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Numero do processo: 10314.012365/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 09/01/2006 a 29/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3102-001.584
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado Embargos Rejeitados Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Reproduzo vez o teor do Relatório no qual se baseou o Acórdão pelo presente embargado. Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em 14/11/2007, para a cobrança da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, art. 84, inciso I da MP nº 2.1583501. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 23 65 /2 00 7- 81 Fl. 5426DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.012365/200781 Acórdão n.º 3102001.584 S3C1T2 Fl. 186 2 Destacou a fiscalização que a Lei 10.833/03 em seu art. 69 § 2º, inciso III determina a aplicação da multa supracitada nos casos de prestação de informação inexata necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro adequado: “Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. § 3º (Vide Medida Provisória nº 320, de 2006)” Isso porque, em ato de revisão aduaneira da empresa em epígrafe, foram selecionados os 97 itens de maior relevância no comércio exterior da empresa conforme anexo I. Dentre os itens selecionados 73 foram considerados de descrição insuficientes conforme anexo II. A fiscalização fez uma amostragem da descrição das mercadorias nas DIs em questão, conforme podemos observar às fls. 04/11. Ciente do Auto de Infração em 07/12/2007, a interessada apresentou a impugnação de fls. 2298/2308, onde em síntese alegou: as mercadorias importadas pela Impugnante não foram erroneamente ou insuficientemente descritas nas Declaração de Importação/Admissão no RECOF, afigurandose ilegal e verdadeiramente abusiva a aplicação da multa ora combatida; por ter grande parte de sua produção destinada ao mercado externo, a Impugnante é beneficiária do Regime Aduaneiro de Entreposto Comercial sob Controle Informatizado, disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 417, de 20 de abril de 2004, que lhe permite que os insumos da produção sejam importados com suspensão do Imposto de Importação, IPI, e PIS/COFINS – Importação; Fl. 5427DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.012365/200781 Acórdão n.º 3102001.584 S3C1T2 Fl. 187 3 a impugnante exporta grande parte de sua produção, é certo que a importação dessas autopeças sequer configura fato imponível dos tributos aduaneiros, ante a regra de suspensão na importação dessas mercadorias e conseqüente baixa no momento em que as máquinas com elas montadas são exportadas para o exterior; as próprias Declarações de Importação/Admissão no Regime, registradas durante todo o exercício de 2006 (doc. 04/342) atestam essa condição e demonstram que os produtos importados pela Impugnante gozam de suspensão de tributos aduaneiros; ainda que se admitissem quaisquer irregularidades na descrição das mercadorias, é certo que não houve qualquer perda de arrecadação ou máfé da Impugnante, o que justifica a relevação da penalidade aplicada, que desde já se requer, com fundamento no Art. 654 do Regulamento Aduaneiro; a mera leitura das Declarações de Importação/Admissão no Regime Especial é suficiente para concluir que as mercadorias importadas foram correta e suficientemente descritas pela Impugnante; tomemse, por exemplo, os itens constantes da Adição 007 da Declaração de nº 06/00268580 (doc. 04), classificados na posição NCM 9401.20.00 (Assentos para veículos automóveis) e descritos como 14X5721100/200 – CONJUNTO BANCO OPERADOR; apesar da clara descrição da mercadoria, o Auto de Infração aponta, às fls. 05, que teria havido insuficiência nessa descrição, pois “A descrição não aponta onde o item será utilizado, não cita que o item será utilizado em automóvel .” se a própria posição NCM 9401.20.00 se refere, justamente, a assentos para veículos automóveis, como supor que os referidos assentos seriam utilizados em algo que não automóveis?” não houve erro ou sequer divergência quanto à classificação das mercadorias na Nomenclatura Comum do MERCOSUL, seria mesmo incoerente exigir o recolhimento de qualquer multa no caso em tela por suposta insuficiência da descrição das mercadorias, já que a concordância do Fisco quanto a NCM adotada configura verdadeira confissão de que as descrições, tal como efetuadas, foram suficientes para enquadrar as mercadorias em questão nas respectivas posições; nesse sentido, assume natureza nitidamente confiscatória a multa ora combatida, esbarrando no comando inserto no art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988, e criando embaraço ao próprio Regime Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado, cujo bom funcionamento imprescinde de segurança jurídica, que acaba de ser abalada ante a utilização de medida originalmente de propósito educativo com fins evidentemente arrecadatórios; incabível a autuação fiscal ora perpetrada também em razão do disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional; a norma contida no art. 146 doCTN está a dar guarida ao princípio da segurança jurídica, protegendo todos os atos de boafé do contribuinte e impedindo a Administração de se ocupar de novo critério ou propagr nova interpretação sob fatos ocorridos no passado, sobre os quais já tenha havido lançamento ou cobrança; durante todo o exercício de 2006, o Fisco aceitou a classificação das mercadorias nas posições adotadas e com as descrições informadas, não pode agora Fl. 5428DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.012365/200781 Acórdão n.º 3102001.584 S3C1T2 Fl. 188 4 pretender rever os tais acontecimentos, com base em novo entendimento sobre o assunto, alterando critério jurídico em que se baseara anteriormente; requer seja julgado improcedente o Auto de Infração. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 09/01/2006 a 29/12/2006 Multa de 1% do Valor Aduaneiro A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de agosto de 2001, inserese no plano da responsabilidade objetiva, não reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou máfé por parte do sujeito passivo. Demonstrado insuficiência na descrição detalhada da mercadoria para sua correta classificação, impõese a aplicação da multa. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. A decisão tomada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais foi assim ementada. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 09/01/2006 a 29/12/2006 PEREMPÇÃO. Não sendo recorrida a exigência no prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância, deve ser declarada a perempção, não se conhecendo do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Recurso Voluntário Não Conhecido Comparece, agora, a então Recorrente para apresentar Embargos de Declaração ao Acórdão. Considera que houve obscuridade e “verdadeiro erro material”, ao considerar data incorreta como a de recebimento da decisão de primeira instância, acarretando decretação de perempção, que, na verdade, não teria acontecido. É o Relatório. Voto Consta no Embargo que a ciência da decisão de primeira instância teria ocorrido no dia 17/05/2010 e não em 13/05/2010 como entendeu a Unidade Preparadora e este Colegiado. Fl. 5429DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.012365/200781 Acórdão n.º 3102001.584 S3C1T2 Fl. 189 5 Afirma que, “conforme denota a anexa cópia autenticada de envelope remetido através dos correios, pela Equipe de Controle de Crédito Tributário – EQCOT, da Inspetoria da Receita Federal em São Paulo, a Embargante somente tomou conhecimento do v. acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, nele contido, aos 17/05/2010, por ocasião do recebimento da referida correspondência (doc 01)”. Aduz que a suposta data de recebimento que consta do AR está visivelmente rasurada e adulterada. Liminarmente, de se dizer que não vejo omissão, contradição nem obscuridade no Acórdão embargado. Tampouco erro material. Com efeito, considerouse, para fins de contagem do prazo para apresentação do Recurso Voluntário, a data que consta do Aviso de Recebimento, à folha 5.311 do processo. Assim constou do decisum. Vêse à folha 5.311 que o Aviso de Recebimento cientificando a recorrente da decisão de primeira instância foi recebido no dia 13 de maio de 2010, uma quinta feira, e o Recurso Voluntário foi apresentado no dia 14 de junho do mesmo ano. O Decreto 70.235/72 e alterações posteriores estabelece que os prazos se iniciam e encerram somente em dias de expediente normal, e que serão contínuos, excluindose de sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Constatase que o Recurso foi apresentado 32 dias depois da ciência do Acórdão recorrido. Sendo de 30 dias contados da data da ciência o prazo para apresentação do Recurso, está caracterizada a perempção, restando definitiva na esfera administrativa a decisão tomada em primeira instância. A Embargante assevera que a data que consta do Aviso de Recebimento foi rasurada e adulterada. Ainda que assim o fosse, não vejo como considerar o Acórdão omisso, contraditório ou obscuro. Em lugar disso, estarseia tratando de um equívoco deste Colegiado na consideração dos documentos de instrução do processo. Ademais, a Embargante inova em relação ao Recurso. O excerto do Acórdão embargado, abaixo transcrito, deixa claro que o assunto foi adequadamente apreciado, e que as razões ora apresentadas não o foram quando da interposição do Recurso. No corpo do Recurso, sob o título “DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO”, a recorrente afirma ter sido intimada do acórdão recorrido em 17 de maio de 2010, razão para que fosse considerado tempestivo o Recurso Voluntário carreado aos autos. Embora isso, as peças processuais acima identificadas dão conta de outra realidade, não havendo qualquer razão para que se acolha a data informada pela recorrente. O teor do Recurso Voluntário apresentado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na parte que se refere à tempestividade, era o seguinte. I PRELIMINARMENTE I.a. DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO 1. Em 17 de maio de 2010, a Recorrente foi intimada acerca da decisão que manteve o Auto de Infração, consubstanciada no v. acórdão de fls. 5.298/5.305. Fl. 5430DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.012365/200781 Acórdão n.º 3102001.584 S3C1T2 Fl. 190 6 2. Sendo de 30 (trinta) dias o prazo para apresentação do presente recurso, conforme disposto no Art. 33 do Decreto n ° . 70.235/72, temse que o "dies ad quem" para a interposição do presente recurso é 16 de junho de 2010, restando, portanto, inequívoca sua tempestividade, o que permite o seu conhecimento. Nada mais. Acrescentese a isso tudo que a data que consta do Aviso de Recebimento à folha 5.311 não me parece ter sido rasurada ou adulterada por outra pessoa, no intento de modificar a informação. A data manuscrita contém de fato uma rasura. Contudo, ao que tudo indica, tratouse de um erro cometido pela própria pessoa no momento da assinatura do AR. Observase que, antes de escrever o número três, o recebedor parece ter escrito o número dois. Nada que indique o número sete, único algarismo que poderia confirmar a data na qual a Embargante diz ter tomado ciência da decisão de primeira instância. Inobstante, o carimbo aposto pelos Correios não contém qualquer rasura, anotando, sem margem de dúvidas, o dia de 13/05/2010 como sendo a de recebimento da decisão de piso. As supostas datas que constam no envelope não tem o condão de desconstituir a data informada no Aviso de Recebimento. VOTO POR NÃO CONHECER dos embargos. Sala das Sessões, 21 de agosto de 2012. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 5431DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 16004.000758/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006
GESTÃO DE EMPRESAS POR INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo titular de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais.
COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO ADIMPLIDAS.
Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único e confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas contribuições sociais não recolhidas.
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO.
