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Numero do processo: 10670.001043/2008-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 28/03/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 10 43 /2 00 8- 39 Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10670.001043/200839 Acórdão n.º 9202005.797 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10670.001043/200839 Acórdão n.º 9202005.797 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10670.001043/200839 Acórdão n.º 9202005.797 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10670.001043/200839 Acórdão n.º 9202005.797 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10670.001043/200839 Acórdão n.º 9202005.797 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10670.001043/200839 Acórdão n.º 9202005.797 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10670.001043/200839 Acórdão n.º 9202005.797 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10670.001043/200839 Acórdão n.º 9202005.797 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10670.001043/200839 Acórdão n.º 9202005.797 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10670.001043/200839 Acórdão n.º 9202005.797 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 221DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.005086/2005-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para realização de ciência do resultado de diligência de e-fls. 503/508.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para realização de ciência do resultado de diligência de efls. 503/508. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório encartado na Resolução nº 3102000.304, de 23 de abril de 2014 (fls. 471/476), que segue integralmente transcrito: Trata o presente processo de AI lavrado para a exigência de credito tributário no valor de 668.614,00 referente a Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, multa de ofício e juros de mora em função de enquadramento em “ex” tarifário de mercadoria importada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 11 .0 05 08 6/ 20 05 -1 7 Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Resolução nº 3302000.668 S3C3T2 Fl. 531 2 Depreendese da descrição dos fatos do AI que a empresa em epígrafe submeteu a despacho de importação, por meio de DI n.º 01/03436936 mercadorias descritas como “63189 Bulk litros de destilado alcoólico chamado de malte uísque (MALT WHISKY) com graduação alcoólico de 59,5% Gay Lussac obtido de cevada maltada com mínimo de 3 anos de envelhecimento”, e classificoua no código NCM 2208.30.10 , enquadrando as mesmas em seu “ex” tarifário 001. Durante o procedimento de verificação física, a autoridade preparadora retrou amostra do produto e encaminhou ao Labor, que emitiu o Laudo nº 2372/01, bem como a informação técnica 040/05. Tal Laudo e informação técnica foram conclusivos no sentido de que a mercadoriase referia a “MATÉRIAPRIMA OBTIDA DE CEREAL DESTINADA À PRODUÇÃO DE UÍSQUE”, não se tratando de MALT WHISKY ou GRAIN WHISKY, tampouco de cereal não maltado, Acrescentou ainda que a graduação alcoólica era igual a 63,9%,. Em conseqüência, as mercadorias forma reenquadradas no “ex” tarifário 003 da mesma NCM 2208.30.10, sendo lavrado auto de infração para cobrança da diferença do IPI, bem como da multa prevista no art. 80, inciso I, da Lei n.º 4.502/64, com redação dada pelo art. 45 da Lei n.º 9.430/96 e juros moratórios. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou impugnação, anexado os documentos de fls. 53 a 104. Alega que, embora resultado do laudo técnico que embasou a autuação tenha constatado uma graduação alcoólica superior à que foi efetivamente utilizada na mercadoria importada, é de ser considerado que tal mercadoria constitui produto controlado pelo Ministério da Agricultura que aprovou a sua importação através da LI n.º 01/08332095. Aduz que o resultado de análise laboratorial da mercadoria em questão indica que a graduação alcoólica do produto corresponde a 59,5% GayLussac, com no mínimo 3 anos de envelhecimento, o que levou o Ministério da Agricultura a autorizar a importação e a expedir o certificado de inspeção vegetal n.º 258/2001, relativo à DI sob apreço. Neste passo, argumenta que referido certificado expedido pelo Ministério da Agricultura, autorizando a importação e a comercialização da mercadoria, após ter realizado a análise de seu conteúdo, comprova que a graduação alcoólica utilizada foi aquela declarada pelo importador, razão pela qual faz jus à aplicação da alíquota de IPI prevista no “ex” tarifário 001. Reclama que a fiscalização inobservou o princípio da verdade material ao desconsiderar a existência de certificado que, expedido por ente público, autorizou a importação sob apreço, presumindo, sem a devida comprovação, que o produto importado possuía graduação alcoólica superior a 59,5%. Em outra vertente, aduz que no caso em comento não houve prejuízo ao Erário, haja vista que, em razão do princípio da nãocomulatividade que rege o IPI e acaso houvesse pago o imposto à alíquota de 70%, teria direito ao crédito consistente do valor do Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Resolução nº 3302000.668 S3C3T2 Fl. 532 3 imposto recolhido, quando da saída da mercadoria de seu estabelecimento. Reclama também que, uma vez apurada a legalidade das importações em causa, a multa lançada de ofício é totalmente indevida e configura excesso de exação, nos termos do art. 316, § 1º, do Código Penal. Finalmente, em face do que foi exposto, requer o cancelamento do auto de infração ora hostilizado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a impugnação nos seguintes termos: EX TARIFÁRIO. ENQUDRAMENTO. O enquadramento de mercadoria em ex tarifário exige que a mesma possua todas as características prevista no mesmo. Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, basicamente reafirmando os argumentos da Impugnação ao Lançamento. Alegou que “o certificado expedido pelo Ministério da Agricultura, autorizando a importação e comercialização da mercadoria, após a análise de seu respectivo conteúdo, comprova o teor de graduação alcoólica do mesmo, cuja classificação corresponde à utilizada pela RECORRENTE, não incorrendo em qualquer utilização indevida como sustentado no lançamento tributário”. Que “todos os Certificados acostados aos autos (de origem, inspeção vegetal e de análise) comprovam que a graduação alcoólica corresponde à que fora utilizada pela RECORRENTE”. Que a decisão de primeira instância desconsiderou “o CERTIFICADO DE INSPEÇÃO VEGETAL que somente foi expedido, considerando as informações constantes no CERTIFICADO DE ANALISE, onde está comprovado que o produto tratase de malte uísque, com graduação alcoólica de 59,5% (...)”. Citou decisão tomada no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil em outro Processo Administrativo Fiscal. Referiuse, mais uma vez, à verdade material. Requereu a realização de diligência para esclarecimento dos fatos. Relembrou tratarse de tributo nãocumulativo, razão pela qual não haveria prejuízo ao Erário. Ao final, asseverou “que a aplicação de qualquer tipo de multa é totalmente indevida, e por isso mesmo, passível de excesso de exação”. De uma primeira análise, considerouse que os elementos constantes no processo não eram suficientes para o julgamento da lide. Naquela oportunidade esta E. Turma determinou a CONVERSÃO DO JULGAMENTO em diligência, para que a Unidade de Origem providenciasse a confecção de laudo complementar a ser elaborado pelo INT ou por congênere para esclarecer os seguintes quesitos: 1) se o produto tratase de destilado alcoólico chamado Malt Whisky? 2) se o produto tratase de destilado alcoólico chamado de uísque de cereais (Grain Whisky)? Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Resolução nº 3302000.668 S3C3T2 Fl. 533 4 3) se o produto tratase de preparação própria para elaboração de uísque? 4) qual o teor alcoolico em volume de produto. Intimado do resultado do julgamento, o contribuinte apresentou quesitos complementares. O INT, por sua vez, manifestase por meio do ofício nº 019/INT informando que não é acreditado para realizar a presente diligencia e, por conta disso, procedeu a devolução da amostra das contraprovas. Diante disso, elas foram encaminhadas para o Labor. Posteriormente, a SECAD entendeu em manter a diligencia, reenviando as amostras ao INT, o qual solicitou o pagamento de custas para a elaboração do Parecer Técnico no importe de R$ 2.000,00, o que foi feito pelo contribuinte. O INT apresenta seu parecer técnico de fls. 354/359. Intimado do resultado da diligencia, o contribuinte se manifesta alegando que, de acordo com o LAQAM, o produto (‘malt whisky’) então examinado (i) tinha graduação alcoólica de 54,87% vol. e que (ii) não se tratava de produto acabado, assim entendido como aquele que esteja pronto para consumo. Acrescenta que o que se pode extrair do quanto está sendo verificado nos autos da presente disputa é que, até o momento, o MAPA, a d. fiscalização e o INT apresentaram conclusões divergentes sobre a graduação alcoólica do mesmo “malt whisky” importado pela Recorrente, pois: para o MAPA, referido produto teria graduação alcoólica de 59,50% vol; para a d. fiscalização, referido produto teria graduação alcoólica de 63,5% vol; para o LAQAM, o mesmo produto teria graduação de 54,87% vol. Considera que a dúvida é, por si só, razão suficiente para o cancelamento do Auto de Infração. Por fim, acrescenta que “não há divergência quanto ao fato de que o ‘malt whisky’ importado pela Recorrente tratase de matéria prima para produção da bebida ‘whisky de malte’”, que a própria legislação confirma que a bebida pronta para consumo não pode ter graduação alcoólica acima de 54% vol. Na Sessão de 23 de abril de 2014, por meio da Resolução nº 3102000.304 (fls. 471/476), os integrantes da extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara deste Conselho, converteram novamente o julgamento em diligência, para que o INT complementasse o Laudo anteriormente emitido com as respostas aos seguintes quesitos: 1 A mercadoria importada pode ser identificada como matériaprima para elaboração do chamado uísque de malte (“malt whisky”)? 2 A mercadoria importada pode ser identificada como matériaprima para elaboração do chamado uísque de cereais (“grain whisky”)? 3 Outras considerações que julgar pertinentes. Cientificada do teor da referida Resolução, por meio da petição de fls. 485/489, a recorrente apresentou quesitos complementares. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Resolução nº 3302000.668 S3C3T2 Fl. 534 5 Em atendimento ao que solicitado na referida diligência, por meio do Relatório Técnico nº 000.122/15, de 1/3/2015 (fls. 503/508), o INT apresentou as respostas aos quesitos formulados na referida Resolução, bem como os quesitos complementares apresentados pela recorrente. Em 16/11/2015, os autos retornaram a este Conselho que, mediante sorteio, foram regularmente distribuído a este Relator. Por meio da petição de fls. 526/529, no dia 19/10/2017, a recorrente comunicou que não fora cientificada do resultado da diligência, consequentemente, sob pena de afronta ao seu direito de defesa, pleiteou a retirada do processo de pauta ou a conversão do julgamento em diligência, para saneamento feito, mediante intimação da recorrente, para, no prazo de 30 dias, manifestarse sobre o resultado da diligência. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Após apresentação do laudo técnico complementar pelo INT, em atenção ao despacho de fl. 510, os presentes autos retornaram a este Conselho sem o cumprimento da determinação, contida no final da Resolução nº 3102000.304, de 23 de abril de 2014(fls. 471/476), de ciência da recorrente para, no prazo de 30 (trinta) dias, manifestarse sobre as respostas aos quesitos apresentadas pelo referido órgão técnico. A ciência da recorrente tratase de providência imprescindível para pleno exercício do direito de defesa e ao contraditório e a sua ausência, inequivocamente, implica evidente cerceamento do direito de defesa da recorrente. Logo, sob pena de mácula insanável ao julgamento da lide, a omissão deve ser suprida em boa e devida forma. Diante do exposto, votase novamente pela conversão do julgamento em diligência, desta feita para que a unidade da RFB de origem, em cumprimento ao que fora determinado no final da citada Resolução, cientifique a recorrente do inteiro teor do Relatório Técnico nº 000.122/15, de 1/3/2015, da lavra do INT, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias, para que, se assim desejar, manifestese sobre as respostas apresentadas no citado Relatório Técnico. Após, os autos devem retornar a este Colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 534DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002868/2004-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
NULIDADE. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE MODIFICA CRITÉRIO DO LANÇAMENTO DE IRPJ. CTN, ART. 146. ERRO DE DIREITO. CTN, ART. 149, IV. DECRETO 70.235/1972, ART. 59, II, §3º.
A decisão da DRJ que altera o regime de apuração do IRPJ, de lucro real para lucro presumido, é nula, por ofensa ao artigo 146, do Código Tributário Nacional.
O erro de direito não é passível de correção por julgadores administrativos, em observância ao artigo 149, IV, do Código Tributário Nacional.
O artigo 59, §2º, do Decreto nº 70.235/1972, autoriza seja superada a nulidade do lançamento tributário quando a autoridade julgadora puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo. Não há previsão legal para superação da nulidade para prolação de decisão desfavorável ao sujeito passivo.
Numero da decisão: 9101-003.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para reformar o acórdão recorrido, com retorno dos autos à DRJ para novo julgamento. Julgamento iniciado na reunião de 09/2017 e concluído em 05/10/2017.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 NULIDADE. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE MODIFICA CRITÉRIO DO LANÇAMENTO DE IRPJ. CTN, ART. 146. ERRO DE DIREITO. CTN, ART. 149, IV. DECRETO 70.235/1972, ART. 59, II, §3º. A decisão da DRJ que altera o regime de apuração do IRPJ, de lucro real para lucro presumido, é nula, por ofensa ao artigo 146, do Código Tributário Nacional. O erro de direito não é passível de correção por julgadores administrativos, em observância ao artigo 149, IV, do Código Tributário Nacional. O artigo 59, §2º, do Decreto nº 70.235/1972, autoriza seja superada a nulidade do lançamento tributário quando a autoridade julgadora puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo. Não há previsão legal para superação da nulidade para prolação de decisão desfavorável ao sujeito passivo.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001 NULIDADE. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE MODIFICA CRITÉRIO DO LANÇAMENTO DE IRPJ. CTN, ART. 146. ERRO DE DIREITO. CTN, ART. 149, IV. DECRETO 70.235/1972, ART. 59, II, §3º. A decisão da DRJ que altera o regime de apuração do IRPJ, de lucro real para lucro presumido, é nula, por ofensa ao artigo 146, do Código Tributário Nacional. O erro de direito não é passível de correção por julgadores administrativos, em observância ao artigo 149, IV, do Código Tributário Nacional. O artigo 59, §2º, do Decreto nº 70.235/1972, autoriza seja superada a nulidade do lançamento tributário quando a autoridade julgadora “puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo”. Não há previsão legal para superação da nulidade para prolação de decisão desfavorável ao sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, em darlhe provimento parcial para reformar o acórdão recorrido, com retorno dos autos à DRJ para novo julgamento. Julgamento iniciado na reunião de 09/2017 e concluído em 05/10/2017. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 28 68 /2 00 4- 51 Fl. 2396DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Relatório Esclarecimento inicial (existência de dois processos administrativos): Inicialmente, esclareço que haverá julgamento conjunto dos processos administrativos nº 10882.002868/200451 e 13896.002623/200897, que tiveram origem no mesmo Auto de Infração. O processo nº 13896.002623/200897 foi resultado de desmembramento pela Delegacia da Receita Federal de Barueri após a decisão da DRJ (no processo 2004) que havia julgado parcialmente procedente os lançamentos tributários. Atualmente, tramitam ambos os processos, sendo sorteados à minha relatoria, constando os seguintes recursos em cada um destes: a) recurso voluntário do contribuinte contra acórdão do Colegiado a quo: consta do processo administrativo nº 10882.002868/200451 b) recursos especiais, da Procuradoria e do contribuinte: constam do processo administrativo nº 13896.002623/200897, não tendo sido admitido o recurso especial do contribuinte. Desde já esclareço que consta decisão do Presidente da 1ª Câmara da Primera Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Conselheiro André Mendes Moura fls. 2.595) tratando desta questão: Antes de abordar as divergências que pretende solucionar, o recorrente apresenta questão de ordem processual, a qual deve ser apreciada em caráter preliminar. No entendimento do recorrente, é indevido o procedimento que dividiu em dois processos o julgamento dos presentes autos de infração. (...) O artigo 8º do Regimento Interno da CSRF, constante da mesma portaria, possui a seguinte redação: Artigo 8º Compete também à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso voluntário de decisão de Câmara que prover recurso de ofício. Diante dessa norma, entendo que assiste razão ao recorrente quando se insurge contra a decisão que dividiu em dois o processo original. Tanto o recurso voluntário quanto o recurso especial deve ser julgado pela Câmara Superior de Recursos Fl. 2397DF CARF MF Processo nº 10882.002868/200451 Acórdão n.º 9101003.157 CSRFT1 Fl. 2.397 3 Fiscais, não havendo motivo relevante para a divisão realizada. (...) Tanto o recurso voluntário quanto o recurso especial deve ser julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, não havendo motivo relevante para a divisão realizada. Ademais, não há como duvidar de que os dois processos são reflexos, nos termos do artigo 6º, §1º, III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, devendo ser, no mínimo, julgados em conjunto. Assim, entendo que os dois processos devem ser julgados em conjunto pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Além do despacho acima reproduzido, consta expressa recomendação do Presidente de Turma para distribuição dos processos para julgamento em conjunto (fls. 2.611), devidamente acolhida pelo Presidente da Primeira Seção (fls. 2.612). Diante disso, o relatório a seguir será comum a ambos os processos para facilitar a análise. O julgamento dos recursos, no entanto, será dividido na forma mencionada acima (recurso voluntário julgado no processo administrativo nº 10882.002868/200451 e recurso especial da Procuradoria constará do acórdão no processo administrativo nº 13896.002623/200897). Primeiramente, será julgado o processo 10882.002868/200451, no qual consta alegação de nulidade de decisão da DRJ. Tal matéria, se acolhida por este Colegiado, poderia implicar no retorno dos autos e, assim, prejudicialidade na análise das demais matérias. Passo, assim, ao relatório conjunto dos processos: Relatório: Tratase de processo originado pela lavratura de Auto de Infração de IRPJ, CSLL, PIS quanto ao anocalendário de 1999, 2000 e 2001 (fls. 1.429 volume 7 do proc de 2008). O auditor fiscal impôs multa de 150% sobre o crédito tributário e, ainda, aplicou multa sobre estimativas mensais declaradas em outubro e novembro de 1999, mas não pagas; como também estimativas mensais recalculadas com relação às receitas omitidas relacionadas aos meses de março a dezembro de 1999, janeiro a dezembro de 2000 e janeiro de 2001. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.434/1446, volume 8, processo 13896.002623/200897): Cabe esclarecer que o contribuinte não opera no endereço informado no cadastro da SRF, indicado no campo 03 acima. Efetuei diligência nesse endereço e constatei que no local opera um serviço de recebimento de correspondências de várias empresas, prestandose a ser apenas uma espécie de caixa postal do contribuinte. A atendente informou que o local não era utilizado na operação da empresa e que seus representantes somente freqüentam o local para coletar as correspondências recebidas. Fl. 2398DF CARF MF 4 Através do Termo de Inicio de Fiscalização o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários e a documentação comprobatória da origem dos valores depositados em suas contas bancárias, com o propósito de obter justificativa para a expressiva movimentação financeira informada à SRF pelas instituições financeiras, relativamente aos períodos de 1999, 2000 e 2001, aparentemente incompatível com o capital e com as disponibilidades financeiras declaradas da empresa. A cópia das declarações de informações econômicofiscais da pessoa jurídica foram anexadas ás folhas 1248 a 1285 (D PJ 2000/1999), 1286 a 1323 (DIPJ 2001/2000) e 1324 1360 (DIPJ 2002/2001). Em decorrência da falta de atendimento, o contribuinte foi novamente intimado em 04/08/2004, através do Termo 2004.00115/02, anexado ás folhas 07 e 08. Em atendimento ao Termo 2004.00115/02 o contribuinte apresentou a carta anexada ã folha 11, com data de 21/09/2004, e informou que a empresa realizou operações de compra e venda de títulos, recebendo comissões em decorrência dessas transações. O contribuinte apresentou a planilha intitulada "Fluxo de Operações Logistica/HardSell", anexada as folhas 12 a 44, e cópias simples dos contratos de compra e venda dos títulos. Os extratos bancários contendo a movimentação bancária dos períodos 1999, 2000 e 2001 foram apresentados pelo contribuinte em 29/09/2004 e foram anexados às folhas 608 a 785. O contribuinte apresentou os livros Diário dos períodos 1999, 2000 e 2001, cujas cópias foram extraídas e anexadas ao processo, nas folhas 954 a 1161 (ano 1999), 1162 a 1226 (ano 2000) e 1227 a 1247 (ano 2001). Através do Termo de Intimação 2004.00115/03, anexado às folhas 606 e 607, foi registrada a entrega dos extratos bancários e dos livros contábeis, e o contribuinte foireintimado a apresentar as solicitações não atendidas, detalhadas nos itens "b)", "g)", "h)", "i), "j)" ", "k)" e "I)" do Termo de Intimação 2004.00115/02. Em atendimento, o contribuinte apresentou carta em 22/10/2004, anexada à folha 786, informando que a documentação comprobatória dos valores depositados em suas contas bancárias era constituída pelos contratos de compra e venda de títulos, que já haviam sido entregues. Analisando a documentação considerei que os elementos apresentados pelo contribuinte eram insuficientes para comprovar a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, bem como apresentavam características de tratarse de negócio simulado. Diante do exposto, esta fiscalização detalhou suas considerações no Termo de Intimação 2004.00115/04, anexado às folhas 787 Fl. 2399DF CARF MF Processo nº 10882.002868/200451 Acórdão n.º 9101003.157 CSRFT1 Fl. 2.398 5 a 791, e intimou novamente o contribuinte a apresentar a documentação com probatória da origem dos valores depositados em suas contas bancárias, dandolhe a oportunidade de apresentar quaisquer elementos que julgasse conveniente em sua defesa diante dos argumentos apresentados no referido Termo. Até a data da lavratura do presente Termo o contribuinte não apresentou resposta às solicitações contidas no Termo 2004.00115/04. (...) Diante dos elementos expostos concluímos que os contratos de compra e venda de títulos apresentados pelo contribuinte não são instrumentos hábeis para comprovar a origem dos valores depositados em suas bancárias. A falta de comprovação da origem dos depósitos bancários relacionados nos Anexos 01, 02 e 03 do Termo 2004.00115/04, caracterizam omissão de receita, nos termos do artigo 42 da Lei 9430/96, abaixo transcrito. (...) Esta fiscalização procedeu à constituição dos créditos de IRPJ, CSSL, PIS e COFINS devidos sobre a omissão de receita apurada na Tabela 1, através da lavratura do Auto de Infração do IRPJ e seus reflexos, anexado às folhas 1364 a 1401 do processo administrativo 10882.002868/200451. Procedemos também à aplicação das multas isoladas devidas em função da falta de recolhimento das estimativas mensais do 1RPJ e da CSSL dos períodos de 1999, 2000 e 2001, resultantes da adição, à base de cálculo, dos valores da omissão de receita apurada na Tabela 1. O cálculo dos valores encontrase detalhado no "Anexo 02 do Termo 2004.00115/05 Cálculo das Multas Isoladas sobre o IRPJ Estimativa Mensal", anexado à folha 1362 e no "Anexo 03 do Termo 2004.00115/05 Cálculo das Multas Isoladas sobre a CSSL Estimativa Mensal", anexado à folha 1363. O Auto de Infração referente às multas iso ladas sobre a falta de recolhimento das Estimativas do IRPJ encontrase anexado às folhas 1367 e 1368 do processo administrativo 10882.002868/200451. Após a apresentação de impugnações administrativas (fls. 1461/1552 volume 8), a Delegacia da Receita Federal em Campinas manteve em parte os lançamentos tributários (fls. 1679 volume 9), em acórdão do qual se destaca ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DOCUMENTOS QUE Fl. 2400DF CARF MF 6 SUPORTAM A ESCRITURAÇÃO. FALSO IDEOLÓGICO. PERÍCIA TÉCNICA. MULTA QUALIFICADA. LUCRO ARBITRADO. A Lei n° 9.430/96, art. 42, é norma que veicula presunção legal relativa ã custa de único fato auxiliar: não comprovação da origem de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira. É dizer, a incidência do comando normativo não demanda mais delongas para além da prova do indigitado fato auxiliar. Presente esse, temse certo o fato probando, isto é, a omissão de receita. Cumpriria ao contribuinte ou atacar o fato auxiliar ou o próprio fato probando. A contabilidade é, prima facie, serviente à demonstração da origem de recursos assim depositados em contacorrente e, por isso, é prova a beneficio do contribuinte, mas isto desde que a exigência é legal (RIR/99, art. 923) amparada aquela contabilidade em documentação hígida. Se o contribuinte, a pretexto de mostrar a excogitada documentação que embasaria sua escrituração contábil o faz a partir de contratos increpados do vício de falso ideológico (que, digase, não suporta perícia técnica), não subsiste a força probante dos livros contábeis e permanece forte a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96, sem descurar da aplicação da multa de oficio qualificada. Se, como se adiantou, a hipótese é de escrituração fundada em documento ideologicamente falso, com propriedade, de escrituração não se pode falar, ainda mais quando a receita declarada pelo contribuinte é equivalente, na média e pelos períodos autuados, a 0,2179% (menos de 1%) da receita identificada como omitida pela fiscalização. Em outras palavras, tal escrituração e/ou contabilidade é imprestável para o fim de se apurar o lucro real, com o que, cabível é o lucro arbitrado, sistemática, aliás, pleiteada pelo contribuinte. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ E DE CSLL. A sistemática do lucro arbitrado é incompatível com a exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. PIS. COFINS. DECADÊNCIA. O prazo de decadência, no que importa ao PIS e ã Cofins, respeita a regra do art. 45 da Lei n° 8.212/91. BENEFÍCIO FISCAL. AUTUAÇÃO. O gozo de qualquer beneficio fiscal particularmente aquele versado no art. 8°, § 1°, da Lei n° 9.718/98 pressupõe ausência de falta, sendo, paradoxalmente, do mesmo ato que impõe sanção também derivaria uma benesse fiscal. PIS E CO FINS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. Se as exigências da Contribuição ao PIS e da Cofins, pela força da própria impugnação, estão com suas exigibilidades suspensas, não cabe a sua dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. RMF. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Se o próprio contribuinte fornece os extratos bancários, não há que se falar em quebra de sigilo bancário. Fl. 2401DF CARF MF Processo nº 10882.002868/200451 Acórdão n.º 9101003.157 CSRFT1 Fl. 2.399 7 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA FORMAL. AMPLIAÇÃO DOS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. INAPLICABILIDADE. Se a norma jurídicotributária em apreço for de natureza formal/adjetiva, importa dizer, prestável ã conformação do ato de lançamento, não há que se falar em principio da irretroatividade. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. É a atividade onde se examina a conformidade dos atos praticados pelos agentes do fisco frente à legislação de regência em vigor (isto e, com força vinculante), sem perscrutar da legalidade ou constitucionalidade dos fundamentos daqueles atos (validade da norma jurídica). IRPJ E TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, CÓFINS e PIS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrentes. Lançamento Procedente em Parte. Em síntese, a DRJ afastou: (i) parte dos débitos de IRPJ e de CSLL, por entender que era caso de arbitramento dos lucros, quando os lançamentos utilizaramse do regime de lucro real; (ii) multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL. Considerando o valor do valor exonerado, os autos foram remetidos ao Primeiro Conselho de Contribuintes por remessa de ofício. (volume 10). Além disso, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1.839/1.953, volume 10) A Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu parcial provimento ao recurso de ofício, restabelecendo a tributação pelo lucro real e a multa isolada no percentual de 50% e, ainda, deu parcial provimento ao recurso voluntário para admitir a dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e da CSLL das contribuições ao PIS e COFINS, como também admitir a compensação de 1/3 da COFINS paga com a CSL devida. Destaco o teor da ementa do acórdão da Câmara a quo (fls. 2.118/2.161 volume 11): RECURSO EX OFFICIO IRPJ — ARBITRAMENTO DE LUCRO — FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE DEPÓSITOS E/OU CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS INAPLICABILIDADE — Reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das conseqüências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A falta de escrituração de depósitos bancários ou mesmo de contas correntes bancárias não são suficientes para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o conseqüente arbitramento dos lucros. Fl. 2402DF CARF MF 8 IRPJ — MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DAS PARCELAS MENSAIS — A falta de recolhimento de antecipações de tributo ou a sua insuficiência, impõe a cobrança de multa de lançamento de oficio isolada. MULTA ISOLADA — REDUÇÃO DA MULTA PARA 50% MEDIDA PROVISÓRIA N° 351, DE 22/01/2007 — RETROATIVIDADE BENIGNA Aplicase a fato pretérito a legislação que deixa de considerar o fato como infração, consoante disrobe o artigo 106, inciso II, "a", do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO IRPJ — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS — Caracterizamse como omissão de receitas da pessoa jurídica, os valores creditados em contacorrente mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Por se tratar de presunção legal, compete ao contribuinte apresentar a prova para elidila. IRPJ — CSLL — BASE DE CALCULO — DEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS E COFINS — REGIME DE COMPETENCIA — De acordo com o artigo 41 da Lei n° 8.981/95, as contribuições para o PIS e COFINS são dedutiveis da base de cálculo tanto do IRPJ quanto da CSLL segundo o regime de competência, tendo em vista não estarem com sua exigibilidade suspensa. LANÇAMENTOS DECORRENTES Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado as exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fatico em comum. CSLL COMPENSAÇÃO DE 1/3 DA COFINS COM A CSLL LANÇADA DE OFÍCIO — O artigo 8° da Lei n° 9.718/98 admitiu a compensação de 1/3 da COFINS efetivamente paga com a Contribuição Social sobre o Lucro apurada no período do recolhimento. Provado que a empresa informou ao Fisco valores a recolher daquela contribuição, deve ser admitida a compensação pleiteada. Cabe à autoridade local da Secretaria da Receita Federal a conferência do efetivo pagamento da COFINS, base para o cálculo da terça parte a ser compensada. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA — Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Caracteriza evidente intuito de fraude, autorizando a aplicação da multa qualificada, a tentativa de utilizarse de Fl. 2403DF CARF MF Processo nº 10882.002868/200451 Acórdão n.º 9101003.157 CSRFT1 Fl. 2.400 9 contratos inidôneos para justificar a origem dos recursos depositados em instituições financeiras. JUROS MORATORIOS — TAXA SELIC Súmula 1° CC n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 24/09/2007 (fls. 2.116), que interpôs recurso especial em 26/10/2007 (fls. 2.165/2.172, PDF 108, volume 11), com fundamento no então vigente Regimento Interno da CSRF (Portaria MF 147/2007). Neste recurso, a Procuradoria menciona que não houve unanimidade no acórdão recorrido, indicando a contrariedade aos artigos 5º, II e 37, caput, da Constituição Federal, o artigo 170, caput do CTN e porque a compensação reconhecida no processo não se enquadra em quaisquer das formas de compensação previstas no ordenamento jurídico, implicando na violação aos artigos 73 e 74, da Lei nº 9.430/1996, com alterações posteriores e "demais atos normativos atinentes à matéria" (trecho do recurso especial). O recurso especial foi admitido pelo então presidente da 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: Tendo sido tempestiva a apresentação do recurso, e observada a condição estabelecida no parágrafo 1º. do art. 15 do referido Regimento Interno, qual seja, a demonstração da contrariedade à lei ou a evidência da prova, visto que a recorrente, em tese, fundamentou, à saciedade, a alegada contrariedade à lei no que tange à compensação de 1/3 da COFINS paga corn a CSL devida, DOU SEGUIMENTO ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. Tendo sido intimado em 27/08/2008 fls. 2191, do processo de 2008, volume 11), o contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 2.276/2.286, volume 12), nas quais sustenta que "a compensação de 1/3 da COFINS devidamente recolhida, pelo contribuinte, com a CSLL devida, prevista no artigo 8º, §1º, da Lei nº 9.718/98, consistia na realidade, em um verdadeiro benefício concedido pelo legislador infraconstitucional, em razão da majoração da alíquota da COFINS de 2% para 3%, conforme ja se manifestou o Supremo Tribunal Federal (...)". Assim, independeria de cumprimento de qualquer formalidade para seu exercício, não se submetendo no entendimento do contribuinte aos artigos 72 e 73, da Lei nº 9.43/01996. Vale esclarecimento respeito da intimação do contribuinte sobre acórdãos da Câmara a quo: houve intimação em ambos os processos administrativos, ambas (intimações 1083 e 1084) recebidos pela Sra. Valéria, RG 34.417.3690, com letra semelhante). Os detalhes das intimações são os seguintes: (i) No processo de 2008, foi emitida a intimação 1083 em 15/08/2008 (fls. 2.190, volume 11). O aviso de recebimento (AR) recebeu a identificação RO 186597841BR, tendo sido recepcionado pelo contribuinte em 27/08/08 (data devidamente identificada pelo contriubinte), data que se confirma pelo carimbo da unidade de destino (27/08/08). Fl. 2404DF CARF MF 10 (ii) no processo de 2004, foi emitida a intimação 1084 na mesma data que a anterior (15/08/2008 fls. 2.237/2.238, volume 12). O aviso de recebimento (AR) recebeu a identificação RO 186597838BR, tendo sido recepcionado pelo contribuinte em 27/08/08 (data devidamente identificada pelo contribuinte, mas parcialmente legível (fls. 2.239, volume 12), mas que se confirma pelo carimbo da unidade de destino (27/08/08). Ademais, o contribuinte apresentou recurso voluntário à Câmara Superior de Recursos Fiscais em 25/09/2008 (fls. 2.241/2.256 do processo de 2004, volume 12), no qual alega: (i) nulidade da decisão proferida pela DRJ, que teria alterado o critério jurídico do lançamento, o que violaria o artigo 59, II do Decreto nº 70.235/1972 (autoridade incompetente) e o §3º, do mesmo dispositivo; (ii) impossibilidade de cobrança de multa isolada em razão da falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, diante do encerramento do ano calendário, como também pela sua cumulação com a multa de ofício; (iii) decadência para lançamento da multa isolada, requerendo aplicação do artigo 150, §4º, do CTN. Pede, assim, a reforma do acórdão recorrido. O contribuinte ainda opôs embargos de declaração em 01/09/2008 (volume 11), alegando omissões e contradição no acórdão embargado. Estes embargos foram acolhidos pela Turma a quo para sanar omissão, sem atribuição de efeitos infringentes (fls. 2.359/2.376). A ementa do acórdão em julgamento dos embargos é reproduzida a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000, 2001 OMISSÃO. ARGUMENTOS DE DEFESA NÃO APRECIADOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. EXIGÊNCIAS REFLEXAS DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. DEDUÇÃO DE RECOLHIMENTOS. Restando incomprovada a origem dos depósitos bancários, e infirmada a sua correlação com contratos de intermediação, dos quais teriam resultado as receitas escrituradas, não se admite a dedução dos recolhimentos daí decorrentes na apuração do crédito tributário lançado, mormente tendo em conta que o sujeito passivo, intimado no curso do procedimento fiscal, sequer logrou provar documentalmente as operações que resultaram nas receitas escrituradas em sua contabilidade. Como o processo 2004 foi incluído em pauta para julgamento pela CSRF em 19/08/2014, o contribuinte peticionou ao Relator mencionando a relação entre os processos de 2004 e 2008 e a pendência, à ocasião, de julgamento dos embargos de declaração apresentados no processo de 2008. Assim, pleiteou a suspensão do processo de 2004 para posterior julgamento conjunto com o processo de 2008 (fls. 2.360/2.364). Tal requerimento foi deferido (fls. 2.365), com o apensamento dos processos (fls. 2.366). Após o julgamento dos embargos de declaração, a Procuradoria foi intimada quanto ao julgamento, esclarecendo que não apresentaria recurso à CSRF (fls. 2.378). O contribuinte foi intimado do acórdão em julgamento dos embargos no dia 18/11/2015 (fls. 2.409), interpondo recurso especial no dia 30/11/2015. Neste recurso sustenta divergência na interpretação da lei tributária a respeito dos temas seguintes: (i) Falta de diligência para justificar a lavratura de auto de infração (ou insubsistência da simples presunção de omissão de receita), com paradigma Fl. 2405DF CARF MF Processo nº 10882.002868/200451 Acórdão n.º 9101003.157 CSRFT1 Fl. 2.401 11 nº 10806.015 (processo administrativo 13709.002938/9783), no qual se decidiu: "A exigência baseada tão somente em relatório do SERPRO denominado Malha Fonte, sem investigação efetiva na suposta fonte pagadora, não preenche os requisitos estabelecidos pelo art. 142 do CTN para que seja considerado um lançamento válido". (ii) omissão de rendimentos lastreada em depósitos bancários, indicando como paradigmas os acórdãos (ii.1) CSRF nº 0104.996 (processo administrativo nº 10665.000644/9581), do qual se extrai: "o depósito ou movimentação bancária não é o bastante para configurar a omissão de receitas. Imprescindível a demonstração da correlação entre a movimentação bancária e dados internos e externos relativos ao movimento da empresa" e (ii.2) 0103.866, decisão na qual consta "os depósitos bancários de origem não comprovada não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos" (iii) multa qualificada, indicando como paradigma o acórdão nº (iii.1) 9101 001.615 (processo administrativo nº 13971.000841/200502), verbis: "a existência de depo´sitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada"e (iii.2) 10319.619 (processo administrativo nº 10830.001521/9517), constando deste acórdão que "não havendo nos autos elementos de prova suficientes que autorizem o convencimento de prática de fraude ou qualquer outro procedimento no qual o dolo específico seja elementar não prospera a multa agravada". Além disso, o contribuinte tratou em razões recursais da conexão entre os processos administrativos acima citados (10882.002868/200451 e 13896.002623/200897), requerendo o julgamento conjunto destes. O Presidente da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho negou seguimento ao recurso especial do contribuinte, conforme razões a seguir destacadas (fls. 2.595/2.604): 1. Diligência Fiscal (...) Assim, o acórdão paradigma trata de acusação de omissão direta de receitas, evidenciada apenas por relatório de procedimento eletrônico de conferência da consistência de informações declaradas pelos diversos contribuintes. Todavia, não é essa a configuração fática encontrada no presente processo. O lançamento em análise diz respeito à acusação de omissão de receitas presumida pela existência de depósitos bancários cuja origem não teria sido comprovada, apesar de o contribuinte ter sido formalmente intimado a apresentar essa comprovação, situação para a qual se aplica dispositivo normativo diverso do processo paradigma. Fl. 2406DF CARF MF 12 Assim, entendo que as diferenças existentes entre os quadros fáticos e entre os dispositivos legais respectivamente aplicados nos dois processos impedem a averiguação de uma divergência de interpretação da legislação, uma vez que a adoção de medidas diferentes pode ter ocorrido em razão dessas diferenças, o que impossibilita o seguimento do recurso com suporte nesse paradigma. 2. Depósitos bancários (...) Embora o texto das ementas acima transcritas apontem para uma divergência, esta não se verifica em razão de os lançamentos tributários de que tratam referiremse a fatos geradores anteriores à Lei nº 9.430, de 1996, que fundamenta os presentes lançamentos (artigo 287 do RIR/99). De fato, o Acórdão nº CSRF/0104.996 trata de fatos geradores ocorridos em 1991 e 1992. Já o Acórdão nº CSRF/0103.866 trata de fatos geradores ocorridos em 1990. Assim, a legislação aplicada nos processos paradigmas é diferente da legislação aplicada no presente processo, o que afasta a possibilidade de existência de divergência de interpretação. 3. Multa qualificada (...) O Acórdão nº 9101001.615 adotou a seguinte ementa: (...) A leitura desse acórdão permite verificar que a qualificação da multa teve como fundamento a reiteração de declarações obrigatórias em que foi informado tributo abaixo do devido. A decisão foi no sentido de que essa reiteração não era evidência suficiente para demonstrar o intuito de fraude do contribuinte. Todavia. não é essa a situação fática encontrada no presente processo, no qual o intuito de fraude foi evidenciado pelo fato de o contribuinte ter apresentado à fiscalização documentos ideologicamente falsos, com o objetivo de dar justificativa aos depósitos bancários objetos da auditoria. Assim, a divergência que existe entre os acórdãos está na medida adotada, não em razão de diferentes interpretações da legislação, apenas em razão de diferentes situações fáticas que levaram a decisões diferentes. Com isso, entendo que o acórdão paradigma apontado não é hábil para estabelecer a divergência alegada. O Acórdão nº 10319.619 adotou a seguinte ementa: (...) A leitura desse acórdão permite verificar que a qualificação da multa teve como fundamento a utilização de notas fiscais graciosas emitidas por empresas mantidas pelos mesmos sócios da empresa objeto da auditoria. A decisão foi no sentido de que essa configuração não era evidência suficiente para demonstrar o intuito de fraude do contribuinte. Todavia. mais uma vez, essa não é a situação fática encontrada no presente processo, no qual o intuito de fraude foi evidenciado Fl. 2407DF CARF MF Processo nº 10882.002868/200451 Acórdão n.º 9101003.157 CSRFT1 Fl. 2.402 13 pelo fato de o contribuinte ter apresentado à fiscalização documentos ideologicamente falsos, com o objetivo de dar justificativa aos depósitos bancários questionados pela fiscalização. Portanto, entendo que as diferenças existentes entre os quadros fáticos dos dois processos impedem a averiguação de uma divergência de interpretação da legislação, uma vez que a adoção de medidas diferentes pode ter ocorrido em razão dessas diferenças fáticas, o que impossibilita o seguimento do recurso neste ponto. (...) Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, previstos no art. 67 do Regimento Interno do CARF, mas não tendo sido demonstrada divergência na interpretação da legislação tributária, NEGO SEGUIMENTO ao recurso, nos termos acima examinados. O contribuinte foi intimado em 18/10/2016 sobre negativa de admissibilidade do recurso especial (fls. 2.621), sem que tenha apresentado Agravo (fls. 2.638). Diante disso, foi formalizado o processo nº 16151720190/201667, para acompanhamento dos créditos com decisão definitiva (fls. 2.638). Após requerimento do contribuinte, foi cancelado o desmembramento do processo 2016 (fls. 2.641, 2.652) Diante da falta de intimação da Procuradoria para contrarrazões ao recurso especial, foi determinada tal providência (fls. 2.370/2.372), com remessa dos autos à Procuradoria em 26/06/2017, que apresentou contrarrazões ao recurso voluntário em 29/06/2017. Nestas contrarrazões alega: (i) que não haveria resultado prático com a declaração de nulidade da decisão da DRJ, pois o resultado pretendido já foi alcançado com o acórdão recorrido, que seria afastar o arbitramento; (ii) que aplicase a teoria da causa madura ao caso dos autos, eis que o processo chegou ao CARF em condições de julgamento, tratando de questão exclusivamente de direito; (iii) que a cobrança da multa isolada decorre do descumprimento de obrigação legal de antecipação do IRPJ, devendo ser mantida sua imposição; (iv) não haveria decadência da multa isolada, pela aplicação do artigo 173, I, do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Fl. 2408DF CARF MF 14 No presente voto tratarei do recurso voluntário do contribuinte, controlado no presente processo (10882.002868/200451). Este recurso voluntário trata das seguintes matérias: (i) nulidade da decisão proferida pela DRJ, que teria alterado o critério jurídico do lançamento, o que violaria o artigo 59, II do Decreto nº 70.235/1972 (autoridade incompetente) e o §3º, do mesmo dispositivo; (ii) impossibilidade de cobrança de multa isolada em razão da falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, diante do encerramento do anocalendário, como também pela sua cumulação com a multa de ofício; (iii) decadência para lançamento da multa isolada, requerendo aplicação do artigo 150, §4º, do CTN. Pede, assim, a reforma do acórdão recorrido. Antes de adentrar o mérito, analiso a tempestividade do recurso voluntário (interposto em 25/09/2008) e as condições de cabimento deste recurso, para fins do seu conhecimento. A questão aqui colocada referese à data de intimação do contribuinte para a apresentação de recursos cabíveis. Nesse sentido, rememoro que houve intimação do contribuinte em ambos os processos administrativos ora analisados (2004 e 2008). São as seguintes: (i) No processo de 2008, foi emitida a intimação 1083 em 15/08/2008 (fls. 2.190, volume 11). O aviso de recebimento (AR) recebeu a identificação RO 186597841BR, tendo sido recepcionado pelo contribuinte em 27/08/08 (data devidamente identificada no aviso de recebimento pelo funcionário que recebeu a intimação), esta data se confirma pelo carimbo da unidade de destino dos Correios (27/08/08). (ii) no processo de 2004, foi emitida a intimação 1084 na mesma data que a anterior (15/08/2008, fls. 2.237/2.238, volume 12). O aviso de recebimento (AR) recebeu a identificação RO 186597838BR, tendo sido recepcionado pelo contribuinte em 27/08/08 (data devidamente identificada pelo contribuinte, mas parcialmente legível, mas que se confirma pelo carimbo da unidade de destino (também na data de 27/08/08). Em que pese não esteja totalmente legível a intimação no processo de 2004, entendo que esta ocorreu em 27/08/2008, considerando que foi emitida na mesma data que a intimação 1083 (15/08/08), tendo sido carimbado pela unidade de destino (Correio) também na mesma data 27/08/08, sendo recepcionada pela mesma pessoa (Valéria, RG RG 34.417.3690). O prazo para recurso voluntário à CSRF era de 30 (trinta) dias, conforme artigo 18, do então vigente Regimento Interno da CSRF (Portaria MF 147/2007): Artigo 18. O recurso voluntário à Câmara Superior de Recursos Fiscais será apresentado na unidade da administração tributária de jurisdição do sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contado da data da ciência do acórdão, em petição fundamentada dirigida ao Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Parágrafo único. Os Procuradores da Fazenda Nacional credenciados na Câmara Superior de Recursos Fiscais serão pessoalmente intimados dos recursos voluntários interpostos pelos sujeitos passivos para oferecer contrarazões, no prazo de trinta dias. Fl. 2409DF CARF MF Processo nº 10882.002868/200451 Acórdão n.º 9101003.157 CSRFT1 Fl. 2.403 15 Acrescento que a Turma a quo conheceu de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, como se extrai do trecho do relatório e voto da então Relatora, ex Conselheira Edeli Pereira Bessa: Já nestes autos, em razão da intimação dirigida à contribuinte para cientificála do acórdão nº 10196.160, acompanhado do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, facultando lhe a interposição de contrarrazões, houve oposição de embargos de declaração (fls. 2184/2197) e apresentação das referidas contrarrazões (fls. 2265/2275). A ciência, pela contribuinte, do Acórdão nº 10196.160 verificouse em 27/08/2008 (fl. 2181), e os embargos foram opostos, tempestivamente, em 01/09/2008. (...) Por tais razões, os embargos de declaração devem ser PARCIALMENTE CONHECIDOS e nesta parte ACOLHIDOS para, relativamente à omissão apontada, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. No entanto, a tempestividade dos embargos não tem qualquer influência no prazo do recurso voluntário ora analisado, eis que sua admissão apenas interrompe o prazo para recurso especial, na forma prevista pela Portaria MF 147/2007 Art. 57. (...) § 5º Os embargos de declaração interrompem o prazo para a interposição de recurso especial. De toda sorte, entendo que a intimação ocorreu em 27/08/2008, razão pela qual entendo tempestivo o recurso voluntário apresentado. Lembro, ainda, que o cabimento do recurso voluntário a esta Turma da CSRF decorre da aplicação do artigo 8º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 14/2007), verbis: Artigo 8º Compete também à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso voluntário de decisão de Câmara que prover recurso de ofício. O Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF 256/2009, consagrou a submissão dos antigos recursos voluntários à CSRF às regras do Regimento Interno anterior da CSRF: Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. No mesmo sentido, prescreve o atual RICARF (Portaria MF 343/2015), como se observa do artigo 3º: Fl. 2410DF CARF MF 16 Art. 3º Os recursos com base no inciso I do caput do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Diante disso, considerando a tempestividade e cabimento do recurso voluntário, voto pelo seu conhecimento. Passo à análise do mérito do recurso voluntário: Nulidade da decisão da DRJ: A respeito deste tema, extraemse trechos do recurso voluntário ora analisado, para elucidar o entendimento da Recorrente: Conforme se extrai do acórdão ora recorrido, verificase que o I. Conselheiro Relator reconheceu expressamente que a DRJ não poderia arbitrar o lucro da Recorrente, justamente porque tal órgão colegiado não detém competência para alterar o critério jurídico do lançamento (...) Assim, em razão da incompetência da DRJ para inovar o lançamento, o I. Conselheiro Relator alegou, com fundamento no artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, que a decisão proferida por autoridade incompetente é nula, verbis: (...) Contudo, ao invés de decretar, no presente caso, a nulidade da decisão proferida em primeira instância e determinar, por conseqüência, a devolução dos autos do presente processo para que a DR.] proferisse uma nova decisão, o I. Conselheiro Relator entendeu "ser desnecessário tal procedimento" em respeito ao principio da economia processual (...) De fato, conforme se depreende da análise do parágrafo 3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, citado, inclusive, pelo I. Relator, verificase que a Autoridade Julgadora poderá deixar de (i) declarar a nulidade do ato e (ii) determinar a repetição do ato nulo "quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo" (...) Ora, no presente caso, não foi satisfeita a condição prevista no referido dispositivo legal. Isso porque, o mérito do recurso de oficio interposto não foi decidido a favor da Recorrente, não havendo, portanto, qualquer justificativa para que o I. Conselheiro Relator, do acórdão ora recorrido, mantivesse a decisão proferida pela DR.) por "simples economia processual".(...) Muito pelo contrário, houve, de fato, o agravamento da situação da Recorrente em virtude do restabelecimento da tributação pelo lucro real e da multa isolada. Fl. 2411DF CARF MF Processo nº 10882.002868/200451 Acórdão n.º 9101003.157 CSRFT1 Fl. 2.404 17 De fato, o lançamento tributário foi efetuado sob o regime de lucro real, tendo decidido a Delegacia da Receita Federal de Julgamento por refazer o cálculo do IRPJ devido, sob a sistemática do lucro arbitrado. Nesse sentido, colacionase trecho do acórdão da DRJ: 12. Direto ao cerne da questão, fiscalização de um lado, contribuinte d'outro, mais virgula menos ponto, debatem ao derredor da força probante da escrita contábilfiscal, ou melhor ainda, sob que condições esta (a escrita) traz para si aquele predicado (força de prova). 13. A disputa pode ser imediatamente derriçada com apoio nos artigos 923/924 do RIR/99: Art 923 A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei no 1.598/77, art. 90, § 1°; negrejado acrescido) Art. 924 Cabe a autoridade administrativa a prova da in veracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei n° 1.598/77, art. 9°, § 2°). 14. E o punctum saliens é justamente esse: a escrituração prova, sim, mas desde que apoiada em documentos hábeis, os quais, no caso, trazidos à vista da fiscalização e afirmados higidos pelo contribuinte, foram, em tese, desqualificados por motivo de falso ideológico, isto no curso do procedimento fiscal. Anotese que a increpação de falso ideológico é em tese por um pressuposto lógico de todo e qualquer processo (como é este, o administrativo): houvesse prova definitiva do fato, desnecessário seria o processo, inútil seria a defesa, se partiria desde logo para a condenação. Em outras palavras, o fato objeto de uma acusação sempre é fato discutível, por isso é que há processo, onde as partes envolvidas digladiam com os meios próprios de acusação e defesa. 15. E, há de se perguntar, qual(is) o(s) motivo(s) que levou(ram) à fiscalização — assim se desincumbindo do encargo que lhe gravava o preceito do art. 924 do RIR199 — a concluir pela hipótese de falso ideológico que, em tese, pesaria sobre os documentos em que o contribuinte apóia sua defesa? 16. Tratase de uma lista deles, todos (os motivos) extraídos a partir dos documentos tendentes, na ótica do contribuinte, a demonstrar a origem dos recursos depositados em contas correntes de sua titularidade, pertinentes a alegadas transações de compra e venda de títulos e, assim, supostamente confirmatórios da atividade de intermediação que alega desenvolver (fls. 46/604): a) Falta de indicação dos "nomes dos bancos intermediários, a numeração dos títulos, as datas de emissão, os prazos e as condições de resgate" (fl. 08); Fl. 2412DF CARF MF 18 b) Falta de convergência entre os valores depositados em conta corrente de sua titularidade e aqueles constantes dos contratos de venda de títulos ("Todavia, analisando os valores dos depósitos relacionados nos Anexos 01, 02 e 03, verificase que não há qualquer coincidência de datas e valores com as transações de venda de títulos informadas pelo contribuinte Li)." (fl. 787); c) Existência de depósitos em contacorrente de titularidade do contribuinte para os quais estão vinculados (como depositantes) CPF's inválidos (fls. 914/915). Obviamente, se tais recursos, dentre outros mais, são usados para a aquisição de títulos e, assim, viabilizam a alegada atividade de intermediação, forma se aí, no minim, dúvida sobre a concretude daquela atividade, bem como sobre sua real natureza. Esta auditoria elaborou o documento "Anexo 4 do Termo 2004.00115/04 — Relação de DOCs identificados", contendo 02 folhas, [...], no qual foram relacionadas as transferência i nterbancárias, denominadas de DOCs, cujos remetentes encontramse identificados nos extratos bancários através do CPF ou CNPJ. Observase que os remetentes pessoas físicas informaram CPFs inválidos [dezesseis, ao todo] (f1. 788) d) Existência de depósitos em contacorrente de titularidade do contribuinte para os quais estão vinculados (como depositantes) CNPJ's válidos (fls. 914/915). Porém, nenhum daqueles CNPJ's coincidem com os CNPJ's das pessoas jurídicas (DUAGRO, SIPASA e KIDRON) que, afirma o contribuinte, teriam adquirido os indigitados títulos, como relacionado na planilha de sua confecção "Fluxo de Operações Logistica/Hardsell" às fls. 12/44. Ora, se os CNPJ's constantes dos extratos bancários (fls. 655/671, anverso e verso) identificam como depositantes outras pessoas jurídicas (adquirentes dos títulos) que não aquelas estampadas nos contratos apresentados, adicionado a isto o fato de não estarem contabilizados individualmente indigitados depósitos ("Além disso, os depósitos bancários relacionados nos Anexos 01, 02 e 03 não foram z contabilizados nos livros Diário e Razão" — fl. 788; circunstância confirmada pelo contribuinte na impugnação, ao ponderar sobre uma espécie de contabilização "liquida" entre o total de ingressos e estornos em contacorrente de sua titularidade — fls. 1441/1446), a origem de tais recursos resta não demonstrada. E, mais uma vez, se tais recursos, dentre outros mais, são usados para a aquisição de títulos e, assim, viabilizam a alegada atividade de intermediação, formase aí, no minim, dúvida sobre a concretude daquela atividade, bem como sobre sua real natureza. e) Não é possível determinar o objeto supostamente negociado e referido nos contratos (títulos "US Treasury Bills"), isto pelo só texto corrente destes contratos, bem como em função da especificidade da sua emissão (em meio eletrônico) e controle (a cargo de entidade custodiante). Certo que, não pode o contribuinte, como intentou durante o procedimento de fiscalização e, agora também, na impugnação, lançar o encargo à fiscalização para, em diligência juntos aos titulares/emissores Fl. 2413DF CARF MF Processo nº 10882.002868/200451 Acórdão n.º 9101003.157 CSRFT1 Fl. 2.405 19 originais dos mencionados títulos, afirmar ou infirmar sua higidez. Se é certo que o contribuinte intermediou, sob seu nome (como consignado nos contratos), junto com a Hard Sell Arquitetura Promocional Ind. e Com. Ltda. (também fiscalizada por idêntico motivo), a venda de R$ 1.572.748.739,74 (fl. 44), é de sua responsabilidade bem evidenciar o objeto da transação e seus intervenientes. Tais títulos ficam sob a custódia do órgão emissor ou de unia entidade financeira custodiante autorizada pelo governo, unia vez que são emitidos na forma escritural eletrônica e não existent fisicanzente na forma de papel. (...) 17. De tudo quanto exposto nos parágrafos anteriores, identificados com as letras de "a" até "h", bem se vê que a documentação apresentada pelo contribuinte e tendente, assim ele esperava, a sustentar sua escrituração contábil, forte no art. 923 do RIR/99, não é serviente para tal desiderato, porque viciada, em tese (sempre o é), pelo falso ideológico. Certo, também, que a fiscalização deu curso ao encargo que lhe cabia, nos termos do art. 924 do RIR/99. 19. A vista destas circunstâncias, a conclusão é certa: o contribuinte, até o momento, não comprovou a origem dos depósitos em contacorrente de sua titularidade. Reiterese, para desfazer a cisão que intenta o contribuinte com relação aos termos motivo/origem: a origem, causa, motivo, ou o que mais se queira, de depósitos havidos em contacorrente mantida junto ã instituição financeira é, prima facie, a contabilidade, mas desde que esta contabilidade esteja respaldada em documentação higida é evidente e tal é o que sobressai do art. 923 do RIR/99. Também, registrese que a deficiência sobre a documentação trazida pelo contribuinte, particularmente em razão do falso ideológico que carrega e da amplitude qualitativa e quantitativa que chega a tomar, não pode ser suplantada por uma mera declaração do Sr. Laodse Denis de Abreu Duarte, "proprietário das empresas que adquiriram os títulos" (DUAGRO, STPASA e KIDRON) (fl. 1438), em sentido contrário (Código Civil de 2002, art. 227, caput exclusividade da prova testemunhal cominado com os arts. 401/402 do CPC subsidiariedade da prova testemunhal, desde que existente inicio de prova escrita, e impossibilidade da prova escrita por razões materiais e/ou morais). Por fim, se e quando for razoável a assunção de que a variação cambial seria a responsável pelo descompasso entre os valores expressos nos contratos e os valores presentes nos extratos bancários e na contabilidade, esta é uma hipótese que perde força ante a circunstância já assinalada do falso ideológico que inquina os referidos contratos. 20. Aliás, é o mesmo falso ideológico que retira o contribuinte do raio de alcance da multa de 75% (Lei n° 9.430/96, art. 44, Fl. 2414DF CARF MF 20 inciso I) e o coloca sob a esfera de influência da multa de 150% (Lei n° 9.430/96, art. 44, inciso II). Ou será crível tratar igualmente o contribuinte simplesmente inadimplente e o contribuinte dolosamente inadimplente? O discrimen entre uma hipótese e outra é, justamente, para apanhar o dolus malus. A multa de 75% segue critério objetivo de aplicação (CTN, art. 136, primeira parte). A multa de 150%, porque supõe a fraude (dolus malus), imprescinde de uma apreciação subjetiva da conduta do contribuinte (CTN, art. 136, segunda parte). E, pelo que ficou antes dito, em apreciação subjetiva o contribuinte operou, até o momento e em tese, com fraude — contratos viciados pelo falso ideológico. 23. Muito bem, confirmada a hipótese de omissão de receita ao amparo do art. 42 da Lei n° 9.430/96, certo que o contribuinte intenta apoiar a sua escrita contábilfiscal em documentação ideologicamente falsa, bem como a vista a relação existente entre o total de receita havido por omitido e o total de receita tributável declarada pelo contribuinte, não há outra linha sendo concordar com a ponderação deste sobre o cabimento, na espécie, da apuração do IRPJ com base no lucro arbitrado e pelo coeficiente de 32%, também sugerido pelo ora autuado (idêntica solução seguirseá para a CSLL). Pelos Quadros demonstrativos que secundam este voto, vêse que, considerados os períodos autuados, a receita declaralo contribuinte em suas DIPJ's representa, em media, 0,2179% da receita identificada como omitida pela fiscalização. Isto somado ao fato do falso ideológico — que desqualifica a contabilidade, tornandoa imprestável para a apuração do lucro real — outro não pode ser o caminho que não o do arbitramento. Conseqüência imediata: não subsiste qualquer autuação à conta da falta de recolhimento de estimativas, visto que tal sistemática viceja sob o pálio da apuração do IRPJ/CSLL com base no lucro real (Lei nº 9.430/96, art. 2º) e, ainda e mais importante, segundo opçãod o próprio contribuinte. (...) 