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Numero do processo: 10855.000284/00-38
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL.
RETIFICAÇÃO DO RESULTADO.
Uma vez verificado o erro material incorrido, há de ser sanado o
aludido vício com a finalidade de ajustar o lançamento de votos
quanto à matéria não debatida nos autos, in casu, decadência.
Embargos de declaração acolhidos.
Numero da decisão: 202-16.546
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração para retificar o resultado do julgamento e corrigir o erro material apontado, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda
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M ~~ ~ '1"1;' r9.f.)~~15.5~1.(-202-16.546 -~)J~ PROCURADOR DAFAZENDANACIONAL Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes Irmãos Matieli Ltda. Rubrica 2º C(}"MF FI.~, PUBLlt;ADO NO D. O. U: 2.º ::+D.JkL/_.Q.~ ../ 0 ..1 C G Ministéno da Fazenda 'Segundo Conselho de Contribuintes Processo n~ Recurson~ Acórdão n~ Embargante Embargada Interessada EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO DO RESULTADO. Uma vez verificado o erro material incorrido, há de ser sanado o aludido vício com a finalidade de ajustar o lançamento de votos quanto à matéria não debatida nos autos, in casu, decadência. Embargos de declaração acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes embargos interpostos pelo PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL. MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O QRIG!NAr-- Brasilia-OF. em_/_'" '_'_TJUJ_G_ ~L~k' ..é~za Ta afuJI . Secretána da Segunda Câmara ....f ,l=\ {.:. ';. ; : l~ .~'. ',',. 13áei~etenibr~\,'de.:2005., ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração para retificar o resultado do julgamento e corrigir o erro material apontado, nos termos dovoto do Relator.' ,'" Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Evandro Francisco Silva Araújo (Suplente), Maria Cristina Roza da Costa, Raquel Motta Brandão Minatel (Suplente), Raimar da Silva Aguiar, Antonio Zomer e Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski. 2ºCG~MF FI. Zn- . ÉRIO DA FAZENDAMINISTc. lho de Contribuintesse.gundoonse M.. O QBIGINA~ CONFERE CO -t Ilj]Oó Brasllia.DF.~em. /'1 ,_- ~ )--' .. leuza akafuJl . d CâmaraSecretária da Segun a RELATÓRIO 10855.000284/00-38 121.561 202-16.546 PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Ê o relatório. .Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n!! Recurso no!! Acórdão n!! Embargante Trata-se de embargos de declaração opostos pelo Procurador da Fazenda Nacional requerendo "a suspensão da palavra "decadência" no resultado do julgamento de fi. 251, por não se enquadrar ao objeto posto em análise na decisão de segunda instância administrativa." (fi. 260). 2ºCC-MF 0'fI. 2~ MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes CONFERECO~ 0.ORIG~r Brasllis"DF. em / I..:L-J--.L A'JJc~ ..é~za Taka,uJl Secretana da Segunda Cãmara 10855.000284/00-38 121.561 202-16.546 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes I Proc~$.só:Ii~ IRecurson~ . . \1Acórdão n~ VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDAi I I Como relatado, os embargos opostos têm por objeto sanar erro material apurado v no resUltado do julgamento do Recurso Voluntário n!! 121.561, consubstanciado no Acórdão n!! /202-15.544 (fIs. 251 e seguintes), uma vez que "consta como vencidos em relação à decadência" y' - matéria não discutida na oportunidade e não ventilada nos autos -, "os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Henrique Pinheiro Torres. " (fi. 260). Com razão o Embargante, pois a matéria decadência não foi debatida em , momento algum nestes autos, muito menos quando do julgamento do apelo voluntário interposto ,\pela interessada. Assim, acolho os presentes embargos para retificar o resultado do acórdão embargado, o que, conseqüentemente, implicará a exclusão da menção elou lançamento da :' expressão "Vencidos os Cõnselheiros Nayra Bastos Manatta e Henrique Pinheiro Torres, quanto a decadênc.ia" (fi. 251), por se tratar de matéria não analisada nestes autos. Por fim, recomendo nova juntada do Acórdão n!! 202-15.544 a estes autos, i devidamente retificado, nos exatos termos em que ora acolhidos os embargos opostos. É como voto. Sala das Sessões, ep113 de setembro de 2005. . .:.> \ r.'~".. e":. r <.:{ .... _';. I I ~ J ',: ~~~~""'---~~-~~'.c.::~02,:;:-:-' ~----_iQF....'.".-'''0:'::':,,'. :,'.. ."'c,:. .. '.,... . .";:,,"é,:~ ...; : .•.•• ,., .... c. c ::,::::;.';_' .•• :~:,:... o, . .., ~S' 00000009 00000010 00000011
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002544/2004-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE PARADIGMA VÁLIDO. NÃO CONHECIDO.
Não pode ser tido como paradigma o acórdão cuja tese adotada contraria decisão judicial transitada em julgado nos moldes dos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil (CPC) ou dos artigos 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/2015 - Novo Código de Processo Civil, consoante disposição do art. 67, §12, inciso II do art. 67 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Assim, não comprovada a divergência jurisprudencial, não deve ser conhecido o recurso especial neste ponto.
RECURSO ESPECIAL POR CONTRARIEDADE À LEI. NÃO CONHECIDO. LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. SÚMULA VINCULANTE.
O Recurso Especial interposto com base em contrariedade à lei não deve ser conhecido se esta foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e a decisão foi objeto de edição de súmula com efeitos vinculantes.
Numero da decisão: 9303-005.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello (Relatora) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE PARADIGMA VÁLIDO. NÃO CONHECIDO. Não pode ser tido como paradigma o acórdão cuja tese adotada contraria decisão judicial transitada em julgado nos moldes dos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil (CPC) ou dos artigos 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/2015 - Novo Código de Processo Civil, consoante disposição do art. 67, §12, inciso II do art. 67 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Assim, não comprovada a divergência jurisprudencial, não deve ser conhecido o recurso especial neste ponto. RECURSO ESPECIAL POR CONTRARIEDADE À LEI. NÃO CONHECIDO. LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. SÚMULA VINCULANTE. O Recurso Especial interposto com base em contrariedade à lei não deve ser conhecido se esta foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e a decisão foi objeto de edição de súmula com efeitos vinculantes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello (Relatora) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE PARADIGMA VÁLIDO. NÃO CONHECIDO. Não pode ser tido como paradigma o acórdão cuja tese adotada contraria decisão judicial transitada em julgado nos moldes dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC) ou dos artigos 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/2015 Novo Código de Processo Civil, consoante disposição do art. 67, §12, inciso II do art. 67 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Assim, não comprovada a divergência jurisprudencial, não deve ser conhecido o recurso especial neste ponto. RECURSO ESPECIAL POR CONTRARIEDADE À LEI. NÃO CONHECIDO. LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. SÚMULA VINCULANTE. O Recurso Especial interposto com base em contrariedade à lei não deve ser conhecido se esta foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e a decisão foi objeto de edição de súmula com efeitos vinculantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 25 44 /2 00 4- 18 Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 10840.002544/200418 Acórdão n.º 9303005.446 CSRFT3 Fl. 1.074 2 (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello (Relatora) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência e por contrariedade à lei ou à observância da prova interposto pela Fazenda Nacional (fls. 1.005 a 1.037) com fulcro no art. 7º, incisos I e II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época da apresentação do recurso, buscando a reforma do Acórdão nº 20217.745 (fls. 993 a 1.003) proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 27 de fevereiro de 2007, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Garantida a ampla defesa, restam insubsistentes as alegações de cerceamento e de nulidade do procedimento fiscal. PRAZO PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. O prazo de que dispõe a Fazenda Pública para constituir o crédito tributário referente ao PIS, em havendo antecipação de pagamento, extinguese em cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN. BASE DE CALCULO. AMPLIAÇÃO. ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Ao julgar os recursos extraordinários n ºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o pleno do STF declarou a inconstitucionalidade Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 10840.002544/200418 Acórdão n.º 9303005.446 CSRFT3 Fl. 1.075 3 do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins, por meio de lei ordinária, violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Nos termos do art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA EXIGÍVEL. No lançamento de oficio decorrente da falta de recolhimento de tributo federal é cabível a aplicação da multa de 75% prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. É cabível a exigência, no lançamento de oficio, de juros de mora calculados com base na variação acumulada da taxa Selic, nos termos da previsão legal expressa no art. 13 da Lei ri2 9.065, de 20/06/1995. Recurso provido em parte. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, para reconhecer a decadência dos períodos de apuração até agosto de 1999. Vencida a Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, que votou pela tese dos 10 anos; e II) por unanimidade para excluir da base de cálculo as "outras receitas" que não sejam provenientes da venda de mercadorias e serviços. [...](grifouse) O transcurso do processo administrativo encontrase bem relatado no acórdão recorrido, razão pela qual adotase o seu relatório, com os devidos acréscimos, in verbis: [...] Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, relativa aos períodos apuração de fevereiro/99, abril/99 a julho/2000, setembro/2000, novembro/2000, janeiro/2001 a junho/2001, agosto/2001 a novembro/2002 e janeiro/2003 a dezembro/2003. A fiscalização apurou insuficiência de recolhimento nos anos de 1999 e 2000, em vista da utilização de base de cálculo diversa da legalmente Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 10840.002544/200418 Acórdão n.º 9303005.446 CSRFT3 Fl. 1.076 4 prevista (fls. 07/10), e nos anos de 2001 a 2003, em razão de diferença entre o valor escriturado e o declarado (fls. 10/14). Com relação ao período de janeiro de 2001 a dezembro de 2002, o autuante informa que os valores apurados pelo Fisco foram objeto de DCTF retificadoras, consideradas nãoespontâneas, porque apresentadas após o inicio do procedimento fiscal. No que diz respeito aos períodos de apuração ocorridos no ano de 2003, não houve retificação das DCTF anteriormente apresentadas. Do credito tributário lançado, incluindo multa e juros, foi dado ciência a contribuinte em 16/09/2004. Consignou, ainda, o fiscal autuante que, ao retificar as DCTF para acrescentar os valores apurados, a empresa declarou que os débitos correspondentes teriam sido compensados com créditos do IPI, legitimados por antecipação de tutela concedida no Processo Judicial nº 2001.61.02.0120004, no qual, segundo consta na Certidão de fl. 75, expedida pelo TRF da 3ª Região, não houve deferimento de tutela antecipada, sendo que o pedido da requerente foi indeferido na sentença de mérito. Não havendo direito reconhecido por liminar ou sentença, a informação aposta pela contribuinte nas DCTF retificadoras não foi levada em conta pela fiscalização. Irresignada, a autuada apresentou a impugnação de fls. 424/446, na qual alegou, preliminarmente, que: os valores que serviram de base de cálculo para imposição da multa de oficio não correspondem àqueles inscritos contabilmente; a aplicação do enquadramento legal ocorreu de forma complexa e impede a ampla defesa; faltou consignar no auto da infração a hora em que foi lavrado, formalidade essencial que macula de nulidade a imposição tributária, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes. No mérito, argüiu que: nas importâncias contabilizadas como receita financeira encontramse valores relativos a descontos incondicionais de IPI, em discussão judicial, que não integram a base de calculo do tributo; a desconsideração da denuncia espontânea é improcedente para efeitos de constituição da multa de oficio, em face de que os períodos em que houve retificação das DCTF não foram objeto do termo inicial de fiscalização; no percentual em que foi imposta, a multa tem caráter confiscatório e fere o principio constitucional da capacidade contributiva. Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 10840.002544/200418 Acórdão n.