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Numero do processo: 13804.000535/2005-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CRÉDITO DE COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO.
O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Cofins será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios.
COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. IMPRESCINDIBILIDADE DA PRODUÇÃO DE NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE.
Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNICA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica.
2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia.
DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO.
Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omite-se de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans).
DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e prejudicial de mérito e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO DE COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Cofins será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. IMPRESCINDIBILIDADE DA PRODUÇÃO DE NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNICA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omite-se de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO DE COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Cofins será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 05 35 /2 00 5- 90 Fl. 1475DF CARF MF 2 Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. IMPRESCINDIBILIDADE DA PRODUÇÃO DE NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNICA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Recurso Voluntário Negado. Fl. 1476DF CARF MF Processo nº 13804.000535/200590 Acórdão n.º 3302005.388 S3C3T2 Fl. 1.476 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e prejudicial de mérito e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório integrante do acórdão recorrido, que segue transcrito: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do saldo credor da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), relativo a receitas de exportações, apurado no regime de incidência nãocumulativa, no valor de R$ 5.595.162,24, referente ao terceiro trimestre de 2004, conforme pedido de fl. 1. Com relação ao crédito postulado, foram apresentadas posteriormente várias Declarações de Compensação (DCOMP) informando diversas compensações desse crédito com débitos de vários tributos, conforme processos anexados a este. Segundo os autos, o pedido foi protocolizado junto à Delegacia de Administração Tributária em São PauloSP (Derat), mas a análise do pleito foi transferida à DRF/AraçatubaSP por ordem do SuperintendenteSubstituto da Receita Federal do Brasil na 8a Região Fiscal, conforme portaria de fls. 34 a 36. Ainda segundo os autos, a interessada, em 04/05/2009 (fls. 46 a 48), foi intimada, para subsidiar a análise do pleito, a apresentar diversos documentos e os arquivos contábeis digitais na forma especificada pela fiscalização. Como não atendeu, foi reintimada em 15/06/2009. Como também não houve resposta, os AFRFB responsáveis pela análise se dirigiram à sede da empresa, em 02/07/2009, para cobrar o atendimento das intimação, onde o advogado da empresa, que não possuía procuração da sociedade, informou que não tinha os elementos solicitados, conforme termo de constatação de fls. 53 e 54. Fl. 1477DF CARF MF 4 Em 30/07/2009, novamente os AFRFB estiveram na sede da empresa, onde, desta vez, foram recebidos pelo seu procurador, que alegou ainda não dispor da documentação requerida. Na oportunidade, foi lavrado auto de embaraço à fiscalização, de fls. 57 a 59. Portanto, a fiscalização não reconheceu os créditos do período em virtude da nãoapresentação dos documentos e esclarecimentos na forma solicitada, conforme informação fiscal de fls. 64 a 69. Sendo assim, a DRF/AraçatubaSP, por meio do despacho decisório de fls. 581/591, indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações vinculadas ao pedido. A fiscalização, além do despacho decisório acima, houve por bem lavrar autos de infração das glosas, consubstanciados no processo n2 15868.001186/200938. Foram também lavrados autos de infração constituindo o crédito tributário relativo às contribuições não recolhidas em virtude da glosa dos créditos descontados pela contribuinte no trimestre em questão, formalizados no processo na 15868.001259/200991. Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, de fls. 1.090 a 1.110, onde, preliminarmente, requer a anulação do despacho decisório, porquanto não foi observado pela fiscalização o local indicado no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) para realização dos trabalhos, que seria no endereço da empresa, em São Paulo, e não em Araçatuba. Ressalta também a impugnante que o fato de várias intimações terem sido assinadas apenas por um dos AFRFB também desobedeceria ao MPF, que não permite atuação individual de um dos auditoresfiscais nele contidos. Quanto à transferência de competência interdelegacias, alega que esta também deveria estar contemplada no MPF e que o próprio superintendente da Receita Federal deveria ter emitido o mandado, a teor do art. 6o da Portaria RFB n2 11.371, de 2007. Argumenta que o despacho decisório também seria nulo porquanto somente o Delegado da Derat teria competência para prolatar decisão relativa à requerente, conforme disposto no art. 57 da Instrução Normativa (IN) RFB n2 900, de 2008, que não autoriza a modificação da competência para emissão de despacho decisório relativo a reconhecimento de direito creditório. Alega ainda que a impossibilidade de delegação de poderes também está prevista na Lei n2 9.784, de 1999, arts. 13 e 100. Também reclama que não foi cumprida a formalidade prevista no art. 44 da citada Lei n2 9.784, de 1999, que garante à recorrente o direito de se manifestar no prazo de dez dias após o encerramento da fase de instrução do processo. Afirma que os próprios auditores reconheceram a entrega dos documentos e arquivos digitais, mas em vez de analisarem o material e solicitarem eventuais esclarecimentos em prazo razoável, simplesmente emitiram um parecer negando o pleito Sendo assim, confirma sua intenção de apresentar todos os documentos fiscais, que estão à disposição da fiscalização em seu estabelecimento. Fl. 1478DF CARF MF Processo nº 13804.000535/200590 Acórdão n.º 3302005.388 S3C3T2 Fl. 1.477 5 Afirma ainda que houve erro e falta de motivação e de legislação para o indeferimento do pleito da recorrente, pois isso só seria possível caso a contribuinte não possuísse efetivamente o direito ao ressarcimento. Mas, segundo ela, a negativa ocorreu porque houve falta de razoabilidade por parte dos AFRFB, que consideraram que ela não tinha nenhum direito, o que não pode ser admitido, pois que não poderia exercer sua atividade sem adquirir insumos, já que é uma das maiores empresas do seu ramo de atividade. Assim, a fiscalização deveria ter continuado as diligências no estabelecimento da contribuinte e não ter realizado um levantamento fiscal precário, que não levou em consideração todos os seus documentos. Aduz também que houve cerceamento do direito de defesa, pois não foram apresentados os motivos do indeferimento do pedido, haja vista que os auditores contestaram apenas pequenos elementos componentes do seu direito creditório, não contestando os demais, prejudicando a ampla defesa. Desta forma, em cumprimento ao princípio da verdade material o despacho decisório deve ser cancelado. Em relação ao que ela denomina mérito, argúi que o despacho em análise deve ser reformado porquanto a postulante