Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,244)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11040.901050/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
CRÉDITO POR PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
Numero da decisão: 3302-005.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 CRÉDITO POR PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11040.901050/2011-17
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878130
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.443
nome_arquivo_s : Decisao_11040901050201117.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIEGO WEIS JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11040901050201117_5878130.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7359691
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585558679552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1542; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 54 1 53 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.901050/201117 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.443 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente HW FERNANDES E CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 CRÉDITO POR PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 10 50 /2 01 1- 17 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 11040.901050/201117 Acórdão n.º 3302005.443 S3C3T2 Fl. 55 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela H W FERNANDES E CIA LTDA contra o Acórdão n. 0950.366 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA, assim ementado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. SALDO DE PAGAMENTO PARA HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA. Deve ser confirmado o despacho decisório de homologação parcial de compensação quando demonstrado que, do pagamento informado, não resulta saldo disponível para confirmar o crédito declarado. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DCOMP. INCOMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Falece competência às Delegacias de Julgamento para apreciar pedidos de retificação de Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, a Turma não reconheceu a pretensão da Recorrente por entender que inexiste crédito a ser compensado. A pretensão central da Recorrente é reverter despacho decisório não homologou a compensação declarada na DCOMP n. 06813.30975.291007.1.3.040397. Em sua manifestação de inconformidade fl. 10 o contribuinte alega que o crédito utilizado na DCOMP nº 06813.30975.291007.1.3.040397, referese à valores indevidamente recolhidos entre os anos de 2005 e 2006, período no qual equivocadamente os débitos da empresa foram apurados e recolhidos sob a forma do lucro presumido, quando na verdade deveriam ter sido incluídos no Simples Nacional. Admite, ainda, a existência de eventual erro de preenchimento do DCOMP, razão pela qual requer prazo para análise e correção. Quando do julgamento do Acórdão recorrido a Turma entendeu que no ano calendário de 2005, a interessada apresentou Declaração pelo Simples, sendo assim, neste período faz jus ao direito creditório sobre os valores recolhidos fora dessa sistemática. Entretanto o DARF informado na DCOMP já foi parcialmente utilizado em compensações anteriores não sendo possível a retificação da Declaração de Compensação em tempo de julgamento administrativo. Declarou ainda a instância a quo não deter competência para apreciar pedidos de retificação de Declaração de Compensação. Em recurso voluntário – fls. 43/44 – o contribuinte alega que recolheu tributos sob o regime do lucro presumido entre 2005 e 2006 por não ter sido informado sobre sua inserção no SIMPLES. Quando teve ciência do fato pagou a multa por declaração em atraso e entregou declaração simplificada, nos termos do Simples Nacional. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 11040.901050/201117 Acórdão n.º 3302005.443 S3C3T2 Fl. 56 3 Ao fim, requer o sujeito passivo “bem como achamos complexa a vossa comunicação de indeferimento, entendemos que para um melhor compreensão da nossa parte, a Receita Federal deveria nos fornecer uma conta corrente ou algo em que constasse, onde forma utilizados os valores que recolhemos indevido, ou pelo menos a informação que estes valores ora cobrado não foram compensado porque naquele tipo de contribuição já não tinha saldo para mais aquele valor, mas que em contra partida em outro imposto recolhido sobre determinado valor, pois como já nos reportamos tratava se de um valor bem superior”. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Cumpre ressaltar que é patente a boa fé do contribuinte e a presença de elementos indicadores da existência de recolhimentos indevidos, porque pagos sob o regime incorreto de apuração. Contudo, ainda que haja indícios do direito creditório, não detém esta Corte poder para alterar os dados equivocadamente inseridos pelo contribuinte na Declaração de Compensação. Detendo apenas competência para analisar os dados informados pelo contribuinte e decidir pela existência ou não do direito creditório. Tendo em vista que a homologação da compensação de débito tributário, nos termos do §1º, do artigo 74, da Lei 9.430/96, depende exclusivamente da comprovação da existência de certeza e liquidez do crédito a ser compensado, não há como homologar compensação cujo crédito não seja nesses termos confirmado. A compensação de tributos é, basicamente, um encontro de contas onde cabe ao contribuinte provar que detém o crédito que pretende compensar com os valores por ele devidos e que, por essa razão, nos termos do disposto no artigo 74, da Lei 9.430/96, c/c o art. 170 do CTN, faz jus compensação pretendida. Portanto, não tendo sido comprovada nos autos a certeza e liquidez do crédito a ser compensado, não resta a este tribunal outra decisão que não a manutenção do acórdão recorrido. Conforme dispõe o regimento interno deste colegiado em seu artigo 1º1, aos conselheiros cabe analisar os valores e documentos acostados aos autos, e, assim, julgar os 1 Art.1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11040.901050/201117 Acórdão n.º 3302005.443 S3C3T2 Fl. 57 4 recursos que lhes são apresentados. Neste caso, incumbe aos conselheiros desta Turma apenas a decisão acerca da confirmação ou não do direito creditório utilizado na compensação pretendida. Ocorre que o recorrente não trouxe aos autos qualquer documento capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, não se podendo reconhecer a existência de tal direito. No caso em estudo, o contribuinte apresentou várias declarações de compensação cuja homologação foi negada, sendo cada uma delas tratada em um processo administrativo distinto, conforme tabela/resumo abaixo. DEMONSTRATIVO DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS Nº DCOMP APRESENTADA DCOMP INICIAL PROCESSO ADMINISTRATIVO ORIGEM DO CRÉDITO (DARF) 2 DÉBITO 29531.44582.291007.1.3.046560 15560.25031.291007.1.3.040430 11040.901048/201148 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 02.2005 62,77 02921.59675.291007.1.3.044312 13703.81870.291007.1.3.040938 11040901049/201192 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 04.2005 237,98 06813.30975.291007.1.3.040397 02782.67723.291007.1.3.048786 11040901050/201117 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 05.2005 54,13 30624.33604.291007.1.3.044584 37260.89442.291007.1.3.046187 11040901051/201161 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 05.2005 286,20 36413.30105.291007.1.3.043678 20569.87623.291007.1.3.045162 11040901053/201151 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 09.2005 270,68 07870.23376.291007.1.3.046716 36413.30105.291007.1.3.043678 11040901054/201103 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 10.2005 308,81 35821.57117.291007.1.3.049705 07870.23376.291007.1.3.046716 11040901055/201140 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 10.2005 57,21 35023.93042.301007.1.3.042367 22218.77856.291007.1.3.043173 11040901062/201141 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 01.2006 849,29 TOTAIS R$ 17,10 R$ 2.127,07 Conforme se percebe pela análise da tabela acima, a recorrente utilizou o mesmo pagamento como origem de todos os pedidos de compensação efetuados. O DARF apontado como origem do crédito foi relativo a um recolhimento de PIS, referente ao mês 02/2005, no valor de R$17,10, sendo este insuficiente para compensar qualquer um dos débitos apontados individualmente, máxime para compensar todos os débitos em conjunto. Resta evidente, portanto, que de fato ouve erro de preenchimento das DCOMP´s não homologadas. Contudo, conforme dito alhures, não cabe a este julgador proceder a retificação de tais declarações. Ademais, o reconhecimento do direito creditório, nos autos de processo administrativo, depende da comprovação documental da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. A falta das cópias dos DARF´s e dos respectivos comprovantes, pagos fora do regime simplificado de apuração quando neste já estava inserido o contribuinte, comprometeu totalmente a análise da liquidez do crédito alegado, impossibilitando o reconhecimento do direito creditório em discussão neste PAF. Diante do exposto, tendo em vista a falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito alegado, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) 2 As informações sobre o DARF indicado como origem do Crédito, foram retiradas de cada um dos despachos decisórios que não homologaram as respectivas Declarações de Compensação. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11040.901050/201117 Acórdão n.º 3302005.443 S3C3T2 Fl. 58 5 Diego Weis Junior Relator Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10821.720077/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/01/2013
MULTA SOBRE O VALOR ADUANEIRO. DOCUMENTOS INSTRUTIVOS DO DESPACHO ADUANEIRO. NÃO APRESENTAÇÃO. São documentos instrutivos do despacho aduaneiro os previstos no artigo 553 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n.º 6.759, de 2009) e documentos específicos exigíveis por tipo de declaração de importação, além de documentos necessários à determinação do valor aduaneiro, quando exigidos por força do artigo 76 do mesmo diploma normativo e do artigo 3o da IN SRF n.º 327/2003. Os documentos apresentados na instrução do despacho aduaneiro devem ser os originais, conforme previsto no artigo 553 do Decreto 6759/2009. Documentos complementares ao despacho, como documentos comprobatórios de valor de frete e seguro, para fins de comprovação do valor aduaneiro, poderão ser originais ou cópias autenticadas, não se admitindo cópias simples, ex vi do artigo 10 da Lei 6932/2009.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE.
Não cabe ao julgador administrativo a análise da aplicação do princípio da proporcionalidade, e sim da legislação de regência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/01/2013 MULTA SOBRE O VALOR ADUANEIRO. DOCUMENTOS INSTRUTIVOS DO DESPACHO ADUANEIRO. NÃO APRESENTAÇÃO. São documentos instrutivos do despacho aduaneiro os previstos no artigo 553 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n.º 6.759, de 2009) e documentos específicos exigíveis por tipo de declaração de importação, além de documentos necessários à determinação do valor aduaneiro, quando exigidos por força do artigo 76 do mesmo diploma normativo e do artigo 3o da IN SRF n.º 327/2003. Os documentos apresentados na instrução do despacho aduaneiro devem ser os originais, conforme previsto no artigo 553 do Decreto 6759/2009. Documentos complementares ao despacho, como documentos comprobatórios de valor de frete e seguro, para fins de comprovação do valor aduaneiro, poderão ser originais ou cópias autenticadas, não se admitindo cópias simples, ex vi do artigo 10 da Lei 6932/2009. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. Não cabe ao julgador administrativo a análise da aplicação do princípio da proporcionalidade, e sim da legislação de regência. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10821.720077/2013-12
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894076
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.744
nome_arquivo_s : Decisao_10821720077201312.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : VALCIR GASSEN
nome_arquivo_pdf_s : 10821720077201312_5894076.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7400468
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585563922432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1743; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 563 1 562 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10821.720077/201312 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.744 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2018 Matéria II Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/01/2013 MULTA SOBRE O VALOR ADUANEIRO. DOCUMENTOS INSTRUTIVOS DO DESPACHO ADUANEIRO. NÃO APRESENTAÇÃO. São documentos instrutivos do despacho aduaneiro os previstos no artigo 553 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n.º 6.759, de 2009) e documentos específicos exigíveis por tipo de declaração de importação, além de documentos necessários à determinação do valor aduaneiro, quando exigidos por força do artigo 76 do mesmo diploma normativo e do artigo 3o da IN SRF n.º 327/2003. Os documentos apresentados na instrução do despacho aduaneiro devem ser os originais, conforme previsto no artigo 553 do Decreto 6759/2009. Documentos complementares ao despacho, como documentos comprobatórios de valor de frete e seguro, para fins de comprovação do valor aduaneiro, poderão ser originais ou cópias autenticadas, não se admitindo cópias simples, ex vi do artigo 10 da Lei 6932/2009. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. Não cabe ao julgador administrativo a análise da aplicação do princípio da proporcionalidade, e sim da legislação de regência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 1. 72 00 77 /2 01 3- 12 Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10821.720077/201312 Acórdão n.º 3301004.744 S3C3T1 Fl. 564 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 134 a 147) interposto pelo Contribuinte, em 31 de julho de 2013, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 16047.000 (fls. 98 a 112), de 27 de maio de 2013, proferido pela 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SPI), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório da Resolução nº 3402000.641, de 25 de fevereiro de 2014, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que converteu o julgamento do recurso em pedido de diligência (fls. 191 a 194): Trata o processo de auto de infração no valor do R$ 9.627.095,57 (nove milhões, seiscentos e vinte e sete mil, noventa e cinco reais e cinquenta e sete centavos), lavrado em 06/02/2013 e cuja descrição da infração, constante às fls. 11 – numeração eletrônica, no campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, restou consignada como sendo “Descumprimento de manter em boa guarda os documentos ou de apresentálos a fiscalização”. Por fielmente resumidos os fatos, transcrevo o trecho do relatório da DRJ que bem sintetizou os motivos ensejadores do lançamento: 1. por meio da Declaração de Importação (DI) 12/22405310, registrada em 29/11/2012, o impugnante submeteu a despacho de importação “Óleo diesel”, NCM 2710.19.21; 2. no tocante ao despacho de importação referente à D.I. supra, o impugnante não cumpriu o disposto na Instrução Normativa RFB n° 1.282, de 16 de julho de 2012, que estabelece o prazo de 50 (cinquenta) dias contados da data do término da descarga da mercadoria (que ocorreu em 03/12/2012), nos casos de importação de petróleo e seus derivados, e de gás natural e seus derivados, para a entrega dos documentos de instrução do despacho e da retificação da DI, para fins de execução do desembaraço aduaneiro no Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10821.720077/201312 Acórdão n.º 3301004.744 S3C3T1 Fl. 565 3 Siscomex. Tal prazo (de 50 dias) findou, nos termos da autuação, em 22/01/2013; 3. os documentos não apresentados são os necessários para comprovação de frete e seguro, exigidos inicialmente em 25/01/2013; 4. no dia 25/01/2013, a D.I. foi interrompida no Sistema Siscomex, com exigência fiscal, no qual o impugnante foi intimado a apresentar documento comprobatório de frete no prazo de cinco dias úteis (até, portanto, o dia 01/02/2013); 5. até o dia da lavratura do Auto de Infração (06/02/2013), o impugnante não havia apresentado os documentos nem respondido à intimação; 6. o descumprimento da exigência, mencionado, constituise em infração prevista na alínea “b” do inciso II do artigo 70 da Lei 10.833, de 2003, à qual é imposta a penalidade de multa de 5% (cinco por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas. DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA Cientificado do lançamento em 22/02/2013, conforme documento postal de fls. 18, o contribuinte apresentou tempestivamente Impugnação Administrativa em 18/03/2013 (fls. 21/34 numeração eletrônica), que por bem sintetizada pela DRJ/SPOI merece ser transcrita: 1. não pode ser punido por infração que não cometeu, uma vez que os documentos obrigatórios para a instrução do despacho de importação estão exaustivamente listados no artigo 553 do regulamento aduaneiro e foram devidamente apresentados. Sobre o assunto, após trasladar o referido dispositivo, menciona: “Inclusive este é o próprio entendimento do fiscal ao informar que o importador teria deixado de comprovar não os documentos obrigatórios, mas sim comprovantes de transação comercial, mais precisamente o frete.”; 2. os documentos relativos a frete e seguro não haveriam que ser exigidos, pois que comprobatórios da transação comercial; 3. que para a formalização (e validade jurídica) da exigência fiscal, haverseia que proceder à intimação fiscal na forma do art. 23 do PAF (Processo Administrativo Fiscal, regido pelo Decreto n.o 70.235, de 1972). E que a inteligência do art. 42 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (IN/SRF) n.o 608, de 2006, é no sentido de que as exigências registradas no Sistema SISCOMEX devem preceder de intimação na forma citada (do art. 23 do PAF). 4. que, portanto, foi ilícita a forma da ciência da exigência; e que, além disso, o prazo de 5 (cinco) dias outorgado pela Autoridade Fiscal Aduaneira seria ilegal, tendo em vista que fundamentado em norma jurídica própria da legislação do imposto de renda, completamente alienígena aos tributos sobre o comércio exterior; Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10821.720077/201312 Acórdão n.º 3301004.744 S3C3T1 Fl. 566 4 5. que é ilegal a aplicação da multa impugnada, por violar o princípio da proporcionalidade, ter caráter confiscatório, e não encontrar amparo em qualquer dos princípios gerais de Direito; e 6. que deve ser observado o disposto no artigo 736 do Decreto 6759/2009, que cuida da relevação de penalidade em casos de erro escusável e de equidade. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPOI), houve por bem em, por maioria de votos, considerar improcedente a impugnação apresentada, proferido Acórdão no. 16047.000, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 22/01/2013 MULTA SOBRE O VALOR ADUANEIRO. DOCUMENTOS INSTRUTIVOS DO DESPACHO ADUANEIRO. NÃO APRESENTAÇÃO. São documentos instrutivos do despacho aduaneiro os previstos no artigo 553 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n.o 6.759, de 2009) e documentos específicos exigíveis por tipo de declaração de importação, além de documentos necessários à determinação do valor aduaneiro, quando exigidos por força do artigo 76 do mesmo diploma normativo e do artigo 3° da IN SRF no 327/2003. Os documentos apresentados na instrução do despacho aduaneiro devem ser os originais, conforme previsto no artigo 553 do Decreto 6759/2009. Documentos complementares ao despacho, como documentos comprobatórios de valor de frete e seguro, para fins de comprovação do valor aduaneiro, poderão ser originais ou cópias autenticadas, não se admitindo cópias simples, ex vi do artigo 10 da Lei 6932/2009. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. Descabe ao julgador administrativo a análise da aplicação do princípio da proporcionalidade, tendo em vista que a atividade fiscal é plenamente vinculada e obrigatória, e norteiase na busca da verdade material dos fatos e sua inserção na legislação tributária, com rigorosa aplicação ao princípio da legalidade. RELEVAÇÃO DE PENALIDADES não se aplica à infração de que tenha resultado falta ou insuficiência de pagamento do Imposto de Importação. Não comprovado que não houve falta ou insuficiência de pagamento de imposto, devido a inércia do contribuinte em atender exigência da fiscalização para fins de comprovação do valor aduaneiro e consequente levantamento da base de cálculo dos tributos, não há falar em relevação de penalidades na importação. Em apertada síntese a DRJ competente para o julgamento entendeu que a alegação de que os documentos comprobatórios do valor do frete e do seguro não consistem em documentos instrutivos do despacho aduaneiro não deve prosperar, pois o documento comprobatório do valor do frete, bem como do seguro, quando requisitados pela Autoridade Aduaneira na fase do Despacho de Importação, passam a ser documentos integrantes do referido despacho, uma vez que, conforme previsão legal, expressa no artigo 76 do RA, toda mercadoria submetida a despacho de importação está sujeita ao controle do correspondente valor aduaneiro. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10821.720077/201312 Acórdão n.º 3301004.744 S3C3T1 Fl. 567 5 Acerca da alegação de que, para a formalização e validade jurídica da exigência fiscal, haveria de se proceder à intimação fiscal na forma do art. 23 do PAF (Processo Administrativo Fiscal) regido pelo Decreto no. 70.235/72, não merece prosperar, uma vez que o despacho aduaneiro não é regido por tal Decreto e, por consequência, descabe a alegação de irregularidade na intimação efetuada exclusivamente no Sistema SISCOMEX. Quanto alegação prazo de 5 (cinco) dias para o cumprimento da exigência fiscal em exame carece de fundamentação legal válida e eficaz, entende a autoridade de 1a instância que não procede o argumento vez que há previsão no art. 19, § 1o, da Lei n.o 3.470, de 1958 (de cinco dias úteis, utilizado pela Autoridade Aduaneira). Entendeu ainda que poderseia, no entanto – e nesta seara haveria espaço para atuação discricionária – concederse o prazo do art. 24 da Lei n.o 9.784, de 1999, que também é de 5 (cinco) dias. Entendeu também a mencionada Delegacia, quanto à alegada aplicação da norma expressa no artigo 736 do Decreto n° 6.759/2009, que traz ao Regulamento Aduaneiro hipótese de relevação de penalidade, pelo não cabimento ao presente caso. Por fim, essencialmente a DRJ houve por bem em expor seu entendimento de que é inadequada a alegação de que o auto de infração é nulo, vez que a fiscalização não considerou as cópias simples dos documentos apresentados, isso porque a DRJ entendeu que em obediência ao disposto no artigo 10, da Lei n.o 6.932, de 2009, o documento exigido deve ser apresentado na sua forma original, ou então na sua forma autenticada, além do que, não constam dos autos sequer apresentação de cópias simples, exceto as juntadas na própria impugnação. DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 05/07/2013, conforme Termo de Ciência de fls. 131 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 134) em 31/07/2013, oportunidade em que, além de repisar os argumentos trazidos quando de sua Impugnação, aduziu os fundamentos a seguir sintetizados: Que trouxe aos autos todos os documentos essenciais para o despacho aduaneiro, de forma tempestiva não tendo ocorrido, no mundo fenomênico, o antecedente previsto no art. 70, inciso II, alínea b, item 1, da Lei 10.833/03, que justifique a multa infracional no importe de 5%; Que comprovou o valor do frete através de documento elaborado de forma digital e transmitido por correio eletrônico, vez que a mercadoria foi contratada por meio de Afretamento por Viagem (VCP – Voyage Charter Party), e, em mesma situação encontrase o seguro; Que a multa impingida desnatura em caráter indenizatório, ferindo o princípio constitucional da proporcionalidade diante de suposto não reconhecimento de um documento dito não conforme pelo fiscal, sem fundamento legal para tanto. Ao final a recorrente pediu a procedência do recurso e o consequente cancelamento do auto de infração. DA DISTRIBUIÇÃO Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10821.720077/201312 Acórdão n.º 3301004.744 S3C3T1 Fl. 568 6 Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico numerado até as folhas 177 (cento e setenta e sete), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Tendo em vista a conversão do julgamento em diligência, a Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Sebastião/SP apresentou documento às fls. 216 a 218 em razão do cumprimento da Resolução nº 3402000.641. O Contribuinte, por sua vez, apresenta Requerimento (fls. 227 e 228), em 16 de abril de 2014, em que solicita a juntada do contrato de Afretamento por Tempo no vernáculo (tradução juramentada) em meio físico devido a dificuldade de digitalização, visto a existência de selo de autenticidade que impede o seu desmembramento. Na mesma data, o Contribuinte também apresentou, Manifestação (fls. 456 a 459) em relação ao pedido de diligência e confirmar a apresentação de cópia do contrato de Afretamento por Tempo (TCP). É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 16047.000 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 22/01/2013 MULTA SOBRE O VALOR ADUANEIRO. DOCUMENTOS INSTRUTIVOS DO DESPACHO ADUANEIRO. NÃO APRESENTAÇÃO. São documentos instrutivos do despacho aduaneiro os previstos no artigo 553 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n.º 6.759, de 2009) e documentos específicos exigíveis por tipo de declaração de importação, além de documentos necessários à determinação do valor aduaneiro, quando exigidos por força do artigo 76 do mesmo diploma normativo e do artigo 3o da IN SRF n.º 327/2003. Os documentos apresentados na instrução do despacho aduaneiro devem ser os originais, conforme previsto no artigo 553 do Decreto 6759/2009. Documentos complementares ao despacho, como documentos comprobatórios de valor de frete e seguro, para fins de comprovação do valor aduaneiro, poderão ser originais ou cópias autenticadas, não se admitindo cópias simples, ex vi do artigo 10 da Lei 6932/2009. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10821.720077/201312 Acórdão n.º 3301004.744 S3C3T1 Fl. 569 7 PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. Descabe ao julgador administrativo a análise da aplicação do princípio da proporcionalidade, tendo em vista que a atividade fiscal é plenamente vinculada e obrigatória, e norteiase na busca da verdade material dos fatos e sua inserção na legislação tributária, com rigorosa aplicação ao princípio da legalidade. RELEVAÇÃO DE PENALIDADES não se aplica à infração de que tenha resultado falta ou insuficiência de pagamento do Imposto de Importação. Não comprovado que não houve falta ou insuficiência de pagamento de imposto, devido a inércia do contribuinte em atender exigência da fiscalização para fins de comprovação do valor aduaneiro e consequente levantamento da base de cálculo dos tributos, não há falar em relevação de penalidades na importação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Contribuinte visa, por meio da interposição do Recurso Voluntário, reformar a decisão ora recorrida para que seja cancelada a aplicação da multa infracional de 5% por falta de apresentação de documentação exigida pela Fiscalização. Para tanto, o Contribuinte conclui requerendo o que se segue (fl. 147): Em suma, considerando que: A Impugnante apresentou todos os documentos essenciais para o despacho aduaneiro, de forma tempestiva não tendo ocorrido, no mundo fenomênico, o antecedente previsto no artigo 70, inciso II, alínea b, item 1, da Lei 10.833/03, que justifique o consequente multa infracional no importe de 5% (cinco por cento); e A multa aduaneira impingida desnatura em caráter indenizatório, ferindo o princípio constitucional da proporcionalidade diante de suposto não reconhecimento de um documento dito não conforme pelo fiscal, sem fundamento legal para tanto (eticidade/boafé objetiva versus proporcionalidade da multa) Requer seja recebido, conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, para o fim de reformar a decisão proferida pela 11ª Turma da DRJ/SP1 e a consequente anulação do auto de infração lavrado, protestando pela posterior juntada de documentos comprobatórios do alegado acima, por ser medida de rigor. Por meio da Resolução nº 3402000.641 a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento converteu o julgamento em diligência nestes termos (fls. 196): Convençome de que os documentos trazidos pela Recorrente causam dúvida razoável, justificando, portanto, a realização de diligência para que sejam esclarecidos os fatos invocados. Assim sendo, entendo que o processo não se encontra em condições de receber um julgamento justo. Consequentemente, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para: a) Intimar o contribuinte à apresentar num prazo não menor que 30 (trinta) dias, os documentos originais ou cópias autenticadas dos documentos comprobatórios de frete e seguro, bem como o contrato de Afretamento por Viagem (VCP – Voyage Charter Party) na sua forma original bem como na forma traduzida para o vernáculo; Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10821.720077/201312 Acórdão n.º 3301004.744 S3C3T1 Fl. 570 8 b) Informar se os documentos relativos ao Afretamento por Viagem (VCP – Voyage Charter Party), contendo as informações de frete e seguro relativos a(s) DI ́s em questão, estava em Poder da Administração ou nos registros do SISCOMEX; c) Expirado o prazo e, uma vez juntados os documentos acima solicitados e ou prestadas as informações supra, sejam os mesmos analisados pela autoridade, seja então constatado se, do seu teor, teria havido falta de recolhimento dos tributos aduaneiros, e/ou algum tipo e qual espécie de prejuízo ao controle aduaneiro dos bens adentrados no mercado nacional através da(s) DI ́s pendente(s) de regularização pelos documentos em questão no prazo de 50 (cinquenta) dias referido neste processo. Ao final desta atividade, emitir Relatório conclusivo sobre a Diligência, dando vista à Recorrente para que dele se manifeste, querendo, no prazo de 30 (trinta) dias, após o que, com ou sem manifestação do sujeito passivo, deverá o processo ser reenviado a esta Turma de julgamento para nova inclusão em pauta. Em resposta ao pedido de diligência assim se pronunciou a Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Sebastião/SP (fls. 217 e 218): O item “a” da fl. 196 da Resolução no 3402000.641 foi satisfeito pelo documento de fl. 212. O item “b” foi realizado, já que o sujeito passivo admite em sua manifestação, folha 5 do Dossiê no 10010.020551/041481 que: “ Por fim, informamos que os documentos relativos ao Afretamento por Tempo (TCP) e os relativos ao frete e ao seguro não estavam em Poder da Administração ou nos registros do SISCOMEX.” O item “c” solicita que “expirado o prazo e, uma vez juntados os documentos acima solicitados e ou prestadas as informações supra, sejam os mesmos analisados pela autoridade, seja então constatado se, do seu teor, teria havido falta de recolhimento dos tributos aduaneiros, e/ou algum tipo e qual espécie de prejuízo ao controle aduaneiro dos bens adentrados no mercado nacional através da(s) DI's pendente(s) de regularização pelos documentos em questão no prazo de 50 (cinquenta) dias referido neste processo.” O Auto de Infração foi fundamentado na falta de apresentação dos documentos comprobatórios de frete e seguro. O sujeito passivo confirmou que estes documentos não estavam em Poder da Administração, nem em cópia simples, ou nos registros do Siscomex. Passo analisar então se houve ou não falta de recolhimento dos tributos aduaneiros e/ou algum tipo de prejuízo ao controle aduaneiro. Lembro que o prejuízo ao controle sempre existe, já que se não temos todos os documentos para o despacho, não podemos ter a certeza de que o que foi declarado está correto e consequentemente qual o controle deve ser feito. Com relação ao seguro, foi apresentado pelo interessado o “Certificado de Seguro” de fl. 66 do Dossiê nº 10010.020551/041481, datado de 08/03/2013. Lembro que a DI foi registrada em 29/11/2012, a carga descarregada em 30/11/2012 e o AI lavrado em 06/02/2013. Este documento, se apresentado tempestivamente, com data próxima ao registro da DI, poderia ser aceito como prova do valor do seguro. Como foi elaborado apenas em 08/03/2013, somente com a análise da apólice nº 01.22.4010583, mencionada no “Certificado” é que realmente poderemos saber o que foi segurado e o seu valor. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10821.720077/201312 Acórdão n.º 3301004.744 S3C3T1 Fl. 571 9 Já em relação ao frete, como mencionado pelo AFRFB Fernando de Almeida Tozzi, Chefe do Siana, em sua mensagem eletrônica (fl. 215 deste processo), não foi apresentada a tradução juramentada do Afretamento por Tempo – TCP, em que pese o interessado alegar que o entregou, conforme documento de fl. 5 do Dossiê nº 10010.020551/041481. Neste caso, o único documento que podemos analisar é o “Cálculo de AFRMM” de fl. 65 do Dossiê nº 10010.020551/041481. Este documento possui assinatura de um Assistente Administrativo e de uma Coordenadora, mas não sabemos quem o produziu, se foi o sujeito passivo ou outra empresa. A falta, portanto, da tradução juramentada e da correta identificação do documento de fl. 65, inviabiliza a comprovação do valor do frete alegado pelo sujeito passivo. Do exposto, nenhum documento entregue pelo sujeito passivo comprova, no meu entender, o frete e o seguro declarados, o que resulta em prejuízo ao controle aduaneiro. A falta ou não do recolhimento dos tributos aduaneiros só pode ser verificada após a entrega de documentos hábeis, que efetivamente comprovem o frete e seguro alegados. (grifouse). O Contribuinte apresentou Requerimento alegando que não foi possível a juntada do contrato de Afretamento por Tempo traduzido porque o documento não pode ser digitalizado, uma vez que o selo de autenticidade do contrato impede o seu desmembramento para a digitalização, e requereu que seja juntado o contrato de forma física ao processo. Diante de tal requerimento, por intermédio do Termo de Análise de Solicitação de Juntada (fls. 453) foi anexado ao processo o contrato de Afretamento por Tempo (Tradução Juramentada nº 33578/2014) às fls. 229 a 452. Salientase que Contribuinte apresentou Manifestação frente a decisão que converteu o julgamento do recurso em diligência. Reforçou o pedido de que não seja aplicada a multa prevista no art. 70, II, b da Lei 10.833 de 2003 alegando que houve um erro material na redação do Recurso Voluntário, qual seja (fl. 443): Apesar de ser mencionado no Recurso Voluntário apresentado que o instrumento contratual firmado seria um Afretamento por Viagem (VPC – Voyage Charter Party), o contrato que foi celebrado, na realidade, foi um Afretamento por Tempo (TPC – Time Charter Party) Este erro meramente formal, todavia, em nada altera as razões de fato e de direito já trazidas pela Petrobras aos autos, não representando nenhum prejuízo ao julgamento do feito. Dessa forma, apresentamos em anexo a cópia do contrato de Afretamento por Tempo (TPC) na sua forma original, bem como a sua versão traduzida para o vernáculo (tradução juramentada). Diante da elucidação dos fatos envolvendo o presente processo administrativo cabe verificar o que dispõe a Lei nº 10.833/2003 que embasa o auto de infração: Art. 70. O descumprimento pelo importador, exportador ou adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem, da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, ou da obrigação de os apresentar à fiscalização aduaneira quando exigidos, implicará: (...) Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10821.720077/201312 Acórdão n.º 3301004.744 S3C3T1 Fl. 572 10 II se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras: (...) b) a aplicação cumulativa das multas de: 1. 5% (cinco por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas; e 2. 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. (...) Constatase que o auto de infração foi lavrado de acordo com o disposto no art. 70, II, b, da Lei nº 10.833/2003 no que tange a falta de apresentação dos documentos que comprovem o frete e o seguro no momento da importação. Fato este que o próprio Contribuinte reconhece, mas entende que esses documentos não são obrigatórios quando da Declaração de Importação, pois não integram os documentos exigíveis listados no art. 553 do Regimento Aduaneiro. Em que pese os argumentos do Contribuinte, compreendo que, de fato, como não houve apresentação de documentos que comprovem o frete e o seguro declarados quando da DI implicou prejuízo ao controle aduaneiro, pois não tem como a autoridade fiscal, com a falta destes documentos previstos em Lei, comprovar se os recolhimentos dos tributos aduaneiros foram realizados de forma correta pela ausência de documentação concernente ao frete e seguro. O Contribuinte também alega que a multa aduaneira ofende o princípio constitucional da proporcionalidade. Entendese que não cabe ao julgador administrativo a análise da aplicação de princípios, no caso, o alegado princípio da proporcionalidade, e sim, o respeito a correta aplicação da legislação tributária. Neste sentido afasto a análise dos argumentos concernentes a aplicação do princípio invocado. Portanto, tendo em vista os autos do processo, a legislação aplicável ao caso e especialmente as informações prestadas em atendimento a diligência, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado, mantendo o entendimento da decisão recorrida. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 572DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720361/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1991
COISA JULGADA. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
De acordo com o Art. 502 do Código de Processo Civil, com aplicação inconteste no âmbito dos procedimentos administrativos fiscais, é indiscutível a decisão judicial de mérito não sujeita a recurso.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1991
CRÉDITO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL.
