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Numero do processo: 11030.000922/2005-07
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA
RESSARCIMENTO PIS-PASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO.
A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto.
“IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada refere-se a “valor total” e não prevê qualquer exclusão.
As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e
às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 3101-000.781
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara /1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) afastar o impedimento ao uso do benefício em face da saída de produtos NT; 2) desconsiderar a vedação de se incluir na base de cálculo do crédito presumido as matérias- primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas ou de cooperativas; e 3) determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para apreciar as demais questões de mérito.Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: Valdete Aparecida Marinheiro
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PIS-PASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada refere-se a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRE/RS “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada refere se a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 3101 000781 S3C1T1 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) afastar o impedimento ao uso do benefício em face da saída de produtos NT; 2) desconsiderar a vedação de se incluir na base de cálculo do crédito presumido as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas ou de cooperativas; e 3) determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para apreciar as demais questões de mérito.Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado e Henrique Pinheiro Torres. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Tarásio Campelo Borges e Vanessa Albuquerque Valente.Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Roberto Domingo. . Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 94 a 95 dos autos emanados da decisão DRJ/POA, por meio do voto do relator Carlos Alberto Donassolo, nos seguintes termos: “O estabelecimento acima qualificado formalizou pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI (CP), instituído pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, para se ressarcir das contribuições da Cofins e do PIS/PASEP, incidentes sobre as aquisições , no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, empregados na fabricação de produtos exportados durante o período de 01/07/2004 a 30/09/2004, no valor de R$ 70.546,15, conforme pedido de ressarcimento PER/DCOMP, de fls. 02 e 03. 1.1 A verificação prévia do pedido foi feita pela fiscalização que, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 09 e 10, concluiu que o requerente não teria direito ao ressarcimento pleiteado, em razão de que as exportações efetuadas pelo requerente são referentes a produtos classificados no código 7103.10.00 da TIPI, com a notação NT (não tributável) e, portanto, ditos produtos se encontram fora do campo de incidência do IPI, desatendendo a condição para a fruição do benefício fiscal, prevista no art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, ou seja, de que o produto deve ser industrializado sujeito à incidência desse imposto. Não bastasse isso, prossegue o agente fiscal, a maior parte das matériasprima adquiridas são provenientes de pessoas físicas, que não sofreram o gravame das contribuições para o Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 3101 000781 S3C1T1 Fl. 3 3 PIS/PASEP e Cofins a que o benefício fiscal visa ressarcir e, dessa forma, essas aquisições também não dariam direito ao crédito presumido. 1.2 O Delegado da DRF/Passo Fundo, acolhendo a proposição da Fiscalização, indeferiu integralmente o pedido de ressarcimento, conforme teor do Despacho Decisório, de fls. 12. 2 Regularmente intimado do Despacho Decisório referido, mas discordando daquele entendimento, o requerente apresentou a manifestação de inconformidade, de fls. 17 a 33, alegando, em síntese, o que segue: a) que realiza uma operação de beneficiamento da pedra denominada “ametista”, caracterizada como sendo uma operação típica de industrialização, uma vez que a matéria prima adquirida (ametista) passa por todo um processo de tratamento/acabamento antes de ser comercializada, operação essa caracterizada como sendo de industrialização pelo Regulamento do IPI; b) que no caso da não admissão na base de cálculo das aquisições de insumos de pessoas físicas houve ofensa ao princípio da legalidade estrita, previsto no art. 150, I, da Constituição Federal/88, de forma que a fiscalização não poderia impor restrições na composição do cálculo com base em atos infralegais, posto que tanto o conceito insculpido na Lei nº 9.363, de 1996 quanto na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, estendem o benefício para toda a cadeia produtiva e não somente para a última etapa desta. Transcreve jurisprudência administrativa em apoio à sua tese; 2.1. Finaliza, requerendo a procedência de sua manifestação de inconformidade para que seja reformado o Despacho Decisório e que se defira integralmente o crédito presumido do IPI pleiteado, acrescido de juros pela taxa Selic, desde a protocolização do pedido.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1015.452 de fls. 93 traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. Inexiste direito ao crédito presumido do IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT (nãotributado). IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Não se incluem na base de cálculo do benefício as aquisições de matérias primas de pessoas físicas, por não terem sofrido a incidência das contribuições para o PIS/PASEP e a Cofins. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 3101 000781 S3C1T1 Fl. 4 4 ABONO DE JUROS SELIC. DESCABIMENTO. Por falta de previsão legal, é incabível o abono de correção monetária e de juros Selic, aos ressarcimentos de créditos do IPI. Solicitação Indeferida “ Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF (fls.102 a 118) onde faz as mesmas alegações antes apresentadas e finalmente requer: a) a reforma do acórdão recorrido, com escopo de que seja declarado o direito integral pleiteado, relativo ao crédito presumido do IPI; b) acrescido da respectiva correção monetária e, por conseguinte, homologada a compensação tributária levada a cabo pela Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cabe destacar que o motivo principal de controvérsia no presente processo se deve ao fato da fiscalização ter considerado que os produtos exportados pelo interessado estariam classificados na TIPI com a notação “NT” (nãotributado), ou seja, são produtos que não são considerados industrializados pela legislação do IPI e, portanto, sem direito ao crédito presumido do IPI. Nesse sentido, a decisão recorrida, analisou a classificação fiscal dos produtos exportados e concluiu “... que se tratam de produtos que se encontram fora do campo de incidência do IPI, ou seja, indicação típica de produtos que não são considerados industrializados pela legislação do IPI e, por essa razão, sem direito ao crédito presumido do IPI pela legislação que trata do benefício fiscal”. Assim, não obstante, demais considerações é importante lembrar que o IPI é um imposto seletivo em virtude da essencialidade do produto, e não cumulativo conforme artigo 153 § 3º da CF/88, logo, por imposição constitucional, o IPI deve ser seletivo, não cumulativo e não poderá incidir sobre produtos industrializados, destinados ao exterior. Esses são os limites mínimos a serem respeitados pelo legislador infraconstitucional. Verificase na TIPI, que inumeros produtos ficaram sem tributação, outros tantos, reduzidos à alíquota zero, outros, ainda, tiveram isenções decretadas por leis específicas. No caso concreto, como o produto exportado está na TIPI como produto não tributado, significa que o objeto encontrase fora do campo abrangido pela tributação, isto é, é o fato de não estar contemplado na norma jurídica definidora do fato gerador da obrigação Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 3101 000781 S3C1T1 Fl. 5 5 tributária. Acontece que o fato gerador do IPI é a industrialização e a lei definiu o que seja produto industrializado (artigo 46 do CTN e art. 3º da Lei nº 4.502/64). Assim, uma tabela aprovada por mero decreto ao promover enumeração de produtos não tributados, motivados tãosomente pelo caráter da seletização gradual do imposto, não pode implicar em alteração do fato gerador, a ponto de excluir os produtos não tributados do rol de produtos industrializados, abrangidos pela definição do fato gerador do IPI. Logo, produto classificado na TIPI como NT, não significa necessáriamente tratarse de produto não industrializado. Portanto, o relevante é que a Recorrente tenha exportado produtos industrializados, ainda que esses produtos estejam classificados na TIPI como NT, nada considerável, também, que seus insumos sejam classificados como NT, pois, não estamos tratando de créditos normais de IPI, mas um crédito pressumido, uma ficção, onde as bases para sua apuração estão contempladas pela Lei 9.363/96. Também, a Recorrente pretende ver incluído no seu pedido de ressarcimento crédito referente a aquisições de pessoas físicas e cooperativa e nesse sentido discordando da decisão recorrida, corroboro com o entendimento exposto pelo nosso Presidente Dr. Henrique Pinheiros Torres no Recurso nº 201116199 da CSRF – 2º Turma nos seguintes termos: “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada referese a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.” Diante do todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO determinando afastar a exclusão na receita bruta de exportação, os produtos exportados pela Recorrente, ainda que classificados como NT na TIPI, por estar afastados do campo de tributação, mas, não afastados do fato gerador do IPI; afastar a glosa dos créditos referentes a aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de pessoa físicas e cooperativas e determinar o retorno do processo ao órgão julgador de primeira instância para análise dos demais pressupostos a garantir o crédito pleiteado. É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.000922/200507 Acórdão n.º 3101 000781 S3C1T1 Fl. 6 6 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10909.900205/2008-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
CONCOMITÂNCIA AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO COM O MESMO OBJETO EM DISCUSSÃO. PREVALÊNCIA DA ESFERA JUDICIAL SOBRE A ADMINISTRATIVA EM RESPEITO AO PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DAS DECISÕES JUDICIAIS. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A existência de ação judicial com o mesmo objeto da discussão na esfera administrativa pressupõe a sua concomitância, tendo como consequência a desistência da discussão na esfera administrativa, por respeito ao Princípio da Supremacia das Decisões Judiciais, estabelecendo a prevalência da esfera judicial sobre a esfera administrativa.
Diante desta concomitância aplica-se ao caso a Súmula CARF nº 1, a qual estabelece que importa renúncia ás instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3301-006.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão da concomitância.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PREVALÊNCIA DA ESFERA JUDICIAL SOBRE A ADMINISTRATIVA EM RESPEITO AO PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DAS DECISÕES JUDICIAIS. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A existência de ação judicial com o mesmo objeto da discussão na esfera administrativa pressupõe a sua concomitância, tendo como consequência a desistência da discussão na esfera administrativa, por respeito ao Princípio da Supremacia das Decisões Judiciais, estabelecendo a prevalência da esfera judicial sobre a esfera administrativa. Diante desta concomitância aplicase ao caso a Súmula CARF nº 1, a qual estabelece que importa renúncia ás instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão da concomitância. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 02 05 /2 00 8- 82 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10909.900205/200882 Acórdão n.º 3301006.026 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini. Relatório Tratase de processo formalizado para o tratamento do contencioso referente á Declaração de Compensação onde se pleiteia a compensação de pagamento indevido ou a maior de contribuição não cumulativa com débitos próprios. Em análise dos pedidos transmitidos, foi emitido Despacho Decisório que não reconheceu o pleito na forma requerida. Contra esta decisão a recorrente apresentou suas razões de irresignação, via Manifestação de Inconformidade, onde discorda do critério de imputação adotado pela unidade de origem. Alega que a autoridade fiscal partiu da equivocada e ilegal premissa de que, sendo o débito em questão vencido em data anterior e tendo sido efetivada a compensação via DCOMP apenas em período posterior, haveria a incidência de multa mora sobre a compensação. Entende que, em face do artigo 138 do Código Tributário Nacional – CTN, o adimplemento de um valor já vencido, antes da instauração de procedimento de ofício e antes da declaração em DCTF, torna inaplicável a imposição da multa de mora. Junta jurisprudência e doutrina que estariam a corroborar sua tese. Decidindo a matéria impugnada, a DRJ/FLORIANÓPOLIS exarou o Acórdão nº 0715.795, que não acolheu integralmente seu pleito. Inconformado com tal decisão, o requerente apresentou Recurso Voluntário, onde traz, como razões de defesa os mesmos fundamentos e argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade dirigida á DRJ, defendendo a tese de que, havendo a transmissão da DCOMP antes da entrega da DCTF, teria ocorrido o fenômeno da Denúncia Espontânea, portanto, a multa de mora não seria devida, pois não havendo mora, não há multa. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301006.011 de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10909.900178/200848, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10909.900205/200882 Acórdão n.º 3301006.026 S3C3T1 Fl. 4 3 Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301006.011): "8. Em consulta ao eprocesso nº 10909.900105/2006 56, citado pela DRF/ITAJAÍ , encontramos, ás fls. 95/133, peças do MS nº 2008.72.08.0022084/SC, sendo que ás fls. 101/125 consta a petição inicial da ação judicial demandada e ás fls. 130/132 consta a sentença monocrática exarada pelo Juízo Federal da Seção Judiciária de Santa Catarina/ 2ª Vara Federal de Itajaí. 9. Da petição inicial extraímos os seguintes trechos ; A requerente é pessoa jurídica de direito privado, constituída nos termos e na forma da legislação comercial vigente e, consoante o que estabelece o Edital n° 005/2001, da Superintendência do Porto de Itajaí, "tem por objeto única e exclusivamente a administração e exploração do Terminal de Contêineres localizado dento da área Porto Organizado de Itajaí, compreendendo a movimentação e armazenagem de contêineres, cargas unitizadas e veículos", conforme art. 3 0 de seu Estatuto Social. Ocorre que a impetrante, no período compreendido entre janeiro de 2002 e junho de 2004, realizou diversos recolhimentos a maior/indevidamente, a titulo de PIS — códigos de arrecadação 8109 e 6912 e de COFINS — códigos de arrecadação 2172 c 5856. Os referidos pagamentos à maior/indevidos, realizados "em DARF", cuja comprovação foi reconhecida pelos próprios agentes fiscais do ente tributante, foram objeto de Despachos Decisórios que reconheceram a existência do direito creditário. Porém, com base em argumentação desprovida de fundamentação legal, a despeito de reconhecer o crédito (volume e origem), de reconhecer e tratarem de pagamentos à maior que o devido "em DARF" muito anterioreas aos vencimentos dos débitos compensados, tratou de propor a incidência de multa sob as compensações admitidas por terem sido objeto de regulares "Per/Dcomp" enviados via Internet para a Receita Federal do Brasil, em momento posterior ao vencimento dos débitos compensados. Primeiramente, assentemos que, com todo o respeito, com 'a devida vênia, é absurdo cogitar que, por exemplo, o valor da COFINS da competência jan/2002, recolhido à maior que o devido em 15/02/2002, que foi oferecido para a liquidação por compensação da competência 11/2002 de IRPJ, através da Per/Dcomp 30874.09986.231004.1.7.04 2853 em outubro de 2004, possa sofrer a imposição de "multa de mora" por que a "informação" ocorreu em 10/2004, cm relação a um débito vencido em 31/12/2002, Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10909.900205/200882 Acórdão n.º 3301006.026 S3C3T1 Fl. 5 4 sendo que o ENTE TRIBUTANTE JÁ TEVE INGRESSADO O RECURSO A MAIOR EM SEUS COFRES, PARA SEU USO E PROVEITO DESDE 15/02/2002. Mora de quem? …………………………………………………. Além de serem constituídos duas vezes de oficio, os referidos débitos não poderiam ser lançados antes mesmo da própria formalização do Despacho Decisório que propôs sua existência !!! Qual seria a fundamentação legal e/ou motivação técnica pará a realização de tal procedimento mediúnico, onde o débito é constituído antes de ser formalizado? Nesse sentido, mister se faz a realização do detalhamento dos processos como segue (Doc 01): 1) PA 10909.900.181/200861 — 2) PA 10909.900.168/200811 — 3) PA 10909.900.174/200860 — 4) PA 10909.900.180/200817 — 5) PA 10909.900.176/200817 — 6) PA 10909.900.170/200881 — 7) PA 10909.900.1791200892 — 8) PA 10909.900.177/200801 — 9) PA 10909.900.123/200838 — 10) PA 10909.900.105/200856 —11) PA 10909.900.184/200803 — 12) PA 10909.900.140/2008 75 — 13) PA 10909.900.182/200814 — 14) PA 10909.900.165/200879 — 15) PA 10909.900.169/2008 57 16) PA 10909.900.183/200851 — 17) PA 10909.900.178/200851 — pagamento à maior de PIS nãocumulativo em 15/05/2003 — suposto valor devido de IRPJ (2362) — 08/2003 — vencido em 30/09/2003 original de R$ 13.535 13 e IRPJ (2362) — 09/2003 — vencido em 31/10/2003 original de R$ 1.877,32 — Total de R$ 15.412 45 ciente em 0S/05/2008 impugnado em 04/06/2008 Exigibilidade Suspensa Nova cobrança PA 10909.900.356/200831 — criado do nada em 04/04/2008 — não foi dado ciência ao contribuinte — lançado indevidamente na conta corrente do contribuinte como "Débito SIEÉ" o mesmo valor de IRPJ (2362) — 08/2003 — original de R$ 13.535,13 e, IRPJ (2362)] 09/2003 original de R$ 1.877 32 — Total de R$ 15.412 45. 18) PA 10909.900.145/200860 …………………………………………………………… …………………. IV. DO PEDIDO Demonstrado o direito líquido e certo da impetrante, e a possibilidade de sofrer violação desses direitos, requer: Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10909.900205/200882 Acórdão n.º 3301006.026 S3C3T1 Fl. 6 5 • a) a concessão de liminar inaudita altera pars, • determinando a autoridade coatora, no caso o Delegado da Receita Federal em Itajai — SC, que se abstenha de promover qualquer procedimento, no sentido de promover a cobrança de valores cuja exigibilidade encontrase suspensa por impugnaçao administrativa em Manifestações de Inconformidade, ou de promover atos à inscrição de divida ativa da impetrante e mesmo a sua inscrição no CADIN, determinandose assim, a imediata emissão de Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos, vez que presentes os pressupostos delicados no art. 7° da Lei n° 1.533/51, até julgamento final do presente mandado; b) seja expedido oficio à autoridade coatora para que preste, no prazo de lei, as informações que entender cabíveis; • c) após prestadas as informações, seja ouvido o representante do Ministério Público; d) a concessão em definitivo da segurança pleiteada,reconhecendo a ilegitimidade do procedimento adotado pelo ente tribuntante para promover qualquer procedimento, no sentido de promover a cobrança de valores cuja exigibilidade encontrase suspensa por impugnação administrativa em Manifestações de Inconformidade, face às flagrantes ilegalidades sobejamente apontadas, que contrariam as prescrições legais aplicáveis a matéria. e) a concessão cm definitivo da segurança pleiteada, determinando o cancelamento dos lançamentos indevidamente administrativo pendente de julgamento, em atendimento a disposto no art. 151, III, do CTN. 12. Da sentença monocrática extraímos os trechos : Tratase de mandado de segurança postulando expedição de CND ou CPD/EN, além da declaração da impossibilidade de promoverse a cobrança de valores com exigibilidade suspensa por impugnação administrativa, bem como o cancelamento destes lançamentos fiscais. ………………………… A autoridade explicou que a impetrante teve créditos reconhecidos a seu favor, sendo que compensou estes créditos com débitos confessados (DCOMP). O sistema de processamento de dados aplicou automaticamente sistemática proporcional de quitação do débito, utilizando o crédito reconhecido para pagamento parcial do principal do débito, para pagamento parcial da multa moratória e pagamento parcial dos juros de mora. Assim, o valor do Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10909.900205/200882 Acórdão n.