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Numero do processo: 13609.001603/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. AUSÊNCIA DE FRAUDE.
A compensação indevida, sem a ocorrência de fraude, deixou de ser apenada com a multa isolada do art. 18 da Lei nº 10.833/03, que passou a prever a penalidade para a situação de compensação não homologada e compensação considerada não declarada, ambas quando acometidas de prática fraudulenta.
MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. AUSÊNCIA DE FRAUDE.
A compensação considerada não declarada, sem a ocorrência de fraude, somente comporta a multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.8333/03 a partir da produção de efeitos da alteração promovida pela Lei nº 11.196/05, em 14/10/2005.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA OU CONSIDERADA NÃO DECLARADA. INFRAÇÕES. E PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA.
No caso de compensação indevida ou considerada não declarada, faz-se necessária a aplicação da retroatividade benigna prevista pelo art. 106 do CTN, para submeter às alterações promovidas pelos dispositivos de Lei que deixaram de prever a incidência da multa isolada de 75%.
MULTA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. APLICAÇÃO EM DOBRO. IMPROCEDÊNCIA.
A qualificação da multa isolada aplicada por compensação indevida somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste, o dolo por parte da contribuinte, condição imposta pela lei. Não estando comprovado com elementos contundentes o intuito de fraude, deve ser afastada a aplicação da multa qualificada. A aplicação da multa não dobrada encontra tipificação, à época dos fatos, no art. 18, §4º, I, da Lei 10.833/2003.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO EM ATRASO. MULTA E JUROS MORATÓRIOS DEVIDOS.
Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação.
Aplicação dos arts. 28 da IN SRF nº 460/2002 (e alterações posteriores) e o art. 61 da Lei nº 9.430/96.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
PROCEDIMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Legítimas as exigências em procedimento fiscal conduzido nos termos da legislação tributária federal, mormente as informações e documentos necessários à conclusão dos trabalhos.
O Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário
Aplicação da Súmula Carf nº 2.
Numero da decisão: 3201-004.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para cancelar as exigências referentes às Dcomps transmitidas antes de 14/10/2005.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade) e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. AUSÊNCIA DE FRAUDE. A compensação indevida, sem a ocorrência de fraude, deixou de ser apenada com a multa isolada do art. 18 da Lei nº 10.833/03, que passou a prever a penalidade para a situação de compensação não homologada e compensação considerada não declarada, ambas quando acometidas de prática fraudulenta. MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. AUSÊNCIA DE FRAUDE. A compensação considerada não declarada, sem a ocorrência de fraude, somente comporta a multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.8333/03 a partir da produção de efeitos da alteração promovida pela Lei nº 11.196/05, em 14/10/2005. COMPENSAÇÃO INDEVIDA OU CONSIDERADA NÃO DECLARADA. INFRAÇÕES. E PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de compensação indevida ou considerada não declarada, fazse necessária a aplicação da retroatividade benigna prevista pelo art. 106 do CTN, para submeter às alterações promovidas pelos dispositivos de Lei que deixaram de prever a incidência da multa isolada de 75%. MULTA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. APLICAÇÃO EM DOBRO. IMPROCEDÊNCIA. A qualificação da multa isolada aplicada por compensação indevida somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste, o dolo por parte da contribuinte, condição imposta pela lei. Não estando comprovado com elementos contundentes o intuito de fraude, deve ser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 16 03 /2 00 9- 78 Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.551 2 afastada a aplicação da multa qualificada. A aplicação da multa não dobrada encontra tipificação, à época dos fatos, no art. 18, §4º, I, da Lei 10.833/2003. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO EM ATRASO. 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A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário Aplicação da Súmula Carf nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para cancelar as exigências referentes às Dcomps transmitidas antes de 14/10/2005. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Rodolfo Tsuboi Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.552 3 (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade) e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Referese o presente processo a auto de infração para a exigência multa isolada decorrente de compensação indevida. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório elaborado na Resolução nº 3202000.303, de 12/11/2014, que decidiu converter o julgamento em diligência, que transcrevo, a seguir: Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão da DRJ de Belo Horizonte, verbis: Lavrouse, contra a contribuinte acima qualificada, o auto de infração de fls. 315/320, para exigência de multa isolada no valor de R$ 21.412.613,33, decorrente de compensação indevida, relativa ao período de 31/01/2004 a 31/12/2005. Segundo a "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (fls. 317/318), constatouse, no curso do procedimento fiscal, a compensação indevida de valores em declaração prestada pelo sujeito passivo. O fundamento legal do lançamento está indicado à fl. 318. No Relatório de Auditoria Fiscal de folhas 307/314, a autoridade fiscal relata os procedimentos realizados e os fatos apurados, que podem ser assim sintetizados: . a fiscalização foi motivada por demanda interna e baseouse por Representação fiscal oriunda da SAFIS/DRF/Varginha noticiando sobre a utilização, por parte da empresa Embrasil — Empresa Brasileira Distribuidora Ltda., de créditos de terceiros na compensação de débitos próprios; . intimada a se manifestar a respeito dos PER/DCOMPs que apresentam créditos vinculados ao processo administrativo n° 10660.000339/200266, referente à empresa COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ LTDA, informou a contribuinte que os créditos foram adquiridos através de procedimento de cisão e incorporação e que a decisão proferida pela DRF/Varginha no citado processo, indeferindo os créditos, havia sido reformada pelo Conselho de Contribuintes; . intimada, ainda, a se manifestar sobre PER/DCOMP com crédito vinculado ao processo administrativo n° 10070.000778/200561, considerada não declarada por utilizar crédito de terceiro, informou a contribuinte que os créditos foram adquiridos da empresa PARADIESEL por cessão e assunção de pólo ativo na liquidação de sentença levada a efeito pela cedente nos autos do processo n° 96.00000042 da 5 a Vara da Justiça Federal de Belém do Pará; Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.553 4 . da análise da representação fiscal elaborada pela Auditora Fiscal da DRF/Varginha, verificase que o trabalho desenvolvido por ela na empresa Comercial Beneficiadora de Café demonstra que, na verdade, a cisão parcial foi uma manobra para encobrir a real operação: a cessão de créditos; . a representação fiscal enumera os vários indícios de fraude em relação à cisão parcial de 12 de dezembro de 2003: não foi encontrada, na escrituração contábil da empresa Comercial Beneficiadora de Café, a correta contabilização que corrobore o procedimento de cisão parcial; os livros Diários da empresa foram sendo autenticados à medida que a empresa era intimada a apresentálos; no protocolo de cisão há a redação expressa de que esses créditos foram transferidos para a Embrasil; praticamente a totalidade do patrimônio, que consiste no suposto direito a esses créditos, foi vertido sem receber "nada em troca", ainda mais quando se constata, na verdade, a existência de várias transferências on line de valores expressivos, documentalmente comprovadas; renúncia expressa, de forma irrevogável e irretratável, dos sócios da cindida ao direito de participação societária na Embrasil; • e em relação à cisão parcial de 10 de maio de 2005: não foi encontrada a correta contabilização do procedimento de cisão parcial; o livro Diário foi autenticado no órgão competente após a intimição para apresentação; diferença relevante de valores nas operações de admissão e retirada dos sócios da cindida na Embrasil, realizadas no mesmo dia e no mesmo ato; constatação de várias transferências on line de valores expressivos, documentalmente comprovadas, enviadas pela Embrasil para a conta corrente conjunta dos sócios da Comercial Beneficiadora de Café Ltda.; . segundo o PROTOCOLO DE CISÃO, de 12 de dezembro de 2003, as empresas expressamente declaram: "a cindida possui um crédito registrado em seu ativo referente a recolhimentos no período de dezembro de 1986 a abril de 1990 de tributo (.) e não tendo como a aproveitálo por intermédio próprio decidiu transferilo para a EMBRASIL e EMBRAEX ..."; . na alteração contratual n° 44 de 10 de maio de 2005 os sócios da COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ LTDA, ADRIANO FERREIRA SODRÉ e ALYSON CARVALHO ROCHA são admitidos como sócios da EMBRASIL e no mesmo ato, retiramse da sociedade transferindo aos sócios remanescentes a totalidade de suas cotas; . no PROTOCOLO/JUSTIFICATIVA DE CISÃO COMPLEMENTAR, de 10 de maio de 2005, consta a seguinte expressão "Os sócios da cindida renunciam expressamente ao direito de sua participação societária decorrente do procedimento de cisão anterior..."; . diferentemente da Cisão prescrita no art. 229 da Lei n° 6.404/1976, o que houve no caso presente demonstra um evidente intuito de através de um procedimento de cisão parcial Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.554 5 encobrir uma real cessão de créditos, com evidente intuito de fraude; . em documentação complementar enviada pela DRF/VAR, verificase que o Instrumento Particular de Cessão de Créditos Tributários e Outras Avencas, de 11 de dezembro de 2003, entre a EMBRASIL e a Comercial Beneficiadora de Café Ltda. não deixam dúvidas de que a operação é uma cessão de créditos, que os signatários sabiam que a Instrução Normativa n° 41/2000 impediu a cessão de créditos tributários de um contribuinte para outro e que houve um deságio de 40%, usual no caso de cessão de créditos; . do mesmo modo se verifica no Instrumento Particular de Cessão de Créditos Tributários e Outras Avencas, de 20 de abril de 2005, entre a EMBRASIL e a Exportadora Varginha Ltda, pertencente aos mesmos sócios da Comercial Beneficiadora de Café, que o deságio foi de 50%;. nos mesmos termos no Instrumento Particular de Cessão de Créditos Tributários e Outras Avencas, de 20 de abril de 2005, entre a EMBRASIL e a Comercial Beneficiadora de Café Ltda.; . presentes, portanto, o evidente intuito de sonegação, fraude e conluio prescritos nos art. 71 a 73 da Lei n°4.502/1964;. ademais, já existe manifestação da Receita Federal de que na cisão parcial é vedado ao contribuinte ceder créditos tributários: Solução de Consulta SRRF/CRF/DISIT n° 85, de 15 de maio de 2001; . portanto, sujeitase a contribuinte à aplicação da multa isolada prevista no art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835/ 2001 c/c o art. 18 da Lei n° 10.833/2003 e seu § 2°, com a redação anterior à Lei n° 11.051/2004, para os fatos anteriores a 30/12/2004; . para os fatos a partir de 30/12/2004, art. 18 da Lei n° 10.833/2003 e seus §§ 2° e 4°, com a redação da Lei n° 11.051/2004 c/c artigo 44, II, da Lei n° 9.430/96, tendo em vista evidente intuito de fraude; . foi formalizado o processo administrativo n° 13609.001605/200967 que trata de Representação Fiscal para Fins Penais e o processo administrativo n° 13609.001604/200912 que trata do arrolamento de bens e direitos. Cientificada do lançamento em 10/12/2009 (fl. 316), a contribuinte apresentou, tempestivamente (fl. 1.250), suas razões de defesa, alegando, em síntese e fundamentalmente, que (fls. 324/380): . o autuante cometeu equívocos na apuração do montante da multa ao incluir na sua base de cálculo valores de multa moratória e juros;. a multa incide apenas sobre o valor original do imposto ou contribuição apurados e declarados em DCTFs; Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.555 6 . a negativa da autoridade administrativa em revisar o lançamento constituirseá em evidente cerceamento de defesa; . as compensações de débitos da impugnante, efetivadas através das DCOMPs citadas no termo de início da ação fiscal de fls. 95/97 dos presentes autos, utilizaram o direito creditório oriundo do PTA n° 10660.000339/200266 e foram baixadas para tratamento manual nos autos do PTA n° 13609.720020/200605; . tais DCOMPs foram consideradas nãohomologadas em decisão proferida em 13/11/2006, contra a qual a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade; . em 23/02/2007, a decisão foi revista pela autoridade administrativa para considerar não declaradas as compensações, com alteração, portanto, dos critérios jurídicos do lançamento e da tipificação da compensação não homologada para nãodeclarada; . é importante destacar que no caso em tela a autoridade administrativa recorrida, desde o primeiro lançamento efetuado, tinha o conhecimento da ocorrência da titularidade do crédito utilizado na compensação, não enfrentando este fato a tempo e modo, mesmo diante do fato de todas as informações referentes à compensação terem sido devidamente informadas legalmente à Secretaria da Receita Federal, contrariando com isso, o disposto no art. 145 e 149 do CTN; . inconformada com tais atos, a ora impugnante impetrou mandado de segurança autos do processo n° 2007.38.12.0021685, perante a Justiça Federal, objetivando suspender a exigibilidade dos débitos exigidos no PTA de cobrança n° 13609.720020/200605, bem como o deferimento da oportunidade de apresentar manifestação de inconformidade, noticiandose o julgamento do recurso voluntário interposto nos autos do PTA n° 10660.000339/200266, que recebeu provimento do CARF para afastar a prejudicial de decadência e determinar o retomo dos autos à DRF/Varginha; . na sentença exarada no mandado de segurança decidiu o juízo o seguinte: "JULGO PROCEDENTE EM PARTE O PEDIDO deduzido na inicial e CONCEDO A SEGURANÇA, apenas para suspender a exigibilidade da cobrança dos créditos relacionados no PTA no. 13609.720020/200605 até ulterior manifestação acerca do pedido de compensação aviado nos autos de PTA no. 10660.000339/200266" ; . entretanto, a autoridade administrativa desrespeita a ordem judicial, continuando na cobrança dos débitos extintos por compensação com a mesma alegação anterior de que os créditos seriam de "terceiros", o que fulmina por completo o auto de infração e decreta sua nulidade ab initio; • o art. 145 do CTN consagra o princípio da inalterabilidade do lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo; Fl. 1555DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.556 7 . segundo a doutrina e a jurisprudência, não está o Fisco autorizado a rever o lançamento por erro de direito, o que equivale à mudança de critério jurídico vedada pelo CTN; . outro não foi o entendimento recente proferido em acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; • de tudo, concluise serem fortes e irrefutáveis as razões de nulidade do presente lançamento, afinal três situações se verificaram: 1. primeiro, a autoridade administrativa considerou não homologadas as compensações por ter sido indeferido o direito ao crédito em outro processo administrativo; 2. na sequência, promoveu a primeira revisão daquele lançamento, tomando por base os mesmos fatos e fundamentos, para considerar não declaradas as compensações e negar seguimento à manifestação de inconformidade; 3. após, tomando novamente os mesmos fatos e fundamentos, promove uma terceira revisão daquele mesmo lançamento, para aplicar a exorbitante multa de 150% dos créditos tributários legalmente compensados pela impugnante, concluindo agora ter havido na verdade cessão de créditos e evidente intuito de fraude no comportamento da impugnante; . ao se promover a terceira revisão do lançamento, houve mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco, isso porque, antes a Autoridade Administrativa entendeu não haver ilegalidade alguma no ato de cisão seguido de incorporação, tanto é que não homologou as compensações e depois considerouas nãodeclaradas; . a referida Autoridade conhecia, desde o primeiro lançamento, em toda a sua inteireza o ato de cisão seguida de incorporação promovida pela Impugnante e a empresa Comercial Beneficiadora de Café Ltda., não podendo agora com base em outros critérios jurídicos entender que tal operação se deu com intuito de fraude ao Fisco Federal; . noutra vertente, é ilícito e ilegal o ato praticado pela autoridade administrativa que afronte a ordem judicial suspensiva como ocorre no caso em discussão, afinal o lançamento posterior agravando a exigência inicial de débitos, cuja exigibilidade encontrase suspensa por decisão judicial proferida nos autos do mandado de segurança n° 2007.38.12.0021685, carrega a marca do desrespeito à ordem judicial ;. chegase à conclusão óbvia de que não poderia nem mesmo ter existido algum procedimento fiscal em face da Impugnante e destas compensações, cujos valores estão com sua exigibilidade suspensa por força da referida decisão judicial, e, assim, ao lavrar o auto de infração as autoridades administrativas violam literal dispositivo de lei, desobedecem a uma determinação judicial, além de violação funcional; . endossar tal decisão é atrair para si as mesmas responsabilidades civis, criminais e funcionais eventualmente Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.557 8 praticadas pelo auditor fiscal subscritor do ilegal e abusivo auto de infração, devendo este ser cancelado para não se evidenciar cumplicidade e coautoria na prática dos atos ilegais;. o artigo 62 do Decreto n° 70.235/72 é norma cogente de observação obrigatória pela autoridade administrativa; . a medida judicial acima suspendeu a cobrança dos débitos objeto das compensações exigidas nos autos do PTA n° 13609.720020/200605 que ora são revistas, de oficio, no presente auto de infração; . tais fatos, por si só, demonstram a total impropriedade da presente autuação, isto sem falar na sua nulidade ah initio; . outra ilegalidade a macular o presente auto de infração vem a ser a multiplicidade de revisões do lançamento, sem que tenha havido qualquer modificação ou ocorrência de fato gerador posterior ao primeiro lançamento, sendo óbice para essas revisões o estatuído no artigo 146 do CTN; . a Impugnante considera a atitude do autuante como desobediência a ordem judicial, violação ao art. 62 do Decreto n° 70.235/72 e inobservância de deveres funcionais contidos na Lei n° 8.112/90, como também contrária aos artigos 136, § 1°, 319 e 330 do Código Penal brasileiro; . neste sentido, jurisprudência do STJ, que assegura ao contribuinte que o Fisco se abstenha de promover qualquer ato que afronte a decisão judicial que suspendeu a exigibilidade dos débitos compensados, sob pena de responsabilidade criminal; . o autuante impôs severa multa sobre o valor das compensações sob o singelo e descabido argumento de que a Impugnante efetuou compensação indevida; . há que se ressaltar logo de início, e conforme se verá adiante, que não houve a utilização de crédito de terceiros nas compensações dos créditos tributários que deram origem à multa ora aplicada, isso porque os créditos eram e são de titularidade da Impugnante, já que foram a ela cedidos mediante o legítimo e regular processo de cisão parcial seguido de incorporação, devidamente formalizada na forma do art. 229 da Lei n° 6.404/76, que incorporou ao seu patrimônio o direito creditório contido nos autos do PTA n° 10660.000339/200266; . diante da ausência de disposição legal específica estabelecendo penalidade tributária nas situações de compensações "não homologadas", a Secretaria da Receita Federal passou a estabelecer imposições de penalidades mediante presunção de fraude com fundamento tão somente no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 03/10/2002; . o suprimento da disposição legal somente adveio com a edição da Lei n° 11.051, de 2004, vigente a partir de 02/2005, que deu nova redação ao art. 18 da Lei n° 10.833/03, citada no enquadramento legal; Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.558 9 . da mesma forma, a proibição de algumas modalidades de compensação tributária somente fora introduzida pela mesma Lei, ao estabelecer alterações, com a inclusão do parágrafo 12 ao artigo 74, da Lei n° 9.430/6;. portanto, somente com o advento da Lei ri° 11.051/2004 passou a existir uma redação expressa a respeito das vedações à compensação nos casos de crédito de terceiros, refirase ao créditoprêmio, refirase a título público e não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal; . vale dizer, a respeito dos fatos que ocorreram até 31 de dezembro de 2004, não havia qualquer amparo legal para restrições à compensação e, tampouco, para imposições de penalidades; . e somente através da Lei n° 11.196, de 2005, com vigência iniciada em 01/01/2006, é que restou introduzido no ordenamento jurídico a possibilidade da aplicação da multa isolada no percentual de 150% sobre o valor compensado, caso a compensação declarada estivesse tipificada no rol de restrições nela consagradas; . no caso, verificase que as compensações referemse ao período de 19/01/2004 a 13/09/2005, ou seja, são anteriores também às disposições implementadas pela Lei n° 11.196/2005; . a realização de compensação antes da vigência dessas normas não caracteriza fraude fiscal; . os atos praticados pela Impugnante quando operou os atos de transferência do crédito na forma da Lei Comercial e Civil e o aproveitamento do mesmo na extinção de seus créditos através da compensação não encontravam impedimento na lei tributária anterior; . na essência, o que a autoridade pretende é a imposição de penalidades calcadas em presunção absoluta; . a lei nova não pode e não deve retroceder, sob pena de macular preceitos constitucionais como o princípio da irretroatividade e da segurança jurídica; . não é aceitável que o contribuinte venha a ser penalizado, de forma exorbitante, pela prática de um fato sobre o qual, à época de sua realização, não havia qualquer norma que estabelecesse de forma clara mínima obrigação ou proibição; • a fraude deverá ser provada e caberá prova em contrário; • mesmo que se admita a possibilidade de enquadramento das compensações relativas aos fatos mencionados no art. 74, § 12, da Lei n° 9.430/96, em hipótese alguma ela poderia atingir fatos praticados antes da vigência da Lei, vale dizer, fatos ocorridos até 31/12/2004; . a imposição de multa isolada no patamar de 150% não poderia jamais atingir os fatos ocorridos até o dia 31/12/2005, porque o Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.559 10 veículo jurídico desta modalidade de penalidade, referente às compensações não declaradas, supostamente somente foi estabelecido pela Lei n° 11.196, de 2005; . inferese que as multas foram impostas pela suposta ocorrência de pelo menos um dos seguintes motivos: a) hipótese prevista no § 4° do art. 18 da Lei n° 10.833/03, que se refere às compensações nãodeclaradas; hipótese do capuz' do art. 18 da Lei n° 10.833/03, na redação dada pela Lei n° 11.051/04, que se relaciona à fraude; . todavia, nos termos do despacho decisório (anexo à presente) atinente ao processo n° 13609.720020/200605, verificase que as compensações da Impugnante não foram consideradas não declaradas, mas sim nãohomologadas; . não obstante a tudo isso, conquanto subsista a cominação das multas ora aplicada com arrimo no § 4° do art. 18 da Lei n° 10.833/03, impende destacar a superveniência da lei n° 11.488/2007, que estabeleceu percentual menor a ser aplicado, o qual passou a ser o de 75%, ex vi do art. 27 da Medida Provisória n° 472, de 2009; . também não há como subsistir a imposição das multas com base na aplicação do capuz' do art. 18 da Lei n° 10.833/03, na redação dada pela Lei n° 11.051/04, pois não configuradas nos autos a práticas das infrações previstas nos ares. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64; . os §§ 12 e 13 da Lei n° 9.430/96 não devem prevalecer no mundo jurídico, sob pena de ofensa aos incisos XXXIV, LIV e LV do artigo 50 e inciso IV do § 4° do artigo 60 da Constituição Federal; . não foi efetivada nenhuma declaração ou notificação considerando ilícito o procedimento de cisão seguido de incorporação das empresas ali citadas, que pudesse dar ensejo a esta autuação, o que também a torna nula, por implicar evidente cerceamento de defesa; . a referida operação permanece revestida do ato jurídico perfeito, o que por si só veda completamente a desconsideração por mera subjetividade do autuante; . a cisão e a incorporação são situações legais, o que por si só já demonstra ser o procedimento levado a efeito entre cedente e cessionária absolutamente legal; . não há uma só legislação de natureza civil, comercial ou tributária impeditiva de tal procedimento, razão pela qual não seria a mera subjetividade de uma auditora fiscal que haveria de desconsiderála, e nem mesmo a lei tributária nos termos do artigo 110 do CTN; • a impugnante, ao contrário do que aduz a autoridade recorrida, é legítima titular do crédito legalmente compensado, Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.560 11 razão pela qual não há que se falar em compensação indevida, muito menos em manobra para encobrir uma real cessão de créditos; . a operação de reorganização societária, cisão seguida de incorporação, forma legal de reorganização societária, tratada expressamente pela legislação comercial brasileira: artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76, e a legítima transferência do direito creditório decorre do direito à propriedade, além dos princípios da livre iniciativa e legalidade, são todos amparados em sede constitucional; . o direito de propriedade é absoluto e abrange qualquer direito de conteúdo patrimonial, econômico e tudo que possa ser convertido em dinheiro, alcançando créditos e direitos pessoais, que podem ser legitimamente alienados ou cedidos ao patrimônio de outra pessoa física ou jurídica; . com a reorganização societária, o direito ao crédito, antes pertencente à empresa Comercial Beneficiadora de Café Ltda., foi legitimamente inserido no patrimônio da impugnante e, como consequência, passou a assumir a condição de créditos próprios; . o programa eletrônico PER/DCOMP contempla a possibilidade de compensação com créditos da empresa sucedida, cujas situações ali estão previstas nos itens "cisão", "fusão", "incorporação" e "outra"; . os atos praticados pelas empresas (cindida e seus sócios) foram feitos "às claras" e sob o amparo de lei e não têm ou tiveram intenção de lesar o fisco; . para a aplicação da multa ora aplicada é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que reste configurado o dolo específico do agente, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo, isso porque a fraude não pode ser presumida, mas sim comprovada através de elementos contundentes, e a prova neste aspecto deve ser material, evidente, como diz a lei; . o evidente intuito de fraude se configura nas situações em que fica demonstrado o emprego de meios ardilosos, que floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, contabilização de despesas e escrituração de créditos de impostos inexistentes, etc.; • a fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública; • a leitura do parágrafo 6° do artigo 17 da Lei 10.833/03 autoriza a dizer que se demonstra inviável a caracterização da conduta típica prevista nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 para o caso de não homologação de compensação, eis que o Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.561 12 contribuinte confessa a dívida quando realiza a declaração de compensação, e se há confissão da dívida não se pode cogitar na presença do intuito de evitar ou protelar o pagamento; • nos protocolos de cisão, em nenhum momento deixouse de afirmar, ou tentouse esconder, que a motivação negocial consistente na cisão seguida da incorporação foi a transferência do direito creditório oriundo de recolhimento indevido; • a redação do § 12 do artigo 74, da Lei n° 9.430/96, introduzida pela Lei n° 11.051/04, não pode não deve ser aplicado na hipótese vertente, pois ali se considera como "não declarada" a compensação nas hipóteses em que o crédito utilizado pelo contribuinte seja "de terceiros", o que não é caso destes autos; . o instituto da cessão de direitos creditórios não depende de autorização judicial, já que nem mesmo o devedor do crédito cedido a ela pode se opor, tratandose de autonomia de vontade do credor, de livremente dispor de seus bens; . a legislação tributária não proíbe o uso da cessão de créditos e também não o contempla expressamente, porém, havendo sua previsão em outro ramo do direito, é plenamente viável a sua aplicação subsidiária à espécie;. neste sentido a doutrina e a jurisprudência do STJ; . o art. 74 da Lei n° 9.430/96 não [sic] carrega12ipue [carrega hipótese] veda a cessão sobre determinado crédito cuidando tão somente do instituto da compensação de débitos relativos a tributos e contribuições; . segundo a doutrina, o art. 109 do CTN muniu o legislador de meios para enfrentar o abuso de formas de Direito Privado não significando, conclusivamente, permissão para a interpretação econômica dos fatos geradores pelos intérpretes; . nem se alegue que, assim agindo, estaria o contribuinte pretendendo modificar a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária, em afronta ao art. 123 do CTN; . o sujeito passivo continuará sendo o cessionário; . devidamente autorizada pela previsão legal dos artigos 42, § 3° c/c art.567, II, do CPC, e atendendo às exigências do art. 288 e 290 do CC, a cessionária pode adquirir parte, ou a totalidade, dos direitos creditórios reconhecidos judicialmente passando a ser parte na relação processual, tornando se legítima titular desse direito, podendo promover a execução do julgado (administrativa ou judicialmente) em nome próprio, com todas as prerrogativas do credor originário; . devese reconhecer a distinção da relação processual em face da relação material; . as normas existentes no âmbito tributário tratam apenas de regular o pagamento de tributos, relações típicas de Direito Tributário, porém, não se aplicam à repetição do indébito, muito Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.562 13 menos à alienação de crédito oriundo do mesmo, matérias totalmente avessas à tipologia fiscal; . o STJ, em casos similares, decidiu que os créditos do contribuinte, por não estar sob a égide do direito tributário, pode ser cedido a terceiros, se inexistir óbices na lei que instituir a exação; . a especialidade do instituto da cessão de crédito como forma de transmissão de obrigações , está tanto na sua origem, que pode decorrer de lei, decisão judicial ou administrativa, ou convenção entre as partes, quanto pela transferência da posição de sujeito ativo na relação obrigacional; . não pode a administração pública interpretar de forma diversa normas de direito privado, chamando de "crédito de terceiro" o que, na realidade, é de legítima titularidade do cessionário, ou seja, crédito próprio;. como consequência, não restou configurado intuito de fraude ou conluio entre as empresas. Ao final, pleiteia o cancelamento do Auto de Infração, a extinção e o arquivamento deste processo e dos decorrentes representação fiscal para fins penais e arrolamento de bens. O Acordão da DRJ foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2004 a 31/12/2005 Ementa: Quando a pretensão judicial tem objeto distinto do processo administrativo não ocorre renúncia à instância administrativa. São nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. A cobrança em auto de infração da multa isolada decorre da aplicação da lei tributária, que, em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, é de aplicação compulsória pelos agentes públicos. A multa isolada exigida em razão do artigo 18 da Lei n° 10.833, de 2003, não se caracteriza como acréscimo ao principal não recolhido, tendo por base de cálculo o valor indevidamente compensado. Com a Instrução Normativa n° 534, de 2005, foi expurgada a presunção de fraude presente no ADI SRF n° 17, de 2002, e na IN SRF n° 226, de 2002, que determinavam a aplicação de multa de 150%, prevista no artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, na Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.563 14 hipótese de utilização de crédito não passível de compensação por expressa disposição de lei. Cabe a duplicação do percentual de 75% desde que evidenciadas as condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. Submetido a julgamento, em Turma extinta, na sessão de 12/11/2014, resolução nº 3202000.303, após a admissibilidade do recurso voluntário, decidiram os Conselheiros, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para fins de aguardar e juntar as decisões definitivas nos processos que tratavam do direito creditório do qual decorreu a presente autuação de multa isolada. O voto assim dispôs: O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Para o deslinde questão da multa isolada é importante saber quais foram as decisões finais dos processos administrativos citados na decisão recorrida: 10070.000778/200561 (habilitação de crédito), 13609.720020/200605 (compensação) e 10660.000339/200266 (restituição movida por COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFE LTDA, ainda em andamento segundo pesquisa no COMPROT). Diante disso, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de origem aguarde a decisão definitiva na esfera administrativa, assim entendida aquela contra a qual não caiba mais nenhum tipo de recurso, do PAF 10660.000339/200266 10070.000778/200561, de modo que, somente após a juntada da referida decisão e das decisões definitivas dos PAFs 10070.000778/200561 e 13609.720020/200605 nestes autos, ele retorne a julgamento neste Colegiado. Após a realização da(s) diligência(s), remetamse os autos a este Conselho para que seja proferido acórdão tratando dos temas objeto de recurso voluntário. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Os autos retornaram da unidade preparadora tendose juntado ao processo: 1. Quanto ao PAF nº 10660.000339/200266, da Comercial Beneficiadora de Café Ltda: Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.564 15 1.1. Cópia do Acórdão nº 9303000.204 (fls.1.465/1.519), prolatado na sessão de julgamento de 12/08/2009, no qual os membros do Colegiado deram provimento ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional para reconhecer a prescrição do direito à repetição de indébito relativo ao pedido de restituição de quota de contribuição sobre exportações de café, referentes aos recolhimentos realizados entre dezembro/1986 a abril/1988 pela Comercial Beneficiadora de Café Ltda. 1.2 O despacho (fls. 1.520/1.522) que rejeitou, em caráter definitivo e irrecorrível, os embargos de declaração interpostos pela Comercial Beneficiadora de Café Ltda em face do Acórdão nº 9303000.204, em razão da manifesta improcedência dos vícios apontados. 2. Quanto ao PAF nº 13609.720020/200605, da Embrasil Empresa Brasileira Distribuidora Ltda.: 2.1. O Despacho de folhas. 1.523/1.529, prolatado pelo Delegado da DRF em Sete Lagoas/MG, em que fora decidido tornar sem efeito o despacho decisório de fls. 112/116 (numeração papel) e a manifestação de inconformidade de fls. 136/159 (numeração papel) e considerar não declaradas as compensações relacionadas nas tabelas que menciona, com fulcro no art. 26, § 3º, inciso X, da IN SRF nº 600/051, que veda a compensação de valores indeferidos pela autoridade administrativa em pedido de restituição ou de ressarcimento, ainda que pendente de julgamento (no caso, o PAF nº 10660.000339/200266); 3. Quanto ao PAF nº 10070.000778/200561, da Servi Center Tec. Em Eletrodomestico: 3.1 O despacho emitido nestes autos (fls.1.547) com a informação de que "(...) Não foi possível a juntada da decisão dos autos de Pedido de Habilitação de Crédito Decisão Judicial 10070000778/200561, pois este estava arquivado fisicamente na SAMF/RJ e 1 Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. (...) § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) X o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.565 16 conforme Memorando fls. 1543 a 1546 houve o roubo do malote em que ele estava durante do seu trânsito para a DRF/Contagem. (...)" É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O recurso voluntário foi admitido na sessão de julgamento de 12/11/2014, na qual se atestaram os requisitos legais. Considerações Iniciais Como relatado, trata o processo de aplicação da multa isolada prevista no art. 18 c/c § 2º e 4º, da Lei nº 10.833/2003, c/c com inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96, conforme o caso, em razão das declarações de compensação indevidas (até 29/12/2004) e das compensações consideradas não declaradas (a partir de 30/12/2004) versadas nos processos administrativos que à época da sessão que iniciou o julgamento do recurso voluntário da Embrasil encontravamse pendente de decisão definitiva, daí a solução daquela Turma para aguardar o deslinde dos PAFs 10660.000339/200266, 13609.720020/200605 e 10070.000778/200561. Desses, apenas do último não foram trazidas informações quanto ao seu encerramento. Consultando o PAF nº 13609.001601/200806, cuja interessada é a Embrasil e o objeto é a declaração de compensação nº 31564.48519.131205.1.3.047011, transmitida em 13/12/2005, que informa utilizar crédito tratado no processo administrativo n° 10070.000778/200561 . Às suas folhas 246 a 248 encontrase o Despacho Decisório de 20/02/2009 no qual a DRF em Sete Lagoas/MG considerou não declarada a dcomp informada pois constatou que o crédito pleiteado no PAF 10070.000778/200561 pertencia a terceiro (Paradiesel S/A Veículos e Motores) e ação judicial em que se discutia o direito não transitara em julgado; e ainda, a Embrasil, na data da transmissão da dcomp e formalização do referido PAF, não era parte na Ação, ou seja, a Embrasil quando formulou a Dcomp não compunha o polo ativo da ação judicial que se pleiteava o direito creditório pela sua cedente a Paradiesel S/A. A decisão dcomp não declarada foi exarada com fundamento no art. 31, § 1º, inciso II, alíneas "a" e "d" da IN SRF nº 460/20042, aplicandose o disposto no § 2º desse 2 Art. 31. A autoridade competente da SRF considerará não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2ºa 4ºdo art. 76, não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação. § 1º Também será considerada não declarada a compensação nas hipóteses previstas nos incisos X e XI do § 3º do art. 26. II em que o crédito: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 534, de 05 de abril de 2005) Fl. 1565DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.566 17 mesmo artigo, isto é, a impossibilidade de apresentação de manifestação de inconformidade e definitividade da decisão. Na sequência, consta o encaminhamento do processo de débito (13609.001601/200806) para inscrição em Dívida Ativa da União (fl. 524), sua inscrição (fls. 526/540) e peças do processo de execução judicial. A seguir a imagens extraídas do processo nº 13609.001601/200806: a) seja de terceiros; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 534, de 05 de abril de 2005) (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 534, de 05 de abril de 2005) (...) Fl. 1566DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.567 18 Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.568 19 Do exposto nessas considerações, temse em todos os processos que cuidaram do pretenso direito creditório utilizado pela recorrente (digase, pertencentes a terceiros e transferidos por mera cessão e não cisão, como se alegou no caso do PAF 13609.720020/200605) decisões definitivas denegatórias do direito das quais decorreram a aplicação da multa isolada de que trata o art. 18 e §§ 2º e 4º da Lei nº 10.833/03 e que fora lançada de ofício e formalizada no presente processo, cujos argumentos e manifestações de irresignação da recorrente serão apreciados a seguir. Desde logo assentase que os argumentos e contestações versados nesses autos e que se relacionam com as decisões exaradas nos processos que tratam dos créditos/origem das compensações (PAFs 10660.000339/200266, 13609.720020/200605 e 10070.000778/200561) são irrelevantes para a solução da presente lide, que trata exclusivamente da aplicação da multa isolada em decorrência do encerramento definitivo das demandas tratadas nos mencionados processos. 1. RECURSO DE OFÍCIO O julgamento do presente recurso de ofício atemse à desqualificação da multa isolada aplicada à alíquota de 150%, com fulcro no art. 18, §§ 2º e 4º, da Lei nº 10.833/03 c/c art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/96. A Fiscalização qualificou a multa isolada aplicada em decorrência da utilização de créditos de terceiros em declarações de compensação, pois entendeu que as operações sucessórias (cisão e incorporação) realizadas entre a recorrentecessionária e a cedentesucedida caracterizaram evidente intuito de fraude, sonegação e conluio. Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.569 20 Depreendese da leitura do TVF (fls. 309/324) que o fundamento para a duplicar o valor da multa são as cláusulas dos instrumentos de sucessão que expressavam a intenção de transferência de créditos da sucedida para a sucessora.. A contribuinte rechaça a penalidade qualifica aduzindo inexistir o evidente intuito de fraude, pois não praticou atos típico de tal natureza, como a adulteração de comprovantes, notas fiscais, falsidades nas declarações. Ou seja, não houve qualquer intenção dolosa e a prática das situações elencadas em Lei que permitiriam imputação de penalidade mais gravosa. A decisão recorrida ponderou a inexistência de conduta da recorrente com a intenção deliberada de ocultar informações do Fisco ou dificultar a autuação fiscal impedimento ou retardamento da ocorrência do fato gerador. Seguem seus excertos, com os quais concordo e faço minhas razões de decidir: (...) Portanto, para decidir quanto ao cabimento da duplicação do percentual de 75% para cálculo da multa isolada, cumpre determinar se está evidenciado que a conduta do contribuinte reúne as características de um dos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Frisese, neste ponto, que a qualificação procedida pela autoridade fiscal não teve por fundamento no Ato Declaratório SRF n° 17, de 2002, ou a Instrução Normativa SRF n° 226, de 2002, mas de elementos que, a seu juízo, caracterizariam o evidente intuito de fraude, ou seja, não houve mera presunção de fraude, como afirma a impugnante. Como relatado, a autoridade fiscal justificou a qualificação da multa por identificar na operação de cisão parcial o intuito de encobrir uma real cessão de créditos, com evidente intuito de fraude. Não é demais lembrar que fraude é a conduta dolosa do agente a fim de simular a ocorrência de um fato inexistente ou a dissimulação de suas características. Resta, ainda, caracterizado o evidente intuito de fraude na hipótese de inserção de informações não verdadeiras nas declarações prestadas ao Fisco, isto é, no caso de falsidade, que consiste na deliberada inclusão de situação fática inverídica em seu conteúdo informativo. No caso em análise, no meu entender, não há como, a partir dos elementos trazidos aos autos, reconhecerse no procedimento da impugnante conduta com a intenção deliberada de ocultar informações da Administração Tributária ou dificultar a atuação fiscal. Como relatado, verificase que os processos de cisão não foram omissos em relação às cessões de créditos previamente contratadas. Ao contrário, os protocolos de cisão fazem referência expressa aos contratos de cessão dos créditos, nos seguintes termos: "As condições estabelecidas neste protocolo de Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.570 21 cisão estão vinculadas ao contrato de cessão de direitos e outras avencas assinado entre as partes". Há de se observar, ainda, que as DCOMPs transmitidas indicam o processo administrativo do crédito como sendo o de n° 110660.000339/200266, o qual, como visto, tem como interessada a Comercial Beneficiadora de Café Ltda, informandose, ainda, que o crédito utilizado se referia a crédito de sucedida com situação especial "cisão". Deste modo, não vislumbro dolo na conduta da impugnante. A meu juízo, procedeu a contribuinte, em verdade, sobre a equivocada interpretação de que a transferência dos créditos, com atendimento dos requisitos das normas civis e comerciais, poderia ser oposta à Administração Fazendária para fins de compensação tributária, pelo que entendo não restar evidenciada a prática de atos dolosos ou fraudulentos visando a impedir o conhecimento da natureza dos créditos utilizados. Há de considerar que as informações prestadas nas DCOMPs conferiram plena possibilidade de fiscalização e qualificação dos fatos, sendo aplicáveis, portanto, as determinações do artigo 112 do CTN, verbis: Art. 112 A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Em face das diretrizes estabelecidas pelo artigo 112 do CTN, acima transcrito, e ante as circunstâncias apontadas, entendo não estar configurada a evidência do intuito de fraude, exigência legal para agravamento da penalidade. Deste modo, deve ser substituído o percentual de 150% contido no enquadramento da exação tributária sob a égide do inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, exigindose da impugnante multa isolada no percentual de 75%, previsto no inciso I do mesmo dispositivo legal. Há razão à decisão recorrida. Depreendese dos autos a inexistência de inserção de informações inverídicas nas Dcomps, fato que, do contrário, revelaria a intenção dolosa de fraudar. O preenchimento das Dcomps fizeramse com o cuidado de assinalar a origem dos créditos de sucedida e a situação especial de cisão. Entendo que não houve ocultação da ocorrência do fato gerador; inexistem provas de que a recorrente pretendeu simular, fraudar ou omitir ao conhecimento do fisco de suas operações sucessórias e os créditos delas decorrentes. Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.571 22 Ademais, a interpretação das regras de compensação, intentando integrálas com a legislação civil e comercial, não conduzem à evidência de intuito de sonegação, fraude ou conluio. É necessária a comprovação de situações em que se evidenciam a fraude ou simulação com fins específicos de sonegação fiscal. Assim, não merece reparo na decisão da DRJ. Isto posto e pelas razões expostas, conduzo este voto para negar provimento ao recurso de ofício. 