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Numero do processo: 13832.000041/00-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1992 a 30/09/1995
PRAZO PRESCRICIONAL/DECADENCIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data.
Numero da decisão: 9303-006.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 2. 00 00 41 /0 0- 56 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 13832.000041/0056 Acórdão n.º 9303006.295 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 20218.677, de 13 de dezembro de 2007 (efolhas 213 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1992 a 30/09/1995 PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA RESTITUIR. INCONSTITUCIONALIDADE. O termo inicial do prazo prescricional de cinco anos para o pedido de restituição do PIS recolhido a maior, com fundamento na inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, começou a fluir a partir da data de publicação da Resolução nº 49/95, do Senado Federal. Não está prescrito o pedido apresentado antes de expirado o prazo, em 10/10/2000. PIS. SEMESTRALIDADE. SÚMULA N2 11. Até fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. 62 da LC n2 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento (Primeira Seção do STJ, Resp nº 144.708RS e Súmula n2 11 do 22 CC), sendo a alíquota de 0,75%. Deve ser restituída ao contribuinte a diferença entre o valor por ele recolhido e o valor que seria efetivamente devido. CORREÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária, ate 31/12/1995, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices Fl. 254DF CARF MF Processo nº 13832.000041/0056 Acórdão n.º 9303006.295 CSRFT3 Fl. 4 3 constantes da tabela anexa A. norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar nº 8, de 27/06/1997, devendo incidir a taxa Selic a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4 2, da Lei n2 9.250/95. Recurso provido em parte. O recurso é fundamentado em contrariedade à lei, especificamente em relação aos arts. 168, caput e inc. I; e 156, inc. I, todos do Código Tributário Nacional, e arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005 (efolhas 222 e segs). Despacho de admissão às efolhas 236 e segs. A contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Não há reparo a fazer no exame de admissibilidade do recurso especial. A apresentação foi feita dentro do prazo legal. Dele tomo conhecimento. Mérito Discutese o dies a quo do prazo prescricional/decadencial para repetição do indébito. A decisão recorrida considerou que o prazo deve ser contado a partir da Resolução n° 49/95 do Senado Federal, que retirou do mundo jurídico os DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, a recorrente considera o acórdão contrário à lei. A lide se resolve, contudo, com base em outros fundamentos. O art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, ao interpretar o disposto no inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional, esclareceu que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13832.000041/0056 Acórdão n.º 9303006.295 CSRFT3 Fl. 5 4 momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 do Código. Desta forma, segundo o entendimento que prevaleceu, não há razão para discussão sobre os efeitos da Resolução n° 49/95 na contagem do prazo decadencial para o pedido de restituição. O prazo contase, sempre, da data do pagamento do tributo/contribuição (ou do fato gerador, como adiante se verá). Em 04 de agosto de 2011, o Supremo Tribunal Federal julgou o Recurso Extraordinário 566.621, modulando os efeitos do que fora disposto no retrocitado art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. A sentença determinou que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição, no caso de pagamento indevido, é de 10 anos contados do fato gerador nas ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos contados da data do pagamento indevido para as ações ajuizadas após essa data. Observese. RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13832.000041/0056 Acórdão n.º 9303006.295 CSRFT3 Fl. 6 5 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13832.000041/0056 Acórdão n.º 9303006.295 CSRFT3 Fl. 7 6 O artigo 62, § 2º, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 343/2015 e alterações, determina que as matérias de Repercussão Geral sejam reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte1. O pedido de restituição de que se trata foi apresentado em 10/04/2000, como consta à efolha 46. Concluise que não está decaído/prescrito o direito à repetição do indébito em relação a nenhum dos recolhimentos correspondentes aos fatos geradores ocorridos depois do dia 10/04/1990, que compreende todos os pagamentos controvertidos no processo. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004625/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
No regime de tributação referente ao lucro real anual, o fato gerador aperfeiçoa-se apenas em 31 de dezembro do ano corrente, conforme previsto no art. 2º, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. Sendo o primeiro período objeto de lançamentos o ano-calendário de 2005, a decadência consuma-se em 31/12/2010. Cientificada a embargante em 01/12/2010, não há que se falar em decadência.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 1402-002.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão suscitada e re-ratificar o teor da decisão proferida no Acórdão 1402-002.338, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 No regime de tributação referente ao lucro real anual, o fato gerador aperfeiçoa-se apenas em 31 de dezembro do ano corrente, conforme previsto no art. 2º, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. Sendo o primeiro período objeto de lançamentos o ano-calendário de 2005, a decadência consuma-se em 31/12/2010. Cientificada a embargante em 01/12/2010, não há que se falar em decadência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão suscitada e re-ratificar o teor da decisão proferida no Acórdão 1402-002.338, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 No regime de tributação referente ao lucro real anual, o fato gerador aperfeiçoase apenas em 31 de dezembro do ano corrente, conforme previsto no art. 2º, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. Sendo o primeiro período objeto de lançamentos o anocalendário de 2005, a decadência consumase em 31/12/2010. Cientificada a embargante em 01/12/2010, não há que se falar em decadência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão suscitada e reratificar o teor da decisão proferida no Acórdão 1402002.338, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 46 25 /2 01 0- 01 Fl. 759DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 760DF CARF MF Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402002.828 S1C4T2 Fl. 760 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada na sessão plenária de 5 de março de 2013 por esta Segunda Turma Ordinária desta Quarta Câmara da Primeira Seção que julgou recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, decidindo, mediante Acórdão nº 1402001.333, dar provimento parcial ao pedido, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2005, 2006, 2007 ÁGIO. DEDUÇÃO. REQUISITOS FORMAIS APARENTEMENTE PREENCHIDOS. NECESSIDADE DE AVALIAR A MATERIALIDADE DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO ÁGIO. O ágio se caracteriza pela diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição (art. 20, II, do DL 1.598, de 1.977). A transferência de ações da empresa investidora para a empresa investida e posterior incorporação desta pela primeira, sem que a incorporadora nada tenha desembolsado, não materializa pagamento a maior, que é elemento essencial à caracterização do ágio. Para dedução do ágio como despesa em empresa que adquire participação societária, são necessários mais do que registros contábeis e atos contratuais formalmente perfeitos. É imprescindível a materialidade do ágio, isto é, um desembolso por quem adquire. Não se concebe como despesa dedutível o ágio decorrente de atos societários ou reorganizações empresariais onde quem se beneficia nada desembolsou, quer seja em espécie quer seja em bens representativos de valor econômico. No caso concreto, quer nas empresas incorporadas, quer na empresa incorporadora, não houve pagamento pela aquisição. Assim, descaracterizada a materialidade do ágio. MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. LANÇAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO ACRESCIDO DE MULTA DE OFÍCIO E DE MULTA ISOLADA EM RELAÇÃO ÀS ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. A multa isolada é sanção aplicável nos casos em que o sujeito passivo, no decorrer do ano calendário, deixar de recolher o valor devido a título de estimativas ou carnêleão. Encerrado o anocalendário não há o que se falar em recolhimento de carnêleão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Nas situações em que o sujeito passivo, de forma espontânea, oferecer os rendimentos ou lucros à tributação, acompanhado do pagamento dos tributos e juros, aplicase o instituto da denúncia espontânea previsto no disposto no artigo 138 do CTN. Nos casos de omissão, verificada a infração, apurase a base de cálculo e sobre o montante dos tributos devidos aplicase a multa de Fl. 761DF CARF MF 4 ofício, sendo incabível a exigência da multa isolada cumulada com a multa de ofício. A alteração do artigo 44, II, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não teve o condão de cumular a multa de ofício com a multa isolada, mas sim reduzir o percentual desta, quando devida, por se tratar de infração de menor gravidade. Ademais, o item 8 da exposição de motivos da citada Medida Provisória fala em “multa lançada isoladamente nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnêleão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa.” Assim, se estamos falando de multa isolada ela não pode ser cumulada com outra multa, sendo a primeira exigida, no decorrer do anocalendário, nas circunstâncias em que o contribuinte deixar de recolher os valores devidos a título carnêleão ou de estimativas e a segunda quando verificado omissão após o período de apuração e prazo para entrega da declaração. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Segundo Despacho de Admissibilidade (fls. 752/758) os embargos denunciam ter havido omissão do Acórdão vergastado em relação a dois pontos que merecem nova análise, a saber: 1. Decadência; 2. Juros sobre a Multa de Ofício. No primeiro ponto a embargante suscita ter havido decadência pertinentemente ao anocalendário de 2004, tema não objeto de debates pela Turma Julgadora. Nessa linha, o despacho de admissibilidade perfilou com a embargante, pontuando (fls. 757) que, “na parte dispositiva do julgado restou consignado que "acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e a argüição de decadência". Contudo, no voto condutor a matéria não foi examinada”, para concluir pela admissão prévia dos embargos declaratórios. No mesmo diapasão, o segundo tema, “Juros sobre a Multa de Ofício Proporcional”, com as seguintes ponderações (fls. 757): “O Sujeito Passivo argui que há omissão atinente ao afastamento da Taxa Selic incidente sobre a multa de ofício lançada, cuja insurgência reside na falta de amparo legal para a sua exigência (...). No voto condutor a questão não foi analisada”. Concluindo o despacho de admissão prévia (fls. 758): “As situações de omissão estão apontadas objetivamente. Verificase que não houve expressa manifestação do julgado sobre os pontos em que se impunham os pronunciamentos de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir relativamente (a) Decadência e (b) Juros sobre Multa de Ofício Proporcional. Por todo o exposto, declaro a procedência das alegações suscitadas, de forma que ADMITO os embargos de declaração interpostos. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402002.828 S1C4T2 Fl. 761 5 Vale observar que houve opção pelo parcelamento parcial do crédito tributário formalizado pelo lançamento de ofício, cujos débitos já foram objeto de transferência para o processo nº 13973720.052/201616, efls. 704738”. É o relatório. Fl. 763DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Relator Como relatado, os embargos já foram alvo de admissão prévia. Do mesmo modo, como expressamente relatado, “houve opção pelo parcelamento parcial do crédito tributário formalizado pelo lançamento de ofício, cujos débitos já foram objeto de transferência para o processo nº 13973720.052/201616, efls. 704738”, o que poderia levar ao entendimento de que os ED perderam seu objeto, já que a desistência deuse em relação à totalidade dos lançamentos de IRPJ e de CSLL. Todavia, remanesce nos autos discussão acerca da multa isolada, afastada na decisão embargada, mas combatida pela PGFN em sede de Recurso Especial admitido previamente e aguardando julgamento pela CSRF. Como as omissões apontadas podem afetar também a matéria ainda litigiosa, passo às suas análises. Ø Da decadência Suscita a embargante ter havido decadência, pelo que estaria o Fisco impossibilitado de questionar a reestruturação societária implementada e, consequentemente, de realizar os lançamentos de ofício efetuados. Razão não lhe cabe. Sabidamente, os reflexos de qualquer “reestruturação societária”, no âmbito dos lançamentos tributários, só têm relevância a partir do momento em que irradiem reflexos [tributários] em função deste procedimento organizacional, o que, no caso concreto, deuse a partir do anocalendário de 2005. Em outro dizer, ainda que a reestruturação assumida pela embargante tenha ocorrido formal e societariamente em 2004, SOMENTE A PARTIR DE 2005 é que o ágio começou a ser amortizado e, obviamente, somente a partir da consumação do fato gerador é que passou a fluir o intervalo temporal para que a Autoridade Fiscal realizasse os lançamentos que viesse a entender cabíveis. Nessa linha, tendo a embargante optado pelo Lucro Real Anual, o fato gerador deuse em 31/12/2005, findando o interregno temporal em 31/12/2010. Cientificada dos lançamentos em 01/12/2010, inexistiu a decadência aventada, quer pelos ditames do artigo 150, § 4º, do CTN, quer pelos do artigo 173, I, do mesmo diploma. Precedentes do CARF e desta Turma perfilam neste patamar (Ac. nº 1302 002.152, relatoria do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2006,2007,2008 DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402002.828 S1C4T2 Fl. 762 7 É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial, no caso, voltase apenas à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato. O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art.150,§4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Afasto a decadência aventada. Ø Dos Juros sobre a Multa de Ofício Rebelase a embargante contra a possibilidade da imposição de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada no lançamento. Embora ressalve, de plano, que a incidência de juros de mora à taxa Selic sobre a Multa de Ofício, é questão superveniente ao lançamento, é se apreciar a matéria, já que, inexoravelmente, tal acréscimo virá integrar o crédito tributário objeto de discussão. Consoante dizer do art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, entendida esta como decorrente de obrigação tributária principal. E se referido crédito tributário (penalidade) não for pago integralmente no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, aplicandose a taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º, do CTN): “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(negrejouse e grifouse) Assim, a cobrança de juros de mora sobre a penalidade pecuniária cabível encontra fundamento de validade no próprio CTN. Por outro lado, só é plausível se falar na incidência de juros de mora pelo atraso no recolhimento quando o crédito tributário inadimplido sujeitase a prazo de vencimento, o que ocorre com relação ao tributo, à contribuição e à multa de ofício, e não com a multa de mora, a menos que esta última seja exigida isoladamente, mediante lançamento de ofício. Fl. 765DF CARF MF 8 Valendose da exceção legal contida no art. 161, § 1º, do CTN, a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, dispôs que, a partir de 1º de abril de 1995, sobre os tributos e contribuições sociais não recolhidos no prazo de vencimento incidem juros de mora calculados à taxa Selic (art. 13): Lei nº 9.065, de 1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995: “Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...).” Seguindoa, a Lei nº 9.430, de 1996, foi mais genérica, dispondo que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61): “Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402002.828 S1C4T2 Fl. 763 9 § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Consistindo a multa de lançamento de ofício em débito para com a União, de natureza de obrigação tributária principal, correta a interpretação de que, sobre referida penalidade incidem juros à taxa Selic, a partir do seu vencimento. Corroboram, ainda, a conclusão acima, as razões abaixo dispostas. De fato, a mesma Lei nº 9.430, de 1996, reportandose especificamente à multa inadimplida, dispôs que sobre ela incidem juros de mora à taxa Selic, quando exigida de ofício, isolada ou conjuntamente (art. 43): “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Com efeito, como já ressaltado anteriormente, sobre a multa de mora não há de se cogitar na incidência de juros, pois referida penalidade pecuniária é desprovida de vencimento. Todavia, tratandose de multa exigida mediante lançamento de ofício, há fixação de um prazo legal para o seu adimplemento, o que implica na incidência de juros se paga após o referido prazo. Resta claro, pelo dispositivo acima transcrito, que sobre a penalidade exigida de ofício incidem juros de mora à taxa Selic. Da mesma forma ocorre com relação aos juros. Estes não têm vencimento legal para o seu cumprimento, a menos que exigidos isoladamente, por meio de lançamento de ofício. No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça já legitimou a incidência dos juros sobre a totalidade do crédito tributário, aí incluída a multa de ofício. Vejase: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Fl. 767DF CARF MF 10 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012 DJe 10/12/2012 Acresçase que a matéria já está amplamente consolidada nesta Corte no âmbito das três turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Mais a mais, acerca da aplicação da taxa SELIC, há Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Há, pois, previsão legal para exigência de juros sobre multa de ofício aplicada, inclusive sobre a chamada “multa isolada”. Igualmente, a incidência de taxa Selic está pacificada, inclusive estando sumulada. Pelo exposto e com essas ponderações, considero sanadas as omissões suscitadas. Concluindo, conheço dos Embargos de Declaração para, unicamente e sem efeitos infringentes, DARLHE PROVIMENTO visando suprir as omissões apontadas pela embargante. No mais, ratificase a decisão embargada em seu inteiro teor. É como voto. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402002.828 S1C4T2 Fl. 764 11 Brasília (DF), 25 de janeiro de 2018. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 769DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001933/2006-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 IRPJ. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS. POSTERGAÇÃO. Constatado que a despesa de período posterior, indevidamente antecipada pelo contribuinte, acarretou em postergação do pagamento do IRPJ, devidamente comprovada nos autos, cancela-se a exigência nessa parte. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.772
