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7287974 #
Numero do processo: 10675.004759/2004-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. DECISÕES DOS COLEGIADOS. Acolhem-se os embargos de declaração quando contraditórios o decidido pelo colegiado de primeira instância e o de segunda instância. No caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de origem já havia exonerado o sujeito passivo do crédito tributário quanto à área de preservação permanente.
Numero da decisão: 2401-005.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, para, sanando o erro de fato apontado, alterar o dispositivo do acórdão embargado para: "ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, pelo voto de qualidade, negar provimento quanto à área de reserva legal, vencidos os Conselheiros Heroldes Bahr Neto, Relator, Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente e Nanci Gama, que deram provimento. Designado para redigir o voto o conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. Por unanimidade de votos, negou-se provimento quanto às áreas de pastagem e quanto ao VTN". (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO

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2401­005.431  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  4 de abril de 2018  Matéria  MALHA FISCAL ­ ITR  Embargante  SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL  Interessado  JOÃO DE ALMEIDA E SILVA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2000  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  CONTRADIÇÃO.  DECISÕES  DOS  COLEGIADOS.   Acolhem­se  os  embargos  de  declaração  quando  contraditórios  o  decidido  pelo  colegiado  de  primeira  instância  e  o  de  segunda  instância.  No  caso,  a  Delegacia da Receita Federal de Julgamento de origem já havia exonerado o  sujeito passivo do crédito tributário quanto à área de preservação permanente.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.                         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 47 59 /2 00 4- 14 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10675.004759/2004­14  Acórdão n.º 2401­005.431  S2­C4T1  Fl. 254          2   Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  dos  embargos  e  acolhê­los,  para,  sanando  o  erro  de  fato  apontado,  alterar  o  dispositivo  do  acórdão embargado para: "ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de  contribuintes,  pelo  voto  de  qualidade,  negar  provimento  quanto  à  área  de  reserva  legal,  vencidos  os  Conselheiros  Heroldes  Bahr  Neto,  Relator,  Nilton  Luiz  Bartoli,  Vanessa  Albuquerque Valente e Nanci Gama, que deram provimento. Designado para redigir o voto o  conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. Por unanimidade de votos, negou­se provimento  quanto às áreas de pastagem e quanto ao VTN".    (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Francisco Ricardo Gouveia Coutinho ­ Relator    Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier,  Rayd  Santana  Ferreira,  Francisco  Ricardo  Gouveia  Coutinho,  Andrea  Viana  Arrais  Egypto,  Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.                          Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10675.004759/2004­14  Acórdão n.º 2401­005.431  S2­C4T1  Fl. 255          3   Relatório  Cuida­se  de  embargos  inominados  da  unidade  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do Brasil  de  jurisdição  do  sujeito  passivo  em  face  do Acórdão  nº  303­35.417  da  3ª  Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 210/235), cuja ementa está assim redigida:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL RURAL ­ ITR   Exercício: 2000       Às  fls.  250/251,  consta  despacho  de  admissibilidade  dos  embargos,  nos  seguintes termos:  [...]  Adentrando a peça, verifico que se insurge o embargante contra  o  Acórdão  303­  35.417  (e­fls.  210  a  235),  da  3ª.  Câmara  do  então 3º. Conselho de Contribuintes, julgado na sessão plenária  de 19 de junho de 2008, cuja decisão abaixo se transcreve:  Por  unanimidade  de  votos,  deu­se  provimento  ao  recurso  voluntário  quanto  à  área  de  preservação  Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10675.004759/2004­14  Acórdão n.º 2401­005.431  S2­C4T1  Fl. 256          4 permanente.  Pelo  voto  de  qualidade,  negou­se  provimento  quanto  à  área  de  reserva  legal,  vencidos  os Conselheiros Heroldes Bahr Neto, Relator, Nilton  Luiz  Bartoli,  Vanessa Albuquerque Valente  e Nanci  Gama, que deram provimento. Designado para redigir  o voto o conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro.  Por  unanimidade  de  votos,  negou­se  provimento  quanto às áreas de pastagem e quanto ao VTN.  [...]  Analiso.   Ainda  que  entenda  que  a  ciência  do  Titular  da  Unidade  preparadora  se  deu  quando  do  recebimento  do  presente  feito  naquela  Unidade  após  prolação  do  Acórdão  (em  07/12/2011,  consoante  e­fl.  239),  re­analisando  o  feito,  entendo  se  estar  diante  de  caso  onde  a  contradição  em  questão,  ainda  que  existente, tem como consequência a geração de lapso manifesto  do Acórdão, uma vez tendo o decisum se pronunciado acerca de  matéria  já  decidida  favoravelmente  ao  contribuinte  em  sede  impugnatória (e­fls. 154 a 163) e, assim, não objeto do Recurso  Voluntário do autuado de e­fls. 170 a 173.  Assim, recebo, com fulcro no art. 66, do anexo II ao Regimento  Interno  deste  CARF  já  citado,  a  peça  de  e­fls.  248/249  como  embargos  inominados,  não  havendo  que  se  cogitar,  nesta  hipótese, de intempestividade.  Prosseguindo, uma vez aqui constatada a existência do referido  lapso, entendo que seja de se admitir os embargos inominados,  devendo­se sanar o lapso através da prolação de novo Acórdão,  com  fulcro  nos  arts.  67  e  76  do  Decreto  no.  7.574,  de  29  de  setembro de 2011.  Destarte,  diante  do  exposto,  proponho  que  os  presentes  embargos  de  declaração  sejam  recebidos  como  embargos  inominados  e  admitidos,  a  fim  de  que  seja  corrigido  o  lapso  constatado através da prolação de novo Acórdão.  É o relatório.                Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10675.004759/2004­14  Acórdão n.º 2401­005.431  S2­C4T1  Fl. 257          5   Voto             Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho  Os presentes aclaratórios devem ser recepcionados no sentido de que sejam  sanada a contradição apontada no voto condutor do Acórdão nº 303­35.417 da 3ª Câmara do  Terceiro Conselho de Contribuintes.  Tem­se como motivação dos embargos a alegação acerca de matéria, no caso  o  restabelecimento  da  área  de  preservação  permanente,  já  decidida  favoravelmente  ao  contribuinte em sede impugnatória e, assim, não objeto do Recurso Voluntário do autuado.   Veja.  A  ementa  e  o  dispositivo  do Acórdão  nº  03­19.058  da Delegacia  da  Receita Federal de Julgamento em Brasília (fls. 154/163) trazem as seguintes disposições:      Percebe­se claramente que o colegiado de 1ª instância restabeleceu à área de  preservação permanente nos termos do relatório e voto do relator.  Por  outro  lado,  o  dispositivo  do  Acórdão  nº  303­35.417  da  3ª  Câmara  do  Terceiro Conselho de Contribuintes está assim redigido:  ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho  de  contribuintes,  por  unanimidade de votos,  dar provimento ao  recurso  voluntário  quanto  à  área  de  preservação  permanente,  pelo  voto  de  qualidade,  negar  provimento  quanto  à  área  de  reserva  legal,  vencidos  os  Conselheiros  Heroldes  Bahr  Neto,  Relator,  Nilton  Luiz  Bartoli,  Vanessa  Albuquerque  Valente  e  Nanci Gama, que deram provimento. Designado para redigir o  voto  o  conselheiro  Luis  Marcelo  Guerra  de  Castro.  Por  unanimidade de votos, negou­se provimento quanto às áreas de  pastagem e quanto ao VTN.(grifo nosso)  Portanto,  a  fim  de  sanar  a  contradição,  a  parte  do  dispositivo  deve  ser  alterado para constar o seguinte:  Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10675.004759/2004­14  Acórdão n.º 2401­005.431  S2­C4T1  Fl. 258          6 ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho  de  contribuintes,  pelo  voto  de  qualidade,  negar  provimento  quanto  à  área  de  reserva  legal,  vencidos  os  Conselheiros  Heroldes  Bahr  Neto,  Relator,  Nilton  Luiz  Bartoli,  Vanessa  Albuquerque  Valente  e  Nanci  Gama,  que  deram  provimento.  Designado  para  redigir  o  voto  o  conselheiro  Luis  Marcelo  Guerra  de  Castro.  Por  unanimidade  de  votos,  negou­se  provimento quanto às áreas de pastagem e quanto ao VTN.(grifo  nosso)  Também,  reconhecer que  resta  prejudicada  a parte  2  do Voto Vencedor  no  Acórdão nº 303­35.417  (fls. 234/235), que  trata do reconhecimento das áreas de Preservação  Permanente.  Conclusão  Em vista do exposto, voto no sentido de acolher os embargos a  fim de que  seja sanada a contradição, nos termos dos fundamentos do voto acima exposto.     (assinado digitalmente)  Francisco Ricardo Gouveia Coutinho                                  Fl. 258DF CARF MF

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7317376 #
Numero do processo: 13679.000560/2009-80
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DCTF. INCIDÊNCIA É devida a multa por atraso na entrega de DCTF quando apresentada após o prazo fixado na legislação tributária. INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matérias argüidas em Recurso Voluntário, mas não aventadas em sede de impugnação, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório, exceto se forem matérias de ordem pública.
Numero da decisão: 1002-000.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer a temática de denúncia espontânea por preclusão consumativa e, no mérito, por unanimidade, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA

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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DCTF. INCIDÊNCIA É devida a multa por atraso na entrega de DCTF quando apresentada após o prazo fixado na legislação tributária. INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matérias argüidas em Recurso Voluntário, mas não aventadas em sede de impugnação, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório, exceto se forem matérias de ordem pública.

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1002­000.174  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  08 de maio de 2018  Matéria  MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO  Recorrente  POSTO 7 P LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ano­calendário: 2009  MULTA  POR  ATRASO  NA  ENTREGA  DE  DECLARAÇÃO.  ENTREGA  EXTEMPORÂNEA  DE  DCTF. INCIDÊNCIA   É devida a multa por atraso na entrega de DCTF quando  apresentada após o prazo fixado na legislação tributária.  INOVAÇÃO  DA  TESE  DE  DEFESA  EM  SEDE  RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.   Não  se  conhece  de  matérias  argüidas  em  Recurso  Voluntário, mas não aventadas em sede de impugnação,  sob  pena  de  supressão  de  instância  e  violação  do  princípio  do  contraditório,  exceto  se  forem matérias  de  ordem pública.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do  colegiado, por  unanimidade  de  votos,  em conhecer  parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer a  temática de denúncia espontânea por  preclusão consumativa e, no mérito, por unanimidade, em lhe negar provimento.  (assinado digitalmente)  Aílton Neves da Silva ­ Presidente e Relator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Aílton Neves da Silva  (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes  Nunes.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 9. 00 05 60 /2 00 9- 80 Fl. 41DF CARF MF     2     Relatório  Por economia processual, adoto o relatório produzido pela DRJ/JFA:  Trata  o  presente  processo  de  notificação  de  lançamento  para  exigência  de  multa  por  atraso  na  entrega  da  DCTF  do  1º  semestre de 2009 da empresa supra, no valor de R$ 500.00.  Notificada  do  lançamento,  a  interessada  apresentou  impugnação, alegando que o atraso na entrega foi motivado por  falha técnica da RFB, no dia 07/10/2009.    A  impugnação  foi  julgada  improcedente  pela  instância  a  quo  conforme  acórdão 09­35.027 da 2ª Turma da DRJ/JFA (e­fl. 11), ementado nos seguintes termos:  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ano­calendário: 2009  MULTA POR ATRASO. DCTF.  E devida a multa por atraso na entrega da DCTF quando provado que sua  entrega se deu após o prazo fixado na legislação.    Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresentou  recurso voluntário, no qual apresenta a argumentação a seguir sintetizada.  Alega  que  "Devido  a  problemas  técnicos  ocorridos,  em  07  de  Outubro  de  2009, nos sistemas eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil para a recepção e  transmissão  de  declarações,  a  Recorrente  ficou  impossibilitada  de  entregar  nesta  data,  a  DCTF ­ 1o Semestre de 2009, fato este incontroverso, haja vista o próprio reconhecimento da  Receita Federal no ADE RFB n° 90/2009."  Aduz  que  "foi  a  Recorrente  orientada  que  aguardasse  posterior  manifestação da Secretaria da Receita Federal, de como proceder para a entrega da DCTF ­  1o  Semestre  de  2009,  da  mesma  forma  de  como  já  havia  ocorrido  em  outras  situações  de  problemas técnicos para a transmissão  'on line' de documentos fiscais, oportunidade em que  seguiu referida orientação."  Ressalta  que  "tão  logo  teve  conhecimento  do  ATO  DECLARATÓRIO  EXECUTIVO RECEITA FEDERAL DO BRASIL ­ RFB N° 90/2009, cuja publicação no DOU  se  deu  em  12.11.2009,  imediatamente  procedeu  à  entrega  da DCTF  ­1o  Semestre  de  2009,  conforme comprovante anexo."  Reafirma que "a mora na entrega da citada DCTF somente  veio a ocorrer  em razão de problema de ordem técnica ocorrido no site da SRF."  Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13679.000560/2009­80  Acórdão n.º 1002­000.174  S1­C0T2  Fl. 3          3 Entende que é "patente que a Receita Federal concorreu com essa situação,  não podendo atribuir o atraso somente à pessoa da Recorrente" e que "está demonstrado que  a Receita Federal do Brasil, somente depois de passados mais de 30 (trinta) dias do problema  ocorrido em seu site é que veio manifestar, momento que em editou o ADE RFB n° 90/2009."  Noutro giro, evoca o instituto da Denúncia espontânea previsto no artigo 138  do Código Tributário Nacional  ­ CTN,  como  argumento  jurídico  para  afastamento  da multa  questionada.  Traz  aos  autos  jurisprudência  administrativa  e  doutrina  que,  entende,  referenda suas ponderações.  É o relatório.     Voto             Conselheiro Aílton Neves da Silva ­ Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  portanto, dele conheço.  De  início,  destaca­se  que  o  atraso  na  entrega  da  DCTF  é  um  fato  incontroverso, eis que o Recorrente não o contesta; argumenta apenas que a responsabilidade  pelo  atraso  deve  ser  imputada  à  RFB  e  requer  a  aplicação  do  benefício  da  Denúncia  espontânea, previsto no artigo 138 do CTN.   Preliminarmente,  rejeito  a  argüição  de  Denúncia  Espontânea  porque  esta  questão não pode ser analisada pelo colegiado por falta de prequestionamento, em razão de não  ter sido suscitada em sede de impugnação, caracterizando­se como matéria preclusa, a teor do  disposto nos artigos 16, III e 17 do Decreto 70.235/72:  “Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos de discordância e as razões e provas que possuir;  (...)  Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante."    Assim, considerando que o argumento da Denúncia espontânea lastreado no  artigo 138 do CTN é totalmente novo em relação ao conteúdo de sua  impugnação, o  recurso  voluntário não será conhecido nesta parte, eis que não cabe a esta instância recursal o reexame  de  matéria  fática  não  julgada  pela  DRJ,  sob  pena  de  supressão  de  instância  e  violação  do  princípio do contraditório.   Fl. 43DF CARF MF     4 Ainda que fosse possível o conhecimento do tema, melhor sorte não assistiria  ao Recorrente, eis que se refere à matéria sumulada no âmbito do CARF:  Súmula CARF nº 49:   A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso  na  entrega  de  declaração.    Sigo à análise das demais alegações.  O  Recorrente  pontua  que  não  houve  a  entrega  tempestiva  da  DCTF  do  1o  Semestre  de  2009  por  ocorrência  de  problemas  técnicos  no  dia  07  de  outubro  de  2009  nos  sistemas de controle da RFB responsáveis pela recepção e transmissão de declarações, e que tal  fato teria sido reconhecido pela própria RFB, ao emitir o ADE RFB nº 90/2009, que prorrogou  o prazo de entrega das DCTF com vencimento naquela data.  Não assiste razão ao Recorrente.   Isso  porque, muito  embora o ADE em questão  tenha prorrogado o  prazo  para  entrega  de DCTF  e DACON para  o  dia  08/10/2009,  em  razão  da  constatação  de  problemas  técnicos no dia 07/10/2009, a entrega da DCTF pelo Recorrente só aconteceu em 17/11/2009,  isto é, mais de um mês depois do termo final do prazo prorrogado, em total descompasso com  aquele ato normativo. Veja­se o teor do referido ADE:  Ato  Declaratório  Executivo  RFB  nº 90, de 11  de  novembro  de  2009  O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso  das atribuições que lhe conferem os inciso III e XXIII do art. 261  do  Regimento  Interno  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  aprovado  pela  Portaria MF  nº  125,  de  4  de  março  de  2009, tendo em vista o disposto no art. 16 da Lei nº 9.779, de 19  de  janeiro de 1999, nas  Instruções Normativas RFB nº 903, de  30  de  dezembro  de  2008,  e  nº  940,  de  19  de  maio  de  2009,  e  considerando os problemas técnicos ocorridos, em 7 de outubro  de  2009,  nos  sistemas  eletrônicos  da  Secretaria  da  Receita  Federal do Brasil para a recepção e transmissão de declarações,  declara:  Art.  1º  Considera­se  tempestiva  a  apresentação,  no  dia  8  de  outubro  de  2009,  da  Declaração  da  de  Débitos  e  Créditos  Tributários Federais  (DCTF)  e  do Demonstrativo  de Apuração  de  Contribuições  Sociais  ­  Dacon,  cujo  prazo  final  de  entrega  encerrou­se no dia 7 de outubro de 2009.  Art.  2º  Ficam  sem  efeito  as  multas  aplicadas  pela  entrega  da  DCTF e do Dacon no dia 8 de outubro de 2009.(grifos nossos)     Tendo em conta que a situação do Recorrente não se enquadra no artigo 2º do  ADE RFB nº 90/2009 e que não consta dos autos prova inequívoca que justifique o atraso na  entrega da DCTF, é de se manter o lançamento da multa questionada.   Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13679.000560/2009­80  Acórdão n.º 1002­000.174  S1­C0T2  Fl. 4          5 Pelo exposto, voto por conhecer do recurso em parte e, no mérito, negar­lhe  provimento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Aílton Neves da Silva                                Fl. 45DF CARF MF