º 9303005.446 CSRFT3 Fl. 1.077 5 Ao final, pleiteou a anulação total do crédito tributário, propugnando pelo direito de provar o alegado por meio de sustentação oral, com vistas a se preservar o direito a ampla defesa. O Colegiado de Primeira Instância, no Acórdão DRJ/RPO nº 7.694, fls. 471/480, manteve integralmente o lançamento, pelos seguintes motivos: a falta de indicação da hora da lavratura não implica nulidade do auto de infração, se nenhum prejuízo causou h. contribuinte. Além disto, a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes do auto de infração são claros, não merecendo acolhida as alegações de nulidade argüidas; a autoridade julgadora administrativa não é competente para apreciar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo; a alegação de que há variações monetárias ativas, derivadas de créditos a receber objetos de ação judicial, na conta de Receitas Financeiras tributada pela fiscalização, não foi esclarecida ao agente fiscal, apesar de intimada para tal. Além disto, a ação judicial que visava a declaração da não incidência do IPI sobre os descontos incondicionais concedidos, bem como a restituição do que havia sido pago anteriormente foi negada, tanto liminarmente quanto por sentença, o que impede a sua exclusão da base de cálculo da contribuição; a multa de oficio é cabível pois, a teor do disposto no parágrafo único do art. 138 do CTN, não importa em denuncia espontânea a retificação das DCTF efetuadas após o inicio do procedimento fiscal; a cobrança da multa de ofício, no percentual de 75%, encontra amparo na legislação tributária, não se aplicando ao caso o Código de Defesa do Consumidor. No recurso voluntário de fls. 494/518, a contribuinte reedita suas razões de defesa, requerendo a reforma da decisão recorrida, com o fim de determinar o cancelamento da exigência fiscal, inclusive os acréscimos moratórios e punitivos. À fl. 519, consta informação de que o arrolamento de bens efetuado no Processo nº 10840.002641/200401 garante o crédito tributário e o seguimento deste recurso voluntário. O recurso foi apreciado por este Colegiado na sessão de 28/06/2006, ocasião em que o julgamento foi convertido em diligência, para que a autoridade fiscal identificasse a parcela do lançamento decorrente de receitas incluídas na base de cálculo pela Lei nº 9.718/98. Em decorrência, vieram aos autos os documentos de fls. 540/560, estando entre eles o relatório de diligência e a manifestação da contribuinte. É o Relatório. [...] Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 10840.002544/200418 Acórdão n.º 9303005.446 CSRFT3 Fl. 1.078 6 Sobreveio julgamento de provimento parcial do recurso voluntário, nos termos do Acórdão nº 20217.745 (fls. 993 a 1.003) proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 27 de fevereiro de 2007, ora recorrido. Não resignada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial por divergência jurisprudencial e por contrariedade à lei ou evidência de prova, nos seguintes termos: (a) a divergência foi suscita em face do provimento unânime ao recurso voluntário para excluir do lançamento as receitas financeiras, em face da declaração de inconstitucionalidade em controle difuso do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral; e (b) além disso, insurgiuse contra a parte não unânime do acórdão que aplicou o prazo de 5 (cinco) anos para decadência da COFINS, afrontando o disposto no art. 45 da Lei nº 8.212/91. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional, alega, em síntese, que: (a) são constitucionais as alterações produzidas na legislação do PIS e da COFINS pela Lei nº 9.718/98, pois o conceito de receita bruta é equivalente ao conceito de faturamento, não tendo a EC nº 20/98, neste ponto, introduzido mudança significativa, senão no sentido de tornar mais explícita a identidade entre os dois conceitos, fundamento já presente no art. 195, inciso I da CF/88; (b) a Lei nº 9.718/98 só produziu efeitos, com relação às mudanças na base de cálculo e na alíquota da COFINS e do PIS, em relação a fatos geradores ocorridos após a vigência da EC nº 20/98, que se deu a partir de 1º de fevereiro de 1999; (c) as decisões proferidas pelo STF no julgamento dos recursos extraordinários nºs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, concluindo pela inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, são inaplicáveis ao caso em tela, pois a conclusão só produz efeitos entre as partes do processo correspondente e não faz coisa julgada em relação à lei declarada inconstitucional, somente tendo esse efeito se o Senado Federal, por resolução, suspender a executoriedade do diploma legal; (d) alega ter o acórdão recorrido violado o artigo 45 da Lei nº 8.212/91, ao prover em parte o recurso voluntário para reconhecer a decadência do PIS no tocante aos períodos de apuração até agosto de 1999; (e) o Colegiado a quo, ao estabelecer a premissa de que o art. 45 da Lei nº 8.212/91 estaria regulando matéria reservada à lei complementar, teria declarado, incidentalmente, a inconstitucionalidade da norma, competência que não é deste Conselho quando as questões ainda não tenham sido objeto de decisão definitva do STF; Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 10840.002544/200418 Acórdão n.º 9303005.446 CSRFT3 Fl. 1.079 7 (f) defende, em síntese, a aplicação do prazo decadencial de dez anos estabelecido no art. 45 da Lei nº 8.212/91 à contribuição para o PIS, por também se tratar de espécie de contribuição destinada à Seguridade Social. Aduz que o próprio art. 150, §4º do CTN, prevê a edição de norma específica, que estipule prazo decadencial para a homologação do pagamento. Requer seja provido o recurso especial e reformado o acórdão no que tange ao prazo decadencial para constituição do crédito tributário de PIS. O recurso especial da Fazenda Nacional teve seguimento quanto à divergência e à contrariedade à lei, nos termos do Despacho s/nº, de 17 de março de 2015 (fls. 1.048 a 1.51). A Contribuinte foi intimada por Edital (fls. 1.059), no entanto, não apresentou contrarrazões ao apelo especial da Fazenda Nacional e/ou recurso especial em relação à parte do auto de infração mantida no acórdão. A parte incontroversa do débito foi transferida para o processo de representação nº 10840721.871/201606 (fls. 1.066e 1.072). O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência jurisprudencial e por contrariedade à lei apresentado pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisarse o atendimento dos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 7º, incisos I e II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época de sua interposição 1. Da divergência jurisprudencial. Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98 pelo STF A Fazenda Nacional suscitou divergência jurisprudencial quanto à aplicação, para o caso dos autos, da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, pelo STF, quando julgados os Recursos Extraordinários nºs 346.084, 357.950 e 390.840, e consequente cancelamento parcial do lançamento. Para comprovar o dissenso interpretativo, Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10840.002544/200418 Acórdão n.º 9303005.446 CSRFT3 Fl. 1.080 8 colacionou como paradigma o acórdão nº 20311.788, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS PROCESSUAIS. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. LIMITES DE APRECIAÇÃO DA MATÉRIA PELA AUTORIDADE JULGADORA ADMINISTRATIVA. Somente é possível o afastamento da aplicação de normas por razão de inconstitucionalidade, em sede de recurso administrativo, nas hipóteses de haver resolução do Senado Federal suspendendo a execução de lei declarada inconstitucional pelo STF, de decisão do STF em ação direta, de autorização da extensão dos efeitos da decisão pelo Presidente da República, ou de dispensa do lançamento pelo Secretário da Receita Federal ou desistência da ação pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional. COFINS. DECADÊNCIA. 10 ANOS. Sendo a COFINS contribuição social necessariamente se sujeita ao prazo decadencial de 10 anos, estabelecido pela lei nº 8212/91. COFINS. BASE DE CÁLCULO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE 02/99. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. TRIBUTAÇÃO. LEI Nº 9.718/98, ART. 9º. REGIME DE COMPETÊNCIA OU DE CAIXA. OPÇÃO. MP Nº 2.158/35/2001, ARTS. 30 E 31. Nos termos do art. 9º da Lei nº 9.718/98, as variações cambiais ativas são incluídas na base de cálculo da COFINS, bem como do PIS Faturamento, a partir de fevereiro de 1999, devendo ser apropriadas pelo regime de caixa ou de competência a partir do ano 2000, à opção do contribuinte e desde que adotado o mesmo regime para as duas Contribuições, o IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro, consoante o art. 30 da MP nº 2.15835/2001. Excepcionalmente e a critério do contribuinte, em relação ao ano de 1999 poderão ser feitos ajustes de modo a deduzir o excedente ao valor da variação monetária efetivamente realizada, ainda que a operação correspondente já tenha sido liquidada. Recurso negado. No acórdão recorrido, houve o cancelamento parcial do lançamento, excluindo se da base de cálculo do PIS as receitas que não sejam provenientes da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da venda de mercadorias e prestação de serviços, em razão da declaração de inconstitucionalidade, em sessão plenária do STF, do alargamento da base de cálculo instituída pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. A decisão paradigma, por sua vez, afastou as alegações de inconstitucionalidade tecidas pelo Sujeito Passivo e manteve o alargamento da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS estabelecida na Lei nº 9.718/98, art. 3º, §1º, ainda que referido dispositivo tenha sido declarado em desconformidade com a Constituição Federal, sob o argumento de não haver Resolução do Senado Federal suspendendo a eficácia da referida norma. Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10840.002544/200418 Acórdão n.º 9303005.446 CSRFT3 Fl. 1.081 9 Ocorre que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, em julgado proferido no RE nº 585.235, pela sistemática da repercussão geral (tema nº 110), publicado em 28/11/2008, o qual recebeu a seguinte ementa: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Portanto, decidida a questão em sede de recurso extraordinário pela sistemática da repercussão geral, impende a sua observância pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, consoante disposto no art. 62, §2º do Regimento Interno RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (grifouse) Além disso, o acórdão nº 20311.788, ainda que estampe entendimento divergente da decisão recorrida, não pode ser tido como paradigma, pois a tese adotada contraria decisão judicial transitada em julgado nos moldes dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC) ou dos artigos 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/2015 Novo Código de Processo Civil, consoante disposição do art. 67, §12, inciso II do art. 67 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Diante dessas considerações, não se conhece do recurso especial da Fazenda Nacional neste tópico. 2. Da contrariedade ao art. 45 da Lei nº 8.212/91 Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10840.002544/200418 Acórdão n.º 9303005.446 CSRFT3 Fl. 1.082 10 No que tange à interposição do recurso especial com fundamento na contrariedade à lei ou à evidência de prova, centrase a controvérsia na suposta violação ao art. 45 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 150, §4º do CTN ao ser reconhecido, pelo acórdão recorrido, como aplicável à COFINS o prazo decadencial de 5 (cinco) anos constante no CTN. Em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar os recursos extraordinários nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante STF nº 08, não se conhece do recurso especial por contrariedade à lei interposto pela Fazenda Nacional, uma vez que não há mais artigo de lei sujeito à violação. Súmula Vinculante STF nº 08 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Na hipótese de ser o recurso especial fundado em contrariedade à dispositivo de lei que foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e cuja decisão foi convertida em Súmula Vinculante, o mesmo não deve ser conhecido. No mesmo sentido, é o acórdão nº 9303003.294 proferido por esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 24 de março de 2015, de relatoria do Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cujos fundamentos passam a integrar a presente decisão, in verbis: [...] Como visto no relatório, o apelo fazendário arrimouse em suposta contrariedade à lei do acórdão recorrido, mais precisamente, ao art. 45 da Lei 8.212/1991. Acontece, porém, que esse dispositivo legal foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal federal, em controle difuso, é verdade, mas a decisão foi sumulada, com efeito vinculante STF Súmula Vinculante nº 8. Com isso, a decisão proferida interpartes, passou a ter efeitos erga omnis, vinculando a todos. De outro lado, a declaração de inconstitucionalidade tem efeitos ex tunc, retroagindo à data da edição do dispositivo legal eivado de vício, anulando em sua origem, como se a lei nunca tivesse existido. Essa retroatividade persiste mesmo no caso de haver sido modulados os efeitos da decisão, pois, uma vez declarada a inconstitucionalidade, a nódoa macula o dispositivo permanentemente desde a origem, o que a modulação faz é estender no tempo certos efeitos decorrentes da vigência da lei inconstitucional. A norma inconstitucional, salvo nas hipóteses de inconstitucionalidade superveniente, é natimorta, apenas sua certidão de óbito é que é emitida posteriormente. Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 10840.002544/200418 Acórdão n.º 9303005.446 CSRFT3 Fl. 1.083 11 [...] Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. [...] Portanto, também não se conhece do recurso especial da Fazenda Nacional com relação à alegação de contrariedade à lei. 3. Dispositivo Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1083DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.014107/2006-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DIVERSOS.
A pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido que exerce a atividade de prestação de serviços de diversas modalidades deve comprovar documentalmente a receita auferida em cada atividade para efeito de aplicação do percentual de presunção. Inexistente tal demonstração, cabe a utilização do percentual correspondente à prestação de serviços gerais sobre as receitas não especificadas.
Numero da decisão: 1402-002.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir o imposto devido em valores originais a R$ 165.709,70 (1º trimestre); R$ 325.455,94 (2º trimestre); R$ 348.417,61 (3º trimestre) e R$ 331.120,96 (4º trimestre).