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reduzir a glosa de compensação de prejuízos para R$ 491.159,70, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 IRPJ. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS. POSTERGAÇÃO. Constatado que a despesa de período posterior, indevidamente antecipada pelo contribuinte, acarretou em postergação do pagamento do IRPJ, devidamente comprovada nos autos, cancelase a exigência nessa parte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reduzir a glosa de compensação de prejuízos para R$ 491.159,70, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.001933/200675 Acórdão n.º 140200.772 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório UNIBANCO SEGUROS S.A. recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls.12/13, em fiscalização empreendida junto à empresa acima identificada, referente ao anocalendário de 2001, a Fiscalização relata o seguinte: DOS FATOS A empresa Trevo Banorte Seguros S/A, CNPJ 33.057.423/000105, foi incorporada em 30/11/2001 pela empresa Unibanco AIG Seguros S/A CNPJ 33.166.158/000195, conforme Ata de Assembléia de 30 de novembro de 2001. LUCRO INFLACIONÁRIO A REALIZAR Em 31/12/2000 a empresa Trevo Banorte Seguros S/A, tinha no Sistema SAPLI da SRF, saldo de Lucro Inflacionário a Realizar no valor de R$2.516.748,88. Em 30/11/2001, na DIPJ de Incorporação entregue em 22/06/2005, a empresa realizou R$758.095,38 do Lucro Inflacionário, logo, há uma diferença de R$ 1.758.653,50 de Lucro Inflacionário a Realizar. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS Em 31/12/2000 no Sistema SAPLI (Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais) da SRF havia saldo de prejuízo de R$ 1.645.906,24. Nessa mesma data, a empresa compensou de prejuízo o valor de R$ 1.378.422,69, restando um saldo de R$ 267.483,55. Em 30/11/2001 a empresa compensou R$ 1.608.184,92 de prejuízos fiscais, assim sendo a empresa compensou indevidamente R$ 1.340.701,37 que é a diferença entre R$ 1.608.184,92 – R$ 267.483,55. RESUMO: Fato Gerador..............................................................Valor Tributável a) Saldo de prejuízo insuficiente, em 31/12/2001 R$ 1.340.701,37 b) Lucro Inflacionário Realizado, em 31/12/2001 R$ 1.758.653,50 Valor Autuado.........................................................R$ 3.099.354,87 Em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 19/12/2006(fl.16) foi lavrado Auto de Infração de Imposto de RendaPessoa Jurídica IRPJ (fls.14/18), com os valores a seguir discriminados: Fl. 214DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.001933/200675 Acórdão n.º 140200.772 S1C4T2 Fl. 0 3 Demonstrativo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ IRPJ Art. 247, 249, inciso I, 250, inciso III, 251 § único, 452, 509 e 510, do RIR/99; art. 7º, da Lei nº9.065/95; arts. 6º e 7º, da Lei nº9.249/95 774.838,72 Juros de Mora (calculados até 30/11/2006). Art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. 655.978,45 Multa Proporcional (75%) Art. 44, inciso I, da Lei nº9.430/96 581.129,03 TOTAL 2.011.946,20 DA IMPUGNAÇÃO A autuada apresentou a impugnação de fls.22/27, protocolizada em 18/01/2007, acompanhada dos documentos de fls.28/109, expondo, em síntese, que: LUCRO INFLACIONÁRIO A REALIZAR No que se refere à infração descrita no item ‘b’ supra, a Autuada entende que efetivamente é procedente a autuação, razão pela qual procedeu, em 17 de janeiro de 2007, ao recolhimento do IRPJ devido após a adição do valor relativo ao lucro inflacionário, no valor de R$ 985.505,47(valor recolhido), de acordo com o anexo comprovante de recolhimento (doc. nº02). COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS Dessa forma, por meio da presente impugnação, que versará exclusivamente sobre a questão da compensação de prejuízos fiscais apurados, descrita no item ‘a’ supra, a Autuada demonstrará que a autoridade fiscal incorreu em evidente erro material. A Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) em decorrência das sucessivas perdas decorrentes de sinistros ocorridos e não avisados (IBNR), por meio do Conselho Nacional de Seguros Privados, com a Resolução CNSP nº18/98 permitiu às seguradoras que constituíssem gradativamente uma provisão técnica – mínimo 50% (cinqüenta por cento) até 31 de dezembro de 1999 e o restante até 31 de dezembro de 2000. Ocorre que a Autuada optou por reconhecer, ainda em 31 de dezembro de 1999, toda a integralidade de sua provisão técnica de IBNR, conforme se pode verificar no seguinte trecho das anexas “Notas Explicativas às Demonstrações Contábeis em 31 de dezembro de 2000 e 1999” da Trevo Banorte Seguradora S/A, publicadas no Diário de Pernambuco de 22 de fevereiro de 2001 (doc. nº03). ... O anexo demonstrativo das mutações ocorridas no Patrimônio Líquido da Autuada relativo ao exercício findo em 31 de dezembro de 1999 (doc.nº05), por seu Fl. 215DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.001933/200675 Acórdão n.º 140200.772 S1C4T2 Fl. 0 4 turno demonstra que o valor de R$ 1.645.763,55 – correspondente ao valor líquido da provisão foi registrado como “Ajuste do exercício anterior –IBNR”. Da comparação entre os valores de : 1) R$ 2.495.447,90 – correspondente ao saldo do prejuízo fiscal acumulado em 31 de dezembro de 2000, conforme informado nas Notas Explicativa do Balanço da Trevo Banorte Seguradora e a expressamente aceito pela SUSEP quando da análise da Nota Técnica Atuarial para constituição da provisão para sinistro ocorrido e não avisados (IBNR) e 2) R$ 1.645.906,24 – valor tomado pela autoridade fiscal para o cálculo da contingência, conforme Termo de Verificação Fiscal acima transcrito e registrado na Patrimônio Líquido da Autuada, constatase que há uma diferença de R$849.684,35. Tal diferença, reconhecida no ativo pelo contribuinte como crédito de imposto, não foi considerada pela autoridade fiscal quando da apuração do saldo de prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores. ... Partindo do valor de prejuízo fiscal de IBNR de R$ 2.495.447,90 e considerando o valor total compensado de R$ 2.986.607,61 – valor resultante da soma das parcelas de R$ 1.378.422,69 e R$ 1.608.184,92, conforme Auto de Infração – teríamos que considerar que o contribuinte procedeu à compensação indevida de prejuízos fiscais no valor de R$ 491.159,70 (e não no valor de R$ 1.340.701,37, como apontou a autoridade fiscal). Prejuízo Fiscal IBNR 2.495.447,80 Total Comp. Cf. Auto de Infração 2.986.607,61 Compensação Indevida 491.159,81 Dessa forma, reconhecendo ter havido recolhimento a menor de IRPJ em razão da existência da mencionada contingência, o contribuinte procedeu, em 17 de janeiro de 2007, ao recolhimento do mencionado imposto no valor total de R$ 275.233,62, nos termos do anexo comprovante de recolhimento (doc. nº02), que pode ser decomposto analiticamente da seguinte forma: ...(Demonstrativo às fl.26). DO PEDIDO Diante do exposto, requer seja recebida e acolhida a presente impugnação para o fim de julgar improcedente o Auto de Infração, tendo em vista a ocorrência de erro material na apuração da base tributável por parte da autoridade fiscal. A decisão recorrida está assim ementada: MATÉRIA NÃOIMPUGNADA. Tornase definitiva, na esfera administrativa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. O prejuízo compensável é o apurado na declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e registrado no LALUR, que por sua vez é apurado de acordo com as disposições das leis comerciais e fiscais. Fl. 216DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.001933/200675 Acórdão n.º 140200.772 S1C4T2 Fl. 0 5 Lançamento Procedente Cientificada da aludida decisão em 2/4/2009, quintafeira (fl. 149), a contribuinte apresentou recurso voluntário dia 4/5/2009, segundafeira (fls. 150 e seguintes), no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos (verbis): (...) II DA EFETIVA NECESSIDADE DE SE CONSIDERAR NO CALCULO DO SALDO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE 1999 O VALOR CORRESPONDENTE AO EFEITO DA PROVISÃO TÉCNICA IBNR CONSTITUÍDA EM 31.12.1999. Resta equivocada a glosa mantida pela respeitável DRJ/SPOI, em razão da suposta insuficiência de saldo de prejuízos fiscais existentes no sistema SAPLI da RFB. Visto que, consoante sustentado pela Recorrente na sua pega vestibular, da análise do já anexado demonstrativos das mutações ocorridas no Patrimônio Liquido — ("PL") — da Recorrente relativo ao anocalendário findo em 31.12.1999, infere se que o valor de R$ 1.645.763,55, referente ao valor liquido da provisão técnica IBNR, que foi registrado como "Ajuste do exercício anterior — IBNR". Razão pela qual, é que da comparação entre os valores de: A) R$ 2.495.447,90, relativo ao saldo de prejuízo fiscal acumulado em 31.12.2000 e B) R$ 1.635.906,24, valor tomado pela Fiscalização para o cálculo da contingência em questão, constatase que há uma diferença de R$ 849.684,35. Essa diferença, reconhecida no ativo. Isso porque, ao contrário do valor negativo de saldo de prejuízos fiscais apurados pela Fiscalização (R$ 1.340.701,37), basta um singelo perpassar de olhos sobre a já anexada Parte B do LALUR para se concluir que a Recorrente detinha um saldo de prejuízo fiscal acumulado em 31.12.99, no valor de R$ 2.843.828,50, composto pela soma do (i) Saldo de Prejuízo Fiscal da DIPJ, anocalendário 1998, no valor de R$ 348.380,06, (ii) com o Prejuízo Fiscal IBNR, no valor de R$ 2.495.447,90 (R$ 849.684,35 + R$ 1.645.763,55), que resulta no valor escriturado na competente Parte B do LALUR do anocalendário 2001, no importe de R$ 2.843.828,50. Assim, partindose do valor de prejuízo fiscal de IBNR de R$ 2.495.447,90 e considerando o valor total compensado de R$ 2.986.607,61 —resultante da soma das parcelas de R$ 1.378.422,69 e R$ 1.608.184,92, conforme TVF— haveria de se considerar, quando muito, que a ora Recorrente procedeu 5 compensação indevida de prejuízos no valor de R$ 491.159,70, MAS NUNCA no valor apontado pela Fiscalização de R$ 1.340.701,37. 0 que revela, ainda mais, o patente desacerto da exigência combatida, que culminará com a sua anulação. Reconhecendo ter havido recolhimento a menor de IRPJ em razão da existência da contingência de R$ 491.159,71, a Recorrente, em 17.01.2007, como já noticiado, recolheu o IRPJ incidente, conforme DARF acostado .5 impugnação, de modo que não há que se falar na subsistência de qualquer exigência a esse titulo, visto que a Recorrente logrou recolher todo o quanto efetivamente devido. Nestas circunstâncias é que, uma vez constatado o insanável erro material cometido pela Fiscalização quando da apuração da base material da vergastada Fl. 217DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.001933/200675 Acórdão n.º 140200.772 S1C4T2 Fl. 0 6 exigência de IRPJ e tendo a Recorrente recolhido o valor referente 5 exigência acatada como devida, não há como sustentar a subsistência da presente exigência, devendo este Colegiado reformar o aresto vergastado. III DO PEDIDO Ante o exposto, e por tudo que mais dos autos consta, é o presente para requerer o recebimento e conhecimento do presente recurso, dandolhe integral PROVIMENTO NO MÉRITO, de tal sorte que sejam considerados IMPROCEDENTES e CANCELADOS integralmente os débitos constituídos no Auto de Infração, de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) incluindo o cancelamento da multa de oficio imposta sobre esse débito. É o relatório. Fl. 218DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.001933/200675 Acórdão n.º 140200.772 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. O presente litígio administrativo se restringe à parcela tributável de R$849.541,66, do valor lançado a título de IRPJ, resultante da diferença entre o valor apurado pela fiscalização de R$1.340.701,37 e o valor admitido pela impugnante de R$ 491.159,71. Tal divergência tem origem na compensação de prejuízos fiscais. Alega a recorrente que a SUSEP por meio do Conselho Nacional de Seguros Privados, com a Resolução nº 18/98, permitiu às seguradoras que constituíssem uma provisão técnica – Mínimo 50% até 31/12/99 e o restante em 31/12/2000 e que a autuada optou por reconhecer, ainda em 31/12/99 a integralidade da provisão técnica. Pois bem, no que tange a constituição da provisão não há dúvida de que a contribuinte faz jus, do contrario deveria também ser glosada a parcelado ano de 1999. Logo, a toda evidencia o que ocorreu foi a antecipação da parcela dessa provisão do ano de 2000, portanto, a contribuinte postergou o pagamento do tributo, haja vista que o prejuízo compensado a maior em 2001 poderia ter sido nos anos seguinte, conforme alegado na peça recursal (verbis). Assim, partindose do valor de prejuízo fiscal de IBNR de R$ 2.495.447,90 e considerando o valor total compensado de R$ 2.986.607,61 —resultante da soma das parcelas de R$ 1.378.422,69 e R$ 1.608.184,92, conforme TVF— haveria de se considerar, quando muito, que a ora Recorrente procedeu acompensação indevida de prejuízos no valor de R$ 491.159,70, MAS NUNCA no valor apontado pela Fiscalização de R$ 1.340.701,37. 0 que revela, ainda mais, o patente desacerto da exigência combatida, que culminará com a sua anulação. Reconhecendo ter havido recolhimento a menor de IRPJ em razão da existência da contingência de R$ 491.159,71, a Recorrente, em 17.01.2007, como já noticiado, recolheu o IRPJ incidente, conforme DARF acostado à impugnação, de modo que não há que se falar na subsistência de qualquer exigência a esse titulo, visto que a Recorrente logrou recolher todo o quanto efetivamente devido. Nestas circunstâncias é que, uma vez constatado o insanável erro material cometido pela Fiscalização quando da apuração da base material da vergastada exigência de IRPJ e tendo a Recorrente recolhido o valor referente à exigência acatada como devida, não há como sustentar a subsistência da presente exigência, devendo este Colegiado reformar o aresto vergastado. Fl. 219DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.001933/200675 Acórdão n.º 140200.772 S1C4T2 Fl. 0 8 Constatase que a contribuinte já havia feito o cálculo da postergação e realizado o pagamento da diferença utilizada a maior. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para reduzir a base de cálculo da autuação, glosa de compensação de prejuízos, para R$ 491.159,70. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 220DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 10314.007028/2004-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligência, no sentido de que seja providenciada, junto ao setor competente, a juntada aos presentes autos do inteiro teor da Solução de Consulta n. 233 de 28/10/2003.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, converteuse o julgamento em diligência, no sentido de que seja providenciada, junto ao setor competente, a juntada aos presentes autos do inteiro teor da Solução de Consulta n. 233 de 28/10/2003. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .0 07 02 8/ 20 04 -2 0 Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Resolução nº 3301000.518 S3C3T1 Fl. 539 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, de fls. 485/504 dos autos: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/33, sendo o imposto de Importação no valor de R$ 750.150,67 e Imposto sobre Produtos Industrializados no montante de R$ 58.139,01 acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora devidos à época do pagamento, multa por falta de licenciamento e multa por classificação incorreta. Conforme consta da Descrição dos Fatos de fl. 05 e seguintes, a interessada importou, por meio das DIs de nº 00/06713240, 00/12195213, 00/12197968, 00/12441753, 00/12533950, 01/00160314, 01/00246618, 01/10438668, 01/10439010 e 02/03395799, a mercadoria descrita como “Switch” ATM modular, com 12 “slots” disponíveis, podendo suportar serviços para LAN, X.25, SNA, IP, “Frame Relay” e ATM, modelo Cisco BPX 8620, classificando na TEC no código 8517.30.41 Centrais automáticas de comutação de pacotes com velocidade de tronco superior a 72 Kbits/s e de comutação superior a 3.600 pacotes por segundo, sem multiplexação determinística, tendo recolhido o imposto de importação (II) à alíquota de 4% em 2000, 4% em 2001 e 3% em 2002 e o Imposto sobre Produtos Industrializados à alíquota de 15% de 01/01/2000 até 13/12/2000, 2% de 14/12/2000 até 31/12/2001 e 15% em 2002. Relativamente à classificação fiscal da mercadoria importada, havia a interessada formulado consulta, cuja Decisão DIANA/SRRF/8ªRF nº 58, de 23/06/2003, determinou que fosse adotado o código 8471.80.19 OUTRAS – OUTRAS UNIDADES DE MÁQUINAS AUTOMÁTICAS PARA PROCESSAMENTO DE DADOS, conforme transcrito pela fiscalização no Auto de Infração ora tratado. Assim, a autoridade fiscal lavrou o presente lançamento, alterando a classificação tarifária das mercadorias para o código NCM/TEC 8471.80.19, para o qual é prevista a alíquota de Imposto de Importação de 30% em 2000, 28% em 2001 e 26% em 2002 e de Imposto sobre Produtos Industrializados a alíquota de 15% de 01/01/2000 até 13/12/2000, 2% de 14/12/2000 até 31/12/2001 e 15% em 2002. Cientificada do Auto de Infração, a contribuinte apresentou a impugnação de fls.38/60 e 61/64,onde em síntese alegou: o auto de infração não pode prevalecer por inúmeras razões; o imposto de importação é um tributo lançado pela autoridade administrativa e não um tributo sujeito a lançamento por homologação; o lançamento efetuado pela autoridade, por ocasião do desembaraço das mercadorias importadas, só pode ser revisto se ocorrer alguma das hipóteses previstas no artigo 149 do CTN; o único efeito da consulta, consoante parágrafo 2º, do artigo 161, do CTN, é suspender o prazo para o pagamento do tributo. Ela não tem o condão de afetar o conteúdo do lançamento; o fisco deveria ter aplicado a alíquota que julgava cabível no lançamento efetuado por ocasião do desembaraço aduaneiro. A consulta serviria apenas para suspender o vencimento do valor correspondente à diferença entre o imposto calculado pela alíquota utilizada pelo fisco e o calculado pela alíquota julgada correta pelo contribuinte na consulta formulada; o BPX 8620 não é capaz de desempenhar qualquer das funções especificadas na posição 8471, estando, portanto, equivocada a decisão na consulta, independente de qualquer outra consideração; não é correta a premissa de que parte a decisão, de que o BPX 8620, que é um switch, seja uma evolução da HUB; a função do BPX 8620 consiste em interligar diferentes sistemas de telecomunicações, sobretudo quando geograficamente dispersos; a classificação preconizada na decisão da consulta resulta Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Resolução nº 3301000.518 S3C3T1 Fl. 540 3 de uma série de equívocos; a decisão da consulta não informa qual teria sido o erro da classificação em, 8517.30.41, sustentada na consulta; os juros de mora foram calculados no auto a partir das datas em que ocorreram os desembaraços aduaneiros das mercadorias importadas, sem levar em conta que, em tais ocasiões, a consulta ainda não havia sido respondida; de acordo com o artigo 161, do Código Tributário Nacional os juros de mora não correm na pendência de consulta (cita jurisprudência); se juros de mora fossem devidos, só poderiam ser contados a partir do momento em que se esgotou o prazo para cumprimento da decisão proferida na consulta; além disso, como se verifica pelo § 1º, do artigo 161, do CTN, transcrito acima, a taxa de juros deve estar prevista em lei, não tendo cabimento a sua fixação unilateral pelo próprio fisco, como acontece com a taxa SELIC; segundo o auto de infração, a Impugnante teria cometido infração ao artigo 490, do Decreto 4543, de 26 de dezembro de 2002, ficando em conseqüência sujeita à multa de 30% do valor aduaneiro das mercadorias importadas; o referido decreto é posterior a todas as importações não podendo, ser aplicado ao caso; não tem qualquer cabimento a aplicação da multa prevista no artigo 84, I, da Medida Provisória 215835, de 24 de agosto de 2001, visto que o questionamento quanto à classificação de mercadoria foi formulado mediante consulta ao fisco; se a Impugnante houvesse pago o imposto considerado devido na resposta à consulta, essa multa não seria aplicada. Na ausência desse pagamento a sua realização seria tudo o que se poderia exigir da Impugnante, caso a diferença de imposto fosse devida. A falta de pagamento não tem o condão de fazer surgir uma infração de natureza inteiramente diversa; como se isso não fosse bastante, a Medida Provisória 215835, de 2001, é posterior a muitas das importações a que se refere o auto, não sendo possível, também, por esse motivo a sua aplicação a elas; o Ato Declaratório Normativo 10/97 descreve uma hipótese exatamente igual àquela com que aqui nos defrontamos, daí resultando que, mesmo se devida a diferença de imposto, o que , como se viu, não acontece, não poderia ter sido aplicada multa prevista no artigo 44, da Lei 9430/96; requer a realização de uma perícia técnica, com a participação do INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA, destinada a afastar qualquer dúvida quanto à exata classificação do BPX 8620 na TEC, constando do anexo o nome e a qualificação completa do perito da Impugnante e os quesitos a serem respondidos; A interessada apresentou os mesmos argumentos, mutatis mutandis, para o lançamento do IPI, fls.61/64. Pois bem, a 2º Turma de Julgamento da então DRJSPOII, decidiu por meio do Acórdão de nº 1727.086, de 27/08/2007, fls. 189/197, considerar o lançamento fiscal procedente em parte, nos termos da seguinte Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/07/2000, 15/12/2000, 22/12/2000, 27/12/2000, 05101/2001, 09/01/2001, 24/10/2001, 24/10/2001, 17/04/2002 DESCLASSIFICAÇÃO FISCAL. DECISÃO EM PROCESSO DE CONSULTA. Urna vez formulada a consulta, o sujeito passivo obrigase a adoção da classificação fiscal indicada na correspondente solução, e ao recolhimento dos tributos correspondentes. MULTA DE OFÍCIO As multas de oficio estão sendo exigidas por ter ficado caracterizado a falta de pagamento ou recolhimento dos tributos, infração prevista no art. 44, inciso I, e art.45 da Lei n° 9.430/96 para o imposto de importação e no artigo 80, inciso I da Lei no. 4.502/64, com redação dada pelo artigo 45 da Lei no. 9.430/96. Tipificada a infração não há que se falar em exclusão da referida multa MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA A multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no art. 84 da Medida Provisória tr 2.15835/2001, deve