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Numero do processo: 10320.721702/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2009
EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO.
A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração.
PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DITR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL.
Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA LEGAL E ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS, PRIMÁRIAS OU SECUNDÁRIAS EM ESTÁGIO MÉDIO OU AVANÇADO DE REGENERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente, reserva legal e áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR.
O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantém-se a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto.
ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. REQUISITOS.
Para fins de exclusão da tributação do imposto, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias, em estágio médio ou avançado de regeneração deverão estar comprovadas através de documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2401-005.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para que seja considerada no imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 1.661.635-9 a área de preservação permanente, no total de 67,3212 ha. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que fosse também excluída a área coberta por florestas nativas, no total de 1.683,5874 ha. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DITR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL. Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA LEGAL E ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS, PRIMÁRIAS OU SECUNDÁRIAS EM ESTÁGIO MÉDIO OU AVANÇADO DE REGENERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente, reserva legal e áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 17 02 /2 01 2- 11 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10320.721702/201211 Acórdão n.º 2401005.569 S2C4T1 Fl. 142 2 laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantémse a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. REQUISITOS. Para fins de exclusão da tributação do imposto, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias, em estágio médio ou avançado de regeneração deverão estar comprovadas através de documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial para que seja considerada no imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 1.661.6359 a área de preservação permanente, no total de 67,3212 ha. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que fosse também excluída a área coberta por florestas nativas, no total de 1.683,5874 ha. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10320.721702/201211 Acórdão n.º 2401005.569 S2C4T1 Fl. 143 3 Tratase de Notificação de Lançamento n° 03201/00022/2012 (fls. 03/06), contra o contribuinte acima qualificado, decorrente de procedimento de revisão de Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativo ao exercício de 2009, referente ao imóvel denominado “Fazenda Ourives III”, localizado no município de Barra do Corda (MA), com cadastro fiscal sob o n° 1.661.6359 (fls. 03). Segundo consta na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, o contribuinte, após regularmente intimado, não teria comprovado a área efetivamente ocupada com reflorestamento declarada, nem mesmo a área efetivamente utilizada para fins de exploração extrativa declarada, o que motivou a alteração do Documento de Informação e Apuração do ITR. A modificação imposta ocasionou a alteração da área utilizada e consequentemente do grau de utilização do imóvel, levando a modificação da alíquota incidente, nos termos da lei, antes de 0,30, para 8,60, ocasionando saldo suplementar a pagar no valor histórico de R$ 51.640,94, com fundamento no art. 10, § 1°, inciso V, alíneas “a” e “c” da Lei n° 9.393/96, além da multa de 75% (setenta e cinco por cento), no montante histórico de R$ 38.730,70, capitulada no art. 44, inciso I, § 1° e 3° da Lei n° 9.430/96, com alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07, além dos juros de mora, previstos no art. 61, § 3° da Lei n° 9.430/96. Após efetivada ciência da Notificação do Lançamento de ITR (fls. 10), o contribuinte, tempestivamente, compareceu aos autos apresentando sua Impugnação (fls. 13/33), com os seguintes argumentos, em síntese: (a) Deixou de informar áreas de preservação permanente, reserva legal e coberta de florestas nativas, porque a Receita Federal informava que a comprovação de tais áreas seria necessária a apresentação do Ato Declaratório Ambiental que, na época, não estava disponível no site do Ibama, o qual só veio a ser expedido em 2011. (b) Não conseguiu transmitir a declaração retificadora do exercício 2009, após ter protocolado o Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal junto à Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Maranhão, porque o sistema da Receita Federal não estava disponível naquela data, por isso o imóvel rural foi tributado como se não tivesse áreas isentas, resultando na cobrança de imposto bem elevado. Contudo, tem direito de retificar sua declaração porque adquiriu a espontaneidade e fazendo jus à isenção relativa às áreas de preservação permanente, reserva legal e florestas nativas, para justificar seu entendimento cita a súmula 33 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e Solução de Consulta Interna nº 15 de 20 de maio de 2005. (c) O Código Florestal e a Lei nº 10.165/2000 não exigem para o reconhecimento da isenção das áreas de preservação permanente, reserva legal e coberta de florestas nativas averbação na matrícula do imóvel tampouco apresentação do ADA, e cita jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e do Supremo Tribunal Federal para justificar seu entendimento sobre a matéria. (d) Houve violação aos princípios constitucionais da proporcionalidade e razoabilidade que se constituem como verdadeiros anteparos jurídicos necessários à segurança das relações jurídicotributárias bem como à estrita obediência ao princípio da verdade material. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10320.721702/201211 Acórdão n.º 2401005.569 S2C4T1 Fl. 144 4 Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), por meio do Acórdão nº 0434.068, de 11/11/2013, cujo dispositivo considerou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário (fls. 100/109). É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2009 Nulidade do Lançamento. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Áreas Isentas. Tributação. Averbação. ADA. Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas de florestas, é necessária a comprovação efetiva da existência dessas áreas e apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao Ibama, no prazo previsto na legislação tributária. A área de reserva legal deve estar averbada na matrícula do imóvel na data do fato gerador do ITR. Retificação dos Dados da DITR. Incabível a retificação dos dados da DITR quando não restar comprovado com documentos hábeis e idôneos conforme previstos na legislação tributária erro no preenchimento da declaração. Matéria não Impugnada – Áreas com Reflorestamento e Exploração Extrativa. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: (a) Para a exclusão das áreas de preservação permanente, reserva legal, bem como as áreas cobertas de florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, incluindo o Bioma Mata Atlântica, da incidência do ITR, é necessário a informação das áreas ambientais no Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolizado dentro dos prazos previstos nos atos normativos do IBAMA. (b) Para a exclusão da área de reserva legal, fazse necessário a averbação tempestiva à margem da matrícula junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente, conforme preceituam os artigos 16 e seus parágrafos e 44 e seu parágrafo único da Lei n° Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10320.721702/201211 Acórdão n.º 2401005.569 S2C4T1 Fl. 145 5 4.771/1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803/89 e pela Medida Provisória n° 2.16667, de 2001, art. 1°; RITR/2002, art. 12. (c) Constam nos autos Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, ART, Certidão de Registro, mas o Ato Declaratório Ambiental de 2011 não regulariza o exercício 2009, face à anualidade de sua apresentação. Por outro lado, a área de reserva legal só foi averbada na matrícula em 16/06/2010. (d) Não sendo comprovada a isenção das áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas de florestas nativas mediante a apresentação do ADA protocolado no prazo previsto em ato normativo do Ibama, não há como atender o pleito do contribuinte. (e) Por fim, no que diz respeito à glosa das áreas de exploração extrativa e reflorestamento não comprovadas, o contribuinte nada questionou. Dessa forma, considerase não impugnada essas matérias, vez que não foram expressamente contestadas, conforme preceitua o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dos arts. 1º, da Lei nº 8.748/1993, e 67 da Lei nº 9.532/1997. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 114/128), no dia 05/02/2014, apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: (a) A recuperação da espontaneidade deferida mediante decisão unânime lavrada pelo Acórdão n. 0434068 devolveu ao contribuinte o direito de retificar sua declaração originária na Impugnação, operandose efeito ex tunc, isto é, desde a data anterior ao início da ação fiscal, possibilitando ao contribuinte realizar a retificação da declaração do ITR sem os efeitos do lançamento tributário, isto é, sem a aplicação da multa de ofício de 75% e seus consectários legais. (b) Deve ser aplicada a súmula 75 do CARF que dispõe que “a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo”, ficando afastado, no caso em julgamento, o óbice do enunciado n° 33 do CARF que prevê que “a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício”. (c) O contribuinte é proprietário do imóvel rural com área total de 3.940,8 hectares, registrado no Cartório do 1° Ofício de Registro de Imóveis de Barra do Corda (MA), sob a matrícula n° 7740, possuindo 2.186,2 hectares a título de reserva legal, 67,3 hectares de área de preservação permanente, e, ainda, é detentor de área remanescente coberta por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, correspondente a 1.683,5 hectares e possui 3,6 hectares de benfeitorias, conforme a certidão de inteiro teor do imóvel, o Laudo Técnico de Avaliação de Imóvel com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica e o Ato Declaratório Ambiental (documentos ns. 03, 04 e 05 coligidos à defesa). (d) Entretanto, o contribuinte deixou de considerar as áreas informadas na declaração do ITR, pois, segundo a Receita Federal, para a comprovação de tais áreas, seria imprescindível a apresentação do Ato Declaratório Ambiental, documento que na ocasião da feitura da declaração original não estava disponível, pois o IBAMA somente veio a expedilo no ano de 2011, conquanto o requerimento do Termo de Averbação de Reserva Legal tenha Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10320.721702/201211 Acórdão n.º 2401005.569 S2C4T1 Fl. 146 6 sido protocolado na Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Maranhão – SEMA, em data anterior (documento n. 06 da defesa). (e) A Lei 9.393/96 que disciplina o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural na redação anterior ao advento da Lei 12.651/2012 (novo Código Florestal), não traz em seu bojo a exigência de prazo para averbação de reserva legal, tampouco a exigência de Ato Declaratório Ambiental – ADA para comprovação da área de reserva legal, de preservação permanente e coberta por florestas nativas. (f) A única exigência prevista no antigo Código Florestal, aplicável à espécie, era a averbação da área de reserva legal à margem do registro do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis respectivo, sem estipulação de qualquer prazo para fazêlo (Medida Provisória n. 21667 que alterou a Lei 4.771/65, então em vigor, no início do procedimento fiscal). (g) E mesmo a Lei 10.165/2000, que alterou o art. 17O da Lei 6.938/81, não ventilou qualquer exigência à observância de prazo para requerimento do ADA, não se podendo cogitar em impor como condição à isenção, a data de sua requisição/apresentação. (h) No caso do imóvel em questão, a averbação da Reserva Legal foi efetivada no Cartório de Registro de Imóveis antes do início da ação fiscal e já é o suficiente à comprovação da existência da referida área e, por consequência, ao direito isencional garantido na Lei 9.393/96. E, quanto à área de preservação permanente e a área remanescente coberta por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, suficiente à comprovação o Laudo Técnico de Avaliação do imóvel com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, com apresentação de mapas e imagens captadas por satélite. (i) Assegurando a observância do princípio da verdade material, erigido ao status de lei, a autoridade julgadora é obrigada a decidir com base nos fatos que representam a realidade vivenciada pelo contribuinte, sempre partindo dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (j) A averbação da área de reserva legal, no Cartório de Imóveis competente, desde que realizada antes do lançamento ou mesmo antes do início da ação fiscal, já é o suficiente à comprovação da existência da referida área e, por consequência, ao direito isencional garantido na Lei 9.393/96. E mesmo o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir o benefício fiscal no âmbito do ITR, também no que diz respeito à área de preservação permanente. (k) Dessa forma, o imóvel em questão, possui área de preservação permanente correspondente a 67,3 hectares, a qual, mesmo sendo dispensada por lei a averbação em cartório, dispõe também de laudo técnico elaborado por profissional habilitado devidamente reconhecido pelo CREA, sendo meio hábil de prova, suficiente ao êxito da presente discussão. Não obstante, as áreas referidas são preexistentes ao fato gerador do imposto territorial rural, isto é, a propriedade em 1° de janeiro de 2009. (l) E, tratandose de área de preservação permanente devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, ainda que não apresentado o Ato Declaratório Ambiental – ADA tempestivamente, impõese o reconhecimento da aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar em observância ao princípio da verdade material. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10320.721702/201211 Acórdão n.º 2401005.569 S2C4T1 Fl. 147 7 Ao final, requereu a procedência do apelo para: (a) Declarar a nulidade do crédito tributário do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do imóvel rural registrado no NIFR sob o n. 1.661.6359, relativo ao exercício de 2009, em face da espontaneidade readquirida, e da existência dos documentos necessários à comprovação da existência das áreas de reserva legal, de preservação permanente e aquelas cobertas por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, nos quantitativos discriminados no presente recurso e já apresentados na defesa. (b) Alternativamente, determinar que a autoridade fiscal promova a correta desoneração do crédito tributário do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do imóvel rural registrado no NIRF sob o n. 1.661.6359, referente ao exercício de 2009, em face da espontaneidade readquirida, e da existência dos documentos necessários à comprovação da existência das áreas de reserva legal, de preservação permanente e aquelas cobertas por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, anteriores ao início da ação fiscal, nos quantitativos discriminados no presente recurso e já apresentados na defesa. (c) Caso assim não entenda esse respeitável Conselho Administrativo, tendo em vista que já houve o reconhecimento da requisição da espontaneidade tributária da ora recorrente, que conceda ao contribuinte o direito de retificar a declaração original do ITR, relativa ao exercício de 2009 do imóvel cadastrado na Receita Federal do Brasil, sob o NIRF n. 1.661.6359, ante a existência das áreas de reserva legal, cobertas por floresta nativa (primária) e de preservação permanente no aludido imóvel, uma vez que não há como o contribuinte promover a retificação, já que o sistema da Receita Federal está indisponível para alteração/retificação de dados. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade Em que pese a ausência de digitalização do AR nos autos, verifico que o presente processo seguiu o mesmo trâmite interno na Unidade da Receita Federal do Brasil dos Processos de n°s 10320.721698/201283, 10320.721699/201228, 10320.721700/201214, 10320.721701/201269, 10320.721703/201258, e que discutem a mesma questão de direito, todos tendo sido protocolizados, tempestivamente. Isso porque, o Acórdão da Impugnação de todos os processos foram lavrados no dia 11/11/2013, o mesmo ocorrendo com a ciência da decisão proferida, no dia 09/01/2014, sendo os Recursos Voluntários protocolizados também na mesma data, qual seja, no dia 05/02/2014. Ademais, todos os Termos de Juntada foram emitidos no dia 06/02/2014, o mesmo ocorrendo com os despachos de encaminhamento e que foram proferidos no dia 11/02/2014. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10320.721702/201211 Acórdão n.º 2401005.569 S2C4T1 Fl. 148 8 Assim, verifico que o Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/7. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Conexão Esclareço que, nos termos do art. 6°, § 1°, I, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, o presente processo é conexo aos processos destacados abaixo, pois versam sobre exigência de crédito tributário e pedido do contribuinte fundamentados em fatos idênticos, todos relativos ao imóvel com Código Fiscal sob o n° 0.047.4460, diferenciandose, entre eles, apenas em relação ao período em questão: Processo Exercício Imóvel 10320.721701/201269 2008 NIRF 1.661.6359 10320.721703/201258 2010 NIRF 1.661.6359 A discussão posta nos autos é pertinente, ainda, para os processos mencionados abaixo, pois possuem idêntica fundamentação de direito, embora relacionadas a fatos distintos, por se tratarem de imóveis distintos, conforme tabela abaixo: Processo Exercício Imóvel 10320.721698/201283 2008 NIRF 0.047.4460 10320.721699/201228 2009 NIRF 0.047.4460 10320.721700/201214 2010 NIRF 0.047.4460 10320.721704/201201 2008 NIRF 6.401.4835 10320.721705/201247 2009 NIRF 6.401.4835 10320.721706/201291 2010 NIRF 6.401.4835 10320.721707/201236 2008 NIRF 6.569.2071 10320.721708/201281 2009 NIRF 6.569.2071 10320.721709/201225 2010 NIRF 6.569.2071 Em todo o caso, os argumentos trazidos pelo contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, são similares, diferenciandose apenas em relação ao período, e por vezes alterando, cirurgicamente, a ordem de alguns parágrafos ou acrescentando excertos jurisprudenciais. Por fim, destaco que todos os processos mencionados acima foram distribuídos a este Relator. 3. Considerações iniciais O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10320.721702/201211 Acórdão n.º 2401005.569 S2C4T1 Fl. 149 9 contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pelo interessado. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, constato que não encontrei nenhum vício que macula o lançamento tributário, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa, havendo a devida descrição dos fatos e dos dispositivos infringidos e da multa aplicada, sendo o imposto e sua base de cálculo apurados com base na declaração apresentada pelo contribuinte à Receita Federal. Portanto, entendo que não se encontram motivos para se determinar a nulidade do lançamento, por terem sido cumpridos os requisitos legais estabelecidos no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72. Caso a recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). Assim, passo a analisar o mérito. 4. Mérito 4.1. Sobre a possibilidade de retificar a declaração após iniciada a ação fiscal, ou mesmo procedido o lançamento Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10320.721702/201211 Acórdão n.º 2401005.569 S2C4T1 Fl. 150 10 A teor do disposto nos arts. 142 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) e 10 e 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, tem se que o ITR é tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, cabe ao contribuinte a apuração e o pagamento do imposto devido, “independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior” (art. 10 da Lei n° 9.393/96). Iniciado o procedimento de ofício, não cabe mais a retificação da declaração por iniciativa do contribuinte, pois já houve a perda de espontaneidade, nos termos do art. 7° do Decreto n° 70.235/72. Nesse caso, resta ao contribuinte a possibilidade de impugnar o lançamento (art. 145, inciso I, do Código Tributário Nacional), demonstrando a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. A propósito, é ver a redação do artigo 138 do Código Tributário Nacional: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Na hipótese dos autos, o contribuinte, após iniciada a ação fiscal, vem procurando retificar a declaração objeto da autuação, o que é vedado pelo dispositivo legal em comento, impossibilitando o acolhimento de seu pleito. Ainda que se considere a reabertura da espontaneidade do sujeito passivo, a denúncia espontânea deve vir acompanhada da declaração retificadora, e, antes do lançamento de ofício. Após esse prazo, a questão deve ser resolvida na Impugnação, com a análise dos argumentos postos pelo contribuinte para afastar o lançamento tributário e que, sendo sua pretensão acolhida pelo Colegiado, excluirá integralmente ou determinará o recálculo do imposto a pagar, com a retificação da declaração pela unidade da RFB responsável pelo cumprimento do decisum. 4.2. Da exigência do Ato Declaratório Ambiental para as Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Áreas Cobertas por Florestas Nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração Como se observa do relato introdutório, o cerne da questão posta nos autos é a discussão sobre a exigência do protocolo do Ato Declaratório Ambiental – ADA dentro do prazo legal, no tocante às áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas por florestas nativas, bem como a necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Inicialmente, sobre a exigência do protocolo do Ato Declaratório Ambiental – ADA, dentro do prazo legal, no tocante às áreas de preservação permanente, reserva legal, e cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, cumpre esclarecer, o que dispõe a Lei nº 9.393/96, a respeito do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, conforme redação vigente à época do fato gerador: Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10320.721702/201211 Acórdão n.