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Numero do processo: 10680.910620/2015-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/07/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 20 /2 01 5- 95 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.910620/201595 Acórdão n.º 3301005.285 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.425. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.910620/201595 Acórdão n.º 3301005.285 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910620/201595 Acórdão n.º 3301005.285 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910620/201595 Acórdão n.º 3301005.285 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910620/201595 Acórdão n.º 3301005.285 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.910620/201595 Acórdão n.º 3301005.285 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.008241/2002-75
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja verificada a quitação dos tributos devidos pelo Contribuinte, nos termos dos DARF's acostados (e-fls. 05).
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1560; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 58 1 57 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.008241/200275 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1002000.023 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Ordinária Data 03 de outubro de 2018 Assunto PAGAMENTO INSUFICIENTE Recorrente CONSULTE ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja verificada a quitação dos tributos devidos pelo Contribuinte, nos termos dos DARF's acostados (efls. 05). (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário (efls. 43) interposto contra o Acórdão n° 12 082.531, proferido pela 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (efls. 35 à 37), que, por unanimidade de votos, reconheceu a insuficiência de pagamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, ocasionando a cobrança da quantia tida como não paga, bem como a aplicação da multa de ofício no patamar de 75%. Decisão essa ementada nos seguintes termos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .0 08 24 1/ 20 02 -7 5 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10480.008241/200275 Resolução nº 1002000.023 S1C0T2 Fl. 59 2 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: PAGAMENTO. INSUFICIÊNCIA. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. Comprovados o não pagamento ou o pagamento a menor de tributo, revelase cabível a exigência de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A cobrança do mencionado tributo teve como gênese o Auto de Infração (efls. 12 à 14) lavrado em desfavor do Contribuinte, por não ter identificado a quitação do crédito tributário devido no período de apuração de 01/05/1998 e 01/10/1998, conforme demonstrativo abaixo: Impugnada a autuação, restou proferido Acórdão da DRJ, cujo teor resumese aos seguintes argumentos: A impugnação é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade, logo, dela conheço. O trabalho da revisão fiscal buscou identificar todos os recolhimentos de Dar f que pudessem ser alocados aos débitos lançados. Desse trabalho resultou a confirmação da total indisponibilidade dos pagamentos defendidos. Consultas efetuadas nos sistemas desta Secretar ia permitem concluir que o débito permanece sem adimplemento. Assim, fiandome no parecer da autor idade lançadora, entendo que o interessado não elidiu a imputação de falta de pagamento lançada nestes autos. Dessa forma, voto pela improcedência da impugnação, para manter o lançamento nos exatos termos em que fora formulado. É como voto. Já em sede de Recurso Voluntário, o Contribuinte requer o reconhecimento da parcela restante do valor que entende por passível de compensação. Tendo em vista o arrazoado sintético do pleito, colaciono abaixo seu teor: Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10480.008241/200275 Resolução nº 1002000.023 S1C0T2 Fl. 60 3 Tais argumentos do Contribuinte remetem aos DARF´s acostados à efls. 05: É o Relatório. VOTO Conselheiro Breno do Carmo Moreira Relator. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10480.008241/200275 Resolução nº 1002000.023 S1C0T2 Fl. 61 4 O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Percebo, de imediato, que o Contribuinte lastreou seu argumento recursal em prova pontual e crível. Noutro giro, em que pese a diligente ação da autoridade fiscal, não ficou comprovado que esta considerou os DARF's apresentados tempestivamente para pagamento dos tributos devidos no período de apuração de 01/05/1998 e 01/10/1998. Tais aspectos são corroborados quando se analisa o demonstrativo da análise do lançamento, onde não confirma qualquer quantia paga: Por assim ser, tornase necessário converter o presente feito em diligência, com o objetivo de apurar a efetiva consideração dos valores dos DARF's à efls. 05 na quitação dos tributos devidos. Conclusão Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que informe acerca da quitação dos tributos devidos pelo Contribuinte, nos termos dos DARF's acostados à efls. 05. Esclareço que, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização da diligência, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação. É como Voto. (Assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 16349.000229/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS.
No cálculo da COFINS Não-Cumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda,
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA . DESCABIMENTO.
A sistemática de tributação não-cumulativa do PIS e da COFINS, prevista nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, não contempla os dispêndios com frete decorrentes da transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica.
Numero da decisão: 3302-006.046
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração para constar no resultado do acórdão embargado a reversão da glosa de créditos sobre as despesas pagas a empresa Transporte e Braçagem Piratininga Ltda.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração para constar no resultado do acórdão embargado a reversão da glosa de créditos sobre as despesas pagas a empresa Transporte e Braçagem Piratininga Ltda. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
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OMISSÃO. Embargante MONSANTO DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. COFINS NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo da COFINS NãoCumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA . DESCABIMENTO. A sistemática de tributação nãocumulativa do PIS e da COFINS, prevista nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, não contempla os dispêndios com frete decorrentes da transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração para constar no resultado do acórdão embargado a reversão da glosa de créditos sobre as despesas pagas a empresa Transporte e Braçagem Piratininga Ltda. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 29 /2 00 9- 90 Fl. 1196DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins não cumulativa Mercado Interno apurados no 3° trimestre/2008, no total de R$ 8.483.757,09, cumulado com declarações de compensação. A unidade de origem, após a realização de diligência destinada a apurar a liquidez e certeza do direito creditório, emitiu o despacho decisório de fls. 722/747 indeferindo o pedido de ressarcimento e não homologando as compensações correlatas. Foram efetuadas as seguintes glosas: Créditos calculados sobre o valor da matériaprima de código NCM 29310037 (Ácido NFosfonometiliminodiacético), utilizada na fabricação de defensivos agrícolas, portanto, tributada à alíquota zero na venda no mercado interno, em virtude do disposto na Lei n° 10.925/04, artigo 1°, inciso II e no Decreto 5.630/2005, artigo 1°, inciso II, em desacordo com o art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003 , incluído pela Lei n° 10.865/04. Em resposta ao TIF n° 30, a empresa descreveu a utilização em suas atividades do produto de NCM 29310037 e informou que o mesmo é utilizado como matériaprima para a fabricação de defensivos agrícolas. Cabe ressaltar que a mesma hipótese de incidência ocorreu quando a empresa vendeu o produto de código NCM 29310032 (N(fosfonometil)Glicina), tributado à alíquota zero, quando destinado à utilização como matériaprima para a produção de defensivos agrícolas, com base na Lei n° 10.925/04, artigo 1°, inciso II e no Decreto 5.630/2005, artigo 1°, inciso II, conforme resposta ao TIF n° 26. As aquisições do produto de NCM 29310037, segundo as planilhas da memória dos cálculos dos créditos, foram lançadas na conta contábil 40.101.014 Variação Embalagem. Créditos calculados sobre serviços considerados pela empresa como insumos para a produção do milho e do Glifosato Técnico; Créditos calculados sobre nota fiscal emitida pela empresa Mendes Cintra & Cintra Ltda, cujo código nacional de atividade econômica é 7820500 Locação de Mãode Obra Temporária por falta de previsão legal. O montante da nota fiscal é composto por taxa administrativa, reembolso de salários e encargos sociais, reembolso de uniformes, valor de IRRF, Seguridade Social, retenção de ISS e retenção de PIS/COFINS/CSLL. Os créditos foram lançados na conta contábil 40800350 Serviços Temporários; Créditos calculados sobre material para consumo de código de NCM 38249041 (preparações desincrustantes, anticorrosivas ou antioxidantes), por falta de previsão legal. Tais créditos foram lançados na Linha 02 da Ficha 16A do DACON Bens Utilizados como Insumos, conforme planilha da memória dos cálculos dos créditos; Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 16349.000229/200990 Acórdão n.º 3302006.046 S3C3T2 Fl. 3 3 Créditos calculados sobre despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica; Créditos calculados sobre a locação de purificadoras de água e de máquinas de bebidas quentes, em desacordo com o inciso IV do art. 3° da Lei n° 10.833/2003. A purificação de água e a preparação de bebidas quentes não se aplicam na produção de bens e serviços da empresa. O Parecer Normativo CST n° 32/81, interpretando o artigo 191 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1980, diz que “o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos”. O Regulamento do Imposto de Renda de 1999 manteve esse mesmo texto normativo; Créditos calculados sobre o valor de mãodeobra, incluído em notas fiscais de locação de máquinas e equipamentos, por falta de previsão legal. As notas fiscais foram juntadas às fls. 303 a 312; Créditos indevidamente calculados sobre diversas operações de frete, lançados na Linha 07 da Ficha 16A do DACON Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda; Créditos cujas informações na planilha da memória dos cálculos são conflitantes ou o tipo de despesa não foi identificado. Na planilha da memória dos cálculos há créditos vinculados a documentos emitidos por transportadora, porém, na coluna do tipo de despesa a informação é de aquisição de serviço de comunicação, incompatível com a vinculação a documento emitido por transportadora. Existem ainda créditos calculados sobre documentos fiscais sem identificação do tipo de despesa, impedindo a verificação da procedência ou não do creditamento. Os créditos, conforme a planilha da memória dos cálculos, foram lançados na Linha 13 da Ficha 16A do DACON Outras Operações com Direito a Crédito. Cientificado em 12/08/2014 (fl. 753), o interessado apresentou, em 09/09/2014 (fl. 755), a manifestação de inconformidade de fls. 756/783. Em 16 de março de 2015, através do Acórdão n° 01.31.662, a 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Belém/PA por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A empresa MONSANTO DO BRASIL LTDA apresentou Recurso Voluntário em 21/08/2015, de folhas 977 a 1.007. Em 24 de outubro de 2017, através do Acórdão de Recurso Voluntário n° 3302004.824, a 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de nulidade da decisão recorrida, deu provimento parcial ao recurso voluntário para: reverter a glosa na aquisição de insumos classificados na NCM 38249041 (desincrustantes, anticorrosivos ou antioxidantes), reverter a glosa nas aquisições de 29310037 (Ácido N Fosfonometil Iminodiacético PIA) utilizadas na fabricação de NCM 29310032 (N (fosfonometil)Glicina), reverter a glosa quanto à despesa com nota fiscal emitida pela empresa Mendes Cintra & Cintra Ltda, reverter a glosa sobre os créditos tomados sobre locação de máquinas de bebidas quentes e purificadores de água, bem como sobre mãodeobra de manejo dos guindastes, reverter a glosa sobre o crédito tomado sobre Fl. 1198DF CARF MF 4 frete na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero e manter a incidência de alíquota zero nas vendas de produto "Glifosato Técnico" à empresa Helm. O voto vencedor do V Acórdão manteve as glosas dos créditos de COFINS sobre as despesas com: ü serviços de armazenagem e logística (enolamento, amarração e manobra de cargas), sob o argumento de que a Embargante somente teria direito a tais créditos se prestasse serviços de armazenagem; ü frete na venda de mercadorias sem indicação do número da nota fiscal, sem justificar a manutenção da glosa; ü frete de devolução de vendas e de retorno de mercadorias e de material, transferência de mercadorias, venda de sucata industrial e de veículos, doação, remessas, importações, recebimento de amostras e material, aquisição de bens para o ativo imobilizado e de materiais para uso e consumo, por suposta falta de previsão legal; ü “ outros fretes”, por suposta falta de apresentação de elementos que possibilitassem a identificação da despesa; e ü frete na aquisição de insumo sem identificação e sem a identificação da operação relacionada, sob o argumento contraditório de que somente a aquisição de insumo tributado gera direito ao creditamento; Em 24 de maio de 2018, a empresa MONSANTO ingressa com Embargos de Declaração, de folhas 1.159 à 1.163. Em 02 de agosto de 2018, a 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF admitiu parcialmente, os embargos opostos pelo contribuinte para que conste no acórdão (fls. 1063e) a reversão da glosa de créditos sobre as despesas pagas a empresa Transporte e Braçagem Piratininga Ltda. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Em 02 de agosto de 2018, através de Despacho de Admissibilidade de Embargos proferido pela 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, foi admitido o recurso de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO para a reversão da glosa de créditos sobre as despesas pagas a empresa Transporte e Braçagem Piratininga Ltda. 2. DA TEMPESTIVIDADE O Acórdão de Recurso Voluntário n° 3302004.824 da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, data de 24 de outubro de 2017. Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 16349.000229/200990 Acórdão n.º 3302006.046 S3C3T2 Fl. 4 5 Os autos digitais foram encaminhados à empresa MONSANTO para ciência da decisão embargada, em 18/05/2018 (folhas 1.152). A empresa MONSANTO ingressou com os Embargos de Declaração em 24/05/2018 (folhas 1.155). O recurso é tempestivo. 3. DA OMISSÃO. Os Embargos foram admitidos para que conste no acórdão (fls. 1063e) a reversão da glosa de créditos sobre as despesas pagas a empresa Transporte e Braçagem Piratininga Ltda. O Despacho de Admissibilidade assim se manifestou sobre a questão, às e folhas 1.077: A relatora entendeu pela reversão da glosa sobre os serviços prestados pela Transpiratininga Transporte e Braçagem Piratininga Ltda no item 2.1.3, fl.1077e. Verificando o voto vencedor proferido, constatase que tal matéria não constou de seu contéudo; porém, analisando a declaração de voto do redator designado, constatase que a referência à glosa dos serviços prestados por Transpiratininga constou do item 2, indicando que o redator designado foi vencido nesta matéria. Assim, procedem os embargos de declaração, pois, de fato, a glosa sobre as despesas pagas à empresa Transpiratininga Transporte e Braçagem Piratininga Ltda, item 2.1.3 do voto vencido, foi revertida. O assunto não fez parte do Voto Vencedor. A falta merece saneamento. 4. DO DEFERIMENTO Consta do Acórdão de Recurso Voluntário, às folhas 1.063 do processo digital, o seguinte Acórdão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, vencida a Conselheira Lenisa Prado. Designado o Conselheiro José Fernandes do Nascimento para redigir o voto vencedor. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: reverter a glosa na aquisição de insumos classificados na NCM 38249041 (desincrustantes, anticorrosivos ou antioxidantes), reverter a glosa nas aquisições de 29310037 (Ácido N Fosfonometil Iminodiacético PIA) utilizadas na fabricação de NCM 29310032 (N (fosfonometil)Glicina), reverter a glosa quanto à despesa com nota fiscal emitida pela empresa Mendes Cintra & Cintra Ltda, reverter a glosa sobre os créditos tomados sobre Fl. 1200DF CARF MF 6 locação de máquinas de bebidas quentes e purificadores de água, bem como sobre mãodeobra de manejo dos guindastes, reverter a glosa sobre o crédito tomado sobre frete na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero e manter a incidência de alíquota zero nas vendas de produto "Glifosato Técnico" à empresa Helm. Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento que mantinha as glosas nas aquisições de 29310037 (Ácido N Fosfonometil Iminodiacético PIA), quanto à despesa com a nota fiscal emitida pela empresa Mendes Cintra & Cintra Ltda e quanto ao crédito tomado sobre frete na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero. Vencida a Conselheira Maria do Socorro F. Aguiar que mantinha as glosas nas aquisições de 29310037 (Ácido N Fosfonometil Iminodiacético PIA) e quanto à despesa com a nota fiscal emitida pela empresa Mendes Cintra & Cintra Ltda. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que mantinha a glosa quanto ao crédito tomado sobre frete na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero. Vencida a Conselheira Lenisa Prado que dava provimento quanto às despesas com enlonamento, amarração e manobra de carga, quanto aos créditos sobre frete de devolução de vendas e de retorno de mercadoria e de material, transferência de mercadorias, outros fretes genericamente denominados, fretes na operação de venda de sucata industrial e de veículos, operação de doação, remessas, importações, recebimentos de amostras e material, quanto aos fretes na aquisição de bens para o ativo imobilizado e de materiais para o uso e consumo, quanto aos fretes na aquisição de insumos sem identificação e sem indicação de operação relacionada e que convertia em diligência para: esclarecimentos quanto à utilização dos guindastes no processo produtivo, apresentar as notas fiscais relativas às glosa do frete na venda de mercadorias sem indicação de nota fiscal, esclarecimento quanto aos créditos cujas informações, na planilha de memória dos cálculos, eram conflitantes ou o tipo de despesa não foi identificado, produzir perícia contábil e fiscal quanto às vendas de produto "Glifosato Técnico" à empresa Helm. Designado o Conselheiro José Fernandes do Nascimento para redigir o voto vencedor. De modo a sanear a falta, darseá a seguinte redação: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, vencida a Conselheira Lenisa Prado. Designado o Conselheiro José Fernandes do Nascimento para redigir o voto vencedor. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: reverter a glosa na aquisição de insumos classificados na NCM 38249041 (desincrustantes, anticorrosivos ou antioxidantes), reverter a glosa nas aquisições de 29310037 (Ácido N Fosfonometil Iminodiacético PIA) utilizadas na fabricação de NCM 29310032 (N (fosfonometil)Glicina), reverter a glosa quanto à despesa com nota fiscal emitida pela empresa Mendes Cintra & Cintra Ltda, reverter a glasa de créditos sobre as despesas pagas a empresa Transporte e Braçagem Piratininga Ltda, reverter a glosa sobre os créditos tomados sobre locação de Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 16349.000229/200990 Acórdão n.º 3302006.046 S3C3T2 Fl. 5 7 máquinas de bebidas quentes e purificadores de água, bem como sobre mãodeobra de manejo dos guindastes, reverter a glosa sobre o crédito tomado sobre frete na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero e manter a incidência de alíquota zero nas vendas de produto "Glifosato Técnico" à empresa Helm. Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento que mantinha as glosas nas aquisições de 29310037 (Ácido N Fosfonometil Iminodiacético PIA), quanto à despesa com a nota fiscal emitida pela empresa Mendes Cintra & Cintra Ltd, e quanto ao crédito tomado sobre frete na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero. Vencida a Conselheira Maria do Socorro F. Aguiar que mantinha as glosas nas aquisições de 29310037 (Ácido N Fosfonometil Iminodiacético PIA) e quanto à despesa com a nota fiscal emitida pela empresa Mendes Cintra & Cintra Ltda. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que mantinha a glosa quanto ao crédito tomado sobre frete na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero. Vencida a Conselheira Lenisa Prado que dava provimento quanto às despesas com enlonamento, amarração e manobra de carga, quanto aos créditos sobre frete de devolução de vendas e de retorno de mercadoria e de material, transferência de mercadorias, outros fretes genericamente denominados, fretes na operação de venda de sucata industrial e de veículos, operação de doação, remessas, importações, recebimentos de amostras e material, quanto aos fretes na aquisição de bens para o ativo imobilizado e de materiais para o uso e consumo, quanto aos fretes na aquisição de insumos sem identificação e sem indicação de operação relacionada e que convertia em diligência para: esclarecimentos quanto à utilização dos guindastes no processo produtivo, apresentar as notas fiscais relativas às glosa do frete na venda de mercadorias sem indicação de nota fiscal, esclarecimento quanto aos créditos cujas informações, na planilha de memória dos cálculos, eram conflitantes ou o tipo de despesa não foi identificado, produzir perícia contábil e fiscal quanto às vendas de produto "Glifosato Técnico" à empresa Helm. Designado o Conselheiro José Fernandes do Nascimento para redigir o voto vencedor. Com base nas razões acima expostas, acolho parcialmente, os embargos de declaração para constar no resultado do acórdão embargado a reversão da glosa de créditos sobre as despesas pagas a empresa Transporte e Braçagem Piratininga Ltda. Jorge Lima Abud. Fl. 1202DF CARF MF 8 Fl. 1203DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.020543/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF 99.
O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM INSCRIÇÃO NO PAT. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA.
Sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 2402-006.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente a decadência suscitada pela Recorrente e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF 99. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM INSCRIÇÃO NO PAT. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente a decadência suscitada pela Recorrente e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 05 43 /2 00 9- 96 Fl. 274DF CARF MF Processo nº 15504.020543/200996 Acórdão n.º 2402006.738 S2C4T2 Fl. 275 2 João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A fiscalização lavrou os seguintes Autos de Infração (AI) em face do sujeito passivo: (a) AI 37.237.6630 PAF 15504.020542/200941, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parte da empresa, inclusive a alíquota GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação; (b) AI 31.231.6665 PAF 15504.020545/200985, para a constituição de multa devida pelo descumprimento de obrigação acessória, por ter a empresa apresentado a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação; (c) AI 37.237.6657 PAF 15504.020544/200931, para a constituição das contribuições devidas a outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação; (d) AI 37.237.6649 PAF 15504.020543/200996, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parte dos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação. De acordo com a acusação, a execução inadequada do Programa de Alimentação do Trabalhador ou o desvirtuamento de suas finalidades pela empresa participante acarretaria o cancelamento de sua inscrição no Ministério do Trabalho e Emprego, com a consequente perda dos incentivos fiscais. No caso concreto, o fornecimento de alimentação pela contribuinte estaria ligado a sistema de premiação ou punição do trabalhador, conforme conclusões do Processo 46016.0002969/200811 SIT/MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. As modalidades de serviços de alimentação fornecidas pela empresa seriam: a) administração de cozinha; b) cestas básicas; Fl. 275DF CARF MF Processo nº 15504.020543/200996 Acórdão n.º 2402006.738 S2C4T2 Fl. 276 3 c) ticket alimentação; d) ticket refeição; e) alimentação e lanches. Os valores tributáveis foram extraídos da escrituração contábil da empresa e das folhas de pagamento. Os fatos geradores não foram declarados em GFIP. O sujeito passivo apresentou impugnação tempestiva, a qual foi julgada improcedente, conforme decisão assim ementada: PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. Os valores pagos aos trabalhadores a título de auxilio alimentação somente são excluídos do campo de incidência das contribuições sociais quando fornecidos em conformidade com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. DECADÊNCIA. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após cinco anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o crédito poderia ter sido constituído. DECISÕES JUDICIAIS. As decisões judiciais, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A Autoridade Fiscal deverá formalizar Representação Fiscal para Fins Penais sempre que tiver conhecimento da ocorrência, em tese, do crime de sonegação de contribuição previdenciária. PRÁTICAS REITERADAS ADOTADAS PELO FISCO. A prática reiterada pelo Fisco tem sido a de autuar os contribuintes que, inobservando os ditames contidos na legislação, efetuam o pagamento da parcela in natura em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Intimada da decisão em 07/01/2011, através de aviso de recebimento, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 19/01/2011, no qual, reafirmando os fundamentos de sua impugnação, suscitou o seguinte: Decadência (a) decadência: os créditos tributários são relativos às competências janeiro a dezembro de 2004, ao passo que a recorrente foi autuada somente em Fl. 276DF CARF MF Processo nº 15504.020543/200996 Acórdão n.º 2402006.738 S2C4T2 Fl. 277 4 dezembro de 2009, estando decaídas as contribuições do período de janeiro a novembro; (b) é aplicável o art. 150, § 4º, do CTN; Do auxílioalimentação (c) apenas o ticket alimentação estava condicionado à assiduidade do empregado; (d) não há como se cogitar da incidência de contribuição previdenciária sobre os valores gastos pela recorrente com a manutenção de restaurante interno, bem como a título de cesta básica, alimentação e lanches e ticket refeição, haja vista o inegável caráter indenizatório de tais verbas, pagas para o trabalho e não pelo trabalho; (e) além de estar restrita ao ticket, a condição estipulada em acordo coletivo de trabalho jamais poderia ser assemelhada a um sistema de premiação; (f) maior prova de que o pagamento de ticket alimentação não é uma espécie de premiação ao empregado é o fato de a recorrente efetivamente possuir um programa de prêmios para seus funcionários, este sim visando a maior produtividade; (g) não existe previsão em lei ou em decreto que proíba essa condição estabelecida pela recorrente; (h) a Portaria 87, que teria excluído a requerente do PAT, é datada de 19/03/2009, tendo sido publicada no DOU de 23/03/2009, mas pretende produzir efeitos de forma retroativa, cancelando inscrições de 1995 a 2008; (i) inscrição no PAT não é condição indispensável à caracterização da natureza indenizatória das verbas alimentares pagas pela recorrente aos seus empregados. Diante da informação expressa, à fl. 255 do PAF 15504.020542/200941, de que a empresa teria incluído a totalidade dos seus débitos no parcelamento, o julgamento do recurso foi convertido em diligência, para que a unidade de origem verificasse a existência de pedido de parcelamento total ou parcial. Em cumprimento à citada resolução, a unidade de origem informou que a empresa não teria optado pelo parcelamento de débitos previdenciários em fase administrativa. Intimado, o sujeito passivo manifestouse apenas no sentido de requerer o julgamento e o provimento de seu recurso. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 15504.020543/200996 Acórdão n.º 2402006.738 S2C4T2 Fl. 278 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, tendo sido inclusive demonstrada a inexistência de pedido de parcelamento dos débitos em questão. 2 Da decadência No entender da recorrente, os créditos tributários são relativos às competências janeiro a dezembro de 2004, ao passo que a recorrente foi autuada somente em dezembro de 2009, estando decaídas as contribuições do período de janeiro a novembro. Com razão a recorrente, ao menos parcialmente. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. E ao contrário do que decidiu a DRJ, caracteriza pagamento antecipado qualquer recolhimento de contribuição previdenciária na competência do fato gerador, independentemente de ter sido incluída na base de cálculo do recolhimento a rubrica específica (ex. custeio de alimentação) exigido no Auto de Infração. Essa questão foi definitivamente pacificada com a edição da Súmula CARF 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No mesmo sentido, o entendimento do colendo STJ em sede de recurso representativo de controvérsia: Fl. 278DF CARF MF Processo nº 15504.020543/200996 Acórdão n.º 2402006.738 S2C4T2 Fl. 279 6 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). Fl. 279DF CARF MF Processo nº 15504.020543/200996 Acórdão n.º 2402006.738 S2C4T2 Fl. 280 7 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) A existência de recolhimentos parciais em todas as competência é inconteste, tanto porque todas as autuações são relativas a rubricas específicas (custeio de alimentação, cartões de premiação, diferenças entre as folhas e as GFIPs, etc) exigidas em diversos Autos de Infração, quanto porque a fiscalização constatou a existência de valores declarados em GFIP (vejase que há lançamento por batimento entre as folhas e as guias). Mais ainda, e segundo se depreende do incluso Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal, entre os documentos examinados estão os "Comprovantes de Recolhimento". Logo, a regra decadencial aplicável é a do art. 150, § 4º. Portanto, quando o lançamento foi realizado, em dezembro de 2009, estavam decaídas as competências até novembro de 2004. A competência dezembro não estava decaída porque seu período de apuração somente se encerra no último dia do citado mês. 3 Do auxílioalimentação A recorrente afirma que o citado auxílio não teria natureza remuneratória. Nesse particular, tem razão o sujeito passivo. A esse respeito, adotase, como razões de decidir, a seguinte fundamentação constante do acórdão 2402004.868, Relator Ronaldo de Lima Macedo: Nos termos da legislação previdenciária, percebiase que havia uma tendência no sentido interpretase literalmente a regra estampada no art. 28, § 9o e alínea “c”, da Lei 8.212/1991 combinado com a Lei 6.321/1976, a fim de ser excluída da base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária somente a parcela in natura concedida rigorosamente nos termos do PAT, pois, do contrário, a verba paga a título de alimentação in natura seria considerada salário indireto e, por consectário lógico, integrava a remuneração do trabalhador. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 15504.020543/200996 Acórdão n.º 2402006.738 S2C4T2 Fl. 281 8 Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei no 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Hoje, pareceme que essa interpretação literal não encontra mais suporte nos tribunais de superposição, pois deve ser prestigiada a interpretação que – com fundamento nos artigos 195, I, alínea “a”, e 201, § 11, da Constituição Federal – conclui que as verbas indenizatórias não estão sujeitas à incidência de contribuição social previdenciária. Daí não se exigir mais o registro no PAT, como demonstra a seguinte Ementa do Resp. no 1051294 (DJ de 05/03/2009), proferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ): “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR SALÁRIO IN NATURA DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Recurso especial não provido.” (Resp. 1051294 PR 2008/00873730; Relator(a): Ministra Eliana Calmon; Julgamento: 10/02/2009; Publicação: DJe 05/03/2009) No mesmo sentido, o entendimento de que o pagamento in natura não configura hipótese de incidência de contribuição previdenciária extraise do Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem Fl. 281DF CARF MF Processo nº 15504.020543/200996 Acórdão n.º 2402006.738 S2C4T2 Fl. 282 9 como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". Diante do citado Ato Declaratório e da regra prevista no art. 503 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, retromencionada, bem como da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), extraise que a verba paga a título de valealimentação in natura, no presente processo configurada como um pagamento in natura, não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Com isso, entendese que devem ser excluídos os valores apurados no presente processo oriundos das verbas pagas a título de valealimentação ou salário indireto in natura – fornecidas aos segurados empregados –, pois tais valores não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária nem sujeita à incidência da contribuição destinada a Outras Entidades/Terceiros. Vale colacionar outros julgamentos que se alinham a esse entendimento: ALIMENTAÇÃO NA FORMA DE TICKET. PAGAMENTO IN NATURA. CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.O ticketrefeição (ou vale alimentação) se aproxima muito mais do fornecimento de alimentação in natura do que propriamente do pagamento em dinheiro, não havendo diferença relevante entre a empresa fornecer os alimentos aos empregados diretamente nas suas instalações ou entregarlhes ticketrefeição para que possam se alimentar nos restaurantes conveniadosNão incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação in natura. (CARF, PAF 10280.723548/201317, Sessão 09/05/2017, Relatora ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Acórdão 2201 003.600) ......................................................................................................... [...] VALEALIMENTAÇÃO OU VALEREFEIÇÃO SEM INSCRIÇÃO PAT. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALINHAMENTO COM O PARECER PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Na relação de emprego, a remuneração representada por qualquer benefício que não seja oferecido em pecúnia configura o denominado salário utilidade ou prestação in natura. Assim, se a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação abarca todas as distribuições/prestações in natura ou seja, que não em dinheiro , tanto a alimentação Fl. 282DF CARF MF Processo nº 15504.020543/200996 Acórdão n.º 2402006.738 S2C4T2 Fl. 283 10 propriamente dita como aquela fornecida ticket, mesmo sem a devida inscrição no PAT, deixam de sofrer a incidência da contribuição previdenciária, em razão da compreensão exposta no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. [...] (CARF, PAF 10680.722547/201091, Sessão 16/02/2016, Relator ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Acórdão 2401 004.100) Ademais, cabe consignar que a fiscalização não comprovou que as diversas modalidades de serviços de alimentação fornecidos pela empresa teriam como finalidade remunerar os trabalhadores. Significa dizer que tais serviços tinham como escopo viabilizar a prestação do serviço pelos trabalhadores, ou seja, os auxílios foram pagos para o serviço, e não pelo serviço. Em sendo assim, deve ser dado provimento ao recurso voluntário, para que seja cancelado o lançamento. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer do recurso voluntário, para acolher parcialmente a preliminar de decadência e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 283DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.903167/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE
A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996.
COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA.
O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005.
INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE.
Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.
Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
Numero da decisão: 1402-003.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10725.903155/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornouse inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentamse desacompanhadas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 31 67 /2 00 9- 59 Fl. 56DF CARF MF 2 material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10725.903155/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face do r. despacho decisório proferido pela DRJ que não homologou a compensação, por entender que a DCTFRetificadora foi apresentada extemporaneamente. Aduz em síntese a Recorrente a nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação e cerceamento de defesa. Segundo a Recorrente, o despacho decisório se limitou a apontar que a compensação não seria homologada porque a partir das características do DARF discriminado na DCOMP, o sistema da RFB localizou um ou mais pagamentos que serviram para a quitação de débitos do próprio contribuinte. Ocorre que ao tempo do julgamento já teria sido transmitida DCTF retificadora que deixou de ser considerada. Segundo a recorrente: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10725.903167/200959 Acórdão n.º 1402003.367 S1C4T2 Fl. 3 3 Invoca ainda a ampla defesa e o contraditório para legitimar seu pleito. Explica que no mérito o crédito decorre do recolhimento a maior de IRPJ n regime de apuração do lucro presumido quando aplicou erroneamente o percentual de presunção de 32%, invés do percentual de 8% adequado para rendimentos oriundos de serviços hospitalares. Afirma que apresentou DCOMPretificadoras para corrigir dados da DCOMP original, não para transmitir DCOMP com créditos supostamente prescritos. Afirma que não há prazo fixado em lei para retificar suas declarações, não sendo aplicável o art. 150, §4º do CTN como parâmetro. Sustenta que divergência entre DCTFretificadora e DIPJ não pode ser visto como impedimento para a compensação, tratandose tão somente de obstáculo de natureza formal. O que gera o crédito para o é a efetivação do pagamento indevido e não as informações prestadas por DCTF e/ou DIPJ. Por fim, acrescenta que: Conclui sustentando que aplicase ao caso a tese do 5 +5, consolidada no julgamento do RESP nº 1002932/SP, com efeito repetitivo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 58DF CARF MF 4 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.353, de 15/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.903155/2009 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.353): "1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. DO MÉRITO Conforme bem apontou o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, ao proferir o acórdão 1402001.976: De acordo com as normas introduzidas no ordenamento jurídico conferiuse nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, passando a exigir a apresentação de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) com a finalidade de tornar eficaz o exercício da compensação de débitos tributários com eventual indébito tributário apurado pelo contribuinte, inclusive em relação a tributos e contribuições de mesma natureza. Assim sendo, a entrega da PER/DCOMP instituiuse como premissa para a determinação da extinção do crédito tributário mediante compensação. Diante disso, a partir da vigência do referido dispositivo legal, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, formulada em consonância com o art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, e nos termos da antiga redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, regulamentada na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, tornouse inadmissível para cumprimento do novel regime de compensação introduzido no sistema tributário. Sendo assim, não merece qualquer reparo as conclusões firmadas pela autoridade administrativa responsável pela análise das DCOMP eletrônicas, visto que, por este aspecto, plenamente legítima a delimitação de reconhecimento do direito creditório levada a efeito no despacho decisório A jurisprudência consolidada desta turma segue no sentido de que é possível a compensação de débitos tributários via PER/DCOMP quando transmitida DCTF retificadora desde que exista prova inequívoca do crédito apontado. Esse também foi o entendimento adotado pela Receita Federal quando emitiu o Parecer Normativo COSIT nº 2 de 2015: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10725.903167/200959 Acórdão n.º 1402003.367 S1C4T2 Fl. 4 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado Fl. 60DF CARF MF 6 em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Se de um lado é incontroversa a possibilidade de se retificar a DCTF após a transmissão da PER/DCOMP, o mesmo não se pode afirmar quando a retificação é posterior ao prazo decadencial. O art. 168 do CTN dispõe que “O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. De sua parte o art. 165 do CTN dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Por entender que a decadência objetiva a pacificação das relações sociais deve atingir tanto a possibilidade de o fisco lançar como de o contribuinte aproveitar dos créditos, através de compensação. Nessa toada, adiro ao precedente desta turma nos autos do processo administrativo nº 16306.000011/201075 em que se decidiu : DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10725.903167/200959 Acórdão n.º 1402003.367 S1C4T2 Fl. 5 7 A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Referido precedente é aplicável ao caso concreto. A recorrente apresentou DCTF extemporânea, mas não comprovou cabalmente o pagamento a maior, restringindose a apontar que aplicou o percentual de presunção inadequado sem apresentar as provas do erro ou que fazia jus ao referido percentual, em linha com as exigências da legislação tributária. Esses motivos são o suficiente para além de manter a decisão recorrida no mérito, afastar a nulidade suscitada pela Recorrente em sede preliminar. Fl. 62DF CARF MF 8 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto pela manutenção da decisão recorrida. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 13864.720037/2013-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. NULIDADE.
Improcedentes as arguições de nulidade, quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. A contribuinte foi intimada durante a ação fiscal, com observância das normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, garantindo-se, assim, o exercício da ampla defesa.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2.
SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizam-se como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO.
Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplica-se idêntico entendimento aos demais tributos e contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
O lançamento de ofício proporciona a exigibilidade da multa de ofício de 75%, com acréscimo dos juros de mora pela taxa SELIC, incidindo sobre a totalidade ou a diferença dos tributos apurados.
PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Considera-se prescindível a realização de perícia, se a pessoa jurídica, devidamente intimada em diversas ocasiões no curso da ação fiscal e mesmo diante de prorrogações de prazo, não apresenta as comprovações solicitadas, nem quando da oposição da sua impugnação administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Rafael Gasparello Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los (presidente em exercício), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. NULIDADE. Improcedentes as arguições de nulidade, quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. A contribuinte foi intimada durante a ação fiscal, com observância das normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, garantindose, assim, o exercício da ampla defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO. Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplicase idêntico entendimento aos demais tributos e contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 00 37 /2 01 3- 62 Fl. 1195DF CARF MF 2 O lançamento de ofício proporciona a exigibilidade da multa de ofício de 75%, com acréscimo dos juros de mora pela taxa SELIC, incidindo sobre a totalidade ou a diferença dos tributos apurados. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Considerase prescindível a realização de perícia, se a pessoa jurídica, devidamente intimada em diversas ocasiões no curso da ação fiscal e mesmo diante de prorrogações de prazo, não apresenta as comprovações solicitadas, nem quando da oposição da sua impugnação administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los (presidente em exercício), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório O acórdão nº 1268.583, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro, julgou improcedente a impugnação administrativa, conforme se extrai da sua ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 PRELIMINAR DE NULIDADE. ARGUIÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Constatado que a fiscalização concedeu à pessoa jurídica fiscalizada, no curso da ação fiscal, todas as oportunidades para se contrapor aos fatos a ela imputados, de acordo com as regras que disciplinam o processo administrativo fiscal, não prospera a arguição de cerceamento do direito a ampla defesa. Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 13864.720037/201362 Acórdão n.º 1201002.306 S1C2T1 Fl. 1.196 3 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE / INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. INCOMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. ATIVIDADE VINCULADA. Os órgãos administrativos da Administração Pública exercem atividade vinculada, com estrita observância dos atos praticados pelo Poder Executivo e das leis promulgadas pelo Poder Legislativo, falecendolhes competência para apreciar arguições de ilegalidade e inconstitucionalidade de lei, atribuição esta privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Considerase prescindível a realização de perícia, se a pessoa jurídica, devidamente intimada em diversas ocasiões no curso da ação fiscal e mesmo diante de prorrogações de prazo, deixa de apresentar as comprovações solicitadas, não o fazendo também no momento da interposição de sua peça impugnatória aos autos de infração lavrados. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A falta de comprovação de depósitos/créditos bancários efetuados nas contas correntes mantidas pela pessoa jurídica, caracteriza omissão de receita, razão pela qual considerase ocorrido o fato gerador da obrigação tributária correspondente e a cobrança do IRPJ devido. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. JUROS MORATÓRIOS. UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC. EXIGÊNCIA. Nas hipóteses de lançamento de ofício, são exigíveis a multa de ofício de 75% e os juros de mora calculados com base na taxa SELIC, sobre a totalidade ou diferença de impostos e contribuições apurados, na forma da legislação que rege as respectivas matérias. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008 CSLL. COFINS. PIS. CPP. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplicamse aos lançamentos tidos como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz (IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há elementos novos a ensejar conclusões diversas. Fl. 1197DF CARF MF 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Resumidamente, o acórdão recorrido narrou os fatos que proporcionaram a imposição fiscal: I) Dos autos de infração Trata o presente processo de autos de infração lavrados pela DRF/SÃO JOSÉ DOS CAMPOSSP, amparados nos fatos descritos em Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 879/881), consubstanciando lançamentos de exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ)–SIMPLES, no valor de R$ 31.716,49 (fls. 978/982), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)–SIMPLES, no valor de R$ 31.716,49 (fls. 983/987), da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS)SIMPLES, no valor de R$ 94.193,58 (fls. 988/992), da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/PASEP)–SIMPLES, no valor de R$ 22.373,17 (fls. 993/997), e da Contribuição Patronal PrevidenciáriaSIMPLES, no valor de R$ 270.432,99 (fls. 998/1002), referentes ao ano calendário de 2008, com o acréscimo da multa de ofício de 75% e dos juros moratórios, em face da apuração das seguintes irregularidades: A) OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS. Enquadramento legal: IRPJ/CSLL/COFINS/PIS/CPP arts. 3º, § 1º, 13, inciso I, 18, §§ 1º, 3º e 4º, 25 e 34, da Lei Complementar nº 123/2006 e alterações; arts. 1º, 2º, 3º, 4º, 5º, § 1º, 6º e 16 da Resolução CGSN nº 05/2007 e alterações; arts. 9º, 13 e 14, inciso I, e 19, §§ 1º a 4º, da Resolução CGSN nº 30/2008; art. 42 da Lei nº 9.430/1996; art. 58 da Medida Provisória nº 66/2002 convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002; art. 287, §§ 1º a 3º, do RIR/1999. B) INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CONTRIBUIÇÕES. Enquadramento legal: IRPJ/CSLL/COFINS/PIS/CPP arts. 3º, § 1º, 13, inciso I, 18, §§ 1º, 3º e 4º, 25 e 34, da Lei Complementar nº 123/2006 e alterações; arts. 1º, 2º, 3º, 4º, 5º, § 1º, 6º e 16 da Resolução Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 13864.720037/201362 Acórdão n.º 1201002.306 S1C2T1 Fl. 1.197 5 CGSN nº 05/2007 e alterações; art. 14, inciso III, e 19, §§ 1º a 4º, da Resolução CGSN nº 30/2008. II) Do Termo de Verificação e Constatação Fiscal 2. No curso da ação fiscal para verificação do cumprimento por parte da interessada das obrigações tributárias relativas aos tributos e contribuições abrangidos pelo SIMPLES NACIONAL, de competência exclusivamente da Receita Federal, relativos ao ano calendário de 2008, constatou a Fiscalização as seguintes irregularidades descritas no Termo em referência (fls. 879/881), a seguir sintetizadas: 2.1. ciente, em 22/11/2011, do Termo de Início do Procedimento Fiscal lavrado em 11/11/2011, foram solicitados à interessada o seu Contrato Social, o Livro Caixa, o Razão/Diário (se existente), o Livro Registro de Saídas com as escriturações de 2008, os extratos bancários de todas as contas mantidas pela empresa, com as movimentações ocorridas em 2008, e a cópia da DASN do ano calendário 2008; 2.2. em 06/12/2011, a interessada apresentou os documentos solicitados, exceto os extratos bancários; 2.3. em 25/01/2012, a interessada informou que os extratos bancários do ano calendário 2008 não foram localizados em seus arquivos, não sendo, por conseguinte, apresentados à Fiscalização; 2.4. a interessada autorizou a Fiscalização, em 31/01/2012, a solicitar os referidos documentos bancários diretamente das instituições financeiras; 2.5. em decorrência, a Fiscalização requereu os extratos bancários diretamente das instituições financeiras, através da Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), datada de 03/02/2012, aprovada pelo Chefe da Fiscalização da DRF/SÃO JOSÉ DOS CAMPOSSP; 2.6. por meio das RMF emitidas em 12/02/2012, foram solicitados os extratos bancários do BRADESCO, BANCO DO BRASIL, ITAÚ e SANTANDER, os quais foram recebidos em 20/03/2012, 27/03/2012, 21/03/2012 e 13/03/2012, respectivamente; Fl. 1199DF CARF MF 6 2.7. com base nesses extratos, foram relacionados todos os depósitos/créditos efetuados em 2008, sendo a interessada intimada a justificar, no prazo de 15 (quinze) dias, a origem dos recursos movimentados, mediante documentos hábeis e idôneos, através do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 09/04/2012, com ciência em 18/04/2012; 2.8. em 30/04/2012, a interessada solicitou prorrogação de prazo de 30 (trinta) dias, alegando que o atendimento à intimação fiscal demandava grande volume de documentos; 2.9. em 30/05/2012, solicitou novamente prorrogação de prazo por 30 (trinta) dias, alegando indisponibilidade de acesso aos extratos do BANCO ITAÚ, pois o documento bancário pedido em 02/05/2012 não teria sido ainda atendido pela agência bancária; 2.10. todavia, a Fiscalização indeferiu o prazo solicitado e concedeu um prazo de 10 (dez) dias; 2.11. para justificar a origem dos valores apurados pelo Fisco, na qualidade de correspondente bancário do BANCO BRADESCO, apresentou a interessada, em 08/06/2012, os Relatórios de transações diárias/2008, o Anexo nº 3 e o Anexo Operacional do Contrato de Prestação de Serviços de Correspondente no País, de nº 2125/06, firmado entre o BANCO BRADESCO S/A e a CIBENE em 06/08/2006; 2.12. nos referidos relatórios relativos ao ano calendário 2008, fornecidos pelo BRADESCO, constam recebimentos diários nas rubricas “Recebido – Cobrança”, “Recebido – Concessionária” e “Recebido – Tributos”, cujos valores estão resumidos a seguir: 2.13. confrontandose, período a período, os valores dos Relatórios apresentados com aqueles indicados nos extratos bancários do BANCO BRADESCO, não se constata nenhuma semelhança de valores que possibilite a identificação da origem dos depósitos/créditos relacionados pela Fiscalização; 2.14. em face dessas divergências, foi a interessada novamente intimada a justificar, no prazo de 10 (dez) dias, a origem dos recursos movimentados no BRADESCO e nos demais bancos (BRASIL, ITAÚ e SANTANDER), relacionados nos Anexos 1 a 36, através do Termo de Constatação Fiscal, lavrado em 03/12/2012, cuja ciência ocorreu em 06/12/2012; Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 13864.720037/201362 Acórdão n.º 1201002.306 S1C2T1 Fl. 1.198 7 2.15. em 17/12/2012, a interessada informou que já apresentou todos os documentos de que dispunha para comprovar a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários efetuados em 2008, relacionados nos Anexos 1 a 36; 2.16. os documentos citados pela interessada referemse aos contratos e aos Relatórios de transações diárias/2008, fornecidos pelo BRADESCO, cujas informações não atenderam à Fiscalização, conforme já comentado; 2.17. com o intuito de conceder nova oportunidade à interessada para justificar a origem dos recursos movimentados nos bancos em 2008, foi a interessada reintimada através do Termo de Constatação Fiscal, lavrado em 21/12/2012, cuja ciência ocorreu em 02/01/2013; 2.18. novamente, em 14/01/2013, a interessada não apresentou qualquer comprovação documental, tendo ela repetido, apenas, a resposta anterior, qual seja, que já apresentara todos os documentos de que dispunha para comprovar a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários efetuados em 2008; 2.19. diante desta resposta, foi elaborada a planilha de apuração de depósitos bancários não comprovados, na qual foram considerados os depósitos/créditos e as respectivas deduções (transferências bancárias entre contas de mesma titularidade, devoluções de cheques depositados, empréstimos bancários e as receitas declaradas), apurandose o montante de R$ 5.030.191,74; 2.20. nestas receitas omitidas por presunção legal não foi possível se identificar a forma de revenda das mercadorias, isto é, com ou sem substituição tributária (ICMS); 2.21. em tal situação, a Resolução CGSN nº 30/2008, em seu artigo 10, dispõe que, quando não se consegue identificar a origem a autuação será efetuada utilizandose a maior das alíquotas relativas à faixa de receita bruta de enquadramento do contribuinte, dentre as tabelas aplicáveis às respectivas atividades; 2.22. assim, nos autos de infração relativos ao SIMPLES NACIONAL, respeitado o disposto no art. 19 e § 1º, da Resolução CGSN nº 30/2008, foram utilizadas as alíquotas do Anexo I da Resolução CGSN nº 5/2007; 2.23. os valores dos depósitos bancários não comprovados foram lançados para constituição de crédito tributário a favor da União. III) Da impugnação 3. Inconformada com os lançamentos, dos quais tomou ciência em 20/03/2013 (AR, fls. 971), apresentou a interessada, em 17/04/2013, a impugnação de fls. 1069/1097, instruída com a documentação de fls. 1098/1103, alegando, em síntese, que: Fl. 1201DF CARF MF 8 3.1. os extratos bancários foram entregues em 08/06/2012 em razão de atrasos justificados pelo banco; 3.2. em atendimento à intimação recebida em 02/01/2013, foi informado ao Fisco que as movimentações bancárias se justificavam pelos documentos já apresentados; 3.3. a lavratura dos autos de infração foi indevida, devendo ser retificados pelos motivos expostos a seguir; 3.4. entendimento já há muito pacificado (Súmula 182 do extinto TFR), prevê a impossibilidade de autuação do contribuinte por omissão de receita somente com base em extratos bancários, obtidos por meio de quebra de sigilo bancário; 3.5. fica evidente, assim, a ilegalidade das exigências, que além de quebrar o sigilo bancário do contribuinte – sem qualquer indício para tal – procedeu à elaboração dos autos de infração utilizandose, tão somente, de extratos bancários; 3.6. os depósitos utilizados como fundamento para apurar a suposta receita omitida foram sim, comprovados através de documentos hábeis e idôneos apresentados pela autuada; 3.7. parte das “receitas” não foram oriundas da revenda de mercadorias como tentam fazer crer os auto de infração, mas sim, do comprovado convênio firmado com o BANCO BRADESCO S/A para atuar como correspondente bancário na cidade de Santa Isabel/SP; 3.8. através deste convênio, a empresa recebia em nome do Banco as contas de consumo de energia elétrica, tributos e outros créditos, somente prestando esclarecimentos de tais recebimentos no dia seguinte; 3.9. tais informações e documentos não corroboram a tese de omissão de receita, sendo clara a legalidade destas operações; 3.10. esses valores foram apresentados à Fiscalização e sequer foram destacados no auto de infração, fazendose destes, apenas, breve menção; 3.11. o resumo da apuração apontada pelo fiscal autuante demonstra uma grande movimentação em apenas uma conta bancária (BANCO BRADESCO, Ag. 1977, c/c nº 0329), que diferentemente das demais contas bancárias recebia os recursos oriundos do convênio de correspondente bancário, conforme Contrato nº 2125/06 apresentado quando da auditoria; 3.12. tal situação demonstra que, diferentemente do alegado no auto de infração, todas as receitas relativas à revenda de mercadorias foram devidamente informadas à Receita Federal e, consequentemente, declaradas, cabendo ressaltar, apenas, aquelas originadas do referido convênio; 3.13. há necessidade de perícia contábil, isenta e imparcial, que aponte corretamente todos os valores oriundos do convênio de correspondente bancário para, assim, ser possível justificar todos os valores supostamente omitidos; Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 13864.720037/201362 Acórdão n.º 1201002.306 S1C2T1 Fl. 1.199 9 3.14. a informação do autuante de que não foi possível identificar o modo pelo qual ocorreu a revenda de mercadorias, se com ou sem substituição tributária (ICMS), deixa evidente que o autuante não poderia lavrar o auto de infração sem proceder a minucioso levantamento tanto dos valores movimentados a título de correspondente bancário em nome do BANCO BRADESCO, como também em relação à natureza das transações efetivadas com suporte no instituto da substituição tributária; 3.15. ademais, os valores apontados diariamente, oriundos do recebimento do convênio de correspondente bancário, não foram claramente abatidos das supostas “receitas de revenda de mercadorias”, limitandose o autuante a indicar os valores ditos não recolhidos mensalmente, sem sequer ponderar a clara receita oriunda do convênio de correspondente bancário; 3.16. comprovouse perante o fiscal autuante a movimentação no ano de 2008 da quantia de R$ 2.745.823,45 referente ao recebimento de valores decorrentes do convênio firmado com o BANCO BRADESCO S/A, valores esses que, obviamente, foram movimentados através da conta mantida junto ao BANCO BRADESCO, informada no auto de infração; 3.17. esses valores, além da remuneração que propiciavam, diminuíam os encargos financeiros a serem pagos àquele estabelecimento bancário em caso de utilização de excesso de limite de crédito; 3.18. o raciocínio elaborado nos autos está, assim, despido de qualquer lógica no sentido de que esses valores não integram a movimentação bancária, tida por omissiva, o que torna impossível a sua defesa; 3.19. é ilegal a utilização da SELIC como índice de juros moratórios; 3.20. a multa de ofício aplicada é abusiva e confiscatória, configurandose, na verdade, em um confisco, claramente proibido pela Constituição Federal, encontrandose esta matéria pendente de julgamento no STF, sendo reconhecida a repercussão geral desta; 3.21. tais fatos permitem concluirse que, tanto a lavratura dos autos de infração, como a imposição da multa e a cobrança da taxa SELIC são indevidos, devendo os mesmos serem anulados, afastandose a cobrança do suposto crédito tributário, oriundo de supostas omissões de receita, por inexistente. A contribuinte interpôs o tempestivo Recurso Voluntário, reiterando os mesmos argumentos da impugnação administrativa. É o relatório. Voto Fl. 1203DF CARF MF 10 Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. I. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO O acórdão recorrido ratificou a exigência tributária, explicitando a inexistência de qualquer nulidade do lançamento de ofício. Igualmente, não vislumbro quaisquer das hipóteses dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/19721, endossando a ausência de nulidade e prevalecendo a validade da constituição do crédito tributário, tal como formalizado. Por sua vez, não é nula a exigência consubstanciada em informações financeiras da contribuinte, obtidas pela Receita Federal do Brasil sem prévia autorização judicial. Atualmente, a jurisprudência do Egrégio Supremo Tribunal Federal, uniformizada pelo acórdão prolatado no Recurso Extraordinário (RE) nº 601.314/SP, com efeito da repercussão geral estabelecida no artigo 543B do Código de Processo Civil vigente à época, possibilita o acesso dessas informações bancárias no exercício do procedimento fiscal: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências 1 “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio” Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 13864.720037/201362 Acórdão n.º 1201002.306 S1C2T1 Fl. 1.200 11 ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. O artigo 145, parágrafo primeiro, da Constituição Federal, consagra o princípio da capacidade contributiva, orientando que "sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte." A autoridade administrativa é competente para exigir informações financeiras da contribuinte, mediante intimação escrita, consoante o artigo 197 do Código Tributário Nacional: Fl. 1205DF CARF MF 12 "Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;" A Lei Complementar nº 105/2001 permitiu a requisição de informações diretamente nas instituições financeiras, ressaltando que não configuraria violação ao dever de sigilo: Art.1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) §3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art.5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) §2º As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) §4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. §5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 13864.720037/201362 Acórdão n.º 1201002.306 S1C2T1 Fl. 1.201 13 aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Este instrumento de fiscalização foi aperfeiçoado pela Lei nº 10.174/2001 e o Decreto nº 3.724/2001, com validade constitucional reconhecida pelo Colendo Supremo Tribunal Federal. Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". II. MÉRITO De acordo com artigo 57, parágrafo terceiro, do Regulamento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto e transcrevo a "decisão de primeira instância", concordando com seu inteiro teor, ressalvando que inexistiu novos argumentos ou provas, quando da interposição do Recurso Voluntário: V) Das preliminares Da arguição de impossibilidade de apresentação de defesa 6. Da leitura dos autos não vislumbro qualquer procedimento adotado pelo autor do feito passível de ter proporcionado o alegado cerceamento do direito a ampla defesa. Inúmeras foram as intimações feitas à interessada, com vistas a justificar os depósitos/créditos ocorridos nas contas correntes por ela mantidas nas instituições financeiras BANCO BRADESCO, BANCO DO BRASIL, BANCO ITAÚ e BANCO SANTANDER. Basta uma simples leitura do Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 879/881), para se ter uma síntese das oportunidades concedidas à interessada. 7. Além do mais, demonstrativos analíticos elaborou o fiscal autuante no sentido de discriminar os depósitos que considerou não comprovados e as deduções efetuadas. 8. Assim, contrariamente ao que aduz a interessada, foilhe concedido pleno conhecimento dos fatos com o fim de garantir lhe direito a mais ampla defesa, motivo pelo qual, rejeito os argumentos apresentados. Da arguição de violação a princípios constitucionais 9. A interessada considera que os autos de infração lavrados violam os princípios constitucionais da legalidade, devido a Fl. 1207DF CARF MF 14 utilização da SELIC como índice de juros moratórios, e do não confisco, em face da exigência da multa de ofício. 10. Cumpre esclarecer, que os órgãos administrativos da Administração Pública exercem atividade vinculada aos atos praticados pelo Poder Executivo e às leis promulgadas pelo Poder Legislativo, não cabendo discussão, nesta esfera administrativa, sobre o acerto dos critérios neles contidos. 11. Nesse sentido, a atividade desenvolvida no âmbito do processo administrativo fiscal é, do ponto de vista formal, de natureza administrativa, sendo, pois, plenamente vinculada. 12. No que diz respeito, em particular, ao julgamento de processos fiscais, exercendo os órgãos administrativos atividade vinculada não compete às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento a apreciação de arguições de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade e de violação de princípios constitucionais, provocadas no curso dos processos administrativos fiscais, uma vez que o poder desses órgãos administrativos se limita ao exame dos atos praticados pela Administração Tributária, assim como dos atos administrativos emanados de autoridades hierarquicamente superiores. A competência para arguições desta natureza foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário pela Constituição Federal de 1988 (art. 102). 13. Sobre, ainda, a questão da limitação da competência dos órgãos de jurisdição administrativa, é vasta a jurisprudência dos colegiados administrativos a respeito da matéria, conforme ementa reproduzida a seguir: NORMAS PROCESSUAIS – ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE – ESFERA ADMINISTRATIVA – IMPOSSIBILIDADE – O processo administrativo não é sede adequada para as discussões sobre ilegalidade ou inconstitucionalidade de norma ou de exigência tributária, posto que as declarações em tal sentido, mesmo em caráter incidental, são de competência exclusiva do Poder Judiciário. Preliminar rejeitada.” (CC. Acórdão 20306409. Data da sessão: 14/03/2000). 14. Diante do exposto, deixo de apreciar as ilegalidades e inconstitucionalidades suscitadas. Do pedido de realização de perícia 15. A interessada requer a realização de perícia contábil no sentido de que sejam identificados corretamente todos os valores oriundos do convênio de correspondente bancário firmado com o BANCO BRADESCO, para, assim, possibilitarlhe justificar todos os valores supostamente omitidos, sem o qual, tornase impossível a sua defesa. 16. Esclareço, inicialmente, que todos os valores relativos ao referido convênio estão relacionados nos Relatórios de Transações do Dia (fls. 756/818), apresentados pela própria interessada, os quais não constam dos extratos bancários fornecidos pelo BANCO BRADESCO, razão pela qual estão Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 13864.720037/201362 Acórdão n.