possui o direito ao ressarcimento dos créditos da contribuição ao PIS reclamados, como comprovam os documentos existentes em seu estabelecimento, mas que não os está anexando ao presente "por serem em grande quantidade", e anexa uma planilha e alguns documentos que demonstrariam as aquisições ocorridas e o direito ao crédito postulado. Alega que o seu direito ao ressarcimento não pode ser contestado porque já teria transcorrido o prazo qüinqüenal de homologação do direito, de cinco anos, previsto no art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN) e no art. 74 da Lei ne 9.430, de 1996 Postula também a aplicação da taxa do Selic ao crédito, como juros moratórios, a teor do art. 39, § 4o, da Lei n° 9.250, de 1995. Reclama também que o despacho decisório não deferiu as compensação já homologadas tacitamente, conforme previsão do art. 74, § 5º, da Lei nü 9.430, de 1996. Requer a realização de perícia e diligência para se constatar a existência do direito creditório, nomeando perito e listando os quesitos que deseja ser respondidos, à fl. 1.108. Haja vista a existência de grande quantidade de documentos, esclarece que a perícia deverá ser feita no estabelecimento da contribuinte. Solicita o cancelamento do despacho decisório combatido e o reconhecimento do direito creditório por esta DRJ ou, alternativamente, a prolação de nova decisão pela DeratSP ou ainda, caso se considere que a autoridade contestada seja Fl. 1479DF CARF MF 6 competente para tanto, que esta prolate novo despacho decisório após novas verificações fiscais. Requer ainda a suspensão da exigibilidade dos débitos objeto das compensações informadas em DCOMP. Por fim, solicita que o patrono da requerente também seja intimado de todas as decisões referentes ao presente. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 1278/1290), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. MPF. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular despacho decisório referente a pedido de ressarcimento. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 16/11/2010, a recorrente a foi cientificada da referida decisão. Em 8/12/2010, protocolou o recurso voluntário de fls. 1293/1314, por meio do qual reiterou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, por ter indeferido indevidamente o pedido de perícia e diligência formulados e ter negadolhe o direito de Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 13804.000535/200590 Acórdão n.º 3302005.388 S3C3T2 Fl. 1.478 7 demonstrar documentalmente o crédito da Contribuição para o PIS/Pasep pleiteado, bem como por não ter apreciado as razões defendidas na manifestação de inconformidade relacionadas a (i) nulidade do despacho decisório, por não ter sido a recorrente intimada, nos termos do art. 44 da Lei 9.784/1999, e (ii) a falta de motivação. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A lide envolve questões preliminares, prejudiciais de mérito e de mérito, bem como pedidos de diligência e perícia. I Da Questão Preliminar Em sede de preliminar, a recorrente alegou nulidade do despacho decisório, com base nos mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. E como tais argumentos foram apreciados de forma escorreita no voto condutor do julgado recorrido, com respaldo no art. 50, § 1º, da Lei 9.784/1999, aqui adotase como razão de decidir e parte integrante deste voto os bem postos fundamentos fáticos e jurídicos apresentados no citado voto, como se transcritos neste voto estivessem. Em reforço aos irreparáveis fundamentos aduzidos no referenciado voto, no presente, cabe a este Relator analisar apenas as novas alegações suscitadas pela recorrente, especialmente, aqueles atinentes ao julgado recorrido. A recorrente alegou que não merecia acatamento o posicionamento adotado pela Turma de Julgamento a quo sobre a validade dos trabalhos fiscais, porque ofendia as regras administrativas aplicáveis e faria do MPF um instrumento inócuo e sem a validade que merece serlhe garantida. No que tange ao assunto, em outras oportunidades, este Conselheiro manifestou o atendimento de que o MPF tratase de instrumento de cunho gerencial, com o nítido objetivo de controlar e dar transparência a atividade de fiscalização externa da RFB, especialmente, para informar ao fiscalizado sobre a instauração e alcance do procedimento de fiscalização ou diligência, situação que foi devidamente atendida no caso em tela. No mesmo sentido, o entendimento esposado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por meio do acórdão CSRF/0105.558, cuja ementa segue transcrita: MPF – DESCUMPRIMENTO DA PORTARIA SRF 3007/2001 – NULIDADE – O desrespeito à previsão de indicação no MPFF de período fiscalizado e autuado não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de competência do AFRF de fiscalizar e promover lançamento; ademais, o descumprimento de algum item do art. 7 da Portaria SRF 3007/2001 não traz como conseqüência a nulidade do ato. Fl. 1481DF CARF MF 8 CARF, CSRF. 1ª Turma. Ac. CSRF/0105.558, de 4/12/2006, Rel. Cons. José Henrique Longo) Entretanto, ainda que assim não fosse, certamente, por falta de previsão legal, eventuais irregularidades na edição do MPF, o que não se vislumbra no caso em tela, não tem o condão de acarretar a nulidade do procedimento fiscal de apuração da certeza e liquidez do crédito pleiteado em apreço, haja vista que as supostas irregularidades apontadas pela recorrente, admitidas para fim de exercício de argumentativo, inequivocamente, não causaram em nenhuma das hipóteses de nulidade do atacado despacho decisório, seja por incompetência da autoridade prolatora, seja por preterição de direito defesa, respectivamente, previstas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto 70.235/1972. E no caso em tela, não ocorreu nenhuma das hipóteses. A uma, porque o procedimento foi realizado por autoridades fiscais competentes, nos termos do art. 6º da Lei 10.593/2002, com redação dada pela Lei 11.457/2007, e o despacho decisório proferido por autoridade competente, conforme a seguir demonstrado. A duas, porque não restou configurado o alegado cerceamento do seu direito de defesa, haja vista que a recorrente fora regularmente intimada de todos os atos praticados no curso do procedimento fiscal e conferido prazo adequado para se manifestar a respeito, e foi cientificada regularmente do despacho decisório, inclusive, apresentou duas robustas peças defensivas, em que demonstrou pleno conhecimento dos motivos pelos quais o pedido de ressarcimento em apreço foi integralmente indeferido e as compensações vinculadas ao crédito nele pleiteado não homologadas. Também não procede a alegação da recorrente de que “a fiscalização deveria ter sido realizada no seu estabelecimento, localizado no Município de São Paulo, Capital e por AFRF com jurisdição sobre tal localidade vinculados a DERAT/SP”. Diferentemente do alegado, não há obrigatoriedade para que a realização do procedimento de diligência ou do procedimento fiscal, incluindo a verificação ou apuração dos fatos, seja realizada no estabelecimento do contribuinte. Aliás, no âmbito deste Conselho, a matéria foi objeto do enunciado da Súmula CARF nº 6, que segue transcrito: “É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.” O fato de as intimações terem sido assinadas por apenas um dos Auditores Fiscais também não implica qualquer mácula ao procedimento fiscal. Da mesma forma, também não há impedimento para delegação de competência, para fim de emissão de MPF, especialmente, para fim de análise de direito creditório formalizado por meio de pedido de ressarcimento. Com efeito, nos termos da Portaria RFB 11.371/2007, na época vigente, só havia previsão para emissão de três tipos de MPF, a saber: “F” (fiscalização), “D” (diligência) e “E” (especial). Este último emitido para os casos de flagrante constatação de infração a legislação tributária. Assim, a dispensa de emissão do MPF, no âmbito do procedimento fiscal de análise de direito creditório/compensação, justificase pelo fato de o despacho decisório, ato final do referido procedimento, ser proferido pelo próprio titular da unidade da RFB, logo, não faz o menor sentido o Delegado Receita Federal expedir MPF para ele mesmo. Em relação a esses pontos, merece destaque as pertinentes razões apresentadas nos excertos do voto condutor do julgado recorrido que seguem transcritos: O fato de os trabalhos de verificação e comprovação do direito creditório estarem sendo conduzidos pela setor de fiscalização da DRF devese ao tipo de trabalho a ser efetuado e não que se Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 13804.000535/200590 Acórdão n.