º 2401005.569 S2C4T1 Fl. 151 11 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) (...) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) O Decreto n° 4.382/02, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, tratou da área tributável da seguinte forma: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1º); III de reserva particular do patrimônio natural (Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21; Decreto nº 1.922, de 5 de junho de 1996); IV de servidão florestal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001); Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10320.721702/201211 Acórdão n.º 2401005.569 S2C4T1 Fl. 152 12 V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alínea "b"); VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alínea "c"). § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000). Ademais, o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 10.165/00, passou a prever: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10320.721702/201211 Acórdão n.º 2401005.569 S2C4T1 Fl. 153 13 § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Apesar da previsão contida no § 1° do art. 17O, no sentido de que a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é imperativa, entendo que o dispositivo não pode ser analisado isoladamente, e sua aplicação deve ser restrita às hipóteses em que o benefício da redução do valor do ITR tenha como condição o protocolo tempestivo do ADA. Pela interpretação sistemática do art. 10, Inc. II, e § 7° da Lei nº 9.393/96 c/c art. 10, Inc. I a VI e §3°, Inc. I do Decreto n° 4.382/02 c/c art. 17O da Lei n° 6.938/81, entendo que a exigência do ADA para fins de isenção do ITR diz respeito apenas às seguintes áreas: (a) de reserva particular do patrimônio natural; (b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput do artigo 10 do Decreto n° 4.382/02; (c) comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual. Nas hipóteses acima, sendo o ADA exigido para fins de fruição da isenção, não cabe ao julgador afastar sua obrigatoriedade, invocando o princípio da verdade material, mormente em se tratando de exigência atinente ao ITR, de caráter nitidamente extrafiscal e que almeja a proteção do meio ambiente aliada à capacidade contributiva. Isso porque, muito embora o livre convencimento motivado, no âmbito do processo administrativo, esteja assegurado pelos arts. 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72, entendo que existem limitações impostas e que devem ser observadas em razão do princípio da legalidade e que norteia o direito tributário. Contudo, entendo que as áreas de preservação permanente, de reserva legal, bem como as de servidão florestal ou ambiental, estão excluídas da exigência do ADA para fins de fruição da isenção, em virtude do caráter interpretativo do disposto § 7°, do art. 10, da Lei n° 9.393/96 e que trata expressamente dessas áreas. Ainda que as áreas de preservação permanente, de reserva legal, bem como as de servidão florestal, estejam mencionadas no caput do art. 10 do Decreto n° 4.382/02, a interpretação deve ser sistemática, excluindo a obrigatoriedade em razão da análise conjunta com o disposto § 7°, do art. 10, da Lei n° 9.393/96. Tratase de aparente antinomia, resolvida pelo intérprete mediante o emprego da interpretação sistemática. A propósito, no tocante às áreas de preservação permanente e de reserva legal, o Poder Judiciário consolidou o entendimento no sentido de que, em relação aos fatos geradores anteriores à Lei n° 12.651/12, é desnecessária a apresentação do ADA para fins de exclusão do cálculo do ITR1, sobretudo em razão do previsto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 1 É ver os seguintes precedentes: REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007; REsp 1.112.283/PB, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 1/6/2009; REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007 e REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10320.721702/201211 Acórdão n.º 2401005.569 S2C4T1 Fl. 154 14 Temse notícia, inclusive, de que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, reconhecendo o entendimento consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça sobre a inexigibilidade do ADA, nos casos de área de preservação permanente e de reserva legal, para fins de fruição do direito à isenção do ITR, relativamente aos fatos geradores anteriores à Lei n° 12.651/12, tendo a referida orientação incluída no item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer (art. 2º, incisos V, VII e §§3º a 8º, da Portaria PGFN nº 502/2016). Já no tocante às áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, entendo que se encontram excluídas da exigência do ADA em virtude da ausência de sua menção no caput do art. 10 do Decreto n° 4.382/02. Tratase de interpretação sistemática do art. 10, Inc. II, “e”, da Lei nº 9.393/96 c/c art. 10, Inc. I a VI e §3°, Inc. I do Decreto n° 4.382/02 c/c art. 17O da Lei n° 6.938/81. Ainda que se considere o fato de que a introdução da exclusão da referida área da base de cálculo do ITR somente sobreveio com a vigência da Lei nº 11.428, de 2006, que incluiu a alínea “e”, no inciso II, do § 1°, da Lei nº 9.393/96, e que o Regulamento do ITR é do ano de 2002, época em que não havia, portanto, a referida previsão legal, não é possível a utilização do recurso da analogia para criar obrigações tributárias, sob pena de desrespeito ao art. 108, § 1°, do CTN. Se não houve a alteração formal da legislação, não cabe ao intérprete criar obrigações não previstas em lei. Ademais, ressalto, novamente, que a previsão contida no § 1° do art. 17O, no sentido de que a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é imperativa, não pode ser analisada isoladamente, e sua aplicação deve ser restrita às hipóteses em que o benefício da redução do valor do ITR tenha como condição o protocolo tempestivo do ADA, não sendo o caso das áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, por não estarem previstas no caput do art. 10 do Decreto n° 4.382/02. Dessa forma, ao contrário da decisão de piso, entendo que não cabe exigir o protocolo do ADA para fins de fruição da isenção do ITR das áreas de preservação permanente, reserva legal e das áreas cobertas por florestas nativas, bastando que o contribuinte consiga demonstrar através de provas inequívocas a existência e a precisa delimitação dessas áreas. Se a própria lei não exige o ADA, não cabe ao intérprete fazêlo. E no tocante à questão probatória, reforço que o Laudo Técnico, referente ao ano de 2008, emitido por Engenheira Agrônomo (fls. 55/71), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 72 e 77), identificou as áreas pertinentes ao imóvel denominado “Fazenda Ourives III”, elucidadas no demonstrativo abaixo: Exercício 2009 Demonstrativo do AI Distribuição da Área do Imóvel Rural (ha) Declarado Apurado Laudo Técnico 2008 Área Total do Imóvel 3.940,8 3.940,8 3.940,8 Área de Preservação Permanente 67,3212 Área de Reserva Legal 2.186,2397 Área Coberta por Florestas Nativas 1.683,5874 DJ de 2/8/2004; AgRg no REsp 1.395.393/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 31/03/2015. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10320.721702/201211 Acórdão n.º 2401005.569 S2C4T1 Fl. 155 15 Distribuição da Área Utilizada pela Atividade Rural (ha) Declarado Apurado Laudo Técnico 2008 Área com Reflorestamento (Essências Exóticas ou Nativas) 3.079,9 Área de Exploração Extrativa 855,9 O conjunto probatório acostado aos autos, ao meu juízo, permite atestar, com segurança, a existência dessas áreas, notadamente em razão dos seguintes documentos apresentados em sede de Impugnação: (a) Certidão expedida pelo Cartório do 1° Ofício Extrajudicial do Estado do Maranhão, da Comarca de Barra do Corda (MA), constatando no Livro n° 2 do Registro Geral de Imóveis da Comarca, na matrícula n° 7740, que após levantamentos técnicos procedidos pelo Resp. Técnico – CREA – 1346/DPIVisto: 788MA – Gerson dos Santos Rodrigues, constatouse que a área encontrada foi de 3.940,8299 ha e não 6.900,00 ha (fls. 47). (b) Certidão expedida pelo Cartório do 1° Ofício Extrajudicial do Estado do Maranhão, da Comarca de Barra do Corda (MA), afirmando que, no Livro n° 2 de Registro Geral de Imóveis (Registro Geral), na matrícula n° 7740, registro n° 03, em data de 31 de agosto de 2003, há o registro de uma Gleba de terras situada neste município, denominada Fazenda Vale do Rio Ourives (03), localizada no lugar Ourives, com uma área de 3.940,8299 ha (fls. 54). (c) Laudo Técnico de Avaliação de Imóvel Rural – NIRF 1.661.6359 emitido por Engenheira Agrônomo (fls. 55/71), referente ao ano de 2008, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 72 e 77). (d) Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal TRARL, protocolizado junto à Sec. Est. Meio Ambiente (fls. 84). (e) Mapa de Uso do Solo, discriminando as áreas de Reserva Legal, Preservação Permanente, Remanescente e Benfeitorias, devidamente assinado por Engenheiro Florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 77), informando que as coordenadas foram obtidas a partir de GPS de navegação (fls. 75). Dessa forma, pela análise da documentação acostada aos autos, as respectivas áreas de preservação permanente, reserva legal, cobertas por florestas nativas, foram devidamente comprovadas pelo Laudo Técnico (fls. 55/71), cuja informação encontra respaldo, ainda, nos registros cartorários de fls. 47, 54 e 84. Ressalto, contudo, que apesar de entender que o Laudo Técnico (fls. 55/71) acostado pelo contribuinte não permite que se chegue à conclusão no sentido de que a área coberta de florestas nativas esteja em estágio médio ou avançado de regeneração, condição para a exclusão dessa área do montante tributável por força do art. 10, § 1°, inc. II, “e”, da Lei n° 9.393/96, esse aspecto passou ao largo da decisão de piso, que apenas condicionou a comprovação da área mediante a apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Dessa forma, entendo que a lide recursal está adstrita à fundamentação posta, não podendo a instância recursal inovar no julgamento, surpreendendo a parte em relação a aspecto do qual não se defendeu, em ofensa aos princípios do contraditório, a ampla defesa e segurança jurídica. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10320.721702/201211 Acórdão n.º 2401005.569 S2C4T1 Fl. 156 16 4.3. Da exigência da prévia averbação de reserva legal no registro de imóveis como condição para a isenção do ITR No que diz respeito à necessidade prévia de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão para a isenção do Imposto Territorial Rural, prevista no art. 10, II “a”, da Lei n° 9.393/96, o Superior Tribunal de Justiça2 pacificou as seguintes teses: (a) É indispensável a preexistência de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, tendo a averbação, para fins tributários, eficácia constitutiva; (b) A prova da averbação da reserva legal não é condição para a concessão da isenção do ITR, por se tratar de tributo sujeito à lançamento por homologação, sendo, portanto, dispensada no momento de entrega de declaração, bastando apenas que o contribuinte informe a área de reserva legal; e (c) É desnecessária a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, pois essa área é delimitada a olho nu. Dessa forma, para a exclusão da área de reserva legal do cálculo do ITR, exigese sua averbação tempestiva e antes do fato gerador. Interpretação diversa não se sustenta, pois a alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, que dispõe sobre a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal do cálculo do ITR, redação vigente à época, fazia referência às disposições da Lei nº 4.771/65 do antigo Código Florestal. E, ainda, o § 8° do art. 16 do Código Florestal exigia que a área de reserva legal fosse averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro competente. É ver a redação do dispositivo: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. A referida exigência, consta, ainda, expressamente no art. 12, § 1°, do Decreto n° 4.382/02, in verbis: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis 2 STJ EREsp: 1310871 PR 2012/02329655, Relator: Ministro ARI PARGENDLER, Data de Julgamento: 23/10/2013, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 04/11/2013. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10320.721702/201211 Acórdão n.º 2401005.569 S2C4T1 Fl. 157 17 competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Também a Lei 6.015/73 (Lei de Registros Públicos) prevê a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, conforme se observa do art. 167, inciso II, nº 22: Art. 167 No Registro de Imóveis, além da matrícula, serão feitos. (...) II a averbação: (...) 22. da reserva legal. Assim, para o gozo da isenção do ITR no caso de área de reserva legal, é imprescindível a averbação prévia da referida área na matrícula do imóvel, sendo o ato de averbação dotado de eficácia constitutiva, posto que, diferentemente do que ocorre com as áreas de preservação permanente, não são instituídas por simples disposição legal3. Apesar do § 7°, do art. 10, da Lei n° 9.393/96, dispensar a prévia comprovação da área de reserva legal por parte do declarante, nada mais fez do que explicitar a natureza homologatória do lançamento do ITR, não dispensando sua posterior comprovação que só perfectibiliza mediante a juntada do documento de averbação, em razão de sua eficácia constitutiva. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis, antes do fato gerador, deve ser exigida, portanto, como requisito para a fruição da benesse tributária, sendo uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR4. Isso porque, o ITR é um imposto que concilia a arrecadação com a proteção das áreas de interesse ambiental, e o incentivo à averbação da área de reserva legal vai ao encontro do desenvolvimento sustentável, por criar limitações e exigências para a manutenção de sua vegetação, servindo como meio de proteção ambiental. Também aqui, entendo que não cabe ao julgador invocar o princípio da verdade material, mormente em atenção à extrafiscalidade do ITR, pois muito embora o livre convencimento motivado, no âmbito do processo administrativo, esteja assegurado pelos arts. 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72, entendo que existem limitações impostas e que devem ser observadas em razão do princípio da legalidade e que norteia o direito tributário. 3 Nesse sentido: STJ EREsp 1027051/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 21.10.2013. 4 Precedentes: REsp 1027051/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.5.2011; REsp 1125632/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2009; AgRg no REsp 1.310.871/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 14/09/2012. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10320.721702/201211 Acórdão n.º 2401005.569 S2C4T1 Fl. 158 18 Não cabe, pois, invocar a verdade material para o descumprimento de uma exigência legal e que está em consonância com a preservação do meio ambiente, aspecto ínsito ao caráter extrafiscal do ITR. A jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, vem adotando o mesmo entendimento, ao exigir a averbação de reserva legal antes da ocorrência do fato gerador, como requisito para a isenção do ITR: ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantémse a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. (CARF Processo nº 10660.724592/201108 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.977 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de julho de 2017). ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. Para fins de isenção de ITR é necessária a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel antes da data da ocorrência do fato gerador. (CARF Segunda Seção TERCEIRA CÂMARA PRIMEIRA TURMA RECURSO: RECURSO DE OFÍCIO RECURSO VOLUNTARIO ACÓRDÃO: 2301004.866 Data de decisão: 18/01/2017) ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A exclusão de área declarada como de reserva legal da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada a sua averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. (CARF Segunda Seção SEGUNDA CÂMARA SEGUNDA TURMA RECURSO: RECURSO VOLUNTARIO ACÓRDÃO: 2202004.311 Data de decisão: 04/10/2017). ISENÇÃO. RESERVA LEGAL. A averbação tempestiva é requisito indispensável à isenção de ITR para área de reserva legal. No caso dos autos a averbação ocorreu 2 anos após a ocorrência do fato gerador. Embargos Acolhidos. (CARF Segunda Seção QUARTA CMARA PRIMEIRA TURMA ECURSO: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACÓRDÃO: 2401004.436 Data de decisão: 12/07/2016) Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10320.721702/201211 Acórdão n.º 2401005.569 S2C4T1 Fl. 159 19 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DO FATO GERADOR. OBRIGATORIEDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente, na data anterior ao fato gerador. (CARF Segunda Seção SEGUNDA CMARA PRIMEIRA TURMA RECURSO: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACÓRDÃO: 2201003.027 Data de decisão: 12/04/2016 ) Cumpre destacar, ainda, que o Código de Processo Civil de 2015, com aplicação subsidiária ao processo administrativo, por força de seu artigo 15, estimula a integridade das decisões proferidas, ao recomendar que “os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente” (art. 926 do NCPC/15). Por fim, observo que o contribuinte alega que o Termo de Averbação da Reserva Legal – TRARL foi emitido antes do início da ação fiscal, o que já seria suficiente para comprovar a existência da área de reserva legal e, por consequência, o direito à isenção garantido pela Lei n° 9.393/96. Contudo, conforme exposto, endosso o entendimento de que para o exercício do direito à exclusão da área de reserva legal para fins de apuração do ITR, é imprescindível a averbação da área à margem da matrícula do imóvel, antes do fato gerador, por ser ato constitutivo da própria reserva, não importando que a emissão do Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal tenha ocorrido antes do lançamento ou mesmo antes do início da ação fiscal. Dessa forma, entendo que o contribuinte não comprovou a averbação da área de reserva legal no registro competente, anteriormente ao fato gerador, impossibilitando a fruição do direito à isenção do ITR, relativamente a essa área, devendo ser mantida a glosa neste ponto. 4.4. Da Área Ocupada com Benfeitorias Úteis e Necessárias Destinadas à Atividade Rural A recorrente discorre, brevemente, em seu petitório recursal, alegando ser proprietária do imóvel rural com área total de 3.940,8 ha, em 2009, registrado no Cartório do 1° Ofício de Registro de Imóveis de Barra do Corda (MA), possuindo 3,6 ha como área de benfeitorias (estradas). Contudo, tratase de questão ventilada exclusivamente nesta instância revisora, impossibilitando que seja oferecida à apreciação do Colegiado, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, não se constata existir pedido expresso para a consideração desta área, limitandose em discorrer sobre as áreas de reserva legal, de preservação permanente e as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Conclusão Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10320.721702/201211 Acórdão n.º 2401005.569 S2C4T1 Fl. 160 20 Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de revisar as informações na declaração do exercício de 2009, passando a constar as seguintes áreas, referentes ao imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 1.661.6359: (a) área de preservação permanente, no total de 67,3212 ha; (b) área remanescente coberta por florestas nativas, no total de 1.683,5874 ha. Esclareço que a unidade da RFB responsável pela execução do acórdão deverá proceder ao recálculo do imposto, segundo a legislação vigente à época dos fatos geradores, devendo a multa de 75% (setenta e cinco por cento) incidir sobre o saldo remanescente apurado. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para discordar de seu voto na parte em que acolheu a comprovação da existência de área remanescente coberta por florestas nativas para fins de exclusão da área tributável do imóvel rural. A respeito dessa matéria controvertida, reproduzo excerto do voto do I. Relator: (...) Dessa forma, pela análise da documentação acostada aos autos, as respectivas áreas de preservação permanente, reserva legal, cobertas por florestas nativas, foram devidamente comprovadas pelo Laudo Técnico (fls. 55/71), cuja informação encontra respaldo, ainda, nos registros cartorários de fls. 47, 54 e 84. Ressalto, contudo, que apesar de entender que o Laudo Técnico (fls. 55/71) acostado pelo contribuinte não permite que se chegue à conclusão no sentido de que a área coberta de florestas nativas esteja em estágio médio ou avançado de regeneração, condição para a exclusão dessa área do montante tributável por força do art. 10, § 1°, inc. II, “e”, da Lei n° 9.393/96, esse aspecto passou ao largo da decisão de piso, que apenas condicionou a comprovação da área mediante a apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Dessa forma, entendo que a lide recursal está adstrita à fundamentação posta, não podendo a instância recursal inovar no julgamento, surpreendendo a parte em relação a aspecto do qual não se defendeu, em ofensa aos princípios do contraditório, a ampla defesa e segurança jurídica. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10320.721702/201211 Acórdão n.º 2401005.569 S2C4T1 Fl. 161 21 (...) Pois bem. Na origem, a revisão da declaração pela fiscalização foi motivada pela ausência de comprovação das áreas declaradas pelo contribuinte como ocupadas com reflorestamento e para fins de exploração extrativa, o que resultou na alteração de ofício dos dados e exigência de imposto suplementar. Por ocasião do contencioso administrativo, o recorrente não se insurgiu contra tal aspecto da declaração, mas sim afirmou que havia deixado de incluir tempestivamente na declaração anual as áreas de preservação permanente, reserva legal e coberta de florestas nativas do seu imóvel rural, calculando o imposto como se não houvesse áreas isentas. Nessa hipótese, em que o contribuinte alega erro no preenchimento da declaração, recai sobre ele todo o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito. Em outros dizeres, cabe ao interessado demonstrar através de documentação hábil e idônea a existência das áreas, bem como o cumprimento dos requisitos legais para a exclusão da tributação. Para os imóveis rurais nos quais há áreas cobertas por florestas nativas, prescreve o art. 10, § 1º, inciso II, alínea "e", da Lei nº 9.393, de 1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: (...) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (...) Como se observa do texto da Lei nº 9.393, de 1996, as áreas cobertas de florestas nativas são passíveis de exclusão do montante tributável por força de lei, desde que comprovado o estágio médio ou avançado de regeneração. Todavia, como assinala o I. Relator em seu voto, o laudo técnico acostado aos autos não permite inferir que a área coberta por florestas nativas encontrase em estágio médio ou avançado de regeneração, tal qual exigido em lei. Não se trata de inovação no julgamento em instância recursal, porque a área coberta por florestas nativas não havia sido declarada e, portanto, não foi objeto de avaliação Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10320.721702/201211 Acórdão n.º 2401005.569 S2C4T1 Fl. 162 22 pela autoridade fazendária. Por isso, tampouco há que se falar em alteração de critério jurídico do lançamento fiscal. Ao interpor o recurso voluntário, toda a matéria correspondente foi devolvida à apreciação pelo órgão de segunda instância administrativa. Na falta de comprovação pelo contribuinte que a área do imóvel cumpre os requisitos legais, inviável a sua exclusão para fins de redução do imposto devido. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar tão somente uma área de preservação permanente no total de 67,3212 ha. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.900412/2008-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA
