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Numero do processo: 11065.001514/2004-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS. INCIDÊNCIA DE PIS/COFINS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE RECEITA. Não compõe a receita bruta o valor do crédito de ICMS que fora objeto de simples transferência a terceiros, haja vista inexistir acréscimo patrimonial pela cedente. A existência de receita passível de incidência pelas contribuições pressupõe, necessariamente, que o valor de transferência seja maior que o valor registrado, o que não ocorreu nessa transação.
CRÉDITO PRÊMIO DE IPI. RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA DE PIS/COFINS. Os valores registrados no resultado operacional à título de "ressarcimento" como crédito prêmio de IPI são subvenções que devem registradas como receita operacional e, como tal, oferecidas à incidência das contribuições sociais não-cumulativas por expressa previsão legal.
Numero da decisão: 3401-003.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para excluir a parcela referente a transferência de créditos do ICMS da base de cálculo das contribuições, e para reconhecer que não incidem juros no ressarcimento das contribuições; e (b) por voto de qualidade, para inclusão do crédito presumido de IPI na base de cálculo das contribuições não cumulativas, vencidos o relator e os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente.
(assinado digitalmente)
ANDRÉ HENRIQUE LEMOS - Relator.
(assinado digitalmente)
TIAGO GUERRA MACHADO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Macha
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS. INCIDÊNCIA DE PIS/COFINS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE RECEITA. Não compõe a receita bruta o valor do crédito de ICMS que fora objeto de simples transferência a terceiros, haja vista inexistir acréscimo patrimonial pela cedente. A existência de receita passível de incidência pelas contribuições pressupõe, necessariamente, que o valor de transferência seja maior que o valor registrado, o que não ocorreu nessa transação. CRÉDITO PRÊMIO DE IPI. RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA DE PIS/COFINS. Os valores registrados no resultado operacional à título de "ressarcimento" como crédito prêmio de IPI são subvenções que devem registradas como receita operacional e, como tal, oferecidas à incidência das contribuições sociais nãocumulativas por expressa previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para excluir a parcela referente a transferência de créditos do ICMS da base de cálculo das contribuições, e para reconhecer que não incidem juros no ressarcimento das contribuições; e (b) por voto de qualidade, para inclusão do crédito presumido de IPI na base de cálculo das contribuições não cumulativas, vencidos o relator e os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 15 14 /2 00 4- 86 Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11065.001514/200486 Acórdão n.º 3401003.859 S3C4T1 Fl. 238 2 (assinado digitalmente) ANDRÉ HENRIQUE LEMOS Relator. (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Macha Relatório Versam os autos sobre pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP, referente ao 1o trimestre de 2004, protocolizado perante a DRF de Novo Hamburgo/RS, em 14/05/2004, totalizando R$ 280.489,46 (fl. 01). A DRF de Novo Hamburgo inaugurou Mandado de Procedimento Fiscal à fl. 33, referente ao PIS (12/2002 09/2004) e a COFINS (01/2004 a 06/2004). Encerrando a fiscalização, verificou por amostragem, a legitimidade dos pedidos de ressarcimento do PIS/COFINS, referente a 10 (dez) processos, dentre eles, relativo ao caso concreto (fl. 39), apontando irregularidades constante do Parecer de fls. 4041, todavia, deferindo parcialmente os créditos requeridos, concluindo que a Contribuinte fazia jus ao crédito do PIS não cumulativo de R$ 235.906,46, glosando o valor de R$ 44.583,00 (fl. 41). A origem das glosas foram as transferências de créditos de ICMS a terceiros e o valor do crédito presumido do IPI não incluídos na base de cálculo da contribuição (fl. 41). Às fls. 6583, a Contribuinte apresentou impugnação, defendendo o direito ao ressarcimento do PIS, objeto da glosa, pois: 1) sendo uma fabricante de calçados, adquire produtos, faz os calçados e os destina quase que na totalidade ao exterior, vindo a se creditar do ICMS destacado nas notas fiscais de aquisição, fazendo com que acumule créditos do Imposto, transferindoos para terceiros, conforme lhe faculta a legislação de regência; 2) a transferência do ICMS não pode ser enquadrada como "receita" para fins de integrar a base de cálculo do PIS, como entendeu a fiscalização; 3) impossível a inclusão do crédito presumido de IPI, na base de cálculo do PIS/COFINS, vez que a Lei 10.276/2001 o define como um ressarcimento ao contribuinte exportador; Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11065.001514/200486 Acórdão n.º 3401003.859 S3C4T1 Fl. 239 3 4) deve incidir a Taxa Selic sobre o ressarcimento. Às fls. 105126, juntou mandado de segurança preventivo com pedido de liminar pleiteando que a aturidade coatora se abstenha de considerar como receita os valores referentes às transferências de ICMS que a impetrante realiza com terceiros e, com isso, se abstenha de glosar dos pedidos de ressarcimento/compensação os valores correspondentes à incidência da contribuição para o PIS e a COFINS sobre os referidos valores (fls. 124125, parágrafo 53). Também neste chamando remédio heróico disse que se submeterá a processo fiscalizatório, no sentido de verificar se o pedido de ressarcimento observa os critérios entendidos como legítimos pela autoridade fiscal (fl. 107). Sobreveio acórdão da DRJ/POA (fls. 133139), no qual, por unanimidade de votos, decidiu: Ementa: CONCOMITÂNCIA DE AÇÁO JUDICIAL A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Sob a égide das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, os valores relativos ao Crédito Presumido de IPI integram a base de cálculo do Pis e da Cofins. Solicitação Indeferida Vistos, relatados e discutidos os autos, ACORDAM os membros da 2â Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre, por unanimidade de votos, DESCONHECER DO PLEITO no tocante à inclusão na base de cálculo do Pis/Cofins das transferências de ICMS e, quanto aos demais aspectos em litígio (inclusão do crédito presumido de IPI na base de cálculo de Pis/Cofins e atualização pela taxa Selic), e votar pelo INDEFERIMENTO DO PEDIDO, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Irresignada com a referida decisão, interpôs recurso voluntário (fls. 143164), defendendo: 1) o mandado de segurança foi impetrado em 13/10/2005, sendo deferida a liminar em 14/10/2005, decisão que foi cientificada à autoridade coatora, a qual, a partir desta data, ficava impossibilitada de exigir o PIS e a COFINS sobre as transferência do ICMS. Disse que em nenhum momento referida decisão produziu efeitos no passado (fl. 146, parágrafo 10) e que o processo impugnado é anterior à propositura do mandado de segurança impetrado (fls. 146147, parágrafo 11). 2) sendo uma fabricante de calçados, adquire produtos, faz os calçados e os destina quase que na totalidade ao exterior, vindo a se creditar do ICMS destacado nas notas Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11065.001514/200486 Acórdão n.º 3401003.859 S3C4T1 Fl. 240 4 fiscais de aquisição, fazendo com que acumule créditos do Imposto, transferindoos para terceiros, conforme lhe faculta a legislação de regência; 3) a transferência do ICMS não pode ser enquadrada como "receita" para fins de integrar a base de cálculo do PIS, como entendeu a fiscalização; 4) impossível a inclusão do crédito presumido de IPI, na base de cálculo do PIS/COFINS, vez que a Lei 10.276/2001 o define como um ressarcimento ao contribuinte exportador; 5) deve incidir a Taxa Selic sobre o ressarcimento. O recurso voluntário ascendeu a este Conselho, o qual, por unanimidade de votos em parte não o conheceu, face à opção pela via judicial e, na parte conhecida, lhe deu provimento parcial, cuja ementa possui o seguinte teor (fl. 171): NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. O contribuinte que busca a tutela jurisdicional abdica da esfera administrativa, na parte em que trata do mesmo objeto. Assunto: PIS/PASEP Período de apuração: I o trimestre de 2004 Ementa: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS. DIFERENÇA A EXIGIR. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS nãocumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de transferências de créditos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência das Contribuições carece seja efetuado lançamento de ofício. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL A receita relativa ao crédito presumido do IPI, de que trata a Lei n° 9.363/96, apurada em função da ocorrência de exportação ou venda a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação e contabilizada como receita operacional, deverá ser oferecida à tributação do PIS. RESSARCIMENTO. COFINS NÃOCUMULATIVA. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não se aplicam os juros Selic, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e COFINS nãocumulativos os arts. 13 e 15, VI, da Lei n° 10833/2003, vedam expressamente tal aplicação. Recurso não conhecido em parte face à opção pela via judicial e provido em parte na parte conhecida. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11065.001514/200486 Acórdão n.º 3401003.859 S3C4T1 Fl. 241 5 Desta decisão, interpôs a União, recurso especial de divergência (fls. 180 188), entendendo que: 1) Ao rejeitar a preliminar de ação judicial e entrar no mérito de saber se a autoridade fiscal pode ou não acertar os cálculos do tributo sem lançamento de oficio, a Câmara acaba por realizando julgamento com o objeto igual ao discutido em processo judicial, a saber, se a receita originária de alienação de créditos de ICMS a terceiros compõe ou não a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep (fls.31 e 182). 2) Às fls. 183184, confrontou os pedidos da Contribuinte, feitos na impugnação e na ação mandamental, respectivamente, defendendo que ambos são semelhantes, a saber: "DO PEDIDO Ante o exposto requer e espera a impugnante que a presente impugnação seja julgada procedente, com vistas a ser deferido o ressarcimento da contribuição para o PIS objeto de glosa fiscal ora impugnada, no valor de R$ 44.583,00 (quarenta e quatro mil quinhentos e oitenta e três reas) acrescidos da taxa SELIC." "DO PEDIDO Posto isto, a impetrante requer: a) seja a liminar deferida nos termos pleiteados no item 53 supra; b) em cognição final, depois de ouvido o ilustre representante do Ministério Publico Federal, seja definitivamente concedida a segurança no sentido de ser declarada a nãoincidência das contribuições para o PIS e COFINS sobre os valores das transferências de ICMS realizadas pela impetrante, na condição de empresa exportadora, na medida que referidos valores não se caracterizam como receita."(fl 106) 3) Que está precluso o direito de impugnar a atividade do fisco de proceder ou não o lançamento de ofício, vez que a Contribuinte não atacou a atividade do fisco de promover acertos na base de cálculo do tributo, e que, por isso, a decidir sobre tal assunto, julgou de modo extra petita a Câmara, adentrando em fatos não impugnados no processo. O recurso especial de divergência foi admitido (fl. 210), vindo a Contribuinte a apresentar suas contrarrazões (fls. 215220): 1) Em preliminar defendeu o não conhecimento do recurso especial, pois o acórdão apontado como divergente não trata da mesma situação discutida nos autos. No caso dos autos, os julgadores deram provimento ao recurso da empresa, uma vez que não foi observado pela fiscalização a necessidade de lançamento de ofício dos valores para aumento dos débitos de PIS, a fim de, conseqüentemente, reduzir os créditos a ressarcir. Portanto, tratase de nítido exemplo de observância do princípio da legalidade pelos julgadores, sem que entrassem no mérito acerca da incidência ou não da contribuição sobre os valores. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11065.001514/200486 Acórdão n.º 3401003.859 S3C4T1 Fl. 242 6 Já no caso no acórdão paradigma, tratase de hipótese em que o Conselho de Contribuinte não pode analisar a questão, uma vez que entraria no mérito do Mandado de Segurança. 2) No mérito, disse que a decisão proferido no mandado de segurança em momento algum produziu efeitos no passado, tanto que os pedidos apresentados anteriormente, os quais já tinham sido impugnados administrativamente não foram pagos à empresa. 2.1) O processo impugnado é anterior à propositura do mandado de segurança. 2.3) Não houve julgamento extra petita, pois os julgadores do CC, ao analisarem o processo, verificaram que a fiscalização acabou por infringir as normas legais de direito tributário, uma vez que a exigência do PIS sobre as transferências de saldo credor do ICMS deveria ser realizado mediante lançamento de ofício, de acordo com o CTN, e não por via oblíqua, quando da análise dos créditos a ressarcir a título de contribuição no sistema não cumulativo. 2.4) Também não há ofensa à suposta regra de que a via judicial importa em renúncia a via administrativa, vez que a Câmara julgador não analisou se incide ou não contribuição sobre as transferências do saldo credor do ICMS, apenas declarou que seria necessária a realização de lançamento de ofício para a exigência dos valores. Às fls. 228231, sobreveio decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, na qual, por maioria de votos, deu provimento ao recurso especial, a teor da seguinte ementa: JULGAMENTO EXTRA PETITA. VEDAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONCEITO. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DA PROVA. Incabível o julgamento extra petita segundo a legislação que rege os processos administrativos fiscais, uma vez que cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, considerandose como nãoimpugnada a parte do lançamento não expressamente contestada. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR PROVIDO. Consignou o relator em seu voto (fl. 231): Não foi contestada pelo contribuinte a forma que se deve apurar o novo valor dos créditos após a glosa, se por lançamento ou pela simples apuração do novo valor, sem as formalidades previstas nas leis tributárias para o lançamento. O acórdão recorrido é nulo, porque decidiu acerca de objeto fora do pedido, ou seja, caracteriza uma decisão extra petita, tendo em conta que foi decidida matéria estranha daquela posta sob a apreciação administrativa. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11065.001514/200486 Acórdão n.º 3401003.859 S3C4T1 Fl. 243 7 A nulidade decorrente de julgamento extra petita é insanável, por isso devese anular o acórdão recorrido para que outro seja proferido sem a nulidade citada. É a única forma de sanear o presente processo. Assim, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para anular o acórdão recorrido por ter apreciado e votado matéria estranha à lide e ao pedido da recorrente. Os autos devem retornar a Câmara de origem para que seja proferido outro julgamento apenas com a análise e julgamento das matérias constantes no recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Henrique Lemos Como se viu do relatório, incumbe a este Colegiado apreciar o recurso voluntário, vez que seu acórdão foi julgado nulo, por maioria de votos da CSRF. Oportunamente o recurso voluntário foi admitido, razão bastante para haver sua ratificação quanto à este ponto. Prudente relembrar o que fora objeto de recurso voluntário (fls. 143164): 1) o mandado de segurança foi impetrado em 13/10/2005, sendo deferida a liminar em 14/10/2005, decisão que foi cientificada à autoridade coatora, a qual, a partir desta data, ficava impossibilitada de exigir o PIS e a COFINS sobre as transferência do ICMS. Disse que em nenhum momento referido decisão produziu efeitos no passado (fl. 146, parágrafo 10) e que o processo impugnado é anterior à propositura do mandado de segurança impetrado (fls. 146147, parágrafo 11). 2) sendo uma fabricante de calçados, adquire produtos, faz os calçados e os destina quase que na totalidade ao exterior, vindo a se creditar do ICMS destacado nas notas fiscais de aquisição, fazendo com que acumule créditos do Imposto, transferindoos para terceiros, conforme lhe faculta a legislação de regência; 3) a transferência do ICMS não pode ser enquadrada como "receita" para fins de integrar a base de cálculo do PIS, como entendeu a fiscalização; Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11065.001514/200486 Acórdão n.º 3401003.859 S3C4T1 Fl. 244 8 4) impossível a inclusão do crédito presumido de IPI, na base de cálculo do PIS/COFINS, vez que a Lei 10.276/2001 o define como um ressarcimento ao contribuinte exportador; 5) deve incidir a Taxa Selic sobre o ressarcimento. De acordo com a decisão do CSRF, o acórdão recorrido e que fora por ela anulado , deu provimento parcial ao recurso, analisando e decidindo sobre matéria que não constava do voluntário (fl. 231). Deste modo, cumpre a este Colegiado, enfrentar os aludidos argumentos. I. Do processo administrativo fiscal e do mandado de segurança preventivo no caso concreto. Da ausência de concomitância. Excepcionalidade A recorrente ingressou com pedido de ressarcimento de crédito da contribuição para o PIS/PASEP em 14/05/2004, referente ao 1o trimestre de 2004 (fl. 01). Por outro lado, o MPF de fl. 33 é de 10/11/2004, cuja fiscalização foi de 12/2002 a 09/2004 para o PIS e de 01/2004 a 06/2004 para a COFINS. Como se vê, o MPF abrange o período do pedido de ressarcimento. Já o Termo de Encerramento de Fiscalização TEF (fl. 39) é datado de 30/11/2004, registrando que foram efetuadas verificações obrigatórias, relativas aos tributos declarados em DCTF e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil, no período de setembro de 2002 a outubro de 2004. Vêse, ainda, que o TEF congrega o período, objeto do pedido de ressarcimento. A impugnação é de 27/12/2004 (fl. 65), e o mandado de segurança fora impetrado em 14/10/2005 (fl. 165). Qual a causa de pedir da impugnação? Ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP, referente ao 1o trimestre de 2004, protocolizado perante a DRF de Novo Hamburgo/RS, em 14/05/2004, totalizando R$ 280.489,46 (fl. 01). Qual o pedido feito na impugnação? "DO PEDIDO Ante o exposto requer e espera a impugnante que a presente impugnação seja julgada procedente, com vistas a ser deferido o ressarcimento da contribuição para o PIS objeto de glosa fiscal ora impugnada, no valor de R$ 44.583,00 (quarenta e quatro mil quinhentos e oitenta e três reas) acrescidos da taxa SELIC." A DRF de Novo Hamburgo, deferiu parcialmente os créditos requeridos, concluindo que a Contribuinte fazia jus ao crédito do PIS nãocumulativo de R$ 235.906,46, glosando o valor de R$ 44.583,00 (fl. 41), cuja origem foram as transferências de créditos de Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11065.001514/200486 Acórdão n.º 3401003.859 S3C4T1 Fl. 245 9 ICMS a terceiros e o valor do crédito presumido do IPI não incluídos na base de cálculo da contribuição (fl. 41). Este é o mérito a se decidir, porém, antes disso, necessária a análise da causa de pedir, pedido e o que fora decidido no mandado de segurança preventivo. Causa de pedir: o justo receio ameaça de uma provável glosa do pedido de ressarcimento/compensação dos valores relativos às transferências de créditos fiscais de ICMS aos seus fornecedores, fazendo com que a autoridade coatora se abstenha de glosar dos pedidos de ressarcimento/compensação os valores correspondentes à incidência da contribuição para o PIS/COFINS. Pedido: a concessão da segurança no sentido de ser declarada a não incidência das contribuições para o PIS e COFINS sobre os valores das transferências de ICMS realizadas pela impetrante, na condição de empresa exportadora, na medida que referidos valores não se caracterizam como receita. A liminar foi deferida; a sentença denegou a segurança, sendo que o Tribunal Regional Federal da 4a Região, sob a relatoria do já saudoso desembargador federal Otávio Roberto Pamplona, por unanimidade de votos, deu provimento à apelação, nos termos da ementa abaixo (DE 06/12/2007): TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. PIS E COFINS. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO. 1. A inclusão dos valores provenientes da transferência de saldo credor do ICMS, obtido em razão do benefício fiscal concedido às empresas exportadoras, a fornecedores ou terceiros, na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, consoante entendimento manifestado pelo Fisco, ofende a regra de imunidade prevista no art. 155, § 2º, inciso X, da Constituição Federal e regulamentada pelo art. 25, §§ 1º e 2º, da Lei Complementar n.º 87/96, o princípio federativo e o da proibição do bis in idem. Precedentes desta Corte. 2. Por operação de exportação devese entender não só o produto da venda realizada ao exterior, mas toda a receita ou resultado decorrente do complexo mecanismo de exportação, inclusive aquela decorrente da transferência dos eventuais créditos de ICMS incidentes nas operações anteriores. 3. Sentença reformada. A União interpôs recurso especial, sob o n° 1.190.522/RS, não logrando êxito, ocorrendo o trânsito em julgado em 08/03/2012, portanto, prevaleceu o entendimento do E. TRF da 4a Região, excluindo a parcela do ICMS transferida à terceiros da base de cálculo do PIS/COFINS. Resta saber se tal decisão gerou efeitos no caso concreto ou não. Advogou a Recorrente que o mandado de segurança foi impetrado em 13/10/2005, sendo deferida a liminar em 14/10/2005, mas que em nenhum momento referida Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11065.001514/200486 Acórdão n.