º 1201002.306 S1C2T1 Fl. 1.202 15 sendo considerados depósitos bancários não escriturados, tendo em vista que a interessada não logrou comprovar a sua origem. 17. Ademais, o pedido de produção de prova pericial por ocasião da impugnação tem previsão no art. 16, inciso IV, e § 1º, do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, e alterações posteriores, que estabelece: Decreto nº 70.235/1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) § 1º. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. 18. Os requisitos de admissibilidade do pedido de perícia, previstos no inciso IV, não são mera formalidade processual, mas elementos essenciais à análise da imprescindibilidade da produção da prova. 19. Considero que, no caso em questão, os requisitos de admissibilidade exigidos não estão presentes nesses autos, eis que a interessada formula pedido genérico, sem indicar quaisquer quesitos que deseja sejam objeto de exame e sem especificar os pontos de discordância. 20. A prova do recebimento dos valores recebidos a título de correspondente bancário do BANCO BRADESCO incumbia à própria interessada, que teve a oportunidade de elidir a acusação fiscal por um período de cerca de 17 meses, desde a data da lavratura do Termo de Início de Fiscalização, em 11/11/2011, até 17/04/2013, quando apresentou sua impugnação, período em que várias intimações foram realizadas neste sentido. Convenhamos que, o tempo disponibilizado à interessada para comprovar os valores solicitados foi bastante generoso. 21. Em face do disposto no § 1º do art. 16, antes transcrito, que considera não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos do inciso IV do Decreto nº 70.235/1972, e considerando, ainda, que os documentos constantes dos autos são suficientes para o deslinde da pendência, voto pela rejeição da preliminar de realização de perícia. VI) Do mérito Fl. 1209DF CARF MF 16 Da arguição de lançamento efetuado exclusivamente com base em depósitos bancários 22. A interessada argumenta, que o lançamento foi efetuado com base exclusivamente em depósitos bancários. Tal assertiva, porém, não corresponde à verdade dos fatos. Isto porque, o autuante somente lavrou os autos de infração depois de efetuado o cotejamento entre as movimentações financeiras informadas pelas instituições bancárias, os registros dos livros contábeis trazidos aos autos e a DASN do ano calendário 2008 apresentada. Se acaso a Fiscalização houvesse efetuado o lançamento do crédito tributário somente com base nos depósitos e extratos bancários a que teve acesso, todos os valores fornecidos pelos bancos teriam sido objeto de lançamento, o que não ocorreu no presente caso. Da arguição de quebra do sigilo bancário 23. A interessada foi intimada através do Termo de Início do Procedimento Fiscal lavrado em 11/11/2011 (fls. 40) a apresentar, além de livros e documentos, os extratos bancários de todas as contas por ela mantidas em instituições financeiras com as movimentações ocorridas no ano calendário de 2008. 24. Todos os documentos solicitados foram apresentados, exceto os extratos bancários, sendo informado pela interessada que não foram localizados em seus arquivos. 25. Entretanto, por iniciativa própria a interessada autorizou a DRF/SÃO JOSÉ DOS CAMPOSSP/Sefis a solicitar junto às instituições financeiras os extratos bancários referentes ao período de janeiro a dezembro/2008, conforme consta do documento de fls. 113, datado de 31/01/2012. 26. A Fiscalização, então, de posse da autorização concedida pela interessada e das RMF correspondentes, solicitou às instituições financeiras os extratos bancários, seguindo, assim, os trâmites legais, no que foi plenamente atendida. 27. Desse modo, não prospera a argumentação de quebra de sigilo bancário. Do IRPJ 28. A exigência do IRPJ decorre da apuração, no ano calendário de 2008, de depósitos bancários não escriturados e cuja origem não restou comprovada, tendo sido efetuados os lançamentos correspondentes como omissão de receitas, nos termos do art. 42 e § 1º, da Lei nº 9.430/1996, o qual dispõe: Lei nº 9.430/1996 Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 13864.720037/201362 Acórdão n.º 1201002.306 S1C2T1 Fl. 1.203 17 § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. 29. No curso da ação fiscal o autuante procedeu a inúmeras intimações da interessada, conforme já relatado, com vistas à comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados no ano de 2008, constantes dos extratos do BANCO BRADESCO, BANCO DO BRASIL, BANCO ITAÚ e BANCO SANTANDER, mediante documentos hábeis e idôneos. 30. Com referência aos valores do BANCO DO BRASIL, BANCO ITAÚ e BANCO SANTANDER a interessada nada apresentou a respeito, seja durante a ação fiscal, seja no momento da apresentação de sua peça impugnatória. 31. No que tange ao BANCO BRADESCO, a fim de justificar a origem dos valores movimentados nesta instituição financeira, na qualidade de correspondente bancário, apresentou a interessada, ainda na fase fiscalizatória, o Anexo nº 03 ao Contrato de Correspondente no País (fls. 728/751), o Anexo Operacional do Contrato de Prestação de Serviços de Correspondente no País, de nº 2125/06, firmado entre o BANCO BRADESCO e a interessada (fls. 752/755) e os Relatórios de Transações do Dia (fls. 756/818). Já na fase impugnatória, instruiu sua defesa com a planilha de fls. 1100/1101. 32. O mencionado Contrato e seu Anexo nº 03 demonstram que, de fato, as partes celebraram um contrato de prestação de serviços, em que a contratada (interessada) ficava incumbida de receber, em dinheiro, depósitos à vista ou de poupança, em nome de pessoas físicas ou jurídicas mantidas no contratante (BANCO BRADESCO). 33. Os Relatórios de Transações do Dia, expedidos pelo BANCO BRADESCO, em nome da interessada, na qualidade de sua correspondente, informam, dia a dia, os valores por ela recebidos sob diversas rubricas (“Cobrança”, “Concessionária”, “Tributos” e outros), os quais ensejaram a elaboração do demonstrativo que integra o item 10 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 880). 34. No entanto, como bem informou o fiscal autuante no referido Termo (item 11, fls. 880), não se constata nenhuma semelhança entre os valores constantes dos extratos bancários fornecidos pelo BANCO BRADESCO e os valores recebidos pela interessada informados nos referidos Relatórios de Transações do Dia. 35. Intimada durante a ação fiscal a justificar a origem desses recursos movimentados no BANCO BRADESCO, a interessada respondeu que já apresentara todos os documentos de que dispunha. 36. Por seu turno, na planilha de fls. 1100/1101 que instrui sua impugnação constam inúmeros valores, relacionados mês a mês, Fl. 1211DF CARF MF 18 sem qualquer indicação de sua procedência, totalizando R$ 2.745.823,45. Esta planilha por si só nada comprova, porquanto não se faz acompanhar de correspondente documentação probante. 37. Vale destacar, que o fiscal autuante excluiu da base tributável das exigências as transferências bancárias efetuadas entre contas de mesma titularidade, os depósitos oriundos de cheques devolvidos, os empréstimos bancários obtidos, os resgates de aplicações financeiras e as receitas de vendas declaradas, conforme discriminado nos demonstrativos de fls. 868/872. 38. Tendo em vista, portanto, que a interessada não logrou comprovar a origem dos citados recursos, voto no sentido de considerar omitida a receita total de R$ 5.030.191,74, minuciosamente discriminada pelo autuante nos demonstrativos de fls. 873/874. Da multa de ofício de 75% 39. A aplicação da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre o imposto e as contribuições ora exigidos fundamentase no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, a seguir transcrito: Lei nº 9.430/1996 Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 40. O referido dispositivo legal preceitua, portanto, que a incidência da multa de ofício de 75% ocorre nas hipóteses de lançamento de ofício sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, motivado pela falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, bem como nas situações de falta de declaração e nos de declaração inexata. 41. Como dito anteriormente quando do exame da arguição de violação a princípios constitucionais, a lei tem força vinculante perante a Administração Pública, logo tal discussão não compete às instâncias administrativas. 42. Desse modo, uma vez apuradas, de ofício, as irregularidades que ora ensejam as exigências do IRPJ e das contribuições reflexas da CSLL, do PIS, da COFINS e da CPP, impõese, obrigatoriamente, a cobrança da multa de ofício de 75% sobre eles incidente, nos termos da legislação de regência. Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 13864.720037/201362 Acórdão n.º 1201002.306 S1C2T1 Fl. 1.204 19 Da cobrança da taxa SELIC 43. Reclama, ainda, a interessada, da incidência da Taxa SELIC na cobrança de juros de mora, instituída pela Lei nº 9.065, de 20/06/1995 (art. 13), e posteriormente confirmada pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996 (art. 61, § 3º). 44. Sobre a exigência de juros de mora, vale reproduzir o disposto no art. 161 do CTN: CTN Art. 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. 45. Claro está, portanto, que os juros de mora incidirão à razão de 1% (um por cento) ao mês, caso a lei não disponha de modo diverso. No entanto, a Lei n° 9.430/1996, art. 5º, § 3º e art. 61, § 3º, veio acrescentar o seguinte preceito: Lei nº 9.430/1996 Art. 5º (...) § 3º. As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Fl. 1213DF CARF MF 20 46. Assim, a Lei nº 9.430/1996 foi promulgada pelo Poder Legislativo e sancionada pelo Poder Executivo, a quem compete sua fiel execução. 47. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal vem entendendo que não há nenhuma ilegalidade na utilização de taxa superior a 1%. A título de exemplo, transcrevese ementa de decisão unânime da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, no RE nº 178.2633/RS, da lavra do Ministro Celso de Mello: TAXA DE JUROS REAIS LIMITE FIXADO EM 12% A.A. (CF, ART. 192, §3º) NORMA CONSTITUCIONAL DE EFICÁCIA LIMITADA IMPOSSIBILIDADE DE SUA APLICAÇÃO IMEDIATA NECESSIDADE DA EDIÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR EXIGIDA PELO TEXTO CONSTITUCIONAL APLICABILIDADE DA LEGISLAÇÃO ANTERIOR A CF/88 RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E PROVIDO. A regra inscrita no art.192, § 3º, da Carta Política norma constitucional de eficácia limitada constitui preceito de integração que reclama, em caráter necessário, para efeito de sua plena incidência, a medida legislativa concretizadora do comando nela positivado. Ausente a lei complementar reclamada pela Constituição, não se revela possível a aplicação imediata de taxa de juros reais de 12% a.a. prevista no artigo 192, § 3º, do texto constitucional. 48. Desse modo, de acordo com a legislação tributária, é cabível a cobrança dos juros moratórios, inclusive no que concerne à exigência da taxa SELIC, em estrita observância ao princípio da legalidade. 49. Cabem, aqui, as mesmas considerações sobre vinculação à lei a que se submete a atividade de lançamento, já expendidas por ocasião do exame das arguições de violação a princípios constitucionais e da exigência da multa de ofício de 75%. 50. Assim, voto pela manutenção da exigência dos juros moratórios calculados com base na taxa SELIC, incidentes sobre o IRPJ, a CSLL, a COFINS, o PIS e a CPP, nos moldes em que foram apurados nos autos de infração correspondentes. Da CSLL, PIS/PASEP, COFINS e CPP 51. As mesmas considerações feitas para o lançamento principal do IRPJ são válidas para as contribuições tidas como decorrentes ou reflexas, na medida em que não há nos autos fatos ou elementos novos que justifiquem conclusões diversas. Assim, mantida a base tributável da exigência do IRPJ, impõe se, por conseguinte, a manutenção das bases tributáveis da CSLL, da COFINS, do PIS e da CPP. Da conclusão 52. À vista de todo o exposto, voto no sentido de não acolher as razões da impugnação interposta, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, julgar procedentes os lançamentos efetuados, nos moldes dos autos de infração lavrados, para considerar devidos: Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 13864.720037/201362 Acórdão n.º 1201002.306 S1C2T1 Fl. 1.205 21 I) o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) – SIMPLES, no valor de R$ 31.716,49; II) a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) – SIMPLES, no valor de R$ 31.716,49; III) a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) SIMPLES, no valor de R$ 94.193,58; IV) a contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) – SIMPLES, no valor de R$ 22.373,17; V) a Contribuição Patronal Previdenciária SIMPLES, no valor de R$ 270.432,99; VI) a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre o imposto e as contribuições acima; e VII) os juros moratórios incidentes sobre os tributos e contribuições, a serem calculados na data do efetivo pagamento, de acordo com a legislação vigente. A Recorrente não evidenciou qualquer argumento jurídico que infirmasse a constituição do crédito tributário, ocasionando sua preservação integral, consoante o acórdão recorrido. Não há elementos suficientes para inverter o ônus da prova, que é da própria Recorrente, demonstrando a inexistência de omissão de receitas. A improcedência sobre a presunção fiscal de omissão de receita ocorre mediante documentos hábeis e idôneos, segundo o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 e a explanação do acórdão recorrido. O artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (RIR/1999), aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, igualmente, reafirma que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." A presunção juris tantum foi estabelecida em norma vigente, invertendo o ônus de prova quanto à omissão de receitas para a contribuinte. O Código de Processo Civil/1973, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, prevê tal hipótese no artigo 334: "Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV— em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade." Em especial, quanto à valoração da multa de ofício, não qualificada, havendo previsão normativa expressa, novamente, não é competente o presente rito para avaliar sua eventual improcedência, consoante a Súmula 2º deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. As considerações acima são bastante para meu convencimento, prescindindo de qualquer perícia ou outra diligência, segundo o artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 1215DF CARF MF 22 Isto posto, voto pelo conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitando a nulidade arguida e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 1216DF CARF MF
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Numero do processo: 10820.000432/2005-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Nos termos do Decerto 7.235, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACORDO TRABALHISTA.
Considera-se rendimento tributável o montante recebido em face de acordo trabalhista firmado entre as partes, ainda que homologado judicialmente, se nele não constar a discriminação, por espécie, dos rendimentos auferido .s.
MULTA DE 75%. LANÇAMENTO DE OFICIO CABIMENTO.
É cabível nos lançamentos de oficio a aplicação da multa no percentual de 75% sobre a totalidade ou diferença de Imposto nos casos de falta de pagamento, pagamento após o prazo sem o acréscimo de multa moratória, de fata de declaração ou de declaração inexata..
JUROS DE MORA TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE.
A cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC está em conformidade com a legislação vigente, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei ordinária a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos tributários não integralmente pagos no vencimento cm porcentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Não é competência da instância administrativa apreciar a constitucionalidade de atos legais.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA -
Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e diligência, quando forem prescindíveis ao deslinde da questão a ser apreciada, não sendo o caso de solicitação de realização de perícia e diligência para produzir provas, que caberiam ao autuado apresentar.
Numero da decisão: 2301-005.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, denegar o pedido de diligência, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Joaõ Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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NULIDADE. Nos termos do Decerto 7.235, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACORDO TRABALHISTA. Considerase rendimento tributável o montante recebido em face de acordo trabalhista firmado entre as partes, ainda que homologado judicialmente, se nele não constar a discriminação, por espécie, dos rendimentos auferido .s. MULTA DE 75%. LANÇAMENTO DE OFICIO CABIMENTO. É cabível nos lançamentos de oficio a aplicação da multa no percentual de 75% sobre a totalidade ou diferença de Imposto nos casos de falta de pagamento, pagamento após o prazo sem o acréscimo de multa moratória, de fata de declaração ou de declaração inexata.. JUROS DE MORA TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE. A cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC está em conformidade com a legislação vigente, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei ordinária a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos tributários não integralmente pagos no vencimento cm porcentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Não é competência da instância administrativa apreciar a constitucionalidade de atos legais. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e diligência, quando forem prescindíveis ao deslinde da questão a ser apreciada, não sendo o caso de solicitação de realização de perícia e diligência para produzir provas, que caberiam ao autuado apresentar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 04 32 /2 00 5- 33 Fl. 156DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, denegar o pedido de diligência, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Joaõ Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima qualificado referente ao Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, exercício 2003, anocalendário 2002, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual. De acordo com os autos, foram alterados os rendimentos recebidos de pessoa(s) jurídica(s) para R$99.000,00, devido a omissão de rendimentos. decorrentes de trabalho com vínculo empregatício recebidos das) pessoa jurídica Reunidas Paulista de Transportes Ltda, conforme informado pela fonte pagadora. O contribuinte apresentou impugnação efls 02/11 onde alegou em síntese: Que o auto de infração deve ser considerado nulo por falta de perícia contábil. Aduz que a autoridade fiscal apurou erroneamente o crédito tributário em função do tendencioso comprovante de rendimentos pagos e de retenção do imposto de renda do anocalendário de 2002 emitido pela fonte pagadora Reunidas Transportes; Defende que a autoridade fiscal deve observar rigorosamente o acordo judicial, em observância à coisa julgada; Afirma que o acordo trabalhista homologado foi dividido em 13 parcelas, das quais 08 foram pagas em 2001 e as demais em 2002, acordo esse que previu como verbas salariais o equivalente a 28,95% do valor total e 71,01% atinentes a verbas indenizatórias; Questiona a multa de 75% alegando não ter havido dolo do contribuinte, devendo esta ser fixada em 2%. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10820.000432/200533 Acórdão n.º 2301005.651 S2C3T1 Fl. 157 3 Sustenta que os juros de mora com base na taxa SELIC são ilegais e inconstitucionais; Entende que caso sejam devidos os tributos, pleiteia a compensação dos valores pagos quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual ou em outra oportunidade; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília julgou procedente o lançamento mantendo a autuação. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso reiterando os mesmos argumentos constantes na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Em que pesem os argumentos do recorrente, estes não são suficientes para alterar o lançamento fiscal. Tendo em vistas que o recurso sob análise repetiu todas as alegações constantes da impugnação e por concordar plenamente com a decisão de primeira instância, peço vênia para transcrever o voto nela contido , nos termos do art. 57, III, § 3º do Regimento Interno do CARF. Da Preliminar O contribuinte traz questionamento acerca da nulidade do auto de infração, alegando a ausência de perícia contábil. Pois bem, há de se constatar que todos os requisitos previstos no art. l0 do Decreto n" 70.235/ l972, que regula o processo administrativo fiscal, t`oram observados quando da lavratura do auto de in fração, a saber: Art10. O auto de infração será lavado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; VI .a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 158DF CARF MF 4 No tocante aos aspectos relativos à nulidade dos atos que compõem o processo fiscal, destaquese o estabelecido pelo artigo 59, do Decreto n" 70.235, de 6 de março de l972: Art. 59. São nulos. I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa Da leitura dos dispositivos acima transcritos, concluise que o Auto de Infração só poderá ser declarado nulo se lavrado por pessoa incompetente ou quando não constar, ou nele constar de modo errôneo, a descrição dos fatos ou o enquadramento legal de modo a consubstanciar preterição do direito de defesa. No caso em tela, observase que o auto de infração contém os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. l0 do Decreto n. 70.235/72, não ensejando declaração de nulidade. Desta forma, não merece prosperar a alegação de nulidade do auto de infração suscitada pelo impugnante. No Mérito O contribuinte recebeu no anocalerldário de 2002, conforme Declaração de Imposto de Renda Retido ira Fonte (Dirf), rendimentos tributáveis de R$ 60.000,00, com retenção de imposto de renda na fonte de,R$ 1.839,95, correspondentes ao acordo trabalhista homologado judicialmente. Na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2003, inseriu apenas a quantia de R$ 17.701,90 como rendimentos tributáveis. Tal foi feito pelo Auto de Infração. Considerando que no acordo trabalhista feito com a empresa Reunidas Paulista de Transportes Ltda, constante dos autos às lls. l8/20 foi estabelecido que 71,05% do valor pago seria de natureza indenizatória, entendeu o contribuinte que R$ 42.630,00 (7l,05% dos R$ 60.000,00 recebidos em 2002) estariam isentos de tributação. Por oportuno, cabe mencionar que o contribuinte reconhece que recebeu o valor de R$60.000,00 no anocalendário2002 referente ao acordo trabalhista. Desta forma, o litígio instaurado diz respeito à natureza desses rendimentos auferidos e considerados isentos pelo contribuinte. Assim, passase a analisar o item concernente à tributação de valores considerados pelo contribuinte isentos, por se tratarem de parcelas indenizatórias Da natureza dos valores recebidos Sobre a matéria, o art. 43 do Código Tributário Nacional determina que o fato gerador do imposto de renda e a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. Transcrevese, para melhor entendimento, o art. 43 .do CTN: "Art. 43 O imposto de competência da União, sobre renda e proventos de qualquer natureza tem como fato geradora aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10820.000432/200533 Acórdão n.º 2301005.651 S2C3T1 Fl. 158 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior." Do exame desse dispositivo, temse que rendas e proventos de qualquer natureza São espécies do gênero acréscimo patrimonial, quer decorrentes do capital ou do trabalho ou não. . Adicionalmente, o art. l76 do CTN consagra o princípio da legalidade em matéria de isenção e o art. 4º do mesmo diploma legal estipula que a natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála a denominação e demais características formais adotadas pela lei. O CTN definiu o fato gerador do imposto de renda e, por sua vez, a Lei nº 7.7l3, de l988, ao alterar a sistemática de apuração do imposto, indicou em que momento ele ocorre, assim dispondo: “Art. 1º. Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de janeiro de I989, por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente com as modificações introduzidas por esta lei.. AIrt. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida eim que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos artigos 9º e. 14 desta Lei. § I” Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Importante ressaltar que o § 4º do art. 3º desse mesmo diploma legal estabelece que: (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...) Fl. 160DF CARF MF 6 Inferese dos dispositivos transcritos que a incidência do imposto de renda vinculase à natureza do rendimento, .independentemente da denominação ou classificação contábil adotada pela fonte pagadora. Quanto à nãoincidência do imposto de renda sobre “verbas indenizatórias”, vale notar que o art. 6” da Lei n" 7.7I3, de l988, ressalvou, entre outras, as seguintes hipóteses de isenção de rendimentos: "/Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas (...): l V as indenizações por acidente de trabalho;; V a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (...) Conforme se verifica, as indenizações isentas são as decorrentes de acidente de trabalho e aquelas previstas rra Consolidação das .Leis do Trabalho C.L.T. .Decretolei n.° 5.452, de 1º de maio de l943, mais especificamente nos arts. 477 (aviso prévio, não trabalhado, pago com base.na maior remuneração recebida pelo empregado na empresa) e 499 (indenização proporcional ao tempo de serviço a empregado despedido sem justa causa, que só tenha exercido cargo de confiança em mais de dez anos), no art. 9" da Lei n.“ 7.238, de 29 de outubro de. I984 (indenização equivalente a um salário mensal, ao empregado dispensado, sem justa causa, no período de 30 dias que antecede à data de sua correção salarial), e na legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, Lei n." 5.107, de l3 de setembro de l966, alterada pela Lei n." 8.036, de l l de maio de l990. Quaisquer outros rendimentos,. mesmo remunerados a título de indenizações, devem compor o rendimento bruto para efeito de tributação, urna vez que, sendo a isenção uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, deve ser sempre decorrente de lei e de interpretação literal e restritiva, nos termos dos arts.111 e 176 do CTN. Daí resulta que todos os rendimentos, abstraindose sua denominação, acordos ou qualquer outra circunstância, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, desde que não agasalhados no rol das isenções de que tratam os incisos que compõem o transcrito art. 6º, consolidado no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.º,l.04l, de 11/01/l 994 (RIR/I994), art. 40, bem assim no RIR/1999, art. 39. Nesse sentido, o Parecer Normativo CST n.° 5, de l984, ao discorrer sobre hipótese em que parcela da remuneração seja paga a assalariado a título de “indenização" esclarece em sua ementa: "O caráter indenizatório e a exclusão dentre os rendimentos tributáveis do pagamento efetuado a assalariado devem estar previstos pela legislação federal para que seu valor seja excluído do rendimento bruto." Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10820.000432/200533 Acórdão n.º 2301005.651 S2C3T1 Fl. 159 7 No caso em questão, houve um acordo onde as partes estabeleceram o valor que o empregador devia ao empregado. Caracterização geral de rendimento do trabalho. Para que um rendimento escape desta incidência deve estar demonstrada a sua natureza de rendimento isento. O acordo, evidentemente, é um instrumento legal para a solução do litígio. Mas do ponto de vista tributário, não é suficiente para a caracterização da natureza do rendimento. Do contrário, hipoteticamente, empregador e empregado poderiam estabelecer que todos rendimentos seriam indenização. E vejase que a homologação pela Justiça do Trabalho não melhora a caracterização da natureza dos rendimentos, pois não ha nessa homologação a avaliação da definição tributária. Não estava em lide no processo definir se as verbas estariam ou não sujeitas ao tributo. No aspecto tributário, a sentença teve função meramente homologatória, não criando o direito a isenção reclamada pelo interessado no presente processo. Assim, um acordo particular que estabelece o pagamento de 71,05% do valor devido corno se indenização fosse, ainda que homologado judicialmente, não tem o condão de caracterizar aquele pagamento corno de indenização isenta, visto que para que um rendimento possa obter a condição de não tributável deve estar bem caracterizada sua natureza. Na documentação acostada aos autos, não está identificado que espécie de verbas indenizatórias I`oi recebida pelo sujeito passivo, uma vez que o acordo firmado entre as partes não discrimina as verbas que comporiam as parcelas de indenização. Logo, não é possível separar o que poderia ser classificado como rendimento isento ou não tributável do que e tributável. Portanto, com base na Dirf da fonte pagadora, , entendemos estar correto o lançamento, no que se refere à omissão de rendimentos tributáveis. Da Multa de Ofício A multa de ofício aplicada ao lançamento está prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996 que estipula: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 20017) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 20017) (...) Como se pode ver da leitura do artigo supracitado, a multa de ofício aplicada seguiu rigorosamente a legislação vigente. Cumpre ressaltar que a multa de ofício tem, atualmente, duas alíquotas, 75% e 150%, aquela de aplicação genérica me esta última aplicada nos casos em que houver Fl. 162DF CARF MF 8 intuito de fraude. A primeira delas tem natureza material, ou seja, verificado o fato concreto, aplicase a multa, sem considerar a natureza volitiva do descumprimento da legislação. A multa de ofício aplicada ao caso teve como lato gerador a omissão de rendimentos tributáveis, não tendo qualquer relação com o intuito do contribuinte. ` Confirmando a tese exposta, a respeito da legalidade e aplicabilidade da multa de ofício de 75%, transcrevese o acórdão abaixo: CRÉDITO TRIBUTÁRIO MULTA DE OFÍCIO Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (CTN art. 136) Ademais, o procedimento administrativo de lançamento e atividade plenamente vinculada e obrigatória, cabendo à Autoridade Lançadora e Julgadora (Delegacia da Receita Federal de' Julgamento) somente a aplicação da lei ao caso concreto. A exclusão de parte do crédito tributário corresponde á isenção, só passível de ser deferida mediante lei. Portanto, mantémse a aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, nos termos das normas que regem a matéria. Da Taxa Selic No tocante ao questionamento da aplicação da taxa de juros Selic ao crédito tributário exigido, ressaltese que a Autoridade Julgadora está adstrita a verificar' a ocorrência do fato gerador que gerou _a obrigação tributária, se a lei foi corretamente aplicada ao caso e analisar os argumentose provas apresentados pelo sujeito passivo. Não compete à Autoridade declarar, reconhecer ou apreciar argüição de inconstitucionalidade, pois essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário pela Constituição Federal (art. l02, I, “a” e IIIl, “b”). Por outro lado, não há inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal contra a aplicação da taxa Selic na cobrança dos juros de mora. As normas que amparam sua cobrança continuam válidas. Há que se citar também o Código Tributário Nacional CTN, que determina o quanto segue: Art. 161. O crédito tributário não integralmente pago ao vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das peua1idades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §' 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (grifei) A Lei nº 8.98l, de 1995, que trata dos pagamentos de tributos c contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, assim dispõe: Art. 84. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer à partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10820.000432/200533 Acórdão n.º 2301005.651 S2C3T1 Fl. 160 9 I juros de mora, equivalentes a taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Deferal Interna; (...) § 1 º. Os juros de mora incidirão à partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento e a multa de mora, à partir do primeiro dia após o vencimento do débito; § 2º O percentual dos juros de mora relativo ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado será de 1%. Posteriormente,o art. l3 da Lei nº 9.065, de 20/O6/l995, assim determina: Art, 13, à partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei n° 8847 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei 8850 de 28 de janeiro de 1994 e pelo art. 90 da Lei 8981 de 1995, o art 84, inciso I e o art 91 parágrafo único, alínea "a.2" da Lei 8981 de 1995 serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Por último, os juros Selic foram ratificados pelo art. 6l da Lei n“ 9.430, de 27/l2/l996. Inferese, daí, que a utilização dos percentuais equivalentes a taxa referencial Selic para fixação dos juros moratórios esta em conformidade com a legislação vigente, pois existe a autorização legal específica preconizada pelo art. 161, § 1º do CTN. Do Pedido de Perícia/Diligencia ` Em relação ao seu pedido de perícia, inicialmente cumpre esclarecer que, apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de perícias, em conformidade com o artigo l6, inciso IV do Decreto n“ 70.235/l972, com redação dada. pelo artigo I" da Lei n" 8.748/ I993, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto n" 70.235/1972, com redação dada pelo art. I" da Lei n" 8.748/I993). Por outro lado, em regra, justificase o deferimento da produção de prova pericial tãosomente quando o simples exame, pela autoridade tributária, dos elementos e provas documentais coligidos pelo fisco, bem como daquelas aportadas aos autos pelo interessado, revelarse insuficiente para embasar sua convicção da lide, ensejando, pois, o pronunciamento de técnico especializado. Logo, a perícia será prescindível e deverá ser indeferida quando a prova do fato independer do conhecimento especial de técnicos ou quando for desnecessária em vista de que as provas produzidas e os elementos coligidos aos autos forem suficientes. No presente caso, não se cogita da realização de perícias, uma vez que a analise das questões de mérito delas prescinde. O entendimento da fiscalização sobre o assunto foi consubstanciado no próprio auto de infração c, se houver discordância por parte Fl. 164DF CARF MF 10 do contribuinte, a este cabe manifestála, na condição de impugnante, e não somente sugerila, procurando transferir o ônus da produção de provas em contrario para a autoridade administrativa. Além do mais, a perícia requerida deve objetivar a prova de fatos que o sujeito passivo não tenha condições de trazer para os autos, ou cujo carreamento lhe traria ônus desproporcional. No presente caso, o que poderia ter sido apresentado com o tim específico de afastar a exigência, referese à memória de calculo elaborada pelo perito, quando da apuração dos valores pleiteados na ação trabalhista. Desta forma, o pedido de perícia será indeferido por entendêlo prescindível à solução do litígio. Em relação a realização de diligência, cabe frisar que a mesma tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Assim, o deferimento de um pedido de diligência pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, exigindo~se, portanto, o pronunciamento sobre o assunto por parte de um terceiro. A diligência solicitada pelo interessado é considerada prescindível por esta autoridade julgadora, urna vez que as intimações solicitadas pelo contribuinte já foram prestadas pela fonte pagadora na apresentação da Dirf . Ademais, o contribuinte reconheceu em sua peça impugnatória que recebeu no ano de 2002 a importância de R$ 60.000,00 decorrentes do acordo celebrado na Justiça do Trabalho. .Desse modo, descabe o pedido de diligência formulado pelo interessado (...). Como visto, a decisão de primeira instancia rechaçou todos os argumentos da recorrente, razão pela qual eu, concordando com ela, as tomo como razão de decidir. Ante ao exposto, Voto no Sentido de Conhecer do recurso, denegar o pedido de diligência, rejeitar as preliminares e no mérito negarlhe provimento mantendo a autuação. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18365.721050/2012-01
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta intime a contribuinte a regularizar a questão da representação legal do seu procurador. Vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil (Relator) que votou contra a realização da diligência. Designada a Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll para redigir o voto vencedor. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta intime a contribuinte a regularizar a questão da representação legal do seu procurador. Vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil (Relator) que votou contra a realização da diligência. Designada a Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll para redigir o voto vencedor. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 83 65 .7 21 05 0/ 20 12 -0 1 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 18365.721050/201201 Resolução nº 2002000.038 S2C0T2 Fl. 60 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl.35/36) contra decisão de primeira instância (fls.28/30), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: A Notificação de Lançamento de fls. 5/12 (numeração eletrônica), lavrada em 6/12/2011, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2010, anocalendário de 2009, no valor de R$ 7.844,68 (sete mil, oitocentos e quarenta e quatro reais e sessenta e oito centavos), já acrescidos da multa de ofício e juros de mora, calculados até 29/12/2011, onde, em procedimento de revisão de Declaração de Ajuste Anual – DAA, foram glosadas deduções de contribuições para Previdência Privada e Fapi (R$ 4.869,35), Dependentes (R$ 6.921,60), Instrução (R$ 8.126,82) e Despesas Médicas no valor de R$ 5.989,25, referente plano de saúde SAMEL Serviços de Assistência Médica, de conformidade com o enquadramento legal citado na Notificação de Lançamento, da qual uma via foi encaminhada ao contribuinte. 2. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2, concordando com a glosa da Previdência Privada e Fapi e questionando, parcialmente: ● dedução de dependentes: quer reconhecimento da dependência de um dependente (R$ 1.730,40), juntando documento; ● dedução relativa à instrução: questiona R$ 2.600,00, juntando documento; ● dedução de despesas médicas: questiona R$ 4.811,93, juntando documento; ● pede que seja aceito declaração retificadora cuja cópia junta; ● pede prioridade com base no Estatuto do Idoso. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DEDUÇÃO COM DEPENDENTE. A dedução por pessoa considerada dependente previsto no art. 77, do RIR, provada a relação de dependência, é cabível no valor vigente à época. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. As despesas com instrução são dedutíveis na declaração de ajuste anual para pagamentos devidamente comprovados, efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do Fl. 60DF CARF MF Processo nº 18365.721050/201201 Resolução nº 2002000.038 S2C0T2 Fl. 61 3 contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual estabelecido em lei. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis na declaração de ajuste anual a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos, devidamente comprovados. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo o cancelamento do débito fiscal e, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 08/05/2014 (fl.48); Recurso Voluntário protocolado em 06/06/2014 (fl.35), assinado por procurador, sem procuração. O Recurso Voluntário, apresentado às fl.36 dos autos, vem assinado por José Binda Passos (Procurador), observo que nos autos não consta a procuração. Mandatário é aquele que, no contrato de mandato, recebe poderes de representação do mandante. Quando lhe é dada plena liberdade de agir, quanto aos meios a empregar no cumprimento do mandato, é denominado procurador. O instrumento particular de mandato deve conter a indicação do lugar onde foi passada, a qualificação do outorgante e a do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos. O mandado pode ser expresso (verbal ou escrito) ou tácito (presumido), como se observa no CC, todavia a outorga do mandado está sujeita à forma exigida por lei para o ato praticado, não se admitindo mandato verbal quando a ato deve ser celebrado por escrito, como ocorre no mandado judicial ou administrativo. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, não conheço do Recurso Voluntário, por falta de Representação Processual. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 61DF CARF MF Processo nº 18365.721050/201201 Resolução nº 2002000.038 S2C0T2 Fl. 62 4 Voto Vencedor Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo do relator quanto ao não conhecimento do recurso voluntário por falta de representação processual. Do exame dos autos verificase que o recurso foi apresentado por José Binda Passos, conforme identificação impressa abaixo da assinatura (efls. 36), mas que, de fato, não foi anexada a procuração correspondente. Entendo, contudo, que essa irregularidade deveria ter sido observada pela Unidade de Origem no momento do protocolo do recurso, cabendo à mesma alertar a contribuinte sobre a pendência existente. Não obstante, constatase que tal procedimento não ocorreu, uma vez que não há nos autos nenhum indício de que a Unidade de Origem tenha exigido da recorrente a procuração de seu representante legal. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a recorrente a apresentar procuração válida de seu representante legal, conforme assinatura constante do recurso voluntário apresentado. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720775/2013-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo.
MATÉRIAS NÃO EXAMINADAS NA FASE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DEVOLUÇÃO A TURMA A QUO.
Uma vez restabelecidas as autuações fiscais, fazse necessário o retorno dos autos à Turma a quo para análise dos pontos específicos suscitados no recurso voluntário que deixaram de ser apreciados no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9202-007.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo. MATÉRIAS NÃO EXAMINADAS NA FASE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DEVOLUÇÃO A TURMA A QUO. Uma vez restabelecidas as autuações fiscais, fazse necessário o retorno dos autos à Turma a quo para análise dos pontos específicos suscitados no recurso voluntário que deixaram de ser apreciados no acórdão recorrido.
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SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo. MATÉRIAS NÃO EXAMINADAS NA FASE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DEVOLUÇÃO A TURMA A QUO. Uma vez restabelecidas as autuações fiscais, fazse necessário o retorno dos autos à Turma a quo para análise dos pontos específicos suscitados no recurso voluntário que deixaram de ser apreciados no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 07 75 /2 01 3- 36 Fl. 366DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente lançamento foi efetuado para prevenir a decadência em razão de discussão judicial da matéria e compreende os seguintes autos de infração: a) AI n.º 51.014.8670: valor original de R$ 23.410.554,03, referese à diferença de alíquota da contribuição para o GILRAT, depositada judicialmente, em sede do processo judicial nº 2007.51.01.0175470; b) AI n.º 51.014.8689: valor original de R$ 1.868.794,91, referese às contribuições a Outras Entidades e Fundos (Terceiros) devidas ao INCRA, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, depositadas judicialmente, em sede do processo judicial nº 2004.51.01.0162930/ A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ I julgado a impugnação procedente em parte, para excluir do lançamento os créditos tributários em que se verificou a conversão dos depósitos judiciais em renda. Desta decisão, houve interposição de recurso de ofício. Apresentado Recurso Voluntário, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento. Em sessão plenária de 08/06/2017, foi dado provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2402005.878 (fls. 293/300), com o seguinte resultado: “ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos, para negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho e Waltir de Carvalho”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONVERSÃO EM RENDA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A conversão de depósito judicial em renda extingue o crédito tributário. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 16682.720775/201336 Acórdão n.º 9202007.129 CSRFT2 Fl. 3 3 TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DO DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPROCEDÊNCIA. São improcedentes os lançamentos de ofício em que o tributo exigido esteja com a exigibilidade suspensa, por força de depósito do seu montante integral. Decisão que se alinha ao entendimento firmado em decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça adotada sob o rito do art. 543C do CPC. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 23/06/2017 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 07/08/2017, Recurso Especial (fls. 302/312). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua totalidade. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 4ª Câmara, de 23/10/2017 (fls. 316/322), considerados os acórdãos 1101001.135 e 107007.992. · Em seu recurso a Fazenda Nacional argumenta que, de acordo com o art. 142 do CTN, o lançamento é ato administrativo de caráter vinculado e obrigatório, não podendo a autoridade fiscal eximirse de efetuálo, mesmo que existente hipótese de suspensão de exigibilidade do crédito tributário (art. 151, CTN), sob pena de responsabilidade funcional. · Alega que o fato de se ter realizado o depósito integral do montante do crédito tributário, não cria vedação a atuação funcional do agente público; e por isso, devese manter o lançamento quanto aos valores depositados, tendo em vista que não houve nulidade na constituição do crédito, nem prejuízo ao contribuinte, eis que pode haver a posterior conversão em renda da União, caso esta reste vencedora, ou levantamento pelo contribuinte, caso este seja vencedor. · Acrescenta que nada impede que o Fisco, com vistas a prevenir a decadência, proceda ao lançamento quando o contribuinte, antes de procedimento fiscal, busca a tutela jurisdicional para deixar de recolher, total ou parcialmente, determinado tributo, realizando os respectivos depósitos judiciais integrais, conforme art. 63 da Lei 9.430/96, conforme mencionado supra. Cientificado do Acórdão nº 2402005.878, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 06/11/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem – fl. 327), o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 330/339), em 21/11/2017, conforme Termo de Solicitação de Juntada à folha 328, portanto, tempestivamente. · Em suas contrarrazões, o contribuinte alega que o Recurso Especial da Fazenda Nacional não deve ser provido, eis que se baseia em jurisprudência ultrapassada e detém caráter protelatório. Fl. 368DF CARF MF 4 · Aduz que a jurisprudência pátria já consolidou o entendimento no sentido de que o depósito judicial possui natureza jurídica semelhante ao lançamento por homologação do crédito tributário. · Assim, considera que a lavratura de autuação fiscal que tenha o mesmo objeto constitui ato administrativo despiciendo, tratandose de lançamento de tributo em duplicidade que não deve ser admitido. · Assim, requer que não seja conhecido o Recurso Especial interposto, ou ainda, sucessivamente, sejalhe negado seguimento. É o relatório. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 16682.720775/201336 Acórdão n.º 9202007.129 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 316/322. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Porém, cumpre esclarecer que embora o acórdão nº 1101001.135, de 05/06/2014, tenha sido reformado pela Câmara Superior de Recurso Fiscais, esta reforma ocorreu posteriormente à apresentação do Recurso Especial da Fazenda Nacional, eis que a publicação do acórdão nº 9101003.061 ocorreu em 23/10/2017 e o Recurso Especial da Fazenda Nacional foi apresentado em 07/08/2017. Assim, o acórdão pode ser utilizado para demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Contudo, esse fato não justifica o não conhecimento da medida, tendo em vista que o que se discute é o questionamento sobre a ausência de nulidade pela inaplicabilidade da decisão do STJ. Nos processos administrativos em que se discute a (im)possibilidade de realização de lançamento de ofício de crédito tributário objeto de prévio depósito judicial, é freqüente a alegação, por parte dos sujeitos passivos, de que a questão já teria sido decidida de maneira definitiva pelo STJ no acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP, de 03/12/2010. O julgamento de tal recurso judicial efetivamente seguiu o rito previsto no art. 543C do antigo Código de Processo Civil (CPC), em virtude de aquela Corte Superior ter considerado o recurso como representativo de controvérsia. Portanto, tal julgado se enquadraria, em tese, entre as hipóteses elencadas no § 2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015. Ocorre que o caso concreto enfrentado nos presentes autos não é alcançado pelo teor daquele julgado, de forma a vincular a decisão deste Colegiado, como aplicou o acórdão recorrido. É nesse ponto que encontrase a divergência, ou seja, enquanto no acórdão recorrido entendeu pela aplicação da decisão e promoveu a nulidade do lançamento o paradigma entendeu inexistir qualquer nulidade no lançamento a luz do CTN. Notese que tanto o recorrido como o paradigma foram proferidos após a decisão do STJ, o que possibilita sua análise, posto que tratandose de normas gerais tiveram os colegiados posições distintas em relação a situações semelhantes. Nesse sentido, concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito O depósito judicial não impede o lançamento fiscal, não o exonera nem o torna nulo. Fl. 370DF CARF MF 6 O Colegiado a quo entendeu por dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte sob o fundamento de que o lançamento seria desnecessário face à existência do de depósitos judiciais no montante integral. O contribuinte alega que há duplicidade de lançamento em razão da existência de depósito judicial, no entanto, não lhe confiro razão. De fato houve a realização do depósito judicial nos mesmos valores lançados, deixando claro tratarse de depósito do montante integral do crédito tributário. Por sua vez, o presente lançamento foi efetuado com o intuito de prevenir a decadência, eis que a matéria está sendo discutida em juízo. Cumpre dizer que nos termos do art. 142 do CTN, transcrito a seguir, o lançamento encontrase dentre das atividades vinculadas do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, não comportando juízo de conveniência. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (g.n.) É certo que o depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito tributário. Ao final da demanda judicial, caso vença a Fazenda Nacional, os valores depositados serão convertidos em renda, caso contrário, os valores serão levantados pelo contribuinte. Entretanto, não se vislumbra ilegalidade no lançamento ou qualquer vício que leve à sua nulidade. Tampouco se pode dizer que há duplicidade de lançamento, porque, conforme já arguido, caso a contenda termine de forma favorável à Fazenda Nacional, o depósito será convertido em renda e o lançamento será desconstituído, tal qual ocorreu no provimento parcial dado pela decisão de primeira instância. Tanto é assim, que não se julga o mérito das questões quando existe identidade fática entre o lançamento e a ação judicial, em conformidade com o que: " Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Por outro lado, não se vislumbra que o lançamento possa levar a algum prejuízo ao contribuinte, eis que havendo decisão final a seu favor, o crédito será considerado extinto e os valores depositados judicialmente poderão ser, por ele, levantados. Não se pode olvidar que, por variadas hipóteses, o juízo pode decretar o levantamento do valor depositado ainda no curso da ação judicial. Caso isso ocorra e o contribuinte, por hipótese, venha a sucumbir no processo judicial, tendo transcorrido o prazo decadencial, ficaria o fisco impossilitado de proceder à cobrança do crédito tributário, o que traria desnecessário dano ao Erário. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 16682.720775/201336 Acórdão n.º 9202007.129 CSRFT2 Fl. 5 7 Ainda que a formalização do lançamento possa ser considerada desnecessária, uma vez efetuado o lançamento, não cabe sua anulação se inexiste qualquer mácula em sua constituição. Por fim, considerando ter o relator do acórdão recorrido consubstanciado seu voto no art. 62 do RICARF, competenos apreciar a questão sob esse prisma. Quanto a este ponto transcrevo trecho de voto apresentado em caso similar pelo ilustre conselheiro Rafael Vidal de Araújo no acórdão nº 9101003.474, citando inclusive voto desta 2ª Turma de relatoria da ilustre conselheira Maria Helena Cotta Cardozo no Acórdão nº 9202004.303, ao qual a posição adoto como razões de decidir: De plano, julgo prudente esclarecer que não entendo aplicável ao presente caso o mandamento insculpido no art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (grifouse) Nos processos administrativos em que se discute a (im)possibilidade de realização de lançamento de ofício de crédito tributário objeto de prévio depósito judicial, é frequente a alegação, por parte dos sujeitos passivos, de que a questão já teria sido decidida de maneira definitiva pelo STJ no acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. O julgamento de tal recurso judicial efetivamente seguiu o rito previsto no art. 543C do antigo Código de Processo Civil (CPC), em virtude de aquela Corte Superior ter considerado o recurso como representativo de controvérsia. Portanto, tal julgado se enquadraria, em tese, entre as hipóteses elencadas no § 2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015. Ocorre que o caso concreto enfrentado nos presentes autos não é alcançado pelo teor daquele julgado, de forma a vincular a decisão deste Colegiado. A 2ª Turma da CSRF teve recentemente a oportunidade de deliberar a respeito do alcance do acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. Dispôs a respeito do assunto o voto condutor do Acórdão nº 9202004.303: "A esse respeito, o Contribuinte alega a existência de decisão do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática do art. 543B, do Fl. 372DF CARF MF 8 Código de Processo Civil, que vincularia os Conselheiros de CARF, conforme o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF. Tratase do Recurso Especial 1.140.956SP, que no entender desta Conselheira de forma alguma autoriza a conclusão de que deveriam ser declarados nulos os Autos de Infração lavrados em presença de depósito do montante integral do débito. Assim, embora não seja imprescindível a lavratura de Auto de Infração nos casos em que haja depósito do montante integral do crédito tributário, não há base legal para que os lançamentos efetuados nessas condições sejam considerados nulos ou sejam cancelados. Nesse sentido, trago à colação e aqui incluo em minhas razões de decidir o voto proferido pela Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, no Acórdão nº 1101001.135, de 05/06/2014, que analisou o Recurso Especial 1.140.956SP, citado pelo Contribuinte em seu apelo, concluindo que o efeito repetitivo não contempla a tese esposada pelo Contribuinte: "A recorrente invoca a observância do art. 62A do RICARF em razão da manifestação do Superior Tribunal de Justiça assim consolidada na ementa do Recurso Especial nº 1.140.956SP: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. 1. O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. (...) 2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. 3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidade autuação; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilida de inscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: exigibilida de execução. 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim Fl. 373DF CARF MF Processo nº 16682.720775/201336 Acórdão n.º 9202007.129 CSRFT2 Fl. 6 9 como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. 5. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: "Depois da constituição definitiva do crédito, o depósito, quer tenha sido prévio ou posterior, tem o mérito de impedir a propositura da ação de cobrança, vale dizer, da execução fiscal, porquanto fica suspensa a exigibilidade do crédito. (...) Ao promover a ação anulatória de lançamento, ou a declaratória de inexistência de relação tributária, ou mesmo o mandado de segurança, o autor fará a prova do depósito e pedirá ao Juiz que mande cientificar a Fazenda Pública, para os fins do art. 151, II, do Código Tributário Nacional. Se pretender a suspensão da exigibilidade antes da propositura da ação, poderá fazer o depósito e, em seguida, juntando o respectivo comprovante, pedir ao Juiz que mande notificar a Fazenda Pública. Terá então o prazo de 30 dias para promover a ação. Julgada a ação procedente, o depósito deve ser devolvido ao contribuinte, e se improcedente, convertido em renda da Fazenda Pública, desde que a sentença de mérito tenha transitado em julgado" (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 27ª ed., p. 205/206). 6. In casu, o Tribunal a quo, ao conceder a liminar pleiteada no bojo do presente agravo de instrumento, consignou a integralidade do depósito efetuado, às fls. 77/78: "A verossimilhança do pedido é manifesta, pois houve o depósito dos valores reclamados em execução, o que acarreta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, de forma que concedo a liminar pleiteada para o fim de suspender a execução até o julgamento do mandado de segurança ou julgamento deste pela Turma Julgadora." 7. A ocorrência do depósito integral do montante devido restou ratificada no aresto recorrido, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor, in verbis: "O depósito do valor do débito impede o ajuizamento de ação executiva até o trânsito em julgado da ação. Consta que foi efetuado o depósito nos autos do Mandado de Segurança impetrado pela agravante, o qual encontrase em andamento, de forma que a exigibilidade do tributo permanece suspensa até solução definitiva. Assim sendo, a Municipalidade não está autorizada a proceder à cobrança de tributo cuja legalidade está sendo discutida judicialmente." Fl. 374DF CARF MF 10 8. In casu, o Município recorrente alegou violação do art. 151, II, do CTN, ao argumento de que o depósito efetuado não seria integral, posto não coincidir com o valor constante da CDA, por isso que inapto a garantir a execução, determinar sua suspensão ou extinção, tese insindicável pelo STJ, mercê de a questão remanescer quanto aos efeitos do depósito servirem à fixação da tese repetitiva. 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. 10. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Porém, observase que a discussão, naqueles autos, tinha em conta execução fiscal promovida em face de sujeito passivo que promovera depósito judicial classificado como insuficiente pela Municipalidade e, assim, inábil a suspender a exigibilidade do crédito tributário. Aqui, o lançamento foi formalizado sem aplicação de penalidade e com o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, inexistindo qualquer questionamento acerca da suficiência do depósito judicial. Por sua vez, o voto condutor do julgado antes mencionado principia observando que: Entrementes, dentre os multifários recursos especiais relacionados à questão da impossibilidade de ajuizamento de executivo fiscal, ante a existência de ação antiexacional conjugada ao depósito do crédito tributário, grande parte referese à discussão acerca da integralidade do depósito efetuado ou da existência do mesmo, razão pela qual impõese o julgamento da controvérsia pelo rito previsto no art. 543C, do CPC, cujo escopo precípuo é a uniformização da jurisprudência e a celeridade processual. (destaques do original) Sob esta ótica, o Superior Tribunal de Justiça manifestouse acerca da implementação da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão de depósito judicial, asseverando que sua implementação, quando integral, impede “atos de cobrança”, dentre os quais inseriu a “lavratura do auto de infração e aplicação de multa”, sem apreciar a possibilidade de lançamento sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade. É nesse contexto específico que exsurge o impedimento à lavratura do auto de infração em face de depósito judicial integral do tributo. No mais, o Superior Tribunal de Justiça teve em conta apenas a extinção do crédito tributário em razão da conversão do depósito em renda da Fazenda Pública, bem como a suficiência do depósito judicial no caso concreto em análise, determinando a extinção da execução fiscal em curso. Concluise, do exposto, que o Superior Tribunal de Justiça não decidiu, no rito do art. 543C, acerca da impossibilidade de Fl. 375DF CARF MF Processo nº 16682.720775/201336 Acórdão n.º 9202007.129 CSRFT2 Fl. 7 11 lançamento, sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade, de tributo depositado judicialmente. Por tais razões, deve ser REJEITADO o pedido de vinculação ao julgado antes referido, por força do art. 62A do RICARF." (...) Assim, resta claro que o julgado ora analisado de forma alguma autoriza a interpretação no sentido de que o Auto de Infração lavrado apenas para prevenir a decadência, adotando todas as cautelas legais, no sentido da manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, lavrado por pessoa competente e sem qualquer cerceamento de direito de defesa deva ser declarado nulo, por haver o Contribuinte efetuado depósito do montante integral do débito." (grifouse) Acompanho as razões expostas no julgado transcrito para concluir que a tese construída no acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP não se aplica indistintamente a qualquer hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário objeto de prévio depósito judicial. A i. Conselheira Relatora do Acórdão nº 9202004.303, fazendo remissão ao Acórdão nº 1101001.135, conclui que o Egrégio STJ somente apreciou, por ocasião do julgamento do REsp nº 1.140.956/SP, hipótese em que o sujeito ativo promove o lançamento de crédito tributário acompanhado de penalidade, em razão de entenderse, no momento do lançamento, pela não integralidade dos depósitos judiciais por meio dos quais o sujeito passivo pretendeu suspender a exigibilidade o crédito tributário, valendose da previsão legal do inciso II do art. 151 do CTN. Não estão contempladas na manifestação exarada pelo STJ hipóteses como a encontrada nos presentes autos, em que a Fiscalização reconhece no auto de infração a suspensão da exigibilidade dos créditos constituídos e realiza o lançamento sem a imputação de penalidade alguma, com o propósito de prevenção da decadência. Tal conclusão é corroborada pela declaração feita no início do voto condutor do acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. Ao justificar a necessidade de julgamento da controvérsia pelo rito do art. 543C do CPC então vigente, o i. Ministro Relator faz referência à existência de grande quantidade de recursos especiais em que se discute acerca da integralidade ou mesmo da existência de depósito judicial e dos seus efeitos em relação à impossibilidade de ajuizamento de executivo fiscal. Além disso, quando mencionou os atos de cobrança cuja realização estaria inibida pela existência do depósito judicial, o voto condutor do acórdão judicial fez menção apenas à "lavratura do auto de infração e aplicação de multa", não abordando a hipótese de lançamento realizado sem a aplicação de qualquer penalidade em virtude do reconhecimento da Fl. 376DF CARF MF 12 integralidade do depósito judicial e da consequente suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Diante de tais fatos, considero que o STJ, ao construir sua decisão no julgamento do REsp nº 1.140.956/SP, não contemplou hipóteses fáticas em que a autoridade tributária realiza lançamento de ofício com a exclusiva finalidade de prevenir a decadência, reconhecendo expressamente a suspensão da exigibilidade dos créditos constituídos em virtude da existência de depósitos judiciais e corretamente se abstendo de aplicar penalidade ao sujeito passivo. Assim, concluise que, embora o STJ tenha proferido o acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP seguindo o rito estabelecido no art. 543C do CPC então vigente, não há que se falar em vinculação dos conselheiros desta Turma, no presente julgamento, àquela decisão. [...] Passase então ao desenvolvimento das razões de decidir aplicáveis ao caso ora submetido ao julgamento desta 1ª Turma da CSRF. Filiome ao grupo dos julgadores administrativos que entendem não haver impedimento à lavratura de autos de infração para prevenção da decadência de obrigação tributária que já seja objeto de depósito vinculado a uma demanda judicial. A autoridade tributária tem entre suas atribuições a atividade administrativa de lançamento, que, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN, é vinculada e obrigatória. In verbis: [...] Identificando, portanto, a ocorrência de fato gerador de obrigação tributária, aquela autoridade tem como dever funcional a realização do lançamento tributário, que se completa com as etapas de determinação da matéria tributável, cálculo do montante devido, identificação do sujeito passivo e aplicação da penalidade cabível, se for o caso. O dispositivo é expresso ao definir a atividade administrativa de lançamento como vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não trazendo qualquer previsão de tratamento diferenciado para hipóteses de crédito com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Na hipótese de existência de depósito judicial relacionado à obrigação identificada pela autoridade tributária, poderseia discutir a necessidade de realização do lançamento. Isso porque existe a tese de que a efetivação de tal depósito seria análoga ao pagamento antecipado do tributo pelo sujeito passivo, figura encontrada na sistemática adotada para os tributos submetidos ao lançamento por homologação. Os defensores de tal tese entendem que o depósito judicial seria suficiente para a constituição do crédito tributário (sujeita à posterior homologação do sujeito ativo), sendo desnecessária a realização de lançamento de ofício pela autoridade tributária. Tal entendimento, todavia, não leva à conclusão de que os lançamentos de ofício realizados neste contexto sejam nulos ou passíveis de cancelamento. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 16682.720775/201336 Acórdão n.º 9202007.129 CSRFT2 Fl. 8 13 O Decreto nº 70.235/1972 trata da seguinte forma as hipóteses de nulidade no processo administrativo tributário: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Lançamentos de ofício como o praticado nos presentes autos não se enquadram em nenhuma das situações de nulidade prescritas. O auto de infração foi lavrado por autoridade competente (AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil) e não houve qualquer preterição de direito de defesa. Após a formalização do lançamento, o contribuinte pôde exercer plenamente seu direito de defesa assegurado por lei, impugnando o auto de infração e provocando o contencioso administrativo, que inclusive nos trouxe até a presente fase de julgamento de recurso especial. Os requisitos formais dos autos de infração, cujo descumprimento poderia, em tese e em último caso (impossibilidade de saneamento), levar a uma declaração de sua nulidade, são objeto do art. 10 do mesmo Decreto nº 70.235/1972: O auto de infração que originou os presentes autos cumpriu rigorosamente todas as formalidades que dele são exigidas, não se podendo cogitar de sua nulidade em razão de alguma mácula neste sentido. Sendo assim, não se identifica qualquer vício ou irregularidade que possa provocar a nulidade do lançamento realizado. A autuação, embora possa ser considerada desnecessária por alguns, se deu de forma completamente regular, notadamente diante de seu propósito de prevenir a decadência, do reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito constituído em virtude da existência de depósito judicial e da não imputação de penalidade ao sujeito passivo. Acrescentese que não acarretou qualquer prejuízo para o contribuinte o lançamento realizado com a finalidade de prevenção da decadência (e tampouco provocará prejuízo sua manutenção neste julgamento). Quando um sujeito passivo suspende a exigibilidade de crédito tributário mediante a realização de depósito judicial integral, nenhuma exigência lhe é feita até o trânsito em julgado da demanda judicial. Somente com o trânsito em julgado da ação é que o sujeito passivo é autorizado a levantar os valores depositados, devidamente corrigidos (caso obtenha êxito no mandado de segurança), ou observa a conversão do depósito judicial em renda a favor da União (caso a decisão judicial seja favorável à Fazenda Nacional). Diante do exposto, quanto ao mérito do recurso especial da Fazenda Nacional, voto por DARLHE PROVIMENTO para Fl. 378DF CARF MF 14 restabelecer integralmente o lançamento objeto dos presentes autos. Pelas razões acima transcritas, as quais adoto como razões de decidir, entendo devase dar provimento ao recurso da PGFN para afastar a nulidade declarada, contudo com retorno a Câmara a quo. Conclusão Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, contudo com retorno à Câmara a quo para apreciação das demais questões referentes ao mérito da inconstitucionalidade do INCRA, bem como não apreciação dessas questões pela DRJ. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 379DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003170/2006-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2001
EXCESSO DE LUCRO DIFERIDO. INEXISTÊNCIA. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO PROVIMENTO.
Se a própria Fiscalização, em diligências demandadas pela DRJ, reconheceu que não se verificou a existência de parcela relativa a excesso de diferimento do lucro das obras apontadas no Termo Fiscal, de se concordar com a decisão recorrida que promoveu o cancelamento desta autuação, portanto, de se negar provimento ao seu recurso de ofício.
DESPESAS FINANCEIRAS. JUROS REFIS. RESTABELECIMENTO DA DESPESA GLOSADA.
Constatado, em diligências demandadas pelo CARF, que os débitos dos processos administrativos de fls.542 foram todos incluídos no REFIS pela RFB e o montante dos juros então glosados, contabilizados pelo contribuinte em julho/2001, reflete o exato valor dos juros que efetivamente foram incluídos e consolidados, de se restabelecer a dedutibilidade de sua despesa. Diligências posteriores conduziram em outras direções, todas no sentido de manter a glosa em questão, por meio da realização de procedimentos fiscalizatórios acrescentando novos ingredientes não aventados na autuação, além de trazer motivações distintas da que se baseou a autoridade lançadora em seu Termo de Constatação Fiscal, situação que não se pode concordar.
Apesar das oportunidades para os devidos esclarecimentos, o fato é que não se conseguiram comprovar que os juros contabilizados seriam, de alguma forma, indevidos, ou, de outra forma, as alegações da Recorrente não foram adequadamente desqualificadas.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/12/2001
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE.
Aplica-se ao lançamento de CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por ser fundamentado nos mesmos elementos de comprovação.
CSLL. MULTA POR INFRAÇÃO FISCAL. INDEDUTÍVEL.
Não são dedutíveis, na apuração da base de cálculo da CSLL, as multas por infrações fiscais, impostas por descumprimento de obrigações tributárias que resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. De se reconhecer o direito à recomposição da base de cálculo da CSLL utilizando o saldo negativo de períodos anteriores.
Numero da decisão: 1401-003.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em (i) negar provimento ao recurso de ofício e (ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedutibilidade das despesas financeiras (item 001 do Auto de Infração) e reconhecer o direito à recomposição da base de cálculo de cálculo da CSLL utilizando o saldo negativo de períodos anteriores e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no tocante à falta de adição das multas por infrações fiscais na base de cálculo da CSLL, vencidos os conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado).