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Numero do processo: 10768.906391/2006-53
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente e Redator do Voto Vencedor. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA

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1001­000.550  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  9 de maio de 2018  Matéria  IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Recorrente  MONTE CRIACAO E PRODUCAO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 1998  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  POSSIBILIDADE  DE  ANÁLISE  DE  NOVOS  ARGUMENTOS  E  PROVAS  EM  SEDE  RECURSAL. PRECLUSÃO.  A manifestação  de  inconformidade  e  os  recursos  dirigidos  a  este Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no  Decreto nº 70.235/72.   Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação  de  inconformidade  interposta  em  face  do  despacho  decisório  de  não  homologação  do  pedido  de  compensação,  precluindo  o  direito  do  Sujeito  Passivo  fazê­lo  posteriormente,  salvo  se  demonstrada  alguma  das  exceções  previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário,  vencidos  os  conselheiros  José  Roberto  Adelino  da  Silva  (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto  vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.   (assinado digitalmente)  Lizandro Rodrigues de Sousa­ Presidente e Redator do Voto Vencedor.   (assinado digitalmente)  José Roberto Adelino da Silva ­ Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 63 91 /2 00 6- 53 Fl. 108DF CARF MF     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Edgar  Bragança  Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino  da Silva    Relatório  Trata­se  Recurso  Voluntário  contra  o  acórdão,  número  12­22.605,  da  8ª  Turma  da  DRJ/RJ,  o  qual  indeferiu  a  Manifestação  de  Inconformidade  contra  o  despacho  decisório que não homologou a declaração de compensação ­ DCOMP, cujo voto reproduzo a  seguir:  Voto  A manifestação  de  inconformidade  é  tempestiva  e  atende  aos  demais  requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 06 de março  de 1972, portanto, dela tomo conhecimento.  A compensação decorre de um direito a restituição e estão disciplinadas  pelos  art.  165  a  169  e  170  da  Lei  n°  5.  172,  de  25  de  Outubro  de  1966­  Código Tributário Nacional.  O artigo 165, I c/c 170, do Código Tributário Nacional ­ CTN, dispõe  que  poderão  ser  objeto  de  restituição/compensação  os  créditos  do  sujeito  passivo  oriundos  de  pagamentos  indevidos  ou  maiores  que  o  devido,  que  sejam  líquidos  e  certos,  isto  é,  os  créditos  devem  certos  quanto  ao  valor  e  quanto a sua efetiva existência.  Art. 165. O sujeito passivo tem direito,  independentemente  de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo,  seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o  disposto no § 40 do artigo 162, nos seguintes casos:  I ­ cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido  ou  maior  que  o  devido  em  face  da  legislação  tributária  aplicável,  ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato gerador efetivamente ocorrido;  Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar  a  compensação  de  créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos  ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.  Trata o presente processo de Dcomp enviada pela INTERNET que teve  o objetivo de  compensar o débito de  IRPJ  relativo  ao 3°  trimestre de 2003  que vencia em 31/10/2003, no valor de R$ 4.647,99(fl.08),  com um crédito  relativo  a  pagamento  indevido  ou  a maior  de  IRPJ,  conforme  informações  prestadas pela interessada na Dcomp.  A  compensação  não  foi  homologada  pelo  fato  de  não  constar  dos  sistemas da SRFB o referido pagamento.  Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10768.906391/2006­53  Acórdão n.º 1001­000.550  S1­C0T1  Fl. 109          3 A interessada alega que o crédito se deveu a diferença entre o devido,  no valor de R$ 53.654,66, e o pago R$ 58.147,65 (DARF de R$ 38.488,59 e  R$ 19.659,06), no 2° trimestre, ocorrendo uma diferença de R$ 4.492,99, que  atualizado monta a R$ 4.647,99.  Informa que fez DCTF retificadora,relativa a este trimestre, diminuindo  o valor do IRPJ do 3° trimestre de R$ 53.654,66, e o pago R$ 58.147,65.  Nas fl. 34 a 46, consta a DCTF original, com o débito de IRPJ de R$  58.147,67, e nas fl. 47 a 59, está inserta a DCTF retificadora que retificou tal  débito para R$ 53.654,66.  Ocorre que a simples retificação da DCTF não comprova os dados nela  inseridos. A interessada teria que ter . apresentado livros e outros documentos  que  comprovassem  que  realmente  o  IRPJ  devido  era  somente  de  R$  53.654,66, porém tal  fato não aconteceu. Não  foi comprovada a geração do  crédito de R$ 4.492,99, o que compromete a certeza da existência do crédito.  Ressalte­se  que  o  art.170  do  CTN  impõe  como  requisito  para  a  compensação a existência de crédito líquido e certo.  Face ao exposto, voto pela não homologação da compensação. Voto Vencido  Conselheiro José Roberto Adelino da Silva ­ Relator  Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que  apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele  eu conheço.  Em seu recurso, a recorrente alega, basicamente, que:  Ocorre que, conforme se demonstrará,  a Recorrente  faz  jus ao crédito  compensado,  em  razão  do  processamento  das  informações  prestadas  na  Declaração  de Contribuições  e Tributos Federais — DCTF originariamente  apresentada a Secretaria da Receita Federal, relativa ao 2° trimestre de 2003,  em confronto com os pagamentos realizados pela mesma.  O  crédito  apontado  foi  gerado  em  razão  de  equívoco  formal  no  preenchimento da DCTF original entregue, sendo certo que tal equívoco foi  devidamente retificado pela ora Recorrente através da apresentação de DCTF  Retificadora,  em  31.10.2005,  o  que  indubitavelmente  gerou  o  crédito  a  compensar.  Assim  sendo, merece  reforma  o  v.  acórdão  recorrido,  pois,  conforme  será demonstrado, a Recorrente é credora da quantia de R$ 4.492,98 junto à  União Federal, devendo ser homologada a compensação efetuada.  E continua:  Fl. 110DF CARF MF     4 A discussão travada no presente feito possui origem na DCTF relativa  ao  2°  trimestre  de  2003,  entregue  em  31.10.2005  pela  Recorrente,  que  informa  como  devido  a  título  de  IRPJ  o  montante  de  R$  58.147,65.  Em  relação  a  esse  valor,  foram  informados  como  vinculados  dois  pagamentos  realizados  através  de  DARF's,  nos  montantes  de  R$  38.488,59  e  R$  19.659,06.  Posteriormente,  a Recorrente verificou que o  somatório  anteriormente  informado apresentava­se incorreto e apresentou Declaração Retificadora, na  qual  restou  consignado  que  o  IRPJ  devido  naquele  período  totalizava  R$  53.654,66 e não R$ 58.147,65, ou seja, um valor menor que o anteriormente  informado,  e  ainda  e  seu  recolhimento  se  deu  antes  mesmo  vencimento,  através das duas guias citadas.    Em razão desse cenário, em que o montante de R$ 58.147,65 informado  na DCTF original restou retificado para R$ 53.654,66, foi gerado em favor da  Recorrente o crédito de R$ 4.492,99.  É  esse  o  crédito  que  a  Recorrente  utilizou  na  PER/DCOMP  n°  29241.05233.151003.1.3.04­2182 (doc. 01), transmitida em 15 de outubro de  2003,  atualizado  monetariamente  para  R$  4.647,99,  que  a  Autoridade  Administrativa  deixou  de  homologar,  sob  o  fundamento  de  "não  ter  localizado" o DARF informado.  Contudo, como se observa, o crédito não decorre apenas de um DARF  isolado, mas da  soma dos dois DARF's  acima  identificados,  que montam o  valor de R$ 58.147,65, e que foram utilizados para fazer frente a um débito  que, conforme retificado, perfaz R$ 53.654,66.  Apesar dos argumentos acima expendidos, o v. acórdão  recorrido não  homologou a compensação efetuada sob o argumento da falta de liquidez do  crédito, tendo em vista que a simples retificação da DCTF não comprovaria a  existência do crédito mencionado.  A  recorrente  anexou  cópia  de  páginas  do  livro  diário,  onde  demonstra  os  valores recolhidos e a recuperar (fls. 102 a 104), onde está demonstrado o valor pago a maior  (R$4.492,88).  Por fim, requer:  Assim, não há que se falar em ausência de liquidez do crédito apurado  pela  Recorrente,  eis  que  o  mesmo  não  restou  informado  apenas  na  DCTF  Retificadora, mas também em todos os livros fiscais onde a Recorrente lança  a sua contabilidade, conforme determinado em lei.  Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10768.906391/2006­53  Acórdão n.º 1001­000.550  S1­C0T1  Fl. 110          5 Ou seja, conforme se comprova inequivocamente através dos elementos  acima aduzidos, o procedimento de compensação adotado pela Recorrente é  idôneo e deve ser homologado administrativamente.  Não pretende a Recorrente que lhe seja reconhecido nada além do s u  simples  direito  creditório,  existente,  liquido  e  certo,  conforme  amplamente  demonstrado.  Diante  do  exposto,  a Recorrente  requer  o  conhecimento  e  o  provimento  do  presente Recurso Voluntário, com a reforma  integral do v. acórdão recorrido, para  que seja reconhecida a compensação do débito de IRPJ relativo ao 3°  trimestre de  2003 no valor de R$ 4.647,98, com o crédito de R$ 4.492,98 do mesmo tributo, e a  conseqüente  extinção  do  crédito  tributário,  nos  termos  do  artigo  156,  inciso  II  do  Código Tributário Nacional.  De  fato,  não  restam  mais  dúvidas  de  que  a  DCTF  constitui  confissão  de  dívida. A jurisprudência é farta, neste sentido, tanto na esfera administrativa como na judicial.  A  alteração  do  lançamento  se  dá  mediante  a  retificação  da  DCTF  originalmente  entregue.  Se  isto  ocorre,  o  crédito  tributário  nela  lançado  torna~se  definitivo,  deixando de existir o anteriormente declarado, consoante as normas em vigor.  A DRJ não questionou a retificação, apenas condicionou a sua decisão ao fato  de  a  recorrente  não  ter  apresentado  livros  e  outros  documentos  que  comprovassem  o  valor  do  imposto devido.  Em seu recurso, conforme já mencionado, a recorrente o fez, muito embora, devesse  ter sido requerido pela DRJ quando da análise do pedido (DCOMP), o que não foi feito na ocasião.  O Parecer Normativo COSIT n° 2/2015, assim dispõe:  3­ É possível o reconhecimento do crédito com base em provas  ou  indícios  sem  a  retificação  da  DCTF?  Não.  A  DCTF  é  confissão  de  dívida,  portanto  sua  retificação  é  imprescindível  para  o  reconhecimento  do  crédito.  A  existência  de  crédito  líquido  e  certo  é  requisito  legal  para  a  concessão  da  compensação  (CTN,  art.  170).  A  divergência  entre  os  valores  informados  na  DCTF  afasta  a  certeza  do  crédito  e  é  razão  suficiente para o indeferimento do pedido.  O disposto no  referido PN corrobora o  fato de que  a DCTF é  confissão de  dívida.  A súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça ­ STJ assim enunciou:  A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito  fiscal  constitui  crédito  tributário,  dispensada  qualquer  outra  providência por parte do fisco.  Portanto, dou provimento ao presente recurso e reconheço o direito creditório  pleiteado.  É como voto.   Fl. 112DF CARF MF     6 (assinado digitalmente)  José Roberto Adelino da Silva   Voto Vencedor  Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa ­ Redator do voto vencedor  Cabe assinalar que o  reconhecimento de direito  creditório contra a Fazenda  Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74  da  lei  9.430/96),  fazendo­se  necessário  verificar  a  exatidão  das  informações  referentes  ao  crédito  alegado  e  confrontar  com  análise  da  situação  fática,  de  modo  a  se  conhecer  qual  o  tributo devido no período de apuração e compará­lo ao pagamento declarado e comprovado.  O  pedido  de  restituição  de  crédito  não  foi  acompanhado  (quando  da  apresentação manifestação de inconformidade, e­fl. 15) dos atributos necessários de liquidez e  certeza,  os  quais  são  imprescindíveis  para  reconhecimento  pela  autoridade  administrativa  de  crédito  junto  à  Fazenda  Pública,  sob  pena  de  haver  reconhecimento  de  direito  creditório  incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN).   Neste sentido, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o  pedido  de  restituição/compensação  cujo  crédito  não  foi  comprovado deve  ser  indeferido. As  informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que declaram a disponibilidade  de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem  tornar o crédito apto a  ser objeto de  PER/DCOMP, mas é  imprescindível confirmar os valores com a escrita  fiscal e contábil. No  mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015:  As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora  –  que  confirmam disponibilidade  de  direito  creditório  utilizado  em PER/DCOMP, podem  tornar o crédito apto a  ser objeto de  PER/DCOMP  desde  que  não  sejam  diferentes  das  informações  prestadas  à  RFB  em  outras  declarações,  tais  como  DIPJ  e  Dacon,  por  força  do  disposto  no§  6º  do  art.  9º  da  IN  RFB  nº  1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência  da  autoridade  fiscal  para  analisar  outras  questões  ou  documentos  com  o  fim  de  decidir  sobre  o  indébito  tributário.(Destaquei)  Observo que no caso  em apreciação nesta  segunda  instância o  recorrente pretende  trazer pela primeira vez documentos que comprovariam, segundo alega, seu crédito.  Conforme  disposto  nos  artigos  16  e  17  do  Decreto  nº  70.235/1972,  não  se  pode  apreciar  as  provas  que  no  processo  administrativo  o  contribuinte  se  absteve  de  apresentar  na  impugnação/manifestação  de  inconformidade,  pois  opera­se  o  fenômeno  da  preclusão.  O  texto  legal  está assim redigido:  Art. 16. A impugnação mencionará:  I a autoridade julgadora a quem é dirigida;  II a qualificação do impugnante;  III  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos de discordância e as razões e provas que possuir;  Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10768.906391/2006­53  Acórdão n.º 1001­000.550  S1­C0T1  Fl. 111          7 IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional do seu perito.  V se a matéria  impugnada  foi submetida à apreciação  judicial,  devendo ser juntada cópia da petição.  §  1º  Considerar­se­á  não  formulado  o  pedido  de  diligência  ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV do art. 16.  §  2º  É  defeso  ao  impugnante,  ou  a  seu  representante  legal,  empregar  expressões  injuriosas  nos  escritos  apresentados  no  processo, cabendo ao  julgador, de ofício ou a  requerimento do  ofendido, mandar riscá­las.  § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou  estrangeiro,  provar­lhe­á  o  teor  e  a  vigência,  se  assim  o  determinar o julgador.  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.  §  5º  A  juntada  de  documentos  após  a  impugnação  deverá  ser  requerida  à  autoridade  julgadora,  mediante  petição  em  que  se  demonstre,  com  fundamentos,  a  ocorrência  de  uma  das  condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.  §  6º  Caso  já  tenha  sido  proferida  a  decisão,  os  documentos  apresentados  permanecerão  nos  autos  para,  se  for  interposto  recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda  instância.  Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.  Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação,  assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241:  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE  ANÁLISE  DE  NOVOS  ARGUMENTOS  E  PROVAS  EM  SEDE  RECURSAL. PRECLUSÃO.  A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  seguem  o  rito  processual  estabelecido  no  Decreto  nº  70.235/72,  além  de  Fl. 114DF CARF MF     8 suspenderem  a  exigibilidade  do  crédito  tributário,  conforme  dispõem  os  §§  4º  e  5º  da  Instrução  Normativa  da  RFB  nº  1.300/2012.   Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na  manifestação de inconformidade interposta em face do despacho  decisório  de  não  homologação  do  pedido  de  compensação,  precluindo  o  direito  do  Sujeito  Passivo  fazê­lo  posteriormente,  salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16,  §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.  Assim,  no  caso  em  tela,  o  efeito  legal  da  omissão  do  Sujeito  Passivo  em  trazer  na  manifestação  de  inconformidade  e/ou  antes  da  decisão  de  primeiro  grau  todos  os  argumentos  contra  a  não  homologação  do  pedido  de  compensação  e  juntar  os  documentos  contábeis  hábeis  a  comprovar  a  liquidez  e  certeza  do  crédito  pretendido  compensar,  é  a  preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento.  Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso.   (Assinado Digitalmente)  Lizandro Rodrigues de Sousa                 Fl. 115DF CARF MF

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Numero do processo: 10830.917761/2011-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.550
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI

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3301­000.550  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  19 de abril de 2018  Assunto  PERDCOMP. PIS/COFINS.   Recorrente  Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A  Recorrida  Fazenda Nacional    Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  José Henrique Mauri ­ Presidente e Relator.  Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  José  Henrique  Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado),  Valcir  Gassen,  Marcos  Roberto  da  Silva  (Suplente  convocado),  Antonio  Carlos  da  Costa  Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.   Relatório   Trata  o  presente  processo  administrativo  de  PER/DCOMP  para  obter  reconhecimento  de  direito  creditório  do  tributo  por  suposto  pagamento  a maior  e  aproveitar  esse crédito com débito de outro tributo.  A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento  indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado  pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos  informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição  foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso.  Cientificada  do  despacho,  a  empresa  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade, aduzindo que o crédito apurado é legítimo em virtude do reconhecimento de  inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98. Logo, a base de cálculo do PIS e  da COFINS é o faturamento, assim entendido como a totalidade das receitas auferidas no mês  pela pessoa jurídica, excluindo "outras receitas".     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 76 1/ 20 11 -4 4 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10830.917761/2011­44  Resolução nº  3301­000.550  S3­C3T1  Fl. 3            2 A 2ª Turma da DRJ/BHE  indeferiu  a manifestação  de  inconformidade,  nos  termos do Acórdão 02­054.433.  A  negativa  do  reconhecimento  do  crédito  pela  DRJ  se  deu  em  virtude  da  ausência  de  prova  do  pagamento  indevido;  da  ausência  de  DCTF  retificadora  e  outros  documentos que comprovassem as alegações da Recorrente.   Em seu recurso voluntário, a empresa:  · Defende  que  o  recolhimento  indevido  decorre  da  inconstitucionalidade  do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF;  · Sustenta  que  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  deveria  ter  sido  composta  por  valores  correspondentes  ao  seu  faturamento,  ou  seja,  os  ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e  prestação de serviços e não por suas receitas extraordinárias;  · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar  de  PIS/COFINS  calculado  sobre  receita  que  não  integra  o  seu  faturamento;  · Anexou planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS  sobre “outras receitas” (inclusive as receitas financeiras), DCTF, DIPJ e  cópia de parte do livro razão analítico.   · Ao  fazer  a  juntada  do  seu  livro  razão,  entende  ser  suficiente  para  conferência  e  comprovação  do  recolhimento  indevido  sobre  “outras  receitas”.  É o relatório.       Voto   Conselheiro José Henrique Mauri, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução  3301­000.538,  de  19  de  abril  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  10830.904018/2011­24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301­000.538):  "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade,  portanto dele tomo conhecimento.  Resta  pacificado no  STF o  entendimento  sobre  a  inconstitucionalidade  do  art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98.   Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10830.917761/2011­44  Resolução nº  3301­000.550  S3­C3T1  Fl. 4            3 Dessa  forma,  considera­se  receita bruta ou  faturamento o que decorre da  venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se  considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações  empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS.  O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica  restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral  do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do  art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF:  RECURSO.  Extraordinário.  Tributo.  Contribuição  social.  PIS.  COFINS.  Alargamento  da  base  de  cálculo.  Art.  3º,  §1º  da  Lei  nº  9.718/98.  Inconstitucionalidade.  Precedentes  do  Plenário  (RE  nº  346.084/PR, Rel. orig. Min.  ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs  nº  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG,  Rel.  Min.  MARCO  AURÉLIO,  DJ  de  15.8.2006).  Repercussão  Geral  do  tema.  Reconhecimento pelo Plenário. Recurso  improvido. É  inconstitucional  a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art.  3º, §1º, da Lei nº 9.718/98.  No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou:  O  recurso  extraordinário  está  submetido  ao  regime  de  repercussão  geral  e  versa  sobre  tema  cuja  jurisprudência  é  consolidada  nesta  Corte,  qual  seja,  a  inconstitucionalidade  do  §1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a  noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b,  da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias  e  da  prestação  de  serviços  de  qualquer  natureza,  ou  seja,  soma  das  receitas  oriundas  do  exercício  das atividades empresariais...  Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços  e  da  venda  de  mercadorias  (não  se  podendo  incluir  outras  receitas,  tais  como  aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS.  O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria  MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que:  Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  §  1º O  disposto  no  caput  não  se  aplica  aos  casos  detratado,  acordo  internacional, lei ou ato normativo:  I­  que  já  tenha  sido declarado  inconstitucional por decisão definitiva  do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser  aplicado  no  presente  caso,  para  afastar  a  tributação  do  PIS  e  da  COFINS  exigida  com  base  no  disposto  no  art.  3º,  §1º,  da  Lei  n.º  9.718/1998.    Com  isso,  é  obrigatória  a  observância  da  decisão  proferida  no  RE  nº  585.235/MG, nos termos do RICARF.  Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10830.917761/2011­44  Resolução nº  3301­000.550  S3­C3T1  Fl. 5            4 Todavia, a Recorrente juntou documentos apenas em seu Recurso Voluntário  ­ DCTF, DIPJ e livro razão ­, justificando:    Diante da plausibilidade da alegação da Recorrente, entendo necessária a  conversão  em  diligência  deste  processo  para  a  confirmação  da  tributação  indevida pelo PIS sobre outras receitas (inclusive as financeiras).  Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que  seja solicitado à unidade de origem que:  a) Examine  a  documentação  juntada  pela Recorrente: DCTF, DIPJ,  livro  razão, planilha e guia de pagamento;  b) Verifique, com base nessa documentação,  se houve a  indevida  inclusão  das  receitas  não­operacionais  e  receitas  financeiras  (chamadas  pela  empresa  de  “receitas  extraordinárias”),  na  base  de  cálculo  do  PIS,  em  decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98;   c)  Aponte  a  exatidão  do  valor  pleiteado  pelo  Recorrente,  bem  como  se  a  utilização deste foi efetivamente realizada;   d) Intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos que entender  necessários;   e)  Cientifique  a  interessada  do  resultado  da  diligência,  concedendo­lhe  prazo para manifestação;   f) Por fim, retorne o processo ao CARF para julgamento.  É como voto."  Importante  frisar  que  os  documentos  juntados  pela  contribuinte  no  processo  paradigma,  como  prova  do  direito  creditório,  encontram  correspondência  nos  autos  ora  em  análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência  no caso do paradigma também a justificam no presente caso.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo  II do RICARF, o Colegiado decidiu  converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que:  a) Examine a documentação juntada pela Recorrente: DCTF, DIPJ, livro razão,  planilha e guia de pagamento;  Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10830.917761/2011­44  Resolução nº  3301­000.550  S3­C3T1  Fl. 6            5 b) Verifique, com base nessa documentação,  se houve a  indevida  inclusão das  receitas  não­operacionais  e  receitas  financeiras  (chamadas  pela  empresa  de  “receitas  extraordinárias”), na base de cálculo do PIS/COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo  do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98;   c)  Aponte  a  exatidão  do  valor  pleiteado  pelo  Recorrente,  bem  como  se  a  utilização deste foi efetivamente realizada;   d)  Intime  o  sujeito  passivo  para  prestar  outros  esclarecimentos  que  entender  necessários;   e)  Cientifique  a  interessada  do  resultado  da  diligência,  concedendo­lhe  prazo  para manifestação;   f) Por fim, retorne o processo ao CARF para julgamento.   (assinado digitalmente)  José Henrique Mauri  Fl. 111DF CARF MF

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Numero do processo: 13016.000973/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1202-000.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Nelson Lósso Filho. Relatório Contra a empresa Rodoviário Seni Ltda., foram lavrados autos de infração do IRPJ, fls. 672/697, PIS, fls. 698/723, COFINS, fls. 724/749, e CSLL, fls. 750/771, por ter a fiscalização constatado infrações à legislação tributária. Inconformada com a exigência, apresentou impugnação protocolada em 28/10/2008, em cujo arrazoado de fls. 789/817 contesta o lançamento. Do Relatório do Acórdão de Primeira Instância, fls. 966/973, extraio o seguinte excerto: “O litígio tem origem na fiscalização inaugurada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal n° 10.1.06.00-2008-00579-9 (ver fl. 06). Conforme relatório fiscal de fls. 773/780, os trabalhos de auditoria foram direcionados para a verificação do "motivo das diferenças entre os valores das saídas/faturamento lançados nas Guias de Informação e Apuração do ICMS e os valores declarados nas PJ/Simples (período de 01/01/2004 a 30/06/2007), bem como com a DIPJ (período 01/07/2007 a 31/07/2007)". Nos períodos examinados, a forma de tributação adotada pela pessoa jurídica foi a seguinte (ver fl. 24): Após comparar os registros constantes (a) do livro registro de saídas do ICMS e dos conhecimentos de transporte rodoviários de cargas apresentados pela contribuinte com (b) as declarações apresentadas à Receita Federal do Brasil — RFB, a autoridade fazendária concluiu que as divergências examinadas dizem respeito a valores excluídos a título de descontos condicionais e sub-contratação de fretes das bases de cálculo dos tributos federais devidos, conforme descrito à fl. 774: "(..) o contribuinte excluiu dos valores lançados nestes Livros [os livros do ICMS] os descontos condicionais em função da mudança no peso final do transporte de produtos perecíveis e o repasse na sub-contratação de fretes". Segundo o agente fiscal, as exclusões ocorreram à revelia da legislação (em especial à vista do art. 40, §1°, da IN SRF n° 355/2003 1), caracterizando a prática de omissão de receitas. O quantitativo das exclusões — que em alguns períodos de apuração atingem valor até dez vezes maior do que a receita declarada —, está demonstrado no quadro de fl. 13. Diante desse cenário, a fiscalização: a) formalizou representação administrativa (ver fls. 01/05), que culminou na exclusão de ofício do SIMPLES, com efeitos a partir de 2004, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL n° 68, de 10/09/2008 (fl. 643), face à caracterização da hipótese prevista no art. 14, V, da Lei n° 9.317/1996 (prática reiterada de infração à legislação tributária), conforme descrito no Parecer ARF/BGS/RS n° 002, de setembro/2008 (fls.641/642); b) realizou o lançamento de ofício do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ e reflexos de Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social —COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, consubstanciado nos auto de infração de fls. 672/697 (IRPJ), 698/723 (PIS), 724/749 (COFINS) e 750/771 (CSLL), com ciência à contribuinte 26/09/2008. Tendo em vista que a contribuinte não apresentou escrituração contábil regular ou livro caixa para os períodos auditados, a apuração dos tributos devidos ocorreu com base no lucro arbitrado, forte no art. 530, III, do RIR/99, tomando-se como base de cálculo a receita bruta conhecida, nos termos do art. 537 do mesmo RIR/99. Quanto à diferença de tributos devidos vinculados às receitas declaradas, foi aplicada multa de ofício de 75%; já aos valores devidos vinculados às receitas omitidas foi associada a multa qualificada de 150%. À fl. 774, a fiscalização expõe suas razões para a aplicação da multa qualificada, a saber: "o contribuinte com a sua conduta impediu/retardou o conhecimento por parte da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador relativo a grande parte de sua receita, conforme demonstrativo de fl. 13, apenas sendo apurado os valores corretos em procedimento de fiscalização(...)". A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão em 27/10/2008 (fl. 01 do processo apenso) e impugnação contra o auto de infração em 28/10/2008 (fls. 789/817). A manifestação de inconformidade foi originalmente instruída em processo administrativo fiscal autônomo (de n° 13016.001219/2008-64), que restou apensado aos presentes autos. Ambos os recursos foram protocolizados tempestivamente. As alegações apresentadas na manifestação de inconformidade contra o ato de exclusão, protocolizada junto ao processo 13016.001219/2008-64, em resumo, são as seguintes: a) A contribuinte reclama a nulidade do ato de exclusão, sob o argumento de que não teria ocorrido, em momento anterior, a "conclusão do processo administrativo" relativo ao lançamento de oficio dos tributos devidos. b) Defende que a premissa adotada pela fiscalização de que teria ocorrido prática reiterada de infração tributária decorre de mera presunção. c) Subsidiariamente, alega que os efeitos da exclusão somente poderiam incidir "para frente, ou seja, a partir da decisão definitiva do presente procedimento administrativo tributário". Já os argumentos presentes na impugnação aos autos de infração estão organizados em dois segmento principais: preliminares de nulidade (fls. 791/794) e mérito (fls.794/815), a saber: Quanto às preliminares de nulidade a) A impugnante defende que o auto de infração está eivado de vício de nulidade, dado que "(...) não foram observados os requisitos estabelecidos no Decreto n° 70.235/72 na lavratura da presente autuação". Argumenta que "não consta no referido Auto de Infração a base de cálculo do imposto exigido, a forma de arbitramento, de forma que não se mostra verificável se a apuração dos valores está correta". (fl. 791) b) Adiante, reclama que "o auto de infração ora impugnado também se mostra nulo, em face das penalidade aplicadas". (fl. 792) c) Alega ainda que haveria nulidade quanto ao arbitramento levado a efeito pela autoridade fiscal, tendo em vista que a contribuinte "realizou todos os procedimentos necessários previstos no artigo 264, parágrafo primeiro, do Decreto n° 3.000/99 — RIR assim que constatado o extravio". Ao final, defende que "não prospera o argumento da Autoridade Fiscal para arbitramento a ausência de extratos bancários". Cita decisões do Conselho de Contribuintes. Quanto ao mérito a) Nos tópicos 2.1.2 e 2.2, contesta a existência de omissão de receitas no caso concreto. Defende a licitude da exclusão dos valores repassados a terceiros das bases de cálculo tributáveis, sob o argumento de que essas parcelas não configuram receitas próprias. Argumenta que "nem todo ingresso tem natureza de receita, sendo indispensável para tanto o caráter de definitividade dos valores ingressados". Ademais, afirma que os valores apurados pela fiscalização estão vinculados a levantamentos feitos por amostragem (ver fl. 805). b) Ainda no item 2.2 (fls. 803/804), reclama que a autoridade fazendária não procedeu "aos descontos permitidos pela legislação, quais seja, vendas canceladas, descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente, bem como os valores das subcontratações", quando da apuração do IRPJ devido. Ademais, argumenta que "não se mostra aplicável o Adicional de Imposto de Renda em relação à tributação das receitas declaradas". c) No tópico 2.1.3, nominado "Da Exclusão do SIMPLES", ratifica a inconformidade em relação ao ato de exclusão do SIMPLES, sob a premissa de que não teria sido comprovada pela fiscalização a prática reiterada de infração por parte da contribuinte. A seguir, reclama que a fiscalização não contemplou os pagamentos realizados na modalidade SIMPLES na apuração dos débitos lançados de ofício. d) O item 2.3 diz respeito à incidência do PIS e COFINS. De início, ratifica os argumentos de que não há omissão de receitas, de sorte que entende improcedentes as exigências fiscais pertinentes a estes tributos. Subsidiariamente, argumenta a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/1998 e requer que sejam excluídos da base de cálculo do PIS e COFINS os valores do ICMS e de todas as receitas que não sejam operacionais. e) Nos itens 2.4 e 2.5 apresenta extensa argumentação contrária à incidência dos juros moratórios e multa de ofício. Nesse particular, requer (ver fls. 816/817), verbis: • "sejam aplicados aos débitos juros de 1% (um por centro ao mês) ao invés da SELIC, e, determinada a exclusão do cálculo dos valores exigidos no auto de infração a aplicação da taxa SELIC ou correção monetária e juros". • "seja determinada a supressão da penalidade punitiva de 75% (setenta e cinco por cento), uma vez que inexistiu falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração inexata, nos termos do artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007"; • "seja determinada a supressão da penalidade de 150% (cento e cinqüenta por cento), em razão da ausência de comprovação do inequívoco intuito de fraude, nos termos do artigo 44, §1°, da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007”.
Nome do relator: Não se aplica