ser aplicada sempre que for apurada a Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Resolução nº 3301000.518 S3C3T1 Fl. 541 4 classificação incorreta da mercadoria importada, observados os limites impostos pela legislação de regência. MULTA POR FALTA DE GUIA OU DOCUMENTO EQUIVALENTE. A multa administrativa por falta de licenciamento de importação somente é aplicável em caso de comprovação de que o produto não esteja corretamente descrito no SISCOMEX, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. A interessada interpôs recurso voluntário ao então EGRÉGIO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES em 09/10/2008, fls. 208/227. Após a análise do Recurso Voluntário interposto pela interessada, a 1ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais decidiu, através do Acórdão de nº 310200.668, de 25/05/2010, fls. 287/307, por maioria de votos (o voto vencido analisou o mérito e considerou que a correta classificação da mercadoria é no código NCM 8471.80.19), anular a decisão de primeira instância, por entender que a mesma não analisou as razões expostas na impugnação, em especial, a matéria já tratada no processo de consulta. Eis a Ementa do Acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Data do fato gerador: 21/07/2000, 15/12/2000, 22/12/2000, 27/12/2000, 05/01/2001, 09/01/2001, 24/10/2001, 17/04/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Em sede de processo administrativo, deve o órgão julgador apreciar as teses de defesa do administrado, acolhendoas ou rejeitandoas, sob pena de incorrer em cerceamento dos direitos à ampla defesa e ao contraditório. Entendeu a Egrégia Câmara que o contribuinte, mesmo deixando de observar a solução de consulta, teria direito ao devido processo legal e conseqüente rediscussão do mérito tratado nessa última, no âmbito do processo fiscal. O processo retornou a esta DRJ para novo julgamento. No novo julgamento realizado, a DRJ entendeu por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte, apenas para excluir a multa de controle administrativo, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 21/07/2000, 15/12/2000, 22/12/2000, 27/12/2000, 05/01/2001, 09/01/2001, 24/10/2001, 17/04/2002 O produto identificado como um “Switch” ATM modular, com 12 “slots” disponíveis, podendo suportar serviços para LAN, X.25, SNA, IP, “Frame Relay” e ATM, modelo Cisco BPX 8620 tem sua correta classificação no código NCM 8471.80.19, como entendeu a fiscalização. Para o caso, existe Solução de Consulta regularmente exarada especificamente para a mercadoria objeto do litígio fiscal, a pedido da própria autuada. MULTA DE OFÍCIO não recolhidos os tributos decorrentes da classificação tarifária determinada pela consulta, acompanhado de seus acréscimos legais, surge a hipótese tida como infração no inciso I do artigo 44 supra mencionado MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA A multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.158 Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Resolução nº 3301000.518 S3C3T1 Fl. 542 5 35/2001, deve ser aplicada sempre que for apurada a classificação incorreta da mercadoria importada, observados os limites impostos pela legislação de regência. MULTA POR FALTA DE GUIA OU DOCUMENTO EQUIVALENTE. A multa administrativa por falta de licenciamento de importação somente é aplicável em caso de comprovação de que o produto não esteja corretamente descrito no SISCOMEX, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 03/04/2013 (vide AR à fl. 511 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs em 03/05/2013 Recurso Voluntário (fls. 512/525), através do qual alegou: (i) preliminarmente que a decisão da DRJ seria nula, visto que teria deixado de apreciar preliminar de nulidade apresentada na impugnação administrativa, bem como de deferir pedido de perícia apresentado nos autos; (ii) quanto ao pedido preliminar apresentado, que o auto de infração seria nulo, visto que o lançamento efetuado pela autoridade fiscal por ocasião do desembaraço aduaneiro apenas poderia ser revisto se ocorrer algumas das hipóteses previstas no artigo 149 do CTN; (iii) no mérito, que a correta classificação fiscal é a constante do código 8517.30.41; (iv) que seriam indevidos os juros de mora exigidos; (v) que não seria cabível a multa proporcional ao valor aduaneiro; (vi) que a multa de ofício seria inaplicável ao caso concreto. Reiterou, ainda, o pedido de realização de perícia técnica, com a participação do INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA, destinada a afastar qualquer dúvida acerca da classificação fiscal em questão. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Resolução nº 3301000.518 S3C3T1 Fl. 543 6 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima indicado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 512/525), através do qual alegou: (i) preliminarmente que a decisão da DRJ seria nula, visto que teria deixado de apreciar preliminar de nulidade apresentada na impugnação administrativa, bem como de deferir pedido de perícia apresentado nos autos; (ii) quanto ao pedido preliminar apresentado, que o auto de infração seria nulo, visto que o lançamento efetuado pela autoridade fiscal por ocasião do desembaraço aduaneiro apenas poderia ser revisto se ocorrer algumas das hipóteses previstas no artigo 149 do CTN; (iii) no mérito, que a correta classificação fiscal é a constante do código 8517.30.41; (iv) que seriam indevidos os juros de mora exigidos; (v) que não seria cabível a multa proporcional ao valor aduaneiro; (vi) que a multa de ofício seria inaplicável ao caso concreto. Reiterou, ainda, o pedido de realização de perícia técnica, com a participação do INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA, destinada a afastar qualquer dúvida acerca da classificação fiscal em questão. Passo, então, à análise dos pontos trazidos pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário. 1. Preliminar de nulidade da decisão recorrida De início, alega o contribuinte que a decisão recorrida seria nula, visto que não teria tratado acerca da preliminar de nulidade apresentada na impugnação administrativa, nem deferido o seu pedido de perícia apresentado nos autos. Quanto à preliminar apresentada na impugnação (fls. 40 e seguintes dos autos), verificase que esta versa sobre alegação de nulidade do auto de infração combatido, sob o fundamento de que o lançamento efetuado pela autoridade fiscal por ocasião do desembaraço aduaneiro apenas poderia ser revisto nas hipóteses previstas no artigo 149 do CTN. Ao analisar o conteúdo da decisão recorrida, verificase que esta, de fato, não tratou deste pleito específico do contribuinte, embora tenha este constado expressamente da impugnação administrativa apresentada e do relatório da decisão recorrida. Contudo, entendo que esta omissão não leva, no caso concreto aqui analisado, à preterição do direito de defesa do contribuinte, apta a ensejar a aplicação do art. 59 do Decreto n. 70.235/72. Isso porque, é cediço que esta matéria está superada, não havendo que se falar em nulidade da autuação sobre este fundamento. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisão deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Acórdão n. 3401003.431 de 28/03/2017), com a qual concordo: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 31/10/2006 a 09/02/2011 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. GRAVADORES. (...). Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Resolução nº 3301000.518 S3C3T1 Fl. 544 7 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CÂMERAS. (...). REVISÃO ADUANEIRA. A revisão aduaneira, procedimento que faz parte do despacho aduaneiro (artigo 44 e seguintes do DecretoLei nº 347/1966), é distinta da revisão de ofício, que pressupõe a existência de um lançamento anterior e será realizada nas hipóteses previstas no artigo 149 do CTN. Apenas nos despachos aduaneiros em que houve lançamento, é possível se cogitar da vedação de alteração de critério jurídico, prevista no artigo 146, do CTN. (...). Ademais, verificase que esta matéria já foi analisada pela DRJ quando da primeira decisão proferida nos presentes autos, a qual assim dispôs: Da Revisão Aduaneira Alegou, também a Impugnante que o lançamento só pode ser revisto se ocorrer alguma das hipóteses previstas no artigo 149, do CTN. Convém esclarecer que a revisão aduaneira pode ser procedida dentro do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data de registro da DI, conforme dispõe o art. 54 do DecretoLei n° 37, de 18/11/1966, verbis: Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do beneficio fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art. 44 deste DecretoLei. (grifos acrescidos) Por sua vez, os arts. 455 e 456 do Regulamento Aduaneiro (RA), aprovado pelo Decreto n° 91.030 de 05/03/1985 DOU 11/03/1985, dispõem, verbis: Art. 455 Revisão aduaneira é o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, reexamina o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a regularidade da importação ou exportação quanto aos aspectos fiscais, e outros, inclusive o cabimento de beneficio fiscal aplicado (DecretoLei n°37/66, art. 54). Art. 456 A revisão poderá ser realizada enquanto não decair o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário (Lei n° 5.172/66, art. 149, parágrafo único). Dessa legislação, depreendese que é possível procederse à revisão aduaneira dentro do prazo de 5 (cinco) anos do registro da DI, diferentemente do que supõe a peticionária. Nesse mesmo sentido foi o pronunciamento do então Relator José Fernandes quando da apresentação do seu voto em sessão de julgamento realizada em 25 de maio de 2010 nos presentes autos, o qual acompanho: Da nulidade do auto de infração. Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Resolução nº 3301000.518 S3C3T1 Fl. 545 8 Em preliminar, a recorrente alega nulidade do auto de infração, com o argumento de que, como se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação, a constituição do crédito tributário se daria na fase do despacho aduaneiro, logo, a revisão do lançamento somente poderia ocorrer nas hipóteses prevista no art. 149 do CTN, o que não aconteceu no presente caso. O procedimento revisão aduaneira é realizado após a desembaraço aduaneiro ou liberação da mercadoria, com o propósito de apurar a regularidade do pagamento dos tributos autolançados pelo importador e demais gravames devidos à Fazenda Nacional. Ao contrário do que alega a recorrente, o inciso I do art. 149 do CTN prevê a hipótese de a lei determinar a revisão do lançamento, nos seguintes termos: "Art. 149 0 lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; (...)". Com supedâneo no referido preceito legal, o art. 54 do Decretolei n" 37, de 18 de novembro de 1966, determinou expressamente a realização a revisão do lançamento dos tributos aduaneiros e demais gravames devidos a Fazenda Nacional, obedecido o prazo decadencial de 5 (cinco) anos, contados da data de registro da DI. Sendo veja o teor do citado comando legal a seguir transcrito: Art.54 A apura cão da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do beneficio fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art. 44 deste Decreto Lei. (grifos não originais). Por sua vez, na data da conclusão do presente procedimento de revisão aduaneira, em consonância coin o determinado no transcrito preceito, a matéria encontravase regulamentada no art. 570 do Regulamento Aduaneiro de 2002 (RA12002), instituído pelo Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002, com os seguintes dizeres: Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos a Fazenda Nacional, da aplicação de beneficio fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei n° 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei n° 2.472, de 1988, art. 22, e Decretolei n" 1.5.78, de 1977, art. 8'). § 1' Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2' A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: 1 do registro da declaração de importação correspondente (Decretolei n° 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei n" 2.472, de 1988, art. 22); e II do registro de exportação. § 3' Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Resolução nº 3301000.518 S3C3T1 Fl. 546 9 Assim, como o presente procedimento de revisão aduaneira foi realizado com amparo legal e concluído antes termo final de prazo deeadencial de 5 (cinco) anos, diferentemente do que a alega a recorrente, não enxergo nenhuma mácula que possa acarretar a nulidade dos referidos Autos de Infração. Dessa forma, rejeito a presente preliminar. Sendo assim, verificase que o retorno aos autos para que a DRJ se manifeste expressamente e novamente sobre questão já pacificada tanto naquele âmbito de julgamento quanto neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vai de encontro ao princípio da eficiência, além de restar injustificado face à ausência de prejuízo ao contribuinte, que teve e está tendo, nesta oportunidade, o seu pleito devidamente apreciado. De outro norte, é certo que não há que se falar em nulidade da decisão recorrida no que tange ao indeferimento da realização de perícia, visto que esta se encontra devidamente fundamentada quanto às razões que a levaram ao indeferimento deste pedido. Até porque, sabese que, em razão do disposto no caput do art. 18 do Decreto n. 70.235/1972, o deferimento ou indeferimento do pedido de realização de perícia depende do livre convencimento da autoridade julgadora. A insurgência do contribuinte, portanto, representa, na verdade, insatisfação quanto ao conteúdo do acórdão recorrido, o que não deve ser acolhido sob o fundamento de sua nulidade. Logo, tendo em vista que não há que se falar em prejuízo ao direito de defesa do contribuinte no presente caso, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. 2. Preliminar de nulidade da autuação Quanto ao argumento de nulidade da autuação, conforme razões já explanadas no tópico anterior, entendo que este não deverá ser acolhido, pois é cediço que a revisão aduaneira pode ser realizada dentro do prazo decadencial de 5 (cinco) anos do desembaraço aduaneiro, não encontrando óbice no art. 149 do CTN. 3. Mérito da classificação fiscal O produto objeto da presente demanda, conforme indicado na decisão recorrida, é um “Switch” ATM modular, com 12 “slots” disponíveis, podendo suportar serviços para LAN, X.25, SNA, IP, “Frame Relay” e ATM, modelo Cisco BPX 8620. Não há, portanto, controvérsia em relação à identificação do produto. Não houve, inclusive, contestação em relação à identificação do produto em questão, cingindose a presente demanda na análise da classificação fiscal em si. Nesse sentido, manifestouse o Julgador José Fernandes em seu voto proferido em sessão de julgamento realizada em 25 de maio de 2010, oportunidade em que concluiu pela correção da classificação fiscal adotada pela fiscalização com base no NCM 8471.80.19: No mérito, o cerne do presente contraditório reside na divergência em relação ao enquadramento tarifário do produto na NCM. Entende a recorrente que ele se classifica no código 8517.30.41, enquanto que a autoridade fiscal lhe atribuiu o código NCM 8471.80.19. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Resolução nº 3301000.518 S3C3T1 Fl. 547 10 No caso, como se trata de controvérsia em torno da classificação fiscal, o primeiro passo para solucionála consiste na identificação do produto (características, destinação, finalidade, aplicação, etc.). Conhecido o produto, o passo seguinte consiste no seu enquadramento em um dos códigos da NCM, vigente na data da ocorrência do fato gerador. Do aspecto técnico: a identificação e aplicação da mercadoria. No que tange ao aspecto técnico, como não houve manifestação contrária da recorrente, concluo que não há discordância em relação a identificação do produto em tela como sendo um "Switch` ATM modular, com 12 'slots" disponíveis, podendo suportar serviços para LAN, X.25, SNA, IP, `Frame Relay` e ATM, modelo Cisco BPX 8620". A presente divergência, no meu entendimento, limitase à função do equipamento. Neste ponto, entende a recorrente que ele destinase "a receber pacotes de dados em uma de suas múltiplas interfaces e comutálos automaticamente o mais rápido possível seguindo algumas regras de encaminhamento" (fl. 05). Por sua vez, entende a fiscalização que o "switch" é um equipamento "utilizado em redes, que proporciona a distribuição e o redirecionamento de pacotes de dados entre microcomputadores, servidores e outros sistemas de processamento de dados" (fl. 09). Ou seja, quanto à classificação fiscal, a fiscalização e a DRJ entenderam que a classificação correta é a indicada no código NCM 8471.80.19, conforme indicado na Solução de Consulta DIANA/SRRF/8ªRF nº 58, de 23/06/2003, relativa à mesma mercadoria e destinada especificamente à Recorrente. O contribuinte, por seu turno, defende que a classificação correta seria a descrita no NCM 8517.30.41, diversamente do que constou da referida solução de consulta. Em seu Recurso Voluntário, destacou, inclusive, que posteriormente ao auto de infração teria sido proferida nova Solução de Consulta, sob o n. 233 e datada de 28 de outubro de 2003, em que o equipamento em questão teria sido classificado exatamente no Código NCM 8517.30.41. É importante aqui salientar que a informação acerca desta solução de consulta n. 233 de 28/10/2003 foi apresentada pelo contribuinte tão somente quando do Recurso Voluntário interposto, não tendo constado de sua impugnação. Por esta razão, este fundamento não chegou a ser analisado pela decisão recorrida. Ao consultar esta última solução de consulta, então, verifiquei junto à COSIT que esta foi direcionada à empresa distinta da ora Recorrente. Ainda, extraise do conteúdo trazido pelo próprio recorrente aos autos (vide fl. 535), que esta versou sobre uma "Central Automática de Comutação de Pacotes com velocidade de tronco superior a 72 bits/s e de comutação de 45.283.000 pacotes por segundo, sem multiplexação determinística, fabricada por Cisco Systems Inc. USA, modelo Cisco BPX8620, denominado comercialmente e tecnicamente "Cisco BPX8620 Wide Area Edge Switch", utilizado em banda larga ATM para redes de telecomunicações de longa distância (WANs)" (vide fl. 535). Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Resolução nº 3301000.518 S3C3T1 Fl. 548 11 Ou seja, além de estarem as referidas soluções de consulta direcionadas a importadores distintos, não há como se concluir neste momento que os referidos casos tenham versado exatamente sobre o mesmo equipamento, conforme indicado pela Recorrente. Contudo, há fortes indícios de que a Solução de Consulta n. 233/2003 tenha tratado sobre o mesmo produto aqui analisado, visto que há a indicação expressa de que a solução de consulta em questão teria analisado o "modelo Cisco BPX8620", tendo chegado à conclusão diversa da constante da Solução de Consulta DIANA/SRRF/8ªRF nº 58, de 23/06/2003, direcionada ao contribuinte. Ocorre que o contribuinte, apesar de ter trazido aos autos a conclusão da referida solução de consulta, não anexou o seu inteiro teor, para que se possa analisar as circunstâncias com que a referida solução fora proferida. E nem poderia fazêlo, visto que, à época em que a referida solução de consulta fora proferida, vigia o sigilo fiscal relativo ao seu conteúdo, sendo por esta razão que o seu inteiro teor não se encontra disponível na internet, mas apenas a sua conclusão. De todo modo, consoante já restou analisado pelo voto vencedor constante da decisão proferida por este Conselho em 25 de maio de 2010 (vide fls. 434/435 dos autos), a existência de Solução de Consulta sobre a classificação fiscal não vincula a decisão a ser proferida por este órgão julgador, visto que proferida em procedimento em que não há contraditório. Cabenos, portanto, analisar qual a correta classificação fiscal para o caso concreto analisado, independentemente da conclusão a que chegaram as referidas soluções de consulta. Porém, diante da razoável dúvida acerca da correta classificação fiscal a ser adotada no caso concreto, fortalecida pela existência de soluções de consultas que teriam chegado a conclusões diametralmente opostas entre si, entendo que a presente demanda deva ser convertida em diligência, no sentido de que seja providenciado junto ao setor competente a juntada aos presentes autos do inteiro teor da Solução de Consulta n. 233 de 28/10/2003, para que se possa avaliar os fundamentos constantes daquela decisão e identificar se a conclusão ali disposta poderá influenciar de alguma forma a decisão a ser proferida na presente contenda. É como voto. 4. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, no sentido de que seja providenciada junto ao setor competente a juntada aos presentes autos do inteiro teor da Solução de Consulta n. 233 de 28/10/2003. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 548DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.000545/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
Atraso na Entrega de DIPJ. Multa. Retificação da DIPJ. Alteração do Valor da Multa.
