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Numero do processo: 14367.000421/2009-32
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 04 21 /2 00 9- 32 Fl. 340DF CARF MF Processo nº 14367.000421/200932 Acórdão n.º 9202005.884 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 14367.000421/200932 Acórdão n.º 9202005.884 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 342DF CARF MF Processo nº 14367.000421/200932 Acórdão n.º 9202005.884 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 14367.000421/200932 Acórdão n.º 9202005.884 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 344DF CARF MF Processo nº 14367.000421/200932 Acórdão n.º 9202005.884 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 345DF CARF MF Processo nº 14367.000421/200932 Acórdão n.º 9202005.884 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 346DF CARF MF Processo nº 14367.000421/200932 Acórdão n.º 9202005.884 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 347DF CARF MF Processo nº 14367.000421/200932 Acórdão n.º 9202005.884 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 348DF CARF MF Processo nº 14367.000421/200932 Acórdão n.º 9202005.884 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 349DF CARF MF Processo nº 14367.000421/200932 Acórdão n.º 9202005.884 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14474.000341/2007-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 28/09/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 4. 00 03 41 /2 00 7- 06 Fl. 114DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 14474.000341/200706 Acórdão n.º 2202004.256 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018410/2008-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 30/09/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1605; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15504.018410/200879 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.910 – 2ª Turma Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria CSP RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MANGABEIRAS ENSINO FUNDAMENTAL LTDA ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 84 10 /2 00 8- 79 Fl. 2842DF CARF MF Processo nº 15504.018410/200879 Acórdão n.º 9202005.910 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 2843DF CARF MF Processo nº 15504.018410/200879 Acórdão n.º 9202005.910 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 2844DF CARF MF Processo nº 15504.018410/200879 Acórdão n.º 9202005.910 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 2845DF CARF MF Processo nº 15504.018410/200879 Acórdão n.º 9202005.910 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 2846DF CARF MF Processo nº 15504.018410/200879 Acórdão n.º 9202005.910 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 2847DF CARF MF Processo nº 15504.018410/200879 Acórdão n.º 9202005.910 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 2848DF CARF MF Processo nº 15504.018410/200879 Acórdão n.º 9202005.910 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 2849DF CARF MF Processo nº 15504.018410/200879 Acórdão n.º 9202005.910 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 2850DF CARF MF Processo nº 15504.018410/200879 Acórdão n.º 9202005.910 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 2851DF CARF MF Processo nº 15504.018410/200879 Acórdão n.º 9202005.910 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 2852DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000259/00-62
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO ANTECIPADA. LEI 8.541/92, ARTIGO 31. DECADÊNCIA.
A opção pela realização antecipada do lucro inflacionário, por ser irretratável, estabelecia um novo regime temporal para o reconhecimento da realização desse lucro. A partir da opção, não mais poderia o contribuinte reivindicar o prazo de diferimento da regra geral. No caso de irregularidade, cabia ao Fisco exigir o cumprimento das realizações de acordo com a periodicidade adotada pelo Contribuinte em sua opção, seguindo os mesmos critérios em termos percentuais e temporais. A opção por cota única permitia, desde a sua implementação, a exigência integral de qualquer diferença constatada em relação à realização do lucro inflacionário, mas essa exigência tinha que ser feita em tempo hábil, sob pena de decadência. Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos.
Numero da decisão: 9101-003.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995 LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO ANTECIPADA. LEI 8.541/92, ARTIGO 31. DECADÊNCIA. A opção pela realização antecipada do lucro inflacionário, por ser irretratável, estabelecia um novo regime temporal para o reconhecimento da realização desse lucro. A partir da opção, não mais poderia o contribuinte reivindicar o prazo de diferimento da regra geral. No caso de irregularidade, cabia ao Fisco exigir o cumprimento das realizações de acordo com a periodicidade adotada pelo Contribuinte em sua opção, seguindo os mesmos critérios em termos percentuais e temporais. A opção por cota única permitia, desde a sua implementação, a exigência integral de qualquer diferença constatada em relação à realização do lucro inflacionário, mas essa exigência tinha que ser feita em tempo hábil, sob pena de decadência. Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO ANTECIPADA. LEI 8.541/92, ARTIGO 31. DECADÊNCIA. A opção pela realização antecipada do lucro inflacionário, por ser irretratável, estabelecia um novo regime temporal para o reconhecimento da realização desse lucro. A partir da opção, não mais poderia o contribuinte reivindicar o prazo de diferimento da regra geral. No caso de irregularidade, cabia ao Fisco exigir o cumprimento das realizações de acordo com a periodicidade adotada pelo Contribuinte em sua opção, seguindo os mesmos critérios em termos percentuais e temporais. A opção por cota única permitia, desde a sua implementação, a exigência integral de qualquer diferença constatada em relação à realização do lucro inflacionário, mas essa exigência tinha que ser feita em tempo hábil, sob pena de decadência. Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 02 59 /0 0- 62 Fl. 496DF CARF MF Processo nº 13808.000259/0062 Acórdão n.º 9101003.093 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Relatório Contra o Sujeito Passivo acima identificado foi lavrado Auto de Infração às fls. 8492, com a exigência do crédito tributário no valor de R$643.781,41, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 1995. Consta na Descrição dos Fatos: O presente Auto de Infração originouse da revisão de sua declaração de rendimentos correspondente ao exercício de 1996, anocalendário 1995, de acordo com o art. 835 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99 (RIR/99). Foi constatada a existência de irregularidades na declaração, conforme abaixo descrito e capitulado, que resultaram na apuração do imposto de renda suplementar, apontado no quadro 4 do Auto de Infração. As alterações efetuadas e suas consequências estão detalhadas no Demonstrativo de Valores Apurados e no Demonstrativo de Consolidação de Valores, em anexo. Caso tenham ocorrido alterações nos valores informados nas linhas que compõem a Ficha 21 (Receita Liquida por Atividade), a Ficha 22 (Demonstração do Lucro da Exploração), a Ficha 23 (Lucro Inflacionário do PeríodoBase), a Ficha 24 (Percentual de Realização do Ativo), a Ficha 25(Demonstração do Lucro Inflacionário Realizado) e a Ficha 27 (Demonstração do Cálculo da Redução e Isenção do Imposto), essas alterações constarão no Demonstrativo de Apuração do Lucro Inflacionário Realizado/Diferido e no Demonstrativo de Apuração da Redução/Isenção, em anexo. No que se refere as penalidades aplicadas, o enquadramento legal correspondente consta no Demonstrativo de Multa de Lançamento de Oficio e dos Juros de Mora, em anexo. Todos os demonstrativos citados são parte integrante do presente Auto de Infração. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: EXCESSO DE RETIRADAS EM RELAÇÃO AO LIMITE INDIVIDUAL ADICIONADO A MENOR NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Art. 195, inciso I e 296 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 1.041/94 Lei 8.981/95, art. 38. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13808.000259/0062 Acórdão n.º 9101003.093 CSRFT1 Fl. 4 3 LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO REALIZADO ADICIONADO A MENOR NA DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL, CONFORME DEMONSTRATIVOS ANEXOS Lei 8.200/91, art. 32 , inciso II Arts. 195, inciso II, 417, 419 e 426, § 32 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 1.041/94 Lei 9.065/95, arts. 42 e 52 , caput e § 1º. Cientificado em 01.03.2000, fl. 94, o Sujeito Passivo apresentou impugnação, fls. 95107 e 142143. Está registrado no Acórdão da 7ª Turma da DRJ/SPOI nº 5.997, de 07.10.2004, fls. 146157: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1995 Ementa: LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO. DECADÊNCIA. O início da contagem do prazo decadencial, em se tratando da tributação do Lucro Inflacionário Acumulado, é o exercício em que sua realização é tributada, e não o da sua apuração. EXCESSO DE RETIRADAS DE DIRIGENTES. A dedução da remuneração paga a dirigentes esta restrita ao limite individual fixado pela legislação. Lançamento Procedente Vistos, discutidos e relatados os autos, ACORDAM os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento do crédito tributário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. Notificado, o Sujeito Passivo apresentou o recurso voluntário, fls. 178205. Está registrado no Acórdão nº 19300.050, de 16.12.2008, fls. 330332: Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1995 Ementa: LUCRO INFLACIONÁRIO. DECADÊNCIA. Não há que se falar em decadência, quando o contribuinte não recolheu a parcela do lucro inflacionário referente a diferença IPC/BTNF. EXCESSO DE RETIRADAS DE DIRIGENTES. A dedução da remuneração paga a dirigentes está restrita ao limite individual fixado pela legislação. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária (Súmula n° 2). Fl. 498DF CARF MF Processo nº 13808.000259/0062 Acórdão n.