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Numero do processo: 19709.000007/2007-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE CONTENCIOSO. PROCESSO DE COBRANÇA.
Trata-se de pedido de suspensão de cobrança. O processo em questão não gerou contencioso administrativo.
Numero da decisão: 2202-004.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de litígio.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil.
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Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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AUSÊNCIA DE CONTENCIOSO. PROCESSO DE COBRANÇA. Tratase de pedido de suspensão de cobrança. O processo em questão não gerou contencioso administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de litígio. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil. . Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 70 9. 00 00 07 /2 00 7- 67 Fl. 450DF CARF MF 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Conselheira Tania Mara Paschoalin na resolução nº 2801000.016: Trata o presente processo de cobrança de parte do débito de ITR/1997, do imóvel de código de n° 1.165.5160, resultante de auto de infração no qual foram glosadas as áreas declaradas de reserva legal e preservação permanente. A contribuinte impugnou tempestivamente a autuação relativamente às glosas e também relativamente à área de pastagem, mas a DRJ manteve a cobrança. A interessada interpôs, então, recurvo voluntário ao Terceiro Conselho de Contribuintes questionando as mesmas matérias. O Conselho deu somente provimento parcial ao recurso, através do Acórdão n° 30333.429 (folhas 15 a 25), pois não reconheceu a parte do recurso relativa à área de preservação permanente por se tratar de matéria já discutida pela contribuinte na via judicial. Com relação à área de reserva legal o recurso foi acolhido, mas a União entrou com recurso especial. Como a parte da reserva legal ainda está sendo questionada, o débito relativo a essa parte foi suspenso e continuou a ser cobrado no processo n° 10108.000089/200159 e o restante do valor, no montante de R$ 48.970,86, foi apartado para o presente processo. A contribuinte entrou, então, com requerimento para que a cobrança do ITR, relativa a glosa da área de preservação permanente, fosse também suspensa, tendo em vista que a Sentença em Mandado de Segurança foi favorável à empresa. Foi deferido o pedido através do Parecer n° 415/2007, as folhas 88/89, suspendendo a cobrança no valor de R$ 12.808,58 relativamente à área de preservação permanente que foi apartada para o processo n° 19709.000009/200756, prosseguindo a cobrança de R$ 36.162,28 no presente processo. A contribuinte não se conformando ainda com a cobrança entrou novamente com outro pedido, as folhas 93/128, solicitando a suspensão, com base no artigo 28 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, da cobrança do débito de ITR cobrado no presente processo, tendo em vista a inexatidão do acórdão n° 30333.429 do Terceiro Conselho de Contribuintes que não levou em consideração a área de pastagem guerreada no recurso. Em 13 de abril de 2010, a 1ª Turma Especial da 2ª Seção, por meio da Resolução nº 2801000.016, decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheira Relatora que assim dispôs: A contribuinte solicita a suspensão da cobrança em tela tendo em vista a inexatidão do acórdão nº 30333.429 do Terceiro Conselho de Contribuintes, que não levou em consideração a área de pastagem guerreada no recurso, discutida no processo nº 10108.000089/200159. Face ao exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, para que este processo seja Fl. 451DF CARF MF Processo nº 19709.000007/200767 Acórdão n.º 2202004.146 S2C2T2 Fl. 451 3 apensado ao processo nº 10108.000089/200159, com o objetivo de que sejam apreciados conjuntamente. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Conforme exposto no Relatório o presente processo decorre do desmembramento do processo n° 10108.000089/200159, no qual se discutia; a) área de reserva legal; b) área de preservação permanente; c) correta apuração do grau de utilização. Com relação à área de reserva legal foi dado provimento ao recurso voluntário do contribuinte. A União, todavia, interpôs recurso especial em face da referida decisão. Esse valor foi suspenso e continuou em discussão no processo de origem. O restante do valor, no montante de R$ 48.970,86, foi apartado para o presente processo. A contribuinte entrou, então, com requerimento para que a cobrança do ITR, relativa a glosa da área de preservação permanente, fosse também suspensa, tendo em vista que a Sentença em Mandado de Segurança foi favorável à empresa. Foi deferido o pedido através do Parecer n° 415/2007, as folhas 88/89, suspendendo a cobrança no valor de R$ 12.808,58 relativamente à área de preservação permanente que foi apartada para o processo n° 19709.000009/200756, prosseguindo a cobrança de R$ 36.162,28 no presente processo. Verificase, assim, que o presente processo não gerou contencioso apartado, uma vez que destinase à cobrança ou, no caso de não pagamento, a competente execução fiscal. Essa situação fica clara pelo teor da Representação que dá início ao presente processo (fls. 2), a qual dispõe: Tendo em vista que o contribuinte não interpôs recursos especial contra a parte que lhe foi desfavorável no acórdão nº 30333.429 (fls. 182/189) proferido pelo Conselho de Contribuintes, e que, devido ao recurso interposto pela Fazenda Nacional e às ContraRazões oferecidas, o processo principal de nº 10108.000089/200159 terá seguimento ao Conselho de Contribuintes para apreciação, lavro a presente representação para fins de formação do processo apartado, com a transferência do crédito tributário mantido no acórdão para prosseguimento da cobrança. Fl. 452DF CARF MF 4 A Intimação nº 141/2007, constante às fls. 93, não deixa dúvida quanto à ausência de contencioso no caso ora analisado: Pela presente dáse ciência do Parecer nº 415/2007, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande Ms, cuja cópia segue anexa. Fica o contribuinte supra mencionado, intimado a recolher aos cofres da Fazenda Nacional, dentro do prazo de 05 (cinco) dias, contados a partir do recebimento desta (data da assinatura do "AR"), o crédito tributário apurado, resultante do Parecer acima referido. É facultado ter vista do processo, no órgão emitente, ao interessado ou pessoa por ele legalmente autorizada, dentro do prazo mencionado. Transcorrido o prazo acima sem as devidas providências do contribuinte, o processo será encaminha à cobrança executiva, caso não tenha ocorrido o pagamento. Na petição de fls. 95, o contribuinte limitase à requerer a suspensão da cobrança até o julgamento do requerimento protocolado no processo nº 10108.00089/200189, por meio do qual requeria a correção do Acórdão nº 30333.429, que deixou de analisar as áreas de pastagens na composição do grau de utilização. Conforme se verifica pela decisão de fls. 436, o presidente da 1ª Câmara da 2 Seção não conheceu do recurso em razão da sua intempestividade, nestes termos: O presente recurso não merece prosperar. A uma, porque absolutamente intempestivo, já que interposto 22 (vinte e dois) dias após a ciência, prazo muito superior aos 5 (cinco) dias determinados pelo art. 65, §1º, do anexo, II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. E a duas, porque não existe a previsão normativa de embargos de declaração em face desse tipo de decisão. Ao contrário, o art. 65, caput e §6º, do anexo II do RICARF, prevê a possibilidade de embargos de declaração apenas quando existir obscuridade, omissão ou contradição em acórdão ou resolução, mas não em despachos. De qualquer forma, verifico que o instrumento processual correto para se apontar a obscuridade no acórdão que julgou o recurso voluntário seria a apresentação de embargos de declaração no prazo de 5 (cinco) dias da ciência daquela decisão, que ocorreu em 05 de março de 2007 (fls. 217). Desta forma, o prazo para apresentação de embargos terminou no dia 12 do mesmo mês, o primeiro dia últil após o quinquídio regimental. Entretanto, o sujeito passivo só voltou a falar nos autos em 22 de maio de 2007, e ainda sem apontar a suposta omissão de forma clara. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 19709.000007/200767 Acórdão n.º 2202004.146 S2C2T2 Fl. 452 5 Em face de todo exposto, não conheço do recurso por ausência de litígio. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 454DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.001432/2005-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS.
Na apuração do ganho de capital tributável, é ônus do contribuinte comprovar, através de documentação hábil e idônea, a realização de despesas ou dispêndios que possam ser computados no custo de aquisição do bem alienado, assim como também lhe compete comprovar que essas mesmas despesas ou dispêndios já não foram incorporados ao valor pelo qual o bem vem sendo historicamente declarado.
Numero da decisão: 2201-003.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 25/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Na apuração do ganho de capital tributável, é ônus do contribuinte comprovar, através de documentação hábil e idônea, a realização de despesas ou dispêndios que possam ser computados no custo de aquisição do bem alienado, assim como também lhe compete comprovar que essas mesmas despesas ou dispêndios já não foram incorporados ao valor pelo qual o bem vem sendo historicamente declarado.
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APURAÇÃO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Na apuração do ganho de capital tributável, é ônus do contribuinte comprovar, através de documentação hábil e idônea, a realização de despesas ou dispêndios que possam ser computados no custo de aquisição do bem alienado, assim como também lhe compete comprovar que essas mesmas despesas ou dispêndios já não foram incorporados ao valor pelo qual o bem vem sendo historicamente declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 25/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 14 32 /2 00 5- 84 Fl. 195DF CARF MF 2 Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 186/191) apresentado em face do Acórdão nº 1518.497 (fls. 178/181), da 3ª Turma da DRJ/SDR, que deu parcial provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo ao auto de infração (fls. 4/8) pelo qual se exige dele crédito tributário totalizando R$ 266.002,23 relativo a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF incidente sobre o ganho de capital apurado na alienação de direitos. De acordo com o auto de infração (fls. 4/8), foi identificada omissão de ganho de capital na alienação do direito de uso sobre o imóvel denominado "Ilha das Flexas", localizado na baía da Ribeira, em Angra dos Reis/RJ, que constaria da Declaração de Bens e Direitos da Declaração de Ajuste Anual de 2004 pelo valor de R$ 290.052,49 e que teria sido alienado por R$ 1.200.000,00. Para apuração do ganho de capital, a fiscalização teria considerado o valor pelo qual o direito constava na declaração, bem como o gasto com corretagem (R$ 72.000,00), chegando a um ganho de capital de R$ 837.947,51. Ainda segundo o autuante, o contribuinte teria pago apenas a taxa de ocupação do imóvel, o que indicaria que não teria o seu domínio útil. Em razão disso, entendeu que houve apenas a alienação de um direito ao uso deste bem, o que impediria a redução do ganho de capital de que trata o art. 139 do Regulamento de Imposto de Renda RIR/1999. A autuação foi impugnada pelo documento de fls. 133/143, o que rendeu ensejo à prolação do Acórdão acima identificado, com a seguinte ementa: Assumo: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. DIREITO DE OCUPAÇÃO. O ganho de capital na alienação de direito de ocupação de imóvel da União beneficiase dos percentuais de redução do ganho de capital na alienação de imóveis adquiridos antes de I989. GANHOS DE CAPITAL. CUSTOS DE BENFEITORIAS. A simples demonstração da existência de benfeitorias no imóvel alienado não comprova que estes custos não tenham sido computados no seu custo de aquisição, especialmente quando estas benfeitorias já tenham sido declaradas para justificar alteração no valor do bem originalmente declarado e não forem comprovadas outras despesas. Lançamento Procedente em Parte Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10860.001432/200584 Acórdão n.º 2201003.816 S2C2T1 Fl. 196 3 Dessa decisão, extraise a seguinte conclusão: Cabe, portanto, reduzir em 50% o ganho de capital, e consequentemente o imposto, uma vez que o direito sobre o imóvel foi adquirido em 1979. Por esta razão, voto pela procedência parcial do lançamento, para manter a exigência do imposto de R$ 62.846,06, acrescido da multa de oficio e juros de mora. O contribuinte foi cientificado dessa decisão em 23/03/2009 (fl. 185) e apresentou tempestivamente seu recurso voluntário em 14/04/2009 (fls. 186/191). Em suas razões de recorrer, argumenta, em síntese, que: O recorrente adquiriu o imóvel sem nenhuma benfeitoria em 1979 e iniciou por conta própria a realização delas, contudo não teve o cuidado de guardar os documentos relativos às obras; Considerou por muito tempo apenas o valor pago pela aquisição da área como custo de aquisição (Cr$ 1.750.000,00 um milhão, setecentos e cinquenta mil cruzeiros), valor que foi posteriormente convertido para UFIR e então para Reais; Apenas no anocalendário de 2002, com a conclusão das obras de benfeitorias, acrescentou o valor de R$ 187.500,00; O auto de infração é improcedente por não ter considerado o valor das benfeitorias no imóvel; O valor do imposto de transmissão pago no momento da aquisição pelo impugnante (Cr$ 17.500,00 dezessete mil e quinhentos cruzeiros), bem como os tributos pagos em atraso para regularização do imóvel, também devem ser considerados no custo de aquisição; Protesta pela realização de perícia para apuração do efetivo custo de aquisição do bem alienado. Conclui pedindo que o auto de infração seja considerado improcedente. É o relatório. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Fl. 197DF CARF MF 4 A primeira alegação do recorrente é de que o auto é nulo por não ter considerado o valor das benfeitorias realizadas no bem alienado. Isso não é verdade, uma vez que a fiscalização adotou os valores que foram declarados pelo contribuinte. E a comprovação das parcelas que integram o custo de aquisição é ônus do sujeito passivo e não da fiscalização, conforme evidencia a Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, no seguinte artigo: Art. 17. Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na Declaração de Ajuste Anual, no caso de: I bens imóveis: a) os dispêndios com a construção, ampliação e reforma, desde que os projetos tenham sido aprovados pelos órgãos municipais competentes, e com pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos, pisos, paredes; b) os dispêndios com a demolição de prédio construído no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; c) as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que tenha suportado o ônus; d) os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meiofio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de redes de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel; e) o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição do imóvel; f) o valor da contribuição de melhoria; g) os juros e demais acréscimos pagos para a aquisição do imóvel; h) o valor do laudêmio pago, etc.; II outros bens ou direitos: os dispêndios realizados com a conservação e reparos, a comissão ou a corretagem quando não transferido o ônus ao adquirente, os juros e demais acréscimos pagos, etc. (grifouse) Portanto, para que as despesas e dispêndios sejam consideradas na apuração do ganho tributável, cabe ao contribuinte comprovar por documentação hábil e idônea a sua realização. E mais, os valores devem ter sido declarados, passando assim pela avaliação de sua compatibilidade com os rendimentos declarados no período de sua realização. Se o contribuinte não teve o cuidado de guardar a documentação relativa às benfeitorias realizadas e também não as declarou no momento oportuno, não pode transferir esse ônus para a administração pública através de protestos por perícia. Com efeito, a perícia é meio de prova que deve ser manejado pelo julgador quando entender que não há no processo elementos suficientes para formação de sua convicção, mas não se presta a suprir a falta do interessado, quando este não se desincumbiu de seu ônus de fazer prova quanto ao direito que alega. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10860.001432/200584 Acórdão n.º 2201003.816 S2C2T1 Fl. 197 5 O recorrente também protesta pela inclusão no custo de aquisição do valor do imposto de transmissão pago no momento da aquisição (Cr$ 17.500,00 dezessete mil e quinhentos cruzeiros), bem como dos tributos pagos em atraso para regularização do imóvel. Em relação a esses dispêndios, entendo que há uma dificuldade insuperável em sua avaliação, já que não há comprovação efetiva de que eles não tenham sido incluídos no custo de aquisição. Com efeito, de acordo com a mesma IN SRF nº 84, de 2001, no caso de bens adquiridos até 31 de dezembro de 1991, seu custo de aquisição deveria ser apurado da seguinte forma: Art. 7o No caso de bens ou direitos adquiridos ou de parcelas pagas até 31 de dezembro de 1991, não avaliados a valor de mercado, e dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas entre 1o de janeiro de 1992 e 31 de dezembro de 1995, o custo corresponde ao valor de aquisição ou das parcelas pagas até 31 de dezembro de 1995, atualizado mediante a utilização da Tabela de Atualização do Custo de Bens e Direitos, constante no Anexo Único. Compulsandose o anexo único desta IN, vêse que o índice correspondente a março de 1979 é 32,4999. Ao se dividir Cr$ 1.750.000,00 por 32,4999, obtémse o valor de R$ 53.846,32. Ocorre porém que, na DIRPF 2002, AC 2001 (fl. 70), o bem se encontrava declarado por R$ 102.552,49, o que sugere que este valor não estava composto unicamente pelo valor pago por ele, conforme afirma o recorrente. Assim, o contribuinte não logrou demonstrar que as parcelas cuja incorporação ao custo de aquisição pleiteia já não estavam a ele incorporadas, de forma que se impõe seja negado provimento ao pedido do contribuinte. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, no mérito, negarlhe provimento. Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 199DF CARF MF
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Numero do processo: 12898.000822/2009-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
LANÇAMENTO CANCELADO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL.
Vício formal é, via de regra, aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que normalmente não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. Se o problema que ensejou o cancelamento do lançamento está situado na própria essência da relação jurídico-tributária, na não comprovação da ocorrência do fato gerador pela glosa de despesas, e no errado dimensionamento da base de cálculo, não há como reconhecer a ocorrência de vício de natureza meramente formal.
