Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,244)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10880.999411/2009-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 14/11/2006
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.870
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Data do fato gerador: 14/11/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.999411/2009-88
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5836117
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-004.870
nome_arquivo_s : Decisao_10880999411200988.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10880999411200988_5836117.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7141619
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010425229312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1646; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.999411/200988 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402004.870 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria CIDE PER/DCOMP Recorrente TIM CELULAR S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 14/11/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 94 11 /2 00 9- 88 Fl. 114DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário interposto pela empresa TIM CELULAR S/A., contra a Decisão da DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve o Despacho Decisório eletrônico emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SP, que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE. No referido Despacho Decisório informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte reconhece que deixou de retificar as DCTFs relativas aos períodos que entende ter havido recolhimento a maior. Sustenta, contudo, que mero equívoco no preenchimento destas declarações não pode gerar débitos fiscais. Alega ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, discorre sobre o princípio da verdade material e assevera que o equívoco é evidente e não justifica a glosa havida. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão nº Acórdão 1627.147, prolatado pela DRJ em São Paulo (SP): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 14/11/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.999411/200988 Acórdão n.º 3402004.870 S3C4T2 Fl. 3 3 efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, reprisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando, em síntese, as seguintes razões: Aduz que como explicitado na Manifestação de Inconformidade, por conta da sistemática tributária vigente, apurou créditos tributários a seu favor (recolhimento indevido ou a maior de diversos impostos e contribuições administrados pela RFB), sendo certo que tais montantes são plenamente utilizáveis para fins de compensação de débitos relativos a outros tributos federais administrados pela RFB. Com efeito, a partir de meados de 2006, constatou ter efetuado recolhimento a maior a titulo de IRRF, CIDE, PIS importação, COFINS importação, incidentes sobre operações de remessa ao exterior de Royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos, recolhimentos estes realizados desde o anocalendário de 2004 e que foram compensados com débitos de COFINS apurada em PER/DCOMP. (i) Da carência de Fundamentação do Despacho Decisório: Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e ignorado pela decisão recorrida, o Despacho Decisório é absolutamente carente de fundamentação legal (motivação), quedandose nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado; a carência de motivação que torna vazio o despacho decisório inquinado, viola frontalmente o principio da ampla defesa e do contraditório; o simples fato da DRJ/SP1 ter ultrapassado a nulidade alegada sem qualquer análise digna das atribuições da Autoridade Fiscal acarreta indevida supressão de instância; (ii) Quanto ao mérito, argumenta a violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade: afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais Fl. 116DF CARF MF 4 créditos; se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta; que o mero erro material no preenchimento dos valores descritos na DCTF não pode operar quaisquer efeitos; o fato de a Recorrente ter cometido o simples erro de preenchimento relativo à inclusão de débitos indevidamente na sua DCTF, não é bastante para que o Fisco ignore diversos outros elementos que, já analisados pela RFB, revelam manifestamente a validade dos créditos fiscais vindicados, pois estes existem e só não são reconhecidos por um equivoco na declaração; de se frisar que é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte; (iii) Do escorreito procedimento de compensação realizado: o entendimento havido pelo Acórdão recorrido baseiase, pura e simplesmente, no fato de que as declarações não identificavam saldo (crédito) a restituir (ou compensar), mas somente a liquidação regular de débitos apurados, situação esta que, consoante já aduzido na Manifestação de Inconformidade, era devida unicamente em razão da falta de retificação das DCTFs enviadas com erros de preenchimento, equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, que tem livre acesso à toda a escrituração fiscal da Recorrente e, mesmo assim, jamais a solicitou para fins de imputação das compensações de créditos declaradas. Por fim, requer que seja o Recurso Voluntário conhecido e recebido com efeito suspensivo (nos termos do artigo 151, III do CTN) e declarado nulo o Despacho Decisório que fundamenta a exigência ante a patente carência de fundamentação ou, caso assim não entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do RI CARF, para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.849, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.679805/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.849): 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.999411/200988 Acórdão n.º 3402004.870 S3C4T2 Fl. 4 5 O caso se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. No Despacho Decisório o Fisco informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. A Recorrente alega que mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A Recorrente alega que há carência de fundamentação e motivação do Despacho Decisório prolatado pela DERAT/SP e que houve cerceamento do seu direito de defesa. Vejase trecho: "(...) Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e solenemente ignorado pela decisão da 5ª Turma da DRJ/SP1, o despacho decisório em comento é absolutamente carente de fundamentação legal, quedando nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado. "(...) não se pode admitir em nome desta agilidade a violação de direito expresso na Carta Magna, elementar ao principio do contraditório e da ampla defesa, que é a obrigatoriedade de fundamentação das decisões proferidas tanto em âmbito administrativo como judicial (....)". Pois bem, entendo que não assiste razão à Recorrente. Explico. De acordo com o dispositivo constitucional que trata do direito ao contraditório e à ampla defesa, temos que: (artº 5º, inciso LV): Artº 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade nos seguintes termos: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. É cediço que a autoridade competente, ao verificar a infração e entender presente as provas necessárias à caracterização da infração ou do ilícito fiscal, não está obrigada a conceder defesa antes da cientificação do respectivo lançamento ao sujeito passivo, posto que é com a apresentação da impugnação que o procedimento se verte em processo, estabelecendose, por conseguinte, o efetivo conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o sujeito passivo, que opõe resistência por meio da apresentação de defesa administrativa Fl. 118DF CARF MF 6 (impugnação). É a partir desse momento, ou seja, com o início da fase processual, que se impõe a aplicação, no âmbito administrativo, do princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Verificase que o Despacho Decisório (eletrônico) teve origem em auditoria de análise de crédito declarado em PER/DECOMP pela Recorrente, realizada pela RFB, que encontrase detalhada no corpo do documento (campo 3), onde consta a motivação, fundamentação, decisão e o enquadramento legal que conduziram a autoridade fazendária a não homologação da compensação declarada. Vejase trecho: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 11.190,74. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A Recorrente foi devidamente cientificada do referido Despacho Decisório e apresentou, tempestivamente, a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 10/24) que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância administrativa. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou Recurso Voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, demonstrando perfeito conhecimento de todo o conteúdo deste processo, não lhe sendo oposto qualquer constrangimento ou dificuldade, e está exercendo seu direito de defesa de forma ampla, por meio deste processo. Portanto, a motivação para o indeferimento no Despacho Decisório, bem como, as do julgamento na primeira instância, estão claramente identificadas e fundamentadas no Acórdão recorrido, não havendo que se falar na "indevida supressão de instância". Com todo este histórico de discussão administrativa, cumpridos os prazos legais para manifestação, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no Despacho Decisório ou no julgamento da primeira instância, ou seja, todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 foi observado, tanto o Despacho Decisório, bem como, o devido processo administrativo fiscal (PAF). Pela leitura do Despacho Decisório, que foi emitido eletronicamente pela RFB, constatase o nome e matrícula Auditor Fiscal (foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções), bem como verificase a descrição de forma suficientemente, objetiva e cristalina os fatos o Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.999411/200988 Acórdão n.º 3402004.870 S3C4T2 Fl. 5 7 enquadramento legal e normativos, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da motivação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Por fim, apenas para um melhor esclarecimento sobre nulidade, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim, prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, o caso aqui analisado, não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 59 acima reproduzido. Assim, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa até esta fase processual e, portanto, improcedente é a alegação nulidade do feito fiscal. 4. Do pedido de diligência (produção de provas, escrita fiscal) Requer a Recorrente ao final de seu recurso que, "(...) ou, caso assim não entenda V.Sa., seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da ora Recorrente, confirmandose, ao final, a compensação declarada". Pois bem. Primeiramente, ressaltese que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja por parte do fisco ou da Recorrente. Conforme será abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, a Recorrente teve a oportunidade de apresentar seus elementos probatórios quando da Manifestação de Inconformidade. Fl. 120DF CARF MF 8 No art. 15 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal), consta que a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Sobre isso, coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição do contribuinte/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste. Mencionese, adicionalmente, que o Código de Processo Civil, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 373, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse mesmo sentido, segue a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários. Já à autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18, Decreto nº 70.235/1972, cabe determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento ou as impraticáveis. Assim, há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Dentro deste quadro, temse que não cabe a autoridade julgadora, em qualquer pleito repetitório apresentado, diligenciar para fins de, de ofício, promover a produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo Contribuinte. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a diligência/perícia requerida pela contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferila. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência/perícia Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.999411/200988 Acórdão n.º 3402004.870 S3C4T2 Fl. 6 9 com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. 5. Quanto ao mérito Em seu recurso a Recorrente argumenta a violação ao princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas. Vejase: "(...) Conforme já delineado, o débito da ora Recorrente fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos". A Recorrente reconhece que informou, equivocadamente, na DCTF original, débito de CIDE quitado mediante recolhimento de DARF no valor informado no Despacho Decisório que ora se discute. Todavia, após revisão interna, constatou o pagamento a maior do referido débito, uma vez que os cálculos estavam sendo efetuados de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de COFINS após a correção do montante efetivamente devido. Que se fosse dado "a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta". Por outro lado, relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros, haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP, a decisão de piso observa que "a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova documental do que alega". Prossegue a Recorrente afirmando que, "(...) O PER/DCOMP em questão, transmitido em 18.06.2007 (DOC.02 da petição de juntada outrora protocolada), contemplou a utilização de crédito apurado de CIDE recolhido em 29.07.2005, conforme DARF no valor de R$ 11.190,74 (onze mil, cento e noventa reais e setenta e quatro centavos DOC.03, da petição de juntada outrora protocolada), para compensação de COFINS apurada no mês de maio de 2007 no valor de R$ 14.270,43 (catorze mil, duzentos e setenta reais e quarenta e três centavos), situação esta que foi finalmente e adequadamente espelhada na DCTF retificadora transmitida em 03.12.2009 (DOC.04, da petição de juntada outrora protocolada), a qual põe por terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada pelo PER/DCOMP sob exame". No entanto, verificase que tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, a Recorrente limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer Fl. 122DF CARF MF 10 DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório prolatado pelo Fisco, que ocorreu em 23/10/2009. Como muito bem pontuado pela decisão a quo, a qual subscrevo algumas partes das considerações tecidas (com alterações pontuais), adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, "(...) a retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a Manifestação de Inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da Contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório". A Recorrente reconhece, a princípio, que não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. No entanto, após ciência do Despacho Decisório, quando da Manifestação de Inconformidade é que a Contribuinte informa o Fisco ter havido erro no preenchimento das DCTF e procede a retificação da declaração. É importante ressaltar que a conduta do Fisco é pautada em documentos formais e oficiais e, se a Recorrente resta inerte e não promove à tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Vale dizer que este Colegiado vem registrando noutros processos envolvendo matéria idêntica, em que esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior a ciência do Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhado de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (Grifei) Da interpretação do artigo acima, extraise que a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.999411/200988 Acórdão n.º 3402004.870 S3C4T2 Fl. 7 11 devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original (DCTF). Ressalto que, como já frisado no tópico anterior, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição deste/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste (ônus da prova). Assim, a Recorrente deveria ter acostado aos autos, junto com a Manifestação de Inconformidade a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Fiscais e Contábeis, como o Livro Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Reprisee que no caso em exame, a Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu (quando da Manifestação e agora em fase de recurso), qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF (como a escrita contábil e fiscal, por exemplo). Veja que o processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/72, que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. I.° da Lei n.° 8.748/I993)" Ainda nos §§ 4° e 5° do mesmo artigo determinam que: " § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997) § 5°. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/I997)" (Grifei) Percebese que a Recorrente trouxe somente documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de Fl. 124DF CARF MF 12 documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Entre ser verdadeira a afirmação da Recorrente, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações, não lhe pode subtrair o direito ao crédito (o princípio da verdade material requerido), e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. No entanto, vale ressaltar que, até a presente data, passado quase dois anos entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, nenhuma documentação foi apresentada pela Recorrente, que se limitou a juntar cópia da DCTF retificadora, não embasada por qualquer documentação comprobatória. Isto posto, para este Colegiado, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria óbice, mas também não seria suficiente para a demonstração do crédito vindicado, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que a Recorrente, conforme já ressaltamos neste voto, não logrou realizar. 6. Dos princípios da estrita legalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para no mérito, NEGARLHE provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.999411/200988 Acórdão n.º 3402004.870 S3C4T2 Fl. 8 13 Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.006353/2001-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
ERRO DE ESCRITURAÇÃO. CONSTATAÇÃO FÁTICA. POSSIBILIDADE DA FISCALIZAÇÃO.
É possível que a fiscalização constate erro de escrituração nos livros registros de apuração do IPI.
INSUMOS. ADQUIRIDOS. ISENÇÃO. ALÍQUOTA ZERO.
Não há afronta ao princípio da não-cumulatividade quando não há o aproveitamento de créditos na aquisição de insumos isentos ou submetidos à alíquota zero.
Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-004.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 ERRO DE ESCRITURAÇÃO. CONSTATAÇÃO FÁTICA. POSSIBILIDADE DA FISCALIZAÇÃO. É possível que a fiscalização constate erro de escrituração nos livros registros de apuração do IPI. INSUMOS. ADQUIRIDOS. ISENÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. Não há afronta ao princípio da não-cumulatividade quando não há o aproveitamento de créditos na aquisição de insumos isentos ou submetidos à alíquota zero. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10120.006353/2001-08
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5830880
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-004.924
nome_arquivo_s : Decisao_10120006353200108.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10120006353200108_5830880.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7125483
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010438860800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1534; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.006353/200108 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.924 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria PER/DCOMP IPI Recorrente CICOPAL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS E HIGIENE PESSOAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 ERRO DE ESCRITURAÇÃO. CONSTATAÇÃO FÁTICA. POSSIBILIDADE DA FISCALIZAÇÃO. É possível que a fiscalização constate erro de escrituração nos livros registros de apuração do IPI. INSUMOS. ADQUIRIDOS. ISENÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. Não há afronta ao princípio da nãocumulatividade quando não há o aproveitamento de créditos na aquisição de insumos isentos ou submetidos à alíquota zero. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 63 53 /2 00 1- 08 Fl. 544DF CARF MF 2 Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo. Relatório Por bem transcrever os fatos e ser sintético, adotase o relatório da DRJ/Juiz de Fora, fls. 399 e seguintes1: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI apresentado em 14/11/2001 pela empresa em epígrafe, referente ao crédito básico decorrente de aquisição de matériaprima, de produto intermediário e de material de embalagem aplicados na industrialização efetuada pela requerente, em conformidade com o artigo 11 da Lei 9.779/99, de 19 de janeiro de 1999, acumulado no período de julho de 2001 a setembro de 2001 no valor de R$120.307,43 (fls. 01) e de pedido de compensação do referido crédito com débitos de PIS e da COFINS (fls. 02). As fls. 35, a interessada apresenta, em 03/03/2005, requerimento solicitando a substituição dos formulários de pedido de compensação (folhas 02 e 28) do presente processo pela Declaração de Compensação, anexada às fls. 36, em razão de constar, nos formulários anteriores, informações erradas. Da verificação da legitimidade e materialidade do crédito resultou o Relatório de Verificação Fiscal de fls. 113/114, do qual se extrai: "Devido a erro de escrituração do livro de registro de IPI, incluindo produtos com alíquota zero e falta de estorno de crédito de IPI que foi glosado relativo ao 4° trimestre de 1999 no processo n° 10120.000199/0081, elaborei demonstrativo do saldo acumulado de IPI do 4° trimestre de 1999 ao 4° trimestre de 2002 (fls. 111 e 112), com base no livro de registro de IPI relativos as saídas de produtos tributados e planilhas entregues pelo contribuinte relativos aos créditos, detalhando trimestre por trimestre, os valores solicitados e concedidos, o saldo credor do trimestre, bem como informando os números dos processos de ressarcimento de IPI relativos a cada trimestre"; Diante dos fatos acima expostos e após análises das notas fiscais constantes do demonstrativo de fls. 106 a 110, objetos de ressarcimento, a autoridade fiscal conclui pelo crédito de IPI com direito a ressarcimento no valor de R$120.273,56, opinando pelo deferimento parcial do crédito solicitado. A Delegacia da Receita Federal de Goiânia por meio do Despacho Decisório de fls. 116/120 resolveu, tendo em vista o mencionado Relatório Fiscal, deferir em parte o pedido de fls. 01, e homologar parcialmente as compensações efetivadas pela requerente dos débitos relacionados na DCOMP de fls. 36, até o montante do crédito reconhecido. 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10120.006353/200108 Acórdão n.º 3302004.924 S3C3T2 Fl. 3 3 Conforme Aviso de Recebimento "AR" de fls. 122, a interessada teve ciência, em 23/02/2007, do Oficio n° 159/2007 — SRF/DRFGOI/Saort (fls. 121), por meio da qual deuse ciência do Despacho Decisório Saort n° 365, de 28/09/2006. Inconformada com a referida decisão, a requerente apresentou manifestação de inconformidade de fls. 163/169 em razão do deferimento parcial e a homologação em parte da compensação, na qual aponta os seguintes pontos de divergência: 1) Aduz que: "Buscando a compreensão dos motivos e, conseqüentemente, as provas que fundamentem o lançamento do suposto crédito tributário, verificase que no Despacho Decisório em tela, em nenhum momento, seja na descrição da ocorrência, seja em demonstrativos, revelanos tal entendimento, ferindo o princípio do contraditório e da ampla defesa, assegurado ao sujeito passivo pela Constituição Federal de 1988, (.)"; 2) Transcreve palavras de Fábio Ramazzini Bechara e Pedro Franco de Campos, que assim se expressam: "O contraditório consiste no direito de informação e também no direito a participação. O direito a informação (a ser cientificado) é respeitado por meio dos institutos da citação, intimação e notificação."; 3) Assegura que a compensação é uma modalidade de extinção do crédito tributário e que o artigo 2º da IN 33 de 04 de março de 1999, concede ao sujeito passivo, após cada trimestre calendário, que apurar saldo credor do IPI, utilizálo para ressarcimento ou compensação; 4) Alega que o Fisco não pode a seu bel prazer, desconsiderar créditos líquidos e certos do sujeito passivo, comprovados mediante os livros fiscais de apuração do IPI, autenticados, anexos a esta manifestação; 5) Transcreve ementa da decisão n° 319 de 19/10/99, da Divisão de Tributação da SRRF da 8ª Região que dispõe sobre a possibilidade de manutenção na escrita fiscal dos créditos de IPI relativos aos insumos recebidos no estabelecimento industrial a partir de 01/01/99, para serem empregados na industrialização de produtos imunes, isentos ou tributados com alíquota zero; 6) O pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), por maioria de votos, reconheceu a determinada empresa o direito de creditar se do IPI na aquisição de insumos adquiridos com isenção do imposto (como se devido fosse), para emprego na fabricação de produtos tributados; Por fim, requer a acolhida da presente manifestação uma vez que demonstrada a insubsistência e improcedência total do lançamento. Sobreveio a decisão da DRJ/Juiz de Fora, que considerou a manifestação de inconformidade improcedente e cuja ementa é colacionada abaixo: Fl. 546DF CARF MF 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ALEGAÇÕES. Descabe alegação de cerceamento do direito de defesa quando ao contribuinte garantese a ciência e o acesso aos atos praticados no processo. COMPENSAÇÃO. Reconhecido em parte o direito creditório ao qual foi vinculada a compensação, evidenciase a exatidão da homologação parcial da compensação declarada até o montante do crédito reconhecido. Irresignada a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 427 e seguintes, onde repisou os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 21 de agosto de 2007, fls. 425, e o recurso foi protocolado em 18 de setembro de 2015, fls. 427. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Da preliminar 2.1. Do erro de escrituração A Recorrente alega, em sede de preliminar, que seus livros estão autenticados por repartição pública, conforme determina a legislação e o crédito foi apropriado, conforme o artigo 11, da Lei nº 9.779, de 1999, e, portanto, não há que se falar em erro de escrituração e muito menos em estorno de crédito, devendo o fisco confrontar o direito ao crédito com os valores efetivamente registrado na contabilidade da empresa. Apesar de ter sido alegado, em sede de preliminar, observase que a matéria se trata de produção probatória, o que, por conseguinte, é matéria de mérito. Do relatório fiscal, fls. 237 e seguintes, que embasou o despacho decisório, extraemse informações importantes a respeito da ocorrência dos fatos: Em 26.04.2005, estive na sede da empresa para verificar o sistema de produção, relativos aos insumos utilizados na industrialização, conforme descritos na relação entregue em 15.03.2005, onde constatei que desde o ano de 2003, a empresa não fabrica os produtos constantes da relação entregue, Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10120.006353/200108 Acórdão n.º 3302004.924 S3C3T2 Fl. 4 5 entretanto, a empresa fabrica salgadinhos e creme dental, pelo qual solicitei a retificação da relação de produtos fabricados, informando todos insumos utilizados na produção desses produtos. Diante disso, por amostragem, analisei as notas fiscais de vendas, e notas fiscais de compras que fazem parte dos processos de ressarcimento de IPI, onde ficou constatado que existem processos com notas fiscais de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens com alíquota zero, bem como produtos que não são insumos. (...) Devido a erro de escrituração do livro de registro de IPI, incluindo produtos com alíquota zero e falta de estorno de crédito de IPI que foi glosado relativo ao 4° trimestre de 1999 no processo 10120.000199/0081, elaborei demonstrativo do saldo acumulado de IPI do 4° trimestre de 1999 ao 4° trimestre de 2002 (fls. 111 e 112), com base no livro de registro de IPI relativos as saídas de produtos tributados e planilhas entregues pelo contribuinte relativos aos créditos, detalhando trimestre por trimestre, os valores solicitados e concedidos, o saldo credor do trimestre, bem como informando os números dos processo de ressarcimento de IPI relativos a cada trimestre. (grifos não constam no original) Observase por trechos do relatório fiscal, que a Recorrente escriturou produtos que não se apresentam como insumos, bem como incluiu produtos com alíquota zero e não realizou os estornos devidos. Não pode a Recorrente alegar que os livros são autenticados por repartição pública. Esta apenas recebe os livros a fim de averiguar a certeza e liquidez dos créditos pleiteados. Pelas razões demonstradas, rejeitase a preliminar suscitada. 3. Do mérito 3.1. Do contraditório, da ampla defesa e dos insumos tributados à alíquota zero e isentos A Recorrente alega que o despacho decisório feriu o contraditório e a ampla defesa, citando preceito constitucional e doutrina. Posteriormente, suscita que uma das modalidades de extinção do crédito tributário é a compensação e traz o artigo 2º, da Instrução Normativa nº 33, de 04 de março de 1999, para demonstrar como ocorre a nãocumulatividade no IPI. Ademais, diz in verbis, fls. 439: Com base nesse princípio constitucional da nãocumulatividade, os contribuintes se creditam do IPI devido nas aquisições de matériasprimas, materiais de embalagens, insumos, mesmo que as saídas dos produtos industrializados se dêem sob a forma de isenção, não tributação ou com alíquota zero. (...) O artigo 11 supra referido, estabelece que se o IPI gerado por insumos isentos aplicado em produtos tributados ou por insumos tributados aplicados em produto isento, não puder ser utilizado na forma da sistemática do IPI, ou seja, crédito para abater o Fl. 548DF CARF MF 6 débito gerado no período de apuração, o respectivo saldo credor poderá ainda ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. Cita precedente do Supremo Tribunal Federal, faz longa argumentação sobre a possibilidade de se creditar insumos adquiridos com alíquota zero ou isenção sob pena de ferir o princípio da nãocumulatividade. Primeiramente, não se vislumbra no transcorrer do processo administrativo qualquer violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, além disso, a Recorrente não fez qualquer observação pontual como tais princípios teriam sido violados, demonstrando que sua argumentação não procede. Quanto à consideração dos créditos, adquiridos com insumos isentos ou alíquota zero, importante transcrever a legislação em apreço: Lei nº 9.779, de 1999 Art.11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (grifos não constam no original) Posteriormente, sobreveio a Instrução Normativa 33, de 1999, que regulamentou a apuração do crédito: Art. 1º A apuração e a utilização de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, inclusive em relação ao saldo credor a que se refere o art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, darse á de conformidade com esta Instrução Normativa. Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: I quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos; II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1o O aproveitamento dos créditos a que faz menção o caput darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10120.006353/200108 Acórdão n.º 3302004.924 S3C3T2 Fl. 5 7 § 2o No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente; II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF No 21, de 10 de março de 1997. § 3o Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). (grifos não constam no original) A legislação é clara ao demonstrar que a aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero. Ela fala no processo de industrialização de produto isento ou tributado à alíquota zero, mas não faz tal ressalva para os insumos adquiridos com alíquota zero ou isenção. A Constituição prevê o seguinte: Constituição Federal Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) IV produtos industrializados; § 3º O imposto previsto no inciso IV: (...) II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; Não se observa o desrespeito ao princípio da nãocumulatividade, uma vez que o próprio texto constitucional discorre sobre o "montante cobrado nas anteriores" e, no caso de insumo tributado à alíquota zero ou sob isenção, não há montante anterior. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça, em sistema de repetitivos, já decidiu no REsp nº 860.369PE, sob não haver afronta ao princípio da nãocumulatividade quando não há o aproveitamento de créditos na aquisição de insumos isentos ou submetidos à alíquota zero: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CREDITAMENTO DO IPI. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM DESTINADOS À Fl. 550DF CARF MF 8 INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS OU SUJEITOS AO REGIME DE ALÍQUOTA ZERO. LEI 9.779/99. NOVEL JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. O direito ao crédito de IPI, fundado no princípio da não cumulatividade, decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos isentos ou sujeitos ao regime de alíquota zero, exsurgiu apenas com a vigência da Lei 9.779/99, cujo artigo 11 estabeleceu que: "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda." 2. "A ficção jurídica prevista no artigo 11, da Lei nº 9.779/99, não alcança situação reveladora de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI que a antecedeu" (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: RE 562.980/SC, Rel. Ministro Ricardo Lewandowski, Rel. p/ Acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 06.05.2009, DJe167 DIVULG 03.09.2009 PUBLIC 04.09.2009; e RE 460.785/RS, Rel. Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 06.05.2009, DJe171 DIVULG 10.09.2009 PUBLIC 11.09.2009). 3. In casu, cuidase de estabelecimento industrial que pretende o reconhecimento de direito de aproveitamento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériaprima, material de embalagem e insumos destinados à industrialização de produto sujeito à alíquota zero, apurados no período de janeiro de 1995 a dezembro de 1998, razão pela qual merece reforma o acórdão regional que deferiu o creditamento. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente provido, restando prejudicadas as pretensões recursais encartadas nas aduzidas violações dos artigos 166 e 170A, do CTN. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10120.006353/200108 Acórdão n.º 3302004.924 S3C3T2 Fl. 6 9 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Diante do exposto, rejeitase a argumentação e mantémse a decisão da DRJ/Juiz de Fora. 4. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, rejeito a preliminar suscitada e, no mérito, nego provimento. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Fl. 552DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.001641/98-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/03/1997
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ.
A restrição imposta pela IN/SRF nº 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo legítimo o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas. Precedente do Superior Tribunal de Justiça - STJ retratado no REsp nº 993.164 (MG), julgado sob o rito de recursos repetitivos, o que vincula o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a sua observância, conforme estatuído art. 62, §2° do RICARF.