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2001 EXCESSO DE LUCRO DIFERIDO. INEXISTÊNCIA. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO PROVIMENTO. Se a própria Fiscalização, em diligências demandadas pela DRJ, reconheceu que não se verificou a existência de parcela relativa a excesso de diferimento do lucro das obras apontadas no Termo Fiscal, de se concordar com a decisão recorrida que promoveu o cancelamento desta autuação, portanto, de se negar provimento ao seu recurso de ofício. DESPESAS FINANCEIRAS. JUROS REFIS. RESTABELECIMENTO DA DESPESA GLOSADA. Constatado, em diligências demandadas pelo CARF, que os débitos dos processos administrativos de fls.542 foram todos incluídos no REFIS pela RFB e o montante dos juros então glosados, contabilizados pelo contribuinte em julho/2001, reflete o exato valor dos juros que efetivamente foram incluídos e consolidados, de se restabelecer a dedutibilidade de sua despesa. Diligências posteriores conduziram em outras direções, todas no sentido de manter a glosa em questão, por meio da realização de procedimentos fiscalizatórios acrescentando novos ingredientes não aventados na autuação, além de trazer motivações distintas da que se baseou a autoridade lançadora em seu Termo de Constatação Fiscal, situação que não se pode concordar. Apesar das oportunidades para os devidos esclarecimentos, o fato é que não se conseguiram comprovar que os juros contabilizados seriam, de alguma forma, indevidos, ou, de outra forma, as alegações da Recorrente não foram adequadamente desqualificadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2001 TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 70 /2 00 6- 78 Fl. 4096DF CARF MF 2 Aplicase ao lançamento de CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por ser fundamentado nos mesmos elementos de comprovação. CSLL. MULTA POR INFRAÇÃO FISCAL. INDEDUTÍVEL. Não são dedutíveis, na apuração da base de cálculo da CSLL, as multas por infrações fiscais, impostas por descumprimento de obrigações tributárias que resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. De se reconhecer o direito à recomposição da base de cálculo da CSLL utilizando o saldo negativo de períodos anteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em (i) negar provimento ao recurso de ofício e (ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedutibilidade das despesas financeiras (item 001 do Auto de Infração) e reconhecer o direito à recomposição da base de cálculo de cálculo da CSLL utilizando o saldo negativo de períodos anteriores e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no tocante à falta de adição das multas por infrações fiscais na base de cálculo da CSLL, vencidos os conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado). Relatório Tratamse de Recursos Voluntário e de Ofício interpostos em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte dirigida contra os Autos de Infração, os quais lhe exigiram Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ na importância de R$ 4.674.563,11 e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, na importância de R$ 1.952.866,54, acrescidas de multa de ofício de 75% e juros de mora. Dos Autos de Infração IRPJ Fl. 4097DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.097 3 001 GLOSAS DE DESPESAS FINANCEIRAS Despesas financeiras contabilizadas a maior, gerando, em consequencia, redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal, que é parte integrante do presente auto de infração. Fato Gerador Valor tributável Multa (%) 31/12/2001 R$ 13.962.233,84 75% Enquadramento Legal Arts,251, e parágrafo único, 299 e parágrafos 1º e 2º, e 374, inciso I do RIR/99. 002 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. Excesso de diferimento de lucro na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, referente a contratos com entidades governamentais, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal, que é parte integrante do presente auto de infração. Fato Gerador Valor tributável Multa (%) 31/12/2001 R$ 4.736.018,61 75% Enquadramento Legal Arts.249, inciso II, 299 e 409, inciso II do RIR/99. CSLL 001 CSLL FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Despesas financeiras contabilizadas a maior, gerando, em consequencia, redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal, que é parte integrante do presente auto de infração. Fato Gerador Valor tributável Multa (%) 31/12/2001 R$ 13.962.233,84 75% FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Excesso de diferimento de lucro na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, referente a contratos com entidades governamentais, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal, que é parte integrante do presente auto de infração. Fato Gerador Valor tributável Multa (%) 31/12/2001 R$ 4.736.018,61 75% Fl. 4098DF CARF MF 4 002 CSLL REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO MULTA POR INFRAÇÃO FISCAL Redução indevida do Lucro Líquido sem o devido ajuste, na apuração da base de cálculo da CSLL, resultando em apuração a menor da contribuição social sobre o lucro líquido, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal, que é parte integrante do presente auto de infração. Fato Gerador Valor tributável Multa (%) 31/12/2001 R$ 3.000.264,71 75% Por bem descrever a autuação e a matéria impugnada, reportome ao relatório da decisão recorrida: Relatório 1. A empresa acima identificada foi submetida a procedimento fiscal que redundou na lavratura de autos de infração de IRPJ e CSLL, relativos ao exercício de 2002, anocalendário de 2001, cuja exigência fiscal totalizou R$ 17.107.384,11, incluindo multa e juros calculados até 31/11/2006 (fls. 179/187 as folhas dos autos mencionadas neste relatório e no voto se referem à numeração do processo em papel). 2. Consta do Termo de Constatação Fiscal de fls. 169/174 que a contribuinte incorreu na inobservância da legislação tributária, conforme segue: • Excesso de diferimento do lucro – parcela de lucro foi diferida em montante proporcionalmente superior à receita não recebida até a data do encerramento do balanço. O excesso de lucro diferido se refere às seguintes obras: CENTRO DE CUSTO OBRA 01192031 Anel Viário Mogi das Cruzes SP 01196098 Cons. Parque Novo Mundo 01198034 Ampliação Aeroporto Dois de Julho 01198045 Vale do Reginaldo 01199071 Estrada do Coco 01200968 Infra Carapicuíba • Excesso de despesas financeiras – as despesas de juros concernentes ao parcelamento no âmbito do REFIS excedeu ao valor efetivamente devido. • Multa por infração fiscal – o valor de multa indedutível não foi adicionada na base de cálculo da CSLL. 3. As disposições legais encontramse citadas nos atos administrativos mencionados acima. Fl. 4099DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.098 5 4. Em 28/12/2006, a interessada tomou ciência dos autos de infração e, em 24/01/2007, apresentou defesa (fls. 193/248), resumidamente, • A IN SRF 21/1997 é aplicável à apuração de resultado nos contratos de construção por empreitada ou fornecimento de bens e serviços, hipótese a qual se sujeita a impugnante. • Independentemente da contratação da obra ocorrer ou não com pessoa jurídica de direito público, todo e qualquer contribuinte que desenvolva atividade de construção civil na modalidade de empreitada ou fornecimento de bens e serviços por preço predeterminado, com execução superior a doze meses, deve reconhecer seu resultado com base no progresso da obra ou serviço. O critério adotado pela impugnante obedeceu exatamente o estabelecido pela legislação vigente. • O mesmo ocorre em relação ao diferimento do lucro previsto no artigo 409 do RIR/1999, ratificado pelo item 10.5 da IN SRF 21/1997. • Relativamente à obra de ampliação do Aeroporto 02 de Julho, foram emitidas as notas fiscais de fls. 360/372, cuja receita não foi recebida no anocalendário de 2001, como se pode verificar pelo Razão. • Assim, como se pode comprovar, a parcela calculada pela Impugnante como lucro diferido do exercício de 2001 corresponde exatamente à hipótese prevista no artigo 409 do RIR/99, razão pela qual não deve prosperar a autuação atribuída pela Fiscalização à Impugnante. • Em relação aos serviços executados na Estrada do Coco, do total das receitas registradas no exercício de 2001, somente foi recebido no exercício o montante correspondente a R$ 2.111.351,86, sendo que o valor de R$ 1.583.225,12 corresponde à parcela da receita que será recebida em exercícios futuros, sendo, portanto, passível de diferimento. • Quanto ao Anel Viário Mogi das Cruzes, do total das receitas registradas neste centro de custo relativamente ao exercício de 2001, somente foi recebido no exercício o montante de R$ 9.423.804,85, sendo que o valor de R$ 2.114.325,56 corresponde à parcela da receita que será recebida em exercícios futuros, sendo, portanto, passível de diferimento. • No que concerne à obra Vale do Reginaldo, do total das receitas registradas neste centro de custo relativamente ao exercício de 2001, somente foi recebido no exercício o montante correspondente a R$ 2.323.873,07, sendo que o valor de R$ 550.789,47 corresponde à parcela da receita que será recebida em exercícios futuros, sendo, portanto, passível de diferimento. Fl. 4100DF CARF MF 6 • Relativamente à Infra Carapicuíba, do total das receitas registradas neste centro de custo relativamente ao exercício de 2001, somente foi recebido no exercício o montante de R$ 6.345.444,18, sendo que o valor de R$ 192.774,93 corresponde à parcela da receita que será recebida em exercícios futuros, sendo, portanto, passível de diferimento. • No que tange à obra Cons. Parque Novo Mundo, do total das receitas registradas neste centro de custo relativamente ao exercício de 2001, somente foi recebido no exercício o montante de R$ 169.652,56, sendo que o valor de R$ 63.110,75 corresponde à parcela da receita que será recebida em exercícios futuros, sendo, portanto, passível de diferimento. • Assim, como se pode comprovar, a parcela calculada pela Impugnante como lucro diferido do exercício de 2001 corresponde exatamente à hipótese prevista no artigo 409 do RIR/99, razão pela qual não deve prosperar a autuação atribuída pela Fiscalização à Impugnante. • Fato é que a Fiscalização, ao efetuar seu trabalho, adotou critério equivocado para o cálculo do valor diferido, furtandose à análise dos documentos comprobatórios dos lançamentos efetuados pela Impugnante. • Resta claro que não existe qualquer excesso de diferimento em relação ao lucro decorrente de contratos celebrados com pessoas jurídicas de direito público no exercício de 2001, razão pela qual deve ser cancelada a infração ora impugnada. • No que concerne ao excesso de despesas financeiras, a Fiscalização alega que os juros incidentes sobre o saldo consolidado em sua conta de REFIS poderia ser, no máximo, correspondente ao saldo por ela apurado. • Assiste razão à fiscalização quando considera as despesas financeiras relativas à variação da TJLP. Contudo, esta se equivocou justamente ao tentar ajustar o saldo em função dos eventos de acréscimos e decréscimos de dívidas que ocorreram na conta de REFIS da Impugnante. • Primeiramente, tais acréscimos ou decréscimos de dívida, quando inseridos no saldo da conta, já o são pelo valor final, considerandose todos os eventos ocorridos entre a data de adesão ao REFIS e a data de ocorrência do próprio evento. • Assim, não seria necessário o ajuste efetuado pela fiscalização quanto ao estorno da parcela da TJLP apropriada entre o início do exercício e a data do evento, uma vez que o próprio saldo acrescido ou decrescido à conta já considera essa variação. • Contudo, este não foi o pior equívoco cometido pela Fiscalização. No acréscimo de dívida realizado na conta de Fl. 4101DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.099 7 REFIS da Impugnante, em julho de 2001, no montante de R$ 19.254.413,35, há parcela de juros ali embutida. • O Razão Contábil apresentado à Fiscalização (Anexo 09), considera o valor correspondente à variação dos juros SELIC verificados em função do acréscimo de dívida, bem como toda a variação da TJLP verificada no saldo da conta de REFIS. • Assim, a diferença verificada pela Fiscalização e por ela glosada, nada mais é do que a variação dos juros SELIC e da própria TJLP incidente sobre o acréscimo ocorrido em julho de 2001. • Se os juros SELIC não receberem a característica de juros, mas sim de parcela principal de dívida (o que de fato não ocorre), estaríamos diante de uma despesa efetivamente incorrida no exercício, e, como tal, sua dedutibilidade se daria em função dos requisitos de normalidade, necessidade e usualidade previstos no artigo 299 do RIR/1999. • No tocante às multas por infração fiscal, é mister ressaltar que não há qualquer norma, geral e abstrata, que vede a sua dedução, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL. • A norma inserta no artigo 41, da Lei n° 8.981/95, aplicase exclusivamente à determinação do lucro real, base de cálculo do IRPJ, não sendo aplicável, portanto, à CSLL. • Em razão das alegações e provas alinhadas até aqui, que demonstram claramente a ausência de liquidez e certeza à autuação requisitos essenciais ao ato de lançamento, requerse o cancelamento da presente autuação a fim de evitarse futura inscrição indevida em dívida ativa. • Considerandose a natureza remuneratória da taxa SELIC, a inconstitucionalidade de sua aplicação, bem como sua ilegalidade, não há que se admitir a utilização da mesma, no presente caso, com a natureza de juros de mora. • Requerse, portanto, o cancelamento dos autos de infração. 5. Em 21/06/2007, o processo foi encaminhado DEFIS/SPO/DIPAC (fls.562/564), para realização de diligência nos livros e documentos contábeis e fiscais da interessada, com vistas à verificação do exato montante das receitas apropriadas ao resultado no anocalendário de 2001 que não foram recebidas no período e qual a parcela do lucro passível de diferimento, nos termos do artigo 409, I, do RIR/1999. Fl. 4102DF CARF MF 8 6. Efetuada a diligência, a fiscalização lavrou o Termo de Instrução Processual de fls. 575/576 e elaborou novos Anexos 2 e 3 (fls. 577/578), para neles consignar suas conclusões. 7. A interessada manifestou sua concordância com os cálculos realizados pela autoridade diligenciadora (fls. 579/582). No voto condutor da DRJ, foi mantido em parte o crédito tributário, sendo a parcela exonerada objeto de recurso de ofício. As infrações e seus desdobramentos, impugnação, diligências e recurso voluntário, serão a seguir detalhadas e analisadas. Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Do excesso do lucro diferido Conforme relatoriado, esta suposta infração, em face das alegações da Contribuinte, foi objeto de diligências demandadas pela DRJ, no intuito de se averiguar "qual a parcela do lucro passível de ser diferido nos termos do artigo 409, I do RIR/99." De se reproduzir a conclusão da unidade diligenciadora, a DEFIS/SPO/DIPAC, transcrita no voto da decisão recorrida: 11. Efetuada a diligência, a fiscalização lavrou o Termo de Instrução Processual de fls. 575/576, do qual se extrai o seguinte: Cabe esclarecer que a fiscalização adotou o método indireto de determinação dos valores recebidos; A escolha do método indireto tinha como objetivo encurtar o tempo de fiscalização e também evitar possíveis transtornos ao contribuinte gerados por este dever de ofício como, por exemplo, a disponibilização de local e funcionário para atendimento à fiscalização, bem como desarquivamento de documentação de 30 (trinta) obras espalhadas pelo Brasil; Ainda, o método indireto traz a vantagem de ser econômico e mais pragmático e tem a mesma natureza de determinação do custo de mercadoria em empresa comercial, ou seja: Custo Mercadoria Vendida = Estoque inicial do período (ou estoque final do período anterior) + Compras do período estoque final do período Assim, o método indireto não é invenção da fiscalização, mas prática contábil perfeitamente aplicável; Entretanto, após a análise da documentação apresentada pelo impugnante, verificamos que o método indireto de determinação dos valores recebidos, que foi adotado pela fiscalização, não se aplica em sua plenitude, a este contribuinte, por diversas nuanças percebidas na documentação e justificativas apresentadas na fase de impugnação; Fl. 4103DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.100 9 O método indireto constante do Anexo 1 ao Termo de Constatação Fiscal levou em consideração a seguinte equação contábil: Valor recebido = saldo final contas receber em 2000 + valor receitado saldo final contas receber em 2001 Tendo, o Anexo 1, relação direta com os Anexos 2 e 3, os mesmos foram prejudicados pelo primeiro acarretando apuração incorreta do valor tributável; Desta forma, desconsiderando o Anexo 1, foram refeitos, com base na documentação apresentada na fase de impugnação, o Anexo 2 e o Anexo 3 ao Termo de Constatação Fiscal compreendendo, tais anexos, parte integrante do presente Termo de Instrução Processual; Assim, o Anexo 1 ao Termo de Constatação Fiscal deve ser desconsiderado, e os Anexos 2 e 3, substituídos pelos integrantes a este Termo de Instrução Processual; 12. Os novos Anexos 2 e 3, mencionados acima, encontramse acostados aos autos às fls. 577/578. De acordo com esse último levantamento efetuado, não se verificou a existência de parcela relativa a excesso de diferimento do lucro das obras. Cumpre reproduzir os dados contidos no Anexo 3:[...] 13. Uma vez que, após efetuada diligência, foi constatado que o lucro diferido pela empresa era proporcional à receita de obras não recebida até a data do balanço de encerramento, compete exonerar a impugnante desta imposição fiscal. Assim, se a própria Fiscalização reconheceu que não se verificou a existência de parcela relativa a excesso de diferimento do lucro das obras apontadas no Termo Fiscal, de se concordar com a decisão recorria que promoveu o cancelamento desta autuação, portanto, de se negar provimento ao seu recurso de ofício. Glosa de Despesas Financeiras Vejamos, desde o início, os procedimentos que motivaram a autuação. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 03 (fls.99 Volume 1), a Contribuinte apresentou, dente outras solicitações, seu razão da conta JUROS REFIS, período de 01/01 a 31/12/2001, onde apontou um saldo de R$ 28.420.398,44 (fls.104), enquanto que a fiscalização teria apurado a importância de R$ 14.458.164,60, tendo glosado a diferença, então de R$ 13.962.233,84, matéria tributável que ora se discute. A autoridade fiscal teria constatado que os juros em questão (REFIS) estavam registrados por valor diferente ao contabilizado pelo Contribuinte, conforme registrado no Sistema REFIS, da SRF, (itens 28 e 29 do Termo Fiscal). Que em 31/12/2000 o saldo do principal era de R$ 161.077.750,16, que, após deduzidas amortizações pelos pagamentos efetuados em 2001, "correram juros calculados pela TJLP, no referido ano" que foram da ordem de R$ 14.256.864,98 (tabela no item 29). Fl. 4104DF CARF MF 10 Ainda, a Fiscalização procedeu a outros ajustes na conta, perfazendo o montante final apurado, de despesas com juros, da ordem de R$ 14.458.164,60 (item 31). Destaquese aqui que o valor contabilizado na conta JUROS REFIS, da ordem de R$ 11.427.579,01 com o histórico VLR REF JUROS INCLUSÃO NO REFIS DE IMPOSTOS NÃO CONSTITUÍDO ATUALIZADO ATÉ 31/03/2000, não se tem explicação de porque de sua não aceitação por parte da Fiscalização. Do Termo de Constatação Fiscal (fls.169 a 32. Ora, conforme já salientado no item 25 deste termo, o contribuinte contabilizou despesa de juros do referido programa, escriturados na conta 5320204 JUROS REFIS, cujo valor total, no anocalendário de 2001, importou em R$ 28.420.398,44, incorrendo, assim, em excesso de despesas financeiras de 28.420.398,44 14.458.164,60 = R$ 13.962.233,84, deduzido na linha 36, da Ficha 06A, da DIPJ 2002, que será neste momento glosada por esta fiscalização; DA IMPUGNAÇÃO II.2. Do Suposto excesso na Dedução de Despesas Financeiras (Juros recolhidos no âmbito do REFIS) Pois bem. No que concerne ao REFIS, os valores consolidados no exercício de 2000 seriam os seguintes: Principal R$ 161.077.750,16 Juros TJLP R$ 12.484.081,53 Total R$ 173.561.831,69 Nas palavras da Fiscalização, conforme consta no próprio TCF, sobre o valor do principal consolidado, subtraindose as amortizações relativas aos pagamentos realizados no exercício de 2001, teriam sido verificados juros calculados com base na variação da Taxa de Juros de Longo Prazo ("TJLP"), que totalizariam R$ 14.256.864,98 (catorze milhões, duzentos e cinqüenta e seis mil, oitocentos e sessenta e quatro reais e noventa e oito centavos). [...] Assim, segundo a Fiscalização, a despesa financeira incorrida com a Impugnante em razão dos juros incidentes sobre o saldo consolidado em sua respectiva conta REFIS, poderia ser, no máximo, correspondente ao saldo por ela apurado. [...] De fato, assiste razão à fiscalização quando considera as despesas financeiras relativas à variação da TJLP. Contudo, esta equivocouse justamente ao tentar ajustar o saldo em função dos eventos de acréscimos e decréscimos de dívidas que ocorreram na conta REFIS da Impugnante. Isto porque, primeiramente, tais acréscimos ou decréscimos de dívida, quando inseridos no saldo da conta, já o são pelo valor Fl. 4105DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.101 11 final, considerandose todos os eventos ocorridos entre a data de adesão ao REFIS e a data de ocorrência do próprio evento. [...] Contudo, este não foi o pior equívoco cometido pela Fiscalização. Ao analisar os eventos de acréscimo e decréscimo de dívida, constatados e considerados no AIIM, a Autoridade Fiscal, furtouse à análise do que ali era considerado. Se isto não tivesse acontecido, teria constatado a fiscalização que no acréscimo de dívida realizado pela própria SRF, na conta REFIS da Impugnante, em julho de 2001, no montante de R$ 19.254.413,35 (dezenove milhões, duzentos e cinqüenta e quatro mil, quatrocentos e treze reais e trinta e cinco centavos), há parcela de juros ali embutida. [...] Este valor, incluído no saldo REFIS pela SRF, é decorrente processos administrativos existentes em nome da Impugnante, versando sobre tributos diferentes (IRPJ, CSLL, IRRF e PIS), cuja composição em função do processo administrativo existente pode ser verificado na tabela constante do Anexo 11, contemplando ainda os demonstrativos dos débitos consolidados no âmbito do REFIS para cada um dos processos administrativos. De qualquer forma, a composição geral do saldo relativo ao acréscimo efetuado é a seguinte: Descrição Valor R$ Principal 5.174.017,19 Multa 2.727.826,21 Juros 11.427.579,01 Total 19.329.425,41 Aqui se evidencia ainda mais o equívoco cometido pela fiscalização. Isto porque, os juros constantes da tabela acima, correspondem justamente à variação da Taxa SELIC ocorrida no período compreendido entre o fato gerador e a adesão ao REFIS, montante este, que em nenhuma hipótese, perde a característica de despesa com pagamento de juros. Assim, é evidente que o valor do acréscimo ocorrido contempla além do principal e multa, a variação dos juros SELIC, independentemente, da variação da TJLP verificada a partir da adesão. Desta forma, o razão contábil apresentado à Fiscalização (Anexo 09 já citado), considera o valor correspondente à Fl. 4106DF CARF MF 12 variação dos juros SELIC verificados em função do acréscimo de dívida, bem como toda a variação da TJLP verificada no saldo da conta REFIS. Assim, a diferença verificada pela Fiscalização e por ela glosada, nada mais é do que a variação dos juros SELIC e da própria TJLP incidente sobre o acréscimo ocorrido em julho de 2001, cuja composição se pode aqui verificar: Descrição Valor R$ Juros SELIC sobre valor não constituído 11.427.579,01 Atualização abr/00 até jan/01 1.658.351,02 Atualização fev/01 até jun/01 750.062,75 Ajuste referente amortização principal 3.566,76 TOTAL 13.839.559,76 Desta forma, fica aqui evidenciada que a diferença glosada pela fiscalização, nada mais é do que a despesa financeira ocorrida com a consideração dos juros SELIC incidentes sobre o valor acrescido à dívida da Impugnante no REFIS, razão pela qual deve ser cancelada a autuação atribuída à Impugnante. [...] Mais uma vez se verifica o descabimento da autuação atribuída a Impugnante. Mais do que isso, podese constatar que o processo de fiscalização e os métodos adotados para as conclusões apresentadas foram baseados no critério menos trabalhoso, sem o cuidado necessário que o D. Agente Fiscal deveria ter em relação ao seu trabalho. Se a fiscalização tivesse observado a descrição existente no razão contábil, bem como analisado o próprio extrato da conta REFIS por ela mencionado de maneira adequada, poderia ter constatado a natureza do acréscimo de dívida ocorrido, evitando assim, constranger a Impugnante a se defender de tão descabida autuação. DO ACÓRDÃO DRJ 18. Argumenta a interessada, contudo, que os juros glosados corresponderiam à variação da Taxa SELIC do período compreendido entre o fato gerador e a adesão ao REFIS e da própria TJLP incidente sobre o acréscimo da dívida realizado na conta de REFIS da Impugnante, ocorrido em julho de 2001. Esse acréscimo corresponderia a seus débitos tributários constituídos por meio de processos administrativos que versam sobre IRPJ, CSLL, IRRF e PIS. Os documentos que comprovariam suas alegações foram acostados às fls.527/554. Fl. 4107DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.102 13 19. No demonstrativo de fl. 534, a empresa informa que parte dos juros teria sido gerada em decorrência dos lançamentos de IRPJ, COFINS, CSLL e PIS, constituídos mediante os Processos nºs 10.580.003.403/9660 e 10.580.003.491/9627. Quanto aos juros restantes, seriam incidentes do IRRF formalizado por meio dos Processos nºs10.120.451.706/200112, 10.235.450.084/200118, 10.245.450.122/200113, 10.280.450.396/200186, 10.580.451.012/200168 e 10.980.450.926/200107. 