diligência e, para esta tarefa, fui designado para apresentar o voto vencedor. Diante desta breve exposição, em busca da verdade material e, com fundamento na legislação que concerne ao processo administrativo fiscal e ao Direito Tributário, votase para que o julgamento seja convertido em diligência, para que: a autoridade de origem verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse o esclarecimento e motivo da retificação; a autoridade de origem verifique se há ou não Despacho Decisório que considerou a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos; cumprida a diligência, o contribuinte deve ser intimado para se manifestar, em 30 dias da intimação, a respeito do relatório apresentado pela autoridade fiscal. Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Resolução proferida. (assinatura digital) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10983.908751/201255 Resolução nº 3201001.095 S3C2T1 Fl. 77 8 Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.001439/2010-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício:2008
DACON. MULTA POR ATRASO.
A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2008
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
ALCANCE.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49).
Numero da decisão: 1402-000.643
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício:2008 DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ALCANCE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49).
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MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ALCANCE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Fl. 47DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001439/201064 Acórdão n.º 140200.643 S1C4T2 Fl. 44 2 Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 48DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001439/201064 Acórdão n.º 140200.643 S1C4T2 Fl. 45 3 Relatório SC Transporte e Construções Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 3ª Turma da DRJ Belém/PA, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de Notificação de Lançamento (fl. 13) expedida para aplicação de multa pelo atraso na entrega do Dacon referente a janeiro de 2008, no valor de R$ 17.060,46, com redução para R$ 8.530,23 em virtude da entrega espontânea. Inexistindo no processo comprovante da ciência da Notificação, considerase tempestiva a impugnação de fls. 01/12, na qual a empresa traz, em síntese, os seguintes argumentos: a) Inexistem motivos para a aplicação da multa e da multa de mora, uma vez que a denúncia espontânea é o reconhecimento do erro, cabendo apenas o recolhimento do valor devido com juros; b) Reclama da falta de oportunidade do contribuinte valerse do contraditório e da ampla defesa, sugerindo a utilização de um "processo administrativo sancionador", citando como exemplo o que ocorreria na Espanha; c) Aponta ilegalidade na multa fixada, por caracterizar confisco, além de ferir uma série de outros princípios constitucionais; d) Defende que é inconstitucional e ilegal a utilização da taxa Selic para fins tributários.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 01 18.264 (fls. 2426) de 01/07/2010, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “DACON. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A multa pelo atraso na entrega do Dacon objetiva compensar o sujeito ativo pelo prejuízo causado em virtude de descumprimento de uma obrigação que lhe é devida, não sendo Fl. 49DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001439/201064 Acórdão n.º 140200.643 S1C4T2 Fl. 46 4 alcançada pela denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 13/09/2010 (A.R. de fl. 29), a interessada interpôs recurso voluntário em 13/10/2010 (fls. 3039) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Das alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade De início, no que tange às alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade apresentadas, cumpre reforçar, em consonância com a argumentação trazida na decisão da DRJ, que não cabe a esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (CARF) apreciar questões de ordem constitucional ou de legalidade de leis vigentes em nosso ordenamento jurídico. Tal entendimento é, inclusive, objeto da súmula nº 2 deste Conselho, publicada no DOU de 22/12/2009, a seguir transcrita: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Deixase, pois, de se pronunciar quanto ao argumento trazido nesse ponto. Da denúncia espontânea Quanto a esse ponto, há que se esclarecer que o pressuposto lógico da denúncia espontânea é a declaração de fato desconhecido pela autoridade, o que não ocorre na entrega intempestiva do Dacon, vez que o atraso se torna conhecido pelo simples decurso do prazo fixado para a seu entrega. Ademais, a multa pelo atraso na entrega do Dacon está explicitamente prevista no art. 7o da Lei n° 10.426/2002, pelo que não há que se questionar a sua validade. Por fim, ressaltese ser essa, tal qual a anterior, matéria sumulada por este Conselho (Súmula CARF n° 49), nos seguintes termos: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Descabido, pois, o recurso quanto a esse tópico. Do direito ao contraditório e à ampla defesa Por bem representar o entendimento sobre esse ponto, peço vênia para transcrever a decisão de primeira instância, no que atine ao direito ao contraditório e à ampla defesa da recorrente. “Cabe esclarecer que a fase litigiosa do procedimento fiscal se instaura com a impugnação tempestiva , conforme art. 14 do Decreto n° 70.235/1972, verbis: Fl. 50DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001439/201064 Acórdão n.º 140200.643 S1C4T2 Fl. 47 5 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Os princípios do contraditório e da ampla defesa estão garantidos aos litigantes, tanto no processo administrativo, quanto no judicial. No processo administrativo, o litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal, por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. A ação fiscal é uma fase préprocessual, ou seja, é uma fase de atuação exclusiva as autoridade tributária, na qual os agentes da Administração Tributária. Imbuídos dos poderes de fiscalização que lhes são conferidos pelos artigos 194, 195 e 197 a 200, todos do Código Tributário Nacional, verificam e investigam o cumprimento das obrigações tributárias e obtém elementos que demonstrem a ocorrência do fato gerador. Assim, a primeira fase do procedimento, a fase oficiosa, é de atuação exclusiva da autoridade tributária. Nesta fase, de caráter inquisitorial, o contribuinte tem uma participação de natureza passiva. Devendo cooperar e atender à fiscalização quando solicitado, no próprio interesse de demonstrar o cumprimento daquelas obrigações. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. Logo, antes da impugnação. não há litígio, não há contraditório e o procedimento é levado a efeito de oficio, pelo Fisco. Portanto, inexiste processo, assim entendido como meio para solução de litígios, haja vista ainda não haver litígio. A pretensão da Fazenda ainda não se concretizou. Logo, não há que se falar em preterição ao direito de defesa da contribuinte no transcurso da ação fiscal. A partir da lavratura do auto de infração ou notificação de lançamento, na hipótese de discordar da exigência, é que o contribuinte, respaldado pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, passa a participar ativamente, inaugurando o processo administrativo de exigência de crédito tributário, apresentando sua impugnação. o que, in casu, assim procedeu o litigante ao impugnar com os documentos de fls. 1/12.” Mérito Conforme já mencionado, a multa pelo atraso na entrega do Dacon está positivada no art. 7o da Lei n° 10.426/2002, in verbis: "Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconómicoFiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, Fl. 51DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001439/201064 Acórdão n.º 140200.643 S1C4T2 Fl. 48 6 no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) [...] III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação ,d a lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I RS 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II RS 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ..." (grifouse) Ex positis, tendo em vista que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) foi entregue após o prazo previsto pela legislação tributária, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 1 de julho de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 52DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001439/201064 Acórdão n.º 140200.643 S1C4T2 Fl. 49 7 Fl. 53DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10880.910957/2006-55
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
SOBRESTAMENTO DO FEITO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Inexiste previsão legal e regimental para determinar o sobrestamento do curso de processo administrativo-fiscal em razão de reconhecimento de repercussão geral pelo STF de matéria nele contida, quando a corte máxima não o impõe expressamente.
SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO REVOGADA. STF.
A isenção da Cofins, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais regulamentados, foi revogada por norma legal posteriormente considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal -STF.
Numero da decisão: 3001-000.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 SOBRESTAMENTO DO FEITO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal e regimental para determinar o sobrestamento do curso de processo administrativofiscal em razão de reconhecimento de repercussão geral pelo STF de matéria nele contida, quando a corte máxima não o impõe expressamente. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO REVOGADA. STF. A isenção da Cofins, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais regulamentados, foi revogada por norma legal posteriormente considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal STF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1636.188, da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SPDRJ/SP1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 09 57 /2 00 6- 55 Fl. 159DF CARF MF 2 que, em sessão de julgamento realizada no dia 16.02.2012, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório postulado. Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 83 a 90): 1. ASPEM ENGENHARIA LTDA, empresa acima identificada, apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) de fls. 10/14, na qual pleiteia a compensação de tributo federal com suposto crédito de COFINS decorrente de pagamento indevido ocorrido em 15/09/2000, no valor de R$ 5.941,96. 2. Por intermédio do Despacho Decisório de fl. 02 a compensação declarada não foi homologada, tendo em vista a inexistência do crédito, pois o DARF não foi localizado. 3. Ciente desta decisão em 29/07/2008 (fl. 07), o contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade de fls. 15/57 em 22/08/2008, em que alega em síntese: 3.1. a requerente é uma sociedade civil de prestação de serviços advocatícios (sic), na forma de seus inclusos atos constitutivos. Em virtude de suas atividades, consoante determinação expressa prevista no inciso II do artigo 6º da Lei Complementar nº 70/91, está isenta do pagamento da COFINS; 3.2. o Parecer nº 3, de 25.03.94, do Coordenador Geral do Sistema de Tributação, não poderia limitar tal isenção em afronta ao princípio da legalidade. Existe um equivoco na afirmação contida no citado Parecer, uma vez que não se pode afirmar que a isenção concedida pela Lei Complementar nº 70/91 é decorrência do regime do imposto de renda das sociedades de profissionais; 3.3. podese afirmar com segurança que a hipótese de isenção em tela não está condicionada à opção pelo regime tributário do DecretoLei nº 2.397, tendo em vista que a disposição legal se refere a sociedades civis de que trata o artigo 1º do DecretoLei nº 2.397 e não a sociedades civis submetidas ao regime tributário previsto nesse diploma; 3.4. o artigo 56 da lei nº 9.430/1996 fere o princípio da hierarquia das normas; 3.5. a IN nº 21/97 é ilegal quando, pelo artigo 12, condiciona a compensação de créditos tributários com débitos vincendos a requerimento do contribuinte à SRF. Essa restrição não está prevista no artigo 66 da Lei 8.383/91; 3.6. o valor indevidamente pago e pleiteado nesta ação deverá ser corrigido pelo IPC, sendo utilizado de 02/88 a 06/91 o IPC IBGE e de 07/91 até hoje o IPCFGV; 3.7. a incidência dos juros à taxa de 1% ao mês, calculada sobre o montante atualizado a ser objeto da compensação, contado da data de cada pagamento efetuado deverá ser autorizada à impetrante, pelo fato de ter ocorrido, neste período, a Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.910957/200655 Acórdão n.º 3001000.224 S3C0T1 Fl. 160 3 disponibilidade pelo Poder Público de valor recolhido indevidamente. Caso se acolha a aplicação da SELIC a partir de janeiro de 1996, o acréscimo de juros calculados à taxa de 1% ao mês deverá ser contado da data de cada pagamento até dezembro de 1995; 3.8. Cumpre mencionar que a exequiente cobra em duplicidade os juros e multa moratórios, incidindo indevidamente o encargo de verba honorária de 20% (vinte por cento), bem como a aplicação incorreta da taxa SELIC. 4. É o relatório Da decisão de 1ª Instância A 6ª Turma da DRJ/SP1, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000 SOCIEDADE CIVIL. A partir da vigência do artigo 56 da Lei nº 9.430/1996, as sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada passaram a contribuir para a COFINS. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o contribuinte interpôs recurso voluntário para dar conta de que impetrou mandado de segurança autuado sob o nº 2003.61.00.0244110, com vista a obter provimento jurisdicional para absterse de efetuar pagamentos futuros da contribuição da COFINS, bem como a declaração de inexistência da relação jurídicotributária em relação à citada contribuição, sob o fundamento de que, por ser sociedade civil prestadora de serviços, não está submetida à regra do artigo 56 da Lei nº 9.430, de 1996, razão pela qual entende deva ser mantida a isenção outorgada pelo artigo 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991, sob pena de contrariar ao princípio da hierarquia das normas, pois a revogação da referida norma isentiva somente pode darse por veículo normativo adequado, que no caso é a lei complementar, conforme entendimento já assentado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ. Neste sentido transcreve o verbete sumular 276 editado, em 14.05.2003, pelo Superior Tribunal de Justiça, que consolidou o entendimento daquela Corte, que segundo o qual "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da COFINS, irrelevantes o regime tributário adotado" DJ 02.06.2003, p. 365. Fl. 161DF CARF MF 4 Adverte que obteve provimento liminar e posteriormente a concessão da segurança, que lhe garantiu o direito à isenção da COFINS outorgada pelo artigo 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 1991. Salienta também que inicialmente havia sido determinado o sobrestamento do feito, mas que, em 21.07.2010, foi proferida decisão tornando sem efeito referido sobrestamento, haja vista que o assunto, versado na petição do recurso extraordinário, era análogo ao do RE 575.093/RS, recurso paradigma da sistemática da repercussão geral, razão pela qual foi determinada a remessa dos autos ao tribunal de origem, para que fosse observado a disposto no art. 543B do Código de Processo Civil. Afirma que em face do reconhecimento da existência de repercussão geral da questão suscitada, o referenciado mandado de segurança ainda se encontra aguardando manifestação explícita do plenário do Supremo Tribunal Federal STF, bem assim a posterior edição de verbete de súmula vinculante. Neste sentido, por entender que existe questão prejudicial de mérito no citado mandado de segurança e que a solução é pressuposto lógico necessário da decisão a ser proferida no processo administrativo, por tratarse do objeto principal da matéria discutida nestes autos, requer a suspensão do presente feito até o trânsito em julgado da decisão a ser proferida no mandado de segurança em questão. Por fim, o recorrente instrui sua peça recursal apresentando as cópias da inicial e das decisões que cita e demais documentos afins. Do encaminhamento O presente processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O contribuinte, segundo a Intimação nº 1228/2013 e o Aviso de RecebimentoAR (efls. 91 e 157), em 02.05.2013, tomou conhecimento do acórdão de manifestação de inconformidade. O recorrente, conforme o carimbo aposto pela Derat/CAC Paulista na "folha de rosto" de sua petição (efl. 92), em 07.05.2013, protocola a entrega do recurso voluntário apresentado. Compulsando as datas acima destacadas e confrontandoas com a legislação processual de regência, concluise que o recurso voluntário é tempestivo. Da delimitação do litígio Muito embora seja manifesto que os fundamentos aludidos no despacho decisório de fl. 02 difere daqueles apresentados, em 22.08.2008, pelo contribuinte na Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.910957/200655 Acórdão n.