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Numero do processo: 13971.001462/2003-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2002
EFEITOS DA EXCLUSÃO. DECISÃO ADMINISTRATIVA IRRECORRÍVEL. IMPOSSIBILIDADE.
Os efeitos da exclusão do sistema SIMPLES, quando constatada atividade vedada, nas hipóteses de que tratam os incisos V e XII do caput do art. 9° da Lei n° 9.317/96, opera-se a partir de 01/01/2002 quando a situação excludente tiver ocorrido até 31/12/2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002, nos termos do art. 24, II, da IN/SRF 355, de 2003.
Não há guarida na legislação para a adoção de efeitos a partir do trânsito em julgado administrativo ou da ciência do ato declaratório de exclusão.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE
No âmbito do processo administrativo fiscal à autoridade julgadora não compete argüir sobre a inconstitucionalidade, ou ilegalidade, das normas tributárias vigentes, sendo essa matéria de competência exclusiva da Suprema Corte Judicial (Súmula CARF no. 2).
Numero da decisão: 1301-001.059
Decisão: Os membros da Turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao
recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2002 EFEITOS DA EXCLUSÃO. DECISÃO ADMINISTRATIVA IRRECORRÍVEL. IMPOSSIBILIDADE. Os efeitos da exclusão do sistema SIMPLES, quando constatada atividade vedada, nas hipóteses de que tratam os incisos V e XII do caput do art. 9° da Lei n° 9.317/96, opera-se a partir de 01/01/2002 quando a situação excludente tiver ocorrido até 31/12/2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002, nos termos do art. 24, II, da IN/SRF 355, de 2003. Não há guarida na legislação para a adoção de efeitos a partir do trânsito em julgado administrativo ou da ciência do ato declaratório de exclusão. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE No âmbito do processo administrativo fiscal à autoridade julgadora não compete argüir sobre a inconstitucionalidade, ou ilegalidade, das normas tributárias vigentes, sendo essa matéria de competência exclusiva da Suprema Corte Judicial (Súmula CARF no. 2).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EFEITOS DA EXCLUSÃO. DECISÃO ADMINISTRATIVA IRRECORRÍVEL. IMPOSSIBILIDADE. Os efeitos da exclusão do sistema SIMPLES, quando constatada atividade vedada, nas hipóteses de que tratam os incisos V e XII do caput do art. 9° da Lei n° 9.317/96, operase a partir de 01/01/2002 quando a situação excludente tiver ocorrido até 31/12/2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002, nos termos do art. 24, II, da IN/SRF 355, de 2003. Não há guarida na legislação para a adoção de efeitos a partir do trânsito em julgado administrativo ou da ciência do ato declaratório de exclusão. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE No âmbito do processo administrativo fiscal à autoridade julgadora não compete argüir sobre a inconstitucionalidade, ou ilegalidade, das normas tributárias vigentes, sendo essa matéria de competência exclusiva da Suprema Corte Judicial (Súmula CARF no. 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 14 62 /2 00 3- 60 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13971.001462/200360 Acórdão n.º 1301001.059 S1C3T1 Fl. 233 3 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, por motivo de exercício de atividade vedada (locação de mão de obra), conforme Ato Declaratório Executivo n° 48, de 21 de outubro de 2004, embasado no art. 9°, inciso XII, alínea "f" da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e art. 20, inciso XI, § 3°, alínea "e" da Instrução Normativa SRF n° 355, de 8 de agosto de 2003. (fls. 48). Consta que a exclusão decorreu de representação administrativa recebida do Instituto Nacional do Seguro Social, comunicando exercício de atividade de locação de mão de obra, limpeza, conservação e construção civil, vedadas pela legislação, consoante fls. 02 a 44. Inconformado o sujeito passivo se manifestou As fls. 50 a 55, discordando dos efeitos retroativos dados à exclusão, alegando que o ato de oficio, sem oportunidade de defesa, incorre em inconstitucionalidade. Aduz que, como já havia informado sua exclusão temse por inapropriado querer excluir a empresa de um sistema a que não mais pertence. Cita que, o que se pretende é afirmar que não poderia estar no Simples no período em que estava enquadrada, desde o ano de 2001, e discorda da forma retroativa pretendida. Diz que provavelmente, prevenindo o direito ao contraditório, a Instrução Normativa SRF n° 9, de 10/02/99, em seu art. 32, dispôs sobre o exercício da defesa, nos moldes da legislação do processo administrativo tributário. Fala que o ato de exclusão só se aperfeiçoa após o julgamento definitivo na esfera administrativa. Arrola jurisprudência e doutrina favorável ao seu entendimento. Por fim requer seja dado efeito à exclusão apenas a partir da decisão administrativa irrecorrível, ou alternativamente do momento em que foi dado ciência do ato administrativo. Não houve qualquer irresignação sobre as atividades vedadas objetos da exclusão. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/FNS/SC) decidiu a matéria por meio do Acórdão 0715.500, de 27/02/2009 (fls. 66), julgando improcedente a manifestação de inconformidade, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Fl. 169DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Anocalendário: 2002 EFEITOS DA EXCLUSÃO. DECISÃO ADMINISTRATIVA IRRECORRÍVEL. IMPOSSIBILIDADE. Os efeitos da exclusão do sistema SIMPLES, quando constatada atividade vedada, nas hipóteses de que tratam os incisos V e XII do caput do art. 9° da Lei n° 9.317/96, operase a partir do mês subseqüente em que incorrida a situação excludente. Não há guarida na legislação para a adoção de efeitos a partir do trânsito em julgado administrativo ou da ciência do ato declaratório de exclusão. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado ao julgador afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13971.001462/200360 Acórdão n.º 1301001.059 S1C3T1 Fl. 234 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Vêse do relatório que a ora recorrente não se insurge quanto aos motivos que levaram sua exclusão do Simples — locação de mãodeobra, que se tem por incontroverso. Manifesta sua inconformidade somente com relação aos efeitos da exclusão a partir de 01/01/2002, pelo Ato Declaratório 31, de 21/10/2004 (fls. 48). Requer que se opere tais efeitos após a ciência da decisão administrativa irrecorrível ou, alternativamente, a partir da ciência do ato que a excluiu, por não concordar com os efeitos retroativos, bem como ao entendimento da inapropriada exclusão, uma vez que já havia informado sua exclusão a partir do ano de 2003. Na peça recursal a recorrente ratifica as alegações iniciais. Por pertinente transcrevo a legislação que rege a matéria, em especial, o art. 15, incisos II e V, da Lei 9.317, de 1.996 e IN/SRF 355, de 2003: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito:, II a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9o.; (Redação dada pela MP n° 2.15835, de 24.8.2001) (...) V A partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. O art. 24 da IN SRF 355/2003 (vigente a época da exclusão) complementa "a exclusão do Simples nas condições de que tratam os arts. 22 e 23 surtirá efeito: Parágrafo único: Para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos III a XVII do art. 20, que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão dar seá a partir: () II — de 1o. de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002". Compulsando os autos do presente processo, constato que a pessoa jurídica excluída do Simples requereu a opção pelo regime em 28/02/2001 (com efeitos em 01/01/2001). E, mais, mediante representação da fiscalização do Instituto Nacional da Fl. 171DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Previdência Social, a qual detectou que a contribuinte já exercia atividade vedada desde a sua opção, foi excluída do regime nos termos do art. 9o., inciso XII, letra “f”, da Lei 9.317/96. Portanto, a exclusão da pessoa jurídica (recorrente) do Simples Federal conforme os fatos relatados nestes autos, deuse de forma correta, ou seja, com efeitos retroativos a 01/01/2002, nos exatos termos da legislação de regência acima transcrito. Com relação a argumentação de que já estava fora do sistema do Simples por já ter procedido a comunicação para o ano de 2003 e, desta forma, afirma ser inapropriado o ato declaratório e seus efeitos retroativos, neste ponto, andou bem a autoridade julgadora de primeira instância, pois a legislação é clara ao determinar que, constatada a situação impeditiva/excludente, não pode a pessoa jurídica se beneficiar do regime diferenciado tributário, tal como o ora verificado, em que a situação foi detectada no ano de 2002 e, pelo que se constata na peça de defesa, pretendeu a empresa se excluir com base em outro motivo o faturamento , cujo efeito ocorre no exercício seguinte, diferentemente da atividade vedada, que remete ao momento da situação excludente. Da mesma forma com relação as alegações de inconstitucionalidade dos dispositivos da Lei n° 9.317/96, que trata da produção dos efeitos da exclusão, é certo que à autoridade julgadora administrativa não compete argüir sobre a inconstitucionalidade, ou ilegalidade, das normas tributárias vigentes, sendo essa matéria de competência exclusiva da Suprema Corte Judicial. Súmula CARF no. 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto voto por negar provimento ao recurso interposto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 172DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928612/2009-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO.
Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa.
Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
Numero da decisão: 1401-002.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
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PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatandose que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 86 12 /2 00 9- 89 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11080.928612/200989 Acórdão n.º 1401002.585 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ devido por estimativa. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiase na retificação dos valores de apuração que, após a retificação das DIPJ e DCTF da empresa, resultaram como pagos a maior. Com base nestes créditos a empresa, por meio do PER/DCOMP objeto deste processo, a empresa realizou a compensação com débito da mesma contribuição de períodos subseqüentes. Quando da análise do PER/DCOMP o sistema informatizado reconheceu a existência do crédito mas, no entanto, considerou improcedente a utilização do crédito posto que o art. 10 da IN RFB nº 600/2005, veda a possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior de estimativa para a quitação dos valores devidos por estimativa de meses subseqüentes. O contribuinte, irresignado apresentou manifestação de inconformidade alegando a existência do crédito. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação, a considerou improcedente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual entende que não é cabível o indeferimento do crédito com base no art. 10, da IN 600/2005, haja vista que, quando da prolação do despacho decisório de nãohomologação referida norma não mais estava em vigor. É o breve relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11080.928612/200989 Acórdão n.º 1401002.585 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.578, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11080.928620/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento a maior de CSLL devido por estimativa, relativo ao período de apuração de 30/09/2006, com débitos de mesma natureza de período subsequente. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, do período de apuração de 31/08/2006, com débito de mesma natureza de período subsequente. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.578): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior da CSLL com débitos da mesma contribuição de períodos subseqüentes e, ainda, a força impeditiva do art. 10, da IN RFB nº 600/2005. A norma questionada impedia a utilização, por parte do contribuinte, dos valores pagos a maior durante o ano calendário com outros débitos com base na justificativa de que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como se pagamentos por estimativas fossem, no sentido de que estes pagamentos a maior compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício. Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação. Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período. A existência do crédito relativo a este pagamento a maior exsurge desde a data do referido recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação. A limitação realizada pelo art. 10, da IN 600/2005 desborda dos limites impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos nestas inseridos. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11080.928612/200989 Acórdão n.º 1401002.585 S1C4T1 Fl. 5 4 Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de forma consolidada, emitindo a Súmula nº 84, conforme abaixo transcrita e consoante os acórdão paradigmas precedentes que a justificaram. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. Verificado o teor da Súmula acima apresentada, há de se rever as decisões atacadas pelo recorrente. Assim decorreria este voto, quando da época de sua elaboração. Ocorre, no entanto, que iniciada a sessão de julgamento a representante do contribuinte informou acerca da existência de auto de infração lavrado por meio do processo nº 11080.732426/201161, pela sistemática do lucro arbitrado, no qual os pagamentos a maior de IRPJ e CSLL por estimativa realizados no ano e solicitados pela empresa em PER/DCOMP, para a compensação das estimativas devidas do mês de dezembro/2006. Verificase, pela consulta ao processo de auto de infração que para o ano de 2006 foi desconsiderada a escrituração fiscal da empresa e foi realizado o lançamento pelo lucro arbitrado trimestral. Da realização do lançamento foram utilizados os pagamentos por estimativa que não compuseram os saldos negativos já utilizados pela empresa (fls. 8831/8835 do processo nº 11080.732426/201161). Mais ainda, verificase que, sendo arbitrado o lucro, deixam de ser existentes os débitos por estimativa do ano de 2006, dada a modificação da sistemática de apuração do lucro. Ainda em consulta ao referido auto de infração constatamos que o mesmo já foi julgado em última instância por este CARF e mantido em definitivo os valores lavrados, já estando em fase de execução judicial (fls. 93232/93241 do processo nº 11080.732426/201161). À vista do exposto temos então que o PER/DCOMP objeto do presente processo, no qual são utilizados os pagamentos a maior de estimativas do ano de 2006 para a compensação com débitos de estimativa do mesmo ano, perdeu totalmente seu objeto, tanto pelo desaparecimento dos créditos, quanto dos débitos, em face Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11080.928612/200989 Acórdão n.º 1401002.585 S1C4T1 Fl. 6 5 da lavratura de auto de infração pelo lucro arbitrado já julgado em definitivo na esfera administrativa. Por estas razões, deixo de analisar o presente recurso apenas em relação às limitações que levaram ao indeferimento do pedido e, analisando o caso em vista da verdade material, verificandose que deixaram de existir os débitos declarados no PER/DCOMP objeto deste processo, havemos de julgar no sentido de deixar de reconhecer os créditos em face de sua atual inexistência e determinar o cancelamento dos débitos declarados no PER/DCOMP em razão de igualmente não mais existirem, tudo em razão da lavratura do auto de infração pelo lucro arbitrado que modificou integralmente a situação dos débitos e créditos objeto do presente processo. Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: 1) Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; 2) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 110DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.721507/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DESIGNAÇÃO DO CONTRIBUINTE NA AUTUAÇÃO COMO "ME" QUANDO DEVERIA SER "EPP". LAPSO FORMAL. AUSÊNCIA DE CONSEQUÊNCIAS. IRRELEVÂNCIA. IMPROCEDÊNCIA.
A presença de simples lapso ao final da designação da razão social do contribuinte, indicando "ME" (microempresa), quando, à época da lavratura do Auto de Infração, revestia-se de "EPP" (empresa de pequeno porte) não configura erro na identificação do sujeito passivo.
Além de se proceder à identificação dos contribuintes pelo número do CNPJ/MF, não se revela que a outra pessoa jurídica, diferente daquela fiscalizada, foi imputado o crédito tributário e impostas as penalidades correspondentes às infrações colhidas. Ausente prejuízo à defesa ou mesmo afronta ao art. 142 do CTN.
NÃO CONFISCO E PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE DA MULTA DE OFÍCIO. ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.
É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LÍCITA.
Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora, calculados sob a Taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional.
Numero da decisão: 1402-003.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário em relação às matérias constitucionais, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que o conhecia e, no mérito, por unanimidade, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário em relação às matérias constitucionais, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que o conhecia e, no mérito, por unanimidade, negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
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DESIGNAÇÃO DO CONTRIBUINTE NA AUTUAÇÃO COMO "ME" QUANDO DEVERIA SER "EPP". LAPSO FORMAL. AUSÊNCIA DE CONSEQUÊNCIAS. IRRELEVÂNCIA. IMPROCEDÊNCIA. A presença de simples lapso ao final da designação da razão social do contribuinte, indicando "ME" (microempresa), quando, à época da lavratura do Auto de Infração, revestiase de "EPP" (empresa de pequeno porte) não configura erro na identificação do sujeito passivo. Além de se proceder à identificação dos contribuintes pelo número do CNPJ/MF, não se revela que a outra pessoa jurídica, diferente daquela fiscalizada, foi imputado o crédito tributário e impostas as penalidades correspondentes às infrações colhidas. Ausente prejuízo à defesa ou mesmo afronta ao art. 142 do CTN. NÃO CONFISCO E PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE DA MULTA DE OFÍCIO. ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LÍCITA. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora, calculados sob a Taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 15 07 /2 01 4- 41 Fl. 174DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário em relação às matérias constitucionais, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que o conhecia e, no mérito, por unanimidade, negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10983.721507/201441 Acórdão n.º 1402003.252 S1C4T2 Fl. 175 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 161 a 168) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo/SP (fls. 141 a 154) que negou provimento à Impugnação apresentada (fls. 118 a 136), mantendo integralmente as Autuações sofridas pela Recorrente (fls. 40 a 115). A Contribuinte era optante pelo SIMPLES Nacional, exigindose no presente feito créditos de IRPJ, CSLL, e Contribuição Patronal Previdenciária, referentes ao ano calendário de 2011, acrescidos de multa de ofício na monta de 75%, sob a acusação fiscal de diferença de base de cálculo (omissão de receitas), em face da declaração em DANS e oferta à tributação de valores inferiores àqueles escriturados em sua contabilidade, constatado pela Fiscalização em ação fiscal, bem como insuficiência de recolhimentos diante da tributação de receitas apuradas sob alíquotas menores àquelas efetivamente devidas, nos termos dos Anexos da Lei nº 123/2006. Por bem resumir a contenda, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada em 21/11/2014 (fl. 41), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, CSLL e Contribuição Patronal Previdenciária, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2011. A autuação pertinente ao período de janeiro/2012 a dezembro de 2012 foi lançada no processo 11516.723334/201475. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração (fls. 40 a 106) e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 107 a 115), a contribuinte cometeu as seguintes infrações: 2.1. Diferença de Base de Cálculo Diferença de Base de Cálculo (código 33331001) – caracterizada pela diferença entre as receitas escriturada e declarada, com fulcro nos artigos 3º, § 1º, 13, 18, 25, e 26, Inciso II e § 2º, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 e atualizações; 1º, 2º, 3º, 4º, 5º, § 1º, 6º, e 18, da Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008 e alterações; 13, e 14, Inciso II, da Resolução CGSN nº 30, de 7 de fevereiro de 2008. 2.2. Insuficiência de Recolhimento – Diferença de Alíquota (código 33332001) – decorrente da mudança de faixa de alíquota do Simples incidente sobre a receita declarada, em função do aumento da receita bruta acumulada devido ao cômputo da receita omitida, conforme demonstrativos às fls. 58 a 68, com fulcro nos artigos 3º, § 1º, 13, 18, e 25, da Lei Fl. 176DF CARF MF 4 Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 e atualizações; 1º, 2º, 3º, 4º, 5º, e 18, da Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008 e alterações; 13, e 14, Inciso III, da Resolução CGSN nº 30, de 7 de fevereiro de 2008. 3. O AI foi subdividido em Auto de Infração e Notificação Fiscal (fls. 40 e 41), Descrição dos Fatos e Enquadramento legal (fls. 42 a 44), Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis Sobre as Receitas do Simples Nacional (fls. 45 a 57), Demonstrativo de Valores Apurados por Insuficiência de Recolhimento (fls. 58 a 68), Demonstrativo de Valores de Impostos/Contribuições Sobre Diferenças Apuradas (fls. 69 a 80), Demonstrativo de Multas e Juros e Enquadramento Legal (fls. 81 a 92), Demonstrativo de Valores Devidos (fls. 93 a 104) e Termo de Encerramento (fls. 105 e 106). 4. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 4.1. IRPJ com base nos artigos 13, Inciso I, 18 §§ 1º, 2º, 3º e 4º, Inciso I, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, 3º, Inciso II, 5º, § 1º ao 4º, 6º, Inciso I, da Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008, e alterações, formalizando crédito tributário calculado até 11/2014 no montante de R$ 42.695,41. 4.2. CSLL com base nos artigos 13, Inciso III, 18 §§ 1º, 2º, 3º e 4º, Inciso I, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, 3º, Inciso II, 5º, § 1º ao 4º, 6º, Inciso I, da Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008, e alterações, formalizando crédito tributário calculado até 11/2014 no montante de R$ 42.601,23. 4.3. CPP com base nos artigos 13, Inciso VI, 18 §§ 1º, 2º, 3º e 4º, Inciso I, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, 3º, Inciso II, 5º, § 1º ao 4º, 6º, Inciso I, da Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008, e alterações, formalizando crédito tributário calculado até 11/2014 no montante de R$ 363.272,56. 5. O enquadramento legal da multa de ofício aplicada é o artigo 44, Inciso I, da Lei nº 9.430/1996 (com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007 c/c art. 35 da Lei Complementar nº 123/2006, e os artigos 15 e 16, Inciso I, da Resolução CGSN nº 30, de 07/02/2008 (fl. 92); o enquadramento legal dos juros de mora aplicado é o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996 c/c art. 35 da Lei Complementar nº 123/2006 e alterações. 6. Irresignada com os lançamentos, em 22/12/2014 a empresa apresentou a impugnação às fls. 118 a 126, instruída com os documentos às fls. 127 a 136, na qual alega, em síntese, o seguinte (ordem de apresentação e títulos de acordo com o registrado pela recorrente): Preliminar de Erro na Identificação do Sujeito Passivo Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10983.721507/201441 Acórdão n.º 1402003.252 S1C4T2 Fl. 176 5 6.1. Como se pode observar ao longo do procedimento fiscal, a Impugnante apresentou documentos registrados na Junta Comercial que apontam que houve erro na denominação do contribuinte. Muito embora todos os AI sejam dirigidos à empresa CARLOS FERNANDO CARRICO ME, esta empresa não possui esta denominação, haja vista documento de atualização de registro da empresa junto à JUCESC que evidencia outro nome empresarial: CARLOS FERNANDO CARRICO EPP (comprovação em anexo – fl. 131). 6.2. Assim, os AI questionados não guardam correta relação com a empresa contribuinte, em virtude do erro na identificação do sujeito passivo. Do Viés Confiscatório do Tributo e do Descompasso com a Capacidade Contributiva da Empresa 6.3. O poder de tributar deve sempre guardar relação com o poder de conservar, não sendo minimamente razoável que a cobrança possa destruir financeiramente o contribuinte. In casu, na hipótese de serem levados a cabo os AI, estes teriam reflexo retumbante para a Impugnante. Neste processo, estáse claramente utilizandose a exação como instrumento fragorosamente confiscatório, que desborda sobremaneira as barreiras da razoabilidade e da capacidade contributiva. 6.4. O pequeno lucro obtido pela contribuinte varia entre 4 e 5%, valores normalmente praticados pelo mercado, e que está corretamente considerado na declaração original do Simples Nacional. 6.5. Importante consignar que o patrimônio da empresa é deveras acanhado e o seu único sócio, como faz prova a declaração anual de IRPF em anexo (acostou documento às fls. 132 a 136), possui somente dois bens um imóvel e um automóvel que somados representam R$ 125.000,00 (cento e vinte e cinco mil reais). 6.6. O arbitramento do lucro efetuado pela RFB é assaz equivocado, pois não reflete a capacidade financeira da empresa. Presumiuse um lucro totalmente fora da realidade da Impugnante e que esta jamais auferiu, vide o baixíssimo patrimônio da empresa e a declaração de IRPF de seu único sócio. 6.7. Tal anomalia é constitucionalmente vedada pelos art. 145, §1º, e 150, Inciso IV, da Carta Máxima, que se referem, respectivamente, aos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco, e que impõem limitações ao poder de tributar. 6.8. Devese presumir o lucro a partir da diferença de valor entre as notas de saída e entrada, até porque, repisase, o lucro advém apenas e tão somente desta margem, não se perdendo de vista os custos da sua atividade econômica. Fl. 178DF CARF MF 6 Do Vezo Confiscatório das Multas 6.9. A simples soma aritmética das multas de ofício, sem levar em consideração a correção monetária, alcança o estrondoso montante de R$ 434.479,94, haja vista a equivocada base de cálculo sobrestimada e o elevadíssimo percentual de 75%. 6.10. Além de tributar sem se ater ao verdadeiro reflexo financeiro da empresa, as multas representam praticamente uma cobrança tributária duplicada. Reservandose apenas ao Al do Simples Nacional, temse uma multa de ofício equivalente a R$ 164.821,64, enquanto o tributo em apartado alcança pouco mais de duzentos mil reais. 6.11. Invocandose, novamente, o art. 150, Inciso IV, do Texto Supremo, notase a efusiva marca confiscatória da multa de ofício aplicada sobre tributos já ostensivamente talhados nos moldes confiscatórios, totalmente apartados da razoabilidade e da capacidade contributiva da Impugnante. 6.12. Para tentar conter os elevados patamares reservados às multas de ofício, a jurisprudência tem constantemente reduzido multas que superam a barreira de 20% ou 30%, como é o caso destes autos. (transcreve jurisprudência às fls. 121 a 125). 6.13. Deve ser afastada a incidência da taxa SELIC sobre as multas de ofício, dado o seu viés sancionatório, conforme firme posicionamento do CARF. (transcreve jurisprudência à fl. 125). 7. Ao final, a defendente pugna que o AI não se sustenta, pois eivado de diversas nulidades, como na identificação do sujeito passivo e, ainda, a transgressão aos inarredáveis princípios de vedação ao confisco e da capacidade contributiva. Processada a Defesa, foi proferido pela 2ª Turma da DRJ/SPO o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo integralmente o lançamento de ofício procedido: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PRELIMINAR. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. AUTOS REFLEXOS. CSLL.CPP. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais dele decorrente. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10983.721507/201441 Acórdão n.º 1402003.252 S1C4T2 Fl. 177 7 Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. RECEITA DA ATIVIDADE ESCRITURADA E NÃO DECLARADA. Receitas da atividade da empresa escrituradas e não declaradas constituemse receitas omitidas ao Fisco. RECEITA BRUTA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. Os optantes pelo Simples podem excluir da base de cálculo apenas o valor referente às vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONFISCO. O crédito tributário lançado está de acordo com a legislação de regência, sendo incabível à instância administrativa manifestar se a respeito de eventual alegação de afronta ao princípio da vedação ao confisco. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Impugnação Improcedente Diante de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário, em suma, trazendo as mesmas alegações de Impugnação, repisando as supostas nulidades no lançamento. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 180DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, alega a Recorrente em seu Recurso Voluntário a existência de erro na identificação do sujeito passivo. Tal vício do lançamento de ofício se operaria na medida que, muito embora todos os autos de infração sejam dirigidos à empresa CARLOS FERNANDO CARRICO — ME, esta empresa não possui esta denominação, haja vista documento de atualização de registro da empresa junto à JUCESC que evidencia outro nome empresarial: CARLOS FERNANDO CARRIÇO — EPP (fl. 131) Como se observa, a falha do Fisco na identificação do sujeito passivo residira exclusivamente na designação final da razão social do Contribuinte, utilizando "ME" (microempresa) quando o correto seria "EPP" (empresa de pequeno porte). Claramente, estáse diante de mero lapso formal, revestindose de mero e singelo equívoco em parte da denominação da Recorrente, procedida quando da lavratura das Autuações. Sem margens para dúvidas, não tratase de erro na identificação do sujeito passivo. Primeiramente, além da razão social, os contribuintes são identificados pelo número do CNPJ, emitido quando do seu registro perante o Ministério da Fazenda. Uma vez que tal erro não levou à imputação da infração a outro contribuinte, diferente daquele que fora efetivamente fiscalizado, não há qualquer vício em relação à sujeição passiva das obrigações tributárias colhidas e agora impostas à Contribuinte. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10983.721507/201441 Acórdão n.º 1402003.252 S1C4T2 Fl. 178 9 Em acréscimo, frisese que erros de tal natureza somente têm relevância e repercussão nas demandas administrativas fiscais se efetivamente representarem algum prejuízo à defesa do contribuinte ou conflito com as disposições do art. 142 do CTN, distorcendo a natureza e as características do crédito tributário lançado, ou ainda a identificação da infração cometida. Por fim, digase que tanto as Microempressas como as Empresas de Pequeno Porte estão abarcadas pelo mesmo Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, veiculado pela Lei Complementar nº 123/2006, não havendo qualquer reflexo no tratamento fiscal dado à Recorrente, no presente feito, em razão da Fiscalização têla designado nas Autuações como "ME' ao invés de "EPP". Diante disso, não existindo qualquer necessidade de maior aprofundamento dessa questão, rejeitase a alegação preliminar de erro na identificação do sujeito passivo. Na sequência, a Recorrente alega em seu apelo que tanto as Autuações como o v. Acórdão recorrido possuem incongruência e descompasso com a capacidade contributiva da empresa, bem como as exigência teriam natureza confiscatória. Nesse sentido, alegase que in casu, na hipótese de serem levados a cabo os autos de infração, sobretudo o AI do SIMPLES porque o mais elevado, este seria o reflexo retumbante sentido pela Recorrente. Neste processo, estáse claramente utilizandose a exação como instrumento fragorosamente confiscatório que desborda sobremaneira as barreiras da razoabilidade e da capacidade contributiva. Além disso, afirmase que o ramo de atividade da empresa não suporta, nem de longe, o lucro arbitrado pela RFB que redundou num crédito confiscatório, cuia soma dos autos de infração ultrapassa a soma do patrimônio da empresa com o patrimônio pessoa física de seu sócio singular. Devese presumir o lucro a partir da diferença de valor entre as notas de saída e entrada, até porque, repisase, o lucro advém apenas e tão somente desta margem, não se perdendo de vista os custos da sua atividade econômica. Pois bem, para afastar qualquer dúvida sobre os procedimentos adotados pela Fiscalização na lavratura das Autuações e a matéria sob análise, ainda que, em mais de uma passagem de seu Recurso Voluntário a Recorrente utilize a expressa lucro arbitrado, não houve qualquer procedimento de arbitramento do lucro da Contribuinte, como veiculado no art. 530 do RIR/99. Fl. 182DF CARF MF 10 Como se comprova pelo TFV, pelos Autos de Infração e pelos documentos que lhes instruem (fls. 40 a 115), as exações de IRPJ, CSLL e CPP, que aqui são analisadas, foram quantificadas a partir da precisa diferença entre as receitas declaradas em DASN no período colhido e aqueles escriturados em sua contabilidade (Livros Diário e Razão, confrontados com espelho do Programa gerador das DASN e a DEFIS) . E sobre tal base, aplicouse as percentagens e alíquotas referentes aos regimes de tributação aos quais a Contribuinte se submetia à época dos fatos geradores. O tema do arbitramento do lucro é alheio aos autos. Em relação às demais alegações, quais sejam, violação da capacidade contributiva da Contribuinte, sendo as Autuações desvinculadas da razoabilidade, gerando efeito de confisco, temos que são estas exclusivamente arrimadas no art. 145, § 1º e 150, inciso IV da Constituição da República de 1988. Não há outra motivação ou argumento técnico para o cancelamento das Autuações que não estes apresentados. Tais alegações da Contribuinte em relação à monta da exação (em face do valor daquilo que supostamente seria sua margem), implicando em violação abstrata do princípio da capacidade contributiva, da razoabilidade e do proibição ao confisco, não prestamse a combater diretamente as Autuações sofridas, nessa esfera jurisdicional. O afastamento da exação sob tais argumentos e normas constitucionais encontra óbice no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, bem como a Súmula nº 2 deste E. CARF, não se podendo conhecer das alegações exclusivamente fundamentadas em dispositivos constitucionais. Ainda, alega a Recorrente ser confiscatória a percentagem de 75% da multa de ofício aplicada. Traz julgados de E. Tribunais Regionais Federais, que mantiveram a redução de tal apenamento fiscal. Todavia, mais uma vez, observase que a única base legal de seu argumento é o art. 150, inciso IV, da Constituição da República vigente e, ao seu turno, tais r. Acórdãos judiciais invocam o princípio do não confisco e, diretamente, dispositivos constitucionais para manter o afastamento a penalidade integral. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10983.721507/201441 Acórdão n.º 1402003.252 S1C4T2 Fl. 179 11 É também incidente aqui o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, bem como a Súmula nº 2 deste E. CARF, não se podendo conhecer dessa alegação. Por fim, a Recorrente alega não incidir juros, indexados pela Taxa SELIC, sobre a multa de ofício. Em relação a tal tema, esta C. 2ª Turma Ordinária, acompanha o atual entendimentos da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, que professa ser devida tal postura fiscal, inclusive com a correta eleição da Taxa SELIC. O trecho a seguir do Acórdão nº 1402.002.340, de relatoria do I. Presidente, Leonardo de Andrade Couto, publicado em 05/10/2016, ilustra esse posicionamento: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (...) Por fim, no que se refere aos juros sobre a multa de ofício, tendo em vista que a peça recursal preocupouse em trazer a jurisprudência que embasaria os argumentos, cabe simplesmente registrar que o acórdão apresentado contem entendimento superado e a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentíssimos de todas as turmas da CSRF: (Acórdão nº 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão nº 9202003.821,CSRF 2ª Turma) Fl. 184DF CARF MF 12 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão nº 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Sem necessidade de maiores aprofundamentos em relação a esse tema específico, reforçando tal posição, confirase trecho da ementa do recente Acórdão nº 9101 003.222, proferido pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como voto vencedor do I. Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, publicado em 05/03/2018: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. (...) Por fim, ainda em relação à taxa adotada, incide ao caso o claro teor da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O mesmo entendimento foi adotado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1.073.846/SP, de 25/09/2009, de relatoria do Exmo. Min. Luiz Fux, sob a dinâmica do art. 543C do Código de Processo Civil vigente à época. Diante do exposto, voto por não conhecer da matéria constitucional alegada e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose integralmente o v. Acórdão recorrido. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10983.721507/201441 Acórdão n.º 1402003.252 S1C4T2 Fl. 180 13 (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.721708/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2009
EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO.
A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração.
PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DITR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL.
Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA LEGAL E ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS, PRIMÁRIAS OU SECUNDÁRIAS EM ESTÁGIO MÉDIO OU AVANÇADO DE REGENERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente, reserva legal e áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR.
O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantém-se a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto.
ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. REQUISITOS.
Para fins de exclusão da tributação do imposto, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias, em estágio médio ou avançado de regeneração deverão estar comprovadas através de documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2401-005.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para que seja considerada no imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 6.569.207-1 a área de preservação permanente, no total de 2,9791 ha. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que fosse também excluída a área coberta por florestas nativas, no total de 2.272,6552 ha. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2009 EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DITR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL. Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA LEGAL E ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS, PRIMÁRIAS OU SECUNDÁRIAS EM ESTÁGIO MÉDIO OU AVANÇADO DE REGENERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente, reserva legal e áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantém-se a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. REQUISITOS. Para fins de exclusão da tributação do imposto, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias, em estágio médio ou avançado de regeneração deverão estar comprovadas através de documentação hábil e idônea.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-17T16:19:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; Last-Modified: 2018-07-17T16:19:37Z; dcterms:modified: 2018-07-17T16:19:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; Last-Save-Date: 2018-07-17T16:19:37Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-17T16:19:37Z; meta:save-date: 2018-07-17T16:19:37Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-17T16:19:37Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; pdf:charsPerPage: 2058; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 200 1 199 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.721708/201281 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.575 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de junho de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Recorrente AGRÍCOLA CAMBURI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DITR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL. Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA LEGAL E ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS, PRIMÁRIAS OU SECUNDÁRIAS EM ESTÁGIO MÉDIO OU AVANÇADO DE REGENERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente, reserva legal e áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 17 08 /2 01 2- 81 Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10320.721708/201281 Acórdão n.º 2401005.575 S2C4T1 Fl. 201 2 laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantémse a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. REQUISITOS. Para fins de exclusão da tributação do imposto, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias, em estágio médio ou avançado de regeneração deverão estar comprovadas através de documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial para que seja considerada no imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 6.569.2071 a área de preservação permanente, no total de 2,9791 ha. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que fosse também excluída a área coberta por florestas nativas, no total de 2.272,6552 ha. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10320.721708/201281 Acórdão n.º 2401005.575 S2C4T1 Fl. 202 3 Tratase de Notificação de Lançamento n° 03201/00028/2012 (fls. 03/06), contra o contribuinte acima qualificado, decorrente de procedimento de revisão de Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativo ao exercício de 2009, referente ao imóvel denominado “Fazenda Sanhaco”, localizado no município de Barra do Corda (MA), com cadastro fiscal sob o n° 6.569.2071 (fls. 03). Segundo consta na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, o contribuinte, após regularmente intimado, não teria comprovado a área efetivamente utilizada para fins de exploração extrativa declarada, o que motivou a alteração do Documento de Informação e Apuração do ITR. A modificação imposta ocasionou a alteração da área utilizada e consequentemente do grau de utilização do imóvel, levando a modificação da alíquota incidente, nos termos da lei, antes de 0,30, para 8,60, ocasionando saldo suplementar a pagar no valor histórico de R$ 59.578,24, com fundamento no art. 10, § 1°, inciso V, alínea “c” da Lei n° 9.393/96, além da multa de 75% (setenta e cinco por cento), no montante histórico de R$ 44.683,68, capitulada no art. 44, inciso I, § 1° e 3° da Lei n° 9.430/96, com alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07, além dos juros de mora, previstos no art. 61, § 3° da Lei n° 9.430/96. Após efetivada ciência da Notificação do Lançamento de ITR (fls. 10), o contribuinte, tempestivamente, compareceu aos autos apresentando sua Impugnação (fls. 13/33), com os seguintes argumentos, em síntese: (a) Deixou de informar áreas de preservação permanente, reserva legal e coberta de florestas nativas, porque a Receita Federal informava que a comprovação de tais áreas seria necessária a apresentação do Ato Declaratório Ambiental que, na época, não estava disponível no site do Ibama, o qual só veio a ser expedido em 2011. (b) Não conseguiu transmitir a declaração retificadora do exercício 2009, após ter protocolado o Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal junto à Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Maranhão, porque o sistema da Receita Federal não estava disponível naquela data, por isso o imóvel rural foi tributado como se não tivesse áreas isentas, resultando na cobrança de imposto bem elevado. Contudo, tem direito de retificar sua declaração porque adquiriu a espontaneidade e fazendo jus à isenção relativa às áreas de preservação permanente, reserva legal e florestas nativas, para justificar seu entendimento cita a súmula 33 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e Solução de Consulta Interna nº 15 de 20 de maio de 2005. (c) O Código Florestal e a Lei nº 10.165/2000 não exigem para o reconhecimento da isenção das áreas de preservação permanente, reserva legal e coberta de florestas nativas averbação na matrícula do imóvel tampouco apresentação do ADA, e cita jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e do Supremo Tribunal Federal para justificar seu entendimento sobre a matéria. (d) Houve violação aos princípios constitucionais da proporcionalidade e razoabilidade que se constituem como verdadeiros anteparos jurídicos necessários à segurança das relações jurídicotributárias bem como à estrita obediência ao princípio da verdade material. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10320.721708/201281 Acórdão n.º 2401005.575 S2C4T1 Fl. 203 4 Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), por meio do Acórdão nº 0434.011, de 04/11/2013, cujo dispositivo considerou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário (fls. 98/107). É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2009 Nulidade do Lançamento. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Áreas Isentas. Tributação. Averbação. ADA. Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas de florestas, é necessária a comprovação efetiva da existência dessas áreas e apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao Ibama, no prazo previsto na legislação tributária. A área de reserva legal deve estar averbada na matrícula do imóvel na data do fato gerador do ITR. Retificação dos Dados da DITR. Incabível a retificação dos dados da DITR quando não restar comprovado com documentos hábeis e idôneos conforme previstos na legislação tributária erro no preenchimento da declaração. Matéria não Impugnada – Área de Exploração Extrativa. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: (a) Para a exclusão das áreas de preservação permanente, reserva legal, bem como as áreas cobertas de florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, incluindo o Bioma Mata Atlântica, da incidência do ITR, é necessário a informação das áreas ambientais no Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolizado dentro dos prazos previstos nos atos normativos do IBAMA. (b) Para a exclusão da área de reserva legal, fazse necessário a averbação tempestiva à margem da matrícula junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente, conforme preceituam os artigos 16 e seus parágrafos e 44 e seu parágrafo único da Lei n° 4.771/1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803/89 e pela Medida Provisória n° 2.16667, de 2001, art. 1°; RITR/2002, art. 12. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10320.721708/201281 Acórdão n.º 2401005.575 S2C4T1 Fl. 204 5 (c) Constam nos autos Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, ART, Certidão de Registro, mas o Ato Declaratório Ambiental de 2011 não regulariza o exercício 2009, face à anualidade de sua apresentação. Por outro lado, a área de reserva legal só foi averbada na matrícula em 16/06/2010. (d) Não sendo comprovada a isenção das áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas de florestas nativas mediante a apresentação do ADA protocolado no prazo previsto em ato normativo do Ibama, não há como atender o pleito do contribuinte. (e) Por fim, no que diz respeito à glosa da área de exploração extrativa não comprovada, o contribuinte nada questionou. Dessa forma, considerase não impugnada essas matérias, vez que não foram expressamente contestadas, conforme preceitua o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dos arts. 1º, da Lei nº 8.748/1993, e 67 da Lei nº 9.532/1997. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 135/153), no dia 19/08/2015, apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: (a) A recuperação da espontaneidade deferida mediante decisão unânime lavrada pelo Acórdão n. 0434011 devolveu ao contribuinte o direito de retificar sua declaração originária na Impugnação, operandose efeito ex tunc, isto é, desde a data anterior ao início da ação fiscal, possibilitando ao contribuinte realizar a retificação da declaração do ITR sem os efeitos do lançamento tributário, isto é, sem a aplicação da multa de ofício de 75% e seus consectários legais. (b) Deve ser aplicada a súmula 75 do CARF que dispõe que “a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo”, ficando afastado, no caso em julgamento, o óbice do enunciado n° 33 do CARF que prevê que “a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício”. (c) O contribuinte é proprietário do imóvel rural com área total de 3.324,7 hectares, registrado no Cartório do 1° Ofício de Registro de Imóveis de Barra do Corda (MA), sob a matrícula n° 16.872, possuindo 1.047,1 hectares a título de reserva legal, 2,9 hectares de área de preservação permanente, e, ainda, é detentor de área remanescente coberta por florestas nativas primárias, correspondente a 2.272,6 hectares, conforme a certidão de inteiro teor do imóvel, o Laudo Técnico de Avaliação de Imóvel com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica e o Ato Declaratório Ambiental (documentos ns. 03, 04 e 05 coligidos à defesa). (d) Entretanto, o contribuinte deixou de considerar as áreas informadas na declaração do ITR, pois, segundo a Receita Federal, para a comprovação de tais áreas, seria imprescindível a apresentação do Ato Declaratório Ambiental, documento que na ocasião da feitura da declaração original não estava disponível, pois o IBAMA somente veio a expedilo no ano de 2011, conquanto o requerimento do Termo de Averbação de Reserva Legal tenha sido protocolado na Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Maranhão – SEMA. (e) A Lei 9.393/96 que disciplina o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural na redação anterior ao advento da Lei 12.651/2012 (novo Código Florestal), não traz em seu bojo a exigência de prazo para averbação de reserva legal, tampouco a exigência de Ato Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10320.721708/201281 Acórdão n.º 2401005.575 S2C4T1 Fl. 205 6 Declaratório Ambiental – ADA para comprovação da área de reserva legal, de preservação permanente e coberta por florestas nativas. (f) A única exigência prevista no antigo Código Florestal, aplicável à espécie, era a averbação da área de reserva legal à margem do registro do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis respectivo, sem estipulação de qualquer prazo para fazêlo (Medida Provisória n. 21667 que alterou a Lei 4.771/65, então em vigor, no início do procedimento fiscal). (g) E mesmo a Lei 10.165/2000, que alterou o art. 17O da Lei 6.938/81, não ventilou qualquer exigência à observância de prazo para requerimento do ADA, não se podendo cogitar em impor como condição à isenção, a data de sua requisição/apresentação. (h) No caso do imóvel em questão, a averbação da Reserva Legal foi efetivada no Cartório de Registro de Imóveis em 16 de junho de 2010, antes do início da ação fiscal, já sendo o suficiente à comprovação da existência da referida área e, por consequência, ao direito isencional garantido na Lei 9.393/96. E, quanto à área de preservação permanente e a área remanescente coberta por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, suficiente à comprovação o Laudo Técnico de Avaliação do imóvel com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, com apresentação de mapas e imagens captadas por satélite. (i) Assegurando a observância do princípio da verdade material, erigido ao status de lei, a autoridade julgadora é obrigada a decidir com base nos fatos que representam a realidade vivenciada pelo contribuinte, sempre partindo dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (j) A averbação da área de reserva legal, no Cartório de Imóveis competente, desde que realizada antes do lançamento ou mesmo antes do início da ação fiscal, já é o suficiente à comprovação da existência da referida área e, por consequência, ao direito isencional garantido na Lei 9.393/96. E mesmo o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir o benefício fiscal no âmbito do ITR, também no que diz respeito à área de preservação permanente. (k) Dessa forma, o imóvel em questão, possui área de preservação permanente correspondente, a qual, mesmo sendo dispensada por lei a averbação em cartório, dispõe também de laudo técnico elaborado por profissional habilitado devidamente reconhecido pelo CREA, sendo meio hábil de prova, suficiente ao êxito da presente discussão. (l) E, tratandose de área de preservação permanente devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, ainda que não apresentado o Ato Declaratório Ambiental – ADA tempestivamente, impõese o reconhecimento da aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar em observância ao princípio da verdade material. Ao final, requereu a procedência do apelo para: (a) Declarar a nulidade do crédito tributário do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do imóvel rural registrado no NIFR sob o n. 6.569.2071, relativo ao exercício de 2009, em face da espontaneidade readquirida, reconhecendo a existência da área de reserva legal, tendo em vista que a averbação da respectiva área foi devidamente realizada na Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10320.721708/201281 Acórdão n.º 2401005.575 S2C4T1 Fl. 206 7 respectiva matrícula do imóvel, em data anterior ao início da ação fiscal, no quantitativo discriminado no presente recurso e já apresentado na defesa. (b) Declarar, a nulidade do crédito tributário do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do imóvel rural registrado no NIFR sob o n. 6.569.2071, relativo ao exercício de 2009, em face da espontaneidade readquirida, reconhecendo a existência da área de preservação permanente, devidamente declarada no Ato Declaratório Ambiental – ADA, em data anterior ao início da ação fiscal, no quantitativo discriminado no presente recurso e já apresentado na defesa. (c) Declarar a nulidade do crédito tributário do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do imóvel rural registrado no NIRF sob o n. 6.569.2071, relativo ao exercício de 2009, em face da espontaneidade readquirida, reconhecendo a existência da área coberta por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, devidamente declarada no ADA – Ato Declaratório Ambiental, em data anterior ao início da ação fiscal, no quantitativo discriminado no presente recurso e já apresentado na defesa. (d) Alternativamente, somente na eventualidade desse Conselho não acolher o pedido de anulação do crédito tributário do ITR, determinar que a autoridade fiscal promova a correta desoneração do crédito tributário do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do imóvel rural registrado no NIRF sob o n. 6.569.2071, referente ao exercício de 2009, em face da espontaneidade readquirida, e da existência dos documentos necessários à comprovação da existência das áreas de reserva legal, de preservação permanente e aquelas cobertas por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, anteriores ao início da ação fiscal, nos quantitativos discriminados no presente recurso e já apresentados na defesa. (e) Caso assim não entenda esse respeitável Conselho Administrativo, tendo em vista que já houve o reconhecimento da requisição da espontaneidade tributária da ora recorrente, que conceda ao contribuinte o direito de retificar a declaração original do ITR, relativa ao exercício de 2009 do imóvel cadastrado na Receita Federal do Brasil, sob o NIRF n. 6.569.2071, ante a existência das áreas de reserva legal, cobertas por floresta nativa (primária) e de preservação permanente no aludido imóvel, comprovados através de documentos existentes em data anterior ao início da ação fiscal, uma vez que não há como o contribuinte promover a retificação, já que o sistema da Receita Federal está indisponível para alteração/retificação de dados. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10320.721708/201281 Acórdão n.º 2401005.575 S2C4T1 Fl. 207 8 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/7. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Conexão Esclareço que, nos termos do art. 6°, § 1°, I, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, o presente processo é conexo aos processos destacados abaixo, pois versam sobre exigência de crédito tributário e pedido do contribuinte fundamentados em fatos idênticos, todos relativos ao imóvel com Código Fiscal sob o n° 0.047.4460, diferenciandose, entre eles, apenas em relação ao período em questão: Processo Exercício Imóvel 10320.721707/201236 2008 NIRF 6.569.2071 10320.721709/201225 2010 NIRF 6.569.2071 A discussão posta nos autos é pertinente, ainda, para os processos mencionados abaixo, pois possuem idêntica fundamentação de direito, embora relacionadas a fatos distintos, por se tratarem de imóveis distintos, conforme tabela abaixo: Processo Exercício Imóvel 10320.721698/201283 2008 NIRF 0.047.4460 10320.721699/201228 2009 NIRF 0.047.4460 10320.721700/201214 2010 NIRF 0.047.4460 10320.721701/201269 2008 NIRF 1.661.6359 10320.721702/201211 2009 NIRF 1.661.6359 10320.721703/201258 2010 NIRF 1.661.6359 10320.721704/201201 2008 NIRF 6.401.4835 10320.721705/201247 2009 NIRF 6.401.4835 10320.721706/201291 2010 NIRF 6.401.4835 Em todo o caso, os argumentos trazidos pelo contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, são similares, diferenciandose apenas em relação ao período, e por vezes alterando, cirurgicamente, a ordem de alguns parágrafos ou acrescentando excertos jurisprudenciais. Por fim, destaco que todos os processos mencionados acima foram distribuídos a este Relator. 3. Considerações iniciais O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10320.721708/201281 Acórdão n.º 2401005.575 S2C4T1 Fl. 208 9 por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pelo interessado. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, constato que não encontrei nenhum vício que macula o lançamento tributário, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa, havendo a devida descrição dos fatos e dos dispositivos infringidos e da multa aplicada, sendo o imposto e sua base de cálculo apurados com base na declaração apresentada pelo contribuinte à Receita Federal. Portanto, entendo que não se encontram motivos para se determinar a nulidade do lançamento, por terem sido cumpridos os requisitos legais estabelecidos no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72. Caso a recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). Assim, passo a analisar o mérito. 4. Mérito 4.1. Sobre a possibilidade de retificar a declaração após iniciada a ação fiscal, ou mesmo procedido o lançamento A teor do disposto nos arts. 142 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) e 10 e 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, tem Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10320.721708/201281 Acórdão n.º 2401005.575 S2C4T1 Fl. 209 10 se que o ITR é tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, cabe ao contribuinte a apuração e o pagamento do imposto devido, “independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior” (art. 10 da Lei n° 9.393/96). Iniciado o procedimento de ofício, não cabe mais a retificação da declaração por iniciativa do contribuinte, pois já houve a perda de espontaneidade, nos termos do art. 7° do Decreto n° 70.235/72. Nesse caso, resta ao contribuinte a possibilidade de impugnar o lançamento (art. 145, inciso I, do Código Tributário Nacional), demonstrando a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. A propósito, é ver a redação do artigo 138 do Código Tributário Nacional: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Na hipótese dos autos, o contribuinte, após iniciada a ação fiscal, vem procurando retificar a declaração objeto da autuação, o que é vedado pelo dispositivo legal em comento, impossibilitando o acolhimento de seu pleito. Ainda que se considere a reabertura da espontaneidade do sujeito passivo, a denúncia espontânea deve vir acompanhada da declaração retificadora, e, antes do lançamento de ofício. Após esse prazo, a questão deve ser resolvida na Impugnação, com a análise dos argumentos postos pelo contribuinte para afastar o lançamento tributário e que, sendo sua pretensão acolhida pelo Colegiado, excluirá integralmente ou determinará o recálculo do imposto a pagar, com a retificação da declaração pela unidade da RFB responsável pelo cumprimento do decisum. 4.2. Da exigência do Ato Declaratório Ambiental para as Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Áreas Cobertas por Florestas Nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração Como se observa do relato introdutório, o cerne da questão posta nos autos é a discussão sobre a exigência do protocolo do Ato Declaratório Ambiental – ADA dentro do prazo legal, no tocante às áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas por florestas nativas, bem como a necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Inicialmente, sobre a exigência do protocolo do Ato Declaratório Ambiental – ADA, dentro do prazo legal, no tocante às áreas de preservação permanente, reserva legal, e cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, cumpre esclarecer, o que dispõe a Lei nº 9.393/96, a respeito do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, conforme redação vigente à época do fato gerador: Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10320.721708/201281 Acórdão n.º 2401005.575 S2C4T1 Fl. 210 11 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) (...) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) O Decreto n° 4.382/02, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, tratou da área tributável da seguinte forma: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1º); III de reserva particular do patrimônio natural (Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21; Decreto nº 1.922, de 5 de junho de 1996); IV de servidão florestal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001); Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10320.721708/201281 Acórdão n.º 2401005.575 S2C4T1 Fl. 211 12 V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alínea "b"); VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alínea "c"). § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000). Ademais, o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 10.165/00, passou a prever: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10320.721708/201281 Acórdão n.º 2401005.575 S2C4T1 Fl. 212 13 § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Apesar da previsão contida no § 1° do art. 17O, no sentido de que a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é imperativa, entendo que o dispositivo não pode ser analisado isoladamente, e sua aplicação deve ser restrita às hipóteses em que o benefício da redução do valor do ITR tenha como condição o protocolo tempestivo do ADA. Pela interpretação sistemática do art. 10, Inc. II, e § 7° da Lei nº 9.393/96 c/c art. 10, Inc. I a VI e §3°, Inc. I do Decreto n° 4.382/02 c/c art. 17O da Lei n° 6.938/81, entendo que a exigência do ADA para fins de isenção do ITR diz respeito apenas às seguintes áreas: (a) de reserva particular do patrimônio natural; (b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput do artigo 10 do Decreto n° 4.382/02; (c) comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual. Nas hipóteses acima, sendo o ADA exigido para fins de fruição da isenção, não cabe ao julgador afastar sua obrigatoriedade, invocando o princípio da verdade material, mormente em se tratando de exigência atinente ao ITR, de caráter nitidamente extrafiscal e que almeja a proteção do meio ambiente aliada à capacidade contributiva. Isso porque, muito embora o livre convencimento motivado, no âmbito do processo administrativo, esteja assegurado pelos arts. 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72, entendo que existem limitações impostas e que devem ser observadas em razão do princípio da legalidade e que norteia o direito tributário. Contudo, entendo que as áreas de preservação permanente, de reserva legal, bem como as de servidão florestal ou ambiental, estão excluídas da exigência do ADA para fins de fruição da isenção, em virtude do caráter interpretativo do disposto § 7°, do art. 10, da Lei n° 9.393/96 e que trata expressamente dessas áreas. Ainda que as áreas de preservação permanente, de reserva legal, bem como as de servidão florestal, estejam mencionadas no caput do art. 10 do Decreto n° 4.382/02, a interpretação deve ser sistemática, excluindo a obrigatoriedade em razão da análise conjunta com o disposto § 7°, do art. 10, da Lei n° 9.393/96. Tratase de aparente antinomia, resolvida pelo intérprete mediante o emprego da interpretação sistemática. A propósito, no tocante às áreas de preservação permanente e de reserva legal, o Poder Judiciário consolidou o entendimento no sentido de que, em relação aos fatos geradores anteriores à Lei n° 12.651/12, é desnecessária a apresentação do ADA para fins de exclusão do cálculo do ITR1, sobretudo em razão do previsto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 1 É ver os seguintes precedentes: REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007; REsp 1.112.283/PB, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 1/6/2009; REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007 e REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10320.721708/201281 Acórdão n.º 2401005.575 S2C4T1 Fl. 213 14 Temse notícia, inclusive, de que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, reconhecendo o entendimento consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça sobre a inexigibilidade do ADA, nos casos de área de preservação permanente e de reserva legal, para fins de fruição do direito à isenção do ITR, relativamente aos fatos geradores anteriores à Lei n° 12.651/12, tendo a referida orientação incluída no item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer (art. 2º, incisos V, VII e §§3º a 8º, da Portaria PGFN nº 502/2016). Já no tocante às áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, entendo que se encontram excluídas da exigência do ADA em virtude da ausência de sua menção no caput do art. 10 do Decreto n° 4.382/02. Tratase de interpretação sistemática do art. 10, Inc. II, “e”, da Lei nº 9.393/96 c/c art. 10, Inc. I a VI e §3°, Inc. I do Decreto n° 4.382/02 c/c art. 17O da Lei n° 6.938/81. Ainda que se considere o fato de que a introdução da exclusão da referida área da base de cálculo do ITR somente sobreveio com a vigência da Lei nº 11.428, de 2006, que incluiu a alínea “e”, no inciso II, do § 1°, da Lei nº 9.393/96, e que o Regulamento do ITR é do ano de 2002, época em que não havia, portanto, a referida previsão legal, não é possível a utilização do recurso da analogia para criar obrigações tributárias, sob pena de desrespeito ao art. 108, § 1°, do CTN. Se não houve a alteração formal da legislação, não cabe ao intérprete criar obrigações não previstas em lei. Ademais, ressalto, novamente, que a previsão contida no § 1° do art. 17O, no sentido de que a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é imperativa, não pode ser analisada isoladamente, e sua aplicação deve ser restrita às hipóteses em que o benefício da redução do valor do ITR tenha como condição o protocolo tempestivo do ADA, não sendo o caso das áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, por não estarem previstas no caput do art. 10 do Decreto n° 4.382/02. Dessa forma, ao contrário da decisão de piso, entendo que não cabe exigir o protocolo do ADA para fins de fruição da isenção do ITR das áreas de preservação permanente, reserva legal e das áreas cobertas por florestas nativas, bastando que o contribuinte consiga demonstrar através de provas inequívocas a existência e a precisa delimitação dessas áreas. Se a própria lei não exige o ADA, não cabe ao intérprete fazêlo. E no tocante à questão probatória, reforço que o Laudo Técnico, referente ao ano de 2007, emitido por Engenheira Agrônomo (fls. 57/73), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 77/78), identificou as áreas pertinentes ao imóvel denominado “Fazenda Sanhaco”, elucidadas no demonstrativo abaixo: Exercício 2009 Demonstrativo do AI Distribuição da Área do Imóvel Rural (ha) Declarado Apurado Laudo Técnico 2008 Área Total do Imóvel 3.324,7 3.324,7 3.324,72338 Área de Preservação Permanente 2,9791 Área de Reserva Legal 1.047,1921 Área Coberta por Florestas Nativas 2.272,6552 DJ de 2/8/2004; AgRg no REsp 1.395.393/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 31/03/2015. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10320.721708/201281 Acórdão n.º 2401005.575 S2C4T1 Fl. 214 15 Distribuição da Área Utilizada pela Atividade Rural (ha) Declarado Apurado Laudo Técnico 2008 Área de Exploração Extrativa 3.323,7 O conjunto probatório acostado aos autos, ao meu juízo, permite atestar, com segurança, a existência dessas áreas, notadamente em razão dos seguintes documentos apresentados em sede de Impugnação: (a) Certidão expedida pelo Cartório do 1° Ofício Extrajudicial do Estado do Maranhão, da Comarca de Barra do Corda (MA), constatando no Livro n° 2 do Registro Geral de Imóveis da Comarca, na matrícula n° 16.872, em 16/06/2010, a averbação, nos termos de um Termo de Responsabilidade e Averbação de Reserva Legal – TRARL, datado de 03 de maio de 2010, para fazer constar uma área de utilização limitada correspondente a 1.047,1921 ha (fls. 53). (b) Certidão expedida pelo Cartório do 1° Ofício Extrajudicial do Estado do Maranhão, da Comarca de Barra do Corda (MA), afirmando que, no Livro n° 2 de Registro Geral de Imóveis (Registro Geral), na matrícula n° 16.872, registro n° 01, em data de 31 de agosto de 2004, há o registro de uma Gleba de terras situada neste município, denominada Fazenda Vale do Rio Ourives (02), localizada no lugar Ourives, com uma área de 3.324,7238 ha (fls. 56). (c) Laudo Técnico de Avaliação de Imóvel Rural – NIRF 6.569.2071 emitido por Engenheira Agrônomo (fls. 57/73), referente ao ano de 2008, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 77/78). (d) Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal TRARL, protocolizado junto à Sec. Est. Meio Ambiente (fls. 84). (e) Mapa de Uso do Solo, discriminando as áreas de Reserva Legal, Preservação Permanente, Remanescente e Benfeitorias, devidamente assinado por Engenheiro Florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 78), informando que as coordenadas foram obtidas a partir de GPS de navegação (fls. 75). Dessa forma, pela análise da documentação acostada aos autos, as respectivas áreas de preservação permanente, reserva legal, cobertas por florestas nativas, foram devidamente comprovadas pelo Laudo Técnico (fls. 57/73), cuja informação encontra respaldo, ainda, nos registros cartorários de fls. 53, 56 e 84. Ressalto, contudo, que apesar de entender que o Laudo Técnico (fls. 57/73) acostado pelo contribuinte não permite que se chegue à conclusão no sentido de que a área coberta de florestas nativas esteja em estágio médio ou avançado de regeneração, condição para a exclusão dessa área do montante tributável por força do art. 10, § 1°, inc. II, “e”, da Lei n° 9.393/96, esse aspecto passou ao largo da decisão de piso, que apenas condicionou a comprovação da área mediante a apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Dessa forma, entendo que a lide recursal está adstrita à fundamentação posta, não podendo a instância recursal inovar no julgamento, surpreendendo a parte em relação a aspecto do qual não se defendeu, em ofensa aos princípios do contraditório, a ampla defesa e segurança jurídica. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10320.721708/201281 Acórdão n.º 2401005.575 S2C4T1 Fl. 215 16 4.3. Da exigência da prévia averbação de reserva legal no registro de imóveis como condição para a isenção do ITR No que diz respeito à necessidade prévia de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão para a isenção do Imposto Territorial Rural, prevista no art. 10, II “a”, da Lei n° 9.393/96, o Superior Tribunal de Justiça2 pacificou as seguintes teses: (a) É indispensável a preexistência de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, tendo a averbação, para fins tributários, eficácia constitutiva; (b) A prova da averbação da reserva legal não é condição para a concessão da isenção do ITR, por se tratar de tributo sujeito à lançamento por homologação, sendo, portanto, dispensada no momento de entrega de declaração, bastando apenas que o contribuinte informe a área de reserva legal; e (c) É desnecessária a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, pois essa área é delimitada a olho nu. Dessa forma, para a exclusão da área de reserva legal do cálculo do ITR, exigese sua averbação tempestiva e antes do fato gerador. Interpretação diversa não se sustenta, pois a alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, que dispõe sobre a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal do cálculo do ITR, redação vigente à época, fazia referência às disposições da Lei nº 4.771/65 do antigo Código Florestal. E, ainda, o § 8° do art. 16 do Código Florestal exigia que a área de reserva legal fosse averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro competente. É ver a redação do dispositivo: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. A referida exigência, consta, ainda, expressamente no art. 12, § 1°, do Decreto n° 4.382/02, in verbis: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis 2 STJ EREsp: 1310871 PR 2012/02329655, Relator: Ministro ARI PARGENDLER, Data de Julgamento: 23/10/2013, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 04/11/2013. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10320.721708/201281 Acórdão n.º 2401005.575 S2C4T1 Fl. 216 17 competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Também a Lei 6.015/73 (Lei de Registros Públicos) prevê a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, conforme se observa do art. 167, inciso II, nº 22: Art. 167 No Registro de Imóveis, além da matrícula, serão feitos. (...) II a averbação: (...) 22. da reserva legal. Assim, para o gozo da isenção do ITR no caso de área de reserva legal, é imprescindível a averbação prévia da referida área na matrícula do imóvel, sendo o ato de averbação dotado de eficácia constitutiva, posto que, diferentemente do que ocorre com as áreas de preservação permanente, não são instituídas por simples disposição legal3. Apesar do § 7°, do art. 10, da Lei n° 9.393/96, dispensar a prévia comprovação da área de reserva legal por parte do declarante, nada mais fez do que explicitar a natureza homologatória do lançamento do ITR, não dispensando sua posterior comprovação que só perfectibiliza mediante a juntada do documento de averbação, em razão de sua eficácia constitutiva. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis, antes do fato gerador, deve ser exigida, portanto, como requisito para a fruição da benesse tributária, sendo uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR4. Isso porque, o ITR é um imposto que concilia a arrecadação com a proteção das áreas de interesse ambiental, e o incentivo à averbação da área de reserva legal vai ao encontro do desenvolvimento sustentável, por criar limitações e exigências para a manutenção de sua vegetação, servindo como meio de proteção ambiental. Também aqui, entendo que não cabe ao julgador invocar o princípio da verdade material, mormente em atenção à extrafiscalidade do ITR, pois muito embora o livre convencimento motivado, no âmbito do processo administrativo, esteja assegurado pelos arts. 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72, entendo que existem limitações impostas e que devem ser observadas em razão do princípio da legalidade e que norteia o direito tributário. 3 Nesse sentido: STJ EREsp 1027051/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 21.10.2013. 4 Precedentes: REsp 1027051/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.5.2011; REsp 1125632/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2009; AgRg no REsp 1.310.871/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 14/09/2012. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10320.721708/201281 Acórdão n.º 2401005.575 S2C4T1 Fl. 217 18 Não cabe, pois, invocar a verdade material para o descumprimento de uma exigência legal e que está em consonância com a preservação do meio ambiente, aspecto ínsito ao caráter extrafiscal do ITR. A jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, vem adotando o mesmo entendimento, ao exigir a averbação de reserva legal antes da ocorrência do fato gerador, como requisito para a isenção do ITR: ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantémse a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. (CARF Processo nº 10660.724592/201108 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.977 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de julho de 2017). ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. Para fins de isenção de ITR é necessária a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel antes da data da ocorrência do fato gerador. (CARF Segunda Seção TERCEIRA CÂMARA PRIMEIRA TURMA RECURSO: RECURSO DE OFÍCIO RECURSO VOLUNTARIO ACÓRDÃO: 2301004.866 Data de decisão: 18/01/2017) ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A exclusão de área declarada como de reserva legal da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada a sua averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. (CARF Segunda Seção SEGUNDA CÂMARA SEGUNDA TURMA RECURSO: RECURSO VOLUNTARIO ACÓRDÃO: 2202004.311 Data de decisão: 04/10/2017). ISENÇÃO. RESERVA LEGAL. A averbação tempestiva é requisito indispensável à isenção de ITR para área de reserva legal. No caso dos autos a averbação ocorreu 2 anos após a ocorrência do fato gerador. Embargos Acolhidos. (CARF Segunda Seção QUARTA CMARA PRIMEIRA TURMA ECURSO: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACÓRDÃO: 2401004.436 Data de decisão: 12/07/2016) Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10320.721708/201281 Acórdão n.º 2401005.575 S2C4T1 Fl. 218 19 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DO FATO GERADOR. OBRIGATORIEDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente, na data anterior ao fato gerador. (CARF Segunda Seção SEGUNDA CMARA PRIMEIRA TURMA RECURSO: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACÓRDÃO: 2201003.027 Data de decisão: 12/04/2016 ) Cumpre destacar, ainda, que o Código de Processo Civil de 2015, com aplicação subsidiária ao processo administrativo, por força de seu artigo 15, estimula a integridade das decisões proferidas, ao recomendar que “os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente” (art. 926 do NCPC/15). Por fim, observo que o contribuinte alega que o Termo de Averbação da Reserva Legal – TRARL foi emitido antes do início da ação fiscal, o que já seria suficiente para comprovar a existência da área de reserva legal e, por consequência, o direito à isenção garantido pela Lei n° 9.393/96. Contudo, conforme exposto, endosso o entendimento de que para o exercício do direito à exclusão da área de reserva legal para fins de apuração do ITR, é imprescindível a averbação da área à margem da matrícula do imóvel, antes do fato gerador, por ser ato constitutivo da própria reserva, não importando que a emissão do Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal tenha ocorrido antes do lançamento ou mesmo antes do início da ação fiscal. Dessa forma, entendo que o contribuinte não comprovou a averbação da área de reserva legal no registro competente, anteriormente ao fato gerador, impossibilitando a fruição do direito à isenção do ITR, relativamente a essa área, devendo ser mantida a glosa neste ponto. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de revisar as informações na declaração do exercício de 2009, passando a constar as seguintes áreas, referentes ao imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 6.569.2071: (a) área de preservação permanente, no total de 2,9791 ha; (b) área remanescente coberta por florestas nativas, no total de 2.272,6552 ha. Esclareço que a unidade da RFB responsável pela execução do acórdão deverá proceder ao recálculo do imposto, segundo a legislação vigente à época dos fatos geradores, devendo a multa de 75% (setenta e cinco por cento) incidir sobre o saldo remanescente apurado. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10320.721708/201281 Acórdão n.º 2401005.575 S2C4T1 Fl. 219 20 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para discordar de seu voto na parte em que acolheu a comprovação da existência de área remanescente coberta por florestas nativas para fins de exclusão da área tributável do imóvel rural. A respeito dessa matéria controvertida, reproduzo excerto do voto do I. Relator: (...) Dessa forma, pela análise da documentação acostada aos autos, as respectivas áreas de preservação permanente, reserva legal, cobertas por florestas nativas, foram devidamente comprovadas pelo Laudo Técnico (fls. 57/73), cuja informação encontra respaldo, ainda, nos registros cartorários de fls. 53, 56 e 84. Ressalto, contudo, que apesar de entender que o Laudo Técnico (fls. 57/73) acostado pelo contribuinte não permite que se chegue à conclusão no sentido de que a área coberta de florestas nativas esteja em estágio médio ou avançado de regeneração, condição para a exclusão dessa área do montante tributável por força do art. 10, § 1°, inc. II, “e”, da Lei n° 9.393/96, esse aspecto passou ao largo da decisão de piso, que apenas condicionou a comprovação da área mediante a apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Dessa forma, entendo que a lide recursal está adstrita à fundamentação posta, não podendo a instância recursal inovar no julgamento, surpreendendo a parte em relação a aspecto do qual não se defendeu, em ofensa aos princípios do contraditório, a ampla defesa e segurança jurídica. (...) Pois bem. Na origem, a revisão da declaração pela fiscalização foi motivada pela ausência de comprovação da área declarada pelo contribuinte para fins de exploração extrativa, o que resultou na alteração de ofício dos dados e exigência de imposto suplementar. Por ocasião do contencioso administrativo, o recorrente não se insurgiu contra tal aspecto da declaração, mas sim afirmou que havia deixado de incluir tempestivamente na declaração anual as áreas de preservação permanente, reserva legal e coberta de florestas nativas do seu imóvel rural, calculando o imposto como se não houvesse áreas isentas. Nessa hipótese, em que o contribuinte alega erro no preenchimento da declaração, recai sobre ele todo o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10320.721708/201281 Acórdão n.º 2401005.575 S2C4T1 Fl. 220 21 Em outros dizeres, cabe ao interessado demonstrar através de documentação hábil e idônea a existência das áreas, bem como o cumprimento dos requisitos legais para a exclusão da tributação. Para os imóveis rurais nos quais há áreas cobertas por florestas nativas, prescreve o art. 10, § 1º, inciso II, alínea "e", da Lei nº 9.393, de 1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: (...) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (...) Como se observa do texto da Lei nº 9.393, de 1996, as áreas cobertas de florestas nativas são passíveis de exclusão do montante tributável por força de lei, desde que comprovado o estágio médio ou avançado de regeneração. Todavia, como assinala o I. Relator em seu voto, o laudo técnico acostado aos autos não permite inferir que a área coberta por florestas nativas encontrase em estágio médio ou avançado de regeneração, tal qual exigido em lei. Não se trata de inovação no julgamento em instância recursal, porque a área coberta por florestas nativas não havia sido declarada e, portanto, não foi objeto de avaliação pela autoridade fazendária. Por isso, tampouco há que se falar em alteração de critério jurídico do lançamento fiscal. Ao interpor o recurso voluntário, toda a matéria correspondente foi devolvida à apreciação pelo órgão de segunda instância administrativa. Na falta de comprovação pelo contribuinte que a área do imóvel cumpre os requisitos legais, inviável a sua exclusão para fins de redução do imposto devido. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar tão somente uma área de preservação permanente no total de 2,9791 ha. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 220DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720961/2011-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006
MASSA FALIDA. MULTA. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. CABIMENTO.