2. Recurso Voluntário A recorrente repisa em seu recurso voluntário os mesmos argumentos e fundamentos de impugnação para contestar o lançamento da multa isolada sobre suas compensações indevidas. Alega ainda que a decisão recorrida deixou de se manifestar sobre pontos importantes de sua defesa que ensejam a nulidade do auto de infração e/ou seu cancelamento, a saber: nulidade por violação ao art. 145 do CTN; nulidade por violação à ordem judicial; a inclusão na base de cálculo da multa isolada dos juros e multa de mora; impossibilidade de aplicação de multa isolada; inconstitucionalidade do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96; ausência de notificação do ilícito tributário; legalidade do procedimento de cisão e incorporação. Preliminares de Nulidade Desde a impugnação temse arguida a nulidade do auto de infração sob o argumento de violação ao art. 145 do CTN3, que dispõe acerca da alterabilidade do lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo. Na verdade a recorrente contesta o despacho decisório exarado no âmbito do PAF nº 13609.720020/200605, que tornou sem efeito o despacho anteriormente prolatado e a respectiva manifestação de inconformidade, e considerou não declaradas as compensações relacionadas, com fulcro no art. 26, § 3º, inciso X, da IN SRF nº 600/05, que veda a compensação de valores indeferidos pela autoridade administrativa em pedido de restituição ou 3 Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.572 23 de ressarcimento, ainda que pendente de julgamento (no caso no PAF nº 10660.000339/2002 66). O Despacho com o qual ora se irresigna, e se alega alteração de fundamento jurídico do lançamento, não comporta manifestação de conformidade em decorrência dos créditos pretendidos pertencerem a terceiros implicando considerar não declaradas as compensações, com fundamento no art. 31, §§ 1º, inciso II, "a" e 2º da IN SRF nº 600/2005. O argumentos apresentados em impugnação e reprisados em recurso voluntário visam exatamente intentar o debate acerca daquela decisão definitiva. Impende afirmar a impossibilidade do enfrentamento de argumentos que não se referem aos fundamentos de lançamento da multa isolada em decorrência de compensações indevidas, matéria exclusivamente tratada nesses autos. Assim, razões de direito não atinentes aos fundamentos jurídicos do lançamento da multa isolada prevista no regramento do art. 18 da Lei nº 10.833/03 não tem o condão de macular o auto de infração com a pretensão de nulidade, motivada por cerceamento do direito de defesa. Outro fundamento para a arguição de nulidade do auto de infração é a violação à ordem judicial. Igualmente sem razão a recorrente. O relato de que os 03 (três) processos administrativos que trataram do próprio direito creditório ou situação a ele pertinente (no caso, a habilitação do pretenso crédito no PAF 10070.000778/200561) encontramse revestidos de definitividade de suas decisões administrativas, inclusive com execuções fiscais em curso ou finalizadas no poder judiciário, é suficiente para afastar qualquer alegação de violação à ordem judicial. A decisão recorrida trouxe à tona os fatos que revelam o conteúdo e extensão dos provimentos no âmbito das ações judiciais. Cumpre aqui reproduzir seus excertos para espancar qualquer dúvida quanto a regularidade das decisões administrativas e o respeito às ordens judiciais nos processos administrativos que trataram dos créditos cujas utilizações pretendidas em compensações foram frustradas: Em sentença prolatada naquele processo judicial (fis. 429/435), a lide foi delimitada pelo Juízo de 1° grau nos seguintes termos: "inicialmente pretendia a impetrante apenas que a autoridade impetrada não aplicasse às compensações realizadas no ano de 2002— PTA n°10660.000339/200266 — a Instrução Normativa editada em 2005, que dá tratamento mais gravoso ao contribuinte, com violação do disposto nos arts. 105 e 106 do Código Tributário Nacional, bem como o direito de interpor, contra aquela decisão, Manifestação de Inconformidade. Consectários de tal permissão seria a suspensão da exigibilidade dos créditos e a possibilidade de obter, do Fisco, certidão de regularidade fiscal". Após informar que a própria impetrante noticiara nos autos que havia sido proferida decisão administrativa determinando o retorno do PTA n° 10660.000339/200266 à primeira instância Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.573 24 administrativa para análise do mérito do pedido, dispôs o Juízo de 1 0 grau que "houve perda de objeto em relação à pretensão da impetrante no tocante à interposição de Manifestação de Inconformidade, vez que o processo administrativo teve o seu prosseguimento garantido em sede recursal, não se podendo falar, até o presente momento, em indeferimento ou não homologação das compensações pretendidas". Concluiu, assim, o Juízo que lhe restava "a análise do pedido de suspensão da exigibilidade dos créditos em discussão e da possibilidade de expedição de certidão positiva de débito com efeito de negativa", pelo que exarou o dispositivo da sentença nos seguintes termos: "JULGO PROCEDENTE EM PARTE O PEDIDO deduzido na inicial e CONCEDO A SEGURANÇA, apenas para suspender a exigibilidade da cobrança dos créditos relacionados no PTA n° 13609.720.020/2006/05 até ulterior manifestação acerca do pedido de compensação aviado nos autos do PTA n°10660.000339/200266, bem como para que as autoridades coatoras não criem óbice quanto à expedição das Certidões Positivas de Débito com efeitos de Negativa — CPD/EM e não incluam e/ou excluam o nome da impetrante dos cadastros de inadimplentes em decorrência dos créditos apontados". Com relação ao auto de infração impugnado, verificase que sua lavratura foi embasada no artigo 18 da Lei n° 10.833, de 2003, que determina a aplicação de multa isolada na hipótese de compensações indevidas, tendo sido imputado à impugnante a utilização fraudulenta de créditos não admitidos na legislação tributária: créditos de terceiros. Registrese que a referência legal à "multa isolada" apenas significa que a multa deve ser aplicada ainda que não haja lançamento do tributo que serviu de base para o cálculo da penalidade, como ocorreu no vertente auto de infração. O crédito tributário exigido no auto de infração, portanto, não constitui acréscimo ao "principal", mas uma penalidade pecuniária instituída como instrumento de inibição do uso indevido de compensações. É justamente a entrega da declaração, mas em desconformidade com as disposições legais, que configura o fato gerador da multa isolada, graduada proporcionalmente ao montante da compensação que se pretendeu realizar. (...) No vertente caso, constatase que no mandado de segurança n° 2007.38.12.0021685 buscou a impugnante exclusivamente a defesa de direitos relativos ao próprio processo administrativo tributário, mais especificamente, peticionouse ao Juízo para que este determinasse à autoridade administrativa a admissão de manifestação de inconformidade no PTA n° 13609.720020/2006 05, como também a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados até que se tornasse definitiva a decisão administrativa. Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.574 25 Ademais, o efeito meramente devolutivo do recurso administrativo interposto contra a decisão que, pautada no artigo 74, § 13, da Lei n° 9.430, de 1996, considerou não declaradas as compensações tratadas no PTA n° 13609.720020/200605— o que levou a contribuinte a buscar o efeito suspensivo no Poder Judiciário —, não se aplica à presente impugnação, que observa o regramento do processo administrativo fiscal, assegurando ao sujeito passivo a suspensão de exigibilidade da exação até a decisão final administrativa, em conformidade com o artigo 151, III, do CTN, um dos fundamentos, aliás, da decisão judicial exarada no referido mandado de segurança. Por mais este motivo, não há que se falar em descumprimento da ordem judicial. Ademais, os relatórios produzidos em fase de fiscalização são fartos em discorrer acerca dos procedimentos fiscais e as acusações quanto ao descumprimento da legislação tributária para as quais a contribuinte não se desincumbiu do ônus de fazer prova a seu favor. Constatase in casu que o auto de infração contém seus elementos obrigatórios (incisos do art. 10 do PAF); além disso, não se verifica qualquer das hipóteses de nulidade elencadas no art. 59 do PAF, relativas à cerceamento do direito de defesa. As peças de defesa impugnação e recurso voluntário foram elaboradas com aprofundamento nas questões de fato e de direito, próprias de quem tem conhecimento exato das acusações que lhes são imputadas. Não há se falar em impossibilidade de se compreender a infração imputada ou o cerceamento do direito de defesa. Dessa forma, não vislumbro qualquer vício de nulidade no auto de infração ou na decisão recorrida. Mérito Aplicação da Multa Isolada A principal questão de mérito e fundamento para o lançamento fiscal foi a aplicação da multa isolada em decorrência de compensações indevidas (apresentadas até 29/12/2004) e compensações consideradas não declarada (transmitidas a partir de 30/12/2004), relativas ao período de 31/10/2004 a 31/12/2005. Ressaltase que, segundo a autoridade fiscal, todas as compensações apresentadas foram com a prática de evidente intuito de fraude, previsto nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. A decisão recorrida substituiu o percentual de 150% contido no enquadramento da exação tributária sob a égide do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, mantendo a multa isolada no percentual de 75%, previsto no inciso I do mesmo dispositivo legal. Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.575 26 Impende, assim, no julgamento deste recurso voluntário decidir quanto a possibilidade de manutenção da aplicação da multa isolada, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, à vista das alterações introduzidas na Lei nº 10.833/03, mormente em seu art. 18 e parágrafos. Repisando o procedimento fiscal, a autuação teve por fundamento: 1. Para as Declarações apresentadas até 29/12/2004, o Fisco considerou as compensações indevida em razão da utilização de créditos de terceiros e, na operação de sua aquisição (cessão transvertida em cisão parcial), o evidente intuito de fraude. O enquadramento legal da multa isolada teve por base o art. 90 da MP nº 2.15838/01 c/c art. 18, § 2º da Lei 10.833/03 c/c art. 44, II da Lei nº 9.430/96, que reproduzo: Medida Provisória nº 2.15835/2001: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita FederaL Lei 10.833/2003, de 29/12/2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. Lei 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.576 27 2. Para as Declarações apresentadas a partir de 30/12/2004, o Fisco considerou as compensações não declaradas, segundo as peculiaridades dos processos em que versaram os créditos: 2.1 Processo nº 13609.720020/200605: O despacho decisório da DRF/STL/SAORT (23/02/2007) considerou as compensações não declaradas com fulcro no art. 26, § 3º, inciso X, c/c art. 31, § 1º, inciso I da IN SRF nº 600/05 (pedido de restituição já indeferido pela autoridade competente no PAF 10660.000339/200266 ); 2.2 Processo nº 10070.000778/200561: O despacho decisório da DRF em Sete Lagoas/MG (20/02/2009) considerou as compensações não declaradas com fulcro no art. 31, § 1º, inciso II, alíneas "a" e "d" da IN SRF nº 460/2004 (pertencia a terceiro e a ação judicial em que se discutia o direito não tinha o trânsito em julgado). O enquadramento legal da multa isolada teve por base o art. 90 da MP nº 2.15838/01 c/c o art. 18, da Lei 10.833/03 c/c os parágrafos 2° e 4º do mesmo artigo, com a redação da Lei 11.051/04, ambos c/c artigo 44, inciso II, da Lei 9.430/96, tendo em vista evidente intuito de fraude previsto nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/1964. Reproduzo a alteração introduzida pela Lei nº 11.051/04 no art. 18 da Lei 10.833/03 e também no art. 74 da Lei 9.430/96: Lei nº 11.051/2004, de 29/12/2004 (publicada no DOU de 30/12/2004): Art. 4o O art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação:(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) "Art. 74. ............................................................................ (...) § 3o............................................................................ ............................................................................ IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (...) § 12.Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3o deste artigo; Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.577 28 II em que o crédito: a)seja de terceiros; b)refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do Decreto Lei no491, de 5 de março de 1969; c)refirase a título público; d)seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e)não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (...) Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei no10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 18.O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964. ................................................................... § 2oA multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ............................................................................ § 4oA multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." Em suas peças de defesa a recorrente concentrase na sustentação da regularidade da operação de cisão parcial, inclusive com previsão nos arts. 223, 229 e 232 da Leis nº 6.406/76, e, assim sendo, não há que se falar em crédito de terceiro, mas próprio, pois na sucessão os créditos passam a integrar seu patrimônio. Outrossim, insiste que inexiste sonegação, fraude ou conluio na operações de cessão de crédito, uma vez que não vedada na legislação comercial e civil. Quanto à matéria cessão de crédito de terceiro transvertida em cisão parcial, a Solução de Consulta Cosit nº 321, de 09/08/2017, corroborou o entendimento praticado pela RFB de que a cisão parcial com o objetivo de transferência de direito creditório, portanto, sem fim econômico ou propósito negocial, equivale à cessão de crédito para terceiro, cuja utilização é vedada na legislação desde a IN SRF 41/2000, com fulcro no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Eis a ementa da SC: Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.578 29 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO CISÃO PARCIAL SEM FIM ECONÔMICO OU PROPÓSITO NEGOCIAL. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. DESCONSIDERAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PELA CINDENDA OU INCORPORADORA. A operação societária de cisão parcial sem fim econômico deve ser desconsiderada quando tenha por objetivo o reconhecimento de crédito fiscal de qualquer espécie para fins de desconto, restituição, ressarcimento ou compensação, motivo pelo qual será considerado como de terceiro se utilizado pela cindenda ou por quem incorporála posteriormente. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA PARCIALMENTE À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 119, DE 22/5/2014. OPERAÇÃO DE CISÃO PARCIAL COM SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. HIPÓTESE LEGAL DE SUCESSÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS RELACIONADOS NOS ATOS DE CISÃO. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PELA SUCESSORA PARA RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. A cisão parcial, desde que possua fim econômico, é uma hipótese legal de sucessão dos direitos previstos nos atos de formalização societária, entre os quais os créditos decorrentes de indébitos tributários, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, que passam a ter natureza de créditos próprios da sucessora, se assim determinarem os atos de cisão sendo, desse modo, válidos para a solicitação de restituição e compensação com débitos desta para com a Fazenda Nacional. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172/1966 Código Tributário Nacional (CTN), arts. 123, 132, 165, 170 e 198; Lei nº 6.404/1976, arts. 223, 229 e 233; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 5º; Decretolei nº 2.287/1986, art. 7º; Lei nº 9.430/1996, arts. 73 e 74; Lei nº 9.964/2000, art. 2º, § 7º; Lei nº 10.833/2003, art. 18, § 4º; Lei nº 10.865/2004, art. 30; Lei nº 11.033/2004, art. 17; IN RFB nº 1.396/2013, arts. 8º, 9º, 12 e 22; IN RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017; e SCI Cosit nº 3/2011. O pretenso crédito da interessada, obtido por cessão de terceiro, na situação demonstrada alhures, não tem a natureza de crédito próprio e tal especificidade encontrase expressa no art. 74 da Lei nº 9.430/96, alterado pela MP nº 66, de 29/08/2002, que introduziu a nova sistemática de compensação (declaração de compensação, e não mais pedido), que prevê a quitação de débitos próprios apenas com os créditos apurados pelo sujeito passivo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.579 30 Impende asseverar que a vedação de compensação com créditos de terceiros já se encontrava no ordenamento jurídico desde a edição da IN SRF nº 41, de 08/04/2000, que dispunha: Art. 1º É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros. Este dispositivo teve sua legalidade contestada no Poder Judiciário pela cedente do crédito à Embrasil (a Comercial Beneficiadora de Café) que em sede do AgRg nos Emabrgos de Divergência em REsp nº 653.553MG restou assegurada à Receita Federal impor vedação à compensação com créditos de terceiros por intermédio de ato infralegal, como se vê da ementa: Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.580 31 Assim, resta afastada a alegação da recorrente de que os créditos "transferidos" da Comercial Beneficiadora de Café Ltda são próprios e, por conseguinte, tem se a conclusão de que a utilização de crédito de terceiro foi apenada com multa isolada desde a primeira edição do art. 18 da Lei nº 10.833/03: em um primeiro momento, na vigência do texto original do art. 18, dispondo a Lei como compensação indevida; e a partir das sucessivas alterações no referido artigo, considerada compensação não declarada. Mister verificar a permanência da penalidade quando da compensação indevida e daquela considerada não declarada, em face da inocorrência de circunstâncias fraudulentas. Entendo que a compensação indevida sem a ocorrência de fraude deixou de ser apenada com a multa isolada pelo art. 18 da Lei nº 10.833/03 que passou a prever a penalidade para a situação de compensação não homologada (Leis 11.051/04 e 11.488/07, no art. 18, caput da Lei 10/33/03) e compensação considerada não homologada (Leis 11.196/2005 e 11.488/07, no art. 18, § 4º, da Lei 10833/03), ambas quando acometidas de prática fraudulenta. Quanto à compensação considerada não declarada, no caso em que inexiste fraude, somente passou a figurar no ordenamento jurídico com a edição da MP nº 255/2005, convertida na Lei nº 11.196, de 21/11/2005, atribuindo produção de efeitos à multa isolada na espécie em 14/10/2005, in verbis: Art. 117. O art. 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: (Vigência) "Art. 18. ........................................................................................ ........................................................................................ § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II no inciso II do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." ... Art. 132. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: ... II desde 14 de outubro de 2005, em relação ao disposto: ... d) nos arts. 38 a 40, 41, 111, 116 e 117 desta Lei; Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.581 32 Em ambos os casos, fazse necessária a aplicação da retroatividade benigna prevista pelo art. 106 do CTN, para submeter aos dispositivos de Lei que deixaram de prever a incidência da multa isolada de 75%. Dessa forma, resta afastada a multa isolada às compensações indevidas apresentadas até 29/12/2004, que passou a penalizar somente compensações não homologadas e com a ocorrência de fraude. Quanto às compensações consideradas não declaradas, apresentadas a partir de 30/12/2004 e até 13/10/2005, fica afastada a multa isolada, pois que cominada unicamente na hipótese de fraude. Assim, prevalece a multa isolada aplicada à compensação considerada não declarada apresentada/transmitida a partir de 14/10/2005. Esse entendimento coadunase coma decisão deste Colegiado no Acórdão nº 3201002.757, de 24/04/2017, de Relatoria do Conselheiro Winderley Morais Pereira, que, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso, para cancelar as exigências fiscais (multa isolada) referentes a Dcomp transmitidas antes da data de 14/10/2005, assim ementado: Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005. 2006. 2007 MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. PROCEDÊNCIA. A multa de oficio aplicada sobre os créditos constantes em Declaração de Compensação considerada não declarada esta prevista no art. 18 da Lei n° 10.833/2003, com redação dada pela Lei n° 11.051/2004 e Lei n° 11.196 2005. COMPENSAÇÃO. INFRAÇÕES. E PENALIDADES. RETRO ATIVIDADE BENIGNA. Aplicase a retroatividade benigna e cancelase a aplicação de multa isolada lançada sob a égide da Lei 10.833 2003. em sua redação original, por compensação de débitos com créditos não tributários ou de terceiros quando tratarse de compensação não homologada, por decisão da autoridade administrativa, isso porque referida multa a partir das inovações legislativas trazidas pela Lei n° 11.051. de 2004. foi situada em outro contexto: o das compensações consideradas não declaradas, a teor do § 4o do art. 18 da Lei n° 10.833. de 2003. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRLA.S. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N° 2 DO CARF.. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1581DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.582 33 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Semelhante matéria foi decidida na CSRF, no Acórdão nº 9101002.261, de 01/03/2016, afastandose a multa isolada em compensação indevida, por retroatividade benigna: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/05/2004, 09/06/2004, 17/06/2004, 16/07/2004, 10/08/2004, 11/08/2004, 09/09/2004, 14/10/2004, 28/10/2004, 10/11/2004, 08/12/2004, 22/12/2004 MULTA QUALIFICADA. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS NÃO TRIBUTÁRIOS E DE TERCEIRO. AUSÊNCIA DE FRAUDE. Para a aplicação da multa de 150%, necessária a demonstração de que o contribuinte procedeu com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Não configura fraude, por si só, a mera apresentação de declaração portando elementos inexatos, objetivando a utilização de crédito de terceiro e/ou que não se refira a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a fim de compensar débitos próprios regularmente confessados. MULTA ISOLADA. INAPLICABILIDADE DA MULTA ISOLADA DE 75.% RETROATIVIDADE BENIGNA. Diante da previsão legal para a aplicação de multas isoladas apenas para a hipótese de falsidade e no percentual de 150%, incabível a desqualificação da multa pela DRJ para a exigência de multa isolada de 75% em face das compensações não homologadas realizadas pelo contribuinte. Juros e multa de mora sobre o crédito tributário lançado (multa isolada) Na apuração do montante da multa isolada a fiscalização incluiu os acréscimos de juros e multa de mora, em razão do não pagamento, na data dos respectivos vencimentos, dos débitos confessados em DCTF e informados em declaração de compensação. Sustenta a recorrente que há incidência de multa (isolada) sobre multa e juros de mora, sendo no seu entendimento correta a aplicação apenas aos tributos apurados e confessados em DCTF. A DRJ manteve os consectários legais na autuação em decorrência dos débitos confessados restarem não pagos no vencimento. Com razão o atuante e a decisão recorrida. Multa e juros moratórios são devidos em decorrência da impontualidade no pagamento de tributos; e estes foram constituídos em DCTF e pretendida quitação por meio de compensação indevida. Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.583 34 Tais consectários legais tem previsão no art. 61, caput e parágrafos, da Lei nº 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998). Especificamente na legislação que trata de compensação, temse, à época dos fatos o disposto no art. 28 da IN SRF nº 210/2002, que se renovou nas INs SRF nºs. 460/004 e 600/2005: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 323, de 24 de abril de 2003). Outrossim, é cristalino o entendimento do STJ quanto ao dever da formalização de ofício dos débitos declarados e pago em atraso, conforme a decisão no REsp 840.566/PR, Rel. Min Eliana Calmon, julgado em 13/5/2008, julgado anteriormente à edição da Súmula nº 4364, com o excerto: [...] 2. Declarado o tributo em DCTF e pago com atraso, necessário a constituição formal do crédito plo Fisco a fim de cobrar multa e juros moratórios devido em razão da mora.[...] Alegação de inconstitucionalidade do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 4 Súmula n° 436 do STJ: "a entrega da declaração pelo contribuinte reconhecendo debito fiscal constitui crédito fiscal, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco". Fl. 1583DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.584 35 A tributação realizada no presente processo atendeu aos regramentos vigentes, não podendo o autuante, tampouco os julgadores administrativos, afastar qualquer comando normativo, eis que disposto em Leis plenamente vigentes no ordenamento jurídico. Ademais, qualquer pronunciamento quanto a inconstitucionalidade de lei é vedado aos membros deste Conselho, conforme enunciado da Súmula CARF nº 2, segundo o qual o “CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Cisão e incorporação: legalidade e ausência de notificação de ilícito A premissa em que se assenta os fundamentos de irresginação neste tópico é a alegação da recorrente de que uma vez realização a operação de cisão e incorporação (diga se, apenas dos ativos créditos para com a Fazenda Pública Federal da sucedida, excluindose as obrigações) os créditos originários na Comercial Beneficiadora de Café Ltda deixaram de ser de terceiros convertendose em créditos próprios. Portanto, segundo tal premissa não haveria razão para se acusar as compensações transmitidas como indevidas e, por fundamento lógica, inaplicável a multa isolada. Não vejo como prosperar o raciocínio. A uma, a fiscalização demonstrou que a referida operação sucessória teve por escopo a transmissão de créditos da Comercial Beneficiadora de Café Ltda para fins exclusivos de compensação tributária dos débitos da Embrasil. É desnecessário transcrever todas as situações enumeradas no relatório fiscal que apontam tal objetivo. A duas, como enfrentado no tópico "multa isolada", por entender ali apropriado, a SC Cosit nº 321/2017 explicitou que a cisão parcial com o objetivo de transferência de direito creditório, portanto, sem fim econômico ou propósito negocial, equivale à cessão de crédito para terceiro, cuja utilização é vedada na legislação desde a IN SRF 41/2000, com fulcro no art. 74 da Lei nº 9.430/96. A aplicação da multa isolada no presente processo dispensa qualquer digressão quanto à legalidade da operação sucessória. Aliás não se discute seu respaldo na legislação civil e comercial, pois, para fins tributário prevalece o disposto no art. 123 do CTN5 e demonstrado alhures que a compensação é indevida quando o crédito utilizado não é próprio, mas de terceiro. Ademais, e conquanto a recorrente entenda que a fiscalização considerou ilícita as operações sucessórias, os julgadores da DRJ, e este também, apenas entenderam e aplicaram a vedação legal à utilização de créditos de terceiros na compensação. Nenhum juízo quanto à licitude da cisão/incorporação fora exarado. 5 Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 13609.001603/200978 Acórdão n.º 3201004.340 S3C2T1 Fl. 1.585 36 Dessa forma, irrelevante ao presente processo a cisão e incorporação, importando apenas que dela não se retirou a natureza de uma efetiva cessão de crédito intentado na quitação de débitos da recorrente. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para cancelar as exigências fiscais referentes a Dcomp transmitidas antes da data de 14/10/2005, e negar provimento aos recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1585DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.005045/2008-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/06/2008
INFORMAÇÕES INCORRETAS. EMBARAÇO. OCORRÊNCIA.