Numero da decisão: 3201-003.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 30/03/1997 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ. A restrição imposta pela IN/SRF nº 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo legítimo o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas. Precedente do Superior Tribunal de Justiça - STJ retratado no REsp nº 993.164 (MG), julgado sob o rito de recursos repetitivos, o que vincula o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a sua observância, conforme estatuído art. 62, §2° do RICARF.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10183.001641/98-01
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5838408
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.413
nome_arquivo_s : Decisao_101830016419801.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
nome_arquivo_pdf_s : 101830016419801_5838408.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira - Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
id : 7151292
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010482900992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1607; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.001641/9801 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.413 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de fevereiro de 2018 Matéria IPI Recorrente CAMPO VERDE S/A GRÃOS E DERIVADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 30/03/1997 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ. A restrição imposta pela IN/SRF nº 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo legítimo o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas. Precedente do Superior Tribunal de Justiça STJ retratado no REsp nº 993.164 (MG), julgado sob o rito de recursos repetitivos, o que vincula o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a sua observância, conforme estatuído art. 62, §2° do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 16 41 /9 8- 01 Fl. 743DF CARF MF 2 Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Em julgamento o pedido de ressarcimento de crédito presumido de fIs. 01, datado de 23/04/98 e fundado nos termos da Portaria MF if 38/97. O valor inicial solicitado, R$ 1.929.487,02, que abrangia todo o ano de 1997, foi corrigido após análise da DCP de fls.l 18 e anuência da contribuinte para o montante de R$ 575.928,69, representativo do saldo líquido posicionado em 31 de março daquele ano. O Despacho Decisório DRFCUIABÁ/MT n° 500/2000 (fls.290/293) decidiu acerca do pedido da forma seguinte: "(...) ... os insumos utilizados no processo produtivo que foram adquiridos diretamente de produtor pessoa física não compoõem a base de cálculo do benefício instituído pela Lei n° 9.363/96, fato que justifica a glosa do crédito, efetuada no Termo de Verificação Fiscal de fls.284/288. Cabe ressaltar que as contribuições sociais PIS/PASEP/COFINS somente devidas pelas pessoas jurídicas, nos termos do art. 1° da Lei Complementar 70/91, dos arts.l" e 3° da Lei Complementar 7/70 e do art.2° da Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998, e incidem quando da venda ou faturamento dos produtos, ou seja, se o ato legal em comento se reporta às contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições, obviamente se aplica aos insumos que, adquiridos de terceiros, a elas estivessem sujeitos. Ora, não são contribuintes do PIS/PASEP ou da COFINS as pessoas físicas, assim, não havendo incidência sobre as aquisições, não há o que se ressarcir ao adquirente. Da mesma forma, as aquisições de insumos de Cooperativas de Produtores não devem compor a base de cálculo do incentivo. As cooperativas são formadas com o objetivo de comercializar ao produção de seus associados, que a elas é entregue [sicj. As operações realizadas entre as cooperativas e seus associados não são atos mercantis, não implicando compra e venda de produtos, conforme determina o art.79, parágrafo único, da Lei n° 5.761 de 16/12/1971, assim sendo, tais operações não sofrem a incidência das contribuições para o PIS e COFINS. (...) O valor do crédito presumido a ressarcir é aquele calculado por esta delegacia, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 284/288, no qual constam para o 1° trimestre de 1997 as seguintes conclusões: Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10183.001641/9801 Acórdão n.º 3201003.413 S3C2T1 Fl. 3 3 Valor do Ressarcimento líquido: R$49.825,70. Valor Glosado: R$ 526.102,99. Estes valores e todos os demais constantes deste Despacho Decisório e os métodos utilizados pela fiscalização para a apuração dos mesmos encontramse detalhados nos demonstrativos de fls.245/249, elaborados com base em balancetes de verificação, notas fiscais de compra e outros documentos fiscais apresentados pela Interessada. (...) Isto posto, Defiro o pedido da interessada para: a. reconhecer parcialmente o crédito presumido de IPI (..) no montante de RS 49.825,70; b. determinar a utilização deste crédito para compensar de oficio débitos por ventura existentes, cumprindo o disposto ... c. autorizar o ressarcimento em espécie de saldo remanescente, se houver, na forma da Instrução Normativa Conjunta SRF/STN n° 117/89." Insurgiuse a Interessada por meio da manifestação de inconformidade de fls.353/360, que pode assim ser sumariada: "Houve por bem o ilustre delegado da Receita Federal em Cuiabá/MT, de reconhecer parcialmente o crédito postulado pela Impugnante, no montante de RS 49.825,70. Sustenta a DRF/Cuiabá que devem ser excluídos da base de cálculo do incentivo o valor relativo aos insumos adquiridos de pessoas físicas e de cooperativas. Observese que a decisão "a quo" está criando restrição que não prevista pela legislação pertinente. (...) E de concluirse, pois, que se trata de imt estímido (sic) à exportação, num esforço governamental ao incremento das vendas do País ao exterior, amenizando assim o chamado "custo Brasil", que tanto entrave tem causado aos produtos brasileiros em competição no estrangeiro. Fica também demonstrado que as restrições impostas pela decisão impugnada não encontram abrigo na legislação pertinente. Se a lei, preocupada com o equilíbrio da balança cambial, criou um estímulo às exportações sem estabelecer as restrições impostas pela decisão impugnada, não cabe à DRFCUIABÁ criar as referidas restrições, sob pena de a decisão ser ilegal e não produzir qualquer efeito no mundo jurídico. " Fl. 745DF CARF MF 4 O litígio inaugurado pela Contribuinte foi decidido por meio do Acórdão DRJ/JFA n° 3.307, de 3 de abril de 2003, que assim foi ementado: "IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA Deixese de tomar conhecimento de impugnação emanada por empresa a qual não é a sucessora dos direitos e obrigações da contribuinte requerente originalmente do pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI objeto deste processo, nos termos do art.227, da Lei n° 6.404/76, e artigo 132 do CTN, especificamente. " Inconformada com o teor da decisão da DRJ/JFA, recorreu a Interessada ao Conselho de Contribuintes, que assim se pronunciou (Acórdão 20218.805, de 11 de março de 2008 (fls.620/626) relator Antônio Zomer): "Desta forma, restando comprovado que a recorrente é a sucessora legal da empresa detentora dos créditos objeto do litígio, para que não haja supressão de instância, voto no sentido de se anular o Acórdão DRJ/.JFA n° 3.307, de 03/04/2003, para que a impugnação seja conhecida e o mérito do pleito apreciado em primeira instância. " Às fls.297 do presente processo e 01 do processo apenso n°l0183.001155/9966 encontramse dois pedidos de compensação de crédito com débito de terceiros, nos quais está indicado o crédito objeto deste voto como lastro de legitimação do procedimento compensatório." A decisão recorrida apresenta e seguinte ementa: "Assunto : Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 30/03/1997 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. IMPOSSIBILIDADE A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem destinados a utilização no processo produtivo, sobre as quais tenha incidido as contribuições de que tratam as Leis Complementares n°s 07, de 07 de setembro de 1970, 08, de 03 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991. DRJ. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Os pedidos de compensação não convertidos em declarações de compensação nos termos do parágrafo 4° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 não admitem insurgência em relação aos despachos decisórios denegatórios pela via recursal do Processo Administrativo Fiscal PAF." O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10183.001641/9801 Acórdão n.º 3201003.413 S3C2T1 Fl. 4 5 (i) o direito ao crédito presumido do IPI para o ressarcimento de PIS e COFINS é assegurado pela Lei 9363/1996, sem restrições; (ii) quis o legislador estimular as exportações, com a redução de custos e aumento da competitividade dos produtos brasileiros; (iii) que não é lícito que a Instrução Normativa IN/SRF 23/97 restrinja incentivo estabelecido por lei; (iv) a lei fixa a base de cálculo do crédito presumido, a qual será determinada mediante aplicação, sobre o valor total das aquisições (art. 2° da Lei 9363/1996), sem qualquer exclusão; (v) ao condicionar a inclusão dos insumos na base de cálculo do crédito presumido às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas ao PIS e a COFINS, a IN SRF 23/97 extrapolou o conteúdo da Lei 9363/1996; (vi) cita jurisprudência administrativa e judicial; (vii) que se os insumos, embora não integrandose ao produto novo, forem consumidos no processo de industrialização, são considerados pela legislação do IPI como matériasprimas e produtos intermediários; (viii) que o segundo pedido de compensação deve ser conhecido, pois enquadrase na regra de transição determinada pelo § 4°, do art. 74 da Lei 10637/2002, e (ix) se a recorrente está debatendo a questão do indeferimento parcial do pedido, a questão encontrase pendente e passível de conhecimento mediante o processo administrativo fiscal; Pugna a recorrente ao final o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade A matéria em apreço foi pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, por ocasião do julgamento do Recurso Especial REsp nº 993.164, o qual foi julgado, à época, sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. Além disso a questão é objeto da Súmula nº 494 da Corte Superior. Assim, por se tratar a matéria já consolidada em sede de recurso repetitivo e sumulada, vincula este Colegiado Administrativo, de acordo com o que preconiza o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Fl. 747DF CARF MF 6 A decisão proferida em dito Recurso Especial está ementada nos seguintes termos: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." Fl. 748DF CARF MF Processo nº 10183.001641/9801 Acórdão n.º 3201003.413 S3C2T1 Fl. 5 7 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel.Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). (...) 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) A Súmula 494 do Superior Tribunal de Justiça assim dispõe: "O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP." Fl. 749DF CARF MF 8 A título ilustrativo, consignamse recentes decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF sobre o tema: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ. A restrição imposta pela IN/SRF nº 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas. Precedente do STJ retratado no REsp nº 993.164 (MG), julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as aquisições de insumos utilizados na exportação de produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Constatada a oposição ilegítima do fisco em negar direito a ressarcimento de crédito presumido do IPI, em decorrência de reversão de entendimento pelas instâncias julgadoras administrativas, autoriza a incidência da taxa Selic sobre os valores do ressarcimento que não foram devolvidos em face do óbice estatal." (Processo 13974.000065/200341; Acórdão 9303005.259; Conselheiro Relator Andrada Márcio Canuto Natal; Sessão de 20/06/2017) "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ A restrição imposta pela IN/SRF n. 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 10183.001641/9801 Acórdão n.º 3201003.413 S3C2T1 Fl. 6 9 Precedente do STJ retratado no REsp n. 993.164, julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF." (Processo 10480.007762/200396; Acórdão 3402003.664; Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro; Sessão de 13/12/2016) Diante do exposto, dou provimento ao recurso. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 751DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.013911/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO DE 11%.
A empresa tomadora de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra é obrigada a reter e recolher, em nome da contratada, 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, a teor do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei nº 9.711/99.
Numero da decisão: 2401-005.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO DE 11%. A empresa tomadora de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra é obrigada a reter e recolher, em nome da contratada, 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, a teor do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei nº 9.711/99.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10580.013911/2007-51
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5851420
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.319
nome_arquivo_s : Decisao_10580013911200751.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580013911200751_5851420.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7199824
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010498629632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 941; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.013911/200751 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.319 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA COELBA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO DE 11%. A empresa tomadora de serviços executados mediante cessão de mãodeobra é obrigada a reter e recolher, em nome da contratada, 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, a teor do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei nº 9.711/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 39 11 /2 00 7- 51 Fl. 197DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10580.013911/200751 Acórdão n.º 2401005.319 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA COELBA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Salvador/BA, Acórdão nº 1518.918/2009, às efls. 160/165, que julgou procedente o lançamento fiscal, referentes à retenção de 11% sobre o valor bruto dos serviços realizados mediante cessão de mãodeobra contida em notas fiscais de serviços prestado a recorrente, em relação a competência 02/1999, conforme Relatório Fiscal, às efls. 62/65 e demais documentos que instruem o processo. Os valores apurados decorrem da aplicação do percentual de 11% (onze por cento), à título de retenção, sobre o valor bruto dos serviços realizados e constantes das notas fiscais/faturas ou recibos, visto a não apresentação das GPS quitadas por parte da notificada, obrigada ao recolhimento na condição de tomadora dos serviços, observandose os procedimentos estabelecidos no art. 219, do Decreto n.° 3.048/99. A base de cálculo foi apurada de acordo com os percentuais estabelecidos na Seção III, Capítulo II, da Instrução Normativa IN SS/DC n° 070, de 10 de maio de 2002. A Seção de Análise de Defesas e Recursos, à época integrante da Secretaria da Receita Previdenciária, requereu (fl. 70) ao Serviço de Fiscalização manifestação acerca do equívoco cometido pelos auditores fiscais na identificação do sujeito passivo. Em resposta ao referido pedido de diligência (fls. 81/83), os Auditores Fiscais retificaram a denominação do sujeito passivo, retirando a expressão “e outro”, e fizeram juntada do contrato de fornecimento de obras e serviços n.° 0309007/980. Reaberto o prazo de defesa ao contribuinte (fl. 120). Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 172/180, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, alega a existência do litisconsórcio necessário por solidariedade, isso porque, somente diante da incapacidade de comprovação do recolhimento pela prestadora, e, conseqüentemente, da confirmação da existência de débito, é que poderia se cogitar em imputação de responsabilidade solidária à COELBA, a qual se funda exclusivamente, ressalte se, no inadimplemento aferido. Contudo, o que se vê, no caso em tela, é que a autuação deveuse ao simples fato de não dispor, a recorrente, no momento da fiscalização, das cópias de guia de recolhimento, o que, por absurdo, entendeu o Autuante, seria definitivo para comprovar que não teria havido o recolhimento. No entanto, tal documentação fora apresentada, devendo ser cancelado o lançamento por violação à ampla defesa. Fl. 199DF CARF MF 4 Argumenta também que a fiscalização restringiuse a autuar a tomadora dos referidos serviços, lançando sobre ela o ônus de arcar com a referida obrigação, antes mesmo de que fosse averiguado o seu cumprimento por quem a lei prevê como principal obrigada, qual seja a empresa prestadora dos serviços. Desta forma, reitera a recorrente o seu requerimento para que sejam examinados os documentos já, e mais uma vez, colacionados, que demonstram o efetivo recolhimento das contribuições, porque a configuração da coresponsabilidade somente se dará na inadimplência do principal obrigado, deixando de ocorrer em virtude da inexistência de débito do mesmo, hipótese essa que se enquadra na presente situação. Sendo assim, uma vez que a solidariedade do dono da obra (tomador) se dá em virtude da inadimplência da prestadora de serviço, não havendo débito, não há que se falar em inadimplência como sequer, por conseqüência, em responsabilidade nela fundada. Diante da inequívoca comprovação do recolhimento, que se deu nos autos com a juntada das folhas de pagamento, GFlP, GRPS ou GPS, não subsiste o débito imputado, e, portanto, não há que se falar em responsabilidade já que esta está diretamente vinculada a eventual inadimplência da prestadora, o que, definitivamente, não corresponde ao caso em concreto. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a anulação do lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10580.013911/200751 Acórdão n.º 2401005.319 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. RETENÇÃO DE 11% PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CESSÃO DE MÃO DE OBRA Da análise da notificação, especificamente no que atina aos aspectos formais, verificase o cumprimento dos requisitos essenciais previstos no art. 243, do Decreto n.° 3.048/99. Ressaltase que a presente lavratura fiscal referese ao descumprimento de obrigação principal, mais precisamente as contribuições previdenciárias, atinentes à retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto dos serviços realizados mediante cessão de mão de obra, constantes de nota fiscal, fatura ou recibo, previstos no art. 31, da Lei n.° 8.212/91, para a competência 02/1999. Em se tratando de contratação de serviços mediante cessão de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nestas palavras: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98 Cumpre registrar que o presente lançamento não se refere à responsabilidade solidária e sim ao dever de retenção de 11% que o sujeito passivo deveria ter efetuado em razão da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, conforme legislação encimada. Pelas informações trazidas no relatório fiscal, bem como pelo que restou demonstrado na informação fiscal, não foram efetuados os devidos destaques na notas, nem tão pouco cumpriu a recorrente a obrigação de reter e recolher as contribuições previdenciárias correspondentes. Fl. 201DF CARF MF 6 Desse modo, a recorrente deveria ter retido o valor de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura, observados os limites de deduções e recolher a importância até o dia dois do mês subseqüente à emissão da respectiva nota fiscal/fatura. De acordo com o previsto no art. 33, § 5º da Lei n° 8.212/1991, o desconto sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa, sendo a responsabilidade direta de quem tinha o dever de realizálo. Art. 33 (...). §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Apesar da recorrente alegar recolhimento pela prestadora de serviço, não comprova sua alegação, haja vista que os Auditores Fiscais notificantes atestam (fi. 116) que a guia apresentada (fl. 66) não tem nenhuma referência à contratante dos serviços e não é de retenção, mas guia normal da contratada. Ademais, a tomadora, no caso a impugnante, é a responsável legal em reter e recolher as contribuições devidas. Como já dito, o tomador que deixou de fazer a retenção de importância que antecipa em nome do prestador é obrigado ao recolhimento do valor correspondente, já que a obrigação é presumida nos termos do § 5° do art. 33 da Lei n.° 8.212/91. No caso da retenção de 11% não há que se falar em solidariedade, tampouco em benefício de ordem, pois o comando legal impôs a responsabilidade à tomadora de serviços, assim como o fez em relação ao desconto dos segurados empregados. Essa é uma presunção legal absoluta que milita em favor da fiscalização previdenciária. Os serviços passíveis de retenção estão previstos no parágrafo 4° do art. 31 da Lei 8.212/91, combinado com o art. 219 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, in verbís: Lei n° 8.2I2/91 Art.31(...) § 4° Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei n” 9. 711, de 20.11.98) I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei n” 9.711, de 20.11.98) II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei n° 9. 711, de 20.11.98) III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei n" 9.711, de 20.11.98) IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei n° 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei n" 9.711, de 20.11.98) Decreto n.° 3 048/99 Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10580.013911/200751 Acórdão n.º 2401005.319 S2C4T1 Fl. 5 7 Art.219 (..). §2° Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; VI acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VII cobrança; VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX copa e hotelaria; X corte e ligação de serviços públicos; XI distribuição; XII treinamento e ensino; XIII entrega de contas e documentos; XIV ligação e leitura de medidores; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI montagem; XIX operaçao de transporte de cargas e passageiros; XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto n” 4. 729, de 2003) XX portaria, recepção e ascensorista; XXI recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII promoçao de vendas e eventos; XXIII secretaria e expediente; XXIVsaúde; e XXV telefonia, inclusive telemarketing.(grtfos nossos) Portanto, como outra atitude não poderia ser adotada por parte dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, pois, a atividade tributária, relação jurídica e não simples Fl. 203DF CARF MF 8 relação de poder, nos moldes do Estado Democrático de Direito, é vinculada ao princípio da legalidade. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento sub examine em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000308/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.444
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência em favor da 1ª Seção de Julgamento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 29/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15563.000308/2006-51
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5829976
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-000.444
nome_arquivo_s : Decisao_15563000308200651.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 15563000308200651_5829976.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência em favor da 1ª Seção de Julgamento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 29/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. RELATÓRIO
dt_sessao_tdt : Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
id : 7120078
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010507018240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1078; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 10 1 9 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15563.000308/200651 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 3302000.444 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 16 de outubro de 2014 Assunto Competencia da 1ª Seção de Julgamento Recorrente FENTON INDUSTRIA E COMERCIO DE CIGARROS E EXP. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência em favor da 1ª Seção de Julgamento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 29/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 63 .0 00 30 8/ 20 06 -5 1 Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 15563.000308/200651 Resolução nº 3302000.444 S3C3T2 Fl. 11 2 RELATÓRIO Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Juiz de Fora/MG: As infrações identificadas pelo autuante são as seguintes: Saída de produtos com insuficiência de lançamento do imposto; Compensação indevida em declaração prestada pelo sujeito passivo; IPI declarado com suspensão/a menor; Diferença apurada entre o valor escriturado e declarado/pago; Receita não comprovada. Sobre as infrações supra assim as descreveu o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1121 a 1150: A infração 1 a fiscalizada emitiu notas fiscais com IPI lançado a menor. Como todos os cigarros vendidos por meio das notas fisvais relacionadas pertencem à classe I, o IPI devido em cada uma delas é calculado multiplicandose a quantidade de vintenas por a,469. A Infração 2 nos livros de sua contabilidade constam lançamentos que tratam da compensação do IPI a recolher com valores correspondentes a apólices da Divida Publica. nas DCTFs citou como números dos processo judiciais os números 2006.100021/6020, 20013.5000006/8982, e como medida judicial informou a existência de tutela antecipada até o 2º Decêndio/jan/2004 e a partir daí informou outros. as ações nos processos judiciais citados nenhuma medida liminar em vigor. a suspensão da exigibilidade do crédito tributário através de processo judicial só é possível se houver concessão de medida liminar em mandado de segurança, conforme determina o art. 151 do CTN. o contribuinte não poderia utilizarse das apólices da dívida publica para compensar tributos e contribuições federais já que existe proibição legal expressa. Com essas praticas o contribuinte, dolosamente, eximiuse do pagamento do tributo. desse modo, fica sujeito à aplicação da penalidade constante do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Infração 3 a fiscalizada declarou em DCTF vários valores como estando com exigibilidade suspensa. Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 15563.000308/200651 Resolução nº 3302000.444 S3C3T2 Fl. 12 3 nos livros de sua contabilidade constam lançamentos, que tratam da compesnação do IPI a recolher com valores correspondentes a apólices da divida publica. foram constatadas diferenças entre os valores constantes do Livro de Apuração do IPI e os declarados em DCTF. (...) agindo como agiu, a fiscalizada compensou contabilmente débitos de IPI com créditos da divida publica e declarou coma União constando e DCTF como estando com a exigibilidade suspensa sem amparo de medida judicial. os valores foram tributados no auto de infração conforme valores de saldo devedor constante dos livros de registro de apuração do IPI. Infração 4 o contribuinte não apresentou DCTF e nem recolheu os valores devidos de IPI nos meses de janeiro a outubro do ano calendario 2006. Infração 5 os livros Razão dos anos calendário de 2004 e 2005 apresentam saldos credores na conta caixa 10032 de sua contabilidade. a fiscalizada asseverou que os saldos de caixa representam os pagamentos realizados durante o mês de referência , sendo que os recebimentos em espécie ou em cheques foram totalizados em um único lançamento realizado no último dia de cada mês. a fiscalizada, apesar de afirmar que entregou documentos comprobatórios de movimentação do caixa, não entregou qualquer documento que comprovasse as origens de recurso ingressos no caixa, tanto que não existe qualquer termo de retenção. Deste modo a única prova de que esta fiscalização dispõe são os assentamentos registrados em sua contabilidade a existência de saldo credor e considerada omissão de recieta por presunção legal. Em sua impugnação a Recorrente alega, em síntese: a) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DA IMPUGNANTE Alega que procurou por varias vezes, antes mesmo da lavratura do auto de infração, a DRF de Nova Iguaçu para postular cópia do processo de fiscalização e não obteve êxito. Afirma ter tido acesso ao processo somente em 12/01/2007 muito embora a ciência do auto de infração tenha ocorrido em 19/12/2006. Por conta deste fatos aduz ter sido prejudicado com claro cerceamento do seu direito defesa. b) VÍCIOS DO MPF E DAS SUAS PRORROGAÇÕES O MPF foi objeto de varias prorrogações mediante registro eletrônico. Alega que foram praticados atos de ofício no período compreendido entre a emissão da primeira prorrogação e a ciência do impugnante em afronta ao § 2º do art. 13 c/c art.20 da Portaria SRF nº 3.007/01. Por este motivo seria nulo o lançamento efetuado. Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 15563.000308/200651 Resolução nº 3302000.444 S3C3T2 Fl. 13 4 c) IMPOSSIBILIDADE DA COBRANÇA DO VALOR DO PRINCIPAL LANÇADO, DA MULTA DE OFÍCIO E DA MULTA ISOLADA Registra que as compensações efetuadas na escrita fiscal e informadas em DCTF dispensam o lançamento de ofício, uma vez que a DCTF importa em confissão de divida o que possibilita a imediata cobrança dos débitos informados e compensados. Afasta a aplicação do § 12, letra C, do art. 74 da Lei nº 9.430/96 uma vez que a compensação efetuada é escritural, ou seja, não foi efetuada por meio de perdcomp. d) INDEVIDA QUALIFICAÇÃO DA MULTA Requer seja afastada a majoração da multa em função da não comprovação do evidente intuito de fraude exigido pelo disposto no inciso II, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. e) IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO CONCOMITANTEMENTE. Entende que é confiscatória a exigência concomitante da multa isolada e de oficio, por afronta ao disposto no art. 150, IV, da CF/88. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 15563.000308/200651 Resolução nº 3302000.444 S3C3T2 Fl. 14 5 Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório. VOTO Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade, e por isso dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório produzido pela autoridade fiscal que promoveu o presente lançamento, entre as infrações apontas encontrase a alegação de existência de omissão de receita nos seguintes termos: Os livros Razão dos anos calendário de 2004 e 2005 apresentam saldos credores na conta caixa 10032 de sua contabilidade. (...) A fiscalizada asseverou que os saldos de caixa representam os pagamentos realizados durante o mês de referência , sendo que os recebimentos em espécie ou em cheques foram totalizados em um único lançamento realizado no último dia de cada mês. (...) A fiscalizada, apesar de afirmar que entregou documentos comprobatórios de movimentação do caixa, não entregou qualquer documento que comprovasse as origens de recurso ingressos no caixa, tanto que não existe qualquer termo de retenção. Deste modo a única prova de que esta fiscalização dispõe são os assentamentos registrados em sua contabilidade (...) A existência de saldo credor é considerada omissão de receita por presunção legal conforme consta do inciso I do artigo 281 do Decreto nº 3.000/99 de 26.03.99 (Regularmente do Imposto da Renda – RIR/99). Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 15563.000308/200651 Resolução nº 3302000.444 S3C3T2 Fl. 15 6 Como se vislumbra, tratase de lançamento reflexo de infrações à legislação do IRPJ, sendo aplicável a espécie o que determina o art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que assim prescreve: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ: 1 Neste norte, entendo que o presente processo deva ser encaminhado a 1ª Seção do CARF, órgão competente para julgar os processos conexos, decorrentes ou reflexos de infrações a legislação do IRPJ. É como voto. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator 1 alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 Fl. 1468DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.728735/2014-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Porém, a simples falta de autenticação da Escrituração Contábil Digital (EAD) nas Juntas Comerciais não dá causa ao arbitramento de lucros.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
CSLL - Decorrendo a exigência da CSLL do mesmo fato que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, a mesma decisão proferida para o imposto de renda em face da estreita relação de causa e efeito.
PIS e Cofins - Diante da improcedência do arbitramento do lucro, considera-se indevida a apuração do PIS e da Cofins pelo regime cumulativo, já que a regra de apuração pelo lucro real enseja o cálculo do PIS e da Cofins pelo regime não cumulativo, conforme legislação vigente.