Numero da decisão: 9101-002.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (i) por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de admissibilidade em relação à nulidade do despacho de admissibilidade complementar; (ii) por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de admissibilidade e em não conhecer do recurso em relação à nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Acordam, ainda, (iii) por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de não admissibilidade em relação identificação da espécie do vício que ensejou o cancelamento do lançamento contido nos presentes autos e em conhecer do Recurso Especial. No mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO CANCELADO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é, via de regra, aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que normalmente não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. Se o problema que ensejou o cancelamento do lançamento está situado na própria essência da relação jurídicotributária, na não comprovação da ocorrência do fato gerador pela glosa de despesas, e no errado dimensionamento da base de cálculo, não há como reconhecer a ocorrência de vício de natureza meramente formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de admissibilidade em relação à nulidade do despacho de admissibilidade complementar; (ii) por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de admissibilidade e em não conhecer do recurso em relação à nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Acordam, ainda, (iii) por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de não admissibilidade em relação identificação da espécie do vício que ensejou o cancelamento do lançamento contido nos presentes autos e em conhecer do Recurso Especial. No mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 08 22 /2 00 9- 69 Fl. 7684DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto (1) à nulidade do lançamento por deficiência no pressuposto da motivação; (2) à nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa; e (3) à identificação da espécie do vício que ensejou o cancelamento do lançamento contido nos presentes autos (vício material x vício formal). A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 1401000.986, de 12/06/2013, complementado pelo Acórdão nº 1401001.269, de 28/08/2014, por meio dos quais a 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, negou provimento a recurso de ofício contra a decisão de primeira instância administrativa, para fins de manter o cancelamento do lançamento fiscal, considerando ainda que ele estava maculado por vício material, e não por vício formal. O Acórdão nº 1401000.986 contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO. ELEMENTOS FUNDAMENTAIS. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Sem a precisa delimitação desses elementos, não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. E o Acórdão nº 1401001.269, que julgou embargos de declaração apresentados pela PGFN contra a decisão acima mencionada, contém a seguinte ementa e a seguinte parte dispositiva: Fl. 7685DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 4 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO. ELEMENTOS FUNDAMENTAIS. VÍCIOS DE NATUREZA MATERIAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Vícios constatados em elementos fundamentais (intrínsecos) do lançamento constituem vícios de natureza material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos sem efeitos infringentes apenas para esclarecer que os presentes lançamentos foram cancelados por vício de natureza material. A PGFN afirma que a decisão recorrida deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: 1. DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. 1.1. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. em primeiro lugar, cabe delimitar o âmbito da divergência jurisprudencial que se estabelece quanto às questões processuais tratadas no acórdão recorrido e paradigmas; observase julgado proferido pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no qual se salienta a diferença existente entre motivo e motivação. No paradigma, além de restar consignada a tese de que a nulidade somente deve ser declarada se restar comprovado o prejuízo no caso concreto para o exercício do direito de defesa do contribuinte, devendo esse exame ser realizado mediante a análise das peças de defesa acostadas aos autos, também foi destacada que a deficiência no pressuposto da motivação é sanável e não enseja a nulidade do lançamento, ainda mais sob a pecha de vício material. Isso porque a motivação diz respeito à formalização do lançamento, à exteriorização desse ato administrativo. Vejamos a ementa do acórdão nº CSRF/0105.716: Acórdão nº CSRF/0105.716 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – ATO MERAMENTE IRREGULAR Se o ato alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo às partes e ao sistema de modo que o torne inaceitável, ele deve permanecer válido. O cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. O exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação do lançamento. Não se deve confundir o motivo do ato administrativo com a "motivação" feita pela autoridade administrativa Fl. 7686DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 5 4 que integra a "formalização" do ato. Os atos com vício de motivo não podem ser convalidados, uma vez que tais vícios subsistiriam no novo ato. Já os vícios de formalização podem ser convalidados, sanando a ilegalidade desde que não se cause cerceamento do direito de defesa ao administrado. a divergência jurisprudencial fica clara diante de alguns excertos do voto condutor do paradigma, verbis: [...]; diante do exposto, fica clara a divergência entre o acórdão recorrido e paradigma. Muito embora o acórdão recorrido tenha entendido pela ocorrência da nulidade pois entendeu falha no motivo do ato, vêse conforme o conceito dado pelo paradigma que esse conceito de “motivo do ato” é diverso. O paradigma esclarece que “Para o ato de lançamento, por exemplo, o motivo é a ocorrência do fato gerador do tributo e a norma jurídica que autorizam a exigência”. O voto condutor da decisão recorrida assenta por outro lado que o agente fiscal não delineou a motivação fática do fato gerador da obrigação principal. Vejase que esse entendimento fica claro, pois em nenhum momento o il. Conselheiro assentou não ter ocorrido o fato gerador; logo, nos próprios termos do voto condutor, fica claro que houve falha na motivação, segundo o conceito dado pelo paradigma, e não no motivo do ato. Assim, ainda segundo a inteligência do paradigma, os vícios de formalização podem ser convalidados com a prática de novo ato e se o ato alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo às partes e ao sistema de modo que o torne inaceitável, ele deve permanecer válido; prosseguindo na caracterização do dissídio jurisprudencial, cumpre apontar aresto que consagra o entendimento que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas: Acórdão nº 10417279 Ementa NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL POR VÍCIO FORMAL O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no art. 59 do Decreto n.º 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal). Acórdão nº 20401.231 Fl. 7687DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 6 5 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. ALEGAÇÃO DE DESCRIÇÃO INSUFICIENTE DOS FATOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. A alegação de falta de objetividade, clareza e completude da descrição dos fatos que configuram a infração à legislação tributária não deve ensejar a declaração de nulidade do lançamento caso não tenha havido prejuízo à defesa, configurada pela correta compreensão da acusação fiscal vêse, assim, que os acórdãos citados (recorrido e paradigmas) dão, em face de uma situação fática semelhante, interpretações distintas da legislação tributária; o voto condutor dos paradigmas assentou em sentido diametralmente oposto ao acórdão recorrido ao afirmar que se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação e recurso, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, tal como ocorreu no presente feito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa; gizese no caso presente que o contribuinte não demonstrou qualquer falta de conhecimento sobre os fatos que ensejaram o lançamento. Logo, não restou configurado o efetivo e concreto prejuízo à defesa; inquestionável, portanto, sob qualquer ótica, a caracterização da divergência; 1.2. DA NATUREZA DO VÍCIO. na remota hipótese dessa e. Câmara não acolher o entendimento do item acima citado, passase a demonstrar que o julgamento recorrido divergiu também do posicionamento de outras Câmaras que defendem que a imprecisão na descrição e na comprovação dos fatos geradores, na apuração do tributo, etc, ou seja, a contrariedade ao art. 142 do CTN gera nulidade por vício formal. Vejamos: Acórdão n° 320100.248 É nulo, por vício formal, o lançamento tributário quando não estiverem presentes todos os elementos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, bem como, quando se constatar confusa contextualização dos elementos de prova que visavam determinar o fato gerador da obrigação, e os que forem formalizados com erro na determinação da matéria tributável, posto que, por representar preterição de uma formalidade essencial, caracterizase cerceamento do direito de defesa. Recurso de Oficio Negado. Acórdão n° 30333.365 ITR/1999. VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Constatada insuficiência na descrição dos fatos e no enquadramento legal é de se reconhecer A NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO FORMAL e cerceamento ao direito de defesa. A imprecisão do lançamento é particularmente notada na identificação do sujeito passivo, na caracterização do imóvel sobre o qual deve recair o lançamento, e na descrição da motivação e respectivo enquadramento legal Fl. 7688DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 7 6 para a autuação. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. cotejando o acórdão recorrido juntamente com os acórdãos trazidos à divergência, verificase, de plano, a semelhança das questões fáticas ali envolvidas, tendo em vista que, em todos os casos, houve uma descrição e uma comprovação deficiente do fato gerador do tributo; entretanto, em que pese tenham enfrentado situações semelhantes, os acórdãos cotejados chegam a conclusões inteiramente distintas. Isso porque, enquanto o acórdão recorrido decidiu pela anulação do lançamento por vício material, os acórdãos paradigmas entenderam que tais vícios na caracterização do fato gerador acarretam a nulidade do lançamento por vício formal; assim, estando demonstrada a divergência jurisprudencial, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do recurso especial; 2. DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO R. ACÓRDÃO. 2.1. DA AUSÊNCIA DE NULIDADE segundo resulta da disciplina dos arts. 59 c/c 60 do Decreto n.º 70.235/72, o auto de infração e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; a propósito, confirase a redação dos dispositivos supra citados: [...]; sobre a matéria, a jurisprudência desta CSRF, de longa data, firmou orientação no sentido de que “Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo” (Recurso: 203112290, Segunda Turma, Sessão: 25/04/2006, Relator: Henrique Pinheiro Torres, Acórdão: CSRF/0202.301); como já citado acima, a jurisprudência desta Câmara Superior tem firmado o entendimento que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por vício insanável, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; na doutrina, é tranqüila a prevalência desses princípios. Anotese: [...]; não se vislumbra a ocorrência de prejuízo à defesa do contribuinte neste processo, pelo que a decretação da nulidade representa a desnecessária movimentação da máquina pública, com o dispêndio de recursos do erário, para a repetição de atos administrativos válidos, perfeitos e eficazes; é oportuno relembrar a diferenciação entre motivo e motivação. Segundo o paradigma indicado, “Para o ato de lançamento, por exemplo, o motivo é a ocorrência do fato gerador do tributo e a norma jurídica que autorizam a exigência”, como não houve qualquer Fl. 7689DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 8 7 alegação ou mesmo constatação de que a infração efetivamente não ocorreu, é cediço que não há qualquer vício no lançamento a ensejar sua nulidade, ainda mais sob a pecha de vício material; portanto, consoante o comando do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, nenhuma causa subjaz para a decretação da nulidade do presente lançamento. A uma porque não há que se falar na incompetência da autoridade administrativa. A duas, porque não houve qualquer ofensa ao direito à ampla defesa do contribuinte. Ausentes esses dois pressupostos, cabe concluir pela manutenção do lançamento; logo, como já demonstrado, ainda que considerado, nos termos da decisão hostilizada, suposto equívoco na construção do lançamento no elemento material do lançamento, fica claro que não houve qualquer prejuízo para o exercício da ampla defesa do autuado. Seja porque o suposto vício apenas ficou vinculado a supostas imprecisões na descrição e na comprovação dos fatos que ensejaram o lançamento, não estando vinculado de forma alguma à sua própria ocorrência. Seja porque o contribuinte demonstrou pleno conhecimento da autuação, defendendose mediante a apresentação de substanciosa defesa. Seja porque o ato alcançou a sua finalidade; entretanto, ainda que se entenda por manter a decisão da Câmara no que se refere à nulidade do auto de infração, o que se admite apenas por argumentar, não há que se falar em existência de vício material, como será demonstrado a seguir; 2.2. DA NATUREZA DO VÍCIO. rezam os arts. 10 do Decreto 70.235/72 e 142 do CTN: [...]; pela leitura desses dispositivos, percebese que os requisitos neles elencados possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o auto de infração, deve exteriorizase; desse modo, temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; na hipótese em apreço, a falha na descrição dos fatos imputados ao contribuinte/motivação é causa de anulação do lançamento por vício formal, vez que foi preterido o método estabelecido em lei. A propósito, a jurisprudência do CARF é farta em decisões que anulam o auto de infração por vício de forma, em razão da falta de preenchimento de alguns dos requisitos estipulados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e/ou art. 142 do CTN. A título de exemplo, seguem as ementas dos seguintes julgados: [...]; na hipótese em apreço, a ausência de motivação, vício apontado pelo colegiado como causa de nulidade do lançamento, a toda vista, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu; uma eventual insuficiência na descrição dos motivos que ensejaram o lançamento não pode ser considerada como vício a macular todo o lançamento, devendo ser aplicado o princípio de conservação dos atos. A questão é que o fato gerador ocorreu, em que pese poderse considerar como insuficientemente descrito; Fl. 7690DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 9 8 como já salientado, tratase de suposto vício na descrição fática que, em nada interferiu na configuração do crédito tributário (em todos os seus elementos). Logo, se se cogitar de vício no lançamento, devese ter como vício formal (na formalização do ato do lançamento), tendo em vista que a suposta falha ocorreu tãosomente na exteriorização do ato do lançamento; por tudo, concluise que o acórdão recorrido mostrase equivocado, pois o vício apontado pelo Relator acarreta a anulação do Auto de Infração por vício formal e não, material; 3. DO PEDIDO em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para: a) afastar a nulidade do lançamento; ou caso assim não entenda, b) anular o Auto de Infração, porém por vício formal. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 01/06/2015, deu seguimento parcial ao recurso especial com base na seguinte análise sobre as divergências suscitadas: [...] Segundo a Fazenda Nacional, a decisão estaria divergente de outros julgados do CARF para os quais a deficiência no pressuposto da motivação é sanável e não enseja a nulidade do lançamento, ainda mais sob a pecha de vício material. Apresenta como paradigma o Acórdão CSRF/0105.716: [...] Prossegue a recorrente pela divergência também no sentido de que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas. Nesse caso, apresenta como paradigma os Acórdãos 10417279 (4ª Câmara do 1º CC) e 20401.231 (4ª Câmara do 2º CC): [...] Por fim, argumenta que se não for acatado o entendimento até então suscitado, a divergência estaria comprovada pelo fato de outras turmas entenderem que a imprecisão na descrição e na comprovação dos fatos geradores, na apuração do tributo, etc, ou seja, a contrariedade ao art. 142 do CTN gera nulidade por vício formal e não material como concluiu a decisão recorrida. Suscita como paradigmas nessa questão os Acórdãos 320100.248 (1ª TO/2ª Câmara/3ª Seção) e 30333.365 (3ª Câmara/ 3º CC): [...] Quanto à primeira divergência suscitada, referente à não caracterização da nulidade por ausência de motivação, entendo que não restou comprovada, pois no caso sob exame a nulidade não foi decidida Fl. 7691DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 10 9 com base apenas na ausência de motivação, mas também pelo Fisco não ter apresentados elementos fundamentais que teriam servido de base à autuação, não ter examinado documentos apresentados pelo sujeito passivo e não ter feito a devida recomposição do cálculo do IRPJ e da CSLL devidos. Situação fática distinta, portanto. Nessa mesma linha deve ser rejeitada a segunda divergência argüida, pois a decisão recorrida não teve por base apenas o cerceamento do direito de defesa para declarar a nulidade da autuação. Relativamente ao tipo de vício que maculou o lançamento, pareceme que assiste razão à recorrente. O acórdão recorrido foi claro em declarar que a ausência dos elementos mencionados no art. 142, do CTN implica em vício de natureza material, enquanto o acórdão paradigma 320100.248 sustenta que tal situação reflete vício de natureza formal. Nesse caso entendo que a divergência jurisprudencial foi comprovada, motivo pelo qual proponho que seja dado seguimento parcial ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Procedida à análise com fundamento na Portaria CARF nº 08, de 09 de fevereiro de 2015, submeto este exame de admissibilidade ao Presidente da 4ª Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF Em cumprimento ao disposto no art. 18, III, do Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF , e com base nas razões supra expostas, que aprovo e adoto como fundamentos deste despacho, DOU SEGUIMENTO PARCIAL ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional nos seguinte termos: Nego seguimento quanto à não ocorrência de nulidade por ausência de motivação; Nego seguimento quanto à ausência de nulidade por cerceamento do direito de defesa; e: DOU SEGUIMENTO quanto à correta definição do tipo de vício ocorrido, se formal ou material. Por força do art. 71, do Anexo II, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, submeto o presente despacho à apreciação do Sr. Presidente do CARF, no que concerne à matérias do recurso as quais foi negado seguimento ANDRÉ MENDES DE MOURA Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF A negativa de seguimento de parte do recurso especial foi confirmada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme despacho de reexame de admissibilidade exarado em 08/06/2015. Fl. 7692DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 11 10 Em 22/06/2015, o processo foi encaminhado à PGFN, para que tomasse ciência do exame de admissibilidade de seu recurso especial. Na sequência, em 24/06/2015, a PGFN apresentou uma petição solicitando a análise de alguns fatos, para que fosse promovida a adequação do exame de admissibilidade de seu recurso. De acordo com a PGFN, não teria sido observado que uma das teses defendidas pela União e pelo Acórdão nº CSRF/0105.716, juntado como paradigma, é a de que a nulidade somente pode ser declarada se restar comprovado o prejuízo no caso concreto, o que não foi demonstrado nos autos. Para demonstrar que essa divergência tinha sido alegada, ela transcreveu trechos do recurso. A referida petição foi tratada como embargos inominados, e resultou em uma revisão sobre o exame de admissibilidade do recurso, em caráter complementar, materializada no despacho de exame de admissibilidade complementar por mim exarado em 24/02/2016, já na condição de Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF. O parecer que deu base para esse despacho transcreve trechos da decisão recorrida, do exame de admissibilidade anterior, da petição da PGFN, e do acórdão indicado como paradigma, para então concluir: [...] Examinando o acórdão paradigma verificase que traz o entendimento de que se o ato alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo às partes e ao sistema de modo que o torne inaceitável, ele deve permanecer válido, já que o cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que além de não ter identificado corretamente a matéria tributável, as autoridades autuantes também se equivocaram ao não procederem a devida recomposição do cálculo do IRPJ e da CSLL devidos e que não houve a perfeita identificação da matéria tributável. Assim, o lançamento (IRPJ e CSLL) deve ser cancelado, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN, haja vista que o cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e não apenas em tese como foi reconhecido no acórdão recorrido. Do exame dos requisitos de admissibilidade estabelecidos nos arts. 67 e 68 do Anexo II do RICARF, verificase que o recurso especial deve ser admitido, haja vista que restou demonstrada a divergência jurisprudencial. Em assim sucedendo, proponho que seja dado seguimento ao recurso especial interposto em relação à matéria tratada nos embargos inominados apresentados pela PGFN no sentido de que se o ato alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo as partes e ao sistema de modo Fl. 7693DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 12 11 que o torne inaceitável, ele deve permanecer válido, já que o cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. Em 15/03/2016, a contribuinte foi considerada intimada dos despachos referentes ao exame de admissibilidade do recurso especial da PGFN, e em 29/03/2016, tempestivamente, ela apresentou as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: nestas contrarrazões, a Recorrida demonstrará que: (i) o Despacho que apreciou os "embargos inominados" da PGFN é nulo, pois o Presidente da 4ª Câmara da1ª Seção de Julgamento não tem competência para reapreciar o exame de admissibilidade; (ii) os acórdãos indicados como paradigma das controvérsias relativas à inexistência de nulidade teses "i" e "ii" não conferiram interpretação diversa à legislação tributária com relação ao acórdão recorrido, pois tratam de matéria que não foi discutida no acórdão proferido pelo CARF. Com efeito, os autos de infração não foram anulados por cerceamento de direito de defesa, mas cancelados em virtude da incorreta apuração da base de cálculo dos tributos lançados; (iii) os acórdãos indicados como paradigma da controvérsia relativa à natureza do vício tese "iii" não são representativos da controvérsia, pois tratam de situações fáticas diferentes da que ensejou o cancelamento dos autos de infração neste processo; (iv) no mérito, o vício que ensejou o cancelamento dos autos de infração é de natureza material; PRELIMINARMENTE nos subitens seguintes, a Recorrida demonstrará a nulidade do despacho que admitiu os "embargos inominados" da PGFN, bem como a inexistência de divergência jurisprudencial com relação às teses em tomo da nulidade do lançamento por cerceamento de defesa e da natureza do vício que ensejou o cancelamento da autuação. As alegações da Recorrida demonstrarão que o Recurso Especial não deve ser admitido por essa CSRF, pois ausentes os pressupostos para tanto; DA NULIDADE DO DESPACHO QUE ADMITIU OS "EMBARGOS INOMINADOS" a petição em que a PGFN requereu o reexame do despacho de admissibilidade do Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento foi qualificada pelo Presidente em questão como "embargos inominados", figura prevista no artigo 66 do RICARF; contudo, a apresentação dos chamados "embargos inominados" é autorizada somente se a inexatidão ou erro forem patentes ou manifestos com relação a uma situação fática, e não mera discordância quanto à valoração jurídica dos fatos em discussão, conforme reconhecido por integrantes desta CSRF; está evidente que em sua petição a PGFN trata de discussão acerca da interpretação jurídica dada pelo Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção com relação à Fl. 7694DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 13 12 admissibilidade do Recurso Especial da PGFN. Nessa hipótese, os Embargos Inominados previstos no artigo 66 do RICARF sequer poderiam ter sido admitidos; além disso, há uma regra expressa no RICARF que proíbe, após o prazo para interposição de um Recurso Especial, a apresentação de alegações e documentos adicionais para fins de verificação da admissibilidade de Recursos Especiais (RICARF, art. 67, §13); diante das regras contidas nos