º 3301006.026 S3C3T1 Fl. 7 6 débito remanescente especificado, em cada um dos 53 despachos decisórios da PER/COMP, é composto de parcela remanescente do principal, da multa de mora e dos juros de mora, que não foram quitados, impedindo a aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea). Aduziu que todos os lançamentos hostilizados no writ decorrem da compensação proporcional dos valores principal, multa e juros, sendo que os novos lançamentos representam apenas a diferença encontrada a favor do Fisco, recebendo estes créditos novos números de processo administrativo. Por fim, diz que a impetrante, quando do ajuizamento, tinha outros débitos, os quais foram quitados somente em 28/07/2008 – fis. 630/642. …………………………….. 3. Dispositivo Concedo a segurança, com base no art. 138 do CTN, para anular todos os despachos decisórios emitidos contra a impetrante (relacionados na inicial e nas informações) que incluam a multa de mora (ainda que parcial) no lançamento, em face da denúncia espontânea efetuada nos débitos confessados/declarados pela impetrante através de DCOMP. Ordeno que a autoridade coatora expeça CND ou CPD EN, salvo se por outros motivos deva ser negada, na forma do art. 151,1V, do CTN. Custas na forma da Lei. Sem honorários. Espécie sujeita ao reexame necessário. Itajaí, 12 de novembro de 2008. Antonio Fernando Schenkel do Amaral e Silva Juiz Federal 13. Em pesquisa no sítio do TRF4, encontramos as seguintes informações a respeito do MS 2008.72.08.002208 4/SC: APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 2008.72.08.0022084/SC RELATORA: Des. Federal MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE APELANTE: UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO: ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10909.900205/200882 Acórdão n.º 3301006.026 S3C3T1 Fl. 8 7 APELADO: TECONVI TERMINAL DE CONTEINERES DO VALE DO ITAJAÍ ADVOGADO: Jackeline Daros Abreu de Oliveira REMETENTE: JUÍZO FEDERAL DA 02ª VF e JEF PREVIDENCIÁRIO DE ITAJÁI EMENTA TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO. PRELIMINARES REJEITADAS. CABIMENTO DE MANDADO DE SEGURNÇA. INCOMPATIBILIDADE DAS RAZÕES DO APELO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ARTIGO 138, CAPUT E PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. PRESENÇA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES. O mandado de segurança visa proteger direito líquido e certo, assim considerado aquele que pode ser reconhecido só pela leitura da documentação anexada à inicial do mandado de segurança. No caso dos autos, as alegadas irregularidades foram sobejamente detalhadas pela impetrante na peça vestibular, com amparo na farta documentação que a acompanhou. O Juízo acolheu a pretensão da empresa com base na inobservância do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da multa de mora dos débitos cobrados pelo Fisco, tendo a ré dirigido sua inconformidade dentro de tais parâmetros, de modo que as razões do recurso mostramse compatíveis em face da decisão de primeiro grau. A dívida não foi paga no vencimento (incidindo juros de mora), mas a compensação (entendase pagamento) deu se no momento em que remetida a DCOMP ao órgão fazendário. Daí não ser cabível a multa de mora em virtude da denúncia espontânea, já que nenhum procedimento administrativo fora até então instaurado. "[...] 4. Todavia, conforme ressalvou o eminente Ministro Teori Albino Zavascki no julgamento do REsp 962.379/RS, a aplicação da Súmula 360 do STJ não é absoluta. Ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, se o crédito não foi previamente declarado pelo contribuinte, podese configurar a denúncia espontânea, desde que concorram as demais hipóteses do art. 138 do Código Tributário Nacional. [...]" (STJ, AGEDAG nº 1009777, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJE 19/02/2010) As diferenças de principal e de juros de mora, apontadas pela Fazenda Nacional como impeditivo da denúncia espontânea, decorrem da indevida inclusão da multa Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10909.900205/200882 Acórdão n.º 3301006.026 S3C3T1 Fl. 9 8 moratória no montante do débito atualizado. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, em preliminar, rejeitar as teses de descabimento do mandado de segurança e de incompatibilidade das razões recursais e, no mérito, negar provimento ao apelo e à remessa oficial, nos termos do relatório, votos e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 26 de janeiro de 2011. Des. Federal MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE Relatora FASES MANDADO DE SEGURANÇA Nº 2008.72.08.0022084 (SC) Data: 30/09/2010 Tipo: SUBSTABELECIMENTO Número: 10/1223191 Peticionante: APM TERMINALS ITAJAÍ S.A. Órgão atual: SCITA02 Status: Aguardando Juntada 29/03/2011 18:10 Remessa Externa Remessa Vara de origem GUIA NR.: 110042774 ORIGEM: EXPED DESTINO: 02a VF e JEF REVIDENCIÁRIO DE ITAJAÍ 29/03/2011 18:10 Recebimento 22/03/2011 15:05 Baixa Definitiva remetido a(o) GUIA NR.: 110038005 ORIGEM: ST1 DESTINO: EXPEDIÇÃO JUDICIÁRIA E ADMINISTRATIVA 22/03/2011 15:04 Trânsito em Julgado conforme certidão constante nos autos ……………………………….. 01/12/2010 19:00 Julgamento APÓS O VOTO DA DES. FEDERAL MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE NO SENTIDO DE, EM PRELIMINAR, REJEITAR AS TESES DE DESCABIMENTO DO MANDADO DE SEGURANÇA E DE INCOMPATIBILIDADE DAS RAZÕES RECURSAIS E, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO APELO E À REMESSA OFICIAL, PEDIU VISTA O DES. FEDERAL ALVARO EDUARDO JUNQUEIRA. AGUARDA A DES. FEDERAL LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH. 19/11/2010 13:50 Pauta de Julgamentos Inclusão pelo Relator DO DIA 01.12.2010 SEQ.: 009 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10909.900205/200882 Acórdão n.º 3301006.026 S3C3T1 Fl. 10 9 ……………………………….. 19/02/2009 18:40 Distribuição Ordinária por sorteio eletrônico – n. 54310 14. Verificase, no caso presente em exame, que as razões de recurso administrativo são idênticas ás causas de pedir da ação judicial impetrada pela recorrente. 15. As razões do recurso voluntário trazem á tona a questão do adimplemento da obrigação tributária principal, por compensação, antes de ser o valor da obrigação tributária principal declarado em DCTF, mesmo que em atraso o que, no entendimento da recorrente, afastaria a mora e, por consequência, multa de mora, por aplicação do instituto da denúncia espontânea, nos moldes do artigo 138 do Código Tributário Nacional. 16. A ação judicial demandada, no caso, mandado de segurança contra ato do Delegado da Receita Federal em Itajaí/SC, qual seja despacho decisório eletrônico que homologou parcialmente a compensação declarada na Declaração de Compensação – DCOMP, transmitida pelo sistema eletrônico PER/DCOMP, da Secretaria da Receita Federal, discute o mesmo tema, tendo tifo como resultado a sentença monocrática, confirmada em acórdão do TRF4, que teve como decisão a anulação do despacho decisório emitido. 17. Portanto, clara está a coincidência dos objetos dos pedidos, tanto na esfera administrativa, como na esfera judicial. 18. Desta forma, devese obediência ao Princípio Constitucional da Supremacia das Decisões Judiciais e da Prevalência da Esfera Judicial sobre a Administrativa, ambos insculpidos no Inciso XXXV do Artigo 5ª da Constituição Federal : Art.5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: ………………………………. XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. 19. Para tanto, este CARF emitiu a Súmula nº 1 Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10909.900205/200882 Acórdão n.º 3301006.026 S3C3T1 Fl. 11 10 órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria nº 227, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Conclusão 20. Assim, diante da coincidência de objetos entre as razões de recurso administrativo apresentado e a causa de pedir das ações judiciais impetradas, caracterizada está a concomitância entre elas e a consequente renúncia á esfera administrativa. 21. Portanto, em razão da matéria em julgamento por este CARF encontrarse contida na matéria submetida á análise do Poder Judiciário, é de se aplicar ao caso concreto em exame a Súmula CARF nº 1. 22. Quanto aos efeitos da concomitância, deixase de conhecer as alegações relativas á matéria objeto das ações judiciais, cabendo á Unidade Administrativa de origem (DRF/ITAJAÍ/SC) a verificação do atual andamento das ações judiciais e os efeitos das suas decisões sobre a matéria em questão, para seu cumprimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário em razão da concomitância. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.002554/00-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1996
COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A contagem do prazo da prescrição qüinqüenal do direito à restituição de indébito tributário decorrente de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pedido foi protocolado até a data de 8 de junho de 2005, deve ser feita segundo a tese dos cinco mais cinco, cinco anos para extinção do crédito tributário pela homologação tácita e mais cinco para exercer o direito, resultando prazo total de dez anos a partir do fato gerador.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO OCORRÊNCIA
Os pedidos de compensação com créditos decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado, pendentes de apreciação, ficaram de fora do rol daqueles pedidos que foram convertidos em Declaração de Compensação (DECOMP), quando das modificações impostas pelas Leis n° 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003, no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, motivo pelo qual não há que se falar em homologação tácita nestes casos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-006.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em não reconhecer a homologação tácita dos valores objeto do pedido de compensação. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz que davam integral provimento ao recurso com base neste fundamento. Superada essa questão, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à repetição/compensação dos indébitos decorrentes dos pagamentos indevidos e/ ou maior do PIS, para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de setembro de 1989 em diante, cabendo à autoridade administrativa, caso haja, apurar os indébitos e seu montante.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Recorrente CONCRETA CONTROLE DE CONCRETO E TECNOLOGIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1996 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. A contagem do prazo da prescrição qüinqüenal do direito à restituição de indébito tributário decorrente de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pedido foi protocolado até a data de 8 de junho de 2005, deve ser feita segundo a tese “dos cinco mais cinco”, cinco anos para extinção do crédito tributário pela homologação tácita e mais cinco para exercer o direito, resultando prazo total de dez anos a partir do fato gerador. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO OCORRÊNCIA Os pedidos de compensação com créditos decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado, pendentes de apreciação, ficaram de fora do rol daqueles pedidos que foram convertidos em Declaração de Compensação (DECOMP), quando das modificações impostas pelas Leis n° 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003, no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, motivo pelo qual não há que se falar em homologação tácita nestes casos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em não reconhecer a homologação tácita dos valores objeto do pedido de compensação. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz que davam integral provimento ao recurso com base neste fundamento. Superada essa questão, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à repetição/compensação dos indébitos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 25 54 /0 0- 68 Fl. 1096DF CARF MF 2 decorrentes dos pagamentos indevidos e/ ou maior do PIS, para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de setembro de 1989 em diante, cabendo à autoridade administrativa, caso haja, apurar os indébitos e seu montante. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação entregues entre 15/03/2000 e 20/03/2001 (fls. 03, 167, 171, 365, 371, 381 e 385), referente a débitos relativos à Contribuição ao Programa de Integração Social PIS com crédito referente ao mesmo tributo. Neste processo foi pleiteado a compensação do valor indevidamente pago a titulo de PIS, em face da declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis nºs 2.445, de 29/06/1988, e 2.449, de 21/07/1988. O referido pedido, fundase em decisão proferida no Mandado de Segurança processado sob o MS nº 99.132559, protocolado em 10/09/1999. Verificase nos autos que a Recorrente obteve decisão de primeiro grau que lhe foi favorável, concessória da segurança, conforme sentença de fls. 431 a 439, em 19 de novembro de 1999. Contra esta sentença, foi interposta apelação, tanto pela Fazenda Nacional quanto pela Recorrente. Condenada a União, houve, também, remessa oficial. No julgamento dos recursos, o TRF da 1ª Região negou provimento ao recurso do impetrante e deu provimento à apelação da União e à remessa oficial, reconhecendo o direito da Recorrente a corrigir o seu crédito com base nos seguintes índices: janeiro/1989, 42,72%, abril/1990, 44,80%, e, a partir de janeiro/1996, incidência exclusiva da taxa SELIC. Foram interpostos embargos de declaração contra acórdão que julgou a apelação, sendo estes rejeitados pelo citado Tribunal (fl. 509). A Recorrente apresentou Recurso Especial contra o acórdão do TRF da 1ª Região. O referido recurso transitou em julgado em 24/09/2004 (fl. 449). Em 2005, a DRF/Salvador/BA procede ao exame do pedido de compensação da interessada e prolatou o Despacho Decisório nº 610, de 06 de junho de 2007 (fls. 908/917), em que a autoridade fiscal homologou apenas parte das compensações pretendidas, informando que o direito da contribuinte a parte dos créditos pleiteados já se extinguira, e que, portanto, descabia a homologação das compensações solicitadas relacionadas a esse crédito. Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10580.002554/0068 Acórdão n.º 3402006.416 S3C4T2 Fl. 1.097 3 Cientificada do Despacho Decisório em 27/07/2007 (fl. 920), a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, sendo essas as razões de sua defesa, em síntese: • Os pedidos de compensação protocolados a mais de cinco anos da decisão proferida no Despacho Decisório já se encontram homologados tacitamente; • O entendimento mais recente do Superior Tribunal de Justiça é de que o prazo para exercer o direito ao pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação seria de dez anos (tese dos cinco mais cinco); • O Despacho Decisório não seguiu o comando judicial, que ordenou a compensação dos créditos totais sem restrições, independente de descrição expressa do prazo. No entanto a 4ª Turma da DRJ em Salvador/BA, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, conforme ementa abaixo (fl. 1.014): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1996 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. No âmbito administrativo, o prazo decadencial do direito de pleitear restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente, inclusive no caso de declaração de inconstitucionalidade de lei, é de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário, assim entendida a data de pagamento do tributo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Os pedidos de compensação com créditos decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado, pendentes de apreciação, ficaram de fora do rol daqueles pedidos que foram convertidos em Declaração de Compensação, quando das modificações impostas pelas n° 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003, no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, motivo pelo qual não há que se falar em homologação tácita nestes casos. Solicitação Indeferida Em seu voto à fl. 1.018, a DRJ suscitou que "Como se percebe dos autos do processo, os pedidos de compensação aos quais quer imputar a homologação tácita foram entregues antes do trânsito em julgado do referido mandado de segurança. Ou seja, esses pedidos nunca se converteram em declarações de compensação. Vejase o que já ditava à época o artigo 170A do Código Tributário Nacional, artigo este incluído pela Lei Complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001: Fl. 1098DF CARF MF 4 Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial." Intimada da decisão em 26/02/2008 (fl. 1.030), apresentou às fls. 1.036/1.066, seu Recurso Voluntário em 18/03/2008 (fl. 1.094), requerendo, em síntese que: i em preliminar, solicita a suspensão da exigibilidade do débito, face o art. 151, III do CTN; ii do DIREITO à COMPENSAÇÃO: é pacifico o entendimento de que a compensação de tributos declarados inconstitucionais independe de autorização prévia ou de requerimento administrativo para a concretização do referido direito. Assim, fazendo jus ao direito que lhe assiste, a Impugnante deu inicio às compensações dos valores pagos maior a titulo de PIS, por força dos Decretos em referência, com débitos próprios perante a Fazenda; iii do PRAZO PRESCRICIONAL DECENAL: registrese que o prazo para restituição de tributos sujeito a lançamento por homologação é de dez anos, e não de cinco como aduzido pela Fiscalização como contestado em Manifestação de Inconformidade. Cita decisões do STJ; iv Do PRAZO DE CINCO ANOS PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA: impende registrar que as compensações consideradas não homologadas pela Fiscalização foram protocoladas todas em 2000, ou seja, há mais de cinco anos da data do Despacho Decisório, que foi em 04/07/2007. Nesta senda, tomando como base a legislação que regia o processo administrativo da época ou até mesmo a novel legislação, verificase que o prazo que o Fisco tem para HOMOLOGAR a compensação é de cinco anos, contados da data do pedido. v Da Interpretação equivocada da Fazenda quanto ao § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e do Art. 170A do CTN (PRINCIPIO DA IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTARIA). Esclareçase, que o parágrafo § 12°, II, letra 'd' do Art. 74 da Lei 9.430/96, assim como o Art. 170A, não se aplicam à Recorrente, posto que tais dispositivos foram acrescentados pela Lei nº 11.051, de 2004. Portanto seus efeitos são ex nunc, ou seja não pode retroagir para alcançar o ato jurídico perfeito como acontece ao caso concreto. Por fim, requer o total provimento ao presente recurso. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Waldir Navarro Bezerra 1. Da Admissibilidade do recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação regente da matéria. Assim, dele se toma conhecimento. Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10580.002554/0068 Acórdão n.