71. À vista de tudo o mais, e tendo em conta o acolhimento da tese do contribuinte em favor da sistemática de tributação do IRPJ/CSLL pelo arbitramento, este voto, na conformidade dos Quadros que se seguem, julga: 71.1. Procedente em parte a autuação de IRPJ (objeto do processo sob n° 10882.002868/200451). Exclusão (tributo e multa de oficio) no total de R$ 319.955.599,78; 71.2. Procedente em parte a autuação de CSLL (objeto do processo sob n° 10882.002868/200451). Exclusão (tributo e multa de oficio) no total de R$ 188.114.636,78; , 71.3. Procedente a autuação da Contribuição ao PIS (objeto do processo sob n° 10882.002868/200451); 71.4. Procedente a autuação da Cofins (objeto do processo sob n° 10882.002868/200451); 71.5. Improcedente a autuação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ (objeto do processo sob n° 10882.002868/200451). Exclusão de RS. 312.072.079,23; e Fl. 2415DF CARF MF Processo nº 10882.002868/200451 Acórdão n.º 9101003.157 CSRFT1 Fl. 2.406 21 71.6. Improcedente a autuação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de CSLL (objeto do processo sob n° 10882.002867/200415). Exclusão de R$ 128.389.266,89. Destaco trecho da impugnação, considerando a afirmação pelos julgadores da DRJ do cabimento do arbitramento do lucro, além da sugestão do contribuinte pelo quoficiente de 32%. Ainda, uma outra alternativa para a lavratura dos autos de infração, caso prevalecesse a hipótese de simulação, seria o arbitramento do lucro da Impugnante, caso se demonstrasse que a escrituração revela indícios de fraudes ou que contém vícios que a torne imprestável, nos termos do que estabelece o inciso II, do artigo 530 do RIR/99. Contudo, como a fiscalização não adotou nenhuma destas alternativas, as quais ao menos seriam condizentes com a descrição contida no Termo de Verificação Fiscal, as autuações fiscais não podem prevalecer. (folha 26 da impugnação) a) Da impossibilidade de Aplicação do Balancete de Suspensão e/ou Redução para o Cálculo do IRPJ devido por estimativa no presente caso Os artigos 27 a 39 da Lei n° 8.981/95, com as alterações introduzidas por legislação superveniente, estabeleceram as regras para o cálculo do IRPJ pago mensalmente a titulo de estimativa efetivamente devido no final do anocalendário. Assim, como regra geral, toda pessoa jurídica que optar pela apuração do IRPJ com base no lucro real anual, terá que pagar mensalmente o IRPJ calculado por estimativa. A base de cálculo do IRPJ pago mensalmente é o resultado da aplicação de um percentual sobre a receita bruta do mês, acrescido de ganhos de capital, demais receitas e resultados positivos, excetuados os rendimentos e ganhos tributados como de aplicações financeiras. No período autuado, para o cálculo do IRPJ, os percentuais variavam de acordo com a atividade exercida pela pessoa jurídica. Como a Impugnante se trata de empresa prestadora de serviços, este percentual era de 32%. Excepcionalmente, estabelece o artigo 35, da Lei n° 8.981/95, com as alterações impostas pela Lei n° 9.065/95, que a pessoa jurídica pode suspender ou reduzir o pagamento do IRPJ devido em cada mês, caso demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso: (...) (folha 74 e 75 da impugnação). A transcrição de tais trechos é apenas para elucidar que o contribuinte não requereu o arbitramento com percentual de 32%, apenas mencionou a possibilidade de arbitramento em hipótese de fraude, para reforçar a sua alegação de insubsistência do auto de infração. O contribuinte mencionou, ainda, o percentual de 32% para tratar da ilegalidade Fl. 2416DF CARF MF 22 (conforme sua alegação) da multa isolada imposta. Não se está fazendo afirmativa sobre acerto, ou desacerto, na afirmação do contribuinte. Apenas relembrando o teor de decisões e defesa nos autos. De toda forma, é incontroverso nos autos que houve alteração da sistemática de apuração por decisão da DRJ, que, ao assim proceder, reduziu substancialmente a imposição tributária, tanto pela diminuição do valor do IRPJ e da CSLL (R$ 319.955.599,78 e 188.114.636,78), quanto pela anulação da multa sobre estimativas mensais (R$ 312.072.079,23 e 128.389.266,89). Ao apreciar a alegação do contribuinte de nulidade da decisão da DRJ, a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, decidiu que: Do lançamento (...) Ao apreciar a matéria, a colenda turma de julgamento de primeiro grau entendeu que não seria cabível a exigência formalizada contra a recorrente nos termos em que consta do auto de infração, qual seja, o lançamento com base no lucro real. (...) Em resumo, entendeu a turma de julgamento que o procedimento fiscal, apesar de ter apurado as irregularidades fiscais praticadas pela contribuinte e bem aplicado a multa exasperada de 150%, deveria ter procedido ao arbitramento dos lucros, eis que a contabilidade estaria amparada em documentos falsos e inábeis. Diante disso, decidiram os julgadores de primeiro grau em modificar os fundamentos da autuação e partiram para o arbitramento do lucro em razão dos argumentos acima expostos. A decisão de primeiro grau, apesar de confirmar a acusação fiscal a titulo de omissão de receitas, extravasou os limites de sua competência de julgar ao modificar a sistemática de apuração do lucro tributável pela qual havia sido formalizada a exigência inicial relativa ao Imposto de Renda. Já é assente nesta Câmara que é nula a decisão que introduz alterações na exigência tributária, sobretudo com agravamento, consoante os termos do disposto no inciso II, artigo 59 do Decreto n ° 70.235/72, ipsis: (...) O núcleo da nulidade da decisão situa se na ilegitimidade da autoridade julgadora para introduzir alterações nos lançamentos, sobretudo com modificação do sujeito passivo da obrigação. A Lei n ° 8.748/93 dispôs em seu artigo 2°: Artigo 2° São criadas dezoito Delegacias da Receita Federal especializadas nas atividades concernentes ao julgamento de processos relativos a tributos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo de competência dos respectivos Delegados o julgamento, em primeira instância, daqueles processos. Fl. 2417DF CARF MF Processo nº 10882.002868/200451 Acórdão n.º 9101003.157 CSRFT1 Fl. 2.407 23 Inexistem dúvidas que tais órgãos se destinam exclusivamente a atividade de julgamento. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 146, estabelece que: Art. 146 A modificação introduzida, de oficio ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente a sua introdução. O Fisco deve observar criteriosamente referido dispositivo, o qual impede que, em determinado lançamento, ele passe a adotar novo critério, uma vez que isso implicaria em mudança na forma de aplicar a legislação. Ao exercer sua atividade, a fiscalização verificou os fatos e os documentos da contribuinte, tendo lavrado o auto de infração a titulo de omissão de receitas com base no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, seguindo a mesma sistemática de tributação utilizada pela contribuinte, qual seja, o lucro real. Por seu turno, os julgadores de primeiro grau inovaram o lançamento, alterando a forma de tributação desta feita, para o lucro arbitrado, infringindo assim, o principio da inalterabilidade do lançamento. Assim, deveria ser declarada nula a decisão de primeiro grau, para que outra fosse proferida, porém, em obediência ao principio da economia processual entendo ser desnecessário tal procedimento. (...) Do arbitramento dos lucros (...) Na hipótese sob exame verificase que o erro ou omissão detectado pela fiscalização falta de escrituração da movimentação bancária detectada pela fiscalização na escrita da recorrente não obstacularizaria a constatação do seu real movimento econômico e financeiro, tanto assim que a irregularidade apontada no Auto de Infração foi minuciosamente descrita peia autuante. Citada irregularidade poderia ou não ser passível de tributação, mediante adição dos respectivos valores ao lucro real do exercício, mas em hipótese alguma justificar o arbitramento. (...) No caso dos autos é patente a possibilidade de apuração de eventual omissão de receitas sem o recurso ao arbitramento. A escrituração existia, e eventuais irregularidades fiscais eram perfeitamente identificáveis pela análise da documentação apresentada. Eventual volume extenso de trabalho não é justificativa suficiente para o arbitramento. (...) No caso, a recorrente, devidamente intimada a comprovar a origem dos depósitos não se preocupou em trazer provas de suas Fl. 2418DF CARF MF 24 alegações. Nada há, pois, que possa dar sustentação ao alegado erro cometido pelo depositante. Não se verifica qualquer elemento probatório que pudesse desvincular o depósito realizado das operações da recorrente. Assim agindo, deu ensejo à caracterização dos valores depositados como receita omitida, dai decorrendo a exigência dos tributos lançados. O atual Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) prescreve que o juiz pode decidir a favor da parte a quem aproveite a decretação da nulidade, sem determinar a repetição do ato nulo, como se verifica do §2º, do artigo 282: Art. 282. Ao pronunciar a nulidade, o juiz declarará que atos são atingidos e ordenará as providências necessárias a fim de que sejam repetidos ou retificados. § 1o O ato não será repetido nem sua falta será suprida quando não prejudicar a parte. § 2o Quando puder decidir o mérito a favor da parte a quem aproveite a decretação da nulidade, o juiz não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. E, anda, que a declaração de nulidade depende do prejuízo à defesa de qualquer parte quando se tratar de erro de forma do processo, como se verifica do parágrafo único do artigo 283: Art. 283. O erro de forma do processo acarreta unicamente a anulação dos atos que não possam ser aproveitados, devendo ser praticados os que forem necessários a fim de se observarem as prescrições legais. Parágrafo único. Darseá o aproveitamento dos atos praticados desde que não resulte prejuízo à defesa de qualquer parte. Por fim, destaquese que o CPC/2015 prestigia o princípio da Instrumentalidade das Formas, conforme artigo Art. 277. Quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade. Em sentido similar, previa o Código de Processo anterior (Lei nº 5.869/1973), vigente ao tempo em que proferida a decisão pela Câmara a quo: Art. 249. O juiz, ao pronunciar a nulidade, declarará que atos são atingidos, ordenando as providências necessárias, a fim de que sejam repetidos, ou retificados. § 1o O ato não se repetirá nem se Ihe suprirá a falta quando não prejudicar a parte. § 2o Quando puder decidir do mérito a favor da parte a quem aproveite a declaração da nulidade, o juiz não a pronunciará nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art. 250. O erro de forma do processo acarreta unicamente a anulação dos atos que não possam ser aproveitados, devendo Fl. 2419DF CARF MF Processo nº 10882.002868/200451 Acórdão n.º 9101003.157 CSRFT1 Fl. 2.408 25 praticarse os que forem necessários, a fim de se observarem, quanto possível, as prescrições legais. Parágrafo único. Darseá o aproveitamento dos atos praticados, desde que não resulte prejuízo à defesa. Art. 244. Quando a lei prescrever determinada forma, sem cominação de nulidade, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, Ihe alcançar a finalidade. O Superior Tribunal de Justiça, tratando de nulidade em processo judicial pela negativa de seguimento a embargos de declaração, decidiu que não há nulidade sem prejuízo, conforme trecho de acórdão a seguir colacionado: 6. In casu, verificase que, contra a decisão que negou seguimento aos embargos declaratórios, a recorrente interpôs agravo interno para o órgão colegiado, que, apreciando a matéria, confirmou a decisão atacada. Assim, revelarseia providência inútil a declaração de nulidade da decisão que negou seguimento aos declaratórios, porquanto já existente pronunciamento do órgão colegiado, motivo pelo qual o descumprimento da formalidade prevista no Estatuto Processual não prejudicou a embargante, incidindo a regra mater derivada do Princípio da Instrumentalidade das Formas no sentido de que "não há nulidade sem prejuízo" (artigo 244, do CPC). (Corte Especial, Recurso Especial nº 1.049.974, Rel. Min. Kuiz Fux, DJe 03/08/2010) É relevante reproduzir novamente os artigos 244 (CPC/1973) e 277 (CPC/2015), para revelar a pequena alteração na redação legal, que pode ser relevante na análise do presente processo: CPC 1973: Art. 244. Quando a lei prescrever determinada forma, sem cominação de nulidade, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade. CPC 2015: Art. 277. Quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade. Notese que a expressão "sem cominação de nulidade" foi suprimida no atual CPC, revelando que é irrelevante para o atual CPC se a lei trata o desrespeito à forma da lei como nula, ou se simplesmente não há cominação de penalidade pelo descumprimento da forma legal. De toda forma, as disposições do CPC tratam de vício de forma, que pode ser superado conforme dispositivos processuais reproduzidos. A Lei nº 9.784/1999 trata da possibilidade de superação da nulidade de intimações conforme artigo 26, §5º Fl. 2420DF CARF MF 26 Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. (...) § 5o As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. E, ainda, estabelece a possibilidade de anulação de decisão recorrida no âmbito da administração pública federal, verbis: Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência. Parágrafo único. Se da aplicação do disposto neste artigo puder decorrer gravame à situação do recorrente, este deverá ser cientificado para que formule suas alegações antes da decisão. Finalmente, o Decreto nº 70.235/1972 estabelece em seu artigo 59 as hipóteses de nulidade e quando pode ser superada: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Pois bem. Parecenos que a superação da nulidade pode ocorrer nas hipóteses tratadas pelo Decreto nº 70.235 (isto é, quando a decisão que decretar a nulidade for favorável, no mérito, ao sujeito passivo), como também nas hipóteses da Lei nº 9.784/1999 (comparecimento do administrado, quanto à intimação falha) e do CPC (aproveitamento dos atos praticados sem prejuízo à defesa, quanto ao erro de forma do processo e se realizado de outro modo, o ato se realize alcançando sua finalidade). No caso destes autos, não se aplicam as hipóteses da Lei nº 9.784/1999 e CPC, eis que não há falha de intimação, como tampouco erro de forma, como tratado pelos dispositivos legais citados. Com efeito, aplicase ao caso dos autos a hipótese do artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. Assim, se fosse o caso de decisão favorável ao sujeito passivo superando a nulidade seria legítima a decisão da Câmara a quo, que então apreciasse o mérito para dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Fl. 2421DF CARF MF Processo nº 10882.002868/200451 Acórdão n.º 9101003.157 CSRFT1 Fl. 2.409 27 No caso dos presentes autos, o contribuinte sustenta a nulidade da decisão da DRJ que redefiniu a sistemática de apuração do IRPJ, de lucro real para lucro arbitrado. De fato, é nula a decisão administrativa que modifique o critério de lançamento tributário. O acórdão recorrido reconheceu tal nulidade, tratando da exclusiva competência da DRJ para julgamento (nos termos da Lei n° 8.748/93) e, ainda, do artigo 146, do CTN, que impede a modificação de critério jurídico adotado pela autoridade administrativa quanto a fatos anteriores à alteração deste critério. Com efeito, o artigo 146, do CTN, impede seja alterado critério de lançamento: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. A respeito do artigo 146, são as considerações de Hugo de Brito Machado: “Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotada uma entre várias alterativas expressamente admitidas pela lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado” (Curso de Direito Tributário, 30ª ed., Malheiros, 2009, p. 176). O Código Tributário Nacional ainda autoriza a revisão de ofício de lançamento quando há erro de fato, nos termos do artigo 149, IV, c/c artigo 145, III: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de:(...) III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; (...) Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Fl. 2422DF CARF MF 28 Em que pese autorize a revisão do lançamento quanto ao erro de fato, o Código Tributário Nacional não autoriza a revisão do lançamento quando há – se o caso – erro de direito. A esse respeito, são as primorosas considerações de Humberto Ávila: A mudança de orientação da Administração quer com relação à prática até então adotada, quer com referência aos atos de lançamento já efetuados, só pode dizer respeito a erros de fato, nunca erros de direito. Com efeito, se a Administração, por algum motivo, entende que a legislação foi malaplicada, só pode mudar a orientação para o futuro, não para o passado, inclusive por determinação do art. 146 do Código Tributário Nacional. (Segurança Jurídica – Entre Permanência, Mudança e Realização no Direito Tributário, Malheiros, 2011, p. 458) Como também entende Ricardo Lobo Torres, reiterando a impossibilidade de revisão de lançamento por erro de direito: Enquanto o artigo 149 exclui o erro de direito dentre as causas que permitem a revisão do lançamento anterior feito contra o mesmo contribuinte, o artigo 146 proíbe a alteração do critério jurídico geral da Administração aplicável ao mesmo sujeito passivo com eficácia para os fatos pretéritos (O Princípio da Proteção da Confiança do Contribuinte, RFDT 06/09, dez/03) Tampouco os artigos 145 e 149 legitimam tal alteração pela autoridade julgadora administrativa. Afinal, o julgamento de processos administrativos é forma de controle da legalidade do lançamento, sem que as autoridades julgadoras detenham competência para refazer o lançamento. Nesse sentido, e em respeito aos princípios do contraditório e ao da ampla defesa, o artigo 18, §3º, do Decreto nº 70.235/1972 assegura aos contribuintes o direito de nova impugnação administrativa quando houver inovação da fundamentação legal da exigência, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal Fl. 2423DF CARF MF Processo nº 10882.002868/200451 Acórdão n.º 9101003.157 CSRFT1 Fl. 2.410 29 da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O Decreto nº 7.574/2011 se alinha a tal diretriz legal, explicitando a possibilidade de alteração de lançamento e a necessária oportunização de contencioso desde impugnação administrativa: Art. 41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, § 3o, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 1º O lançamento complementar será formalizado nos casos: I em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos produzidos na ação fiscal, que o autuante, no momento da formalização da exigência: a) apurou incorretamente a base de cálculo do crédito tributário; ou b) não incluiu na determinação do crédito tributário matéria devidamente identificada; ou II em que forem constatados fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da ação fiscal e relacionados aos fatos geradores objeto da autuação, que impliquem agravamento da exigência inicial. § 2º O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput terá o objetivo de: I complementar o lançamento original; ou II substituir, total ou parcialmente, o lançamento original nos casos em que a apuração do quantum devido, em face da legislação tributária aplicável, não puder ser efetuada sem a inclusão da matéria anteriormente lançada. § 3o Será concedido prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência complementar, para a apresentação de impugnação apenas no concernente à matéria modificada. § 4o O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput devem ser objeto do mesmo processo em que for tratado o auto de infração ou a notificação de lançamento complementados. Fl. 2424DF CARF MF 30 § 5o O julgamento dos litígios instaurados no âmbito do processo referido no § 4o será objeto de um único acórdão. O dispositivo do Decreto nº 7.574/2011 novamente trata de erro de fato, ao possibilitar tal alteração do lançamento por: (a) apuração incorreta da base de cálculo (inciso I, alínea a), (b) não inclusão de matéria devidamente identificada no crédito tributário (inciso I, alínea b) ou (c) fatos novos, desconhecidos pela autoridade lançadora original (inciso II). O artigo 41, portanto, está devidamente alinhado às normas do Código Tributário Nacional. O Superior Tribunal de Justiça também acena pela impossibilidade de mudança no critério jurídico, por eventual erro de direito: (...) 4. Destarte, a revisão do lançamento tributário, como consectário do poderdever de autotutela da Administração Tributária, somente pode ser exercido nas hipóteses do artigo 149, do CTN, observado o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. 5. Assim é que a revisão do lançamento tributário por erro de fato (artigo 149, inciso VIII, do CTN) reclama o desconhecimento de sua existência ou a impossibilidade de sua comprovação à época da constituição do crédito tributário. 6. Ao revés, nas hipóteses de erro de direito (equívoco na valoração jurídica dos fatos), o ato administrativo de lançamento tributário revelase imodificável, máxime em virtude do princípio da proteção à confiança, encartado no artigo 146, do CTN, segundo o qual "a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução". 7. Nesse segmento, é que a Súmula 227/TFR consolidou o entendimento de que "a mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza a revisão de lançamento". 8. A distinção entre o "erro de fato" (que autoriza a revisão do lançamento) e o "erro de direito" (hipótese que inviabiliza a revisão) é enfrentada pela doutrina, verbis: "Enquanto o 'erro de fato' é um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado, o 'erro de direito' é vício de feição internormativa, um descompasso entre a norma geral e abstrata e a individual e concreta. Assim constitui 'erro de fato', por exemplo, a contingência de o evento ter ocorrido no território do Município 'X', mas estar consignado como tendo acontecido no Município 'Y' (erro de fato localizado no critério espacial), ou, ainda, quando a base de cálculo registrada para efeito do IPTU foi o valor do imóvel vizinho (erro de fato verificado no elemento quantitativo). 'Erro de direito', por sua vez, está configurado, exemplificativamente, quando a autoridade administrativa, em vez de exigir o ITR do proprietário do imóvel rural, entende que o sujeito passivo pode ser o arrendatário, ou quando, ao lavrar o lançamento relativo à contribuição social incidente sobre o lucro, mal interpreta a lei, Fl. 2425DF CARF MF Processo nº 10882.002868/200451 Acórdão n.º 9101003.157 CSRFT1 Fl. 2.411 31 elaborando seus cálculos com base no faturamento da empresa, ou, ainda, quando a base de cálculo de certo imposto é o valor da operação, acrescido do frete, mas o agente, ao lavrar o ato de lançamento, registra apenas o valor da operação, por assim entender a previsão legal. A distinção entre ambos é sutil, mas incisiva." (Paulo de Barros Carvalho, in "Direito Tributário Linguagem e Método", 2ª Ed., Ed. Noeses, São Paulo, 2008, págs. 445/446) "O erro de fato ou erro sobre o fato darseia no plano dos acontecimentos: dar por ocorrido o que não ocorreu. Valorar fato diverso daquele implicado na controvérsia ou no tema sob inspeção. O erro de direito seria, à sua vez, decorrente da escolha equivocada de um módulo normativo inservível ou não mais aplicável à regência da questão que estivesse sendo juridicamente considerada. Entre nós, os critérios jurídicos (art. 146, do CTN) reiteradamente aplicados pela Administração na feitura de lançamentos têm conteúdo de precedente obrigatório. Significa que tais critérios podem ser alterados em razão de decisão judicial ou administrativa, mas a aplicação dos novos critérios somente pode darse em relação aos fatos geradores posteriores à alteração." (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in "Curso de Direito Tributário Brasileiro", 10ª Ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2009, pág. 708) "O comando dispõe sobre a apreciação de fato não conhecido ou não provado à época do lançamento anterior. Dizse que este lançamento teria sido perpetrado com erro de fato, ou seja, defeito que não depende de interpretação normativa para sua verificação. Frisese que não se trata de qualquer 'fato', mas aquele que não foi considerado por puro desconhecimento de sua existência. Não é, portanto, aquele fato, já de conhecimento do Fisco, em sua inteireza, e, por reputálo despido de relevância, tenhao deixado de lado, no momento do lançamento. Se o Fisco passa, em momento ulterior, a dar a um fato conhecido uma 'relevância jurídica', a qual não lhe havia dado, em momento pretérito, não será caso de apreciação de fato novo, mas de pura modificação do critério jurídico adotado no lançamento anterior, com fulcro no artigo 146, do CTN, (...). Neste art. 146, do CTN, prevêse um 'erro' de valoração jurídica do fato (o tal 'erro de direito'), que impõe a modificação quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua ocorrência. Não perca de vista, aliás, que inexiste previsão de erro de direito, entre as hipóteses do art. 149, como causa permissiva de revisão de lançamento anterior." (Eduardo Sabbag, in "Manual de Direito Tributário", 1ª ed., Ed. Saraiva, pág. 707) 9. In casu, restou assente na origem que: "Com relação a declaração de inexigibilidade da cobrança de IPTU progressivo relativo ao exercício de 1998, em decorrência de recadastramento, o bom direito conspira a favor dos contribuintes por duas fortes razões. Fl. 2426DF CARF MF 32 Primeira, a dívida de IPTU do exercício de 1998 para com o fisco municipal se encontra quitada, subsumindose na moldura de ato jurídico perfeito e acabado, desde 13.10.1998, situação não desconstituída, até o momento, por nenhuma decisão judicial. Segunda, afigurase impossível a revisão do lançamento no ano de 2003, ao argumento de que o imóvel em 1998 teve os dados cadastrais alterados em função do Projeto de Recadastramento Predial, depois de quitada a obrigação tributária no vencimento e dentro do exercício de 1998, pelo contribuinte, por ofensa ao disposto nos artigos 145 e 149, do Código Tribunal Nacional. Considerando que a revisão do lançamento não se deu por erro de fato, mas, por erro de direito, visto que o recadastramento no imóvel foi posterior ao primeiro lançamento no ano de 1998, tendo baseado em dados corretos constantes do cadastro de imóveis do Município, estando o contribuinte notificado e tendo quitado, tempestivamente, o tributo, não se verifica justa causa para a pretensa cobrança de diferença referente a esse exercício." 10. Consectariamente, verificase que o lançamento original reportouse à área menor do imóvel objeto da tributação, por desconhecimento de sua real metragem, o que ensejou a posterior retificação dos dados cadastrais (e não o recadastramento do imóvel), hipótese que se enquadra no disposto no inciso VIII, do artigo 149, do Codex Tributário, razão pela qual se impõe a reforma do acórdão regional, ante a higidez da revisão do lançamento tributário. 10. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Superior Tribunal de Justiça, Recurso Especial nº 1130545, DJe 22/02/2011). A decisão administrativa (DRJ) que modifica critério de lançamento, como no caso destes autos, é nula, por ofensa direta ao artigo 146, do Código Tributário Nacional, como também ao artigo 18, do Decreto nº 70.235/1972. Sobreleva considerar, ainda, que o acórdão recorrido menciona a aplicação do artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/1972 explicitando que este a alteração da exigência tributária pela DRJ, sobretudo com "agravamento" do lançamento tributário, é nula. Destaco trecho da decisão recorrida: Já é assente nesta Câmara que é nula a decisão que introduz alterações na exigência tributária, sobretudo com agravamento, consoante os termos do disposto no inciso II, artigo 59 do Decreto n ° 70.235/72, ipsis: art. 59 São nulos: (omissis)... II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 2427DF CARF MF Processo nº 10882.002868/200451 Acórdão n.º 9101003.157 CSRFT1 Fl. 2.412 33 Nesse contexto, decidiuse pela superação da nulidade, também em respeito à economia processual, como se verifica do trecho da decisão recorrida: Ao exercer sua atividade, a fiscalização verificou os fatos e os documentos da contribuinte, tendo lavrado o auto de infração a titulo de omissão de receitas com base no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, seguindo a mesma sistemática de tributação utilizada pela contribuinte, qual seja, o lucro real. Por seu turno, os julgadores de primeiro grau inovaram o lançamento, alterando a forma de tributação desta feita, para o lucro arbitrado, infringindo assim, o principio da inalterabilidade do lançamento. Assim, deveria ser declarada nula a decisão de primeiro grau, para que outra fosse proferida, porém, em obediência ao principio da economia processual entendo ser desnecessário tal procedimento. (...) Reitero que, objetivamente, a decisão da DRJ reduziu o débito de IRPJ, CSLL e multas por estimativas mensais, no valor total de R$ 948.531.582,68, verbis: 71.1. Procedente em parte a autuação de IRPJ (objeto do processo sob n° 10882.002868/200451). Exclusão (tributo e multa de oficio) no total de R$ 319.955.599,78; 71.2. Procedente em parte a autuação de CSLL (objeto do processo sob n° 10882.002868/200451). Exclusão (tributo e multa de oficio) no total de R$ 188.114.636,78; , (...) 71.5. Improcedente a autuação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ (objeto do processo sob n° 10882.002868/200451). Exclusão de RS. 312.072.079,23; e 71.6. Improcedente a autuação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de CSLL (objeto do processo sob n° 10882.002867/200415). Exclusão de R$ 128.389.266,89. Portanto, a DRJ reduziu substancialmente o valor de IRPJ, CSLL e multas isoladas impostas ao contribuinte, ao redefinir o regime de apuração. Tal redução substancial destes débitos foi reformada pela Câmara a quo para restabelecimento da apuração do IRPJ e CSLL pelo lucro real, como também a exigência de multa isolada aplicando a alíquota de 50%. A Câmara de origem ainda admitiu a dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e da CSLL das contribuições ao PIS e COFINS, como também admitiu a compensação de 1/3 da COFINS paga com a CSLL devida. Lembro que a COFINS imposta pelo auto de infração era no importe de R$ 24.967.887,96 e o PIS originalmente lançado era no valor total de R$ 5.409.709,00. É importante ressaltar tais valores para reforçar que a decisão da Câmara de origem não reduziu o débito tributário do contribuinte. Pelo contrário, majorouo de forma relevante, se comparado com o débito que remanesceu após a decisão da DRJ. Assim, foi superada a nulidade da decisão da DRJ que havia alterado o critério jurídico do lançamento tributário mas não para julgamento do mérito a favor do contribuinte, se considerada o restabelecimento de débito pelo acórdão recorrido. Lembro que Fl. 2428DF CARF MF 34 o artigo 59, §3º, do Decreto nº 70235/1972 dispõe que apenas pode ser superada quando "puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade". Objetivamente, a decisão de mérito a favor do sujeito passivo que poderia ocasionar a superação de nulidade pela Câmara a quo é aquela que julga procedente recurso voluntário e improcedente a autuação fiscal. A decisão que restabelece lançamento na quase totalidade, como é o caso dos autos, não é a favor do contribuinte e, assim, impede a aplicação do artigo 59, §3º, do Decreto nº 70.235/1972. Em tese, seria possível sustentar que o arbitramento dos lucros (como efetuada pela DRJ) é medida mais gravosa. De toda sorte, no caso dos autos está claro que o arbitramento pela DRJ se revelou menos gravoso, objetividade que dificulta a aplicação genérica da tese do arbitramento ser menos benéfico ao contribuinte. Diante disso, voto por acolher o recurso especial, reconhecendo a nulidade da decisão da DRJ e a impossibilidade de superação desta nulidade pelo Colegiado a quo, aplicando o artigo 59, §3º, do Decreto nº 70.235/1972. Como anulada a decisão da DRJ, que originou o apartamento do processo 2008, determinase sejam reunidos os processos novamente, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 2429DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721354/2011-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006, 2007
MULTA ISOLADA.
A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional.