Verificando-se a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso para: I) rejeitar a preliminar de exclusão dos responsáveis solidários; e II) rejeitar a argüição de decadência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006 GESTÃO DE EMPRESAS POR INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo titular de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO ADIMPLIDAS. Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único e confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas contribuições sociais não recolhidas. PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO. Verificandose a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 07 58 /2 00 9- 94 Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso para: I) rejeitar a preliminar de exclusão dos responsáveis solidários; e II) rejeitar a argüição de decadência. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000758/200994 Acórdão n.º 2401002.823 S2C4T1 Fl. 1.189 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.180.5635, lavrado contra o sujeito passivo acima, para exigência das contribuições previdenciárias a outras entidades e fundos Terceiros (SalárioEducação, INCRA, SEST/SENAT, SENAI, SESI, SENAC, SESC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais. O relato do fisco dá conta de operação deflagrada pela Polícia Federal, que identificou suposta organização criminosa, cujo objetivo maior era fraudar à administração tributária. Afirmase que as práticas criminosas eram efetuadas por grupo econômico de fato, denominado Grupo Itarumã, do qual fazia parte a autuada. Foram arrolados como devedores solidários, em razão da existência de grupo econômico, as seguintes pessoas físicas e jurídicas: a) Ari Félix Altomari; b) João do Carmo Lisboa Filho; c) João Carlos Altomari; d) Itarumã S/A; e) Indústria e Comércio de Carnes Grandes Lagos Ltda; f) Unidos Agroindustrial Ltda; g) J & T Administração e Participação Ltda; h) JL Administração e Participação Ltda; i) AFA Administração e Participação Ltda; j) Mafrico Matadouro e Frigorífico Ltda; k) Transportadora Agro Ltda; l) Atual Carnes Ltda. Apresentouse discriminação das contribuições não recolhidas, as quais não foram, segundo a auditoria, declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. A Autoridade Fiscal afirmou que os líderes do referido grupo econômico criaram empresas em nome de “laranjas”, a exemplo da autuada, para desviar faturamento das empresas legalmente constituídas. Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Foram apresentados pelo fisco argumentos e provas quanto à existência do Grupo Itarumã, em razão da interdependência existente entre as empresas componentes e do comando destas centralizado nas mão dos senhores Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari. São apresentadas como evidências da existência de grupo econômico de fato o custeio de plano de saúde pelo Grupo Itarumã de segurados pertencentes às diversas empresas que o compunham, além da rotatividade de empregados entre estas. Acrescenta o fisco que a multa foi calculada levando em conta as alterações promovidas pela MP n.º 449/2008, posto que as disposições revogadas eram mais gravosas ao sujeito passivo. Foi apresentada impugnação pela autuada, a qual não foi acatada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que a declarou improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário. Desta decisão, interpuseram recursos voluntários as empresas Itarumã S.A.; AFA Administração e Participação Ltda; J & T Administração e Participação Ltda; JL Administração e Participação Ltda; Unidos Agroindustrial S.A. e Atual Carnes Ltda, além das pessoas físicas Ari Félix Altomari; João Carlos Altomari e João do Carmo Lisboa Filho. Nas peças de igual teor, as recorrentes alegaram: a) malgrado o extenso relatório fiscal, a auditoria não conseguiu demonstrar a relação existente entre o(a) recorrente e a empresa Agro Carnes Alimentos; b) não faz parte do Grupo Itarumã, não possui relação com a autuada, nem tem sócio comum com esta; c) não se pode inferir que o simples fato de uma empresa firmar contrato com outra seria suficiente para tornála parte de esquema supostamente fraudulento; d) o fisco se baseou apenas em ilações, não conseguido demonstrar a relação entre as empresas e pessoas arroladas como devedoras juntamente com a autuada; e) não restou demonstrado o interesse comum entre a autuada e o(a) recorrente, não podendo prevalecer a solidariedade pela satisfação do crédito tributário; f) a doutrina entende que somente se caracteriza o interesse comum quando se demonstra que o contribuinte autuado e o solidário deram causa em conjunto para ocorrência do fato gerador; g) da forma como se apresenta o relato do fisco, não há como se delimitar com precisão qual a fraude acarretou a solidariedade entre as partes envolvidas; h) a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a mera existência de grupo econômico é insuficiente para justificar a solidariedade tributária; i) a melhor doutrina tem ensinado que o encargo de provar a ocorrência do fatos gerador e as circunstâncias em que se deu é do fisco, além de que, não existe na espécie justificativa legal para inversão do ônus da prova; j) é nulo o AI, por falta de motivação quanto à imputação da responsabilidade solidária à(o) recorrente; Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000758/200994 Acórdão n.º 2401002.823 S2C4T1 Fl. 1.190 5 k) o erro na identificação do sujeito passivo acarreta em ofensa ao art. 142 do CTN, devendo ser declarada a nulidade da lavratura; l) ocorreu decadência parcial do crédito; Ao final, requereram a declaração de nulidade do AI ou, alternativamente, a exclusão do polo passivo e ainda o reconhecimento parcial da decadência. É o relatório. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. A responsabilidade solidária De acordo com o fisco, foi constatada a existência de grupo econômico de fato, o qual era formado por empresas, cuja titularidade pertencia aos reais proprietários Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari; e por outras registradas em nomes de “laranjas”. A autuada fazia parte do segundo grupo. As afirmações da Autoridade Fiscal foram lançadas em relatório de 188 páginas, onde se tenta demonstrar, com esteio em farta documentação, coletada principalmente em documentos apreendidos pela Policia Federal, a existência de organização empresarial que sistematicamente fraudava administração tributária. Para tomarmos partido acerca da contenda, iniciemos fazendo um breve resumo dos fatos relatados pela fiscalização para justificar a inclusão no polo passivo de diversos responsáveis na condição de solidários. Afirma o relato do fisco que, provocada por denúncias da Receita Federal e do INSS, a Polícia Federal deflagrou a “Operação Grandes Lagos”, no intuito de desbaratar organização que há cerca de quinze anos vinha praticando sonegação fiscal, com envolvimento de frigoríficos localizados principalmente nos municípios paulistas de Jales e Fernandópolis. Indicase que foram criadas diversas empresas “de fachada” para acobertar desvios de faturamento das empresas pertencentes ao “Grupo Itarumã”, de modo a fraudar a Fazenda Pública. As empresas Indústria e Comércio de Carnes Grandes Lagos e a Agro Carnes Alimentos AT. C Ltda, segundo a auditoria, teriam sido criadas em nome de interpostas pessoas, para receber grande volume de faturamento do grupo empresarial, sem, no entanto, recolher os tributos devidos. São apresentados documentos, principalmente contratos, os quais comprovariam a estreita relação entre as empresas do grupo e entre estas e os sócios de fato do grupo, Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari. Ressaltase a existência de notas fiscais de saída de carne emitidas pelas empresas Indústria e Comércio de Carnes Grandes Lagos e Agro Carnes Alimentos AT. C Ltda (a autuada) com propaganda e garantia do Frigorífico Itarumã. Havia, conforme relato do fisco, procurações da autuada outorgando poderes para pessoas que trabalhavam para o “Grupo Itarumã”. Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000758/200994 Acórdão n.º 2401002.823 S2C4T1 Fl. 1.191 7 A Autoridade Fiscal indica a existência de notas fiscais de aquisição de animais pela autuada, todavia, com pagamentos aos produtores efetuados pela empresa Mafrico – Matadouro e Frigorífico Irmãos Costa Ltda. Essa fato levou à conclusão da existência de interdependência entre as empresas envolvidas. Foram apresentados diversos exemplos de trabalhadores que atuavam em determinada empresa, todavia, o custeio do plano de saúde era suportado por outra, o que levou o fisco a reforçar sua conclusão pela existência de grupo econômico de fato. Também foram assinaladas as frequentes transferências de trabalhadores entre as diversas empresas do grupo, em que a última empregadora assumia integralmente os encargos trabalhistas e previdenciários. Foi detalhada pelo fisco a situação de todas as empresas envolvidas – regulares e irregulares, dos sócios de direito (laranjas) e dos sócios de fato acima mencionados. São apontadas ainda coincidência de endereços entre os estabelecimentos da empresa autuada e outras empresas do grupo. Afirmase que os recursos para integralização do capital da empresa autuada foram repassados aos sócios “de fachada” por empresas pertencentes ao “Grupo Itarumã”, conforme demonstrado mediante cruzamento de extratos bancários. Essas pessoas, que foram presas no decorrer da operação policial, afirmaram em seus depoimentos que outorgaram poderes a procuradores para gerir a empresa. Ressaltase também a incompatibilidade entre o faturamento da autuada e a situação financeira de seus sócios. Dáse conta que uma das formas de reverter para o “Grupo Itarumã” os resultados financeiros da autuada era a realização de benfeitorias de grade vulto em instalações industriais arrendadas a esta pelo Frigorífico Itarumã, que eram, por força de contrato, incorporadas ao imóvel arrendado. Consta do relato fiscal que a empresa Unidas Agroindustrial S/A tinha uma filial instalada no mesmo endereço da Indústria e Comércio de Carne Grandes Lagos e que neste local centralizavase todo o controle financeiro e operacional das empresas do grupo. Citase que o imóvel foi adquirido pelos Senhores Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari, todavia, com recursos oriundos da empresa Grandes Lagos. A seguir, o fisco relata a relação existente entre o “Grupo Itarumã” e as empresas J & T Administração e Participação Ltda, JL Administração e Participação Ltda e AFA Administração e Participação Ltda, buscando demonstrar que as mesmas teriam sido criadas apenas para transferir patrimônio dos sócios do grupo para seus filhos. Um dos sócios da empresa Indústria e Comércio de Carne Grandes Lagos, Senhor Cláudio Freitas, confessou, conforme o fisco, que os verdadeiros donos desta empresa eram os Senhores Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari, proprietários do “Grupo Itarumã”, e que aquele era apenas pessoa interposta para esconder a real titularidade da empresa. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Informase que a empresa Transportadora Agro Ltda é uma extensão da autuada e que foi criada para simular o arrendamento de veículos da empresa Itarumã S/A. O Mafrico – Matadouro e Frigorífico Irmãos Costa Ltda, segundo a auditoria, foi constituído com recurso oriundos da distribuição de lucros efetuada pela autuada. Afirmase que a empresa Atual Carnes, que absorveu todos os empregados demitidos pela Wood Comercial Ltda, rescindiu os contratos com estes, os quais foram imediatamente absorvidos pela autuada. Ressaltase também que a folha de pagamento da Atual Carnes era paga com recursos da Comercial Grandes Lagos, da Agro Carnes Alimentos e da Coferfrigo AT. C Ltda. A seguir, os Auditores fizeram inúmeras considerações sobre os titulares de fato e os titulares de direito (laranjas) das empresas em questão para demonstrar que faziam parte do conglomerado “Grupo Itarumã”. São também lançadas observações sobre pessoas, cujos serviços prestados ao grupo indicam a interligação entre as empresas. Depois são tecidas considerações sobre as evidências reveladas pelos documentos apreendidos na “Operação Grandes Lagos”, quando à ocorrência dos crimes tributários. O fisco também fundamentou suas conclusões mediante análises da movimentação financeira entre as empresas e pessoas envolvidas, bem como do cruzamento de dados bancários obtidos por ordem judicial. Ressaltese que os dados constantes nos cadastros das instituições financeiras demonstram que os sócios da autuada não passavam de prepostos dos verdadeiros proprietários do “Grupo Itarumã”. Também está evidenciado no relato a ocorrência de pagamentos de despesas pessoais dos sócios verdadeiros pelas empresas “de fachada”, demonstrandose que estas eram de fato pertencentes aos Senhores Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari. Mesmo diante desses argumentos, todos lastreados em farto conjunto probatório, as recorrentes se limitaram a negar a existência do grupo econômico de fato, sem, no entanto, apresentar qualquer argumento específico ou elemento de prova que pudesse infirmar as conclusões da auditoria. Não há dúvida de que o inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a responsabilização na condição de devedores solidários dos Senhores Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari, posto que estes se beneficiaram da falta de pagamento dos tributos exigidos no presente AI. Eis o dispositivo invocado: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) É para esse lado que tem se inclinado a jurisprudência do CARF, como se pode ver dos julgados abaixo reproduzidos: Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000758/200994 Acórdão n.º 2401002.823 S2C4T1 Fl. 1.192 9 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002, 2003 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Atribuise a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e a pessoa a quem se imputa a solidariedade passiva, nos termos do art. 124, inciso I do CTN. O interesse comum na constituição do fato gerador da obrigação principal fica bem caracterizado quando o sócio majoritário deixa a sociedade colocando em seu lugar interposta pessoa, tornandose a partir daí um sócio oculto. (1.ª Turma Ordinária da 4.ª Câmara da 1.ª Seção de Julgamento, Acórdão n.º 1401000.878, de 06/11/2012, Rel. Conselheiro Antônio Bezerra Neto) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006 MULTA QUALIFICADA A prática de ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador mediante a falta de apresentação de DIPJ/2007, a falta de apresentação de livros e documentos fiscais aliada à constatação de atividade durante o período fiscalizado e à ausência da pessoa jurídica no domicilio tributário, constituem fatos que evidenciam o intuito de impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, pelo que se impõe a multa de 150% sobre a totalidade do tributo lançado de ofício. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS TRIBUTÁRIAS MATÉRIA SUMULADA Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Evidenciado o vinculo de fato de pessoa física estranha ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas, como estabelece o inciso I do artigo 124 do CTN. LANÇAMENTOS REFLEXOS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS CSLL, PIS e COFINS. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. (2.ª Turma Especial da 1.ª Seção de Julgamento, Acórdão n.º 1802001.401, de 04/10/2012, Rel. Conselheira Ester Marques Lima de Souza) Portanto, uma vez comprovado que as pessoas físicas citadas, que eram os controladores do “Grupo Itarumã”, constituíram empresas com a interposição de sócios fictícios, tirando proveito da fraude perpetrada, devem os mesmos ser chamados ao polo Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 passivo do presente crédito na condição de devedores solidários, em face do claro interesse comum na ocorrência dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Quanto às pessoas jurídicas arroladas como solidárias, o fisco fundamentou o seu proceder no inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Conforme o relato do fisco acima reproduzido em breve síntese, as diversas empresas compunham o grupo econômico de fato denominado “Grupo Itarumã”, conclusão esta que se baseou na confusão financeira, operacional e patrimonial que se dava entre as empresas, além de comando único representado pelas pessoas físicas acima mencionadas. É assim que tem entendido a jurisprudência pátria, como se pode ver do julgado do Superior Tribunal de Justiça, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO RECORRIDO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL E TESTEMUNHAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. REVISÃO. SÚMULA N. 7 DO STJ. GRUPO ECONÔMICO. COMANDO ÚNICO. EXISTÊNCIA DE FATO. SOLIDARIEDADE. ART. 124, INC. II, DO CTN C/C ART. 30, INC. IX, DA LEI N. 8.212/91. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AJUDA DE CUSTO. DIÁRIAS. DESCARACTERIZAÇÃO. NATUREZA SALARIAL CONFIGURADA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA N. 306 DO STJ. 1. Não havendo no acórdão omissão, contradição ou obscuridade capaz de ensejar o acolhimento da medida integrativa, tal não é servil para forçar a reforma do julgado nesta instância extraordinária. Com efeito, afigurase despicienda, nos termos da jurisprudência deste Tribunal, a refutação da totalidade dos argumentos trazidos pela parte, com a citação explícita de todos os dispositivos infraconstitucionais que aquela entender pertinentes ao desate da lide. 2. A jurisprudência desta Corte firmou o entendimento de que não constitui cerceamento de defesa o indeferimento da produção de prova testemunhal e pericial quando o magistrado julgar suficientemente instruída a demanda, esbarrando no óbice da Súmula n. 7 do STJ a revisão do contexto fáticoprobatórios dos autos para aferir se o acervo probatório é ou não Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000758/200994 Acórdão n.º 2401002.823 S2C4T1 Fl. 1.193 11 satisfatório. Precedentes. 3. O Tribunal de origem declarou que "é fato incontroverso nos autos que as três embargantes compartilham instalações, funcionários e veículos. Além disso, a fiscalização previdenciária relatou diversos negócios entre as empresas como empréstimos sem o pagamento de juros e cessão gratuita de bens, que denotam que elas fazem parte de um mesmo grupo econômico. O sóciogerente da Simóveis, Sr. Écio Sebastião Back tem um procuração que o autoriza a praticar atos de gerência em relação às outras empresas, sendo irmão do sóciogerente delas. Ou seja, no plano fático não há separação entre as empresas, o que comprova a existência de um grupo econômico e justifica o reconhecimento da solidariedade entre as executadas/embargantes". 4. Incide a regra do art. 124, inc. II, do CTN c/c art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, nos casos em que configurada, no plano fático, a existência de grupo econômico entre empresas formalmente distintas mas que atuam sob comando único e compartilhando funcionários, justificando a responsabilidade solidária das recorrentes pelo pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente. 5. "O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito" (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Res. STJ n. 8/08). 6. A Corte a quo, soberana no delineamento das circunstâncias fáticas, observou que, apesar de denominadas como diárias e ajuda de custo, as verbas eram pagas de forma habitual, em valores fixos e expressivos, aos mesmos empregados e sem que fosse comprovada a execução dos serviços a que elas se destinavam ou a realização de viagens, "simplesmente para aumentar a sua remuneração". Correta, pois, a conclusão pela natureza salarial para fins de incidência da contribuição previdenciária. 7. "Os honorários advocatícios devem ser compensados quando houver sucumbência recíproca, assegurado o direito autônomo do advogado à execução do saldo sem excluir a legitimidade da própria parte" (Súmula n. 306 do STJ). 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido.(grifei) (2.ª Turma, Resp. 200901142420, DJE 03/02/2011, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques) Assim, cabível a colocação de todos os responsáveis tributários arrolados pelo fisco na condição devedores solidários. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, verificase que, tendo ocorrido a simulação acima destacada, deslocase a contagem do prazo de decadência para a norma do art. 173, I, do CTN. Esse posicionamento conduzme à conclusão de que não se configurou o transcurso do prazo decadencial, haja vista que o período do lançamento foi de 12/2003 a 12/2006 e a cientificação ao último dos coobrigados (intimado por edital) deuse em 29/12/2009. Procedência do lançamento Não tendo as recorrentes apresentado qualquer argumento quanto à apuração do crédito, seja quanto à inocorrência do fato gerador ou à delimitação da base de cálculo, devese tomar como procedentes as contribuições apuradas. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000758/200994 Acórdão n.º 2401002.823 S2C4T1 Fl. 1.194 13 Conclusão Voto por negar provimento ao recurso para: I) rejeitar a preliminar de exclusão dos responsáveis solidários; e II) rejeitar a argüição de decadência. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 17515.001099/2008-25
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/04/2006
PIS/COFINS IMPORTAÇÃO. CONCOMITÂNCIA DAS VIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 1.