20. Contudo, consultandose a última declaração concernente ao REFIS entregue pela contribuinte (nº 0510100.2001.000791 – anexada ao volume “Espelho da Declaração Processada), transmitida em 09/02/2001, não se constata que esses débitos tenham sido nela relacionados. 21. E embora a interessada tenha carreado aos autos as telas de fls. 535/554, não há comprovação de quando tais débitos teriam sido incluídos no referido programa de recuperação fiscal. DO RECURSO VOLUNTÁRIO II DA COMPROVAÇÃO DO SALDO DE DESPESAS FINANCEIRAS R$ 13.962.233,84 [...] Contudo, a despeito do entendimento firmado pela Turma Julgadora, os juros no total de R$ 28.420.398,44 são justificados e plenamente dedutíveis do lucro líquido da Recorrente. É o que se passará a demonstrar. II.1 DO SALDO DE JUROS SELIC NO TOTAL DE R$ 11.427.579,01 A Recorrente comprovou na peça impugnatória que parte dos juros registrados na conta sob a rubrica "JUROSREFIS" decorre da incidência da taxa SELIC sobre os créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS formalizados nos processos administrativos nºs 10580.003403/9660 e 10580.003491/9627 sobre o IR/Fonte formalizado nos Processos nºs10120.451706/200112, 10235.450084/200118, 10245.450122/200113, 10280.450396/200186, 10580.451012/200168 e 10980.450926/200107. Com efeito, para demonstrar a plena dedutibilidade do montante de juros incidentes sobre os créditos tributários exigidos por intermédio dos processos acima enumerados, no valor de R$ 11.427.579,01, a Recorrente anexou aos autos os demonstrativos dos débitos consolidados no REFIS (documentos acostados na impugnação e que novamente se apresenta) [...] Fl. 4108DF CARF MF 14 Cita e transcreve a legislação aplicável ao REFIS, a qual permite que a RFB inclua de ofício "todos os débitos existentes em nome da pessoa jurídica" (parágrafo 3º do art.2º da Lei 9.964/2000, mencionando também a IN SRF 043/2000 que instituiu a Declaração REFIS, onde arremata que "...muito embora a adesão ao REFIS fosse uma opção do contribuinte, uma vez exercida essa opção, a Receita Federal tinha a autorização para incluir a totalidade dos débitos conhecidos do referido contribuinte no parcelamento, constituídos ou não." DILIGÊNCIAS I Por força desta linha de argumentação, foram demandadas diligências pela 1ª Turma, 4ª Câmara, por meio da RESOLUÇÃO CARF 08 DE AGOSTO DE 2012, a qual assim se posicionou: Para provar o alegado, acosta aos autos os documentos de fls. 527/554, ou seja telas dos sistemas da Receita Federal que comprovariam que os referidos débitos teriam sido incluídos no referido programa de recuperação fiscal. Quanto ao primeiro aspecto relacionado à apontada contradição, penso que precisa ser melhor investigada, uma vez que as provas trazidas aos autos são de sistemas da própria Receita Federal e indicam a princípio possibilidade de a Recorrente ter razão. [...] Fl. 4109DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.103 15 Caso a assertiva acima se mostre verossímil, investigar a origem da diferença apontada pela DRJ. Se for o caso, intimar o contribuinte a demonstrar detalhadamente, mas por amostragem, os lançamentos no Razão (fl. 528), relativos aos juros supostamente incorridos em 2001, que a DRJ afirma que “sequer permitem identificar como foram calculados”. Se for o caso, considerar a possibilidade de ter havido postergação da apropriação de despesas. [...] Ao fim, elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas[...]. [GRIFO DO ORIGINAL] Em atendimento às diligências demandadas, assim se manifestou a unidade diligenciadora: RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL [...] Conforme se verifica do demonstrativo denominado "Débitos de tributos e contribuições administrados pela SRF Secretaria da Receita Federal incluídos no REFIS" (fls.869) e do extrato "REFIS, CONSOLIDA, CONSULTA, CONSEVENTO (CONSULTA EVENTOS) (fls.823), os débitos dos processos nºs 10580.003403/9660 e 10580.003491/9627 (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS) e nºs10120.451706/200112, 10235.450084/200118,10245.450122/200113, 10280.450396/200186, 10580.451012/200168 e 10980.450926/200107 (IRRF) e que constam do demonstrativo de fls. 542 (fls.534 do processo físico), no qual se baseou os ajustes efetuados pelo contribuinte em julho/2001, foram todos incluídos e consolidados na dívida do REFIS. No cotejo dos valores dos juros de cada um desses processos, que totalizam R$ 11.427.579,01, conforme o demonstrado pelo contribuinte às fls.542 (fls.534 do processo físico), com aqueles que constam da base de dados desta RFB, não se constatou divergências. Portanto, em relação ao primeiro quesito do CARF, podese afirmar que os débitos dos processos administrativos de fls.542 (fls.534 do processo físico) foram todos incluídos no REFIS pela RFB e o montante dos juros de R$ 11.427.579,01, contabilizado pelo contribuinte em julho/2001 reflete o exato valor dos juros que efetivamente foram incluídos e consolidados. GRIFO É DO RELATOR [...] Além do reconhecimento desta despesas com juros, então alegada pela Recorrente, consta ainda no referido Relatório de Diligencias, em atendimento a outro quesito, uma demonstração feita pela autoridade diligenciadora, por meio de várias tabelas, de que o excesso de juros a serem glosados seria inferior ao da autuação, no caso de R$ 12.860.772,34: Fl. 4110DF CARF MF 16 Quadro 09 Em reais (R$) Juros registrados na conta 5320204 Juros REFIS 28.420.398,44 () Juros TJLP de 2001 considerados no auto de infração 14.458.164,60 (=) Excesso de juros apurado no auto de infração 13.962.233,84 () Juros TJLP do ano de 2000 (postergada para 2001) 1.101.461,50 (=) Excesso de juros apurado nesta diligência fiscal 12.860.772,34 DA MANIFESTAÇÃO DA RECORRENTE ACERCA DAS DILIGÊNCIAS Em apertada síntese, a Recorrente assim se manifestou, os destaques são do original: Além disso, a Autoridade Fiscal acabou por se contradizer também no que tange às despesas aproveitadas pela Recorrente nos anos de 2000 e 2001 (R$ 28.420.398,44), uma vez que reconheceu expressamente, como demonstrado anteriormente, a regularidade do montante a título de juros SELIC registrado pela Recorrente (R$ 11.427.579,01), entretanto, deixou de considerálos ao apurar o suposto "excesso" de despesas, conforme se verifica do Quadro 09 do Relatório de Diligência Fiscal: Neste termos, não se pode aceitar a análise efetuada pela Autoridade Fiscal no relatório de diligência, na medida em que foi indevidamente mantida a maior parte da glosa de despesas objeto da autuação fiscal, as quais tiveram seu montante devidamente reconhecido, não só por meio dos documentos apresentados pela Recorrente, mas, também, no próprio Relatório de Diligência Fiscal. GRIFO É DO RELATOR DILIGÊNCIAS II Em face desta nítida contradição, foram demandadas novas diligências pela 1ª Turma, 4ª Câmara, por meio da RESOLUÇÃO CARF 01 DE FEVEREIRO DE 2016: Após descrever a manifestação da Recorrente em relação ao Relatório de Diligência Fiscal, concluiu o Relator da 1ª Turma na Resolução: Como se vê, são bastante plausíveis as alegações da Recorrente no sentido de que a fiscalização não foi muito conclusiva em relação ao primeiro quesito, e não infirmando a sua alegação de a diferença lançada seria justamente "a dedutibilidade das despesas decorrentes dos juros calculados à taxa SELIC até março/00 (R$ 11.427.579,01), e TJLP (R$ 2.408.413,77)", uma vez que, segundo ela, refletiriam a atualização de débitos incluídos no REFIS pela SRFB em 2001, correspondentes aos processos administrativos anteriormente mencionados e que tais Fl. 4111DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.104 17 valores não haviam sido contabilizados no momento da opção ao REFIS, anocalendário de 2000. Nesse contexto, o julgamento deve ser novamente convertido em diligência para averiguar todas as alegações da Recorrente feitas em suas contrarrazões ao retorno de diligência (fls. 3625/3660), não se esquecendo também de verificar se esse ajuste de atualização já não havia mesmo sido contabilizado anteriormente pela Recorrente. Relatório da Diligência Fiscal Após descrever os procedimentos efetuados, desde a autuação, Resolução do CARF, manifestações da Recorrente e a nova Resolução do CARF, assim se pronunciou a autoridade diligenciadora, em resumo: O contribuinte, inconformado com o resultado da Diligência Fiscal apresentou contrarazões (efls.3625/3660) alegando que na diligência não se pronunciou quanto a dedutibilidade dos juros calculados à taxa SELIC até março/00 (R$ 11.427.579,01) e TJLP (R$ 2.408.413,77), uma vez que: (i) refletem a atualização de débitos incluídos no REFIS pela SRFB em 2001, correspondentes aos processos administrativos anteriormente mencionados e (ii) tais valores não haviam sido contabilizados no momento da opção ao REFIS, anocalendário de 2000. [...] Através da Resolução nº 140100.380 da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária de 01 de fevereiro de 2016, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária solicitou nova diligência para "averiguar todas as alegações da Recorrente feitas em suas contrarazões, e para "verificar se esse ajuste de atualização já não havia mesmo sido contabilizado anteriormente pela Recorrente." Juros TJLP no valor de R$ 2.408.413,77 [...] Juros SELIC até março/2000 R$ 11.427.579,01 Com relação ao montante de R$ 11.427.579,01, relativos aos processos contabilizados em julho/2001 (efls.542), o contribuinte reitera que esse valor corresponde aos juros calculados até março/2000 e não contabilizado no momento da opção ao REFIS, sendo portanto dedutível nesse ano de 2001. Esse montante corresponde, basicamente, aos juros dos débitos exigidos através dos processos nºs 10580.003491/9627 e 10580.003403/9600. [...] Fl. 4112DF CARF MF 18 No mês de março/2000, mês da adesão ao programa, o contribuinte contabilizou e reconheceu na sua conta do passivo 2262099 REFISPROGRAMA DE RECUPERAÇÃO FISCAL um total de R$ 85.184.842,01 (principal, multa e juros); e no mês de julho/2001, um total de R$ 19.329.425,41, relativo aos débitos dos processos acima, sendo que nesse biênio 2000/2001, foi contabilizado um total R$ 104.514.267,42 de dívidas fazendárias incluídas no programa. [...] Assim, para identificar quais os débitos e os juros que compuseram o total de R$ 85.184.842,01 e verificar se nele já haviam sido incluídos ou não os juros dos processos acima descritos, foi solicitado ao contribuinte através do Termo de Intimação de 26/07/2016 [....]. Esta intimação foi feita pela autoridade diligenciadora e encontrase nos autos às fls.3.758/3.759, onde ali consta : [...] A partir de então, a autoridade diligenciadora envereda por outro caminho, ainda no sentido de se certificar quanto à debatida despesa contabilizada de juros, que já havia sido por ela reconhecida (na Diligência I) nos termos em que apregoado pela Recorrente. Agora, direcionou sua averiguação em outro rumo, no sentido de verificação das rubricas que constam em conta de passivo contábil (Juros a Pagar), ou seja, se neste Fl. 4113DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.105 19 passivo poderia estar contido aquele valor de despesas de juros que inicialmente havia reconhecido na conta de resultados (Juros Refis). Informa em seu relatório, que "no mês de março de 2000, mês da adesão ao programa, o contribuinte contabilizou e reconheceu na sua conta do passivo 2262099 REFISPROGRAMA DE RECUPERAÇÃO FISCAL um total de R$ 85.184.842,01 (principal, multa e juros); e no mês de julho/2001, um total de R$ 19.329.425,41 relativo aos débitos dos processos...". [grifei] Ora, dentro destes R$ 19.329.425,41 registrados em julho/2001, no passivo, encontramse os juros que foram também contabilizados em resultado, JUROSREFIS, no montante de R$ 11.427.579,01, conforme demonstrativo da contribuinte, reproduzido à fl.14 deste Voto. Ainda, a autoridade em sua intimação (supra) solicita detalhes dos lançamentos da conta 2262099 REFIS, efetuados no mês de março de 2000, além de destacar a necessidade de uma segregação entre o valor do principal, dos juros e multa, algo que, sequer foi aventado na autuação. Em extenso arrazoado em suas novas considerações, acaba por citar o art.249 do RIR/99 (adição de despesas não dedutíveis), dispositivo legal que sequer foi mencionado no auto de infração, onde arremata que: No entanto nos demonstrativos acostados nos autos pelo contribuinte não foi feita essa segregação e não há como verificar a parcela dedutível dos juros e nem há a comprovação de que a parcela não dedutível foi regularmente adicionada para a apuração da base tributável, conforme determina o artigo 249 do RIR/99. Neste sentido, independente das constatações acima quanto a apropriação das despesas de juros de juros no tempo, considerando que não restou demonstrado nos autos que o valor contabilizado em julho/2001 (R$ 11.427.579,01) corresponde à parcela dedutível dos juros, entendo que há de se manter o lançamento fiscal em relação aos juros em referência. DA MANIFESTAÇÃO DA RECORRENTE ACERCA DAS DILIGÊNCIAS II A Recorrente, trazendo os argumentos já destacados na impugnação, recurso voluntário e em aditamento às diligências, se manifestou: Saldo de Juros SELIC Valor Total de R$ 11.427.579,01 Que a Autoridade Fiscal não atendeu o solicitado pelo CARF, de que precisava "averiguar todas as alegações da Recorrente feitas em suas contrarazões ao retorno de diligência." Que limitouse a repetir conclusões feita em diligência anterior, além de ter inserido novas acusações não abordadas pela Autoridade lançadora. Fl. 4114DF CARF MF 20 Que, mesmo que se entenda pela necessidade de segregação aludida na diligência, a adesão ao REFIS abrange todos os débitos existentes em nome da pessoa jurídica, aí incluídos os acréscimos de multa de mora, de ofício e juros. Que a mencionada segregação em nenhum momento foi objeto de questionamento na autuação fiscal e "o que se vê, na verdade, é que a Autoridade Fiscal, mais uma vez, diante da comprovação da legitimidade das despesas em questão, visou encontrar novos obstáculos à sua dedutibilidade,...." Creio assistir razão à Recorrente, aliado ao fato de que as diligências não responderam de modo satisfatório à duas resoluções do CARF. Entendo, ainda, que houve, digamos, uma segunda fiscalização e feita por parte da autoridade diligenciadora, a qual acrescentou ingredientes novos não aventados na autuação, trazendo novas motivações (?) e distintas da que se baseou a autoridade lançadora em seu Termo de Constatação Fiscal (Volume I). Veja que em seu primeiro relatório (Diligência I), deixou de maneira explícita que a Recorrente estava certa em seu procedimento contábil . De se repetir: RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL [...] Conforme se verifica do demonstrativo denominado "Débitos de tributos e contribuições administrados pela SRF Secretaria da Receita Federal incluídos no REFIS" (fls.869) e do extrato "REFIS, CONSOLIDA, CONSULTA, CONSEVENTO (CONSULTA EVENTOS) (fls.823), os débitos dos processos nºs 10580.003403/9660 e 10580.003491/9627 (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS) e nºs10120.451706/200112, 10235.450084/200118,10245.450122/200113, 10280.450396/200186, 10580.451012/200168 e 10980.450926/200107 (IRRF) e que constam do demonstrativo de fls. 542 (fls.534 do processo físico), no qual se baseou os ajustes efetuados pelo contribuinte em julho/2001, foram todos incluídos e consolidados na dívida do REFIS. No cotejo dos valores dos juros de cada um desses processos, que totalizam R$ 11.427.579,01, conforme o demonstrado pelo contribuinte às fls.542 (fls.534 do processo físico), com aqueles que constam da base de dados desta RFB, não se constatou divergências. Portanto, em relação ao primeiro quesito do CARF, podese afirmar que os débitos dos processos administrativos de fls.542 (fls.534 do processo físico) foram todos incluídos no REFIS pela RFB e o montante dos juros de R$ 11.427.579,01, contabilizado pelo contribuinte em julho/2001 reflete o exato valor dos juros que efetivamente foram incluídos e consolidados. Apesar deste reconhecimento, apresentou uma conclusão (Diligência I) sem referência ao concluído acima em seu relatório, ocasião em que este Colegiado solicitou o devido esclarecimento, abrindo uma nova rodada de diligência (Diligência II). Neste segundo momento, começaram as novas averiguações e, novamente, silenciandose quanto à conclusão que proferira no relatório de Diligência I, (acima Fl. 4115DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.106 21 reproduzida e objeto de esclarecimento por parte deste Colegiado), algo que não se pode se conformar e nem de se concordar. Apesar das oportunidades para o esclarecimento suscitado, o fato é que a razão pende para a Recorrente, uma vez que não se conseguiram comprovar que os juros contabilizados de R$ 11.427.579,01 seriam, de alguma forma, indevidos, ou, de outra forma, as alegações da Recorrente não foram adequadamente desqualificadas. Assim, permanece a dedutibilidade da importância de R$ 11.427.579,01, ficando prejudicadas as demais glosas, então feitas se desconsiderando esta despesa. Assim, voto pelo restabelecimento total da despesa glosada e considerada, de R$ 13.962.233,84, no Auto de Infração. CSLL Multa por Infração fiscal De se reproduzir o que consta no Termo de Constatação Fiscal: 33. O contribuinte escriturou a conta 5220417 Multas Fiscais Não Dedutíveis, que no anocalendário de 2001, importou no somatório de R$ 3.000.264,71; 33. Referido somatório compôs o valor de R$ 3.015.876,71 lançado na linha 19, da Ficha 05A, da DIPJ 2002, dos quais R$ 3.000.264,71 foi considerado na coluna Parcelas Não Dedutíveis; 34. Os valores da coluna Parcelas Não Dedutíveis, da Ficha 05A, foram levados para a linha 03 Despesas Operacionais Soma Parcelas Não Dedutíveis, da Ficha 09 A, para apuração do lucro real; 35. Ocorre que o valor de R$ 3.000.264,71, contabilizado na conta 5220417 Multas Fiscais Não Dedutíveis, não foi considerado na linha 17, e em nenhuma outra linha de adições, da Ficha 17, na apuração da Base de Cálculo da CSLL; 36. No que se refere a multas por infrações fiscais, a Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, na Subseção I, que trata Das alterações na apuração do lucro real (grifei), assim dispôs no § 5o , do art. 41: "§ 5o. Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo." 37. Adiante, ao dispor sobre a Contribuição Social sobre o Lucro, determina que as alterações na apuração do lucro real produzida por ela (Lei n° 8.981/95), também sejam aplicadas a CSLL: "Art 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n" 7.689, de 15 de dezembro de 1988) as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o Imposto sobre a Fl. 4116DF CARF MF 22 Renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei." 38. A interpretação a que alude o referido dispositivo legal é no sentido de que, aplicase a CSLL as mesmas normas de apuração (grifei) e pagamento estabelecidas para o IRPJ, mantida a base de cálculo e as alíquotas até então em vigor, porém, com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.981/95;. ' 39. Ora, se até o advento da Lei n° 8.981/95 a base de cálculo da CSLL já era diferente da base de cálculo do IRPJ, então com as alterações produzidas na apuração do IRPJ, quando aplicável, também, a CSLL, não ensejariam a produção de efeitos a tornar iguais as bases de cálculo; 40. Portanto, o valor da multa indedutível de R$ 3.000.264,71 reduziu indevidamente o lucro líquido, do qual não foi providenciado o ajuste na apuração da base de cálculo da CSLL, o que resultou em pagamento a menor da contribuição social sobre o lucro líquido, no importe de 3.000.264,71 x 9% = R$ 270.023,82, motivo pelo qual efetuaremos o lançamento da base tributável de R$ 3.000.264,71, na apuração da referida contribuição social. DO RECURSO VOLUNTÁRIO No item III Da Impossibilidade de Adição das Multas na Base de Cálculo da CSLL, a Recorrente alega que a multa poderia ser deduzida para fins de apuração da CSLL, em face de que tal indedutibilidade seria aplicável apenas para o IRPJ. A dedutibilidade das multas por infrações fiscais é disciplinada pelo art.344 do RIR/1999 (cuja matriz legal é o art. 41 da Lei 8.981/1995), que assim dispõe: Tributos e Multas por Infrações Fiscais Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei nº 8.981, de 1995, art.41). ......................................................................................................... § 5º Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41, § 5º). De se reproduzir as disposições contidas no caput do Art. 57 da Lei 8.981/95: Fl. 4117DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.107 23 Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38,mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei n 9.065, de 1995) A despeito do entendimento da Recorrente, segundo o qual não se poderia utilizar o artigo 57 da Lei 8.981/95 para justificar a adição de despesas tidas como indedutíveis perante a legislação do IRPJ, na base de cálculo da CSLL, é de se reconhecer exatamente o contrário. Ora, o citado dispositivo reflete a intenção do legislador de evitar a repetição desnecessária de comandos legais para disciplinar a metodologia de determinação das bases imponíveis das duas exações, naquilo em que as sistemáticas tinham de comum. Por exemplo: como as bases imponíveis do IRPJ e da CSLL partem do lucro líquido ou o resultado contábil do período de apuração tornase dispensável repetir os conceitos de receita bruta, receita líquida, custos e despesas operacionais, etc, aplicáveis à CSLL, se os mesmos estão devidamente definidos na legislação do IRPJ. No mais, de se acatar o decidido pela DRJ: 79. Concluise, pois, serem indedutíveis as multas por infrações fiscais na apuração da base de cálculo da CSLL. 80. Esse entendimento é corroborado pela IN SRF 390/2004, que, baseandose em toda a legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido então vigente, inclusive na retrocitada lei, assim determinou: Subseção V Das Multas Das Multas por Infrações Fiscais Art. 56. Não são dedutíveis, como custo ou despesas operacionais, as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por descumprimento de obrigações tributárias meramente acessórias de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. 81. Há que se observar que o disposto nessa instrução normativa, por ter caráter interpretativo, retroage sua eficácia ao momento em que a norma interpretada começou a produzir efeitos. 82. Destarte, não procede a alegação da impugnante que o feito fiscal relativo a essa irregularidade não tem respaldo legal. Entretanto, em outra alegação no item IV.1 Do Erro Material contido no Auto de Infração de CSLL, observa a Recorrente que a Fiscalização deveria recompor a base de cálculo da CSLL do ano de 2001 (da autuação), uma vez que detinha base de cálculo negativa de períodos anteriores, conforme consta em sua DIPJ. Fl. 4118DF CARF MF 24 Assiste razão a Recorrente e como permaneceu de pé apenas a infração referente a indedutibilidade da multa, de se recompor o cálculo da CSLL, utilizandose os dados da Ficha 17 da DIPJ, que, digase, não foi objeto de qualquer restrição fiscal, sendo, inclusive utilizada na autuação (alguns dados). Ficha 17 Cálculo da CSLL 31. Base de cálculo antes da comp de BC Negativa de Per Anteriores 20.792.753,44 Infração Apurada e Mantida 3.000.264,71 Base de cálculo 23.793.018,15 32.() BC Negativa de CSLL de Per Anteriores Ativ em Geral (30%) 7.137.905,43 34. Base de Cálculo da CSLL 16.655.112,72 35. CSLL por atividade 1.498.960,14 Cálculo da CSLL 36. CSLL Total 1.498.960,14 DEDUÇÕES 38. () CSLL Mensal Paga por Estimativa 2.904.250,21 41. () CSLL retida na Fonte por Órgão Público 189.005,94 42. CSLL A PAGAR 1.594.296,01 Com relação ao item V Da Ilegalidade da Cobrança de Juros de Mora Sobre a Multa, entendo que resta prejudicada tal alegação, uma vez que não restou crédito tributário no presente processo passível de cobrança. Lançamento de CSLL relativa aos itens decorrentes do lançamento de IRPJ Tendo em vista que a matéria apontada no Auto de Infração do IRPJ, em seus itens 001 Glosa de Despesas Financeiras e 002 Adições Não Computadas no Lucro Real foram excluídas de tributação, conforme decidido no presente Voto, de se excluir tais matérias também no âmbito do Auto de Infração da CSLL, por ali constarem por mera decorrência. Fl. 4119DF CARF MF Processo nº 19515.003170/200678 Acórdão n.º 1401003.034 S1C4T1 Fl. 4.108 25 Conclusão Voto em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de restabelecer a dedutibilidade da despesa financeira (item 001 do Auto de Infração) e reconhecer o direito à recomposição da base de cálculo da CSLL utilizando o saldo negativo de períodos anteriores, mantida a indedutibilidade da multa por infração fiscal (item 002 do lançamento de CSLL). (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 4120DF CARF MF
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