A multa aplicada por atraso na entrega de DIPJ é proporcional ao valor do IRPJ devido, de modo que eventual retificação da DIPJ que implique alteração do valor do tributo devido, desde que objeto de verificação pela autoridade fiscal, reflete-se no valor da multa, que deve ser alterada na mesma proporção do valor do imposto devido.
Numero da decisão: 1301-002.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reduzir a multa por atraso na entrega da DIPJ do ano base 2006 a R$ 500,00.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 Atraso na Entrega de DIPJ. Multa. Retificação da DIPJ. Alteração do Valor da Multa. A multa aplicada por atraso na entrega de DIPJ é proporcional ao valor do IRPJ devido, de modo que eventual retificação da DIPJ que implique alteração do valor do tributo devido, desde que objeto de verificação pela autoridade fiscal, reflete-se no valor da multa, que deve ser alterada na mesma proporção do valor do imposto devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reduzir a multa por atraso na entrega da DIPJ do ano base 2006 a R$ 500,00. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
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(SUCESSORA DE MIL MADEIREIRA ITACOATIARA LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 ATRASO NA ENTREGA DE DIPJ. MULTA. RETIFICAÇÃO DA DIPJ. ALTERAÇÃO DO VALOR DA MULTA. A multa aplicada por atraso na entrega de DIPJ é proporcional ao valor do IRPJ devido, de modo que eventual retificação da DIPJ que implique alteração do valor do tributo devido, desde que objeto de verificação pela autoridade fiscal, refletese no valor da multa, que deve ser alterada na mesma proporção do valor do imposto devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reduzir a multa por atraso na entrega da DIPJ do ano base 2006 a R$ 500,00. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 05 45 /2 00 8- 14 Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10283.000545/200814 Acórdão n.º 1301002.734 S1C3T1 Fl. 427 2 Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de recurso interposto por MIL MADEIRAS PRECIOSAS LTDA. (sucessora de Mil Madeireira Itacoatiara Ltda.), pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 0117.877 da 1ª Turma da DRJ Belém, que negou provimento à impugnação da multa no valor de R$ 430.802,53, aplicada por atraso na entrega de DIPJ. Os fatos podem ser assim descritos: A recorrente apresentou intempestivamente a DIPJ do ano base 2006, informando um débito de IRPJ de R$ 3.590.021,12. Ao ser notificada da multa se deu conta de que havia erro na declaração e providenciou a entrega de DIPJ retificadora. Segundo a nova DIPJ, não haveria lucro, mas sim prejuízo fiscal, com o que a multa por atraso seria reduzida ao patamar mínimo de R$ 500,00. À impugnação a DRJ BEL negou provimento. A ementa do acórdão recorrido foi assim redigida: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 DIPJ. MULTA POR ATRASO. Comprovado que a DIPJ foi entregue fora do prazo legal, cabível a penalidade aplicada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não resignada, a contribuinte interpôs recurso, alegando, em síntese, que as informações contidas na DIPJ original estavam completamente equivocadas, sendo por isso corrigidas mediante declaração retificadora. Esta declaração substitui a original. Portanto, é o valor do imposto devido informado na declaração retificadora que serve de base para o cálculo da multa. Nessa linha de raciocínio, aduziu a recorrente: Ora, considerando que a multa tem como base de cálculo o IRPJ devido e que o contribuinte apurou IRPJ a pagar igual a R$ 0,00, forçoso concluir que a multa deve ter valor de R$ 0,00 (0,00 x 2% = 0,00), de forma que o contribuinte deve ser expropriado apenas no valor da multa mínima, ou seja, no valor de R$ 250,00 (500,00 50% = 250,00), conforme determina o inciso II, do par 3º do art.7º da Lei 10.426/06. A recorrente, inclusive já efetuou o pagamento da multa mínima no valor de R$ 250,00 (DARF anexo). (fl. 92) Disse ainda que o problema consistiu em erro de fato e que deve prevalecer a verdade material. Por fim, alegou o caráter confiscatório da multa e pediu subsidiariamente, na hipótese de ser mantida a penalidade, a redução de seu valor a 50%. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10283.000545/200814 Acórdão n.º 1301002.734 S1C3T1 Fl. 428 3 Pela Resolução nº 1802000.042 (fls. 353 a 360), converteuse o julgamento em diligência para que fossem adotadas, pela unidade de origem, as seguintes providências: Em face do exposto, propugno pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem da RFB, pelo setor de fiscalização, efetue as seguintes providências: verificar e informar se a recorrente foi submetida a procedimento de fiscalização pela RFB, quanto ao anocalendário 2006, em relação ao IRPJ e reflexos, em face da declaração retificadora objeto dos autos; em qualquer caso, demonstrar, mediante relatório fiscal circunstanciado, com base na escrituração contábil da recorrente e documentos de suporte dos fatos contábeis registrados, se houve imposto apurado para o anocalendário 2006 ou se houve prejuízo fiscal; informar qual é o valor em Reais da base de cálculo da multa e o valor subsistente em Reais da multa, em face da entrega intempestiva da DIPJ 2007, ano calendário 2006, à luz do art. 7º da Lei 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051/2004. elaborar relatório circunstanciado dos resultados da diligência fiscal. Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, conforme proposto. (fl. 360) A diligência resultou no relatório de fls. 415 e 416, no qual foram assentadas as seguintes conclusões: Ao cabo do procedimento fiscal, tecemse as seguintes considerações: a) A Diligência em pauta, destinada à efetuação de providências demandadas pelo CARF, foi iniciada em 25/03/2014, ocasião em que a pessoa jurídica MIL MADEIRAS PRECIOSAS LTDA tomou ciência do Termo de Início de Diligência Fiscal lavrado em 10/03/2014. b) Por meio do Termo de Início de Diligência Fiscal, o contribuinte MIL MADEIRAS PRECIOSAS LTDA foi intimado a apresentar livros pertinentes a sua escrituração contábilfiscal, bem como demonstração financeira, relativos ao ano calendário de 2006. c) Com base em verificações efetuadas durante a Diligência, informase o que se segue: A recorrente (pessoa jurídica MIL MADEIRAS PRECIOSAS LTDA) foi submetida a procedimento de fiscalização pela RFB, quanto ao anocalendário 2006, em relação ao IRPJ e reflexos, em face da declaração retificadora objeto dos autos (DIPJ n° 1475933). No anocalendário 2006, a recorrente (pessoa jurídica MIL MADEIRAS PRECIOSAS LTDA) incorreu em prejuízo fiscal no valor de R$ 7.168.617,40, e as operações que deram origem a esse resultado achamse consignadas na escrituração contábilfiscal do contribuinte, com suporte em documentos hábeis e idôneos. À luz do art. 7º da Lei 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051/2004, é cabível multa no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais), em face da entrega intempestiva da DIPJ 2007, anocalendário 2006. Tratase de multa mínima, Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10283.000545/200814 Acórdão n.º 1301002.734 S1C3T1 Fl. 429 4 estipulada no parágrafo 3o, inciso II, do art. 7º da Lei 10.426/2002. No caso em tela, é pertinente a multa mínima, pois verificase ausência de base de cálculo de multa, haja vista a ocorrência de prejuízo fiscal. Concluída a diligência, os autos retornaram ao CARF para prosseguir o julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Relator A admissibilidade do recurso já foi verificada quando da Resolução n° 1802 000.042. O ponto em torno qual gira a controvérsia está no valor da multa por atraso na entrega da DIPJ do ano base 2006. A DRF aplicou a multa tomando por base o valor do IRPJ devido, apurado na declaração original. A recorrente sustenta que o parâmetro deve ser dado pelo valor constante da DIPJ retificadora. A multa por atraso na entrega de DIPJ, embora motivada por descumprimento de uma obrigação acessória, tem seu valor fixado com base no IRPJ devido no período. A gravidade da falta é medida tomando por parâmetro o débito de IRPJ. Existe proporcionalidade entre esses dois valores. A lei rechaça a imposição de multa muito branda àqueles que, tendo apurado elevado valor de débito, deixam de entregar a DIPJ ou entregamna com atraso. Pelo mesmo principio, a lei repudia a imposição multa gravosa àqueles que, embora descumprindo obrigação acessória, apuraram débitos de pequena monta ou não apuraram débito nenhum. Seguindo essa lógica, se o contribuinte apresenta uma DIPJ indicando determinado débito de IRPJ e, posteriormente, se dá conta de que cometeu erro e apresenta uma nova declaração, com um débito menor, é correto que o valor da multa seja reduzido na proporção do novo débito, de modo a conservar a proporcionalidade pretendida pela lei. No caso em exame, a recorrente, após a entrega da DIPJ e a notificação da multa, constatou a existência de erro e o corrigiu, mediante declaração retificadora. O valor do débito de IRPJ, informado originalmente, foi reduzido a zero, pois a declaração retificadora apresentava prejuízo fiscal. Segundo o critério de proporcionalidade adotado pela lei, a multa por atraso na entrega da DIPJ deveria ser reduzida ao patamar mínimo, mas não sem que a autoridade fiscal realizasse uma verificação, ainda que sumária. Para esse fim, os autos foram devolvidos à unidade de origem, que, depois de proceder à verificação solicitada, apresentou as seguintes conclusões: Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10283.000545/200814 Acórdão n.º 1301002.734 S1C3T1 Fl. 430 5 a) A recorrente foi submetida a procedimento de fiscalização pela RFB, abrangendo os fatos ocorridos no ano base 2006, tendo por objeto o IRPJ e reflexos, em face da declaração retificadora objeto dos autos (DIPJ n° 1475933). b) No ano base 2006, a recorrente apurou prejuízo fiscal no valor de R$ 7.168.617,40, e as operações que deram origem a esse resultado achamse consignadas na escrituração contábil e fiscal, com suporte em documentos hábeis e idôneos. c) À luz do art. 7º da Lei 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051/2004, é cabível multa no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais), em face da entrega intempestiva da DIPJ. Tratase de multa mínima, estipulada no § 3º, inciso II, do art. 7º da Lei 10.426/2002. No caso em tela, é pertinente a multa mínima, pois verificase ausência de base de cálculo de multa, haja vista a ocorrência de prejuízo fiscal. Diante dessas informações, impõese reduzir a multa ao patamar mínimo de R$ 500,00. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reduzir a multa por atraso na entrega da DIPJ do ano base 2006 a R$ 500,00. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 430DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12689.000602/2007-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 11/12/2002
Ementa
EX TARIFÁRIO. ENQUADRAMENTO NO BENEFÍCIO.
As mercadorias relacionadas em Declaração de Importação referente ao despacho dos bens para consumo não abrangidas por ex-tarifário não são passíveis de enquadramento no benefício pleiteado.
ADMISSÃO TEMPORÁRIA PROPORCIONAL. DESPACHO PARA CONSUMO. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS.
O valor que foi pago no momento do registro da Declaração de Importação referente à admissão temporária proporcional não deve ser devolvido em forma de compensação no momento do despacho para consumo dos bens admitidos no regime.
MULTA DE OFÍCIO. OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF N. 02.
É vedado ao CARF a realização de controle, ainda que difuso, de constitucionalidade de norma. Súmula CARF nº 2.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 04.
É legítima a cobrança de juros de mora com base na variação da taxa Selic.
Recurso voluntário negado. Crédito tributário mantido.