A prestação de informações incorretas que embaraçam e dificultam a fiscalização sujeita o contribuinte à penalidade prevista na alínea "c" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei nº 37/1966.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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EMBARAÇO. OCORRÊNCIA. A prestação de informações incorretas que embaraçam e dificultam a fiscalização sujeita o contribuinte à penalidade prevista na alínea "c" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 50 45 /2 00 8- 16 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11128.005045/200816 Acórdão n.º 3002000.415 S3C0T2 Fl. 104 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 0835.110 da DRJ/FOR, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa por embaraço à fiscalização, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Tratase de auto de infração pelo qual a fiscalização aplicou à empresa FOUR SHIPS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA., doravante referida apenas como FOUR SHIPS, a multa, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c”, do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, tendo assim motivado o lançamento: a) Conforme Termo de Ocorrência n° 057/07, de 30/11/2007, na Visita Aduaneira ao navio GRAND MISTRAL, houve desembarque de 30 passageiros, mas que não constava no Termo de Visita Aduaneira n° 4797, protocolado em 29/11/2007; b) A empresa Fourship Agencia Marítima, responsável pelo navio, recebeu a Intimação n° 484/07, mas como resposta justificou que a solicitação do Comandante foi de última hora e que a falha foi decorrente da comunicação desencontrada entre o comandante do navio, o armador e o afretador; c) Dessa forma, ficou patente que a atitude da empresa causou transtornos que dificultaram e embaraçaram os procedimentos de controle e fiscalização aduaneiros. A empresa autuada foi cientificada do lançamento em 21 de agosto de 2008 (fls. 29), tendo apresentado, em 17 de setembro de 2008, a impugnação de fls. 3037, na qual argui a insubsistência total do lançamento e requer a anulação do auto de infração, alegando: a) que foi autuada por suposto embaraço ou impedimento à ação da fiscalização, inclusive não atendimento à intimação; b) que não há previsão legal ou normativa que exija dos navios de passageiros a informação antecipada e exata do número de passageiros que deverão desembarcar no porto e que essa informação pode perfeitamente ser transmitida no momento da visita aduaneira, pela ausência de norma divergente; c) que a única exigência quanto à visita aduaneira está prevista no art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 137/98, que exige que Fl. 104DF CARF MF Processo nº 11128.005045/200816 Acórdão n.º 3002000.415 S3C0T2 Fl. 105 3 o responsável informe a chegada da embarcação com antecedência mínima de 6 (seis) horas, não havendo, na referida norma, qualquer dispositivo que exija a informação do número de passageiros que irão desembarcar no porto, pois esta informação pode perfeitamente ser prestada no momento da visita aduaneira; d) que apesar de não haver previsão legal, a impugnante considera a atitude de informar com antecedência o número de passageiros que irão desembarcar é saudável e produtiva, tendo em vista que a atuação eficaz e coordenada da fiscalização é benéfica e interessante para todos os envolvidos, inclusive para o País; e) que, conforme comprovado pelos documentos por ela anexados e pelo que consta no próprio auto de infração, a impugnante realmente efetuou o pedido de visita aduaneira dentro do prazo exigido; f) que a fiscalização aduaneira foi imediatamente informada sobre o desembarque dos passageiros, conforme o Termo de Visita Aduaneira nº 4978/07 e a Lista de Desembarque, onde consta a informação dos 30 passageiros a desembarcar; g) que, logo que chegaram ao local, os Auditores da Alfândega foram recepcionados e tiveram acesso imediato ao navio, que todos os documentos exigidos pela fiscalização foram prontamente apresentados e que não há qualquer ressalva a este respeito no auto de infração; h) que a impugnante não cometeu qualquer omissão que possa ser considerada embaraço ou impedimento à fiscalização; i) que o próprio auto de infração comprova que a impugnante atendeu a intimação, apresentando resposta por escrito esclarecendo o ocorrido, mencionando que o caso foi excepcional e que seu objetivo era continuar colaborando com a fiscalização; j) que as obrigações da impugnante eram apenas informar a chegada do navio, com seis horas de antecedência, solicitar a visita aduaneira e providenciar a apresentação dos documentos exigidos pela fiscalização, e que todas foram cumpridas, inclusive a informação sobre o número de passageiros a desembarcar, efetuado no momento da visita aduaneira; k) que, conforme jurisprudência dominante do Conselho de Contribuintes, somente se caracteriza legalmente como embaraço à fiscalização a negativa não justificada de apresentar livros, documentos e informações a que o contribuinte estiver obrigado e que, descaracterizada a causa que justificaria o embaraço, deve ser anulado o Auto de Infração; l) que o simples fato de não informar o número de passageiros para desembarque não dificultou e nem impediu a ação fiscal, Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11128.005045/200816 Acórdão n.º 3002000.415 S3C0T2 Fl. 106 4 porque não era obrigação da impugnante fornecer esta informação antes da visita aduaneira e porque foi apresentada resposta, dentro do prazo estipulado, à intimação efetuada pela Alfândega; e m) que, mesmo que a ausência da informação antecipada sobre o número de passageiros tenha causado algum incômodo ou ligeira sobrecarga na fiscalização aduaneira, a culpa deste fato não pode ser atribuído à impugnante, que agiu de acordo com a Lei e com as normas da SRF." Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR) julgou a Impugnação improcedente, por Acórdão que restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/06/2008 EMBARAÇO A AÇÃO DE FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. Aplicase a multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) ao sujeito passivo que, por qualquer meio ou forma, tenha dificultado ação de fiscalização aduaneira. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (92/98), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando e reforçando argumentos jurídicos já apresentados. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11128.005045/200816 Acórdão n.º 3002000.415 S3C0T2 Fl. 107 5 A questão posta em discussão se refere a pertinência e adequação da autuação fiscal imposta a ora recorrente por ter, supostamente, embaraçado ou dificultado a fiscalização e, por isso, ter ficado sujeita a penalidade prevista na alínea "c" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . Iomissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; ......................................................................................................... (grifo nosso) Quanto ao ato em si, que teria caracterizado, segunda a fiscalização, o embaraço, isto é, a não informação, no Pedido de Visita Aduaneira, de que haveria passageiros a desembarcar do navio Grand Mistral no porto de Santos, a recorrente não o contesta, logo, temolo como incontroverso. Contudo, a recorrente alega , por seu turno, que a única exigência quanto à visita aduaneira estava prevista na Instrução Normativa SRF nº 137/98, a qual exigia que o responsável informasse a chegada da embarcação com antecedência mínima de 6 horas, não havendo nenhuma menção à necessidade de se informar, antecipadamente, os passageiros que iriam desembarcar. Quanto à ausência de disposição na IN SRF nº 137/98 que impingisse à contribuinte a obrigação de prestar informação antecipada sobre a quantidade de passageiros a desembarcar, assiste razão à recorrente. De fato, a Instrução Normativa citada não menciona tal necessidade, quando estabelece o prazo para a comunicação sobre a chegada de embarcações em viagem de cruzeiro: Art. 3o A chegada do navio em viagem de cruzeiro deverá ser informada à autoridade aduaneira que jurisdicione o porto de entrada no País, com antecedência mínima de seis horas, para fins de visita aduaneira. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11128.005045/200816 Acórdão n.º 3002000.415 S3C0T2 Fl. 108 6 Contudo, por outro lado, o Regulamento Aduaneiro/2002, vigente a época dos fatos, Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002, assim dispunha: Art. 52. Os transportadores, bem assim os agentes autorizados de embarcações procedentes do exterior, deverão informar à autoridade aduaneira dos portos de atracação, por escrito e com a antecedência mínima estabelecida pela Secretaria da Receita Federal, a hora estimada de sua chegada, a sua procedência, o seu destino e, se for o caso, a quantidade de passageiros. Como se percebe da leitura do artigo transcrito, a obrigação de transportadores e agentes informar, antecipadamente, em caso de navios procedentes do exterior, o horário de chegada, a procedência, os destinos e, o que interessa ao caso em tela, a quantidade de passageiros já estava prevista na legislação. Assim, a Secretaria da Receita Federal simplesmente estabeleceu a antecedência mínima requerida através da IN SRF nº 137/98. Importante salientar que a IN não mencionou nenhum dos dados que deveriam ser apresentados pelos transportadores e agentes, pois estes já estavam expressamente previstos no Decreto nº 4.543/02, restando para ela, então, tão somente a definição do requisito temporal. Logo, com efeito, a recorrente estava obrigada a prestar, antecipadamente, a informação sobre o número de passageiros a bordo da embarcação, embora, por certo, tal obrigação não incluía a informação antecipada do número de passageiros que iriam desembarcar. Entretanto, embora não houvesse previsão legal que a obrigasse a prestação dessa específica informação, a prática usual dos envolvidos no transporte internacional de passageiros era informar, visando à adequada preparação da fiscalização aduaneira, assim como o melhor atendimento aos passageiros, conforme a própria recorrente reconheceu em seu recurso inicial: "13. Neste ponto devemos esclarecer que a impugnante, sempre que possível, informa com antecedência o número de passageiros que irão desembarcar, para que os Auditores Fiscais da Alfândega possam planejar e preparar a ação fiscal com mais tempo. 14. Apesar de não haver previsão legal, a impugnante considera esta atitude saudável e produtiva, tendo em vista que a atuação eficaz e coordenada da fiscalização é benéfica e interessante para todos os envolvidos, inclusive para o pais." Nesse aspecto, devemos analisar se a atitude da recorrente, contrária à prática usual do mercado marítimo, por si só, caracterizaria o embaraço à fiscalização. Creio que, nesse aspecto, não. Pela falta de disposição legal, a praxe existente de informar antecipadamente o quantitativo de passageiros a desembarcar, na época dos fatos, era Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11128.005045/200816 Acórdão n.º 3002000.415 S3C0T2 Fl. 109 7 voluntária, espontânea e facultativa, logo, mera liberalidade. Podendo sim, a meu sentir, ser realizada no momento da visita aduaneira. Evidentemente, não se está negando a importância fundamental dessa informação para o adequado preparo da atividade fiscalizatória, entretanto, se não havia a obrigatoriedade legal das agências informarem, antecipadamente, a quantidade de passageiros que iriam desembarcar, o Serviço de Fiscalização Aduaneira deveria se preparar com base apenas nos dados que tais intervenientes estavam legalmente obrigados a apresentar e que, efetivamente, tivessem sido informados. Reside justamente aí a chave para o deslinde da questão posta nos presentes autos. Por oportuno, colacionamos as informações adicionais prestadas pela recorrente no seu Pedido de Visita Aduaneira (fl. 13): Nitidamente, se constata que, no caso, não se trata de falta de informação, pois a ora recorrente informou, de fato, que não desembarcaria nenhum passageiro. Assim, por um lado, se era certo que a agência não estava obrigada por lei a prestar a informação, por outro, também é certo que, ao fazêlo de forma espontânea, estava obrigada a prestar uma informação correta e fidedigna, pois agindo de forma contrária estaria impactando no preparo de eventual fiscalização. Ademais, é importantíssimo notar que a empresa informou também não haver passageiros em trânsito, somente passageiros a embarcar, conseqüentemente, isto significava Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11128.005045/200816 Acórdão n.º 3002000.415 S3C0T2 Fl. 110 8 que o navio atracaria no Porto de Santos proveniente do exterior sem passageiros a bordo. Nesse ponto, repisese que a contribuinte estava legalmente obrigada a informar a quantidade de passageiros a bordo. Dessa forma, a partir desses dados, não haveria razão para a Alfândega do Porto se preparar e planejar uma fiscalização. Com efeito, considerando as declarações incorretas prestadas pela recorrente no Pedido de Visita Aduaneira, não há como negar que sua atitude embaraçou e dificultou a fiscalização e, por isso, vislumbrase correta a aplicação da penalidade prevista na alínea "c" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo integralmente o Crédito Tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.720168/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Inicialmente é necessário esclarecer que o presente feito compreende um lote de 36 processos conexos, todos eles relativos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS apurados pelo regime da nãocumulatividade nos anos calendários de 2003 a 2008. Tratamse dos seguintes processos: PROCESSO ACÓRDÃO DRJ TRIBUTO PERÍODO 10320.720149/201020 0830.513 PIS 2ª Trim 2003 10320.720150/201054 0831.407 PIS 3ª Trim 2003 13338.000103/200441 0831.247 PIS 1ª Trim 2004 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .7 20 16 8/ 20 10 -5 6 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10320.720168/201056 Resolução nº 3201001.438 S3C2T1 Fl. 3 2 10320.720152/201043 0830.749 PIS 2ª Trim 2004 13338.000011/200542 0831.246 PIS 3ª Trim 2004 10320.720169/201009 0831.237 COFINS 4ª Trim 2004 10320.720047/201012 0830.748 COFINS 1ª Trim 2005 10320.720155/201087 0830.750 PIS 1º Trim 2005 19647.012516/200542 0825.611 COFINS Abril/2005 13338.000155/200680 0830.757 COFINS 2ª Trim 2005 10320.720156/201021 0830.751 PIS 2º Trim 2005 19647.007420/200562 0822.687 PIS 3ª Trim 2005 10320.720157/201076 0830.752 PIS 3º Trim 2005 10320.720170/201025 0830.755 COFINS 3º Trim 2005 10320.720158/201011 0830.753 PIS 4ª Trim 2005 10320.720171/201070 0830.931 COFINS 4º Trim 2005 10320.720159/201065 0830.936 PIS 1º Trim 2006 10320.720172/201014 0831.238 COFINS 1º Trim 2006 10320.720160/201090 0830.927 PIS 2º Trim 2006 10320.720161/201034 0830.928 PIS 3ª Trim 2006 10320.720174/201011 0830.933 COFINS 3º Trim 2006 10320.720162/201089 0830.929 PIS 4º Trim 2006 10320.720175/201058 0830.934 COFINS 4º Trim 2006 10320.720163/201023 0830.930 PIS 1º Trim 2007 10320.720164/201078 0830.937 PIS 2º Trim 2007 10320.720177/201047 0830.938 COFINS 2º Trim 2007 10320.720165/201012 0831.233 PIS 3º Trim 2007 10320.720178/201091 0831.239 COFINS 3º Trim 2007 10320.720166/201067 0831.234 PIS 4º Trim 2007 10320.720179/201036 0831.240 COFINS 4º Trim 2007 10320.720167/201010 0831.235 PIS 1º Trim 2008 10320.720180/201061 0831.241 COFINS 1º Trim 2008 10320.720168/201056 0831.236 PIS 2º Trim 2008 10320.720181/201013 0831.242 COFINS 2º Trim 2008 10320.720182/201050 0831.243 COFINS 3º Trim 2008 10320.720183/201002 0831.408 COFINS 4ª Trim 2008 Desse modo, a presente Resolução será replicada em todos os processos acima referidos, devendose, na execução do julgado, observarse aquilo que se aplica a cada um dos fatos geradores abrangidos. Como dito, tratamse de diversos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS oriundos da aquisição de bens e serviços utilizados na fabricação de bens exportados para o mercado externo, apurados trimestralmente, além de um Auto de Infração. Conforme Relatório Fiscal integrante do Despacho Decisório: (...) o não reconhecimento do crédito se deu em virtude de vários fatores, compreendendo cômputo de outras receitas registradas na escrituração contábil (livro razão) e fiscal (livros registro de entrada, registro de saída, apuração de IPI, inventário etc) não informadas pelo Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10320.720168/201056 Resolução nº 3201001.438 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuinte no Dacon, bem como glosa de créditos informados no Dacon, mas não respaldados na contabilidade, incidentes sobre gastos ou despesas: Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10320.720168/201056 Resolução nº 3201001.438 S3C2T1 Fl. 5 4 A Recorrente apresentou Manifestações de Inconformidade e Impugnação solicitando o reconhecimento integral do crédito postulado. Após exame, a DRJ proferiu acórdão assim ementado (ajustandose, apenas, para cada processo, o tributo PIS ou COFINS e o período de apuração): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE PERÍCIA. CARÁTER TÉCNICO DA PROVA. A perícia é meio de prova destinado a exames que requeiram conhecimento técnico específico. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10320.720168/201056 Resolução nº 3201001.438 S3C2T1 Fl. 6 5 processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A partir de dezembro de 2002, a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. RECEITA FINANCEIRA. ALÍQUOTA ZERO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir de agosto de 2004, estão sujeitas à alíquota zero as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime nãocumulativo. As receitas submetidas à alíquota zero não integram a base de cálculo da contribuição. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Quando adquiridos, os bens e serviços utilizados como insumo geram direito ao crédito na incidência nãocumulativa da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES. O fato de a pessoa jurídica fornecedora do bem enquadrado como insumo ser optante pelo Simples não obsta o direito de crédito do adquirente, relativamente ao valor pago. INSUMO. FORNECEDOR PESSOA FÍSICA. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OU PRESTADOR. SITUAÇÃO FISCAL IRREGULAR. A situação fiscal irregular do fornecedor ou prestador não constitui obstáculo ao creditamento sobre o valor de bens e serviços. FALTA DE PROVA. UTILIZAÇÃO COMO INSUMO. Incumbe ao manifestante comprovar que determinado bem ou serviço, sobre o qual pleiteia creditamento, foi utilizado como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10320.720168/201056 Resolução nº 3201001.438 S3C2T1 Fl. 7 6 RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, utilizados na fabricação de bens destinados à venda, devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. RESSARCIMENTO. SERVIÇO. INSUMO. Na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre gastos incorridos com serviços utilizados como insumo, desde que pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. RESSARCIMENTO. ENERGIA ELÉTRICA. Podem ser descontados créditos da Cofins e do PIS/Pasep Nãocumulativos sobre os gastos totais com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. RESSARCIMENTO. COMBUSTÍVEIS. O gasto com combustíveis utilizados como insumos na fabricação de produtos gera crédito na apuração da Cofins e do PIS/Pasep Não Cumulativos, ainda que submetidos à tributação monofásica com base em alíquota diferenciada, sendo os créditos calculados, todavia, com base nas alíquotas padrões. FRETE NA COMPRA DE INSUMOS. Não há previsão legal para apurar créditos de frete nas operações de compra. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em ParteA O acórdão recorrido, portanto, afastou as seguintes glosas: (i) receitas financeiras (determinou a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições); (ii) bens adquiridos e não integralmente pagos aos fornecedores no mesmo trimestre de apuração (aplicação do regime de competência); (iii) bens adquiridos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10320.720168/201056 Resolução nº 3201001.438 S3C2T1 Fl. 8 7 (iv) créditos adquiridos de pessoas jurídicas com irregularidades, posto que não comprovado pela Fiscalização a inaptidão do respectivos CNPJs; As glosas mantidas foram as seguintes: (v) receitas de recuperação de despesas (manteve as receitas de recuperação de despesas na base de cálculo das contribuições) (vi) carvão adquirido de produtores rurais pessoas físicas, portanto, não sujeitos à incidência do PIS e da COFINS; (vii) serviços utilizados como insumos, em razão destes não estarem devidamente escriturados em DACON e, também, pela ausência de demonstração da sua inserção no "conceito funcional de insumo"; (viii) aquisição de energia elétrica em razão de divergências entre os livros fiscais e os balancetes de verificação; (ix) frete sobre operações de compra, por ausência de previsão legal; (x) "outros valores com direito a crédito", por ausência de comprovação da natureza de tais créditos Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, requerendo: (a) o afastamento da declaração de preclusão do direito à apresentação de documentos probatórios; (b) o afastamento do critério físico na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos, com a utilização dos conceitos de custos necessários à obtenção de receita, conforme legislação do Imposto de Renda; (c) a autorização para a apropriação de créditos sobre a aquisição de carvão de pessoas físicas, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; (d) a autorização para apropriação de créditos decorrentes da aquisição de insumos, ainda que não escriturados corretamente em DACON (erro material), bem como pela negativa imposta de comprovação da sua essencialidade; (e) a autorização para apropriação de créditos em decorrência da aquisição de energia elétrica, consumida no processo produtivo, devendo ser afastadas eventuais inconsistências verificadas em DACON; (f) a legitimidade da apropriação de créditos sobre quisição de fretes, seja nas operações de venda, seja nas aquisições; (g) autorização para a apropriação de créditos diversos decorrentes da aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo; Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10320.720168/201056 Resolução nº 3201001.438 S3C2T1 Fl. 9 8 (h) requer a conversão do feito em diligência para a realização de perícia contábil para a verificação dos alegados erros de declaração e, também, da essencialidade dos insumos adquiridos; (i) por fim, requer seja determinada a aplicação da correção monetária sobre o crédito tributário a ser ressarcido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio ou por redistribuição em razão de conexão. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme se verifica pelo relato dos fatos, o presente feito abrange tanto discussões exclusivamente de direito, como aspectos relacionados à materialidade do crédito tributário, quanto questões relativas aos cálculos de apuração do crédito tributário. Nesse aspecto, 2 (duas) questões sobressaltam e, a meu ver, demandam melhor análise dos fatos: (i) existência de divergências entre valores declarados em DACON e escriturados em documentos contábeis; (ii) essencialidade de itens ao processo produtivo da Recorrente. Quanto ao primeiro, tenho que deve se observar, na hipótese dos autos, o princípio da verdade material a ser perseguido no curso do procedimento administrativo de constituição do crédito tributário. Por óbvio, a aplicação de tal princípio deve estar calcada na necessária observância ao ônus da prova. Tratandose de apuração de créditos de PIS e COFINS, cabe ao contribuinte demonstrar a existência do seu direito. Verifico que a Recorrente, em sua defesa e em seu Recurso Voluntário, apresentou alegações e documentos pelos quais busca legitimar os valores dos créditos considerados em sua apuração, especialmente com relação aos seguintes pontos, conforme redação utilizada pelo Acórdão recorrido: "(...)despesas incorridas com serviços prestados por pessoa jurídica, declaradas pelo contribuinte no Dacon como utilizados como insumo, mas não verificadas na sua escrituração (...)". "(...) despesas com energia elétrica, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas não integralmente comprovadas na escrituração (...)" Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10320.720168/201056 Resolução nº 3201001.438 S3C2T1 Fl. 10 9 "(...) despesas com armazenagem e frete, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas em valores significativamente inferiores aos comprovados na escrituração (...)" "(...) crédito relativo a outras operações com direito a crédito, identificada na linha 13 da ficha 6 do Dacon (...)" Embora o acórdão proferido tenha se manifestado acerca das alegações de erros cometidos pela Recorrente, não adentrou acerca da análise específica dos documentos apresentados, limitandose a concluir que competia ao contribuinte, ao prestar suas informações, trazer maiores especificações e detalhamentos. Assim, ainda sem concluir pela prestabilidade ou não dos esclarecimentos e documentos apresentados pela Recorrente, entendo que tais demonstrações não restaram devidamente examinadas pelo acórdão recorrido, merecendo melhor análise. Quanto ao segundo aspecto, atinente aos insumos aplicados ao processo produtivo da Recorrente, sabese que, há muito, a jurisprudência deste CARF vinha se firmando no conceito da essencialidade como critério autorizador à tomada de créditos no regime não cumulativo do PIS e da COFINS. Tal entendimento foi recentemente chancelado pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de controvérsia, portanto, de observância obrigatória por este órgão julgador: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10320.720168/201056 Resolução nº 3201001.438 S3C2T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Assim, para a análise acerca da legitimidade das glosas efetuadas pela Fiscalização, necessário perquirir acerca da natureza de tais insumos e a sua essencialidade ao processo produtivo, aspecto não adentrado, seja em sede de lançamento, seja pela decisão de primeiro grau. Pelo exposto, voto por converter o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora intime o contribuinte para, no prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável por mais 30 (trinta) dias: (i) apresentar, de forma detalhada, quais os erros de declaração existentes em suas DACONs, indicando, com o devido lastro probatório, os corretos valores a serem observado, podendo a Autoridade lançadora solicitar especificamente os documentos que entenda necessários para tal comprovação; (ii) apresentar laudo descritivo da sua atividade operacional, indicando, para cada um dos itens (insumos) objeto de glosa, sua aplicação e essencialidade ao seu processo produtivo. Após, deverá a Autoridade Lançadora se manifestar acerca das informações e documentos apresentados pela Contribuinte, notadamente no que se refere aos alegados erros de preenchimento das DACONs e respectivos documentos probatórios, apresentando relatório conclusivo. Concluído, abrase novo prazo de (30) trinta dias para que a Recorrente se manifeste acerca do Relatório Fiscal. Ao final, retornemse os autos para julgamento. Esclareço que o prazo concedido é único e aplicase a todos os processos objeto da presente Resolução. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.720155/2010-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Inicialmente é necessário esclarecer que o presente feito compreende um lote de 36 processos conexos, todos eles relativos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS apurados pelo regime da nãocumulatividade nos anos calendários de 2003 a 2008. Tratamse dos seguintes processos: PROCESSO ACÓRDÃO DRJ TRIBUTO PERÍODO 10320.720149/201020 0830.513 PIS 2ª Trim 2003 10320.720150/201054 0831.407 PIS 3ª Trim 2003 13338.000103/200441 0831.247 PIS 1ª Trim 2004 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .7 20 15 5/ 20 10 -8 7 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10320.720155/201087 Resolução nº 3201001.425 S3C2T1 Fl. 3 2 10320.720152/201043 0830.749 PIS 2ª Trim 2004 13338.000011/200542 0831.246 PIS 3ª Trim 2004 10320.720169/201009 0831.237 COFINS 4ª Trim 2004 10320.720047/201012 0830.748 COFINS 1ª Trim 2005 10320.720155/201087 0830.750 PIS 1º Trim 2005 19647.012516/200542 0825.611 COFINS Abril/2005 13338.000155/200680 0830.757 COFINS 2ª Trim 2005 10320.720156/201021 0830.751 PIS 2º Trim 2005 19647.007420/200562 0822.687 PIS 3ª Trim 2005 10320.720157/201076 0830.752 PIS 3º Trim 2005 10320.720170/201025 0830.755 COFINS 3º Trim 2005 10320.720158/201011 0830.753 PIS 4ª Trim 2005 10320.720171/201070 0830.931 COFINS 4º Trim 2005 10320.720159/201065 0830.936 PIS 1º Trim 2006 10320.720172/201014 0831.238 COFINS 1º Trim 2006 10320.720160/201090 0830.927 PIS 2º Trim 2006 10320.720161/201034 0830.928 PIS 3ª Trim 2006 10320.720174/201011 0830.933 COFINS 3º Trim 2006 10320.720162/201089 0830.929 PIS 4º Trim 2006 10320.720175/201058 0830.934 COFINS 4º Trim 2006 10320.720163/201023 0830.930 PIS 1º Trim 2007 10320.720164/201078 0830.937 PIS 2º Trim 2007 10320.720177/201047 0830.938 COFINS 2º Trim 2007 10320.720165/201012 0831.233 PIS 3º Trim 2007 10320.720178/201091 0831.239 COFINS 3º Trim 2007 10320.720166/201067 0831.234 PIS 4º Trim 2007 10320.720179/201036 0831.240 COFINS 4º Trim 2007 10320.720167/201010 0831.235 PIS 1º Trim 2008 10320.720180/201061 0831.241 COFINS 1º Trim 2008 10320.720168/201056 0831.236 PIS 2º Trim 2008 10320.720181/201013 0831.242 COFINS 2º Trim 2008 10320.720182/201050 0831.243 COFINS 3º Trim 2008 10320.720183/201002 0831.408 COFINS 4ª Trim 2008 Desse modo, a presente Resolução será replicada em todos os processos acima referidos, devendose, na execução do julgado, observarse aquilo que se aplica a cada um dos fatos geradores abrangidos. Como dito, tratamse de diversos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS oriundos da aquisição de bens e serviços utilizados na fabricação de bens exportados para o mercado externo, apurados trimestralmente, além de um Auto de Infração. Conforme Relatório Fiscal integrante do Despacho Decisório: (...) o não reconhecimento do crédito se deu em virtude de vários fatores, compreendendo cômputo de outras receitas registradas na escrituração contábil (livro razão) e fiscal (livros registro de entrada, registro de saída, apuração de IPI, inventário etc) não informadas pelo Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10320.720155/201087 Resolução nº 3201001.425 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuinte no Dacon, bem como glosa de créditos informados no Dacon, mas não respaldados na contabilidade, incidentes sobre gastos ou despesas: Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10320.720155/201087 Resolução nº 3201001.425 S3C2T1 Fl. 5 4 A Recorrente apresentou Manifestações de Inconformidade e Impugnação solicitando o reconhecimento integral do crédito postulado. Após exame, a DRJ proferiu acórdão assim ementado (ajustandose, apenas, para cada processo, o tributo PIS ou COFINS e o período de apuração): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE PERÍCIA. CARÁTER TÉCNICO DA PROVA. A perícia é meio de prova destinado a exames que requeiram conhecimento técnico específico. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10320.720155/201087 Resolução nº 3201001.425 S3C2T1 Fl. 6 5 processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A partir de dezembro de 2002, a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. RECEITA FINANCEIRA. ALÍQUOTA ZERO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir de agosto de 2004, estão sujeitas à alíquota zero as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime nãocumulativo. As receitas submetidas à alíquota zero não integram a base de cálculo da contribuição. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Quando adquiridos, os bens e serviços utilizados como insumo geram direito ao crédito na incidência nãocumulativa da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES. O fato de a pessoa jurídica fornecedora do bem enquadrado como insumo ser optante pelo Simples não obsta o direito de crédito do adquirente, relativamente ao valor pago. INSUMO. FORNECEDOR PESSOA FÍSICA. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OU PRESTADOR. SITUAÇÃO FISCAL IRREGULAR. A situação fiscal irregular do fornecedor ou prestador não constitui obstáculo ao creditamento sobre o valor de bens e serviços. FALTA DE PROVA. UTILIZAÇÃO COMO INSUMO. Incumbe ao manifestante comprovar que determinado bem ou serviço, sobre o qual pleiteia creditamento, foi utilizado como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10320.720155/201087 Resolução nº 3201001.425 S3C2T1 Fl. 7 6 RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, utilizados na fabricação de bens destinados à venda, devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. RESSARCIMENTO. SERVIÇO. INSUMO. Na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre gastos incorridos com serviços utilizados como insumo, desde que pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. RESSARCIMENTO. ENERGIA ELÉTRICA. Podem ser descontados créditos da Cofins e do PIS/Pasep Nãocumulativos sobre os gastos totais com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. RESSARCIMENTO. COMBUSTÍVEIS. O gasto com combustíveis utilizados como insumos na fabricação de produtos gera crédito na apuração da Cofins e do PIS/Pasep Não Cumulativos, ainda que submetidos à tributação monofásica com base em alíquota diferenciada, sendo os créditos calculados, todavia, com base nas alíquotas padrões. FRETE NA COMPRA DE INSUMOS. Não há previsão legal para apurar créditos de frete nas operações de compra. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em ParteA O acórdão recorrido, portanto, afastou as seguintes glosas: (i) receitas financeiras (determinou a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições); (ii) bens adquiridos e não integralmente pagos aos fornecedores no mesmo trimestre de apuração (aplicação do regime de competência); (iii) bens adquiridos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10320.720155/201087 Resolução nº 3201001.425 S3C2T1 Fl. 8 7 (iv) créditos adquiridos de pessoas jurídicas com irregularidades, posto que não comprovado pela Fiscalização a inaptidão do respectivos CNPJs; As glosas mantidas foram as seguintes: (v) receitas de recuperação de despesas (manteve as receitas de recuperação de despesas na base de cálculo das contribuições) (vi) carvão adquirido de produtores rurais pessoas físicas, portanto, não sujeitos à incidência do PIS e da COFINS; (vii) serviços utilizados como insumos, em razão destes não estarem devidamente escriturados em DACON e, também, pela ausência de demonstração da sua inserção no "conceito funcional de insumo"; (viii) aquisição de energia elétrica em razão de divergências entre os livros fiscais e os balancetes de verificação; (ix) frete sobre operações de compra, por ausência de previsão legal; (x) "outros valores com direito a crédito", por ausência de comprovação da natureza de tais créditos Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, requerendo: (a) o afastamento da declaração de preclusão do direito à apresentação de documentos probatórios; (b) o afastamento do critério físico na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos, com a utilização dos conceitos de custos necessários à obtenção de receita, conforme legislação do Imposto de Renda; (c) a autorização para a apropriação de créditos sobre a aquisição de carvão de pessoas físicas, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; (d) a autorização para apropriação de créditos decorrentes da aquisição de insumos, ainda que não escriturados corretamente em DACON (erro material), bem como pela negativa imposta de comprovação da sua essencialidade; (e) a autorização para apropriação de créditos em decorrência da aquisição de energia elétrica, consumida no processo produtivo, devendo ser afastadas eventuais inconsistências verificadas em DACON; (f) a legitimidade da apropriação de créditos sobre quisição de fretes, seja nas operações de venda, seja nas aquisições; (g) autorização para a apropriação de créditos diversos decorrentes da aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo; Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10320.720155/201087 Resolução nº 3201001.425 S3C2T1 Fl. 9 8 (h) requer a conversão do feito em diligência para a realização de perícia contábil para a verificação dos alegados erros de declaração e, também, da essencialidade dos insumos adquiridos; (i) por fim, requer seja determinada a aplicação da correção monetária sobre o crédito tributário a ser ressarcido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio ou por redistribuição em razão de conexão. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme se verifica pelo relato dos fatos, o presente feito abrange tanto discussões exclusivamente de direito, como aspectos relacionados à materialidade do crédito tributário, quanto questões relativas aos cálculos de apuração do crédito tributário. Nesse aspecto, 2 (duas) questões sobressaltam e, a meu ver, demandam melhor análise dos fatos: (i) existência de divergências entre valores declarados em DACON e escriturados em documentos contábeis; (ii) essencialidade de itens ao processo produtivo da Recorrente. Quanto ao primeiro, tenho que deve se observar, na hipótese dos autos, o princípio da verdade material a ser perseguido no curso do procedimento administrativo de constituição do crédito tributário. Por óbvio, a aplicação de tal princípio deve estar calcada na necessária observância ao ônus da prova. Tratandose de apuração de créditos de PIS e COFINS, cabe ao contribuinte demonstrar a existência do seu direito. Verifico que a Recorrente, em sua defesa e em seu Recurso Voluntário, apresentou alegações e documentos pelos quais busca legitimar os valores dos créditos considerados em sua apuração, especialmente com relação aos seguintes pontos, conforme redação utilizada pelo Acórdão recorrido: "(...)despesas incorridas com serviços prestados por pessoa jurídica, declaradas pelo contribuinte no Dacon como utilizados como insumo, mas não verificadas na sua escrituração (...)". "(...) despesas com energia elétrica, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas não integralmente comprovadas na escrituração (...)" Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10320.720155/201087 Resolução nº 3201001.425 S3C2T1 Fl. 10 9 "(...) despesas com armazenagem e frete, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas em valores significativamente inferiores aos comprovados na escrituração (...)" "(...) crédito relativo a outras operações com direito a crédito, identificada na linha 13 da ficha 6 do Dacon (...)" Embora o acórdão proferido tenha se manifestado acerca das alegações de erros cometidos pela Recorrente, não adentrou acerca da análise específica dos documentos apresentados, limitandose a concluir que competia ao contribuinte, ao prestar suas informações, trazer maiores especificações e detalhamentos. Assim, ainda sem concluir pela prestabilidade ou não dos esclarecimentos e documentos apresentados pela Recorrente, entendo que tais demonstrações não restaram devidamente examinadas pelo acórdão recorrido, merecendo melhor análise. Quanto ao segundo aspecto, atinente aos insumos aplicados ao processo produtivo da Recorrente, sabese que, há muito, a jurisprudência deste CARF vinha se firmando no conceito da essencialidade como critério autorizador à tomada de créditos no regime não cumulativo do PIS e da COFINS. Tal entendimento foi recentemente chancelado pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de controvérsia, portanto, de observância obrigatória por este órgão julgador: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10320.720155/201087 Resolução nº 3201001.425 S3C2T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Assim, para a análise acerca da legitimidade das glosas efetuadas pela Fiscalização, necessário perquirir acerca da natureza de tais insumos e a sua essencialidade ao processo produtivo, aspecto não adentrado, seja em sede de lançamento, seja pela decisão de primeiro grau. Pelo exposto, voto por converter o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora intime o contribuinte para, no prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável por mais 30 (trinta) dias: (i) apresentar, de forma detalhada, quais os erros de declaração existentes em suas DACONs, indicando, com o devido lastro probatório, os corretos valores a serem observado, podendo a Autoridade lançadora solicitar especificamente os documentos que entenda necessários para tal comprovação; (ii) apresentar laudo descritivo da sua atividade operacional, indicando, para cada um dos itens (insumos) objeto de glosa, sua aplicação e essencialidade ao seu processo produtivo. Após, deverá a Autoridade Lançadora se manifestar acerca das informações e documentos apresentados pela Contribuinte, notadamente no que se refere aos alegados erros de preenchimento das DACONs e respectivos documentos probatórios, apresentando relatório conclusivo. Concluído, abrase novo prazo de (30) trinta dias para que a Recorrente se manifeste acerca do Relatório Fiscal. Ao final, retornemse os autos para julgamento. Esclareço que o prazo concedido é único e aplicase a todos os processos objeto da presente Resolução. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 364DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.722128/2014-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 09/09/2014
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
Numero da decisão: 3301-005.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1498; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.722128/201443 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.109 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO Recorrente MULTIMEX S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 09/09/2014 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 21 28 /2 01 4- 43 Fl. 35826DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo a exigência da multa substitutiva da pena de perdimento em razão da falta de comprovação da origem lícita, da disponibilidade e da transferência dos recursos empregados na operação de importação, tendo se por configurado dano ao Erário em razão da interposição fraudulenta presumida na importação. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu a declaração de nulidade do auto de infração ou, alternativamente, o cancelamento da ação fiscal, em razão da ausência de provas da prática das infrações apontadas, cancelandose a pena de perdimento imposta e extinguindose, por conseguinte, o respectivo processo administrativo. Foram apresentados os seguintes argumentos de defesa (ora descritos de forma sintética); a) nulidade da autuação por vício no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em razão de ofensa aos princípios da legalidade, impessoalidade, isonomia, publicidade e quanto aos critérios norteadores da seleção para a nova fiscalização, bem como vício formal consistente na falta de autorização da autoridade competente para deflagrar o procedimento especial e vícios materiais decorrentes da imposição de restrições e exigências ao arrepio da lei; b) o auto de infração encontrase sedimentado em presunções, carregadas de subjetividade, devendo ser também no campo do provável que deveriam ser usados os argumentos da Impugnante, sempre em estrita obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade admitidas em direito; c) quem não importou nem adquiriu mercadorias estrangeiras não pode ser sujeito da aplicação da penalidade de perdimento; d) foram apresentados os documentos requeridos pela Fiscalização, ainda que não na forma e nos formatos digitais requeridos, o que por si só não configura interposição fraudulenta presumida; e) regularidade da empresa como importadora, licitude e legalidade das importações da forma realizadas; f) ofensa ao princípio da verdade material, dada a impropriedade da alegação de interposição fraudulenta presumida; g) inexistência de falsidade ideológica e inexistência de simulação de negócio jurídico; h) ausência de demonstração do dolo específico de fraudar e impossibilidade de caracterização da infração de interposição fraudulenta; Fl. 35827DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 4 3 i) ausência de dano ao erário em razão do não cometimento das alegadas infrações (presunção de inocência) e em face do recolhimento dos tributos incidentes. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16068.082, julgou improcedente a Impugnação, considerando configurado o dano ao erário e aplicável a pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao seu valor aduaneiro. Afirmou, ainda, a autoridade julgadora que a presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindose ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações; e que a incidência do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 é específica para a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros onde o importador de fato (sujeito passivo oculto/real comprador) encontrase identificado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos da Impugnação. Na análise do Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF decidiu converter o julgamento da lide em diligência, com vistas a se verificar a existência de conexão entre este processo e outros processos administrativos. É o relatório. Fl. 35828DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.088, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 12466.720114/201576, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.088): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A primeira alegação preliminar feita pela recorrente foi quanto à nulidade da intimação do Auto de Infração por edital, uma vez que a recorrente possuía endereço certo e sabido. Conforme se consignou na decisão recorrida, houve mudança de endereço da Recorrente, mas a Fiscalização envidou esforços e logrou a efetiva intimação da contribuinte, conforme excerto abaixo (fl. 7201): A MULTIMEX recebeu sua correspondência no novo endereço em 15/05/2014. Nesse termo, intimouse a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por conta própria, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução, no prazo de 5 (cinco) dias úteis. Também a empresa foi cientificada do indeferimento da prorrogação de prazo para entrega dos arquivos digitais, solicitada na resposta de 29/04/2014. Importante destacar que, em 16/05/2014, compareceu perante a fiscalização procurador com poderes substabelecidos, que tomou ciência do TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040006, conforme TERMO DE CIÊNCIA PESSOAL (CIÊNCIA PESSOAL 2014 00040 006). Em 14/05/2014, a MULTIMEX apresentou resposta (RESPOSTA 14 05 2014) ao TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO 201400040005. Foi através desse termo que a fiscalização comunicou à MULTIMEX sua inclusão no procedimento previsto na 228/2002, e a intimamos a apresentar livros, documentos e informações relativas ao período de 2014 incluído na fiscalização. Portanto, a fiscalização observou à legislação aplicável. Dessa forma, mantémse o entendimento da decisão recorrida nessa preliminar. Alega adiante (item III.1) a preliminar de nulidade do procedimento de fiscalização porque o Fiscal teria aplicado o procedimento especial da IN 228/02 sem prévia autorização do inspetor da Alfândega ou da Coana. Cumpre anotar que o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento administrativo, cujo eventual descumprimento poderia levar a efeitos administrativofuncionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a realização da fiscalização, nem Fl. 35829DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 6 5 para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc, abaixo transcrito: Art. 2º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1,192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; A recorrente alegou que a fiscalização não provou a imprestabilidade da contabilidade, nem a falta de origem lícita e disponibilidade dos recursos e presumiu que todas as importações foram fraudulentas. Neste ponto, conforme já informado na decisão recorrida, as alegações de falta de prova por parte da fiscalização a validar a presunção do § 2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, e as alegações de ilegalidade, atipicidade e cerceamento de defesa estão ligadas à produção probatória confundemse com o mérito. Salientase que a descrição dos fatos foi clara no sentido de aplicação da multa prevista no § 3º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, transcrito abaixo, por presunção de interposição fraudulenta prevista em seu § 2º, abaixo transcrito, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for Fl. 35830DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 7 6 localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O mérito do litígio se concentra na comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos. Neste ponto, a recorrente arguiu que a fiscalização não provou que a contribuinte não possuía capacidade financeira, mas apenas presumiu, a partir da imprestabilidade da contabilidade mercantil, tal incapacidade. Alega a Recorrente que comprovou a origem lícita de recursos; demonstrando que obteve (fl. 7269): financiamento bancário efetivo, reiterado e contínuo ao longo dos anos para seu capital de giro; desconto de duplicatas em bancos de suas vendas no mercado nacional, gerando capital de giro; financiamento especial (FINIMP) na importação de máquinas e equipamentos para seu capital de giro; concessão de linha de crédito por seus fornecedores, de seus principais e maiores produtos, o que lhe permitiu fluxo de caixa com a origem de recursos dos seus próprios fornecedores no exterior. fluxo de caixa decorrente de suas vendas realizadas no mercado interno; fluxo de caixa decorrente dos recursos auferidos por meio das subvenções para investimento e/ou benefícios fiscais concedidas pelos Estados, especialmente de Rondônia e Espírito Santo, relativo ao ICMS; Ressaltese que a acusação fiscal é de que o importador MULTIMEX não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior. Tratandose de importação por encomenda, é o importador o responsável pela aquisição da mercadoria no exterior, efetuando o pacto de compra e venda e sendo o responsável pelo pagamento do preço da mercadoria e das despesas de sua nacionalização. Assim, deve dispor de capacidade econômicofinanceira para tanto. A partir de indícios de incompatibilidade entre o volume transacionado e a capacidade econômicofinanceira da recorrente, a fiscalização deu início ao procedimento especial da IN SRF 228/2002 tendente à verificação da comprovação da origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. Das intimações, restou evidenciado que a contabilidade era imprestável, pois não apresentava os lançamentos relativos às movimentações financeiras, inclusive bancárias. Após intimações e reintimações, a recorrente também não entregou os extratos bancários, informando que estariam representados nos demonstrativos contábeis, as planilhas de formação de preços que identificam os custos e despesas incorridos nas importações, alegou não possuir os DANFES das notas fiscais emitidas, conforme consta do Auto de Infração (fl. 12): Em 29/04/2014, a MULTIMEX apresentou nova resposta (RESPOSTA 29 04 2014), onde informou, em resumo: alegou não ter condições nem conhecimentos técnicos para corrigir os leiautes dos arquivos da IN 86/2001, e solicitou mais 30 dias de prazo, que indeferimos, haja vista a constante demora no atendimento às intimações; alegou não possuir os DANFEs das NFe emitidas, e que não tem condições de apresentálos; apresentou uma caixa de arquivo morto contendo contratos de câmbio Fl. 35831DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 8 7 e, posteriormente, em 05/05/2014, complementou o atendimento apresentando mais duas caixas de arquivo morto com outros contratos de câmbio. Em relação ao pedido do extrato original das DI relativas às importações por conta própria, a Recorrente respondeu, conforme fl. 26/27 do Auto de Infração: que, devido à instauração do procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002, não tem condições de gerar faturamento e manter uma estrutura operacional mínima; que demitiu seus funcionários; e que não tem condições operacionais para separar os documentos e entregálos na forma solicitada, ou seja, agrupados por DI e em ordem cronológica. Requereu prorrogação de prazo até dia 06/06/2014. (...) Em 05/06/2014, intimamos a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por encomenda, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução. A empresa não apresentou resposta e não prestou qualquer esclarecimento, razão pela qual foi autuada também em relação a esses documentos, através do Auto de Infração nº 0727600/00401/14, consubstanciado no Processo Digital nº 12466.722001/201424. Assim, ao longo dos trabalhos não foram disponibilizados os documentos solicitados ou o foram em desordem, com pedidos de prorrogação de prazos por vezes sem justificativa, pois que se referiam a documentos e arquivos aos quais a recorrente estava, legalmente, obrigada a mantêlos em perfeita ordem. Alegou, a recorrente, a falta de funcionários e conhecimentos técnicos para proceder ao atendimento de algumas entregas de documentos e arquivos digitais da contabilidade. A fiscalização concluiu que (fl. 22): A empresa não apresentou os documentos de instrução das DI, e nem dispõe de contabilidade