º 3401003.859 S3C4T1 Fl. 246 10 decisão produziu efeitos no passado (fl. 146, parágrafo 10) e que o processo impugnado é anterior à propositura do mandado de segurança impetrado (fls. 146147, parágrafo 11). À época da impetração, vigorava a Lei 1.533/51 e não a Lei 12.016/2009. Há duas modalidades de mandado de segurança em nosso ordenamento, quais sejam, o mandado de segurança repressivo e o mandado de segurança preventivo. Aquele se dirige contra ato já praticado pela autoridade coatora. Este, contra ato ainda não praticado, voltado contra a ameaça de lesão a um direito. No caso concreto, com se viu, o lançamento foi cientificado em 30/11/2004. Impugnou a Contribuinte e o feito está sob julgamento. Posteriormente, a Contribuinte impetrou mandado de segurança, em 14/10/2005, optando pela modalidade preventiva. Ensinou o também saudoso Prof. Alberto Xavier1: “As sentenças proferidas em mandado de segurança e em ações anulatórias não tem efeito retroativo, produzindo apenas efeitos ex nunc, mantendo intactos os efeitos suspensivos operados no passado pelas medidas liminares, que cessam apenas ex nunc, por caducidade”. Por outro lado, diz a Súmula CARF n° 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (neste sentido Ac. 3301 002.940). Demais disso, nesta linha são os artigos 1°, § 2°, do DL 1.737/79; 38, parágrafo único da Lei 6.830/80 e 26 da Portaria MF 258/2001 e o Parecer COSIT 03/1996, todos citados à fl. 135 (acórdão da DRF de Novo Hamburgo/RS). À de ilustrar, em 22/08/2014, foi editado Parecer Normativo 7, da RFB, tendo por objetivo "aprimorar" o preceituado no ADN COSIT 03/96, cujas conclusões se destaca: 1 XAVIER, Alberto. Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense, 1997. p. 456/462. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11065.001514/200486 Acórdão n.º 3401003.859 S3C4T1 Fl. 247 11 a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre o rito, prazo e competência; b) é irrelevante, na espécie, que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação. Com a devida vênia ao à Súmula CARF 1 e a normatização citada, ousa este relator a pensar diferente diante da excepcionalidade no tocante às ações antiexacionais preventivas, como no caso concreto, o mandado de segurança preventivo impetrado, vez que os efeitos de sua decisão são a partir de sua propositura, ou seja, ex nunc, logo, não retroagindo. De bom alvitre se repetir: o pedido de ressarcimento é de 14/05/2004 e se referente ao 1o trimestre de 2004. A impugnação se voltou contra a glosa feita relativa a este período. Já o mandado de segurança preventivo foi impetrado em 14/10/2005. Quando impetrou o remédio heróico de modo preventivo, quis a Contribuinte se prevenir de uma ameaça e não contra os lançamentos já feitos. É da técnica processual, e ao que parece a este relator, o mais coerente e lógico com o ordenamento jurídico. O tema de fundo: incidência ou não do PIS/COFINS sobre as transferências do ICMS a terceiros seja uma das razões do presente lançamento e do contencioso administrativo, voltandose a Recorrente contra este, sendo esta sua causa de pedir, seu pedido é o cancelamento do lançamento. Na ação mandamental preventiva a Contribuinte não se volta contra o presente lançamento, tampouco contra o contencioso administrativo, mas contra ameaça do entendimento fiscal. Entrementes, diante do entendimento da autoridade fiscal quando glosou vejase, passado , impetrou o mandado de segurança preventivo para que a autoridade coatora se abstivesse de considerar como receita os valores referentes às transferências do ICMS que a Contribuinte realiza para terceiros, e ainda, que se abstivesse de glosar dos pedidos de ressarcimento/compensação (fls. 124125, parágrafo 53, do seu mandado de segurança preventivo). Reforça tal entendimento quando, no item "a.1) Do entendimento da autoridade fiscal", parágrafos 22 e 23 (fls. 112113), assim expôs a Contribuinte em seu mandado de segurança: a.1) Do entendimento da autoridade fiscal 22. Conforme consta do Parecer exarado pela autoridade fiscal em procedimentos anteriores, deveria haver a incidência das contribuições em questão sobre os valores correspondentes às transferências de ICMS efetuadas pela impetrante e de Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11065.001514/200486 Acórdão n.º 3401003.859 S3C4T1 Fl. 248 12 resto por todas empresas preponderantemente exportadoras. 23. Da análise do parecer que fundamentou a anterior glosa, verificase que a transferência de ICMS foi enquadrada como uma suposta "receita" da impetrante, razão pela qual deveria integrar a base de cálculo da contribuição. Porém, tal entendimento está destituído de qualquer alicerce jurídico ou contábil, pois em hipótese alguma a "transferência de ICMS" pode ser entendida como "receita", conforme o exposto a seguir. Vêse que o pedido do mandado de segurança é diferente do pedido feito na impugnação e/ou recurso voluntário. Diante desta singularidade, entendo que não há concomitância entre o presente processo administrativo fiscal e o mandado de segurança preventivo impetrado pela Recorrente. II. Da base de cálculo do PIS/COFINS. Da exclusão do ICMS transferidos a terceiros. Da exclusão do crédito presumido do IPI No presente tópico serão abordados estes 2 (dois) assuntos, primeiro porque tratam da formação das bases de cálculo do PIS/COFINS, e em segundo, em razão do posicionamento jurisprudencial, dandose dinâmica e objetividade ao julgamento. Em seu recurso voluntário a Recorrente disse que, sendo uma fabricante de calçados, adquire produtos, faz os calçados e os destina quase que na totalidade ao exterior, vindo a se creditar do ICMS destacado nas notas fiscais de aquisição, fazendo com que acumule créditos do Imposto, transferindoos para terceiros, conforme lhe faculta a legislação de regência. Defendeu que a transferência do ICMS não pode ser enquadrada como "receita" para fins de integrar a base de cálculo do PIS, como entendeu a fiscalização. A matéria não comporta maiores aprofundamentos, em razão de que a jurisprudência tem entendido que tal parcela deve ser excluída da base de cálculo das referidas contribuições, aliás, como se viu alhures, a própria Recorrente obteve prestação jurisdicional em seu favor, nos autos da Apelação em Mandado de Segurança AMS 2005.71.08.010560 0/RS (DE 06/12/2007). Demais disso, o assunto foi objeto de decisão do E. STF, o qual julgou a matéria sob a sistemática dos recursos com repercussão geral, nos autos do Recurso Extraordinário RE 606.107/RS (DJE 03/06/2013), cuja ementa se transcreve e sua citação se torna obrigatória por força do artigo 62A, do RICARF. De se ver: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11065.001514/200486 Acórdão n.º 3401003.859 S3C4T1 Fl. 249 13 TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 11065.001514/200486 Acórdão n.º 3401003.859 S3C4T1 Fl. 250 14 VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Neste sentido, dentre outros, o acórdão 3201002.449, o qual por unanimidade de votos, excluiu a parcela referente a transferência de créditos do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, e ainda, o acórdão 930303.157, da CSRF, este com a seguinte ementa: TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. NÃO INCLUSÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ARTS. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62A DO RICARF).Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros. Entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 606.107.Recurso Especial do Contribuinte Provido Portanto, neste particular, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS, a parcela referente a transferência de créditos de ICMS. Arguiu também que é impossível a inclusão do crédito presumido de IPI, na base de cálculo do PIS/COFINS, vez que a Lei 10.276/2001 o define como um ressarcimento ao contribuinte exportador. Sobre este assunto o CARF também já se pronunciou, inclusive no já citado acórdão 3201002.449, no qual, quanto à este assunto, por maioria de votos, assim decidiu: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 11065.001514/200486 Acórdão n.º 3401003.859 S3C4T1 Fl. 251 15 COFINS E PIS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. O crédito presumido do IPI tem natureza de incentivo fiscal as exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e de COFINS, isto é, considerandose a necessidade de desoneração da cadeia de distribuição e comercialização e em vista da natureza cumulativa das contribuições. Por conseguinte, não devem compor a base de cálculo das contribuições. (neste sentido Ac. 9303004.617 da 3a Turma da CSRF, m. v. para negar provimento ao Recurso Especial da Procuradoria). Neste norte também é o entendimento da jurisprudência do STJ, o qual afirma que o crédito presumido do IPI tem natureza jurídica de benefício fiscal, "não se constituindo receita, seja do ponto de vista econômicofinanceiro, seja do ponto de vista contábil, devendo ser contabilizado como "Recuperação de Custos". Portanto, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS." (EDcl no REsp. 1.342.534 / RS). Diante deste contexto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, excluindo o crédito presumido do IPI da base de cálculo do PIS/COFINS. III. Da incidência da Taxa Selic nos casos de ressarcimento Advogou a Recorrente que, sobre o crédito objeto do pedido de ressarcimento deve incidir a Taxa SELIC. Razão assiste à Recorrente, vez que a incidência da Taxa SELIC, decorre de expressão previsão contida no § 4°, do artigo 39 da Lei 9.250/19952. Ademais, neste sentido já decidiu a 2a Turma da CSRF, no acórdão 0201.780: RESSARCIMENTO TAXA SELIC — INCIDÊNCIA — Cabível a incidência da taxa SELIC no ressarcimento, a partir da data da protocolização do pedido, sob pena de enriquecimento sem causa do Estado. Ademais, ressarcimento é espécie do gênero restituição. (No mesmo sentido: acórdão CSRF/0202.372 e acórdão 3402 002.252). 2 Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 251DF CARF MF Processo nº 11065.001514/200486 Acórdão n.º 3401003.859 S3C4T1 Fl. 252 16 Neste diapasão, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para incidir a Taxa SELIC sobre os créditos objeto do pedido de ressarcimento. Dispositivo Com estas considerações, conheço do recurso voluntário e lhe dou provimento. André Henrique Lemos Relator Fl. 252DF CARF MF Processo nº 11065.001514/200486 Acórdão n.º 3401003.859 S3C4T1 Fl. 253 17 Voto Vencedor Conselheiro Tiago Guerra Machado, Redator designado Apresentado o voto pelo ilustre relator, a Turma, em decisão pelo voto de qualidade, veio a discordar da sua posição quanto à incidência das contribuições sociais sobre os valores registrados a título de créditoprêmio de IPI, de modo que, sendo designado para redigir o voto vencedor, passo a expor. O Créditoprêmio de IPI foi criado como uma forma de recomposição financeira dos custos tributários residuais inseridos no custo do produto exportado, porém, não como dizer que há um ressarcimento efetivo, haja vista seu cálculo não representar qualquer referência fática com valores efetivamente pagos pelo exportador, sendo, portanto, semelhante à figura dos créditos presumidos de tributos. Assim, vêse que se trata meramente de um incentivo financeiro ao exportador, cujos valores vertemse positivamente ao seu patrimônio; sendo, portanto, na própria definição contábil, uma receita, e não um simples ressarcimento de custos. Dito isso, tomase a análise da incidência das contribuições sociais não cumulativas previstas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Em ambos os dispositivos, a previsão é a de que elas incidem “sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.”, de modo que as exclusões estão taxativa e expressamente previstas na legislação, não estando a presente hipótese contemplada nesse rol. Portanto, inexistindo previsão legal para excluir os valores registrados como receita decorrente do registro dos créditos sob análise, não há como sustentar o direito crédito pretendido pela Recorrente, devendo a decisão de primeiro grau ser mantida nesse ponto. Tiago Guerra Machado Fl. 253DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.000457/2010-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESFRIADOR DE ÁGUA. CÓDIGO NCM Nº 8418.69.31.
A mercadoria resfriador de água, como unidade fornecedora de água resfriada, deve ser classificada no Código NCM nº 8418.69.31, inteligência que decorre da aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH nº 01, nº 06, e da Regra Geral Complementar RGC/SH nº 01.
Numero da decisão: 3401-005.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESFRIADOR DE ÁGUA. CÓDIGO NCM Nº 8418.69.31. A mercadoria resfriador de água, como unidade fornecedora de água resfriada, deve ser classificada no Código NCM nº 8418.69.31, inteligência que decorre da aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH nº 01, nº 06, e da Regra Geral Complementar RGC/SH nº 01.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESFRIADOR DE ÁGUA. CÓDIGO NCM Nº 8418.69.31. A mercadoria “resfriador de água”, como unidade fornecedora de água resfriada, deve ser classificada no Código NCM nº 8418.69.31, inteligência que decorre da aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH nº 01, nº 06, e da Regra Geral Complementar RGC/SH nº 01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 04 57 /2 01 0- 04 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13005.000457/201004 Acórdão n.º 3401005.204 S3C4T1 Fl. 229 2 Relatório Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 1. Tratase do despacho decisório DRF/SCS nº 551/2010, situado à fl. 29, que homologou apenas parcialmente o PER nº 38247.18322.080410.1.1.016145, formalizado em 08/04/2010, transmitido com o objetivo de ver ressarcido crédito de IPI referente ao 1ª trimestre de 2010 no montante de R$ 509.011,94, reconhecendose apenas o direito creditório de R$ 384.792,68. 2. Segundo se denota do Parecer DRFSCS/SAORT nº 080/2010, situado às fls. 25 a 27, que fundamenta o despacho decisório, a homologação de apenas parte dos créditos se deveu a erro na classificação fiscal e na determinação da alíquota de IPI nas notas fiscais de saída do produto “RESFRIADOR DE ÁGUA”, cuja função é resfriar a água utilizada na produção de massa de pão em padarias e confeitarias, tendo a empresa utilizado o Código NCM nº 8438.10.00, com alíquota zero, entendendo a autoridade fiscal estar correta a classificação sob o Código NCM nº 8418.69.31, com alíquota de 15%. A diferença de IPI foi lançada no Auto de Infração objeto do processo 13005.720865/201078, também pautado para a presente sessão para que se proceda ao seu julgamento conjunto. 3. A contribuinte, intimada via postal em 29/11/2010, em conformidade com o aviso posta situado à fl. 49, apresentou, em 23/12/2010, manifestação de inconformidade, situada às fls. 128 a 150, na qual argumentou, em síntese: (i) contrariedade ao § 4º do art. 90 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que a autoridade fiscal fez uso do expediente do despacho decisório, acompanhado de parecer, para não homologar o pedido de ressarcimento, enquanto que o correto seria a "(...) emissão de auto de infração sem a exigência de crédito tributário, nos casos de constatação de infração à legislação tributária"; (ii) a procedência da classificação adotada pela contribuinte, uma vez que a máquina não promove apenas o resfriamento da água, mas, na verdade, tem como função principal promover a mistura da massa alimentícia, tratandose, portanto, de uma combinação de máquinas, em conformidade com as considerações gerais da Seção XVI (Capítulos 84 e 85 da TIPI), combinados com as notas 3 e 4; em outras palavras, a máquina de panificação ("amassadeira") forma um único corpo, conjuntamente com o "resfriador/dosador de água", sendo instaladas fixadas em caráter permanente; (iii) que, na emissão das notas fiscais de saída, apenas são discriminadas separadamente as máquinas amassadeira e resfriador /dosador de água, devido à necessidade de controle físico do estoque de produtos prontos (livro de inventário), exigidos pela legislação do IR e do IPI; (iv) as vendas avulsas do resfriador/dosador de água se justifica pelo fato de alguns clientes já possuírem a amassadeira, mas que, ainda assim, o componente vendido tem por único destino ser acoplado física e permanentemente às amassadeiras para operarem como um corpo único, sendo que as NESH não definem qual deve ser o momento da combinação/acoplamento para fins de classificação; (v) subsidiariamente, caso não prosperem as alegações anteriores, requer a classificação no Código NCM nº 8419.89.91, sob os auspícios da expressão "máquina" na Nota 5 da Seção XVI; (vi) alega equívoco na classificação reputada correta pela autoridade fiscal, em especial naquilo que concerne à posição 84.18, pois "(...) o resfriamento da água não chega nem perto de atingir uma temperatura próxima a 0º C ou inferior", uma vez que "(...) a função da máquina não é produzir frio, sendo esta uma Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13005.000457/201004 Acórdão n.º 3401005.204 S3C4T1 Fl. 230 3 exigência da posição 84.18, e sim resfriar a massa alimentícia"; (vii) que o valor glosado deve ser acrescido com a atualização da taxa Selic desde 19/11/2010. 4. Em 08/05/2014, a 03ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belém (PA) proferiu o Acórdão DRJ nº 0129.157, situado às fls. 173 a 185 de relatoria da AuditoraFiscal Claudia Gorresen Mello, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 PRELIMINAR DE NULIDADE. Incabível a decretação de nulidade do despacho decisório, quando nele contidas as informações necessárias e suficientes para justificar a nãohomologação da compensação declarada. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO. FALTA DE DESTAQUE DO IPI. LANÇAMENTO. Impõese o lançamento do IPI que tenha deixado de ser destacado pelo sujeito passivo em face de classificação fiscal errônea. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic sobre os montantes pleiteados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 5. A contribuinte foi intimada via postal em 06/06/2014, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 188 e, em 03/07/2014, em conformidade com carimbo de protocolo aposto pela unidade local, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 190 a 220, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Voto Fl. 230DF CARF MF Processo nº 13005.000457/201004 Acórdão n.º 3401005.204 S3C4T1 Fl. 231 4 Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 7. A recorrente alega, em sede preliminar, nulidade em virtude de ter a autoridade fiscal feito uso do expediente do despacho decisório, acompanhado de parecer, para não homologar o pedido de ressarcimento, enquanto que o correto seria a lavratura de auto de infração, o que não merece provimento, uma vez que a decisão foi proferida por autoridade administrativa competente, o que afasta o inciso I do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, e sem qualquer preterição do direito de defesa, que restou resguardado e, digase, foi plenamente exercido pela ora recorrente, de maneira a se expungir também a aplicação do inciso II do dispositivo instrumental em referência. 8. Observese, a respeito desta alegação, ainda, que se procedeu à lavratura de auto de infração para a formalização da cobrança das diferenças de imposto apuradas em virtude do erro de classificação fiscal, discutido no Processo Administrativo nº 13005.720865/201078, igualmente pautado para a corrente sessão para fins de julgamento conjunto. Acrescemse a estas considerações aquelas oportunamente trazidas pela decisão recorrida: "A par disso, as diferenças de imposto apuradas estão apontadas no item 28 do Relatório de Ação Fiscal e no Demonstrativo do IPI Não Lançado, parte integrante do citado Auto de Infração. Tal demonstrativo embasou a reconstituição da escrita fiscal, que serviu de base para Parecer DRF/SCS/SAORT 080/2010 e o Despacho Decisório DRF/SCS 551/2010, objeto deste processo. Assim sendo, a autoridade fiscal exarou o Despacho Decisório em questão após cumprir todos os preceitos da legislação em vigor, especialmente a análise dos documentos comprobatórios do alegado direito creditório, inclusive arquivos fornecidos pelo contribuinte e realização de diligências fiscais a fim de ser verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, tudo conforme preceitua a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que disciplinava a época a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela RFB, dentre esses o ressarcimento e a compensação de créditos do IPI. Também não se constata nenhum vício de forma no lançamento, tendo sido observadas as prescrições contidas no Decreto nº 70.235, de 1972, estando cristalina e minuciosamente demonstrados no processo a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo à impugnante conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13005.000457/201004 Acórdão n.º 3401005.204 S3C4T1 Fl. 232 5 propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa" (seleção e grifos nossos). 9. Assim, com base nos fundamentos acima, não merece provimento o recurso voluntário neste particular. 10. No mérito, a questão de fundo consiste, portanto, em deslindar, naquilo que respeita ao “RESFRIADOR DE ÁGUA”, se correta a classificação utilizada pela contribuinte (8438.10.00), ou se equivocada aquela proposta pela autoridade fiscal (8418.69.31): uma ou outra conclusão terá como efeito a reversão do despacho decisório que homologou parcialmente o ressarcimento, no presente processo. 11. Incontroversa, como se percebe, a classificação até o texto do Capítulo: as partes concordam que os produtos são uma espécie de "reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes" (Capítulo 84). 12. Para a contribuinte recorrente, no entanto, o “RESFRIADOR DE ÁGUA” deve ser classificado na Posição, Subposição, Item e Subitem 8438.10.00: "Máquinas e aparelhos não especificados nem compreendidos noutras posições do presente Capítulo, para preparação ou fabricação industrial de alimentos ou de bebidas, exceto as máquinas e aparelhos para extração ou preparação de óleos ou gorduras vegetais fixos ou de óleos ou gorduras animais" (Posição 84.38), "Máquinas e aparelhos para as indústrias de panificação, pastelaria, bolachas e biscoitos e de massas alimentícias" (Subposição, Item e Subitem 8438.10.00), submetida, portanto, a uma alíquota zero de IPI: Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13005.000457/201004 Acórdão n.