º 3302005.388 S3C3T2 Fl. 1.479 9 trata efetivamente de um procedimento típico de fiscalização tendente a apurar irregularidades ou infrações à legislação tributária, que, em tese, deveria ser precedido da emissão de um MPFF. Desta forma, diante do exposto, eventuais irregularidades no MPF de modo algum podem levar à anulação do despacho decisório, como quer a requerente, primeiramente porquanto esse documento, criado e regulamentado por norma infralegal, constituise em mero instrumento de gerenciamento da atividade fiscal, e, em segundo lugar, porque, para o pedido de ressarcimento, não há previsão explícita para a emissão desse tipo de documento. Digase em adendo que não há nas normas reguladoras do MPF a exigência de que todas as intimações sejam assinadas por todos os auditoresfiscais discriminados no mandado, como quer a interessada. Também não procede a alegação da recorrente de que o despacho decisório era nulo porque proferido por autoridade incompetente. Para a recorrente, por força do disposto no art. 57, caput, da Instrução Normativa SRF 900/2008, somente o Delegado da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (Derat/SP) possuía competência para emitir o questionado despacho decisório, uma vez que a recorrente encontravase na jurisdição da citada Delegacia. Sem razão a recorrente, porque, embora o citado preceito normativo conferisse ao titular da DRF, Derat ou Deinf da jurisdição sobre o domicílio do contribuinte a competência para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por meio da Portaria 34/2008 (fls. 163/165), tal competência foi temporariamente transferida pelo Superintendentes Adjunto da Receita Federal do Brasil na 8ª Região Fiscal da Derat/São Paulo para DRF/Araçatuba, para fim de análise do pedido ressarcimento objeto dos presentes autos, ou seja, as atribuições insertas no art. 160 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF 95/2007, especialmente as previstas nos incisos V, VI e X. E essa transferência temporária de competência foi feita com respaldo no art. 249 do citado Regimento Interno da RFB, vigente à época, a seguir transcrito: Art. 249. Aos Superintendentes da Receita Federal do Brasil, Delegados da Receita Federal do Brasil, Delegados da Receita Federal do Brasil de Julgamento e InspetoresChefes da Receita Federal do Brasil das ALF e IRF de Classe Especial A, Especial B e Especial C incumbe ainda, no âmbito da respectiva jurisdição: [...] VII transferir, temporariamente, competências e atribuições entre unidades, subunidades e dirigentes subordinados, no interesse da administração. [...] (grifos não originais) Fl. 1483DF CARF MF 10 Assim, resta demonstrado que, por força da referida transferência temporária de competência, o titular do DRF/Araçatuba, ou a quem delegada tal competência, inequivocamente, possuía sim competência para prolatar o Despacho Decisório de fls. 182/184, com suporte nos fundamentos e conclusões exaradas no Parecer Saort nº 10820/1124/2009 (fls. 689/716. Ainda sobre esse ponto, a recorrente alegou que a referida delegação de poderes/competência, para a emissão do citado Despacho Decisório, não era possível, por força das restrições previstas no art. 13, I e III, da Lei 9.784/1999, que tem o seguinte teor, in verbis: Art. 13. Não podem ser objeto de delegação: I a edição de atos de caráter normativo; [...] III as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade. Mais uma vez, não assiste razão à recorrente, porque, a toda evidência, as vedações contidas nos incisos do preceito legal em referência, induvidosamente, não se aplica ao caso em tela. A uma, porque o despacho decisório não é ato de caráter normativo, mas de evidente natureza decisória. A duas, porque a matéria delegada não é da competência exclusiva da Derat/São Paulo, mas de todas as DRF, Derat ou Deinf integrantes da estrutura administrativa da RFB. Não é demais ressaltar que, diferentemente do que alegou a recorrente, somente as decisões de órgão singulares da administração tributária, a que a lei atribua eficácia normativa, nos termos do art. 100, II, do CTN, tem status de ato normativa e são considerados “normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos”, o que, sabidamente, não ocorre com os despachos decisórios proferidos pelos titulares das referidas unidades administrativas da RFB, por uma razão óbvia: não existe lei que lhe atribua tal eficácia. Aliás, por ausência da referida atribuição legal, sequer as decisões desse Conselho ostentam o status de ato normativo. Logo, assim como o despacho decisório, tais decisões têm caráter meramente decisório e, como tal, efeito apenas interpartes, ou seja, restrito apenas as partes interessadas. A recorrente alegou nulidade do despacho decisório, por ausência de intimação da recorrente para se manifestar, no prazo de dez dias após o encerramento da fase de instrução, prevista no art. 44 da Lei 9.784/1999. Tratase alegação fora de contexto. A referida exigência, sabidamente, não se aplica ao processo administrativo fiscal, que tem norma específica no Decreto 70.235/1972, que disciplina o assunto. Também contraria os fatos provados nos atos, a alegação de nulidade do despacho decisório, baseada no argumento de que, nos termos do art. 928 do Decreto 3.000/1999 (RIR/1999), a recorrente deveria ter sido concedido prazo para a recorrente apresentar documentos. As provas coligidas aos autos, especialmente o conteúdo dos relatos contidos nos documentos colacionados aos autos, comprovam que a recorrente, embora regularmente intimida e reintimada a apresentar, nos prazos estabelecidos, arquivos digitais e documentos necessários à confirmação da apuração dos créditos, sempre tratou com descaso e desdém as referidas intimações e, de forma deliberada e intencional, omitiuse de apresentar os arquivos digitais e os documentos a que estava obrigada a apresentar, por força do disposto no art. 11 da Lei 8.218/1991, com a redação dada pela Medida Provisória 2.158/2001, no art. 928 do RIR/1999 e no art. 3º da Instrução Normativa SRF 387/2004. Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 13804.000535/200590 Acórdão n.