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DIVERSOS. A pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido que exerce a atividade de prestação de serviços de diversas modalidades deve comprovar documentalmente a receita auferida em cada atividade para efeito de aplicação do percentual de presunção. Inexistente tal demonstração, cabe a utilização do percentual correspondente à prestação de serviços gerais sobre as receitas não especificadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir o imposto devido em valores originais a R$ 165.709,70 (1º trimestre); R$ 325.455,94 (2º trimestre); R$ 348.417,61 (3º trimestre) e R$ 331.120,96 (4º trimestre). Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 41 07 /2 00 6- 81 Fl. 2090DF CARF MF 2 Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 10680.014107/200681 Acórdão n.º 1402002.684 S1C4T2 Fl. 2.091 3 Relatório Contra a contribuinte Terragama do Brasil Empreendimentos e Construções Ltda. foi lavrado o auto de infração de fls. 02 e 03, para a exigência da diferença de IRPJ, referente ao anocalendário de 2002, no valor de R$ 3.663.057,34, em razão da constatação da aplicação indevida de coeficiente de determinação da base de cálculo para apuração do lucro. De acordo com a fiscalização, a contribuinte aplicou incorretamente o coeficiente de 8% (oito por cento) sobre as receitas da atividade de prestação de serviços, quando deveria ter aplicado 32% (trinta e dois por cento), conforme dispõe o relatório fiscal de fls. 07 a 10, que assim descreve os motivos que ensejaram o lançamento: No anocalendário de 2002, o sujeito passivo optou pelo pagamento do imposto de renda com base nas regras de tributação pelo lucro presumido, e com aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida. Nos dados cadastrais no CNPJ o Código de Atividade Econômica (CNAE Fiscal) é 74.993/99 Outros serviços prestados principalmente às empresas. Em seu contrato social, doc. de fls. 34 a 37, o objeto social é: Prestação de serviços de transporte, logística rodoviária, ferroviária, aérea, fluvial e marítima; Atividades gerais de mineração,...; Industrialização de Insumos, objetos, produto,...; Manutenção e operação de instalações industriais em geral,...; Limpeza de vias e pátios de forma mecanizada ou manual; Locação de mãodeobra especializada ou não; Atividades gerais de engenharia civil, etc. Intimada a apresentar justificativa à aplicação daquele percentual, o sujeito passivo alegou que "as atividades efetivamente exercidas pela empresa são o de transporte de cargas e a industrialização por encomenda, com o material fornecido pelo contratante, estando pois, em nosso entender, claramente sujeita à alíquota de 8% conforme legislação e orientações da Secretaria da Receita Federal. De acordo com os contratos de prestação de serviços e notas fiscais emitidas, docs. de fls. 25 a 33, a receita bruta auferida pelo sujeito passivo no anocalendário de 2002, foi obtida através da locação de máquinas e pela prestação de serviços de logística a outras empresas, tais como ensaque e expedição de produtos, movimentação interna de matéria prima, manutenção de instalações, limpeza de pistas e pátios, etc., que devem ser tributadas à alíquota de 32% (trinta e dois por cento), conforme a letra "f" do item IV, § 20 do art. 30, da IN/SRF 93/97 As atividades de prestação de serviços que têm percentuais diferenciados para apuração da base de cálculo do lucro presumido estão expressamente mencionadas no art. 15 da Lei nº 9.249/95 (transporte de passageiros, transporte de cargas e serviços hospitalares) dentre as quais não se enquadram as atividades praticadas pelo sujeito passivo no anocalendário de 2002 A partir das premissas acima referidas, a autoridade fiscal calculou os valores devidos do imposto com aplicação da alíquota de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta auferida, considerandose os valores declarados ou pagos no anocalendário de 2002, conforme demonstrativo de fls. 10. Fl. 2092DF CARF MF 4 Ciente da autuação em 03/01/2007 (fl. 228), a contribuinte, tempestivamente, apresentou impugnação (fls. 233/278), alegando os seguintes fundamentos: a) que todas as atividades que desenvolveu estão ligadas ao "transporte multimodal" cuja definição e abrangência estão contidas nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.611, de 1998, a seguir transcritos: Art. 2º. Transporte Multimodal de Cargas é aquele que, regido por um único contrato, utiliza duas ou mais modalidades de transporte, desde a origem até o destino, e é executado sob a responsabilidade única de um Operador de Transporte Multimodal. ... Art. 3º. O Transporte Multimodal de Cargas compreende, além do transporte em si, os serviços de coleta, unitização, desunitização, movimentação, armazenagem e entrega de carga ao destinatário, bem como a realização dos serviços correlatos que forem contratados entre a origem e o destino, inclusive os de consolidação e desconsolidação documental de cargas. b) que as funções de limpeza e manutenção de equipamentos e vias por onde trafega são decorrentes dos contratos de transporte multimodal que têm com suas clientes; c) colacionou cópias de contratos de prestações de serviços e de notas fiscais emitidas e requereu a realização de perícia para apurar a definição do que vem a ser “logística” e “transporte multimodal", no intuito de comprovar que o serviço realizado está respaldado na legislação que rege a matéria; d) sustenta, ao final, a aplicação da alíquota de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida em suas atividades, salientando que o transporte e a movimentação, tanto de matériaprima, quanto de produto final, é a sua atividade básica. A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Belo Horizonte/MG, por meio do acórdão de fls. 334/341, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de perícia e julgou procedente o lançamento, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA –IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO A base de cálculo do imposto e do adicional, em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração. Nas atividades de prestação de serviços em geral ou de qualquer espécie de serviços não abrangida por outros percentuais, será aplicado o percentual de trinta e dois por cento. No caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. Lançamento Procedente’’ Fl. 2093DF CARF MF Processo nº 10680.014107/200681 Acórdão n.º 1402002.684 S1C4T2 Fl. 2.092 5 Intimada em 07/05/2009 (fl. 358), em 01/06/2009, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 359 a 378), alegando, preliminarmente, cerceamento de defesa em razão do indeferimento da perícia requerida. No mérito, reiterou os fundamentos já articulados em sua peça impugnatória acerca da aplicação correta do percentual de 8% (oito por cento) na apuração da base de cálculo quando da apuração do IRPJ sobre o lucro presumido, em razão de sua atividade básica. Em primeira apreciação, este colegiado prolatou a Resolução 140200.025 pela qual rejeitou o pedido de perícia e converteu o julgamento em diligência nos seguintes moldes: [...] ISSO POSTO, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada para, no prazo de 30 (trinta) dias, trazer aos autos todas as notas as notas fiscais do anocalendário de 2002 e, caso existentes, planilha especificando os objetos transportados e quais os serviços que não estão vinculados ao transporte. Caso a recorrente reconhecer que parte dos seus serviços não está relacionado ao segmento de transporte, seja ele multimodal ou não, poderá, se assim desejar, especificálos e quantificálos em termo de valores. [...] Realizado o procedimento com emissão do competente relatório fiscal e manifestação do sujeito passivo, retornaram os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 2094DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto A tempestividade do recurso voluntário e a legitimidade do signatário foram reconhecidas na Resolução 140200.025. Sendo assim, reiterase aqui as condições de conhecimento da peça de defesa. O argumento quanto à necessidade de perícia foi devidamente enfrentado e rejeitado na Resolução e endosso aqui as razões lá expostas. Ainda assim, tal questão será retomada quando da análise da manifestação do sujeito passivo em relação ao resultado da diligência. Ao analisar os documentos apresentados pelo sujeito passivo, esta turma julgadora firmou um juízo inicial no sentido de que, ao menos em tese, a interessada exercia a atividade de transporte modal de cargas, conforme por ela defendido. Nesse sentido, transcrevese trecho do voto condutor da Resolução referindose a um dos contratos apresentados: [...] Quando se conjuga o disposto na cláusula primeira do contrato com os anexos anteriormente analisados, percebese que os serviços executados pela recorrente, em tese, ainda que parcialmente, podem estar contemplados no conceito de transporte multimodal, pois envolve a realização de atividades que têm por finalidade transportar carga de um local para o outro, conjugado com serviços de abastecer o equipamento denominado tremonha, bem como a limpeza da área onde os serviços são realizados. [...] Ao mesmo tempo, a decisão registra que nem todas as atividades por ela exercidas poderiam ser caracterizadas como transportes de cargas. No caso do contrato formalizado com a GENERAL MOTORS DO BRASIL, o voto ressalva: [...] No caso dos autos, sem antecipar juízo definitivo de valor, a primeira vista e em juízo perfunctório, pareceme que o aluguel mensal de locomotiva, sem operador, não caracterizam serviços de transporte de cargas. [...] Constatase que nem todos os contratos indicavam a prestação de serviços de transporte de cargas. Assim, o objetivo da diligência não era apenas atestar que a recorrente exercia a atividade de transporte modal de cargas mas, principalmente, qual seria a representatividade da receita correspondente a essa atividade em relação ao total auferido pois, conforme disposição legal, no caso do exercício de atividades diversificadas a apuração do lucro presumido darseá pela aplicação do percentual correspondente a cada atividade. Daí a preocupação da Resolução em obter documentos conclusivos em relação a essa questão. Transcrevese novamente o requerido naquela decisão: Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 10680.014107/200681 Acórdão n.º 1402002.684 S1C4T2 Fl. 2.093 7 [...] ISSO POSTO, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada para, no prazo de 30 (trinta) dias, trazer aos autos todas as notas as notas fiscais do anocalendário de 2002 e, caso existentes, planilha especificando os objetos transportados e quais os serviços que não estão vinculados ao transporte. Caso a recorrente reconhecer que parte dos seus serviços não está relacionado ao segmento de transporte, seja ele multimodal ou não, poderá, se assim desejar, especificálos e quantificálos em termo de valores. [...] A autoridade responsável pela diligência intimou o sujeito passivo exatamente na linha do requerido pelo Colegiado. Isso implica dizer que foram solicitadas TODAS as notas fiscais de prestação emitidas pela empresa no anocalendário de 2002. Mais ainda, foi requerido que a intimada apresentasse uma planilha ou demonstrativo indicando quais seriam concernentes aos serviços de transporte e respectivo valor. Assim foi feito. O relatório de diligência acatou integralmente os valores informados pela fiscalizada em atendimento à intimação fiscal. Em outras palavras, as notas fiscais apresentadas pela interessada e que, segundo ela, representavam atividade de transporte de cargas, foram aceitas como tal em sua totalidade pela autoridade fiscal Importa ressaltar que na planilha apresentada pela recorrente foram segregados, por nota fiscal, os valores que representariam remuneração por serviços de transporte multimodal de cargas daqueles referentes à prestação de serviços de outra natureza, nesse último caso sujeito ao percentual de presunção de 32%. Significa dizer que a interessada reconhece que nem todas as atividades que exercia à época a que se refere o procedimento fiscal representariam serviços de transporte de carga. Tais documentos fiscais em sua quase totalidade eram referentes a contratos de prestação de serviços anteriormente apresentados nas peças de defesa e confirmaram a convicção inicial emanada na Resolução. Ainda que o relatório de diligência tenha mencionado que todos o contratos foram trazidos aos autos, no que se refere à prestação de serviços de transporte de carga (ainda que parcial) só localizei contratos firmados com a ULTRAFERTIL S/A e com a SOEICOM, justamente aqueles em relação aos quais a interessada apresentou as notas fiscais e a planilha. Por outro lado, não foram apresentadas notas fiscais referentes à integralidade das receitas auferidas pela recorrente, nos termos requeridos pela diligência. Para uma receita total de serviços declarada no anocalendário em torno de R$ 23 milhões, foram trazidas notas fiscais que montavam a pouco mais de R$ 5 milhões. Convém lembrar que o objeto social da fiscalizada envolve várias atividades: • Prestação de serviços de transporte, logística rodoviária, ferroviária, aérea, fluvial e marítima; Fl. 2096DF CARF MF 8 • Atividades gerais de mineração, planejamento de lavra de longo, médio e curto prazo, desenvolvimento de mina, extração, britagem, lavação, apuração, polimento, blendagem e acondicionamento de todo e qualquer tipo de minério, em lavras a céu aberto, subterrânea, aluviões e submersas, com transporte dos insumos e.produtos para os pontos de processamento e destino; • Industrialização de insumos, objetos, produto, podendo os mesmos, bem como embalagens serem de fornecimento ou não do encomendante, com ou sem transporte para os pontos de processamento e destino; • Manutenção e operação de instalações industriais em geral, veículos, máquinas e equipamentos diversos de transporte, fornos, britadores, correias transportadoras, moinhos, elevadores, painéis e torres, em qualquer etapa mecânica, elétrica, eletrônica e informatizada com ou sem o fornecimento de materiais, peças e mãodeobra; • Limpeza de vias e pátios de forma mecanizada ou manual; • Locação de mãodeobra especializada ou não; • Atividades gerais de engenharia civil, construção e manutenção de estradas, prédios, barragens, terraplenagens, topografia e demais atividades inerentes; • Consultoria em todo o âmbito da engenharia, bem como das atividades acima enunciadas. Considerando que a interessada não trouxe qualquer indicativo da realização de industrialização por encomenda, apenas a atividade definida no primeiro item implicaria na apuração do lucro presumido com o percentual de 8%. Daí porque, conforme registrou a decisão de primeira instância, cabe ao sujeito passivo segregar as receitas auferidas de acordo com o tipo de serviço prestado para fins de aplicação do percentual correspondente. Originalmente a interessada não fez tal distinção, assumindo que toda a receita auferida corresponderia a transporte de cargas. Questionada pela Fiscalização, após a autuação teve três oportunidades de demonstrar tal fato (impugnação, recurso voluntário e diligência). Durante a diligência, admitiu que mesmo os contratos apresentados para justificar a atividade de transporte de cargas traziam em seu bojo a previsão de atividades diversas, conforme notas fiscais. Sob esse prisma, em relação aos valores sem comprovação documental da natureza dos serviços a que se referem, não há como presumir que envolvem transporte de cargas. Sem querer trazer ilações quanto à questões de conduta, é muito estranho que a empresa simplesmente tenha perdido ou não tenha emitido documentos fiscais indicativos de quase oitenta por cento do faturamento (80%), tendo apresentado apenas as notas fiscais que atestariam as razões de defesa. Do exposto, não merece qualquer crítica a diligência efetuada pois acatou sem ressalvas aquilo que foi demonstrado. Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 10680.014107/200681 Acórdão n.º 1402002.684 S1C4T2 Fl. 2.094 9 Na manifestação em relação ao resultado da diligência, a recorrente insiste na realização de perícia que, segundo defende, deveria ocorrer nos locais onde a empresa presta serviços. A perícia revelase inócua por várias razões. Em primeiro lugar, o motivo principal que justificaria esse procedimento perdeu a razão pois foi reconhecido que a empresa realizava no anocalendário de 2002 período objeto do procedimento fiscal atividade de transporte de cargas sujeita ao percentual de 8% para efeitos de apuração do lucro presumido. Daí porque foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os valores que comprovadamente decorreriam dessa atividade. Lembrando que durante a diligência o sujeito passivo elaborou planilha reconhecendo que as notas fiscais apresentadas indicavam serviços prestados estranhos ao transporte de cargas, a questão não esclarecida referese aos valores de receita em relação aos quais não foram apresentados os documentos que identificassem a natureza dos serviços prestados. Conforme mencionado em momento anterior deste voto, o objeto social da empresa envolve as mais diversas atividades. Como saber a que tipo de serviço ou serviços pertencem esses valores sem documentos que os relacionem? Se o sujeito passivo não consegue identificar documentalmente a efetiva origem de oitenta por cento (80%) das receitas auferidas perguntase: onde deveria ocorrer a "perícia local" requerida? Temse ainda um detalhe crucial que mostra a irrelevância da perícia local nos termos requeridos. O procedimento fiscal foi encerrado no anocalendário de 2006 referente a fatos ocorridos em 2002. Já nessas circunstâncias existe um intervalo de quatro (4) anos onde as atividades da empresa poderiam ter sofrido alterações na essência. Mesmo que por hipótese, E APENAS POR HIPÓTESE, a interessada tivesse exercido em 2002 apenas atividade de transporte de cargas, essa situação poderia já não ser a mesma em 2006. Tal circunstância fica ainda mais premente em 2016, quando a diligência foi realizada, quatorze (14) anos após os fatos sob exame. Essas últimas colocações servem apenas para reforçar o raciocínio de que a memória dos fatos são os documentos. Aqueles apresentados pelo sujeito passivo foram integralmente aceitos. Ainda que registrado em destaque na manifestação do sujeito passivo frente à diligência, não é verdade que foram apresentadas todas as notas fiscais referentes aos ano calendário de 2002. Como já mencionado neste voto, só foram apresentadas notas fiscais referentes aos contratos com a ULTRAFERTIL S/A e com a SOEICOM. No que se refere ao argumento de que a redução do valor foi insignificante, acatouse a parcela demonstrada pelas notas fiscais que corresponde a aproximadamente vinte por cento (20%) das receitas auferidas. Fl. 2098DF CARF MF 10 É improcedente a afirmativa de que a empresa auferiu um total de receitas em torno de R$ 6 milhões no anocalendário de 2002. O montante anual foi mais de R$ 23 milhões. De todo o exposto, voto por acatar integralmente as conclusões emanadas na Informação Fiscal decorrente da diligência e dar provimento parcial ao recurso para reduzir o imposto devido aos valores de R$ 165.709,70 (1º trimestre); R$ 325.455,94 (2º trimestre); R$ 348.417,61 (3º trimestre) e R$ 331.120,96 (4º trimestre). (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 2099DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10516.720006/2012-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a omissão no enfrentamento de matérias suscitadas no recurso voluntário, cabe a admissibilidade dos embargos para o enfrentamento das matérias suscitadas no recurso voluntário.