º 3401005.204 S3C4T1 Fl. 233 6 13. Por outro lado, para autoridade fiscal, o “RESFRIADOR DE ÁGUA” deve ser classificado na Posição, Subposição, Item e Subitem 8418.69.31: "Refrigeradores, congeladores (freezers) e outros materiais, máquinas e aparelhos, para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, excluindo as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 84.15" (Posição 8418), "Outros materiais, máquinas e aparelhos, para a produção de frio; bombas de calor Outros" (Subposição 8418.69), "Unidades fornecedoras de água, sucos ou bebidas carbonatadas" (Item 8418.69.3), "De água ou sucos", submetido, portanto, a uma alíquota de 15% de IPI: 14. Em primeiro lugar, para a análise da classificação no Código NCM nº 8438.10.00 atribuída pela contribuinte ao “RESFRIADOR DE ÁGUA”, devem ser feitas, a partir deste ponto, as seguintes perguntas: Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13005.000457/201004 Acórdão n.º 3401005.204 S3C4T1 Fl. 234 7 (i.a) tratase de uma espécie de "máquinas e aparelhos não especificados nem compreendidos noutras posições do Capítulo 84, para preparação ou fabricação industrial de alimentos ou de bebidas, exceto as máquinas e aparelhos para extração ou preparação de óleos ou gorduras vegetais fixos ou de óleos ou gorduras animais"? Observese que, para a resposta, deverão ser eliminadas todas as outras máquinas e aparelhos especificados nas demais posições do Capítulo 84. Caso se responda negativamente à pergunta (i.a), a classificação está equivocada (o que não implica estar correta a classificação reputada como correta pela autoridade fiscal). Contudo, caso se responda afirmativamente à pergunta (i.a), então necessariamente a classificação reputada como correta pela autoridade fiscal está equivocada, salvo na hipótese da nota 2, que será verificada mais adiante (o que ainda não implica estar correta a classificação atribuída pela contribuinte). Somente neste caso, de se responder afirmativamente à pergunta (i.a), passase à seguinte questão: (i.b) tratase de um tubo de uma espécie de "máquinas e aparelhos para as indústrias de panificação, pastelaria, bolachas e biscoitos e de massas alimentícias"? Caso se responda afirmativamente à pergunta (i.b), a classificação dada pela contribuinte está correta (neste caso, já se sabia desde a resposta anterior que a classificação reputada como correta pela autoridade fiscal estava equivocada). 15. Caso se responda negativamente à pergunta (i.b), a classificação dada pela contribuinte está equivocada e, neste caso, passase à análise da classificação no Código NCM nº 8418.69.31, atribuída pela autoridade fiscal ao “RESFRIADOR DE ÁGUA”, ponto a partir do qual devem ser feitas as seguintes perguntas: (ii.a) tratase de uma espécie de "refrigeradores, congeladores (freezers) e outros materiais, máquinas e aparelhos, para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, excluindo as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 84.15"? Caso se responda negativamente à pergunta (ii.a), a classificação está equivocada. Somente no caso de se responder afirmativamente à pergunta (ii.a), passase à seguinte questão: (ii.b) tratase de "outros materiais, máquinas e aparelhos, para a produção de frio; bombas de calor"? Ou seja: que não sejam combinações de refrigeradores e congeladores (freezers), munidos de portas exteriores separadas (8418.10.00), refrigeradores do tipo doméstico (8418.2), congeladores (freezers) horizontais tipo arca (8418.30.00), congeladores (freezers) verticais tipo armário (8418.40.00), nem outros móveis (arcas, armários, vitrines, balcões e móveis semelhantes) para a conservação e exposição de produtos, que incorporem um equipamento para a produção de Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13005.000457/201004 Acórdão n.º 3401005.204 S3C4T1 Fl. 235 8 frio (8418.50), nem, especificamente, bombas de calor, exceto as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 84.15 (8418.61.00). Caso se responda negativamente à pergunta (ii.b), a classificação está equivocada. Somente no caso de se responder afirmativamente à pergunta (ii.b), passase à seguinte questão: (ii.c) tratase de uma espécie de "unidades fornecedoras de água, sucos ou bebidas carbonatadas", especificamente "de água ou sucos", que não bebedouros refrigerados? Caso se responda negativamente à pergunta (ii.c), a classificação está equivocada. Porém, caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.c), a classificação dada pela autoridade fiscal está correta. 16. Deverá, ainda, o classificador considerar o texto da nota 2 do Capítulo 84, no sentido de que "(...) as máquinas e aparelhos suscetíveis de se incluírem nas posições 84.01 a 84.24 ou 84.86 e, simultaneamente, nas posições 84.25 a 84.80, classificamse nas posições 84.01 a 84.24 ou 84.86, conforme o caso" (g.n.). Assim, se o “RESFRIADOR DE ÁGUA” se enquadrar simultaneamente nas posições 84.18 (atribuída pela autoridade fiscal) e 84.38 (atribuída pela contribuinte), correta estará a posição 84.18. A este respeito, ademais, as considerações gerais do Capítulo 84: "D. MÁQUINAS E APARELHOS SUSCETÍVEIS DE SE INCLUÍREM EM VÁRIAS POSIÇÕES (Notas 2 e 7 do Capítulo) As posições 84.01 a 84.24 englobam as máquinas e aparelhos suscetíveis, pela sua própria função, de serem utilizados em vários tipos de indústria, enquanto que as máquinas e aparelhos das outras posições do Capítulo são classificados mais especificamente de acordo com a indústria ou setor de atividades que os utiliza. Nos termos da Nota 2 do presente Capítulo, as posições do primeiro grupo têm preferência sobre as do segundo grupo. Por este motivo, quando uma máquina ou aparelho for virtualmente suscetível de se incluir simultaneamente em duas (ou mais) posições, das quais uma esteja compreendida entre as posições 84.01 a 84.24, é exatamente nesta que a máquina ou aparelho se deve classificar. Por esta razão, as máquinas motrizes, por exemplo, classificam se nas posições 84.06 a 84.08 e 84.10 a 84.12, sendo irrelevante a sua destinação. A mesma regra é válida para as bombas, mesmo as especializadas para agricultura ou para uma indústria determinada (fabricação de fios, de matérias têxteis artificiais ou sintéticas, por exemplo), as máquinas centrífugas, as calandras, os filtros prensas, os fornos, os geradores de vapor, etc.". 17. Recortase, ainda, o texto pertinente das NESH: Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13005.000457/201004 Acórdão n.º 3401005.204 S3C4T1 Fl. 236 9 '"Os materiais, máquinas e aparelhos para produção de frio de que trata esta posição compreendem geralmente máquinas ou instalações que, por um ciclo contínuo de operações, fornecem ao seu elemento refrigerador (evaporador), uma temperatura baixa (próxima de 0°C ou inferior), por absorção do calor latente que resulta da evaporação de um gás previamente liquefeito (amoníaco, hidrocarbonetos halogenados, por exemplo) ou de um liquido volátil, ou ainda, mais simplesmente, da evaporação da água, principalmente em certos aparelhos de uso naval”. “As máquinas frigoríficas aqui incluídas pertencem a dois tipos principais: A.MÁQUINAS DE COMPRESSÃO Os elementos essenciais destas máquinas são: O compressor, que tem a dupla função de aspirar o vapor saído do evaporador e comprimilo no condensador. O condensador, no qual este vapor comprimido arrefece e se liquefaz”. “O evaporador, dispositivo gerador do frio, que é constituído por um sistema de tubos no qual o fluido frigorígeno, proveniente do condensador, é admitido em volume e pressão controlados por um detentor. No evaporador, inversamente do que se produz no condensador, o líquido condensado evaporase rapidamente com absorção do calor ambiente. Todavia, nas grandes instalações, utilizase indiretamente a ação refrigerante do evaporador que age sobre uma solução de cloreto de sódio ou de cloreto de cálcio contida num recipiente ou que circula num sistema de tubos” 18. Transcrevemse, por derradeiro, as seguintes notas da Seção XVI, que engloba os Capítulos 84 e 85: 3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. 4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13005.000457/201004 Acórdão n.º 3401005.204 S3C4T1 Fl. 237 10 5. Para a aplicação destas Notas, a denominação “máquinas” compreende quaisquer máquinas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e materiais diversos citados nas posições dos Capítulos 84 ou 85. 19. Segundo se depreende das razões recursais, a contribuinte fabrica duas máquinas que operam em conjunto para a produção de massas alimentícias: (i) máquina de mistura da massa, modelos VAE 25, VAEM 25, VAE 40 e VAEM 40; e (ii) máquina de resfriamento de água, modelos RA 10, 15 e 20, e RAI 10, 15 e 20. Os modelos se voltam à quantidade de produção de massa, conforme necessidade do cliente. Ao operarem em conjunto, têm como função principal a mistura da massa e, como função secundária (complementar), realizar o seu resfriamento, motivo pelo qual, a partir das considerações gerais da Seção XVI, combinado com as notas 3 e 4, entende se tratar de uma combinação de máquinas. Explica, ainda, que a operação conjunta é necessária devido ao "(...) grande calor produzido pela mistura da massa, tornando imprescindível o resfriamento com água resfriada para não prejudicar a qualidade do produto". Isto porque a fricção, ao produzir calor, pode desencadear uma fermentação prematura e consequente morte de leveduras que tem por conseqüência a perda da força fermentativa nas etapas de crescimento e forneamento, em prejuízo do volume, sabor e aroma: "(...) a massa pode perder rendimento em peso, pois sofre uma maior desidratação", que "(...) acelera o envelhecimento e diminui a durabilidade do produto final", o que explica a necessidade da adição de água resfriada. 20. Recortamse, por pertinentes, as seguintes explicações a respeito do acoplamento entre as duas máquinas: Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13005.000457/201004 Acórdão n.º 3401005.204 S3C4T1 Fl. 238 11 21. Recortamse, ainda, folhetos comerciais que ressaltam as características do produto, comercializado sob a denominação "amassadeira rápida acoplada resfriador dosador de água": Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13005.000457/201004 Acórdão n.º 3401005.204 S3C4T1 Fl. 239 12 22. Em resposta ao termo de intimação fiscal nº 001, a recorrente informou, que o resfriamento da água "(...) ocorre por meio de um compressor com gás que faz a troca do calor com a água por condução, através de um evaporador em forma de serpentina (espiral) instalada no interior da máquina”, o que levou a autoridade fiscal e a decisão recorrida a concluir que, em que pese o produto ser utilizado na indústria de panificação, deve ser classificado pela sua própria função, ou seja, um aparelho para a produção de frio fornecedor de água. Ao se voltar à máquina em apreço, o julgador de primeiro piso realiza as seguintes considerações: O resfriador/dosador de água, conforme especificações no catálogo virtual encontrado endereço eletrônico http://www.venanciometal.com.br/catalogo/, é uma máquina (modelos RA 10, 15, 20 e RAI 10, 15 e 20) cuja função principal é o resfriamento, dosagem e fornecimento de água para aplicação na massa alimentícia. Destacase ainda, na fl. 79, da impugnação: o “Resfriador Dosador de Água” possui uma quantidade especifica de água para calibragem no preparo da massa, ou seja, conforme a quantidade de massa a ser produzida, é necessária certa quantidade de água para resfriar durante o amassamento, conforme exigência da receita. Extraise ainda da impugnação, à fl. 86: “estaria adicionando gelo no preparo da massa alimentícia, o que prejudicaria toda a qualidade do produto final, bem como iria contra a receita de produção da massa” e “assim, a adição de água resfriada é a solução para corrigir a temperatura no preparo da massa”. Diante das afirmações da impugnante, resta bastante claro, que a função da máquina é de resfriar e dosar a água que posteriormente será adicionada à massa de pão em padarias e confeitarias e não, resfriar a massa alimentícia, portanto não se insere na definição de “trocador de calor” (seleção e grifos nossos). 23. Ao nos voltarmos às perguntas acima estabelecidas, compreendese que a posição 84.38 propugnada como correta pela contribuinte é residual: apenas atrairá a classificação se nenhuma outra posição do Capítulo for a correta (mais específica). Assim, a resposta à questão (i.a) deve ficar condicionada à conclusão pelo equívoco do entendimento da autoridade fiscal, uma vez que o código que reputa como correto comunga do mesmo Capítulo: 8418.69.31. Assim, a primeira pergunta a ser enfrentada é a (ii.a): tratase de uma espécie de "refrigeradores, congeladores (freezers) e outros materiais, máquinas e aparelhos, para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, excluindo as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 84.15"? Mais especificamente, em conformidade com a aplicação direta da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH nº 01, tratase de uma máquina para a produção de frio (já é possível se afirmar também, com as informações disponíveis no processo em apreço, não se tratar de uma bomba de calor ou um ar condicionado). Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13005.000457/201004 Acórdão n.º 3401005.204 S3C4T1 Fl. 240 13 24. Decorre da RGI/SH nº 06, por outro ângulo, que "a classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário". Assim, respondese, ainda, afirmativamente à questão (ii.b), pois se trata de "outros materiais, máquinas e aparelhos, para a produção de frio", ou seja, não se trata de um refrigerador/congelador, de uma geladeira doméstica, nem refrigeradores tipo arcas, armários, vitrines, balcões e móveis semelhantes para conservação/exposição de produtos resfriados. Por fim, com base na Regra Geral Complementar RGC/SH nº 01,1 passase à questão (ii.c), à qual se responde afirmativamente: tratase de uma "unidade fornecedora de água" resfriada (que não seja um bebedouros refrigerados). 25. Ainda que se superasse o fato de a posição 8438, proposta como correta pela contribuinte, ser residual com relação às demais posições do Capítulo 84 (o que se faz apenas como exercício, pois o texto não pode ser ignorado), a resposta afirmativa à questão (i.a), no sentido de se tratar de uma máquina para preparação ou fabricação industrial de alimentos permitiria a passagem à questão (i.b), à qual se responderia afirmativamente: uma máquina "para as indústrias de panificação, pastelaria, bolachas e biscoitos e de massas alimentícias". Tal classificação estaria equivocada, como se demonstrou, pelo desatendimento à regra da classificação residual; contudo, ainda que estivesse correta, duas seriam as classificações possíveis: 8438.10.00 e 8418.69.31, o que demandaria a seguinte análise: mesmo que a classificação deva ser feita de acordo com a função principal que caracterize o produto (notas 3 e 4 da Seção), aplicase a nota 2 do Capítulo (regra mais específica, portanto): "(...) as máquinas e aparelhos suscetíveis de se incluírem nas posições 84.01 a 84.24 ou 84.86 e, simultaneamente, nas posições 84.25 a 84.80, classificamse nas posições 84.01 a 84.24 ou 84.86, conforme o caso". Logo, ainda que ambas classificações fossem possíveis (não são), a posição 84.18 exerceria a vis atractiva, por decorrência de regra expressa neste sentido. 26. Concluise, portanto, que a mercadoria “RESFRIADOR DE ÁGUA” deve ser classificada no Código NCM nº 8418.69.31, restando, desta forma, prejudicadas as demais matérias, em especial aquela que atine à correção do valor não homologado pelo despacho decisório sob exame pela taxa Selic. 27. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. 1 RGC/SH nº 06. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13005.000457/201004 Acórdão n.º 3401005.204 S3C4T1 Fl. 241 14 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 241DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.722263/2014-56
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
IMPUGNAÇÃO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para apresentação de impugnação ao lançamento é de trinta dias, a contar da intimação, não se conhecendo de petição apresentada pelo contribuinte após o prazo legal.
Numero da decisão: 2001-000.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 IMPUGNAÇÃO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de impugnação ao lançamento é de trinta dias, a contar da intimação, não se conhecendo de petição apresentada pelo contribuinte após o prazo legal.
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PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de impugnação ao lançamento é de trinta dias, a contar da intimação, não se conhecendo de petição apresentada pelo contribuinte após o prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 22 63 /2 01 4- 56 Fl. 163DF CARF MF 2 Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 100/109, que reduziu o imposto a restituir apurado na declaração de ajuste anual referente ao anocalendário de 2012, de R$ 31.206,58 para R$ 639,34. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 106/107), o procedimento resultou na apuração da seguinte infração: Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou se omissão de rendimentos tributáveis recebidos da fonte pagadora Caixa de Previdência dos Funcs. do Banco do Brasil, CNPJ nº 33.754.482/000124, no valor de R$151.768,52, indevidamente declarados como isentos e/ou nãotributáveis, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do imposto de renda. Cientificado do lançamento em 16/09/2014 (fls. 107), o interessado apresentou, em 10/10/2014, a impugnação de fls. 02/15, por meio da qual alega em síntese que é portador de paralisia irreversível e incapacitante (gonoartrose de joelho), moléstia prevista na Lei nº 7.713/88, desde novembro de 2008 e é aposentado desde março de 1993, situações que podem ser comprovadas mediante o Laudo Médico Pericial emitido pelo Serviço Público Municipal e o comprovante de aposentadoria que anexa, que atendeu a todas as exigências do Ofício 169/2013, encaminhado à Prefeitura Municipal de Botucatu, apresentando os documentos que fundamentaram o laudo médico pericial, dentre outros argumentos. Visando instruir o presente processo, foram juntados os documentos de fls.113/121. A DRJ São Paulo, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de NÃO reconhecer a moléstia grave. Em sede de Recurso Voluntário, perdeu o contribuinte o prazo legal determinado na norma para a sua apreciação. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. Merece que seja trazido a baila, logo de início, que conforme Aviso de Recebimento (AR) a cientificação da Notificação de Lançamento ocorreu em 31/03/2016, sendo a impugnação apresentada somente em 05/05/2016. Nesta senda, insta frisar que o prazo legal para formalização por escrito da impugnação é de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência do ato que originou o procedimento, a teor do art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13830.722263/201456 Acórdão n.º 2001000.481 S2C0T1 Fl. 3 3 Registrese, por oportuno, que, nos termos do art. 5o, caput e parágrafo único, do Decreto no 70.235/1972, a contagem dos prazos é contínua, excluindose o dia de início e incluindose o de vencimento, e iniciase ou termina somente em dia de expediente normal. No caso de a intimação ser efetuada por via postal, como é o caso em apreço, a sua ciência se dá na data de seu efetivo recebimento no domicílio fiscal do contribuinte, com Aviso de Recebimento – AR, ainda que deste não conste a assinatura do próprio contribuinte, tal qual determina o inciso II do § 2º do artigo 23 do Decreto n.º 70.235/1972, com a redação dada pelo artigo 67 da Lei n.º 9.532/1997. Este é o entendimento da jurisprudência pronunciada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), in verbis: Súmula CARF nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Intempestivo, o Recurso Voluntário não instaura a fase litigiosa do procedimento, incompatibilizando o julgamento do mérito, consoante disposições do art. 28 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748/1993; e Ato Declaratório Normativo nº 15, de 12 de julho de 1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação. Tendo em vista a evidente intempestividade do recurso entendo que não deve ser conhecido, por ausência delimitação de litígio nesta fase recursal. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005177/2009-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2007
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO SUBSTITUTIVA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO. COOPERATIVA. SUB-ROGAÇÃO.
A Cooperativa fica sub-rogada na obrigação do empregador rural pessoa física e do segurado especial, de que tratam, respectivamente, a alínea "a" do inciso V e o inciso VII do art. 12 desta Lei nº 8.212, de 1991, na condição de responsável, em relação à retenção e ao recolhimento da contribuição substitutiva, prevista no art. 25 do citado diploma legal.
COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. EXPORTAÇÃO REALIZADA POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS. IMUNIDADE
A norma imunizante contida no artigo 149, §2º, I, da Constituição Federal, exclui da abrangência tributária as receitas decorrentes de exportação. Se os produtos adquiridos pela Recorrente foram efetivamente exportados, por meio da cooperativa adquirente da produção, constata-se que as receitas não se submetem à exigência da contribuição previdenciária por força da norma imunizante prevista no art. 149, §2°, I, da Constituição.