º 3302005.388 S3C3T2 Fl. 1.480 11 Ao contrário do que alegou a recorrente, ao dispor que nenhuma “pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal”, o referido preceito regulamentar obriga a recorrente a apresentar os arquivos e documentos solicitados. E as provas coligidas aos autos demonstram cabalmente que, diferentemente do alegado, a recorrente procedeu de forma contrária ao que dispõe o citado preceito regulamentar. Por isso, ela foi corretamente sancionada pela prática da infração de embaraço à fiscalização. A recorrente também falta com a verdade ao asseverar que “próprios AFRFs reconheceram a entrega de documentos a DEFIC e de diversos arquivos digitais e, ao invés de terem analisados os materiais e solicitarem eventualmente novos esclarecimentos se fosse necessário, simplesmente emitiram um Parecer totalmente acatado pelo Chefe da SAORT da DRF/Araçatuba”. A uma, porque não provou o alegado. A duas, porque os fatos noticiados e devidamente comprovados nos autos demonstram o contrário, ou seja, que a recorrente tratou com absoluto descaso as intimações e reintimações formuladas no curso procedimento fiscal e não apresentou ou disponibilizou nenhum documento nem apresentou qualquer justificativa para a sua deliberada e intencional omissão. Ainda sobre a nulidade do despacho decisório, a recorrente alegou que, não obstante a vontade em fornecer os documentos solicitados, a fiscalização agira sem razoabilidade e contrariou os diversos dispositivos legais, dentre os quais destacou os arts. 2º1, parágrafo único, VI e X, e 3º, I, da Lei 9.784/1999, que tratam, respectivamente, de princípios e critérios jurídicos aplicáveis ao processo administrativo federal e direitos do administrado perante Administração. Obviamente, tratase de mais uma de alegação genérica, posto que não foi demonstrado, especificamente, quais os atos que afrontaram os princípios e critérios jurídicos ou direitos previstos nos citados preceitos legais. Deveras, ao contrário do que alegou a recorrente, por meio dos Termos de Intimação colacionados aos autos, ela foi intimada e reintimada a apresentar os arquivos digitais, bem como a disponibilizar os livros e demonstrativos contábeis e fiscais pertinentes, assim como os originais das notas fiscais, recibos, faturas etc., relativos ao período de julho a setembro de 2004. No final do termo de reintimação, as autoridades fiscais deixaram consignado o seguinte aviso: 1 Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: [...] VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; [...] X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; [...] Art. 3º O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: I ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações; [...] Fl. 1485DF CARF MF 12 Desta forma, fica o sujeito passivo novamente cientificado de que a não apresentação dos elementos exigidos pela fiscalização, no prazo acima consignado, implicará na proposta de indeferimento do valor dos créditos pleiteados nos pedidos de ressarcimento que estão consubstanciados nos referidos processos. Na ausência de resposta e qualquer justificativa, as autoridades fiscais foram ao endereço da recorrente e lavraram o Termo de Constatação Fiscal de fls. 181/182, no qual foi relatado o seguinte: 1. O sujeito passivo foi intimado por via postal por meio do Termo de Intimação Fiscal, de 04/05/2009, para, no prazo de vinte dias, apresentar os arquivos digitais exigidos nos itens 1 e 2 daquele termo. A ciência se deu em 08/05/2009 e o prazo para atendimento encerrouse em 01/06/2009. Até aquela data nenhum dos arquivos digitais exigidos pela fiscalização foi apresentado pelo sujeito passivo. 2. O sujeito passivo foi novamente intimado por via postal por meio do Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal, de 15/06/2009, para, no prazo de dez dias, apresentar os arquivos digitais já mencionados no item anterior. A ciência se deu em 19/06/2009 e o prazo para atendimento encerrouse em 01/07/2009. Até aquela data nenhum dos arquivos digitais exigidos pela fiscalização foi apresentado pelo sujeito passivo. 3. Nesta data (02/07/2009) nos dirigimos até São Paulo, no endereço acima mencionado, sendo atendidos às 08:30 pelo Advogado Sr. Tiago Dias de Amorim, que declarou não possuir procuração do sujeito passivo, mas que iniciaria o atendimento. Acrescentou ainda que o Sr. Vagner Aparecido da Cruz, procurador do sujeito passivo, chegaria dentro de quarenta minutos para finalizar o atendimento e assinar os Termos ora lavrados. Em seguida apresentamos ao Sr. Tiago cópia do Termo de Intimação Fiscal, de 04/05/2009 e do Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal, de 15/06/2009, pendentes de atendimento; e, dele exigimos a apresentação de todos os arquivos digitais ali mencionados. Em resposta o Sr. Tiago afirmou que não possuía nenhum dos arquivos digitais exigidos nestes Termos e acrescentou que estes estariam sendo preparados pelo sujeito passivo. (grifos dos originais) E diante da impossibilidade de verificação dos créditos apropriados e informados pela recorrente no Dacon, em face da não apresentação dos arquivos digitais e dos documentos contábeis e fiscais solicitados, não restou outra alternativa à fiscalização que não a proposição da glosa integral dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do 3º trimestre de 2004, pelas razões expostas na descrição dos fatos do Autos de Infração da glosa dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, que integra o processo nº 15868.001186/2009 38. Das cópias do Auto de Infração da Glosa dos Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, colacionadas aos presentes autos (fls. 192/199), merece destaque os seguintes relevantes trechos: Mais uma vez ficou muito claro para esta fiscalização que a intenção do sujeito passivo continua sendo a de não apresentar os elementos e informações solicitados pela fiscalização, imprescindíveis para a análise dos pedidos de ressarcimento. Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 13804.000535/200590 Acórdão n.º 3302005.388 S3C3T2 Fl. 1.481 13 O descaso do sujeito passivo para com a fiscalização é absoluto. Decorridos mais de três meses desde a primeira intimação datada de 04/05/2009, o sujeito passivo não apresentou nenhum dos elementos exigidos pela fiscalização. Desta vez, diferentemente do procedimento adotado pelo sujeito passivo por ocasião da análise dos trimestres anteriores, nem mesmo a escrituração contábil em arquivos digitais foi por ele apresentada. A apresentação da escrituração contábil e fiscal, bem como de planilhas ou qualquer outro documento equivalente que demonstrem a forma de apuração dos valores informados no DACON; bem como a apresentação dos documentos comprobatórios exigidos pela fiscalização, são imprescindíveis para a verificação da legitimidade e materialidade do crédito pleiteado. A legislação obriga o xsujeito passivo a manter tais controles. (grifos dos originais) Em relação a esses fatos, devidamente comprovados nos autos, nada foi dito pela recorrente, que continuou a sua saga de apresentar apenas alegações evasivas e genéricas, desprovidas de qualquer suporte probatório. Com total fidelidade a tal estratégia de defesa, a recorrente alegou que o Despacho Decisório era nulo, porque não existia “legislação garantindo a possibilidade do indeferimento do Pedido de Ressarcimento pelo motivo descrito no seu texto”. Ora, o motivo da glosa integral dos créditos não foi motivada por ausência de amparo legal, mas por falta de total comprovação dos créditos informados nos Dacon, por meio dos arquivos e documentação exigidos pela legislação. A recorrente alegou que o Despacho Decisório era nulo, porque houve erro e falta de motivação para sua validade jurídica. Para a recorrente, os fundamentação apresentados não eram adequados, para ocasionar o indeferimento da totalidade do pedido de ressarcimento pleiteado, “porque, na realidade, negaram totalmente um crédito como se a empresa não adguirisse [sic] insumos para a sua produção.” Sem razão a recorrente. Reafirmase, novamente, a glosa integral somente ocorreu porque a recorrente negouse a apresentar qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, o que impossibilitou a confirmação dos créditos informados. Essa questão como está relacionada diretamente com mérito da controvérsia, ela será analisado em detalhe a seguir. A recorrente alegou que o Despacho Decisório deveria ser cancelado, porque foi lavrado com base em levantamento fiscal precário. Ora, se houve levantamento fiscal fiscal precário, essa deficiência, certamente, não pode ser atribuída a fiscalização, mas ao claro propósito da recorrente de não fornecer os arquivos, documentos e prestar os esclarecimentos necessários à confirmação da legitimidade do direito creditório informado e pleiteado, que foram regularmente solicitados pela fiscalização no curso do procedimento fiscal. Enfim, em sede de preliminar, a recorrente alegou que o Despacho Decisório deveria ser cancelado, porque houve cerceamento do seu direito de defesa, porque em nenhum momento foram apresentados motivos que justificassem o posicionamento fiscal de indeferir totalmente o direito creditório pleiteado. Na mesma linha de raciocínio, a recorrente alegou que Fl. 1487DF CARF MF 14 não houve cumprimento do princípio da verdade material, porque competia aos auditores fiscais “realizarem os atos necessários para garantir esta análise, realizando novas diligências com a intimação da Recorrente apresentar seus documentos fiscais no seu estabelecimento de São Paulo, Capital, com a sucessiva concessão de prazo razoável para o fornecimento.” A recorrente repete as mesmas alegações evasivas e genéricas com expressões diferentes, inclusive com menção a institutos e princípios relevantes para o processo administrativo fiscal, tais como “não preterição do direito de defesa” e “princípio da verdade material”, com o claro propósito de conferir alguma robustez argumentativa a sua retórica vazia de conteúdo relevante para o deslinde da presente lide, mas não apresenta qualquer fundamento fático, corroborado por provas, que dê suporte a tais argumentos ou que infirmem os sólidos fundamentos fáticos e jurídicos apresentados no questionado Despacho Decisório. Por todas essas razões, rejeitase todas as preliminares de nulidade do Despacho Decisório suscitadas pela recorrente. II Das Questões Prejudiciais de Mérito As questões prejudiciais de mérito suscitadas pela recorrente foram a homologação tácita do direito ao ressarcimento e das compensações declaradas. Em relação ao direito ao ressarcimento, a recorrente alegou que o pedido formulado não podia ser mais indeferido, porque consumarase o prazo quinquenal da homologação tácita do direito ao ressarcimento, previsto no art. 150, § 4°, do CTN e no art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996. Diferentemente do alegado pela recorrente, sabese que o prazo quinquenal, fixado no art. 150, § 4º, do CTN, diz respeito à homologação tácita estabelecido para o lançamento por homologação, situação estranha aos presentes autos, que trata de pedido de ressarcimento e declaração de compensação. Enquanto que o prazo quinquenal, fixado no art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996, cingese à homologação tácita da compensação declarada. Não há na legislação do País prazo fixado para a homologação tácita do pedido de ressarcimento. Em decorrência, não há que se falar em homologação tácito do pedido de ressarcimento até que tal prazo seja estabelecido em lei. A propósito, cabe consignar que a autoridade julgadora, especialmente na esfera administrativa não pode superar, por meio da analogia, a omissão do legislador e reconhecer direito creditório em favor do contribuinte sem suporte em norma legal vigente, sob pena de usurpação da função legislativa, atribuída ao Poder Legislativo em caráter exclusivo. E conforme já mencionado, o prazo quinquenal de homologação tácita, instituído no art. 74, § 5o, da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 10.833/2003, aplica se apenas a Declaração de Compensação (DComp), em relação às quais o recorrente alegou também a ocorrência de homologação tácita. Porém, diferentemente do que alegou a recorrente, a análise da documentação coligida aos autos revela que não ocorreu a homologação a tácita de nenhuma das DComp apresentadas para fim de compensação com crédito pleiteado nos presentes autos, que se encontram relacionadas na planilha colacionada aos autos. Com efeito, de acordo com os dados da referida planilha, a DComp mais antiga foi apresentada/protocolada no dia 4/2/2005. Assim, como a recorrente foi cientificada do despacho decisório em apreço no dia 26/11/2009 (fl. Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 13804.000535/200590 Acórdão n.º 3302005.388 S3C3T2 Fl. 1.482 15 1211), logo, nenhuma das DComp vinculada ao presente pedido de ressarcimento foi tacitamente homologada. Com base nessas considerações, resta demonstrada a improcedência das alegações de decadência ou homologação tácita suscitadas pela recorrente. III Dos Pedidos de Diligência e Perícia. No recurso em apreço, a recorrente reapresentou os mesmos pedidos de perícia e diligência apresentados na fase de manifestação de inconformidade. A realização de perícia revelase totalmente prescindível. A uma, porque as respostas aos requisitos formulados pela recorrente prescinde da participação de especialista. Tratase de questões facilmente respondíveis, mediante análise dos documentos da escrituração contábil e fiscal da recorrente. A duas, porque as respostas aos referidos quesitos seriam facilmente respondíveis, com mera análise da documentação contábil e fiscal solicitada pela fiscalização. O que teria certamente ocorrido, se a recorrente tivesse cumprido a sua obrigação e, em atendimento aos pedidos de intimação e reintimação da fiscalização, tivesse apresentado os arquivos digitais e os documentos contábeis e fiscais indispensáveis para a confirmação dos créditos declarados/pleiteados, ou ao menos tivesse apresentado um justificativa plausível para tal omissão, o que não existiu, no presente caso. A realização de diligência também revelase impraticável, uma vez que a recorrente não trouxe à colação dos autos os arquivos digitais e a documentação solicitada. E por força da preclusão determinada no art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/1972, não há como mais apresentála, a menos que tivesse comprovado uma das condições excepcionais especificadas nas alíneas do citado § 4º, o que não ocorreu no caso em tela. A alegação da recorrente de que os documentos que serviram de base para a apuração do direito creditório eram inúmeros para serem juntados aos autos, “prejudicando até a sua análise por perfazer vários volumes de documentos, estando todos no seu estabelecimento”, não se enquadra em nenhuma das hipóteses excepcionais mencionadas. A grande quantidade de documentos não é justificativa idônea para que tais arquivos/documentos não fossem carreados aos autos, ou apenas parte deles. No caso, pelo menos os arquivos digitais obrigatórios deveriam ter sido carreados aos autos, o que também não ocorreu. Cabe ressaltar, entretanto, que com a manifestação de inconformidade, a recorrente limitouse a apresentar uma planilha de “apuração de créditos” (fl. 228) e cópias das folhas “resumo para apuração de ICMS Entradas” (fls. 229/239), ou seja, documentos por ela própria elaborados, em vez dos arquivos digitais e da documentação fiscal e contábil a que ela estava obrigada a manter a disposição da fiscalização, que se revela notoriamente insuficiente para justificar qualquer análise mediante diligência ou perícia. Além disso, se a recorrente dispunha dos referidos documentos no seu estabelecimento, conforme alegado, porque não