É cabível a multa pela não entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon referente à Massa Falida.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.993
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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MULTA. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon referente à Massa Falida. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 09 61 /2 01 1- 52 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 16327.720961/201152 Acórdão n.º 3201003.993 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). Cientificado, o contribuinte apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do auto de infração, alegando o seguinte: a) a decretação da falência de uma empresa afasta o falido da posse de seus bens, passandoos para uma administração forçada destinada a liquidálos em favor dos credores, interrompendose a atividade econômica exercida até então pelo falido, que só poderá ser exercida em casos excepcionais, com as operações sendo lançadas em livros especiais; b) a massa falida não é uma pessoa jurídica, principalmente por não resultar da vontade de qualquer pessoa, sendo a lei, por meio do seu poder de expropriação dos bens do devedor, que, para atingir efeitos práticos, mantém todos os credores reunidos em uma massa subjetiva, sem, contudo, personalizála; c) por não ser pessoa jurídica e nem praticar qualquer atividade econômica é que a Massa Falida não pode, a princípio, ser sujeito passivo de obrigações tributárias; d) as atividades próprias da Administração da Massa Falida são a arrecadação e a realização dos ativos. bem como o pagamento aos credores, não produzindo nenhuma disponibilidade patrimonial, pois é a liquidação dos bens do devedor uma manifestação do Poder Público, designadamente uma execução coletiva; e) não há absolutamente nada em um processo falimentar que possa gerar resultados próprios de uma atividade empresarial, sendo inconsistente a exigência de apresentação de dados voltados à apuração de lucro e de base para uma contribuição social; f) diferentemente das empresas em atividade, a Massa Falida não vende bens e não presta serviços, ou seja, não aufere resultados operacionais e nem tampouco resultados não operacionais, já que, fundamentalmente, o movimento mais exaurível é do próprio Estado quando adota medida de execução dos bens do devedor; g) extraordinariamente, pode concluir a administração da Massa Falida uma operação transacional, sendo apenas nos casos anormais que seria válido o argumento previsto na lei de tributar as entidades submetidas a falência, ou seja, nessas circunstâncias particulares, durante o período necessário para a realização dos seus ativos em que vier a ser praticada uma operação, um fato econômico gerador de receita, arrimado em um negócio jurídico; h) a não ser que seja dado continuidade às operações do objeto social da sociedade falida pelo Administrador Judicial, inconcebível exigir qualquer obrigação tributária, sob pena de violação da Constituição Federal; i) com o encerramento das atividades da empresa falida, não há meios de se fitar um resultado como efeito decorrente da execução dos bens do devedor pelo Estado; Fl. 42DF CARF MF Processo nº 16327.720961/201152 Acórdão n.º 3201003.993 S3C2T1 Fl. 4 3 j) a Massa na promoção de sua função, não adquire disponibilidade de acréscimo patrimonial, sendo absurdo obrigar a massa falida , a cada ato do Estado que realiza um ativo com a finalidade de satisfazer o direito dos credores, a recolher impostos que tem como fato gerador resultados positivos, receitas ou acréscimo patrimonial; k) seria uma ofensa ao artigo 153, III, da Constituição Federal se a execução dos bens do devedor fosse considerada como fato gerador de impostos; l) a venda de bens do ativo não acarreta acréscimo patrimonial para os credores e muito menos acréscimo patrimonial para o falido, sendo sua realização revertida exclusivamente para reparar os danos da insolvência do devedor; m) à luz do artigo 60 da Lei nº 9.430/1996, a verificação de eventual lucro tributável, se existir, ocorreria apenas com o encerramento do processo falimentar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 038.320, julgou improcedente a Impugnação sob os seguintes fundamentos: 1) a apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon fora do prazo fixado enseja a cobrança da multa prevista na legislação pertinente; 2) as entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência (massa falida) sujeitamse às mesmas regras de incidência dos tributos e contribuições aplicáveis às pessoas jurídicas em geral, inclusive no que se refere à obrigatoriedade de apresentação de declarações e demonstrativos, enquanto perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa e arguindo que a decisão recorrida era equivocada em relação ao contido no § 2º do art. 146 do RIR/99 e que não tinha aplicação o contido na Instrução Normativa SRF nº 590/2005. É o relatório. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 16327.720961/201152 Acórdão n.º 3201003.993 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.988, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 16327.720956/201140, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.988): Não obstante os argumentos expendidos em sede recursal, razão não assiste à recorrente. Perfilho o entendimento de que as massa falidas não estão desobrigadas ao cumprimento das obrigações acessórias tributárias. Entendimento diverso seria permitir que as massas falidas simplesmente deixassem de cumprir com obrigações legalmente estatuídas. O Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON tratase de um demonstrativo instituído com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: Fl. 44DF CARF MF Processo nº 16327.720961/201152 Acórdão n.º 3201003.993 S3C2T1 Fl. 6 5 "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 16327.720961/201152 Acórdão n.º 3201003.993 S3C2T1 Fl. 7 6 O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Neste sentido, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Embora não tenha sido alegado pela recorrente, perfilho o entendimento de que não é o caso de aplicação das Súmulas 192 e 565 do Supremo Tribunal Federal STF a seguir transcritas, pois se assim o fosse, as massas falidas estariam desoneradas do cumprimento de obrigações acessórias, tais como a entrega de declarações, informações e demonstrativos. "Súmula 192 Não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa." Fl. 46DF CARF MF Processo nº 16327.720961/201152 Acórdão n.º 3201003.993 S3C2T1 Fl. 8 7 "Súmula 565 A multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência." Vejase que, ambas as súmulas, tratam da habilitação da multa aplicada como crédito na falência, o que não impede o seu lançamento, até pelo fato de tal atividade ser vinculada e obrigatória, como prescreve o art. 142 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Assim, somente no processo falimentar, se habilitado o crédito pelo ente credor contra a massa falida, é possível afastar tal parcela. Especificamente, em relação ao cumprimento das obrigações acessórias por parte das massas falidas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF assim se posiciona sobre o tema: "MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA. A jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes acolhe a tese de que o Lançamento de Multa por atraso na entregada da Declaração tem seu prazo decadencial regido pelo art. 173, I do CTN e não pelo art. 150, §4º do CTN. MASSA FALIDA MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega da Declaração de Imposto de Renda referente à Massa Falida. MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – REDUÇÃO – MICROEMPRESA LEI Nº 10.426/2002 – APLICAÇÃO RETROATIVA – ART. 106, I DO CTN. Para Microempresas, o art. 7º, §3º, I da Lei nº 10.426/2002, estabeleceu em R$ 200,00 o valor da multa no caso de atraso na entrega da Declaração de Imposto de Renda, o que pode ser aplicado, inclusive, retroativamente, por força do art. 106 do CTN." (Processo nº 10675.001779/200352; Acórdão 10708.355; Relator Conselheiro Octávio Campos Fischer; Sessão de 10/11/2005) "MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA. A jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes acolhe a tese de que o Lançamento de Multa por atraso na entregada da Declaração tem seu prazo decadencial regido pelo art. 173, I do CTN e não pelo art. 150, §4º do CTN. MASSA FALIDA MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega da Declaração de Imposto de Renda referente à Massa Falida." (Processo nº 10675.001791/200367; Acórdão 10708.362; Relator Conselheiro Octávio Campos Fischer; Sessão de 10/11/2005) Fl. 47DF CARF MF Processo nº 16327.720961/201152 Acórdão n.º 3201003.993 S3C2T1 Fl. 9 8 Em recente julgado de relatoria do Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, deliberouse pela manutenção da multa contra massa falida. A decisão está ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 MULTA DE MORA. EXIGIBILIDADE DIANTE DE MASSA FALIDA. As multas fiscais, ainda que não possam ser reclamadas em processos de falência em vista do art. 23, III, da Lei 7.661/88 em seu período de vigência, devem ser lançadas de ofício, por força do § único do art. 142 do CTN, e da independência dos respectivos trâmites processuais. Recurso Voluntário Negado" (Processo nº 13005.720005/200739; Acórdão 3301003.449; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; Sessão de 26/04/2017) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 48DF CARF MF
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Numero do processo: 16707.003394/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2006
MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
NÃO INFORMAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES EM GFIP. RELEVAÇÃO. NECESSIDADE DE CORREÇÃO DA FALTA.
I - A relevação da multa por não se informar em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias (Lei n.º 8.212, de 1991, art. 32, IV e § 5º, na redação da Lei nº 9.528, de 1997; e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999, art. 225, IV e § 4°), prevista na revogada redação do art. 291 do RPS, demandava, dentre outras condições, a correção da falta (e não a correção parcial da falta). II Não há como se tomar a correção parcial (informação de parte dos fatos geradores) como correção da falta, eis que a infração é justamente não se informar todos os fatos geradores em GFIP (RPS, art. 225, IV).
Numero da decisão: 2401-005.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator) e a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. NÃO INFORMAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES EM GFIP. RELEVAÇÃO. NECESSIDADE DE CORREÇÃO DA FALTA. I A relevação da multa por não se informar em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias (Lei n.º 8.212, de 1991, art. 32, IV e § 5º, na redação da Lei nº 9.528, de 1997; e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999, art. 225, IV e § 4°), prevista na revogada redação do art. 291 do RPS, demandava, dentre outras condições, a correção da falta (e não a correção parcial da falta). II Não há como se tomar a correção parcial (informação de parte dos fatos geradores) como correção da falta, eis que a infração é justamente não se informar todos os fatos geradores em GFIP (RPS, art. 225, IV). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 33 94 /2 00 7- 15 Fl. 405DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator) e a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 16707.003394/200715 Acórdão n.º 2401005.477 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório AGENDI AGÊNCIA DE FOMENTO DESENVOLVIMENTO INTEGRADO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho do Acórdão n° 1122.551/2008 da DRJ em Recife/PE, às efls. 258/262, que julgou procedente o lançamento fiscal, decorrente do descumprimento da obrigação acessória por ter apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, com os dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV,§ 5°, nas competências de junho a dezembro de 2006. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 20/26, bem como em consonância com as planilhas anexadas aos autos, a empresa apresentou GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições, ou seja: a) Existiam salários pagos na folha de pagamento com a base de cálculo maior do que o declarado em GFIP; b) Existem segurados que não foram incluídos em GFIP; c) A empresa utilizava um código de FPAS inadequado, não declarando a contribuição patronal; d) Pagava as quotas do saláriofamília, sem a comprovação da documentação exigida para a concessão; e) Não declarou rescisões de contrato de trabalho em GFIP; f) Omitiu, em GFIP, pagamentos feitos a segurados contribuintes individuais. Por conseguinte, aplicouse a multa no valor de R$ 95.609,68 (noventa e cinco mil, seiscentos e nove reais e sessenta e oito centavos), conforme preceitua a Lei n° 8.212/91, regulamentada pelo RPS, atualizada pela Portaria MPAS n° 142, de 11/04/2007, tudo conforme descrito no Relatório do Auto de Infração, de fl.20/26. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 272/287, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, inova das alegações da impugnação, preliminarmente aduzindo que as informações ais quais ensejaram a multa, já foram sanadas conforme consta na impugnação, não havendo nenhuma omissão ou má fé nas informações que faltaram a serem prestadas. Alega a correção das faltas cometidas, anexando documentação comprobatória. Ressaltou a ausência de agravantes, requerendo, por conseguinte, a relevação da multa, em face da garantia prevista no art. 291, do RPS. Fl. 407DF CARF MF 4 Esclarece tratarse de uma pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos. Tratase de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), voltada à execução de atividades de interesse público por meio de vínculo de cooperação com o Poder Público, gozando de imunidade tributária prevista na Constituição Federal. Desta feita, uma vez que a Contribuição Patronal para o INSS consiste em imposto sobre os serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades relacionadas na alínea "c" do inciso VI do art. 150 da CF188, a recorrente, regulada pela Lei n.° 9.790/1999, goza da imunidade tributária e não merece ser executada, haja vista o crédito tributário não ser apenas inexigível, visto que, no caso das imunidades, ele é tão somente inexistente. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Após, regular processamento do feito, em 21 de novembro de 2013, foi proposta resolução pelo Nobre Conselheiro Relator Dr. Gustavo Vettorato, acatada pela unanimidade do Colegiado, às efls 375/377, in verbis: (...) Observandose que existe forte probabilidade de conexão do presente auto de infração com o que fora lavrado no lançamento de AUTO DE INFRAÇÃO AI – DEBCAD No. 37.053.9257, todos compreendendo lançamentos fiscais para constituição de crédito relativo ao descumprimento de obrigação tributária principal (glosa de valores pagos supostamente a título de Programa de Alimentação do Trabalhador, contribuintes individuais e outros), por meio de aferição indireta. Considerando que as penalidades aplicadas por descumprimento ao art. 32, IV, da Lei n. 8.212/1991, na forma da redação anterior e posterior da MP n. 449/2008, são fundadas no próprio valor do crédito tributário oriundo da obrigação principal, que fora constituido naqueles autos, e sobre eles há claro questionamento. Bem como, com a resposta da 3a. SECAM de que não tem instrumentos para localização e fornecimento das informações dos autos pretendidos, especialmente por não ter acesso ao sistema de informações DEBCAD, devolvendo o presente processo. Isso posto, voto por converter o presente julgamento em diligência, no sentido de que seja solicitado à autoridade preparadora da Secretaria da Receita Federal do Brasil informações e cópias do processo administrativo tributário inalgurados pelo lançamento de AUTO DE INFRAÇÃO AI – DEBCAD No. 37.053.9257, de forma a se precisar o conteúdo, andamento processual, localização e as decisões que houver a respeito dos mesmos, retornando os autos ao presente relator.(...) Fl. 408DF CARF MF Processo nº 16707.003394/200715 Acórdão n.º 2401005.477 S2C4T1 Fl. 4 5 Em resposta a diligência encimada, a autoridade administrativa elaborou um despacho de encaminhamento à efl. 388, informando o seguinte: 1 O processo nº 16707.003395/200760, também deste contribuinte, relacionado à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD – DEBCAD 37.053.9265, esclarece em Relatório Fiscal e Informação Fiscal, às folhas 269 a 287, que o crédito demandado na diligência, DEBCAD 37.053.9257, foi cancelado e substituído pelo atual DEBCAD 37.053.9354, o qual é objeto de impugnação neste processo 16707.003394/200715. Abaixo, segue transcrição da Informação fiscal retro citada: “INFORMAÇÃO FISCAL IF ANEXO AO RELARORIO FISCAL NFLD n°. 37.053.9265. Assunto: CANCELAMENTO E SUBSTITUIÇÃO DE AUTO DE INFRAÇÃO AI. 1 Tendo em vista os Auto de Infração AI, referenciados neste Relatório Fiscal, item 9, números 1, 2, 3 e 4, pág. 8 e 9, e no TEAF, terem sido CANCELADOS por ter sido detectado logo após suas transmissões para o Sistema SISCOL, no dia 29/06/2007, que o valor transmitido foi menor do que os valores calculados nos Relatórios Fiscais, os mesmos foram substituidos na Ação Fiscal do Mandado de Procedimento Fiscal MPF no 09410634, como se segue: a) AI cancelado n° 37.053.9257, substituído pelo n° 37.053.9354; b ) AI cancelado n° 37.053.9290, substituído pelo n° 37.053.9303; c) AI cancelado n° 37.053.9311, substituído pelo n° 37.053.9338; d ) AI cancelado n° 37.053.9320, substituído pelo n° 37.053.9346. Natal, 03 de julho de 2007 José Carlos Frota Alves Auditor Fiscal da R eita Federal do Brasil Matricula . 1.106.287”” 2 Ainda, foi realizado procedimento de busca no sistema “Rede Receita > Comprot > Pesquisar processo > Por documento de origem > DEBCAD<numero”, a fim de identificar a localização de processo físico ou digital relacionado ao DEBCAD 37.053.9257. O resultado desta pesquisa constatou a não existência de processo, assim como também dos demais processos de auto de infração relacionados como cancelados na Informação Fiscal retro citada. 3 Desta feita, os Autos de Infração relacionados como cancelados na Informação Fiscal à folha 287, face o motivo elencado naquele documento e de acordo com a respectiva substituição, não devem prosperar para efeitos de cobrança, Fl. 409DF CARF MF 6 caso assim estejam sob este procedimento em algum sistema da RFB. Após retorno ao Egrégio Conselho, os autos foram sorteados para minha relatoria e conseguinte inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 16707.003394/200715 Acórdão n.º 2401005.477 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E DA MULTA Na impugnação o sujeito passivo nada argumenta a respeito da imunidade tributária, seja de forma preliminar ou no mérito. No recurso, apresentou inovação ao alegar que não remunera seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores e que goza da imunidade tributária prevista na Constituição Federal, em seu artigo 150, VI, "c", sendo inconstitucional a execução do crédito. Nos termos da legislação processual tributária, esses argumentos recursais se encontram fulminados pela preclusão, uma vez que não foram suscitados por ocasião da apresentação da impugnação, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto n. 70.235/72, senão vejamos: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Nessa toada, não merece conhecimento a matéria suscitada em sede de recurso voluntário, que não tenha sido objeto de contestação na impugnação. RELEVAÇÃO DA MULTA A contribuinte alega a correção das faltas cometidas, anexando documentação comprobatória. Ressaltou a ausência de agravantes, requerendo, por conseguinte, a relevação da multa, em face da garantia prevista no art. 291, do RPS. Destaquese que a Recorrente apresentou sua impugnação em que requereu a relevação da multa. A decisão de piso não considerou a correção das faltas e apontou como motivo que a contribuinte continuou a informar, nas GFIP anexadas, um código de FPAS inadequado, não declarando a contribuição patronal. Ao invés de utilizar o código FPAS 566, consoante seu objeto social, manteve o código 639. Afirmou que independentemente da existência da primariedade e do pedido dentro do prazo de defesa, não foram corrigidas, em sua totalidade, as faltas cometidas apontadas pelo Agente do Fisco. Pois bem. Importante destacar o que dispõe o art. 291 do RPS Decreto n° 3.048/1999, vigentes à época do lançamento e impugnação: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for Fl. 411DF CARF MF 8 primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Grifamos). Ressaltese ainda que a mudança legislativa à referida norma ocorreu apenas em momento posterior ao lançamento e após a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Conforme se observa, a contribuinte requereu que fosse relevada a multa dentro do prazo para a defesa, assim como efetuou as correções. Destaquese ainda que o artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional somente estabelece a retroatividade de novas normas à época da prática do ato quando for mais benéfica ao contribuinte, senão vejamos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe ainda destacar que a lei não estabelece se a correção deve ser total ou parcial, razão pela qual, em caso de dúvidas, a lei tributária deve ser interpretada de maneira mais favorável ao contribuinte, conforme estabelece o artigo 112 do CTN: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Assim, com supedâneo na legislação vigente à época do lançamento, impõe se reconhecer o direito da contribuinte quanto à relevação da multa com relação a todas as faltas corrigidas, inclusive as GFIPs corrigidas parcialmente. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para relevar a multa com relação a todas as faltas corrigidas, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 412DF CARF MF Processo nº 16707.003394/200715 Acórdão n.º 2401005.477 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Vencedor Conselheiro José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro Redator Designado 1. Divirjo do voto do Relator tãosomente em relação ao cabimento da relevação da multa. 2. Dentre outros requisitos, o revogado § 1° do art. 291 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999, exigia a correção da falta (e não a correção parcial da falta), como podemos observar: Regulamento da Previdência Social Decreto n° 3.048, de 1999 Art. 291. (...) § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. 3. No caso concreto, configurouse a infração ao artigo 32, IV, § 5º, da Lei n.º 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997, combinado com o art. 225, IV e § 4°, do RPS, ou seja, restou descumprida a obrigação de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Nesse sentido, destaco: Regulamento da Previdência Social Decreto n° 3.048, de 1999 Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; 4. Logo, não tendo sido informados em GFIP todos os fatos geradores, não se operou a correção da falta. Isso porque, não há como se tomar a correção parcial da GFIP (=informação de parte dos fatos geradores) como correção da falta, eis que a infração é justamente não se informar todos os fatos geradores. 5. Destarte, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 413DF CARF MF 10 Fl. 414DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909113/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais.
É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
Numero da decisão: 1301-003.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. SERVIÇO DE EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 91 13 /2 00 9- 12 Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10880.909113/200912 Acórdão n.º 1301003.130 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ que, negando provimento à manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, manteve o despacho decisório da DeratSP, em que a autoridade administrativa não reconhecia o direito creditório pleiteado e, assim, deixou de homologar a compensação formalizada em declaração compensação dcomp. A recorrente alega ser empresa do ramo de construção civil. Grande parte de suas receitas advém de contratos com a Administração Pública. Por força de tais contratos, se obrigou, juntamente com a prestação de serviços, a fornecer materiais. O mesmo se deu em relação aos serviços prestados a particulares. No período em questão, a recorrente apurou o IRPJ com base no lucro presumido, adotando 32% como coeficiente de presunção. Mais tarde, tomou conhecimento de que, respondendo a diversas consultas, a Receita Federal do Brasil RFB havia manifestado entendimento no sentido da aplicação do coeficiente de 8%, quando o serviço de empreitada fosse prestado com fornecimento de materiais. Diante disso, a recorrente recalculou o IRPJ devido, retificou a DIPJ e apresentou declaração de compensação dcomp. A Derat, embora acusando a existência do pagamento indicado como indevido, assinalou que parte dele já havia sido utilizada para quitação de débitos da contribuinte, e assim homologou parcialmente a compensação. MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. se insurgiu contra o despacho decisório em manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, por falta de prova dos fatos alegados, já que não teriam sido apresentadas a escrita comercial e a fiscal do período, nem os livros Diário e Razão, além da movimentação comercial, contratos de prestação de serviços e todas as notas fiscais emitidas, a fim de que se pudesse verificar se foram auferidas receitas sujeitas ao coeficiente de 8%. Foi interposto recurso. A recorrente, em preliminar, arguiu homologação tácita do crédito, porquanto o Fisco, dentro do prazo legal, não examinou os recolhimentos e as informações prestadas nas declarações. No mérito, afirmou ter consultado formalmente a RFB sobre a matéria, obtendo resposta por meio da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 186, cuja ementa tinha a seguinte dicção: Para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda apurado com base no lucro presumido, aplicase o percentual de oito por cento sobre a receita bruta decorrente tão somente da prestação de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10880.909113/200912 Acórdão n.º 1301003.130 S1C3T1 Fl. 4 3 Disse que a DRJ, em respeito ao princípio da verdade material, deveria ter determinado o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que fosse realizada diligência, dando oportunidade à recorrente de comprovar, mediante a apresentação de documentos, o direito pleiteado. Aduziu que, ao prestar os serviços de construção civil, fornecera materiais, especialmente na execução dos contratos com a Administração Pública. Por isso, faria jus ao coeficiente de 8% na apuração do lucro presumido. Afirmou ter juntado laudo, produzido por peritos por ela contratados, com a finalidade de comprovar o fornecimento de materiais. Ao final, pediu a realização de perícia, formulando desde logo os quesitos e indicando o perito. Com essas alegações, pugnou pelo reconhecimento do direito e a subsequente homologação das compensações. É o relatório. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10880.909113/200912 Acórdão n.º 1301003.130 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.124, de 12/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904015/2008 08, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.124): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De início, cumpre rejeitar a preliminar de homologação tácita e de decadência. No caso, não ocorreu decadência, porque esta extingue o direito de constituir crédito tributário, mas não impede a verificação de fatos de que decorra direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Da mesma forma, não ocorreu homologação tácita, uma vez que a homologação tácita se dá com o decurso do prazo de cinco da transmissão da dcomp, tornando definitiva a compensação declarada. No caso em exame, porém, o despacho decisório foi proferido dentro do prazo legal. No mérito, a questão gira em torno de saber qual o coeficiente aplicável às receitas auferidas pela recorrente, na apuração do lucro presumido, se 8% ou 32%. Para tanto, é necessário verificar se os serviços de empreitada prestados pela recorrente envolviam fornecimento de materiais, bem como verificar qual a participação dessas receitas na receita bruta total auferida no período. No Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, a Receita Federal já havia se posicionado acerca do coeficiente de presunção aplicável aos casos de empreitada com fornecimento de materiais. Confirase: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10880.909113/200912 Acórdão n.º 1301003.130 S1C3T1 Fl. 6 5 Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; (g.n.) b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais.(g.n.) II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. O entendimento, quanto à aplicação do coeficiente de 8%, foi ratificado pela recente Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017: Art. 33. A base de cálculo do IRPJ, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 26, auferida na atividade, deduzida das devoluções, das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. § 1º Nas seguintes atividades o percentual de determinação da base de cálculo do IRPJ de que trata o caput será de: I 1,6% (um inteiro e seis décimos por cento) sobre a receita bruta auferida na revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida: a) na prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, fisioterapia e terapia ocupacional, fonoaudiologia, patologia clínica, imagenologia, radiologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, exames por métodos gráficos, procedimentos endoscópicos, radioterapia, quimioterapia, diálise e oxigenoterapia hiperbárica, desde que a prestadora desses serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); b) na prestação de serviços de transporte de carga; c) nas atividades imobiliárias relativas a desmembramento ou loteamento de terrenos, Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10880.909113/200912 Acórdão n.º 1301003.130 S1C3T1 Fl. 7 6 incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda e a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda; e d) na atividade de construção por empreitada com emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra; (g.n.) (...) Art. 215. O lucro presumido será determinado mediante aplicação dos percentuais de que tratam o caput e os §§ 1º e 2º do art. 33 sobre a receita bruta definida pelo art. 26, relativa a cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral, deduzida das devoluções e vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/ anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 Portanto, diante da interpretação adotada pela RFB, deve ser reconhecido à recorrente o direito de aplicação do percentual de 8% na apuração do lucro presumido, limitandose às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada pelos quais a recorrente se obrigou a fornecer materiais em qualquer quantidade, já que esse era o entendimento da Receita Federal ao tempo dos fatos. As receitas oriundas dos demais serviços ficam sujeitas ao coeficiente de 32%. Por último, cumpre ressaltar que a Solução de Consulta Cosit nº 8/2014 deixa claro que, até 2004, o entendimento oficial era no sentido de que o coeficiente de 8% aplicavase às receitas de construção por empreitada, com emprego de materiais em qualquer quantidade. Embora a Receita Federal tenha modificado o entendimento, a nova interpretação não tem aplicação retroativa, como deixa claro o inciso XIII, do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784/1999: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (g.n.) Conclusão Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10880.909113/200912 Acórdão n.º 1301003.130 S1C3T1 Fl. 8 7 Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao coeficiente de presunção de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais. Os autos devem retornar à unidade de origem para retomar a análise do direito creditório, observando o disposto no art. 15, § 2º, da Lei nº 9.249/1995. À unidade de origem cabe realizar a verificação das receitas que se enquadrem nessa condição, observando, como limite máximo para o direito creditório, o valor informado na dcomp. Definido o valor do crédito, devem ser homologadas as compensações até esse limite. Na verificação, a autoridade fiscal poderá adotar os métodos usualmente empregados na fiscalização, inclusive a verificação por amostragem, se entender cabível." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 313DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.723792/2015-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
SIGILO BANCÁRIO.