Nesse contexto, é possível a cobrança da multa isolada ainda que o lançamento ocorra após o encerramento do ano-calendário
Numero da decisão: 9101-003.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos de Declarac¸a~o e, por maioria de votos, em acolhe^-los para re-ratificar o Aco´rda~o no 9101-002.480, de 22/11/2016, sem efeitos infringentes, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhes deram efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gerson Macedo Guerra.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Lui´s Fla´vio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exerci´cio). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Amortização de ágio Embargante TOKIO MARINE SEGURADORA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007 MULTA ISOLADA. A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional. Nesse contexto, é possível a cobrança da multa isolada ainda que o lançamento ocorra após o encerramento do anocalendário Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos de Declaração e, por maioria de votos, em acolhêlos para reratificar o Acórdão no 9101 002.480, de 22/11/2016, sem efeitos infringentes, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhes deram efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gerson Macedo Guerra. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 54 /2 01 1- 18 Fl. 3472DF CARF MF Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 9101003.224 CSRFT1 Fl. 3.473 2 (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por TOKIO MARINE SEGURADORA S/A (doravante “contribuinte” ou “embargante”), em face do acórdão nº 9101002.480 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido por esta 1a Turma da CSRF. O acórdão embargado restou assim ementado: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICOTRIBUTÁRIO. O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7o e 8o da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, e tratase de instituto jurídicotributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendose aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontramse atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do Fl. 3473DF CARF MF Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 9101003.224 CSRFT1 Fl. 3.474 3 negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7o e 8o da Lei n° 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Deve se consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolidase cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, tomase o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por conseqüência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do ano calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula n° 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.489, de 15/07/2007. A embargante sustenta que o referido acórdão teria incorrido em omissão, nos seguintes termos (efls. 3457 e seg.): “5. É de se ressaltar, contudo, que o julgado em questão baseouse em premissa notadamente equivocada no que diz respeito à multa isolada referente ao ano calendário 2007. 6. Em linhas gerais, isto se deve pois esta Colenda Turma analisou a possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa mensal, sendo certo que a concomitância em questão não ocorreu no presente caso e sequer foi aventada pela Embargante em seu Recurso Especial. 7. A bem da verdade, como se nota do próprio AIIM, restou aplicado à Embargante a multa de ofício no que se refere ao anocalendário 2006 e a multa isolada no que se refere ao anocalendário 2007 (sem qualquer concomitância das multas em questão no mesmo anocalendário). 8. Em suas razões de Recurso Especial, bem como em todas as peca̧s apresentadas nestes autos, defende a Embargante tese totalmente diversa daquela apreciada por esta Colenda Turma, qual seja, a ilegalidade da aplicaçaõ Fl. 3474DF CARF MF Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 9101003.224 CSRFT1 Fl. 3.475 4 da multa isolada por falta de pagamento de estimativas mensais após encerrado o anocalendário, cuja apuraçaõ resulte em prejuízo fiscal de IRPJ e base negativa de CSLL. 9. Em razão do acórdão em questão ter se baseado em premissa evidentemente errônea, o julgado restou omisso quanto à tese arguida pela Embargante, razão pela qual fazse necessária a oposição dos presentes Embargos de Declaracã̧o”. Os referidos embargos foram admitidos por despacho (efls. 3466 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. Compreendo que os embargos de declaração opostos pelo contribuinte devem ser providos, a fim de que seja sanada a omissão apontada, de forma que a matéria seja analisada nos termos devidos (inexistência de concomitância). O presente processo, além de outras matérias, tem em seu bojo a discussão quanto à aplicação da multa isolada decorrente de suposta insuficiência de recolhimento da estimativa mensal, em que a autuação fiscal ocorreu após o encerramento do respectivo ano calendário. Como se verifica dos autos, não houve, no período em questão, a imposição de multa de ofício. Contudo, embora não tenha sido imposta a multa isolada em concomitância com a multa de ofício, essa foi a premissa adotada no acórdão embargado. Fazse necessário, portanto, sanar a questão. Quanto ao conhecimento dessa matéria ventilada no recurso especial do contribuinte, conforme já explicitado no acórdão precedente, compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto, razão pela qual não merece reparo. Quanto ao mérito, pertinente à impossibilidade da cobrança da multa isolada, compreendo que assiste razão ao contribuinte. É importante observar o quanto disposto pela Súmula CARF n. 82: “Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.” Ocorre que a multa (acessório) segue por esse mesmo caminho do tributo (principal). Após o fim do exercício fiscal sem o recolhimento da referida estimativa mensal, nem esta e nem a corresponde penalidade seriam cabíveis, devendo a fiscalização exigir o recolhimento do efetivo tributo (IRPJ e CSL) por ventura devido e não recolhido a seu tempo, com a multa cabível em razão desse atraso (qualificada, se for o caso). Após esse marco temporal, o bem jurídico em questão (estimativas mensais) deixa de ser exigível, bem como a corresponde penalidade que busca garantir a seu cumprimento espontâneo pelo contribuinte também não é mais exigida pelo legislador. Fl. 3475DF CARF MF Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 9101003.224 CSRFT1 Fl. 3.476 5 Assim como os respectivos tributos, as regras que impõem sanções pelo não recolhimento destes apresentam em suas hipóteses de incidência critérios materiais, espaciais e temporais. No caso da multa isolada ora em exame, o seu critério temporal está adstrito ao exercício fiscal em que uma determinada estimativa deveria ser apurada e recolhida pelo contribuinte e não o tenha sido. Apenas na hipótese da fiscalização exigir estimativas não apuradas e recolhidas no curso do exercício fiscal (até o dia 31.12) é que seria cabível a imposição da correspondente multa isolada. Merecem destaque algumas decisões proferidas por esta CSRF, que igualmente compreenderam inaplicável aludida multa isolada após o encerramento do ano calendário: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão n. 0105.875, de 25.06.2008) Recurso especial negado. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 2001 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei IV 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor e estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. (Acórdão n. 9101000.575, de 18.05.2010) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. Fl. 3476DF CARF MF Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 9101003.224 CSRFT1 Fl. 3.477 6 O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sobre base estimada ao longo do ano. A jurisprudência da CSRF consolidouse no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas. (Acórdão n. 9101001.547, de 22.01.2013) Voto, portanto, por CONHECER e DAR PROVIMENTO aos embargos do contribuinte, com efeitos infringentes, para o cancelamento da multa isolada discutida nos autos. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Voto Vencedor Conselheiro Gerson Macedo Guerra De fato, os embargos do contribuinte merecem ser acolhidos. Contudo, não se pode a ele dar efeitos infringentes. Primeiro, porque temos duas punições para duas condutas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Segundo, porque considerando que a multa isolada é devida ainda que o Contribuinte apure prejuízo fiscal, ela é devida mesmo após encerrado o período de apuração. Nesse contexto, adoto como razões de decidir, mutatis mutandis, o voto do Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, proferido no acórdão 1302001.080, que ouso transcrever: Das condutas infracionais diferentes Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que justificasse a sua aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato, o que não ocorre in casu, já que temos duas situações fáticas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal Fl. 3477DF CARF MF Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 9101003.224 CSRFT1 Fl. 3.478 7 sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art. 35 da Lei nº 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. Temos, então, duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas também diferentes. O art. 44 da Lei no 9.430/96 (na sua redação vigente à época do lançamento) já albergava várias normas, das quais vale pinçar as duas sub examine: a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o aplicável por falta de pagamento do tributo; e a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do § 1º – aplicável pela não observância das normas do regime de recolhimento por estimativa. Ora, a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o do art. 44 jamais poderia ser aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, então, como se falar em consunção, para que esta absorva a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do mesmo § 1º. Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não há unidade de conduta, logo não existe qualquer conflito aparente entre as normas dos incisos I e IV do § 1º do art. 44 e, consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela. Noutro ponto, refuto os argumentos expendidos no acórdão recorrido, os quais concluem que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Fl. 3478DF CARF MF Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 9101003.224 CSRFT1 Fl. 3.479 8 Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJ estimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. (...) Da redação original do art. 44, § 1º, IV, da Lei 9430/96 Aditese ainda, que o legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1º do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim, que: a) primeiro, que estava se referindo ao imposto ou contribuição calculado sobre a base estimada, já que em caso de prejuízo fiscal e base negativa, não há falar em tributo devido no ajuste; e b) segundo, que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada; e c) terceiro, que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do anocalendário, já que pode ser lançada mesmo após apurado prejuízo fiscal ou base negativa. Da negativa de vigência de lei federal Peço vênia aos meus pares, para expressar minha profunda discordância com as referidas posições adotadas por este Colegiado: Entendo que tais posicionamentos têm, em verdade, por via oblíqua, negado vigência a uma lei federal, pois afrontam literalmente o disposto nos art. 2º e 44, § 1º , IV, da Lei no 9.430/96 (vigente à época do lançamento) e no art. 35 da Lei 8.981/95. É demais imaginar que se coaduna com os mais comezinhos princípios do direito a permissão dada ao contribuinte, por tais decisões, para, em janeiro de um determinado anocalendário, decidir se obedece ou não o art. 2º e segs. da Lei no 9.430/96. Em outras palavras, os referidos posicionamentos deste Colegiado desnaturam a norma tributária tornandoa uma norma facultativa, já que a sua não observância Fl. 3479DF CARF MF Processo nº 16327.721354/201118 Acórdão n.º 9101003.224 CSRFT1 Fl. 3.480 9 não traz, à luz de tais posicionamentos, qualquer consequência jurídica. Nesse contexto, voto por acolher os embargos de declaração para reratificar o Acórdão no 9101002.480, de 22/11/2016, sem efeitos infringentes, para manutenção da multa para períodos de apuração ocorridos após a alteração da Lei 9.430/96, pela MP 351/07, convertida na Lei 11.488/07, ou seja, períodos de apuração ocorridos de 2007, inclusive, em diante. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 3480DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000929/2011-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Ementa:
PROCESSUAL ADMINISTRATIVO - RECURSO DE OFÍCIO - VALOR DE ALÇADA - SÚMULA 103/CARF
Para a verificação do cabimento do recurso de ofício prevalece o valor de alçada definido em ato do Ministro da Fazenda vigente à época da análise do apelo, na forma da súmula 103/CARF.
NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de1972.
SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil, idônea e suficiente, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Numero da decisão: 1302-002.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, por ser o valor exonerado inferior ao limite de alçada; e, quanto, ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, negar provimento, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (Presidente Substituta), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Edgar Braganca Bazhuni (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: PROCESSUAL ADMINISTRATIVO - RECURSO DE OFÍCIO - VALOR DE ALÇADA - SÚMULA 103/CARF Para a verificação do cabimento do recurso de ofício prevalece o valor de alçada definido em ato do Ministro da Fazenda vigente à época da análise do apelo, na forma da súmula 103/CARF. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de1972. SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil, idônea e suficiente, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
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NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de1972. SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil, idônea e suficiente, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 29 /2 01 1- 28 Fl. 708DF CARF MF Processo nº 19515.000929/201128 Acórdão n.º 1302002.384 S1C3T2 Fl. 709 2 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, por ser o valor exonerado inferior ao limite de alçada; e, quanto, ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, negar provimento, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (Presidente Substituta), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Edgar Braganca Bazhuni (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuidase de autos de infração lavrados me desfavor da empresa Indústria e Comércio Aranyi Ltda EPP, optante pela sistemática de recolhimento de tributos federais descrita na Lei 9.317/96 (SIMPLES Federal) em que, observada a divergência entre os valores declarados pelo contribuinte na PJSI/2007 e os montantes extraídos de extratos bancários, presumiuse, com espeque nos preceitos do art. 42 da Lei 9.430/96, a omissão de receita, lançandose os valores relativos aos tributos preconizados pelo art. 23 da citada Lei 9.317, obedecidos os percentuais aplicáveis à faixa de rendimentos aplicáveis ao contribuinte. Além disso, a Fiscalização gravou as penalidades aplicadas com base nos preceitos dos artigos 919 do RIR (em função do qual foi lavrado, inclusive, termo de embaraço à fiscalização) e 44, II, c/c § 2º, dado que, segundo a auditoria fiscal, após sucessivas intimações ao contribuinte para apresentar a movimentação financeira e a origem dos depósitos tratados neste feito, teria este quedado inerte. Foi noticiado, também, a lavratura de ADE de exclusão da empresa do Simples Nacional, quanto ao qual não foi apresentada qualquer manifestação. Por fim, como noticiado no acórdão da DRJ, lavrouse, também, termos de sujeição passiva solidária em face dos sócios (às fls. 449/450) Martim Benko, e Marlene Cleide Benko, "com fulcro no art. 124 do CTN c/c Nota GT Responsabilidade Tributária nº 01, de 17/12/2010, item 07" dos quais foram cientificados, os interessados, "em 31/05/2011, consoante, respectivamente, AR de fls. 452 e 456". A despeito da cientificação dos sujeitos passivos, apenas o devedor principal opôs impugnação, através da qual sustentou, em apertada síntese, que: Fl. 709DF CARF MF Processo nº 19515.000929/201128 Acórdão n.º 1302002.384 S1C3T2 Fl. 710 3 a) preliminarmente: a.1) ilegalidade/inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário do contribuinte, ainda que respaldada pela Lei Complementar de nº105/01; a.2) violação ao princípio da verdade material por falta de aferição da base de cálculo dos tributos, mormente por ter a fiscalização calcado o lançamento exclusivamente a partir das informações extraídas dos extratos bancários sem se apurar, efetivamente, a ocorrência do fato gerador de cada um tributos descritos no auto de infração; b) no mérito, arguiu a inaplicabilidade das multas agravadas à míngua da prova "contundente" da prática de atos omissivos (a tipificar o desatendimento às intimações fiscais), bem como de atos fraudulentos. Ao fim, pediu, ainda, a produção de prova pericial, sem, contudo, deduzir os quesitos conforme preceitua o art. 16, VI, do Decreto 70.235/72. Instada a se pronunciar sobre o caso, a DRJ de São Paulo houve por em dar parcial provimento à impugnação tão só para afastar o agravamento das penalidades, notadamente por entender não ter sido demonstrado, pela Auditoria Fiscal, num primeiro momento, o desatendimento às intimações (o contribuinte atendeu a tais intimações, ainda que não tenha trazido todos os documentes exigidos pela Fiscalização) e, em segundo lugar, por não ter sido comprovado a prática de atos fraudulentos. A vista de exclusão de penalidade cujo montante total perfez o valor de R$ 1.120.827,96, que à época ultrapassava o valor de alçada, a DRJ recorreu de ofício a este Conselho. Cientificados o impugnante em 16/05/2014 (fl. 640) e os sujeitos passivos solidários em 12/05/2016 (644) e 14/06/2014 (fl. 647), mais uma vez apenas o devedor principal se manifestou, tendo interposto recurso voluntário em 09/06/2014 (fls. 664), reiterando os argumentos da impugnação, à exceção daqueles afeitos à perícia, à irresponsabilidade dos solidários (argumentos que não foram reiterados) e ao agravamento e qualificação das penalidades (que foram acatadas pela decisão de primeiro grau). Os autos, então, foram encaminhados à este Colegiado para análise e julgamento. Este o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Do recurso de ofício Consoante mencionado no relatório acima, o valor total do crédito exonerado pela DRJ alçou a monta de R$ 1.120.827,96, valor que, à época comportava a interposição do recurso de ofício, nos termos da Portaria de nº 3/2008 e do art. 34, I, do Decreto 70.235/72. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 19515.000929/201128 Acórdão n.º 1302002.384 S1C3T2 Fl. 711 4 Todavia, com a publicação da Portaria de nº 63/17, o valor de alçada pré fixado para os fins do citado art. 34, I, do Decreto 70.235/75, foi majorado para R$ 2.500.000,00. Neste particular, e ressalvado o entendimento, pessoal, deste Relator acerca da aplicação da lei processual no tempo, é de obedecer, aqui, aos preceitos da Súmula 103 do CARF, de observância obrigatória por este Colegiado, cujo teor reproduzo abaixo: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Por tais razões, voto por negar seguimento recurso de ofício. Do recurso voluntário. De antemão, assim como o fez também a DRJ, impende destacar que em momento algum, seja na impugnação, seja neste recurso, o contribuinte tentou, de qualquer forma, demonstrar a origem dos depósitos identificados pelo fisco. A ocorrência, neste particular, da omissão das receitas tornouse incontroversa. O contribuinte, pois, em suas razões de insurgência se limita a discorrer sobre a inconstitucionalidade do uso de dados bancários por quebra de sigilo e ao pretenso erro de apuração da base de cálculo dos tributos (como consequência de alegada violação ao princípio da verdade material). Minha análise, destarte, se restringirá aos dois pontos acima. I. Da Lei Complementar 105/01 e o sigilo bancário. À época da oposição da impugnação e, inclusive, deste próprio recurso voluntário, a validade ou não, em especial, dos preceitos dos arts. 5º e 7º da Lei Complementar 105/01 não tinha ainda encontrado uma solução definitiva, ao menos, não no Poder Judiciário. Daí a existência de inúmeros recursos e discussões neste Conselho versando sobre a temática. Em fevereiro do ano passado, todavia, o Supremo Tribunal Federal pôs um ponto final no assunto ao julgar, sob regime de repercussão geral, o Recurso Extraordinário de nº 601.314/SP, relatado pelo Min. Edson Fachin, entendendo, então, pela plena constitucionalidade da Lei Complementar supra. E aqui, inclusive para atender ao comando inserto no art. 62, §2º, do RICARF, transcrevo a seguir a respectiva ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à Fl. 711DF CARF MF Processo nº 19515.000929/201128 Acórdão n.º 1302002.384 S1C3T2 Fl. 712 5 luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento (RE 601.314/SP, Relator Min. Edson Fachin, sessão de 24/02/2016, Tribunal Pleno, publicado no DJe198, divulgado em 1509 2016 e Publicado em 16092016). Roma locuta questio finita. Não há mais o que se discutir acerca das disposições da Lei Complementar em análise, muito menos neste Conselho, em especial a vista dos preceitos do já citado art. 62, § 1º, II, "b", do RICARF. Diante disto, nego provimento ao recurso sob este fundamento. II "Da ausência de aferição da base de cálculo e da verdade material" Ora, no presente caso, além de se tratar de indevido arbitramento, simplesmente não foi utilizado o critério que mais se aproximaria da realidade. O que se fez foi apenas um arbitramento indevido seja na essência, seja pela utilização de Fl. 712DF CARF MF Processo nº 19515.000929/201128 Acórdão n.º 1302002.384 S1C3T2 Fl. 713 6 critério mais oneroso ao contribuinte, em flagrante desobediência ao art. 112 do CTN, e ao próprio princípio da legalidade (art. 97 do CTN e art. 150 CF) (página 12 do recurso voluntário, parágrafo 31). O parágrafo acima, extraído do recurso voluntário. vejam bem, resume de forma satisfatória, não só a tese sustentada pelo contribuinte, como também, com a devida vênia, os equívocos nela contidos. Primeiramente, o Recorrente ataca o uso do arbitramento na espécie e, como se demonstrará a seguir, tal método não foi aplicado; num segundo momento, diz que, fazendo o uso do arbitramento, o fisco teria se utilizado de critério mais oneroso, mas não aponta qual seria, então o critério menos oneroso... O fato, todavia, é que não houve, efetivamente, arbitramento. Como o Recorrente não contestou a presunção de omissão de receita em si, a fiscalização se limitou a somar tais receitas à receita bruta do contribuinte e a distribuir tais receitas para cada um dos tributos a que estava sujeito a empresa, obedecidos os percentuais de sua faixa de enquadramento no SIMPLES Federal. Com efeito, digase, não houve arbitramento porque o Ato Declaratório de Exclusão do Simples Nacional operou seus efeitos, somente, a partir de 2007, consoante se extrai do documento de fls. 295; isto é, as receitas omitidas não foram submetidas à qualquer tipo de método de cálculo diferenciado para apurar os tributos devidos; não foram utilizados, aqui, os critérios, v.g., tratados nos arts.285 a 288 do RIR. Tal qual se extrai dos demonstrativos de fls. 179 (receita bruta, diferenças apuradas) e 180 a 199, a Auditoria Fiscal nada mais fez que incluir as receitas omitidas no cômputo da receita bruta total da empresa em cada período de apuração, deduzir os valores efetivamente declarados, e aplicar sobre o saldo as alíquotas especificadas pelo art. 23 da Lei 9.317/96 para cada tributo descrito na aludida norma... Neste passo, vale lembrar que o cálculo do SIMPLES Federal (assim como na sistemática atual, regrada pela LC 123/06), não era complexa. Bastavase identificar o porte econômico da empresa (apurado conforme o art. 2º da Lei 9.317), e, na forma do art. 5º, aplicar a respectiva alíquota, definida a partir da receita bruta acumulada nos últimos 12 (doze meses), sobre a receita bruta mensal da empresa. Vejase: Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I para a microempresa, em relação à receita bruta acumulada dentro do anocalendário: a) até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 3% (três por cento); b) de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 4% (quatro por cento); c) de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 5% (cinco por cento); Fl. 713DF CARF MF Processo nº 19515.000929/201128 Acórdão n.º 1302002.384 S1C3T2 Fl. 714 7 d) de R$ 120.000,01 (cento e vinte mil reais e um centavo) a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais): 5,4% (cinco inteiros e quatro décimos por cento); II para a empresa de pequeno porte, em relação à receita bruta acumulada dentro do anocalendário: a) até R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais): 5,4% (cinco inteiros e quatro décimos por cento); b) de R$ 240.000,01 (duzentos e quarenta mil reais e um centavo) a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais): 5,8% (cinco inteiros e oito décimos por cento); c) de R$ 360.000,01 (trezentos e sessenta mil reais e um centavo) a R$ 480.000,00 (quatrocentos e oitenta mil reais): 6,2% (seis inteiros e dois décimos por cento); d) de R$ 480.000,01 (quatrocentos e oitenta mil reais e um centavo) a R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais): 6,6% (seis inteiros e seis décimos por cento); e) de R$ 600.000,01 (seiscentos mil reais e um centavo) a R$ 720.000,00 (setecentos e vinte mil reais): 7% (sete por cento). f) de R$ 720.000,01 (setecentos e vinte mil reais e um centavo) a R$ 840.000,00 (oitocentos e quarenta mil reais): sete inteiros e quatro décimos por cento; g) de R$ 840.000,01 (oitocentos e quarenta mil reais e um centavo) a R$ 960.000,00 (novecentos e sessenta mil reais): sete inteiros e oito décimos por cento; h) de R$ 960.000,01 (novecentos e sessenta mil reais e um centavo) a R$ 1.080.000,00 (um milhão e oitenta mil reais): oito inteiros e dois décimos por cento; i) de R$ 1.080.000,01 (um milhão, oitenta mil reais e um centavo) a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais): oito inteiros e seis décimos por cento; j) de R$ 1.200.000,01 (um milhão e duzentos mil reais e um centavo) a R$ 1.320.000,00 (um milhão, trezentos e vinte mil reais): 9% (nove por cento); l) de R$ 1.320.000,01 (um milhão, trezentos e vinte mil reais e um centavo) a R$ 1.440.000,00 (um milhão, quatrocentos e quarenta mil reais): 9,4% (nove inteiros e quatro décimos por cento); m) de R$ 1.440.000,01 (um milhão, quatrocentos e quarenta mil reais e um centavo) a R$ 1.560.000,00 (um milhão, quinhentos e sessenta mil reais): 9,8% (nove inteiros e oito décimos por cento); Fl. 714DF CARF MF Processo nº 19515.000929/201128 Acórdão n.º 1302002.384 S1C3T2 Fl. 715 8 n) de R$ 1.560.000,01 (um milhão, quinhentos e sessenta mil reais e um centavo) a R$ 1.680.000,00 (um milhão, seiscentos e oitenta mil reais): 10,2% (dez inteiros e dois décimos por cento); o) de R$ 1.680.000,01 (um milhão, seiscentos e oitenta mil reais e um centavo) a R$ 1.800.000,00 (um milhão e oitocentos mil reais): 10,6% (dez inteiros e seis décimos por cento); p) de R$ 1.800.000,01 (um milhão e oitocentos mil reais e um centavo) a R$ 1.920.000,00 (um milhão, novecentos e vinte mil reais): 11% (onze por cento); q) de R$ 1.920.000,01 (um milhão, novecentos e vinte mil reais e um centavo) a R$ 2.040.000,00 (dois milhões e quarenta mil reais): 11,4% (onze inteiros e quatro décimos por cento); r) de R$ 2.040.000,01 (dois milhões e quarenta mil reais e um centavo) a R$ 2.160.000,00 (dois milhões, cento e sessenta mil reais): 11,8% (onze inteiros e oito décimos por cento); s) de R$ 2.160.000,01 (dois milhões, cento e sessenta mil reais e um centavo) a R$ 2.280.000,00 (dois milhões, duzentos e oitenta mil reais): 12,2% (doze inteiros e dois décimos por cento); t) de R$ 2.280.000,01 (dois milhões, duzentos e oitenta mil reais e um centavo) a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais): 12,6% (doze inteiros e seis décimos por cento). Os percentuais, por sua vez, destacados no art. 23 da norma acima citada, nada mais são que a partilha de cada uma das alíquotas fixadas no art. 5º, acima reproduzido, para cada um dos tributos exigíveis de acordo com a atividade econômica do contribuinte; no caso, em especial a partir do demonstrativo tratado linhas acima, a Fiscalização, ao invés de calcular o montante total devido em cada período de apuração, preferiu, desde logo, proceder à segregação tratada pelo por vezes invocado art. 23; mas não houve arbitramento; houve, apenas e tão somente, a aplicação estrita da regra contida no art. 5º, caput, acima transcrito. Em relação a alegação de violação à verdade material, vale, mais uma vez destacar que, como não se questionou, insistase, a constatação, pela Auditoria Fiscal, da existência de depósito bancários sem causa em contas de titularidade do contribuinte, nem tampouco se produziu prova idônea para demonstrar a origem de tais depósitos, não se pode questionar, também, a consequência de tal constatação, explicitamente descrita no art. 42 da Lei 9.430/96: Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratase de presunção legal (relativa, é verdade) que retira, inclusive, do fisco, e joga para o contribuinte, o ônus de provar que tais depósitos não decorrem de sua atividade econômica e, mais, não se enquadram no conceito de receita; e aqui, vale dizer, não adiante invocar o princípio da verdade material porque a regra acima limita a ação da Fl. 715DF CARF MF Processo nº 19515.000929/201128 Acórdão n.º 1302002.384 S1C3T2 Fl. 716 9 fiscalização federal, como, aliás, bem salientou o Relator do acórdão ora recorrido à fls. (537, parágrafo 9.3) que peço licença para reproduzir a abaixo: 9.3. A carga probatória atribuída à Administração Tributária nos casos da incidência da presunção legal em tela resumese em demonstrar que o Contribuinte, apesar de intimado, não comprovou a origem dos depósitos bancários. A relação causa e efeito decorrente do fato verificado e a consequência da inação da Impugnante no eficiente esclarecimento solicitado é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova, cabendo ao Sujeito Passivo da relação jurídica evidenciar que a prática do ato que lhe está sendo imputado não corresponde à realidade. E não bastasse isso, o recorrente foi intimado, vezes sem fim, para demonstrar a origem dos depósitos; ou seja, a fiscalização fez o que estava a seu alcance, para "determinar a matéria tributável" ou, quando menos, para exaurir toda a matéria de fato em que se calcou o lançamento. Venia concessa, não há como acolher as pretensões do Recorrente, mormente quando não se verificou qualquer esforço, quiçá, argumentativo para demonstrar que os valores encontrados em suas contas bancárias teriam origem em situações que não permitiriam tratálos como receita advinda da, ou correlacionada à, sua atividade econômica. A vista de tudo o que foi dito, voto, também aqui, pelo desprovimento do apelo. Conclusão. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 716DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003239/2005-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001 PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS OU RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. COTITULARIDADE DAS CONTAS MANTIDAS EM INSTITUIÇÕES FINANCEIRA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DE TODOS COTITULARES. É imprescindível, sob pena de nulidade do lançamento tributário, a intimação, antes do lançamento com base na presunção legal de omissão de rendimentos, de todos os cotitulares de contas bancárias mantidas junto às instituições financeiras. Aplicação da Súmula CARF nº 29.