O crédito líquido e certo reconhecido em decisão judicial transitada em julgado, que reconheceu e delimitou o valor do crédito, deve ser considerado para que a decisão judicial seja cumprida no âmbito administrativo fiscal. Fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3201-003.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito obtido judicialmente a ser calculado sobre os pagamentos reconhecidos pela unidade de origem, em conformidade com o documento de fl. 823/824, inclusive os confirmados por microficha.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1991 COISA JULGADA. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. De acordo com o Art. 502 do Código de Processo Civil, com aplicação inconteste no âmbito dos procedimentos administrativos fiscais, é indiscutível a decisão judicial de mérito não sujeita a recurso. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1991 CRÉDITO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. O crédito líquido e certo reconhecido em decisão judicial transitada em julgado, que reconheceu e delimitou o valor do crédito, deve ser considerado para que a decisão judicial seja cumprida no âmbito administrativo fiscal. Fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10865.720361/2011-11
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5880615
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.685
nome_arquivo_s : Decisao_10865720361201111.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 10865720361201111_5880615.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito obtido judicialmente a ser calculado sobre os pagamentos reconhecidos pela unidade de origem, em conformidade com o documento de fl. 823/824, inclusive os confirmados por microficha. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7364407
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585570213888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1659; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 859 1 858 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.720361/201111 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.685 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2018 Matéria Finsocial Recorrente TRW AUTOMOTIVE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1991 COISA JULGADA. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. De acordo com o Art. 502 do Código de Processo Civil, com aplicação inconteste no âmbito dos procedimentos administrativos fiscais, é indiscutível a decisão judicial de mérito não sujeita a recurso. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1991 CRÉDITO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. O crédito líquido e certo reconhecido em decisão judicial transitada em julgado, que reconheceu e delimitou o valor do crédito, deve ser considerado para que a decisão judicial seja cumprida no âmbito administrativo fiscal. Fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito obtido judicialmente a ser calculado sobre os pagamentos reconhecidos pela unidade de origem, em conformidade com o documento de fl. 823/824, inclusive os confirmados por microficha. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 03 61 /2 01 1- 11 Fl. 859DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls 281 em face de decisão de primeira instância administrativa da DRJ/SP de fls. 263 que decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade do contribuinte de fls 227, restando o direito creditório de Finsocial não reconhecido. Como de costume nesta Turma de Julgamento, transcrevese o relatório e ementa do Acórdão da Delegacia de Julgamento de primeira instância, DRJ/SP de fls. 263, para a apreciação dos fatos e trâmite dos autos: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição e Declarações de Compensação (fls. 5/58) de crédito da contribuição para o Finsocial de outubro de 1989 a fevereiro de 1991, no valor de R$ 20.284.980,85, com débitos de diversos tributos. A DRF de Limeira(SP), por meio do despacho decisório de fl. 212/214, homologou parcialmente as compensações declaradas, em razão da insuficiência dos créditos pleiteados. Conforme a decisão, intimada a apresentar os Darfs de recolhimento do Finsocial, a contribuinte apresentou apenas três relativos a esse tributo, sendo os demais com código de receita 0561 – Imposto sobre a Renda Retido na Fonte. Assim, o reconhecimento do direito creditório foi apurado apenas em relação aos três recolhimentos comprovados da contribuição. Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 227/237, alegando que a exigência da Receita Federal, quanto à apresentação dos Darfs de recolhimento do Finsocial, pode configurar desobediência à decisão judicial, pois o procedimento já havia sido analisado em dois momentos: a ação de conhecimento e a ação de execução, sendo que nesta última a Fazenda Nacional questionou valores, tendo ocorrido o trânsito em julgado da decisão que reconheceu os valores analisados. Argumentou que os Darfs são os mesmos que constaram na ação judicial e orientaram os cálculos apresentados e discutidos em sede de embargos de execução, não havendo razão plausível capaz de invalidar os efeitos da coisa julgada. Acrescentou que, embora os citados Darfs consignem o código 0561, trazem todos, indistintamente, a menção de que se trata de recolhimento de Finsocial, destacando inclusive o cálculo elaborado em relação à conversão em BTNF. Assim, bastaria Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10865.720361/201111 Acórdão n.º 3201003.685 S3C2T1 Fl. 860 3 que a RFB procedesse à consulta do histórico de recolhimentos a título de Finsocial, que encontraria os referidos recolhimentos com código 0561 alocados no código de receita 6120. A respeito da intimação recebida durante o trâmite do presente processo, para apresentar livros contábeis dos anos de 1989 a 1991, refutoua sob o argumento de que o art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em seu Capítulo VI, não se aplica ao caso, uma vez que se presta para avaliação da possibilidade de reconhecimento do direito creditório, enquanto aqui o direito creditório já fora reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, objeto de capítulo específico da referida Instrução, o de nº VIII. Reiterou que os documentos que embasaram os cálculos judiciais jamais foram contestados pela União Federal, ao contrário, foram por ela utilizados para apuração do montante do indébito a que fazia jus a contribuinte. Transcreveu trecho da decisão judicial, que especificaria o valor do “quantum repetendo”, conferindolhe liquidez e certeza que não pode ser objeto de contestação pela Receita Federal. Requereu a reforma da decisão, para que sejam homologadas integralmente suas compensações e cancelada a cobrança decorrente da não homologação." A Ementa deste Acórdão de primeira instância administrativa fiscal foi publicada da seguinte forma: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1991 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Após o protocolo do Recurso Voluntário os autos foram distribuídos e pautados conforme regimento interno deste Conselho. Esta Turma de julgamento proferiu Resolução em fls 308 e determinou a seguinte diligência: "Desta feita, com fundamento no Art. 2.º da lei n. 9.784/99, Art. 165 e 170 do CTN, determinase que seja realizada a diligência pela autoridade de origem nos seguintes termos: 1. Intimese o contribuinte para juntar em 30 dias todas as cópias de todas as ações, peças e decisões judiciais relativas ao Fl. 861DF CARF MF 4 direito creditório, de primeira e segunda instância, fase de conhecimento e execução, assim como os mencionados cálculos das fls. 11 a 15 dos autos do Processo 2001.61.00.0174135 do TRF 3.ª Região, fls. em que consta o valor apontado em âmbito judicial como o valor a ser restituído, calculados pela Embargante (Fazenda Nacional). 2 Ao juntar as cópias, o contribuinte deverá apontar as principais decisões judiciais, tabelas e cálculos que delimitam o crédito reconhecido. Após, intimese o Contribuinte e a Procuradoria para manifestação e retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento.” A diligência foi cumprida e os autos retornaram para julgamento. Em fls. 788 esta Turma de julgamento novamente converteu o julgamento em diligência nos seguintes moldes: "Sendo assim, o trânsito em julgado poderia corresponder à desistência (como o desfecho final da fase executiva) e não ao valor apresentado pela união em sede de execução judicial e, com isso, o valor determinado na decisão judicial proferida pelo TRF da 3.ª Região (fls. 771 do eprocesso),transitada em julgado (fls. 780 do eprocesso), em fase de execução judicial, como sendo aquele apresentado pela Embargante, constante nas planilhas apresentadas (fls. 684 a 688 do eprocesso) em conjunto com os Embargos a Execução de fls. 673 do eprocesso, não teria efeito de coisa julgada, mas somente serviria de referência. Diante do exposto, considerando que valores foram apresentados pela própria União durante execução judicial e que existem indícios de que os pagamentos são realmente de Finsocial, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: que a unidade de origem verifique, por meio das diligências que entender necessárias, se os recolhimentos de Finsocial estão disponíveis e se foram ou não utilizados previamente em alguma compensação, se os valores estão alocados, utilizados e/ou liberados para algum tipo de pagamento ou não. A procuradoria deve ser cientificada do resultado da diligência e por último, o contribuinte deve ser cientificado, com possibilidade de manifestação. Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento." A diligência foi cumprida e a fiscalização apresentou seu relatório em fls 823 com a seguinte conclusão: "Após efetuadas as pesquisas, os únicos pagamentos encontrados são os discriminados abaixo e as telas de alocação estão anexadas aos autos, conforme fls.820 a 822 : Fl. 862DF CARF MF Processo nº 10865.720361/201111 Acórdão n.º 3201003.685 S3C2T1 Fl. 861 5 Os pagamentos efetuados no período de 15/01/1990 a 17/12/1990 não foram localizados pelo sistema (ver fls. 812 a 818). Pagamentos anteriores a 1990 não foram recuperados e sua confirmação foi efetuada por microfichas, essa confirmação foi realizada em 31/10/94, conforme fls. 84/85 do processo. Pelo exposto acima, só foi possível localizar os dois pagamentos acima mencionados e somente para esses pagamentos podemos afirmar que houve alocação aos débitos de Finsocial. Em relação aos pagamentos efetuados no período de 02/1989 a 12/1990 só foi possível confirmálos pelas microfichas." Por fim, em fls. 833 e 853 o contribuinte e a União, respectivamente apresentaram suas manifestação, no mesmo sentido de dar prosseguimento ao feito. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Nesta Turma de julgamento já foi analisado que no presente processo, a interessada está executando, administrativamente, crédito advindo de provimento judicial, nos períodos de janeiro a 1989 e fevereiro de 1990, instruída pelos Darfs de fls. 71 a 83. Vejamos trecho da certidão da Quinta Vara Cível, primeira Subseção Judiciária do Estado de São Paulo da Justiça Federal de fls 111, que certifica tanto o período como o trâmite judicial, conforme segue: Fl. 863DF CARF MF 6 Ao solicitar por via administrativa o direito obtido, em regra o interessado é submetido às regras aplicadas pela RFB aos procedimentos de restituição e compensação, desde que elas não colidam com as disposições judiciais fixadas na decisão que reconheceu o direito creditório. Para melhor compreensão do direito obtido, transcrevese o teor do provimento judicial (em fase de conhecimento) da Justiça Federal de São Paulo, conforme fls 95 dos autos, decisão transitada em julgado, conforme segue: A apelação da Fazenda Nacional foi negada conforme fls. 99 dos autos. Logo, a decisão acima permaneceu válida e não alterada. Como referência, também é importante citar que, em decisão de Embargos da própria Fazenda Nacional, na fase executória judicial (já extinta após desistência do contribuinte, exigida pela administração fiscal, conforme fls. 105 dos autos), ficou delimitado que o quantum respeite o valor apresentado pela Embargante (Fazenda Nacional) em fls. 11 a 15 dos autos judiciais. Foi corrigida divergência de cálculo com relação ao valor de restituição em março de 2000 (apresentado pela contadoria judicial), para o valor de R$ 6.008.655,15 (apresentado pela União) conforme Acórdão 862379 do Processo 2001.61.00.0174135, T.R.F, 3.ª região, reproduzido a seguir conforme fls. 234 dos autos (transcrito em peça de Recurso Voluntário): Fl. 864DF CARF MF Processo nº 10865.720361/201111 Acórdão n.º 3201003.685 S3C2T1 Fl. 862 7 Ao pesquisar os autos, inicialmente verificouse a ausência de peças e decisões judiciais que delimitassem com clareza o valor e alcance do reconhecimento do direito creditório no âmbito judicial. A exemplo, como mencionado acima, não foi possível identificar com clareza nos autos a cópia do valor apresentado pela Embargante (Fazenda Nacional) em fls. 11 a 15 dos autos judiciais, Processo n.º 2001.61.00.0174135, TRF 3.ª Região. Por esta razão foi determinada a Resolução de fls. 308, para instruir os autos com relação à matéria em lide, o crédito de Finsocial e o pedido de restituição/compensação. A diligência foi cumprida e o contribuinte juntou aos autos, em ordem, as principais peças, decisões e andamentos judiciais. Dessa forma, está comprovado que a decisão judicial de fase executória, proferida pelo TRF da 3.ª Região (fls. 771 do eprocesso), devidamente transitada em julgado (fls. 780 do eprocesso), determinou o valor a ser restituído/compensado, como sendo aquele apresentado pela Embargante, constante nas planilhas apresentadas (fls. 684 a 688 do e processo) em conjunto com os Embargos a Execução de fls. 673 do eprocesso. Logo, foi definido em âmbito judicial a certeza e liquidez do crédito de Finsocial, com amparo nos documentos que comprovaram o crédito, em especial, os DARFs juntados tanto em âmbito judicial quanto neste procedimento administrativo em fls 71 a 83. Desse modo, de acordo com o Art. 502 do Código de Processo Civil, com aplicação inconteste no âmbito dos procedimentos administrativos fiscais, é indiscutível a decisão judicial de mérito não sujeita a recurso. 1 Portanto, com relação ao Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações, porque considerou somente os Darfs com código 6120 e não os de código 1 Art. 502. Denominase coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. Fl. 865DF CARF MF 8 0561, é importante lembrar que, apesar desta lide administrativa tratar de possível erro de preenchimento do código de Finsocial no DARF, porque verificase que em todos os Darfs juntados está escrito "Finsocial" no corpo do documento, apesar do código ser de outro tributo, a solução desta lide está no cumprimento da coisa julgada, consubstanciada em decisão judicial transitada em julgado que já havia considerado os Darfs juntados com ambos os códigos. Por fim, é importante registrar que, sem qualquer mal à decisão inicial que reconheceu o direito ao crédito em fase de conhecimento, este colegiado discutiu a respeito da validade da decisão que determinou o valor a ser restituído, uma vez que esta foi proferida em execução judicial, com posterior desistência. Sendo assim, o trânsito em julgado poderia corresponder à desistência (como o desfecho final da fase executiva) e não ao valor apresentado pela união em sede de execução judicial e, com isso, o valor determinado na decisão judicial proferida pelo TRF da 3.ª Região (fls. 771 do eprocesso), transitada em julgado (fls. 780 do eprocesso), em fase de execução judicial, como sendo aquele apresentado pela Embargante, constante nas planilhas apresentadas (fls. 684 a 688 do eprocesso) em conjunto com os Embargos a Execução de fls. 673 do e processo, não teria efeito de coisa julgada, mas somente serviria de referência. Diante do exposto, considerando que valores foram apresentados pela própria União durante execução judicial e que existem indícios de que os pagamentos são realmente de Finsocial, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: que a unidade de origem verifique, por meio das diligências que entender necessárias, se os recolhimentos de Finsocial estão disponíveis e se foram ou não utilizados previamente em alguma compensação, se os valores estão alocados, utilizados e/ou liberados para algum tipo de pagamento ou não. Como relatado, a fiscalização observou a existência das microfichas, a alocação de dois dos pagamentos no Finsocial e a não utilização prévia em outras compensações, relatório conclusivo que permite o prosseguimento do feito, conforme solicitado pelas partes. Durante esta sessão de julgamento verificouse que vários DARFs possuem o código correto, dos que possuem o código errado (0561), ficou comprovado que foram alocados no Finsocial, o que leva a crer na legitimidade dos DARFS juntados e possibilidade de presumir que todos tratam de Finsocial, conforme solicitado pelo contribuinte. Diante do exposto, votase para que seja DADO PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito obtido judicialmente, a ser calculado sobre os pagamentos reconhecidos pela unidade de origem, em conformidade com o documento de fl. 823/824, inclusive os confirmados por microficha. Voto proferido. (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 866DF CARF MF Processo nº 10865.720361/201111 Acórdão n.º 3201003.685 S3C2T1 Fl. 863 9 Fl. 867DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.902582/2006-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO.
COMPROVAÇÃO.
Restando comprovado o pagamento indevido a maior do imposto, cabível sua utilização ou aproveitamento para encontro de contas em compensação tributária, desde que ainda disponível
Numero da decisão: 1301-003.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reconhecer o direito creditório de R$ 9.767,66 (valor original) e homologar as compensações declaradas até ao limite de crédito disponível.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: NELSO KICHEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2000 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Restando comprovado o pagamento indevido a maior do imposto, cabível sua utilização ou aproveitamento para encontro de contas em compensação tributária, desde que ainda disponível
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.902582/2006-45
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893490
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-003.177
nome_arquivo_s : Decisao_10830902582200645.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : NELSO KICHEL
nome_arquivo_pdf_s : 10830902582200645_5893490.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reconhecer o direito creditório de R$ 9.767,66 (valor original) e homologar as compensações declaradas até ao limite de crédito disponível. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7397049
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585573359616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1202; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 440 1 439 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.902582/200645 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.177 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria DCOMP Recorrente CADSERVICE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Restando comprovado o pagamento indevido a maior do imposto, cabível sua utilização ou aproveitamento para encontro de contas em compensação tributária, desde que ainda disponível Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reconhecer o direito creditório de R$ 9.767,66 (valor original) e homologar as compensações declaradas até ao limite de crédito disponível. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 25 82 /2 00 6- 45 Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10830.902582/200645 Acórdão n.º 1301003.177 S1C3T1 Fl. 441 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10830.902582/200645 Acórdão n.º 1301003.177 S1C3T1 Fl. 442 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls. 258/260 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/Campinas (fls. 244/246verso) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta que em 30/10/2003 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 19975.62141.301003.1.3.0 44700 (fls. 41/45), informando: a) débito (confessado): CSLL – Lucro Presumido, código de receita 2372, do PA 3º trimestre/2003, data de vencimento 31/10/2003, assim especificado: principal: R$ 15.165,27; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 15.165,27. b) crédito utilizado: aproveitamento de crédito de R$ 9.767,66 (valor original), referente suposto adimplemento indevido ou a maior de CSLL código de receita 6012, do PA trimestral 30/06/2000 (CSLL DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL BALANÇO TRIMESTRAL). O adimplemento desse PA seria no valor total de R$ 39.800,87, em 31/07/2000. Adimplemento indevido ou maior (valor original): R$ 33.081,15. O despacho decisório da DRF/Campinas, de 18/07/2008, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico (fl. 49), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 9.767,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10830.902582/200645 Acórdão n.º 1301003.177 S1C3T1 Fl. 443 4 (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Inconformada com essa decisão monocrática da qual tomou ciência em 29/07/2008 (fls. 47/48 e 237), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 01 e 48, aduzindo, em suas razões, o seguinte, in verbis: Ref. Processo de Crédito nº 10830.902.582/200645 CADSERVICE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA, sociedade limitada de direito privado, estabelecida à Rua Pedro Stancato, n.° 250/290 Bairro Campo dos Amarais Campinas SP, devidamente inscrita no CNPJ/MF sob n.° 65.877.300/000107, por seus representantes legais abaixo assinados, tendo recebido o Despacho Decisório n.° 775562600 (Rastreamento), com referencia ao Processo epigrafado, vem respeitosamente a presença de Vossa Senhoria, para manifestar sua inconformidade e esclarecer que requereu o desarquivamento do processo n.° 10830.008903/200290, tendo em vista que não foram consideradas as Alterações de DCTF desse processo, protocoladas em 01/10/2002. Do exposto, requer seja tal despacho considerado sem efeito, pleiteando comprovar a legitimidade dos créditos devidamente compensados, assim que tomar vista do processo desarquivado.. Cópia dos autos do processo nº 10830.008903/200290, que tratam de solicitação de alteração/retificação de DCTF, foram juntados aos presentes (fls. 53/229), conforme despacho da DRF/Campinas, de 15/04/2009 (fl. 244), in verbis: (...) Trata o presente de processo de manifestação de inconformidade, vide fls. 01 a 88, de Despacho Decisório emitido pelo SCC , com ciência em 29/07/2008, vide fls. 98. Como o contribuinte solicitou o desarquivamento do processo 10830.008903/200290 pois entende que a decisão prolatada nesse processo estaria vinculada ao presente despacho decisório, foram anexadas as cópias das fls. do processo 10830.008903/2000290, vide fls. 53 a 229. Encaminho o presente à DRJ/Campinas para prosseguimento. (...). Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10830.902582/200645 Acórdão n.º 1301003.177 S1C3T1 Fl. 444 5 Como já dito no início deste relatório, a DRJ/Campinas, enfrentando o mérito da lide, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o crédito pleiteado, conforme Acórdão da 5ª Turma, de 25/04/2011 (fls. 244/246verso), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. DCTF RETIFICADORA. Não há que se falar em crédito junto à Fazenda Pública vinculado a processo anterior de retificação de DCTF, se, após deferimento da retificação inicial, outras DCTF retificadoras, instrumentos de confissão de dívida, foram espontaneamente apresentadas pelo contribuinte, confirmando a existência de débito de tributo no valor inicialmente apurado, declarado e recolhido pela pessoa jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Restando não comprovada a existência do crédito utilizado na DCOMP, insta não homologar a compensação declarada dos débitos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 13/06/2011 (fl. 257), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 13/07/2011 (fls. 258/260) e juntou documentos (fls. 261/356), argumentando, in verbis: (...) DOS FATOS Trata o presente processo, de crédito de Contribuição Social, referente ao 2o trimestre de 2.000, no valor original de R$ 33.081,15 (diferença entre a Contribuição Social recolhida antes da recomposição da contabilidade no valor de R$ 39.800,87, e o valor apurado após a recomposição R$ 6.719,82). Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10830.902582/200645 Acórdão n.º 1301003.177 S1C3T1 Fl. 445 6 A recorrente, procedeu a apresentação de Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica retifícadora e das solicitações de Alteração de DCTF's, protocoladas em 01/10/2.002 (DCTF n.° 91074751 Processo 10830.008903/200290). (copia anexa) Em 28/10/2003, a recorrente protocolou DCOMP n.° 19975.62141.301003.1.3.044700 (copia anexa) para a compensação da CSLL apurada no 3o trimestre/2003 no valor de R$ 15.165,27, com o crédito remanescente do original de R$ 33.081,15, tendo sido emitido o despacho decisório pela DRF da não homologação da compensação, entendendo que o crédito havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente. Tal entendimento da RFB baseouse nas informações da DCTF retifícadora n.° 22044953, recepcionada em 26/11/2004, correspondente ao 2° trimestre/2.000, onde por um erro de fato, informouse o valor de R$ 39.800,87 e não R$. 6.719,82 no campo "Débito Apurado", voltando aos valores informados antes da recomposição da contabilidade, o que levou a relatora a julgar a DCTF n.° 91074751, como "eivada de erro'", quando na realidade, espelha fielmente os valores apurados após sanadas as irregularidades contábeis. Corroborando tal afirmativa, anexamos cópia fiel da DIPJ/2001, ano calendário 2.000, única retificadora (cópia anexa), apresentada em 02/08/2.002, onde na Demonstração do Resultado, constatamos a Provisão para a CSLL no 2o trimestre/2.000, no valor de R$ 6.719,82 (a mesma constante da DCTF retificadora n.° 91074751).(cópia anexa) Acrescenta ainda a recorrente, que em virtude do prazo decadencial (Art. 150 do CTN), está impedida de solucionar o erro, pelos meios eletrônicos. DO ERRO PLENAMENTE ESCUSÁVEL A recorrente, ao apresentar a DCTF retificadora n.° 22044953 (cópia anexa) de 26/11/2004, cometeu erro de fato, plenamente escusável, na forma em que dispõe o artigo 172, inciso II do Código Tributário Nacional, conforme se transcreve: (...) DA CONCLUSÃO Na análise das disposições retro transcritas, constatase ser a recorrente legítima detentora do crédito pleiteado para a compensação da CSLL apurada no 3o trimestre de 2.003, conforme DCOMP N.° 19975.62141.301003.1.3.044700, restando demonstrada a necessidade de reforma do r. "decisum" por este Egrégio Conselho, para reparar a subtração do direito alijado na decisão de primeira instância. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10830.902582/200645 Acórdão n.º 1301003.177 S1C3T1 Fl. 446 7 Diante do exposto, por ter comprovado as razões de fato, e demonstrado as razões de direito, requer seja dado provimento ao presente Recurso. (...) É o relatório. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10830.902582/200645 Acórdão n.º 1301003.177 S1C3T1 Fl. 447 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. A admissibilidade do recurso já foi analisada, na sessão de 05/11/2003, quando o julgamento foi convertido em diligência pela Resolução nº 1802000.386 2ª Turma Especial da 1ª SEJUL (fls. 369/378), cujo voto, no que pertinente, transcrevo, in verbis: (...) O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de Declaração de Compensação Tributária DCOMP n° 19975.62141.301003.1.3.044700, transmitida em 30/10/2003, por meio da qual a contribuinte compensou, sob condição resolutória: a) débito de CSLL, valor do principal R$ 15.165,27, código de receita 2372, referente ao período de apuração 3º o trimestre de 2003; b) crédito utilizado (original) de CSLL de R$ 9.767,66, referente suposto adimplemento indevido ou a maior de CSLL do PA 30/06/2000. Quanto a esse PA 30/06/2000, o adimplemento, em 31/07/2000, seria de R$ 39.800,87, código de receita 6012. Valor original do crédito inicial: R$ 33.081,15 Entretanto, a decisão recorrida, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório utilizado/pleiteado, deixando de homologar a compensação tributária, ante a inexistência de adimplemento indevido ou maior da CSLL, relativo ao citado período de apuração. Nesta instância recursal, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, argumentando que faz jus ao crédito pleiteado, aduzindo: que o crédito – direito creditório de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, referente ao 2o trimestre de 2000, perfaz R$ 33.081,05 (valor original adimplido indevidamente ou a maior); que esse valor corresponde, justamente, a diferença entre a Contribuição Social adimplida antes da recomposição da contabilidade de R$ 39.800,87 e o valor apurado após a recomposição de R$ 6.719,82; Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10830.902582/200645 Acórdão n.º 1301003.177 S1C3T1 Fl. 448 9 que a CSLL do 2º trimestre/2000, no valor de R$ 6.719,82 está em consonância com: a) DIPJ retificadora 2001, anocalendário 2000, transmitida eletronicamente em 02/08/2002, vide Ficha 6A Demonstração do Resultado – Provisão para CSLL R$ 6.719,82 para 2º trimestre/2000 e Ficha 17A – Cálculo da Contribuição sobre Lucro Liquido para 2º trimestre/2000, no valor de R$ 6.719,82 (fls. 228/229 e 272/322); b) DCTF retificadora (1ª): a CSLL do 2º trimestre/2000 foi reduzida de R$ 39.800,87 para R$ 6.719,82; c) DCTF retificadora (última retificadora) de 26/11/2004 (fls. 04/07 e 32): que foi transmitida por equívovo, por erro material escusável ao restabelecer a CSLL do 2º trimestre/2000 para R$ 39.800,87; que, por conseguinte, a DCTF retificadora correta é a 1ª, e não a última. d) DCTF primitiva – 2º trimestre/2000, com débito de CSLL do PA 30/06/2000, no valor de R$ 39.800,87, recibo de entrega em 10/08/2000 (fl. 146). Compulsando os autos, constato que os elementos de provas não permitem, não são insuficientes, para formação de convicção do Julgador quanto ao mérito do crédito pleiteado, ou seja, quanto à existencia e liquidez do crédito demandado. Senão, vejamos: Inicialmente, a contribuinte transmitiu eletronicamente DCTF primitiva, em 10/08/2000, quanto ao 2º trimestre/2000, confessando débito da CSLL estimativa desse trimestre no valor de R$ 39.800,87, informando extinção mediante pagamento por DARF, código de receita 6012, com data de vencimento em 31/07/2000, conforme cópia extrato da tela do Sistema Gerencial DCTF (fl. 244 ). Porém, não consta dos autos cópia do referido DARF de pagamento/recolhimento. Posteriormente, no processo nº 10830.008903/200290, protocolado em 01/10/2002, a contribuinte solicitou retificação de DCTF, preenchendo formulário em papel de DCTF retificadora, no intuito de redução do débito do IRPJ do PA 2º trimestre/2000 de R$ 39.800,87 para R$ 6.719,82 (fls. 190/227). Cópia dos autos do processo nº 10830.008903/200290, de que trata a solicitação de retificação de DCTF, foi juntada aos presentes autos (fls. 57/233), conforme despacho de 15/04/2009 (fl. 241). Ainda, para justificar a retificação da DCTF e redução da CSLL apurada do 2º trimestre/2000, de R$ 39.800,87 para R$ 6.719,82, naqueles autos, a contribuinte juntou cópia da Ficha 6A Demonstração do Resultado do 2º trimestre/2000, onde consta consignado, informado, no item 52, Provisão para a Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10830.902582/200645 Acórdão n.º 1301003.177 S1C3T1 Fl. 449 10 CSLL R$ 6.719,82 (fl. 228) e na Ficha 17A –Cálculo da CSLL, item 42 – CSLL a Pagar R$ 6.719,82 (fl. 229). Por fim, os autos do processo nº 10830.008903/200290 foram arquivados, sem análise do mérito do pedido formulado, por perda de objeto, pois a contribuinte tansmitiu eletronicamente a DCTF retificadora, reduzindo o débito apurado do IRPJ do 2º trimestre/2000 de R$ 39.800,87 para R$ 6.719,82, informando que pagara, em DARF, do referido PA 30/06/2000 o valor de R$ 6.719,82, código de receita 6012, recolhimento em 31/07/2000. Vide cópia de tela de extrato DCTF – Sistema Gerencial (fl. 245). Quanto ao referido arquivamento (processo nº 10830.008903/200290), transcrevo o despacho de 12/12/2002 propondo arquivamento e o qual realmente foi arquivado (fl. 234): Trata o presente processo de pedido de retificação de DCTF referente ao (s) ano (s) calendário 2000. A DCTF retificadora já foi transmitida via receitanet. Considerando o disposto no arigo 10 da IN SRF nº 255 de 11/12/2002, PROPONHO o encaminhamento do presente a ARQ – GRA/SP para arquivamento. Ainda, por último a contribuinte apresentou DCTF retificadora em 26/11/2004 (fls. 04/07 e 32) da anterior DCT retificadora, retornando para o débito inicial da CSLL de R$ 39.800,87 quanto ao PA 30/06/2000, informando que esse valor fora adimplido da seguinte forma (fls.246/248): pagamento em DARF R$ 6.719,82 (não consta cópia desse DARF nos autos); CSLL – saldo a pagar R$ 33.081,05 conforme cópia da DCTF retificadora (fls. 04/07 e 32). Logo, o crédito pleiteado de R$ 9.767,66 (valor original) na DCOMP objeto destes autos, referente adimplemento indevido ou maior de R$ 33.081,05 (valor original) da CSLL do PA 30/06/2000 não restou comprovado, pela seguintes razões: não há sequer cópia nos autos do alegado recolhimneto de R$ 6.719,82; b) não há prova, nos autos, de que o débito da CSLL de R$ 39.800,87 (confessado na DCTF primitiva) tivesse sido pago integralmente por DARF ou parte por DARF e parte por compensação válida (nos termos da legislação de regência), quanto ao PA 30/06/2000. Por outro lado, quanto à alegação da contribuinte de que houve mero erro material ou erro escusável de preenchimento da DCTF retificadora, transmitida por último em 26/11/2004 (fls. 04/07 e 32), restabelecendo o IRPJ do 2º trimestre/2000 (PA 30/06/2000) para R$ 39.800,87 (DCTF original), entendo que, Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10830.902582/200645 Acórdão n.