É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial.
IPI. GLOSA DE COMPRAS NÃO COMPROVADAS.
Cabível a glosa de compras não comprovadas, em especial se a fiscalização logrou certificar, mediante a apresentação de vasto conjunto probatório juntado aos autos, a inidoneidade das notas fiscais que deram suporte aos lançamentos contábeis que restaram infirmados, bem como a inexistência das operações comerciais nelas retratadas.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO.
Evidencia-se o interesse comum, a ensejar imputação de responsabilidade solidária, quando identificado liame inequívoco entre as atividades desempenhadas pelos integrantes do grupo econômico, revelado por atuação complementar entre as empresas, vinculação gerencial, identidade de sócios e administradores e interesse econômico recíproco.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, devendo responder solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado.
De outro lado, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO.
Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto deelementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta.
IPI. MULTA QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS FUNDADOS EM NOTAS INIDÔNEAS. CABIMENTO.
Se as provas carreadas aos autos evidenciam a intenção dolosa de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do imposto devido, cabível a aplicação da multa qualificada.
Numero da decisão: 1301-003.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e rejeitar a preliminar arguida no recurso voluntário. Por maioria de votos, dar provimento parcial aos recursos voluntários para afastar a exigências das multas isoladas, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar-lhes provimento integralmente. O Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acompanhou o voto da relatora por suas conclusões em relação à responsabilidade tributária mantida com base no disposto no art. 124, I, do CTN.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. IPI. GLOSA DE COMPRAS NÃO COMPROVADAS. Cabível a glosa de compras não comprovadas, em especial se a fiscalização logrou certificar, mediante a apresentação de vasto conjunto probatório juntado aos autos, a inidoneidade das notas fiscais que deram suporte aos lançamentos contábeis que restaram infirmados, bem como a inexistência das operações comerciais nelas retratadas. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. Evidencia-se o interesse comum, a ensejar imputação de responsabilidade solidária, quando identificado liame inequívoco entre as atividades desempenhadas pelos integrantes do grupo econômico, revelado por atuação complementar entre as empresas, vinculação gerencial, identidade de sócios e administradores e interesse econômico recíproco. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, devendo responder solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado. De outro lado, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto deelementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. IPI. MULTA QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS FUNDADOS EM NOTAS INIDÔNEAS. CABIMENTO. Se as provas carreadas aos autos evidenciam a intenção dolosa de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do imposto devido, cabível a aplicação da multa qualificada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e rejeitar a preliminar arguida no recurso voluntário. Por maioria de votos, dar provimento parcial aos recursos voluntários para afastar a exigências das multas isoladas, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar-lhes provimento integralmente. O Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acompanhou o voto da relatora por suas conclusões em relação à responsabilidade tributária mantida com base no disposto no art. 124, I, do CTN. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. IPI. GLOSA DE COMPRAS NÃO COMPROVADAS. Cabível a glosa de compras não comprovadas, em especial se a fiscalização logrou certificar, mediante a apresentação de vasto conjunto probatório juntado aos autos, a inidoneidade das notas fiscais que deram suporte aos lançamentos contábeis que restaram infirmados, bem como a inexistência das operações comerciais nelas retratadas. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. Evidenciase o interesse comum, a ensejar imputação de responsabilidade solidária, quando identificado liame inequívoco entre as atividades desempenhadas pelos integrantes do grupo econômico, revelado por atuação complementar entre as empresas, vinculação gerencial, identidade de sócios e administradores e interesse econômico recíproco. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, devendo responder solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 37 92 /2 01 5- 92 Fl. 6211DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.212 2 De outro lado, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto deelementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. IPI. MULTA QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS FUNDADOS EM NOTAS INIDÔNEAS. CABIMENTO. Se as provas carreadas aos autos evidenciam a intenção dolosa de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do imposto devido, cabível a aplicação da multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e rejeitar a preliminar arguida no recurso voluntário. Por maioria de votos, dar provimento parcial aos recursos voluntários para afastar a exigências das multas isoladas, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negarlhes provimento integralmente. O Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acompanhou o voto da relatora por suas conclusões em relação à responsabilidade tributária mantida com base no disposto no art. 124, I, do CTN. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 6212DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.213 3 Relatório MASTER MÓVEIS EIRELI, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA (fls.5.980/6.016), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte as impugnações apresentadas os termos seguintes: 1 mantémse intacto o IPI inadimplido lançado no auto de infração de fls.5006 a 5018 no valor de R$ 2.524.638,56; 2 reduzse o percentual da multa de ofício lançada no auto de infração supra mencionado de 150% para 75%; 3 retirase da solidariedade passiva as pessoas naturais Abrahão Fontanari Monfrinato (CPF 336.253.26833) e Celi Maria Fontanari Monfrinato (CPF 924.902.55800) e as pessoas jurídicas CAConstrutora e Locação de Equipamentos ltda.(CNPJ 07.169.144/0001 15), SLR Transportes e Logística ltda (CNPJ 11.516.860/000107) e Sofá Ambiente Comércio de Móveis ltda (67.039.248/000137). 4 mantêmse intacto o auto de infração de fls.5021 a 5030 de que fez uso a Fiscalização para exigir multa isolada nos termos no artigo 490, inciso II, do RIPI/2002 no valor de R$61.915.340,95. Do Lançamento Segundo o Relatório Fiscal, (fls. 4.986/5.005), e Relatório do acórdão recorrido, tratase de lançamento IPI que teria deixado de ser pago no período auditado; no segundo, aplicase multa isolada em razão da constatação de aproveitamento de créditos originados em notas fiscais emitidas graciosamente por diversas empresas ditas “noteiras”. Da autuação No curso de procedimento fiscal na pessoa jurídica MASTER MÓVEIS LTDA, CNPJ 45.247.558/000457, realizado sob amparo do Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 08.1.25.002014007682, em decorrência da análise da escrituração contábil, dos Livros Fiscais, demais documentos e elementos apresentados em meio físico e digital, a fiscalização constatou que o sujeito passivo apropriouse indevidamente de Créditos básicos de IPI, oriundos de: Insumos adquiridos através de Notas Fiscais Inidôneas. O período que está sendo analisado no presente relatório é de 01/2010 a 12/2012. Através do sistema RECEITANETBX, baixamos os arquivos da Escrituração Contábil Digital ECD transmitidos pela empresa através do Sistema Público de Fl. 6213DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.214 4 Escrituração Digital (Sped), para os anos de 2010, 2011 e 2012 e os arquivos da Escrituração Fiscal Digital EFD para os anos de 2011 e 2012. Devidamente intimado o contribuinte apresentou um arquivo com a Relação das Notas Fiscais Emitidas e Recebidas para o ano de 2010. No Termo de Verificação e Constatação Fiscal (TVCF), que é parte integrante do Auto de Infração, esta detalhado as empresas noteiras e as notas fiscais adquiridas pela Master Móveis, e que foram consideradas inidôneas pela fiscalização. A empresa registrou em sua contabilidade e utilizou os valores das Notas Fiscais Inidôneas, devidamente lançados no Livro Registro de Entrada e Livro Registro de Apuração do IPI LRAIPI, para apurar e utilizarse de Créditos Básicos de insumos adquiridos com incidência de IPI. Constatado que o sujeito passivo utilizou indevidamente Créditos Básicos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), oriundos de aquisições de Insumos através de Notas Fiscais Inidôneas, procedese à glosa destes créditos e consequente cobrança do imposto, nos períodos e valores relacionados.. MULTA REGULAMENTAR COM BASE NO ART.490, INCISO II DO RIPI/2002, ATUAL ART.572, INCISO II DO RIPI/2010. A empresa registrou em sua contabilidade e utilizou os valores das Notas Fiscais Inidôneas, devidamente lançados no Livro Registro de Entrada e Livro Registro de Apuração do IPI LRAIPI, para apurar e utilizarse de Créditos Básicos de Insumos adquiridos com incidência de IPII, além de apurar créditos da COFINS e do PIS, e utilizar como custo do IRPJ e da CSLL DA MULTA QUALIFICADA Considerando os fatos relacionados e baseados nos documentos que fazem parte do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, a fiscalização concluiu que não houve a aquisição de mercadorias das empresas constantes nos anexos relacionados neste Relatório no item 1 "DAS EMPRESAS NOTEIRAS". A fiscalização conclui que as Master Móveis adquiriu as notas fiscais inidôneas, tendo como objetivo a contabilização de despesas inexistentes e a utilização de créditos tributários, com a finalidade de diminuir o valor dos tributos: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) A fiscalização considera que a empresa cometeu as irregularidades previstas nos artigos 71 e 72 da lei 4502/64, portanto, está aplicando a multa qualificada, conforme inciso I e o § 1o do caput do art. 44 da Lei n° 9.430/96. DA SOLIDARIEDADE PASSIVA DAS EMPRESAS, SÓCIOS E CONTADOR DO GRUPO MASTER MÓVEIS Conforme detalhado no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, item 6 DA SOLIDARIEDADE PASSIVA DAS EMPRESAS, SÓCIOS E CONTADOR DO GRUPO MASTER MÓVEIS, a fiscalização está imputando a responsabilidade solidária: ao sócioadministrador da MASTER MÓVEIS com base no art. 124, II, e no art. 135, III, do CTN, aos sócios das empresas que compõem o GRUPO MASTER MÓVEIS com base no art. 124, I, e no art. 135, III, do CTN as empresas que compõem o GRUPO MASTER MÓVEIS com base no art. 124, I e ao contador com base no art. 135, II, e no art. 1.177 da Lei n° 10.406/2002. Para isto, consideramos a existência do interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (a contabilização de: custos na apuração de IRPJ/CSLL, créditos de IPI e créditos de PIS/COFINS, lastreados em Notas Fiscais Inidôneas, e em transferência patrimonial lastreados nos pagamentos fictícios destas Notas). Enfatizese que o repasse de valores, através de pagamentos de serviços ou aquisição de bens adquiridos pelas empresas do GRUPO MASTER MÓVEIS, não caracteriza distribuição de lucros, pois estes valores não são resultantes de lucros Fl. 6214DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.215 5 obtidos pela empresa Master Móveis, mas sim valores obtidos pelo esquema fraudulento com a participação e ciência das empresas do GRUPO MASTER MÓVEIS dos sócios e do contador. ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS Satisfeitas as hipóteses elencadas no art. 64 da Lei n°9.532/97 e Decreto n° 7.573 de 29.09.2011, quais sejam, crédito tributário total superior a R$ 2.000.000,00 e concomitantemente superior a 30% do patrimônio conhecido da empresa, proceder seá ao arrolamento de bens e direitos, nos moldes previstos pela Instrução Normativa SRF n° 1.565 de 11/05/2015. Constatada a pluralidade de sujeitos passivos, com a caracterização da sujeição passiva solidária das empresas do GRUPO MASTER MÓVEIS, os seus sócios administradores e o contador, o qual foi minuciosamente justificado e comprovado no item 6 DA SOLIDARIEDADE PASSIVA DAS EMPRESAS, SÓCIOS E CONTADOR DO GRUPO MASTER MÓVEIS, do presente Termo, será efetuado o Arrolamento de Bens destes sujeitos passivos. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Tendo sido constatada a prática de atos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, capitulados nos artigos 1o e 2o da Lei n° 8.137/90, foi elaborada a competente Representação Fiscal para Fins Penais nos termos do art. 83 da Lei n° 9.430/96 e da Portaria RFB n° 2439, de 21 de dezembro de 2010. Das impugnações .IMPUGNAÇÃO DE MÁSTER MÓVEIS EIRELI , ABRAHÃO ZACARIAS MONFRINATO, SLR TRANSPORTES E LOGÍSTICA LTDA., CA CONSTRUTORA E LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA, ABRAHÃO FONTANARI MONFRINATO, MARIA FONTANARI, CELI FONTANARI, SOFÁ AMBIENTE E SANTO JOAQUIM LOPES ALARCON. DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO ...todo o embasamento das autuações discutidas se balizou nas informações bancárias que foram obtidas de forma ilícita, haja vista que originaram de RMF's emitidas diretamente às instituições financeiras, sem o devido processo legal e determinação/autorização judicial para tanto, conforme expressamente exigido no texto da Carta Magna. Ocorre que, o sigilo de dados de operações financeiras é um desdobramento dos direitos à privacidade, liberdade, imagem e diversos outros assegurados pela Lei Maior, os quais somente podem ser violados em casos extremos e com a devida tutela jurisdicional, e, ainda assim, mediante fundamentação plausível. ... No presente caso, a quebra injustificada do sigilo da empresa fiscalizada, com a responsabilização, inclusive, de seu sócio, elemento central das autuações, decorreu de ato discricionário da fiscalização, ou seja, a prova indispensável à aferição da suposta matéria tributável foi obtida por meio ilícito, sendo imprestável a consubstanciar os autos de infrações recorridos. É sabido que o interesse público deve prevalecer sobre o privado na maioria das situações jurídicas, entretanto, até mesmo esses interesses devem estar respaldados e nos limites estabelecidos pelos princípios constitucionais que regem todo o ordenamento jurídico, sob pena de nulidade de seus atos, como ocorreu no caso em tela, não obstante afronta à própria democracia. Ora, em hipótese alguma cabe a autoridade administrativa a solicitação de informações bancárias sigilosas dos contribuintes por ato discricionário, mormente sem autorização jurisdicional. E nem se alegue que a autorização para solicitação de informações às instituições financeiras adveio de expresso dispositivo da conjunção das Leis n9s 8.021/90, Fl. 6215DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.216 6 9.311/96 e 10.174/2001 e Lei Complementar ne 105/2001, sob o pretexto do combate à evasão fiscal. Isto porque, recentemente (15.12.2010), o Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária, ao julgar a matéria por meio do Recurso Extraordinário de n2 389.808/PR, encerrou o debate existente, declarando a inconstitucionalidade da violação ao sigilo de dados bancários pela Receita Federal, estribandose justamente na impossibilidade de quebra sem a devida autorização judicial. ... Partindo dessa premissa e consoante decisão plenária demonstrada no RE n9 389.808/PR, que extirpou definitivamente a possibilidade de obtenção direta de informações bancárias por parte da Receita Federal, necessário se faz a sua aplicação por parte da autoridade administrativa competente, em respeito ao princípio da legalidade traçado pela norma transcrita, aplicandose ao caso o disposto no inciso I, do §62, do artigo 26A, do Decreto n9 70.235/72, texto legal incluído pela Lei n9 11.941/2009. Com efeito, há que se convir que no âmbito do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, além da atual disposição do Decreto 70.235/72, vigora o artigo 62, parágrafo único, inciso I do Regimento Interno do CARF, do qual extraise a possibilidade de apreciação vinculada à inconstitucionalidade das normas, quando previamente julgada por decisão plenária do STF, razão pela qual a inconstitucionalidade da autuação ora tratada há que ser declarada através do julgamento da presente impugnação, vejamos: 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; DA REGULARIDADE DAS INFORMAÇÕES FISCAIS PRESTADAS PELA CONTRIBUINTE MASTER MÓVEIS e DA IDONEIDADE DAS OPERAÇÕES POR ELA REALIZADAS: Inicialmente, pelo que se observa através da análise do contido à fl. 06 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, constatase que a autoridade fiscal, antes mesmo de apresentar as razões que teriam culminado na autuação dos ora Impugnantes, considerou para efeito de desenvolvimento de seus trabalhos o "histórico da empresa Master Móveis de ter utilizado notas fiscais inidôneas, emitidas por empresas noteiras no ano de 2009". Com o devido respeito, a fiscalização jamais poderia se valer de tal afirmação, sobretudo quando tem conhecimento acerca da inexistência de definitividade em relação à constituição do crédito tributário decorrente das autuações impostas à empresa MASTER MÓVEIS LTDA., através do MPF 0819000.2014.001151 Processo 13888723.796/201490, bem como do MPF 08.1.25.002014007682 Processo 13888723.752/201460. Isto porque, contra referidas autuações foram interpostas competentes impugnações, que culminaram, inclusive, no reconhecimento da decadência de parte dos supostos créditos tributários, de modo que inexiste trânsito em julgado relativo ao mérito daqueles autos de infração. ... ...no exercício de sua atividade industrial, consubstanciada primordialmente na fabricação de móveis (sofás), a ora contribuinte necessita adquirir elevado número de mercadorias e demais matériasprimas a ser empregadas na fabricação de seus Fl. 6216DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.217 7 produtos, não podendo em momento algum por em risco a continuidade de sua produção, sob pena de não atender aos pedidos que recebe de seus clientes. Exatamente por conta disso que a empresa contribuinte sempre teve por praxe proceder a consulta de dados relativos aos seus fornecedores junto ao sistema de consulta pública SINTEGRA, do Governo do Estado de São Paulo, o que foi efetivamente feito no período apurado, em relação a todas as empresas fornecedoras dentre as quais se inserem as empresas mencionadas no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (consultas em anexo). Neste contexto, há de restar claro que a empresa contribuinte não tinha como ter conhecimento acerca dos fatos relatados no processo pelo Auditor Fiscal, no que se refere a questões de administração interna de seus fornecedores. Apenas a título de argumentação, a própria Receita Federal aceitou ao longo dos anos os endereços constantes das referidas empresas, agora citadas pelo Sr. AuditorFiscal como inidôneas. Desse modo, tivesse o órgão, quando do recebimento das declarações DIPJ entregues nesses anos pela ora Autuada, alertado sobre a situação de possível irregularidade daquelas empresas, teria certamente se acautelado. ... Em momento algum houve por parte da fiscalização menção a qualquer punição em relação a tais empresas e seus respectivos representantes legais, não tendo sido apresentada qualquer prova acerca de eventual falsidade ideológica em relação às notas fiscalizadas, mesmo porque nenhuma prova foi apresentada que à época do período de apuração tais empresas não estariam em operação. Se assim não fosse, certamente tais empresas e seus representantes teriam sido punidos no tempo devido, o que ao que consta não ocorreu. O que não se pode admitir é a conduta por parte da fiscalização, no sentido de exigir que a ora contribuinte agisse com poder de polícia para investigar com profundidade a situação fiscal de seus fornecedores, o que é atividade privativa do Fisco. Dessa forma, há de restar claro que as empresas que forneciam para a ora contribuinte NÃO estavam inativas, de modo que os materiais por ela fornecidos eram acompanhados das respectivas notas fiscais, as quais, corretamente, foram incluídas como custo, acreditandose que também tenham sido lançadas como receita pelas referidas empresas que as emitiram. Assim, não há dúvida de que ao se pretender tributar novamente aludidas notas, estarseia praticando inegável bitributação, o que não há como ser admitido. A empresa autuada apenas fazia transações com as ditas empresas, dentre outras, comprando seus produtos, aliás, de bons preços e qualidade para fins de utilização como matéria prima de sua fabricação, não tendo conhecimento sobre sua situação fiscal, que para ela, recebendo seus produtos, com a consequente emissão do faturamento, efetuava os devidos pagamentos sem questionar. Há que se reafirmar, no caso, não tiveram os contribuintes qualquer conhecimento, à época das transações, sobre a dita inidoneidade citada pelo Sr. AuditorFiscal, e que não tem a empresa autuada o poder de polícia para investigar empresas, para saber sobre seus negócios e atividades, poder este que é exclusivo das Fazenda Públicas, das Autoridades Policiais e demais órgão governamentais, pois, o inverso, ou a liberação de tais funções de fiscalização a qualquer pessoa ou empresa, causaria s subversão do sistema. Cabe também afirmar, que, a praxe no mercado é as empresas efetuarem demoradas e complicadas consultas, não sobre os seus fornecedores, aqueles que lhes fornecem matéria prima e lhes entregam as notas fiscais e documentos pertinentes, mas sim sobre seus clientes, estes sim, pois serão os que lhes pagarão as vendas e farão com que a empresa consiga subsistir. Portanto, a empresa contribuinte ora fiscalizada não só é idônea, como também não infringiu qualquer norma legal, tendo sempre pautado as suas atividades pelo Fl. 6217DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.218 8 cumprimento das exigências legais em vigor, sendo os seus lançamentos contábeis e fiscais a fiel transcrição das suas atividades. ... Por fim, há ainda que se tratar da questão relativa à não aceitação por parte da fiscalização, quanto aos pagamentos realizados por caixa, relativos às operações descritas nas notas fiscais tidas como inidôneas. A esse respeito, há de restar claro que INEXISTE QUALQUER IRREGULARIDADE QUANTO AO PAGAMENTO REALIZADO ATRAVÉS DE CAIXA, uma vez que não se trata de prática proibida. Em verdade, o simples fato da empresa contribuinte se utilizar de diferentes formas de pagamento junto aos seus fornecedores, dentre eles o pagamento por caixa, por si só, jamais poderia ser utilizado como argumento para justificar a acusação de inidoneidade das notas fiscais fiscalizadas. E, neste aspecto, observase que a fiscalização não considerou os pagamentos realizados em cartório pela empresa MASTER MÓVEIS, relativos às notas fiscais emitidas pelas mesmas empresas tidas como inidôneas. Seriam tais pagamentos também fictícios aos olhos da fiscalização? É óbvio que todos os pagamentos realizados pela empresa Impugnante devem ser considerados, não sendo admitida a postura adotada pela fiscalização, no sentido de lhes retirar força probatória. DA IMPOSSIBILIDADE DE ENTREGA DA DOCUMENTAÇÃO FISCAL SOLICITADA: A esse respeito, pelo que se depreende da análise das respostas apresentadas aos Termos de Intimação Fiscal endereçados aos ora Impugnantes, que fazem parte dos autos do presente processo administrativo, verificase que foi realizada a prova da ocorrência de incêndio de grande escala nas dependências da empresa contribuinte, atingindo o escritório de contabilidade, destruindo a documentação fiscal ali existente. Com efeito, em que pese o esforço por parte do Corpo de Bombeiros que atuaram à época dos fatos, cabe salientar que por força da rápida propagação das chamas em decorrência da existência de materiais de alta combustão, houve a destruição total de um dos galpões, não tendo sido possível evitar que a propagação do incêndio atingisse todas as dependências ali existentes, dentre elas o local em que se encontravam arquivados os documentos contábeis. Merece destaque, pois, o laudo pericial expedido pelo Instituto de Criminalística confirmando a extensão do incêndio ocorrido, tratandose de documento público, dotado, portanto, de fépública, o qual por este motivo não pode ser simplesmente ignorado ou desconsiderado. ...a questão que se faz é se a omissão acerca da ocorrência do incêndio nas instalações da empresa fiscalizada é capaz de influenciar o julgamento dos autos de infração, sendo que, assim como ocorre naquela situação hipotética, a resposta também é no sentido de que, obviamente, referida influenciação ocorre em prejuízo aos contribuintes. Portanto, dúvida não há quanto ao fato de que o Sr. Agente Fiscal foi tendencioso em sua atuação, o que há de ser levado em consideração por esta Delegacia de Julgamento, ainda mais quando se verifica que toda a ação fiscal é pautada por critérios exclusivamente subjetivos daquela autoridade fiscal. Ademais, há que se considerar que os documentos que remanesceram após o sinistro foram todos entregues ao Sr. AuditorFiscal, sendo