Numero da decisão: 1201-001.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausentes justificadamente os conselheiros: José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Porém, a simples falta de autenticação da Escrituração Contábil Digital (EAD) nas Juntas Comerciais não dá causa ao arbitramento de lucros. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL - Decorrendo a exigência da CSLL do mesmo fato que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, a mesma decisão proferida para o imposto de renda em face da estreita relação de causa e efeito. PIS e Cofins - Diante da improcedência do arbitramento do lucro, considera-se indevida a apuração do PIS e da Cofins pelo regime cumulativo, já que a regra de apuração pelo lucro real enseja o cálculo do PIS e da Cofins pelo regime não cumulativo, conforme legislação vigente.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10314.728735/2014-25
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5847410
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-001.970
nome_arquivo_s : Decisao_10314728735201425.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10314728735201425_5847410.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausentes justificadamente os conselheiros: José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7184358
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010517504000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1807; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2.692 1 2.691 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.728735/201425 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.970 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2018 Matéria Lucro Arbitrado Omissão de receitas Recorrente AMR INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS SIDERURGICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Porém, a simples falta de autenticação da Escrituração Contábil Digital (EAD) nas Juntas Comerciais não dá causa ao arbitramento de lucros. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Decorrendo a exigência da CSLL do mesmo fato que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, a mesma decisão proferida para o imposto de renda em face da estreita relação de causa e efeito. PIS e Cofins Diante da improcedência do arbitramento do lucro, considera se indevida a apuração do PIS e da Cofins pelo regime cumulativo, já que a regra de apuração pelo lucro real enseja o cálculo do PIS e da Cofins pelo regime não cumulativo, conforme legislação vigente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 87 35 /2 01 4- 25 Fl. 2722DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausentes justificadamente os conselheiros: José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Versa o presente processo sobre autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no valor total de R$ 4.258.513,78, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor total de R$ 1.939.712,63, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor total de R$ 5.410.371,75, Contribuição para PIS/PASEP, no valor total de R$ 1.172.247,21, acrescidos de multa de 75%, e juros de mora calculados até 01/2015, referentes ao ano calendário de 2010. Por economia processual e considerar pertinente adoto o relatório da decisão recorrida (efls.2.629/2.646) que a seguir transcrevo: 1. Tratase de Autos de Infração por meio dos quais a Autoridade Administrativa constituiu créditos tributários vinculados ao IRPJ, CSLL e PIS/PASEP e COFINS do ano de 2010. Afirma o AuditorFiscal responsável que: a) 23/09/2013 Termo de Início de Fiscalização emitido com requisição de que o contribuinte confirmasse a opção pela forma de tributação do lucro para o anobase de 2010 e, também, que efetuasse a entrega/envio dos arquivos digitais da Escrituração Contábil Digital (Sped Contábil),que o mesmo ainda não havia efetuado. Esse termo foi em 26/09/2013, iniciandose assim a ação fiscal; b) 19/11/2013 Não atendidas as exigências iniciais, foram reiteradas em nova intimação e, em resposta, o contribuinte apresentou declaração confirmando a opção pelo lucro real trimestral para o anobase de 2010 e também efetuou o envio do arquivo da Escrituração Contábil Digital (Sped Contábil) em 10/02/2014, código hash B7FDD59AA324BBBDFB384924062E7C639044C4B9, conforme protocolo. c) 20/02/2014 – intimação para que contribuinte apresentasse arquivos digitais de notas fiscais previstos na IN SRF 86/2001 combinado com o ADE COFIS 25/2010, além de arquivo digital em formato txt contendo o resumo dos livros de entrada e saída, em leiaute especificado (ciência, registrada em AR, em 24/02/2014 com atendimento pelo contribuinte); d) Setembro de 2014 o arquivo do Sped Contábil, transmitido em 10/02/2014, ainda não se encontrava autenticado pela Junta ComercialJUCESP e continha apenas parte das receitas auferidas no ano (pouco mais de 10%), situação esta constatada e confirmada pessoalmente pelo contador da empresa, sr. Marco Antonio Ercolin, razão pela qual, em 18/09/2014, Termo de Intimação foi encaminhado ao contribuinte via postal com AR Fl. 2723DF CARF MF Processo nº 10314.728735/201425 Acórdão n.º 1201001.970 S1C2T1 Fl. 2.693 3 e recebido pelo mesmo em 19/09/2014, solicitando a Escrituração Contábil Digital do ano de 2010 devidamente autenticada pela JUCESP, com prazo de 20 dias; e) 23/10/2014 – contribuinte é reintimado, com prazo de dez dias, a apresentar a Escrituração Contábil Digital do ano de 2010 devidamente autenticada pela JUCESP; f) 25/11/2014 o contribuinte transmitiu novo arquivo da Escrituração Contábil DigitalECD para o Sped Contábil, código hash BAF848A6A24FFB572EFEB68A812BC3FE1055B830, em substituição ao anterior. Porém, o mesmo encontravase sem autenticação da JUCESP até o encerramento do procedimento fiscal; g) Em contato telefônico, com o sr. Marco Antonio Ercolin, foi informado que o contribuinte poderia, em vez da ECD autenticada pela JUCESP, apresentar o Livro Diário do ano de 2010 de forma impressa, desde que estivesse devidamente registrado/autenticado pela JUCESP; h) 30/12/2014 contribuinte protocolizou declaração informando que, devido às festas de final de ano e férias coletivas, só poderia atender o solicitado após o dia 12/01/2015; i) 20/01/2015 o contribuinte entregou cópia digitalizada em formato “pdf” do Livro Diário de 2010, porém sem o devido registro/autenticação da JUCESP; DECLARAÇÕES ENTREGUES PELO CONTRIBUINTE j) DIPJ e DACONs do anocalendário de 2010 apresentadas sem qualquer valor declarado (“zeradas”), registrando opção pelo Lucro Real Trimestral, RECEITAS AUFERIDAS k) Dados extraídos dos arquivos de notas fiscais eletrônicas (NFe) emitidas pelo contribuinte (planilha ANEXO I), apontam que a receita bruta total do ano de 2010 foi de R$ 82.700.050,77; 3. Com base na narrativa de fatos anteriormente tratada, a Autoridade Administrativa que presidiu o procedimento fiscal conclui que os registros contábeis apresentados não observam os comandos dos arts. 251 e 258 do Decreto nº 3.000/99. 4. Diante disto, a autoridade lançadora, registrou a impossibilidade de verificar e comprovar a apuração pelo lucro real, conforme previsto no artigo 276 do RIR/99. Como conseqüência, entendeu pelo cabimento da apuração do lucro por arbitramento, conforme previsto no artigo 530, inciso I, do RIR/99. Fl. 2724DF CARF MF 4 5. Registra o TVF que, conforme disposto no art. 532 do RIR/99, quando conhecida a receita bruta, que no presente caso é a receita de vendas extraída dos arquivos de notas fiscais eletrônicas (NFe) emitidas pelo contribuinte (planilha ANEXO I), o lucro arbitrado será determinado pela aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento, sobre essa receita bruta. 6. Em razão dos fatos narrados, a autoridade lançadora constituiu, de ofício, o crédito tributário com base nos seguintes valores mensais de receita bruta: 7. Os valores apurados do IRPJ pelo lucro arbitrado e, por tributação reflexa, também da CSLL, referemse ao ano calendário de 2010. Tendo em vista que o contribuinte entregou os DACONs do ano de 2010 “zerados”, destacando o TVF que, conforme disposto no art. 8º da Lei nº 10637/2002 e no art. 10 da Lei nº 10833/2003, as contribuições devidas ao PIS/PASEP e COFINS devem ser calculadas pelo regime cumulativo, incidentes sobre a receita bruta. Fl. 2725DF CARF MF Processo nº 10314.728735/201425 Acórdão n.º 1201001.970 S1C2T1 Fl. 2.694 5 8. Em oposição ao entendimento firmado pela Autoridade Administrativa que constitui os créditos anteriormente mencionados, a contribuinte apresentou impugnação na qual alega: a) (...) a exigência do IRPJ no Lucro Arbitrado no presente caso é totalmente equivocada e ilegal. Isso porque, para fins de arbitramento do lucro, somente é admitido nas hipóteses de (1) a escrituração não estiver na forma das leis comerciais e fiscais, e ainda (2) quando ocorrer a impossibilidade de apuração do lucro real da empresa. b) A Recorrente mantém toda a escrituração na forma das normas comerciais e fiscais, bem como atendeu integralmente as solicitações do Auditor Fiscal, fornecendo todos os documentos e informações requisitadas, possibilitando assim, a apuração do Lucro Real. c) por entender que ausência de autenticação do ECD pela JUCESP consiste em descumprimento da legislação comercial (art. 530, I do RIR), o Auditor Fiscal desconsiderou a ECD para aplicar o regime de Lucro Arbitrado. d) o CERNE DA QUESTÀO é definir se a simples ausência de autenticação do ECD pela JUCESP, procedimento ainda em trâmite perante a Junta Comercial e iniciado antes da lavratura do AI. é fundamento razoável e suficiente para aplicar o Lucro Arbitrado; e) A ausência de autenticação do ECD pela JUCESP não configura descumprimento da legislação comercial e fiscal previstos no artigo 530, inciso I do RIR. Diante da instituição do ambiente SPED, a referida autenticação da ECD pela JUCESP é uma conseqüência do próprio procedimento de transmissão da ECD, não havendo um ato próprio ou específico que o Contribuinte poderia deixar de realizar. f) Com a transmissão da ECD para o ambiente SPED, os Contribuintes atendem e cumprem com todo os atos para o registro da escrituração, não havendo atos a serem tomados posteriormente. Dessa maneira, realizada a transmissão da ECD, é insubsistente a alegação descumprimento da legislação comercial e fiscal pela ausência de autenticação pela Junta Comercial. g) Ainda que a ausência de autenticação da ECD pela JUCESP possa ser considerada como descumprimento da legislação comercial e fiscal, tal "infração" não pode ser atribuída à Recorrente por não decorrer de ato próprio, mas sim, de inércia pela Junta Comercial. h) Uma vez transmitida a ECD ao sistema SPED, cabe à JUCESP efetivar a autenticação dos arquivos digitais, nos termos da IN DNRC nº 107/2008, de tal maneira que a ausência da referida autenticação decorre exclusivamente por conta da inércia da JUCESP. Fl. 2726DF CARF MF 6 i) Ainda que se possa (i)considerar a ausência de autenticação da ECD pela JUCESP como descumprimento à legislação comercial e fiscal nos termos do artigo 530, inciso I do RIR, bem como (ii) atribuir à Recorrente a responsabilidade pelo descumprimento da citada legislação, a simples ausência da autenticação da ECD pela JUCESP não é suficiente para amparar a aplicação da apuração do Lucro Arbitrado. j) Para fins de aplicar o Lucro Arbitrado, a jurisprudência do CARF já se posicionou no sentido de que somente é passível na hipótese de impossibilidade de apuração do lucro real. k) Tendo em vista que a autenticação da ECD consiste em um ato estritamente formal para atribuir (definir) validade à escrituração apresentada pelas empresas, a sua ausência não afeta o teor e/ou os valores informados e transmitidos na ECD pela Recorrente. l) Vale lembrar que não é competência da JUCESP analisar valores, auditar ou determinar alteração da escrituração contábil, de modo que não tem o efeito de anular ou modificar os lançamentos da escrituração a (i)simples ausência da autenticação da ECD por inércia da JUCESP; ou, embora não seja o caso, (ii) o indeferimento da autenticação pela JUCESP, neste último caso, totalmente sanável com a correção da inconsistência formal da ECD. m) conforme se constata no Termo de Verificação Fiscal,em atendimento à fiscalização, a Recorrente apresentou e transmitiu os seguintes documentos, conforme se constata no Termo de Verificação Fiscal: a) Em 10/02/2014: i. Esclareceu e confirmação sobre o regime de apuração adotado; ii. Transmissão da ECD (Sped Contábil) b) Em 14/07/2014: i. Apresentou os arquivos digitais das Notas Fiscais previstos na IN SRF 86/2001 e ADE COFIS 25/2010 ii. Apresentou os arquivos digitais do resumo dos Livros de Entrada e Saída, em layout específico e exigido pela Fiscalização c) Em 25/11/2014: i. Transmissão de nova ECD em substituição ao anterior, transmitida em 10/02/2014. (Doc. 02) d) Em 20/01/2015: i. Em atendimento a uma solicitação via contato telefônico, como bem destacou o Termo de Verificação Fiscal, a Recorrente apresentou a cópia do Livro Diário em arquivo digital formato .PDF. Fl. 2727DF CARF MF Processo nº 10314.728735/201425 Acórdão n.º 1201001.970 S1C2T1 Fl. 2.695 7 n) (..) causa mais estranheza ainda, a afirmação do Auditor Fiscal de que a cópia do Livro Diário teria sido solicitada de forma impressa!! Ora, a Recorrente nunca deixou de prestar esclarecimentos ou apresentar os documentos solicitados. A entrega do Livro Diário, em atendimento ao citado contato telefônico.cumpriu com todas as orientações do próprio Auditor Fiscal, tanto no conteúdo quanto na forma efetivamente apresentada. o) Ocorre que a norma prevista no artigo 530, inciso I do RIR não acompanhou a atualização dos procedimentos eletrônicos existentes, especificamente os procedimentos em ambiente SPED, no qual toda a escrituração é entregue em arquivos eletrônicos à própria Receita Federal. [...] Atualmente, com o sistema SPED no qual toda a contabilidade é transmitida e disponibilizada para vários órgãos, não faz sentido algum a exigência da autenticidade da Escrituração Digital, dado que a transmissão já exige a assinatura digital dos Contribuintes, conferindo autoria, autenticidade, integridade e validade jurídica. Por tal razão, a Receita Federal emitiu a INRFB nº 1420/2013 disciplinando a matéria: Art. 2a A ECD compreenderá a versão digital dos seguintes livros: I livro Diário e seus auxiliares, se houver; II livro Razão e seus auxiliares, se houver; III livro Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos. Parágrafo único. Os livros contábeis e documentos de que trata o caput deverão ser assinados digitalmente, utilizandose de certificado de segurança mínima tipo A3, emitido por entidade credenciada pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPBrasil), a fim de garantir a autoria, a autenticidade, a integridade e a validade jurídica do documento digital. (...) Art. 4a A ECD deverá ser submetida ao Programa Validador e Assinador (PVA), especificamente desenvolvido para tal fim, a ser disponibilizado na página da RFB na Internet, no endereço www.receita.fazenda.gov.br/sped, contendo, no mínimo, as seguintes funcionalidades: I validação do arquivo digital da escrituração; II assinatura digital; III visualização da escrituração; IV transmissão para o Sped; e Fl. 2728DF CARF MF 8 V consulta à situação da escrituração. (Destaque Nosso) p) Tanto é assim, a dissonância entre a legislação ultrapassada com a realidade dos procedimentos da RFB, que basta constatar no Termo de Verificação Fiscal que o Auditor Fiscal, para fortalecer seus argumentos, amparouse no artigo 258, §4Q do RIR, que estabelece a obrigatoriedade dos Livros FÍSICO serem encadernados, numerados, etc. e de serem SUBMETIDAS autenticaçâo no órgão competente do Registro de Comércio. [...] Ora, o artigo 258 do RIR não apenas confirma a dissonância entre a escrituração física e a escrituração no sistema SPED, como ainda demonstra que os Livros devem ser SUBMETIDOS à autenticação Não há obrigatoriedade da conclusão da AUTENTICAÇÃO! De qualquer maneira, como a legislação não caminhou na mesma velocidade que os procedimentos e a tecnologia da RFB via SPED, para suprir a exigência normativa da autenticidade da ECD, no momento da transmissão da ECD ocorre também a transmissão de requerimento para que a JUCESP proceda a autenticação da ECD em outras palavras, tratase de um procedimento realizado simultaneamente com a transmissão da própria ECD para o sistema SPED. Ou seja, mesmo que a exigência de autenticação não faça sentido diante do atual sistema SPED, para preencher a lacuna entre o disposto na legislação e os procedimentos eletrônicos atuais, ao fazer a transmissão da ECD para o SPED, também há a transmissão do requerimento para a JUCESP realizar a autenticação. ASSIM, É INSUBSISTENTE O ARGUMENTO DE QUE A AUSÊNCIA DE AUTENTICAÇÃO DA ECD CONFIGURA UMA DESOBEDIÊNCIA À LEGISLAÇÃO COMERCIAL E FISCAL, POIS A SUA FALTA DECORRE EXCLUSIVAMENTE DA INÉRCIA/DEMORA DA JUCESP EM CONCLUIR O PROCEDIMENTO. DESSE MODO, DESDE QUE TRANSMITIDA A ECD, NÀO HÁ DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO COMERCIAL E FISCAL POR FALTA DE AUTENTICAÇÃO PELA JUCESP. q) Ressaltese, ainda, que após a transmissão da ECD ao sistema SPED, não há meios dos contribuintes interferirem ou acelerarem o processo de autenticação, devendo aguardar os procedimentos e conclusões da Juntas Comerciais. Todo esse procedimento está disciplinado na INSTRUÇÃO NORMATIVA DNRC na 107/2008, emitido pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio ("DNRC"), órgão federal vinculado à Secretaria de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, onde uma de suas competências é regulamentar e uniformizar os procedimentos relativos Juntas Comerciais (...) r) Em resumo, os contribuintes transmitem a ECD para o ambiente SPED através do software oficial denominado Programa Validador e Assinador ("PVA"), momento em que, simultaneamente, também há a transmissão do "requerimento" Fl. 2729DF CARF MF Processo nº 10314.728735/201425 Acórdão n.º 1201001.970 S1C2T1 Fl. 2.696 9 destinado à Junta Comercial correspondente. (Artigos 17 e 18 acima mencionados) Posteriormente, o ambiente SPED disponibiliza às Juntas Comerciais os arquivos transmitidos que, através do software fornecido pelo DNRC, analisa e realiza a autenticação da ECD e demais dados de sua competência. (Artigos 19 e 20 acima mencionado) Apenas para não pairarem dúvidas, o próprio site da JUCESP esclarece sobre os procedimentos de autenticação dos Livros Contábeis digitais, conforme as informações obtidas no link http://www.institucional.jucesp.sp.gov.br/sped.php s) Reforçase ainda, o fato de que não há ato ou procedimento que a Recorrente possam adotar para obter a autenticação da ECD, pois todo o procedimento é de exclusividade da JUCESP, que deve buscar as informações no sistema SPED. Somente cabe à Recorrente (e demais Contribuintes) aguardarem a conclusão da análise pela Juntas Comerciais, razão pelo qual é ilegal qualquer atribuição ou imputação de descumprimento da legislação pela ausência da autenticação da ECD pela JUCESP. Vale relembrar que.para obedecer ao disposto o artigo 258, §4 do RIR, basta que os Livros sejam SUBMETIDOS à autenticação no órgão competente do Registro de Comércio, não sendo necessário a Conclusão da Autenticação t) Há que ressaltar, como dito, que a autenticação pela transmissão da ECD é garantida através da assinatura digital exigida pelo PVA, o que por si só é suficiente para suprir a função da autenticação da ECD pela JUCESP. PORTANTO, A AUSÊNCIA DE AUTENTICAÇÃO DA ECD PELA JUCESP NÃO CONFIGURA DESCUMPRIMENTO DAS LEIS COMERCIAIS OU FISCAIS PARA FINS LÊ APLICAÇÃO DO LUCRO ARBITRADO, O QUE TORNA O PRESENTE AI TOTALMENTE INSUBSISTENTE. u) Ainda que a ausência de autenticação da ECD pela JUCESP possa ser considerada como descumprimento da legislação comercial e fiscal, o que se considera apenas como hipótese, tal "infração" não pode ser atribuída à Recorrente por não decorrer de ato próprio, mas sim, de inércia pela Junta Comercial. Uma vez transmitida a ECD ao sistema SPED, cabe à JUCESP efetivar a autenticação dos arquivos digitais, nos termos da IN DNRC ne 107/2008, de tal maneira que a ausência da referida autenticação decorre exclusivamente por conta da inércia da JUCESP Ora, se no momento do AI a Recorrente adotara todos os procedimentos e atos exigidos pela legislação, de modo que a ausência de autenticação da ECD decorre exclusivamente em Fl. 2730DF CARF MF 10 razão de ato alheio, ou seja, da JUCESP, não se pode imputar à Recorrente o descumprimento da legislação. Conforme se constata no Termo de Verificação Fiscal, em atendimento à fiscalização, em 25/11/2014 a Recorrente transmitiu novo arquivo da ECD para o sistema SPED (código hash BAF848A6A24FFB572EFEB68A812BC3FE1055B830), em substituição ao arquivo anterior. Como previsto nas normas supra citadas, a partir dessa data de transmissão, o arquivo da ECD fica à disposição da JUCESP para ser analisado e proceder a autenticação. Assim, desde 25/11/2014, com a transmissão da ECD substitutiva, a o arquivo ECD já encontravase em trâmite para análise e autenticação pela JUCESP, ou seja, em momento muito anterior a lavratura do AI, que somente ocorreu em 01/2015. Tal fato é simplesmente comprovado através de documento emitido pelo próprio SPED que informa a situação do arquivo da ECD. Conforme documento emitido erro, constatase que o Livro Digital foi recebido, porém caberia à Junta Comercial buscar as informações no SPED para autenticálo (Doc. 03): O livro digital foi recebido pelo Sped Contábil, porém ainda não foi encaminhado para a Junta Comercial. Cabe à Junta Comercial buscar as informações no sítio do Sped para autenticar o livro, a menos que a Junta Comercial tenha desenvolvido aplicativo próprio que permita a automatização do procedimento v) (...) que o próprio sistema Sped informa que (i) o procedimento para autenticar cabe à Junta Comercial; e (ii) cujos procedimentos são definidos e desenvolvidos pela própria Junta Comercial. Portanto, efetuada a transmissão da ECD, resta à Recorrente tão somente aguardar a Junta Comercial adotar seus procedimentos internos e concluir a autenticação da ECD.É que se constata no documento emitido em 19/02/2015. no qual há a atualização do status da análise da ECD pela Junta Comercial (Doc. 04). A escrituração encontrase na base de dados do SPED e será processada pela Junta Comercial O fato é que, mesmo após transcorridos mais de 2 (dois) meses da data de transmissão do arquivo da ECD ao SPED, sem que a JUCESP tenha analisada e/ou autenticado o arquivo da ECD, tal ausência da referida autenticação não pode ser atribuída à Recorrente, muito menos, utilizar tal fato como argumento para justificar o Lucro Arbitrado. PORTANTO, AINDA QUE A AUSÊNCIA DE AUTENTICAÇÃO DA ECD PELA JUCESP POSSA SER CONSIDERADA COMO DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO NOS TERMOS DO ARTIGO 530, INCISO I DO RIR, NÃO SE PODE ATRIBUIR TAL "INFRAÇÃO" À RECORRENTE, POIS A FALTA DA REFERIDA AUTENTICAÇÃO DA ECD DECORRE EXCLUSIVAMENTE POR INÉRCIA DA JUCESP EM Fl. 2731DF CARF MF Processo nº 10314.728735/201425 Acórdão n.º 1201001.970 S1C2T1 Fl. 2.697 11 CONCLUIR O PROCEDIMENTO, RESSALTANDO NOVAMENTE, PROCEDIMENTO INICIADO ANTERIORMENTE A LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. w) Por fim, ainda que (l)a ausência de autenticação da ECD pela JUCESP possa ser considerada como descumprimento da legislação comercial e fiscal, nos termos do artigo 530, inciso I do RIR, e ainda, (2) que tal descumprimento possa ser atribuída à Recorrente, fato é que a simples ausência da autenticação da ECD pela JUCESP não é suficiente para desconsiderar toda a escrituração e aplicar o Lucro Arbitrado. A sistemática de Lucro Arbitrado não pode ser adotada de forma discricionária a toda e qualquer situação fática, por parte do Fisco. A viabilidade de sua utilização somente é possível em situações peculiares e excepcionais, quando restar comprovado a impossibilidade de aferição direta do Lucro Real, como por exemplo, na negativa injustificada do contribuinte em fornecer os elementos e documentos solicitados pelo Agente Fiscal. Nesse sentido, a jurisprudência do CARF posicionou entendimento de que o arbitramento deve ser entendido como "forma excepcional" de tributação, devendo ser aplicado somente em casos de omissões contábeis ou erros graves que impeçam a determinação do Lucro Real. x) (...) tendo em vista que a autenticação da ECD consiste em um ato estritamente formal à ECD transmitida, a sua ausência não afeta o teor e/ou os valores informados pela Recorrente, permitindo à fiscalização a devida apuração do Lucro Real. Tampouco é subsistente a alegação de que a autenticação da ECD pela JUCESP teria a finalidade de atribuir validade à escrituração, tal como era feito com os Livros Físicos. Isso porque, conforme se depreende da IN RFB na 1420/2013, a ECD é transmitida ao sistema SPED utilizandose de assinaturas digitais, utilizandose de certificado de segurança criptografados e emitidos por entidades credenciadas, garantindo a AUTORIA, a AUTENTICIDADE, a INTEGRALIDADE e a VALIDADE JURÍDICA da escrituração y) Ora, se o Auditor Fiscal não confia na escrituração apresentada, deveria confrontála com os documentos físicos, tais como as Notas Fiscais, inclusive cujos Livros de Apuração de Entrada e Saída foram entregues e utilizados para aferir a Receita do Lucro Arbitrado. Questionase se a ECD possuía informação divergente daquelas contidas nos Livros de Entrada e Saída? Nem mesmo isso o Auditor Fiscal deuse o trabalho de verificar e certificar. Preferiu o mais fácil: desconsiderar a ECD e apurar o Lucro Arbitrado, ainda que o lançamento seja em valores astronômicos que podem causar o fim da atividade da Recorrente. Fl. 2732DF CARF MF 12 Portanto, em vista da disparidade e incoerência do presente AI ao (I) imputar arbitramento de lucro diante de ECD não autenticada pela Jucesp (fora do escopo do contribuinte), (II) infligir descumprimento de lei em patente caso de inércia da Jucesp e (III) atribuir apuração por Lucro Arbitrado em manifesto confronto com a jurisprudência do CARF, totalmente ilegal e insubsistente as infrações imputadas à Impugnante que não fez nada mais do que o estritamente estabelecido em lei e solicitado pelo próprio Auditor Fiscal. 9. Nos termos anteriormente expostos pede o recebimento de sua impugnação, para que seja processada e ao final julgada procedente para anular o auto de infração. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (1ª Turma/ DRJ/Curitiba/PR) julgou improcedente a impugnação em decisão proferida no Acórdão nº 0657.788, de 13 de março de 2017, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 ESCRITURAÇÃO. FORÇA PROBANTE Apenas a escrituração contábil mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se forem comprovados por documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. OMISSÃO SISTEMÁTICA DE RECEITAS. INIDONEIDADE DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO. Ainda que autenticada no Registro do Comércio, é inidônea a escrituração que sistematicamente deixa de registrar a maioria das operações do contribuinte e os resultados apurados em suas atividades, impondose, na hipótese, o arbitramento do lucro para todos os efeitos tributários. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. PIS/PASEP e COFINS Aplicamse aos lançamentos reflexos os mesmos fundamentos do IRPJ, no que couber. O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 10/04/2017, conforme Termo de ciência, efl.2661, interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 09/05/2017, fls.2665/2683, conforme Termo de Análise de Juntada, fls.2663. A Recorrente, no essencial, repisa os argumentos trazidos na impugnação , e, na peça recursal argúi inovação, pela DRJ, na motivação e fundamentação do lançamento, na medida em que valida o Auto de Infração por suposta escrituração parcial das operações, enquanto o argumento utilizado pelo AFRFB para o arbitramento do lucro consiste na ausência de autenticação pela Junta Comercial, diante de ECD não autenticada pela Jucesp. É o relatório. Voto Fl. 2733DF CARF MF Processo nº 10314.728735/201425 Acórdão n.