Numero da decisão: 2201-004.016
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Carlos Henrique de Oliveira
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COTITULARIDADE DAS CONTAS MANTIDAS EM INSTITUIÇÕES FINANCEIRA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DE TODOS COTITULARES. É imprescindível, sob pena de nulidade do lançamento tributário, a intimação, antes do lançamento com base na presunção legal de omissão de rendimentos, de todos os cotitulares de contas bancárias mantidas junto às instituições financeiras. Aplicação da Súmula CARF nº 29. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/11/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 32 39 /2 00 5- 82 Fl. 2277DF CARF MF Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0118.16275.T32G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 3ª Turma da DRJ São Paulo/II que manteve, parcialmente, lançamento tributário relativo ao IRPF supostamente devido nos anos calendário de 2000 e 2001, em razão omissão de rendimentos decorrente de depósito bancário de origem não comprovada. Tal crédito foi constituído por meio do auto de infração (fls. 833 do processo digitalizado), devidamente explicitado no Termo de Verificação Fiscal (folhas 825), pelo qual foi apurado o crédito tributário de R$ 4.049.103,36, que compreende imposto (R$ 1.427.110,00), juros de mora (R$ 1.016.494,62), multa proporcional (R$ 1.605.498,74), valores consolidados em 30 de novembro de 2005. A ciência do auto de infração, que contém o lançamento referente ao IRPF dos anos calendário 2000 a 2001, ocorreu em 12 de dezembro de 2005, por via postal (AR fls. 838). Em 10 de janeiro de 2006 (fls 847), foi apresentado impugnação ao lançamento. A decisão da 3ª Turma da DRJ SPO/II contém o seguinte relatório, que adoto por sua precisão e clareza (fls 1552): "A presente ação fiscal contra o contribuinte foi iniciada, em 25/05/2005, com a ciência do Termo de Inicio de Fiscalização de fls. 17/18, em que o contribuinte foi intimado a apresentar extratos de suas contas correntes e a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que possibilitaram a realização de depósitos efetuados em contas correntes mantidas em instituições financeiras, no ano calendário 2000 e 2001. Não tendo havido o cumprimento da intimação, foi lavrado o Termo de Embaraço à Fiscalização de fl. 20 e, em face da ausência de manifestação do contribuinte, foram emitidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira aos bancos Citibank S/A, Nossa Caixa S/A, Bradesco S/A., Banespa S/A e Santander Brasil S.A (fls. 22/33). Recebidos os extratos solicitados, o contribuinte foi novamente intimado a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas. Tendo havido comprovação parcial dos depósitos (foram excluídos R$ 5.412.036,33 e R$ 640.592,52, dos anos calendário 2000 e 2001, respectivamente, pois originaramse de levantamento de verbas), a ação fiscal é encerrada com a lavratura do auto de infração, tendo em vista que foi apurada a seguinte infração à legislação tributária: Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários sem Origem Comprovada. Omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de deposito ou de investimento, mantida em instituição financeira, cuja origem dos Fl. 2278DF CARF MF Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0118.16275.T32G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.003239/200582 Acórdão n.º 2201004.016 S2C2T1 Fl. 2.278 3 recursos utilizados nestas operações não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, conforme descrição dos valores tributáveis e respectivas datas dos fatos geradores, no citado auto de infração, e sob o seguinte fundamento legal: artigo 42 da Lei 9.430/96; artigo 4° da Lei 9.481/97; artigo 21 da Lei 9.532/97. 0 contribuinte toma ciência do auto de infração 12/12/2005, e, inconformado com o lançamento, apresenta impugnação, em 10/01/2006 de fls. 574/618, em que alega, em síntese, que: 1 empreendeu, durante o procedimento fiscal, diversas tentativas de apresentar os documentos solicitados, todas frustradas por motivo de greve. Sendo que, no dia 16/12/2005, dentro do prazo estipulado pela intimação, sua procuradora foi à Delegacia de Fiscalização e não pode entregar os documentos, por recusa do servidor; 2 assim, o procedimento administrativo está viciado, uma vez que a intimação não se realizou de acordo com as previsões legais, devendo ser o auto de infração anulado; 3 caso não seja anulado o lançamento, a multa majorada em 50% deve ser 't cancelada, pois não houve falta de atendimento á intimação recebida; 4 os depósitos efetuados nas contas bancárias de titularidade dos três sócios do escritório Advocacia Husni, Paoli llo, Cabariti S/C, dos quais 1/3 foi atribuído ao impugnante estão relacionados com as atividades da sociedade, podendo ser comprovados pelos documentos contábeis da sociedade; 5 houve falta de critério por parte da fiscalização que não retirou do calculo de rendimentos omitidos o valor correspondente a 1/3 remanescente dos depósitos realizados na conta conjunta dos sócios da Advocacia, vez que, durante a fiscalização foram afastados os valores depositados nas contas no Banespa de titularidade dos três sócios; 6 em 19/01/2000, foram transferidos R$ 5.000,00 do Bradesco (cheque 001687)para o 'tad (conta 271181), conforme documento 15; 7 em 02/02/2000 foram depositados R$ 5.335,78. na conta conjunta dos sócios, valor este levantado nos autos do inventário de bens deixados pelo Paulo Vitor dos Santos (processo 1.1.323/96) e, posteriormente repassado para a beneficiária Michele Vitor dos Santos (doc. 16); 8 os valores R$ 20.471,91 e R$ 303.106,19, depositados em 18/02/2000, na conta conjunta dos sócios, foi repassado ao beneficiário Buzaid Algouz, em cumprimento à decisão proferida nos autos da Ação de Desapropriação movida pela Municipalidade de São Paulo, conforme doc. 17; Fl. 2279DF CARF MF Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0118.16275.T32G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 9 os R$ 13.765,58, depositados em 22/02/2000, na conta conjunta, foi repassado para os beneficiários Jorge Roberto Nouh, Regina Júlia Nouh e Sérgio Henrique Nouh, em cumprimento à decisão proferida nos autos da Ação de Desapropriação movida pela Fazenda do Estado de Sao Paulo, conforme os documentos 17; 10 os R$ 470.000,00, depositados ern 24/02/2000, na conta conjunta, foi repassado para os beneficiários Kazue Hirano e outros, em cumprimento ao acordo amigável de Desapropriação por Utilidade Pública firmado com o DERSA, conforme os documentos 18; 11 os R$ 15.530,90, depositados em 29/02/2000, na conta conjunta, foi repassado para o beneficiário COEMP, em cumprimento à decisão proferida nos autos da Ação de Desapropriação movida pela Fazenda do Estado de São Paulo, conforme documentos 19; 12 os R$ 8.011,31, depositados em 01/03/2000, depositados na conta conjunta, foi repassada a beneficiária Maria José Cardoso Lemos, em cumprimento à decisão proferida nos autos da Ação de Desapropriação movida pela Municipalidade de Sao Paulo em face de Comercial Marítima Ltda, conforme Livro Fiscal da Sociedade (20); 13 R$ 11.157,70, depositados em 01/03/2000, na conta conjunta, foram repassados para os beneficiários Amilcar Gaspar Mota e o Espólio de José Chamie, em cumprimento A decisão proferida nos autos da Ação de Desapropriação movida pela Fazenda do Estado de Sao Paulo, conforme documentos de fls. 21; 14 R$ 6.075,40, depositados em 03/03/2000, na conta conjunta, foram repassados ao beneficiário José Massad Curi, em cumprimento à decisão proferida nos autos da Ação de Desapropriação movida pela Fazenda do Município de São Paulo, conforme documentos de fls. 22; 15 R$ 29.740,00, depositados em 9/03/2000, na conta conjunta, foram repassados ao beneficiário Francisco Munhoz Filho, em cumprimento à decisão proferida nos autos da Ação de Desapropriação (R$ 3.000,00), conforme livro fiscal da sociedade. 0 restante R$ 26.740,00 corresponde a valor fornecido como empréstimo ao sócio Vicente Paoli llo, e por este devolvido em 09/03/2000, conforme documentos de fls. 23; 16 R$ 6.357,20, depositados em 14/03/2000, na conta conjunta, foi repassado para a favorecida, Metalúrgica DDL Ltda, sucessora de Cidaso Ind e Com. Ltda, em cumprimento A. decisão proferida nos autos da Ação de Desapropriação movida pela Fazenda Estadual de São Paulo, conforme documentos de fls. 24; 17 R$ 23.559,62, em 14/03/2000, repassado ao beneficiário João Palermo Júnior, em cumprimento a decisão judicial proferida nos autos da Ação de Desapropriação movida pela Fazenda Estadual de São Paulo, conforme documentos n°25; Fl. 2280DF CARF MF Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0118.16275.T32G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.003239/200582 Acórdão n.º 2201004.016 S2C2T1 Fl. 2.279 5 18 R$ 470.000,00, em 24/03/2000, repassados aos beneficiários Kazue Hirano, e outros em cumprimento ao acordo amigável de Desapropriação por Utilidade Pública firmado com o DERSA, conforme comprova uma das guias de depósito efetuada na conta corrente do beneficiário, Roberto Carlos Magalhães Stabile, documento n° 26; 19 R$ 18.527,80, em 28/03/2000, repassados ao Emilio Gabriedes, em cumprimento A. decisão proferida nos autos da Ação de Desapropriação movida pelo DERSA, conforme documentos de n° 27; 20 R$ 47.631,02, em 03/04/2000, repassados ao favorecido, espólio de Miguel Munhoz Bonilha, em cumprimento à decisão proferida nos autos da Ação de Desapropriação movida pela Fazenda Estadual de São Paulo, conforme documentos de n° 28; 21 R$ 72.246,16, em 06/04/2000, repassados ao beneficiário espólio de João Rosa Veturiano, em cumprimento A decisão proferida nos autos da Ação de Desapropriação movida pelo DER, conforme documentos de n° 29; 22 R$ 21.735,40, em 26/04/2000, repassados para o beneficiário Dácio de Almeida Cristóvão e outros, em cumprimento à decisão proferida nos autos da Ação de Desapropriação movida pela Fazenda Estadual de sac, paulo, conforme documentos de n° 30; 23 R$ 17.005,35, em 04/05/2000, repassados aos beneficiários dos espólios de Ademar de Jesus de Souza e José Maria Espósito Sandamil (R$ 15.141,48) e ao sr. Antônio Felix de Andrade (R$ 1.863,86), em cumprimento As decisões proferidas nos autos das Ações de Desapropriação movidas pela Fazenda Estadual de São Paulo, conforme documentos de n° 31; 24 R$ 7.600,00, em 10/05/2000, é receita da sociedade de advogados, conforma recibo da sociedade, documentos n° 32; 25 R$ 470.000,00, em 1205/2000, depositados na conta conjunta e repassados para os beneficiários Kazue Hirano e outros, em cumprimento ao acordo amigável de Desapropriação por Utilidade Pública firmado com o DERSA, conforme documentos no 33; 26 R$ 38.580,85, em 23/05/2000, repassados ao beneficiário Estello Botz, em cumprimento à decisão proferida nos autos da Ação de Desapropriação movida pela Fazenda Estadual de São paulo, conforme documentos de n°34; 27 R$ 10.000,00, em 01/06/2000, receita da sociedade, conforme livro razão, documento de n° 35; 28 R$ 200.963,77, depositados em 08/06, 10/07, e 08/08/2000, repassados ao beneficiário José Virgílio Nogueira Vessoni, em cumprimento ao acordo celebrado com DERSA nos autos da Fl. 2281DF CARF MF Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0118.16275.T32G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Ação de Desapropriação movidas contra o espólio de Anselmo Vessoni, conforme documentos n° 36; 29 R$ 470.000,00, em 13/06/2000, repassados aos beneficiários Kazue Hirano e outros, em cumprimento ao acordo amigável de Desapropriação por Utilidade Pública firmado com o DERSA, conforme documentos de n° 37; 30 R$ 53.496,55 e R$ 7.698,43, em 14/06/200, repassados aos beneficiários ARtulino Evaristo de Assis, em cumprimento A. decisão nos autos da Desapropriação movida pelo Município de São Paulo, conforme documentos de n°38; 31 R$ 14.130,49 e R$ 19.605,85, em 14/06/2000, repassados aos beneficiários Pedro Inácio da Silva e Lucineide Rosa da Silva, em cumprimento 5. decisão proferida nos autos da Ação de Desapropriação movida pelo Município de São Paulo, conforme documentos n° 39; 32 R$ 8.123,24, em 19/06/2000, repassados a Natalino Celestino Filho, em cumprimento 6. decisão proferida nos autos da Ação de Desapropriação movida pela Fazenda do Estado de São Paulo, conforme comprovam os documentos n° 40; 33 R$ 16.123,14, EM 20/06/2000, repassados aos beneficiários Domenico Bertuzzo (R$ 13.917,34) e Mário Lantery (R$ 2.205,80), em cumprimento As decisões proferidas nos autos das Ações de Desapropriações, conforme documento n° 41; 34 R$ 47.771,25, em 23/06/2000, repassados ao beneficiário Meika — Comércio e Empreendimentos Imobiliários, em cumprimento à decisão proferida nos autos da Ação de Desapropriação, conforme documentos n° 42; 35 R$ 5.859,15, em 30/06/2000, repassados ao Mitsuomi Nakano, em cumprimento A decisão proferida nos autos da Ação de Desapropriação, conforme documentos de n° 43; 36 R$ 17.039,48, em 04/07/2000, repassados a Michiotoshi Matsuoka, conforme documentos de n° 44; 37 R$ 5.908,08, em 06/07/2000, repassados a Maria Amélia Ribeiro da Silva, conforme documentos de n° 45; 38 R$ 10.825,05, em 07/07/2000, repassados aos beneficiários constantes dos recibos em anexo, conforme documentos de n°46; 39 R$ 7.560,00, em 25/07/2000, como pagamento de honorários periciais na Ação de Desapropriação em face de Orlando Luiz Baieux Rodrigues, conforme documentos de n° 47; 40 R$ 10.311,74 e R$ 14.347,80, em 01/08/2000, repassados a Jesus Guedes Filho e Sueli Belsario da Silva Rodrigues, conforme documentos de n° 48; 41 R$ 12.282,70, em 11/08/2000, repassados a Coldex Frigor S.A, conforme documentos de n° 49; 42 R$ 59.028,69, em 17/08/2000, repassados a Horácio Fernandes e outros, conforme documentos de n° 50; Fl. 2282DF CARF MF Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0118.16275.T32G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.003239/200582 Acórdão n.º 2201004.016 S2C2T1 Fl. 2.280 7 43 R$ 1.499.488,02, em 17/08/2000, repassados a Daya Cosmética Internacional Ltda, conforme documentos de n° 51; 44 R$ 146.254,78, em 22/09/2000, repassados aos beneficiários do espólio de Francisco Antonio Rodrigues, conforme documentos de n° 52; 45 R$ 11.847,41, em 25/09/2000, a titulo de honorários advocaticios oriundos do processo movido contra André Andraus e outros, conforme documento de n°53; 46 R$ 6.083,83, em 09/10/2000, repassados ao beneficiário João Flávio Mackeldey e outros, conforme documentos de n° 54; 47 R$ 5.267,26, em 13/10/2000, repassados aos beneficiários do espólio de Renato Egydio de Souza Aranha, conforme documentos de n° 55; 48 R$ 8.501,08 e R$ 30.262,37, em 07/11/2000, repassados aos beneficiários do espólio de Maria Benedita dos Santos, conforme documentos de n° 56; 49 R$ 7.500,00, em 10/11/2000, é receita da sociedade, conforme cópia do livro razão juntada; 50 R$ 258.047,31, em 24/11/2000, repassados a beneficiária Lilliana Doris Kollmare, conforme documentos de n° 58; 51 R$ 12.351,00, em 05/12/2000, é receita da sociedade tendo sido nela contabilizado, consoante livro razão juntado; 52L. R$ 93.155,35, em 05/12/2000, repassado ao beneficiário espólio de Gabriela Herdeiro Clemente e outros, conforme documentos de n° 60; 53 R$ 8.129,79 e R$ 58.591,00, em 21 de dezembro de 2000, repassados a beneficiária Sandra Ribeiro, conforme documentos de n° 61; 54 R$ 6.748,26, em 27/12/2000, repassados à Bernardo Dias Aguiar, conforme documentos de n° 62; 55 R$ 16.782,43 e R$ 16.804,93, em 28/12/2000, repassados à Lucy Mary Marx Gonçalves da Cunha, conforme documentos de no 63; 56 R$ 24.196,61, em 08/01/2001, repassados ao Manoel Santana Bispo, conforme documentos de n° 64; 57 R$ 13.624,10, em 31/01/2001, repassados a SENECA do Brasil S.A, conforme documentos de n° 65; 58 R$ 23.192,98, em 15/02/2001, repassados a Alberto Torrani e Michele Venerito, conforme documentos de no 66; Fl. 2283DF CARF MF Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0118.16275.T32G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 59 R$ 13.416,06, em 16/03/2001, repassados á. Sociedade Imobiliária e • Administradora SCAL Ltda, conforme documentos de n° 67; 60 R$ 5.000,00, em 22/01/ e 23/04/2001, como adiantamento em face das despesas com o laudo pericial elaborado nos autos da Ação de Desapropriação movida pela DERSA contra Daya Cosméticos Internacional Ltda, conforme documentos de n° 68; 61 R$ 12.301,55, em 27/03/2001, repassados à SOEICOM S.A, conforme documentos de n° 69; 62 R$ 46.744,16, em 30/03/2001, repassados à CIA Cimento Portland Barroso, conforme documentos de n° 70; 63 R$ 6.611,23, R$ 83.730,36 e R$ 14.157,19, em 02/04/2001, repassados à CIA Cimento Portland Barroso, conforme documentos de n° 71; 64 R$ 10.876,62 e R$ 56.962,33, em 02/04/2001, repassados a João Gilberto Macksoud, conforme documentos de n° 72; 65 R$ 6.749,66 e R$ 7.608,85, em 09/04/2001, repassados ao beneficiário Juvenal Medeiros Filho, conforme documentos de no 73; 66 R$ 27.602,49, em 26/04/2001, repassados a Shih Lan, conforme documentos de n° 74; 67 R$ 391.549,43, R$ 961.360,08 e R$ 3.633.606,69, em 07/05/2001, repassados beneficiária Itausa Empreendimentos S.A, conforme documentos de n° 75; 68 R$ 36.883,90, depositados em 16/05/2001, repassados a Banco Bradesco S.A, conforme documentos de n° 76; 69 R$ 236.830,20, em 24/05/2001, repassados ao espólio de Serafim Joao Francesconi, conforme documentos de n° 77; 70 R$ 8.335,18, em 5/06/2001, repassados ao espólio de Antônio Vizioli, conforme documentos n° 78; 71 R$ 51.866,93, em 19/06/2001, repassados aos beneficiários João Baptista Lofredo e espólio de Virgílio Favoretto, conforme documentos de n° 79; 72 R$ 25.864,86, em 26/06/2001, repassados ao espólio de Serafim João Francesconi,m conforme documentos de n° 80; 73 R$ 6.500,00, em 20/07/2001, referentes aos honorários do perito judicial na Ação de Desapropriação, movida pelo DER em face de Orlando Luiz Bayeux Rodrigues, conforme documentos de n° 81; 74 R$ 16.072,86 e R$ 49.874,86, em 02/08/2001, repassados a Mauricio de Oliveira Santos, conforme documentos de n° 82; Fl. 2284DF CARF MF Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0118.16275.T32G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.003239/200582 Acórdão n.º 2201004.016 S2C2T1 Fl. 2.281 9 • 75 R$ 18.510,13 e R$ 38.393,74, em 15/08/2001, repassados a José Eduardo Lazaro, conforme documentos de n° 83; 76 R$ 388.865,54, em 23/08/2001, repassados a Agro Comercial Ypa Ltda, conforme documentos de n° 84; 77 R$ 26.609,16, depositados em 31/08/2001, repassados a SOEICOM S.A, conforme documentos de n° 85; 78 R$ 9.382,23, em 04/09/2001, repassados ao beneficiário Valdir Ferreira de Lima, conforme documentos de n° 86; 79 R$ 140.948,83, em 04/09/2001, repassados ao espólio de Alfredo Fayad e outros, conforme documentos de n° 87; 80 R$ 6.666,96, em 11/10/2001, repassados ao beneficiário Francisco Munhoz Filho, conforme documentos de n° 88; 81 R$ 28.000,00, em 30/10/2001, oriundo de empréstimo efetuado a Roberto Cabariti, consoante se observa pelo livro caixa da sociedade, documentos n° 89; 82 R$ 5.182,04, em 06/11/2001, repassados a Anselmo Vessoni, conforme documentos de n° 90; 83 R$ 186.176,34, em 14/11/2001, repassados a Francisco Munhoz Filho, conforme documentos de n°91; 84 R$ 14.431,51 e R$ 119.398,90, em 10/12/2001, repassados ao espólio de Bechir Gerab, conforme documentos de n° 92; 85 R$ 99.482,54, em 18/12/2001, repassados a Antônio Eduardo Rocha Alves, Milso Pedro Campos, João Carlos de Abreu e Gilberto de Abreu, conforme documentos de n° 93; 86 R$ 328.302,88, em 26/12/2001, sendo parte repassada para os beneficiários do espólio de Miguel Munhoz Bonilha (R$ 315.891,23) e o restante (R$ 12.635,65), corresponde ao cheque dos honorários acertados entre patrono e o beneficiário, conforme documentos de n° 94; 87 R$ 422.332,00, em 27/12/2001, repassados á. beneficiária Seikan Refrigeração Industrial Ltda, conforme documentos de n° 95; 88 R$ 25.000,00, em 13/07/2001, depositados na conta a titulo de honorários advocatícios pagos pelo cliente Clóvis Sérgio Villa Boas, conforme documentos de n° 96; 89 R$ 7.000,00, em 18/07/2001, valor depositado na conta a titulo de empréstimo efetuado a Daniel Vilela, conforme documentos de n° 97; 90 R$ 7.500,00, em 16/08/2001, a titulo de empréstimo efetuado pelo sócio Alexandre Husni, conforme documentos de n° 98; 91 R$ 18.624,53, em 06/09/2001, repassados a Manoel Santa Bispo, conforme documentos de n° 99; Fl. 2285DF CARF MF Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0118.16275.T32G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 92 Considerando a documentação apresentada combinada com as disposições do contrato social da Firma Advocacia Husni, Paolillo, Cabaritti S/C, impõese a extensão do mesmo entendimento quanto aos valores depositados no Banco Banespa, pois também se trata de rendimentos de titularidade dos autores das ações; 93 R$ 5.573,00, depositados em 02/07/2000, devolução do valor do empréstimo realizado ao escritório de advocacia para pagamento de salários da sociedade, conforme cópia do livro Caixa, documento n° 11; 94 R$ 20.000,00, depositados em 11/08/2000, devolução pela Advocacia Husni, Paolillo e Cabariti S/C, de valor utilizado para pagamento de despesas gerais, conforme cópia de livro Caixa (Doc 101); 95 R$ 25.296,00, em 08/01/2001, depositado na conta conjunta dos sócios e repassados para o beneficiário Francisco Pazzeli Ometto, em cumprimento da decisão judicial nos autos da Ação de Desapropriação movida pela Autoban, conforme documentos de n° 12; 96 R$ 175.000,00, depositados em 10/05/2001, devolução do valor de empréstimo realizado A. Sociedade para pagamento de salários da sociedade, conforme cópia do livro Caixa (Doc n° 104); 97 R$ 380.410,82, depositados em 10/10/2001, valor da sociedade que foi depositado na conta particular do impugnante e repassado para o beneficiário, Construtora Ribeiro Ltda, em cumprimento A. decisão proferida nos autos da Ação de Desapropriação movida pela Municipalidade de São Paulo, conforme Doc. n° 105; 98 Protesta pela oitiva de testemunha, principalmente a sra Silvânia Gomes Vaz Sobrinho; 99 requer a realização de perícia contábil e/ou diligência, nomeando como seu perito, Silvio Lopes Carvalho." A decisão de primeira instância restou assim ementada (Acórdão 1726.126, fls 1550): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001 PRELIMINAR CERCEAMENTO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em contraditório e ampla defesa, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 2286DF CARF MF Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0118.16275.T32G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.003239/200582 Acórdão n.º 2201004.016 S2C2T1 Fl. 2.282 11 Após 1° de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. Apresentados, no entanto, na fase impugnatória documento comprobatórios de origem, é de se alterar o lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DE ORIGEM EMPRÉSTIMO. A alegação de que depósito em sua conta é decorrente de pagamento de empréstimos deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência do numerário do contribuinte para o mutuário, não bastando a simples apresentação de recibo, desacompanhado de qualquer formalidade, pelo impugnante. PEDIDO DE PERÍCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Deve ser negada a requisição para realização de perícia quando os quesitos formulados pelo impugnante referemse a própria comprovação de origem dos depósitos, cujo ônus é exclusivo do contribuinte. LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA. AGRAVAMENTO. INAPLICABILIDADE. No caso de lançamento de oficio com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a não apresentação pelo contribuinte dos extratos bancários e a não comprovação da origem dos depósitos não dá ensejo ao agravamento da multa. Os efeitos da omissão constituem a própria presunção de omissão de rendimentos e o conseqüente lançamento, com multa de oficio de 75%. Lançamento Procedente em Parte" O contribuinte foi cientificado, via postal, da decisão que parcialmente contrariou seus interesses em 08 de setembro de 2008 (AR fls. 1569). Em 07 de outubro seguinte, tempestivamente, interpôs recurso voluntário (fls. 1575), contendo, basicamente, os mesmos argumentos da sua impugnação. Em 19 de fevereiro de 2009, o Recorrente apresenta petição de juntada de documentos, folhas 1633, pela qual apresenta microfilmagens obtidas junto às instituições bancárias que, segundo o alegado, comprovam os repasses dos valores depositados, originalmente, em suas contas correntes, em razão de seu mister profissional. Em 16 de maio de 2013, por meio da Resolução nº 2102000.137 a extinta 2ª Turma da 1ª Câmara, decidiu sobrestar o presente julgamento em face da repercussão geral reconhecida pelo STF no RE 601.314/SP. Fl. 2287DF CARF MF Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0118.16275.T32G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 Posteriormente, em 13 de junho de 2016, esta 1ª Turma Ordinária, por meio da Resolução nº 2201000.226 (fls. 2195), resolveu converter o julgamento em diligência, determinando o envio dos autos para que autoridade lançadora se pronunciasse: i) sobre a intimação dos cotitulares das contas mantidas pelo sujeito passivo para que comprovassem a origem dos recursos ali depositados; ii) por meio de relatório circunstanciado, sobre as provas acostadas aos autos, por meio da petição de juntada constante das folhas 1633 e seguintes, e se for o caso, recalcule a o valor do tributo devido. Foi determinado também que fosse dada ciência ao contribuinte sobre o resultado da diligência solicitada. Em 28 de junho de 2017, a Equipe Fiscal 05, da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoa Físicas, DERPF, produziu a informação fiscal de folhas 2219 em atendimento à solicitação deste Conselho Administrativo, seguido de encaminhamento para prosseguimento do julgamento. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator. Como relatado, tratase de retorno de diligência determinada por esta colenda Turma. Foi determinado que a autoridade fiscal se pronunciasse sobre a intimação dos cotitulares das contas mantidas pelo sujeito passivo para que, querendo, comprovassem a origem dos recursos ali depositados e, ainda que a Fiscalização, por meio de relatório circunstanciado, se manifestasse sobre as provas acostadas aos autos, por meio da petição de folhas 1633, com recálculo do tributo devido, se fosse o caso. Reproduzo, na parte que nos interessa, a informação fiscal resultante da diligência determinada (fls. 2220): "Em atenção à decisão de fls. 2143/2162 que determinou a diligência fiscal, informamos: Conforme verificamos no presente processo foram relacionadas às fls. 525/526 as contas de titularidade de natureza conjunta. No entanto, constatouse que as intimações foram efetuadas exclusivamente para Roberto Cabariti, por meio do Termo de Início de ação fiscal de 19/05/2005 recebido em 25/05/2005 e pelo Termo de Intimação Fiscal de 25/10/2005, cuja ciência ocorreu em 26/10/2005. Com relação aos elementos trazidos pelo autuado por ocasião da impugnação, observamos que não obstante as intimações regularmente efetuadas no curso do procedimento fiscal, nenhum documento foi apresentado à fiscalização, conforme ressalta a Auditora fiscal no Termo de Verificação Fiscal (fls.553f557). A aceitação ou não dos documentos trazidos por ocasião do Recurso Administrativo com objetivo de comprovar a origem dos créditos/depósitos efetuados nas contas de sua titularidade (ou Fl. 2288DF CARF MF Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0118.16275.T32G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.003239/200582 Acórdão n.º 2201004.016 S2C2T1 Fl. 2.283 13 titularidade conjunta), é atribuição da unidade julgadora. Submetêla a mesma autoridade produtora do feito poderia insinuar uma análise tendenciosa, com risco de ferir o princípio da análise independente pela delegacia recursal. (...)" (destaques não constam da informação fiscal) Em que pese a inércia da Administração Tributária em cumprir a determinação deste colegiado no tocante à análise das provas acostadas, se imiscuindo em matéria de direito sobre a qual claramente o Agente Fiscal não ostenta conhecimento, a diligência realizada trouxe informação determinante para o deslinde da questão. É nulo o lançamento constante do auto de infração em apreço. Não houve a intimação dos cotitulares das contas mantidas pelo sujeito passivo. Tal ato processual é determinante para a higidez do ato administrativo constitutivo do crédito tributário. Assim determina a jurisprudência pacífica deste Conselho Administrativo, consubstanciada na Súmula CARF nº 29, de caráter vinculante. Recordemos sua determinação: "Súmula CARF nº 29 (VINCULANTE): Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento." (negritei) Verifico, às folhas 797 e 798, a relação das contas bancárias mantidas pelo Recorrente nos anoscalendário 2000 e 2001 e fontes do lançamento consoante afirmação constante do Termo de Verificação Fiscal (folhas 826). Constato ainda, que somente duas das dezoito contas mantidas, pelo contribuinte, em seis instituições financeiras diferentes, não são conjuntas, são elas: conta corrente 29.1130 mantida na agência 0388 do Banco Itaú e a conta poupança 626.7849, mantida na agência 0377 do Unibanco. Confirmo, pela observação das planilhas de valores sem origem comprovada, movimentados nas diversas contas correntes (fls. 819/824) que nenhum dos valores lançados transitaram por essa contas correntes individuais, ou seja, todos os valores constantes do lançamento tiveram origem em contas mantidas em instituições financeiras em cotitularidade com terceiros. Tal constatação se coaduna com a informação constante do TVF (fls. 827), pela qual a autoridade lançadora afirma que os valores constantes do lançamento foram apurados como percentual da titularidade do sujeito passivo nas diversas contas mencionadas. Reproduzo: "Tendo em vista que o fiscalizado, regularmente intimado, não logrou apresentar qualquer documento capaz de justificar a origem dos recursos utilizados nas operações discriminadas nas relações de fls. 547 a 552, foram, tais valores, caracterizados como omissão de rendimentos na forma do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, alterado pelo artigo 4° da Lei n° 9.481/97 e artigo 849 do RIR/99 e considerados auferidos nos meses de seus efetivos créditos. Fl. 2289DF CARF MF Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0118.16275.T32G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 Cumpre observar que na apuração dos montantes tributáveis em cada mês, conforme encontrase abaixo resumidamente demonstrado, foi atribuída ao fiscalizado, a terça parte dos valores dos depósitos/créditos verificados nas contas correntes mantidas em conjunto pelos sócios da firma Advocacia Husni — Paolillo — Cabariti S/C e 50% dos depósitos/créditos constatados na conta corrente solidária n° 151232 da Ag. 0068 do Banco Itaii S/A, cujo cotitular não foi informado pela instituição financeira e tão pouco pelo fiscalizado." Assim, confirmado que todas as contas correntes que embasaram o lançamento tributário em apreço eram mantidas com outros cotitulares é imperativo o reconhecimento da nulidade do lançamento tributário, por vício material, nos termos da Súmula CARF nº 29. Em face da nulidade observada, se torna despicienda a análise das demais questões recursais. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 2290DF CARF MF Documento de 14 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0118.16275.T32G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA em 01/12/2017 15:57:00. Documento autenticado digitalmente por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA em 01/12/2017. Esta cópia / impressão foi realizada por VALERIA JOSE VIEIRA DA COSTA em 09/01/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.0118.16275.T32G Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 728A82F56D4892C227A8596CF7BAC36561E59F6DED66F6AE477F7E6EF4B5ECB1 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19515.003239/2005-82. 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Numero do processo: 13851.902168/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1742; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.902168/200929 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.483 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SUNDAY SCHOOL ESCOLA DE IDIOMAS LTDAME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DCTF PRAZO PARA RETIFICAÇÃO HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 21 68 /2 00 9- 29 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13851.902168/200929 Acórdão n.º 1302002.483 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (COFINS e PIS/PASEP) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13851.902168/200929 Acórdão n.º 1302002.483 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13851.902168/200929 Acórdão n.º 1302002.483 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13851.902168/200929 Acórdão n.º 1302002.483 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13851.902168/200929 Acórdão n.º 1302002.483 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000320/2004-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 06/01/2000
DRAWBACK.FALTADECOMPROVAÇÃODOADIMPLEMENTO.
Somente serão aceitos para comprovação do adimplemento da condição resolutiva do Regime Aduaneiro Especial de Drawback registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo ato concessório e que contenham o código de operação próprio do Regime.
DRAWBACK. COMPROVAÇÃO. VENDA NO MERCADO INTERNO. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NOTAS FISCAIS. REQUISITOS.
Somente será considerado documento hábil para comprovação de exportações vinculadas ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback a nota fiscal de venda no mercado interno com o fim especifico de exportação que atender a todos os requisitos exigidos na legislação de regência.
Numero da decisão: 9303-005.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 06/01/2000 DRAWBACK.FALTADECOMPROVAÇÃODOADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do adimplemento da condição resolutiva do Regime Aduaneiro Especial de Drawback registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo ato concessório e que contenham o código de operação próprio do Regime. DRAWBACK. COMPROVAÇÃO. VENDA NO MERCADO INTERNO. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NOTAS FISCAIS. REQUISITOS. Somente será considerado documento hábil para comprovação de exportações vinculadas ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback a nota fiscal de venda no mercado interno com o fim especifico de exportação que atender a todos os requisitos exigidos na legislação de regência.
