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Numero do processo: 10830.900649/2006-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2003
IRPJ.RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. COMPROVAÇÃO APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da Declaração Compensação – DCOMP, inexistindo amparo legal para essa negativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.704
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à DRF de Origem, para que aprecie a DCOMP, levando em consideração o erro no preenchimento, adentrando no mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 IRPJ.RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. COMPROVAÇÃO APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da Declaração Compensação – DCOMP, inexistindo amparo legal para essa negativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à DRF de Origem, para que aprecie a DCOMP, levando em consideração o erro no preenchimento, adentrando no mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 145DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.900649/200615 Acórdão n.º 140200.704 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório SERVE INDUSTRIA E COMERCIO DE MINERAIS LTDA. recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Trata o presente processo da Declaração de Compensação DCOMP de fls. 01/05, apresentada em 13/08/2003 por meio eletrônico através do aplicativo PER/DCOMP 1.0 e protocolizada sob o nº 19761.71111.130803.1.3.028993, e da DCOMP de fls. 57/60, apresentada em 29/08/2003 por meio eletrônico através do aplicativo PER/DCOMP 1.0 e protocolizada sob o nº 08364.02830.290803.1.3.020848, nas quais a interessada acima identificada alega possuir crédito contra a Fazenda Pública decorrente de saldo negativo do imposto de renda da pessoa jurídica IRPJ do exercício de 2000, no valor original de R$4.022,98. 2. Utilizando o crédito que alega possuir, a interessada busca extinguir por compensação os seguintes débitos: 2.1. Débito da contribuição para o Pis, código 6912, correspondente ao período de apuração de julho de 2003 (fl. 05), no valor original de R$1.291,26; 2.2. Débito da contribuição para o financiamento da seguridade social Cofins, correspondente ao período de apuração de julho de 2003 (fl. 05), código 2172, no valor original de R$2.362,24; e 2.3. Débitos da contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, correspondentes aos períodos de apuração de maio e junho de 2003 (fl. 5), código 2484, nos valores originais de, respectivamente, R$214,69 e 154,79. 3. Foi proferido o Despacho Decisório de fl. 09, o qual não homologou as compensações, sob o fundamento de não ser possível confirmar a apuração do saldo negativo, pois não foi identificado corretamente o período de apuração a que se refere o crédito informado. De acordo com o Despacho Decisório, o período de apuração do saldo negativo indicado nas Dcomps é anual, diferente do informado na Declaração de Informação EconômicoFiscal da Pessoa Jurídica – DIPJ correspondente, que é trimestral. Conseqüentemente, foi promovida a cobrança dos débitos arrolados nas compensações, com os acréscimos legais decorrentes da mora (multa de mora e juros). 4. Inconformada, a interessada interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 15/20, na qual, em síntese, admite que houve erro formal na identificação do crédito do saldo negativo, pois informou indevidamente como crédito o saldo negativo do exercício de 2000, quando queria se referir ao anobase de 2000; e que quando intimada não retificou a Dipj, por entender que a mesma estava correta. Requer a retificação da Dcomp, de modo a passar a constar o crédito como correspondente ao anobase de 2000, exercício de 2001, cancelando, conseqüentemente, a cobrança dos débitos arrolados na compensação. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.900649/200615 Acórdão n.º 140200.704 S1C4T2 Fl. 0 3 A decisão recorrida está assim ementada: ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. VEDAÇÃO DE RETIFICAÇÃO. Na hipótese de inexatidão material verificada no preenchimento da DCOMP apresentada em formulário ou em meio eletrônico, a retificação somente é admitida para as declarações pendentes de decisão administrativa. Incabível a retificação de DCOMP através de manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.900649/200615 Acórdão n.º 140200.704 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Consoante relatado, tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo de recolhimentos do IRPJ do ano de 2000, tendo o contribuinte informado na DCOMP que seria do ano de 1999 (exercício de 2000), sendo que a DRF e a DRJ não aceitaram a alegação de erro no preenchimento da DCOMP. Vejamos os fundamentos da decisão de 1a. instância: 6. Da impossibilidade de retificação das DCOMPs: 6.1. A interessada alega que a divergência apontada no Despacho Decisório resulta de mero erro formal na identificação do crédito do saldo negativo no PER/DCOMP, pois informou indevidamente como crédito o saldo negativo do exercício de 2000, anocalendário de 1999, período em que a forma de apuração era, de fato, lucro real trimestral, mas que, na verdade, o saldo negativo de IRPJ aproveitado no referido PER/DCOMP referese ao exercício de 2001, anocalendário de 2000, em que a forma de apuração adotada foi a de lucro real anual. 6.2. A Declaração de Compensação foi instituída por intermédio do art. 49 da MP nº 66, de 29/08/2002, constando a seguinte exposição de motivos enviada ao Congresso Nacional: “35 O art. 49 institui mecanismo que simplifica os procedimentos de compensação, pelos sujeitos passivos, dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, atribuindo maior liquidez para seus créditos, sem que disso decorra perda nos controles fiscais.” (g.n.) 6.3. Notese que a intenção do legislador foi a de implementar uma sistemática simplificadora da “compensação tributária”, envolvendo os tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, permitindo ao sujeito passivo a extinção de seus débitos mediante a utilização de créditos de origem tributária com características inequívocas de liquidez e certeza, sem implicar a perda dos controles fiscais. 6.4. Neste sentido, a MP editada, convertida em 30 de dezembro de 2002 na Lei nº 10.637, alterou o art. 74 da Lei n 9.430, de 1997 nos seguintes termos: (...) 6.5. Como se vê, o dispositivo legal editado permitiu ao contribuinte a extinção de seus débitos através da compensação, autorizando ao fisco o controle dos atos praticados através da instituição de Declaração de Compensação – Dcomp onde são informados os créditos utilizados e os débitos compensados. Notese que, a partir de então, a compensação tributária envolvendo tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil passou a ser uma forma simples e prática de extinção de débitos, mediante a utilização de créditos do sujeito passivo. (...) 6.8. Destarte, não é difícil perceber que os créditos utilizados pelo contribuinte na Dcomp, bem como os débitos por ele compensados, não podem simplesmente ser Fl. 148DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.900649/200615 Acórdão n.º 140200.704 S1C4T2 Fl. 0 5 ignorados ou substituídos quer seja por ato informal do contribuinte ou mesmo ex offício pela Administração Pública. 6.9. Ademais, o art. 17 da Medida Provisória nº. 135, de 30/12/2003, convertida na Lei nº. 10.833, de 29/12/2003, que passou a qualificar a Dcomp como confissão de dívida, em decorrência do acréscimo do § 6º ao art. 74 da Lei nº. 9.430/96, apenas confirma a higidez dos débitos informados pelo contribuinte em Dcomp. 6.10. Entretanto, apesar da Dcomp constituir em modalidade de constituição do crédito tributário, vez que consiste em confissão de dívida nos termos relembrados no parágrafo precedente, a legislação tributária também prevê a alteração destes dados, considerando exatamente possíveis erros cometidos pelos contribuintes no preenchimento destas declarações. Vejamos: Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008: (...) 6.13. Repisada a disciplina legal e normativa aplicável à Dcomp, resta evidente que os alegados erros formais no preenchimento desta declaração somente poderiam ser sanados até a ciência da decisão administrativa prolatada pela DRF/Limeira, ou seja, até 20/08/2008 (fl. 13). Contudo, não consta dos autos qualquer retificação relativa às Dcomps arroladas no Despacho Decisório. 6.14. Deste modo, a ausência de oportuna retificação das Dcomps em foco, na forma como prevista na legislação de regência da matéria, prejudica o deferimento da ventilada alteração do período de apuração do crédito nelas pleiteado, conforme requerido na manifestação de inconformidade. Sem contar que a interessada foi alertada sobre a necessidade de retificação tempestiva da Dcomp ou da Dipj correspondente, através do Termo de Intimação de fl. 06, da qual tomou ciência em 07/11/2006 (fl. 07), sem que tivesse tomado qualquer atitude a respeito. 6.15. Conseqüentemente, o período de apuração do crédito a ser considerado na referida compensação é aquele informado originalmente na Dcomp, qual seja, o exercício de 2000, anocalendário de 1999, exatamente conforme fez a análise eletrônica que resultou no Despacho Decisório de fl. 09. 6.16. Ademais, fica mais evidente ainda a impossibilidade de se retificar as Dcomps analisadas no presente processo quando se constata, através do documento que juntei à fl. 76, contendo dados do sistema informatizado de controle das PER/Dcomps, que a interessada apresentou as Dcomps protocolizadas sob os nºs 01356.27336.290803.1.3.021526 (retificada pela Dcomp nº 09787.58526.260907.1.7.020647), 28636.04728.150903.1.3.022708, 30656.66244.151003.1.3.028509 e 09569.55314.141103.1.3.026519, nas quais arrola como crédito o saldo credor do IRPJ apurado no anocalendário de 2000, exercício de 2001. Peço vênia para discordar do entendimento do nobre Relator do Acórdão Recorrido. Isso porque não há impedimento legal para reconhecimento de erro material cometido no preenchimento de declaração. De fato, a Instrução Normativa No. 900/2008, artigos 76 e seguintes, vedaria a retificação de erros dessa natureza, mas repito, não há vedação legal nesse sentido. Este Conselho já reconheceu a possibilidade da comprovação de erro no preenchimento de declarações no transcurso do processo administrativo. Vejamos alguns julgados que amparam esse entendimento. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10830.900649/200615 Acórdão n.º 140200.704 S1C4T2 Fl. 0 6 Acórdão 10808689, de 25/1/2006 IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Acórdão 10194955, de 15/04/2005 IRPJ AUDITORIA EM DCTF FALTA DE PAGAMENTO. Comprovado que a diferença apurada na auditoria deveuse, exclusivamente, a erro no preenchimento da declaração, cancelase o auto de infração. Acórdão 10321472, de 5/12/2003 CSLL ERRO O PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL IMPRESCINDÍVEL COMPROVAÇÃO MATERIAL DO EQUÍVOCO OU DO ERRO DE FATO A ordem jurídica vigente não permite a cobrança de tributos sem que seja procedida a determinação da matéria tributável, consoante dispõe o artigo 142 do CTN. Entretanto, nos casos em que o contribuinte não logra comprovar, materialmente, os equívocos ou erros de fato que teria cometido quando do preenchimento da declaração não vejo como não prevalecer à tributação pretendida exclusivamente com base no procedimento sumário de revisão das declarações de ajuste (malhas fiscais). No caso do autos o erro no preenchimento é crível: confundir anocalendário com exercício é comum inclusive na própria Receita Federal. A meu ver o formulário induz o contribuinte a erro (fl. 2), ao solicitar o exercício ao invés do período de apuração. Em recentes julgamentos nesse colegiado foram vários os processos com erro dessa ordem, a exemplo do Acórdão 140200.613 de 30/06/2011. Além disso, o contribuinte faz prova nos autos de que apurou saldo negativo de recolhimento do IRPJ no ajuste anual do anocalendário de 2000 (fl. 11) Portanto, cabível a apreciação do mérito pela autoridade administrativa, qual seja o erro no preenchimento da declaração, levandose em conta eventuais compensações posteriores com o mesmo crédito pleiteado. Diante do exposto, voto no sentido dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à DRF de Origem, para que aprecie a DCOMP, levando em consideração o erro no preenchimento, adentrando ao mérito. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 150DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O
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Numero do processo: 10120.904291/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.065
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 42 91 /2 00 9- 41 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10120.904291/200941 Acórdão n.º 3401004.065 S3C4T1 Fl. 3 2 Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: (a) é inconstitucional a majoração de alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998, já reconhecida pelo Poder Judiciário e declarada por ato do Senado (Resolução no 49, de 9/10/1995), e a aplicação retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no 1.4170, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10, de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse a existência de DARF de recolhimento com a data de arrecadação diversa da indicada no pedido, parecendo a empresa buscar com a data incorreta em seu pedido frustrar eventual extinção de prazo para pedir restituição, que ocorre após cinco anos do pagamento indevido, com vem decidindo o STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no 9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e reconheceu a própria Receita Federal, na IN SRF no 6/2000; e acrescentando que a Lei no 9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo decaído. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.025, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.901000/200962, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.025): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco a discutir no presente processo. Isso porque em nenhuma das peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10120.904291/200941 Acórdão n.º 3401004.065 S3C4T1 Fl. 4 3 foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida. Enquanto a defesa se alonga em discussões de direito que, em geral, já estão pacificadas administrativa e judicialmente, não dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende indevidos o são pela ocorrência, no caso concreto, de tais situações jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou a instância de piso, a empresa jamais comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido, mesmo tendo sido intimada a tanto, na fase précontenciosa. Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito, ainda antes de se iniciar a discussão jurídica, que deixa de ser relevante, por não se saber, de forma peremptória, se é relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe, assim, a postulante ao crédito, de seu ônus probatório, acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua demanda, sem realizar qualquer esforço para vincular tais discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de liquidez o crédito. Em relação a alegação de decadência para cobrança, cabe destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a DRJ, a existência de Resolução do Senado reconhecendo eventual inconstitucionalidade é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Poderseia agregar aos argumentos de defesa, de ofício, o tratamento reconhecido aos pedidos administrativos pelo STF (RE no 566.621/RS) e pelo CARF (Súmula CARF no 91). No entanto, como destacado de início, a discussão sobre haver ou não expirado o prazo para pedir restituição se afigura secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito. E a comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.002191/2002-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997
DESAPROPRIAÇÃO. IRPF. GANHO DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 42.
Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação." (Súmula CARF n° 42)
Numero da decisão: 2201-004.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
EDITADO EM: 16/03/2018
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1997 DESAPROPRIAÇÃO. IRPF. GANHO DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 42. Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação." (Súmula CARF n° 42)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator EDITADO EM: 16/03/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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IRPF. GANHO DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 42. Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação." (Súmula CARF n° 42) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator EDITADO EM: 16/03/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 21 91 /2 00 2- 55 Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10835.002191/200255 Acórdão n.º 2201004.111 S2C2T1 Fl. 335 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº Acórdão 17 32.075 7ª Turma da DRJ/SPOII, o qual julgou procedente em parte o lançamento pelo qual se exige Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF incidente sobre ganho de capital. A decisão de primeira instância, de forma objetiva, assim sintetizou os fatos: Em ação levada a efeito no contribuinte acima qualificado, apurouse o crédito tributário na importância correspondente a R$ 86.488,27 (oitenta e seis mil, quatrocentos e oitenta e oito reais e vinte e sete centavos) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL E OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS, no ano calendário 1997, sendo R$ 33.233,09 referentes ao imposto, R$ 24.924,81 referentes a multa proporcional e R$ 28.330,37 referentes aos juros (ATÉ 31/07/2002), em conformidade com a Lei 7.713/1988, arts. Io, 2o e 3o e §§, 16 a 22, Lei 8.134/1990, arts. Io a 3o, Lei 8.981/1995, arts. 7o, 21 e 22, RIR/1994, art. 805, consubstanciado no Auto de Infração de fls. 44 a 46. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no Termo de Verificação Fiscal (fls 09 a 11) e nos dá conta de que: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. De acordo com o instrumento de Homologação de Acordo Judicial e demais documentos anexos, no mês de julho de 1997 foi celebrado TRANSAÇÃO entre a fazenda do estado de São Paulo e SURAIA MELEM e outros, tendo como objeto o imóvel rural denominado Fazenda Santa Rosa Lua Nova situada no município de Mirante do Paranapanema/SP, constante do item 04 da declaração de bens da interessada; Pelo acordo referido, a interessada recebeu a título de indenização por benfeitorias existentes na propriedade acima, a importância de R$ 315.000,00, sendo 70% desse valor, ou seja, R$ 220.500,00 representados por títulos da dívida Agrária e 30% ou R$ 94.500,00 em moeda corrente; A receita decorrente de alienação de benfeitorias em imóveis rurais, nos termos da legislação em vigor, é tributada como rendimento da atividade rural: Demonstrativo da Apuração de resultado da Atividade Rural Receita bruta declarada 69.486,00 Receita da atividade rural omitida 315.000,00 Receita bruta apurada 384.486,00 Despesas de custeio e investimento 28.238,78 Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10835.002191/200255 Acórdão n.º 2201004.111 S2C2T1 Fl. 336 3 Resultado 1 356.247,22 Opção pelo arbitramento s/ a receita bruta 76.897,20 Resultado Trib. Atividade rural apurado 76.897,20 Valor exigido em auto de infração 63.000,00 Valor declarado 13.897,20 OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DO IMÓVEL RURAL FAZENDA ESTIVA. De acordo com a cópia de escritura e demais documentos anexos, a interessada alienou em 15/12/1997 a José Antonio Garcia, CPF 004.975.16896, parte do imóvel rural denominado fazenda Estiva inicialmente composto de 10.704,00 has. Tendo sido vendidos 772.95 has. Por um total de R$ 160.000,00; Demonstrativo da Apuração do Ganho de Capital Custo de aquisição do imóvel R$ Valor do imóvel em 31/12/1996 491.303,95 índice de correção monetária X 1,2446 Valor do imóvel em 31/12/1997 601.650,21 Área total do imóvel (em hás) : 10.750,00 Área vendida X 772,95 Custo da área vendida 43.446,00 Apuração do Lucro Imobiliário R$ Valor da venda 160.000,00 Custo de aquisição 43.446,00 Ganho de Capital apurado 116.554,00 O Auto de Infração foi lavrado em 28/08/2002, tomando o autuado ciência, via postal, em 03/09/2002, ingressou com a impugnação (fls. 102 a 110) em 23/09/2002, na qual procura demonstrar a improcedência da autuação, alegando, em resumo, o seguinte: DA OMISSÃO RENDIMENTO ATIVIDADE RURAL. Assinala que, recebeu da Fazenda do Estado de São Paulo a quantia de R$ 315.000,00, nos autos da ação de reivindicação que se processou pelo juízo de direito da Comarca de Mirante de Paranapanema, a título de pagamento da indenização das benfeitorias, no imóvel objeto dessa ação; Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10835.002191/200255 Acórdão n.º 2201004.111 S2C2T1 Fl. 337 4 diz que, a indenização pelas benfeitorias, paga pela fazenda do Estado de São Paulo à Suplicante, Suraia Melem, não constitui “renda” pra fins de tributação; não ocorre, igualmente, o fato gerador do “acréscimo patrimonial”, pois, houve tãosomente, a reparação de um prejuízo sofrido; assim, devem ser excluídas da incidência do imposto de renda, entre outras, a indenização por desapropriação de imóvel, as indenizações destinadas à reparação do valor de benfeitorias; deve, forçosamente, prevalecer a receita bruta de R$ 69.486, 00 declarada pela suplicante; DO GANHO DE CAPITAL. Esclarece que tornou proprietária de um imóvel rural com a área de 2.603,3215 hectares, ou sejam, 1.075,7526 alqueires paulistas, que passou a denominarse Fazenda Estrela, desmembrada da Fazenda Estiva. O imóvel do qual foi desmembrado o imóvel da ora impugnante, tinha a área de 10.704,00 hectares, sendo que a área do imóvel, resultante do desmembramento, tinha, somente, a área correspondente a 25% da área de 10.7904,00 hectares; a impugnante vendeu a José Antônio Garcia a área de 772,95 hectares, desmembrado do mencionado imóvel adquirido por ela, pelo preço de R$ 160.000,00; diz que, a área de propriedade da impugnante, na Fazenda Estiva, mencionada na DIRPF, é de 2.676,00 hectares, e não de 10.704 hectares. Conforme registro na DIRPF/1998, a parte da contribuinte corresponde a 25% da área total de 10.704 hectares, ou seja, 2.676,00 hectares; a quantia de R$ 491.303,96, referente ao ano de 1996, constante da declaração de bens e direitos, que, atualizada, atinge a quantia de R$ 601.650,21, que corresponde os 25% do impugnante; Argumenta que houve manifesto equívoco por parte do Auditor Fiscal no tocante a declaração de bens e direitos, apresentada pela impugnante, pois, o cálculo deveria ser feito da seguinte maneira: R$ 601.650,21 divido por 2.676,00 hectares, alcançandose o valor de R$ 224,83 por hectare; dessa forma, a área de 772,95 hectares, vendida a José Antônio Garcia, atinge o valor de R$ 173.783,82. O valor da venda a José Antônio Garcia pela Suplicante, referente a área de 772,95 hectares, foi estipulado em R$ 160.00,00, não tendo ocorrido, portanto, ganho de capital. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10835.002191/200255 Acórdão n.º 2201004.111 S2C2T1 Fl. 338 5 Foi prolatado o Acórdão 1732.075 7ª Turma da DRJ/SPOII, (fls. 269/285), que a julgou o lançamento procedente em parte, nos termos da seguinte ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. BENFEITORIAS. A alienação de benfeitorias integra a receita bruta da atividade rural. Restando, pois, caracterizada a infração de omissão de rendimentos e sendo mais favorável ao contribuinte, o fisco está autorizado a tributar a título de resultado da atividade rural. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. Sujeitase à incidência do imposto de renda o ganho de capital correspondente à diferença positiva entre o valor de alienação e o valor do custo de aquisição do imóvel. A ciência dessa decisão ocorreu em 17/06/2009 (fl.291) e o recurso voluntário foi tempestivamente protocolado em 17/07/2009 (fls. 305/329), tendo apresentado as razões recursais, a seguir sintetizadas: A expropriação através de imissão na posse, com efeito, não constitui negócio jurídico de direito privado (alienação), nem a indenização recebida pelas benfeitorias construídas no imóvel pode ser confundida com o preço de venda. Forçoso reconhecer que não há como incluir no conceito de renda a indenização recebida na ação expropriatória sofrida pela recorrente, pois é defeso à lei tributária modificar ou subverter o conceito de direito civil. De outro lado, como o imposto de renda incide sobre a “renda e os proventos de qualquer natureza”, não é razoável admitir que possa alcançar essa disponibilidade nova, isto é, a indenização propriamente dita, na medida em que não há aumento do patrimônio anterior ao gravame expropriatório, integrativo do “justo preço” ou da “justa indenização” do bem expropriado. Não há alteração da capacidade contributiva do expropriado. Por fim, requer que seu recurso seja conhecido, e provido no sentido de que seja a r. decisão recorrida totalmente reformada, para declarar o Auto de infração improcedente, conforme fundamentação recursal. É relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10835.002191/200255 Acórdão n.º 2201004.111 S2C2T1 Fl. 339 6 O contencioso tributário se restringe à alienação de benfeitorias, tributada como receita da atividade rural, uma vez que a decisão piso afastou a exação no que concerne ao ganho de capital na alienação de imóvel rural. A recorrente recebeu indenização decorrente de benfeitorias em imóvel rural de sua propriedade, objeto de desapropriação pelo estado de São Paulo. Este Conselho já consolidou seu entendimento, desde dezembro/2009, no sentido de que não incide IRPF sobre ganhos em função de desapropriação: Súmula CARF n° 42: Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Tendo em vista que a Súmula é de observância obrigatória por este Conselheiro, nos termos do art. 45, VI, do Anexo II ao RICARF, é necessário repetir tal entendimento no âmbito desse julgamento. Ainda que assim não fosse, o STJ já julgou a matéria no REsp n° 1.116.460, em sede de Recurso Repetitivo, cuja decisão restou assim ementada: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial (art. 43, do CTN), sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba percebida, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. Com efeito, a Constituição Federal, em seu art. 5°, assimdisciplina o instituto da desapropriação: ”XXIV a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;” Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. "Representação. Arguição de Inconstitucionalidade parcial do inciso ii, do parágrafo 2., do art. 1., do Decretolei Federal n. 1641, de 7.12.1978, que inclui a desapropriação entre as Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10835.002191/200255 Acórdão n.º 2201004.111 S2C2T1 Fl. 340 7 modalidades de alienação de imóveis, suscetíveis de gerar lucro a pessoa física e, assim, rendimento tributável pelo imposto de renda. Não há, na desapropriação, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura, outrossim, a noção de preço, como contraprestação pretendida pelo proprietário, 'modo privato'. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tãosó, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social. Tal o sentido da 'justa indenização'prevista na Constituição (art. 153, parágrafo 22). Não pode, assim, ser reduzida a justa indenização pela incidência do imposto de renda. Representação procedente, para declarar a inconstitucionalidade da expressão 'desapropriação', contida no art. 1., parágrafo 2., inciso ii, do decretolei n. 1641/78. (Rp 1260, Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, TRIBUNAL PLENO, julgado em 13/08/1987, DJ 18111988) 4. In casu, a ora recorrida percebeu verba decorrente de indenização oriunda de ato expropriatório, o que, manifestamente, consubstancia verba indenizatória, razão pela qual é infensa à incidência do imposto sobre a renda. Deveras, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido da nãoincidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. Precedentes: AgRg no Ag 934.006/SP, Rel. Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS, DJ 06.03.2008; REsp 799.434/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 31.05.2007; REsp 674.959/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ 20/03/2006; REsp 673273/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 02.05.2005; REsp 156.772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 04/05/98; REsp 118.534/RS, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ 19/12/1997. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1116460/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010.) Dessa forma, entendo que a Súmula CARF nº 42, não tem alcance limitado ao ganho de capital, aplicandose, também, no caso de omissão de rendimentos da atividade rural motivada por recebimento de indenização por benfeitorias decorrente de desapropriação. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, no mérito, darlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10835.002191/200255 Acórdão n.º 2201004.111 S2C2T1 Fl. 341 8 Fl. 341DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.725921/2010-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2010
Ementa:
CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
JUROS.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Numero da decisão: 3201-003.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o Recurso Voluntário e na parte conhecida negar provimento. Acompanhou o julgamento o patrono Dr. Floriano Dutra Neto, OAB/DF 20.499, escritório LD Consultores.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o Recurso Voluntário e na parte conhecida negar provimento. Acompanhou o julgamento o patrono Dr. Floriano Dutra Neto, OAB/DF 20.499, escritório LD Consultores. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA – Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 59 21 /2 01 0- 32 Fl. 715DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 257 em face da decisão de primeira instância administrativa fiscal proferida pela DRJ/RS de fls 221, restando improcedente a Impugnação de fls. 181 apresentada em oposição ao Auto de Infração de Cofins de fls. 162 e Relatório Fiscal de fls. 178, lavrados em razão da insuficiência de recolhimento da Cofins. Como de costume desta Turma de Julgamento, transcrevese o mesmo relatório utilizado na decisão de primeira instância, in verbis: "A contribuinte supracitada foi lançada de ofício por falta de recolhimento de COFINS nãocumulativa dos meses de janeiro de 2005 a março de 2010. Resultou num Auto de Infração de R$ 4.459.277,62, de fls.154/1771, cientificado em 14/12/2010. A infração, conforme Relatório Fiscal, de fls.178/180, componente dos autos, decorreu da falta de oferecimento à tributação das receitas decorrentes da prestação de serviços profissionais remuneradas oferecidas pela contribuinte, que é uma entidade administrativa e financeiramente autônoma, dotada de personalidade jurídica própria, sem fins lucrativos, pois não se constituem em receitas próprias, nos termos da legislação que rege a matéria e da ação judicial nº 2001.71.00.0323510/RS, na qual a contribuinte pleiteou a isenção sobre receitas próprias, dentre as quais estariam a prestação de serviços remunerados e de aplicações financeiras, pois seriam destinadas a consecução de sua própria finalidade, cuja decisão transitada em julgado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça foi desfavorável, já que considerou não isentas as receitas oriundas da remuneração pela prestação de serviços profissionais de ensino e de treinamento, e cuja apreciação do recurso realizado pela Fazenda Pública no Supremo Tribunal Federal foi considerada prejudicada, em 14/02/2011, conforme extrato processual contido do sítio www.stf.jus.br na data deste julgamento. Diante das normas legais e interpretativas e do pronunciamento do Poder Judiciário, a Autoridade Fiscal solicitou a escrituração contábil da contribuinte no período de 2005 a 2010, além de se utilizar das DIPJs do período, para apurar a base de cálculo e a contribuição devida pela sistemática nãocumulativa, nos termos da Lei 10.833/2003 e alterações posteriores, conforme demonstrativos de fls.142/153. A legislação infringida consta de fls.156 e 163, compondo o Auto de Infração. Irresignada, a contribuinte apresenta impugnação, de fls.181/196. Nesta,começa informando que é uma entidade sem fins lucrativos, que atua no desenvolvimento do ensino, da pesquisa e Fl. 716DF CARF MF Processo nº 11080.725921/201032 Acórdão n.º 3201003.463 S3C2T1 Fl. 716 3 da cultura, através da realização de seminários, congressos, simpósios,entre outras atividades, bem como realiza cursos de preparação, formação, aperfeiçoamento e especialização dos membros do Ministério Público e dos demais operadores do Direito, cujas receitas são destinadas integralmente ao custeio e manutenção da instituição, conforme preceitua seu estatuto, constante dos autos. Logo após inicia a contestação argumentando que a isenção da cota patronal, que se estendeu as demais contribuições, como a Cofins, é originária da Lei 3.577/1959, que foi elevada a preceito constitucional, contido no art.195, §7 º da CF (São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.). Tal isenção foi admitida, em decisões do STF como sendo imunidade, sendo que os requisitos exigidos pelo art.195, §7 º da CF são os elencados no art.14 do Código Tributário Nacional, que estão contidos nas disposições estatutárias da contribuinte e reforçados pelos títulos declaratórios de utilidade pública que lhe foram outorgados, juntados aos autos. Por isso, a impugnante faria jus a imunidade tributária contida no art.195,§7 º da CF, haja vista o cumprimento de todos os requisitos estipulados pelo art .14 do CódigoTributário Nacional, devendo ser cancelado o lançamento de Cofins diante da superveniênciade exigências estipula das por Medida Provisória, face à inconstitucionalidade destas para regular uma garantia constitucional. Prosseguindo sua defesa, alega que seria uma instituição isenta de Cofins,nos moldes do inciso X do art.14 c/c o inciso VIII do art.13 da Medida Provisória 2.15835, devendo tal isenção ser interpretada literalmente, nos termos do art.111 do Código Tributário Nacional. Diante disso, as atividades próprias da contribuinte são isentas, não tendo o legislador elencado taxativamente quais seriam estas atividades ou estabelecido restrições diante da diversidade de entidades elencadas no art.13 da MP citada. Aliás, seria desnecessária a enumeração das atividades próprias diante do registro dos atos constitutivos no órgão responsável para o funcionamento e aquisição da personalidade jurídica, e no caso da contribuinte são também fiscalizadas pelo Ministério Público, sendo suficiente o Estatuto Social, que enumeraria as atividades próprias. Como o Estatuto Social da contribuinte prevê como receita as proveniente da prestação de serviços, as receitas de prestação de serviço e treinamento seriam isentas. Tal interpretação da isenção, segundo a impugnante, não ignoraria a decisão judicial do STJ na ação judicial nº 2001.71.00.0323510/RS, pois teria sido analisada sob a ótica das associações civis e não das fundações privadas, além do relator do acórdão noSTJ ter reconhecido a prestação de serviços Fl. 717DF CARF MF 4 profissionais de ensino e treinamento como atividade própria da contribuinte. Reafirma seu entendimento, repetindo que nos moldes do inciso X do art.14 c/c o inciso VIII do art.13 da Medida Provisória 2.15835,é isento e tal isenção deve ser interpretada literalmente, nos termos do art.111 do CTN, devendo as atividades próprias serem aquelas contida no Estatuto Social de entidade, segundo doutrina sobre interpretação de normas, bem como pela, de acordo como a contribuinte, declaração do relator do acórdão no STJ que a prestação de serviços profissionais de ensino e treinamento é atividade própria da litigante. Continuando sua defesa, argumenta que a tributação pela Cofins nãocumulativa, regida pela Lei 10.833/2003 e alterações posteriores, com alíquota de 7,6% (sete vírgula seis por cento), não seria aplicável, mas sim a Cofins cumulativa, regida pela Lei Complementar 70/1991 e Lei 9.718/1998 e alterações posteriores, com alíquota de 3% (três por cento). Tal conclusão decorria do fato que a contribuinte não faz apuração do IRPJ pela sistemática do Lucro Real, Lucro Presumido ou Lucro Arbitrado para se enquadrar dentro do regime cumulativo ou não cumulativo da Cofins, mas que o “Pergunta e Resposta da SRF” explica, ao tratar de PIS/Cofins, na nota 2 da pergunta 5, que “... as entidades imunes de Imposto de renda, que estão relacionadas nas exceções do regime de apuração nãocumulativa, deverão apurar a Cofins sobre as receitas que não lhe são próprias, segundo o regime de apuração cumulativa.”. Logo, a alíquota aplicável, caso fosse tributável pela Cofins, seria no percentual de 3% (três por cento). Por fim, contesta a cobrança da multa e dos juros de mora. Alega que obteve decisão judicial favorável na Vara da Justiça Federal e no Tribunal da 4ª Região, sendo que neste período não poderia ocorrer a mora para validar a multa e os juros, pois estava resguardado por ordem judicial eficaz durante sua vigência, conforme doutrina e jurisprudência administrativa, bem como ao princípio da segurança jurídica. Ademais, não seria possível exigir a multa de ofício (art.44, inciso I, da Lei 9.430/1996), pois não haveria descumprimento da legislação, haja visto que o nãorecolhimento ocorreu quando a contribuinte tinha decisão judicial favorável, exercendo seu direito contido em ordem judicial, mesmo que posteriormente reformada, não havendo ilicitude para configurar a hipótese de incidência da penalidade porque a multa deve obedecer os princípios implícitos e explícitos adstritos à tributação, sob pena de violação dos direitos e garantias fundamentais." Esta decisão de primeira instância administrativa fiscal foi proferida com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2010 Fl. 718DF CARF MF Processo nº 11080.725921/201032 Acórdão n.