Numero da decisão: 3402-004.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 11/12/2002 Ementa EX TARIFÁRIO. ENQUADRAMENTO NO BENEFÍCIO. As mercadorias relacionadas em Declaração de Importação referente ao despacho dos bens para consumo não abrangidas por ex-tarifário não são passíveis de enquadramento no benefício pleiteado. ADMISSÃO TEMPORÁRIA PROPORCIONAL. DESPACHO PARA CONSUMO. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. O valor que foi pago no momento do registro da Declaração de Importação referente à admissão temporária proporcional não deve ser devolvido em forma de compensação no momento do despacho para consumo dos bens admitidos no regime. MULTA DE OFÍCIO. OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF N. 02. É vedado ao CARF a realização de controle, ainda que difuso, de constitucionalidade de norma. Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 04. É legítima a cobrança de juros de mora com base na variação da taxa Selic. Recurso voluntário negado. Crédito tributário mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto. Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1605; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 386 1 385 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12689.000602/200739 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.878 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2018 Matéria ADUANEIRO Recorrente SAARGUMMI BAHIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 11/12/2002 Ementa EX TARIFÁRIO. ENQUADRAMENTO NO BENEFÍCIO. As mercadorias relacionadas em Declaração de Importação referente ao despacho dos bens para consumo não abrangidas por extarifário não são passíveis de enquadramento no benefício pleiteado. ADMISSÃO TEMPORÁRIA PROPORCIONAL. DESPACHO PARA CONSUMO. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. O valor que foi pago no momento do registro da Declaração de Importação referente à admissão temporária proporcional não deve ser devolvido em forma de compensação no momento do despacho para consumo dos bens admitidos no regime. MULTA DE OFÍCIO. OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF N. 02. É vedado ao CARF a realização de controle, ainda que difuso, de constitucionalidade de norma. Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 04. É legítima a cobrança de juros de mora com base na variação da taxa Selic. Recurso voluntário negado. Crédito tributário mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 00 06 02 /2 00 7- 39 Fl. 386DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar o caso em comento, emprego como meu o relatório desenvolvido pela DRJ de Florianópolis (acórdão n. 0735.427 fls. 265/276), o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata o presente processo de autos de infração lavrados de fls. 2 a 16 para constituição de crédito tributário no valor de R$285.194,11, sendo os valores de R$ 204.303,07 e R$80.891,04, referentes, respectivamente, ao II Imposto de Importação e ao IPI Imposto sobre Produtos Industrializados, e respectivos juros e multa proporcional. O total do crédito tributário é de R$285.194,11. Depreendese da descrição dos fatos que a falta de recolhimento é referente a dois sistemas integrados novos para a produção, por processo de extrusão, de perfis de borracha, admitidos temporariamente pela SAARGUMMI BAHIA LTDA. com fundamento no artigo 7° da Instrução Normativa SRF nº 150/99, com classificação fiscal própria na NCM nº 8479.89.99. Os equipamentos ingressaram em território nacional no dia 29/01/2002, amparados pela Declaração de Importação DI nº 02/00847710 que integra o processo administrativo de Admissão Temporária n° 12689.000101/200248. O regime aduaneiro especial de admissão temporária foi concedido mediante a prestação de garantia das obrigações fiscais, constituídas em Termo de Responsabilidade constante do referido processo. A Admissão Temporária foi concedida mediante o pagamento dos impostos incidentes na importação proporcionalmente ao tempo de permanência no País, que no presente caso, inicialmente, teve seu termo final fixado em 21/05/2002, prazo de vigência do primeiro contrato que serviu de base à admissão temporária requerida. O desembaraço da mercadoria sob foco ocorreu no dia 18/03/2002 e a empresa interessada requereu três prorrogações do prazo do regime aduaneiro em questão (fls. 82). O último contrato teve vigência até 20/01/2003, conforme folhas 93, e a última solicitação de prorrogação por 90 dias se deu em 18/10/2002 (fls. 101). Em 11/12/2002, o importador registrou a Declaração de Importação nº 02/11010930 (fls. 104) visando promover a nacionalização dos bens submetidos à admissão temporária. Ainda conforme relato da fiscalização, nesse ínterim, o interessado logrou a concessão de um extarifário para maior parte dos bens que compunham os dois sistemas e optou pelo Fl. 387DF CARF MF Processo nº 12689.000602/200739 Acórdão n.º 3402004.878 S3C4T2 Fl. 387 3 recolhimento da alíquota integral de 4% para o Imposto de Importação e 5% para o Imposto sobre Produtos Industrializados, no despacho para consumo destes equipamentos beneficiados. Porém, segundo a fiscalização, o benefício do extarifário não contemplava todo o conjunto de máquinas e componentes integrantes dos dois sistemas. Entretanto, o importador tentou deduzir os valores recolhidos e devidos ao Erário em razão da admissão temporária dos bens em regime de pagamento proporcional de tributos, dos impostos exigíveis por ocasião de sua nacionalização. Acrescenta a fiscalização que tais valores não são passiveis de compensação no momento de nacionalização dos dois sistemas, uma vez que não existe previsão legal para este tipo de manobra tributária. O interessado registrou indevidamente nas adições 028, 030, 033, 036, 042 e 049 a alíquota de 0% correspondente ao Imposto de Importação e ao Imposto sobre Produtos Industrializados e detalhou no campo de dados complementares da Declaração de Importação em pauta, os cálculos relativos à subtração irregular dos valores devidos e pagos durante a vigência do regime especial, dos valores a recolher na ocasião da nacionalização dos equipamentos, não atentando para a ilicitude da operação. Às folhas 56, em despacho da Alfândega de Salvador, observase que o material admitido em caráter temporário foi objeto de pedido de parcelamento de embarque, com amparo no artigo 52, da Instrução Normativa SRF nº 69, de 10 de dezembro de 1996. A fiscalização calculou os novos valores a serem cobrados levando em consideração o cálculo proporcional relativo ao prazo restante da vida útil dos bens, na forma preceituada pelo parágrafo 4º do artigo 7º da IN nº 150/99, legislação vigente à época. (...) (negritos constantes no original, sublinha nossa). 2. Uma vez notificado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 154/179, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão já referido e que restou assim ementado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 11/12/2002 EX TARIFÁRIO. ENQUADRAMENTO NO BENEFÍCIO. As mercadorias relacionadas em Declaração de Importação referente ao despacho dos bens para consumo não abrangidas por extarifário, não são passíveis de enquadramento no benefício pleiteado. ADMISSÃO TEMPORÁRIA PROPORCIONAL. DESPACHO PARA CONSUMO. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. O valor que foi pago no momento do registro da Declaração de Importação referente à admissão temporária proporcional não Fl. 388DF CARF MF 4 deve ser devolvido em forma de compensação no momento do despacho para consumo dos bens admitidos no regime. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o Código Tributário Nacional (artigo 161, § 1º) outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Não é da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, PROPORCIONALIDADE E NÃO CONFISCO. Tendo em vista a presunção de constitucionalidade das normas legais que foram legitimamente inseridas no ordenamento jurídico, cabe à autoridade administrativa tão somente verificar se os fatos subsumemse na norma de regência e aplicar a penalidade em face da existência de expressa determinação legal, dado que o lançamento não é atividade discricionária, mas, bem ao contrário, vinculada e obrigatória. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 289/337, oportunidade em que, em suma, alegou: (i) que o auto de infração ofende ao princípio da segurança jurídica, na medida em que o recolhimento tributário feito pelo contribuinte no momento da nacionalização dos produtos beneficiados com o extarifário observou o disposto nas IN's 69/96 e 150/99, não havendo substrato jurídico para que o fisco empregasse o método previsto no art. 7o da IN/SRF n. 150/99; (ii) que a exigência fiscal também ofende o princípio da legalidade, uma vez que a partir do momento em que o benefício fiscal atribuído ao contribuinte previu as alíquotas diferenciadas de 4% para o II e 5% para o IPI, não poderseia mais aplicar o disposto no art. 7o da IN/SRF n. 150/99, não competindo à fiscalização fazer a distinção de quais produtos ou valores importados foram ou não contemplados pelo ex, o qual, segundo o contribuinte, abrangeria todas as adições aqui questionadas; e, subsidiariamente (iii) que a multa aplicada deve ser reduzida em respeito ao princípio da razoabilidade; bem como (iv) a inaplicabilidade da taxa SELIC em razão da inconstitucionalidade do § 4º do art. 39 da lei n. 9.250/95. 4. É o relatório. Voto Fl. 389DF CARF MF Processo nº 12689.000602/200739 Acórdão n.º 3402004.878 S3C4T2 Fl. 388 5 Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, o que passo a fazer nos seguintes termos. I. Das supostas ofensas aos princípios da segurança jurídica e da legalidade 6. Como já pontualmente delineado no relatório do presente voto, o contribuinte aduz que a presente exigência fiscal ofende aos princípios da segurança jurídica e da legalidade, uma vez que o recolhimento tributário feito no momento da nacionalização dos produtos beneficiados com o extarifário observou o disposto nas IN's 69/96 e 150/99, não havendo substrato jurídico para que o fisco empregasse o método previsto no art. 7o da IN/SRF n. 150/99, até porque, segundo o contribuinte, o ex não teria feito distinções a respeito de quais produtos teriam sido contemplados pelos benefícios, não competindo à fiscalização assim proceder. 7. Equivocase, todavia, o contribuinte e, nesse sentido, é irretocável o teor da decisão atacada por intermédio do presente recurso voluntário. Vejamos: O contribuinte promoveu a importação de dois sistemas integrados para a produção de perfis de borracha para automóveis, tendo processado a Declaração de Importação nº 02/00847710 em 29/01/2002, onde requereu a concessão do regime especial de admissão temporária, com recolhimento proporcional dos tributos, nos termos da IN SRF nº 150/99. A Declaração de Importação nº 02/11010930 foi registrada com 50 adições com o objetivo de nacionalizar os bens, tendo o contribuinte declarado em separado cada componente do bem importado, informando assim diversas NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) para as respectivas partes dos sistemas integrados. O presente auto foi lavrado pela fiscalização para cobrança da diferença de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados por entender que o extarifário pleiteado pelo contribuinte não contemplava todo o conjunto de máquinas e componentes integrantes das adições da Declaração de Importação nº 02/11010930 e ainda pelo contribuinte tentar deduzir os valores recolhidos em razão de admissão temporária destes componentes, dos impostos exigíveis por ocasião do despacho para consumo. Com relação ao extarifário, temos que o benefício foi concedido pela Resolução Camex n.º 23, de 23/09/2002, após a concessão da admissão temporária. Esta Resolução previa a redução de alíquota do Imposto de Importação para os sistemas denominados SI140 (Sistema integrado para fabricação de perfis de borracha flocados, com alma metálica revestida de borracha, para veículos automóveis) e SI141 (Sistema integrado para fabricação de perfis de borracha, com alma metálica revestida de borracha, para veículos automóveis), composto de Fl. 390DF CARF MF 6 vários equipamentos, desde que fossem importados em sua totalidade. Como a Declaração de Importação nº 02/11010930 incluiu equipamentos que não estavam relacionados no artigo 2º da Resolução citada, a fiscalização concluiu que não deveria haver redução da alíquota para estes itens não contemplados. Vejamos, então, o texto da norma: (...) Art. 2o Ficam alteradas para 4% (quatro por cento), até 30 de junho de 2004, as alíquotas ad valorem do Imposto de Importação incidentes sobre os seguintes componentes dos Sistemas Integrados (SI). § 1o O tratamento tributário previsto neste artigo somente se aplica quando se tratar da importação da totalidade dos componentes especificados em cada sistema, a serem utilizados em conjunto na atividade produtiva do importador. § 2o Os componentes referidos no parágrafo anterior podem estar associados a instrumentos de controle ou de medida ou a acessórios, tais como condutos e cabos elétricos, que se destinem a permitir a sua operação, desde que mantida a respectiva classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) indicada. (...) (SI140) Sistema integrado para fabricação de perfis de borracha flocados, com alma metálica revestida de borracha, para veículos automóveis, constituído pelos seguintes componentes: CÓDIGO EX DESCRIÇÃO 8419.89.99 748 1 aparelho para préaquecimento, por resistência elétrica, da fita metálica 8419.89.99 749 1 aparelho para resfriamento dos perfis vulcanizados por chuveiro de água, provido de reservatório de água em forma de calha de aço inoxidável, sistema de suprimento e circulação de água e secador do tipo jato de ar 8424.89.00 718 1 cabine de pintura automática, para pulverização de "primer" e tinta sobre os perfis 8428.33.00 724 2 transportadores de esteira de teflon, com ângulo ajustável de 0 a 90ºFls. 5 /Resolução nº 23 /2002. 8428.39.90 723 1 dispositivo para movimentação e tracionamento dos perfis na linha de fabricação, por meio de duas correias sobrepostas 8443.51.00 703 1 impressora de caracteres e figuras nos perfis, por jato de tinta 8462.21.00 703 1 máquina para préformagem (dobra em forma de perfil) da fita metálica, por meio de roletes, de comando numérico 8477.20.90 710 combinação de máquinas para extrusão dos perfis, composta por 2 alimentadores elétricos de tiras de borracha, providos de controlador lógico programável (CLP), 2 extrusoras com sistema de resfriamento a água incorporado, Fl. 391DF CARF MF Processo nº 12689.000602/200739 Acórdão n.º 3402004.878 S3C4T2 Fl. 389 7 próprias para operarem face a face para alimentação do cabeçote, e 1 cabeçote de passagem do perfil de borracha e da fita metálica 8477.59.90 702 1 máquina para fechar os perfis até a abertura desejada, por meio de roletes ajustáveis 8477.80.00 718 1 máquina para cortar os perfis no tamanho desejado, com mesa móvel de corte 8479.89.99 906 1 combinação de máquinas para alimentação de fita metálica, com 2 desbobinadores e 1 acumulador (pulmão) pneumático vertical para 75m de fita 8479.89.99 907 2 máquinas para flocagem dos perfis por aplicação de adesivo por meio de pincel e distribuição dos flocos por gravidade 8479.89.99 908 1 máquina para aplicar resina nos perfis, por meio de êmbolo pneumático, provida de reservatório 8514.10.10 709 5 fornos industriais de resistência elétrica, de aquecimento indireto, tipo túnel, com sistema de exaustão de gases, para a segunda etapa de vulcanização dos perfis 8514.30.90 702 1 forno industrial de microondas, tipo túnel, provido de controlador lógico programável (CLP), para a primeira etapa de vulcanização dos perfis e a cura da tinta aplicada 8515.21.00 704 1 aparelho para solda manual das fitas metálicas, por resistência, semiautomático, provido de lâminas fixas para corte do metal e 2 discos de polimento da área soldada 9032.89.89 704 5 aparelhos elétricos ("dancer pots") para regulação automática da velocidade de alimentação da fita metálica em relação à velocidade de extrusão (SI141) Sistema integrado para fabricação de perfis de borracha, com alma metálica revestida de borracha, para veículos automóveis, constituído pelos seguintes componentes: CÓDIGO EX DESCRIÇÃO 8419.89.99 750 1 aparelho para préaquecimento, por resistência elétrica, da fita metálica 8419.89.99 751 1aparelho para resfriamento dos perfis vulcanizados por chuveiro de água, provido de reservatório de água em forma de calha de aço inoxidável, sistema de suprimento e circulação de água e secador do tipo jato de ar 8424.89.00 719 1 cabine de pintura automática, para pulverização de "primer" e tinta sobre os perfis 8428.33.00 726 2 transportadores de esteira de teflon, com ângulo ajustável de 0 a 90º 8428.33.00 732 1 combinação de transportadores de correia, para retirada manual dos perfis Fl. 392DF CARF MF 8 8428.39.90 724 2 dispositivos para movimentação e tracionamento dos perfis na linha de fabricação, por meio de duas correias sobrepostas 8443.51.00 704 1 impressora de caracteres e figuras nos perfis, por jato de tinta 8462.21.00 704 1 máquina para préformagem (dobra em forma de perfil) da fita metálica, por meio de roletes, de comando numérico 8477.20.90 711 1 combinação de máquinas para extrusão dos perfis, composta por 2 alimentadores elétricos de tiras de borracha, providos de controlador lógico programável (CLP), 2 extrusoras com sistema de resfriamento a água incorporado, próprias para operarem face a face para alimentação do cabeçote, e 1 cabeçote de passagem do perfil de borracha e da fita metálica 8477.59.90 703 1 máquina para fechar os perfis até a abertura desejada, por meio de roletes ajustáveis 8477.80.00 719 1 máquina para perfurar e cortar os perfis, com 12 furadeiras e controlador lógico programável (CLP) 8477.80.00 720 1 máquina para cortar pequenos perfis, com controlador lógico programável (CLP) 8479.89.99 909 1 combinação de máquinas para alimentação de fita metálica, com 1 desbobinador e 1 acumulador (pulmão) pneumático vertical para 75m de fita 8479.89.99 910 1 desbobinador de corda 8479.89.99 911 1 máquina para remover a corda do perfil 8479.89.99 912 1 máquina para aplicar resina nos perfis, por meio de êmbolo pneumático, provida de reservatório 8514.10.10 710 5 fornos industriais de resistência elétrica, de aquecimento indireto, tipo túnel, com sistema de exaustão de gases, para a segunda etapa de vulcanização dos perfis 8514.30.90 703 1 forno industrial de microondas, tipo túnel, provido de controlador lógico programável (CLP), para a primeira etapa de vulcanização dos perfis e a cura da tinta aplicada 8515.21.00 705 1 aparelho para solda manual das fitas metálicas, por resistência, semiautomático, provido de lâminas fixas para corte do metal e 2 discos de polimento da área soldada 9032.89.89 705 5aparelhos elétricos ("dancer pots") para regulação automática da velocidade de alimentação da fita metálica em relação à velocidade de extrusão Da análise dos autos, observase que a quantidade e a descrição dos componentes relacionados como partes integrantes dos sistemas integrados constantes da citada Resolução Camex não conferem exatamente com a quantidade e descrição dos bens importados. Essa conclusão se dá pois em exame da Declaração de Importação referente ao despacho dos bens para consumo verificase que as mercadorias constantes nas adições 28, 30, 33, Fl. 393DF CARF MF Processo nº 12689.000602/200739 Acórdão n.º 3402004.878 S3C4T2 Fl. 390 9 36, 42 e 49 (fls. 129, 130, 132, 133, 137 e 140) não estão contempladas nos sistemas integrados em questão. Basta uma correlação das adições da Declaração de Importação com os itens do sistema integrado para observar que os bens constantes nas adições não fazem parte dos sistemas SI140 e SI141 e, portanto, não são passíveis de enquadramento no extarifário pleiteado. Portanto, não cabe razão à impugnante ao afirmar que todas as mercadorias relacionadas na Declaração de Importação referente ao despacho dos bens para consumo estão abrangidas pelo extarifário. Consequentemente a alíquota de Imposto de Importação incidente sobre os bens que não fazem parte do sistema integrado não sofre redução. Além do fato de os bens constantes em algumas adições não estarem contemplados nos sistemas integrados SI140 e SI141, o interessado também efetua uma compensação dos pagamentos proporcionais efetuados no momento do registro da admissão temporária, com os valores dos tributos exigíveis no momento da nacionalização. Esta operação não pode ser feita, pois deste modo o contribuinte não estaria pagando os tributos devidos. Ao pagar o tributo proporcional no momento do registro da Declaração de Importação da admissão temporária, o pagamento da diferença entre o total dos tributos que incidiriam no regime comum de importação dos bens e os valores a recolher ficam suspensos, conforme §5º do artigo 7º da Instrução Normativa nº 150, de 20/12/1999. Instrução Normativa nº 150, de 20/12/1999 Art. 7º Poderão ser submetidos ao regime de admissão temporária, com pagamento dos impostos federais incidentes na importação proporcionalmente ao tempo de permanência no País, os bens destinados à prestação de serviços ou à produção de outros bens. (...) §5º Fica suspenso o pagamento da diferença entre o total dos impostos federais que incidiriam no regime comum de importação dos bens (I) e os valores a recolher (V). (Grifado) Estes tributos suspensos serão cobrados no momento da extinção do regime do despacho para consumo, e são proporcionais ao prazo restante de vida útil do bem, conforme §3º do artigo 14º da Instrução Normativa nº 150, de 20/12/1999. Instrução Normativa nº 150, de 20/12/1999 Art. 14. O II e o IPI, devidos no caso de admissão temporária com pagamento parcial de acordo com o disposto no § 4º do art. 7º, serão pagos pelo importador por ocasião do registro da respectiva DI, mediante débito automático em conta, nos termos da Instrução Normativa nº 98, de 29 de dezembro de 1997. Fl. 394DF CARF MF 10 (...) § 3º No caso de extinção do regime mediante despacho dos bens para consumo, os impostos incidentes na importação serão calculados com base na legislação vigente à data em que o regime for extinto e cobrados proporcionalmente ao prazo restante de vida útil do bem, na forma do § 4º do art. 7º. (Grifado) Ao ser efetivada a nacionalização, o regime especial é extinto e simultaneamente novo crédito tributário é constituído quando do registro da Declaração de Importação para consumo, utilizando as alíquotas vigentes no momento da nacionalização, inclusive os extarifários. Deste modo, à luz da legislação vigente à época do fato gerador em questão, não há valor a ser compensado com o tributo pago no registro da Declaração de Importação da admissão temporária. O valor que foi pago naquele momento foi devido e não deve ser devolvido em forma de compensação. No momento do despacho para consumo o tributo deve ser calculado conforme prazo restante de vida útil do bem, sem descontar pagamentos anteriores. Sendo assim, o cálculo do novo crédito tributário não tem relação com o crédito anterior, uma vez que não mais se trata de admissão temporária e que o regime foi cumprido e extinto. (...). 