que a empresa contribuinte nunca mediu esforços para tentar recompor sua documentação fiscal. Porém, cabe frisar que a fiscalização realizada não tem por objetivo aludida recomposição, mas sim e, tão somente, a análise das operações representadas nas notas contabilizadas, cuja empresas emitentes tiveram sua idoneidade questionada. De qualquer forma, a empresa contribuinte sempre foi cumpridora de suas obrigações, dentre elas a conservação da documentação fiscal comprobatória de sua contabilidade. Entretanto, não pode a mesma ser atuada por não ter Fl. 6218DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.219 9 providenciado, além de arquivo físico, um backup digital de toda a sua documentação fiscal, mesmo porque não estava obrigada a fazêlo por lei. DA IMPOSSIBILIDADE DE RESPONSABILIZAÇÃO PESSOAL DOS RECORRENTES INEXISTÊNCIA DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS QUE LASTREIEM A RESPONSABILIDADE COM BASE NO ARTIGO 135, INCISO III, DO CTN: Independentemente dos argumentos despendidos no tópico anterior, que inviabilizam, por vício formal, qualquer cobrança em face dos ora contribuintes, cabe salientar que no que se refere ao sócio e representante legal da empresa MASTER MÓVEIS, este logrará êxito em demonstrar a inexistência de sua responsabilidade, diante da carência integral de provas no transcorrer da ação fiscal. Neste aspecto, observase que a autoridade fiscal manteve a responsabilização do sócio pelo único e exclusivo fundamento de que o mesmo detém poderes de gerência sobre a empresa autuada, sem, no entanto, apontar de forma efetiva sequer uma conduta ilícita praticada que justificasse a condição exigida pelo artigo 135 do Código Tributário Nacional, o que segue impugnado adiante. Conforme aduzido anteriormente, a autoridade administrativa, no transcorrer da autuação imputou ao sócio da empresa MASTER MÓVEIS, de forma genérica responsabilidade inexistente, utilizandose sem qualquer elemento probatório para tanto, dispositivo do artigo 135, inciso 111, do Código Tributário Nacional... Não obstante, além da efetiva comprovação cabal imposta à fiscalização que não procedera, por se tratar de conduta ativa, pessoal e intransferível de cada agente para suas responsabilizações, imprescindível que a autoridade responsável pela autuação averigúe e diligencie de forma individualizada, precisa, aprofundada e com provas robustas se primeiramente houve e qual a parcela de participação de cada um dos representantes legais da empresa quanto à suposta prática ilícita ocorrida, mormente pelo fato de tratarse de procedimento passível de responsabilização penal. Incabível a pretensão de se responsabilizar pessoalmente representantes legais e procuradores de empresas, de forma genérica e sem qualquer indício e/ou demonstração de prova quanto à efetiva colaboração dos mesmos para com a ocorrência dos fatos geradores dos tributos exigidos, sob pena de banalização do instituto da responsabilidade, concebido pelo legislador em caráter excepcional. No caso em comento, considerando que se tratam de EMPRESAS DISTINTAS, a fiscalização não se desincumbiu de comprovar sequer a ligação do sócio ora impugnante com as supostas irregularidades. Na realidade, balizouse única e exclusivamente em presunção de que a mesma teve algum envolvimento. Ademais, é sabido que o fisco detém todos os elementos coercitivos para obtenção de provas concretas que balizem as autuações, sendo incabível lastrear a constituição de crédito tributário extensivo ao sócio sem nenhum resquício probatório e/ou de diligências procedidas para aferição da verdade material. Ora, se não restou comprovada nenhuma conduta reprovável de forma individualizada por parte do sócio que ensejasse no enquadramento da hipótese legal do artigo 135 do CTN, não há que se imputar responsabilidade tributária ao mesmo. De todo o explanado, impõese o afastamento de quaisquer responsabilidades do sócio pela autuação promovida em face da empresa, haja vista integral carência de elementos probatórios que comprovem seu envolvimento na prática de conduta dolosa, consoante imposição trazida pelo artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. DA INEXISTÊNCIA DO ALEGADO GRUPO ECONÔMICO: Pelo que se depreende da análise do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, especificamente no que se refere ao item 5, "Do Grupo Econômico Master Móveis: Fl. 6219DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.220 10 Sócios e Empresas Integrantes", constatase que houve por parte da autoridade fiscal alegação no sentido de que, da análise das informações constantes da empresa fiscalizada MASTER MÓVEIS, decorreria a conclusão que existiria um Grupo Econômico composto, também, pelas empresas CA CONSTRUTORA E LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA., inscrita no CNPJ/MF n^ 07.169.144/000115; SLR TRANSPORTES E LOGÍSTICA LTDA., inscrita no CNPJ/MF n.s 11.516.860/000107 e SOFÁ AMBIENTE COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA.ME, inscrita no CNPJ/MF n.e 67.039.248/000137. Neste aspecto, cabe observar que referida "alegação" se encontra alicerçada, tão somente, em dois fatos, quais sejam: a) a existência de relações comerciais entre a empresa MASTER MÓVEIS e as demais empresas retro indicadas e; b) a relação de parentesco entre os diferentes sócios. Ocorre que, muito embora a fiscalização já possuísse o conhecimento acerca de tais fatos, imperioso destacar que as empresas retro mencionadas possuem quadros societários distintos, finalidades distintas, endereços distintos e data de constituição distintas, não havendo dúvida de que a argumentação contida no auto de infração, repitase, nitidamente fulcrada no vinculo familiar existente entre as pessoas que compõe os quadros societários das referidas empresas, POR SI SÓ, não é suficiente a ensejar tal reconhecimento da existência do alegado grupo econômico. Ora, o simples fato de membros de uma mesma família possuírem empresas não caracteriza a formação de grupo econômico em por via de consequência, a responsabilidade de uma sociedade pela obrigação assumida por outra, inclusive no aspecto tributário. Da mesma forma, o fato das empresas possuírem relacionamento comercial entre si JAMAIS poderia tornálas solidariamente responsáveis, ainda mais quando TODAS as operações foram devidamente contabilizadas. Além disso, não há nenhuma ilegalidade no fato de uma pessoa fazer parte do quadro societário de mais de uma empresa, sendo que, no caso dos autos, não há qualquer confusão patrimonial, não tendo quaisquer das empresas mencionadas pela autoridade fiscal tido qualquer participação nas negociações retratadas nas notas fiscais tidas como inidôneas. É óbvio que assim como na esfera administrativa, a esfera judicial, em casos específicos, tem reconhecido a existência de grupos econômicos, a justificar, repita se, a responsabilidade de uma sociedade pelas obrigações de outra sociedade também pertencente ao referido grupo. Porém, rígidos se mostram os requisitos necessários a tal reconhecimento, sob pena de se estar praticando efetivo abuso de direito, trazendose para a execução outras sociedades que não possuem qualquer relação com o débito em discussão, o que efetivamente ocorre no caso dos autos. Portanto, embora cada uma das empresas indevidamente envolvidas nos autos de infração contra os quais versa a presente impugnação, possua legitimidade para a defesa de seus próprios interesses, não há como a ora contribuinte se quedar inerte ante ao reconhecimento do grupo econômico na forma em que ocorreu, o qual, frisase, é INEXISTENTE. Desse modo, ao se analisar a legislação societária, temse que se considerar como controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores, conforme artigo 243, §29, da Lei n.e 6.404/1976. Isto é, para que se cogite da existência de um grupo econômico, tal como previsto no nosso ordenamento jurídico, é necessário que as sociedades empr Não fosse apenas isto, ainda que se pudesse cogitar da existência de um suposto grupo econômico o que se admite exclusivamente em caráter hipotético e sem qualquer reconhecimento de direito em favor do Fisco, há que se entender que a existência de aludido grupo, por si só, JAMAIS poderia ensejar a responsabilização solidária de Fl. 6220DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.221 11 uma empresa coligada por dividas contraídas por outra, eis que a regra, repitase, é a de cada empresa do grupo responda individualmente por suas próprias dívidas. Portanto, a responsabilização solidária entre as empresas é exceção, de modo que para que se vislumbre sua ocorrência é necessário que se encontrem preenchidos os requisitos de que trata o artigo 50 do Código Civil. Ou seja, há de restar claro que o que implica o dever de empresas coligadas ou unidas por controle responderem por débitos uma das outras, sem qualquer divisão ou ordem de preferência, não é a circunstância de formarem um grupo econômico, mas sim, a confusão patrimonial ou o desvio de finalidade, no intuito de fraudar credores. Em verdade, conclusão outra não se obtém senão a de que a Autoridade Fiscal tenta de forma desesperada vincular ao suposto crédito tributário, toda e qualquer empresa cujos sócios possuam vínculo familiar com o sócio da empresa MASTER MÓVEIS LTDA., o que não há como prosperar, ainda mais quando se observa que a autuação se deu com base em critérios exclusivamente subjetivos e, por via de consequência, arbitrários. A banalização da responsabilidade solidária caracteriza abuso de direito, razão pela qual, sem prejuízo das demais questões discutidas na presente impugnação, há que se afastar o reconhecimento do alegado grupo econômico, excluindose as demais empresas (e respectivos sócios) indevidamente incluídos como responsáveis tributários na autuação direcionada à contribuinte MASTER MÓVEIS. esárias combinem expressamente recursos e esforços para a consecução de objetivos e atividades comuns, sendo que compete à Assembleia Geral da sociedade, por maioria absoluta de votos, tomar as decisões relativas ao seu objeto. Por sua vez, a existência de grupo econômico não compromete ou desnatura a identidade das empresas associadas, que permanecem como pessoas jurídicas distintas e autônomas, respondendo cada qual pelo pagamento das dívidas contraídas de forma isolada. No presente caso. INEXISTE A FORMAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO QUE ENGLOBE A FISCALIZADA MASTER MÓVEIS LTDA. E AS DEMAIS EMPRESAS INDICADAS PELA AUTORIDADE FISCAL, não se tratando de empresas coligadas na forma a que se refere a Lei n.g 6.404/1976, mas sim, de empresas distintas, com quadros societários distintos, endereços distintos e atividades distintas. DA INEXISTÊNCIA DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS QUE LASTREIEM A RESPONSABILIDADADE COM BASE NO ARTIGO 124, INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Não obstante o quanto já alegado em relação à inexistência de grupo econômico equivocadamente mencionado pela fiscalização, cumpre ainda destacar a ausência de responsabilidade solidária por parte dos demais sujeitos passivos indevidamente vinculados, ante a carência integral de provas no transcorrer da ação fiscal. Por oportuno, além de dever ser efetiva e cabal a comprovação por parte da fiscalização, por se tratar de conduta ativa e intransferível de cada agente, imprescindível que averigue e diligencie de forma individualizada, precisa, aprofundada e com provas robustas, se efetivamente houve e qual a parcela de participação dos impugnantes quanto à suposta prática ilícita. Incabível a pretensão de se responsabilizar os impugnantes, de forma genérica e sem qualquer indício e/ou demonstração de prova, quanto a sua efetiva participação para com a ocorrência de eventuais fatos geradores dos tributos exigidos, sob pena de banalização do instituto da responsabilidade concebida pelo legislador em caráter excepcional. No caso em tela, a fiscalização não se desincumbiu de comprovar sequer a ligação das impugnantes com as supostas práticas ilícitas. Na realidade, balizouse única e Fl. 6221DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.222 12 exclusivamente em presunção de que as mesmas tiveram envolvimento quanto à suposta prática ilícita perante o Fisco. DO AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA (150%). INEXISTÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA ENSEJADORA DO AGRAVAMENTO AUSÊNCIA DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS Do trecho acima citado é transparente que não houve por parte da autoridade fiscal, qualquer procedimento ou instrução probatória que comprovasse prática fraudulenta por parte da empresa e/ou dos sócios, elemento subjetivo e indispensável para aplicação da multa qualificada. O fato da fiscalização entender pela inidoneidade das notas fiscais, por si só, não é suficiente para caracterização de fraude, AINDA MAIS QUANDO A EMPRESA ORA CONTRIBUINTE não possui qualquer relação com tais negócios, de modo que a máfé, elemento essencial para o reconhecimento de toda a e qualquer fraude, necessitaria ser cabalmente comprovada pelo Fisco, pois implica em circunstâncias mais gravosas à contribuinte autuada. Se no entender do Fisco houve a prática de conduta ilícita com intuito de fraude por parte da empresa fiscalizada, deveria o mesmo apurar tais circunstâncias e com amparo na legislação e, no conjunto probatório obtido, fornecer à autuada direito de defesa acerca dos fatos e provas em questão. No caso em tela, a fiscalização utilizouse de presunção de fraude para aplicar a multa qualificada. Entretanto, a qualificação da multa de ofício não pode se respaldar em "contexto" utilizado genericamente pela fiscalização, mas sim deve ser aplicada quando da comprovação concreta, incontroversa e com detalhamento de forma individualizada acerca da específica conduta que implique em sua destinação. Na hipótese em análise, a autoridade administrativa sequer elucidou quais condutas ativas e/ou omissivas que balizaram a qualificação da multa. Em verdade, não houve especificação e individualização alguma das praticas tidas por dolosas/fraudulentas por parte da autuadas, que ensejariam no agravamento da multa de ofício para 150%. Frisase novamente, a autoridade fiscal nitidamente se pautou em presunções e posicionamento de cunho subjetivo para adotar aplicação da multa qualificada, o que não deve prosperar, sobretudo nas hipóteses de presunção legal de omissão de rendimentos. DA IMPOSSIBILIDADE DE ENCAMINHAMENTO DE REPRESENTAÇÃO PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO: Pelo que se depreende da análise do item 7.3 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, no tópico "Representação Fiscal para Fins Penais", verificase que no entendimento da autoridade fiscal estaria constatada a prática de atos que, em tese, configurariam crime contra a ordem tributária, capitulados nos artigos l9 e 29 da Lei n.9 8.137/90, razão pela qual aludida representação foi elaborada, nos termos do art. 83 da Lei n.9 9.430/96 e da Portaria RFB n.9 2439, de 21 de dezembro de 2010. A esse respeito, não obstante se tratar de uma afirmação "padrão", existente em todos os autos de infração, resta oportuno lembrar que tal procedimento caracteriza constrangimento ilegal, não havendo justa causa para que se dê início a qualquer ato de movimentação administrativa ou judicial, no sentido de investigar a suposta prática de crime tributário, enquanto o crédito tributário não se encontrar devidamente transitado em julgado. DO DESCABIMENTO DO ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS: ...não obstante o quanto já alegado e, considerando ainda a necessidade de julgamento da presente impugnação, restou expressamente evidenciado o interesse por parte da autoridade fiscal, no sentido de vincular outras empresas que não aquela objeto de fiscalização, como sujeitos passivos da autuação, única e Fl. 6222DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.223 13 exclusivamente com o fito de vincular o patrimônio destas, sem que exista qualquer prova de que as mesmas possuiriam sujeição passiva solidária, nos termos do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Por todas estas razões, requer a suspensão de eventual arrolamento de bens dos ora Impugnantes, a fim de se evitar a ocorrência de prejuízo irreparável ou de difícil reparação, até o eventual ingresso em segunda instância administrativa, nos termos da decisão retro reproduzida ou mesmo até decisão judicial a respeito. DOS PEDIDOS: De todo o exposto, requer desta Delegacia de Julgamento o acolhimento da presente impugnação para que: Seja reconhecida a ilicitude das provas obtidas pela autoridade administrativa, diante da violação do sigilo bancário sem autorização judicial e afronta as garantias individuais asseguradas pelo artigo 52, incisos X e XII da Constituição Federal, mormente pela declaração de inconstitucionalidade pela Corte Suprema, definida no RE nº 389808/PR por decisão plenária, em estrito atendimento ao disposto no artigo 26A, §65, inciso I do Decreto n9 70.235/72 e artigo 62, parágrafo único, inciso I do Regimento Interno deste CARF, com o consequente cancelamento dos autos de infração ora impugnados, ou, subsidiariamente; Seja afastado o reconhecimento do alegado grupo econômico envolvendo as ora contribuintes, determinandose a exclusão das mesmas junto ao pólo passivo dos autos de infração ora impugnados, ficando afastada a alegada responsabilidade solidária de que trata o artigo 124, inciso I, do CTN, ou subsidiariamente; Sejam afastadas quaisquer responsabilidades do sócio impugnante, haja vista integral carência de elementos probatórios que comprovem seus envolvimentos na prática de conduta dolosa, consoante imposição trazida pelo artigo 135, inciso III do Código Tributário Nacional; Independentemente de todos os demais argumentos, que implicará no cancelamento integral dos autos de infrações recorridos, inclusive seus consectarios legais, requer o afastamento da multa qualificada aplicada pela fiscalização, reduzindoa ao patamar ordinário da multa de ofício (75%), pois ausentes os elementos de prova que autorizem o agravamento pretendido, afora a existência de dúvidas quanto aos critérios subjetivos e presunções utilizados pela fiscalização; Seja determinada a suspensão de qualquer procedimento dearrolamento de bens em face dos ora Impugnantes; 6) Seja determinada a suspensão de qualquer representação fiscal para fins penais em face dos contribuintes ora Impugnantes. Em julgamento realizado em 29 de abril de 2016, a 3ª Turma da DRJ/JFA, considerou parcialmente procedente as impugnações apresentadas e prolatou o acórdão 0959 482, assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO FISCAL PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. CABIMENTO. JURISPRUDÊNCIA DO STF. O STF, manifestandose pelo seu Pleno nas ADINs 2386, 2390, 2397 e 2859, publicadas no DOU em 29 de fevereiro do corrente ano, tomou por legítima a requisição de informações bancárias realizada diretamente pelas autoridades Fl. 6223DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.224 14 administrativas (art.6º da LC 105/2001), desde que presentes determinados requisitos mínimos que, no caso da União Federal, já estão presentes na Lei 9.784/99 e no Decreto 3.724/2001. IPI. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. FALSEAMENTO DE CRÉDITO ESCRITURAL. GLOSA DE CRÉDITOS INDEVIDOS. Comprovada a utilização de créditos escriturais falseados, advindos de operações mercantis não realizadas, é de se glosar os valores ilegalmente aproveitados a fim de que se conheça o verdadeiro perfil do valor devido pela empresa em cada período de apuração. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. JURISPRUDÊNCIA DO STF. FALTA DE PARTICIPAÇÃO NA FORMATAÇÃO DO FATO GERADOR. ILEGITIMIDADE. A teor do art. 124, I do CTN e de acordo com a doutrina justributarista nacional mais autorizada, não se apura responsabilidade tributária de quem não participou da elaboração do fato gerador do tributo, não sendo bastante para a definição de tal liame jurídico obrigacional a eventual integração interempresarial abrangendo duas ou mais empresas da mesma atividade econômica ou de atividades econômicas distintas.(AgRg no REsp 1535048, de setembro de 2015) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. SÓCIO GERENTE. DOLO GÊNERO. LEGITIMIDADE DE INCLUSÃO. É mansa a jurisprudência do STJ no sentido de que o sócio gerente será responsabilizado pelo crédito tributário, desde que comprovado o dolo ou a culpa nos atos infracionais detectados pela Fiscalização. Requisito preenchido, legítima a responsabilização por solidariedade passiva. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. CONTADOR CONTRATADO.TEORIA DO DOMÍNIO FUNCIONAL DO FATO. LEGITIMIDADE DE INCLUSÃO. Assim, se há domínio funcional em ação dolosa como restou comprovado , há coautoria; e se há coautoria, há, por óbvio, amplo, pleno e total suporte jurídico para a responsabilização por solidariedade do contador, como consta na peça de lançamento, nos termos do art.135 do CTN, agindo, sponte sua, como preposto contratado e sem relação de subordinação que permita a aplicação de qualquer exclusão de ilicitude. IPI. MULTA QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS FUNDADOS EM NOTAS INIDÔNEAS. NÃO CABIMENTO. Na qualificação da multa, a intenção do legislador foi proteger o núcleo da obrigação tributária, qual seja o fato gerador a que se vincula todo o desdobramento jurídico que culminará com um direito creditório em favor do Erário Público. Ocultar o fato ou retardar o seu conhecimento significa omitir documentação base de ocorrência, deformar circunstâncias materiais ou a natureza do negócio jurídico praticado, não se enquadrando em tal perfil a utilização de créditos falseados, que bem pode gerar agravamento, mas não qualificação. Fl. 6224DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.225 15 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Dos Recursos Voluntários A contribuinte e o Sr. Abrahão Zacarias Monfrinato apresentaram recurso voluntário às fls. 6058 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, atendose aos seguintes pontos: Da Impossibilidade de quebra do sigilo bancário; Da regularidade das informações fiscais prestadas pela contribuinte e da idoneidade das operações realizadas; Da impossibilidade de entrega da documentação fiscal solicitada; Da inexistência de elementos probatórios para fins de responsabilidade do art. 135, III, do CTN; Do descabimento da concomitância da multa isolada e da multa de ofício; O responsável solidário, Santo Joaquim Lopes Alarcon, apresentou Recurso Voluntário às fls. 6085 e ss, e alegou em síntese: Da Impossibilidade de quebra do sigilo bancário; Da ilegitimidade passiva do recorrente; Em razão da conexão destes autos com o PA 13888.723871/201501, que trata dos mesmos fatos, porém relacionados ao IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF, que já estavam sob a minha relatoria, este também foi trazido à mim, nos termos do Despacho de fls. 6208/6210, de acordo com o art. 6º, parágrafos 2º e 3º, do Anexo II da Portaria MF 343/2015 (RICARF), para julgamento em conjunto. É o relatório. Fl. 6225DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.226 16 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi autuada, a recolher o IPI relacionado aos anoscalendários de 2010 a 2012, bem como multa regulamentar de acordo com o art. 490, inciso II do RIPI/2002 (art. 572, inciso II do RIPI/2010), e multa qualificada. Em razão ter cometido as seguintes infrações: apropriação indevida de créditos básicos de IPI, oriundos de insumos adquiridos através de notas fiscais inidôneas. Emitiramse termo de responsabilidade tributária contra as seguintes pessoas: Abrahão Zacarias Monfrinato, sócio da empresa; art. 135, III e 124, II do CTN; Abrahão Fontanari Monfrinato; art. 135, III e 124, I do CTN; Celi Maria Fontanari Monfrinato; art. 135, III e 124, I do CTN; Santo Joaquim Lopes Alarcon, contador da empresa, art. 135, II do CTN. E empresas que segundo a acusação fiscal formavam o grupo econômico Master Móveis: CA Construtora e Locação de Equipamentos; art. 124, I do CTN; SLR Transportes e Logística Ltda; art. 124, I do CTN; Móveis Monfrinato Ltda (alterada para Sofá Ambiente Ltda); art. 124, I do CTN; A DRJ/JFA julgou as impugnações parcialmente procedentes. Dessa forma, há Recursos Voluntários e de Ofício. RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO No que tange à admissibilidade do recurso de ofício, ressalto o determinado no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, publicada no DOU de 10/02/2017, a seguir transcrito: Fl. 6226DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.227 17 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). No caso em referência, diante do afastamento da responsabilidade solidária das pessoas físicas Abrahão Fontanari Monfrinato e Celi Maria Fontanari Monfrinato, e as pessoas jurídicas CA Construtora e Locação de Equipamentos, SLR Transportes e Logística Ltda e Sofá Ambiente Comércio de Móveis Ltda. Bem como o afastamento da multa qualificada, verifico que superam o limite de dois milhões e quinhentos mil reais, estabelecido pela norma em referência. Dessa forma, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/JFA e intimada ao recolhimento do débito de IPI em 28/06/2016 (ciência à fl. 6047), e apresentou em 08/07/2016, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 6058 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. 