º 3402006.416 S3C4T2 Fl. 1.098 5 2. Do objeto da lide Como relatado, tratase de pedido de compensação de débitos relativos à Contribuição ao Programa de Integração Social PIS com crédito referente ao mesmo tributo. Fundase, o pedido em exame, em decisão proferida no Mandado de Segurança processado sob o nº 99.132559. Na referida demanda, foi pleiteada a compensação do valor indevidamente pago a titulo de PIS, em face da declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis nºs 2.445, de 29/06/1988, e 2.449, de 21/07/1988. A referida Ação judicial transitou em julgado em 24/09/2004. Por outro lado, os Pedido de Compensação foram entregues entre 15/03/2000 e 20/03/2001 (doc. fls. 03, 167, 171, 365, 371, 381 e 385). Assim, a lide está centrada pela análise efetuado no Despacho Decisório que homologou parcialmente a compensação pleiteada, alegando que o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a DRJ decidiu no mesmo sentido, qual seja, (i) que no âmbito administrativo, o prazo decadencial do direito de pleitear restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente, inclusive no caso de declaração de inconstitucionalidade de lei, é de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário, assim entendida a data de pagamento do tributo e que (ii) os pedidos de compensação com créditos decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado, pendentes de apreciação, ficaram de fora do rol daqueles pedidos que foram convertidos em Declaração de Compensação, quando das modificações impostas pelas n° 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003, no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, motivo pelo qual não há que se falar em homologação tácita neste caso". I Preliminar de suspensão do Crédito tributário Uma vez que é efeito automático do Recurso Voluntário a suspensão da exigibilidade do crédito lançado, por força do art. 151, inciso III, do CTN, e do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, descabe qualquer providência do Órgão Julgador quanto ao pedido levado a efeito pela Recorrente nesse sentido. II Do Direito à COMPENSAÇÃO Aduz a Recorrente que "é pacifico o entendimento de que a compensação de tributos declarados inconstitucionais independe de autorização prévia ou de requerimento administrativo para a concretização do referido direito. Assim, fazendo jus ao direito que lhe assiste, a Impugnante deu inicio às compensações dos valores pagos maior a titulo de PIS, por força dos Decretos em referência, com débitos próprios perante a Fazenda". A compensação é uma das opções que os contribuintes têm como forma de extinção do crédito tributário, conforme previsão contida nos arts. 156 e 170 da Lei n° 5.172, Fl. 1100DF CARF MF 6 de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), exigindose a certeza e a liquidez dos créditos a compensar. Como se sabe, o instituto da compensação encontrase regido no art. 170 do CTN, que determina: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Conforme pode ser observado do dispositivo acima, a compensação sujeitase a duas condições: (i) a existência de previsão legal; (ii) a existência de crédito liquido e certo. A necessidade de lei autorizativa foi suprida primeiramente pela edição da Lei n° 8.383/1991, revogada pela Lei n° 9.430/1996, que se encontrava vigente quando o contribuinte ingressou com o seu pedido na esfera administrativa. Dispunha o art. 74 deste Diploma legal, em sua redação original: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de crédito a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob a sua administração. À época dos fatos aqui tratados, para disciplinar a referida lei, foi expedida a Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, alterada pela Instrução Normativa n° 73, de 1997, que, no art. 17, estabeleceu o seguinte, em relação aos pedidos oriundos de decisão judicial: Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pela IN SRF n° 73/97, de 15/09/1997) Como bem retratado no Despacho Decisório nº 610, de 2007, vislumbrase no ato normativo supra a exigência de que seja anexada ao Pedido de Compensação fundamentado em decisão judicial a cópia do inteiro teor do processo judicial, o que se vê plenamente justificado em face da necessidade de se delimitar o direito do contribuinte ante o posicionamento do órgão judicial. Como visto, é fato que o art. 170 do CTN, permitiu a compensação apenas de créditos líquidos e certos. E como apurar a certeza (identificação do objeto) e a liquidez (delimitação do "quantum") em um processo ainda desprovido de fase de liquidação? Nesses processos, conforme entendimento da jurisprudência, a certeza e a liquidez hão que ser apuradas pelo Fisco, pelo exame do conteúdo da decisão judicial e dos documentos fiscais de emissão obrigatória. E é somente a partir de então que a Declaração de Compensação, será ou não homologada pela Autoridade fiscal. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10580.002554/0068 Acórdão n.º 3402006.416 S3C4T2 Fl. 1.099 7 III Do prazo Prescricional Decenal Aduz a Recorrente que o prazo para restituição de tributos sujeito a lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, e não de 5 (cinco) como aduzido pela Fiscalização no Acórdão repelido e já contestado em Manifestação de Inconformidade. Apresenta o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, de que o prazo para exercer o direito ao pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação seria de dez anos (tese dos cinco mais cinco). Pois bem. Verificase que nas decisões judiciais acostadas aos autos, inclusive a proferida pelo Superior Tribunal de Justiça STJ (fls. 431/439 e 596/604), não ficou definido o prazo de prescrição para a restituição dos recolhimentos indicados pela empresa. Aliás, a demarcação do prazo prescricional sequer foi aventada na petição inicial (fls. 391/425), versando todo o processo sobre as questões dos juros e da correção monetária. Vejase a transcrição do pedido (fls. 424/325): "(...) Quanto o mérito, requer, uma vez notificada a Autoridade Coatora para que preste as informações de praxe, no prazo da Lei, e após ouvido o Ilustre Representante do Ministério Público: 1) A concessão da segurança definitiva, assegurando o direito da Impetrante em compensar os valores recolhidos a maior, relativos ao PIS, que foram exigidos de acordo com a sistemática prevista nos decretosleis n.° 2.445 e 2.449/88, sem se submeter às condições ilegalmente impostas pelo Impetrado, com débitos vencidos ou vincendos existentes para com este; 2) A condenação do Impetrado a se abster de praticar qualquer ato tendente a obstruir a compensação aqui assegurada, sem embargo de sua legitima função de exercer a fiscalização e o controle do procedimento efetivo da compensação; 3) Requer, ainda, seja assegurada a inclusão nesse credito: a) da correção monetária devida; b) dos expurgos inflacionários acima discriminados; c) dos juros compensatórios incidentes sobre os valores apurados mensalmente para fins de compensação, conforme o § 4.°, art. 39 da Lei n.° 9.250/95, calculados a partir de cada pagamento indevido; d) dos juros moratórios, cumulativamente, a partir do transito em julgado da respectiva decisão, no percentual de 1% ao mês (art. 167 do CTN)".(...). Destaco a seguir, o trecho reproduzido do Dispositivo da Decisão Judicial contido à fl. 439: "DISPOSITIVO Isto posto, julgo procedente em parte o pedido, para reconhecer que é direito do contribuinte efetivar a compensação pretendida, com a atualização monetária do crédito, nos termos decididos na fundamentação retro, aqui referida como se transcrita estivesse. Se os cálculos estiverem equivocados, o Fisco tem o direito de, em sua ação fiscalizadora, impugnálos e levantar as Fl. 1102DF CARF MF 8 diferenças, acaso existentes, a débito do contribuinte impetrante, abrindose a oportunidade para defesa em processo administrativo regular". Assim sendo, na ausência de manifestação dos órgãos jurisdicionais quanto prescrição, deveria ser aplicado no processo o entendimento da Administração Tributária sobre o tema, que toma por base as disposições do CTN. O referido prazo regese pelo art. 168 do CTN, c/c o art. 165 do Código Tributário Nacional. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; […]. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; [...].” Nesse diapasão, no presente caso, o Fisco entendeu que os pagamentos feitos pela Recorrente utilizandose da sistemática prevista nos Decretoslei nºs 2.445/88 e 2.449/88, ocorreram entre 1988 e 1993 e 1996 (conforme Demonstrativo de fls. 65/67). Ou seja, em 10/09/1999, data de protocolização do Mandado de Segurança perante a Justiça Federal (fl. 487), já estava extinto todo o direito à restituição relativo aos tributos recolhidos em 1988 a 1993, persistindo o direito apenas quanto ao recolhimento efetuado em 1996, período que foi deferido pelo Despacho Decisório nº 610/2007. Pois bem. No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer o que preceitua o art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (antigo CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, essa questão não mais comportaria debates. Nos termos destes dispositivos legais, o prazo de cinco anos para se verificar a prescrição do direito à repetição de indébitos tributários, no caso de pagamento indevido e/ou a maior, deveria ser contado a partir da extinção do crédito tributário pela homologação tácita. No entanto, no julgamento do RE nº 566.621/RS, que tratou da aplicação do art. 3º da Lei Complementar (LC) nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, que deu interpretação ao inciso I do art. 168 do CTN (Lei nº 5.172, de 1966), sobre a ocorrência da extinção do crédito tributário, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que aquele artigo somente se aplica às ações (pedidos) de restituição, ajuizadas (protocolados) a partir de 9 de junho de 2005. Como se vê, o Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621/RS (04/08/2011), ser aplicável o Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10580.002554/0068 Acórdão n.º 3402006.416 S3C4T2 Fl. 1.100 9 novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido Acórdão: PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RIO GRANDE DO SUL. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Assim, em face dessa decisão e do disposto no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp nº 1.012.903/RJ, para os pedidos de restituição protocolados até a data de 8 de junho de 2005, a extinção do crédito tributário, de forma tácita, se deu somente depois de decorridos 5 (cinco) anos contados a partir do respectivo fato gerador e, conequentemente, o prazo prescricional qüinqüenal para se pedir a restituição de indébito decorrente de pagamento indevido e/ ou maior deve ser contado a partir da data da extinção tácita, resultando prazo total de 10 (dez), tese “dos cinco mais cinco”, até então aplicada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). No mesmo sentido, este CARF já considerou tal dispositivo, eis a Súmula 91: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Pois bem. Neste caso, os pedidos de compensação, em discussão, foram protocolados entre 15/03/2000 e 20/03/2001 (doc. fls. 03, 167, 171, 365, 371, 381 e 385). Fl. 1104DF CARF MF 10 No entanto, no caso sob exame, o momento em que o contribuinte protocoliza o seu pedido na Justiça Federal é o marco a servir de referência para verificarse a extinção do direito à restituição (ou não), qual seja 10/09/1999. Assim, de acordo com o disposto no Recurso Extraordinário 566.621/RS (04/08/2011), o direito à restituição dos valores indevidos abrange os recolhimentos efetuados após 10/09/1989. Os pagamentos feitos pelos contribuintes utilizandose da sistemática prevista nos Decretoslei nºs 2.445/88 e 2.449/88 ocorreram entre 1988 e 1993 e 1996 (conforme Demonstrativo de fls. 65/67). Ou seja, em 10/09/1999, data de protocolização do mandado de segurança perante a Justiça Federal (fl. 487), já estava extinto todo o direito à restituição relativo aos tributos recolhidos até 10/09/1989, persistindo o direito apenas quanto ao recolhimento efetuado após esta data. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para reconhecer seu direito à repetição/compensação dos indébitos decorrentes dos pagamentos indevidos e/ ou maior do PIS, para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de setembro de 1989 em diante, cabendo à autoridade administrativa, caso haja, apurar os indébitos e seu montante. IV Da alegada Homologação Tácita (prazo de 5 anos) A Recorrente alega em seu recurso que os Pedidos de Compensação protocolados a mais de cinco anos da decisão proferida no Despacho Decisório já se encontram homologados tacitamente. Traz em sua Manifestação de Inconformidade breve apanhado da legislação que fundamenta a homologação tácita das compensações declaradas. Conforme a legislação vigente, o prazo para a homologação de compensação requerida à RFB tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de Pedido de Compensação convertido em Declaração de Compensação (DCOMP) que não seja objeto de Despacho Decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito pleiteado. Todavia, não foram convertidos em Declaração de Compensação (DCOMP) os Pedidos de Compensação de crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. Como se percebe dos autos, os Pedidos de Compensação aos quais se quer imputar a homologação tácita foram entregues antes do transito em julgado do referido Mandado de Segurança. Vejase a cronologia dos prazos: A referida Ação judicial transitou em julgado em 24/09/2004 e os Pedido de Compensação foram protocolados entre 15/03/2000 e 20/03/2001 (fls. 03, 167, 171, 365, 371, 381 e 385), ou seja, quando da entrega dos pedidos não havia decisão judicial transitado em julgado. Em suma, esses Pedidos de Compensação nunca se converteram em Declarações de Compensação. Vejase o que já ditava à época o artigo 170A do Código Tributário Nacional, artigo este incluído pela Lei Complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001: Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10580.002554/0068 Acórdão n.º 3402006.416 S3C4T2 Fl. 1.101 11 Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Grifei) Nessa mesma linha vieram as Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que alteraram o artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (...). §4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. Assim, subsumindo os fatos do presente processo às regras acima descrita, temos que os pedidos de compensação entregues pela Recorrente nas datas entre 15/03/2000 e 20/03/2001, ainda se encontravam pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 17/10/2002 (data da entrada vigência da Lei: 1/10/2002), tendo, por força do citado §4º acima reproduzido, sido convertidos em declarações de compensação (DCOMP). No entanto, no ano seguinte, foram feitas novas alterações no artigo 74 da Lei n° 9.430/96, merecendo destaque para o presente caso a do parágrafo 5º, a saber: §5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" (redação dada pelo artigo 17 da Lei n" 10.833. de 29/12/2003, conversão da MP a" 135, de 30/10/2003). Como pode se verificar, até a edição desse ato legal, portanto, não havia prazo limite para que a administração tributária homologasse os pedidos de compensação então entregues pelos contribuintes, de maneira que todo pedido entregue anteriormente a 30/10/2003 e cuja análise ou apreciação pela autoridade administrativa tenha se dado em período superior a cinco anos, contado a partir da data de sua protocolização, não pode ser considerada que tenha sido homologada tacitamente, a teor do parágrafo §5º acima reproduzido. Neste diapasão, vejase o que define o §12, do mesmo artigo 74: §12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...). II em que o crédito: (..) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; (...). (grifei) Fl. 1106DF CARF MF 12 Ressaltase que apesar de existir a previsão de conversão de Pedidos de Compensação em Declaração de Compensação (DCOMP), a própria lei já exclui desse rol as compensações que tenham por base créditos decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado, como era o caso em tela. Por fim, o entendimento que ora vimos de expor é o mesmo adotado pela própria RFB, como se pode observar da ementa da Solução de Consulta Interna Cosit nº 1, de 04/01/2006: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Homologação tácita de compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO.INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARA PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO NÃO CONVERTIDOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE EXAME DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CABIMENTO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA O NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO OBJETO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. (...) Não foram convertidos em declaração de compensação os pedidos de compensação de créditos de terceiros, “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Os pedidos de compensação não convertidos em Declaração de Compensação não estão sujeitos à homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal. (Grifei) (...). Dito isto, podese afirmar que o argumento da interessada, ainda que formulado mediante a indicação de dispositivo legal inapropriado, não procede, ou seja, aquele seu pedido de compensação entregue entre 15/03/2000 e 20/03/2001, por força de dispositivo legal não pode ser convertido em DCOMP, e portanto não foi homologado tacitamente, ainda que entre a data de sua protocolização e a data de sua apreciação tenha transcorrido o prazo de cinco anos, uma vez que a Recorrente tomou ciência do Despacho Decisório nº 610, em 21/06/2007 (fl. 918). Assim, a teor do parágrafo § 5º c/c §12, ambos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, todos os Pedidos de Compensação aqui tratados, não foram convertidos em Declaração de Compensação e, portanto, não estão sujeitos à homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela autoridade fiscal competente, uma vez que até a edição desse ato legal, não havia prazo limite para que a administração tributária homologasse os pedidos de compensação então entregues pelos contribuintes. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10580.002554/0068 Acórdão n.º 3402006.416 S3C4T2 Fl. 1.102 13 V Da aplicabilidade do art. 170A do CTN e do § 12 do art. 74 Argumenta a Recorrente quanto a interpretação equivocada da Fazenda quanto ao §12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e do Art. 170A do CTN (Princípio da Retroatividade da Lei Tributária). Esclareçase, que o parágrafo §12°, II, letra 'd' do art. 74 da Lei nº 9.430/96, assim como o art. 170A do CTN, não se aplicam à Recorrente, posto que tais dispositivos foram acrescentados pelas Leis nº 11.051, de 2004. Portanto seus efeitos são ex nunc, ou seja não pode retroagir para alcançar o ato jurídico perfeito como no caso concreto. No entanto, não assiste razão à Recorrente. O art. 170A é nitidamente norma procedimental, razão pela qual se aplica a o princípio tempus regit actum, ou seja, estando plenamente em vigor, é aplicável às compensações efetuadas, independentemente da data em que o direito creditório respectivo foi originado. Ou seja, a compensação deve ser regida pelas normas vigentes na data de sua efetivação e não pelas normas referentes à data em que o direito creditório foi adquirido. VI Dispositivo Diante todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao provimento ao Recurso Voluntário, para: i) reconhecer seu direito à repetição/compensação dos indébitos decorrentes dos pagamentos indevidos e/ ou maior do PIS, para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de setembro de 1989 em diante, cabendo à autoridade administrativa, caso haja, apurar os indébitos e seu montante, e ii) não reconhecer a homologação tácita dos valores objeto do pedido de compensação. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1108DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.903458/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1919; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.903458/201315 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401005.894 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO PIS/COFINS Recorrente BANCO ALVORADA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 34 58 /2 01 3- 15 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10580.903458/201315 Acórdão n.º 3401005.894 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de PIS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10580.903458/201315 Acórdão n.º 3401005.894 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.568. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10580.903458/201315 Acórdão n.º 3401005.894 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10580.903458/201315 Acórdão n.º 3401005.894 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10580.903458/201315 Acórdão n.º 3401005.894 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10580.903458/201315 Acórdão n.º 3401005.894 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10580.903458/201315 Acórdão n.º 3401005.894 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10580.903458/201315 Acórdão n.º 3401005.894 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 172DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.900682/2014-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2013 a 31/07/2013
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.823
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 06 82 /2 01 4- 74 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 16682.900682/201474 Acórdão n.º 3302006.823 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12088.964. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 320DF CARF MF Processo nº 16682.900682/201474 Acórdão n.º 3302006.823 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 321DF CARF MF Processo nº 16682.900682/201474 Acórdão n.º 3302006.823 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 322DF CARF MF Processo nº 16682.900682/201474 Acórdão n.º 3302006.823 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 16682.900682/201474 Acórdão n.º 3302006.823 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 324DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721046/2015-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
Embargos Declaratórios. Omissão. Cabimento.
Cabem embargos declaratórios para suprir omissão relativa a matéria sobre a qual o órgão julgador deveria se manifestar, mas não o fez.
Remuneração de Sócios, Diretores ou Administradores. Valores Mensais e Fixos. Dedutibilidade.
Serão dedutíveis na determinação do lucro real as remunerações de sócios, diretores ou administradores da empresa, desde que correspondam a valores mensais e fixos, pagos pela prestação de serviços.