º 3201003.463 S3C2T1 Fl. 717 5 INCONSTITUCIONALIDADE INAPRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO. A argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade não pode ser apreciada na esfera administrativa porque é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. ISENÇÃO FUNDAÇÕES DE DIREITO PRIVADO RECEITAS DAS ATIVIDADES PRÓPRIAS CONCEITO. As receitas que têm cunho contraprestacional não são alcançadas pela isenção da Cofins das entidades referidas no artigo 13 da MP nº 2.158, de 2001, pois não são atividades próprias, nos termos da legislação e de decisão judicial na qual a contribuinte foi autora. AÇÃO JUDICIAL ANTES OU DEPOIS DA AUTUAÇÃO RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A existência de questionamento judicial, independente de ser antes ou depois da autuação fiscal, acarreta a renúncia da esfera administrativa, segundo o Ato Declaratório COSIT (Normativo) nº 3, publicado no D.O.U. de 15 de fevereiro de 1996. ENTIDADE ISENTA RECEITAS NÃO PRÓPRIAS TRIBUTAÇÃO PELA COFINS NÃO CUMULATIVA. As receitas nãopróprias de entidade isenta são tributadas pela Cofins nãocumulativa, nos termos da legislação. DECISÃO JUDICIAL DESFAVORÁVEL INOBSERVÂNCIA DO ART.63,§2º DA LEI 9.430/1996 APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA. Após decisão judicial desfavorável, a contribuinte tem 30 dias para recolher o tributo sem incidência de multa, mas com juros de mora, nos termos do art.63, §2º da Lei 9.430/1996. Não tendo observado o benefício fiscal, além dos juros de mora, aplicase a multa de ofício, conforme norma legal. Impugnação Improcedente . Crédito Tributário Mantido." Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos de impugnação. Em seguida, este Conselho proferiu a Resolução de fls. 380 nos seguintes termos: "Sendo que a questão das alíquotas, ou melhor, do enquadramento da Recorrente ao regime cumulativo ou não cumulativo das contribuições sociais tem como condição necessária, o conhecimento de seu status jurídico, e que esse, por sua vez, encontra na legislação de regência, o cumprimento de uma série de pressupostos, entendo ser o caso da conversão do Fl. 719DF CARF MF 6 julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora verifique se a Recorrente cumpre todos os requisitos constantes da Lei n. 9532/97, art.12, para ser enquadrada como entidade imune. Elaborado o relatório de diligência fiscal, intimese a Recorrente para que sobre ele se manifeste no prazo de 30 dias, prorrogáveis uma vez, após, devendo os autos retornarem à turma, para o julgamento dessas e outras questões suscitadas no recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo." Em fls. 403 o contribuinte apresentou os documentos requisitados, a fiscalização apresentou seu relatório conclusivo em fls. 537, com a confirmação de que o contribuinte não cumpriu os requisitos constantes na Lei n. 9532/97, art.12, para ser enquadrada como entidade imune. Em fls. 547 encontrase a manifestação do contribuinte a respeito do relatório da fiscalização, inteirada com estas principais alegações: que atividade de professor não se confunde com a de dirigente, que alguns integrantes do corpo docente sequer tinham vinculo com a escola porque seus serviços não eram remunerados pela escola mas sim pela carreira de promotor ou procurador, que o estatuto do MP veta a remuneração dos diretores e conselheiros (doc 3), que a empresa responsável pela contabilidade declarou que extraviou parte da escritura fiscal (doc 4). As demais argumentações de defesa são genéricas e não inovaram o que já havia sido alegado em Recurso Voluntário. Os autos foram novamente distribuídos e pautados nos moldes do regimentos interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção de Julgamento e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. De forma clara, a Conselheira Ana Clarissa analisou a presente lide administrativa fiscal e atraiu a atenção para estes principais pontos: a concomitânica e a possibilidade do contribuinte ser entidade com imunidade fiscal. Em razão de todo o raciocínio exposto, esta Turma de julgamento acompanhou a conselheira na conversão do julgamento em diligência para que, aos autos, fosse juntada a análise da fiscalização com relação ao cumprimento dos requisitos, por parte do contribuinte, para seu enquadramento na condição de imune. Fl. 720DF CARF MF Processo nº 11080.725921/201032 Acórdão n.º 3201003.463 S3C2T1 Fl. 718 7 Contudo, conforme relatado, em fl.s 537 a fiscalização apresentou seu relatório e concluiu que o contribuinte não cumpre com os requisitos e, portanto, não se enquadra na condição de imune, conforme trecho transcrito em print screen a seguir: Em fls. 547, em que pese o contribuinte expor de forma muito firme suas alegações, deixou de comprovar o cumprimento dos requisitos, conforme apresentado no relatório da fiscalização, assim como deixou de contestar alguns dos pontos levantados pela fiscalização, como os benefícios dos planos médicos para todos os diretores e dependentes e o fato de ora se declarar isenta e ora imune. Ademais, uma das alegações de defesa foi genérica e não comprovou o contrário do que afirmou a fiscalização, senda esta, a alegação que afirma que a IN 113/98, art 12, III inovou no ordenamento jurídico com a porcentagem de 70% das receitas obtidas, que devem ser destinada ao pagamento de despesas e engargos sociais, porque esta porcentagem seria de 60%. Ao analisar esta alegação do contribuinte, verificase que a fiscalização, por mais que a IN 113/98, art 12, III possa ter inovado no ordenamento jurídico, apontou que o contribuinte não atingiu, em alguns casos, sequer a porcentagem de 60%, conforme trechos transcritos em print screen a seguir: (...) Fl. 721DF CARF MF 8 Logo, se para quem compete a análise técnica, foi concluído e comprovado pelos documentos juntados que o contribuinte não cumpre os requisitos para ser entidade com imunidade fiscal, não há como reconhecer esta. Inclusive, o próprio contribuinte confirma a ausência da maioria da escritura sua contábil (extraviada sem motivo justo), o que impede a análise e o reconhecimento material dos requisitos. A Lei 9.532/1997, vigente e aplicável ao caso, fixou os requisitos que devem ser cumpridos pelas entidades sociais e educativas para a obtenção da imunidade fiscal, conforme exposto a seguir: "Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea c, da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º. Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º. Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social Fl. 722DF CARF MF Processo nº 11080.725921/201032 Acórdão n.º 3201003.463 S3C2T1 Fl. 719 9 relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público. h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º. Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (NR) (Redação dada ao parágrafo pela Lei nº 9.718, de 27.11.1998, DOU 28.11.1998)." Ao fim, esta lide sequer pode ser analisada no âmbito administrativo de recursos fiscais, vista a concomitância do objeto e causa de pedir desta lide no Poder Judiciário, conforme decisão transitada em julgado no julgamento do RESp 1145172, reproduzido parcialmente a seguir: Fl. 723DF CARF MF 10 A Conselheira Ana Clarissa bem salientou durante seu voto os seguintes pontos: Fl. 724DF CARF MF Processo nº 11080.725921/201032 Acórdão n.º 3201003.463 S3C2T1 Fl. 720 11 "O auto de infração originouse do trânsito em julgado da ação judicial nº 2001.71.00.0323510/RS, na qual se discutiu a exigência da Cofins nãocumulativa sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços profissionais remuneradas oferecidas pela contribuinte, dos meses de janeiro de 2005 a março de 2010. Por conseguinte,entendo que embora a decisão recorrida tenha discorrido longamente sobre a questão, entendo que não detinha competência para tanto, sendo o caso de não conhecer do recurso nessa parte, por força da concomitância. Destarte, o contencioso administrativo fiscal, embora garantido no art.5o, LV da Constituição Federal de 1988, suas decisões não são terminativas dos conflitos, estando sujeitas a alterações emanadas do Poder Judiciário, de acordo com o mandamento insculpido no art. 5o, XXXV do Texto Constitucional. A concomitância, veiculada pelo parágrafo único, do art. 38 da Lei 6830/80, também decorre da interpretação sistemática do ordenamento jurídico, que tem a peculiaridade de conceber o direito subjetivo ao contencioso administrativo fiscal, contudo, estabelecendo que tãosomente as decisões proferidas pelo Poder Judiciário, poderão ser acobertadas pelo manto da coisa julgada. A concomitância exsurge, por conseguinte, como imperativo inarredável da Segurança Jurídica." Assim, já verificado que o contribuinte não é imune aos tributos e verificada a ocorrência da concomitância da lide, não há como analisar as demais alegações do contribuinte, como a questão da alíquota da Cofins, relacionada ao regime cumulativo ou não cumulativo. O único ponto que pode ser apreciado é o que trata da incidência dos juros desde o não recolhimento da Cofins, mas esta matéria é sumulada neste Conselho. As Súmulas 1 e 5 deste Conselho são os únicos dispositivos legais que podem ser aplicados na presente lide administrativa fiscal, transcritas a seguir: "Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (...) Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Na parte conhecida, é possível concluir que os juros poderão incidir desde o não recolhimento da Cofins, porque o contribuinte não comprovou o depósito integral dos valores cobrados. Fl. 725DF CARF MF 12 CONCLUSÃO. Diante do exposto, votase para que o Recurso Voluntário seja parcialmente conhecido, somente na questão que trata dos juros e, nesta parte conhecida, que seja negado provimento. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 726DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005638/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103.
A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando-se a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente.
Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância".
In casu, aplica-se o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra.
Numero da decisão: 2401-005.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observandose a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, aplicase o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 56 38 /2 00 7- 17 Fl. 1266DF CARF MF 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório MAIA E BORBA S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0337.429/2010, às efls. 1.081/1.117, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, referente à`s contribuições destinadas à Seguridade Social, referentes às parcelas devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, à parte dos segurados empregados e as destinadas a outras entidades e fundos, em relação a competência 09/2006, conforme Relatório Fiscal, às fls. 99/110 e demais documentos que instruem o processo. De acordo com Relatório Fiscal, fls. 99/110, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída na obra denominada Habitaseel Solimões HBSLM, matrícula CEI é 38.780.01787/76, correspondendo a 17.760,15 m2. Conforme relatado pela autoridade fiscal, a desconsideração da contabilidade determinou o procedimento de arbitramento, pelas razões a seguir aduzidas: a) A empresa deixou de exibir diversos livros e documentos em sua integralidade relacionados com as contribuições previdenciárias tais como: (Livro "Diário" do exercício de 2006; folhas de pagamento relativas às obras, planilha fls. 112/117; Livros de Inspeção do Trabalho, planilha fls. 118; notas fiscais de empreiteiras e cooperativas de trabalho, planilha fls. 120/289; notas fiscais dos prestadores de serviços mediante cessão de mão de obra, contratados pela empresa; notas fiscais de serviços prestados pela empresa mediante cessão de mão de obra; b) No período abrangido pelos exercícios do ano de 2002 a 2005 (Livros Diários n° 51 a 62; 64 a 66; 69 a 78), a empresa não escriturou sua contabilidade com a identificação por centros de custo que, no caso das construtoras, representa cada uma das obras realizadas, prejudicando a precisa apuração da real movimentação de remuneração dos trabalhadores de cada obra edificada. Além disso, após reconhecer a irregularidade praticada, não logrou êxito em corrigir a situação, tendo em vista não ter observado o disposto na Instrução Normativa n° 002, de 2006, do Departamento Nacional de Registro de Comércio, cópia da legislação às fls. 291/293; c) Nos exercícios de 2003 e 2004 constatouse que a empresa possui uma terceira escrituração contábil referente a uma reratificação da retificação (Livros Diários n° 63, 67 e 68). Também nesses documentos houve escrituração em títulos impróprios (custos de uma obra registrados em outras); d) Em diversos exercícios foram identificados lançamentos incorretos em relação às rubricas que deveriam ter sido escriturados, fls. 295/305; e) Nos exercícios de 2003 e 2005 identificouse escriturações de despesas relativas a obras lançadas nas contas de despesas administrativas (5.02.42) e administração do terminal rodoviário de Goiânia (5.02.40), conforme planilha, fls. 306/308; f) Nos exercícios de 2004 e 2005 apurouse lançamentos de despesas com mãodeobra administrativa contratada para trabalho junto à entidade Obras Sociais do Centro Fl. 1268DF CARF MF 4 Espírita Irmão Áureo (menores aprendizes), lançadas na obra de reforma e ampliação do terminal rodoviário de Goiânia, conforme planilha, fls. 311; g) No exercício de 2000 a empresa deixou de registrar em sua contabilidade as notas fiscais n°s 2551 a 2555, emitidas pela prestação de serviços ao Consórcio Rodoviário Intermunicipal S/A CRISA, alegando tratarse de substituição de faturamento de exercícios anteriores, em função de extravio de notas fiscais emitidas em 1998; h) Nas competências 10/2000 a 01/2001 detectouse resumos de folhas de pagamentos contendo discriminação de rubricas não encontradas nas folhas de pagamentos ordinárias e sem os descontos previstos. na legislação previdenciária. Tais documentos foram apreendidos mediante a lavratura do AGD; i) Nos exercícios de 2000 a 2005 identificouse inúmeras folhas de pagamentos com divergência na contabilização, conforme planilha, fl. 378, tendo sido anexadas diversas cópias das folhas correspondentes, fls. 379/489; j) Nos exercícios de 2000, 2001 e 2003, constatouse diversas obras com competências em que foram efetuados pagamentos de concreto usinado sem, entretanto, qualquer lançamento de remuneração da mãodeobra relacionada ao evento, planilha fls. 491; k) Nos exercícios de 2000 a 2006 diversas notas fiscais relativas a materiais e serviços empregados na execução de várias obras ou serviços, contudo, não foram identificados, na contabilidade, os correspondentes registros do faturamento destas obras, conforme cópias de diversos documentos, fls. 493/554; l) Nos exercícios de 2000 a 2004 verificouse que a empresa mantém registro de pequenas obras DPOGR. Tais controles, entretanto, apresentam incoerência, pois há competências com lançamentos de vale transporte e auxílio alimentação (PAT) sem, contudo, registrar folhas de pagamentos, conforme planilha fls. 556/558; m) Nos exercícios 2000 a 2002 apurouse a mesma ocorrência citada no item anterior, isto é, lançamentos de vale transporte e auxílio alimentação sem registro de folhas de pagamento em diversas obras, conforme planilha, 559/565; n) Nos exercícios 2000 a 2002 a empresa efetuou diversos lançamentos, registrando custos em obras com carta de habitese já emitida, isto é, encerradas, tendo sido observados registros de salários, vales transportes e auxílio alimentação, conforme planilha e fotocópias das cartas de habitese, fls. 567/578; Uma vez constatadas as irregularidades apontadas, a autoridade lançadora, considerando que tais procedimentos comprometeram a avaliação da real movimentação da remuneração paga aos segurados empregados, aferiu a base de cálculo das contribuições de acordo com a previsão legal contida no § 40 do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, bem como o § 3° e 6°. Conforme já mencionado, o critério adotado para aferição da base de cálculo foi o cálculo proporcional à área construída da obra do "Habitaseel Solimões", matrícula CEI n° 38.780.01787/76, de acordo com os procedimentos previstos na legislação previdenciária, executada pela notificada em regime de empreitada global, correspondendo à 17.760,15 m2, de acordo com o relatório fiscal, devidamente evidenciado pelo Aviso de Regularização de Obra ARO, fls. 580/584, tendo sido deduzidos da notificação os valores recolhidos pela empresa e identificados em seu conta corrente na matrícula da obra, fls. 584/585 e os valores recolhidos e relacionados aos prestadores de serviços (empreiteiros e cooperativas), planilhas às fls. 587/588. A notificada apresentou defesa administrativa tempestiva, fls. 592/610, em 30/07/2007, referindose aos itens do relatório fiscal da NFLD. Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 4 5 Em 21/09/2007, os autos do processo foram baixados em diligência, fls. 971/973, com o objetivo de a autoridade lançadora manifestarse, de forma conclusiva, acerca das alegações proferidas pela empresa, especificamente o fato de a fiscalização ter deixado de considerar as notas fiscais (mão de obra terceirizada, artigos 447 e 448 da Instrução Normativa SRP n° 3, de 2005) para efeito de dedução do valor apurado no lançamento, superestimando, assim, o valor devido pelo contribuinte (planilha às fl. 611, cópias de notas fiscais e guias de recolhimento, NFLD's 37.096.6562 e 37.055.3454), bem como acerca da alegação de não terem sido aplicados os percentuais de redução previstos nos artigos 444 e 449 da Instrução Normativa SRP n° 3, de 2005. Em resposta à diligência determinada, a autoridade lançadora informou o seguinte, fls. 1081/1088: Prazo de duração da ação fiscal. a) O longo prazo de duração da ação fiscal de 25 de outubro de 2006 a 28 de junho de 2007 (oito meses) deveuse, entre outros, aos seguintes motivos: a) porte da empresa (mais de 50 obras para serem analisadas); b) atividades empresarias diversificadas (construtora, incorporadora, prestadora de serviços, exploração de terminais rodoviários e gerenciamento e administração de shoppings centers); c) período fiscalizado extenso (01/2000 a 09/2006); complexidade da documentação; dificuldades criadas pela empresa, tendo em vista a morosa e deficiente apresentação dos documentos solicitados; b) A empresa conhecia e participou ativamente do processo de levantamento, apuração e constituição do crédito previdenciário. Durante o tempo em que a empresa esteve sob ação fiscal, os empregados do setor contábil, do setor de pessoal e da área administrativa, bem como a procuradora e setor jurídico da:empresa, eram permanentemente informados dos procedimentos de auditoria fiscal. Sempre que solicitados, prestávamos as informações relativas aos procedimentos fiscais em andamento; Dos valores apurados c) Tendo em vista as diversas irregularidades cometidas pela empresa, não restou a esta junta fiscal senão o procedimento da desconsideração da contabilidade e a apuração das contribuições previdenciárias, tomandose por base o cálculo da mãodeobra empregada proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, conforme consta do relatório fiscal integrante à presente NFLD (fls. 99/110). No cálculo do crédito previdenciário foram considerados, para determinação dos valores devidos, os dispositivos contidos na Instrução Normativa n° 3/2005, especificamente os artigos 447 e 448; d) As notas fiscais relativas à prestação de serviços e guias da previdência social anexadas pela empresa em sua defesa fls. 611 e 827/954 (aditamento à impugnação), trazem situações que devem ser observadas de acordo com os citados artigos da IN n° 3/2005, como se segue: i. As notas fiscais envolvendo período compreendido até à competência setembro de 2002, com vinculação inequívoca a obra, foram objeto de conversão em área regularizada, conforme define o art. 447, II, "c" e § 2° da referida IN; ii. As notas fiscais, qualquer que seja a data de sua emissão que não tragam comprovação de sua vinculação com a obra (notas fiscais sem identificação da aplicação nesta obra), não foram consideradas para efeito de retificação do débito; Fl. 1270DF CARF MF 6 iii. As notas fiscais envolvendo período a partir de outubro de 2002, com vinculação inequívoca à obra, não foram consideradas para efeito de retificação do valor da notificação, tendo em vista a IN 3/2005 condicionar o aproveitamento do crédito à mãode obra constante da GFIP específica do prestador dos serviços. e) Para melhor entendimento do procedimento fiscal adotado, foi elaborada planilha "Análise de NFS apresentadas na defesa" integrante da presente informação contendo detalhamento das notas fiscais e valores apropriados como mãodeobra empregada, conforme define a legislação previdenciária, a serem convertidos em área regularizada para retificação do débito. A mesma planilha detalha os documentos não considerados, bem como seus respectivos motivos. f) Os levantamentos representados pelas NFLD 37.096.6562 e 37.055.3454 somente poderiam ser aproveitados para reduzir o lançamento da presente notificação, mediante a comprovação do recolhimento da