os exibiu aos auditores fiscais, que lá compareceram, exclusivamente, com o propósito de analisálos? Como não há nas duas defesas apresentadas pela recorrente resposta ou justificativa plausível para essa pergunta, este julgador ficou desprovido de qualquer fundamento razoável, para deferir os pedidos de diligência e perícia em apreço. Fl. 1489DF CARF MF 16 A propósito da atitude omissa da recorrente, merece destaque o fato de a recorrente, no presente recurso, em vez de aproveitar a oportunidade e apresentar justificativas convincentes para a sua deliberada e intencional omissão de apresentar/exibir para a fiscalização os arquivos digitais e os documentos contábeis e fiscais imprescindíveis à análise do direito creditório pleiteado, a recorrente esbanjouse na apresentação de alegações genéricas e evasivas, o que é um forte indício de que a sua defesa não teve o propósito de esclarecer as injustificáveis omissões de atendimento às intimações e reintimações da fiscalização, mas de suscitar questões formais ou meramente jurídicas sem relação direta com o motivo do indeferimento dos créditos e a consequente não homologação das compensações declaradas, ou seja, a ausência total de comprovação do crédito declarado. E não foi só isso! Em vez de apresentar os arquivos e documentos comprobatórios dos fatos alegados, a que estava obrigada, nas duas oportunidades que compareceu aos autos, a recorrente limitouse a apresentar alegações evasivas e genéricas restrita a aspectos meramente formais atinentes ao procedimento fiscal e ao correspondente despacho decisório em apreço. Quando o relevante era apresentar justificativas para o não cumprimento da sua obrigação de apresentar os arquivos digitais e toda documentação necessária a confirmação dos créditos apropriados e pleiteados. E ao optar pela estratégia da omissão, a recorrente deve arcar com os ônus dela resultante. Enfim, não é demais ressaltar que não é função da autoridade julgadora suprir omissão probatória, seja da fiscalização, seja do contribuinte, especialmente, quando a omissão aparenta ser uma intencional estratégia de defesa, como no caso em tela. Por todas essas razões, os pedidos de diligência e perícia devem ser indeferidos. IV Das Questões de Mérito No mérito, o cerne da controvérsia cingese à comprovação do valor crédito da Contribuição para o PIS/Pasep do 3º trimestre de 2004 pleiteado/compensado nos presentes autos. De acordo com o questionado Despacho Decisório o motivo para o não reconhecimento do valor integral do crédito pleiteado/compensado foi a “não apresentação dos livros contábeis requisitados e dos documentos comprobatórios originais dos créditos alegados”. No recurso em apreço, a recorrente limitouse em alegar que possuía o direito ao ressarcimento dos créditos da CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP como "comprovam os documentos existentes no seu estabelecimento e disponíveis para a verificação fiscal.” (destaques do original) Não basta alegar que dispõe dos documentos necessários à comprovação dos créditos! Se a recorrente tinha tais documentos, porque não os exibiu a fiscalização quando esta compareceu no seu estabelecimento? E porque não trouxe aos autos, na fase de manifestação de inconformidade, conforme exige o art. 15 do Decreto 70.235/1972? A simples apresentação da referida planilha de apuração dos créditos, acompanhada apenas das cópias folhas do resumo do Livro de Entradas, sabidamente, não representam elementos probatórios suficientes para fim de comprovação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep em apreço. A apresentação da escrituração contábil e fiscal, bem como das planilhas ou qualquer outro documento equivalente que corroborassem a apuração dos valores dos créditos Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 13804.000535/200590 Acórdão n.º 3302005.388 S3C3T2 Fl. 1.483 17 informados no Dacon, bem como a apresentação dos documentos comprobatórios exigidos pela fiscalização, constituem elementos imprescindíveis para a verificação da legitimidade e confirmação dos valores dos créditos pleiteados/compensados, conforme estabelecido no art. 3º da Instrução Normativa SRF 387/2004, a seguir reproduzido: Art. 3º O sujeito passivo deverá manter controle de todas operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições referidas no art. 2º e dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos, na forma dos arts. 2º, 3º, 5º, 5ºA, 7º e 11 da Lei nº 10.637, de 2002, dos arts. 2º, 3º, 4º, 6º, 9º e 12 da Lei nº 10.833, de 2003, especialmente quanto: I às receitas sujeitas à apuração da contribuição em conformidade com o art 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003; II às aquisições e aos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas domiciliadas no País; III aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no inciso I; IV aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação e de vendas a empresas comerciais exportadoras com fim especifico de exportação, que estariam sujeitas à apuração das contribuições em conformidade com o art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003, caso as vendas fossem destinadas ao mercado interno; e V ao estoque de abertura, nas hipóteses previstas no art. 11 da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003. Parágrafo único. O controle a que se refere o caput deverá abranger as informações necessárias para a segregação de receitas referida no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, observado o disposto no art. 100 da Instrução Normativa nº 247, de 21 de novembro de 2002. (grifos não originais) No mesmo sentido, determinava o art. 24 da Instrução Normativa SRF 460/2004, vigente à época da protocolização do pedido, que a autoridade da RFB competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins poderia condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, nos termos a seguir transcritos: Art. 24. A autoridade da SRF competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos da pessoa jurídica a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (grifos não originais) Fl. 1491DF CARF MF 18 Ciente dessas obrigatoriedades, porque a recorrente, desde o início do procedimento fiscal até a apresentação do recurso em apreço, insistiu com a estratégia da omissão? As explicações foram apresentadas pelas autoridades fiscais nos excertos da descrição dos fatos integrante do Auto de Infração da glosa dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep do 3º trimestre de 2004, a seguir reproduzidos: Por que, o sujeito passivo, apesar de insistentemente intimado e reintimado, não quer detalhar a forma de apuração dos valores informados no DACON? Não quer detalhar porque ou constituiu créditos sobre valores que não estão descritos no artigo 3º da Lei n.° 10.637 de 2002 e da Lei n.