º 3001000.224 S3C0T1 Fl. 161 5 manifestação de inconformidade de fls. 15 a 57, haja vista que o motivo da não homologação da compensação declarada decorreu da inexistência do crédito, pois o DARF indicado na respectiva DComp não foi localizado nos sistemas da RFB, verdade é que ao ser cientificada, em 29.07.2008, da não homologação, o recorrente apresentou manifestação de inconformidade para suscitar, em apertada síntese e naquilo que interessa ao presente exame, (i) que em virtude de suas atividades, consoante determinação expressa prevista no inciso II do artigo 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991, está isento do pagamento da Cofins, (ii) que o Parecer Cosit nº 3, de 1994 não poderia limitar tal isenção em afronta ao princípio da legalidade, (iii) que a hipótese de isenção pleiteada não está condicionada à opção pelo regime tributário do Decreto Lei nº 2.397, de 1987, tendo em vista que a disposição legal se refere a sociedades civis de que trata o artigo 1º do citado diploma legal e não a sociedades civis submetidas ao regime tributário nele previsto e (iv) que o artigo 56 da Lei nº 9.430, de 1996 fere o princípio da hierarquia das normas. Observando a peça inaugural do mandado de segurança distribuído sob nº 2003.61.00.0244110, protocolada em 28.08.2003, constatase que ali se discute a declaração da "inexistência de relação jurídicotributária entre a Impetrante e a União Federal quanto à cobrança da Cofins exigida nos termos do Parecer Normativo nº 3, de 25.03.94, da CoordenadoriaGeral do Sistema de Tributação (Cosit), e dos artigo 56 da Lei nº 9.430/96 e 2º da Lei nº 9.718/98, por ser a Impetrante uma sociedade civil de profissão regulamentada, suspendendose os pagamentos futuros exigidos a este título". Por seu turno, acolhendo as razões acima suscitadas, o competente Juízo, em 01.09.2003, deferiu liminar "para assegurar à impetrante o direito de não recolher a COFINS" e, em 28.11.2003, concedeu "a segurança para garantir à impetrante ASPEM ENGENHARIA S/C LTDA. a isenção da COFINS outorgada pelo artigo 6º da Lei Complementar nº 70/91". Como se vê, assistiria razão ao recorrente quando este alega existir questão prejudicial de mérito no citado mandado de segurança, por tratarse do objeto principal da matéria discutida nestes autos, se no recurso voluntário reprisasse os argumentos tecidos em sua manifestação de inconformidade, o que nos conduziria a concluir que o presente processo administrativo e o mandado de segurança em comento tratam do mesmo objeto e, portanto, à conclusão de que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, devendo, neste caso, ser proferida decisão declaratória da definitividade da exigência discutida, conforme dispõe o artigo 62 do Decreto nº 70.235, de 06.03.1972, e em atenção à Súmula nº 01 do Carf, publicada no DOU de 22.12.2009, posto que a decisão do Poder Judiciário se sobrepõe à decisão administrativa, uma vez que o ordenamento jurídico brasileiro não alberga o instituto da dualidade de jurisdição, não podendo haver, sob nenhuma hipótese, a sobreposição da decisão administrativa à sentença judicial como direito público subjetivo. Não obstante, em que pese a pretensão recursal, como se viu no relatório deste acórdão, entendo que o litígio, na fase em que se encontra, está adstrito tão somente ao que segue transcrito, ipsis litteris: Por todo o exposto, requer a Recorrente seja acatado o presente recurso, sendo determinada a suspensão do presente feito ATÉ O TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO A SER PROFERIDA O(sic) MANDADO DE SEGURANÇA Nº Fl. 163DF CARF MF 6 2003.61.00.0244110, como medida de pleno direito e de inteira Justiça. Desse modo, concluo não ser aplicável ao presente caso a Súmula nº 01 do Carf e, por consequência, conheço recurso voluntário para tratar especificamente do pedido formulado no sentido de sobrestar o presente feito. Da falta de suporte regimental e legal para a suspensão do PAF Recordando, no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, foi introduzida uma alteração, pela Portaria MF nº 586, de 21.12.2010, visando ao sobrestamento de processos com repercussão geral reconhecida pelo Pretório Excelso. Eis o texto: Art. 62A. (...) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Todavia no Ricarf em vigência, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09.06.2015 e alterações, deixou de existir a previsão de sobrestamento dos processos administrativos fiscais, contendo matéria que esteja sujeita cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pelo STF. Saliento, por oportuno, que as disposições do CPC não alcançam os tribunais administrativos, a menos que houvesse uma determinação expressa do relator do processo no STF. É essa a exegese que se pode extrair do inciso II do artigo 1.037 do CPC: Art. 1.037 Selecionados os recursos, o relator no tribunal superior, constatando a presença do pressuposto do caput do art. 1.036, proferirá decisão de afetação, na qual: (...) II determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem a questão e tramitem no território nacional; Demais disso, o desconhecimento da existência de determinação de sobrestamento de processos administrativos, levame a concluir que não há suporte legal para que se suste o julgamento do presente recurso. Por fim, cumpre salientar que o processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade, devendo ser impulsionado ex officio, conforme determina o inciso XII do parágrafo único do artigo 2º da Lei nº 9.784, de 29.01.1999. De se ver, portanto, que não há qualquer previsão legal ou regimental que autorize a suspensão do marcha processual em razão de a constitucionalidade de matéria estar pendente de decisão, ainda que esteja submetida à repercussão geral. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.910957/200655 Acórdão n.º 3001000.224 S3C0T1 Fl. 162 7 Da falta de suporte jurídico para o suspensão e/ou sobrestamento do PAF De outro modo, resta a análise sob a ótica da jurisprudência assente, haja vista que o recorrente ao solicitar a suspensão do julgamento do presente processo, aduziu como fundamento o julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, do RE nº 575.093/RS. É fato que referido pleito é relativo à errônea revogação da isenção para as sociedades civis: o pedido de reconhecimento do indébito albergado nestes autos, conforme restou clarificado na manifestação de inconformidade e no acórdão recorrido, tem por base a alegação de inconstitucionalidade do artigo 56 da Lei nº 9.430, de 1996, que revogou a isenção prevista no inciso II do artigo 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991. De plano, faço um pequeno parêntese para alertar que a Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória AR nº 3.761PR, na sessão de 12.11.2008 (DJe 20.11.2008 ed. 262), deliberou pelo cancelamento da Súmula nº 276 (DJ 02.06.2003, p. 365), cujo verbete enunciava: "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da Cofins, irrelevante o regime tributário adotado", tendo por referência a Lei nº Complementar nº 70, de 1991 (art. 6º, II), a Lei nº 8.541, de 1992 (arts. 1º e 2º) e a Lei nº 9.430, de 1996, que revoga o DecretoLei nº 2.397, de 1987 (arts. 1º e 2º). Faço também ver ao recorrente que tal questão encontrase, a quase uma década, absolutamente pacificada, é que a constitucionalidade do referido artigo de lei ordinária foi declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 377.4573, julgado em 17.09.2008, em relação ao qual foi declarada a repercussão geral, nos termos do artigo 543B do CPC Lei nº 5.925, de 1973, e negada a modulação dos efeitos da decisão. Desse modo, à luz do que determina o Ricarf, reproduzo a ementa da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática do artigo 543B do CPC, Recurso Extraordinário nº 377.4573, verbis: EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas por maioria de votos, desprover o recurso. Em seguida o Tribunal, tendo em vista o disposto no artigo 27 da Lei nº 9.868/99, rejeitou pedido de modulação de efeitos. Fl. 165DF CARF MF 8 Prosseguindo, o Tribunal rejeitou questão de ordem que determinava a baixa do processo ao Superior Tribunal de Justiça, pela eventual falta da prestação jurisdicional. Por maioria, resolvendo questão de ordem, entendeu que estava correta a submissão do recurso extraordinário na forma proposta pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista a questão de ordem para permitir a aplicação do artigo 543B do Código de Processo Civil, nos termos do voto do relator. Por fim, concluise estarse diante de decisão com eficácia ex tunc, alcançando todas as relações jurídicas albergadas desde a edição da Lei nº 9.430, de 1996, sendo afastada a jurisprudência do STJ citada pelo recorrente em seu recurso voluntário, bem como a revogada Súmula 276 daquele tribunal. Da conclusão Diante do todo exposto, afasto o fundamento do indébito alegado pelo contribuinte na Declaração de Compensação em questão e rejeito o pedido de suspensão e/ou sobrestamento do presente feito, razão pela qual nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.689993/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa.
A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL.
O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.
Numero da decisão: 1402-002.855
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa. A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL. O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 99 93 /2 00 9- 97 Fl. 2449DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 10880.689993/200997 Acórdão n.º 1402002.855 S1C4T2 Fl. 2.450 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de homologar suposto crédito de IRPJ, declarado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que apurou novos valores para seus débitos de PIS e de COFINS do período, verificando que havia recolhido tais tributos indevidamente ou a maior sobre receitas derivadas da venda de alguns produtos sujeitos à alíquota zero e por não ter excluído o ICMS sobre vendas das bases de cálculo dessas contribuições. Também afirma que teve reconhecido em Ação Declaratória cumulada com Repetição de Indébito n° 94.00116799, créditos de FINSOCIAL compensados com débitos da mesma espécie. Tal suposto recolhimento indevido ou a maior teria gerado uma base de cálculo de IRPJ e CSLL (lucro) maior e incorreta, devido ao estornos dos créditos de PIS e de COFINS sobre receitas sujeitas a alíquota zero, gerando um aumento do custo. Assim, procedeu o Contribuinte a dezenas de compensações de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, incluindo a presente. Também relata que fora indevidamente autuada (Processo Administrativo n° 19515.000772/200754), sendo na ocasião alertada pelo próprio Agente Fiscal que estava recolhendo tributos sobre uma base de cálculo majorada, especificamente em relação àquelas contribuições. Alega que procedeu à retificação das DACONs correspondentes, mas não foi possível retificar a DCTF pois estava sob fiscalização naquela época. Afirma que o processo deve ser baixado em diligência para que seja confirmada a regularidade das compensações efetuadas e, ao final, requer a homologação integral da compensação em tela. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento integral à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua pretensão creditória. Fl. 2451DF CARF MF 4 Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, alegando, preliminarmente, a nulidade do v. Acórdão recorrido e de outros, pelo fato destas decisões possuírem termos idênticos em suas razões. No mérito, em suma, limitase a repetir as razões da Manifestação de Inconformidade. Ainda, acostou complementos ao Recurso Voluntário, referentes a estudo e Laudo emitido por Auditores Independentes, acostandoos aos autos, bem como noticiando o julgamento do E. Supremo Tribunal Federal referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 10880.689993/200997 Acórdão n.º 1402002.855 S1C4T2 Fl. 2.451 5 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, alega a Recorrente ser nulo o v. Acórdão recorrido (bem outros decisórios de mesma instância, proferidos em feitos atinentes a outras de suas DCOMPs noticiadas nestes autos) pelo fato destes repetirem ipsis litteris seus termos, denotando teor idêntico. O ocorrido implicaria em cerceamento de defesa. Primeiramente, temos que atualmente, no processamento e julgamento de causas, administrativas e judiciais, a adoção de decisões repetitivas, ou mesmo de minutas padrão, é a inquestionável realidade, erigida sobre os corolários da praticidade, da racionalidade, da economia processual e da duração razoável do processo. Per si, o fato de decisões possuírem semelhante ou até igual teor não é capaz de representar, objetivamente, cerceamento de defesa do contribuinte (ou mesmo da Fazenda Nacional). Para tanto seria necessária a demonstração, concreta e específica, pela parte, da ocorrência de prejuízo ao seu direito, explicando e apontando como tal repetição feriu a defesa empreendida na demanda. Posto isso, ausente tal demonstração, deve ser rejeitada a preliminar alegada pela Recorrente. Ainda, deve anteceder a devida apreciação do mérito a decisão sobre o conhecimento da nova documentação acostada pela Recorrente, inclusive após seu Recurso Voluntário, tratandose de Laudos emitidos por Auditores Independentes. Fl. 2453DF CARF MF 6 Este Conselheiro entende que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado à luz do princípio da busca pela verdade material, vez que na esfera administrativa de jurisdição não pode prevalecer o prestígio da instrumentalidade do processo em detrimento do materialidade dos direitos alegados no curso do processo. Também deve ser feita uma interpretação sistemática do referido Decreto, que não só veicula exceções ao determinado no § 4º de seu art. 16, assim como autoriza o Julgador a solicitar diligências quando mostramse necessários outros elementos e providências para a formação da sua livre convicção. Assim, apresentase viável o conhecimento de documentação após a apresentação da Impugnação ou da Manifestação de Inconformidade. Porém, cabe ao Julgador, nesse caso, uma verificação prévia de pertinência, necessidade e colaboração dos elementos novos acostados com o desfecho técnico da demanda. Tais Laudos acostados neste feito resumemse a planilhas elaboradas pelos Auditores Independentes, com breves e poucos comentários, sem conter qualquer documentação contábil ou fiscal, bem como, expressamente, versam sobre cálculos referente a apuração de PIS e COFINS. Nada se menciona sobre o IRPJ e eventuais reflexos. Primeiramente, tabelas elaboradas pelo próprio contribuinte, ou mesmo por terceiros, têm valor probante extremamente relativo (ou nenhum, digase) se desacompanhados da documentação contábil e fiscal em que foram baseados. Não obstante e principalmente, o processo administrativo em tela tem como origem suposto crédito de IRPJ, o qual não fora homologado por ausência de verificação e comprovação da existência de recolhimento a maior ou indevido em relação ao documento de arrecadação apontado. Dessa forma, o novo cálculo de apuração de PIS e COFINS devidos no período, seja por exclusão de operações sujeitas à alíquota zero ou pela exclusão do ICMS da sua base de cálculo, não possui qualquer relevância ou conexão direta para a demonstração de que o recolhimento de IRPJ, que especificamente teria dado origem ao crédito pretendido, foi efetuado a maior ou indevidamente. Fl. 2454DF CARF MF Processo nº 10880.689993/200997 Acórdão n.º 1402002.855 S1C4T2 Fl. 2.452 7 Posto isso, não se conhece da documentação acostada após a interposição do Recurso Voluntário. No que tange ao mérito, assim como procedido pela DRJ a quo, todas as matérias alheias a esta demanda, referentes as informações e alegações trazidas pela Recorrente acerca de supostos créditos de FINSOCIAL, de PIS e de COFINS, Autuações e Ações Judiciais relacionadas a tais tributos, que não são objeto do DCOMP apreciado, serão devidamente desconsideradas e não conhecidas, inclusive colaborando para uma decisão mais hígida e clara. O que fora alegado pela Contribuinte que realmente se relaciona com seu pleito compensatório é que, ao constatar que considerou indevidamente créditos de PIS e COFINS sobre produtos tributadas sob alíquota zero, efetuou o estorno desses créditos em sua contabilidade, o que teria resultado na redução do lucro e, consequentemente, ao pagamento de IRPJ e CSLL a maior no mesmo período, dando margem, então, ao seu pretendido crédito. É certo que tal alegação é plausível. Todavia, o Recorrente não procedeu a qualquer demonstração de como, efetivamente, teria se operado tal redução em sua apuração do IRPJ e muito menos produzido qualquer prova sobre tal ocorrência contábil, com reflexos tributários. Em suas razões consta apenas tal afirmação, abstrata e genérica, de redução das bases tributáveis do IRPJ pelo estorno de crédito de PIS e COFINS. Ora, a simples afirmação textual em peças de defesas da ocorrência de um fato que levou à redução da apuração de um determinado tributo, claramente, não basta para configurar e provar um recolhimento a maior ou indevido, sobretudo quando confirmada pela Unidade de Fiscalização a precisão quantitativa do débito que o recolhimento em questão extinguiu. Nos processos administrativos referente a restituição e compensação é ônus do contribuinte a prova de seu crédito, devendo trazer aos autos demonstrações precisas e conjunto fáticoprobatório que ateste cabalmente sua existência, certeza e liquidez, desconstruindo, assim, os fundamentos de sua não homologação. Fl. 2455DF CARF MF 8 Em acréscimo, frisese que a própria Contribuinte afirma que não teria procedido à retificação da DCTF em que o débito de IRPJ, saldado com o DARF que teria dado origem ao crédito agora perquirido (vez que supostamente alterada a monta de tal débito, revelando pagamento a maior/indevido). Em momento algum foi acostada sua versão retificadora. Por sua vez, a entrega de DCTF constitui confissão de débito tributário. E, como já mencionado, o pagamento supostamente a maior/indevido que gerou o crédito ora pleiteado foi precisamente alocado para saldar tal obrigação constituída, perfeitamente no seu valor. Assim, juridicamente e para todos os fins fiscais, não foi apresentado nenhum elemento (DCTF retificadora ou provas contábeis) que possa desconstituir ou alterar tal débito, devido e exigível monta pela qual declarado na DCTF do período. Desse modo, não foi devidamente comprovada a existência crédito de IRPJ alegado na DCOMP em tela. E digase que, ainda que a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS possa, em alguns casos, ter reflexos diretos na apuração do IRPJ, não foi devidamente alegado, demonstrado ou mesmo provado pela Contribuinte como tal redução teria, também, culminado no recolhimento a maior/indevido que originou crédito especificamente pleiteado na DCOMP objeto do presente feito. Por fim, frisese que não há qualquer necessidade da realização de diligência, vez que presentes e demonstrados todos elementos necessários ao convencimento motivado e à devida fundamentação do presente voto, observado o disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o v. Acórdão recorrido, para não reconhecer o crédito pretendido. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 2456DF CARF MF Processo nº 10880.689993/200997 Acórdão n.º 1402002.855 S1C4T2 Fl. 2.453 9 Fl. 2457DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.918873/2012-64
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010
PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não tendo sido a matéria contestada na manifestação de inconformidade, considera-se não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual.
Numero da decisão: 3002-000.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria nulidade da multa de mora e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010 PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. NÃO CONHECIMENTO. Não tendo sido a matéria contestada na manifestação de inconformidade, considera-se não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual.