8. Com razão a decisão recorrida, motivo pelo qual emprego tais fundamentos como razões de decidir, o que faço com fundamento no art. no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99. II. Da redução da multa aplicada em respeito ao princípio da razoabilidade 9. Não obstante, de forma subsidiária, o contribuinte protesta pela redução da multa aplicada em respeito ao princípio da razoabilidade. 10. Ressalvado meu entendimento pessoal, no sentido de que também é possível o exercício do controle difuso de constitucionalidade na instância administrativa de caráter judicativo12 – exatamente como se afigura aqui no CARF – não posso deixar de reconhecer o disposto no art. 62 do Regimento Interno deste Tribunal3 que, como regra, veda a possibilidade do sobredito controle. No mesmo sentido é o teor da Súmula n. 02 deste E. Tribunal Administrativo, a qual tem caráter vinculante para este julgador, nos termos do art. 42, inciso VI do RICARF4. 1 Ainda que o faça de forma atípica, o que é perfeitamente válido, haja vista a possibilidade dos diferentes Poderes do Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário) desempenharem outras funções além daquelas que lhe foram tipicamente atribuídas pelo texto constitucional. 2 Não me parece lógico muito menos válido juridicamente, que um órgão administrativo de caráter judicativo possa reconhecer o descompasso de um ato jurídico em face de uma lei, instrução normativa ou portaria, mas não possa fazêlo em relação à Constituição Federal, que, sob uma estrita perspectiva legal, é o fundamento de validade de todas as demais peças legislativas do ordenamento jurídico nacional. 3 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." 4 "Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Fl. 395DF CARF MF Processo nº 12689.000602/200739 Acórdão n.º 3402004.878 S3C4T2 Fl. 391 11 III. A inaplicabilidade da taxa SELIC em razão da inconstitucionalidade do § 4º do art. 39 da lei n. 9.250/95 11. A última questão a ser enfrentada neste processo é a questão da cobrança de juros de mora com base na taxa Selic sobre o tributo ora lançado de ofício. 12. Além da súmula CARF n. 02, acima referida, convém também destacar que a incidência da SELIC sobre créditos tributário é objeto de súmula específica por parte deste Tribunal Administrativo. É o que se depreende da sua súmula n. 04, in verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 13. Nesse sentido, também rechaço essa insurgência do contribuinte. Dispositivo 14. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário interposto. 15. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 396DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.010460/2009-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para acatar as despesas médicas do próprio contribuinte, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para acatar as despesas médicas do próprio contribuinte, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para acatar as despesas médicas do próprio contribuinte, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 04 60 /2 00 9- 21 Fl. 193DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, foi de que não teria sido comprovada a efetividade do pagamento, assim expresso: Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11610.010460/200921 Acórdão n.º 2001000.125 S2C0T1 Fl. 3 3 No Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, em apertada síntese, se alega que os recibos são idôneos, que não há indicação no lançamento de elementos de irregularidades neles. Voto Conselheiro Relator, Jorge Henrique Backes Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Em relação à previdência privada, na fl. 24, eproc., consta que se trata de plano na modalidade VGBL, que são não dedutíveis quando dos aportes. Não foi apresentada documentação diferente disso. Sem argumentos ou documentos novos concordamos com a fundamentação expressa no Acórdão de Impugnação. Nas despesas médicas, com relação ao plano de saúde da esposa e da mãe do contribuinte, no valor de R$ 5.360,00, observase que não existe previsão legal para dedução de pessoas que não são dependentes na declaração de imposto de renda. Concordamos com os argumentos já apresentados pela DRJ, no acórdão de impugnação, nos seguintes termos: Fl. 195DF CARF MF 4 Em relação às demais despesas médicas, a Notificação de lançamento, em sua fundamentação não indicou vícios, embasando a recusa aos documentos apresentados por falta de comprovação do pagamento. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e como fundamento para lançar apenas foi afirmado que recibos são de valores elevados e que não comprovam a efetividade do pagamento de despesas médicas. No entanto, não foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11610.010460/200921 Acórdão n.º 2001000.125 S2C0T1 Fl. 4 5 importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” Passagem do francês Jèze, trazida por Hely Lopes Meirelles: descreve com clareza a necessidade da motivação do ato administrativo: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional. E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: Fl. 197DF CARF MF 6 “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) Fl. 198DF CARF MF Processo nº 11610.010460/200921 Acórdão n.º 2001000.125 S2C0T1 Fl. 5 7 XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa das despesas médicas do próprio contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, em relação às despesas médicas do próprio contribuinte, na forma explicada no voto. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.916359/2008-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
DCTF. DACON. RETIFICADORA. AUSÊNCIA. PROVA INEQUÍVOCA.
Ainda que a contribuinte retifique DACON e DCTF, é necessário fazer inequívoca da existência do crédito.
Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-005.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2002 DCTF. DACON. RETIFICADORA. AUSÊNCIA. PROVA INEQUÍVOCA. Ainda que a contribuinte retifique DACON e DCTF, é necessário fazer inequívoca da existência do crédito. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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DACON. RETIFICADORA. AUSÊNCIA. PROVA INEQUÍVOCA. Ainda que a contribuinte retifique DACON e DCTF, é necessário fazer inequívoca da existência do crédito. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 63 59 /2 00 8- 95 Fl. 653DF CARF MF 2 Por bem transcrever os fatos e ser sintético, adotase o relatório da DRJ/Rio de Janeiro I, fls. 321: Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – não homologada de débito de Cofins (cód. 2172), no valor de R$20.242,00 (principal), relativo ao período de apuração de 01/02, com crédito oriundo de pagamento considerado indevido, a título de PIS (cód. 6912), do período de 07/03, no valor de R$30.210,86; recepcionada pela RFB em 07/10/2004, tudo conforme se verifica na cópia da PerdComp constante dos autos. A autoridade fiscal decidiu não homologar a compensação efetuada, pois entendeu inexistir o direito creditório declarado (fl. 10). Cientificada da decisão em 22/08/08 (fls. 8/9), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 12/13), alegando em resumo que: 1. Quando da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, a interessada incorreu em erro, pois apresentou como débito apurado junto ao PIS em Julho de 2003, o valor de R$ 30.210,86, no entanto, no referido mês não houve débito de PIS. 2. Assim, através da DCTF Retificadora n° 0065450456 datada de 12/09/2008, a interessada corrige o erro; 3. se não existia débito e o valor pago é de R$ 30.210,86, resta evidente a existência de crédito; 4. não há que se falar que o DARF apresentado pela interessada está sob código errado (8109), eis que em a interessada verificando o erro que cometeu no preenchimento do DARF; promoveu sua correção através de REDARF, para o código 6912. A contribuinte requer homologação da compensação formalizada através da PER/DCOMP em exame. Sobreveio, então, decisão da DRJ/Rio de Janeiro I, cuja ementa é transcrita abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2002 Prova. Momento. Preclusão. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. No Recurso Voluntário, alega a matéria, apresentada na manifestação de inconformidade. 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 654DF CARF MF Processo nº 15374.916359/200895 Acórdão n.º 3302005.094 S3C3T2 Fl. 3 3 O feito, então, foi convertido em diligência, sob a Resolução de nº 3803 000.282, relatoria de João Alfredo Eduão Ferreira , nos seguintes termos: Compulsando os referidos documentos constatamos que os mesmos trazem parte do material probatório para se provar a base de cálculo do tributo, calculado sob a forma não cumulativa, com as reduções previstas em lei e que aponta para saldo credor no período. Há indícios do direito pleiteado, porem, faltam provas para se ter a liquides e certeza do credito almejado. Em vista do exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência. Foi realizado o relatório da diligência, fls. 630/633, mas, posteriormente, houve intimação da contribuinte, fls. 644, que se manifestou, fls. 648/649. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo. Tratase de matéria da competência deste colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. 2. Da retificação do DACON, da DCTF e da existência de prova A Recorrente alega, em seu recurso voluntário, a certeza e liquidez do crédito decorrente do aproveitamento do crédito oriundo do recolhimento indevido do PIS (código 6912) do período de apuração, 31/07/2003, no valor de R$ 30.210,86, Darf devidamente pago em 15/08/2003. Esclarece que, conforme consta na DACON Retificadora do 3º Trim/2003, os créditos foram superiores aos débitos apurados. Diante da dúvida sobre a existência do crédito ou não, os autos foram convertidos em diligência, onde a fiscalização solicitou os seguintes documentos, fls. 630/631: 1. Livros Diários, devidamente autenticados em órgão competente, e Livro Razão, referente ao ano de 2003; 2. Livro de Registro de Inventário do anocalendário de 2003; 3. Livro de Registro de Entradas do anocalendário de 2003; 4. Livro de Registro de Saídas do anocalendário de 2003; 5. Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados do anocalendário de 2003; Fl. 655DF CARF MF 4 6. Livro de Apuração do PIS/PASEP (ou planilhas de cada mês, contendo todos os cálculos de apuração da base de cálculo e do crédito obtido) dos meses de janeiro/2003; fevereiro/2003; março/2003; abril/2003; junho/2003; julho/2003 e setembro/2003, com toda a documentação de suporte; 7. Notas Fiscais originais e os conhecimentos de fretes de cada operação realizada; 8. Contratos de empréstimos que originaram o crédito de PIS/PASEP; 9. Contratos de alugueis que originaram o crédito de PIS/PASEP; 10. demais documentos que o contribuinte achar necessário para comprovação do seu direito ao crédito tributário de PIS/PASEP. Ocorre que, conforme relatório da diligência fiscal, a Recorrente informou que havia transcorrido um lapso temporal de mais de 10 (dez) anos entre as operações e que não possuí os referidos documentos, sendo que os havia descartado, fls. 632/633. A mesma informação foi fornecida pela empresa, quando respondeu ao relatório da diligência, afirmando que o ônus da prova caberia à fiscalização em decorrência do lapso temporal, fls. 648/649. Não assiste razão à Recorrente, uma vez que o ônus de provar que faz jus ao crédito é do contribuinte, nos termos do artigo 373, do Código de Processo Civil: Código de Processo Civil Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (grifos não constam no original) Não há como atribuir à fiscalização uma obrigação que seria da contribuinte, por mais, que a legislação obrigue a manter a documentação durante o prazo decadencial, nos termos do artigo 37, da Lei nº 9.430, de 1996; tal disposição deve ser aplicada quando a Fazenda Pública solicita documentos em fiscalização para lançamento e já ultrapassado o prazo, sendo o crédito extinto pelos efeitos da decadência. No caso em análise, o interesse do crédito é da contribuinte, então, à ela incumbiria o zelo de guardar e manter a documentação contábil em relação ao crédito, que pleiteava fazer jus. Nesse sentido, não há como reconhecer o direito creditório, ainda que haja retificação, tendo em vista que a retificação da DCTF ocorreu após o despacho decisório, o que traz a necessidade de demonstrar mediante prova inequívoca a existência do crédito. Nesse sentido, não há como reconhecer o direito à liquidez e certeza do crédito, nos exatos termos do resultado da diligência. 3. Conclusão Fl. 656DF CARF MF Processo nº 15374.916359/200895 Acórdão n.º 3302005.094 S3C3T2 Fl. 4 5 Diante do exposto, conheço o recurso voluntário e nego provimento. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 657DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.684407/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2001
PIS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA.
A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS
A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas.
A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.070
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2001 PIS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 44 07 /2 00 9- 18 Fl. 146DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase o presente processo em que a empresa IOB INFORMAÇÕES OBJETIVAS PUBLICAÇÕES JURÍDICAS LTDA., ingressou com Declaração de Compensação alegando pagamento a maior de PIS. Conforme o Despacho Decisório Eletrônico acostado aos autos, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Recorrente cientificada da decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva onde alega, em síntese, que: a) em procedimento de auditoria e verificação interna, verificouse que a empresa pagou PISa maior. Como a legislação lhe dá guarida, realizou compensação do valor apurado a maior, com demais tributos a pagar; b) desta forma, ingressou com Declaração de Compensação de pagamento a maior. Cita fundamentação do Despacho Decisório que não homologou a compensação. A RFB considerou que o pagamento realizado foi utilizado na quitação de débitos informados em DCTF, o que não ocorreu; c) alega que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido indevidamente. A única justificativa da Receita Federal ao proferir tal despacho, foi ter se baseado na DCTF original. Se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação; e d) considerando a retificação da DCTF, requer a homologação da compensação realizada. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por entender que a mera retificação da DCTF é insuficiente para o reconhecimento do direito creditório vindicado, quando desacompanhada de provas hábeis para tal. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual alega em síntese que: ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido a maior; que a única justificativa da RFB ao proferir o despacho decisório, foi ter se baseado na DCTF original e não considerar a DCTF retificadora. Caso tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação realizada; Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.684407/200918 Acórdão n.º 3402005.070 S3C4T2 Fl. 3 3 quanto a existência de documentos suficientes para análise do PER/DCOMP, aduz que a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a recorrente demonstrou o quantum que a RFB no Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PER/DCOMP insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação; da demonstração da existência do Crédito Compensado: em caso da necessidade de a Recorrente juntar outros elementos para embasar a existência do crédito corretamente compensado, evidenciase o pagamento a maior e correspondente direito à compensação, existindo prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN; não há como se admitir o não conhecimento da ulterior juntada de documentos no presente caso, eis que o despacho decisório era fundado em matéria estritamente formal (decorrente da divergência de DCTF); tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF); o CARF reconhece a ulterior juntada de provas em atendimento aos princípios do contraditório e ampla defesa; Ao final, considerando as provas carreadas nos autos, requerse o conhecimento e provimento do presente recurso voluntário, com a conseqüente homologação da compensação realizada. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF para apreciação e julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.069, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.977028/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.069): "1 Da admissibilidade do Recurso Voluntário Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 142/147, é tempestiva e foi conhecida como recurso voluntário. 2 Objeto da lide Fl. 148DF CARF MF 4 A empresa ingressou com Declaração de Compensação através de PER/DCOMP nº 04014.84529.071205.1.3.048793, de pagamento a maior de COFINS, referente ao mês de março/2001, no valor (principal) de R$ 2.343,83. Ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF e apropriouse integralmente do valor recolhido a maior. No entanto, ao analisar os autos no Despacho Decisório, a RFB considerou que o pagamento realizado foi totalmente utilizado na COFINS devida, correspondente ao mês de março de 2001 (no valor de R$ 215.529,03), não homologando a compensação realizada. Como se vê, a lide diz respeito em que a Recorrente não apresentou prova documental juntamente com a Manifestação de Inconformidade, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na Declaração de Compensação em exame. 3. Das provas trazidas aos autos Primeiramente, aduz a Recorrente em seu recurso que, a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a Recorrente demonstrou suficientemente que a RFB, em seu Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo supostamente devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PEDCOMP supostamente insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação. Pois bem. As normas de vigentes à época da apresentação da Declaração de Compensação e legislação superveniente, são: IN SRF 460, de 2004; IN SRF 600, de 2005, e IN RFB 900, de 2008. Na forma da legislação acima, eventual crédito passível de restituição ou ressarcimento pode ser utilizado na compensação com débitos do sujeito passivo. Contudo, a homologação da compensação está sujeita ao anterior reconhecimento do direito creditório, tendo em vista que a compensação somente pode ser efetuada com credito liquido e certo. Aduz a Recorrente que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou a DCTF. Para tanto, junta aos autos, cópia da DCTF retificadora referente ao 10 trimestre de 2001, enviadas em 30/09/2009 (fls. 19/90). Como a justificativa da Fiscalização ao proferir o Despacho que não homologou a compensação, foi ter se baseado na DCTF original, se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação. Há que se ressaltar que a Recorrente, em 30/09/2009, após a emissão do Despacho Decisório, de 24/08/2009, retificou as DCTFs referente ao 10 trimestre de 2001, na qual reduz o valor devido de COF1NS e pleiteia a compensação dos valores supostamente recolhidos a maior. É cediço que a Declaração retificadora apresentada, reduzindo o valor devido de COFINS, não é suficiente para demonstrar a Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.684407/200918 Acórdão n.º 3402005.070 S3C4T2 Fl. 4 5 existência do credito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do credito seja comprovada por documentação hábil que de suporte aos valores declarados (necessidade de se apensar documentos, cópias da escrituração contábil, objetivando respaldar a retificação efetuada). O credito pleiteado somente fica assegurado, quando respaldado por documentação hábil e idônea. Agora, no recurso voluntário, visando demonstrar a existência do crédito compensado, a Recorrente alega "existir prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN". Solicita o conhecimento de tais provas. No entanto, manuseando as peças dos autos, verifico que junto com o Recurso Voluntário, foram acostados as seguintes cópia de documentos: identificação da OAB do procurador; procuração; alteração do Contrato Social e cópia do Acórdão DRJ recorrido (documentos de fls. 148/170). Verificase que, diferente do alegado, a defesa não apresentou prova documental juntamente com a manifestação de inconformidade e nem em seu recurso, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na declaração de compensação em exame. Continua aduzindo a Recorrente que: (...) Tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF), impondo a ampla análise e igualdade em oportunizar ao contribuinte opor se aos argumentos fazendários, os quais, no caso, apresentaram se no acórdão recorrido e não no despacho decisório escorreitamente, enfrentado pela manifestação de inconformidade". Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da Impugnação, no caso a Manifestação de Inconformidade. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo Fl. 150DF CARF MF 6 administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário, e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. A finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, como já mencionado, a Recorrente não apresentou indícios mínimos de prova seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de sorte que me sinto na obrigação de julgar com os dados constantes nos autos. Neste contexto, não vislumbro razões para reformar a decisão de primeira instância uma vez que sua decisão foi baseada nos fundamentos jurídicos constantes dos autos e a consequente subsunção aos fundamentos legais que regiam a matéria à época dos fatos geradores. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ merece ser mantida pelos seus próprios fundamentos. 4. Conclusão Posto isto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e NEGARLHE provimento, mantendose a decisão recorrida." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, o interessado tampouco trouxe provas de seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de tal sorte que há identidade na situação cotejada. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.684407/200918 Acórdão n.º 3402005.070 S3C4T2 Fl. 5 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000974/2008-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÃO NÃO ENFRENTADA PELO ACÓRDÃO PARADIGMA.
