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Numero do processo: 10830.004163/2010-22
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Presidente em exercício (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 41 63 /2 01 0- 22 Fl. 63DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2009, anocalendário de 2008, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 43.500, por falta de comprovação de pagamento, gerando um crédito tributário de imposto de renda pessoa física suplementar no valor de R$21.894,95. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 03 a 05, juntando recibos para evidenciar a prestação do serviço. Alega, em síntese, que nenhuma irregularidade foi praticada. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação da prestação de serviço, quando os próprios emitentes dos recibos, reconhecem têlos prestados. Apresenta, para tanto, provas ratificadoras, capazes elidir quaisquer dúvidas quanto as despesas médicas despendidas, por meio de recibos detalhados e principalmente declarações emitidas pelos profissionais, as quais seguem em anexo ao RV, com todas as informações necessárias de acordo com a lei. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10830.004163/201022 Acórdão n.º 2001000.328 S2C0T1 Fl. 3 3 Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os recibos dos pagamentos relativos ao tratamento de fisioterapia contendo nome completo dos prestadores, com CPF/CNPJ dos prestadores, credenciamento profissional, valor pago pelo contribuinte, endereço completo dos profissionais, ratificando a veracidade das informações contidas nos recibos apresentados. Em sede de Recurso Voluntário até declaração juntou, de cada uma das despesas apresentadas. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Portanto, o contribuinte está obrigado a comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas na declaração de ajuste anual, conforme estatui a legislação pertinente citada. Em sua defesa, o contribuinte apresenta os recibos emitidos por Mônica de A. Lafin (fls.14/15), Thiago M. M. Wistenberg (fls.16/17) e Leandro de L.Gonzaga (fls.18/19), que não suprem a irregularidade apontada pela Autoridade autuante. Os recibos consignam que o contribuinte efetuou o pagamento das despesas, mas não indicam o paciente, o beneficiário dos tratamentos realizados. Fl. 65DF CARF MF 4 Conforme ressaltado na legislação reproduzida, só são passíveis de dedução os gastos realizados com o tratamento do próprio Contribuinte e dos dependentes informados na Declaração de Ajuste Anual. Desse fato decorre a exigência de especificação do beneficiário dos tratamentos/consultas/exames realizados. Se, por um lado, a legislação tributária concede ao contribuinte, por ocasião da declaração anual de ajuste, a possibilidade de deduzir da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos de despesas médicas próprias e dos dependentes, incorridos durante o ano calendário, por outro, exige que o contribuinte, quando intimado pelo Fisco, comprove que as deduções pleiteadas na declaração preenchem todos os requisitos exigidos, sob pena de serem consideradas indevidas e o valor pretendido como dedução não ser acatado. Assim, deve ser mantida a glosa do valor de R$43.500,00. Pelo exposto, voto no sentido de considerar a impugnação IMPROCEDENTE, mantendo o crédito tributário exigido. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal simplesmente entende que os recibos e as declarações emitidas pelos prestadores dos serviços, assinadas e datadas pelos mesmos, não foram suficientes para comprovar as despesas. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10830.004163/201022 Acórdão n.º 2001000.328 S2C0T1 Fl. 4 5 A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação do lançamento no sentido de que os documentos simplesmente não foram suficientes bem como intenção do contribuinte em evidenciar a existência das despesas declaradas, entendo que deve ser acatado o pedido do Contribuinte para reformar a decisão a quo e manter a dedução das despesas médicas em análise. Fazse mister salientar na declaração juntada em sede de Recurso Voluntário consta a informação do paciente/beneficiário dos serviços, motivo alegadamente essencial que fundamentou a improcedência da impugnação. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar a dedução das despesas médicas ora glosadas em comento. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 67DF CARF MF 6 Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001749/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratamse de Recursos Voluntário e de Ofício interpostos em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (SP) que manteve parcialmente o crédito tributário decorrente de supostas infrações a legislação tributária para cobrança de IRPJ e CSLL. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 74 9/ 20 09 -4 9 Fl. 2685DF CARF MF Processo nº 19515.001749/200949 Resolução nº 1401000.515 S1C4T1 Fl. 2.686 2 Os fatos apurados pela Autoridade Lançadora estão descritos em três termos: Termo de Verificação FiscalGlosa da Despesa de Ágio (fls. 1853 a 1861), Termo de VerificaçãoGlosa de Exclusão do Lucro Real (fls. 1862 a 1868) e Termo de VerificaçãoGlosa de Exclusão do Lucro Real — PDD (fls. 1869 a 1876), por meio dos quais são exigidos o IRPJ e CSLL, tendo em vista a não dedutibilidade de despesas de amortização de ágio, reversão da provisão de PDD, exclusões referentes a despesas e receitas de SWAP e exclusão indevida da apuração do lucro real integrante de parte da parcela de provisão para devedores duvidosos. O crédito tributário total lançado foi de R$ 31.837.009,41 (trinta e um milhões, oitocentos e trinta e sete mil e nove reais e quarenta e um centavos), conforme demostrado na tabela abaixo: IRPJ Principal R$ 10.921.541,85 Multa R$ 8.191.156,37 Juros R$ 4.617.638,15 Valor Total: R$ 23.730.336,37 CSLL Principal R$ 3.713.668,42 Multa R$ 1.607.753,31 Juros R$ 2.785.251,31 Valor Total: R$ 8.106.673,04 Ciente da autuação, o interessado apresentou IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA em 19/07/2009 (fls. 1967/2.040), na qual alegou: PRELIMINARMENTE – DA PRECLUSÃO DA POSSIBILIDADE DO FISCO QUESTIONAR A LEGALIDADE DOS ATOS QUE DERAM ORIGEM AO ÁGIO: Alega que "houve um equívoco, por parte da RFB, na apuração dos valores relativos aos créditos compensados, já que foi considerado indevidamente como valor original utilizado na Declaração de Compensação o valor de R$ 21.399,92, pelo que confirmadas parcelas de crédito tão somente no valor de R$ 13.080,50”; Diz que, “com as devidas correções, o valor do crédito utilizado na data da transmissão da Declaração de Compensação, ora parcialmente homologada, se faz perfeitamente justificável e suficiente, conforme atestam as tabelas anexas. As tabelas que seguem anexas trazem a discriminação de todas as notas fiscais e respectivas retenções efetuadas O total de retenções é superior aos valores compensados. O valor do crédito informado se fazia suficiente para compensação dos débitos relacionados na declaração parcialmente homologada”; Fl. 2686DF CARF MF Processo nº 19515.001749/200949 Resolução nº 1401000.515 S1C4T1 Fl. 2.687 3 Da Legitimidade da Aquisição do Investimento com Ágio pela SAG do Brasil Ltda. e Posterior Aproveitamento da sua Dedutibilidade Fiscal pela Unidas (antiga Uninfra e SAG do Brasil S/A): Diz que todos “os atos societários descritos no presente caso foram lícitos e em conformidade com os princípios contábeis geralmente aceitos. Destaquese, também, que o ágio adquirido no presente caso possuía fundamento na expectativa de rentabilidade futura da URC (com base no seu principal ativo — investimento na Uninfra), o que já foi, à época, confirmado por meio de Laudo de Avaliação elaborado por empresa especializada independente, projetado pela metodologia de fluxo de caixa descontado”; DO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DO ÁGIO — DEDUÇÃO FISCAL DA AMORTIZAÇÃO: Afirma que no presente caso, “a controlada (Uninfra) absorve patrimônio das controladoras (SAG do Brasil Ltda. e URC) em virtude de incorporação, tendo as ações da controlada sido adquiridas com ágio apurado com fundamento econômico no valor de rentabilidade dos resultados nos exercícios futuros, estabelece a legislação que será possível amortizar o valor do ágio nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração (inciso III e § 6° do artigo 386 do RIR/99)”. Da Inexistência de Previsão Legal para a Adição, na Base de Cálculo da CSLL, da Despesa com a Amortização de Ágio Considerada IndedutÍvel pela Fiscalização: Alega que “não existe previsão, na legislação especifica da CSLL, para a adição dessa despesa na composição da base de cálculo dessa contribuição social. E que, não é possível à Administração Tributária querer atribuir à CSLL as mesmas regras de adições e exclusões previstas para o IRPJ quanto à dedutibilidade de despesas. Oque existe de comum entre os tributos em questão, e não é nada mais do que isso, são apenas as mesmas regras de apuração e pagamento”. DA GLOSA DAS PERDAS COM AS OPERAÇÕES DE SWAP: A fiscalizada realizou diversas operações de swap com fins de proteção cambial (hedge), sendo que parte delas foi liquidada em 2004 e parte em 2005. Dessa forma, alega que “por se tratar de operações de swap com fins de hedge, a Impugnante corretamente excluiu, do lucro real apurado nos anosbase de 2004 e 2005, os resultados negativos dessas operações, tendo em vista que tais despesas são dedutíveis, sem as limitações impostas pelo artigo 33, §7° da Instrução Normativa SRF no 25/01”. Diz que, “ainda que as operações de swap praticadas não tivessem fins de hedge, não poderá prosperar a glosa das despesas de swap realizadas pela Fiscalização, eis que (i) a despeito da presunção fiscal firmada, todos os contratos de swap celebrados pela Impugnante foram devidamente registrados na CETIP, (ii) a Fiscalização não poderia ter glosado os valores relativos às supostas perdas de swap sem considerar, para tal propósito, os ganhos auferidos nessas mesmas operações e (iii) os contratos de swap com fins de hedge foram rolados”. DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL: Alega que um dos princípios informadores da atividade administrativotributária é o da verdade material, razão pela qual “a Administração deve pautarse de maneira inexorável à verdade material dos fatos, fundamentando qualquer autuação em motivos reais, sob pena de ilegitimidade. Afirmando que a Fiscalização não buscou a verdade material para fundamentar a glosa das despesas de swap em decorrência da suposta falta de registro na CETIP ou BM&F desses contratos”. Fl. 2687DF CARF MF Processo nº 19515.001749/200949 Resolução nº 1401000.515 S1C4T1 Fl. 2.688 4 DA INEXISTÊNCIA DE OBRIGAÇÃO LEGAL PARA O REGISTRO, NA CETIP E BM&F, DOS CONTRATOS DE OPÇÃO E A TERMO: Informa que “a Fiscalização aplicou às perdas decorrentes das operações realizadas no mercado a termo e de opções o mesmo tratamento tributário previsto para as perdas incorridas nas operações de swap, o que não pode ser admitido sob qualquer pretexto, porquanto a referida Instrução Normativa não impôs tal condição (necessidade de registros das operações na CETIP ou BM&F) para fins de dedutibilidade das perdas incorridas nessas operações.” Diz que “a dedutibilidade das operações não está condicionada ao registro, pelas instituições financeiras, na CETIP ou BM&F, como ocorre com as operações de swap”. Do evidente erro de cálculo cometido pela Fiscalização para glosar as despesas de swap /da iliquidez e certeza das autuações fiscais: Alega que “é evidente o erro cometido pela Fiscalização para a apuração das bases de cálculo dos tributos exigidos, o que macula de nulidade todo o lançamento em razão da sua nítida iliquidez e incerteza, eis que não há qualquer possibilidade lógica de se glosar uma despesa de swap inexistente, ou seja, uma perda que não foi sequer excluída do lucro real. “Portanto, em razão do evidente erro de cálculo realizado pela Fiscalização, que desconsiderou, desmotivadamente, os ganhos auferidos nas operações de swap e de mercado a termo e de opções, os autos de infração, que originaram o presente processo administrativo, devem ser anulados, em virtude da flagrante iliquidez e incerteza dos lançamentos do IRP3 e da CSLL. (...) Assim, o não cumprimento das formalidades essenciais (intrínsecas) aos atos de lançamento, tais como a liquidez e certeza do montante exigido, como ocorreu no presente caso, tornaos nulos, gerando a obrigação para a Autoridade Julgadora de cancelálos de ofício”. DA EXISTÊNCIA DE OPERAÇÕES DE HEDGE PARA DIVIDA PROJETADA — "ROLAGEM DO HEDGE": Diz que “a operação realizada pela Impugnante pode ser caracterizada como uma operação de hedge de divida futura ("transação de provável realização"), pois visa proteger o risco de variação cambial relacionado como desembolsos futuros de provável dívida em moeda estrangeira. Portanto, do ponto de vista tributário, os resultados negativos eventualmente incorridos em operações como a realizada pela Impugnante — rolagem do hedge — são dedutíveis para fins da apuração do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro liquido”. DA INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA A ADIÇÃO, NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL, DA PERDA INCORRIDA NAS OPERAÇÕES DE SWAP: Afirma que não há, portanto, previsão legal, na legislação que regulamenta a CSLL, para a adição, ao lucro liquido, de qualquer despesa considerada indedutivel, tal como as perdas incorridas com as operações de swap, de mercado a termo e de opções, como ocorreu no presente caso”. