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Numero do processo: 10120.004783/2010-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
ATOS POSTERIORES À ALIENAÇÃO ONEROSA DO BEM IMÓVEL. CONTABILIZAÇÃO DO RESULTADO POSITIVO DA REAVALIAÇÃO DO BEM IMÓVEL EM RESERVA DE REAVALIAÇÃO. SIMULAÇÃO. Uma série de atos coordenados no sentido de permitir a contabilização do resultado positivo da reavaliação do bem imóvel na conta de reserva de reavaliação caracterizam simulação, visando ocultar deliberadamente a vontade real da contribuinte, de se esquivar da tributação do ganho de capital decorrente da alienação onerosa mesmo bem imóvel para outra sociedade empresária.
DOLO. FRAUDE FISCAL. CONDUTA TIPIFICADA. CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. O farto encadeamento de fatos, devidamente documentados, demonstram o intuito doloso da contribuinte, ao operacionalizar um conjunto de atos ordenados e conscientes, com o objetivo de não oferecer à tributação o ganho de capital auferido em alienação onerosa de bem imóvel, e caracterizam a fraude fiscal, além de tipificar conduta prevista no art. 1º, inciso II, da Lei nº 8.137, de 1990, que define os crimes contra a ordem tributária
SUSPENSÃO DE ISENÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. CONDIÇÕES. PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS. EFEITOS. Caso se verifique que a beneficiária incorreu na prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária, cabe a suspensão da isenção do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins conferida pelo Programa Universidade Para Todos - PROUNI, instituído por meio da Medida Provisória nº 213, de 10/09/2004, e convertido na Lei nº 11.096, de 13/01/2005. A suspensão de isenção deve ser efetivada por meio de ato declaratório executivo, cujos efeitos abrangem todo ano-calendário no qual a infração foi cometida.
IMPUGNAÇÃO. EFEITO NÃO SUSPENSIVO. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Consoante procedimentos a serem aplicados na suspensão da imunidade e da isenção, dispostos no art. 32, da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez efetivada a suspensão de isenção, por meio do ato declaratório executivo, deverá a autoridade tributária lavrar o auto de infração, se for o caso, sendo que, a impugnação apresentada não terá efeito suspensivo.
Recurso Voluntário Negado Provimento.
Numero da decisão: 1402-001.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes, momentaneamente, os conselheiros Carlos Pelá e Moises Giacomelli Nunes da Silva.
(assinado digitalmente)
Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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CONTABILIZAÇÃO DO RESULTADO POSITIVO DA REAVALIAÇÃO DO BEM IMÓVEL EM RESERVA DE REAVALIAÇÃO. SIMULAÇÃO. Uma série de atos coordenados no sentido de permitir a contabilização do resultado positivo da reavaliação do bem imóvel na conta de reserva de reavaliação caracterizam simulação, visando ocultar deliberadamente a vontade real da contribuinte, de se esquivar da tributação do ganho de capital decorrente da alienação onerosa mesmo bem imóvel para outra sociedade empresária. DOLO. FRAUDE FISCAL. CONDUTA TIPIFICADA. CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 47 83 /2 01 0- 78 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes, momentaneamente, os conselheiros Carlos Pelá e Moises Giacomelli Nunes da Silva. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório CENTRO TECNOLOGICO CAMBURY LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): I – Quanto à Suspensão da Isenção do Programa Universidade Para Todos – PROUNI O CENTRO TECNOLOGICO CAMBURY LTDA – Cambury, por ter aderido ao Programa Universidade para Todos – PROUNI, nos termos da Lei nº 11.096, de 2005, possui direito à isenção do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Contudo, em procedimento fiscal, cuja ciência do termo de início foi dada ao contribuinte em 03/03/2009, a autoridade tributária constatou que a contribuinte prometeu para a Sociedade Goiana de Cultura – SGC, CNPJ 01.587.609/000171, a venda do imóvel situado na Av. B c/ Rua 24, Quadra A16, Jardim Goiás, Goiânia GO, matriculado no registro de imóveis da 4ª circunscrição sob o número 48.520, mediante compromisso de compra e venda. Nos termos do acordo, a SGC pagaria, em dinheiro, o valor original de R$30.000.000,00 (trinta milhões de reais), em parcelas, sendo a primeira vencendo em 07/11/2005, de R$3.000.000,00. O imóvel seria quitado no final de 2006, perfazendo os pagamentos o total de R$35.627.509,80. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 4 3 Informou a SGC que foi efetivada a transferência bancária para a fiscalizada, no valor de R$3.060.000,00, nos dias 08 e 09 de novembro de 2005. Por sua vez, a Cambury foi admitida como uma nova sócia, na sociedade empresária GALULA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA – Galula, CNPJ 03.887.661/000179, nos termos da quarta alteração contratual celebrada em 21/11/2005, com firma reconhecida dos sócios das entidades em 21/12/2005, tendo a protocolização na JUCEG ocorrido em 28/12/2005. Os sócios da Galula, Giuseppe Vecci e Vivianne de Araújo Almeida Vecci, são os mesmos do contribuinte, o CENTRO TECNOLOGICO CAMBURY LTDA Para integralizar o capital na Galula, a fiscalizada utilizouse do mesmo imóvel que foi alienado onerosamente à SGC. A transferência deste imóvel para a Galula, que tinha um capital de R$140.000,00, implicou em um acréscimo de R$34.700.000,00 (trinta e quatro milhões setecentos mil reais). Nesse sentido, constatou a Fiscalização que a contribuinte contabilizou, em 21/11/2005, a alienação do imóvel para a Galula, sendo que a diferença entre o custo do imóvel (edificações, terrenos, pertenças e demais bens destinados à sua utilização) e o valor da alienação foi lançada como reserva de reavaliação, mediante crédito nesta conta do Patrimônio Líquido de R$22.612.439,91. Diante dos fatos apurados, a autoridade fiscal concluiu que, na realidade, a operação que efetivamente existiu foi a alienação do imóvel, da fiscalizada para a SGC em 03/11/2005, sendo que, os fatos subsequentes, ocorridos a partir de 21/11/2005, quais sejam, a admissão como sócia da Galula e a correspondente integralização do capital utilizandose do mesmo imóvel alienado á SGC, consistiram em um ardil do qual recorreram os sócios administradores da contribuinte, para evitar o pagamento do IRPJ e da CSLL decorrente do ganho de capital obtido na citada venda. Para chegar a tais conclusões, amparouse a autoridade tributária nas seguintes constatações: a) a reserva de reavaliação, caso fosse lícita e real, deveria ter sido oferecida à tributação por ocasião da realização do valor do bem, conforme inciso IV do art. 439 do RIR/99, sendo que, na realidade, o que ocorreu foi a alienação do imóvel para a SGC em 03/11/2005, fato este inclusive contabilizado pela própria Galula; b) a quarta alteração contratual da Galula não foi levada a registro no ofício de imóveis competente; c) a data de assinatura da alteração contratual da Galula, de 21/11/2005, e seu protocolo na JUCEG, em 28/12/2005, são bem posteriores ao compromisso de compra e venda entre a fiscalizada e a SGC; d) os sócios da fiscalizada e da Galula são os mesmos; e) foi a própria fiscalizada que se apresentou como proprietária do imóvel, por ocasião da lavratura da escritura pública de compra e venda, da assinatura da escritura pública de retificação e da assinatura do termo de quitação, este em 05/09/2006; f) todos os pagamentos efetuados pela SGC acertados no compromisso de compra e venda do imóvel foram feitos à fiscalizada, e não à Galula, que teria recebido o bem em razão da sua utilização para integralização do capital; g) conforme os livros contábeis da Galula, a incorporação do imóvel ao seu patrimônio foi contabilizada às fls. 217 do livro Diário, e, ás fls. 218, foi registrada a alienação, com prejuízo de venda, do mesmo imóvel para a SGC em 04/11/2010, ou Fl. 760DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 5 4 seja, antes mesmo da alteração contratual firmada em 21/11/2005, quando a fiscalizada foi admitida como sócia da Galula; h) a maior parte dos recebimentos, no decorrer do ano de 2006, pela alienação do imóvel, foram contabilizados como empréstimos da Galula á fiscalizada; i) consoante o art. 36 da Lei nº 8.934, de 1994, o arquivamento dos atos apresentados no registro do comércio após 30 (trinta) dias de sua assinatura só terá eficácia a partir do despacho que o conceder, ou seja, a quarta alteração contratual da Galula só poderia surtir efeitos após 28/12/2005, data do protocolo na JUCEG. Concluiu, portanto, a autoridade tributária que o que houve, na verdade, foi uma simulação absoluta da alienação do imóvel da Cambury para a Galula. Ressalta a Fiscalização que, um Auditor Fiscal que examinasse as contas contábeis da fiscalizada, depararseia com lançamentos contábeis de constituição, aparentemente lícita, de reserva de reavaliação. Por outro lado, outra autoridade tributária analisando a contabilidade da Galula, poderia constatar que teria havido uma incorporação válida de um imóvel em decorrência de um aumento de seu capital, e um subseqüente prejuízo em razão de sua alienação. Tendo em vista os fatos apurados, e a constatação da ocorrência da alienação onerosa do imóvel no qual se apurou ganho de capital, foram lançados o IRPJ e a CSLL com fulcro no art. 418 do RIR/99, procedimento formalizado no processo administrativo nº 10120.004712/201075, cujas cópias dos autos encontramse acostadas às fls. 002/332. Por sua vez, considerando a autoridade fiscal que a conduta da empresa e dos seus sóciosadministradores caracterizaram crime contra a ordem tributária, motivo para a suspensão da isenção de tributos do qual gozava a contribuinte, consoante dispõe o art. 4º da IN SRF nº 456, de 2004, foi notificada a interessada em 18/06/2010 a exercer o contraditório e apresentar, no prazo de trinta dias, as alegações e provas que entendesse necessárias, nos termos do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c os artigos 14 e 15, § 3º, da Lei nº 9.532, de 1997. Como não se manifestou a fiscalizada, foi editado o Ato Declaratório Executivo DRF/GOI/Seort nº 7, de 29 de julho de 2010, fls. 344/345, para declarar a suspensão do benefício do qual gozava a contribuinte referente ao Programa Universidade para Todos – PROUNI, relativo ao anocalendário de 2005. II – Quanto aos Lançamentos de Ofício Em razão da suspensão do contribuinte do Programa Universidade para Todos – PROUNI, a Fiscalização, com fulcro no art. 32, § 6º, da Lei nº 9.430, de 1996, lavrou contra a interessada os Autos de Infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, atinentes ao anocalendário de 2005, cujo crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$1.513.063,70, assim discriminados por exação fiscal: (...) Para efetuar os lançamentos fiscais, tomou como base a Fiscalização os balancetes mensais de agosto a dezembro de 2005 apresentados pela fiscalizada, em resposta à intimação de fls. 349/350. III. Ciência do Ato Declaratório Executivo de Suspensão da Isenção. Ciência dos Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Defesa Apresentada. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 6 5 Em 12/08/2010, a contribuinte tomou ciência do Ato Declaratório Executivo DRF/GOI/Seort nº 7, de 29 de julho de 2010 e dos lançamentos de ofício (“AR” de fls. 431). Apresentou a interessada as impugnações de fls. 441/458 (IRPJ), 501/518 (Cofins), 564/581 (PIS) e 626/643 (CSLL), em 10/09/2010, que discorrem sobre idêntico conteúdo, tratando dos pontos relacionados a seguir. Do Não Cabimento de Auto de Infração Para a Cobrança de IRPJ. Impugnação Apresentada nos Autos do Processo Administrativo nº 10120.004712/201075. Efeito Suspensivo. A expedição do Ato Declaratório que suspendeu a isenção, bem como a lavratura do presente Auto de Infração, deveriam aguardar a decisão da matéria que deu origem à suspensão da isenção – a saber, a suposta prática de crimes contra a ordem tributária, apurada nos autos do processo administrativo nº 10120.004712/201075 – o qual, nos termos da lei, foi impugnado. Isto porque, o simples fato do mérito do Ato Declaratório que suspendeu a isenção se fundamentar em suposto crime contra a ordem tributária apurado nos autos do processo administrativo nº 10120.004712/201075 (que se encontra com a exigibilidade suspensa por força do art. 151, inciso III, do CTN, em razão da apresentação da impugnação), já faz com seus efeitos (suspensão da isenção) também estejam suspensos. Ou seja, não existiriam motivos para a cobrança dos tributos isentos no anocalendário de 2005 (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins). Conforme dito, a real suspensão do benefício somente será decidida após o julgamento do recurso em que se defende a não ocorrência de crime contra a ordem tributária. Ante o exposto, não merece prosperar o presente Auto de Infração. Contudo, caso assim não entenda, que sejam recebidos os argumentos já trazidos no Auto de Infração impugnado nos autos do processo administrativo nº 10120.004712/201075, em que se demonstra a não ocorrência de simulação na operação realizada pela impugnante. Das Razões de Mérito. Inocorrência de Crime Contra a Ordem Tributária. A operação narrada pelo Fisco (constituição de reserva de reavaliação e integralização de capital na Galula) não chegou a ocorrer para fins tributários e, por isso, é viciado o lançamento relativo ao anocalendário de 2005. De outro modo, ainda que se admitisse que ocorreu a constituição da mencionada reserva – o que por ora é considerado apenas para fins de debate – também não assistiria razão ao Auditor Fiscal, por inocorrência da hipótese prevista na capitulação legal trazida aos autos. Do Tratamento Fiscal na Operação de Venda a Longo Prazo. O fundamento essencial que levou à lavratura do Auto de Infração seria a realização de reserva de reavaliação constituída sobre bens que foram utilizados para aumento de capital na Galula. Porém, para fins de direito, tal operação não existiu, conforme a própria contribuinte informou, nos termos do item 21, letra “b”, do Relatório de Fiscalização. Ou seja, não houve realização de qualquer investimento na Galula, porque, em estrita observância à legislação aplicável, o citado aumento de capital não chegou a produzir efeitos. Observese que entre a data de deliberação para a alteração do contrato social da Galula para a admissão do novo sócio, em 21/11/2005, e a data do protocolo na Junta Comercial, 28/12/2005, transcorreramse mais de trinta dias. Ocorre que nos termos dos artigos 1.150 e 1.151 do Código Civil, os documentos necessários ao registro devem ser apresentados no prazo de trinta dias, contado da lavratura dos atos. Por sua vez, caso o registro seja requerido além do prazo previsto, somente produzirá efeito a partir da data de sua concessão. No mesmo sentido dispõem os artigos 32, inciso II, alínea “a” e 36, da Lei nº 8.934, de 1994, no qual Fl. 762DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 7 6 mencionam que todos os efeitos legais (erga omnes) do ato de alteração das sociedades surtem efeitos desde a data de sua deliberação/assinatura se, e somente se, forem arquivados na Junta Comercial num prazo máximo de trinta dias. Do contrário, tal alteração passará a ter eficácia legal somente a partir da data do despacho em que a Junta Comercial vier a lhe aprovar. Entendimento da Receita Federal em Consulta sobre a incorporação vem no mesmo sentido, ou seja, se entre a data da assinatura dos documentos e de seu arquivamento na Junta Comercial decorrerem mais de trinta dias, a data do evento de incorporação (ou fusão ou cisão) será a de registro pelo órgão. Assim, se o ato de alteração da sociedade foi arquivado após os trinta dias subsequentes à sua deliberação/assinatura, como ocorreu in casu, não há dúvidas de que a alteração societária somente surtiria efeitos a partir da aprovação pela Junta Comercial de Goiás. Por sua vez, consta nos autos apenas que referida alteração foi levada a protocolo na JUCEG em 28/12/2005, não havendo demonstrativo de sua aprovação por aquela junta comercial. Assim, não deve ser admitido qualquer efeito daquela alteração contratual enquanto pendente sua aprovação pela JUCEG. Ainda, cabe verificar o item 14, “b”, do Relatório Fiscal, no qual informa a autoridade tributária que “A quarta alteração contratual da Galula NÃO foi levada a registro no ofício de imóveis competente (...)”