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3201-002.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para incluir no voto, o julgamento das matérias suscitadas em sede preliminar no recurso voluntário. Foi suscitado preliminar pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário para rever a admissibilidades dos embargos e admitir as matérias quanto ao mérito, que não foram admitidas no despacho de admissibilidade. Por maioria de votos decidiu-se por manter o despacho de admissibilidade dos embargos, vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade que votaram por rever o despacho de admissibilidade. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Carlos Amorim, OAB/RS nº 40.881. Ficou de apresentar declaração de voto os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a omissão no enfrentamento de matérias suscitadas no recurso voluntário, cabe a admissibilidade dos embargos para o enfrentamento das matérias suscitadas no recurso voluntário. VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo. Embargos Acolhidos
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2131; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10516.720006/201292 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201002.985 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2017 Matéria II Recorrente FREE TRADE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a omissão no enfrentamento de matérias suscitadas no recurso voluntário, cabe a admissibilidade dos embargos para o enfrentamento das matérias suscitadas no recurso voluntário. VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para incluir no voto, o julgamento das matérias suscitadas em sede preliminar no recurso voluntário. Foi suscitado preliminar pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário para rever a admissibilidades dos embargos e admitir as matérias quanto ao mérito, que não foram admitidas no despacho de admissibilidade. Por maioria de votos decidiuse por manter o despacho de admissibilidade dos embargos, vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade que votaram por rever o despacho de admissibilidade. Fez sustentação oral, pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 6. 72 00 06 /2 01 2- 92 Fl. 6964DF CARF MF 2 Recorrente, o Advogado Carlos Amorim, OAB/RS nº 40.881. Ficou de apresentar declaração de voto os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila. Relatório Tratase de embargos opostos pelo Sujeito Passivo, ao amparo do art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº343/2015, em face do Acórdão nº 3201001.552 complementado em decisão de embargos pelo Acórdão nº 3201002.113, que foram assim ementados: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011 CESSÃO DO NOME PARA UTILIZAÇÃO EM OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. MULTA PREVISTA NO ART. 33, DA LEI Nº 11.488/07. A cessão do nome para operações de comércio implica na aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da mercadoria, prevista no art. 33, da Lei nº 11.488/07. (Acórdão nº 3201001.552) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011 EMBAROS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado que o voto vencedor não corresponde a decisão adotada, cabe a retificação do acórdão para alteração do voto vencedor. Embargos Providos (Acórdão nº 3201002.113) Alega a recorrente, a existência de omissão no julgamento das seguintes matérias suscitadas em sede preliminar: i) irretroatividade da Lei nº 12.350/2010 aos fatos anteriores à sua vigência e sua repercussão ao presente auto de infração; ii) ilegitimidade ativa pela incompetência das autoridades autuantes Fl. 6965DF CARF MF Processo nº 10516.720006/201292 Acórdão n.º 3201002.985 S3C2T1 Fl. 3 3 iii) nulidade em face da ausência de convênio específico na fiscalização e protocolo de autoridades incompetentes; iv) preclusão lógica e da falta de motivação para revisão aduaneira, sem o competente lançamento de revisão de ofício; v) a existência de precedentes judiciais; vi) Inveracidade da premissa do fisco pena de perdimento afastada anulação do processo administrativo nº 10909001.939/200704; vii) reconhecimento do poder judiciário da inexistência de relação jurídica tributária de IPI sobre as operações de "revendas" da ora embargante; viii) Inexistência de dano ao erário; ix) condenação da união para restituir à ora embargante os valores de IPI sobre "revenda"; x) inexigibilidade de IPI nas operações de "revenda", por força de antecipação de tutela na sentença; xi) represália imposta pela fiscalização em razão do ajuizamento das ações judiciais; xii) nulidade da fiscalização e do auto de infração em face das provas obtidas de forma ilícita; xiii) ausência de motivação fática e impossibilidade jurídica para capitular fato diverso; xiv) capitulação formal em fato diverso do apresentado, face à impossibilidade de enquadramento do dano ao erário "ocultação" x "interposição de terceiros"; xv) decadência parcial do lançamento; A embargante alega ainda a existência de contradição no mérito da decisão, afirmando que o voto vencedor do Acórdão afirmou que o presente julgado não se tratava de falta de comprovação de origem de recursos da importadora, para, adiante, se contradizer ao afirmar que diverge do Conselheiro Relator, alegando que a operação comercial e econômica das duas empresas foram simuladas. Alega ainda a existência de omissão, em razão do não enfrentamento dos fundamentos de defesa da embargante, que demonstram a capacidade financeira, a lucratividade, autonomia estrutural e comprovação de operações da embargante. Os embargos foram admitidos parcialmente para dar seguimento a omissão no enfrentamento das preliminares, sendo negado o seguimento das alegações de omissão e contradição no mérito da decisão, nos termos do despacho de fls. 6935 a 6938. Fl. 6966DF CARF MF 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Consultando os autos e o acórdão embargado é possível comprovar a existência da omissão alegada pela Recorrente quanto as preliminares suscitadas no recurso voluntário. è mister ressaltar, que não foi dado seguimento aos embargos quanto ao mérito da decisão. Entendo correta a decisão exarada pelo Presidente desta Primeira Turma Ordinária. Nos termos bem detalhados no despacho de admissibilidade o acórdão guerreado foi omisso quanto as matérias suscitadas em sede preliminar, entretanto, não assiste razão a Recorrente quanto as alegações de omissão e contradição quanto ao mérito da decisão. Portanto, não existe nenhum reparo a ser feito no despacho de admissibilidade que deram seguimento parcial aos embargos. Antes de iniciar a análise das questões preliminares suscitadas no recurso voluntário é necessário esclarecer que o presente lançamento versa unicamente da exigência da multa de 10% do valor da mercadoria, por cessão de nome para operações de comércio exterior, prevista no art. 33, da Lei nº 11.488/07. As alegações preliminares que tratam da multa de conversão da pena de perdimento em pecúnia não podem ser objeto de análise neste processo. i) irretroatividade da Lei nº 12.350/2010 aos fatos anteriores à sua vigência e sua repercussão ao presente auto de infração; Quanto a esta matéria, a Recorrente tece alegações quanto a procedência da aplicação da pena de conversão da pena de perdimento em pecúnia, prevista no art. 23, do Decreto nº 1.455/76. Conforme já abordado neste voto, o presente processo trata da multa por cessão de nome e portanto, alegações estranhas a esta discussão não podem ser apreciadas neste julgamento. ii) ilegitimidade ativa pela incompetência das autoridades autuantes; iii) nulidade em face da ausência de convênio específico na fiscalização e protocolo de autoridades incompetentes; A embargante alega ilegitimidade da autoridade autuante, em razão dos Auditores Fiscais responsáveis pelo lançamento estarem lotados na Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre 10ª Região da RFB e a empresa possuir seu domicílio na cidade de São José no Estado de Santa Catarina na 9ª Região RFB. Quanto a competência do Auditor Fiscal para o lançamento fiscal em domicilio diverso do contribuinte, este Conselho já enfrentou a matéria existindo posição pacifica pela validade do lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil independente de sua lotação ou do domicilio do sujeito passivo. Posição formalizada na Súmula CARF nº 27. Fl. 6967DF CARF MF Processo nº 10516.720006/201292 Acórdão n.º 3201002.985 S3C2T1 Fl. 4 5 Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. iv) preclusão lógica e da falta de motivação para revisão aduaneira, sem o competente lançamento de revisão de ofício; Alega a Recorrente, que a revisão aduaneira prevista no art. 638 do Decreto nº 6.759/09, somente poderia ocorrer nas hipóteses previstas no art. 149 do CTN, que segunda a Recorrente, traz um rol taxativo de situações em que a revisão de ofício seria possível e por consequência a Revisão Aduaneira. Os diplomas legais alegados pela Recorrente são os seguintes: Art. 638, do Decreto nº 6.759/09. Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o; e DecretoLei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I do registro da declaração de importação correspondente (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3ºo Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Art. 149, do CTN. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; Fl. 6968DF CARF MF 6 III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Entendo, não assistir razão ao Recurso, a redação do art. 638 do RA deixa cristalino que a revisão aduaneira é o procedimento de verificação da regularidade da operação de importação, podendo a atividade da Fiscalização revisar todos as informações prestadas pelo importador. A alegação que a revisão aduaneira por tratarse de revisão de ofício não poderia existir sem a comprovação de um dos itens previstos no art. 149 do CTN, não guarda nenhuma relação com a legislação tributária. Por mais que a Recorrente tente fazer ligações entre os dois diplomas legais previstos no Regulamento Aduaneiro e no Código Tributário Nacional, não vislumbro nenhuma ilegalidade no procedimento de revisão aduaneira adotado pela Fiscalização Aduaneira da Receita Federal. O procedimento de revisão existe em previsão própria do Regulamento Aduaneiro e ocorrendo dentro do prazo de 5 (cinco) anos previstos na legislação, não possui restrições vinculadas ao art. 149 do CTN. v) a existência de precedentes judiciais; vi) Inveracidade da premissa do fisco pena de perdimento afastada anulação do processo administrativo nº 10909001.939/200704; vii) reconhecimento do poder judiciário da inexistência de relação jurídicatributária de IPI sobre as operações de "revendas" da ora embargante; ix) condenação da união para restituir à ora embargante os valores de IPI sobre "revenda"; x) inexigibilidade de IPI nas operações de "revenda", por força de antecipação de tutela na sentença; xi) represália imposta pela fiscalização em razão do ajuizamento das ações judiciais; Quanto a alegação de obediência a precedentes judiciais, é mister ressaltar que o julgador administrativo somente está vinculado a decisões judiciais em que a Recorrente esteja atuando como parte e que trate de matéria referente ao objeto submetido ao julgamento administrativo. Decisões judiciais que não tratem especificamente da mesma matéria tratada no presente processos não interferem no presente julgamento. Fl. 6969DF CARF MF Processo nº 10516.720006/201292 Acórdão n.º 3201002.985 S3C2T1 Fl. 5 7 As alegações que existiria uma represália da Fiscalização em razão da ações judiciais movidas com a União são argumentos que carecem de base legal para alterar o lançamento. A irresignação da Recorrente necessita de argumentos jurídicos, questões genéricas desamparadas de comprovação não interferem no julgamento. viii) Inexistência de dano ao erário; Alega a Recorrente a inexistência da incidência do IPI nas operações de revenda, confirmaria a inexistência de dano ao erário. Também para esta matéria entendo não assistir razão ao recurso. A turma já analisou as alegações da Recorrente quanto ao mérito da existência da cessão de nome, conforme bem esclarecido no mérito da decisão, portanto, tendo a turma decidido pela existência da interposição fraudulenta com a cessão de nome para terceiros, a incidência do IPI não é condição exigida para que seja declarada a interposição e a cessão de nome. Ademais a matéria já foi objeto de deliberação por parte da turma e os embargos no que concernem ao mérito da decisão da turma não foi admitido. Portanto, mantendose a decisão de mérito, tornase irrelevante a discussão sobre a incidência do IPI na revenda como matéria possível de alterar o julgamento, já decidido no mérito. xii) nulidade da fiscalização e do auto de infração em face das provas obtidas de forma ilícita; Alega a Recorrente que a obtenção de provas a partir da operação realizada na sede da empresa, deveria ocorrer com amparo de medida judicial e que os procedimentos da Autoridade Fiscal ofenderam os princípios constitucionais previstos no Art. 5ª, incisos X, XI, XII. Entendo não assistir razão a Recorrente, nos termos constantes do relatório fiscal todos os documentos apreendidos foram objeto da operação dentro da sede da empresa, em nenhum momento ocorreu operação fora do estabelecimento da pessoa jurídica. ou que tenha apreendido ou utilizado documentos pessoais dos sócios ou quaisquer outros funcionários da empresa. Todos os documentos e correspondência eletrônicas apreendidas tratam de documentos comerciais e referentes as atividades da pessoa jurídica fiscalizada. Assim, descabe a alegação de violação de individualidade e residência. Quanto a alegada falta de competência do Auditor Fiscal em buscar documentos referentes a contas bancárias e correspondências eletrônicas, a legislação é robusta em permitir ao Auditor Fiscal que realize as diligência e retenções de documentos necessários ao trabalho da auditoria fiscal, conforme pode ser verificado nos diplomas normativos a seguir transcritos: Art. 159 do CTN. Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, Fl. 6970DF CARF MF 8 documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Lei nº 9.430/96 Art. 34. São também passíveis de exame os documentos do sujeito passivo, mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, encontrados no local da verificação, que tenham relação direta ou indireta com a atividade por ele exercida. Art. 35. Os livros e documentos poderão ser examinados fora do estabelecimento do sujeito passivo, desde que lavrado termo escrito de retenção pela autoridade fiscal, em que se especifiquem a quantidade, espécie, natureza e condições dos livros e documentos retidos. § 1º Constituindo os livros ou documentos prova da prática de ilícito penal ou tributário, os originais retidos não serão devolvidos, extraindose cópia para entrega ao interessado. § 2º Excetuado o disposto no parágrafo anterior, devem ser devolvidos os originais dos documentos retidos para exame, mediante recibo. Portanto, a Autoridade Fiscal possui competência legal para acessar e se necessário realizar as apreensões de documentos, inclusive arquivos magnéticos em procedimento de auditoria fiscal levado a termo em pessoa jurídica. Não existindo nenhuma ilegalidade no procedimento realizado pela Auditoria Fiscal constante do Procedimento Fiscal, que deu origem ao lançamento fiscal controlado no presente processo. xiii) ausência de motivação fática e impossibilidade jurídica para capitular fato diverso; xiv) capitulação formal em fato diverso do apresentado, face à impossibilidade de enquadramento do dano ao erário "ocultação" x "interposição de terceiros"; Não vislumbro assistir razão as alegações do recurso também quanto a estas matérias. O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federa, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade autuante à lavratura do auto de infração. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciado em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, foi interposto recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas pela autoridade de primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Fl. 6971DF CARF MF Processo nº 10516.720006/201292 Acórdão n.