idônea. Os documentos citados pela MULTIMEX nem sempre identificam a operação de importação, e a empresa sequer foi capaz de apresentar os documentos de instrução por DI, quanto mais os comprovantes de despesas e custos. A inexistência desses controles gerenciais é claro indício de interposição fraudulenta, onde a empresa que registra a Declaração de Importação em seu nome não é o verdadeiro responsável pela operação, mas uma mera mandatária, que não tem o total controle das operações e não pretende expor ao Fisco a forma que as operações são realizadas, para não revelar a fraude. (grifouse) De fato, a análise da ECD de 2010, 2011 e 2012 revelou as seguintes incorreções (fl. 45 e seguintes): 1. Com relação à escrituração de 2010, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (11104) e “Estoques” (11107), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (111), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (11102), devem estar nesse agrupamento; b. A conta “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (111020025) só possuem dois lançamentos, no primeiro e último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: Fl. 35832DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 9 8 c. As contas de “Aplicações Financeiras” (11103) só possuem lançamentos no último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: 2. Com relação à escrituração do anocalendário 2011, as contas do Ativo Circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.1.01.001.5), no primeiro dia do ano, conforme abaixo: Data Cód.Conta Conta D/C Valor Saldo D/C Histórico Fl. 35833DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 10 9 3. Com relação à escrituração de 2012, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (1.11.04.0000) e “Estoques” (1.11.07.0000), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (1.11.00.0000), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (1.11.01.0001) e “Bancos Conta Movimento” (1.11.02.0000), devem estar nesse agrupamento; b. As contas do ativo circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.11.01.0001), no primeiro dia do ano, cujo histórico aponta que não houve movimento, conforme abaixo: Verificouse que a contabilidade de fato era imprestável para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação, pois não refletia as movimentações financeiras, especialmente as bancárias, efetuadas pela recorrente. Em resposta, a recorrente informou que tivera problemas com a contabilidade, que estaria empenhada em corrigila e solicitou prorrogações de prazo de 180 dias, embora tais problemas já eram de conhecimento da recorrente desde meados de 2012, quando já estava sendo fiscalizada em relação ao ano de 2008, cuja apresentação de ECD não fora cumprida. A fiscalização demonstrou que o Diário de 2010 possuía apenas 136 lançamentos, quase todos no primeiro e último dia do ano, sem qualquer vinculação com as operações efetuadas em cada DI, de modo a comprovar a disponibilidade dos recursos por ocasião do pagamento do preço e das despesas de tributos e outras aduaneiras. O Diário de 2011 possuía apenas um lançamento de Caixa a Capital Social e o de 2012, também um único lançamento de Caixa A Fornecedores. A fiscalização concedeu prazo até 28/05/2014 para apresentar a ECD de 2010 e até 28/07/2014 para apresentar as ECD de 2011, 2012 e 2013, mas a recorrente não cumpriu tais prazos e não prestou outros esclarecimentos. Posteriormente, apresentou a ECD de 2013, mas com apenas um lançamento de Caixa a Assistência Contábil de valor R$ 1,00 (cf. fl. 56). Está plenamente comprovada a imprestabilidade da contabilidade para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recurso utilizados nas operações de importação que giraram em torno de 2600 DI´s e R$ 33.423.039,79 no período de 2010 a 2014, sendo que deste montante, R$ 154.591.519,12 eram importações por conta própria. Sobre a exigência de se manter a escrituração contábil nas operações de importação e exportação está expressamente prevista no artigo 18 do Decreto nº 6.759/2009, assim como, de forma genérica, no artigo 251 do Decreto 3.000/1999 (RIR/99) e no artigo 509 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010): Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial Fl. 35834DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 11 10 estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): § 1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no 10.833, de 2003, art. 70, § 1º).(Grifo nossos) Por seu turno, a recorrente juntou em impugnação contratos de empréstimo e financiamento à importação com diversos bancos, às fls. 911 e seguintes (BICBANCO, Banco do Brasil, Banco Santander, Banco Real, Banco Itaú); relação de faturas comerciais de importação (invoices), relação de DI´s, saldos de aplicação e empréstimos em 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012, relatório do Banco Central do Brasil indicando as operações com os bancos referidos, relação de extratos de descontos de títulos liquidados com extratos bancários, cópia dos termos de entrega dos arquivos SINTEGRA de 2012, 2013 e 2014; contratos de venda de máquinas, lubrificantes e outros produtos, notas fiscais de serviços tomados, notas fiscais de prestação de serviços de manutenção de máquinas, extratos de folhas de pagamento, contrato de representação comercial dos produtos da MULTIMEX, relação de clientes. As origens foram resumidas nas planilhas de fls. 1604/1605, e seriam decorrentes de descontos de duplicatas, empréstimos e capital de giro, financiamento de importações, recebimento de operações próprias e por encomenda, créditos de subvenções e créditos concedidos por exportadores. Segundo a Recorrente, os referidos documentos comprovariam a capacidade econômicofinanceira da recorrente e que o registro contábil não é o único meio de prova, conforme artigo 6º da IN SRF nº 228/2002. Realmente, referidos documentos são indicativos da origem de recursos lícita, conforme dispõe o artigo 4º e 6º da IN SRF nº 228/2002, abaixo reproduzidos: Art. 4º Durante o procedimento especial de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar as seguintes informações, no prazo de 20 (vinte) dias:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) I o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) II a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) [...] Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contábeis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; II transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço; III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou de empréstimo, contendo: Fl. 35835DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 12 11 a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas; e c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. § 1º Quando a origem dos recursos for justificada mediante a apresentação de instrumento de contrato de empréstimo firmado com pessoa física ou com pessoa jurídica que não tenha essa atividade como objeto societário, o provedor dos recursos também deverá justificar a sua origem, disponibilidade e, se for o caso, efetiva transferência. § 2º Os elementos de prova referentes a transações financeiras deverão estar em conformidade com as práticas comerciais. § 3º No caso de comprovação baseada em recursos provenientes do exterior, além dos elementos de prova previstos no caput, deverá ser apresentada cópia do respectivo contrato de câmbio. § 4º Na hipótese do § 3º, caso o remetente dos recursos seja pessoa jurídica, deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. Porém, devese ter em mente que a comprovação deve ser da origem lícita, da transferência e da disponibilidade dos recursos empregados nas operações de importação. Como bem esclarecido na decisão recorrida, é um trinômio que se deve comprovar e não apenas a origem ou a transferência ou a disponibilidade. Se os contratos apresentados podem servir de comprovação de origem, certamente não são suficientes para comprovar a transferência ou a disponibilidade. Se os extratos comprovam a transferência da liquidação dos descontos de títulos, certamente não são suficientes para comprovar a disponibilidade para execução das operações. Do mesmo modo, apenas a escrituração contábil, desacompanhada dos referidos documentos, também não é suficiente para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos. Assim, é o conjunto probatório que deve se mostrar idôneo a comprovar o trinômio, ou seja, a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações. Tal distinção restou bem explanada no acórdão atacado, cujos fundamentos abaixo transcrevo (fl. 7397/7398): Há que se ter em mente que para fins de comprovação do financiamento de operações de comércio exterior o trinômio origem, disponibilidade e transferência deve ser interpretado como um critério indivisível. A comprovação da origem, da disponibilidade ou da transferência de recursos utilizados em operações de comércio exterior tomados de forma isolada, não atende o preceito da norma: possibilitar a completa ciência do fluxo de dinheiro de que se vale o importador. De outra forma, em não se adotando essa postura rígida, correse o sério risco de se deixar uma brecha que viabilize a utilização de transações com o exterior para operações destinadas à “lavagem de dinheiro”. Para a demonstração do grau desse risco, que é elevado, procedese primeiramente com a conceituação em separado de cada um dos três termos: Origem Diz respeito à gênese lícita do recurso. Deve ser demonstrada de onde o recurso provém – se decorrente de atividades lícitas ou não e se em sua obtenção foram observadas as normas de incidência tributária, quando for o caso. Fl. 35836DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 13 12 É muito comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. Esse tipo de prova evidência apenas que no momento de honrar a transação o importador possuía aquela disponibilidade e que de fato a importação foi paga. Mas a fiscalização nunca põe em dúvida a existência do recurso para adimplemento da transação. Se não houvesse o recurso o contrato de câmbio não seria fechado. O depósito em conta corrente limitase a demonstrar que ocorreu o pagamento da mercadoria importada na data avençada. Nada mais. Outros se limitam a alegar a integração do Contrato Social. Mas a questão perdura: O recurso que integralizou o Contrato Social é de origem lícita? Ao se falar em origem se quer saber o que ocasionou o surgimento do recurso na conta bancária do importador. O que propiciou o depósito. Sua causa. De onde e quando adveio. Qual sua efetiva contrapartida lícita. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. Disponibilidade É a demonstração que o importador possuía esse recurso disponível no exato momento de honrar a transação com o fornecedor externo (fechamento do câmbio). É a paridade entre a posse do numerário e o pagamento da obrigação na data em que ela ocorre. O importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior demonstra que vendeu um imóvel registrado em seu nome e que com aquele dinheiro iniciou suas operações de comércio exterior. A origem lícita do recurso resta demonstrada, mas quem garante que efetivamente aquele recurso foi utilizado para honrar a transação com o exterior? É necessário que se demonstre a posse desse recurso no momento do pagamento da obrigação. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lícita se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía aquele mesmo recurso. Ao se satisfazer com a origem lícita proveniente da venda de um imóvel, por exemplo, correse o sério risco de se permitir que recursos de origem ilícita financiem as operações de comércio exterior, tendo apenas por limite o valor da venda do imóvel. Quanto maior for o valor dessa venda, que serve para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior. Transferência É justamente a ligação entre a gênese e o destino do recurso. A demonstração de que o recurso permaneceu e migrou pelas vias regulares (legais) desde sua origem lícita até o adimplemento da obrigação com o fornecedor externo. É o que se denominou até então de seu “oferecimento a regular tributação”. Em outros termos, o recurso contabilizado à disposição da empresa para adimplir suas obrigações. Um exemplo que ilustra bem a interação dessas três condições é a situação em que determinada pessoa jurídica foi constituída com um capital totalmente integralizado em dinheiro. Para que esse valor seja admitido em operações de comércio exterior, é necessário: que os sócios possuam disponibilidade para realizar a integralização (rendimentos declarados tributáveis, isentos ou não tributados). Se o valor integralizado pelos sócios está justificado em suas declarações de imposto de renda, presumese tanto a origem licita quanto sua disponibilidade; e Fl. 35837DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 14 13 comprovar a efetiva transferência, que nesse caso se faz por meio de crédito em contacorrente da empresa, coincidindo em data e valor com a integralização de capital. Admitese também como prova o saque do valor correspondente nas contas correntes bancárias dos sócios. Ou seja, em pelo menos "uma das pontas" da cadeia, deve ficar demonstrada a movimentação do recurso. Se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica na sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. De nada vale exibir o saldo em conta corrente, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se o importador nenhum demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: A origem do recurso, sua disponibilidade no momento do fechamento do câmbio, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada importação praticada. O impugnante empresa MULTMEX alega no item (74) da impugnação: 74. Com relação ao Demonstrativo de Fluxo Financeiro, período compreendido entre 2010 e 2014, verificase que a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo em média superior a R$ 1.500.000,00. No ano, perfazia um fluxo de caixa positivo de R$ 17.000.000,00 considerando apenas receitas e despesas operacionais e empréstimos contraídos. Descontadas as despesas administrativas, o resultado continua positivo, em torno de R$ 4.330.287,89. Nos anos posteriores do período submetido à fiscalização, o fluxo de caixa situase na faixa de RS 20.000.000,00 sem considerar as despesas administrativas. Isso é clara evidência que a empresa possuía recursos suficientes a sustentar suas atividades. Como dito, é comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. É preciso que se demonstre a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lastreada no volume de transações da empresa importadora se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía o recurso. Quanto maior for esse volume, que serviria em princípio para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. E é onde a argumentação do impugnante nos remete: apresenta como origem um capital de giro anual da ordem de anual total de RS 89.537.008,96, o que corresponde a uma média mensal de R$ 7.461.418,00, mas é incapaz de demonstrar a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, dada que sua contabilidade é imprestável como será visto a seguir. Sem a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, fica caracterizada a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX alega nos itens (78) e (79) da impugnação: 78. Assim, a contribuinte tanto valese de recursos próprios para importar mercadorias e nacionalizálas, como importa por conta e ordem de terceiros. O rol de atividades da contribuinte é vastíssimo, inclusive exercendo atividades de industrialização, remanufatura e diversas exportações. 79. Muito embora não tenha apresentado as demonstrações contábeis referentes aos exercidos abrangidos pela ação fiscal, nos exatos termos Fl. 35838DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 15 14 requeridos pela Fiscalização, os documentos acima colacionados constituem provas de que a contribuinte desenvolve atividades empresariais de forma lícita, bem como que dispunha de recursos próprios para empregar nas atividades de comércio exterior, empréstimos e financiamentos bancários e de fornecedores estrangeiros. Finalizando, importa considerar ainda que o volume das operações praticado pela Impugnante por mais de uma década não permite que sem qualquer critério a Fiscalização Aduaneira simplesmente declare que não houve comprovação de origem de recursos. De modo algum, pois sem a apresentação das demonstrações contábeis é inviável a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, o que implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX aborda esse assunto nos itens (97), (98) e (99) da impugnação: 97. Resta, porém, verificar se a imprestabilidade da contabilidade, poderia ser óbice insuperável, como quer a douta Fiscalização, à constatação que a contribuinte possuía condições econômicas, financeiras e operacionais para exercer suas atividades e realizar as operações de comércio exterior a que se propôs. 98. Na verdade, não poderia. Não poderia porque, como demonstrado, não há na legislação de regência norma jurídica que determine que somente os demonstrativos contábeis podem ser utilizados para fins de comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Na verdade, todos os meios admitidos em direito são válidos para se fazer a prova, ao contrário do que de forma subjetiva, discricionária, abusiva e arbitrária estabeleceu a Fiscalização. 99. Conforme demonstrado, a douta Fiscalização teve acesso aos dados de um auto de infração lavrado pela Delegada da Receita Federal em Vitória/ES, onde consta o balanço patrimonial de 2009 da MULTIMEX. Nesse balanço há provas suficientes que a Impugnante possuía recursos com origem lícita capaz de fazer frente às suas operações de comércio exterior (doc.2). Da análise das disponibilidades, do estoque declarado, do capital social e da reserva de lucro, bem como da capacidade de financiamento das operações, verificase facilmente a capacidade econômica e financeira da Impugnante. Ou seja, a referida demonstração contábil faz prova a favor da Impugnante. Não é possível atender o trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA a partir de um balanço patrimonial. Eventualmente, e vamos frisar que é uma situação bastante eventual, o importador até poderia identificar a origem dos recursos, mas jamais sua DISPONIBILIDADE e TRANSFERÊNCIA, pois como se sabe o balanço patrimonial reproduz uma situação estática, enquanto que as operações de importação são transações dinâmicas. De nada vale demonstrar que a empresa possuía o recurso no início do ano se não for comprovado que esse mesmo recurso financiou uma operação de importação em meados de setembro. Tal qual reproduzido no ‘ (74) da impugnação, é afirmado que ... a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo de origem de receitas e de recursos proveniente de descontos de duplicatas, empréstimos bancários para capital de giro, Finimp, valores recebidos de operações próprias e de encomenda e por créditos concedidos pelos exportadores, seja nas operações próprias, seja nas operações de encomenda,... E ainda destaque para o alegado pela empresa MULTMEX nos itens (148) e (149) da impugnação: 148. OS recursos utilizados para o pagamento das despesas com o fechamento do câmbio e com os tributos aduaneiros possuem como origem vendas de mercadorias no mercado interno. Fl. 35839DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 16 15 149. Frisese que as Notas Fiscais são consideradas documento idôneo para comprovar a origem de receita, consoante o posicionamento oficial do próprio Fisco, exemplificado pela seguinte decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008: O único mo do de se demonstrar que esses recursos ingressaram na empresa e serviram para financiar as operações de importação objeto do presente Auto de Infração, dentro do trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA, é através do registro das demonstrações contábeis. A ausência dos registro contábeis, além de não fazer prova que tais recursos ingressaram regularmente na empresa, implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Quanto à decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008, diz respeito a um outro contexto que não guarda relação com a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros em operações em comércio exterior." A contabilidade regular, suportada em documentos, é que faz a prova regular das operações e sua ausência impede que se confirme a comprovação do trinômio origem lícita, transferência e disponibilidade. A contabilidade, como os demais documentos apresentados, são necessários, mas não suficientes, isoladamente, para comprovação do que aqui se pretendeu. Assim, concluise que a recorrente não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações, incidindo na presunção de que trata o §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, configurando a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior, apenada com a multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão de as mercadorias não terem localizadas ou terem sido consumidas ou revendidas. Em relação à argumentação de que a falsidade ideológica não está contemplada no inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966, sem razão a recorrente. A redação é a seguinte: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Por sua vez o Decreto nº 6.759/2009 dispõe que: Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º):(Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): Fl. 35840DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 17 16 [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3ºB. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Assim, a falsidade a que se refere o inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966 é dos documentos de instrução da DI, ou seja, do conhecimento de carga, da fatura comercial e dos comprovantes de pagamento dos tributos. A acusação da fiscalização recaiu na ocultação do responsável pela operação, a qual, uma vez comprovada, ainda que por presunção legal, torna os documentos emitidos para instrução da DI ideologicamente falsos. Tal conclusão está exposta no artigo 13 da IN SRF nº 228/2002: Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Se há comprovação da interposição fraudulenta do responsável pela importação na condição de fornecedor dos recursos necessários à efetivação da importação, então tal ocultação somente é materializada na ausência de referido responsável nos documentos de importação, seja na condição de real importador seja na condição de real adquirente. Em qualquer dos casos, seu nome deveria constar nas faturas comercias ou no conhecimento de carga. Por fim, é preciso esclarecer que para efeitos de tipificação da interposição fraudulenta de terceiros, seja ela a EFETIVA (REAL) ou PRESUMIDA é absolutamente irrelevante que aquele que fornece o recurso seja denominado de importador, pois em nenhum dos dois tipos se exige a presença DO PEDIDO “importador”." No que tange à ausência de demonstração do dolo específico, não há que se exigir tal neste caso, pois estamos diante de uma presunção legal de interposição fraudulenta. Basta a não comprovação da origem lícita, transferência e disponibilidade dos recursos empregados na importação para se caracterizar a interposição fraudulenta nos termos do §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976. Uma vez presumida, não há que se falar em demonstração de dolo por parte da fiscalização. Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; Fl. 35841DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 18 17 II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário configurase por uma determinação específica legal, tratase de uma presunção legal ou absoluta de dano ao erário nos casos enumerados. Embora a própria conduta configura o dano ao erário, podese enumerar vantagens em tese almejadas, mediante a interposição ilícita de pessoas como: burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; quebra da cadeia do IPI; sonegação de PIS e Cofins, relativamente ao real adquirente, lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Portanto, a alegação de que não houve dano efetivo ao erário, simplesmente pelo fato de não haver tributo a ser recolhido, não procede. Fl. 35842DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 19 18 Concernente à aplicação da multa de 10% por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, salientase que sua aplicação é cabível no caso de interposição real e não no caso de interposição presumida de que trata o presente processo. Tal situação restou esclarecida na IN SRF 228/2002 em seu artigo 11: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016). De fato, com a edição do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, à hipótese de aplicação da multa por cessão de nome não se aplica a declaração de inaptidão de que trata o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, hipótese de que tratam estes autos: Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive ediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Destacase, ainda que esse entendimento é consolidado, inclusive nesta turma: APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, Fl. 35843DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 20 19 do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria (Acórdão nº 3301 003.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Cumpre, por fim, citar decisão, cujos entendimentos foram adotados nesta decisão, com a mesma Recorrente, já decidido por este CARF, de relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (Acordão Acórdão nº 3302005.468 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/07/2011 a 24/10/2012 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 35844DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13820.720079/2012-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006
CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI. VIGÊNCIA DO BENEFÍCIO FISCAL. PRECEDENTES DO STF E DO STJ
Segundo precedente firmado em Recurso Extraordinário com repercussão geral (RE n. 577.348) e Recurso Especial julgado sob o rito de recursos repetitivos (REsp n. 1.111.148), o crédito-prêmio de IPI teve vigência até 04 de outubro de 1990, por força do prescrito no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988.
Numero da decisão: 3302-006.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006 CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI. VIGÊNCIA DO BENEFÍCIO FISCAL. PRECEDENTES DO STF E DO STJ Segundo precedente firmado em Recurso Extraordinário com repercussão geral (RE n. 577.348) e Recurso Especial julgado sob o rito de recursos repetitivos (REsp n. 1.111.148), o crédito-prêmio de IPI teve vigência até 04 de outubro de 1990, por força do prescrito no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988.