º 1301003.177 S1C3T1 Fl. 450 11 em tese, é possível, sim, a existência do alegado erro material, pois na DIPJ retificadora, que foi recepcionada pelo Sistema informatizado da RFB (a qual é válida até prova em contrário), a CSLL apurada do 2º trimestre/2000 totaliza o valor de R$ 6.719,82. A propósito quanto ao alegado erro material, transcrevo, nessa parte, as razões suscitadas no recurso, nesta instância de julgamento, in verbis: (...) A recorrente procedeu a apresentação de Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica retifícadora e das solicitações de Alteração de DCTF's, protocoladas em 01/10/2002 (DCTF n.° 91074751 Processo 10830.008903/200290). (copia anexa) Em 28/10/2003, a recorrente protocolou DCOMP n.° 19975.62141.301003.1.3.044700 (copia anexa) para a compensação da CSLL apurada no 3o trimestre/2003 no valor de R$ 15.165,27, com o crédito remanescente do original de R$ 33.081,15, tendo sido emitido o despacho decisório pela DRF da não homologação da compensação, entendendo que o crédito havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente. Tal entendimento da RFB, baseouse nas informações da DCTF retifícadora n.° 22044953, recepcionada em 26/11/2004, correspondente ao 2° trimestre/2000, onde por um erro de fato, informouse o valor de R$ 39.800,87 e não R$ 6.719,82 no campo "Débito Apurado", voltando aos valores informados antes da recomposição da contabilidade, o que levou a relatora a julgar a DCTF n.° 91074751, como "eivadas de erros'", quando na realidade, espelha fielmente os valores apurados após sanadas as irregularidades contábeis. (...) Como demonstrado, existe DIPJ retificadora (recepcionada validamente até prova em contrário) do anocalendário 2000, transmitida eletronicamente em 02/08/2002 com recibo de entrega (fls. 49/99), demonstrando apuração de CSLL de R$ 6.719,82 para o 2º trimestre/2000, logo não tem sentido, em tese, a transmissão de DCTF retificadora apresentada, por último, restabelecendo apuração da CSLL para R$ 39.800,87 para referido PA. Por isso, o alegado erro material no preenchimento da última retificadora tem, em tese, plausiblidade, no caso. Mas, por outro lado, como já dito, em face dos elementos de prova constantes dos autos, não restou comprovado o adimplemento indevido ou a maior da CSLL do 2º trimestre/2000 no valor de R$ 33.081,05 (valor original), do qual a recorrente, na compensação objeto dos presentes autos, utilizou crédito de R$ 9.767,66 (valor original). Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10830.902582/200645 Acórdão n.º 1301003.177 S1C3T1 Fl. 451 12 Vale dizer, não consta dos autos prova alguma de que o valor da CSLL da R$ 39.800,87 do PA 30/06/2002 (inicialmente apurado – DIPJ primitiva) tivesse sido pago integralmente por DARF ou que tivesse sido objeto de quitação integral por compensação, ou ainda que tivesse sido adimplido parte por DARF de R$ 6719,82 e R$ 33.081,66 por compensação. Nesse diapasão, e com base no princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Campinas: a) intime a contribuinte a fazer comprovação, nos autos, do valor apurado da CSLL do 2º trimestre/2000 à luz da escrituração contábil, quanto ao valor informado na DIPJ retificadora; b) intime a contribuinte a comprovar o alegado adimplemento indevido ou a maior de R$ 33.081,15 (valor original) da CSLL do PA 30/06/2000 e do qual ela utilizou/pleiteou R$ 9.767,66 na compensação objeto destes autos (valor original); c) caso a contribuição, do citado PA, tenha sido adimplida a maior ou indevidamente por pagamento em DARF e/ou por compensação tributária válida (nos termos da legislação de regência), juntar aos autos cópia do DARF com respectiva confirmação de recolhimento e juntar prova da compensação tributária válida; d) informar se há, ou não, disponibilidade de crédito para compensação dos débitos informados na DCOMP objeto dos autos. e) elaborar, ano final, relatório circunstânciado, apresentando o resultado da diligência fiscal; f) intimar a contribuinte do resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias para manifestação nos autos, a partir da ciência, caso queira; g) transcorrido o lapso temporal, com ou sem manifestação da contribuinte, fazer a remessa dos autos a este CARF para julgamento. (...) Pois bem. A diligência fiscal foi realizada, e os autos retornaram conclusos para julgamento, e foram distribuídos a este Relator, nos termos do Regimento Interno do CARF Portaria MF nº 343, de 2015, Anexo II, art. 49, § 7º. Consta consignado no relatório de diligência fiscal que, por erro de fato, a contribuinte efetuou pagamento indevido ou a maior da CSLL do PA 30/06/2000 no valor de R$ 33.081,15 (fls. 423/435); porém, não restou confirmada a liquidez e certeza do crédito de R$ 9.767,66 utilizado na compensação tributária objeto dos autos, pois a recorrente deixou de Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10830.902582/200645 Acórdão n.º 1301003.177 S1C3T1 Fl. 452 13 apresentar documentos contábeis complementares, embora intimada a apresentálos durante o procedimento de diligência, in verbis: (...) INFORMAÇÃO FISCAL (...) Em cumprimento à determinação do CARF, a contribuinte foi intimada, através do Termo de Intimação Fiscal nº 592/2016, a “Apresentar escrituração contábil hábil e idônea, na qual esteja demonstrada a apuração da CSLL do 2º trimestre de 2000 informada na DIPJ retificadora. Deverão ser apresentadas cópias dos lançamentos relacionados à apuração da Contribuição, bem como o LALUR – livro de apuração do Lucro Real ou livro específicos para apuração da CSLL do exercício 2001, anocalendário 2000. Em razão do documento de arrecadação ter sido localizado no sistema de controle de pagamentos desta Receita Federal, o referido DARF não foi solicitado à contribuinte. A pessoa jurídica atendeu à intimação, apresentando os documentos juntados às fls. 396 a 400. DO DARF O DARF no valor de R$ 39.800,87 foi devidamente confirmado no sistema de controle, tendo recebido o número de pagamento 2622173718 2 (fls. 406). DA ESCRITURAÇÃO Conforme se depreende da análise da contabilidade apresentada, cabe razão à contribuinte no que se refere ao valor da CSLL apurada para o 2º trimestre de 2000. A CSLL do 2º trimestre de 2000, no valor de R$ 6.719,82, está em consonância com as cópias dos livros Diário, Razão e LALUR, referentes à apuração do 2º Trimestre de 2.000 (fls. 396 a 400). (...) Conforme se depreende da Contabilidade da Contribuinte foram apurados os seguintes valores: Valor recolhido de CSLL ref 2º trimestre......................39.800,87 ()Valor devido no 2º trimestre.......................................6.719,82 (=)Saldo credor a ser utilizado para compensação I....33.081,05 (...) Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10830.902582/200645 Acórdão n.º 1301003.177 S1C3T1 Fl. 453 14 Deste saldo credor de R$ 33.081,05 observouse que a contribuinte utilizou R$ 19.225,46 para compensar parte do valor total devido de CSLL do 3º trimestre de 2000 R$ 49.501,75. Restaria saldo a compensar de R$ 13.855,59. Saldo credor a ser utilizado para compensação I......... 33.081,05 ()Valor compensado no 3º trimestre............................. 19.225,46 (=)Saldo credor a ser utilizado para compensação II...13.855,59 A contribuinte foi intimada a confirmar a utilização de R$ 2.203,33 para compensar parte da CSLL do 4º trimestre, visto que consta da conta Razão 2.1.1.03.0003 que o valor da provisão da contribuição desse período foi de R$ 40.970,64, com recolhimento confirmado de apenas 38.767,31(fls. 407), faltando o valor mencionado de R$ 2.203,33. Fazendose os cálculos, verificase que o saldo restante para compensação resultaria em 11.652,26, valor este maior que o original requerido pela contribuinte em sua DCOMP, no montante de R$ 9.767,66. (=)Saldo credor a ser utilizado para compensação II...13.855,59 ()Valor presumidamente compensado no 3º trimestre....2.203,33 (=)Saldo credor a ser utilizado para compensação III..11.652,26 Contudo, Não houve atendimento à segunda intimação para apresentação de documentos contábeis. Assim, embora a presunção de que o saldo credor original de R$ 9.767,66 estaria correto, carece da apresentação dos documentos contábeis que o corroborem. Especialmente os lançamentos do livro Diário que confirmariam a escrituração apresentada no livro Razão, relativamente às compensações realizadas. Por outro lado, a contribuinte também não apresentou a conta do ativo na qual estaria contabilizado esse direito creditório – conta 1.1.3.08.0014, através da qual seria, talvez, possível de se verificar com mais clareza os valores utilizados para compensação tanto com relação aos débitos da CSLL dos períodosbase de 2000 como a compensação realizada via DCOMP. DA DIPJ O montante escriturado de R$ 6.719,82 coincide com o valor informado na DIPJ Retificadora do exercício 2001, ano calendário 2000, na Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, linha 18 – Imposto de Renda a Pagar, relativa ao 2º Trimestre (fls. 340). (...) Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10830.902582/200645 Acórdão n.º 1301003.177 S1C3T1 Fl. 454 15 DAS DCTF RETIFICADORAS A recorrente apresentou as seguintes DCTF, original e retificadoras: (...) O processo, protocolado sob nº em 01/10/2002, registrado como DCTF retificadora nº 0000.100.2002.91074751, trata de Alteração de DCTF. Conforme se verifica às fls. 59 desse processo, e conforme tela do sistema a seguir, a contribuinte solicitou a alteração do débito de CSLL referente ao 2º trimestre de 2000, de R$ 39.800,87 para R$ 6.719,82. (...) Contudo, posteriormente a postulante apresentou DCTF retificadora, sob nº 0000.100.2004.51903440, retornando o débito ao valor original de R$ 39.800,87. (...) Segundo o que consta da DCTF, o DARF foi totalmente alocado ao débito do período de apuração 04/2000 com vencimento em 31/07/2000. (...) CONCLUSÃO DO DÉBITO A SER CONSIDERADO Em razão da análise da escrituração contábil, contudo, conforme explanado no item ESCRITURAÇÃO, há que se considerar que realmente a declarante incorreu em erro de fato, devendo ser acatado como correto que o valor devido no 2º trimestre de 2000, relativamente à CSLL, é de R$ 6.719,82. (...) DO CRÉDITO A SER COMPENSADO O DARF referente ao recolhimento da CSLL no valor de R$ 39.800,87 foi devidamente confirmado no sistema de controle SIEF/DOCUMENTO DE ARRECADAÇÃO. A CSLL retificada do 2º trimestre de 2000, no valor de R$ 6.719,82, está em consonância com as cópias dos livros contábeis, LALUR, DIPJ e deve ser considerado como valor correto de Contribuição Social para o Lucro Líquido para esse período de apuração. Assim, é correto que a contribuinte teria o direito ao crédito de R$ 33.081,05, referente a IRPJ recolhido a maior para esse período. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10830.902582/200645 Acórdão n.º 1301003.177 S1C3T1 Fl. 455 16 Conforme cálculos realizados no item ESCRITURAÇÃO desta Informação, aparenta correto o valor original solicitado para compensação, de R$ 9.767,66. Contudo, como a contribuinte não apresentou documentos contábeis complementares sobre os quais foi intimada, não é possível afirmar que o crédito tributário requerido goza de liquidez e certeza para ser utilizado na compensação. (...) De sorte que, intimada no domicílio eletrônico do resultado do relatório de diligencia em (fls. 419/420), a contribuinte juntou imagens de folhas formulário contínuo livro Diário (fls. 423/435), onde consta registrado conta do ativo, contabilizado o direito creditório de R$ conta 1.1.3.08.0014: DIÁRIO DO MÊS DE JULHO DE 2000 Data LANÇA MENTO CONTA DEBITADA CONTA CREDITADA VALOR DO LANÇA MENTO HISTÓRICO Não foi possível identificar (imagem precária do documento juntado) 02617 1.1.3.08.0014 2.1.103.0001 33.081,05 CSLL RECOLHIDA A MAIOR 2º TRIMESTRE DE 2000 Destarte, o crédito utilizado na DCOMP, no valor de R$ 9.767,66 (valor original), é líquido e certo. Entretanto, como não foram juntadas imagens das folhas dos livros Diários de outros meses de 2000 a 2003, não foi possível identificar na escrituração contábil da contribuinte que o valor R$ 9.767,66 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior da CSLL, código de receita 6012, PA 30/06/2000, pleiteado neste processo, estivesse realmente registrado e vinculado à compensação objeto dos autos. Há, destarte, dúvida se o crédito já foi ou não utilizado, consumido, em outra compensação diversa dos presentes autos. Ou seja, há dúvida se o crédito está ou não disponível para extinguir o débito confessado na DCOMP objeto deste processo. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reconhecer o direito creditório pleiteado na DCOMP objeto deste processo, valor R$ 9.767,66 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior da CSLL, código de receita 6012, do PA 30/06/2000, e homologar a compensação até o limite do crédito disponível. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10830.902582/200645 Acórdão n.º 1301003.177 S1C3T1 Fl. 456 17 É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 456DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720286/2014-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE.
Impugnação apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo e não pode ser conhecida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Numero da decisão: 1201-002.274
Decisão: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE. Impugnação apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo e não pode ser conhecida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.720286/2014-85
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891763
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.274
nome_arquivo_s : Decisao_19515720286201485.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
nome_arquivo_pdf_s : 19515720286201485_5891763.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7390914
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585585942528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1557; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720286/201485 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.274 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de junho de 2018 Matéria IRPJ Recorrente LANCHONETE E RESTAURANTE BARAOSK LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE. Impugnação apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo e não pode ser conhecida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 02 86 /2 01 4- 85 Fl. 1463DF CARF MF 2 Trata o presente processo, da exigência de R$ 1.644.624,04 a título de imposto de renda pessoa jurídica, R$ 500.587,22 a título de contribuição social sobre o lucro líquido, R$ 521.444,99 a título de contribuição para o financiamento da seguridade social e R$ 112.979,74 a título de contribuição para o PIS/Pasep, referentes ao ano calendário de 2009, acrescidos de multa de ofício à razão de 225%. O lançamento foi efetuado com base no arbitramento do lucro, posto que notificado a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, o contribuinte deixou de apresentálos, enquadrandose desta forma na hipótese prevista no inciso III do artigo 530 do RIR/1999, apoiado pelo Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.040 a 1.058). A base legal para a exigência do IRPJ é o artigo 3° da Lei n° 9.249/1995 e artigo 42 da Lei n° 9.430/1996; para a CSLL, o art. 2º da Lei n° 7.689/1988 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei n° 8.034/1990, art. 2º da Lei n° 9.249/1995, art. 29, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, art. 22 da Lei n° 10.684/2003, art. 3º da Lei n° 7.689/1988, com redação dada pelo art. 17 da Lei n° 11.727/2008 e, art. 24, § 2º, da Lei n° 9.249/1995 com as alterações; introduzidas pela Medida Provisória nº 449/2008; a exigência da Cofins encontra amparo no art. 8º da Lei n° 9.718/1998, art. 1º da Lei Complementar n° 70/1991; art. 2º da Lei n° 9.718/1998, art. 24, § 2º, da Lei n° 9.249/1995, com as alterações introduzidas pelo art. 28 da Medida Provisória nº 449/2008 e art. 3º da Lei n° 9.718/1998, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória n° 2.15835/01, pelo art. 41 da Lei n° 11.096/2005; por fim, para o PIS, o enquadramento legal é o art. 1º da Lei Complementar n° 7/70, arts. 2º, inciso I e 9º da Lei n° 9.715/1998, arts. 2º da Lei n° 9.718/1998, art. 8º, inciso I, da Lei n° 9.715/1998, art. 24, § 2º, da Lei n° 9.249/1995, com as alterações introduzidas pelo art. 28 da Medida Provisória nº 449/2008, art. 3º, da Lei n° 9.718/1998, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória n° 2.15835/01 e pelo art. 41 da Lei n° 11.196/2005. Às fls. 1.110 e 1.111 consta o Termo de Sujeição Passiva Solidária (ciência em 17/03/2014) emitido em nome de Gervásio Cavalcanti de Macedo, CPF 484.350.23400, enquadrandoo na situação prevista no artigo 124 da Lei n° 5.172 de 1966 Código Tributário Nacional. Foi emitido, ainda, o Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 1.115 e 1.116), em nome de Maria dos Anjos de Brito Cavalcanti de Macedo (ciência em 21/03/2014), CPF 036.084.67424, alocandoa na situação prevista no artigo 124 da Lei 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional. Em 05/06/2014 foi apresentada, intempestivamente, pelo procurador dos sujeitos passivos solidários Gervásio Cavalcanti de Macedo e para Maria dos Anjos de Brito Cavalcanti de Macedo impugnação aos presentes Autos de Infração. Despacho Decisório da Delegacia de Administração Tributária em São Paulo (fls. 1.196 a 1.201) decidiu pela manutenção da autuação por não caber, ao caso em tela, revisão de ofício do lançamento. Foi, então, o processo encaminhado para ciência e seguimento na cobrança. Tendo sido verificado que constavam débitos em aberto foram emitidas cartas de cobrança nº 11/2014 para Gervásio Cavalcanti de Macedo (fls. 1.230 e 1.231) e nº 12/2014 para Maria dos Anjos de Brito Cavalcanti de Macedo (fls. 1.232 e 1.233). Em 07/10/2014, por meio de seu procurador, os sujeitos passivos solidários Gervásio Cavalcanti de Macedo e para Maria dos Anjos de Brito Cavalcanti de Macedo apresentaram contestação às Cartas de Cobrança (fls. 1.236 a 1.243), alegando, em síntese, que: Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 19515.720286/201485 Acórdão n.º 1201002.274 S1C2T1 Fl. 3 3 conforme se infere do Termo de Constatação Fiscal, os Auditores da RFB promoveram uma ação fiscal única que abrangeu dez MPFs; essa execução englobada dos dez MPFs numa só auditoria fiscal foi justificada pelo fato das irregularidades detectadas nas diversas pessoas jurídicas apresentarem “situações em comum”, que evidenciariam se tratar de empresas apenas “formalmente independentes”, pois teriam funcionado no período examinado “como um grupo econômico de fato”; no Termo de Constatação Fiscal (o único para os dez procedimentos fiscais), está informado, de modo absolutamente inequívoco e expresso, que, a despeito da constituição individualizada dos créditos tributários para cada ente do grupo, “serão os lançamentos apensados uns aos outros para que tenham contenciosos em comum”; relativamente aos PAFs n°s 19515.723066/201322, 19515.720122/2014 58, 19515.720121/201411, 19515.722887/201341 e 19515.721663/201312, os requerentes apresentaram tempestivas impugnações. E em tais defesas (todas de idêntico teor e fundamentação), foram arguidas diversas nulidades, arbitrariedades e ilegalidades da ação fiscal que deu origem a todas as autuações e que fundamenta a malfadada sujeição passiva solidária. diante do que apurou, entendeu e asseverou o próprio fisco no Termo de Constatação Fiscal, não podem os requerentes ser considerados revéis quanto aos demais processos administrativos, visto que, em rigor, encontrase efetivamente impugnada a ação fiscal (que, insistase, é única) e, em consequência, impugnados todos os créditos tributários e a imputação de responsabilidade tributária solidária dela (ação fiscal) decorrentes; a não apresentação de tempestivas defesas nos processos administrativo sem apreço não denota o desinteresse (ou a desídia) dos requerentes em impugnar os correspondentes gravames. Em verdade, isso somente ocorreu porque havia a convicção de que os lançamentos seriam apensados uns aos outros e que tramitariam em “contencioso em comum” (conforme consta expressamente do próprio TCF). De sorte que a insurgência manifestada, em uma (ou algumas) defesa(s), contra a ação fiscal e a sujeição passiva solidária propriamente dita seria suficiente para impugnar todos os lançamentos de ofício; a intenção de se insurgir contra todas as exações restou incontroversa quando os requerentes formalizaram “Impugnação ao Termo de Ciência Fiscal” em que são nominalmente citadas as dez pessoas jurídicas fiscalizadas e pugnouse pela improcedência das acusações contidas nos dez respectivos procedimentos fiscais; dadas as peculiaridades do vertente caso, não há que se aplicar com rigor o artigo 21 do Decreto n° 70.235/72, posto que a exigência foi verdadeiramente impugnada, sendo que os requerentes, tãosomente, deixaram de reproduzir nos feitos epigrafados as razões de inconformismo deduzidas nas tempestivas defesas interpostas em processos administrativos conexos e relacionados às mesmas bases fáticas; como os Auditores autuantes entenderam que os requerentes são “os reais beneficiários das atividades” das dez pessoas jurídicas fiscalizadas, cuja independência seria um “engodo e expediente de simulação”, perfeitamente possível sustentar que as dez autuações foram lavradas contra os mesmos sujeitos passivos e se vinculam aos mesmos elementos de prova; situação que enseja a incidência do § 2º do artigo 38 do Decreto n° 7.574/2011; Fl. 1465DF CARF MF 4 diante de todas as informações, alegações e acusações contidas no TCF (em que, de modo insistente, se faz referência a uma “conexão fática” entre as empresas fiscalizadas), seria até uma incoerência a RFB não reconhecer a unidade e a intima vinculação dos lançamentos, já que fundados em idêntica matéria de fato e resultantes de mesma ação fiscal, e não reconhecer que a interposição de impugnação pelos pretensos sujeitos passivos solidários em um ou alguns dos processos foi suficiente para instaurar a fase litigiosa do procedimento como um todo; o apensamento dos lançamentos num contencioso administrativo em comum impunhase, inclusive, sob o ponto de vista da segurança jurídica, haja vista a possibilidade de haver (caso cada gravame tramite de modo isolado e independente) soluções conflitantes quanto a situações idênticas; é imprescindível que os efeitos do julgamento das defesas formuladas nos Processos 19515.723066/201322, 19515.720122/201458, 19515.720121/201411, 19515.722887/201341 e 19515.721663/201312 (decisão essa que, indubitavelmente, será única) também se estendam aos demais feitos, de forma a evitar a inusitada e inadmissível situação de serem os requerentes demandados em cobranças executivas (e ações penais) alicerçadas em acusação fiscal que sequer foi julgada/confirmada definitivamente no âmbito do contencioso administrativo; uma vez consideradas as referidas singularidades do caso concreto (em que á uma única ação fiscal, uma única base fática e os mesmos responsáveis tributários solidários), forçoso concluir que não se consumou a revelia dos requerentes nos autos dos processos em que eles tãosomente deixaram de apresentar, no prazo regulamentar, as mesmas razões impugnatórias que foram articuladas nos outros feitos, que, segundo o próprio TCF, deveriam estar apensados àqueles primeiros para terem “contenciosos administrativos em comum”. Destarte, para que não haja qualquer nulidade, sobretudo pela preterição do direito de defesa, necessário que se aguarde o julgamento das impugnações interpostas, visto que a eventual procedência (total ou parcial) repercutirá inexoravelmente em todos os lançamentos advindos da mesma ação fiscal efetivamente hostilizada; ao formalizar “Impugnação ao Termo de Ciência Fiscal” pertinente aos dez MPFs, os requerentes pugnaram para que “todas as publicações e intimações” relacionadas ao processo fossem encaminhadas exclusivamente aos seus então patronos. Não obstante, os Autos de Infração e os Termos de Sujeição Passiva Solidária foram endereçados aos domicílios dos requerentes; além da convicção de que a ação fiscal já estava devidamente impugnada, os requerentes estavam certos de que as intimações a esta referentes, no mínimo, também seriam encaminhadas aos advogados constituídos nos autos. Em razão disso, deixaram de repassar (dentro do trintídio regulamentar) parte dos documentos aos profissionais que haviam contratado para cuidar de seus interesses e apresentar a(s) defesa(s) cabível(is). Inegável, assim, que restou prejudicado o pleno exercício do direito de defesa dos requerentes; por fim requer que se reconheça instaurada a fase litigiosa dos PAFs 19515.723162/201371, 19515.720286/201485, 19515.720179/201457, 19515.720180/2014 81 e 19515.720178/201411; e que se determine o apensamento dos mesmos aos autos dos PAFs 19515.723066/201322, 19515.720122/201458, 19515.720121/201411, 19515.722887/201341 e 19515.721663/201312 de sorte que todos se sujeitem aos efeitos do julgamento que será proferido acerca deste contencioso administrativo, bem como se determine que não se proceda a qualquer ato de cobrança dos débitos tributários em questão, inscrição em Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 19515.720286/201485 Acórdão n.º 1201002.274 S1C2T1 Fl. 4 5 CADIN, encaminhamento de Representação para Fins Penais ou qualquer outra medida restritiva, enquanto não houver decisão administrativa definitiva quanto às defesas formuladas; entretanto, caso se entenda de modo diverso, requerse alternativamente que, tendo em vista a prévia solicitação deduzida na “Impugnação ao Termo de Ciência Fiscal” quanto ao exclusivo encaminhamento das intimações aos causídicos então constituídos, seja reconhecida a nulidade das intimações referentes aos Autos de Infração / Termo de Sujeição Passiva Solidária dos PAFs 19515.723162/201371, 19515.720286/2014 85, 19515.720179/201457, 19515.720180/201481 e 19515.720178/201411, a fim de que seja reaberto aos requerentes o prazo para formalização das respectivas impugnações. Acórdão DRJ Em sessão de 19 de maio de 2016, a 2°Turma da DRJ/SPO não conheceu da Impugnação apresentada conforme ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Impugnação apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo e não pode ser conhecida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário Devidamente intimados da decisão da DRJ, a pessoas físicas Gervásio Cavalcante de Macedo e Maria dos Anjos de Brito Cavalcante de Macedo apresentara Recurso Voluntário pelo qual defende a tempestividade da Impugnação anteriormente apresentada e no mérito ratificam os argumentos de Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1467DF CARF MF 6 Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, assim, merece ser apreciado. Dada a inexistência de novos argumentos trazidos pelas Recorrente em sede de Recurso Voluntário e o total alinhamento do presente Conselheiro à decisão da DRJ, faço aqui uso do disposto no Art. 57, § 3°do Regimento Interno deste CARF que assim dispõe: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Desta forma, faço abaixo a transcrição integral do voto vencedor da decisão da DRJ: Tendo sido suscitada, pela interessada, questão preliminar relativa à tempestividade da impugnação, passase ao exame do presente processo por força do disposto no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15, de 12 de julho de 1996. O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art.151, inciso III do Código Tributário Nacional Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 e nos arts. 15 e 21 do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1.º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 19515.720286/201485 Acórdão n.º 1201002.274 S1C2T1 Fl. 5 7 do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. (Grifei). De acordo com o Termo de Constatação Fiscal (fls. 520 a 564) foi detectado que a empresa autuada, Lanchonete e Restaurante Baraosk Ltda – ME, juntamente com outras nove empresas, apresentavam as seguintes situações em comum: a) desconhecidas ou inoperantes nos domicílios tributários; b) registradas como lanchonetes, restaurantes e afins; c) com movimentação financeira volumosa e atípica para suas atividades; d) falta de apresentação de declarações (DIPJ e DCTF); e) com intimações enviadas por via postal aos endereços dos sócios que retornavam com a indicação de desconhecidos nos locais e f) sócios sem capacidade econômica para as movimentações das empresas Ainda, conforme o referido Termo de Constatação Fiscal, os Auditores Fiscais apresentam as seguintes constatações: “A concomitância das ocorrências não foi casual, decorreu de terem sido as empresas listadas em um mesmo relatório do COAF – Conselho de Controle das Atividades Financeiras – por operações financeiras a se esclarecerem, que a divisão de planejamento da Delegacia tributária confirmou não estavam declaradas em DIPJ e DCTF, e, acrescentando indícios de irregularidade, que pela atividade informada deveriam, supostamente, ser de pequeno porte (...) tinham movimentações financeiras expressivas não informadas ao fisco. Identificadas que as situações representavam um padrão de ocorrências que demandavam exame fiscal, decidiram as administrações das Divisões de fiscalização, envolvidas nos procedimentos, que os auditores atuantes deveriam promover, entre si, troca de informações sobre as constatações feitas nestas empresas, visando, sobretudo, esclarecer as possíveis conexões entre elas, e, com especial atenção, a identificação de possíveis reais beneficiários em comum. As conexões entre as empresas se confirmaram nas verificações, evidenciando que a divisão do grupo em empresas formalmente independentes era, em concreto, engodo e expediente de simulação para turbar a percepção, a observadores externos, sobre a grandeza dos recursos movimentados e omitidos em declarações tributárias que se impunham serem apresentadas pelos valores reais. As naturezas das efetivas movimentações financeiras, comprovadas nas verificações para o período, tornam forçosa a conclusão que as empresas foram constituídas ou compradas para servirem de fachada aos reais propósitos e interesses de seus controladores, apurado que foi em todos os casos, sem indícios de terem operado efetivamente estabelecimentos físicos, nos locais que informavam, para seus objetos sociais Fl. 1469DF CARF MF 8 registrados, bar, padaria, supermercado, lanchonete, ou restaurante. (...) Nas operações comprovadas ocorridas ficou evidenciada a atuação de pessoas (...) que pela amplitude e suas ações demonstravam ter o efetivo poder de decisão em todas as unidades do grupo, os 10 (dez) CNPJs sob ação fiscal, situação que, ressaltese, projetavam para seus sócios oficiais a condição de figurantes inseridos nos registros públicos para esconder seus reais controladores. Devendose destacar que estas pessoas identificadas com poder de mando eram estranhas aos registros societários arquivados. Os sócios sem capacidade econômica para as movimentações financeiras apuradas, e/ou em indícios de comando nos negócios, serviram de fato como interpostas pessoas perante o fisco para alcançar os propósitos dos controladores das empresas, e, pela conclusão que quem detém o domínio pode controlar os resultados, os controladores do grupo, identificados e nomeados nesse relatório, serão tratados para todos os efeitos legais e tributários, nas apurações que se fazem, como os reais beneficiários das movimentações financeiras constatadas. Ressalvandose que as responsabilidades dos sócios oficiais das empresas serão individualizadas nos relatórios dos Autos de Infração a se emitirem para cada empresa do grupo, pois muitos destes demonstram plena operosidade nas atividades de simulação, outros menos e alguns somente aparecem com os nomes.” (Grifos do original) Portanto, verificase a existência de 10 (dez) empresas autuadas com os mesmo sujeitos passivos solidários (Gervásio Cavalcante de Macedo e Maria dos Anjos de Brito Cavalcanti de Macedo), estes, por sua vez, apresentaram impugnações para apenas cinco das dez empresas autuadas, quais sejam: Restaurante e Lanchonete Itapetininka Ltda Me (PAF 19515.723066/201322, Lanchonete Nosso Lanche Ltda Me (PAF 19515.721663/2013 12), Supermercado Rafaesk Ltda Me (PAF 19515.720122/2014 58) e Supermercado e Padaria Albuquerkes Ltda Me (PAF 19515.720121/201411) e JL & JP Lanchonete Ltda (PAF 19515.722887/201341). Para as demais autuações, dentre as quais se encontra o presente processo, não foi apresentada impugnação ou foi apresentada impugnação intempestiva. São elas: LANCHONETE E PADARIA EDVALDOSQUE (PAF 19515.723162/201371), LANCHONETE E RESTAURANTE BARAOSK (PAF 19515.720286/201485), RESTAURANTE E CASA DE LANCHES NOVASK (PAF 19515.720178/201411), Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 19515.720286/201485 Acórdão n.