º 3201002.985 S3C2T1 Fl. 6 9 xv) decadência parcial do lançamento; Também quanto a esta matéria não assiste razão ao recurso. A ciência do auto de infração ocorreu em 03/08/2012 e a Declaração de Importação mais antiga citada no auto de infração, foi registrada em 14/05/2008, prazo inferior aos 5 (cinco) anos previstos para a revisão aduaneira. Portanto, não é aplicado o instituto da decadência ao lançamento em discussão nos autos. Diante do exposto voto no sentido de conhecer e acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para alterar o voto vencedor do Acórdão 3201001.552, nos termos expostos acima para incluir no voto o julgamento quanto as matérias suscitadas em sede preliminar no recurso voluntário, mantendo a decisão de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Declaração de Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta declaração de voto. De início é importante registrar que a divergência desta declaração de voto se limita ao provimento e aos efeitos infringentes dos Embargos de Declaração apresentados pelo contribuinte com relação ao tópico “xiii) ausência de motivação fática e impossibilidade jurídica para capitular fato diverso;” conforme relatório da minuta de Acórdão do nobre colega relator. Foi discutido durante o julgamento, de acordo com a natureza da alegação de capitulação de fatos estranhos aos autos, se seria questão de mérito ou questão preliminar, uma vez que o Despacho de Admissibilidade admitiu somente as questões preliminares apresentadas nos Embargos de Declaração. Sobre esta discussão, a doutrina cível, tributária, administrativa e penal brasileira não divergem: a não subsunção dos fatos à norma é matéria preliminar e não de mérito. Fl. 6972DF CARF MF 10 Isto porque um lançamento de ofício que não apresente a verificação da ocorrência do fato gerador, a matéria tributável e o cálculo do montante devido, é um lançamento que pode ser considerado nulo por vício material. Logo, se considerado nulo, tratase de preliminar e não de mérito. Não há a necessidade de julgar o mérito de uma lide administrativa fiscal, se os fatos não correspondem às normas, à capitulação legal utilizada no Auto de Infração. Esta premissa encontra respaldo sistêmico e em toda a legislação correlata, pra citar uma, encontra respaldo no Art. 142 do Código Tributário Nacional, que obriga a autoridade fiscal a descrever os fatos, de forma que estes fatos correspondam ao fato gerador do tributo e à infração capitulada, conforme transcrito a seguir: “CAPÍTULO II Constituição de Crédito Tributário SEÇÃO I Lançamento Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” E na mesma linha o Art. 113 do CTN garantiu que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, conforme transcrito a seguir: “TÍTULO II Obrigação Tributária CAPÍTULO I Disposições Gerais Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” Ora, se não há fato gerador, não surge a obrigação principal. Ciente destes direitos, o contribuinte muito bem solicitou que fossem excluídas do lançamento as vendas de mercadorias realizadas a empresas estranhas aos fatos que fundamentaram o lançamento para a caracterização da cessão do nome para utilização em operações de comércio exterior, com pena/multa prevista no art. 33, da lei nº 11.488/07. Assim, sendo incontroverso nos autos que a fiscalização aplicou a multa de 10% da infração acima mencionada em operações de comércio exterior estranhas à lide, não há como o contribuinte responder por estas penas/multas, dentro deste lançamento específico, que delimitou qual seria a empresa interposta (a que cedeu o nome) e qual seria a real adquirente. Fl. 6973DF CARF MF Processo nº 10516.720006/201292 Acórdão n.º 3201002.985 S3C2T1 Fl. 7 11 E verificase nos autos que o Acórdão nº 3201001.552, que julgou a lide no mérito, não tratou desta solicitação do contribuinte, que foi apresentada desde a impugnação. O ponto central desta lide administrativa são as operações de importação de mercadorias entre a Free Trade Importadora e Exportadora Ltda e Madeireira Herval, como a real adquirente. Mas a apuração também envolveu operações de importação que não foram realizadas entre estas duas empresas. Desse modo, da mesma forma que se alega a ilegitimidade passiva (Art. 525 e 535 do CPC), por exemplo, o contribuinte alegou preliminarmente que as operações de importação que não envolvesse as duas mencionadas empresas, fossem excluídas do lançamento. Esta alegação de natureza preliminar encontra mais respaldo ainda na individualização e na pessoalidade da pena, conquistas seculares da humanidade que foram positivadas na CF/88, Art. 5, XLV e XLVI. É garantido ao cidadão (pessoa física ou jurídica) brasileiro que a pena, a multa ou qualquer infração que seja, primeiro, correspondam aos fatos e, segundo, sejam aplicadas nas medidas doa fatos. E dentro desta instância administrativa de recursos fiscais, a verdade dos fatos deve prevalecer, premissa que também não encontra divergência significante nos precedentes desta casa. A Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo fiscal, deixou claro que os atos administrativos devem ser realizados com respeito à moralidade, assim como devem respeitar a verdade dos fatos, conforme disposto nos Art. 1.º, 2.º, 27.º, 50.º e 53.º. Portanto, visto que no despacho de admissibilidade dos embargos não consta negação específica com relação à alegação preliminar de que os fatos não correspondem às normas, a negação da admissibilidade do mérito foi genérica. Sendo genérica e, admitidas as preliminares no despacho e, sendo esta alegação uma preliminar (de que vendas estranhas ao processo foram mantidas no lançamento), a negação parcial da admissibilidade no mérito, não pode impedir os efeitos infringentes dos embargos de declaração, porque não há previsão legal para tanto. A similitude dos fatos possui conexão direta com o devido processo legal, garantia inquestionável do contribuinte. Diante do exposto, com fundamento nos dispositivos legais citados e nos trechos do regimento interno deste conselho que tratam dos Embargos de Declaração, votei para que fossem providos e concedidos os efeitos infringentes aos Embargos de Declaração, reconhecendo a omissão no Acórdão nº 3201001.552, para que fossem excluídas do lançamento as penas aplicadas em operações de importação estranhas à esta lide administrativa fiscal. Fl. 6974DF CARF MF 12 Declaração de voto proferida. Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 6975DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.000824/2008-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2004
IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DO IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não se aplica a suspensão do IPI, prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002, nas saídas de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, de estabelecimento equiparado a industrial. A lei prevê o benefício fiscal somente aos estabelecimentos industriais. Interpretação literal da Lei por força do que dispõe o art. 111 do CTN.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2004
TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
Numero da decisão: 9303-005.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2004 IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DO IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não se aplica a suspensão do IPI, prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002, nas saídas de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, de estabelecimento equiparado a industrial. A lei prevê o benefício fiscal somente aos estabelecimentos industriais. Interpretação literal da Lei por força do que dispõe o art. 111 do CTN. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2004 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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SAÍDAS COM SUSPENSÃO DO IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não se aplica a suspensão do IPI, prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002, nas saídas de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, de estabelecimento equiparado a industrial. A lei prevê o benefício fiscal somente aos estabelecimentos industriais. Interpretação literal da Lei por força do que dispõe o art. 111 do CTN. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2004 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 08 24 /2 00 8- 26 Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 3 2 Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra Acórdão nº 3301001.821, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, pelo voto de qualidade, deu provimento parcial ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2004 PRODUTOS. IMPORTAÇÃO. SAÍDAS. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. A suspensão do IPI nas saídas de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem importados diretamente pelo vendedor para adquirentes que industrializam produtos classificados nos capítulos, códigos e posições da TIPI, expressamente elencados em lei, beneficia apenas os estabelecimentos industriais, de fato, fabricantes dos bens, excluídos os equiparados, salvo exceções previstas na lei. VALORES LANÇADOS. APURAÇÃO. ERRO. RETIFICAÇÃO. A retificação dos valores lançados está condicionada à apresentação de documentos fiscais e contábeis, inclusive demonstrativo, comprovando erro na apuração daqueles valores. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 4 3 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. NOTA FISCAL. IMPOSTO. LANÇAMENTO. MULTA. A falta de lançamento do valor do imposto na respectiva nota fiscal de saída dos produtos do estabelecimento industrial e/ ou equiparado enseja o lançamento de oficio de multa, nos termos da legislação tributária vigente. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. A exigência de juros de mora sobre a multa de ofício somente é cabível se aquela não for paga depois de decorridos 30 (trinta) dias da ciência do sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Fiscal contra o r. acórdão que determinou que os juros de mora incidam sobre a multa de ofício após o trigésimo dia da ciência da decisão administrativa definitiva. Traz a Fazenda Nacional, entre outros, que: · A multa de ofício foi aplicada com fundamento no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/2007; · Os juros de mora incidentes sobre os valores correspondentes à multa de ofício encontram amparo no art. 61, § 3º, da Lei 9.430/96; · O art. 61, caput, e seu § 3º da Lei 9.430/96 utilizam, respectivamente, as expressões “débitos para com a União” e “débitos a que se refere este artigo”. Assim, é importante definir a que “débitos” se referem o art. 61, caput, e seu § 3º do mencionado diploma legal; · Com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, surge o direito subjetivo público do sujeito ativo a receber o crédito tributário e o respectivo dever do sujeito passivo (devedor) de pagálo no prazo previsto na legislação específica; se não pago o tributo no prazo estipulado legalmente, o Fisco efetuará o lançamento do crédito tributário, expressão que abrange o tributo e os acréscimos legais multa e juros; · A Lei 9.430/96 dispôs de modo diverso do § 1º do art. 161 do CTN e expressamente mandou aplicar aos créditos tributários da União a “taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”, que é a taxa SELIC. Requer, assim, que a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício devese dar desde a ciência da decisão administrativa. Em Despacho às fls. 394 a 396, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 5 4 Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão que consignou o entendimento de que a saída de produtos com suspensão de IPI, nas hipóteses previstas em lei, só é aplicável a estabelecimento industrial, não alcançando o produto saído de estabelecimento equiparado a industrial. Traz o sujeito passivo, entre outros, que: · A equiparação do estabelecimento a industrial decorre de expressa disposição de lei e não pode ser restringida, quanto mais por ato infralegal; · Em não havendo exceção expressa em lei, não pode haver tratamento discriminatório entre o “estabelecimento industrial” e o “equiparado à industrial”, pois a regra genérica da equiparação é “para todos os efeitos da Lei”, atribuindo ao importador e ao industrial os mesmos direitos e obrigações em relação ao IPI; · A Lei 4.502/64, que é a regra matriz de incidência do IPI, além de definir o que se deve entender por “estabelecimento produtor” (art. 3º), estabeleceu no seu art. 4º regra específica de equiparação. Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela Fazenda foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: · A taxa SELIC tem o objetivo de remunerar, diante do atraso, receita sempre esperada pela Fazenda Pública, daí a sua vocação para incidir unicamente sobre o tributo (principal), e não sobre a multa que nunca é esperada; · A SELIC nunca incide sobre a multa de mora, e de forma coerente, nunca poderá incidir sobre a multa de ofício. Em Despacho às fls. 536 a 538, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que expôs, entre outros, que se deve negar seguimento ao recurso especial manejado, diante da ausência de demonstração da divergência na interpretação da legislação tributária e, no mérito, que seja negado provimento ao citado recurso. Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 6 5 É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise dos recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlos, eis que atendidos os pressupostos de admissibilidade constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. No que tange ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, é de se considerar que traz discussão acerca da decisão dada no acórdão recorrido – qual seja, de que a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício somente é cabível se aquela não for paga depois de decorridos 30 dias da ciência do sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário. Traz discussão acerca do termo inicial para a aplicação da taxa Selic sobre a multa de ofício, requerendo que seu recurso seja provido para que a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício se dê desde a ciência da decisão administrativa. Para tanto, indica como paradigma acórdãos: · 910100.539: ü Ementa: “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” ü No voto do acórdão consta: “A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União”. · 10516.698: Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 7 6 ü Ementa: “MULTA DE OFÍCIO JUROS MORATÓRIOS Na execução das decisões administrativas, os juros de mora à taxa Selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação.” Vêse, então, que foi comprovada a divergência jurisprudencial quanto ao termo inicial para a aplicação da taxa Selic sobre a multa de ofício, eis que no acórdão recorrido entendeuse que seria depois de decorridos 30 dias da ciência do sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário; enquanto nos acórdãos paradigmas, a partir do vencimento do prazo para a impugnação. Sendo assim, é de se conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. No que tange ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo que ressurgiu com a discussão acerca da suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei 10.637/02 se seria aplicável a estabelecimento equiparado a industrial, importante mencionar que a divergência de jurisprudência foi comprovada. Eis que restou consignado o seguinte entendimento no acórdão recorrido: “PRODUTOS. IMPORTAÇÃO. SAÍDAS. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. A suspensão do IPI nas saídas de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem importados diretamente pelo vendedor para adquirentes que industrializam produtos classificados nos capítulos, códigos e posições da TIPI, expressamente elencados em lei, beneficia apenas os estabelecimentos industriais, de fato, fabricantes dos bens, excluídos os equiparados, salvo exceções previstas na lei. [...]” Sendo assim, o colegiado do acórdão recorrido entendeu que a saída de produtos com suspensão de IPI, nas hipóteses previstas em lei, só é aplicável a estabelecimento industrial, não alcançando o produto saído de estabelecimento equiparado a industrial. Enquanto em um dos acórdãos indicados como paradigma, entendeuse que a o instituto de Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 8 7 suspensão do IPI sempre alcançou os estabelecimentos equiparados a industrial. O que resta, por conseguinte, comprovada a divergência jurisprudencial. Em vista do exposto, entendo que o recurso especial interposto pelo sujeito passivo deve ser conhecido. Passadas tais considerações, passo a analisar a lide posta pela Fazenda Nacional – termo inicial para a aplicação dos juros Selic sobre a multa de ofício. A priori, é de se destacar que a Fazenda Nacional requer em seu Recurso Especial que o termo inicial para a aplicação dos juros sobre a multa de ofício se dê a partir da decisão administrativa, e não a partir do vencimento do prazo para a impugnação – tal como exposto nos acórdãos paradigmas e também não depois de decorridos 30 dias da ciência do sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário – tal como exposto no acórdão recorrido. O que, já antecipo que, independentemente de entender que não cabe juros Selic sobre a multa de ofício, considerando que essa Conselheira deve trazer somente a matéria que foi conhecida em recurso – qual seja, discussão acerca do termo inicial da aplicação dos juros, entendo que não assiste razão à Fazenda Nacional. Eis que não seria aplicável no presente caso juros Selic sobre a multa de ofício a partir da decisão administrativa. Se entendesse cabível os juros Selic sobre a multa de ofício, refletiria o entendimento de que os juros deveriam se dar a partir do 30º dia contadas da ciência do auto de infração, vez que tais juros vedem incidir a partir da constituição em mora do devedor. Efetivamente, no caso de multa de ofício, que tem como fato gerador o lançamento de ofício, somente há a constituição em mora após decorridos 30 dias da ciência do auto de infração. Frisese tal entendimento do termo inicial as Súmulas CARF nºs 4 e 5 reproduzidas a seguir: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 9 8 “Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. ” Dessa forma, sendo a data de vencimento da multa de ofício o 30º dia contados da data da ciência do auto de infração, entendo que a partir dessa data é que caracterizaria a mora do devedor, restando considerála como termo inicial, e não a partir da data da decisão administrativa tal como requer a Fazenda Nacional. Importante considerar, nesse caso, o pedido expresso da Fazenda Nacional, o que entendo que essa Conselheira não poderia abranger indiretamente pedido não compreendido no “pedido” constante do recurso interposto pela Fazenda Nacional, eis que o pedido deve ser “certo”, nos termos do art. 322 do CPC/15. Em vista de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. No que tange ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo que ressurgiu com a discussão acerca da suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei 10.637/02 se seria aplicável a estabelecimento equiparado a industrial, entendo que assiste razão ao sujeito passivo. Importante recordar a priori que o sujeito passivo exerce a atividade de importação e fabricação de ‘bolsas plásticas especialmente preparadas para a indústria alimentícia’, produto que exige rigoroso processo de higienização, assepsia e esterilização em razão da finalidade em que é empregado, o que a coloca como estabelecimento industrial por equiparação. O art. 4º do Decreto 4.544/02 – vigente à época traz: “Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 10 9 II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados.” Sendo assim, considerando que exerce rigoroso processo de higienização, assepsia e esterilização nas bolsas plásticas importadas, é de se considerar que exerce atividade de industrialização passível de fruição da suspensão de IPI, eis que somente com esses procedimentos o produto poderia ser efetivamente utilizado para consumo e ser vendido com tal finalidade. Ademais, vêse que a Lei 4.502/64 definir o que deve se entender por “estabelecimento produtor” (art. 3º), trazendo em seu art. 4º regra específica de equiparação, in verbis: “Art . 