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA — AUSÊNCIA DE APROFUNDAMENTO DOS TRABALHOS FISCAIS: Alega que “o Agente Fiscal "generalizou" os valores glosados, sem maiores aprofundamentos para se comprovar que os títulos baixados pela Impugnante seriam indedutiveis. De fato, assim concluiu a Sra. Agente Fiscal: "também ocorreram casos de registros como perdas e posterior exclusão do lucro real de valores que não atenderam os requisitos legais impostos”. DA PROVISÃO PARA DEVEDORES DUVIDOSOS — AUSÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE DE SUA CONSTITUIÇÃO PARA FINS TRIBUTÁRIOS: Afirma que “para que seja possível a dedução com perdas no recebimento de créditos, é necessário (i) Fl. 2688DF CARF MF Processo nº 19515.001749/200949 Resolução nº 1401000.515 S1C4T1 Fl. 2.689 5 que o crédito esteja vencido na data de encerramento do período base; (ii) que o crédito seja decorrente das atividades da pessoa jurídica; (iii) que se identifique a natureza do devedor (vedação de dedutibilidade de créditos cujos devedores tenham vinculo societário ou pessoal com o credor; regras diferenciadas para devedores com insolvência declarada judicialmente etc.); e (iv) que se diferenciem os créditos por valor e por modalidade (com ou sem garantia)” (...) “Fiscalização glosou parcela das despesas com perdas em recebimento de créditos da Impugnante com base na simples alegação de que parcela dos créditos não poderia ter sido deduzido como perda em razão de o valor ser, supostamente, superior aos valores provisionados em períodos anteriores”. PRECLUSÃO DA POSSIBILIDADE DO FISCO QUESTIONAR A LEGALIDADE DA ADIÇÃO: Alega que “consignou que a reversão da provisão de devedores duvidosos da Impugnante foi glosada por não ter havido a comprovação de que ela foi integralmente adicionada nos anos calendários anteriores (2003 e 2002)”... E que “não poderia o Fisco efetuar os lançamentos de ofício sobre fatos pretéritos, já consumados no tempo em razão do decurso do prazo decadencial (constituição de provisões que ocorreram antes de 2004) para alcançar os efeitos decorrentes desses fatos, em períodos subseqüentes (exclusão da dedução da provisão como despesa ‐ 2004)”. DOS VALORES "JOGADOS EM PERDA" — DO EQUIVOCO EXISTENTE NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL: Diz que “com relação aos valores de R$ 34.089,00 e R$ 43.189,00 que foram classificados pela Sra. Agente Fiscal como "Valor jogado em perda sem atendimento de requisitos legais mínimos" notase a nítida contradição existente no Termo de Verificação Fiscal e a ausência de liquidez e certeza ao crédito constituído. Portanto, não restou claro quais teriam sido os motivos para a glosa desses dois valores (R$ 34.089,00 e R$ 43.189,00) já que a própria Autoridade Fiscal (o reconheceu que o contribuinte comprovou a amostragem solicitada; e (ii) por outro lado, desconsiderou uma parcela de R$ 480.566,00 (por suposta ausência de cobrança administrativa), sem demonstrar e comprovar quais títulos que compunham os valores de R$ 34.089,00 e R$ 43.189,00 foram glosados e quais seriam os motivos da glosa”. DO ERRO MATERIAL CONTIDO NOS AUTOS DE INFRAÇÃO: Afirma que “não há como se negar que o erro material cometido pela Fiscal no momento da autuação onerou substancialmente o contribuinte, isso porque se, em cumprimento ao disposto na legislação, tivesse compensado de oficio o saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa para cada período autuado, o máximo que se poderia exigir (caso não sejam admitidos os argumentos anteriores que são suficientes para a decretação da nulidade integral dos lançamentos seriam as quantias de R$ 16.511.985,18 e R$ 5.674.672,54 respectivamente para IRPJ e CSLL”. DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA: Diz que “como é sabido, não se pode confundir os conceitos de tributo e de multa. Multa é penalidade pecuniária, não é tributo. E o que se verifica com clareza pela leitura da definição de "tributo", contida no artigo 3° do Código Tributário Nacional ("CTN")”. “Verificase, assim, que a multa tem natureza de sanção, que é aplicada em decorrência do descumprimento de uma obrigação (principal ou acessória), estando, portanto, expressamente excluída do conceito de tributo indicado no artigo 30 do CTN”. Requereu o acolhimento da presente Impugnação para extinguir os créditos tributários de IRPJ e de CSLL exigidos, arquivandose o presente processo administrativo. Fl. 2689DF CARF MF Processo nº 19515.001749/200949 Resolução nº 1401000.515 S1C4T1 Fl. 2.690 6 O Acórdão ora Recorrido (1623.890 – 3ª Turma da DRJ/SP1) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA –IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PRECLUSÃO DA LEGALIDADE DA CORREÇÃO DE ATOS PASSADOS PELO FISCO. DECADÊNCIA TRIBUTARIA. REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. FISCALIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTOS. GUARDA. PRAZO. A perda do direito, decorrente da ocorrência do fato decadencial, de se praticar o ato de lançamento não se confunde com a possibilidade de correção de lançamentos contábeis incorretos que possuem implicações de ordem tributária. direito de o Fisco averiguar fatos ocorridos em períodos passados está protegido pela lei, ainda que não seja mais possível efetuar o lançamento, mormente quando esses fatos repercutem em lançamentos contábeis de exercícios futuros que implicam em pagamento a menor dos tributos devidos. ÁGIO. INCORPORAÇÃO DE EMPRESAS. MESMO GRUPO ECONÔMICO. RENTABILIDADE FUTURA. AUSÊNCIA. DE FUNDAMENTO. FORMALIDADE DE ATOS. INSUFICIÊNCIA. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. No presente caso, não se verificam os requisitos legais e contábeis para o reconhecimento do ágio. Os requisitos necessários de um livre e aberto ambiente negocial, ocorrido entre pessoas independentes e não relacionadas, e o efetivo pagamento do ágio não são atendidos. A observância de certas formalidades não é suficiente para a efetiva existência do ágio, mormente no sentido tributário fiscal. As despesas consideradas dedutíveis para a legislação tributária são aquelas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa e, ainda, as despesas devem ser usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Despesas de amortização de ágio intergrupo são indedutiveis, não possuem fundamento ou mesmo existência, não são necessárias, eis que não foram pagas e sequer podem ser consideradas incorridas. CSLL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA A ADIÇÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL DE DESPESA COM A AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL E CONTÁBIL DO ÁGIO. O ágio sem fundamento e que não tenha sido pago ou incorrido implica a glosa efetuada como devida e deve recompor não só a base de cálculo do imposto de renda como a da CSLL. Fl. 2690DF CARF MF Processo nº 19515.001749/200949 Resolução nº 1401000.515 S1C4T1 Fl. 2.691 7 DOCUMENTAÇÃO LEGAL. DEVER DE GUARDA E DE APRESENTAÇÃO. A legislação tributária impõe aos contribuintes o dever de conservar os documentos e de apresentálos quando solicitados. SWAP. CONDIÇÕES LEGAIS PARA SUA DEDUTIBILIDADE. DEVER DO CONTRIBUINTE DE APRESENTAR PROVAS INEQUÍVOCAS DO ALEGADO. Os valores resultantes de operações de SWAP considerados dedutíveis pelo contribuinte devem ser demonstrados de forma clara e inequívoca, acompanhados da respectiva documentação suporte, da prova de seu registro, da comprovação da finalidade e utilidade para a empresa, além da compatibilidade com a proteção cambial necessária. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. PDD. GLOSA DE VALORES INFORMADOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. Correção efetuada pelo Fisco que gere efeitos em períodos posteriores é legitima assim como o lançamento de tributos de períodos ainda não decaídos. É correta a glosa de valores não comprovados e que a Fiscalização verificou da documentação apresentada pelo próprio contribuinte. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DA BASE NEGATIVA DA CSLL. PEDIDO DO CONTRIBUINTE. AMPARO LEGAL. POSSIBILIDADE. A compensação dos prejuízos fiscais e da base negativa da CSLL de exercícios anteriores encontra amparo na legislação fiscal. O pedido de compensação deve ser atendido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A multa de oficio, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES E/OU ILEGALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Matérias que as questionam não são apreciadas na esfera administrativa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, sendo que a decisão quanto à ocorrência Fl. 2691DF CARF MF Processo nº 19515.001749/200949 Resolução nº 1401000.515 S1C4T1 Fl. 2.692 8 desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados, no que couber. Impugnação Procedente em Parte. Credito Tributário Mantido em Parte. Isto porque, segundo entendimento da Turma, “não há como confundir a perda do direito de se praticar o ato de lançamento com a possibilidade de correção de lançamentos contábeis incorretos que possuem implicações de ordem tributária”. (...) “Assim, não procede a defesa de que o Fisco não mais teria o direito de questionar a formação do ágio. Os prazos decadenciais previstos no CTN limitam a possibilidade de constituir o crédito tributário mediante a atividade administrativa do lançamento. No presente caso, os fatos discutidos tiveram origem no anocalendário 2002, quando houve a apuração do ágio. A amortização desse ágio foi considerada incorreta pela Autoridade Fiscal pelos motivos relatados, portanto indedutível para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL”. Considerou, que “o ágio intragrupo não e reconhecido pela lei societária como também pela Contabilidade, tampouco o é pela lei tributária. Conseqüentemente, não assiste razão a Impugnante quando alega que a amortização desse ágio constituise em despesa dedutível da base de cálculo do IRPJ, consoante previsto no art. 386 do RIR1 1999, cuja matriz legal advém dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997, com as alterações da Lei n°9.718/1998”. Reconheceuse o colegiado, que apenas o direito a compensação dos prejuízos fiscais acumulados e da base negativa da CSLL de períodos anteriores, conforme o demonstrativo abaixo indicado: Fl. 2692DF CARF MF Processo nº 19515.001749/200949 Resolução nº 1401000.515 S1C4T1 Fl. 2.693 9 Ciente da decisão do Acórdão em 01/03/2010(fls.2.452), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 29/03/2010 (fls. 2.460/2.563), alegando as seguintes razões: DA ILIQUIDEZ E INCERTEZA DOS LANÇAMENTOS – NULIDADE: Afirma que no presente caso houve, evidente erro na determinação da matéria tributável e no cálculo do montante dos tributos devidos, uma vez que não foi realizada a compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL, acumulados pela Recorrente, à porcentagem de 30% do lucro tributável apurado a cada período base”. Dessa forma, “em razão do evidente erro de cálculo incorrido pela Fiscalização para a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, não se pode olvidar que os lançamentos efetuados padecem de iliquidez e incerteza e deveriam ter sido cancelados integralmente pela Turma Julgadora, motivo pelo qual não pode prosperar a decisão ora recorrida”. DA INDEVIDA CONSTITUIÇÃO DE NOVO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELA TURMA JULGADORA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA: Argumenta que “em que pese ter sido reconhecido, acertadamente, ela Turma Julgadora, o equivoco cometido pela Fiscalização, com relação a conclusão não se pode atribuir o mesmo êxito aos Srs. Julgadores, que deixaram de cancelar integralmente os autos de infração, mesmo diante da nulidade apontada, para tentar "consertálos" e manter as autuações em questão”. “Assim, apesar de a Turma Julgadora ter apurado, corretamente, os valores do IRPJ e da CSLL, caso as despesas incorridas pela Recorrente fossem, de fato, indedutíveis (o que se alega a titulo de argumentação), é certo que esse órgão colegiado não poderia ter retificado, de oficio, os lançamentos originários, por ser incompetente para tanto. Apenas e tão somente poderia têlos declarado nulos (ou seja, não poderia ter constituído novos lançamentos), em razão da liquidez e incerteza dos créditos tributários”. PRECLUSÃO DA POSSIBILIDADE DO FISCO QUESTIONAR A LEGALIDADE DOS ATOS QUE DERAM ORIGEM AO ÁGIO: Alega que o ágio, “como elemento contábil e societário decorrente das operações realizadas, surgiu em 28/08/2002, com o aumento de capital da SAG do Brasil Ltda. (momento da aquisição das quotas da URC registradas em patrimônio liquido e ágio), tendo sido posteriormente transferido Uninfra em 13/12/2002, com a incorporação daquela sociedade, e a partir dai passou a produzir efeitos Fl. 2693DF CARF MF Processo nº 19515.001749/200949 Resolução nº 1401000.515 S1C4T1 Fl. 2.694 10 tributários (data a partir da qual surgiu o direito de deduzir os encargos de amortização desse ágio quando da apuração do lucro real). Desta forma, não poderia a Fiscalização questionar a legalidade dos atos que originaram o direito ao aproveitamento do ágio, que surgiu em 2002, eis que transcorreu o prazo decadencial de cinco anos entre os fatos que propiciaram o surgimento do ágio em 2002 e a lavratura dos autos de infração em questão (21/05/2009)”. DA INDEVIDA INOVAÇÃO NO LANÇAMENTO PELA DR. NA QUESTÃO DO ÁGIO: Argumenta que “a Turma Julgadora trouxe novos argumentos para justificar a manutenção dos autos de infração objeto do presente processo administrativo, que não haviam sido aduzidos no momento do lançamento (necessidade de independência das partes e ambiente concorrencial livre)”. LIMITES PARA A APLICAÇÃO DA CIÊNCIA CONTÁBIL PELO DIREITO: Frisou que houve “uma completa "confusão" entre os conceitos utilizados para definir e fundamentar a suposta ilegitimidade do ágio gerado no presente caso, com relação aos enfoques correspondentes (contábil, societário e fiscal/tributário)”. CIÊNCIA CONTÁBIL COMO INSTRUMENTO PARA MEDIÇÃO DA RIQUEZA: Afirma que “a Ciência Contábil é um instrumento muito valioso para o relato de fatos econômicos que são regulamentados pelo Direito. De fato, o Direito se vale dos conceitos estabelecidos por essa ciência para criação de normas jurídicas que regulamentam os interesses dos diversos usuários, em face de determinada entidade”. DIREITO CONTÁBIL SOCIETÁRIO: Conceituandose como “um ramo do Direito que não se confunde com a ciência social que regulamenta. Contudo, até mesmo em face do disposto no artigo 177 da Lei das S/A, este ramo do Direito se aproxima muito da Ciência Contábil auando torna obrigatória obediência aos princípios de contabilidade”. DIREITO CONTÁBIL FISCAL/TRIBUTÁRIO: “Após a entrada em vigor da Lei no 6.404/76 (Lei das S/A), a legislação tributária trouxe regulamentação especifica para os registros contábeis utilizados na apuração do imposto sobre a renda. É o reconhecimento, pelo legislador, de que a legislação tributária traz regras contábeis especificas para fins de apuração de tributos. Essas regras servem ao interesse arrecadatório do Fisco, mas não existe a obrigatoriedade de que sigam os princípios de contabilidade geralmente aceitos. Esse conjunto de normas jurídicas estabelecidas pela legislação tributária é o que se passa a denominar Direito Contábil Fiscal, que tem como objetivo a apuração da contabilidade fiscal". UTILIZAÇÃO DO DIREITO CONTÁBIL SOCIETÁRIO E DO DIREITO CONTÁBIL FISCAL/TRIBUTÁRIO PARA A APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL: Afirma que “havendo conflito entre a contabilidade societária e a contabilidade fiscal, esta deverá prevalecer quando se tratar de apuração de algum dos aspectos do fato