º 9101003.093 CSRFT1 Fl. 5 4 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso, nos termo do relatório e voto que integram o presente julgado. O processo foi encaminhado ao Sujeito Passivo em 26.12.2011, fl. 335. Em 10.01.2012, tempestivamente, foi interposto o recurso especial, efls. 391412. O Sujeito Passivo suscita que: Como se pode observar, a recorrente extensamente préquestionou duas matérias: (a) Incentivada pela Lei 8.541/92 em 31 de Março de 1993 a empresa antecipou a realização da totalidade de seu lucro inflacionário a realizar, recolhendo o tributo, IRPJ, em regime de tributação exclusiva, à alíquota de 5% em cota única; e (b) que a revisão não poderia atingir exercícios anteriores a cinco anos do lançamento. Essas teses, sim, têm respaldo pela Câmara Superior de Recursos Fiscais e turmas especiais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Em que pese todo o alegado, a Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF hostilizou e violou precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais e Turmas de Julgamentos. [...] Como ficou esclarecido, o Auto de Infração, o acórdão da Delegacia de Julgamento de SPOI e o acórdão da Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos tópicos acima indicados, divergem os paradigmas abaixo epigrafados. [...] 1.2 DAS DIVERGÊNCIAS NOS PARADIGMAS ANEXADOS 1.2.1 PARADIGMA DA ANTECIPAÇÃO INCENTIVADA O primeiro paradigma diz respeito à tese que foi amplamente pré questionada, no sentido de que a realização do lucro inflacionário acumulado até 31/12/92 se deu de forma integral, em 19/02/93, em cota única, conforme autorizado pelo artigo 31, V, da Lei n. 8.541/92. Preclaros Julgadores, a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em decisão a qual a contribuinte, ora recorrente, elege como PARADIGMA 1, registrou que: [...] Preclaros Julgadores, a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em decisão a qual a contribuinte, ora recorrente, elege como PARADIGMA 2, consignou que: [...] NO MÉRITO 1. DO RECOLHIMENTO INCENTIVADO E MP 312/93 A recorrente é pessoa jurídica que se dedica às atividades descritas no seu respectivo contrato social, sujeita, portanto, ao pagamento de impostos, taxas e contribuições sociais, recolhidas e administradas pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 13808.000259/0062 Acórdão n.º 9101003.093 CSRFT1 Fl. 6 5 Data máxima vênia, as decisões administrativas, da Delegacia de Julgamento em SPOI e CARF não podem prosperar, pois interpretou equivocadamente os dispositivos normativos pertinentes à questão e negou vigência aos precedentes e paradigmas da CSRF, merecendo, portanto, integral reforma. [...] A declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada no exercício fiscal de 1996, referente ao período de apuração de 01.01.95 a 31.12.95, que recebeu o número da administração de 08.1.8664396, foi retida pela malha fazenda pessoa jurídica 96. Dois parâmetros motivaram a retenção: LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO e EXCESSO DE RETIRADAS. O agente fiscal lavrou dois termos de Constatação, um para cada matéria. No presente recurso especial trataremos apenas do primeiro. É de se esclarecer, notadamente, que o tributo foi lançado na data de 23/02/2000, as 11:06h, momento este que a revisão dos lançamentos de 1989/1990/1991/1992 já se encontrava decaída. Em 31 de dezembro de 1989, a recorrente mantinha em seus controles PARTE B DO LALUR LIVRO DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL saldo de lucro inflacionário a realizar. Esse fato era de conhecimento da administração como atesta o próprio extrato do sistema SAPLI acostados aos autos. Em 1991 foi editada a Lei 8.200 que, posteriormente, foi regulamentada pelo Decreto 332/91. Tais normas versavam sobre a CORREÇÃO MONETÁRIA COMPLEMENTAR DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS, em razão da diferença havida entre a variação da BTNF e o IPC no período base de 1990. Essa correção deveria ser contabilizada no ano de 1991. Por sua vez, a recorrente, no ano de 1991, não procedeu a essa correção, e, essa AÇÃO CONSIDERADA NEGATIVA, foi claramente isolada pelo agente lançador. Não fora efetuada a correção monetária complementar das demonstrações financeiras e nem sequer dos valores diferidos constantes da Parte B do LALUR. [...] O sistema SAPLI, no entanto carregava esse valor referente ao lucro inflacionário acumulado a realizarse em 31.12.89 e, em 31.12.1991, efetuou o ajuste daquele valor em razão do disposto do Decreto 332/91 mesmo detendo a informação de que não havia saldo credor da correção monetária complementar IPC/BNTF. A partir dessa própria data, passaram a existir então dois valores diferentes de lucro inflacionário a realizar, um do contribuinte (o menor) e, outro da administração (o maior). Passaramse anos com essa diferença apreendida, sem nenhuma manifestação da administração até que, em 1999 iniciouse um procedimento inquisitório. Entretanto, Senhores Julgadores, o objeto do procedimento de revisão foi o lançamento do período de 1995 e não o de 1991 eis que o direito de revisão do lançamento de 1991 já estava decaído, consoante decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e Conselhos de Contribuintes, uma delas indicada como PARADIGMA 2. Essa pretensa diferença gerada em 31.12.1991 foi projetada de forma linear, sem nenhum amparo legal, para o ano de 1995 resultando no auto Fl. 500DF CARF MF Processo nº 13808.000259/0062 Acórdão n.º 9101003.093 CSRFT1 Fl. 7 6 de infração. Frisese que tal diferença nada tem a haver com o eventual ganho inflacionário que haveria caso a empresa tivesse, na escrituração comercia!, efetivado tal correção complementar. Houvese bem o agente fiscal quanto ao saldo credor da correção monetária complementar (diferença BTNF/IPC) que haveria se a recorrente tivesse efetuado a correção monetária complementar em 1991, em sua contabilidade. Foi omitido o ganho e por conseqüência, os ativos não monetários a serem realizados também não foram valorizados por aquela diferença IPC/BTNF. Portanto tal parcela não faz e nunca fez parte do patrimônio jurídico comercial da recorrente, constituindose em uma RESERVA OCULTA ou PATRIMÔNIO OCULTO no ano base de 1991. Incentivada pela Lei 8.541/92, em 31 de Março de 1993, a empresa antecipou a realização da totalidade de seu lucro inflacionário a realizar, recolhendo o tributo, IRPJ, em regime de tributação exclusiva, à alíquota de 5% em cota única. Esse procedimento/lançamento poderia ser revisto pela administração até 31.01.1998, consoante prescreve o art. 150, § 4.° do CTN. Mas o Fisco não se manifestou no período permitido. Temse, então, que em 31.12.1994 o saldo de lucro inflacionário para o contribuinte era ZERO, enquanto que, face à divergência relatada, para a SRF era de R$ 1.917.132,00. Como atesta o próprio auditor fiscal tal valor se consubstancia no valor presente nessa data daquele valor referente à correção monetária complementar incidente sobre a parcela diferida em 31.12.89 a título de lucro inflacionário a realizarse (item 18 do Termo de Constatação) controlada na parte B do LALUR. [...] Como se pode observar, a questão envolve a realização incentivada do saldo do lucro inflacionário acumulado e existente em 31/12/92, prevista no artigo 31 da Lei n. 8.541/92, efetuada pela recorrente em 31/03/93. Em virtude da revogação da Lei n. 8.200/91 pelo artigo 7.° da Medida Provisória n. 312, de 11/02/93, a realização deveria ser feita, como de fato o fez, apenas sobre o montante do lucro inflacionário normal, desconsiderando a parcela decorrente da diferença IPC/BTNF, estabelecida na Lei n. 8.200/91. Tratase, portanto, de ato jurídico perfeito e acabado, e o posterior revigoramento da Lei n. 8.200/91 não poderia atingilo. Não poder prevalecer a decisão recorrida que tem o condão de revigorar a Lei n. 8.200/91, referente a diferença IPC/BTNF, atingindo situações consolidadas, de forma a sujeitar a recorrente novamente a Lei n. 8.200/91. A Medida Provisória n. 312 foi editada em 11/02/93, revogando expressamente a Lei n. 8.200/91. Dessa forma, deixou de existir, portanto, a obrigatoriedade de proceder à correção monetária complementar de que tratava seu art. 3.°. Ademais, foi na vigência desse ato legal que a recorrente optou pela realização incentivada permitida pelo artigo 31 da Lei n. 8.541/92, recolhendo, em cota única e pela alíquota de 5% (cinco por cento), o tributo sobre o saldo do lucro inflacionário então existente, ou seja, sem a correção complementar. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 13808.000259/0062 Acórdão n.º 9101003.093 CSRFT1 Fl. 8 7 Ocorre que, sucessivamente reeditada, a Medida Provisória n. 312/93 (com o n. 321/93), foi convertida na Lei n. 8.682, de 14/07/93, que dispôs: [...] Na data do recolhimento efetuado pela recorrente, a correção complementar tratada na Lei n. 8.200/91 não fazia parte do nosso ordenamento jurídico, e o pagamento efetuado supriu a exigência tributária, pois a base de cálculo era constituída, tãosomente, da parte do lucro inflacionário com correção monetária pelo BTNF. De outro lado, a lei de conversão expressamente convalidou os atos praticados com base na Medida Provisória convertida, afastando qualquer discussão sobre a perda de sua eficácia pela alteração do texto inicial. A Lei n. 8.682/93, restabelecendo a base de cálculo anterior, não pode produzir efeitos concretos sobre os contribuintes que, anteriormente, haviam saldado a obrigação tributária existente, com base na legislação então vigente que, como se viu, teve seus efeitos convalidados. 2. DA IMPOSSIBILIDADE DE RETROCEDER ALÉM DO PRAZO DECADENCIAL Esclarecemos, ainda, que o lançamento efetuado na data de 23 de fevereiro 2000 reportase aos fatos geradores ocorridos (diferenças) nos anos de 1991. [...] Embora o lançamento se reporte ao ano base de 1995, no que concerne a esta matéria, o valor tributável e a infração pretendida estão calcados exclusivamente no período de apuração de 1991, consoante se observa pelas alterações nos lançamentos. [...] A Fazenda Pública tem poderdever, sim, de proceder a novo lançamento ou a lançamento suplementar, à revisão do lançamento e ao exame nos livros e documentos dos contribuintes, para os fins declinados, no prazo de cinco anos contados do lançamento primitivo caso do lançamento por declaração ou da data da ocorrência do fato gerador, caso se trate de lançamento por homologação (Lei 5172/66 art. 173 parágrafo único, Lei 2862/56 art. 29 § 4.