4º Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: I os importadores e os arrematantes de produtos de procedência estrangeira; [...]” Tal dispositivo é abrangente ao dispor que a equiparação deve valer “para todos os efeitos” da lei do IPI. A equiparação a industrial teve a finalidade de colocar os distintos estabelecimentos na mesma condição, no mesmo patamar, sujeitandose às mesmas obrigações e adotando os mesmos procedimentos previstos na legislação do IPI. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 11 10 Não há que se falar em tratamento discriminatório entre os produtos de fabricação nacional e os importados, no tocante ao IPI. É isso que faz a Lei 4.502/64 ao equiparar o importador a estabelecimento industrial. Cumprindo esse indicativo da Lei 4.504, vêse que no art. 29 da Lei nº 10.637/02 assegurouse idêntico tratamento de suspensão do IPI, inclusive na importação direta desses insumos pelos estabelecimentos industriais que fabricam os produtos ali contemplados – tal como ocorre com o ramo da indústria alimentícia segmento praticado pela ora Recorrente. Frisese dispositivo: § 4º. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, importados diretamente por estabelecimento de que tratam o caput e o § 1º serão desembaraçados com suspensão do IPI. Tal dispositivo traz que o benefício da “suspensão do IPI” não é restrito para o produto de fabricação nacional, alcançando também o insumo importado. O que, por conseguinte, não há razão na pretensão da autoridade fazendária em exigir o destaque do IPI na saída de insumo importado para uma indústria alimentícia, com base na mesma lei que autoriza o desembaraço dos mesmos insumos sem incidência de IPI, na hipótese de importação direta pela mesma indústria alimentícia. Dessa forma, considero que a Instrução Normativa nº 296, de 2003, especificamente o art. 23 é de discutível legalidade: “Art. 23. O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica: I [...] II a estabelecimento equiparado a industrial, salvo quando se tratar da hipótese de equiparação prevista no art. 4º.” Eis que restringe dispositivo de lei que trata de equiparação industrial, em confronto aos ditames do art. 100 do CTN. Em vista de todo o exposto, conheço dos recursos especiais interpostos: Pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento; Pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 12 11 É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da Ilustre Relatora, mas penso que a matéria deve ser tratada de modo diferente tanto em relação ao entendimento dado por ela ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, quanto ao do Contribuinte. Quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, aplicada ao crédito tributário não liquidado, no vencimento estabelecido nas normas tributárias, a Fazenda Nacional defende sua incidência desde a data do vencimento estabelecida no auto de infração e não a partir do trigésimo dia depois da data de intimação do contribuinte sobre a decisão administrativa definitiva, conforme decidiu a Câmara Baixa. De acordo com o art. 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão cobrados à taxa de 1% ao mês. De forma que o art 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que, a partir de janeiro/97, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa Selic quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que os débitos a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. O art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, parágrafo primeiro, do mesmo diploma Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 13 12 legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. A multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo somase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal, devendo incidir os juros à taxa Selic sobre a sua totalidade. Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Neste mesmo sentido, transcrevo abaixo algumas decisões da CSRF: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (CSRF, 3ª Turma, Processo nº 10835.001034/0016, Sessão de 15/08/2013, Acórdão nº 9303002400. Relator Joel Miyazaki). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (CSRF, 1ª Turma, Processo nº 13839.001516/200664, Sessão de 15/05/2013, Acórdão nº9101001657. Relator designado Valmir Sandri). Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 14 13 Em seu voto a relatora manifestou entendimento de que a Fazenda Nacional, em seu recurso especial, pede que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, dêse somente a partir da ciência da decisão administrativa definitiva e que não poderia ser dada uma decisão além do que não foi pedido. Na verdade, a Fazenda Nacional equivocouse no parágrafo final de seu recurso especial. Em todo o corpo do recurso, inclusive nos acórdãos paradigmas citados, ela sustenta que os juros de mora sobre a multa de ofício devem incidir desde a data de vencimento do auto de infração. Porém ao efetuar o pedido, equivocouse. Mas tratase de um erro manifesto evidente e a turma julgadora, por maioria, entendeu que o objeto do pedido estava claro no corpo do recurso. Sobretudo pelo fato de que fosse aquele o pedido não deveria haver recurso, pois foi exatamente o que concedeu a decisão recorrida. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, devendo os juros de mora incidirem sobre a multa de ofício desde a data do vencimento do auto de infração. Já em relação ao recurso do contribuinte, o litígio se refere à suspensão do IPI, prevista no art. 29 da Lei 10.637/02, nas operações realizadas por estabelecimento equiparado a industrial. A fiscalização entendeu que a suspensão de IPI prevista em tal dispositivo legal somente é aplicável para os estabelecimentos industriais e não aos equiparados a industrial. O contribuinte argumenta que essa restrição não existe na Lei e foi introduzida de forma ilegal pela IN SRF nº 296/2003. Entendo que não cabe razão ao contribuinte. A restrição está na própria Lei e referida instrução normativa só fez manifestar de forma clara o conteúdo que já estava prescrito na Lei. Nesse sentido, importante transcrever os atos normativos que tratam da referida suspensão: Lei nº 10.637, de 30/12/2002, conversão da MP nº 66, de 2002: “Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 15 14 inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. [...].” Decreto nº 4.544, de 26/12/2002, que aprovou o RIPI/2002: “Art. 44. Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do imposto: I as MP, PI e ME, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, 7 a 9, 11, 12, 15 a 20, 30 e 64, no código 2209.00.00, e nas posições 21.01 a 2105.00, da TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 31, e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 30); [...]. § 1º O disposto nos incisos I e II aplicase ao estabelecimento industrial cuja receita bruta decorrente dos produtos ali referidos, no anocalendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a sessenta por cento de sua receita bruta total no mesmo período (Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 31, § 2º). [...}. § 3º Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão (Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 31, § 7º): I – atender aos termos e às condições estabelecidas pela SRF (Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 31, § 7º, inciso I); e Cumpre destacar que já no dispositivo legal, acima transcrito, art. 29 da Lei 10.637/2002, estabeleceuse que o benefício fiscal da suspensão do IPI seria decorrente da saída de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens do estabelecimento industrial. Preliminarmente é importante ressaltar que regras de suspensão devem ter interpretação literal dos dispositivos legais nos termos do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 16 15 III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Na verdade a concessão de suspensão, isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Portanto resta cristalino que não cabe uma leitura abrangente do dispositivo legal como pretende a recorrente. A Lei concessiva da suspensão não estendeu o benefício para os estabelecimentos equiparados a industrial. A ilustre relatora, em seu voto, aborda suposto processo produtivo da contribuinte para com base no art. 4º do Decreto nº 4544/2002 (RIPI/2002) concluir que faria jus ao benefício da suspensão por realizar processo de industrialização nos insumos importados. Assim ela se manifesta: "considerando que exerce rigoroso processo de higienização, assepsia e esterilização nas bolsas plásticas importadas, é de se considerar que exerce atividade de industrialização passível de fruição da suspensão de IPI, eis que somente Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 17 16 com esses procedimentos o produto poderia ser efetivamente utilizado para consumo e ser vendido com tal finalidade". Com a devida venia, mas essa matéria não foi objeto do recurso especial do contribuinte. Não consta de seu recurso e nem poderia constar, pois não foi objeto da decisão recorrida, ou seja, não foi prequestionada. Diante do exposto voto por negar provimento ao recurso especial apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 568DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.723328/2012-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 2202-004.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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INTEMPESTIVIDADE. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 33 28 /2 01 2- 56 Fl. 407DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, no que couber, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC): DO LANÇAMENTO1 Tratase de Auto de Infração (AI) decorrente de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte, no qual foi apurado imposto de renda pessoa física no valor de R$ 26.609,67, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, cujo valor consolidado em 25/09/2012 corresponde a R$ 52.844,61, referente aos anos calendário 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011, conforme Auto de Infração e Demonstrativos às fls. 266 a 281. (...) Relata a autoridade de fiscal que o Instituto de Previdência do Estado de Santa Catarina (IPREV) enviou cópia de processos administrativos instaurados com o objetivo de apurar possíveis irregularidades na concessão de aposentadorias por invalidez de servidores da ALESC. No que concerne ao contribuinte a comissão daquela autarquia previdenciária descreveu que foi aposentado por invalidez no ano de 1982 por ser portador de cardiopatia grave (CID 412 + 413, revisão de 1965) e que reavaliado pela Junta Médica Oficial da Gerência de Perícia Médica da Secretaria da Administração do Estado de Santa Catarina, restou constatado que apenas apresenta limitações funcionais inerentes a sua idade, não restando comprovado o quadro incapacitante que originou a aposentadoria. Narra que a Presidência do IPREV suspendeu o benefício previdenciário, com remessa dos autos à ALESC para fins de revisão do ato de aposentadoria. A autoridade fiscal arrolou a legislação que trata dos requisitos para isenção do imposto de renda (Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988) e, diante dos fatos que indicaram não estar presente a moléstia grave apta ao benefício fiscal, foi solicitado à fonte pagadora (ALESC) cópia dos comprovantes de rendimentos nos anos aqui referidos, sobre os quais efetuou o lançamento fiscal, tendo considerado e deduzido no cálculo de apuração dos rendimentos tributáveis, a parcela isenta dos proventos de aposentadoria do contribuinte com 65 anos ou mais. DA IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação na data de 16 de janeiro de 2013, por intermédio de procurador (fls. 291 a 319), com documentos anexos (fls. 320 a 341). Em preliminar aponta a tempestividade da impugnação, ao argumento de que não recebeu a notificação pessoalmente, pelo que considera não válida, por Fl. 408DF CARF MF Processo nº 11516.723328/201256 Acórdão n.º 2202004.066 S2C2T2 Fl. 408 3 considerar ser a intimação nesta forma requisito essencial ao lançamento, citando o art. 15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, pelo que pugna pelo reconhecimento da tempestividade, bem como reabertura do prazo de trinta dias, considerandose como notificado a partir da apreciação da peça ora apresentada. Discorre sobre a aposentadoria, os fatos que levaram a apuração das irregularidades nos benefícios previdenciários dos servidores inativos da ALESC; considera hígida sua aposentadoria; discute aspectos relacionados à perícia médica, entre outros, propugnando pelo cancelamento da exigência fiscal, por entender ser portador da moléstia grave. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), não conheceu da Impugnação em razão da sua intempestividade. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2007, 2008, 2009, 2010, 2011 FORMAS DE INTIMAÇÃO. A Administração Tributária Federal pode se utilizar de quaisquer um dos meios de intimação na forma pessoal, postal ou eletrônica, sem ordem de preferência, ressalvado o meio editalício, quando resultarem improfícuas quaisquer das as anteriores. É válida a intimação do lançamento fiscal pela via postal ao sujeito passivo. IMPUGNAÇÃO. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar e será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.Apresentada peça de defesa após o trintídio, temse por não conhecida,limitando se o colegiado à apreciação da preliminar de tempestividade. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO. A impugnação apresentada intempestivamente não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. Fl. 409DF CARF MF 4 O contribuinte foi intimado da decisão em 19/07/2013 (AR fls. 352) e apresentou o Recurso Voluntário de fls. 359 em 07 de outubro de 2013, por meio do qual tece considerações sobre o mérito da questão sem impugnar a intempestividade reconhecida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso não merece ser conhecido em razão dos seguintes motivos. Em primeiro lugar, em razão da sua intempestividade. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. Conforme se verifica pelo Aviso de Recebimento (fls. 352) o domicílio do contribuinte constante da correspondência (Rua Luiz Oscar de Carvalho, 75, Ap. 21 BL A5, Trindade, Florianópolis SC) é exatamente o mesmo constante do cadastro da Receita Federal do Brasil conforme se verifica pelo documento de fls. 2. O contribuinte foi intimado da decisão em 19/07/2013 (AR fls. 352) e apresentou o Recurso Voluntário de fls. 359 em 07/10/2013 o que demonstra sua intempestividade. De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." Diante do exposto, não conheço do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 410DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912115/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/10/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.829
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-08-11T20:28:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-08-11T20:28:19Z; Last-Modified: 2017-08-11T20:28:19Z; dcterms:modified: 2017-08-11T20:28:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-08-11T20:28:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-08-11T20:28:19Z; meta:save-date: 2017-08-11T20:28:19Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-08-11T20:28:19Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-08-11T20:28:19Z; created: 2017-08-11T20:28:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2017-08-11T20:28:19Z; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-08-11T20:28:19Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.912115/201271 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301003.829 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria Restituição. Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 21 15 /2 01 2- 71 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.912115/201271 Acórdão n.º 3301003.829 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.856, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912115/201271 Acórdão n.º 3301003.829 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912115/201271 Acórdão n.º 3301003.829 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912115/201271 Acórdão n.º 3301003.829 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912115/201271 Acórdão n.º 3301003.829 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912115/201271 Acórdão n.º 3301003.829 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912115/201271 Acórdão n.º 3301003.829 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912115/201271 Acórdão n.º 3301003.829 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 198DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.003688/2003-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Exercício: 2000
CRECHE. PRÉ-ESCOLA. ENSINO FUNDAMENTAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Não podem permanecer no Simples Federal as pessoas jurídicas que tenham se dedicado a atividades de creche, pré-escola e ensino fundamental que, optantes da sistemática antes de 25 de outubro de 2000, foram dela excluídas de ofício, com os efeitos desta exclusão fixados para terem lugar antes da edição da Lei no. 10.034, de 2000.