artigos 66 e 67, §13, do RICARF, temse que o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento não tem competência para reanalisar a admissibilidade de um Recurso Especial. Disso decorre a prolação de um despacho por autoridade administrativa incompetente para prolatálo, o que resulta em sua nulidade, conforme previsão do artigo 59, II, do Decretolei n° 70.235/1972; portanto, em face dessa nulidade, pleiteia a Recorrida não seja admitido o Recurso Especial interposto pela PGFN com relação às teses cuja admissibilidade somente foi reconhecida no segundo despacho proferido pelo Presidente da Câmara prolatora do acórdão recorrido; DA AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL SOBRE A NULIDADE DO LANÇAMENTO com relação às teses relativas à, conforme denominação dada pela PGFN, inexistência de nulidade, foram apresentados os seguintes acórdãos: CSRF/0105.716, 104 17279 e 20401.231. O primeiro trata da tese da impossibilidade de declaração de nulidade nos casos de não comprovado o prejuízo à defesa do Contribuinte, alegando que os vícios na formalização podem ser convalidados. Os segundo e terceiro, por sua vez, versam sobre a nulidade em função do cerceamento do direito de defesa nos casos em que há equívocos nos requisitos formais do lançamento; ocorre que nenhuma dessas teses foi objeto do acórdão recorrido, pois o fundamento utilizado para manutenção da Decisão da DRJ que determinou o cancelamento integral dos autos de infração diz respeito à incorreta identificação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e a falta de recomposição do cálculo desses tributos pela Autoridade Lançadora. Tais matérias são afeitas à discussão em torno da afronta ao artigo 142 do Código Tributário Nacional e nada tem que ver com a declaração de nulidade por ausência de prejuízo ou cerceamento ao direito de defesa da Recorrida; apesar de referidas nulidades terem sido invocadas pela Recorrida em sua Impugnação, tais argumentos não foram apreciados pelo CARF em função da regra do artigo 59, §3º, do Decretolei n° 70.235/1972, pois o mérito foi decidido em favor da Recorrida; portanto, tendo em vista que as teses contidas nos acórdãos apresentados como representativos da controvérsia não foram discutidas no acórdão recorrido, não há que se falar em interpretação divergente da legislação tributária apta a autorizar a interposição do Recurso Especial. Em verdade, o CARF sequer chegou a interpretar a legislação tributária que diz respeito às nulidades por ausência de prejuízo/motivação e cerceamento do direito de defesa, existindo, assim, uma impossibilidade lógica e jurídica de se interpor Recurso Especial com base no artigo 67 do RICARF: não há divergência jurisprudencial se a matéria não foi objeto de análise; Fl. 7695DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 14 13 requerse, portanto, não seja admitido o Recurso Especial por essa CSRF no que tange às teses de nulidade alegadas pela PGFN; DA AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL SOBRE A NATUREZA DO VÍCIO a PGFN apontou como Acórdãos Paradigmas representativos da controvérsia relativa à natureza do vício constante no lançamento os acórdãos n° 320100.248 e n° 30333.365. Também para esses julgados não há demonstração da interpretação divergente dada pelo acórdão recorrido com relação a eles; Do Acórdão n° 3201 00.248 a divergência apontada entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma n° 320100.248 consiste no reconhecimento, pelo voto condutor do acórdão paradigma, de nulidade por vício formal no lançamento tributário que não respeitou os requisitos estabelecidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional; da leitura da íntegra do acórdão paradigma, é possível verificar que o lançamento em questão foi motivado pela constatação de ocultação do verdadeiro responsável por operações de importação de mercadorias, infração a qual ensejaria a aplicação da pena de perdimento de que trata o artigo 23, inciso V e §1º, do DecretoLei n° 1.455/76 ou multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, conforme dispõe o § 3o do mesmo dispositivo: [...]; mais adiante, no voto proferido pela Conselheira Relatora, notase que o argumento que levou a sua Turma de Julgamento a considerar a nulidade do lançamento por vício formal se refere somente à inobservância das regras previstas no artigo 142 do Código Tributário Nacional, conforme se verifica do trecho abaixo transcrito: [...]; de forma mais específica, observase que o vício formal no caso paradigma foi determinado pela ausência de elementos que permitem ao Contribuinte identificar a matéria tributável com clareza, e não um equívoco na subsunção dos fatos à norma. Isto é, houve um equívoco de caráter instrumental na exteriorização do lançamento tributário que caracteriza o vício formal; por sua vez, o entendimento exarado no Acórdão Recorrido n° 1401 001.269, deixa claro que o vício material decorre de erro na identificação da matéria tributável, isto é, erro de direito na subsunção dos fatos à regra matriz de incidência tributária, em violação ao artigo 142 do Código Tributário Nacional. É o que se pode verificar do trecho da decisão recorrida abaixo transcrita: [...]; mais clara fica a divergência de similitude fática entre o Acórdão Paradigma e Recorrido após a leitura do trecho extraído do voto condutor do Acórdão Paradigma que fundamenta as razões pelas quais deve ser declarada anulidade do lançamento apenas na desobediência aos quesitos estabelecidos no artigo142 do Código Tributário Nacional. Confira se: [...]; tendo em vista que o ponto identificado como divergência pelo acórdão paradigma não possui similaridade com os elementos que levaram o CARF a determinar o Fl. 7696DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 15 14 cancelamento do lançamento por vício material, temse que os pressupostos do artigo 67 do RICARF não estão presentes; Do Acórdão n° 30333.365 a PGFN aponta como segunda julgado representativo da divergência jurisprudencial o acórdão n° 30333.365, que declara a nulidade do lançamento por vício formal em razão da (i) imprecisão na identificação do sujeito passivo, bem como na descrição da motivação e respectivo enquadramento legal para autuação, em violação ao artigo 142 do Código Tributário Nacional; e (iii) infração aos requisitos indispensáveis do lançamento previstos no artigo 5º da Instrução Normativa n° 94/1997 que trata dos trabalhos das malhas fiscais e lançamentos suplementares; da leitura da íntegra de referido acórdão, é possível identificar com mais clareza os motivos pelos quais foi decretada a nulidade do lançamento. Confirase [...]; ora, de plano já se observa a ausência de similitudefática entre o segundo acórdão Paradigma e o presente caso. Isso porque, conforme abordado no tópico acima, o vício que maculou a presente autuação foi determinado em razão da incorreção na apuração da matéria tributável nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional (i.e., subsunção dos fatos à norma fiscal); com efeito, ao analisar outro trecho extraído da íntegra do acórdão n° 303 33.365, é possível verificar que a nulidade do lançamento em razão de vício formal foi declarada, em síntese, em virtude do cerceamento do direito de defesa consequente da imprecisão de identificação do sujeito passivo e insuficiência da descrição dos fatos e do enquadramento legal para autuação. Ou seja,tratase de equívocos relacionados à formalização do lançamento. Confirase trecho da decisão: [...]; dessa forma, tendo em vista ausência de similitudefática entre o segundo acórdão e o recorrido, temse que a Fazenda Nacional não atendeu, mais uma vez, ao disposto no artigo 67 do RICARF; DO MÉRITO no caso concreto, os autos de infração foram cancelados pela DRJ e referida decisão mantida pelo CARF, pois a Autoridade Lançadora não identificou corretamente a matéria tributável nem recompôs a base de cálculo para lançamento do IRPJ e CSLL, o que resultaria em uma afronta ao artigo 142 do Código Tributário Nacional qualificada como vício material; com efeito, no curso do procedimento fiscal, a Autoridade Lançadora teve acesso a toda a documentação capaz de justificar a dedutibilidade das despesas incorridas pela Recorrida, mas não as apreciou para identificar a eventual matéria tributável, decidindo pela lavratura dos autos de infração. Em sua Impugnação (item III.3 da Impugnação), a Recorrida demonstrou o atendimento dos requisitos para dedutibilidade das despesas, bem como em sua Manifestação ao Termo de Encerramento de Diligência, que foi determinada pela DRJ; está claro, portanto, que a Autoridade Lançadora afrontou o artigo 142 do Código Tributário Nacional, restando em discussão tão somente se a natureza do vício é formal Fl. 7697DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 16 15 ou material. Destaquese que nem mesmo a PGFN questionou a afronta ao aludido artigo do Código Tributário Nacional; verificase pela leitura do artigo 142 do Código Tributário Nacional que o lançamento deve ser realizado de acordo com a lei. Assim, é dever do auditor fiscal "calcular o montante do tributo devido" em conformidade com as disposições legais pertinentes ao tributo que se está lançando. Caso o auditor fiscal, ao calcular o montante do tributo devido, olvide a aplicação da norma existente no sistema jurídico, ou o faça com interpretação equivocada, tem se um lançamento com erro de direito, ou melhor: com erro no critério jurídico utilizado; com efeito, o erro de direito consiste na inadequada aplicação da norma jurídica pelo auditor fiscal, em razão de equivocado entendimento sobre o seu comando ou puro desconhecimento; se a aplicação da norma pelo Auditor Fiscal, no ato de lançamento, estiver em desacordo com o que consta do texto legal, terseá erro de direito (ou erro de natureza material), também definido por muitos como sendo o erro no critério jurídico utilizado; assim, identificado erro no pressuposto de direito, temse que o ato administrativo é inválido e deve ser cancelado. Aliás, instado a se manifestar, o antigo Conselho de Contribuintes já apresentou entendimento no sentido de que o erro de direito acarreta o cancelamento dos autos de infração lavrados por vício material, conforme se observa pela leitura dos acórdãos abaixo transcritos: [...]; esse é o mesmo entendimento manifestado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Repetitivo, cujo resultado deve ser seguido por esse Conselho em virtude da regra prevista no artigo 62, §2º do RICARF. Com efeito, no Recurso Especial 1.130.545/RJ (Doc. 03), o Superior Tribunal de Justiça entendeu que apenas os erros de fato, decorrentes do desconhecimento da realidade fática e não da norma aplicável , são capazes de ensejar vícios formais: [...]; vêse que o Superior Tribunal de Justiça, nesse caso, ao diferenciar "erro de fato" de "erro de direito", baseouse em lições que entendem que o erro quanto à base de cálculo do tributo é de natureza material; a distinção entre vício formal e vício material também é tratada pela RFB e pela PGFN em Soluções de Consulta e Pareceres. Com relação ao entendimento da RFB, os critérios utilizados para diferenciação dessas espécies de vício estão na Solução de Consulta Interna COSIT n° 08/2013 (Doc. 04). Em síntese, de acordo com a própria RFB, o vício formal reside no instrumento de lançamento, ao passo em que a morada do vício material é o lançamento. Em outras palavras, o vício formal está no processo, o material, no produto; a PGFN, por sua vez, tratou do tema em seu Parecer PGFN/CAT n° 278/2014 (Doc. 05), no qual manifesta o mesmo entendimento da RFB com relação à distinção entre referidos vícios. Ao final, a PGFN conclui que o vício de natureza material é aquele que implica afronta ao artigo 142 do Código Tributário Nacional, e que o vício formal decorre de uma inobservância do artigo 10 do Decretolei n° 70.235/1972; portanto, STJ, RFB e PGFN detém um entendimento semelhante no que tange à identificação de vícios: o formal decorre de uma irregularidade no procedimento (ato de lançamento), o material, de uma irregularidade no objeto do procedimento (lançamento). Fl. 7698DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 17 16 Esse também vem sendo o critério utilizado por esse CARF, especialmente sua CSRF, para distinguir um vício de outro. Confirase: [...]; transpondose as noções acima expostas para o caso atual, vêse que a Autoridade Fiscal não demonstrou a legitimidade do quantum debeatur de IRPJ e CSLL exigidos, pois não apurou corretamente a matéria tributária nem recompôs a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, como reconhecido desde a Decisão da DRJ; isto é, mesmo diante da documentação apresentada pela Recorrida, a Autoridade Lançadora não demonstrou o porquê de as despesas incorridas por ela seriam indedutíveis e nem recompôs a base dos tributos lançados conforme determina a legislação tributária, não motivando, assim, o lançamento. O vício reside, portanto, no objeto do lançamento, sendo intrínseco a ele, o que resulta na afronta ao artigo 142 do Código Tributário Nacional e, consequentemente, na qualificação do vício como material; inclusive, especificamente nos casos em que não há demonstração e identificação da matéria tributável, o CARF tem entendido pela ocorrência de vício material, conforme se extrai dos seguintes julgados: [...]; no caso concreto, temse ferida a substância da exigência, do que decorre a necessidade de se cancelála com base no artigo 142 do Código Tributário Nacional, erro esse de clara natureza material; por fim, com relação à alegação da PGFN de que não haveria prejuízo apto a autorizar o cancelamento do lançamento cujo seguimento somente foi admitido após a prolação do nulo despacho de reapreciação de admissibilidade de seu Recurso Especial (vide item 11.1) , a constatação do vício material é suficiente para se concluir pela necessidade de rechaçála. Com efeito, o prejuízo é evidente: suportar a exigência de créditos tributários indevidos. Não por outra razão, essa CSRF, conforme julgados acima citados, não tem acatado o absurdo argumento no caso de cancelamento do lançamento por vício material; DO PEDIDO por tudo quanto exposto, requer a Recorrida que não se conheça do Recurso Especial interposto pela PGFN, haja vista a inexistência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos apresentados como paradigma e o acórdão recorrido, bem como em decorrência da nulidade do despacho que reapreciou a admissibilidade de seu Recurso Especial; na remota hipótese dessa E. CSRF analisar o mérito do Recurso Especial, requerse que lhe seja negado provimento, mantendose o acórdão recorrido em sua integralidade, pelas razões acima expostas. É o relatório. Fl. 7699DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 18 17 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento para constituição de crédito tributário a título de IRPJ e CSLL sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2006. A autuação fiscal está baseada na glosa de despesas não comprovadas. A decisão de primeira instância administrativa cancelou o lançamento, e, em razão dos valores exonerados, houve recurso de ofício. A decisão de segunda instância administrativa, composta pelos Acórdãos nºs 1401000.986 e 1401001.269, negou provimento ao recurso de ofício, mantendo o cancelamento das exigências fiscais, e ainda concluiu que o lançamento estava eivado de vício de natureza material, e não formal. Por meio do recurso especial que está sendo examinado nesse momento, a PGFN suscitou divergência de interpretação da legislação tributária. Houve um primeiro despacho de exame de admissibilidade, em que foram examinadas divergências em relação a três matérias: (1) nulidade do lançamento por deficiência no pressuposto da motivação; (2) nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa; e (3) identificação da espécie do vício que ensejou o cancelamento do lançamento contido nos presentes autos (vício material x vício formal). Nesse exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao recurso apenas em relação à terceira divergência acima mencionada, que trata da identificação da espécie do vício que ensejou o cancelamento do lançamento. A negativa de seguimento para as duas primeiras divergências foi confirmada por despacho de reexame exarado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na sequência, a PGFN apresentou uma petição alegando que havia ainda uma quarta divergência que não tinha sido apreciada (nem pelo despacho de exame, nem pelo de reexame), relativamente (4) à questão de que o cerceamento do direito de defesa deve ser verificado concretamente, e não apenas em tese. Essa petição foi tratada como "embargos inominados", e por meio de um despacho de exame complementar, também foi dado seguimento ao recurso em relação a essa quarta divergência. Em sede de contrarrazões, a contribuinte apresenta preliminares de não conhecimento do recurso especial, relativamente às duas matérias admitidas. Primeiramente, em relação à quarta divergência, ela alega, em resumo, que o Despacho que apreciou os "embargos inominados" da PGFN é nulo, pois o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento não tem competência para reapreciar o exame de admissibilidade. Fl. 7700DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 19 18 Quanto a esse ponto, é importante mencionar que esse despacho de exame "complementar" não modificou o que já havia sido decidido em relação às matérias apreciadas no primeiro exame de admissibilidade, e nem afrontou o despacho de reexame exarado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Esse despacho complementar apenas examinou a admissibilidade de uma quarta divergência, que não havia sido analisada nos despachos anteriores (tanto de exame, quanto de reexame). E como essa quarta divergência foi admitida, não houve necessidade de um novo despacho de reexame, porque este só era elaborado quando havia negativa de seguimento. A primeira preliminar deve ser, portanto, REJEITADA. Como uma segunda preliminar de não conhecimento do recurso, a contribuinte alega que os acórdãos indicados como paradigmas das controvérsias relativas à inexistência de nulidade tratam de matéria que não foi discutida no acórdão proferido pelo CARF; que os autos de infração não foram anulados por cerceamento de direito de defesa, mas cancelados em virtude da incorreta apuração da base de cálculo dos tributos lançados. Essa segunda preliminar também diz respeito apenas à quarta divergência, porque para as duas primeiras divergências, que também tratavam de questões de nulidade, já foi negado seguimento ao recurso, em caráter definitivo. A quarta divergência trata da questão de que o cerceamento do direito de defesa deve ser verificado concretamente, e não apenas em tese. Revisitando os exames de admissibilidade, constato que, realmente, a decisão recorrida não aborda expressamente questões de nulidade, nem de cerceamento de direito de defesa. O que a decisão recorrida (composta pelos Acórdãos nºs 1401000.986 e 1401001.269) diz é que o "lançamento (IRPJ e CSLL) deve ser cancelado", e que os "lançamentos foram cancelados por vício de natureza material". Além disso, a decisão recorrida não sustenta em nenhum momento que os problemas relativos a cerceamento de direito de defesa podem ser examinados apenas em tese. O recurso da PGFN não aponta onde estaria esse tipo de afirmação na decisão recorrida. O que se vê, pelo contrário, é que a decisão recorrida, mesmo não tratando expressamente dessa questão de nulidade por cerceamento de direito de defesa, indica objetivamente várias situações específicas do caso concreto, atinentes à identificação da matéria tributável, que poderiam ensejar uma decisão de cerceamento do direito de defesa concretamente, e não em tese. Desse modo, mesmo admitindo que ao cancelar o lançamento, a decisão recorrida tenha tratado de situações que poderiam ensejar nulidade por cerceamento de direito de defesa, ela não tratou disso apenas em tese, de modo que a 4ª divergência não deve mesmo ser admitida. Fl. 7701DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 20 19 Assim, ACOLHO a segunda preliminar, e voto no sentido de NÃO CONHECER da quarta divergência, que trata da questão de que o cerceamento do direito de defesa deve ser verificado concretamente, e não apenas em tese. A contribuinte apresenta ainda uma terceira preliminar de não conhecimento do recurso, desta vez tratando da terceira divergência, que diz respeito à identificação da espécie do vício que ensejou o cancelamento do lançamento (vício material x vício formal). De acordo com a contribuinte, os acórdãos indicados como paradigmas da divergência relativa à natureza do vício não são representativos da controvérsia, pois tratam de situações fáticas diferentes da que ensejou o cancelamento dos autos de infração neste processo. Penso que foi correta a decisão monocrática que deu seguimento ao recurso especial em relação a essa divergência, com base no seguinte entendimento: O acórdão recorrido foi claro em declarar que a ausência dos elementos mencionados no art. 142, do CTN implica em vício de natureza material, enquanto o acórdão paradigma 320100.248 sustenta que tal situação reflete vício de natureza formal. O exame dessa preliminar se confunde um pouco com o próprio exame de mérito do recurso. É que problemas relativos à motivação podem ser examinados sob dois tipos de abordagem: um deles consiste em examinar se a Fiscalização se desincumbiu do ônus de comprovar a ocorrência do fato gerador (aspecto material); o outro é entender que problemas na motivação (descrição do motivo) afrontariam disposições legais que regulam a feitura do lançamento (aspecto formal). A divergência em pauta reside justamente aí. Em suas contrarrazões, a contribuinte sustenta, em relação ao presente processo, que "os autos de infração foram cancelados pela DRJ e referida decisão mantida pelo CARF, pois a Autoridade Lançadora não identificou corretamente a matéria tributável [...]", e essa é justamente a situação enfrentada pelos paradigmas. Com efeito, a própria contribuinte afirma, em relação ao primeiro paradigma apresentado para a comprovação dessa divergência, "que o vício formal no caso paradigma foi determinado pela ausência de elementos que permitem ao Contribuinte identificar a matéria tributável com clareza". E em relação ao segundo paradigma, ela afirma que "o vício que maculou a presente autuação foi determinado em razão da incorreção na apuração da matéria tributável". A não identificação correta da matéria tributável foi entendida pela decisão recorrida como vício de natureza material, enquanto que os paradigmas entenderam que esse mesmo tipo de problema configurava vício formal. Assim, voto no sentido de REJEITAR essa terceira e última preliminar de não conhecimento do recurso. Fl. 7702DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 21 20 Passo, então, a conhecer do recurso em relação à divergência sobre a identificação da espécie do vício que ensejou o cancelamento do lançamento contido nos presentes autos (vício material x vício formal). Para o Direito Tributário, essa questão de compreender e identificar se o vício é formal ou material tem grande relevância, porque o Código Tributário Nacional CTN, nos casos de vício formal, prolonga o prazo de decadência para constituição de crédito tributário, nos termos de seu art. 173, II: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Os prazos de decadência tem a função de trazer segurança e estabilidade para as relações jurídicas, e é razoável admitir que o prolongamento desse prazo em favor do Fisco, em razão de erro por ele mesmo cometido, deve abranger vícios de menor gravidade. Com efeito, o sentido do CTN não é prolongar a decadência para todo o tipo de crédito tributário, mas apenas para aqueles que tenha sido anulados por ocorrência de "vício formal" em sua constituição. Nem sempre é tarefa fácil distinguir o vício formal do vício material, dadas as inúmeras circunstâncias e combinações em que eles podem se apresentar. O problema é que os requisitos de forma não são um fim em si mesmo. Eles existem para resguardar direitos (p/ ex., o direito ao contraditório e à ampla defesa). É a chamada instrumentalidade das formas, e isso às vezes cria linhas muito tênues de divisa entre o aspecto formal e o aspecto substancial das relações jurídicas. É esse o contexto quando se afirma que não há nulidade sem prejuízo da parte. Nesse sentido, vale trazer à baila as palavras de Leandro Paulsen: Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 13ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2011.) A Lei nº 4.717/1965 (Lei da Ação Popular), ao tratar da anulação de atos lesivos ao patrimônio público, permite, em seu art. 2º, uma análise comparativa entre os Fl. 7703DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 22 21 diferentes elementos que compõe o ato administrativo (competência, forma, objeto, motivo e finalidade): “Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; c) a ilegalidade do objeto ocorre quando o resultado do ato importa em violação de lei, regulamento ou outro ato normativo; d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido; e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência.” (grifos acrescidos) Pela enumeração dos elementos que compõe o ato administrativo, já se pode visualizar o que se distingue da forma, ou seja, o que não deve ser confundido com a aspecto formal do ato (a competência, o objeto, o motivo e a finalidade). No contexto do ato administrativo de lançamento, vício formal é, via de regra, aquele verificado de plano, no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade jurídica representada (declarada) por meio deste ato. O vício formal normalmente não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, à verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido e à identificação do sujeito passivo, porque aí está a própria essência da relação jurídicotributária. O vício formal a que se refere o artigo 173, II, do CTN abrange, por exemplo, a ausência de indicação de local, data e hora da lavratura do lançamento, a falta de assinatura do autuante, ou a falta da indicação de seu cargo ou função, ou ainda de seu número de matrícula, todos eles configurando elementos formais para a lavratura de auto de infração, conforme art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, mas que não se confundem com a essência/ Fl. 7704DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 23 22 conteúdo da relação jurídicotributária, apresentada como resultado das atividades inerentes ao lançamento (verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, etc. CTN, art. 142). Aliás, um erro nos elementos que identificam a essência/conteúdo da relação jurídicotributária até pode ser considerado como um vício formal desde que, por exemplo, ele se apresente como resultado de uma evidente discrepância entre o que se pensou e o que se exteriorizou pela escrita (as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo), quando todo o contexto do que está sendo dito aponta num determinado sentido, e um ponto específico, desconexo do conjunto das ideias, aponta em outro, ou dá uma informação simplesmente fora de contexto, etc. Mas mesmo diante desse tipo de situação, vale novamente lembrar que não há nulidade sem prejuízo da parte. Penso que a verificação da possibilidade de refazimento (repetição) do ato de lançamento, com o mesmo conteúdo, para fins de apenas sanear o vício detectado, é um referencial bastante útil para se examinar a espécie do vício. Se houver possibilidade de o lançamento ser repetido, com o mesmo conteúdo concreto (mesmos elementos constitutivos da obrigação tributária), sem incorrer na mesma invalidade, o vício é formal. Isso é um sinal de que o problema está nos aspectos extrínsecos e não no núcleo da relação jurídicotributária. Há uma decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o Acórdão nº 9101 00.955, que explicita bem esse aspecto: Acórdão nº 910100.955 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN, por serem elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto, antecedem e são preparatórios à formalização do crédito tributário, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, ai sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. [...] Voto [...] Fl. 7705DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 24 23 Como visto, há um ponto comum em todos os mestres citados: o lançamento substitutivo só tem lugar se a obrigação tributária já estiver perfeitamente definida no lançamento primitivo. Neste plano, haveria uma espécie de proteção ao crédito público já formalizado, mas contaminado por um vicio de forma que o torna inexeqüível.... Bem sopesada, percebese que a regra especial do artigo 173, II, do CTN, impede que a forma prevaleça sobre o fundo. [...] [...] 