° do art. 150 da Lei 5172/66 todos inseridos nos arts. 898 e 899 do RIR/99). Essas regras limitadoras limite temporal do poder de tributar derivam de nosso sistema constitucional e corporificam um princípio maior qual seja o da SEGURANÇA JURÍDICA. Não há Estado Democrático de Direito sem segurança jurídica. No caso dos presentes autos há flagrante subversão a esse principio fundamental de nosso ordenamento jurídico e às normas que o materializam. Senão vejamos. A secretaria da Receita Federal tinha conhecimento ou pelo menos, todas as condições de conhecer as conseqüências fiscais do NÃO FAZIMENTO DA CORREÇÃO MONETÁRIA COMPLEMENTAR IPC/BTNF NO ANO BASE DE 1991 desde o ano calendário de 1992. Poderia exercer seus direitos subjetivos do lançamento desde 1992 até o ano calendário de 1997. No entanto, não os exerceu nesse prazo legal! Fl. 502DF CARF MF Processo nº 13808.000259/0062 Acórdão n.º 9101003.093 CSRFT1 Fl. 9 8 O fato jurídico ocorreu e produziu todos os seus efeitos tributários em 1991. [...] Como se pode observar, o legislador estabeleceu percentuais mínimos de realização do lucro inflacionário, independentemente da realização, ou não do ativo, sobre esses percentuais, não os levando o contribuinte à tributação, deve a autoridade tributária realizar o lançamento de ofício, porém ele deve ser feito dentro do período decadencial contado do momento em que tal realização deveria ser considerada. Sobre essa parcela podemos falar em decadência, não porém sobre a parcela que legalmente o contribuinte poderia diferir, pois só podemos falar em perda de qualquer direito quando esse direito for exercitável. Na presente lide, a infração, na realidade, está na não correção do saldo de lucro inflacionário acumulado na parte B do LALUR diferença IPC/BTNF conforme determinou a Lei n. 8.200/91 e Decreto 332/91, conforme deixou claro o próprio fiscal no Termo de Verificação Fiscal. O Fisco, com vistas a determinar as bases de cálculos dos tributos exigidos, referentes aos anos de 1995, em lançamento operado nos idos do ano 2000, retrocedeu ao ano de 1991 para promover o refazimento dos cálculos da atualização do lucro inflacionário/saldo credor diferença IPC/BTNF. Ora, conforme já exposto, a fiscalização somente pode alterar cálculos relativos à correção monetária, quer seu resultado seja credor, quer seja devedor, dentro do período decadência!, salvo em relação a índices normais quando não se tratar de exceções como é o caso da correção monetária IPC/BTNF que foi boa para quem o resultado se mostrava devedor e ruim para quem se mostrava credor. O SAPLI é um instrumento valioso para mostrar o saldo de lucro inflacionário e sua realização ao longo do tempo, pois, como já dissemos, em relação à parcela diferível a cada período de apuração não corre a decadência em virtude da impossibilidade da Fazenda Pública realizar o lançamento, pois a lei autoriza o diferimento, porém fora do qüinqüênio, o valor apurado pela empresa, quer conste quer não do SAPLI, não pode ser alterado. Considerando que a fiscalização alterou cálculos realizados pela empresa sobre os quais já tinha operado a decadência, ou seja, o valor levantado pela contribuinte ainda que a fiscalização dele discordasse deveria ser mantido, pois o parágrafo único do artigo 149 do CTN, somente autoriza o Fisco rever o lançamento anteriormente efetuado quando ainda não extinto o seu direito. Tal mandamento deve ser obedecido na sua plenitude, ou seja, o que está para trás, além dos 5 anos deve ser tido como verdadeiro pelo silêncio no decurso temporal previsto na legislação para o pronunciamento de uma das partes da relação jurídico tributária. Pensar ou agir de forma diversa quebraria a segurança jurídica que a lei concedeu às partes envolvidas. DO PEDIDO Diante das razões invocadas, a recorrente requer que essa Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, que reconheçam das divergências Fl. 503DF CARF MF Processo nº 13808.000259/0062 Acórdão n.º 9101003.093 CSRFT1 Fl. 10 9 apontadas nos paradigmas, e conheça do presente recurso especial, pois preenche todos os requisitos de admissibilidade, dando provimento para julgar improcedente o lançamento, cancelando a autuação. Foi dado seguimento ao recurso especial do Sujeito Passivo (Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial de 17.01.2014, efls. 468471). Considerouse que as conclusões dos acórdãos examinados revelavamse discordantes sobre as seguintes matérias: (a) cômputo no cálculo do lucro inflacionário da correção monetária pela diferença IPC/BTNF, conforme paradigma: Acórdão da CSRF nº 0105.414, de 20.03.2006; (b) decadência da realização da totalidade do lucro inflacionário, conforme paradigma: Acórdão CSRF nº 0105.377, de 06.12.2005. Notificado em 21.01.2014, fl. 472, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) apresentou contrarrazões, efls. 473479, em 30.01.2014, efl. 480. A PGFN argumenta que: II – RAZÕES PARA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. O acórdão recorrido não merece qualquer reforma, data venia, tendo em vista que as razões recursais não infirmam os argumentos decisórios. Nesse diapasão, é válido transcrever trecho do voto condutor do acórdão recorrido que afasta a decadência [...]. Quanto à decadência, citese a Súmula CARF nº 10: “O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos.” De fato, a tributação prevista na Lei 8541/92 exige que o pagamento deve abranger integralmente o lucro inflacionário acumulado até 31/12/92, inclusive aquele resultante do saldo credor da diferença complementar IPC/BTNF. Isso com um detalhe: a opção se daria pelo pagamento do imposto. Ocorre que o recorrente não cumpriu com os ditames da referida norma, isto é, efetuou o pagamento apenas sobre uma parcela do lucro inflacionário, que não alcança sequer aquela parte do lucro inflacionário expurgada a correção complementar IPC/BTNF. Com isso, o descumprimento afasta do contribuinte o beneficiado com o prazo decadencial previsto no art. 150, §4º, do CTN, pois, efetivamente, não houve adesão à Lei 8541/92, vale dizer, não se iniciou o prazo decadencial para lançamento justamente porque não houve fato gerador. Fato gerador deve ser considerado aqui como a apuração do resultado tributável, ou seja, a apuração do lucro real. Assim, somente na ocasião em que seja prevista a inclusão de determinada parcela da escrituração contábil ou extracontábil na apuração da base tributável (lucro real) é que se inicia o cálculo da decadência. [...] Fl. 504DF CARF MF Processo nº 13808.000259/0062 Acórdão n.º 9101003.093 CSRFT1 Fl. 11 10 Restando patente que a falta de pagamento do tributo no montante devido retirouo da opção pelo regime da Lei 8541/92, assim como inexistiu fato gerador hábil a iniciar o termo a quo do prazo para lançamento fiscal, concluise que não houve a suposta decadência, razão pela qual o acórdão deve ser mantido incólume. Sabese que, no caso de lucro inflacionário, o prazo decadencial começa a fluir a partir de cada exercício em que deve ser tributada sua realização, ou seja, a partir da data em que o tributo tornase exigível e o lançamento é juridicamente possível. Assim, o prazo para contagem da decadência terá como base o exercício em que deve ser tributada a sua realização, ou seja, o exercício de 1996, e não o período em que o saldo de lucro inflacionário foi apurado, justamente por estar o fisco impossibilitado de efetuar o lançamento sobre o lucro inflacionário antes do prazo fixado em lei para a sua realização. [...] A contribuinte sustenta que em 31/03/1993, realizou integralmente o lucro inflacionário acumulado, com base na Lei nº 8.541/1992, procedimento que somente poderia ser revisto até 31/03/1998, nos termos do artigo 150, §4º, do CTN. De fato, segundo o Termo de Constatação Fiscal, houve o pagamento em 30/04/1993 do lucro inflacionário a realizar. Porém, o recolhimento efetuado pelo recorrente não contemplou a parcela do lucro inflacionário referente à diferença IPC/BTNf, de forma que não há que se falar em revisão do pagamento efetuado em 30/04/1993. Quanto à incidência da correção monetária, nos termos do §3° do artigo 426 do RIR/1994, sobre este saldo deveria incidir a correção monetária referente à diferença IPC/BTNf. [...] Portanto, a correção monetária referente à diferença IPC/BTNf deveria ser controlada pelo contribuinte e oferecida à tributação a partir do ano de 1993, de acordo com o critério para a determinação do lucro inflacionário realizado. III. CONCLUSÃO Diante do exposto, a União requer que o recurso especial seja desprovido, mantendose, in totum, o acórdão proferido pela e. Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13808.000259/0062 Acórdão n.º 9101003.093 CSRFT1 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento para a constituição de crédito tributário referente ao IRPJ do anocalendário de 1995, no regime do lucro real anual. A autuação fiscal apontou a ocorrência de duas infrações: excesso de retiradas em relação ao limite individual adicionado a menor na apuração do lucro real; e lucro inflacionário acumulado realizado adicionado a menor na demonstração do lucro real. O lançamento foi cientificado à contribuinte em 01/03/2000, conforme cópia do Aviso de Recebimento AR juntado às fls. 94. A exigência fiscal foi mantida tanto na primeira, quanto na segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido). A controvérsia que remanesce nessa fase de recurso especial diz respeito especificamente à segunda infração, que trata da realização do saldo de lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995. Uma das questões suscitadas está relacionada à realização antecipada (incentivada) do saldo acumulado de lucro inflacionário, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.5451/1992. Conforme noticia o Termo de Constatação Fiscal, às fls. 79: [...] 