Incumbe ao contribuinte o ônus processual de provar a liquidez e certeza do direito creditório. A não desincumbência de tal ônus implica a não homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 3302-005.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo e Vinícius Guimarães votaram pela conclusões entendendo preclusa a apresentação das provas em recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA Incumbe ao contribuinte o ônus processual de provar a liquidez e certeza do direito creditório. A não desincumbência de tal ônus implica a não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo e Vinícius Guimarães votaram pela conclusões entendendo preclusa a apresentação das provas em recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem retratar o realidade dos fatos, transcrevese do relatório do acórdão recorrido: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 04 12 /2 00 8- 06 Fl. 283DF CARF MF Processo nº 13502.900412/200806 Acórdão n.º 3302005.601 S3C3T2 Fl. 284 2 "Tratase de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório n° de rastreamento 757693997, de 24/04/2008, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari/BA, que indeferiu o direito ao crédito no valor original utilizado de R$ 5.166,89 (cinco mil cento e sessenta e seis reais e oitenta e nove centavos), não homologando os débitos constantes do PER/DCOMP n° 37153.10798.081204.1.3.048481 (fls. 09/14). No citado PER/DCOMP, a interessada pretendia utilizar um crédito referente a um pagamento a maior ou indevido da Cofins Não Cumulativa (código, 5856), do período de apuração maio de 2004, no valor de R$ 213.612,28 para compensar um débito da própria Cofins Não Cumulativa, do período de apuração novembro de 2004, no valor original de R$ 5.543,56 (cinco mil quinhentos e quarenta e três reais e cinqüenta e seis centavos). Consta na descrição dos fatos que a partir da análise do DARF discriminado no PER/DCOMP identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, os quais foram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada do indeferimento a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 06/08, cujo teor é sintetizado a seguir. • diz, após se referir ao Despacho Decisório da DRF/Camaçari que não homologação a compensação declarada no citado PER/DCOMP, que a Cofins Não Cumulativa, do período de apuração maio/2004, é de R$ 208.445,41, conforme evidenciado no DACON transmitido em 29/10/2004 (fls. 21/36), e não no valor de R$ 213.612,29, conforme informado incorretamente na DCTF (fls. 15/20) em decorrência de pagamento equivocadamente efetuado neste valor; • que, em face de tal recolhimento, restou indevidamente recolhido o valor de R$ 5.166,88, cujo crédito foi utilizado na compensação do débito relativo a Cofins Não Cumulativa, do período de apuração novembro/2004, objeto da compensação formalizada através do PER/DCOMP ora sob análise; • que, considerando que o valor do débito decorre de declaração por ela apresentada, bem como de que o valor efetivamente devido a título de Cotins NãoCumulativa, do período de apuração maio/2004 foi declarado em DACON, requer que seja retificada de ofício na DCTF o valor do débito de R$ 213.612,29 para R$ 208.445,41 • requer, diante do exposto, e considerando a real existência de créditos suficientes para cobrir todas as compensações realizadas, bem como, por entender, que a não homologação decorre de erro formal incorrido equivocadamente por ela na apresentação da DCTF do 2° trimestre de 2004, que: Fl. 284DF CARF MF Processo nº 13502.900412/200806 Acórdão n.º 3302005.601 S3C3T2 Fl. 285 3 a) o provimento de sua manifestação de inconformidade; b) o reconhecimento do seu direito creditório no montante dos débitos efetivamente compensados e a conseqüente reratificação de ofício dos débitos relativos ao mês de maio/2004 informados na respectiva DCTF. Em face do despacho de fl. 53, o processo veio a esta DRJ/SDR, para julgamento." A Quarta Turma da DRJ em Salvador proferiu o Acórdão nº 1523.840, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 08/12/2004 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não cabe reparo o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: 1. Preliminarmente, o direito à juntada de documentos em sede de recurso voluntário, de acordo com o artigo 60 da Lei nº 9.784/1999; 2. Que a retificação de ofício da DCTF deve ser realizada em observância aos princípios constitucionais da finalidade, da razoabilidade, princípio da eficiência, e os princípios que regem o processo administrativo da informalidade, da verdade material; 3. Que a retificação da DCTF não é permitida após ter sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, em razão de vedação do artigo 9º da IN RFB nº 974/2009 e que a retificação da DCTF não regularizaria a compensação; 4. Que os valores que geraram os créditos de Cofins decorrem de notas fiscais de fretes sobre vendas e anexa DCTF, Dacon, Livro de Registro de Entradas de insumos e planilha que demonstra o valor a ser recolhido. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 13502.900412/200806 Acórdão n.º 3302005.601 S3C3T2 Fl. 286 4 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente alegou o direito à juntada de documentos em sede de recurso voluntário, em conformidade com o artigo 60 da Lei nº 9.784/1999, abaixo transcrito: Art. 60. O recurso interpõese por meio de requerimento no qual o recorrente deverá expor os fundamentos do pedido de reexame, podendo juntar os documentos que julgar convenientes. Ocorre que a Lei nº 9.784/1999 é de aplicação subsidiária ao processo administrativo de constituição de crédito tributário, conforme expressamente previsto em seu artigo 691, cujo regramento específico é dado pelo Decreto nº 70.235/1972, que dispõe em seu artigo 16 sobre o prazo para juntada de documentos, a seguir transcrito: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do 1 Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13502.900412/200806 Acórdão n.º 3302005.601 S3C3T2 Fl. 287 5 ofendido, mandar riscálas. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Referido artigo estipula o prazo para juntada de documentos é a impugnação, no caso aqui, a manifestação de inconformidade, podendo ocorrer em momento posterior, de acordo com as hipóteses previstas em seu §4º. Assim, afastase a aplicação do artigo 60 da Lei nº 9.784/1999. Porém, o princípio da verdade material é garantia do processo administrativo de constituição de crédito tributário e deve ser sopesado no caso concreto com o instituto da preclusão processual. Assim, devese avaliar os fatos expostos no presente caso. De plano, concordase com a conclusão da decisão recorrida em negar provimento à manifestação de inconformidade, em razão da completa ausência de prova do direito creditório, embora entendo que a afirmação de que não seria possível a retificação de ofício esteja equivocada. Porém, também é incorreta a afirmação da recorrente que não seria a possível a retificação da DCTF por sua conta. Quanto ao tema, a retificação da DCTF estava prevista no artigo 9º da IN SRF 255/2002 e no artigo 10 da IN SRF nº 482/2004, vigente à época da entrega da DCTF retificadora: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com Fl. 287DF CARF MF Processo nº 13502.900412/200806 Acórdão n.º 3302005.601 S3C3T2 Fl. 288 6 observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II cujos valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União; ou III em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 5º Verificandose a existência de imposto de renda postergado, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 6º A retificação da DCTF não será admitida com o objetivo de alterar a periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada Observase que a retificação da DCTF pela recorrente poderia ter sido feita após o despacho decisório, pois não se constatou nos autos qualquer dos impedimentos listados no §2º do artigo 10 da IN SRF nº 482/2004. Tal possibilidade é confirmada em diversos acórdãos deste Conselho, inclusive desta turma (vide Acórdãos nº 1302002.016, 1301 002.103, 3201002.420, 3302002.955, 3403003.342). Neste sentido, o Parecer Normativo Cosit nº 2/2015, admitiu esta possibilidade, inclusive após a manifestação de inconformidade, nos termos que seguem abaixo: Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13502.900412/200806 Acórdão n.º 3302005.601 S3C3T2 Fl. 289 7 Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP.A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP Fl. 289DF CARF MF Processo nº 13502.900412/200806 Acórdão n.º 3302005.601 S3C3T2 Fl. 290 8 indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 No item 18.1, o parecer dispôs que: 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). Esse valor, entretanto, tornouse disponível no trâmite do processo administrativo fiscal. Caso o despacho decisório do indeferimento daquele crédito (ou da não homologação da DCOMP) decorreu apenas dessa hipótese preliminar, o órgão julgador poderá baixar o processo administrativo fiscal em diligência, nos termos do art. 18 do PAF, a fim de analisar as questões fáticas envolvendo a análise do crédito. Notese que tal procedimento é fundamental para a segurança do crédito, pois, a princípio, é a DRF que tem as condições de avaliar se aquele crédito já não foi alocado em outro PER/DCOMP, além de questões meramente monetárias que podem gerar improcedência parcial, nos termos dos itens 18.4 e seguintes. Caso a DRJ assim não proceda, o julgador então deverá verificar a efetiva disponibilidade daquele crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP), se os valores estão corretos e se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB. (grifos não originais). Em conclusão, assim dispôs o parecer: Conclusão 22. Por todo o exposto, concluise: a) [...]b)[...] Fl. 290DF CARF MF Processo nº 13502.900412/200806 Acórdão n.º 3302005.601 S3C3T2 Fl. 291 9 c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; Assim, não há impedimento legal à retificação da DCTF após o despacho decisório, exceto nos casos estabelecidos na legislação infralegal, a teor do disposto no artigo 182 da MP nº 2.189/2001, sendo improcedente sua alegação acerca da impossibilidade. Não obstante demonstrada tal possibilidade, também é possível a retificação de ofício de débito confessado em declaração pela Administração Tributária, conforme admitiu expressamente o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, na hipótese de ocorrência de erro de fato em seu preenchimento, cuja ementa parcial e excerto, transcrevemse abaixo: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. (grifo não original) Excerto: Retificação de ofício de débito confessado em declaração 2 Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração Fl. 291DF CARF MF Processo nº 13502.900412/200806 Acórdão n.º 3302005.601 S3C3T2 Fl. 292 10 41. As declarações entregues para comunicar a existência de crédito tributário, representando confissão de dívida nos termos do §1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, tais como DCTF, DIRPF, DITR e GFIP, podem ser retificadas espontaneamente pelo sujeito passivo, com espeque no art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001, atendidos os limites temporais estabelecidos em normas específicas (§ 2º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010 – DCTF, art. 5º da IN RFB nº 958, de 15 de julho de 2009 – DIRPF e DITR; art. 463 da IN RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 – GFIP), respeitado o prazo de cinco anos para retificação (conforme Parecer Cosit nº 48, de 07 de julho de 1999). 42. Não mais sendo possível retificação por iniciativa do sujeito passivo, esta poderá ser realizada de ofício pela autoridade administrativa da unidade local de jurisdição para reduzir os débitos a serem encaminhados ao órgão da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa, haja vista orientação contida na Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1, de 1999, antes referida. Nos termos desta portaria, mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa, e ainda que iniciada a execução fiscal, a retificação de ofício poderá ser efetuada se comprovado o erro de fato no preenchimento da declaração. 43. No caso específico da DCTF, desde 2004 (IN SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004) há previsão específica para revisão de ofício por erro de fato no preenchimento desta declaração, a fim de alterar débito que tenha sido enviado para a PGFN ou que tenha sido objeto de procedimento fiscal. Tal disposição, hoje, consta da norma disciplinadora da DCTF, qual seja, a IN RFB nº 1.110, de 2010, especificamente no § 3º do art. 9º: Art. 9º. (omissis) (...) § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011). 44. Frisese que o saldo a pagar a ser inscrito na dívida ativa originado de procedimento de auditoria interna da DCTF também pode ser objeto de retificação de ofício, consoante se depreende da referida portaria e do § 3º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010. Novamente, esta retificação dependerá da comprovação do cometimento pelo contribuinte de inequívoco erro de fato no preenchimento da declaração. 45. Da mesma forma que a revisão de ofício, a retificação de ofício pode ser feita a qualquer tempo, para crédito tributário Fl. 292DF CARF MF Processo nº 13502.900412/200806 Acórdão n.º 3302005.601 S3C3T2 Fl. 293 11 não extinto e indevido. Para os casos em que o crédito tributário já se encontre extinto, “deve ser observado, nesse caso, o art. 168 do CTN, que condiciona a correção do erro praticado e a devolução do valor recolhido indevidamente aos cofres públicos à apresentação pelo contribuinte de pedido de restituição antes de transcorrido o prazo fixado no referido dispositivo legal” (Parecer Cosit nº 38, de 2003). Ora, se é possível a retificação de ofício par evitar encaminhamento de débito a ser inscrito em Dívida Ativa, não vejo razão para se negar a possibilidade de retificar de ofício os valores informados, desde que decorrentes de comprovado erro de fato e ausentes os impedimentos previstos nos atos normativos, pois, caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento ilícito por parte da Fazenda Nacional. Ocorre que, em qualquer das hipóteses, é necessário que o contribuinte comprove o erro de fato, ônus que lhe cabe, especialmente, tratandose de declaração de compensação, cujos créditos somente são admitidos se líquidos e certos, a teor do artigo 170 do CTN. Portanto, a questão a ser efetivamente enfrentada é saber se a recorrente comprovou, ou não, seu direito creditório. Afirmase, certamente, que não houve qualquer comprovação na apresentação de manifestação de inconformidade, uma vez que o Dacon é apenas um demonstrativo e não consiste em prova do ali informado, além de que a DCTF fora entregue após a apresentação do Dacon, consistindo em declaração de vontade posterior e em confissão de dívida, possuindo, assim, atributos mais fortes concernentes à declaração de vontade, que o Dacon. Para comprovar seu direito, a recorrente apresentou, em recurso voluntário, notas fiscais de fretes sobre vendas e anexou DCTF, Dacon, Livro de Registro de Entradas de insumos e planilha que demonstra o valor a ser recolhido. Passase, assim, à análise da comprovação. O valor devido de Cofins de R$ 208.445,41 (alegado como correto pela recorrente) foi apurado no regime nãocumulativo, sendo R$ 284.504,89 de débitos informados e R$ 66.617,72 de créditos no mercado interno e R$ 9.441,76, de créditos no mercado externo. Concernente aos valores de débitos, a recorrente não juntou balancetes ou Livro Razão para se comprovar o montante de receitas auferidas, necessário para se averiguar a base de cálculo dos débitos, bem como o rateio para segregação dos custos, despesas e encargos comuns, vinculados á receita de exportação e mercado interno. Em relação aos créditos, a recorrente alega que a divergência de informação na DCTF e Dacon decorreu dos lançamentos relativos a fretes, cujas notas fiscais foram anexadas ao recurso voluntário. Para comprovar os valores informados no Dacon, a recorrente apresentou o Livro de Apuração de ICMS e o Livro de Registro de Entradas, em cuja tabela abaixo comparouse com as linhas do Dacon, para os CFOPs indicativos do valor do creditamento: BASES DE efl. 199 efl. 216 efl. 276 Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13502.900412/200806 Acórdão n.º 3302005.601 S3C3T2 Fl. 294 12 CRÉDITO Item de crédito Dacon Planilha Livro Apuração de ICMS CFOP Valor Contábil Bens para revenda 57.872,36 57.872,36 2102 compras para comercialização 69.299,86 Bens como insumos 604.755,81 536.770,48 1101 e 2101 compras para industrilização 2124 industrialização por encomenda 344.772,57 195.964,25 Fretes sobre compras 67.985,33 1.352 e 2.352 aquisição de serviço de transporte por estabelecimento industrial 68.176,22 Despesas financeiras 2.100,00 Armazenagem e frete em op. de vendas 82.324,50 Fretes sobre vendas 82.324,50 Base imobilizado 9.487,74 9.487,74 Devolução de vendas 30.355,55 30.355,55 2201 devolução de vendas de produção 30.569,86 CRÉDITOS CP estoque abertura 1.461,64 1.461,64 Créditos de Importação 14.898,87 14.898,87 3101 compras para industrialização 1.329.904,40 = 101.072 (7,6%) Ajustes positivos 50,10 50,10 Ajustes negativos 155,25 155,25 Constatase que os créditos de bens para revenda, bens/fretes sobre compras utilizados como insumos, devoluções de vendas e importações para industrialização são compatíveis com os códigos indicados. Todavia, os valores de despesas de armazenagem e fretes em operações de venda, despesas de depreciação e crédito relativo a estoques de abertura e despesas financeiras não foram comprovados pela recorrente. Aliás, este valor de fretes sobre vendas é o título da Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13502.900412/200806 Acórdão n.º 3302005.601 S3C3T2 Fl. 295 13 relação das notas fiscais juntadas e que seria o fundamento da diferença (doc. 6 e.fl 223). Porém, verificase que vários conhecimentos de transporte possuem a recorrente como destinatária do frete, indicando trataremse de fretes de aquisição pela recorrente, e não como remetente das mercadorias, o que indicaria o frete sobre vendas. Localizei apenas quatro notas nas quais consta a recorrente como remetente no montante em torno de R$ 3.620,00, o que não comprova o valor de fretes sobre vendas informado pela recorrente. Assim, os valores contidos nos CFOP 1.353 e 2.352, embora compatíveis com os fretes sobre compras, não são suficientes para comprovar a soma dos valores informados de fretes sobre compras e fretes sobre vendas, o que indica falta de comprovação dos valores de fretes sobre vendas. Ademais, é de se reconhecer que o Livro de Apuração de ICMS, embora conste o CFOP, não indica os produtos que foram revendidos (descrição, NCM, para avaliação quanto a eventual sujeição à alíquota zero), não indica a natureza dos insumos utilizados (descrição, NCM, para avaliação quanto à conformação com a definição de insumos e sujeição à alíquota zero). Mesmo as notas fiscais de fretes apresentadas estão desacompanhadas das notas fiscais da mercadoria transportada, de forma a comprovar que se tratam de fretes sobre aquisições de bens para revenda ou bens utilizados como insumos ou de produtos de uso e consumo que não se enquadram no conceito de insumos. Portanto, a falta de parte da documentação relativa aos créditos aliada à ausência de documentação relativa ao cálculo dos débitos tornam impossível afirmar que o direito creditório alegado pela recorrente é líquido e certo, não sendo possível a retificação de ofício por parte da Administração Tributária, conforme pedido pela recorrente. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 295DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660333/2012-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.736
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 33 /2 01 2- 20 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660333/201220 Acórdão n.º 3401004.736 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660333/201220 Acórdão n.º 3401004.736 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660333/201220 Acórdão n.º 3401004.736 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660333/201220 Acórdão n.º 3401004.736 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660333/201220 Acórdão n.º 3401004.736 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660333/201220 Acórdão n.º 3401004.736 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.003019/2004-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
Ementa:
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. APLICAÇÃO DE SÚMULA.