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Somente serão aceitos para comprovação do adimplemento da condição resolutiva do Regime Aduaneiro Especial de Drawback registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo ato concessório e que contenham o código de operação próprio do Regime. DRAWBACK. COMPROVAÇÃO. VENDA NO MERCADO INTERNO. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NOTAS FISCAIS. REQUISITOS. Somente será considerado documento hábil para comprovação de exportações vinculadas ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback a nota fiscal de venda no mercado interno com o fim especifico de exportação que atender a todos os requisitos exigidos na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 03 20 /2 00 4- 92 Fl. 812DF CARF MF Processo nº 13502.000320/200492 Acórdão n.º 9303005.866 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 310200.358, de 17 de junho de 2009 (efolhas 679 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 06/01/2000 DRAWBACK. INADIMPLEMENTO PARCIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÕES VINCULADAS AO REGIME. RE 00/0930000001 E RE 00/1044972001 Depreendese do art. 339 do Regulamento Aduaneiro que é indispensável para a utilização do beneficio fiscal do regime Drawback a anotação de seu uso nos documentos comprobatórios de exportação, o que não foi feito. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÕES VINCULADAS AO REGIME DRAWBACK. PRODUTOS. RE 00/1107846001, 00/0031053001, 00/0060345001 E 00/0094514001. Inadimplidas as condições do regime aduaneiro de drawback não podem ser reconhecidos os beneficios tributários que introduz. DRAWBACK INTERMEDIÁRIO. REQUISITOS. O Drawback Intermediário consiste na importação, por empresas denominadas fabricantesintermediários, de mercadoria para industrialização de produto a ser fornecido a empresas industriaisexportadoras e utilizado na industrialização de produto final destinado à exportação. Fl. 813DF CARF MF Processo nº 13502.000320/200492 Acórdão n.º 9303005.866 CSRFT3 Fl. 4 3 No caso em exame, o ato concessório foi concedido para o regime de drawback suspensão. Assim, por não haver autorização para o gozo do regime Drawback Intermediário, nem para beneficiarse da possibilidade de complementação de processo de industrialização já iniciado por terceiros, não é possível reconhecerse a existência de regime de Drawback Intermediário neste caso. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 718 e segs) referese à repercussão jurídica dos equívocos praticados pelo importador no preenchimento dos Registros de Exportação, especificamente quanto ao enquadramento da operação e/ou vinculação do RE ao AC. A recorrente, além do pedido de nulidade da decisão recorrida, defende, no mérito, que tais irregularidades formais não são suficientes para que se considere inadimplido o regime aduaneiro especial de Drawback. O Recurso especial foi admitido conforme exame de admissibilidade de e folhas 800 e segs. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 805 e segs. Defende o desprovimento do recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial O exame de admissibilidade é irretocável. O recurso foi apresentado dentro do prazo. Dele tomo conhecimento. Mérito Cumpre verificar, antes de adentrar ao mérito do recurso, se há efetivamente a nulidade do acórdão recorrido, uma vez que há pedido expresso nesse sentido no recurso especial. Alegase falta de fundamentação do voto vencedor da decisão recorrida. Fl. 814DF CARF MF Processo nº 13502.000320/200492 Acórdão n.º 9303005.866 CSRFT3 Fl. 5 4 Registrese que o recurso especial do contribuinte foi admitido em relação às questões pertinentes às formalidades inerentes ao registro de exportação para fins de cumprimento do regime de Drawback. É sobre esta matéria que ele apresentou e comprovou a divergência jurisprudencial. Quanto à alegada nulidade, nada se comprovou que justificasse esta CSRF admitir esta parte do recurso com o fim de uniformizar a jurisprudência. Na verdade, se o contribuinte entendeu que o acórdão recorrido e seu voto vencedor estavam omissos de fundamentação, deveria ter apresentado embargos de declaração com o fim de demonstrar as possíveis omissões ou contradições do acórdão recorrido. Não o fazendo, perdeu o momento certo de discutir eventual omissão de fundamentação do acórdão recorrido. Analisando o voto vencedor, verificase de fato que ele é extremamente suscinto, mas não deixou de expor a convicção da turma recorrida, pelo voto de qualidade, de que devem ser cumpridas todas as formalidades assumidas no regime de Drawback, nos prazos estipulados. Estando claro a falta desse cumprimento há que se desprover o recurso. Penso que não há margem de dúvidas quanto ao alcance e o conteúdo da decisão. Tanto é fato, que o contribuinte ao apresentar o presente recurso especial, entendeu exatamente a matéria a ser recorrida, a qual está expressa já no preâmbulo de seu recurso que assim dispôs sobre a lide: "O cerne da discussão neste processo administrativo é saber se equívocos no preenchimento dos Relatórios de Exportação (REs), ainda que sanados antes da lavratura do AI, inviabilizam o reconhecimento dos benefícios tributários de regime de Drawback". Certo é que a turma recorrida negou provimento ao seu recurso voluntário entendendo que devem ser cumpridos rigorosamente aqueles requisitos. Portanto, afasto a suscitada nulidade da decisão recorrida. Quanto ao mérito, discutemse as consequências jurídicotributárias decorrentes da ausência de informação tempestiva nos registros de exportação de Drawback, (i) do código da operação de Drawback, 81.101 e/ou (ii) do número do Ato Concessório correspondente, assim como (iii) da comprovação do adimplemento do regime por meio de exportações realizadas por outra empresa. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 13502.000320/200492 Acórdão n.º 9303005.866 CSRFT3 Fl. 6 5 Analisemos as alegações da recorrente à luz das particularidades do regime e da legislação que regulamenta sua concessão e as condições para o adimplemento da obrigação que lhe confere condição de eficácia. O regime especial de Drawback, modalidade suspensão, está previsto no inciso II do art.78 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, c/c o art.1º, inciso I, da Lei n.° 8.402/92. Ele oferece a suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de insumos, mediante compromisso do importador e beneficiário do regime de aplicálos na fabricação de produtos destinados à exportação, nas condições e prazos firmados pela contribuinte e que passam a compor o correspondente Ato Concessório expedido pela SECEX, verbis: Art.78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I restituição,total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento,ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. (Vide Lei nº8.402,de 1992) (...) Na modalidade suspensiva, o Regime permite à contribuinte importar insumos com suspensão dos tributos incidentes na importação, com o compromisso firmado de, em certo prazo e condições, utilizálos no beneficiamento ou industrialização de produtos e efetivamente reexportálos. Cumprido esse compromisso aquela suspensão inicial dos tributos é convertida em uma isenção. Fl. 816DF CARF MF Processo nº 13502.000320/200492 Acórdão n.º 9303005.866 CSRFT3 Fl. 7 6 Tratandose de uma isenção condicionada, portanto, reclama a aplicação dos art.111, 155 e 179 do CTN, in verbis: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa,em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (...) §2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor,cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: (...) Pois bem, o Registro de Exportação é o documento que comprova a exportação vinculada ao regime drawback e, por conseguinte, tanto o correto enquadramento do tipo de regime quanto a sua vinculação ao Ato Concessório são obrigações acessórias inerentes ao cumprimento do regime. Não havendo vinculação entre os Registros de Exportação apresentados e o citado Ato Concessório, resta evidenciado que a contribuinte infringiu ao disposto no artigo 325 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº. 91.030/85, vigente à época de ocorrência dos respectivos fatos geradores, in verbis: Art.325 – A utilização do benefício previsto neste Capítulo será anotada no documento comprobatório da exportação. Fl. 817DF CARF MF Processo nº 13502.000320/200492 Acórdão n.º 9303005.866 CSRFT3 Fl. 8 7 Além disso, o Registro de Exportação que não contenha ou que contenha de forma inexata informação relativa ao código da operação de Drawback também não faz prova do cumprimento do regime. Este entendimento tem como pressuposto o fato de que a indicação de um código de operação diverso ao regime Drawback e/ou a falta da indicação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação impedem o controle na utilização dos benefícios fiscais inerentes ao regime. Nesse sentido, confiramse as disposições normativas que seguem: Portaria SCE nº 02, de 1992: Art. 10 – O Registro de Exportação no SISCOMEX – RE é o conjunto de informações de natureza comercial, financeira e fiscal que caracterizam a operação de exportação de uma mercadoria e definem o seu enquadramento. (...) §3.º As tabelas com os códigos utilizados no preenchimento do RE, do RV e do RC estão contidas no Anexo‘I’desta Portaria. ComunicadoDecex nº 21, de 1997: 3. É obrigatória a vinculação do Registro de Exportação (RE) ao Ato Concessório de Drawback, modalidade Suspensão. 4. Somente será aceito para a comprovação do Regime modalidade Suspensão, Registro de Exportação (RE) contendo, no campo2a, o código de enquadramento constante do AnexoI (10 tabela de Enquadramento da Operação) da Portaria SCE nº 2, de 22/12/92, bem como as informações exigidas nocampo 24 (dados do fabricante).P Portaria Secex nº4, de 1997: Art. 37. Somente poderão ser aceitos para comprovação do Regime de Drawback, modalidade suspensão, Registro de Exportação (RE) devidamente vinculado a Ato Concessório de Drawback,na forma da legislação em vigor. Corroborando esse raciocínio, transcrevemos a seguir, trecho do Parecer COSIT Nº 53, de 22 de julho de 1999: Fl. 818DF CARF MF Processo nº 13502.000320/200492 Acórdão n.º 9303005.866 CSRFT3 Fl. 9 8 9. No tocante à questão apresentada no item 4 possibilidade de aceitação, pela SRF, de Registros de Exportação não vinculados aos atos concessórios, informese que sobre o assunto, o art.37 da mencionada Portaria Secex nº 4, de 1997, estabelece que ‘somente poderão ser aceitos para comprovação do regime de drawback modalidade suspensão, Registros de Exportação (RE) devidamente vinculados ao Ato Concessório de Drawback, na formada legislação em vigor’. Em simples leitura dos dispositivos acima transcritos, verificase a necessidade de constar nesses documentos eletrônicos (Registros de Exportação) o correto enquadramento da operação e também a sua vinculação ao Ato Concessório. Sem a devida averbação de tais dados no Registro de Exportação não há como o Fisco controlar a adimplemento do regime aduaneiro especial de drawback. O ônus probatório é da contribuinte. Cabe a ele comprovar que o Registro de Exportação está corretamente preenchido e devidamente vinculado aos respectivos Atos Concessórios. Ademais, o despacho de exportação é a oportunidade que a contribuinte tem de apresentar à autoridade alfandegária os produtos que estão sendo exportados com aproveitamento dos bens beneficiados com o tratamento fiscal do drawback e, desse modo, comprovar o cumprimento da condição suspensiva. E nesse momento, com base nas informações prestadas pela contribuinte no Registro de Exportação é que a Aduana vai inspecionar os produtos e, a partir dessa inspeção, manifestar sua anuência sobre a comprovação aqui em discussão. Se a contribuinte não informa corretamente à Aduana que são exportações decorrentes de regime drawback, elas não recebem o correspondente e necessário procedimento de verificação. Como se vê, a informação inexata nos Registros de Exportação não significa “mero” erro formal, como deseja crer a Recorrente, mas subtração da condição de verificação para se concluir pela extinção da obrigação tributária. Esses "erros de preenchimento" dos Registros de Exportação praticados pela contribuinte, na verdade, mascaram as correspondentes operações de exportação. De todo o exposto, constatase que é da contribuinte a obrigação de comprovar o integral cumprimento das exportações para se beneficiar do referido benefício fiscal. No meu entender, a autuada não obteve esse êxito, além de adotar procedimentos que dificultaram o controle das operações decorrentes da adoção do Drawback Suspensão, como ficou exaustivamente demonstrado no lançamento fiscal. Fl. 819DF CARF MF Processo nº 13502.000320/200492 Acórdão n.º 9303005.866 CSRFT3 Fl. 10 9 Ressalto que este colegiado, embora utilizando de fundamentação discretamente diferente, também já decidiu nesse sentido.Transcrevese abaixo a ementa do Acórdão nº 9303003.850, de 17/05/2016, da relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: ASSUNTO:REGIMES ADUANEIROS Período de apuração:23/01/2007 a 12/12/2007 Data do fato gerador:16/07/1996 (...) DRAWBACK. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do regime de Drawback, registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao Drawback. Recurso Especial do Contribuinte Negado. No que se refere à comprovação baseada em exportações realizadas por outra empresa, não autorizada, pela qualidade demonstrada na apreciação da matéria, adoto os fundamentos da decisão de primeira instância, a seguir transcritos. EXPORTAÇÕES REALIZADAS POR OUTRA EMPRESA (MOTIVO "D") 10. No regime de drawback há previsão de operações especiais, dentre elas o drawback intermediário, concedido na modalidade suspensão e isenção, o qual, de acordo com o item 2.2, inciso IV, da Consolidação das Normas do regime de Drawback — CND (anexa ao Comunicado DECEX no 21, de 11/07/1997), se caracteriza "pela importação de mercadoria, por empresas denominadas fabricantesintermediários, destinada a processo de industrialização de produto intermediário a ser fornecido a empresas industriaisexportadoras, para emprego na industrialização de produto final destinado à exportação". 11. A impugnante não comprovou a fabricação de produto intermediário que tenha sido fornecido a empresa industrial Fl. 820DF CARF MF Processo nº 13502.000320/200492 Acórdão n.º 9303005.866 CSRFT3 Fl. 11 10 exportadora para emprego na subseqüente industrialização de produto final destinado exportação. Dai se conclui que não se trata de drawback intermediário. 12. Observase que no Relatório de Pendências (fls. 289290), a SECEX solicita à interessada a adoção das providências contidas no item 1 e no subitem 3.8, do Anexo XI, do Comunicado DECEX no 21/1997. Isso revela que a beneficiária do regime procurou comprovar parte das exportações a que se comprometeu, utilizando notas fiscais de venda realizada a empresa comercial habilitada a operar no comércio exterior, no caso, a Xerox Comércio e Indústria Ltda (CNPJ 02.773.629/000442), conforme permite o item 21.2 e o item 1 do Anexo XI da CND (REs e notas fiscais de fls. 198223 e 314 363). Resta verificar se a impugnante logrou comprovar as exportações, mediante a apresentação dos documentos hábeis exigidos pela legislação de regência do drawback. 13. Conforme relatório de diligência, houve cumprimento dos requisitos constantes dos itens 21.2, inciso III, e 3.8, do Anexo XI, da CND, conforme documentos de fls. 291 e 314 63. A exigência do item 21.3 da CND, concernente à falta de apresentação do Comprovante de Exportação, resta suprida por força do disposto no art. 51, parágrafo único, inciso II, da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27/04/1994, segundo o qual considerase exportada a mercadoria cujo despacho de exportação estiver averbado no SISCOMEX, sendo irrelevante, para tanto, "a inexistência do comprovante de exportação, desde que sejam fornecidos aos órgãos e entidades competentes para efetuar a fiscalização e o controle dessas operações, os dados necessários à identificação do despacho averbado no Sistema". 14. Embora conste nas citadas notas fiscais que as exportações foram realizadas na condição de empresa comercial exportadora nos termos do DecretoLei n° 1.248/1972, a SECEX, por meio do Relatório de Pendências de fls. 289290, fez exigências atinentes à nota fiscal de venda no mercado interno, com o fim especifico de exportação, realizada à empresa de fins comerciais habilitada Fl. 821DF CARF MF Processo nº 13502.000320/200492 Acórdão n.º 9303005.866 CSRFT3 Fl. 12 11 a operar em comércio exterior, demonstrando que os requisitos a serem cumpridos são os previstos no Anexo XI da CND, pertinentes a essa espécie de operação. 15. 0 item 3.2 do Anexo XI da CND estipula os requisitos que devem constar obrigatoriamente na Nota Fiscal para ser considerada documento hábil à comprovação das exportações vinculadas ao drawback. Todavia, como pode ser observado na documentação apresentada pelo contribuinte, de fls. 314363, as Notas Fiscais não atendem a nenhum desses requisitos, de modo que não servem como documento de comprovação das exportações vinculadas ao drawback (fls. 314363). 16. Nas mencionadas notas fiscais, não há sequer a declaração de que o produto destinado à exportação contém mercadoria importada ao amparo do Regime de Drawback, modalidade suspensão, não havendo vinculação ao número do Ato Concessório de Drawback e tampouco indicação da quantidade de mercadoria importada sob o Regime empregada no produto destinado à exportação. Assim, na ausência das citadas informações, os documentos apresentados podem acobertar produtos que não sejam aqueles admitidos no regime drawback. 17. Se o beneficiário deixa de apresentar documentos que contenham tal vinculação, não há como considerar comprovado o adimplemento do regime. 0 fato de existirem diversas operações de venda a empresas exportadoras não significa, por si só, que tais operações estejam relacionadas a drawback. Por isso mesmo, a vinculação não pode ser inferida apenas com base nos demais dados constantes do documento, tais como descrição da mercadoria, peso, quantidade, valor etc. 18. Igualmente não foi informado o valor da mercadoria importada sob o Regime, utilizada no produto destinado à exportação, assim considerado o somatório do prego no local de embarque no exterior e das parcelas de frete, seguro e demais despesas incidentes, nem o valor da venda do produto, convertido em dólares norteamericanos, à taxa de câmbio para Fl. 822DF CARF MF Processo nº 13502.000320/200492 Acórdão n.º 9303005.866 CSRFT3 Fl. 13 12 compra vigente na data da emissão do documento fiscal de venda. 19. Além disso, os REs correspondentes as mencionadas notas fiscais não contêm o código próprio de drawback e os de nos 01/0418430001 e 01/0590020001 não estão vinculados ao ato concessório, informações obrigatórias e imprescindíveis para que tais documentos possam comprovar o cumprimento do regime, conforme esclarece o auto de infração (fls. 198223). Também não podem ser acatadas as Notas fiscais apresentadas após a diligência, de fls. 528577, pois se referem a vendas realizadas para outras empresas, não tendo • relação com os REs informados no Relatório Unificado de Drawback. 20. Nesse passo, cabe ressaltar que as exigências para comprovação do drawback foram estabelecidas, em ato de caráter normativo, publicado no Diário Oficial da Unido, pelo órgão que detém competência legal para baixar normas sobre drawback, por força do art. 78 do Decretolei n° 37/1966 combinado com o art. 331, inciso I, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/1985, art. 19, inciso X, alínea "e", da Lei n° 8.490/1992 e arts. 16 e 17 do Decreto n° 1.757/1995 (atos vigentes A época da publicação da Portaria Secex n°04/1997 e Comunicado Decex n°21/1997). 21. Ora, se o órgão competente para estabelecer normas sobre drawback estipulou os documentos e requisitos hábeis para a comprovação das exportações vinculadas a drawback, é porque tais exigências revelamse importantes para assegurar a finalidade do incentivo, não cabendo à repartição fiscal desprezar alguma exigência, por reputála prescindível, e reconhecer essa comprovação mediante a exibição de documentos que não atendam As citadas determinações, sob pena de negar vigência ao ato normativo. 22. É certo que a legislação estabelece um modo para a comprovação das exportações, o que evidencia, sem dúvida, o seu aspecto formal. Por outro lado, é imperioso concluir que as Fl. 823DF CARF MF Processo nº 13502.000320/200492 Acórdão n.º 9303005.866 CSRFT3 Fl. 14 13 informações que devem constar nos documentos, notadamente sua vinculação com o drawback e com o respectivo ato concessório, revestemse de inegável caráter material, na medida em que asseguram a vinculação da mercadoria por eles amparada ao regime drawback, reputandose, assim, imprescindíveis para conferir legitimidade ao incentivo fiscal, em observância ao principio da verdade material. 23. Destaquese que a finalidade dos documentos exigidos pela legislação é comprovar que a mercadoria está efetivamente amparada pelo regime drawback, submetendose, por isso, a um tratamento tributário diferenciado, e dessa forma tais documentos materializam, enquanto elementos probatórios, a regularidade da utilização do regime. Assim, não se pode assentir que a ausência dos requisitos legais nos documentos consista em mera formalidade, porquanto tal situação significa a impossibilidade material de assegurarse a relação entre a mercadoria e o drawback. Portanto, o fato não pode ser tratado com o enfoque de simples erro formal, de preenchimento de documentos, nem é o caso de mero descumprimento de obrigação acessória sem maiores conseqüências. 24. Ressaltese que a própria Secex, a quem compete a concessão do regime bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, conforme dispõe o art. 2° da Portaria MEFP n° 594/1992, emitiu o relatório de pendência de fls. 289290, solicitando o cumprimento de exigências previstas no Anexo XI da CND e fazendo a seguinte advertência: "o descumprimento do disposto acima acarretará o inadimplemento do Ato Concessário de Drawback". 25. Destaquese que, sendo a obrigação tributária ex lege e submetendose a administração tributária ao principio da estrita legalidade, diante dos comandos normativos expressos, acima mencionados, tornase imperioso concluir que não fazem prova do adimplemento do regime notas fiscais em desacordo com o estabelecido na legislação. Assim, dada a importância do Fl. 824DF CARF MF Processo nº 13502.000320/200492 Acórdão n.º 9303005.866 CSRFT3 Fl. 15 14 documento em análise como instrumento de comprovação das exportações vinculadas ao drawback, inferese que, diante da falta dos requisitos exigidos pelo ato normativo de regência, a repartição fiscal fica impedida de reconhecer o adimplemento do ,s regime e o tratamento tributário diferenciado, devendo ser aplicada A quantidade correspondente da mercadoria importada o regime normal de tributação. Com base nessas premissas, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pela contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 825DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001882/2007-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO.
As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento.
CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA.
Mantém-se a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic.
Numero da decisão: 9303-005.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA. Mantém-se a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic.
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CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA. Mantémse a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 18 82 /2 00 7- 20 Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3801004.377, da 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RESSARCIMENTO. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade das contribuições sociais, excluise da proporção as receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação. VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 4 3 A determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase somente aos custos, despesas e encargos que sejam vinculados às receitas de mercado interno e exportação. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. COMPROVAÇÃO. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a efetiva comprovação de que as aquisições de combustíveis são utilizadas efetivamente no processo produtivo. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. VEDAÇÃO. Há vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido para as cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal. VENDAS COM SUSPENSÃO. VIGÊNCIA. DO ART. 9º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. O art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004 teve eficácia a partir de 4 de abril de 2006, data prevista na norma regulamentadora, in casu, a Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006. RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. VEDAÇÃO EXPRESSA. É incabível, por expressa vedação legal, a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o ressarcimento de créditos de contribuição não cumulativa. Recurso Voluntário Negado. ” Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, alegando que a decisão prolatada incorreu em contradição entre a decisão e seus fundamentos, requerendo: · O recebimento dos embargos; · Que seja sanada a contradição para o fim de dar provimento ao recurso voluntário para: Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 5 4 ü Manutenção do método de rateio proporcional, identificando a proporcionalidade destes em relação ao total das receitas de exportação, total das receitas no mercado interno tributadas e o total das receitas no mercado interno não tributadas; ü Manutenção do crédito de PIS e Cofins sobre o total das aquisições de combustíveis; ü Reconhecimento do processo produtivo; ü Manutenção do crédito presumido, considerando o processo produtivo desempenhado; ü Ressarcimento integral dos créditos vinculados a receita no mercado interno com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições, inclusive na proporção das receitas financeiras tributadas à alíquota zero; ü Exclusão da base de cálculo das contribuições a totalidade das vendas efetuadas com suspensão das contribuições em conformidade com o art. 9º da Lei 10.925/04; ü Correção e ressarcimento dos valores pleiteados com a incidência da taxa Selic a partir de cada período de apuração. Em Despacho às fls. 527 a 528, os Embargos foram rejeitados pela inexistência de vícios no acórdão embargado. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido contra as seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Vendas efetuadas com suspensão; e · Atualização monetária. Em Despacho às fls. 715 a 722, foi dado seguimento parcial em relação às matérias “rateio dos créditos apurados”, “glosa das aquisições de combustíveis”, “aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial”, “possibilidade de Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 6 5 ressarcimento do crédito”, e “atualização monetária (SELIC)”. Não sendo, assim, admitido em relação à matéria “vendas efetuadas com suspensão – eficácia do art. 9º da Lei 10.925/04”. O presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção em exercício à época aprovou e adotou os fundamentos do r. Despacho para dar seguimento parcial. Contrarrazões ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional, requerendo, preliminarmente, a inadmissão do recurso em relação à forma de utilização do crédito presumido e, no mérito, que seja integralmente negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, na parte admitida em Despacho, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Ora, em relação à discussão acerca: · Do rateio dos créditos apurados, foi comprovada a divergência, vez que a decisão recorrida entendeu pela exclusão das receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação do cálculo do rateio proporcional e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 concluiu pela não exclusão dos valores de receita que se originaram de operações com o fim específico de exportação; · Das aquisições de combustíveis, foi comprovada a divergência, eis que enquanto o aresto recorrido adotou um conceito restritivo de insumo e o indicado como paradigma de nº 203.12.896 reconheceu o direito de aproveitar créditos decorrentes de aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo e nas operações de vendas e entrega direta da produção; · Do crédito presumido da atividade agroindustrial, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu pela vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido por enquadrar o Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 7 6 sujeito passivo como cerealista que exerce cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 divergiu da interpretação relativa ao processo produtivo de grão e o conceito de agroindústria, sem a restrição ao direito creditório; · Da possibilidade de ressarcimento do crédito presumido, também foi comprovada a divergência, eis que o aresto recorrido não conheceu das alegações em relação à forma de utilização do crédito presumido, divergindo, assim, da interpretação adotada no acórdão paradigma de nº 3803002.336 que, por sua vez não aplicou a restrição prevista na IN SRF 660/06 quanto ao direito a compensação e/ou ressarcimento do Crédito Presumido de PIS e COFINS; · Da atualização monetária, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu não ser cabível a aplicação de correção monetária, com base na taxa Selic, nos casos de pedidos de ressarcimento de contribuição nãocumulativa, por expressa vedação legal, enquanto que o acórdão paradigma de nº 3802 001.418 entendeu pela possibilidade de atualização do crédito pela taxa Selic. Em vista do exposto, entendo que devo conhecer o recurso especial em relação às matérias admitidas em Despacho de Exame de Admissibilidade – ou seja, sobre as seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Atualização monetária. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas. Antes de se adentrar a cada matéria, importante trazer breve histórico do caso vertente: Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 8 7 · O sujeito passivo desenvolve atividades agroindustriais e produz as mercadorias de NCM dos capítulos 8 a 12 referidas no art. 8º da Lei 10.925/074, realizando operações no mercado interno e exportações diretas e indiretas; · Observa a sistemática não cumulativa das contribuições, nos termos da Lei 10.833/03 e da Lei 10.637/02, sendo que para a sua atividade, adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços – insumos – para a produção de mercadorias; · Tendo acumulado créditos por aquisições – custos, despesas e demais encargos, protocolou pedido de ressarcimento do saldo de crédito. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer a priori sobre o critério de rateio dos créditos apurados e em seguida sobre as demais matérias conhecidas. Do rateio dos créditos apurados Depreendese dos autos do processo que o sujeito passivo havia adquirido mercadorias com o fim específico de exportação – inclusive demonstrando provas documentais atestando a efetiva exportação da mercadoria produzida. Cabe trazer que sobre as mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, o sujeito passivo não constituiu crédito das contribuições, conforme reza o art. 6º, § 4º, da Lei 10.833/03: “Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: Fl. 767DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 9 8 I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.” E dito dispositivo apenas trata da possibilidade de se utilizar o crédito constituído para fins de dedução da Cofins, não influenciando no critério de rateio proporcional – receita bruta de exportação em relação a receita bruta total. O sujeito passivo somente pode apurar créditos sobre as aquisições efetuadas, exceto sobre aquelas com o fim especifico de exportação, e vincular seus créditos conforme opção demonstrada na entrega da DACON à RFB, pelo método de rateio proporcional a receita bruta, considerando a proporção do total das exportações em relação ao total da receita bruta. O que de fato fez. Sendo assim, antecipo meu entendimento dando razão ao sujeito passivo, eis que se encontra equivocado o entendimento de que se deve excluir a receita de exportação da mercadoria adquirida com o fim específico de exportação do cálculo da proporcionalidade da receita para apropriação de créditos. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 10 9 Entendo que a adoção do procedimento proposto pela autoridade fazendária fere o disposto na legislação que prevê a faculdade de se adotar um único critério, e não um e outro, conforme seu interesse. Ou seja, é vedada pela legislação a segregação dos custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito, utilizando o critério de rateio proporcional para alguns custos, despesas e encargos, e, para outros, o critério de apropriação direta, descentralizando a apuração de determinados créditos, por julgar que estes não estão relacionados especificamente com determinadas receitas ou atividades desempenhadas por determinados estabelecimento do contribuinte. Ora, para a apuração dos créditos vinculados a receita de exportação, é facultado, de acordo com o art. 3º, § 8º, da Lei 10.833/2003, a escolha entre o método pela apropriação direta dos custos, despesas e encargos, por meio de sistema contábil integrado dos custos, ou pelo critério de rateio proporcional dos custos, despesas e encargos, em relação à receita bruta total. Diz o referendado dispositivo (Destaques meus): “§ 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7ºe àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o ano calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal.” Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 11 10 Ao se optar pelo método de apuração dos créditos proporcional pela receita bruta auferida, a apuração e a mensuração dos créditos devemse estabelecer a relação percentual entre a receita de exportação em relação ao total da receita bruta auferida no período e aplicar essa relação percentual sobre as aquisições que se tornam custos geradores do crédito presumido. Esclareço mais tal entendimento à frente. Não obstante, notase que a autoridade fazendária alterou o critério de rateio efetuado pelo sujeito passivo, excluindo arbitrariamente e a seu modo, valores referentes as exportações realizadas e originárias das aquisições com o fim específico de exportações, da Receita bruta de exportação do sujeito passivo, para a apuração do percentual utilizado no rateio dos créditos. Alegou a autoridade fazendária que as exportações originárias de aquisições efetuadas com o fim específico de exportação não poderiam compor a Receita Bruta de Exportação, e por consequência afetar o rateio dos créditos vinculados à exportação. Data venia, em relação ao método de cálculo, considerando que a base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins, é a receita bruta total, e que todos os custos despesas e encargos são comuns e necessários para o desempenho da atividade do sujeito passivo, estes custos despesas e encargos devem ser apropriados pelo método de rateio proporcional da receita bruta de exportação em relação da receita bruta total. O critério de rateio deve servir para a mesma proporcionalidade para todos os custos, despesas e encargos passíveis de realização de crédito e, que são necessários para o desempenho das atividades da contribuinte. Ora, o art. 6º, § 3º da Lei 10.833/03 diz que a compensação dos créditos com débitos administrados pela RFB, pela exportadora de mercadorias, só se aplica aos créditos apurados em relação aos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 12 11 O art. 3º, § 8º, da Lei 10.833/03 dispõe sobre critério do rateio: relação percentual entre receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total auferidas em cada mês. O art. 3º, § 9º, da mesma lei dispõe: critério escolhido tem de ser consistente em todo o anocalendário. É de hialina clareza o sentido da lei, qual seja, só se podem compensar créditos de custos, despesas e encargos vinculados a receita de exportação. E, para se saber quais são esses créditos vinculados a receita de exportação, a lei previu dois métodos. A única interpretação possível, lógica e condizente com o sentido da norma legal é a de que o critério de rateio é somente o método: a relação deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, para aplicála sobre os custos e despesas, na definição dos créditos vinculados à exportação, i.e., para quantificar os créditos que podem ser usados para compensação. Interpretação contrária levaria ao seguinte absurdo. Suponhase que a empresa tenha 98% da receita total sujeita à incidência nãocumulativa, 1% da receita total sujeita à não incidência por ser de exportação; 1% da receita total sujeita ao regime cumulativo. A aplicação literal do art. 3º, § 8, II, da Lei 10.833/03 levaria ao seguinte: 98%/100%. Ou seja, a empresa teria direito a usar os créditos sobre quase todos os custos e despesas da empresa para compensação, embora somente 1% da receita total seja de exportação. Noutras palavras, quase toda a receita da empresa seria considerada receita de exportação, para fins de quantificação do crédito compensável. Isso seria incoerente. Daí a remissão aos §§ 8º e 9º do art. 3º feita pelo art. 6º, § 3º, todos da Lei 10.833/03, diz respeito ao método de cálculo para definição de créditos vinculados a receitas de exportação. No caso do método de rateio, a apuração do crédito devese dar pela relação entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicar essa relação sobre os custos e despesas, chegandose à determinação do crédito vinculado à exportação, que é compensável com débitos administrados pela RFB. O art. 20, § 2º, da IN SRF 404/04 (não revogado) confirma essa inteligência, ao dizer que os créditos compensáveis são somente os apurados sobre custos e Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 13 12 despesas vinculados à receita de exportação, observados "os métodos" de apropriação previstos no art. 21 (o art. 21, § 2º, II, da IN 404/04 repete a dicção do art. 3º, § 8º, II, da Lei 10.833/2003). O método é que é aplicável. A relação percentual deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicála sobre os custos e despesas, para definição do valor do crédito compensável. Ainda na determinação do crédito compensável, o art. 6º, § 4º, da Lei 10.833/03, que permanece em vigor até hoje, preceitua que o direito ao crédito compensável não beneficia a empresa comercial exportadora que adquira mercadorias com fim específico de exportação. Quer dizer, não podem ser computados os créditos decorrentes de aquisição de mercadorias só para exportálas, isto é, adquiridas com o fim específico de exportação, para fins de compensação. Essa é a inteligência da norma legal. Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo nessa parte, entendendo que, quanto à metodologia trazida pelo art. 3º, § 8º, inciso II, da Lei 10.833/2003, adotada pelo sujeito passivo, devese considerar o rateio dos custos, despesas e demais encargos na proporção da receita bruta de exportação, não excluindo da receita bruta de exportações e tampouco da receita bruta, os valores de receita que se originam de operações com o fim específico de exportação. Das aquisições de combustíveis Recordase que o sujeito passivo constituiu crédito das contribuições sobre aquisição de combustíveis – conforme reza o art. 3º, inciso II, do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, vez que tais combustíveis são utilizados na frota de veículos que tem são essenciais à atividade do sujeito passivo, vez que se prestam ao transporte de mercadorias e insumos entre os estabelecimentos do sujeito passivo e na prestação de serviços de transporte a terceiros. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 14 13 Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 15 14 mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 16 15 “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 17 16 Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, pra tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. Fl. 776DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 18 17 O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida Fl. 777DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 19 18 sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela Fl. 778DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 20 19 legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, Fl. 779DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 21 20 e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. Fl. 780DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 22 21 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da Fl. 781DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 23 22 produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda Fl. 782DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 24 23 incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Passadas tais considerações, ressurgindo ao caso vertente, entendo que assiste razão ao sujeito passivo ao constituir crédito das contribuições sobre aquisição de combustíveis – conforme reza o art. 3º, inciso II, do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, vez que tais combustíveis são utilizados na frota de veículos que são essenciais à atividade do sujeito passivo, vez que se prestam ao transporte de mercadorias e insumos entre os estabelecimentos do sujeito passivo e na prestação de serviços de transporte a terceiros. Sendo assim, dou provimento ao recurso especial do sujeito passivo nessa parte. Do aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial Recordase que a o sujeito passivo apurou crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão – utilizados na produção de mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM. O sujeito passivo realiza o beneficiamento das mercadorias – soja, milho e trigo através de procedimentos próprios e necessários – no qual efetivamente se alteram as características originais para a obtenção do Padrão Oficial – requisito necessário para a posterior exportação. A priori, importante salientar que: Fl. 783DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 25 24 · O processo produtivo dos grãos é regulado por Lei 9.972/2000 e regulamentado pelo Decreto 6.268/2007 e Instruções Normativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; · O processo de produção da soja, por exemplo, é normatizado pela IN 11/2007 que, por sua vez, tem por objetivo definir o padrão oficial de classificação da soja, considerando os seus requisitos de identidade e qualidade intrínseca e extrínseca, de amostragem e de marcação ou rotulagem; · A Lei 9.972/2000 tornou a classificação obrigatória para os produtos vegetais e, mediante credenciamento pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento autorizou as cooperativas agrícolas e as empresas ou entidades especializadas na atividade a exercerem a classificação, conforme procedimentos e exigências contidos em regulamento; · Tais normas possui a competência de definir o padrão oficial de classificação da soja, considerando os requisitos de identidade e qualidade intrínseca e extrínseca de amostragem e de marcação ou rotulagem. Diante das normas que regulamentam o “beneficiamento” dos referidos grãos para enquadramento aos critérios definidos como aceitos para consumo e pronto para a exportação, não tenho dúvidas para afirmar que as mercadorias comercializadas são produzidas pela recorrente, ou seja, passam por um processo de “industrialização”, mais especificamente atividade de beneficiamento tal como descrita no Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto 7.212, de 15 de junho de 2010, pois, se assim não fossem consideradas, não poderiam ser enquadradas como “aceitas” para a exportação e “consumo”, sendo proibida para consumo e estando impossibilitada de serem comercializadas no exterior. Insurjo com o processo de industrialização, tal como disciplinado na legislação do IPI e no CTN, nos seguintes dispositivos: · O art. 3º e o art. 4º, inciso II, do Decreto 7.212/2010 – RIPI: Fl. 784DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 26 25 “Art. 3º. Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária. Art. 4ª. Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: [...] II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento).” · O art. 46 do CTN (grifos meus): “Art. 46. O imposto de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I – o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II – a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. § único. Para os efeitos deste imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou aperfeiçoe para o consumo”. Fica claro que os grãos beneficiados (soja e milho) adquiridos, in natura de origem vegetal geram crédito presumido, pois passam por um processo industrial que, por sua vez, resultam nas mercadorias classificadas nos capítulos 15 e 23 da NCM. Ora, os grãos devem passar por processo de beneficiamento para estarem enquadrados como aptos para exportação e consumo humano ou animal; aliás, se assim não forem beneficiados, não terão valor comercial, eis que não podem ser comercializados. Tanto é assim que o beneficiamento dos grãos envolve procedimentos de secagem, limpeza, padronização e classificação, alterando evidentemente suas características originais – não há como se ignorar que tais procedimentos caracterizam e enfatizam a atividade industrial. A atividade desenvolvida pela recorrente, portanto, é de beneficiamento de grãos, constituindo, inclusive, exigências regulatória e sanitária, para que tais produtos possam ser consumidos e exportados. Logo, é produção ou industrialização. Fl. 785DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 27 26 Sendo assim, entendo que tais aquisições devem ser consideradas para fins de cômputo do crédito presumido, subsumindose as hipóteses trazidas pelo art. 3º, § 5º, da Lei 10.833/2003. De fato, tal dispositivo era expresso ao preconizar que, sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Cofins, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do “caput” do artigo 3º da Lei 10.833/2003, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. Do que já foi exposto, resta clara a aplicação, no caso vertente, do dispositivo ora tratado, não restando dúvida quanto a sua abrangência e representação na base de cálculo desse crédito presumido. E, se mais não bastasse, vejase que a própria Receita Federal do Brasil esclarece tal entendimento ao trazer a IN 660/2006 – que, ao interpretar a materialidade do art. 3º, § 5º, da Lei 10.833/2003, dispõe: “Art. 5º. A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I – destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...] d) nos capítulos 8 a 12 e 15, exceto o código 1502.00.1; (redação dada pela Instrução Normativa RFB 977, de 14 de dezembro de 2009)”. Considerando que as mercadorias produzidas pela contribuinte estão posicionadas nos NCMs referendados no dispositivo, classificações essas que nunca foram questionadas, é de se notar que se enquadram perfeitamente na alínea “d” do inciso I do art. 5º da Fl. 786DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 28 27 IN 660/2006, tendo a recorrente o direito de descontar créditos presumidos sobre os valores dos produtos industrializados. Nessa parte, estabelece que a pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial pode descontar créditos presumidos de PIS/Cofins sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumo na fabricação de produtos classificados na NCM adotada pela recorrente. Vêse que ainda a IN 660/2006 (art. 6º) também conceitua como atividade agroindustrial, referida no caput do art. 5º, a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei 8.023, de 1990. O que não é o caso. Eis a redação do art. 6º, I, da IN 660/2006: “Art. 6º. Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5 º , excetuadas as atividades relacionadas no art. 2 º da Lei n º 8.023, de 1990; e […]” Vejase o art. 2º da Lei 8.023/90: “Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Fl. 787DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 29 28 Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas. (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995)” Notese que o art. 2º, inciso V, da Lei 8.023/1990 dispõe que se considera atividade rural a "transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura feita pelo próprio agricultor ou criador". Ora, o beneficiamento do milho em grãos e da soja em grãos não é feito pelo próprio agricultor, mas pela recorrente. Aliás, a Lei 8.023/90 chama inclusive de transformação atividade que não altera a composição e as características do produto in natura. Logo, atividade da recorrente é agroindustrial, a transformação não feita pelo próprio agricultor, conforme a interpretação da própria IN RFB 660/06. Para não haver dúvidas, conforme a própria IN 660/06 que, repitase, nesse passo, versa sobre a materialidade legal do art. 3º, § 5º, da Lei 10.833/03 vedase o uso de crédito presumido para PJs de que tratam os incisos I a III do art. 3º dessa IN. O art. 3º, III cuida das PJs que exerçam atividade agropecuária no caso de produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. O art. 3º, § 1º diz que para fins do art. 3º, entendese por atividade agropecuária a de cultivo de terra nos termos do art. 2º da Lei 8.023/90. Já se viu que a atividade da recorrente não se inclui no art. 2º da Lei 8.023/90 ("transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura feita pelo próprio agricultor ou criador" a transformação nesses termos não é feita pelo próprio agricultor, mas pela recorrente). Portanto, é induvidoso que a atividade da recorrente, conforme a interpretação dada pela IN 660/06, é agroindustrial. Ou seja, a atividade da recorrente é de produção das mercadorias descritas anteriormente para consumo humano ou animal. Transcrevo os dispositivos em questão: “Art. 5º. A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I – destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: Fl. 788DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 30 29 [...] d) nos capítulos 8 a 12 e 15, exceto o código 1502.00.1; (redação dada pela Instrução Normativa RFB 977, de 14 de dezembro de 2009) [...] § 2º. É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3 º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo. Art. 3º. A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2 º , alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º . § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2 º ; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2 º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção.” Dessa forma, especificamente a essa questão, é cristalino que não há como não considerar a aquisição desses grãos in natura de origem vegetal como não sendo passíveis de composição da base de cálculo do referido crédito presumido, por estar tal evento subsumido à norma referendada. Prosseguinido, a apuração do crédito presumido deve ser efetuada considerando todas as aquisições de insumos in natura originários, adquiridas no mesmo período e, utilizados na produção (beneficiamento, conforme § 5º do art. 3º da Lei 10.833/2003 (e artigo Fl. 789DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 31 30 8º da Lei 10.925/2004 que referenda as mercadorias classificadas nos capítulos 10, 12, 15 e 23 da NCM, apesar de posterior aos fatos em discussão), in verbis: Lei 10.833/2003 “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 5º Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. “ Lei 10.925/2004 “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.” Fl. 790DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 32 31 Portanto, a meu ver, devem ser consideradas para a mensuração do crédito presumido, o valor total das aquisições efetuadas pelo contribuinte – ora discutidas, ou seja, calculado sobre o total de suas aquisições efetuadas, pois as utiliza na produção e beneficiamento das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, em respeito ao inciso II do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 c/c com o § 5º do art. 3º da Lei 10.833/2003 e reconhecido pela IN SRF 660/2006. Sendo assim, nesta parte, entendo que assiste razão ao sujeito passivo – o que, por conseguinte, dou provimento ao seu recurso. Da possibilidade de ressarcimento do crédito presumido Relativamente à possibilidade de compensação ou ressarcimento do crédito presumido de PIS e de Cofins, expresso meu entendimento. Primeiramente, importante trazer que a Lei 12.058/09 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do §3º do art. 8º da Lei 10.925/04. Não obstante, para melhor compreensão da lide, relativamente à possibilidade de se pedir ressarcimento dos créditos presumidos do art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/04, tornase necessário elucidar as modificações impostas nessa Lei ao regime da não cumulatividade das contribuições. Para tanto, importante, a priori, transcrever o que traz a Lei 10.637/02 com a redação trazida pela Lei 10.684/03 (Grifos meus): “Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). [...] Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 791DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 33 32 [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...] § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2º ; II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal.” “Art. 5º.............. §1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; Fl. 792DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 34 33 II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]” Nos termos dos dispositivos descritos acima, é de se constatar que, com o advento da Lei 10.684/03 – que, por sua vez, trouxe a redação dos §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei 10.637/02, passou a agroindústria a fruir da possibilidade de se aproveitar os créditos presumidos para a dedução do valor a recolher das contribuições resultante de operações lá definidas, compensar com débitos próprios de tributos administrados pela RFB ou pleitear seu ressarcimento, se até o final de cada trimestre do ano civil não conseguir utilizar o referido crédito. Porém, verificase que, posteriormente, os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei 10.637/02 foram revogados pela Medida Provisória 183/04, publicada no DOU Extra de 30.4.04, in verbis: “Art. 5º Ficam revogados os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e os §§ 5º, 6º, 11 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Quanto à produção dos efeitos dessa revogação, a MP 183/04 dispôs que: “Art. 3º Os efeitos do disposto nos arts. 1º e 5º darseão a partir do quarto mês subsequente ao de publicação desta Medida Provisória” O que, por conseguinte, considerando a data da publicação da MP, a rigor, observando apenas a norma a ser observada até esse momento, temse que somente a partir de agosto de 2004 houve efetivamente a revogação dos créditos presumidos da agroindústria. Fl. 793DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 35 34 Não obstante, em seguida, é de se considerar que a MP 183/04 foi convertida na Lei 10.925/04, publicada em 26.7.04, que, por sua vez, ressuscitou os créditos presumidos da agroindústria com outras regras, conforme conferido no art. 8º, in verbis (Grifos meus): “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.” Dessa forma, é de se transparecer que a Lei 10.925/04 estabeleceu a possibilidade da pessoa jurídica deduzir da contribuição para o PIS e para a Cofins, devidas em cada período de apuração, o crédito presumido calculado sobre o valor dos bens referidos nos inciso II do caput do art. 3º da Lei 10.637/02 e 10.833/03 – quando adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Essa Lei ainda revela em seu art. 17, entre outros (Grifos meus): “Art. 17. Produz efeitos: [...] III a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei; [...]” A Lei 10.925/04, então, com efeito, reinstituiu novas hipóteses de créditos presumidos – art. 8º com aplicação dessas novas regras a partir de 1.8.04. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 36 35 É de se trazer ainda que a Lei 10.925/04 manteve, assim como a MP 183/03, a revogação dos §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei 10.637/02 e §§ 11 e 12 do art. 3º, da Lei 10.833/03. O que, por conseguinte, constatase, depreendendo da análise da legislação até esse momento, que não haverseia que se falar, a rigor, em possibilidade de se efetuar a compensação ou pedido de ressarcimento em dinheiro em relação aos créditos ora em discussão. Em respeito às mesmas argumentações, não seriam também possível a compensação e o ressarcimento em relação aos créditos estabelecidos pelo art. 8º da Lei 10.925/04, pois à época não havia previsão legal para tanto. Ou seja, com a Lei 10.925/04, não houve alterações nas formas de aproveitamento para dedução, compensação e ressarcimento previstas nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que contemplavam apenas os créditos apurados “na forma do art. 3º” dessas Leis, tampouco houve previsão legal permitindo tal feito aos créditos reinstituídos pelo art. 8º da Lei 10.925/04. Eis a lembrança da redação do art. 5º da Lei 10.637/02 e art. 6º da Lei 10.833/03 – que não foi alterada até aquele momento (Grifos meus): “Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 37 36 § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria” “Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.” Dando seguimento, temse que, em 30.12.05, foi publicada a IN 600/05 que trouxe em seu art. 21 (Grifos meus): “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, Fl. 796DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 38 37 vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: [...]” Portanto, é de se notar que a RFB não havia apreciado outra forma de aproveitamento desse crédito presumido que não a dedução da própria contribuição em cada período. No entanto, em 19.5.05, foi publicada a Lei 11.116/05, que trouxe em seu art. 16, in verbis (Grifos meus): “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. “ Em vista desse dispositivo, vêse que o legislador possibilitou o pedido de ressarcimento do crédito presumido apurado na forma do art. 3º da Lei 10.637/02 e art. 3º da Lei 10.833/03 – e de forma retroativa, conforme comando esposado no parágrafo único do art. 16 da Lei 11.116/05. Ademais, é de se trazer que, em 14.10.09, foi publicada a Lei 12.058/09, que trouxe, entre outros, o art. 36 (Grifos Meus): Fl. 797DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 39 38 “Art. 36. O saldo de créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 da NCM, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Produção de efeito) I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1º O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput deste artigo somente poderá ser efetuado: I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei; II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1º de janeiro de 2010. § 2º O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Com o advento da Lei 12.058/09, houve expressamente, relativamente ao crédito presumido reinstituído com novas regras dispostas no art. 8º da Lei 10.925/04: · Permissão de se compensar o saldo dos créditos presumidos com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB; · Autorização de se pedir o ressarcimento em dinheiro sob a ressalva de que o pedido somente poderia ser efetuado: (i) para créditos apurados nos anoscalendários de 2004 a 2007, a partir do mês subsequente ao da publicação da Lei; (ii) para créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre 1/2009 e o mês de aplicação dessa Lei, a partir de 1.1.2010; Fl. 798DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 40 39 O que, por conseguinte, ratificou também o legislador os direitos concedidos pela Lei 12.058/09, permitindo o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/04. Continuando, ainda foi publicada em 21.12.10 a Lei 12.350/10 – que dispôs em seu art. 55, in verbis (Grifos Meus): “Art. 55. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre: I – o valor dos bens classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (Vigência) II – o valor das preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; III – o valor dos bens classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto nos incisos I a III do caput deste artigo aplicase também às aquisições de pessoa jurídica. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no § 4o do art. 3º da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 799DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 41 40 § 3º O montante do crédito a que se referem os incisos I e II do caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 30% (trinta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 4o O montante do crédito a que se referem o inciso III do caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação sobre o valor das mencionadas aquisições de percentual correspondente a 30% (trinta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 5o É vedado às pessoas jurídicas de que trata o § 1o deste artigo o aproveitamento: I – do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II – de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo, exceto em relação às receitas auferidas com vendas dos produtos classificados nas posições 23.04 e 23.06 da NCM. (Redação dada pela Lei nº 12.431, de 2011). § 6o O crédito apurado na forma do caput deste artigo deverá ser utilizado para desconto do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno. § 7º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre calendário, não conseguir utilizar o crédito na forma prevista no § 6o deste artigo poderá: I – efetuar sua compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; Fl. 800DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 42 41 II – solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 8º O disposto no § 7o deste artigo aplicase somente à parcela dos créditos presumidos determinada com base no resultado da aplicação, sobre o valor da aquisição de bens relacionados nos incisos do caput deste artigo, da relação percentual existente entre a receita de exportação e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O disposto neste artigo aplicase também no caso de vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 10. O crédito presumido de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.” Sendo assim, resta claro que: · As Leis 12.058/09 e 12.350/10 conferiu o direito de compensação ou ressarcimento do crédito presumido apurados na forma do art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/04; · O legislador possibilitou o pedido de ressarcimento do crédito presumido apurado na forma do art. 3º da Lei 10.637/02 e art. 3º da Lei 10.833/03 – e de forma retroativa, conforme comando parágrafo único do art. 16 da Lei 11.116/05. Não há que se falar, portanto, em impossibilidade de se aproveitar o crédito presumido do art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/04 para o período relativo ao 4º trimestre de 2006 por meio de pedido de ressarcimento. Não obstante, quanto à sua aplicação, nos resta somente discorrer sobre quando o pedido de ressarcimento desses créditos poderia ser efetuado, eis que a Lei 12.058/09 expressamente trouxe tal possibilidade quando o pedido fosse efetuado somente a partir de 1.1.2010. Nessa parte, independentemente do que rege essa Lei e de entender que, com a Lei 12.350/10, não há que se falar em obstáculo para a fruição desse crédito por Fl. 801DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 43 42 meio de pedido de ressarcimento, ainda que efetuado em qualquer momento que não aquele engessado pela Lei 12.058/09, é de se lembrar a inteligência do art. 106 do CTN. Ora, as Leis 12.058/09 e 12.350/10 trouxe o direito à compensação e ao ressarcimento – já previsto pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03 – e direcionou a correta interpretação à Lei 10.925/04 – no que se refere ao direito de aproveitamento de crédito presumido de PIS e Cofins não cumulativo da agroindústria. Sendo assim, em respeito à inteligência do art. 106 do CTN e art. 170 do mesmo diploma legal, não obstante essa julgadora já entender pela aplicação da regra posta pelas Leis, eis que o direito se manteve no tempo, considerando a intenção do legislador, devese aplicar retroativamente as referidas normas sem qualquer obstáculo a fruição dos créditos em questão por meio de pedido de ressarcimento, tampouco de compensação. Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso do sujeito passivo nessa parte. Da atualização monetária É de se lembrar que o acórdão recorrido entendeu que haveria vedação expressa de não incidência de juros Selic no ressarcimento de IPI e das contribuições para o PIS e Cofins. Entendo que, a partir de janeiro de 1996, os créditos de impostos federais deverão ser corrigidos pela taxa Selic, a partir do fato gerador. A previsão consta do § 4º do art. 39 da Lei 9.250/95, que estabelecendo o que segue: “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 1º (VETADO) Fl. 802DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 44 43 § 2° (VETADO) § 3° (VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997).” Ora, vêse que a Administração Pública tem como interesse a adoção da referida taxa para cobrar um valor através da aplicação de um percentual, de um número real e concreto – sendo referencial para as demais taxas de juros aplicáveis na economia brasileira. Tal índice possui aplicação cumulada, seja como correção monetária, seja como juros, visando a penalização do pagamento tributário em mora, ou aplicado com conotação indenizatória, tendo em vista possíveis danos patrimoniais. Frisese que a jurisprudência da E. 3ª Turma da CSRF do CARF, aplicando, inclsuive, o art. 62A do RICARF, pacífica quanto a supramencionada incidência do Selic para restituição/compensação do montante de tributo pago indevidamente, em face de mora imputável à administração pública, senão vejamos: Acórdão 9303002.392 Ementa: IPI. CRÉDITO ACUMULADO. LEI Nº 9.779/1999. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA 62A RICARF. De ser admitida a incidência da taxa Selic a partir da protocolização do pedido de ressarcimento em razão de restar caracterizada a oposição do fisco plasmada no período compreendido entre a protocolização do pedido de ressarcimento – 25.05.2001 – e a homologação – 01.11.2005. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 45 44 E salientase que a incidência dessa taxa é critério utilizado pelo Fisco para correção dos débitos cobrados do contribuinte em mora, estando assim, por analogia, demonstrado o direito de o mesmo ao proceder a compensação do montante pago indevidamente, embasado, principalmente, no princípio da isonomia. Eis que o mínimo esperado é que o indébito, quando devolvido ou compensado, seja acrescido também de taxa devidamente aplicável para correção do prejuízo sofrido. Portanto, cabe a incidência da taxa Selic para correção do quantum referente ao crédito que tem direito a recorrente. Tal como ocorre, no caso presente, o que entendo que os créditos da recorrente devem, sim, ser corrigidos pela Selic. Caso contrário, representaria enriquecimento ilícito do fisco. A atualização do crédito devese dar a partir do fato gerador, vale dizer no caso em tela, a partir de cada período de apuração. Suporta ainda tal entendimento o julgado do processo 16366.000228/200937, pela 2a Turma Especial da 3a Seção de Julgamento do CARF ao proferir em 25/10/2012 o acordão 3802001.418, assim ementado (grifos e destaques meus): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À COMPRA DE MATÉRIA PRIMA. INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compra de matériaprima, utilizada na fabricação de produtos destinados à venda, integram a base de Fl. 804DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 46 45 cálculo do crédito da referida Contribuição, nos termos do art. 3º, § 1º, I da Lei nº 10.637, de 2002. CRÉDITO ESCRITURAL BÁSICO. SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. O art. 13 da Lei nº 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora decorre de impedimento ou de óbice da Administração Fazendária. Recurso Provido em Parte.” Ademais, tal ressarcimento deve observar a legislação específica aplicável à matéria. Confira (Grifos meus): “Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; Fl. 805DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 47 46 II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Nos termos do § 2º do art. 6º da Lei, a pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º do mesmo artigo, poderá solicitar o ressarcimento em dinheiro OBSERVADA A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA APLICÁVEL À MATÉRIA. Sendo assim, não há como se aplicar a vedação de se atualizar monetariamente ou aplicar os juros Selic trazida pelo art. 13 da Lei para todos os casos de ressarcimento, eis que se deve observar a legislação “específica” aplicável à matéria. Para melhor elucidar a aplicação desse dispositivo, importante recordar os dizeres dos art. 13 e 15 da Lei 10.833/03 (Grifos meus): “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º, inciso II do § 4ºe § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Em breve leitura, podese entender que há vedação expressa para atualizar o crédito de PIS e Cofins não cumulativo passível de ressarcimento de que trata o art. 6º, § 2º, da Lei 10.833/03. Fl. 806DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 48 47 No entanto, tal como traz o art. 6, §2º da Lei 10.833/03 – no ressarcimento devese observar a legislação aplicável à matéria. Considerando esse dispositivo, é de se ressurgir à jurisprudência assentada pelo STJ, que entende que o direito à correção monetária de crédito escritural é condicionado à existência de ato estatal impeditivo de seu aproveitamento no momento oportuno. Em outros termos, é preciso que fique caracterizada a "resistência ilegítima do Fisco", na linha do que preceitua a Súmula 411/STJ. O que, por conseguinte, vêse que o requisito da "resistência ilegítima do Fisco" também deve ser observado para efeito de atualização monetária de créditos sob a forma de ressarcimento. Conforme lição do Ministro Mauro Campbell Marques, temse que: "(...) a lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza também a chamada 'resistência ilegítima' exigida pela Súmula n. 411/STJ [...]” Sendo assim, antes de se analisar se cabe ou não juros compensatórios no ressarcimento solicitado pelo sujeito passivo, devese observar o dispositivo que trata dessa matéria – qual seja, o art. 24 da Lei 11.457/2007, conforme expressamente impõe o art. 6º, § 2º, da Lei 10.833/03. Tal enunciado impõe à Administração Tributária o prazo máximo de 360 dias para que seja proferida decisão administrativa a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, nos seguintes termos: Fl. 807DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 49 48 “Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” Considerando o conjunto da norma aplicável, vêse que o deferimento dos pedidos de ressarcimento deve observar o prazo legal. O que, por conseguinte, se for observado o prazo legal, não há que se falar em atualização monetária, eis que não haveria "resistência ilegítima". Caso contrário, devese aplicar sobre o crédito a ser ressarcido a taxa Selic desde a data de sua constituição até a data em que ocorrer o ressarcimento ou for utilizada para compensação. Frisese tal entendimento o recente REsp 1607697/RS, apreciado pelo STJ em 23 de agosto de 2016, que consignou a seguinte ementa: “TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. REQUISITO. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA. MORA. TERMO INICIAL. VENCIMENTO DO PRAZO LEGAL PREVISTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/2007. HISTÓRICO DA DEMANDA 1. Cingese a controvérsia a definir o termo inicial da correção monetária no ressarcimento de créditos de PIS e Cofins não cumulativos pagos, no âmbito administrativo, após o transcurso do prazo de 360 dias (art. 24 da Lei 11.457/2007). 2. No presente caso, a resistência ilegítima imputada ao Fisco diz respeito exclusivamente à mora observada para satisfação do crédito. 3. O acórdão recorrido decidiu que a atualização monetária é devida desde a data do protocolo dos processos administrativos. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA DO FISCO: PRESSUPOSTO PARA A CORREÇÃO MONETÁRIA DE CRÉDITO FISCAL (SÚMULA 411/STJ) 4. Segundo a jurisprudência assentada pelo STJ, o direito à correção monetária de crédito escritural é condicionado à existência de ato estatal impeditivo de seu aproveitamento no momento oportuno. Em outros termos, é preciso que fique caracterizada a "resistência ilegítima do Fl. 808DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 50 49 Fisco”, na linha do que preceitua a Súmula 411/STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (REsp 1.035.847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 3/8/2009, sob o regime do art. 543C do CPC). 5. O requisito da "resistência ilegítima do Fisco" também deve ser observado para efeito de atualização monetária de créditos sob a forma de ressarcimento caso dos autos , como aliás, ficou definido na fundamentação do acórdão paradigma (EAg 1.220.942/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 18/4/2013). TERMO INICIAL CONDICIONADO À VERIFICAÇÃO DO ILEGÍTIMO ÓBICE ESTATAL, IN CASU, A MORA 6. No que concerne à sistemática do PIS e da Cofins não cumulativos caso dos autos , cumpre destacar que a própria legislação impede expressamente a correção monetária dos créditos fiscais quando aproveitados regularmente sob a forma de ressarcimento (arts. 6°, § 2°, 13 e 15, VI, da Lei 10.833/2003). 7. O art. 24 da Lei 11.457/2007 impõe à Administração Tributária o prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias para que seja proferida decisão administrativa a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. 8. Nesse contexto, o deferimento dos pedidos de ressarcimento no prazo legal, ou seja, antes de escoados 360 dias do protocolo, não dá ensejo à atualização monetária, justamente pela ausência do requisito referente à "resistência ilegítima". 9. Em recente julgado, a Primeira Seção assentou que a correção monetária somente pode ser aplicada após o transcurso do aludido prazo do art. 24 da Lei 11.457/2007 (AgRg nos EREsp 1.490.081/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 1°/7/2015). No Mesmo sentido: AgRg no REsp 1.468.055/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 26/5/2015; AgRg no REsp 1.490.081/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 9/3/2015; AgRg no REsp 1.465.567/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 24/3/2015. Fl. 809DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 51 50 10. A lógica dessa orientação decorre da premissa de que, "no caso do contribuinte acumular créditos escriturais em um período, para o aproveitamento em períodos subsequentes, não havendo resistência ilegítima do Fisco para a pronta utilização do crédito, afigurase indevida a incidência de correção monetária, salvo se houver disposição legal específica para tanto" (AgRg no REsp 1.159.732/SP, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 11/6/2015). 11. Não se está a confundir correção monetária com juros de mora, mas a reconhecer que a mora é a resistência ilegítima que dispara o cômputo da correção monetária. 12. Recurso Especial provido” Dessa forma, é de se concluir que caso o sujeito passivo acumule créditos em um período, para o aproveitamento em períodos subsequentes, e restar caracterizada a resistência ilegítima para a pronta utilização do crédito, é de se aplicar a incidência dos juros compensatórios – taxa Selic, conforme preceitua o art. 6, § 2º, da Lei 10.833/03, não se podendo aplicar de forma genérica o art. 13 da mesma Lei a todos os casos de ressarcimento. No presente caso, considerando ainda o prazo do processo administrativo, é de se dar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Em vista de todo o exposto, conheço o recurso especial, na parte admitida em despacho, dandolhe provimento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 52 51 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno das seguintes matérias: i) rateio das receitas de exportação; ii) glosa de créditos sobre combustíveis; iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria; iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria; e, v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. i) rateio das receitas de exportação O contribuinte questionou o critério utilizado pela autoridade administrativa para o rateio das receitas, utilizado para apuração dos créditos da Cofins, passiveis de desconto e/ ou ressarcimento. Conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte, as receitas de exportação decorrem de vendas de mercadorias próprias e de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. A Lei nº 10.833, de 29/12/2003, assim dispõe sobre os créditos da Cofins não cumulativa, vinculados às exportações: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...). III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 53 52 Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3o. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação."(destaque não original). Ora, nos termos deste dispositivo, é vedado o aproveitamento (desconto) de créditos vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, por da parte da exportadora (comercial/trading). Assim, se tais receitas não geram créditos para a exportadora, obviamente, que não podem integrar as receitas de exportação, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado para a apuração dos créditos da contribuição a que o contribuinte faz jus. No mês de outubro de 2006, as receitas de exportação do contribuinte decorreram integralmente da exportação de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. Portanto, neste mês, o índice apurado foi de zero, caso contrário, estaria permitindo o aproveitamento com base num índice de 100,0%, em total desacordo com o § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, citado e transcrito anteriormente. ii) glosa de créditos sobre combustíveis. A Lei nº 10.833, de 2003, prevê o aproveitamento de créditos sobre custos com combustíveis, desde que utilizados na produção ou fabricação dos bens vendidos, conforme estabelece o art. 3º, inciso II, literalmente: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 54 53 de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; " (...)." No presente caso, conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte as glosas foram efetuadas sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados/consumidos no processo de produção ou fabricação dos produtos vendidos e sim em outros setores da empresa. Comprova esta afirmativa excertos transcritos do relatório produzido pela fiscalização, abaixo transcrito: iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria O contribuinte pleiteia créditos presumidos da Cofins sobre as aquisições de produtos agrícolas (soja e milho) adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, beneficiados e vendidos por ele. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse Fl. 813DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 55 54 capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, do exame da Trigésima Quarta Alteração do Contrato Social às fls. 129/138, constatase que o contribuinte exerce, dentre outras, as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, bem como a atividade agrícola, o que o enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, que veda o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tais atividades. Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 56 55 Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo; as mercadorias devem ser destinadas à alimentação humana ou animal; e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir os insumos (conforme alusão ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003) de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, o que não é o caso em discussão. iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria. Embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar os créditos presumidos da agroindústria, ora reclamados, demonstrase, a seguir, a falta de amparo para o ressarcimento/compensação de tais créditos. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 57 56 Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. Fl. 816DF CARF MF Processo nº 10950.001882/200720 Acórdão n.º 9303005.815 CSRFT3 Fl. 58 57 v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. A atualização monetária do ressarcimento de saldo credor da Cofins não cumulativa, calculados à taxa Selic, é expressamente vedado pela própria Lei nº 10.833, de 2003, que instituiu o regime nãocumulativo, assim dispondo: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” Contra disposição expressa da lei não é cabível aplicar analogias com decisões judiciais não aplicáveis ao caso concreto, como pretende a relatora. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 817DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.721133/2012-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 151, III DO CTN.