3. No quadro 18 da declaração de rendimentos do ano base de 1.993 podese confirmar os seguintes registros: 18REALIZAÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO E DO SALDO CREDOR DA DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF ATÉ 31/12/92 FORMA DE OPÇÃO COTA ÚNICA ALíQUOTA 5% SALDO DO LUCRO INFLAC. EM CR$ 60.580.684 SALDO DO L.I. EM UFIR DIÁRIA 4.001.366,20 IMPOSTO MENSAL UFIR DIÁRIA 200.068,31 4. No quadro 15 da mesma declaração foi informado como imposto de renda a pagar, mês de abril, a titulo de realização antecipada do lucro Fl. 506DF CARF MF Processo nº 13808.000259/0062 Acórdão n.º 9101003.093 CSRFT1 Fl. 13 12 inflacionário, no item 17 o mesmo valor do imposto de renda em UFIR DIÁRIA: 200.068,31. 5. O recolhimento desse valor acima referido foi efetivado e confirmado no código de receita 3320código especial para essa natureza de pagamento o qual, recebeu no sistema o número 06.902.475.524 e totalizou em moeda corrente da época (cruzeiros) Cr$3.811.651.425,04 sendo recolhido em 30.04.1993. Com esse pagamento o contribuinte considerou extinta a totalidade do lucro inflacionário a realizar. [...] A opção pela realização antecipada/incentivada dos saldos acumulados de lucro inflacionário implicava em modificações no aspecto temporal dessa tributação. Há um acórdão exarado pela antiga 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF em 25/01/2010, que, ao analisar situação semelhante à dos presentes autos, apresenta informações esclarecedoras sobre essa questão: Acórdão nº 180200.318 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Exercício: 1998, 1999. LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO ANTECIPADA LEI 8.541/92, ARTIGO 31 DECADÊNCIA. A opção pela realização antecipada do lucro inflacionário, por ser irretratável, estabelecia um novo regime temporal para o reconhecimento da realização desse lucro. A partir da opção, não mais poderia o Contribuinte reivindicar o prazo de diferimento da regra geral. No caso de irregularidade, cabia ao Fisco exigir o cumprimento das realizações de acordo com a periodicidade adotada pelo Contribuinte em sua opção, seguindo os mesmos critérios em termos percentuais e temporais. A opção por cota única permitia, desde a sua implementação, a exigência integral de qualquer diferença constatada em relação à realização do lucro inflacionário, mas essa exigência tinha que ser feita em tempo hábil, sob pena de decadência. [...] Voto [...] A questão principal a ser enfrentada diz respeito à decadência. [...] O fato é que o art. 31 da Lei 8.541/92 implementou uma gradativa redução na alíquota do IRPJ para aqueles Contribuintes que optassem por uma das formas de antecipação na realização do lucro inflacionário acumulado: Art. 31. À opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3°) existente em 31 de dezembro de 1992, corrigidos monetariamente, poderão ser considerados realizados mensalmente e tributados da seguinte forma: 1 1/120 à alíquota de vinte por cento; ou II 1/60 à alíquota de dezoito por cento; ou Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13808.000259/0062 Acórdão n.º 9101003.093 CSRFT1 Fl. 14 13 III 1/36 à alíquota de quinze por cento; ou IV 1/12 à alíquota de dez por cento, ou V em cota única à alíquota de cinco por cento. E o § 4° deste mesmo artigo estabeleceu que essa opção seria irretratável. Assim, qualquer das opções acima excluía o Contribuinte, de modo irreversível, da regra geral do art. 30 da referida lei, que previa o prazo máximo de 20 anos para a realização do lucro inflacionário. Nesse contexto, a opção feita pelo Contribuinte estabelecia um novo regime temporal para o reconhecimento da realização. Se a opção fosse pela regra do inciso I, deveria ser realizado 10% do lucro inflacionário ao ano, num prazo máximo de 10 anos. Pela regra do inciso II, a realização seria de 20% ao ano (prazo de 5 anos), e assim por diante. No caso de haver irregularidade na realização, a exigência fiscal deveria seguir os mesmos critérios em termos percentuais e temporais, posto que a opção realizada anteriormente era considerada irretratável. Ou seja, a partir dela, não mais poderia o Contribuinte reivindicar um prazo de diferimento maior do que o previsto para a sua opção. Quanto ao processo sob exame, não há dúvidas de que a Contribuinte fez opção pela realização integral, em cota única. Nesse sentido, o DARF de fl. 66 indica no seu campo 14 que a opção foi pela regra do inciso V. Além disso, a tela de consulta da DIRPJ/1994, à fl. 104, indica que a Contribuinte optou pela realização antecipada e incentivada, informação que também está registrada no SAPLI, à fl. 8. Sendo assim, desde 30/04/1993, que foi a data em que a Contribuinte optou pela realização em cota única, por meio do DARF acima referido, poderia o Fisco exigir integralmente qualquer diferença constatada em relação à realização de lucro inflacionário. Entretanto, o lançamento somente ocorreu em 01/08/2003, momento em que o crédito tributário já se encontrava extinto pela decadência, por qualquer dos prazos previstos no CTN. Em razão do acolhimento da decadência, as demais questões suscitadas pela Recorrente ficam prejudicadas. Deste modo, dou provimento ao recurso, para acolher a decadência. Essa decisão da 2ª Turma Especial foi confirmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme o Acórdão nº 9101001.505, exarado por esta 1ª Turma em 25/10/2012: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 1997, 1998. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO ANTECIPADA LEI 8.541/92 ARTIGO 31 DECADÊNCIA. A opção pela realização antecipada do lucro inflacionário, por ser irretratável, estabelecia um novo regime temporal para o reconhecimento da realização desse lucro. A partir da opção, não mais poderia o Contribuinte Fl. 508DF CARF MF Processo nº 13808.000259/0062 Acórdão n.º 9101003.093 CSRFT1 Fl. 15 14 reivindicar o prazo de diferimento da regra geral. No caso de irregularidade, cabia ao Fisco exigir o cumprimento das realizações de acordo com a periodicidade adotada pelo Contribuinte em sua opção, seguindo os mesmos critérios em termos percentuais e temporais. A opção por cota única permitia, desde a sua implementação, a exigência integral de qualquer diferença constatada em relação à realização do lucro inflacionário, mas essa exigência tinha que ser feita em tempo hábil, sob pena de decadência. Em outra oportunidade, esta 1ª Turma da CSRF também seguiu essa mesma linha de entendimento sobre a contagem da decadência para os casos em que o contribuinte opta pela realização antecipada do lucro inflacionário, conforme o Acórdão nº 9101002.176, de 19/01/2016: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Ano calendário: 1997. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LUCRO INFLACIONÁRIO. Realização incentivada do lucro inflacionário em cota única, prevista no art. 30, V, da Lei n. 8.541/92, com o correspondente pagamento, em 31/03/1993. Auto de infração lavrado em 29/04/2003, para a cobrança de suposta diferença na apuração do aludido lucro inflacionário, com a recomposição do respectivo saldo de 1997. Decadência consumada, conforme o prazo estabelecido no art. 150, par. 4º, do CTN. Incidência da Súmula n. 10, do CARF, e do REsp n. 973.733/SC, STJ (recurso repetitivo). Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional desprovido. A Súmula CARF nº 10, exarada em 14/07/2010, realmente confirma tudo o que está dito acima sobre essa questão da decadência para os casos de opção pela realização antecipada do lucro inflacionário: Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Nos termos da própria lei (Lei 8.541/1992, art. 31, §§ 3º e 4º), essa opção era irretratável, e o imposto pago era considerado como de tributação exclusiva: Art. 31. À opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3°) existente em 31 de dezembro de 1992, corrigidos monetariamente, poderão ser considerados realizados mensalmente e tributados da seguinte forma: [...] § 3° O imposto de que trata este artigo será considerado como de tributação exclusiva. § 4° A opção de que trata o caput deste artigo, que deverá ser feita até o dia 31 de dezembro de 1994, será irretratável e manifestada através do pagamento do imposto sobre o lucro inflacionário acumulado, cumpridas as instruções baixadas pela Secretaria da Receita Federal. Quanto ao caso sob exame, o período de apuração em que deveria ter sido realizado o lucro inflacionário em questão é o período em que a contribuinte fez a opção pela realização integral do lucro inflacionário, em cota única, o que ocorreu no curso do anobase de Fl. 509DF CARF MF Processo nº 13808.000259/0062 Acórdão n.º 9101003.093 CSRFT1 Fl. 16 15 1993, e nos termos da própria Súmula CARF nº 10, é a partir daí que deve ser contada a decadência. Não há dúvida de que a contribuinte fez opção pela realização integral, em cota única. A DIRPJ/1994 (vol. 1, efls. 72/73) traz expressamente essa informação, que também pode ser confirmada pelo SAPLI (vol. 1, efls. 94). E o próprio Termo de Constatação Fiscal também registra esse dado, conforme transcrição feita no início deste voto. O pagamento em cota única, com alíquota de 5%, foi realizado em 30/04/1993, e desde essa época poderia o Fisco exigir integralmente qualquer diferença constatada em relação à realização do lucro inflacionário. Entretanto, o lançamento somente ocorreu em 01/03/2000, momento em que o crédito tributário já se encontrava extinto pela decadência, por qualquer dos prazos previstos no CTN. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 510DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18184.000033/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/09/2003
RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO PARCIAL DO CRÉDITO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. EQUÍVOCOS DO LANÇAMENTO ORIGINÁRIO. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO PELA FISCALIZAÇÃO.
Deve ser mantida a exoneração parcial do crédito tributário realizada pela delegacia de origem, tendo em vista a identificação de erro no lançamento pela fiscalização, em sede de manifestação.