Nos termos do §12, III, do artigo 67, do RICARF, não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula ou Resolução do Pleno do CARF.
Ao caso, aplica-se a Súmula CARF 57. Logo, não se pode conhecer de recurso especial que na análise a admissibilidade pela Turma possua como paradigma decisão que contrarie a referida Súmula.
Numero da decisão: 9101-003.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. APLICAÇÃO DE SÚMULA. Nos termos do §12, III, do artigo 67, do RICARF, não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Ao caso, aplica-se a Súmula CARF 57. Logo, não se pode conhecer de recurso especial que na análise a admissibilidade pela Turma possua como paradigma decisão que contrarie a referida Súmula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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NÃO CONHECIMENTO. APLICAÇÃO DE SÚMULA. Nos termos do §12, III, do artigo 67, do RICARF, não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Ao caso, aplicase a Súmula CARF 57. Logo, não se pode conhecer de recurso especial que na análise a admissibilidade pela Turma possua como paradigma decisão que contrarie a referida Súmula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 30 19 /2 00 4- 77 Fl. 90DF CARF MF 2 Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN, em face do acórdão nº 120200.262, onde se cancelou exclusão ao SIMPLES ao entendimento de que não comprovada a necessidade de profissional legalmente habilitado (engenheiro) para a execução das atividades de prestação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos industriais, a pessoa jurídica pode optar pelo sistema SIMPLES de recolhimento de impostos e contribuições federais. O contribuinte foi excluído do SIMPLES através do ADE nº.569.152/2004, sob o argumento de que a atividade de prestação de manutenção de máquinas e equipamentos industriais, se enquadra no inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de 1996. O contribuinte ingressou com Solicitação de Revisão da Execução da Opção pelo Simples, mas a Delegacia indeferiu seu pleito, alegando que o exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnicocientifico próprio de profissional da engenharia é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples. Apresentado Recurso Voluntário, a Turma a quo a ele deu provimento, conforme ementa abaixo: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 Ementa: SIMPLES. ATIVIDADES DE MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO INDUSTRIAL. Não comprovada a necessidade de profissional legalmente habilitado (engenheiro) para a execução das atividades de prestação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos industriais, a pessoa jurídica pode optar pelo sistema SIMPLES de recolhimento de impostos e contribuições federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13819.003019/200477 Acórdão n.º 9101003.640 CSRFT1 Fl. 91 3 Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de divergência alegando que a atividade exercida pela contribuinte é de competência de engenheiro legalmente habilitado, e que, por isso, agiu com acerto a autoridade administrativa na origem. O Recurso da Fazenda foi conhecido, conforme despacho de admissibilidade. Intimado por edital do Recurso da Fazendo o contribuinte não apresenta contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre a admissibilidade do Recurso, entendo importante o debate, notadamente em função da súmula CARF 57, que possui a seguinte redação: Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Avaliando as decisões que ampararam a edição da súmula em questão podemos encontrar a análise de situações fáticas de serviços de reparos e manutenção de bombas hidráulicas (Ac. 39300.054), máquinas e equipamentos industriais (Ac. 0306.233 e 39100.059), aparelhos e cabos telefônicos (Ac. 30134.653 e 30239.829), bem como de serviços de usinagem (Ac. 39300.021). Tendo em vista que aqui a análise paira sobre a possibilidade de manutenção no SIMPLES de sociedade que exercia a atividade de manutenção de máquinas e equipamentos industriais é possível compreender que a situação presente encontrase no âmbito daquelas analisadas para a edição da súmula. Ocorre que, nos termos do §12, III, do artigo 67, do RICARF, não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Os paradigmas trazidos pela Fazenda tratam exatamente de situações onde atualmente se aplicaria a Súmula 57. Logo, não se pode conhecer de recurso especial que na análise a admissibilidade pela Turma possua como paradigma decisão que contrarie a referida Súmula. Logo, avaliando esse tema não conheço do Recurso da Fazenda. (assinado digitalmente) Fl. 92DF CARF MF 4 Gerson Macedo Guerra Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10209.000424/2004-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/08/2017
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, nos termos da Súmula CARF nº 103.
Numero da decisão: 3302-005.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/08/2017 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, nos termos da Súmula CARF nº 103.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1694; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 838 1 837 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10209.000424/200423 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3302005.612 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2018 Matéria Drawbacksuspensão Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/08/2017 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, nos termos da Súmula CARF nº 103. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de Auto de Infração para constituição de crédito tributário de Imposto de Importação II e Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, relativo a diversas importações realizadas no ano de 2000, com ciência em 09/07/2004, sob o Regime Especial Aduaneiro de Drawback, na modalidade Drawbackintermediário, em razão de registrar RE vinculados ao ato concessório em data anterior ao registro das DIs de importação dos insumos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 04 24 /2 00 4- 23 Fl. 838DF CARF MF Processo nº 10209.000424/200423 Acórdão n.º 3302005.612 S3C3T2 Fl. 839 2 vinculadas ao AC; utilização no campo 2a Enquadramento da Operação dos Registros de Exportação de dois ou mais códigos de operação, em desacordo com o artigo 2 do Comunicado DECEX 006/1999, glosa de Registros de Exportação vinculados ao ato concessório em momento anterior ao final do ciclo produtivo de alumina calcinada. Em impugnação, a contribuinte aduziu: 1. Erros materiais na apuração pela desconsideração dos Anexos de Importação de 2001 a 2006, o que afasta a conclusão da fiscalização sobre a quantidade importada ser inferior à compromissada, bem como afasta a afirmação de houve REs registradas anteriormente à conclusão do ciclo produtivo da alumina calcinada; pugnou pela realização de diligências 2. Ofensa ao princípio da reserva legal, pois lhe imputadas infraçãoes lastreadas em portarias e comunicados do SECEX/DECEX, sem menção aos dispositivos do regulamento aduaneiro ou lei formal que obrigasse ao cumprimento das referidas obrigações; 3. Que a retirada do benefício do drawback não está prevista como penalidade por não ter havido o cumprimento de alguma obrigação acessória e que não houve inadimplemento do deve de exportar, nem entre o total de importações compromissadas e as efetivadas. 4 Que as hipóteses de cassação do regime de Drawback estão dispostas no artigo 319 do RA/1985 e que o contribuinte não se enquadraria em nenhuma delas; 5. Que a Secretaria da Receita Federal do Brasil não tem competência para cassar o ato concessório emitido pela SECEX/DECEX; 6 Que o princípio da equivalência se impõe no regime de drawback isenção; 7. Que as cartas e correções efetuadas pelo contribuinte visaram corrigir as informações nos documentos fiscais e que os avisos de irregularidades feitos pela recorrente afastariam a presunção fiscal de descumprimento do regime; 8. Que a multa aplicada é indevida, pois somente após a confirmação pela instância administrativa é que o contribuinte estaria obrigado ao pagamento do tributo e de forma espontânea; Na sessão de 10/05/2011, a Sétima Turma da DRJ em Fortaleza converteu o julgamento em diligência, conforme resolução de efls. 750/753. Em cumprimento da diligência, foi elaborada a Informação Fiscal de efls. 756/757, com as seguintes informações: "Devido a já terem passados mais de 10 (dez) anos desde a emissão do Ato Concessório de Drawback n° 000198/0001631, em 29.12.1998, tornouse inviável, a princípio, obter o Relatório de Comprovação de Drawback solicitado na alínea “a”, via intimação à Agência do Banco do Brasil que concedeu o regime. Por essa razão, solicitamos da empresa os originais das importações dos anexos 2001 a 2006, juntados na defesa apresentada contra os Autos de Infração. Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10209.000424/200423 Acórdão n.º 3302005.612 S3C3T2 Fl. 840 3 Foi solicitado ao Departamento de Operações de Comércio Exterior – DECEX, que centraliza as informações da antiga CACEX do Banco do Brasil, a prestação de contas do referido Ato Concessório. A resposta veio com os seguintes esclarecimentos: a) As importações e as exportações foram realizadas dentro do prazo do AC em referência, cujo vencimento foi em 20.12.2000. Foi emitido aditivo de ajuste final para baixa do AC177800/0004460, datado de 14/11/2000. b) O Ato foi baixado em 14.11.2000, sem inadimplência. c) Não foi diagnosticada qualquer divergência por ocasião da baixa do Ato Concessório. Quanto ao solicitado na alínea “b”, verificamos que, por falha na "formação do dossiê", o Termo de Início de Ação Fiscal relaciona apenas as 14 (quatorze) Declarações de Importação vinculadas ao Ato Concessório referentes ao exercício de 2000, deixando de considerar as 21 (vinte e uma) relativas a 1999, descritas nos Anexos 2001 a 2006 do Relatório Unificado de Drawback (RUD). Com a apresentação das planilhas de controle do consumo dos produtos importados (soda cáustica, floculante e tecido filtrante) no processo industrial de elaboração dos produtos destinados a Exportação, verificamos realmente a coerência com a utilização dos índices técnicos que considerando as importações das 21 (vinte e uma) Declarações do ano de 1999 não levantadas pelo Fiscal autuante ocorrendo a comprovação de baixa total do AC com o fornecimento de 707.036,381 TM de Alumina Calcinada. Face ao exposto, diante da defesa apresentada pela empresa com a ressalva de que não foram considerados os Anexos de Importação 2001 a 2006, do levantamento fiscal efetuado e das informações obtidas junto ao DECEX de que o Ato Concessório foi” baixado “em 14.11.2000, sem inadimplência e nenhuma divergência foi diagnosticada nas importações e exportações que foram comprovadas dentro do prazo do Ato Concessório e que foi a razão e o porque da conclusão desta diligência.” A contribuinte foi cientificada, mas não foi localizada manifestação nos autos sobre o resultado da diligencia. Retornando os autos para julgamento, a Sétima Turma da DRJ em Fortaleza julgou procedente a impugnação, proferido o Acórdão nº 0828.013, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 05/01/2000, 24/01/2000, 17/02/2000, 18/02/2000, 01/03/2000, 10/03/2000, 23/03/2000, 28/03/2000, 31/03/2000, 10/04/2000 DRAWBACK SUSPENSÃO. REGULARIDADE DAS OPERAÇÕES. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. Fl. 840DF CARF MF Processo nº 10209.000424/200423 Acórdão n.º 3302005.612 S3C3T2 Fl. 841 4 É improcedente o lançamento decorrente do descumprimento do regime aduaneiro especial drawback, modalidade suspensão, quando não ficar demonstrado nos autos que as operações a ele vinculadas foram realizadas em desconformidade com as normas aplicáveis ou com os termos e condições pactuados no ato concessório. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Por ter superior ao limite de alçada de que trata a superior ao limite de alçada fixado no artigo 1º da Portaria MF nº 3/2008, o colegiado a quo recorreu de ofício. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. Tratase de recurso de ofício interposto em razão de o crédito tributário ter superado o limite de alçada de que tratava a Portaria MF nº 3/2008. Referida portaria foi revogada pela Portaria MF nº 63/2017, que estabeleceu novo limite, conforme transcrito abaixo: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. O novo limite deve ser observado para efeito de conhecimento do recurso de ofício, de acordo com a Súmula CARF nº 103, a seguir reproduzida: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Fl. 841DF CARF MF Processo nº 10209.000424/200423 Acórdão n.º 3302005.612 S3C3T2 Fl. 842 5 Assim, o novo limite deve ser comparado com o somatório do tributo originalmente lançado acrescido dos encargos de multa, que totalizam nestes autos o montante de R$ 1.010.270,36 (R$ 976.563,40 – II e R$ 33.706,96 – IPIVinculado), portanto, inferior ao novo limite de alçada, impedindo, portanto, o conhecimento do recurso de ofício. Diante do exposto voto para não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 842DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.002967/99-85
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1999
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO.
O Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal determina que a competência para a apreciação de recursos contra exclusão do Simples Nacional é da Primeira Seção de Julgamento
Numero da decisão: 3201-001.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência para a Primeira Seção de Julgamento, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro SouzaPresidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1999 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. O Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal determina que a competência para a apreciação de recursos contra exclusão do Simples Nacional é da Primeira Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência para a Primeira Seção de Julgamento, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro SouzaPresidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
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score : 1.0
Numero do processo: 10530.003590/2007-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRPJ – PESSOA FÍSICA EQUIPARADA A PESSOA JURÍDICA
Ano-calendário: Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Preenchido os requisitos do PAF e proporcionado ao Contribuinte plenas condições de contraditório, descabe a alegação de nulidade.
PESSOA FÍSICA EQUIPARADA A JURÍDICA
Pessoa física que em nome individual, explora habitual e profissionalmente atividade de natureza comercial, mediante venda de bens e serviço, equipara se a pessoa jurídica.
OMISSÃO DE RECEITA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS
A lei 9.430/96 em seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de receita com base em valores depositados em conta corrente caso o contribuinte não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores a origem dos créditos.
FALTA DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Na falta da escrituração contábil obrigatória, cabe a autoridade fiscal arbitrar os lucros com base no valor das receitas omitidas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
O decidido para o IRPJ alcança as tributações reflexas dele decorrentes, no caso o PIS, a CSLL e a COFINS.
Numero da decisão: 1301-000.469
Decisão: Acordam os membros do colegiado, [por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.]