4.0 VÍCIO FORMAL NÃO ADMITE INVESTIGAÇÕES ADICIONAIS Neste contexto, é licito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providencias forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Deveras, como visto anteriormente, a adoção da regra especial de decadência prevista no artigo 173, II, do CTN, no plano do vicio formal, que autoriza um segundo lançamento sobre o mesmo fato, exige que a obrigação tributária tenha sido plenamente definida no primeiro lançamento. Vale dizer, para usar as palavras já transcritas do Mestre Ives Gandra Martins, o segundo lançamento visa "preservar um direito já previamente qualificado, mas inexeqüível pelo vicio formal detectado". Ora, se o direito já estava previamente qualificado, o segundo lançamento, suprida a formalidade antes não observada, deve basearse nos mesmos elementos probatórios colhidos por ocasião do primeiro lançamento. [...] O que a referida decisão esclarece é que se houver inovação na parte substancial do lançamento (seja através de um lançamento complementar, seja através do resultado de uma diligência), não há como sustentar que a nulidade então existente decorria de vício formal. Nesse passo, vale transcrever os fundamentos utilizados pela decisão recorrida (composta pelos Acórdãos nºs 1401000.986 e 1401001.269) para manter o cancelamento da autuação fiscal: Acórdão nº 1401000.986 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Conforme relatado, o presente lançamento decorreu da glosa de custos ou despesas que foram considerados não comprovados. Fl. 7706DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 25 24 O Termo de Verificação Fiscal afirma que o contribuinte, intimado e reintimado, deixou de “apresentar a documentação que lastreou os valores deduzidos a título de despesas nas contas abaixo relacionadas”, conforme “planilha de consolidação dos valores mensais (superiores a R$10.000,00) correspondentes às despesas não comprovadas pelo contribuinte [...]”. A fiscalização, contudo, abstevese de juntar aos autos a aludida planilha, tendo sido juntado apenas o livro Razão. Sobre o tema, assim se manifestou o colegiado julgador a quo, fls. 6636: Não houve a discriminação dos valores glosados. O Termo de Verificação Fiscal limitouse a relacionar as 11 contas cujos lançamentos não teriam sido comprovados (sem qualquer valor); O auto de infração indica 12 valores glosados, que, presumese, correspondem a cada mês, e nenhum demonstrativo de cálculo foi juntado aos Autos antes da diligência. Não cabe ao julgador buscar compor o valor glosado a partir do Razão. Portanto, o crédito tributável exigido não se encontrava perfeitamente demonstrado. Ainda, a fiscalização entendeu que o interessado não havia comprovado qualquer dos valores das rubricas elencadas, apurando valor tributável total de R$58.907.184,43 (demonstrativo de apuração fl. 183). O total de despesas operacionais informado na DIPJ foi R$277.591.203,15 (fl. 2.775). A glosa é, portanto, expressiva. Uma vez que a tributação pelo lucro real exige escrituração regular, lastreada em documentos hábeis e idôneos, entendo prematuro o lançamento. Também não concordo com o procedimento adotado pela fiscalização de deixar de examinar e considerar o conteúdo dos CD disponibilizados pelo interessado, sob as alegações de que as provas não estavam em papel e de que os CD só conteriam os lançamentos contábeis. Os comprovantes apresentados pelo contribuinte têm que ser admitidos, sejam em meio magnético, sejam em papel. Além disso, a fiscalização não podia presumir que só havia cópia da escrituração naqueles CD, só porque, numa das cartasresposta, o interessado mencionou que eles continham “parte dos lançamentos contábeis solicitados” (fls. 22/23), até porque, na resposta de fls. 24/25, ele afirmou que as mídias continham “parte da documentação faltante” e, na resposta de fls. 26/28, deixou claro que incluiu no CD “notas localizadas” e “comprovantes das despesas”. Sem a análise da documentação oferecida pelo interessado em resposta às intimações, não é legítima a conclusão a que chegou a fiscalização, de que teria havido falta de comprovação das despesas naquelas 11 contas, que acabaram sendo glosadas integralmente. [...] A diligência determinada pelo colegiado julgador de 1ª instância não foi suficiente para esclarecer o motivo das glosas realizadas pela autoridade fiscal. Sobre o tema, posicionouse com suficiente clareza o acórdão recorrido, fls. 6637: Fl. 7707DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 26 25 Numa tentativa de “salvar” o lançamento, o julgamento foi convertido em diligência. A diligência, no entanto, somente confirmou sua imprestabilidade, como se verá. O interessado recebeu, como parte integrante do Auto de Infração, a planilha de consolidação dos valores mensais de fl. 182, que, no entanto, não havia sido juntada aos Autos pela fiscalização. Na diligência, a fiscalização elabora a planilha de fl. 2.699 –Valores glosados por contas do plano de contas. Como aponta o interessado em sua defesa, os valores nos Autos de Infração e no Termo de Encerramento da Diligência são incongruentes, conforme quadro à fl. 2.760. Na planilha de fl. 2.699, temse o total de R$59.346.034,63, distinto do glosado nos Autos de Infração (R$58.907.184,43). Houve, portanto, agravamento da exigência em sede de diligência. Ainda, a incongruência demonstra a imprecisão do lançamento original (e confirma que, ao contrário de que afirma a fiscalização à fl. 2.680, em resposta à diligência, quanto à solicitação concernente à decomposição dos valores indicados no Auto de Infração, a referida decomposição não poderia ser presumida pela indicação das contas glosadas do plano de contas e pela juntada do Razão, inclusive porque os lançamentos contábeis eram feitos de forma sintética, isto é, agrupavam várias despesas). No Auto de Infração (fls. 93/94), foi indicado o total glosado por mês. A planilha de fl. 2.699 demonstra os totais mensais glosados por contas do plano de contas. Portanto, mesmo após a diligência, os valores glosados permaneceram não discriminados (não foram identificadas as despesas glosadas em cada conta e, mesmo na análise da documentação, não houve, como alega o interessado, comparação (que não numérica) entre as despesas glosadas e os comprovantes trazidos aos autos). Confrontandose a planilha de fl. 2.699 com a cópia do Razão às fls. 29/90, verificase que, como alega o interessado, a fiscalização, em grande parte dos casos, somou débitos e créditos, quando só poderia glosar despesas que foram apropriadas ao término do exercício. Além de não ter identificado corretamente a matéria tributável, as autoridades autuantes também se equivocaram ao não procederem a devida recomposição do cálculo do IRPJ e da CSLL devidos. Tal equívoco foi corretamente evidenciado pela decisão de piso: [...] Uma vez que não foi afastada a tributação pelo lucro real, a fiscalização, ao efetuar a glosa de despesas, teria que efetuar a recomposição do cálculo do IRPJ e da CSLL a pagar (observase que o interessado havia apurado saldos negativos). A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem Fl. 7708DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 27 26 cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. Por todo o exposto, concluise que não houve a perfeita identificação da matéria tributável. Assim, o lançamento (IRPJ e CSLL) deve ser cancelado, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso de ofício. Acórdão nº 1401001.269 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos presentes embargos de declaração. Consta expressamente da ementa do Acórdão embargado, fls. 7501: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO. ELEMENTOS FUNDAMENTAIS. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Sem a precisa delimitação desses elementos, não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. Ora, se vícios foram constatados em diversos elementos fundamentais (intrínsecos) do lançamento, resulta evidente que se está falando de vícios de natureza material. A Procuradoria da Fazenda Nacional requer a complementação do Acórdão embargado, simplesmente para esclarecer a natureza do vício que maculou o lançamento. Conclusão Diante do exposto, acolho os presentes embargos, sem efeitos infringentes, apenas para esclarecer que os presentes lançamentos foram anulados por vício material, consubstanciado na ausência de correta verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido e identificação do sujeito passivo. Fl. 7709DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 28 27 Está bem claro que a decisão recorrida cancelou o lançamento pelo julgamento de seu mérito. É ônus da fiscalização comprovar a ocorrência do fato gerador, e está bastante evidente que a decisão recorrida tratou de matéria de prova, concluindo que não houve essa comprovação ("inocorrência da hipótese de incidência"). A motivação do ato administrativo (exteriorização do motivo) não pode ser tratada como uma simples formalidade, como pretende a PGFN, porque é ela que demonstra/ comprova a fonte da própria obrigação tributária. Também não há como afirmar, em relação ao presente caso, que o fato gerador ocorreu, que ele só foi insuficientemente descrito. Não foi essa a conclusão do acórdão recorrido. Já registramos anteriormente que a decisão recorrida não aborda questões de nulidade. O que ela diz é que o "lançamento (IRPJ e CSLL) deve ser cancelado", e que os "lançamentos foram cancelados por vício de natureza material". A exigência que se faz em relação à Fiscalização, para que ela se desincumba de seu ônus probatório, para que ela comprove a ocorrência do fato gerador, não pode ser entendida como exigência de caráter formal. A motivação incorreta (inadequada, insuficiente, etc.) não configura vício de forma, até porque nenhuma das "formalidades" previstas na lei para o ato de lançamento, exige que ele apresente "motivação correta", motivação que subsista às etapas de julgamento. A exigência de "motivação correta" é exigência de conteúdo, e não de forma. A motivação incorreta, apesar de relacionada a elementos que identificam a essência/conteúdo da relação jurídicotributária, não consiste em uma afronta direta ao art. 142 do CTN (que prevê que a autoridade fiscal deve verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo, etc.). O que a motivação incorreta afronta, na verdade, são as normas de conteúdo material e específicas do tributo que está sendo exigido (normas que tratam das hipóteses de incidência daquele tributo, de seu cálculo, do sujeito passivo para aquele tipo de obrigação, etc.). É fácil perceber que a decisão recorrida, ao cancelar o lançamento, o fez tratando de regras que são aplicáveis especificamente aos tributos em questão (IRPJ/CSLL), atinentes à glosa de despesas e à recomposição da base de cálculo para aproveitamento de saldos negativos (prejuízos). O cancelamento do lançamento foi feito a partir de questões específicas dos tributos em pauta (normas de conteúdo material), e não a partir de normas instrumentais, relacionadas à feitura do lançamento. O que se vê é que, diante das provas dos autos, e de questões específicas dos tributos lançados (normas de conteúdo material), a decisão recorrida entendeu que não houve Fl. 7710DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 29 28 comprovação da ocorrência do fato gerador, concluiu pela "inocorrência da hipótese de incidência". O que se vê também é que o saneamento do vício apontado pela decisão ora recorrida em relação ao lançamento, se isso fosse possível (já que estaríamos adentrando em aspectos de valoração de prova, o que extrapola o âmbito do recurso especial), demandaria ajustes nos aspectos essenciais da relação jurídica, especificamente no que toca ao fato gerador, à demonstração das despesas glosadas, dos motivos dessa glosa, etc., e ainda uma nova apuração da base de cálculo para aproveitamento de prejuízos. Está bem nítido que o refazimento do ato de lançamento certamente exigiria uma boa dose de inovação no seu conteúdo material, nos seus próprios fundamentos, o que também confirma que o problema não é de natureza meramente formal. Não há dúvida de que o problema apontado pela decisão ora recorrida em relação ao lançamento está situado na própria essência da relação jurídicotributária, na não comprovação da ocorrência do fato gerador pela glosa de despesas, e no errado dimensionamento de sua base de cálculo. Por tudo o que se disse, não há como vislumbrar no problema que ensejou o cancelamento do lançamento um vício de natureza formal. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER da divergência que trata da questão de que o cerceamento do direito de defesa deve ser verificado concretamente, e não apenas em tese, e de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN relativamente à divergência sobre a identificação da espécie do vício que ensejou o cancelamento do lançamento contido nos presentes autos (vício material x vício formal). Em síntese: · rejeitar a preliminar de admissibilidade em relação à nulidade do despacho de admissibilidade complementar; · acolher a preliminar de admissibilidade e em não conhecer do recurso em relação à nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa; · rejeitar a preliminar de não admissibilidade em relação identificação da espécie do vício que ensejou o cancelamento do lançamento contido nos presentes autos e em conhecer do Recurso Especial; · no mérito, em negarlhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 7711DF CARF MF Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 9101002.976 CSRFT1 Fl. 30 29 Fl. 7712DF CARF MF
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Numero do processo: 14098.720001/2015-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. PROPÓSITO NEGOCIAL. PAGAMENTO EFETIVO. EXIGÊNCIAS LEGAIS CUMPRIDAS.
A empresa controlada que incorporar a controladora, na qual detinha participação societária com ágio efetivamente pago, cumpridas as exigências dos arts. 385 e 386 do RIR/99, está autorizada a deduzir as despesas de amortização de ágio nas bases do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1302-002.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. O Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado solicitou a apresentação de declaração de voto. Não votou o Conselheiro Carlos César Candal Moreira Filho, que substituiu o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior no colegiado e que já havia votado, nos termos do art. 57 § 5º do Anexo II do Ricarf.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. PROPÓSITO NEGOCIAL. PAGAMENTO EFETIVO. EXIGÊNCIAS LEGAIS CUMPRIDAS. A empresa controlada que incorporar a controladora, na qual detinha participação societária com ágio efetivamente pago, cumpridas as exigências dos arts. 385 e 386 do RIR/99, está autorizada a deduzir as despesas de amortização de ágio nas bases do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. O Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado solicitou a apresentação de declaração de voto. Não votou o Conselheiro Carlos César Candal Moreira Filho, que substituiu o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior no colegiado e que já havia votado, nos termos do art. 57 § 5º do Anexo II do Ricarf. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 72 00 01 /2 01 5- 31 Fl. 621DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 3 2 Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 1458.844 de 25 de maio de 2015, da 1ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação da recorrente, conforme a seguir exposto. O auto de infração em questão referese à exigência de IRPJ e CSLL cumulados com juros de mora, multa isolada e multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, decorrente de suposta amortização indevida de ágio, referente aos exercícios de 2010, 2011 e 2012. O Relatório Fiscal descreveu a operação societária que resultou na aquisição da Recorrente por seus atuais acionistas e concluiu tratarse de operação realizada com o intuito de gerar artificialmente o ágio por expectativa de rentabilidade futura e amortizálo para, por meio da dedução das despesas de sua amortização nas apurações da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, reduzir os tributos devidos pela Recorrente. Com esse entendimento, a fiscalização qualificou a operação como fraudulenta, lavrando em face da Recorrente auto de infração no valor total de R$ 6.152.938,78, assim discriminados: Os pontos relevantes do detalhamento da operação que resultou no ágio, indicados no Relatório Fiscal, são os seguintes: A Recorrente, Concessionária Volvo, com atuação nos Estados de Mato Grosso, Rondônia e Acre, foi constituída em 31/01/2007 com a denominação de DRAKKAR COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA., pelos sócios Volvo do Brasil Veículos Ltda., CNPJ n° 43.999.424/000114 e Antônio Carlos Donizeti Morassutti, CPF n° 205.018.62900, com o capital social de R$ 4.010.000,00, assim distribuídos: Volvo do Brasil Veículos Ltda. R$3.989.950,00 e Antônio Carlos Donizeti Morassutti R$ 20.050,00. Em 15/03/2007, a empresa SAGABRAS PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ n° 08.617.357/000125, adquiriu a totalidade das quotas, passando a ser a sua única sócia. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 4 3 Em 11/10/2007, foi admitido o sócio Mário Rui Figueiredo de Vilhena Barreira, CPF n° 746.112.32115, restabelecendo, pois, a pluralidade de sócios, ficando o capital social de R$ 12.198.300,00, assim distribuído: Sagabras Participações Ltda. R$ 12.198.299,00 e Mário Rui Figueiredo de Vilhena Barreira R$ 1,00. Em 04/12/2007, ocorreu a incorporação reversa da controladora SAGABRAS PARTICIPAÇÕES LTDA. Em função desta operação, os sócios da empresa incorporada passaram, pois, a sócios da incorporadora, ficando o quadro societário/capital assim constituído/distribuído: AUTO SUECO, LIMITADA (empresa criada e estabelecida em Portugal) R$14.629.492,00 e OCEAN SCENERY CONSULTADORIA E PROJECTOS S.A. (empresa criada e estabelecida em Portugal) R$ 1,00 (um real). O sócio Mário Rui Figueiredo de Vilhena Barreira, retirouse da sociedade transferindo suas quotas para a sócia Auto Sueco, Limitada. Em 14/08/2009, a OCEAN SCENERY CONSULTADORIA E PROJECTOS S.A. se retira da sociedade, cujas quotas, assim como a quase totalidade das pertencentes à AUTOSUECO, LIMITADA foram transferidas para a empresa AS BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ n° 09.525.532/000117, ficando o capital social assim distribuído: AS BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA R$ 24.817.249,69 e AUTOSUECO, LIMITADA R$ 0,01 (um centavo). A denominação da sociedade foi alterada em 15/03/2007 para "AUTO SUECO BRASIL CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS LTDA.", assumindo em 12/01/2011, a razão social atual de "AUTO SUECO CENTROOESTE CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS LTDA.". Possui como objeto social, as atividades de: a) comércio de veículos automotores terrestres novos e usados; b) comércio de partes, peças, ferramentas, ferragens, componentes e acessórios para veículos; c) comércio de quotas de consórcio de veículos automotores; d) comércio de carretas; e) comércio a varejo de peças e acessórios usados para veículos automotores; f) comércio a varejo de pneumáticos e câmarasdear; g) comércio a varejo de automóveis, caminhonetas e utilitários usados; h) prestação de serviços de manutenção; i) reparação e assistência técnica de veículos e motores; j) importação e exportação de tudo que se relacione aos objetivos da sociedade, e; k) participação como quotista ou acionista em outras sociedades, negócios e empreendimentos de qualquer natureza. Relacionouse as filiais, as quais possuem o mesmo objeto social da matriz. Integra o grupo econômico denominado "GRUPO NORS" (anteriormente denominado "Grupo Auto Sueco"), composto por 48 empresas, com atuação em 25 países de 03 continentes. Em relação, especificamente, à empresa fiscalizada, a mesma se insere no mencionado grupo econômico, conforme o seguinte organograma: Fl. 623DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 5 4 DAS CONSTATAÇÕES DA AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL DA EMPRESA SAGABRAS Desde 1933 o Grupo NORS (antes denominado "Grupo Auto Sueco") comercializa produtos da marca Volvo. Não por acaso utiliza a expressão "Auto Sueco" para designar empresas do grupo, já que a Volvo é originária da Suécia. Deste modo, o Grupo NORS, por intermédio das empresas AUTO SUECO, LIMITADA, sociedade validamente existente de acordo com as leis de Portugal e OCEAN SCENERY CONSULTADORIA E PROJECTOS S.A., sociedade validamente existente de acordo com as leis de Portugal, decidiu comercializar os produtos da marca Volvo no CentroOeste do Brasil. Para tanto, ao invés de constituir diretamente uma concessionária, foram realizadas as seguintes operações: a) em 22/01/2007, as empresas AUTOSUECO, LIMITADA e OCEAN SCENERY CONSULTADORIA E PROJECTOS S.A., constituíram a empresa SAGABRAS PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ n° 08.617.357/000125, com o capital social totalmente subscrito e integralizado de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), na proporção, respectivamente, de 99,99% e 0,01%; b) quase que simultaneamente, em 31/01/2007, a Montadora Volvo do Brasil Veículos Ltda., CNPJ n° 43.999.424/000114 e, para fins de pluralidade de sócios, Antônio Carlos Donizeti Morassutti, CPF n° 205.018.62900, constituíram a empresa ora sob Ação Fiscal, com a razão social de DRAKKAR COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA (atualmente AUTO SUECO CENTROOESTE CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS LTDA); c) em 14/02/2007, as sócias da SAGABRAS aumentaram seu capital social para 14.977.256,70, totalmente subscrito e integralizado pela sócia AUTOSUECO, LIMITADA; Fl. 624DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 6 5 d) em 16/02/2007, a SAGABRAS adquiriu a totalidade das quotas da empresa DRAKKAR, conforme a 1a alteração desta última, elaborada em 16/02/2007, cujo registro pela Junta Comercial se deu em 15/03/2007, por R$14.000.000,00, com um ágio de R$9.990.000,00. Ou seja, a Montadora permaneceu proprietária da DRAKKAR por apenas 16 (dezesseis) dias. As quotas pertencentes a Antônio Carlos Donizeti Morassutti, no valor de R$ 20.050,00(vinte mil e cinquenta reais), que passou a ser o administrador da DRAKKAR, nem ao menos estavam integralizadas, ficando tal ônus a cargo da SAGABRAS; e) em 11/05/2007, passou exercer a administração da empresa DRAKKAR, em substituição a Antônio Carlos Donizeti Morassutti, o Sr. Mário Rui Figueiredo de Vilhena Barreira, CPF n° 746.112.32115; f) para restabelecer a pluralidade de sócios, em 11/10/2007 a SAGABRAS cedeu 01 (uma) quota no valor de R$ 1,00 (um real), a Mário Rui Figueiredo de Vilhena Barreira, CPF n° 746.112.32115; f) Em 30/09/2007, ocorreu a incorporação reversa da controladora SAGABRAS pela DRAKKAR. Com a incorporação, as sócias da SAGABRAS (AUTOSUECO, LIMITADA e OCEAN SCENERY CONSULTADORIA E PROJECTOS S.A.) passaram a ser as únicas proprietárias da DRAKKAR COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA (atualmente AUTO SUECO CENTROOESTE CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS LTDA), fechandose assim o ciclo, já que o Sr. Mário Rui Figueiredo de Vilhena Barreira, cedeu e transferiu sua quota para a nova sócia AUTOSUECO, LIMITADA; Verifica assim, que a SAGABRAS, malgrado ter sido formalmente constituída de acordo com a legislação vigente, não possuiu nenhum propósito negocial, tendo sido criada tão somente, para possibilitar a criação e dedução indevida das despesas com a amortização do ágio, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, pois: I teve a existência efêmera de 08 (oito) meses e 10 (dez) dias; II o Balanço Patrimonial encerrado em 30/09/2007, utilizado para a determinação do valor da parcela do acervo líquido, certifica a inexistência de qualquer bem tangível, fato que impossibilita o exercício da atividade empresarial; III era administrada pelo mesmo administrador da DRAKKAR COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA (atualmente AUTO SUECO CENTROOESTE CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS LTDA), ou seja, Mário Rui Figueiredo de Vilhena Barreira; Fl. 625DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 7 6 IV sediada no Rio de Janeiro, enquanto o administrador residia em Cuiabá/MT, e conforme a Demonstração de Resultado de Exercício DREx findo em 30/09/2007, não incorreu em despesas administrativas (viagens e estadias, deslocamentos, etc.). De outra vertente, aludida DREx certifica a ausência de atividades da empresa, uma vez que ao único grupo de despesa ali informado são as tributárias (impostos e taxas); V No "Protocolo e Justificação de Incorporação", firmado entre os mesmos representantes legais das empresas envolvidas, quais sejam, Mário Rui Figueiredo de Vilhena Barreira e Keila Cristina B. Freire (diretor e procuradora, respectivamente, tanto da Sagabras como da Drakkar), a inexistência de propósito negocial da Sagabras é afirmada de maneira peremptória, "in verbis": "1. JUSTIFICAÇÃO DA INCORPORAÇÃO, 1.1. Fins e motivos da operação, 1.1.1. A Sagabras foi constituída para viabilizar a aquisição da Auto Sueco junto à Volvo do Brasil Veículos Ltda.