Numero da decisão: 2201-004.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 06/12/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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EXONERAÇÃO PARCIAL DO CRÉDITO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. EQUÍVOCOS DO LANÇAMENTO ORIGINÁRIO. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO PELA FISCALIZAÇÃO. Deve ser mantida a exoneração parcial do crédito tributário realizada pela delegacia de origem, tendo em vista a identificação de erro no lançamento pela fiscalização, em sede de manifestação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 06/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 4. 00 00 33 /2 00 8- 70 Fl. 1167DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: 1. Tratase de NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD Nº 35.672.1396 onde, conforme informado no Relatório Fiscal (fls. 200/202), foi apurado crédito decorrente de contribuições que a empresa informou no campo “valor devido INSS” das GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social que não foi recolhido aos cofres do INSS, referente ao período de 01/11/2000 a 30/09/2003. O crédito lançado corresponde ao montante total de R$ 12.884.782,45 (doze milhões, oitocentos e oitenta e quatro mil, setecentos e oitenta e dois reais e quarenta e cinco centavos), incluídos os juros e a multa, consolidado em 15/12/2003 (fls. 02). 1.1. O Relatório Fiscal (fls. 200/202) informa, ainda, que: A) do saldo apurado, constante das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP informadas ao INSS, foram descontados os valores recolhidos por meio de GPS (Guias da Previdência Social) que constam no Relatório de Apropriação de documentos apresentados, extraídos do conta corrente do INSS e lançadas no levantamento GFP Valor devido GFIP, conforme planilha de cálculo (GFIP X GPS) anexa ao Relatório Fiscal; B) que a empresa se compensou das contribuições decorrentes da retenção sobre os serviços prestados e que foram recolhidas indevidamente no CNPJ da matriz, quando deveriam ter sido recolhidas nos CNPJ ou CEI das obras, compensações estas, que foram descontadas do presente lançamento, já que não houve discriminação das mesmas nas GFIP. C) em relação às retenções não consideradas no lançamento, a empresa foi orientada da necessidade da averbação das respectivas GPS, no valor total de R$ 4.019.047,77 (quatro milhões, dezenove mil, quarenta e sete reais e setenta e sete centavos), e as devidas retificações da GFIP através de RDE (Retificação de Dados da Empresa), para que os recolhimentos fossem descontados do lançamento, . D) a auditoria realizada na empresa foi parcial, tendo em vista o prazo previsto para a conclusão do CONSTRUPREV, foi feito uma análise, por amostragem, das Folhas de Pagamento, já que, nos exercícios de 2000 e 2001, a empresa não tinha o resumo por filial das Folhas de Pagamento, mas apenas por centro de custos, razão pela qual foi feito batimento entre os valores Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 18184.000033/200870 Acórdão n.º 2201004.014 S2C2T1 Fl. 3 3 declarados em GFIP e os valores recolhidos em GPS, do qual, foi obtido os valores não recolhidos, apurados no presente lançamento. (...) DAS DILIGÊNCIAS 3. Tendo em vista as alegações e os documentos acostados pela empresa, os autos retornaram à Fiscalização para que fossem abordadas e esclarecidas algumas questões, conforme despacho de fls. 702. Na sua manifestação e anexos (fls 703/704), a Fiscalização solicita a exclusão das contribuições de Terceiros, do presente lançamento, e informa que as mesmas foram lançadas em outra NFLD (DEBCAD n° 35.764.7394). Solicita, ainda, a exclusão de valores referentes à retenção de 11% prevista no art. 31 da Lei 8.212/91, deduções de GPS etc, conforme planilhas de fls. 705/741. 3.1. Após a análise dos autos, bem como de consulta ao Sistema Informatizado de Arrecadação da Previdência Social, cujas cópias foram juntadas aos autos (fls. 743/789), foram constatadas várias divergências, razão pela qual foi solicitada à Fiscalização que efetuasse uma revisão geral no lançamento, competência por competência, em todos os estabelecimentos, com elaboração de novas planilhas com as informações necessárias, de forma clara e precisa, visando ensejar o necessário atributo de liquidez e certeza do débito (Despacho n° 21.003.0/078/2005 fls. 790/792). A Fiscalização manifestouse às fls. 797/800 e elaborou novas planilhas (fls. 801/839), onde solicita nova retificação dos valores lançados na NFLD DEBCAD nº 37.764.7394, a ser excluídos do presente lançamento. 3.2. Entretanto, a revisão efetuada pela Fiscalização, bem como a forma como foram elaboradas as novas planilhas, não foram suficientes para ensejar o necessário atributo de liquidez e certeza do crédito, dificultando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte e o convencimento do julgador administrativo. Assim, conforme Despacho nº 21.003.0/037/2007 (fls. 842/843), novamente os autos foram encaminhados à Fiscalização para que fosse efetuada uma revisão geral dos lançamentos ( NFLD 35.672.1396 e 35.764.7394), competência por competência, em todos os estabelecimentos, com elaboração de novas planilhas com as informações necessárias, de forma clara e precisa, visando ensejar o necessário atributo de liquidez e certeza do débito, objetivando não apenas o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa por parte do contribuinte, mas também, disponibilizar aos julgadores administrativos, tanto de primeira quanto de segunda instância, os esclarecimentos necessários ao julgamento. A Fiscalização manifestouse às fls. 846/847. 3.3. Devidamente intimada das manifestações da Fiscalização (fls. 858), a empresa, em 01/03/2010, protocolou requerimento de desistência parcial da impugnação, para inclusão em Fl. 1169DF CARF MF 4 parcelamento, nos termos do disposto na Lei nº 11.941, de 27/05/2009., razão pela qual os autos foram encaminhados à DERAT/SPO para as providências cabíveis, conforme Despacho de fls. 901/902. 3.4. Conforme Despacho de fls. 951/953, foi efetuado o desmembramento do débito, com a inclusão dos valores confessados no processo PT nº 18184.000120/201122 (parcelamento), conforme DADD – Discriminativo Analítico do Débito Desmembrado (fls. 916/950). 3.5. No Despacho de fls. 990/994, a DERAT/SPO manifestouse, ainda, em relação aos valores remanescentes que não foram objeto da desistência da impugnação e, portanto, com pendência de julgamento. A empresa foi cientificada do teor do referido despacho em 08/04/2011 e, após o prazo de 30 (trinta) dias, sem que a mesma tenha se manifestado, os autos foram encaminhados à DRJ/SPO para julgamento. 3.6. Ao presente processo foi apensado o PT 18184.000032/200825 – NFLD DEBCAD nº 36.764.7394 (contribuições de terceiras entidades e fundos), cujo crédito também está incluído na NFLD DEBCAD 35.672.1396, ora em discussão, conforme Termo de Apensação de fls.1.022, para que ambos os processos sejam julgados na mesma data. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou procedente em parte a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2000 a 30/09/2003 LANÇAMENTO. FORMALIDADES LEGAIS. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA. O Lançamento, após todas as medidas saneadoras adotadas, encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da Lei. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando a Notificação Fiscal e seus anexos integrantes (com a discriminação da situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação), bem como todos os procedimentos de retificações processados em diligência fiscal, são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, possibilitandolhe o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 18184.000033/200870 Acórdão n.º 2201004.014 S2C2T1 Fl. 4 5 A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente. É licita a aplicação da taxa SELIC para remunerar as contribuições sociais em atraso. O Código Tributário Nacional (art.161, § 1º) outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em razão da exoneração parcial do crédito, houve recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois presentes os requisitos de admissibilidade. Com a análise dos autos, observase que o recurso de ofício referese à exoneração do valor remanescente do parcelamento parcial do débito pela recorrente, conforme se extrai do trecho abaixo do acórdão de primeira instância: Acordam os membros da 14ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, para retificar o crédito referente à NFLD DEBCAD nº 35.672.1396, alterando o valor principal remanescente, após o parcelamento, de R$ 5.204.827,54 (cinco milhões, duzentos e quatro mil, oitocentos e vinte e sete reais e cinqüenta e quatro centavos), constante no DADD – Discriminativo Analítico do Débito Desmembrado (fls. 916/950), para R$ 637.987,57 (seiscentos e trinta e sete mil, novecentos e oitenta e sete reais e cinqüenta e sete reais), acrescidos de juros e multa de mora, conforme voto e DADR – Discriminativo Analítico do Débito Retificado (fls. 1.038/1.070). RECORRESE DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 70 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011 e de acordo com o art. 1º da Portaria MF nº 03/2008, tendo em vista que o valor total do crédito tributário exonerado excede a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Depreendese do acórdão recorrido que a exoneração parcial do crédito deu se em razão das manifestações realizadas nos autos pela fiscalização, consoante abaixo transcrito: Fl. 1171DF CARF MF 6 4.3. Na sua manifestação e anexos (fls 703/704), a Fiscalização solicita a exclusão das contribuições de Terceiros, do presente lançamento, e informa que as mesmas foram lançadas em outra NFLD (DEBCAD n° 35.764.7394). Solicita, ainda, a exclusão de valores referentes à retenção de 11% prevista no art. 31 da Lei 8.212/91, deduções de GPS etc, conforme planilhas de fls. 705/741. 4.4. Tendo em vista que ainda restaram dúvidas quanto à forma sugerida para a revisão do lançamento, a Fiscalização foi instada a se manifestar novamente, conforme Despacho n° 21.003.0/078/2005 fls. 790/792. A Fiscalização manifestouse às fls. 797/800 e elaborou novas planilhas (fls. 801/839), onde solicita nova retificação dos valores lançados na NFLD DEBCAD nº 37.764.7394, a ser excluídos do presente lançamento. Houve, ainda. uma nova manifestação da Fiscalização (fls. 846/847), pela manutenção do despacho anterior, uma vez que não existiam elementos que modificassem a revisão sugerida. 4.5. Deve ser enfatizado que após ser notificada de todos os despachos de diligência e das manifestações da Fiscalização (fls. 858), a Impugnante, em 03/03/2010, protocolou requerimento de desistência parcial da impugnação, para inclusão em parcelamento, nos termos do disposto na Lei nº 11.941, de 27/05/2009 (fls. 861/881). Assim, foi efetuado pela DERAT/SPO, o desmembramento do débito, com a inclusão dos valores confessados no processo PT nº 18184.000120/201122 (parcelamento), conforme DADD – Discriminativo Analítico do Débito Desmembrado (fls. 916/950). 4.6. Por outro lado, todo o procedimento do desmembramento do débito e da inclusão da parte incontroversa em parcelamento (confessada conforme requerimento da Impugnante) foi demonstrada no TETRA – Termo de Transferência (fls. 909 ) e no DADD – Discriminativo Analítico do Débito Desmembrado (fls. 916/950), bem como no Despacho de fls. 990/994, que foram encaminhados ao contribuinte, sendo reaberto o prazo de impugnação quanto aos valores remanescente não incluídos no parcelamento (fls. 995). Por sua vez, o contribuinte, após ser devidamente intimado (fls. 996), não se manifestou, o que demonstra sua concordância em relação ao procedimento efetuado pelo Fisco e o saldo remanescente. 4.7. Assim, passaremos à análise dos questionamentos feitos na Impugnação de fls. 237/275 e, ainda, das retificações solicitadas pela Fiscalização nas suas manifestações de fls. 703/704 e 797/839, considerando apenas o débito remanescente, constante no DADD – Discriminativo Analítico do Débito Desmembrado (fls.916/950). (...) 4.16. Conforme já foi acima salientado, no montante do crédito originalmente lançado, além dos valores referentes à contribuição previdenciária devida pela empresa, também estão incluídos os valores referentes às contribuições devidas a terceiras entidades e fundos (SESI, SENAI, INCRA, SEBRAE e Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 18184.000033/200870 Acórdão n.º 2201004.014 S2C2T1 Fl. 5 7 Salário Educação). Por sua vez, nas manifestações e anexos de fls 703/741 e 797/839, a Fiscalização solicita a exclusão das contribuições de Terceiros do presente lançamento e informa que as mesmas foram lançadas em outra NFLD (DEBCAD n° 35.764.7394), que é objeto do Processo PT 18184.000032/2008 25, apensado a este processo. Portanto, há uma duplicidade de lançamento que deve ser corrigida. 4.18. Por outro lado, valores recolhidos pela empresa, referentes à retenção de 11% (onze por cento) sobre as Notas Fiscais de Prestação de Serviços, feitas nos termos do disposto no art. 31 da Lei 8.212/91, não foram inicialmente abatidos do lançamento, tendo em vista que, conforme foi informado no item 3 do Relatório Fiscal (fls. 200), não houve a discriminação nas GFIP e havia a necessidade de averbação das GPS (recolhidas todas na matriz) nos respectivos estabelecimentos prestadores dos serviços. A grande parte das referidas retenções referese aos estabelecimentos 003042, 005258, 006572, 007200 e 0081 92. 