A Súmula CARF nº 1 cristalizou o entendimento de que a opção do contribuinte pela discussão judicial impede a análise da mesma questão jurídica no âmbito administrativo. Tal vedação não significa apenas a inviabilidade da discussão simultânea nas duas vias, mas se deve ao fato de que a solução decretada pelo Poder Judiciário prevalece sempre. A discussão judicial, por isso, prejudica a discussão administrativa a respeito do mesmo tema.
SOBRESTAMENTO. REPERCUSSÃO GERAL. ART. 62-A DO RICARF. DISCUSSÃO JUDICIAL CONCRETA. SÚMULA CARF Nº 1. PREVALÊNCIA.
Se a questão jurídica apresentada no recurso voluntário é tema cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, aplica-se o sobrestamento previsto no art. 62-A do Regimento Interno. Contudo, se o mesmo tema encontra-se em discussão pelo mesmo contribuinte em ação judicial concreta, prevalece a impossibilidade de conhecimento, posto que mesmo após o julgamento de mérito pelo STF o Tribunal Administrativo não poderia conhecer da matéria, em razão de encontrar-se submetida ao Poder Judiciário. A inteligência da Súmula CARF nº 1 prejudica a análise quanto à aplicação do art. 62-A do Regimento.
LANÇAMENTO FISCAL. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL E MOTIVAÇÃO FÁTICA SUFICIENTES. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Porquanto a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, o suporte do lançamento fiscal é a sua fundamentação legal, de maneira que a motivação fática será suficiente na medida em que circunstancie os elementos necessários para amparar a aplicação dos dispositivos legais envolvidos.
Recurso conhecido em parte e, na parte conhecida, negado.
Numero da decisão: 3403-001.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com o processo judicial e, na parte conhecida, também por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 24/04/2006 PIS/COFINS IMPORTAÇÃO. CONCOMITÂNCIA DAS VIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 1. A Súmula CARF nº 1 cristalizou o entendimento de que a opção do contribuinte pela discussão judicial impede a análise da mesma questão jurídica no âmbito administrativo. Tal vedação não significa apenas a inviabilidade da discussão simultânea nas duas vias, mas se deve ao fato de que a solução decretada pelo Poder Judiciário prevalece sempre. A discussão judicial, por isso, prejudica a discussão administrativa a respeito do mesmo tema. SOBRESTAMENTO. REPERCUSSÃO GERAL. ART. 62-A DO RICARF. DISCUSSÃO JUDICIAL CONCRETA. SÚMULA CARF Nº 1. PREVALÊNCIA. Se a questão jurídica apresentada no recurso voluntário é tema cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, aplica-se o sobrestamento previsto no art. 62-A do Regimento Interno. Contudo, se o mesmo tema encontra-se em discussão pelo mesmo contribuinte em ação judicial concreta, prevalece a impossibilidade de conhecimento, posto que mesmo após o julgamento de mérito pelo STF o Tribunal Administrativo não poderia conhecer da matéria, em razão de encontrar-se submetida ao Poder Judiciário. A inteligência da Súmula CARF nº 1 prejudica a análise quanto à aplicação do art. 62-A do Regimento. LANÇAMENTO FISCAL. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL E MOTIVAÇÃO FÁTICA SUFICIENTES. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Porquanto a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, o suporte do lançamento fiscal é a sua fundamentação legal, de maneira que a motivação fática será suficiente na medida em que circunstancie os elementos necessários para amparar a aplicação dos dispositivos legais envolvidos. Recurso conhecido em parte e, na parte conhecida, negado.
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CONCOMITÂNCIA DAS VIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 1. A Súmula CARF nº 1 cristalizou o entendimento de que a opção do contribuinte pela discussão judicial impede a análise da mesma questão jurídica no âmbito administrativo. Tal vedação não significa apenas a inviabilidade da discussão simultânea nas duas vias, mas se deve ao fato de que a solução decretada pelo Poder Judiciário prevalece sempre. A discussão judicial, por isso, prejudica a discussão administrativa a respeito do mesmo tema. SOBRESTAMENTO. REPERCUSSÃO GERAL. ART. 62A DO RICARF. DISCUSSÃO JUDICIAL CONCRETA. SÚMULA CARF Nº 1. PREVALÊNCIA. Se a questão jurídica apresentada no recurso voluntário é tema cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, aplicase o sobrestamento previsto no art. 62A do Regimento Interno. Contudo, se o mesmo tema encontrase em discussão pelo mesmo contribuinte em ação judicial concreta, prevalece a impossibilidade de conhecimento, posto que mesmo após o julgamento de mérito pelo STF o Tribunal Administrativo não poderia conhecer da matéria, em razão de encontrarse submetida ao Poder Judiciário. A inteligência da Súmula CARF nº 1 prejudica a análise quanto à aplicação do art. 62A do Regimento. LANÇAMENTO FISCAL. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL E MOTIVAÇÃO FÁTICA SUFICIENTES. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Porquanto a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, o suporte do lançamento fiscal é a sua fundamentação legal, de maneira que a motivação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 51 5. 00 10 99 /2 00 8- 25 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 fática será suficiente na medida em que circunstancie os elementos necessários para amparar a aplicação dos dispositivos legais envolvidos. Recurso conhecido em parte e, na parte conhecida, negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com o processo judicial e, na parte conhecida, também por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo o seguinte trecho do relatório do Acórdão nº 0726.913, de 5 de dezembro de 2011 (fls. 125/131 eprocesso): Segundo relato da fiscalização, a interessada registrou a DI n.° 06/04593184 em 24/04/2006, sem o recolhimento de PIS e Cofins tendo em vista a obtenção de liminar nos autos do mandado de segurança n.° 2006.70.00.0069211 que suspendia a exigibilidade dos tributos. Posteriormente, em reexame necessário, o Juízo Federal da 1ª Vara Federal de Curitiba entendeu ser inconstitucional somente a inovação quanto à base de cálculo dos tributos questionados, determinando que fossem calculados tendo como base de calculo somente o valor aduaneiro como definido pelo Acordo GATT, Regulamento Aduaneiro e CTN. Desta forma a fiscalização lançou no presente auto de infração os valores correspondentes à diferença entre os valores devidos conforme a determinação judicial e aqueles devidos conforme a Lei n.° 10.865/2004, com exigibilidade suspensa, sendo que os valores devidos conforme a determinação judicial, sem exigibilidade suspensa, foram lançados em outro auto de infração, protocolado sob n.° 17515.000837/200817. Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 50/82, alegando o que segue: Fl. 189DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 17515.001099/200825 Acórdão n.º 3403001.888 S3C4T3 Fl. 185 3 1 A autoridade não poderia instaurar qualquer procedimento fiscal dada a suspensão da exigibilidade dos tributos por força de decisão judicial, nos termos do art.62, do Decreto n.° 70.235/72. Também não podem ser cobradas multa ou penalidade administrativa. 2 Não há descrição dos fatos e fundamentos, nem indicação especifica do dispositivo infringido que levaram a autoridade a realizar o lançamento e por isso é nulo o auto de infração. 3 A exigibilidade das contribuições só poderia se iniciar após a decisão judicial definitiva favorável ao fisco. Não se trata de renúncia à via administrativa. A fiscalização lavrou o auto de infração, obrigando a interessada a promover a impugnação, sob pena de prescrever o direito de defesa administrativa. 4 E necessário o sobrestamento do. presente processo administrativo, até que haja uma decisão judicial transitada em julgado. 5 Não havendo renúncia à via administrativa, há que ser apreciada a presente impugnação, sob pena de ocorrência de cerceamento de defesa. 6 No mérito traz argumentos quanto a) à inconstitucionalidade e ilegalidade da incidência do PisImportação e CofinsImportação, notadamente na importação de equipamentos destinados à manutenção e recuperação da saúde do cidadão brasileiro; b) ofensa aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e a vedação da cobrança de tributos com efeitos confiscatórios; c) A inconstitucionalidade da Lei n.° 10.865/2004, havendo necessidade de regulamentação das novas contribuições por lei complementar e ofensa ao principio constitucional da isonomia em matéria tributável; d) à inconstitucionalidade da correção da base de calculo das contribuições para incluir o ICMS e a própria contribuição. 7 A impugnante agiu dentro da estrita legalidade e por isso não pode ser punida com o auto de infração. Requer, então, sejam acatadas as preliminares argüidas para anular o auto de infração; 6 Por estas razões deve ser julgado improcedente o auto de infração. É o relatório”. (fls. 126/127 eprocesso) Fl. 190DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, por meio do referido Acórdão, manteve integralmente o auto de infração, por entender o seguinte: As exigências de que tratam o presente processo referemse As Contribuições PIS/PASEP e Cofins devidas por ocasião da importação de mercadoria através da DI n.° 06/04593184 e que não foram recolhidas por entender a importadora que estava amparada por medida liminar suspensiva da exigibilidade de tais tributos, deferida no Mandado de segurança n.° 2006.70.00.0069211. Posteriormente, no exame da apelação, o TRF da j4.a Região decidiu pela inconstitucionalidade apenas da alteração da base de Cálculo das Contribuições, determinando que as mesmas fossem calculadas nos 'termos da definição de valor aduaneiro constantes no Acordo GATT. Por esta razão foram lançados nos presente auto os valores correspondentes A diferença entre os valores devidos conforme a determinação judicial e aqueles devidos conforme a Lei n.° 10.865/2004, com exigibilidade suspensa. A impugnante contesta a constituição do crédito tributário através do auto de infração por entender que a propositura de ação judicial e a suspensão a exigibilidade do crédito deferida liminarmente, obstam qualquer procedimento fiscal em relação ao crédito discutido. Quanto à constituição do crédito em que a impugnante contesta sua validade é de se esclarecer que a autoridade fiscal deve obrigatoriamente proceder ao lançamento devido ao fato de a constituição do crédito tributário ser de sua competência privativa, vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN que dispõe, in verbis: (…) Conclusivamente, então, de acordo com o CTN o crédito tributário deve ser constituído, mesmo que esteja sendo discutido judicialmente, sendo que sua exigibilidade é que pode ficar suspensa caso ocorra alguma das condições previstas no art. 151. Preliminarmente também requer a nulidade do auto de infração por não constar a descrição dos fatos e fundamentos e não indicar especificamente o dispositivo infringido. Tal argumento não se mantém pelo simples fato de que no auto está claramente relatado a origem da exigência feita, citando a legislação de regência das contribuições em tela. Também defende a requerente o direito de ver analisada sua peça impugnatória, não ocorrendo renúncia à via administrativa. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 17515.001099/200825 Acórdão n.º 3403001.888 S3C4T3 Fl. 186 5 Todavia, no que tange ao exame de matéria concomitante nas esferas administrativas e judicial, cumprenos, nessa instância administrativa, observar o disposto no Ato Declaratório Administrativo COSIT no 3, de 14/02/1996, (…) Portanto, em cumprimento A. norma legal, se houver concomitância entre as matérias discutidas administrativa e judicialmente há que ser reconhecer a desistência de sua discussão na via administrativa por aplicação do ADN COSIT n.° 03/96. E é o que ocorre no presente auto de infração, em que se constata através dos argumentos de mérito trazidos pela interessada na impugnação, que a matéria concernente A. legalidade da exigência e ao cálculo das contribuições foi levada para , discussão na esfera judicial e, conseqüentemente, em relação a ela, deve se reconhecer a desistência de sua discussão na via administrativa. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 138/176), por meio do qual insiste nos mesmos fundamentos de sua impugnação, acrescentando apenas a alegação de que deveria haver os sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, conforme previsto art. 62A do Regimento do CARF, em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nºs 559.607 (Tema 001 – “Base de cálculo do PIS e da COFINS sobre a importação”) e no Recurso Extraordinário nº 565.886 (Tema 079 – “a) Reserva de lei complementar para instituir PIS e COFINS sobre a importação. b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.865/2004”). Argumenta que “não há renúncia à instância administrativa, pois o Fisco que lavrou o auto de infração e intimou a ora RECORRENTE para apresentação de defesa, sendo assim, é indispensável a apreciação da peça impugnatória em todos os seus termos” (fl. 147 eprocesso). Também alega a nulidade do auto de infração (fl. 156 eprocesso) por ausência de indicação específica dos dispositivos infringidos – argumentando que o auto de infração teria se limitado a listar inúmeros dispositivos legais, mas sem indicar quais teriam sido especificamente infringidos –, e por falta de precisão na descrição dos fatos, que residiria no fato de a autoridade fiscal ter descrito que “o Juízo Federal da 1ª VF de Curitiba entendeu ser inconstitucional somente a inovação quanto à base de cálculo” enquanto, na verdade, já teria havido sentença julgando totalmente procedente o writ, “para reconhecer a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS sobre a importação (…) desobrigando a impetrante ao pagamento dos tributos” (fl. 157 eprocesso), É o relatório. Voto Fl. 192DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário é tempestivo (fls. 137 e 138 eprocesso). Entendo que o recurso não pode ser conhecido, em razão desta mesma questão encontrarse em discussão no Poder Judiciário, conforme faz prova a decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2006.70.00.0069211 (fls. 5/8 eprocesso). Fica clara a identidade da questão jurídica debatida nas duas vias, sendo fora de dúvida que o objetivo da ação judicial é afastar a exigência do crédito tributário que foi constituído por meio do lançamento fiscal discutido neste processo administrativo. Ou seja, a questão jurídica apresentada pelo contribuinte ao judiciário é a mesma que pretende ver discutida neste processo administrativo. Ocorre que é entendimento consolidado deste Conselho que a discussão pela via judicial prejudica de maneira irremediável o debate administrativo a respeito dos mesmos fundamentos, conforme categoricamente previsto na Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ou seja, é inviável a concomitância da discussão pelas duas vias, de sorte que a existência de uma ação judicial torna prejudicada a discussão do mesmo tema pela via administrativa. Isto se deve, também, ao aspecto prático de que a solução decretada pelo Poder Judiciário deverá sempre prevalecer. Diante, pois, da evidência de que a questão jurídica – da legalidade da exigência de PIS/Cofins sobre a importação e de qual deve ser sua base de cálculo – foi levada à discussão judicial, inviabilizase a discussão administrativa a este mesmo respeito. Justamente porque não se pode apreciar a questão jurídica que foi submetida concretamente ao Poder Judiciário, não se pode cogitar do sobrestamento do julgamento do recurso voluntário para aguardar o julgamento de mérito, pelo Supremo Tribunal Federal, de tema submetido à sistemática da repercussão geral. Como se sabe, se a questão jurídica apresentada no recurso voluntário veicular um tema cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, aplicase o sobrestamento previsto no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno, aguardandose o desfecho da apreciação do mérito pelo STF para, apenas depois disso, haver o julgamento de mérito do recurso voluntário por este Conselho, a quem incumbirá a aplicação do mesmos entendimento no julgamento do caso concreto, conforme o caput do mesmo art. 62 A. Contudo, se o tema em repercussão geral corresponde à mesma questão jurídica que se encontra em discussão em uma ação judicial concreta, proposta pelo mesmo Fl. 193DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 17515.001099/200825 Acórdão n.