(....)" DA ARTIFICIALIDADE DO ÁGIO Como já narrado alhures, a montadora VOLVO DO BRASIL VEÍCULOS LTDA., CNPJ n° 43.999.424/000114, constituiu a empresa DRAKKAR COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA (atualmente AUTO SUECO CENTROOESTE CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS LTDA) para operar como concessionária volvo nos estados de Mato Grosso, Rondônia e Acre, com o capital social de R$ 4.010.000,00 (quatro milhões e dez mil reais), dos quais, R$ 20.050,00 (vinte mil e cinquenta reais), foram subscritos por Antônio Carlos Donizeti Morassutti. Decorridos apenas 16 (dezesseis) dias da sua criação, a concessionária foi adquirida pela empresa SAGABRAS PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ n° 08.617.357/000125, por R$ 14.000.000,00 (quatorze milhões de reais), com um ágio de R$ 9.990.000,00 (nove milhões e novecentos mil reais), originado do excesso pago em relação ao capital social, ou seja, R$ 14.000.000,00 R$ 4.010.000,00 = R$ 9.990.000,00. No entanto, a empresa Drakkar ainda não havia iniciado as suas atividades operacionais e, como demonstra o Balanço Patrimonial encerrado na data base de 16/02/2007, todo o seu capital social encontravase apenas subscrito, ou seja, a empresa existia apenas no "papel", e mesmo assim a Sagabras desembolsou R$ 14.000.000, pela aquisição. A aquisição de investimento ainda não integralizado, demonstra que, na realidade, quem integralizou o capital social da DRAKKAR (R$ 4.010.000,00) foi a SAGABRAS, que, na oportunidade, também o aumentou para R$ 14.000.000,00, nominando a diferença de "ágio". Assim, fica patente que o ágio foi criado artificialmente em comum acordo entre o grupo Nors e a montadora, com a finalidade exclusiva de obtenção de benefício fiscal, pois o grupo Nors podia facilmente ter constituído uma nova empresa, procedimento incomparavelmente menos dispendioso. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 8 7 O Laudo de Avaliação da empresa Drakkar, foi elaborado pela Apsis Consultoria Empresarial Ltda., CNPJ n° 27.281.922/000170, cujo objetivo declarado no relatório pertinente foi a "Elaboração de projeções financeiras para fundamentação, pela rentabilidade futura, do ágio gerado na aquisição da Drakkar para fins dos artigos 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99." Ora, por razões óbvias, laudos são elaborados para definir o valor de mercado das empresas, e não para fundamentação de ágio para fins de benefícios tributários. A Drakkar, em 16/02/2007, como já mencionado, ainda não havia iniciado suas atividades operacionais, razão porque o Balanço Patrimonial, utilizado como balanço de partida para a elaboração do laudo sob enfoque, conter apenas 02 (duas) contas, "Bancos conta movimento" e "Capital Social a Integralizar". No entanto, estando o capital social apenas subscrito, tornase descabida a utilização, em contrapartida, de conta do disponível, sob pena de infringência à teoria contábil. Repisase que o capital subscrito por Antônio Carlos Donizeti Morassutti, no valor de R$ 20.050,00, foi integralizado pela própria Sagabras e ainda assim, em 11/05/2007. Desta forma, o Balanço Patrimonial encerrado em 16/12/2007 não é documento hábil para embasar o que propõe e, por via de consequência, desabona o Laudo de Avaliação da empresa Drakkar. Criado então o inexistente ágio, faltava agora transformálo em amortizável. Para tanto, o Diretor e a Procuradora da SAGABRAS, respectivamente, Mário Rui Figueiredo de Vilhena, CPF n° 746.112.323115 e, Keila Cristina B. Freire, CPF n° 906.889.70125, reuniramse com eles mesmos, já que eram também, respectivamente, o Diretor e a Procuradora da AUTO SUECO CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS LTDA (DRAKKAR), e firmaram o "Protocolo e Justificação de Incorporação da Sagabras Participações Ltda". Com a efetivação da incorporação da controladora pela controlada (incorporação reversa), concluiuse o transporte do ágio para a empresa operativa, onde finalmente pôde gerar o benefício fiscal buscado. DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Ante a inexistência do ágio, e ainda a falta de propósito negocial da empresa SAGABRAS, utilizada apenas como veículo para o transporte deste, as despesas com as correspondentes amortizações, utilizadas pelo sujeito passivo para reduzir as bases de cálculo do IRPJ e CSSL, relativas aos anos calendários de 2010 a 2012, foram glosadas pela fiscalização. Desta forma, o lucro real e a base de cálculo da CSLL constantes dos LALUR, foram recompostos pela adição das mencionadas despesas com as amortizações do ágio. Os valores do IRPJ e da CSLL lançados no Auto de Infração, correspondem, pois, às diferenças entre os apurados sobre as bases de cálculo recompostas pela fiscalização, e os calculados pela empresa, sobre as bases de cálculo não integradas pelas despesas sob enfoque. Fl. 627DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 9 8 DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A empresa, com o único propósito de reduzir o valor do pagamento do IRPJ e da CSLL, utilizou de mecanismo tendente a burlar a Fazenda Pública, materializado na criação artificial de ágio, cujo transporte ocorreu por intermédio de uma "empresaveículo", sem propósito negocial e inexistente de fato. Com efeito, tal operação engendrada pela empresa, caracteriza a conduta fraudulenta prevista no artigo 72 da Lei n° 4.502/1964, na medida que foi uma ação dolosa, tendente a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do IRPJ e da CSLL relativos aos anoscalendário de 2010 a 2012. Destarte, presente a fraude, a multa de ofício prevista no artigo 44, I da Lei n° 9.430/1996, na redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, foi qualificada, conforme determina o § 1° do mesmo diploma legal, passando ao percentual de 150 % (cento e cinquenta por cento) incidente sobre os montantes dos tributos devidos. DA MULTA ISOLADA De acordo com o item II do Art.44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, por estar o contribuinte obrigado, por opção, ao Lucro Real anual, sujeito, pois, aos recolhimentos de estimativas mensais do IRPJ e CSLL, ao excluir as indedutíveis amortizações de ágio da incidência destes recolhimentos, fica o sujeito passivo sancionado com a multa isolada de 50% (cinquenta por cento), aplicada sobre o valor do pagamento mensal não efetuado, calculada conforme demonstrativo em anexo. Oportuno destacar, que o Art. 17 da Instrução Normativa SRF n° 1.515, de 24 de novembro de 2014 (que revogou o Art.16 da Instrução Normativa SRF n° 093, de 24 de dezembro de 1997, que normatizava o mesmo assunto), que a seguir se transcreve, prevê expressamente a cumulação da multa isolada com a multa de ofício: "Art. 17. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no anocalendário correspondente;(grifei) II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto." (grifei) DAS DISPOSIÇÕES FINAIS Os valores referentes às bases de cálculo, alíquotas, tributos devidos, juros e multa, encontramse discriminados nos "DEMONSTRATIVOS DE Fl. 628DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 10 9 APURAÇÃO" e "DEMONSTRATIVOS DE MULTA E JUROS DE MORA", peças integrantes do auto de infração ora lavrado. Já o montante total do crédito tributário lançado está relacionado no "DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DO PROCESSO", sendo o mesmo totalizado por tributo. Encontramse, ainda, no corpo deste auto de infração as instruções relativas a pagamento, parcelamento ou impugnação do presente lançamento de ofício. Por derradeiro, em cumprimento ao disposto no art. 1° da Portaria RFB n° 2.439/2010 foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais RFFP em decorrência de o sujeito passivo ter praticado, em tese, crime contra a ordem tributária, através das condutas delitivas tipificadas no artigo 1°, inciso II, da Lei n° 8.137/1990. Razões de Recurso A recorrente foi intimada do Acórdão recorrido, em 15/06/2015 (fl. 505), via DTE. Interpôs recurso voluntário, em 14/07/2015 (fl. 521). O recurso voluntário foi juntado por meio do eCNPJ da recorrente. De seu lado, a Recorrente afirma que o investimento inicial foi de R$14.000.000,00, realizado por seus acionistas da Recorrente, que teria sido altamente rentável. Ressalta que, o ágio pago foi ainda menor que a efetiva rentabilidade do negócio, e que esse fato teria sido constatado pela autoridade fiscalizadora. Alega que teria restado comprovado nos autos os seguintes pontos: a) a validade do laudo econômico que fundamentou o ágio por expectativa de rentabilidade futura; b) a efetividade de desembolso do preço, inclusive referente ao ágio; c) a independência econômica das partes envolvidas na operação que originou o ágio; e d) a regularidade/legalidade das operações societárias. Frisa que, a substância econômica da operação, por si só já deveria ser suficiente para comprovar a efetiva existência de propósito negocial nas transações realizadas entre as partes, eis que o investimento revelouse rentável. Salienta que, não obstante, a fiscalização concluiu que a Sagabras não estava revestida de propósito negocial. Defende que, em verdade, a constituição da Sagabras foi imprescindível para as tratativas e negociações com a Volvo. Além disso, a constituição da Sagabras não resultou em economia tributária, eis que a aquisição do contrato de concessão comercial da Volvo concederia a amortização do valor integral desembolsado, como citado acima. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 11 10 Destaca que, a operação seria uma legitima aquisição de negócio (exclusividade de vendas de veículos Volvo em regiões específicas) entre partes independentes, com efetiva circulação de capital. Diz que, a avaliação do ágio partiu de um processo imparcial de valoração, de livre mercado e independência entre as partes e documentado em um laudo de avaliação produzido por empresa de consultoria especializada. Sustenta que, todos os requisitos legais e econômicos para o aproveitamento fiscal do ágio foram devidamente atendidos, sendo imperativo reconhecer a sua validade. Cita caso análogo (caso Santander, Acórdão nº 140200.802, de 2011), no qual teriam sido estabelecidas as seguintes premissas para aproveitamento do ágio: (i) efetivo pagamento do custo total da aquisição; (ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas, ou seja, a inexistência de ágio interno, (iii) a demonstração da lisura na avaliação da empresa adquirida, com fundamento em laudo econômico lastreado na expectativa de rentabilidade futura do investimento. Ressalta que, essas três premissas estariam presentes no caso em análise. Após as alegações específicas sobre a operação societária com ágio, contestou a aplicação de multa qualificada, sob a alegação de que não teria havido fraude. Defende que não haveria fundamento legal para a adição das referidas despesas na base de cálculo da CSLL. Reportase à Súmula CARF nº 105 para argumentar sobre a impossibilidade de se cumulara multa de ofício com multa isolada. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator O recurso voluntário é tempestivo e os recorrentes estão regularmente representados. Conheço do recurso. Verificase que, a DRJ ratificou as conclusões do Relatório Fiscal e o Auto de Infração. Entendeuse que, no caso, inexiste ágio e não houve propósito negocial na constituição da SAGABRAS. A SAGABRAS teria sido criada somente como veículo de transporte do ágio (considerado inexistente). Com esse entendimento, mantevese a glosa das despesas com as correspondentes amortizações, utilizadas pela Recorrente para reduzir as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, relativas aos anoscalendários de 2010 a 2012. Analisandose as informações e documentos dos autos, constatase que a SAGABRAS indicou que o pagamento de ágio na aquisição da Recorrente teve como Fl. 630DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 12 11 fundamento econômico o valor da rentabilidade que a Concessionária Volvo lhe traria nos exercícios futuros, considerando a ampla área para vendas (Estados de Mato Grosso, Rondônia e Acre). Dessa forma, a SAGABRAS visou atender às disposições do art. 385, § 2º, inc. II do RIR/99, verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): (...) § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): (...) II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; No contexto dos autos, não seria plausível imaginar que a Montadora Volvo entregaria tal concessão, sem imputar no preço do negócio uma projeção de valor, considerando o quanto o comprador lucraria nos anos seguintes, com representação exclusiva para a venda de ônibus, caminhões e veículos Volvo, além de peças, assistência técnica etc. Não há dificuldade em deduzir que a Montadora Volvo constituiu a DRAKKAR (Recorrente) para auferir vantagem financeira na venda da concessão. Paralelamente, também não há dificuldade em se verificar que as referidas empresas situadas em Portugal (AUTOSUECO, LIMITADA e OCEAN SCENERY CONSULTADORIA E PROJECTOS S.A.), tinham propósitos negociais que as levaram à criação de uma empresa no Brasil, a SAGABRAS. Da mesma forma, o planejamento quanto aos impactos tributários na aquisição da concessão Volvo deve ser considerado. Observandose o todo, é possível verificar que o propósito negocial... o fundamento econômico da operação... residiu no objetivo dos investidores de adquirir a representação exclusiva da marca Volvo naquelas Unidades da Federação. É cediço que, as receitas auferidas com as vendas e negócios, que só foram possíveis em virtude do investimento de R$14 milhões, foram oferecidas à tributação. Sendo assim, isto é, diante do efetivo pagamento, decorrente dos resultados de exercícios futuros, não há ilegalidade na dedução das despesas de amortização do ágio em questão. O fato de o capital social da DRAKKAR ter sido somente subscrito, não pode constituir óbice à aquisição, mediante o pagamento efetivo de R$14 millhões (capital social: R$ 4.010.000,00; e ágio: R$9.990.000,00). Fl. 631DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 13 12 Do mesmo modo, o fato de as empresas terem sido criadas e as negociações terem sido realizadas em datas próximas, não desnatura o referido objetivo central: a aquisição da concessão Volvo. Nesse sentido, passo à análise da operação à luz das disposições legais que estabelecem as exigências para a amortização do ágio. Em conformidade com o disposto no art. 385 do RIR/99, a SAGABRAS avaliou a DRAKKAR (Recorrente), por ocasião da respectiva aquisição e segregou o custo de aquisição, em capital e ágio. As demonstrações a respeito foram mantidas e apresentadas à fiscalização. Vejase as referidas disposições do RIR/99, verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Posteriormente, dessa vez em conformidade com o disposto no art. 386 do RIR/99, a SAGABRAS foi adquirida pela DRAKKAR, que detinha participação societária da SAGABRAS, com ágio. Vejase as referidas disposições do RIR/99, verbis: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): Fl. 632DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 14 13 I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 1º). § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos Fl. 633DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 15 14 de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 4º). § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 5º). § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no § 2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Observase, portanto, que independentemente do entendimento da DRJ de que a aquisição da concessão poderia ter sido realizada diretamente pelas empresas portuguesas, sem a criação da SAGABRAS. Ou, que a Montadora Volvo poderia ter negociado a venda da concessão diretamente, sem a constituição da DRAKKAR, o modelo de negócio adotado pela Recorrente, ainda que, além do objetivo de adquirir a Concessão Volvo, tenha havido planejamento estratégico quanto aos impactos tributários, em realidade, não se vê infração legal, conforme acima analisado. Entendese, assim, que é indevida a glosa mantida pela DRJ. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Declaração de Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Acompanho as conclusões do Relator, no sentido de que não restou configurada infração à legislação tributária que prevê a dedutibilidade do ágio em questão. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 14098.720001/201531 Acórdão n.º 1302002.284 S1C3T2 Fl. 16 15 Penso que os argumentos trazidos pela fiscalização para a glosa do ágio foram devidamente desconstituídos pela recorrente. Efetivamente restou demonstrado que houve o efetivo pagamento do custo total da aquisição; o negócio foi realizado entre partes independentes e o ágio foi fundamentado na rentabilidade futura, mediante laudo apropriado à sua demonstração. As estranhezas do negócio apontadas pelo Fisco, foram devidamente justificadas pela recorrente não configuram fundamento suficiente para o afastamento da dedutibilidade do ágio. De fato, a empresa adquirida (DRAKKAR) com ágio havia sido recentemente constituída pela empresa Volvo do Brasil Veículos Ltda, fabricante de veículos, tendo como objeto social a revenda de seus veículos, como sua concessionária. De acordo com a fiscalização, e não negado pela recorrente, a empresa, recémcriada, sequer havia sido instalada fisicamente. Ocorre que o grande valor desta empresa se concentrava justamente na exploração da concessão da venda dos veículos fabricados pela empresa Volvo. A recorrente juntou aos autos cópia do contrato de concessão comercial, firmado em 26 de janeiro de 2007, pelo qual a empresa Volvo do Brasil Veículos Ltda concedeu à empresa Drakkar Comércio de Veículos e Peças Ltda o direito à comercialização dos veículos de sua marca na área demarcada no Anexo I (efls. 564/591). Desta feita, o que a recorrente pagou foi efetivamente pela possibilidade de exploração da concessão na venda e prestação de assistência técnica dos veículos da marca Volvo na região especificada no contrato. Ainda que ainda não estivesse em operação restou demonstrado em laudo técnico o potencial de rentabilidade futura do negócio, tomando por base o potencial de vendas e também o histórico da concessionária anteriormente existente na região e que fora destituída da concessão pela Volvo (alienante). Com relação a utilização de uma empresa não operacional para a aquisição do investimento, que em curto prazo restou incorporada pela própria investida, tenho manifestado meu entendimento que tal procedimento está dentro da esfera de liberdade da empresa de organizar e conduzir seus negócios de forma a propiciar, dentro dos ditames legais, a menor carga tributária possível. Concluo que, tendo sido efetivamente adquirido o investimento com ágio baseado na rentabilidade futura, devidamente demonstrado em laudo, entre partes independentes e configurada a confusão patrimonial entre a empresa investidora e a investida, mediante a incorporação reversa permitida pela lei, não há como negar o direito do contribuinte de efetuar a sua amortização nos termos legais. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 635DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.006529/2010-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta preste informações oficiais acerca da existência e, também, abrangência de eventual pedido de parcelamento apresentado pelo Contribuinte, com abertura de prazo de 30 dias para manifestação do sujeito passivo e posterior retorno à relatora para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta preste informações oficiais acerca da existência e, também, abrangência de eventual pedido de parcelamento apresentado pelo Contribuinte, com abertura de prazo de 30 dias para manifestação do sujeito passivo e posterior retorno à relatora para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .0 06 52 9/ 20 10 -3 1 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10950.006529/201031 Resolução nº 9202000.121 CSRFT2 Fl. 184 2 Relatório: Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Recorrente requer que a retroatividade benigna seja aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. Importante mencionar que, conforme termo de desapensação de fls. 180, este processo encontravase apenso ao Processo 10950.006527/201042, principal, e foi desapensado para permitir o julgamento do respectivo recurso na sistemática prevista no art.47, §§1º e2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de2015. É o relatório. Voto: Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Embora haja de fato recurso especial interposto pela Fazenda Nacional pendente de análise, a Delegacia da Receita Federal SACAT/DRF/Maringá Paraná fez chegar ao conhecimento desta Relatora que o Contribuinte formalizou pedido de parcelamento dos débitos discutidos nesse e nos demais processos decorrentes do mesmo procedimento de fiscalização. Tratase de informação relevante, pois esta Câmara Superior, com base no art. 78 do Regimento Interno deste Conselho Portaria MF nº 343/15, vem decidindo por declarar a definitividade do débito nos moldes em que efetuado pelo lançamento. Vejamos o teor da norma: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10950.006529/201031 Resolução nº 9202000.121 CSRFT2 Fl. 185 3 § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Ocorre que, embora ciente da informação, não há nos autos (sistema eprocesso) qualquer manifestação formal/oficial da Delegacia Fiscal ou do próprio Contribuinte acerca da existência de parcelamento. Diante disto, proponho a conversão do julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta preste informações oficiais acerca da existência e, também, abrangência de eventual pedido de parcelamento apresentado pelo Contribuinte, com abertura de prazo de 30 dias para manifestação do sujeito passivo e posterior retorno à relatora para prosseguimento. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.722605/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PENSÃO COM MAIS DE UM BENEFICIÁRIO. DIVISÃO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DA PENSÃO E DO RESPECTIVO IRRF ENTRE OS PENSIONISTAS.