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CHEBLY EMPREENDIMENTOS DE PUBLICIDADE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010 PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. NÃO CONHECIMENTO. Não tendo sido a matéria contestada na manifestação de inconformidade, considerase não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria nulidade da multa de mora e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 88 73 /2 01 2- 64 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.918873/201264 Acórdão n.º 3002000.054 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de declaração de compensação de pagamento a maior de Cofins, no valor de R$ 16.224,72, relativa ao mês setembro/2010 e transmitida por meio de Per/Dcomp em fevereiro/2011 (fls. 28 a 32). A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte (DRF/BHE) não homologou a compensação por haver constatado que o pagamento discriminado no Per/Dcomp havia sido utilizado integralmente para a quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação solicitada (fl. 26). A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, na qual esclareceu que, a partir da informação constante no Despacho Decisório de que o crédito utilizado no Per/Dcomp não estava na DCTF da competência declarada, providenciou a retificação das DCTF das competências 06/2010, 09/2010 e 12/2010, de acordo com os valores corretos já declarados na DIPJ/2011 (fls. 2 a 5). A Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) proferiu o Acórdão nº 0245.931 (fls. 45 a 48), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que a verificação do DACON anterior ao despacho decisório não evidenciou a existência de pagamento indevido ou a maior e que a retificação de DACON e DCTF após o despacho decisório não eram suficientes para demonstrar a razão do contribuinte. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2010 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar em crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 54 a 64), no qual apresentou as seguintes alegações: a) o erro cometido pela contribuinte consistiu em considerar meras transferências bancárias entre contas da contribuinte como se fossem receitas (faturamento) e incluílas, equivocadamente, na base de cálculo da Cofins; b) em não ocorrendo o fato gerador, não surge a obrigação tributária, sendo o mero erro formal da contribuinte insuficiente para embasar a cobrança indevida do tributo; e Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.918873/201264 Acórdão n.º 3002000.054 S3C0T2 Fl. 4 3 c) caso não se entenda pelo reconhecimento do crédito, com a consequente homologação da compensação, a multa de mora deve ser anulada por ser flagrantemente desproporcional e, portanto, inconstitucional e ilegal, caracterizando o confisco vedado pelo art. 150 da CF. A título de prova, juntouse: 1 planilha com os créditos em conta bancária que representam as transferências consideradas equivocadamente como faturamento – competências 06/2012 e 09/2012 (fls. 65 e 66); e 2 extratos bancários do Banco do Brasil e do Banco Itaú, relativos ao mês 09/2010 (fls. 67 a 78). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A situação que ora se analisa trata de um contribuinte que, ao ter negada a homologação de sua declaração de compensação, apresenta uma manifestação de inconformidade na qual alega a ocorrência de erro de cálculo, sem apresentar qualquer explicação sobre a origem ou a natureza do alegado erro, acompanhada da retificação da DCTF e do Dacon, sem juntar, porém, qualquer documento que justifique e demonstre a correção das retificações efetuadas. Apenas agora, em fase de recurso voluntário, esclarece que seu erro consistiu na inclusão na base de cálculo da Cofins de certos valores creditados em sua conta bancária, decorrentes de empréstimos para capital de giro e resgates de títulos, como se fossem receitas das atividades da empresa. E junta extratos bancários que mostram a origem desses depósitos. Tratase, então, de uma discussão sobre o que configura prova, o ônus da prova e o momento para a sua produção. Quanto ao fato de não constituir prova a simples retificação da DCTF e do Dacon após decisão denegatória, desacompanhada de documentação que a ampare, parece não haver dúvida, uma vez que nem a recorrente contestou esse ponto na decisão de primeira instância. Partilhase desse entendimento da DRJ, que tem sua raiz no art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN), que assim dispõe: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.918873/201264 Acórdão n.º 3002000.054 S3C0T2 Fl. 5 4 § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Aliese à essa determinação do CTN que a DCTF é o documento que formaliza o cumprimento da obrigação acessória de informar créditos e débitos à Administração em relação aos principais tributos federais, tendo força de confissão de dívida e representando instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme o art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984. Dessa forma, resta indiscutível a necessidade de comprovação do erro que se pretende corrigir por meio de retificação da declaração visando à redução do débito. Relativamente à responsabilidade pelo ônus da prova, pertence ao requerente nas solicitações de restituição, ressarcimento e compensação, uma vez ser ele a alegar o direito perante a Fazenda Nacional. Define o Código de Processo Civil em seu art. 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, ainda sobre o tema, assim dispõe a Lei nº 9.874, de 1999, que trata dos processos administrativos: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. (grifado) Mas sobre esse ponto parece também não haver divergência, pois o contribuinte, ciente da sua omissão no desenrolar do processo, tenta agora fazer a produção de prova. E aí reside o ponto fulcral deste julgamento. O Decreto nº 70.235, de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal, dispõe sobre a impugnação ou a manifestação de inconformidade da seguinte forma (que segue o mesmo rito por força do disposto no § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.918873/201264 Acórdão n.º 3002000.054 S3C0T2 Fl. 6 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo recorrente a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância, considerado o contraditório em toda a sua extensão. Entretanto, quando por sua própria vontade o recorrente não exerce o seu direito, chega ao Colegiado uma discussão esvaziada. Consoante o art. 16 do PAF, preclui o direito do recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazêlo tempestivamente por motivo de força maior, ou por novos fatos ou razões, trazidos aos autos ou ocorridos após a juntada da manifestação. Ainda, sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição da recorrente em que demonstre, com fundamentos, a ocorrência de alguma das exceções previstas na Norma. Pois bem, nenhuma das condições estabelecidas pelo PAF se faz presente. Tanto o motivo do alegado direito ao crédito quanto as ditas provas somente se deram a conhecer nesta fase, sem qualquer explicação pela apresentação tardia injustificada. Por consequência, configurada está a preclusão temporal. Há de se ponderar, todavia, que a ocorrência de determinadas especificidades permitiria ao julgador conhecer da prova apresentada intempestivamente, em prol da verdade material, que é um princípio caro ao processo administrativo fiscal. Para tanto, esperase, ao menos, que o contribuinte tenha tentado demonstrar o seu direito, por meio de alegações substanciais e da juntada de documentação robusta à manifestação de inconformidade, ou seja, que tenha desempenhado sua parte no momento oportuno. Em havendo o contribuinte procedido dessa forma, poderseia conceber o conhecimento da documentação juntada ao recurso voluntário, visando a esclarecer algum ponto ou a reforçar o valor do que foi anteriormente apresentado, algo natural no decorrer da marcha processual. Mas não é o caso nestes autos. Um segundo aspecto importante para o aceite extemporâneo diz respeito ao valor probatório da documentação apresentada na fase do recurso voluntário. É de conhecimento corrente que a compensação somente pode ser autorizada para os créditos líquidos e certos, por força do art. 170 do CTN. Logo, as provas tardias deveriam se desincumbir dessa tarefa com excelência, de tal forma que não restasse ao julgador senão adotar o caminho proposto pelo contribuinte (considerando que ele houvesse atendido o pressuposto anterior). Sobre esse quesito, a recorrente traz uma planilha de movimentação da conta bancária, com os 10 depósitos em conta bancária que teriam sido acrescidos indevidamente à base de cálculo da Cofins e foram por ela excluídos quando das retificações de DCTF e Dacon. Essa planilha, que se transcreve a seguir, está acompanhada dos extratos bancários (fls. 67 a Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.918873/201264 Acórdão n.º 3002000.054 S3C0T2 Fl. 7 6 78). Na planilha foi informado tratarse de movimentação do ano de 2012, mas esse lapso foi desconsiderado, uma vez estar claro que se refere à 2010. Data Descrição da Movimentação Valores Excluídos Faturamento Planilha 1 01/09 Itaú (resgate operação compromissada) 90.015,86 2 02/09 Itaú (resgate operação compromissada) 1.019,84 3 03/09 Itaú (resgate aplicação compromissada) 75.026,37 4 08/09 Banco do Brasil (DOC devolvido) 300,00 5 10/09 Banco do Brasil Giro Flex (resgate aplicação) 155.000,00 6 10/09 Itaú (resgate operação compromissada) 34.235,00 7 10/09 Itaú (Ag TEF 0781.519996) 180.000,00 8 22/09 Carvalhais Consultores Associados Ltda 3.500,00 9 27/09 Itaú (DEV DOC 056792 24/09 MOT 57) 1.505,28 10 29/09 Itaú (depósito dinheiro) 188,36 Total 540.790,71 1.865.567,98 Diferença Apurada 1.324.777,27 Procedeuse a um batimento simples entre os dados da planilha e os extratos bancários. Nas operações de nº 1 a 6, que se relacionam com resgate de operação compromissada e capital de giro, está clara a origem do valor. No entanto, sobre a operação de nº 7 a única informação que o extrato bancário nos traz é que se trata de um crédito na conta do contribuinte no valor de 180 mil reais, provavelmente feita a partir de uma outra conta também do Banco Itaú. Mas nada ali nos confirma que não se trata de receita por serviços prestados. A operação nº 8 não existe na data de 22/09. Há um depósito em cheque no valor de 3.500 reais no dia 20/09, mas é impossível saber por que motivo foi feito o depósito. É o mesmo caso do depósito em dinheiro da operação nº 10, não se sabe por que motivo tal valor foi depositado na conta bancária. Nesses casos, o extrato bancário não demonstra nada. A operação nº 9 não ocorreu no dia 27/09, como consta da planilha, mas no dia 24/09. Uma simples averiguação, realizada em um conjunto tão pequeno de dados já nos aponta uma inconsistência na planilha do contribuinte e que, se confirmada, teria por consequência a certeza de que a retificação realizada no Dacon e na DCTF é equivocada. O segundo aspecto, também fundamental, é que se consideramos apenas as informações existentes nos autos, não há como saber se tais valores compunham de fato a base de cálculo da Cofins, nem se a sua exclusão acarretaria verdadeiramente a redução da Cofins devida de R$ 54.029,22 para R$ 37.804,50. A recorrente efetua uma alteração que afeta o cálculo da contribuição para todo o período (setembro/2010), mas não providencia informações que evidenciam o que alega, como uma memória de cálculo da contribuição, antes e após as exclusões, amparada em documentos contábeis e fiscais revestidos das necessárias formalidades. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.918873/201264 Acórdão n.º 3002000.054 S3C0T2 Fl. 8 7 Em suma, está precluso o direito de apresentação de prova documental e, ainda que assim não fosse, a documentação juntada em fase de recurso voluntário não logra demonstrar o direito da recorrente. Por fim, não conheço da alegação de nulidade da multa de mora, por ser desproporcional e caracterizar o confisco vedado pelo art. 150 da CF, visto que esta matéria não foi refutada na manifestação de inconformidade e não existe previsão legal para inovação das alegações nesta fase processual. Como dito anteriormente, a manifestação de inconformidade é peça fundamental do contencioso administrativo, vez que delimita a lide. O PAF determina que os motivos de fato e direito, bem como as razões e os pontos de discordância sejam mencionados na manifestação de inconformidade, devendo ser considerada matéria não impugnada aquela que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, nos termos dos seus arts. 16, inciso III, e 17. Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer da matéria nulidade da multa de mora e, em relação à parte conhecida do recurso voluntário, negar provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.005472/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. DESISTÊNCIA.
Não se deve conhecer de recurso voluntário por falta de interesse se, antes do julgamento, a contribuinte já havia formalizado sua renúncia ao contencioso administrativo por adesão à parcelamento regularmente deferido.
Numero da decisão: 2201-004.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos, atribuindo-lhe efeitos infringentes, para, sanando o vício apontado, não conhecer do recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente).
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. DESISTÊNCIA. Não se deve conhecer de recurso voluntário por falta de interesse se, antes do julgamento, a contribuinte já havia formalizado sua renúncia ao contencioso administrativo por adesão à parcelamento regularmente deferido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos, atribuindo-lhe efeitos infringentes, para, sanando o vício apontado, não conhecer do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (Assinado digitalmente). Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1503; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 856 1 855 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.005472/200841 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2201004.355 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de março de 2018 Matéria EMBARGOS INOMINADOS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado VIACAO CIDADE LUZ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. DESISTÊNCIA. Não se deve conhecer de recurso voluntário por falta de interesse se, antes do julgamento, a contribuinte já havia formalizado sua renúncia ao contencioso administrativo por adesão à parcelamento regularmente deferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos, atribuindolhe efeitos infringentes, para, sanando o vício apontado, não conhecer do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente). Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 54 72 /2 00 8- 41 Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10380.005472/200841 Acórdão n.º 2201004.355 S2C2T1 Fl. 857 2 Relatório Tratamse de Embargos Inominados, previstos no artigo 66, Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em face do acórdão 2403 00.147, proferido no dia 21/09/2010, assim ementado: PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. COMPENSAÇÃO. A compensação depende da reciprocidade das obrigações e da liquidez do crédito. Em síntese, a embargante alega a existência de pedido e deferimento de parcelamento do débito impugnado (documentos de fls. 820/842), o que caracteriza a confissão da dívida e importa na renúncia ao contencioso administrativo. O referido parcelamento foi protocolado no dia 02/07/2008, ou seja, depois do protocolo do Recurso Voluntário, dia 30/04/2007 e antes do julgamento do referido recurso, que se deu no dia 21/09/2010. O despacho de fls. 853/855 recebeu os embargos e o submeteu à julgamento com o fim de analisar os efeitos do parcelamento no acórdão embargado. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Conforme alegado pela embargante e confirmado na documentação acostada, houve o pedido de parcelamento por parte de contribuinte depois da interposição do recurso e antes do acórdão que julgou o Recurso Voluntário. Embora o pedido de parcelamento tenha ocorrido antes do proferimento do acórdão, a informação acerca de sua existência só chegou ao conhecimento deste Conselho após o julgamento do recurso apresentado pela contribuinte. A ausência de informação acerca do parcelamento resultou no conhecimento e julgamento do Recurso Voluntário apresentado. Caso fosse de conhecimento da Turma julgadora a existência do referido parcelamento/desistência de contestação o Recurso Voluntário não teria sido recebido por falta de interesse recursal. Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10380.005472/200841 Acórdão n.º 2201004.355 S2C2T1 Fl. 858 3 Confirmado o lapso manifesto que levou ao equívoco no julgamento, não resta saída diversa do acolhimento dos presentes embargos com efeitos infringentes para sanar o vício e modificar a decisão recorrida. Em caso semelhante ao em apreço, decidiu o CARF, através do acórdão 2202004.328, relatado pelo Conselheiro Martin da Silva Gesto: EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. INFORMAÇÃO TRAZIDA AOS AUTOS APÓS O JULGAMENTO. Tratase de lapso manifesto, pois a apreciação pelo Colegiado do recurso voluntário deveria ter levado em consideração a existência da adesão da contribuinte a parcelamento, o que caracterizaria a desistência do recurso. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA. O pedido de parcelamento pelo sujeito passivo importa a desistência do recurso, configurando renúncia ao direito sobre o qual se funda a lide, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão a ele favorável. Embargos Acolhidos. Destarte, entendo que a manifestação de desistência formulada em relação ao vertente crédito tributário, em momento anterior ao julgamento, nos redireciona ao reexame das condições de admissibilidade do recurso. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por acolher os embargos inominados com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 240300.147, alterar a decisão embargada para não conhecer do recurso voluntário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 858DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.917219/2008-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO EM EXERCÍCIO SEGUINTE. Por força do artigo 6º, § 1º, II, da Lei nº 9.430, de 1996, o saldo negativo do imposto apurado em 31 de dezembro será compensado com o imposto a ser pago a partir do ano subsequente, assegurada a alternativa de requerer, a restituição do montante pago a maior. Nos casos de períodos sucessivos o saldo negativo do ano anterior se incorpora no fluxo do saldo do ano seguinte até que efetivamente a empresa possua condições de compensar. Em havendo longo período de prejuízos ou situações de fase não operacional em que não exista imposto a pagar, dito saldo não é atingido pela decadência. O termo inicial dessa contagem se dá a partir do período em que o contribuinte não puder mais aproveitar os créditos, mormente pela mudança do regime de tributação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.813