gerador do tributo, uma vez que, insistase, tratase da aplicação de norma especifica em face de um uma norma geral”. DA DISTORCIDA INTERPRETAÇÃO QUANTO AO ENTENDIMENTO DO PROFESSOR ELISEU MARTINS: Afirma que “as premissas utilizadas pela DRJ para a nova fundamentação dos autos de infração ora em análise não se sustentam, uma vez que houve uma "mistura" dos conceitos de Ciência Contábil (que não é objeto do Cientista do Direito, mas sim do Cientista da Contabilidade), com os conceitos de Direito Contábil (este sim objeto do "mundo jurídico")”. Fl. 2694DF CARF MF Processo nº 19515.001749/200949 Resolução nº 1401000.515 S1C4T1 Fl. 2.695 11 NATUREZA JURÍDICA DO ÁGIO PARA O "DIREITO CONTÁBIL SOCIETÁRIO" E AS VÁRIAS FORMAS DE AQUISIÇÃO: Argumenta que “para o Direito Contábil Societário, o ágio ou deságio gerado em operações, como as ocorridas no presente caso, decorre da diferença entre o valor de aquisição (custo de aquisição) e o valor patrimonial das quotas adquiridas (valor de patrimônio liquido), quando se adota o registro da participação societária pelo Método da Equivalência Patrimonial MEP, previsto no artigo 248 da Lei das S/A (Lei no 6.404/76)”. (...) “Caso a SAG do Brasil Ltda. tivesse realizado uma operação de venda e compra, haveria o pagamento do preço como contraprestação pela aquisição do bem (ações da URC). Assim, caso tivesse sido esse o negócio jurídico realizado, somente existiria ágio se o valor "pago" (custo de aquisição) fosse maior que o valor da participação societária avaliado pelo MEP. Ocorre que o negócio jurídico de compra e venda não era o mais interessante do ponto de vista estratégico para a realização do objetivo econômico pretendido pelo Grupo, motivo pelo qual não foi esse o modelo adotado”. NATUREZA JURÍDICA DO ÁGIO PARA O "DIREITO CONTÁBIL TRIBUTÁRIO": Diz que “equivocaramse os Julgadores a quo ao fundamentar a não dedutibilidade da amortização do ágio na necessidade de pagamento "caso a maisvalia — o prep. justo tenha sido efetivamente paga por terceiros independentes, em uma situação de livre concorrência e não intragurpos." CUSTO DE AQUISIÇÃO: VALOR DO CAPITAL SUBSCRITO E INTEGRALIZADO EM BENS A VALOR DE MERCADO (QUOTAS DA URC): Argumenta que “a aquisição das quotas da URC se deu por meio da sua conferência na integralização de capital. O custo de aquisição desse ativo é o valor em da participação societária integralizada”. EXISTÊNCIA DE PARTES RELACIONADAS: Frisa que no presente caso, “não há qualquer dispositivo previsto na legislação tributária que estabeleça algum tratamento diferenciado para a subscrição e integralização de quotas entre partes vinculadas”. ISONOMIA COM TRATAMENTO FISCAL DO DESÁGIO: Alega que “o deságio deverá ser amortizado, com a conseqüente tributação dessas receitas. Ressaltese, neste sentido, que a Receita Federal já manifestou entendimento de que este deságio deveria ser tributado mesmo que fosse gerado em uma operação interna, dentro do mesmo Grupo”. Indagandose... “ora, e se o valor de mercado das quotas da URC fosse inferior ao valor do seu patrimônio liquido contábil, hipótese na qual a Recorrente apuraria um deságio na operação de integralização de quotas sob análise, a mesma Receita Federal do Brasil se preocuparia em isentar a tributação do referido deságio?”. DO EQUÍVOCO COMETIDO PELA TURMA JULGADORA COM RELAÇÃO ÀS NORMAS APLICÁVEIS À DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS: Diz que “o pagamento, na aquisição de participação societária, não é requisito (previsto na legislação de regência) para a dedutibilidade da despesa com a amortização do ágio, como indevidamente supôs a DR) no presente caso”. Regra Geral de Dedutibilidade das Despesas (artigo 299 do RIR/99) X Regra EspecÍfica para a Dedutibilidade da Despesa com Amortização do Ágio (artigo 386, inciso III, §2° do RIR/99): Afirma que “somente as despesas que cumprirem tais requisitos é que serão dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL: (i) despesa deverá ser necessária à atividade da empresa e à manutenção, (ii) a despesa, se não paga, ao menos deve ter sido incorrida pelo contribuinte, (iii) a despesa deve ser usual e normal no tipo de atividade desenvolvida pelo contribuinte que a suportou da respectiva fonte produtora”. Fl. 2695DF CARF MF Processo nº 19515.001749/200949 Resolução nº 1401000.515 S1C4T1 Fl. 2.696 12 DAS ALEGAÇÕES QUANTO A ILEGITIMIDADE DO LAUDO APRESENTADO E DOS EQUÍVOCOS NO LANÇAMENTO CONTÁBIL: Analisou as operações efetivamente ocorridas no presente caso, “a SAG do Brasil Ltda. passou a ser a controladora da URC em 28/08/2002, tendo adquirido suas ações pelo custo de aquisição de R$ 109.294.000,00, afirmando que tal operação “ocorreu efetivamente, no mundo dos fatos, e como tal não poderia deixar de ser foi refletida na contabilidade da Recorrente. Com efeito, tal operação foi contabilizada (conforme se verifica do Balancete de Verificação da SAG do Brasil Ltda. de 31/08/2002 apresentado em sede de impugnação)”. Reinterando que “o ágio adquirido no presente caso possuía fundamento na expectativa de rentabilidade futura da URC, e foi apurado com base no seu principal ativo: o investimento na Uninfra”. DA GLOSA DAS PERDAS COM AS OPERAÇÕES DE SWAP: Afirma que “por se tratar de operações de swan com fins de hedge, excluiu, do lucro real apurado nos anos base de 2004 e 200523, os resultados negativos dessas operações 24, tendo em vista que tais despesas são dedutíveis, sem as limitações impostas pelo artigo 33, §7° da Instrução Normativa SRF no 25/01”. Ressalta ainda, “que as operações de swap praticadas pela Recorrente não tivessem fins de hedge, o que se admite apenas a titulo de argumentação, não poderia prosperar a glosa das despesas de swap realizadas no presente caso, eis que (i) a despeito da presunção fiscal firmada, todos os contratos de swap celebrados pela Recorrente foram devidamente registrados na CETIP, (ii) a Fiscalização não poderia ter glosado os valores relativos às supostas perdas de swap sem considerar, para tal propósito, os ganhos auferidos nessas mesmas operações e (iii) os contratos de swap com fins de hedge foram rolados”. DA SUPERFICIALIDADE DA INVESTIGAÇÃO REALIZADA PELA FISCALIZAÇÃO: Diz que “o fato de a Recorrente não ter localizado e apresentado as cópias dos 06 contratos, durante o procedimento fiscalizatório, com os respectivos registros na CETIP, não autoriza a Fiscalização presumir, por óbvio, que os contratos de swap não foram registradas e contratadas de acordo com as normas emitidas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil, conforme dispõe o artigo 32, §4° da Instrução Normativa SRF n° 25/01”. DA INEXISTÊNCIA DE OBRIGAÇÃO LEGAL PARA O REGISTRO, NA CETIP E BM&F, DOS CONTRATOS DE OPÇÃO E A TERMO: Alega que de acordo com Instrução Normativa SRF n° 25/01, “as perdas incorridas pela contribuinte nas operações de swap somente serão dedutíveis na determinação do lucro real se forem registradas e contratadas de acordo com as normas emitidas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil. E que, a Fiscalização aplicou às perdas decorrentes das operações realizadas no mercado a termo e de opções o mesmo tratamento tributário previsto para as perdas incorridas nas operações de swap, procedimento esse ratificado pela Turma Julgadora que também se valeu da legislação de regência do swap o que não pode ser admitido sob qualquer pretexto, porquanto a referida Instrução Normativa não impôs tal condição (necessidade de registros das operações na CETIP ou BM&F) para fins de dedutibilidade das perdas incorridas nessas operações”. Do evidente erro de cálculo cometido pela Fiscalização para glosar as despesas de swap / Novamente a questão da iliquidez e certeza das autuações fiscais: Aduz que “além de inexistir qualquer possibilidade lógica de se glosar um montante superior A R$ 2.114.803,97 (valor excluído pela Recorrente na ficha 38 da DIPJ/2005), a Fiscalização poderia apenas e tão somente glosar o resultado liquido, caso as operações de swap não tivessem, obviamente, fins de hedge.” “o Sr. Agente Fiscal somente poderia realizar a glosa do resultado liquido apurado, Fl. 2696DF CARF MF Processo nº 19515.001749/200949 Resolução nº 1401000.515 S1C4T1 Fl. 2.697 13 ou seja, após a prévia dedução das perdas, incorridas na operações de swap e nas operações de mercado a termo e de opções, dos ganhos auferidos nas operações de mesma natureza, caso as operações não fossem de hedge”. DA EXISTÊNCIA DE OPERAÇÕES DE HEDGE PARA DIVIDA PROJETADA — ROLAGEM DO HEDGE: Ressaltou que “a legislação tributária não promoveu um aprofundamento da definição e nos critérios de eficácia, por exemplo, das operações de hedge. Basta que as referidas operações possuam intuito de proteção de direitos e obrigações ou que estejam relacionados com a atividade operacional da empresa. O legislador tributário não adentrou, por exemplo, na definição dos tipos de hedge, como fez o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC 14). Dessa forma, podese perceber a importância das definições econômicas e contábeis para a adequada caracterização das operações de hedge, pois o legislador tributário não teceu maiores detalhes a respeito da conceituação dessas operações o que nos remete à literatura técnica do assunto. Portanto, do ponto de vista tributário, os resultados negativos eventualmente incorridos em operações como a realizada pela Recorrente — rolagem do hedge — são dedutíveis para fins da apuração do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro liquido”. Da Inexistência de Previsão Legal para a Adição, na Base de Cálculo da CSLL, da Despesa com a Amortização de Ágio Considerada Indedutivel pela Fiscalização e da Perda Incorrida em Operação de Swap: Diz que “muito embora a CSLL seja, assim como o IRPJ, tributo incidente sobre o lucro dos contribuintes, certo é que para ela existem normas especificas que tratam das adições e exclusões ao lucro liquido para fins de determinação de sua base de cálculo, as quais, nem sempre, são as mesmas aplicáveis ao IRPJ (conforme será demonstrado adiante, a própria Turma Julgadora reconheceu a inexistência de norma legal referente às adições das despesas em questão, no cálculo e na apuração da CSLL)”. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA AS AUTUAÇÕES— AUSÊNCIA DE APROFUNDAMENTO DOS TRABALHOS FISCAIS: Afirma que “a Sra. Agente Fiscal desconsiderou todos os títulos vencidos há mais de um ano, no valor entre R$ 5.000,00 e R$ 30.000,00 (R$ 480.566,00), sob a alegação de que não houve comprovação de cobrança administrativa, o que, consoante será demonstrado em tópico especifico, encontrase completamente dissociado da realidade de uma empresa que possui créditos vencidos que, por definição, relacionamse a sua atividade principal”. DA PROVISÃO PARA DEVEDORES DUVIDOSOS — AUSÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE DE SUA CONSTITUIÇÃO PARA FINS TRIBUTÁRIOS: Argumenta que “para que seja possível a dedução com perdas no recebimento de créditos, é necessário (i) que o crédito esteja vencido na data de encerramento do período base; (ii) que o crédito seja decorrente das atividades da pessoa jurídica; (iii) que se identifique a natureza do devedor (vedação de dedutibilidade de créditos cujos devedores tenham vinculo societário ou pessoal com o credor; regras diferenciadas para devedores com insolvência declarada judicialmente etc.); e (iv) que se diferenciem os créditos por valor e por modalidade (com ou sem garantia)”. A.I) DOS VALORES "JOGADOS EM PERDA" — DO EQUIVOCO EXISTENTE NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL: Frisese que “a mesma omissão foi realizada pela Turma Julgadora, que se limitou a manter a cobrança, sem investigação ou motivação, motivo pelo qual não deverá ser mantida por esse E. Conselho a decisão ora recorrida. Portanto, não restou claro quais teriam sido os motivos para a glosa e a manutenção desses dois valores (R$ 34.089,00 e R$ 43.189,00) já que a própria Autoridade Fiscal (i) Fl. 2697DF CARF MF Processo nº 19515.001749/200949 Resolução nº 1401000.515 S1C4T1 Fl. 2.698 14 reconheceu que o contribuinte comprovou a amostragem solicitada; e (ii) por outro lado, desconsiderou uma parcela de R$ 480.566,00 (por suposta ausência de cobrança administrativa), sem demonstrar e comprovar quais títulos que compunham os valores de R$ 34.089,00 e R$ 43.189,00 foram glosados e quais seriam os motivos da glosa”. B.I)DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA: Diz que “como é sabido, não se pode confundir os conceitos de tributo e de multa. Multa é penalidade pecuniária, não é tributo. E o que se verifica com clareza pela leitura da definição de "tributo", contida no artigo 3° do Código Tributário Nacional ("CTN")”. “Verificase, assim, que a multa tem natureza de sanção, que é aplicada em decorrência do descumprimento de uma obrigação (principal ou acessória), estando, portanto, expressamente excluída do conceito de tributo indicado no artigo 30 do CTN”. C.I)Requereu o acolhimento do presente recurso voluntário para reformar o acordão recorrido, cancelando integralmente os autos de infração de IRPJ e CSLL. D.I)Subsidiariamente, requereu a manutenção dos créditos nos termos do que foi decidido pela DRJ, na hipótese do recurso voluntário seja julgado improcedente. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Relator Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Antes de adentrar ao mérito do recurso é necessário enfrentar uma análise preliminar acerca de eventual realização de diligência. Isto porque, o Recorrente, desde a Impugnação, sustenta que a operação foi efetivamente contabilizada, entretanto, de forma equivocada, indicando concretamente como ela foi feita, senão vejamos: Fl. 2698DF CARF MF Processo nº 19515.001749/200949 Resolução nº 1401000.515 S1C4T1 Fl. 2.699 15 Por outro lado, um dos fundamentos da decisão Recorrida se funda exatamente na ausência de contabilização: Fl. 2699DF CARF MF Processo nº 19515.001749/200949 Resolução nº 1401000.515 S1C4T1 Fl. 2.700 16 Nesse contexto, diante de tal controvérsia, entendo ser necessária a realização de diligência fiscal para apurar a veracidade das alegações da Recorrente. Especialmente porque a decisão recorrida não as refutou especificamente. Assim é que, voto no sentido de converter o presente processo em diligência para que a Delegacia de Origem verifique se, de fato, a contabilização desta operação foi lançada a débito na conta "Capital a Realizar" e a crédito na conta "Capital" no mesmo montante. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 2700DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.011329/2007-48
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO.