Numero da decisão: 1301-003.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para, sem efeitos infringentes, eliminar a omissão apontada pela embargante e ratificar o decidido no Acórdão nº 1301-002.519.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. CABIMENTO. Cabem embargos declaratórios para suprir omissão relativa a matéria sobre a qual o órgão julgador deveria se manifestar, mas não o fez. REMUNERAÇÃO DE SÓCIOS, DIRETORES OU ADMINISTRADORES. VALORES MENSAIS E FIXOS. DEDUTIBILIDADE. Serão dedutíveis na determinação do lucro real as remunerações de sócios, diretores ou administradores da empresa, desde que correspondam a valores mensais e fixos, pagos pela prestação de serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para, sem efeitos infringentes, eliminar a omissão apontada pela embargante e ratificar o decidido no Acórdão nº 1301002.519. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 10 46 /2 01 5- 16 Fl. 2441DF CARF MF Processo nº 16327.721046/201516 Acórdão n.º 1301003.897 S1C3T1 Fl. 2.442 2 Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por BANCO BNP PARIBAS BRASIL S.A., pessoa jurídica já qualificada nos autos, em face do Acórdão nº 1301002.519, buscando suprir omissão sobre ponto acerca do qual a decisão embargada deveria ter se manifestado. Ponderou a embargante que o recurso voluntário apresentava um argumento subsidiário que não chegou a ser enfrentado pelo acórdão. O argumento principal sustentava a tese de que os diretores eram empregados e, assim, os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados, bônus, bônus diferido e gratificação, na forma da Lei nº 10.101/2000, seriam dedutíveis. Subsidiariamente, na hipótese de os diretores serem considerados como administradores (portanto, não empregados) da pessoa jurídica, alegavase que os valores pagos também deveriam ser havidos como dedutíveis, por se tratar de parte da remuneração, nos termos do caput do art. 357 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto nº 3.000/1999. Os embargos, embora alegassem omissão em duas matérias, somente nesse ponto foram admitidos pelo despacho de fls. 2.437 a 2.440, nos seguintes termos: 9. No tocante à segunda omissão, assim constou da decisão embargada: Relatório Por bem resumir a lide, adoto o relatório contido no Acórdão nº 12 82.508 proferido pela 12ª Turma da DRJ/RJO (fls. 2122/2129): [...]. O contribuinte foi cientificado em 09/12/2015 (1.927/1.928) e apresentou impugnação (fl. 1.945/1.982) em 07/01/2016, alegando em síntese: [..]. Afirma [a fiscalização, esclareço] que a participação nos lucros é paga em retribuição aos serviços prestados. Ora, se é paga em retribuição aos serviços prestados, desde logo se verifica que o fiscal busca desqualificar a participação nos lucros ou resultados para que seja tratada como remuneração. Ou a participação nos lucros ou resultados se enquadra na hipótese de não incidência prevista pela Lei nº 8.212/91, não se sujeitando à contribuição Fl. 2442DF CARF MF Processo nº 16327.721046/201516 Acórdão n.º 1301003.897 S1C3T1 Fl. 2.443 3 previdenciária e sendo dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, já que paga nos termos da Lei nº 10.101/2000 ou é considerada como remuneração, o que se admite somente a título de argumentação, sendo da mesma forma dedutível das bases do IRPJ e da CSLL. Ainda que os pagamentos realizados pelo Impugnante a título de retribuição por produtividade, como o PLR, o Bônus, o Bônus Diferido e a Gratificação aos seus empregados sejam entendidos como remuneração, o que se alega apenas a título argumentativo, é certo que tais despesas são, indubitavelmente, operacionais e, portanto, dedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, razão pela qual não poderia a Fiscalização glosálas sob o pretexto de que não teriam sido cumpridos os requisitos legais. [..]. Não sendo PLR da Lei nº 10.101/2000, nem participação nos lucros da Lei nº 6.404/76, os valores pagos só podem ser, então, parte da remuneração dos administradores prevista no caput do art. 152 da Lei nº 6.404/76. Em sendo assim, por se tratar de remuneração dos administradores tem a sua dedutibilidade assegurada pelo caput do art. 357 do RIR/99. Com relação ao bônus, bônus diferido e gratificações, o mesmo raciocínio é aplicável. [...]. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual repisa os argumentos da Impugnação e contesta os motivos que levaram a DRJ a julgar seu pedido improcedente. [...]. Voto Vencido [...]. Ademais, verificase que os pagamentos a título, bônus, bônus diferido e gratificação foram realizados sob a égide de contratos de trabalho, pagos como contraprestação do serviço prestado. Nesse sentido, transcrevo o artigo 457 da CLT, o qual dispõe: [..]. Assim, por se tratarem de remuneração, tais pagamentos são dedutíveis para fins fiscais, nos termos do caput do art. 357 do RIR/99. Portanto, entendo que a autuação fiscal deve ser cancelada nesse ponto. 10. Verificase que o Embargante vem, desde a Impugnação, esgrimindo o argumento subsidiário de que, por se tratar de remuneração, os valores pagos aos administradores seriam, de qualquer modo, dedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, não procedendo a glosa efetuada pela fiscalização. 11. Tal argumento subsidiário foi acolhido no voto vencido do acórdão embargado, sendo que o voto vencedor se manteve silente quanto a esse ponto. 12. Patente a segunda omissão apontada. Fl. 2443DF CARF MF Processo nº 16327.721046/201516 Acórdão n.º 1301003.897 S1C3T1 Fl. 2.444 4 13. Com fundamento nas razões expendidas, ADMITO, EM PARTE, os Embargos de Declaração interpostos, no que se refere à segunda omissão. Com a admissão parcial dos embargos, os autos vieram a julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Relator O escopo dos embargos declaratórios, como se percebe, é fazer com que haja apreciação de um argumento subsidiário trazido pela recorrente, suprindo, dessa forma, a omissão verificada no Acórdão nº 1301002.519. O argumento principal do recurso consistia na afirmação de que os diretores beneficiários do PLR, bônus e gratificações eram empregados da recorrente; portanto, tais valores seriam dedutíveis do lucro real. Todavia, na hipótese de os beneficiários daquelas verbas serem tidos como administradores não empregados, os valores deveriam ser considerados como remuneração e, por isso, dedutíveis do IRPJ, já que a autoridade fiscal, no entender da embargante, não teria comprovado que os valores pagos o foram a título de PLR na forma da Lei nº 6.404/1976. Assim o argumento subsidiário foi apresentado: Na remota hipótese de este E. CARF entender que a PLR, Bônus, Bônus Diferido e as Gratificações pagas aos diretores do Recorrente não seriam dedutíveis pelos motivos já expostos, há outro argumento que também afasta a exigência fiscal em questão. Com efeito, de acordo com a fiscalização, a PLR paga aos diretores da companhia não seria dedutível para fins de IRPJ e CSLL, pois, no seu entendimento, corroborado pela Turma Julgadora "a quo", estes valores representariam participação nos lucros paga nos termos do art. 152 da Lei n° 6.404/76. Quanto ao Bônus, Bônus Diferido e gratificações, entendeu que estes não seriam dedutíveis, pois teriam sido pagos a administradores, em linha com o que também concluiu a decisão recorrida. Com relação à acusação de que a PLR não teria sido paga nos termos da Lei n° 10.101/00, repisese que, como já exposto, não foi produzida pela d. Fiscalização qualquer tipo de prova demonstrando que tais valores seriam decorrentes da participação nos lucros prevista no art. 152, §§ 1o e 2o da Lei n° 6.404/76. Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 16327.721046/201516 Acórdão n.º 1301003.897 S1C3T1 Fl. 2.445 5 De fato, referido artigo traz alguns requisitos para que o pagamento tenha a natureza de participação nos lucros dos administradores, como (i) a necessidade de que o Estatuto tenha previsão de distribuição de no mínimo 25% de dividendos; (ii) que tenha ocorrido a distribuição do dividendo obrigatório mencionado no item anterior; e (iii) tal participação não poderá superar a remuneração anual dos administradores nem 10% dos lucros prevalecendo o menor desses limites. Nos autos, conforme foi mencionado, não foi feita a demonstração de que a PLR paga aos diretores teria cumprido com todos esses requisitos. E na ausência de tal comprovação, não se pode considerar que estaríamos diante de uma participação estatutária como alegou o Sr. Agente Fiscal. E não sendo PLR da Lei n° 10.101/00, nem participação nos lucros da Lei n° 6.404/76, os valores pagos só podem ser, então, parte da remuneração dos administradores prevista no caput do art. 152 da Lei n° 6.404/76. Em sendo assim, por se tratar da remuneração dos administradores tem a sua dedutibilidade assegurada pelo caput do art. 357 do RIR/99. Com relação aos Bônus, Bônus Diferido e Gratificações, o mesmo raciocínio é aplicável, já que tais valores foram pagos como contraprestação pelos serviços prestados pelos diretores do Recorrente. E se decorrem da contraprestação pelos serviços prestados, são (sic) devem ser considerados como sendo parte da remuneração prevista no caput do art. 152 da Lei n° 6.404/76, sendo, portanto, dedutíveis com base no disposto no caput do art. 357 do RIR/99. (fls. 2.218 a 2.220) Cabe frisar, de início, que foi a embargante quem afirmou que os valores pagos a seus diretores tinham a natureza de participação em lucros e resultados. A autoridade fiscal não contestou esse fato. O ponto controverso girava em torno da natureza do vínculo mantido entre os diretores e a embargante. Para a autoridade fiscal, os diretores não eram empregados, já que inexistia, no exercício de suas atividades, a subordinação jurídica necessária a caracterizar a relação de emprego. Dessa forma, não revestindo a condição de empregado, tais diretores não poderiam receber participação em lucros e resultados na forma da Lei nº 10.101/2000. Diante dessa constatação, a autoridade fiscal concluiu que, se os diretores não eram empregados e receberam participação em lucros e resultados, tais verbas só poderiam ter sido pagas nos moldes da Lei nº 6.404/1976. Consta do Relatório Fiscal: Esse dispositivo apenas faculta à Companhia que estabelecer em seu estatuto dividendo obrigatório de no mínimo 25% do lucro líquido e o atribuir aos acionistas, pagar participação nos lucros aos administradores, desde que observado o limite. A origem das participações nos lucros atribuídas aos diretores/administradores do Banco BNP Paribas é, portanto, estatutária, pois remunerações dos administradores devem ser propostas pelo Comitê de Remuneração e aprovadas pela Assembléia da CIA, conforme estabelece seu Estatuto Social consolidado de 27/04/2012 e a Lei 6404/76. Não se confunde com a participações dos empregados baseado na Lei 10.101/00 que tem como requisito objeto de negociação entre a empresa e seus empregados com a participação do sindicato da categoria , que tem como parâmetro o disposto no acordo assinado, que prevê a isenção previdenciária e dedução como despesa operacional para efeito da apuração do lucro real. Ressaltese que são os diretores estatutários que representam o Banco no Acordo Coletivo de Trabalho referente ao plano de participação nos resultados celebrado entre o sindicato de empregados e o Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 16327.721046/201516 Acórdão n.º 1301003.897 S1C3T1 Fl. 2.446 6 contribuinte. No mesmo instrumento ora se revestem de administradores quando assinam o Acordo Coletivo, ora se revestem de empregados quando se utilizam da metodologia do PLR baseado na Lei 10101/2000 para calculo de suas participações. (fl. 38) (...) Portanto, independente da existência ou não de contratos de trabalho regidos pela CLT celebrados entre a Sociedade e os membros da diretoria, esse fato não os afasta da condição de administradores da empresa durante seus mandatos. A natureza das atribuições dos diretores são de administradores, vinculados à sociedade por normas do Direito Comercial não importando, para esse fim, a qualificação a eles atribuída pelo contribuinte. Entendimento contrário ao exposto haveria clara agressão tanto às disposições legais às quais a Sociedade se sujeita (Lei n°6.404/76) ao seu próprio Estatuto Social e a legislação do Imposto de Renda, pois bastaria o registro em carteira do administrador como empregado para virar pó toda legislação referente a dedutibilidade ou não das gratificações e participações atribuídas a administradores. (fl. 39) É fácil perceber que o fundamento da autuação repousa no fato de os diretores não serem empregados da embargante; e de os valores pagos não se enquadrarem no conceito de PLR previsto na Lei nº 10.101/2000. Basta isso, para manter de pé o lançamento. Entretanto, a embargante, no argumento subsidiário, afastandose da tese inicialmente defendida de que as verbas em questão foram pagas na forma da Lei nº 10.101/2000, alega que os valores teriam a natureza de remuneração e, por conseguinte, seriam dedutíveis. Sobre a matéria, assim dispunha o Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999: Art. 357. Serão dedutíveis na determinação do lucro real as remunerações dos sócios, diretores ou administradores, titular de empresa individual e conselheiros fiscais e consultivos (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). Parágrafo único. Não serão dedutíveis na determinação do lucro real (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 43, § 1º, alíneas "b" e "d"): I as retiradas não debitadas em custos ou despesas operacionais, ou contas subsidiárias, e as que, mesmo escrituradas nessas contas, não correspondam à remuneração mensal fixa por prestação de serviços (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 43, § 1º, alíneas "b" e "d"); II as percentagens e ordenados pagos a membros das diretorias das sociedades por ações, que não residam no País. A legislação do IRPJ reconhece como dedutível a remuneração de diretores e administradores não empregados, porém exige que os valores sejam mensais e fixos. Tal exigência se destina a impedir que quantias exorbitantes e pagas de forma esporádica sejam deduzidas do lucro real a título de remuneração de administradores não empregados. Sem requisitos que exijam um mínimo de uniformidade nos pagamentos, a norma seria dotada de Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 16327.721046/201516 Acórdão n.º 1301003.897 S1C3T1 Fl. 2.447 7 tamanha elasticidade que comportaria qualquer coisa, de modo que tudo caberia no conceito de remuneração, sendo, por conseguinte, dedutível. No caso dos autos, o quadro de fls. 1.895 e 1.896 revela que os valores pagos aos dirigentes da embargante se afastam da exigência do art. 357 do RIR/1999. Portanto, não podem ser considerados como remuneração dedutível. Conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos para, sem efeitos infringentes, eliminar a omissão apontada pela embargante. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 2447DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.911697/2011-09
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
Inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3003-000.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento cumulado com declarações de compensação, cujo crédito seria decorrente de saldo credor do IPI apurado no trimestre 3º/2005, no valor de R$ 40.478,61, para a extinção de débitos, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 16 97 /2 01 1- 09 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10783.911697/201109 Acórdão n.º 3003000.219 S3C0T3 Fl. 3 2 Após processada foi exarado o Despacho Decisório (efls. 16), que parcialmente reconheceu o montante do saldo credor a ser ressarcido e, conseqüentemente, homologou apenas parte das compensações declaradas.. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alega, em apertada síntese, que a insuficiência do direito creditório reconhecido para a compensação integral dos débitos se deu em razão da falta da sua atualização pela taxa Selic, pedindo, ao final, a homologação integral da compensação após a referida atualização do crédito. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária, mediante a incidência da taxa Selic sobre os montantes pleiteados, de créditos do IPI objeto de pedido de ressarcimento. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual pleiteia a atualização monetária do crédito de IPI e colaciona jurisprudência. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme já relatado, o direito creditório pleiteado pela Recorrente relativo ao ressarcimento de credito de IPI apurado no 3º trimestre de 2005 foi integralmente deferido e as compensações vinculadas homologadas até o limite do crédito reconhecido. No entanto o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar a totalidade dos débitos informados pelo contribuinte. Alega a Recorrente que a insuficiência do direito creditório reconhecido para a compensação integral dos débitos se deu em razão da falta da sua atualização pela taxa Selic. No tocante à atualização monetária do crédito de IPI objeto do pedido de ressarcimento, como pleiteia a recorrente, inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10783.911697/201109 Acórdão n.º 3003000.219 S3C0T3 Fl. 4 3 Não obstante, esta questão foi objeto do recurso representativo da controvérsia REsp.nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, conforme ementa abaixo: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Sobre a questão, dispõe ainda a Súmula nº 411, do STJ: “É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco.” No entanto, no presente caso não se caracteriza a “resistência ilegítima”, exigida pela citado Tribunal para a atualização monetária do crédito em questão, visto que o crédito foi integralmente reconhecido, em prazo razoável, apesar de não haver disposição legal Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10783.911697/201109 Acórdão n.º 3003000.219 S3C0T3 Fl. 5 4 específica para tanto, bem como todo o entendimento aqui esposado está em consonância com aquele emanado dos tribunais superiores, proferidas na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C do CPC, não se verificando qualquer ofensa às normas ou decisões judiciais relativas à matéria. Tal entendimento é corroborado ainda pelas decisões nos acórdãos da CSRF nº 9303007.916 e 9303008.138. Desta forma, concluise que a correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal, nos termos do julgado proferido nos autos do Resp nº 1.035.847. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10600.720136/2015-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
PRONUNCIA DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 1402-003.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, que conhecia do recurso.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 PRONUNCIA DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 PRONUNCIA DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, que conhecia do recurso. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 60 0. 72 01 36 /2 01 5- 19 Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10600.720136/201519 Acórdão n.º 1402003.870 S1C4T2 Fl. 479 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Recurso Voluntário nº 0658.941 2ª Turma da DRJ/CTA, complementandoo, com as pertinentes atualizações processuais. "Em 16/12/2015, foi lavrado contra o contribuinte o Auto de Infração Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), anocalendário de 2010, a seguir discriminado: Auto de Infração do IRPJ (fls. 1174/1183) Tributo Juros de Mora (calculados até 12/2015) Multa Proporcional (75%) Total R$ 117.487,77 R$ 58.638,15 R$ 88.115,83 R$ 264.241,75 Infrações AnoCalendário Enquadramento Legal ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL INFRAÇÃO: CUSTO/DESPESA INDEDUTÍVEL 2010 Fls. 04 e 10/11 2.1. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 18/31, foram considerados como não dedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ os valores de excessos das despesas com juros apropriadas pelo contribuinte no ano calendário de 2010 em relação aos empréstimos contraídos no exterior com empresa vinculada e domiciliada em dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado, com base nas regras gerais de dedutibilidade das despesas operacionais, no artigo 25 e no artigo 139, inciso I, alínea “d” da Lei n° 12.249/2010. Da impugnação 3. Notificada pessoalmente do lançamentos em 16/12/2015 (fls. 350/351), a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal em 14/01/2016 (fls. 350/351), onde após uma breve descrição dos fatos, alega, em síntese que: 3.1. A autuação ora impugnada foi lavrada com base no artigo 25 da Lei n° 12.249/2010, conversão da MP n° 472/2009, a qual fixa o limite máximo para que despesas com juros relativos a empréstimos contraídos com empresas vinculadas no exterior em país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado possam ser consideradas dedutíveis para fins de IRPJ, no entanto, não há como se admitir a viabilidade dessa majoração por meio de Medida Provisória, vez que, conforme resguardado pelo princípio da legalidade, somente a Lei, em sentido restritivo, poderia fazêlo. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10600.720136/201519 Acórdão n.º 1402003.870 S1C4T2 Fl. 480 3 3.2. Assim, por representar clara afronta ao princípio da legalidade, artigo 150, inciso I da Constituição Federal, afirma que não merece prosperar a aplicabilidade das regras de subcapitalização que ensejaram a majoração da base de cálculo do IRPJ previstas na Medida Provisória 472/2009. 3.3. Cita doutrinas, e as ementas dos Julgamentos do STF, nos Recurso Extraordinário 564.255/RS e 232.0849/SP, que trata desse assunto, além de doutrinas. 3.4. De outro modo, ainda que se admita a viabilidade da introdução de tal dispositivo por meio de Medida Provisória, a sistemática por ele criada não poderia se aplicar ao próprio ano base de 2010, sob pena de flagrante violação ao princípio constitucional da anterioridade tributária., no caso, o artigo 25 da Lei n° 12.249/2010, somente entrou em vigor e passou a produzir efeitos na data de publicação da Medida Provisória n° 472/2009, isto é, 16 de dezembro de 2009, conforme estabelecido em seu artigo 60. 3.5. O artigo 150, inciso III, alínea "b" da Constituição Federal de 1988 estabelece o princípio da anterioridade, que restringe a cobrança de tributos no mesmo anocalendário em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, conforme se verifica, Em outras palavras, o princípio da anterioridade determina um prazo mínimo, qual seja, o próximo exercício financeiro, para o início da eficácia de Lei que institui ou majora tributo, de modo a assegurar ao contribuinte tempo hábil para preparação para pagamento. 3.6. Desta forma, comprovada a manifesta violação aos artigos 150, inciso III, alínea "b" e 62, parágrafo 2º da Constituição Federal de 1988, demonstra se infundada a autuação perpetuada face à Impugnante, devendo ser cancelado o crédito tributário ora exigido. O Acórdão de Impugnação nº 0658.941 2ª Turma da DRJ/CTA considerou a Impugnação Improcedente, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 JUROS DE EMPRÉSTIMOS PAGOS A EMPRESAS LIGADAS DO EXTERIOR. DEDUTIBILIDADE. A partir de 1º de janeiro de 2010, os juros pagos ou creditados por fonte situada no Brasil a pessoa física ou jurídica vinculada do exterior, não constituída em país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado, somente serão dedutíveis para a apuração do IRPJ quando constituírem despesa necessária à atividade da empresa e até os limites estabelecidos em lei. Inconformada com a decisão a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, em que repisa os argumentos de fato e de direito trazidos em sua impugnação. Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10600.720136/201519 Acórdão n.º 1402003.870 S1C4T2 Fl. 481 4 É o relatório. Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. Em síntese, a recorrente alega que por representar clara afronta ao princípios da legalidade e da anterioridade, dispostos respectivamente no Inciso I e III, alínea "b", do artigo 150 da Constituição Federal, não merece prosperar a aplicabilidade das regras de subcapitalização que ensejam na majoração da base de cálculo do IRPJ previstas no art. 25 da Lei nº 12.249/2010, conversão da Medida Provisória nº 472/2009. Verificase que , conforme enquadramento legal do auto de infração, os lançamentos foram realizados com base no art. 25 da Lei nº 12.249/2010, conversão da Medida Provisória nº 472/2009, in verbis: Art. 25. Sem prejuízo do disposto no art. 22 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, os juros pagos ou creditados por fonte situada no Brasil à pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou constituída no exterior, em país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado, nos termos dos arts. 24 e 24A da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, somente serão dedutíveis, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, quando se verifique constituírem despesa necessária à atividade, conforme definido pelo art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, no período de apuração, atendendo cumulativamente ao requisito de que o valor total do somatório dos endividamentos com todas as entidades situadas em país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado não seja superior a 30% (trinta por cento) do valor do patrimônio líquido da pessoa jurídica residente no Brasil. § 1º Para efeito do cálculo do total do endividamento a que se refere o caput deste artigo, serão consideradas todas as formas e prazos de financiamento, independentemente de registro do contrato no Banco Central do Brasil. § 2º Aplicase o disposto neste artigo às operações de endividamento de pessoa jurídica residente ou domiciliada no Brasil em que o avalista, fiador, procurador ou qualquer interveniente for residente ou constituído em país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado. § 3º Verificandose excesso em relação ao limite fixado no caput deste artigo, o valor dos juros relativos ao excedente será considerado despesa não necessária à atividade da empresa, conforme definido pelo art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, e não dedutível para fins do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10600.720136/201519 Acórdão n.º 1402003.870 S1C4T2 Fl. 482 5 § 4º Os valores do endividamento e do patrimônio líquido a que se refere este artigo serão apurados pela média ponderada mensal. § 5º O disposto neste artigo não se aplica às operações de captação feitas no exterior por instituições de que trata o § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, para recursos captados no exterior e utilizados em operações de repasse, nos termos definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Observase que a vigência do art. 25 da Lei nº 12.249/2010 deuse a partir de 16 de dezembro de 2009, conforme art. 139 da referida lei: Art. 139. Esta Lei entra em vigor: I na data de sua publicação, produzindo efeitos: a) a partir da regulamentação e até 31 de dezembro de 2011, em relação ao disposto nos arts. 6o a 14; b) a partir de 1o de janeiro de 2010, em relação ao disposto nos arts. 15 a 17; c) a partir de 1o de abril de 2010, em relação aos arts. 28 e 59; e d) a partir de 16 de dezembro de 2009, em relação aos demais dispositivos; (grifo nosso) II em 1o de janeiro de 2010, produzindo efeitos a partir de 1o de abril de 2010, em relação ao disposto nos arts. 48 a 58. Vêse que é evidente que o lançamento deuse com base em Lei em sentido estrito, embora a partir de conversão de medida provisória, e que a data de vigência está explicitada no próprio texto legal. Entendese que não caberia a esse colegiado afastar a aplicação ou deixar de observar a Lei nº 12.249/2010, em especial os artigos 25 e 139, sob fundamento de inconstitucionalidade, in casu os princípios de legalidade e anterioridade, conforme disposto no §1º do art. 62 do anexo I do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Nesse mesmo sentido, o Art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10600.720136/201519 Acórdão n.º 1402003.870 S1C4T2 Fl. 483 6 Confirmando o referido entendimento, citase a súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 20177691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005 Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 483DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.725188/2017-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 09/08/2012, 21/02/2013, 09/11/2015, 07/10/2016
IRPF - GANHO DE CAPITAL - ALIENAÇÃO DE AÇÕES A PRAZO. FATO GERADOR - APURAÇÃO DA DECADÊNCIA Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. Não constatada a decadência.