Numero da decisão: 1801-000.456
Decisão: ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do Relator
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2000 CRECHE. PRÉ-ESCOLA. ENSINO FUNDAMENTAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Não podem permanecer no Simples Federal as pessoas jurídicas que tenham se dedicado a atividades de creche, pré-escola e ensino fundamental que, optantes da sistemática antes de 25 de outubro de 2000, foram dela excluídas de ofício, com os efeitos desta exclusão fixados para terem lugar antes da edição da Lei no. 10.034, de 2000.
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ME. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2000 CRECHE. PRÉ-ESCOLA. ENSINO FUNDAMENTAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Não podem permanecer no Simples Federal as pessoas jurídicas que tenham se dedicado a atividades de creche, pré-escola e ensino fundamental que, optantes da sistemática antes de 25 de outubro de 2000, foram dela excluídas de ofício, com os efeitos desta exclusão fixados para terem lugar antes da edição da Lei no. 10.034, de 2000. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do Relator. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Editado em 25/01/2011. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 26/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmem Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Sandra Maria Dias Nunes e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra a decisão da 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Campinas/SP que, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade da interessada apresentada contra a decisão que concedeu, em parte, o seu pleito de (re)inclusão retroativa à 01/01/1999 na sistemática do Simples Federal, exarada pelo SEORT da DRF em Campinas/SP, deferindo-o, apenas, a partir de 01/01/2001. A interessada já havia sido excluída do Simples Federal, a partir de 01/03/1999, por meio do Ato Declaratório Executivo no. 115.103, de 2000, no âmbito de outros autos. Na manifestação de inconformidade apresentada contra o deferimento parcial do pleito a interessada alega que a Lei no. 10.034, de 2000, lhe garantiria o acesso à disputada sistemática tributária. Apreciando o litígio a DRJ/CPS, apoiando-se nas disposições da IN SRF no. 115, de 27 de dezembro de 2000, indeferiu o pleito. Cientificada, em 29/05/2008, do indeferimento de sua solicitação, como comprova o Aviso de Recebimento de fl. 81, apresenta, a contribuinte, em 24/06/2008, Recurso Voluntário em face deste Colegiado. Nas razões de defesa discorre extensamente sobre o princípio do tratamento tributário favorecido às micro e pequenas empresas, sobre a inconstitucionalidade das vedações ao ingresso no Simples, significado de empresa e empresário, significado de microempresa e empresa de pequeno porte, receita bruta anual, significado da expressão pessoa jurídica, para, ao final requerer a improcedência do ato de exclusão do simples, de 01/03/1999 a 31/12/2000. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Quanto às alegações de inconstitucionalidade do artigo 9 o . da Lei no. 9.317, de 1996, cumpre reproduzir a Súmula Carf no.02: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 26/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10830.003688/2003-11 Acórdão n.º 1801-00.456 S1-TE01 Fl. 101 3 Súmula CARF no. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Feitas estas considerações passa-se ao exame do mérito. E nesse contexto melhor sorte não socorre a recorrente. A autoridade julgadora, no pronunciamento de suas decisões, deve se pautar pelos ditames da legislação e, nesse sentido, como bem ressaltou a autoridade julgadora da DRJ em Campinas/SP, a IN SRF no. 115 de 2000, dispôs que somente ficaria assegurada a permanência no Simples de pessoas jurídicas que efetuassem a opção antes de 25 de outubro de 2000 e não fossem excluídas de ofício. Observe-se que as condições são cumulativas. No presente caso a recorrente efetuou a opção antes de 25 de outubro de 2000. Contudo, foi excluída da sistemática a partir de 01/03/1999 por meio do Ato Declaratório Executivo Declaratório Executivo no. 115.103, de 2000. Nesse contexto cumpre observar que os atos administrativos possuem eficácia e validade a partir do momento em que entram em vigor, produzindo efeitos jurídicos imediatos a partir de sua vigência até que outro ato administrativo o revogue, se for o caso. Portanto, in casu, a partir da vigência do ADE de exclusão a empresa foi excluída da sistemática, e se encontrava nessa condição, de excluída, por ocasião da interposição dos competentes recursos, razão pela qual devem ser respeitadas as disposições da IN SRF no. 115, de 2000. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 25 de janeiro de 2011. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 26/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002566/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE.
Não estando a fiscalização de posse de todas as informações necessárias à apuração dos tributos devidos e pagos a maior, e de outras informações necessárias ao convencimento da autoridade tributária de que não há dívidas com o fisco em aberto, não deve a fiscalização devolver o montante alegado pelo contribuinte. E dever de quem solicita a restituição apresentar todos os documentos necessários à comprovação do direito alegado.
Numero da decisão: 3201-000.862
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Judith Amaral Marcondes Armando
1.0 = *:*
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ementa_s : Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. Não estando a fiscalização de posse de todas as informações necessárias à apuração dos tributos devidos e pagos a maior, e de outras informações necessárias ao convencimento da autoridade tributária de que não há dívidas com o fisco em aberto, não deve a fiscalização devolver o montante alegado pelo contribuinte. E dever de quem solicita a restituição apresentar todos os documentos necessários à comprovação do direito alegado.
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Numero do processo: 11060.002300/2006-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004
COFINS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA.
É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados.
Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições.
Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016).
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 28/01/2002 a 31/12/2004
PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA.
É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados.
Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições.
Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016).
Numero da decisão: 3401-003.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Sustentou novamente pela recorrente, em função de alteração do colegiado, o advogado Amílcar Barca Teixeira Júnior, OAB/DF no 10.328.
ROSALDO TREVISAN Presidente.
ANDRÉ HENRIQUE LEMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Cleber Magalhães, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator), Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 COFINS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados. Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições. Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/01/2002 a 31/12/2004 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados. Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições. Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-08-27T21:52:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-08-27T21:52:01Z; Last-Modified: 2017-08-27T21:52:01Z; dcterms:modified: 2017-08-27T21:52:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:13734e3a-62af-4001-8222-6d2e185416c0; Last-Save-Date: 2017-08-27T21:52:01Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-08-27T21:52:01Z; meta:save-date: 2017-08-27T21:52:01Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-08-27T21:52:01Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-08-27T21:52:01Z; created: 2017-08-27T21:52:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2017-08-27T21:52:01Z; pdf:charsPerPage: 1962; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-08-27T21:52:01Z | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 496 1 495 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.002300/200639 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.817 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria PISCOFINS Recorrente COOPERATIVA DE CRÉDITO DE LIVRE ADMISSÃO DE ASSOCIADO VALE DO SOTURNO SICREDI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 COFINS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados. Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições. Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 28/01/2002 a 31/12/2004 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 23 00 /2 00 6- 39 Fl. 507DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 497 2 Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições. Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Sustentou novamente pela recorrente, em função de alteração do colegiado, o advogado Amílcar Barca Teixeira Júnior, OAB/DF no 10.328. ROSALDO TREVISAN – Presidente. ANDRÉ HENRIQUE LEMOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Cleber Magalhães, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator), Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário, cujo nascedouro da relação jurídicotributária se deu por meio de autos de infração de PIS e COFINS, em razão de a Recorrente ter excluído da base de cálculo das referidas contribuições, as receitas decorrentes dos atos praticados com seus associados (atos cooperativos), referente ao período de apuração de 01/01/2002 a 31/12/2004, e sobre tal lançamento, incidiu ainda, a multa de ofício de 75%. A Recorrente apresentou impugnações para ambas autuações (COFINS, fls. 200239 e para o PIS, fls. 240282), pedindo a insubsistência dos lançamentos, principalmente porque os ingressos decorrentes do ato cooperativo NÃO geram receita ou faturamento para si, posto que goza de nãoincidência sobre os atos cooperativos, devendo pagar tais contribuições sobre o faturamento oriundo da prestação de serviços a terceiros não cooperados. Alternativamente, requereu a exclusão da base de cálculo apurada as despesas de captação na forma da planilha Anexa a IN/SRF 247/02. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 498 3 Às fls. 410422, sobreveio decisão da DRJ de Santa Maria/RS, a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente os lançamentos da COFINS e do PIS, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 COOPERATIVAS DE CRÉDITO. BASE DE CALCULO. A base de cálculo para as cooperativas de crédito corresponde à totalidade das receitas, com as exclusões admitidas na legislação para as instituições financeiras. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 COOPERATIVAS DE CRÉDITO. BASE DE CALCULO. A base de cálculo para as cooperativas de crédito corresponde à totalidade das receitas, com as exclusões admitidas na legislação para as instituições financeiras. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PRELIMINAR. INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade de atos legais regularmente editados é privativa do Poder Judiciário. Lançamento Procedente. A contribuinte desafiou o referido acórdão, por intermédio da interposição de recurso voluntário (fls. 430462), no qual praticamente repisou os argumentos expendidos em suas impugnações, acrescentando jurisprudências dos Tribunais Superiores (REsp. 591.298/MG; EDcl no RESp. 625.607/MG) e deste Tribunal (acórdãos 10516989; 10708906; 20307489 e 20178429), as quais vão ao encontro de seu entendimento pela não incidência da COFINS e do PIS para as sociedades cooperativas quanto ao ato cooperativo desenvolvido por estas configurando, na sua visão um "serviço para si próprio" , hipótese em que não gera faturamento para estas sociedades. Advoga a Recorrente que os lançamentos são insubsistentes, mormente porque os ingressos decorrentes do ato cooperativo não geram receita ou faturamento para si, posto que goza de nãoincidência sobre os atos cooperativos próprios, devendo pagar tais contribuições sobre o faturamento oriundo da prestação de serviços a terceiros não cooperados. Também defende que sobreveio a Lei 11.051/2004, cujo artigo 30 esclareceu o assunto, Lei esta, fruto de decisões judiciais do E. STJ, nos autos dos Recursos Especiais 388.921; 523.554 e 616.219 as quais reconheceram a não incidência do PIS e da COFINS sobre os ingressos oriundos dos atos cooperativos praticados por cooperativas aos seus cooperados , e por tal razão, esta seria interpretativa, e por conseguinte, aplicável de modo retroativo, cuja possibilidade encontra respaldo no art. 106, I, do CTN. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 499 4 Por fim, alternativamente, argui sobre deduções permitidas, dizendo que a fiscalização não observara a legislação tributável aplicável às cooperativas de crédito, posto que, na qualidade de instituição financeira, tem o direito de efetuar deduções com despesas incorridas nas operações de intermediação financeira, inicialmente por meio do artigo 2o da MP 1.807/99, posteriormente pela MP 2.15825/01 (dando nova redação ao § 6°, do artigo 3o, da Lei 9.718/98), o que depois, por intermédio da reedição da MP 1.8587/99, novas alterações trataram da matéria. Ainda neste tópico, disse que o Decreto 4.524/02, dispôs sobre as duas contribuições objeto dos lançamentos e que foram normatizadas pela IN/SRF 247/02, sendo que, esta, em seu artigo 26, permitiu que as cooperativas de crédito deduzissem as despesas incorridas nas operações de intermediação financeira para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, dentre outras, dedução das despesas de captação (Cosif 8.1.1.00.008). Disse que a fiscalização não observou/considerou esta despesa (custo de captação dos recursos), apurando uma base de cálculo superior a legalmente admitida e arremata na fl. 238: Desta forma, a base de cálculo (se não considerarmos a exclusão do ato cooperativo) deve ser a seguinte: Faturamento/Receita bruta (—) Reversão de Provisões/Recebimento de Créditos em Prejuízo (—) Despesas de Captação ( ) Demais despesas legalmente permitidas (=) Base de cálculo do PIS e da COFINS Diante disso, pediu a declaração da insubsistência da autuação. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos, relator A ciência do acórdão da DRJ foi recebido em 02/10/2008 (fl. 429), sendo o recurso voluntário interposto dia 30/10/2009 (fl. 430), portanto, tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A celeuma encaminhada para este E. Tribunal diz respeito a 2 (dois) autos de infração, um de PIS e outro da COFINS, por ter a Recorrente excluído da base de cálculo das referidas contribuições, as receitas decorrentes dos atos praticados com seus associados (atos cooperativos), referente ao período de apuração de 01/01/2002 a 31/12/2004, e sobre tal lançamento, incidiu ainda, a multa de ofício de 75%. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 500 5 Como se viu, a Recorrente defende a insubsistência dos autos de infrações, centrandose basicamente: 1) Que os ingressos oriundos do ato cooperativo não geram receita ou faturamento, passíveis de serem tributados pelo PIS e COFINS, vez que a Recorrente goza de nãoincidência sobre tais atos cooperativos próprios. 