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Nelson Lósso Filho. Relatório Contra a empresa Rodoviário Seni Ltda., foram lavrados autos de infração do IRPJ, fls. 672/697, PIS, fls. 698/723, COFINS, fls. 724/749, e CSLL, fls. 750/771, por ter a fiscalização constatado infrações à legislação tributária. Inconformada com a exigência, apresentou impugnação protocolada em 28/10/2008, em cujo arrazoado de fls. 789/817 contesta o lançamento. Do Relatório do Acórdão de Primeira Instância, fls. 966/973, extraio o seguinte excerto: “O litígio tem origem na fiscalização inaugurada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal n° 10.1.06.00-2008-00579-9 (ver fl. 06). Conforme relatório fiscal de fls. 773/780, os trabalhos de auditoria foram direcionados para a verificação do "motivo das diferenças entre os valores das saídas/faturamento lançados nas Guias de Informação e Apuração do ICMS e os valores declarados nas PJ/Simples (período de 01/01/2004 a 30/06/2007), bem como com a DIPJ (período 01/07/2007 a 31/07/2007)". Nos períodos examinados, a forma de tributação adotada pela pessoa jurídica foi a seguinte (ver fl. 24): Após comparar os registros constantes (a) do livro registro de saídas do ICMS e dos conhecimentos de transporte rodoviários de cargas apresentados pela contribuinte com (b) as declarações apresentadas à Receita Federal do Brasil — RFB, a autoridade fazendária concluiu que as divergências examinadas dizem respeito a valores excluídos a título de descontos condicionais e sub-contratação de fretes das bases de cálculo dos tributos federais devidos, conforme descrito à fl. 774: "(..) o contribuinte excluiu dos valores lançados nestes Livros [os livros do ICMS] os descontos condicionais em função da mudança no peso final do transporte de produtos perecíveis e o repasse na sub-contratação de fretes". Segundo o agente fiscal, as exclusões ocorreram à revelia da legislação (em especial à vista do art. 40, §1°, da IN SRF n° 355/2003 1), caracterizando a prática de omissão de receitas. O quantitativo das exclusões — que em alguns períodos de apuração atingem valor até dez vezes maior do que a receita declarada —, está demonstrado no quadro de fl. 13. Diante desse cenário, a fiscalização: a) formalizou representação administrativa (ver fls. 01/05), que culminou na exclusão de ofício do SIMPLES, com efeitos a partir de 2004, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL n° 68, de 10/09/2008 (fl. 643), face à caracterização da hipótese prevista no art. 14, V, da Lei n° 9.317/1996 (prática reiterada de infração à legislação tributária), conforme descrito no Parecer ARF/BGS/RS n° 002, de setembro/2008 (fls.641/642); b) realizou o lançamento de ofício do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ e reflexos de Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social —COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, consubstanciado nos auto de infração de fls. 672/697 (IRPJ), 698/723 (PIS), 724/749 (COFINS) e 750/771 (CSLL), com ciência à contribuinte 26/09/2008. Tendo em vista que a contribuinte não apresentou escrituração contábil regular ou livro caixa para os períodos auditados, a apuração dos tributos devidos ocorreu com base no lucro arbitrado, forte no art. 530, III, do RIR/99, tomando-se como base de cálculo a receita bruta conhecida, nos termos do art. 537 do mesmo RIR/99. Quanto à diferença de tributos devidos vinculados às receitas declaradas, foi aplicada multa de ofício de 75%; já aos valores devidos vinculados às receitas omitidas foi associada a multa qualificada de 150%. À fl. 774, a fiscalização expõe suas razões para a aplicação da multa qualificada, a saber: "o contribuinte com a sua conduta impediu/retardou o conhecimento por parte da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador relativo a grande parte de sua receita, conforme demonstrativo de fl. 13, apenas sendo apurado os valores corretos em procedimento de fiscalização(...)". A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão em 27/10/2008 (fl. 01 do processo apenso) e impugnação contra o auto de infração em 28/10/2008 (fls. 789/817). A manifestação de inconformidade foi originalmente instruída em processo administrativo fiscal autônomo (de n° 13016.001219/2008-64), que restou apensado aos presentes autos. Ambos os recursos foram protocolizados tempestivamente. As alegações apresentadas na manifestação de inconformidade contra o ato de exclusão, protocolizada junto ao processo 13016.001219/2008-64, em resumo, são as seguintes: a) A contribuinte reclama a nulidade do ato de exclusão, sob o argumento de que não teria ocorrido, em momento anterior, a "conclusão do processo administrativo" relativo ao lançamento de oficio dos tributos devidos. b) Defende que a premissa adotada pela fiscalização de que teria ocorrido prática reiterada de infração tributária decorre de mera presunção. c) Subsidiariamente, alega que os efeitos da exclusão somente poderiam incidir "para frente, ou seja, a partir da decisão definitiva do presente procedimento administrativo tributário". Já os argumentos presentes na impugnação aos autos de infração estão organizados em dois segmento principais: preliminares de nulidade (fls. 791/794) e mérito (fls.794/815), a saber: Quanto às preliminares de nulidade a) A impugnante defende que o auto de infração está eivado de vício de nulidade, dado que "(...) não foram observados os requisitos estabelecidos no Decreto n° 70.235/72 na lavratura da presente autuação". Argumenta que "não consta no referido Auto de Infração a base de cálculo do imposto exigido, a forma de arbitramento, de forma que não se mostra verificável se a apuração dos valores está correta". (fl. 791) b) Adiante, reclama que "o auto de infração ora impugnado também se mostra nulo, em face das penalidade aplicadas". (fl. 792) c) Alega ainda que haveria nulidade quanto ao arbitramento levado a efeito pela autoridade fiscal, tendo em vista que a contribuinte "realizou todos os procedimentos necessários previstos no artigo 264, parágrafo primeiro, do Decreto n° 3.000/99 — RIR assim que constatado o extravio". Ao final, defende que "não prospera o argumento da Autoridade Fiscal para arbitramento a ausência de extratos bancários". Cita decisões do Conselho de Contribuintes. Quanto ao mérito a) Nos tópicos 2.1.2 e 2.2, contesta a existência de omissão de receitas no caso concreto. Defende a licitude da exclusão dos valores repassados a terceiros das bases de cálculo tributáveis, sob o argumento de que essas parcelas não configuram receitas próprias. Argumenta que "nem todo ingresso tem natureza de receita, sendo indispensável para tanto o caráter de definitividade dos valores ingressados". Ademais, afirma que os valores apurados pela fiscalização estão vinculados a levantamentos feitos por amostragem (ver fl. 805). b) Ainda no item 2.2 (fls. 803/804), reclama que a autoridade fazendária não procedeu "aos descontos permitidos pela legislação, quais seja, vendas canceladas, descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente, bem como os valores das subcontratações", quando da apuração do IRPJ devido. Ademais, argumenta que "não se mostra aplicável o Adicional de Imposto de Renda em relação à tributação das receitas declaradas". c) No tópico 2.1.3, nominado "Da Exclusão do SIMPLES", ratifica a inconformidade em relação ao ato de exclusão do SIMPLES, sob a premissa de que não teria sido comprovada pela fiscalização a prática reiterada de infração por parte da contribuinte. A seguir, reclama que a fiscalização não contemplou os pagamentos realizados na modalidade SIMPLES na apuração dos débitos lançados de ofício. d) O item 2.3 diz respeito à incidência do PIS e COFINS. De início, ratifica os argumentos de que não há omissão de receitas, de sorte que entende improcedentes as exigências fiscais pertinentes a estes tributos. Subsidiariamente, argumenta a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/1998 e requer que sejam excluídos da base de cálculo do PIS e COFINS os valores do ICMS e de todas as receitas que não sejam operacionais. e) Nos itens 2.4 e 2.5 apresenta extensa argumentação contrária à incidência dos juros moratórios e multa de ofício. Nesse particular, requer (ver fls. 816/817), verbis: • "sejam aplicados aos débitos juros de 1% (um por centro ao mês) ao invés da SELIC, e, determinada a exclusão do cálculo dos valores exigidos no auto de infração a aplicação da taxa SELIC ou correção monetária e juros". • "seja determinada a supressão da penalidade punitiva de 75% (setenta e cinco por cento), uma vez que inexistiu falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração inexata, nos termos do artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007"; • "seja determinada a supressão da penalidade de 150% (cento e cinqüenta por cento), em razão da ausência de comprovação do inequívoco intuito de fraude, nos termos do artigo 44, §1°, da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007”.

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1202­000.156  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  04 de dezembro de 2012  Assunto  Sobrestamento do julgamento do recurso.  Recorrente  RODOVIÁRIO SENI LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o  sobrestamento  do  julgamento  do  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram o presente julgado.  (Documento assinado digitalmente)  Nelson Lósso Filho – Presidente e Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Alberto  Donassolo,  Nereida  de Miranda  Finamore Horta,  Viviane Vidal Wagner,  Geraldo  Valentim  Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Nelson Lósso Filho.    Relatório   Contra  a  empresa Rodoviário Seni  Ltda.,  foram  lavrados  autos  de  infração  do  IRPJ,  fls.  672/697, PIS,  fls.  698/723, COFINS,  fls. 724/749,  e CSLL,  fls.  750/771, por  ter  a  fiscalização constatado infrações à legislação tributária.  Inconformada  com  a  exigência,  apresentou  impugnação  protocolada  em  28/10/2008, em cujo arrazoado de fls. 789/817 contesta o lançamento.  Do Relatório do Acórdão de Primeira Instância, fls. 966/973, extraio o seguinte  excerto:  “O  litígio  tem  origem  na  fiscalização  inaugurada  com  a  emissão  do  Mandado de Procedimento Fiscal n° 10.1.06.00­2008­00579­9 (ver fl.  06).     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 16 .0 00 97 3/ 20 08 -8 7 Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 13016.000973/2008­87  Resolução nº  1202­000.156  S1­C2T2  Fl. 1.040          2 Conforme  relatório  fiscal  de  fls.  773/780,  os  trabalhos  de  auditoria  foram direcionados para a verificação do "motivo das diferenças entre  os valores das saídas/faturamento lançados nas Guias de Informação e  Apuração do ICMS e os valores declarados nas PJ/Simples (período de  01/01/2004 a 30/06/2007), bem como com a DIPJ (período 01/07/2007  a 31/07/2007)".  Nos períodos examinados, a forma de tributação adotada pela pessoa  jurídica foi a seguinte (ver fl. 24):  Após comparar os registros constantes  (a) do  livro registro de saídas  do  ICMS  e  dos  conhecimentos  de  transporte  rodoviários  de  cargas  apresentados pela contribuinte com (b) as declarações apresentadas à  Receita  Federal  do  Brasil —  RFB,  a  autoridade  fazendária  concluiu  que as divergências  examinadas dizem respeito a  valores  excluídos a  título de descontos condicionais e sub­contratação de fretes das bases  de cálculo dos tributos federais devidos, conforme descrito à fl. 774:  "(..) o contribuinte excluiu dos valores lançados nestes Livros [os livros  do  ICMS]  os descontos  condicionais  em  função  da mudança no peso  final  do  transporte  de  produtos  perecíveis  e  o  repasse  na  sub­ contratação de fretes".  Segundo  o  agente  fiscal,  as  exclusões  ocorreram  à  revelia  da  legislação (em especial à vista do art. 40, §1°, da IN SRF n° 355/2003  1), caracterizando a prática de omissão de receitas. O quantitativo das  exclusões —  que  em  alguns  períodos  de  apuração  atingem  valor  até  dez  vezes maior  do  que  a  receita  declarada —,  está  demonstrado  no  quadro de fl. 13.  Diante desse cenário, a fiscalização:  a)  formalizou  representação  administrativa  (ver  fls.  01/05),  que  culminou na  exclusão  de ofício do  SIMPLES,  com efeitos  a  partir  de  2004,  por  meio  do  Ato  Declaratório  Executivo  DRF/CXL  n°  68,  de  10/09/2008 (fl. 643), face à caracterização da hipótese prevista no art.  14, V, da Lei n° 9.317/1996 (prática reiterada de infração à legislação  tributária),  conforme  descrito  no  Parecer  ARF/BGS/RS  n°  002,  de  setembro/2008 (fls.641/642);  b) realizou o lançamento de ofício do Imposto sobre a Renda de Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  e  reflexos  de  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  ­  PIS,  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  —COFINS  e  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido ­ CSLL, consubstanciado nos auto de infração de fls. 672/697  (IRPJ),  698/723  (PIS),  724/749  (COFINS)  e  750/771  (CSLL),  com  ciência à contribuinte 26/09/2008.  Tendo  em  vista  que  a  contribuinte  não  apresentou  escrituração  contábil regular ou livro caixa para os períodos auditados, a apuração  dos tributos devidos ocorreu com base no lucro arbitrado, forte no art.  530,  III, do RIR/99,  tomando­se como base de cálculo a receita bruta  conhecida, nos termos do art. 537 do mesmo RIR/99.  Quanto  à  diferença  de  tributos  devidos  vinculados  às  receitas  declaradas, foi aplicada multa de ofício de 75%; já aos valores devidos  Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 13016.000973/2008­87  Resolução nº  1202­000.156  S1­C2T2  Fl. 1.041          3 vinculados  às  receitas  omitidas  foi  associada  a  multa  qualificada  de  150%.  À fl. 774, a fiscalização expõe suas razões para a aplicação da multa  qualificada, a saber:  "o  contribuinte  com  a  sua  conduta  impediu/retardou  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  tributária  da  ocorrência  do  fato  gerador  relativo a grande parte de  sua  receita,  conforme demonstrativo de  fl.  13,  apenas  sendo  apurado  os  valores  corretos  em  procedimento  de  fiscalização(...)".  A  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  contra  o  ato declaratório de exclusão em 27/10/2008 (fl. 01 do processo apenso)  e impugnação contra o auto de infração em 28/10/2008 (fls. 789/817).  A  manifestação  de  inconformidade  foi  originalmente  instruída  em  processo  administrativo  fiscal  autônomo  (de  n°  13016.001219/2008­ 64),  que  restou  apensado  aos  presentes  autos.  Ambos  os  recursos  foram protocolizados tempestivamente.  As alegações apresentadas na manifestação de inconformidade contra  o  ato  de  exclusão,  protocolizada  junto  ao  processo  13016.001219/2008­64, em resumo, são as seguintes:   a)  A  contribuinte  reclama  a  nulidade  do  ato  de  exclusão,  sob  o  argumento  de  que  não  teria  ocorrido,  em  momento  anterior,  a  "conclusão  do  processo  administrativo"  relativo  ao  lançamento  de  oficio dos tributos devidos.  b)  Defende  que  a  premissa  adotada  pela  fiscalização  de  que  teria  ocorrido  prática  reiterada  de  infração  tributária  decorre  de  mera  presunção.  c)  Subsidiariamente,  alega  que  os  efeitos  da  exclusão  somente  poderiam incidir "para frente, ou seja, a partir da decisão definitiva do  presente procedimento administrativo tributário".  Já os argumentos presentes na impugnação aos autos de infração estão  organizados  em  dois  segmento  principais:  preliminares  de  nulidade  (fls. 791/794) e mérito (fls.794/815), a saber:  Quanto às preliminares de nulidade   a) A impugnante defende que o auto de infração está eivado de vício de  nulidade,  dado  que  "(...)  não  foram  observados  os  requisitos  estabelecidos  no  Decreto  n°  70.235/72  na  lavratura  da  presente  autuação". Argumenta que "não consta no referido Auto de Infração a  base de cálculo do imposto exigido, a forma de arbitramento, de forma  que não se mostra verificável se a apuração dos valores está correta".  (fl. 791)  b) Adiante, reclama que "o auto de infração ora impugnado também se  mostra nulo, em face das penalidade aplicadas". (fl. 792)  c) Alega ainda que haveria nulidade quanto ao arbitramento levado a  efeito  pela  autoridade  fiscal,  tendo  em  vista  que  a  contribuinte  "realizou todos os procedimentos necessários previstos no artigo 264,  Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 13016.000973/2008­87  Resolução nº  1202­000.156  S1­C2T2  Fl. 1.042          4 parágrafo  primeiro,  do  Decreto  n°  3.000/99  —  RIR  assim  que  constatado  o  extravio".  Ao  final,  defende  que  "não  prospera  o  argumento  da  Autoridade  Fiscal  para  arbitramento  a  ausência  de  extratos bancários". Cita decisões do Conselho de Contribuintes.  Quanto ao mérito   a) Nos tópicos 2.1.2 e 2.2, contesta a existência de omissão de receitas  no  caso  concreto.  Defende  a  licitude  da  exclusão  dos  valores  repassados  a  terceiros  das  bases  de  cálculo  tributáveis,  sob  o  argumento  de  que  essas  parcelas  não  configuram  receitas  próprias.  Argumenta  que  "nem  todo  ingresso  tem  natureza  de  receita,  sendo  indispensável  para  tanto  o  caráter  de  definitividade  dos  valores  ingressados".  Ademais,  afirma  que  os  valores  apurados  pela  fiscalização  estão  vinculados  a  levantamentos  feitos  por  amostragem  (ver fl. 805).  b)  Ainda  no  item  2.2  (fls.  803/804),  reclama  que  a  autoridade  fazendária  não  procedeu  "aos  descontos  permitidos  pela  legislação,  quais seja, vendas canceladas, descontos  incondicionais concedidos e  os  impostos não cumulativos cobrados destacadamente,  bem como os  valores  das  subcontratações",  quando  da  apuração  do  IRPJ  devido.  Ademais,  argumenta  que  "não  se  mostra  aplicável  o  Adicional  de  Imposto de Renda em relação à tributação das receitas declaradas".  c) No  tópico  2.1.3,  nominado  "Da Exclusão  do  SIMPLES",  ratifica  a  inconformidade  em  relação  ao  ato  de  exclusão  do  SIMPLES,  sob  a  premissa de que não teria sido comprovada pela fiscalização a prática  reiterada de infração por parte da contribuinte. A seguir, reclama que  a  fiscalização  não  contemplou  os  pagamentos  realizados  na  modalidade SIMPLES na apuração dos débitos lançados de ofício.  d) O  item 2.3  diz  respeito  à  incidência  do PIS  e COFINS. De  início,  ratifica os argumentos de que não há omissão de receitas, de sorte que  entende improcedentes as exigências fiscais pertinentes a estes tributos.  Subsidiariamente,  argumenta  a  inconstitucionalidade  do  art.  3º,  §1°,  da Lei n° 9.718/1998 e requer que sejam excluídos da base de cálculo  do PIS e COFINS os valores do ICMS e de todas as receitas que não  sejam operacionais.  e)  Nos  itens  2.4  e  2.5  apresenta  extensa  argumentação  contrária  à  incidência  dos  juros  moratórios  e  multa  de  ofício.  Nesse  particular,  requer (ver fls. 816/817), verbis:  • "sejam aplicados aos débitos juros de 1% (um por centro ao mês) ao  invés  da  SELIC,  e,  determinada  a  exclusão  do  cálculo  dos  valores  exigidos no auto de  infração a aplicação da  taxa SELIC ou correção  monetária e juros".  •  "seja  determinada  a  supressão  da  penalidade  punitiva  de  75%  (setenta e cinco por cento), uma vez que inexistiu falta de pagamento  ou recolhimento, falta de declaração inexata, nos termos do artigo 44,  I, da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007";   •  "seja  determinada  a  supressão  da  penalidade  de  150%  (cento  e  cinqüenta  por  cento),  em  razão  da  ausência  de  comprovação  do  Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 13016.000973/2008­87  Resolução nº  1202­000.156  S1­C2T2  Fl. 1.043          5 inequívoco  intuito de  fraude, nos  termos do artigo 44, §1°, da Lei n°  9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007”.  Em 05 de agosto de 2009 foi prolatado o Acórdão nº 10­20.509, da 1ª Turma de  Julgamento  da  DRJ  Porto  Alegre,  fls.  966/973,  que  considerou  procedente  em  parte  o  lançamento, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa:  “ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES.  ­DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS DE PEQUENO PORTE ­ SIMPLES   Ano­calendário: 2008   DECISÃO  DE  EXCLUSÃO  DO  SIMPLES.  CONTRADITÓRIO  E  AMPLA DEFESA.  É  desnecessário  que  o  Fisco  percorra  todas  as  instâncias  administrativas  com  o  processo  de  exclusão  do  SIMPLES  para  só  então,  com a  decisão  final  desfavorável  ao  contribuinte,  proceder  ao  lançamento de ofício, e vice e versa.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ   Ano­calendário: 2004, 2005, 2006, 2007   OMISSÃO DE RECEITAS. BASE DE CÁLCULO.  Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o  valor  do  imposto  e  do  adicional  a  serem  lançados  de  acordo  com  o  regime  de  tributação  a  que  estiver  submetida  a  pessoa  jurídica  no  período­base a que corresponder a omissão. O valor da receita omitida  será  considerado  na  determinação  da  base  de  cálculo  para  o  lançamento da CSLL, PIS e COFINS.  RECEITAS  DE  CONTRATOS  DE  TRANSPORTE.  SUBCONTRATAÇÃO  DO  SERVIÇO.  IMPOSSIBILIDADE  DE  EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS VALORES RELATIVOS À  SUBCONTRATAÇÃO.  Inexiste  agenciamento  nos  casos  em que  a  prestadora  de  serviços  de  transporte contrata, em seu nome,  serviços de  transporte de  terceiros  para  cumprir  o  contrato  firmado  com  o  tomador  de  serviço,  configurando­se  como  faturamento  o  valor  integral  do  primeiro  contrato.  CONSTITUCIONALIDADE.  A  autoridade  administrativa  é  incompetente  para  decidir  sobre  a  constitucionalidade de atos normativos.  MULTA DE OFÍCIO.  Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 13016.000973/2008­87  Resolução nº  1202­000.156  S1­C2T2  Fl. 1.044          6 A  prova  inequívoca  do  dolo  havido  na  conduta  da  contribuinte  é  indispensável para a aplicação da multa qualificada.  TAXA SELIC.  A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios  incidentes sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC  para  títulos  federais. (Súmula n°4 do 1° CC).  Impugnação Procedente em Parte”  Cientificada em 25 de agosto de 2009, AR de fls. 988, e novamente irresignada  com o acórdão de primeira  instância,  apresenta  seu  recurso voluntário protocolado em 22 de  setembro  de  2009,  em  cujo  arrazoado  de  fls.  992/1024  repisa  os  mesmos  argumentos  expendidos na peça impugnatória.  É o Relatório.  Voto  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  dotado  dos  pressupostos  para  sua  admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento.  A  matéria  discutida  trata  de  exclusão  do  SIMPLES  e  arbitramento  do  lucro  tributável, motivada pela falta de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais.   Na sua impugnação e no recurso, alega a empresa ser inconstitucional a inclusão  do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS.   Essa  matéria  está  sendo  questionada  no  Judiciário.  A  discussão  já  chegou  ao  Supremo Tribunal  Federal  que,  analisando o  litígio,  com  característica  de  repercussão  geral,  sobrestou a decisão até ulterior deliberação.  Conforme determina o artigo 62 A do RICARF, o julgamento do recurso deve  ser sobrestado até decisão definitiva do julgado do STF.  Essa  matéria  não  é  nova  na  Turma,  já  tendo  sido  abordada  pela  Conselheira  Viviane Vidal Wagner na Resolução nº 1202­000.148, da sessão de 07 de novembro de 2012, o  qual peço vênia para transcrever seus fundamentos:   “Passando à análise do mérito, contudo, depara­se com uma questão  prejudicial ao julgamento, pois, dentre as matérias litigiosas, encontra­ se a dedução do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, com a  alegação de que sua inclusão é ilegítima e inconstitucional.  A discussão sobre a exclusão do ICMS nos mesmos moldes da do IPI,  considerando­se que esta tem previsão legal e aquela, não, chegou ao  STF com o início do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.785,  após ter sido pacificada no âmbito do STJ, com a edição das Súmulas  68 (“A parcela relativa ao ICM inclui­se na base de cálculo do PIS”) e  94  (“A  parcela  relativa  ao  ICM  inclui­se  na  base  de  cálculo  do  FINSOCIAL”).  Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 13016.000973/2008­87  Resolução nº  1202­000.156  S1­C2T2  Fl. 1.045          7 Após  iniciado  o  julgamento,  pelo  STF,  do  RE  mencionado,  a  União  ajuizou uma ação direta de constitucionalidade (ADC 18), pretendendo  legitimar a inclusão do ICMS na composição base de cálculo do PIS e  da Cofins, com pedido de declaração de constitucionalidade do inciso I  do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, em face do inciso I do art.195 da  Constituição  Federal,  assim  como  de  adoção  de  efeitos  prospectivos  (ex nunc), em caso da eventual declaração de inconstitucionalidade do  dispositivo em tela.  Considerando  que  a  decisão  na  ADC  produziria  efeitos  sobre  a  totalidade dos processos envolvendo o mesmo tema, o STF decidiu que,  apesar de iniciado o julgamento do tema no RE 240.785, a análise da  mencionada  ADC  deveria  ter  precedência,  e  deferiu,  por  maioria,  medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendessem o  julgamento dos processos em trâmite que envolvessem a aplicação do  art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo  Plenário  do  STF.  O  prazo  dessa  decisão  liminar  foi  prorrogado  até  setembro de 2010, não tendo sido julgado o mérito até a data de hoje.  Todavia, a repercussão geral sobre o tema “inclusão do ICMS na base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS”  (tema  69)  foi  reconhecida  pelo  Plenário  Virtual,  em  25/04/2008,  no  Recurso  Extraordinário  nº  574.706.  O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de  22/06/2009 e alterações posteriores, determina:  Art. 62A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C  da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  até  que  seja  proferida  decisão  nos  termos  do  art.  543B.  §  2º  O  sobrestamento  de  que  trata  o  §  1º  será  feito  de  ofício  pelo  relator ou por provocação das partes."(AC)  Visando  regulamentar  aquele  dispositivo,  a  Portaria  CARF  nº  1,  de  03/01/2012, determina que o procedimento de sobrestamento “somente  será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  –  STF  o  sobrestamento  de  processos  relativos  à  matéria  recorrida,  independentemente  da  existência  de  repercussão geral reconhecida para o caso” (art. 1º, parágrafo único),  cabendo  ao  relator  do  processo  identificar,  de  ofício  ou  por  provocação  das  partes,  se  o  caso  concreto  se  enquadra,  em  tese,  na  hipótese de sobrestamento (art. 2º).  Após  pesquisa,  verificou­se  que,  seguindo  a  orientação  consubstanciada no  julgamento de questão de ordem no RE 540.410,  Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 13016.000973/2008­87  Resolução nº  1202­000.156  S1­C2T2  Fl. 1.046          8 foram  proferidos  despachos monocráticos  em  diversos  processos  que  tratam  do  tema  de  interesse  para  este  julgamento,  determinando  a  devolução dos autos ao Tribunal de origem, para os fins previstos no  art. 543B do CPC, tais como no RE 582.713, RE 404.887, RE 570.203,  RE 611.698, dentre outros.  Por  todos,  colaciona­se  o  despacho  proferido  no  Recurso  Extraordinário  nº  682.886,  publicado  em  30.05.2012,  cuja  decisão  restou assim ementada:  O  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal,  apreciando  o  RE  540.410QO,  rel.  min.  Cezar  Peluso,  acolheu  questão  de  ordem  no  sentido de "determinar a devolução dos autos, e de todos os recursos  extraordinários que versem a mesma matéria, ao Tribunal de origem,  para os  fins do art. 543B do CPC"  (Informativo 516, de 27.08.2008).  Decidiu­se, então, que o disposto no art. 543B do Código de Processo  Civil  também  se  aplica  aos  recursos  interpostos  de  acórdãos  publicados  antes  de  03  de  maio  de  2007  cujo  conteúdo  verse  sobre  tema em que a repercussão geral tenha sido reconhecida. No presente  caso,  o  recurso  extraordinário  versa  sobre  tema  (tema  69)  cuja  repercussão  geral  já  foi  reconhecida  pelo  Supremo Tribunal  Federal  no RE 574.706 RG, rel. min. Cármen Lúcia, assim do: "Reconhecida a  repercussão  geral  da  questão  constitucional  relativa  à  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  da  COFINS  e  da  contribuição  ao  PIS.  Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do  Recurso Extraordinário n. 240.785.”  Do exposto, nos  termos do art. 328 do RISTF (na redação dada pela  Emenda  Regimental  21/2007),  determino  a  devolução  dos  presentes  autos  ao Tribunal  de  origem,  para  que  seja  observado o  disposto  no  art. 543B e parágrafos do Código de Processo Civil.   Publique­se.  Brasília,  18  de  maio  de  2012.  Ministro  JOAQUIM  BARBOSA Relator   Diante  dessas  considerações,  verificando  a  prejudicialidade  entre  a  matéria  tratada  nestes  autos  e  aquela  reconhecida  como  de  repercussão  geral,  voto  por  sobrestar  o  julgamento  do  presente  recurso, até que seja proferida decisão definitiva nos autos do Recurso  Extraordinário RE  nº  574.706 RG,  em  trâmite  perante  o E.  Supremo  Tribunal Federal.”  De todo o exposto, com base no RICARF e art. 2º, § 1º da Portaria CARF nº 02  de  2012,  entendo  que  o  julgamento  do  recurso  deva  ser  sobrestado  para  aguardar  a  decisão  definitiva  do  Supremo Tribunal  Federal  a  respeito  da matéria  inclusão  do  ICMS na  base  de  cálculo do PIS e da COFINS.  (Documento assinado digitalmente)  Nelson Lósso Filho – Relator.  Fl. 1072DF CARF MF