Súmula CARF nº 112
É nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento formalizado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada ao Fisco Federal antes da lavratura do auto de infração.
Súmula CARF nº 12
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
MERO ERRO/IMPRECISÃO TÉCNICA NA IDENTIFICAÇÃO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. INEXISTENTE.
Somente são nulos os Autos quando constatada a ocorrência do Art. 59 do Decreto n. 70.235/1972. Não se vislumbra a ocorrência de quaisquer dessas hipóteses. O mero erro ou imprecisão técnica na identificação do sujeito passivo, desde que não macule o seu direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal, não gerará nulidade por vício formal ou material do lançamento. Não há nulidade sem prejuízo.
ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO IRPF - ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO. - O ganho de capital apurado na cessão de direitos, por alienação, do usufruto está sujeito à tributação na pessoa física do usufrutuário. Ocorrendo a transmissão do usufruto e da nua-propriedade concomitantemente, isto é, em uma mesma operação, tendo como adquirente um terceiro, o usufrutuário e o nu-proprietário estão sujeitos à apuração do ganho de capital.
FIP. AUSÊNCIA DE FINALIDADE NEGOCIAL. Desprovido de finalidade negocial o Fundo de Investimento em Participação FIP, constituído por uma única investidora, com um único investimento ao qual não foi aportado qualquer investimento adicional ou ato de gestão visando seu crescimento/desenvolvimento ou saneamento e cuja permanência no FIP durou alguns dias. FIP.
DESCONSIDERAÇÃO. LEGALIDADE. É desprovida de base a acusação de que a desconsideração do FIP afronta ao princípio da legalidade, dado que foi devidamente avaliado que a interposição do FIP no lugar da autuada tratou-se de manobra para evadir tributação de ganho de capital.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. SIMULAÇÃO. DOLO. Estando comprovada a prática deliberada de simulação, portanto, estando caracterizados o dolo e sonegação, cabe a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 2301-005.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e não reconhecer a decadência, e no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos o conselheiro Wesley Rocha que dava provimento e o conselheiro Thiago Duca Amoni que dava parcial provimento para afastar a qualificação da multa.
Antônio Savio Nastureles - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Savio Nastureles (Presidente), Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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FATO GERADOR APURAÇÃO DA DECADÊNCIA Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. Não constatada a decadência. Súmula CARF nº 112 É nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento formalizado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada ao Fisco Federal antes da lavratura do auto de infração. Súmula CARF nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. MERO ERRO/IMPRECISÃO TÉCNICA NA IDENTIFICAÇÃO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. INEXISTENTE. Somente são nulos os Autos quando constatada a ocorrência do Art. 59 do Decreto n. 70.235/1972. Não se vislumbra a ocorrência de quaisquer dessas hipóteses. O mero erro ou imprecisão técnica na identificação do sujeito passivo, desde que não macule o seu direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal, não gerará nulidade por vício formal ou material do lançamento. Não há nulidade sem prejuízo. ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO IRPF ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO. O ganho de capital apurado na cessão de direitos, por alienação, do usufruto está sujeito à tributação na pessoa física do usufrutuário. Ocorrendo a transmissão do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 51 88 /2 01 7- 85 Fl. 1852DF CARF MF 2 usufruto e da nuapropriedade concomitantemente, isto é, em uma mesma operação, tendo como adquirente um terceiro, o usufrutuário e o nu proprietário estão sujeitos à apuração do ganho de capital. FIP. AUSÊNCIA DE FINALIDADE NEGOCIAL. Desprovido de finalidade negocial o Fundo de Investimento em Participação FIP, constituído por uma única investidora, com um único investimento ao qual não foi aportado qualquer investimento adicional ou ato de gestão visando seu crescimento/desenvolvimento ou saneamento e cuja permanência no FIP durou alguns dias. FIP. DESCONSIDERAÇÃO. LEGALIDADE. É desprovida de base a acusação de que a desconsideração do FIP afronta ao princípio da legalidade, dado que foi devidamente avaliado que a interposição do FIP no lugar da autuada tratouse de manobra para evadir tributação de ganho de capital. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. SIMULAÇÃO. DOLO. Estando comprovada a prática deliberada de simulação, portanto, estando caracterizados o dolo e sonegação, cabe a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e não reconhecer a decadência, e no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos o conselheiro Wesley Rocha que dava provimento e o conselheiro Thiago Duca Amoni que dava parcial provimento para afastar a qualificação da multa. Antônio Savio Nastureles Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Savio Nastureles (Presidente), Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 10380.725188/201785 Acórdão n.º 2301005.934 S2C3T1 Fl. 1.853 3 Tratase de Recurso voluntário juntado nas fls. 1538/1577 contra a decisão da DRJ, proferida pela 6ª Turma da DRJ/FOR, em 25 de outubro de 2017, Acórdão 0840.79 cuja a Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Data do fato gerador: 09/08/2012, 21/02/2013, 09/11/2015, 07/10/2016 DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. TERMO DE INÍCIO. A incidência do IRPF sobre ganhos de capital ocorre sob o regime de caixa, pelo que não se encontra decaído o lançamento fiscal cientificado ao contribuinte antes do prazo quinquenal, com termo de início na data do efetivo recebimento dos recursos alusivos à alienação. PEDIDO DE NULIDADE. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. FUNDO DE INVESTIMENTO PERTENCENTE A GRUPO EMPRESARIAL. DESCONSIDERAÇÃO. Com a desconsideração de fundo de investimento, tal entidade não se torna inválida ou inexistente, porém fica suspensa a eficácia de sua formação quanto a determinado(s) ato(s) praticado(s) pelo fundo. Nesse passo, a desconsideração do fundo de investimentos não faz retroagir a estrutura societária do grupo empresarial para o momento anterior à criação de tal fundo, pelo que o fato gerador do tributo deve ser analisado (inclusive quanto à identificação do sujeito passivo) na data de sua efetiva ocorrência, apenas retirando o fundo de investimento da citada estrutura. FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES FIP. FINALIDADE. EMPRESAS OPERACIONAIS PREVIAMENTE CONTROLADAS PELO GRUPO EMPRESARIAL ANTES DA CRIAÇÃO DO FIP. DESNECESSIDADE. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. O fundo de investimento em participações tem como finalidade precípua a realização de investimentos novos, e não a gestão profissional de investimentos antigos, assim representados por empresas operacionais que já pertenciam àquele grupo empresarial, antes da criação do FIP. No caso de FIP criado para gerir empresas operacionais previamente controladas pelo grupo empresarial, os ganhos esperados pelos cotistas do FIP seriam os mesmos que obteriam se mantivessem diretamente o controle das empresas, revelandose, assim a desnecessidade de tal FIP e sua falta de propósito negocial. DESCONSIDERAÇÃO DE FUNDOS DE INVESTIMENTO. Comprovada a interposição de fundos de investimento, com o fim exclusivo de usufruir da isenção de imposto de renda sobre o ganho de capital na venda de sociedade formalmente controlada por tais entidades, devese desconsiderar os fundos de Fl. 1854DF CARF MF 4 investimento, de modo a cobrar o tributo dos cotistas desses fundos, proprietários últimos das ações da sociedade vendida. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE FUNDOS DE INVESTIMENTO. Identificado o dolo do agente na interposição de fundos de investimento entre seus cotistas e a companhia operacional vendida, para beneficiarse de isenção de imposto de renda sobre o ganho de capital na mencionada venda, devese qualificar a multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado o afastamento da aplicação de lei, sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que a autoridade julgadora administrativa não tem competência para afastar o dispositivo legal que determina a cobrança de multa de ofício, no percentual de 150% sobre o imposto devido, nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Conforme consta do Auto de Infração de fl. 2/10, tratase de lançamento de ofício de IRPF em decorrência da omissão de rendimentos recebidos ganho de capital, durante o período apurado, que ensejou a cobrança do valor do crédito tributário na importância de R$48.369.258,73, sendo que deste valor, a quantia de R$16.295.985,53 é refere à IPRF; R$7.629.294,91 de juros de mora; R$24.443.978,29 de multa proporcional. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal (fl. 11/32), houve a constatação da infração – omissão de ganhos de capital na alienação de ações não negociadas em Bolsa de Valores, segundo à seguinte razão: Foram realizadas fiscalizações junto às pessoas físicas, membros do mesmo grupo familiar, que eram sócias da empresa holding TELLES PARTICIPAÇÕES E NEGÓCIOS S/A, CNPJ n° 02.806.215/000120. O grupo familiar utilizou um planejamento tributário abusivo, com a criação, sem propósitos negociais, de fundos de investimento, com o intuito de se eximir do pagamento do imposto devido sobre ganho de capital na venda da empresa YPIÓCA AGROINDUSTRIAL DE BEBIDAS S/A, CNPJ n° 15.209.980/000104, uma das empresas pertencentes à holding; O grupo extinguiu a empresa holding após transferir suas participações societárias para o TELLES FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES (TELLES FIP), CNPJ n° 14.769.978/000127, como forma de integralização das cotas deste, que por sua vez teve suas cotas transferidas para o ALVORADA FUNDO DE INVESTIMENTO MULTIMERCADO CRÉDITO PRIVADO (ALVORADA FIM) CNPJ n° 15.091.732/0001 01, também para fins de integralização das cotas do último; As operações societárias foram realizadas quase que concomitantemente à venda da empresa fabricante de bebidas YPIÓCA AGROINDUSTRIAL DE BEBIDAS S/A e a soma dos valores não recolhidos ultrapassa os cem milhões de reais. Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 10380.725188/201785 Acórdão n.º 2301005.934 S2C3T1 Fl. 1.854 5 Por conta do planejamento tributário abusivo, a venda das ações da YPIÓCA AGROINDUSTRIAL DE BEBIDAS S/A realizouse, então, artificial e formalmente, através do TELLES FIP, com o que se pretendeu afastar a incidência do imposto de renda devido sobre o ganho de capital obtido. Com a criação do Fundo de Investimento (TELLES FIP) e com a posterior integralização das cotas do Fundo com as ações da TELLES PARTICIPAÇÕES e, conseqüentemente, de todas as empresas do grupo, dentre elas a recémcriada e logo em seguida alienada, YPIOCA Agroindustrial de Bebidas S/A, os rendimentos provenientes de ganho de capital, decorrentes da alienação desta empresa à CINTER INTERNATIONAL BRANDS INDUSTRIA E COMERCIO LTDA, passariam a ser do Fundo (TELLES FIP) e não mais da TELLES PARTICIPAÇÕES (Holding). Considerando que os rendimentos de fundos de investimentos decorrentes de alienação, liquidação, resgate, cessão ou repactuação de títulos, aplicações financeiras e valores mobiliários são isentos de IR, nos termos do Art. 28, §10º da Lei 9.532/97, a criação da TELLES FIP (Fundo), através da extinção e transferência das quotas para integralização da TELLES PARTICIPAÇÕES (Holding) levou ao não pagamento do Ganho de Capital da venda da YPIOCA Agroindustrial de Bebidas S/A (sócia majoritária era a TELLES FIP) à CINTER INTERNATIONAL BRANDS INDUSTRIA E COMERCIO LTDA, tornandose um planejamento tributário abusivo; Assim, os ganhos decorrentes da venda da YPIOCA Agroindustrial de Bebidas S/A foram recebidos inicialmente pelo TELLES FIP, que seria o proprietário das ações, e esses recursos, correspondentes ao valor acima referido, foram repassados a título de amortização para o ALVORADA FIM, único cotista da TELLES FIP, sendo que, em ambos os casos, por se tratarem de fundos de investimento, não haveria incidência de imposto, seja sobre ganho de capital, seja sobre rendimentos do fundo decorrentes da operação de venda da empresa; Restou caracterizada a ausência do propósito negocial na integralização das cotas do TELLES FIP com as Ações da TELLES PARTICIPAÇÕES, desnudandose o real propósito da operação, qual seja, alterar os elementos constitutivos da obrigação tributária, mais particularmente o sujeito passivo, que passaria a ser o Fundo, o que, a prevalecer a pretensão dos contribuintes, e como já referido anteriormente, estaria isento de IR sobre ganho de capital. Foram, então, efetuados os lançamentos dos valores não recolhidos à Fazenda Pública desconsiderandose as operações societárias efetuadas. Nas fls. 1272/1312, a Contribuinte apresenta impugnação, na qual requer: · Erro na identificação do sujeito passivo – o lançamento ocorreu pela venda da totalidade das ações do capital social da Ypioca, realizada pela Telles FIP a empresa Cinter, sendo equivocado o entendimento que o ganho de capital foi auferido pelas PF sócias da Telles FIP e não pela empresa – o ganho de capital deveria ser apropriado à empresa Agropaulo, proprietária inicial das ações Ypiocas Bebidas, jamais às pessoas físicas; Fl. 1856DF CARF MF 6 · Nulidade – decadência – art. 150, §4º do CTN – se o FISCO desconsiderou o ato jurídico de criação do TELLES FIP, obviamente o IR recolhido sobre o ganho de capital, naquela data, obrigatoriamente, deve representar parte do recolhimento do IRPF devido na operação, utilizandose da regra do art. 150, §4º do CTN. Considerando que a formalização da negociação e consequente pagamento parcial do ganho de capital ocorreu em 25/05/2012, considerase esta a data do fato gerador, sendo que o FISCO poderia lançar o tributo até o dia 25/05/2017; · No mérito, a criação do TELLES FIP, bem como dos demais Fundos de Investimentos criados pelo Grupo TELLES fez parte de um processo de reestruturação iniciado em 1998, decorrente de um planejamento societário e sucessório. · O objetivo central desse processo de reestruturação foi prover aos membros da família Telles uma gestão profissional de suas empresas operacionais, assim como manter distante, dessas empresas, eventuais divergências pessoais entre os membros da família. · Requer a compensação do imposto pago nos valores de R$22.066.198,00 e R$4.349.999,61 com o imposto lançado. · Em relação à multa qualificada, indícios podem autorizar, quando muito, a presunção, mas não no presente caso. As presunções somente são admitidas quando previstas em lei. Em direito, à guisa de princípio maior, temse assente que a simulação, a fraude, o conluio, etc, não se presumem, devem ficar sobejamente comprovados, estreme de qualquer dúvida, o que não encontramos nos autos. · Consoante o princípio da vedação ao confisco, o RE 523471 admite como razoável apenas penalidades cujo valor não ultrapasse o limite de 30% do crédito tributário. No presente caso estamos falando de 5 (cinco) vezes esse limite. Na DRJ de fls. 1500/1526, verificase o entendimento: · Opção pelo julgamento em conjunto: os processos 10380.724638/201712, 10380.725183/201752, 10380.725184/2017 05, 10380.725185/201741, 10380.725186/201796, 10380.725188/201785 e 10380.725189/201720 referemse ao mesmo fato jurídicotributário: ganho de capital na venda da YPIÓCA BEBIDAS; · Nulidade pelo Erro na Identificação: a ineficácia que se pretende configurar ao desconsiderar os fundos de investimentos é a relativa, uma vez que deve alcançar somente o negócio jurídico que for ineficaz para o Fisco, devendo ser necessariamente eficaz para outras (o ato é válido, mas apenas sua eficácia subjetiva é limitada); · Com a desconsideração dos fundos de investimento, o TELLES FIP e o ALVORADA FIM não se tornaram inválidos ou inexistentes, porém ficou suspensa a eficácia de sua formação especificamente no Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 10380.725188/201785 Acórdão n.º 2301005.934 S2C3T1 Fl. 1.855 7 episódio da venda da totalidade das ações pertencentes à YPIÓCA BEBIDAS; · Desconsideração dos fundos de investimentos não faz retroagir a estrutura societária do grupo empresarial para o momento anterior à criação dos mencionados fundos, pelo que o fato gerador do tributo deve ser analisado (inclusive quanto à identificação do sujeito passivo) na data de sua efetiva ocorrência, apenas retirando os fundos de investimento da citada estrutura. Desconsiderar um fundo de investimento significa apenas extirpar o falso manto interposto com a sua constituição, imputandose aos cotistas a titularidade pelo ato jurídico praticado; · Como inicialmente foi desconsiderado o TELLES FIP, a venda por ele praticada foi imputada ao seu cotista único (ALVORADA FIM). Como, ato contínuo, o ALVORADA FIM também foi desconsiderado, a venda foi imputada aos seus cotistas, é dizer, aos membros da família Telles (pessoas físicas); · Decadência: para fins de contagem do prazo decadencial, a data da venda é irrelevante porque o Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, mais especificamente sobre os ganhos de capital, não obedece ao regime de competência, mas sim de caixa, ou seja, o imposto deve ser pago até o último dia útil do mês subsequente ao da percepção dos ganhos e se a venda foi a prazo, o Ganho de Capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês; · A data mais antiga de recebimento de recursos alusivos à venda de ações da YPIÓCA BEBIDAS aconteceu em 09/08/2012 e o Contribuinte foi intimado em 13/07/2017, portanto não resta decaído o débito tributário lançado. · Criação do TELLES FIP fez parte de um processo de reestruturação: não convence tal alegação, pois a finalidade central de um fundo de investimento em participações FIP se realiza por meio da aquisição de ações e de outros títulos e valores mobiliários. Como ninguém tem como objetivo adquirir algo que previamente já estava sob seu domínio, o objetivo precípuo do TELLES FIP deveria ser a realização de investimentos novos, e não a gestão profissional de investimentos antigos falta de propósito negocial; · Antes da criação do TELLES FIP, o Grupo Telles era administrado por meio de holding (TELLES PARTICIPAÇÕES) que, por isso, já cumpria esse papel de interface administrativa entre os membros da família TELLES; · Fechamento do negócio da venda da Ypioca era posterior a criação dos Fundos, o que não identifica planejamento tributário ilícito: irrelevante o argumento pois, em cada negócio efetivado pelo TELLES FIP, inclusive quanto à venda da YPIÓCA BEBIDAS, Fl. 1858DF CARF MF 8 deveria o impugnante demonstrar (e não o fez) que a citada companhia operacional teria o aspecto de um investimento novo, configurando assim em parte integrante do propósito negocial do TELLES FIP que, dessa forma, encontrarseia apto para obter a isenção de imposto de renda sobre eventual ganho de capital; · Se a venda da YPIÓCA BEBIDAS tivesse se dado por meio de outro fundo de investimento, o contribuinte teria, da mesma forma, o ônus de demonstrar que a YPIÓCA BEBIDAS teria o aspecto de um investimento novo, configurandose assim como parte integrante do propósito negocial de determinado fundo de investimento que, só assim, encontrarseia apto para obter a isenção de imposto de renda sobre eventual ganho de capital. Caso contrário, esse fundo também seria desconsiderado para apuração de tal imposto; · Fundo de investimento em participações (FIP) é um mecanismo legal para diversificar as aplicações de recursos financeiros: trata se de argumento que milita em favor da autoridade lançadora, já que no caso ora examinado o Grupo TELLES usou o TELLES FIP para controlar sociedades que eram previamente controladas pelo citado Grupo, e não para diversificar investimentos em empresas alheias. · Valores sociais da livre iniciativa (art. 1º, IV), à livre concorrência (art. 170, IV), ao princípio da legalidade (art. 5º, II), à garantia do direito de propriedade (art. 5º, XXII): Todavia, essa mesma Constituição traz também valores opostos àqueles, como o objetivo de construir uma sociedade solidária (art. 3º, I), a função social da propriedade (art. 5º, XXIII, e art. 170, III) e o princípio da capacidade contributiva (art. 145, § 1º). · Planejamento tributário ilícito mesmo pagando R$22.066.198,00 de imposto de renda, a título de ganho de capital, sem que, à época do pagamento, não havia nenhuma venda confirmada: citado pagamento referese a imposto de renda incidente sobre ganho de capital, em dezembro/ 2011, alusivo à alienação das ações da TELLES PARTICIPAÇÕES para o TELLES FIP (transferência para integralização das cotas do fundo – fls. 216/219); · Compensação de Imposto Pago: YPIÓCA BEBIDAS, objeto do ganho de capital ora sob exame, só foi criada em 29/02/2012 (dois meses depois do ganho de capital ocorrido em dezembro/2011. O objeto do ganho de capital incidiu na alienação de ações da TELLES PARTICIPAÇÕES. Os fatos tributários ora analisados ocorreram em 09/08/2012, 21/02/2013, 09/11/2015 e 07/10/2016 e consistem em ganhos de capital na alienação de ações da YPIÓCA BEBIDAS, portanto, os elementos material e temporal dos fatos geradores são distintos. · De qualquer sorte, o impugnante sequer se esforçou para demonstrar – mediante escrituração contábil devidamente suportada por documentos – que o evento de dezembro/2011 foi influenciado, pelo menos em parte, por fatos imputáveis futuramente à YPIÓCA BEBIDAS (que só foi criada em fevereiro/2012); tampouco Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 10380.725188/201785 Acórdão n.