Caracteriza-se a divergência jurisprudencial, quando os acórdãos recorrido e paradigma, tratando de situações similares, adotam soluções diversas, em face da legislação tributária aplicável. A divergência demonstrada em relação a qualquer dos paradigmas já é suficiente para o conhecimento do recurso.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
Numero da decisão: 9202-006.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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CONHECIMENTO. Caracterizase a divergência jurisprudencial, quando os acórdãos recorrido e paradigma, tratando de situações similares, adotam soluções diversas, em face da legislação tributária aplicável. A divergência demonstrada em relação a qualquer dos paradigmas já é suficiente para o conhecimento do recurso. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 13 29 /2 00 7- 48 Fl. 184DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. ), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao exercício 2003, anocalendário 2002, para exigência do seguinte crédito tributário: IRPF Suplementar – R$ 39.960,85; multa de ofício (passível de redução) – R$ 29.970,63; juros de mora (calculados até 31/03/2006) – R$ 26.577,96, totalizando um crédito tributário apurado no valor de R$ 96.509,44 (noventa e seis mil, quinhentos e nove reais, quarenta e quatro centavos). Consoante descrição dos fatos do Auto de Infração à fl. 17, foi constatada omissão de rendimentos, no valor de R$ 185.961,41, decorrentes de ação ordinária movida contra o Estado do Paraná, e ajuste do IRRF para inclusão do imposto incidente sobre esses rendimentos, no valor de R$ 11.178,54. O autuado apresentou impugnação, tendo Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua totalidade. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 14/08/2012, foi sobrestado “o julgamento do recurso, conforme Portaria CARF nº 1, de 2012”, de acordo com a Resolução nº 2201000073, da 1ª TO/2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento. Encerrado o sobrestamento, em sessão plenária de 04/04/2017, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2402005.727 (fls. 120/129), Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10980.011329/200748 Acórdão n.º 9202006.703 CSRFT2 Fl. 3 3 com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de ilegitimidade da União e, no mérito, por maioria, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho e Kleber Ferreira de Araújo, que davam provimento parcial no sentido de que o crédito tributário fosse recalculado de acordo com o regime de competência”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 ILEGITIMIDADE DA UNIÃO. ART. 157, I, DA CF/88. IMPROCEDÊNCIA. O art. 157, I da CF/88 trata de tema de direito financeiro, não afetando a competência exclusiva da União para legislar sobre o imposto de renda, inclusive quanto às respectivas hipóteses de isenção. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A imputação da multa de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização tributária, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 02/05/2017 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 30/05/2017, o Recurso Especial (fls. 131/140). Fl. 186DF CARF MF 4 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 4ª Câmara, de 14/07/2017 ( fls. 144/148), em confronto com os paradigmas: 9202003.695 e 2201 002.588. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido, pelos seguintes argumentos: · a fim de que o lançamento seja mantido, determinandose tão somente o recálculo do valor devido a título de IRPF, tendo como parâmetro as decisões tomadas pelo STJ (RESP nº 1.118.429/SP) e pelo STF (RE 614.406/RS), na sistemática dos recursos repetitivos e da repercussão geral, respectivamente, os quais decidiram que o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. · Diz que, diante do pronunciamento da mais alta Corte do país acerca do art. 12 da Lei nº 7.713/88, não há mais dúvidas acerca da sistemática aplicável para cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial; todavia, cabe à Câmara Superior de Recursos Fiscais analisar qual será o destino dos lançamentos por omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, cujo imposto de renda foi calculado com base no montante integral creditado extemporaneamente. · Entende que os lançamentos devem ser mantidos, determinandose tão somente o recálculo do valor de IRPF devido, tendo como parâmetro o decidido pelo STJ e pelo STF, uma vez que a omissão de rendimentos efetivamente existiu, não sendo tal fato alterado pelas decisões judiciais supra referidas. · Fazse necessário, tão somente, recalcular o montante do tributo devido de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. · Acrescenta ser desnecessária e ilegal a anulação do presente lançamento, bastando sua revisão pela autoridade julgadora, excluindose os valores indevidos, até mesmo em sede de execução do julgado, para sanar eventuais equívocos na determinação do quanto devido. Cientificado do Acórdão nº 2402005.727 do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 17/08/2017, o contribuinte apresentou, em 01/09/2017, portanto, tempestivamente, contrarrazões (fls. 160/171). · Em suas contrarrazões, o contribuinte, preliminarmente, alega que o recurso especial manejado não pode ser conhecido por inobservância ao art. 67 do RICARF, uma vez que não há similitude Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10980.011329/200748 Acórdão n.º 9202006.703 CSRFT2 Fl. 4 5 das situações fáticas entre o acórdão recorrido e o segundo paradigma colacionado, já que este último não versa sobre a possibilidade de revisão de ofício do lançamento tributário, como invocado nas razões do recurso especial; e, portanto, a Recorrente não indicou as duas decisões divergentes sobre a matéria. · Em relação ao mérito, afirma que a forma de apuração do tributo pelo regime de caixa não constitui erro formal nem material passível de correção, que permitiria a substituição ou recálculo do imposto. · Salienta que a regra geral é da imutabilidade do lançamento tributário, excepcionados os casos de erro de direito ou erro de fato, o primeiro estabelecido no artigo 146 e o segundo no artigo 149, ambos do CTN. · Ressalta que especificamente em relação ao disposto no artigo 146 do CTN, dispondo que: “A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução”, fazse necessário o registro de que a mudança do critério jurídico de lançamento do crédito tributário, não se confunde com erro de fato, nem com erro de direito, uma vez que no caso em análise, o título executivo restou comprometido, pela incorreção da base de cálculo e alíquotas aplicadas, não se constituindo em erro material ou formal que possa ser corrigido e substituído. · Traz recentes julgados da TRF – 4ª Região neste sentido, concluindo pela ilegalidade da forma de apuração do tributo e consequente comprometimento total do lançamento. · Acrescenta que a administração tributária não tem competência legal para retificar o lançamento tributário, em hipóteses que não se enquadram nas situações elencadas nos artigos 146 e 149 do CTN, mesmo considerandose o argumento deduzido pela Recorrente de que a omissão de rendimentos existiu e que o lançamento poderia ser revisto e, portanto, aproveitado; até porque não houve omissão, já que no caso a Recorrida apenas seguiu orientação da fonte pagadora, que indicou os pagamentos a serem tributados, tanto que juntados na declaração os valores recebidos e tributados na fonte. · Por fim, alega que não há possibilidade de recálculo do tributo objeto do lançamento tributário questionado, cujo destino é a sua desconstituição, para que a administração pública promova novo lançamento, caso não atingido pelo prazo decadencial. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 139. Contudo, havendo questionamento acerca do conhecimento passo a enfrentar a questão de forma mais detida. Quanto ao conhecimento, primeiramente vamos identificar a argumentação trazida pelo sujeito passivo em sede de contrarrazões: · alega que o recurso especial manejado não pode ser conhecido por inobservância ao art. 67 do RICARF, uma vez que não há similitude das situações fáticas entre o acórdão recorrido e o segundo paradigma colacionado, já que este último não versa sobre a possibilidade de revisão de ofício do lançamento tributário, como invocado nas razões do recurso especial; e, portanto, a Recorrente não indicou as duas decisões divergentes sobre a matéria. Contudo, em que pese a manifestação do sujeito passivo, sua interpretação não merece guarida. Primeiramente, convém esclarecer que não existe obrigatoriedade de apresentação de 2 paradigmas, muito menos em apresentando 2, que ambos tem que ser aceitos para demonstrar a divergência. senão vejamos, trecho do art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 343/2015: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 10. Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União. Ou seja, embora a argumentação do recorrente já não mereça ser acatada, conforme descrito acima, ainda rechaço seu argumento por entender que o despacho proferido encontrase acertado, no que diz respeito a existência de divergência do acórdão recorrido em relação: à tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, paradigmas 9202003.695 e 2201002.588. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10980.011329/200748 Acórdão n.º 9202006.703 CSRFT2 Fl. 5 7 No presente caso, entendo que a buscou a PGFN recorrente demonstrar que os três acórdãos tratam de rendimentos recebidos acumuladamente, mesmo que a títulos diversos e citam decisões definitivas do STF e do STJ em suas fundamentações. Entretanto, à luz dessas decisões, enquanto o acórdão recorrido entende não ser possível a determinação do recálculo do IR devido, cancelando integralmente o crédito tributário, os acórdãos paradigmas determinam a retificação do montante do crédito tributário, aplicandose às tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Assim, entendo que devidamente demonstrada pelo recorrente a divergência entre as teses nos julgados, fato esse esclarecido no Despacho de admissibilidade de Recurso Especial, Assim, ratificando os termos do despacho proferido, CONHEÇO do Recurso e passo a apreciar o mérito da questão. Do Mérito Em face dos pontos trazidos no Recurso especial da Fazenda Nacional e do conteúdo do acórdão recorrido entendo que a apreciação do presente recurso cingise a discussão em relação a nulidade do lançamento, frente a suposta inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, bem como a decisão do STJ na sistemática de recurso repetitivo sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Um questão importante que ajudanos a delimitar o alcance da lide, referese ao fato de o relator do acórdão da Câmara a quo descrever em seu voto, mesmo que implicitamente que, o fundamento da declaração de nulidade diz respeito a decisão do STJ quanto ao regime de tributação aplicável e não ao caráter salarial ou indenizatório da verba. Podemos chegar a essa conclusão ao lermos os termos do voto abaixo transcrito: Destarte, restou assim consolidado o entendimento de que a incidência do imposto de renda pessoa física sobre verbas recebidas acumuladamente deve considerar as datas e as alíquotas vigentes na época em que a verba deveria ter sido paga, em respeito aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, firmandose, por conseguinte, a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 quanto a esse aspecto. Nos termos do inciso I do § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não se aplica a vedação aos órgãos de julgamento administrativo fiscal ao afastamento de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, nos casos de lei que tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF no mesmo passo, temse o disposto no art. 62 do RICARF. Cumpre observar, por oportuno, que as decisões do STF exaradas nos moldes do art. 543B do CPC possuem o caráter de palavra final e definitiva daquele tribunal sobre as questões jurídica nelas objetivamente decididas, conforme já alertava, com propriedade, o Parecer PGFN/CRJ nº 492, de 30 de março de 2011. Fl. 190DF CARF MF 8 Por conseguinte, a decisão definitiva de mérito proferida pelo Tribunal Pleno do STF sob a sistemática prevista pelo art. 543B do CPC deverá ser reproduzida por este colegiado no julgamento do presente recurso voluntário. E essa reprodução da decisão, salvo melhor juízo, significa aplicação da norma jurídica geral, consolidada no julgamento da repercussão geral, no caso em exame. No caso concreto, a Notificação de Lançamento vergastada foi amparada na prescrição contida no art. 12 da Lei nº 7.713/88, não havendo sido observada a tese jurídica vinculante fixada em sede de repercussão geral, segundo a qual "O Imposto de Renda incidente sobre verbas recebidas acumuladamente deve observar o regime de competência, aplicável a alíquota correspondente ao valor recebido mês a mês, e não a relativa ao total satisfeito de uma única vez". Então, não ocorreu apenas uma mera desconformidade superficial ou diminuta entre a base de cálculo apurada e a correta, passível de correção ou ajuste mediante o expurgo do excesso eventualmente constatado, a ser efetuado pela administração tributária. Diversamente, o consequente normativo da regra matriz de incidência tributária foi inequivocamente desatendido no seu aspecto quantitativo, visto que tanto a base de cálculo quanto as alíquotas aplicadas para o cômputo do imposto devido afastaramse em elevado e significativo gravame tributário a afligir a capacidade contributiva do sujeito passivo. Deve ser registrado não ser o caso de se cogitar de nulidade, ao menos nos termos regrados pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/72, visto ter sido o lançamento realizado por autoridade competente, com o devido respeito ao direito de defesa. Contudo, não se vislumbra, de um modo geral, a possibilidade de seu aproveitamento ou recálculo, já que evidenciado flagrante grau de descompasso entre suas facetas constitutivas e a decisão do STF acerca do tema, e tendo em mente a ausência de competência do julgador administrativo em determinar a reconstituição do crédito tributário, quanto mais nessa amplitude. Importa observar alguns aspectos adicionais da situação, como fecho desta fundamentação. Primeiramente, vale anotar que sob o mecanismo de repercussão geral, a suprema corte não gera uma disposição, necessariamente, que se pronuncie acerca da constitucionalidade de uma norma jurídica, à semelhança do que ocorre quando atua no controle concentrado da leis, mas sim julga o mérito de uma determinada questão em controle difuso, em decisão que atinge uma série de processos que versem sobre tal tema. Sob essa ótica, o enunciado da ementa do "leading case" não prescinde de conter uma prescrição explícita declarando uma norma, parcialmente ou no todo, inconstitucional, porém veicula conclusão definitiva daquele tribunal sobre a matéria Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10980.011329/200748 Acórdão n.º 9202006.703 CSRFT2 Fl. 6 9 controversa, gerando previsibilidade no direito aplicável às contendas travadas em outras esferas judiciais ou administrativas. À ocasião, o caso versava justamente sobre a declaração de inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 levada a efeito pelo TRF da 4ª Região, a qual, não obstante o recurso da União, quedou mantida por razões de mérito, como evidencia a fundamentação da decisão do STF. Salvo melhor juízo, se essa Corte decidiu no RE nº 614.406 que tal declaração do Tribunal Regional era perfeitamente harmônica com o texto constitucional, firmouse então entendimento quanto à inconstitucionalidade daquela norma. Lembrese que a ementa do acórdão sintetiza as conclusões do Colegiado, não podendo ser lida abstraindose das razões do julgamento. Também merece ser registrado que não caberia ao STF tecer considerações, nas disposições conclusivas do julgamento, acerca dos efeitos da decisão então acordada sobre eventuais autuações do Fisco realizadas com base na malfadada norma, visto que o exame travado naquela seara deuse, reiterese, debruçado sobre declaração de inconstitucionalidade exarada no TRF da 4ª Região, direito em tese, e não, por exemplo, à luz de ação anulatória de débito fiscal ou lide similar. Além disso, cabe frisar que a eventual inexistência de prejuízo consequente à realização de recálculo do lançamento não serve de escusa para a sua manutenção, quando revelada sua desconformidade com o ordenamento constitucional. Tal conclusão persevera, ainda que tal conhecimento não fosse facultado à autoridade fiscal, quando da autuação. Ante o exposto, voto no sentido de sentido de afastar a preliminar de ilegitimidade da União e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, para fins de cancelar a exigência. A base do fundamento do acórdão recorrido encontrase na própria ementa do acórdão, fls. 120 e seguintes, assim descrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 ILEGITIMIDADE DA UNIÃO. ART. 157, I, DA CF/88. IMPROCEDÊNCIA. O art. 157, I da CF/88 trata de tema de direito financeiro, não afetando a competência exclusiva da União para legislar sobre o imposto de renda, inclusive quanto às respectivas hipóteses de isenção. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Fl. 192DF CARF MF 10 A imputação da multa de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização tributária, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento. Ou seja, o cerne da questão referese ao questionamento se a decisão do STF que declarou a inconstitucionalidade parcial do art. 12 da 7.713/1988, em sede de repercussão geral, bem como a decisão do STJ, em sede de julgamento repetititvo seria capaz de eivar de vício material o lançamento? Entendo que não! Ao apreciarmos o inteiro teor da decisão do STF, e mais, baseado na decisão do STJ, que ensejou o pronunciamento daquela corte máxima, observamos que toda a discussão cingee sobre o regime de tributação aplicável aos RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA, se regime de caixa (como originalmente lançado no dispositivo legal), ou o regime de competência (forma adotada posteriormente pela própria Receita Federal calcada em pareceres, decisões do STJ que ensejaram inclusive alteração legislativa art. 12A da 12.530/2010. Entendo que a decisão do STJ descrita no Resp 1.118.429/SP, se coaduna com a do caso ora apreciado já que, em ambas, discutise a sistemática de cálculo aplicável na apuração do imposto devido: caixa ou competência. Dessa forma, entendo que a aplicação do repetitivo se amolda a questão trazida nos autos, já que a mesma apresentase em estrita consonância com a matéria objeto de repercussão geral no RE 614.406/RS. Na verdade a posição do STF, nada mais fez do que pacificar a questão que já vinha sendo observada pelo STJ em seus julgados e pela própria Receita Federal e PGFN, por meio de seus pareceres. Vale destacar que no âmbito deste Conselho não é a primeira vez que essa questão é enfrentada por essa Câmara Superior. No Recurso Especial da PGFN processo nº 11040.001165/200561, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, encontramos situação similar, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10980.011329/200748 Acórdão n.º 9202006.703 CSRFT2 Fl. 7 11 Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Ainda, como o objetivo de esclarecer a tese esposada no referido acórdão, transcrevo a parte do voto vencedor na parte pertinente ao tema: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o Fl. 194DF CARF MF 12 qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Com base nas questões levantadas pelo ilustre conselheiro Heitor de Souza Lima Junior aqui transcritas, e as quais uso como fundamento de razões para decidir, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi no sentido de inexistência ou inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos rendimentos recebidos acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) já que conferiria tratamento diferenciado e prejudicial ao contribuinte, já definindo o novo regime a ser aplicável para apuração do montante devido. Não se trata de alteração de critério jurídico aplicado pela fiscalização, mas de aplicação dos termos de lei, que posteriormente por decisão judicial deixa claro qual a melhor interpretação acerca do regime aplicável. Dessa forma, considerando os termos do acórdão proferido, bem como a delimitação da lide objeto deste Recurso Especial ser tão somente sobre a nulidade do lançamento, encaminho pelo provimento do Resp da Fazenda Nacional, para afastar a nulidade, contudo, no presente caso, não há retorno a Câmara a quo, tendo em vista que o acórdão recorrido já apreciou as demais questões, senão vejamos: Inicialmente, deve ser esclarecido que não procedem as alegações preliminares de incompetência da União dado o recebimento em questão ter sido proveniente da Secretaria da Fazenda do Estado do Paraná, o que atrairia a competência da Justiça Estadual para "conhecer das causas de retenção de Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10980.011329/200748 Acórdão n.º 9202006.703 CSRFT2 Fl. 8 13 imposto de renda, no pagamento de vencimentos de servidor público estadual". Cumpre destacar que a União detém competência exclusiva para legislar sobre o imposto de renda, inclusive no que tange à amplitude de incidência e hipóteses de isenção do tributo, por força do art. 153, III da Constituição Federal de 1988 (CF), c/c os arts. 7º, caput e 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). O art. 157, I da CF, invocado pelo autuado para defender a tese da ilegitimidade da União no caso em análise, traduz disposição que trata de matéria diversa, a repartição das receitas tributárias, na sua essência, tema afeto ao direito financeiro. A rigor, apenas limitada faceta da capacidade tributária ativa da União foi delegada ao ente político diverso, qual seja, a atribuição de arrecadar o imposto por meio de retenção na fonte sobre as remunerações pagas aos seus servidores. Ademais, a exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF, assim, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Noutro giro, também é necessário esclarecer que a imputação da multa de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização, nas situações em que o contribuinte não cumpre suas obrigações tributárias, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Sua aplicação, portanto, é mera decorrência da legislação, e coerente com a constatação da autoridade fiscal na espécie, a qual entendeu não ter sido declarado corretamente o tributo devido. No que diz respeito à incidência de juros à taxa Selic, registrese que a referida tem expressa previsão legal nos arts. 13 da Lei nº 9.065/95 e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96; não bastasse, a matéria já foi sumulada pelo CARF, incidindo na espécie o já mencionado art. 72 do RICARF. Leiase o teor da súmula: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vejase, portanto, que tanto a multa de ofício quanto a incidência dos juros de mora tem sua aplicação prevista em lei, como consequência da verificação de descumprimento de obrigação tributária, do que decorre o descabimento, no particular, da menção ao parágrafo único do art. 100 do CTN. Ademais, a mera leitura dos correspondentes diplomas legais de regência, revela ser irrelevante a existência de boa ou má fé permeando a conduta do contribuinte, para a incidência dos gravames em tela. Fl. 196DF CARF MF 14 De sua parte, o exame do restante do mérito da controvérsia requer a colação do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988:(...) Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 197DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.005902/2002-36
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA.