4.19. Entretanto, nas manifestações de fls. 703/741 e 797/839, a Fiscalização solicita que referidos valores sejam abatidos do lançamento, tendo em vista que a empresa efetuou a regularização, tanto das GFIP quanto das GPS. De fato, conforme pode ser constatado, por amostragem, no Sistema Informatizado de Arrecadação da RFB – COGPS Consulta Detalhada de GPS (fls. 960/989 e 1023/1034), a empresa efetuou, em 08/05/2006, as regularizações nas GFIP e as devidas alterações nas GPS, de modo que as referidas retenções encontramse discriminadas e recolhidas nos devidos estabelecimentos, razão pela qual devem ser abatidas do presente lançamento, conforme solicitado pela Fiscalização. 4.20. Ainda, em relação às retenções, embora não tenha sido solicitado pela Fiscalização, também devem ser excluídos do lançamento os valores de R$ 80.908,10 e R$ 89.875,86, das competências 06/2003 e 07/2003, respectivamente, do estabelecimento 44.023.661/008192, que também foram declarados e regularizados em 08/05/2006, conforme consulta no sistema (fls. 1035/1037). 4.21. Nas manifestações de fls 703/741 e 797/839, a Fiscalização solicita inclusões de valores inicialmente não lançados, nas competências 08/2001, 11/2001 e 04/2002 do estabelecimento CNPJ 44.023.661/005258 (fls. 808) e, ainda, na competência 06/2002 do estabelecimento CNPJ 44.023.661/006572 (fls. 811). Entretanto, tal procedimento não é concebível, neste mesmo lançamento, tendo em vista que se constituiria em um novo lançamento. Vale lembrar que a apuração de crédito ainda não constituído deve ser efetuado por meio de um novo lançamento (lançamento complementar) que, no presente caso, já não é mais possível, tendo em vista já ter transcorrido, há tempo, o prazo de cinco anos previsto no art. 173, I. do CTN. 4.22. A Fiscalização solicita, ainda, que sejam excluídos do RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (fls. 133/194), os recolhimentos de contribuições de terceiros Fl. 1173DF CARF MF 8 feitas em GPS com código 2119, que foram abatidos indevidamente do presente lançamento. Entretanto, tal procedimento constituiria em um aumento do valor do crédito constituído, o que exigiria um lançamento complementar que não é possível, conforme foi acima salientado. Por outro lado, tais valores recolhidos a título de contribuições de terceiros, em GPS com código 2119, ou mesmo com código 2100, devem ser abatidos do lançamento feito na NFLD nº 36.764.7394 PT 18184.000032/200825 – (contribuições de terceiras entidades e fundos). No presente lançamento não deve ser feita qualquer retificação, em relação às contribuições de terceiros que já foram abatidas, tendo em vista que, em consequência, nas respectivas competências, os valores apurados correspondem apenas à contribuição previdenciária (parte patronal). 4.23. Portanto, dos valores remanescentes constantes no DADD – Discriminativo Analítico do Débito Desmembrado devem ser abatidos todos os valores lançados originalmente na NFLD 35.764.7391 conforme DAD – Discriminativo Analítico de Débito fls. 05/55 do PT 18184.000032/200825 (contribuições de terceiros) e, ainda, todos os valores das retenções acima mencionadas, conforme solicitado pela Fiscalização, nas manifestações de fls. 703/741 e 797/839. 4.24. Desta forma, alterase o valor principal remanescente de R$ 5.204.827,54 (cinco milhões, duzentos e quatro mil, oitocentos e vinte e sete reais e cinqüenta e quatro centavos), constante no DADD – Discriminativo Analítico do Débito Desmembrado (fls. 916/950 ), para R$ 637.987,57 (seiscentos e trinta e sete mil, novecentos e oitenta e sete reais e cinqüenta e sete reais), acrescidos de juros e multa de mora, conforme DADR – Discriminativo Analítico do Débito Retificado (fls. 1.038/1.070). De acordo com as considerações expostas, a exoneração parcial do crédito tributário teve como fundamento, essencialmente, as manifestações da própria fiscalização sobre incorreções e duplicidade do lançamento. Assim, considerando as informações prestadas pela fiscalização e a identificação de equívocos no lançamento originário, deve ser mantida a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. Diante desse contexto,voto por conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 18184.000033/200870 Acórdão n.º 2201004.014 S2C2T1 Fl. 6 9 Fl. 1175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002532/2005-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2005
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.639
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado USINA BAZAN S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2005 REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 25 32 /2 00 5- 66 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10840.002532/200566 Acórdão n.º 9303005.639 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403001.279, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para, na parte que interessa ao presente julgamento: · reconhecer o direito de crédito sobre as despesas com o transporte de funcionários; · reconhecer o direito de crédito sobre os gastos com combustíveis e lubrificantes para o maquinário utilizado no corte e transporte da canadeaçúcar. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao reconhecimento do direito de crédito sobre os itens relacionados acima. Em síntese, argumenta a Recorrente que tais bens/serviços não são consumidos diretamente em contato com o produto em elaboração, não fazendo jus, portanto, ao creditamento das contribuições. Mediante despacho do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões foram apresentados pelo sujeito passivo, requerendo o não provimento do recurso. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial apontando divergência quanto à possibilidade de aproveitar o crédito presumido da agroindústria em pedidos de restituição e compensação. Todavia, mediante despacho do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, foi negado seguimento ao Recurso Especial do sujeito passivo. Em agosto de 2017 foi juntado aos autos Memorando e Termo de Desistência. Nesse último, o contribuinte reclama da não inclusão de parte dos débitos do presente processo na consolidação do parcelamento da Lei 12.996/14, conforme pedido apresentado em 18/06/2014. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303 005.631, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10840.000403/200533, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10840.002532/200566 Acórdão n.º 9303005.639 CSRFT3 Fl. 4 3 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.631): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas. Recordo apenas que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional traz discussão acerca da constituição ou não de crédito sobre gastos com transporte de funcionários e com combustíveis e lubrificantes." Do Mérito "(...)1 Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento da contribuição para o PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso do contribuinte é quanto à possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS sobre despesas com serviços de transporte de funcionários utilizados no corte da canadeaçúcar e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que tais itens integram o conceito de insumos utilizados na produção dos bens produzidos e vendidos pelo produtor/vendedor. 1 Deixouse de transcrever o voto da relatora do paradigma, que defendia o direito ao creditamento dos bens/serviços objeto do recurso, pois esse entendimento foi vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do presente litígio (íntegra do voto no acórdão do processo paradigma). Transcrevese, como mencionado, apenas o entendimento que prevaleceu. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10840.002532/200566 Acórdão n.º 9303005.639 CSRFT3 Fl. 5 4 A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotado pelo acórdão recorrido e pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO); IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007); X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...). Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10840.002532/200566 Acórdão n.º 9303005.639 CSRFT3 Fl. 6 5 § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as despesas com serviços de transporte de funcionários, combustíveis e lubrificantes não foram utilizadas diretamente na produção dos bens produzidos/vendidos. Tais gastos foram incorridos com o custeio agrícola da canadeaçúcar, mais especificamente com o maquinário utilizado no corte e transporte da canadeaçúcar e no transporte de pessoas (trabalhadores rurais) entre a sede da empresa e a lavoura. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto considerando que tais gastos não se enquadram no conceito de insumos nem foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos (açúcar e álcool) não é possível tal creditamento. Assim, por se tratar de despesas com bens e serviços que não foram utilizados diretamente no processo de produção dos bens produzidos/vendidos, mas no custeio agrícola da canadeaçúcar, as glosas dos créditos da contribuição, efetuadas pela autoridade administrativa, devem ser mantidas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10840.002532/200566 Acórdão n.º 9303005.639 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 270DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.001712/2010-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/10/2009
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 17 12 /2 01 0- 30 Fl. 1037DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração, DEBCAD: 37.197.3678, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 25/05/2010, no valor de R$ 835.514,17 (oitocentos e trinta e cinco mil, quinhentos e quatorze reais e dezessete centavos), acrescidos de juros e multa de mora, que ensejaram a cobrança das contribuições sociais da empresa incidentes: sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados, conforme folhas de pagamento do período de 04/2008 a 10/2009; sobre o vale refeição concedido aos empregados no período de 03/2008 a 10/2009; e ainda sobre o aviso prévio indenizado e o 13º salário indenizado pagos na rescisão de contrato de trabalho no período de 02/2009 a 10/2009. Por meio desse AI, o sujeito passivo está sendo notificado de levantamentos que abrangem as contribuições sociais previstas no artigo 11, § único, alínea "a", da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, a saber, contribuições da empresa incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados a seu serviço. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP julgado a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 17/09/2013, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803002.682 (fls. 998/1.008), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto relator, para: a) cancelar e excluir os créditos tributários lançados a título de contribuições previdenciárias sobre verbas apuradas como pagas aos empregados a título de aviso prévio indenizado e seus reflexos; b) a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos, com base nos fatos geradores anteriores à 04.12.2008, incluindo desta data, seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, comparado somente com o limite de 75% que está estabelecido art.. 35A da Lei n. 8.21211991 (atual redação) combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.4301996, desde que mais favorável ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira quanto à multa qualificada e Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à limitação da aplicação da multa. Sustentação oral Advogada Dra Renata Pergamo Penteado Corrêa, OAB/SPnº183.738”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 13888.001712/201030 Acórdão n.º 9202006.174 CSRFT2 Fl. 3 3 Exercício: 2008, 2009 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. PAGAMENTO EM PECÚNIA A TÍTULO DE ALIMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. NECESSIDADE.. O auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. VERBA SALARIAL. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por não se tratar de verba salarial ou remuneratória. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 08/08/2016 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 12/09/2016, o presente Recurso Especial (fls.1.010/1.020). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 30/10/2016 (fls. 1.023/1.026). O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35 caput da Lei nº 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado do Acórdão nº 2803002.682, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 02/03/2017, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 1039DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fl. 1023. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 13888.001712/201030 Acórdão n.º 9202006.174 CSRFT2 Fl. 4 5 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela Fl. 1041DF CARF MF 6 decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 13888.001712/201030 Acórdão n.º 9202006.174 CSRFT2 Fl. 5 7 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 1043DF CARF MF 8 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 13888.001712/201030 Acórdão n.º 9202006.174 CSRFT2 Fl. 6 9 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1045DF CARF MF 10 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, assim como lançado. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1046DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.722020/2010-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
APP: ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO DENTRO DE PARQUE QUESTIONAMENTO: ATO ESPECÍFICO DO PODER PUBLICO. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES.
Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente.
Numero da decisão: 9202-006.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ANTONIO CARLOS PELEGRINA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 APP: ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO DENTRO DE PARQUE QUESTIONAMENTO: ATO ESPECÍFICO DO PODER PUBLICO. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 20 20 /2 01 0- 78 Fl. 226DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional por meio do qual questiona o entendimento do Colegiado a quo que se manifestou no sentido de que a área total do imóvel estaria isenta do Imposto Territorial Rural ITR. Tratase de ITR relativo ao exercício de 2005. A decisão recorrida, acolhendo os argumentos de defesa e com base na prova juntada aos autos, concluiu que não incide o imposto sobre imóvel inteiramente localizado em área de preservação permanente transformada em parque estadual instituído por Decreto Estadual. O acórdão nº 280100.575, preferido pela 1ª Turma Especial da Segunda Seção recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Não incide o imposto sobre imóvel inteiramente localizado em área de preservação permanente transformada em Parque Estadual instituído por Decreto Estadual. Recurso Voluntário Provido. O ilustre Relator assim se manifestou: O litígio cingese à glosa procedida pela autoridade fiscal de 29.278,6 ha de área de preservação registrada na declaração em tela, que corresponde a integralidade do imóvel denominado “Fazenda Najá”, localizado no município de Santa Cruz do Xingu/MT, com NIRF – Número do Imóvel na Receita Federal – 2.587.0386. Compulsando os autos verificase que de acordo com a Declaração da Secretaria de Estado do Meio Ambiente SEMA (Governo do Estado do Mato Groso(fl.142),o referido imóvel rural encontrase inserido no Parque Estadual do Xingu criado pelo Decreto n° 3.585, de 07.12.2001, alterado pela Lei n. 8.054, de 29.12.2003. ... Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10183.722020/201078 Acórdão n.º 9202006.038 CSRFT2 Fl. 227 3 Portanto, em relação à referida área, está terminantemente proibido uso direto dos recursos naturais com desenvolvimento de atividade produtiva, ressalvandose as atividades científicas devidamente autorizadas pela autoridade competente. Registrese que os Parques (Nacional, Estadual ou Municipal), em conformidade com a Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que regulamentou o art. 225, § 1º, incisos I, II, III e VII da Constituição da República Federativa do Brasil e instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC, são Unidades de Proteção Integral, para as quais só é admitido o uso indireto (aquele que não envolve consumo, coleta, dano ou destruição dos recursos naturais) dos seus atributos naturais. ... Em que pese à referida área não ter sido ainda desapropriada, a partir da edição do Decreto n° 7.641/1980 (art. 7°), ela passou a ser controlada pelo poder público, de forma a não haver possibilidade de qualquer tipo de exploração, a não ser ambiental e, mesmo assim, com autorização prévia dos órgãos governamentais de controle do meio ambiente. Citando como paradigmas os acórdãos 30236.278 e 30236.783, a Fazenda Nacional defende que para reconhecimento da isenção de áreas citadas em decreto estadual como área de interesse ecológico, se faz essencial a apresentação de ADA tempestivo e ainda ato específico do Poder Público atestando ao contribuinte a abrangência e restrição imposta pela criação do Parque sobre suas áreas. Por meio do despacho de fls 203/205 o recurso foi recebido apenas em relação a discussão sobre a necessidade de reconhecimento formal da área como de preservação permanente pelo IBAMA ou por órgão delegado através de convênio. Intimado o contribuinte apresentou contrarrazões reiterando seus argumentos. Na parte que nos interessa: 1) argui que a Área de Preservação Permanente APP de 1,250.360 hectares e Área de Reserva Legal ARL de 28,028,300 hectares que pertencem a propriedade localizada no Município de Santa Cruz do Xingu denominada FAZENDA NAJA, está totalmente inserida dentro do Parque Estadual do Xingu, criado pelo Decreto nº 3.585/2001 e alterado pela Lei nº 8.054/2003 ambos do estado de Mato Grosso, sendo uma unidade de conservação e de proteção integral que tem como objetivo básico de preservar a natureza, inviabilizando, dessa forma, o imóvel para desenvolvimento de atividade produtiva; 2) reitera os documentos juntados com a impugnação tais como: a) declarações ao IBAMA no sentido de não existir exploração de atividade econômica, (fls. 24/30 e 33); b) ofício da Secretaria de Estado de Meio Ambiente atestanto que a totalidade da área está localizada dentro do Parque Estadual do Xingu (fls. 39) Fl. 228DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Conforme exposto no relatório, o objeto do recurso é a discussão acerca dos requisitos necessários para que o contribuinte tenha direito a exclusão de áreas classificadas como de preservação permanente por declaração de interesse ecológico, do cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, requisitos para aplicação da exoneração prevista no art. 10, §1º inciso II, 'b' da Lei nº 9.393/96, que até 1º de janeiro de 2013, possuía a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; (...) Sabese que o ITR, previsto no art. 153, VI da Constituição Federal e no art. 29 do CTN, é imposto de apuração anual que possui como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano. Analisando as característica da base de cálculo eleita pelo legislador conjuntamente com o teor do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir fato que coaduna com a característica extrafiscal do ITR, que somente há interesse da União que sejam tributadas áreas tidas como produtivas/aproveitáveis, havendo ainda uma preocupação em se 'compensar' aqueles que um vez tolhidos do exercício pleno de sua propriedade sejam ainda mais onerados pela incidência de um tributo. As áreas caracterizadas como de interesse ecológico, por expressa determinação legal são excluídas do cômputo do VTN – Valor da Terra Nua, montante utilizado para a obtenção da base de cálculo do ITR. Por essa razão, no entendimento desta Relatora, o inciso II acima citado ao conceituar “área tributável” não prevê uma isenção, ele nos traz na verdade uma hipótese de nãoincidência do ITR. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10183.722020/201078 Acórdão n.º 9202006.038 CSRFT2 Fl. 228 5 E para fixar a abrangência dessa não incidência, assim como ocorre com as demais áreas citadas pela Lei nº 9393/96, para delimitar o conceito de área de interesse ecológico devemos fazer uma interpretação do citado dispositivo com o Código Florestal, que na época se tratava da Lei nº 4.771/65. Assim a propriedade, o domínio útil ou a posse dessas áreas não caracterize fato gerador do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições impostas pela norma específica que define a característica desta área. O Código Florestal ao conceituar de área de preservação permanente, inclui entre essas a chamada área de interesse ecológico, vejamos: Art. 1° As florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação, reconhecidas de utilidade às terras que revestem, são bens de interesse comum a todos os habitantes do País, exercendose os direitos de propriedade, com as limitações que a legislação em geral e especialmente esta Lei estabelecem. ... § 2o Para os efeitos deste Código, entendese por: ... II área de preservação permanente: área protegida nos termos dos arts. 2o e 3o desta Lei, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas; ... Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, Fl. 230DF CARF MF 6 planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Observando a redação do citado art. 3º, além das delimitações que vamos chamar de ecológicas, temos também um requisito formal para sua constituição, qual seja a necessidade de que tais áreas sejam assim definidas por Ato do Poder Público. Destacando que o próprio código florestal já deixa claro que essas áreas sofrerão mitigações no exercício pleno da propriedade pois, a supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. A Lei nº 9.393/96 ao regulamentar o ITR o fez partindo desta premissa para fixar que não estão sujeitas ao imposto as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas em relação às Áreas de Preservação Permanente, restrições essas já inerentes á criação da própria área por força do art. 3º do Código Florestal. Percebemos, portanto, que ao contrário da argumentação do Recorrente não temos nas duas leis que tratam do tema qualquer exigência de ato específico direcionado a determinado proprietário por parte do Poder Público e ainda a necessidade de que ocorra a desapropriação prévia do bem, a exigência imposta pelo Legislador se restringe a exigir que o ente responsável, por ato próprio, crie e defina as limitações o exercício da propriedade da área por ele eleita como se interesse ecológico. Portanto os requisitos para afastar a incidência do imposto são: existência de ato do Poder Público criando a área e comprovação de que o imóvel objeto do lançamento está ali localizado. No presente caso os dois elementos foram cumpridos. Conforme consta das fls. 40, o Decreto Estadual nº 3.585/2001 criou o Parque Estadual do Xingu e, entre outros pontos, impôs em seu art. 3º que, extrapolando as vedações impostas pela Código Florestal, que as terras e benfeitorias localizadas dentro dos limites descritos são de utilidade pública para fins de desapropriação. Consta também das fls. 42 a Lei Estadual nº 8.054/2003 que traz as mesmas vedações, e amplia a área do parque. Para fins de comprovação da localização da área citamos o documento de fls. 39 emitido pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente que, além de reiterar as limitações impostas pelos instrumentos normativos acima, atesta que a totalidade do imóvel em questão encontrase nos limites do Parque Estadual do Xingu. Vale citar o teor da declaração: Atendendo solicitação as Vossa Senhoria contida no documento com protocolo nº. 461258/07, que trata da confirmação da localização de um imóvel com área de 29.278,68 ha, denominado Fazenda Najá, no município de Santa Cruz do Xingu/MT. De acordo com as Coordenadas da propriedade apresentada pelo requerente, temos a informar que a área está totalmente inserida no interior do Parque Estadual do Xingu, criada por Decreto nº 3565 de 07/12/2001 e alterado pela Lei N°.3054 de 29/12/2003, inviabilizando dessa forma o imóvel para desenvolvimento de atividade produtiva. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10183.722020/201078 Acórdão n.