O inciso III do artigo 151 do CTN, prevê que "as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário".
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO À MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. PRECLUSÃO.
Face à ausência de contestação quanto a desconsideração fiscal dos custos inerentes ao consumo de gás, quando da apuração do crédito presumido do IPI, em sua manifestação de inconformidade, no julgamento de primeiro grau, a matéria quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir nesta instância recursal.
IPI. BENEFÍCIO FISCAL. SUSPENSÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAL EXPORTADORAS COM FINS ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO.
Somente considera adquirido com o fim específico de exportação o produto remetido diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE.
Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei 9.363 de 1996.
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. SÚMULA DO STJ. INAPLICABILIDADE.
Inaplicável ao caso sob exame, que trata de litígio acerca da integração da base de cálculo os custos correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda, a Súmula 494 do Superior Tribunal de Justiça, na medida que seu enunciado reporta-se ao "benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias-primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP".
DIREITO TRIBUTÁRIO. REGRAS ISENTIVAS. INTERPRETAÇÃO LITERAL.
No direito tributário, as regras sobre isenção devem ser interpretadas literalmente, não cabendo fazer interpretação extensiva e/ou ampliativa dos dispositivos, conforme disciplina o artigo 111 do CTN.
Numero da decisão: 3001-000.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 151, III DO CTN. O inciso III do artigo 151 do CTN, prevê que "as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário". NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO À MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. PRECLUSÃO. Face à ausência de contestação quanto a desconsideração fiscal dos custos inerentes ao consumo de gás, quando da apuração do crédito presumido do IPI, em sua manifestação de inconformidade, no julgamento de primeiro grau, a matéria quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir nesta instância recursal. IPI. BENEFÍCIO FISCAL. SUSPENSÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAL EXPORTADORAS COM FINS ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO. Somente considera adquirido com o fim específico de exportação o produto remetido diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE. Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei 9.363 de 1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 11 33 /2 01 2- 07 Fl. 219DF CARF MF 2 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. SÚMULA DO STJ. INAPLICABILIDADE. Inaplicável ao caso sob exame, que trata de litígio acerca da integração da base de cálculo os custos correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda, a Súmula 494 do Superior Tribunal de Justiça, na medida que seu enunciado reportase ao "benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP". DIREITO TRIBUTÁRIO. REGRAS ISENTIVAS. INTERPRETAÇÃO LITERAL. No direito tributário, as regras sobre isenção devem ser interpretadas literalmente, não cabendo fazer interpretação extensiva e/ou ampliativa dos dispositivos, conforme disciplina o artigo 111 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 198 a 206) interposto contra o Acórdão 0131.576, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA DRJ/BEL, em sessão de julgamento realizada em 03.03.2015 (fls. 183 a 188), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente (fls. 144 a 155), mantendo, por conseguinte, a decisão exarada pela autoridade administrativa na repartição de origem. Do Pedido de Ressarcimento O requerente, por meio dos "Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação" PER/DCOMP 13046.56416.060209.1.1.013650, criado em 06.02.2009, na qual informa possuir um saldo credor de IPI no montante de R$ 26.344,74, em que solicita o ressarcimento do tributo, referente ao 4º trimestrecalendário do ano de 2008 e o PER/DCOMP 07959.59633.090209.1.3.018907, criado em 09.02.2009, em que informa a utilizado do montante de R$ 43.146,73, para o fim de compensar débitos de PASEP Faturamento, código da receita: 810901, do período de apuração de Set./2008, com data de vencimento em 20.10.2008, de PASEP Faturamento, código da receita: 810901, do período de apuração de Out./2008, com data de vencimento em 25.11.2008, de COFINS Demais Fl. 220DF CARF MF Processo nº 15586.721133/201207 Acórdão n.º 3001000.075 S3C0T1 Fl. 220 3 empresas, código da receita: 217201, do período de apuração: Out./2008, com data de vencimento, também, em 25.11.2008, de COFINS Demais empresas, código da receita: 2172 01, do período de apuração de Dez./2008, com data de vencimento em 23.01.2009 e de CSLL, código da receita: 237201, do período de apuração: 2º Trim./2008, com data de vencimento em 30.09.2008 (fls. 02 a 33). Do Despacho Decisório Em face do referido pedido, foi exarado despacho decisório que, com arrimo no Parecer SEFIS 177/2012, não reconheceu o direito creditório pleiteado pela empresa. Para uma melhor compreensão, transcrevo, a seguir, a ementa do parecer e a parte dispositiva do despacho (fls. 92 a 103): RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COM APURAÇÃO PELA LEI Nº 9.363/96. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAL EXPORTADORA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Se o contribuinte opta pela apuração do crédito presumido através do regime instituído pela Lei nº 9.363/96, não tem direito a aproveitar na base de cálculo os valores referentes a industrialização por encomenda e combustíveis. Para uma operação ser aceita como venda para empresa comercial exportadora com fim específico de exportação deve cumprir os prérequisitos estipulados na legislação. PEDIDO IMPROCEDENTE. (...) DESPACHO DECISÓRIO Nº 15586.721133/201207 Tendo em vista o Parecer Sefis n° 177/2012, que aprovo, NÃO RECONHEÇO o direito creditório da empresa MONTE NEGRO MÁRMORES E GRANITOS LTDA, CNPJ 35.977.594/000170, para o 4º trimestre de 2008 e NÃO HOMOLOGO as compensações requeridas vinculadas a este crédito. Encaminhese ao Secat/DRF/VIT/ES, para ciência do contribuinte e adoção das demais medidas cabíveis. Ressaltese que, em caso de discordância da presente decisão, cabe interposição de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência, nos termos prescritos pelo art. 74, §§ 7º a 11, da Lei nº 9.430/96, com as alterações introduzidas pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02 e art. 17 da Lei nº 10.833/03. Da Manifestação de Inconformidade Fl. 221DF CARF MF 4 Diante da decisão supra, o contribuinte apresentou, em 21.01.2013, manifestação de inconformidade para aduzir, em apertada síntese: Em preliminar, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso III do artigo 151 do CTN. No mérito: (a) discordando da argumentação da autoridade fiscal, quando esta afirma que para se aproveitar, na apuração da base de cálculo do tributo, dos valores referentes à industrialização por encomenda e combustível (gás), deveria o impugnante ter optado pela apuração do crédito presumido através do regime instituído pela Lei 10.276/2001, aduz que para seu aproveitamento nem mesmo se faz necessário ser contribuinte do imposto, consoante prescreve a súmula 494 do STJ, entendimento, inclusive, já pacificado pela CSRF, conforme dispõem as ementas dos acórdãos CSRF/0201.905, CSRF/0201.857 e CSRF/0201.754; (b) quanto a acusação de descumprimento dos prérequisitos estipulados na legislação de regência, para que determinada operação seja aceita como venda para empresa comercial exportadora com fim específico de exportação, aduz que sobressai incontroverso, não obstante admitir não ter seguido "passoapasso" as normas que a legislação impõem para a caracterização desta modalidade de exportação, que, consoante a documentação apresentada à fiscalização, comprovou que encaminhou sua produção para exportação por meio de empresa comercial exportadora, bem como que referidas mercadorias foram efetivamente exportadas, razão pela qual reafirma seu direito a homologação do crédito de IPI que apropriara em decorrência das exportações realizadas. Em face do exposto, requer seja acolhida a provida a manifestação de inconformidade para ver declarada as compensações realizadas, vez que se encontram de acordo com os preceitos legais e regulamentares de regência; e a inclusão no benefício em questão dos valores referentes à operação de industrialização por encomenda, bem como as aquisições de mercadorias para industrialização realizadas no exterior, nos moldes como antes explicitado. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio a decisão contida no voto condutor do acórdão recorrido, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a decisão proferida pela autoridade administrativa na repartição de origem, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Destarte, a passagem desses produtos por outros estabelecimentos intermediários, descaracteriza a aquisição com o fim específico de exportação. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 15586.721133/201207 Acórdão n.º 3001000.075 S3C0T1 Fl. 221 5 CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO. OPÇÃO. Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do IPI, na forma da Lei nº 10.276, de 2001, valendo essa opção por todo o anocalendário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário Irresignado com a decisão formalizada pelo acórdão vergastado, o requerente interpôs recurso voluntário, reprisando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Para demonstrar a absoluta identidade das alegações suscitadas em ambas as peças recursais, é suficiente transcrevermos o trecho denominado "3 DO PEDIDO": (...) À vista do exposto, demonstrada a insubsistência da autuação fiscal em comento, requer que seja acolhido e provido o presente Recurso para: 3.1 declarar que as compensações realizadas se encontram de acordo com os preceitos legais e normatização de regência; e 3.2 incluir no benefício em questão os valores referentes à operação de industrialização por encomenda, bem como aquisições de mercadorias para industrialização realizadas no exterior, nos moldes como explicitado na presente peça. Nestes Termos, Pede Deferimento. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Prolegômeno O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3001000.074 de 31 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 15586.721132/201254, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3001000.074): "Da Admissibilidade Fl. 223DF CARF MF 6 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Preâmbulo 1 Contextualizando o presente litígio, cabe ressaltar que, como já explicitado no relatório supra, o contribuinte reitera seus argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, na qual, em síntese, defende a possibilidade de utilização dos custos de serviços de industrialização por encomenda e, no caso das vendas para comercial exportadora, alega que embora não tenha cumprido com as normas administrativas e procedimentais impostas pela legislação de regência, entende ser inconteste o direito pleiteado, haja vista ter comprovado a exportação das mercadorias. Preâmbulo 2 O cotejo entre a manifestação de inconformidade e a presente peça recursal, ora examinada, revela que, quando da apresentação do primeiro recurso, é induvidoso que o contribuinte em nenhum momento se defendeu quanto a desconsideração, quando da elaboração do cálculo da base de cálculo dos valores referentes aos combustíveis (gás); tal como efetuada pela fiscalização. É o que se depreende do subitem 4.2 do item 4 "DO PEDIDO" da sua manifestação de inconformidade, na medida em que requer, tal como está escrito, "incluir no benefício em questão os valores referentes à operação de industrialização por encomenda, bem como aquisições de mercadorias para industrialização realizadas no exterior, nos moldes como explicitado na presente peça". Mister notar que o recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação do princípio da congruência e ofensa aos artigos 16 e 17 do Decreto 70.235 de 1972, bem como aos artigos 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil (CPC). Cumpre, destarte, não conhecer da inconformidade baseada na referida divergência, por estar tal razão recursal preclusa, por força de expressa disposição legal. Preâmbulo 3 Sem embargo, embora neste processo não se aprecia qualquer discussão acerca da suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da compensação, tratarei do tema, em breves linhas, tendo em vista a preocupação demonstrada pelo recorrente, a fim de não dar margem a eventual alegação de cerceamento de defesa. É fato que a partir de 31.10.2003, com a edição da MP 135 convertida na Lei 10.833,de 2003, a suspensão da exigibilidade de débito compensado tornouse possível uma vez que a declaração de compensação feita pelo contribuinte passou a ter caráter de confissão de dívida e ser instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Neste passo, o inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN, norma complementar, dispõe que: as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Nestes termos, reafirmo a suspensão da exigibilidade dos débitos informados até o julgamento definitivo na esfera administrativa do presente litígio. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 15586.721133/201207 Acórdão n.º 3001000.075 S3C0T1 Fl. 222 7 Mérito Das vendas para comercial exportadora. Fim específico de exportação O indeferimento do pleito, neste tópico, deveuse pelo descumprimento do “fim específico de exportação” na venda para a comercial exportadora. Alega o recorrente em seu recurso premissas que diz consistirem de aspectos não controvertidos no caso concreto os quais seriam capazes de conduzir à correta conclusão no sentido de que realizou a exportação, mesmo que, sem cumprir com os ditames legais e regulamentares que regem a matéria e de forma indireta, por meio da venda com fim específico. A fiscalização, com base nas notas fiscais apresentadas e demais informação prestada pelo contribuinte, verificou que nas respectivas operações de vendas os produtos eram enviados para o estabelecimento do próprio adquirente, que não é recinto alfandegado. Esclarecendo que juntamente com a relação das exportações feitas através de comerciais exportadoras e das notas fiscais que comprovassem estas vendas, o contribuinte apresentou “memorandos de exportações”, a fim de comprovar a efetiva exportação das mercadorias. Diante dos fatos apontados, o Fisco constatou que o contribuinte descumpriu o disposto no artigo 42, inciso V, alínea "a", parágrafo 1º, do Decreto 4.544 de 2002 RIPI, bem como o artigo 39, inciso I, parágrafo 2º, da Lei 9.532 de 1997, que determinam que a remessa direta dos produtos a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, é condição necessária para a fruição da suspensão do IPI na saída dos produtos do estabelecimento industrial. Nesse contexto, para avaliar se as operações de venda efetuadas pelo “produtor/vendedor” estão ou não cobertas pela suspensão do IPI, há que se perquirir as normas relativas às operações de comércio exterior, que regulamentam as empresas comerciais exportadoras (ECE), bem como as suas aquisições de mercadorias no mercado interno para o fim específico de exportação. Adianto desde já que o benefício fiscal de que aqui se trata não é o previsto na Constituição Federal (imunes à incidência de contribuições, por força do inciso I, § 2º, do artigo 149, da CF) para as operações de exportação, mas sim o previsto em Lei e sua regulamentação, para as operações de vendas realizadas pelo produtor/vendedor às empresas comerciais exportadoras, quando os produtos sejam adquiridos com o fim específico de exportação. Desta forma, quanto ao imposto tratado nestes autos (IPI), temos que o artigo 42 do Decreto 4.544 de 2002, assim dispõem: Art. 42 Poderão sair com suspensão do imposto: (...) V os produtos, destinados A exportação, que saiam do estabelecimento industrial para (Lei nº 9.532, de 1997, art. 39): Fl. 225DF CARF MF 8 a) empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação nos termos do parágrafo único deste artigo (Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, inciso I); (...) § 1º No caso da alínea a do inciso V, consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º). (grifei) Destacase que os dispositivos acima citados, regulamentaram o artigo 39 da Lei 9.532 de 1997, que estabelece: Art. 39 Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. § 1º Fica assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização dos produtos a que se refere este artigo. § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Para melhor deslinde da presente questão, trago, por oportuno, a manifestação da Divisão de Tributação da SRRF/9ª RF, por meio da Nota Disit 8 de 25.08.2004, da qual transcrevo, com as devidas adaptações, alguns excertos, adotandoas como razão de decidir, com fundamento no § 1º do artigo 50 da Lei 9.784 de 1999. Pois bem. Observase que o artigo 14, inciso VIII, da Medida Provisória 2.15835 de 2001, ao tratar das empresas comerciais exportadoras, restringeas àquelas do DecretoLei 1.248 de 1972, sendo que, logo em seguida, o inciso IX do mesmo artigo se refere a “empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior”. Os demais artigos da Lei falam simplesmente em “empresa comercial exportadora”, sem apontarlhe qualquer característica especial. E, em todas as hipóteses, condicionase a fruição dos benefícios fiscais em tela (isenção ou nãoincidência do IPI, nas vendas à comercial exportadora) ao “fim específico de exportação” da venda. Disso isto, e se valendo, ainda, da conhecida regra de hermenêutica segundo a qual o intérprete não deve distinguir onde a lei não o fez, decorre que quando a lei não é expressa em sentido contrário (como ocorre na norma antes referenciada), a alusão que faz a empresa comercial exportadora abrange qualquer pessoa jurídica do gênero e não apenas aquelas disciplinadas pelo DecretoLei 1.248 de 1972. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 15586.721133/201207 Acórdão n.º 3001000.075 S3C0T1 Fl. 223 9 Com efeito, existem, no ordenamento jurídico pátrio, duas espécies de empresas comerciais exportadoras: (i) a empresa comercial exportadora que poderíamos chamar de comum, e (ii) a constituída nos termos da mencionada norma legal, também conhecida como trading company. A primeira (ECE comercial exportadora comum) é regida pelo Código Civil, não se diferenciando, em seus aspectos formais, das demais pessoas jurídicas, entre as quais se individualiza tãosomente em função do seu objeto social. À segunda (trading company), ao contrário, aplicamse requisitos especiais de constituição e funcionamento, previstos no artigo 2º do citado DecretoLei, quais sejam: (a) exigência de registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A (Cacex) (hoje cadastro do Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex), da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), e na Receita Federal do Brasil, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda e veiculadas na Portaria/MF 438 de 26.05.1992; (b) constituição sob a forma de sociedades por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; e (c) exigência de capital mínimo, fixado pelo Conselho Monetário Nacional e tornado público pela Resolução/Banco Central do Brasil 1.928 de 26.05.1992. As empresas comerciais exportadoras comum (ECE) ou não trading, sujeitamse às regras gerais a que estão submetidos todos os exportadores, entre elas a inscrição no Registro de Exportadores e Importadores (REI), da SECEX, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, inscrição essa disciplinada por Portaria da SECEX, que consolida as disposições regulamentares das operações de exportação. Essa mesma Portaria dispõe, que “o registro especial para operar como Empresa Comercial Exportadora, de que trata o DecretoLei e legislação complementar, deverá observar os procedimentos previstos em Comunicado DECEX”. Em termos de legislação tributária, a menção a empresa comercial exportadora deve ser entendida, em regra, como abarcando tanto aquelas sujeitas a registro especial, como as demais, inscritas somente no REI. A Coordenação do Sistema de Tributação (CST), no Parecer Normativo 42 de 1975, reconhecia que o DecretoLei 1.248 de 1972, não revogara as demais disposições legais atinentes a empresas exportadoras não trading, aduzindo o que segue: (...) 9. Diante dessas considerações tornamse claras as diferenças, para os efeitos da legislação reguladora de estímulos fiscais à exportação de manufaturados, entre Empresa Comercial Exportadora de que trata o DecretoLei nº 1.248/72 e as empresas exportadoras ou que operam no comércio exterior referidas no art. 8º do Decreto nº 64.833/69 e no artigo 7º, inciso X, letra “a”, do RIPI. Diferenças advindas, principalmente, das formas de operações que executam, resultando em momento e condições diversas de gozo de incentivos fiscais. 10. A conclusão que se impõe, pois, é a de que, tratandose de empresas sujeitas a normas reguladoras diferentes, as atividades Fl. 227DF CARF MF 10 exercidas por uma não atingem e nem limitam ou excluem as atividades da outra. (...) Assim sendo, no presente caso, como a indústria estava lidando com comercial exportadora comum (não trading), para valerse da isenção do imposto (IPI) na operação de venda, deveria remeter os produtos diretamente, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, enquanto que se a venda estiver sendo feita a comercial exportadora do DecretoLei 1.248 de 1972 (trading), ela (a indústria) poderia enviar os produtos, ainda, ao recinto de uso privativo da comercial exportadora de que trata o artigo 14 da IN SRF 241 de 2002, por sua conta e ordem. A única dúvida que se poderia suscitar diz com a interpretação do que seria, no caso, o “fim específico de exportação”. No entanto, a definição dada pelo § 2º do artigo 39 da Lei 9.532 de 1997 não deixa margem de dúvidas. Vejase. Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I (...) § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (grifei) Nesse sentido, o § 1º do artigo 42 do Decreto 4.544 de 2002, que regulamenta o IPI (RIPI), adotou expressamente o texto fixado no § 2º do artigo 39 da Lei 9.532 de 1997, para efeito de condicionar a isenção prevista no artigo 14 da MP 2.15835 de 2001. Portanto, foi o próprio artigo 39 da citada lei que sujeitou a suspensão em tela à condição de que a aquisição tivesse o “fim específico de exportação”, caracterizado esse “fim específico” pela remessa direta dos produtos, pelo estabelecimento industrial vendedor, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, norma incorporada pelos regulamentos do IPI, editados a partir de 1997 (§ 2º do inciso VI do artigo 40 do Decreto 2.637 de 1998 (RIPI/1998), e § 2º do inciso V do artigo 42 do Decreto 4.544 de 2002 (RIPI/2002). Desta forma, a suspensão do IPI está condicionada à remessa direta dos produtos vendidos ao embarque de exportação ou a recinto alfandegado, tratandose de providência da alçada da indústria (produtora), ainda que por conta e ordem da comercial exportadora e, nem poderia ser diferente, pois é com essa obrigatoriedade que o Fisco consegue manter controle dos benefícios fiscais auferidos pelos contribuintes, dificultando eventuais desvios na destinação dos produtos, evitando que sejam comercializados indevidamente no mercado interno. Ocorre que o contribuinte, conforme consta dos dados das notas fiscais e sua própria informação, entregou os produtos no endereço do próprio adquirente, que não é recinto alfandegado, infringindo a determinação legal. Em que pese a seu pleito, não há como prosperar a argumentação do recorrente, haja vista que a legislação tributária (a lei e o regulamento do IPI) estabelece que Fl. 228DF CARF MF Processo nº 15586.721133/201207 Acórdão n.º 3001000.075 S3C0T1 Fl. 224 11 “consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora”, devendo tal norma, uma vez que concede suspensão do IPI, ser interpretada de forma literal, consoante o que dispõe o artigo 111 do CTN, não cabendo, pois, interpretação ampliativa, como defende o recorrente. Serviços de industrialização por encomenda O indeferimento do pleito, neste tópico, deveuse ao fato de o contribuinte não ter optar pelo regime alternativo instituído pela Lei 10.276 de 2001, cujos incisos I e II do § 1º do seu artigo 1º traz textualmente quais os custos que poderão ser aproveitados na base de cálculo do crédito presumido. Alega o recorrente, basicamente, que faz jus ao aproveitamento desses créditos, pois além de a norma não exigir sequer que seja contribuinte do IPI, para gozar do referido benefício, a questão já foi pacificada, a seu favor, no âmbito do STJ, consoante prescreve a súmula 494 daquela corte. Esta matéria, qual seja, a da possibilidade de inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9.363 de 1996, os valores pagos a título de industrialização por encomenda, não é nova no âmbito do processo administrativofiscal. Neste sentido esclareço, desde já, que me filio à corrente de que no regime estatuído pela citada norma tal apropriação não encontra amparo legal. Como antes já manifestado, entendo que qualquer modalidade de incentivo ou benefício fiscal deve estar sujeito a regras de interpretação literal da legislação que o concede. Para tanto, esclareço que discordo do entendimento segundo o qual as formas de exclusão do crédito tributário sejam somente as previstas no artigo 175 do CTN, pois, partilho da opinião de que referida prescrição somente estabeleceu que a isenção e a anistia excluem o crédito tributário, mas por evidente, não podem ser consideradas as únicas formas existentes de exclusão do crédito tributário. A concessão de crédito presumido de IPI é uma forma indireta de excluir o crédito tributário, na medida em que permite se apropriar de um crédito antes inexistente para ser compensado com tributos devidos. Fosse correta a conclusão de que as únicas formas de exclusão do crédito tributário são a isenção e a anistia, intuo que a redação do artigo 111 do CTN seria, no mínimo, inaplicável quando prever no seu inciso II uma regra que já se encaixava no próprio inciso I, ou seja, seria desnecessário constar no inciso II que se interpreta literalmente as regras de outorga de isenção já que esta é uma forma de exclusão do crédito tributário já contemplado no inciso I. Vejamos a redação do artigo 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Fl. 229DF CARF MF 12 III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. É neste sentido que no presente caso deve se dar interpretação literal à norma tributária que concede o benefício fiscal nos exatos termos de que dispõe a norma retro reproduzida. Em verdade, entendo que a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção, na medida em que escampa às regras do que seria o tratamento tributário ordinário. Me permito, a fim de corroborar meu entendimento quanto ao tema, transcrever, a seguir, trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (grifei) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Estabelecido a presente premissa, vejamos então como o crédito presumido do IPI está disciplinado na Lei 9.363 de 1996: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8 de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 15586.721133/201207 Acórdão n.º 3001000.075 S3C0T1 Fl. 225 13 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (grifei) Portanto, a interpretação literal que se extrai do comando normativo acima transcrito é que gera direito ao crédito presumido do IPI os valores decorrentes da aquisição no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para aplicação no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras. A industrialização por encomenda é um serviço prestado ao industrial e não se identifica definitivamente com qualquer dos itens citados na norma, quais sejam matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Logo, ainda que nessa prestação de serviço possa se agregar algum insumo ou mesmo que do serviço resulte uma matériaprima a ser utilizada no seu processo produtivo próprio, concluo que a lei não permitiu essa apropriação. Tanto que posteriormente à edição do referido benefício fiscal sobreveio, com a edição da Lei 10.276 de 2001, uma forma alternativa de apuração do crédito presumido, desta feita prevendo expressamente a possibilidade de se apropriar do valor correspondente aos serviços com industrialização por encomenda. Segue transcrição do dispositivo legal, na parte que interessa ao presentes exame: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...) Fl. 231DF CARF MF 14 § 5º Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei nº 9.363, de 1996. Evidente que se o contribuinte quisesse se apropriar dos valores gastos com industrialização por encomenda, obrigatoriamente, deveria ter feito a opção pelo cálculo do crédito presumido do IPI na forma alternativa proposta pela Lei 10.276 de 2001, o que, como sabido, não fez. Logo, ao ter optado pela fórmula de cálculo da Lei 9.363 de 1996 impossível fazer uso desse benefício, por absoluta falta de previsão legal. Então é de se afastar a tese defendida pelo recorrente de que neste caso, a industrialização por encomenda teria dado suporte a aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem para posterior utilização no seu processo produtivo. Noutros termos, rechaçasse a ideia de que a industrialização por encomenda seria uma forma de aquisição destes insumos para utilização no processo produtivo e atenderia então ao disposto no artigo 1º da Lei 9.363 de 1996. Da Súmula 494 do STJ Por fim, o recorrente avoca, em assento aos seus argumentos de defesa, a aplicação dos ditames contidos no enunciado da súmula 494 do STJ, relativamente a não aceitação, para fins do aproveitamento na base de cálculo do crédito presumido do IPI, dos custos inerentes a prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda. No entanto, o que foi sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça, por meio da mencionada súmula, diz respeito a tema diverso do tratado nos presentes autos. Vejamos, pois seu enunciado: "O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP." Naquela oportunidade o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, quanto a sistemática do recurso repetitivo previsto no artigo 543C do CPC, quanto ao condicionamento para fins de aplicação de incentivo fiscal aos insumos adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/Pasep, na apuração do cálculo do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei 9.363 de 1996. Portanto, descabida a pretensão do recorrente, no que se refere a Súmula 494 do STJ, o que torna impossível suscitar a cominação da alínea "b" do inciso II do § 1º do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do RICARF (Portaria MF 343 de 09.06.2015), nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 232DF CARF MF Processo nº 15586.721133/201207 Acórdão n.º 3001000.075 S3C0T1 Fl. 226 15 Fl. 233DF CARF MF
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