A variação cambial ativa deve ser incluída na receita de exportação para fins de apuração do crédito presumido de IPI.
Numero da decisão: 9303-006.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. A variação cambial ativa deve ser incluída na receita de exportação para fins de apuração do crédito presumido de IPI.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. A variação cambial ativa deve ser incluída na receita de exportação para fins de apuração do crédito presumido de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 59 02 /2 00 2- 36 Fl. 946DF CARF MF Processo nº 10860.005902/200236 Acórdão n.º 9303006.680 CSRFT3 Fl. 947 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), apresentado tempestivamente pela Fazenda Nacional, em face do acórdão nº 210200.158, proferido pela 1ª Câmara/2ºTurma Ordinária do Conselho Administrativo Recurso Fiscais, que decidiu em dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar como receita de exportação a diferença relativa ao câmbio entre a data da emissão da nota e a data do embarque, no cálculo do crédito presumido de IPI. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "A contribuinte solicitou o ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei n° 10.276, de 2001, no valor de R$ 76.652,04, e do saldo credor de IPI de que trata a Lei n° 9.779, de 1999, no montante de R$ 50.000,00. Apresentou, também, declarações de compensação de tributos. Ambos os pedidos foram deferidos parcialmente em virtude de retificações efetuadas no cálculo do crédito presumido, e no saldo credor apurado no livro de apuração do imposto, tendo sido reconhecido o direito creditório de R$ 59.810,59, quanto ao crédito presumido e de R$ R$ 49.625,60, quando ao saldo credor do imposto, glosas de R$ 16.841,45 e R$ 374,40 respectivamente. SALDO CREDOR Glosa de insumos não admitidos pela legislação do IPI: 0 estabelecimento da empresa efetuou o crédito do IPI proveniente de aquisições que não se referem à matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, tais como: Aditivo para Óleo (utilizado para baixar a viscosidade do óleo BPF e para não causar entupimento das tubulações e partes internas dos queimadores). A decisão recorrida restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRANSITO EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. É ilegítima, por expressa disposição legal, a compensação de débitos do sujeito passivo, com crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL. Fl. 947DF CARF MF Processo nº 10860.005902/200236 Acórdão n.º 9303006.680 CSRFT3 Fl. 948 3 O reconhecimento do direito a créditos de IPI limitase aos termos da decisão judicial que os autoriza. Recurso Voluntário Parcialmente Provido". Vale observar que a ementa que consta do acórdão não condiz com o decidido, a Fazenda Nacional, bem como a Contribuinte deveriam ter mais atenção e apreço junto aos autos, um simples embargos resolveria tal equivoco. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, contesta a inclusão, no cálculo do benefício, do valor da receita de variação cambial, vinculada à exportação e ocorrida até a data do embarque da mercadoria exportada. Como paradigma, aponta 03 (três) decisões e, na forma autorizada pelo § 5º, do art. 67 do RICARF, foram consideradas, as duas primeira decisões, quais sejam, Acórdão nº 20179.228 e 20178.588. O Presidente da 3º Câmara da 3º Seção de julgamento deu seguimento ao recurso, por entender que houve a comprovação de divergência. No essencial, é o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado no prazo legal, atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Portanto, a matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito a quanto a inclusão ou não no percentual para cálculo do crédito presumido das variações cambiais ocorridas antes da data do embarque. Com efeito, quanto a inclusão na receita de exportação da variação cambial, no cálculo do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, registro meu posicionamento e desta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisão Fl. 948DF CARF MF Processo nº 10860.005902/200236 Acórdão n.º 9303006.680 CSRFT3 Fl. 949 4 consubstanciada no Acórdão nº 9303003.043, de 12/08/2014, da lavra do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, a qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica: "CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. A Lei 9363 autoriza a inclusão das variações monetárias na receita de exportação para fins de cálculo do valor do crédito presumido. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO Para efeito de apuração da receita bruta de vendas nas exportações, existe ato normativo específico, disciplinando a matéria. Refirome ao disposto nos itens I e II da Portaria MF nº 356, de 05 de dezembro de 1988, a seguir transcritos: I A receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em cruzados, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. I.1 Entendese como data de embarque dos produtos para o exterior aquela averbada pela autoridade competente, na Guia de Exportação ou documento de efeito equivalente. II As diferenças decorrentes de alteração na taxa de câmbio, ocorridas entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data do embarque, serão consideradas como variações monetárias passivas ou ativas. (grifos não originais) De acordo, com os referidos comandos normativos, o valor da receita de venda na exportação é determinado com base na taxa de câmbio em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. Somente a variação no preço em moeda nacional decorrente da alteração da taxa câmbio, ocorrida após a referida data e o fechamento do contrato de câmbio, será tratada como variação monetária passiva ou ativa, conforme o caso. Corrobora o asseverado, o disposto no inciso I do art. 6º da Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, que em complemento ao estabelecido na lei instituidora do incentivo fiscal em destaque, determinou que a relação das notas fiscais relativas às exportações diretas deveria conter, dentre outros dados, a data do embarque da mercadoria para o exterior, a qual, nas exportações por via marítima (caso em apreço), corresponde a data da cláusula shipped on board ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga e averbada no Comprovante de Exportação, emitido pelo Siscomex, conforme determinado no inciso I do art. 39 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27 de abril de 1994. Fl. 949DF CARF MF Processo nº 10860.005902/200236 Acórdão n.º 9303006.680 CSRFT3 Fl. 950 5 O mesmo entendimento foi manifestado pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (Cosit), conforme exposto no excerto da Solução de Consulta nº 10, de 17 de junho de 2002, a seguir transcrito: A receita de vendas nas exportações de bens, com o valor expresso em moeda estrangeira, será convertida em reais à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos bens para o exterior. Considerase como data de embarque dos bens para o exterior aquela averbada no Sistema Integrado de Comércio Exterior – Siscomex. Assim, embora a lei instituidora do incentivo determine que a apuração da receita de exportação seja feita com base na legislação que rege a contribuição para o PIS e a Cofins e, subsidiariamente, com base na legislação do Imposto de Renda e do IPI (art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996), por ser específica, o disposto no itens I e II da Portaria MF nº 356, de 1988, não conflita com o estabelecido no art. 9º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que trata das variações monetárias concernentes apenas aos “direitos de crédito e das obrigações do contribuinte”. Como na operação de exportação, os direitos de crédito surgem após o embarque da mercadoria para o exterior, logo, somente após a referida data, eventual variação na taxa de câmbio será tratada como despesa ou receita financeira, respectivamente, de variação monetária passiva ou ativa, itens que integram a receita operacional da pessoa jurídica, segundo a legislação do Imposto de Renda. Logo, para efeito do benefício fiscal em apreço, a receita de exportação é considerada efetivada, no ato da entrega do bem ao comprador, ou seja, na data de embarque da mercadoria, que nas exportações por via marítima (caso em apreço), corresponde a data da cláusula shipped on board ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga e averbada no Comprovante de Exportação, emitido pelo Siscomex. Em decorrência, qualquer variação no preço do produto, especialmente, em decorrência da variação na taxa câmbio entre a data de emissão da nota fiscal de saída dos produtos do estabelecimentos e a data de embarque, deve ser objeto de nota fiscal complementar de preço, conforme expressamente determinado no parágrafo único do art. 19 da Lei nº 4.502, de 1964". Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 950DF CARF MF Processo nº 10860.005902/200236 Acórdão n.º 9303006.680 CSRFT3 Fl. 951 6 Fl. 951DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.720325/2013-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos devem ser providos para saneamento.
Numero da decisão: 3201-003.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes.
(assinatura digital)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: 31154744825 - CPF não encontrado.
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2008, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos devem ser providos para saneamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes. (assinatura digital) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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Cofins Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado DISAM DISTRIBUIDORA DE INSUMOS AGRÍCOLAS SUL AMÉRICA LTDA ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos devem ser providos para saneamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes. (assinatura digital) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 03 25 /2 01 3- 29 Fl. 2199DF CARF MF 2 Tratamse de Embargos de Declaração opostos pela União em fls. 2191 em face do Acórdão deste Conselho de fls. 2168, em razão de omissão. O Presidente desta Turma de julgamento admitiu os Embargos de Declaração conforme Despacho de admissibilidade fls. 2195, transcrito a seguir: "Tratase de embargos opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 3201002.234, que foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009 CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção e nem corresponderem a uma operação de venda, as despesas com o frete contratado para promover a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram créditos do PIS e da Cofins. CRÉDITOS DE PIS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total, sujeita ao pagamento do PIS e da Cofins, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõese o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para o PIS e para a Cofins as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CEREALISTA. VENDAS COM SUSPENSÃO PARA AGROINDÚSTRIA. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. É vedado o crédito em relação às vendas efetuadas por cerealistas, com suspensão, para as agroindústrias. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativa, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização, bem como que os insumos utilizados na Fl. 2200DF CARF MF Processo nº 10945.720325/201329 Acórdão n.º 3201003.687 S3C2T1 Fl. 2.200 3 fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringem apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 COFINS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a correção monetária e a aplicação de juros sobre os valores ressarcidos do PIS e da Cofins. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. A decisão recorrida deu provimento parcial ao recurso e concluiu que as receitas financeiras deveriam ser consideradas no cálculo do rateio proporcional dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. A Embargante aponta que no dispositivo da decisão recorrida não haveria referência à esta matéria, inclusive transcreve trecho do referido dispositivo para comprovar seu entendimento. Assim, requer o conhecimento e o provimento de seus embargos para que seja sanada a omissão, de modo que sejam expressamente mencionadas, no dispositivo, as matérias em que a União restou vencida. São estes os fatos. Pelo exposto, entendo assistir razão à Embargante. A decisão do acórdão de fato menciona que as receitas financeiras deveriam ser consideradas no cálculo do rateio proporcional dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. Contudo, ao elaborar o dispositivo não mencionou esta matéria dentre as causas do provimento parcial. Destarte, fazse necessária a admissibilidade dos presentes embargos. assinado digitalmente José Luiz Feistauer de Oliveira Conselheiro da 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF Fl. 2201DF CARF MF 4 Com base nas razões retro expostas, que aprovo e adoto como fundamentos deste despacho, recebo os presentes embargos e determino a distribuição por sorteio aos conselheiros da turma. assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente da 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF." Após, os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, os tempestivos Embargos de Declaração devem ser conhecidos. Relatada a omissão na decisão a quo, é possível verificar pelo confronto do Recurso voluntário com a decisão de primeira instância que a inclusão das receitas financeiras, sujeitas à incidência à alíquota zero, no somatório da receita bruta total, para fins de rateio proporcional, é um dos pedidos do contribuinte. A matéria ficou clara no corpo do texto do voto do relator da decisão a quo, que inclusive citou precedente desta turma de julgamento (Acórdão 3202000.597), oportunidade em que foi reconhecido, por unanimidade, a inclusão das receitas financeiras, sujeitas à incidência à alíquota zero, no somatório da receita bruta total, para fins de rateio proporcional. Assim, considerando o precedente desta Turma, o voto do relator e Presidente desta Turma na decisão a aquo, é importante considerar como reconhecida a inclusão das receitas financeiras, sujeitas à incidência à alíquota zero, no somatório da receita bruta total, para fins de rateio proporcional. Feita esta análise, com o objetivo de sanar a omissão, o dispositivo da decisão a quo de fls. 2168 passará a constar com o seguinte texto: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos : a) por voto de qualidade, afastouse a alegação de retroatividade do art. 56 A da Lei nº 12.350, de 2010. Vencidos, no ponto, os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo; b) por maioria de votos, mantiveramse as Fl. 2202DF CARF MF Processo nº 10945.720325/201329 Acórdão n.º 3201003.687 S3C2T1 Fl. 2.201 5 glosas sobre as exportações realizadas por terceiros e sobre o transporte entre os estabelecimentos da Recorrente. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo; c) Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário em relação à inclusão das receitas financeiras, sujeitas à incidência à alíquota zero, no somatório da receita bruta total, para fins de rateio proporcional. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Tatiana Josefovicz Belisário e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o procurador Everdon Schlinewein” Diante de todo o exposto, CONHEÇO e ACOLHO os Embargos, sem efeitos infringentes, para que seja corrigido o texto do dispositivo do Acórdão a quo. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 2203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.904483/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. COBRANÇA SALDO REMANESCENTE.
Reconhecido o crédito pleiteado no PER/DCOMP mas ainda insuficiente para compensar os débitos declarados, deve ser cobrado o saldo que remanesce da compensação efetivada, com os acréscimos moratórios, conforme legislação vigente.