º 9202006.038 CSRFT2 Fl. 229 7 Informamos ainda que de acordo com a base fundiária do Parque e as informações do interessado o imóvel denominado Fazenda Naja incide também sobre os títulos de Adolfo José do Nascimento, Antenor F Andrade, Alaor Rodrigues da Cunha / Luiz C. de Almeida, Antonio Sillar a Eablino do Vale, fonte Instituto de Terras da Mato Grosso INTERMAT. Assim, cumpridos os requisitos apontados, não há como incluir na base de cálculo tributável pelo ITR imóvel que por determinação do Poder Público não pode ser utilizado pelo proprietário em sua plenitude. Somase ao argumento acima o fato do art. 10, §1º inciso II, 'c' da Lei nº 9.393/96 excluir da tributação também área imprestável à exploração econômica, reforçando o caráter extrafiscal do imposto: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; (...) Portanto, no entender desta relatora a área pertencente ao Contribuinte efetivamente enquadrase como não tributável, seja por pertencer a parque ecológico devidamente criado pelo Poder Público, seja pela impossibilidade de exploração privada, nos termos do art. 10, §1º, da Lei nº 9.393/96, não havendo fundamento para o lançamento. Assim, diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 232DF CARF MF 8 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar de seu posicionamento quanto aos requisitos aplicáveis para fins de exclusão das áreas de interesse ecológico da base de cálculo do ITR. A propósito, estabelece art. 10, §1º inciso II, 'b' da Lei nº 9.393/96, com a redação à época do fato gerador em questão: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; (...) Necessária assim, conforme o referido dispositivo legal em seu inciso II, "b", a declaração das referidas áreas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que amplie as restrições de uso previstas na alínea anterior, de forma a se poder excluir tais áreas da base de cálculo do ITR. Destarte, declarações ou ofícios, tal como o de efl. 39, que se limitou a afirmar que o imóvel de denominação em questão se encontrava dentro de Parque Estadual, "(...)Inviabilizando dessa forma o imóvel para desenvolvimento de atividade produtiva", não supre tal requisito, uma vez notese, ser esta característica também eventualmente observável no caso de áreas de Reserva Legal e APP, não podendo se depreender, do referido ato, a existência, legalmente exigida, de restrições de uso adicionais em relação àquelas outras duas espécies de áreas. Adicionalmente a propósito, adotamse aqui também as razões de decidir de lavra da autoridade julgadora de 1a. instância, in verbis: "(...) Neste aspecto, como já visto, a interessada pretende sustentar seus argumentos nas legislações de criação do Parque Estadual Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10183.722020/201078 Acórdão n.º 9202006.038 CSRFT2 Fl. 230 9 do Xingu, por entender que pelo fato de seu imóvel estar localizado no perímetro dessa área seria de interesse ecológico com direito à isenção. Porém, este argumento, por si só, não é suficiente para comprovar a isenção, pois, se assim fosse, praticamente todos os imóveis situados nessa região seriam isentos, situação esta que não ocorre. 31. Neste item, na Notificação de Lançamento o Fisco explicou, detalhadamente, que enquanto não concluído o necessário processo de regularização fundiária, mediante a desapropriação das áreas declaradas de utilidade pública, admitese a existência de terras particulares dentro dos limites do parque, portanto, tributáveis. Foi tratado, inclusive, do dispositivo legal que demonstra que o expropriado é contribuinte do ITR até a data da transferência do imóvel. 32. Assim, embora já bem explanado pelo Fisco, vejamos aqui a legislação que trata da matéria, Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que estatui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC, especificamente na parte relativa aos Parques: DAS CATEGORIAS DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO Art. 7O As unidades de conservação integrantes do SNUC dividemse em dois grupos, com características específicas: I Unidades de Proteção Integral II Unidades de Uso Sustentável. § 1o (...) Art. 8O O grupo das Unidades de Proteção Integral é composto pelas seguintes categorias de unidade de conservação: I – (...) III Parque Nacional IV – (...) Art. 11. O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. § 1o O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. (grifos não presentes no original). § 2o (...) Fl. 234DF CARF MF 10 33. Assim, a previsão legal define como Parque Nacional (aos quais se equiparam os Parques Estadual e Municipal) a área composta por imóveis públicos e esses já estão afastados da tributação por imunidade, como previsto na Constituição Federal. No caso, não há comprovação de que houve desapropriação do imóvel ora tratado para constituição de um Parque em data anterior a do fato gerador aqui tratado, para justificar reconhecimento da imunidade e afastar o interessado do pólo passivo da exigência tributária. 34. O próprio impugnante explicou, com base na legislação de criação do Parque, que as terras e benfeitorias localizadas dentro de seus limites ficam declaradas de utilidade pública, para fins de desapropriação. Ou seja, serão desapropriadas, ainda. 35. Vejamos os artigos 3o e 4o, do referido Decreto, que se repetem na Lei estadual: Art. 3o As terras e benfeitorias localizadas dentro dos limites descritos no artigo 1o deste Decreto ficam declaradas de utilidade pública, para fins de desapropriação. Art. 4o O Parque fica subordinado à Fundação Estadual do Meio Ambiente FEMA que deverá tomar as medidas necessárias para sua efetiva implantação e controle. 36. Desta forma, de acordo com § 1o, do artigo 1o, da Lei nº 9.393/1996, há incidência do tributo em questão. (...)" Em linha com o excerto acima, também entendo aplicável ao caso de terras particulares ainda não desapropriadas em limites de parque o referido dispositivo, restando, assim, estabelecida a incidência, verbis: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. Finalmente, de se rechaçar a possibilidade de exclusão de qualquer montante na forma declarada pelo contribuinte, uma vez que: a) Quanto às áreas de preservação permanente (APP) declaradas, não foi apresentado laudo técnico eficazmente elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, atestando a sua existência (materialidade) e b) Quanto ás áreas de Reserva Legal/Utilização Limitada, descumprido o requisito, entendido como essencial pela maioria deste Colegiado, de sua averbação na matrícula do imóvel junto ao Registro de Imóveis competente. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, restabelecendose a glosa perpretada pela autoridade lançadora. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10183.722020/201078 Acórdão n.º 9202006.038 CSRFT2 Fl. 231 11 (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.015266/2009-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/07/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 52 66 /2 00 9- 08 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 9202005.906 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 9202005.906 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 314DF CARF MF Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 9202005.906 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 9202005.906 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 316DF CARF MF Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 9202005.906 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 317DF CARF MF Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 9202005.906 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 318DF CARF MF Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 9202005.906 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 319DF CARF MF Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 9202005.906 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 320DF CARF MF Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 9202005.906 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 321DF CARF MF Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 9202005.906 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 322DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15455.720025/2014-66
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2014
SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 45 5. 72 00 25 /2 01 4- 66 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 15455.720025/201466 Acórdão n.º 1001000.189 S1C0T1 Fl. 47 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), mediante o Acórdão nº 1452.551, de 31/07/2014 (efls. 24/25), objetivando a reforma do referido julgado. Em 25/01/2013, a empresa fez a opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, que foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional”, de 14/02/2014 (efl. 10), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, na(s) seguinte(s) situação(ões) impeditiva(s): Débito não previdenciário com a Secretaria da Receita Federal, cuja exigibilidade não está suspensa. Lista de Débitos 1)Débito Código da Receita :5338 Nome do Tributo : DIPJMULTAATRASO/FALTA Número do Processo : 0 Período de Apuração: 2007 Saldo Devedor : R$ 200,00 A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional, alegando, em síntese, que no dia 31/01/2014 pagou o débito. A DRJ considerou procedente o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional, ao constatar que o "débito encontrase ativo no sistema, já que o valor não foi recolhido com os encargos moratórios, impedindo a opção" e proferiu acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2014 ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2014 SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS. PENDÊNCIAS IMPEDITIVAS. VEDAÇÃO DE INGRESSO NOREGIME DIFERENCIADO. A existência de débitos com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, não regularizados até o prazo para solicitação da opção ao regime do Simples Nacional, é circunstância impeditiva para ingresso no referido sistema. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 31/10/2014, conforme Aviso de Recebimento à efl. 31, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 14/11/2014 (efls. 34/43), conforme carimbo aposto à efl. 34. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 15455.720025/201466 Acórdão n.º 1001000.189 S1C0T1 Fl. 48 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude dos referidos débitos não pagos no prazo legal, ou cuja exigibilidade não estava suspensa. A base legal do indeferimento foi o art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (grifo não consta do original) Nesse particular, mediante o art 6º, §§1º e 2º, da Resolução CGSN nº 94/2011, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (grifos não pertencem ao original) No recurso interposto, a recorrente afirma que "o débito ativo no sistema é referente ao DARF 5338 de R$ 200,00, cujo valor foi recolhido erroneamente, sem os Fl. 48DF CARF MF Processo nº 15455.720025/201466 Acórdão n.º 1001000.189 S1C0T1 Fl. 49 4 encargos moratórios. Sendo assim, após o indeferimento, foi pago o DARF com o resíduo constante", e anexa o DARF de R$29,94, cujo pagamento foi efetuado em 12/11/2014. Não merece reparo o pronunciamento da Turma Julgadora de Primeira Instância em declarar que a regularização de eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional deve ser feita enquanto não vencido o prazo para a solicitação. Conforme disposto no art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, o favorecimento fiscal instituído pela Lei Complementar é somente para os contribuintes que não possuem pendências com débitos tributários, não se enquadrando a recorrente nesta situação em 31/01/2014, pois com relação a um débito fiscal procedeu o pagamento somente em 12/11/2014. Por todo o exposto, face à comprovada existência de débito não suspenso perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo Simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 49DF CARF MF
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