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Guilherme Pollastri Gomes da Silva
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Preenchido os requisitos do PAF e proporcionado ao Contribuinte plenas condições de contraditório, descabe a alegação de nulidade. PESSOA FÍSICA EQUIPARADA A JURÍDICA Pessoa física que em nome individual, explora habitual e profissionalmente atividade de natureza comercial, mediante venda de bens e serviço, equipara se a pessoa jurídica. OMISSÃO DE RECEITA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS A lei 9.430/96 em seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de receita com base em valores depositados em conta corrente caso o contribuinte não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores a origem dos créditos. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Na falta da escrituração contábil obrigatória, cabe a autoridade fiscal arbitrar os lucros com base no valor das receitas omitidas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA O decidido para o IRPJ alcança as tributações reflexas dele decorrentes, no caso o PIS, a CSLL e a COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO 2 Acordam os membros do colegiado, [por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.] Leonardo de Andrade Couto Presidente. Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jackson da Silva Lucas, Sandra Maria Dias Nunes e Melo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10530003590/200772 Acórdão n.º 1301000.469 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório De acordo com o relatório fiscal, intimado a esclarecer a origem de depósitos bancários o contribuinte informa que os valores depositados em sua conta corrente correspondem a repasses feitos por basicamente 3 empresas (Bom Brasil, Braswey e A. Azevedo). Após circularizar as empresas, a fiscalização verificou que 91% do montante depositado na conta no ano de 2004, ou seja, R$ 8.433.998,83 se referiam à 868 operações de fornecimento de mamona entre o fiscalizado e as três empresas citadas. Da análise das notas fiscais, verificouse que se tratavam de operações mercantis, onde o próprio fiscalizado emitia notas incluindo inclusive o preço do transporte no valor final. Após o minucioso trabalho e levantamento de farta documentação a fiscalização concluiu que pelas operações mercantis apuradas o contribuinte deveria ser equiparado a pessoa jurídica individual, conforme determina o inciso II do §1º do art. 150 do RIR 99: “Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). § 1º São empresas individuais: II as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "b"); Com isso a fiscalização, após dar o prazo previsto na legislação para regularização da escrita, relacionou os depósitos bancários não comprovados e considerouos como receita de pessoa jurídica fazendo o lançamento de R$ 398.749,39 de IRPJ, R$ 122.715,74 de PIS, R$ 566.381,37 de COFINS e R$ 202.677,03 de CSLL. O auto de infração foi impugnado, tempestivamente, mas o lançamento foi mantido em sua integralidade, por julgamento da DRJ, nos seguintes termos: o art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972 somente admite nulidade por incompetência do agente ou por cerceamento do direito de defesa, casos que não se aplicam ao do presente auto de infração. o presente processo, revestiuse de todas as formalidades para sua validade, estando a infração e os fatos que ensejaram os lançamentos claramente descritos nos autos de infração e demonstrativos anexos, não se configurando, portanto, infringência a qualquer dispositivo legal. Tempestivamente, em 16.06.09, o contribuinte entrou com recurso voluntário repetindo os argumentos rebatidos de forma precisa pelo relator da 1ª Turma da DRJ/SDR, defendendo a nulidade do auto, em síntese, pelos seguintes argumentos: que é mero intermediário, ganhando pequenas comissões. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO 4 que mais de 90% dos depósitos foram comprovados e não foram declarados por não serem seus nem fruto de renda. que os valores foram registrados em livro caixa de atividade rural. que foram lavrados 2 autos de infração, um na pessoa física (proc. nº 13530 003668/200759), por omissão de rendimento na DIRPF e o presente Auto tributando a totalidade dos depósitos como receitas e revendas de mercadorias. que houve erro na identificação do sujeito passivo, portanto, não há que se falar também em PIS, COFINS e CSLL. que depósitos bancários não podem constituir renda. que não cabe o arbitramento quando há escrita e quando o contribuinte não é obrigado a fazêlo. que deve ser revisto lançamento já que tem direito a tributação diferenciada uma vez que o cartão do CNPJ é referente a empresa de transporte a alíquota de 6¨%. Este é o relatório. Passo a analisar as razões de recurso. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10530003590/200772 Acórdão n.º 1301000.469 S1C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva O recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos do PAF, razão porque dele conheço, porém, no mérito, nego provimento ao recurso pelos motivos seguintes. No caso em tela inexistiu qualquer ato ou omissão da autoridade que implicasse em prejuízo ou preterição do direito de defesa uma vez que o contribuinte teve ciência de todos os elementos de que necessitava para sua defesa, ficando afastada de todo qualquer hipótese de nulidade. O lançamento feito na pessoa física não tem o mesmo fundamento do presente auto de infração razão porque não há qualquer de nulidade ou bitributação que pudesse macular o lançamento. Quanto a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, bem como a inscrição do CNPJ de ofício tiveram respaldo na legislação não havendo nenhum óbice ou nulidade quanto a estas matérias, assim como no tocante ao arbitramento adotado, em virtude da falta de apresentação dos livros e documentos. Não considerou a recorrente que a autoridade fiscal está regida por lei especial e sua atividade está vinculada a legislação vigente que rege o procedimento fiscal, não podendo se afastar dela sob pretestos de vícios de legalidade e constitucionalidade. A Súmula CARF n0 2 determina que este colegiado não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Ao contrário do que afirma o recorrente, a partir da edição do art. 42 da Lei 9.430/96, o ônus da prova passou a ser de responsabilidade do contribuinte, que intimado, deve comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores a origem dos recursos depositados em sua conta corrente. No que tange a base de cálculo utilizada pela fiscalização a mesma obedeceu à legislação de regência, também não merecendo reparo. Portanto, voto no sentido de conhecer mas rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito negar provimento ao recurso. No que tange ao PIS, COFINS e CSLL, por serem tributos reflexos do IRPJ devem ser mantidos nos mesmos moldes e pelos mesmos motivos expostos . Guilherme Polastri Gomes da Silva Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 11/04/2011 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.004789/2002-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/09/2003
RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃOS RECORRIDO E PARADIGMA TRATAM DE LEGISLAÇÕES DIFERENTES. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso especial de divergência quando os acórdãos recorrido e paradigma tenham enfrentado a aplicação e interpretação de legislações distintas, ainda que para situações equivalentes. No caso dos autos, o julgado combatido tem por fundamento Solução de Consulta COSIT nº 22, de 30/09/2014, editada posteriormente à prolação da decisão paradigmática e, portanto, situação jurídica inexistente quando do julgamento do acórdão paradigma, sendo impossível a demonstração do dissenso interpretativo.
Numero da decisão: 9303-006.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/09/2003 RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃOS RECORRIDO E PARADIGMA TRATAM DE LEGISLAÇÕES DIFERENTES. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso especial de divergência quando os acórdãos recorrido e paradigma tenham enfrentado a aplicação e interpretação de legislações distintas, ainda que para situações equivalentes. No caso dos autos, o julgado combatido tem por fundamento Solução de Consulta COSIT nº 22, de 30/09/2014, editada posteriormente à prolação da decisão paradigmática e, portanto, situação jurídica inexistente quando do julgamento do acórdão paradigma, sendo impossível a demonstração do dissenso interpretativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/09/2003 RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃOS RECORRIDO E PARADIGMA TRATAM DE LEGISLAÇÕES DIFERENTES. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso especial de divergência quando os acórdãos recorrido e paradigma tenham enfrentado a aplicação e interpretação de legislações distintas, ainda que para situações equivalentes. No caso dos autos, o julgado combatido tem por fundamento Solução de Consulta COSIT nº 22, de 30/09/2014, editada posteriormente à prolação da decisão paradigmática e, portanto, situação jurídica inexistente quando do julgamento do acórdão paradigma, sendo impossível a demonstração do dissenso interpretativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 47 89 /2 00 2- 18 Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 10580.004789/200218 Acórdão n.º 9303006.970 CSRFT3 Fl. 1.133 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 1.096 a 1.102) com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3802003.878 (fls. 1.086 a 1.093) proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 11 de novembro de 2014, no sentido dar provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/09/2003 IPI. CRÉDITO ACUMULADO. ALÍQUOTA ZERO. RESSARCIMENTO. INAPLICABILIDADE DO ART. 166 DO CTN. O art. 166 do Código Tributário Nacional aplicase apenas aos casos de repetição de indébito, decorrente de pagamento indevido do imposto. Tratase de hipótese que não se confunde com a simples contabilização do crédito como custo de aquisição da mercadoria, medida prevista no art. 13, caput, do DecretoLei n.º 1.598/1977 e no art. 289 do Decreto n.º 3.000/1999, para fins de apuração do Irpj e da Csll. Interpretação pacificada pela COSIT, na Solução de Consulta Interna nº 22, de 30 de setembro de 2014. Assim, tendo sido demonstrada a liquidez e a certeza do direito de crédito, deve ser reconhecido o direito ao ressarcimento. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Não resignada com o acórdão de recurso voluntário, insurgese a Fazenda Nacional por meio do apelo especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à possibilidade de aproveitamento dos créditos básicos de IPI, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99, diante da contabilização do IPI como custo dos produtos industrializados. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigma o acórdão nº 20312.468. Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10580.004789/200218 Acórdão n.º 9303006.970 CSRFT3 Fl. 1.134 3 Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que: (a) houve a escrituração dos créditos de IPI relativos à aquisição de insumos, utilizados na fabricação de produto sujeito à alíquota zero, como imposto não recuperável e integrante do custo da mercadoria, atuando na redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, impedindo que estes valores sejam considerados no sistema de débito e crédito do IPI para fins de ressarcimento do seu saldo credor; (b) nos termos do art. 2º da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 33/99, que regulamentou o art. 11 da Lei nº 9.779/99, para aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da compra de insumos há obrigatoriedade de registro dos referidos valores como imposto recuperável; (c) sem a reversão do lançamento do IPI como custo de aquisição e a conseqüente readequação dos custos na contabilidade, restabelecendo ao IPI a condição de recuperável, não é possível reconhecer o direito ao ressarcimento pleiteado. (d) por fim, requer seja provido o recurso especial com a reforma integral do acórdão recorrido. Foi dado seguimento ao recurso especial, nos termos do despacho s/nº, de 17/12/2015 (fls. 1.110 a 1.112), proferido pelo Ilustre Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF em exercício à época, por ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional (fls. 1.121 a 1.129), requerendo a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio eletrônico, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10580.004789/200218 Acórdão n.º 9303006.970 CSRFT3 Fl. 1.135 4 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Cingese a controvérsia à possibilidade de ressarcimento de crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) decorrentes da aquisição de insumos matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME) utilizados na fabricação de produtos sujeitos à alíquota zero, tendo tais créditos sido contabilizados como "imposto não recuperável" e, por conseguinte, integrando o custo da mercadoria, dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário para admitir a possibilidade de aproveitamento do crédito de IPI decorrentes da aquisição de insumos empregados na fabricação de produtos sujeitos à alíquota zero, sustentando a sua fundamentação na interpretação pacificada pela COSIT, quanto à inaplicabilidade do art. 166 do Código Tributário Nacional ao caso, na Solução de Consulta Interna nº 22, de 30 de setembro de 2014. Para ilustrar a assertiva, transcrevese trecho do voto, in verbis: [...] O art. 166 do Código Tributário Nacional aplicase apenas aos casos de repetição de indébito, decorrente de pagamento indevido do imposto. Trata se de hipótese que não se confunde com a simples contabilização do crédito como custo de aquisição da mercadoria, medida prevista no art. 13, caput, do DecretoLei n.º 1.598/1977 e no art. 289 do Decreto n.º 3.000/1999, para fins de apuração do Irpj e da Csll: [...] Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10580.004789/200218 Acórdão n.º 9303006.970 CSRFT3 Fl. 1.136 5 Cumpre registrar que, recentemente, a matéria foi objeto da Solução de Consulta Interna COSIT nº 22, de 30 de setembro de 2014, que assim se manifestou: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI UTILIZAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE CRÉDITO DE IPI. CABIMENTO INDEPENDENTEMENTE DE EVENTUAL INFLUÊNCIA NA APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. Eventual influência na apuração do IRPJ e da CSLL causada pela não utilização de crédito de IPI no momento oportuno, não prejudica, observados os prazos de prescrição, o direito à escrituração do crédito do IPI a destempo, bem assim o direito ao ressarcimento ou a compensação do saldo credor, observadas as regras gerais aplicáveis à matéria. Dispositivos Legais: Constituição Federal, art. 153, IV, e § 3º; Lei nº5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 49; Decreto nº7.212, de 15 de junho de 2010, arts. 225, 256 e 257; Parecer Normativo CST nº515, de 1971. Destacase ainda a seguinte passagem da SC nº 22/2014: [...] 14. Cabe ressaltar que é perfeitamente possível, com pleno atendimento ao princípio da não cumulatividade, a utilização extemporânea de créditos de IPI, desde que por valores nominais, podendo tais créditos não escriturados na época própria ser aproveitados em até cinco anos, contados da entrada dos insumos no estabelecimento industrial, acompanhados da respectiva nota fiscal. 15. Importante frisar que a utilização extemporânea de créditos de IPI não se regula pelas regras aplicáveis à restituição dos impostos indiretos (art. 166 do CTN). É que a falta de escrituração do crédito, no momento oportuno, não acarreta pagamento a maior de IPI, já que o saldo a pagar foi o que resultou da escrituração do contribuinte. 16. A não escrituração do crédito de IPI e a eventual influência na apuração do IRPJ e da CSLL em nada limitam a possibilidade da escrituração extemporânea do referido crédito de IPI e a aplicação das regras gerais de ressarcimento e compensação. Não há que se aplicar, neste particular, nem mesmo por analogia, a regra do art. 166 do CTN. 17. Por tudo o que se expôs até aqui, concluise que eventual influência na apuração do IRPJ e da CSLL causada pela não utilização de crédito de IPI no momento oportuno, não prejudica, observados os prazos de prescrição, o direito à escrituração do crédito do IPI a destempo, bem assim o direito ao ressarcimento ou a compensação do saldo credor, observadas as regras gerais aplicáveis à matéria. [...] Assim, sendo inaplicável o art. 166 do Código Tributário Nacional e estando atestada a liquidez e a certeza do direito de crédito, a decisão recorrida deve ser reformada, para que se reconheça o direito ao ressarcimento pleiteado. Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10580.004789/200218 Acórdão n.º 9303006.970 CSRFT3 Fl. 1.137 6 Votase pelo conhecimento e integral provimento do recurso. [...] (grifouse) Portanto, com base na Solução de Consulta Interna COSIT nº 22, de 30 de setembro de 2014, o Colegiado a quo afastou a aplicação do art. 166 do CTN ao caso os autos e reconheceu o direito ao crédito de IPI pleiteado pela Contribuinte. No recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, para comprovar a divergência jurisprudencial, foi indicado como paradigma o acórdão nº 20312.468, prolatado pela outrora Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em julgamento realizado na sessão de 17 de outubro de 2007. O julgado recebeu a seguinte ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. INCLUSÃO DO CRÉDITO BÁSICO NO CUSTO DE AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESSARCIMENTO. A inclusão do imposto pago na aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários no custo de aquisição dos produtos com eles industrializados importa em transferência do encargo financeiro ao terceiro adquirente dos produtos, acarretando em procedimento diverso do estabelecido pelo princípio da nãocumulatividade e, por conseguinte, na impossibilidade de sua inclusão na apuração do ressarcimento previsto no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Recurso negado. Ocorre que tendo sido proferida a citada decisão em data anterior à Solução de Consulta Interna COSIT nº 22, de 30/11/2014, que visou uniformizar a interpretação quanto ao art. 166 do CTN no âmbito da Receita Federal, a mesma não pode ser utilizada como paradigma para reforma do acórdão recorrido. Isso porque diante do enfrentamento de atos normativos distintos ou, até mesmo, pela ausência desse enfrentamento por absoluta impossibilidade, já que a Solução de Consulta ainda não existia, não é possível estabelecerse a necessária divergência jurisprudencial para dar trânsito ao recurso especial. Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10580.004789/200218 Acórdão n.º 9303006.970 CSRFT3 Fl. 1.138 7 No confronto do acórdão recorrido com o acórdão paradigma não há o enfrentamento de casos fáticos semelhantes, sob a ótica da mesma legislação, com uma interpretação divergente. Mas sim há dois acórdãos enfrentando legislações distintas, o que necessariamente levaria a soluções jurídicas distintas, razão pela qual não há a divergência jurisprudencial exigida no art. 67, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, devendo ser negado seguimento ao recurso. Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1138DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.000930/2010-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ATRIBUIÇÃO DO CARGO DE AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL
O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Aplica-se súmula CARF nº 8.
INCONSTITUCIONALIDADE
No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nos casos expressamente previstos.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS - PRESUNÇÃO LEGAL - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA
Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
LUCRO PRESUMIDO - REPRESENTAÇÃO COMERCIAL
Constatado com base no contrato social e confirmado pelas informações da DIPJ que a atividade do contribuinte é a representação comercial - intermediação de negócios, na falta de comprovação documental da atuação da pessoa jurídica em qualquer outra atividade, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do imposto de renda pelas regras do lucro presumido é de 32%.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Constatada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins.