º 2301005.934 S2C3T1 Fl. 1.856 9 quantificou essa parte. Portanto, denegase o pleito do administrado para excluir, do imposto lançado, o tributo pago sobre ganho de capital ocorrido em 30/12/2011; · Entre a data de constituição dos fundos TELLES FIP e ALVORADA FIM e a data de hoje, ocorreram amortizações no ALVORADA FIM pelas pessoas físicas, o que ensejou o recolhimento de imposto de renda sobre ganho de capital, na forma da legislação vigente, no valor total de R$4.349.999,61 – requer compensação: indeferese o impugnante não explicitou o fundamento fático que determinou a alegada amortização de cotas, tampouco a norma do Regulamento que embasou sua realização. E mais importante: o impugnante não demonstrou – por meio de escrituração contábil devidamente suportada por documentos – que o fundamento da amortização de cotas do ALVORADA FIM seria a venda das ações da YPIÓCA BEBIDAS; · Multa qualificada: houve fundamentação no TVS – “conforme demonstrado ao longo deste termo, em relação à infração acima, o contribuinte promoveu e se beneficiou de um planejamento tributário abusivo, cujo objetivo foi alterar maliciosamente as características essenciais da obrigação tributária decorrente da compra e venda de ações representativas de sua participação societária na empresa Ypióca Agroindustrial de Bebidas S/A”; · Para se demonstrar o dolo do contribuinte, há que se perquirir os elementos vontade e consciência voltados para a prática do delito. Tais elementos estão demonstrados; · Da natureza confiscatória da multa qualificada: foi aplicada com fulcro no art. 44, I e §1º, da Lei nº 9.430/1996, portanto, devida. Nas fls. 1538/1577 a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário, no qual requer: · Nulidade do lançamento fiscal: erro na identificação do sujeito passivo uma vez que a pessoa física jamais foi proprietária direta das participações societárias alienadas. Houve a desconsideração dos dois Fundos criados, portando, a proprietária das participações societárias vendidas (Ypióca) era a Agropaulo Agroindustrial S/A ou então a Holding Participações S/A, mas jamais as pessoas físicas proprietárias do Fundo FIMALVORADA; · Se o posicionamento da 6ª Turma da DRJ/FO vier a ser mantido, todas e quaisquer alienações futuras de participações societárias da FIPTELLES, o sujeito passivo não será mais o fundo, mas sim, seus cotistas, fato inimaginável. Os fundos foram constituídos de forma Fl. 1860DF CARF MF 10 lícita e, por consequência, todos os atos, inclusive constituições são válidos e eficazes; · Se os fundos são obras simuladas, as participações societárias da FIP TELLES devem retornar ao status quo ante, as participações societárias deveriam retornar aos seus antigos proprietários e estes, com certeza, não são as pessoas físicas cotistas, pois a Ypióca Bebidas pertencia diretamente à Agropaulo. · Os membros da família Telles (PF) jamais foram detentores diretos do capital social da empresa alienada (Ypióca Bebidas) e tampouco da sua controladora (Agropaulo). Os membros da família Telles, antes da constituição do FIP TELLES eram controladores da Holding Telles Participações, assim, portanto, inadmissível imaginar que uma vez desconsiderada a constituição do FIP TELLES, por ter sido constituído de suposta forma ilícita, as participações societárias alienadas devam ser consideradas como de propriedade do membro da família Telles. · Cita o Parecer da PGFN n. 278/2014; · Nulidade do lançamento fiscal devido a decadência do direito de lançar com base no art. 150, § 4° do CTN levandose em consideração que o CADE aprovou a operação de compra e venda das participações acionárias em 25/05/2012 e notificação da presente autuação ocorreu somente em 13/07/2017. · Mérito: Afirma que a criação do TELLES FIP, bem como dos demais Fundos de Investimentos criados pelo Grupo TELLES fez parte de um processo de reestruturação iniciado em 1998, decorrente de um planejamento societário e sucessório. · O objetivo central desse processo de reestruturação foi prover aos membros da família Telles uma gestão profissional de suas empresas operacionais, assim como manter distante, dessas empresas, eventuais divergências pessoais entre os membros da família. · Defende que os fundos de investimentos são ferramentas cada vez mais utilizadas, não só no Brasil, mas em todo o mundo, para gerir investimentos de forma geral, não só investimentos novos. · Cita como exemplo o fundo FIPDibra que criado em 2006 fez oferta pública no mesmo ano de parte significativa das ações representativas do capital social da M. Dias Branco, não resultando em nenhuma sanção à família Dias Branco ou qualquer outra instituição ou empresa, agindo corretamente o fisco neste caso; · Descreve todo procedimento realizado em ordem cronológica, desde 1998 quando se deu início ao processo de planejamento estratégico das empresas; · Quando da criação da FIP TELLES (dezembro de 2011) a Ypióca Bebidas não existia, a empresa somente foi constituída em fevereiro Fl. 1861DF CARF MF Processo nº 10380.725188/201785 Acórdão n.º 2301005.934 S2C3T1 Fl. 1.857 11 de 2012, ainda sobre o controle societário da AGROPAULO empresa controlada pela Holding Telles Participações, que pertencia ao FIP TELLES; · A Ypióca Bebidas foi criada juntamente com outras duas empresas para segregar as atividades da AGROPAULO, ação que fazia parte do processo de planejamento estratégico do Grupo Telles. Essas duas empresas criadas em 2012 não foram negociadas até o presente momento e são controladas pela FIP TELLES; · FIP Telles vem realizando investimentos na ampliação dos negócios do Grupo Telles cujo montante alcança a cifra dos R$355.200.000,00, conforme demonstram os aumentos de capital social das empresas que compõem o Fundo – cumprindo com o objetivo da legislação que criou Fundos de Investimentos; · Não existe isenção tributária em Fundos de Investimentos: há uma antecipação de tributos no momento da subida das empresas para o FIP, como foi o caso da criação do FIP TELLES, quando se recolheu IR no valor de R$22.000.000,00 e um diferimento de tributos para o momento em que ocorrer amortizações ou resgates. · Compensação do imposto pago: afirma que a integralização da TELLES FIP foi realizada dentro da legislação vigente, inclusive com pagamento do Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital antecipadamente, assim, devese compensar o imposto pago nos valores de R$22.066.198,00 e R$4.349.999,61 com o imposto lançado; · Multa qualificada: afirma que indícios podem autorizar, quando muito, a presunção, mas não no presente caso. As presunções somente são admitidas quando previstas em lei. Em direito, à guisa de princípio maior, temse assente que a simulação, a fraude, o conluio, etc., não se presumem, devem ficar sobejamente comprovados, estreme de qualquer dúvida, o que não encontramos nos autos. · Princípio da vedação ao confisco: o RE 523471 admite como razoável apenas penalidades cujo valor não ultrapasse o limite de 30% do crédito tributário. No presente caso estamos falando de 5 (cinco) vezes esse limite. · Requer o provimento do recurso considerando improcedente a autuação ou, alternativamente que, caso mantida, seja considerado o recolhimento do imposto efetuado quando da constituição da TELLES FIP. Requer ainda a retirada da qualificação da multa e que a multa seja reduzida aos limites estipulados pelo STF. Nas fls. 1712/1787 consta das Contrarrazões da PGFN, na qual suscintamente, traz a fundamentação do Acórdão da DRJ, destacandose: Fl. 1862DF CARF MF 12 · Inocorrência de extinção do crédito pela decadência: em 25.05.2012 não ocorreu nem o fato gerador do IRPF nem, tampouco, a alienação das participações societárias: no TVF consta que 25.05.2012 corresponde à data da assinatura do contrato de compra e venda entre TELLES FIP e CINTER, entretanto, em 03.08.2012, foi assinado instrumento de Aditamento e Consolidação do Contrato de Compra e Venda (Anexo 25) e a fiscalização nota que, de acordo com as demonstrações contábeis do período competente a venda teria sido realizada em 09.08.2012 tratase de Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF tributo cujo fato gerador ocorre no momento do recebimento (art. 2º, da Lei n. 7713/88) se o pagamento ocorre a prazo o ganho de capital também ocorre a prazo e consequentemente o fato gerador se "renova" a cada parcela; · Inocorrência de erro na sujeição passiva: não houve reconhecimento de nulidade. Houve, isto sim, aplicação dos comandos dos artigos 118, I e II, 123 e 142 do CTN pela autoridade fiscalizadora no regular exercício de sua competência. Uma vez identificada, no curso do processo administrativo, a atuação irregular de pessoa jurídica ou entidade despersonalizada (sem substância econômica ou sem nenhum propósito extra tributário), a identificação do sujeito passivo pelo fisco, com a respectiva reclassificação dos rendimentos auferidos, revelase obrigatória e necessária por força dos princípios constitucionais da solidariedade (CF, art. 3º, I), a capacidade contributiva (CF, art. 145, §1º) e a isonomia (CF, art. 150, II), além dos já mencionados artigos 118, I, 142 e 149, VII, do Código Tributário Nacional. Uma vez afastados os dois fundos, os direitos de propriedade sobre as ações da YPIOCA BEBIDAS é dos quotistas dos já mencionados fundos. Destarte, devida a tributação das pessoas físicas quotistas, dentre elas a recorrente. · Artificialidade da interposição do fundo de investimento na operação apurada: criação de entidade apenas para tomar parte na operação O TELLES FIP foi criado em 22.02.2012 e as quotas da TELLES PARTICIPAÇÕES foram integralizadas em 23.04.2012. A YPIOCA BEBIDAS foi transferida para o TELLES FIP após a dissolução da TELLES PARTICIPAÇÕES em 12.05.2012. A data da assinatura do contrato de compra e venda é 25.05.2012. Verificase, portanto, que o TELLES FIP foi criado apenas 4 meses antes da alienação dos ativos da YPIOCA BEBIDAS para a CINTER; · Carta de Oferta Vinculativa apresentada pela DIAGEO em 24.10.2011: não foi o Fundo quem negociou os ativos nem, tampouco, os detinha durante a maior parte das negociações. · A criação do fundo não se deu para o fim de melhorar a gestão do empreendimento, nem para fins sucessórios, pela constatação óbvia de que tais investimentos não permaneceram sob a gestão do Fundo, mas sim foram alienados. · Não houve, em decorrência da criação do Fundo de Investimentos, qualquer mudança no controle das empresas. As pessoas físicas controladoras do Grupo TELLES, que eram as detentoras das ações Fl. 1863DF CARF MF Processo nº 10380.725188/201785 Acórdão n.º 2301005.934 S2C3T1 Fl. 1.858 13 da TELLES PARTICIPAÇÕES e, pois, indiretamente, das ações da YPIOCA BEBIDAS (e, antes ainda, das ações da AGROPAULO), passaram a deter a totalidade das quotas do ALVORADA FIM, único cotista do TELLES FIP. · Constatase que, no TELLES FIP, não há a comunhão de investidores que caracteriza os fundos de investimento. Os recursos que o integram não são oriundos da agregação de investimentos de diferentes interessados. Foi criado por pessoas da mesma família que formam um mesmo grupo econômico e que já partilham todos os ativos que foram integralizados no Fundo. Foi constituído com o objetivo de servir à reorganização de suas próprias participações societárias e não visando à comunhão de investidores para viabilizar novos investimentos; Nas fls. 1792 e ss., a Contribuinte junta Parecer sobre o caso elaborado pelo Prof. Dr. Eurico Marcos Diniz de Santi, no qual pontua o erro na identificação do sujeito passivo, erro na indicação do motivo legal e flagrante tentativa da DRJ em modificar o Auto de Infração: · A indicação das pessoas físicas sócias da Holding Telles Participações como contribuintes do imposto foi escolha inadequada do Auditor Fiscal, buscando salvar o crédito da decadência, pois se ele indicasse a TELLES Participações ou a Agropaulo, implicaria reconhecer que o fato gerador do IR teria ocorrido na extinção da Holding, em 12/05/2012, ou então, na data da alienação das ações da Ypióca Bebidas, em 25/05/2012 e, portanto, já teria decorrido o prazo decadencial de 5 anos, pois a ciência do AI se deu em 13/07/2007; · As 7 pessoas físicas nunca foram detentoras das ações da Ypióca Bebidas, sendo que a relação jurídica delas com a Ypióca surgiu através da constituição da Telles Participações em 1998 e, portanto, desconsiderar a sua constituição por alegação de fraude implica no dever de autuar a AGROPAULO, efetiva controladora inicial da empresa alienada; assim como, as 7 pessoas físicas nunca poderiam constar como sujeitos passivos, pois são apenas nusproprietárias das ações da Telles Participações, cabendo tão somente autuar os 2 usufrutuários das ações, beneficiários em última instancia do ganho de capital (Everardo e Maria Heloísa) – a DIRPF dessas 7 pessoas comprovam que não possuíam qualquer rendimento advindo da Telles Participações – sem disponibilidade econômica; · Erro na indicação do motivo legal: as 7 pessoas físicas acionistas da Telles Participações foram autuadas como contribuintes, sem enquadramento legal como responsáveis, quando só poderiam constar no polo passivo se fosse por responsabilidade, sendo indevida a utilização da legislação do IRPF, uma vez que a obrigação decorrer de pessoa jurídica a autoridade lançadora deveria indicar os dispositivos legais que atribuem a sujeição passiva por Fl. 1864DF CARF MF 14 responsabilidade aos sócios da pessoa jurídica extinta, mas não o fez, acarretando a nulidade do auto de infração; · O crédito deveria ter sido constituído com base na legislação do imposto de renda da pessoa jurídica e não na legislação do imposto de renda da pessoa física; · Inovação do acórdão da DRJ: desconsidera a venda das ações pelo Telles FIP, desconsidera a venda das ações pelo Alvorada Fim, e indica os cotistas do Alvorada Fim como beneficiários do ganho de capital e contribuintes do IR – DRJ inova ao afirmar que a desconsideração dos fundos não os torna inválidos ou inexistentes e não faz retroagir a estrutura societária para o momento anterior às suas criações, apenas ficando suspensa a eficácia de sua formação, de modo a cobrar o tributo dos cotistas do fundo; Por fim, nas fls. 1838/1846, a Contribuinte junta razões aditivas ao Recurso Voluntário, no qual requer: · Admissibilidade das razões aditivas do Recurso Voluntário, nos termos do art. 415, VI e §3º do CPC, que determina o conhecimento de ofício pelo juízo das matérias relacionadas à ausência de legitimidade das partes, ou seja, matéria de ordem pública (CARF Acórdão 9303003.834); · Nulidade. Erro na identificação do sujeito passivo. Recorrente nu proprietária das ações da holding TELLES PARTICIPAÇÕES e das cotas do FIMALVORADA e do FIPTELLES – mesmo que se admita o planejamento tributário abusivo e desconsidere as constituições dos dois Fundos, o sujeito passivo em decorrência dessas desconsiderações não poderiam ter sido as pessoas físicas ex acionistas da holding Telles Participações S/A, como entendeu a fiscalização no presente caso, tampouco os cotistas proprietárias do FIMALVORADA, como argumentou a Turma julgadora da DRJ/FOR. · Há erro na identificação do sujeito passivo do auto de infração, tendo em vista que a Recorrente não foi beneficiada pelo ganho de capital alegado pelo Fisco, já que detém apenas a nuapropriedade das cotas do FIMALVORADA (argumento da DRJ/FOR), bem como detinha unicamente a nuapropriedade das ações representativas do capital social da holding TELLES PARTICIPAÇÕES (argumento da DRF/FOR), objeto de instrumentos de doações; · As ações que a Recorrente detinha na Holding TELLES PARTICIPAÇÕES, assim como as cotas do FIMALVORADA de propriedade da Recorrente, foram recebidas por doação e gravadas com reserva de usufruto em favor dos doadores e a fiscalização tinha pleno conhecimento do usufruto quando do lançamento; · Qualquer ganho de capital apurado na alienação da YPIÓCA BEBIDAS só poderia ter como beneficiários os usufrutuários desses Fl. 1865DF CARF MF Processo nº 10380.725188/201785 Acórdão n.º 2301005.934 S2C3T1 Fl. 1.859 15 títulos patrimoniais, os quais gozam da disponibilidade econômica e jurídica dos valores recebido · Citase o Acórdão n° 1103001.123 do CARF e o Acórdão n° 9101 002.536 da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF); É o relatório. Voto Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Verificase nas fls. 1533 que a emissão da intimação do resultado do Acórdão da DRJ para a contribuinte se deu em 22/11/2017, sendo dado a leitura pela mesma no mesmo dia. O Recurso Voluntário foi apresentado em 21/12/2017, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, o que torna seu Recurso tempestivo e admissível. Conheço do Recurso e passo à análise do mérito. Mérito Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão da DRJ que decidiu pela improcedência da Impugnação, pois entendeu que o planejamento tributário realizado pela empresa da Contribuinte foi abusivo, no intuito de se omitir no recolhimento de Ganho de Capital gerado na venda de uma das empresas que compunha o Grupo da Família. Sobre as preliminares, julgo ante a seguinte razão. DECADÊNCIA Afirma a Contribuinte que houve decadência do direito do FISCO de lançar o crédito tributário, pois o fato gerador se deu quando da alienação da empresa Ypióca Bebidas, ou seja, 25/05/2012 e sua intimação se deu em 13/07/2017. Se razão a Contribuinte. Tratase de IRPF de Ganho de Capital, sendo que a venda da empresa Ypióca Bebidas se deu por pagamento parcelado. O Fato Gerador deste imposto diz respeito ao recebimento do valor pelo beneficiário, conforme comprova as jurisprudências consolidadas deste Conselho: DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, ausente dolo, fraude ou simulação, e constatandose pagamento antecipado, a decadência se opera após o decurso do prazo de cinco anos, contado do fato gerador. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. FATO GERADOR. O Imposto de Renda Pessoa Física incidente sobre ganhos de capital na alienação de bens e direitos constitui tributação definitiva, não se sujeitando ao ajuste anual, Fl. 1866DF CARF MF 16 considerandose ocorrido o fato gerador no mês do recebimento. (Acórdão nº 9900000.274 – Pleno 07 de dezembro de 2011) IRPF GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE AÇÕES A PRAZO. FATO GERADOR APURAÇÃO DA DECADÊNCIA Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. (Acórdão nº 9202003.819 08/03/2016) IRPF. GANHO DE CAPITAL. RECEBIMENTO PARCELADO DE QUOTAS DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ALIENADAS. PARCELAS INDEXADAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O termo inicial para contagem do prazo decadencial em se tratando de imposto de renda devido sobre o ganho de capital decorrente de contrato de alienação de cotas societárias a prazo e com parcelas indexadas, é o momento do recebimento de cada parcela, pois nesse momento é que se afere de forma definitiva o preço de venda que resta condicionado índice de correção monetária. Precedente. (Acórdão nº 2101002.674 21/01/2015) IRPF GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE AÇÕES A PRAZO. FATO GERADOR APURAÇÃO DA DECADÊNCIA Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. (Acórdão nº 9202003.819 – Sessão de 08 de março de 2016) GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO DE IMÓVEL. TRIBUTAÇÃO PELO REGIME DE CAIXA. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. A circunstância fática (acréscimo patrimonial) que constitui o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente de alienação a prazo de imóvel se revela em um momento concomitante ou posterior à celebração do “Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda”. O contrato regula uma situação jurídica que irá desencadear a incidência do tributo se e quando houver acréscimo patrimonial. O regime de caixa, como o próprio nome indica, privilegia o aspecto financeiro dos negócios jurídicos, de modo que os efeitos fiscais das mutações patrimoniais só serão reconhecidos quando houver a realização financeira deles. Na apuração do imposto de renda pelo regime de caixa, aplicável às pessoas físicas, somente ocorrerá o acréscimo patrimonial se houver a efetiva disponibilidade financeira. Logo, nas alienações a prazo de bens e direitos de pessoa física o fato gerador do ganho de capital ocorrerá no recebimento de cada uma das parcelas pactuadas. (Acórdão nº 2201002.928 Sessão de 18 de fevereiro de 2016) Portanto, não se vislumbra a decadência, pois o fato gerador de cada IR de ganho de capital ocorreu na data do recebimento dos valores pagos pela Cinter International Brands Indústria e Comércio LTDA, ou seja, 09/08/2012; 21/02/2013; 09/11/2015 e 07/10/2016. Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 10380.725188/201785 Acórdão n.º 2301005.934 S2C3T1 Fl. 1.860 17 Considerando que a intimação do lançamento pela Contribuinte se deu em 13/07/2017, não ocorreu a decadência de nenhum dos fatos geradores. Rejeitase a preliminar. ERRO NA INDICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO São duas as razões apontadas pelo Contribuinte como sendo erro na indicação do sujeito passivo que leva à nulidade do Auto de Infração: 1º) indevida a indicação das pessoas físicas acionistas da Telles FIP e da Alvorada Fim, pois se considerou inválida a constituição desses fundos, sendo que ao retornar o status a quo, a autuação deveria recair sobre a TELLES Participações ou a Agropaulo, proprietárias da Ypióca Bebidas; 2º) As pessoas físicas acionistas da Telles FIP e da Alvorada Fim nunca poderiam constar como sujeitos passivos, pois são apenas nusproprietárias das ações da Telles Participações, cabendo tão somente autuar os 2 usufrutuários das ações, beneficiários em última instancia do ganho de capital (Everardo e Maria Heloísa) – a DIRPF dessas 7 pessoas comprovam que não possuíam qualquer rendimento advindo da Telles Participações – sem disponibilidade econômica; Sobre as causas de nulidade do Auto de Infração, o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. determina: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula Portanto, o Auto de Infração deve conter os requisitos previstos no Art. 10, pois, caso contrário, tratase de ato nulo. Sobre o erro na identificação do Sujeito Passivo, a Jurisprudência Consolidada deste Conselho e as Súmulas determinam: MERO ERRO/IMPRECISÃO TÉCNICA NA IDENTIFICAÇÃO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. INEXISTENTE. O mero erro ou imprecisão técnica na identificação do sujeito passivo, desde que não macule o seu direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal, não gerará nulidade por vício formal ou material do lançamento. Não há Fl. 1868DF CARF MF 18 nulidade sem prejuízo. Acórdão nº 9202003.098, Sessão de 25 de março de 2014. Súmula CARF nº 112 É nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento formalizado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada ao Fisco Federal antes da lavratura do auto de infração. Súmula CARF nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Portanto, colacionando o acima exposto, verificase que, no que consiste o erro na identificação do sujeito passivo, temse os seguintes entendimentos do CARF sobre nulidade de auto de infração lançado: 1. Quando se está diante de Auto de Infração proveniente de Imposto de Renda, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário do fato gerador (no caso, o beneficiário do ganho de capital); 2. É nulo o lançamento formalizado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada ao Fisco Federal antes da lavratura do auto de infração; 3. Erro na identificação do sujeito passivo não leva à nulidade do Auto de Infração, desde que não se macule o seu direito de defesa das partes nem o normal andamento do processo administrativo fiscal; Destacase que neste momento não se analisará o mérito da questão, ou seja, se o planejamento tributário foi ou não abusivo, mas sim, se foi devido o lançamento contra as pessoas físicas dos sócios acionistas. Levandose em consideração os apontamentos acima, verificase o presente lançamento. Para isto, necessária fazer a progressão dos atos/acontecimentos que levaram ao lançamento, até mesmo para facilitar o entendimento do caso. Em 04/1998 foi criada a empresa Holding Telles Participações e Negócios LTDA com a integralização das participações societárias que o Sr. Everardo, sua primeira esposa Maria Heloísa e seus seis filhos possuíam em diversas empresas, para que estas passassem a ser controladas pela Holding recémcriada: Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 10380.725188/201785 Acórdão n.º 2301005.934 S2C3T1 Fl. 1.861 19 05/2011: As ações da Telles Participações são doadas aos 07 filhos do Sr. Everardo, ficando o mesmo, e sua primeira esposa, a Sra. Maria Heloísa, com o usufruto vitalício; 12/2011: Criação da Telles FIP – fundo de investimento em participações, sendo que os 07 filhos do Sr. Everardo integralizaram suas cotas com as ações que detinham na Telles Participações, passando a Telles FIP ser controlador da holding Telles Participações, ficando as cotas da Telles FIP gravadas com as mesmas cláusulas de inalienabilidade, impenhorabilidade, incomunicabilidade e usufruto vitalício em favor do Sr. Everardo e Sra. Maria Heloísa: 02/2012: segregação da Ypióca Agroindustrial, sendo criada 03 novas companhias: Fl. 1870DF CARF MF 20 22/02/2012: criação de outro fundo de investimento, o Alvorada Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado (Alvorada FIM), sendo suas cotas integralizadas com as cotas do Telles FIP em 23/04/2012, com transferência das cláusulas inalienabilidade, impenhorabilidade, incomunicabilidade e usufruto vitalício em favor do Sr. Everardo e Sra. Maria Heloísa: 03/2012: Ypióca Agroindustrial S/A altera sua denominação social para Agropaulo Agroindustrial S/A (AGROPAULO): Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 10380.725188/201785 Acórdão n.º 2301005.934 S2C3T1 Fl. 1.862 21 Em 11/05/2012: cisão parcial da empresa Agropaulo: as participações societárias da Yplastic, Ipark e Ypióca Bebidas, detidas pela Agropaulo são vertidas para o patrimônio da holding Telles Participações: Em 12/05/2012: a Holding Telles Participações é liquidada, sendo que seus ativos (participação em todas as empresas operacionais do Grupo Telles passa a ser propriedade do Grupo Telles FIP: Fl. 1872DF CARF MF 22 Em 25/05/2012 a Telles FIP vende o controle acionário da Ypióca Bebidas: O Auto de Infração, em seu Termo de Verificação Fiscal entende que o planejamento tributário foi fraudulento (com abuso de direito), pois, considerando que a Telles FIP é Fundo de Investimento, ficou isenta de recolhimento de Ganho de Capital, sendo que a criação dos fundos se deu única e exclusivamente com o fim de se abster do pagamento. Ao considerar o planejamento tributário abusivo, a autoridade lançadora, conforme justificativa no TVF, desconsiderou “a integralização das cotas do Telles FIP com as ações da empresa Telles Investimento em Participações S/A, bem como a posterior integralização das quotas do Alvorada FIM com as quotas do Telles Fip. Como se viu, tais operações foram realizadas sem o propósito negocial e em total descompasso com os objetivos da criação de um fundo de investimento; o único proposito que se pode vislumbrar é o de driblar maliciosamente as normas de incidência tributária”. Segundo o TVF, ao desconsiderar os fundos, “emergem efetivos proprietários das ações da empresa alienada cada um dos membros do grupo familiar Telles, sendo estes os beneficiários últimos do ganho de capital. Como tal, devem ser posicionados como sujeitos passivos da obrigação tributária relativamente ao imposto incidente sobre o ganho de capital”. A Contribuinte afirma que houve erro na indicação do sujeito passivo, pois se for desconsiderado a integralização das cotas do Telles FIP com as ações da empresa Telles Investimento em Participações S/A, bem como a posterior integralização das quotas do Alvorada FIM com as quotas do Telles Fip, o Auto deveria ter sido lançado ou contra a Agropaulo ou contra a Telles Investimento em Participações S/A. Com relação à Agropaulo, observase que no momento em que houve a alienação da Ypióca Bebidas à Cinter (23/05/2012), a Ypióca Bebidas não fazia mais parte do quadro societário da Agropaulo, que foi cindida parcialmente em 11/05/2012, passando a ser controlada pela Telles Investimento em Participações S/A e, posteriormente, com a liquidação da Telles Investimento em Participações S/A, passou a ser controlada pela Telles FIP, não sendo, a Agropaulo, beneficiada diretamente com a alienação. Portanto, considerando que o Auto de Infração não considerou inválida a cisão da Agropaulo, não se poderia lançar o ganho de capital contra a Agropaulo, pois não era mais a controladora da Ypióca Bebidas. Com relação ao pedido de que o lançamento deveria ter sido realizado contra a Telles Investimento em Participações S/A, observase que de igual maneira, seria indevido o lançamento contra a mesma. Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 10380.725188/201785 Acórdão n.º 2301005.934 S2C3T1 Fl. 1.863 23 Isto, pois a Telles Investimento em Participações S/A foi liquidada antes do lançamento do presente auto de infração. Por esta razão, com base Súmula CARF nº 112, o auto seria nulo se fosse lançado contra a Telles Investimento em Participações S/A, justamente por erro na identificação do sujeito passivo, pois o lançamento foi formalizado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada ao Fisco Federal antes da lavratura do auto de infração. No caso de impossibilidade de lançar contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada ao Fisco Federal antes da lavratura do auto de infração, ou seja, contra a Telles Investimento em Participações S/A, lançase contra os responsáveis solidários e reais beneficiários da alienação, com fito na Súmula 12 do CARF. Neste contexto, observa o CTN: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; Portanto, o CTN permite a responsabilização solidária da pessoa física dos sócios, como ocorreu no caso em análise, pois foram os reais beneficiários com a alienação da Ypióca Bebidas. Além disto, necessário pontuar que a o mero erro ou imprecisão técnica na identificação do sujeito passivo, desde que não macule o seu direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal, não gera nulidade por vício formal ou material do lançamento, nos termos da Jurisprudência Consolidada deste Conselho, previamente inserida neste voto. No presente caso não se observou qualquer impedimento ao direito de defesa da Contribuinte: sua inclusão como responsável pelo crédito se deu desde o início da ação fiscal, foi possibilitada a apresentação de impugnação, recurso voluntário, juntada de provas e parecer, não havendo qualquer mácula ao direito à ampla defesa e contraditório. Por fim e de forma a complementar com a fundamentação anteriormente aduzida, com relação ao segundo motivo de nulidade do auto de infração por erro na indicação do sujeito passivo, pois as pessoas físicas acionistas da Telles FIP são apenas nusproprietárias das ações da Telles Participações, cabendo tão somente autuar contra os 2 usufrutuários das ações, beneficiários em última instancia do ganho de capital (Everardo e Maria Heloísa), verificase, novamente, sem razão a Contribuinte. Isto, pois, neste caso, a Jurisprudência consolidada deste Conselho determina: Fl. 1874DF CARF MF 24 ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO IRPF ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO. O ganho de capital apurado na cessão de direitos, por alienação, do usufruto está sujeito à tributação na pessoa física do usufrutuário. Ocorrendo a transmissão do usufruto e da nuapropriedade concomitantemente, isto é, em uma mesma operação, tendo como adquirente um terceiro, o usufrutuário e o nuproprietário estão sujeitos à apuração do ganho de capital. IRPF — BENS IMOVEIS — DIREITOS REAIS — USUFRUTO — Considerase imóveis para todos os efeitos legais os direitos reais sobre imóveis, a exemplo do usufruto. IRPF — GANHO DE CAPITAL — REDUCÃO — Para apuração do valor a ser tributado, no caso de alienação de bens imóveis, será aplicado um percentual de redução sobre o ganho de capital, segundo o ano de aquisição ou incorporação. (Acórdão n°.: 10416.957 17 de março de 1999) O Parecer Normativo CST 04/1995 também determina que “ocorrendo a transferência do usufruto e da nuapropriedade, sendo adquirido por terceiro, o usufrutuário e o nuproprietário sujeitamse à apuração do ganho de capital”. Ao alienar o bem que era protegido com cláusula de usufruto, havendo, portanto, a transmissão do usufruto e da nuapropriedade concomitantemente, tendo como adquirente terceiro (CINTER) tanto o usufrutuário, como o nuproprietário estão sujeitos à apuração do ganho de capital. Por esta razão, foi devido o lançamento contra a pessoa física dos nu proprietários, rejeitandose, portanto a preliminar. DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ILÍCITO Apesar de a Contribuinte afirmar que a criação do TELLES FIP, bem como dos demais Fundos de Investimentos criados pelo Grupo TELLES fez parte de um processo de reestruturação iniciado em 1998, decorrente de um planejamento societário e sucessório, com objetivo central de promover aos membros da família Telles uma gestão profissional de suas empresas operacionais, verificouse que as operações societárias tiveram início justamente depois que houve o interesse da CINTER na compra da Ypióca. Entre os critérios definidores de um planejamento tributário legítimo, oponível às autoridades fiscais, temse que: (i) os atos que impliquem a redução na carga tributária devem ocorrer cronologicamente antes do fato gerador; (ii) os atos praticados pelo contribuinte que resultaram na redução da carga tributária devem ser lícitos; e (iii) a manifestação/declaração de vontade (causa típica) deve corresponder à sua realização fática (causa objetiva), ou melhor, à sua finalidade econômico social. Não é o conteúdo formal do negócio jurídico (causa típica) consubstanciado na declaração de vontade que irá determinar a incidência tributária, mas sim sua causa objetiva (propósito). É preciso verificar a função a que se destina a operação dentro do empreendimento econômico, e não somente a prática de atos baseados em dispositivos legais (princípio da estrita legalidade em matéria tributária). Fl. 1875DF CARF MF Processo nº 10380.725188/201785 Acórdão n.º 2301005.934 S2C3T1 Fl. 1.864 25 Assim, não se faz suficiente a licitude dos atos realizados, tampouco a máxima argumentativa da liberdade empresarial de autoorganização, para legitimar as alternativas escolhidas em uma reestruturação societária, pois estas devem estar providas de causa econômica, de modo que o motivo da reorganização não seja único ou predominantemente de economizar tributos. Ao se confrontar a legislação tributária, que adota os princípios da tipicidade e da estrita legalidade, com as atividades desenvolvidas pelas empresas, objeto de planejamento tributário, devese também valorizar o propósito das atividades empresariais praticadas e a existência de substância econômica. Nesse sentido seguem alguns precedentes administrativos: [...] OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA – O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA – A liberdade de autoorganização não endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício do planejamento tributário.” (1º Conselho de Contribuintes /4ª Câmara/Turma Ordinária. Acórdão nº 10420749. Data 15/06/2005) [...]NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. INOPONIBILIDADE AO FISCO. O fato de ser um negócio jurídico indireto não traz a consequência direta de tornar eficaz o procedimento da interessada, pois essa figura não é oponível ao fisco quando, como é o caso concreto, sem propósito negocial algum, visto de seu todo, visar apenas a mera economia de tributos. No caso concreto, houve por conseguinte fraude à lei do imposto de renda que comanda a tributação do ganho de capital na alienação de bens do ativo permanente através da utilização de norma de cobertura. (CARF. 1ª Seção / 1ª Turma da 4ª Câmara / Acórdão nº 140100.582 em 29/06/2011, Publicado no DOU em: 27.03.2012) Simulação – conjunto probatório – Se o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados (reorganização societária) divergiam da real intenção subjacente (compra e venda), caracterizase a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a existência de objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados, seja ele claro ou oculto. Ausência de motivação extra tributária – O princípio da liberdade de autoorganização, mitigado que foi pelos princípios constitucionais da isonomia tributária e da capacidade contributiva, não mais endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício de planejamento tributário. (CARF. 1º Conselho de Contribuintes 4a. Câmara/ Acórdão nº 104 21498, Publicação em 06/09/2007) Portanto, necessário verificar, entre outras coisas, se a finalidade da reorganização societária não foi exclusiva e predominantemente tributária e, paralelamente, Fl. 1876DF CARF MF 26 analisar a existência ou não de um propósito negocial, compreendido como a vontade objetiva final do negócio jurídico. Verificada a divergência entre a realização prática aferida objetivamente (causa objetiva) e a causa típica do negócio jurídico (conteúdo formal), temse um planejamento inválido e, como tal, os negócios jurídicos realizados não são oponíveis às autoridades fiscais. No decorrer do presente procedimento fiscal não restou claramente demonstrado o motivo e a finalidade negocial das operações societárias. A Recorrente buscou aduzir diversos argumentos para tentar demonstrar o fundamento econômico das operações realizadas que, contudo, não parecem ter o condão de desconsiderar e infirmar a autuação, especialmente se levado em consideração (i) o curto lapso temporal entre as operações, (ii) a dependência das empresas envolvidas por pertencerem a um mesmo Grupo Empresarial e (iii) a incongruência entre a operação realizada e os motivos alegados pela Recorrente. As operações societárias foram milimetricamente planejadas e realizadas no decorrer do ano de 2012, com a criação dos dois Fundos de Investimento até a finalização, com a efetiva venda da Ypióca à CINTER, em maio de 2012. A cisão parcial da Agropaulo se deu em 11/05/2012 e a liquidação da holding Telles Participações se deu logo no dia posterior, 12/05/2012 e a venda da Ypióca Bebidas treze dias depois (25/05/2012). O curto lapso temporal entre as operações demonstram que a venda da Ypióca para a Cinter já estava previamente ajustada, aguardandose, apenas a criação dos Fundos, para que não fosse necessário o recolhimento do Ganho de Capital da venda, pois com Fundos, as alienações de ativos têm tributação exclusiva. O que se observou, com as operações societárias, foi apenas a migração das empresas do grupo da família, que antes pertenciam à holding Telles Participações, para os dois fundos criados (Telles FIP e Alvorada Fim), no intuito de se abster de recolher os tributos da venda. Portanto, não se objetivou a simples redução do ganho de capital, mas, sim, a efetiva isenção de sua tributação. Outro fator que vem a invalidar o planejamento tributário realizado é que, a partir da ausência de causa econômica das etapas societárias, isoladamente consideradas, é possível aferir que os fatos formalizados juridicamente não parecem corresponder à realidade, vislumbrandose uma simulação para obter vantagens tributárias. Procedeu corretamente a Fiscalização em examinar o conjunto da reestruturação societária realizada pelo Grupo quando se está diante de operações sucessivas e envolvendo várias empresas, conforme doutrina de Marco Aurélio Greco sobre o assunto: “Uma operação estruturada indica a existência de um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto. E mais, indica a existência de uma causa jurídica única que informa todo o conjunto. Nestes casos, cumpre examinar se há motivos autônomos, ou não, pois se estes inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. Fl. 1877DF CARF MF Processo nº 10380.725188/201785 Acórdão n.