. Em se tratando de bens imóveis, se não ocorreu o registro no ofício competente, não pode se falar que ocorreu a transferência de sua propriedade. Posto isto, a integralização de capital na Galula não produziu qualquer efeito, e realmente não poderia ter ocorrido, já que o bem imóvel nem mesmo chegou a fazer parte do patrimônio da suposta empresa investida porque não verificada a formalidade de transcrição da propriedade do imóvel. Aliás, a ausência do registro no competente ofício de imóveis também explica porque foi a impugnante que compareceu como proprietária do bem na lavratura da escritura pública de compra e venda à SGC, bem como foi quem recebeu os recursos provenientes daquela venda. Sendo assim, na pior das hipóteses, deveria o Auditor Fiscal ter se vinculado ao art. 421, do RIR/99: Art. 421. Nas vendas de bens do ativo permanente para recebimento do preço, no todo ou em parte, após o término do anocalendário seguinte ao da contratação, o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, reconhecer o lucro na proporção da parcela de preço recebida em cada período de apuração. Da Inaplicabilidade do Inciso IV do Art. 439 do RIR/99 ao Caso Concreto. Tomando como base a fundamentação do Auditor Fiscal, teria ocorrido a hipótese do inciso IV do art. 439 do RIR/99. Contudo, a realidade dos fatos narrados não se amolda à hipótese de tal dispositivo. Em momento algum, a empresa Galula (suposta investida) efetivou reserva de reavaliação em patrimônio recebido da impugnante, em aumento de capital social (e isso apenas se tal aumento de capital tivesse efetivamente ocorrido). Nem tampouco a Galula utilizouse dos bens supostamente recebidos para aumentar o capital social em outra pessoa jurídica. E, nessa parte é expresso o dispositivo apontado pela autoridade fiscal, ao dizer que somente ocorrerá realização quando a pessoa jurídica que receber os bens (e a Galula nem mesmo os recebeu, mas aqui se admite essa hipótese para argumentar) com eles integralizar o capital social de outra pessoa jurídica. Assim, tendo em vista que nem mesmo a operação que o Auditor Fiscal diz ter sido praticada se amolda ao dispositivo legal utilizado por ele para constituir o crédito Fl. 763DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 8 7 tributário, não há como manter o lançamento fiscal por vício insanável, cabe o cancelamento do Auto de Infração. Cancelamento da Multa de Ofício. Hipótese de Lavratura de Auto de Infração Para Prevenir Decadência. Não há que se falar em lançamento de qualquer tributo em virtude da exclusão da impugnante do benefício do PROUNI, vez que tal exclusão somente ocorrerá na hipótese de constatada a ocorrência do crime contra a ordem tributária, no PTA nº 10120.004712/201075, que foi devidamente impugnado. Assim, como ainda se encontra pendente de julgamento o processo administrativo em que se apura a prática de crime contra a ordem tributária, o presente lançamento, para a cobrança do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins somente poderia existir para prevenir a decadência. Nesse caso, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, não há que se falar em cobrança de multa de ofício, entendimento também do CARF. Do Pedido. Requer a impugnante que seja julgada procedente a sua defesa, anulandose o referido Auto de Infração. Ad argumentandum, caso, por absurdo, não seja acolhido o pedido anterior, requer a declaração do já exposto efeito suspensivo até o julgamento do Auto de Infração impugnado, apresentado nos autos do PTA nº 10120.004712/201075, o qual espera ser cancelado por este órgão administrativo, bem como a exclusão da multa de ofício uma vez que se trata de hipótese de lavratura de Auto de Infração para prevenir a decadência. A decisão recorrida está assim ementada: ATOS POSTERIORES À ALIENAÇÃO ONEROSA DO BEM IMÓVEL. CONTABILIZAÇÃO DO RESULTADO POSITIVO DA REAVALIAÇÃO DO BEM IMÓVEL EM RESERVA DE REAVALIAÇÃO. SIMULAÇÃO. Uma série de atos coordenados no sentido de permitir a contabilização do resultado positivo da reavaliação do bem imóvel na conta de reserva de reavaliação caracterizam simulação, visando ocultar deliberadamente a vontade real da contribuinte, de se esquivar da tributação do ganho de capital decorrente da alienação onerosa mesmo bem imóvel para outra sociedade empresária. DOLO. FRAUDE FISCAL. CONDUTA TIPIFICADA. CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. O farto encadeamento de fatos, devidamente documentados, demonstram o intuito doloso da contribuinte, ao operacionalizar um conjunto de atos ordenados e conscientes, com o objetivo de não oferecer à tributação o ganho de capital auferido em alienação onerosa de bem imóvel, e caracterizam a fraude fiscal, além de tipificar conduta prevista no art. 1º, inciso II, da Lei nº 8.137, de 1990, que define os crimes contra a ordem tributária SUSPENSÃO DE ISENÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. CONDIÇÕES. PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS. PROUNI. EFEITOS. Caso se verifique que a beneficiária incorreu na prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária, cabe a suspensão da isenção do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins conferida pelo Programa Universidade Para Todos PROUNI, instituído por meio da Medida Provisória nº 213, de 10/09/2004, e convertido na Lei nº 11.096, de 13/01/2005. A suspensão de isenção deve ser efetivada por meio de ato declaratório executivo, cujos efeitos abrangem todo anocalendário no qual a infração foi cometida. IMPUGNAÇÃO. EFEITO NÃO SUSPENSIVO. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Consoante procedimentos a serem aplicados na suspensão da imunidade e da isenção, dispostos no art. 32, da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez efetivada a suspensão de isenção, por meio do ato declaratório executivo, deverá a Fl. 764DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 9 8 autoridade tributária lavrar o auto de infração, se for o caso, sendo que, a impugnação apresentada não terá efeito suspensivo. CSLL.LANÇAMENTO DECORRENTES DO MESMO FATO. O decidido em relação ao IRPJ estendese ao lançamento decorrente de CSLL, vez que formalizado com base nos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento no seguintes termos (verbis): Ante o exposto, requer a Recorrente seja julgado procedente seu recurso, reforamandose o Acórdão recorrido com a consequente anulação Auto de Infração lavrado em desfavor da Recorrente. Ad argumentandum, caso, por absurdo, não seja acolhido o pedido anterior, requer a declaração do já exposto efeito suspensivo até o julgamento do Auto de Infração recorrido, apresentado nos autos do PTA n° 10120.004712/2010 75, o qual espera ser cancelado por este órgão administrativo, bem como a exclusão da multa de ofício uma vez que se trata de hipótese de lavratura de Auto de Infração para prevenir a decadência. É o relatório. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado o litigo está estruturado em dois grupos distintos. No primeiro cumpre analisar a suspensão da isenção do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, em razão de descumprimento de requisitos estabelecidos pelo Programa Universidade para Todos – PROUNI. No segundo, à análise dos Autos de Infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativos ao anocalendário de 2005, período no qual se aplicam os efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/GOI/Seort nº 7, de 29 de julho de 2010. Uma vez que no recurso voluntário a contribuinte repisa as alegações da peça impugnatória, vejamos os fundamentos da decisão recorrida: “(...) IV. Exclusão do PROUNI. Suspensão da Isenção do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. IV.1 – Negócio Jurídico Simulado. Conduta Dolosa. Fraude Fiscal. Crime Contra a Ordem Tributária. Aduz a impugnante que a expedição do Ato Declaratório Executivo DRF/GOI/Seort nº 7, de 29 de julho de 2010 que suspendeu a isenção, bem como a lavratura dos Autos de Infração, deveriam aguardar a decisão da matéria que deu origem à suspensão da isenção, qual seja, a suposta prática de crimes contra a ordem tributária, apurada nos autos do processo administrativo nº 10120.004712/201075. Argumenta a interessada que o simples fato do mérito do ato declaratório que suspendeu a isenção se fundamentar em suposto crime contra a ordem tributária apurado nos autos do citado processo administrativo, que se encontra com a exigibilidade suspensa por força do art. 151, inciso III, do CTN (vez que foi impugnado), já faria com que os efeitos da suspensão da isenção também estejam suspensos. Em seguida, alega a requerente que não teria ocorrido a simulação na operação com a Galula e muito menos crime contra a ordem tributária. Discorre a peça defensiva no sentido de que não teria se efetivado a alteração societária, no qual a impugnante teria sido admitida como nova sócia da Galula, vez que, entre a data de deliberação para a alteração do contrato social da Galula para a admissão do novo sócio, em 21/11/2005, e a data do protocolo na Junta Comercial, 28/12/2005, transcorreramse mais de trinta dias, fazendose necessária a aprovação dos atos pela JUCEG, o que não teria ocorrido. Ainda, a quarta alteração contratual da Galula não teria sido levada a registro no ofício de imóveis competente, ou seja, a integralização de capital na Galula não teria produzido qualquer efeito, tendo em vista que o bem imóvel nem mesmo chegou a fazer parte do patrimônio da suposta empresa investida. Assim, a operação narrada pelo Fisco, que seria a constituição de reserva de reavaliação e integralização de capital na Galula, não teria ocorrido para fins tributários. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 11 10 Também discorre a impugnante que, em nenhum momento a empresa Galula (suposta investida) teria efetivado a reserva de reavaliação em patrimônio recebido da impugnante, em aumento de capital social (e isso apenas se tal aumento de capital tivesse efetivamente ocorrido), e nem tampouco a Galula teria se utilizado dos bens supostamente recebidos para aumentar o capital social em outra pessoa jurídica. Assim, não teria ocorrido nenhuma realização do bem e muito menos integralização de capital em outra pessoa jurídica, o que tornaria inaplicável a previsão do art. 439, inciso IV, do RIR/99. Passemos à apreciação dos argumentos expostos pela defesa. Inicialmente, mostrase pertinente esclarecer as condições no qual se processa a suspensão da isenção do Programa Universidade Para Todos – PROUNI. Instituído por meio da Medida Provisória nº 213, de 10/09/2004, e convertido na Lei nº 11.096, de 13/01/2005, apresenta a seguinte previsão no art. 8º: Art. 8o A instituição que aderir ao Prouni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) I Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas; II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, instituída pela Lei no 7.689, de 15 de dezembro de 1988; III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar no 7, de 7 de setembro de 1970. § 1o A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2o A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. Por sua vez, em obediência ao disposto no § 2º do art. 8º da Medida Provisória nº 213, de 10/09/2004, a Receita Federal disciplinou o assunto, com a edição da IN SRF nº 456, de 5 de outubro de 2004, que no seu artigo 4º dispõe sobre a suspensão do benefício da isenção: Art. 4o A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária, bem assim a falta de emissão de notas fiscais, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, ao benefício da isenção de que trata o art. 1o. Parágrafo único. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativo às contribuições e imposto de que trata o art. 1o, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, da regular quitação dos mesmos. Observese, portanto, que a isenção deve ser suspensa, caso se verifique que a beneficiária incorreu na prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária, bem assim a falta de emissão de notas fiscais. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 12 11 Percebese claramente o suporte fático da norma, que consiste na prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária, bem assim a falta de emissão de notas fiscais, e a consequência jurídica, a aplicação da suspensão do benefício da isenção. Devese verificar, nesse contexto, se os atos da impugnante adequamse ao suporte fático descrito. Em breve digressão histórica, a contribuinte celebrou compromisso de compra e venda de bem imóvel com a Sociedade Goiana de Cultura – SGC, no qual a adquirente pagaria, no total, o valor de R$35.627.509,80, em parcelas a serem adimplidas nos anos de 2005 e 2006. A primeira parcela foi paga nos dias 08 e 09 de novembro de 2005, logo após a celebração do contrato. Verificase, portanto, até o momento, a ocorrência de negócio jurídico, compra e venda de bem imóvel, celebrado entre a impugnante e a SGC. Ocorre que a impugnante, nos termos da Quarta Alteração Contratual da Galula, assinada em 21/11/2005, foi admitida como nova sócia na sociedade empresária limitada denominada GALULA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA – Galula. Na condição de nova sócia, a requerente subscreveu e integralizou o capital de R$34.700.000,00, mediante a transferência do mesmo imóvel que foi alienado para a SGC. Na sequência, a impugnante contabilizou, em 21/11/2005, a transferência do imóvel para a Galula. Por sua vez, a diferença entre o valor da alienação e o valor de custo do imóvel (edificações, terrenos, pertenças e demais bens destinados à sua utilização), cujo resultado positivo foi no montante de R$22.612.439,91, foi escriturado na conta de reserva de reavaliação. Ou seja, a celebração do contrato de compra e venda e a correspondente alienação onerosa do bem imóvel para a SGC, situação no qual se concretiza a hipótese de incidência prevista no art. 418 do RIR/99 (ganho de capital), e que levaria a contribuinte a ser tributado em decorrência do ganho de capital auferido na transação, foi ocultada. Por outro lado, promoveuse a sobreposição de um outro fato, qual seja, a entrada da impugnante como sócia em uma outra sociedade empresária, a Galula, e a consequente utilização do mesmo imóvel para integralizar sua participação no capital social da Galula, sendo que, o resultado positivo apurado decorrente da reavaliação do imóvel foi contabilizado como reserva de reavaliação, conforme autoriza o art. 439 do RIR/99. Com o lançamento em tal reserva, conta do patrimônio líquido, o valor não foi levado a conta de resultado, e por isso não foi tributado. Em seguida, a Galula contabilizou a alienação onerosa mesmo bem imóvel para a SGC, apurando prejuízo na transação. Valeuse a autoridade tributária de provas indiciárias, para constatar que a entrada da impugnante como sócia da Galula não ocorreu de fato, assim como, por consequência, a utilização do bem imóvel para integralizar o capital, e que tal procedimento serviu apenas para acobertar a verdadeira operação, que seria a compra e venda submetida ao ganho de capital. Devese registrar que a presença de um ou outro indício, por si só, não se mostra suficiente para provar a ocorrência de fatos jurídicos que se subsumem às normas tributárias. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 13 12 Ocorre que, no caso concreto, a autoridade tributária deparouse com uma série de eventos, estruturados de forma a montar um encadeamento lógico, no sentido de demonstrar, com clareza, a ocorrência de simulação, visando ocultar deliberadamente a vontade real da contribuinte, qual seja, esquivarse da tributação de ganho de capital decorrente da alienação onerosa do bem imóvel. Os indícios levantados são robustos e contundentes, como se pode constatar: 1) a Quarta Alteração Contratual da Galula não foi levada a registro no ofício de imóveis competente; 2) a data de assinatura da Quarta Alteração Contratual da Galula, em 21/11/2005, e seu protocolo na JUCEG, em 28/12/2005, são posteriores à assinatura do contrato de compromisso de compra e venda entre a impugnante e a SGC, em 03/11/2005; 3) a Quarta Alteração Contratual da Galula, assinada em 21/11/2005, apenas foi levada a arquivamento na Junta Comercial em 28/12/2005, logo, não poderia surtir efeitos retroativos, sendo que, no caso, só poderiam ter eficácia a partir de 28/12/2005, data de protocolo na JUCEG, nos termos do art.36 da Lei nº 8.924, de 1994; 4) os sócios da impugnante e da Galula eram os mesmos à época da assinatura da Quarta Alteração Contratual da Galula; 5) a impugnante é que se apresentou como proprietária do imóvel por ocasião da lavratura da escritura pública de compra e venda e da assinatura do termo de quitação do imóvel, e não a Galula; 6) todos os pagamentos efetuados pela SGC em decorrência da aquisição do bem imóvel foram feitos para a impugnante, e não para a Galula; 7) a Galula contabilizou no livro Diário, em 04/11/2005, ou seja, antes mesmo da assinatura da Quarta Alteração Contratual, a incorporação do bem imóvel ao seu patrimônio e, em seguida, a alienação, com prejuízo na venda, para a SGC; 8) a maior parte dos recebimentos no ano de 2006, em razão da alienação do imóvel, foram contabilizados pela impugnante e pela Galula como empréstimos, efetuados da Galula para a impugnante. O quadro a seguir, tendo em vista os elementos levantados pela Fiscalização, tem como objetivo ordenar os indícios coletados de maneira a demonstrar, numa seqüência lógica e coerente, as operações concebidas pela impugnante visando ocultar a alienação onerosa do imóvel, do qual iria auferir resultado positivo e, por consequência, oferecer o ganho de capital á tributação. Negócio Jurídico Lícito Datas Suporte Fático Consequência Jurídica Fls dos Autos 03/11/2005 Assinatura do Contrato de Compromisso de Compra e Venda do Imóvel X, entre a Cambury (alienante) e a SGC (adquirente). 86/91 08 e 09/11/2005 Pagamento da primeira parcela, no valor de R$3.060.000,00 do valor do imóvel X, pela SGC para a Cambury Ocorrência de ganho de capital, em razão da alienação onerosa do imóvel X. Subsunção ao artigo 418 do RIR/99. 241 Fl. 769DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 14 13 Negócio Jurídico Simulado Datas Suporte Fático Consequências Jurídicas Buscadas pela Impugnante Fls dos Autos 21/11/2005 Assinatura da Quarta Alteração Contratual da Galula, no qual a Cambury entra como sócia da Galula, e utiliza o imóvel X para integralização do capital social. 83/84 04/11/2005 Contabilização, no livro Diário da Galula, da incorporação do bem imóvel X ao patrimônio da empresa, a débito, e subscrição do capital social, a crédito. O resultado positivo da reavaliação do bem imóvel X, foi levado para a conta de reserva de reavaliação da Cambury (art. 439, RIR/99), uma vez que o imóvel foi utilizado na subscrição do capital social da Galula. Dessa maneira, o valor não foi tributado. 177 04/11/2005 Venda do imóvel X, da Galula para a SGC, com prejuízo de R$1.472.490,20. 178 e 255/256 28/12/2005 Arquivamento da Quarta Alteração Contratual da Galula. X 24/08/2006 Lavratura da Escritura Pública de Compra e Venda, no qual consta como vendedora a Cambury e compradora a SGC. 114/115 05/09/2006 Assinatura do Termo de Quitação, entre a Cambury e a SGC. 140/143 16/01/2006, 24/02/2006, 15/03/2006, 12/04/2006, 18/04/1006, 26/05/2006, 09/06/2006, 03/07/2006, 14/07/2006, 03/08/2006 Recebimento das parcelas referentes a venda do imóvel X, operação contabilizada na Cambury como valores recebidos em nome de terceiros e creditada como mútuo Galula. Venda do imóvel X, da Galula para a SGC, com prejuízo, sem ganho de capital, e, portanto, sem tributação prevista no art. 418 do RIR/99 ( * ) à ver quadro anexo 258 Quadro Anexo – (*) Explicação dada pela impugnante às fls. 255/256: Os bens foram registrados, em decorrência à integralização ao capital social da Galula (...) nas contas(...) Terrenos e Edificações, pelos valores de R$5.000.000,00 e R$29.700.000,00, respectivamente, totalizando a integralização do (...) Cambury. Todavia, antes da convalidação da alteração contratual no Cartório de Registro de Imóveis, os bens foram negociados com a (...) SGC, razão pela qual partes dos recursos foram depositados nas contas do (...) Cambury e, imediatamente repassadas ao destinatário legal, Galula(...). Por ocasião da alienação, em 05/11/2005, suscitou os seguintes registros contábeis: D 1.1.02.15.020.0006 Sociedade Goiana de Cultura .......R$30.000.000,00 D 1.2.30.01.010.0005 Centro Tecnológico Cambury ......R$ 3.227.508,80 D 4.2.10.10.010.0001 Prejuízo em Alienação .................R$ 1.472.490,20 C 1.4.20.20.010.0001 Terrenos .......................................R$ 5.000.000,00 C 1.4.20.20.015.0001 Edificações ...................................R$29.700.000,00 Em relação aos aspectos tributários, tendo em vista que o valor do custo/originário e o valor negociado, não houve ganho de capital. Inexistindo, portanto, receita tributável decorrente da alienação. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 15 14 Mostrase evidente que as operações que ocorreram no sentido promover a entrada da impugnante como sócia da Galula, a integralização do capital mediante a utilização do bem imóvel e a contabilização do valor positivo da reavaliação em conta de reserva de reavaliação, permitindo o diferimento da tributação, foram todas simuladas. Resta ainda mais manifesta a ilicitude dos atos quando se verifica uma série de contradições, começando pelo fato de que, não obstante o imóvel ter sido incorporado ao patrimônio da Galula, foi a impugnante que se apresentou, em momento posterior, como proprietária do imóvel para dar sua quitação no cartório de imóveis e que continuou recebendo os pagamentos efetuados pela SGC em razão da alienação onerosa. Dando seqüência às incoerências, a Galula contabilizou a incorporação do imóvel antes mesmo de a Quarta Alteração Contratual ser assinada ou mesmo levada a arquivamento na Junta Comercial. E mais: logo em seguida contabilizou a alienação à SGC, com prejuízo na venda. Curioso constatar que a impugnante, ao discorrer na peça defensiva que não teria se efetivado a Quarta Alteração Contratual, e que por consequência não teria sido admitida como nova sócia da Galula, que “A quarta alteração contratual da Galula NÃO foi levada a registro no ofício de imóveis competente (...)”, que o bem imóvel nem mesmo chegou a fazer parte do patrimônio da suposta empresa investida, vem ratificar o entendimento da Fiscalização, no sentido de que as operações foram simuladas. As contradições da impugnante mostramse ainda mais evidentes, na medida em que afirma, categoricamente, por um lado, na peça de defesa, que a alteração contratual da Galula não foi efetivada, e, por outro, registra nos seus livros contábeis lançamentos de constituição de reserva de reavaliação ocorrida em razão da reavaliação de bem imóvel ocorrida em razão de sua integralização para compor uma nova sociedade empresária. A própria contribuinte na sua impugnação corrobora os indícios levantados pela Fiscalização, no sentido que os atos referentes à alteração societária e a integralização do capital social da Galula foram simulados, visando ocultar o ganho de capital auferido decorrente da alienação onerosa do imóvel para a SGC. Em brilhante voto no processo administrativo nº 11080.008017/200411, o Conselheiro Nelson Mallmann, no Acórdão nº 10421.675, do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao discorrer sobre as diferenças entre evasão fiscal (ilícita) e elisão fiscal (lícita), destaca mais um aspecto relevante, que se amolda perfeitamente ao caso concreto analisado nos presentes autos: (...) há de se considerar uma outra característica diferenciadora entre as condutas: a cronologia do ato. Constatase uma diferença temporal entre a elisão e a evasão. Sendo assim, fazse necessário uma avaliação cronológica do ato ou negócio jurídico; há de se averiguar quando foi praticado no intuito de evitar, reduzir ou retardar o pagamento do imposto, ou seja, deve se verificar se foram realizados antes ou depois da ocorrência do respectivo fato imponível. Se o ato ou negócio jurídico foi praticado antes, podese estar diante de uma elisão fiscal, porém se praticado posteriormente estará constatada uma evasão fiscal. A diferenciação baseada na cronologia busca consagrar a licitude da elisão com base na falta de corporificação do fato gerador da obrigação tributária, já que esta, de acordo com o art. 113, § 1º do Código Tributário Nacional (CTN), surge, somente, com a ocorrência Fl. 771DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 16 15 daquele. Portanto, concluise que a elisão consiste em não entrar na relação fiscal e evasão é da relação sair após já ter estado. O contribuinte, então, para fugir ao alcance da norma e do tributo decorrente, pode escolher entre dois caminhos: ou desviase do campo de tributação, ou, já sujeito a sua incidência, utilizase de meios ilícitos para impedir, reduzir ou retardar o recolhimento do imposto devido, pela descaracterização do fato gerador ou pela redução da base de cálculo. (grifei) Conforme já exaustivamente demonstrado, uma vez celebrada a alienação onerosa do bem imóvel, restou concretizada a hipótese de incidência prevista na norma tributária. Posteriormente, arquitetou a contribuinte uma série de atos visando encobrir tal transação, que, contudo, foram descobertos pela autoridade tributária, resultado de um trabalho minucioso e detalhado que demonstrou com contundência a ilicitude da atitude da requerente. Portanto, resta caracterizada a conduta dolosa da contribuinte, em operacionalizar uma série de atos deliberados, conscientes, com a intenção de se esquivar da tributação do IRPJ e da CSLL. Nesse contexto, configurase a fraude fiscal, nos termos do artigo 72 da Lei nº 4.502, de 1964: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Observese que tais condutas também se encontram tipificadas no art. 1º, inciso II, da Lei nº 8.137, de 1990, que define os crimes contra a ordem tributária: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) (...) II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Percebese, portanto, a ocorrência do suporte fático previsto no art. 4º da IN SRF nº 456, de 5 de outubro de 2004, uma vez que a que a beneficiária incorreu na prática de atos que configuram crimes contra a ordem tributária, tendo, como consequência jurídica, a suspensão da isenção do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins referentes ao ano calendário de 2005. Nesse momento, tornase pertinente relembrar que os atos simulados pela contribuinte tiveram como objetivo ocultar a ocorrência da alienação onerosa do bem imóvel para a SGC. Ocorre que, com a venda do imóvel, a contribuinte apurou ganho de capital, ou seja, operouse a subsunção do disposto no art. 418 do RIR/99. Nesse contexto, a autoridade tributária, cuja atuação encontrase vinculada ao disposto no art. 142 do CTN, efetuou o lançamento de ofício, para constituir o crédito tributário do IRPJ e da CSLL decorrente do ganho de capital auferido. Contudo, tal procedimento foi formalizado em outro processo administrativo, nº 10120.004712/201075, no qual, Fl. 772DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 17 16 em razão da conduta dolosa e tipificada como crime contra a ordem tributária, a multa de ofício foi qualificada e os sóciosadministradores foram responsabilizados solidariamente. Observase, portanto, que os atos simulados com intuito doloso caracterizando fraude fiscal, que serviram para ocultar a vontade real da contribuinte, qual seja, esquivarse do fato gerador do ganho de capital decorrente da alienação onerosa do imóvel, amoldaramse ao suporte fático de mais de uma norma tributária, cada qual com sua consequência jurídica, a saber, a suspensão da isenção dos tributos federais e os lançamentos de ofício do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins do anocalendário de 2005, tratados no presente processo administrativo; e o lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL decorrentes do ganho de capital, com a qualificação de multa e responsabilização solidária dos sóciosadministradores, matérias discutidas no processo administrativo nº 10120.004712/201075. De qualquer forma, registrese que o presente processo e o processo administrativo nº 10120.004712/201075 estão sendo apreciados na mesma sessão de julgamento, qual seja, a 400ª Sessão de Julgamento da Segunda Turma da DRJ em BrasíliaDF, realizada no dia 20 de dezembro de 2010. IV.2 – Suspensão da Isenção. Conclusão. Considerando todo o exposto, entendo que cabe ser mantida a suspensão do benefício da isenção do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins referentes ao anocalendário de 2005, conferida pelo Programa Universidade para Todos – PROUNI, nos termos do o Ato Declaratório Executivo DRF/GOI/Seort nº 7, de 29 de julho de 2010, Assim, devem ser apreciadas as matérias atinentes aos lançamentos de ofício do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. V. Lançamentos de Ofício. Autos de Infração. IRPJ, PIS, Cofins e CSLL. V.1 – Multa de Ofício. Aduz a impugnante que, como foi apresentada impugnação referente ao processo administrativo nº 10120.004712/201075, que trata da prática de crime contra a ordem tributária discutido nos presentes autos, e o correspondente julgamento ainda se encontra pendente, o presente lançamento de ofício, no qual foram cobrados o IRPJ, CSLL, PIS e Cofins somente poderia existir para prevenir a decadência. Assim, consoante o art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, não haveria que se falar em cobrança de multa de ofício. Para analisar a questão, convém verificar o que dispõe o art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, que trata dos procedimentos a serem aplicados na suspensão da imunidade e da isenção: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 18 17 § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. § 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da parte interessada. § 5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. § 6º Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. (grifei) No que concerne ao procedimento para suspensão da isenção, constatase que a contribuinte, apesar de ser sido intimada a se manifestar nos termos do § 2º transcrito, permaneceu silente. Nesse contexto, consoante determina o § 4º do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, foi expedido o ato suspensivo da isenção. Assim, uma vez efetivada a suspensão da isenção, por meio do ato declaratório executivo, a fiscalização lavrará auto de infração, se for o caso. Por sua vez, a impugnação não terá efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. Observese que o fato de a motivação da suspensão da isenção ter ensejado a lavratura de um outro auto de infração, relativo ao ganho de capital, não guarda nenhuma relação com o procedimento disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, devem os correspondentes lançamentos de ofício, referentes à suspensão da isenção dos tributos federais no anocalendário de 2005, serem efetuados nos termos do art. 142 do CTN, com aplicação da multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Registrese que se estende aos lançamentos da CSLL, do PIS e da Cofins o decidido em relação ao IRPJ, vez que os lançamentos foram formalizados com base nos mesmos elementos de prova e se referem à mesma matéria tributável. (...) Aos fundamentos acima transcritos nada merece ser acrescentado, posto que esgotam as questões em litigio, deixando patente a correta tributação do ganho de capital Fl. 774DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 19 18 auferido pela autuada, bem como o intuito de fraude arquitetado pelos administradores da empresa. Frisese que tais fundamentos não foram contraditados na peça recursal, pelo que as razões de decidir da decisão recorrida podem ser perfeitamente adotados neste voto, conforme disposto no art. 50 Lei 9.784 de 1999, que se aplica subsidiariamente ao PAF(verbis): Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. (Grifei) Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 775DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 13739.001654/2007-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
ALEGAÇÃO DE DESCONHECIMENTO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
O desconhecimento da legislação tributária não exime o particular de cumpri-la.
MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTENÇÃO DE COMETER INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
No lançamento de ofício, não havendo dolo ou fraude, aplica-se
multa de 75% sobre o valor do tributo omitido.
O percentual da multa aplicada, no caso, está de acordo com a legislação de regência.