° 10.833 de 2003, ou porque fez á apuração dos créditos de maneira incorreta, ou porque não tem os documentos comprobatórios dos valores informados como base de cálculo para apuração dos créditos, ou, ainda, porque "fabricou" créditos. Para comprovar o que afirmamos no parágrafo anterior vamos citar apenas dois exemplos. Vejamos a seguir. Consultamos a DIPJ/2005 do sujeito passivo e verificamos que o mesmo informou na ficha 32 (Remetentes de insumos/mercadorias), para seu estabelecimento filial de CNPJ 01.597.168/000270, diversos CPFs. Comprovase então que o sujeito passivo adquiriu gado de pessoas físicas e que, muito provavelmente, informou os valores correspondentes a estas aquisições incorretamente na linha 02 (bens utilizados como insumos) das fichas 04 e 06 do DACON, pois não há nenhum valor informado na linha 18 (crédito presumido atividades agroindustriais) das fichas 04 e 06 do DACON. A consulta foi juntada às fls. 32. Na mesma ficha 32 (Remetentes de insumos/mercadorias) da DIPJ/2005 o sujeito passivo informou, para seu estabelecimento filial de CNPJ 01.597.168/000601, a empresa Agroindustrial Rena Ltda CNPJ 03.352.718/000135 como seu segundo suposto maior fornecedor (R$ 107.132.624,60 no ano de 2004). Consultamos os sistemas da Receita Federal e verificamos que os sócios atuais da referida empresa são pessoas de patrimônio irrisório, residentes em Lins e Sabino (SP), muito provavelmente, "laranjas". Vamos supor que esta empresa, que em 2004 tinha como seu maior sócio a Bracol Holding, não seja de fachada e que realmente tenha fornecido insumos ao sujeito passivo. A partir de agosto de 2004 os insumos de origem vegetal e animal (definidos na IN SRF 660/2006) podiam, ser vendidos com suspensão da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins para empresas fabricantes de produtos destinados à alimentação humana ou animal. Neste caso, quem adquirisse insumos com a suspensão poderia se creditar nos mesmos moldes das aquisições feitasjunto à pessoas físicas (crédito presumido). Aqui mais um erro cometido pelo sujeito passivo no preenchimento do DACON, pois se o tivesse preenchido de forma correta teria apurado créditos (crédito presumido) em valores muito menores, isto considerando se realmente ocorreram as aquisições de tais insumos. Portanto, eis mais um motivo porque o sujeito passivo não quer apresentar documentos comprobatórios. De qualquer forma, gostaríamos de acreditar que o sujeito passivo possua documentos IDÔNEOS comprobatórios dos efetivos pagamentos Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 13804.000535/200590 Acórdão n.º 3302005.388 S3C3T2 Fl. 1.484 19 realizados para esta empresa (Aqroindustrial Rena Ltda) no ano de 2004 correspondentes ao valor total de R$ 107.132.624,60, valor este por ele considerado como base de cálculo para apuração de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Quem sabe possa ele apresentar tais documentos em impugnação ou recurso, que certamente serão apresentados. No entanto, diante do descaso do sujeito passivo, temos quase certeza de que tais documentos, neste procedimento administrativo, não serão apresentados. As consultas foram juntadas às fls. 33 a 37. Mais uma vez registramos que esta fiscalização buscou comprovar a liquidez e certeza dos créditos pleiteados e solicitou do sujeito passivo a apresentação da escrituração contábil e fiscal, livros, documentos, planilhas e informações complementares necessárias e imprescindíveis ao exame, por meio de intimações e reintimações. Como já dissemos o descaso do sujeito passivo'para com a fiscalização foi absoluto. Em relação aos valores informados nas linhas 02, 04, 05, 09, 11,.13, 14, 15, 19, 23, 27, 28, 29, 30 e 33 das fichas 04 e 06 do DACON, diante de todo o acima já exposto, ficou claro para esta fiscalização que a apuração dos créditos foi realizada de forma totalmente incorreta pelo sujeito passivo e é impossível para esta fiscalização quantificar eventuais créditos existentes, pois o sujeito passivo não apresentou os elementos necessários para que o fizéssemos. Registrese, ainda, que o sujeito passivo foi intimado e reintimado por mais de uma vez para apresentar os elementos necessários e imprescindíveis para a realização da análise, inclusive sendo cientificado de que a não apresentação dos mesmos, implicariam na proposta de indeferimento do valor do crédito pleiteado. Desta forma, utilizamos o próprio programa disponibilizado pela Receita Federal e elaboramos as fichas 04 e 06 do DACON para demonstrar a inexistência dos créditos. Estes demonstrativos (fichas 04 e 06 do DACON) acompanham1 o presente auto de infração e também foram juntados por cópia às fls. 38 a 43. (grifos dos originais) O teor desse relato esclarece as razões da omissão da recorrente, ou seja, que a apresentação dos citados documentos, naquela oportunidade, poderiam servir de provas não só de irregularidades tributárias mais gravosas para as recorrentes, mas, provavelmente, da prática, em tese, de fraude e sonegação fiscal, com possíveis implicações na seara criminal. Dada essa circunstância, reabrir a fase de instrução probatória no atual estágio processual, quando o direito de constituição dos créditos decorrente de graves irregularidades tributária já estariam alcançados pela decadência, os possíveis crimes, em tese, contra a ordem tributária prescritos, certamente, coroaria de pleno êxito a estratégia omissa da recorrente, com evidente triunfo da astúcia sobre franqueza, da torpeza sobre moralidade. Enfim, seria a consagração do princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). Não se pode olvidar, ademais, que como os presentes autos tratam de pedido de ressarcimento, o ônus de provar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, inequivocamente, recai sobre a pessoa do contribuinte formulador do pedido de ressarcimento, segundo dispõe o Fl. 1493DF CARF MF 20 art. 373 do CPC, a seguir transcrito, que se aplica supletiva e subsidiariamente ao processo administrativo, por força do art. 15 do CPC: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou, à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no § 1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. [...] (grifos não originais) Da mesma forma, o art. 36 da Lei 9.784/1999, que se aplica supletiva e subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, também atribui ao autor do feito ou do pedido o ônus da produção da prova constitutiva do seu direito. Com base nessas considerações, tendo em conta que a recorrente não apresentou a documentação necessária à confirmação do direito creditório pleiteado/compensado, deve ser mantido o indeferimento integral do valor crédito pleiteado e a não homologação de todas as compensações vinculadas ao referido crédito. Da incidência da taxa Selic No recurso em apreço, a recorrente alegou o direito ao ressarcimento com a incidência da Selic sobre os valores aproveitados contados da data do protocolo do pedido de ressarcimento até o seu efetivo ressarcimento e/ou compensação, por ser um índice de atualização monetária. Porém, se a referida taxa não pudesse ser aplicada como atualização monetária, o que admita apenas para argumentar, por ser o ressarcimento uma espécie de restituição a mesma deve ser considerada como garante o artigo 39, § 4º, da Lei 9.250/1995. No caso, embora não tenha sido reconhecido crédito, o que dispensaria análise dessa questão, para evitar que, em caso de reforma deste julgado pela CSRF, os autos retornem a este Colegiado para análise apenas dessa questão, passase analisála. Para os créditos escriturais da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da nãocumulatividade, independentemente da forma de aproveitamento (dedução, compensação ou ressarcimento), existe expressa vedação a qualquer forma de atualização ou incidência de juros, conforme expressamente consignada no artigo 13, combinado com o disposto no inciso VI do art. 15, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, que seguem transcritos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 13804.000535/200590 Acórdão n.