retenção incidente sobre os serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, bem como da vinculação inequívoca com a obra executada e a remuneração constate das GFIP dos prestadores de serviços pertinentes a cada obra, a serem comprovados nos autos; circunstâncias que não ocorreram; i. O débito constante da NFLD 37.096.6562 referese aos valores de retenção (11% sobre o valor bruto das notas fiscais) não recolhidos, que foram identificados a partir de relação fornecida pela própria empresa, devidos em função da contratação de serviços terceirizados mediante cessão de mãodeobra. O referido processo, acompanhado das respectivas impugnações, foi devidamente analisado e retificado, sendo a empresa cientificada, via postal, mediante AR Aviso de Recebimento; ii. A NFLD 37.055.3454 referese aos valores de retenções sobre notas fiscais apresentadas (documentos fisicos vistos pela fiscalização durante a ação fiscal), porém, da mesma forma, sem recolhimentos da retenção efetuada. iii. Em ambos os casos, de acordo com a Instrução Normativa acima transcrita, para o aproveitamento dos mencionados documentos para transformação em área regularizada dependem da comprovação do recolhimento da retenção para as competências até setembro de 2002 (Art. 447, II, c) e da remuneração constante na GFIP do prestador de serviço, referente à obra em questão, a partir de outubro de 2002 (Art. 447, III). g) Quanto à não aplicação dos percentuais de redução no cálculo da contribuição previdenciária relativa à obra, tal procedimento não foi possível à época, vez que, embora intimada à apresentação do projeto de obra, conforme o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, cópia anexada às fls. 75/76, emitido em 19/10/2006, a empresa não apresentou este documento durante a ação fiscal. Como já foi relatado, a empresa dificultou o trabalho de auditoria fiscal deixando de apresentar boa parte da documentação solicitada pela fiscalização. h) Com a apresentação do projeto de execução foi efetuado novo cálculo emitindo novo Aviso de Regularização de Obra — ARO, fls. 1092/1097, considerando as áreas redutoras nos termos do art. 449 da Instrução Normativa n° 3, de 2005. Dessa forma, foram considerados 593,20 m2 com redução de 50% e 146,44 m2 com redução de 75%, conforme tabela demonstrativa à fl. 1.087. A área total permaneceu em 17.760,15 m2; i) No que pertine à consideração das notas fiscais de prestadores de serviços quando do cálculo da contribuição previdenciária, cabe salientar que a Instrução Normativa trata a matéria da seguinte forma: i. De fevereiro de 1999 a setembro de 2002 o valor retido com base nas notas fiscais emitidas pelas contratadas, quando não tenha sido apresentada GFIP, dividido por 0,368 para apuração da correspondente remuneração. (Art.447, II, "c" e § 2° da IN 3/2005); Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 5 7 ii. A partir de outubro de 2002 somente as remunerações declaradas em GFIP referente à obra, com comprovante de entrega e desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos correspondentes. (Art. 447, III, da IN 3/2005) j) No decorrer da ação fiscal, por várias vezes, a empresa foi informada da necessidade de apresentação de tais documentos (Notas Fiscais, GPS e GFIP) para verificação da mãodeobra tomada de prestadores de serviços (terceirizados). Não tendo a empresa atendido as solicitações da fiscalização, não foi possível à época da ação fiscal, apurar todos os valores relativos aos créditos das obras de construção civil. A partir dos elementos inseridos na defesa procedemos à consideração dos valores relativos as notas fiscais conforme planilha anexa. k) As conversões sobre os valores das notas fiscais de prestação de serviços com vinculação inequívoca à obra até a competência setembro de 2002, de acordo com a IN 3/2005, foram consideradas na retificação deste débito. l) Com base nos valores constantes do novo Aviso para Regularização de Obra ARO em anexo, retificamos o débito originário de R$ 1.031.844,44 para R$ 768.811,54, acrescidos de multa e juros previstos na legislação. Conforme consta à fl. 1098, a empresa tomou conhecimento das informações prestadas pela autoridade lançadora, tendo sido devolvido o prazo para que apresentasse novas manifestações, em obediência aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Em 21/09/2007 o processo foi baixado em diligência a fim de que a autoridade fiscal promovesse novo cálculo no lançamento aplicando o prazo decadencial qüinqüenal estabelecido pela Súmula Vinculante n° 8 do STF, fls. 1125/1126. Às fls. 1127/1128, as autoridades lançadoras informaram o novo valor (de R$ 768.811,54 para R$ 216.228,24). O procedimento foi descrito à fl. 1128. Pelo fato de o lançamento ter sido retificado mais uma vez, foi dado conhecimento à empresa, razão pela qual esta teve nova oportunidade para manifestarse nos autos, fls. 1129, repetindo o argumento de que o cálculo do período decadente foi realizado incorretamente, tendo em vista a prorrogação da intimação da notificação do lançamento que ocorreu na oportunidade em que foram substituídos diversos relatórios. Portanto, as contribuições relativas aos meses de maio e junho de 2002, não podem ser cobradas, em nenhuma hipótese. Devem também ser incluídas na retificação, por força de decadência. Outrossim, cabe informar que em atendimento ao despacho da 6° Turma da DRJ/BSB, às fls. 1152/1153, o auditor notificante emitiu novo Aviso de Regularização de Obra ARO apurando o valor de R$ 88.922,01, contudo, em razão do reconhecimento do período decadencial (Súmula Vinculante STF n° 8 ), sugeriu novamente a retificação do valor do lançamento tributário para R$ 25.009,29. O processo, em seguida, foi encaminhado ao órgão julgador para prosseguimento do feito. Por sua vez, a 7ª Turma da DRJ em Brasília/DF entendeu por bem julgar procedente em parte a impugnação, exonerando parte do crédito tributário, por entender restar decaída às competências anteriores a 05/2002, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 0337.429, às efls. já mencionadas, sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 Fl. 1272DF CARF MF 8 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. A falta ou a deficiência da contabilidade, bem como a omissão de informações requeridas pela fiscalização, autorizam a apuração da base de cálculo do lançamento por aferição indireta, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. NULIDADE. O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído com relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Afastada a hipótese de necessidade de realização de perícia quando os autos elementos de prova presentes nos autos permitem a formação de convicção do órgão julgador. RECOLHIMENTOS. SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. APROVEITAMENTO. A partir de 02/1999, somente serão convertidos em área regularizada os recolhimentos feitos por terceirizados referentes a remunerações por serviços prestados. em obra de construção civil que estejam declaradas em GFIP. PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA Em observância ao disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. O ato administrativo se presume legitimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente. A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não desconstitui o lançamento. VERDADE MATERIAL E TIPICIDADE A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. O lançamento de acordo com as normas vigentes e regentes do tributo exigido atende integralmente o requisito da tipicidade da tributação. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. À autoridade administrativa é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 6 9 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N° 8.212/91. SÚMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Consideramse decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante no 8, publicada no DOU em 20/06/2008. Lançamento Procedente em Parte Em observância ao disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 1.121/3.683, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo as mesmas razões da impugnação e aditamentos, quais sejam: (i) Requer a nulidade do Acórdão. A decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento . de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente. (ii) Cerceamento de defesa. Reafirma o cerceamento de defesa, pois o fato de pessoas ligadas à impugnante terem acompanhado parte da atividade de investigação da junta fiscal, não a exime de informar, em relatório, a discriminação clara, precisa dos fatos geradores (art. 37, da lei n. 8.212/91), e circunstanciada e transparente fundamentação legal, correta subsunção dos fatos à norma e lógica na apuração da base de cálculo. (iii) Contabilização por centro de custo A interpretação dos fatos que levaram os nobres auditores a desconsiderarem a contabilidade da recorrente não se consubstancia em situações materiais efetivas. Uma a uma, todas as circunstâncias narradas pela junta fiscal para desconsiderar a contabilidade da recorrente ,foram" rebatidas nas impugnações. No entanto, somente os argumentos da junta fiscal foram,'acatados incondicionalmente; já os argumentos, justificativas e explicações da recorrente só foram mencionados no relatório. A circunstância .da junta fiscal identificar as obras realizadas pela recorrente, assim como todos os outros fiscais que examinaramlhe a contabilidade, mostra que os fatos contábeis e todos,,os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às obras são registrados; em contas individualizadas. Os agentes do fisco afirmam no subitem 5.9 do relatório fiscal anexo à NFLD que "os indícios levam ao entendimento de que obras ou serviços foram executados sem os devidos registros contábeis"(sgo). Indícios, Senhores julgadores, indícios. A presunção de legitimidade dos atos do fisco é limitada, relativa, não é absoluta. Indícios no Direito Tributário não são figuras aptas a produzir resultados. (iv) Princípio da imparcialidade Fl. 1274DF CARF MF 10 Resistiram, sob a complacência da DRJ/BSB, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. Os autos de infração citados pelo relator como procedentes foram julgados apenas na primeira instância, ainda não foram avaliados por este Colendo Conselho cuja imparcialidade é reconhecida. Por que o órgão julgador de primeira instância administrativa não julga importante registrar os diversos erros cometidos pela junta fiscal, que fizeram com que os autos fossem baixados em diligência mais de uma vez, e o crédito lançado retificado várias vezes? Porque o órgão julgador não observa, o PRINCÍPIO DA IMPARCIALIDADE. A junta fiscal errou quando não cumpriu o que determina o art. 449 da IN 3, não reduzindo as áreas, mas isso não e importante para a DRJ/BSA registrar. Aliás, foi registrado como erro da recorrente: Apenas mais um: no item 5.9.1. do relatório fiscal afirmam: "evidenciando a utilização de empregados, sem contudo, haver registro de escrituração de folhas de pagamento. O registro de pequenas obras — conta DPOGR, existe exatamente para registrar, dentre outros fatos menores, quantificados em função do porte da empresa, serviços de curto prazo prestados por empregados a terceiros sem que se complete o ciclo mensal, especificamente em serviços realizados em obras e que terminam muito ante do final do mês. Em outras palavras: prestam serviços a várias obras dentro do mês. Essa mão de obra, conforme art. 162 de IN 3, abaixo transcrito, é escriturada na folha de pagamento da Administração, pois não há como registrar estes serviços em folhas específicas, como quer entes do fisco. (v) Arquivos digitais da ação fiscal — Ausência de Motivação O item 8 da Manifestação aos esclarecimentos "Enquanto a junta fiscal não entregar os arquivos digitais com as planilhas da ação fiscal, restará configurado inadmissível cerceamento de defesa, pois impede que as impugnações sejam realizadas com a precisão e os meios necessários; não foi apreciado no voto. Foi somente citado no relatório, fl. 1.110, item 2. Esperase, sempre, que o órgão julgador exerça o controle da legalidade e legitimidade dos lançamentos e profira suas decisões motivadas de acordo com sua convicção, formada a partir da subsunção dos fatos à lei, com independência, imparcialidade e responsabilidade, sob condição de justificar a própria existência. A não entrega dos arquivos digitais contendo a planilha com dados e informações sobre a apuração de valores que dizem respeito à recorrente é outra prova contundente do evidente cerceamento de defesa. 0 fisco cria normas obrigando o contribuinte a entregar arquivos digitais de seu interesse, mas esquece das normas que obrigam todos'os servidores públicos (art. 116, Lei 8.112/90) e Princípios constitucionais, dentre eles o da Moralidade. (vi) Inversão do ônus da prova: dever da prova A previsão legal de arbitrar o crédito não dispensa o dever do fisco de produzir prova e não cria presunção de onipotência. A regra, tanto no processo judicial quanto no administrativo é a de que o autor tem o ônus de provar o fato constitutivo. Assim, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 7 11 (vii) Princípio da ampla competência decisória apreciação de inconstitucionalidades "Sobre as diversas alegações de afronta às leis e à Constituição" (acórdão, fls. 884) é sempre bom lembrar que "todo aquele que exerce função pública está subordinado a concretizar os valores jurídicos fundamentais e deve nortear seus atos segundo esse postulado". (viii) Aplicação Retroativa da Legislação Tributária Princípio da Segurança Jurídica Quanto à aplicação da IN 3, a recorrente não escreveu em lugar algum que ela foi revogada. Então, porque a transcrição do art. 48 da Lei 11.457/2007? A recorrente se posiciona quanto ao âmbito de aplicação das instruções normativas e vigência. É isso, Senhores Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, à falta de argumentos jurídicos lógicos racionais para enfrentar de frente as questões postas a deslinde, o órgão julgador de primeira instância tergiversa. ix) BIS IN IDEM Iniciase com a importante informação de que a obra foi executada no período de 02/2004 a 03/2006. Após digressões, onde se comenta que a IN 03/05 tem "o intuito de reguLamentar a lei que a construção civil "sempre apresentou inúmeras dificuldades...; fazse ensinamentos de como "deva submeterse ao regime de aferição indireta, citação e transcrição de dispositivos da IN 03, escrevese que "Conforme pode ser observado na legislação aplicável, no período de 02/11/1999 a 09/12/2002, os critérios para que o valor eventualmente recolhido a título de retenção pudesse se aproveitado e deduzido no arbitramento da são:...". (sgo) A leitura do trecho de onde se extraiu as pérolas acima, fl. 886/888, e outros trechos do acórdão n° 0332.792, deixa a impressão de que se trata de mais um complemento ao Relatório Fiscal Anexo a NFLD e não de uma decisão. De acordo com o órgão julgador administrativo de primeira instância (DRJ/BSA) uma instrução normativa do fisco tem o intuito de regulamentar a lei! Que lei uma instrução normativa regula? Em nosso ordenamento jurídico a competência para regulamentar lei é privativa do Presidente da Republica mediante a edição de Decreto (art. 84, IV, da CF).' 11. A primeira questão é a que configura inadmissível bis in idem quanto às contribuições de terceiros, relativas a esta, obra quê também foram lançadas nas NFLD n° 37.096.6554, 37.096.6562 e 37.055.3454. A segunda questão é a do aproveitamento de recolhimentos efetuado por terceiros para a obra e seus requisitos impostos por norma infralegal (instrução normativa). Em um momento o acórdão se refere à conversão em área regularizada e seus critérios (art.447 da IN3), para depois, copiando a junta fiscal, afirmar que "em relação às notificações relacionadas a retenção dos 11% destacado na emissão das notas fiscais dos prestadores NFLD 37.055.3454, 37.096.6554, 37.096.6542, todas as notas fiscais e quaisquer documentos que puderam ser vinculados a quaisquer das obras analisadas durante o procedimento fiscal, foram deduzidas daquela notificação" (sgo). A qual notificação se refere o julgador? Quais notas fiscais? Quais documentos? De qualquer forma não foi deduzido nesta NFLD nenhum dos valores lançados nas três NFLD por retenção. Vejase ainda que a legislação aplicável no período de 05/1999 a 09/2003, na interpretação da DRJ/BSA, é a IN 3 de 2005, que, segundo o relator, além do poder de Fl. 1276DF CARF MF 12 regulamentar uma lei, tem o poder de retroagir e ;criar obrigações acessórias e fixar critérios para que o valores lançados em dobro possam ser corrigidos (?). O bis in idem ocorreu porque toda a contribuição previdenciária devida, seja própria ou de terceiros, relativa a esta obra, identificada no centro de custos como CAIPE, foi lançada nesta NFLD. No entanto, ainda assim, valores de notas fiscais de serviços prestados por terceiros a esta obra também foram utilizados co base de cálculo da contribuição previdenciária lançada nas NFLD 37.055.3454, 37.096.65 e 37.096.6554. (x) Notas fiscais com guias de recolhimento A DRJ/BSA também se recusa a retificar o crédito tributário até mesmo quando se apresenta guias de recolhimento que comprovam o recolhimento da retenção. As notas fiscais envolvendo período a partir de outubro de 2002, com vinculação inequívoca à obra, não foram consideradas para efeito de retificação do valor da notificação É absurdo e afronto à inteligência esse procedimento abusivo, inconstitucional de se manter, em lançamento, tributo que já foi recolhido, ao condicionar a regularização ao cumprimento de obrigação acessória de responsabilidade do prestador de serviço originariamente contribuinte. Requerse seja dado, às competências a partir de outubro o mesmo tratamento dado às competências anteriores convertendo em área regularizada a remuneração recolhida relativa à mão de obra terceirizada, com vinculação inequívoca à obra. (xi) Não aplicação do inciso I do art. 448 da IN 3/05 A DRJ/BSA lê e interpreta os dispositivos legais a seu talante sem compromisso com o sentido e significado das palavras ou finalidade da norma. A palavra somente colocada no texto do acórdão, não existe no inciso. Somente existe na forte e inabalável vontade de prestigiar o trabalho dos colegas da junta fiscal. (xii) Aplicação do art. 474 da IN 03/05 De novo interpretação fora do texto da norma. Em lugar algum da IN 3 está escrito "todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar. Não é recomendável em redação de texto legal este tipo rasteiro de generalização. O tema em debate não é nota fiscal, não é recolhimento, É BIS IN IDEM: COBRANÇA DE TRIBUTO EM DUPLICIDADE. (xiii) Bitributação Afirmações desconexas com a realidade é a moda do acórdão da DRJ/BSA. A cada tópico se depara com frase deste tipo: "não ocorreu o bis in idem, pois as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra (..) foram consideradas para efeito de redução do lançamento...'. 4. Repetese: o bis in idem existe porque todas as contribuições (próprias e de terceiros) relativas às obras foram lançadas por aferição indireta com base na área construída e CUB. Ainda assim, por outros métodos iníquos de aferição indireta, com base em mão de obra de terceiros contidas em notas fiscais das obras, foram lançadas novamente as contribuições de terceiros. Nada a ver com nota fiscal vinculada à obra. A junta fiscal ao contrário, atesta taxativamente que não. O relatório do acórdão reproduz, fl. 949, item f, a informação da junta fiscal, que não contesta o bis in idem, Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 8 13 porém justifica que os levantamentos representados pelas NFLD (esqueceram de citar a NFLD 37.096.6554) não foram aproveitados porque as circunstâncias necessárias não ocorrem. Os levantamentos representados pelas NFLD 37.096.6562 e 37.055.3454 somente poderiam ser aproveitados para reduzir o lançamento da presente notificação mediante a comprovação do recolhimento da retenção incidente sobre os serviços prestados mediante cessão de mão de obra, bem como da vinculação inequívoca com a obra executada e a remuneração constante das GFIP dos prestadores de serviços a cada obra, a serem comprovados nos autos, circunstâncias que não ocorrerem'. (sgo) (xiv) Perícia A contabilidade da. empresa apor "mais de vinte anos foi considerada regular e correta por agentes fiscais dos: fiscos federal, estadual e municipal, em interpretação sem explicação plausível, foi desconsiderada. Esta situação, conforme já alegado e esmiuçado nas impugnações, impõe que peritos façam uma avaliação para dirimir com quem está a razão. (xv) Caracterização de excesso de exação O excesso de exação está caracterizado nos resultados do procedimento fiscal raivoso encetado contra a recorrente. Foram lançados créditos tributários na ordem de 27 milhões de reais já retificados para 12 milhões. A junta fiscal sabia ou deveria saber que é necessário verificar a existência de áreas com percentuais de redução no cálculo do tributo. Deveria saber que quando se lança as contribuições de uma obra por aferição indireta com base na área construída, a remuneração da mão de obra total despendida é apurada, nada mais resta para se lançar (xvi) Competências maio e junho de 2002 devem ser excluídas. O reconhecimento de "que parte do crédito previdenciário lançado"decaiu está incorreto porque as competências maio e junho de 2002, alcançadas pela decadência, não foram consideradas na retificação. (xvii) Retificação inaceitável A alegação de que a retificação não obedeceu ao mesmo critério de apuração do tributo por deficiência do fisco que não providenciou a adaptação e atualização de seus programas quanto à determinação de súmula vinculante é estarrecedora, inaceitável, quase inacreditável. As deficiências do fisco não podem prejudicar o contribuinte, nem justifica a alteração da realidade dos fatos. A obra não foi realizada em um único mês. Requerse, portanto, seja alterada a retificação do débito obedecendose as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466, IN 3/2005), utilizandose os mesmos critérios e métodos para a sua apuração. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência e nulidade do lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 1278DF CARF MF 14 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator RECURSO DE OFÍCIO Preliminar de Admissibilidade Á época da interposição do recurso vigia a Portaria MF nº 3/2008, que estabelecia o valor de alçada em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Entretanto, em 10 de fevereiro de 2017 foi publicada a Portaria MF nº 63 que alterou o valor limite para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vejamos: Portaria MF nº 63/07 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). A verificação do "limite de alçada", em face de Decisão da DRJ favorável ao contribuinte, ocorre em dois momentos: primeiro na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ),para fins de interposição de Recurso de Ofício, no momento da prolação de decisão favorável ao contribuinte, observandose a legislação da época, e segundo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para fins de conhecimento do Recurso de Ofício, quando da apreciação do recurso, em Preliminar de Admissibilidade, aplicandose o limite de alçada então vigente. É o que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103, assim ementada: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, depreendese que o limite de alçada a ser definitivamente considerado será aquele vigente no momento da apreciação, pelo Conselho, do respectivo Recurso de Ofício. vinculada pela Súmula Carf nº 103, encimada. No presente caso, o montante de crédito Tributário exonerado foi abaixo do novo limite de alçada, vigente na data do presente julgamento, 07 de março de 2018. Nesse diapasão, não conheço do recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. PRELIMINARES DAS INCONSTITUCIONALIDADES Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 9 15 Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. NULIDADE DO LANÇAMENTO O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente às parcelas devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho SAT/ RAT, à parte dos segurados empregados e as destinadas a Terceiros outras entidades e fundos, lançado na competência 09/2006. De acordo com Relatório Fiscal, fls. 99/110, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída na obra denominada Habitaseel Solimões HBSLM, matrícula CEI é 38.780.01787/76, correspondendo a 17.760,15 m². Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Fl. 1280DF CARF MF 16 Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPFF, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. REPLEG Relatório de Representantes Legais; g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 10 17 matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. NULIDADE DA DECISÃO DE 1° INSTÂNCIA A recorrente alega que a decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente, portanto devese decretar a sua nulidade. Não obstante o entendimento da Recorrente, não há como aderir a tal porque a AuditoriaFiscal não está vinculada a posicionamento de outra AuditoriaFiscal que tenha realizado procedimento de fiscalização anterior no contribuinte. Ademais, o art. 6° , I, a da na Lei 10.593/2002 dispõe acerca das atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre as quais constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo:(Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) Fl. 1282DF CARF MF 18 Além do mais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes, mormente quando já encontrou motivos suficientes e relevantes para fundamentar a decisão. Portanto, afasto a preliminar. MÉRITO CONTABILIZAÇÃO POR CENTRO DE CUSTO A contribuinte aduz que a interpretação dos fatos que levaram os nobres auditores a desconsiderarem a contabilidade da recorrente não se consubstancia em situações materiais efetivas. Uma a uma, todas as circunstâncias narradas pela junta fiscal para desconsiderar a contabilidade da recorrente, foram rebatidas nas impugnações e recurso. No entanto, somente os argumentos da junta fiscal foram, acatados incondicionalmente; já os argumentos, justificativas e explicações da recorrente só foram mencionados no relatório. A circunstância .da junta fiscal identificar as obras realizadas pela recorrente, assim como todos os outros fiscais que examinaramlhe a contabilidade, mostra que os fatos contábeis e todos, os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às obras são registrados; em contas individualizadas. Os agentes do fisco afirmam no subitem 5.9 do relatório fiscal anexo à NFLD que "os indícios levam ao entendimento de que obras ou serviços foram executados sem os devidos registros contábeis (sgo). Indícios, Senhores julgadores, indícios. A presunção de legitimidade dos atos do fisco é limitada, relativa, não é absoluta. Indícios no Direito Tributário não são figuras aptas a produzir resultados. Pois bem. Conforme relatado pela autoridade fiscal, a própria empresa procurou corrigir algumas das faltas apresentadas (ausência de contabilização por centro de custo), contudo, não logrou êxito em assim proceder, haja vista ter utilizado procedimento inadequado, em desconformidade com o ato normativo do Departamento de Contabilidade, que exige a correção no exercício em que se constatou o erro, e não a mera substituição, tal como informado pela fiscalização. Nesse ponto, foi anexada a Instrução Normativa n° 102, do Departamento Nacional de Registro do Comércio, fls., que orienta o procedimento ao ser adotado nos casos de retificação dos livros contábeis, norma desconsiderada pela impugnante. Verificando e analisando o Relatório Fiscal da Infração (fls. 99/110) vislumbrase que o Auditor apresenta com clareza os fatos que ocorreram durante a ação fiscal, caracterizando diversas obrigações acessórias descumpridas, qual seja: escrituração contábil não identificada por centros de custo; não apresentação de documentos (folhas de pagamentos) requisitados pela autoridade, notas fiscais não contabilizadas. Ademais, em solicitação de Diligência Fiscal abordouse este tópico: (v) em relação à ausência de contabilização por centro de custos, em quais períodos dos exercícios 2004 a 2006 tal fato ocorreu e se tais fatos fundamentam a desconsideração da contabilidade. O Pronunciamento Fiscal mantém o posicionamento do Relatório Fiscal: 5. O item 5.2 do Relatório Fiscal Inicial — fls. 100/101 do presente processo responde tal quesito. Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 11 19 Ora, diante das provas colacionadas nos autos, não prospera a argumentação da recorrente, mantenho o entendimento da decisão de primeira instância. BIS IN IDEM, BITRIBUTAÇÃO, IMPARCIALIDADE E NOTAS FISCAIS Insurgese, sob a complacência da DRJ/BSB, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. O bis in idem ocorreu porque toda a contribuição previdenciária devida, seja própria ou de terceiros, relativa a esta obra, identificada no centro de custos, foi lançada nesta NFLD. No entanto, ainda assim, valores de notas fiscais de serviços prestados por terceiros a esta obra também foram utilizados como base de cálculo da contribuição previdenciária lançada nas NFLD 37.055.3454, 37.096.65 e 37.096.6554. Tal argumentação da recorrente se circunscreve a valoração de prova fática, posto devese verificar se houve ou não o lançamento duplicado de contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD. Este ponto também foi objeto de solicitação de Diligência Fiscal, e, em resposta, após reanálise da documentação fornecida na impugnação, mantém o posicionamento do Relatório Fiscal demonstrando que não houve lançamento de contribuições de forma duplicada: e) Para melhor entendimento do procedimento fiscal adotado, foi elaborada planilha "Análise de NFS apresentadas na defesa" integrante da presente in formação, fls. 1019/1022, contendo detalhamento das notas fiscais c valores apropriados como mão deobra empregada, conforme define a legislação previdenciária, a serem convertidos em área regularizada para retificação do débito. A mesma planilha detalha os documentos não considerados, bem como seus respectivos motivos. f) Os levantamentos representados pelas NFLD 37.096.6562 e 37.055.3454 somente poderiam ser aproveitados para reduzir o lançamento da presente notificação, mediante a comprovação do recolhimento da retenção incidente sobre os serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, bem como da vinculação inequívoca com a obra executada e a remuneração constate das GFIP dos prestadores de serviços pertinentes a cada obra, a serem comprovados nos autos; circunstáncias que não ocorreram; i. O débito constante da NFLD 37.096.6562 referese aos valores de retenção (11% sobre o valor bruto das notas fiscais) não recolhidos, que foram identificados a partir de relação fornecida pela própria empresa, devidos em função da contratação de serviços terceirizados mediante cessão de mão deobra. O referido processo, acompanhado das respectivas impugnações, foi devidamente analisado e retificado, sendo a empresa cientificada, via postal, mediante AR Aviso de Recebimento; Fl. 1284DF CARF MF 20 ii. A NFLD 37.055.3454 referese aos valores de retenções sobre notas fiscais apresentadas (documentos fisicos vistos pela fiscalização durante a ação fiscal), porém, da mesma forma, sem recolhimentos da retenção efetuada. iii. Em ambos os casos, de acordo com a Instrução Normativa acima transcrita, para o aproveitamento dos mencionados documentos para transformação em área regularizada dependem da comprovação do recolhimento da retenção para as competências até setembro de 2002 (Art. 447, II, c) e da remuneração constante na GNP do prestador de serviço, referente à obra em questão, a partir de outubro de 2002 (Art. 447, III). No caso sob análise, não ocorreu o bis in idem, pois todas as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra objeto do presente lançamento, conforme determina a Instrução Normativa SRP n° 03, de 2005, foram consideradas para efeito de redução do lançamento, conforme atestado pela autoridade fiscal e verificado por este órgão julgador. Dessa forma, não se verifica a bitributação nem tão pouco qualquer ausência de prejuízo em desfavor da recorrente no sentido de não ter sido efetuado algum credito eventual de alguma retenção. Em verdade, todas as notas fiscais e respectivas guias de recolhimento da previdência social que puderam ser vinculadas a cada uma das obras para aproveitadas pela autoridade lançadora. Observase que não houve afronta ao princípio da imparcialidade, bem como não houve bis in idem, uma vez que fora observado os requisitos legais. Assim, não prospera a argumentação da contribuinte. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO O item 8 da Manifestação aos esclarecimentos "Enquanto a junta fiscal não entregar os arquivos digitais com as planilhas da ação fiscal, restará configurado inadmissível cerceamento de defesa, pois impede que as impugnações sejam realizadas com a precisão e os meios necessários", não foi apreciado no voto. Foi somente citado no relatório, item 2. Esperase, sempre, que o órgão julgador exerça o controle da legalidade e legitimidade dos lançamentos e profira suas decisões motivadas de acordo com sua convicção, formada a partir da subsunção dos fatos à lei, com independência, imparcialidade e responsabilidade, sob condição de justificar a própria existência. O fundamento da obrigação da Administração motivar seus atos, dentre eles o ato de lançamento e as decisões, está previsto no art. 50 da Lei 9.784/99, que determina que os atos administrativos deverão ser motivados de modo explicito, claro e congruente (§ 1°); assim como no art. 31 do Decreto 70.235/72, ignorados pelo órgão administrativo de julgamento de primeira instância apenas imbuído de preservar o lançamento fiscal, abdicando se de sua função precípua de controle da legalidade do lançamento. Passamos a analise. A controvérsia está centrada na ausência da apreciação da entrega dos arquivos digitais da recorrente No decorrer da ação fiscal, por várias vezes, a empresa foi informada da necessidade de apresentação de tais documentos (Notas Fiscais, GI'S e GFIP) para verificação da mãodeobra tomada de prestadores de serviços (terceirizados). Não tendo a empresa atendido as solicitações da fiscalização, não foi possível à época da ação fiscal, apurar todos os valores relativos aos créditos das obras de construção civil. Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 12 21 As dificuldades impostas pela empresa durante todo o período que envolveu a ação fiscal, foram desenvolvidos esforços para que a empresa apresentasse na integralidade documentação necessária ao completo e normal processo de auditoria fiscal. Tendo em vista a morosa e deficiente apresentação dos documentos solicitados, foram necessárias as lavraturas de diversos autos de infração, especialmente, os que registraram o descumprimento de obrigações acessórias, previstas em Lei, que tratam da falta de apresentação de documentos tais como, folhas de pagamento e notas fiscais de prestadores de serviços (AI Debcad n° 37.055.3381), bem como dos arquivos digitais (AI Debcad 37.055.3390). Não é dificil o entendimento que documentos como folhas de pagamento são imprescindíveis no trabalho de fiscalização das contribuições previdenciárias. Portanto, nego provimento neste tópico. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Explicita que, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. Registrese que não há dúvidas de que a legislação previdenciária, no caso sob análise, dadas as condições fáticas ocorridas durante o procedimento fiscal, autoriza a fiscalização a promover o arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme previsão, inclusive do artigo 148 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Assim, a conseqüência jurídica disso, portanto, nos termos dos parágrafos 3°, 4° e 6° do art. 33, é a imediata e consequente inversão do ônus da prova. Tal circunstância determina que a simples manifestação de contrariedade do impugnante não tem o condão de afastar o ato administrativo dotado de presunção de legitimidade, legalidade e veracidade. Em que pese a recorrente ter apresentado inúmeras cópias de guia recolhimento e notas fiscais, fls. 828/954 e 981/1080, observase, conforme manifestado pela autoridade lançadora, fls. 1081/1088, muitos documentos foram repetidos, outros não possuem vinculação com a obra e outros não foram acompanhadas pelas GFIP's dos prestadores, conforme determina o art. 425 da Instrução Normativa n° 03, de 2005. Contudo, após análise individualizada de todos as provas apresentadas pela impugnante, os documentos que permitiram retificar o lançamento foram aproveitados, conforme informação às fls. 1081/1088, bem corno elaboração de novo ARO, fls. 1092/1097. Pelo exposto, não acolho o pleito da recorrente. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEGISLAÇÃO Indaga quanto à aplicação da IN 3, a recorrente não escreveu em lugar algum que ela foi revogada. Então, porque a transcrição do art. 48 da Lei 11.457/2007? A recorrente Fl. 1286DF CARF MF 22 se posiciona quanto ao âmbito de aplicação das instruções normativas e vigência. É isso, Senhores Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, à falta de argumentos jurídicos lógicos, racionais para enfrentar de frente as questões postas a deslinde, o órgão julgador de primeira instância tergiversa. Ora, a recorrente, quando faz alegações quanto a irretroatividade das leis, não se refere às normas de natureza processual. Analisemos. Inicialmente, a Lei n° 11.457, de 2007, que criou a Receita Federal do Brasil assim disciplinou, em seu artigo 48: Art. 48. Fica mantida, enquanto não modificados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a vigência dos convênios celebrados e dos atos normativos e administrativos editados: 1 pela Secretaria da Receita Previdenciária; 11 pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS relativos a administração das contribuições a que se refere os arts. 2° e 3° desta Lei. III pelo Ministério da Fazenda relativos à administração dos tributos e contribuições de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil; 1V pela Secretaria da Receita Federal. Sendo assim, verificase que foi mantida a vigência dos atos normativos da extinta Secretaria da Receita Previdenciária, a Instrução Normativa da SRP n° 03/05, vigente época da feitura do presente lançamento, não contendo, portanto, qualquer vicissitude em sua aplicação, razão pela qual as orientações e determinações nela contidas devem ser observadas, lendo cm vista, conforme já manifestado, o lançamento ser procedimento vinculado. Nessa esteira, ressaltese o inciso I do art. 100 do Código Tributário Nacional, que determina a complementaridade dos atos normativos expedidos velas autoridades administrativas, razão pela qual, em momento algum, tanto a autoridade lançadora quanto Os administrados (contribuintes e responsáveis tributários) podem deixar de obedece los. No caso sob analise, não se tem a aplicação retroativa da legislação. Em verdade, a lei aplicável ao lançamento, em relação aos fatos geradores é a 8.212/91, plenamente vigente à época dos fatos geradores, nos moldes do art. 144, caput, do CTN. Art. 144. 0 lançamento reportase ã data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Dessa forma, agiu com acerto a fiscalização na medida em que, ao promover o lançamento tributário em relação ao cálculo da remuneração paga à mãodeobra utilizada na construção da. obra objeto da notificação, valeuse dos critérios instituídos pela Instrução Normativa n° 03, de 2005, vigente no momento do lançamento. Nesse sentido, todos os requisitos e condições presentes no referido ato normativo foram obedecidos, bem como deveriam ter sido observados pela recorrente. NÃO APLICAÇÃO DO ART. 448, INC. I DA IN 03/2005 Afirma que a dicção do artigo acima e seu inciso não é no sentido de que somente será aproveitada remuneração contida em NFLD ou LDC com base em folha de pagamento ou por responsabilidade solidária. A expressão do inciso "quer seja apurado"não tem caráter restritivo, mas exemplificativo. Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 13 23 Vejamos o que diz o inciso I do artigo 448 da IN 03 de 2005: Art. 448. Será, ainda, convertida em área regularizada a remuneração: I contida em NFLD ou LDC, relativos à obra, quer seja apurado com base em folha de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária; Como a recorrente repisa as mesma alegações da impugnação, não trazendo nenhum novo elemento, peço vênia para transcrever excerto da decisão a quo, adotando como razão de decidir: Por sua vez, eventuais valores contidos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) ou LDC, relativos A obra, de acordo com o inciso I do art. 448 da Instrução Normativa SRI' n" 3, de 2005, somente são convertidos em área regularizada, cm relação aos valores apurados com base em folhas de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária. Nesse sentido, considerando que as NFLD n° 37.096.6554, 37.096.6562 e 37.055.3454 referemse a lançamentos relacionados à retenção, isto é, obrigação principal do contratante na qualidade de responsável tributário, novamente resta demonstrada a insubsistência do pedido do contribuinte. Pelas razões encimadas, nego provimento. APLICAÇÃO DO ART. 474 DA IN 03/2005 A contribuinte, mais uma vez, repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Portanto, acompanho integralmente o posicionamento da decisão de primeira instância pelas razões expostas a seguir: Quanto A aplicação dos dispositivos contidos no art. 474 da IN 3, estes devem ser compreendidos cm harmonia com o restante da normalização, isto é, todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar inequivocamente vinculadas à obra sob análise, bem como ter a copia da GFIP apresentada pelo prestador, condições essas que não foram atendidas durante a ação fiscal pela empresa notificada. Além disso, registrese que o art. 474 trata, especificamente da segmentação em relação aos fatos geradores, determinando que haja lançamentos distintos, conforme a sua natureza. Dessa forma, serão lavrados documentos separados para as contribuições referentes à aferição da mãodeobra total; as referentes à remuneração da mãodeobra própria da empresa fiscalizada; as apuradas por responsabilidade solidária e retenção. De acordo com o §2° do art. 474, no lançamento da base de cálculo da aferição indireta da mãodeobra total, devem ser deduzidos os lançamentos das bases de cálculo referente As contribuições de mão de obra própria, bem como solidariedade e retenção. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 1288DF CARF MF 24 EXCESSO DE EXAÇÃO A contribuinte relata que o excesso de exação está caracterizado nos resultados do procedimento fiscal raivoso encetado contra a recorrente. Foram lançados créditos tributários na ordem de 27 milhões de reais já retificados para 12 milhões. A junta fiscal sabia ou deveria saber que é necessário verificar a existência de áreas com percentuais de redução no cálculo do tributo. Deveria saber que quando se lança as contribuições de uma obra por aferição indireta com base na área construída, a remuneração da mão de obra total despendida é apurada, nada mais resta para se lançar. Entretanto três outros lançamentos efetuados com base em notas fiscais de serviços prestados nas obras. A desconsideração a contabilidade com base em indícios. Não há espaço aqui para continuar a enumerar as incongruências resultantes do procedimento fiscal e inteiramente apoiadas, sustentadas pela DRJ/BSA. Este ponto já foi debatido em sede de decisão de primeira instância na qual se conclui que a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 37 da Lei n° 8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisados fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem: Em relação ao cometimento em tese de ilícito penal pelas autoridades lançadoras e considerando o dever de oficio, verificase que a alegação de que a fiscalização cometeu excesso de exação é improcedente insubsistente, circunstância que implica em tese, o cometimento de crime de calúnia, em que pese não ser a autoridade administrativa para declarar tais circunstâncias. De acordo com o § '1° do art. 316 do Código Penal Brasileiro, o excesso de exação é caracterizado pela exigência de tributo ou contribuição social, praticada por servidor público, sendo que este sabe, ou deveria saber, que tal cobrança é indevida, ou, se devida, foi empregado, na cobrança, meio vexatório ; ou gravoso, que a lei não autoriza. A insubsistência da alegação fica demonstrada pelo fato de, conforme até o momento se pode observar pelo teor do presente acórdão (mas ao contrário do que afirma a impugnaste) a cobrança da contribuição previdenciária está amparada pelos requisitos legais que estabelecem os procedimentos da fiscalização, demonstrando, sem qualquer sombra de dúvida que os valores lançados são devidos pelo simples fato de o contribuinte ter descumprido as obrigações principais relacionadas às contribuições previdenciárias. É dizer, a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 37 da Lei n°'8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisados fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Nesse sentido, agiu com acerto a autoridade fiscal, sem qualquer sombra de dúvida que possa cogitar excesso de exação. Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 10120.005638/200717 Acórdão n.º 2401005.342 S2C4T1 Fl. 14 25 Ora, o contribuinte repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Ademais, em tópico encimado, concluímos que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. PERÍCIA Observo que houve Solicitação de Diligência por parte do órgão julgador de primeira instância. Ademais, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia/diligência que entender desnecessário. Desta forma, não considero pertinente o pedido de Diligência pois todos os elementos de prova acostados aos autos já foram analisados no transcurso do Processo administrativotributário. Portanto, não merece acolhimento o pleito do contribuinte. RETIFICAÇÕES Requer, portanto, seja alterada a retificação do débito obedecendose as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466, IN 3/2005), utilizandose os mesmos critérios e métodos para a sua apuração. Pois bem. Conforme informação fiscal, às fls. 1081/1088, as autoridades fiscais realizaram a conferencia de todos os levantamentos efetuados, considerando tanto os documentos apresentados na defesa, quanto outros verificados posteriormente pela auditoria. Alem disso, também foi aplicado o instituto da decadência quinquenal, conforme determinado na última diligencia, tendo sido realizada nova apuração dos débitos previdenciários, de acordo com a in formação prestada à fl. 1127/1128. Dessa forma, considerouse como base de cálculo para os "salários de contribuição" informados no DISO os documentos (valores) relativos a prestadores de serviço (Planilha Levantamento Prestadores de Serviços, fls. 1089/1091), tendo sido todos os levantamentos e respectivos lançamentos instruídos de acordo com o disposto no capitulo IV da IN/SRP n° 03/2005, que regulamenta a regularização de obra por aferição indireta com base na área construída e no padrão de construção. Da leitura da informação fiscal prestada pela autoridade lançadora, observa se que a retificação parcial do valor do débito resultou da aplicação do principio da verdade material, tendo cm vista que, durante a ação fiscal, a empresa notificada, em diversas oportunidades faltou com seu dever de colaboração, circunstância que, entre outras conseqüências, determinou o arbitramento, bem como a maior complexidade na conclusão do procedimento fiscal. Como pode ser observado nas planilhas anexadas às fls. 1089/1091, dentre os documentos apresentados pelo contribuinte, não foram considerados, para efeito de retificação, apenas as notas fiscais sem vinculação inequívoca à obra. Alem disso, também foram Fl. 1290DF CARF MF 26 consideradas as notas fiscais, a partir da competência 09/2002, desacompanhadas das MP's dos prestadores, conforme exige o inciso 11 do art. 447 da Instrução Normativa n° 03, de 2005. Ressaltese que mio tocante aos valores relacionados na planilha à fl. 611 elaborada pela defendente, não foram apresentados quaisquer comprovantes de recolhimentos das retenções, nem as MP's tendo sido observado que estes valores e aqueles representados pelas cópias de notas fiscais e guias apresentadas na impugnação não constam dos lançamentos efetuados nas NFLD's n°s 37.096.6562 e 37.055.3454. Foram aplicados os percentuais de redução de 50% e 75%, tendo em vista a recorrente ter apresentado parcialmente os documentos que permitiram à fiscalização analisar as áreas para as quais estes percentuais deveriam ser aplicados. Portanto, sem razão a contribuinte. DECADÊNCIA COMPETÊNCIAS ATÉ JUNHO/2002 Aduz está decadente as competência até junho de 2002. Nesse aspecto não assiste razão ao impugnante, pois, o fato de ter sido reaberto o prazo pela substituição dos documentos, não implica em nova notificação, sendo certo que a data inicial a ser considerada para efeito da contagem do período decadencial é a da primeira notificação regular ao sujeito passivo, uma vez que o lançamento foi ali perfectibilizado Nesse sentido, a .simples substituição dos relatórios não determina a irregularidade do lançamento. Assim, a notificação feita no dia 28/06/2007 foi o último ato do procedimento de constituição formal do crédito tributário, tomandoo oponível a contribuinte, razão pela qual as competências abrangidas pela decadência referemse ao prazo indicado à fls. 1205, ou seja, os meses decadentes e excluídos da notificação referemse ao período abrangido pelas competências 06/2000 a 05/2002, devendo ser mantidas a competência 06/2002, haja vista a substituição dos relatórios ter tido apenas o efeito de dilatar o prazo da impugnação, subsistindo a validade da notificação efetuada no dia 28/06/2007. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE a) NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO. b) CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para rejeitar as preliminares, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 1291DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.901822/2013-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/03/2013
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.008
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente A. M. R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 21/03/2013 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, tornase incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 18 22 /2 01 3- 95 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10930.901822/201395 Acórdão n.º 3302005.008 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, que não homologou a compensação declarada por meio de Per/Dcomp uma vez que o crédito informado já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte . Na manifestação apresentada, a contribuinte aduz que, sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada, por isso, pede que seja recebido o recurso e declarada a nulidade do despacho decisório emitido. Segundo afirma, em resumo: não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade; não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; a autoridade administrativa deve obediência à legalidade e que seus atos devem ser motivados, para que se possa promover a defesa do ato; a não homologação ocorreu por uma questão de sistema de informática, já que o crédito propriamente dito sequer foi apreciado e carece de definição o significado de "disponibilidade do crédito" no despacho decisório. Contudo, acredita se tratar de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para ser restituído. Mas, salienta, diversas poderiam ser as situações que acarretariam a restituição do valor recolhido. Contesta a falta de intimação para que pudesse fazer os esclarecimentos necessários, acarretando o cerceamento ao seu direito de ampla defesa. Enfim, diz que o pedido formulado tem como fundamento a inclusão indevida na base de cálculo da contribuição não só da receita decorrente de seu faturamento, mas de outras receitas que não deveriam compôla, conforme inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em outras ações já transitadas em julgado. Em relação à produção de provas, diz que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06046.167. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. Ao final requer que sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que sejam promovidas diligências necessárias à comprovação do crédito. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10930.901822/201395 Acórdão n.º 3302005.008 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.004, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.901828/201362, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.004): PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DAS NULIDADES Observase que a matéria litigiosa trazida na peça recursal prendese basicamente a arguição de nulidades: a) do despacho decisório que não declinou os motivos do indeferimento de seu pleito, bem como não analisou o mérito do pedido de restituição/ compensação postulado pela empresa, tampouco intimou o interessado a fazer os esclarecimentos necessários a comprovar o alegado, ensejando portanto cerceamento do direito de defesa; b) nulidade da decisão de primeira instância, por ausência de fundamentação e por obstar a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Analisase a seguir as nulidades suscitadas. Da fundamentação do despacho decisório Observase que a peça decisória originase do processamento eletrônico das compensações, segundo a legislação de regência da matéria, tendo explícita fundamentação quanto à indisponibilidade do crédito pleiteado, cujos dados demonstrados no referido despacho decisório, seja quanto aos valores do crédito e débitos declarados, estão amparados na PER/DECOMP acostada aos autos. Conclui assim referido despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, crédito disponível para compensação pretendida. Notese que essa situação fática, inclusive é ratificada da pela própria recorrente, quando infere que do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restou crédito disponível para ser restituído, no Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10930.901822/201395 Acórdão n.º 3302005.008 S3C3T2 Fl. 5 4 entanto, tece considerações sobre outras formas de verificação do suposto indébito. Vêse portanto que o despacho decisório apresentou a motivação adequada à situação em exame, respaldandose nos dados oriundos da PER/DECOMP transmitida pelo próprio sujeito passivo. Notese ainda que a contribuinte foi regularmente cientificada do despacho decisório, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, comparecendo assim aos autos, com a manifestação de inconformidade que inaugurou a lide e recurso voluntário nas referidas instâncias administrativas, onde demonstra perfeita cognição dos fatos demonstrados no despacho decisório pela linha argumentativa apresentada. Instaurada a lide, esse é o momento processual para que a contribuinte apresente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, inexistindo omissão da autoridade administrativa quanto às intimações suscitadas, visto que os dados utilizados no referido despacho foram fornecidos pelo próprio sujeito passivo, prescindindo assim de motivação para que referida autoridade administrativa diligenciasse com vistas a perquirir a origem do crédito, já que o tratamento inicial dos dados revelou a indisponibilidade do crédito pleiteado. Da fundamentação da decisão de piso Igualmente não prospera a nulidade arguida quanto à suposta falta de motivação da decisão de piso, haja vista que a leitura da referida peça revela que todas as preliminares suscitadas foram devidamente fundamentadas, bem como a análise meritória do pleito, quanto aos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Assim a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula no referido despacho decisório, tampouco na decisão de piso, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, também atendem às normas dispostas nos arts. 2º e 50, da Lei nº 9.784, de 1999. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A contribuinte requer a realização de diligência, visando demonstrar nessa oportunidade, as provas que lastreiam o crédito pleiteado. Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório, bem como o disciplinamento na norma processual, quanto a um pedido de diligência. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10930.901822/201395 Acórdão n.º 3302005.008 S3C3T2 Fl. 6 5 Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações.(grifei). Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Neste sentido, a recorrente teve a oportunidade processual, uma vez que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, como já ressaltado, a própria recorrente destaca inferir quanto ao despacho decisório que se trata de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o crédito declarado em DCTF, aventando porém estirem outras situações que acarretariam a restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação, no entanto permaneceu silente quando do oportuno momento processual de trazer as provas que lastreiam o seu crédito pleiteado e assim, ensejar uma diligência pelo órgão a quo para verificar a materialidade do crédito arguido, porém a recorrente limitouse em suas peças defensórias a aduzir alegações e solicitar diligências sem demonstrar o lastro probatório que se faz necessário, em se tratando de direito creditório pleiteado, como já destacado. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10930.901822/201395 Acórdão n.º 3302005.008 S3C3T2 Fl. 7 6 Por oportuno, registre o que prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”(grifei). Verificase assim que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, cuja documentação objeto da diligência solicitada deixou de ser apresentada em momento oportuno quando da apresentação da manifestação de inconformidade, tampouco apresentou a Requerente até então a demonstração de qualquer impedimento para realização de seu mister. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. DA APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Protesta a Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou a recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. Pelo exposto, não há reparos na decisão de piso, uma vez que escudada no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, não acatou a solicitação de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10930.901822/201395 Acórdão n.º 3302005.008 S3C3T2 Fl. 8 7 apresentação posterior de prova, diferente do prazo estabelecido, destacando em reforço argumentativo, que sequer foram juntadas aos autos quaisquer documentos necessários à sua análise. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do contribuinte e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca a recorrente que ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Assevera ainda que incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla e nesse sentido utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Ocorre que a recorrente ao enfatizar essa questão o faz de forma genérica, sem identificar quais receitas compuseram indevidamente a base de cálculo da COFINS, tampouco acosta aos autos quaisquer elementos probatórios que o respalde, tais como livros/documentos que sejam passíveis de análise por essa turma julgadora. A lei estabelece o dever de motivação do ato administrativo, que no caso em apreço restou perfeitamente demonstrada a motivação das peças decisórias até então analisadas. Ocorre que o artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece os requisitos a serem cumpridos pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade, entre os quais, na dicção do inciso III do art. 16, do citado diploma legal a matéria posta em lide há de ser expressamente contestada, ou seja há de demonstrar o interessado [...os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No caso em exame, embora pondere a interessada que está respaldada na decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.901822/201395 Acórdão n.º 3302005.008 S3C3T2 Fl. 9 8 contribuições, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações, quando da inauguração da lide, haja vista que declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. No entanto, como já exposto em sede preliminar, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, já que em suas peças defensórias deixou de carrear aos autos qualquer elemento probatório que lastreie o seu pleito. Cabe registrar que a matéria em exame encontra precedente no âmbito deste Egrégio Conselho, com relação ao mesmo sujeito passivo, nos termos do Ac nº 3803004.798 , de 26/11/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da declaração de compensação transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de desprovimento do recurso. MOMENTO POSTERIOR DE PRODUÇÃO DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em especial no Decreto 70.235/72, não havendo como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS, E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.901822/201395 Acórdão n.º 3302005.008 S3C3T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.001372/2005-45
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE
DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
Numero da decisão: 1002-000.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1719; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.001372/200545 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.059 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 7 de março de 2018 Matéria Penalidades/Multa por atraso na entrega de declaração Recorrente MAXFOLHA INFORMÁTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Foram distribuídos os autos para análise de controvérsia envolvendo a cobrança de penalidade acessória, consubstanciada em multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF. In casu, há exigências vinculadas ao 2º trimestre do anocalendário de 2002, quantificada em R$ 500,00 (quinhentos reais) (efl. 22). Diante da constituição dos lançamentos, protocolouse impugnação (efl. 4) alegando em síntese a aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea na espécie. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 13 72 /2 00 5- 45 Fl. 84DF CARF MF 2 A reclamação administrativa foi então conhecida, fazendo com que a 2ª Turma da DRJ/RPO proferise o Acórdão nº 1415.601 (efls. 34/40) que, por unanimidade de votos, determinou a manutenção integral do crédito tributário. Ato contínuo, irresignada com a decisão a quo, a autuada interpôs recurso voluntário (efls. 52), reiterando os mesmos argumentos rechaçados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Julio Lima Souza Martins Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Passo então a apreciar a alegação da recorrente que se resume em saber se, no contexto, prevalece ou não a denúncia espontânea para fins de apresentação das declarações a destempo, mercê dos reflexos sobre as cobranças contestadas. Nesse sentido, alijando maiores digressões que alonguem a discussão no âmbito administrativo, surge aos julgadores deste colegiado a necessidade de se respeitar as súmulas editadas pelo órgão. Reproduzo para tanto inc. VI, do art. 45, do Regimento interno do CARF: Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: [...] VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; Dito isso, particularmente quanto à matéria devolvida à apreciação, referente à denúncia espontânea na conjuntura da entrega de declarações, reportome à Sumula CARF nº 49, cujo teor não deixa incertezas acerca da inviabilidade da pretensão veiculada: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Outrossim, ainda que as decisões do STJ não vinculem os conselheiros do CARF, não custa lembrar que aquele órgão judiciário também pacificou seu posicionamento no sentido de que a denúncia espontânea não afasta a multa decorrente do atraso na entrega da declaração, uma vez que o art. 138 do CTN não se aplica às obrigações acessórias. TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13830.001372/200545 Acórdão n.º 1002000.059 S1C0T2 Fl. 3 3 2. Agravo Regimental não provido (AgRg nos EDcl no AREsp 209.663/BA, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/04/2013, DJe 10/05/2013) Rejeito, portanto, tal pretensão. Ante ao enfretamento da questão apresentada, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.001485/2004-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2001
REGIME DO SIMPLES. EXCLUSÃO. PRODUTO CLASSIFICADO NO
CAPÍTULO 22 DA TIPI. LICOR. Nos termos do caput do art. 9º, XIX, da Lei 9.317/96, com a redação dada pelo art. 14 da MP 2189-49, de 23.08.2001, não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica que exerça a atividade de industrialização dos produtos
classificados no Capítulo 22 da TIPI. Comprovado que o sujeito passivo produziu licor, ainda que a receita decorrente seja de pequeno valor, deve ser excluído do regime do Simples.