º 3403001.888 S3C4T3 Fl. 187 7 contribuinte, então prevalece a impossibilidade de conhecimento do recurso voluntário, para que assim prevaleça a discussão na via judicial. A análise quanto à aplicação da Súmula CARF nº 1 precede e prejudica a análise quanto à aplicação do art. 62A do Regimento. Ou, em outras palavras, a vedação da concomitância prevalece e supera a hipótese de sobrestamento. Não haveria, com efeito, nenhuma utilidade no sobrestamento, pois mesmo depois do julgamento da repercussão geral pelo STF, este Tribunal Administrativo não poderia conhecer da questão, em razão de encontrarse submetida ao Poder Judiciário em ação judicial específica, proposta pelo contribuinte. Neste caso, como visto, o recurso voluntário trata de tema cuja repercussão geral foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nºs 559.607 (Tema 001 – “Base de cálculo do PIS e da COFINS sobre a importação”) e no Recurso Extraordinário nº 565.886 (Tema 079 – “a) Reserva de lei complementar para instituir PIS e COFINS sobre a importação. b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.865/2004”). Ocorre que os mesmos temas foram veiculados em ação judicial proposta pelo mesmo contribuinte, de maneira que prevalecerá, em qualquer hipótese, a sorte do que for decidido nesta ação judicial concreta, exigindo, pois, a aplicação da inteligência da Súmula CARF nº 1. A única matéria de que se pode tomar conhecimento, portanto, referese à alegação do contribuinte de nulidade do auto de infração por vício de fundamentação e motivação. A respeito destas alegações, das quais se toma conhecimento, não assiste razão ao contribuinte. Primeiro, em relação à fundamentação legal, porque não é verdade que a autoridade lançadora tenha simplesmente listado os dispositivos legais, sem demonstrar a sua aplicação. O corpo da descrição dos fatos ilustra de maneira suficiente tudo quanto é necessário saber para a aplicação dos dispositivos legais envolvidos, que estão devidamente contextualizados (fl. 33 eprocesso): 0 importador, por meio da DI de n°06/04593184, registrada em 24/04/2006 , submeteu a despacho de importação um aparelho de raios X para tomografia computadorizada, com classificação na Tarifa Externa Comum sob o código 9022.12.00. A alíquota ad valorem da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidente sobre a importação, vigente para esta mercadoria na data do registro da DI (momento de ocorrência do fato gerador, para efeito de cálculo, segundo o art. 4°, inciso I, da Lei n° 10.865/2004) era de 7,6 %, e a alíquota do PIS era de 1,65 %. Ocorre que o importador havia recorrido, anteriormente Fl. 194DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 ao registro da DI citada, ao Poder Judiciário através do Mandado de Segurança n° 2006.70.00.0069211, obtendo liminar suspendendo a exigibilidade dos tributos acima citados. Posteriormente, em reexame necessário, o Juízo Federal da 1ª VF de Curitiba entendeu ser inconstitucional somente a inovação quanto A base de cálculo dos tributos questionados, determinando assim que fossem calculados tendo como base de cálculo somente o valor aduaneiro como definido pelo acordo GATT, pelo Regulamento Aduaneiro (artigo 77) e CTN (artigo 110), bem como o art. 149, parágrafo 2°, III, da Constituição Federal. Quanto à alegação de falta de precisão na motivação dos fatos, percebese que o contribuinte pretende acusar como um erro o que evidencia apenas a superveniência de novas decisões no processo judicial referido pela Fiscalização. Enquanto a Fiscalização se refere à liminar judicial, que reconheceu apenas em parte o direito pleiteado, o contribuinte se refere à sentença, que concedeu integralmente o mandado de segurança. Ainda que houvesse alguma imprecisão a respeito de uma ou outra situação, isto não acarretaria qualquer nulidade, tendo em vista que não altera a necessidade de promoverse o lançamento para constituir o crédito tributário. A constituição do crédito tributário é dever de ofício da Administração Tributária e o ato de lançamento, em si mesmo, não significa a exigência propriamente dita do crédito tributário, que permanecerá suspensa enquanto permanecer vigente as hipóteses previstas no art. 151 do CTN. Por tais razões, voto por conhecer do recurso voluntário em parte e, nesta parte, negarlhe provimento. Ivan Allegretti Fl. 195DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13811.003740/2007-80
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
DCTF MENSAL OU SEMESTRAL. RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO.
Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, deve-se considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04.
Numero da decisão: 1802-001.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO. Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, devese considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 37 40 /2 00 7- 80 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003740/200780 Acórdão n.º 1802001.506 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) que considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte e, consequentemente, manteve a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao mês de junho do anocalendário de 2005 (fl. 16), no valor de R$ 44.469,63. Os dispositivos legais infringidos constam na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração em comento. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fls. 01 a 03, subscrita por procurador devidamente habilitado, por meio da qual, em apertada síntese, alega o seguinte: a) não estava obrigada à apresentação mensal da DCTF, mas apenas à obrigação semestral; e b) que ao calcular sua receita bruta para fins de observância da obrigatoriedade de apresentação mensal ou semestral da DCTF, utilizouse da permissão prevista no artigo 30, parágrafo 1º da Medida Provisória n° 2.158/2001. Para melhor ilustração, segue dispositivo legal citado pela Recorrente: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência.” O dispositivo invocado pela Recorrente também encontrase reproduzido na IN 247/02, art. 13: “Art. 13. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função de taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual, são consideradas, para efeitos da incidência destas contribuições, como receitas financeiras. § 1º As variações monetárias em função da taxa de câmbio, a que se refere o caput, serão consideradas, para efeito de Fl. 245DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003740/200780 Acórdão n.º 1802001.506 S1TE02 Fl. 38 3 determinação da base de cálculo das contribuições, quando da liquidação da correspondente operação. § 2º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias de que trata o § 1º poderão ser consideradas, na determinação da base de cálculo das contribuições, segundo o regime de competência. A DRJ de São Paulo (SP) ao julgar a manifestação de inconformidade em 25.05.2010 manifestou seu entendimento através da seguinte ementa: “A S S U N T O : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. DCTF MENSAL. RECEITA BRUTA. O regime de competência é o regime prevalente adotado tanto pelas leis comerciais como pela legislação fiscal para a contabilização das receitas, dos custos e das despesas, por ser o mais apropriado para refletir a realidade do patrimônio líquido e suas alterações. A legislação fiscal admite o regime de caixa apenas para reduzido número de situações, entre as quais não se inclui a determinação do limite da receita bruta que obriga a apresentação da DCTF mensal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 30/09/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 84 a 88, em 25/10/010, onde reitera as mesmas razões de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Esta Turma em 11/04/2012, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência para que fossem juntadas a cópia do LALUR do anocalendário de 2003 e a cópia completa da DIPJ do exercício de 2004, anocalendário de 2003. Solicitouse também a elaboração de relatório circunstanciado que demonstrasse o montante das receitas oferecidas à tributação no anocalendário de 2003. Este é o Relatório. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003740/200780 Acórdão n.º 1802001.506 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Versam os autos sobre a aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) no anocalendário de 2005. A DCTF foi instituída pela IN SRF nº 126, de 30/10/1998, tendo posteriormente alguns conceitos e definições alterados pela IN SRF nº 255, de 11/12/2002. Com periodicidade trimestral, foi utilizada para a prestação das informações relativas aos tributos e contribuições apurados pelas Pessoas Jurídicas no trimestre correspondente, além de outras informações relativas aos pagamentos, débitos, suspensão da exigibilidade do crédito tributário, parcelamentos e compensações. A partir do anocalendário de 2005, com a IN SRF nº 482, de 21/12/2004, posteriormente alterada pela IN SRF nº 532, de 30/03/2005, a DCTF passou a ter periodicidade mensal ou semestral. Estavam obrigadas a apresentação da declaração mensalmente: “Art. 2º A partir do anocalendário de 2005, deverão apresentar, mensalmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz, as pessoas jurídicas em geral, inclusive as equiparadas, imunes e isentas: I cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a 30 (trinta) milhões de reais; ou II cujo somatório dos débitos declarados nas DCTF relativas ao segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a 3 (três) milhões de reais.” As demais pessoas jurídicas estariam sujeitas a apresentação semestral da declaração: “Art. 3º As demais pessoas jurídicas deverão apresentar, semestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz.” O ponto nodal da discórdia entre a autoridade fiscal e a Recorrente diz respeito ao momento em que as variações monetárias devem ser consideradas como integrantes da receita bruta para fins eleição do critério de apresentação da DCTF. De acordo com a autoridade fiscal devese respeitar o regime de competência, enquanto que na ótica da Recorrente, as pessoas jurídicas que se utilizaram da faculdade da apuração pelo regime de Fl. 247DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003740/200780 Acórdão n.º 1802001.506 S1TE02 Fl. 40 5 caixa previsto no artigo 30, parágrafo 1º da Medida Provisória n° 2.158/2001 devem seguir o regime de caixa. Pesquisando o site da Receita Federal do Brasil (http://www.receita.fazenda.gov.br/Pessoajuridica/dipj/1999/Inf_Gerais/Conceito_de_Receita_ Bruta.htm), extraímos a seguinte informação: “A receita bruta compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido na operações de conta alheia, excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente do comprador ou contratante, e dos quais o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Atenção: A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, poderá adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços pelo regime de caixa ou de competência, observandose o disposto na IN SRF n° 104, de 1998. O legislador ao permitir que o contribuinte optasse pelo regime de caixa ou competência para a apuração desses tributos criou um descasamento entre a escrituração contábil e fiscal, o que se estendeu, inclusive, para os contribuintes que se encontrassem na sistemática de apuração do lucro presumido. Para corroborar com esse entendimento, vejamos a citada IN SRF nº 104/98: Art. 1º A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços com pagamento a prazo ou em parcelas na medida do recebimento e mantiver a escrituração do livro Caixa, deverá: I emitir a nota fiscal quando da entrega do bem ou direito ou da conclusão do serviço; II indicar, no livro Caixa, em registro individual, a nota fiscal a que corresponder cada recebimento. § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento. § 2° Os valores recebidos adiantadamente, por conta de venda de bens ou direitos ou da prestação de serviços, serão computados como receita do mês em que se der o faturamento, a entrega do bem ou do direito ou a conclusão dos serviços, o que primeiro ocorrer. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003740/200780 Acórdão n.º 1802001.506 S1TE02 Fl. 41 6 § 3° Na hipótese deste artigo, os valores recebidos, a qualquer título, do adquirente do bem ou direito ou do contratante dos serviços serão considerados como recebimento do preço ou de parte deste, até o seu limite. § 4° O cômputo da receita em período de apuração posterior ao do recebimento sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento do imposto e das contribuições com o acréscimo de juros de mora e de multa, de mora ou de ofício, conforme o caso, calculados na forma da legislação vigente. Art. 2º O disposto neste artigo aplicase, também, à determinação das bases de cálculo da contribuição PIS/PASEP, da contribuição para a seguridade social COFINS, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e para os optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES.” (Grifos meus). Em consulta a legislação vigente, inclusive interpretativa, não há em lugar algum esclarecimento quanto a esta matéria, o que pode gerar dupla interpretação por parte do contribuinte. Frisese mais uma vez que há clara separação entre as obrigações fiscais e acessórias, especialmente quando da emissão das notas fiscais que se dão em momento diferente daquele em que se registra a receita bruta contábil, por força da IN 104/98, art. 1º, § 1º, acima transcrito. Com efeito, nos casos em que o contribuinte elege o reconhecimento do regime de caixa, e não de competência, para a apuração da base de cálculo dos seus tributos, causando assim o descasamento com a legislação comercial, nada mais razoável que o efeito (reconhecimento) da receita bruta para fins de cumprimento das obrigações acessórias também seja considerado no momento do recebimento. Com o retorno da diligência é possível verificar, através da documentação acostada, bem como da informação fiscal (fls. 104 e 105), que a Recorrente no anocalendário anterior a entrega da DCTF auferiu receita bruta tributável no valor de R$ 25.728.334,66, montante este inferior ao mínimo legal de R$ 30.000.000,00. Neste caso não estaria a contribuinte obrigada a entregar a DCTF na periodicidade mensal. Ademais, as receitas relativas à variação cambial nem mesmo se enquadram no conceito de receita bruta, conforme visto acima, não devendo ser considerados para fins de parâmetro de entrega da DCTF mensal. Dadas as circunstâncias do presente caso, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 249DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13811.003740/200780 Acórdão n.º 1802001.506 S1TE02 Fl. 42 7 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.003311/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva - Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 03 31 1/ 20 10 -7 5 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13971.003311/201075 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.241 S2C3T1 Fl. 311 2 RELATÓRIO: Tratase de lançamento nº 37.253.9882, lavrado em 13/07/2010, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de contribuintes individuais e de empregados, no período de 06/2005 a 12/2009, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 1.583.539,81, fls. 01. O lançamento foi realizado considerando a existência de grupo econômico entre as empresas Marcenaria São João e a recorrente, bem como a exclusão desta do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES FEDERAL) constante dos processos 13971.003096/201011 e 13971.003097/201057. Após tomar ciência postal da autuação em 21/07/2010, fls. 70, a recorrente apresentou impugnação, fls. 85/131, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A responsável solidária, Marcenaria São João, apresentou sua impugnação em fls. 140/198 com argumentos similares aos da recorrente. A 6ª Turma da DRJ/Florianópolis, no Acórdão de fls. 210/225, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 29/07/2011, fls. 266. A responsável solidária Marcenaria São João não foi intimada do Acórdão a quo. O recurso voluntário, apresentado em 29/08/2011 pela recorrente, fls. 267/328, apresentou argumentos que deixamos de relatar em face da proposta de diligência que iremos formular por conta de problemas processuais e da existência de questão prejudicial. É o relatório. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13971.003311/201075 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.241 S2C3T1 Fl. 312 3 Voto: Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Duas questões impedem o prosseguimento do julgamento. A primeira, relativa à regularidade processual. A segunda, relativa a uma questão prejudicial. Observamos uma irregularidade processual na medida em que não foi encontrado a prova de que a responsável solidária, Marcenaria São João, tenha sido cientificada do Acórdão a quo. À toda vista, se não suprirmos tal omissão, estará configurado cerceamento de defesa da solidária. A questão prejudicial que vislumbramos diz respeito à existência de processo de exclusão do SIMPLES ainda pendente de decisão definitiva. Os deslindes dos processos 13971.003096/201011 e 13971.003097/201057, se favoráveis à recorrente, tornam improcedentes os lançamentos ora em discussão, o que afasta qualquer dúvida sobre a prejudicialidade dos citados processos para o caso presente. Logo, é recomendável, atendendo aos princípios da eficiência e da moralidade da Administração Pública, que o presente julgamento aguarde a definitividade da discussão sobre a exclusão do SIMPLES. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER o Recurso e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que: 1. seja a responsável solidária, Marcenaria São João, intimada do Acórdão a quo, facultandolhe a apresentação de Recurso Voluntário no prazo de trinta dias; 2. após tal providência, seja o presente processo apensado aos processos 13971.003096/201011 e 13971.003097/201057, aguardando a decisão DEFINITIVA EM AMBOS sobre a exclusão do SIMPLES; 3. após a conclusão dos processos citados, sejam juntadas cópias das respectivas decisões e retornem os autos para prosseguirmos com o julgamento. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 338DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000205/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - NÃO IDENTIFICAÇÃO DOS FATOS GERADORES - AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA MUDANÇA DO FPAS - EXISTÊNCIA DE ATO CANCELATÓRIO
Em se tratando de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito - DAD, não há que se falar em falta de descrição de fatos geradores, muito menos cerceamento do direito de defesa.