1) Preliminares de nulidades do auto de infração Da Impossibilidade de quebra do sigilo bancário A recorrente afirma que diante do embasamento das autuações serem as informações bancárias, que foram obtidas de forma ilícita, já que se originaram de RMF´s emitidas diretamente às instituições financeiras, sem o devido processo legal e determinação judicial para tanto, levando à imprestabilidade das provas para consubstanciar os autos de infrações. A emissão dos RMF´s, conforme os Relatórios Fiscais, se deram em razão da inércia do contribuinte, e devidamente embasadas, nos respectivos relatórios. Abaixo um dos exemplos, fls. 224 e ss: Fl. 6227DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.228 18 A solicitação de emissão de RMF, conforme inciso VII, do art. 3º do Decreto 3.724/2001, embasada no art. 33, I, da Lei 9.430/96, Art. 33. A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxilio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966;(grifei) Desta forma, vejo que devidamente embasada e justificada está a requisição de informações financeiras. Ademais, em que pese a fiscalização ter se iniciado com a emissão do RMF, a infração tratada não é a de omissão de receitas e sim de glosa de despesas, com provas angariadas diretamente. Entendo não ter razão a recorrente. Notese que o Supremo Tribunal Federal julgou recentemente essa matéria em sede de Repercussão Geral. O julgamento se deu no âmbito do Recurso Extraordinário nº Fl. 6228DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.229 19 601.314, na sessão plenária do dia 24.02.2016, publicada em no DJe nº 37/2016 (em 29.02.2016), e decidiu por maioria de votos a seguinte: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. ” Ademais, transcrevo o dispositivo legal que permite o acesso à movimentação financeira pela Fisco, o art 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Assim também o entendimento da Profa. Maria Rita Ferragut1: "O sigilo bancário não é absoluto, e, no que diz respeito ao aspecto fiscal, deve ceder ao interesse público de obter informações que possam se configurar relevantes a tipificar indícios de prática do fato jurídico tributário. A interpretação do direito à privacidade, na forma ora proposta, garante tanto a eficácia na produção de provas tributárias, quanto a concretização da legalidade e da igualdade. Os benefícios parecem, portanto, muito maiores que a prevalência cega e absoluta da privacidade." Dessa forma, correto o procedimento fiscal embasado em dispositivo legal em plena vigência. De se afastar tal preliminar. 2) Do Mérito Da regularidade das informações fiscais prestadas pela contribuinte Master Móveis e da idoneidade das operações por ela realizadas Conforme já relatado, autuação fiscal ocorreu em razão da constatação da inidoneidade das notas fiscais contabilizadas pela recorrente; e não apresentação por parte dos contribuintes fiscalizados da documentação fiscal/contábil comprobatória da regularidade da aquisição de mercadorias objeto de fiscalização. Citese, ademais, que o conjunto fático probatório é vasto. 1 As provas e o direito Tributário, pág. 110. Fl. 6229DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.230 20 Nos termos do TVF, o início do procedimento se deu em razão do ano anterior (2009) ter havido também indícios de utilização de empresas noteiras (PAs já julgados no CARF). Assim, para os anos em discussão, foram identificadas 13 empresas que apresentavam características de "noteiras", de tal forma que a as aquisições de mercadorias representariam apenas uma simulação, resultando em contabilização de despesas inexistentes e consequente apropriação de crédito de tributos através de notas fiscais frias: 1 Comercial Firenze Indústria e Comercio de Plásticos Ltda., 2 Tecidos Rio Branco Ltda., 3 Canovas Fashion Atacadista Ltda, 4 Conquista JRB Comercio de Papeis e Embalagens Ltda., 5 J & M Comercial Têxtil Ltda., 6 Natural Cotton Comercio Atacadista de Tecidos Ltda, 7 SRX Atacadista Ltda, 8 Jakarta Atacadista Ltda, 9 Maxifibra Comercio Atacadista de Tecidos Ltda, 10 André Luis Rodrigues da Silva EPP., 11 Soares & Deffanti Comercio e Representação Comercial de Fios e Tecidos Ltda., 12 ISGIS Comercio e Representação Comercial e Fios e Tecidos Ltda; e 13 SEPTEM Confecções e Comercio De Roupas Ltda EPP Alega a recorrente, que no exercício de suas atividades, fabricação de móveis (sofás), necessita adquirir um elevado número de mercadorias e demais matériasprimas a serem empregadas na fabricação de seus produtos, e que sempre teve por praxe consultar os dados de seus fornecedores junto ao SINTEGRA (sistema de consulta pública do Estado de São Paulo), e sempre atuou dentro dos limites de prudência, não constatando nenhuma irregularidade. Cita o relatório fiscal que todas as vezes em que a recorrente foi intimada a comprovar como as operações realmente aconteciam, informava que não possuía os documentos. Continua o relatório fazendo uma análise detalhada de cada uma das empresas. Com relação por exemplo à primeira (1), a empresa era intimada a apresentar diversas documentações das operações realizadas, bem como Livros e comprovantes de Fl. 6230DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.231 21 pagamentos da recorrente, já que havia indícios de simulação. Verificouse valores significativos realizados em dinheiro em espécie, sendo pouco provável que realmente tenham ocorrido os pagamentos, por exemplo R$1.000.000,00. Continua o relatório no sentido de que a movimentação por parte da empresa de R$44.137.921,98 em dinheiro requereria controles guardados pela empresa pagante. Fato. Demonstra também uma forma que a recorrente se utilizou para todas essas empresas ao tentar provar que atendeu a intimação, apresentava cópia somente do AR, que retorna com a justificativa de "mudouse". O quadro societário desta empresa é composto por interpostas pessoas Maria da Conceição Costa Menezes, que apresentou DIPF em 2010 com rendimentos zerados e na ficha de bens e direitos não consta a empresa Firenze. Não entregou declaração nos seguintes anos (2011, 2012, 2013, 2014). E Luis Cardoso Alvarenga, sócio administrador incluído em 03/05/2010, que também não entregou DIPF de 2010 a 2014. Em consulta ao sistema CADESP (Cadastro de Contribuintes do ICMS de São Paulo), verificouse que a situação dessa empresa era de "inapto" desde 01/02/2009, mesmo assim, começou a emitir Notas Fiscais para a recorrente em 05/03/2009, após o início da inaptidão: Essa mesma emoresa, deixou ainda de enviar declarações acessórias, como DACON, DIPJ, DCTF, EFD, ECD, não pagou tributos. Ainda, continua o relatório, que se utilizando do sistema ReceitanetBX, foram baixados os arquivos das notas fiscais eletrônica emitidas e recebidas pela empresa Fl. 6231DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.232 22 Coml Firenze Ltda no período de 21/02/2010 a 30/12/2010, verificouse que foram emitidas notas fiscais de venda para a recorrente no total de R$13.424.930,03, de 2.563.310 mts/kgs de PEBD TUBOLAR, porém, a Coml Firenze não adquiriu nenhuma mercadoria! Verificou, ainda, que nesse período a empresa adquiriu mercadorias para produção ou revenda no valor de R$1.626.563,26 e venda de R$31.313.834,92, 5,2% é a relação entre aquisições e vendas. Assim como, a fiscalização identificou algumas notas que foram emitidas por essa empresa, porém não escrituradas pela recorrente, no valor de R$1.983.502,29, que nem foram canceladas posteriormente pela emitente. Intimada, a recorrente apenas respondeu dizendo acreditarse tratar de equívoco por parte da Coml Firenze. Além de outros fatos probatórios, a conclusão foi de que o procedimento é típico de empresa noteira, aberta apenas para a emissão de Notas Fiscais, com a finalidade de aumentar os custos e créditos para a empresa que está recebendo as respectivas Notas. A fiscalização descreve pormenorizadamente, com exemplos através de cheques, contabilizações, transferências e planilhas todos o procedimento utilizado pela recorrente para realizar os pagamentos fictícios, que para esta empresa foi da ordem de R$27.472.564,56.Concluindo que as notas fiscais apuradas são inidôneas. Dessa forma, o relatório fiscal é vasto feito para cada uma das 13 empresas mencionadas. Aqui, utilizome do quadro comparativo, feito pela DRJ nos autos do PA 13888.723871/201501, como já enfatizado acima tratou dos mesmos fatos aqui tratados e que muito bem ilustra de forma resumida todo arcabouço fático probatório que a Fiscalização amealhou neste procedimento, que apenas reafirma a manutenção do lançamento. Fl. 6232DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.233 23 Fl. 6233DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.234 24 Fl. 6234DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.235 25 Fl. 6235DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.236 26 No acórdão aqui recorrido, também colaciono trecho muito bem observado pela DRJ, acerca dos fatos e do fluxo operacional criado pela recorrente, fls. 20: Não estamos tratando de erro involuntário, nem de culpa consciente ou inconsciente por parte da Máster Móveis. Estamos tratando de dolo direto na utilização de notas fiscais falsas emitidas por empresas ditas “noteiras” e utilizadas pela Impugnante mediante estratagemas contábeis minuciosamente descritos pelo Autuante. Estamos tratando, por conseguinte, das infrações de inadimplemento do IPI por falseamento da conta gráfica no pólo dos créditos escriturais contabilizados e de falsidade ideológica na escrituração de notas fiscais representativas de negócios jurídicos que nunca ocorreram. Fl. 6236DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.237 27 Quer dizer, estamos cuidando de notas fiscais “frias” empregadas como créditos redutores do IPI a pagar e representativas de falseamento ideológico punível nos termos do artigo 490, inciso II, do RIPI/2002: Art. 490. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): I(...) II os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso II, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª). Insistir na ausência de culpa é surpreendentemente simplista ao se considerar o engenhoso fluxo fraudulento presente na contabilidade da contribuinte. Vejamos com detalhes. FLUXO 1: “A empresa Máster Móveis possui no banco Itaú, ag.731, as seguintes contas correntes: 325551 e 723714. As movimentações financeiras da contacorrente 325551 são lançadas na conta contábil BANCO ITAÚ S/A ... Entretanto as movimentações financeiras da contacorrente 723714 não são lançadas na contabilidade da empresa. “Caixa dois”. Em relação à contacorrente 723714 a Master realiza o seguinte procedimento: a) emite um cheque da contacorrente 325551 nominal para a própria Máster, endossa o cheque e saca na agência do Itaú. b) Neste saque, parte do valor é transferido para a conta 723714, que é creditado com o histórico de: DEPÓSITO EM DINHEIRO e parte é sacado em espécie ou depositado em outras contas correntes. c) Para o valor total do cheque emitido através da conta 325551, que é contabilizada, é realizado um lançamento contábil de transferência para a conta contábil CAIXA. d) A empresa realiza pagamentos de transações (de interesse da própria empresa, dos sócios ou de empresas do Grupo Econômico), que não são contabilizadas, através da contacorrente 723714. e) Porém, estes valores que foram pagos e não contabilizados, estão na conta CAIXA da empresa, em conseqüência da transferência realizada. f) Para dar baixa na conta CAIXA e empresa realiza o lançamento de pagamento, que hipoteticamente teria realizado, para quitar aquisições de mercadorias realizadas através de notas fiscais inidôneas. A fiscalização chega a esta conclusão, pois dos valores que foram transferidos contabilmente para a conta CAIXA, parte destes valores foram transferidos, na Fl. 6237DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.238 28 realidade, para a contacorrente 723714, que é utilizada como caixa dois pela empresa. Portanto simplesmente o pagamento não foi realizado, pois o valor utilizado na conta CAIXA não existe, sendo que foi utilizado para pagamentos através da conta corrente 723714. Informamos que este procedimento foi utilizado pela Máster Móveis para simular pagamentos para as demais empresas noteiras, além da Comercial Firenze. Portanto, concluise que os pagamentos realizados através da conta CAIXA são quase em sua totalidade pagamentos para empresas noteiras, que são pagamentos fictícios.” FLUXO 2: “Na execução do procedimento de fiscalização na empresa MÁSTER MÓVEIS LTDA, constatamos que a pessoa jurídica fiscalizada utilizou serviços da empresa ALARCON CONTABILIDADE LTDA, CNPJ: 54.402.003/000180. (...) Enviamos diversas intimações para a empresa Máster Móveis justificar os lançamentos de devoluções que foram realizados envolvendo empresas que foram consideradas como noteiras pela fiscalização. A fiscalização enviou cópia dos TIF relacionados para a empresa Alarcon Contabilidade intimando a justificar o motivo dos lançamentos de DEVOLUÇÃO tendo como contrapartida contas de empresas que a fiscalização considerou como noteira e também na conta CAIXA. Enfatizamos que não foram emitidas notas fiscais de devolução para as quais foram solicitados esclarecimentos. O Sr. Joaquim [responsável pela Alarcon Contabilidade], atendendo a intimação respondeu: “A Master Móveis havia procedido a aquisição de MP destas empresas em anos anteriores, quando dos relatórios gerenciais a nós enviados em nov/2012, tivemos a informação que tais mercadorias ou MP vieram com defeito e de longa data a administração havia entrado em contato com os fornecedores e chegando a um acordo que substituiriam as mesmas... Assim o fizemos. Debitamos o fornecedor e creditamos a conta de matéria primna(custo), reduzindo desta maneira o valor do custo de produção naquele exato montante e, portanto, sem que houvesse prejuízo ao fisco na apuração do IR. As diferenças eventuais e que foram contabilizadas no caixa assim o procedemos tendo em vista o demonstrativo de valores que havia sido pago anteriormente aos fornecedores, a nós enviados e que e que poderia ser contabilizado em qualquer conta de ativo circulante como crédito, a acertar ou receber futuramente de fornecedores, tratandose aí de mais um caso de fato contábil permutativo...” Verificase que as informações não procedem pois verificamos que praticamente toda a mercadoria foi adquirida em 2012, sendo que algumas tiveram o lançamento de devolução antes mesmo do lançamento de aquisição. FLUXO 3: “A seguir realizamos a análise dos lançamentos contábeis e bancários... No dia 22/03/2012 a empresa realiza o lançamento de aquisição da nota fiscal nº 3219 da empresa SRX. No dia 19/07/2012 a empresa realiza um pagamento parcial no valor de R$ 13.896,80. Ocorre que este lançamento é fictício e o pagamento não é feito para a SRX (empresa noteira) e sim para o Condomínio Residencial Palladio,. (Detalhes no item Beneficiários Dos Cheques). Portanto na realidade não ocorreu o pagamento parcial da nota fiscal. Fl. 6238DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.239 29 Destacamos que este lançamento retrata outro procedimento da empresa para ocultar os reais beneficiários dos pagamentos e para simular pagamentos para empresas que emitiram notas fiscais inidôneas, que é utilizado na conta CAIXA,sendo que normalmente esta conta deveria retratar transações realizadas com dinheiro em espécie. No entanto, a empresa efetua o lançamento como se o valor tivesse sido sacado e colocado na conta CAIXA e posteriormente este valor teria sido utilizado para pagar a empresa SRX Ltda. Entretanto, o que de fato ocorreu foi o pagamento para terceiras pessoas, que transitam pela contabilidade da empresa, e a contabilização do pagamento para dar baixa em saldo devedor composto por notas frias, que foram contabilizadas pela Máster. Se a aplicação da multa prevista no art.490, II, do RIPI/2002, exige dolo elementar, eilo demonstrado à exaustão nas operações supra descritas. No primeiro estratagema é utilizada uma conta bancária não contabilizada para onde vão os saques em dinheiro realizados na conta contabilizada (ambas no Itaú). Saque realizado, são feitos pagamentos diversos com recursos da conta marginal a fornecedores não contabilizados, ao mesmo tempo em que a conta CAIXA recebe o lançamento fictício a débito do recurso transferido. Ou seja, para a contabilidade, a conta CAIXA estaria recebendo o valor do saque efetuado na conta contabilizada. Em seguida, o falso lastro do CAIXA (lançamento a débito fictício) é usado para liquidação das compras falsas realizadas com as empresas “noteiras” listadas no relatório da auditoria. A operação foi rastreada tendose como elemento jurídico base para o procedimento de quebra do sigilo bancário o disposto na LC nº 105/2001 e no Decreto 3.724/2001 cuja constitucionalidade ficou devidamente assentada nos acórdãos citados no primeiro tópico do presente voto. Já no segundo, temos uma operação menos complexa, porém não menos delitiva, que faz uso de falsos lançamentos de DEVOLUÇÕES DE MERCADORIAS com o fito de simular a existência dos negócios jurídicos praticados entre as “noteiras” e a Máster. Os créditos são escriturados, as mercadorias são em seguida “devolvidas”, porém não há qualquer lançamento a débito para anular o crédito da entrada. Em verdade as compras não aconteceram, os créditos inexistem, como também as pretensas devoluções. Mas houve descuidos. Segundo o Autuante, chegouse ao ponto de se devolver antes de possuir. As mercadorias, nesse caso, teriam retornado ao vendedor antes de adentrarem no estoque da Autuada. Quer dizer, o que voltou simplesmente não tinha ido. Na terceira artimanha contábil a autuada por inúmeras vezes emitiu cheques para pagamento de despesas estranhas aos controles contábeis realizando, ato contínuo, um lançamento falso a débito de CAIXA. Assim fazendo, pagava compromissos não contabilizados e gerava falso lastro para liquidar as falsas compras realizadas junto às empresas ditas “noteiras”. De estranhar, e muito, o argumento da Impugnante no sentido de que “não tiveram os contribuintes qualquer conhecimento, à época das transações, sobre a dita inidoneidade citada pelo Sr. AuditorFiscal, e que não tem a empresa autuada o poder de polícia para investigar empresas, para saber seus negócios e atividades, poder este que é exclusivo das Fazendas Públicas, das Autoridades Policiais e demais órgãos governamentais...” . Ora, não estamos lidando com Fl. 6239DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.240 30 atos infracionais perpetrados por terceiros e dos quais nada poderia saber a Impugnante. Estamos diante, isso sim, de condutas comissivas praticadas pela Máster, que falseou operações mercantis, fez de sua contabilidade uma peça de ficção e mergulhou seu diaadia operacional numa série de atos dolosos com o fim único de se esquivar do pagamento de vários tributos e contribuições. Quantos aos supostos pagamentos feitos em cartório, nada restou comprovado. Nenhum documento foi carreado aos autos a esse respeito. Ademais, se a contribuinte se der ao trabalho de ler o extenso relatório da Fiscalização verá que a auditoria foi realizada de forma abrangente, precisa e extremamente conclusiva. Desempenhou o Fisco o papel legal que lhe cabe: provou à exaustão a existência de atos fraudulentos voltados para a redução ou eliminação do saldo devedor final do IPI incorrido nas operações da empresa. Os documentos a que teve acesso o Fisco foram suficientes para comprovar os fatos delitivos narrados, o que torna inócuo os argumentos atrelados aos incêndios ocorridos na Máster. Não há boafé, boas práticas, nem boa conduta da Autuada. Há malícia, fraude de creditamento e, para resumir, dolo direto sob qualquer perspectiva que se considere os atos praticados. Matéria exaurida. Mérito da autuação tomado por comprovado à exaustão. A recorrente, em contrapartida, alega que sempre agiu de forma lícita, e que não seria sua obrigação verificar se as empresas cumprem com suas obrigações tributárias. Que aquelas empresas é que deveriam ser punidas e não a recorrente. Afirma, ainda, que a impossibilidade de entrega dos documentos se deu em razão de incêndio em suas dependências, destruindo a documentação fiscal. Apesar do comprovado incêndio ocorrido, a recorrente poderia angariar, se quisesse, outros tipos de provas que contrapusessem todo aquilo que foi trazido pela fiscalização, de que de fato as operações com aquelas empresas se realizaram de forma idônea. Neste ponto, cito aqui importante questão que foi mencionada na decisão da DRJ/POA, que cita outro acórdão também da DRJ/RPO, que tratou do processo relativo ao ano de 2009: (a) o laudo do incêndio é inconclusivo a respeito da destruição dos documentos contábeis, além de (b) a empresa não ter promovido a divulgação do fato em jornal de grande circulação e ter comunicado à RFB, conforme orienta o art. 264, §1º, do Decreto nº 3.000/99. Se não, vejamos o seguinte excerto da referida decisão: Com isso, os elementos juntados aos autos pelo impugnante (laudo pericial e certidão de sinistro) não têm o poder de elidir a constatação efetuada pelo Auditor Fiscal, porque não restou comprovada a destruição dos documentos contábeis e fiscais exaustivamente solicitados. A recorrente por sua vez, apenas insiste em dizer que sempre entregou suas obrigações acessórias, cumpriu com o determinado e por isso não poderia ser responsabilizada. Comprovouse à exaustão que os diversos pagamentos efetuados àquelas notas fiscais na realidade eram feitas para terceiros, diferentes das emissoras das respectivas notas fiscais. Todo o procedimento é descrito e comprovado ao longo do TVF e seus anexos, ressaltese um tópico específico (Pagamentos a beneficiários não identificados/pagamentos Fl. 6240DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.241 31 sem causa ou de operações não comprovadas) Caixa Dois. Chegouse à conclusão de os pagamentos realizados através da c/c 723714 não foram contabilizados. Ressaltese que os fornecedores com as quais a recorrente fazia negócios se mostraram inexistentes, não foram localizadas nos endereços informados, nem a própria recorrente logrou êxito em localizálas, foram consideradas INAPTAS pelos fiscos Estaduais, antes mesmo de iniciar os negócios com a recorrente. Ou seja, no caso em tela, não se verifica apenas um elemento que leve à indicação de inidoneidade das operações, e sim um conjunto vasto e robusto de provas, que demonstram a criação de um procedimento levado à cabo por diversos períodos. Assim, novamente, de se manter o lançamento. Dos responsáveis solidários Neste tópico, temos 7 pessoas indicadas, entre pessoas físicas e jurídicas: Abrahão Zacarias Monfrinato, sócio da empresa; art. 135, III e 124, II do CTN; Abrahão Fontanari Monfrinato; art. 135, III e 124, I do CTN; Celi Maria Fontanari Monfrinato; art. 135, III e 124, I do CTN; Santo Joaquim Lopes Alarcon, contador da empresa, art. 135, II do CTN. E empresas que segundo a acusação fiscal formavam o grupo econômico Master Móveis: CA Construtora e Locação de Equipamentos; art. 124, I do CTN; SLR Transportes e Logística Ltda; art. 124, I do CTN; Móveis Monfrinato Ltda (alterada para Sofá Ambiente Ltda); art. 124, I do CTN; Como já mencionado, o Sr. Abrahão Zacarias Monfrinato e o Sr. Santo Joaquim Lopes Alarcon apresentaram os respectivos Recursos Voluntários. Os demais, que tiveram a sua solidariedade afastada na DRJ, devidamente intimados, (fls. 6053, 6056, 6081, 6055, 6083) não apresentaram nada. Entretanto, toda a discussão volta à tona em razão da interposição do Recurso de Ofício. A DRJ entendeu que relações de parentesco e de afinidade não seriam suficientes para se atribuir a responsabilidade tributária, e no seu entendimento não restou comprovado qualquer fluxo financeiro das pessoas físicas para as jurídicas ou viceversa. E no que tange às pessoas jurídicas, também entendeu não havido participação na ocorrência do fato gerador, de tal forma que o vínculo não se estabeleceu. Fl. 6241DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.242 32 A autuação define que houve a formação de um grupo econômico "Master Móveis" muito bem detalhado no item 6 DA Solidariedade Passiva das empresas, sócios e contador do grupo Master Móveis. Detalhouse diversas operações em que apurouse que o Grupo Master Móveis funciona como uma única empresa, com claro interesse comum na elaboração, execução e resultados do sistema fraudulento. E continua relatando que o esquema fraudulento se inicia com a entrada das Notas Fiscais Inidôneas e com o aproveitamento indevido de créditos pela recorrente, reduzindose o valor a pagar dos tributos. Ademais, confirmouse que o grupo simula o pagamento para empresas que constam como emitentes de Notas Fiscais Inidôneas e utilizase desses valores para descapitalizar a empresa recorrente, já que o dinheiro sai da empresa, para capitalizar as demais empresas do Grupo e também seus sócios, e destinados para a aquisição de bens, imóveis e serviços, ficando a recorrente sem dinheiro e bens para quitar seus débitos, inclusive fiscais. Isso se mostra mais cristalino ao se verificar o quadro societário dessas empresas, formado por integrantes da família MONFRINATO. Tal fato por si só não demonstra o interesse comum, porém, o conjunto de todos os procedimentos e esquemas criados apenas reforça. Colaciono abaixo quadro apresentado na decisão recorrida, que demonstra o quadro societário: Diversos procedimentos foram descritos pela fiscalização, demonstrando todo o esquema fraudulento, com as movimentações contábeis, de banco, utilizandose caixa dois, e beneficiários diversos, um dos exemplos demonstrados com provas robustas tratamse dos pagamentos efetuados para Supricel Apoio Operacional, Auto Posto Luiz de Queiroz e outros, intimadas a esclarecerem os reais beneficários, chegouse à SLR e também Sr. Abrahão Fontanari Monfrinato. Diversos veículos semireboque da recorrente foram vendidas para a responsável CA, um ano depois os mesmos froam devolvidos, sem pagamento nenhum. Ademais, foram identificados diversas transferências da recorrente para a CA para liquidar suas dívidas. Fl. 6242DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.243 33 De igual forma, outras operações envolvendo a recorrente e a SOFA, pagamentos de funcionários, e empréstimos utilizandose da cona bancária utilizada como caixa dois pela recorrente. Salientese, aqui, um outro aspecto trazido pela decisão recorrida, em que é citada uma decisão judicial relativo a uma execução de título judicial interposta pelo Banco Safra contra a recorrente, em que verificouse que as três empresas, CA, SLR e SOFÁ foram incluídas no pólo passivo, diante da tentativa de frustrar a execução, a decisão reconheceu o grupo econômico, evidenciando, inclusive, a máfé dos devedores. Este processo findou com a homologação judicial de um acordo extrajudicial. Os beneficiários dos pagamentos não eram as empresas emitentes das notas fiscais inidôneas, após circularização e intimação de algumas dessas pessoas que disseram receber os valores verificouse que não constavam da contabilidade da recorrente. Ou pagamento de condomínios, serviços de obras de bens em nome do Sr. Abrahão Zacarias Monfrinato. Em outras situações, valores que foram utilizados para pagamentos de serviços contratados pela Sr. Celi Maria Fontanari Monfrinato, sócia administradora da Sofá Ambiente e esposa do Sr. Abrahão, sócio da recorrente. Com relação ao contador Sr. Santo Joaquim Lopes Alarcon, diz o TVF : O contador, por sua vez, afirma em seu recurso que não tinha conhecimento dos fatos praticados pela empresa, através das tomadas de decisões e administração pelos seus sócios e administradores. Afirma que era representante legal da empresa ALARCON CONTABILIDADE LTDA., que possuía contrato de prestação de serviços profissionais desde o início de 2009 com a contribuinte, e dessa forma prestava serviços nas dependências da contratada. Ressalta que sempre agiu conforme solicitado pela empresa Master Móveis, em nenhum momento agido com dolo ou máfé. Tendo sido enquadrado no art. 135, II do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos Fl. 6243DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.244 34 praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Novamente, pelo minucioso trabalho realizado, verificase que as práticas fraudulentas ocorriam de maneira reiterada por diversos anoscalendários. Ressaltese que o Sr. Santo foi o contador das diversas empresas do grupo, agindo de forma ciente, contabilizando e deixando de contabilizar os valores aqui tratados. Assim, de se manter também a responsabilidade neste caso. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONTADOR. PARTICIPAÇÃO VOLUNTÁRIA E CONSCIENTE NOS ATOS DOLOSOS. Comprovada nos autos a participação voluntária e consciente do contador no esquema fraudulento que visava ao pagamento a menor de tributos federais, na qualidade de contador não apenas da autuada mas também de diversas outras empresas envolvidas, correta a atribuição de responsabilidade tributária, com fulcro no art. 135, inciso II, do CTN. Dessa forma, entendo que restou configurada a responsabilidade tributária de todos, e assim, mantenho a responsabilidade tributária dos Srs. Abrahão Zacarias Monfrinato e o Sr. Santo Joaquim Lopes Alarcon, e restabeleço também as responsabilidades de Abrahão Fontanari Monfrinato, Celi Maria Fontanari Monfrinato e das pessoas jurídicas: CA Construtora e Locação de Equipamentos; SLR Transportes e Logística Ltda; e Móveis Monfrinato Ltda (alterada para Sofá Ambiente Ltda). Da multa qualificada Questiona a recorrente a aplicação da multa qualificada de 150%. Em seu entendimento, não haveria a configuração da qualificadora, ou seja, do intuito doloso de sonegação, fraude ou conluio, elemento subjetivo e indispensável para sua aplicação. Novamente insiste no argumento de que jamais agiu de forma fraudulenta, e sim as empresas com as quais negociava é que eram as responsáveis. Que como o fisco se pautou em presunções, deveria ser aplicada a Sumula 14, do CARF. Segundo o TVF, a majoração da multa se deu pela fraude e sonegação, na forma de atuação, ao longo de 2010 a 2012. A decisão da DRJ afastou a qualificadora pois em sua ótica, nos casos de IPI, não há que se falar em qualificadora quando o núcleo do fato gerador não está contido na infração detectada, e que aproveitarse de notas fiscais ideologicamente falsas constitui ato doloso de redução do imposto devido lançado nas notas fiscais, e que o fato gerador está perfeitamente identificado nas notas de saída, localizandose o ato infracional no crédito escritural falseado a partir da contrafação de boa parte das notas de entrada, e assim, restaria o Fl. 6244DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.245 35 agravamento da multa nos termos do art. 68, IV da Lei 4.502/64 e não a qualificação nos termos do art. 71 a 73 da mesma norma. Em que pese trechos do voto já colacionado acima: Estamos diante, isso sim, de condutas comissivas praticadas pela Máster, que falseou operações mercantis, fez de sua contabilidade uma peça de ficção e mergulhou seu diaadia operacional numa série de atos dolosos com o fim único de se esquivar do pagamento de vários tributos e contribuições. Ora, não é esse o meu entendimento. Os valores utilizados são relevantes, o conjunto probatório novamente demonstra que foram utilizadas não uma, mas pela conclusão 13 empresas, que agiram todas em conjunto ao lançamento de notas inidôneas, levando ao custo inexistente, que reduziu indevidamente os tributos e levou à tomada de créditos de tributos. Ademais, no caso em destaque, não há que se falar na Súmula 14, aplicável em caso de omissão de receitas. A Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, constante do dispositivo que qualifica a multa de ofício, na Lei nº 9.430, de 1996, caracterizou: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Art . 74. Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam se cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas ou quando ocorrerem as hipóteses previstas no art. 85 e em seu parágrafo. § 1º Se idênticas as infrações e sujeitas à pena de multas fixas, previstas no art. 84, aplicase, no grau correspondente, a pena cominada a uma delas, aumentada de 10% (dez por cento) para cada repetição da falta, consideradas, em conjunto, as circunstâncias qualificativas e agravantes, como se de uma só infração se tratasse. (Vide DecretoLei nº 34, de 1966) (Grifou se.) Fl. 6245DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.246 36 Assim, de se manter a multa qualificada. Da aplicação da multa regulamentar A Fiscalização procedeu à aplicação da multa regulamentar nos termos do art. 490, II do RIPI/2002 (art. 572, II do RIPI/2010) em razão da utilização das notas fiscais inidôneas, em montante equivalente ao valor das mercadorias nelas discriminadas. Vejamos o que diz a citada norma: Art. 572. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e DecretoLei no 400, de 1968, art. 1o, alteração 2a): II os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso II, e DecretoLei no 400, de 1968, art. 1o, alteração 2a). Em sede recursal, o recorrente trata da não aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício, entendo que não é o caso vertente. Aqui tratamos de multa regulamentar, estabelecida especificamente no Regulamente de IPI, e da sua simples leitura de se concluir pela aplicação, independente de outras penalidades ou sanções administrativas cabíveis. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer dos Recursos Voluntários e de Ofício, afastar a preliminar arguida, para no mérito DAR provimento ao Recurso de Ofício para se restabelecer as responsabilidades tributárias e a multa qualificada, e DAR PARCIAL provimento aos Recursos Voluntários apenas para afastar a multa isolada. (documento assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 6246DF CARF MF Processo nº 13888.723792/201592 Acórdão n.º 1301003.005 S1C3T1 Fl. 6.247 37 Fl. 6247DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720115/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o processo dos autos de infração que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$1.809.480,65, devido à infração; 001 ADIÇÕES PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. CUSTOS, DESPESAS, ENCARGOS BENS, SERVIÇOS, DIREITOS ADQUIRIDOS NO EXTERIOR PESSOA VINCULADA, fato gerador em 31/12/2008, multa de 75%; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$651.413,03, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 11 5/ 20 12 -4 1 Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201241 Resolução nº 1201000.511 S1C2T1 Fl. 3 2 relativa à mesma infração, multa de 75%, págs. 392/430; a descrição dos fatos e da autuação consta do Termo de Verificação de Infração de págs. 588/599. 2. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação, págs. 631/714, que foi julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo DRJ/SP1 no Acórdão nº 16 49.121, de 06/08/2013, págs. 1183/1205, que considerou a impugnação improcedente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇOS PARÂMETRO. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. AGREGAÇÃO DE VALOR. VEDAÇÃO DE UTILIZAÇÃO DO MÉTODO PRL20. O método PRL20 não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no país, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. AUTUAÇÃO E JULGAMENTO. DESCONSIDERAÇÃO DE EVENTUAL SALDO NEGATIVO. Não logrando a contribuinte comprovar a existência de eventual saldo negativo do tributo, não há como considerálo no julgamento para reduzir o tributo devido apurado na autuação. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. 3. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário de págs. 1207/1303, em 06/11/2013, aceito como tempestivo, conforme despacho de pág. 1.311; resumo a seguir. 4. Relata que adotou os métodos "PRL 20%" e "PRL 60%" para controle do "Preço de Transferência", dos bens importados de pessoas jurídicas vinculadas; apurou o ajuste de R$ 31.428,69, adicionado ao lucro líquido na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; segundo a autoridade administrativa Recorrente adotou a metodologia do art. 18, II da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação da Lei n° 9.959, de 2000, anteriormente regulamentada pela Instrução Normativa SRF n° 32, de 2001; intimada a apresentar novos cálculos, conforme Instrução Normativa SRF n° 243, de 2002, a Recorrente atendeu, resultando valor diferente e superior de ajuste; entendeu ainda a autoridade administrativa que, para 3 (três) produtos: "Clexane 40MG 2 Seringas", "Stilnox Comprimidos Granel (BI)" e "Lantus 100UI 5 Refis 3ML", a Recorrente deveria ter aplicado o método PRL 60% e não o método "PRL 20%, pois Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201241 Resolução nº 1201000.511 S1C2T1 Fl. 4 3 os referidos produtos teriam sofrido "agregação de valor no Brasil por meio de processos de acondicionamento". 5. Na impugnação a Recorrente demonstrou insubsistência do lançamento, porém não acolhida pela DRJ. 6. Pleiteia a insubsistência dos lançamentos tributários porque a fiscalização violou o art. 142 do CTN, devido a erro na identificação da matéria tributável pois apurou suposto "ajuste tributável" de R$ 7.237.922,61, que, em tese, deveria ser adicionado ao lucro líquido do anocalendário de 2008, e, exatamente sobre este valor, aplicou diretamente as alíquotas do IRPJ e da CSLL para apurar os tributos supostamente devidos; e o equivocado critério jurídico que ignorou os saldos negativos de IRPJ R$()824.919,19 e de CSLL () R$5.700.616,12, na DIPJ 2009 (doc 03 da impugnação), e formalizou a exigência de tributos, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros, que, ou não seriam devidos, ou seriam devidos em menor valor em razão dos saldos credores apurados; ou seja, a fiscalização não efetuou a necessária recomposição da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; cita Acórdãos Carf, isto é, o lançamento de oficio não pode ser formalizado por aplicação direta das alíquotas dos tributos sobre o montante do "ajuste tributável", devendo ser reconstituídas as bases de cálculo. 7. Discorda da afirmação da DRJ que a Recorrente deveria comprovar os saldos negativos, mediante comprovação das estimativas recolhidas antecipadamente e IRRF sobre receitas tributadas, dado que estão consignados na DIPJ que entregou e que foi recepcionada e aceita. 8. Nos termos do art. 37 da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988, Lei nº 9.874, de 1999, arts. 97 e 142 do CTN, apela para a competência dos órgãos administrativos de julgamento, para afastar ato normativo ilegal do Poder Executivo, no caso, o art. 12 da Instrução Normativa SRF nº243,de11 de novembro de 2002, que instituiu fórmula diversa da prevista no art. 18 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que implicou na indevida majoração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, afrontando o art. 97 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; cita Acórdãos CARF referente à IN SRF nº 38, de 1997, e referentes a ilegalidade da IN 243, de 2002. 9. Discorre sobre a ilegalidade da fórmula da IN SRF nº 243, de 2002, na apuração PRL60%; cita Acórdão CARF e aponta diferenças em relação à fórmula prevista no art 18 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação da Lei nº 9.959, de 2000, devidamente interpretada pela IN nº 32, de 2001, que foi aplicada pela litigante: a) art. 18, II da Lei 9.430, de 1996, com a redação da Lei nº 9.959, de 2000 ( e a IN SRF nº32, de 2001) , definiu como a média aritmética dos preços de revenda dos bens, diminuídos dos descontos incondicionais, dos tributos incidentes sobre as vendas, das comissões pagas e da margem de lucro de 60%, calculada sobre o preço líquido de venda subtraído o valor agregado no País, sendo a fórmula a seguinte: Preço Parâmetro = PLV ML 60% (PLV VA) e equacionou a altíssima margem de 60% à realidade do País; b) IN SRF nº 243, de 2002, que revogou a anterior, determinou que deverá ser excluído o valor agregado no País e a margem de lucro de 60%, anteriormente calculada sobre o preço líquido de venda subtraído o valor agregado no País e será incluído o percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido como fatores determinantes da margem de lucro e do preço parâmetro. Nessa metodologia o Preço Parâmetro é bem menor e com a proporcionalização do preço de venda, está sendo excluído o valor agregado no País do cálculo do preço parâmetro, em flagrante violação ao art. 18, II da Lei n° 9.430, de 1996, com a Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201241 Resolução nº 1201000.511 S1C2T1 Fl. 5 4 redação da Lei n° 9.959/2000. Tal mudança de metodologia (fórmula) foi efetuada sem amparo legal, por meio da simples edição da Instrução Normativa SRF n° 243/2002, criou novo critério jurídico o que implica em apuração de ajuste onde a Lei não previu, ou em ajuste superior ao apurado pela Lei. 10. Destaca superveniente alteração da legislação ordinária, não aplicável ao ano calendário 2008, em discussão: MP nº 478, de 2009, que visou corrigir as ilegalidades do art. 12 da IN SRF nº 243, de 2002, porém não convertida em lei, mas que evidenciou reconhecimento expresso pelos Poderes legislativo, Executivo e PFN, de que a IN não encontrava fundamento na Lei, sendo portanto, ilegal; e a MP nº 563, de 2012, que visou contemplar hipóteses e mecanismos não previstos, quando da edição da norma, e foi convertida na Lei nº 12.715, de 2012, que introduziu (no texto da Lei) o critério de proporcionalização da participação do valor dos bens importados no custo total do bem vendido e de participação do valor dos bens importados no preço de venda do bem, tal como até então previsto somente no texto da IN SRF n° 243, de 2002 e que entrou em vigor somente a partir de 01/01/2013; portanto, não resta dúvida sobre a ilegalidade da citada IN. 11. Destaca que as exposições de motivos de ambas MP descritas destacaram a atenção ao princípio da anterioridade, porque as alterações (arts. 38 a 40 da MP nº 563, de 2012) "podem implicar em aumento do tributo"; tal constatação elimina o argumento de que o art. 12 da IN SRF nº 243, de 2002, representaria uma possível interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. 12. Acusa a IN de violar a princípio "arm's lenght". 13. Diz ser descabida a crítica da Fazenda Nacional à fórmula do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, o que não legitima a da IN SRF nº 243, de 2002, que é irrazoável, inadequada e injusta; cita precedentes do CARF. 14. Pugna pelo cancelamento da multa e juros, a teor dos arts. 100, parágrafo único e 112, do CTN. 15. Assevera que foi correta a aplicação do método PRL 20% para os três produtos, pois não houve agregação de valor no Brasil, haja vista que foram importados "prontos" e "acabados" para o consumo final, tendo havido, no Brasil, apenas o acondicionamento (embalagem), sem qualquer agregação de valor; e cita Processo de Consulta nº 28, de 2008, Cosit, de que se a pessoa jurídica procede apenas ao acondicionamento (embalagem) do produto, poderá adotar PRL20%; se juntamente com o acondicionamento (embalagem) ocorrer a aposição de marca, com a conseqüente agregação de valor, procederseá a apuração do preço parâmetro com base no método PRL60%; também "perguntas e respostas", no site da RFB, o acondicionamento ou reacondicionamento não implica a produção de outro bem, serviço ou direito; cita Acórdão CARF; e no caso, os três produtos já ingressaram no Brasil com os nomes comerciais e a marca SanofiAventis, docs. 06, 07, 08, 09, 10, 11; só ocorreu alteração nas quantidades contidas nas embalagens, portanto, não houve importação de produto semi elaborado, conforme a fiscalização. 16. Aponta como indevida a inclusão do frete, seguro e imposto de importação no preço praticado pelo método PRL60% e que a redação original do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, ao estabelecer que integram o custo, para efeito de dedutibilidade (e não comparabilidade), as despesas com frete, seguro e Imposto de Importação, deixava claro que tais custos são sempre dedutíveis para o importador, notadamente quando não guardam Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201241 Resolução nº 1201000.511 S1C2T1 Fl. 6 5 qualquer relação com a vinculada, não lhes sendo aplicável a restrição do caput do artigo 18 da Lei n° 9.430/1996; assim, a comparação a ser efetuada deve se dar sempre entre o preço parâmetro apurado pelo método "PRL" e aquele pago pelo importador à vinculada, uma vez que o frete, o seguro e o Imposto de Importação são custos efetivos, incorridos no Brasil, que não são afetados pelo vínculo existente entre importador e exportador; cita Acórdão CARF e CSRF; destaca que a Lei nº 12.715, de 2002, a ainda, que a Lei n° 12.715/2012 alterou a redação do §6° do artigo 18 da Lei n° 9.430/1996, determinando que o frete, o seguro e o imposto de importação, pagos a não vinculadas, não devem compor o cálculo do "PRL" e tem natureza interpretativa, sendo aplicável ao caso concreto. 17. Pugna pela não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, que lhe estão sendo exigidos após a prolação da decisão recorrida; aponta ausência de previsão legal, pois só pode ser cobrados sobre os tributos ou penalidade pecuniária consubstanciada ou convertida em obrigação principal. 208. Nessas condições, ou bem se reconhece que a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício não consta do lançamento original, e como tal não pode prosperar, pois não se admite a exigência de crédito que não tenha sido regularmente constituído nos termos do artigo 142 do Código Tributário; ou então se reconhece a competência deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para conhecer e apreciar essa matéria, fazendo o controle da legalidade de tal exigência. 209. Até porque, encerrado o julgamento do processo pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nenhuma outra oportunidade (ao menos na esfera administrativa) é dada ao contribuinte para questionar a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. 18. É o relatório. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 1 Apuração da exigência fiscal. 19. Acusa a Recorrente que o autuante aplicou diretamente as alíquotas do IRPJ e da CSLL para apurar os tributos supostamente devidos; e o equivocado critério jurídico que ignorou os saldos negativos de IRPJ R$()824.919,19 e de CSLL () R$5.700.616,12, na DIPJ 2009 (doc 03 da impugnação); e discorda da afirmação da DRJ que a Recorrente deveria comprovar os saldos negativos, mediante comprovação das estimativas recolhidas antecipadamente e IRRF sobre receitas tributadas. 20. Verificase às págs. 576/577 que a apuração fiscal foi: IRPJ, págs. 576/577 CSLL, págs. 583 (+) Lucro real das Ativ em ger Declarado 300.731.702,37 Valor tributável 7.237.922,61 () Prej períodos anteriores comp 0,00 () BC neg do período 0,00 (=) Lucro real após comp 300.731.702,37 () BC neg perí anteriores 0,00 Infração operacional 7.237.922,61 Valor trib após comp 7.237.922,61 Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201241 Resolução nº 1201000.511 S1C2T1 Fl. 7 6 () Comp prejuízos 0,00 CSLL 9% 651.413,03 Valor trib após comp 7.237.922,61 IRPJ 15% 1.085.688,39 Cálculo do AIR 10% Lucro real declarado 300.731.702,37 (+) infração 7.237.922,61 () parcela ñ suj ao AIR 240.000,00 BC AIR 307.729.624,98 AIR 10% 30.772.962,50 () AIR declarado 30.049.170,24 IRPJ adic devido 723.792,26 Total IRPJ a exigir 1.809.480,65 21. No LALUR de págs. 66/115, consta a apuração de Lucro Real em 31/12/2008, após compensação de prejuízos de R$300.731.702,38; também consta Lucro Real em todos os meses do ano 2008. 22. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do anocalendário 2008, original, págs. 772/932, foi entregue em 15/10/2009, antes do início do procedimento fiscal, portanto espontânea, e informa a apuração de estimativa a recolher de IRPJ e de CSLL a cada mês; informa que as estimativas foram apuradas "Com Base na Receita Bruta e Acréscimos"; as apurações anuais informadas foram: DIPJ DIPJ IRPJ 15% 45.109.755,36 BC antes da comp BN neg 298.534.993,61 AIR 30.049.170,24 () BC neg per anter 33.142.967,92 Total 75.158.925,60 (=) BC CSLL 265.392.025,69 CSLL 23.885.282,31 Deduções: () CSLL ret fonte 97.594,14 () Oper de Caráter Cultural 1.140.202,40 () Estim mensais pagas 29.488.304,29 () PAT 182.017,54 CSLL a pagar 5.700.616,12 () Ativ Audio visual 50.000,00 ()Fundo Dir Cr e Adolesc 50.000,00 () Ativ caráter Desp 150.000,00 () IRRF 712.661,84 () IRRF órgãos. Aut Fun Fed 117.115,84 () estimativas pagas 73.581.847,31 IRPJ a pagar 824.919,33 23. O contribuinte não respaldou sua reclamação com documentos comprobatórios das estimativas recolhidas e o IRRF, a justificar SN de IRPJ e CSLL. 24. Contudo, o autuante não explicou porque não considerou eventuais estimativas recolhidas e eventuais retenções na fonte, na apuração, e tanto ele como a DRJ tinham possibilidade de acessar tais dados, mas não o fizeram. 25. Por isso, cabe a realização da seguinte diligência: Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201241 Resolução nº 1201000.511 S1C2T1 Fl. 8 7 a. verificar e informar se os SN de IRPJ e CSLL constantes da DIPJ apresentada, foram ou não objeto de PER/Dcomp, para fins de compensação de outros débitos e se foram ou não consumidos; b. em caso negativo: i. localizar e anexar eventuais DIPJ retificadoras apresentadas espontaneamente; ii. identificar as estimativas recolhidas de IRPJ e CSLL, apontando a forma de extinção: DARF, PER/Dcomp, homologadas e, se não homologadas, identificar a situação; iii. DIRF referente ao ano 2008; iv. Verificar se o IRRF e CSLL confirmados em DIRF correspondem a receitas oferecidas à tributação na DIPJ; v. apontar os SN IRPJ e CSLL confirmados e não consumidos em compensações de débitos. c. Elaborar relatório conclusivo, cientificar o contribuinte, concedendolhe o prazo para contestação, após o que, devolver os autos ao CARF, para julgamento 2 Conclusão. Voto por RESOLUÇÃO de se converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 1320DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660462/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.863
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 62 /2 01 2- 18 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660462/201218 Acórdão n.º 3401004.863 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660462/201218 Acórdão n.º 3401004.863 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660462/201218 Acórdão n.º 3401004.863 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660462/201218 Acórdão n.º 3401004.863 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660462/201218 Acórdão n.º 3401004.863 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660462/201218 Acórdão n.º 3401004.863 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
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