º 2301005.934 S2C3T1 Fl. 1.865 27 Na medida em que o conjunto de operações corresponde apenas a uma pluralidade de meios para atingir um único fim, a verificação das alterações relevantes deve ser feita não apenas considerando os momentos anterior e posterior a cada etapa mas, principalmente, os momentos anterior e posterior ao conjunto de etapas” (in Planejamento Tributário, São Paulo, Dialética, 2004, pp. 345347). Na hipótese dos autos, não foram constatados motivos autônomos para a realização de cada etapa societária, de modo que a anterior só tinha sua razão de existir se verificada a etapa posterior. Por fim, não se vislumbra qualquer finalidade negocial para a constituição dos Fundos de Investimento, sendoos criados apenas para o gozo da tributação exclusiva vantajosa, quando das alienações dos ativos. A instrução CVM no 391, de 16 de julho de 2003, com alterações introduzidas pelas Instruções CVM nº 435/06, 450/07, 453/07, 496/11, 498/11, 535/13, 540/13, 545/14, 549/14 e 554/14, determina: Art. 2o O Fundo de Investimento em Participações (fundo), constituído sob a forma de condomínio fechado, é uma comunhão de recursos destinados à aquisição de ações, debêntures, bônus de subscrição, ou outros títulos e valores mobiliários conversíveis ou permutáveis em ações de emissão de companhias, abertas ou fechadas, participando do processo decisório da companhia investida, com efetiva influência na definição de sua política estratégica e na sua gestão, notadamente através da indicação de membros do Conselho de Administração. §1o Sempre que o fundo decidir aplicar recursos em companhias que estejam, ou possam estar, envolvidas em processo de recuperação e reestruturação, será admitida a integralização de cotas em bens ou direitos, inclusive créditos, desde que tais bens e direitos estejam vinculados ao processo de recuperação da sociedade investida e desde que o valor dos mesmos esteja respaldado em laudo de avaliação elaborado por empresa especializada. §2o A participação do fundo no processo decisório da companhia investida pode ocorrer: I – pela detenção de ações que integrem o respectivo bloco de controle, II – pela celebração de acordo de acionistas ou, ainda, III – pela celebração de ajuste de natureza diversa ou adoção de procedimento que assegure ao fundo efetiva influência na definição de sua política estratégica e na sua gestão. Ora, sendo um fundo de investimento uma reunião de recursos para a aplicação em diversos ativos e, no caso específico do Fundo de Investimento em Participações, em ações de companhias das quais o fundo deve participar da gestão, qual a finalidade de se Fl. 1878DF CARF MF 28 integralizar as quotas de um fundo recémcriado com ações de empresa das quais os próprios cotistas do fundo já eram os proprietários? Se o objetivo de um investimento é a aplicação de recursos para a obtenção de um ganho com esses investimentos, que ganhos os cotistas do TELLES FIP (e a Contribuinte) esperariam obter com o Fundo que não obteriam se mantivessem diretamente o controle das ações das empresas através da holding que já existia? Qual o propósito negocial, então, de se integralizar as quotas do fundo com as ações da holding TELLES PARTICIPAÇÕES E NEGÓCIOS S/A? Nenhum. O Fundo, neste caso, se apresenta como mero ente interposto entre as empresas e os seus acionistas/cotistas. Em caso semelhante, este Conselho entendeu: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2009 VENDA DE AÇÕES DE EMPRESA CONTROLADA. FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES FIP. ATO SIMULADO. SUJEITO PASSIVO. HOLDING CONTROLADORA. O sujeito passivo a ser tributado por ganho de capital na venda das ações de empresa controlada é a holding detentora e não o FIP constituído alguns dias antes da operação mediante a conferência das ações da empresa vendida, pois ato simulado não é oponível ao fisco, devendo receber o tratamento tributário que o verdadeiro ato dissimulado produz. FIP. AUSÊNCIA DE FINALIDADE NEGOCIAL. Desprovido de finalidade negocial o Fundo de Investimento em Participação FIP, constituído por uma única investidora, com um único investimento ao qual não foi aportado qualquer investimento adicional ou ato de gestão visando seu crescimento/desenvolvimento ou saneamento e cuja permanência no FIP durou alguns dias. FIP. DESCONSIDERAÇÃO. LEGALIDADE. É desprovida de base a acusação de que a desconsideração do FIP afronta ao princípio da legalidade, dado que foi devidamente avaliado que a interposição do FIP no lugar da autuada tratouse de manobra para evadir tributação de ganho de capital. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. SIMULAÇÃO. DOLO. Estando comprovada a prática deliberada de simulação, portanto, estando caracterizados o dolo e sonegação, cabe a qualificação da multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. CARF 1ª Seção, 2ª Câmara, 1ª Turma Ordinária. Acórdão 1201001.640. 11 de abril de 2017 Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 10380.725188/201785 Acórdão n.º 2301005.934 S2C3T1 Fl. 1.866 29 Portanto, considerando a) que as operações societárias ocorreram sem finalidade negocial (não houve justificativa para a ocorrência das mesmas); b) que as operações societárias ocorreram em um curto espaço de tempo, no qual evidencia ainda mais o objetivo das partes; c) que os Fundos criados são desprovidos de finalidade negocial; constatase que o presente planejamento tributário se mostrou abusivo, sendo válido o lançamento referente ao ganho de capital da alienação da Ypióca Bebidas. Ainda no mérito, a Contribuinte afirma que não existe isenção tributária em Fundos de Investimentos, pois há uma antecipação de tributos no momento da subida das empresas para o FIP, como foi o caso da criação do FIP TELLES, quando se recolheu IR no valor de R$22.000.000,00 e um diferimento de tributos para o momento em que ocorrer amortizações ou resgates. Sem razão a Contribuinte. Isto, pois a legislação é clara ao determinar que os rendimentos dos fundos de investimento de alienação, liquidação, resgate, cessão ou repactuação dos títulos, aplicações financeiras e valores mobiliários integrantes de sua carteira são isentos do Imposto de Renda, nos termos do art. 28, §10º e §11º da Lei 9.532/1997. Desta forma, há sim isenção de IR nas alienações realizadas pelos fundos de investimento. Se há tributação nas amortizações ou resgates, verificase que haverá outro fato gerador, não sendo o mesmo que trata o presente lançamento. Portanto, sem razão o pedido. Por fim, com relação ao pedido de compensação do imposto pago, em que o Contribuinte afirma que a integralização da TELLES FIP foi realizada dentro da legislação vigente, inclusive com pagamento do Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital antecipadamente, assim, devese compensar o imposto pago nos valores de R$22.066.198,00 e R$4.349.999,61 com o imposto lançado, verificase. Novamente, tratase de fato gerador distinto e não há qualquer legislação que permita o acolhimento do pedido. O ganho de capital que o Contribuinte requer a compensação ocorreu em 30/12/2011, proveniente da alienação de ações da TELLES PARTICIPAÇÕES. Os fatos tributários ora analisados ocorreram em 09/08/2012, 21/02/2013, 09/11/2015 e 07/10/2016 e consistem em ganhos de capital na alienação de ações da YPIÓCA BEBIDAS. Portanto, os elementos material e temporal dos fatos geradores são distintos. Além disto, não há qualquer demonstração – mediante escrituração contábil devidamente suportada por documentos – que o evento de 30/12/2011 foi influenciado, pelo menos em parte, por fatos imputáveis futuramente à YPIÓCA BEBIDAS (que só foi criada em fevereiro/2012). Com relação ao pedido de compensação do valor de R$4.349.999,61 (quatro milhões, trezentos e quarenta e nove mil, novecentos e noventa e nove reais e sessenta e um centavos), das amortizações no ALVORADA FIM pelas pessoas físicas, verificase, novamente, a necessidade de indeferir o pedido. Fl. 1880DF CARF MF 30 Isto, pois, a Contribuinte não explicitou o fundamento fático que determinou a alegada amortização de cotas, tampouco a legislação que embasou sua realização. Da mesma forma, destacase que, como o ALVORADA FIM detém o controle do TELLES FIP (que, por seu turno, controla diversas empresas operacionais do grupo, tais como, AGROPAULO, NATURÁGUA, PECÉM, HALLEY, CEARÁMIRIM, YPETRO, YPLASTIC e IPARK), os rendimentos conferidos aos cotistas podem ter origem quaisquer desses ativos. Além disso, alega a Contribuinte que houve modificação da fundamentação da DRJ com o abordado no Auto de Infração. Não se vislumbra o ocorrido A DRJ é clara ao constatar que houve planejamento tributário ilícito, da mesma forma como pontuou e fundamentou a autoridade fiscal lançadora no auto de infração, assim como restou constatado nesta decisão do Colegiado do CARF. Por esta razão, indeferese o pedido. MULTA QUALIFICADA A Contribuinte afirma que indícios podem autorizar, quando muito, a presunção, mas não no presente caso. As presunções somente são admitidas quando previstas em lei. Em direito, à guisa de princípio maior, temse assente que a simulação, a fraude, o conluio, etc., não se presumem, devem ficar sobejamente comprovados, estreme de qualquer dúvida, o que não encontramos nos autos. Requer a aplicação do princípio da vedação ao confisco, ante fundamentação do RE 523471 admite como razoável apenas penalidades cujo valor não ultrapasse o limite de 30% do crédito tributário. Na análise realizada no presente voto, concluiuse que houve a prática da simulação, dado que o FIP foi constituído para finalidades que não coadunavam com os objetivos para os quais a legislação o instituiu. Houve dolo da Contribuinte em realizar as operações societárias que culminaram na constatação do planejamento tributário abusivo, pois o objetivo principal foi a isenção da obrigação tributária com a venda de ativos. Estando presentes o dolo, a simulação e a sonegação, cabe confirmar como pertinente a qualificação da multa de ofício. Não se trata de ação contrária ao princípio da vedação ao confisco, pois está estabelecida conforme permite a legislação. Portanto, não há que se falar em modificação na multa lançada. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares, não reconhecer a decadência, não reconhecer da nulidade da inclusão de novos fundamentos da DRJ que não constavam no auto de infração e, no mérito, negar provimento. (assinado digitalmente) Fl. 1881DF CARF MF Processo nº 10380.725188/201785 Acórdão n.º 2301005.934 S2C3T1 Fl. 1.867 31 Juliana Marteli Fais Feriato – Relatora. Fl. 1882DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.905372/2015-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015
ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA.
Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Numero da decisão: 3402-006.508
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 53 72 /2 01 5- 16 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13839.905372/201516 Acórdão n.º 3402006.508 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação de COFINS paga indevidamente a maior. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em resumo: Preliminarmente, a violação ao principio da ampla defesa e ao princípio do devido processo legal. Afirma que a decisão originária se apresenta genérica, lacônica, beira as raias da inépcia e torna difícil a contra argumentação da recorrente. Afirma também que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, e que esta decisão (do Despacho Decisório) deve ser anulada. No mérito, afirma possuir direito a crédito a ser utilizado e homologado, pois pagou indevidamente ou a maior as contribuições para o PIS e a COFINS ao não excluir de suas bases de cálculo os valores ali embutidos referentes ao ICMS. O valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS por não integrar conceito de "faturamento", pois esse valor de ICMS é mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. A este respeito cita o voto proferido pelo Min. Luiz Gallotti no Recurso Extraordinário nº 71.758 no STF e o Recurso Extraordinário nº 240785 no STF que tem por relator o Ministro Marco Auréio. Requer, que fique sobrestada qualquer eventual cobrança para o pagamento de impostos atinentes ao caso vertente até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. Requer também PROVIMENTO TOTAL à Manifestação de Inconformidade, para ser acatada a matéria preliminar e anulada a decisão, ou, que seja reformada a decisão para HOMOLOGAÇÃO da compensação. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo DRJ, nos termos do Acórdão nº 12091.513. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que continuou alegando que despacho decisório seria nulo, porque carente de motivação, o que, por seu turno, implicaria cerceamento de defesa em prejuízo do recorrente, bem como defendeu a juridicidade do seu crédito, decorrente da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13839.905372/201516 Acórdão n.º 3402006.508 S3C4T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.481, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 13839.905347/201524, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.481): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Preliminarmente (i) Da pretensa ausência de motivação do despacho decisório e suposta ofensa ao direito de defesa do contribuinte 6. A título de preliminar de mérito, o contribuinte se apega ao pretenso fundamento de que o despacho decisório que implicou a denegação da compensação por ele perpetrada seria carente de motivação. Acontece que, apesar de sucinto, o citado despacho é claro ao expor o motivo da denegação aqui combatida: o contribuinte compensou o pretenso crédito com outro débito, sendo este o teor do referido despacho: 7. Embora sucinto, o despacho é claro em apontar o motivo para não homologar o crédito do contribuinte: o pretenso crédito teria sido utilizado para a quitação de outros débitos para com a Receita Federal do Brasil. Aliás, precisando tal assertiva, o citado despacho aponta que tal crédito teria sido Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13839.905372/201516 Acórdão n.º 3402006.508 S3C4T2 Fl. 5 4 utilizado para o pagamento de n. 43687704232, com código n. 2172, referente a processo administrativo de compensação de 30/04/2015. Tais informações são suficientes para identificar o débito para o qual o "crédito" indicado neste processo administrativo foi previamente utilizado. 8. Apesar da objetividade do referido despacho, tal ato atende a exigência da motivação de todo e qualquer ato administrativo, na medida em que justifica em concreto a recusa da compensação efetuada pelo contribuinte no presente caso. O fato de ser sucinta não implica, per si, a nulidade da decisão por carência de motivação, como aliás já decidiu o Supremo Tribunal Federal em sede de recurso julgado sob repercussão geral, in verbis: 1. Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (STF; AI 791.292 QORG, Relator: Min. GILMAR MENDES, j. em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 1308 2010) (grifos nosso). 9. É também neste diapasão o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, bem como deste CARF, conforme se observa das ementas exemplarmente colacionadas abaixo: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ART. 620 DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 1. A ausência de prequestionamento de dispositivo legal tido por violado impede o conhecimento do recurso especial. Incidem as Súmulas n. 282 e 356 do STF. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13839.905372/201516 Acórdão n.º 3402006.508 S3C4T2 Fl. 6 5 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fáticoprobatória (Súmula n. 7/STJ). 3. A decisão que se mostra fundamentada, ainda que de forma sucinta, não dá ensejo ao decreto de nulidade. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ; AgInt no AREsp 1.004.066/SP, Rel. Min. MARIA ISABEL GALLOTTI, 4a T., j. em 22/05/2018, DJe 01/06/2018) (g.n.). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação. IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário. IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS. O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária. (CARF; Processo n. 11080.011496/200614; acórdão n. 2201002.349; Data da sessão: 19/03/2014) (g.n.). Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13839.905372/201516 Acórdão n.º 3402006.508 S3C4T2 Fl. 7 6 10. Ressaltese, por fim, que nem sede de manifestação de inconformidade nem no âmbito do recurso voluntário, o contribuinte trouxe qualquer contraprova no sentido de refutar a motivação do ato administrativo, limitandose a aduzir, genericamente, que tal despacho seria carente de motivação. Convém lembrar, todavia, que o presente caso é um pedido de compensação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, i.e., seu crédito, exatamente como estipulado no art. 373, inciso I do CPC1. 11. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do despacho decisório proferido no presente caso, muito menos em ofensa ao direito de defesa do contribuinte, devendo o r. acórdão recorrido ser mantido em sua íntegra. II. Mérito (i) A exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS e a ausência de prova 12. Quanto ao mérito, convém novamente repisar que o contribuinte figura como titular da pretensão de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. 13. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19722. Em outros termos, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. 1 "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." 2 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13839.905372/201516 Acórdão n.º 3402006.508 S3C4T2 Fl. 8 7 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...) (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifos nosso). 14. Atentandose para o presente caso, não se vislumbra qualquer fundamento fático ou jurídico trazido pela recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida, a qual limitase a discutir, em abstrato, a validade material do suposto crédito por ela vindicado. Dispositivo 15. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 65DF CARF MF
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