Recurso Voluntário Negado
A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado, não encontra-se dentre as exclusões do art. 28, § 9º da lei 8212/91.
O ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdenciárias. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS EMPREGADOS - CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO NÃO DESCONTADA EM ÉPOCA PRÓPRIA - ÔNUS DO EMPREGADOR
O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.
ENTIDADE ISENTA - OBRIGAÇÃO DE DESCONTO E RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS
Independente da discussão acerca da condição de isenta da entidade, em restando constatada a existência de salário indireto por meio de bolsas aos dependentes, deve existir o recolhimento de contribuição previdenciária acerca da parcela do segurado empregado.
O direito a isenção/imunidade, não alcança as contribuições descontadas, ou que deveriam ter sido descontadas como é o caso da bolsa destinada a dependentes dos segurados empregados. Dessa forma, o apreciação da isenção em nada afetaria o lançamento, posto a isenção referir-se apenas a parcela patronal e destinada a terceiros.
Numero da decisão: 2401-002.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - NÃO IDENTIFICAÇÃO DOS FATOS GERADORES - AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA MUDANÇA DO FPAS - EXISTÊNCIA DE ATO CANCELATÓRIO Em se tratando de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito - DAD, não há que se falar em falta de descrição de fatos geradores, muito menos cerceamento do direito de defesa. Recurso Voluntário Negado A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado, não encontra-se dentre as exclusões do art. 28, § 9º da lei 8212/91. O ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdenciárias. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS EMPREGADOS - CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO NÃO DESCONTADA EM ÉPOCA PRÓPRIA - ÔNUS DO EMPREGADOR O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. ENTIDADE ISENTA - OBRIGAÇÃO DE DESCONTO E RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS Independente da discussão acerca da condição de isenta da entidade, em restando constatada a existência de salário indireto por meio de bolsas aos dependentes, deve existir o recolhimento de contribuição previdenciária acerca da parcela do segurado empregado. O direito a isenção/imunidade, não alcança as contribuições descontadas, ou que deveriam ter sido descontadas como é o caso da bolsa destinada a dependentes dos segurados empregados. Dessa forma, o apreciação da isenção em nada afetaria o lançamento, posto a isenção referir-se apenas a parcela patronal e destinada a terceiros.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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SEGURADOS Recorrente SOCIEDADE GUARULHENSE DE EDUCAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS SALÁRIO INDIRETO BOLSA DE ESTUDOS PARCELAS PAGAS EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. A empresa é responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados que lhe prestaram serviços. Quanto a apuração da contribuição sobre os valores bolsa de estudos uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado, não encontrase dentre as exclusões do art. 28, § 9º da lei 8212/91. O ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdenciárias. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO NÃO DESCONTADA EM ÉPOCA PRÓPRIA ÔNUS DO EMPREGADOR AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 02 05 /2 01 0- 01 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 2 O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. ENTIDADE ISENTA OBRIGAÇÃO DE DESCONTO E RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS Independente da discussão acerca da condição de isenta da entidade, em restando constatada a existência de salário indireto por meio de bolsas aos dependentes, deve existir o recolhimento de contribuição previdenciária acerca da parcela do segurado empregado. O direito a isenção/imunidade, não alcança as contribuições descontadas, ou que deveriam ter sido descontadas como é o caso da bolsa destinada a dependentes dos segurados empregados. Dessa forma, o apreciação da isenção em nada afetaria o lançamento, posto a isenção referirse apenas a parcela patronal e destinada a terceiros. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE NÃO IDENTIFICAÇÃO DOS FATOS GERADORES AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA MUDANÇA DO FPAS EXISTÊNCIA DE ATO CANCELATÓRIO Em se tratando de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito DAD, não há que se falar em falta de descrição de fatos geradores, muito menos cerceamento do direito de defesa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000205/201001 Acórdão n.º 2401002.650 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.259.5030, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais não recolhidos na época própria, levantadas sobre os VALORES PAGOS AOS SEUS DEPENDENTES DOS SEGURADOS EMPREGADOS A TÍTULO DE BOLSA DE ESTUDOS, no período de 01/2006 a 12/2007. Importante, destacar que a lavratura do AIOP deuse em 28/04/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 05/05/2010. Ressaltese, ainda, que conforme descrito no relatório fiscal, fl. 27 o lançamento está consubstanciado na concessão das bolsas de estudo aos filhos e cônjuges dos empregados da empresa, sendo um benefício acordado na Convenção Coletiva de Trabalho da empresa com o Sindicato da categoria. O s valores referentes às Bolsas de Estudo não constam declaradas em G F I P . Descreve, ainda que as bolsas concedidas aos parentes dos funcionários foram consideradas como salário com incidência de contribuições previdenciárias, por falta de previsão legal de não incidência. Assim é que, a alínea "t" do parágrafo 9o . do art. 28 da Lei 8.212/91, determina que somente não integra o saláriodecontribuição, o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica. No caso tratase de educação de nível superior. Embora todos os empregados e dirigentes tenham acesso, o fato de ser educação de nível superior já não se enquadra nas premissas do dispositivo legal citado. A empresa foi intimada pela fiscalização, a informar os beneficiários das Bolsas de Estudo concedidas e a vinculação destes aos funcionários da empresa. A empresa atendeu a intimação e assim cabe esclarecer, que a fiscalização trabalhou com os dados informados pela própria empresa. Anexo a este A l , constam as planilhas que foram fornecidas pela empresa e no Al debcad 37.259.5030 constam as planilhas com o cálculo dos valores de Segurados e do SaláriodeContribuição apurado por funcionário (DE FORMA INDIVIDUALIZADA), respeitando o limite do salário de contribuição, para as competências de 01/2006 a 12/2007. A empresa se declara na GFIP com o FPAS 639 (entidades filantrópicas com isenção), todavia o contribuinte teve sua isenção cancelada a pelo Ato 21.625/001/1999. Não concordando com o lançamento, a entidade apresentou impugnação, fls. 130 a 134 do Volume II do autos do processo 16.095.000206/201048, considerando que aquele processo referese a obrigação principal. A decisão de primeira instância administrativa julgou procedente o lançamento efetuado, conforme fls. 256 a 259 do Volume II do autos do processo 16.095.000206/201048, considerando que aquele processo referese a obrigação principal. . Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 4 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: 1. Nulo é o lançamento, pois o relatório fiscal não oferece quaisquer elementos técnicos ou fáticos, hábeis a identificar as razões que levaram a desconsiderar o código do FPAS utilizado, no caso, código 639; 2. Este Auto deve ser declarado improcedente em razão do cerceamento de defesa, tanto pela falta de motivação quanto ao novo enquadramento no FPAS, tanto por não ter sido observado o disposto nos §§ 3 o e 4 o do art. 111 da Instrução Normativa IN/RFB n° 971/2009. Consoante seus estatutos (cópia anexa) o código FPAS que mais se adapta à sua atividade é o 639; 3. A entidade atende a todas as exigências previstas no Código Tributário Nacional CTN e aplicáveis na espécie. Sendo que já usufruía da desobrigação do recolhimento da cota patronal antes do advento do Decreto n° 1.572/1977; 4. A informação do fisco de que há um Ato Cancelatório, lavrado nos idos de 1999, não pode ser considerado como juridicamente suficiente para legitimar a cobrança ora contraditada; 5. É do conhecimento do fisco que o contribuinte possui o certificado CNAS, ou seja, o CEAS, para o ano de 2007, e que, portanto, preencheu os requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991; 6. À época da lavratura, ou seja, em 21071999, o INSS não ostentava legítimo direito a promover a cassação da isenção do contribuinte, ante a liminar concedida, cm 1407 2009, na ADIN n° 20285 pelo Supremo Tribunal Federal STF; 7. A verba fora paga de acordo com Convenção Coletiva de Trabalho, não integrando o saláriodecontribuição; 8. não se pode impor ao contribuinte, que inclusive tem ação judicial sentenciada a seu favor quanto a sua não obrigatoriedade aos recolhimentos da chamada "cota patronal"; e relativamente às bolsas de estudos, enquanto vigentes os termos da Convenção Coletiva de trabalho, devem os mesmos serem respeitados, restando, portanto, improcedente o lançamento. A unidade descentralizada da SRP encaminhou o processo a este CARF, sem o oferecimento de contrarrazões. É o Relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000205/201001 Acórdão n.º 2401002.650 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, considerando documentação acostada nos autos. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Ressaltese que toda a argumentação em sede de recurso referese a sua alegada condição de entidade imune, bem como ao entendimento que os valores pagos à título de bolsa de estudos não constituem salário de contribuição. QUANTO A NULIDADE FACE IMUNIDADE Notese, que apesar da vasta argumentação trazida pela recorrente, acerca do seu direito a isenção/imunidade, bem como da nulidade do lançamento entendo que o direito a isenção não alcança as contribuições descontadas, ou que deveriam ter sido descontadas como é o caso da bolsa destinada a dependentes dos segurados empregados. Dessa forma, o apreciação da isenção em nada afetaria o lançamento, posto a isenção referirse apenas a prcela patronal e destinada a terceiros. Assim, passo as razões quanto ao mérito do lançamento. QUANTO AO FATO GERADOR Quanto ao fato gerador também não há de se acatar qualquer argumento de nulidade do lançamento, considerando que a autoridade fiscal identificou devidamente o fato gerador no documento fiscal, destacando, inclusive que os valores foram apurados e individualizados por meio dos documentos fornecidos pelo próprio recorrente. No relatório DAD é possível identificar todas as competências em que foram identificados os fatos geradores, bem como no relatório FLD encontramos a legislação correlata no tempo a cada fato gerador apurado. Quanto a concessão de bolsa de estudos AOS DEPENDENTES dos segurados não constituírem salário de contribuição, razão não confiro ao recorrente. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 6 durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) No caso quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que, não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição, tendo em vista ausência de exclusão do benefícios concedidos aos dependentes do segurado empregado. Conforme descrito no relatório fiscal, as bolsas são previstas em acordos coletivos e argumentado pelo próprio recorrente e concedidas ao DEPENDENTES DOS SEGURADOS. O fato de a verba possuir previsão em Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho não afasta a incidência de contribuição previdenciária. Como se verifica na última parte do inciso I, art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, as convenções ou acordos coletivos de trabalhos ou até mesmo as sentenças normativas podem prever a inclusão de parcelas no conceito do saláriodecontribuição. Assim, não é pelo fato de ser previsto em acordo coletivo que se pode desnaturar a natureza da verba, para fins de incidência de contribuições previdenciárias. Mesmo porque, se assim o fosse, acordos ou convenções coletivas poderiam alterar a legislação previdenciária, fazendo o papel de leis isentivas, o que é vedado de acordo com o previsto no art. 150, § 6º da Constituição Federal. Além do mais, os acordos particulares não possuem oposição em face da Fazenda Pública, conforme expressamente previsto no art. 123 do CTN. Entendo que o posicionamento do auditor ao considerar os valores como salário indireto encontrase acertada. Compete a empresa ao realizar a concessão de benefícios, demonstrar o cumprimento da legislação para afastar a incidência de contribuição. O que não integra o salário de contribuição é o valor relativo ao plano educacional destinada AO PRÓPRIO EMPREGADO (digase em relação ao período objeto do lançamento). Neste caso, o legislador buscou uma forma de estimular as empresas a fornecer educação de qualidade a seus empregados. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000205/201001 Acórdão n.º 2401002.650 S2C4T1 Fl. 5 7 É certo que ao fornecer educação básica aos dependentes de seus empregados a empresa está colaborando com o desenvolvimento do país, com a satisfação de seus empregados que conseguem oferecer aos seus filhos um ensino de qualidade. Porém não se pode desconsiderar que esse fornecimento representa um ganho considerável para o trabalhador, caracterizandose como um salário indireto, à medida que o empregado teria que arcar com o custo da educação de seus filhos em uma outra unidade escolar. O art. 458 da CLT, § 2º descreve as verbas fornecidas aos empregados que não possuem natureza salarial na esfera trabalhista, porém não podemos entender que essas verbas quando estendidas aos dependentes dos empregados também estarão excluídas da remuneração. Se assim o fosse, acabaria por estimular os empregadores e retribuir os empregados, por meio de seus dependentes com diversas outras utilidades, sem que isso refletisse em seus direitos trabalhistas tais como: férias, 13º salário etc. Senão vejamos: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Súmula nº 258 do TST.) § 1º Os valores atribuídos às prestações in natura deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário mínimo (artigos 81 e 82). § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; V – seguros de vida e de acidentes pessoais; VI – previdência privada; VII – VETADO. Certo é que a autoridade previdenciária julgadora está correta ao considerar procedente o lançamento, simplesmente porque se trata do pagamento de um benefício que extrapola os limites legais de exclusão do salário de contribuição. É claro que esse benefício Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA 8 resulta em um incremento na renda do trabalhador, suportada pelo empregador e dessa forma acaba por se constituir como uma espécie de salário indireto. Doutrinariamente, convém reproduzir a posição da ilustre professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e nãosalariais: "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Portanto, as bolsas de estudo concedidas aos DEPENDENTES de empregados em nada melhoram a execução do trabalho, não representando contraprestação laboral, mas apenas ganhos auferidos pelos empregados. A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. DA CONTRIBUIÇÃO NÃO DESCONTADA Sendo válida a base de cálculo dos segurados, surge a obrigação da empresa em arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço mediante desconto sobre as respectivas remunerações está prevista no art. 30, I da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5/01/93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA Processo nº 16095.000205/201001 Acórdão n.º 2401002.650 S2C4T1 Fl. 6 9 Uma vez que a recorrente remunerou segurados, deveria a notificada efetuar o desconto e recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.” Assim, entendo que a fiscalização seguiu o trâmite correto, sendo que as alegações da recorrente em sua totalidade foram incapazes de desconstituir o lançamento. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DecisãoNotificação, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLI VEIRA
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Numero do processo: 10325.000334/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/09/2004
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO REMANESCENTE. PRÉVIO RECONHECIMENTO DO DIREITO EM PROCESSO ANTERIOR. NOVO PEDIDO DESNECESSÁRIO.