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, determinando-se o retorno dos autos à DRF de origem para, mediante complementação do despacho decisório, verificar a procedência do direito creditório do contribuinte, considerando os saldos negativos de recolhimento do IRPJ do ano-calendário de 1998, passíveis de utilização no ano de 1999 e seguintes. Vencida a conselheira Albertina Silva Santos de Lima que sobrestava o julgamento. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO EM EXERCÍCIO SEGUINTE. Por força do artigo 6º, § 1º, II, da Lei nº 9.430, de 1996, o saldo negativo do imposto apurado em 31 de dezembro será compensado com o imposto a ser pago a partir do ano subsequente, assegurada a alternativa de requerer, a restituição do montante pago a maior. Nos casos de períodos sucessivos o saldo negativo do ano anterior se incorpora no fluxo do saldo do ano seguinte até que efetivamente a empresa possua condições de compensar. Em havendo longo período de prejuízos ou situações de fase não operacional em que não exista imposto a pagar, dito saldo não é atingido pela decadência. O termo inicial dessa contagem se dá a partir do período em que o contribuinte não puder mais aproveitar os créditos, mormente pela mudança do regime de tributação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, determinandose o retorno dos autos à DRF de origem para, mediante complementação do despacho decisório, verificar a procedência do direito creditório do contribuinte, considerando os saldos negativos de recolhimento do IRPJ do anocalendário de 1998, passíveis de utilização no ano de 1999 e seguintes. Vencida a conselheira Albertina Silva Santos de Lima que sobrestava o julgamento. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 15374.917219/200834 Acórdão n.º 140200.813 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório TERASAKI DO BRASIL LTDA, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Versa o presente processo sobre a controvérsia instaurada em razão do indeferimento pela DERAT/RJO do pleito compensatório formulado pelo interessado, onde, através do Despacho Decisório eletrônico de fls. 26, foi informado que já havia transcorrido o prazo de cinco anos para a apresentação da PER/DCOMP, eis que o saldo negativo utilizado era de 1998 e a transmissão da PER/DCOMP foi em 14/12/2004. Devidamente cientificada (fls. 12), em 22/08/2008, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade (fls. 16/25), em 22/09/2008, cujas razões de defesa abaixo se seguem: Foi apurado saldo negativo de IRPJ em 31/12/1998 e promovida a compensação do mesmo com débitos apurados em janeiro, fevereiro e março de 2002; janeiro e março até agosto de 2003; As declarações foram atos meramente declaratórios de uma situação já ocorrida, que só foram feitas porque seus consultores externos, na revisão da contabilidade, concluíram que deveriam ser informadas à Receita Federal, via PER/DCOMP as compensações então realizadas; Assim, as PER/DCOMP foram apenas apresentadas em 2004 para formalizar as compensações e foram apresentadas DCTF retificadoras para corrigir a falta das PER/DCOMP; A entrega das PER/DCOMP não passam de uma obrigação acessória, meramente formal, que até poderia ser dispensada, havendo, neste caso, prudência da impugnante em apresentálas; O direito à compensação dos valores recolhidos é imprescritível. Mas, mesmo que se entenda de forma diversa, por quaisquer das interpretações que se adote, a compensação foi promovida dentro do prazo legal, seja pela contagem de cinco anos, seja pela contagem de dez (5 + 5), uma vez que o crédito era de 1998 e a compensação foi efetuada em 2002 e 2003; Cumpre ser destacado que o presente pedido é de compensação de crédito tributário. Assim deferese ou não a mesma; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 15374.917219/200834 Acórdão n.º 140200.813 S1C4T2 Fl. 0 3 Caso entendase, o que se admite por eventualidade, que ocorreu a decadência, por óbvio não poderia então a presente declaração ter o condão de promover o lançamento de crédito tributário, posto tratarse de pedido de compensação; Resta à autoridade homologar ou não a compensação, mas caso não a homologue deverá promover eventual cobrança dos créditos que teriam sido extintos com a compensação por meio próprio; Mesmo que absurdamente se entenda pela inexistência do direito à compensação efetuada, o presente não deve se prestar para quaisquer lançamentos, até porque, diante de um lançamento a impugnante deve ter assegurado o direito à ampla defesa e ao contraditório, o que só pode ser feito através da impugnação. A decisão recorrida está assim ementada: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA QUINQUENAL. OBRIGATORIEDADE DA APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. É obrigatória a apresentação do pedido de compensação por meio eletrônico, cujos efeitos da inobservância são a não declaração da compensação e considerado não formulado o pedido. O direito de pleitear a restituição ou a compensação extinguese em cinco anos, contados a partir da data da efetivação do suposto indébito. PRAZO PARA PLEITEAR RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial para reconhecimento de direito creditório, relativo a tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, ainda que tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF, extinguese após o transcurso de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, inclusive na hipótese de tributos lançados por homologação, nos termos dos artigos 150, § 1º, 165 e 168, todos do Código Tributário Nacional. SALDO NEGATIVO IRPJ. PER/DCOMP. DECADÊNCIA DO DIREITO. FLUÊNCIA DO PRAZO QÜINQÜENAL. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real, optante pelo pagamento mensal por estimativa, tem o prazo de cinco anos, a partir do fato gerador para apresentar o pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ e da CSLL nela verificado. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 15374.917219/200834 Acórdão n.º 140200.813 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Em litígio o reconhecimento de direito creditório sobre saldos negativos de recolhimentos (SNR) de IRPJ do anocalendário de 1998, que segundo a DRF e DRJ não poderia ser objeto de compensação 2004, quando da transmissão da DCOMP Pois bem, o entendimento majoritário deste colegiado é no sentido de que os SNR, tanto de IRPJ quando de CSLL, acumulamse a cada período, formando uma espécie de “contacorrente”, à semelhança do Saldo de Prejuízos Fiscais passiveis de compensação, devendo ser controlado na escrita contábil e no Lalur. O SNR do período anterior se incorpora no fluxo do saldo do ano seguinte até que efetivamente a empresa possua condições de compensar. Citese nesse sentido o Acórdão no. 140200604 de 30/06/2011, cuja ementa e voto condutor, da lavra do ilustre conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, elucidam. Ementa SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado, escriturado e declarado ao Fisco, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. De igual forma, a administração tributária conta também com 5 anos para verificar a correção dos valores pleiteados, estando a contribuinte obrigada a manter a escrituração e comprovantes e boa guarda, em observância ao artigo 264 do RIR/2009. Voto A Câmara Superior nos últimos 3 anos, havia sedimentado o entendimento no sentido que, regra geral, o prazo para pleitear a restituição extinguese mesmo após 5 anos, contados do pagamento, nos termos do art. 168, inciso I, do CTN, conforme decido no acórdão nº 016000, proferido em 12/08/2008. Especificamente quanto ao saldo negativo de recolhimentos de IRPJ e CSLL, a 1a. Turma da CSRF vinha decidindo que o inicio da contagem prazo deslocase para a data da entrega da declaração. Nesse sentido citese o seguinte julgado. Acórdão nº 0106.047, de 10/11/2009, proferido no recurso 105152.539. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 15374.917219/200834 Acórdão n.º 140200.813 S1C4T2 Fl. 0 5 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido; extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165 I e 168 I da Lei 5172 de 25 de outubro de 1966 (CTN). No caso do saldo negativo de IRPJ/CSLL (real anual), o direito de compensar ou restituir iniciase em abril de cada ano (Lei 9.430/96 art. 6° / RIR199 ART. 858 § 1° INCISO II). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam integrar o presente julgado. Todavia, na sessão da CSRF de agosto/2010, a matéria foi revista, conforme Acórdão 910100.347 (ementa e fundamentos a seguir transcritos): Ementa: SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL,acumulado, devidamente apurado e escriturado, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos,mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades.Recurso Provido. [...] Voto (...) Pois bem, o saldo negativo de recolhimentos do IRPJ e da CSLL afloram quando o valor das antecipações desses tributos – retenções em fonte ou recolhimentos por estimativa superaram o valor apurado a partir do lucro real(IRPJ) ou lucro liquido ajustado, respectivamente. Vejamos o que dispõe a legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social a partir do anocalendário de 1997. Lei 9.430 de 1996: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15. da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 15374.917219/200834 Acórdão n.º 140200.813 S1C4T2 Fl. 0 6 § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. (...) Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. (...) Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. pela análise da sistemática de apuração, recolhimento e compensação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e Contribuição Social – Lucro Real a partir do anocalendário de 1997, sob a égide da Lei 9.430/1996, estou Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 15374.917219/200834 Acórdão n.º 140200.813 S1C4T2 Fl. 0 7 convencido de que não há prazo para o contribuinte pleitear a restituição do chamado saldo negativo de recolhimentos do IRPJ e CSLL, devidamente apurado e apurado. Isso porque a lei estabeleceu um contacorrente. Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. § 1º A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. § 2º O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta da receita da União. § 3º O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. § 4º O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. § 5º O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado. § 6º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota de um por cento, sobre o montante a ser pago. § 7º O valor da contribuição para a seguridade social COFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. § 8º O valor da contribuição para o PIS/PASEP, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL SRF nº 93 de 24.12.1997 Apuração Anual do Lucro Real Art. 23. O imposto devido sobre o lucro real de que trata o §6º do art. 2º será calculado mediante a aplicação da alíquota de 15% (quinze por cento) sobre o lucro real, sem prejuízo da incidência do adicional previsto no §3º do art. 2º. §1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido com observância das leis comerciais. §2º Considerase lucro real o lucro líquido do períodobase, ajustado pelas adições prescritas e pelas exclusões ou compensações autorizadas pela legislação do imposto de renda . Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 15374.917219/200834 Acórdão n.º 140200.813 S1C4T2 Fl. 0 8 §3º Observado o disposto no §4º do art. 2º, para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: a) dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente; b) dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; c) do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; d) do imposto de renda calculado na forma dos arts. 3º a 6º e 10, pago mensalmente; e) do imposto de renda da pessoa jurídica pago indevidamente em períodos anteriores, ainda que compensado no decurso do anocalendário com o imposto de renda devido, apurado com base nas regras dos arts. 3º a 6º e 10. §4º Para efeito de determinação dos incentivos fiscais de dedução do imposto, serão considerados os valores efetivamente despendidos pela pessoa jurídica. (...) Art. 49. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, observadas as alterações previstas na Lei nº 9.430, de 1996. IN SRF 210/02 IN Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL SRF nº 210 de 30.09.2002 Restituição Art. 2º Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Parágrafo único. A SRF poderá promover a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf que não estejam sob sua administração, desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. Art. 3º A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia, mediante utilização do "Pedido de Restituição"; II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); ou Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 15374.917219/200834 Acórdão n.º 140200.813 S1C4T2 Fl. 0 9 III de ofício, em decorrência de representação do servidor que constatar o indébito tributário. (...) Art. 6º Os saldos negativos do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. Constatase que o aproveitamento dos saldos negativos nos períodos de apuração seguintes independe autorização prévia da RFB, muito menos está sujeita a apresentação de DCOMP. Tratase de um verdadeiro contacorrente, a exemplo do que ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializado. A cada mês o contribuinte apura o tributo devido, verifica o saldo de recolhimento do período anterior (existência de saldo negativo), bem como as retenções na fonte, e apura o saldo a pagar ou o novo saldo negativo de recolhido. Tratase de um procedimento dinâmico, que deve ser controlado no Lalur. O contribuinte deve manter em boa guarda todos os comprovantes de apuração, retenção e recolhimentos, enquanto estiver realizando aproveitamento de saldos anteriores, tal qual ocorre com o saldo de prejuízos fiscais ou lucro liquido negativo ajustado. Enquanto o contribuinte se mantiver no regime de apuração do lucro real poderá aproveitar esses saldos negativos de recolhimento. Mas se encerrar suas atividades ou mudar de regime, tem cinco anos para pleitear a restituição ou compensação desse saldo. No imposto de renda das pessoas físicas ocorre situação diversa, mas a diferença a maior entre as retenções em fonte e o imposto apurado no ajuste anual é restituído na forma da legislação de regência, sendo que essa declaração deve ser apresentada no prazo de 5 (cinco) anos, caso deseje receber a restituição. Frisese que o contribuinte do IRPF não tem a faculdade de compensar espontaneamente o imposto apurado nos anos seguintes, mesmo que tenham apresentado a declaração de ajuste. Aliás, é vedada qualquer tipo de compensação, devendo o contribuinte aguardar a restituição pela RFB. Registrese que, da mesma forma que o contribuinte pode pleitear hoje a restituição de saldos nos quais estão incluídos valores gerados há 10 dez ou 15 anos, a Fazenda Pública pode fiscalizar a formação desses saldos. Não se trata, evidentemente, de auditoria do lucro liquido ou lucro real apurado pelo contribuinte, cujo prazo continua sendo contado na forma do art. 150 c/c 173 do CTN, e sim da efetividade dos recolhimentos, IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações (inclusive com outros tributos), enfim: a própria formação do saldo. O art. 264 do RIR/1999 preceitua que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes; ou seja: o direito creditório pleiteado pelo contribuinte deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa e, para tanto, ela pode e deve investigar a origem do alegado crédito, qualquer que seja o tempo decorrido, e cabe ao contribuinte manter em boa ordem a documentação pertinente, enquanto não prescritas eventuais ações relativas ao Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 15374.917219/200834 Acórdão n.º 140200.813 S1C4T2 Fl. 0 10 crédito em questão. Tal situação se verifica no presente caso. (os grifos são do original). Caso os fundamentos acima referidos não fossem suficientes para prover o recurso, tendo a tese dos 5 + 5, sido referendada pelo STF, nos termos do artigo 543B, do CPC, o que à luz do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, vincula as decisões deste colegiado, o recurso também seria provido pela aplicação da decisão aqui referida. Do exposto, resta determinar seja proferido novo despacho decisório, no qual deverá ser verificado o SNR do IRPJ acumulado no anocalendário de 1998, não utilizados pelo contribuinte, passíveis de compensação nos períodos de apuração seguintes. Outrossim, na elaboração do novo despacho decisório, cumpre a Unidade de Origem verificar as justificativas e documentos apresentados pelo contribuinte em relação às demais matérias em litígio não apreciadas neste acórdão, haja vista que se está reiniciando a lide. Após cientificado do novo despacho decisório o contribuinte poderá apresentar manifestação de inconformidade à DRJ, caso não lhe seja favorável. Todavia, se quedar inerte, este processo administrativo será encerrado, sendo descabível o retorno dos autos ao CARF. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, determinandose o retorno dos autos à DRF de origem para verificar a procedência do direito creditório do contribuinte, considerando os saldos negativos de recolhimento do IRPJ do ano calendário de 1998, passiveis de utilização nos anos de 1999 e seguintes. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
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Numero do processo: 10245.720137/2011-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
DOAÇÃO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE TRANSFERÊNCIA.
Na transferência de direito de propriedade por doação em adiantamento da legítima, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do doador. Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do Doador sujeitar-se-á à incidência de imposto de renda sobre o ganho de capital.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO IMÓVEL RURAL. BENFEITORIAS. ATIVIDADE RURAL.
Deve ser adicionado ao valor da terra nua alienada, o produto da alienação das benfeitorias, quando os respectivos investimentos não houverem sido considerados na apuração do resultado da atividade rural.