Os rendimentos decorrentes de pensão por morte e o respectivo IRRF devem ser divididos proporcionalmente entre os pensionistas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PENSÃO COM MAIS DE UM BENEFICIÁRIO. DIVISÃO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DA PENSÃO E DO RESPECTIVO IRRF ENTRE OS PENSIONISTAS. Os rendimentos decorrentes de pensão por morte e o respectivo IRRF devem ser divididos proporcionalmente entre os pensionistas. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
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PENSÃO COM MAIS DE UM BENEFICIÁRIO. DIVISÃO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DA PENSÃO E DO RESPECTIVO IRRF ENTRE OS PENSIONISTAS. Os rendimentos decorrentes de pensão por morte e o respectivo IRRF devem ser divididos proporcionalmente entre os pensionistas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 26 05 /2 01 1- 11 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10120.722605/201111 Acórdão n.º 2202004.052 S2C2T2 Fl. 133 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10120.722605/201111, em face do acórdão nº 1272.064, julgado pela 19ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ1), na sessão de julgamento de 22 de janeiro de 2015, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: "Tratase de impugnação contra Notificação de Lançamento (fls. 65/71) em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) do exercício 2008 (fls. 52/60). A autoridade lançadora apurou as seguintes infrações: a) omissão de rendimentos do trabalho no valor de R$ 4.827,04, referentes a acréscimo de um terço da pensão pertencente à contribuinte da fonte pagadora Fundação dos Economiarios Federais Funcef (CNPJ n.º 00.436.923/000190), sendo alterado o valor declarado de R$ 63.760,62 para R$ 68.587,66; b) dedução indevida de despesas médicas, por falta de comprovação, com glosa do valor de R$ 1.665,60 do prestador Luis Fernando Naldi Ruiz, tendo sido declarado o pagamento de R$ 1.900,00 e o reembolso de R$ 234,40; e c) compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), com glosa no valor de R$ 1.189,43 referente aos rendimentos de pensão da Funcef declarados pelos filhos, sendo alterado o valor declarado de R$ 5.100,01 para R$ 3.910,58. Em virtude deste lançamento, apurouse Imposto de Renda Pessoa Física suplementar (código 2904) de R$ 1.785,48, multa de ofício de R$ 1.339,11, além dos juros de mora de R$ 550,64 (calculados até abril de 2011). Apurouse, ainda, Imposto de Renda Pessoa Física (código 0211) de R$ 1.189,43, multa de mora de R$ 237,88, além dos juros de mora de R$ 366,82 (calculados até abril de 2011). Com a ciência da Notificação, por via postal, em 18/05/2011 (fl. 72), a Interessada apresentou impugnação (fls. 02/03) em 20/05/2011, alegando, em síntese, que: a) em relação ao IRRF, a Funcef deduziu imposto retido dos dois terços da pensão de seus filhos (Fernanda Ferreira Gouveia, CPF n.º 012.241.05133, e Frederico Gouveia Neves Ferreira, CPF n.º 012.241.04161), mas declarou a integralidade do IRRF em seu nome, uma vez que em exercícios anteriores a Receita Federal não restituiu seus descendentes; b) comprova a despesa médica glosada; e c) quanto aos rendimentos tributáveis da Funcef, declarou a integralidade de sua aposentadoria (R$ 46.802,78) e um terço da Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10120.722605/201111 Acórdão n.º 2202004.052 S2C2T2 Fl. 134 3 pensão total (R$ 16.957,89 de R$ 50873.68), totalizando, assim, R$ 63.760.67." A 19ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ1) entendeu por manter em parte o crédito tributário lançado. Em relação ao rendimentos da Funcef, compreendeu a DRJ de origem que a pensão por morte apresenta três beneficiários distintos, os rendimentos recebidos a este título e o respectivo IRRF devem ser divididos igualmente entre os pensionistas. Vejamos trecho do acórdão: Os rendimentos tributáveis pertencentes à Interessada ficam calculados da seguinte forma: Como a Interessada declarou em sua DIRPF/2008 exatamente o valor de R$ 63.760,62 como recebido da fonte pagadora Funcef (fl. 53) e os seus filhos declararam cada um o rendimento de R$ 16.957,75 (fls. 14/15), deve ser cancelada a infração de omissão de rendimentos no valor de R$ 4.827,04. Portanto, cancelada a infração de omissão de rendimentos no valor de R$ 4.827,04. No entanto, restou mantida a glosa de IRRF por compensação indevida no valor de R$ 1.189,43. Assim seguiu o restante do voto: Já o IRRF fica assim calculado: A Interessada declarou a totalidade do IRRF em sua DIRPF (R$ 5.100,01 fl. 53), enquanto seus filhos declararam como zero o imposto retido. Entretanto, seguindo a mesma lógica de divisão dos rendimentos de pensão, a fonte retida deveria ter sido igualmente divida por três entre as DIRPF dos beneficiários da pensão por morte. A eventual restituição de Imposto de Renda retido dos rendimentos dos filhos da Interessada deveria ter sido apurada nas declarações de ajuste anual destes. Assim, deve ser mantida a glosa realizada pela autoridade lançadora a título de compensação indevida de IRRF no valor de R$ 1.189,43. Por fim, em relação as despesas médicas, assim se pronunciou a DRJ de origem: A Interessada comprova a despesas médica glosada com o prestador Luis Fernando Naldi Ruiz através do comprovante de reembolso emitido pelo plano Caixa Saúde (fl. 16), além dos recibos de fls. 18/22. Desta forma, deve ser restabelecida a dedução de R$ 1.665,60 a título de despesas médicas (art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999). Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10120.722605/201111 Acórdão n.º 2202004.052 S2C2T2 Fl. 135 4 Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 96/98, apresentando suas razões para reforma do acórdão da DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Após o julgamento pela DRJ, o lançamento tributário mantémse somente em relação a compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), com glosa no valor de R$ 1.189,43 referente aos rendimentos de pensão da Funcef declarados pelos filhos da contribuinte, sendo alterado o valor declarado de R$ 5.100,01 para R$ 3.910,58. Os rendimentos tributáveis pertencentes à Interessada ficam calculados da seguinte forma: Como a Interessada declarou em sua DIRPF/2008 exatamente o valor de R$ 63.760,62 como recebido da fonte pagadora Funcef (fl. 53) e os seus filhos declararam cada um o rendimento de R$ 16.957,75 (fls. 14/15), a DRJ de origem entendeu por cancelar a infração de omissão de rendimentos no valor de R$ 4.827,04. No entanto, somente pode ela compensar o IRRF que lhe foi retido, não podendo compensar o IRRF do outros dois beneficiários da pensão. Assim, tal qual o rendimento tributável da pensão, o IRRF correspondente é igualmente rateado entre os beneficiários, ficando assim calculado: Portanto, equivocase a contribuinte ao declarar a totalidade do IRRF em sua DIRPF (R$ 5.100,01 fl. 53), enquanto seus filhos declararam como zero o imposto retido. Assim, tal qual já julgou a DRJ, cujo trecho a seguir transcrevo, "seguindo a mesma lógica de divisão dos rendimentos de pensão, a fonte retida deveria ter sido igualmente divida por três entre as DIRPF dos beneficiários da pensão por morte. A eventual restituição de Imposto de Renda retido dos rendimentos dos filhos da Interessada deveria ter sido apurada nas declarações de ajuste anual destes". Por tais razões, deve ser mantida a glosa realizada pela autoridade lançadora a título de compensação indevida de IRRF no valor de R$ 1.189,43. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10120.722605/201111 Acórdão n.º 2202004.052 S2C2T2 Fl. 136 5 Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.001643/97-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2005
Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - A constatação de variação
patrimonial positiva sem o devido lastro em rendimentos tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte acarreta o acréscimo patrimonial a descoberto. Contudo, comprovada a alienação de bens, o produto desta alienação deve ser considerado como origem de recurso a justificar o acréscimo patrimonial.
Recurso provido
Numero da decisão: 104-20.737
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Beatriz Andrade de Carvalho e Maria Helena Cotta Cardozo, que
negavam provimento.
Nome do relator: Meigan Sack Rodrigues
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Beatriz Andrade de Carvalho e Maria Helena Cotta Cardozo, que negavam provimento.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-10T15:37:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-10T15:37:25Z; Last-Modified: 2009-08-10T15:37:25Z; dcterms:modified: 2009-08-10T15:37:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-10T15:37:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-10T15:37:25Z; meta:save-date: 2009-08-10T15:37:25Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-10T15:37:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-10T15:37:25Z; created: 2009-08-10T15:37:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2009-08-10T15:37:25Z; pdf:charsPerPage: 1209; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-10T15:37:25Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10735.001643/97-17 Recurso n°. : 129.520 Matéria : IRPF - Ex(s): 1994 e 1995 • Recorrente : DILSON ALVES DE SOUZA Recorrida : i a TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/ RJ II Sessão de : 15 de junho de 2005 Acórdão n°. : 104-20.737 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - A constatação de variação patrimonial positiva sem o devido lastro em rendimentos tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte acarreta o acréscimo patrimonial a descoberto. Contudo, comprovada a alienação de bens, o produto desta alienação deve ser considerado como origem de recurso a justificar o acréscimo patrimonial. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DILSON ALVES DE SOUZA. • ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Beatriz Andrade de Carvalho e Maria Helena Cotta Cardozo, que negavam provimento. W,-ÉCtA( MARIA HELENA drTTA ARO PRESIDENTE ( AN S K ROlgiLRAIGUES - ELATORA FORMALIZADO EM: O 8 Jul 2005 .:,„,,-=;.,•-•:-?;¡ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10735.001643/97-17 Acórdão n°. : 104-20.737 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, PAULO ROBERTO DE CASTRO (Suplente convocado), OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR e REMIS ALMEIDA ESTOL.y. • 2 • • • MINISTÉRIO DA FAZENDA g' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '';n.44-M'' QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10735.001643/97-17 Acórdão n°. : 104-20.737 Recurso n°. : 129.520 Recorrente : DILSON ALVES DE SOUZA RELATÓRIO DILSON ALVES DE SOUZA, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, interpõe recurso voluntário a este Colegiado (fls. 97/100) contra a decisão do Delegado da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro — RJ II, que indeferiu o pedido de improcedência do lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls 01/07. Foi lavrado auto de infração decorrente de variação patrimonial a descoberto e ganho de capital, sendo cobrado multa de ofício e juros de mora. No referente ao ano calendário de 1993, o ganho de capital se deu, segundo o auto de infração, em função da dissonância havida na aquisição de um imóvel dissonante com as provas apresentadas. Conforme relato da fiscalização, constou no contrato e na matrícula do imóvel preço a menor do que o efetivamente realizado. No tocante ao ano calendário de 1994, o recorrente foi autuado por ganho de capital, porquanto que não tributou o ganho havido na venda de outro imóvel. Cientificado do auto de infração, apresenta Impugnação, assumindo ganho de capital aferido no ano calendário de 1994, porquanto que não o recolheu em época certa. Informa ainda que, para tanto, solicitou parcelamento conforme documentação que acosta. Contudo, no que se refere à omissão de receita tributada com embasamento na falta de comprovação, com documentação hábil e idônea, da origem de recursos que proporcionou a compra da casa situada à Praça Amanbai, 20, Lucas, Teresópolis, RJ, 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •';','Z'-t-3:-P QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10735.001643/97-17 Acórdão n°. : 104-20.737 esclarece que utilizou receita oriunda da venda de dois imóveis sitos à Rua Raul Carneiro 40, Teresópolis e Praia de Icaraí 251, ap. 1001, Niterói, RJ, conforme se verifica através das escrituras de venda em anexo, bem como na declaração do IRPF. Salienta, ainda, que ao efetivar a negociação da compra do imóvel em questão, ficou acordado com o vendedor o• parcelamento do pagamento vinculado à venda dos imóveis citados, que ocorreu após a escritura definitiva, já que o vendedor havia recebido parte do valor do imóvel, bem como ao recebimento do FGTS, face ao desligamento sem justa causa da Shell do Brasil. As Alegações feitas estão comprovadas através das escrituras dos imóveis, do termo FGTS e do acordo parcial do vendedor. Pede o cancelamento da exigência fiscal e baixa do auto de infração. O Delegado da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro — RJ II proferiu decisão (fls. 88/92), pela qual manteve, integralmente, o lançamento consubstanciado no Auto de Infração. Em suas razões de decidir, a autoridade julgadora de primeira instância argumentou, em síntese, que as escrituras de venda dos imóveis do recorrente que justificariam a compra do imóvel em questão foram lavradas em datas anteriores à compra, assim como o recebimento dos valores pertinentes ao FGTS também se perfez em data posterior a referida compra. O recorrente afirma que acordou, com o vendedor do imóvel, o parcelamento do pagamento, vinculando a venda de seus imóveis a este contrato, tudo conforme se verifica da declaração acostada as fls. 83. Contudo, a autoridade de primeira instância entendeu não restar comprovado o pagamento de forma parcelada, bem como a vinculação da venda de seu patrimônio à aquisição do imóvel em comento. Refere o julgador que o art. 2° da Lei 7.713/88 estabelece que o imposto de renda das pessoas físicas é devido mensalmente. Aduz que a evolução do acréscimo 4 _ _ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA - Processo n°. : 10735.001643/97-17 Acórdão n°. : 104-20.737 patrimonial e feita mês a mês, apurando os rendimentos tributáveis, não tributáveis e de tributação exclusiva na fonte mais saldo anterior (recursos) para confrontá-los com os dispêndios e aplicações de cada mês. Em ato contínuo, salienta que o cálculo do valor de compra do imóvel, que resultou no acréscimo patrimonial a descoberto, no mês de março de 1993, foi feito levando- se em consideração a informação, prestada pelo alienante, de que o preço ajustado no negócio era divergente. O julgado efetua a conversão do valor informado em dólar para a moeda da época. • Entendeu o mesmo que não restou comprovada a origem dos recursos que justifiquem o acréscimo patrimonial apurado no mês de março/1993 e assim manteve a tributação do patrimônio a descoberto. Mas, aduz que por força da IN n. 46/1997, da SRF, os rendimentos omitidos, sujeitos ao camê-leão, integram a base de cálculo do imposto anual. Retifica a exigência fiscal. No tocante ao crédito constante no ano calendário de 1994, afere a autoridade que não há litígio, tomando em conta a anuência do recorrente e o parcelamento do débito. Contudo, determina em sua decisão a procedência do lançamento, referindo serem devidos os valores pertinentes ao ano calendário de 1994 inclusive. Cientificado da decisão singular, na data de 27 de julho de 2000 (quinta- feira), o recorrente protocolou o recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes na data de 28 de agosto de 2000 (segunda-feira). O recorrente aduz, em preliminar, o direito constitucional de petição, contrapondo-se ao depósito recursal obrigatório. Importa constar que o recorrente ingressou em juízo com mandado de segurança para recorrer sem o depósito e obteve êxito. 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA st01., Jf PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ''' :=W1> QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10735.001643/97-17 Acórdão n°. : 104-20.737 - No mérito, salienta o recorrente que nada mais deve referente ao ganho de capital havido no ano calendário de 1994, uma vez que assumiu o débito e o parcelou. Aduz que estão todas as parcelas quitadas. Já no que diz respeito à condenação ao pagamento dos diferenciais de variação patrimonial a descoberto, aduz que o valor considerado para o imóvel em comento não condiz com a realidade, porquanto que o pagamento do imóvel não se perfez a vista. Ademais, expõe que o valor consignado na escritura, e que aparece na declaração de bens do mesmo, foi pago a vista, mas que este valor não corresponde ao montante e a diferença apurada pelo ofício do juiz da 2a Vara Cível da Comarca de Teresópolis foi lançada como sendo a totalidade do valor e como se houvesse sido despendida a vista, o que não ocorreu. Acrescenta o fato de que sua .declaração comprova o contrário, já que através da venda de dois imóveis seus verifica-se a comprovação da aquisição de recursos, provenientes dessa transação, para adimplir o compromisso que assumira em relação ao imóvel em discussão. Cita o art. 846 do RIR, parágrafo 2°, para definir que constitui renda disponível, para efeitos de inibir a caracterização de sinais exteriores de riqueza, a receita auferida pelo contribuinte, diminuída das deduções admitidas no próprio decreto, além do imposto de renda pago pelo contribuinte (Lei 8.021/90). Refere que o RIR em nenhum momento faz menção à renda mensal, tratando-se apenas de renda disponível de forma consolidada (anual). Neste caminho, questiona porque foi considerada a renda do contribuinte relativa ao período janeiro/93 a março/93, sem dizer que se considerou uma aquisição em que a documentação hábil para sua comprovação consignava valor diverso do que o arbitrado. Por fim, salienta que o art. 807 do RIR/99 reza que o acréscimo patrimonial da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprova não 6 4;0.04 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10735.001643/97-17 Acórdão n°. : 104-20.737 corresponder esse aumento aos rendimentos declarados. Aduz que as operações de compra e venda de imóveis seus comprovaram lastro suficiente para garantir a aquisição do imóvel em questão não restando configurado o acréscimo patrimonial a descoberto. É o Relatório. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA34, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES AW.:;‘ QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10735.001643/97-17 Acórdão n°. : 104-20.737 VOTO Conselheira MEIGAN SACK RODRIGUES, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A discussão no presente processo restringe-se ao acréscimo patrimonial, visto que a matéria pertinente ao ganho de capital foi assumida pelo recorrente, tornando-se incontroversa a questão. Cumpre apenas à autoridade competente verificar o pagamento argüido pelo recorrente. No que tange ao acréscimo patrimonial a descoberto, surgido em função da aquisição de bem imóvel no mês de março, entendo que não ocorreu. Isto porque da compulsão das provas elencadas no presente feito, verifica-se que o recorrente proferiu a venda de dois imóveis nos meses que se seguiram, bem como foi creditado o seu Fundo de Garantia por Tempo de Serviço que cobriram de forma suficiente a aquisição do bem referido. Ademais, cumpre que se informe que não há, no caso em tela, prova de que o valor, tido pela autoridade fiscalizadora como sendo o verdadeiro e perfectibilizado na negociação do bem imóvel, que gerou acréscimo patrimonial a descoberto, entre o recorrente e o vendedor, foi extraído de um processo judicial, do qual o recorrente não fez parte nem como autor, nem como réu e tão pouco foi ouvido como testemunha ou similar. Em suma, o recorrente não teve ingerência na aferição do valor de 150 mil dólares como 8 • •7À4(49, re,---.n:;*:-Préi, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10735.001643/97-17 Acórdão n°. : 104-20.737 sendo o precursor do negócio, assim como não houve qualquer outra propositura de prova neste sentido. Em ato continuo, entendo que no mundo dos negócios, principalmente no tocante de compra e venda, a gerência é feita com a autonomia das partes de modo independente, respeitando o mínimo de formalidade disposta em lei, mas sem qualquer imposição de forma de pagamento ou registro deste ato. Assim, por não restar comprovado que o recorrente efetivamente pagou o valor sumariado pelo fisco, tão pouco há efetividade de pagamento no fluxo de caixa, no montante de 150 mil dólares, entendo que a simples prova emprestada de processo judicial sem qualquer vinculação com o recorrente não se presta para caracterizar o acréscimo patrimonial a descoberto disposto no auto de infração. Comprova a realização do negócio sem a efetivação do pagamento em sua totalidade, o documento de fls. 83, no qual se pode verificar que o recorrente deu em garantia da perfectibilização do negócio de compra e venda do imóvel em comento outro imóvel seu. Ainda, os outros dois imóveis, vendidos logo em seguida da realização deste, bem como o recebimento do FGTS, dão sustento à aquisição em relato de forma suficiente e com folga de valores, não caracterizando a imputação do auto de infração. Ante ao exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Sala das Sessões (DF), 15 de junho de 2005 E AN SA R09,1GUES 9 • Page 1 _0026300.PDF Page 1 _0026400.PDF Page 1 _0026500.PDF Page 1 _0026600.PDF Page 1 _0026700.PDF Page 1 _0026800.PDF Page 1 _0026900.PDF Page 1 _0027000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10166.723394/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DIPJ. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICADORA.
Comprovado em diligência fiscal que o lançamento inicialmente formalizado deve-se a erro no preenchimento da DIPJ original, ajusta-se a exigência ao valor verificado na escrituração contábil do sujeito passivo, cuja apuração respalda a DIPJ retificadora.
AUTENTICAÇÃO DE LIVROS. Atrasos na autenticação da escrituração digital pela Junta Comercial ocorridos em razão de pendências de natureza formal verificadas no arquivo enviado, que a empresa prontamente regulariza perante o órgão, não podem dar ensejo a autuação fiscal.