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Numero do processo: 11128.006390/2006-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 19/11/2002 EMBARGOS INOMINADOS. HIPÓTESES DE CABIMENTO. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. No caso julgado, o equívoco está bem configurado, de modo a permitir a correção do acórdão embargado.
Numero da decisão: 3201-003.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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3201­003.682  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de maio de 2018  Matéria  EMBARGOS INOMINADOS  Recorrente  ALFÂNDEGA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL NO PORTO DE  SANTOS ­ SP   Recorrida  DSM PRODUTOS NUTRICIONAIS DO BRASIL LTDA.    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 19/11/2002  EMBARGOS INOMINADOS. HIPÓTESES DE CABIMENTO.  As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de  escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para  opor  embargos,  deverão  ser  recebidos  como  embargos  inominados  para  correção, mediante a prolação de um novo acórdão.  No  caso  julgado,  o  equívoco  está  bem  configurado,  de  modo  a  permitir  a  correção do acórdão embargado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  e acolher os embargos.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (Presidente),  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Marcelo  Giovani  Vieira,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Leonardo  Correia  Lima Macedo,  Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 63 90 /2 00 6- 13 Fl. 413DF CARF MF     2 Relatório  Trata­se  de  Embargos  recebidos  como  inominados  interpostos  tempestivamente  pela  Alfândega  do  Porto  de  Santos  contra  o  Acórdão  nº  3201­00.606,  08/10/2010,  proferido  pela  1ª  Turma  da  2ª  Câmara  da  3ª  Seção  do  CARF,  que  fora  assim  ementado:  ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Data do fato gerador: 19/11/2002  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL.  Salvo  se  for  comprovado  que  os  excipientes  desnaturam  as  características  essenciais  das  vitaminas,  os  produtos  de  denominação  comercial  Acetato  de  Vitamina  "A"  ROVIMIX AD3  500/100,  devem  ser  classificados  no  Capitulo  29,  Seção  36  da  TEC,  ainda  que  sejam  utilizados  como  adições  a  alimentos  animais  por  força  das  notas  explicativas da NESH referente a essa posição.  MULTA.  INFRAÇÃO  AO  CONTROLE  DAS  IMPORTAÇÕES.  Com  base  no  ADN  COSIT  n°  12/97,  não  constitui  infração  administrativa  ao  controle  das  importações  as  DIs  cuja  classificação  tarifária  errônea  exija  novo  licenciamento,  automático  ou  não,  desde  que  o  produto  esteja  corretamente  descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação  e ao enquadramento tarifário pleiteado.  MULTA.  CLASSIFICAÇÃO  INCORRETA.  Confirmada  a  classificação  incorreta,  é  cabível  a multa  de  1%  sobre  o  valor  aduaneiro, prevista no artigo 84, I, da MP 2.158­35/2001.    Alega  a  Embargante  que  a  decisão,  em  seu  último  tópico  (Mercadoria  Classificada Incorretamente na NCM), às fls. 196, estabelece que “(...) não há que se falar na  multa em questão, mantendo­se tal penalidade apenas para as adições 003,008 e 009 (…). Com  isso a multa regulamentar mantida restringe­se a 1% do valor aduaneiro dessas adições, ou seja  1% de R$ 36.998,83, ou simplesmente R$ 369,98”. Contudo, conforme o Auto de Infração, às  fls. 16, o VALOR MÍNIMO da multa em questão é de R$ 500,00 por NCM. Dessa forma, o  valor mantido para as multas seria de R$ 500,00 para a NCM 3834.90.19 (adição 008) e R$  500,00 para a NCM 3824.90.89 (adições 003 e 009), o que totaliza R$ 1.000,00.  O exame de admissibilidade dos embargos encontra­se às fls. 410/411.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator  O  recurso  atende  a  todos  os  requisitos  de  admissibilidade  previstos  em  lei,  razão pela qual dele se conhece.  Assevera a autoridade Embargante, o Inspetor­Chefe da Alfândega do Porto de  Santos, que houve um equívoco no voto condutor do acórdão embargado, haja vista que, quando do  cálculo da multa devida, reduziu­a a valores inferiores ao que seria devido.  Fl. 414DF CARF MF Processo nº 11128.006390/2006­13  Acórdão n.º 3201­003.682  S3­C2T1  Fl. 414          3 A multa a que se referem os embargos é a prevista no art. 84, inciso I, da Medida  Provisória ­ MP nº 2.158­35/2001, que tem a seguinte redação:    Art. 84.  Aplica­se  a  multa  de  um  por  cento  sobre  o  valor  aduaneiro da mercadoria:         I ­ classificada  incorretamente  na  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul,  nas  nomenclaturas  complementares  ou  em  outros  detalhamentos  instituídos para a  identificação da mercadoria;  ou      II ­ quantificada  incorretamente  na  unidade  de  medida  estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal.      § 1o O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00  (quinhentos  reais),  quando  do  seu  cálculo  resultar  valor  inferior.      § 2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica  a  exigência  dos  impostos,  da  multa  por  declaração  inexata  prevista  no art.  44  da  Lei  no 9.430,  de  1996,  e  de  outras  penalidades  administrativas,  bem  assim  dos  acréscimos  legais  cabíveis. (g.n.)    A referida multa, portanto, quando há erro de classificação fiscal, é aplicada,  não há dúvida, por NCM, não pelo valor total da Declaração de Importação ­ DI.  No caso em exame, como resta  inequívoco do voto condutor do  acórdão, a  multa  foi  aplicada  sobre  o  somatório  dos  valores  declarados  para  produtos  com  duas  classificações  distintas:  NCM  3834.90.19  (adição  008)  e  NCM  3824.90.89  (adições  003  e  009).  Confira­se:  Assim,  considerando  que,  no meu  entender,  não  houve  erro  na  classificação das adições 010 e 011 da DI n° 02/1025719­3, não  há que se falar na multa em questão, mantendo­se tal penalidade  apenas  para  as  adições  003,  008  e  009,  que,  segundo  a  DRJ/SP2,  deveriam  ser  classificadas  na  posição  NCM  3003.90.1,  referente  a  medicamentos  contendo  vitaminas  e  outros produtos da posição 29.36.  Com isso, a multa regulamentar mantida restringe­se a 1% do  valor aduaneiro dessas adições, ou seja, 1% de R$ 36.998,83 ou  simplesmente R$ 369,98.  Em função de todo o exposto, voto para dar provimento parcial  ao recurso voluntário e mantenho o crédito tributário apenas no  tocante h. multa regulamentar de que trata a Medida Provisória  n°  2.158­35,  de  2001,  a  qual  foi  corretamente  aplicada  As  adições 003, 008 e 009 da DI n° 02/1025719­3.    O  relator  somou  os  valores  das  três  adições,  que  se  referem  a  duas NCMs  distintas, e aplicou um por cento sobre o total.  Fl. 415DF CARF MF     4 Contudo,  considerando que  a penalidade não pode  ser  inferior  à quantia de  R$ 500,00  para NCM, o  valor  da multa  por  erro  de  classificação  fiscal  totaliza,  de  fato, R$  1.000,00 (mil reais).  Ante o exposto, conheço e acolho os embargos, para que a multa por erro  de classificação fiscal passe a ser aplicada no valor de R$ 1.000,00 (mil reais).  É como voto.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza                                      Fl. 416DF CARF MF

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Numero do processo: 11555.001411/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 30/11/2002 PRELIMINAR DE NULIDADE DE CITAÇÃO. INTIMAÇÃO POSTAL. VALIDADE. QUALIFICAÇÃO DO RECEBEDOR. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF N. 09. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. No caso concreto, o recebedor foi o próprio procurador, constituído pelo Recorrente mediante instrumento procuratório público registrado em cartório, com amplos e ilimitados poderes. PRELIMINAR DE NULIDADE DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO. CIÊNCIA. IRREGULARIDADE. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é uma autorização ao Auditor-Fiscal para fiscalizar a empresa e verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei n. 8.212/91. Expedido de acordo com a legislação vigente à época dos fatos, bem assim com a devida ciência do seu teor ao fiscalizado, não há que se falar em nulidade ou irregularidade, principalmente quando a ação fiscal transcorre dentro dos estritos limites legais. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO A DISPOSITIVO LEGAL. CARACTERIZAÇÃO. OBRIGAÇÃO DE FAZER. NÃO CUMPRIMENTO. Constitui infração ao disposto no art. 2°., §3°., alínea "a", do Decreto n. 1.007/93, c/c art. 33, § 5°., da Lei n. 8.212/91, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto, as contribuições sociais a que se refere o art. 7°. da Lei n. 8.706/93, devidas pelos contribuintes individuais transportadores autônomos a seu serviço, destinadas ao SEST e ao SENAT. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ART. 30, IX, DA LEI N. 8.212/91. ART. 124 DO CTN. Caracterizado a formação de grupo econômico, com provas substanciais nos autos do processo administrativo fiscal, decorre a solidariedade quanto à obrigação tributária de natureza previdenciária, forte no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91 c/c art. 124 do CTN.
Numero da decisão: 2402-006.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregório Rechmann Júnior e Mauricio Nogueira Righetti.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA

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2402­006.110  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  4 de abril de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  FRIGORÍFICO NOVO ESTADO S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/1998 a 30/11/2002  PRELIMINAR  DE  NULIDADE  DE  CITAÇÃO.  INTIMAÇÃO  POSTAL.  VALIDADE.  QUALIFICAÇÃO  DO  RECEBEDOR.  ENUNCIADO  DE  SÚMULA CARF N. 09.  É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal  eleito  pelo  contribuinte,  confirmada  com  a  assinatura  do  recebedor  da  correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.  No  caso  concreto,  o  recebedor  foi  o  próprio  procurador,  constituído  pelo  Recorrente mediante instrumento procuratório público registrado em cartório,  com amplos e ilimitados poderes.  PRELIMINAR  DE  NULIDADE  DE  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL. EMISSÃO. CIÊNCIA. IRREGULARIDADE. INEXISTÊNCIA.   O Mandado de Procedimento Fiscal é uma autorização ao Auditor­Fiscal para  fiscalizar a empresa e verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias  previstas na Lei n. 8.212/91.  Expedido de acordo com a  legislação vigente à época dos fatos, bem assim  com  a  devida  ciência  do  seu  teor  ao  fiscalizado,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  ou  irregularidade,  principalmente  quando  a  ação  fiscal  transcorre  dentro dos estritos limites legais.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  INFRAÇÃO  A  DISPOSITIVO  LEGAL.  CARACTERIZAÇÃO. OBRIGAÇÃO DE FAZER. NÃO CUMPRIMENTO.  Constitui  infração  ao  disposto  no  art.  2°.,  §3°.,  alínea  "a",  do  Decreto  n.  1.007/93, c/c art. 33, § 5°., da Lei n. 8.212/91, deixar a empresa de arrecadar,  mediante desconto, as contribuições sociais a que se refere o art. 7°. da Lei n.  8.706/93, devidas pelos contribuintes  individuais  transportadores autônomos  a seu serviço, destinadas ao SEST e ao SENAT.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 55 5. 00 14 11 /2 01 0- 42 Fl. 1371DF CARF MF     2 GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO.  SOLIDARIEDADE. ART.  30, IX, DA LEI N. 8.212/91. ART. 124 DO CTN.  Caracterizado a formação de grupo econômico, com provas substanciais nos  autos  do  processo  administrativo  fiscal,  decorre  a  solidariedade  quanto  à  obrigação tributária de natureza previdenciária, forte no art. 30, IX, da Lei n.  8.212/91 c/c art. 124 do CTN.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Luís Henrique Dias Lima ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Mário  Pereira  de  Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson,  Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini,  Luís  Henrique  Dias  Lima,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci,  Gregório  Rechmann  Júnior  e  Mauricio Nogueira Righetti.                      Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 11555.001411/2010­42  Acórdão n.º 2402­006.110  S2­C4T2  Fl. 102          3 Relatório  Cuida­se  de  Recurso  Voluntário  de  e­fls.  1305/1318  em  face  da  Decisão­ Notificação  (DN) n.  26.401.4/0074/2006  ­ Seção do Contencioso Administrativo  ­ Delegacia  da  Receita  Previdenciária  ­  Porto  Velho/RO  (e­fls.  1279/1288),  que  julgou  procedente  o  lançamento consignado no Auto de Infração (AI) ­ DEBCAD n. 35.601.384­7 ­ consolidado no  valor total de multa de R$ 1.101,75 ­ Código de Fundamentação Legal (CFL) 99 ­ na data de  22/12/2005 ­ Período de Autuação: 01/1998 a 11/2002 (e­fls. 03/09) ­ com fulcro em infração  ao  art.  2°.,  §  3°.,  alínea  "a",  do Decreto  n.  1.007/93,  c/c  art.  33,  §  5°.,  da  Lei  n.  8.212/91,  lavrado em desfavor do contribuinte em epígrafe, por deixar de arrecadar, mediante desconto,  as contribuições sociais a que se refere o art. 7°. da Lei n. 8.706/93, devidas pelos contribuintes  individuais  transportadores  autônomos  a  seu  serviço,  destinadas  ao  SEST  e  ao  SENAT,  incidentes sobre o valor do frete, no período de 01/1998 a 11/2002.   A  Decisão­Notificação  (DN)  n.  26.401.4/0074/2006  (e­fls.  1279/1288)  reformou  a  Decisão­Notificação  (DN)  n.  26.401.4/0070/2006  (e­fls.  1275/1278),  que  considerava improcedente a autuação em lide.  O Relatório Fiscal (e­fls. 32/53), bem assim o Relatório de Grupo Econômico  ­  RGE  (e­fls.  105/132),  caracterizam  os  procedimentos  fiscais  realizados;  as  evidências  constatadas  no  curso  da  fiscalização  e  a  solidariedade  das  empresas  FRIGORÍFICO  BONSUCESSO  LTDA.,  FRIGORÍFICO  PORTO  LTDA.,  FRIGORÍFICO  VALE  DO  RIO  ACRE LTDA., FRIGORÍFICO SANTA ELVIRA LTDA. e FRIGORÍFICO NOVO ESTADO  S/A ­ que  constituem grupo econômico de  fato  ­ pelo débito de natureza previdenciária em  apreço.   A Recorrente foi regularmente cientificada do AI ­ DEBCAD n. 35.601.384­7  (e­fls.  03/09)  em  29/12/2005  (e­fl.  1269),  e,  irresignada,  apresentou,  em  10/01/2006,  a  impugnação de e­fls. 1245/1257, aduzindo, em síntese:   i) Preliminar de nulidade de citação;  ii) Inexistência de grupo econômico;  iii) Inexistência de solidariedade;  iv) Irregularidades no decorrer da ação fiscal;  v)  Improcedência  da  autuação  por  não  caracterizar  a  infração  ao  art.  2°.,  §3°., alínea "a", do Decreto n. 1.007, de 13/12/1993, c/c art. 33, §5°., da Lei  n. 8.212/91.  vi)  Inobservância  das  regras  que  disciplinam o Mandado  de Procedimento  Fiscal.  Ao fim, requer que seja relevada a multa consubstanciada no AI ­ DEBCAD  n.  35.601.384­7  (e­fls.  03/09),  considerando  a  primariedade  da  empresa,  a  inexistência  de  circunstâncias agravantes e a correção da falta.  Fl. 1373DF CARF MF     4  Os solidários também foram cientificados do lançamento em lide.  O  crédito  tributário  de  natureza  previdenciária  no  AI  ­  DEBCAD  n.  35.601.384­7 (e­fls. 03/09) foi mantido no julgamento de primeiro grau, consoante a Decisão­ Notificação (DN) n. 26.401.4/0074/2006 (e­fls. 1279/1288), que sumarizou seu entendimento  conforme emenda abaixo reproduzida:    A  Recorrente  foi  cientificada  do  teor  da  Decisão­Notificação  (DN)  n.  26.401.4/0074/2006  (e­fls.  1279/1288),  e,  inconformada,  apresentou  Recurso  Voluntário  ao  Conselho  de  Recursos  Fiscais  da  Previdência  Social  em  19/06/2006  (e­fls.  1305/1318),  esgrimindo os mesmos argumentos da impugnação de e­fls. 1245/1257.  Os solidários também foram notificados do teor da Decisão­Notificação (DN)  n. 26.401.4/0074/2006 (e­fls. 1279/1288).  Todavia,  o  Recurso  Voluntário  de  e­fls.  1305/1318,  a  despeito  de  sua  tempestividade,  foi  considerado  deserto  (insuficiência/ausência  de  depósito  recursal)  e,  por  consequência,  negado  o  seu  seguimento,  com  fundamento  no  art.  126,  §  1°.,  da  Lei  n.  8.213/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.684/2003, nos termos exatos da decisão exarada  pela  Seção  do  Contencioso  Administrativo  ­  Delegacia  da  Receita  Previdenciária  ­  Porto  Velho/RO (e­fls. 1329/1330).  Entretanto,  com o  advento da Súmula Vinculante STF n.  21  ­  29/10/2009  ­  DJe n. 223 ­ 27/11/2009 ­ restou caracterizada a inconstitucionalidade da exigência de depósito  ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo.  Nesse  contexto,  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  em  Rondônia  procedeu  à  revisão  da  legalidade  dos  atos  praticados  pela  autoridade  administrativa  (Seção  do  Contencioso  Administrativo  ­  Delegacia  da  Receita  Previdenciária  ­  Porto  Velho/RO),  concluindo  pelo  cancelamento da  inscrição  em Dívida Ativa da União  (DAU) e devolução deste processo  ao  âmbito administrativo para o julgamento do Recurso Voluntário de e­fls. 1305/1318, conforme  despacho de acompanhamento especial de e­fls. 1362/1363.  É o relatório.  Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 11555.001411/2010­42  Acórdão n.º 2402­006.110  S2­C4T2  Fl. 103          5   Voto             Conselheiro Luís Henrique Dias Lima ­ Relator.  Consoante relatado, o Recurso Voluntário de e­fls. 1305/1318, a despeito de  sua tempestividade, foi considerado deserto (insuficiência/ausência de depósito recursal) e, por  consequência,  negado  o  seu  seguimento,  com  fundamento  no  art.  126,  §  1°.,  da  Lei  n.  8.213/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.684/2003, nos termos exatos da decisão exarada  pela  Seção  do  Contencioso  Administrativo  ­  Delegacia  da  Receita  Previdenciária  ­  Porto  Velho/RO (e­fls. 1329/1330).  Entretanto, com o advento da Súmula Vinculante STF n. 21  ­ 29/10/2009  ­  DJe n. 223 ­ 27/11/2009 ­ restou caracterizada a inconstitucionalidade da exigência de depósito  ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo.  Destarte, a Procuradoria da Fazenda Nacional em Rondônia procedeu ao controle de legalidade  da decisão que negou seguimento ao recurso administrativo com fundamento no art. 126, §1°.,  da Lei  n.  8.213/1991,  com a  redação  dada  pela Lei  n.  10.684/2003,  exarada  pela  autoridade  administrativa (Seção do Contencioso Administrativo ­ Delegacia da Receita Previdenciária  ­  Porto  Velho/RO)  ­  e­fls.  1329/1330,  concluindo  pelo  cancelamento  da  inscrição  em Dívida  Ativa da União (DAU) e devolução deste processo ao âmbito administrativo para o julgamento  do Recurso Voluntário de e­fls. 1305/1318, conforme despacho de acompanhamento especial  de e­fls. 1362/1363.  Uma vez declarada a nulidade do ato que indeferiu o seguimento do recurso,  deve ser proferida nova decisão administrativa sobre o juízo de admissibilidade recursal, e, não  havendo outra causa autônoma impeditiva do seguimento do recurso, este deve ser processado  normalmente.  Isto posto, o Recurso Voluntário (e­fls. 1305/1318) é tempestivo e atende aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  previstos  no  Decreto  n.  70.235/72  e  alterações  posteriores, portanto dele CONHEÇO.  Da Preliminar de Nulidade de Citação  De  plano,  cabe  ressaltar  que  a  ciência  por  via  postal  é  modalidade  de  intimação  prevista  no  art.  23,  II,  do Decreto  n.  70.235/1972  ­  que  dispõe  sobre  o  processo  administrativo fiscal  ­, bem assim na  IN SRP/MPS n. 03/2005 e Portaria MPS n. 520/2004 ­  vigentes à época dos fatos.   Outrossim,  inexiste  ordem  de  preferência  entre  a  intimação  pessoal  e  a  intimação  postal  para  efeito  do  processo  administrativo  fiscal  estabelecido  no  Decreto  n.  70.235/1972.  A teor do art. 23, § 1°., do Decreto n. 70.235/1972, apenas para a intimação  ficta,  por  via  editalícia,  é  que  se  exige  ordem  de  preferência,  uma  vez  que  deve  resultar  improfícuo a intimação pessoal ou postal (sem ordem de preferência entre estas).  Fl. 1375DF CARF MF     6 Da  análise  dos  autos,  constata­se  que  a  ciência  do  AI  ­  DEBCAD  n.  35.601.384­7 (e­fls. 03/09) e de diversos outros documentos afetos ao lançamento em lide ­ foi  direcionada à bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS ­ RG 303.598 ­ SSP/RO  ­  CPF  621.104.382­15,  nomeada  e  constituída  pelo  Recorrente  mediante  o  instrumento  procuratório  público  registrado  no  Tabelionato  Figueiredo  ­  Ofício  Único  de  Notas  ­  Vilhena/RO  ­  na  data  de  14/02/2005  ­ Traslado:  Primeiro  ­  Livro:  228  ­  Folhas:  031  ­  com  validade até 31/12/2005 (e­fl. 21).   No  instrumento  de  procuração  pública  de  e­fl.  21,  o  Recorrente  outorga  amplos  e  ilimitados  poderes  à  bastante  procuradora  LUCIMAR  NASCIMENTO  DIAS,  a  seguir transcritos:    Não à toa, a bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS assinou,  recebeu e forneceu diversos documentos vinculados à fiscalização que resultou no lançamento  do  AI  ­  DEBCAD  n.  35.601.384­7  (e­fls.  03/09)  em  desfavor  do  Recorrente,  tais  como:  Mandados de Procedimento Fiscal ­ Fiscalização e Complementar, Termos de Intimação para  Apresentação  de  Documentos,  Relatório  de  Grupo  Econômico,  Termo  de  Cientificação  de  Constituição  de  Crédito  em  Grupo  Econômico,  Agendamento  de  Devolução  Parcial  de  Documentos Apreendidos e TEAF (e­fls. 10/20).   E foi exatamente a bastante procuradora LUCIMAR NASCIMENTO DIAS ­  RG 303.598 ­ SSP/RO ­ CPF 621.104.382­15 ­ a signatária do Aviso de Recebimento (AR) ­ e­ fl.  1269  ­  da  correspondência  cujo  conteúdo  compreende,  entre  outros  documentos,  o  AI  ­  DEBCAD n. 35.601.384­7 (e­fls. 03/09), ora questionado.  Destarte, é reprovável e afronta o princípio da boa­fé objetiva que, em sede  de Recurso Voluntário,  a Recorrente  pretenda  infirmar  os  poderes  outorgados  à  procuradora  LUCIMAR  NASCIMENTO  DIAS,  que  o  representou  em  todo  o  curso  da  ação  fiscal  que  culminou  com  o  lançamento  do  crédito  tributário  consubstanciado  no  AI  ­  DEBCAD  n.  35.601.384­7  (e­fls.  03/09),  buscando  desqualificar  o  domicílio  fiscal  por  ela  eleito  (diverso  daquele  onde  se  situa  a  sede da Recorrente)  para  comunicar­se  com  a Fiscalização  da RFB,  bem assim negando que a retrocitada procuradora represente os seus interesses, não obstante a  validade do mandato ter como limite a data de 31/12/2005 e o aperfeiçoamento do lançamento  em litígio ter ocorrido em 29/12/2005, data da assinatura da procuradora no AR de e­fl. 1269.  Com relação à validade da intimação por via postal, inclusive no que tange à  qualificação  do  recebedor,  objeto  de  questionamento  pelo Recorrente,  é  relevante  resgatar  o  Enunciado de Súmula CARF n. 09, verbis:  É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito  pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência,  ainda que este não seja o representante legal do destinatário.  Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 11555.001411/2010­42  Acórdão n.º 2402­006.110  S2­C4T2  Fl. 104          7 É  oportuno  salientar  que,  ainda  que  falta  ou  irregularidade  houvesse  na  intimação  (ciência  do AI  ­ DEBCAD  n.  35.601.384­7  ­  e­fls.  03/09),  o  comparecimento  do  Recorrente aos autos, consubstanciado na apresentação da impugnação de e­fls. 1245/1257, é  bastante para sanear eventual vício existente na intimação.  Por  fim,  convém  destacar  que  a  Recorrente  encontra­se  com  situação  cadastral  no  Cadastro  Nacional  da  Pessoa  Jurídica  (CNPJ)  baixada  desde  09/02/2015,  por  motivo  de  omissão  contumaz,  conforme  consulta  realizada  no  sítio  da  RFB  (receita.fazenda.gov.br/pessoajurídica/cnpj/cnpjreva/Cnpjreva_Comprovante_asp).  Isto posto, rejeito a preliminar.  Da Preliminar de Nulidade de Mandado de Procedimento Fiscal  No  que  tange  ao  questionamento  em  face  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal (MPF) e de supostas irregularidades verificadas no decorrer da ação fiscal, não há reparo  a  fazer  na  decisão  recorrida,  vez  que  o  MPF  ­  Fiscalização  ­  n.  09233178  ­  expedido  em  13/04/2005 ­ com validade até 11/08/2005 ­ para verificação do cumprimento das obrigações  principais  decorrentes  de  Folha  de  Pagamento  e  Contribuição  Rural  (e­fl.  10)  ­  e  o MPF  ­  Complementar 01  ­ n. 09233178  ­ expedido em 16/06/2005  ­ com validade até 14/10/2005  ­  para verificação de todos os fatos geradores (e­fl. 11), encontram abrigo no art. 196 do CTN;  no art. 1°. da Lei n. 11.098/2005; na Instrução Normativa INSS/DC n. 100/2003 e no Decreto  n. 3.969/2001, todos vigentes à época dos fatos, observando­se ainda que a execução da ação  fiscal decorreu­se dentro dos estritos limites legais.   Isto posto, rejeito a preliminar.  Do Mérito  Em  relação  à  insurgência  contra  a  caracterização  de  grupo  econômico  e  a  consequente solidariedade entre as empresas do grupo, não assiste razão à Recorrente.  Com  efeito,  resta  sobejamente  comprovado  nos  autos  os  fundamentos  que  evidenciam a composição de grupo econômico compreendendo as seguintes pessoas jurídicas:  i) Frigorífico Bonsucesso Ltda.;  ii) Frigorífico Porto Ltda.;  iii) Frigorífico Vale do Rio Acre  Ltda..; iv) Frigorífico Santa Elvira Ltda.; e o Frigorífico Novo Estado S/A.  A  Decisão­Notificação  (DN)  n.  26.401.4/0074/2006  (e­fls.  1279/1288)  ­  elucida e esclarece, de forma minuciosa, com amparo no Relatório de Grupo Econômico (e­fls.  105/132), as questões de fato e de direito suficientes à caracterização de grupo econômico e à  solidariedade  entre  as  respectivas  empresas,  quanto  ao  crédito  tributário  de  natureza  previdenciária  consubstanciado  no  AI  ­  DEBCAD  n.  35.601.384­7  (e­fls.  03/09),  a  seguir  resumidas:    Fl. 1377DF CARF MF     8               O  art.  124  do  CTN  (Lei  n.  5.172/1966),  informa  norma  geral  aplicável  a  todos os tributos existentes no sistema tributário nacional, nos seguintes termos:  "Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de  ordem. (grifei)"  Não  obstante  a  expressão  "interesse  comum"  consignada  no  art.  124,  I,  do  CTN,  encartar  um  conceito  indeterminado,  é  mister  proceder­se  a  uma  interpretação  sistemática  das  normas  tributárias,  de  modo  a  alcançar­se  a  ratio  essendi  do  referido  dispositivo  legal. Assim,  verifica­se  que  o  interesse  comum na  situação  que  constitua o  fato  gerador  da  obrigação  principal  implica  que  as  pessoas  jurídicas  solidariamente  obrigadas  estejam  no mesmo  polo  da  relação  jurídica  que  deu  azo  à  hipótese  de  incidência  tributária,  exatamente porque não encontraria respaldo na lógica jurídica­tributária a  integração no polo  Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 11555.001411/2010­42  Acórdão n.º 2402­006.110  S2­C4T2  Fl. 105          9 passivo da relação jurídica de uma empresa que não tenha qualquer participação na ocorrência  do fato gerador da obrigação tributária.  Nessa perspectiva, é forçoso concluir que o interesse qualificado pela lei não  há de ser o mero interesse social, moral ou econômico no resultado ou no proveito da situação  que  constitui  o  fato  gerador  da  obrigação  principal, mas  sim  o  interesse  jurídico,  atrelado  à  atuação comum ou conjunta no pressuposto fático do tributo.   Assim,  caracteriza  responsabilidade  solidária  em  matéria  tributária  a  realização  conjunta  de  situações  que, per  se,  configuram  a  hipótese  de  incidência  tributária,  irrelevante que se trate ou não de grupo econômico formalmente constituído.  É cediço que os grupos econômicos de fato caracterizam­se por serem criados  com o fim exclusivo de redução do risco empresarial e maximização de lucros, caracterizando­ se um abuso de direito, inclusive para fins de afastar a incidência de tributos, no caso concreto,  na espécie contribuições sociais.  Constata­se,  a  partir  das  situações  relatadas  nos  autos  e  sintetizadas  pela  Decisão­Notificação (DN) n. 26.401.4/0074/2006 (e­fls. 1279/1288), acima reproduzidas, uma  unidade  de  interesse  jurídico  das  várias  pessoas  jurídicas  (frigoríficos)  envolvidas,  consolidando­se evidente interesse comum nos atos negociais de propriedade e de circulação  de riquezas.  Noutro  giro,  há  previsão  legal  de  solidariedade  quanto  às  contribuições  à  Seguridade Social,  independentemente da natureza  (formal ou de  fato) do grupo  econômico,  bastando  tão­somente  a  sua  caracterização,  nos  termos  exatos  do  art.  30,  IX,  da  Lei  n.  8.212/1991, verbis:  "Art.  30.  A  arrecadação  e  o  recolhimento  das  contribuições  ou  de  outras  importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:  [...]  IX ­ as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem  entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei;   [...] (grifei)"  Considerando­se  o  disposto  no  art.  30,  IX,  da  Lei  n.  8.212/91,  acima  reproduzido, não há dúvidas que, no caso específico das contribuições previdenciárias, incide  não apenas  a  regra do  inciso  I  do  art.  124 do CTN, mas  também do  inciso  II  do  retrocitado  dispositivo legal.  Na peça  recursal de e­fls. 1305/1318, a Recorrente,  em sua defesa,  informa  que "improcedente a aplicação da penalidade através da lavratura de AUTO DE INFRAÇÃO  sob  a  alegação  do  descumprimento  de  obrigações  acessórias  por  conta  de  retenções  não  efetuadas  porquanto  no  caso  informado  não  está  devidamente  tipificada  a  previsão  legal  e  normativa constante na legislação previdenciária que determina a mencionada retenção o que  de fato não ocorreu, devendo o AUTO DE INFRAÇÃO ser cancelado ou relevado".  Todavia,  inexiste  previsão  legal  a  acolher  os  argumentos  da  Recorrente,  havendo,  ao  contrário,  determinação expressa na  legislação vigente  à  época dos  fatos para  a  Fl. 1379DF CARF MF     10 lavratura do auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, inclusive quanto ao  valor lançado, forte no art. 2°., §3°., alínea "a", do Decreto n. 1.007/93, c/c art. 33, §5°., da Lei  n. 8.212/91; art. 92 e 102 da Lei n. 8.212/91; art. 7°. da Lei n. 8.706/93; art. 283, caput e §3°.  c/c 373, e art. 292, inciso I, todos do Decreto n. 3.048/99; e Portaria MPS n. 822/05.  Nessa  perspectiva,  o  lançamento  consubstanciado  no  AI  ­  DEBCAD  n.  35.601.384­7 (e­fls. 03/09) encontra­se alinhado à configuração da legislação vigente à época  dos fatos, particularmente o art. 2°., § 3°., alínea "a", do Decreto n. 1.007/93, c/c art. 33, § 5°.,  da Lei n. 8.212/91.  Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e­ fls.  1305/1318),  REJEITAR  AS  PRELIMINARES,  e,  no  mérito,  NEGAR­LHE  PROVIMENTO.    (assinado digitalmente)  Luís Henrique Dias Lima                            Fl. 1380DF CARF MF