º 1201002.274 S1C2T1 Fl. 6 9 CASA DE CHÁ E RESTAURANTE REPUBLYKA (PAF 19515.720180/201481) e LANCHONETE ROSALISKA (PAF 19515.720179/201457). Por meio de contestação às Cartas de Cobrança (fls. 1.236 a 1.243) o procurador dos sujeitos passivos solidários (Gervásio Cavalcanti de Macedo e Maria dos Anjos de Brito Cavalcanti de Macedo) alega que mesmo para os processos em que não foram apresentadas defesas tempestivas, as exigências foram impugnadas pois: “uma vez consideradas as referidas singularidades do caso concreto (em que há uma única ação fiscal, uma única base fática e os mesmos responsáveis tributários solidários), forçoso concluir que não se consumou a revelia dos requerentes nos autos dos processos em que eles tão somente deixaram de apresentar, no prazo regulamentar, as mesmas razões impugnatórias que foram articuladas nos outros feitos, que, segundo o próprio TCF, deveriam estar apensados àqueles primeiros para terem ‘contenciosos administrativos em comum’”. A requerente quer fazer crer que devido as peculiaridades do presente caso bastaria haver impugnação a um dos dez Autos de Infração para que ela se estendesse a todos os demais. Afirma que tirou essa convicção do próprio Termo de Constatação Fiscal onde consta que os lançamentos seriam apensados uns aos outros e que tramitariam em contenciosos administrativos em comum. O referido Termo de Constatação Fiscal apresenta, às fls. 522 a 524, uma síntese da fiscalização: Efeitos Fiscais Consideradas as constatações exposta neste termo temse: 1 – deverão ser lançados de ofício os tributos e contribuições fiscais apurados devidos, calculados por arbitramento a partir das movimentações financeiras conhecidas; 2 – os lançamentos obedeceram as personalidades jurídicas de cada empresa, visto não poderem ser desconstituídas na esfera administrativa; 3 – serão os lançamentos apensados uns aos outros para que tenham contenciosos administrativos em comum; 4 – serão emitidos termos de sujeições passivas solidárias, em todos os levantamentos, para Gervásio Cavalcante de Macedo e Maria dos Anjos de Brito Cavalcanti de Macedo; 5 – já efetivados no decorrer das presentes apurações fiscais, foram emitidos os competentes Ato Declaratórios para as baixas de ofício dos CNPJ das empresas, por inexistência de fato, após serem oferecidas a estas a possibilidade de contestarem as alegações fiscais; 6 – Os faturamentos serão presumidos pelas movimentações bancárias que se obtiveram com base nas disposições da LC 105/2001; 7 – Nos arbitramentos dos lucros das empresas, não comprovadas suas reais atividades,deverão Fl. 1471DF CARF MF 10 ser adotadas as hipóteses de maior percentual obtidos da aplicação do Art. 16 da Lei nº 9.249/95, c.c. Art. 27 da Lei nº 9.430/96 (Art. 41 da IN SRF nº 93/97), aplicadas sobre as receitas brutas das atividades, a que corresponderem os percentuais adotados, em cada trimestre de apuração. (Grifou se) Pela simples leitura desse trecho, ao informar que “os lançamentos obedeceram as personalidades jurídicas de cada empresa, visto não poderem ser desconstituídas na esfera administrativa” fica claro que as autuações e os processos administrativos são distintos. A informação de que os lançamentos serão apensados uns aos outros para que tenham contenciosos administrativos em comum é uma medida de ordem prática que, por óbvio, otimizaria o trabalho de julgamento. Reparese que esta escrito “contenciosos administrativos” (no plural) supondo a possibilidade de haver impugnação a mais de uma autuação. Não obstante, o próprio Termo de Constatação Fiscal, em item específico (“As personalidades jurídicas das empresas e os lançamentos fiscais” – fls. 545 a 547) deixa claro que as autuações foram, como não poderiam deixar de ser, individualizadas: “Conquanto as constatações apresentadas neste relatório indiquem que as empresas operavam como um grupo econômico de fato, para efeito dos lançamentos fiscais do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins que se concluem devidos, devem ser obedecidas as personalidades jurídicas dos entes do grupo, distribuindose as contribuições e tributos apurados conforme as bases de cálculos que se arbitraram dos movimentos bancários individuais, ou diretamente das movimentações de pagamentos feitas pelas operadoras de vale alimentação/ refeição, apurados para cada um dos listados na relação inicial de MPFs deste Termo. Os Autos de Infração – Ais – a se emitirem para cada empresa do grupo deverão apresentar em seus relatórios as constatações que se fizerem a partir das informações que se obtiveram para o conjunto do grupo, em consideração a constatação que as empresas, ainda que formalmente independentes, operavam conjuntamente com os mesmos objetivos e com movimentações bancárias que indicavam o domínio de pessoas que se identificaram ter não somente comando sobre o agrupamento como serem agentes de movimentações que lhes beneficiavam.” (Grifouse) Apesar de haver um Termo de Constatação Fiscal comum para todas as empresas autuadas, os procedimentos de fiscalização são unos, com específicos MPFs, Intimações, Termos de Verificação Fiscal, Autos de Infração e etc., tendo sido dado ciência de cada uma dessas peças separada e individualmente. Dessa forma, não cabe a aplicação do disposto no § 2º do artigo 38 do Decreto n° 7.574/2011, pois não se trata de mesmo sujeito passivo. Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 19515.720286/201485 Acórdão n.º 1201002.274 S1C2T1 Fl. 7 11 Portanto, para o presente caso, não foi apresentada impugnação tempestiva, não podendo se aproveitar de defesa apresentada em nome de outra empresa em processo administrativo diverso. Também não é crível que a requerente não tenha apresentado impugnação tempestivamente no presente caso pela convicção de que os lançamentos seriam apensados uns aos outros e que a defesa apresentada em uma autuação seria suficiente para impugnar os demais lançamentos. Primeiro porque, conforme explanado, o Termo de Constatação Fiscal deixa claro que as autuações são independentes, depois pelo fato da requerente ter apresentado defesa específica, ainda que similar, para cinco das dez empresas autuadas, além do fato de ambos sujeitos passivos solidários terem apresentado para todas as empresas autuadas contestação específica ao Termo de Constatação Fiscal. Por fim, é alegado que ao formalizar “Impugnação ao Termo de Ciência Fiscal” foi solicitado que “todas as publicações e intimações” relacionadas ao processo fossem encaminhadas exclusivamente aos seus então patronos, entretanto, os Autos de Infração e os Termos de Sujeição Passiva Solidária foram endereçados aos domicílios dos requerentes, o que teria prejudicado seu pleno exercício do direito de defesa. É requerido, então, que seja reconhecida a nulidade das intimações referentes aos Autos de Infração / Termo de Sujeição Passiva Solidária dos PAFs 19515.723162/201371, 19515.720286/201485, 19515.720179/201457, 19515.720180/201481 e 19515.720178/201411, a fim de que seja reaberto aos requerentes o prazo para formalização das respectivas impugnações. Aqui, cabe observar que se aplicam ao processo administrativo fiscal no âmbito da Receita Federal do Brasil (RFB) as determinações constantes no Decreto n° 70.235, de 1972 que em seu artigo 23, abaixo transcrito, disciplina integralmente a matéria. Seus incisos I, II e III configuram as modalidades de intimação, atribuindo ao Fisco a discricionariedade de escolher qualquer uma delas. Nesse sentido, o § 3º estipula que os meios de intimação previstos nos incisos do caput do artigo 23 não estão sujeitos a ordem de preferência. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 1473DF CARF MF 12 a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) O inciso II, do citado artigo 23, determina que as intimações por via postal ou por qualquer outro meio sejam feitas com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este definido no parágrafo 4º do mesmo dispositivo legal. Portanto, não sendo a intimação feita pessoalmente ou por meio eletrônico em endereço atribuído pela Administração e autorizado pelo sujeito passivo, não é possível a intimação em endereço diverso daquele por ele fornecido para fins cadastrais. Assim sendo, não há que se falar em nulidade das intimações efetuadas ou em cerceamento do direito de defesa. Concluise, portanto, que não foi apresentada impugnação tempestiva. Não observado o prazo legal, condição para a apreciação da impugnação pelas instâncias administrativas, o litígio não se instaura, não comportando exame das alegações de mérito veiculadas em petição concernente a processo administrativo diverso. Do exposto, voto pelo não conhecimento da impugnação. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 19515.720286/201485 Acórdão n.º 1201002.274 S1C2T1 Fl. 8 13 Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 1475DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.725158/2012-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 08/10/2007
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA OU CONSUMIDA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. PROCEDÊNCIA
Considera-se dano ao Erário, punível com a pena de perdimento, a infração relativa a mercadorias estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. A pena de perdimento converte-se em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-005.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 08/10/2007 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA OU CONSUMIDA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. PROCEDÊNCIA Considera-se dano ao Erário, punível com a pena de perdimento, a infração relativa a mercadorias estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. A pena de perdimento converte-se em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10314.725158/2012-58
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893449
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.732
nome_arquivo_s : Decisao_10314725158201258.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 10314725158201258_5893449.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
dt_sessao_tdt : Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7396726
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585600622592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1539; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 768 1 767 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.725158/201258 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.732 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO II Recorrente FORMING TUBING DO BRASIL INDUSTRIA, COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 08/10/2007 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA OU CONSUMIDA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. PROCEDÊNCIA Considerase dano ao Erário, punível com a pena de perdimento, a infração relativa a mercadorias estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. A pena de perdimento convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 51 58 /2 01 2- 58 Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10314.725158/201258 Acórdão n.º 3302005.732 S3C3T2 Fl. 769 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração AI (fls.1 3/34), lavrado em 29/08/2012, e cientificado aos sujeitos passivos solidários, em 05 e 06/09/2012 (ARs às fls. 646/647), para exigência de créditos tributários relativos à multa substitutiva de perdimento (R$236.337,03), das mercadorias não localizadas, conforme DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS), elaborado pela autoridade fiscal, no corpo do AI. O procedimento de auditoria foi assim descrito e resumido no relatório da decisão recorrida (fls. 701/702): "No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no cumprimento do disposto nos arts. 194, 195 e 196 do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) e arts. 54 e 138 do Decreto Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966 (com nova redação dada pelos arts. 2º e 4º do DecretoLei nº 2.472, de 1º de setembro de 1988), e no atendimento da programação apresentada à Equipe de Fiscalização Aduaneira III da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo (IRF/SPO), foi realizada ação fiscal nas empresas AMBRA COMERCIAL, IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA e FORMING TUBING DO BRASIL LTDA, acima identificadas. O presente Auto de Infração exige a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, a que se refere o art. 23, V, §3º do DL 1.455/76, relativamente às importações efetuadas de forma irregular, com a prática de ocultação do sujeito passivo, no período compreendido entre agosto de 2007 e dezembro de 2011." Cientificado o AI aos sujeitos passivos solidários, em 05 e 06/09/2012 (ARs às fls. 646/647), apenas a FORMING TUBING DO BRASIL LTDA apresentou Impugnação, em 26/09/2012 (fls. 656/671), alegando, em síntese, emprestada da decisão recorrida (fls. 701/ 705): "A Forming Tubing, no ano de 2007, ampliou suas instalações para melhor adequação de suas atividades perante o mercado, investindo em maquinários máquinas de dobra e conformação de tubos. Dentre os fornecedores está a empresa AMBRA COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA (doravante denominada AMBRA). O papel da empresa Forming Tubing é realizar a cotação do maquinário que necessita e fechar a quem lhe oferece o melhor preço de mercado. Não existe 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10314.725158/201258 Acórdão n.º 3302005.732 S3C3T2 Fl. 770 3 nesse procedimento administrativo fiscal prova documental de que a impugnante tenha (i) negociado de forma direta com o exportador, (ii) tenha negociado por conta e ordem de terceiro – pessoa jurídica que promove em seu nome o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra em razão de contrato previamente firmado –, ou, por fim, (iii) tenha adquirido as mercadorias por encomenda. Destaquese que a Forming Tubing não tinha nenhum interesse nessa importação; acaso o tivesse, bastava realizar um simples procedimento administrativo habilitandose no sistema SISCOMEX. Referidas e pontuais negociações não caracterizam, nos termos da legislação, “ocultação do real adquirente", pois a mercadoria foi adquirida no Brasil. Por outro lado, a Autoridade Aduaneira afirma que a Forming Tubing não estava cadastrada no sistema RADAR. Sabese que o sistema RADAR é somente um procedimento administrativo simples, sendo que a Impugnante não o havia efetuado pelo fato de nunca haver importado, já que seus equipamentos são adquiridos no mercado interno. Portanto, os documentos carreados na fase de investigação, em especial os extratos bancários e o livro caixa provam, de forma categórica, que a mercadoria foi adquirida antes do Registro da D.I., fato que não configura “ocultação do real adquirente", mesmo porque a AMBRA realizou uma importação direta para revender no mercado nacional a outras empresas igualmente interessadas. DA INEXISTÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA Fato Incontestável: Não há Interposição fraudulenta, mas a presunção da Autoridade Aduaneira de que, como a mercadoria foi adquirida enquanto estava em Zona Primária, haveria a importação para interposta pessoa, olvidandose que em um negócio jurídico há uma obrigação de pagar, ou seja, o Comprador PAGA e o Vendedor entrega a coisa negociada. Interposição fraudulenta está positivada em nosso ordenamento jurídico pela Lei nº 9.613/98 (Crime de Lavagem de Dinheiro), concebida juridicamente pela postura daquele que se presta a intermediar negócios com recursos obtidos por intermédio de crimes antecedentes, então relacionados a tráfico ilícito de substâncias entorpecente ou drogas, terrorismo, contrabando ou tráfico de armas, extorsão mediante seqüestro, corrupção, enfim, todos os crimes descritos no art. 1º da lei de lavagem de dinheiro. Portanto, para que seja caracterizada a interposição fraudulenta de interposta pessoa na importação é necessário a comprovação (i) da origem, (ii) da disponibilidade e (iii) da transferência dos recursos empregados no comércio exterior, além de indícios de quaisquer das infrações penais acima descritas. Não é o caso do presente Auto de Infração. Isto porque os valores negociados não são oriundos de crimes antecedentes de lavagem de dinheiro, posto que tem origem lícita e devidamente contabilizada, tanto que não foi questionada pela Autoridade Fiscal a origem do dinheiro. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10314.725158/201258 Acórdão n.º 3302005.732 S3C3T2 Fl. 771 4 A definição do delito de interposição fraudulenta no dizer do legislador, corresponde a: aquele em que alguém prestase a intermediar negócio com recursos ou coisas que sabe ser produto de crime antecedente. (fl. 661) A esse delito foi atribuída uma qualificação de crime equivalente ao de receptação, como se vê do item 23 da mencionada Exposição de Motivos da referida Lei. A interposição fraudulenta corresponderia a um crime conexo, posto que praticado na intenção de ocultar coisa ou dinheiro que tem como origem um dos crimes elencados no artigo 1º da Lei nº 9.613/98, portanto, pressupõe um crime antecedente, como por exemplo: tráfico de drogas; terrorismo; contrabando ou tráfico de armas, munições ou material destinado à sua produção; de extorsão mediante seqüestro; contra a Administração Pública (corrupção); contra o sistema financeiro nacional; pratica de organização criminosa. Há de se reconhecer que essa tipologia infracional – interposição fraudulenta, tipificada no inciso III, parágrafo primeiro, do art. 12 da Lei acima – exige um NEXO DE CAUSALIDADE entre a interposta pessoa e o crime antecedente. Sem essa vinculação, dolosa, não há configuração de crime. Atualmente a referida infração está disposta no artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/76, introduzido pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002 que alterou o referido artigo. Com efeito, o Regulamento Aduaneiro, Decreto nº 6.759/2009, artigo 801, a pretexto de regulamentar a referida infração, alargou o conceito de interposição fraudulenta, enquadrando quaisquer operações realizadas através de intermediários como crime de interposição fraudulenta. Equivocado o raciocínio! Portanto, concluir que a Forming Tubing já havia encomendado as máquinas para serem instaladas em sua fábrica, utilizando a AMBRA como Importador e ante a tais fatos determinar a devolução das máquinas ou o seu valor aduaneiro em depósito como pena de perdimento é desviar a finalidade. Aqui não se tem uma infração administrativa, um conluio, uma fraude ou uma simulação. (fl. 664/665) Toda infração é objetiva! E não o contrário! A Administração Pública alterou o conceito jurídico da norma. A interposição fraudulenta de terceiros é uma figura delituosa, que só se define e tipifica relativamente a uma intermediação comercial que vise ocultar, em artifício doloso, o real comprador ou real vendedor, ou ainda o responsável pela operação, sempre que os recursos empregados tenham origem ilícita oriunda de um crime antecedente. Descabe, pois, nos termos de direito, aplicar a pena de multa pelo valor aduaneiro a pretexto de que quaisquer outras hipotéticas infrações à legislação aduaneira possa configurar a referida interposição fraudulenta. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10314.725158/201258 Acórdão n.º 3302005.732 S3C3T2 Fl. 772 5 Junta textos da Jurisprudência do STJ Recurso Especial 1.144.751 a respeito do assunto. Evidenciase que a pena de perdimento aplicada aos casos de interposição fraudulenta só exsurge no mundo jurídico quando praticada com o fito de ocultar dinheiro ilícito, fruto de crime antecedente, nos termos do artigo 1º da Lei nº 9.613/1998. Reconheceu, portanto, a Autoridade Fiscal que a AMBRA cedeu seu nome para a FORMING TUBING realizar a importação de 3 (três) máquinas e, neste sentido, deve ser aplicado o art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Referido artigo, que impõe a multa de dez por cento do valor da operação aplicável à pessoa jurídica, foi instituído em nosso ordenamento jurídico para regular o desvio de finalidade da norma pela Administração Pública. Pela má interpretação do alcance das normas jurídicas, em especial a aplicação da pena de perdimento (pena máxima em nosso direito) prevista no art. 23, inciso V, parágrafo 3º do DecretoLei nº 1.455/76, que deve ser aplicado em casos de CRIME de LAVAGEM DE DINHEIRO, mas que foi alargada excessivamente sua utilização pelos Servidores Públicos, o Poder Legislativo introduziu em nosso ordenamento jurídico a multa administrativa de 10% (dez por cento) para preservar o direito de propriedade e o da livre iniciativa. É neste contexto que as disposições legais devam ser consideradas e interpretadas, ou seja, preservandose a circulação lícita de riquezas, devendo ser afastada a pena de perdimento para aplicar a pena administrativa de dez por cento do valor das mercadorias, conforme previsto no art. 33, da Lei nº 11.488/2007. DO ALEGADO DANO AO ERÁRIO Não há dano ao erário. A Autoridade Administrativa pressupõe a existência de dano ao erário pelo fato de o adquirente "oculto", ao não ser denunciado pelo Importador, deixar de recolher o IPI, conforme descrito no art. 92, inciso IX do Decreto nº 4.544/02. Porém, a Forming Tubing adquiriu os equipamentos para a sua atividade econômica, para produção de sua atividade final, razão pela qual a Impugnante é o adquirente final das máquinas, não podendo ser aplicado esta legislação que prevê a revenda, o que não é o caso deste Auto de Infração. (fl. 670) Em razão de incorporar a máquina ao seu patrimônio, para poder atender sua produção, também não há nenhuma infração tributária, tanto que sequer foi levantada pela fiscalização realizada, o que permite demonstrar que a Forming Tubing é uma empresa idônea e jamais obrou contra os interesses do Fisco. (fl 671) Vale observar, ainda, que a Autoridade não apontou um único elemento ou prova de dano ao erário, trabalhando somente na presunção deste fato, o que Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10314.725158/201258 Acórdão n.º 3302005.732 S3C3T2 Fl. 773 6 não é permitido, já que deve haver a constituição integral dos fatos, até mesmo para permitir a defesa do que a empresa está sendo acusada. (fl. 671) DO PEDIDO Posto isto, PEDE que seja decretada a INSUBSISTÊNCIA do presente Auto de Infração, tendo em vista que a mercadoria foi adquirida no mercado interno (quando ela encontravase no porto, todavia, ainda não nacionalizada), realizando, a Impugnante, o pagamento conforme as instruções da AMBRA. Outrossim, salienta que o dinheiro utilizado na operação de compra e venda é lícito, o que afasta a interposição fraudulenta e pena de perdimento em casos de crime de lavagem de dinheiro, devendo ser observado, ainda, que se houve violação aos procedimentos administrativos, por ocasião da compra da mercadoria, pugna a autuada pela aplicação de multa no percentual máximo de 10% (dez por cento) do valor aduaneiro das mercadorias, ao invés da penalidade de perdimento, que somente é aplicada, em nosso ordenamento jurídico, nos casos de crime. Com a finalidade demonstrar seus direitos, requer a produção das seguintes provas: (i) oitiva de testemunhas e (ii) diligências para demonstrar que as máquinas importadas estão operando diariamente na atividade da Forming Tubing. É o relatório." A decisão de primeira instância, proferida em 30/07/2013 (fls. 700/728) foi pela improcedência da impugnação, em decisão cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 08/10/2007 Ocultação do verdadeiro interessado nas importações. Pena de perdimento das mercadorias, comutada pela multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. A aplicação da pena de perdimento deriva não do fato da sonegação de tributos, muito embora tal fato se constate como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que há o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil em pretender possuir o controle absoluto sobre o destino de todas mercadorias e bens importados por empresas nacionais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR à fl. 733), em 12/08/2013, apresentouse o recurso voluntário de fls. 735/752, em 04/09/2013, em essência, reiterando a argumentação expressa na impugnação interposta. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10314.725158/201258 Acórdão n.º 3302005.732 S3C3T2 Fl. 774 7 Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. DA INEXISTÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA Reitera a ora recorrente, da inexistência de interposição fraudulenta, promovendo uma guinada argumentativa, desistindo da tese impugnatória que vinculava o ilícito aduaneiro ao crime de lavagem de dinheiro, para concentrar seus argumentos em aspectos fáticos que demonstrariam a inexistência de fraude ou simulação, exigidos pelo inciso V, do artigo 23, do Decretolei nº 1.455/1976, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Questão hermenêutica decisiva, interpretar e aplicar a norma contida no inciso V, do artigo 23, do Decretolei nº 1.455/1976, no que diz respeito a considerarse dano ao Erário, a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Confesso não ser fácil a missão de interpretar de forma adequada os elementos subjetivos fraude ou simulação, no contexto adotado para caracterização da ocultação e do dano ao Erário, resultante na pena de perdimento. Mais difícil ainda, quando não impossível, comproválas diretamente, pelo que se admite que sejam provadas por todos os meios admitidos em Direito, inclusive provas indiretas, usandose de indícios e presunções. Mais atenta a importância da caracterização desses elementos subjetivos, no recurso voluntário, a contribuinte também buscou conceituálos, afirmando, em síntese, ausentes no presente caso. Nesta Turma de julgamento, prevalece o entendimento de que não há interposição fraudulenta quando a interposição é lícita, v.g., nas modalidades de importação permitidas – conta e ordem e encomenda, ou quando o ocultado não tem como saber que está a adquirir produtos que serão objeto de uma importação, ou adquire no mercado interno produto distinto daquele importado, ainda que tenha feito pagamentos adiantados, ao menos parciais. No entanto, se ambas as partes têm a plena consciência de que a mercadoria importada, de fato, não se destina àquele que consta como importador na declaração de importação, e contribuem, como no caso, para prestar ao fisco informações que sabem não refletir a realidade da operação, temse interposição fraudulenta. No mesmo sentido, sobre a necessidade de utilização das modalidades de importação permitidas – conta e ordem e encomenda, afirmase no voto condutor da decisão recorrida que: "Se no momento do registro de uma Declaração de Importação o bem importado já possui destinatário determinado no mercado interno, devese necessariamente adotar uma dessas duas modalidade de Importação sob pena de se configurar ocultação do Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10314.725158/201258 Acórdão n.º 3302005.732 S3C3T2 Fl. 775 8 sujeito passivo, conduta tipificada no inciso V, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76. Em não agindo assim, frustra intencionalmente o controle aduaneiro exercido pelos órgãos anuentes no comércio exterior." (fl. 716) Prossegue a acórdão recorrido promovendo a subsunção dos fatos à norma, extraindo do relato fiscal as seguintes evidências, sobre revendas e depósitos bancários de pagamentos, em datas anteriores antes mesmo do desembaraço: 1. A FORMING não possuía Habilitação no RADAR para realizar operações de Comércio Exterior durante os anos de 2007 e 2008, portanto não poderia atuar em operações de comércio exterior. Sendo assim, contratou as operações de importação com a AMBRA; 2. As mercadorias, ao serem importadas, não passam pela AMBRA, pois a empresa não possui local de armazenagem, conforme constatação da fiscalização e declaração da própria empresa (ver anexo Local de Armazenagem). A empresa possui apenas uma sala comercial no endereço Rua Padre Machado, nº 455, sala 84, São Paulo, onde não há espaço para estocagem de mercadorias; 3. As mercadorias importadas foram revendidas para a FORMING antes mesmo do seu desembaraço, conforme se pode comprovar pelas Notas Fiscais de Saída emitidas; 4. O desembaraço da DI 07/13724760 foi feito em 15/10/2007 e a venda para a FORMING foi feita em 10/10/2007, quando as mercadorias ainda não tinham nem sido desembaraçadas; 5. O mesmo ocorreu com a DI 08/12116172. Seu desembaraço é datado de 11/08/2008 e a venda para a FORMING foi feita anteriormente, em 08/08/2008; 6. Em relação à DI n° 08/19166930, o seu desembaraço é datado de 05/12/2008, havendo, entretanto, um depósito bancário como pagamento em data anterior, mais precisamente, no dia 28/11/2008; 7. A AMBRA é, portanto, o importador ostensivo, que realizou a importação, seja ela por encomenda nãodeclarada ou por conta e ordem nãodeclarada, cedendo seu nome à FORMING. A FORMING, por sua vez, é o importador de fato, por ser o verdadeiro responsável pela operação de importação. Somamse às supracitadas evidências, emails com acertos de pagamentos das importações e fechamentos de contratos de câmbio, evidenciando que as importações tinham destinatário predeterminado: "O email enviado em 27/11/2008 por Euclides Rigon (intermediador da negociação entre a FORMING e a AMBRA) a Wilson Cará (sócio da FORMING), com cópia para Alfredo Conde (sócio da AMBRA) mostra que o acerto do pagamento das importações feitas pela AMBRA muitas vezes era por meio da conta da Uniship: Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10314.725158/201258 Acórdão n.º 3302005.732 S3C3T2 Fl. 776 9 “Assunto: Tratativas com o Alfredo Prezados Wilson/ Nelson, Conforme informado e solicitado, tive na data de hoje reunião com o Alfredo para tratarmos dos assuntos relacionados aos desembaraços alfandegários dos processos de importação de máquinas da OMS e da JINGDA. (...) Este valor deverá ser depositado até amanhã as 12:00hs, conforme abaixo: Beneficiário: Uniship Transporte Internacional LTDA CNPJ: 00.002.789/000110 Banco do Brasil Agência 12025 Conta Corrente: 1041614 (...) O valor a ser depositado para o desembaraço alfandegário será de R$ 95.000,00 e o depósito deverá ser feito na mesma conta da Unishipacima indicada.” Destacase, também, outro trecho de email trocado entre a FORMING e a AMBRA. Nesse email, enviado por Alfredo Conde a Wilson Cará em 08/12/2008, a AMBRA trata com o real adquirente sobre fechamento de contrato de câmbio, evidenciando que a importação tinha como destinatário certo a FORMING: “Assunto: Fechamento de Câmbio Sr. Wilson, Conforme combinado solicitamos TED no valor de R$139.239,90 (equivalente a US$ 58.800,00) referente ao FECHAMENTO DE CÂMBIO das máquinas da OMS. (..) Favor nos informar tão logo o TED seja realizado de modo a podermos pressionar o Itaú a fazer o débito do fechamento no mesmo momento Obrigado, Alfredo”" Portanto, restou demonstrado o principal requisito específico da importação por encomenda, no entender do julgador de piso: a "revenda" de mercadoria estrangeira para encomendante predeterminado, somado ao fato, especialmente relevante para esta Turma recursal: de que ambas as partes tinham a plena consciência de que a mercadoria importada, de fato, não se destinaria àquele que consta como importador na declaração de importação, e contribuíram para prestar ao fisco informações que sabiam não refletir a realidade da operação, restando caracterizados os elementos subjetivos da conduta dolosa de ocultar, mediante fraude ou simulação. Assim, pelas mesma razões e fundamentos consignados na decisão recorrida, entendo que, por força de Lei, a modalidade de Importação adotada deveria ser a importação por “encomenda” onde a empresa ora recorrente seria identificada como o encomendante predeterminado aos órgãos que exercem o controle aduaneiro. Em não agindo assim, incorreu, o importador ocultante, em solidariedade (inc. V, do art. 95, do DL nº 37/66) com o encomendante ocultado, na prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros, por ocultação do sujeito passivo, conduta tipificada no inc. V, do art. 23, do DL nº 1.455/76. Fl. 776DF CARF MF Processo nº 10314.725158/201258 Acórdão n.º 3302005.732 S3C3T2 Fl. 777 10 DA AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO Reitera a recorrente não ter causado nenhum dano ao Erário, sendo obrigação do auto de infração demonstrar quantitativamente a lesão aos cofres públicos, em termos pecuniários, com a ocultação do sujeito passivo. Entendese inócua a discussão sobre a existência ou a comprovação de efetivo dano ao Erário, visto que decorre do texto da própria lei: DecretoLei nº 1.455/1976 : "Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ...", elencando incisos, cujas infrações ali relacionadas considerase dano ao Erário, punível com perdimento. Discutese a subsunção dos fatos às normas contidas nos referidos incisos, v.g., no inciso V, onde o núcleo do tipo infracional reside na conduta dolosa de ocultar, mediante fraude ou simulação, tornandose necessário que esses elementos sejam provados ou presumidos, a depender da modalidade da interposição fraudulenta identificada. Para os fatos geradores ora abarcados, aplicase o artigo 23, § 3º, do Decreto Lei nº 1.455/76, com a redação dada pelo artigo 59, da Lei nº 10.637/02: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1oconvertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) O precedente, cuja ementa abaixo transcrevo, da 1ª TO/3ª Câmara/3ª Seção, no Acórdão nº 3301002.637, de 18/03/2015, esclarece: INTERPOSIÇÃO. PROVA DE DANO AO ERÁRIO. DESNECESSIDADE. Pelo disposto no artigo 23 do DecretoLei n.º 1.455/1976 as infrações lá descritas são punidas com a pena de perdimento porque as condutas lá expressas são legalmente consideradas como dano ao erário configurandose a presunção jure et de jure. Fl. 777DF CARF MF Processo nº 10314.725158/201258 Acórdão n.º 3302005.732 S3C3T2 Fl. 778 11 Aqui a prova necessária é da ocultação dolosa mediante fraude ou simulação. Comprovada, no caso, não tratandose de interposição fraudulenta presumida, identificados: ocultante (AMBRA: 10314.725152/201281 multa por cessão de nome) e ocultado (FORMING, em solidariedade com AMBRA: 10314.725158/201258 multa de 100% do valor aduaneiro), caracterizada está a interposição fraudulenta, considerada dano ao Erário, punível com pena de perdimento. Pelas razões expostas, entendo, deva ser mantida a decisão administrativa de primeira instância, quanto a infração da interposição fraudulenta comprovada, visto demonstrada e provada a conduta dolosa de ocultar, mediante fraude ou simulação, à considerarse dano ao Erário, sujeita a pena de perdimento ou multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria (inciso V, §§ 1º e 3º, do artigo 23, do DL nº 1.455/76), respondendo o importador ocultante em solidariedade com o encomendante ocultado (inciso V, do artigo 95, do DL nº 37/66). Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 778DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000047/2010-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
PIS NÃO-CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE.