Numero da decisão: 2101-001.777
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: ALEGAÇÃO DE DESCONHECIMENTO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. O desconhecimento da legislação tributária não exime o particular de cumpri-la. MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTENÇÃO DE COMETER INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. No lançamento de ofício, não havendo dolo ou fraude, aplica-se multa de 75% sobre o valor do tributo omitido. O percentual da multa aplicada, no caso, está de acordo com a legislação de regência.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1631; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 1 1 0 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13739.001654/200752 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.777 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de julho de 2012 Matéria IRPF Imposto sobre a Renda de Pessoa Física Recorrente Roberval Homem Costa Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: ALEGAÇÃO DE DESCONHECIMENTO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. O desconhecimento da legislação tributária não exime o particular de cumpri la. MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTENÇÃO DE COMETER INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. No lançamento de ofício, não havendo dolo ou fraude, aplicase multa de 75% sobre o valor do tributo omitido. O percentual da multa aplicada, no caso, está de acordo com a legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente, justificadamente, o conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, na qual foi apurado Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, correspondente ao anocalendário de 2004, no valor total de R$ 4.764,76, sujeito a multa de ofício de 75%. Segundo relato da Fiscalização (fls. 8), o contribuinte omitiu rendimentos recebidos de pessoa jurídica, sujeitos à Tabela Progressiva, no valor de R$ 25.088,42. Em 30.10.2007, o contribuinte impugnou o lançamento (fls. 1 e 2), argumentando, em síntese, que é professor e, em 2004, estava aposentado em uma de suas duas matrículas, tendo auferido rendimento de R$ 17. 814,36 na matrícula em atividade e R$ 12.778,42 na matrícula de inativo. Acreditava que não havia necessidade de declarar o rendimento de aposentado e incluiu sua esposa, indevidamente, como sua dependente, mas não sabia que ao proceder assim deveria declarar também os rendimentos da esposa. Pede o cancelamento da multa e das “correções monetárias”, além do valor do imposto devido, porque não agiu de má fé. Sustenta que o erro poderia ter corrigido há mais tempo, bastando que lhe tivesse sido comunicado antes do lançamento. A 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 1323.460, de 13 de fevereiro de 2009, mediante a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 REMUNERAÇÃO DE DEPENDENTES. Os rendimentos recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos recebidos pelo titular para efeito de tributação na Declaração de Ajuste Anual. MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de oficio aplicase a multa de 75% sobre o imposto nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e nos de declaração inexata. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Lançamento Procedente Fl. 40DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13739.001654/200752 Acórdão n.º 2101001.777 S2C1T1 Fl. 2 3 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 32 e 33, no qual reitera as razões de impugnação. Pede sejam cancelados a multa, a “correção monetária” e o imposto devido, porque não agiu de ma fé. Repisa que o erro poderia ter corrigido há mais tempo, bastando que lhe tivesse sido comunicado antes do lançamento. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O presente processo originouse de revisão da declaração anual de ajuste de imposto sobre a renda de pessoa física. Confrontando a declaração de ajuste do contribuinte com as Declarações de Imposto de Renda na Fonte DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, a Fiscalização apurou ter havido, por parte da pessoa física, omissão de rendimentos tributáveis no valor de R$ 25.088,42. O contribuinte impugnou o lançamento e, em sua peça de defesa, não questionou a existência dos rendimentos apurados pela Fiscalização. Diante desse fato, a DRJ, em sua decisão, considerou que essa matéria não foi impugnada. Também em sede de recurso voluntário, o contribuinte não se insurgiu contra esse aspecto do lançamento. Tratase, portanto, de matéria incontroversa. A defesa do recorrente fixase nos seguintes pontos: a) não sabia que a legislação do imposto sobre a renda obrigavao a declarar os rendimentos dos dependentes em sua declaração de ajuste; b) por não ter agido de máfé, devem ser cancelados os valores de imposto, “correção monetária” e multa; c) poderia ter corrigido o erro antes do lançamento, caso tivesse sido comunicado. Sobre a primeira alegação, impende salientar que o fato de não ter conhecimento da legislação tributária não exime o contribuinte de cumprila. Mesmo considerando que a legislação tributária é complexa e modificada com frequência, a dificuldade de compreendêla aplicase a todas as pessoas que vivem em nossa sociedade, e não apenas ao recorrente. Sendo assim, por mais que se tome por verdadeira sua alegação acerca do desconhecimento da obrigatoriedade de declarar os rendimentos da dependente em sua declaração de ajuste anual, forçoso reconhecer que este não é motivo suficiente para afastar a incidência do imposto sobre a renda. A conclusão não poderia ser outra, diante da regra inserida no artigo 3° da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (anteriormente denominada Lei de Fl. 41DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Introdução ao Código Civil), DecretoLei n.° 4.657, de 1942, o qual prescreve, em seu artigo 3.º, que não se pode deixar de cumprir a lei por não a conhecer. Vejamos: Art.3o Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. Sendo assim, esse argumento não socorre o recorrente. No tocante à letra (b), devese considerar que o fato de não agir de máfé não justifica o cancelamento dos valores cobrados a título de imposto e multa (não há imposição de “correção monetária”). Primeiramente, quanto ao imposto lançado, relembrese que, a teor no artigo 3.º do Código Tributário Nacional (Lei n.º 5.172, de 1966), tributo é prestação pecuniária compulsória que não constitui sanção de ato ilícito. A incidência do tributo decorre da existência do fato jurídico tributário, apurado mediante procedimento específico. Nessas circunstâncias, uma vez praticado o fato tributário, pelo sujeito passivo, o tributo incide, independentemente de qualquer intenção. No que diz respeito à multa de lançamento de ofício, o Código Tributário Nacional estipula que, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade pelo cometimento de infrações da legislação tributária independe da intenção do agente, nos seguintes termos: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Uma vez constatada infração à legislação tributária em procedimento fiscal, o crédito tributário deve ser acompanhado da multa de lançamento de oficio, nos termos do artigo 44 da Lei n.° 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1.° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 2.° Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1° deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 42DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13739.001654/200752 Acórdão n.º 2101001.777 S2C1T1 Fl. 3 5 [...]. Conforme se depreende da leitura do texto legal acima transcrito, a existência de intenção ou dolo só é relevante quando se trata dos casos previstos nos parágrafos 1.° e 2.°, nos quais cabe multa com percentual mais gravoso que o previsto no inciso I. Na presente hipótese, a multa de oficio aplicada foi a prevista no inciso I do artigo 44, de 75%. Diante dessas colocações, correta a aplicação da multa de lançamento de ofício de 75%, pois não ficou evidenciada qualquer intenção do contribuinte de cometer a infração. Pelos motivos acima explicitados, não havendo disposição legal que fundamente o pedido do recorrente, não é possível eximilo da multa de lançamento de ofício, tendo em vista que, mesmo que não tenha sido sua intenção infringir legislação tributária, é cabível a multa de 75%. O recorrente sustenta, na letra (c), que poderia ter corrigido o erro antes do lançamento, caso tivesse sido comunicado. Sobre o alegado, importante ressaltar que é dever do contribuinte preencher sua declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda sempre que enquadrado nos requisitos legais, sendo de sua responsabilidade a veracidade e a acuidade das informações prestadas. Se, após a entrega, verificar qualquer erro nas informações contidas em sua declaração, o contribuinte pode retificála. Todavia, iniciado o procedimento de fiscalização, se houver apuração de qualquer impropriedade, o contribuinte sujeitase ao lançamento de ofício, tal como ocorreu no caso em análise. Salientase, por fim, que a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, não podendo o agente da fiscalização proceder de forma diferente daquela prevista em lei. É o que determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não há, portanto, qualquer reparo a ser feito na decisão a quo. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 43DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10882.002096/2004-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano calendário:2001
Ementa: PERC – SÚMULA Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37).
INCENTIVO FISCAL. SUDENE. REQUISITOS PARA OPÇÃO. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Para fazer jus ao incentivo fiscal na área da "SUDENE", é indispensável que a pessoa jurídica ou grupo de empresas coligadas isolada ou conjuntamente, detenham, pelo menos cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de projetos prioritários nas áreas de atuação da SUDENE,
SUDAM e GERES, aprovados até 02.05.2001, sendo que tal matéria não foi impugnada.
Numero da decisão: 1401-000.678
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 Ementa: PERC – SÚMULA Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37). INCENTIVO FISCAL. SUDENE. REQUISITOS PARA OPÇÃO. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Para fazer jus ao incentivo fiscal na área da "SUDENE", é indispensável que a pessoa jurídica ou grupo de empresas coligadas isolada ou conjuntamente, detenham, pelo menos cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de projetos prioritários nas áreas de atuação da SUDENE, SUDAM e GERES, aprovados até 02.05.2001, sendo que tal matéria não foi impugnada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Fl. 361DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10882.002096/200458 Acórdão n.º 1401000.678 S1C4T1 Fl. 362 2 Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Maurício Pereira Faro, Meigan Sack Rodrigues e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10882.002096/200458 Acórdão n.º 1401000.678 S1C4T1 Fl. 363 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1521.564, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de SalvadorBA. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratase de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, referente ao exercício de 2002, anocalendário de 2001 onde está arrolado como óbice a emissão de certificado do benefício fiscal o fato do contribuinte: i) estar em débito com tributos e contribuições federais e/ou irregularidade cadastral bem como ü) não surtir efeito a opção em DIPJ entregue após 02/05/2001, para fundo dif. De art. 9° da Lei 8.167/91. Após intimar o Banco Alvorada para que, na qualidade de sucessor do Requerente, apresentasse certidões de regularização nos Órgãos Federais, bem como comprovante de opção pelo fundo feita até 02/05/2001, fls. 162, a autoridade administrativa concluiu que, pela documentação acostada aos autos, não estavam satisfeitas as exigências feitas na intimação de folha 162, com o gravame de apresentação de certidões com prazos vencidos. Ciente da decisão em 29 de junho de 2007 o contribuinte apresenta em 2J de julho de 2007 Manifestação de Inconformidade, fls. 192, onde destaca que os documentos juntados ao presente processo dizem respeito à regularidade fiscal do contribuinte à época do processamento de sua declaração de rendimentos, momento em que formalizou, efetivamente, a sua opção por incentivos fiscais, na forma do artigo 60 da Lei 9065/95 e que, portanto, não poderia serlhe negado o beneficio fiscal pleiteado. Em 28 de novembro de 2008 o processo retornou a repartição de origem para que fosse informado se na data da entrega da declaração em que fez a opção pelo incentivo fiscal em comento, estava o contribuinte regular com o recolhimento de tributos e contribuições federais. Em atenção ao pedido de diligência fiscal o SEORT/DRF/SDR informa que a declaração foi recepcionada em 27/06/2002 e que constatouse que foi emitida eletronicamente, em 20/12/2001, a certidão n° £5125403, do tipo Positiva com efeito de Negativa, em favor do contribuinte, com validade até 20/06/2002. A DRJ, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 DESPACHO DECISÓRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A falta de questionamento, na manifestação de inconformidade, quanto ao óbice apontado no despacho decisório como impeditivo do gozo de incentivo Fl. 363DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10882.002096/200458 Acórdão n.º 1401000.678 S1C4T1 Fl. 364 4 fiscal pleiteado pelo contribuinte em sua DIPJ, caracterizase como matéria não impugnada o que impede sua apreciação por esta Turma de Julgamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 INCENTIVO FISCAL. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. A comprovação da regularidade fiscal para fins de gozo do incentivo fiscal pleiteado na DIPJ, deve se reportar à data de sua entrega, uma vez que este é o momento em que o contribuinte formaliza sua opção. INCENTIVO FISCAL. SUDENE. REQUISITOS PARA OPÇÃO. Para fazer jus ao incentivo fiscal na área da "SUDENE", é indispensável que a pessoa jurídica ou grupo de empresas coligadas isolada ou conjuntamente, detenham, pelo menos cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de projetos prioritários nas áreas de atuação da SUDENE, SUDAM e GERES, aprovados até 02.05.2001, nos termos do art. 9o da Lei n° 8.167, de 1991, alterado pela MP 2.19914 de 24/08/2001. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente. É o relatório. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10882.002096/200458 Acórdão n.º 1401000.678 S1C4T1 Fl. 365 5 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a presente lide decorre da não emissão de ofício do incentivo fiscal, relativo ao exercício de 2002, em razão da existência de débitos de tributos e contribuições federais, bem como, pelo fato de não haver aceito como meio hábil a comprovação da exigência do quanto exigido pelo artigo 9o da Lei 8.167/91 a Declaração de Enquadramento apresentada pelo Impugnante. A DRJ, porém, não amparou na íntegra o entendimento da DRF, uma vez que reconheceu que o momento para a aferição da regularidade fiscal deverseia apurar mesmo por ocasião do momento da opção feito na entrega da declaração: Tenho para mim que o momento adequado para se verificar a regularidade da situação fiscal é aquele da entrega da declaração, momento este em que, em geral, é feita a opção pelo incentivo fiscal e que é também o momento que, não só permite tratar os contribuintes de forma isonômica, como também não cerceia o direito de defesa da requerente. Assim, deve ser entendido que o reconhecimento de qualquer benefício fiscal está subordinado à comprovação da regularidade fiscal até a data da formulação do pedido e é sob este enfoque que deve ser analisado o PERC interposto pela contribuinte. Nesta direção também convergem os julgados de outras DRJ, a exemplo da DRJ Campinas e do Primeiro Conselho de Contribuintes conforme ementas seguintes: (...) Desta forma, haveremos de analisar tal matéria verificando se na data da entrega da DIPJ estava ou não o contribuinte regular para com seus débitos fiscais. Tal resposta nos é dada pelo relatório de diligência de £1. 195 o qual informa que a data de recepção da DIPJ é 28/06/2002 e que nesta data, o contribuinte ostentava a situação de "ATIVA NÃO REGULAR", tendo, contudo, uma Certidão Positiva com efeito Negativa, emitida em 15/01/2002, com validade até 15.07.2002, conforme documentos de fls. 192/193. (destaquei) A esse respeito me alinho inteiramente com a DRJ, uma vez que tal matéria já foi inclusive sumulado pelo CARF em sentido contrário ao entendimento adotado pela DRF e favorável ao entendimento ora adotado pela DRJ: Fl. 365DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10882.002096/200458 Acórdão n.º 1401000.678 S1C4T1 Fl. 366 6 Súmula CARF Nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. (grifei) Porém, ter ultrapassado o óbice relacionado à irregularidade fiscal não será suficiente para a Recorrente lograr êxito neste processo, pois como já se viu, existe um outro óbice cumulativo àquele, qual seja, a falta de comprovação da titularidade ou da participação de grupos de empresas que detinham a titularidade de empreendimento de setor da economia considerado, em ato do Poder Executivo, prioritário para o desenvolvimento regional, aprovado ou protocolizado até 02/05/2001 na área da antiga SUDENE, atual ADENE, na forma prevista no artigo 9o, da Lei 8.167, de 1991, alterado pela MP n° 2.19914/2001. Eis os termos do despacho decisório da DRF: Ocorrências emitidas segundo o Extrato das Aplicações, enviado pela SRF: OCORRÊNCIA 11CONTRIBUINTE COM DEBITO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS E/OU IRREGULARIDADES CADASTRAIS (LEI 9069/95, ART. 60); OCORRÊNCIA 16 SEM EFEITO A OPÇÃO EM DIPJ ENTREGUE APÓS 02/05/2001 PARA FUNDO DIF. DE ART.9 DA LEI 8.167/91. (...) Observando a legislação pertinente A concessão de Certificados de Incentivos Fiscais para o exercício em apreço, Lei 9069/95 e NE/SRF/CORAT/COSIT/N° 002, de 14.05.2004, verificamos a impossibilidade de emissão de Certificados As pessoas jurídicas que não obedeçam As Obrigações Acessórias e/ou Principais para a sua concessão. E o caso da empresa ora analisada. (Destacamos) Por oportuno, cabe observar que o direito pátrio adotou o princípio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do transcrito do artigo 16, III, do Decreto n° 70.235, de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Por óbvio, quanto a esse segundo aspecto que o ônus da prova era da Recorrente e isso foi inclusive alertado pela DRJ. Porém, a interessada desde a manifestação de inconformidade e, inclusive passando pela fase recursal, não faz qualquer referência a este tema, silenciase completamente Fl. 366DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10882.002096/200458 Acórdão n.º 1401000.678 S1C4T1 Fl. 367 7 a esse respeito, o que, fez inclusive que nos termos do artigo 17, do Decreto n° 70.235, de 1972, a DRJ caracterizasse como matéria não impugnada, o que impede esta Turma de também apreciar a matéria, pois não faz parte da lide desde a fase impugnatória. Portanto, como não houve o cumprimento dessa última condição no que diz respeito a referida titularidade de empreendimento considerado prioritário, ou a participação em grupos de empresas titular, também, de empreendimento considerado prioritário na área da SUDENE/ADENE, é axiomático que a Recorrente não pode usufruir do referido benefício fiscal ora aqui discutido e pleiteado em sua DIPJ. Por todo o exposto, NEGO provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 367DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 13603.002461/2002-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 18/02/1993 CORREÇÃO MONETÁRIA. DIFERENÇA IPC/BTNF. REVOGAÇÃO DA LEI Nº 8.200/1991. Na vigência da Medida Provisória nº 312/1993 e suas reedições até a de nº 325/1993, que revogaram a Lei nº 8.200/1991, não era devido o pagamento do imposto correspondente à correção monetária complementar da diferença IPC/BTNF, realizada em 1990. A edição da Lei nº 8.682/1993, que revigorou a Lei nº 8.200/1991 e restabeleceu a correção monetária com base no IPC/BTNF, não torna devido o valor do tributo correlacionado a esse complemento pago em quota única no período de vigência das citadas medidas provisórias e não afasta o direito da contribuinte à compensação/restituição de valor pago indevidamente ou a maior.