Não se conhece de recurso especial que, embora cite decisão proferia em autos cujo lançamento decorreu de situação fática semelhante, o colegiado paradigmático deixou de abordar expressamente o tema devolvido pelo Recorrente.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado não se encontra dentre as exclusões do conceito de salário de contribuição do art. 28, § 9º da lei 8212/91.
Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,tda Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado.
A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da preliminar de nulidade alegada na tribuna por ocasião da sustentação oral. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto (i) à bolsa de estudos, na modalidade de desconto em mensalidade, concedidos aos dependentes dos segurados empregados e quanto (ii) à retroatividade benigna. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), que lhe deram provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÃO NÃO ENFRENTADA PELO ACÓRDÃO PARADIGMA. Não se conhece de recurso especial que, embora cite decisão proferia em autos cujo lançamento decorreu de situação fática semelhante, o colegiado paradigmático deixou de abordar expressamente o tema devolvido pelo Recorrente. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado não se encontra dentre as exclusões do conceito de salário de contribuição do art. 28, § 9º da lei 8212/91. Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,tda Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado. A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da preliminar de nulidade alegada na tribuna por ocasião da sustentação oral. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto (i) à bolsa de estudos, na modalidade de desconto em mensalidade, concedidos aos dependentes dos segurados empregados e quanto (ii) à retroatividade benigna. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), que lhe deram provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1973; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 600 1 599 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14041.000974/200887 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.211 – 2ª Turma Sessão de 28 de novembro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CENTRO DE ENSINO UNIFICADO DE BRASILIA CEUB ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÃO NÃO ENFRENTADA PELO ACÓRDÃO PARADIGMA. Não se conhece de recurso especial que, embora cite decisão proferia em autos cujo lançamento decorreu de situação fática semelhante, o colegiado paradigmático deixou de abordar expressamente o tema devolvido pelo Recorrente. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado não se encontra dentre as exclusões do conceito de salário de contribuição do art. 28, § 9º da lei 8212/91. Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado. A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 09 74 /2 00 8- 87 Fl. 628DF CARF MF 2 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da preliminar de nulidade alegada na tribuna por ocasião da sustentação oral. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto (i) à bolsa de estudos, na modalidade de desconto em mensalidade, concedidos aos dependentes dos segurados empregados e quanto (ii) à retroatividade benigna. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), que lhe deram provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 14041.000974/200887 Acórdão n.º 9202006.211 CSRFT2 Fl. 601 3 Relatório Tratase de auto de infração (AI 37.142.1519) para cobrança de diferença de contribuição previdenciária, parte destinada a outras entidades e fundos/terceiros. O relatório fiscal, na parte que nos interessa assim resumiu a infração: 10.6. Descontos concedidos nas mensalidades escolares 10.6.1. Da análise dos dados apresentados pela empresa conforme itens 5.9 se verificou que vários funcionários obtiveram, para si ou para seus dependentes, descontos nas mensalidades escolares. 10.6.2. O art. 28 da Lei 8.212/91 define com salário contribuição: "I para o empreqado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos paws, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou toma dor de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; "III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês;" (sublinhei) 10.6.3. Depreendese da interpretação legal que os descontos concedidos nas mensalidades escolares, quantificados em moeda corrente pela empresa fiscalizada, correspondem à remuneração indireta que diferenciam a relação de trabalho/prestação de serviço existente com as demais empresas. 10.6.4. Ademais, o §9° do referido artigo traz, de forma exaustiva, as possibilidades excludentes de tributação ao saláriodecontribuição, dentre as quais não está incluída esta modalidade de remuneração. 10.6.5. Virá em seqüência a alegação do contribuinte de que referidos descontos são concedidos, até certo percentual (geralmente 50%), em cumprimento determinação de convenção coletiva de trabalho assinada com os sindicatos dos empregados (SINPRODF e SAEDF). 10.6.6. 0 art. 611 da CLT (Decretolei no 5.452/43) define convenção coletiva de trabalho como sendo um contrato interpartes, conforme abaixo sublinhado: "Art. 611 Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às re/aches individuais do trabalho." (sublinhei) Fl. 630DF CARF MF 4 10.6.7. Desta forma a relação de direitos e obrigações criada na convenção coletiva de trabalho não contamina o direito previdenciário, visto que a aplicabilidade da convenção está restrita ao âmbito interpartes conforme o art. 611 da CLT. 10.6.8. Já a obrigação de fazer ou não fazer tributária decorre exclusivamente de Lei e, neste caso, está exaustivamente tratada na Lei 8.212/91, quer pela definição da incidência de contribuição previdenciária a qualquer forma, direta ou indireta de remuneração, quer pela lista exaustiva das ocorrências de não incidência. 10.6.9. Desta forma os descontos concedidos em mensalidades escolares, denominado pelo sujeito passivo de bolsa, quando concedidos às pessoas que lhes prestam qualquer tipo de serviço, correspondem a uma contraprestação inerente à relação comercial e trabalhista criada e, portanto tratase de remuneração indireta passível de tributação. 10.6.10. Estes valores foram lançados no levantamento: CÓDIGO LEVANTAMENTO DESCRIÇÃO DO LEVANTAMENTO RLC DESCONTO MENS ESCOLAR CONTRIBUINTE INDIVIDUAL RLE DESCONTO MENS ESCOLAR SEGURADO EMPREGADO 10.6.11. As obrigações acessórias relacionadas a estes lançamentos foram apenadas com os Autos de Infração relacionados nos itens 10.1.3, 10.1.10 e 10.3.3 a). Vale destacar a mesma auditoria fiscal deu origem aos seguintes autos de infração: A Delegacia de Julgamento, enfrentado as impugnações, julgou a impugnação parcialmente procedente determinando: a decadência parcial relativa às competências 01/2003 a 09/2003. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 14041.000974/200887 Acórdão n.º 9202006.211 CSRFT2 Fl. 602 5 Intimado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário com a mesma linha de argumentação. A 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, deu provimento em parte ao Recurso Voluntário para determinar a exclusão dos valores apurados à título de bolsa de estudos e ainda determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 BOLSAS DE ESTUDO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INTEGRAÇÃO. A bolsa de estudo destinase a ressarcir os valores pagos a título e mensalidades escolares dos próprios empregados ou de seus filhos, não possuindo natureza salarial. É um incentivo para o trabalho, e não pelo trabalho. Por tal razão, os valores que porventura forem expendidos a este título não devem integrar o salário de contribuição. MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial visando rediscutir os seguintes pontos: 1) incidência da contribuição previdenciária sobre o auxílio educação concedido aos empregados e dependentes por descumprimento dos requisitos do art. 28, alínea 't' da Lei nº 8.212/91, cita como paradigmas os acórdãos 240100.245 e 2401001.967; e 2) critério adotado na aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Intimado o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 632DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento da preliminar de nulidade do auto de infração: Foi suscitado pelo Contribuinte na sessão de julgamento, a existência de vícios no lançamento que levariam a nulidade do auto de infração. Pugnouse pelo conhecimento de ofício do tema haja vista tratarse de matéria de ordem pública. Ocorre que as nulidades apontadas foram exaustivamente debatidas pelo Colegiado a quo, havendo no acórdão recorrido expressa manifestação pela inexistência de quaisquer vícios, tendo o contribuinte exercido, sem quaisquer dificuldades seu direito de defesa. Vale transcrever o entendimento registrado no voto: Relatório ... DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 486/520, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: Em sede preliminar, almeja à nulidade do lançamento em razão dos seguintes fatos: 1. não fornecimento das planilhas de forma a possibilitar o seu manuseio e total compreensão dos cálculos efetuados pelo Auditor Fiscal; 2. a inexistência da coluna utilizada pelo Auditor para fundamentar os cálculos e valores apurados; 3. desconsideração das retificações promovidas pelo Recorrente antes da lavratura do Auto de Infração; 4. ausência de fundamentação e insuficiente exposição dos fatos. Ausência de remuneração indireta, eis que a concessão de descontos nas mensalidades não constitui salário, nos termos do art. 458, § 2º, da CLT. É o relatório. ... DOS ARGUMENTOS DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Dos documentos em formato “xls” Fl. 633DF CARF MF Processo nº 14041.000974/200887 Acórdão n.º 9202006.211 CSRFT2 Fl. 603 7 A Recorrente apresentou petição, fls. 306/307 nos autos do processo principal n º 14041.00972/200898, anterior à Impugnação, na qual requereu a entrega das planilhas elaboradas pela auditoria fiscal no formato “xls”, alegando não ser possível a leitura de dados através do formato “pdf”, razão pela qual cercearia o seu direito de defesa. Tal argumento, entretanto, não merece guarida. O formato como são entregues as planilhas ao contribuinte tem por objetivo evitar possíveis alterações nos dados informados pelo Auditor, eis que o formato solicitado pela Recorrente permite o fácil manuseio das informações ali contidas. Portanto, não há que se considerar cerceamento do direito de defesa pela não entrega dos documentos em “xls”, eis que independente do formato, os dados ali consignados são os mesmos e o contribuinte teve ciência do que se tratava. Inexistência de fundamentação quanto ao cálculo e os valores apurados As planilhas elaboradas pela auditoria, ao contrário do que alega a Recorrente, encontra a explicação da aplicação de alíquotas e resultado dos valores apurados no Relatório Fiscal, mais precisamente em seu item 09, fls. 256/258. Ademais, o Relatório Fiscal consigna minuciosamente todo o procedimento fiscal e todo o percurso para encontrar os valores apurados e lançados na presente autuação. Portanto, não prospera tais argumentos da Recorrente. Retificações realizadas após o início do procedimento fiscal Segundo relata a Recorrente, não foram consideradas as retificações promovidas até 16/09/2008, as quais não foram inseridas nas planilhas da auditoria, razão pela qual foram indevidamente tributadas, restando, por conseguinte, a anulação da presente autuação. É sabido, contudo, que iniciado o procedimento fiscal, quaisquer declarações ou retificações não surtiram efeitos em eventual lançamento de ofício oriundo da dita fiscalização, conforme entendimento sumulado por este Conselho, in verbis: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Portanto, tendo em vista que o TIAF foi lavrado e cientificado ao contribuinte em 29/01/2008, conforme fls. 177/178 do processo principal mencionado, desde a referida data não hão que ser consideradas eventuais declarações e/ou retificações posteriormente apresentadas, muito menos após a lavratura do Auto de Infração. Fl. 634DF CARF MF 8 Entretanto, é de se considerar que o Relatório 04, anexo ao Relatório Fiscal, fls. 269/272, do processo principal, foi elaborado especificamente para se proceder à comparação entre os valores apurados pela auditoria e os corrigidos durante a ação fiscal, inclusive aquelas realizadas em 16/09/2008, item 9.1.4 do Relatório Fiscal. Importa ressaltar que a empresa não procedeu a integral correção dos valores, de modo que não foi aplicada a redução prevista no § 4º do art. 35, vigente à época dos fatos geradores e das retificações. Ausência de fundamentação e insuficiente exposição dos fatos O Relatório Fiscal consigna minuciosamente todos os fatos que culminaram na autuação em epígrafe. Desde a análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, informações obtidas pela Receita Federal, consideração dos recolhimentos apresentados pelo contribuinte até à explicação dos relatórios e créditos constituídos, com a respectiva análise dos documentos, rubricas e diferenças encontradas. Vêse que, pois, que a Recorrente teve conhecimento de todos os atos do procedimento fiscal, bem como estavam claros os fatos e valores apurados, o que permitiu a devida elaboração de sua defesa. Quanto à fundamentação, inobstante o Relatório Fiscal consignar, no item 11 – dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, a transcrição e indicação dos artigos que fundamentaram a autuação, há nas fls. 234/238 documento específico, denominado Fundamentos Legais do Débito – FLD, no qual é elencado todos os dispositivos legais que embasam a presente autuação,desde a competência para fiscalizar até à aplicação da multa. Considerando a expressa manifestação do Colegiado a quo sobre as nulidades apontadas pelo contribuinte e a ausência de recurso contra o entendimento fixado, devese concluir pelo trânsito em julgado do tema, não havendo espaço para que essa Câmara Superior conheça dos argumentos. Do conhecimento do Recurso da Fazenda Nacional: Antes de enfrentarmos o mérito do recurso, mister tecer comentários quanto ao conhecimento do primeiro ponto: incidência da contribuição previdenciária sobre o auxílio educação concedido aos empregados e dependentes. Destaco que o recurso foi recebido apenas com base no segundo paradigma apontado, pois em relação ao acórdão 240100.245, o despacho de admissibilidade assim concluiu: Mediante análise dos autos, vislumbro a similitude fática entre a decisão recorrida e o segundo paradigma indicado, motivo pelo qual entendo que está configurada a primeira divergência jurisprudencial apontada pela PGFN. Destaco que o Acórdão n.º 240100.245 trata de situação fática distinta, em que “(...) não é possível assumir que o pagamento Fl. 635DF CARF MF Processo nº 14041.000974/200887 Acórdão n.º 9202006.211 CSRFT2 Fl. 604 9 dos valores a título de bolsa de estudos tenha observado as determinações legais, eis que a empresa não ofereceu à fiscalização, não obstante a intimação para tal, as informações relativas às bolsas de estudo concedidas a funcionários, além do fato de ter sido também concedidas a dependentes dos empregados”. No que tange ao 2401001.967, a situação enfrentada pelo colegiado paradigmático foi lançamento decorrente de contribuições previdenciárias correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados que estudavam e/ou mantinham dependentes seus estudando no estabelecimento do contribuinte, no caso o sujeito passivo era uma instituição de ensino que concedeu o benefício em cumprimento ao acordo coletivo de trabalho e na modalidade de descontos em mensalidades. Não podemos negar que, em um primeiro momento, a situação fática ali analisada é semelhante a enfrentada no presente processo. Ocorre que, consultado o inteiro teor do voto proferido pela então Relatora, podemos afirma que sua análise se restringiu a abordar os aspectos sob o prisma dos benefícios concedidos aos dependentes do empregados, levando a conclusão de que naquele julgado foram cumpridos os requisitos em relação as bolsas concedidas aos empregados. Vejamos a parte do julgado que nos leva a essa conclusão: Em suas razões de recurso a Recorrente alega, em tese, a Lei nº 10.243, de 19/06/2001, expressamente excepcionou os descontos em mensalidades, matrículas e anuidades de filhos e dependentes de professores como benefícios e não como saláriodecontribuição. Nesse sentido, importa esclarecer, que de fato o acréscimo referido e a nova redação do art. 458, no § 2º, traz mesmo a alteração para dizer que: ... Porém não se pode olvidar as disposições contidas no artigo 28 da Lei nº 8212/91, que define o salário de contribuição como sendo “a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas. os ganhos habituais sob a forma de utilidades e no §9º do mesmo artigo, que relaciona as verbas que não integram o salário de contribuição, sendo que a isenção estabelecida na alínea “t” do referido artigo exclui da incidência de contribuição previdenciária o "valor relativo a plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissional". Logo, a parcela ofertada aos trabalhadores a titulo de bolsas de estudos aos seus dependentes não se encontra relacionada entre aquelas excluídas da incidência de contribuição previdenciária. Fl. 636DF CARF MF 10 Por sua vez, a interpretação da norma isentiva não permite incluir nela situações ou pessoas que não estejam expressamente previstas no texto legal instituidor, em face da literalidade em que deve ser interpretada (nos termos do art. 111, II da Lei nº 5.172/66 CTN), do contrário estaria imprimindolhe um alcance que a norma não tem nem poderia ter, eis que as regras de isenção não comportam interpretações ampliativas. Dessa maneira, para que não houvesse incidência de contribuição previdenciária seria necessário que o beneficio fosse diretamente relacionado a um plano educacional visando a educação básica; ou a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa não sendo utilizado em substituição de parcela salarial e que todos o empregados e dirigentes tivessem acesso ao mesmo. No caso em comento, a AuditoriaFiscal apurou a existência de subsídios dados aos funcionários sob a forma de desconto de pagamento de mensalidade escolares aos segurados e seus dependentes, fora, portanto, das hipóteses do art. 28, alínea "t" da Lei no. 8.212191, ou seja, o beneficiário da utilidade previsto na norma que exclui a incidência de contribuição é o empregado e não seus filhos. Considerando que a Fazenda Nacional requer a reforma da decisão a quo em relação aos descontos concedidos aos empregados nas suas própria mensalidades e nas de seus dependentes, e considerando o teor da decisão proferida no acórdão paradigma 2401001.967, único aceito pelo exame de admissibilidade quanto a este tema, conheço do Recurso Especial apenas em relação aos supostos benefícios auferidos pelos empregados em razão dos descontos concedidos aos seus dependentes. Do mérito: Da bolsa de estudos: Discutese a incidência de contribuição previdenciária sobre bolsas de estudo ofertadas aos dependentes dos segurados empregados sob forma de desconto em mensalidade de cursos mantidos pelo próprio contribuinte, verbas que no entender desta Relatora não assumem caráter de remuneração sendo impossível classificálas como salário utilidade. Segundo afirma o jurista mineiro e Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Mauricio Godinho Delgado, na obra "Curso de Direito do Trabalho", 2ª ed., para caracterizar salário utilidade devem ser analisados três requisitos. O primeiro deles é o da "habitualidade do fornecimento", deve o fornecimento do bem ou serviço ser reiterado ao longo do contrato de trabalho, deve estar presente a idéia de ser uma prestação de repetição uniforme em certo contexto temporal. O segundo requisito é a presença do "caráter contraprestativo do fornecimento", defende que é necessário que a causa e objetivos envolvidos no fornecimento da utilidade sejam essencialmente contraprestativo, é preciso que a utilidade seja fornecida preponderantemente com o intuito retributivo, como um acréscimo de vantagens contraprestativas ofertadas ao empregado. Pela pertinência vale citar (p. 712): Fl. 637DF CARF MF Processo nº 14041.000974/200887 Acórdão n.