Numero da decisão: 1402-003.215
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, rejeitar a preliminar, e no mérito negar provimento. Ausentes momentaneamente os Conselheiro Sérgio Abelson e Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 ATRIBUIÇÃO DO CARGO DE AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Aplica-se súmula CARF nº 8. INCONSTITUCIONALIDADE No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nos casos expressamente previstos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS - PRESUNÇÃO LEGAL - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO PRESUMIDO - REPRESENTAÇÃO COMERCIAL Constatado com base no contrato social e confirmado pelas informações da DIPJ que a atividade do contribuinte é a representação comercial - intermediação de negócios, na falta de comprovação documental da atuação da pessoa jurídica em qualquer outra atividade, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do imposto de renda pelas regras do lucro presumido é de 32%. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Constatada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ATRIBUIÇÃO DO CARGO DE AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Aplicase súmula CARF nº 8. INCONSTITUCIONALIDADE No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nos casos expressamente previstos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO PRESUMIDO REPRESENTAÇÃO COMERCIAL Constatado com base no contrato social e confirmado pelas informações da DIPJ que a atividade do contribuinte é a representação comercial intermediação de negócios, na falta de comprovação documental da atuação da pessoa jurídica em qualquer outra atividade, o percentual a ser aplicado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 09 30 /2 01 0- 83 Fl. 576DF CARF MF 2 sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do imposto de renda pelas regras do lucro presumido é de 32%. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Constatada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, rejeitar a preliminar, e no mérito negar provimento. Ausentes momentaneamente os Conselheiro Sérgio Abelson e Leonardo Luis Pagano Gonçalves. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10665.000930/201083 Acórdão n.º 1402003.215 S1C4T2 Fl. 577 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, que julgou IMPROCEDENTE, na sua integralidade, a impugnação do contribuinte acima mencionado. Da autuação: O presente processo versa sobre autos de infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, Programa Integração Social PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, e Contribuição para Financiamento Seguridade Social Cofins, referente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2006, acrescidas de multa de ofício e mais os encargos moratórios de atualização. As autuações fiscais envolvem o montante de R$ 4.187.496,70, entre principal, multa e juros corrigidos até junho/2010. Em essência, decorreram de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, o que ensejou o lançamento fiscal, mantido o recorrente na condição do lucro presumido. Abaixo, por bem retratar, transcrevo da decisão a quo, os detalhes que fundamentarem a autuação fiscal: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 02/08 para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), multa de ofício e juros de mora calculados até 31/05/2010, no montante de R$2.279.396,22, relativo a fatos geradores compreendidos no exercício de 2007. Na descrição dos fatos, constam os seguintes registros: 001 – Depósitos bancários de origem não comprovada: valor referente a depósitos e investimentos realizados em instituições financeiras, em que o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em decorrência da omissão de receitas constatada no procedimento fiscal, foram lavrados ainda os autos de infração abaixo especificados, cujos valores indicados representam o montante da contribuição lançada, multa de ofício e juros de mora calculados até 31/05/2010, compreendendo o mesmo período abrangido pelo lançamento do IRPJ: · Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) – R$190.361,68 fls. 09/16; · Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) R$878.593,25 fls. 17/24; Fl. 578DF CARF MF 4 · Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) – R$839.145,64 fls. 25/31. No Termo de Verificação Fiscal (TVF), anexado às fls. 32/43, a autoridade fiscal fez o registro acerca das intimações expedidas com vista à obtenção dos livros contábeis e fiscais, além dos extratos bancários da empresa fiscalizada. Em relação a estes últimos, tendo sido infrutíferas as tentativas empreendidas, foram expedidas as competentes Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF). Após análise dos extratos bancários, o contribuinte, intimado, apresentou alegações, porém não comprovou a origem dos depósitos questionados, ficando caracterizada a omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ressaltou ainda a fiscalização que, uma vez que o contribuinte atuava como prestador de serviços, tendo apresentado a DIPJ 2007 pelo lucro presumido, ficava sujeito ao coeficiente de 32%, conforme disposto no art. 15, § 1o, III, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Ainda no TVF, foram tecidas considerações acerca dos lançamentos reflexos pertinentes à CSLL, ao PIS e à Cofins. Os demais documentos que fundamentaram a exigência fiscal constam das fls. 44/320. Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Cientificado do lançamento em 29/06/2010, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 322/374 em 29/07/2010, cujo conteúdo, em resumo, está explicitado em seguida. I. Da tempestividade II. Sumário dos fatos III. Do enquadramento legal Nesses tópicos, o impugnante ressaltou a tempestividade do contraditório apresentado, tendo em seguida feito uma síntese da autuação e destacado o enquadramento legal da exigência. IV. Do direito IV.1. Das preliminares A – Princípio da legalidade diante da ausência de prova de profissional habilitado. Ressaltando aspectos acerca do princípio da legalidade, argumentou o defendente que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil deixou de trazer ao processo a devida prova documental de sua capacitação técnicolegal como contador habilitado pelo Conselho de Contabilidade do Estado de Minas Gerais – CRC/MG. B – Princípio da não validade da prova ilegítima. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10665.000930/201083 Acórdão n.º 1402003.215 S1C4T2 Fl. 578 5 Arguiu o impugnante a ilegitimidade da prova produzida pela Secretaria da Receita Federal, tendo em vista a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, e do Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, no que diz respeito à possibilidade de quebra de sigilo bancário sem determinação judicial. IV.2 – Do mérito Segundo o impugnante o que a Receita Federal coteja como renda do autuado, e considera como base de tributação para lavratura do respectivo Auto de Infração, na origem, não passa de linha de crédito, que realmente não foi e não deveria ser contabilizada na movimentação da empresa (CNPJ), mesmo porque o crédito foi disponibilizado para pessoa física (representante legal da autuada CPF), e não para a empresa autuada (CNPJ). Notese que a origem, equivocadamente considerada como "receita descoberta", dos recursos se encontra na abertura de linhas de crédito, para pessoa física (representante legal da autuada CPF), provenientes das disponibilidades financeiras de Maria da Glória Fonseca de Oliveira, CPF n° 634.320.48653, e Antônio Eustáquio da Rocha, CPF n° 196.076.28691, no anocalendário de 2006. Esses recursos financeiros ficaram à disposição durante todo o ano. Era exatamente assim que o representante legal da autuada trabalhava, juntamente com a própria autuada. A dinâmica empregada na movimentação financeira diária contemplava certa confusão entre patrimônios, com o patrimônio do representante legal acabando por se confundir, não raras vezes, com o patrimônio da empresa, e, de outro lado, é fato que o representante legal da empresa habitualmente tomava recursos financeiros no mercado (lato sensu), formal e informal, para fazer frente aos compromissos assumidos com a comercialização de sucatas. Essa busca de recursos financeiros no mercado se formalizava por meio de contratos de mútuo, cheques pósdatados dados em garantia de empréstimos, etc. A comercialização de sucatas é um ato jurídicocontratual caracterizado pelo informalismo exacerbado. Não existindo nota fiscal na origem da cadeia comercial, tornase difícil a escrituração da operação mercantil, do ato de comércio, contudo, é certo que a ausência de formalismo não altera a natureza jurídica do ato, ou por outras palavras, o fato de inexistir o documento fiscal inicial, não desconstitui o ato de comércio, a venda e compra, o ato jurídicocontratual. Por conseguinte, reitera o impugnante, o que sempre existiu foi a comercialização de sucatas, a venda e compra, e sempre foi assim, não havendo qualquer espaço para prestação de serviços (representação comercial). Sustentou ainda o defendente que, por intermédio de seu representante legal (sócio), deixou claro que praticava, em realidade, comercialização de sucatas, isto é, comércio de mercadorias, todavia a autuação foi realizada dentro dos critérios formais de constituição da empresa autuada, e não dentro do princípio da primazia da realidade. A formação equivocada da base de tributação, levandose em conta o Lucro Presumido para "Representação Comercial", traz como consequência a aplicação da alíquota de 32%, quando o correto seria considerar a alíquota de 8%, aplicável no Lucro Presumido para a "venda de mercadorias ou produtos", o que efetivamente é o caso em debate. Fl. 580DF CARF MF 6 Em síntese, ainda que se desconsidere, na formação da base de tributação (base de cálculo), os contratos de mútuo, o valor da autuação deveria ser R$1.917.027,84, e não o valor apresentado no Auto de Infração ora atacado. IV.2.A. Da multa (75%) Destacou o impugnante que a fixação de multa no valor de 75% sobre o crédito apurado, ou seja, a quase duplicação do valor, consagra o desrespeito ao princípio da impossibilidade de arrecadação administrativa com efeito confiscatório e, a simples confirmação dessa penalidade, no índice fixado, determinará a arrecadação de receita púbica derivada, de forma confiscatória, logo, ilegítima. Assim, requereu a análise de sua tese e o acolhimento do pedido de diminuição do índice de 75% fixado para multa do Auto de Infração ora impugnado. III. Do pedido Do exposto, em conclusão, o impugnante postulou o seguinte: 1. após a análise das preliminares apresentadas, determinese a nulidade do auto de infração por vício original de forma; 2. uma vez ultrapassadas as preliminares, no mérito, determinese nova base de cálculo, considerandose os contratos de mútuo (anexos); 3. seja considerada a alíquota de venda de mercadorias ou produtos, utilizada no regime de Lucro Presumido, isto é, alíquota de 8%; 4. seja desconsiderada a multa de 75%, aplicandose uma penalidade com índice máximo igual ou inferior a 2%; e 5. por fim, seja julgado insubsistente o auto de infração ora impugnado, em face de toda a fundamentação factual e técnicojurídica apresentada, sem qualquer prejuízo dos agentes da Fazenda Pública realizarem quantas fiscalizações se fizerem necessárias, em defesa do erário. À impugnação foram juntados os seguintes documentos (fls. 339/374): demonstrativos – “Cálculo de Impostos – Ano 2006”; cópia de contratos de mútuo; cópia de peças do processo, instrumento de procuração e cópia do contrato social. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, entendeu negar provimento integral à impugnação do contribuinte, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 ATRIBUIÇÃO DO CARGO DE AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10665.000930/201083 Acórdão n.º 1402003.215 S1C4T2 Fl. 579 7 INCONSTITUCIONALIDADE No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nos casos expressamente previstos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO PRESUMIDO REPRESENTAÇÃO COMERCIAL Constatado com base no contrato social e confirmado pelas informações da DIPJ que a atividade do contribuinte é a representação comercial intermediação de negócios, na falta de comprovação documental da atuação da pessoa jurídica em qualquer outra atividade, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do imposto de renda pelas regras do lucro presumido é de 32%. MULTA DE OFÍCIO Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de tributo, quando constatada a falta de pagamento ou recolhimento, a falta de declaração e declaração inexata. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Constatada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: não há dispositivo na legislação federal que determine que a análise da escrita fiscal deva ser feita por auditorfiscal com formação contábil, evocando a súmula CARF nº8 que reforça tal posição; não cabe a órgão administrativo apreciar constitucionalidade ou não de lei, no que refere ao alegado desta questão quanto à LC nº 105/2001 e o Decreto nº 3.724/2001; quanto à análise documental e base de cálculo por conta de depósitos bancários de origem não comprovada, como alegado pelo contribuinte, com o art. 42 da Lei nº Fl. 582DF CARF MF 8 9.430/1996 há uma inversão do ônus da prova, cabendo o sujeito passivo demonstrar que os valores a crédito na sua contacorrente e investimentos não são receitas. No caso concreto, a autoridade fiscal procedeu dentro dos ditames legais, intimandoo a comprovar durante o procedimento fiscal os valores creditados, o que a recorrente não o fez. Na sua peça impugnatória traz elementos referente a contratos de mútuo para seu representante legal, no ano de 2006, o que não permitiu associálos a nenhum depósito, e nem foram contabilizados. O fato da recorrente declarar que é informal sua atividade e haver confusão patrimonial com seu representante legal só atesta sua incapacidade de comprovar a origem dos depósitos, tentando fazêlo de forma genérica e sem vinculação com os valores; quanto ao coeficiente aplicado pela autoridade fiscal de 32% para sua atividade, e o contribuinte diz se tratar de compra e venda de sucata, e deveria ter aplicado 8%, não restou comprovado tal situação pelo contribuinte, enquanto a autoridade fiscal se baseou justamente em elementos da contribuinte, quais sejam a atividade no seu contrato social e as informações prestadas em DIPJ, na qual o contribuinte informou receitas no percentual de 16%, destinada às empresas que atuam exclusivamente na prestação de serviços. No caso, ao exceder os R$ 120.000,00 anual, aplicouse o percentual de 32%. Evocase também o art. 845, II do RIR/1999; sobre a multa de ofício de 75% aplicada, foi no cumprimento da norma legal. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 11/02/2011, a recorrente apresentou recurso voluntário em 10/03/2011. Na sua peça recursal, praticamente repisa os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória, quais sejam, em apertada síntese: falta de prova de profissional habilitado atuando como auditorfiscal da receita federal; inconstitucionalidade da LC 105/2001 e do Decreto nº 3.724/2001; os depósitos bancários usados como base de cálculo são na realidade linha de crédito, sendo disponibilizado para a representante legal da recorrente; a atividade da recorrente é de compra e revenda de sucata, e como opera na informalidade, não tem como demonstrar isso, mas seria algo normal neste típico de mercado; a multa de 75% é indevido; seu pedido foi nos seguintes termos: De todo o exposto, em conclusão, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, REQUER a Recorrente que: 1. Após a análise das preliminares apresentadas, determinese a nulidade do respectivo auto de infração por VÍCIO DE FORMA NA ORIGEM; Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10665.000930/201083 Acórdão n.º 1402003.215 S1C4T2 Fl. 580 9 2. Uma vez ultrapassadas as preliminares, no mérito, determine se nova base de cálculo, considerandose os contratos de mútuo (anexos); 3. Seja considerada a alíquota de venda de mercadorias ou produtos, utilizada no regime de Lucro Presumido, isto é, alíquota de 8% (oito por cento); 4. Seja desconsiderada a multa de 75%, aplicandose uma penalidade com índice máximo igual ou inferior a 2% (dois por cento); e 3. Por fim, seja julgado insubsistente o auto de infração ora atacado, cancelandose o débito fiscal reclamado, em face de toda a fundamentação factual e técnicojurídica apresentada, sem qualquer prejuízo dos agentes da Fazenda Pública realizarem quantas fiscalizações se fizerem necessárias, em defesa do erário. É o relatório. Fl. 584DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O recurso voluntário, apresentado foi tempestivo, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço, ressalvando a matéria de inconstitucionalidade alegada, conforme abaixo descrito. Da síntese dos fatos: O presente processo versa sobre autos de infração de receitas omitidas, decorrentes de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, referente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2006, com multa de ofício simples. As receitas omitidas identificadas foram autuadas sobre a recorrente, mantida sua opção pelo lucro presumido, aplicandose o coeficiente de 32%, já que atuava como prestador de serviços. No transcorrer da procedimento fiscal foi intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários, e respondeu apenas com alegações, sem nada comprovar. A base tributável de depósitos bancários caracterizados como receitas omitidas foi de R$ 13.529.917,56. Na peça impugnatória questiona a falta da prova de profissional habilitado do AuditorFiscal da Receita Federal. Arguiu inconstitucionalidade da LC 105/2001 e do Decreto nº 3.724/2001, no que diz respeito à possibilidade de quebra do sigilo bancário. Que parte dos valores lançados (R$ 300.000,00) seriam linhas de créditos disponibilizado para o representante legal da recorrente, e também haveria confusão patrimonial entre a pessoa jurídica e física do seu sócio. O que sempre houve foi a comercialização de sucatas na sua atividade, com compra e venda, e não a prestação de serviços como aduzido nos autos de infração, quando o coeficiente correto de presunção seria de 8%. Ataca a multa aplicada como confiscatória. A instância a quo decidiu em negar provimento integral à peça impugnatória, entendendo que o auditorfiscal é competente para exame da escrita fiscal e questões de inconstitucionalidade são vedadas de apreciação na esfera administrativa. No mérito, confirmou a omissão de receita autuada, pois os contratos de mútuo não podiam ser relacionados com nenhum valor dos depósitos autuados, e sobre os demais depósitos ocorreram alegações genéricas sem nenhuma prova. A atividade de representação comercial foi mantida, pois assim estava no contrato social e na DIPJ informada, e não foi apresentada nenhuma comprovação do contrário pela recorrente. Na peça recursal repisa os mesmos argumentos da sua peça impugnatória, sem nada de novo trazendo. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10665.000930/201083 Acórdão n.