Quando o direito creditório for reconhecido em um primeiro processo de pedido de ressarcimento e o crédito não for totalmente utilizado, não há necessidade de um novo pedido de ressarcimento do crédito remanescente.
Numero da decisão: 3401-001.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário interposto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
Presidente
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Presidente), Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas De Assis E Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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PRÉVIO RECONHECIMENTO DO DIREITO EM PROCESSO ANTERIOR. NOVO PEDIDO DESNECESSÁRIO. Quando o direito creditório for reconhecido em um primeiro processo de pedido de ressarcimento e o crédito não for totalmente utilizado, não há necessidade de um novo pedido de ressarcimento do crédito remanescente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 03 34 /2 00 9- 11 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Presidente), Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas De Assis E Ângela Sartori. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento da COFINS não cumulativa Exportação – do segundo e terceiro trimestres de 2004 (fls. 04/09), transmitidos em 22/08/2008. A Delegacia de origem indeferiu o pedido, sob fundamento de que os créditos pleiteados já tinham sido objeto de outros processos administrativos (fls. 147/148). A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 155/157), mas a DRJ em FortalezaCE indeferiu, ao prolatar acórdão (fls.215/217) com a seguinte ementa: “PEDIDO DE RESSARCIMENTO. RETIFICAÇÃO. Não se conhece do pedido de ressarcimento retificador de anterior solicitação de mesma natureza e período de apuração, que já foi objeto de decisão proferida pela Unidade Local. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido.” A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 09/04/2012 (fl.220) e interpôs Recurso Voluntário em 02/05/2012 (fls.222/226), com as alegações resumidas abaixo: 1 O presente pedido, objeto deste processo, não se trata de retificação, mas sim de pedido de crédito remanescente, do qual tem o direito já reconhecido pela autoridade fiscal na primeira vez que pediu o ressarcimento. 2 O crédito reconhecido no outro processo, no qual pediu o ressarcimento, não foi totalmente utilizado. 3 O direito de pleitear o crédito extinguese somente em cinco anos. Ao fim, a Recorrente pediu o provimento do Recurso Voluntário, a fim de que seja reformado o acórdão da DRJ e reconhecido o direito ao crédito pleiteado. É o Relatório. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10325.000334/200911 Acórdão n.º 3401001.868 S3C4T1 Fl. 250 3 Voto Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pede ressarcimento da COFINS nãocumulativa de período já analisado em outro processo administrativo, razão que levou ao indeferimento deste novo pedido. Assim, o cerne da questão consiste na possibilidade de ressarcimento de períodos já alisados. Conforme informação constante no Termo de Verificação Fiscal, mas precisamente na fl. 148, o crédito relativo ao segundo trimestre de 2004 já foi analisado no processo nº 10325.000613/200470, pelo qual foi reconhecido o direito creditório para esse período no valor de R$ 543.496,47. E o crédito relativo ao terceiro trimestre de 2004 foi analisado no processo nº 10325.000068/200501, com reconhecimento creditório no montante de R$ 616.222,65. Conforme informação constante na fl. 124, a Recorrente utilizou o crédito do segundo trimestre na compensação de débitos da CSLL e o IRPJ, no valor total de R$ 413.746,91. Quanto ao crédito do terceiro trimestre, conforme fl. 144, a Recorrente não o utilizou, pois cancelou o pedido de compensação inicialmente apresentado. Portanto, somandose os dois trimestres pleiteados, a Recorrente tem um crédito remanescente no valor de R$ 745.972,21 Da leitura do Recurso Voluntário da Recorrente, notase que o objetivo não é a nova análise do crédito, mas apenas a declaração do crédito já reconhecido. Uma vez já reconhecido o crédito pleiteado, não há razão para uma nova declaração de direito creditório, haja vista a matéria já ter sido discutida em outro processo. O máximo que poderia haver era um pedido de compensação ou restituição para aproveitamento do crédito já reconhecido, o que não é caso. Portanto, não tem como se conhecer mais uma vez um direito creditório já reconhecido. Ex positis, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Fl. 254DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 13738.001054/2008-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
IRPF. DEDUÇÕES POR DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. A declaração emitida pelo médico, quando dotada dos requisitos legais, deve ser considerada como prova da efetividade tanto do pagamento quanto da fruição do serviço, cabendo à fiscalização infirmar a presunção de validade dos documentos apresentados pelo contribuinte, caso desconfie de irregularidade. Recurso voluntário provido
Numero da decisão: 2202-001.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Helenilson Cunha Pontes
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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DEDUÇÕES POR DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. A declaração emitida pelo médico, quando dotada dos requisitos legais, deve ser considerada como prova da efetividade tanto do pagamento quanto da fruição do serviço, cabendo à fiscalização infirmar a presunção de validade dos documentos apresentados pelo contribuinte, caso desconfie de irregularidade. Recurso voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 8. 00 10 54 /2 00 8- 85 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Helenilson Cunha Pontes Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13738.001054/200885 Acórdão n.º 2202001.735 S2C2T2 Fl. 60 3 Relatório 1 Notificação de Lançamento Em revisão da Declaração de Ajuste Anual (fl. 06), a fiscalização glosou deduções da base de cálculo referentes a despesas médicas. Tendo por base a glosa, foi reformado o lançamento, fazendo com que o imposto a restituir apurado na declaração, de R$ 665,24, fosse convertido em imposto suplementar de R$ 4.246,74. Transcrevendo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento: Glosa do valor de R$ ********17.932,48, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento Legal: Art.8. ° , inciso II, alínea 'a', e §§ 2. ° e 3. ° , da Lei n. ° 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n. ° 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto n. ° 3.000/99 RIR/99. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS UNIMED_ R$ 3432,49 contribuinte intimada não comprovou a despesa; recibos apresentados não preenchem as formalidades exigidas no art.80, parag.1°, II e III do RIR/99: Giselle Jorge Duarte R$ 10.000,00 (não identifica o beneficiário do serviço prestado) e Etienne Freitas R$ 4.500,00(não identifica o pagador da despesa, não consta endereço do profissional, nem identifica o beneficiário do serviço) Ou seja, a Fiscalização fundamentou a glosa das despesas na falta de requisitos mínimos de comprovação das despesas. Anteriormente à notificação, consta a juntada de cópia dos recibos. 2 Impugnação Indignada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação (fls.12) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) é professora do ensino básico, e durante o ano de 2005 teve problemas com sua voz, que a fizeram buscar auxílio de fonoaudióloga; b) os gastos com a Dra. Giselle Jorge Duarte foram para a realização de obturações, extrações, tratamentos de canais, recapeamento e confecção de uma ponte fixa; Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 4 c) quando foi informada acerca da insuficiência de requisitos legais, dirigiuse aos profissionais e recebeu novos recibos, desta vez atendendo aos requisitos mínimos; d) porque não havia apresentado anteriormente o comprovante de gastos com a UNIMED pois não sabia que plano de saúde se encaixava em despesas médicas. Não obstante, anexou os comprovantes destas despesas na impugnação; e) era a primeira vez em que efetuava DIRPF completa, vez que anteriormente sempre declarou de forma simplificada, motivo que a levou a cometer alguns erros. 3 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada pela 7ª Turma da DRJ/RJ2, por unanimidade, pelo provimento parcial da impugnação (fls. 3235) – sendo o imposto complementar reduzido. Os fundamentos foram os seguintes: a) os comprovantes da UNIMED foram considerados suficientes, e o direito à dedução de R$3.432,48 foi reconhecido; b) não foram aceitos os comprovantes de Gisella Jorge Duarte e Etienne Maria Coutinho de Freitas, pois os benefciários dos serviços não foram destacados nos comprovantes. 5 Recurso Voluntário Notificada da decisão em 15/09/11, a recorrente, não satisfeita com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário, em 11/10/11, repisando os argumentos da impugnação. Ainda, junta declarações dos médicos detalhando o serviço prestado e o beneficiário, além da forma de pagamento É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13738.001054/200885 Acórdão n.º 2202001.735 S2C2T2 Fl. 61 5 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O deslinde do feito passa pela análise das condições legalmente elencadas pela Lei 9.250/95 como requisitos à dedutibilidade das despesas lançadas pela recorrente em sua DIRPF: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido será a diferença entre as somas: I — de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos a tributação definitiva; II — das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem com as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Em anexo ao recurso voluntário, a recorrente juntou declarações dos médicos, detalhando os serviços prestados e o beneficiário, como pode ser observado nas transcrições abaixo: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 6 Drª Giselle Jorge Duarte: (CPF 01574026739 – Av. Alberto Braume, 04/306, Nova Friburgo) Declaro que recebi da Srª. Eliana Maria Lobosco Burkhardt a quantia de R$ 10.000,00 (dez mil reais) para execução dos serviços relacionados abaixo, realizados na mesma, durante o ano de 2005, de acordo com recibo em anexo. * Prótese Parcial Fixa – Ponte fixa metalocerâmica – de quatro elementos, do 24 ao 27 com apoio no 23, sendo necessário tratamento endodôntico do 25 e 27; * Prótese Parcial Fixa – Ponte fixa metalocerâmica – 5 elementos, do 13 ao 23, uma vez que o paciente apresentava agenesia com perda de espaço do 12, sendo necessária a exodontia do 11, tratamento endodôntico do 13, 21 e 23 e núcleo metálico em ambos; * Prótese parcial metálica com facetar de cerômetro de 4 alementos (SIC),do 42 ao 45, sendo necessário tratamento endodôntico do 42 e do 45. * raspagem periodontal e controle de tártato com ultrasom. Drª Etiene Maria Coutinho de Freitas: (CPF 029.903.07761 – Rua Francisco Rudge, 58, São Gonçalo). Declaro que recebi da Srª Eliana Maria Lobosco Burkhardt a quantia de R$ 4500,00 (quatro mil e quinhentos reais) para seu tratamento realizado durante os meses de março à dezembro de 2005, correspondendo ao pagamento mensal de R$ 450,00 (quatrocentos e cinqüenta reais), conforme recibos em anexo. A paciente Eliana Maria Lobosco Burkhardt, iniciou tratamento fonoaudiológico em março de 2005 com visitas à correção do quadro de DISTÚRBIO FONÉTICO/FONOLÓGICO (dislalia), caracterizado por ceceio interdental anterior(projeção lingual) nos fonemas //S/ e //Z//. Seu tratamento consistiu na execução de exercícios oromiofuncionais isométricos/isotônicos e articulatórios específicos, orientados e monitorados para adequação do ponto articulatório alterado. Esta recebeu alta em dezembro de 2005, depois de obtermos a perfeita reabilitação do quadro. Atendidos os requisitos legais a partir dos quais foram erigidos os obstáculos à dedutibilidade das despesas médicas da recorrente, deve ser acolhida a irresignação recursal. Deste modo, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para que seja restabelecida a dedução da recorrente com despesas médicas, no valor de R$ 17.932,48. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 71DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13738.001054/200885 Acórdão n.º 2202001.735 S2C2T2 Fl. 62 7 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001048/2004-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/1999, 01/10/1999 a 31/10/1999, 01/12/1999 a 31/12/1999, 01/02/2000 a 31/03/2000, 01/06/2000 a 30/09/2000, 01/12/2000 a 31/01/2001, 01/03/2001 a 30/06/2001, 01/08/2001 a 31/10/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 28/02/2002, 01/04/2002 a 30/04/2002, 01/06/2002 a 30/06/2002, 01/08/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 31/03/2003, 01/05/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003
COFINS. DECADÊNCIA. PRAZO
O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário da contribuição para a COFINS, na ausência de pagamentos, extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
Recurso Voluntário Negados
Numero da decisão: 3102-001.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/1999, 01/10/1999 a 31/10/1999, 01/12/1999 a 31/12/1999, 01/02/2000 a 31/03/2000, 01/06/2000 a 30/09/2000, 01/12/2000 a 31/01/2001, 01/03/2001 a 30/06/2001, 01/08/2001 a 31/10/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 28/02/2002, 01/04/2002 a 30/04/2002, 01/06/2002 a 30/06/2002, 01/08/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 31/03/2003, 01/05/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003 COFINS. DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário da contribuição para a COFINS, na ausência de pagamentos, extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. Recurso Voluntário Negados
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