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VIGÊNCIA DO BENEFÍCIO FISCAL. PRECEDENTES DO STF E DO STJ Segundo precedente firmado em Recurso Extraordinário com repercussão geral (RE n. 577.348) e Recurso Especial julgado sob o rito de recursos repetitivos (REsp n. 1.111.148), o créditoprêmio de IPI teve vigência até 04 de outubro de 1990, por força do prescrito no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 72 00 79 /2 01 2- 29 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13820.720079/201229 Acórdão n.º 3302006.031 S3C3T2 Fl. 3 2 Tratase de verificação de direito ao tomada de crédito objeto de pedido de ressarcimento de créditoprêmio de IPI, relativo ao período de apuração de 01/01/1999 a 30/06/2003. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma completa, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13820.720079/201229 Acórdão n.º 3302006.031 S3C3T2 Fl. 4 3 O Acórdão 11.175/03/GD/2605/98, da Delegacia de Julgamento de Campinas, Sessão de 21 de dezembro de 1998, do qual foi extraído o relatório alhures Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13820.720079/201229 Acórdão n.º 3302006.031 S3C3T2 Fl. 5 4 transcrito, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade, não reconhecendo o crédito pleiteado, tendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Preliminar de Nulidade: Rejeitada, porque não se concretizou nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, pois está plenamente demonstrada a existência de tipicidade entre as normas invocadas pelo lançamento e os fatos narrados pela fiscalização. IPI CréditoPrêmio à exportação. Transferência: O art. 4º do Decreto s/s de 25/04/91 revogou expressamente o Decreto 64.833/69, que autorizava o aproveitamento do créditoprêmio do IPI através da transferência entre estabelecimentos. Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Não há na peça recursal alegação de matérias para discussão em sede de preliminares, razão pela qual passase a deliberar sobre o mérito do processo. Vale ressaltar que matéria idêntica foi objeto de análise pela 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária desse E. Conselho, no Acórdão nº 3402003.224, de relatoria do I. Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, de onde, com a devida vênia, adotei as minhas razões de decidir. I Da vigência do créditoprêmio de IPI à luz dos precedente do STF e do STJ Passo a transcrever o voto do Acórdão nº 3402003.224, que tomo como minhas razões de decidir: "6. O presente caso não demanda uma acurada reflexão. Conforme exposto no relatório, tratase de pedido de ressarcimento de créditoprêmio de IPI que se refere às exportações realizadas pelo Recorrente no período de 04/11/2002 a 30/12/2002. Assim, a questão aqui se resume a Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13820.720079/201229 Acórdão n.º 3302006.031 S3C3T2 Fl. 6 5 saber se no período em comento o aludido créditoprêmio de IPI estava ou não vigente no ordenamento jurídico nacional. 7. Acontece que tal questão já foi decidida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de recurso extraordinário afetado por repercussão geral. Foi escolhido por aquela Corte Suprema como leading case o RE nº. 577.3485/ RS, em substituição do RE nº 577.3027/ RS (onde foi reconhecida a repercussão geral1), o qual restou assim ementado: EMENTA TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/1969 (ART. 1º). ADCT, ART. 41, § 1º. INCENTIVO FISCAL DE NATUREZA SETORIAL. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO DE DOIS ANOS. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E DESPROVIDO. I O créditoprêmio de IPI constitui um incentivo fiscal de natureza setorial de que trata o do art. 41, caput, do Ato das Disposições Transitórias da Constituição. II Como o créditoprêmio de IPI não foi confirmado por lei superveniente no prazo de dois anos, após a publicação da Constituição Federal de 1988, segundo dispõe o § 1º do art. 41 do ADCT, deixou ele de existir. III O incentivo fiscal instituído pelo art. 1º do DecretoLei 491, de 5 de março de 1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990, por força do disposto no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988, tendo em vista sua natureza setorial. IV Recurso conhecido e desprovido. (STF; RE 577348, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 13/08/2009, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe035 DIVULG 25022010 PUBLIC 26022010 EMENT VOL0239109 PP01977 RTJ VOL0021401 PP00541) (g.n.). 8. No transcorrer do seu voto, assim se manifestou o Ministro Ricardo Lewandowski, Relator do caso: Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13820.720079/201229 Acórdão n.º 3302006.031 S3C3T2 Fl. 7 6 9. Nesta mesma linha é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme se observa do precedente formado no Recurso Especial n. 1.111.148, julgado sob o rito de repetitivos e que restou assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. Recurso Especial representativo de controvérsia (art. 543C, § 1º, do CPC). pedido de desistência.Indeferimento. violação ao art. 535, do CPC. INOCORRÊNCIA. IPI. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/69 (ART. 1º). VIGÊNCIA. PRAZO. EXTINÇÃO. PRESCRIÇÃO. (...). 3. Relativamente ao prazo de vigência do estímulo fiscal previsto no art. 1º do DL 491/69 (créditoprêmio de IPI), três orientações foram defendidas na Seção. A primeira, no sentido de que o referido benefício foi extinto em 30.06.83, por força do art. 1º do Decretolei 1.658/79, modificado pelo Decretolei 1.722/79. Entendeuse que tal dispositivo, que estabeleceu prazo para a extinção do benefício, não foi revogado por norma posterior e nem foi atingido pela declaração de inconstitucionalidade, reconhecida pelo STF, do art. 1º do DL 1.724/79 e do art. 3º do DL 1.894/81, na parte em que conferiram ao Ministro da Fazenda poderes para alterar as condições e o prazo de vigência do incentivo fiscal. 4. A segunda orientação sustenta que o art. 1º do DL 491/69 continua em vigor, subsistindo incólume o benefício fiscal nele previsto. Entendeuse que tal incentivo, previsto para ser extinto em 30.06.83, foi restaurado sem prazo determinado pelo DL 1.894/81, e que, por não se caracterizar como incentivo de natureza setorial, não foi atingido pela norma de extinção do art. 41, § 1º do ADCT. 5. A terceira orientação é no sentido de que o benefício fiscal foi extinto em 04.10.1990, por força do art. 41 e § 1º do ADCT, segundo os quais "os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis", sendo que "considerarseão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos fiscais que não forem confirmados por lei". Entendeuse que a Lei 8.402/92, destinada a restabelecer incentivos fiscais, confirmou, entre vários outros, o benefício do art. 5º do DecretoLei 491/69, mas não o do seu artigo 1º. Assim, tratandose de incentivo de natureza setorial (já que beneficia apenas o setor exportador e apenas determinados produtos de exportação) e não tendo sido confirmado por lei, o Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13820.720079/201229 Acórdão n.º 3302006.031 S3C3T2 Fl. 8 7 créditoprêmio em questão extinguiuse no prazo previsto no ADCT. 6. Prevalência do entendimento no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o crédito prêmio do IPI, previsto no art. 1º do DL 491/69, não se aplica às vendas para o exterior realizadas após 04.10.90. Precedente no STF com repercussão geral: RE nº. 577.3485/ RS, Tribunal Pleno, Relator Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 13.8.2009. Precedentes no STJ: REsp. Nº 652.379 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 8 de março de 2006; EREsp. Nº 396.836 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. para o acórdão Min. Castro Meira, julgado em 8 de março de 2006; EREsp. Nº 738.689 PR, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 27 de junho de 2007. 7. O prazo prescricional das ações que visam ao recebimento do créditoprêmio do IPI, nos termos do art. 1º do Decreto 20.910/32, é de cinco anos. Precedentes: EREsp. Nº 670.122 PR Primeira Seção, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 10 de setembro de 2008; AgRg nos EREsp. Nº 1.039.822 MG, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 24 de setembro de 2008. 8. No caso concreto, tenho que o mandado de segurança foi impetrado em 27 de fevereiro de 2004, portanto, decorridos mais de cinco anos entre a data da extinção do benefício (5 de outubro de 1990) e a data do ajuizamento do writ, encontramse prescritos eventuais créditos de titularidade da recorrente. 9. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (STJ; REsp 1111148/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/02/2010, DJe 08/03/2010) (g.n.). 10. Tais precedentes, por seu turno, devem ser seguidos por este Tribunal Administrativo, nos termos do que prevê o art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF, já com a redação que lhe foi dada pela Portaria n. 152, de 03 de maio de 2016. Desta forma, considerando que o período de apuração está compreendido em época que já havia sido revogado o crédito em comento, nos termos das decisões dos E. Tribunais Superiores, não há outra saída senão reconhecer a improcedência do pleito da contribuinte recorrente. II Conclusão Por todo o exposto, voto por reconhecer o Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, no entanto negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13820.720079/201229 Acórdão n.º 3302006.031 S3C3T2 Fl. 9 8 Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.009940/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PROVA DO EFETIVO PAGAMENTO. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL. CONJUNTO PROBATÓRIO.
É facultado à autoridade fiscal intimar o contribuinte para demonstrar o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, sem prejuízo da apresentação dos recibos correspondentes à prestação de serviços. No entanto, cabe restabelecer as deduções glosadas pela fiscalização quando não há dúvida razoável no que tange à realização das despesas médicas, que demande a necessidade de complementação da prova, tendo em conta a avaliação do conjunto probatório carreado aos autos.
Numero da decisão: 2401-005.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer a dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 25.000,00. Vencidos os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam o provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PROVA DO EFETIVO PAGAMENTO. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL. CONJUNTO PROBATÓRIO. É facultado à autoridade fiscal intimar o contribuinte para demonstrar o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, sem prejuízo da apresentação dos recibos correspondentes à prestação de serviços. No entanto, cabe restabelecer as deduções glosadas pela fiscalização quando não há dúvida razoável no que tange à realização das despesas médicas, que demande a necessidade de complementação da prova, tendo em conta a avaliação do conjunto probatório carreado aos autos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer a dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 25.000,00. Vencidos os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam o provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada).
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PROVA DO EFETIVO PAGAMENTO. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL. CONJUNTO PROBATÓRIO. É facultado à autoridade fiscal intimar o contribuinte para demonstrar o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, sem prejuízo da apresentação dos recibos correspondentes à prestação de serviços. No entanto, cabe restabelecer as deduções glosadas pela fiscalização quando não há dúvida razoável no que tange à realização das despesas médicas, que demande a necessidade de complementação da prova, tendo em conta a avaliação do conjunto probatório carreado aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer a dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 25.000,00. Vencidos os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam o provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 99 40 /2 00 7- 91 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10680.009940/200791 Acórdão n.º 2401005.789 S2C4T1 Fl. 180 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada). Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), por meio do Acórdão nº 0225.952, de 08/03/2010, cujo dispositivo considerou procedente em parte a impugnação apresentada, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado (fls. 125/132): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Verificada omissão de rendimentos, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, de ofício, com os acréscimos e as penalidades legais, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI. A comprovação dos valores descontados pela fonte pagadora, a título de contribuição à Previdência Privada, importa no restabelecimento da dedução pretendida. DEPENDENTES. Comprovada a relação de dependência, nos termos da legislação tributária, é de se restabelecer a dedução pleiteada. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a estabelecimentos de educação pré escolar, incluindo creches, de 1°, 2° e 3° graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, observado o limite permitido para o respectivo exercício e desde que devidamente comprovados os gastos. DESPESAS MÉDICAS. É mantida a glosa de despesas médicas, quando os recibos apresentados forem considerados insuficientes e o contribuinte Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10680.009940/200791 Acórdão n.º 2401005.789 S2C4T1 Fl. 181 3 não deixar evidenciado nos autos a efetividade dos pagamentos correspondentes mediante apresentação de documentos que, de modo absoluto, espelhem a realidade dos fatos. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DEPOSITO JUDICIAL. O direito à compensação de imposto depositado judicialmente depende do teor da decisão proferida nos autos do processo judicial. Impugnação Procedente em Parte Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2005/606435066863052, relativa ao anocalendário de 2004, decorrente de procedimento de revisão da Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou as seguintes infrações (fls. 114/121): (i) dedução indevida de dependente, no valor de R$ 2.544,00; (ii) dedução indevida de despesas médicas, na importância de R$ 33.994,27; (iii) dedução indevida de previdência privada, no importe de R$ 6.654,52; (iv) dedução indevida com despesas de instrução, no valor de R$ 1.998,00; e (v) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no montante de R$ 1.058,00. A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindose o imposto suplementar, juros de mora e multa. O contribuinte foi cientificado da autuação e impugnou a exigência fiscal em 26/07/2007 (fls. 02/03 e 12/19). Intimado por via postal em 05/07/2010 da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 02/08/2010, em que alega os seguintes argumentos de fato e direito (fls. 140/142 e 143/156): (i) o recurso diz respeito às despesas médicas relativas aos pagamentos efetuados a Renata Melo Stehling, Flávia Henriques de Assis, Michel Peluci Aguiar e Humbertt Felipe Mayr, para as quais foi mantida a glosa pelo acórdão de primeira instância; (ii) desde a apresentação da impugnação as despesas estão comprovadas nos autos mediante recibos que Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10680.009940/200791 Acórdão n.º 2401005.789 S2C4T1 Fl. 182 4 especificam os pagamentos efetuados, bem como os nomes, endereços e cadastros dos profissionais que realizaram os tratamentos de saúde; (iii) além disso, foram juntadas ao processo administrativo declarações assinadas pelos profissionais de saúde nas quais há a descrição do tratamento realizado e do valor pago ao prestador do serviço; (iv) os recibos fornecidos pelos profissionais de saúde revelamse suficientes para a efetiva comprovação dos pagamentos; (v) não é lícito à autoridade lançadora, com base em reiterada prática de deduções indevidas de outros contribuintes, proceder à glosa daqueles que cumprem os requisitos formais da legislação tributária, sem uma prévia investigação capaz de questionar a veracidade dos recibos apresentados, utilizandose, portanto, do instituto da presunção para a exigência de tributo; e (vi) a autoridade fiscal deve agir com bom senso nos pedidos de comprovação das deduções de despesas médicas declaradas, sob de pena de exigir a produção de prova impossível ao contribuinte de boafé, como é a hipótese dos autos. O contribuinte protocolou, em 29/03/2017, requerimento de prioridade na tramitação do presente feito, com base no estatuto do idoso (fls. 178). É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10680.009940/200791 Acórdão n.º 2401005.789 S2C4T1 Fl. 183 5 Mérito O apelo recursal referese à glosa efetuada pela autoridade lançadora de despesas médicas que totalizam a importância de R$ 25.000,00, mantida pelo acórdão de primeira instância (fls. 107 e 131): (i) Odontóloga Renata Melo Stehling, no valor de R$ 2.000,00; (ii) Psicóloga Flávia Henriques de Assis, no montante total de R$ 13.000,00; (iii) Odontólogo Michel Peluci Aguiar, na importância total de R$ 9.000,00; e (iv) Odontólogo Humbertt Felipe Mayr, no valor de R$ 1.000,00 Além dos comprovantes das despesas médicas, o agente fazendário solicitou a demonstração do seu efetivo pagamento, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 2005/606371094451037, recebido pelo contribuinte em 01/12/2006 (fls. 122/124). Segundo a fiscalização, o contribuinte não atendeu a intimação, glosandose as despesas médicas por falta de comprovação, o que foi considerado correto pelo acórdão recorrido (fls. 116 e 130/131). Com vistas à reforma da decisão de piso, o recorrente defende que as declarações e os recibos fornecidos pela psicóloga e pelos odontólogos revelamse suficientes para a efetiva comprovação dos pagamentos, prescindindose da apresentação de qualquer documentação adicional. As cópias dos documentos juntados pelo contribuinte estão disponíveis para avaliação às fls. 26/29, 33/47 e 62/68. Pois bem. Com respeito à matéria em discussão, confirase o que diz a legislação tributária, por intermédio do Regulamento do Imposto de Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): (...) Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (...) Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10680.009940/200791 Acórdão n.º 2401005.789 S2C4T1 Fl. 184 6 § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Como se observa, o recibo de quitação e/ou a nota fiscal foram eleitos pelo legislador como documentos hábeis para a comprovação da realização da despesa médica, os quais devem conter, pelo menos, a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem recebeu o pagamento. Entretanto, o recibo e a nota fiscal não constituem um prova absoluta do efetivo pagamento da despesa pelo contribuinte, que também é um requisito estipulado na legislação para a dedução, podendo a autoridade fiscal solicitar a exibição de elementos específicos de convicção a respeito do desembolso financeiro da importância registrada no documento. Não só é viável impor a comprovação do efetivo pagamento dentro do ano calendário a que se refere a dedução, como também a demonstração que o ônus financeiro tenha sido suportado pelo declarante ou, eventualmente, por terceiro integrante da entidade familiar. A legislação tributária outorga competência à autoridade fiscal para que exerça um juízo sobre a necessidade e pertinência de apresentação de prova complementar, como forma de dar efetividade à sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias, buscando a constatação da veracidade da declaração de rendimentos do contribuinte. Por meio da avaliação do caso concreto, incumbe ao agente fiscal determinar o grau de aprofundamento da auditoria quanto aos pagamentos efetuados, a partir de critérios objetivos, tais como perfil e histórico do contribuinte, valor das deduções, individualmente ou em conjunto, e natureza das despesas médicas. Negar tal permissão significa avançar indevidamente sobre a condução da ação fiscalizadora estatal, restringindo o dever legal de investigação dos fatos, devidamente autorizado pela norma regulamentar. De modo algum a exigência da comprovação da efetividade do pagamento conflita com a presunção de boafé do contribuinte, porquanto não se cogita, naquele momento, da existência de máfé na conduta do fiscalizado, mediante a prática de atos de falsidade, que levaria à aplicação de penalidade majorada. A comprovação do efetivo pagamento associado às despesas médicas é um ônus probatório que pode ser atribuído a todo contribuinte que faz uso de deduções na sua Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10680.009940/200791 Acórdão n.º 2401005.789 S2C4T1 Fl. 185 7 declaração anual de rendimentos, na medida em que a despesa médica reduz a base de cálculo do imposto sobre a renda. Também a exigência de exibição de documentos subsidiários ao recibo de pagamento, nos moldes que se pretende, não configura a solicitação de prova impossível ou de difícil produção pelo contribuinte. Com efeito, a intimação é datada do final do ano de 2006 para comprovação de pagamentos efetuados durante o anocalendário de 2004. Para a comprovação é permitida a exibição de qualquer documentação idônea para tal fim, como cópias de cheques, comprovantes de saques, extratos bancários e transferências entre contas bancárias, conforme a realidade dos fatos. Não há obrigatoriedade de coincidência entre datas e valores, apenas a existência de correlação e vinculação com os dispêndios atribuídos aos serviços realizados pelos profissionais de saúde, num exercício de seriedade e convergência de documentos. Nada obstante, a questão controvertida foi submetida ao contencioso administrativo tributário, o que implica, por óbvio, a transferência ao julgador da decisão sobre a necessidade da comprovação da efetividade do pagamento como condição para fins de aceitação da dedução de despesa médica, com base na valoração do conjunto probatório presente nos autos. Ao apreciar o caso específico, a despeito da falta de juntada de prova do efetivo pagamento das despesas médicas, entendo não haver dúvida razoável quanto à sua realização, assim entendida a prestação dos serviços e o correlato pagamento pelo contribuinte, que torne inevitável a complementação da prova, considerando os recibos de pagamentos e as declarações dos profissionais de saúde, assim como a natureza e os valores das deduções médicas pleiteadas pelo contribuinte. De fato, com respeito aos pagamentos a Renata Melo Stehling, Michel Peluci Aguiar e Humbertt Felipe Mayr, no valor de R$ 2.000,00, R$ 9.000,00 e R$ 1.000,00, respectivamente, a documentação carreada aos autos descreve de maneira detalhada os tratamentos odontológicos realizados no contribuinte e/ou seus dependentes, não se podendo afirmar, a princípio, que há incompatibilidade entre os diversos procedimentos clínicos e os preços praticados no mercado (fls. 26/29 e 62/68). Por outro lado, no que tange aos pagamentos a Flávia Henriques de Assis, na quantia total de R$ 13.000,00, é verdade que não houve uma descrição pormenorizada dos serviços prestados pela psicóloga, em virtude da própria natureza e do sigilo profissional envolvido, já que os gastos efetuados dizem respeito a consultas de atendimento psicológico (fls. 33/47). Acontece que também os valores mensais estão compatíveis com o mercado, cujos serviços referemse a pagamentos de consultas para o contribuinte e esposa ao longo de todos os meses do ano de 2004. Como se sabe, a duração de um tratamento psicológico é variável, podendo ainda haver a decisão pela continuidade da psicoterapia conforme as características de cada indivíduo. Além disso, o acórdão de primeira instância reconheceu a dedutibilidade de despesas médicas com a empresa Estrutura Psicologia Clínica e Empresarial Ltda, no importe de R$ 5.160,00, pagos em parcelas mensais, o que sinaliza que o recorrente e seus familiares Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10680.009940/200791 Acórdão n.º 2401005.789 S2C4T1 Fl. 186 8 utilizaram serviços especializados de atendimento psicológico em todos os meses do ano calendário de 2004 (fls. 48/61). Em todos os casos acima os recibos juntamente com as declarações cumprem com as formalidades cumulativas exigidas pela lei para a comprovação das despesas (art. 80, § 1º, inciso III, do RIR/99). Não menos significativo é dizer que não há exagero nos valores do grupo das despesas médicas, individualmente ou em conjunto, frente ao total de rendimentos tributáveis declarados pelo autuado (fls. 97/108). Em suma, no caso em apreço, os autos estão desprovidos de indícios em desfavor dos recibos emitidos pelos profissionais, assim como das respectivas declarações sobre o tratamento de saúde. Mesmo o agente lançador não deixou consignado qualquer fato para levantar suspeita da existência de irregularidades nas despesas médicas. À vista disso, segundo minha convicção de julgador a partir dos elementos de prova carreados aos autos, cabe restabelecer a dedução a título de despesas médicas no valor total de R$ 25.000,00. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO para restabelecer a dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 25.000,00. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000973/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COTA PATRONAL. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS.
O contrato de trabalho, sendo um contrato-realidade, não está vinculado ao aspecto formal, prevalecendo as circunstâncias reais em que estão sendo prestados os serviços. Se essas circunstâncias demonstram estarem presentes os requisitos estabelecidos no artigo 12, I, "a" da Lei 8.212/91, a Fiscalização deve considerar tal segurado como empregado.