2) Que em razão de vários precedentes do STJ (Recursos Especiais 388.921; 523.554 e 616.219), os quais reconheceram a nãoincidência do PIS e da COFINS sobre os ingressos resultantes dos atos cooperativos praticados por cooperativas aos seus cooperados (próprios), criouse a Lei 11.051/2004, portanto, uma Lei interpretativa que, em seu artigo 30, esclareceu o assunto, e sendo interpretativa, sua aplicação é retroativa, conforme artigo 106, I do CTN. 3) Alternativamente, disse ter direito de efetuar deduções com despesas incorridas nas operações de intermediação financeira, nos termos artigo 2o da MP 1.807/99, posteriormente pela MP 2.15825/01 (a qual deu nova redação ao § 6°, do artigo 3o, da Lei 9.718/98), e que depois, por meio da reedição da MP 1.8587/99, novas alterações trataram da matéria. Finalizou seu recurso dizendo que o Decreto 4.524/02, dispôs sobre as duas contribuições objeto dos lançamentos e que foram normatizadas pela IN/SRF 247/02, sendo que, em seu artigo 26, permitiu às cooperativas de crédito deduzirem as despesas incorridas nas operações de intermediação financeira para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, dentre outras, dedução das despesas de captação (Cosif 8.1.1.00.008). Pois bem, como se viu do relatório e se verá ao longo do presente voto, a matéria é rica tanto em normatização Constituição Federal, Lei Ordinária, Medidas Provisórias, Decreto, Instrução Normativa, Resolução BACEN e Resolução do Conselho Federal de Contabilidade , quanto na doutrina, como também, nas decisões judiciais e/ou administrativa, demandando muitas reflexões até que se pudesse trazer algo conciso, porém com conteúdo para este Colegiado e às partes. Em meio a este arcabouço, temse como missão primeira decidir se em atos cooperativos praticados pela Recorrente em prol de seus associados ou seja, em atos cooperativos próprios, típicos (numa relação interna entre a Cooperativa e seus associados, repetese) , geraria receita ou mero ingresso passível de tributação ou não do PIS e da COFINS. Em segundo, se a Lei 11.051/2004 tem aplicação retroativa. E, por fim, em terceiro, e alternativamente, se seriam dedutíveis das bases de cálculo do PIS e da COFINS, as despesas de captação (custo de captação dos recursos). Tentando decifrar o assunto, se começará a analisar as fontes normativas sobre as sociedades cooperativas, passando pelas decisões judiciais (STJ e STF) e administrativas (CARF); o mesmo método se fará com o chamado ato cooperativo, e ao final, se analisará a presente casuística, qual seja, uma Cooperativa de Crédito. I. DAS SOCIEDADES COOPERATIVAS NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO Fl. 511DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 501 6 As sociedades cooperativas são reguladas pela Lei 5.764/71, recepcionada pela Constituição Federal com força de lei complementar, havendo incentivo à criação de sociedades cooperativas, nos termos dos artigos 5o, XVIII, 146, III, "c", 170 e 174, § 2°: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XVIII a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. § 2º A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo. Como é de sabido as sociedades cooperativas possuem forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil não sujeitas à falência e são constituídas para prestar serviços aos seus associados, como preceitua o artigo 4o da Lei 5.764/71. Tais sociedades são formadas por grupos de pessoas com o intuito de cooperar entre si, visando o proveito comum e sem fins lucrativos (artigo 3o da Lei 5.764/71), cujas sobras voltam, direta ou indiretamente para quem gerou a fonte de receita. Portanto, com estas brevíssimas considerações, percebese a singularidade desta espécie de sociedade, o que a diferencia, digase de passagem, das sociedades comerciais, por exemplo. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 502 7 II. DO ATO COOPERATIVO. A DIFERENÇA ENTRE ESTE E UMA ATIVIDADE EMPRESARIAL E SUAS CONSEQUÊNCIAS PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO DO PIS E DA COFINS O conceito de ato cooperativo, por seu turno, encontra arrimo no artigo 79 da Lei 5.764/71: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Vêse que o chamado ato cooperativo é aquele praticado entre a cooperativa e seus associados, ou seja, atos "típicos", "diretos","internos", conforme dicção do caput do artigo 79 acima, estes, não implicando operação e mercado, leiase, ato de mercancia, assim entendido, uma mudança de titularidade de um bem (material ou imaterial) a um terceiro não associado, de acordo com a exegese do parágrafo único, do mesmo dispositivo legal. Entrementes, esta disposição não é isentiva, mas declaratória da nãoincidência, como, precisamente, nos ensina o professor Renato Lopes Becho, in RDDT 41/85. Deste modo, se a Cooperativa presta um serviço para si mesma, ou melhor dizendo, para seus associados, não há se falar em faturamento1 ou receita típica para fins de incidência do PIS e da COFINS. Haverá prestação de serviços quando houver uma obrigação de fazer, um facere para um terceiro neste caso, um terceiro tomador dos serviços, não associado da cooperativa , que, no caso, não há, repetese. A Lei 5.764/71 esclarece que ato praticado por cooperativos a terceiros não associados é renda tributável: Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento 1 Faturamento é o conjunto de faturas emitidas, a soma dos contratos de venda (de mercadoria e/ou serviço, por exemplo), logo, a cooperativa não realizando contratos de venda não haverá incidência do PIS e da COFINS (Renato Lopes Becho, Na Tributação das Cooperativas, Dialética, 1999). Noutro falar, somente haveria a incidência das referidas contribuições, caso a cooperativa prestasse serviço para um terceiro não associado, cujo auferimento seria oriundo de "receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza". Fl. 513DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 503 8 de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar. Por outro lado, a Resolução CFC 920/2001, aprovou a Norma Brasileira de Contabilidade NBC T 10 Dos Aspectos Contábeis Específicos em Entidades Diversas Entidades Cooperativas NBC T 10.8, merecendo destaques: 10.8.1.2 – Entidades Cooperativas são aquelas que exercem as atividades na forma de lei específica, por meio de atos cooperativos, que se traduzem na prestação de serviços diretos aos seus associados, sem objetivo de lucro, para obterem em comum melhores resultados para cada um deles em particular. Identificamse de acordo com o objeto ou pela natureza das atividades desenvolvidas por elas, ou por seus associados. 10.8.1.4 – A movimentação econômicofinanceira decorrente do ato cooperativo, na forma disposta no estatuto social, é definida contabilmente como ingressos e dispêndios (conforme definido em lei). Aquela originada do ato nãocooperativo é definida como receitas, custos e despesas. Já o Poder Judiciário, por seu turno, seja pelo STJ (AgRg no Ag 1.418.104/MG, DJe 14/09/2015; EDcl no REsp. 1.382.587/ES, DJe 04/08/2015; AgRg no AREsp. 674.512/SP, DJe 18/05/2015; REsp. 600.458/MG, DJe 17/04/2015), seja por meio do STF (RE 598.085/RJ; RE 599.362/RJ, estes julgados no mérito de repercussão geral, temas 177 e 323, respectivamente), entenderam de maneira pacificada que os atos praticados por cooperativa com terceiros não se inserem no conceito de atos cooperativos, revelandose uma atividade empresarial típica (escusas pela repetição desta expressão, também usada para ato cooperativo, porém, de toda proposital, convencido que são atividades típicas, contudo, diversas, cada qual para seus respectivos segmentos), cuja receita auferida está no campo de incidência do PIS e da COFINS. Logo, por exclusão, não há incidência das contribuições nos atos cooperativos. De acordo com o artigo 62, § 2° do RICARF2, diante de decisões de definitivas de mérito em repercussão geral proferidas pelo STF e de repetitivos pelo STJ, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, portanto, seguem as ementas dos RE 598.085/RJ (DJe 10/02/2015, votação unânime) e 599.362/RJ (DJe 10/02/2015, votação unânime), respectivamente: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTÁRIO. ATO COOPERATIVO. COOPERATIVA DE 2 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 514DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 504 9 TRABALHO. SOCIEDADE COOPERATIVA PRESTADORA DE SERVIÇOS MÉDICOS. POSTO REALIZAR COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (NÃO COOPERADOS) VENDA DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS SUJEITASE À INCIDÊNCIA DA COFINS, PORQUANTO AUFERIR RECEITA BRUTA OU FATURAMENTO ATRAVÉS DESTES ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS. CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE “ATO NÃO COOPERATIVO” POR EXCLUSÃO, NO SENTIDO DE QUE SÃO TODOS OS ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (COOPERADOS), EX VI, PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS TOMADORAS DE SERVIÇO. POSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL (ISENÇÃO DA COFINS) PREVISTO NO INCISO I, DO ART. 6°, DA LC Nº 70/91, PELA MP Nº 1.8586 E REEDIÇÕES SEGUINTES, CONSOLIDADA NA ATUAL MP Nº 2.158 35. A LEI COMPLEMENTAR A QUE SE REFERE O ART. 146, III, “C”, DA CF/88, DETERMINANTE DO “ADEQUADO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO AO ATO COOPERATIVO”, AINDA NÃO FOI EDITADA. EX POSITIS, DOU PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. As contribuições ao PIS e à COFINS sujeitamse ao mesmo regime jurídico, porquanto aplicável a mesma ratio quanto à definição dos aspectos da hipótese de incidência, em especial o pessoal (sujeito passivo) e o quantitativo (base de cálculo e alíquota), a recomendar solução uniforme pelo colegiado. 2. O princípio da solidariedade social, o qual inspira todo o arcabouço de financiamento da seguridade social, à luz do art. 195 da CF/88, matriz constitucional da COFINS, é mandamental com relação a todo o sistema jurídico, a incidir também sobre as cooperativas. 3. O cooperativismo no texto constitucional logrou obter proteção e estímulo à formação de cooperativas, não como norma programática, mas como mandato constitucional, em especial nos arts. 146, III, c; 174, § 2°; 187, I e VI, e 47, § 7º, ADCT. O art. 146, c, CF/88, trata das limitações constitucionais ao poder de tributar, verdadeira regra de bloqueio, como corolário daquele, não se revelando norma imunitória, consoante já assentado pela Suprema Corte nos autos do RE 141.800, Relator Ministro Moreira Alves, 1ª Turma, DJ 03/10/1997. 4. O legislador ordinário de cada pessoa política poderá garantir a neutralidade tributária com a concessão de benefícios fiscais às cooperativas, tais como isenções, até que sobrevenha a lei complementar a que se refere o art. 146, III, c, CF/88. O benefício fiscal, previsto no inciso I do art. 6º da Lei Complementar nº 70/91, foi revogado pela Medida Provisória nº 1.858 e reedições seguintes, consolidada na atual Medida Provisória nº 2.158, tornandose tributáveis pela COFINS as Fl. 515DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 505 10 receitas auferidas pelas cooperativas (ADI 1/DF, Min. Relator Moreira Alves, DJ 16/06/1995). 5. A Lei nº 5.764/71, que define o regime jurídico das sociedades cooperativas e do ato cooperativo (artigos 79, 85, 86, 87, 88 e 111), e as leis ordinárias instituidoras de cada tributo, onde não conflitem com a ratio ora construída sobre o alcance, extensão e efetividade do art. 146, III, c, CF/88, possuem regular aplicação. 6. Acaso adotado o entendimento de que as cooperativas não possuem lucro ou faturamento quanto ao ato cooperativo praticado com terceiros não associados (não cooperados), inexistindo imunidade tributária, haveria violação a determinação constitucional de que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, ex vi, art. 195, I, b, da CF/88, seria violada. 7. Consectariamente, atos cooperativos próprios ou internos são aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados) na busca dos seus objetivos institucionais. 8. A Suprema Corte, por ocasião do julgamento dos recursos extraordinários 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 15082006, e 346.084/PR, Relator Min. ILMAR GALVÃO, Relator p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 01092006, assentou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços. 9. Recurso extraordinário interposto pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), com fulcro no art. 102, III, “a”, da Constituição Federal de 1988, em face de acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, verbis: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COOPERATIVA. LEI Nº. 5.764/71. COFINS. MP N°. 1.858/99. LEI 9.718/98, ART. 3°, § 1° (INCONSTITUCIONALIDADE). NÃOINCIDÊNCIA DA COFINS SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS. 1. A Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998 (DOU de 16/12/1998) não tem força para legitimar o texto do art. 3°, § 1°, da Lei nº. 9.718/98, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação, em 28 de novembro de 1998. 2. É inconstitucional o § 1° do artigo 3º da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RREE. 357.950/RS, 346.084/PR, 358.273/RS e 390.840/MG) 3. Prevalece, no confronto com a Lei nº. 9718/98, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins o disposto no art. 2° da Lei n° 70/91, que considera faturamento somente a receita bruta das vendas de mercadorias, de Fl. 516DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 506 11 mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. 4. Os atos cooperativos (Lei nº. 5.764/71 art. 79) não geram receita nem faturamento para as sociedades cooperativas. Não compõem, portanto, o fato imponível para incidência da Cofins. (grifei). 5. Em se tratando de mandado de segurança, não são devidos honorários de advogado. Aplicação das Súmulas 512 do STF e 105 do STJ. 6. Apelação provida. (fls. 120/121). 10. A natureza jurídica dos valores recebidos pelas cooperativas e provenientes não de seus cooperados, mas de terceiros tomadores dos serviços ou adquirentes das mercadorias vendidas e a incidência da COFINS, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”, são temas que se encontram sujeitos à repercussão geral nos recursos: RE 597.315RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 02/02/2012, Dje 22/02/2012, RE 672.215RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 29/03/2012, Dje 27/04/2012, e RE 599.362RG, Relator Min. DIAS TOFFOLI, Dje13122010, notadamente acerca da controvérsia atinente à possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.15833, originariamente editada sob o nº 1.8586, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de 1998. 11. Ex positis, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a incidência da COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela recorrida com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. Ressalvo, ainda, a manutenção do acórdão recorrido naquilo que declarou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta. Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 507 12 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela Fl. 518DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 508 13 impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração. Cumpre informar ainda, no toada do artigo 62, § 2° do RICARF, citado acima, duas decisões do E. STJ, ambas de 2016, as quais, em sede de recurso representativo de controvérsia, também se manifestaram sobre o tema: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 124), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O Parecer do douto Ministério Público Federal é pelo provimento parcial do Recurso Especial. 5. Recurso Especial parcialmente provido para excluir o PIS e a COFINS sobre os atos cooperativos típicos e permitir a compensação tributária após o trânsito em julgado. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 509 14 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. (REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). Diante disso, reduzindose o raciocínio à simplicidade, temse o ponto de corte: ato cooperativo é aquele prestado pela cooperativa em prol de seus associados, por conseguinte, não mercancia, logo, nãoincidência de PIS e da COFINS. Prestação de serviços da cooperativa para terceiros não associados não é ato cooperativo, é uma atividade empresarial, portanto, receita tributável para fins das citadas contribuições. Dispositivo Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário para reformar a decisão recorrida, cancelando os autos de infração. André Henrique Lemos Fl. 520DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 510 15 Fl. 521DF CARF MF
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