Numero da decisão: 2402-006.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior Renata Toratti Cassini
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE TRANSFERÊNCIA. Na transferência de direito de propriedade por doação em adiantamento da legítima, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do doador. Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do Doador sujeitarseá à incidência de imposto de renda sobre o ganho de capital. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO IMÓVEL RURAL. BENFEITORIAS. ATIVIDADE RURAL. Deve ser adicionado ao valor da terra nua alienada, o produto da alienação das benfeitorias, quando os respectivos investimentos não houverem sido considerados na apuração do resultado da atividade rural. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 72 01 37 /2 01 1- 26 Fl. 242DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior Renata Toratti Cassini (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10245.720137/201126 Acórdão n.º 2402006.065 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração em 11.07.2011 para constituição de IRPF no valor principal de R$ 103.766,05, acrescido da multa de ofício (75%) e dos juros legais Selic. A autuação decorre da constatação das infrações a seguir: 1 Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais exercícios 2007, 2008 e 2009. Do Termo de Verificação Fiscal de fls. 124/140, extraemse os seguintes fatos de relevo para o caso: Em 06.01.2004, o recorrente recebeu de seus pais, em doação, 1/3 da Fazenda São Sebastião, que foi alienada em 24.06.2005 pelo valor de R$ 2.266.000,00, relativo a 2/3 do imóvel, a ser pago de forma parcelada ao longo de 2005 a 2007, conforme escritura pública de compra e venda. Ao final, foi considerado o valor de R$ 1.997.507,68 como sendo o de alienação, cabendo R$ 998.753,84 ao sujeito passivo. Referido imóvel integrou seu patrimônio, em sua DIRPF/05, por R$ 13.581,40, valor correspondente à transferência declarada na DIRPF do alienante. Segundo aponta a Fiscalização, o documento de aquisição não faz referência a benfeitorias existentes. Contudo, foi identificado DIAT para 2004, com VTN no valor de R$ 55.000,00. Sendo assim, atribuiu ao imóvel, o custo de aquisição de R$ 18.333,33 (R$ 55.000,00 / 3 ). Na alienação, da mesma forma e segundo a Fiscalização, o documento do negócio não especificou os valores da terra nua e das benfeitorias, sequer atestou sua existência. No mesmo sentido, foi identificado DIAT para 2005 (ano da alienação) , com VTN no valor de R$ 55.000,00. Contudo, em função do respondido pelo contribuinte, no sentido de que o valor da terra nua corresponderia a R$ 880.000,00, foi considerado, como VTN, o valor de R$ 440.000,00 (1/2 do valor informado), que coincidiu com aquele declarado pelo contribuinte no Demonstrativo de Apuração dos Ganhos de Capital relativos ao ano calendário 2005, anexo à sua DIRPF/06. Fl. 244DF CARF MF 4 Quanto às benfeitorias, após o recorrente ter informado a inexistência de aquisições no período de 01/2004 a 06/2005, o valor a elas relacionados (R$ 1.386.000,00/2) foi adicionado ao de alienação do imóvel. Em 2004, não apurou resultado da atividade rural. Em 2005, 2006, 2007 e 2008 declarou receitas, apenas receitas, da atividade rural, que, segundo o contribuinte, decorreriam da venda das benfeitorias existentes. Regularmente intimado, apresentou Impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRJ, às fls. 200/210. Em seu Recurso Voluntário às fls. 223/235, aduz, em síntese: Que uma vez verificada a subavaliação do VTN, a Fiscalização deveria proceder ao lançamento de ofício, utilizandose do VTN no SIPT, valendose dos critérios do artigo 12, § 1º, II da Lei 8.629,93; Que a sistemática adotada, aquela da Instrução Normativa SRF nº 84/2001, não observou as determinações legais; Que as benfeitorias já existentes antes da aquisição não foram consideradas pela fiscalização juntamente ao VTN da aquisição; Que ao tributar as benfeitorias na apuração do ganho de capital, implicou em bitributação, eis que teriam sido tributadas como receita da atividade rural; Que juntou aos autos as DIRPF do doador, que comprovariam a existência das benfeitorias; e Que não havia como declarar as benfeitorias como custo/despesa, pois não foi ele quem as constituiu. É o relatório. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10245.720137/201126 Acórdão n.º 2402006.065 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 04.05.2015 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 03.06.2015. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. A controvérsia reside na utilização dos incisos I e II do § 2º do artigo 19 da Instrução Normativa 84/2001, frente ao que dispõe o artigo 19 da Lei 9.393/96, além do fato de a Fiscalização não ter adicionada ao valor de aquisição, as pretensas benfeitorias. Art. 19. Considerase valor de alienação: § 2o Na alienação dos imóveis rurais, a parcela do preço correspondente às benfeitorias é computada: I como receita da atividade rural, quando o seu valor de aquisição houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural; II como valor da alienação, nos demais casos. Mais especificamente, o fato de a autoridade autuante ter adicionado o valor da alienação das benfeitoras ao VTN declarado e reconhecido pelo contribuinte. No entender do contribuinte, tal valor deveria ser reconhecido como receita da atividade rural. Passemos, assim, a análise sistêmica dos dispositivos, inseridos no arcabouço normativo que trata da matéria. O artigo 153 da nossa Constituição Federal estabelece competir à União instituir impostos sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Por sua vez, o artigo 43 do CTN define que renda é o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, ao passo que proventos, os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda. Nessa linha, o artigo 3º da Lei 7.713/88, em especial seu parágrafo 2º, como regra matriz para incidência do IR sobre o ganho de capital (GCAP), prescreve que integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de BENS OU DIREITOS DE QUALQUER NATUREZA. E mais, o § 3º, ao dispor sobre a alienação, é claro ao mencionar que serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. Ou seja, o diploma legal acima, que não trata especificamente do imóvel rural, tampouco o excetua da sistemática, traz a regra geral para a exação. É dizer: todo a acréscimo patrimonial, seja sobre qual for o patrimônio, apurado quando de sua alienação, deve ser oferecido à tributação. E não se deve perder isto de vista. Fl. 246DF CARF MF 6 Por obvio, devem ser observadas as circunstâncias legais que autorizam a dedução ou soma dos valores, respectivamente, de alienação e do custo de aquisição, bem com aquelas que, à luz do artigo 97 do CTN, estabeleçam a isenção do imposto na operação. Tratemos, adiante, do GCAP na alienação de imóvel. Na concepção da Lei Civil, BEM IMÓVEL é o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural (Imóvel por Natureza) ou artificialmente (Imóvel por Acessão Física) (art 79) Ainda assim, não perdem o caráter de imóveis: as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local e os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem. Ou seja, pela Lei civil, tanto o solo quanto às construções e benfeitorias nele incorporadas, fazem parte do IMÓVEL. A lei 8.023/90, que trata da Atividade Rural e da apuração do seu ganho, tributável pelo IR no ajuste anual na DIRPF, não define o que vem a ser IMÓVEL RURAL, mas tão somente a atividade rural. Aquele diploma define a sistemática para a apuração do resultado da atividade rural, vale dizer, quando se pratica a atividade tal como prevista em seu artigo 2º. Em síntese: os investimentos pagos, dentre eles os que agregarão valor ao imóvel por acessão física, serão considerados despesas na apuração do resultado; e, quando de sua alienação, receita da mesma atividade. Note que o legislador possibilitou àquele que exercesse a atividade rural valerse dos investimentos em benfeitorias como despesa da atividade rural, sendo que, quando da venda do IMÓVEL, o valor a elas relacionado seria reconhecido como receita. Assim, caso houvesse algum ganho imobiliário nessas benfeitorias (imóvel por acessão), seria tratado no âmbito do ajuste anual, com as prerrogativas daquela sistemática de tributação favorecida, se fosse o caso (opção pelos 20% da receita como resultado). Em ouras palavras: quem exerce a atividade rural pode se valer dos gastos com benfeitorias como custo para essa atividade e quando vender o imóvel, reconhece a venda dessa parcela como receita. É uma oportunidade para quem exerce a atividade rural ter seu resultado afetado, imediatamente, pelos seus investimentos na produção, e não adicionado ao custo do seu imóvel para um futuro e eventual aproveitamento na redução de seu ganho de capital. E por força do artigo 14: O prejuízo apurado pela pessoa física e pela pessoa jurídica poderá ser compensado com o resultado positivo obtido nos anosbase posteriores. Perceba que a tributação dos investimentos em benfeitorias (despesas/custo), bem assim o produto de sua alienação (receita) no âmbito da atividade rural é substancialmente menor do que caso optasse por apurar o ganho de capital em sua alienação. A depender dos valores envolvidos, da forma de pagamento, da opção pela tributação de apenas 20% da receita e das deduções na apuração do ajuste, pode ser que não resulte IR devido ao final do período, ainda que a alienação tenha se dado com expressivo ganho patrimonial. É um favor fiscal, em função da política tributária, àqueles que exercem a atividade rural e reconhecem, ambos, os investimos e alienações relacionados às benfeitorias na apuração do resultado daquela atividade. Nessa linha, não é dada ao contribuinte, extrapolando a benesse fiscal, a opção por adicionar as despesas com os investimentos em benfeitorias ao custo de aquisição do Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10245.720137/201126 Acórdão n.º 2402006.065 S2C4T2 Fl. 5 7 imóvel, reduzindo, ao final, o ganho de capital na alienação do imóvel; e reconhecer o produto da venda como receita da atividade rural, levando ao ajuste apenas 20% desse valor, sobre o qual ainda serão deduzidas as despesas lá permitidas (ou deduzir em 20%, a título de desconto simplificado, observado o limite legal). Definitivamente, tenho que esta não foi a intenção do legislador. Por sua vez, fez questão de esclarecer que o valor da terra nua, quando da alienação do imóvel, não integraria a apuração do resultado da atividade rural, mas sim, por meio da apuração de GCAP prevista no artigo 3º daquela regra matriz (L. 7.713/88). Assim, a pelo menos desde 04/1990, o valor das benfeitorias, seja como investimento pago (despesa), seja na venda como bem da produção (imóvel rural), é considerado na apuração do resultado da atividade rural e, a rigor, não integram os valores de aquisição e de alienação para fins de apuração do GCAP. Posta acima a sistemática legal para apuração do resultado da atividade rural, passemos, em consonância com a análise empreendida, aplicar a metodologia legal para a apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural (por natureza e por acessão). Sob a égide da Instrução Normativa SRF nº 39/1993, revogada pela de nº 84/2001, tínhamos: Art. 18. No caso de imóvel rural será considerado custo de aquisição o valor, em UFIR, relativo à terra nua. Parágrafo único. Considerase terra nua o imóvel rural despojado das construções, instalações e melhoramentos, das culturas permanentes, das árvores de florestas plantadas e das pastagens cultivadas ou melhoradas, que se classificam como investimentos (benfeitorias) da atividade rural. Art. 22. Considerase valor de alienação: § 4º Na alienação de imóvel rural com benfeitorias, será considerado apenas o valor da terra nua. Veja que os dispositivos acima tratavam, apenas, no valor da terra nua. Assim, considerado o normativo revogado, tínhamos a seguinte questão a responder: Na alienação do imóvel rural com benfeitorias, como tratar aqueles casos em que não se exerce a atividade rural ou, se a exerce, não levou tais valores para a apuração do resultado da atividade rural, uma vez que, em função da matriz legal, integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de BENS OU DIREITOS DE QUALQUER NATUREZA ? Note que a norma matriz instituiu a incidência tributária nos ganhos de capital de maneira suficientemente abrangente, de formar que, eventual tratamento que tendesse a excluir determinada operação, como por exemplo, a alienação das benfeitorias, deveria constar expressamente de norma isentiva, na forma do artigo 111, II, do CTN. Assim, a par dessa problemática, a IN 84/2001, ao reconhecer a inexistência de norma isentiva em face da regra geral (art 3º da Lei 7.713/88) e, por outro lado, ao Fl. 248DF CARF MF 8 reconhecer o permissivo legal para o aproveitamento dos gastos com benfeitorias na apuração do resultado da atividade rural, regulamentou, com fulcro no artigo 100 da CTN: Custo de aquisição = VTN Se as benfeitorias não tiverem sido computadas como investimentos na apuração do resultado da atividade rural, poderão integrar o valor do custo de aquisição e, quando da alienação do imóvel, também integrarão o valor de alienação. Se, por outro lado, tiverem sido computadas como custo/investimento na apuração do resultado da atividade rural, deverão ser reconhecidas como receita dessa atividade rural, quando da alienação do imóvel; caso não tenham sido reconhecidas como receita, o valor comporá o de alienação. Caso não exerça ou não tenha se valido da sistemática acima e por força da regra matriz (lei 7.713/88), essa tributação se dará no âmbito da apuração do GCAP, adicionandose, tanto ao custo, quanto no valor de alienação, a parcela identificada como sendo investimento em benfeitorias. Assim, a IN SRF 84/2001 procurou dar efetividade ao benefício instituído pela lei 8.023/90, em confronto com a previsão na lei 7.713/88. Com o advento da Lei 9.393/96, que em nada modificou a sistemática então delineada, surgiu a controvérsia com relação ao aproveitamento daquele valor de terra nua, por força do que constou em seu artigo 19. A Lei 9.393/96, de 19.12.1996 dispõe sobre o ITR e, para fins de sua apuração, estabeleceu o IMÓVEL RURAL como o IMÓVEL POR NATUREZA. Apenas solo, matas e florestas nativas. É o que se costuma chamar de Terra Nua. Em um único artigo que trata do GCAP, definiu que o ganho de capital, para os IMÓVEIS RURAIS, deveria considerar o Valor daquela Terra Nua como custo de aquisição e valor da venda. Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Note que o dispositivo acima não inovou quanto a considerar o VTN como custo de aquisição e como valor da venda do imóvel rural, eis que assim já tratava a legislação tributária antes de sua edição (IN SRF 39/1993). Consoante se extrai da exposição de motivos da Medida Provisória 1.528/96, convertida na Lei 9.393/96, pretendeu o legislador que, quando da alienação da terra nua, fosse adotado o valor declarado pelo contribuinte como base de cálculo do ITR. Não quis a lei, no entender deste Relator ao tratar da apuração do ganho de capital resumir todo o imóvel rural ao valor da terra nua, mas, sim, estabelecer que para a determinação do valor do imóvel por natureza, seria observado, tanto na aquisição, quanto na alienação, o valor da terra nua VTN, declarado pelo próprio contribuinte à RFB. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10245.720137/201126 Acórdão n.º 2402006.065 S2C4T2 Fl. 6 9 A novidade foi que, com relação aos imóveis adquiridos após 01.01.1997, esse VTN seria extraído do DIAT apresentado pelo próprio contribuinte, quando da apuração do seu ITR, sendo certo que referido VTN decorreria de autoavaliação a preço de mercado no primeiro dia do ano. Tal disposição teve como razão de ser, a necessidade de legalmente instrumentalizar a administração tributária à obtenção daquele VTN, sobretudo nas situações em que o contribuinte tenha levado os valores relacionados às benfeitorias para a apuração do resultado da atividade rural (como custo e receita) e não disponha desses valores (VTN/benfeitorias) discriminados no instrumento da transação. Assim, se por um lado, o contribuinte precise demonstrar que "trabalhou" com as benfeitorias no âmbito da apuração do resultado da atividade rural, por outro, caso provado, o Fisco não pode mais se valer do instrumento da transação, quando não se especificou o que era VTN e o que eram benfeitorias. Usualmente o ônus dessa especificação era atribuído ao sujeito passivo. Nesse rumo, mais do que uma obrigação a que o fisco utilizasse daquele documento (DIAT), foi uma autorização para que a fiscalização se sentisse legalmente segura ao se valer de uma informação prestada pelo próprio sujeito passivo, sem que houvesse, a rigor, a necessidade de contraditála. Tanto o é, que na hipótese de o valor tiver sido subavaliado ou não houver a apresentação desse DIAT, a Fiscalização estará autorizada a valerse das informações que constam nos sistemas de preços de terras. Ou seja, aproveitarse de outra informação que, com alguma freqüência, pode não retratar o preço real praticado na operação em questão. Vejamos, novamente, o que diz a exposição de motivos, nesse ponto: Perceba que a intenção do legislador, ao mencionar a utilização do sistema de informação sobre preços de terras, foi a de que ele servisse de norte para a Fiscalização, não a de impor, a qualquer custo, sua utilização. Voltemos ao texto da lei, desta feita o do artigo 14: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área Fl. 250DF CARF MF 10 tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Não é difícil notar que o dispositivo tem sua redação voltada, primordialmente, para a apuração do ITR, quando estabelece que o lançamento de ofício considerará a informações sobre preços de terras constantes dos sistemas da RFB. Em outras palavras, o lançamento de ofício lá previsto é aquele por meio do qual se constituirá o ITR. Diferentemente da apuração do GCAP, quando a determinação dos valores de alienação e custo de aquisição são, ou ao menos deveriam ser, fielmente retratados em um documento que consubstancia o negócio jurídico entabulado; na apuração do ITR não se tem um documento que, com periodicidade anual, estabeleça o valor da terra nua que servirá de base para sua determinação. Razoável, nesse contexto, que se autorize, legalmente, a utilização do valor constante naquele sistema de preços de terras, sob pena de se engessar a fiscalização daquele tributo. No que toca ao precitado sistemas de preços de terras SIPT instituído pela Portaria SRF 447/2002, de 04/2002 cumpre ressaltar que o mesmo é alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR. Tais informações sobre preços de terra deverão observar os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. O dispositivo acima, da Lei 8.629/93, que regulamente a reforma agrária, foi alterado em 2001. A redação original impunha os seguintes critérios para o SIPT: o VTN segundo a: 1 localização do imóvel; 2 capacidade potencial da terra; e 3 dimensão do imóvel. Todavia, a atual redação impõe os seguintes critérios: 1 localização do imóvel; 2 aptidão agrícola; 3 dimensão do imóvel; 4 área ocupada e ancianidade das posses; 5 funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10245.720137/201126 Acórdão n.