Numero da decisão: 2402-006.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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COTA PATRONAL. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. O contrato de trabalho, sendo um contratorealidade, não está vinculado ao aspecto formal, prevalecendo as circunstâncias reais em que estão sendo prestados os serviços. Se essas circunstâncias demonstram estarem presentes os requisitos estabelecidos no artigo 12, I, "a" da Lei 8.212/91, a Fiscalização deve considerar tal segurado como empregado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 09 73 /2 00 9- 29 Fl. 271DF CARF MF Processo nº 15586.000973/200929 Acórdão n.º 2402006.743 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Foi lavrado Auto de Infração DEBCAD 37.241.6780 para cobrança das contribuições previdenciárias cota patronal e GILRAT incidentes sobre pagamentos a profissionais considerados pela autuada como prestadores de serviço através de contrato de parceria e qualificados pela Fiscalização como segurados empregados. Segundo o relato fiscal, as bases de cálculos foram aferidas indiretamente, com base na média das remunerações mensais declaradas pelos segurados (cirurgiões dentistas) em depoimentos constantes dos autos de processo movido pelo MPT e, no caso específico da Empresária Titular, obtidas através da DIRPF/07. Consoante se extrai do relatório do acórdão de piso, o recorrente aduziu em sua impugnação: Que a ação fiscal ofendeu o principio da legalidade, assim como o artigo 2º, § único, incisos I, VI, e VIII da Lei 9.784/99, vez que a ação fiscal iniciouse pela comunicação do MPT da existência de procedimento para apurar o possível vínculo de emprego existente entre a impugnante e os cirurgiões dentistas, antecipandose à decisão judicial, ainda inexistente. Que não é na esfera administrativa que se declara, ou não, o vinculo de emprego, mas sim na Justiça do Trabalho. Que a contribuição ao INSS da Sra Ana Cláudia Migliorini foi feita, conforme documentos em anexo. Que o empresário individual não é obrigado a retirar prólabore e nem recolher a contribuição de 11% sobre este, desde que recolha 20% sobe o salário mínimo como contribuinte individual. Que os valores constantes na DIRPF da sra Ana Cláudia podem ser considerados como simples retirada de lucro, tendo em vista não haver sócios. Que referidos os cirurgiõesdentistas pagam suas contribuições como autônomos, conforme documentos em anexo. Que o Auto de Infração está alicerçado em meras presunções acerca da existência do vínculo empregatício, uma vez que ausentes os requisitos essenciais estabelecidos pela legislação, doutrina e jurisprudência para caracterizálos como empregados. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 15586.000973/200929 Acórdão n.º 2402006.743 S2C4T2 Fl. 4 3 Que nos depoimentos prestados pelos próprios dentistas, junto à Procuradoria Regional do Trabalho, não há nenhuma afirmação no sentido de que são subordinados à impugnante. Que ninguém que é subordinado trabalha sem horário determinado, faz o horário de trabalho e almoço que quer, conforme suas necessidades, recolhe facultativamente seu INSS como autônomo, e tem ampla liberdade para faze os orçamentos dos serviços que irá prestar. Que os contratos de parceria para prestação de serviços estabelecem que não há o requisito da subordinação entre as partes. Que não devem incidir a multa de mora, de ofício e juros Selic, em função do recolhimento da Sra Ana Cláudia como contribuinte individual. Como já dito alhures, a DRJ julgou improcedente a Impugnação apresentada fls. 229/235. A autuada apresentou Recurso Voluntário às fls. 240/261 renovando as razões de sua impugnação e acrescendo i) que a decisão vergastada não teria considerada as provas documentais e testemunhais existentes no processo e citadas em sua impugnação; ii) que ao contrário do que afirmam os julgadores (DRJ), não houve depoimento dos envolvidos na esfera judicial; e iii) que a decisão recorrida não teria observado os princípios da legalidade, razoabilidade, proporcionalidade e segurança jurídica. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A autuada tomou ciência do acórdão de piso em 04.06.2010 (fls. 263) e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 01.07.2010 (fls. 240). Preenchido os demais requisitos, dele passo a conhecer. Como já assentado nos autos, o ponto nevrálgico da lide reside em determinar se há, no que toca à relação entre a recorrente e os cirurgiõesdentistas, evidências da existência de subordinação a caracterizar a relação de emprego entre as partes, com vistas a concluir pela subsunção, ou não, ao disposto no artigo 12, I, "a" da Lei 8.212/91, c/c artigo 3º da CLT e, por conseguinte, no artigo 22 do mesmo diploma. A recorrente refuta a existência de subordinação aos argumentos de que nos depoimentos prestados pelos próprios dentistas, junto à Procuradoria Regional do Trabalho, não haveria qualquer afirmação no sentido de que seriam subordinados à impugnante e que nos contratos de parceria para prestação de serviços estaria estabelecido que não haveria o requisito da subordinação entre as partes. Que ninguém que é subordinado trabalha sem horário determinado, faz o horário de trabalho e almoço que quer, conforme suas necessidades, recolhe facultativamente Fl. 273DF CARF MF Processo nº 15586.000973/200929 Acórdão n.º 2402006.743 S2C4T2 Fl. 5 4 seu INSS como autônomo, e tem ampla liberdade para fazer os orçamentos dos serviços que irá prestar. De plano, cumpre destacar que a mera menção no contrato, no sentido de que não haveria subordinação, não é requisito definitivo/suficiente à comprovar tal condição, mas sim o que se evidencia da realidade dos fatos envolvidos. Prosseguindo ainda quanto à expressa determinação contratual de que não haveria subordinação (cláusula quarta a diante colacionada), cumpreme tecer algumas outras considerações. O fato de o contratado gozar de independência quanto à execução do seu trabalho, no que toca aos aspectos técnicos inerentes às suas competências, não quer dizer, por si só, que inexista subordinação a caracterizar a relação de emprego, pois como muito bem colocado pela decisão de piso, "a não ingerência técnica no trabalho e eventual flexibilidade de horário para almoço, como a possibilidade de faltas ao serviço, não desnaturam a subordinação, que é jurídica e não e técnica, mormente tratandose de profissionais liberais." Sobre esse aspecto, vale trazer à baila a seguinte lição de Maurício Godinho Delgado1: [...] no Direito do Trabalho a subordinação é encarada sob um prisma objetivo: ela atua sobre o modo de realização da prestação e não sobre a pessoa do trabalhador. É, portanto, incorreta, do ponto de vista jurídico, a visão subjetiva do fenômeno, isto é, que se compreenda a subordinação como atuante sobre a pessoa do trabalhador, criandolhe certo estado de sujeição ("status subjectiones"). Não obstante essa situação de sujeição possa concretamente ocorrer, inclusive com inaceitável frequência, ela não explica, do ponto de vista sócio jurídico, o conceito e a dinâmica essencial da relação de subordinação. Observese que a visão subjetiva, por exemplo, é incapaz de captar a presença de subordinação na hipótese de trabalhadores intelectuais e altos funcionários. Por questões técnicas e óbvias, a avaliação que precedia ao orçamento pelos serviços que seriam prestados era desempenhada exclusivamente pelo profissional dentista, que não tinha liberdade para, a partir de então, determinar o preço que deveria ser cobrado do paciente. Confirase os termos da cláusula segunda dos contratos de parceria: 1 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 3ª ed. São Paulo: LTr, 2004, p. 303. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 15586.000973/200929 Acórdão n.º 2402006.743 S2C4T2 Fl. 6 5 Notese, a previsão de que determinado percentual do valor bruto do serviço prestado (80% nos casos de procedimentos de prótese e 70% nos de dentística, endodontia e exodontia) deveria ser repassado a autuada, não configura, em meu sentir, a assunção comum pelos "parceiros" dos lucros e perdas do negócio, circunstância típica nos contratos de parceria. Isso porque, além de os profissionais não terem, como já dito, autonomia para a fixação do preço pelos serviços prestados, era a autuada quem arcava com a totalidade das despesas necessárias para o desempenho das atividades daqueles profissionais, a teor da cláusula abaixo reproduzida. Vale dizer, diferentemente de determinada situação, na qual, por exemplo, o dono de um estabelecimento e um determinado profissional resolvem ser parceiros e acabam por assumir de forma proporcional e comum os lucros e perdas do negócio, no caso em exame, não se pode afirmar que a comunhão dos esforços tenha resultado nessa assunção compartilhada. Explico: uma vez que os profissionais receberiam em torno de 30% ou 20% da renda bruta auferida pelos serviços que prestavam, haveria de se demonstrar que os outros 70% ou 80% que cabiam a autuada, quando confrontado com as despesas que corriam exclusivamente por sua conta e que eram comuns a outros tantos "parceiros", lhe garantiriam uma participação liquida parecida com aquela experimentada pelos profissionais. Não é, pois, o caso. Por força da cláusula quinta encimada, a autuada arcaria com todas as despesas do negócio, inclusive com aquelas comuns a vários ou a todos os profissionais "parceiros", além daquelas de natureza fixa, fazendo com quê o risco da atividade empresarial recaísse, a rigor, exclusivamente sobre seus ombros. Ou seja, uma vez prestado o serviço, ao profissional era garantido, sem qualquer embargo aparente, o valor combinado. Por sua vez, o mesmo não se pode dizer com relação à participação da autuada no processo, que, a depender do volume de trabalho (quantidade de profissionais parceiros, clientes e atendimentos), sua parte poderia ser insuficiente a saldar as despesas que assumiu ou muito, mas muito maior do que a parcela recebida pelos cirurgiões, em termos proporcionais. Vale dizer, essa incerteza, típica da atividade empresarial, que pode levar o empreendedor ao "sucesso" ou ao "fracasso", não é suportada pelo profissional, mas somente pela autuada, o que, a meu ver, revela circunstância inerente à relação de emprego. Nesse contexto, não é absurdo aceitar que em função do forte interesse da autuada na maximização de suas receitas, ela promovesse o intenso controle na distribuição dos clientes aos dentistas, dos recebimentos em caixa, além de prédefinir os dias, segundo seus Fl. 275DF CARF MF Processo nº 15586.000973/200929 Acórdão n.º 2402006.743 S2C4T2 Fl. 7 6 critérios e possibilidades, para que fossem, dentre eles, escolhidos pelos profissionais para atendimento. Vale dizer, os profissionais escolhiam o dia e horários, dentre aqueles disponibilizados pela autuada. No que diz respeito aos recebimentos, contrariamente ao que dispunha a cláusula terceira do contrato, dando conta de que os profissionais entregariam diretamente à autuada o percentual lá estabelecido, pressupondo que os valores ingressavam, inicialmente, ao patrimônio do profissional para, só então, serem transferidos, naquele percentual, ao da autuada; o que foi admitido pela Empresária Titular é que, na prática, os pagamentos eram recolhidos ao caixa das clínicas, que posteriormente efetuava o pagamento das comissões aos dentistas, demonstrando, assim e ao meu ver, o exercício de uma das facetas da subordinação. Somemse a isso, os apontamentos promovidos pela decisão vergastada no sentido de que "a teor dos depoimentos anexados aos autos, constatouse que o comando dos serviços prestados pelos dentistas sempre foi da empresa, haja vista que as secretárias das clínicas marcavam e desmarcavam horários de atendimentos com os clientes. Esses eram captados pela clínica, e atendidos pelo profissional que estivesse disponível." Os pacientes, em regra, não procuravam a autuada em função de um ou outro profissional, já que não haveria atendimento por agendamento com hora marcada. O encaminhamento ao profissional davase por ordem de chegada àquele que estivesse disponível no momento, salvo nos casos de retorno para tratamento, quando então haveria uma espécie de "vinculação" para o atendimento. Ademais, como bem ressaltado pela julgador de piso, podese extrair do depoimento prestado pela Dra Alessandra Ribeiro Igreja, que haveria um horário a ser cumprido pelo profissional, independentemente, é o que se infere, de haver ou não pacientes aguardando e a ele direcionado, posto que os atendimentos, como já dito, não se davam por agendamento, mas sim por ordem de chegada à medida em que iam aparecendo os clientes, se fosse o caso. Com efeito, penso que a subordinação aqui não é aquela determinada simplesmente pelo viés das ordens e mandos no cotidiano da empresa, mas sim aquela, ainda que intrínseca, inerente à posição de quem assume, por inteiro, o risco do negócio, frente aqueles que recebem pelo trabalho prestado independentemente se as despesas da empreitada estão sendo ou não saldadas. E isso sim me parece bem razoável. Os fatos, a meu ver, levam a essa conclusão e não a presunção, como quer fazer crer a recorrente. Prosseguindo nas alegações recursais. Não merece acolhida a tese de que a declaração da existência de vínculo não deve se dar na esfera administrativa. O Auditor Fiscal é a autoridade competente para determinar a matéria tributável, ainda que a análise dos fatos que interessam ao caso, revele uma realidade não espelhada nos documentos apresentados pelo sujeito passivo. É a lógica do incido I do artigo 116 do CTN. 2 2 Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; Fl. 276DF CARF MF Processo nº 15586.000973/200929 Acórdão n.º 2402006.743 S2C4T2 Fl. 8 7 Nessa mesma linha, valhome dos fundamentos e conclusões da decisão de piso, a seguir colacionada: Por sua, vez, no que tange à alegação de que os dentistas recolheriam a contribuição como autônomo, vale destacar que além de tal situação não se estender a todos os profissionais, como se extrai dos depoimento da Dra Alessandra Ribeiro Igreja e Dr Hermilton Machado de Melo Junior, tal condição não é hábil o suficiente a, isoladamente, legitimar a tese recursal no que toca à não caracterização da relação de trabalho entre as partes, em especial quando se tem evidências que militam em sentido contrário. Vejase que há inclusive profissional que presta serviço exclusivamente à autuada, consoante se verificado depoimento logo a diante. Dra Alessandra Ribeiro Igreja Fl. 277DF CARF MF Processo nº 15586.000973/200929 Acórdão n.º 2402006.743 S2C4T2 Fl. 9 8 Dr Hermilton Machado de Melo Junior Por derradeiro quanto ao tema, vale destacar o excerto do Relatório Fiscal onde é assentado que "O trabalho autônomo, segundo a doutrina especializada, só se caracteriza quando há inteira liberdade de ação, ou seja, quando o trabalhador atua como patrão de si mesmo, com os poderes jurídicos de organização própria, por meio dos quais desenvolve o impulso de sua livre iniciativa e presta serviços a mais de uma empresa ou pessoa." Passo a abordar, doravante, a exigência sobre os valores pagos/retirados pela Empresária Titular, Dra, Ana Cláudio Migliorini. O valores utilizados como base de cálculo foram extraídos da DIRF da empresa, onde foram declarados importâncias pagas mensalmente à titular, com natureza tributável. Logo, há de se presumir que não estamos a tratar da distribuição do lucros, que, se efetuada na forma da lei, não sofre a incidência do IR, por ser verba isenta para fins desse imposto. Assim, caberia a recorrente, com vistas a infirmar a declaração por ela própria prestada em sua DIRF, demonstrar, documentalmente, que tais pagamentos, tratarse iam, efetivamente, de lucros distribuídos e não do recebimento de prólabores, que no valor recebido, sujeitarseão à regra geral que se tem para os contribuintes individuais (cota patronal 20% sobre o valor pago), independentemente de qualquer valor recolhido pela titular empresária. Quanto ao pleito de que não deveria incidir a multa de mora, de ofício e juros Selic em função dos recolhimentos encimados, cumpre destacar que não houve o lançamento da multa de oficio de 75%, eis que o autuante valeuse da legislação da época por ser mais benéfica ao contribuinte. Vejase: Por outro lado, a multa e juros aplicados estão ancorados nos dispositivos legais apontados pela Fiscalização às fls 26, de observância obrigatória tanto pelo autuante, quanto pelos julgadores administrativos. No que tange aos argumentos de que a decisão vergastada não teria considerada as provas documentais e testemunhais existentes no processo e citadas em sua Fl. 278DF CARF MF Processo nº 15586.000973/200929 Acórdão n.º 2402006.743 S2C4T2 Fl. 10 9 impugnação, há de se ressaltar que a fundamentação adotada pelo julgador de piso, ao expor suas razões de decidir, acabou, por razões de lógica, desconsiderando os documentos lá acostados, a saber, recolhimentos efetuados por alguns dos dentistas na condição de autônomo. Da mesma forma, não me parece que a decisão recorrida não observara os princípios da legalidade, razoabilidade, proporcionalidade e segurança jurídica. Muito pelo contrário, deu aos fatos então postos pelo autuante, a melhor interpretação segundo as normas que regem a matéria, em especial, os artigos 12, I, "a" da Lei 8.212/91, c/c artigo 3º da CLT. Por fim, vale reforçar, que a atuação da Fiscalização não está, em matéria tributária, condicionada e/ou vinculada às conclusões dos procedimentos investigatórios no âmbito do Ministério Público. Em outras palavras, uma vez verificada a inobservância à legislação tributária, seja lá por quem quer que tenha sido o noticiante, compete ao Fisco a tomada de providências com vistas a assegurar a cobrança do crédito tributário então devido e não declarado/recolhido. Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 279DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.724654/2014-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IRRF. GLOSA. COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DO IRPF. ANÁLISE COM RITO PRÓPRIO. IMPROCEDENTE.
A restituição de IRRF pago a maior deve seguir procedimento próprio, com processo administrativo específico. Nesse sentido, a sistemática do pedido de restituição de valores no âmbito Federal foi alterada no ano de 2002 pela Lei n.º 10.637 (oriunda da Medida Provisória n.º 66, de 29 de agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002), que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.º 9430/96.
Assim, não é possível afastar a glosa de compensação de valores em processo administrativo de exigência do IRPF, onde se constatou recolhimento a menor do imposto, sem que se tenha tido a prova do devido recolhimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente).
João Bellini Júnior - Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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GLOSA. COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DO IRPF. ANÁLISE COM RITO PRÓPRIO. IMPROCEDENTE. A restituição de IRRF pago a maior deve seguir procedimento próprio, com processo administrativo específico. Nesse sentido, a sistemática do pedido de restituição de valores no âmbito Federal foi alterada no ano de 2002 pela Lei n.º 10.637 (oriunda da Medida Provisória n.º 66, de 29 de agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002), que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.º 9430/96. Assim, não é possível afastar a glosa de compensação de valores em processo administrativo de exigência do IRPF, onde se constatou recolhimento a menor do imposto, sem que se tenha tido a prova do devido recolhimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente). João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 46 54 /2 01 4- 45 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10730.724654/201445 Acórdão n.º 2301005.680 S2C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por EROS ROBERTO DA SILVA ROCHA, contra o Acórdão de julgamento que julgou improcedente a impugnação (efls. 59/62). O processo se refere a revisão da Declaração de Ajuste Anual com base nos arts. 788, 835 a 839, 841, 844, 871 e 992 do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), onde foi lavrada, em 26/05/2014, a Notificação de Lançamento, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, do ano calendário de 2010, exercício 2011, que reduziu o imposto a restituir apurado na declaração de ajuste anual retificadora, de R$ 145.435,28, para R$ 7.630,96. Assim, conforme se constata das informações da efl. 05, (descrição dos fatos e enquadramento legal) foi glosada a quantia de R$ 137.804,32, em razão da compensação indevida de imposto complementar. Em Recurso Voluntário apresentado nas efls. 66, e seguintes, o recorrente alega que teria recolhido em dobro os valores, uma vez que teria recebido valores de uma indenização decorrente de ação trabalhista, recebida em dois momentos, uma em 2010 e outra em 2016. Aduz a recorrente que "o recolhimento do imposto de renda foi realizado em 2011 (fls. 14), sob o Código 0211, depois de o Recorrente proceder com a declaração de ajuste do imposto de renda com referência ao anocalendário de 2010 e informar, no campo "Recebimento Tributável Recebido de Pessoa Jurídica", a quantia total de RS 699.829,44, sendo R$ 528.869,04 recebida no ano anterior como resultado da reclamação trabalhista". Em suas razões segue alegando que: "sobre aquele valor, somado aos outros rendimentos do Recorrente, foi calculado o imposto de renda à alíquota de 27,5%, totalizando o montante a pagar de R$ 169.842,81, sujeito a algumas deduções. O imposto pago, naquela oportunidade, somou R$ 137.804,32, conforme apurado na declaração de ajuste anual e recolhido no DARF datado de 29 de abril de 2011 (fls. 14)". Ao final, pede o recorrente que seja reformando a decisão da 1a Turma da DRJ/REC, reconhecendo seu direito à retificação da declaração de imposto de renda pessoa física de 2011, ano calendário de 2010, e determinado que a Secretaria da Receita Federal promova os atos necessários e restitua ao Recorrente o imposto pago em 29 de abril de 2011, sob o código 0211, no valor histórico de R$ 137.804,32, devidamente atualizado pela SELIC. É breve o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário é tempestivo. Assim, passo a analisar o mérito. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10730.724654/201445 Acórdão n.º 2301005.680 S2C3T1 Fl. 4 3 Conforme se constata do enquadramento legal e dos fatos apurados, junto à fl. 05, foi identificado um valor recolhido a menor, a título de Imposto de Renda pessoa Física, sendo glosado a quantia de R$ 137.804,32, a título de imposto complementar. A DRJ de origem lançou o seguinte entendimento: 5. Trata a presente lide da glosa da Compensação Indevida do Imposto de Renda Complementar, em decorrência da declaração de ajuste anual retificadora apresentada em 13/05/2014, para alterar os rendimentos tributáveis com base nos documentos acostados aos autos, às fls. 16/19, cujos valores foram acatados pela autoridade fiscal, como se verifica dos dados do demonstrativo de apuração do imposto devido, às fls. 25. 5.1 Verificase que o DARF anexado, não se trata de pagamentos de Imposto Complementar, mas de quotas do IRPF código 0211, apurado na DIRPF/2011, retificada. Portanto, não deveria ter sido informado como tal, o que deu origem a Notificação de Lançamento em questão. 5.2. Verificase dos dados das declarações de ajuste anual que o contribuinte informou o valor recolhido a titulo de imposto devido na sua DIRPF/2011 retificada como imposto complementar. Conforme se constata das informações do processo, a retificação foi acatada pela autoridade fiscal, mas não foi permitida nesse processo, com o intuito de ser realizado o pedido de restituição, tendo em vista não ser o procedimento adequado para tanto, bem como houve divergência encontrada nos códigos de recolhimentos. O Imposto de Renda Complementar é de recolhimento facultativo e o valor compensável é o efetivamente recolhido dentro do anocalendário. Diferente do carnêleão que é obrigatório ao contribuinte que recebeu proventos dentro do anocalendário Com isso, entendo que assiste razão a DRJ de origem, uma vez que o procedimento para solicitar a restituição de valores pagos a maiores ou equivocados possui rito específico e forma diferenciada do presente processo para análise do direito creditório. Não se trata de excesso de formalismo como citado pela contribuinte, mas de seguir rito e forma processual administrativo adequado. O pedido deve ser feito pelo PER (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso), uma vez que o valor devido deveria ter sido recolhido no ano calendário de 2010, do exercício de 2011. A retificação só ocorreu 4 anos depois, em meados de 2014. Nesse sentido, a sistemática do pedido de restituição de valores no âmbito Federal foi alterada no ano de 2002 pela Lei n.º 10.637 (oriunda da Medida Provisória n.º 66, de 29 de agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002), que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.º 9430/96. Assim, deve a contribuinte realizar o pedido pela via adequada, em rito processual próprio. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10730.724654/201445 Acórdão n.º 2301005.680 S2C3T1 Fl. 5 4 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, realizando a manutenção da decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10730.724654/201445 Acórdão n.º 2301005.680 S2C3T1 Fl. 6 5 Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.903134/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE
Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
Numero da decisão: 1301-003.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13005.901308/2009-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13005.901308/2009-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 31 34 /2 00 9- 22 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13005.903134/200922 Acórdão n.º 1301003.441 S1C3T1 Fl. 3 2 sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13005.901308/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da inexistência do crédito alegado para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o erro se deu basicamente na DComp, quando informou como origem do crédito Pagamento Indevido ou a Maior quando o correto seria Saldo Negativo de IRPJ, assim, requereu que sua Dcomp fosse retificada ou autorizada sua retificação. O Acórdão recorrido entendeu que na data da transmissão das PerdComps o crédito não era líquido e certo, uma vez que as DCTFs não estavam retificadas, e todo o DARF alocado ao débito estava consumido, sem crédito algum. Ademais, que não possuía competência para autorizar retificação de DComp ou assim determinála de ofício, nem mesmo se manifestar a respeito do indeferimento de pedido de retificação decidido pela Delegacia, por sêla definitiva. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defendese com os mesmos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, ademais, destaquese planilhas de cálculo, LALUR e outros documentos. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13005.903134/200922 Acórdão n.º 1301003.441 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.432, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13005.901308/2009 12, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.432): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pago a maior, porém, conforme reconheceu, na realidade tratavase de Saldo Negativo. Segundo o Despacho Decisório, todo o DARF relacionado estava alocado para um débito, de tal forma que não restou nenhum crédito disponível a ser compensado, não homologando a compensação pleiteada. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, que na data da transmissão da Perdcomp, o crédito não se encontrava líquido e certo, bem como faltou ao recorrente trazer a prova do indébito tributário. Passemos aos fatos. O crédito a que refere a recorrente é de Saldo Negativo de IRPJ, porém, ao preencher a PerdComp para realizar a compensação informou como IRPJ Pago a Maior ou Indevidamente, gerando a não homologação das respectivas compensações. Apresentou planilha de cálculo, LALUR e DIPJ em sede recursal. O ponto aqui é que a PerdComp apresentada pelo contribuinte contém erro material, e tal fato, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito, bem como leva ao enriquecimento ilícito do Estado. Dessa forma, este Colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pelo recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que documentos sejam analisados a fim de analisar o efetivo erro e consequentemente seu direito de crédito. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13005.903134/200922 Acórdão n.º 1301003.441 S1C3T1 Fl. 5 4 Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de retificação da PerdComp apresentada. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 105DF CARF MF
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