º 1201001.970 S1C2T1 Fl. 2.698 13 Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O recurso voluntário apresentado é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. No auto de infração em que se exige o IRPJ, o autuante descreve a situação ocasionada pelo contribuinte que fundamenta o arbitramento do lucro, verbis: Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2010, 06/2010, 09/2010 e 12/2010 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte, sujeito a tributação com base no Lucro Real, não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 532 do RIR/99 Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. Os fatos que justificaram o arbitramento do lucro constam do Termo de Verificação Fiscal (TVF), do qual se extrai os seguintes excertos que também constam do relatório acima: A – DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Em 23/09/2013 emitimos o Termo de Início de Fiscalização, onde foi solicitado que o contribuinte confirmasse a opção pela forma de tributação do lucro para o anobase de 2010 e, também, que efetuasse a entrega/envio dos arquivos digitais da Escrituração Contábil Digital (Sped Contábil), que o mesmo ainda não havia efetuado. Esse termo foi encaminhado via postal com AR ao endereço da empresa constante no cadastro da RFB, tendo sido recebido pela mesma em 26/09/2013, iniciandose assim, para todos os efeitos, a ação fiscal. Em 19/11/2013, emitimos Termo de Intimação, encaminhado ao contribuinte via postal com AR e recebido pelo mesmo em 22/11/2013, solicitando novamente os elementos já solicitados no Termo de Início, uma vez que o mesmo ainda não havia sido atendido. Em resposta, o contribuinte apresentou declaração confirmando a opção pelo lucro real trimestral para o ano base de 2010 e também efetuou o envio do arquivo da Escrituração Contábil Fl. 2734DF CARF MF 14 Digital (Sped Contábil) em 10/02/2014, código hash B7FDD59AA324BBBDFB384924062E7C639044C4B9, conforme protocolo. Em 20/02/2014, emitimos Termo de Ciência e Intimação, encaminhado ao contribuinte via postal com AR e recebido pelo mesmo em 24/02/2014, solicitando os arquivos digitais de notas fiscais previstos na IN SRF 86/2001 combinado com o ADE COFIS 25/2010, além de arquivo digital em formato txt contendo o resumo dos livros de entrada e saída, em leiaute especificado. Em resposta o contribuinte apresentou os arquivos solicitados. Tendo em vista que o arquivo do Sped Contábil transmitido em 10/02/2014 ainda não se encontrava autenticado pela Junta ComercialJUCESP e, também, que o mesmo não estava correto, pois só continha parte das receitas auferidas no ano (pouco mais de 10%), situação esta constatada e confirmada pessoalmente pelo contador da empresa, sr. Marco Antonio Ercolin, emitimos em 18/09/2014 um Termo de Intimação, encaminhado ao contribuinte via postal com AR e recebido pelo mesmo em 19/09/2014, solicitando a Escrituração Contábil Digital do ano de 2010 devidamente autenticada pela JUCESP, com prazo de 20 dias. Em 21/10/2014, como não havia sido atendido o termo anterior, emitimos novo Termo de Intimação, encaminhado ao contribuinte por via postal com AR e recebido pelo mesmo em 23/10/2014, intimandoo novamente e definitivamente, com prazo de dez dias, a apresentar a Escrituração Contábil Digital do ano de 2010 devidamente autenticada pela JUCESP. Em 25/11/2014 o contribuinte transmitiu novo arquivo da Escrituração Contábil DigitalECD para o Sped Contábil, código hash BAF848A6A24FFB572EFEB68A812BC3FE1055B830, em substituição ao anterior. Porém, o mesmo ainda encontrase sem autenticação da JUCESP até a presente data. Em contato telefônico com o sr. Marco Antonio Ercolin, informamos que o contribuinte poderia, em vez da ECD autenticada pela JUCESP, apresentar o Livro Diário do ano de 2010 de forma impressa, desde que estivesse devidamente registrado/autenticado pela JUCESP. Em 30/12/2014 o contribuinte protocolizou declaração informando que, devido às festas de final de ano e férias coletivas, só poderia atender o solicitado após o dia 12/01/2015. Em 20/01/2015 o contribuinte entregou cópia digitalizada em formato “pdf” do Livro Diário de 2010, porém sem o devido registro/autenticação da JUCESP. Durante a análise da documentação apresentada, no transcorrer do procedimento fiscal, foram emitidos outros Termos, em atendimento ao artigo 7º, § 2º, do Decreto nº 70235/72, enviados ao contribuinte por via postal, com AR. ... Fl. 2735DF CARF MF Processo nº 10314.728735/201425 Acórdão n.º 1201001.970 S1C2T1 Fl. 2.699 15 DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO Conforme opção do contribuinte na DIPJ (que foi entregue zerada) e confirmada em declaração entregue a esta fiscalização, o regime de apuração do IRPJ do anocalendário de 2010 seria pelo lucro real trimestral. Entretanto, o contribuinte não apresentou, até esta data, uma Escrituração Contábil Digital devidamente autenticada pela JUCESP e a que foi apresentada de forma impressa/digitalizada também não possui o devido registro/autenticação da JUCESP, conforme determinam os artigos 251 e 258 do Decreto 3000/99 (RIR/99): (...) Sendo assim, não foi possível efetuar a verificação e comprovação da apuração pelo lucro real, conforme previsto no artigo 276 do RIR/99. Como conseqüência, cabe a apuração do lucro por arbitramento, conforme previsto no artigo 530, inciso I, do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; ..... B – DA AUDITORIA DAS DECLARAÇÕES ENTREGUES PELO CONTRIBUINTE O contribuinte entregou/transmitiu a DIPJ e as DACONs do anocalendário de 2010 sem qualquer valor declarado, ou seja, “zeradas”. No caso da DIPJ, a opção para a tributação do lucro foi pelo lucro real trimestral, confirmada pela declaração mencionada acima. DAS RECEITAS AUFERIDAS Conforme dados extraídos dos arquivos de notas fiscais eletrônicas (NFe) emitidas pelo contribuinte (planilha ANEXO I), a receita bruta total do ano de 2010 foi de R$ 82.700.050,77. Na impugnação, a autuada, no essencial, insurgese contra o arbitramento do lucro diante de ECD não autenticada pela Jucesp (fora do escopo do contribuinte), e não concorda que lhe seja imputado descumprimento de lei em razão de patente caso de inércia da Jucesp. Fl. 2736DF CARF MF 16 Argúi que a autenticação da ECD consiste em um ato estritamente formal à ECD transmitida; a sua ausência não afeta o teor e/ou os valores informados pela Recorrente, permitindo à fiscalização a devida apuração do Lucro Real. Argumenta que, se o Auditor Fiscal não confia na escrituração apresentada, via ECD transmitida, deveria confrontála com os documentos físicos, tais como as Notas Fiscais, inclusive cujos Livros de Apuração de Entrada e Saída que foram entregues e utilizados para aferir a Receita do Lucro Arbitrado. Conclui que, caso, a ausência de autenticação da ECD pela JUCESP possa ser considerada como descumprimento da legislação comercial e fiscal, nos termos do artigo 530, inciso I do RIR, e ainda, que tal descumprimento possa ser atribuída à Recorrente, fato é que a simples ausência da autenticação da ECD pela JUCESP não é suficiente para desconsiderar toda a escrituração e aplicar o Lucro Arbitrado. Registrese que é dever da autoridade fiscal apurar o lucro com base no arbitramento sempre que presentes as hipóteses legais, consubstanciadas no artigo 530 do Decreto n. 3000/99. Depreendese da descrição do Auto de Infração e do TVF, acima transcritos que, o entendimento do autuante é no sentido de que o contribuinte, sujeito a tributação com base no Lucro Real, não possuía escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, pelo fato de haver transmitido arquivo da Escrituração Contábil DigitalECD para o Sped Contábil, código hash BAF848A6A24FFB572EFEB68A812BC3FE1055B830, mas ainda, sem autenticação da JUCESP. E, por tal motivo a autoridade fiscal conclui que, os registros contábeis apresentados não observam os comandos dos artigos 251 e 258 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99); impossibilitam verificar e comprovar a apuração pelo lucro real, conforme previsto no artigo 276 do RIR/99, e, como conseqüência, entendeu pelo cabimento da apuração do lucro por arbitramento, com fundamento no artigo 530, inciso I, do RIR/99. Os mencionados arts.251 e 276 do RIR/99, assim dispõem: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25) ... Art.276.A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova, observado o disposto no art. 922 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º).. Fl. 2737DF CARF MF Processo nº 10314.728735/201425 Acórdão n.º 1201001.970 S1C2T1 Fl. 2.700 17 É sabido que, segundo prescreve o art. 44 do Código Tributário Nacional (CTN), o lucro, como base de cálculo do IRPJ, pode ser apurado pelo seu montante real, arbitrado ou presumido. Assim, ocorrido o fato gerador da obrigação tributária e na impossibilidade de apurarse o montante real ou presumido, o lucro, para efeito de tributação, deve ser arbitrado. Isso porque, à luz do art. 142 do mesmo CTN, o Fisco, ao constituir o crédito tributário pelo lançamento em atividade vinculada e obrigatória, está obrigado a determinar a matéria tributável e calcular o montante devido do tributo. Com efeito, no presente caso, para o autuante afastar o lucro real, não basta simplesmente informar que, não foi possível efetuar a verificação e comprovação da apuração pelo lucro real, isto porque, o lucro arbitrado, ao ser utilizado devese demonstrar que há impossibilidade da real apuração do lucro, seja por deficiência das informações do contribuinte, receitas e custos/despesas divergentes, fatos relevantes não contabilizados, livro fiscal obrigatório (Lalur) insuficientemente preenchido, seriam provas de que não há condições de se obter o verdadeiro Lucro real do ano de 2010, e assim, justificaria a utilização do arbitramento do lucro para se obter a base de cálculo dos tributos devidos. O pressuposto para o arbitramento da renda tributável, é a omissão do sujeito passivo no que tange à escrituração contábil e demonstrações financeiras, aos esclarecimentos ou documentos que devem ser utilizados para o cálculo do tributo, bem como se houver ausência de dados que possibilitem apurar a base de cálculo real do imposto de renda. Pelos fatos descritos no TVF pelo autuante, não se pode concluir pela falta de condições de obter com precisão o lucro real, pois, não consta que tenha havido verificação da exatidão ou não dos dados contidos nas demonstrações financeiras, exame dos registros contábeis (escrituração dos livros contábeis) e dos documentos que deram origem a eles, tampouco constatado vícios no novo arquivo da Escrituração Contábil Digital (ECD) transmitida para o Sped Contábil em 25/11/2014, que levaram a autoridade fiscal a arbitrar o lucro do ano calendário de 2010, já que tinha à sua disposição a (ECD) apresentada pelo contribuinte, ainda que sem a formalidade extrínseca (autenticação da JUCESP) conforme descrito no referenciado TVF, vejamos: Em resposta o contribuinte apresentou os arquivos solicitados. Tendo em vista que o arquivo do Sped Contábil transmitido em 10/02/2014 ainda não se encontrava autenticado pela Junta ComercialJUCESP e, também, que o mesmo não estava correto, pois só continha parte das receitas auferidas no ano (pouco mais de 10%), situação esta constatada e confirmada pessoalmente pelo contador da empresa, sr. Marco Antonio Ercolin, emitimos em 18/09/2014 um Termo de Intimação, encaminhado ao contribuinte via postal com AR e recebido pelo mesmo em 19/09/2014, solicitando a Escrituração Contábil Digital do ano de 2010 devidamente autenticada pela JUCESP, com prazo de 20 dias. ... Em 25/11/2014 o contribuinte transmitiu novo arquivo da Escrituração Contábil DigitalECD para o Sped Contábil, Fl. 2738DF CARF MF 18 código hash BAF848A6A24FFB572EFEB68A812BC3FE1055B830, em substituição ao anterior. Porém, o mesmo ainda encontrase sem autenticação da JUCESP até a presente data. Em contato telefônico com o sr. Marco Antonio Ercolin, informamos que o contribuinte poderia, em vez da ECD autenticada pela JUCESP, apresentar o Livro Diário do ano de 2010 de forma impressa, desde que estivesse devidamente registrado/autenticado pela JUCESP. Em 30/12/2014 o contribuinte protocolizou declaração informando que, devido às festas de final de ano e férias coletivas, só poderia atender o solicitado após o dia 12/01/2015. Em 20/01/2015 o contribuinte entregou cópia digitalizada em formato “pdf” do Livro Diário de 2010, porém sem o devido registro/autenticação da JUCESP. Gizse ainda que, consoante o TVF, a autoridade lançadora constituiu, de ofício, o crédito tributário com base nos valores mensais de receita bruta, extraídos dos arquivos de notas fiscais eletrônicas (NFe) emitidas pelo contribuinte (planilha ANEXO I), cujos dados informam que a receita bruta total do ano de 2010 foi de R$ 82.700.050,77. Todavia, a configurar o arbitramento do lucro, não faz nenhuma referência no TVF que tal receita não esteja escriturada no novo arquivo da Escrituração Contábil DigitalECD para o Sped Contábil, código hash BAF848A6A24FFB572EFEB68A812BC3FE1055B830, em substituição ao anterior. Ressaltese que aqui não se discute a omissão de receita já que, segundo o TVF a DIPJ/2011 do contribuinte fora apresentada "zerada", mas tãosó o arbitramento do lucro. Mas esse fato também não pode por si só conduzir ao arbitramento, porque tal situação não se encontra albergada pelo artigo 530 do RIR/99. Sobre a Escrituração Contábil Digital (Sped Contábil), o Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, assim dispõe: Art.1oFica instituído o Sistema Público de Escrituração Digital Sped. Art.2oO Sped é instrumento que unifica as atividades de recepção, validação, armazenamento e autenticação de livros e documentos que integram a escrituração comercial e fiscal dos empresários e das sociedades empresárias, mediante fluxo único, computadorizado, de informações. Art.2oO Sped é instrumento que unifica as atividades de recepção, validação, armazenamento e autenticação de livros e documentos que integram a escrituração contábil e fiscal dos empresários e das pessoas jurídicas, inclusive imunes ou isentas, mediante fluxo único, computadorizado, de informações.(Redação dada pelo Decreto nº 7.979, de 2013) §1oOs livros e documentos de que trata o caput serão emitidos em forma eletrônica, observado o disposto na Medida Provisória no2.2002, de 24 de agosto de 2001. §2oO disposto no caput não dispensa o empresário e a sociedade empresária de manter sob sua guarda e responsabilidade os Fl. 2739DF CARF MF Processo nº 10314.728735/201425 Acórdão n.º 1201001.970 S1C2T1 Fl. 2.701 19 livros e documentos na forma e prazos previstos na legislação aplicável. §2oO disposto no caput não dispensa o empresário e as pessoas jurídicas, inclusive imunes ou isentas, de manter sob sua guarda e responsabilidade os livros e documentos na forma e prazos previstos na legislação aplicável.(Redação dada pelo Decreto nº 7.979, de 2013) ... Art.7oO Sped manterá, ainda, funcionalidades de uso exclusivo dos órgãos de registro para as atividades de autenticação de livros mercantis. Art.8oA Secretaria da Receita Federal e os órgãos a que se refere o inciso III do art. 3oexpedirão, em suas respectivas áreas de atuação, normas complementares ao cumprimento do disposto neste Decreto. ... De acordo com o artigo 3º da IN RFB 787,de 2007, a Escrituração Contábil Digital (ECD) tornouse obrigatória a partir de 01/01/2008 às pessoas sujeitas à tributação com base no lucro real. Nesse passo, é de se notar, incabível a autoridade fiscal permitir ao contribuinte, em vez da ECD autenticada pela JUCESP, apresentar o Livro Diário do ano de 2010 de forma impressa, desde que estivesse devidamente registrado/autenticado pela JUCESP, como descrito no TVF, porque tal permissão contraria a predita Instrução Normativa. No sentido de afastar a contestação da Recorrente e sustentar o arbitramento adotado pelo autuante, o voto condutor da decisão de 1ª instância o faz com escora nos seguintes fundamentos: Autenticação da ECD pela Junta Comercial 13. De plano, impende sobrelevar que as autuações lavradas contra a empresa impugnante estão em plena harmonia com a legislação vigente ao tempo da lavratura (27/01/2015 – fl. 2473). 14. A argumentação da autuada tem como núcleo, sob diversos argumentos, a tese de que a ausência de autenticação de sua ECD não configuraria qualquer irregularidade, mas isso não pode ser aceito de modo algum. 15. A autenticação digital, contrariamente ao afirmado, era uma dos objetivos centrais do Sistema Público de Escrituração Digital – Sped, conforme se verifica do teor do arts. 2º e 7º do Decreto nº 6.022/2007, in verbis: Art. 2o O Sped é instrumento que unifica as atividades de recepção, validação, armazenamento e autenticação de livros e documentos que integram a escrituração contábil e fiscal dos empresários e das pessoas jurídicas, inclusive imunes ou isentas, Fl. 2740DF CARF MF 20 mediante fluxo único, computadorizado, de informações. (Redação dada pelo Decreto nº 7.979, de 2013) [...] Art. 7o O Sped manterá, ainda, funcionalidades de uso exclusivo dos órgãos de registro para as atividades de autenticação de livros mercantis. 16. Em 2011, ano em que a autuada deveria ter apresentado a ECD relativa ao anocalendário de 2010, a matéria em comento era ainda regulada pela IN/RFB nº 787/2007: INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 787, DE 19 DE NOVEMBRO DE 2007 (Publicado(a) no DOU de 20/11/2007, seção , pág. 49) Institui a Escrituração Contábil Digital. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1420, de 19 de dezembro de 2013) O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007, e tendo em vista o disposto nos arts. 1.179 a 1.189 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, no art. 11 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, no art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, nos arts. 10 e 11 da Medida Provisória nº 2.2002, de 24 de agosto de 2001, e no Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, resolve: Art. 1º Fica instituída a Escrituração Contábil Digital (ECD), para fins fiscais e previdenciários, de acordo com o disposto nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. A ECD deverá ser transmitida, pelas pessoas jurídicas a ela obrigadas, ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped),instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, e será considerada válida após a confirmação de recebimento do arquivo que a contém e, quando for o caso, após a autenticação pelos órgãos de registro. Art. 2º A ECD compreenderá a versão digital dos seguintes livros: I livro Diário e seus auxiliares, se houver; II livro Razão e seus auxiliares, se houver; III livro Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos. Parágrafo único. Os livros contábeis e documentos de que trata o caput deverão ser assinados digitalmente, utilizandose de certificado de segurança mínima tipo A3, emitido por entidade credenciada pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira Fl. 2741DF CARF MF Processo nº 10314.728735/201425 Acórdão n.º 1201001.970 S1C2T1 Fl. 2.702 21 (ICPBrasil), a fim de garantir a autoria, a autenticidade, a integridade e a validade jurídica do documento digital. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) Art. 3º Ficam obrigadas a adotar a ECD, nos termos do art. 2º do Decreto nº 6.022, de 2007: [....] II em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2009, as demais sociedades empresárias sujeitas à tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Real. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) 17. A IN/RFB 1.420/2013 somente passa a divergir do regramento anterior em 2016, observese: INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 1420, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2013 (Publicado(a) no DOU de 20/12/2013, seção 1, pág. 37) Dispõe sobre a Escrituração Contábil Digital (ECD). O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos III e XXVI do art. 280 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, e tendo em vista o disposto no art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, resolve: Art. 1º Fica instituída a Escrituração Contábil Digital (ECD), para fins fiscais e previdenciários, de acordo com o disposto nesta Instrução Normativa. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1486, de 13 de agosto de 2014) Art. 1º Fica instituída a Escrituração Contábil Digital (ECD), de acordo com o disposto nesta Instrução Normativa. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1660, de 15 de setembro de 2016) § 1º A ECD deverá ser transmitida, pelas pessoas jurídicas obrigadas a adotála, ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, e será considerada válida após a confirmação de recebimento do arquivo que a contém. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1660, de 15 de setembro de 2016) § 2º A autenticação da ECD será comprovada pelo recibo de entrega emitido pelo Sped. Fl. 2742DF CARF MF 22 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1660, de 15 de setembro de 2016) § 3º A autenticação dos documentos de empresas de qualquer porte realizada por meio do Sped dispensa qualquer outra. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1660, de 15 de setembro de 2016) § 4º Ficam dispensados de autenticação os livros da escrituração contábil das pessoas jurídicas não sujeitas a registro em Juntas Comerciais. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1660, de 15 de setembro de 2016) 18. As alterações normativas de 2016 decorrem da edição do Decreto nº 8.683, de 25 de fevereiro de 2016. De acordo com o texto do Decreto, a autenticação de livros contábeis das empresas poderá ser feita por meio do Sistema Público de Escrituração Digital Sped de que trata o Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, mediante a apresentação de escrituração contábil digital. 19. A autenticação dos livros contábeis digitais será comprovada pelo recibo de entrega emitido pelo Sped. 20. São considerados autenticados os livros contábeis transmitidos pelas empresas ao Sistema Público de Escrituração Digital Sped, de que trata o Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, até a data de publicação deste Decreto, ainda que não analisados pela Junta Comercial, mediante a apresentação da escrituração contábil digital. Esta regra não se aplica aos livros contábeis digitais das empresas transmitidos ao Sped quando tiver havido indeferimento ou solicitação de providências pelas Juntas Comerciais até a data de publicação deste Decreto. 21. Impende a transcrição do texto regulamentar em comento: DECRETO nº 8.683, DE 25 DE FEVEREIRO DE 2016 Altera o Decreto nº 1.800, de 30 de janeiro de 1996, que regulamenta a Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994, e dá outras providências. A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto nos arts. 39A e 39B da Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994, e no art.1.181 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, Art. 1º O Decreto nº 1.800, de 30 de janeiro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 78A. A autenticação de livros contábeis das empresas poderá ser feita por meio do Sistema Público de Escrituração Digital Sped de que trata o Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, mediante a apresentação de escrituração contábil digital. § 1º A autenticação dos livros contábeis digitais será comprovada pelo recibo de entrega emitido pelo Sped. Fl. 2743DF CARF MF Processo nº 10314.728735/201425 Acórdão n.º 1201001.970 S1C2T1 Fl. 2.703 23 § 2º A autenticação prevista neste artigo dispensa a autenticação de que trata o art. 39 da Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994, nos termos do art. 39A da referida Lei."(NR) Art. 2º Para fins do disposto no art. 78A do Decreto nº 1.800, de 1996, são considerados autenticados os livros contábeis transmitidos pelas empresas ao Sistema Público de Escrituração Digital Sped, de que trata o Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, até a data de publicação deste Decreto, ainda que não analisados pela Junta Comercial, mediante a apresentação da escrituração contábil digital. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos livros contábeis digitais das empresas transmitidos ao Sped quando tiver havido indeferimento ou solicitação de providências pelas Juntas Comerciais até a data de publicação deste Decreto. Art. 3º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 25 de fevereiro de 2016 22. Ora, o raciocínio que se extrai da edição do decreto é autoevidente. Até 25 de fevereiro de 2016, a autenticação da ECD perante as Juntas Comerciais era obrigatória e para afastar tal exigência manifestouse a Presidência da República por meio de decreto, no desempenho de suas funções constitucionais. 23. Portanto, a conclusão sobre a autenticação, da Autoridade Administrativa que presidiu o procedimento fiscal e o formalizou, por meio do lançamento, está correta e em plena harmonia com o regramento aplicável à época da lavratura (27/01/2015). De fato, em 27/01/2015, data da lavratura do auto de infração, ainda não se encontrava em vigor o mencionado DECRETO nº 8.683, DE 25 DE FEVEREIRO DE 2016 que altera o Decreto nº 1.800, de 30 de janeiro de 1996, que regulamenta a Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994, que dispõe sobre o Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. Em conformidade com os atos normativos, acima transcritos, expedidos pela Receita Federal, mesmo antes da vigência do predito Decreto de 2016, verificase que a ECD compreende a versão digital dos livros contábeis, e, sua validade jurídica decorre de que sejam esses livros contábeis, em formato digital, assinados digitalmente, utilizandose de certificado de segurança mínima tipo A3, emitido por entidade credenciada pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPBrasil), a fim de garantir a autoria, a autenticidade, a integridade e a validade jurídica do documento digital, vejamos: " Art. 2º A ECD compreenderá a versão digital dos seguintes livros: I livro Diário e seus auxiliares, se houver; II livro Razão e seus auxiliares, se houver; Fl. 2744DF CARF MF 24 III livro Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos. Parágrafo único. Os livros contábeis e documentos de que trata o caput deverão ser assinados digitalmente, utilizandose de certificado de segurança mínima tipo A3, emitido por entidade credenciada pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPBrasil), a fim de garantir a autoria, a autenticidade, a integridade e a validade jurídica do documento digital." De acordo com Moacyr Amaral Santos, autenticidade é a “certeza de que o documento provém do autor nele indicado” (SANTOS, Moacyr Amaral. Primeiras linhas de direito processual civil, São Paulo: Saraiva, 2004. p. 386). Já a integridade do documento consiste em se ter certeza de que o mesmo não foi alterado, corrompido, durante o seu envio e recebimento. À obviedade, a ECD para ser considerada válida deverá ser transmitida, pelas pessoas jurídicas a ela obrigadas, ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped),instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, após a confirmação de recebimento do arquivo que a contém. Como se vê, não andaram bem os atos normativos expedidos pela RFB ao restringir a validade da ECD, a "autenticação pelos órgãos de registro". A prova do equívoco de tal entendimento está ínsita no DECRETO nº 8.683, DE 25 DE FEVEREIRO DE 2016 ao reconhecer e dispor que: são considerados autenticados os livros contábeis transmitidos pelas empresas ao Sistema Público de Escrituração Digital Sped, ainda que não analisados pela Junta Comercial, mediante a apresentação da escrituração contábil digital, salvo quando tiver havido indeferimento ou solicitação de providências pelas Juntas Comerciais até a data de publicação deste Decreto. Não consta dos autos que após a transmissão (em 25/11/2014 pelo contribuinte) do novo arquivo da Escrituração Contábil DigitalECD para o Sped Contábil, código hash BAF848A6A24FFB572EFEB68A812BC3FE1055B830, em substituição ao anterior, tenha havido indeferimento ou solicitação de providências pelas Juntas Comerciais. Portanto, a ECD do Recorrente está sob o amparo do mencionado Decreto. De todo modo, as últimas instruções normativas expedidas pela RFB que tratam da matéria em comento prescrevem que a ECD "será considerada válida após a confirmação de recebimento do arquivo que a contém", tal como no Decreto nº 8.683, de 2016. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1486, de 13 de agosto de 2014) Art. 1º Fica instituída a Escrituração Contábil Digital (ECD), de acordo com o disposto nesta Instrução Normativa. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1660, de 15 de setembro de 2016) § 1º A ECD deverá ser transmitida, pelas pessoas jurídicas obrigadas a adotála, ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, e será considerada válida após a confirmação de recebimento do arquivo que a contém. Fl. 2745DF CARF MF Processo nº 10314.728735/201425 Acórdão n.º 1201001.970 S1C2T1 Fl. 2.704 25 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1660, de 15 de setembro de 2016) § 2º A autenticação da ECD será comprovada pelo recibo de entrega emitido pelo Sped. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1660, de 15 de setembro de 2016) § 3º A autenticação dos documentos de empresas de qualquer porte realizada por meio do Sped dispensa qualquer outra. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1660, de 15 de setembro de 2016) De qualquer modo, nenhum desses atos normativos prevêem que a falta de autenticação de livros ou ainda a ausência de autenticação da ECD perante as Juntas Comerciais poderia dar ensejo ao arbitramento do lucro. Vale exalçar que, o regramento aplicável para fins do arbitramento do lucro, decorre de comando normativo expresso no artigo 47 da Lei nº 8981, de 1995 que dá suporte legal ao art.530 do RIR/99, adotado como fundamento à lavratura do auto de infração (27/01/2015), e não se vislumbra nenhum comando legal expresso que se amolde aos fatos narrados nos autos no sentido de que a ausência de autenticação de livros comerciais dá ensejo ao arbitramento do lucro. É sabido que, não é da natureza das leis descer aos detalhes de pontos específicos, razão pela qual dentre as funções do decreto, a principal é a de regulamentar a lei, de modo a criar os meios necessários para fiel execução da lei, sem, contudo, contrariar qualquer das disposições dela ou inovar o Direito. E assim, o DECRETO nº 8.683, DE 25 DE FEVEREIRO DE 2016 finalmente cumprindo a sua função explicita que a autenticação da ECD será comprovada pelo recibo de entrega emitido pelo Sped. Por oportuno transcrevo a seguinte ementa de julgado que se amolda perfeitamente ao que se discute nos presentes autos: TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 35336 SP 97.03.0353363 (TRF3) Data de publicação: 09/10/2002 Ementa:TRIBUTÁRIO. ANULATÓRIA DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA.FALTA DE AUTENTICAÇÃO EM LIVROS. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE RENDA. PREJUÍZO COMPROVADO EM PERÍCIA JUDICIAL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO CABIMENTO. SÓCIO. LANÇAMENTO REFLEXO. INSUBSISTÊNCIA. 1 O arbitramento do lucro é ato extremado que só pode ocorrer em face da real impossibilidade de apuração do lucro real do empreendimento. 2 O lançamento tributário efetuado mediante o arbitramento do lucro goza de relativa presunção, pode, portanto, ser revisto na esfera judicial. 