Numero da decisão: 1402-000.244
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pelá. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2001 REGIME DO SIMPLES. EXCLUSÃO. PRODUTO CLASSIFICADO NO CAPÍTULO 22 DA TIPI. LICOR. Nos termos do caput do art. 9º, XIX, da Lei 9.317/96, com a redação dada pelo art. 14 da MP 2189-49, de 23.08.2001, não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica que exerça a atividade de industrialização dos produtos classificados no Capítulo 22 da TIPI. Comprovado que o sujeito passivo produziu licor, ainda que a receita decorrente seja de pequeno valor, deve ser excluído do regime do Simples.
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EXCLUSÃO. PRODUTO CLASSIFICADO NO CAPÍTULO 22 DA TIPI. LICOR. Nos termos do caput do art. 9º, XIX, da Lei 9.317/96, com a redação dada pelo art. 14 da MP 2189-49, de 23.08.2001, não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica que exerça a atividade de industrialização dos produtos classificados no Capítulo 22 da TIPI. Comprovado que o sujeito passivo produziu licor, ainda que a receita decorrente seja de pequeno valor, deve ser excluído do regime do Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pelá. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. EDITADO EM: 23/09/2010 Fl. 5DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17143.KTN4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 6DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17143.KTN4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16707.001485/2004-73 Acórdão n.º 1402-00.244 S1-C4T2 Fl. 2 3 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que deferiu em parte o pedido de inclusão no regime do Simples, uma vez que alterou os efeitos da exclusão, de a partir de 01.01.2001, para a partir de 01.01.2002. A contribuinte havia requerido em 28.05.2004, a inclusão retroativa a 04.09.97 no Simples com a alegação de que desde o início de atividade recolhia impostos e contribuições como se optante fosse. Anexou cópias da Declaração de firma individual e do CNPJ, doc. de fls. 3 a 9. A empresa vinha apresentando Declarações Simplificadas do regime do Simples e ao transmitir a declaração PJSI 2004, via internet, o sistema não a transmitiu, em razão do CNPJ da declarante não constar como optante do Simples. A DRF/Natal a incluiu em 04.09.97 e excluiu-a a partir de 01.01.2001 em razão da interessada se dedicar à atividade de industrialização por conta própria ou por encomenda dos produtos classificados no capítulo 22 da TIPI (bebidas). Emitiu o ADE 63, de 11.11.2004. Os fundamentos da exclusão são: inciso XIX do art. 9º, arts. 12, 14, 15 e 16 da Lei 9.317/96 e a IN 355/03, art. 20, XVIII, acrescentado pela MP 1990-29, de 2000, atual MP 2189-49/2001 e art. 24, VI, da IN SRF 355/2003. Às fls. 36 consta demonstrativo de venda do licor e receita mensal de venda. Para o ano de 2002, consta venda de R$ 491,60 de licor; para 2003, o valor é de R$ 318,00; para 2004 o valor é de R$ 1.950,00. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual argumenta que a atividade de licores artesanais é secundária e praticamente não explorada conforme demonstrativo de fl. 36, que o licor artesanal não é considerado bebida alcoólica segundo a cultura nordestina e pediu a aplicação dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, mantendo a empresa no regime do Simples. Foi determinada diligência, com a finalidade de se apurar se de fato a empresa não auferiu receita decorrente da venda de licores artesanais no ano-calendário de 2001. Em resposta, na informação fiscal de fl. 75, o diligenciante verificou que a empresa não auferiu receitas decorrentes da venda de licores artesanais ou outro produto classificado no capítulo 22 da TIPI no ano de 2001. A Turma Julgadora concluiu que a fabricação de licores está enquadrada no capítulo 22 da TIPI, o que inviabiliza a sua opção pelo Simples a partir de 01.01.2001, entretanto, tendo em vista que não houve faturamento referente a venda de licor no ano- calendário de 2001, mas apenas nos anos posteriores, incluiu a empresa com data retroativa à sua abertura e a excluiu somente a partir de 01.01.2002, ano em que a empresa obteve receita decorrente de atividade vedada, alterando a data do efeito do Ato Declaratório de Exclusão DRF/NAT nº 63, de 11.11.2004. As ementas proferidas são as seguintes: Fl. 7DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17143.KTN4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 SIMPLES – EXCLUSÃO – ATIVIDADE IMPEDITIVA. A PARTIR DE 01/01/2001. A partir de 01/01/2001 não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que exerça a atividade de industrialização de bebidas e cigarros. As pessoas jurídicas anteriormente optantes pelo sistema integrado apenas podem permanecer neste sistema até 31/12/2000. SIMPLES. RECEITA DE ATIVIDADE IMPEDITIVA. Admite-se a permanência no SIMPLES de empresa que embora tenha atividades impeditivas no seu contrato social juntamente com não impeditivas, exerça somente as não vedadas. A decisão de primeira instância foi cientificada à interessada em 21.09.2007, e o recurso foi apresentado em 18.10.2007. A recorrente afirma que iniciou suas atividades em agosto de 1997, com a atividade principal de fabricação e comércio varejista de lambedores artesanais e como atividade secundária a fabricação e comércio de licores artesanais. Diz que à época, ao tentar retirar o registro junto ao CNPJ, verificou-se que a atividade principal acima não constava no rol das atividades elencadas pela Receita Federal, vindo-se a adotar aquela atividade que mais se aproximava da acima mencionada; alega que analogamente, como: fabricação e comércio de licores artesanais, permanecendo apenas como atividade principal, à época classificada como “fábrica e comércio varejista de lambedores artesanais”, cujo ato foi registrado na Junta Comercial em 05.11.2004. A recorrente pede a aplicação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, uma vez que deveria ser preservada a função social exercida pela contribuinte. Requer a desconsideração do Ato Declaratório e afirma demonstrar total adequação ao regime tributário questionado conforme aditivo ao ato constitutivo, e que diante da remota hipótese de improcedência, requer sejam declaradas extintas as obrigações já prescritas. Entre os anexos ao recurso consta requerimento de opção pelo Simples, como empresa de pequeno porte, datado de 28.01.2004, declaração de firma individual, de 20.08.97, solicitação de registro especial de microempresa ou EPP (reenquadramento) dirigido ao Presidente da Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Norte, datado de 31.01.2001, requerimento de empresário de 01.11.2004, em que consta o código de atividade econômica 1589-0/99 com a descrição do objeto de “FÁBRICA E COM.VAREJISTA DE LAMBEDORES ARTESANAIS” e DARFs – Simples dos anos de 2003 e 2004. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Fl. 8DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17143.KTN4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16707.001485/2004-73 Acórdão n.º 1402-00.244 S1-C4T2 Fl. 3 5 A decisão da Turma Julgadora manteve a pessoa jurídica excluída do Simples, porém alterou a data de início dos efeitos da exclusão de 01.01.2001 para 01.01.2002, em razão da interessada se dedicar à atividade de industrialização por conta própria ou por encomenda dos produtos classificados no capítulo 22 da TIPI (bebidas), conforme ADE 63, de 11.11.2004, sendo que o produto fabricado é licor artesanal. Motivou a decisão da DRJ, o resultado de diligência que constatou que a pessoa jurídica não vendeu vendido licores artesanais no ano de 2001. Os fundamentos da exclusão são: inciso XIX do art. 9º, arts. 12, 14, 15 e 16 da Lei 9.317/96 e a IN 355/03, art. 20, XVIII, acrescentado pela MP 1990-29, de 2000, atual MP 2189-49/2001 e art. 24, VI, da IN SRF 355/2003. A contribuinte pede a aplicação do princípio da razoabilidade e da proporcionalidade. Transcrevo o caput do art. 9º, XIX, da Lei 9.317/96: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIX - que exerça a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda, dos produtos classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI - TIPI, sujeitos ao regime de tributação de que trata a Lei n o 7.798, de 10 de julho de 1989, mantidas, até 31 de dezembro de 2000, as opções já exercidas." (redação dada pelo art. 14 da MP 2189-49, de 23.08.2001). Às fls. 36 consta demonstrativo de venda do licor em relação à receita mensal de venda, apresentado pela interessada. Para o ano de 2002, consta venda de R$ 491,60 de licor; para 2003, o valor é de R$ 318,00; para 2004 o valor é de R$ 1.950,00. Ou seja, deve-se reconhecer que os valores são irrisórios, entretanto, a legislação não permite qualquer possibilidade de opção pelo Simples quando a pessoa jurídica exerce a atividade de industrialização, de produtos classificados no capítulo 22 da Tabela de Incidência do IPI – TIPI. Sobre a declaração de extinção de obrigações prescritas, não cabe a este colegiado se pronunciar uma vez o processo não versa sobre essa matéria. Do exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso. Albertina Silva Santos de Lima - Relatora Fl. 9DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17143.KTN4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Fl. 10DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0318.17143.KTN4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA em 23/09/2010 17:53:43. Documento autenticado digitalmente por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA em 23/09/2010. Documento assinado digitalmente por: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA em 23/09/2010. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 06/03/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP06.0318.17143.KTN4 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: D8B6CD608E171087A80282EF6384C1DFBC8E905B Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16707.001485/2004-73. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900836/2011-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2002
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.246
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2002 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado.
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente RICAL RACK INDUSTRIA E COMERCIO DE ARROZ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2002 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 08 36 /2 01 1- 64 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13227.900836/201164 Acórdão n.º 3301004.246 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP, transmitido eletronicamente. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que, em revisão realizada nos cálculos, a empresa identificou que havia recolhimentos a maior de PIS e Cofins decorrentes de inclusão de receitas isentas na base de cálculo, fato que lhe possibilitaria a restituição e compensação com outros débitos. Constatando que o crédito havia sido indeferido, o contribuinte identificou que isto ocorreu pelo fato de não terem sido retificadas as DCTF, embora o crédito seja totalmente devido. Acrescentou que a resolução das divergências encontradas no cruzamento de informações no sistema da Receita Federal do Brasil que gerou o indeferimento do crédito poderia ser resolvido com uma simples retificação de DCTF. Porém, em função de terem transcorridos mais de cinco anos desde o fato gerador do crédito, o contribuinte fica impossibilitado de retificar as informações. Por isso, requereu a correção da informação prestada em DCTF, a fim de sanar os motivos que ensejaram o indeferimento, se colocando à disposição para comprovar a existência do crédito da forma que a autoridade fiscal entender necessário, e ainda que: a) sejam corrigidos os valores dos tributos devidos em função da impossibilidade do contribuinte retificar as DCTF da época; b) caso entenda a autoridade fiscal necessária a comprovação das bases de cálculo, informe a forma e os documentos que deseja que sejam apresentados; c) sejam declarados homologados os pedidos de restituição; d) sejam declaradas homologadas as compensações. A DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, sob fundamento da não comprovação da existência e suficiência do crédito postulado, nos termos do Acórdão nº 02051.132. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, nos seguintes termos: Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13227.900836/201164 Acórdão n.º 3301004.246 S3C3T1 Fl. 4 3 2.1 DA DECADÊNCIA DA POSSIBILIDADE DE RETIFICAR A DCTF INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA DO CREDITO; 2.2 DA INEXISTÊNCIA DE FALTA DE COMPROVAÇÃO INAPLICABILIDADE DO ART 333 DO CPC POSSIBILIDADE DE DETERMINAÇÃO DE DILIGÊNCIAS; 2.3 DA INVIABILIDADE DA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO ECONOMIA PROCESSUAL E EFICIÊNCIA. Além de requerer o provimento do seu pleito, requer alternativamente a realização de diligências a fim de que a Recorrente seja intimada a apresentar os documentos comprobatórios do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.237, de 02 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.900822/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.237): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Quanto à decadência, adotase o entendimento da decisão recorrida de que ao pedido de retificação de informações da DCTF em razão da impossibilidade de o contribuinte retificála transcorridos mais de cinco anos do fato gerador, ainda que fosse possível transmitir a DCTF retificadora, a mera retificação, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se prestaria para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Ademais, conforme se consignou na decisão de piso, a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, vigente na época). Atualmente o art. 9º, § 5o, da Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 11 de dezembro de 2015 é cristalino: § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13227.900836/201164 Acórdão n.º 3301004.246 S3C3T1 Fl. 5 4 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. Portanto, adotase a conclusão constante da decisão recorrida de que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). Dessa forma, é dever da Recorrente comprovar seu crédito e ele teve ampla oportunidade. Assim, tal oportunidade que se encontra precluída em razão de não ter apresentado provas de seu crédito quer na manifestação de inconformidade, quer no Recurso Voluntário. Dessarte, denegase por incabível, o pedido de diligências da Recorrente. Anotese que o fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração, devidamente conciliado com os livros contábeis. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000747/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005, 2006
OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO
A opção pelo lucro presumido se faz pelo pagamento do IRPJ, ou pelo preenchimento da DIPJ e DCTF conforme o regime. Não se admite a retificação dessas declarações para alterar o regime de tributação.
LUCRO ARBITRADO. DESCABIMENTO.
A apuração pelo lucro arbitrado é medida extrema, quando impossível a apuração pelo lucro real. É incabível invocar os próprios vícios para obter vantagem fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005, 2006
OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO
A opção pelo lucro presumido se faz pelo pagamento do IRPJ, ou pelo preenchimento da DIPJ e DCTF conforme o regime. Não se admite a retificação dessas declarações para alterar o regime de tributação.
LUCRO ARBITRADO. DESCABIMENTO.