º 2402006.065 S2C4T2 Fl. 7 11 Percebese aqui nova autorização ao Fisco, que, em não havendo a apresentação do DIAT ou verificando a subavaliação do VTN, pode se nortear pelo valor de VTN no SIPT, como se aquele valor estimado correspondesse ao preço efetivamente praticado na operação, como numa espécie de "arbitramento". Note que tal documento, que traz valor do VTN proveniente de uma auto avaliação, não tem sua aplicação de forma absoluta, inconteste, conforme vimos acima (hipótese de subavaliação). Veja que esse dispositivo como dito acima visou, primordialmente, a que o Fisco contasse com certa instrumentalidade para a célere aferição da base de cálculo do ganho de capital, ainda que, num primeiro momento, ao valerse de uma informação prestada pelo próprio contribuinte, pudesse não corresponder a verdade dos fatos. Prestigiouse, nesse sentido, a celeridade e o incremento da presença fiscal. Indubitavelmente, por outro lado, trata de um dispositivo que ao agilizar o procedimento fiscal, pode, a depender do caso, não refletir a justa tributação. Podese chegar a um valor estimado, que pode ser que se aproxime ao do caso concreto, ou pode ser que não. Diferentemente da utilização dos instrumentos do negócio (escrituras e contratos, por exemplo), que, além de no mínimo obrigarem as partes envolvidas, devem observar, conforme o caso, as formalidades legais. Pois bem, esse é o cenário: Se há o DIAT, a Fiscalização PODE dele se utilizar; por outro lado, caso não haja ou se identifique patente subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a fiscalização PODE se valer das informações do SIPT; Contudo, caso tenha disponível os documentos negociais, que retratem, concretamente, a operação, deles DEVEM se valer. Mas e quando esse documento não traz especificado o VTN e as benfeitorias? Como já abordado, a sistematização das duas apurações relacionadas a imóveis rurais, quais sejam, a apuração do resultado da atividade rural a do GCAP, em consonância com a regra matriz do artigo 3º da Lei 7.713/88, conduz ao seguinte entendimento, para os imóveis adquiridos após 01.01.1997: Contribuinte utilizou os investimentos em benfeitorias na apuração do resultado da atividade rural como custo e como receita na alienação do imóvel: Custo de aquisição VTN e valor de alienação VTN PODEM ser extraídos do DIAT/SIPT ou PODEM ser extraídos dos documentos negociais, caso especifiquem o VTN. Contribuinte utilizou os investimentos em benfeitorias como custo na apuração do resultado da atividade rural, mas não reconheceu o produto de sua venda como receita da mesma atividade. Custo de Aquisição VTN PODE ser extraído do DIAT/SIPT ou PODE ser extraído dos documentos negociais, caso especifiquem o VTN; Fl. 252DF CARF MF 12 Valor de alienação PODE ser extraído dos documentos negociais valor total da alienação. Temse, nesse caso, a apuração do ganho de capital na alienação das benfeitorias, imóvel por acessão física, à luz do disposto no artigo 3º da Lei 7.713/88, eis que o produto da alienação não teria sido oferecido à tributação na apuração do resultado da atividade rural. Contribuinte não utilizou os investimentos em benfeitorias como custo na apuração do resultado da atividade rural, mas reconheceu o produto de sua venda como receita da mesma atividade. Custo de Aquisição VTN PODE ser extraído do DIAT/SIPT, adicionandose o valor das benfeitoras, caso conste dos documentos negociais ou seja comprovado pelo contribuinte. Valor de Alienação PODE ser extraído do DIAT/SIPT, adicionandose o valor das benfeitorias ou PODE ser extraído dos documentos negociais. Contribuinte não utilizou os investimentos em benfeitorias na apuração do resultado da atividade rural ou não realiza/apura atividade rural e não reconheceu o produto de sua venda como receita da mesma atividade: Custo de aquisição VTN e valor de alienação VTN PODEM ser extraídos do DIAT/SIPT, desde que adicionadas as benfeitorias (imóvel por acessão física) ou PODEM ser extraídos dos documentos negociais valor total da alienação. Destarte, observados os critérios acima e após a análise sistêmica dos artigos 14 e 19 da Lei 9.393/96, 3º da Lei 7.713/88 e do que dispõe a Lei 8.023/90, não vislumbro qualquer impropriedade na utilização dos valores que constaram dos instrumentos negociais. Não há que se falar, desta feita, em se criar tributo, base de cálculo ou mesmo alíquota por meio de Instrução Normativa, na medida em que norma infra legal nada mais fez do que conciliar a tributação privilegiada prevista na Lei 8.023/90, para aqueles que exercem atividade rural, com a norma matriz para a apuração e cobrança do ganho de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza, além de propiciar ao contribuinte fosse utilizado o valor efetivo (documentos), em detrimento de um estimado (SIPT). Supor o contrário, seria admitir apurar o ganho de capital tributável levando se em conta valores estimados que poderiam, ao final, conduzir a um valor de ganho inferior ao que efetivamente se teve como acréscimo patrimonial, implicando o reconhecimento de isenção, à margem da lei, da parcela não contemplada no DIAT/SIPT. Posta a análise da legislação, voltemos ao caso concreto, quando então serão abordados os valores que couberam ao contribuinte (1/2 da operação). O contribuinte alienou um imóvel rural que adquiriu em 2004 por doação de seus pais, cuja transferência entre os patrimônios derase pelo valor, praticamente simbólico, de R$ 13.581,40. E sobre esse valor, pretende seja acrescido o das benfeitorias que alega compor o imóvel. Entretanto, as supostas benfeitorias existentes antes de aquisição já integraram o valor da transferência, eis que efetuadas na forma do caput do artigo 119 do Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10245.720137/201126 Acórdão n.º 2402006.065 S2C4T2 Fl. 8 13 RIR/99, parte final. Aliás, foi esse o valor utilizado pelo recorrente no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital, anexado à sua DIRPF/06. Art. 119. Na transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador (Lei nº 9.532, de 1997, art. 23). § 1º Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do de cujus ou do doador sujeitarseá à incidência de imposto, observado o disposto nos arts. 138 a 142 (Lei nº 9.532, de 1997, art. 23, § 1º). Em 2005, alienouo por R$ 1.133.000,00. Não fez constar, em qualquer dos documentos das operações, qual o valor que seria atribuído à terra nua e às benfeitorias. Em função do VTN que constou do DIAT do ano da alienação, vale dizer, R$ 18.333,00, quando comparado com o valor da efetiva alienação do imóvel R$ 1.133.00000, o recorrente se viu impelido, na apuração do ganho de capital, a reajustar aquele valor da terra nua. Assim, daquele valor, atribuiu R$ 440.000,00 à terra nua, para enquadrase na isenção prevista no artigo 23 da Lei 9.250/95 e o restante, às benfeitorias, no valor de R$ 693.000,00, o qual teria sido levado ao resultado da atividade rural nos anos de 2005 a 2008, da seguinte forma: 2005 2006 2007 2008 JANEIRO FEVEREIRO MARÇO 60.000,00 ABRIL 76.450,00 44.000,00 MAIO 30.580,00 JUNHO 36.696,00 JULHO 9.174,00 67.661,41 102.986,00 AGOSTO 40.451,11 100.000,00 SETEMBRO 50.141,75 65.586,00 OUTUBRO 30.580,00 NOVEMBRO 68.659,00 DEZEMBRO 27.474,00 TOTAL 152.900,00 188.834,27 308.705,00 160.000,00 OPÇÃO 20% 30.580,00 37.766,85 61.741,00 32.000,00 DESCONTO SIMPL 6.116,00 7.553,37 11.669,72 6.400,00 BC 24.464,00 30.213,48 50.071,28 25.600,00 IR 1.574,40 2.314,98 7.467,42 1.368,94 ALÍQUOTA EFETIVA 1,03% 1,23% 2,42% 0,86% Notese que nesse período, o contribuinte não evidenciou, em suas DIRPF, que exercia atividade rural, na medida em que não se valeu de qualquer despesa com custeio ou Fl. 254DF CARF MF 14 investimento, tampouco reconheceu, como receita, valor outro que não fossem as alegadas alienações de benfeitorias. Em suma, pretendeu o recorrente alienar por R$ 1.133.000,00 em 2005, um imóvel que recebeu de seus pais por doação pelo valor de R$ 13.581,40 em 2004 e, em função da operação, apurar o IR no valor de R$ 12.725,74. Pelo todo o fundamentado acima, entendo que a legislação não autorizou ao contribuinte a tributação do produto da alienação das benfeitorias, se é que, de fato, seriam benfeitorias, como resultado da atividade rural, na medida em que não se evidenciou o exercício de tal atividade, eis que não se valeu, naquela apuração, dos investimentos nessas alegadas benfeitoras e/ou de qualquer outro investimento legalmente admitido. Aplicase, pois, a regra matriz do artigo 3º da Lei 7.713/88. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso apresentado, para, no mérito, NEGARLHE provimento. Mauricio Nogueira Righetti Relator Fl. 255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12266.720252/2015-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013
IMPORTAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. SUSPENSÃO.
Na dicção do artigo 14-A, da Lei nº 10.685/2004, estão amparadas pela suspensão da Cofins- Importação as importações efetuadas por empresas localizadas na ZFM de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na zona incentivada, consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013
IMPORTAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. SUSPENSÃO.
Na dicção do artigo 14-A, da Lei nº 10.685/2004, estão amparadas pela suspensão da Cofins- Importação as importações efetuadas por empresas localizadas na ZFM de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na zona incentivada, consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3302-005.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Maria do Socorro e Charles P. Nunes, que negavam provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Diego Weis Júnior e Jorge Lima Abud não participaram do julgamento em razão dos votos definitivamente proferidos pelos Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Charles Pereira Nunes na sessão de 24 de outubro de 2017, conforme artigo 58, §5º do Anexo II do RICARF.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 14/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 IMPORTAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. SUSPENSÃO. Na dicção do artigo 14-A, da Lei nº 10.685/2004, estão amparadas pela suspensão da Cofins- Importação as importações efetuadas por empresas localizadas na ZFM de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na zona incentivada, consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 IMPORTAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. SUSPENSÃO. Na dicção do artigo 14-A, da Lei nº 10.685/2004, estão amparadas pela suspensão da Cofins- Importação as importações efetuadas por empresas localizadas na ZFM de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na zona incentivada, consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Maria do Socorro e Charles P. Nunes, que negavam provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Diego Weis Júnior e Jorge Lima Abud não participaram do julgamento em razão dos votos definitivamente proferidos pelos Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Charles Pereira Nunes na sessão de 24 de outubro de 2017, conforme artigo 58, §5º do Anexo II do RICARF. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. EDITADO EM: 14/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 IMPORTAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. SUSPENSÃO. Na dicção do artigo 14A, da Lei nº 10.685/2004, estão amparadas pela suspensão da Cofins Importação as importações efetuadas por empresas localizadas na ZFM de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na zona incentivada, consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 IMPORTAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. SUSPENSÃO. Na dicção do artigo 14A, da Lei nº 10.685/2004, estão amparadas pela suspensão da Cofins Importação as importações efetuadas por empresas localizadas na ZFM de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na zona incentivada, consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Maria do Socorro e Charles P. Nunes, que negavam provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Diego Weis Júnior e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 02 52 /2 01 5- 10 Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 3 2 Jorge Lima Abud não participaram do julgamento em razão dos votos definitivamente proferidos pelos Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Charles Pereira Nunes na sessão de 24 de outubro de 2017, conforme artigo 58, §5º do Anexo II do RICARF. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 14/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão piso nº 1672.756, proferida pela 11ª Turma da DRJ/SPO, datada de 12 de maio de 2016 (fls. 1.270 1.284): Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário relativo ao PIS e CofinsImportação, acrescido de multa de ofício e juros de mora, bem como para exigência da multa de 1% sobre o valor aduaneiro, por prestar informação inexata, perfazendo o valor total do crédito tributário exigido R$ 216.954.173,54. O procedimento fiscal abrangeu as importações de mercadorias classificadas nos códigos NCM 7106.91.00 e 8107.20.10 (prata e cádmio em estado bruto), realizadas no período de 2010 a 2013. Referidas mercadorias foram adquiridas pela interessada, empresa sediada na Zona Franca de Manaus (ZFM), com suspensão do pagamento das contribuições ao PIS e CofinsImportação, com fundamento no disposto pelo artigo 14A da Lei nº 10.865/2004 c/c artigo 6º da Lei nº 10.925/2004. A fiscalização entendeu, porém, que a suspensão do crédito tributário foi indevida, posto que as Declarações de Importação (DI) relacionadas na peça impositiva: (i) foram registradas para “consumo”, ao invés de “para admissão na ZFM”; (ii) não foram objeto de licenciamento com expressa anuência da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, contrariando o disposto no artigo 507 do Decreto nº 6.759/2009. Em consequência, foram lançados os valores devidos a título de PIS e Cofins Importação, cujo cálculo respeitou a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Recurso Extraordinário (RE) nº 559.937/RS, objeto da Nota Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 4 3 PGFN/CASTF nº 1.254/2014. Também foram exigidos valores a título da multa prevista no artigo 84, inciso I, da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001, c/c artigo 69 da Lei nº 10.833/2003, por haver prestado informação inexata acerca da destinação da mercadoria. Cientificada do auto de infração em 02/02/2015 (fls. 1.028 e 1.034), a interessada apresentou impugnação, em 27/02/2015, juntada às fls. 1.044 e seguintes, alegando em síntese que: a) a situação da impugnante enquadrase na previsão do art. 14A da Lei n. 10.865/2004, que prevê as seguintes condições para que as importações da ZFM submetamse à suspensão das contribuições: (i) que a importação seja efetuada por empresa localizada na ZFM; (ii) que os bens importados sejam matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens; (iii) que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens sejam destinados ao emprego em processo de industrialização por estabelecimento industrial instalado na ZFM; e (iv) que a industrialização das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem seja realizada consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da SUFRAMA; b) portanto, a Lei n° 10.865/2004 não prevê a necessidade de licenciamento com expressa anuência da SUFRAMA. Não havia e nem há qualquer outra lei que imponha a obrigação de anuência prévia da SUFRAMA para que a impugnante usufrua do benefício fiscal previsto no art. 14A da Lei n° 10.865/2004; c) o art. 507 do Decreto n° 6.759/09 não se aplica ao caso, pois prevê o licenciamento não automático apenas para as importações tratadas no regime de que trata o respectivo capítulo do Decreto, dirigindose, portanto, às importações no regime de benefícios conferidos pela ZFM, quais sejam, aquelas que gozam de isenção do Imposto sobre a Importação (II) e Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI), razão pela qual suas regras não se aplicam ao PIS e Cofins Importação; d) em relação à contribuição ao PIS e à Cofins, a sua suspensão sobre importações efetuadas por empresas localizadas na ZFM, de bens a serem empregados na elaboração de MP, PI e ME destinados a emprego em processo de industrialização por estabelecimentos ali instalados, que detenham projeto aprovado pela SUFRAMA, por força do disposto no artigo 14, §1°, da Lei n° 10.865/2004, exige a declaração de admissão na ZFM, formulada pelo importador no SISCOMEX, devendo obedecer, a teor do §2°, do artigo 14, aos requisitos descritos