A legislação da PIS não-cumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ.
"Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não-cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico.
AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS.
À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da PIS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação.
No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória).
Numero da decisão: 3401-005.028
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2007 PIS NÃO-CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação da PIS não-cumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ. "Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não-cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS. À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da PIS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação. No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10925.000047/2010-85
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5887845
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-005.028
nome_arquivo_s : Decisao_10925000047201085.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10925000047201085_5887845.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 - "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
dt_sessao_tdt : Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7375791
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585611108352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1825; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.000047/201085 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401005.028 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria PIS Recorrente AGRICOLA FRAIBURGO SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 PIS NÃOCUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação da PIS nãocumulativa estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ. "Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS nãocumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. AGROINDÚSTRIA. CULTIVO DE MAÇÃ. CRÉDITOS RECONHECIDOS. À agroindústria que cultiva maçã não há incidência da PIS nas operações com o mercado interno, externo e nas vendas à comercial exportadora, gerando créditos para eventual e futuro pedido de ressarcimento e/ou compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 00 47 /2 01 0- 85 Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 2 No caso dos autos devem ser reconhecidos os créditos relativos (i) a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória). Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) por maioria de votos, em relação a combustíveis e lubrificantes, para reconhecer o crédito (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória), vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que propunha conversão em diligência, neste item. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, decorrentes de operações no mercado interno. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento dos créditos de valores referentes a itens não considerados como insumos pela fiscalização, de despesas de arrendamento mercantil e de encargos de depreciação. Além das glosas de créditos citadas, a autoridade fiscal também procedeu ao recálculo do rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade, por meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. Embalagens Sustenta que, na realidade, as embalagens utilizadas, tanto internas (guardanapos, bandejas, etc) como externas, além da proteção à integridade de seu conteúdo (no caso específico a maçã), ainda tem objetivo promocional, tanto do produto como da marca utilizada pela requerente, o que conseqüentemente vem a valorizar o produto, elevam os insumos na elaboração dos produtos, motivam a compra do produto, inclusive pela marca apresentada, e, caracterizando inclusive embalagem de apresentação, conforme se infere nas fotos anexos. Alega, também, que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Faz expressa remissão aos artigos 3° e 5° da Lei n° 10.637/2002, ao artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002 e ao artigo 8° da Instrução Normativa SRF n° 404/2004, para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Menciona a contribuinte, ainda, disposições de outros tributos (IPI e ICMS) e de outra figura jurídicotributária (o crédito presumido do IPI) que, a seu juízo, também autorizariam uma acepção ampla para o conceito de insumo. E faz referência a manifestações administrativas que estariam a respaldar seu entendimento. Combustíveis e lubrificantes No que concerne aos combustíveis e/ou lubrificantes, contesta o entendimento fiscal de que os itens cujos valores de aquisição foram glosados não fariam parte do processo produtivo. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 4 Afirma que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003 quanto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Cita, ainda, os termos da alínea "b" do inciso I do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, que reproduz a autorização legal posta naquelas Leis. A partir destes atos legais, argumenta que o Despacho Decisório o auditor fiscal impôs restrições não legalmente postas. Reafirma seu direito aos créditos, "mesmo porquê, sendo a atividade da requerente/contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário à preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia da formação e produção do produto, sendo necessário utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda". Serviços utilizados como insumo Na seqüência, insurgese a contribuinte contra a glosa dos créditos relativos à aquisição de serviços de transportes. Contesta a glosa defendendo, inicialmente, que “todos os bens e serviços utilizados como insumos, na fabricação de bens e produtos destinados à venda, são autorizados a escrituração de créditos, tendo o contribuinte/requerente agido de acordo com os ditames legais”. Afirma que em relação aos serviços em geral utilizados como insumos, que englobam os serviços de transportes utilizados para o transporte das compras dos insumos, o direito de crédito está expressamente garantido pelo inciso II do artigo 3° e pelo artigo 5° da Lei n° 10.637/2002 e pelos incisos II e IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003. Com fundamento no inciso IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, alega: que quando ao vendedor couber o ônus do frete, por ocasião da venda de seus produtos, também poderá apropriar crédito, sendo esta mais uma opção de crédito, e não uma restrição em relação aos serviços utilizados como insumos; que, assim, se para aquisição de determinado insumo for necessário o desembolso com o frete, este está também amparado pelo direito ao crédito; que, da mesma forma, se para a fabricação/produção do produto, for necessário à utilização de serviços de fretes com o transporte dos funcionários que fazem a colheita da maçã, fretes pagos de produtos (insumos) entre matriz e filiais, entre outros, esse também está amparado pelo direito ao crédito. Explica que “Como os locais de produção, são distantes entre um e outro local, é necessário o pagamento de frete para o transporte dos produtos (insumos) que estão em estoque para o local de produção, a ser utilizado na formação do produto destinado à venda”. Ao final deste item de sua manifestação de inconformidade, alega a contribuinte que seu entendimento está corroborado não apenas por soluções de consulta prolatadas por algumas SRRF (transcritas no texto), mas também pelos próprios termos das instruções de preenchimento da DACON e da alínea “b” do inciso I do parágrafo 5.° do artigo 66 da Instrução Nonnativa SRF n° 247/2002, que orientam no sentido de que os serviços prestados por pessoa juridica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, são tidos como insumos para fins de direito a crédito. Arrendamento mercantil Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 5 Em relação ao crédito decorrente das contraprestações de operações de arrendamento mercantil, a contribuinte traz os dispositivos que fundamenta seu direito inciso V do art. 3° das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, e alega que nestes não há a restrição imposta pelo auditor fiscal. Já em relação ao contrato da operação, afirma “Conforme podemos verificar em contrato anexo, o mesmo e' contrato de arrendamento mercantil, independentemente da forma que está disposto o valor residual no mesmo”. Bens do ativo imobilizado A contribuinte contesta a glosa dos encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos em razão de não serem considerados como integrantes do processo produtivo da empresa. A contribuinte defende o direito ao crédito mencionando, exemplificativamente, alguns dos itens listados no anexo I do despacho decisório em questão. Assim se expressa: Conforme consta no anexo IV do despacho decisório em questão, segue alguns exemplos de máquinas ou equipamentos utilizados no processo produtiva, entre outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras ƒrigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda). Contesta a glosa dos encargos com depreciação dos pomares (macieiras) alegando ser equivocado o entendimento fiscal de que as macieiras não sofrem depreciação, mas exaustão. Explica que na cultura da maçã não ocorre a extração da árvore, a não ser ao término de sua vida útil, e por isso ocorre a depreciação do bem (macieira) pelo seu uso. Acrescenta que a exaustão se caracteriza pela extração da árvore e que, portanto, as florestas é que são sujeitas a exaustão, e não as macieiras, a teor do art. 334 do Decreto n° 3.000/1997. Entende a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002 quanto no inciso III do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a “encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês”. Cita, ainda, os termos do artigo 4° do Ato Declaratório SRF n° 02/2003, no qual está expresso que “a apuração dos créditos decorrentes de depreciação e de amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, alcança os encargos incorridos em cada mês, independentemente da data de aquisição desses bens”. Alega, assim, que a legislação apresentada não faz as restrições apontadas pela análise fiscal, motivo pelo qual defende ser legítimo o direito ao crédito. Rateio Proporcional Por fim, em relação ao rateio proporcional dos custos comuns entre as receitas de mercado interno e externo a contribuinte assim se manifesta: Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 6 Tendo em vista que a contribuinte efetuou o cálculo de acordo com o preenchimento da Dacon, através da versão 2.0, disponibilizada pela Receita Federal, e tendo em vista essa manifestação, requer o contribuinte que seja mantido o cálculo original, elaborado pelo contribuinte, de acordo com as orientações de preenchimento da DACON e de acordo com a legislação. Por unanimidade de votos, a DRJ/FNS, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do Acórdão nº 0727.869. Irresignada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade, mas também que não transferiu para o julgador o ônus da prova. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.018, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10925.000006/201099, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.018): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 16/05/2012, interpondo seu voluntário em 11/06/2012, portanto, dele tomo conhecimento. O presente contencioso cingese no reconhecimento de créditos da COFINS nãocumulativas, no ramo da agroindústria (atividade principal de cultivo de maçã), decorrentes dos chamados insumos (embalagens; aquisições de serviços de transportes; aquisições de combustíveis e/ou lubrificantes; material de construção; limpeza de desinfecção; partes e peças de automóvel; fretes); despesas com arrendamento mercantil; encargos com a depreciação com recursos florestais; encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e bens incorporados ao ativo imobilizado e rateio proporcional de despesas. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 7 Consta da Intimação SAORT, na qual se requereu a apresentação de arquivos digitais de notas fiscais dos Livros Registros de Entradas e Saídas; folhas do Livro de Apuração do IPI e/ou do ICMS; relação de notas fiscais; relação de despesas com armazenamento e frete; memória de cálculo dos dados informados no DACON; relatório das notas fiscais de aquisição de insumos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não alcançadas pela incidência do PIS/COFINS; fluxograma detalhado do processo produtivo da Recorrente; memória de cálculo dos rateios; relação dos maiores fornecedores limitados a 20 que correspondessem a 80% do crédito pleiteado; relação das unidades (matriz e filiais); relação das exportações diretas e vendas à comercial exportadora; memorandos de exportação e arquivos digitais. Após, sobreveio a Intimação SAORT, a fim de que a Recorrente apresentasse cópias das notas fiscais de aquisição de bens/serviços utilizados como insumos, referentes ao 2° trimestre de 2006. Consta do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal TVEF: a) apresentou a documentação requerida nas Intimações acima; b) tem direito de crédito das vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, vez que é produtora de maçã, nos termos do inciso III, artigo 28 da Lei 10.865/2004, beneficiandose dos saldos credores apurados para fins de ressarcimento ou compensação; c) o aproveitamento de créditos de bens e serviços utilizados como insumos deve seguir os termos da IN 404/2004, sendo efetuadas conferências físicas por amostragem de notas fiscais de entrada, de acordo com critérios definidos pelo Auditor Fiscal da RFB, onde foram levados em conta o valor das notas fiscais, os fornecedores. a descrição do produto constante na nota, a respectiva classificação CFOP e a sua relação com o processo produtivo. Também foram efetuadas consultas aos sistemas informatizados desta Secretaria, elaboradas planilhas para se verificar o correto enquadramento dos Códigos Fiscais de Operação (CFOP's) nas respectivas linhas do Dacon e realizadas conferências por amostragem dos totais declarados nos livros do contribuinte, com o objetivo de detectar possíveis erros e/ou omissões; c.1) foram identificadas inconsistências e/ou ajustes necessários: I) inclusão de bens e serviços que não encontram enquadramento no inciso II, do artigo 3°, da Lei 10.833/2003, tratandose, na verdade, de despesas gerais necessárias às operações industriais e comerciais normais de qualquer estabelecimento industrial/comercial, sem direito a crédito das contribuições relativas ao PIS e à COFINS. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 8 E listou os itens glosados que não se enquadram como insumos: a) Material para embalamento e etiquetas: tampa de exportação branca linda fruta 20 kg, tampa festiva mark colada, tampa papelão, fundo exportação 20 kg, fundo papelão, lâmina de plástico com bolha, traypack (bandeja azul para acondicionar as maçãs), cola hotmelt, etiqueta adesiva, fita adesiva, ribbon eltron zebra (para impressão nas etiquetas), entre outros. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que os materiais como cola e fita adesiva são utilizados na montagem das caixas. As notas fiscais dos fornecedores descrevem que as tampas e os fundos das caixas são de papelão ondulado (fls. 116, 118, 120, 127 a 130, e 133 do processo fiscal n° 10925.000021/2010 37ExportaçãoCOFINS). Nessa diligência do dia 22/07/2010, confirmouse que as tampas e os fundos das caixas são realmente feitos de papelão ondulado. E verificouse que essas caixas, o plástico bolha e o traypack têm o objetivo principal de proteger as maças durante seu transporte. b) Material para montagem de embalagem de transporte (bins): grampo, tábua pinus, ripa de madeira de pinus e prego. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificou se que bins são grandes caixas de madeira utilizados para transportar maçãs a granel, geralmente com pallet integrado, para facilitar o carregamento dessas caixas por empilhadeiras; c) Material de preparação para transporte da mercadoria: cantoneira eucatex e de eucalipto, cola branca, saco plástico para cantoneira, flta polyester e selo de aço para fita polyester; d) Produtos para movimentação de cargas pallet, carga de gás P5, gás a granel GLP. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que o gás é utilizado como combustível para as empilhadeiras; e) Material de Construção: tinta Óleo, verniz, secante, diluente, thinner, telha, solvente, cimento etc; f) Limpeza e desinfecção: Formol. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que o formol é utilizado para desinfecção dos locais de armazenagem; g) Partes e peças de automóveis: pneu e câmara de ar; h) Combustíveis: gasolina comum e Óleo díesel; i) Outros itens: saco plástico. Disse que somente são enquadrados como insumos, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, e/ou serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ressalvando ainda: Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 9 Neste sentido, como a Agrícola Fraiburgo se dedica à produção de maçãs, obtémse que dão direito a crédito os bens e serviços utilizados como insumos no plantio, na limpeza da fruta e na classificação. As instruções normativas mencionadas definem como insumos os “bens aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado". Os itens relacionados acima não se agregam aos produtos produzidos ou a nenhum serviço que pudesse ser vendido pela empresa, não se configuram como aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação dos produtos (ação direta sobre o mesmo). Representam, na verdade, gastos normais inerentes ou não à atividade, não sendo, todavia, computados como insumos, razão pela qual não geram direito ao crédito da contribuição para o PIS/COFINS não cumulativo. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que as embalagens apresentadas como tampa e fundo de caixas, lâmina de plástico com bolha, traypack, cola hotmelt, etiqueta adesiva, fita adesiva, ribbon eltron zebra, entre outras são utilizadas exclusivamente para o transportes das mercadorias. Não compõem o processo de industrialização as embalagens que se destinam precipuamente ao transporte dos produtos elaborados. São assim entendidos os acondicionamentos feitos em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional, bem assim o acondicionamento feito em embalagem de capacidade superior àquela em que o produto é comumente vendido (Decreto n° 4.544/2002, art. 4°, IV, e art. 6°). Prova de que as caixas são utilizadas precipuamente (principalmente) para transporte está no seu tamanho (para acondicionamento de 18 ou 20 quilos de maçã) e no seu reforço (papelão ondulado). Mesmo que as caixas contenham alguma indicação ou pintura para identificar o tipo de maçã acondicionado, em função das características supracitadas, percebese que o objetivo principal das caixas é realmente o transporte. Ripas e tábuas de pinus, pregos, cantoneiras, fitas de polyester, entres outros também são utilizados para acondicionamento do produto, com o objetivo de transportálo. Em relação aos itens constantes na Linha 03 (Serviços utilizados como insumos), Anexo II, verificamos que foram computados valores referente aos fretes de materiais Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 10 diversos, fretes de trator e fretes de bins entre estabelecimentos da empresa Agrícola Fraiburgo (frete entre pomar e local de armazenagem e embalagem). Em relação ao frete entre estabelecimentos da empresa, temos as seguintes cópias, conforme fls. 122, 123 e 124 do processo fiscal n° 10925.000021/201037Exportação COFINS. Os referidos fretes não geram direito ao crédito PIS/COFINS naocumulativo por falta de expressa previsão legal; tratamse na verdade de despesas operacionais. A memória de cálculo apresentada pela empresa (Anexo II do processo fiscal n° 10925.000021/201037 Exportação~COFINS) classifica os fretes como frete de compra, sendo que conforme o parágrafo acima existem vários fretes que não podem ser classificados como insumos que geram crédito. Neste sentido, os fretes constantes na memória de cálculo foram glosados. II) despesas de contraprestação de arrendamento mercantil os contratos juntados, na essência, são contratos de financiamento. Ao invés de arrendar (alugar), na verdade, a empresa está comprando os equipamentos, dizendo: Prova disso, são os Valores Residuais Garantidos (campo 15) dos contratos apresentados. Esses valores são parcelados pelo mesmo período do contrato, mostrando claramente que a empresa já está efetivamente comprando os equipamentos e financiando o valor residual. III) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado a Recorrente creditouse de encargos de recursos florestais, porém os ativos como “implantação de maçã", “maçã” (Galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 HA, 7.04 Ha etc.) e "pomar" (Gala e macieira) estão sujeitos aos encargos de exaustão. Além disso, os bens do ativo imobilizado não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico, a produção de maçãs e mencionou: Seguem alguns bens glosados: colchão de espuma, beliche, caldeira completa, carretão com rolete, casa de madeira, ônibus, condicionador de ar, implantação pinus, impressora laser, pinus reflorestamento, refeitório, retífica motor, revisão caixa/câmbio e carros. Em diligência à empresa, no dia 22 de julho de 2010, verificouse que a caldeira não é utilizada na área produtiva e que a capela de exaustão de gases é utilizada no laboratório para a realização de experimentos. IV) o contribuinte efetuou o rateio entre mercado interno não tributado e mercado externo (receitas de exportação) com base nos créditos do DACON. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 11 Como se vê, a questão de prova é bastante debatida, e aliás, não poderia ser diferente. Assim, impende destacar do corpo do voto da relatora da DRJ/FNS: 1. Considerações iniciais ônus da prova: (...), a contribuinte se limita a apresentar listagens e/ou registros contábeis e/ou documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a confirmação da efetiva ocorrência da operação alegada e/ou a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. 2. Hipóteses legais de direito a crédito no âmbito do regime nãocumulativo da contribuição ao PIS e da COFINS Tece considerações sobre a previsão legal atinente ao direito ao crédito no regime nãocumulativo do PIS e da COFINS (artigos 3°, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), IN/SRF 247/2002 (artigo 66) e 404/2004 (artigo 8°), asseverando: Vêse, então, que só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviço ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Já em relação aos créditos decorrentes dos encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, a legislação igualmente condiciona o direito à utilização do bem na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Em se tratando de serviço de frete, que não consista de insumo, a previsão legal expressa de direito a crédito é em relação àquele serviço vinculado a uma operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Portanto, não é procedente a alegação da contribuinte de que a legislação utilizada pelo auditor fiscal, como fundamento das glosas procedidas, não traz as restrições ao direito ao crédito por ele apontadas. Vêse contradição entre o TVEF e o voto/acórdão da DRJ/FNS e este consigo mesmo, por quê? Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 12 Em primeiro, o TVEF diz que a Recorrente entregou/comprovou todos os documentos que o SAORT lhe requereu. O TVEF negou direito ao crédito, dizendo, em síntese, que o que a Recorrente pleiteava não era permitido pela legislação, mas não por falta de prova. Em segundo, de um lado, o voto/acórdão diz que a Recorrente se limita a apresentar listagens e/ou registros contábeis e/ou documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos. Por outro, adentra no mérito dos aproveitamentos. Percebese que houve um intenso trabalho da Delegacia de origem, coleta de prova e sua análise, chegandose na vírgula sobre o direito ao crédito, aliás, também o fez a DRJ/FNS. Deste modo, entendese suficiente a dilação probatória, tendo a Recorrente atendido as intimações da unidade de origem na busca pela origem dos crédito. Vencida esta etapa, adentrase no mérito, principiandose pelas 3 (três) correntes formadas neste Tribunal em torno da conceituação de insumos, para depois, quais seriam os insumos no caso concreto e seus demais creditamento objeto da glosa. Dos insumos para fins de aproveitamento de crédito do PIS/COFINS À mão de se dar mais objetividade ao julgamento partese diretamente às 3 (três) correntes surgidas neste Tribunal em torno da conceituação de insumos para fins de tomada de crédito do PIS/COFINS, no regime da nãocumulatividade das Leis 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. A primeira, tida como mais restritiva na utilização dos créditos, conceituando insumos que estivesse ligados diretamente à industrialização dos produtos, aproximandose, portanto, da conceituação dada pelo IPI, dentre outras, Solução de Divergência 12/07, COSIT; Solução de Divergência 14/07, COSIT; Solução de Consulta 7/2008, 10a Região Fiscal; Solução de Consulta 136/09, 8a Região Fiscal; Solução de Consulta 39/2010, 7a Região Fiscal; Solução de Divergência 10/2011, DOU 10/05/2011; Solução de Divergência 9/2011, DOU 10/05/2011. A segunda, mais ampliativa, conceituando insumos, advindos da legislação do IRPJ (artigos 289 a 291 e 299, todos do Decreto 3.000/99), assim entendido como todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços. A terceira, conhecida como intermediária, entende que há de se ter uma relação entre o bem ou serviço, a fim de nascer o direito à tomada de crédito. Noutras palavras, construiuse um Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 13 critério próprio, nem advindo do IPI, tampouco do IRPJ, mas sim da "essencialidade"1, "necessidade", "pertinência", "inerência" deste bem ou serviço para a atividadefim do contribuinte, ou seja, que tais bens ou serviços sejam úteis e necessários ao processo produtivo e à prestação de serviços e que participem da universalidade das receitas tributáveis. Este tem sido o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (Acórdão nº 930301.740, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). *** CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ.CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.“ Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja 1 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à legislação de PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário. Edidora Fórum. N. 34. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 14 destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado.No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. (Acórdão nº 9303 003.069, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). Neste norte também navega a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART.535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. (...) 2. (...) 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 15 "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1.246.317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015). (grifouse). E mais recentemente, o Recurso Especial 1.221.170/PR, afetado à sistemática dos "recursos repetitivos", sendo vencedora a tese defendida pelo contribuinte, por 5 (cinco) votos a 3 (três), prevalecendo assim, a corrente chamada "intermediária", cabendo gizar, leva em consideração os critérios de essencialidade, relevância e inerência, o que se adota por este Relator, cuja ementa se transcreve: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 16 DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Ao que se vê, a interpretação dada às Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 é de que a "lista" de créditos nelas contidas é apenas exemplificativa. Este parece ser o conceito mais adequado e que vai ao encontro do disposto nas referidas Leis, e mais, alinhase à materialidade e a universalidade das receitas destas duas Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 17 contribuições2 que, diferentemente da materialidade do IPI a qual afeta os produtos industrializados, "algo fisicamente apreensível"3 , aqui, alcança todo o universo de receitas auferidas pela pessoa jurídica que tenha grau de relevância ("em que medida um é efetivamente importante para o outro, ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências"), inerência ("um tem a ver com o outro"4), pertinência, enfim, relação de vínculo de elementos. Da análise das glosas Insumos. Embalagens A análise fiscal entendeu como insumos somente as embalagens destinadas ao transporte dos produtos. Já a Recorrente defendeu que as embalagens utilizadas para proteger os produtos (maçãs), e além disso, para efeitos promocionais da marca, elevando suas despesas, não havendo restrições da legislação neste particular, tampouco, pela normatização, a qual entende que material de embalagem é insumo (artigo 66, I, b, § 5°, I, a, da IN 247/2002), além do processo de consulta 45/2003, da SRRF 2ª Região Fiscal. Acerca do assunto, já se pronunciou este CARF, por meio do acórdão 3402004.880, o qual, por unânime de votos, decidiu por meio da ementa abaixo transcrita: INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto 2 "Não se pode olvidar que estamos perante contribuições cujo pressuposto de fato é a "receita", protanto, a não cumulatividade em questão existe e deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função da receita. Esta afirmação, até certo ponto óbvia, traz em si o reconhecimento de que o referencial das regras legais que disciplinam a nãocumulatividade de PIS e COFINS são eventos que dizem respeito ao processo formativo que culmina com a receita, e não apenas eventos que digam respeito ao processo formativo de um determinado produto. Realmente, enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos de caráter físico a ele relativos, o processo formativo de um receita aponta na direção de todos os elementos (físicos e funcionais) relevantes para a sua obtenção. Vale dizer, o universo de elementos captáveis pela nãocumulatividade de PIS e COFINS é mais amplo do que aquele, por exemplo, do IPI (...)." GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Nãocumulatividade de PIS/PASEP e da COFINS. São Paulo : IOB Thompson. Porto Alegre : Instituto de Estudos Tributários. 2004, p. 101122. 3 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à luz da legislação do PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário RFDT. Belo Horizonte, ano 6, n. 34, jul/ago. 2008. Biblioteca Digital Fórum de Direito Público cópia da versão digital. 4 GRECO, Marco Aurélio. Ibidem. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 18 final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF deste E. Tribunal também se manifestou sobre assunto correlato, por intermédio do acórdão 9303006.068, à maioria de votos, negouse provimento ao Recurso Especial da Procuradoria, de acordo com a seguinte ementa: PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matérias primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. Deste modo, deve ser reconhecido o direito creditório referente aos materiais de embalamento (nos termos da alínea "a", do item 2.2.1 do TVEF); materiais para montagem de embalagem de transporte (bins), de acordo com a alínea "b", do item 2.2.1 do TVEF; materiais de preparação para transporte da mercadoria, conforme Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 19 alínea "c", do item 2.2.1 do TVEF; produtos para movimentação de cargas, referente alínea "d", do item 2.2.1 do TVEF, e por conseguinte, revertendose as glosas relativas a estes itens, únicos impugnados/recorridos pela Recorrente. Insumos. Serviços de transporte Entendeu o agente fiscal que apenas os fretes relativos a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda autorizam o crédito do imposto, não aceitando os fretes pagos quando da aquisição de insumos e prestação de serviços aplicados nos produtos das vendas e também de transferência de insumos entre um e outro estabelecimento. Sobre o tema, decidiu o acórdão 3402004.931, por maioria de votos, reconhecer o direito creditório referente às despesas de frete. Vejase a ementa: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrada a não apropriação em períodos anteriores, o crédito apurado em face da não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes. GASTOS COM FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. É cabível a apropriação de crédito das contribuições não cumulativas sobre os fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo desse serviço, suportado pela adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou destinado, mas somente quando não há restrição ao aproveitamento do crédito da contribuição na aquisição do bem transportado. A pessoa jurídica pode descontar créditos calculados em relação a bens ou a serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Não se vislumbra a hipótese de o frete anterior ao processo produtivo ser considerado como um "serviço utilizado como insumo" na "produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda". O creditamento relativo ao custo do frete na aquisição de bens utilizados como insumo ou destinados a revenda não está expressamente previsto na lei, sendo possível somente em decorrência de uma interpretação quanto ao valor da base de cálculo do crédito relativamente ao referido bem, no qual se incluiria o valor das referidas despesas de transporte, de forma que só há o direito ao creditamento Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 20 relativo ao valor do frete quando também há esse direito para o bem transportado. Como as aquisições de bens de pessoas físicas não geram direito ao crédito da Cofins em face da restrição disposta no art. 3º, §3º, inciso I da Lei nº 10.833/2003, também não há possibilidade de aproveitamento relativo ao valor do frete nesta aquisição. Neste sentido, seguindose a ordem da glosa e da defesa, ratificase o voto quanto ao tópico precedente, devendo ser integralmente revertidas a glosa referente aos itens 2.2.1., alíneas "b", "c" e "d" do TVEF. Registrese que os serviços descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito ficam mantidos na glosa feita pela autoridade fiscal. Insumos. Aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes Temse que a aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes, a teor do artigo 3°, II da Lei 10.833/2003, tornase possível a tomada de créditos, sendo o tema, objeto de manifestação deste E. Tribunal, por meio do acórdão 3201003.455, o qual, à maioria de votos, decidiu: (...) EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS. CONBUSTÍVEIS (sic) E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. (...). Diante disso, deve ser revertida a glosa em relação a combustíveis e lubrificantes, reconhecendose o crédito (no caso Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 21 de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras, não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória). Despesas de contraprestação de arrendamento mercantil A previsão de aproveitamento de crédito referente a valores de contraprestações de arrendamento mercantil está no art. 3º, inciso V, da Lei nº 10.833/03. A jurisprudência desta Corte (Ac. 3301002.411, voto de qualidade), entende cabível a tomada de crédito a este título: (...) CRÉDITO. EMBALAGEM. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com aquisições de etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. (...) CRÉDITO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. APROVEITAMENTO. Admitese o creditamento das despesas comprovadas de arrendamento mercantil, por disposição expressa da lei. Por outro lado, resta saber se os contratos de arrendamento juntados pela Recorrente, realmente assim se revelam. Entendeu o voto vencedor da DRJ que se trata de uma operação de arrendamento mercantil em tudo e por tudo equiparada a uma operação de compra e venda, sendo mantida a glosa em questão. Neste sentido já decidiu este Tribunal: (...) DESPESAS FINANCEIRAS. CONTRAPRESTAÇÃO ARRENDAMENTO MERCANTIL. INDEDUTIBILIDADE DE VALOR RESIDUAL GARANTIDO VRG. Não há como se considerar, para fins de redução da base de cálculo de tributos, o Valor Residual Garantido de contrato de arrendamento mercantil (leasing) operacional, porquanto tal valor corresponde, em verdade, a adiantamento para futura aquisição do bem, objeto do contrato. (Ac. 1302 001.587, v. u.). O voto do aludido precedente elucida a questão: Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 22 Primeiramente, a partir da análise do instituto do arrendamento mercantil, chegase à conclusão que o Valor Residual Garantido tem natureza de pagamento que garante a opção de compra ao término do contrato, ou seja, é pagamento efetuado pelo arrendatário para que, em momento futuro, possa optar por adquirir o objeto do contrato de leasing que celebrou. Na hipótese, foram celebrados contratos de leasing financeiro, ou seja, modalidade de arrendamento mercantil em que ocorre o pagamento do Valor Residual Garantido, diferenciandose do chamado leasing operacional neste particular, vez que nesta última modalidade não existe a obrigatoriedade de pagamento Valor Residual Garantido. Para melhor diferenciar tais modalidades de leasing, aqui se reproduzem os arts. 5º e 6º da Resolução BACEN n.º 2.309/96: Art. 5º Considerase arrendamento mercantil financeiro a modalidade em que: I as contraprestações e demais pagamentos previstos no contrato, devidos pela arrendatária, sejam normalmente suficientes para que a arrendadora recupere o custo do bem arrendado durante o prazo contratual da operação e, adicionalmente, obtenha um retorno sobre os recursos investidos; II as despesas de manutenção, assistência técnica e serviços correlatos à operacionalidade do bem arrendado sejam de responsabilidade da arrendatária; III o preço para o exercício da opção de compra seja livremente pactuado, podendo ser, inclusive, o valor de mercado do bem arrendado. Art. 6º Considerase arrendamento mercantil operacional a modalidade em que: I as contraprestações a serem pagas pela arrendatária contemplem o custo de arrendamento do bem e os serviços inerentes a sua colocação à disposição da arrendatária, não podendo o valor presente dos pagamentos ultrapassar 90% (noventa por cento) do "custo do bem;" II o prazo contratual seja inferior a 75% (setenta e cinco por cento) do prazo de vida útil econômica do bem; III o preço para o exercício da opção de compra seja o valor de mercado do bem arrendado; IV não haja previsão de pagamento de valor residual garantido. (...) (grifos não originais) Assim, por se tratarem de contratos de leasing financeiro, com a devida previsão de pagamento de Valor Residual Garantido, temse que tal importância consiste em verdadeira antecipação, pelo arrendatário, do valor do bem Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 23 objeto do contrato, independentemente de exercitar, ou não, sua opção de compra ao final. Portanto, ao término do contrato, poderá o arrendatário optar por adquirir o bem arrendado, depositando o valor residual para sua compra, ou não fazêlo, tendo, então, direito à restituição do VRG depositado. Assim, importante trazer a previsão dos arts. 3º, 11 a 15, todos da Lei n.º 6.099/74, os quais apresentam como deve ser contabilmente tratadas as despesas oriundas deste tipo de contrato, senão vejamos: Art 3º Serão escriturados em conta especial do ativo imobilizado da arrendadora os bens destinados a arrendamento mercantil. (...) Art 11. Serão consideradas como custo ou despesa operacional da pessoa jurídica arrendatária as contraprestações pagas ou creditadas por força do contrato de arrendamento mercantil. (...) Art 12. Serão admitidas como custos das pessoas jurídicas arrendadoras as cotas de depreciação do preço de aquisição de bem arrendado, calculadas de acordo com a vida útil do bem. (...) Art 13. Nos casos de operações de vendas de bens que tenham sido objeto de arrendamento mercantil, o saldo não depreciado será admitido como custo para efeito de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda. Art 14. Não será dedutível, para fins de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda, a diferença a menor entre o valor contábil residual do bem arrendado e o seu preço de venda, quando do exercício da opção de compra. Art 15. Exercida a opção de compra pelo arrendatário, o bem integrará o ativo fixo do adquirente pelo seu custo de aquisição. Parágrafo único. Entendese como custo de aquisição para os fins deste artigo, o preço pago pelo arrendatário ao arrendador pelo exercício da opção de compra. (grifos não originais) Portanto, temse que o bem arrendado pertencerá ao ativo imobilizado do arrendador, e não do arrendatário, pelo que, o bem arrendado apenas passará a integrar o ativo imobilizado do arrendatário a partir do exercício da opção de compra. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 24 Sabendo que os bens arrendados não integram o ativo imobilizado da arrendatária, e tendo em mente que Valor Residual Garantido não tem natureza de contraprestação do contrato de leasing, mas de pagamento pela aquisição do bem, não há como considerar contabilmente tais valores como despesas financeiras. Apenas serão despesas financeiras, nestes casos, as contraprestações previstas no art. 5º, I, da Resolução BACEN n.º 2.309/96, já acima reproduzido. Assim sendo, incabíveis as alegações da recorrente em sentido contrário, devendo ser mantido o Acórdão impugnado neste particular. Por tais razões, mantémse a glosa integralmente. Encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado O agente fiscal subtraiu tais créditos por entender que não fazem parte do maquinário do processo produtivo da Recorrente (linha 7/9, da ficha 7 da DACON). De modo diverso, entende a Recorrente, vez que carretão com rolete, transporta maçãs; registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas) são indispensáveis à formação da venda, de acordo com o artigo 3°, VI e VII, §§ 1° e 14 (1/48), da Lei 10.833/03. Também foram glosadas as depreciações os pomares (macieiras), entendendose que não sofrem depreciação, mas sim exaustão (linha 10 da ficha 16A do DACON ativos como "implantação de maçã", "maçã Galaxi, Condessa, IG, DVS, 55.33 Ha e 7.04 Ha e "pomar" Gala e macieira. A DRJ reconheceu a depreciação dos pomares, não havendo interesse de agir por parte da Recorrente neste particular, razão bastante para manter a decisão da DRJ. A Recorrente defende que pomares não são florestas, e por tal razão não estão submetidas à exaustão, e ainda, que o Decreto 3.000/99, em seu artigo 334, remete à exaustão à hipótese de extração de árvore, o que não acontece na cultura da maçã, exceto ao término da vida útil de sua árvore, quando é erradicada. Diz que a depreciação se caracteriza pelo uso do bem, no caso, a macieira é usada para produção da maçã. Já a exaustão se caracteriza pela extração da árvore no caso de florestas , o que não ocorre com as macieiras. Sobre o aproveitamento de encargos de depreciação, citase o Ac. 3301002.411, o qual, por meio de voto de qualidade, assim decidiu: Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 25 (...) CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. APROVEITAMENTO. Os encargos de depreciação de bens utilizados no processo produtivo (exaustores, ventiladores de transporte, filtros de manga; e ciclones) geram créditos da contribuição. Razão assiste à Recorrente, mas no tocante ao que esta trouxe no seu recurso, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura, vez que ligados diretamente ao processo produtivo. Receitas de vendas rateio proporcional A contribuinte efetuou o rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo com base nos créditos apurados, conforme declarados no Dacon. Assim, procedeu a novo cálculo dos percentuais aplicáveis, com base nos valores das vendas declaradas no Dacon, a contribuinte efetuou o rateio da despesa e encargos comuns entre as receitas de mercado interno e as receitas de mercado externo com base nos créditos apurados, conforme declarados no Dacon. Assim, procedeu a novo cálculo dos percentuais aplicáveis, com base nos valores das vendas declaradas no Dacon. O inciso II do § 8° do artigo 3.”, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, trata da apropriação proporcional dos custos, despesas e encargos no cálculo dos créditos associados a cada uma das operações da pessoa jurídica, para fins de cálculo de créditos de COFINS, passíveis de desconto, compensação ou ressarcimento: Art. 3.". [...] § 8°. Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7° e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional. aplicandose aos custos. despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. auferidos em cada mês.(g.n.) Com acerto, o voto da relatora da DRJ/FNS (efl. 188): Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 26 Como se percebe, o rateio proporcional previsto no dispositivo legal destinase ao cálculo dos percentuais de créditos vinculados a custos, despesas e encargos "comuns", a serem associados a cada uma das operações da pessoa jurídica, classificadas de acordo com seu tratamento tributário. Deste modo, em se tratando de custos, despesas e encargos comuns ou seja, para os quais não existe, via contabilidade de custos, vinculação individualizada com cada receita , há que se utilizar o rateio proporcional para fins de apurar quais os percentuais dos créditos devem ser associados às receitas submetidas ao regime não cumulativo, no caso, qual percentual deve estar associado: às receitas tributadas no mercado interno, às não tributadas no mercado interno e às receitas de exportação. Ou seja, a proporção adotada na apropriação dos custos, despesas e encargos comuns na apuração dos créditos vinculados a cada uma das operações da empresa (ficha 06A e 16A) deve seguir a mesma relação percentual existente entre a receita decorrente de cad uma dessas operações e a receita bruta total sujeita à incidência nãocumulativa, auferidas em cada mês (ficha 07A). Pelo exposto, mantémse integralmente a glosa neste particular. Dispositivo Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) para reconhecer os créditos em relação a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras), não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para: Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10925.000047/201085 Acórdão n.º 3401005.028 S3C4T1 Fl. 0 27 (i) para reconhecer os créditos relativos a material de embalagem (itens 2.2.1 "a" a "d" do despacho decisório), relativos a serviços utilizados como insumos (à exceção dos descritos genericamente como "transportes diversos" / "transportes de materiais diversos", ou "fretes diversos" / "fretes mercadorias diversas", assim como "transportes de amostra de sidra", por carência probatória a cargo do postulante ao crédito), e relativos a despesas de depreciação, exclusivamente em relação a carretão com rolete e a registrador eletrônico de temperatura; e (ii) para reconhecer os créditos em relação a combustíveis e lubrificantes (no caso de gasolina, apenas nas aquisições de distribuidoras), não se acolhendo o crédito em relação às aquisições em postos de combustível, por carência probatória." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.000981/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA.
Caracteriza-se a presunção legal de omissão de receita, se constatado saldo credor na conta caixa, o contribuinte não apresenta a documentação que comprovaria sua alegação de que os registros que efetuou por valores globais, foram efetuados a destempo.
OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO.
O passivo fictício é aquele valor que figura no passivo da empresa sem representar uma dívida efetiva; a constatação de passivo fictício não tendo sido ilidida pelo contribuinte, deve prevalecer a conclusão da autoridade fiscal, de omissão de receita.
CSLL. PIS. Cofins. Lançamentos reflexos
No que tange às omissões de receitas, aplica-se aos lançamentos decorrentes de CSLL. PIS e Cofins, o decidido no principal
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
DESPESAS COM FRETE (AÍ ABRANGIDOS OS COMBUSTÍVEIS, NO CASO DE FROTA PRÓPRIA), NA OPERAÇÃO DE VENDA, SUPORTADAS PELO VENDEDOR. DIREITO AO CREDITAMENTO.
Seja a empresa industrial ou comerciante, há direito ao creditamento, na venda a clientes finais do frete, quando suportado pelo vendedor e, utilizando-se este de frota própria, estão aí abrangidas as despesas com manutenção dos veículos e do combustível utilizado.
BONIFICAÇÃO EM DINHEIRO. RECEITA BRUTA. NÃO-CUMULATIVIDADE.
Os valores em dinheiro e abatimentos recebidos de fornecedores pelos adquirentes de mercadorias, que não reduzem o valor da nota fiscal de venda e que se efetivam em momento posterior à sua emissão, não constituem descontos incondicionais, mas sim receita do adquirente, e como tal estão sujeitos à tributação pela Contribuição para o PIS/Pasep.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
DESPESAS COM FRETE (AÍ ABRANGIDOS OS COMBUSTÍVEIS, NO CASO DE FROTA PRÓPRIA), NA OPERAÇÃO DE VENDA, SUPORTADAS PELO VENDEDOR. DIREITO AO CREDITAMENTO.
Seja a empresa industrial ou comerciante, há direito ao creditamento, na venda a clientes finais do frete, quando suportado pelo vendedor e, utilizando-se este de frota própria, estão aí abrangidas as despesas com manutenção dos veículos e do combustível utilizado.
BONIFICAÇÃO EM DINHEIRO. RECEITA BRUTA. NÃO-CUMULATIVIDADE.
Os valores em dinheiro e abatimentos recebidos de fornecedores pelos adquirentes de mercadorias, que não reduzem o valor da nota fiscal de venda e que se efetivam em momento posterior à sua emissão, não constituem descontos incondicionais, mas sim receita do adquirente, e como tal estão sujeitos à tributação pela Cofins.
Numero da decisão: 1201-002.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Caracteriza-se a presunção legal de omissão de receita, se constatado saldo credor na conta caixa, o contribuinte não apresenta a documentação que comprovaria sua alegação de que os registros que efetuou por valores globais, foram efetuados a destempo. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. O passivo fictício é aquele valor que figura no passivo da empresa sem representar uma dívida efetiva; a constatação de passivo fictício não tendo sido ilidida pelo contribuinte, deve prevalecer a conclusão da autoridade fiscal, de omissão de receita. CSLL. PIS. Cofins. Lançamentos reflexos No que tange às omissões de receitas, aplica-se aos lançamentos decorrentes de CSLL. PIS e Cofins, o decidido no principal Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005 DESPESAS COM FRETE (AÍ ABRANGIDOS OS COMBUSTÍVEIS, NO CASO DE FROTA PRÓPRIA), NA OPERAÇÃO DE VENDA, SUPORTADAS PELO VENDEDOR. DIREITO AO CREDITAMENTO. Seja a empresa industrial ou comerciante, há direito ao creditamento, na venda a clientes finais do frete, quando suportado pelo vendedor e, utilizando-se este de frota própria, estão aí abrangidas as despesas com manutenção dos veículos e do combustível utilizado. BONIFICAÇÃO EM DINHEIRO. RECEITA BRUTA. NÃO-CUMULATIVIDADE. Os valores em dinheiro e abatimentos recebidos de fornecedores pelos adquirentes de mercadorias, que não reduzem o valor da nota fiscal de venda e que se efetivam em momento posterior à sua emissão, não constituem descontos incondicionais, mas sim receita do adquirente, e como tal estão sujeitos à tributação pela Contribuição para o PIS/Pasep. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 DESPESAS COM FRETE (AÍ ABRANGIDOS OS COMBUSTÍVEIS, NO CASO DE FROTA PRÓPRIA), NA OPERAÇÃO DE VENDA, SUPORTADAS PELO VENDEDOR. DIREITO AO CREDITAMENTO. Seja a empresa industrial ou comerciante, há direito ao creditamento, na venda a clientes finais do frete, quando suportado pelo vendedor e, utilizando-se este de frota própria, estão aí abrangidas as despesas com manutenção dos veículos e do combustível utilizado. BONIFICAÇÃO EM DINHEIRO. RECEITA BRUTA. NÃO-CUMULATIVIDADE. Os valores em dinheiro e abatimentos recebidos de fornecedores pelos adquirentes de mercadorias, que não reduzem o valor da nota fiscal de venda e que se efetivam em momento posterior à sua emissão, não constituem descontos incondicionais, mas sim receita do adquirente, e como tal estão sujeitos à tributação pela Cofins.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10970.000981/2010-51
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5892541
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.325
nome_arquivo_s : Decisao_10970000981201051.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EVA MARIA LOS
nome_arquivo_pdf_s : 10970000981201051_5892541.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Relatora e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7392666
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585621594112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10970.000981/201051 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.325 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2018 Matéria PASSIVO FICTÍCIO, SALDO CREDOR DE CAIXA Recorrente UNIÃO COM IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Caracterizase a presunção legal de omissão de receita, se constatado saldo credor na conta caixa, o contribuinte não apresenta a documentação que comprovaria sua alegação de que os registros que efetuou por valores globais, foram efetuados a destempo. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. O passivo fictício é aquele valor que figura no passivo da empresa sem representar uma dívida efetiva; a constatação de passivo fictício não tendo sido ilidida pelo contribuinte, deve prevalecer a conclusão da autoridade fiscal, de omissão de receita. CSLL. PIS. Cofins. Lançamentos reflexos No que tange às omissões de receitas, aplicase aos lançamentos decorrentes de CSLL. PIS e Cofins, o decidido no principal ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 DESPESAS COM FRETE (AÍ ABRANGIDOS OS COMBUSTÍVEIS, NO CASO DE FROTA PRÓPRIA), NA OPERAÇÃO DE VENDA, SUPORTADAS PELO VENDEDOR. DIREITO AO CREDITAMENTO. Seja a empresa industrial ou comerciante, há direito ao creditamento, na venda a clientes finais do frete, quando suportado pelo vendedor e, utilizandose este de frota própria, estão aí abrangidas as despesas com manutenção dos veículos e do combustível utilizado. BONIFICAÇÃO EM DINHEIRO. RECEITA BRUTA. NÃO CUMULATIVIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 09 81 /2 01 0- 51 Fl. 957DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 3 2 Os valores em dinheiro e abatimentos recebidos de fornecedores pelos adquirentes de mercadorias, que não reduzem o valor da nota fiscal de venda e que se efetivam em momento posterior à sua emissão, não constituem descontos incondicionais, mas sim receita do adquirente, e como tal estão sujeitos à tributação pela Contribuição para o PIS/Pasep. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 DESPESAS COM FRETE (AÍ ABRANGIDOS OS COMBUSTÍVEIS, NO CASO DE FROTA PRÓPRIA), NA OPERAÇÃO DE VENDA, SUPORTADAS PELO VENDEDOR. DIREITO AO CREDITAMENTO. Seja a empresa industrial ou comerciante, há direito ao creditamento, na venda a clientes finais do frete, quando suportado pelo vendedor e, utilizandose este de frota própria, estão aí abrangidas as despesas com manutenção dos veículos e do combustível utilizado. BONIFICAÇÃO EM DINHEIRO. RECEITA BRUTA. NÃO CUMULATIVIDADE. Os valores em dinheiro e abatimentos recebidos de fornecedores pelos adquirentes de mercadorias, que não reduzem o valor da nota fiscal de venda e que se efetivam em momento posterior à sua emissão, não constituem descontos incondicionais, mas sim receita do adquirente, e como tal estão sujeitos à tributação pela Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Fl. 958DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 4 3 Trata o processo de autos de infração de págs. 3/28, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no regime lucro real anual, com Saldo de Prejuízo do Próprio Período Compensado no valor de R$1.738.650,66, devido às infrações: 0001 Saldo Credor de Caixa, fato gerador 31/12/2005; 002 Omissão de Receitas por Presunção Legal, Passivo Fictício, fato gerador em 31/12/2005; 0002 Omissão de Receitas Financeiras, fato gerador em 31/12/2005. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, compensação da Base de Cálculo Negativa no valor de R$1.738.650,66, reflexo das infrações 001, 002 e 003 descritas. Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com Saldo de Créditos a Descontar Compensados de R$2.033.651,41, regime nãocumulativo, reflexo das infrações 001 e 002 e glosa de valores indevidamente utilizados na apuração da base de cálculo dos créditos a descontar: a) despesas de aluguéis de prédios locados de PJ; b) despesas de frete nas operações de venda; e Omissão de Receitas Bonificações recebidas de fornecedores em Disponibilidades. Contribuição para o PIS, com Saldo de Créditos a Descontar Compensados de R$441.516,45, regime nãocumulativo, reflexo das infrações 001 e 002, e glosa de valores indevidamente utilizados na apuração da base de cálculo dos créditos a descontar: a) despesas de aluguéis de prédios locados de PJ; b) despesas de frete nas operações de venda; e Omissão de Receitas Bonificações recebidas de fornecedores em Disponibilidades. Todas infrações foram apenadas com multa de ofício 75%. Os procedimentos de fiscalização e as autuações estão descritos no Termo de Verificação Fiscal TVF, págs. 29/49. 2. Cientificado em 28/12/2010, pág. 675, o contribuinte apresentou impugnações de págs. 678/689 (IRPJ), 765/776 (CSLL), 797/812 (PIS), 834/853 (Cofins), julgadas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG DRJ/JFA, no Acórdão nº 0934.558, em 20 de abril de 2011, págs. 877/891, que a julgou a impugnação improcedente: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito do impugnante fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. CARACTERIZAÇÃO DA PRESUNÇÃO A constatação de saldo credor na conta caixa da pessoa jurídica, quando essa não lograr apresentar provas em contrário, enquadrase como presunção legal, autorizativa no sentido de que se presuma a existência de manipulação de recursos à margem dos registros contáveis, vez que, não havendo disponibilidade contábil no Caixa, quaisquer saídas ou pagamentos efetuados por essa conta evidenciam a utilização de valores oriundos de receitas omitidas, caracterizadores do elemento do tipo legal descrito como infração. OMISSÃO DE RECEITAS PASSIVO FICTÍCIO Provada nos autos a manutenção no passivo de obrigações j á pagas ou cuja Fl. 959DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 5 4 exigibilidade não restou comprovada, malgrado as oportunidades conferidas à contribuinte, há que se manter a exigência nesse particular. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Uma vez que os parcela dos lançamentos de Pis, de Cofins e de CSLL decorreram dos mesmos elementos prova que nortearam o do IRPJ, evidenciase o caráter reflexivo, impondose a esses, mutatis mutandis, o mesmo veredicto firmado no lançamento principal. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS BONIFICAÇÕES RECEBIDAS DE FORNECEDORES, EM DISPONIBILIDADES. PIS. COFINS O fato gerador daquelas contribuições corresponde ao faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela contribuinte, independente de sua denominação ou classificação fiscal, é dizer sua receita bruta de venda de bens e serviços, bem como todas as demais receitas auferidas. Portanto, uma vez recebidas bonificações, em espécie, sem seu reconhecimento, há que se considerálas como omissão de receitas. DESPESAS DE FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDAS. GLOSA Uma vez não comprovadas, há que se manter a glosa de valores declarados em Dacon a título de despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda. Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio 3. O contribuinte cientificado em 20/06/2011, apresentou Recurso Voluntário, págs. 895/919, a seguir resumido. 4. Sobre o Saldo Credor de Caixa, explica que sua atividade é comércio atacadista de mercadorias em geral, na modalidade de atacadistadistribuidor, ou seja, adquire grandes quantidades de mercadorias diretamente dos fabricantes ou de importadores, armazena e revende tais mercadorias e as entrega por meio de veículos próprios e de terceiros, em estabelecimentos varejistas localizado nos mais diversos pontos do território nacional (em 2005 aproximadamente 240 caminhões, para a entrega em cerca de 15.000 estabelecimentos varejistas, em pelo menos quinze estados da federação); grande parte dos recebimentos de pagamentos (em dinheiro, cheques, ticketsalimentação) pelos eram feitos pelos próprios motoristas; que, no retorno à sede da empresa, eram entregues a tesouraria, com o documento "Fechamento Geral de Viagem"; devido ao grande número de recebimentos com centenas de documentos, os recursos financeiros eram recebidos na tesouraria, para, depois de alguns dias, fazeremse as conferências dos "acertos". Em razão dessa sistemática a contabilização dos recebimentos, na conta "CAIXA" eram feitos com defasagem de alguns dias, por valores globais de movimentos de vários dias, o que gerava lançamentos com valores altos, em alguns dias e valores pequenos em outros dias, conforme os exemplos que cita; assim, embora tenham sido identificados, saldos credores de caixa, pelo auditor fiscal tratase, apenas, de imperfeições Fl. 960DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 6 5 na forma de contabilização dos recebimentos feitos pela empresa, em razão de dificuldades provocadas pela existência de um grande número de documentos o que não caracteriza omissão de receitas. 5. Acerca do Passivo Fictício: apresenta argumentos e cita documentos que anexou na impugnação, relativamente a a) R$85.851,15 e R$ 145.036,34 do fornecedor Glaxosmithkline Brasil S/A; b) o título R$11.005,36 do fornecedor Singer Ingellheim Ind Com Ltda, lançouse o número 255288 que corresponde a outra nota fiscal, com valor de R$8.913,41, que foi paga e baixada em 10/01/2006, com seu número correto 255288; c) as notas fiscaisfatura n° 19603 e 20088, da Stratus Comércio e Indústria de Produtos Químicos Ltda. 6. Quanto aos demais títulos que compõem o suposto passivo fictício que, por se tratarem de documentos emitidos e arquivados há mais de cinco anos, não foram localizados a tempo de serem entregues ao autuante, para provar a inexistência do total do suposto passivo fictício no valor de R$925.586,35, mas que contesta na totalidade, e assevera que serão localizados e encaminhados a esse Conselho. 7. Sobre as glosas de créditos de despesas de frete, referentes à compra de combustíveis e lubrificantes para os veículos próprios, argumenta que a legislação autoriza o crédito dos valores gastos com o frete na entrega ao clientes, dos bens adquiridos para revenda, por ocasião das entregas aos respectivos compradores, (no caso comerciantes varejistas) quando o ônus for inteiramente suportado pelo vendedor, sem qualquer distinção de uso de frota própria ou de terceiros. 8. Sobre a omissão de receitas bonificações recebidas, explica que foram concedidas pelos fornecedores, incondicionalmente, independente de qualquer contrapartida por parte da compradora e são destinadas a reduzir os custos das diversas mercadorias compradas da empresa bonificadora; por não representarem receitas, os respectivos valores foram contabilizados a crédito de contas de descontos obtidos e de uma conta representativa de ações comerciais de incentivo a vendas; tais contas de descontos são creditadas pelas bonificações recebidas ao longo do ano e, como são contas de resultado, são encerradas no balanço como redutoras do custo das mercadorias vendidas e provocam o aumento do lucro liquido, da base de cálculo da CSLL e, depois dos ajustes que são feitos no LALUR, refletemse, também, no lucro real, base de cálculo do IRPJ pelo qual foram, normalmente, tributadas. Destaca que, se a forma e os lançamentos contábeis feitos pela empresa, em relação às bonificações incondicionais, como redutores dos custos das mercadorias vendidas e não como receitas, foram considerados corretos e aceitos pelo agente fiscalizador para fins do IRPJ, não pode ele querer transformar tais em receitas, para fins de tributação da Contribuição Para o Programa de Integração Social PIS e da Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. 9. Não constam documentos comprobatórios adicionais, no processo. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora Fl. 961DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 7 6 1 Infrações não impugnadas. 1.1 OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. 10. Citese a DRJ, com relação à infração de R$11.887,16 de receitas financeiras omitidas: 1.1.3) relativamente ao item 003 (DESCONTOS OBTIDOS) está bem caracterizada a omissão de receitas financeiras, dada a falta de contabilização dc desconto oblido no pagamento dc título emitido por fornecedor item 1.3 do TVF. Senão vejamos: a contribuinte foi instada no item 5 do Tl n° 005 (11. 346) reiteração feita no TI n° 008 (fl. 363) a apresentar documentação comprobatória da quitação do título cm aberto com o fornecedor ORVENT COSMÉTICOS LTDA., referente à nota fiscal de compra de mercadorias n° 193.313, contabilizada cm 18/07/2005 no valor dc R$ 73.483,20; em resposta, foram apresentados os documentos de fls. 459465 nos quais constam pagamentos e abatimentos obtidos na quitação do referido título; conforme consta no demonstrativo de fl. 68. confeccionado pelo fisco, a contribuinte obteve abatimentos no somatório de RS 15.586,44, dos quais apenas RS 3.669,28 foram contabilizados em seu Diário (VR REF CREDITO DESCONTO EM NF DUPL. 193313 FORNECEDOR); portanto, a diferença de RS 11.887,16 (15.586,44 3.669.28), que consta como pendente de pagamento cm 31/12/2005, corresponde, em verdade, ao abatimento obtido no pagamento ocorrido em 29/08/2005, não contabilizado. Digno de nota. não foi tecida uma linha sequer a título de impugnação, circunstância que revela mais uma vez matéria não litigiosa. 1.2 DESPESAS DE ALUGUÉIS DE PRÉDIOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS 11. Citese também a DRJ: Também nesse particular a contribuinte não atacou o lançamento, preferindo requerer, caso confirmada a tributação da Cofins, "sejam acrescidos ao valor do prejuízo operacional compensável que consta no demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais IRPJ e do Demonstrativo da Compensação de Bases Negativas da CSLL, anexos aos respectivos autos de infração ". Fl. 962DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 8 7 2 Saldo Credor de Caixa 12. Os mesmos argumentos foram já haviam sido apresentados na impugnação, tendo o Acórdão DRJ constatado, citando a base legal, art. 281 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999): Não há dúvidas de que é relativa a presunção legal encerrada naquele tipo, portanto, passível de ser afastada pela impugnante. Não obstante, há ínsito nela também o ônus, de responsabilidade da contribuinte, da prova da improcedência daquela presunção, mediante documentação hábil e idônea que lastreie sua escrituração na qual deve estar presente a observância às leis comerciais e fiscais, consoante o disposto no art. 251, § único, do Decreto n º 3.000/1999, que assim dispôs:(...) Assim, resta incólume o DEMONSTRATIVO DE RECEITAS OMITIDAS SALDO CREDOR DE CAIXA (lis. 4951) aludido no item 1.1 do Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 2848 integrante dos Ais cujos valores, frisese. foram encontrados na escrituração do Diário da contribuinte (fls. 503510). A seu turno, o discurso passivo de que a sistemática de contabilização de recebimentos na conta Caixa, feita em defasagem de alguns dias, por valores globais, de sorte a gerar saldos credores irreais, não encontra abrigo na legislação de regência. Ao contrário, a defendida rotina operacional desnuda menoscabo da necessária escorreição de escrituração em seu Diário, pelo qual atos ou operações de sua atividade, modificadores de sua situação patrimonial, deveriam ser ali escriturados dia a dia. A propósito, objetivando comprovar a defendida defasagem em face do enorme volume de recebimentos, a contribuinte deveria ter sido diligente, tanto no sentido de se valer de livros auxiliares para respectivo registro individuado, quanto da conservação dos documentos esses sim que permitissem a perfeita verificação. Nesse sentido, em seu socorro estaria o conjunto das disposições contidas em todo o art. 258 do Decreto n° 3.000/1999. ' 13. De fato, a argumentação do contribuinte poderia ser facilmente comprovada, mediante a apresentação de registros auxiliares dos lançamentos por valores globais, apoiados pelos respectivos documentos. 14. No entanto, nenhum documento foi apresentado adicionalmente, no recurso voluntário. 15. Por isso, permanece válida a presunção legal e a autuação é procedente. 3 Passivo Fictício. 16. As alegações e documentos já foram examinados pela DRJ, que considerou procedente a autuação, e se faz novo exame a seguir. Fl. 963DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 9 8 3.1 R$85.851,15 E R$ 145.036,34 DO FORNECEDOR GLAXOSMITHKLINE BRASIL S/A 17. Alega que foram pagas em 09/01/2006, e foram baixadas no livro Razão na data do pagamento, conforme cópias juntadas com a impugnação. 18. Verificouse às págs. 690/764, 777/792, 815/833, e 854/872, na documentação acostada com as quatro impugnação e localizouse: pág. 713, lançamentos no Razão, datados de 09/01/2006, de ambos valores com o histórico "Vlr ref. Baixa NF 51841 (e 51839) Glaxosmithkline Brasil Ltda PASSADO P/COMPROR"; não consta qualquer documento confirmando a data da liquidação constante do Razão. 