A apuração pelo lucro arbitrado é medida extrema, quando impossível a apuração pelo lucro real. É incabível invocar os próprios vícios para obter vantagem fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005, 2006 OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO A opção pelo lucro presumido se faz pelo pagamento do IRPJ, ou pelo preenchimento da DIPJ e DCTF conforme o regime. Não se admite a retificação dessas declarações para alterar o regime de tributação. LUCRO ARBITRADO. DESCABIMENTO. A apuração pelo lucro arbitrado é medida extrema, quando impossível a apuração pelo lucro real. É incabível invocar os próprios vícios para obter vantagem fiscal. Recurso Voluntário Negado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005, 2006 OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO A opção pelo lucro presumido se faz pelo pagamento do IRPJ, ou pelo preenchimento da DIPJ e DCTF conforme o regime. Não se admite a retificação dessas declarações para alterar o regime de tributação. LUCRO ARBITRADO. DESCABIMENTO. A apuração pelo lucro arbitrado é medida extrema, quando impossível a apuração pelo lucro real. É incabível invocar os próprios vícios para obter vantagem fiscal. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1591; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 384 1 383 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11444.000747/200821 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.251 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria AUTOS DE INFRAÇÃO PIS/COFINS Recorrente MARIAL REPRESENTAÇÕES DE CALÇADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006 OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO A opção pelo lucro presumido se faz pelo pagamento do IRPJ, ou pelo preenchimento da DIPJ e DCTF conforme o regime. Não se admite a retificação dessas declarações para alterar o regime de tributação. LUCRO ARBITRADO. DESCABIMENTO. A apuração pelo lucro arbitrado é medida extrema, quando impossível a apuração pelo lucro real. É incabível invocar os próprios vícios para obter vantagem fiscal. Recurso Voluntário Negado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006 OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO A opção pelo lucro presumido se faz pelo pagamento do IRPJ, ou pelo preenchimento da DIPJ e DCTF conforme o regime. Não se admite a retificação dessas declarações para alterar o regime de tributação. LUCRO ARBITRADO. DESCABIMENTO. A apuração pelo lucro arbitrado é medida extrema, quando impossível a apuração pelo lucro real. É incabível invocar os próprios vícios para obter vantagem fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 07 47 /2 00 8- 21 Fl. 385DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Autos de Infração de Pis e Cofins, resultantes de auditoria efetuada pela Auditora Fiscal da Receita Federal Norma Sueli Marchi, matrícula 22.910. Por minucioso, reproduzo o relatório de primeira instância: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurada, nos anoscalendário de 2005 e 2006, falta/insuficiência de recolhimento do PIS e da Cofins. Foram lavrados os seguintes autos de infração: 1 – Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – fls.3 a 10. Contribuição: R$ 47.278,27 Juros de mora: R$ 12.224,31 Multa Proporcional: R$ 35.458,63 Total: R$ 94.961,21 Enquadramento legal da contribuição: Arts. 1º, 2º, 3º e 5º da Lei nº 10.833/03. 2 Contribuição para o PIS – fls. 11 a 18. Contribuição: R$ 10.264,39 Juros de mora: R$ 2.653,89 Multa Proporcional: R$ 7.698,26 Total: R$ 20.616,54 Fl. 386DF CARF MF Processo nº 11444.000747/200821 Acórdão n.º 3201003.251 S3C2T1 Fl. 385 3 Enquadramento legal da contribuição: Arts. 1º, 2º, 3° e 4º da Lei nº 10.637/02; arts.2º, 3º, 10, 22, 59 e 63 do Decreto nº 4.524/02. O procedimento de fiscalização e as conclusões dele decorrentes foram relatadas no Relatório Fiscal de fls. 19 a 27. Segundo o relato da autoridade fiscal, a contribuinte foi selecionada para ser fiscalizada tendo em vista que suas DIPJ dos anoscalendário 2005 e 2006 foram apresentadas em branco, exceto pelo preenchimento dos dados iniciais e cadastrais, quando, de acordo com informações de terceiros prestadas através das Dirf, possuía receitas de prestação de serviços, em 2005 e 2006, de R$ 211.749,34 e R$ 407.845,30, respectivamente. Consta no processo que nas DIPJ e nas DCTF dos dois AC referidos foi informada apuração pelo lucro real. Relatou a autuante que a empresa não foi encontrada no endereço indicado nos cadastros da Receita Federal e somente em 18/01/2008 é que sócia Clotilde Adolpho Dezotti foi cientificada do Termo de Início de Fiscalização datado de 09/01/2008. Informou que, durante esse período em que se tentava cientificar a sócia Clotilde Adolpho Dezotti do Termo de Inicio de Fiscalização, foram retificadas as DCTF(s) da empresa de 2005 e 2006 e, como não é possível retificar a DIPJ alterando a forma de tributação, foram apresentadas outras DIPJ (em 10/01/2008 e 16/01/2008, respectivamente) para esses anos, onde foi informado o lucro presumido, como forma de tributação. Com relação às DCTF, na retificadora do 2° semestre/2005 foi indicado o lucro presumido como forma de tributação para os dois trimestres, entretanto, nas retificadoras de 2006, tanto do 1° como do 2° semestre, foi indicado o Lucro Presumido somente para os primeiros trimestres, sendo que para os segundos trimestres foi indicado o Lucro Real Trimestral. Essas retificadoras foram entregues em 16/01/2008, e declarados débitos de tributos federais em todos os meses, a partir de agosto/2005. Acrescentou a fiscalização que a contribuinte não formalizou sua opção pelo lucro presumido, ficando sujeita à tributação pelo lucro real trimestral e deveria apurar o PIS e a Cofins não cumulativos, salvo as exceções previstas em lei, nas quais a atividade da contribuinte não se enquadra. Dessa forma e considerando que não houve qualquer pagamento de PIS e Cofins, foram lavrados os autos de infração para constituir os créditos tributários devidos. A apuração do PIS e da Cofins está demonstrada na planilha de fls.28, onde foram deduzidos os créditos incidentes sobre as despesas com mostruários. Os valores dessas despesas, bem como dos faturamentos, foram extraídos dos demonstrativos de fls. 158 a 162, encaminhados à contribuinte junto ao Termo de Constatação Fiscal n° 001. Fl. 387DF CARF MF 4 Sendo notificada da autuação, a interessada ingressou com a impugnação de fls.297 a 320, subscrita pelos procuradores Alexandre Alves Vieira, Marcos Vinicius Gonçalves Floriano e Rogério Bitonte Pigozzi (fls.325 a 335), alegando: · O art. 26, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, e o art. 516, § 4º, do RIR, de 1999, não especificam o momento em que o pagamento do imposto de renda referente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário deverá ser efetuado. Exige, exclusivamente, que o pagamento do imposto seja referente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. Para a opção ser válida, a legislação não exige que o contribuinte promova o recolhimento do imposto concernente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário até a respectiva data limite do seu vencimento; · Os dispositivos legais que determinam o pagamento como forma do contribuinte manifestar a sua opção pela sistemática do lucro presumido não determinam que o citado pagamento tenha que ser feito antes de iniciado quaisquer procedimentos de fiscalização. Tanto é assim, que caso o auditor não localize pagamentos que identifiquem a forma de apuração da base de cálculo do imposto, deve notificar o contribuinte para que exerça a opção pela forma de tributação por meio de intimação específica, nos termos do art. 14 da IN SRF nº 93, de 1997; · Manifestou sua opção pela forma de tributação com base no lucro presumido nos exatos termos da lei, ou seja, por meio de pagamentos de Darf – código 2089, referentes aos primeiros períodos de apuração dos anoscalendário de 2005 e 2006; · Necessidade de arbitramento do lucro, pois, de acordo com o relatório fiscal, a escrituração das despesas com comissões e com combustíveis não foi feita com base em documentos hábeis e idôneos, desqualificando a fidedignidade e idoneidade dos livros fiscais e contábeis. Assim, tais livros devem ser considerados imprestáveis para apuração do lucro real, tornandose obrigatório o arbitramento do lucro. A tributação pelo lucro real feita pela fiscalização foi mais onerosa que a devida pelo arbitramento do lucro; · A exigência deve ser cancelada, pois a DRJ não tem competência para realizar lançamento, adotando o lucro arbitrado. A DRJ/Ribeirão Preto/SP, por meio do acórdão 1438.276, de 19/07/2012, prolatado pela 3ª Turma, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Copio a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. Quando não efetuada a opção pelo lucro presumido por meio do pagamento, a entrega espontânea da DIPJ e da Fl. 388DF CARF MF Processo nº 11444.000747/200821 Acórdão n.º 3201003.251 S3C2T1 Fl. 386 5 DCTF caracteriza opção pelo lucro real, ficando a pessoa jurídica sujeita à apuração não cumulativa da Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. Quando não efetuada a opção pelo lucro presumido por meio do pagamento, a entrega espontânea da DIPJ e da DCTF caracteriza opção pelo lucro real, ficando a pessoa jurídica sujeita à apuração não cumulativa do PIS. A empresa apresentou então o Recurso Voluntário, no qual repete os argumentos da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator O recurso é tempestivo e não havendo outros óbices, deve ser conhecido. A matéria em litígio restringese, nos termos dos recursos da empresa, à alegada opção pelo Lucro Presumido ao revés de Lucro Real ou, sucessivamente, que se lhe aplique o Lucro Arbitrado. No caso de Lucro Real, a tributação do Pis e Cofins é não cumulativa, e no caso de Lucro Presumido ou Arbitrado, a tributação é no regime cumulativo, cf. artigos 8º da Lei 10.637/20021 e 10 da Lei 10.833/20032. Lucro Presumido X Lucro Real Regra geral, a tributação da renda das empresas é feita pelo Lucro Real. Opcionalmente, o contribuinte pode adotar o Lucro Presumido ou o Simples, caso se enquadre 1 Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: Produção de efeito (...) II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; ... 2 Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) (...) II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; Fl. 389DF CARF MF 6 nas condições requeridas, nos termos da legislação de regência. A opção pelo Lucro Presumido se dá pelo pagamento da primeira quota do IRPJ, nos termos do art. 26 da Lei 9.430/963. Na ausência de pagamento, admitese também que a opção seja manifestada com a entrega da DIPJ preenchida, DCTF ou outro instrumento de confissão de dívida. Transcrevo trecho e conclusão da Solução de Consulta Interna Cosit 8/2007: 4. Preliminarmente, é importante observar que o § 1º do art. 26 da Lei nº 9.430, de 1996, acima transcrito, ao estabelecer que a opção será manifestada com o pagamento, vinculou o pagamento do imposto à opção pelo lucro presumido, ou seja, uma vez efetuado o pagamento a pessoa jurídica fica obrigada a esta forma de apuração para o IR e a CSLL. Entretanto, a consulta formulada pela Cofis tem como foco o “não pagamento” do imposto. A ausência de pagamento não foi expressamente disciplinada pelo dispositivo mencionado. O que nos leva a seguinte indagação: o “não pagamento” do imposto relativo ao 1º trimestre do anocalendário implica na falta de opção pela forma de tributação do lucro presumido e, conseqüentemente, na obrigatoriedade de apuração do imposto de renda com base no lucro real trimestral? 5. Com efeito, a legislação tributária prestigia a manifestação da opção pela tributação com base no lucro presumido mediante o pagamento do imposto devido relativo ao primeiro trimestre do anocalendário, até porque o pagamento deve ocorrer antes das declarações. Mas a forma de tributação adotada na apuração deve ser informada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), o débito (crédito tributário) e crédito (pagamento, compensação ou suspensão) declarados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e se a extinção do débito for efetuada mediante compensação, declarada no Per/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação). Conclusão A entrega espontânea da DCTF ou de Declaração de Compensação, bem como os parcelamentos requeridos caracterizam opção pelo lucro presumido, uma vez que constituem confissão de dívida, e são encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União, quando não pagos administrativamente. 18. A entrega da DIPJ, devidamente preenchida, sem pagamentos e sem entrega de DCTF, caracteriza opção pelo lucro presumido, uma vez que ela representa mais do que a mera opção pelo lucro presumido, pois traz todos os elementos referentes à apuração do lucro presumido e do imposto. 3 Art. 26. A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. § 1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 11444.000747/200821 Acórdão n.º 3201003.251 S3C2T1 Fl. 387 7 Todavia, a alteração do regime de tributação não pode ser feito por retificação dessas declarações, nos termos do art. 18, §único, da MP 2.18949/20014, combinado com art. 5º da Instrução Normativa da Receita Federal 166/995. No presente caso, a empresa apresentou declarações originais (DIPJ e DCTF) informando apuração pelo Lucro Real. Antes do início da fiscalização, retificou essas declarações para Lucro Presumido. Após o início da Fiscalização recolheu parcela do IRPJ com base no Lucro Presumido. A alteração do regime de tributação, por meio das declarações retificadoras, não alterou o regime, em vista da legislação citada. Os pagamentos havidos, em dissonância com as declarações originais, e efetuados após o início da fiscalização, também não têm o condão de alterar o regime de tributação manifestado pelas Declarações, a uma, porque sem espontaneidade, e a duas, porque vulnera a finalidade da norma. Com efeito, a opção deve ser manifestada antes do encerramento do exercício, a priori, e não a posteriori, que derive dos eventos patrimoniais já conhecidos no exercício, o que ensejaria a todos os contribuintes o atraso no pagamento de estimativas ou de quotas. Desse modo, correto Fisco ao tributar, no presente caso, pelo Lucro Real. Lucro Real X Lucro Arbitrado Sucessivamente, a empresa solicita que, caso o regime reconhecido seja o Lucro Real, que se faça a tributação pelo arbitramento. Argumenta assim (fl. 372): “Pois bem. A Lei nº 8.981/95, no seu art. 47,II,”b”, dispõe que o lucro da pessoa jurídica deverá ser arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigado o Contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real.” E assim argumenta porque não apresentou diversos comprovantes de despesas, nem Livro de Apuração de Lucro Real. Mas aqui se aplica o brocardo “Ningúem pode se beneficiar da própria torpeza”. A recorrente pretende que se lhe aplique presunção (arbitramento) sobre elementos que não apresentou, sendo seu o ônus. Ora, como dito, a regra geral é a tributação pelo Lucro Real, e o arbitramento é medida extrema que somente é levada a cabo quando não for possível a apuração do lucro real. Mansa jurisprudência nesse sentido: IRPJ. LANÇAMENTO. ARBITRAMENTO DE LUCRO. GLOSA DE CUSTOS. Quando as irregularidades apuradas pela autoridade lançadora podem ser qualificadas e quantificadas, os valores apurados devem ser adicionados ao lucro líquido na 4 Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. 5 Art. 5º No caso de DIPJ ou DIRPJ, não será admitida retificação que tenha por objetivo mudança do regime tributação, salvo, nos casos determinados pela legislação, para fins de adoção do lucro arbitrado. Fl. 391DF CARF MF 8 determinação do lucro real vez que o arbitramento de lucro é uma medida extrema que se justifica somente quando impraticável o aproveitamento da escrita. (Ac. 1401000.890. 4ª Câmara / 1ª TO / 1ª Seção do CARF. 07/11/2012) IRPJ. LANÇAMENTO. ARBITRAMENTO DE LUCRO. GLOSA DE CUSTOS. Quando as irregularidades apuradas pela autoridade lançadora podem ser qualificadas e quantificadas, os valores apurados devem ser adicionados ao lucro líquido na determinação do lucro real, vez que o arbitramento de lucro é uma medida extrema que se justifica somente quando impraticável o aproveitamento da escrita. (Ac. 10193.614 1ª Câmara / 1º C.C, 20/09/2001) IRPJ. CSLL ARBITRAMENTO. Conforme uníssono entendimento jurisprudencial dessa Corte, o arbitramento da base tributável é medida extrema e a sua adoção pressupõe impossibilidade de se aferir adequada base de cálculo dos tributos lançados no período de apuração correspondente. ARBITRAMENTO DO LUCRO. MEDIDA EXTREMA. NÃO CONTABILIZAÇÃO PARCIAL DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA, INCLUSIVE BANCÁRIA. PRESTABILIDADE DOS LIVROS FISCAIS. O arbitramento do lucro é medida extrema que somente deve ser utilizada pela autoridade lançadora do tributo se comprovadamente inexistirem meios que viabilizem a apuração do lucro real. A simples constatação de contas correntes bancárias não contabilizadas não se constitui por si só em motivo bastante e suficiente à desclassificação da escrita e ao conseqüente arbitramento do lucro. (Ac. 1101000.854. 1ª Cam / 1ª TO / 1ª Seção do CARF. 06/03/2013) No presente caso, o lucro real foi apurado utilizandose os Livros Diário e Razão, que, em tese, contém todos os elementos para esse fim. Tomo de empréstimo, adicionalmente, os argumentos havidos no voto vencedor do acórdão 1801002.350, que julgou o processo administrativo fiscal de IRPJ e CSLL do mesmo procedimento fiscal que originou o presente, com os mesmos elementos de prova: Da leitura do art. 47 da Lei nº 8.981/95, depreendese ser fundamental para aplicação da sistemática do lucro arbitrado que reste demonstrado que os vícios, erros ou deficiências tornaram a escrituração contábil imprestável para identificar a movimentação financeira e, o mais importante, para o presente caso, determinar o lucro real do período respectivo. E aqui é que cabe o juízo de valor a ser feito pela autoridade fiscal no momento em que analisa a escrituração do contribuinte. Portanto, diferentemente da afirmação contida no voto, o arbitramento deve ser a última opção a ser tomada, como disse, a juízo da autoridade fiscal que está a analisar a escrituração contábil e fiscal da empresa, e a quem caberá decidir se ela está apta, apesar das deficiências nela encontradas, a apurar o lucro real. Como destaquei, a posição uníssona desta Corte Administrativa é no sentido de que a aplicação do arbitramento do lucro é medida excepcional, extrema, ou seja, é necessário que a Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11444.000747/200821 Acórdão n.º 3201003.251 S3C2T1 Fl. 388 9 autoridade fiscal percorra todos os caminhos disponíveis para tentar compor o lucro real com as informações contábeis apresentadas. Depois de exauridas todas as possibilidades, sem sucesso, aplicase, então, o arbitramento. Verificase, assim, que o arbitramento do lucro somente deve ser adotado quando a fiscalização demonstrar, cabalmente, a impossibilidade de se confiar na escrituração do contribuinte e/ou quando a mesma se revelar imprestável para a apuração do Lucro Real, isto nos termos do artigo 530, II, do RIR/99. E deve ser afastado nas hipóteses em que as irregularidades apontadas são pontuais e identificáveis, situações nas quais se deve proceder à tributação específica segundo as infrações detectadas, no presente caso, por redução indevida do lucro líquido, via glosa de custos não comprovados. Por certo, quando as irregularidades são passíveis de individualização e quantificação, inexistem motivos legais e lógicos para que a escrituração do contribuinte seja tachada de imprestável. É o que se verifica no presente caso, em que a auditoria fiscal obteve: 1) Livros Fiscais: Registro de Prestação de Serviços, Livro Diário, Livro Razão; 2) notas fiscais de prestação de serviços; 3) informações junto aos fornecedores da fiscalizada. 4) os contratos de representação comercial e de prestação de serviços; 5) os comprovantes de rendimentos pagos e de retenções na fonte; 6) notas fiscais de custos com combustíveis 7) comprovantes de despesas e custos, como, despesas com telefone, INSS de funcionários, com conservação de veículos, de viagens, materiais de escritório, correios, prólabore, 13º salário, com seguro de acidente de trabalho, provedores de internet, com cartórios, pagamento de tributos, dentre outros. 8) comprovantes de pagamento de comissões e de despesas com mostruários. E aqui cabe observar que a auditoria fiscal afirmou, no Termo de Verificação Fiscal (efl. 25), que os livros apresentados foram escriturados com observância das leis comerciais e fiscais e permitiram, junto com os outros elementos apresentados pela contribuinte, a apuração do Lucro Real da recorrente. Ademais, não cabe ao contribuinte fiscalizado dizer como deve agir a auditoria fiscal. Em verdade a recorrente está a invocar a própria torpeza. Pretende se beneficiar do resultado tributário que possa advir dos atos ilícitos tributários por ela praticados, e isso não se pode admitir.” Fl. 393DF CARF MF 10 Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcelo Giovani Vieira, Relator Fl. 394DF CARF MF
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