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7348067 #
Numero do processo: 10850.901469/2013-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1402-003.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE

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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário   (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone ­ Presidente e Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marco  Rogério  Borges,  Caio  Cesar  Nader  Quintella,  Edgar  Bragança  Bazhuni,  Leonardo  Luis  Pagano  Goncalves,  Evandro  Correa  Dias,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca  Vieira,  Demetrius  Nichele  Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 14 69 /2 01 3- 33 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10850.901469/2013­33  Acórdão n.º 1402­003.037  S1­C4T2  Fl. 3          2    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  acórdão  proferido  pela  Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) assim ementado:  "ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL  Ano­calendário: 2012  RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  A  simples  retificação  de  declarações  para  alterar  valores  originalmente  declarados, desacompanhada de documentação hábil  e  idônea, não pode ser  admitida para modificar Despacho Decisório.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido"  O caso foi assim relatado pela instância a quo, in verbis:  "Trata  o  presente  processo  de  Pedido  de  Restituição  [...],  transmitida  em  27/12/2012,  por  meio  da  qual  o  contribuinte  acima  identificado  solicita  restituição  de  direito  creditório  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior de CSLL (código 2372) do período de apuração 30/09/2012.  Despacho Decisório (fl. 04) da Delegacia da Receita Federal em São José do  Rio  Preto  indeferiu  o  Pedido  de  Restituição  em  virtude  da  inexistência  de  crédito, sob a seguinte fundamentação:  "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  pra  quitação  de  débitos  do  contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. "  Cientificado  do  Despacho  Decisório  por  via  postal  em  14/05/2013,  o  contribuinte apresentou, em 07/06/2013, manifestação de inconformidade (fl.  03), alegando que teve indeferido seu pedido de restituição pelo fato de não  ter  retificado  suas  declarações  (DCTF,  DACON  e  DIPJ),  porém  pleiteia  novamente o crédito afirmando ter corrigido todas as declarações."    Inconformada com a decisão da Instância a quo, a recorrente interpôs recurso  voluntário, no qual traz a seguinte explicação para retificar a DCTF, DACON e DIPJ:   "Isto  tudo  foi  feito  quando  constatado  que  a  empresa  LC  ASSISTÊNCIA  MÉDICA S/S LTDA, recolheu o IRPJ sendo 4,80% e a CSLL sendo 2,88% na  Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10850.901469/2013­33  Acórdão n.º 1402­003.037  S1­C4T2  Fl. 4          3  sua  totalidade,  e  a  empresa  INSTITUTO  DE  DESENVOLVIMENTO  ESTRATÉGICO  E  ASSISTÊNCIA  INTEGRAL  A  SAÚDE,  CNPJ  N°  00.376.056/0001­45, também havia retido e recolhido o IRRF 1,5%, Código  1708 e o PIS/COFINS/CSLL 4,65% Código 5952."   Em  seu  pedido,  requer  que  se  aceite  as  retificações  das  declarações,  pleiteando o crédito novamente referente ao PER/DCOMP acima identificado.   Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10850.901469/2013­33  Acórdão n.º 1402­003.037  S1­C4T2  Fl. 5          4    Voto             Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1402­003.078,  de  11/04/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10850.901450/2013­ 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402­003.078):  "O  Recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos, portanto dele conheço.  O recorrente teve seu pedido de restituição indeferido o fato de  que,  ainda  que  tenha  sido  localizado  pagamento  ao  qual  se  amolda  aquele  apontado  na  PER/DCOMP  como  origem  do  crédito,  o  valor  correspondente  já  teria  sido  utilizado  para  a  extinção  anterior  de  outro  débito.  Isso  equivale  a  dizer  que  o  valor  do  DARF  foi  integralmente  consumido  na  extinção,  por  pagamento,  de  débito  regularmente  registrado  nos  arquivos  da  Receita Federal, motivo pelo qual não há saldo disponível para  restituir.  O recorrente alega que retificou as declarações DCTF, DACON  e DIPJ para redução de tributos, pois recolheu o IRPJ e a CSLL  na  sua  totalidade,  contudo  a  empresa  INSTITUTO  DE  DESENVOLVIMENTO  ESTRATÉGICO  E  ASSISTÊNCIA  INTEGRAL  A  SAÚDE,  CNPJ  N°  00.376.056/0001­45,  também  havia retido e recolhido o IRRF e o PIS/COFINS/CSLL.  Uma  vez  que  a  administração  tributária  tenha  iniciado  procedimento  fiscal  para  verificar  as  obrigações  tributárias  referentes  a  determinado  período  e  tributo,  não  mais  se  pode  falar em espontaneidade na entrega de declaração retificadora.  Dessa  forma,  uma  vez  que  a  administração  tributária  emite  decisão com base  em declaração  regularmente  entregue, não é  lícito que o recorrente retifique a  informação que  levou àquela  decisão  e  pretenda  que  seja  a  nova  informação  aceita  sem  passar pelo crivo do Autoridade Fiscal.  Sendo  assim,  deveria  o  recorrente  ter  apresentado  sua  manifestação  de  inconformidade  acompanhada  de  elementos  probatórios que permitissem à autoridade julgadora constatar a  efetiva  ocorrência  dos  alegados  equívocos  cometidos  em  suas  declarações anteriores, nos termos do artigo 16, § 4º do Decreto  nº 70.235/1972.  Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10850.901469/2013­33  Acórdão n.º 1402­003.037  S1­C4T2  Fl. 6          5  Contudo, apesar das alegações, o recorrente não traz quaisquer  documentos (notas  fiscais, recibos, comprovante de pagamento)  que  comprovem que  houve a  retenção dos  referidos  valores  de  IRRF, CSLL, PIS e COFINS.   Além de não comprovar a retenção dos referido tributos, também  não  houve  a  demonstração  de  que  os  valores  retidos  seriam  suficientes  para  quitar  integralmente  os  tributos  apurados  a  partir de seus livros comerciais e fiscais.  Desse modo, sendo do recorrente o ônus de provar o crédito que  alegava ter, nos termos do artigo 333, I, do Código de Processo  Civil,  e  não  tendo  se  desincumbido  de  referido  ônus,  cumpre  indeferir seu pedido de restituição e de compensação, por  falta  de comprovação da existência do crédito.    Conclusão  Ante  o  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao  recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone                            Fl. 42DF CARF MF

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Numero do processo: 11051.720039/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a existência de omissão na decisão, cabe a admissibilidade dos embargos para a correção do Acórdão. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66. Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66. Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3201-003.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos. Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a existência de omissão na decisão, cabe a admissibilidade dos embargos para a correção do Acórdão. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66. Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66. Embargos Acolhidos