19. Por isso, procede o lançamento. 3.2 R$11.005,36 DO FORNECEDOR SINGER INGELLHEIM IND COM LTDA 20. Foi autuado Passivo Fictício referente à Singer, no valor de R$8.953,41, pág. 65, ref NF 255.288, registrada nos estoques em 18/11/2005, no Diário geral da empresa. 21. A Recorrente alega que foi pago em 28/11/2005, cheque n°. 273584 do Banco do Brasil S/A, no valor de R$12.664,47, que serviu, também, para pagamento de outras obrigações, conforme consta na autenticação de pagamento emitida naquela data. 22. Alega que houve equivoco no lançamento da baixa dessa obrigação contabilizada na mesma data, ou seja, 28/11/2005, pelo valor correto do título e do pagamento R$ 11.005,36, mas com lançamento errado do n°. da Nota Fiscal Fatura, ou seja, lançouse o número 255288 que corresponde a outra nota fiscal, com valor de R$8.913,41, que foi paga e baixada em 10/01/2006, com seu número correto 255288; portanto a permanência em aberto, no balanço de 31/12/2005, da obrigação representada pela NF n° 255.288, no valor de R$ 8.913,41 está absolutamente correta, por representar passivo real e não fictício; verificaramse os documentos, págs. 716/718, que confirmam que tal pagamento ocorreu em 2005: a. NF 252588 da Singer, de 29/09/2005, R$11.05,36; b. cópia de papeleta interna do cheque 275.586 Banco do Brasil datado 28/01//2005, R$12.664,47, detalhando os pagamentos, entre outros de "Singer R$11.005,36"; c. Comprovante de pagamento de título, do Banco do Brasil, em 28/11/2005, valor cobrado R$11.005,36; d. Boleto de cobrança Singer do Brasil, no Itaú, com vencimento 27/11/2005, R$11.005,36 e. extrato conta bancária Sudameris de 10/01/2006, pág. 724, onde não consta débito de R$8.913,41 f. Razão, onde consta a baixa do título da Singer em 10/01/2006, NF 255288, R$8.913,41, pág. 726. 23. Porém estes documentos se referem ao outro valor e NF; quanto à NF e valor autuados, não anexou comprovante de pagamento posterior a 31/12/2005. Fl. 964DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 10 9 24. Lançamento procedente. 3.3 NFFATURA N° 19603 E 20088, STRATUS COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, PÁG. 67 25. Alega que a NF nº 19603, de 06/01/2005, R$8.565,40 e a NF nº 20088 de 20/03/2005, R$19.008,00 foram pagas, não com moeda e sim, por meio de devoluções de mercadorias representadas pelas notas de Devolução de Compra Comercial que emitiu para a Stratus, devolvendo mercadorias, cópias, págs. 730/735: N°. da NF Data Valor sub total 107538 07/04/2005 4.294,08 108130 08/04/2005 102,72 169541 18/07/2005 4.180,00 8.576,80 107539 07/04/2005 19.008,00 19.008,00 26. A DRJ concluiu: As razões passivas foram objeto de apreciação na fase procedimental (fls. 06 e 67), sem que restasse comprovado lá, como cá, mediante documentação hábil e idônea, a veracidade desse passivo em aberto, representado por aquelas notas. 27. Pela coincidência dos valores e compatibilidade das datas, a alegação é aceitável; no entanto, por que os valores ainda restavam registrados no Passivo em 31/12/2005? 28. Concluise ser procedente a conclusão do Autuante. 3.4 DEMAIS TÍTULOS QUE COMPÕEM O PASSIVO FICTÍCIO. 29. Alega que, por se tratarem de documentos emitidos e arquivados há mais de cinco anos, não foram localizados a tempo de serem entregues ao autuante, para provar a inexistência do total do suposto passivo fictício no valor de R$925.586,35, mas que contesta na totalidade, e assevera que serão localizados e encaminhados a esse Conselho, antes do julgamento do recurso,na forma do art.16, § 5º do Decreto 70.235/1972; tais obrigações em aberto no balanço de encerramento de 31/12/2005, decorrem de erros contábeis, sem reflexo nos resultados, na apuração e no pagamento de tributos, o que descaracteriza a presunção de omissão de receitas. 30. Como relatado, a Recorrente não anexou documentos adicionais ao apresentar o recurso voluntário; portanto, resta confirmada a procedência da autuação. 3.5 CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS 31. No que tange às omissões de receitas, aplicase aos lançamentos decorrentes de CSLL. PIS e Cofins, o decidido no principal. Fl. 965DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 11 10 4 Créditos de PIS e Cofins, glosados. Despesas de Fretes. 32. Sobre as glosas de créditos de despesas de frete, referentes à compra de combustíveis e lubrificantes para os veículos próprios, argumenta que a legislação invocada pela autoridade fiscal, arts. 1 a 3º e 5º da Lei n 10.833, de 2003, ao contrário do que sugeriu o auto de infração, autoriza o crédito dos valores gastos com o frete na entrega ao clientes, dos bens adquiridos para revenda, por ocasião das entregas aos respectivos compradores, (no caso comerciantes varejistas) quando o ônus for inteiramente suportado pelo vendedor, sem qualquer distinção de uso de frota própria ou de terceiros; portanto, a glosa é injustificada, pois a expressão "Despesas com Fretes" da lei, não tem um sentido único de "fretes contratados", mas, como "despesas com transportes", dentro da sistemática da "não cumulatividade", ou seja o aproveitamento dos valores recolhidos nas operações anteriores na compra de bens para revenda e no custo dos insumos utilizados na prestação de serviços, para reduzir a base de cálculo da contribuição para PIS e Cofins; e a comprovação da compra e da utilização dos combustíveis nas operações de venda está registrada nos livros próprios e o direito ao crédito de PIS e Cofins é assegurado pelo art. 15, II da Lei nº 10.833, de 2003. 33. A Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, se refere a despesas com fretes: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. 34. Várias Soluções de Consulta Cosit, orinetam que as despesas com combustíveis de frota própria não podem ser computadas nos créditos de PIS e Cofins, no regime da não cumulatividade: Solução de Consulta Disit/SRRF04 nº 4005, de 23 de fevereiro de 2017; Solução de Consulta Cosit nº 99039, de 03 de março de 2017; Solução de Consulta nº 490, de 26 de setembro de 2017, transcrita a seguir: Fl. 966DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 12 11 SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 490, DE 26 DE SETEMBRO DE 2017 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS EMENTA: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DISPÊNDIOS COM COMBUSTÍVEIS E MANUTENÇÃO DE FROTA DE VEÍCULOS PRÓPRIA DO VENDEDOR. ÔNUS DO TRANSPORTE SUPORTADO PELO VENDEDOR. IMPOSSIBILIDADE. Não há permissão legal para apuração de créditos da não cumulatividade da Cofins em relação a dispêndios com combustíveis, lubrificantes e peças de reposição para manutenção de frota própria de veículos utilizada no transporte de mercadorias revendidas com ônus suportado pelo vendedor. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.833, de 2003, arts. 2º, 3º e 10. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DISPÊNDIOS COM COMBUSTÍVEIS E MANUTENÇÃO DE FROTA DE VEÍCULOS PRÓPRIA DO VENDEDOR. ÔNUS DO TRANSPORTE SUPORTADO PELO VENDEDOR. IMPOSSIBILIDADE. Não há permissão legal para apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep em relação a dispêndios com combustíveis, lubrificantes e peças de reposição para manutenção de frota própria de veículos utilizada no transporte de mercadorias revendidas com ônus suportado pelo vendedor. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637, de 2002, arts. 2º e 8º; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º c/c o art. 15, II. 35. Contudo, em se tratando de empresa que comercializa produtos e possui frota própria que realiza as entregas, deve se reconhecer que os combustíveis são insumos operacionais e se subsomem à determinação do art. 3º, II da Lei nº 10.833, de 2003. 36. Cito jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Ficais CSRF: Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Data da Sessão 28/11/2017 Nº Acórdão 9303005.902 Tributo / Matéria Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONCEITO DE INSUMOS. DISCUSSÃO ADSTRITA AOS BENS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO.A mais que polêmica discussão sobre os conceito de insumos para fins de Creditamento PIS/Cofins (se igual ao do IPI, do IRPJ ou "intermediário"), cingese estritamente à expressão “bens ... utilizados como insumo na ... produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”, não atingindo qualquer outro comando da legislação que disciplina o direito ao creditamento PIS/Cofins, a exemplo das normas aplicáveis às empresas estritamente comerciais. Fl. 967DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 13 12 DESPESAS COM FRETE (AÍ ABRANGIDAS A MANUTENÇÃO E OS COMBUSTÍVEIS, NO CASO DE FROTA PRÓPRIA), NA OPERAÇÃO DE VENDA, SUPORTADAS PELO VENDEDOR. DIREITO AO CREDITAMENTO. Seja a empresa industrial ou comerciante, há direito ao creditamento, na venda a clientes finais (art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003), do frete, quando suportado pelo vendedor. Utilizandose este de frota própria, estão aí abrangidas as despesas com manutenção dos veículos e do combustível utilizado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONCEITO DE INSUMOS. DISCUSSÃO ADSTRITA AOS BENS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO.A mais que polêmica discussão sobre os conceito de insumos para fins de Creditamento PIS/Cofins (se igual ao do IPI, do IRPJ ou "intermediário"), cingese estritamente à expressão “bens ... utilizados como insumo na ... produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”, não atingindo qualquer outro comando da legislação que disciplina o direito ao creditamento PIS/Cofins, a exemplo das normas aplicáveis às empresas estritamente comerciais.DESPESAS COM FRETE (AÍ ABRANGIDAS A MANUTENÇÃO E OS COMBUSTÍVEIS, NO CASO DE FROTA PRÓPRIA), NA OPERAÇÃO DE VENDA, SUPORTADAS PELO VENDEDOR. DIREITO AO CREDITAMENTO.Seja a empresa industrial ou comerciante, há direito ao creditamento, na venda a clientes finais (art. 15, II, c/c art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003), do frete, quando suportado pelo vendedor. Utilizandose este de frota própria, estão aí abrangidas as despesas com manutenção dos veículos e do combustível utilizado.Recurso Especial do Procurador Negado. 5 PIS. Cofins. Omissão de Receitas. Bonificações recebidas. 37. Esta infração está detalhadamente explicada no Termo de Verificação Fiscal, págs. 35/46, no item 3; em síntese, a Autuada recebeu dos fornecedores bonificações em dinheiro e contabilizou como redução do custo das mercadorias revendidas, razão porque não foi autuada por omissão de receitas nos autos de infração de IRPJ e CSLL, cuja apuração foi sobre o lucro real, que não foi afetado. 38. Em se tratando de PIS e Cofins, apurados sobre a receita bruta, foram autuados como omissão, em função da legislação que determina trataremse de receitas e não redução de custos: SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 542, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2017 (Publicado(a) no DOU de 22/12/2017, seção 1, página 95) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS BONIFICAÇÃO EM DINHEIRO. RECEITA BRUTA. NÃOCUMULATIVIDADE. Os valores em dinheiro e abatimentos recebidos de fornecedores pelos adquirentes de mercadorias, que não reduzem o valor da Fl. 968DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 14 13 nota fiscal de venda e que se efetivam em momento posterior à sua emissão, não constituem descontos incondicionais, mas sim receita do adquirente, e como tal estão sujeitos à tributação pela Cofins. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º, caput e § 3º, V, a; IN SRF nº 51, de 1978, Item 4.2. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep BONIFICAÇÃO EM DINHEIRO. RECEITA BRUTA. NÃOCUMULATIVIDADE. Os valores em dinheiro e abatimentos recebidos de fornecedores pelos adquirentes de mercadorias, que não reduzem o valor da nota fiscal de venda e que se efetivam em momento posterior à sua emissão, não constituem descontos incondicionais, mas sim receita do adquirente, e como tal estão sujeitos à tributação pela Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Lei n° 10.637, de 2002, art. Io, caput e § 3o, V, "a"; IN SRF n° 51, de 1978, Item 4.2. 39. Bonificações recebidas em mercadorias, também devem ser tratadas como receitas: Solução de Consulta nº 291 Cosit Data 13 de junho de 2017 Processo Interessado CNPJ/CPF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Bonificações em mercadorias entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem vinculação a operação de venda, são consideradas receita de doação para a pessoa jurídica recebedora dos produtos (donatária),incidindo a Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor de mercado desses bens. A receita de vendas oriunda de bens recebidos a título de doação deve sofrer a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, na forma da legislação geral das referidas contribuições. Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Bonificações em mercadorias entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem vinculação a operação de venda, são consideradas receita de doação para a pessoa jurídica recebedora dos produtos (donatária), incidindo a Cofins sobre o valor de mercado desses bens. A receita de vendas oriunda de bens recebidos a título de doação deve sofrer a incidência da Cofins, na forma da legislação geral das referidas contribuições. Fl. 969DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 15 14 Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. 40. Mesmo em se tratando de tributação monofásica (mas este caso, não é) também se aplica o mesmo princípio: Solução de Consulta nº 204 SRRF09/Disit Data 11 de outubro de 2011 Processo Interessado CNPJ/CPF ASSINTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS BONIFICAÇÃO EM DINHEIRO. RECEITA BRUTA. NÀO CUMULATTVIDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA, CRÉDITO. Os valores em dinheiro recebidos dos fabricantes pelas concessionárias de veículos, sem registro na nota fiscal de venda e em momento posterior à sua emissão, nào constituem bonificações ou descontos incondicionais concedidos, mas sim receita sujeita à tributação pela Cofins apurada na sistemática nãocumulativa. A tributação desses valores não autoriza a apropriação de créditos relativos à aquisição de produtos submetidos à tributação monofásica. Dispositivos Legais: Lei n° 10.485. de 2002: Lei n° 10.833. de 2003. art. Io, art. 2o. § Io. m. c/c art. 3o. I. 'b: Parecer CST/SIPR n° 1.386/1982: IN SRP n° 51. de 1978. item 4.2: PN CST n° 113, de 1979. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP BONIFICAÇÃO EM DINHEIRO. RECEITA BRUTA. NÀOCUMULATIViDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. CRÉDITO. Os valores em dinheiro recebidos dos fabricantes pelas concessionárias de veículos, sem registro na nota fiscal de venda e em momento posterior à sua emissão, nào constituem bonificações ou descontos incondicionais concedidos, mas sim receita sujeita à tributação pelo PIS/Pasep apurado na sistemática nãocumulativa. A tributação desses valores nào autoriza a apropriação de créditos relativos à aquisição de produtos submetidos à tributação monofásica. Dispositivos Legais: Lei n° 10.485. de 2002: Lei n° 10.637. de 2002. ait. Io. ait. 2o. § Io. m. c/c art. 3°. I. 'b: Parecer CST/SIPR ii° 1.386/1982: IN SRF il0 51, de 1978. item 4.2: PN CST n° 113. de 1979 esta "bonificação" não pode transitar pelo estoque e consequentemente pelo custo como uma conta redutora porque não compõe o valor da NF.Portanto deverá considerar como outras receitas operacionais e submeter a tributação de PIS e COFINS. partir do anocalendário de 2015, as pessoas jurídicas passam a ser submetidas à tributação das receitas financeiras: descontos e juros, rendimentos nas aplicações financeiras, bonificações entre outras para o PIS/COFINS, no Lucro real e CSL e IRPJ no Lucro Presumido; Estas que antes tinham alíquota 0,00 de tributação sobre tais receitas; precisamente em julho de 2015 com alteração da legislação passaram a ser tributadas.BASE Fl. 970DF CARF MF Processo nº 10970.000981/201051 Acórdão n.º 1201002.325 S1C2T1 Fl. 16 15 LEGAL“DECRETO Nº 8.426, DE 1º DE ABRIL DE 2015”Portanto será necessário oferecêlas a tributação no Mês subseqüente as seguintes receitas; entre outras. 41. A legislação determina que descontos financeiros (que é o caso) não podem transitar pelo estoque e consequentemente pelo custo, como uma conta redutora, porque não compõem o valor da NF (que compõe a receita bruta); tratamse de receitas financeiras, portanto são consideradas como outras receitas operacionais e devem ser submetidas à tributação de PIS e Cofins. 6 Conclusão Voto pelo PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar a glosa de créditos sobre combustíveis, na apuração de PIS e Cofins nãocumulativos. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 971DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.720013/2006-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2004
Crédito Presumido de IPI. Insumos.
As aquisições de lubrificantes, água, produtos para tratamento de água e de efluentes e partes e peças de máquinas não integram a base de cálculo do crédito presumido, uma vez que não se enquadram nos conceitos de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, nos termos do artigo 1°, I, da Lei 10.276/2001 e artigo 3° da Lei 9.363/96.
Crédito Presumido de IPI. Aquisição de pessoas físicas. Regime alternativo. Lei 10.276/2001. Recurso Repetitivo do STJ. Súmula 494/STJ. Analogia. Possibilidade.
No regime alternativo previsto na Lei nº 10.276/2001 geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisições de pessoas físicas, por analogia ao entendimento exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos do STJ, aplicável ao crédito presumido de IPI apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/1996.
Crédito Presumido de IPI. Incidência da Taxa Selic.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei nº 11.457/2007), nos termos do REsp 1.138.206/RS.
Pedido de Diligência.
O órgão julgador de primeira instância indeferirá o pedido de diligência ou perícia, quando as considerar prescindíveis para a solução da lide. Também deve ser desconsiderado o pedido, quando não formulado nos termos do Decreto n° 70.235/72 - PAF.
Arguição de Inconstitucionalidade.
O controle da constitucionalidade das leis no sistema jurídico brasileiro é exercido, com exclusividade, pelo Poder Judiciário. Assim, a autoridade julgadora carece de competência para a análise/apreciação de questões relacionados à constitucionalidade/legalidade das normas tributárias.
Numero da decisão: 3302-005.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito sobre aquisições de pessoas físicas e para reconhecer a aplicação da taxa Selic sobre o crédito na aquisição de pessoas físicas a partir de 360 (trezentos e sessenta dias) dias contados do protocolo do pedido, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud (relator) que negava-lhe provimento.
Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Diego Weis Junior.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2004 Crédito Presumido de IPI. Insumos. As aquisições de lubrificantes, água, produtos para tratamento de água e de efluentes e partes e peças de máquinas não integram a base de cálculo do crédito presumido, uma vez que não se enquadram nos conceitos de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, nos termos do artigo 1°, I, da Lei 10.276/2001 e artigo 3° da Lei 9.363/96. Crédito Presumido de IPI. Aquisição de pessoas físicas. Regime alternativo. Lei 10.276/2001. Recurso Repetitivo do STJ. Súmula 494/STJ. Analogia. Possibilidade. No regime alternativo previsto na Lei nº 10.276/2001 geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisições de pessoas físicas, por analogia ao entendimento exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos do STJ, aplicável ao crédito presumido de IPI apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/1996. Crédito Presumido de IPI. Incidência da Taxa Selic. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei nº 11.457/2007), nos termos do REsp 1.138.206/RS. Pedido de Diligência. O órgão julgador de primeira instância indeferirá o pedido de diligência ou perícia, quando as considerar prescindíveis para a solução da lide. Também deve ser desconsiderado o pedido, quando não formulado nos termos do Decreto n° 70.235/72 - PAF. Arguição de Inconstitucionalidade. O controle da constitucionalidade das leis no sistema jurídico brasileiro é exercido, com exclusividade, pelo Poder Judiciário. Assim, a autoridade julgadora carece de competência para a análise/apreciação de questões relacionados à constitucionalidade/legalidade das normas tributárias.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10670.720013/2006-63
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5890079
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.478
nome_arquivo_s : Decisao_10670720013200663.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JORGE LIMA ABUD
nome_arquivo_pdf_s : 10670720013200663_5890079.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito sobre aquisições de pessoas físicas e para reconhecer a aplicação da taxa Selic sobre o crédito na aquisição de pessoas físicas a partir de 360 (trezentos e sessenta dias) dias contados do protocolo do pedido, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud (relator) que negava-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Diego Weis Junior. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède
dt_sessao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7387612
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585648857088
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-06-20T17:40:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-06-20T17:40:10Z; Last-Modified: 2018-06-20T17:40:10Z; dcterms:modified: 2018-06-20T17:40:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:ec59afd1-f65f-4223-9d35-020afeea13a0; Last-Save-Date: 2018-06-20T17:40:10Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-06-20T17:40:10Z; meta:save-date: 2018-06-20T17:40:10Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-06-20T17:40:10Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-06-20T17:40:10Z; created: 2018-06-20T17:40:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; Creation-Date: 2018-06-20T17:40:10Z; pdf:charsPerPage: 2188; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-06-20T17:40:10Z | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.771 1 1.770 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10670.720013/200663 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.478 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2018 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS Recorrente COMPANHIA DE TECIDOS NORTE DE MINAS COTEMINAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. As aquisições de lubrificantes, água, produtos para tratamento de água e de efluentes e partes e peças de máquinas não integram a base de cálculo do crédito presumido, uma vez que não se enquadram nos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, nos termos do artigo 1°, I, da Lei 10.276/2001 e artigo 3° da Lei 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. ANALOGIA. POSSIBILIDADE. No regime alternativo previsto na Lei nº 10.276/2001 geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisições de pessoas físicas, por analogia ao entendimento exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos do STJ, aplicável ao crédito presumido de IPI apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/1996. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei nº 11.457/2007), nos termos do REsp 1.138.206/RS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. O órgão julgador de primeira instância indeferirá o pedido de diligência ou perícia, quando as considerar prescindíveis para a solução da lide. Também deve ser desconsiderado o pedido, quando não formulado nos termos do Decreto n° 70.235/72 PAF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 00 13 /2 00 6- 63 Fl. 1771DF CARF MF 2 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O controle da constitucionalidade das leis no sistema jurídico brasileiro é exercido, com exclusividade, pelo Poder Judiciário. Assim, a autoridade julgadora carece de competência para a análise/apreciação de questões relacionados à constitucionalidade/legalidade das normas tributárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito sobre aquisições de pessoas físicas e para reconhecer a aplicação da taxa Selic sobre o crédito na aquisição de pessoas físicas a partir de 360 (trezentos e sessenta dias) dias contados do protocolo do pedido, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud (relator) que negavalhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Diego Weis Junior. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède Relatório O presente processo teve sua origem em uma representação, mediante a qual é proposta a análise do crédito apontado pelo contribuinte no Pedido de Ressarcimento Eletrônico, o qual foi transmitido em três ocasiões distintas. Os três pedidos foram transmitidos por meio do programa PER/Dcomp, versão 1.3: Fl. 1772DF CARF MF Processo nº 10670.720013/200663 Acórdão n.º 3302005.478 S3C3T2 Fl. 1.772 3 Ø O pedido original, transmitido em 8 de abril de 2004, recebeu o ns 20257.09901.080404.1.1.012781 (fl. 2); Ø o documento seguinte, transmitido em 15 de abril de 2004, retificou o pedido original e desta feita foi cadastrado sob o n° 15447.05193.150404.1.5.016430 (fl. 9); Ø por último, a contribuinte novamente retificou o pedido original, em 28 de abril de 2004, cujo registro foi efetivado sob o n° 39486.72688.280404.1.5.011908 (fl. 10). Foi proposta a abertura de um Processo Administrativo para que se examinasse o pedido de ressarcimento transmitido pela contribuinte e que, concomitantemente, controlasse no sistema da Receita Federal do Brasil Profisc os débitos compensados pela contribuinte os quais tivessem sido extintos pelos créditos objeto do pedido.2 Na apuração do crédito presumido do IPI, foram efetuadas as seguintes correções: Ø exclusão de crédito presumido negativo referente ao 4° trimestre/2003; Ø insumos considerados indevidamente pelo contribuinte. O resumo do Pedido de Ressarcimento está retratado na Tabela 1, a seguir. A fiscalização tratou de verificar a existência do crédito presumido de IPI apontado pela requerente em seu pedido de ressarcimento. Através de diversas intimações, o contribuinte foi cobrado a apresentar documentos e esclarecimentos com a finalidade de identificar o quantum de crédito presumido de IPI a que fazia jus. Em vários momentos, a contribuinte solicitou dilação de prazo para cumprimento dos itens requisitados. Devese ressaltar que, dentre os documentos trazidos pela contribuinte, destacase um, mediante o qual o contribuinte declara NÃO ser parte em processo judicial ou em processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido/compensado de créditos presumidos de IPI relativos ao 1° (primeiro) trimestre de 2002 ao 1° (primeiro) trimestre de 2004. Fl. 1773DF CARF MF 4 Acrescentese, ainda, que o contribuinte protocolizou, em 10 de março de 2006, um requerimento pleiteando atualização do crédito presumido de IPI do mês de janeiro de 2004, pela variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic. Aquele requerimento provocou a abertura do Processo Administrativo n° 10670000378/200678. Em 30 de abril de 2007, Despacho Decisório INDEFIRIU o Pedido de Ressarcimento formulado pelo contribuinte , no valor total de R$ 6.631.470,91, referente a crédito presumido de IPI, como ressarcimento da Cofins, concernente ao mês de janeiro de 2004, em virtude da nãocomprovação do alegado direito creditório, consoante ficou demonstrado no Termo de Verificação Fiscal. Os argumentos deduzidos pela Fiscalização para fundamentar o indeferimento podem ser sintetizados da seguinte forma: ü a Recorrente não teria deduzido, em janeiro de 2004, o crédito presumido negativo, constatado ao final do 4° trimestre de 2003, sendo que a Fiscalização apurou que esse crédito negativo seria de R$ 723.993,38 e efetuou a exclusão desse montante da base de cálculo do crédito presumido referente a janeiro de 2004; ü a Recorrente efetuou inclusões na base de cálculo do crédito que foram consideradas indevidas e que dizem respeito às aquisições de lubrificantes (em alguns casos contabilizados como combustíveis), água e algodão de fornecedores pessoas físicas ou importado; ü não seria possível a atualização do crédito pleiteado com base na SELIC, haja vista que, segundo afirma a Fiscalização, não haveria previsão legal para tanto. Cientificado da decisão em 27/07/2007 (folhas 1.419), via Aviso de Recebimento, o contribuinte ingressou com Manifestação de Inconformidade em 27/08/2007, de folhas 1.431 a 1.458. Em 25 de novembro de 2009, através do Acórdão n° 0927.270, a 2a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora/MG, por unanimidade de votos, decidiu por INDEFERIR a solicitação da contribuinte. Entendeu a Turma que: ü Quanto à Exclusão de crédito presumido negativo 4o trimestre/2003: há disposição expressa a sustentar as correções efetuadas pela autoridade administrativa na apuração do crédito presumido; ü Dentre as inconsistências constatadas pela fiscalização, há que se destacar a dedução efetuada pela contribuinte do crédito presumido acumulado até out/03 do calculado em dez/03, quando o correto seria deduzir deste o valor do crédito presumida acumulado até set/03, visto a apuração do crédito presumido ser trimestral; Fl. 1774DF CARF MF Processo nº 10670.720013/200663 Acórdão n.º 3302005.478 S3C3T2 Fl. 1.773 5 ü E mais, o crédito presumido negativo apurado no 4° trimestre/2003 deveria ter sido excluído do crédito presumido apurado em jan/2004, conforme assim determina o artigo 11, parágrafo 3°, inciso II, das INs SRF n”s 69/2001 e 315/2003. Veja que, na memória de cálculo apresentada pela contribuinte, referente à jan/2004 (fls. 230/231), notase a não exclusão do crédito presumido negativo referente ao 4° trimestre/2003; ü Quanto à glosa de créditos da aquisição de insumos: Está em análise o consumo de determinados insumos na produção que foram objeto de glosa. Considerando que a COTEMINAS tem por atividade a fabricação de produtos têxteis (fiação/tecelagem), a fiscalização concluiu que esses insumos não se enquadram nos conceitos de MP, PI e ME adotados pela legislação do IPI, não atendendo assim as disposições do Parecer Normativo CST n° 65/79; ü Direito à Correção dos Crèditos pela SELIC: Nenhum dos dispositivos que autorizam a atualização monetária ou a incidência de juros Selic mencionam a possibilidade de fazêlos sobre os créditos escriturais de IPI, extemporâneos ou escriturados em sua época própria, ou sobre o ressarcimento decorrente de saldos credores trimestrais apurados pelos contribuintes. A COMPANHIA DE TECIDOS NORTE DE MINAS COTE tomou ciência da decisão da Delegacia Regional de Julgamento em 16/12/2009, via Aviso de Recebimento (folhas 1509). Em 15/01/2010, a COMPANHIA DE TECIDOS NORTE DE MINAS COTE ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO, de folhas 1517 a 1541. Foram feitas alegações referentes aos seguintes pontos: ü A desconsideração pelo acórdão recorrido de parte da argumentação deduzida pela Recorrente e da indevida exclusão do estoque referente a janeiro de 2004; ü A efetiva exclusão do crédito presumido negativo referente ao 4° trimestre de 2003 e da necessidade de realização de diligência; ü A indevida glosa de créditos referentes à aquisição de algodão de pessoas físicas e importadas; ü Do efetivo direito à correção do crédito pela SELIC. DO PEDIDO Diante de todo exposto, requerse seja reformado o Acórdão n.° 09 27.270/2009 2a Turma da DRJ/JFA, julgandose procedentes os pedidos iniciais apresentados pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e ora reiterados. Fl. 1775DF CARF MF 6 Por fim, é juntada aos autos cópia da Resolução n° 3302000.278, de 27 de fevereiro de 2013, exarada pela 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, referente ao Processo nº 10670.000378/200678 que determina à autoridade competente anexar aos presentes autos a cópia do Despacho Decisório, e eventuais decisões proferidas pela DRJ e por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em relação à DCOMP n°. 20257.09901.080404.1.1.012781 (objeto do presente Processo Administrativo n° 10670.720.013/200663). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Lima Abud Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 16 de dezembro de 2009, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário apresentando a recorrente recurso voluntário em 15 de janeiro de 2010. Da controvérsia. Tratase de discussão de matéria de fato e de direito referente aos seguintes pontos: ü A exclusão do estoque referente a janeiro de 2004; ü A exclusão do crédito presumido negativo referente ao 4° trimestre de 2003; ü A glosa de créditos que dizem respeito às aquisições de lubrificantes (em alguns casos contabilizados como combustíveis), água e algodão de fornecedores pessoas físicas ou importado; ü Do efetivo direito à correção do crédito pela SELIC. Do Mérito. Da desconsideração pelo acórdão recorrido de parte da argumentação deduzida pela Recorrente e da indevida exclusão do estoque referente a janeiro de 2004 Da Base de cálculo. É alegado às folhas 03/04 do Recurso Voluntário: Ao se analisar a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente e o acórdão recorrido, tomase claro que essa decisão deixou de enfrentar relevante aspecto suscitado na defesa inicial. Fl. 1776DF CARF MF Processo nº 10670.720013/200663 Acórdão n.