3 Elididas as circunstâncias que alicerçaram o arbitramento, mediante perícia judicial comprovando a idoneidade dos elementos contábeis e a situação de prejuízo experimentada pelo Fl. 2746DF CARF MF 26 contribuinte, não pode prevalecer o ato extremado praticado pela Administração, pois o tributo deriva da lei e não da vontade dos sujeitos da relação tributária. 4 A ausência de autenticação nos livros diários, por si só, não é suficiente para o arbitramento do lucro, vez que não especificada no art. 399 do Decreto nº 85.450/80. 5 A ausência de declaração de renda também não representa causa suficiente para ensejar o arbitramento do lucro, pois, além de não estar prevista no art. 399 do Decreto nº 85.450/80, recebe tratamento diferenciado no referido diploma legal. 6 Afastado o arbitramento de lucro imposto à empresa, via de consequência, não subsiste a tributação reflexa imposta aos sócios do empreendimento. 7 Recursos providos. Grifei O Recorrente, em sede recursal, argúi inovação, pela DRJ, na motivação e fundamentação do lançamento, na medida em que valida o Auto de Infração por suposta escrituração parcial das operações, enquanto o argumento utilizado pelo AFRFB para o arbitramento do lucro consiste na ausência de autenticação pela Junta Comercial, diante de ECD não autenticada pela Jucesp. Sob o tópico "Escrituração e arbitramento do lucro", a DRJ sustenta que: 29. Dos fatos narrados no TVF salta à vista que a primeira versão da contabilidade da autuada, relativa ao anocalendário de 2010, tenha sido transmitida e submetida à autenticação somente em fevereiro de 2014, pois a norma aplicável determinava que a entrega da ECD deveria ocorrer até o último dia útil do mês de julho do ano seguinte ao anocalendário a que se refira a escrituração, assim deveria ter sido entregue, no caso concreto, até o final de julho de 2011 (art . 5º da IN/RFB 787/2007, vigente ao tempo dos fatos). 30. Em suma, uma empresa que fatura mais de R$ 82 milhões de reais, em 2010, pelo porte, certamente não poderia funcionar sem um controle contábil, circunstância óbvia que somada a entrega de suas declarações zeradas, evidencia o intuito deliberado de impedir que o Fisco tivesse conhecimento dos valores que movimentava em seus negócios, pois não estamos falando de algumas operações que eventualmente não foram declaradas, mas sim da totalidade do faturamento, sendo inegável a intenção de eludir as obrigações tributárias correspondentes, bem como a máfé de tal manobra. 31. Outro aspecto a sobrelevar é que os registros contábeis transcritos pela autuada para a ECD, em fevereiro de 2014, deveriam refletir a realidade de suas operações, mas novamente, como consta do TVF, a autuada apostou na hipótese de se esquivar de suas responsabilidades quando informou pouco mais de 10% de suas operações, sendo inequívoca a inidoneidade de sua contabilidade, mesmo que estivesse autenticada pela Junta Comercial. 32. O descrito também lança luz sobre a questão da autenticação da contabilidade pela Junta Comercial, pois tal procedimento sempre teve por efeito delimitar no tempo a feitura da contabilidade, ou seja, com a autenticação dos termos de Fl. 2747DF CARF MF Processo nº 10314.728735/201425 Acórdão n.º 1201001.970 S1C2T1 Fl. 2.705 27 abertura e encerramento dos livros não seria mais possível produzir outras versões da contabilidade, algo que vemos no caso concreto, pois a autuada transmitiu uma versão de sua ECD em fevereiro de 2014 e outra em outubro do mesmo ano. 33. Diante dos esclarecimentos anteriores, considerando os efeitos do Decreto 8.683/2016, é lógico que apenas o teor das operações registradas na primeira ECD transmitida deveria e deve ser considerado para qualquer decisão da autoridade lançadora ou julgadora. É o mínimo de segurança possível, que se não observado torna inviável a fiscalização tributária, fazendo tabula rasa dos efeitos do art. 196 do CTN, pois acolher a hipótese da produção de diversas versões da escrituração implicaria abrir o caminho para que qualquer empresa gerasse uma contabilidade para seus fins de controle interno e outra distinta, apenas para afastar a fiscalização da realidade de seus negócios. 34. Para espancar qualquer dúvida quanto à máfé que orientou o comportamento da autuada impende lembrar que ela não alega e também não traz qualquer prova de recolhimentos, mesmo que em atraso, referentes as suas atividades no ano calendário de 2010. Para ilustrar a questão, cabe colacionar a seguinte consulta relativa à ausência de pagamentos: ... Entendo que as ponderações feitas pela DRJ poderiam ter sido levadas a efeito pelo autuante, caso houvesse tomado a decisão de autuar quando constatado que o primeiro arquivo do Sped Contábil transmitido em 10/02/2014, "não estava correto, pois só continha parte das receitas auferidas no ano (pouco mais de 10%)" Todavia, em vez de autuar, a autoridade fiscal optou por emitir: em 18/09/2014 um Termo de Intimação, encaminhado ao contribuinte via postal com AR e recebido pelo mesmo em 19/09/2014, solicitando a Escrituração Contábil Digital do ano de 2010 devidamente autenticada pela JUCESP, com prazo de 20 dias. E tem mais, de acordo com o TVF: Em 25/11/2014 o contribuinte transmitiu novo arquivo da Escrituração Contábil DigitalECD para o Sped Contábil, código hash BAF848A6A24FFB572EFEB68A812BC3FE1055B830, em substituição ao anterior. Porém, o mesmo ainda encontrase sem autenticação da JUCESP até a presente data. Em contato telefônico com o sr. Marco Antonio Ercolin, informamos que o contribuinte poderia, em vez da ECD autenticada pela JUCESP, apresentar o Livro Diário do ano de 2010 de forma impressa, desde que estivesse devidamente registrado/autenticado pela JUCESP. Em 30/12/2014 o contribuinte protocolizou declaração informando que, devido às festas de final de ano e férias coletivas, só poderia atender o solicitado após o dia 12/01/2015. Fl. 2748DF CARF MF 28 Em 20/01/2015 o contribuinte entregou cópia digitalizada em formato “pdf” do Livro Diário de 2010, porém sem o devido registro/autenticação da JUCESP. Depreendese que, a autoridade fiscal fixouse tanto no aspecto formal "da autenticação" que esqueceu dos aspectos materiais/essencias da contabilidade ao ponto de sequer tratar do conteúdo do novo arquivo da Escrituração Contábil DigitalECD para o Sped Contábil, código hash BAF848A6A24FFB572EFEB68A812BC3FE1055B830, em substituição ao anterior, para constatar ou não possíveis irregularidade ou imprestabilidade da ECD. Outro inusitado procedimento do autuante foi, discricionariamente, orientar pela apresentação do Livro Diário do ano de 2010 de forma impressa, desde que estivesse devidamente registrado/autenticado pela JUCESP, em vez da ECD autenticada pela JUCESP, visto que a Escrituração Contábil Digital (ECD) tornouse obrigatória a partir de 01/01/2008. A DRJ questiona a ECD, relativa ao anocalendário de 2010, pelo fato de ter sido transmitida e submetida à autenticação somente em fevereiro de 2014, pois a norma aplicável determinava que a entrega da ECD deveria ocorrer até o último dia útil do mês de julho do ano seguinte ao anocalendário a que se refira a escrituração, assim deveria ter sido entregue, no caso concreto, até o final de julho de 2011 (art . 5º da IN/RFB 787/2007, vigente ao tempo dos fatos). Tal fundamento também não serve para o arbitramento do lucro mas sim para exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória. O que não ocorreu. Finalmente conclui a decisão recorrida: À luz dos fatos narrados no TVF e dos dispositivos regulamentares invocados pela autoridade lançadora resta evidente que não assiste razão à defesa, pois a imprestabilidade de sua escrituração não se prende apenas a ausência de autenticação pelo Registro do Comércio, mas também a ampla omissão de receitas, circunstância suficiente para a incidência do previsto no art. 530, I, e 532 do RIR/99. Como dito acima, o Recorrente, argúi que a DRJ inova, na motivação e fundamentação do lançamento. A razão está com o Recorrente, pois, não consta do auto de infração e TVF que o autuante para arbitrar o lucro do contribuinte tenha considerado imprestável a sua escrituração, ou seja, a hipótese descrita no item II do art.530 do RIR/99. Disso não cogitou o autuante, até porque como frisado acima, toda a escrituração contábil do recorrente fora ignorada pelo fiscal em razão da irregularidade formal da "falta de autenticação da ECD pela JUCESP", pelo que adotou o Arbitramento do Lucro com base no artigo 530, inciso I do RIR. Com efeito, não cabe a autoridade julgadora alterar os fundamentos da autuação para aperfeiçoar o lançamento tributário. Indubitavelmente, o contribuinte, intimado, apresentou a escrita contábil digital (EAD), e, a mera falta de autenticação pela JUCESP, não dá ensejo ao arbitramento do lucro, uma vez que o autuante não demonstrou outro vício com impedimento da perfeita e adequada apuração do lucro real. Fl. 2749DF CARF MF Processo nº 10314.728735/201425 Acórdão n.º 1201001.970 S1C2T1 Fl. 2.706 29 Assim, tendo em vista que restou comprovada a existência da escrituração contábil EAD, apenas, sem a formalização do seu registro na Junta Comercial, não justificando a desclassificação da escrita que somente se legitima na ausência de elementos concretos que permitam a apuração do lucro real da empresa, não tem fundamento o arbitramento do lucro, sendo improcedente o auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ). LANÇAMENTOS REFLEXOS CSLL Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. PIS e Cofins Como exposto acima, os autos de infração do IRPJ e da CSLL foram considerados improcedentes em razão da falta de fundamento ao arbitramento do lucro. Assim, preservando a coerência com o decidido no presente voto, entendo que há reparo quanto aos lançamentos dessas contribuições sociais, pois, a apuração do PIS e da Cofins pelo regime cumulativo foi indevida, já que a regra de apuração pelo lucro real enseja o cálculo do Pis e da Cofins pelo regime não cumulativo. Conforme dispõe o art. 10, II, da Lei nº 10.833, de 2003 (Cofins) e o art.8º, II, da Lei nº 10.637, de 2002 (PIS), o regime cumulativo somente é aplicável para pessoas tributadas pelo lucro presumido ou arbitrado. Para o lucro real, é o regime não cumulativo. Assim, diante da apuração destas contribuições, pelo regime cumulativo (lucro arbitrado) já que o correto seria pelo regime não cumulativo (lucro real), são improcedentes as autuações do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 2750DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.002229/2005-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. SANEAMENTO POSSÍVEL.
Havendo contradição entre os fundamentos e a conclusão do voto condutor do acórdão embargado, deve o tribunal administrativo, a analise dos embargos, buscar interpretação que torne coerente e lógica a decisão adotada, se possível, de modo a evitar o simples rejulgamento das matérias contenciosas.
Numero da decisão: 3401-004.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para reconhecer terem sido anuladas ambas as decisões proferidas pela DRJ, que deve, em novo julgamento, apreciar a manifestação de inconformidade constante no presente processo, seguindo-se o rito do Decreto no 70.235/1972.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Cássio Schappo (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. SANEAMENTO POSSÍVEL. Havendo contradição entre os fundamentos e a conclusão do voto condutor do acórdão embargado, deve o tribunal administrativo, a analise dos embargos, buscar interpretação que torne coerente e lógica a decisão adotada, se possível, de modo a evitar o simples rejulgamento das matérias contenciosas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10660.002229/2005-81
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5838877
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.405
nome_arquivo_s : Decisao_10660002229200581.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10660002229200581_5838877.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para reconhecer terem sido anuladas ambas as decisões proferidas pela DRJ, que deve, em novo julgamento, apreciar a manifestação de inconformidade constante no presente processo, seguindo-se o rito do Decreto no 70.235/1972. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Cássio Schappo (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7153231
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010543718400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1656; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 285 1 284 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.002229/200581 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3401004.405 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de fevereiro de 2018 Matéria DCOMPCOFINS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado EXPRINSUL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. SANEAMENTO POSSÍVEL. Havendo contradição entre os fundamentos e a conclusão do voto condutor do acórdão embargado, deve o tribunal administrativo, a analise dos embargos, buscar interpretação que torne coerente e lógica a decisão adotada, se possível, de modo a evitar o simples rejulgamento das matérias contenciosas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para reconhecer terem sido anuladas ambas as decisões proferidas pela DRJ, que deve, em novo julgamento, apreciar a manifestação de inconformidade constante no presente processo, seguindose o rito do Decreto no 70.235/1972. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Cássio Schappo (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 22 29 /2 00 5- 81 Fl. 285DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre embargos de declaração (fls. 261 a 270)1 opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em relação ao Acórdão nº 3401002.724 (fls. 253 a 257), que anulou a decisão de primeira instância, e foi assim ementado: NULIDADE. É nulo a decisão administrativa quando falta obediência as formalidades do processo administrativo fiscal. (Rel. Cons. Ângela Sartori, unânime, sessão de 18.set.2014) Alega a Fazenda que os dispositivos legais invocados no voto da relatora (art. 142 do Código Tributário Nacional e arts. 9 a 11 do Decreto no 70.235/1972), sobre lançamento, são impertinentes ao caso, que trata de pedido de ressarcimento, o que culmina em obscuridade, e que houve ainda omissão no acórdão, que deixou de analisar o afastamento do disposto no art. 53 da Lei no 9.784/1999, e o entendimento de tribunais superiores. No exame de admissibilidade de fls. 274 a 279, acolheuse apenas a análise da existência de obscuridade (entendida como com tradição), visto que a defesa sequer trata especificamente em sua peça recursal do art. 53 da Lei no 9.784/1999, e dos entendimentos de tribunais superiores. No CARF, o processo foi a mim distribuído, por sorteio, em julho de 2017. Em janeiro de 2018, o processo foi pautado e retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de fls. 274 a 279, passase diretamente à análise da contradição apontada, tratada pela embargante como obscuridade. Na admissibilidade dos embargos, restou patente a contradição entre os fundamentos do voto condutor (que remetem a dispositivos que tratam de lançamento) e suas conclusões (que se prestam a processo de pedido de ressarcimento), como esclarecido à fl. 276: Nada obstante, aquilo que o embargante considerou obscuro, tratase, em realidade, de flagrante contradição. A propósito, cumpre gizar que a contradição que “autoriza os embargos de declaração é aquela interna ao acórdão, verificada entre a fundamentação do julgado e a sua conclusão, ...” (STJ, REsp 322056). É o que se constata ao longo de todo o voto da decisão embargada, que, em sua fundamentação, articula a Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10660.002229/200581 Acórdão n.º 3401004.405 S3C4T1 Fl. 286 3 interpretação de dispositivos legais atinentes a processos de determinação e exigência de crédito tributário (de iniciativa do Fisco), para então, à guisa de conclusão, anular decisão prolatada em sede de processo que cuida de pedido de ressarcimento e declaração de compensação (de iniciativa do contribuinte). Vejamos o voto condutor do acórdão embargado (fls. 255/256), que será, pela pouca extensão, integralmente transcrito a seguir (à exceção do texto normativo invocado): É preciso esclarecer. Logo de início, que não se está, aqui, a discutir o mérito da decisão, mas apenas a contradição entre seus fundamentos e a conclusão. Pelo exposto, é cristalino que a relatora partiu do pressuposto de que estava a analisar lançamento tributário, inclusive invocando os dispositivos legais a ele atinentes. Mas é contraditório e paradoxal não só que utilize o voto tal fundamento para concluir que seria nula a decisão da DRJ (e não o eventual lançamento), mas que trate desses temas em um processo relativo a pedido de restituição. Claro, assim, que o voto condutor contém flagrante contradição entre fundamentos e conclusão, que precisa ser sanada por este colegiado. Para tanto, retomese o rumo do contencioso, em sintético relatório. Fl. 287DF CARF MF 4 Na análise da Declaração de Compensação de fls. 2 e 3, apresentada em 29/07/2005, referente a créditos de COFINS nãocumulativa, no valor de R$ 863.251,98 (de R$ 909.909,40 indicados como disponíveis), a fiscalização intimou a empresa a apresentar documentos, concluindo, no Termo de Verificação Fiscal de fls. 98 a 102, que o crédito presumido apurado foi de apenas R$ 71.155,71, dispondo ainda que poderiam ser objeto de compensação com o mesmo tributo créditos básicos de R$ 18.954,85, vedado seu ressarcimento. O referido termo amparou o parecer de fls. 107 e 108, que se prestou ainda aos processos no 10660.001828/200599 e 10660.001826/200599 (lançamentos de ofício de IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL), apensos, no qual se entendeu pela possibilidade de compensação dos R$ 71.155,71 com parte dos débitos do processo no 10660.001828/200599, e fundamentou o despacho decisório de fl. 109, que endossou seu teor, destacando que os saldos devedores remanescentes das compensações, nos processos apensos, deveria ser objeto de cartacobrança. Cientificada do despacho, do parecer e das cartascobrança em 01/10/2008 (fl. 115), a empresa apresentou manifestação de inconformidade em 31/10/2008 (fls. 117 a 137), alegando, em síntese, que a fiscalização: (a) considerou os insumos adquiridos de pessoas jurídicas, incluída aí as sociedades cooperativas (que são pessoas jurídicas, e são tributadas nas operações em questão), como “crédito presumido” (ao contrário do que prevê a legislação de regência); (b) vedou a compensação do crédito presumido com outros tributos administrados pela RFB, afora a COFINS, impedindo ainda o ressarcimento de créditos básicos relativos a despesas de frete e armazenagem, ao argumento de que somente poderiam ser objeto de compensação (sendo a IN SRF no 660/2006, utilizada como fundamento para a vedação, incompatível com os arts. 8o, 9o e 15 da Lei no 10.925/2004); (c) não analisou o argumento constante da Linha “C” do pedido; e (d) aplicou multa indevida e confiscatória de 75% do valor do principal pelo simples fato de não homologar as compensações. Em 18/12/2008 foi proferida a decisão de primeira instância (fls. 148 a 151), na qual, por unanimidade, acordou o colegiado que: (a) as aquisições de insumos efetuadas de sociedades cooperativas geram créditos como as das demais pessoas jurídicas, devendo ser reconhecido o crédito referente a tais aquisições, no processo; e (b) a vedação de compensação e ou/ressarcimento de crédito presumido decorre da Lei no 10.925/2004, sendo que a IN no 660/2006 apenas regulamentou tal vedação. Nos dizeres do julgador de piso (fl. 150): Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10660.002229/200581 Acórdão n.º 3401004.405 S3C4T1 Fl. 287 5 Após a decisão da DRJ, a unidade local efetuou cálculos que resultaram (fl. 160) na apuração de direito creditório complementar de R$ 682.438,90, resultando na extinção total dos débitos do processo no 10660.001828/200599, e parcial do processo no 10660.001826/200599, conforme extratos de fls. 153 a 156. Ciente da decisão de piso em 04/03/2009 (fl. 162), a empresa interpôs recurso voluntário em 02/04/2009 (fls. 164 a 175), reiterando as razões expostas em sua manifestação anterior, especificamente no que se refere à incompatibilidade entre a IN SRF no 660/2006 e a Lei no 10.925/2004 e à inaplicabilidade e confiscatoriedade da multa. Em 14/07/2009, a DRJ solicitou o processo por email, ao CARF, informando que reformaria os acórdãos (fl. 178): Após devolução, a DRJ proferiu nova decisão de primeira instância, em 13/08/2009 (fls. 180 a 190), anulando a anterior, entendendo ter havido erro (e invocando o artigo 53 da Lei no 9.784/1999), e que a situação em análise remete ao art. 8o da Lei no 10.925/2004, que trata de crédito presumido, quando use (ainda que indevidamente) o benefício estabelecido no art. 9o da mesma lei, e crédito básico, quando não seja usado o benefício, chegando aos seguintes montantes (fls. 189/190): Após a nova decisão de piso, a unidade preparadora refaz os cálculos (fls. 191 a 194), apurando que restou saldo devedor em ambos os processos apensos. Ciente da nova decisão em 09/02/2010, a empresa apresentou recurso voluntário em 11/03/2010 (fls. 200 a 220), argumentando que: (a) houve preclusão e violação à coisa julgada, pela DRJ, pois a matéria não estava sujeita a recurso de ofício e já havia sido julgada, sendo definitiva e irretratável a decisão favorável à recorrente, conforme art. 42, parágrafo único, do Decreto no 70.235/1972, sendo equivocada a invocação do art. 53 da Lei no 9.784/1999 (de aplicação apenas subsidiária no processo administrativo fiscal); e (b) a utilização indevida do benefício previsto no art. 9o da Lei no 10.925/2004 não pode servir de fundamento para considerar os insumos adquiridos como geradores de créditos presumidos, pois, se a suspensão foi indevida os tributos correspondentes devem ser exigidos, como já o foram, da empresa, por exemplo, no processo administrativo no 10660.002089/200894 (fls. Fl. 289DF CARF MF 6 221 a 240) e no 10660.000734/200591 (fls. 242 a 251). No mais, reitera as alegações de incompatibilidade entre a IN SRF no 660/2006 e a Lei no 10.925/2004 e à inaplicabilidade e confiscatoriedade da multa. Eis a breve síntese da jornada no presente processo, cabendo destacar que os dois processos apensos podem ser resumidos da seguinte forma: (a) processo no 10660.001828/200599: auto de infração de CSLL (fls. 2 a 9), no montante de R$ 120.858,79 (acrescido de multaR$ 90.644,09 e jurosR$ 73.796,37, totalizando R$ 285.299,25), por glosa de valores compensados na DIPJ a título de base de cálculo negativa de períodos anteriores, sendo a DCOMP de fl. 18 apresentada com a pretensão de extinção do crédito; e (b) processo no 10660.001826/200599: auto de infração de IRPJ (fls. 4 a 9), no montante de R$ 311.718,89 (acrescido de multaR$ 233.789,16 e jurosR$ 190.335,55, totalizando R$ 735.843,60), por glosa de valores compensados na DIPJ a título de prejuízos fiscais em períodos anteriores, sendo a DCOMP de fl. 22 apresentada com a pretensão de extinção do crédito. A DCOMP citada em ambos os processos, e analisada nestes autos, endossa o alegado: Ao que parece, o acórdão embargado confundiu os lançamentos (que sequer estão em julgamento, e nem poderiam estar, por serem as matérias de competência de outra Seção deste CARF) com o tema submetido ao colegiado neste processo: demanda de compensação visando a extinguir, com crédito de COFINS, os débitos constantes nos processos apensos (no 10660.001828/200599 e no 10660.001826/200599), esses sim versando sobre lançamento de IRPJ e CSLL. Assim, são impertinentes as menções a confiscatoriedade ou não aplicabilidade de multa suscitadas pela defesa, que também confunde o objeto do processo, visto que tais matérias deveriam ter sido discutidas em contencioso específico, oportunamente. O que se tem nestes autos é mera discussão sobre a existência e a disponibilidade de créditos para utilizar na amortização daquelas autuações. Ou seja, o presente processo discute crédito, e não os débitos de autuações distintas, para as quais sequer houve contencioso específico. Esclarecido isso, fica ainda mais flagrante a contradição entre os argumentos do voto condutor do acórdão embargado e suas conclusões, posto que foca a fundamentação em tema que sequer é objeto do contencioso, sendo tal fundamentação utilizada para concluir que seriam nulas ambas as decisões de piso, paradoxalmente por não se revestirem das formalidades atinentes ao lançamento. No entanto, e ainda no intuito de não rejulgar o processo, mas apenas sanar a contradição encontrada, buscamos ver no voto condutor do acórdão embargado vestígios outros (que não “deficiências de lançamento”) pelos quais poderiam ter sido anuladas ambas as decisões de piso. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10660.002229/200581 Acórdão n.º 3401004.405 S3C4T1 Fl. 288 7 Quando o relator do acórdão embargado afirma (fl. 255) que “a falha diz respeito ao descumprimento de exigências procedimentais a serem atendidas”, na nova decisão da DRJ, “comprometendo as formalidades exigidas no processo administrativo fiscal”, parece ter entendido que restou maculada a nova decisão por ofensa ao rito estabelecido especificamente para o processo administrativo fiscal (no caso, os arts. 42 e 45): “Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. (...) Art. 45. No caso de decisão definitiva favorável ao sujeito passivo, cumpre à autoridade preparadora exonerálo, de ofício, dos gravames decorrentes do litígio.” (grifo nosso) E são exatamente esses os artigos invocados ao final da decisão (fl. 256, aqui já transcrito), ao lado do art. 146 do Código Tributário Nacional (que trata de alteração de critério jurídico): Assim, entendemos que restou clara a razão da anulação da segunda decisão de piso, estampada, mormente, nos citados arts. 42 e 45 do Decreto no 70.235/1972, tendo as demais normas citadas apenas aplicação subsidiária (na ausência de disposição específica sobre o tema na norma legal que rege o processo administrativo fiscal). Quanto à primeira decisão de piso, que, destaquese, já havia sido objeto de anulação pela segunda, as razões para a anulação são mais amplas e gerais, mencionando a relatora do acórdão embargado os artigos 113, 114, 139 e 142 do Código Tributário Nacional, além da Lei no 4.717/1965, que rege a ação popular (para anulação ou declaração de nulidade de atos lesivos ao patrimônio da União, v.g.), entendendo aquele relator haver “vício de forma” (destacando o teor do parágrafo único, “b”, do artigo 2o, da citada lei). Fl. 291DF CARF MF 8 Ademais, tivesse o relator anulado a segunda decisão da DRJ e preservado os efeitos da primeira, o julgamento deveria ter prosseguido, o que não ocorreu. Assim, temos que a anulação da primeira decisão, unanimemente acordada no CARF (no acórdão embargado), além de preservar medida já tomada no processo, devolve ao julgador de piso a análise da matéria, tendo em vista a inexistência de previsão para embargos por erros na decisão de piso. Tal alternativa não constitui violação aos citados arts. 42 e 45 do Decreto no 70.235/1972, pois a instância superior tem a plena possibilidade jurídica de anular a decisão de piso, como o fez no caso em análise. Portanto, a única leitura possível e coerente do voto condutor do acórdão embargado, e que não implica efetivo rejulgamento, é a de que ambas as decisões da DRJ foram anuladas, permitindo a reanálise da manifestação de inconformidade pela instância de piso, com novo julgamento e reabertura de prazo para interposição de eventual novo recurso voluntário, com possibilidade de retorno posterior do processo a este CARF. Pelo exposto, voto por acolher os embargos de declaração, para reconhecer terem sido anuladas ambas as decisões proferidas pela DRJ, que deve, em novo julgamento, apreciar a manifestação de inconformidade constante no presente processo, seguindose o rito do Decreto no 70.235/1972. Rosaldo Trevisan Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10660.002229/200581 Acórdão n.º 3401004.405 S3C4T1 Fl. 289 9 Fl. 293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.722502/2015-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2011
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando ocorrida extrapolação de prazo da fiscalização.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando ausente no MPF previsão de fiscalização de CSLL vez que autoridade fiscalizadora possui competência atribuída por lei, ademais, os termos e demonstrativos integrantes das autuações oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, o que resta confirmado através de impugnação na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados.
INCONSTITUCIONALIDADE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA.
Verificado que o procedimento adotado pela fiscalização encontra fundamento na Lei Complementar nº 105/01 e no Decreto nº 3.724/01, não há de ser cogitada quebra de sigilo bancário pela fiscalização.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos reflexos, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303002.400.
INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA.APLICAÇÃO.
Incabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), a qual deve ser reduzida para 75% (setenta e cinco por cento) pela falta de recolhimento do imposto apurada em procedimento de ofício, se a contribuinte, antes do procedimento de ofício, deu conhecimento à autoridade tributária das circunstâncias materiais da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que afasta a figura do dolo e o evidente intuito de fraude.
RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. ARTS. 124, I e 135 DO CTN.
Correta a inclusão, como responsável tributário, à pessoa física que, agindo na condição de mandatário, preposto, diretor, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado pratique condutas que caracterizem infração à lei ou excesso de poderes, como sonegação fiscal e fraude.