na IN SRF n° 424/ 2004, dentre eles, a declaração de admissão na ZFM, formulada via SISCOMEX (artigo 10 da IN); e) no caso em questão, porém, não se aplicam as regras dos artigos 507 do Regulamento Aduaneiro (RA) e 14 da Lei n° 10.865/2004, tampouco da IN SRF 424/2004, posto que o benefício fiscal usufruído está exclusivamente disposto no artigo 14A, conforme corretamente se posicionou a Divisão de Tributação da 2ª Região Fiscal DISIT/2ªRF; f) em nenhum momento, a impugnante pleiteou as isenções do Título II, Capítulo I, do RA, em que contido o artigo 507 citado pela autoridade fiscal. Ao revés, efetuou as operações ao amparo dos Acordos de Complementação Econômica ACE 35 Mercosul/Chile (Decreto n° 2.075/96), ACE 53 Mercosul/México (Decreto n° 4.383/02) e ACE 58 Mercosul/Peru (Decreto n° 5.651/05). Observa, ademais, que o incentivo fiscal do artigo 14A da Lei n° 10.865/2004 foi introduzido pela legislação que rege a Contribuição ao PIS e a Cofins, não tendo qualquer Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 5 4 relação com as normas da ZFM (DecretoLei n° 288/1967 e Capítulo I, Título II, do RA); g) posteriormente à publicação da Lei n° 10.865/2004 e à IN SRF n° 424/2004, o artigo 14A foi introduzido na Lei n° 10.865, pela Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. O artigo 14A foi fundado na razão de que com a introdução no ordenamento pátrio da Contribuição ao PIS e da Cofins na importação, a suspensão dos tributos, dentro da sistemática da ZFM, tinha que também se estender aos produtores de bens finais ou intermediários que destinassem sua produção para fora da ZFM, e não somente aos produtores de bens intermediários da cadeia local, sob pena de começar a haver acúmulo de créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins gerados pelo fato de que embora a alíquota total das contribuições fosse, em regra, 9,25%, por conta do regime de tributação diferenciada para as operações geradas a partir da ZFM, as alíquotas foram reduzidas para 3,65%, nos termos dos art. 2o, § 4° da Lei n° 10.637/02 e art. 2o, § 5o da Lei n° 10.833/03) o que causaria terríveis distorções econômicas aos empreendimentos lá localizados. Conclui, assim, que o art. 14A é uma disposição inteiramente separada do artigo 14, e não se submete à IN SRF n° 424/04 e à necessidade de ser a importação efetuada como "Admissão na ZFM"; h) cita doutrina para referendar sua tese de que os artigos 14 e 14A da Lei n° 10.865/2004 são autônomos entre si, de forma que devem ser interpretados separadamente, conforme manda a boa técnica legislativa; i) ainda que o entendimento acima estivesse errado, a interpretação da RFB constante do auto de infração não poderia surtir efeitos pretéritos, tendo em vista haver posicionamento expresso da Divisão de Tributação – DISIT da 2ª Região Fiscal, favorável ao procedimento adotado pela impugnante; j) cita trechos de email datado de 06/09/2004, pelo qual a chefe da Seção de Despacho Aduaneiro – SADAD questionou a DISIT/2ªRF acerca do assunto, obtendo posicionamento no sentido de que a suspensão tratada no artigo 14A da Lei n° 10.865/2004 não está condicionada à DI na modalidade "Admissão na ZFM" e à LISUFRAMA, mas, apenas, que o importador esteja na ZFM e empregue o bem importado em processo de industrialização com projeto aprovado pela SUFRAMA, uma vez que o benefício do PIS/Pasep e da Cofins possui base distinta do benefício da ZFM (DL 288/67); k) considera, assim, que a autoridade administrativa formulou consulta específica em nome da impugnante, isto é, consulta sobre fato determinado artigo 88, c.c parágrafo único do Decreto 7.574/2011, e como até o presente momento a consulta mantémse inalterada, então o lançamento em questão, à vista do disposto no artigo 100 desse mesmo Decreto, não pode prevalecer; l) ainda que não se queira admitir que o posicionamento da DISIT equivale a uma autêntica consulta formulada em nome da impugnante, há que se atentar que a lavratura do auto de infração ora combatido representa divergência de postura da RFB, garantindo ao contribuinte a irretroatividade da interpretação que anteriormente lhe foi conferida por agente público, em respeito à segurança jurídica, boafé e confiança. Punir a contribuinte que agiu de acordo com a lei e com a interpretação construída e externada pela DISIT é medida desleal, ilegal e autoritária. Observa que os efeitos da mudança ou da divergência devem ser modulados de forma que se assegure observância a fundamentais direitos do contribuinte, revelados pela boafé objetiva, proteção da confiança e irretroatividade; Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 6 5 m) observa que o princípio da confiança está retratado nos artigos 100 e 146 do CTN. Nesse sentido, a prática reiterada das autoridades administrativas favorável à desnecessidade de autorização prévia da SUFRAMA é relevante caso se entenda que a consulta respondida pela DISIT não equivale a uma autêntica consulta fiscal, devendo a situação ser protegida pela irretroatividade. Ademais, a pertinência do art. 146 ao caso concreto reside no fato de que, à luz do princípio da proteção da confiança, referido artigo deve ser aplicável não somente à revisão de lançamento, mas sempre que o ato administrativo ou a prática reiterada das autoridades administrativas levarem à criação de uma expectativa justa por parte do contribuinte que as seguiu. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema; n) mesmo que houvesse o alegado erro de entendimento quanto às condições para fruição do benefício fiscal utilizado, este de forma alguma configura omissão ou declaração inexata, mas sim equívoco de interpretação da legislação, que, se por hipótese admitido, também cometeu a própria DISIT da 2a Região Fiscal. A multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria é, ademais, inconstitucional por não contemplar qualquer relação de adequação entre a infração alegadamente cometida e sua consequência jurídica; o) requer, ao final, seja julgado improcedente o auto de infração. Por meio de expediente protocolizado em 18/03/2015, a contribuinte requereu a juntada aos autos de Soluções de Consulta proferidas pela DISIT/2ªRF sobre o assunto (fls. 1.250/1.267). A impugnação, por unanimidade de votos, foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo sintetizada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 IMPORTAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. SUSPENSÃO. LICENCIAMENTO. ANUÊNCIA SUFRAMA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário relativo à Cofins Importação incidente na entrada de mercadorias estrangeiras na Zona Franca de Manaus destinadas à industrialização, nos termos do artigo 14A da Lei nº 10.865/2004, regulamentado pelo artigo 262 do Regulamento Aduaneiro, está condicionada à aplicação das mercadorias nas finalidades indicadas, bem como à observância dos requisitos da legislação de regência, dentre eles, a obtenção de licenciamento com expressão anuência da SUFRAMA, nos termos do artigo 507 do Decreto nº 6.759/09. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 IMPORTAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. SUSPENSÃO. LICENCIAMENTO. ANUÊNCIA SUFRAMA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário relativo ao PIS/Pasep Importação incidente na entrada de mercadorias estrangeiras na Zona Franca de Manaus destinadas à industrialização, nos termos do artigo 14A da Lei nº 10.865/2004, regulamentado pelo artigo 262 do Regulamento Aduaneiro, está condicionada à aplicação das mercadorias nas finalidades indicadas, bem como à observância dos requisitos da legislação de regência, dentre eles, a obtenção de licenciamento com expressão anuência da SUFRAMA, nos termos do artigo 507 do Decreto nº 6.759/09. Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 7 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 SOLUÇÃO DE CONSULTA. EFEITOS. A Solução de Consulta vincula a Administração Pública em relação ao consulente. Não produz efeitos a consulta formulada em desacordo com as disposições do Decreto nº 70.235/72 e/ou demais normas regulamentares. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRSESTAÇÃO INEXATA DE INFORMAÇÃO. A informação incorreta acerca da destinação da mercadoria na Declaração de Importação sujeita o importador à exigência da multa prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, em cotejo com art. 69 da Lei nº 10.833/2003, posto caracterizar prestação inexata de informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial, necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de piso em 17.05.2016 (fls. 1.321), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 15.06.2016 (fls. 1.3231.349), reproduzindo, em linhas gerais, os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 17.05.2016 (fls. 1.321) e protocolou Recurso Voluntário em 15.06.2016 (fls. 1.3231.349), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II. Matéria de ordem pública Decadência Conforme relatado anteriormente, a fiscalização constitui o lançamento fiscal com base nas seguintes infrações: (i) Falta de Recolhimento da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre a importação de bens, conforme inciso I do Art. 3ºda Lei 10.865/04; (ii) Declaração Inexata, nos termos do inciso III do Art. 711 do Decreto nº 6.759/20091 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 8 7 (Regulamento Aduaneiro); e Lei nº 10.833, de 2003, artigo 69, § 1º, sendo que todas infrações estão relacionadas as DI´s registradas entre 01.02.2010 a 18.12.2013. A Recorrente foi intimada do Auto de Infração em 02/02/2015, conforme se verifica nos Termos de Ciência carreados às fls. 133134. No caso da penalidade imposta à Recorrente, devese observar o prazo decadencial previsto nos artigos 138 e 139, do Decreto Lei 37/66, in verbis: Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. No presente, entendo que para as DI´s registradas nos dias 01.02.2010 e 02.02.2010, a multa pela declaração inexata deve ser totalmente afastada, considerando que transcorreu in albis o prazo para exigência da penalidade, contados a partir da data infração. A tabela abaixo demonstra a incidência do prazo decadencial: DI Data do Registro Prazo Decadencial Arts. 138 e 139 Dec.37/66 Data da Ciência do Auto de Infração 10/01691239 01/02/2010 31/01/2015 10/01693835 01/02/2010 31/01/2015 10/01760273 02/02/2010 01/02/2015 02/02/2015 Registrese, por oportuno, que o prazo decadencial é matéria de ordem pública, passível de conhecimento de ofício pelo julgador. Deste modo, a ausência de pedido por parte da Recorrente, não prejudica sua análise. III Mérito O cerne da questão principal sob análise, consiste em saber se a exigência do licenciamento (LISUFRAMA) exigida no artigo 507 do Regulamento Aduaneiro (6.759/2009) efetivamente se aplica às operações realizadas pela Recorrente. Segundo a fiscalização a suspensão do crédito tributário foi indevida, na medida em que as Declarações de Importação (i) foram registradas para "consumo", ao invés de "para admissão na ZFM"; (ii) não foram objeto de licenciamento com expressa anuência da SUFRAMA; e (iii) o benefício fiscal do art. 14A da Lei nº 10.865/2004 somente pode ser reconhecido para as importações acobertadas por LI SUFRAMA. Por outro lado, a Recorrente alega, em linhas gerais, que (i) a Lei nº 10.865/2004 não prevê a necessidade de licenciamento com expressa anuência da SUFRAMA; e (ii) que o artigo 507 do Decreto nº 6.759/2009 não se aplica ao caso, pois prevê o licenciamento não automático apenas para as importações tratadas no regime que trata o respectivo capítulo. Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 9 8 Feito esse breve relato, passase a análise da matéria. III.1 PIS/COFINS Importação: Art.507, do RA X Art.14A, da Lei nº 10.865/2004 O Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 (atual RA 6.759/2009) prevê a existência de Regime Aduaneiro Especial, a saber: Trânsito Aduaneiro; Admissão temporária com suspensão total do pagamento dos tributos; Admissão temporária para aperfeiçoamento ativo; Admissão Temporária para utilização econômica; Drawback; Entreposto aduaneiro; Recof; Recom; Exportação Temporária; Exportação temporária para aperfeiçoamento passivo; Repetro; Loja Franca; Depósito Especial; Depósito Afiançado; Depósito Alfandegado Certificado e Depósito Franco e, Regime Aduaneiro Aplicado em Áreas Especiais, consistente na Zona Franca de Manaus e Área de Livre Comércio. O legislador ao dividir os regimes aduaneiros em "especial" e "aplicado em área especial", deixou claro que referidos regimes são distintos e possuem tratamento fiscal e administrativo específico. Na Subseção I, do Capítulo II, do RA, temos os preceitos normativos que tratam do benefícios fiscais na entrada de mercadoria estrangeira na Zona Franca de Manaus, bem assim dos requisitos para usufruir de tais benefícios, a saber: Art. 505. A entrada de mercadorias estrangeiras na Zona Franca de Manaus, destinadas a seu consumo interno, industrialização em qualquer grau, inclusive beneficiamento, agropecuária, pesca, instalação e operação de indústrias e serviços de qualquer natureza, bem como a estocagem para reexportação, será isenta dos impostos de importação e sobre produtos industrializados (Decreto Lei nº 288, de 1967, art. 3º; e Lei nº 8.032, de 1990, art. 4º). § 1o Excetuamse da isenção de que trata este artigo as seguintes mercadorias (DecretoLei nº 288, de 1967, art. 3º, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, art. 1º): I armas e munições; II fumo; III bebidas alcoólicas; IV automóveis de passageiros; e V produtos de perfumaria ou de toucador, e preparados e preparações cosméticas, salvo os classificados nas posições 3303 a 3307 da Nomenclatura Comum do Mercosul, se destinados, exclusivamente, a consumo interno na Zona Franca de Manaus ou quando produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e da flora regionais, em conformidade com processo produtivo básico. § 2o A isenção de que trata este artigo fica condicionada à efetiva aplicação das mercadorias nas finalidades indicadas e ao cumprimento das demais condições e requisitos estabelecidos pelo DecretoLei nº 288, de 1967, e pela legislação complementar. § 3o Os produtos nacionais exportados para o exterior e, posteriormente, importados pela Zona Franca de Manaus, não gozarão dos benefícios referidos neste artigo (DecretoLei no 1.435, de 16 de dezembro de 1975, art. 5o). Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 10 9 § 4o As mercadorias entradas na Zona Franca de Manaus nos termos do caput poderão ser posteriormente destinadas à exportação para o exterior, ainda que usadas, com a manutenção da isenção dos tributos incidentes na importação (DecretoLei nº 288, de 1967, art. 3º, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, art. 127). § 5o A entrada das mercadorias a que se refere o caput será permitida somente em porto, aeroporto ou recinto alfandegados, na cidade de Manaus. Art. 506. A remessa de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou posterior exportação, será, para efeitos fiscais, equivalente a uma exportação brasileira para o exterior (DecretoLei nº 288, de 1967, art. 4º). § 1o O benefício de que trata o caput não abrange armas e munições, perfumes, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros classificados, respectivamente, nos Capítulos 93, 33, 24, nas posições 2203 a 2206 e nos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o ex tarifário 01) e na posição 8703 da Nomenclatura Comum do Mercosul (DecretoLei no 340, de 22 de dezembro de 1967, art. 1o, com a redação dada pelo DecretoLei no 355, de 6 de agosto de 1968, art. 1o). § 2o O disposto no caput não compreende os incentivos fiscais previstos no DecretoLei no 1.248, de 1972, nem os decorrentes do regime de drawback (DecretoLei nº 1.435, de 1975, art. 7º). Art. 507. As importações no regime de que trata este Capítulo estão sujeitas a licenciamento nãoautomático, previamente ao despacho aduaneiro, com a expressa anuência da Superintendência da Zona Franca de Manaus. Da leitura dos referidos preceitos normativos, constatase que o benefício da "isenção" está atrelada somente em relação aos impostos de importação e sobre produtos industrializados e, condicionada ao cumprimento do requisito estipulado no artigo 507 (importações sujeitas ao licenciamento com expressa anuência da SUFRAMA). Ou seja, não há tratamento específico relacionado ao PIS e a COFINS, logo, a exigência ao cumprimento do requisito para fruição do benefício não se aplicaria, em tese, às referidas contribuições. Esse fato, inclusive, foi atestado pela turma "a quo" ao analisar os dispositivos anteriormente citados, senão vejamos: De acordo com os dispositivos acima citados, podemos concluir que: (i) a entrada de mercadorias estrangeiras na ZFM, destinadas a processo de industrialização, está isenta de II e IPI; (ii) referida isenção está condicionada à aplicação das mercadorias nas finalidades indicadas, bem como à observância da legislação de regência; (iii) um dos requisitos para o gozo dessa isenção consiste na obtenção da LISUFRAMA previamente ao despacho aduaneiro. Todavia, a decisão combatida manteve a autuação por entender que o §1º, do artigo 14, da Lei nº 10.865/2004, ao estender o tratamento a uma situação específica da área, condicionou o contribuinte ao cumprimento do requisito previsto no artigo 507, do RA. É o que se extrai da decisão: Sabemos, porém, que com o advento da Lei nº 10.865/2004, foi instituída a incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins nas importações de bens ou serviços do exterior. E como bem observado pela Solução de Consulta DISIT/2ªRF Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 11 10 nº 67/2004, juntada aos autos pela interessada, o artigo 14 dessa Lei, caput, previu um tratamento diferenciado aos regimes aduaneiros especiais, estendendo este tratamento, através do § 1º, a uma situação específica da ZFM, como segue: “Art. 14. As normas relativas à suspensão do pagamento do imposto de importação ou do IPI vinculado à importação, relativas aos regimes aduaneiros especiais, aplicamse também às contribuições de que trata o art. 1º desta Lei. § 1º. O disposto no caput deste artigo aplicase também às importações, efetuadas por empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, de bens a serem empregados na elaboração de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a emprego em processo de industrialização por estabelecimentos ali instalados, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, de que trata o art. 5ºA da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. § 2º. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá os requisitos necessários para a suspensão de que trata o § 1º deste artigo.” (negritamos) Comungamos do entendimento externado pela DISIT/2ªRF, no sentido de que “o caput do art. 14 da Lei 10.865, de 2004, somente se refere aos regimes aduaneiros especiais, não sendo aplicável à Zona Franca de Manaus como um todo, tendo em vista esta não ser um regime aduaneiro especial. Daí a necessidade do § 1º do mesmo artigo estender o tratamento a uma situação específica da área, que seria o caso das empresas fabricantes de subprodutos que vendem sua produção para outras indústrias da ZFM com projeto aprovado pela Suframa”. Anotese que, conforme previsto pelo § 2º do mesmo artigo, a SRF expediu a Instrução Normativa (IN) nº 424, de 19/05/2004, disciplinando a hipótese prevista pelo § 1º. Posteriormente, o art. 6º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004, acrescentou o artigo 14A ao texto da Lei nº 10.865/2004, com o teor que já reproduzimos acima. E, como novamente bem observado pela DISIT/2ªRF, a partir da sua publicação, em 26/07/2004, “além dos bens importados pelos fabricantes de insumos, conforme prevê o art. 14 da Lei n° 10.856, de 2004, os insumos importados pelas demais indústrias da ZFM que possuam projetos aprovados pela Suframa, terão tratamento suspensivo para o PIS/Pasep e Cofins, na forma do art. 14A”. Constatamos, assim, em consonância com entendimento externado pela DISIT/2ªRF, que tanto as hipóteses do artigo 14, §1º como do 14A tratam de situações específicas da ZFM, para quais foi conferida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário relativo às contribuições incidentes na importação. Como consequência, não procedem as alegações da impugnante de que o artigo 14A é uma disposição inteiramente separada do artigo 14, como se este tivesse relação com as normas da ZFM e aquele não. Se é certo que as normas dos artigos 14, §1º e 14A disciplinam situações diferentes entre si; não menos certo é que ambas se referem à ZFM. Concordamos com a impugnante que a IN SRF 424/2004 não se aplica à hipótese prevista pelo artigo 14A, uma vez que foi editada para disciplinar exclusivamente a hipótese prevista pelo § 1º do artigo 14. Essa constatação, porém, não autoriza concluir que ambas as situações não devam obediência às normas que tratam dos benefícios fiscais na entrada de Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 12 11 mercadorias estrangeiras na ZFM, em especial, ao mandamento inserto no art. 507 que prevê a necessidade de licenciamento com anuência prévia da SUFRAMA. Isso porque, repetimos, tanto a hipótese do art. 14, §1º, como aquela do 14A, tratam de situações específicas da ZFM, para as quais foi conferido o benefício fiscal de suspensão das contribuições na importação de mercadorias. Anotese que o entendimento acima, além de estar em consonância com a Solução de Consulta DISIT/2ªRF nº 67/2004, também não contraria a Solução de Consulta DISIT/2ªRF nº 99/2004, ambas trazidas aos autos pela impugnante. Este último documento, ao confirmar a necessidade da observância dos requisitos previstos pelo artigo 14A da Lei nº 10.865/2004 para gozo do benefício fiscal, em nenhum momento autoriza a presunção de que os demais requisitos previstos pela legislação de regência, dentre eles, a necessidade de anuência prévia da SUFRAMA, não devam ser atendidos. Aliás, a própria forma como os dispositivos sob comento foram reproduzidos pelo Regulamento Aduaneiro não comporta outra interpretação. Vejamos como essa questão foi regulamentada pelo Livro III, Título II, que trata “Da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação”, no Capítulo VII – “Da Suspensão do Pagamento”: (...) Constatamos, assim, que tanto a norma do artigo 14, § 1º, como aquela do artigo 14A estão previstas como hipóteses de suspensão do pagamento das contribuições referentes a regimes aduaneiros especiais aplicados à ZFM. Logo, equivocada e em descompasso com a legislação, a afirmação da impugnante de que o artigo 507 não se aplica ao PIS e CofinsImportação, ao argumento de que o enunciado desse artigo prevê o licenciamento não automático apenas para as importações tratadas no Capítulo que dispõe exclusivamente sobre II e IPI (art. 505). Ora, o Capítulo em que está inserido o artigo 507 trata dos Regimes Aduaneiros Aplicados em Áreas Especiais, hipótese na qual se enquadra, de forma incontroversa, o artigo 14A. E, se o artigo 505, ao prever os benefícios fiscais na entrada de mercadorias estrangeiras na ZFM, apenas se refere ao II e IPI, sua extensão ao PIS e Cofins Importação foi autorizada mediante o comando do artigo 260 e seguintes do mesmo normativo, os quais cumpriram a missão de adequar o Regulamento Aduaneiro às modificações introduzidas pela Lei nº 10.865/2004. Por conseguinte, considerando que as hipóteses dos artigos 14, §1º e 14A da Lei nº 10.865/2004 (constantes dos artigos 261 e 262 do RA) envolvem a entrada com benefício fiscal de mercadorias estrangeiras na ZFM, destinadas a processo de industrialização, hipótese prevista pelo artigo 505 do RA, é inequívoco que referido benefício está condicionado à aplicação das mercadorias nas finalidades indicadas, bem como à observância dos requisitos previstos pela legislação de regência, dentre eles, a obtenção da LISUFRAMA previamente ao despacho aduaneiro. Em conclusão, reputamos como escorreito o procedimento fiscal que considerou como não satisfeitos pela impugnante os requisitos legais exigidos para o gozo do benefício fiscal, sendo legítima a exigência das contribuições ao PIS e CofinsImportação objeto da autuação combatida. Pois bem. O artigo 14 da Lei 10.685/2004 traz a seguinte redação: Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 13 12 Art. 14. As normas relativas à suspensão do pagamento do imposto de importação ou do IPI vinculado à importação, relativas aos regimes aduaneiros especiais, aplicamse também às contribuições de que trata o art. 1o desta Lei. § 1o O disposto no caput deste artigo aplicase também às importações, efetuadas por empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, de bens a serem empregados na elaboração de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a emprego em processo de industrialização por estabelecimentos ali instalados, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, de que trata o art. 5oA da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002. § 2o A Secretaria da Receita Federal estabelecerá os requisitos necessários para a suspensão de que trata o § 1o deste artigo. Art. 14A. Fica suspensa a exigência das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei nas importações efetuadas por empresas localizadas na Zona Franca de Manaus de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na Zona Franca de Manaus e consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA. (Incluído pela Lei nº 10.925, 2004) (Vigência) No caput, do artigo 14, verificase que a norma prevê um tratamento diferenciado somente aos regimes aduaneiros especiais, não sendo aplicável à Zona Franca de Manaus. Neste ponto, por expressa determinação legal, entendo cabível a exigência dos requisitos previstos no artigo 507 do RA que, impõe ao importador a obrigação obter licenciamento prévio da SUFRAMA. Por sua vez, o §1º, do referido dispositivo, estendeu o tratamento previsto no caput, a situação específica da Zona Franca de Manaus, condicionando à Receita Federal do Brasil (§2º) estabelecer os requisitos necessários para a suspensão de que trata o § 1º deste artigo. A IN SRF nº 424/2004, de 19 de maio de 2004, veiculada pela RFB, estabeleceu os parâmetros legais para fruição dos benefícios previstos no §1º, do artigo 14, da Lei nº 10.685/2004, a saber: (i) autorização prévia para utilização do benefício fiscal; e (ii) realização de importação na modalidade "Admissão na ZFM". Até aqui, verificase que os dispositivos anteriormente citados, exigem o licenciamento prévio do SUFRAMA para concessão do benefício da suspensão. Já em 23 de julho de 2004, o artigo 6º, da Lei nº 10.925/2004, inseriu no texto da Lei n° 10.865, de 2004, o art. 14A, criando outra hipótese de suspensão das contribuições nas importações da ZFM, cujo requisito para fruição diz respeito apenas ao projeto aprovado pelo SUFRAMA, a saber: Art. 6o Os arts. 8o, 9o, 14A, 15, 17, 28, 40 e 42 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, passam a vigorar com a seguinte redação: (Vigência) Art. 14A. Fica suspensa a exigência das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei nas importações efetuadas por empresas localizadas na Zona Franca de Manaus de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 14 13 instalados na Zona Franca de Manaus e consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA.” Nos termos do artigo 14A, para usufruir da isenção, a norma exige os seguintes requisitos: a) que a empresa esteja na Zona Franca de Manuas; b) que as importações sejam de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem para emprego em processo de industrialização por estabelecimento localizado na ZFM; e c) que haja projeto aprovado pela Suframa. Ou seja, as importações realizadas no parâmetro do referido dispositivo não estão sujeitas a anuência/licenciamento prévio do SUFRAMA. Neste cenário, entendo que o artigo 14A é norma totalmente desvinculada do artigo 14, §1º e, não se submete ao regramento previsto no artigo 507, do RA e na IN SRF nº 424/2004 que, exigem como requisito à concessão do benefício a existência de autorização prévia para utilização do benefício fiscal; e a realização de importação na modalidade "Admissão na ZFM". Com efeito, o artigo 14A, no entendimento deste relator, foi inserido no ordenamento jurídico para tratar de situação diversa da prevista no artigo 14. Do contrário, razão não existiria ao legislador instituir uma nova norma para tratar de assunto que já estava previsto em lei. Em resumo, entendo que o artigo 14A, não condicionou o benefício à anuência da Suframa, impondo, tão e somente que o processo de industrialização seja realizada através de projeto aprovado por aquele órgão. A própria DISIT ao responder (via email) aos questionamentos realizados pela Recorrente, atestou inexistir na norma (entendase, artigo 14A, da Lei nº 10.685/2004), a prévia autorização/licenciamento da Suframa para concessão do benefício, a saber: "Caro inspetor, Solicitamos seja encaminhado à DISIT/DIANA, a consulta abaixo formulada acerca dos requisitos para usufruir da suspensão do PIS/PÀSEP e da COFINS importação quando se tratar de importação de Matéria Prima, no regime CONSUMO, para emprego em processo de industrialização por empresa industrial instalada na ZFM e detentora de projeto aprovado pela SUFRAMA. A Coimpa Industrial Ltda vem importando matériaprima, para industrialização de seus produtos, no regime Consumo, utilizando o benefício da redução do Imposto de Importação (alíquota zero) previsto no acordo bilateral BrasilPeru. Por se tratar de empresa instalada na ZFM e que tenha projeto aprovado pela SUFRAMA, a dúvida a ser esclarecida é a seguinte: Há necessidade da DI ser registrada no Regime Zona Franca de Manaus, para que a empresa usufrua do benefício da suspensão do PIS/PASEP e da COFINS importação? Ou poderia ela usufruir diretamente do benefício mediante o registro de DIConsumo, uma vez que a empresa está instalada na ZFM e possui projeto aprovado junto a SUFRAMA? Solicitamos a máxima urgência no pronunciamento da DISIT/DIANA, pois a empresa não vem recolhendo o PIS e a COFINSimportação, desde a publicação da Lei nº 10.925/2004, uma vez que vem entendendo não ser cabível o pagamento de tais contribuições. A matériaprima importada pela empresa se constitui de prata em Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 15 14 estado bruto (lingote e granulada) de valor bastante significativo. Há aproximadamente 06 (seis) Declarações de Importação interrompidas para exigência do recolhimento do PIS/COFINSimportação." *** Email datado de 06/09/2004 "..., o art.14A da Lei 10.685/2004, com redação dada pelo art. 6º, da Lei nº 10.925, possui a seguinte redação: Art. 14A. Fica suspensa a exigência das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei nas importações efetuadas por empresas localizadas na Zona Franca de Manaus de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na Zona Franca de Manaus e consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA.” Observase que as exigência previstas no texto legal, para usufruto da isenção são: 1 que a empresa esteja na ZFM; 2 que as importações sejam matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem para emprego em processo de industrialização; 3 que esse processo de industrialização seja feito por estabelecimento instalada na ZFM com projeto aprovado pela Sufram. Dessa forma, entendo que não podemos restringir onde a lei não restringe. Condicionar o benefício à anuência da Suframa vai além, do exigido pelo texto legal, uma vez que este impõe apenas que o processo de industrialização onde serão utilizados os bens importados com suspensão tenha projeto aprovado pela Suframa. Mesmo porque não devemos esquecer que o benefício do Pis/pasep e da Cofins possui base legal distinta do benefício da ZFM (DL 288/67). Embora a resposta aos questionamentos realizados pela Recorrente não produza efeitos vinculantes, por não se revestir das formalidades e requisitos do processo de consulta, a teor do previsto no Decreto 70.235/72, a posição da Disit tem um peso considerável ao menos para este relator e deve ser levado em conta para o fim de afastar o lançamento fiscal. Isto porque, nos termos do artigo 213, da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, o Chefe da DISIT possui competência para orientar e dirimir dúvidas sobre interpretação da legislação, bem com examinar e emitir parecer nos pedidos relativos a regimes especiais, a saber: Art. 213. Às Divisões de Tributação Disit compete: I orientar as unidades da região fiscal acerca da interpretação da legislação e sobre as decisões em matéria tributária, na esfera administrativa ou judicial; Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 16 15 II analisar os recursos de divergência interpostos em processos de consulta sobre interpretação da legislação tributária e de despacho, avaliando sua admissibilidade; III examinar e emitir parecer em recursos administrativos dirigidos ao Superintendente, no âmbito de sua competência; IV examinar e propor informação em mandado de segurança impetrado contra o Superintendente; V examinar e emitir parecer nos pedidos relativos a regimes fiscais especiais previstos na legislação tributária específica e de competência da Superintendência; e VI desenvolver estudos e pesquisas, com vistas a oferecer sugestões para o aperfeiçoamento da legislação tributária. Neste termos, verificase que a orientação prestada pela DISIT contém conteúdo normativo, ainda que complementar e, como tal, deve produzir seus efeitos. Nesse sentido, trago a análise realizada no artigo 100 do CTN, pelo ilustre professor Hely Lopes Meirelles: "Atos administrativos normativos são aqueles que contêm um comando geral do Executivo, visando à correta aplicação da lei. O objetivo imediato de tais atos é explicitar a norma legal a ser observada pela Administração e pelos administrados. Esse atos expressam em minúcia o mandamento abstrato da lei e o fazem com a mesma normatividade da regra legislativa, embora sejam manifestações tipicamente administrativas. A essa categoria pertencem os decretos regulamentares e os regimentos, bem como resoluções, deliberações e portarias de conteúdo geral2. No meu sentir, seria temerário se, por cumprir as orientações do próprio órgão competente, pudesse o contribuinte vir a ser punido. Ora, não me parece correto punir o contribuinte que agiu na linha da orientação prestada pela DISIT, se o próprio órgão competente o eximiu de qualquer responsabilidade. Outro ponto que corrobora o entendimento deste relator é a manifestação no mesmo sentido da orientação prestada pela DISIT apresentada na Solução de Consulta Disit/SRRF02 nº 99, de 07 de dezembro de 2004, a saber: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ementa: IMPORTAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. SUSPENSÃO. Estão amparadas pela suspensão da CofinsImportação as importações efetuadas por empresas localizadas na ZFM de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na zona incentivada, consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa. Dispositivos Legais: Lei n° 10.865, de 2004, art. 14, §§ 1º e 2º; Lei n° 10.865, de 2004, art. 14A;Lei n° 10.925, de 2004. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: IMPORTAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. SUSPENSÃO. Estão amparadas pela suspensão do PIS/PasepImportação as importações efetuadas 2 Hely Lopes Meirelles, Direito Administrativo Brasileiro, RT, 14ª Edição, 1989, p.154. Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 12266.720252/201510 Acórdão n.º 3302005.090 S3C3T2 Fl. 17 16 por empresas localizadas na ZFM de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na zona incentivada, consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa. Dispositivos Legais: Lei n° 10.865, de 2004, art. 14, §§ 1º Neste cenário, entendo que o lançamento deve ser afastado. IV Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 1476DF CARF MF
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