Numero da decisão: 1102-000.791
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa, e no mérito, observada a condição resolutiva decorrente da ação mandamental nº 2003.38.00.0631935, processada na Quinta Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, dar provimento parcial ao recurso
voluntário para reconhecer o direito creditório de IRPJ afeto a lucro inflacionário da diferença IPC/BTNF, na quantia de Cr$ 8.350.253.744,71, e homologar as compensações declaradas, no
limite do crédito reconhecido.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
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DIFERENÇA IPC/BTNF. REVOGAÇÃO DA LEI Nº 8.200/1991. Na vigência da Medida Provisória nº 312/1993 e suas reedições até a de nº 325/1993, que revogaram a Lei nº 8.200/1991, não era devido o pagamento do imposto correspondente à correção monetária complementar da diferença IPC/BTNF, realizada em 1990. A edição da Lei nº 8.682/1993, que revigorou a Lei nº 8.200/1991 e restabeleceu a correção monetária com base no IPC/BTNF, não torna devido o valor do tributo correlacionado a esse complemento pago em quota única no período de vigência das citadas medidas provisórias e não afasta o direito da contribuinte à compensação/restituição de valor pago indevidamente ou a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa, e no mérito, observada a condição resolutiva decorrente da ação mandamental nº 2003.38.00.0631935, processada na Quinta Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de IRPJ afeto a lucro inflacionário da diferença IPC/BTNF, na quantia de Cr$ 8.350.253.744,71, e homologar as compensações declaradas, no limite do crédito reconhecido. ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 470 2 JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Em foco recurso voluntário contra decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG que não acolheu a solicitação de reforma do despacho decisório do Delegado da Receita Federal em ContagemMG que, por sua vez, não reconheceu o direito creditório contra a Fazenda Nacional por conta de pagamento a maior ou indevido de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e, consequentemente, deixou de homologar compensações com débitos de antecipações (estimativas) mensais do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) apuradas em outubro e novembro de 2002 e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do mês de outubro de 2002. A declaração de compensação originária se deu em meio físico (papel) e foi protocolada em 29/11/2002 indicando a repetição do pagamento havido em 18/02/1993, cujo DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) enuncia o valor de Cr$ 22.287.627.418,00. Em 26/12/2002 uma segunda declaração de compensação foi apresentada trazendo cópia do mesmo pagamento, a qual gerou a autuação do apensado processo administrativo nº 13603.002667/200270. A Delegacia da Receita Federal em ContagemMG houve por intimar a Requerente para prestação de esclarecimentos, fl. 22, vindo aos autos a resposta de fl. 25 segundo a qual os motivos da pretensão de repetir o pagamento do IRPJ efetuado em 18/02/1993 dáse em razão de que todo o saldo de lucro inflacionário existente no ano calendário de 1992 foi efetivamente realizado no mesmo período, na forma do artigo 31 da Lei nº 8.541/92 e conforme declaração do exercício de 1993, bem assim, que o pagamento é considerado indevido porque diz respeito ao lucro inflacionário afeto à diferença de correção monetária entre o IPC e o BTNF ocorrida em 1990 o que, segundo resposta dada pela Receita Federal a sua consulta, não deveria ser recolhido. Em decisório para ambos os processos, prolatado em 21/06/2004, o Delegado da Receita Federal em ContagemMG não homologou as compensações ao fundamento de ocorrência da extinção do direito de pleitear a restituição prevista no artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), em face do transcurso do prazo qüinqüenal para tanto. Inconformada, a contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade argüindo, em síntese, que o prazo prescricional para repetir tributos sujeitos ao lançamento por Fl. 502DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 471 3 homologação é de 10 (dez) anos, segundo entendimento pacificado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), não restando razão para o não reconhecimento do direito às compensações realizadas. Aquela 4ª Turma de Julgamento admitiu o inconformismo e concluiu pelo acerto da decisão do Delegado da Receita Federal em ContagemMG, isto é, ratificou o entendimento de que o prazo para o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Ciente do decisório em 28 de novembro de 2005, fl. 115, a contribuinte apresentou em 02 de janeiro de 2006 o recurso e documentos de fls. 116/180 colacionando extensa doutrina do STJ no sentido de ser decenal o prazo para repetição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, incluindo julgados no sentido da inaplicabilidade das disposições da Lei Complementar nº 118, de 02 de fevereiro de 2005, que fixou o marco inicial de contagem do prazo qüinqüenal a partir do pagamento. Ao final, requereu a legalidade das compensações. Consta às fls. 181/182 ofício da autoridade preparadora endereçado à contribuinte cientificandoa que seu recurso fora apresentado intempestivamente (após 30 dias da data da ciência do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento), motivo pelo qual se mantinham os termos e prazos das cartas de cobranças. Nesse momento processual foram encartados os expedientes de fls. 183/195, da Quinta Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, que exteriorizam a ordem judicial prolatada na ação mandamental nº 2003.38.00.0631935 no sentido de que a autoridade coatora (Delegado da Receita Federal em Contagem/MG) aprecie os pedidos de compensação tendo como base o prazo decadencial de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador, esclarecendo que a prescrição deve ser contada pelo prazo de cinco anos, com início a partir da homologação tácita (cinco anos depois do fato gerador) ou expressa. O Delegado da Receita Federal em ContagemMG, então, exarou novo despacho abstraindose da questão decadencial/prescricional e concluiu que o pagamento efetuado em 18/02/1993 seria de todo devido. Consignou que a consulta formulada pela interessada à Receita Federal, cuja resposta foi efetivada nos termos da Decisão Disit nº 10604.292/95 (fls. 36/39), teria aplicação à situação da empresa se o saldo do lucro inflacionário existente em 31/12/1992 tivesse sido integralmente realizado, o que não ocorreu. Pontuou que o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) nº 01 registra, à página 36, a realização do lucro inflacionário “normal” em 31/12/1992 sem a adição da diferença IPC/BTNF, indiciando, então, que o pagamento efetuado em 18/02/1993 estaria tratando desta diferença e como tal indevido em razão da Lei nº 8.200/91, que a instituiu, ter desaparecido do mundo jurídico. Contudo, é fato que adveio a Lei nº 8.682/93 revigorando aquela norma e dita diferença voltou a constituir adição obrigatória ao lucro real. Assim, para se saber se haveria algum valor a ser restituído a contribuinte haveria de ter apresentado declarações retificadoras e recomposto os ajustes ao lucro real dos períodosbase após a novel norma legal. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 472 4 Registrou, também, que consultou os registros da Receita Federal (SAPLI) e verificou que o saldo do lucro inflacionário em 31/12/1992, na ordem de Cr$ 94.911.580.080,00, difere daquele registrado pela interessada na página 36 do livro LALUR nº 01, uma vez que o mesmo foi alterado para Cr$ 125.291.145.190,00 por força de auto de infração e decisão de primeira instância abrigados no processo administrativo fiscal nº 13603.001049/200121 (derivado do processo nº 13603.000272/9811), pendente de julgamento no Conselho de Contribuintes. Em conseqüência, não homologou as compensações. Regularmente notificada a contribuinte ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 325/337 argumentando que decidiu realizar todo o saldo do lucro inflacionário com o benefício concedido pelo artigo 31 da Lei nº 8.541/92 e assim efetuou o pagamento do IRPJ em 18/03/1993, contudo, por equívoco, incluiu na base de cálculo do lucro inflacionário não somente a correção monetária pelo BTNF, mas também a diferença entre o IPC/BTNF do ano de 1990, a qual não constituía adição obrigatória porque a Lei nº 8.200/91 já não mais existia por força da Medida Provisória (MP) nº 312 e esta, sucessivamente reeditada, acabou por ser convertida na Lei nº 8.682/93, cujo artigo 10 convalida todos os atos até então praticados. Assim, convalidado o pagamento, não há falar no revigoramento da Lei nº 8.200/91 trazido pelo artigo 11 dessa mesma norma. Colacionou jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes dando pelo incabimento de exigência tributária para quem realizou todo o lucro inflacionário no período em que vigeu a extinção da obrigatoriedade de adição da diferença do IPC/BTNF e daí arremata: “se o tributo foi pago, sob a vigência da MP 312, com a inclusão na base de cálculo da diferença IPC/BTNF, diferença esta não exigível, parte deste tributo foi pago INDEVIDAMENTE. É a aplicação do brocardo jurídico ubi eadem ratio, ibi eadem legis dispositio (onde houver a mesma razão, aplicase o mesmo direito). SE PARA O CASO DE TER SIDO PAGO SOMENTE O BTNF NÃO HÁ QUE SE FALAR EM COMPLEMENTAÇÃO, PARA O CASO EM QUE HOUVE PAGAMENTO DA DIFERENÇA, IMPRESCINDÍVEL SE RECONHECER QUE HÁ O DIREITO À COMPENSAÇÃO” Ainda, fustigou o fundamento da decisão administrativa que se socorreu da alteração do lucro inflacionário imposta por auto de infração, pois, se a decisão reconhece que não era devido o pagamento do imposto sobre a diferença de BTNF/IPC pouco importa que esta diferença tenha sido eventualmente subavaliada à época do pagamento, já que qualquer pagamento que levasse em conta aquela diferença seria indevido. Distribuída a manifestação de inconformidade para a mesma 4ª Turma de Julgamento esta a admitiu, julgandoa improcedente. Dela, extraio os seguintes excertos: “A análise do relatório Sapli, sistema da Secretaria da Receita Federal que acompanha e controla o lucro inflacionário (fls. 239 e seguintes), a partir de informações declaradas pelo contribuinte, constante de suas DIRPJ (e Lalur) e dos Fl. 504DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 473 5 “ajustes” realizados pela SRF com base em decisões administrativas, esclarece a questão. Com a edição da Lei nº 8.200, de 1991, o Sapli passa a controlar o lucro inflacionário em parcelas distintas. A primeira, referente ao lucro inflacionário corrigido pela BTNF (já sujeita à tributação) e a segunda, do lucro inflacionário corrigido pela diferença IPC/BTNF, que só sofreria tributação a partir de 1993. A impugnante, em 14/06/2004, em resposta à intimação, fl. 25, informa que todo o saldo do lucro inflacionário existente no anocalendário de 1992 Cr$ 94.911.540.080,00 foi efetivamente realizado no mesmo período, conforme cópia da DIRPJ. Não é o que se constata no Sapli (fl. 240). Com fundamento em decisões administrativas, os valores informados pelo contribuinte (DIRPJs) sofreram alterações que foram ali registradas. Assim, verificase que no 2o semestre de 1992, o valor do lucro inflacionário acumulado a realizar (corrigido somente pela BTNF) era de Cr$ 125.291.145.190. Da DIRPJ/93, fl. 29v – Demonstração do lucro real, 2o semestre de 1992, verificase que a impugnante realizou o valor de Cr$94.911.540.080,00 a título de lucro inflacionário, porém não pagou tributo devido à apuração de prejuízo fiscal. Concluise que: a) a impugnante não realizou todo o lucro inflacionário acumulado (corrigido somente pelo BTNF), no anocalendário de 1992; restando saldo a realizar no valor de Cr$ 30.379.605.110 e b) no valor indicado Cr$ 125.291.145.190, lucro inflacionário acumulado não está incluído qualquer correção referente à diferença IPC/BTNF. ............................................................................................................... A impugnante argumenta que em fevereiro de 1993, aproveitou a alíquota incentivada e quitou o lucro acumulado corrigido pelo BTNF e também o referente à correção pela diferença IPC/BTNF. E, acrescenta, como o valor referente ao lucro inflacionário decorrente da diferença IPC/BTNF não era devido (MP 312, de 1991), o pagamento ficou a maior. De fato, se durante a vigência da MP 312, de 1993, a impugnante houvesse requerido a restituição do valor pago indevidamente, sua solicitação deveria ser acolhida, eis que parte do pagamento constante do DARF de fl. 03, estaria a maior, de acordo com a legislação vigente. Ocorre que, com a edição da Lei nº 8.682, de 1993, a Lei nº 8.200, de 1991, foi revigorada e o saldo credor de correção monetária diferença IPC/BTNF, que durante a vigência da MP 312, de 1993, não era devido passou a ser novamente devido, e desde a data da edição da Lei nº 8.200, de 1991. No caso, o valor do saldo credor da dif. IPC/BTNF passou a integrar o lucro inflacionário, tal como se apresenta no Sapli, fl. 240, no montante de CR$ 497.811.901 (380.735.680.618,00 * 1,3075), como já demonstrado no quadro acima, nada restando a restituir. Verificase que o montante realizado pela impugnante, em janeiro de 1993 (39.709.704,36 UFIR * 5% = 1.985.485,22 UFIR ou CR$ 381.095.224, fls. 23, foi devidamente deduzido do saldo do lucro inflacionário total até aquela data, como indicado no SAPLI, fl. 240, nada restando do valor recolhido no Darf de fl. 03, a ser restituído.” Fl. 505DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 474 6 Cientificada em 23 de abril de 2007, fl. 384, a contribuinte apresentou em 23 do mês seguinte o recurso de fls. 385/410 destacando que as razões da decisão da 4ª Turma de Julgamento são diversas daquelas expostas pelo Delegado da Receita Federal em Contagem MG e que a remessa do recurso diretamente para o Conselho de Contribuintes cerceará seu direito de defesa e impedirá o contraditório em primeira instância de julgamento, o que ofende os princípios constitucionais do devido processo legal, incumbindo, pois, que a Turma da Delegacia de Julgamento aprecie suas razões. No mérito, reprisa o inconformismo já apresentado contra a decisão do Delegado da Receita Federal em ContagemMG. Já em relação aos fundamentos adotados pelo acórdão da 4ª Turma de Julgamento da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte diz que este indefere seu pedido de compensação pelo simples fato de ter sido formulado após a conversão da MP nº 312 na Lei nº 8.682/93, que revigorou os efeitos da Lei nº 8.200/91, antes revogada pela própria MP 312, o que se mostra destoante das mais basilares normas de Direito Tributário. Entende, em suma, que a discussão está centrada no regime jurídico aplicável: o da época do pagamento ou do pedido de compensação. Aduz, também, que a validação dos efeitos da MP tem como efeito a validação dos pagamentos efetuados, dentre eles aquele realizado a maior, carecedor de restituição nos termos do artigo 165 do CTN. Ao final, requereu o provimento à preliminar ou, se assim não for entendido, a reforma da decisão recorrida e conseqüente homologação das compensações. Por força da Resolução nº 110300.012, de 25 de janeiro de 2010, fls. 438/444, a douta Terceira Turma Ordinária desta Câmara acordou, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência a fim de que se aguardasse o desfecho do contencioso instaurado no processo administrativo nº 13603.001049/200121, o qual abriga auto de infração que modificou o lucro inflacionário da contribuinte. Às fls. 455 e seguintes encontrase encartada cópia do Acórdão prolatado pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes sob nº 10196892, bem assim, despachos de inadmissibilidade de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão definitiva restou assim ementada: “IRPJ LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO Tendo a pessoa jurídica optado pela tributação integral do lucro inflacionário acumulado e do saldo credor da correção complementar monetária IPC/BTNF existente em 31 de dezembro de 1992 em cota única, à alíquota de cinco por cento, o fato imponível da obrigação tributária é todo o estoque existente naquela data, e a partir daí, nasce o direito do Fisco constituir o crédito tributário sobre eventuais diferenças não oferecidas à tributação. Não procedido o lançamento no prazo de cinco anos, o crédito resta extinto pela decadência.” Fl. 506DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 475 7 É o relatório, na síntese que se fez possível. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes Não vislumbro cerceamento do direito de defesa no fato das razões recursais serem encaminhadas diretamente a este Conselho, sem reapreciação delas por parte da 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteMG, visto que o procedimento deriva de lei, a ver: “Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 74 ..................................................................................... § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação.” O fato de a decisão recorrida adotar fundamentos jurídicos diferentes daqueles enunciados pela autoridade fiscal que primeiro apreciou as declarações de compensação (Delegado da Receita Federal em ContagemMG) não implica qualquer impedimento ao contraditório, ainda mais quando se considera salvaguardado de todo o seu direito de inconformismo perante esta Corte Administrativa, oportunidade na qual lhe é facultado deduzir todas as razões que entender necessárias. Por outro lado, inexistindo, no caso, omissão por parte das autoridades antecedentes na apreciação de matéria trazida ao debate, indefiro o pedido de baixa do processo à origem. Quanto ao mérito, tenho que independentemente do entendimento que se tenha por aplicável quanto ao prazo decadencial para a repetição de tributos, se qüinqüenal ou decenal, remanesce dos autos que dita questão foi entregue ao Poder Judiciário, vigendo, inclusive, ordem judicial prolatada nos autos da ação mandamental nº 2003.38.00.0631935, processada na douta Quinta Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, no sentido de que as decisões administrativas apreciem o pleito em comento abstraindose dessa questão, é dizer, considerem o pedido como se tempestivo fosse. De acordo com o princípio constitucional da unidade de jurisdição consagrado no art. 5.º, XXXV, da Constituição Federal, de 05 de outubro de 1988, a decisão judicial sempre prevalece sobre a decisão administrativa. Desse modo, a ação judicial tratando de determinada matéria infirma a competência administrativa para decidir de modo diverso, Fl. 507DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 476 8 afinal, se todas as questões podem ser levadas ao Poder Judiciário, a ele é a quem é conferida a capacidade de examinálas de forma definitiva e com o efeito de coisa julgada. A compensação, em caso de reconhecimento do direito creditório contra a Fazenda Nacional operarseá sob condição resolutiva, já que o decisório judicial ainda não transitou em julgado. Noutras palavras: acaso a decisão judicial vier a ser reformada, declarando o prazo decadencial/prescricional de cinco anos para o direito de restituição, a homologação da compensação porventura aqui reconhecida tornarseá de todo ineficaz, restabelecendose a exigência dos tributos então compensados. Pois bem. Até o advento da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, vigia a Lei nº 7.799, de 10 de julho de 1989, que instituíra o BTN Fiscal (BTNF) como referencial de indexação de tributos e contribuições de competência da União e impunha a correção monetária do balanço patrimonial das empresas, determinando, ainda, que o saldo credor dessa conta, após ajustes definidos, constituiria lucro inflacionário a ser computado na determinação do lucro real, base que serve ao cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica. Regrava, também, o diferimento da tributação do lucro inflacionário na parte considerada não realizada, assim entendida aquela que ultrapassava a relação percentual entre o valor dos bens e direitos do Ativo Permanente e o valor desses integrantes do Patrimônio Líquido, respeitada, ainda, realização mínima de 5% (cinco por cento) em cada períodobase. Por fim, o mecanismo de registro e controle é definido por seu artigo 21, § 3º, a ver: “§ 3° O lucro inflacionário a tributar será registrado em conta especial do Livro de Apuração do Lucro Real, e o saldo transferido do períodobase anterior será corrigido monetariamente, com base na variação do valor do BTN Fiscal entre o dia do balanço de encerramento do períodobase anterior e o dia do balanço do exercício da correção.” Em 28 de junho de 1991 foi publicada a Lei nº 8.200 definindo outro indexador monetário, bem assim, dispondo sobre a correção monetária das demonstrações financeiras do anterior ano de 1990 e demarcou, quanto a esta, que os efeitos tributáveis darse iam a partir do ano de 1993, a ver: “Art. 1º Para efeito de determinar o lucro real base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas a correção monetária das demonstrações financeiras anuais, de que trata a Lei nº 7.799, de 10 de julho de 1989, será procedida, a partir do mês de fevereiro de 1991, com base na variação mensal do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). ................................................................................................. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 477 9 Art. 3º A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao períodobase de 1990, que corresponder à diferença verificada no ano de 1990 entre a variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a variação do BTN Fiscal, terá o seguinte tratamento fiscal: I .................................................................................. II será computada na determinação do lucro real, a partir do períodobase de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, quando se tratar de saldo credor.” Ocorre que a Medida Provisória nº 312, de 11 de fevereiro de 1993, revogou expressamente a Lei nº 8.200/91 (art. 7º), e este comando foi reprisado nas sucessivas medidas provisórias reeditadas para convalidar os atos anteriores até que a Medida Provisória nº 325, de 14 de junho de 1993, houve por ser convertida na Lei nº 8.682, de 14/07/1993. Esta, por sua vez, em sentido oposto, cuidou de revigorar a Lei nº 8.200/91. Permeia a questão, ainda, a Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, que trouxe o seguinte incentivo fiscal: “Art. 31. À opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3°) existente em 31 de dezembro de 1992, corrigidos monetariamente, poderão ser considerados realizados mensalmente e tributados da seguinte forma: I 1/120 à alíquota de vinte por cento; ou II 1/60 à alíquota de dezoito por cento; ou III 1/36 à alíquota de quinze por cento; ou IV 1/12 à alíquota de dez por cento, ou V em cota única à alíquota de cinco por cento. ............................................................................................... § 4° A opção de que trata o caput deste artigo, que deverá ser feita até o dia 31 de dezembro de 1994, será irretratável e manifestada através do pagamento do imposto sobre o lucro inflacionário acumulado, cumpridas as instruções baixadas pela Secretaria da Receita Federal.” O deslinde da controvérsia, portanto, consiste em definir se eventual recolhimento do IRPJ condizente à parcela da diferença IPC/BTNF do ano de 1990, realizado no interstício de 11/02/1993 a 13/07/1993 e sob o abrigo do benefício fiscal do artigo 31, inciso Fl. 509DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 478 10 V, da Lei nº 8.541, de 1992, caracteriza pagamento indevido e, como tal, sujeito ao instituto da repetição tributária. Tenho que a retirada do ordenamento jurídico da Lei nº 8.200, de 1991, pela Medida Provisória nº 312 e reedições induz ao entendimento inequívoco de que os contribuintes ficaram eximidos da determinação fiscal inserta no artigo 3º, inciso II, em comento. Diante disto, eventual pagamento pela tributação incentivada prevista no artigo 31 da Lei nº 8.541/1992, abarcando o IRPJ sobre o estoque de lucro inflacionário calculado com o BTNF (ordinário) e com a diferença IPC/BTNF (especial), no momento em que se encontrava revogada a Lei nº 8.200, de 1991, afigurase indevido em relação a esta última parcela. Em suma, o fato da Lei 8200, de 1991, ter sido revigorada não invalida os atos praticados no período em que esteve revogada. O pagamento, na época, relativo ao imposto de renda sobre o saldo do lucro inflacionário diferença IPC/BTNF não era devido. E, como tal, atrai a hipótese de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, pois que inexistente previsão legal exigindo o tributo, naquele momento, em relação a esta específica base de cálculo, a ver: “ Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;” O revigoramento da norma de origem trazido pela Lei nº 8.682, de 1993, implica, apenas, que se o valor do saldo do lucro inflacionário da diferença IPC/BTNF não foi submetido à tributação durante a vigências dessas Medidas Provisórias deve ser novamente submetido às regras estabelecidas pelas Leis nº 8.200, de 1991, e 8541, de 1992. Assim delineado, passo à análise do pagamento realizado em 18/02/1993, fl. 03, almejado com a pecha de maior que o devido. Reportandose à consulta formulada pela Recorrente à Receita Federal nos idos de 1995, posteriormente ao pagamento efetuado, ela assim se posicionou, fl. 36: “A interessada esclarece que: a) usufruindo do beneficio fiscal de que trata o art. 31 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, efetuou o recolhimento do imposto de 5% (cinco por cento) sobre o lucro inflacionário acumulado em 31/12/92, em fevereiro de 1993; b) em virtude da revogação da Lei n° 8.200/91 pelo artigo 7º da Medida Provisória n° 312, de 11/02/93, aplicou a alíquota do imposto somente sobre o montante do lucro inflacionário Fl. 510DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 479 11 normal, não levando em conta o valor correspondente à correção monetária complementar da diferença do IPC/BTNF realizada em 1990 em decorrência da aplicação da lei revogada; ................................................................................................... A vista do exposto, indaga: 1) Considerando que, quando do recolhimento do tributo correspondente ao lucro inflacionário acumulado até 31 de dezembro de 1992, a Lei n° 8.200/91 encontravase revogada, é correta a afirmação de que na situação descrita na consulta operouse a total extinção do crédito tributário a título de imposto de renda sobre o lucro inflacionário acumulado até dezembro de 1992? 2) Ainda que se considere a restauração da Lei n° 8.200/91, pela Lei n° 8.682/93, é válido dizer que sua força de observância só se verifica a partir da data da vigência da lei repristinatória, em virtude do disposto no § 3º , do art. 2º , da Lei de Introdução ao Código Civil, e que por isso mesmo, não há que se falar em saldo do imposto de renda a pagar, decorrente do saldo credor pela diferença entre o IPC/BTNF? 3) Tendo em vista a eventual hipótese de existência de saldo de tributo a pagar, como deve proceder para regularizar a situação fiscal reflexa do saldo credor de IPC/1990 e da diferença de correção monetária do lucro inflacionário de 1990? Portanto, dizia a Recorrente, expressamente, que no pagamento do IRPJ então efetuado não se encontrava inclusa a parcela do lucro inflacionário da diferença do IPC/BTNF. Mais, questionava qual seria o procedimento para regularizar o tributo não recolhido a este título. Sete (7) anos depois, em 2002, trouxe as declarações de compensação em foco defendendo realidade diametralmente oposta: haveria no pagamento de fevereiro de 1993, sim, parcela afeta ao lucro inflacionário decorrente da diferença IPC/BTNF e, como tal, passível de restituição. Nada obstante estranhável o antagonismo tenho que a premissa basilar em tema de reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional centrase na averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Em resumo: a verificação da liquidez e certeza do crédito é operação que exige provas e contas. Considerando que o § 1º do artigo 33 do Decreto nº 332, de 04 de novembro de 1991, estipula que a diferença entre a correção monetária com base no IPC e no BTN Fiscal apurada no ano de 1990 seja escriturada apartadamente, bem assim, que o artigo 21, § 3º, da Lei nº 7.799, de 1989, elegeu o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) como fonte dos controles desta temática, impende avaliar os registros originários nele levados pela contribuinte, plenamente subsistentes em razão da não prevalência do lançamento fiscal tratado Fl. 511DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 480 12 no processo administrativo nº 13603.001049/200121 o qual, a propósito, originou o sobrestamento deste feito ante a possibilidade de modificações no lucro inflacionário inseridas por aquele ato administrativo. Assim procedendo, defrontase à fl. 236 com cópia da página 37 do LALUR tratando da conta “Lucro Inflacionário 1990 – IPC x BTNF – Lei 8.200/91” e que dá pelo saldo, em 30/06/1992, de Cr$ 35.984.940.629,44 e ainda um último registro intitulado “transporte para o livro 02 (dois)”. Admito a eficácia dessa cifra, seja porque referido livro extracontábil não fora impugnado pelo Fisco, seja, principalmente, porque ela foi assimilada pelo sistema da Secretaria da Receita Federal que acompanha e controla o lucro inflacionário (SAPLI), fl. 240. Por conseguinte, sabendose que o fator de correção monetária aplicável para o segundo semestre de 1992 foi de 3,5495 (três inteiros vírgula cinco mil quatrocentos e noventa e cinco décimos de milésimos) chegase ao lucro inflacionário, em 31 de dezembro de 1992, na ordem de Cr$ 127.728.546.764,19. Ainda, considerando que no anocalendário de 1993 o período de apuração do imposto de renda das pessoas jurídicas passou a ser mensal, bem assim, que o fator de correção monetária para o mês de janeiro daquele ano foi definido em 1,3075 (um inteiro vírgula três mil e setenta e cinco décimos de milésimos), sobressai lucro inflacionário nessa época na importância de Cr$ 167.005.074.894,18. Finalmente, consabido que a contribuinte utilizouse da alíquota tributária incentivada de 5% (cinco por cento) prevista no inciso V do artigo 31 da Lei nº 8.541, de 1992, concluise que do pagamento de Cr$ 22.287.627.418,00 havido em 18/02/1993 emerge indébito fiscal a quantia de Cr$ 8.350.253.744,71 (oito bilhões, trezentos e cinquenta milhões, duzentos e cinqüenta e três mil, setecentos e quarenta e quatro cruzeiros e setenta e um centavos), qual seja, 5% (cinco por cento) de Cr$ 167.005.074.894,18. Com tais razões, VOTO pela rejeição da preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, observada a condição resolutiva já dissertada, pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer o direito creditório contra a Fazenda Nacional, relativo a pagamento a maior de IRPJ afeto a lucro inflacionário da diferença IPC/BTNF, na quantia de Cr$ 8.350.253.744,71 (oito bilhões, trezentos e cinquenta milhões, duzentos e cinqüenta e três mil, setecentos e quarenta e quatro cruzeiros e setenta e um centavos), seguindose a homologação das compensações que lhe decorrer. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Relator Fl. 512DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910365/2009-32
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
Restituição. Compensação. Admissibilidade.