º 1402003.215 S1C4T2 Fl. 581 11 Das questões suscitadas na peça recursal Preliminares das nulidades invocadas na peça recursal Na sua peça recursal, da mesma forma que na sua peça impugnatória, alega a recorrente que não há comprovação da habilitação como contador do auditorfiscal da receita federal que efetuou o procedimento fiscal. Tal matéria há muito está superada no âmbito deste CARF, já tendo sido sumulada: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Neste caso, os autos de infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício pleno de suas funções, não se falando na necessidade evocada pela recorrente de ser habilitado como contador. No que tange a outra preliminar, da inconstitucionalidade da caracterização de depósitos bancários, envolve questão de conhecimento, e será abordado ao final deste voto. Para tanto, REJEITO A PRELIMINAR de nulidade suscitada. alegação que há depósitos que são linhas de crédito Alega a recorrente que a base de tributação utilizado no auto de infração se refere a linha de crédito disponibilizado ao longo do ano para o representante legal da recorrente, na pessoa física, proveniente de empréstimos contraídos no anocalendário de 2006. Nas suas palavras: EM SUMA, O QUE A RECEITA FEDERAL COTEJA COMO RENDA DA AUTUADA, E CONSIDERA COMO BASE DE TRIBUTAÇÃO PARA LAVRATURA DO RESPECTIVO AUTO DE INFRAÇÃO, NA ORIGEM, NÃO PASSA DE LINHA DE CRÉDITO, QUE REALMENTE NÃO FOI E NÃO DEVERIA SER CONTABILIZADA NA MOVIMENTAÇÃO DA EMPRESA (CNPJ), mesmo porque o crédito foi disponibilizado para pessoa física (representante legal da autuada CPF), e não para a empresa autuada (CNPJ). Notese que a origem, equivocadamente considerada como "receita descoberta", dos recursos se encontra na abertura de linhas de crédito, para pessoa física (representante legal da autuada CPF), provenientes das disponibilidades financeiras de Maria da Glória Fonseca de Oliveira, CPF n° 634.320.486 53, e Antônio Eustáquio da Rocha, CPF n° 196.076.28691, no ano calendário de 2O06. Esses recursos financeiros ficaram à disposição durante todo o ano. Era exatamente assim que o Fl. 586DF CARF MF 12 representante legal da autuada trabalhava, juntamente com a própria autuada (pessoa jurídica). A seguir, continua alegando sua atividade é caracterizada pelo informalismo extremo, notoriamente conhecido no Brasil. A decisão a quo decidiu negando as alegações acima, no seguinte sentido: Agora na impugnação, o contribuinte anexou aos autos cópia de contratos de mútuo firmados com a empresa autuada, representativos da abertura de linhas de crédito para pessoa física (representante legal da autuada CPF), provenientes das disponibilidades financeiras de Maria da Glória Fonseca de Oliveira e Antônio Eustáquio da Rocha, no anocalendário de 2006. Os contratos de mútuo, da forma como foram apresentados, isoladamente, sem nenhuma conexão com os diversos depósitos, efetuados em diferentes datas, não se prestam a comprovar a origem dos valores depositados. Notese também que sequer houve a contabilização dessas operações firmadas com base nos contratos de mútuo, com o registro das entradas de numerário e das saídas correspondentes. Em verdade, a alegação do contribuinte no sentido de evidenciar a informalidade de seus negócios e até mesmo a confusão do patrimônio da empresa e do representante legal somente vêm atestar a sua incapacidade de comprovar efetivamente a origem dos depósitos questionados no lançamento, conforme se evidencia pelo seguinte trecho extraído da impugnação apresentada: Ou seja, no entender do voto condutor da decisão de piso, a autoridade fiscal procedeu dentro dos ditames legais, intimandoo a comprovar durante o procedimento fiscal os valores creditados, o que a recorrente não o fez. Compulsando os autos, verificase que a recorrente alegou a existência destes contratos de mútuo durante o procedimento, mas nada apresentou. Na sua peça impugnatória traz cópia destes contratos de mútuo (efls. 496 a 501), e são dois, um de R$ 100.000,00 e outro de R$ 200.000,00. Contudo, verificase que as cópias estão autenticadas como fiéis à original na mesma data que foi apresentada a impugnação, ou seja, dia 29/07/2010. Consabido que um contrato de mútuo não precisa estar registrado ou ter maiores formalidades, mas deve haver outros elementos comprobatórios da sua existência, como demonstração dos valores envolvidos, transferências bancárias, etc, o que não há no presente caso. Isto por si, já coloca em dúvida a validade existencial destes contratos. Ademais, como bem ressaltado pela autoridade julgadora a quo, mesmo com os contratos de mútuo, não há condições de associálos a nenhum depósito, e nem foram contabilizados. O fato da recorrente declarar que é informal sua atividade e haver confusão patrimonial com seu representante legal só atesta sua incapacidade de comprovar a origem dos Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10665.000930/201083 Acórdão n.º 1402003.215 S1C4T2 Fl. 582 13 depósitos, tentando fazêlo de forma genérica e sem vinculação com os valores, o que se sabe descabido perante a normatividade contida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. O art.. 42 da Lei nº 9.430/19961, no sentido de se caracterizar como omissão de receitas os valores creditados em conta corrente que não seja comprovada sua origem, mediante documentação hábil e idônea, e no seu §3º que os créditos devem ser analisados individualizadamente. Envolve questão de inversão do ônus da prova, que cabia a recorrente, o que não conseguiu provar no presente caso. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. alegação de que sua atividade é de compra e venda Alega a recorrente que sua atividade é de compra e venda, e como opera na informalidade, não teria como demonstrar isso, mas seria algo normal neste tipo de mercado. A autoridade fiscal entendeu que a recorrente atua como prestadora de serviços, conforme a atividade constante no seu contrato social, e conforme informações prestadas na própria DIPJ, em que informa receitas na atividade de prestadora de serviço (16% para empresas com faturamento abaixo de R$ 120.000,00 anuais), e nada na atividade de compra e venda (coeficiente de 8%). A decisão a quo entendeu que não restou comprovada pela recorrente seus argumentos, e manteve a aplicação do coeficiente de 32%, ou seja, atividade da recorrente como prestadora de serviços. Compulsando os autos, verificase como procedente o posicionamento da autoridade fiscal autuadora, pois há nítidos elementos declarados pela própria recorrente, , previamente ao procedimento fiscal, que era prestadora de serviços, vindo a apurar lucro do que declarou justamente no coeficiente maior, de prestadora de serviços. O voto condutor é bem nítido nesta análise, nos seguintes termos: É importante notar ainda que na própria DIPJ 2007, na Ficha 14A – Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido, em todos os trimestres do anocalendário de 2006, o contribuinte fez constar “0,00” relativamente à Linha 02 – Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 8%, tendo indicado valores de receita exclusivamente na Linha 03 – Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 16%, destinada às empresas que atuam exclusivamente na prestação de serviços em geral, conforme consta das instruções de preenchimento da DIPJ 2007 abaixo reproduzidas:(...) 1 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 588DF CARF MF 14 Ou seja, se a atividade da recorrente fosse compra e venda, já na sua DIPJ entregue espontaneamente, regularmente e antes do procedimento fiscal, estaria se valendo do percentual a tal situação, mas não foi o que aconteceu. Por que razão então estaria pagando tributos mais que o devido? De qualquer forma, não houve nenhuma prova apresentada contestando esta situação encontrada pela autoridade fiscal autuadora, e mantida pela decisão de primeiro grau administrativo. Desta feita, entendo adequado o posicionamento adotado na autuação fiscal e mantido na decisão a quo. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO a este item do recurso voluntário. alegação da multa de 75% seria confiscatória e a inconstitucionalidade da LC 105/2001 e o Decreto 3724/2001 Na sua peça recursal, alega a recorrente que a multa de 75% aplicada seria um desrespeito ao princípio da impossibilidade de arrecadação administrativa com efeito confiscatório. Igualmente alega nas preliminares, que a LC 105/2001 e o Decreto 3.724/2001, que a regulamente, seriam inconstitucionais. Nesta linha de defesa, exclusivamente adotada na sua peça recursal, compreendo que se afasta das possibilidades de manifestação deste colegiado. Em verdade, há vedação expressa no art. 26A do Decreto 70.235/1972 que se adentre ao mérito de validade constitucional de normas legais no âmbito da do processo administrativo fiscal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Para tanto foi editada a Súmula CARF nº 2, a qual tão somente vem a espelhar o monopólio do Poder Jurisdicional sobre a temática: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, NÃO CONHEÇO destas matérias do recurso voluntário. Conclusão: Voto por conhecer parcialmente o recurso voluntário, rejeitar a preliminar, e no mérito NEGAR PROVIMENTO integral ao recurso voluntário. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10665.000930/201083 Acórdão n.º 1402003.215 S1C4T2 Fl. 583 15 (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 590DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35464.004931/2006-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2006
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ACESSÓRIAS. CONTAGEM DE PRAZO.
A contagem do prazo decadencial para o lançamento de obrigações previdenciárias acessórias rege-se pelo inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional.
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP.
Tendo as questões relacionadas à incidência do tributo sido decididas nos lançamentos das obrigações principais, o Auto de Infração relacionado a omissão de fatos geradores em GFIP segue a mesma sorte.
MULTA. PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE.
Aplica-se ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa conforme dispõe a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4/12/09.
Numero da decisão: 2401-005.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir do cálculo da multa, nas competências a partir de 12/2000, os fatos geradores relacionados: a) ao abono único, nas competências 01/02 e 07/04; b) ao auxílio-creche, em todas as competências; e c) ao vale transporte, em todas as competências; e para que a multa seja recalculada aplicando-se o disposto da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14/09. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial em maior extensão para que a multa fosse calculada nos termos do art. 32-A da Lei 8.212/91. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente)
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2134; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 495 1 494 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35464.004931/200616 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2401005.519 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de junho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Recorrentes BANCO SANTANDER BRASIL S.A. e FAZENDA NACIONAL BANCO SANTANDER BRASIL S.A. e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2006 DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ACESSÓRIAS. CONTAGEM DE PRAZO. A contagem do prazo decadencial para o lançamento de obrigações previdenciárias acessórias regese pelo inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. Tendo as questões relacionadas à incidência do tributo sido decididas nos lançamentos das obrigações principais, o Auto de Infração relacionado a omissão de fatos geradores em GFIP segue a mesma sorte. MULTA. PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplicase ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa conforme dispõe a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4/12/09. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir do cálculo da multa, nas competências a partir de 12/2000, os fatos geradores relacionados: a) ao abono único, nas competências 01/02 e 07/04; b) ao auxíliocreche, em todas as competências; e c) ao vale transporte, em todas as competências; e para que a multa seja recalculada aplicandose o disposto da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14/09. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 49 31 /2 00 6- 16 Fl. 568DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 496 2 Santana Ferreira e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial em maior extensão para que a multa fosse calculada nos termos do art. 32A da Lei 8.212/91. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente) Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória (fl. 4), lavrado sob o n. DEBCAD 37.058.4074, em desfavor do Recorrente, originado em virtude do descumprimento do artigo 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, no valor de R$ 4.332.777,75 (quatro milhões, trezentos e trinta e dois mil, setecentos e setenta e sete reais e setenta e cinco centavos). De acordo com a Fiscalização, o Banco Autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, no período de 01/1999 a 02/2006. Consta do Relatório Fiscal (fls. 55/56) o que segue: “Em ação fiscal na empresa, constatouse que a mesma elaborou e apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no artigo 32, IV, § 5º da Lei n° 8.212/91. A empresa deixou de declarar valores pagos a segurados empregados e/ou segurados contribuintes individuais, conforme discriminado por rubrica e por competência em planilha anexa a este Auto de Infração, denominada: ANEXO I SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO NÃO DECLARADO. Os valores foram apurados através da análise dos seguintes documentos: Fl. 569DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 497 3 1. Lançamentos Contábeis, para as rubricas Bônus, Bônus Autos, Bônus PA (08/2001 a 12/2001), Abono de Permanência, SPR (01/2000 a 03/2002); 2. Resumo Totalizador da Folha de Pagamento, para as rubricas Vale Transporte (08/2004 a 02/2006) e PLR (02/2006); 3. Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ, para a rubrica PLR (03/1999 a 03/2005); 4. Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, para a rubrica Autônomos; Balancetes Contábeis Semestrais, para as rubricas Abono Único, Auxílio Creche, Ajuda de Custo, Bônus Desempenho, Bônus Garantido, Bônus PA (01/2000 a 12/2000), Incentivo Desempenho, Prêmio Especial, Prêmios, Santander de Negócios, Segurança Particular, SPR (01/1999 a 06/1999), Seguro de Vida e Vale Transporte (01/1999 a 07/2004); 6. Relação de Pagamentos, para as rubricas CSU CardSystem, Incentive House, MarketSystem e Mark Up; Com exceção da rubrica "Autônomos" para a qual foi apresentada a DIRF, sendo possível a individualização dos segurados não foram apresentadas as folhas de pagamento analíticas e/ou relações de segurados que receberam os valores mencionados acima, não se podendo individualizar esses valores em cada competência. Em função disso, foram lavrados contra o contribuinte os Autos de Infração n°. 37.058.4058 e n°. 37.058.4066. Constam nos sistemas Autos de Infração lavrados anteriormente contra o contribuinte, caracterizandose, assim, a sua reincidência. Encontrase em anexo à ia via deste Auto de Infração, por amostragem, a relação de pessoas físicas obtida a partir das DIRF's apresentadas à fiscalização pelo contribuinte, bem como cópia do Mandado de Procedimento Fiscal, cópias dos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos datados de 08/03/2006 e 20/09/2006 e Termo de Verificação de Antecedentes de Infração. Conforme disposto no artigo 284, II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, e no artigo 32, IV, § 5º da Lei n° 8.212/91, a multa a ser aplicada corresponde a 100 % (cem por cento) do valor da contribuição previdenciária devida não declarada, limitada aos valores constantes da tabela prevista no artigo 32, IV, § 4º da Lei n° 8.212/91, e na Portaria MPS n° 342, de 16/08/2006, em função do número total de segurados a serviço da empresa, conforme se verifica nos anexos do presente relatório fiscal, denominados: "ANEXO II – VALOR DEVIDO NÃO DECLARADO POR RUBRICA E COMPETÊNCIA" e "ANEXO III CÁLCULO DO VALOR TOTAL DA MULTA APLICADA". Fl. 570DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 498 4 A coluna "n° Segurados" constante do mencionado Anexo III apresenta o número total de segurados a serviço da empresa, obtido pela soma, mês a mês, dos segurados declarados pelo contribuinte na GFIP e dos autônomos declarados pelo contribuinte na DIRF. O valor devido não declarado foi obtido pela aplicação das seguintes alíquotas sobre os respectivos saláriosde contribuição: empresa: 22,5%, segurados: 8%, GILRAT: 1%. Essas alíquotas foram utilizadas em todas as rubricas, exceto: Ajuda de Custo, onde foram utilizadas as seguintes alíquotas: empresa: 17,5% (01/1999 a 02/2000) e 22,5% (03/2000 em diante); segurados: 11% a partir de 04/2003 aplicados sobre o total da remuneração mensal; e; Autônomos, onde foram utilizadas as seguintes alíquotas: empresa: 17,5% (01/1999 a 02/2000) e 22,5% (03/2000 em diante); segurados: 11% a partir de 04/2003, aplicados individualmente sobre a remuneração de cada contribuinte individual, observado o limite máximo mensal. A partir do exposto, o valor total da multa a ser aplicada no presente Auto de Infração é de R$ 4.332.777,75 (Quatro milhões e trezentos e trinta e dois mil e setecentos e setenta e sete reais e setenta e cinco centavos).” Importante destacar que a lavratura do AI deuse em 11/12/2006, tendo a cientificação do sujeito passivo ocorrido no dia 12/12/2006, conforme certificado às fls. 166. Inconformado, o sujeito passivo apresentou impugnação (fls. 115/120), onde argui ser indevida a multa, por considerar que as verbas as quais foi o Recorrente autuado não constituem fato gerador de contribuições previdenciárias. Sendo improcedente o AI de Obrigação Principal, por decorrência improcedente é o de obrigação acessória. O processo foi baixado em diligência (fls. 171/173), tendo o Auditor se manifestado (fls. 182/184), esclarecendo que embora o Banco Autuado tenha ingressado em juízo para questionar a verba abono único, a multa imposta no presente Auto de Infração encontrase consubstanciada em diversos outros fatos geradores, todos descritos no AI 35.058.4074. Devidamente cientificado, o recorrente apresentou nova impugnação (fls. 186/190), esclarecendo a correlação do presente AI, com cada uma das NFLD lavradas durante o mesmo procedimento. Confirase: “7. Diante disso, a D. Autoridade Fiscal, entendendo que o posicionamento adotado pela Requerente colidia com o ordenamento jurídico existente, procedeu ao lançamento das NFLDs abaixo relacionadas visando à exigência de contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados pela Requerente: 37.043.5869 ABONO SALARIAL ÚNICO 37.043.5877 ABONO SALARIAL ÚNICO Fl. 571DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 499 5 37.043.5885 AUXÍLIO CRECHE 37.043.5893 AUXÍLIO CRECHE 37.043.5907 AJUDA DE CUSTO DIRETORES EXPATRIADOS 37.043.5915 BÔNUS 37.043.5923 BÔNUS 37.043.5931 – BÔNUS 37.043.5940 – BÔNUS 37.043.5958 – PRÊMIOS 37.043.5966 ABONO PERMANÊNCIA/LUVAS 37.043.5974 – PRÊMIOS 37.043.5982 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS 37.043.5990 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS 37.043.6008 AUXÍLIO SEGURANÇA PARTICULAR 37.043.6016 – BÔNUS 37.043.6024 SEGURO DE VIDA 37.043.6032 SEGURO DE VIDA 37.043.6040 VALE TRANSPORTE 37.043.6059 VALE TRANSPORTE 37.058.4031 – DIFERENÇA ENTRE VALORES DECLARADOS NAS DIFRS E OS VALORES RECOLHIDOS. 8. Desta feita, o fato gerador da presente autuação é obrigação acessória (multa), derivada de obrigações principais (não inclusão de pagamentos efetuados acima especificados na asei de cálculo da contribuição previdenciária) que, por sua vez, foram lançadas de ofício nas Notificações Fiscais de Lançamento de débito acima relacionadas.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1623.725 da 13ª Turma da DRJ/SP1, às fls. 233/249, julgando procedente em parte a Impugnação apresentada, mantendose em parte o crédito tributário exigido. Recordese: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESS6RIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2006 OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 500 6 Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF. OCORRÊNCIA PARCIAL. A exigibilidade das obrigações acessórias decorre do interesse da fiscalização, razão pela qual, em face da inconstitucionalidade do artigo 45, da Lei n° 8.212/91, declarada pela Súmula Vinculante STF n° 08, aplicase às mesmas o disposto no Código Tributário Nacional. PREJUDICIALIDADE COM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Constatada a conexão existente entre Auto de Infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória de declarar fato gerador de contribuição previdenciária em GFIP e Notificação Fiscal de Lançamento de Débito contendo as contribuições previdenciárias incidentes sobre os mesmos fatos geradores, aquele deverá ser julgado nos termos do julgamento deste, nos limites do que lhe for correlacionado. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração. As matérias que deixaram de ser, expressamente, questionadas na Impugnação não serão objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. ALTERAÇÃO NOS CÁLCULOS E LIMITES DA MULTA. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS BENÉFICA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, "c", do CTN). INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ENDEREÇO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. O Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, determina que as intimações sejam feitas por via postal ou por qualquer outro meio com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 501 7 Inexistindo previsão legal para intimação em endereço diverso, indeferese o pedido de endereçamento de intimações ao escritório dos procuradores. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 267/283, resumidamente, com as seguintes argumentações: (i) A decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, § 4º do CTN; (ii) Deve ser excluída a multa para as NFLD declaradas improcedentes; (iii) A multa imposta encontrase revogada, uma vez que fixada nos moldes do § 5, do art. 32, da lei 8212/91, sendo substituído pela multa aplicada nos moldes do art. 32 A da lei 8212/91; (iv) Considerando que a obrigação acessória segue a principal, e que a maior parte das NFLD que descrevem os fatos geradores que ensejaram aplicação de multa, foram julgadas improcedentes ou excluídos fatos pelo alcance da decadência quinquenal, nula por decorrência deve ser declarada a obrigação acessória. Em seguida, o Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte foi apreciado por esta 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a qual manifestouse através da Resolução nº 2401000.318 (fls. 442/449) e converteu o julgamento em diligência da seguinte forma: “[...] Apesar de terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo pertinente destacar que não se identificou decisão final em relação as NFLD acima listadas em negrito, quais sejam: 37.043.594.0 – BÔNUS 37.043.5958 – PRÊMIOS 37.043.6008 – AUXÍLIO SEGURANÇA PARTICULAR 37.043.601.6 – BÔNUS 37.043.6032 – SEGURO DE VIDA Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível a análise tendo por base o resultado de todas as NFLD correlatas. Dessa forma, entendo deva o processo ser baixado em diligência para que a DRFB elabore um demonstrativo detalhado, indicando o resultado final (julgamento) de cada uma das NFLD correlatas (identificando todas as NFLD). Esses dados mostram se fundamentais, considerando que as NFLD são julgadas em Fl. 574DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 502 8 Câmaras de Julgamento distintas, por diversos conselheiros, e identificadas no sistema por número de processo e não por DEBCAD, o que dificulta a identificação do andamento. Observo, por fim, que caso alguma NFLD ainda esteja pendente de julgamento, este autodeinfração deve ficar sobrestado aguardando o julgamento final de todas as NFLD conexa(s). Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação.” Realizada a diligência determinada (fls. 550/551), possível se perceber que: No tocante as NFLDs 37.043.5940, 37.043.6008, houve adesão aos benefícios da Lei 11.941/2009, por parte do contribuinte; No tocante a NFLD 37.043.5958, houve provimento parcial do recurso voluntário, estando o processo no CARF para julgamento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, com contrarrazões do contribuinte; No tocante a NFLD 37.043.6016, o processo se encontra no arquivo digital, baixado por liquidação; e. No tocante a NFLD 37.043.6032, o processo também se encontra baixado, estando, atualmente, no arquivo. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 01/02/2010, conforme AR à fl. 266, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 02/03/2010 (fls. 267/283), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO, já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO RECURSO VOLUNTÁRIO 2.1 Da preliminar de decadência A Recorrente alega em sede de Recurso Voluntário que operouse a decadência do direito do Fisco em exigir a multa pela não declaração de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias apuradas no período de janeiro de 1999 a novembro de 2001, vez que o AI foi cientificado á Recorrente no dia 11/12/2006. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 503 9 Aduz, ademais, que ao contrário do entendimento da Autoridade Julgadora, devese aplicar ao caso o artigo 150, §4º do CTN e não o artigo 173, I, do mesmo diploma, posto que os eventos declarados em GFIP decairiam a partir da ocorrência de seus fatos geradores. Todavia, razão não assiste à Recorrente. É fato que quando da lavratura do referido AI (11/12/2006), encontravamse em vigor os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91. Todavia, o Supremo Tribunal Federal, em entendimento exarado por intermédio da Súmula Vinculante nº 8, no julgamento realizado na data de 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Súmula Vinculante nº 8 – “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nesse diapasão, em obediência ao estatuído no artigo 103A da CF/88 (incluído pela Emenda Constitucional nº 45 de 2004), a observância da Súmula Vinculante nº 8 é obrigatória, tanto pelos órgãos do Poder Judiciário, quanto pela Administração Pública, devendo este colegiado aplicála de imediato, a saber: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo, inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O Instituto da decadência no Direito Tributário, encontrase regulamentado nos artigos 150 e 173, ambos do Código Tributário Nacional CTN. Recordese: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) §4ª Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 576DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 504 10 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” (grifei). No caso sub examine, operase a incidência das disposições constantes do inciso I do mencionado artigo 173 do Código Tributário Nacional. Isso porque, por se tratar de obrigações acessórias, não se pode falar em lançamento por homologação. Não obstante, válido ressaltar que o lançamento por homologação, que possui como pressuposto básico a antecipação do pagamento da obrigação surgida com a ocorrência do fato gerador, impõe à Fazenda a obrigação de se pronunciar em 5 anos a contar da ocorrência daquele fato gerador, sob pena de se considerar homologado e extinto o crédito. Porém, o que se homologa é o pagamento. Assim, quando o Contribuinte nada recolhe ou recolhe de forma incompatível com a situação fática vivida, não se pode falar em “homologação fática”, inclusive no caso de obrigação acessória. Diante desse cenário, devese ater à questão referente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência de dezembro de cada ano calendário. Relativo ao período de apuraçãor (12/2000 a 11/2001 a partir ), o lançamento foi efetuado em 11/12/2006. Portanto, considerando o prazo de 5 anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, CTN), não há que se falar em decadência. Mantendo assim incólume a decisão da instância a quo, que aplicou com o art 173, I. 2.2 DO MÉRITO 2.2.1 Da necessidade da exclusão da penalidade fixada. Tratamento da Obrigação Acessória Principal decorrente de Obrigação Principal Embora se entenda desejável que o Auto de Infração por não declaração de fatos geradores em GFIP tramite em conjunto (apenso) com os Processos Administrativos Fiscais correlatos, ou seja, aqueles que tratem das obrigações principais respectivas, não existe qualquer prejuízo ao contribuinte quando a autuação por descumprimento da obrigação acessória é julgada após conhecidas as decisões concernentes ao lançamento do tributo, como é o caso destes autos. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 505 11 Nesse sentido, inclusive no caso dos autos, é determinante que sejam conhecidas as decisões relativas às obrigações principais, posto que tal situação refletirá diretamente no auto de obrigação acessória. É dizer, caso a decisão de mérito do PAF (obrigação principal) relacionado ao tributo seja por reconhecer a inocorrência total ou parcial dos fatos geradores lançados, não poderá subsistir a autuação por ter deixado o contribuinte de incluir na declaração tais fatos geradores (obrigação acessória). Nesse ponto, a jurisprudência deste CARF é no viés de ser justificável, no julgamento da obrigação acessória, que se aprecie tão somente o desfecho do julgamento da autuação que analisou a obrigação principal, haja vista a conexão existente entre os fatos que justificaram ambos os lançamentos. Vejase aresto sobre a questão: “ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 AIOP CORRELATOS. A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores.” Portanto, todas as questões trazidas ao presente auto relacionada diretamente com as obrigações principais não serão apreciadas no presente voto, tendo em vista que já o foram por ocasião da análise das NFLD’s que tratam das respectivas obrigações principais. 37.043.5869 ABONO SALARIAL ÚNICO Decisão Administrativa definitiva (CARF) — Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação às competências 09/2002, 10/2003, 01/2005 e 10/2005, por concomitância com ação judicial. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência quanto à competência 11/2001 e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação as contribuições previdenciárias e de terceiros sobre os valores pagos à título de abono único nos meses de 01/2002 e 07/2004. 37.043.5877 ABONO SALARIAL ÚNICO Decisão Administrativa definitiva (CARF) — Por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.5885– AUXÍLIO CRECHE Decisão Administrativa definitiva (CARF) — Por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.5893 AUXÍLIO CRECHE Decisão Administrativa definitiva (CARF) — Por unanimidade de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2000, e, por maioria de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2001, e, no mérito, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.5907 AJUDA DE CUSTO DIRETORES EXPATRIADOS Decisão Administrativa definitiva (CARF) — Por unanimidade de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2000, e, por maioria de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2001, e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.5915 BÔNUS Decisão Administrativa definitiva (CARF) —Por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 506 12 37.043.5923 BÔNUS Decisão Administrativa definitiva (CARF) —Por unanimidade de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2000, e, por maioria de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2001, e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.5931 – BÔNUS. Decisão Administrativa definitiva (CARF) —Por unanimidade de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2000, e, por maioria de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2001, e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.5940 – BÔNUS Decisão Administrativa definitiva (CARF)—Por maioria dos votos, cancelar a exigência até 11/2001, e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao rec. Voluntário. Houve desistência parcial de recurso p/ adesão aos benefícios da 11.941/2009. 37.043.5958 – PRÊMIOS Decisão Administrativa definitiva (CARF)—Por unanimidade de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2000 e 13/2000, e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao rec. voluntário. 37.043.5966 – ABONO PERMANÊNCIA/LUVAS Decisão Administrativa definitiva (CARF)—Por unanimidade de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2000, e, por maioria de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2001, e, no mérito, por unanimidade , negar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.5974 – PRÊMIOS Decisão Administrativa definitiva (CARF)—Por unanimidade de votos, dar provimento o Recurso Voluntário. 37.043.5982 – PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Decisão Administrativa definitiva (ÇARF) or unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.5990 – PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Decisão Administrativa definitiva (CARF) Por unanimidade de votos, cancelar a exigência das competências de 03/99 e 03/00, e, por maioria de votos, cancelar a exigência da competência de 03/01, e, no mérito, por maioria, negar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.6008– AUXÍLIO SEGURANÇA PARTICULAR Decisão Administrativa definitiva (CARF) Por unanimidade de votos, negar provimento ao rec. voluntário Incluído no parcelamento da 11.941/2009. 37.043.601.6 – BÔNUS Decisão Administrativa definitiva (CARF) Por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para anular o Acórdão 240100.558, passando o julgamento a ser: conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, excluir do lançamento as contribuições até 11/2001. Processo baixado por liquidação. 37.043.602.4 – SEGURO DE VIDA Decisão Administrativa definitiva (CARF) — Por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.6032– SEGURO DE VIDA Decisão Administrativa definitiva (CARF) Por unanimidade de votos, dar provimento ao rec. voluntário. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 507 13 37.043.6040 – VALE TRANSPORTE Decisão Administrativa definitiva (CARF). Por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. 37.043.605.9 – VALE TRANSPORTE Decisão Administrativa definitiva (CARF)— Por unanimidade de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2000, e, por maioria de votos, cancelar a exigência até a competência de 11/2001, e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 37.058.4031– DIFERENÇA ENTRE VALORES DECLARADOS NAS DIFRS E OS VALORES RECOLHIDOS Decisão Administrativa definitiva (CARF) — Por unanimidade de votos, cancelar a exigência até a competência de 1112000, e, por maioria de votos, cancelar a exigência até a competência de 1112001, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assim, vêse que os processos que envolvem competências até 12/98 foram completamente extintos pela decadência e os fatos geradores a eles relacionados também foram excluídos pela DRJ, por decadência. Para os demais processos que contemplam o período a partir de 01/99, foram extintos pela decadência os fatos geradores a eles relacionados até a competência 11/2000. Para o período não decadente, de 12/2000 a 11/2001, quanto ao mérito, vê se que em quase todos os processos foi negado provimento ao recurso voluntário. Deuse provimento parcial ao recurso voluntário no processo 37.043.5869 ABONO SALARIAL ÚNICO para excluir da tributação as contribuições nos meses de 01/2002 e 07/2004. Deuse provimento ao recurso voluntário no processo 37.043.5893 AUXÍLIO CRECHE. No processo 37.043.605.9 – VALE TRANSPORTE, no mérito, negouse provimento ao Recurso Voluntário. Contudo, o contribuinte ajuizou ação, processo 0020958 35.2011.403.6100, no qual foi declarada a nulidade da NFLD. Sendo assim, para as competências a partir de 12/2000, devem ser excluídos do cálculo da multa aplicada os fatos geradores relacionados: a) ao abono único, nas competências 01/02 e 07/04; b) ao auxíliocreche, em todas as competências; e c) ao vale transporte, em todas as competências. 2.2.2 Da revogação do dispositivo ensejador da multa aplicada. As penalidades previstas na Lei nº 8.212/91 tiveram alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo, assim, a multa imposta no caso em comento encontrase revogada, uma vez que fixada nos moldes do § 5, do art. 32, da lei 8212/91, sendo substituída pela multa aplicada nos moldes do art. 32A da lei 8212/91. Com a revogação do § 5, do art. 32, da lei 8212/91 deu lugar ao artigo 26 da Lei 11.941/2009, que adicionou o artigo 32A da Lei 8.212/91, o qual dispõe que para o caso em que o contribuinte deixe de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 508 14 32 daquela lei, sujeitaria o contribuinte à multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas declaradas nas GFIP’s e não a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Portanto, dou provimento ao recurso nesse quesito, reformando a decisão a quo outrora proferida, reajustando os valores arbitrados a título de multa na forma encimada. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL , para excluir do cálculo da multa aplicada, para o período a partir de 12/2000, os fatos geradores relacionados: a) ao abono único, nas competências 01/02 e 07/04; b) ao auxíliocreche, em todas as competências; e c) ao vale transporte, em todas as competências, para ao final aplicar a multa mais benéfica (art. 32A da Lei nº 8.212/91), nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Voto Vencedor Conselheira Miriam Denise Xavier Redatora Designada INFRAÇÃO E MULTA APLICADA Discordo da relatora que entende que deve ser aplicado ao caso em análise o disposto na Lei 8.212/91, art. 32A. Quanto ao dispositivo legal da infração e da multa aplicada, devese observar os seguintes artigos do CTN: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 509 15 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a princípio, devese observar a lei vigente à época de ocorrência do fato gerador. Entretanto, em matéria de penalidades, deverá ser considerada a retroatividade da lei mais benéfica, de acordo com o CTN, artigo 106, inciso II. A falta praticada, que foi objeto da presente autuação, apesar de ter sua capitulação legal alterada, continua definida como infração: entrega de GFIP com omissões/incorreções relacionadas a fatos geradores. Sobre a multa aplicada, a partir de 4/12/08, com a publicação da MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, o auditor, ao emitir Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória – AIOA relacionado à GFIP, deve considerar a retroatividade da lei mais benéfica, de acordo com o CTN, artigo 106, inciso II. Para tanto, deve comparar as penalidades cabíveis consoante a legislação vigente antes e depois da referida MP, aplicando a multa mais favorável ao sujeito passivo. Contudo, a presente autuação foi lavrada antes de referida mudança, não tendo o auditor fiscal autuante, por óbvio, efetuado referido comparativo, que deverá ser feito por ocasião do pagamento. A multa aplicada tendo em vista as alterações introduzidas pela Lei 11.941/09, é explicada a seguir: Em 4/12/08, foi publicada a Medida Provisória no 449, de 3/12/08, convertida na Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, que modificou a sistemática do cálculo das multas de mora, de ofício e daquelas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias relacionadas à Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, anteriormente previstas nos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, acrescentando os artigos 32A e 35A. Assim, a partir da publicação da MP 449, de 3/12/2008, para os fatos geradores de contribuições previdenciárias anteriores a esta data, deverá ser avaliado o Fl. 582DF CARF MF Processo nº 35464.004931/200616 Acórdão n.º 2401005.519 S2C4T1 Fl. 510 16 caso concreto e a norma atual deverá retroagir, se mais benéfica, pois em matéria de penalidades deve ser observado o disposto no CTN, artigo 106, inciso II, alínea ‘c’. Desta feita, devem ser vinculados os processos de contribuições não declaradas em GFIP, somandose as multas aplicadas aos lançamentos de obrigação principal com as multas pelo descumprimento de obrigação acessória, e comparando com a nova multa de ofício prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91, acrescida, se for o caso, da nova multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 (relativa a contribuição recolhida e não declarada em GFIP). Assim, a multa deve resultar do comparativo entre os valores que seriam lançados considerando a lei vigente à época do fato gerador (percentual de multa previsto na redação original do artigo 35 da Lei 8.212/91 somado ao valor de multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32, §5o da Lei 8.212/91) com o valor da multa de ofício que teria sido aplicada considerando a redação atual, conforme artigo 44 da Lei 9.430/96 (percentual de 75%) somado, se for o caso, ao valor da multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91. Ocorre, contudo, que os percentuais da multa tanto do artigo 35 da Lei 8.212/91, quanto do artigo 44 da Lei 9.430/96, sofrem variação de acordo com o prazo do pagamento do crédito. Logo, temse que a comparação entre uma e outra modalidade somente poderá ser ratificada por ocasião do pagamento, devendo o valor da multa ser revisto, se for o caso, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14, de 4/12/09. Os dispositivos legais ora atacados encontravamse em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores ou tiveram sua aplicação em razão do princípio da retroatividade benigna de que trata o Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, alínea “c”. CONCLUSÃO Pelo exposto, no mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir do cálculo da multa, nas competências a partir de 12/2000, os fatos geradores relacionados: a) ao abono único, nas competências 01/02 e 07/04; b) ao auxíliocreche, em todas as competências; e c) ao vale transporte, em todas as competências (acompanhando nesse ponto a relatora); e para que a multa seja recalculada aplicandose o disposto da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14/09. Por ocasião do pagamento ou execução do crédito tributário remanescente, deverá ser calculada a multa mais benéfica, considerando o auto de infração conexo, em razão da alteração na legislação previdenciária promovida pela Lei 11.941/09, nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4/12/09. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Redatora designada Fl. 583DF CARF MF
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