Numero da decisão: 1402-002.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: i) dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Souza que votou por manter a penalidade no percentual aplicado; e ii) manter a responsabilidade dos coobrigados. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Leonardo de Andrade Couto que votaram por excluí-lo da relação jurídico-tributária.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Leonardo Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2011 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando ocorrida extrapolação de prazo da fiscalização. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando ausente no MPF previsão de fiscalização de CSLL vez que autoridade fiscalizadora possui competência atribuída por lei, ademais, os termos e demonstrativos integrantes das autuações oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, o que resta confirmado através de impugnação na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. INCONSTITUCIONALIDADE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Verificado que o procedimento adotado pela fiscalização encontra fundamento na Lei Complementar nº 105/01 e no Decreto nº 3.724/01, não há de ser cogitada quebra de sigilo bancário pela fiscalização. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos reflexos, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303002.400. INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA.APLICAÇÃO. Incabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), a qual deve ser reduzida para 75% (setenta e cinco por cento) pela falta de recolhimento do imposto apurada em procedimento de ofício, se a contribuinte, antes do procedimento de ofício, deu conhecimento à autoridade tributária das circunstâncias materiais da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que afasta a figura do dolo e o evidente intuito de fraude. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. ARTS. 124, I e 135 DO CTN. Correta a inclusão, como responsável tributário, à pessoa física que, agindo na condição de mandatário, preposto, diretor, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado pratique condutas que caracterizem infração à lei ou excesso de poderes, como sonegação fiscal e fraude.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13971.722502/2015-44
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5840879
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-002.822
nome_arquivo_s : Decisao_13971722502201544.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13971722502201544_5840879.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: i) dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Souza que votou por manter a penalidade no percentual aplicado; e ii) manter a responsabilidade dos coobrigados. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Leonardo de Andrade Couto que votaram por excluí-lo da relação jurídico-tributária. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Leonardo Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7167467
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010547912704
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-03-09T18:20:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-03-09T18:20:36Z; Last-Modified: 2018-03-09T18:20:36Z; dcterms:modified: 2018-03-09T18:20:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:abc5bfbc-cdea-4ca9-ac27-a73621d5040b; Last-Save-Date: 2018-03-09T18:20:36Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-03-09T18:20:36Z; meta:save-date: 2018-03-09T18:20:36Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-03-09T18:20:36Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-03-09T18:20:36Z; created: 2018-03-09T18:20:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2018-03-09T18:20:36Z; pdf:charsPerPage: 1874; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-03-09T18:20:36Z | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.111 1 1.110 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.722502/201544 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.822 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2018 Matéria IRPJ Recorrente REDLOG REPRESENTAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2011 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando ocorrida extrapolação de prazo da fiscalização. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando ausente no MPF previsão de fiscalização de CSLL vez que autoridade fiscalizadora possui competência atribuída por lei, ademais, os termos e demonstrativos integrantes das autuações oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, o que resta confirmado através de impugnação na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. INCONSTITUCIONALIDADE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Verificado que o procedimento adotado pela fiscalização encontra fundamento na Lei Complementar nº 105/01 e no Decreto nº 3.724/01, não há de ser cogitada quebra de sigilo bancário pela fiscalização. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 25 02 /2 01 5- 44 Fl. 915DF CARF MF 2 Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos reflexos, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303002.400. INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA.APLICAÇÃO. Incabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), a qual deve ser reduzida para 75% (setenta e cinco por cento) pela falta de recolhimento do imposto apurada em procedimento de ofício, se a contribuinte, antes do procedimento de ofício, deu conhecimento à autoridade tributária das circunstâncias materiais da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que afasta a figura do dolo e o evidente intuito de fraude. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. ARTS. 124, I e 135 DO CTN. Correta a inclusão, como responsável tributário, à pessoa física que, agindo na condição de mandatário, preposto, diretor, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado pratique condutas que caracterizem infração à lei ou excesso de poderes, como sonegação fiscal e fraude. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: i) dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Souza que votou por manter a penalidade no percentual aplicado; e ii) manter a responsabilidade dos coobrigados. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Leonardo de Andrade Couto que votaram por excluílo da relação jurídicotributária. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Leonardo Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório Fl. 916DF CARF MF Processo nº 13971.722502/201544 Acórdão n.º 1402002.822 S1C4T2 Fl. 1.112 3 REDLOG Representações EIRELI, optante pelo regime de tributação do lucro real, interpõe o presente Recurso Voluntário diante de decisão proferida pela Delegacia de Julgamento Regional de Belo Horizonte, em 30 de junho de 2016, que julgou improcedente Impugnação do contribuinte à Autos de Infração lavrados de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, ano calendário 2011, dada omissão de receitas ante depósitos bancários de origem não comprovada que aliado a imprestabilidade da escrituração contábil da sociedade empresária de causa à lançamento arbitrado com imposição de multa qualificada e responsabilização solidária do sócio; o acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano Calendário: 2011 ARBITRAMENTO DE LUCRO CABIMENTO Sujeitase ao arbitramento de lucro, o contribuinte cuja escrituração contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. LICITUDE DA PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. Os extratos bancários obtidos pela autoridade fiscal no exercício regular de suas atribuições, por meio de intimação feita diretamente ao contribuinte fiscalizado, constituem prova lícita, e o procedimento assim realizado não configura quebra de Sigilo Bancário. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Os contribuintes cujo lucro for arbitrado não poderão adotar o regime não cumulativo para a determinação do montante devido de contribuição para o PIS e a COFINS. Esta sempre incide sobre o faturamento e em nenhuma hipótese é admitida a dedução do custo incorrido na aquisição ou na produção dos produtos ou mercadorias vendidas. CERCEAMENTO DE DEFESA – CARACTERIZAÇÃO. Somente cabe declarar a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, se ficar comprovado que o pleno exercício do direito de defesa pelo sujeito passivo, tiver sido tolhido em virtude de ato da autoridade administrativa. Fl. 917DF CARF MF 4 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica de direito privado pelas obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. MULTA QUALIFICADA. O percentual da multa de ofício será duplicado quando comprovadas as circunstâncias previstas em lei como caracterizadoras de infração qualificada. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRAZO DE VALIDADE. PRORROGAÇÃO. Os atos que determinam o início do procedimento fiscal valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período e tantas vezes quantas necessárias, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL PIS COFINS O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em face da decisão acima transcrita a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual manifesta sua irresignação com a manutenção do crédito tributário argumentando preliminarmente o seguinte: a extrapolação do prazo de fiscalização com violação do art.7º, §§1º e 2º do Decreto n.70.235/1972 (item 2.1) e a irregular autuação lavrada em matéria de CSLL na medida em que o MPF contemplava tão apenas IRPJ e PIS e COFINS (item 2.2). No mérito argumenta em suma a ilegalidade da quebra do sigilo bancário (item 3.1), a improcedência do lançamento por arbitramento (item 3.2), a violação ao art.43 do CTN ante a tributação de receitas que não representam renda (item 3.3), a ausência do reconhecimento de créditos como insumo (item 3.4) e a ausência de fundamento legal para imposição de multa qualificada (item 4). Ante a responsabilização solidária do sócio foi interposto também recurso voluntário pelo mesmo argumentando em suma a ausência de causa autorizativa (arts. 124, I e 135, III, CTN) para sua inclusão no pólo passivo da obrigação devendo respeitarse o princípio da autonomia patrimonial que vigora entre pessoa jurídica e natural. Por vislumbrar a necessidade de diligência elucidatória este colegiado deliberou em sessão de 17 de fevereiro de 2017 por converter o julgamento dos presentes autos em diligência para que a autoridade fiscalizadora procedesse a apuração discriminada do que Fl. 918DF CARF MF Processo nº 13971.722502/201544 Acórdão n.º 1402002.822 S1C4T2 Fl. 1.113 5 de fato consistia renda sujeita a tributação com nova oportunidade para que a autuada trouxesses aos autos documentos aptos a demonstrar o que era renda e o que era mero ingresso a ser repassado a concessionária dos serviços de telefonia celular. Procedida intimação da recorrente para que instruísse os autos com documentos comprobatórios da discriminação das receitas correspondentes à prestação de serviços foram juntados aos autos os seguintes documentos: a) resposta à intimação b) Demonstrativo de Apuração IRPJ2011 c) Demonstrativo de Apuração CSLL2011 d) Demonstrativo de Apuração PIS 2011 e) Demonstrativo de Apuração COFINS 2011 f) Demonstrativo de Valores Recebidos Operadoras g) Notas fiscais. A partir das Notas Fiscais (NFs) apresentadas apresentou a recorrente novo cálculo para apuração do lucro arbitrado considerando como receita de prestação de serviços (operação de intermediação, o desconto recebido nas NFs de compra de créditos digitais das operadoras. Da análise das informações prestadas e documentos colacionados aos autos a autoridade fiscal alcançou a seguinte conclusão: Fl. 919DF CARF MF 6 Em breves linhas esse é o relatório. Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso Voluntário aviado é tempestivo e assinado por procurador com procuração nos autos, portanto, merece ser processado. 2. PRELIMINARES: Preliminarmente, sustenta o recorrente que a autoridade fiscalizadora extrapolou o prazo de fiscalização com violação do art.7º, §§1º e 2º do Decreto n.70.235/1972 (item 2.1). Sustenta, também, a recorrente a irregularidade da autuação lavrada em matéria de CSLL na medida em que o MPF contemplava tão apenas IRPJ e PIS e COFINS (item 2.2). Fl. 920DF CARF MF Processo nº 13971.722502/201544 Acórdão n.º 1402002.822 S1C4T2 Fl. 1.114 7 Ainda em sede de preliminar tem como nula a autuação considerando por ilegítima a suposta quebra do sigilo bancário como expediente fiscalizatório; questões todas enfrentadas a seguir: 2.1 Nulidade eventual ante extrapolação prazo: O prazo fixado no MPF tem por propósito impingir eficiência à Administração Tributária de modo que eventual extrapolação não justificada pode culminar em responsabilização administrativa do agente da fiscalização não maculando jamais a higidez do auto de infração lavrado. 2.2 (Ir)regularidade autuação CSLL Lavrado o auto principal deverão ser também formalizadas as exigências decorrentes de CSLL, dada a intima relação de causa e efeitos que as vincula. Transladase as autuações reflexas a mesma orientação decisória adotada quanto ao lançamento matriz; o que não demanda previsão expressa no MPF dado que a competência da autoridade fiscalizadora decorre da lei e não do MPF. 2.3 Suposta "quebra" sigilo bancário: No entendimento da Recorrente, a autuação seria nula em razão dos dados terem sido obtidos por quebra do sigilo bancário sem a necessária autorização judicial mesmo após o advento da LC n° 105/01. Vale relembrar que o Egrégio Supremo Tribunal Federal reconheceu a constitucionalidade do art. 6 da Lei Complementar n. 105/01 nos autos do RE n. 601.314SP com repercussão geral, o que vincula este tribunal administrativo nos termos do art. 62, §2º do RICARF. E ainda que assim não o fosse, nos termos do caput do art. 62 do RICARF e da Súmula 2 do CARF, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, como muito bem fundamentado na DRJ. Por este motivo deixo de conhecer dos argumentos lançados contra a constitucionalidade do art. 6 da Lei Complementar 105/01 e do Decreto n. 3724/01, e que poderiam acarretar na ilicitude das provas juntadas aos autos. Ademais, temse que todos os argumentos suscitados pela recorrente sucumbem no mérito diante do reconhecimento da Constitucionalidade pelo E. Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 601.314, com repercussão geral, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, em acórdão que restou assim ementado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Fl. 921DF CARF MF 8 Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe198 DIVULG 15092016 PUBLIC 16092016) Diante do exposto não conheço dos argumentos de (in)constitucionalidade veiculados pelo recorrente, e porventura, ultrapassada tal questão julgoos improcedentes diante da posição firmada pelo STF. 3. MÉRITO: Insubsistentes as questões preliminares trazidas pela recorrente temse que no mérito questiona a possível falta de amparo legal para presunção de omissão de receita de depósitos bancários, de forma generalizada, obrigando o contribuinte a proceder a uma auto fiscalização ante à inversão do ônus da prova trazido pela presunção legal. 3.1 Omissão de receitas por depósitos bancários origem não comprovada: Em resumo, baseado no fato de que a escrituração da Recorrente não refletia a vultosa movimentação financeira em suas contas bancárias, procedeu a autoridade autuante ao arbitramento de lucros. Em sede de Impugnação, bem como do Recurso Voluntário, a recorrente discorreu longamente sobre o tema, no entanto, faltou o principal: a comprovação das origens dos recursos que permitiram fossem carreados às suas contas bancárias, mantidas junto a instituições financeiras e os valores apontados pelo Fisco. Fl. 922DF CARF MF Processo nº 13971.722502/201544 Acórdão n.º 1402002.822 S1C4T2 Fl. 1.115 9 Os lançamentos relativos aos anoscalendário de 2011 tiveram sustentáculo na movimentação bancária da autuada que apresentou substanciais valores lançados a crédito das contas por ela mantidas em diversas instituições financeiras e para os quais, devidamente intimada a comprovar suas origens, na forma prevista na legislação vigente não logrou êxito. Durante o procedimento fiscalizatório a fiscalizada teve sucessivas oportunidades para que justificasse os créditos ocorridos em suas contas bancárias, ou seja, as origens de tais recursos, não logrando êxito em sua comprovação. Oportuna se faz a transcrição da doutrina de Maria Rita Ferragut (in Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001) a lecionar que uma prova indireta condutora da mesma ‘probabilidade fática’ da prova direta, in verbis: “Assim, tem a Administração Pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção homini de forma alguma significa que a tributação ocorrerá em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível.” A mesma autora no artigo ‘Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação’ (in Revista Dialética de Direito Tributário n.º 67, Dialética, São Paulo) assim esclarece: “As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa”. A prova indiciária é pacificamente admitida como já decidido pelo CARF: Fl. 923DF CARF MF 10 Primeira Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão 25/01/2011 Relator(a) ANTONIO BEZERRA NETO Nº Acórdão 1401000.405 ASSUNTO: PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em uma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes Nessas circunstâncias cumpre ao fisco tão somente provar o indício, como, de fato, foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas, mantidas à margem da escrituração regular ou em poder dos sócios. No presente caso, o procedimento fiscal avançou por vários meses, tempo mais que suficiente para que a fiscalizada promovesse a entrega do que foi requisitado pelo Fisco (documentos que comprovassem as origens dos recursos que permitiram a movimentação bancária estampada), o que não ocorreu. Entendo assistir razão à Fiscalização. A decisão recorrida analisou a questão com maestria, devendo ser mantida, a teor do disposto no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999, pelos seus próprios fundamentos. 3.2. Ausência de fundamento para multa qualificada Incabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), a qual deve ser reduzida para 75% (setenta e cinco por cento) pela falta de recolhimento do imposto apurada em procedimento de ofício, se a contribuinte, antes do procedimento de ofício, deu conhecimento à autoridade tributária das circunstâncias materiais da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que afasta a figura do dolo e o evidente intuito de fraude. Nesse sentido, pelo afastamento da multa qualificada, oportuno verificar o o que já decidido por esta Turma nos autos do PA n. 10825.723097/201496, Acórdão n. 1402 002.745, de relatoria do Conselheiro DEMETRIUS NICHELE MACEI, cuja transcrição da ementa faz se por oportuna: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 NULIDADES. OMISSÃO DE RECEITAS. ERRO DE CAPITULAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO NA INTIMAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Sendo lavrado auto de infração com correto enquadramento legal relacionado a omissão de receitas, atendendo a todos os requisitos exigidos pela legislação fiscal, não há que prosperar a alegação de erro de capitulação, recaindo, neste caso, ônus da prova sobre o contribuinte. Menos cabível a alegação de erro na identificação do sujeito passivo quando suficientemente comprovado nos autos que a conta bancária fiscalizada pertence ao sujeito passivo autuado. Não há vício na intimação quando o Fisco formaliza tal ato respeitando todos os trâmites legais. SIGILO BANCÁRIO. OMISSÕES DE RECEITAS. ACESSO LEGITIMADO. As informações bancárias obtidas pela fiscalização por intermédio da requisição de movimentação financeira junto a instituição financeira são idôneas e protegidas pelo sigilo fiscal. A Lei Complementar nº 105/2001 legitima o fornecimento de informações relacionadas ao sujeito passivo sob fiscalização, quando a autoridade Fl. 924DF CARF MF Processo nº 13971.722502/201544 Acórdão n.º 1402002.822 S1C4T2 Fl. 1.116 11 fiscal entender que o exame de tais informações é indispensável para o deslinde da controvérsia,afastando, portanto, a alegação de quebra de sigilo bancário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO EVIDENTE. Não basta para caracterizar a responsabilidade tributária solidária dos sócios, que estes meramente estejam exercendo função sócioadministrativa na pessoa jurídica autuada. O dolo evidente de infringir a lei ou estatuto empresarial deve restar robustamente comprovado nos autos para que tal responsabilização surta efeitos justos. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PAGAMENTO. NÃO IDENTIFICADO. NÃO INCIDÊNCIA. Tratandose justamente de lançamento de "Omissão de Receita", não podendo ser identificados nos autos prova de pagamento do tributo exigido, ainda que parcial, não é possível a aplicação do artigo 150, §4º, do CTN. Sendo cabível a contagem decadencial proporcionada pelo artigo 173, do mesmo diploma fiscal. MULTA QUALIFICADA. MULTA AGRAVADA. NÃO CABIMENTO. Não comprovado o dolo evidente capaz de ensejar a qualificação da multa por intermédio de fraude, sonegação ou conluio, tampouco havendo embaraço a fiscalização, não devem prosperar a qualificação e agravamento da multa. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. CABIMENTO. A incidência da taxa de juros SELIC sobre os juros moratórios que recaem sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal é legítima. Pautase o afirmado pela Súmula CARF nº 4. Ressaltese que, quanto à alegação de que não haveria incidência de juros sobre a multa de ofício, tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante do auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. Portanto, deve procederse a exoneração da qualificadora reduzindose a multa ao patamar de 75%. 4. Recurso Voluntário Sujeição Passiva Solidária (arts.124, I c/c 135, CTN): Em função da atribuição de responsabilidade solidária a Valnor Dias insurgese o recorrente contra sua inserção no pólo passivo da lide, na posição de “sujeito passivo solidário”, na forma do artigo 135, III, do CTN. Relembrando, o objeto principal dos autos foram lançamentos de “omissão de receitas” por depósitos bancários de origem não comprovada, infração tipificada em lei, presunção que a autuada não conseguiu elidir. Com isso, ainda segundo o raciocínio da Autoridade Fiscal, tal fato não poderia ter ocorrido sem o concurso dos sócios e administradores da empresa recorrente, o que implicaria na sujeição passiva solidária imputada. De seu turno argumenta o recorrente a inaplicabilidade do art. 135 prevê como pessoalmente responsável no inciso III, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, os quais só respondem pelos créditos tributários que resultem exclusivamente de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Dispõe o artigo 135, III, do Estatuto Tributário, assumido pelo Fisco para a inserção dos sócios e administradores da pessoa jurídica no pólo passivo da lide: Fl. 925DF CARF MF 12 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Sem maiores aprofundamentos, fácil de se ver que as situações estampadas, ainda que se referindo a “responsabilidade de terceiros”, têm características diferentes, a primeira tratando de atos ou omissões das pessoas ali referidas, e o art. 135, naquilo que interessa, punindo atos realizados com “infração à lei” e praticados por aqueles que tinham os poderes de gestão da empresa (diretores, gerentes ou representantes). Vejase, a lei não fala, no caso do art. 135, em “sócios”, mas, sim, em “administradores”, embora no que tange à recorrente pessoa jurídica isso não tenha maior relevância, já que todos os seus sócios eram, ao mesmo tempo, seus administradores. Ora, inimaginável se possa aceitar que o administrador da recorrente EIRELI não tinha conhecimento ou participara da infração a lei e ao contrato social ao promover confusão patrimonial, até porque, nunca é demais lembrar, ainda que a pessoa jurídica possa ter “vida própria” e “existência real” (teorias da “Realidade Objetiva” e “Realidade Técnica”), ou que, “sendo sujeito de direito, vale dizer, sendo uma pessoa, será dotada de personalidade e possuirá todos os direitos e obrigações semelhantes a uma pessoa natural ou física”1, posições que se contrapõem à conceituação de Savigny, para o qual a pessoa jurídica é uma mera “ficção”, o fato inconteste – é que quem toma decisões nas empresas são pessoas humanas investidas de poderes para tal e o fazem de acordo com os preceitos que norteiam as companhias das quais participam ou administram. Assim, argumentos como levantados pelos recorrentes de que “a solidariedade do sócio pela dívida da sociedade só se manifesta quando comprovado que, no exercício de sua administração, praticou os atos eivados das irregularidades enumeradas no art. 135 do CTN”, mostramse desconexos e até atuam contra que os alegou, em face da evidente comprovação da ocorrência justamente dos “atos eivados de irregularidades” que procura a defesa minimizar. Igualmente, sem sustentação a argumentação de que a Fiscalização não teria apontado fatos concretos e não haveria vinculação do sócio com os fatos geradores, porque, como exaustivamente visto, o que se tem é infração à lei praticada por “administrador” e não por sócio (embora, no caso, as duas figuras jurídicas se fundam em uma só). Do mesmo modo, a decisão do STJ citada pelos recorrentes em nada os aproveita, ao contrário, só confirma a correção do procedimento do Fisco (“que, em recente julgamento, a 1ª Turma do STJ esclareceu sobre a responsabilidade do sócio pelas obrigações tributárias da pessoa jurídica (art. 137, III, do CTN): (...) III – O CTN , no inciso III do art. 135, impõe responsabilidade, não ao sócio, mas ao gerente, diretor ou equivalente. Assim sóciogerente é responsável, não por ser sócio, mas por haver exercido a gerência”). Ora, é exatamente disto que se trata nos autos: responsabilidade por atos praticados como gerente (administrador). A propósito, manifestação do STJ: “A responsabilidade tributária (cujo principal escopo é facilitar o cumprimento da prestação pecuniária devida ao Fisco) tanto pode advir da prática de atos ilícitos 1 DOWER, Nelson Godoy Bassil. Curso moderno de direito civil: Parte geral, São Paulo: Nelpa, 1976, v1, p 51. Fl. 926DF CARF MF Processo nº 13971.722502/201544 Acórdão n.º 1402002.822 S1C4T2 Fl. 1.117 13 (artigos 134, 135 e 137, do CTN), como também da realização de atos lícitos (artigos 129 ao 133, do CTN), sendo certo, contudo, que a sua instituição reclama o atendimento dos requisitos impostos pelo Codex Tributário, quais sejam: (i) a existência de previsão legal; (ii) a consideração do regime jurídico do contribuinte para fins de aferição da prestação pecuniária devida; e (iii) a existência de "vínculo jurídico entre o contribuinte e o responsável que permita a este cumprir sua função de auxiliar do Fisco no recebimento da dívida do contribuinte, sem ter seu patrimônio comprometido" (Octávio Bulcão Nascimento, in "Curso de Especialização em Direito Tributário: Estudos Analíticos em Homenagem a Paulo de Barros Carvalho", Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2007, pág. 818) (REsp 719350 / SC. Primeira Turma. Ministro Relator: Luiz Fux. DJe: 21/02/2011)”. Portanto, por tudo o que se expôs e o que consta dos autos, induvidoso que a evasão de milhões de reais só seria possível de ocorrer com a ação o administrador que, inquestionavelmente, concentrava amplos e totais poderes de administrar a sociedade, na forma de seu Contrato Social. Deste modo, VOTO POR MANTER a responsabilização apontada pelo Fisco em relação ao sujeito passivo. Diante de todo o exposto voto por julgar parcialmente procedente o Recurso Voluntário interposto para tão apenas afastar a qualificadora. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 927DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002828/2001-49
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. REQUISITOS.
Deve-se conhecer do Recurso Especial quando atendidos os requisitos do artigo 67, caput e parágrafos, e 68, caput, do Anexo II do RICARF.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998
LUCRO INFLACIONÁRIO. DECADÊNCIA. EXPURGO DA REALIZAÇÃO OBRIGATÓRIA.
Devem ser expurgados do saldo do lucro inflacionário a realizar valores que deveriam ter sido adicionados ao resultado tributável há mais de cinco anos e não o foram. Se este expurgo não foi efetuado, o IRPJ e a CSLL calculados sobre o lucro inflacionário estão incorretos, porque apurados sob a influência de parcelas do lucro inflacionário já atingidas pela decadência.