º 3302005.478 S3C3T2 Fl. 1.774 7 Com efeito, como se confirma do extenso tópico “11.1 ^EXCLUSÃO DO ESTOQUE REFERENTE A 31/01/04 (...)”, a Recorrente questionou procedimento fiscal cuja adoção se mostrou clara após a análise dos cálculos apresentados pela Fiscalização ao indeferir o pedido de ressarcimento, consubstanciado na indevida exclusão da base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente aos insumos utilizados na produção de produtos em estoque em 31.01.2004. Adiante serão reiterados os argumentos desenvolvidos naquela oportunidade, sendo que se busca demonstrar nesse momento que o acórdão recorrido não os analisou, talvez por confundir essa questão com aquela levantada pela Fiscalização e que diz respeito à exclusão do crédito presumido negativo referente ao 4° trimestre de 2003 (fls. 1.357/1.359). (Grifo e negrito próprios do original) Essa linha de argumentação não procede. Entendese que o Acórdão n° 09 27.270 explorou adequadamente a questão no seguinte fragmento, às folhas 1.501 e 1.502 do processo digital (sic): Outrossim, a recorrente alega que a autoridade administrativa não demonstrou nem fundamentou os valores apurados. Ora, da simples leitura do Termo de Verificação Fiscal, em parte sumariado no relatório supra, percebese que este foi minuciosamente elaborado, com estrita obediência à legislação de regência, inclusive, fazendo menção a todos os demonstrativos e planilhas que serviram de base à apuração do crédito presumido de IPI apurado. Ademais, foi a própria requerente que alegou que a contribuinte aplicou as disposições da IN SRF n° 441, de 13 de agosto de 2004, para excluir o valor das aquisições utilizadas na produção de produtos não acabados e acabados. Pareceme bem contraditórias as alegações apresentadas pela impetrante. É de bom alvitre ressaltar que, nos termos do inciso III do Decreto n° 70.235/72, acima transcrito, caberia à contribuinte mencionar, em sua impugnação, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possui. Ora, a impugnante se limita a tecer comentários sobre o trabalho da fiscalização, sem apontar ou trazer aos autos, fatos que efetivamente comprovem que os cálculos efetuados não refletem a realidade apurada. Dentre as inconsistências constatadas pela fiscalização, há que se destacar a dedução efetuada pela contribuinte do crédito presumido acumulado até out/03 do calculado em dez/03, quando o correto seria deduzir deste o valor do crédito presumido acumulado até set/03, visto a apuração do crédito presumido ser trimestral. E mais, o crédito presumido negativo apurado no 4° trimestre/2003 deveria ter sido excluído do crédito presumido apurado em jan/2004, conforme assim determina o artigo 11, Fl. 1777DF CARF MF 8 parágrafo 3°, inciso II, das INs SRF n°s 69/2001 e 315/2003. Veja que, na memória de cálculo apresentada pela contribuinte, referente a jan/2004 (fls. 230/231), notase a não exclusão do crédito presumido negativo referente ao 4° trimestre/2003. No trabalho desenvolvido pela fiscalização foram constatadas ainda outras irregularidades, abaixo transcritas, e todas discriminadas no Termo de Verificação Fiscal, de forma minuciosa, ou seja, no curso da feitura de seus trabalhos, a autoridade administrativa diligenciou no sentido de proceder à elaboração de uma série de demonstrativos a sustentar a apuração do crédito presumido negativo referente ao 4° trimestre/2003 (fls. 1358/1359), os quais não cabe aqui reproduzir, na medida em que constam dos autos do presente processo, com referência expressa no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.351/1.365). Diante de todas os fatos e evidências narradas, como pode a recorrente dizer que a fiscalização não comprovou nem fundamentou a origem dos valores calculados para glosar o crédito presumido. (Grifo e negrito nossos) Portanto, pelo exposto, temse aqui uma mescla de argumentação contraditória com uma tentativa de inversão do ônus da prova, onde resta claro que a fiscalização fundamentou a origem dos valores calculados para glosar o crédito presumido. Da dedução do crédito presumido relativo ao mês de janeiro do ano de 2004. É alegado às folhas 05 do Recurso Voluntário: Ora, a Fiscalização efetivamente não fez menção à aplicação da IN SRF n.° 441/04. Foi a Recorrente que demonstrou que a Fiscalização, sem qualquer alarde em seu Termo de Verificação Fiscal, adotou de forma retroativa o procedimento previsto naquele diploma (o que fica claro pela análise dos cálculos por ela apresentados), excluindo da base de cálculo do crédito presumido de IPI referente a janeiro de 2004 os valores dos insumos referentes aos produtos em estoque ao final daquele mês. E essa discussão em nada se aproxima da que se refere à exclusão do crédito presumido negativo referente a 2003, que foi o único procedimento “relatado pela fiscalização, item 1 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.357/1.359)”. Já que em nenhum outro trecho da decisão é feita menção ou análise aos argumentos desenvolvidos pela Recorrente no tópico “11.1” de sua manifestação de inconformidade, não há resta dúvidas de que ele não foi enfrentado pelo acórdão recorrido, razão pela qual aqueles argumentos passam a ser reiterados nesse momento, sendo que se espera que esse Eg. Conselho os analise de forma efetiva. Fl. 1778DF CARF MF Processo nº 10670.720013/200663 Acórdão n.º 3302005.478 S3C3T2 Fl. 1.775 9 Essa linha de argumentação não procede. Entendese que o Acórdão n° 09 27.270 explorou adequadamente a questão, trazendo inclusive à lume o artigo 11 da Instrução Normativa SRF n° 315/03 (que revogou a IN SRF n° 69/2001, a qual dispunha no mesmo sentido), em plena vigência à época, para explicitar que há disposição expressa a sustentar as correções efetuadas pela autoridade administrativa na apuração do crédito presumido. Art. 11. No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, conforme o caso, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica produtora e exportadora deverá excluir da base cálculo do crédito presumido o valor dos insumos correspondentes a MP, PI, ME, bem assim da energia elétrica, dos combustíveis e da prestação de serviços na industrialização por encomenda, utilizados em produtos não acabados e acabados mas não vendidos. § 1o (...) § 3o Se, da apuração, resultar valor: positivo, este será considerado como crédito presumido do IPI, a ser aproveitado segundo o disposto no art. 22; negativo, este será deduzido do crédito presumido relativo ao mês de janeiro do ano subsequente. (Grifo e negrito nossos) Nessa toada, alega o Recorrente às folhas 08 do Recurso Voluntário: Ao contrário do que faz crer o acórdão recorrido, a Recorrente invocou esse dispositivo não para questionar a exclusão do crédito presumido negativo referente ao 4° trimestre de 2003, mas para demonstrar que o procedimento de dedução nele previsto não poderia ser considerado em relação ao estoque verificado ao final de janeiro de 2004. Isso porque o objetivo dessa sistemática é impedir que haja uma indevida diminuição da base de cálculo do crédito presumido de IPI no que se refere à MP, PI e ME utilizados para a produção de produtos não acabados ou não vendidos no mesmo período de apuração. Dessa forma, determinase a exclusão daqueles insumos no período anterior (uma vez que não foram computados nas receitas de vendas/exportação utilizadas no cálculo daquele período), para que sejam imediatamente incluídos na apuração do crédito presumido do período seguinte. Como se vê, a exclusão somente é devida ao final do período trimestral de apuração e pressupõe, obrigatoriamente, a apuração de crédito presumido de IPI no período seguinte. Caso contrário, estarseia cassando parte do benefício legalmente outorgado ao contribuinte. (Grifo e negrito próprios do original) Fl. 1779DF CARF MF 10 Essa linha de argumentação não procede em face da determinação do inciso II, do §3o, do artigo 11, que determina: Se, da apuração, resultar valor negativo (...) este será deduzido do crédito presumido relativo ao mês de janeiro do ano subsequente. Portanto, a fiscalização agiu adequadamente segundo o mandamento vigente à época dos fatos, não podendo assim se falar em retroatividade. Inclusive, o fragmento do Acórdão n° 0927.270 que invoca essa determinação é reproduzido às folhas 13 do RECURSO VOLUNTÁRIO: “O crédito presumido negativo apurado no 4° trimestre/2003 deveria ter sido excluído do crédito presumido apurado em jan/2004, conforme preceituado no artigo 11, § 3°, inciso II, das /N's SRF n°s 69/2001 e 315/2003. Na memória de cálculo do contribuinte referente a jan/2004 (fls. 230 a 231) notase que o contribuinte não excluiu o crédito presumido negativo referente ao 4° trimestre/2003. ” (Grifo e negrito próprios do original) Da efetiva exclusão do crédito presumido negativo referente ao 4° trimestre de 2003 É alegado às folhas 13/14 do Recurso Voluntário: Partindo dessa premissa, a Fiscalização apontou o valor que considerou devido e efetuou a exclusão em questão considerando a totalidade daquele valor (R$723.993,38). O acórdão recorrido apenas validou esse procedimento, deixando de se manifestar sobre o principal argumento apresentado pela Recorrente, qual seja, a comprovação de que fora feita exclusão de crédito presumido negativo referente a 2003 no valor de R$ 535.807,19. De fato, a Recorrente indicou que referida exclusão pode ser constatada na linha 49 do DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI (retificador), referente ao mês de janeiro de 2004, assim descrita: "dedução de crédito negativo no mês". Esse documento fora protocolizado junto a Receita Federal em 27.04.2004, sendo que sua cópia foi apresentada com a manifestação de inconformidade e foi completamente ignorada pelo acórdão recorrido. Embora a Fiscalização tenha apresentado planilhas que indicariam o valor a que chegou com passível de exclusão da base de cálculo do crédito, não apresentou qualquer explicação acerca de seus cálculos, nem mesmo porque o valor comprovadamente excluído pela Recorrente foi desconsiderado. Tais fatos já se apresentam suficientes para que a Delegacia da Receita de Julgamento determinasse, de ofício (nos termos do art. 18 do Decreto n.° 70.235/72), a realização de diligência visando maior segurança acerca da informação fiscal, o que foi, inclusive, solicitado pela Recorrente. (Grifo e negrito próprios do original) Fl. 1780DF CARF MF Processo nº 10670.720013/200663 Acórdão n.º 3302005.478 S3C3T2 Fl. 1.776 11 O fato é que essa questão foi devidamente abordada pelo Acórdão n° 09 27.270, como se depreende do seguinte fragmento extraído das folhas 1.502 do processo digital: Dentre as inconsistências constatadas pela fiscalização, há que se destacar a dedução efetuada pela contribuinte do crédito presumido acumulado até out/03 do calculado em dez/03, quando o correto seria deduzir deste o valor do crédito presumido acumulado até set/03, visto a apuração do crédito presumido ser trimestral. Portanto, essa argumentação também não procede. A glosa de créditos que dizem respeito às aquisições de lubrificantes (em alguns casos contabilizados como combustíveis), água e algodão de fornecedores pessoas físicas ou importado Algodão adquirido de pessoas físicas e importado: na apuração do crédito presumido a fiscalização desconsiderou as aquisições e o consumo de algodão adquirido de pessoas físicas, assim como o algodão importado, visto que sobre tais aquisições não há incidência de Cofíns, conforme assim estabelecem o artigo 1° e seu parágrafo 1°, da Lei n° 10.267/01, e o artigo 1° das INs SRF n°s 69/01 e 315/03. É alegado às folhas 15 e 16 do Recurso Voluntário: O acórdão recorrido também validou a glosa dos créditos relacionados à aquisição de algodão de pessoas físicas e importados, corroborando o entendimento fiscal de que sobre tais aquisições não ocorreu a incidência da COFINS, não havendo, por conseguinte, direito ao ressarcimento. Foram invocados o art. 5°, § 2° das Instruções Normativas SRF n.°'s 69/01 e 315/2003, e o Parecer PGFN/CAT n.° 3.092/02. Novamente se equivoca a r. decisão, por ser perfeitamente legítima e justificado o ressarcimento pleiteado, apresentando se também incorreto o disposto nas normas complementares invocadas. Isso porque o benefício fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI, com a compensação do PIS e da COFINS, é referente ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação, independentemente de serem os fornecedores contribuintes dos tributos, conforme dispõe a Lei n.° 9.363/96, que não fez nenhuma distinção entre fornecedores de insumos pessoas físicas e fornecedores pessoas jurídicas. (Grifo e negrito nossos) As exclusões das aquisições efetuadas de pessoas físicas e de cooperativas é determinação expressa contida nos seguintes dispositivos, vigentes à época: artigo 2° da Instrução Normativa SRF n° 23/97: Fl. 1781DF CARF MF 12 DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. (Grifo e negrito nossos) artigos 5° e 16 da Instrução Normativa SRF 69/2001: DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO Art. 5º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o art. 1º a empresa produtora e exportadora de produtos industrializados nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I a produto industrializado sujeito a alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei Nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins. (...) Art. 16. As matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido. Portanto, procedem as exclusões das aquisições efetuadas de pessoas físicas e de cooperativas. lubrificantes e água: na apuração do crédito presumido a fiscalização considerou o uso indevido como insumo o consumo de lubrificantes e água, tendo, ainda, Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 10670.720013/200663 Acórdão n.º 3302005.478 S3C3T2 Fl. 1.777 13 contabilizados os lubrificantes nas contas COMBUSTÍVEIS, código 4124.0100, e, LENHA, código 4124.0200. É alegado às folhas 20 do Recurso Voluntário: No entanto, não há como negar que os lubrificantes e a água adquiridos pela Recorrente integram o conceito de produtos intermediários, na medida em que representam insumos efetivamente consumidos no seu processo industrial, essenciais e indissociáveis da produção. Relembrase, nesse ponto, que a Lei n.° 9.363/96, em seu artigo 3°, determina que as normas a serem observadas como subsidiárias para fins de apuração do crédito presumido do IPI são as que regem a incidência das contribuições ao PIS e COFINS: Em ambos os casos, não é possível sustentar a tese da contribuinte, de que os produtos foram efetivamente utilizados na produção. Isso porque os produtos não se coadunam com o conceito de insumo, e por isso, também não geram o direito ao crédito. Essa é a interpretação decorrente do Parecer Normativo COSIT n° 65, de 1979, que identifica como característica essencial das matériasprimas e dos produtos intermediários e por consequencia o reconhecimento do direito de crédito, o contato físico desses com o produto quando de sua fabricação. Para tanto, invocase a Súmula n° 19 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF n° 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n° 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que NÃO são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. (Grifo, negrito e destaque nossos) Esse foi o motivo da permanência das glosas. Do efetivo direito à correção do crédito pela SELIC. Não existem dispositivos que autorizam a atualização monetária ou a incidência de juros Selic sobre os créditos escriturais de IPI, extemporâneos ou escriturados em sua época própria, ou sobre o ressarcimento decorrente de saldos credores trimestrais apurados pelos contribuintes. Assim, a admissão da incidência de consectários relativos à correção monetária ou juros sobre créditos escriturais ou sobre o saldo credor trimestral pela autoridade administrativa representaria uma indevida inovação da ordem jurídica, cuja competência cabe privativamente ao legislador. Não há, destarte, como aceitála. Fl. 1783DF CARF MF 14 Nesse sentido, citase a seguinte jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 890.899 (785) ORIGEM : AC 200772030019723 TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4a REGIÃO PROCED. : SANTA CATARINA RELATORA :MIN. CÁRMEN LÚCIA RECTE.(S): UNIÃO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S): INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS MEOTTI PARPINELLI LTDA ADV.(A/S): JABES ADIEL DANSIGER DE SOUZA E OUTRO (A/S) (...) Examinados os elementos havidos no processo, DECIDO. 3. Razão jurídica não assiste à Recorrente. 4. O Tribunal Regional decidiu: “Ao crédito presumido do IPI aplicase o regime de crédito escritural, que não admite correção monetária ou incidência de juros, ao menos não na sistemática ordinária de aproveitamento, pois em tais modalidades o contribuinte não depende do Fisco para tirar proveito do benefício. (…) No entanto, em outras hipóteses, o aproveitamento do crédito presumido depende da intervenção da Fazenda. Dessa forma, caso não apresentada solução ao pedido administrativo de aproveitamento do crédito, no prazo legal, deve ser reputado o Fisco em mora, legitimandose a imposição de correção dos valores requeridos, como meio de repartir o ônus do tempo no processo administrativo. Cabível, pois, a aplicação da SELIC, quer porque é utilizado para reparar o retardamento do contribuinte no atendimento da obrigação tributária, quer em face do disposto no art. 406 do CC/02.” (fls. 204205, doc. 1). Esse entendimento harmonizase com a jurisprudência deste Supremo Tribunal, que assentou ser devida a correção monetária dos créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, se houver resistência ilegítima da Fazenda à sua utilização pelo contribuinte: “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA DE CRÉDITOS ESCRITURAIS DE IPI MEDIANTE RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA DO FISCO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. O aproveitamento Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 10670.720013/200663 Acórdão n.º 3302005.478 S3C3T2 Fl. 1.778 15 extemporâneo de créditos escriturais em razão de resistência indevida pela Administração tributária dá ensejo à correção monetária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento” (RE 645.074AgR, Relator o Ministro Roberto Barroso, Primeira Turma, DJe 22.8.2014). “AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CUMULATIVIDADE. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. ESCRITURAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. CABIMENTO. Segundo jurisprudência desta Corte, a aplicação de correção monetária aos créditos escriturais do IPI utilizados ou registrados tardiamente depende de lei autorizadora ou de prova quanto ao obstáculo injustamente posto pelas autoridades fiscais à pretensão do contribuinte. No caso em exame, o Tribunal de origem reconheceu expressamente a conduta injusta da administração, representada pelo atraso injustificado na apreciação de pedido de compensação. Agravo regimental ao qual se nega provimento” (AI 736.148AgR, Relator o Ministro Joaquim Barbosa, Segunda Turma, DJe 20.3.2012). “DIREITO TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITOS ESCRITURAIS. APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO. ÓBICE CRIADO PELO FISCO. INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. É devida a correção monetária quando o aproveitamento dos créditos escriturais, em razão de óbice criado pelo Fisco, se dá tardiamente. Precedentes. Agravo regimental conhecido e não provido” (RE 556.651AgR, Relatora a Ministra Rosa Weber, Primeira Turma, DJe 5.9.2012). “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. CRÉDITOS ESCRITURAIS. INJUSTIFICADA OPOSIÇÃO DO FISCO. CABIMENTO DA CORREÇÃO MONETÁRIA SOBRE CRÉDITOS ESCRITURAIS DE IPI. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO” (AI 795.981AgR, de minha relatoria, Segunda Turma, DJe 4.10.2012, grifos nossos). 5. No julgamento do Recurso Extraordinário n. 582.461RG, Relator o Ministro Gilmar Mendes, este Supremo Tribunal assentou a legitimidade da incidência da Taxa Selic para atualização de débitos tributários: “Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico” (Plenário, DJe 18.8.2011). O acórdão recorrido harmonizase com a jurisprudência deste Supremo Tribunal. Fl. 1785DF CARF MF 16 Como no caso em análise, não houve resistência ilegítima da Fazenda à sua utilização pelo contribuinte, uma vez que a decisão administrativa referente ao presente Processo Administrativo negou provimento ao Recurso do Contribuinte, não se admite correção monetária. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso do Contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud Voto Vencedor Conselheiro Diego Weis Junior Redator Designado. Peço vênia ao ilustre relator para divergir de suas bem fundamentadas razões e conclusões apenas em relação as matérias dos tópicos abaixo. 1 Algodão adquirido de pessoas físicas. Alega a recorrente que a aquisição de mercadorias que são integradas no processo produtivo dos produtos destinados à exportação, independentemente de serem os fornecedores contribuintes dos tributos, e que a lei instituidora do benefício do crédito presumido não fez distinção entre fornecedores de insumos pessoas físicas e fornecedores pessoas jurídicas, bem como que as vedações ao crédito introduzidas pelas instruções normativas da SRF afrontam os textos legais instituidores dos créditos pleiteados. O STJ decidiu, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que as Instruções Normativas que condicionam o crédito presumido previsto pela lei nº 9.363/1996 aos fornecedores sujeitos à tributação pelo PIS e pela COFINS o fazem em desacordo com o texto legal. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 10670.720013/200663 Acórdão n.º 3302005.478 S3C3T2 Fl. 1.779 17 inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade Fl. 1787DF CARF MF 18 rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 10670.720013/200663 Acórdão n.º 3302005.478 S3C3T2 Fl. 1.780 19 confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A mesma matéria foi objeto da súmula 494 do STJ. Súmula 494 O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. (Súmula 494, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/08/2012, DJe 13/08/2012) Embora o presente processo trate de crédito presumido apurado pelo regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/2001, e não do previsto na Lei nº 9.363/1996, não se pode olvidar que o entendimento proferido pelo STJ se adapta perfeitamente ao caso concreto, vez que também não há na lei de 2001 qualquer restrição ao crédito presumido oriundo das aquisições de pessoas físicas. Fl. 1789DF CARF MF 20 Assim, a glosa dos créditos decorrentes da aquisição de algodão de pessoas físicas no mercado interno deve ser revertida, pois as restrições impostas a tal credito presumido não encontram guarida nos textos legais que o instituíram. No mesmo sentido já tem decidido este conselho em decisões da 2ª e 3ª Turmas Ordinárias da 4ª Câmara. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. ANALOGIA. POSSIBILIDADE. No regime alternativo previsto na Lei no 10.276/2001 geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisições de pessoas físicas, por analogia ao entendimento exarado no Recurso Especial no 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos do STJ, aplicável ao crédito presumido de IPI apurado em conformidade com a Lei no 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO. MATÉRIASPRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO DA LEGISLAÇÃO DO IPI. TELECOMUNICAÇOẼS. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Incluemse na base de cálculo do crédito presumido somente as matérias primas e produtos intermediários que integrarem o produto fabricado ou que forem consumidos no processo de industrializacã̧o em face do contato físico direto com o produto em fabricacã̧o, desde que não estejam compreendidos entre bens do ativo permanente. Os gastos com telecomunicacõ̧es não se enquadram no conceito de matériaprima ou produto intermediário. (Acórdão 3402002.738. Relatora: Maria Aparecida Martins de Paula) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do cred́ito pleiteado. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. CONCEITO DE INSUMO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. VINCULAÇÃO À LEGISLAÇÃO DO IPI. Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 10670.720013/200663 Acórdão n.º 3302005.478 S3C3T2 Fl. 1.781 21 Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricacã̧o e que não sejam passíveis de ativacã̧o obrigatória. CULTIVO DE CANADEAÇÚCAR. ATIVIDADE AGRÍCOLA. INSUMOS EMPREGADOS. GLOSA. O valor das aquisicõ̧es de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da canadeaçúcar) deve ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. TRANSFEREN̂CIA DE MATÉRIAPRIMA ENTRE FILIAIS. ESTOQUE. GLOSA. PROCEDÊNCIA. Excluemse da base de cálculo do crédito presumido as transferências de mateŕiaprima de produção própria entre as filiais, ou dentro da própria empresa, por não terem sido gravadas com as contribuições que o benefício visa a ressarcir. AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. CABIMENTO. No regime alternativo, geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisicõ̧es de pessoas físicas. (Acórdão 3403003.173. Relator: Rosaldo Trevisan) 2 Da correção do crédito presumido pela taxa Selic. O STJ já se posicionou no sentido de ser devida a correção pela Selic quando há oposição ao creditamento decorrente de resistência ilegítima do fisco, nos termos da súmula 411 e do REsp. 1.138.206/RS. Em recente precedente, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais acatou a jurisprudência do STJ para admitir o direito à correção pela SELIC, dos créditos presumidos de IPI, a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias contados da apresentação do pedido, o qual adotamos como razão de decidir para o presente caso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. FRETE. POSSIBILIDADE. Incluemse no cálculo do crédito presumido de IPI os valores dos fretes cobrados do Recorrente, referentes às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos exportados, cujas notas fiscais de aquisição se encontram identificadas nos documentos comprobatórios da prestacã̧o do serviço de transporte. Fl. 1791DF CARF MF 22 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDEN̂CIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposicã̧o ao seu aproveitamento decorrente de resisten̂cia ilegítima do Fisco (Súmula no 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administracã̧o para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei no11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS. (Acórdão 9303006.466. Relator: Charles Mayer de Castro Souza) Nesse sentido, faz jus a recorrente à correção do crédito presumido de IPI nos termos do precedente entabulado pela CSRF no voto acima citado. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para: i) reverter as glosas de créditos decorrentes das aquisições de algodão de pessoas físicas no mercado interno; ii) reconhecer o direito de correção pela SELIC dos créditos presumidos a que fizer jus o contribuinte, a partir do fim do prazo de que dispõe a administração tributária para apreciar o pedido, que é de 360 dias a contar da formalização do mesmo. Diego Weis Junior Fl. 1792DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005188/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Relatório
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10120.005188/2009-16
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5888889
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-000.676
nome_arquivo_s : Decisao_10120005188200916.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
nome_arquivo_pdf_s : 10120005188200916_5888889.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier e Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7384498
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585657245696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1076; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 353 1 352 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.005188/200916 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.676 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 3 de julho de 2018 Assunto SOLICITAÇÃO DE INFORMAÇÃO Recorrente COOPERATIVA DOS PRODUTORES DE ALGODÃO DO ESTADO DE GOAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier e Luciana Matos Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .0 05 18 8/ 20 09 -1 6 Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10120.005188/200916 Resolução nº 2401000.676 S2C4T1 Fl. 354 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 330/336) interposto em face do Acórdão nº. 0336.923 (fls. 310/320) da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília. Extraise do relatório da decisão de primeira instância, os seguintes pontos: Tratase de Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória AIOA: 37.219.6047, lavrado contra a empresa em epígrafe, consolidado em 15/04/2009, em razão de a empresa ter apresentado a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social — GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, referentes às competências junho/2004, janeiro/2005 a dezembro/2007. De acordo com o relatório fiscal de fls. 23/24, a empresa deixou de informar na GFIP fatos geradores e contribuições relativas à aquisição de algodão in natura de fornecedores pessoas físicas, como também remuneração e contribuição de segurado contribuinte individual, conforme Anexos I e II, e de informar integralmente as contribuições destinadas ao RAT, apuradas e discriminadas nos autos de infração de obrigação principal. DA PENALIDADE Em decorrência do fato acima descrito, foi aplicada a multa cabível, no valor de RS 42.524,84(quarenta e dois mil quinhentos e vinte e quatro reais e oitenta e quatro centavos), conforme demonstrado nas planilhas às fls. 97/98. O valor da multa foi calculado por competência em que houve omissão, correspondente a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, respeitado o limite máximo em função do número de segurados do contribuinte, conforme disposto na Lei no 8.212, de 24.07.91, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 284, inc. II e art. 373. Valores atualizados, a partir de 1 0 de fevereiro de 2009, pela Portaria Interministerial MPS/MF n°. 48, de 12/03/2009. Relata que a aplicação da multa acima descrita deveuse ao fato de que, em decorrência do artigo 106, II, "c", do CTN, para este procedimento fiscal, a comparação realizada por competência entre as infrações previstas na legislação anterior a 03/12/2008 com a posterior(art. 32A, II, introduzida pela MP 449/08), demonstrada na planilha de fls. 97/98, constatouse que a mais benéfica é a prevista no art. 32, inciso IV, §5° da Lei n° 8.212/91(CFL 68). DA IMPUGNAÇÃO A Autuada impetrou defesa tempestiva, fls. 141/144, tecendo, em preliminares, um breve histórico do fenômeno do cooperativismo e da natureza jurídica das cooperativas para demonstrar a distinção destas e da sociedade de capital, cujo objetivo é fortalecer os seus cooperados para a obtenção, por parte deles, de vantagens econômicas. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10120.005188/200916 Resolução nº 2401000.676 S2C4T1 Fl. 355 3 Pugna, no final, pela improcedência da autuação, visto que se exige multa pela não apresentação de informações relativas a aquisição de produtos, sem que tenha praticado qualquer operação de aquisição de produtos, excetuando apenas atos cooperados. O Acórdão nº 0336.923, de 18 de maio de 2010, do colegiado da 5ª Turma da DRJ/BSB restou assim ementado: Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2006 AIOP DEBCAD n° 37.219.6047 (CFL 68) OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. Determina a lavratura de autodeinfração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em GFIP, conforme art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei n.° 8.212/91. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de autodeinfração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória não definitivamente julgado, aplicase a lei superveniente, quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de piso em 24/06/2010, a Cooperativa apresentou recurso voluntário com os seguintes argumentos de defesa: 1) No tocante aos fatos, diz que recebeu autuação sob a acusação de que havia deixado de informar na guia de recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, fatos geradores e contribuições relativas ao valor de aquisição e algodão de fornecedores pessoas físicas (anexo I), assim como remunerações e contribuições de segurado contribuinte individual, demonstrado no anexo II da autuação; 2) Discorre sobre as Cooperativas, fazendo menção ao fenômeno do cooperativismo e ainda de posição doutrinária sobre a matéria. Cita também artigos da Lei nº 5.764, de 1971; 5) Ao final requer: "... que seja o auto de infração ora questionado julgado improcedente, por ser de inteira justiça, visto que a se exige dela multa pela não apresentação de informações relativas à aquisição de produtos, todavia, sem que esta tenha praticado qualquer operação de aquisição, executando apenas atos cooperados. É o relatório Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A matéria objeto do lançamento (AI DEBCAD Nº 37.219.6047 Multa ) em discussão encontrase regulamentada nos art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, e alterações, c/c o art. 225, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social RPS, in verbis: Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10120.005188/200916 Resolução nº 2401000.676 S2C4T1 Fl. 356 4 Art. 32. A empresa é também obrigada a: [...] IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) [...] Art. 225. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto. Em que pese o processo tratarse de obrigação acessória, a recorrente aborda questionamentos sobre a natureza jurídica das Cooperativas. Faz um histórico sobre o cooperativismo, cita dispositivos da Lei nº 5.764, de 1971, que rege a política brasileira de cooperativismo e define o ato cooperativo, para concluir que não há relação mercantil entre o cooperado e a cooperativa. Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. [...] Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Como regra, entre a cooperativa e cooperado não há, consoante legislação, ato de comércio quando, por exemplo, entrega sua produção a essa entidade. Entretanto, estamos diante de um fato gerador de uma obrigação acessória, no caso, deixar a empresa de apresentar documento (GFIP) com dados de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias a seu cargo. Ademais, salientase que esta turma, por maioria de votos, exonerou o sujeito passivo do crédito tributário apurado no processo nº 10120.005177/200936, relativo ao lançamento do levantamento PR2 (Produto Rural Algodão para Exportação: competências 09 a 12/2005, 08 a 12/2006 e 07 a 12/2007). Analisando o presente processo, entendo que não há informações precisas sobre quais débitos estão associados ao DEBCAD nº 37.219.6047 (Auto de Infração de Obrigação Acessória). Esta informação se faz necessária para o devido convencimento no julgamento da presente lide. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10120.005188/200916 Resolução nº 2401000.676 S2C4T1 Fl. 357 5 Neste sentido, entendo, com base no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e no art. 62 do Decreto nº 7.574, de 2011, necessária a conversão do julgamento em diligência para manifestação da Unidade da Secretaria da Receita Federal de jurisdição a fim de informar quais os créditos tributários (DEBCAD's) estão associados ao DEBCAD nº 37.219.6047 (Multa). Outrossim, informe, se for o caso, o resultado do julgamento de cada um dos DEBCAD associado. Diante de todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA nos moldes apresentados acima. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 357DF CARF MF
score : 1.0