O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentou-se na impossibilidade de restituição de estimativa de tributo. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) à luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
Numero da decisão: 1801-001.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentouse na impossibilidade de restituição de estimativa de tributo. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) à luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 03 65 /2 00 9- 32 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa em epígrafe transmitiu Per/Dcomp para restituição/compensação de IRPJ paga a título de estimativa mensal, a maior ou indevida, referente ao mês de outubro de 2005. Pelo Despacho Decisório, eletrônico, de fls. 08 a Per/Dcomp foi sumariamente considerada improcedente e não homologada a compensação, por tratarse de inexistência de pagamento indevido ou a maior. A empresa manifestouse contrariamente ao despacho denegatório argumentando que cometeu o equívoco de solicitar restituição de estimativas mensais de tributos, quando deveria ter solicitado saldo negativo de IRPJ apurado ao final do ano calendário. Critica o Despacho Eletrônico por extremamente sucinto e por não ter tido oportunidade de, antes de emitido, consertar o erro material de preenchimento, em apertada síntese. A manifestante juntou diversos documentos, tais como a Per/Dcomp, folhas do Razão, DCTF, DIPJ e outros para corroborar o que sustenta. Saliento que a autoridade preparadora não trouxe quaisquer informações a respeito das DCTF entregues originalmente pela manifestante. De igual forma, antes da emissão do Despacho Decisório não consta do processo que a declarante foi intimada a apresentar a contabilidade completa para analisarse a procedência do pedido. A empresa argumenta veemente que os balancetes de suspensão/redução mensais escriturados à época comprovam haver recolhido as estimativas indevidamente/a maior. No Termo de Ciência e Notificação do acórdão proferido, há informação que várias Per/Dcomp estão sob litígio, supostamente com pedidos de restituição/compensação da mesma natureza (estimativas mensais de tributos). A saber: PROCESSO (S): 10680.910369/200911 10680.910366/200987 10680.940875/200934 10680.933955/200933 10680.910371/200990 10680.910372/200934 10680.910370/200945 10680.910368/200976 10680.910367/200921 10680.910365/200932 10680.910364/200998 10680.940876/200989 O mesmo termo informa, ainda, que está sendo dada a ciência dos seguintes acórdãos respectivos aos processos supra citados: Fl. 276DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.910365/200932 Acórdão n.º 1801001.268 S1TE01 Fl. 3 3 0235.478, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE; 0235.475, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE; 0235.485, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE 0235.483, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE 0235.480, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE 0235.481, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE; 0235.479, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE; 0235.477, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE 0235.476, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE 0235.474, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE Às fls. 205 a 210, a Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG exarou o Acórdão nº 0235.474/11 mantendo o indeferimento da Per/Dcomp por tratarse de pedidos de restituição de estimativa mensal e por inadmitir a alteração do pedido de estimativa para saldo negativo de IRPJ, após a expedição do despacho decisório. Transcrevo a ementa do julgado: Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de de cisão administrativa na data da sua apresentação. Declaração de Compensação Estimativa Mensal Paga a Maior. Segundo as normas infralegais de regência, no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, o valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativas mens ais somente poderá ser utilizado na dedução do IRPJ devido ao final do respectivo p eríodo de apuração ou para compor o saldo negativo. Tempestivamente (AR – 19/11/11, fls. 215; Recurso – 21/12/11, fls. 217), a empresa interpôs o Recurso de fls. 217 a 273 reprisando os termos da defesa inicial, em apertada síntese, requerendo a nulidade do despacho decisório, a reforma do acórdão, o deferimento para adaptar a Per/Dcomp a saldo negativo de IRPJ e conseqüente restituição e homologação das compensações. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Trata o presente litígio de não reconhecimento de direito creditório e conseqüente não homologação de compensação entre crédito e débitos, oriundo de estimativa de tributo paga a maior ou indevidamente. Esta turma julgadora já se defrontou com a matéria e firmou posição bem retratada em voto da conselheira Maria de Lourdes Ramirez, que passo a transcrever1: “A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada ano calendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do anocalendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, 1 Processo nº 19647.010657/200610, Acórdão nº 180100.597, em 28/06/11. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.910365/200932 Acórdão n.º 1801001.268 S1TE01 Fl. 4 5 de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Entretanto, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de Fl. 279DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de Fl. 280DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.910365/200932 Acórdão n.º 1801001.268 S1TE01 Fl. 5 7 apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Fl. 281DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. [...] É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Fl. 282DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.910365/200932 Acórdão n.º 1801001.268 S1TE01 Fl. 6 9 Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual da CSLL/IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, conclui se que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação Fl. 284DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.910365/200932 Acórdão n.º 1801001.268 S1TE01 Fl. 7 11 específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Aproveito, ainda, o desfecho do retro mencionado acórdão, adotandoo neste voto, mutatis mutandis, em virtude de ser outro o valor da estimativa ora discutido nos autos: “Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 3.328,31 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, Fl. 286DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.910365/200932 Acórdão n.º 1801001.268 S1TE01 Fl. 8 13 necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação.” Superado o ponto da admissibilidade das Per/Dcomp cujo crédito são as estimativas mensais pagas durante o anocalendário, ressaltese que o procedimento da Administração Tributária em emitir os Despachos Decisórios eletronicamente, sem a intimação prévia dos contribuintes para justificarem as Per/Dcomp que o sistema rejeita tem causado vários transtornos. De um lado, indeferese o pedido de restituição e aproveitamento de estimativas porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram da DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta. Por outro lado, impedese simultaneamente que, ao ser notificado do Despacho Decisório emitido de forma sumária, o contribuinte possa retificar ou até mesmo cancelar a Per/Dcomp para adequála de forma devida. E por fim, ainda que a unidade de jurisdição do contribuinte, ou a turma julgadora de primeira instância, verifiquem a sequência de Per/Dcomp emitidas pelos contribuintes solicitando a restituição das estimativas mensais pagas do mesmo anocalendário e tributos, não adaptam os pedidos, ex officio, para devolução do saldo negativo de IRPJ/CSLL apurado, retirando do administrado a repetição de possível indébito tributário, pela prescrição. A Administração Tributária consciente destes problemas modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento. Atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sitemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório intima o contribuinte para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao contribuinte, no prazo de trinta dias após o recebimento, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Tomou medidas também para reunir todas as Per/Dcomp que veiculam o mesmo crédito em um só processo pela edição da Portaria RFB nº 666/08, sem, no entanto, atentar para as Per/Dcomp que tem como objeto as estimativas [ainda mais porque à época a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou, equivocadamente, normas infra legais vedando a restituição/compensação de estimativas, erro reconhecido e corrigido com a edição da Portaria RFB nº 900/08]. Concluindo, os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade do pedido de restituição/compensação cujo objeto é o pagamento de estimativas em valor indevido, ou a maior do que o devido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para que esta seja devidamente intimada a exibir a sua contabilidade, viabilizando a análise do mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais, formação do saldo negativo ao final do anocalendário etc. Voto, pelo exposto, em dar provimento parcial ao recurso e determino o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito da Per/Dcomp objeto deste litígio. Observo que a empresa tem outros processos que versam sobre Per/Dcomp cujos créditos tributários são estimativas recolhidas durante o mesmo anocalendário, pelo que Fl. 287DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 sugiro à autoridade a quo reunilos e adaptar as Per/Dcomp para restituição de saldo negativo de IRPJ/CSLL e reunilas em um só processo, por conexão. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 288DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10665.902600/2009-91
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-001.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
______________________________________
Carmen Ferreira Saraiva Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
______________________________________
Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ______________________________________ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 26 00 /2 00 9- 91 Fl. 34DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 2 Carmen Ferreira Saraiva – Presidente em exercício (assinado digitalmente) ______________________________________ Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Trata o presente processo de PERDCOMP eletrônico (fls. 10/15), transmitido em 28/07/2006, pelo qual pretende a interessada a compensação de débito de estimativa de CSLL de novembro/2005, no valor de R$ 24,80, com direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, apurada no mês de abril de 2005 (recolhimento em maio/2005), baixado para tratamento manual neste processo. Pelo Despacho Decisório Eletrônico de fl. 09 a compensação pleiteada foi não homologada, ao fundamento de que a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ/CSLL devido ou para compor o saldo negativo porventura apurado. Na manifestação de inconformidade apresentada (fl. 01) a interessada alegou: ...Como se observa os impostos IRPJ e CSLL, referentes ao ano de 2005, foram pagos tempestivamente, não restando saldo a recolher. Com a edição dos atos decisórios acima a Secretaria da Receita Federal do Brasil está instituindo um compulsório sem amparo legal e sem previsão para devolução ou compensação dos mesmos. Em exame das declarações de compensação, verificase que as multas ora requeridas já foram cobradas e deduzidas dos impostos recolhidos a maior, acrescidas dos respectivos juros de mora. ... Apreciando o litígio a DRJ em Belo Horizonte/MG indeferiu o pleito ao argumento de que o art. 10 da IN SRF 600/2005 determina que os recolhimentos indevidos ou a maior de estimativa de IRPJ ou de CSLL somente podem ser utilizados ao final do período de apuração como dedução do devido a título de imposto ou contribuição, ou para composição do saldo negativo porventura apurado e que o art. 30 do mesmo diploma estabelece que o tributo ou contribuição objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Cientificada, em 24/08/2011, do acórdão da DRJ em Belo Horizonte/MG, a interessada apresentou, em 23/09/2011, o recurso voluntário de fls., apontando que a vedação contida no artigo 10 da IN SRF n º 600/2005 teria deixado de existir com a edição da IN SRF n º 900, de 2008. Alega que a compensação teria sido realizada sobre um pagamento indevido ou Fl. 35DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10665.902600/200991 Acórdão n.º 1801001.004 S1TE01 Fl. 3 3 a maior que não causaria prejuízo ao Fisco. Além disso, haveria dificuldades para apresentação de declaração retificadora para composição de saldo negativo de IRPJ e de CSLL para posterior compensação. Acrescenta que haveria previsão de retroatividade de lei mais benigna. Ao final pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A primeira questão que se coloca para análise nestes autos referese à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário gerando um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Tal questão já foi dirimida nesta Turma de julgamento, como se verifica dos trechos abaixo reproduzidos, extraídos do Acórdão 180100.486, de relatoria da Ilustre Conselheira Maria de Lourdes Ramirez: “... Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa Fl. 36DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 4 jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação Fl. 37DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10665.902600/200991 Acórdão n.º 1801001.004 S1TE01 Fl. 4 5 mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Seria essa a redação: Art. 29. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...).....(...) (...).(...) § 3º (...)....(...)....(...) (...) VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988; e IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (...) § 12. (...) Fl. 38DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 6 (...) Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009 (fruto da conversão da MP 449/2008): Art. 30. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...) (...) § 12. (...) (...) Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10665.902600/200991 Acórdão n.º 1801001.004 S1TE01 Fl. 5 7 §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ ou da CSLL – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, uma vez que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 8 Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10665.902600/200991 Acórdão n.º 1801001.004 S1TE01 Fl. 6 9 § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, Fl. 42DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 10 desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de Fl. 43DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10665.902600/200991 Acórdão n.º 1801001.004 S1TE01 Fl. 7 11 janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. ...” No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar e pagar as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2005. E existe a possibilidade de a contribuinte ter operado com erro no cálculo e pagamento das estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2005. Imperioso, entretanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito pleiteado e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ/CSLL devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) ______________________________________ Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira – Relator Fl. 44DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 12 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 06/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000647/2008-86
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS E DECLARAÇÕES. EXIGÊNCIAS DO INCISO III, § 2° DO ART. 8° DA LEI N. 9.250/95.
Somente se reconhece a força probante de recibos e declarações, para fins de dedutibilidade de despesas médicas, se cumpridas as exigências do inciso III, § 2° do art. 8° da lei n. 9.250/95 (inciso III do art. 80 do RIR/99).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2802-002.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer R$ 13.000,00 (treze mil reais) de dedução de despesas médicas, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 28/02/2013.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS E DECLARAÇÕES. EXIGÊNCIAS DO INCISO III, § 2° DO ART. 8° DA LEI N. 9.250/95. Somente se reconhece a força probante de recibos e declarações, para fins de dedutibilidade de despesas médicas, se cumpridas as exigências do inciso III, § 2° do art. 8° da lei n. 9.250/95 (inciso III do art. 80 do RIR/99). Recurso Voluntário Provido em Parte
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RECIBOS E DECLARAÇÕES. EXIGÊNCIAS DO INCISO III, § 2° DO ART. 8° DA LEI N. 9.250/95. Somente se reconhece a força probante de recibos e declarações, para fins de dedutibilidade de despesas médicas, se cumpridas as exigências do inciso III, § 2° do art. 8° da lei n. 9.250/95 (inciso III do art. 80 do RIR/99). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer R$ 13.000,00 (treze mil reais) de dedução de despesas médicas, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 28/02/2013. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 06 47 /2 00 8- 86 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2003, exercício 2004, de fls. 12/19, lavrado em decorrência da glosa das deduções indevidas com dependentes no valor de R$ 1.272,00; despesas médicas no valor de R$ 20.837,24; de previdência privada e FAPI, no valor de R$ 877,31 e; despesas com instrução no valor de R$ 1.998,00. Apreciada a Impugnação (fls. 1/7), a ação fiscal foi julgada procedente em parte para restabelecer a glosa de valores de despesas médicas no valor de R$ 737,08 e, por conseguinte, apurar imposto suplementar no valor de R$ 6.182,15, a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros moratórios. Mantidas as glosas das despesas com a dependente Luiza Handere Lorencine, pois esta já havia sido apontada como dependente na declaração do pai, Rogério Lorencine. Foram mantidas as glosas em relação às demais despesas médicas, pelas seguintes razões: “Quanto aos documentos fornecidos pelos prestadores de serviço Marina Azevedo Tavares (fls. 20 e 21), Selem de Figueiredo Handere (fls. 22 a 25) e Nádia Aguilar Leme Pimentel (fls. 26 a 28), estes não são aceitos para fins fiscais pelo fato de não cumprirem os requisitos do inciso III do art. 80 do RIR/99. Destacadamente, não informam quem foi o efetivo usuário dos serviços, mas apenas quem foi o responsável pelo pagamento. Ainda, os recibos apresentados por Selem de Figueiredo Handere e Nádia Aguilar Leme Pimentel não contêm o endereço do prestador do serviço”. Nas razões de Voluntário, a Recorrente se insurge quanto à mantença da glosa de despesas médicas e apresenta novos recibos emitidos pelas profissionais Selem de Figueiredo Handere e Marina Azevedo Tavares. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Presentes os pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Sem preliminares, passo ao mérito. Em sede recursal, a Recorrente apresenta recibos emitidos pela profissional Selem de Figueiredo Handere, no valor total de R$ 5.000,00 (fls. 59 a 63), com a indicação do endereço do estabelecimento profissional, inscrição no respectivo Conselho profissional (CRO), CPF do profissional e beneficiário do tratamento (a própria Recorrente), de acordo com as exigências do inciso III, do art. 80 do RIR/99. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.000647/200886 Acórdão n.º 2802002.109 S2TE02 Fl. 70 3 De igual modo, apresenta recibos emitidos pela profissional Marina Azevedo Tavares, no valor total de R$ 8.000,00 (fls. 64 a 66), com a indicação do endereço do estabelecimento profissional, inscrição no respectivo Conselho (CRO), CPF do profissional e beneficiário do tratamento (a própria Recorrente), de acordo com as exigências do inciso III, do art. 80 do RIR/99. A Recorrente não apresenta novos documentos com a finalidade de comprovar os dispêndios com a profissional Nádia Aguilar Leme Pimentel, não reconhecidos como dedutíveis pela decisão a quo. Apenas se limita a reforçar o valor probante dos recibos apresentados com a Impugnação. Quanto a estes, entretanto, não lhes reconheço a dedutibilidade, por carecerem da indicação do endereço do estabelecimento profissional, em desacordo com o exigido pelo inciso III, do art. 80 do RIR/99. Em prol da verdade material, o fato da prova não ter sido feita em momento oportuno, não impede que este órgão julgador a aprecie e lhe reconheça a validade. Este E. Conselho já decidiu: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NULIDADE A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Preliminar acolhida. Recurso provido Acórdão nº 10319.789, 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, prolatado em 08 de dezembro de 1998, relatora Conselheira Sandra Maria Dias Nunes. No mesmo sentido, Alberto Xavier: “afronta ao princípio da ampla defesa e da verdade material qualquer restrição ao exercício do direito à prova em função da fase do processo, desde que anterior à decisão final tomada na segunda instância”.(Princípios do Processo Administrativo e Judicial Tributário, 1ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p.160). Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário e lhe dou parcial provimento para reconhecer a dedutibilidade das despesas médicas com as profissionais Selem de Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Figueiredo Handere, no valor total de R$ 5.000,00 (fls. 59 a 63) e Marina Azevedo Tavares, no valor total de R$ 8.000,00 (fls. 64 a 66). É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002979/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Simples Nacional Ano-calendário: 2005 Ementa: SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES- PIS - COFINS - CSLL - IRPJ - INSS. MULTA. Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção dc prova em contrário. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ - Simples deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula.