Recurso de Ofício Negado
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 1401-001.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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EPP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 DIPJ. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICADORA. Comprovado em diligência fiscal que o lançamento inicialmente formalizado devese a erro no preenchimento da DIPJ original, ajustase a exigência ao valor verificado na escrituração contábil do sujeito passivo, cuja apuração respalda a DIPJ retificadora. AUTENTICAÇÃO DE LIVROS. Atrasos na autenticação da escrituração digital pela Junta Comercial ocorridos em razão de pendências de natureza formal verificadas no arquivo enviado, que a empresa prontamente regulariza perante o órgão, não podem dar ensejo a autuação fiscal. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 33 94 /2 01 3- 61 Fl. 305DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de autos de infração para cobrança de IRPJ e CSLL relativos ao ano calendário de 2010, acrescidos de juros e multa de 75%, totalizando R$ 12.108.986,12: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ R$8.911.577,84 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL R$3.197.408,28 Segundo a descrição dos fatos dos autos de infração, os lançamentos decorrem de procedimento fiscal que constatou insuficiências de recolhimento, coligidas a partir do confronto entre os valores de IRPJ e CSLL a pagar apurados na DIPJ/2011 e os recolhimentos efetuados. Cientificada das exigências, a contribuinte apresentou impugnação sob a alegação de que a DIPJ que constitui a prova da autuação padece de inexatidão no seu preenchimento, corroborando sua afirmação com declaração firmada pelo profissional responsável por sua escrituração contábil. O processo foi então convertido em diligência com a finalidade de examinar a escrituração da interessada. Isso porque a DRJ considerou que havia "fortes indícios do erro apontado na defesa, quanto no que tange à apuração do custo das mercadorias revendidas, haja vista que na DIPJ (Fichas 04A) esse custo corresponde apenas ao estoque inicial (linha 22), sem terem sido preenchidas as demais linhas da apuração para satisfazer à equação Custo = Estoque Inicial + Compras – Estoque Final." (fl. 169). Em decorrência da realização da diligência requerida, foram anexadas aos autos as peças às fls. 171173, que encerram o relato do trabalho, das quais se destacam os seguintes pontos relevantes: a) a contribuinte foi intimada a apresentar a Demonstração do Resultado do Exercício – DRE e o Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, assim como retificar a DIPJ do anocalendário de 2010; b) após pedido de prorrogação, a impugnante apresentou a DRE em meio físico e DIPJ retificadora, cujas informações conferem com a DRE (docs. anexos); c) quando do exame do livro digital extraído do SPED Contábil foi verificado que os valores nele contidos divergiam da DRE e da DIPJ retificadora, além do que a Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10166.723394/201361 Acórdão n.º 1401001.911 S1C4T1 Fl. 306 3 escrituração se encontrava na situação “Aguardando Pagamento”, o que significa que não havia sido autenticada pela Junta Comercial; d) o fato provocou nova intimação à impugnante, para apresentar a escrituração contábil devidamente regularizada, e, em resposta, a interessada transmitiu Requerimento de Substituição do Livro Digital, desta vez com valores coincidentes com a DIPJ retificadora e com a DRE apresentada em meio físico, bem como comprovante de que o pagamento pendente teria sido realizado em 31/10/2013, no entanto, em nova consulta ao SPED continua a situação “Aguardando Pagamento”. Conclui informando que diante da falta de perspectiva do prazo em que se vai efetivar o deferimento ou indeferimento da autenticação do livro digital substituto pela Junta Comercial, não foi possível cumprir na íntegra a diligência requerida, com o exame do documentário de suporte da escrituração, razão pela qual não há reparos a fazer no lançamento efetuado. Cientificada do teor do relatório de diligência, a impugnante apresentou petição às fls. 253258, na qual informa haver procurado várias vezes a Junta Comercial para verificar o motivo de ainda não constar o pagamento no sistema, sendo finalmente informada que o arquivo enviado apresentava pendências, que foram sanadas e enviado novo arquivo em 20/12/2013. Apreciando a resposta ao relatório de diligência, a DRJ concluiu restar evidenciado que a autenticação da escrituração digital pela Junta Comercial não se concretizou devido a pendências de natureza formal verificadas no arquivo enviado (Anexo 1), como demonstra a Notificação anexada à manifestação da interessada (data de arquivamento, nº do CNPJ, nome empresarial, nº de ordem do livro etc), que a empresa se apressou em regularizar perante o órgão (Anexo 2). Dessa forma, em Resolução aprovada em 07/02/2014 (fls. 262/264), a DRJ decidiu pelo retorno dos autos ao órgão de origem, para conclusão da diligência inicialmente requerida, após sanado o episódio da autenticação da escrituração contábil digital. A diligência foi então concluída, originando a Informação Fiscal de fls. 265 267. Nesta, o autor do trabalho relata que finalmente foi possível examinar o conteúdo da escrituração contábil da impugnante, e, do exame procedido, que confirma as informações contidas na DIPJ retificadora apresentada, restaram exigíveis os seguintes valores de insuficiências de recolhimento, apurados no 4º trimestre/2010: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ 169.349,20 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL 59.348,66 Cientificada do resultado desse trabalho, a contribuinte não se manifestou a respeito. Em 18 de julho de 2014, a DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, mantendo apenas as exigências de IRPJ e CSLL do 4º trimestre/2010, nos valores acima discriminados. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 Fl. 307DF CARF MF 4 DIPJ. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICADORA. Comprovado em diligência fiscal que o lançamento inicialmente formalizado devese ao cometimento de erro no preenchimento da DIPJ original, ajustase a exigência ao valor verificado na escrituração contábil do sujeito passivo, cuja apuração respalda a DIPJ retificadora. IMPUGNAÇÃO. ABRANGÊNCIA. O alcance da impugnação é delimitado por ocasião da apresentação dessa peça de defesa, razão pela qual é impróprio falarse que o contribuinte seja intimado de teor de relatório de diligência fiscal, determinada pelo órgão julgador, para puder aditar a impugnação, pois nessa oportunidade o autuado pode tãosomente exercer o direito ao contraditório, oferecendo suas contrarrazões. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento da CSLL, formalizado a partir dos mesmos fatos e elementos de prova, o decidido em relação ao IRPJ. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte foi intimada da decisão em 1o de agosto de 2014, não tendo apresentado recurso voluntário. Como houve interposição de recurso de ofício, a parte desfavorável ao contribuinte foi desmembrada para o processo 10166.727743/201403, para fins de cobrança. Recebi o processo em distribuição realizada em 15 de fevereiro de 2017. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano. Tratase de recurso de ofício contra decisão da DRJ em Brasília (DF) que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela contribuinte, após a confirmação, em sede de diligências, de que houve erro no preenchimento da DIPJ. Uma vez comprovados tais erros mediante análise da escrituração contábil da empresa, o lançamento foi mantido apenas quanto aos valores efetivamente exigíveis após estes serem sanados, conforme consignou a decisão recorrida. Aliás, louvável a conduta da Turma julgadora a quo de converter o julgamento em diligência por mais de uma vez, até que a Junta Comercial finalmente autenticasse os livros, na medida em que atrasos na autenticação da escrituração digital pela Junta Comercial ocorridos em razão de pendências de natureza formal verificadas no arquivo enviado, que a empresa prontamente regularizou perante o órgão, não podem dar ensejo a autuação fiscal. Não merece reparo, pois, a decisão recorrida. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10166.723394/201361 Acórdão n.º 1401001.911 S1C4T1 Fl. 307 5 Neste sentido, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 309DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001434/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
COOPERATIVAS DE CRÉDITO. ATO COOPERATIVO. NÃO INCIDÊNCIA DA CSLL.
Na linha da jurisprudência nacional, as receitas obtidas pelas cooperativas de crédito oriundas da captação de recursos de seus cooperados, realização de empréstimos aos associados, bem assim a efetivação de aplicações financeiras no mercado, não são passíveis de tributação pela CSLL, vez que decorrentes de atos cooperativos. Precedentes jurisprudenciais, mormente da Primeira Seção do STJ. Precedente da CSRF (Acórdão 9101-002.782).
Numero da decisão: 1401-002.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ATO COOPERATIVO. NÃO INCIDÊNCIA DA CSLL. Na linha da jurisprudência nacional, as receitas obtidas pelas cooperativas de crédito oriundas da captação de recursos de seus cooperados, realização de empréstimos aos associados, bem assim a efetivação de aplicações financeiras no mercado, não são passíveis de tributação pela CSLL, vez que decorrentes de atos cooperativos. Precedentes jurisprudenciais, mormente da Primeira Seção do STJ. Precedente da CSRF (Acórdão 9101002.782). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 34 /2 00 8- 40 Fl. 327DF CARF MF 2 Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 16327.001434/200840 Acórdão n.º 1401002.052 S1C4T1 Fl. 328 3 Relatório Por bem refletir os fatos constantes dos autos, adoto o Relatório da decisão recorrida, consubstanciada no Acórdão nº 1268.708 5ª Turma da DRJ/RJ1 (v. e fls. 206/212), objeto de julgamento em sessão realizada em 24 de setembro de 2014. O presente processo tem origem no auto de infração de fls. 13/17, lavrado pela DFI – São Paulo, do qual a interessada acima identificada foi cientificada em 9/10/2008, conforme faz prova o documento de fl. 20, consubstanciando exigência da contribuição social sobre o lucro líquido no valor de R$ 72.690,45, acrescido da multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e dos demais encargos moratórios. 2. O autuante, conforme auto de infração, fl. 44, descreve, em síntese, que não houve recolhimento da CSLL referente ao anocalendário de 2003, tendo a interessada apurado base de cálculo da contribuição e o tributo devido. Alicerçou o lançamento no art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88; art. 1º da Lei nº 9.316 e art. 28 da Lei nº 9.430/96 e art. 37 da Lei nº 10.637/02. 3. Com o objetivo de descrever a ação fiscal e as razões que o levaram a efetuar o lançamento em questão, o autuante juntou aos autos o termo de verificação fiscal, fls. 54/55, descrevendo, em síntese, que, em decorrência de trabalho de revisão interna, apurou falta de recolhimento da CSLL referente ao anocalendário de 2003, pois houve declaração de CSLL no valor de R$ 72.690,45, sem o respectivo recolhimento ou confissão. Intimado, o contribuinte alegou erro de preeechimento pela não exclusão do valor referente às sobras. Salienta que a Lei 7.689/88 não prevê isenção da CSLL para atos cooperativados, e somente a contar do advento da Lei nº 10864/2004, que há mudança de tal tributação. 4. O autuante juntou aos autos os documentos de fls. 03/12. 5. Inconformada com o lançamento, a interessada, em 09/11/2008, apresentou a impugnação de fls. 22/41, arguindo, em síntese, que: 5.1. já havia informado ao autuante que houve erro na elaboração da Dipj, não sendo devido tal tributo em razão da atividade desenvolvida pela impugnante, como cooperativa de crédito, sendo certo que os valores que constam da demonstração do resultado estão dentro de sua finalidade, não sendo, portanto, tributáveis; 5.2. a apresentação de uma declaração com valor de confissão com erro de preenchimento não poderia configurar constituição de crédito tributário, não sendo meio hábil para a execução fiscal. Ressalta que tem o direito a retificar a declaração e a Administração tem o dever de revisar a constituição do crédito, sempres que ficar comprovado o erro, apresentando julgados do carf quando ocorre erro de fato; 5.3. para fazer prova, juntou aos autos o balanço, o DRE, o Lalur. Informa que a ficha 17, cálculo da CSLL, sendo que a composição, linha 28, deveria ter sido informado sobre os resultados decorrentes de atos cooperativos, os quais por não caracterizarem lucro ou resultado tributável deveriam ser excluídos da base de cálculo da CSLL; Fl. 329DF CARF MF 4 5.4. a não incidência da CSLL sobre atos cooperativos ocorre igual ao IRPJ, pois não há aferição de renda ou lucro, amparo no art. 182 e 183 do RIR/1999. O resultado positivo é sobra e não lucro; 5.5. resta inconstitucional a equiparação feita pela Lei nº 8.212/91 das cooperativas de crédito. 5.6. o fato gerador da CSLL é o lucro, Lei nº 7.689/88, somente podendo ser modificado por Lei Complementar como para o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas cooperativas; 5.7. apesar de estar enquadrada como entidade financeira tal fato não poderia legitimar a tributação, pois ato cooperado não configura operação de comércio. Seu resultado não é lucro e está situado fora do campo de incidência da CS intituída pela Lei nº 7.689/88; 5.8. há atividades que se afastam daquelas próprias das cooperativas e que poderiam ser tributadas em relação a eventuais rendimentos, o que não ocorre com a impugnante, que apenas teve suas atividades restringidas aos seus fins sociais; 5.9. a conclusão do lançamento, não tem base legal pois há decisões e a cooperativa está isenta desde a norma legal derivada da constituição; 5.10. pela letra do art. 111 da Lei nº 5.764/71, não corresponde o resultado dos atos cooperados que constaram da Dipj às exceções tratadas nesse artigo e que são explicitadas nos art. 85, 86 e 88 desta mesma Lei. Assim, não podem ser considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pela impugnante. 5.11. cooperativa de crédito não é instituição financeira; 5.12. se o autuante entende que houve resultado positivo tributável de CSLL, decorrentes de atos não cooperativados, deveria provar, pois a sua produção cabe a quem alega, art. 333 do CPC; 5.13. as atividades essenciais da cooperativa nunca podem ser objeto da base de cálculo da CSLL pois contraria os ditames da legislação. Primeiro, porque pretende fazer crer que tal valor é lucro, segundo contraria explicitamente o art. 79 e §único da Lei nº 5.764/71; 5.14. o art. 39 da Lei nº 10.865/04 tem caráter retroativo, alcançando o ato pretérito em que fundamentou o autunte, com base no art. 106 do CTN; 5.15. apresenta jurisprudência administrativa e judicial sobre a matéria; 5.16. cita julgados do poder judiciário e do Carf com decisão de que não cabe incidir CSLL sobre resultados auferidos em operações decorrentes de atos cooperativos e da possibilidade de retificar erro de fato comotido em registro na declaração. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro. Abaixo reproduzo a ementa do Acórdão proferido pelo Colegiado a quo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 COOPERATIVA. ATOS COOPERATIVOS E NÃOCOOPERATIVOS. TRIBUTAÇÃO. Até 31 de dezembro de 2004, a contribuição social sobre o lucro líquido CSLL é devida por todas as sociedades cooperativas e incide sobre todos os seus resultados, Fl. 330DF CARF MF Processo nº 16327.001434/200840 Acórdão n.º 1401002.052 S1C4T1 Fl. 329 5 sejam eles relativos às operações internas ou de exportação, com associados ou não. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte foi cientificada do referido Acórdão em 07/10/2014, v. efls. 215, apresentando o seu Recurso Voluntário em 06/11/2014, v. efls. 218/247. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 331DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. O Auto de Infração foi lavrado em virtude de procedimento de revisão interna da DIPJ 2004 apresentada pela recorrente. Tal procedimento é bastante simples, confrontando as informações constantes da DIPJ com aquelas informadas nas DCTFs e nos pagamentos realizados via DARF. A partir dessa confrontação, verificou a Autoridade Fiscal algumas inconsistências, justificadas pela Contribuinte em erro cometido no preenchimento da respectiva declaração (DIPJ). O erro cometido pela Recorrente teria origem na falta de exclusão da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL dos resultados auferidos em operações cuja natureza seriam de atos cooperados. Alega a Contribuinte que tais operações seriam isentas de tributação, razão pela qual o lançamento fiscal sob análise seria improcedente. Creio ter razão a Recorrente em sua irresignação ao lançamento. A matéria não é nova no âmbito deste Conselho. Trago, inicialmente, o precedente discutido na 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, Acórdão nº 1402001.541, da Relatoria do Ilustre Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, julgado em 05 de dezembro de 2013, do qual extraí os seguintes trechos: Entretanto, embora as cooperativas sejam, nos termos da lei civil, pessoas jurídicas constituídas sob a forma de sociedade, o regime jurídico aplicável a elas é diferente das sociedades empresárias ou simples, visto que possuem uma finalidade peculiar. Isto porque as cooperativas, na exegese dos arts. 3° e 4° da Lei n°. 5.764/71, são sociedades de pessoas constituídas, sem intuito de lucro, com o objetivo principal de prestar serviços aos seus associados. Neste contexto, o art. 79 da citada lei dispõe que os atos cooperativos, ou seja, os atos praticados pela cooperativa com seus associados, ou pelas cooperativas entre si, "não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria." Portanto, será considerado ato cooperativo todo negócio jurídico realizado pela cooperativa, dentro de seu objeto social, que tenha em uma das extremidades da relação negocial um associado. Nesse caso, a cooperativa atuará como intermediária entre o cooperado e o mercado financeiro, sendo que o resultado obtido com a realização deste negócio jurídico será, posteriormente, repassado ao cooperado. Ademais, ainda no que concerne à definição dos atos praticados pelas cooperativas, o art. 87 da referida lei estabelece que "os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos". Fl. 332DF CARF MF Processo nº 16327.001434/200840 Acórdão n.º 1401002.052 S1C4T1 Fl. 330 7 Desta forma, da combinação dos arts. 79 e 87 da Lei das Cooperativas, temse que os atos cooperativos, entendidos como as operações realizadas entre a cooperativa, na condição de intermediária, e seus cooperados, não serão tributáveis por não estarem incluídos na hipótese de incidência da norma tributária. Sobre o tema, o STJ pacificou o entendimento, determinando que, tratandose de cooperativas de crédito, qualquer aplicação financeira caracterizase como ato cooperado. Na sessão de 20 de novembro de 2012, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais analisou o tema (Acórdão 9101001.518 – Relatora Susy Gomes Hoffmann, embasandose em precedente do STJ: A Súmula n° 262 do STJ, no mesmo sentido, estabelece que “incide o imposto de renda sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas”. Tal entendimento, contudo, referese às cooperativas em geral. Na sua consolidação, o STJ não trouxe à baila a análise específica da situação das Cooperativas de Crédito. Pelo contrário, ao fazelo, o Égrégio Tribunal manifestouse, por diversas vezes, no sentido de excluílas do entendimento retratado no acórdão e na súmula acima transcritos. Isto porque, tratandose de Cooperativa de Crédito, as receitas financeiras, efetivamente, consubstanciam atos cooperativos. Neste sentido, os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULA 262/STJ. INAPLICABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que os atos cooperativos típicos – assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou ainda entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais – não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971. 2. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito – incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado – constitui ato cooperativo. 3. Inferese que, se as aplicações financeiras das cooperativas de crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre a incidência do Imposto de Renda. 4. Acresçase que os julgados que deram origem ao enunciado da Súmula 262/STJ não analisaram a situação específica das cooperativas de crédito, cuja atividade básica está relacionada à gerência financeira dos recursos creditícios dos associados. 5. Provido o Recurso Especial para reformar o acórdão recorrido quanto ao mérito, fazse necessária a apreciação pelo STJ dos honorários advocatícios devidos pelo sucumbente. Tratase de aplicação do direito à espécie. Fl. 333DF CARF MF 8 [...] 8. Agravo Regimental do Ministério Público não provido e Agravo da Fazenda Nacional parcialmente provido tãosomente para inverter os honorários advocatícios, restabelecendo a condenação da União, fixada na sentença, ao pagamento dos ônus sucumbenciais em 5% sobre o valor da causa, atualizado monetariamente. (AgRg no AgRg no REsp 717.126/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, DJe 24/02/2010) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE AS APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO. 1. Conforme jurisprudência sedimentada pelas Turmas da Primeira Seção, as aplicações financeiras das sociedades cooperativas de crédito não sofrem a incidência do PIS. 2. Embargos de declaração acolhidos para explicitação. (EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp 611.217/MG, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/10/2009, DJe 04/11/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SOCIEDADES COOPERATIVAS DE CRÉDITO. COFINS. ATOS COOPERATIVOS. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência da Cofins sobre o resultado de tal atividade. 2. O STJ assentou o entendimento de que, em se tratando de cooperativas de crédito, toda a sua movimentação financeira, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo, não havendo incidência do PIS e da Cofins. Precedentes do STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 823.207/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/05/2009, DJe 21/08/2009) Neste sentido, devese ter em mente que o entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça pode ser resumido da seguinte forma: o imposto sobre a renda incide sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas, salvo em relação às cooperativas de crédito. Isto justamente porque, no caso particular das cooperativas de crédito, as aplicações financeiras realizadas inseremse no conceito de atos cooperativos. Com efeito, como bem se demonstrou no acórdão recorrido, as cooperativas são pessoas jurídicas criadas com uma finalidade central de prestar serviços relevantes de assistência a seus associados, conforme se depreende dos artigos 3° e 4° da Lei n° 5.764/71. E mais, sem objetivo de lucro. Neste sentido, a Lei n° 5.764/71 (artigo 79) qualifica juridicamente como cooperativos os atos praticados “entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais”. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 16327.001434/200840 Acórdão n.º 1401002.052 S1C4T1 Fl. 331 9 Tais atos, como se sabe, não se encontram no âmbito de incidência do IRPJ nem da CSLL. No caso específico das Cooperativas de Crédito, o respectivo objetivo social, em síntese, é facilitar o acesso de seus cooperados ao crédito financeiro. Na hipótese dos autos, a contribuinte, conforme se depreende do artigo 3° do seu Estatuto Social, tem por objetivo “a organização em comum e em maior escala dos serviços econômicofinanceiros e assistenciais de interesse das filiadas, integrando e orientando suas atividades, bem como facilitando a utilização recíproca dos serviços.” Tratandose de atos cooperativos, incide, portanto a Súmula 83 do CARF, assim vazada: “O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004.” Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. Outro precedente, recentíssimo, por sinal, é o Acórdão nº 9101002.782 1ª Turma da CSRF, julgado em 06 de abril de 2017, do qual extraí os seguintes trechos: Quanto ao mérito, tem razão a contribuinte em alegar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), embasada em posicionamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), modificou o entendimento manifestado no acórdão paradigma proferido em 2004, e que a CSRF tem decidido reiteradamente que as receitas de aplicações financeiras realizadas por cooperativa de crédito não sofrem incidência de IRPJ e CSLL. Dentre as várias decisões da CSRF apontadas pela contribuinte, vale reproduzir a ementa da mais recente delas, que foi exarada por unanimidade de votos: Acórdão nº 9101001.825 Sessão de 20 de novembro de 2013 [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003 COOPERATIVA DE CRÉDITO. RECEITAS DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. CARACTERIZAÇÃO COMO ATO COOPERATIVO. ENTENDIMENTO DO STJ. IRPJ E CSLL. NÃO INCIDÊNCIA. Nos casos de cooperativas de crédito, tendo em vista a sua especificidade, as receitas decorrentes de aplicações financeiras, que não lhe originam lucro, mas que são destinadas aos próprios cooperados, não sofrem a incidência de IRPJ nem de CSLL, pois que referidas aplicações, conforme entendimento do próprio STJ, enquadramse no conceito de atos cooperativos. Não se desconhece que de acordo com a Lei nº 5.764/1971, os resultados obtidos com a prática de operações que não envolvam atos cooperativos estão sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL. Fl. 335DF CARF MF 10 Também não se desconhece que o Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio da Súmula 262, pacificou o entendimento de que, embora os atos das cooperativas de um modo geral sejam isentos de Imposto de Renda (IR), quando se trata do resultado de aplicações financeiras realizadas por estas entidades o IR incide sim, porque tais operações não são referentes a atos cooperativos típicos: Súmula STJ nº 262: Incide o imposto de renda sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas. Contudo, no caso específico das cooperativas de crédito, há de se levar em conta algumas particularidades, conforme evidencia a Lei Complementar nº 130/2009, que, ao tratar desse tipo de cooperativa, assim dispõe: Art. 2º As cooperativas de crédito destinamse, precipuamente, a prover, por meio da mutualidade, a prestação de serviços financeiros a seus associados, sendolhes assegurado o acesso aos instrumentos do mercado financeiro. (grifos acrescidos) É forçoso concluir que a captação de recursos e a realização de aplicações no mercado financeiro, com o intuito de oferecer assistência de crédito aos associados atos praticados pelas cooperativas de crédito constituem atos cooperativos, não passíveis da incidência tributária em questão. Nesse sentido, vale registrar o que foi decidido pela 2ª Turma do STJ no AgRg do AgRg no REsp 717126/SC, de relatoria do Ministro Herman Benjamin, julgado em 09/02/2010, quando o referido tribunal deixou claro que a Súmula 262 não se aplica às cooperativas de crédito, e que "toda movimentação financeira das cooperativas de crédito — incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado — constitui ato cooperativo", não sujeito, portanto, à incidência tributária em questão: Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULA 262/STJ. INAPLICABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que os atos cooperativos típicos — assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou ainda entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais — não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971. 2. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito — incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado — constitui ato cooperativo. 3. Inferese que, se as aplicações financeiras das cooperativas de crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre a incidência do Imposto de Renda. 4. Acresçase que os julgados que deram origem ao enunciado da Súmula 262/STJ não analisaram a situação específica das cooperativas Fl. 336DF CARF MF Processo nº 16327.001434/200840 Acórdão n.º 1401002.052 S1C4T1 Fl. 332 11 de crédito, cuja atividade básica está relacionada à gerência financeira dos recursos creditícios dos associados. [...] VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator): Os autos foram recebidos neste Gabinete em 27.10.2009. Os Agravos Regimentais não merecem prosperar, pois a ausência de argumentos hábeis para alterar os fundamentos da decisão ora agravada torna incólume o entendimento nela firmado. Com efeito, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que os atos cooperativos típicos – assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais – não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971: [...] Confiramse os seguintes precedentes desta Corte: [...] Por sua vez, a Primeira Seção do STJ, com o julgamento do REsp 591298/MG, Relator p/ acórdão Ministro Castro Meira, DJ 07/03/2005, pacificou o entendimento de que "toda a movimentação financeira das cooperativas de crédito, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo". Eis a ementa do mencionado acórdão, que sedimentou a orientação desta Corte Superior: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS. COOPERATIVA DE CRÉDITO. LEI N.º 5.764/71. 1. Milita em favor das normas jurídicas a presunção de que foram recepcionadas pelo sistema normativo ante a ruptura constitucional. Enquanto não provocada a Suprema Corte ou declarada a nãorecepção, a Lei n.º 5.764/71 continua em pleno vigor, não havendo óbice ao conhecimento do recurso especial por violação de um ou alguns de seus dispositivos. 2. O ato cooperativo não gera faturamento para a sociedade. O resultado positivo decorrente desses atos pertence, proporcionalmente, a cada um dos cooperados. Inexiste, portanto, receita que possa ser titularizada pela cooperativa e, por conseqüência, não há base imponível para o PIS. 3. Já os atos não cooperativos geram faturamento à sociedade, devendo o resultado do exercício ser levado à conta específica para que possa servir de base à tributação (art. 87 da Lei n.º 5.764/71). 4. Toda a movimentação financeira das cooperativas de crédito, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados bem como a efetivação de Fl. 337DF CARF MF 12 aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo, circunstância a impedir a incidência da contribuição ao PIS. 5. Salvo previsão normativa em sentido contrário (art. 86, parágrafo único, da Lei n.º 5.764/71), estão as cooperativas de crédito impedidas de realizar atividades com não associados. 6. Atualmente, por força do art. 23 da Resolução BACEN n.º 3.106/2003, as cooperativas de crédito somente podem captar depósitos ou realizar empréstimos com associados. Assim, somente praticam atos cooperativos e, por conseqüência, não titularizam faturamento, afastandose a incidência do PIS. 7. A reunião em cooperativa não pode levar à exigência tributária superior à que estariam submetidos os cooperados caso atuassem isoladamente, sob pena de desestímulo ao cooperativismo. 8. Qualquer que seja o conceito de faturamento (equiparado ou não a receita bruta), tratandose de ato cooperativo típico, não ocorrerá o fato gerador do PIS por ausência de materialidade sobre a qual possa incidir essa contribuição social. 9. Recurso especial provido. (REsp 591298/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Rel. p/ Acórdão Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/10/2004, DJ 07/03/2005 p. 136, grifei) Dessa forma, da conjugação dos entendimentos jurisprudenciais em referência denotase que, se as aplicações financeiras das cooperativas de crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre incidência do imposto de renda. Mister se faz salientar que nenhum dos precedentes que deram origem ao enunciado da Súmula 262/STJ analisou a situação específica das cooperativas de crédito, cuja atividade básica está relacionada à gerência financeira dos recursos creditícios de seus associados. [...] De acordo com o STJ e com decisões reiteradas da CSRF, os resultados das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito são atos cooperativos, não passíveis de tributação pelo IRPJ e pela CSLL. Seguindo esta jurisprudência, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. Extraise das decisões acima que o ato cooperativo é todo negócio jurídico realizado pela cooperativa, dentro de seu objeto social, que tenha em uma das extremidades da relação negocial um associado. No caso específico das cooperativas de crédito, o objetivo social, em resumo, é facilitar o acesso de seus cooperados ao crédito financeiro; assim, toda movimentação financeira, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo, não sendo tributável, portanto, por não estar incluído na hipótese de incidência da norma tributária. Isto porque as cooperativas, de acordo com os arts. 3° e 4° da Lei n° 5.764/71, são sociedades de pessoas constituídas, sem intuito de lucro, com o objetivo principal de prestar serviços aos seus associados. Neste contexto, o art. 79 da citada lei dispõe que os Fl. 338DF CARF MF Processo nº 16327.001434/200840 Acórdão n.º 1401002.052 S1C4T1 Fl. 333 13 atos cooperativos, ou seja, os atos praticados pela cooperativa com seus associados, ou pelas cooperativas entre si, "não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria", razão pela qual tais atos não se encontram no âmbito de incidência do IRPJ nem da CSLL. Tal matéria é sumulada neste CARF, que em sua Súmula nº 83, assim dispôs: “O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004.” O teor da Súmula 83 é claro e carece de maiores comentários. Combinado com o conceito de ato cooperativo aplicável às cooperativas de crédito não deixa nenhuma dúvida de que é incabível a exigência da CSLL sobre o resultado auferido por essas instituições, mesmo antes da edição da Lei nº 10.865/2004. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 339DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.002714/2007-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA.
A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa, quando apresentada em fase recursal, em obediência ao artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
A decadência vem fulminar o direito subjetivo, quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é do contribuinte e não do fisco.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
CONCEITO DE INSUMO. NÃO-CUMULATIVIDADE.
O conceito de insumo é polissêmico, há que se observar o processo produtivo da contribuinte e verificar-se se o insumo enquadra-se nos custos de aquisição e produção - fatores de produção.
CRÉDITO. FRETES. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA.
O serviço de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.341
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, e na parte conhecida, por unanimidade, rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA. A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa, quando apresentada em fase recursal, em obediência ao artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. A decadência vem fulminar o direito subjetivo, quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é do contribuinte e não do fisco. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONCEITO DE INSUMO. NÃO-CUMULATIVIDADE. O conceito de insumo é polissêmico, há que se observar o processo produtivo da contribuinte e verificar-se se o insumo enquadra-se nos custos de aquisição e produção - fatores de produção. CRÉDITO. FRETES. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. O serviço de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado.
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PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA. A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa, quando apresentada em fase recursal, em obediência ao artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. A decadência vem fulminar o direito subjetivo, quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é do contribuinte e não do fisco. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONCEITO DE INSUMO. NÃOCUMULATIVIDADE. O conceito de insumo é polissêmico, há que se observar o processo produtivo da contribuinte e verificarse se o insumo enquadrase nos custos de aquisição e produção fatores de produção. CRÉDITO. FRETES. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. O serviço de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 27 14 /2 00 7- 30 Fl. 760DF CARF MF Processo nº 10855.002714/200730 Acórdão n.º 3302004.341 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, e na parte conhecida, por unanimidade, rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria, negarlhe provimento, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de Contribuição para o PIS/Pasep, apurado sob a modalidade não cumulativa, decorrente de vendas no mercado interno, referente ao 2o trimestre de 2004. O contribuinte apresentou declaração de compensação vinculadas ao PER Pedido Eletrônico de Restituição. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba – SP, por meio do Despacho Decisório constante nos autos, reconheceu em parte o direito creditório, homologando as compensações efetuadas até o limite reconhecido, haja vista principalmente, a glosa de fretes entre estabelecimentos da Empresa, os quais não poderiam ser objeto de creditamento nos termos da legislação vigente. Conforme consta no TVF, foi apurado que parte dos fretes sobre os quais a empresa tomou créditos não se referem a operações de venda, e sim, por questões logísticas, tão somente a operações de distribuição. Cientificada do despacho decisório, a Empresa apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade alegando que tendo se passado prazo superior a cinco anos entre a data da transmissão do PER e a ciência do Despacho Decisório, resta inequívoca a ocorrência de decadência ante o decurso do prazo legal estipulado pela legislação, até mesmo porque, nos termos do art. 207 do Código Civil Brasileiro, a decadência não se suspende ou interrompe. Discorre sobre a questão dos fretes nas operações de venda, alegando que seria lógico a legislação fiscal possibilitar seu creditamento na sistemática de Pis/Cofins não cumulativos e simplesmente desconsiderar parte destes custos quando, por questões de logística e otimização de carga, o frete é desmembrado. Defende que a realização de transporte de mercadorias, seja de modo direto ou indireto, deve ser considerada sempre como destinado à venda para fins de composição da base de cálculo das referidas contribuições. Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10855.002714/200730 Acórdão n.º 3302004.341 S3C3T2 Fl. 4 3 Não se conformando com o indeferimento da parcela dos créditos calculados sobre fretes de transferência de mercadorias entre matriz e filiais ou entre filiais e centros de distribuição, já que entende tratarse de etapa essencial à atividade da empresa, que possui unidades produtivas em diversos municípios do país. Reforça seu entendimento alegando que a sistemática da nãocumulatividade ampararia o creditamento sobre os fretes entre estabelecimentos conforme calculado. Cita excertos de decisões judiciais e transcreve Soluções de Consulta proferidas pela SRF que entende como favoráveis ao seu entendimento. Conclui então que o procedimento adotado estaria de acordo com o Art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/03. Sobreveio, então, acórdão da DRJ/Porto Alegre, considerando a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 10050.189. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, onde repisou as alegações da manifestação de inconformidade e solicitou a reversão das glosas em relação ao arrendamento mercantil. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.337, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10855.002716/200729, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.337): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 07 de julho de 2014, fls. 788, e o recurso foi protocolado em 06 de agosto de 2014, fls. 790. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Da Matéria Preclusa No Recurso Voluntário, a Recorrente alega que a turma julgadora não emitiu juízo de valor sobre o crédito, decorrente de despesas com arrendamento mercantil. Discorre que a apropriação de créditos, decorrentes de custos com arrendamento mercantil, na apuração da COFINS não cumulativa, não foi condicionada ao fato de que o bem, equipamento ou veículo fosse utilizado na atividade fim da empresa, cita precedente do Carf e solicita a reversão da glosa. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10855.002714/200730 Acórdão n.º 3302004.341 S3C3T2 Fl. 5 4 De fato, não há no acórdão da DRJ/Porto Alegre qualquer manifestação sobre a glosa de despesas com arrendamento mercantil, contudo, a Recorrente somente apresentou tal tema em fase recursal, não havendo, assim, como a decisão, ora contestada, pronunciarse sobre um tema que não havia sido manifestado no momento oportuno. Vale transcrever a legislação que discorre sobre a matéria que deve versar na impugnação administrativa: Decreto nº 70.235/1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifos não constam no original) No caso em análise, a Recorrente não impugnou a glosa dos créditos decorrentes de despesas com arrendamento mercantil na fase da manifestação de inconformidade, que seria equivalente à impugnação. Por tal motivo, a matéria é preclusa e, portanto, não pode ser conhecida. 3. Da Prejudicial de Mérito Da Decadência A Recorrente alega que, no presente caso, operouse o instituto da decadência, uma vez que o seu pedido de ressarcimento eletrônico foi transmitido em 30 de agosto de 2007 às 16h13min e a sua ciência ocorreu em 17 de setembro de 2012. Assim, entende que concluído o prazo de cinco anos sem a manifestação da Receita Federal do Brasil, o pedido de restituição estaria decaído e, por conseguinte, tacitamente homologado. No caso em análise, observase a existência de dois pedidos: um de ressarcimento e outro de compensação. Assim, em primeiro, lugar é necessário observar se o contribuinte faz jus ao crédito pleiteado no ressarcimento, para, então, poder alocálo no pedido de compensação. Quanto ao pedido de ressarcimento, não há como considerar que há uma homologação tácita pelo decurso de tempo, conferindo direito ao crédito. O período de decadência, em análise, seria para o contribuinte efetuar o pedido de ressarcimento, uma vez que o instituto da decadência apresentase como uma forma de estabilizar as relações jurídicas, pois ela se apresenta como uma forma extintiva do direito subjetivo. No caso, a contribuinte faz jus ao direito subjetivo de pleitear o crédito, que entende que possui. Por outro lado, o fisco faz jus ao direito subjetivo de lançar o crédito, que entende que não foi constituído. Portanto, a decadência vem fulminar o direito subjetivo. Quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é da contribuinte e não do fisco. Assim, a existência do crédito no ressarcimento é premissa necessária para a compensação, não podendo falar em homologação tácita. Ademais, não há previsão legal de prazo para o fisco analisar o pedido de restituição. Portanto, rejeitase a prejudicial de decadência e não se conhece da matéria. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10855.002714/200730 Acórdão n.º 3302004.341 S3C3T2 Fl. 6 5 4. Dos Créditos Custos de Fretes A Recorrente alega que incorre em custos inevitáveis e necessários com transporte de seus produtos para suas filiais e centros de distribuição, razão pela qual eles devem integrar a base de créditos do PIS, pois se constituem em um verdadeiro insumo essencial na atividade produtiva da empresa, cita a legislação, entende insumo sob o aspecto da essencialidade. Pleiteia que os seus gastos com frete intermediário, aquele para o transporte de seus produtos para outros estabelecimentos, venham a compor a base de créditos do PIS. Cita soluções de consulta e pleiteia pela aplicação do princípio da isonomia. Por fim, entende que o conceito de insumo deve ser analisado sob a ótica do imposto sobre a renda. Da Informação Fiscal, fls. 731, extraise: 3.6 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda O item IX do artigo 3° da lei 10.833/2003, traz a permissão para crédito de gastos com “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, “quando o ônus for suportado pelo vendedor”. A memória de cálculo apresentada pela empresa foi detalhada na planilha 6 – Despesas de Fretes e Armazenagem, gravada no CD 04, cujo conteúdo encontrase digitalmente anexado ao Recibo de entrega de arquivos digitais – READ. Nesta rubrica, ao auditála, percebeuse que o número da nota fiscal elencada na planilha e informada no lançamento contábil, tratavase, na verdade, do número da Fatura, que, como sabemos, pode agregar várias notas fiscais, ou Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas, o CTRC. (...) 3.6.1 – Fretes na Operação de Venda (...) Para calcular o valor do crédito de direito, procedeuse da seguinte forma: Extraímos os fretes interiharas, isto é, os fretes da Iharabrás para a própria Iharabrás, consolidando tais valores a fim de glosálos, nos Anexos IX “Fretes Consolidados Iharabrás Para Iharabrás Jul 2004 a Dez 2004 – Analítico” e Anexo X “Fretes Consolidados Iharabrás Para Iharabrás – Jul 2004 A Dez 2004 – Sintético”. Identificamos os fretes cujo remetente é a Iharabrás, e destinatário diverso, a fim de manter o creditamento. No que tange ao conceito de “insumos”, ele é polissêmico e não deve ser considerado como um termo de âmbito fechado, tampouco extremamente amplo; a sua interpretação há que se balizada pela proporcionalidade e razoabilidade, além do dever de Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10855.002714/200730 Acórdão n.º 3302004.341 S3C3T2 Fl. 7 6 observarse o contexto em que o determinado bem ou serviço está inserido, para, então, poder se configurar como despesas atinentes ao processo produtivo ou à prestação de serviço, havendo, assim, uma orientação própria na interpretação do conceito “insumo” a fim de observar o princípio da nãocumulatividade, presente na contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS. Há que se observar o processo produtivo da Recorrente e verificarse se o insumo enquadrase nos custos de aquisição e produção fatores de produção. Da doutrina contábil, extraise: d) Custo gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços. Custo é também um gasto, só que reconhecido como tal, isto é, como custo, no momento da utilização dos fatores de produção (bens e serviços), para a fabricação de um produto ou execução de um serviço1 Assim, assemelhase, em parte, aos custos de produção e despesas necessárias, previstos nos artigos 290, I, e 299, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, mas não há uma identidade total, devendo ser analisado caso a caso, já que se tratam de materialidades similares, mas não idênticas. Assim, ele não pode ser restrito ao conceito, previsto no IPI, nem tão amplo, quanto na legislação do imposto sobre a renda. Da legislação, extraise: Lei 10.637/2002 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; Lei 10.833/2003 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; 1 MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010, p. 25. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10855.002714/200730 Acórdão n.º 3302004.341 S3C3T2 Fl. 8 7 Assim, analisando o contexto, deverá se encontrar um caminho adequado, razoável, para equilibrar o conceito de insumo e, portanto, dar cumprimento à legislação, no caso, a Lei nº 10.637/2002 e a Lei nº 10.833/2003. O cerne da questão é se fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica pode ser considerado como insumo do processo produtivo. Para esclarecer como ocorre o creditamento de fretes no que concerne à contribuição para o PIS/Pasep, valese da preciosa lição do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no acórdão nº 3302003.210, que explica didaticamente como ocorre e do qual se adota como fundamento: Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. (grifos não constam do original) Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10855.002714/200730 Acórdão n.º 3302004.341 S3C3T2 Fl. 9 8 Pela análise do anexo XIV, fls. 538 e seguintes, e pela própria argumentação da contribuinte, ela pleiteia pelo crédito de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, que por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito. Por tal motivação, mantémse a decisão da DRJ/Porto Alegre. 5. Conclusão Diante do exposto, conheço parcialmente o recurso voluntário, e, na parte conhecida, rejeito a prejudicial de mérito e, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o Recorrente não impugnou a glosa dos créditos decorrentes de despesas com arrendamento mercantil na fase da manifestação de inconformidade, sendo a matéria preclusa; e, portanto, não pode ser conhecida; igualmente rejeitase a prejudicial de decadência, pelas razões expostas no paradigma e não se conhece da matéria, e, no mérito aplicase o mesmo entendimento quanto ao crédito de PIS/COFINS de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente o recurso voluntário, e, na parte conhecida, rejeito a prejudicial de mérito e, no mérito, nego provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 767DF CARF MF
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