Numero da decisão: 2401-005.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o levantamento PR2. Vencidos os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho (relator), José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Matheus Soares Leite que dava provimento parcial em maior extensão para limitar a multa ao percentual de 20%. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
(assinado digitalmente)
Andrea Viana Arrais Egypto - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2007 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO SUBSTITUTIVA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO. COOPERATIVA. SUB-ROGAÇÃO. A Cooperativa fica sub-rogada na obrigação do empregador rural pessoa física e do segurado especial, de que tratam, respectivamente, a alínea "a" do inciso V e o inciso VII do art. 12 desta Lei nº 8.212, de 1991, na condição de responsável, em relação à retenção e ao recolhimento da contribuição substitutiva, prevista no art. 25 do citado diploma legal. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. EXPORTAÇÃO REALIZADA POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS. IMUNIDADE A norma imunizante contida no artigo 149, §2º, I, da Constituição Federal, exclui da abrangência tributária as receitas decorrentes de exportação. Se os produtos adquiridos pela Recorrente foram efetivamente exportados, por meio da cooperativa adquirente da produção, constata-se que as receitas não se submetem à exigência da contribuição previdenciária por força da norma imunizante prevista no art. 149, §2°, I, da Constituição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o levantamento PR2. Vencidos os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho (relator), José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Matheus Soares Leite que dava provimento parcial em maior extensão para limitar a multa ao percentual de 20%. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator (assinado digitalmente) Andrea Viana Arrais Egypto - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
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CONTRIBUIÇÃO SUBSTITUTIVA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO. COOPERATIVA. SUBROGAÇÃO. A Cooperativa fica subrogada na obrigação do empregador rural pessoa física e do segurado especial, de que tratam, respectivamente, a alínea "a" do inciso V e o inciso VII do art. 12 desta Lei nº 8.212, de 1991, na condição de responsável, em relação à retenção e ao recolhimento da contribuição substitutiva, prevista no art. 25 do citado diploma legal. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. EXPORTAÇÃO REALIZADA POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS. IMUNIDADE A norma imunizante contida no artigo 149, §2º, I, da Constituição Federal, exclui da abrangência tributária as receitas decorrentes de exportação. Se os produtos adquiridos pela Recorrente foram efetivamente exportados, por meio da cooperativa adquirente da produção, constatase que as receitas não se submetem à exigência da contribuição previdenciária por força da norma imunizante prevista no art. 149, §2°, I, da Constituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o levantamento PR2. Vencidos os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho (relator), José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Matheus Soares Leite que dava provimento parcial em maior extensão para limitar a multa ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 51 77 /2 00 9- 36 Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10120.005177/200936 Acórdão n.º 2401005.598 S2C4T1 Fl. 435 2 percentual de 20%. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator (assinado digitalmente) Andrea Viana Arrais Egypto Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 397/405) interposto em face do Acórdão nº. 0336.833 (fls. 368/384) da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília. Por bem circunstanciar os fatos, transcrevemse trechos do relatório da decisão do colegiado de primeira instância: Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP 37.2l9.596 2, emitido contra a empresa em epígrafe, no valor de R$ 1.226,868,10 (Um milhão, duzentos e vinte e seis mil oitocentos c sessenta e oito reais e dez centavos), consolidado em 27/04/2009, referente as contribuições sociais destinadas a Seguridade Social incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural in natura, realizada por produtores rurais pessoas físicas, em substituição à que incidiria sobre o total da remuneração dos empregados dos produtores rurais e que, por força de lei, o adquirente se subroga na responsabilidade pelo recolhimento, no período compreendido entre as competências 06/2004, 01/2005 a 12/2007. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 42/48, o fato gerador que serviu de base para o cálculo das contribuições sociais lançadas nesta autuação é proveniente da aquisição de algodão realizada pela Cooperativa, situação em Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10120.005177/200936 Acórdão n.º 2401005.598 S2C4T1 Fl. 436 3 que, de acordo com a legislação, a autuada se subroga na obrigação de descontar as contribuições incidentes do produtor e recolher aos cofres públicos, mas não o efetuou, e consta dos seguintes levantamentos: PR1 Produto Rural Algodão PR2 Produto Rural Algodão para Exportação No levantamento PRI, foram relacionadas aquisições relativas As competências 06/04, 05/05, 12/05, 04/06, 07/06, 10/06 e 12/07, nas quais, na comparação do fato gerador com os recolhimentos, foram apuradas diferenças não recolhidas, tendose, então, procedido ao levantamento das diferenças com a devida dedução dos valores recolhidos. Informa que, na competência 06/2004, a empresa apresentou planilha demonstrando a origem da diferença apurada nessas competências, corno sendo proveniente de devolução ao produtor rural fornecedor dos valores referentes ao ICMS(12%) e Funrural(2,3%) no percentual total de 14,3%. Instada a esclarecer o motivo das devoluções, a cooperativa informou que, em razão do valor da pauta estipulada pela legislação estadual acima do valor da comercialização, gerou saldo a maior na conta do cooperado e as devoluções foram realizadas para acerto desses valores; no entanto, não esclareceu a coincidência entre o valor da devolução c o percentual da alíquota do 1CMS e a contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural. O procedimento adotado pelo contribuinte levou a uma redução indevida da base de cálculo de incidência das contribuições previdenciárias, não havendo nenhuma função de estabelecer o valor da comercialização, o que poderia ser ajustado através de nota fiscal de entrada. No levantamento PR2, encontramse discriminadas as aquisições relativas As competências: 09/2005 a 12/2005, 08/2006 a 12/2006, 07/2007 a 12/2007, que, de acordo com a escrituração fiscal e contábil da Cooperativa, tratase de aquisição que teria como destino a exportação. Esclarece que, em que pese a Constituição Federal conceder e a legislação previdenciária prever imunidade em relação aos tributos incidentes sobre os produtos exportados (IN MPS/SRP 03, 14/06/05), no caso presente, tratase de contribuições sobre a folha de pagamento dos empregados de produtor rural pessoa física exigidas de Ibrina substitutiva sobre o valor da comercialização da produção. Informa que não ficou comprovado que o adquirente descontou do produtor fornecedor as contribuições incidentes na forma do inciso IV, art. 30 da Lei n°8.212/91; no entanto, de acordo com o §5" do art, 33 da mesma lei, ainda assim o adquirente é o responsável pelo recolhimento. Relata que a Cooperativa questionou na justiça a legalidade das contribuições objeto da presente autuação, primeiramente através de ação cautelar n° 2006.35.03.0028898, onde obteve decisão favorável em caráter preliminar para depósito judicial das contribuições. Em 17/02/2007, protocolou ação principal n° 2008.35.03.0019114, e em 25/01/2008, foi prolatada sentença indeferindo o pedido sem julgamento do Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10120.005177/200936 Acórdão n.º 2401005.598 S2C4T1 Fl. 437 4 mérito, por considerar que a cooperativa não possui legitimidade processual, sentença publicada em 22/02/2008. A autora impetrou recurso de apelação, que não foi recebido por intempestividade. Informa que os valores das contribuições constituídas através deste auto de infração foram depositadas no Banco do Brasil, com base na medida judicial citada e xerox dos comprovantes em anexo. In forma ainda que o fato gerador e as contribuições constituídas através do presente auto de infração não foram informadas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP, sendo, então, emitido auto de infração. Tal omissão configura, em tese, o crime de sonegação de contribuição previdenciária — art. 337 — A, item II do Código Penal Brasileiro — Decreto Lei IV 3.848, de 07/12/40, sendo emitida a respectiva Representação Fiscal para Fins Penais. • DA IMPUGNAÇÃO A empresa impetrou defesa tempestiva, As fls. 156/159, alegando, em apertada síntese: que a fiscalização lastreiase no art. 245 da Instrução Normativa MPS/SRP n" 03/2005, que estabelece a não incidência do Funrural apenas quando a produção rural for comercializada diretamente com o adquirente domiciliado no exterior. Todavia, no caso em tela, as operações realizadas são efetivamente operações diretas, visto que, pela natureza jurídica da ora impugnante, a sua participação não se caracteriza como intermediação, nem como operação mercantil, razão por que não efetuou o recolhimento do Funrural sobre as operações de exportações; tece um breve histórico do fenômeno do cooperativismo e da natureza jurídica das cooperativas para demonstrar a distinção destas e da sociedade de capital, cujo objetivo é fortalecer os seus cooperados para a obtenção, por parte deles, de vantagens econômicas. Cientificada da decisão de piso em 24/06/2010, a Cooperativa apresentou recurso voluntário com os seguintes argumentos de defesa: 1) No tocante aos fatos, diz que recebeu autuação sob a acusação de que não efetuou recolhimento de FUNRURAL sobre as operações de exportação. Informa que a fiscalização lastreouse no art. 245 da IN MPS/SRP nº 3, de 2005; 2) Afirma que as operações realizadas são efetivamente operações diretas, visto que, pela natureza jurídica da ora recorrente, a sua participação na operação não se caracteriza como intermediação, nem tampouco como operação mercantil; 3) Ressalta que o FUNRURAL foi declarado inconstitucional pelo STF, por ter como base de cálculo a receita bruta; 4) Discorre sobre as Cooperativas, fazendo menção ao fenômeno do cooperativismo e ainda de posição doutrinária sobre a matéria. Cita também artigos da Lei nº 5.764, de 1971; Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10120.005177/200936 Acórdão n.º 2401005.598 S2C4T1 Fl. 438 5 5) Ao final requer: "... que seja o auto de infração ora questionado julgado improcedente, por ser de inteira justiça, visto que se exige dela contribuição por operação de exportação efetivamente ocorrida". É o relatório Voto Vencido Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos, portanto, deve ser conhecido. Mérito AI DEBCAD nº 37.219.5962 (Levantamentos: PR1 Produto Rural Algodão: competências 06/2004, 05 e 12/2005, 04 e 07/2006, 10/2007 e 12/2007 e PR2 Produto Rural Algodão para Exportação: competências 09 a 12/2005, 08 a 12/2006 e 07 a 12/2007) A matéria em discussão nos autos encontrase disciplinada pela Lei nº 8.212, de 1991, nos seguintes dispositivos (dispositivo vigente a época do lançamento): Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. [...] § 3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. [...] § 10. Integra a receita bruta de que trata este artigo, além dos valores decorrentes da comercialização da produção relativa aos produtos a que se refere o § 3o deste artigo, a receita proveniente: I – da comercialização da produção obtida em razão de contrato de parceria ou meação de parte do imóvel rural; Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10120.005177/200936 Acórdão n.º 2401005.598 S2C4T1 Fl. 439 6 [...] IV – do valor de mercado da produção rural dada em pagamento ou que tiver sido trocada por outra, qualquer que seja o motivo ou finalidade; e Art.30… [...] III a empresa adquirente, consumidora ou consignatória ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatória ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; A contribuição previdenciária, popularmente conhecida como "Funrural", incide sobre a produção rural. Como se observa dos dispositivos acima, a referida subrogação constituise da clássica figura do responsável pela obrigação tributária, que, nos termos do inciso II do art. 121 do Código Tributário Nacional, é considerado o sujeito passivo da obrigação principal que, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de expressa disposição legal. Alega a recorrente que o Funrural foi declarado inconstitucional pelo STF, e que, dessa forma, produtores rurais e frigoríficos estão livres do recolhimento da contribuição. Em relação aos questionamentos sobre a constitucionalidade da contribuição "Funrural", transcrevo excerto do voto no Acórdão nº 2301005.151, que de forma precisa sintetizou as demandas judiciais sobre a matéria: (i) no Recurso Extraordinário nº 363.852 (normal), Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 03/02/2010 (Frigorífico Mataboi), foi declarado inconstitucional o art. 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos art. 12, inc. V e VII, 25, inc. I e II, e 30, inc. IV, todos da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97; CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS –PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO–LEI Nº 8.212/91 – ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL –PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 –UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10120.005177/200936 Acórdão n.º 2401005.598 S2C4T1 Fl. 440 7 incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei no 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n. 8.540/92 e n. 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações. (ii) no Recurso Extraordinário nº 596.177 (repercussão geral), Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 01/08/2011, em essência, foram dados os efeitos da repercussão geral ao julgamento do Recurso Extraordinário nº 363.852; vale registrar que somente em 17/10/2013, por ocasião do julgamento dos embargos de declaração, ficou definido os limites da declaração de inconstitucionalidade, sendo que “a constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida”; CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (iii) no Recurso Extraordinário nº 718.874 (repercussão geral), Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 30/03/2017, foi declarada a constitucionalidade material e formal do art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº10.256/01; (iv) no Recurso Extraordinário nº 761.263 (repercussão geral), Rel. Min. Alexandre de Moraes, aguardando julgamento, discutese se a base de cálculo erigida pelo art. 25 da Lei nº 8.212/91 (receita bruta proveniente da comercialização da produção) é compatível com a base de cálculo constante do art. 195, §8º da CF/88 (resultado da comercialização da produção). Ao que se percebe, até o presente julgamento, não há óbice constitucional para a exigência do Funrural, como base no art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/01, relativamente às competências ocorridas entre 2004 e 2007, como ocorre no presente processo administrativo. Outro ponto abordado pelo sujeito passivo diz respeito a natureza jurídica das Cooperativas. Faz um histórico sobre o cooperativismo, cita dispositivos da Lei nº 5.764, de 1971, que rege a política brasileira de cooperativismo e define o ato cooperativo, para concluir que não há relação mercantil entre o cooperado e a cooperativa. Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10120.005177/200936 Acórdão n.º 2401005.598 S2C4T1 Fl. 441 8 [...] Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Em regra, entre a cooperativa e cooperado não há, consoante legislação, ato de comércio quando, por exemplo, entrega sua produção a essa entidade. Entretanto, no caso concreto, seja em relação ao levantamento PR1 (Produto Rural Algodão: competências 06/2004, 05 e 12/2005, 04 e 07/2006, 10/2007 e 12/2007) ou seja o levantamento PR2 (Produto Rural Algodão para Exportação: competências 09 a 12/2005, 08 a 12/2006 e 07 a 12/2007), estamos diante de uma situação (fato gerador comercialização da produção por intermédio da cooperativa) em que a recorrente é apenas responsável pela obrigação tributária, sendo contribuinte o produtor rural. Nos termos do art. 150, §7º, da CF/88 e do art. 128 do CTN, a cooperativa qualificase com responsável tributário pelo desconto e recolhimento dessa exação, por força da obrigação tributária acessória que lhe fora imposta pelos incisos III e IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Do relatório do auto de infração AI nº 37.219.5962, retirase a motivação do lançamento em discussão (fls. 84/85): 2. ... referente a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural "in natura", realizadas por produtores rurais pessoas físicas(art. 25, incisos I e II da Lei 8.212/91), em substituição a que incidiria sobre o total da remuneração dos empregados dos produtores rurais(art. 22, incisos I e II da Lei 8.212/91), e que por força legal o adquirente subroga na responsabilidade pelo recolhimento(art. 30, inciso IV, Lei 8.212/91), .... [...] 3. O fato gerador que serviu de base para calculo das contribuições que compõem o presente Auto de Infração é proveniente da aquisição de algodão realizadas pela Cooperativa, que de acordo com a legislação a autuada sub roga na obrigação de arrecadar do produtor as contribuições incidentes e recolher aos cofres público, e essa base de incidência encontrase relacionada em dois levantamentos: [...] Quanto ao argumento de que, no presente caso, a realização das operações se caracterizaria com exportação direta e que a participação da ora recorrente não tem o condão de alterar juridicamente a realidade da operação. Nesse ponto, reafirmase a decisão do colegiado de primeira instância, que assim concluiu: Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10120.005177/200936 Acórdão n.º 2401005.598 S2C4T1 Fl. 442 9 Em sua defesa, a impugnante se limita a afirmar categoricamente que realizava operações de exportações de forma direta. No entanto, a fiscalização descreve que, no levantamento PR2, encontramse discriminadas as aquisições relativas às competências: 09/2005 a 12/2005, 08/2006 a 12/2006, 07/2007 a 12/2007, que, de acordo com a escrituração fiscal e contábil da Cooperativa, tratamse de aquisição que teria como destino a exportação e esclarece ainda que, embora a Constituição Federal conceda imunidade em relação aos tributos incidentes sobre os produtos exportados, no caso presente, não se tratam de contribuições incidentes sobre exportações da Cooperativa para o exterior, mas sim de contribuições sobre a folha de pagamento dos empregados cio produtor rural pessoa física exigidas de forma substitutiva sobre o valor da comercialização da produção deste com a Cooperativa. Não procedem, portanto, as alegações da ora impugnante. Os argumentos da impugnante não atingiram o cerne da questão, pois não rebatem os elementos de fato e constituidores do lançamento fiscal, nem a improcedência do mesmo frente As normas previdenciárias vigentes, apesar de o Relatório Fiscal e anexos possibilitarem a compreensão da origem das exigências lançadas — comercialização da produção rural in natura, realizadas por produtores rurais pessoas físicas, em substituição A que incidiria sobre o total da remuneração dos empregados dos produtores rurais e que, por força de lei, o adquirente (Cooperativa) se subroga na responsabilidade pelo recolhimento. Portanto, sem razão a recorrente. Mantémse a decisão do colegiado de primeira instância. Ademais, em relação à ação judicial nº 2008.35.03.0019114 impende esclarecer que no caso foi prolatada a sentença judicial sem julgamento de mérito, considerandose que a Cooperativa não possui legitimidade processual. Conclusão Voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Voto Vencedor Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Redatora Designada Peço vênia ao Ilustre Relator para divergir do seu ponto de vista quanto ao resultado do lançamento PR2 Produto Rural Algodão para Exportação. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10120.005177/200936 Acórdão n.º 2401005.598 S2C4T1 Fl. 443 10 Destarte, conforme se destaca no Relatório Fiscal, a controvérsia do presente processo administrativo com relação ao levantamento PL2, reside no fato das vendas para o mercado externo terem sido efetuadas por meio de cooperativa. Segundo a Recorrente, as operações realizadas são efetivamente operações diretas e que a sua participação na operação não se caracteriza como intermediação, nem tampouco como operação mercantil. Importante nesse ponto destacar o que dispõe o art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, §6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) §2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33/2001) I – não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33/2001) Como se vê, o texto constitucional é claro ao estabelecer que as receitas decorrentes da exportação são imunes à incidência das contribuições sociais. Assim, se a norma imunizante exclui da abrangência tributária as receitas decorrentes de exportação e se os produtos decorrentes da produção rural foram efetivamente exportados pela Recorrente, conforme exposto na acusação fiscal, constatase que referidas receitas são decorrentes de exportação. Importante trazer à colação decisão proferida no âmbito do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE 627.815/PR, de relatoria da Ministra Rosa Weber, julgado sobre a sistemática da repercussão geral, em que se discutiu a abrangência das “receitas decorrentes de exportação” a que se refere o art. 149, § 2º, I, da Lei Maior, firmando entendimento, ao qual me filio, no sentido de que a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. Vejamos a ementa a seguir transcrita: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10120.005177/200936 Acórdão n.º 2401005.598 S2C4T1 Fl. 444 11 abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 627815, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 23/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe192 DIVULG 3009 2013 PUBLIC 01102013) Resta evidente que a norma constitucional imunizante visa garantir a maior eficácia de valores inseridos na Constituição a fim de que sua abrangência não se torne inócua. A interpretação deve ser feita de modo evoluído, à luz dos anseios albergados na Carta da República que confirma as políticas voltadas ao fomento da exportação. Daí a razão da desoneração tributária das contribuições sociais sobre as receitas de exportação. Assim, tendo em vista que o lançamento se refere à exigência de contribuição decorrente da receita de exportação da comercialização de produtos rurais, realizada através de cooperativa, entendo que deve ser exonerado o crédito tributário em virtude da imunidade tributária prevista no art. 149, §2°, I, da Constituição. Há ainda, nesse ponto, que consignar os fundamentos adotados pela maioria do Colegiado no sentido de que a venda ao exterior realizada por cooperativa é considerada exportação direta e, por esse motivo, a receita da exportação é albergada pela imunidade tributária prevista no art. 149, §2°, I, da Constituição. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10120.005177/200936 Acórdão n.º 2401005.598 S2C4T1 Fl. 445 12 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito DAR LHE PARCIAL provimento para excluir do lançamento o levantamento PR2. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 446DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.933860/2009-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNICA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE.