Numero da decisão: 1201-002.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli) e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. COBRANÇA SALDO REMANESCENTE. Reconhecido o crédito pleiteado no PER/DCOMP mas ainda insuficiente para compensar os débitos declarados, deve ser cobrado o saldo que remanesce da compensação efetivada, com os acréscimos moratórios, conforme legislação vigente.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. COBRANÇA SALDO REMANESCENTE. Reconhecido o crédito pleiteado no PER/DCOMP mas ainda insuficiente para compensar os débitos declarados, deve ser cobrado o saldo que remanesce da compensação efetivada, com os acréscimos moratórios, conforme legislação vigente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli) e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 44 83 /2 00 9- 19 Fl. 164DF CARF MF 2 Por considerar pertinente adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.87/90) que transcrevo a seguir: Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP nº 41768.58478.261107.1.3.042110 (fls. 02/08), com base em suposto crédito de Simples oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico nº 848562687 de não homologação da compensação, fundamentando (fls. 09): Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 34.843,06. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada do citado despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 19/11/2009 (fls. 17/23), alegando, em síntese, que: a) a DCOMP referese à compensação de débitos de IRPJ (períodos de apuração 4º trimestre de 2005 e 2º trimestres de 2006) e CSLL (períodos de apuração 1º e 2º trimestres de 2007); b) devese observar que havia sido excluída do Simples pelo Ato Executivo Declaratório nº 22, tendo sido reintegrada ao Simples Nacional a partir de 01 de julho de 2007; c) inferese, portanto, que esteve sujeita, no ano calendário 2007, a dois regimes tributários distintos: apuração pelo Lucro Presumido no primeiro semestre e ao Simples Nacional no segundo; d) consciente a situação, apresentou as obrigações acessórias do primeiro semestre/2007 confessando os débitos pelo Lucro Presumido (DCTF); e) no entanto, ao preencher a declaração da pessoa jurídica referente ao primeiro semestre de 2007, equivocadamente veio a fazêlo no formulário do Simples; f) devese verificar que ao transmitir a Declaração da Pessoa Jurídica–Simples em 25/05/2008, já havia transmitido a DCTF do 1º trimestre/2007, em 29/11/2007 e, como se sabe, a obrigatoriedade de entrega da DCTF vinculase ao regime tributário do Lucro Presumido, e não ao Simples; Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10140.904483/200919 Acórdão n.º 1201002.171 S1C2T1 Fl. 3 3 g) o não acolhimento a DCOMP deveuse a citado erro material no preenchimento da declaração do 1º semestre/2007 e, em 09/11/2009, transmitiu a declaração pelo Lucro Presumido, sanando a irregularidade; h) com a transmissão da declaração pelo Lucro Presumido, abriramse os créditos alusivos aos recolhimentos já efetuados pelo regime tributário do Simples, bastando fazerse a alocação dos valores; i) requer o efeito suspensivo ao contencioso administrativo, face à natureza jurídica de recurso da presente manifestação de inconformidade. Esta DRJ juntou extratos de consulta a sistemas da RFB (fls. 85/86). A decisão de primeira instância julgou procedente a manifestação de inconformidade, mediante o Acórdão nº 0428.694, de 22 de maio de 2012, da 2ª Turma da DRJ/Campo Grande/MS, assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2007 COMPENSAÇÃO. SALDO DISPONÍVEL DE DIREITO CREDITÓRIO.HOMOLOGAÇÃO. Constatada a existência de saldo de direito creditório reconhecido, homologase a compensação até o seu limite. A empresa foi cientificada da mencionada decisão proferida, em 25/05/2012, conforme o Aviso de Recebimento(AR), fl.95, e, protocolizou recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 25/06/2012 (fls.96/126). Na peça recursal a Recorrente argúi que, embora a decisão de primeira instância tenha acolhido a Manifestação de Inconformidade para declarar a existência de crédito tributário decorrente de pagamentos anteriormente efetuados sob o regime do SIMPLES, bem como sua compensação, nos termos do PERDCOMP referenciado, até o limite do saldo no valor de R$ 34.843,06, a autoridade administrativa juntou guias de DARF's para pagamento, em número de 2 (duas), totalizando R$ 9.178,05 (nove mil, cento e setenta e oito reais e cinco centavos), com vencimento em 31 de maio de 2012. A Recorrente, preliminarmente, insurgese contra a mencionada cobrança, argüindo cerceamento ao direito de defesa porque, não tendo o contribuinte recebido a memória do cálculo final apresentado no DARF pela Autoridade Administrativa, não há como definir a liquidez, certeza e exigibilidade do suposto crédito tributário. Assim, requer seja chamado o feito à ordem, determinandose o retorno dos autos à origem para que seja efetuado novo julgamento, para que não se venha alegar supressão de instância. Fl. 166DF CARF MF 4 No mérito, aduz que: Entrementes, como nas compensações PER/ DCOMPnão foram lançados os valores das multas pelo fato de a Recorrente entender indevidas, por presunção a diferença de valor pleiteada pela Autoridade Fiscal teria sido disso decorrente. Assim sendo, nessa linha se fixarão as razões de recurso. Entende a Recorrente que na lide em apreço não deve ser aplicada a multa por atraso na entrega da Declaração, nem tampouco eventual multa sobre o imposto devido, exatamente porque NÃO HOUVE NENHUM COMPORTAMENTO DESIDIOSO DA SUA PARTE, conforme restou provado pela entrega tempestiva da Declaração do primeiro semestre/2007, e ao depois, pelo que denomina de retificação de erro material antes de qualquer procedimento administrativo fiscal, do que se depreende, sem maior esforço, que agiu contra o seu próprio querer ao entregar a primeira Declaração com base no "SIMPLES", sendo certo que a vontade real era a entrega da Declaração com base no Lucro Presumido, guardando consonância com os débitos confessados em DCTF. ... Na presente lide constatase o acerto da DIPJ posteriormente à entrega da DCTF, afigurandose a mesma situação fática. À evidência, farseia grande injustiça manter o crédito tributário supracitado, pois, evidente a ocorrência de erro material por parte do Contribuinte quando da eleição do formulário de entrega da Declaração pelo "SIMPLES" quando já havia confessado o débito pelo Lucro Presumido em DCTF, dando ensejo à análise de mérito. ... Diante do exposto, requer seja acolhida a preliminar de mérito, determinando a devolução dos autos à origem para que seja prolatado novo julgamento, suprindose a ausência de cálculos que possam demonstrar a origem de eventuais créditos tributários bem como sua certeza, liquidez e exigibilidade, intimandose o contribuinte da nova decisão. Caso superada a preliminar de mérito, que seja, no mérito, acolhido o presente recurso para determinar a extinção do crédito tributário, em face dos precedentes deste Tribunal Administrativo quanto a inexistência de multa quanto ao cumprimento de obrigações acessórias, uma vez que as obrigações principais foram cumpridas tempestivamente. Na sessão realizada em 05/10/2016, o colegiado, à época, dessa 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, em que participou a presente conselheira na condição de relatora, proferiu a Resolução nº 1201000.228 (efls.145/150), na qual converteuse o julgamento em diligência para que fossem os presentes autos encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Campo Grande/MS para: elaborar relatório circunstanciado, com o Demonstrativo do encontro de Contas após a Decisão da DRJ proferida no Acórdão nº 0428.694 de 22/05/2012, de modo a evidenciar qual o montante do Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10140.904483/200919 Acórdão n.º 1201002.171 S1C2T1 Fl. 4 5 crédito tributário extinto pela compensação e, sendo o caso, o saldo remanescente do débito (principal e acréscimos moratórios). Concluída a diligência foram encaminhados ao contribuinte, via postal, cópia da Resolução nº 1201000.228 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária do CARF e do Relatório Circunstanciado sobre a compensação, proferidos no presente processo, os quais foram devolvidos à Delegacia da Receita Federal conforme anotado no Aviso de Recebimento, e fl.158, razão pela qual a ciência se deu mediante o Edital (efl.159) de seguinte teor, facultando ao contribuinte manifestarse no prazo de 30 dias contados da ciência, verbis: Número do Edital Eletrônico: 002058399 Data de Publicação: 07/11/2017 Data de Ciência: 22/11/2017 Nome: DIJEX COMERCIO E SERVICOS LTDA ME CNPJ: 04.751.797/000110 Pelo presente EDITAL, nos termos do artigo 23, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com redação que lhe foi dada pela Lei 11.196/2005, por não ter sido encontrado no endereço constante do cadastro da Receita Federal, fica o contribuinte CIENTIFICADO, no 15º dia da afixação deste, da Resolução nº 1201000.228 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária do CARF e do Relatório Circunstanciado sobre a compensação, proferidos no processo 10140.904483/200919. É facultado ao contribuinte manifestarse no prazo de 30 dias contados da ciência. Transcorrido o mencionado prazo, e, não havendo manifestação do interessado, os autos retornaram ao CARF para prosseguimento do julgamento É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O litígio do presente processo configurouse com a Manifestação de Inconformidade, interposta em face do Despacho Decisório eletrônico 848562687 (fl.08),expedido em 07/10/2009, que, diante da inexistência do crédito analisado no valor de R$ 34.843,06 NÃO HOMOLOGOU as compensações declaradas no PER/DCOMP nº 41768.58478.261107.1.3.042110 (fls. 02/08). A decisão de primeira instância julgou procedente a Manifestação de Inconformidade, mediante o Acórdão nº 0428.694, de 22 de maio de 2012, da 2ª Turma da DRJ/Campo Grande/MS. Fl. 168DF CARF MF 6 Na peça recursal a Recorrente argúi que, embora a decisão de primeira instância tenha acolhido a Manifestação de Inconformidade para declarar a existência de crédito tributário decorrente de pagamentos anteriormente efetuados sob o regime do SIMPLES, bem como sua compensação, nos termos do PERDCOMP referenciado, até o limite do saldo no valor de R$ 34.843,06, a autoridade administrativa juntou guias de DARF's para pagamento, em número de 2 (duas), totalizando 9.178,05 (nove mil, cento e setenta e oito reais e cinco centavos), com vencimento em 31 de maio de 2012. A Recorrente alega cerceamento ao direito de defesa porque não tendo o contribuinte recebido a memória do cálculo final apresentado no DARF pela Autoridade Administrativa, não há como definir a liquidez, certeza e exigibilidade do suposto crédito tributário. Com o intuito de esclarecer os fatos, foi proferida a Resolução nº Resolução nº 1201000.228 (efls.145/150), na qual converteuse o julgamento em diligência para que fossem os presentes autos encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Campo Grande/MS, para elaborar relatório circunstanciado, com o Demonstrativo do encontro de Contas após a Decisão da DRJ proferida no predito Acórdão 0428.694, de 22/05/2012, de modo a evidenciar qual o montante do crédito tributário extinto pela compensação e, sendo o caso, o saldo remanescente do débito (principal e acréscimos moratórios) a ser exigido do contribuinte. Concluída a diligência, o interessado fora cientificado da Resolução nº 1201000.228 e do Relatório Circunstanciado sobre a compensação, conforme relatado acima; e, não havendo manifestação do interessado, os autos retornaram ao CARF para prosseguimento do julgamento. Nesse passo, importa transcrever o inteiro teor do predito Relatório Circunstanciado (efls.155/156), verbis: É em atendimento ao disposto na Resolução 1201 000.228 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF, de fls. 145/150 que se elabora o presente relatório circunstanciado, que versa sobre a compensação homologada pela DRJ (até o limite do crédito reconhecido) através do Acórdão de fls, 87/90. Conforme o Acórdão citado, a DRJ reconhece o direito creditório em favor do contribuinte relativo ao pagamento do código 6106, no valor de R$ 34.843,06, recolhido em 20/04/2007. A DCOMP em questão, homologada parcialmente, é a de nº 41768.58478.261107.1.3.042110, transmitida em 26/11/2007, na qual o contribuinte pretendeu compensar quatro débitos: 1º – Código 2089, PA 10/2005, Vencimento 31/01/2006, Vr. R$7.162,46 2º – Código 2089, PA 04/2006, Vencimento 31/07/2006, Vr. R$ 4.356,35 3º – Código 2372, PA 01/2007, Vencimento 30/04/2007, Vr. R$ 18.796,64 4º – Código 2372, PA 04/2007, Vencimento 31/07/2007, Vr. R$ 3.112,41 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10140.904483/200919 Acórdão n.º 1201002.171 S1C2T1 Fl. 5 7 A compensação foi realizada de forma automática pelo sistema SIEF Processos, que atualizou crédito e débitos para a data de valoração 26/11/2007 (data de transmissão da Dcomp), conforme legislação em vigor. Assim, o crédito foi atualizado pela selic desde a data de arrecadação do pagamento indevido (20/04/2007) até a data de transmissão da dcomp (26/11/2007), o que resultou em uma atualização de 6,63%, gerando um crédito atualizado de R$ 37.153,15. Da mesma forma, os débitos a serem compensados foram consolidados para a data de transmissão da dcomp, conforme extratos de fls. 153/154. Com isso, o crédito atualizado foi suficiente para quitar integralmente os primeiro e segundo débitos informados. Quanto ao terceiro, a quitação foi parcial, R$ 16.557,92 de um total de R$ 18.796,64, restando um saldo devedor de R$ 2.2238,72. Já o quarto débito permaneceu integralmente devedor, já que não houve crédito para ser aproveitado nele. Por fim ressaltese que a regra de valoração e cálculos de atualização para compensação encontramse dispostas na Instrução Normativa 900/2008, vigente à época, assim como nas INs 1300/2012 (revogada) e 1717/2017 (atualmente em vigor). Como se vê, não há litígio em relação ao direito creditório pleiteado pelo contribuinte, tendo em vista que a decisão de primeira instância julgou procedente a Manifestação de Inconformidade, reconhecendo o direito creditório em favor do contribuinte relativo ao pagamento do código 6106, no valor de R$ 34.843,06, recolhido em 20/04/2007, bem como sua compensação, nos termos do PER/DCOMP referenciado, até o limite do crédito reconhecido que, conforme explicitado acima fora "atualizado pela selic desde a data de arrecadação do pagamento indevido (20/04/2007) até a data de transmissão da dcomp (26/11/2007), o que resultou em uma atualização de 6,63%, gerando um crédito atualizado de R$ 37.153,15." Com efeito, a INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº1717, DE 17 DE JULHO DE 2017, igualmente as anteriores/revogadas, estabelece procedimentos a serem adotados, na hipótese de saldo remanescente de débito, vejamos: Art. 97. Homologada a compensação declarada, expressa ou tacitamente, ou consentida a compensação de ofício, a unidade da RFB adotará os seguintes procedimentos: I debitará o valor bruto da restituição, acrescido de juros, se cabíveis, ou do ressarcimento, à conta do tributo respectivo; Fl. 170DF CARF MF 8 II creditará o montante utilizado para a quitação dos débitos à conta do respectivo tributo e dos respectivos acréscimos e encargos legais, quando devidos; III registrará a compensação nos sistemas de informação da RFB que contenham informações relativas a pagamentos e compensações; IV certificará, se for o caso: a) no pedido de restituição ou de ressarcimento, qual o valor utilizado na quitação de débitos e, se for o caso, o saldo a ser restituído ou ressarcido; e b) no processo de cobrança, qual o montante do crédito tributário extinto pela compensação e, sendo o caso, o saldo remanescente do débito;e V expedirá aviso de cobrança, na hipótese de saldo remanescente de débito, ou ordem bancária, na hipótese de remanescer saldo a restituir ou a ressarcir depois de efetuada a compensação de ofício Ora, a compensação foi realizada até o "limite" do crédito pleiteado e reconhecido que, mesmo atualizado de acordo com a legislação vigente, foi insuficiente para quitar o total dos débitos do sujeito passivo, objeto do PER/DCOMP, conforme acima discriminado. De sorte que, o saldo remanescente de débitos deve ser exigido com os acréscimos legais. Cientificado o interessado do Relatório Circunstanciado o qual demonstra o confronto do crédito e débitos declarados pelo interessado, e, não havendo qualquer manifestação contrária do contribuinte até a presente data, não há falar em cerceamento ao direito de defesa pela homologação parcial do PERDCOMP em comento, e, consequente cobrança do saldo remanescente dos débitos. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário do Recorrente. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 171DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.721971/2014-72
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS ISENTOS. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos do imposto de renda apenas os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. Conforme art. 111 da Lei nº 5.172/66 - Código Tributário Nacional - CTN, as regras de isenção devem ser interpretadas literalmente. A isenção começa a vigorar a partir da data em que a moléstia foi diagnosticada