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DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário da contribuição para a COFINS, na ausência de pagamentos, extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. Recurso Voluntário Negados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 10 48 /2 00 4- 03 Fl. 970DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto com as devidas adições, o relatório da autoridade de primeira instância. "Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, abrangendo os períodos de apuração (PA) anteriormente discriminados, no valor (principal) de R$ 339.290,60, com multa de ofício de 75% no valor de R$ 254.467,83, e juros de mora, calculados até 30/04/2004, no valor de R$ 239.042,48, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 832.800,91 (v. fl. 230), em decorrência de ação fiscal efetuada pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo (Defic/SPO), conforme Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) à fl. 01. 2. Na Descrição dos Fatos de fl. 231, bem como no Termo de Verificação Fiscal de fls. 184/187 (com os anexos que correspondem às planilhas denominadas "Dem Apuração da COFINS", "Memória de Cálculo Dem de Base de Calc PIS/COFINS", e "Memória de Cálculo:Razão", fls. 188/221), a autoridade autuante registra que, durante o procedimento de verificações obrigatórias, foram constatadas divergências entre os valores declarados/pagos e os valores escriturados da COFINS, e ainda que: • a empresa fiscalizada, com data de abertura em 20/11/1969, tem por, objeto social a execução de obras e serviços de engenharia, em geral, entre outros, e, no exercício financeiro de 2000, anocalendário de 1999, apurou o lucro real trimestralmente; Fl. 971DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19515.001048/200403 Acórdão n.º 3102001.582 S3C1T2 Fl. 955 3 • no período de fev/99 a out/03, o exame dos livros e documentos fiscais apresentados peio contribuinte e a confrontação das informações colhidas relativamente à receita bruta co." aquelas que serviram de base de cálculo à COFINS, constantes no sistema eletrônico de informações da Secretaria da Receita Federal SIEF/DCTF, revelaram a existência de valores não oferecidos à tributação; • intimado através de Termo de Intimação Fiscal, de 11/11/2003, de 23/12/2003 (respectivamente, fls. 21 e 43), o contribuinte enviou correspondência, contendo planilhas demonstrativas dos montantes considerados na apuração da base de cálculo da referida contribuição (fls. 24/33, 38/42 e 45/178); • a análise das informações apresentadas e aquelas constantes dos livros comerciais/fiscais revelaram que, a partir de fev/99, a base de cálculo se fez a partir do montante das receitas operacionais ("Medições a Faturar", principalmente) e, nos termos da legislação vigente, passou a diferir a receita verificada até o momento de seu recebimento; • ainda a partir de jan/00, o contribuinte não apresentou quaisquer informações referentes às contribuições ao PIS/COFINS nas DIPJ's; • desse modo, aproveitando a escrituração comercial do contribuinte e, partindo dos montantes ,informados na conta contábil — grupo 104.001/003 (cliente/dupl a receber medições a faturar), além daquelas representativas das outras receitas (serviços, financeiras, etc), recompôsse, a partir dos montantes informados em "Medições à Faturar" mais as faturas de serviços emitidas diretamente (sem que houvessem transitado na conta contábil referente a medições a faturar), o montante da base de cálculo, devidamente ajustada pelas adições e exclusões, conforme "Memória de Cálculo Dem de Base de Cale PIS/COFINS" anexo (fls. 188/189), sobre a qual incidirá a alíquota da COFINS; • os valores apurados pela fiscalização no período de abrangência do lançamento (fev/99 a out/03), relativamente à falta/insuficiência de recolhimento da COFINS, decorrente de falta/insuficiência de recolhimento/declaração da contribuição, encontramse demonstrados no "Dem Apuração da COFINS" (fls. 188/189), constituindose as bases de cálculo da COFINS, passíveis de exigência do crédito tributário decorrente, através de Auto de Infração. 3. O enquadramento legal do lançamento fiscal da COFINS (fl. 233), cientificado ao contribuinte em 28/05/2004 (v. fl. 230), consistiu no art. 77, inciso III, do DecretoLei n° 5.844/43; art. 149 da Lei n° 5.172/66; art. 10 da Lei Complementar (LC) n° 70/91; arts. 2°, 30 e 8° da Lei n°9.718/98, com as alterações da Medida Provisé....ja n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições; arts. 2°,inciso II e parágrafo único, 3 0, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/02. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 4. No que se refere à multa de ofício e aos juros de mora, os dispositivos legais aplicados foram relacionados no demonstrativo de fls. 226/229. 5. Após tomar ciência da autuação, a empresa fiscalizada, inconformada, apresentou, em 28/06/2004, a impugnação juntada às fls. 239/245, e demais documentos a ela anexados às fls. 246/255 (alteração e consolidação de contrato social, fls. 2 4:6/254; cópia de cédula de identidade de administrador da empresa, fl. 255), com as alegações assim resumidas: 5.1. muitos dos lançamentos efetuados pela autoridade fiscal encontravamse atingidos pelo instituto da decadência, ante o decurso de 5 (cinco) anos a partir da entrega da DCTF, já que se trata de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e, assim, não podem ser exigidos pela fiscalização, ante o princípio de homologação tácita do lançamento; 5.2. neste sentido, todos os lançamentos referentes ao período compreendido entre fevereiro e maio/1999 devem ser sumariamente excluídos da autuação, independentemente de sua aferição, de modo a respeitar o teor do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN); 5.3. superada aquela preliminar de decadência, fato é que, enquanto a correta base de cálculo da COFINS, no período de jan/99, consistia no faturamento de obras públicas e particulares, a partir de fev/99 e, portanto, no período de abrangência do lançamento passou a corresponder ao recebimento de faturas de obras públicas, emitidas a partir de fevereiro/99, mais o faturamento de obras particulares e outras receitas operacionais, sendo que, em alguns meses, a receita de obras públicas foi incluída na base de cálculo pela sua emissão (citouse, como exemplo, as faturas emitidas em 11/99); 5.4. com base nas premissas descritas no item 5.3 acima, o impugnante apresenta seus demonstrativos, contendo as receitas tributáveis e a COFINS devida em cada mês de apuração (v. fls. 241/244), podendose observar, com base em tais demonstrativos, que o agente fiscal considerou apenas as diferenças de impostos a exigir em favor da SRF, desconsiderando os impostos informados a maior nas DCTF's, resultando, no que tange à COFINS, e em todo o período coberto pelo lançamento, em um valor apura do a maior pelo contribuinte de R$ 9.772,34; 5.5. é também importante frisar que o impugnante optou pelo REFIS, incluindo todos os débitos existentes até 30/11/1999, e, por conseguinte, os valores apontados pela fiscalização, relativos a tal período, se não estão prescritos, mesmo assim não deveriam constar do respectivo Auto de Infração, pois a legislação permite que, a critério da empresa, ela possa diferir ou tributar, no mês de emissão da fatura, receitas de obras públicas, tratandose, pois, de flagrante bis in idem; 5.6. as faturas emitidas em novembro/99, desse modo, foram consideradas no cálculo da COFINS, devido a adesão ao REFIS; Fl. 973DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19515.001048/200403 Acórdão n.º 3102001.582 S3C1T2 Fl. 956 5 5.7. a partir de dezembro/99, o impugnante considerou suas contribuições à COFINS, com base nas receitas recebidas de obras públicas e no faturamento de obras particulares, bem como de receitas nãooperacionais; 5.8. como não bastassem tais fatos, em dezembro de 2002, a empresa recebeu a importância de R$ 266.566,29, referente ao pagamento da 1ª parcela do precatório da Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP), e a fiscalização, através de seus levantamentos, tributou a respectiva importância, a qual já havia sido tributada em exercícios anteriores, pagando seus respectivos impostos, isso sem contar que se trata de pleito eminentemente indenizatório, que não tem natureza de serviço ou receita; 5.9. diante do exposto, requerse a declaração de improcedência do Auto de Infração, com a anulação dos lançamentos levados a efeito pela autoridade fiscal. 6. À fl. 264, tendo em vista o contido na Portaria RFB n° 10.706, de 14/07/2007 (DOU de 26/07/2007), que transferiu a competência para julgamento dos processos relacionados em seu Anexo Único, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SPOI) para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (DRJ/RJOII), o presente processo foi encaminhado a esta DRJ/RJOII, para julgamento. 7. Posteriormente, foi o presente processo encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo (Defis/SPO) em diligência (v. fls. 267/268), a fim de que fossem elaboradas planilhas (seguindo o modelo elaborado pelo próprio contribuinte, todavia, apenas para os períodos de apuração fev/99 a dez/99, fls.103/123, inexistindo no processo, portanto, as informações delas constantes que se referem aos meses de jan/00 e subsequentes), por obra e para cada um dos meses de apuração envolvidos no lançamento, Contemplando não somente as receitas consideradas na base de cálculo da COFINS que correspondem a serviços/vendas efetivamente prestados no mês de referência, mas também as receitas diferidas de meses anteriores, cujo recebimento, entretanto, somente tenha se dado no mês de referência, consoante previsão do art. 7º da Lei n° 9.718/98, e, ainda, as receitas auferidas no mês e diferidas para meses subseqüentes de apuração, atestandose à conformidade das informações prestadas pela empresa em ditas 'planilhas com os elementos que integram a escrituração contábilfiscal do autuado. 8. A fiscalização, em atendimento à diligência solicitada, promoveu ajuntada da documentação de fls. 270/889 (composta de Termo de Início de Diligência Fiscal, fls. 270/272; procuração, fl. 273; esclarecimentos prestados pelo fiscalizado em atendimento à diligência proposta, fls. 274/276; planilhas, fls. 277/307; documentos extraídos da escrituração contábil fiscal da empresa, fls. 308/886; Termo de Encerramento de Fl. 974DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 Diligência Fiscal, fls. 887/889), após o que elaborou o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 890/892, com as seguintes informações: 8.1. não foi possível atender à solicitação proposta na diligência solicitada, que se refere ao ateste, pela fiscalização, da conformidade das informações constantes das planilhas de fls. 103/123 do processo, que se referem ao "Demonstrativo das Receitas com Obras e Serviços Computadas e Diferidas na Base de Cálculo da COFINS para os meses compreendidos entre fev/99 e dez/99, com os elementos que integram a escrituração contábilfiscal da empresa, devido à inexistência de referida documentação, conforme descrito pelo próprio contribuinte às fls. 274/276; 8.2. o contribuinte desfezse de referida documentação já que, a partir do anocalendário 2000, não mais manteve controle das receitas diferidas, existentes até 31/12/1999,incorporando o saldo de medições a faturar, no valor de R$ 6.960.261,80, aos valores a receber da Prefeitura Municipal de Guarulhos em 2001, conjuntamente com a atualização monetária realizada em 31/12/2002,31/12/2003 e 31/12/2005; 8.3. a conferência solicitada fica, portanto, prejudicada, em virtude da não apresentação dos livros fiscais, devido à sua não localização, conforme afirmado pelo contribuinte, entretanto, constam no presente processo n° 19515.001048/200403 as referidas planilhas validadas com a assinatura do contribuinte; 8.4. a partir do anocalendário de 2000, as receitas auferidas pelo contribuinte estão lastreadas em suas notas fiscais emitidas, juntamente com a escrituração contábil, as quais constam das planilhas elaboradas, anexadas à documentação acostada ao processo após a diligência realizada, devendo ser ratificado, como já declarado pelo próprio fiscalizado, que, a partir do ano calendário de 2000, o contribuinte não mais manteve controle das receitas diferidas; 8.5. portanto, ante a impossibilidade de apresentar as planilhas na forma inicial conforme o modelo anexo à intimação fiscal de fls. 270/272 , elaborouse o demonstrativo de bases de cálculo mensais (v. fl. 891), demonstrativo esse exatamente tal como consta do item 7 da resposta do fiscalizado de fls. 274/276, valendo ainda dizer que o referido demonstrativo foi elaborado conforme os livros contábeis da empresa, com cópias anexadas ao processo; 8.6. Após o encerramento da diligência fiscal solicitada, o autuado foi intimado pela fiscalização a se manifestar sobre o seu resultado, no prazo de 10 (dez) dias, de acordo com o artigo 44 da Lei n° 9.784/99, sendo que, em resposta, aduziu que nada tem a acrescentar quanto aos trabalhos realizados (cf. fl. 889)." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento deu provimento parcial a impugnação para excluir do lançamento as receitas faturadas anteriormente a 01/02/1999, que ocorreram sob a vigência da Lei Complementar nº 70/91, por entender que Fl. 975DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19515.001048/200403 Acórdão n.º 3102001.582 S3C1T2 Fl. 957 7 nestes casos, a tributação deveria ocorrer no mês de faturamento e não no mês de recebido conforme exigido no Auto de Infração. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/1999,01/10/1999 a 31/10/1999, 01/12/1999 a 31/12/1999, 01/02/2000 a 31/03/2000, 01/06/2000 a 30/09/2000, 01/12/2000 a 31/01/2001, 01/03/2001 a 30/06/2001, 01/08/2001 a 31/10/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 28/02/2002, 01/04/2002 a 30/04/2002, 01/06/2002 a 30/06/2002, 01/08/2002 a 31/1012002, 01/12/2002 a 31/03/2003, 01/05/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003 SÚMULA VINCULANTE. EFEITOS SOBRE A ADMINISTRAÇÃO DIRETA. A súmula vinculante editada pelo STF obriga a Administração Direta à adoção do entendimento nela fixado, a partir de sua publicação no órgão de imprensa oficial. COFINS. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de súmula vinculante, cabe a aplicação da regra de decadência prevista no CTN. CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. Antes da vigência da Lei n° 9.718/98, a inclusão na base de cálculo da COFINS de receita proveniente de contratos firmados com entidades governamentais, auferida por contribuinte que apura o lucro real, obedece ao regime de competência, sendo indevida a sua consideração apenas quando de seu efetivo recebimento, pois carece de supedâneo legal. COFINS. VALORES DECLARADOS EM PROGRAMA ESPECIAL DE PARCELAMENTO. REFIS. Quando os débitos do contribuinte incluídos em programa de parcelamento já foram deduzidos do lançamento, não se cogita de sua exclusão do Auto de Infração. COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA. Não compete à autoridade lançadora apurar possíveis créditos decorrentes de recolhimento a maior e decidir pela sua utilização para fins de compensação, assim como não compete à DRJ manifestarse acerca de pedidos de compensação, exceto nos casos de inconformidade do contribuinte quanto à decisão da autoridade competente, quando instaurado o litígio no prazo legal. Lançamento Procedente em Parte." Fl. 976DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário alegando em sede preliminar o cerceamento do direito de defesa, em razão da Recorrente não ter sido intimada a se pronunciar sobre o laudo apresentado na diligência. Também em sede preliminar, alega a decadência do lançamento para os períodos entre fevereiro e maio de 1999, nos termos do art. 150 do CTN, onde a contagem do prazo decadencial a ser considerado é àquela da ocorrência do fato gerador. Quanto ao mérito, alega a Recorrente, que a base de cálculo da Cofins, apurada pela fiscalização, não tem suporte contábil e apresenta tabela com os valores que entende serem corretos (fls. 937 a 940). Alega que é optante do programa REFIS, onde estariam incluídos os débitos existentes até 30/11/1999, assim tais débitos não deveriam constar do auto de infração. Por fim, alega que a partir de dezembro de 1999 considerou suas contribuições à COFINS com base nas receitas recebidas em obras públicas, no faturamento de obras particulares e receitas não operacionais e a Fiscalização considerou no lançamento, apenas as diferenças de impostos a exigir em favor da Secretaria da Receita Federal do Brasil, desconsiderando os impostos informados a maior nas DCTF, conforme as planilhas apresentadas, o que se considerado resultaria na apuração a maior de R$ 9.772,34. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O Recurso apresentado é tempestivo e por atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser conhecido. Inicialmente por tratarse de questão preliminar, aprecio a alegação trazida no Recurso, que a Recorrente não foi intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento. A diligência, instrumento previsto no Decreto nº 70.235/72 para subsidiar o julgador na sua decisão, pode ser determinado de ofício ou a pedido do Recorrente. A lei não prevê a necessidade de intimação do impugnante para se manifestar sobre resultados de diligência, que por natureza, atenda a determinação do julgador. Quando utilizada as informações obtidas na diligência para subsidiar a decisão da primeira instância, cabe ao impugnante, no caso de discordância das conclusões obtidas, utilizar das vias processuais adequadas, que no presente caso seria o Recurso Voluntário, questionando os fatos apurados na diligência e detalhando os pontos que entende não estarem de acordo com a realidade dos fatos. Ademais, mesmo que fosse considerada necessária a intimação da Recorrente. A Unidade da Receita Federal, providenciou a ciência à Recorrente, do resultado da diligência, e a Recorrente, conhecendo do resultado manifestouse à fl. 889 dos autos, Fl. 977DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19515.001048/200403 Acórdão n.º 3102001.582 S3C1T2 Fl. 958 9 informando não haver mais nada a acrescentar aos trabalhos desenvolvidos pela Unidade de Origem. Assim não pode prosperar o alegado cerceamento do direito de defesa apresentado no recurso. Quanto a alegação de decadência de parte dos lançamentos. É cediço nos entendimentos deste colegiado que o prazo decadência para exigência da COFINS é de 5 (cinco) anos, contados a partir da data do fato gerador, caso tenha ocorrido antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º do CTN ou nos outros casos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. A decisão da primeira instância determinou a aplicação da contagem do prazo de decadência com base nas determinações do art. 173, inciso I do CTN, em razão da falta de pagamento da contribuição para os períodos em discussão. Conforme consta do voto condutor daquela decisão, do qual transcrevo o trecho abaixo. "14. No presente caso, não se discute a inexistência de decadência para os fatos geradores ocorridos a partir de maio de 1999, inclusive, pois as datas de suas respectivas ocorrências (maio/99 31/05/1999; junho/99 30/06/1999; ju1199 31/07/1900, etc) se deram em período inferior a 5 (cinco) anos contados retroativamente da data em que contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, 28/05/2004 (v. fl. 230), e, portanto, não há decadência. 15. Já com relação aos fatos geradores fev/99, mar/99 e abr/99, na forma das orientações estabelecidas pelo Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008, anteriormente colacionado, somente ocorrerá decadência em caso da existência de pagamentos integralizados pelo contribuinte para os períodos de apuração em questão, situação na qual deverá ser observada a regra contida no §40 do artigo 150 do Código Tributário Nacional (CTN), que determina que após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, sem que a Fazenda Pública tenha se manifestado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. 16. Todavia, ocorre que para os citados meses de competência (fevereiro a abril de 1999), não se detectou a existência de pagamentos da COFINS, arrecadados pelo autuado, nos sistemas informatizados de registro e controle de pagamentos da RFB. 17. Segundo as telas anexadas às fls. 893/896, os pagamentos da COFINS integralizados pela empresa entre 01/02/1999 e 30/06/1999 referemse, exclusivamente, ao parcelamento de que trata o processo administrativo n° 13805.001415/9477, por intermédio do qual foram parcelados os débitos da referida Contribuição dos períodos de apuração (PA) abr/92, jun/92 e jan/93 a out/93, e que, portanto, em nada se reportam aos fatos geradores abrangidos pelo lançamento fiscal aqui em exame. Não há, portanto, pagamentos da COFINS para os PA fev/99, Fl. 978DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 mar/99 e abr/99, até mesmo porque o autuado, em suas DCTF 's, vinculou integralmente os débitos correspondentes à situação de compensação, referenciandose, todavia, à discussão mantida pela empresa nos autos da ação judicial n° 97.00078949/21ª. Vara Federal/SP (v. fls. 899/901). 18. Diante da inexistência de pagamentos devese observar, por conseguinte, na forma das orientações contidas no Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008, a regra contida no art. 173, inc. I, do CTN, diante da qual o prazo decadencial somente se expira 5 (cinco) anos após o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado." A posição adotada pela autoridade a quo é clara, ao aplicar as determinações do art. 173, inciso I, do CTN em razão da falta de pagamento da COFINS para os períodos de fevereiro a abril de 1999. Os argumentos trazidos pela Recorrente para justificar a decadência apenas argumenta que seria aplicável o art. 150, § 4º do CTN, sem nada contrapor quanto a ausência dos pagamentos da contribuição para o período em discussão. Portanto, considerando a posição do primeira instância e da ausência de pagamento e ainda, não existindo no recurso nenhum argumento ou fato que desqualifique tal assertiva, não há nenhum reparto a fazer na decisão da primeira instância sobre esta matéria. Quanto ao mérito da lide, a Recorrente apresenta tabela com os valores que entende seriam os devidos da COFINS, entretanto, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que comprove a veracidade dos valores constantes de tais planilhas. O Fisco realizou o lançamento amparado nas as informações apresentadas pela própria Recorrente e no caso em tela apurou falta de recolhimento da COFINS. Ciente da autuação, a empresa impugnou o lançamento. Na análise do processo a autoridade a quo determinou a realização de diligência, sendo feita novas apurações sobre o montante devido e dado ciência a Recorrente das conclusões da diligência, existindo nos autos manifestação da recorrente informando que nada tinha a acrescentar aos fatos apurados (fl. 889). A autoridade de primeira instância considerou as alegações constantes da impugnação e com as informações obtidas na diligência exonerou parte do lançamento. Posteriormente, já ciente da decisão da autoridade a quo, sobreveio o Recurso Voluntário, mas apesar de apresentar uma planilha de cálculo da contribuição da COFINS em que alega não existir nenhum débito da COFINS a ser exigido, não traz quaisquer provas ou documentos que possam confirmar as informações apresentadas. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Alega a Recorrente a existência de pagamentos a maior registrados em DCTF. Conforme dito alhures, a apuração apresentada pela Recorrente, carece de documentação comprobatória e mesmo que fossem identificados recolhimentos a maior da COFINS, estes deveriam ser objeto de pedido de ressarcimento nos termos previstos no art. 74 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19515.001048/200403 Acórdão n.º 3102001.582 S3C1T2 Fl. 959 11 da Lei nº 9.430/96 e não afetariam em nada a exigência constante do Auto de Infração em discussão no presente processo. Quanto a alegação da adesão ao programa REFIS, tal fato somente teria implicação no lançamento se a adesão ocorresse em data anterior ao início do procedimento de fiscalização. A alegação da adesão ao REFIS, consta somente do Recurso, não existindo documentação comprobatório da adesão ao regime, tampouco que ocorreu em data anterior ao inicio do procedimento fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 980DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10930.001317/2009-62
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Sun Oct 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
Descabe a glosa de despesas médicas quando não apontado qualquer indício de inidoneidade nos recibos apresentados e existam outros elementos comprovando a efetiva prestação dos serviços.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-002.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 10.000,00. Vencidos os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães e Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 10.000,00. Vencidos os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 13 17 /2 00 9- 62 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10930.001317/200962 Acórdão n.º 2801002.702 S2TE01 Fl. 69 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 6.193,46, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 17 deste e processo, houve dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 10.723,08, o que implicou nas seguintes glosas de valores lançados como dedutíveis na declaração de ajuste anual: Glosa de valores declarados referentes aos pagamentos efetuados à Associação Evangélica Beneficente de Londrina (R$ 229,08). Os valores foram lançados em duplicidade na linha de despesas da Hospitalar Serviço de Saúde. Glosa parcial de valores declarados referentes aos pagamentos efetuados à Hospitalar Serviço de Saúde. Os valores referentes ao tratamento de Augustinha Fernandes de Mendonça não foram considerados para efeito de dedução, haja vista que ela não se encontra no rol de dependentes. Glosa de valores declarados referentes aos pagamentos efetuados a Edmilson Nobumito Kaneshima, no montante de R$ 10.000,00, sob o fundamento de que o valor das despesas é exagerado em relação aos rendimentos declarados. O interessado apresentou a impugnação de fls. 02/06, instruída com os documentos de fls. 08/18, por intermédio da qual alegou, em síntese, que: Para fins de comprovação do pagamento de despesas médicas a legislação admite, como documento idôneo, o recibo ou a nota fiscal. Assim, apenas na falta destes deve a prova do ser feita mediante a indicação de cheque nominativo. Havendo recibo, desnecessário a indicação do cheque. O Conselho de Contribuintes tem decidido que os recibos acompanhados de termo de declaração emitido pelo beneficiário do pagamento, confirmando a efetiva prestação de serviços médicos ou assemelhados, são suficientes para restabelecer a dedução das despesas médicas. Ao fim, requereu a admissão da dedução das despesas médicas pagas ao profissional Edmilson Nobumito Kaneshima, no valor total de R$ 10.000,00, uma vez provado o pagamento por documentos anteriormente juntados (recibos) e outros ora anexados à peça impugnatória (Ficha de Controle e Ficha de Procedimentos dos Serviços Prestados, que, segundo o impugnante, foram pagos em dinheiro). A 6ª DRJ/CTA julgou a impugnação improcedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10930.001317/200962 Acórdão n.º 2801002.702 S2TE01 Fl. 70 3 São dedutíveis despesas médicas, desde que devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Cientificado da decisão de primeira instância em 26/04/2011 (fl. 46), o interessado interpôs, em 26/05/2011, o recurso de fls. 47/53. Nas razões recursais aduz que: No decorrer do presente processo administrativo fiscal o contribuinte apresentou os recibos de pagamentos das despesas médicas a Edmilson Nobumito Kaneshima, o comprovante de realização dos procedimentos clínicos e a ficha de controle de pagamentos emitida pelo próprio profissional, demonstrando datas e valores dos montantes pagos. Todos estes documentos foram desprezados pelos julgadores de 1ª instância. Para fins de comprovação de pagamento de despesas médicas, a legislação prevê o recibo ou a nota fiscal como documentos idôneos, sendo que em relação aos profissionais de saúde, na falta do recibo admitese como prova a indicação do cheque nominativo por meio do qual foi efetuado o pagamento. Existindo recibo, desnecessária a indicação do cheque, mesmo porque, no caso em questão, como já citado, os pagamentos foram efetuados em moeda corrente. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Observo, de início, que a Autoridade lançadora glosou as despesas odontológicas lançadas na declaração de ajuste anual do Recorrente sem, no entanto, apontar qualquer indício de inidoneidade dos recibos apresentados. Entendo, ademais, ao contrário da Autoridade lançadora, que as deduções pleiteadas (R$ 10.000,00) não são exageradas em relação aos rendimentos declarados (rendimentos tributáveis no valor de R$ 49.275,13 + rendimentos sujeitos a tributação exclusiva no valor de R$ 8.249,08 = R$ 57.524,21). Por outro lado, verificase que não há, no acórdão recorrido, qualquer menção aos documentos carreados aos autos por ocasião da impugnação (comprovante de realização dos procedimentos clínicos e ficha de controle de pagamentos). Os recibos apresentados, acompanhados da ficha de controle de pagamentos e do comprovante discriminando os procedimentos clínicos realizados, são, a meu ver, suficientes para comprovar a efetiva prestação dos serviços e viabilizar a dedução das despesas com serviços odontológicos. As datas e valores constantes da ficha de controle, que contém a identificação do profissional, são compatíveis com as datas e valores dos recibos apresentados e com os preços de mercado dos serviços prestados, elencados na ficha de procedimentos odontológicos. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10930.001317/200962 Acórdão n.º 2801002.702 S2TE01 Fl. 71 4 Nesse contexto, voto por dar provimento ao recurso, a fim de que seja restabelecido o valor glosado de R$ 10.000,00, referente aos pagamentos efetuados ao profissional Edmilson Nobumito Kaneshima. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 71DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES
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