Numero da decisão: 9101-003.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator) e André Mendes de Moura, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), André Mendes de Moura e Rodrigo da Costa Possas, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Possas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo Relator
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Gerson Macedo Guerra, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Jose Eduardo Dornelas Souza. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1996, 1997, 1998 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. REQUISITOS. Deve-se conhecer do Recurso Especial quando atendidos os requisitos do artigo 67, caput e parágrafos, e 68, caput, do Anexo II do RICARF. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996, 1997, 1998 LUCRO INFLACIONÁRIO. DECADÊNCIA. EXPURGO DA REALIZAÇÃO OBRIGATÓRIA. Devem ser expurgados do saldo do lucro inflacionário a realizar valores que deveriam ter sido adicionados ao resultado tributável há mais de cinco anos e não o foram. Se este expurgo não foi efetuado, o IRPJ e a CSLL calculados sobre o lucro inflacionário estão incorretos, porque apurados sob a influência de parcelas do lucro inflacionário já atingidas pela decadência.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.002828/2001-49
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5838921
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.276
nome_arquivo_s : Decisao_16327002828200149.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 16327002828200149_5838921.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator) e André Mendes de Moura, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), André Mendes de Moura e Rodrigo da Costa Possas, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Gerson Macedo Guerra, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Jose Eduardo Dornelas Souza. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
id : 7153275
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010553155584
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-02-12T23:13:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-02-12T23:13:30Z; Last-Modified: 2018-02-12T23:13:40Z; dcterms:modified: 2018-02-12T23:13:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:7f568531-a0f6-436e-93f0-8dd8fece455e; Last-Save-Date: 2018-02-12T23:13:40Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-02-12T23:13:40Z; meta:save-date: 2018-02-12T23:13:40Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-02-12T23:13:40Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-02-12T23:13:30Z; created: 2018-02-12T23:13:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; Creation-Date: 2018-02-12T23:13:30Z; pdf:charsPerPage: 1965; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-02-12T23:13:30Z | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 589 1 588 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.002828/200149 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.276 – 1ª Turma Sessão de 06 de dezembro de 2017 Matéria LUCRO INFLACIONÁRIO DECADÊNCIA Recorrente BANCO SANTANDER BRASIL S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1996, 1997, 1998 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. REQUISITOS. Devese conhecer do Recurso Especial quando atendidos os requisitos do artigo 67, caput e parágrafos, e 68, caput, do Anexo II do RICARF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996, 1997, 1998 LUCRO INFLACIONÁRIO. DECADÊNCIA. EXPURGO DA REALIZAÇÃO OBRIGATÓRIA. Devem ser expurgados do saldo do lucro inflacionário a realizar valores que deveriam ter sido adicionados ao resultado tributável há mais de cinco anos e não o foram. Se este expurgo não foi efetuado, o IRPJ e a CSLL calculados sobre o lucro inflacionário estão incorretos, porque apurados sob a influência de parcelas do lucro inflacionário já atingidas pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator) e André Mendes de Moura, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar lhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), André Mendes de Moura e Rodrigo da Costa Possas, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 28 28 /2 00 1- 49 Fl. 589DF CARF MF Processo nº 16327.002828/200149 Acórdão n.º 9101003.276 CSRFT1 Fl. 590 2 Rodrigo da Costa Possas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo – Relator (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Gerson Macedo Guerra, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Jose Eduardo Dornelas Souza. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto ao que foi decidido sobre a tributação de lucro inflacionário, relativamente à contagem da decadência. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 10323.671, de 05/02/2009, por meio do qual a antiga Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, entre outras questões, rejeitou a preliminar de decadência suscitada pela contribuinte na fase de recurso voluntário. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: EMENTA: IRPJ — PRAZO DECADENCIAL — LUCRO INFLACIONÁRIO — REALIZAÇÃO — O início da contagem do prazo decadencial sobre o lucro inflacionário deve ser feita a partir do exercício em que deve ser tributada a sua realização e não de sua apuração. IRPJ LUCRO INFLACIONÁRIO — REALIZAÇÃO O diferimento do lucro inflacionário é uma faculdade, assim como o valor a tributar em cada período pode ser maior que o mínimo exigido. A simples falta ou diferença de correção monetária na apuração do lucro inflacionário, constante no Lalur do contribuinte, em determinado período, não constitui nenhuma infração naquele momento, ensejando apenas a tributação em períodos subseqüentes do saldo remanescente não quitado, motivo pelo qual não deve ser usada como marco inicial da contagem do prazo decadencial. IRPJ. BASE DE CÁLCULO. Para a adequada apuração da base de cálculo do imposto lançado é imprescindível a compensação pela Fiscalização de prejuízos fiscais de períodos anteriores, observados os limites impostos pela legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 16327.002828/200149 Acórdão n.º 9101003.276 CSRFT1 Fl. 591 3 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho (Relator), Alexandre Barbosa Jaguaribe e Régis Magalhães Soares Queiroz. No mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a base de cálculo, vencida a Conselheira Adriana Gomes Rêgo. Designado para redigir o voto vencedor no tocante à decadência, o Conselheiro Antonio Bezerra Neto. O Conselheiro Carlos Pelá declarouse impedido, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS tratase de Procedimento Administrativo (PA) instaurado por meio da lavratura de Autos de Infração (Ais) de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre (i) alegada diferença de correção monetária do lucro inflacionário realizado em 1987; e (ii) suposta omissão de receitas; para ambas as infrações alegadas, o período autuado abrangeria os anos calendário de 1996, 1997 e 1998, valendo observar que, especificamente quanto ao lucro inflacionário, a adoção de tal interregno decorreria da tentativa do Sr. Fiscal de esquivarse da clara decadência operada em relação ao período em que de fato teria ocorrido a suposta infração: 1987; DO CABIMENTO DESTE RECURSO POR CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS AUTORIZADORES a C. Turma a quo, por maioria devotos, afastou o argumento de decadência total e manteve a autuação sobre lucro inflacionário, mas adotando a premissa equivocada de que a autuação versaria sobre lucro inflacionário diferido para o anocalendário de 1995 e não realizado, o que impactaria sobre o IRPJ e a CSLL devidos no período autuado (1996 a 1998); porém, a autuação em disputa não recai sobre lucro inflacionário diferido para 1995, mas sobre suposta diferença de correção monetária de lucro inflacionário realizado em 1987; ao julgar situação fática análoga, a C. CSRF asseverou ser decadente o lançamento de eventuais diferenças, seja de correção monetária, seja de lucro inflacionário, quando além do quinquênio legal contado do período em que realizado o respectivo saldo de lucro inflacionário (Doc. 03). Vejase a ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997, 1998, 1999. LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO INTEGRAL DECADÊNCIA. Conforme enuncia a Súmula CARF n° 10, o prazo decadencial de constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período em que foi realizado ou em que, em face da legislação de regência, deveria ter sido realizado. A tributação Fl. 591DF CARF MF Processo nº 16327.002828/200149 Acórdão n.º 9101003.276 CSRFT1 Fl. 592 4 favorecida veiculada pelo art. 31, V, da Lei n° 8.541/1992 não admite realização parcial, devendo incidir sobre o saldo integral do lucro inflacionário acumulado e do saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF. O ano calendário em que foi exercida a opção pela tributação favorecida, mediante pagamento do imposto correspondente em quota única, representa o período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado o saldo integral do lucro inflacionário diferido e do saldo credor da diferença IPC/BTNF. Eventuais diferenças só poderiam ser exigidas pelo fisco dentro do quinquênio legal previsto para realização do lançamento tributário, em conformidade com o art. 150, § 4º, do CTN." (Acórdão CSRF n° 9101002.001, de 21/08/2014, Relator(a): Valmir Sandri) no mesmo sentido, a extinta C. 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes reconheceu a decadência operada sobre autuação lavrada mais de 5 (cinco) anos após o átimo da realização do lucro inflacionário (Doc. 04), como se depreende da ementa abaixo transcrita: "IRPJ LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO INTEGRAL DECADÊNCIA. O termo inicial para contagem do prazo de decadência do direito do fisco de formalizar exigências decorrentes de realização a menor do lucro inflacionário diferido é o período em que se deu o oferecimento com ofensa à Lei. Se faltou correção monetária na realização integral do lucro inflacionário, inequivocamente manifestada na Declaração de Rendimentos, o fisco deveria ter agido nos cinco anos que se seguiram à realização integral informada em 1991. IRPJ LUCRO INFLACIONÁRIO FALTA DE APLICAÇÃO DA DIFERENÇA IPC/BTNF AO SALDO EM 31.12.89 DECADÊNCIA. O índice que representa o diferencial entre o IPC e o BTNF deveria ser aplicado ao saldo de lucro inflacionário existente em 31.12.89. A realização do valor assim resultante era exigível a partir do anocalendário de 1993, portanto, a falta dessa correção autoriza o fisco a exigila como integrante do saldo a realizar em 31.12.95. IRPJ/CSLL DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF/90 DECADÊNCIA RECÁLCULO PELO FISCO. Na contagem do prazo decadencial para exigências tributárias decorrentes de erros cometidos na interpretação das regras aplicáveis à correção determinada pela Lei n° 8.200/91, devese levar em conta o início do cômputo na apuração do lucro real dos efeitos da correção complementar. Assim, apurado saldo devedor, cada parcela excluída, a partir do ano calendário de 1993, tem, na data da exclusão, o início da contagem do prazo fatal. Em caso de saldo credor, o início do prazo decadencial se dá a partir do momento em que o contribuinte opta por diferir seu valor, e a cada parcela realizada a partir de 1993. No caso, o contribuinte nada diferiu a título de correção monetária complementar de 1990 porque sustenta apuração de saldo devedor. Por isso, não pode o fisco recalcular, Fl. 592DF CARF MF Processo nº 16327.002828/200149 Acórdão n.º 9101003.276 CSRFT1 Fl. 593 5 integralmente, a correção monetária da diferença entre o IPC e o BTNF, no ano de 2000. IRPJ PREJUÍZOS FISCAIS LIMITAÇÃO Não se conhece no mérito da matéria submetida à tutela judicial. IRPJ MULTA ISOLADA A falta de recolhimento das estimativas mensais, sem que o contribuinte prove, por balanços ou balancetes mensais, que a suspensão se deu pela apuração de prejuízos fiscais no curso dos anos calendário de 1997 e 1998.." (Acórdão CC n° 10707.934, de 23/02/2005, Relator(a): Luiz Martins Valero) em adição, destacase o cabimento do presente recurso inclusive à luz da Súmula CARF n° 10, eis que, como assentado nos v. Acórdãos Paradigmas, eventuais diferenças de correção monetária na realização de lucro inflacionário somente podem ser exigidas dentro do quinquênio legal previsto no art. 150, §4°, do CTN; a seguir, passase a demonstrar o dissídio jurisprudencial na matéria, que viabiliza a interposição e o provimento deste recurso, bem como o mérito da discussão, clamandose para que os entendimentos firmados nos v. Acórdãos Paradigmas sejam aplicados neste caso, cancelandose integralmente as autuações; DA DECADÊNCIA OPERADA IN CASU DO DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL a identidade fática entre o presente caso e os v Acórdãos Paradigmas está evidenciada no quadro abaixo: [...]; é patente a identidade fática entre os casos, pois, em todos, discutese o termo inicial do prazo decadencial para autuação de IRPJ e CSLL sobre diferença de correção monetária na realização de saldo de lucro inflacionário; porém, apesar da identidade dos fatos, foram aplicadas interpretações divergentes: [...]; resta demonstrado, portanto, o dissídio jurisprudencial quanto ao termo inicial do prazo decadencial para que a D. Autoridade Fiscal autuasse parcela relativa à diferença de correção monetária na realização integral do saldo de lucro inflacionário acumulado; MÉRITO a Recorrente realizou integralmente o saldo de lucro inflacionário objeto de autuação ao final do anocalendário de 1987, sendo que o lançamento em debate decorre de divergência quanto à correção monetária, conforme verificado no v. Acórdão Recorrido, in verbis: [...]; notese que a efetiva realização do saldo de lucro inflacionário em 1987 foi devidamente informada ao Fisco, tanto que o próprio Sr. AuditorFiscal que lavrou a autuação Fl. 593DF CARF MF Processo nº 16327.002828/200149 Acórdão n.º 9101003.276 CSRFT1 Fl. 594 6 a reconheceu, pelo que, o lançamento de eventual diferença deveria ocorrer dentro do prazo de 5 (cinco) anos — i.e., 31/12/1992, sob pena de operarse a decadência; aplicandose a contagem do prazo decadencial prescrita no art. 150, §4°, do CTN, verificase que o fato gerador ocorrido ao fim do anocalendário de 1987 foi atingido pela decadência, uma vez que o prazo de 5 (cinco) anos para lançamento de eventuais diferenças apuradas teria findado até 31/12/1992, enquanto que os Ais em tela foram cientificados à Recorrente em 19/12/2001; ad argumentandum, também pelo art. 173, I, do CTN, operouse a decadência dos lançamentos, eis que o lustro se esgotaria 31/12/1993; por tais razões, forçoso que seja reconhecido que o lançamento em testilha encontrase atingido pela decadência, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, extinguindose os pretensos débitos relativos aos períodos de 1996, 1997 e 1998, uma vez que decorrentes de supostas diferenças de correção monetária na realização do lucro inflacionário acumulado ao final do anocalendário de 1987, as quais a D. Fiscalização possuía informações suficientes para identificar e, assim, lançar parcela faltante; SUBSIDIARIAMENTE: DA INOCORRÊNCIA DE FATO GERADOR DO IRPJ E DA CSLL o art. 43 do CTN elege como base tributável do IRPJ e da CSLL o acréscimo patrimonial, in verbis: [...]; por sua vez, o lucro inflacionário é uma grandeza que, a despeito de sua denominação, em nada se identifica com lucro, propriamente dito, eis que decorre de mera correção monetária de ativos, sem acrescer qualquer valor além daquele necessário a preservar o valor aquisitivo da moeda, afastando, assim, os efeitos corrosivos da inflação; diante disso, não há que se falar em acréscimo patrimonial decorrente do lucro inflacionário, motivo pelo qual o lucro inflacionário não pode ser submetido à incidência do IRPJ e da CSLL; nesse sentido, o E. Superior Tribunal de Justiça (STJ) já publicou diversos informativos de jurisprudência — i.e., publicação que divulga teses firmadas pelo Tribunal, selecionadas pela novidade em seu âmbito e pela repercussão no meio jurídico — asseverando que o IRPJ e a CSLL incidem apenas sobre o lucro real, não abrangendo o lucro inflacionário, conforme imagens retiradas do seu sítio eletrônico abaixo colacionadas: [...]; concluise, portanto, que o lucro inflacionário não é passível de tributação pelo IRPJ e pela CSLL, sendo totalmente improcedente os Ais em testilha; DO PEDIDO em vista de todo o exposto, estando comprovado o cabimento do presente Recurso Especial, pugnase para que seja conhecido e provido, reformandose o v. Acórdão Recorrido na parte em que desfavorável à ora Recorrente, para que seja dado provimento integral ao Recurso Voluntário, cancelandose integralmente a exigência em testilha. Fl. 594DF CARF MF Processo nº 16327.002828/200149 Acórdão n.º 9101003.276 CSRFT1 Fl. 595 7 Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 30/11/2015, deu seguimento ao recurso com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Afirma a recorrente a existência de jurisprudência administrativa divergente, no sentido de ser decadente o lançamento de eventuais diferenças, seja de correção monetária, seja de lucro inflacionário, quando além do quinquênio legal contado do período em que realizado o respectivo saldo de lucro inflacionário. Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, o Acórdão nº 9101002.001, de 21/08/2014 (inteiro teor às fls. 523/528) e o Acórdão nº 10707.934, de 23/02/2005 (inteiro teor às fls. 529/552). Antes de analisar os paradigmas, considero conveniente transcrever alguns excertos do voto vencido e do voto condutor do acórdão recorrido (grifos não constam do original), de forma a melhor esclarecer acerca da decisão e de seus fundamentos: [...] Passo, então, a apreciar o primeiro paradigma apresentado. [...] Resumindo a situação do 1º paradigma: o Colegiado considerou como marco inicial, para fins da contagem do prazo decadencial, o ano em que o contribuinte exerceu a opção legal de realização integral do lucro inflacionário. A exigência de eventual diferença somente poderia ser feita dentro dos cinco anos, contados daquela data. Ao contrário, o acórdão recorrido, diante da insuficiência do pagamento para quitação do saldo integral do lucro inflacionário, considerou que a diferença teria sido diferida pelo contribuinte, e que a contagem do prazo decadencial deveria ser feita a partir do momento em que exigível a realização de tal diferença. Observese que a circunstância de tratarse de tentativa de realização integral do lucro inflacionário somente é mencionada no relatório e no voto vencido. Ao que se pode depreender, tal circunstância não foi relevante para a posição vencedora, mas tão somente a existência de uma diferença não quitada cuja realização foi tida por diferida. Desta forma, considero comprovada a divergência alegada, no que tange ao 1º paradigma apresentado. Passo a apreciar o segundo paradigma. [...] Resumindo: no 2º paradigma, da mesma forma que ocorreu no 1º paradigma, o Colegiado considerou como termo inicial, para fins da contagem do prazo decadencial, o ano em que o contribuinte exerceu a opção legal de realização integral do lucro inflacionário. A exigência de eventual diferença somente poderia ser feita dentro dos cinco anos, contados daquela data. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 16327.002828/200149 Acórdão n.º 9101003.276 CSRFT1 Fl. 596 8 Também aqui, portanto, se encontra configurada a divergência jurisprudencial. Com essas considerações, concluise que a divergência jurisprudencial foi comprovada para ambos os paradigmas apresentados, sendo cumpridos os requisitos estabelecidos pelo art. 67 do Anexo II do RICARF. Em 10/12/2015, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 15/12/2015 o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DA INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL preliminarmente, requer a União seja inadmitido o Recurso Especial, pois a recorrente pretende ver reformado julgado que adota o entendimento que posteriormente foi consolidado em Súmula deste CARF; a decisão recorrida adotou o entendimento de que o início da contagem do prazo decadencial sobre o lucro inflacionário deve ser feita a partir do exercício em que deve ser tributada a sua realização e não de sua apuração; o entendimento do CARF sobre a matéria em questão foi pacificado pela edição da Súmula CARF nº 10, que assim dispõe: Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. conforme o disposto no §3º do art. 67 do Regimento Interno do CARF, “não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso”; pela leitura das disposições do RICARF que regulamentam o cabimento do recurso especial e estando evidente que a decisão recorrida adota entendimento consolidado por Súmula do CARF, entende a Fazenda Nacional que não pode ser conhecido o recurso especial apresentado pelo contribuinte no processo em epigrafe; DA IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES DO RECORRENTE. a lei estabelece ao contribuinte a faculdade do diferimento do lucro inflacionário enquanto não realizado. Em conseqüência, durante o período em que a empresa estiver em condições de diferir a tributação, a Fazenda Nacional estará impedida da constituição do crédito tributário; portanto, sendo proibido ao Fisco o lançamento do tributo com base no lucro inflacionário antes da sua realização, não há que se falar em início do prazo decadencial enquanto não se efetivar tal realização; isto porque, o fenômeno relevante para a decadência, nestes casos, é a realização do lucro, e não a sua apuração contábil. Se a Fazenda não pode exigir o Fl. 596DF CARF MF Processo nº 16327.002828/200149 Acórdão n.º 9101003.276 CSRFT1 Fl. 597 9 recolhimento do tributo antes da realização do bem, não pode também efetuar nenhum lançamento cujo fulcro seja imputar ao contribuinte o descumprimento da obrigação de recolher. E não podendo a Fazenda lançar, não se pode pensar em decurso do prazo decadencial a seu desfavor; assim, o cômputo do prazo decadencial, nos casos de diferimento da tributação do lucro inflacionário, inicia tãosomente com a realização do referido lucro (seja pela realização dos bens e direitos do ativo sujeitos à correção monetária, seja pela aplicação do percentual mínimo legal, seja pela obrigatoriedade de realização integral do saldo a diferir ainda existente), uma vez que somente a partir desse momento poderia o fisco tributar o ganho dele decorrente; ora, se no caso dos presentes autos constatouse, exatamente, a falta de realização do Lucro Inflacionário existente em 31/12/1995 nos anoscalendário de 1996, 1997 e 1998, não há que se falar sequer em início do prazo decadencial e, com menos razão ainda, no seu decurso total; com efeito, sendo o lucro inflacionário um ganho não financeiro cuja tributação pode ser diferida, não há como dar início ao prazo decadencial no período em que foi ele apurado caso tenha a interessada se utilizado dessa faculdade, uma vez que a Fazenda Nacional não poderia constituir o crédito tributário correlativo enquanto a pessoa jurídica estivesse legalmente apta a diferilo; desse modo, apenas na medida em que o referido lucro inflacionário fosse sendo realizado, poderseia ser exercitado o direito de o fisco tributar o ganho dele decorrente, sendo, então, iniciada a contagem do prazo decadencial pertinente ao lançamento de ofício; sendo lançamento de ofício, para fins de contagem de prazo decadencial não se aplica o art. 150, §4°, do CTN e sim, o art. 173, I, que assim dispõe: [...]; como se vê, não há que se falar no prazo previsto no art. 150, §4º do CTN. Ao contrário, sob o amparo do art. 149, V, a Administração poderá exercer o direito de lançar de ofício, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública na forma do art. 173 do CTN; assim, à medida que o lucro inflacionário fosse sendo realizado e não oferecido à tributação por parte do contribuinte é que a fiscalização poderia exercer o direito de constituir o crédito tributário, sendo, a partir de então, iniciada a contagem do prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN, independentemente, do período base em que o lucro inflacionário tenha sido originado; DO PEDIDO em face do exposto, pugna a Fazenda Nacional para que seja negado conhecimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte; caso não seja este o entendimento sufragado, requer que, no mérito, seja negado provimento ao citado recurso. É o relatório. Fl. 597DF CARF MF Processo nº 16327.002828/200149 Acórdão n.º 9101003.276 CSRFT1 Fl. 598 10 Fl. 598DF CARF MF Processo nº 16327.002828/200149 Acórdão n.º 9101003.276 CSRFT1 Fl. 599 11 Voto Vencido Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Não há como conhecer do recurso. O presente processo tem por objeto lançamento para a constituição de crédito tributário a título de IRPJ e CSLL sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1996, 1997 e 1998. A autuação de IRPJ foi motivada pela constatação de duas infrações: falta de realização do saldo de lucro inflacionário acumulado e omissão de receita. O lançamento de CSLL só envolveu a infração relativa à omissão de receita. Extraio do Termo de Verificação Fiscal as informações necessárias para a compreensão das infrações apuradas: Parâmetro 5 — Lucro Inflacionário O parâmetro 5 apontado pelo SAPLI — Demonstrativo do Lucro Inflacionário — se refere a saldo de lucro inflacionário do ano de 1986 que deveria ser realizado no ano de 1996 no mínimo em 10%, conforme Demonstrativo do SAPLI anexo a este termo. O que se verifica através do LALUR apresentado pelo contribuinte é que no ano de 1987 a atualização do saldo do lucro inflacionário não foi feita corretamente. Pelo fator de correção do saldo de 1986 para 1987 aplicado pelo SAPLI, de 4,3769, o valor do saldo do lucro inflacionário seria de Cz$ 64.940.179,00 e o valor apresentado e realizado pelo contribuinte, conforme o LALUR, foi de Cz$ 64.044.372,00. Tal diferença resultou no valor de Cz$ 895.807,00 (Moeda: Cruzado) que atualizado até 1996, resulta em R$ 1.683.082,89. [...] Mensagem 20 — Omissão de Receita O Sistema Malha apontou a omissão de receitas no valor de R$ 2.054.637,10. Tal omissão é verificada em confronto com as DIRF's (Declaração de Imposto de Retido na Fonte) constantes nos sistemas de controle da Receita Federal. [...] Fl. 599DF CARF MF Processo nº 16327.002828/200149 Acórdão n.º 9101003.276 CSRFT1 Fl. 600 12 As exigências fiscais foram mantidas na primeira instância administrativa. A decisão de segunda administrativa (acórdão ora recorrido), por sua vez, manteve parcialmente as exigências, fazendo alguns ajustes na base de cálculo, relativamente à compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores. Em sede de recurso especial, a contribuinte suscita divergência em relação à tributação do saldo de lucro inflacionário acumulado. Ela alega que a infração relativa ao lucro inflacionário ocorreu em 1987 e que, sendo assim, o crédito tributário estaria decaído, já que o lançamento somente foi realizado em 19/12/2001. A contribuinte também apresenta outros argumentos adicionais, no sentido de que o lucro inflacionário não pode caracterizar fato gerador do IRPJ, porque não configura acréscimo patrimonial. Essa matéria, entretanto, na forma como foi apresentada não pode ser objeto do recurso especial, porque a contribuinte não alegou divergência no âmbito do CARF, e também não apresentou paradigma em relação a isso. A Câmara Superior não é uma terceira instância, destinada a fazer uma revisão ampla dos argumentos não acolhidos nas fases anteriores, de modo que o objeto do recurso especial consiste apenas na matéria relativa à decadência da tributação do lucro inflacionário, para a qual a contribuinte apresentou paradigmas destinados a demonstrar a existência de divergência jurisprudencial no âmbito do CARF. Com a apresentação de contrarrazões, a PGFN alega que o recurso não pode ser conhecido, porque a decisão recorrida adotou entendimento consolidado por Súmula do CARF, no caso, a Súmula CARF nº 10: Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. A PGFN argumenta que a decisão recorrida adotou o entendimento de que o início da contagem do prazo decadencial sobre o lucro inflacionário deve ser feita a partir do exercício em que deve ser tributada a sua realização e não de sua apuração, e que, por isso, o recurso não pode ser conhecido, conforme art. 67, §3º, do RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. De fato, o voto vencedor que orientou o acórdão recorrido afastou a decadência, consignando que "o início da contagem do prazo decadencial sobre o lucro inflacionário deve ser feita a partir do exercício em que deve ser tributada a sua realização e não de sua apuração", na linha do entendimento manifestado pela referida súmula, e isso realmente inviabiliza o conhecimento do recurso especial. Fl. 600DF CARF MF Processo nº 16327.002828/200149 Acórdão n.º 9101003.276 CSRFT1 Fl. 601 13 Não deixo de perceber, contudo, que o voto vencido constante do acórdão recorrido procurou empregar a mesma súmula para extrair conclusão oposta, ou seja, de que haveria decadência, enfocando, nesse caso, a segunda parte da súmula: "do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ... ". Para tanto, esse voto vencido trouxe várias decisões, semelhantes aos paradigmas ora apresentados para a caracterização da divergência jurisprudencial, mas a tese da decadência não prevaleceu no voto vencedor do acórdão recorrido, porque a situação destes autos é distinta daquelas onde a Súmula CARF nº 10 é aplicada para fins de reconhecimento de decadência (segunda parte da súmula). Aliás, esse é um outro problema para a admissibilidade do recurso especial sob exame. É que os paradigmas trataram de situações em que o contribuinte abre mão do direito ao diferimento da tributação (em troca de algum benefício), e opta pela realização integral do lucro inflacionário em um determinado momento (que é antecipado), o que não ocorreu nos presentes autos. Vale destacar que a opção prevista em lei para a realização integral do lucro inflacionário de forma antecipada e incentivada (com algum benefício fiscal, p/ ex., tributação com alíquota reduzida) nada tem a ver com o fato de o contribuinte realizar parcela maior do que ele deveria ter realizado, pensando ainda que estava realizando a totalidade de seu saldo, conforme seus controles internos, que foi o que ocorreu nos presentes autos. Nesse caso, a parcela não realizada (em razão de algum erro no controle dos saldos acumulados) continua diferida, porque não havia nada que obrigasse o contribuinte a realizála em determinado momento, de forma antecipada. Essa obrigação não surge pelo simples fato de o contribuinte pensar equivocadamente que está realizando integralmente os saldos acumulados, mormente quando ele, mesmo incorrendo em erro, realiza uma parcela maior do que aquela que estava obrigado a realizar. Ou seja, se o contribuinte não estava obrigado a realizar antecipadamente o lucro inflacionário (porque não se obrigou a isso para desfrutar de algum benefício), e se ele realizou o mínimo a que estava obrigado no período, não há que se falar em perda do direito ao diferimento dessa tributação (para o contribuinte), e nem em início de contagem do prazo decadencial (para o Fisco). Não é difícil perceber a relação entre esses dois eventos. A contagem da decadência só é iniciada porque o contribuinte perde o direito de diferir a tributação dos saldos de lucro inflacionário (e isso não ocorreu no presente caso). Nesse passo, é importante observar que o primeiro paradigma trata de situação em que o contribuinte fez opção pela tributação de todo o saldo existente de lucro inflacionário em 31/12/1992, com a alíquota reduzida de 5%, aproveitando o benefício instituído pelo art. 31 da Lei 8.541/1992. O voto que orientou o referido acórdão explicita bem as razões pelas quais a decadência foi reconhecida naquele caso: [...] Com o devido respeito, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara deixou de aplicar a Súmula CARF nº 10, que enuncia: Fl. 601DF CARF MF Processo nº 16327.002828/200149 Acórdão n.