Numero da decisão: 1301-000.779
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento o recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Simples Nacional Ano-calendário: 2005 Ementa: SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES- PIS - COFINS - CSLL - IRPJ - INSS. MULTA. Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção dc prova em contrário. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ - Simples deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula.
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OMISSÃO DE RECEITA. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES PIS COFINS CSLL IRPJ INSS. MULTA. Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção dc prova em contrário. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ Simples deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento o recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (Assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto De Andrade Jenier Relator. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 EDITADO EM: 03/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier Relatório Tratase o presente Recurso Administrativo de insurgência do contribuinte em face da decisão da 6ª Turma de Julgamento da Delegacia da Recita Federal em Porto Alegre que indeferiu a impugnação na oportunidade apresentada. O contribuinte optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES foi autuado pelos agentes da fiscalização por meio dos autos de infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ/Simples; da Contribuição para o PIS/PASEP – PIS/Simples; da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL/Simples; da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins/Simples; do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI/Simples e da Contribuição para a Seguridade Social – INSS/Simples. Sobre os valores cobrados e não recolhidos, acrescemse a multa de ofício e os juros de mora calculados até 31/07/2008, totalizando o crédito tributário do processo em R$ 67.321,48 (sessenta e sete mil trezentos e vinte e um reais e quarenta e oito centavos). Verificase do histórico do processo que foram constatadas diferenças entre os valores declarados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – DIPJ/Simples relativas ao anocalendário de 2005 e os valores constantes na sua escrituração (Livro de Registro Fiscal Simplificado – ICMS). A par dessa constatação de diferenças apuradas e não recolhidas referentes ao anocalendário de 2005, foram lançados nos Autos de Infração as receitas escrituradas, mas não oferecidas à tributação, vez que assim, incursa em flagrante omissão de receitas. A ciência do Auto de infração ocorreu em 14 de agosto de 2008, conforme Termo de Encerramento de fls. 161. O recorrente apresentou impugnação aos autos de infração às fls. 163169, que foi, posteriormente indeferida pela 6ª Turma de julgamento da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre. Irresignado com tal decisão, interpôs o contribuinte o presente Recurso Voluntário, alegando em síntese: I que as diferenças que deveriam ser recolhidas não o foram por máfé do sujeito passivo da obrigação tributária, mas por erros operacionais da empresa terceirizada que cuida da sua contabilidade; II – que já possui um parcelamento federal especial, nos moldes e previsões da Lei nº 11.941/2009, no qual optou por pagar o débito fiscal em 180 meses e que está devidamente em dias com as parcelas exigíveis, estando cumprindo com os prazos estabelecidos com o cronograma aplicado pelo órgão competente; III – que entende possível, por estar no período inicial de Consolidação do referido parcelamento, incluir os débitos decorrentes do processo fiscal objeto do presente Fl. 236DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.002979/200888 Acórdão n.º 1301000.779 S1C3T1 Fl. 2 3 recurso, de tal forma que seja possível o pagamento dos mesmos, evitando o comprometimento dos recursos da empresa, e, por conseguinte, o andamento dos negócios e obrigações da empresa. IV – e por fim, que não é possível admitir que mais do que o lucro por completo da empresa no ano em questão, seja pago em multas extras, por uma questão de erro operacional, e não má fé (sic). Ao final, o contribuinte requer o recebimento do presente recurso, para o fim de lhe dar provimento para: a) “análise e recálculo da aplicação dos percentuais devidos de tributos, sobre as diferenças apuradas; b) a exclusão da multa de 75%; c) a cobrança de juros e multa sobre os percentuais de normais para débitos não pagos; d) e a inclusão dos débitos no parcelamento já optado pelo sujeito passivo, conforme a Lei nº 11.941/2009. Em síntese, esse é o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER. O recurso é tempestivo, não havendo óbices para o seu conhecimento. Insurgese o recorrente contra a decisão da 6º Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre que indeferiu impugnação por ele apresentada. Contudo, razão não lhe assiste para a irresignação suscitada. Senão, vejamos. Inicialmente, cumpre destacar, que o recorrente não aponta na sua peça recursal qualquer violação a direito próprio, irregularidades nos procedimento fiscal ou nulidade dos autos de infração que ensejassem o possível cancelamento dos referidos autos com a posterior exclusão do crédito tributário. Muito pelo contrário, assume e reconhece a existência da dívida com o Fisco, não a contesta pelos seus termos, e, simplesmente tece argumentos desarrozoados quanto a forma como está sendo cobrado. Assim, como incontroverso está, o contribuinte declarou valores de receita bruta bem inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, correta é a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção de prova em contrário, não bastando, no caso, o mero argumento de que não agiu de máfé, posto ter havido sim, como alega, inépcia do responsável pela sua contabilidade. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 Tais argumentos, é bem verdade, não se mostram, per se, suficientes para afastar a aplicação da multa imputada. Dessa sorte, a verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração para a constituição do crédito tributário. Por fim, a multa de ofício é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de tributos decorrentes de lançamento de ofício. A alegação de que a multa é muito “pesada” e que seria muito superior ao seu lucro anual, assim como apontado pelo relatora do acórdão recorrido, deve ser dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a institui. Ademais, a previsão legal das multas de ofício encontrase disciplinada no art. 44 da Lei n° 9.430/1996, nos seguintes termos: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes trutas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007); II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.002979/200888 Acórdão n.º 1301000.779 S1C3T1 Fl. 3 5 § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; No caso presente, não logrou o contribuinte comprovar a origem das diferenças apontadas pela autoridade fiscal, tendo, desta forma, sido submetido às normas de tributação previstas na legislação vigente à época em que auferidas ou recebidas. Se fala tão somente de aplicação da lei, no lançamento que se refere somente ao anocalendário 2005. O lançamento foi feito, como mencionado, nos termos e de acordo com a legislação vigente à época, sendo deduzidos os valores já pagos, os valores dos insumos que apenas transitaram pela fábrica, tributandose somente o valor que consta da Nota Fiscal como o “valor total do produto”. Isto pode ser facilmente constatado nos Demonstrativos mensais do ICMS, onde o valor total das saídas (menos deduções do Decreto nº 36. 160/94), corresponde aos valores das receitas apuradas pelo próprio recorrente, mas não declarados em sua totalidade à Receita Federal. Quanto ao pedido de inclusão do débito em parcelamento do contribuinte já existente, nada a prover, eis que estranho à competência desse Conselho, devendo o contribuinte, se for o caso, dirigir o seu requerimento nos termos previstos nas disposições normativas de regência. Por essas razões, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, mantendose, assim, na íntegra, a r. decisão recorrida. É como voto. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator Fl. 239DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10865.903789/2009-82
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3803-003.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interposto pelo Conselheiro Alexandre Kern, designado para a elaboração do voto vencedor do julgamento ocorrido em 17 de julho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 37 89 /2 00 9- 82 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 nesta Turma, que por sua vez negou provimento ao recurso em epígrafe, por maioria de votos, tendo sido ele designado para elaboração do voto vencedor. Todavia, no momento da elaboração do voto, o embargante constatou que embora o Recurso Voluntário tivesse sido apresentado dentro do prazo estabelecido na legislação, a Manifestação de Inconformidade seria intempestiva e por este motivo interpôs os Embargos de Declaração com o objetivo de alertar que o colegiado não poderia ter adentrado ao mérito da demanda, sob o pressuposto de que o acórdão foi omisso na medida em que deixou de apreciar pressuposto de admissibilidade do processo administrativo em epígrafe, especificamente em relação a intempestividade da Manifestação de Inconformidade. Comenta ainda, nos embargos, que talvez o equívoco possa ser atribuído ao servidor Reinaldo Brigatto que ignorou a informação de postagem e por isso sugeriu que a Manifestação de Inconformidade fosse conhecida pela DRJ. Agora, resta analisar se os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade, bem como se cabe reformar o acórdão. É o Relatório Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator De acordo com o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Primeiramente é preciso dizer que os embargos são tempestivos, visto que foram apresentados no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão, pelo que conheço do recurso, no termos do § 1º do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Tendo em vista tal dispositivo regulamentar, será possível concluir que os embargos não preenchem os requisitos de admissibilidade, uma vez que o pressuposto de intempestividade da Manifestação de Inconformidade alegado não se encontra peremptoriamente atestado nos autos, conforme será demonstrado a seguir. Conforme se verifica do despacho da repartição de origem que encaminhou a Manifestação de Inconformidade à Delegacia de Julgamento, o agente consignou que não era possível constatar nos elementos presentes nos autos a data da ciência do despacho decisório por parte do contribuinte, o que, em princípio, fragiliza, de pronto, o argumento do Embargante. Além disso, as telas em que o Embargante se embasa para afirmar a ocorrência da intempestividade da Manifestação de Inconformidade não são originadas da Empresa Brasileira de Correios – ECT, mas de sistemas do Serpro, em que não se tem a imagem do Aviso de Recebimento (AR), elemento esse primordial à verificação da tempestividade. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10865.903789/200982 Acórdão n.º 3803003.989 S3TE03 Fl. 112 3 Não bastassem tais constatações, temse que o relator a quo afirmou que a Manifestação de Inconformidade atendia todos os pressupostos de admissibilidade, dentre os quais se inclui a tempestividade. Considerando que o relator a quo tem acesso às informações dos sistemas internos da Receita Federal, essa sua afirmativa, para ser afastada, dependeria de elemento de prova inequívoco, o que não ocorre no presente caso. Conforme este Colegiado já decidiu em outras ocasiões, havendo dúvida quanto à tempestividade de uma peça recursal, concluise pela regularidade processual, com fundamento nos princípios da eficiência, da oficialidade e formalidade mitigada. O Embargante, valendose da alegação de ocorrência de omissão desta Turma quanto à não constatação do erro no acórdão de primeira instância – erro esse não demonstrado, conforme acima apontado –, quis fazer uso dos embargos para provocar a prolação de nova decisão, de forma não consentânea com a previsão do Regulamento do CARF. Por fim, embora o Embargante tenha manifestado opinião de que este relator desconhece as rudimentares regras processuais e que ignora o prazo de 30 dias para a interposição da Manifestação de Inconformidade, cumpre esclarecer que tal alegação não procede, conforme acima demonstrado. Nesse sentido, voto por rejeitar os embargos de declaração. Sala das sessões, 28 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.015586/2007-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2403-000.064
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento do recurso em diligência. Solicitando a conexão com o processo 10380.015583/2007-84.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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Conexão com Obrigação Principal (AIOP) Recorrente IMOBILIÁRIA MANHATTAN LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento do recurso em diligência. Solicitando a conexão com o processo 10380.015583/200784. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 10380.015586/200718 Resolução n.º 2403000.064 S2C4T3 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Auto de Infração – AI (DEBCAD n. 35.043.1103), consolidado em 13/12/2007, cuja notificação ocorreu em 21/12/2007 (fl. 32), por ter apresentado o documento a que se refere o art. 32, IV e § 3° da Lei 8.212/91 (GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração de fls. 12/19, a Recorrente não declarou os fatos geradores relativos a valores atribuídos pela empresa a seus sócios, lançados em conta de ADIANTAMENTO A DIRETOR, e caracterizados como prólabore pela fiscalização, tendo em vista a inexistência de contrapartida dos mesmos nos exercícios financeiros a que se referem. Em decorrência, da supracitada infração, foi aplicada a multa prevista no art. 32, § 5o da Lei n. 8.212/91, com redação dada pela Lei n. 9.528/97, cumulado com o art. 284, II do Decreto n. 3.048/99, atualizada com base na Portaria MPS/GM n. 142 de 11 de abril de 2007 no valor de R$ 8.963,40 (oito mil, novecentos e sessenta e três reais e quarenta centavos). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Fortaleza/CE – por meio do Acórdão 0813582 da 6a Turma da DRJ/FOR (fls. 62/74) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE GFIP MENSAL COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração ao art. 32, IV e § 5o da Lei n.° 8.212/91, o preenchimento da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Incorre em descumprimento da obrigação acessória de declarar em GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias a empresa que atribui remunerações a seus sócios em conta de ADIANTAMENTO A DIRETOR, sob a alegação de têlo feito à conta de redução de capital. A redução de capital, com assento no art. 1.082, I e II do NCC, deve seguir o trâmite legal, bem como deve restar demonstrada contabilmente a sua ocorrência, através de lançamentos e documentos probantes. CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS ACIMA DO VALOR MÁXIMO. EXCLUSÃO. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 10380.015586/200718 Resolução n.º 2403000.064 S2C4T3 Fl. 3 3 Contribuintes individuais que já sofrem desconto da contribuição previdenciária, pelo teto máximo da Previdência Social, estão desobrigados de sofrer novos descontos incidentes sobre as remunerações auferidas. Inobstante isso, tal fato não terá repercussão no valor da multa aplicada se, na competência em que ocorreu, mesmo após a exclusão da contribuição, ainda restar saldo superior ao valor máximo da multa a ser observado em razão do número de segurados — art. 284, II do RPS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO DA PROVA. O momento para apresentação de provas é quando da impugnação, sob pena de assim não procedendo a Impugnante consumarse a preclusào temporal. PERÍCIA. REQUISITOS E MOMENTO PROCESSUAL. O momento processual para o pleito de perícia é o da impugnação, devendo o mesmo vir acompanhado da respectiva quesitação e das informações relativas ao perito. Lançamento Procedente” A Recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 81/97), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. É o relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 10380.015586/200718 Resolução n.º 2403000.064 S2C4T3 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator Conforme registro de fl. 125, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Analisando os autos, verificase que se trata de lançamento reflexo, cujo resultado depende diretamente do julgamento da NFLD n. 37.043.1111, Processo Administrativo Fiscal n. 10380.015583/200784, que é o Processo Principal. O vínculo ao Processo Principal pode ser constatado na fl. 66, onde assim inicia o voto da DRJ, verbis: “Como o auto de infração foi lavrado pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar em GFIP as remunerações atribuídas a sócios da empresa, farseá, com freqüência, alusão aos autos da NFLD n° 37.043.1111, cujo crédito tributário constituído teve por fato gerador as mencionadas remunerações.” A própria Recorrente, na fl. 87 admite que “concentrará suas razões” no lançamento principal, verbis: “Por ser o presente auto de infração reflexo da NFLD no 37.043.111 1, a Recorrente esclarece que concentrará suas razões naquele lançamento principal, pois, em sendo improcedente, este lançamento reflexo também o será.” Ocorre que o Processo Principal n. 10380.015583/200784 não fora distribuído para este Relator. Consultandoo no sítio do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/index.jsf), verificase que o mesmo está na “Recepção”, desde o dia 28/02/2011. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto para baixar em diligência o processo, para que aguarde o trânsito em julgado do Processo Principal nº 10380.015583/200784. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 140DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI
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