Numero da decisão: 2001-000.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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RENDIMENTOS ISENTOS. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda apenas os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. Conforme art. 111 da Lei nº 5.172/66 Código Tributário Nacional CTN, as regras de isenção devem ser interpretadas literalmente. A isenção começa a vigorar a partir da data em que a moléstia foi diagnosticada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 19 71 /2 01 4- 72 Fl. 46DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, fls. 05 a 08, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2011, anocalendário de 2010, por meio do qual foi constatado que os rendimentos foram indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, reduzindo , assim, o saldo de imposto de renda a restituir de R$ 49.531,37 para R$8.233,23. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que o rendimento é isento, por se tratar de proventos da aposentadoria pagos a portador de moléstia grave, e que é portador da moléstia desde dezembro de 2010, conforme devidamente comprovado através de laudo médico emitido por serviço médico oficial. A DRJ Fortaleza, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de o contribuinte logrou comprovar sua condição de aposentado e trouxe aos autos Laudo Médico Pericial (fls. 09), no qual resta consignado que o mesmo é portador de neoplasia maligna, doença passível de controle, tendo sido concedida isenção do imposto de renda pelo prazo de 05 (cinco) anos, contados a partir de dezembro de 2010. Considerando que a fiscalização já excluiu do cômputo dos rendimentos tributáveis o mês de dezembro, não merece reparo o feito fiscal. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte as mesmas razões alegadas na impugnação e pleiteia que seja dado o direito a isenção por todo o ano calendário de 2010 alegando que o fato gerador do imposto seria apenas em 31 de dezembro do ano calendário em questão. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Moléstia Grave O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária em função de rendimento recebido e declarado como isento em função de moléstia grave. Entende a DRJ Fortaleza que o já teve o seu direito reconhecido e resguardado. Vejamos: Segundo a defesa apresentada, em que pese o diagnóstico da moléstia ter como data inicial o mês de dezembro de 2010, o contribuinte argumento que o fato gerador do imposto de renda se dá no dia 31 de dezembro, vez tratarse de fato gerador complexivo anual. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10920.721971/201472 Acórdão n.º 2001000.375 S2C0T1 Fl. 3 3 Pois bem, temos que conforme inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias nele enumeradas. A isenção em questão também se aplica à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão (§ 6º do art. 39 do Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento de Imposto sobre a Renda RIR/1999). Assim, transcrevese abaixo, o artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, epatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(grifado) A Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, em seu artigo 30, determina que para efeito de reconhecimento a moléstia tem que ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Art. 30 — A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. [...] O Ato Declaratório Normativo COSIT nº 033, de 11 de novembro de 1993, abaixo transcrito, declara que a isenção de que trata o artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713/88, e alterações posteriores, só se aplicam a partir do mês de emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, e ainda, que se no laudo ou parecer for identificada a data em que a doença foi contraída, esta poderá ser considerada para fins de início do gozo do benefício fiscal. Fl. 48DF CARF MF 4 O CoordenadorGeral do sistema de Tributação, no uso de suas atribuições, estabelecidas nos artigos 24, 142, VIII 147, III, Do Regulamento aprovado pela Portaria Ministerial nº 606, de 3 de setembro de 1992, e tendo em vistas dúvidas suscitadas sobre a interpretação e aplicação do disposto no artigo 2º, §1º, alínea “b”, da Instrução Normativa nº 2/9, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal e aos demais interessados, que a isenção de que trata o artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, só se aplica a partir do mês de emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria ou reforma. Contudo, se no laudo ou parecer for identificada a data em que a doença foi contraída, esta poderá ser considerada para fins de início do gozo do benefício fiscal. Vêse que a legislação tributária elegeu o laudo pericial oficial como instrumento hábil para comprovação da doença, exigindo que esse preencha certos requisitos e contenha elementos suficientes para formar a convicção da autoridade. O julgador com mandato nas Delegacias da Receita Federal de Julgamento, ao elaborar seu voto, deve observar o entendimento da Receita Federal do Brasil RFB, expresso em atos normativos, conforme previsto no art. 7º, inciso V, da Portaria MF n.º 341, de 12 de julho de 2011. No caso concreto, observase que o contribuinte logrou comprovar sua condição de aposentado e trouxe aos autos Laudo Médico Pericial (fls. 09), no qual resta consignado que o mesmo é portador de neoplasia maligna, doença passível de controle, tendo sido concedida isenção do imposto de renda pelo prazo de 05 (cinco) anos, contados a partir de dezembro de 2010. Considerando que a fiscalização já excluiu do cômputo dos rendimentos tributáveis o mês de dezembro, não merece reparo o feito fiscal. Mais, como se trata, neste caso, de norma que dispõe sobre isenção tributária, a sua interpretação deve ser literal, estando vedado o uso da analogia. É o que determina o artigo 111 do Código Tributário Nacional (CTN): “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção;” Registrese também que as autoridades lançadoras e julgadoras não se podem furtar ao cumprimento da legislação, sob pena de responsabilidade funcional, visto que sua atividade é plenamente vinculada (art. 3º e parágrafo único do art. 142 do CTN). Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10920.721971/201472 Acórdão n.º 2001000.375 S2C0T1 Fl. 4 5 Há, portanto, dois requisitos básicos para que haja o reconhecimento da isenção em discussão: (a) que os rendimentos sejam de proventos de aposentadoria ou reforma ou, ainda, recebidos a título de pensão; e (b) exista laudo pericial, emitido por serviço médico oficial atestando ser o contribuinte portador de uma das moléstias previstas em lei. A título de comprovação de sua isenção, o contribuinte traz aos autos todos os documentos exigidos por lei e comprova que é portador da moléstia desde dezembro de 2010. A autoridade fiscal reconheceu o direito e excluiu da tributação o mês de dezembro, a partir do qual o contribuinte passou a ter a isenção. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos Fl. 50DF CARF MF 6 atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se nos fatos apresentados, entendo que não merece nenhum reparo a decisão a quo pois não há mais que se falar em isenção antes de dezembro de 2010. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 51DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904189/2012-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.337
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Negado
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 41 89 /2 01 2- 93 Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 10746.904189/201293 Acórdão n.º 3301004.337 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.838, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.563. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o indeferimento total do Pedido de Restituição. Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte veio "declarar que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 10746.904189/201293 Acórdão n.º 3301004.337 S3C3T1 Fl. 4 3 Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente"(sic). É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.331, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904181/201227, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.331): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 10746.904189/201293 Acórdão n.º 3301004.337 S3C3T1 Fl. 5 4 idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 10746.904189/201293 Acórdão n.º 3301004.337 S3C3T1 Fl. 6 5 Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o desacerto das valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o "indeferimento total do PER sob nº 01296.07698.291210.1.2.049025" (grifos do original), com o que concordo. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o desacerto dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o indeferimento total do PER apresentado, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1004DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.900756/2013-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito.
NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.564
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. Recorrente Dona Francisca Energética S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime nãocumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 07 56 /2 01 3- 95 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 11060.900756/201395 Acórdão n.º 3301004.564 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria RS pela não homologação da compensação declarada, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o crédito declarado é legítimo, decorrente de pagamento a maior, não sendo utilizado para quitação de outros débitos. Explica a interessada que, em razão de sua atividade, por estar sujeita ao regime cumulativo e não cumulativo, faz jus aos créditos previstos no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.637/2002 e artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003, podendo, assim, descontar créditos, relativos às operações de compra e aquisição de energia revendida, do valor apurado a título de débito de PIS e de Cofins, respectivamente, escriturandoos conforme determinam as normas aplicáveis nos campos próprio do Dacon. E que, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2012, realizou apuração dos débitos das contribuições sociais sem o desconto dos créditos permitidos na legislação tributária. Entretanto, posteriormente, decidiu pelo exercício extemporâneo de seu direito, retificando a apuração do período, para o fim de apropriar os créditos no mês de competência em que deveriam ter sido apropriados; para tanto, retificou e transmitiu o Dacon correspondente, em 29 de janeiro de 2013, acompanhado da respectiva DCTF, também retificadora. Em tópico específico – Princípio da verdade material – a contribuinte argumenta que, em razão dos princípios da estrita legalidade, da verdade material e do inquisitório na investigação dos fatos tributários, a negativa de homologação de compensação deve irrestrita obediência à lei. Desta forma, entende que o Fisco tem o dever jurídico de investigação, em busca da verdade material, mesmo nas hipóteses de compensação. A contribuinte solicita, ainda, a reunião dos processos que relaciona, para que tramitem em conjunto e sejam objeto de um único julgamento ou para que as decisões proferidas, ainda que separadamente, sejam todas no mesmo sentido, em atenção ao princípio da economia e eficiência processual e ao princípio da segurança, a fim de evitar a existência de decisões conflitantes ou divergentes sobre a mesma matéria e pressupostos fáticos e jurídicos. Por fim, a contribuinte requer que, para evitar a ciência por edital, as intimações sejam encaminhadas ao endereço do escritório administrativo, que menciona. A Recorrente apontou os seguintes motivos que legitimam o recolhimento indevido do PIS/COFINS: Fl. 320DF CARF MF Processo nº 11060.900756/201395 Acórdão n.º 3301004.564 S3C3T1 Fl. 4 3 · Suas atividades estatutárias envolvem a geração, comercialização e transmissão de energia elétrica. Para tanto, realiza operações de venda e comercialização de energia originária de seu próprio processo de geração ou adquirida de outras geradoras para revenda. · Para as operações de revenda, o regime de apuração do PIS e COFINS é o não cumulativo. · Sustenta que o contrato de compra e venda de energia elétrica foi celebrado entre a Recorrente e a Gerdau em 03 de maio de 2011. · Então faz jus aos créditos do art. 3º, I da Lei n° 10.637/2002 e art. 3º, I da Lei n° 10.833/2003. · Todavia, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2002, a empresa apurou PIS e COFINS, sem o abatimento dos créditos referentes a aquisição e energia elétrica para revenda. · Em seguida, ao constatar que a existência de créditos de PIS e COFINS não apropriados, retificou sua apuração nos meses de competência (aproveitamento extemporâneo). · No presente caso, anexou a nota fiscal de aquisição de energia elétrica, sobre a qual incidiriam PIS e COFINS passíveis de creditamento. · Após a reapuração os novos e menores débitos de PIS e COFINS foram devidamente informados em DACON retificadora transmitida em 29/01/2013. Foi feita a retificação da DCTF posteriormente. A 4ª Turma da DRJ/FNS negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07037.017. Em seu recurso voluntário, a Recorrente: · Em preliminar, requer a vinculação e julgamento em conjunto deste processo com outros 33 recursos voluntários contra acórdãos idênticos da DRJ de Florianópolis, uma vez que os processos decorrem dos mesmos pressupostos de fato e direito; · Reitera os fundamentos de sua impugnação; · Acosta novas provas; · Afirma que o Direito à restituição via compensação decorre do pagamento indevido, e não da declaração do crédito em DCTF; · Assevera que, por imposição do princípio da verdade material, a análise quanto à existência do crédito deve se sobrepor à declaração formal do mesmo (em DCTF) ao tempo da apresentação da DCOMP; · Ataca a decisão da DRJ, ao defender que deixou de verificar a procedência do crédito para fazer análise meramente formal quanto à existência do crédito em DCTF ao tempo da transmissão da DCOMP; · Sustenta que a prova produzida é suficiente para atestar a existência do crédito; · Por isso, requer que o próprio CARF ateste a veracidade do crédito, considerandose a suficiência da prova já apresentada; ou, alternativamente, que baixe o processo em diligência para que a DRF o faça. Em petição datada de janeiro de 2016, a empresa pugna pela aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 11060.900756/201395 Acórdão n.º 3301004.564 S3C3T1 Fl. 5 4 Esta turma de julgamento converteu o feito em diligência, Resolução n° 3301000.421, de 28 de junho de 2017, para que a unidade de origem analisasse a documentação apresentada pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, com vistas a esclarecer a existência do crédito passível de ser utilizado na compensação pretendida. Assim, foi solicitado à autoridade que: a) aferisse a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informasse se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclarecesse se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elaborasse relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. A diligência foi realizada, cujo despacho segue acostado nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.545, de 17 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11060.900738/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.545): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Creditamento sobre a aquisição de energia elétrica para revenda Dispõem os art.3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003 que: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: A energia elétrica adquirida para revenda subsomese à previsão normativa de creditamento sobre “bens adquiridos para revenda”, porquanto a energia elétrica foi equiparada no sistema constitucional à mercadoria (art. 155, parágrafo 2º, X, alínea “b” e parágrafo 3º, CF/88). Fl. 322DF CARF MF Processo nº 11060.900756/201395 Acórdão n.º 3301004.564 S3C3T1 Fl. 6 5 Diante disso, observase que há suporte legal que legitima o crédito de PIS sobre a energia elétrica adquirida para revenda. Dessa forma, com razão a Recorrente ao pleitear o creditamento no regime da nãocumulatividade. Fundamentação do acórdão da DRJ Como relatado, a Recorrente apresentou DCOMP em 30/01/2013 para compensar débito de IRPJ com crédito de pagamento indevido de PIS, decorrente da aquisição de energia elétrica para revenda. A DACON foi retificada em 29/01/2013 e a DCTF retificada em 05/09/2013. A DRJ ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade o fez com fundamento único: antes da apresentação da DCOMP, a empresa deveria ter retificado regularmente a DCTF. Entendo que assiste razão à Recorrente, quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Isso porque o indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN, a retificação da DCTF não “cria” o direito de crédito. Nesse sentido, o CARF já se manifestou: Acórdão n° 3403002.370, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Recurso provido. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 323DF CARF MF Processo nº 11060.900756/201395 Acórdão n.º 3301004.564 S3C3T1 Fl. 7 6 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em Fl. 324DF CARF MF Processo nº 11060.900756/201395 Acórdão n.º 3301004.564 S3C3T1 Fl. 8 7 PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Assim, discordo da decisão de piso que manteve a não homologação da compensação sobre o argumento de que a DCTF retificadora deveria ter sido transmitida antes da Dcomp. Por conseguinte, se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Ônus da prova – recolhimento indevido No presente caso, a interessada trouxe elementos fiscais e societários para comprovar o valor pleiteado: estatuto social no qual consta a atividade de comercialização de energia elétrica; cópia do contrato de fornecimento de energia elétrica, celebrado em 03/05/2011, com a destinatária da energia nas operações de revenda; cópia da nota fiscal de compra de energia; DCTF e DACON retificadoras. Ressalta a empresa que o contrato de compra e venda de energia elétrica, que revendeu energia adquirida por meio da Nota Fiscal acostada aos autos, é suficiente para comprovação do direito de crédito de PIS. Em seu recurso voluntário, objetivando comprovar que a energia elétrica adquirida foi objeto de revenda, anexou: 1 planilha demonstrativa dos volumes comprados, que equivalem exatamente aos volumes vendidos; 2 o Relatório CCEE demonstrando que o balanço de energia elétrica negociada pela recorrente apresenta volumes idênticos na posição de compradora e vendedora e 3 as notas fiscais de venda de energia elétrica com os mesmos volumes apresentados nos demonstrativos. Além disso, acosta aos autos a DACON original para demonstrar que o crédito objeto da nota fiscal referida não havia sido considerado na apuração da contribuição originalmente. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 11060.900756/201395 Acórdão n.º 3301004.564 S3C3T1 Fl. 9 8 As DACON e DCTF retificadoras (acostadas na manifestação de inconformidade) se voltam a comprovar que o crédito calculado sobre a energia adquirida através da nota fiscal apresentada, gerou a apuração de PIS com valor inferior ao recolhimento do DARF, representando pagamento indevido. Toda a documentação da Recorrente foi analisada em diligência fiscal, tendo a autoridade despachado o seguinte: 7. A contribuinte apresentou cópia dos registros contábeis, livro razão e Diário, fls. 314/382388/428, onde consta registro da compra de energia elétrica, com creditamento de PIS, com base no art. 3º, inciso I, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Com resumo dos lançamentos contábeis à folha 429. 8. Conforme NFE série 1, nº 189, de 21/03/2012, fl. 53, ou no portal da Nota Fiscal Eletrônica, fls. 383/387, foi adquirido energia elétrica pela Dona Francisca Energética S.A – RS da Gerdau Aços Longos S.A., CNPJ 07.358.761/005632, localizada no município de Cachoeira Alta – GO, dentro do sistema integrado de energia, valor R$ 2.684.844,00 com destaque de PIS em R$ 44.299,93. 9. Declaração de compensação com base legal no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966 (CTN); art. 74 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996; art. 49 da Lei nº 10.637, de 30.12.2002; art. 17 da Lei nº 10.833, de 29.12.2003; art. 4º da Lei nº 11.051, de 29.12.2004; art. 30 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009; IN RFB nº 1.300, de 20.11.2012; IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 10. Crédito acrescido de juros equivalentes à taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais, nos termos do artigo 39, § 4º da Lei n.º 9.250, de 26.12.1995 e do artigo 73 da Lei nº 9.532, de 10.12.1997, e conforme inc. V do art. 143 da IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 11. De acordo com o art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002; com o art. 142 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966; Portaria RFB nº 1.453, de 29.09.2016; com a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 e o art. 241, inc. I do Regimento da SRFB, foi constatado que a DACON retificadora de março de 2012, está em conformidade com os registros contábeis e amparada em documentação, sendo confirmado crédito de PIS não cumulativo, código 6912, pago a maior em 25/04/2012, no valor de R$ 44.299,92 e conforme indicado pela contribuinte, o valor de R$ 42.126,22 (quarenta e dois mil, cento e vinte e seis reais com vinte e dois centavos), com o acréscimo da taxa Selic acumulada, foi lançado em planilha de cálculo SAPO junto com o débito, que foi satisfeito, fls. 430/433. A diligência confirmou o crédito pleiteado e, ao cotejar com o débito apontado, reconheceu que foi suficiente para a sua satisfação, logo deve ser homologada a compensação. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 11060.900756/201395 Acórdão n.º 3301004.564 S3C3T1 Fl. 10 9 Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 327DF CARF MF
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Numero do processo: 13617.001050/2008-73
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
OPÇÃO. INCLUSÃO RETROATIVA. INÍCIO DE ATIVIDADE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS CUMULATIVOS NO PRAZO LEGAL.
Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conforma-se com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1003-000.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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INCLUSÃO RETROATIVA. INÍCIO DE ATIVIDADE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS CUMULATIVOS NO PRAZO LEGAL. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conformase com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 61 7. 00 10 50 /2 00 8- 73 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13617.001050/200873 Acórdão n.º 1003000.020 S1C0T3 Fl. 52 2 A Recorrente formalizou em 26.08.2008, fls. 0102, o Pedido de Inclusão Retroativa no Simples Nacional alegando que: A Empresa acima não providenciou o pedido de inclusão no Simples Nacional, no prazo de 10 dias pelo seguinte motivo; conforme o resumo em anexo, feito pelo consultor, Ricardo Paz Gonçalves, da Affectum, referente a Resolução CGSN n° 29, de 21 de Janeiro de 2008, em que a opção pelo simples nacional se dará automaticamente a partir de 1° de Janeiro de 2008, a partir da data da abertura do CNPJ. Observando que esta Empresa está com seus cadastros paralisados na Caixa e Inss, e com pendências na Receita Estadual , devido a falta dessa inclusão. Tal inclusão se faz urgente para que a mesma possa iniciar suas atividades. No Despacho Decisório de Inclusão Retroativa no Simples Nacional DRF/Sete Lagoas/MG, de 05.02.2009, fls. 1213, consta que o pedido foi indeferido fundamentado no fato de que: Trata o presente processo de pedido de inclusão, a partir da data de abertura da empresa no CNPJ (17/09/2007), no Simples Nacional, formalizado em 26/08/2008. [...] Em verificação ao Portal do Simples Nacional, constatouse que a única solicitação de inclusão por parte do contribuinte foi feita em 06/01/2009, incluindoo a partir de 01/01/2009. No Sistema CNPJ, verificouse que a data do pedido de inscrição no CNPJ foi 24/01/2008 e o processamento se deu em 12/03/2008. O contribuinte anexou, à fl. 04, uma noticia com o título “Empresas com CNPJ a partir de janeiro são automaticamente incluídas no SuperSimples”, que informava que o CGSN aprovou, em 21/01/2008, uma medida que incluía automaticamente as empresas no Simples Nacional inscritas no CNPJ a partir de 2008. Salientase que a informação, ou ao menos sua interpretação, está equivocada. Ressaltase que o próprio contribuinte anexou a Resolução CGSN n° 29, de 21/01/2008, à fl. 07, onde constam as verdadeiras alterações ocorridas. O Requerimento de Empresário, relativo ao ato de inscrição da empresa, à fl. 02, foi registrado na junta comercial em 17/09/2007, que é a data de abertura da empresa no CNPJ. A Lei Complementar n° 123, de l4 de dezembro de 2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, dispõe que: [...] De acordo com a Resolução CGSN n° 004, de 30 de maio de 2007: [...] A Resolução CGSN n° 29, que modificou a Resolução CGSN n° 004, não informou em nenhum momento que as empresas seriam automaticamente incluídas no Simples Nacional a partir de 2008. A legislação informa, de forma clara, que a opção é feita via internet, e que a modificação foi em relação à data em que as empresas passaram a ser consideradas como optantes pelo Simples Nacional. Em 2007, era a data da última inscrição (federal, estadual, municipal). Em 2008, passou a ser considerada a datada abertura da empresa no CNPJ. Ante o exposto, proponho o indeferimento do pedido de inclusão retroativa no SIMPLES NACIONAL. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado na ementa do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/BHE/MG nº 0227.542, de 08.06.2010, fls. 3032: Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13617.001050/200873 Acórdão n.º 1003000.020 S1C0T3 Fl. 53 3 PRAZO PARA OPÇÃO. INICIO DE ATIVIDADES. INCLUSÃO DE OFICIO. Para as pessoas jurídicas em inicio de atividades, a opção pelo Simples Nacional para o anocalendário de 2008 deveria ser feita por meio da internet, no prazo de até dez dias, contados do último deferimento de previstos para a opção, dentro dos prazos determinados pela legislação, “inscrição. Caso não tenham sido adotados todos os procedimentos l não ha amparo legal para atendimento a pedido de inclusão de ofício. Impugnação Improcedente Notificada em 23.11.2010, fl. 34, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 13.12.2010, fl. 35, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Referente ao cumprimento dos requisitos cumulativos para deferimento da inclusão retroativa pelo Simples Nacional no caso de início de atividades aduz que: Solicita que seja revisto o indeferimento do Pedido de Inclusão no SIMPLES NACIONAL do ano calendário 2008, pois a única maneira que a Pessoa Jurídica, depois de inscrita no CNPJ tem de optar pelo regime de tributação SIMPLES NACIONAL é pela internet. Todavia o Cadastro Sincronizado Nacional estava em fase de implantação, e por alguma falha no sistema o processo não foi concluído emitindo a mensagem que a opção estava fora do prazo. Foram feitos vários contatos com a ARF/Diamantina, em busca de uma solução, mas infelizmente não tinham nenhuma orientação como resolver tal situação, na ocasião foi informado que haviam várias Empresas recém inscritas na mesma situação. Discordase do indeferimento da Impugnação ao Termo de Indeferimento da Opção pelo SIMPLES NACIONAL, pelo fato da Empresa ter feito tudo o que estava ao seu alcance dentro do prazo de 10 dias a partir da inscrição no CNPJ. Portanto conclui se que é injusto a Empresa ser prejudicada, por um problema do sistema, e também pelo fato da RFB, não disponibilizar outro meio para a adesão ao SIMPLES NACIONAL. Concernente ao pedido expõe que: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente que seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose os débitos de tributos e cobranças de obrigações fiscais, que tenham originado pela não opção ao SIMPLES NACIONAL, no anocalendário de 2008. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13617.001050/200873 Acórdão n.º 1003000.020 S1C0T3 Fl. 54 4 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente diz que deve ser deferida a sua inclusão retroativa no Simples Nacional no início de atividade. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, determina que a opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição. O indeferimento da opção pela sistemática será formalizado mediante ato da Administração Tributária e a exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das pessoas jurídicas optantes. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conformase com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário, oportunidade em que presta declaração quanto ao não enquadramento nas vedações legais. Nos casos de empresa com início de atividade no anocalendário de 2008, o prazo para opção neste mesmo ano se encerrará após decorridos 10 (dez) dias da comprovação do último deferimento de inscrição nos entes federativos, quando exigíveis. A pessoa jurídica não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) da data da abertura constante no CNPJ, observados os demais requisitos. A opção implica o recolhimento mensal, mediante Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) até o dia 20 do mês subseqüente àquele em que houver sido auferida a receita bruta. Ainda que se trate de situação de inatividade, deve ser entregue anualmente à RFB e declaração única e simplificada de informações socioeconômicas e fiscais a ser disponibilizada aos órgãos de fiscalização tributária e previdenciária, constituindo confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos tributos e contribuições que não tenham sido recolhidos resultantes das informações nela prestadas.1. A Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007, determina: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. [...] § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 17, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007 e Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007 . Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13617.001050/200873 Acórdão n.º 1003000.020 S1C0T3 Fl. 55 5 inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; II após a formalização da opção, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios a relação dos contribuintes para verificação das informações prestadas; III os entes federativos deverão, no prazo de até 10 (dez) dias, contados da disponibilização das informações, comunicar à RFB acerca da verificação prevista no inciso II; IV confirmados os dados ou ultrapassado o prazo a que se refere o inciso III sem manifestação por parte do ente federativo, considerarseão validadas as respectivas informações prestadas pelas ME ou EPP; V a opção produzirá efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pelas ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; VI validadas as informações, considerase data de início de atividade a do último deferimento de inscrição. § 4º A RFB disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios relação dos contribuintes referidos neste artigo para verificação quanto à regularidade para a opção pelo Simples Nacional, e, posteriormente, a relação dos contribuintes que tiveram a sua opção deferida. § 6º A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da inscrição no CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3º deste artigo. Analisando a legislação de regência que vigorava à época dos fatos, temse que a microempresa ou empresa de pequeno porte no caso de início de atividade no ano calendário da opção, deve observar as seguintes condições cumulativas: (a) após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (b) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de pessoa jurídica em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da inscrição no CNPJ, observados os demais requisitos legais. Está registrado no voto condutor do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/BHE/MG nº 0227.542, de 08.06.2010, fls. 3032: Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13617.001050/200873 Acórdão n.º 1003000.020 S1C0T3 Fl. 56 6 Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, com a redação vigente à época em que ocorreram os fatos aqui tratados: [...] Como se vê, para as pessoas jurídicas em início de atividades, a opção pelo Simples Nacional para o anocalendário de 2008 deveria ser formalizada por meio da internet, no prazo de até dez dias, contados do último deferimento de inscrição. Em sua defesa, a impugnante admite não ter apresentado a opção pela internet, por acreditar que a opção seria feita automaticamente, de acordo com o disposto no art. 1° da Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008, que estabelece: [...] De acordo com o dispositivo transcrito, as modificações introduzidas alteraram tão somente a data em que a opção pelo Simples Nacional por parte de empresas em início de atividade passou a produzir efeitos. Ocorre que, para produzir efeitos, a opção pelo Simples Nacional teria necessariamente de ser formalizada, pois não houve modificação nesse sentido. Não há como interpretar que a Resolução CGSN nº 29, de 2008, viesse a promover a inclusão automática de empresas em início de atividade, deixando de exigir que fossem atendidos todos os requisitos e adotados os procedimentos previstos para tal fim. Por oportuno, cabe lembrar que as informações divulgadas por empresas de consultoria não gozam do status de legislação tributária, nos temos dos arts. 96 e 100 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Conforme cópia do requerimento do empresário juntado às fls. 2, a pessoa jurídica em epígrafe foi constituída em 17 de setembro de 2007. De modo contraditório, a impugnante afirma, ainda, que “mesmo dentro do prazo dos 10 dias, em todas as tentativas foi emitida a seguinte mensagem: “Opção pelo Simples Nacional fora do prazo”. Contudo, não foi juntado aos autos nenhum documento que comprove tal alegação, e que pudesse configurar a existência de erro no processamento da solicitação. Tampouco consta dos autos qual teria sido a data do último deferimento de inscrição ou qualquer outro documento que, eventualmente, pudesse fazer prova em favor da interessada. Como visto, a legislação determina que a opção seja feita pela internet, no prazo de até dez dias, contados do último deferimento de inscrição. Por se tratar de procedimento previsto em lei, é imprescindível a observância do critério da legalidade. Assim sendo, caso a pessoa jurídica não comprove ter adotado todos os procedimentos previstos para a opção, dentro dos prazos determinados na legislação, não há amparo legal para acatar o pedido de inclusão no regime especial para o ano calendário de 2008. Analisando as provas produzidas nos autos, verificase que a Recorrente: (a) teve sua abertura em 17.09.2007, conforme registro na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais JUCEMG, fl. 42; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13617.001050/200873 Acórdão n.º 1003000.020 S1C0T3 Fl. 57 7 (b) iniciou suas atividades junto a RFB em 17.09.2007, de acordo com o Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), fl. 41; (c) a inscrição municipal emitida pela Prefeitura Municipal de Carbonita/MG não consta nos autos; (d) o pleito de opção retroativa constante nos presente autos foi formalizado em 26.08.2008, fls. 0102. Nesse sentido a Recorrente deveria cumprir os seguintes requisitos concomitantemente: (a) não se pode averiguar os dez dias contados do último deferimento de inscrição formal; (b) poderia efetuar sua opção pelo Simples Nacional até o dia 15.03.2008 (180 dias da inscrição do CNPJ), a saber: 13 dias em setembro + 31 dias em outubro + 30 dias em novembro + 31 dias em dezembro do ano de 2007 + 31 dias em janeiro + 29 dias fevereiro + 15 dias em março do ano de 2008. Especificamente sobre o pedido de inclusão retroativa, cabe ressaltar que o princípio da legalidade estabelece os limites da atuação administrativa e tem por objeto o exercício de direitos individuais em benefício da coletividade e nesse sentido a vontade da Administração Pública decorre tãosomente da lei de modo que apenas pode fazer o que a lei permite (art. 37 da Constituição Federal). Restou comprovado que a Recorrente formalizou seu pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional no dia 26.08.2008, fls. 0102, ou seja, após 15.03.2008. Além disso, mesmo que a condição de 10 dias do último deferimento formal de inscrição nos entes federados não possa ser verificada, tão somente a apresentação do pleito após 180 dias da inscrição do CNPJ já é circunstância suficiente para não atender a petição. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. Pertinente a informações obtidas junto a terceiros, cabe ressaltar que "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (art. 136 do Código Tributário Nacional). A afirmação suscitada na peça recursal, destarte, não é pertinente. Relativamente às alegações pertinentes ao Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples, observese que essa matéria não é objeto da lide específica no presente processo que trata do Pedido de Inclusão no Simples Nacional de formalizado em 26.08.2008, fls. 0102. Por essa razão essa questão não pode ser examinada nos presente autos por existir um rito especial para esse fim previsto no art. 7º da Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007, com redação vigente à época. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13617.001050/200873 Acórdão n.º 1003000.020 S1C0T3 Fl. 58 8 julho de 2015). A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 58DF CARF MF
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