º 9101003.276 CSRFT1 Fl. 602 14 [...] Nos termos do entendimento sumulado, é irrelevante, para fins de contagem do prazo decadencial, o período em que o lucro inflacionário foi diferido, sendo relevante apenas o período em foi realizado ou em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado. A tributação favorecida veiculada pela Lei nº 8.451/92 não admite a realização parcial, devendo obrigatoriamente ser recolhido o tributo sobre o saldo total. No caso concreto, o período de realização do saldo integral do lucro inflacionário, por força de opção legal exercida pelo contribuinte, foi o anocalendário de 1993. Se o recolhimento se deu por valor inferior, eventuais diferenças só podem ser exigidas pela Fazenda Nacional enquanto não alcançada pela decadência. Nos termos do que enuncia a Súmula CARF nº 10, o prazo decadencial é contado do período em que, por força da opção legal exercida pelo Recorrente, o lucro inflacionário deveria ter sido realizado na sua integralidade, no caso concreto, o anocalendário de 1993. Por conseguinte, em 27 de dezembro de 2002, quando aperfeiçoado o lançamento pela ciência do sujeito passivo, encontravase o crédito extinto pela decadência. (grifos do original) Por sua vez, o segundo paradigma trata de situação semelhante à do primeiro, abordando caso de "realização integral do lucro inflacionário, inequivocamente manifestada na Declaração de Rendimentos" apresentada em 29/05/1991. Essa decisão, invocando precedentes idênticos ao primeiro paradigma, entendeu que estavam decaídas as parcelas que obrigatoriamente deveriam ter sido realizadas em 29/05/1991, e que não estavam decaídas as parcelas que não estavam incluídas entre as que deveriam ter sido realizadas obrigatoriamente em 29/05/1991. Aliás, o segundo paradigma manifesta expressamente o entendimento de que um erro cometido pelo contribuinte no controle dos saldos acumulados (mesma situação que ocorreu nos presentes autos) não pode sustentar a alegação de decadência: [...] As omissões de correção monetária se deram nos anos de 1981 e 1990 mas o descompasso só foi constatado em ação fiscal (malha fazenda) levada a efeito no ano de 2000, referida ao anocalendário de 1995. É sobejamente sabido que a correção monetária tem por função a mera recomposição de valores históricos. Assim, o saldo nominal apresentado pela empresa, no ano de 1995 deveria representar os mesmos valores diferidos e ainda não tributados no passado. Argumentar que o "erro" (a não correção) se deu nos anos de 1980 e 1990 e que o fisco deveria ter agido nos cinco anos subseqüentes para não perder seu direito é um exercício de puro sofisma. Como visto, o fisco só pode agir quando constatada realização em valores menores que os legalmente exigidos, exatamente para exigir as diferenças. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 16327.002828/200149 Acórdão n.º 9101003.276 CSRFT1 Fl. 603 15 São casos em que a discussão, que à primeira vista aparenta estar relacionada a prazo decadencial, na realidade, vinculase a uma questão temporal originária de fatos que nascem ou se formam em um exercício e repercutem em vários exercícios subseqüentes. Por isso, entendo não ser sustentável o argumento de decadência nas hipóteses de omissão de correção monetária, por erro na aplicação do índice em 1981 e por falta da correção do saldo de lucro inflacionário a realizar em 31.12.89. (grifos acrescidos) E nesse aspecto o segundo paradigma é, inclusive, convergente com o acórdão recorrido, na parte em que este entende que não poderia contar a decadência a partir de 1987, quando a contribuinte aplicou o índice errado para a correção dos saldos de lucro inflacionário. O reconhecimento da decadência pelo segundo paradigma (e apenas para parte dos valores) só ocorreu porque em um determinado momento o contribuinte abriu mão do direito ao diferimento da tributação, aderindo a um regime tributário mais benéfico que impunha a realização integral do lucro inflacionário (realização antecipada obrigatória), situação que não se verifica no caso dos presentes autos. Vale reproduzir a sequência do voto que orientou o segundo paradigma: Entretanto, na Declaração de Rendimentos do anobase de 1990, exercício de 1991, antes da correção monetária complementar relativa à diferença entre o IPC e o BTNF determinada pela Lei n° 8.200, de 28.06.91, a empresa, mediante registro na Linha 11 do Quadro 06 do Anexo 2, levou, claramente, ao conhecimento da administração tributária que estava realizando integralmente (100%) o seu lucro inflacionário acumulado. Eis ai o termo inicial do prazo decadencial para que o fisco exigisse eventuais insuficiências na realização do saldo até aquela data, inclusive de correção monetária. Com efeito, naquele outro caso, o contribuinte informou em sua declaração de rendimentos referente ao anobase de 1990 que estava realizando integralmente o saldo de lucro inflacionário acumulado até então, antes mesmo de proceder à correção complementar IPC/BTNF determinada pela Lei 8.200/1991. Ou seja, o contribuinte abriu mão do diferimento da tributação, em troca de não ter que fazer a correção complementar IPC/BTNF para essa parcela dos saldos de lucro inflacionário. Com isso, a realização dessa parcela dos saldos de lucro inflacionário se tornou obrigatória, o que possibilitou o início da contagem da decadência. Ou ainda, o segundo paradigma trata de várias "rubricas" de lucro inflacionário. São vários pedaços de lucro inflacionário que vão compor no final o saldo que a fiscalização pretendeu tributar naquele processo. Mas a parte que nos interessa é a parcela referente a uma diferença apurada em relação a 1981. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 16327.002828/200149 Acórdão n.º 9101003.276 CSRFT1 Fl. 604 16 Quando o legislador instituiu a correção complementar IPC/BTNF para 1990, ele consignou que as parcelas que não tivessem sido realizadas até 31/12/1990, deveriam sofrer essa correção complementar. Assim, se o contribuinte realizasse todo o saldo gerado e acumulado até 31/12/1990, não precisaria fazer essa correção complementar. Foi por isso que na DIRPJ do anobase de 1990, apresentada em 1991, constava um campo específico para o contribuinte informar que estava realizando integralmente o saldo de lucro inflacionário, antes mesmo de fazer a correção complementar IPC/BTNF. Foi isso o que ocorreu no caso do segundo paradigma. O contribuinte informou na DIRPJ que estava realizando integramente o saldo de lucro inflacionário, antes mesmo de proceder a correção complementar. Então, em relação à diferença apurada no ano de 1981, o segundo paradigma inicialmente esclarece que não contaria a decadência a partir de 1981 (e nessa parte que ele é convergente com o recorrido). Mas depois ele menciona que quando o contribuinte realiza integralmente esse saldo de 1981 em 29/05/1991 (data da entrega da DIRPJ) (o correto seria dizer 31/12/1990), teria que contar a decadência a partir daí. Ou seja, como o contribuinte informou na DIRPJ que estava realizando integralmente o saldo acumulado até então (31/12/1990), antes mesmo de fazer a correção complementar IPC/BTNF 1990 (e esse era o benefício auferido pelo contribuinte), as diferenças relacionadas a essa parcela passaram a ser exigidas a partir daí. Por isso, foi reconhecida a decadência em relação a essa parcela. O contribuinte abre mão do diferimento da tributação, e faz a realização integral dos saldos de LI em 31/12/1990, antes de fazer a correção monetária complementar IPC/BTNF sobre esses saldos. Ele troca o diferimento pela dispensa de fazer a correção complementar (benefício que consta no art. 40 do Decreto nº 332, de 91), e com isso se obriga a realizar integralmente (antecipadamente) aqueles saldos. A lógica é exatamente a mesma da realização antecipada/incentivada com base na posterior Lei 8.541/1992, mas o segundo paradigma não deixa isso muito explícito, embora aponte o tempo todo para isso. A seguinte decisão é bastante instrutiva: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM JUIZ DE FORA 1 º TURMA ACÓRDÃO Nº 0912482 de 14 de Fevereiro de 2006 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: LUCRO INFLACIONÁRIO. DIFERENÇA IPC/BTNF. REALIZAÇÃO INTEGRAL DO SALDO EM 1990. À luz do art. 40 do Decreto nº 332/91, só cabe a apuração de diferença de correção monetária – IPC/BTNF sobre os valores registrados no Lalur desde o balanço de 1989, que constituirão adição, exclusão ou compensação a partir do períodobase de 1991. Havendo realização integral do saldo do lucro inflacionário acumulado existente em 31 de dezembro de 1989, na declaração do anobase de 1990, não procede o ajuste fiscal. Anocalendário: : 01/01/1998 a 31/12/1998 Fl. 604DF CARF MF Processo nº 16327.002828/200149 Acórdão n.º 9101003.276 CSRFT1 Fl. 605 17 O segundo paradigma ainda reconheceu a decadência para uma outra parcela de lucro inflacionário, que foi apurada após a Fiscalização lançar mão dos documentos contábeis e fiscais da empresa relativos ao ano de 1990 para refazer de ofício (em 2000) toda a apuração da correção monetária em relação àquele período de 1990. E é bastante evidente que essa situação não guarda nenhuma semelhante com a tratada pelo acórdão recorrido, onde o que esteve em questão foi apenas um erro na correção de valores (saldos de lucro inflacionário) apurados pela própria contribuinte. A parte inicial deste voto esclarece bem os contornos da questão sobre o lucro inflacionário no presente processo. Em 1987, a contribuinte não atualizou corretamente o saldo de lucro inflacionário por ela mesma apurado, e essa diferença, ao longo do tempo, acabou resultando num saldo ainda a realizar. Assim, não há paralelo entre o acórdão recorrido e os paradigmas, que permita a caracterização de divergência a ser sanada mediante processamento de recurso especial. As situações distintas justificam as diferentes decisões. E na parte em que o recorrido é semelhante ao segundo paradigma, as decisões são, inclusive, convergentes. Acaso vencedor, proponho a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. 1 Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso (RICARF, art. 67, §3º). Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. O voto vencedor que orientou o acórdão recorrido afastou a decadência, consignando que "o início da contagem do prazo decadencial sobre o lucro inflacionário deve ser feita a partir do exercício em que deve ser tributada a sua realização e não de sua apuração", na linha do entendimento manifestado pela Súmula CARF nº 10, e isso inviabiliza o conhecimento do recurso especial. 2 A falta de comprovação de divergência também inviabiliza o processamento do recurso especial. Os paradigmas trataram de situações em que o contribuinte abre mão do direito ao diferimento da tributação (em troca de algum benefício), e opta pela realização integral do lucro inflacionário em um determinado momento (que é antecipado), o que não ocorreu nos presentes autos. A opção prevista em lei para a realização integral do lucro inflacionário de forma antecipada e incentivada (com algum benefício) nada tem a ver com o fato de o contribuinte realizar parcela maior do que ele deveria ter realizado, pensando ainda que estava realizando a totalidade de seu saldo, conforme seus controles internos, que foi o que ocorreu nos presentes autos. Não há paralelo entre o acórdão recorrido e os paradigmas, que permita a caracterização de divergência a ser sanada mediante Fl. 605DF CARF MF Processo nº 16327.002828/200149 Acórdão n.º 9101003.276 CSRFT1 Fl. 606 18 processamento de recurso especial. As situações distintas justificam as diferentes decisões. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da contribuinte. Por restar vencido na preliminar de não conhecimento, passo a tratar do mérito do recurso. Como mencionado anteriormente, o objeto do recurso especial sob exame consiste apenas na matéria relativa à decadência da tributação do lucro inflacionário, para a qual a contribuinte apresentou paradigmas destinados a demonstrar a existência de divergência jurisprudencial no âmbito do CARF. Os outros argumentos adicionais apresentados pela contribuinte, no sentido de que o lucro inflacionário não pode caracterizar fato gerador do IRPJ, porque não configura acréscimo patrimonial, na forma como foram apresentados, não podem ser objeto do recurso especial, porque a contribuinte não alegou divergência no âmbito do CARF, e também não apresentou paradigmas sobre isso. A Câmara Superior realmente não é uma terceira instância, destinada a fazer uma revisão ampla dos argumentos não acolhidos nas fases anteriores. Quanto ao mérito da questão da decadência, cabe retomar as mesmas considerações feitas no exame da preliminar, quando se cotejou o recorrido com os paradigmas. Está bastante claro que a contribuinte reivindica para o presente processo o mesmo tipo de decisão proferida nos acórdãos paradigmas, mas as situações são distintas. O reconhecimento da decadência nos paradigmas ocorreu porque em um determinado momento os contribuintes abriram mão do direito ao diferimento da tributação, aderindo a um regime tributário mais benéfico que impunha a realização integral do lucro inflacionário (realização antecipada obrigatória), situação que não se verifica no caso dos presentes autos. Vale destacar novamente que a opção prevista em lei para a realização integral do lucro inflacionário de forma antecipada e incentivada (com alíquota reduzida) nada tem a ver com o fato de o contribuinte realizar parcela maior do que ele deveria ter realizado, pensando ainda que estava realizando a totalidade de seu saldo, conforme seus controles internos, que foi o que ocorreu nos presentes autos. Nesse caso, a parcela não realizada (em razão de algum erro no controle dos saldos acumulados) continua diferida, porque não havia nada que obrigasse o contribuinte a realizála em determinado momento, de forma antecipada. Essa obrigação não surge pelo simples fato de o contribuinte pensar equivocadamente que está realizando integralmente os saldos acumulados, mormente quando ele, mesmo incorrendo em erro, realiza uma parcela maior do que aquela que estava obrigado a realizar. Ou seja, se o contribuinte não estava obrigado a realizar antecipadamente o lucro inflacionário (porque não se obrigou a isso para desfrutar de algum benefício), e se ele Fl. 606DF CARF MF Processo nº 16327.002828/200149 Acórdão n.º 9101003.276 CSRFT1 Fl. 607 19 realizou o mínimo a que estava obrigado no período, não há que se falar em perda do direito ao diferimento da tributação da parcela ainda não realizada (para o contribuinte), e nem em início de contagem do prazo decadencial (para o Fisco). Não é difícil perceber a relação entre esses dois eventos. A contagem da decadência só é iniciada porque o contribuinte perde o direito de diferir a tributação dos saldos de lucro inflacionário (e isso não ocorreu no presente caso). A parte inicial deste voto esclarece bem o contexto dos fatos. Em 1987, a contribuinte não atualizou corretamente o saldo de lucro inflacionário, e essa diferença, ao longo do tempo, acabou resultando num saldo ainda a realizar. Em nenhum momento, ao longo do tempo, a contribuinte perdeu o direito ao diferimento da tributação do lucro inflacionário. Embora ela tenha realizado em 1987 uma parcela maior do que estava obrigada a realizar, a parcela não realizada (em razão do erro no controle dos saldos) continuou diferida, porque não havia nada que obrigasse a contribuinte a realizála em determinado momento, de forma antecipada. Se a contribuinte não optou por nenhum regime de tributação acelerada/ incentivada, se não havia nada que a obrigasse a realizar antecipadamente (em determinado período) os seus saldos de lucro inflacionário, se a contribuinte permaneceu com o direito de diferir a tributação do lucro inflacionário para as parcelas ainda não realizadas, não há como defender que a contagem da decadência deva ser antecipada, deva ser iniciada em 1987. O caso aqui é de simples aplicação da súmula CARF nº 10. A decadência deve ser contada a partir do período de realização do lucro inflacionário, e não de sua apuração. Acaso vencedor, proponho a seguinte ementa: DECADÊNCIA. LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO. A situação dos presentes autos não é aquela em que o contribuinte abre mão do direito ao diferimento da tributação (em troca de algum benefício), e opta pela realização integral do lucro inflacionário em um determinado momento (que é antecipado). A opção prevista em lei para a realização integral do lucro inflacionário de forma antecipada e incentivada (com algum benefício) nada tem a ver com o fato de o contribuinte realizar parcela maior do que ele deveria ter realizado em um determinado período, pensando ainda que estava realizando a totalidade de seu saldo, conforme seus controles internos, que foi o que ocorreu nos presentes autos. Se a contribuinte não optou por nenhum regime de tributação acelerada/incentivada, se não havia nada que a obrigasse a realizar antecipadamente (em determinado período) os seus saldos de lucro inflacionário, a tributação da parcela ainda não realizada continuou diferida no tempo. Se a contribuinte permaneceu com o direito de diferir a tributação do lucro inflacionário, não há como defender a antecipação da contagem da decadência. O caso aqui é de simples aplicação da súmula CARF nº 10. A decadência deve ser Fl. 607DF CARF MF Processo nº 16327.002828/200149 Acórdão n.º 9101003.276 CSRFT1 Fl. 608 20 contada a partir do período de realização do lucro inflacionário, e não de sua apuração. Diante disso, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 608DF CARF MF Processo nº 16327.002828/200149 Acórdão n.º 9101003.276 CSRFT1 Fl. 609 21 Voto Vencedor Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Redator Designado. De início, a questão relacionada ao conhecimento do Recurso Especial. Segundo o voto condutor do acórdão paradigma, diante da insuficiência do pagamento dos tributos incidentes sobre o saldo integral do lucro inflacionário, remanesceria uma diferença que teria sido diferida pelo contribuinte. Sendo assim, a contagem do prazo decadencial deveria ser iniciada a partir do momento em que exigível a realização de tal diferença. Conforme assentado no despacho de admissibilidade, "a circunstância de tratarse de tentativa de realização integral do lucro inflacionário somente é mencionada no relatório e no voto vencido. Ao que se pode depreender, tal circunstância não foi relevante para a posição vencedora, mas tão somente a existência de uma diferença não quitada cuja realização foi tida por diferida." Coerente com esse ponto de vista, o voto condutor do acórdão paradigma proclamou que "a exigência feita em 2001, referida a 19961998, deve levar em conta o saldo líquido das diferenças não exigidas a tempo, como fez o lançamento." Vale dizer que o ano calendário de origem (1987) da diferença do lucro inflacionário não teve a menor importância, para o voto condutor, e sim o anocalendário de referência (19961998), isto é, aquele em que a diferença do lucro inflacionário foi constatada não realizada, dentro do SAPLI. Por outro lado, no acórdão paradigma nº 9101002.001, afirmouse que eventuais diferenças só podem ser exigidas pela Fazenda Nacional enquanto não alcançada pela decadência, em face da apuração e do recolhimento a menor do IRPJ e da CSLL sobre o lucro inflacionário. De acordo com tal raciocínio e tendo em conta que a opção pela tributação do saldo integral do lucro inflacionário fora efetuada no anocalendário de 1993, o voto condutor deste acórdão, alinhandose com a Súmula 10 do CARF, manifestou que o prazo decadencial para o lançamento tributário calculado sobre eventuais diferenças deve ser contado desde a opção pela tributação do saldo integral, no caso, o anocalendário de 1993. Já no acórdão paradigma nº 10707.934, a autoridade julgadora considerou que "a empresa, mediante registro na Linha 11 do Quadro 06 do Anexo 2, levou, claramente, ao conhecimento da administração tributária que estava realizando integralmente (100%) o seu lucro inflacionário acumulado." Nesses termos, assegurouse que esse momento constitui "o termo inicial do prazo decadencial para que o fisco exigisse eventuais insuficiências na realização do saldo até aquela data, inclusive de correção monetária." Por conseguinte, atestase a demonstração de dissídio interpretativo, tanto pelo primeiro como pelo segundo paradigma. Uma vez observados os requisitos de recorribilidade, devese conhecer do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. No mérito, cabe assinalar que as fichas do SAPLI, às fls. 21/24, não expõem o cálculo das parcelas de realização obrigatória do lucro inflacionário cujos lançamentos decaíram, por inércia do Fisco, após o quinquênio legal. Por exemplo, do saldo de lucro inflacionário a realizar, de CZ$ 8.206.129,00, acumulado em 31/12/1988, o mínimo de 10% Fl. 609DF CARF MF Processo nº 16327.002828/200149 Acórdão n.º 9101003.276 CSRFT1 Fl. 610 22 deveria ser realizado, na forma do artigo 23 do Decretolei nº 2.341/1987, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.429/1988. O prazo decadencial para a tributação dessa parcela de realização obrigatória proveniente do anocalendário de 1988 decaiu ao final do ano de 1993, caso se aplique a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, ou ao final de 1994, caso se aplique a regra do artigo 173, inciso I, do CTN. Seja como for, essa parcela de 10% atingida pela decadência deve ser excluída do saldo do lucro inflacionário a realizar, acumulado em 31/12/1988. Segue daí que a parte remanescente de 90% deve ser atualizada até 31/12/1989. Acontece que o montante atualizado do lucro inflacionário a realizar, acumulado em 31/12/1989, também estava sujeito à realização mínima obrigatória, agora no percentual de 5%, conforme artigo 23 da Lei nº 7.799/1989. A exemplo do que fora descrito para o anocalendário anterior, a tributação do percentual mínimo de 5% também é suscetível às influências da decadência, motivo por que se impõe sua exclusão do saldo do lucro inflacionário a realizar, acumulado em 31/12/1989. E assim sucessivamente, em cada um dos períodos de apuração subsequentes. Obviamente, tal raciocínio implica redução do saldo do lucro inflacionário a realizar acumulado em 31//12/1996, porquanto deveriam ter sido excluídas todas as parcelas de realização obrigatória correspondentes ao lapso temporal entre os anoscalendário de 1987 e 1994. Isso porque, como é cediço, o contribuinte tomou ciência dos lançamentos de ofício no dia 19/12/2001. Nessa situação, o prazo decadencial relativo a fatos geradores ocorridos em 31/12/1994 encerrouse em 01/01/2001, caso se aplique ao caso concreto a regra do artigo 173, inciso I, do CTN. Mas se for o caso de se aplicar à espécie a previsão normativa do artigo 150, § 4º, do CTN, deveriam ter sido excluídas todas as parcelas de realização obrigatória correspondentes ao lapso temporal entre os anoscalendário de 1987 e 1995. Tal entendimento é coerente com o voto condutor do acórdão recorrido, quando este pronuncia que é favorável ao expurgo do saldo do lucro inflacionário a realizar de valores que deveriam ter sido adicionados ao resultado tributável há mais de cinco anos e não o foram. Se este expurgo não foi efetuado, o IRPJ e a CSLL calculados sobre o lucro inflacionário estão incorretos, porque apurados sob a influência de parcelas do lucro inflacionário já atingidas pela decadência. Em face do exposto, conheço do Recurso Especial do contribuinte para dar lhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 610DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.001699/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
Numero da decisão: 1401-002.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10835.001699/2009-11
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5849512
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.212
nome_arquivo_s : Decisao_10835001699200911.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10835001699200911_5849512.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7193137
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050010577272832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1830; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.001699/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.212 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2018 Matéria PER/DCOMP PAGAMENTO A MAIOR Recorrente INSTITUTO DE RADIOLOGIA DE PRESIDENTE PRUDENTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 16 99 /2 00 9- 11 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10835.001699/200911 Acórdão n.º 1401002.212 S1C4T1 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ/CSLL. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiamse no entendimento que, sendo empresa prestadora de serviços de radiologia, estes seriam equivalentes aos serviços hospitalares prestados e, assim, ao invés de estar sujeito às alíquotas de lucro presumido no percentual de 32%, estaria submetida às alíquotas de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. A compensação não foi homologada pela Delegacia de Origem com base na alegação constante no Despacho Decisório. Ou seja, os serviços prestados pela recorrente não seriam caracterizados como serviços hospitalares em função de a empresa não possuir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atendimento de casos de internação de pacientes para tratamento de saúde. Assim, os serviços por ela prestados não poderiam se submeter aos percentuais estabelecidos para os serviços hospitalares. Inconformada com a nãohomologação das compensações a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual argumenta que realizou consulta à SRRF, formulada sob o nº 10835.001313/200610, com vistas a esclarecer o seu enquadramento como prestadora de serviços hospitalares e argumentou que realizou a retificação de suas DIPJ, DCTF para que pudesse usufruir dos créditos. A delegacia de julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade emitindo a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ou seja, a Delegacia de Julgamento entendeu que os créditos da empresa não estariam devidamente comprovados com a documentação apresentada pela recorrente. Inconformada com a decisão a empresa apresentou recurso voluntário no qual apresenta as seguintes alegações: Da apresentação de novos documentos. Alega que a decisão recorrida considerou que não foi comprovado que os serviços prestados referiamse apenas a serviços de Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10835.001699/200911 Acórdão n.º 1401002.212 S1C4T1 Fl. 0 3 radiologia e radiodiagnóstico inseridos em seu objeto social. Mas que a documentação apresentada comprovaria o exercício destas atividades e, ainda, apresenta cópia do razão e declaração do contador da empresa, pelo que suscita que seja aceita a referida documentação como suficiente para caracterização dos serviços da empresa; Da realização de diligência. Entende que tendo em vista a apresentação dos novos documentos e que essa apresentação é possível em sede de recurso voluntário, haja vista que essa alegação somente foi trazida pela decisão da DRJ e, mais ainda, conforme farta jurisprudência que admite esta apresentação posterior. Do ônus da apresentação de prova impossível. Entende a empresa que a Delegacia de Julgamento pretende a formação de prova impossível visto que, mesmo que apresentasse todas as notas fiscais da empresa ainda assim não seria possível comprovar que somente realizou serviços indicados no seu objeto social. Nulidade por vícios formais. Entende que a decisão que considerou não homologadas as compensações padece de vícios, vez que indicou apenas o dispositivos que tratam da não homologação das compensações sem que exista dispositivo legal que constitua o crédito tributário. Do fato de a empresa não ser sociedade empresária e dos serviços realizados. Neste ponto apresenta farta jurisprudência deste CARF e do STJ, nos quais encontrase o entendimento de que a redução de alíquota decorre da efetiva prestação de serviços de natureza hospitalar e não do local em que se realizam, com exceção da realização de consultas. Com relação à natureza da sociedade entende que a decisão do STJ, relativa a sociedade simples e que este fato não foi impeditivo do direito, visto que a base para a sua concessão foi a natureza objetiva dos serviços realizados. Traz colações da doutrina no sentido de que a empresa se define mais pela verificação das atividades que desenvolve do que pelo seu simples registro formal. Assim eventual irregularidade seria apenas formal e não impeditiva do exercício do direito. Da natureza dos serviços prestados. Repisa os argumentos já trazidos para indicar que os serviços prestados pela sociedade são, efetivamente de radiologia e radiodiagnóstico. É o Relatório Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.211, de 22.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 10835.901959/200941, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.211): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação acerca de, em face de solução de consulta que reconheceu a possibilidade de a empresa tributar seus lucros pelas alíquotas equivalentes a 8%, poder a Receita Federal desconsiderar este direito em razão de alegar a não Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10835.001699/200911 Acórdão n.º 1401002.212 S1C4T1 Fl. 0 4 comprovação da inscrição da empresa como sociedade empresária e do exercício de atividades que possam ser consideradas como hospitalares. Vejamos o que determina a norma relativa à aplicação das alíquotas de serviços hospitalares: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ..... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ..... Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10835.001699/200911 Acórdão n.º 1401002.212 S1C4T1 Fl. 0 5 corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Pelo que se depreende da norma acima, a redação da norma ao tempo dos fatos geradores dos pagamentos a maior realizados apenas estabelecia a aplicação da alíquota reduzida àqueles que realizassem o exercício de serviços hospitalares. A solução de consulta em que se baseou a empresa para a apuração dos seus créditos assim dispôs sobre os requisitos a serem atendidos para fins de fruição dos benefícios da alíquota reduzida. Em contraparida, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ que, tratando do assunto, assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10835.001699/200911 Acórdão n.º 1401002.212 S1C4T1 Fl. 0 6 Vejase que o critério apresentado pelo STJ, seguindo o critério da Lei nº 9.249/95, é simples e objetivo. São enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Inobstante, a Delegacia de Julgamento, ao analisar o caso do contribuinte baseou sua decisão nas diversas instruções normativas e atosdeclaratórios existentes a respeito da definição de serviços hospitalares para fins de aplicação da alíquota de presunção. Desta forma, fundamentou a improcedência na necessidade de o contribuinte atender a três requisitos, conforme abaixo apresentados: Ocorre, no entanto que não comungo do entendimento exposado pelo referido órgão julgador. A decisão proferida pelo STJ, aplicável ao caso dos autos, trata a norma redutora da alíquota de forma objetiva. Assim, o serviço que tenha natureza hospitalar, qual seja, diagnóstico, tratamento, internação, quer seja desenvolvido nos hospitais ou fora deles, com exceção apenas das simples consultas, devem ser considerados serviços hospitalares e, assim, estão sujeitos à alíquota reduzida estabelecida pela Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Comungam deste entendimento os seguintes julgados, inclusive desta mesma câmara em época anterior à entrada deste relator no colegiado. Acórdão nº 1401001.434 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrente Instituto Guaçuano de Orrino laringologia S/S Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10835.001699/200911 Acórdão n.º 1401002.212 S1C4T1 Fl. 0 7 À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Acórdão nº 9101001.559 – 1ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria IRPJ Exercícios 1999 a 2001 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM MEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Do exposto, comungando do entendimento exposado pelo STJ no sentido de que a redução de alíquota tem caráter objetivo em razão do tipo de serviços prestados pela empresa. No caso dos autos, inobstante a argumentação da Decisão atacada de que não restou comprovado a prestação de serviços relacionados a hospitalares pelo contribuinte, havemos de esclarecer que a Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10835.001699/200911 Acórdão n.º 1401002.212 S1C4T1 Fl. 0 8 Decisão da DRJ não pode inovar nos fundamentos utilizados pela Delegacia de Origem para o não reconhecimento dos créditos. Vejase que na decisão original o não reconhecimento dos créditos deveuse ao fato de a autoridade administrativa entender que a recorrente não possuía estrutura hospitalar para internação e tratamento e não pelo fato de não ter comprovado as atividades, até mesmo porque sequer foi intimada para tanto. Mais ainda, a decisão emitida na solução de consulta, corroborada pela Decisão da Delegacia de Julgamento corroborou o entendimento de que o requisito de estrutura estaria suprido pela apresentação de laudo da vigilância sanitária da jurisdição da recorrente. Assim, verificandose que o contribuinte, exercer atividades exclusivamente de radiologia e diagnóstico por imagem, atividades essas que estão incluídas no conceito de serviços de atendimento à saúde, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 247DF CARF MF
score : 1.0