º 9202006.211 CSRFT2 Fl. 605 11 Nesse quadro, não terá caráter retributivo o fornecimento de bens ou serviços feito como instrumento para viabilização ou aperfeiçoamento da prestação laboral. É claro que não se trata, restritivamente, de essencialidade do fornecimento para que o serviço possa ocorrer; o que é importante, para ordem jurídica, é o aspecto funcional, prático, instrumental, da utilidade ofertada para o melhor funcionamento do serviço. A esse respeito, já existe clássica fórmula exposta pela doutrina com suporte no texto do velho art. 458, §2º da CLT: somente terá natureza salarial a utilidade fornecida pelo trabalho e não para o trabalho. E quanto ao fornecimento e provimento da educação referido Ministro ainda destaca que tratase de dever imposto à empresa pela própria Constituição Federal, e por tal razão o bem ou serviço ofertado não pode ser classificado como salário utilidade, vale citar (p. 715): O dever, como se sabe, é tutela de interesse de outrem imposta a alguém pela ordem jurídica. O dever não necessariamente favorece o sujeito passivo de uma relação jurídica direta (como a relação de emprego); neste sentido distinguese da simples obrigação contratual. Pode, assim, a conduta derivada da tutela de interesse de outrem reportarse a uma comunidade indiferenciadas de favorecidos. É o que se passa com as atividades educacionais, por exemplo. O empregador tem o dever de participar das atividades educacionais do país pelo menos o ensino fundamental (art. 205, 212, §5º, CF/88). Esse dever não se restringe a seus exclusivos empregados estendese aos filhos destes e até mesmo à comunidade, através da contribuição parafiscal chamada salárioeducação (art. 212, §5º, CF/88; DecretoLei n. 1.422/75). Há, pois, fixado em norma jurídica heterônoma do Estado (inclusive na Constituição) um dever jurídico das empresas com respeito ao ensino no país (pelo menos o ensino fundamental): ou esse dever concretizase em ações diretas perante sues próprios empregados e os filhos destes ou, na falta de tais ações diretas, ele se concretiza perante o conjunto societário, através do recolhimento do salário educação. Estáse, desse modo, perante um dever jurídico geral e não mera obrigação contratual. Quanto ao terceiro requisito "onerosidade unilateral", embora reconheça tratase de conduta técnicojuridico extremamente controvertida, o Ministro Delgado admite sua aplicação em casos específicos (p. 718): É claro que ocorrem, na prática juslaborativa, algumas poucas situações em que fica nítido o interesse real do obreiro em ingressar em certos programas ou atividades subsidiados pela empresa. Tratase de atividades ou programas cuja fruição é indubitavelmente vantajosa ao trabalhador e sua família, e cujo custo econômico para o empregado é claramente favorável, em decorrência do subsídio empresarial existente. Nestas situações, que afastam de modo patente a idéia de mera simulação trabalhista, não há por que negarlhe relevância ao terceiro requisito ora examinado. Aliás, a quase singularidade de tais Fl. 638DF CARF MF 12 situações é que certamente conduz a jurisprudência a valorizar o presente requisito apenas em alguns poucos casos concretos efetivamente convincentes. Observamos que no caso concreto sob qualquer prisma de análise não é possível classificar as bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos empregados como prestação de caráter remuneratório. Embora haja habitualidade na ofertada das bolsas à totalidade dos empregados, a utilização do benefício pelo obreiro é facultativa e onerosa, já que condicionada ao pagamento da parcela da mensalidade devida, e salvo na hipóteses de realização de cursos sucessivos, teremos uma prestação com duração delimitada no tempo (período letivo) não se estendendo por todo contrato de trabalho. Vale citar que a Recorrente é uma associação de caráter educativo, que tem por finalidade exatamente o desenvolvimento de atividades relacionadas ao ensino, especialmente o ensino superior. Assim, as bolsas em questão são ofertadas em cumprimento a exata finalidade da instituição educacional. Embora decorram do contrato de trabalho as mesmas não existem com a finalidade de remunerar o empregado pelo serviço efetivamente ou potencialmente prestado, tratase de prestação ofertada em cumprimento do dever constitucional de promover a educação e ainda, no caso, é obrigação decorrente de convenções coletivas de trabalho firmadas com as respectivas entidades de classe representantes das categorias o qual também possui força normativa por expressa disposição do art. 611 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT. Por força do art. Art. 110 do CTN a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal e com base nessa premissa o art. 195, I, alínea a da Constituição Federal deve ser interpretado utilizandose os conceitos construídos pelo Direito do Trabalho o qual, no entender desta Relatora, seria o ramo do direito competente para se manifestar sobre as relações e reflexos dos contratos de trabalho. Dispões o art. 195 da CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; ... O art. 458, §2º, inciso II da Consolidação das Leis do Trabalho assim define o salário: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao Fl. 639DF CARF MF Processo nº 14041.000974/200887 Acórdão n.º 9202006.211 CSRFT2 Fl. 606 13 empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. ... § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: ... II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; ... Ora, se os benefícios ofertados aos empregados na forma de educação são considerados pela CLT como verbas não salariais, não pode a fiscalização interpretar a norma tributária no sentido de classificar tais vantagens como "salário utilidade" dandolhes caráter remuneratório. Embora o art. 28, §9º, alínea 't' da Lei nº 8.212/91, somente após 2011 e em situações restritas, tenha admitido a exclusão de bolsas de estudos do conceito de salário de contribuição, o Superior Tribunal de Justiça bem antes havia pacificado seu entendimento pela exclusão de tais verbas do conceito de saláriodecontribuição. Vale citar recente decisão monocrática proferida pela Ministra Regina Helena Costa no Recurso Especial 1.634.880/RS (publicada em 11/11/2016), que negou seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional entendo que a decisão recorrida seguia a jurisprudência da Corte: Acerca da contribuição previdenciária, esta Corte adota o posicionamento segundo o qual não incide essa contribuição sobre os valores pagos a título de auxílioeducação. Nessa linha: PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 535, II, DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA. POSSIBILIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. (...) 5. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Portanto, existe interesse processual da empresa em obter a declaração do Poder Judiciário na hipótese de a Fazenda Nacional estar cobrando indevidamente tal tributo. Fl. 640DF CARF MF 14 6. Recurso Especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte não provido e Recurso Especial da empresa provido. (REsp 1586940/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/05/2016, DJe 24/05/2016); PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010) In casu, tendo o acórdão recorrido adotado entendimento pacificado nesta Corte, o Recurso Especial não merece prosperar pela incidência da Súmula 83/STJ. Isto posto, com fundamento no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial. Adotando como fonte de direito o jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, a qual melhor interpreta a amplitude da base de cálculo da contribuição previdenciária, concluo que as bolsas de estudos fornecidas pela instituição aos dependentes dos seus empregados não possuem natureza remuneratória, não se sujeitando, portanto, à incidência do tributo lançado. Da multa: Quanto a aplicação das penalidades relativas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida Fl. 641DF CARF MF Processo nº 14041.000974/200887 Acórdão n.º 9202006.211 CSRFT2 Fl. 607 15 na Lei nº 11.941/2009, a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº Fl. 642DF CARF MF 16 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou Fl. 643DF CARF MF Processo nº 14041.000974/200887 Acórdão n.º 9202006.211 CSRFT2 Fl. 608 17 omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a Fl. 644DF CARF MF 18 estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação Fl. 645DF CARF MF Processo nº 14041.000974/200887 Acórdão n.º 9202006.211 CSRFT2 Fl. 609 19 acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. Fl. 646DF CARF MF 20 § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 14041.000974/200887 Acórdão n.º 9202006.211 CSRFT2 Fl. 610 21 Em face ao exposto, a retroatividade benigna deve ser aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão: Diante de todo o exposto, dou provimento parcial do Recurso da Fazenda Nacional apenas para determinar que a multa seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 648DF CARF MF 22 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada. Peço licença a ilustre conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri para divergir do seu entendimento quanto a exonerar o contribuinte de obrigação principal prevista em lei, acerca da exclusão da bolsa de estudos fornecida aos dependentes do conceito de salário de contribuição, bem como do alcance da lei 8212/91 em relação a matéria. Recurso Especial da Fazenda Nacional Bolsa de Estudo aos Dependentes de Empregados Quanto a concessão de bolsa de estudos aos dependentes dos empregados constituírem salário de contribuição, razão o confiro ao recorrente. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Fl. 649DF CARF MF Processo nº 14041.000974/200887 Acórdão n.º 9202006.211 CSRFT2 Fl. 611 23 No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição. Conforme acima esclarecido, o arcabouço normativo pertinente a contribuições previdenciárias possui legislação própria, tanto em relação a parte de custeio Lei 8212/91, como em relação a concessão de benefícios Lei 8213/91, ambas regulamentadas pelo Decreto 3048/99. Ao contrário do que entendeu a ilustre relatora, a concessão da bolsa de estudo encontrase perfeitamente enquadrada dentro do conceito de salário de contribuição, previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, ou seja, tanto o fornecimento em dinheiro, como aquele fornecido na forma de utilidades, no caso bolsas, encontramse compreendidos como fato gerador de contribuições previdenciárias. Notese que, conforme descrito no conceito legal, não interessa a razão pela qual o benefício é concedido: " a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa". Assim, não encontra amparo a exclusão dos valores pagos à título de bolsas de estudos em legislação diversa, no caso a CLT, quando existem pontos específicos sobre o tema na legislação previdenciária. Em seus argumentos cita o recorrente o art. 458, §2º da Consolidação das Leis dos Trabalho CLT, contudo, conforme já esclarecido, a existência de dispositivos específicos em matéria previdenciária, para que o benefício educação fornecido aos empregados, bem como aos seus dependentes, esteja excluído do conceito de salário de contribuição, não nos permite fazer uso dessa norma. Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. [...] § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Fl. 650DF CARF MF 24 [...] Ou seja, embora o conceito de salário de contribuição possua correlação com o conceito de remuneração do art. 458 da CLT, o legislador ordinário optou por atribuirlhes limites diversos de exclusão, destacando no art. 28, §9º da lei 8212/91, quais os limites para que a educação, seja na forma de bolsas ou auxílios, seja excluída do conceito de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários. Para os que defendem que o art. 458, §2º foi editado posteriormente a lei 8212/91, o que autorizaria aplicação para definição do exclusão das verbas ali elencadas do conceito de salário de contribuição, entendo que razão também não lhes assiste, pelas razões abaixo expostas: 1º) o custeio previdenciário é regido por legislação própria, sendo que mesmo após a alteração do art. 458, §2º da CLT pela lei 12.761/2012, não houve revogação expressa do art. 28, §9º, 't" da lei 8212/ 91, nem mesmo qualquer alteração para convergência irrestrita dos conceitos de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários e remuneração para efeitos trabalhistas; 2º) outro ponto que mostrase relevante é que em momento algum o próprio dispositivo da CLT determina o alcance irrestrito as bolsas concedidas aos dependentes dos empregados; 3º) por fim, o ponto que entendo mais forte para determinar que o legislador trata as questões de forma diversa, é a alteração do art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 pela Lei nº 12.513, de 2011. Apenas nessa lei de 2011, o legislador optou por incluir os dependentes do segurado, mas ainda o fez de forma restrita para efeitos da exclusão do conceito de salário de contribuição, pois define claramente que não é qualquer bolsa para aos dependentes, ou mesmo aos próprios empregados que se encontram excluídos da base de cálculo de contribuições previdenciárias. Esse fato corrobora o entendimento de que estamos diante de disciplinamentos distintos com regras específicas. Quisesse o legislador, nesse momento, que as bolsas de estudos de forma irrestrita estivessem excluídas do conceito, bastaria reproduzir o dispositivo da CLT, porém assim, não o fez. Apenas para esclarecer, colacionamos o referido dispositivo introduzido em 2011: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Fl. 651DF CARF MF Processo nº 14041.000974/200887 Acórdão n.º 9202006.211 CSRFT2 Fl. 612 25 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Ou seja, o legislador especificou não apenas que a dos dependentes referese apenas a educação básica, como limitou até mesmo para os empregados, que tipos de cursos podem ser fornecidos e o montantes. É de se concluir que, para efeitos previdenciários, até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, razão porque correto o lançamento em relação aos dependentes, independente do tipo de curso ofertado. Senão vejamos novamente, o disposto no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991 antes da alteração: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Vale destacar que não estamos falando de regra meramente interpretativa, ou mesmo legislação que deixou de considera infração determinada conduta, mas de alteração legislativa que excluiu da base de cálculo, ou mesmo do conceito de salário de contribuição determinado benefício. Dessa forma, sua aplicabilidade é restrita aos fatos geradores ocorridos após a sua publicação e dentro dos estritos limites da lei. Quanto a fundamentação de que não possuiria caráter remuneratório, transcrevendo inclusive julgados que indicariam seu caráter indenizatório, também não corroboro desse entendimento. Pelo contrário, o ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente quando a empresa concedeu as BOLSAS DE ESTUDOS aos dependentes. O campo de incidência é delimitado pelo conceito de salário de contribuição, que destaca remuneração em sua acepção mais ampla. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado à qualquer título. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado, de um serviço prestado, pelo vínculo contratual ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são Fl. 652DF CARF MF 26 espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de BOLSA DE ESTUDOS AOS DEPENDENTES, representam alguma espécie de ganho. Na verdade, dito benefício, está inserido no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e não salariais, enfatizando, de que forma, as utilidades fornecidas, tornamse ganhos, salários indiretos para os empregado. "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Dessa forma, entendo descabida qualquer argumentação de que as BOLSAS sejam fornecidas para o trabalho, cujo alcance está restrito a utilidades que estejam relacionadas diretamente ao desempenho profissional, tais como equipamentos eletrônicos, uniformes, utilização de automóveis, telefones, dentre outros. Também não corroboro a argumentação de que não possua caráter remuneratório, pois não é considerada retribuição pelo trabalho prestado. Ora, não estamos falando de uma bolsa concedida a terceiros desvinculados de relação de trabalho com a empresa, mas de empregados, cuja concessão da bolsa, nada mais é do que um atrativo indireto de captura de profissionais, já que permite ao empregado dar ao seu dependente (filho) instrução em escola particular, que muitas vezes não poderia com o simples salário pago pela instituição. Ainda entendo pertinente esclarecer que no meu entender o requisito habitualidade não está associado necessariamente ao número de vezes, mas, se o seu pagamento está relacionado a algo fornecido "pelo trabalho na empresa" ou por algum evento externo, sem qualquer relação com o aspecto laboral. Melhor explicando, entendo que o fornecimento de benefícios em geral, ao longo do contrato de trabalho, acabam que indiretamente remunerando o trabalhador, pois sua concessão dáse em função da existência do vínculo de emprego. Estariam aí, por exemplo inseridos, a concessão de bolsas, alimentação, viagens de lazer, prêmios, dentro muito outros. Já se o benefício concedido, o foi à título excepcional, ou melhor dizendo eventual, aí sim poderíamos dizer que não possui relação com a prestação de serviços, como exemplo podemos citar um valor fornecido em caso fortuito ao empregado face uma calamidade pública, ou um caso fortuito ocorrido em sua via pessoal. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 14041.000974/200887 Acórdão n.º 9202006.211 CSRFT2 Fl. 613 27 Não discordo do aspecto louvável que se poderia extrair com o fornecimento de bolsas de estudo aos dependentes dos empregados, mas a legislação tributária não comporta interpretação extensiva face atitudes altruísticas, salvo nos casos expressamente determinados em lei, em obediência, no caso concreto, ao art. 111 do CTN c//c com o art. 28, §9º. 't" da lei 8212/91. Portanto, estando no campo de incidência do conceito de remuneração (salário de contribuição) e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS DE DEPENDENTES, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição, razão pela qual DOU PROVIMENTO AO RECURSO DA FAZENDA NACIONAL. Conclusão Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 654DF CARF MF
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