O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNICA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNICA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 38 60 /2 00 9- 63 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.933860/200963 Acórdão n.º 3402005.440 S3C4T2 Fl. 85 2 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata o presente processo de análise de PER/DCOMP apresentado pela interessada, através da qual requer, para o 4º trimestre de 2004, o ressarcimento de crédito de IPI, relativo ao estabelecimento filial CNPJ 01.597.168/000512. A autoridade administrativa prolatou Despacho Decisório eletrônico, por meio do qual indeferiu o pedido de ressarcimento apresentado no PER/DCOMP, com a seguinte fundamentação: Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. A DERAT/SP informou, ainda, a inexistência de compensações declaradas vinculadas ao PER/DCOMP, não havendo cobrança de débitos. O sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, requerendo a reforma da decisão, pelas seguintes razões, em síntese: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.933860/200963 Acórdão n.º 3402005.440 S3C4T2 Fl. 86 3 · Preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por ter sido emitido por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e não pela autoridade competente prevista no art. 43 da IN SRF no 600/2005; · nulidade do despacho decisório pela falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; · nulidade do despacho decisório pela inexistência de motivação demonstrando as razões do indeferimento do pedido, resultando em cerceamento do direito de defesa. · No mérito, alega possuir o direito ao ressarcimento; · requer a correção do ressarcimento pela SELIC; · requer a realização de perícia e diligência, informando que não juntou os documentos comprobatórios do direito creditório por serem em grande quantidade. Por meio do acórdão nº 1435.079, de 29 de agosto de 2011 (fls. 47 a 52), a 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto não acolheu as razões de defesa da manifestante, e manteve o Despacho Decisório da DERAT/SP. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando as alegações de sua manifestação de inconformidade, em síntese: (i) preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida pelo indeferimento do pedido de perícia e diligência e pela falta de apreciação de relevante questão; (ii) incompetência do AFRFB; (iii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; (iv) Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.933860/200963 Acórdão n.º 3402005.440 S3C4T2 Fl. 87 4 inexistência de motivação; (v) cerceamento do direito de defesa. No mérito, alega (vi) o seu direito ao ressarcimento; e (vii) a correção pela SELIC. Requer (viii) a realização de diligência e perícia. Requer o acolhimento e provimento do recurso, para reconhecimento do direito creditório pleiteado; subsidiariamente, requer o cancelamento do Despacho Decisório e a emissão de nova decisão; cancelamento do Acórdão recorrido por ter negado seu direito à realização de perícia e diligência; e reconhecimento da incidência da Taxa SELIC sobre o valor dos créditos do IPI pleiteados, bem como a homologação das compensações realizadas até o montante do crédito cujo ressarcimento for reconhecido administrativamente. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Em sede de preliminar a recorrente alegou nulidade da decisão recorrida e do Despacho Decisório. Preliminar de nulidade da decisão recorrida A recorrente alega nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa, baseada em dois argumentos: (i) indeferimento dos pedidos de perícia e diligência formulados; e (ii) não apreciação de parte dos argumentos de defesa. Referente ao primeiro argumento, a recorrente alegou que a negativa de seu pedido de perícia e diligência formulado na impugnação cerceou seu direito de defesa, especialmente pela quantidade de documentos envolvidos que inviabilizou a anexação dos mesmos nos autos. Alega que tais documentos dariam suporte documental para o reconhecimento de seu direito creditório. A turma julgadora a quo entendeu que não se encontrava presente as condições para o deferimento dos pedidos de diligência e produção pericial formulados, com fundamento nos artigos 18 e 28 do Decreto 70.235/72, a seguir transcritos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.933860/200963 Acórdão n.º 3402005.440 S3C4T2 Fl. 88 5 impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado também o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93) Perfeitamente fundamentada a decisão, não há que se considerar qualquer nulidade na decisão. O julgador a quo entendeu que seria desnecessária a perícia solicitada pela impugnante, por entendêla dispensável para o deslinde do julgamento. Recordese que a realização de perícia somente se justifica se a análise do acervo probatório exige conhecimento técnico especializado. E essa condição, inequivocamente, não se vislumbra no caso em tela, uma vez que as provas necessárias à comprovação do direito creditório pleiteado cingemse a documentos fiscais e contábeis, cuja análise prescinde do parecer de especialista. Quanto ao segundo argumento, de nulidade da decisão pela falta de apreciação de questões levantadas na Manifestação de Inconformidade (item II.1.1 A Incompetência do AFRFB e item II.1.3 A Inexistente Motivação), também não assiste razão à recorrente. Consta expressamente do voto condutor do acórdão recorrido, no subtítulo “preliminares” a expressa manifestação da turma julgadora sobre a autoridade competente para a assinatura do Despacho Decisório e sobre a motivação para a glosa do crédito, conforme constatase pela simples leitura dos seguintes excertos da decisão: “A manifestante requer a nulidade do despacho decisório que indeferiu totalmente o pedido, alegando cerceamento do direito de defesa, pois não haveria a motivação para a glosa dos créditos. Improcedente a alegação da contribuinte, pois não houve ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária. [...] Também não procede a alegação de que o Despacho Decisório é nulo porque não foi assinado por autoridade competente. Como se verifica à fl. 40, o Despacho foi assinado pelo titular da DERAT/São Paulo. O que confundiu a manifestante é que os cargos de Delegado são ocupados por auditores da Receita Federal. Assim, além de auditor, o signatário do Despacho é também o titular da DERAT.” Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade da decisão recorrida. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A recorrente alega nulidade do Despacho Decisório com base em dois argumentos: (i) incompetência do AFRFB; (ii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; e (iii) inexistência de motivação e cerceamento do direito de defesa. Quanto ao primeiro argumento, de incompetência do AFRFB, a recorrente demonstra seu total desconhecimento da estrutura funcional da Secretaria da Receita Federal Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.933860/200963 Acórdão n.º 3402005.440 S3C4T2 Fl. 89 6 do Brasil, visto que a autoridade administrativa titular da unidade (DERAT/SP) é um Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e, por isso, consta tal cargo no Despacho Decisório emitido pela unidade. Ou seja, o documento foi assinado pela autoridade competente (Delegado da DERAT), cujo cargo era AFRFB. A recorrente alega também a nulidade pela falta de intimação para sua manifestação sobre o fim da instrução, fato que teria descumprida uma formalidade essencial prevista no artigo 44 da Lei n° 9.784/99, verbis: Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente, visto que a norma específica que rege o Processo Administrativo Fiscal é o Decreto 70.235/72, aplicandose apenas subsidiariamente as regras da Lei n° 9.784/99. No caso em questão, inexiste tal determinação no PAF, que dispõe sobre a intimação em seu artigo 23, e sobre o prazo para a impugnação em seu artigo 15. Quanto à alegação de nulidade do Despacho Decisório pela inexistência de motivação, a decisão a quo já destacou sua total improcedência, e nenhuma outra razão foi trazida à lide. Expressamente o Despacho Decisório informa o fundamento da negativa do direito creditório pleiteado: “Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP”. Também foi trazido aos autos pela autoridade fiscal o "Demonstrativo da apuração após o período do ressarcimento", detalhando como ocorreu a utilização do saldo credor do trimestre no abatimento de débitos em períodos subsequentes. Dessa forma, nenhum vício de motivação ou mesmo qualquer cerceamento de direito de defesa pode ser imputado ao Despacho Decisório, que trouxe as informações necessárias para o pleno conhecimento das razões do fisco no indeferimento do pleito. Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade do Despacho Decisório. Mérito No mérito, a recorrente alega seu direito ao ressarcimento do crédito do IPI pleiteado no Pedido de Ressarcimento e a devida correção pela SELIC. Entretanto, não apresenta nenhuma prova de seu direito. Conforme já exposto, a glosa ocorreu pela constatação de utilização integral saldo credor passível de ressarcimento entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior à data de transmissão da PER/DCOMP, conforme demonstrativo de apuração emitido juntamente com o Despacho Decisório. Transcrevo excerto do voto condutor do acórdão recorrido, que traz a apreciação do julgador acerca da questão, fundamentos que adoto no presente voto: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.933860/200963 Acórdão n.º 3402005.440 S3C4T2 Fl. 90 7 “A verificação eletrônica da legitimidade do valor pleiteado pelo contribuinte consiste no cálculo do saldo credor de IPI passível de ressarcimento apurado ao fim do trimestrecalendário a que se refere o pedido. Outra verificação consiste em analisar se esse saldo se mantem na escrita até o período imediatamente anterior ao da transmissão do PER/DCOMP. Constatada a utilização integral ou parcial do saldo credor existente no final do trimestre, glosase a diferença encontrada. O fundamento para tal procedimento está baseado no sistema de apuração e utilização dos créditos do imposto, em conformidade com o artigo 195, do RIPI/2002: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, §3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). §1º. Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no §2º. (Lei n°5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei n°9779, de 1999, art. 11). §2º. O saldo credor de que trata o §1º, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei n2 9.779, de 1999, art. 11). Certo é que o saldo credor de IPI apurado em um determinado trimestre e utilizado para abatimento de débitos de trimestres posteriores exaure se e, por conseguinte, não pode ser ressarcido. Caso contrário, a contribuinte deveria recolher aqueles débitos que foram compensados com referidos créditos. Conforme se verifica no "DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DO RESSARCIMENTO" (fls. 09/10), a totalidade do saldo credor existente no final do trimestre em referência, e que foi objeto do presente PER/DCOMP, foi consumido no abatimento de débitos e não poderia ser incluído no pedido de ressarcimento, estando corretos a glosa e o indeferimento realizados pela delegacia de origem.” Não foi trazido aos autos nenhum elemento que poderia modificar a decisão, que permanece válida em todos os seus fundamentos. Quanto ao direito à correção dos créditos pela SELIC, nada há que ser decidido pela inexistência de qualquer direito creditório passível de ser ressarcido e corrigido. Dessa forma, rejeitase as alegações da recorrente, também no mérito. Por fim, rejeitase também os pedidos de perícia e diligência apresentados na peça recursal, cujas razões foram as mesmas suscitadas na fase processual anterior e já Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.933860/200963 Acórdão n.º 3402005.440 S3C4T2 Fl. 91 8 rechaçada pela DRJ, sob o fundamento que seria desnecessária e dispensável para o deslinde do julgamento. Destacase o disposto no artigo 29 do PAF, que dispõe que as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias. Entretanto, destacase que a recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Não procede qualquer alegação que poderia justificar a total ausência de provas por parte daquele que requer o direito, mesmo aquela que aponta a quantidade de documentos envolvidos que inviabilizaria sua anexação aos autos. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Portanto, indeferese os pedidos de diligência e perícia, rejeitase os pedidos de cancelamento do Despacho Decisório e do acórdão recorrido, pelas razões acima expostas Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.720072/2011-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 29/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.985
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 29/04/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 00 72 /2 01 1- 60 Fl. 59266DF CARF MF Processo nº 10410.720072/201160 Acórdão n.º 3401004.985 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 59267DF CARF MF Processo nº 10410.720072/201160 Acórdão n.º 3401004.985 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Fl. 59268DF CARF MF Processo nº 10410.720072/201160 Acórdão n.º 3401004.985 S3C4T1 Fl. 5 4 Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores Fl. 59269DF CARF MF Processo nº 10410.720072/201160 Acórdão n.º 3401004.985 S3C4T1 Fl. 6 5 informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Fl. 59270DF CARF MF Processo nº 10410.720072/201160 Acórdão n.º 3401004.985 S3C4T1 Fl. 7 6 Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos Fl. 59271DF CARF MF Processo nº 10410.720072/201160 Acórdão n.º 3401004.985 S3C4T1 Fl. 8 7 impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 59272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.720688/2010-08
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
CONHECIMENTO. PREQUESTIONAMENTO. RECURSO ESPECIAL. PROCURADORIA.
Não há norma expressa, no RICARF, que imponha a exigência de prequestionamento à Procuradoria. A despeito disso, deve haver preenchimento dos demais requisitos legais e regimentais.
DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA DA DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL.
Tendo o recorrente demonstrado analiticamente a divergência, conheço do recurso especial.
SIMILITUDE FÁTICA. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL.
Havendo similitude fática entre acórdão recorrido e um dos acórdãos paradigmas, é conhecido o recurso especial.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA. INEXISTÊNCIA DE ÁGIO. SIMULAÇÃO.
Qualifica-se a multa de ofício aplicada quando o pretenso ágio interno trata-se de uma mera grandeza criada artificialmente, a que se pretendeu dar a aparência de ágio, que, na realidade, nunca existiu.
MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE ÁGIO.
Presente o dolo em operações de reestruturação societárias criadas com o objetivo único de possibilitar a amortização de ágio fictício, mediante a utilização artificial de empresa cuja utilização visa especificamente a construção falaciosa de despesa tributária, cabe a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 9101-003.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões, quanto ao conhecimento, os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 CONHECIMENTO. PREQUESTIONAMENTO. RECURSO ESPECIAL. PROCURADORIA. Não há norma expressa, no RICARF, que imponha a exigência de prequestionamento à Procuradoria. A despeito disso, deve haver preenchimento dos demais requisitos legais e regimentais. DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA DA DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. Tendo o recorrente demonstrado analiticamente a divergência, conheço do recurso especial. SIMILITUDE FÁTICA. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. Havendo similitude fática entre acórdão recorrido e um dos acórdãos paradigmas, é conhecido o recurso especial. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA. INEXISTÊNCIA DE ÁGIO. SIMULAÇÃO. Qualificase a multa de ofício aplicada quando o pretenso “ágio interno” tratase de uma mera grandeza criada artificialmente, a que se pretendeu dar a aparência de ágio, que, na realidade, nunca existiu. MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE ÁGIO. Presente o dolo em operações de reestruturação societárias criadas com o objetivo único de possibilitar a amortização de ágio fictício, mediante a utilização artificial de empresa cuja utilização visa especificamente a construção falaciosa de despesa tributária, cabe a qualificação da multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 06 88 /2 01 0- 08 Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 10920.720688/201008 Acórdão n.º 9101003.538 CSRFT1 Fl. 1.448 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões, quanto ao conhecimento, os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de processo originado por Autos de Infração de IRPJ e CSLL, quanto a todos os trimestres de 2005 a 2009, sendo aplicada multa de 150% quanto às amortizações indevidas do ágio e compensação de prejuízos fiscais e bases negativas, com imposição de multa de 75% quanto à mera falta de pagamento de tributo. Consta do Relatório Fiscal sobre o tema ainda em discussão no processo (multa qualificada): 2.7. DAS PENALIDADES (...) Para as sanções administrativas, as infrações relativas à dedutibilidade indevida das amortizações procedidas pelo sujeito passivo, assim como, à compensação indevida de prejuízos fiscais / bases de cálculo negativa foram compreendidas como geradoras da modalidade qualificada de multa por lançamento Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 10920.720688/201008 Acórdão n.º 9101003.538 CSRFT1 Fl. 1.449 3 de ofício (percentual de 150% para as multas proporcionais), prevista no §. 1º. Do art. 44 da Lei n. 9.430/96 com redação dada pelo art. 14, da Lei n. 11.488/07, transcrito abaixo.(...) A adoção do percentual qualificado se justifica pela constatação de que as infrações foram cometidas com base em artifícios fraudulentos. A aquisição de empresa veículo e sua extinção no mesmo dia após a subscrição e integralização de capital demonstram muito claramente a intenção de utilizála com abuso de personalidade jurídica. Comprovam a intenção do contribuinte em suprimir os tributos devidos, os procedimentos adotados, que na cronologia dos fatos, demonstram que o planejamento visou única e exclusivamente o aproveitamento do ágio gerado na incorporação reversa, com vistas a reduzir o tributo devido, senão vejamos (...) Outro elemento característico do abuso da personalidade jurídica da APJ Investimentos Ltda. na perpetração da infração está presente no fato de que, na contabilidade dessa empresa veículo, após a sua aquisição, consta lançamentos relativos à transferência de titularidade, subscrição e integralização de capital e, posteriormente, os lançamentos de extinção dessa sociedade. São provas disso o Livro Diário apresentados às fls. 436/440. Por fim, também ressaltar que é elementar, em situações como as sob relato, que a infração à legislação tributária seja acompanhada de transgressão das normas contábeis. Foi demonstrado anteriormente que nos procedimentos contábeis do sujeito passivo, para levar a efeito o objetivo pretendido de reduzir as bases de cálculo dos tributos, infringiu o disposto no inciso V do art. 179 da Lei n. 6.404/76. O contribuinte apresentou Impugnação Administrativa (fls. 596), decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis pela manutenção do lançamento (fls. 956): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 Fatos Passados. Repercussão em Exercícios Futuros. Fiscalização. Possibilidade. Escrituração. Documentos. Guarda. Prazo. O contribuinte está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando eles repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, devendo conservar os documentos de sua escrituração, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Decadência. Amortização de Ágio. Fatos Geradores Distintos. Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 10920.720688/201008 Acórdão n.º 9101003.538 CSRFT1 Fl. 1.450 4 O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário, pelo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício iniciase a cada amortização anual, e não com o seu registro original. Ágio de Si Mesmo. Custo. Fundamentos Contábeis. Inconsistência. O ágio somente é admitido pela teoria contábil quando surgido em transações envolvendo partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de transações entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, configurando geração artificial de resultado cujo registro contábil é inadmissível. Ágio. Reorganização Societária. Formalidade. Falta de Propósito Negocial. Ineficácia. A formalização de reorganização societária em que não exista motivação outra que não a criação artificial de condições para auferimento de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidas as condições para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondose a glosa e a recomposição das apuração dos tributos devidos. Ágio de Si Mesmo. Uso de Empresa Veículo. Amortização. Impossibilidade. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve o seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (com criação de ágio) e, ato contínuo, ocorreu o evento da incorporação. Nesse caso, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera “empresa veículo” para transferência do ágio à incorporadora, com a subseqüente amortização de ágio de si mesma. Ativo Diferido. Despesa. Ágio. Inexistente. No ativo diferido são contabilizadas despesas incorridas que contribuirão para a formação de resultados de exercícios futuros. Despesas, pela legislação tributária, são dispêndios necessários às atividades e à manutenção da empresa. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Estas despesas devem ser usuais ou normais nos tipos de transações, operações ou atividades da empresa. Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 10920.720688/201008 Acórdão n.º 9101003.538 CSRFT1 Fl. 1.451 5 A posterior transferência desse valor denominado de ágio para conta de resultado configura uma despesa indedutível, por faltarlhe os pressupostos de ágio e despesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 Ágio. Atos Societários sem propósito negocial. Artifícios Fraudulentos. Multa Qualificada. Provada a existência de constituição de empresa veículo e transferência do ágio para a própria empresa antes adquirida, por meio de atos societários sem propósito negocial, a despesa com a amortização do ágio é indedutível, mantendose a multa qualificada, em vista da conduta dolosa do sujeito passivo buscando impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade Fiscal, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conforme disposto nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, configurando o evidente intuito de fraude à lei tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2009 Matéria Tributável Inexistente. IRPJ Declarado. O IRPJ apurado em DIPJ e informado em DCTF guardam a devida correlação, de forma que inexiste eventual diferença a recolher, a título de IRPJ apurado pelo contribuinte e não recolhido. Matéria Não Impugnada. Imposto Declarado. IRPJ. 30/06/2009. Considerase como não impugnado o imposto de renda exigível de ofício que não foi explicitamente contestado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 Lançamento Reflexo. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendese ao lançamento reflexo os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz. CSLL Declarada. Exigível de Ofício. 30.06.2009, 31.12.2009 Permanece correta a tributação da diferença entre a CSLL declarada e aquela informada na DCTF, se não há provas de erro na apuração feita pela Contribuinte, assim como eventual apresentação de declaração retificadora (DCTF) após iniciada a ação fiscal não inibe a exigência da multa de ofício. Impugnação Procedente em Parte Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 10920.720688/201008 Acórdão n.º 9101003.538 CSRFT1 Fl. 1.452 6 Crédito Tributário Mantido em Parte Em síntese, a DRJ afastou a exigência de IRPJ quanto ao 4º. Trimestre de 2009 (R$ 6.000,00) diante de equívoco da autoridade fiscal autuante. O contribuinte apresentou recurso voluntário, ao qual foi dado parcial provimento pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho para reduzir a multa ao percentual de 75%, além de ter sido acolhida a decadência em relação aos 3 primeiros trimestres de 2005, conforme acórdão do qual se extrai a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. ÁGIO INTERNO.MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO. Descabe a imputação da multa qualificada quando não demonstrada cabalmente a ocorrência da fraude. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Cabe a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 01/04/2013, que interpôs recurso especial em 30/04/2013 (fls. 1600/1632 e 1154/1192). O recurso especial está fundado em divergência na interpretação da lei tributária a respeito dos seguintes temas: (i) decadência, tratando da aplicação do artigo 173, do CTN, tendo sido indicados os acórdãos paradigmas 20181358 (processo administrativo 13629.000600/200211), no qual se decidiu: “Inexistindo pagamentos antecipados, o prazo de decadência da Cofins é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 10920.720688/201008 Acórdão n.º 9101003.538 CSRFT1 Fl. 1.453 7 sido efetuado” e 9202002.012 (processo administrativo 10167.001742/2007 98); (ii) multa qualificada, constando como paradigmas os acórdãos 10196724 (processo administrativo 18471.000947/200633) e 1202000.753 (processo administrativo 11065.002149/200931); (iii) decadência por decorrência da manutenção da multa qualificada, tendo sido apresentado o acórdão paradigma 240100249 (processo administrativo nº 10380.002496/200848), do qual se extrai: “No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN” e 20601535 (processo administrativo 16095.000353/2007 12), verbis: “No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN”. O recurso especial foi parcialmente admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da Primeira Seção do CARF (fls. 1.308), destacandose trecho da decisão a seguir: Em relação à existência ou não de pagamentos para efeito de contagem do prazo decadencial entendo que a divergência não foi demonstrada. O ônus, imputado ao sujeito passivo de demonstrar a existência de pagamentos, conforme decidido pelos acórdãos paradigmas, não pode ser aplicado ao presente caso onde a Fiscalização não apenas deixou de cobrar o valor do tributo declarado mas, principalmente, considerouos como recolhidos quando da formalização do auto de infração. No demonstrativo de apuração do IRPJ para o ano calendário de 2005 (fls. 441/444) a autoridade lançadora deduziu, do imposto apurado no procedimento de ofício, o valor declarado pelo sujeito passivo, ou seja, considerouos como pagos. O mesmo ocorreu em relação à CSLL. No que se refere à multa qualificada, os acórdãos indicados como paradigmas manifestaram entendimento de que a artificialidade do ágio criado entre empresas do mesmo grupo justificaria a imputação da exasperadora. O acórdão recorrido analisando situação idêntica posicionouse pelo não cabimento da multa qualificada. Nesse caso, caracterizada a divergência. Em resumo do exposto, entendo que a divergência jurisprudencial foi parcialmente comprovada, motivo pelo qual proponho que seja dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em relação à imputação da multa qualificada. Em cumprimento ao disposto no art. 18, III, do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015, que aprovou o atual Regimento Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 10920.720688/201008 Acórdão n.º 9101003.538 CSRFT1 Fl. 1.454 8 Interno do CARF, e com base nas razões supra expostas, que aprovo e adoto como fundamentos deste despacho, DOU SEGUIMENTO PARCIAL ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, nos seguintes termos: NEGO SEGUIMENTO, em relação à contagem do prazo decadencial; e: DOU SEGUIMENTO, em relação à imputação da multa qualificada. O Presidente da CSRF manteve a decisão o Presidente de Câmara ao reexaminar a admissibilidade do recurso especial, conforme decisão às fls. 1312: O Presidente da Câmara deu seguimento parcial ao recurso especial por entender que, em relação à contagem do prazo decadencial com base na inexistência de pagamento antecipado do tributo não foram atendidos os pressupostos necessários para sua admissibilidade à Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF. Com base no art. 71 do RICARF, recepciono o recurso especial para reexame e passo a examinálo, juntamente com o despacho que lhe negou seguimento. Analisandose os arestos confrontados verificase que, de fato, não há como admitir o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em relação à matéria supra mencionada pois no acórdao recorrido a Fiscalização deduziu os valores declarados quando da apuração do imposto a pagar, o que implica em considerálos quitados, enquanto nos paradigmas não há qualquer indicativo nesse sentido, o que implicou em atribuir ao sujeito passivo o ônus de demonstrar a realização de pagamento Diante do exposto decido por manter, na íntegra, o despacho do Presidente da Câmara, que deu seguimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional A Procuradoria reiterou requerimento para análise da decadência caso restabelecida a multa qualificada, mencionando tratarse de matéria de ordem pública (fls. 1315). Consta, ainda, petição do contribuinte informando que teria aderido ao parcelamento da Lei 12.996/04, como requerendo a consolidação “dos valores referentes aos períodos do 4º. Trimestre de 2008 ao 4º. trimestre de 2009, relativos ao IRPJ e CSLL oriundos do auto de infração de n. 10920.720.688/201008, já considerando a redução da multa obtida através da decisão proferida pelo CARF” (fls. 1.325). Ademais, consta despacho da unidade de origem, pelo “deferimento da revisão de ofício, para inclusão destes débitos no parcelamento da lei nº 12.996/2014”. (fls. 1404). Os débitos incluídos no parcelamento foram, assim, transferidos para os processos administrativos nº 10920720.126/201722 e 13973720.031/201781 (fls. 1410/1413). Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 10920.720688/201008 Acórdão n.º 9101003.538 CSRFT1 Fl. 1.455 9 O contribuinte foi intimado em 07/02/2017, apresentando contrarrazões ao recurso especial em 21/02/2017. Alega, em síntese, que: (i) não deveria ser conhecido o recurso especial por falta de prequestionamento; (ii) ausência de demonstração analítica da divergência e de similitude fática; (iii) no mérito sustenta que a qualificação da multa não se sustenta. O contribuinte ainda sustenta que seria definitiva a decisão administrativa que reconheceu a decadência. Por estes fundamentos, pede não seja conhecido o recurso ou, sucessivamente, sejalhe negado provimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O recurso especial é tempestivo, razão pela qual passo à análise dos demais requisitos questionados pelo contribuinte, quais sejam: falta de prequestionamento, ausência de demonstração analítica da divergência e de similitude fática. Prequestionamento O RICARF (Portaria nº 343/2015) não é expresso para a exigência de prequestionamento quanto à Procuradoria da Fazenda Nacional, a despeito da expressa exigência quanto aos contribuintes, verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. A despeito da omissão do RICARF em referir tal exigência quanto à Procuradoria, não cabe recurso especial para inovação do quanto decidido ao longo do processo. A restrição pode ser tecnicamente denominada prequestionamento – como o RICARF procede quanto ao contribuinte – mas pode também ser vislumbrada com relação à demonstração analítica da divergência na interpretação da lei tributária. A esse respeito, prescreve o artigo 67, §8º, do RICARF (Portaria MF 343/2015): Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 10920.720688/201008 Acórdão n.º 9101003.538 CSRFT1 Fl. 1.456 10 Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Com efeito, a efetiva demonstração da divergência só é possível em razões do recurso especial, como exige o RICARF (Portaria MF 343/2015), se houver pronunciamento da Turma prolatora do acórdão recorrido a respeito do tema objeto do recurso especial. Diante do RICARF, portanto, rejeito o pedido para não conhecimento do recurso por falta de prequestionamento, mas analisarei a divergência na interpretação da lei tributária em seguida. Demonstração Analítica da Divergência e Similitude Fática O contribuinte pleitea seja negado seguimento ao recurso especial da Procuradoria pois não haveria demonstração analítica da divergência, como exige o artigo 67, §8º, do RICARF (Portaria MF 343/2015). Primeiramente, observo que o recurso especial foi interposto quando vigente o Regimento Interno anterior (Portaria MF 256/2009), que previa: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 6º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. A exigência, aliás, decorre da interpretação do Decreto nº 70235/1972, que estabelece como condição do recurso especial a existência de interpretação divergente entre Colegiados do CARF: Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. § 2o Caberá recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, no prazo de 15 (quinze) dias da ciência do acórdão ao interessado: Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 10920.720688/201008 Acórdão n.º 9101003.538 CSRFT1 Fl. 1.457 11 II – de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de Câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, por força do Decreto nº 70.235/1972 e do anterior RICARF, exigese a demonstração da divergência pelo Recorrente. No caso dos autos, a Procuradoria trata da divergência na interpretação da lei tributária às fls. 10 a 18 do seu recurso especial, tratando de confrontar o que entende distinto na entre as conclusões dos acórdãos paradigmas com o acórdão recorrido. Passo assim a enfrentatar a similitude fática e demonstração da divergência quanto a cada um dos paradigmas, lembrando que a Procuradoria identificou dois acórdãos: 10196724 e 1202 00.753. Primeiro Paradigma: 10196724 Transcrevese a ementa do primeiro acórdão paradigma (10196724) quanto à multa qualificada: MULTA QUALIFICADA A simulação justifica a aplicação da multa qualificada. Além disso, lembro trecho do relatório do primeiro acórdão paradigma (10196724): A fiscalização glosou despesas com amortização de ágio, cuja contrapartida foi a reserva de ágio formada em 06/08/1998, por ocasião da incorporação, pela LIBRA TERMINAL 35 S/A, da empresa ZBT TERMINAIS SANTOS S/A. Entendeu a fiscalização que a constituição da empresa ZBT TERMINAIS SANTOS S/A. e sua incorporação pela LIBRA TERMINAL 35 S/A foram meras simulações com o objetivo de criar despesas de amortização de ágio para deduzir da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social. (...) Em relação à glosa da amortização do ágio foi aplicada a multa de 150%. Embora o primeiro acórdão paradigma (10196724) tenha em sua ementa a menção multa qualificada, além do resultado pela negativa de provimento ao recurso voluntário, não consta em razões do voto condutor qualquer justificativa para a manutenção da multa qualificada. Acrescento, como acima referido, que sequer do relatório deste acórdão paradigma é possível extrair qual o exato fundamento da multa qualificada. Diante disso, entendo que o primeiro acórdão paradigma (10196724) não guarda similitude fática suficiente para justificar o conhecimento do recurso especial, como também este precedente não é suficiente à demonstração da divergência, diante da ausência de fundamentação neste para justificar a manutenção da multa qualificada. Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 10920.720688/201008 Acórdão n.º 9101003.538 CSRFT1 Fl. 1.458 12 Segundo Paradigma: 120200753 Passo à análise do segundo acórdão paradigma (nº 120200.753), lembrando a sua ementa: DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. OPERAÇÃO INTERNA. SIMULAÇÃO. GLOSA. A criação de ágio por meio de reorganização societária entre empresas do mesmo grupo econômico, pautada em fortes indícios, além de prova direta da ocorrência de simulação revelase artificial e não gera direito à dedução das respectivas despesas de amortização. O relatório deste segundo paradigma (120200753) revela o contexto fático julgado pela Turma: De acordo com o Relatório do Trabalho Fiscal (fls. 590 a 624), a autuação decorreu da desconsideração de diversas operações societárias simuladas que permitiram a amortização do ágio com o objetivo de redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, tendo sido aplicada a multa de ofício qualificada (150%), nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/64 e exigida a multa isolada (50%) decorrente da falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL, uma vez que o contribuinte optou pela apuração anual do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário 2006, 2007 e 2008. O inteiro teor do acórdão paradigma 120200.753 confirma a situação bastante similar à tratada nos presentes autos: Logo, a necessidade de uma aquisição onerosa de terceiros para formação do ágio deve ser considerada no exame das operações de reorganização societária, para fins de incidência tributária, já que tais operações podem ser utilizadas como instrumento de planejamento tributário, desde que demonstrem os fundamentos econômicos da operação (benefícios operacionais), o que não ocorre quando se adquire de partes interligadas. Por lhe faltar fundamentação econômica, a reestruturação entre empresas do mesmo grupo econômico, engendrada com o objetivo de reduzir a tributação, não pode ser oponível ao Fisco, como é o caso dos autos. (...) Diante de todo o exposto em relação à infração, resta evidenciado que os negócios jurídicos foram praticados de forma simulada, nos termos do § 1º do art. 167 do Código Civil. Verificouse que, a partir do engrendramento de operações societárias complexas e simuladas, incluindo a participação de interposta pessoa (JOFECRED), pretendeu a recorrente, intencionalmente, subtrairse à tributação, o que tornou tais operações ilegais, uma vez que o ordenamento jurídico brasileiro não permite a evasão tributária por meio de simulação. Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 10920.720688/201008 Acórdão n.º 9101003.538 CSRFT1 Fl. 1.459 13 Cabe referir que situação bem semelhante à presente foi analisada no Acórdão nº 10196.724, julgado na sessão de 28/05/2008, de relatoria da ilustre exConselheira Sandra Maria Faroni, restando decidido o seguinte: Assim, tendo sido constatada situação que se enquadra como fraudulenta, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.602/64, perfeitamente cabível a multa qualificada de 150% prevista no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. Lembro que o caso dos autos foi relatado pelo acórdão recorrido como operação societária entre empresas do mesmo grupo econômico e, por esta razão, não seria dedutível o ágio. Nesse sentido, é a ementa do acórdão recorrido: DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. ÁGIO INTERNO.MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO. Descabe a imputação da multa qualificada quando não demonstrada cabalmente a ocorrência da fraude. Diante deste quadro, entendo pela existência de similitude fática entre as situações tratadas pelo acórdão recorrido e segundo paradigma (120200.753). Pondero que a Turma Ordinária, conforme voto condutor, afastou a exigência de multa qualificada porque “não demonstrada cabalmente a ocorrência de fraude” (trecho do acórdão recorrido). Extraise do voto do exConselheiro Relator: Por outro lado, todas as operações societárias sob exame cumpriram os requisitos formais de registro, seja contábil ou nos órgãos competentes, não havendo nenhum questionamento no que tange à existência das empresas envolvidas. Assim, se as operações foram realizadas exatamente nos moldes informados pelo sujeito passivo, ou seja, não foram simuladas, a fraude suscitada pela autoridade lançadora não está demonstrada. A análise da efetiva demonstração cabal da ocorrência de fraude, nos termos do acórdão recorrido, depende da análise de mérito do recurso, mas não prejudica seu conhecimento. Por estas razões, concluo pelo conhecimento do recurso especial da Procuradoria quanto ao segundo paradigma (120200.753). Passo a análise do mérito, cujo único tema é qualificação da multa de ofício. Relembro que a fiscalização entendeu pela qualificação da multa pelos fundamentos extraídos do Relatório de Atividade Fiscal que acompanha o auto de infração (fls. 583): Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 10920.720688/201008 Acórdão n.º 9101003.538 CSRFT1 Fl. 1.460 14 2.7. DAS PENALIDADES (...) Para as sanções administrativas, as infrações relativas à dedutibilidade indevida das amortizações procedidas pelo sujeito passivo, assim como, à compensação indevida de prejuízos fiscais / bases de cálculo negativa foram compreendidas como geradoras da modalidade qualificada de multa por lançamento de ofício (percentual de 150% para as multas proporcionais), prevista no §. 1º. Do art. 44 da Lei n. 9.430/96 com redação dada pelo art. 14, da Lei n. 11.488/07, transcrito abaixo.(...) A adoção do percentual qualificado se justifica pela constatação de que as infrações foram cometidas com base em artifícios fraudulentos. A aquisição de empresa veículo e sua extinção no mesmo dia após a subscrição e integralização de capital demonstram muito claramente a intenção de utilizála com abuso de personalidade jurídica. Comprovam a intenção do contribuinte em suprimir os tributos devidos, os procedimentos adotados, que na cronologia dos fatos, demonstram que o planejamento visou única e exclusivamente o aproveitamento do ágio gerado na incorporação reversa, com vistas a reduzir o tributo devido, senão vejamos (...) Outro elemento característico do abuso da personalidade jurídica da APJ Investimentos Ltda. na perpetração da infração está presente no fato de que, na contabilidade dessa empresa veículo, após a sua aquisição, consta lançamentos relativos à transferência de titularidade, subscrição e integralização de capital e, posteriormente, os lançamentos de extinção dessa sociedade. São provas disso o Livro Diário apresentados às fls. 436/440. Por fim, também ressaltar que é elementar, em situações como as sob relato, que a infração à legislação tributária seja acompanhada de transgressão das normas contábeis. Foi demonstrado anteriormente que nos procedimentos contábeis do sujeito passivo, para levar a efeito o objetivo pretendido de reduzir as bases de cálculo dos tributos, infringiu o disposto no inciso V do art. 179 da Lei n. 6.404/76. Lembro que os Auto de Infração identificam como fundamento para a imposição de multa qualificada o disposto no artigo 44, II, da Lei nº 9430/1996, como também no §1º do mesmo dispositivo, posteriormente às alterações pela Lei nº 11.488/2007 (fls. 538 e 554). O artigo 44, II, da Lei nº 9.430/1996, tinha a seguinte redação ao tempo dos fatos em discussão (anoscalendário de 2005 a 2009): Art. 44. (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 10920.720688/201008 Acórdão n.º 9101003.538 CSRFT1 Fl. 1.461 15 Com a edição da Lei nº 11.488/2007, fruto da conversão da Medida Provisória nº 351/2007, a multa qualificada passou a ser tratada pelo §1º, do artigo 44, nos seguintes termos: Art. 44 (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Os Autos de Infração, em que pese mencionem o artigo 44, II e §1º acima reproduzidos , não identificam se a hipótese é de sonegação, fraude ou conluio, para ajustar a conduta infracional aos artigos 71, 72, ou 73, da Lei nº 4.506/1964. Com efeito, a conduta infracional deve ser devidamente descrita no lançamento tributário para demonstrar a subsunção dos fatos à hipótese legal, em respeito ao artigo 142, do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (grifo nosso) A falta de precisão quanto à conduta, para tipificála em qualquer das hipóteses dos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, acarreta a improcedência do lançamento da multa qualificada. Esclareço que proferi votos manifestandome sobre a necessária identificação da conduta infracional para aplicação da penalidade, como nos acórdãos 9101002.826 (processo nº 10120.008793/200272) e 9101003.365 (processo nº 16561720172/201220). Acrescento às razões de decidir o arrazoado lapidar do exConselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator do acórdão recorrido: No que se refere à qualificação da multa de ofício, entendo que a análise das operações deve ocorrer separadamente do ágio por elas gerado e indevidamente deduzido. Explico melhor: No entendimento deste Relator, é incontestável o fato de que operações societárias realizadas entre empresas do mesmo grupo não podem gerar ágio amortizável. Sob esse prisma, como já exposto neste voto, concordo com a decisão recorrida pela indedutibilidade do ágio em questão. Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 10920.720688/201008 Acórdão n.º 9101003.538 CSRFT1 Fl. 1.462 16 Por outro lado, todas as operações societárias sob exame cumpriram os requisitos formais de registro, seja contábil ou nos órgãos competentes, não havendo nenhum questionamento no que tange à existência das empresas envolvidas. Assim, se as operações foram realizadas exatamente nos moldes informados pelo sujeito passivo, ou seja, não foram simuladas, a fraude suscitada pela autoridade lançadora não está demonstrada. Nesses termos, voto por reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. Com a desqualificação da multa, ratificase a contagem do prazo decadencial pela regra do § 4º, do art. 150, do CTN. Também adotando as razões do acórdão recorrido, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. Conclusão Por tais razões, voto por conhecer do recurso especial da Procuradoria. No mérito, voto por negarlhe provimento, confirmando o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado Não obstante o substancioso voto da I. Relatora, peço vênia para discordar no mérito. As operações sob análise envolvem as empresas MIME INVESTIMENTOS, MIME DISTRIBUIDORA E APJ. A MIME INVESTIMENTOS foi constituída mediante integralização de capital das ações da MIME DISTRIBUIDORA. Em brevíssimo lapso temporal, cinco dias, foi efetuada a aquisição da APJ, as ações da MIME DISTRIBUIDORA foram integralizadas para aumento do capital social da APJ, e as ações de MIME DISTRIBUIDORA foram reavaliadas gerando a criação de um ágio. Na sequência, a MIME DISTRIBUIDORA incorporou a APJ, e, por entender que estaria consumada a hipótese de incidência prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, passou a aproveitar a despesa de amortização de ágio. As operações ocorridas dentro do grupo econômico retratam a criação de um ágio sem substância, fictício. Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 10920.720688/201008 Acórdão n.º 9101003.538 CSRFT1 Fl. 1.463 17 O Termo de Verificação Fiscal (TVF) apresentou com detalhamento as operações: a) A empresa objeto da presente autuação teve seu início de atividade em 14/04//97 (contrato social à fls. 12/15). Nas seis alterações realizadas até 26/03/2004 (fls. 29/30) foi verificado que os objetos das alterações estavam relacionados a alterações de seu capital social, exceto quanto a mudança do quadro societário realizada em 05/05/99. b) A partir de 17/11/2004, com a 7ª alteração contratual (fls. 32/36), deuse o início do planejamento tributário com a mudança no quadro social da empresa, quando a empresa Mime Investimentos Ltda, passou a ser a controladora. Na alteração do contrato social desta data consta: "Mime Investimentos Ltda ... em fase de constituição na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina" (fls. 33) (grifos nossos). O que se quer destacar com esta citação é que, conforme demonstrado no Quadro 2, a empresa controladora, cujo capital social era formado basicamente por ações da própria Mime Distribuidora, apesar do contrato social estar datado de 17/11/2004 (fls. 96/103), teve o registro solicitado na JUSESC em 15/12/2004 e o registro deferido somente em 31/01/2005 (fls.103); c) Em 16/12/2004 a Mime Distribuidora Ltda., recebeu um laudo de avaliação, no qual se fazia uma estimativa da empresa pelo seu valor econômico, com base em projeção do fluxo de caixa, ela seria apreciada em R$ 16.296.910,00 (fls. 118/161), cujo registro na JUSESC ocorreu em 31/01/2005 (fls. 160) d) A empresa "ZIG ZAG Confecções Ltda.", descrita no Quadro 1, cujo ramo de autuação originalmente era a prestação de serviços de facções de artigos do vestuário em geral e confecções de artigos do vestuário em geral (fl. 64) foi adquirida pela Mime Investimentos Ltda., em 24/12/2004 (controladora do contribuinte "Mime Distribuidora"), renomeada APJ Investimentos Ltda., e redirecionada à atuar como ' holding' (fl. 70/72). O pedido dessas alterações junto a JUSESC é datado de 24/01/2005 conforme pode ser lido no protocolo 05/191519 (fls. 172) e) Nesta mesma data de 24/12/2004, a então controladora Mime Investimentos Ltda., transferiu a empresa recém adquirida (APJ Investimento) sua participação na Distribuidora Mime. Portanto, transferiu a APJ o controle direto sobre a Mime Distribuidora mantendo, contudo, sobre a Mime Distribuidora o controle indireto (realizado por meio do controle direto sobre a APJ). Estas informações podem ser obtidas na leitura da 8a Alteração Contratual da Mime Distribuidora, registrada em 31/01/2005 (fls. 39). f) Ainda em 24/12/2004 foi realizada uma avaliação da empresa "APJ Investimento", a qual concluía que o valor de mercado desta empresa seria de R$ 16.296.915,00. Há de se observar os dizeres deste laudo de avaliação (fls. 80/83) a seguir transcrito Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 10920.720688/201008 Acórdão n.º 9101003.538 CSRFT1 Fl. 1.464 18 no qual os peritos contratos afirmam da incorporação da empresa APJ pela Mime Distribuidora. OBJETIVO DA AVALIAÇÃO Determinação do valor do patrimônio líquido da empresa APJ INVESTIMENTOS LTDA. já qualificada, a ser incorporado pela sociedade MIME DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA. g) Na data de 29/12/2004 é celebrado o protocolo e justificativa de incorporação de sociedade da APJ Investimentos, pela Sociedade MIME Distribuidora de Petróleo LTDA. pedido solicitado a JUSESC em 28/01/2005, conforme protocolo 05/195301 (fl. 173), no qual é afirmado: As administrações das empresas, INCORPORADA e EINCORPORADORA, após avaliarem cuidadosamente os objetivos das sociedades e seus ativos, concluíram ser de interesse dos sócios e das empresas, todas pertencentes ao mesmo grupo econômico e familiar, promover uma reorganização societária...." h) Na 2ª alteração contratual (Distrato por Incorporação) da APJ Investimentos e sua conseqüente extinção datado de 29/12/2004, pedido junto a JUSESC em 28/01/2005, conforme protocolo 05/195280 (fl. 162), constando "Os sócios declaram que receberam seus haveres, apurados conforme balanço de encerramento em 24/12/2004. dando plena e geral quitação entre si e perante a sociedade até a presente data"; As conclusões da autoridade fiscal são precisas: Na análise efetuada dos procedimentos da empresa concluise que o contribuinte de forma clara e ostensiva elaborou e criou a situação fática apresentada, única e exclusivamente com o objetivo de gerar uma situação em que se tornase "justificável" a contabilização de ágio gerado na incorporação da empresa controladora, para num momento seguinte beneficiarse das despesas geradas pela amortização do^ágio construído para reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL e, conseqüentemente, reduzir ou suprimir o tributo devido. Isto esta comprovado pelo curto período de vida da empresa, apenas um dia, (alíneas 'd' e 'f acima) suficiente para formalmente gerar as condições pretendidas pelo sujeito passivo. É de se salientar que todas alterações societárias, justificativas e laudos relativos às operações em debate informados no Relatório, foram apresentados à JUSESC para registro nas datas de 24 a 28/01/2005. Outro elemento característico do uso abusivo da personalidade jurídica da APJ Investimentos Ltda na perpetração da infração está presente no fato de que, na contabilidade dessa empresa veículo, após a sua aquisição, consta lançamentos relativos à transferência de titularidade, subscrição e integralização de capital e, posteriormente, os lançamentos de extinção dessa Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 10920.720688/201008 Acórdão n.º 9101003.538 CSRFT1 Fl. 1.465 19 sociedade. São provas disso os Livro Diário apresentados às fls 436/440. Dois elementos são contundentes para demonstrar a artificialidade da operação. Primeiro, o brevíssimo lapso temporal das operações. A APJ foi adquirida em 24/12/2004, teve seu capital social aumentado com a integralização das ações da MIME DISTRIBUIDORA, que foram objeto de reavaliação consumando a criação de um ágio. Cinco dias depois a MIME DISTRIBUIDORA incorpora a APJ. Segundo, a utilização artificial da APJ, conforme descrito no TVF, cujos eventos contábeis, desde sua aquisição até sua incorporação, em cinco dias, restringiramse a transferência de titularidade, subscrição e integralização de capital e, posteriormente, os lançamentos de extinção dessa sociedade. Não resta dúvida de que a APJ demonstra um completo desvirtuamento do instituto de pessoa jurídica, criada apenas para fabricar uma despesa. Ora, empresas não se prestam a fabricar despesas, mas sim a fabricar produtos, gerar empregos, prestar serviços, mediante consecução de atividades reais. O plus na conduta é evidente, ultrapassando o tipo objetivo da norma tributária. Não se trata de mero descumprimento da norma. Verificase a presença dos elementos cognitivo e volitivo, consumandose o dolo, cuja definição é apresentada com clareza por CEZAR ROBERTO BITENCOURT1: O dolo, elemento essencial da ação final, compõe o tipo subjetivo. Pela sua definição, constatase que o dolo é constituído por dois elementos: um cognitivo, que é o conhecimento do fato constitutivo da ação típica; e um volitivo, que é a vontade de realizála. O primeiro elemento, o conhecimento, é pressuposto do segundo, a vontade, que não pode existir sem aquele. Sobre o elemento cognitivo, BITENCOURT 2 discorre com didática: Para a configuração do dolo exigese a consciência daquilo que esse pretende praticar. Essa consciência deve ser atual, isto é, deve estar presente no momento da ação, quando ela está sendo realizada Sobre o elemento volitivo, são claros os ensinamentos 3: A vontade, incondicionada, deve abranger a ação ou omissão (conduta), o resultado e o nexo causal. A vontade pressupõe a previsão, isto é, a representação, na medida em que é impossível querer algo conscientemente senão aquilo que se previu ou representou na nossa mente, pelo menos, parcialmente. O caso em debate trata de operações empreendidas no universo de um mesmo grupo econômico, com transferência de ações com sobrepreço para integralizar o capital social de uma empresa de papel, sem sacrifício de ativos, sem pagamento pelo sobrepreço, que foi 1 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal : parte geral, volume 1, 11ª ed. São Paulo : Saraiva, 2007, p. 267. 2 BITENCOURT, 2007, p. 269. 3 BITENCOURT, 2007, p. 269. Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 10920.720688/201008 Acórdão n.º 9101003.538 CSRFT1 Fl. 1.466 20 criado artificialmente e especificamente para consumar o aproveitamento de uma despesa fictícia. Presentes, sem sombra de dúvidas, os elementos volitivo e cognitivo. Cabe, portanto, ser restabelecida a qualificação da multa de ofício. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1466DF CARF MF
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Numero do processo: 10820.900280/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO. VALOR PAGO A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF. COMPROVAÇÃO DO ERRO. Ao restar comprovado nos autos que o débito originalmente confessado em DCTF era superior ao valor efetivamente devido, a retificação da declaração deve ser admitida. Em consequência, o valor pago a maior deve ser reconhecido como direito creditório em favor do contribuinte, passível de restituição e/ou compensação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL APLICÁVEL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA COM EMPREGO DE MATERIAIS. Para fins de determinação do percentual aplicável ao lucro presumido das pessoas jurídicas que se dedicam à atividade de construção por empreitada com ou sem emprego de materiais, aos fatos geradores anteriores à vigência das Instruções Normativas SRF nº 480/2004 e nº 539/2005, aplicam-se as disposições do ADN COSIT nº 6/1997, até então vigentes. Ao restar comprovado o atendimento cumulativo às três condições estabelecidas por este último normativo, a saber, tratar-se de contrato de empreitada, de construção e com o fornecimento de materiais em qualquer quantidade, aplica-se o percentual de 8% para determinação do lucro presumido. Não se verificando alguma das referidas condições, o percentual aplicado deve ser de 32%.
Numero da decisão: 1301-000.532
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO. VALOR PAGO A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF. COMPROVAÇÃO DO ERRO. Ao restar comprovado nos autos que o débito originalmente confessado em DCTF era superior ao valor efetivamente devido, a retificação da declaração deve ser admitida. Em consequência, o valor pago a maior deve ser reconhecido como direito creditório em favor do contribuinte, passível de restituição e/ou compensação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL APLICÁVEL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA COM EMPREGO DE MATERIAIS. Para fins de determinação do percentual aplicável ao lucro presumido das pessoas jurídicas que se dedicam à atividade de construção por empreitada com ou sem emprego de materiais, aos fatos geradores anteriores à vigência das Instruções Normativas SRF nº 480/2004 e nº 539/2005, aplicamse as disposições do ADN COSIT nº 6/1997, até então vigentes. Ao restar comprovado o atendimento cumulativo às três condições estabelecidas por este último normativo, a saber, tratarse de contrato de empreitada, de construção e com o fornecimento de materiais em qualquer quantidade, aplicase o percentual de 8% para determinação do lucro presumido. Não se verificando alguma das referidas condições, o percentual aplicado deve ser de 32%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.900280/200813 Acórdão n.º 130100.532 S1C3T1 Fl. 192 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, André Ricardo Lemes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior. Relatório CALT CONSTRUÇÕES E PROJETOS LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Araçatuba/SP. Por bem descrever o ocorrido, valhome do conciso relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 17/22, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de Cofins (código de receita: 2172) e de PIS/PASEP (código de receita: 8109) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório de fl. 03, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.01/02, na qual alega, em síntese, que: a) a sociedade em questão tem como atividade principal a de “Construção Civil, Projetos, Administração de Obras, Fabricação de Artefatos de Cimento para Construção e Prestação de Serviços na Área de Construção Civil”; b) a recorrente ao efetuar recolhimentos de impostos por ela devidos, utilizouse como percentual sobre a receita bruta a alíquota de 32%, quando o correto seria o percentual de 8%, vez que realiza construção por empreitada, com emprego de materiais próprios, sem qualquer quantidade; c) tal Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.900280/200813 Acórdão n.º 130100.532 S1C3T1 Fl. 193 3 mudança ocorreu com o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 06, de 13/01/1997, o qual a contribuinte teve conhecimento no ano de 2003; d) foi informada para preencher a PER/Dcomp requerendo a compensação do tributo pago a maior, bem como proceder a retificação de sua DCTF; e) não efetuou a retificação da DCTF, fato que culminou com a nãohomologação dos créditos tributários; f) com a correta aplicação da alíquota, a contribuinte possui um crédito no valor de R$ 1.013,19 (31/07/2002). Ao final, requer a homologação da referida PER/Dcomp e anulação da cobrança. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1422.682, de 20/03/2009 (fls. 27/32), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Data do fato gerador: 31/07/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ciente da decisão de primeira instância em 25/05/2009, conforme documento de fl. 34, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 24/06/2009 (registro de recepção à fl. 35, razões de recurso às fls. 35/38). Após historiar os fatos, por sua ótica, a interessada afirma que o indeferimento de seu pleito se deu basicamente pela ausência de prova das alegações defensivas, o que se propõe a suprir mediante a apresentação da seguinte documentação: Trazemos junto a este recurso o Anexo I em que se encontra cópia do contrato de constituição de sociedade empresária limitada e todas as suas alterações, provando a atividade social da contribuinte. O Anexo II é composto pelas DCTFs originais e DCTF retificadoras do período, dando conta da correção pela contribuinte do equívoco perpetrado em seu prejuízo e de seu crédito existente. O Anexo III, por sua vez, é composto pela DIPJ referente ao período (ano calendário 2002), em sua via original e retificadora, dando conta da correção do lançamento de ofício anteriormente feito erroneamente em desfavor desta contribuinte. Acompanha o Anexo IV contratos firmados no 2º trimestre de 2002 entre a contribuinte e as Prefeituras Municipais de Jales e Estrela D'Oeste, nos quais observamos que a execução de seus objetos se deram no regime de empreitada por preço global. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.900280/200813 Acórdão n.º 130100.532 S1C3T1 Fl. 194 4 [...] Ainda em relação ao período em análise nos presentes autos, destacamos os documentos que compõem o Anexo V, quais sejam as "Nota Fatura de Prestação de Serviço" (nº 568 a 575), dando conta de que o faturamento informado pelo contribuinte em sua DCTF e DIPJ retificadoras foram pela efetivação de serviços no regime de empreitada por preço global, com fornecimento de materiais. Válido destacar que sobre o faturamento documento por faturas que não incluíram fornecimento de materiais incidiu a alíquota de 32% e não a de 8%, como, a propósito, se observa pelas declarações anexas decorrentes do cumprimento de obrigações acessórias. O Anexo VI é composto pelas notas fiscais de entradas das mercadorias empregadas pela contribuinte na execução das obras no regime de empreitada por preço global. Ao final, requer a reforma da decisão recorrida, com o reconhecimento de seu direito creditório, homologação da compensação declarada e cancelamento da cobrança. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno de alegado direito creditório, decorrente de recolhimento indevido/a maior de IRPJ. Tal recolhimento teria sido feito equivocadamente pela interessada, em face da aplicação do percentual de 32% à totalidade de sua receita bruta para fins de cálculo do lucro presumido, em lugar do percentual de 8%, que seria o correto para a atividade por ela exercida, que afirma ser de construção por empreitada, com emprego de materiais próprios, em qualquer quantidade. Em primeira instância, a Turma Julgadora não reconheceu o pretendido direito creditório, diante do fato de que o débito foi declarado em DCTF e da inexistência, nos autos, de provas suficientes a comprovar o alegado erro. A retificação da DCTF, levada a efeito após a ciência do Despacho Decisório e antes da decisão da DRJ, foi tida por insuficiente para respaldar as pretensões da contribuinte. Diante dessa decisão, a interessada traz a documentação com a qual considera provada sua atividade (ao menos na parte alegada), sujeita à aplicação do percentual de 8% para determinação do lucro presumido. Em consequência, estaria também provado o direito creditório pretendido. O primeiro ponto a ser apreciado é, então, a possibilidade de retificação da DCTF. Sobre a matéria, considero pertinente a análise do art. 147 do CTN, abaixo transcrito. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.900280/200813 Acórdão n.º 130100.532 S1C3T1 Fl. 195 5 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Embora o artigo acima transcrito não seja, em primeira análise, diretamente aplicável ao caso concreto, visto que a DCTF não se presta ao lançamento de tributo mas sim à confissão de débitos tributários e ao fornecimento de informação à autoridade administrativa sobre a forma de sua extinção, seu parágrafo primeiro traz disposições sobre a retificação de declarações que bem podem orientar a decisão a ser tomada. Senão vejamos. Na hipótese de redução ou exclusão de tributos, o texto legal impõe restrições à retificação da declaração com base na qual a autoridade administrativa haverá de efetuar o lançamento. Isso tendo em vista a proteção ao crédito tributário, interesse indisponível, como cediço. Tais disposições são também aplicáveis à situação vertente, em que a retificação da DCTF, se aceita, implicará redução do valor do débito anteriormente confessado de tributo sujeito ao lançamento por homologação, apurado pelo próprio sujeito passivo. A propósito, assim leciona Leandro Paulsen1: Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação vinculados a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o § 1º do art. 147 tem sido bastante invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar suas declarações livremente, com eficácia imediata, e, a contrario sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente prestada, considere as retificações. [...]. Tenho, assim, que a questão a ser dirimida reside na prova do alegado erro, e no momento de sua apresentação. A princípio, todas as provas deveriam ser apresentadas juntamente com a impugnação, a teor dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972. Ocorre, entretanto, que o Despacho Decisório de fl. 03, ao não reconhecer o direito creditório trazido à compensação, baseouse unicamente na análise do DARF e sua alocação aos débitos então declarados. Por essa ocasião (o Despacho Decisório é datado de 24/04/2008, com ciência em 05/05/2008, fl. 1 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 12ª Ed. Revista e atualizada. Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2010, pág. 1026. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.900280/200813 Acórdão n.º 130100.532 S1C3T1 Fl. 196 6 05), a interessada ainda não havia procedido à retificação da DCTF. A declaração retificadora foi apresentada em 16/05/2008 (fl. 70). O questionamento sobre a redução do débito de IRPJ correspondente ao segundo trimestre de 2002 de R$ 1.804,88 para R$ 791,69 somente foi trazido a lume durante a apreciação do litígio em primeira instância. Nessas condições, os mesmos dispositivos legais do Decreto nº 70.235/1972 anteriormente citados, especificamente o § 4º, inciso “c”, do art. 16, prevêem que a prova possa ser apresentada posteriormente. Passo, então, a analisar os documentos acostados aos autos pela interessada, a fim de verificar se socorrem sua pretensão, em face da legislação aplicável. Acerca do percentual aplicável, a disposição legal pertinente se encontra na Lei nº 9.249/1995, verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Lei nº 11.119, de 205) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; [...] § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. [...] A disciplinar a matéria, foi editada a IN SRF nº 11/1996 e, posteriormente, a IN SRF nº 93/1997, nos seguintes termos: Instrução Normativa SRF nº 011, de 21 de fevereiro de 1996 Art. 3º A partir de janeiro do anocalendário de 1996, a base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida na atividade. § 1º Nas seguintes atividades o percentual de que trata este artigo será de: [...] IV 32 % (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta auferida com as atividades de: [...] d) construção por administração ou por empreitada unicamente de mãode obra; [...] Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.900280/200813 Acórdão n.º 130100.532 S1C3T1 Fl. 197 7 f) prestação de qualquer outra espécie de serviço não mencionada neste parágrafo. Instrução Normativa SRF Nº 093, de 24 de Dezembro de 1997 Art. 3º À opção da pessoa jurídica, o imposto poderá ser pago sobre base de cálculo estimada, observado o disposto no § 6º do artigo anterior. § 1º A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida na atividade. § 2º Nas seguintes atividades o percentual de que trata este artigo será de: [...] IV 32 % (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta auferida com as atividades de: [...] d) construção por administração ou por empreitada unicamente de mãode obra; [...] f) prestação de qualquer outra espécie de serviço não mencionada neste parágrafo. [...] Art. 36. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I o valor resultante da aplicação dos percentuais de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 3º, sobre a receita bruta de cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral; Em 1997, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 6, de 13/01/1997 estabeleceu com clareza qual seria o percentual a ser aplicado para determinação da base de cálculo do imposto de renda na atividade de construção por empreitada (grifos não constam do original): O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.900280/200813 Acórdão n.º 130100.532 S1C3T1 Fl. 198 8 a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão deobra, ou seja, sem o emprego de materiais. II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. Esse entendimento se encontrava sedimentado, havendo inclusive soluções de consulta nesse sentido, entre as quais menciono a SC SRRF07 84/2002, SC SRRF08 36/2003 e SC SRRF08 278/2004. As alterações posteriormente introduzidas com o advento das IN SRF nº 480/2004 e IN SRF nº 539/2005 não alcançam os fatos geradores de que aqui se trata. Conforme visto na breve resenha da legislação, nos termos do ADN COSIT nº 6/1997, o percentual aplicável na determinação do lucro presumido seria de 8%, caso se tratasse de construção por empreitada, com emprego de materiais em qualquer quantidade. Sustenta a recorrente que essa seria exatamente sua situação, pelo que pleiteia a retificação do valor de imposto devido, daí exsurgindo, em decorrência, o direito creditório por pagamento em valor maior que o devido. Três são, então, os aspectos a serem verificados, cumulativamente: (i) se as atividades exercidas pela interessada, que deram origem às receitas auferidas, o são pela modalidade de empreitada; (ii) se essas atividades são de construção; e (iii) se há prova de ter havido, na execução dessas atividades, o emprego de materiais fornecidos pela interessada. Quanto ao primeiro ponto acima, considero não haver dúvidas. Ensina a doutrina que empreitada é o contrato em virtude do qual um dos contratantes comete a outro a execução de um determinado serviço, compreendendo tanto a empreitada de obra ou de construção, como a empreitada para a feitura de qualquer outra espécie de trabalho ou serviço (segundo De Plácido e Silva). Essa modalidade contratual é regulada pelos arts. 610 a 626 do Código Civil/2002. De se concluir, assim, que a empreitada não é exclusivamente aplicável à execução de obras de construção civil, podendo ser contratada, sob essa modalidade, a realização de qualquer outra espécie de trabalho ou de serviço. Encontro, às fls. 162 e segs., o Contrato nº 035/02 com a Prefeitura Municipal de Jales/SP, para adaptação de piscina e construção de vestiário sob o regime de empreitada por preço global. Às fls. 165 e segs., o Contrato nº 012/SL/2002, firmado com a Prefeitura Municipal de Estrela d’Oeste/SP, para a construção de base para instalação de balança no prolongamento da Rua Brasil, com fornecimento de material e mãodeobra, sob o regime de execução indireta com empreitada por preço global. Também de especial relevância as notas fiscais de prestação de serviços, emitidas pela interessada, cujas cópias se encontram às fls. 172/179. Não obstante não tenham sido apresentados os contratos, a descrição dos serviços permite a conclusão de que se trata de construção por empreitada. Finalmente, no que toca ao emprego de materiais, é de se ressaltar que em todas as notas fiscais apresentadas2 a interessada especifica que os serviços prestados em obras de construção civil diversas incluem mãodeobra e materiais. Tal destaque é corroborado pelas 2 As duas únicas exceções são as notas fiscais de fls. 173 e 175, as quais corresponde somente a serviços técnicos de engenharia, sem a utilização de materiais. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10820.900280/200813 Acórdão n.º 130100.532 S1C3T1 Fl. 199 9 diversas notas fiscais de aquisição de insumos os mais diversos aplicáveis aos serviços prestados pela contribuinte (fls. 181/188). Tenho, assim, por atendidos e comprovados os três requisitos delineados pelo ADN COSIT nº 6/1997, pelo que o percentual aplicável à receita bruta auferida pela interessada com a atividade de construção por empreitada com emprego de materiais, para fins de determinação do lucro presumido, deve ser de 8%. A somatória das notas fiscais apresentadas coincide rigorosamente com os valores que constam da DIPJ retificadora para o segundo trimestre de 2002, a saber, R$ 28.144,24 (notas fiscais de fls. 172, 174 e 176/179) e R$ 9.457,50 (notas fiscais de fls. 173 e 175), como sendo receitas sujeitas, respectivamente, aos percentuais de 8% (linha 14A/02, fl. 121) e de 32% (linha 14A/04, fl. 121). O imposto calculado a partir daí é de exatos R$ 791,69, o mesmo valor que consta da DCTF retificadora (fls. 70 e segs.). Diante do exposto, a retificação pretendida deve ser aceita. A diferença, no montante pleiteado no presente processo de R$ 1.013,19, entre o valor pago de R$ 1.804,88 (vide especificação do DARF à fl. 73 e cópia à fl. 06) e o valor devido de R$ 791,69 deve ser tida como pagamento a maior do que o devido, passível de restituição ou compensação, homologandose a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido. Em conclusão, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13819.722533/2016-49
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
COMPENSAÇÃO INDEVIDADA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - GERENTE - NÃO CONFIGURAÇÃO - COMPROVANTE - FONTE PAGADORA
O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos
Numero da decisão: 2002-000.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 25 33 /2 01 6- 49 Fl. 61DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 05 a 08), relativa a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, visto que não apresentou os comprovantes de recolhimento do IRRF, enquanto gerente da empresa STEM INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS METALÚRGICOS EIRELI, fonte pagadora. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 3.568,92, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação às efls. 02 a 18 dos autos, no qual a contribuinte alega que o IRRF foi retido e repassado aos cofres públicos pela fonte pagadora. A impugnação foi apreciada na 5ª Turma da DRJ/REC que, por unanimidade, em 22/02/2017, no acórdão 1155.021, às efls. 25 a 28, julgou improcedente as razões apresentadas pela contribuinte. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, em 21/03/2017, apresentou recurso voluntário, às efls. 35 a 58, no qual alega, em resumo, que: § O responsável pela retenção e posterior recolhimento dos valores de imposto de renda retido na fonte é da sociedade empresária, enquanto fonte pagadora, sendo que este ônus não pode ser repassado ao contribuinte; § junta os holerites comprovando a retenção na fonte; § enquanto gerente da área de produção da indústria, a regra do artigo 723 do RIR/99 não pode alcançálo, já que não tem atos de gestão da empresa; É o relatório. Voto Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 03/03/2017, efls. 32, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 21/03/2017, às efls. 35, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13819.722533/201649 Acórdão n.º 2002000.174 S2C0T2 Fl. 62 3 O presente processo trata de notificação de lançamento relativa a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, da qual o contribuinte é gerente da empresa STEM INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS METALÚRGICOS EIRELI. A fiscalização imputou ao recorrente a responsabilidade solidária pelo pagamento do imposto de renda retido na fonte, que deveria ter sido repassado aos cofres públicos pela pessoa jurídica empregadora. O artigo 121 do Código Tributário Nacional (CTN) tem a seguinte redação: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária: Parágrafo Único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: (...) II responsável, quando sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa em lei. O parágrafo único do retro mencionado artigo autoriza, expressamente, a atribuição da fonte pagadora da renda os dos proventos auferidos, a condição de responsável tributário, devendo reter o valor do imposto de renda de seus colaboradores na fonte. Ainda que seja o contribuinte pessoa física quem possua a disponibilidade econômica dos valores, o responsável pela retenção é um terceiro, a pessoa jurídica empregadora, em relação ao fato gerador do tributo, conforme dicção do artigo 128 do CTN: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. O artigo 45 do CTN estabelece que a lei poderá atribuir a responsabilidade da fonte pagadora reter e recolher o tributo, como se vê: Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Fl. 63DF CARF MF 4 Assim, a fonte pagadora recolhe e repassa os valores de imposto de renda da pessoa física, podendo o contribuinte, quando da apresentação de sua DAA, deduzir as parcelas do imposto retidas antecipadamente: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): I as contribuições feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente; II as contribuições efetivamente realizadas em favor de projetos culturais, aprovados na forma da regulamentação do Programa Nacional dc Apoio à Cultura PRONAC, de que trata o art, 90; III os investimentos feitos a título de incentivo às atividades audiovisuais de que tratam os arts. 97 a 99; IV o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; V o imposto pago no exterior de acordo com o previsto no art. 103. Na mesma linha segue o artigo 55, da lei nº 7.450/85: Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Da leitura dos dispositivos acima colacionados chegase a conclusão de que, para a dedução do imposto de renda retido na fonte, a posse, pelo contribuinte, de comprovante de retenção emitido pela sociedade empresária (fonte pagadora) é requisito essencial. Nos casos em que o contribuinte é sócio, administrador, gerente da pessoa jurídica, como no caso em tela, a regra aplicável é aquela contida no artigo 723 do RIR/99: Art. 723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (DecretoLei nº 1.736, 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, gestão ou representação (DecretoLei nº 1.736, de 1979, art. 8º, parágrafo único). Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13819.722533/201649 Acórdão n.º 2002000.174 S2C0T2 Fl. 63 5 A legislação tributária condiciona a compensação do imposto de renda retido na fonte, nesses casos, a comprovação do efetivo pagamento do imposto, sendo que a pessoa física, por ser alguém com poderes de gestão da pessoa jurídica, é solidariamente responsável com a empresa, na apresentação dos documentos comprobatórios da quitação do imposto de renda retido na fonte. Em apertada síntese, nos casos em que o beneficiário dos rendimentos também seja o responsável pela administração da empresa (fonte pagadora), é necessária a comprovação do efetivo recolhimento do imposto retido. O teor do artigo 723 do RIR/99 se adequa perfeitamente ao artigo 135 do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – as pessoas referidas no artigo anterior; II – os mandatários, prepostos e empregados; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. No caso, a fiscalização entendeu que, enquanto gerente da empresa, a contribuinte não comprovou o recolhimento do imposto de renda retido na fonte que lhe caberia, enquanto colaborador da sociedade jurídica, como se depreende da decisão da DRJ: 7.1 Como se constata do texto legal transcrito, a responsabilidade tributária por eventual não recolhimento do IRRF se estende a terceiros (acionistas controladores, diretores, gerentes e representantes de pessoas jurídicas de direito privado). Dessa maneira, para que possam compensar o imposto retido sobre rendimentos percebidos de fonte pagadora pela qual são responsáveis, os dirigentes e sócios com poderes de administração devem fazer prova do recolhimento das retenções de imposto sobre a renda efetuadas pela pessoa jurídica, não sendo suficiente a apresentação de informe de rendimentos ou de Declaração de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (DIRF). 8. Por oportunidade da impugnação, o contribuinte sequer questiona a responsabilidade solidária em virtude da condição de gerente e não se preocupa em comprovar o recolhimento do IRRF, afirmando expressamente que não está anexando DARF. Foram anexados apenas comprovante de rendimentos, recibos de pagamentos e carteira de trabalho. Como visto, referidos documentos isoladamente não fazem prova do recolhimento do IRRF e, no contexto dos autos, não respaldam sua compensação na declaração de ajuste anual. Fl. 65DF CARF MF 6 No presente caso, entendo ser válida a discussão sobre a abrangência do vocábulo "gerente" trazido pela redação do artigo 723 do RIR/99 e suscitado pelo recorrente. O simples fato do colaborador possuir cargos de gestão no organograma de uma sociedade empresária, a meu ver, não atrai a solidariedade expressa no presente artigo. A meu ver, é necessário que o Fisco comprove que o contribuinte responde pelos atos diretivos da empresa. O recorrente, às efls. 09, carreou aos autos comprovante de retenção do imposto de renda emitido pela fonte pagadora STEM INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS METALÚRGICOS EIRELI, em seu nome. A jurisprudência deste CARF é clara: IRPF RETIDO NA FONTE E NÃO RECOLHIDO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. No caso de IRRF retido e não recolhido pela fonte pagadora, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de oficio e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. Recurso provido. (Acórdão nº 280200.264 10 de maio de 2010)(grifos nossos) Por todo exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento, afastando o crédito tributário exigido. Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Thiago Duca Amoni Relator Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.901812/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2005
CIÊNCIA POR VIA POSTAL. ENDEREÇO CADASTRAL.
RECEBIMENTO POR TERCEIRO.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Inteligência da Súmula CARF nº 9. Não é nula a decisão de primeira instância que não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada a destempo.
Numero da decisão: 1301-000.538
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 CIÊNCIA POR VIA POSTAL. ENDEREÇO CADASTRAL. RECEBIMENTO POR TERCEIRO. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Inteligência da Súmula CARF nº 9. Não é nula a decisão de primeira instância que não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, André Ricardo Lemes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10730.901812/200849 Acórdão n.º 130100.538 S1C3T1 Fl. 514 2 Relatório S S 2002 CONSULTORIA EM INFORMÁTICA E RECURSOS HUMANOS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1226.474, de 01/10/2009, da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro I / RJ, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir reproduzido: Trata este processo de Pedido de Restituição cumulado com Pedidos de Compensação apresentados através dos seguintes PER/DCOMP: 27428.69762.110506.1.3.025629 09511.91438.110806.1.3.029058 12107.36284.120506.1.3.021519 34564.59570.060906.1.3.020170 19866.93926.050706.1.3.022259 32675.20467.091006.1.7.022331 01626.91120.060706.1.3.024430 11804.44762.091006.1.7.020355 Os pedidos foram analisados pela DRF – NITERÓI – RJ que não homologou as compensações e emitiu, em 18/07/2008, o Despacho Decisório nº 775516534 de folha 249 (Vol. II). A ciência do referido despacho foi dada ao interessado, através de via postal, em 06/08/2008, conforme comprova a cópia do AR juntada à folha 257. Previamente à emissão do referido Parecer, o contribuinte foi intimado por duas vezes, conforme comprovam os termos de intimação de folhas 246 e 247, recebidos pelo interessado em 20/03/2007 e 11/09/2007, respectivamente, (extratos dos históricos juntados às folhas 273 e 274). Em 11/03/2009, o interessado apresentou a manifestação de Inconformidade de folhas 01 a 04, a seguir resumida. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Da preliminar de Tempestividade O interessado nunca tomou conhecimento de quaisquer dos documentos ora analisados, sejam os termos de intimação ou o despacho decisório. Como o documento tem força de notificação, com abertura de prazo para manifestação, entendemos que seu recebimento deveria garantir a ciência de pessoa legitimada como representante da empresa. Coincidentemente, em 04/03/2009, nos dirigimos ao SEORT da DRF – Niterói, onde fomos informados sobre a existência dos documentos. Ou seja, o despacho decisório foi parar em mãos que nunca o fizeram chegar a quem de direito na empresa, daí porque a não apresentação da manifestação de inconformidade no prazo. Quanto ao mérito O interessado informa que errou no preenchimento da DIPJ 2005 e que a retificou em 19/08/2008, exatamente um mês após a data da emissão do Despacho Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10730.901812/200849 Acórdão n.º 130100.538 S1C3T1 Fl. 515 3 Decisório, para regularizar o saldo negativo no valor de R$ 81.997,21, em conformidade com o crédito apresentado no PER/DCOMP 27428.69762.110506.1.3.025629. Solicita o deferimento do seu pleito, em função da possibilidade legal de retificar a DIPJ. A 8ª Turma da DRJ em Rio de Janeiro I / RJ, por via do Acórdão nº 12 26.474, de 01/10/2009 (fls. 276/281), não conheceu da manifestação de inconformidade, por intempestiva, em decisão assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 INTEMPESTIVIDADE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. NÃO CONHECIMENTO DO MÉRITO. A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo disposto no Decreto 70.235/1972 não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e impede o conhecimento das razões de mérito de defesa. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA. A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida, ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. CIÊNCIA PELO CONTRIBUINTE DA DECISÃO. VALIDADE. Comprovado nos autos que o contribuinte recebeu por via postal, em seu endereço cadastral, o Despacho Decisório recorrido, tornase válida a ciência. Ciente da decisão de primeira instância em 16/11/2009, conforme Aviso de Recebimento à fl. 302, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/12/2009 conforme carimbo de recepção à folha 303. No recurso interposto (fls. 303/319), a interessada alega preliminarmente a nulidade da decisão de primeira instância, com base no direito de petição, expressamente previsto no inciso LV do art. 5º da Constituição Federal. Após citar farta doutrina e legislação, aí incluídos até mesmo pactos de direito internacionais, a recorrente veicula sua interpretação acerca do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, para concluir que “a intimação por AR, no caso sob análise, deve ser considerada nula, posto que não recebida por qualquer representante autorizado pela pessoa jurídica, e mais ainda, tendose em vista que o contribuinte não teve real e concreta ciência acerca do despacho decisório” (grifo no original). No mérito, a recorrente reitera seus argumentos de que teria havido erro de fato no preenchimento da DIPJ original, já retificada, inexistindo qualquer razão jurídica para se obstar a compensação. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10730.901812/200849 Acórdão n.º 130100.538 S1C3T1 Fl. 516 4 Conclui com os seguintes pedidos: (i) Seja declarada nula a r. decisão de 1ª instância administrativa, no tocante ao não recebimento da impugnação, retornando os autos para julgamento; ou (ii) Caso assim não entenda V. Exa., o que se admite por amor ao argumento, seja convertido em diligências, para juntada das DIRFs apresentas pelas fontes pagadoras da Recorrente, comprovandose o saldo negativo informado em GFIP, e julgandose, ao final, procedente a compensação efetivada pelo contribuinte, homologandose o crédito por ele declarado. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e passo a apreciar sua admissibilidade. Conforme se viu no relatório que antecede a este voto, a decisão recorrida não conheceu da manifestação de inconformidade, por entendêla apresentada a destempo. Assim, estes são os limites da lide que se há de apreciar aqui. Os argumentos de mérito acerca da compensação declarada pelo contribuinte e não homologada pela Autoridade Administrativa extrapolam esses limites, e deles não conheço. Gira o litígio em torno da ciência dada à interessada do Despacho Decisório nº 775516534 (fl. 249). Sobre a matéria, considero oportuna a transcrição do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10730.901812/200849 Acórdão n.º 130100.538 S1C3T1 Fl. 517 5 § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] Compulsando os autos, constato que se valeu a Autoridade Administrativa da via postal, mediante aviso de recebimento (AR 775516534 RF) que se encontra à fl. 257. O endereço que consta nesse documento, para o qual foi postada a cópia do referido Despacho Decisório é Rua XV de novembro, 262, sala 224, Centro, Rio Bonito, RJ, CEP 28800000. Consta também o nome e assinatura do recebedor, Sr. Laelson S. Goulart, em 06/08/2008. Observo que o endereço acima é o mesmo endereço que consta da manifestação de inconformidade apresentada pela interessada, à fl. 01, com data de 10/03/2009. Ainda, encontro às fls. 320/323, cópia da nona alteração contratual e consolidação do Contrato Social da interessada, datada de 24/03/2009 e levada ao Registro Civil de Pessoas Jurídicas em 30/03/2009. Esse documento estipula a mudança no endereço da sociedade, que deixa de ser a Rua XV de Novembro, 262, sala 224, Centro, Rio Bonito, RJ, CEP 28800000, passando a ser Rua João Carmo, 15, sala 201, Centro, Rio Bonito, RJ, CEP 28800000. Não existe, pois, controvérsia acerca de qual seria o endereço cadastral da interessada, informado à Administração Tributária para fins cadastrais na data em que feita a postagem do Despacho Decisório, quer seja diante dos documentos e fatos anteriormente apontados, que porque a ora recorrente não argumenta que a postagem teria sido feita para endereço diverso. Sua tese é pela nulidade da intimação por AR “posto que não recebida por qualquer representante autorizado pela pessoa jurídica, e mais ainda, tendose em vista que o contribuinte não teve real e concreta ciência acerca do despacho decisório”. Esclarecidos os pontos acima, evidenciase que a matéria sob discussão é bastante conhecida e a jurisprudência administrativa consolidouse a tal ponto de resultar na edição da súmula CARF nº 9, a seguir transcrita. Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. A súmula acima foi objeto da Portaria CARF nº 49, de 01/12/2010, publicada no DOU em 01/12/2010. Sua observância é obrigatória pelos membros deste Conselho, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno vigente (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10730.901812/200849 Acórdão n.º 130100.538 S1C3T1 Fl. 518 6 Diante do exposto, não conheço dos argumentos de mérito acerca da compensação declarada e, no que toca à argüição de nulidade da decisão recorrida por pretensa irregularidade quanto à ciência do Despacho Decisório, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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