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos. Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1475; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 2          1 1  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11051.720039/2012­18  Recurso nº       Embargos  Acórdão nº  3201­003.615  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de março de 2018  Matéria  II  Recorrente  RXM IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA   Recorrida  PRIMEIRA TURMA ORDINÁRIA DA SEGUNDA CÂMARA DA  TERCEIRA SEÇÃO    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.  Os  embargos  de  declaração  são  cabíveis  quando  o  acórdão  contiver  obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos.  No  caso  concreto,  comprovado  a  existência  de  omissão  na  decisão,  cabe  a  admissibilidade dos embargos para a correção do Acórdão.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  OCULTAÇÃO  DO  REAL  ADQUIRENTE DA MERCADORIA  IMPORTADA. ART. 95,  INCISO V,  DO DL 37/66.   Responde  pela  infração  conjunta  ou  isoladamente,  o  adquirente  de  mercadoria de procedência estrangeira, no caso da  importação realizada por  sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos  previstos no art. 95, inciso V, do Decreto­Lei nº 37/66.   Embargos Acolhidos      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  acolher  os  embargos.     Winderley Morais Pereira ­ Presidente Substituto e Relator.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 1. 72 00 39 /2 01 2- 18 Fl. 1246DF CARF MF   2 Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros:  Winderley  Morais  Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira  Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.    Relatório    Trata­se  de  embargos  opostos  pelo  Contribuinte,  em  face  do  Acórdão  3201­ 002.825, que foi assim ementado:    Assunto: Imposto sobre a Importação ­ II  Data do fato gerador: 27/01/2012  VÍCIO  NO  ATO  ADMINISTRATIVO.  NECESSIDADE  DE  COMPROVAÇÃO.  A  motivação  e  finalidade  do  ato  administrativo  são  supridas  quando  da  elaboração  do  relatório  fiscal  que  detalham  as  conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados.  As  discordâncias  quanto  às  conclusões  do  trabalho  fiscal  são  matérias  inerentes  ao  Processo  Administrativo  Fiscal  e  a  existência  de  vícios  no  auto  de  infração  deve  apresentar­se  comprovada no processo.   INCONSTITUCIONALIDADE  DE  NORMAS  TRIBUTÁRIAS.  INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.  Este  Colegiado  é  incompetente  para  apreciar  questões  que  versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.   MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE.  O  MPF­  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  é  instrumento  de  controle  administrativo  e  de  informação  ao  contribuinte.  Eventuais  omissões  ou  incorreções  do MPF  não  são  causa  de  nulidade do auto de infração.  IMPORTAÇÃO  DE  MERCADORIA.  INTERPOSIÇÃO  FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL  1.455/76, ART. 23, INCISO V.   Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas  cuja  operação  foi  realizada  por  meio  de  interposição  fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do Decreto­ Lei nº 37/66.   IMPOSSIBILIDADE  DA  APLICAÇÃO  DA  PENA  DE  PERDIMENTO.  CONVERSÃO  EM  MULTA  NO  VALOR  DA  MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETO­LEI Nº 1.455/76.   Não  sendo  possível  a  aplicação  da  pena  de  perdimento,  em  razão  das mercadorias  já  terem  sido  dadas  a  consumo  ou  por  qualquer  outro  motivo,  cabível  a  aplicação  da  multa  de  conversão da pena de perdimento,  prevista no art.  23,  § 3º,  do  Decreto­Lei nº 1.455/76.   Recurso Voluntário Negado        Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 11051.720039/2012­18  Acórdão n.º 3201­003.615  S3­C2T1  Fl. 3          3 Os  embargos  foram  admitidos  parcialmente,  sendo  dado  seguimento  para  a  matéria  referente  a  responsabilidade  solidária.  Os  embargos  foram  admitidos,  nos  seguintes  termos.     Com base nos argumentos acima e no disposto no art. 65, § 3º  do  Regimento  Interno  do  CARF,  na  redação  dada  pela  Portaria  MF  nº  39/2016,  dou  seguimento  aos  embargos  de  declaração  apenas  quanto  à  “responsabilidade  solidária”  e  nego  seguimento  aos  embargos  relativamente  às  demais  questões, em virtude da improcedência das alegações..    É o Relatório.  Voto             Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.    Consultando  os  autos  e  o  acórdão  embargado  é  possível  comprovar  a  existência  da  omissão  alegada  pela  Recorrente,  a  turma  não  enfrentou  a  alegação  de  inexistência de responsabilidade solidária da RXM.   Verificando todo o arcabouço de provas, constante dos autos, fica evidente o  conhecimento  das  empresas  RXM  e  PORTES  BR  nas  operações  realizadas  e  da  fraude  ocorrida  para  ocultação  dos  reais  adquirentes  das mercadorias.  Conforme  já  demonstrado,  a  ocultação dos operadores  reais nas Declarações de  Importação estão plenamente confirmadas  nas  informações  e  documentos  apurados  pela  Auditoria  Fiscal,  onde  são  detalhadas  as  operações e responsabilidade de cada um das partes nas operações. Existindo o conhecimento  das empresas autuadas nas importações, não há como afastar a responsabilidade nas operações  realizadas.   Os  fatos  apurados no  trabalho  fiscal  foram detalhados no voto  condutor  do  Acórdão guerreado, conforme trechos transcritos abaixo.    Pelas  informações  apuradas  pela  Fiscalização,  resta  evidente  que  a  Portes  realizava  serviços  de  importação  para  terceiros,  conforme  sua  própria  informação  e  estava  realizando importações em que se declarava como real adquirente das mercadorias.  Diante  destes  fatos,  a  fiscalização  procedeu  uma  análise  detalhada  das  operações  realizadas  pela Portes  identificando que  parte  das  suas  importações  tiveram  como  destino final a RXM, que era na verdade a real proprietária das mercadorias. As informações  levantadas no  trabalho  fiscal  foram bem detalhadas no voto condutor da decisão da primeira  instância, que peço vênia para transcrever trechos, que entendo comprovar o envolvimento da  RXM na operação.(fls. 1085 a 1087)     Fl. 1248DF CARF MF   4   Da apresentação à fiscalização de pedidos de compra falsos pela  PORTES em relação à DI nº 12/0171271­0, objeto do litígio  Em relação à DI nº 12/0171271­0 (fls. 200­204), registrada em  27/01/2012, a PORTES procedeu à importação de 22.000 kg de  carne  bovina,  retida  com  a  instauração  do  procedimento  especial  (art.  5º  da  IN  RFB  nº  1169/2011)  e  posteriormente  entregue  ao  importador  (desembaraçada  em  24/04/2012)  mediante  apresentação  de  garantia  na  modalidade  Carta  de  Fiança  (art.  7º  da  IN  SRF  nº  228/2002).  O  objeto  do  procedimento  foi a análise da regularidade da citada operação  de  importação,  adotando  como  referencial  comparativo  a  operação de importação anterior (DI nº 11/2378033­3).  Intimada  (fls.  442)  a  apresentar  cópia  dos  pedidos  de  compra  relativos  à  carne  importada  através  da DI  nº  12/0171271­0,  a  PORTES, em sua resposta (fls. 443­444), enviou três pedidos de  compra,  que  correspondem  à  totalidade  da  carne  importada:  empresa  WEW  (5.500  Kg  –  fl.  451),  empresa  KEMP  FOODS  (11.000 Kg – fl. 452), e empresa MICHI FOODS (5.500 Kg – fl.  453).  Em  resposta  a  intimação  anterior,  em  que  solicitada  a  discriminação  de  fornecedores,  a  PORTES  omitiu  que  havia  negociação  em  andamento  com  as  três  empresas  citadas.  Entretanto,  intimadas  (fls.  754,  781  e  795),  essas  empresas  negaram a autenticidade desses pedidos (fls. 737, 786 e 798).  Presume­se,  então,  a  falsidade  de  todos  os  pedidos  de  compra  apresentados pela PORTES, o que indica o intuito de ocultar o  real comprador e sujeito passivo da operação, por meio de uma  simulação, a exemplo do que ocorreu com a DI nº 11/2378033­3.  Da existência de Nota Fiscal Eletrônica de simples faturamento,  para  venda  futura  à  RXM,  emitida  pela  PORTES  antes  do  registro da DI nº 12/0171271­0.  Foi  detectada,  em pesquisa  sobre  as Notas Fiscais  Eletrônicas  emitidas pela empresa PORTES, no dia 17/01/2012, ou seja, dez  dias antes do registro da DI nº 12/0171271­0, a emissão de uma  nota  fiscal  de  simples  faturamento  contra  a  RXM  ­  a  NFe  nº  4831  (fls.  865­867),  correspondente  a  50%  das  mesmas  mercadorias objeto dessa importação.  A NF totalizou 11, e a importação, 22 toneladas. As quantidades  de cada produto e o total (22 TON) de mercadorias importadas  consta  da  nota  fiscal  de  entrada  (NFe  nº  5001  –  fls.  875­876)  emitida pela PORTES em 25/04/2012.  No  campo  “Natureza  da  Operação”  da  referida  NFe,  consta:  “SIMPLES  FAT  DEC  VENDA  P/  ENTR  FUTURA  –  ITAJAI”.  Pode­se  entender  isso  como  sendo  mais  um  indício  de  que  a  PORTES  realmente  intentava  ocultar  o  comprador  das  mercadorias (a RXM).  Do  destino  final  constante  da  fatura  proforma  relativo  às  mercadorias importadas através da DI nº 12/0171271­0.  À fl. 860, consta a fatura proforma nº 5053 (transcrita no Termo  de  Verificação,  à  fl.  916),  a  qual  foi  emitida  pela  CIBUS  Southamerica  S/A,  em  21/12/2011,  exportadora  das  carnes  importadas  através  da DI  nº  12/0171271­0.  Conforme  descrito  na  proforma,  o  destino  final  da  mercadoria  é  CAJAMAR­SP,  com reinspeção pelo MAPA em Itajaí­SC.  Verifica­se,  então,  que  não  era  Itajaí­SC  (município  do  importador) o destino final das mercadorias. O destino final era  CAJAMAR­SP  desde  a  data  do  pedido  ao  exportador,  em  Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 11051.720039/2012­18  Acórdão n.º 3201­003.615  S3­C2T1  Fl. 4          5 dezembro  de  2011.  E,  como  se  verifica  na  ficha  de  cadastro,  copiada  à  fl.  915,  quem  está  estabelecida  na  cidade  de  CAJAMAR­SP  é  a  MICHI  FOODS,  empresa  utilizada  (terceirizada)  pela  RXM  para  armazenagem  de  suas  mercadorias, conforme contrato apresentado pela própria RXM  (fl. 620).  Assim,  esse  é mais um  indício que aponta da direção de que a  PORTES  intentava  ocultar  o  comprador  das  mercadorias,  previamente  encomendadas,  não  se  tratando,  de  fato,  de  uma  importação por conta própria da PORTES.  Da existência de mais duas Notas Fiscais Eletrônicas de simples  faturamento, para venda futura, emitida pela PORTES relativas  à DI nº 12/0171271­0.  No dia  27/01/2012,  data  do  registro  da DI  nº  12/0171271­0,  a  PORTES emitiu mais duas NFe de simples faturamento, sendo a  NFe nº 4842 (fls. 868­870) contra a PIRCO e a NFe n° 4843 (fls.  871­873) contra a RXM, ambas correspondentes a 11.000 kg de  carne bovina cada (PICANHA FRIAR). A soma da quantidade de  mercadoria  faturada  contra  as  duas  empresas  coincide  com  o  total da mercadoria importada por meio da DI n° 12/0171271­0,  ou seja, 22.000 kg.  Em pesquisa  nos  sistemas  da  RFB  se  verificou  que  a PORTES  não  realizou nenhuma outra  importação de carne bovina, além  das  importações  de  dezembro/2011  e  janeiro/2012.  Com  a  finalidade de verificar o que motivou ou fundamentou a emissão  das NFe nº 4842 e 4843, de simples faturamento, uma vez que o  total  das  mercadorias  dessas  duas  notas  é  o  mesmo  da  DI  nº  12/0171271­0, a PORTES foi intimada (fl. 596), em 19/06/2012,  a respeito disso.  Em resposta (fls. 597), a PORTES informou que as notas fiscais  citadas não tinham referência com a DI n° 12/0171271­0, tendo  ela  realizado  uma  outra  importação,  amparada  pela  DI  nº  12/0117784­1. A PORTES respondeu, ainda:  “Neste  contexto,  na  época  dos  fatos  foi  realizada  a  venda  das  mercadorias  no  mercado  interno,  mas  os  clientes  nacionais  DESISTIRAM  de  comprar  a  mercadoria,  pois  a  PORTES  não  conseguiu  cumprir  a  data  de  entrega,  razão  pela  qual  houve  cancelamento da operação”.  Cabe destacar que, conforme tela do Siscomex (fl. 600) a citada  DI nº 12/0117784­1 não existe. A afirmação da PORTES de que  “na  época  dos  fatos”,  ou  seja,  em  janeiro  de  2012,  “foi  realizada  a  venda  das  mercadorias  no mercado  interno”  pode  ser  entendida  como  uma  confissão  de  que  as  mercadorias  estavam  realmente  encomendadas  pela  RXM,  mas  a  PORTES  ocultou essa informação no momento do registro da declaração,  descumprindo  as  normas  vigentes  para  esse  tipo  de  operação,  que era, de fato, como apontam os indícios, IMPORTAÇÃO POR  ENCOMENDA.  Na  verdade,  as  mercadorias  não  foram  entregues  no  prazo  por  terem  sido  apreendidas  por  conta  do  procedimento  especial  de  fiscalização,  tendo  sido  desembaraçadas apenas em 24/04/2012, mediante apresentação  de garantia (CARTA FIANÇA).  Fl. 1250DF CARF MF   6 Ora,  o  procedimento  de  emissão  de  notas  fiscais  de  simples  faturamento  foi  utilizado  para  a  importação  anterior  ­  operação."        A  apuração  dos  fatos,  conforme  relatado  alhures  comprovam  de  forma  inequívoca  o  conhecimento  e  o  envolvimento  das  RXM  na  fraude  perpetrada  aos  controles  aduaneiros.  A  comprovação  que  a  PORTES  BR  realizou  operações  encobrindo  a  real  adquirente RXM resta, ao meu sentir, plenamente comprovada nos autos, respondendo a RXM  de  forma  solidária  nas  exigências  constantes  do  lançamento  fiscal  controlado  no  presente  processo.  Firme  neste  entendimento  deve­se  aplicar  as  determinações  expressas  do  artigo 95, inciso I e V, do Decreto­lei nº 37/66, que responsabiliza o adquirente de mercadoria  de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem.   " Art.95 ­ Respondem pela infração:   I  ­  conjunta  ou  isoladamente,  quem  quer  que,  de  qualquer  forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie;   II ­ conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário  do  veículo,  quanto  à  que  decorrer  do  exercício  de  atividade  própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes;   III ­ o comandante ou condutor de veículo nos casos do  inciso  anterior,  quando  o  veículo  proceder  do  exterior  sem  estar  consignada a  pessoa  natural  ou  jurídica  estabelecida  no  ponto  de destino;   IV  ­  a  pessoa  natural  ou  jurídica,  em  razão  do  despacho  que  promover, de qualquer mercadoria.   V ­ conjunta ou  isoladamente,  o adquirente de mercadoria de  procedência  estrangeira, no  caso  da  importação  realizada  por  sua  conta  e  ordem,  por  intermédio  de  pessoa  jurídica  importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158­35, de  2001)(grifo nosso)   VI ­ conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado  que  adquire  mercadoria  de  procedência  estrangeira  de  pessoa  jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006)  Diante do exposto voto no sentido de conhecer  e acolher os embargos para  enfrentar  a  omissão  e manter  a  responsabilidade  solidária  da RXM  importação  e  exportação  Ltda.    Winderley Morais Pereira               Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 11051.720039/2012­18  Acórdão n.º 3201­003.615  S3­C2T1  Fl. 5          7                 Fl. 1252DF CARF MF

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7261418 #
Numero do processo: 10140.720487/2010-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 NORMAS PROCEDIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Tendo em vista que o crédito principal, constante deste mesmo processo, foi totalmente exonerado, não há interesse recursal no cômputo de multas.
Numero da decisão: 9202-006.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1420; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 826          1 825  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10140.720487/2010­80  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­006.689  –  2ª Turma   Sessão de  17 de abril de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  SERVAN ANESTESIOLOGIA DE CAMPO GRANDE S/S    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007  NORMAS  PROCEDIMENTAIS.  RECURSO  ESPECIAL  AUSÊNCIA  DE  INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO.  Tendo em vista que o crédito principal, constante deste mesmo processo, foi  totalmente exonerado, não há interesse recursal no cômputo de multas.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do Recurso Especial.  (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Presidente em exercício  (assinado digitalmente)  Patrícia da Silva ­ Relatora  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Elaine  Cristina  Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes,  Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza  Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).           AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 04 87 /2 01 0- 80 Fl. 826DF CARF MF     2 Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  de  Divergência,  ,  interposto  pela  Fazenda  Nacional em face da decisão da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento  do CARF, consubstanciada do Acórdão n° 2301­02.905, sessão de 21 de junho de 2012:  Assunto:  Contribuições  Previdenciárias  Período  de  Apuração:  01/01/2006 a 31/12/2007   CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  REMUNERAÇÃO  DOS  SÓCIOS.  PRÓ­LABORE  E  DISTRIBUIÇÃO  DE  LUCROS.  NECESSIDADE DISCRIMINAÇÃO.   As  remunerações  por  pró­labore  e  participação  nos  resultados  devem  restar  cabalmente  discriminadas,  de maneira  a  evitar  a  evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total  dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º  do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social.   No caso, a discriminação ocorreu, não havendo que se falara em  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  a  parcela  referente a lucros.   ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA.   IMPOSSIBILIDADE  DE  APRECIAÇÃO.  EXACERBAÇÃO  DE  COMPETENCIA.SÚMULA 02 DO CARF.  A  tentativa  do  contribuinte  de  afastar  a  aplicação da multa  no  caso  em  comento  encontra  seu  fundamento  no  caráter  confiscatório  da  multa,  o  que  seria  vedado  pela  Constituição  Federal.  Reconhecer  a  existência  de  confisco  é  o  mesmo  que  reconhecer  a  inconstitucionalidade  da  sua  incidência.  A  apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo  exacerba  sua  competência  originária  que  é  a  de  órgão  revisor  dos  atos  praticados  pela  Administração,  bem  como  invade  competência  atribuída  especificamente  ao  Judiciário  pela  Constituição  Federal.  Incidência  da  Súmula  02  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais.   JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA  DE TRIBUTOS.   Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível  a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  com  Processo  nº  10140.720487/201080 Acórdão n.º 2301 002.905 S2C3T1 Fl. 22  base  na  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia Selic para títulos federais.   MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.   O  não  pagamento  de  contribuição  previdenciária  constituía,  antes  do  advento  da  Lei  nº  11.941/2009,  descumprimento  de  obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da  Lei nº 8.212/1991.   Fl. 827DF CARF MF Processo nº 10140.720487/2010­80  Acórdão n.º 9202­006.689  CSRF­T2  Fl. 827          3 Revogado  o  referido  dispositivo  e  introduzida  nova  disciplina  pela  Lei  11.941/2009,  devem  ser  comparadas  as  penalidades  anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei  nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que  esta  seja  aplicada  retroativamente,  caso  seja mais  benéfica  ao  contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).   Não  há  que  se  falar  na  aplicação  do  art.  35A  da  Lei  nº  8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já  que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na  sistemática  anterior  à  edição  da MP  449/2008,  somente  sendo  possível  à  comparação  com multas  de mesma  natureza.  Assim,  deverão ser  cotejadas as penalidades da  redação anterior  e da  atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.  Na origem,  trata­se de Auto de Infração ­ DEBCAD 37.272756­5, exigindo  contribuições  previdenciárias  incidente  sobre  a  remuneração  paga  aos  seus  sócios,  correspondentes à rubrica Contribuinte Individual ­ patronal.  O Acórdão  recorrido deu provimento ao  recurso voluntário para  exonerar a  integralidade do crédito tributário, entretanto consignou (a despeito da inexistência do crédito  tributário) a aplicação da retroatividade benigna de multa.  Interposto Recurso Especial por parte da Fazenda Nacional (e­fls. 464 a 673),  este  teve  seguimento  parcial  para  acolher  apenas  a  seguinte  divergência:  b)  retroatividade  benigna  para  aplicação  da  multa  calculada  nos  termos  do  artigo  35,  caput,  da  Lei  8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Lei  11.941/2009,  se  mais  benéfica  ao  contribuinte;  restou rejeitado o seguimento do Recurso Especial em relação à matéria: a) pró­labore.  O  Reexame  de  Admissibilidade  de  Recurso  Especial  das  e­fls.  733  e  734  confirmaram a decisão reexaminada.   Em  03/05/2016  os  autos  foram  encaminhados  ao  órgão  preparador  para  ciência e demais providências de sua alçada (e­fl. 738).  Em 25/07/2016 o órgão preparador opôs embargos de declaração (e­fl. 740),  asseverando:  O Acórdão  n.  2301­002.905­3a  Câmara  /  Ia  Turma Ordinária  (fls.626­644)  deu  provimento  ao  recurso  voluntário  para  exonerar  a  integralidade  do  crédito  tributário,  bem  como  acolhendo a aplicação da multa mais benéfica.  Ao  Recurso  Voluntário  apresentado  pela  PGFN  foi  dado  seguimento  apenas  quanto  à  discussão  da  retroatividade  de  multa mais benigna.  A questão que submetemos à apreciação desse CARF é que se a  multa é aplicada sobre o montante devido a  título de principal,  no  caso  zero,  não  haveria  objeto  para  prosseguimento  do  julgamento,  porque,  ante  a  exoneração  total  do  principal,  irrelevante qual o percentual da multa a ser aplicada.  Fl. 828DF CARF MF     4 Somente  haveria  objeto  para  processamento  do  Recurso  Especial  se  admitido  em  seus  dois  fundamentos,  ou  seja,  a  possibilidade  de  restabelecimento  do  valor  principal  e  o  percentual da multa a ser aplicada.  Desse forma, restituímos a esse CARF para apreciação.  A esta manifestação  foi  decidido  "que  a  petição  nominada de  embargos  de  declaração seja recebida como embargos inominados, e que esses não sejam admitidos", tendo  como fundamentação que:  ...busca­se,  por  meio  dos  embargos,  à  reanálise/retificação  do  Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, de  modo  que,  não  tendo  sido  admitida  a  primeira  matéria  do  Recurso  Especial  (pró­labore),  também  a  segunda  deveria  não  ser  admitida(retroatividade  benigna  para  aplicação  da  multa  calculada nos termos do artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, com a  redação  dada  pela  Lei  11.941/2009,  se  mais  benéfica  ao  contribuinte.  Porém, o Ricarf não prevê a possibilidade de juízo de retratação  no despacho do exame de admissibilidade de Recurso Especial;  ademais,  uma  vez  admitido  o Recurso Especial,  a  competência  para  se  pronunciar  sobre  as  questões  que  tiveram  seguimento  passa à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por força  do art. 67 do Ricarf.  O contribuinte apresentou tempestivamente contrarrazões pugnando pelo não  conhecimento do Recurso Especial frente a inexistência de interesse recursal.  É o relatório.    Voto             Conselheira Patrícia da Silva ­ Relatora  Pressupostos de admissibilidade:   Ficou patente no processo em análise que houve quebra da lógica recursal, no  que  tange  ao  interesse da Fazenda Nacional quando este CARF não deu segmento à matéria  relativa  à  pró­labore:  não  é  possível  aplicação  de  multa  acessória  quando  inexiste  o  débito  principal. Precisos os argumentos da Unidade Preparadora:  O Acórdão  n.  2301­002.905­3a  Câmara  /  Ia  Turma Ordinária  (fls.626­644)  deu  provimento  ao  recurso  voluntário  para  exonerar  a  integralidade  do  crédito  tributário,  bem  como  acolhendo a aplicação da multa mais benéfica.  Ao  Recurso  Voluntário  apresentado  pela  PGFN  foi  dado  seguimento  apenas  quanto  à  discussão  da  retroatividade  de  multa mais benigna.  Somente  haveria  objeto  para  processamento  do  Recurso  Especial  se  admitido  em  seus  dois  fundamentos,  ou  seja,  a  Fl. 829DF CARF MF Processo nº 10140.720487/2010­80  Acórdão n.º 9202­006.689  CSRF­T2  Fl. 828          5 possibilidade  de  restabelecimento  do  valor  principal  e  o  percentual da multa a ser aplicada  Diante  de  todo  o  exposto,  não  conheço  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional.  (assinado digitalmente)  Patrícia da Silva                            Fl. 830DF CARF MF

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