º 3302005.388 S3C3T2 Fl. 1.485 21 [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Dessa forma, como se trata de preceito legal vigente, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1996 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II RICARF/2015, os membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Cabe consignar ainda que, no caso em tela, não se aplica o entendimento exarado no acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.035.847/RS, submetido ao regime do recurso repetitivo, previsto no artigo 543C do CPC, transitado em julgado em 3/3/2010, por duas razões: a) o referido julgado trata da atualização de crédito escritural oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI e não de crédito escritural decorrente da aplicação do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins; b) a referida decisão não trata da vedação da atualização monetária determinada no art. 13 da Lei 10.833/2003 e tampouco afasta a aplicação do referido preceito legal, bem como se enquadra em nenhuma das hipóteses excepcionais elencadas no art. 62, § 1º, do Anexo II do RICARF/2015. Para melhor compreensão, transcrevese a seguir o enunciado da ementa do mencionado acórdão: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em Fl. 1495DF CARF MF 22 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.2 (grifos não originais) Com base nessas considerações, fica demonstrada a impossibilidade de acolher a pretensão da recorrente, com vistas à atualização dos valores dos créditos em apreço com base na variação da taxa Selic. V Da Conclusão Por todo o exposto, votase por rejeitar a preliminar nulidade e a prejudicial de mérito suscitadas e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 2 BRASIL. STJ. REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009. Fl. 1496DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16024.000116/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/04/2003
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em
que não foi contestado.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE
TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic
para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na
hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 2301-002.235
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar
provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: Leonardo Henrique Pires Lopes
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 30/04/2003 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
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PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Fl. 345DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0518.09087.U59R. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16024.000116/200795 Acórdão n.º 230102.235 S2C3T1 Fl. 306 2 Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Leonardo Henrique Pires Lopes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, da qual a EUCATEX S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO foi intimada em 02/12/2003, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, inclusive as contribuições destinadas a financiar os benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, bem como as destinadas a Terceiros. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 89/93, o crédito lançado na notificação em epígrafe fora decorrente do cotejamento efetuado entre os valores das contribuições devidas e os valores das contribuições recolhidas pela empresa. Ademais, acrescenta que a empresa em comento, por se dedicar à produção agroindustrial, efetuou o recolhimento em desacordo com a legislação vigente, ou seja, o fez em consonância com o art. 22 da Lei n° 8.212/91, considerando como base de cálculo das contribuições previdenciárias as remunerações pagas aos segurados empregados, sem observar as alterações decorrentes da legislação vigente, a saber, Lei n° 10.256/2007, Instrução Normativa INSS/DC n° 060/2001 e Instrução Normativa INSS/DC n° 068/2002. Deste modo, deveria ter utilizado o valor da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não. Outrossim, destaca o auditor no mesmo Relatório Fiscal que a empresa deveria ter recolhido as contribuições descontadas dos segurados empregados e dos trabalhadores avulsos, e as incidentes sobre o total das remunerações ou das retribuições pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais. Por fim, acrescenta que o contribuinte deixou de recolher em sua totalidade as contribuições destinadas às outras entidades e fundos, conforme previsto no art. 94 da Lei n° 8.212/91. Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação de fls. 173/196, oferecendo, posteriormente, instrumento de impugnação, no sentido de complementar a defesa. Fl. 346DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0518.09087.U59R. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16024.000116/200795 Acórdão n.º 230102.235 S2C3T1 Fl. 307 3 Em julgamento da defesa do ora Recorrente, foi proferido o acórdão de fls. 220/225, julgando procedente o lançamento, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: PRODUÇÃO RURAL. AGROINDÚSTRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O contribuinte é Agroindústria, conforme dispõe o art. 72 da IN INSS/DC n° 68, de 10/05/02. Não cabe pronunciamento de inconstitucionalidade pelo órgão administrativo. Os atos administrativos são vinculados. A planilha apresentada na defesa não traduz os créditos da empresa dentro deste levantamento. LANÇAMENTO PROCEDENTE Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo de fls. 230/247, alegando, em síntese: a) Que a nulidade da decisão recorrida acarretou no cerceamento ao direito de defesa, haja vista a omissão quanto à alegação nas razões da impugnação de que a Lei Ordinária n° 10.256/01, ao incluir o artigo 22A na Lei n° 8.212/91 teria violado o disposto nos artigos 195, § 4°, e 154, inciso I, da CF/88, bem como que os fundamentos adotados pelo STF quando da declaração de inconstitucionalidade do § 2° do art. 25 da Lei n° 8.870/94, aplicamse à referida inclusão; b) Que exação só poderia ser exigida através de lei complementar, sendo esta a exata fundamentação utilizada para a declaração de inconstitucionalidade do §2° do art. 25 da Lei n° 8.870/94, razão pela qual é indevida a presente autuação; c) Que não pode ser enquadrada como empresa Agroindustrial em virtude de suas atividades; d) Que a criação de filiais ocorre para possibilitar a maior abrangência da empresa em determinado território, não havendo que se falar em impropriedade do cotejamento, vez que este apenas se trata de um encontro de contas; e) Que a aplicação da Taxa SELIC em percentuais superiores ao definido na legislação complementar evidencia a inconstitucionalidade e a ilegalidade de todas as normas que prevêem sua adoção, razão pela qual deveria ser afastada, determinandose a cobrança de juros moratórios na forma estipulada no artigo 161, § 1° do CTN; Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarazões. É o relatório. Fl. 347DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0518.09087.U59R. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16024.000116/200795 Acórdão n.º 230102.235 S2C3T1 Fl. 308 4 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Preliminarmente Preclusão sobre matérias não impugnadas A presente NFLD referese à cobrança de contribuições devidas à Seguridade Social pela empresa, na condição de agroindústria, incidentes sobre o resultado da comercialização da sua produção, daquelas relativas ao SAT e aos valores pagos aos contribuintes individuais que lhe prestem serviço, bem como das contribuições devidas pelos segurados, que deveriam ter sido recolhidas pela empresa na condição de substituto tributário. Também foram exigidas as contribuições relativas a Terceiros. Nas razões recursais, a Recorrente não ataca a contribuição destinadas a Terceiros, nem a sua obrigação de efetuar à retenção das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados que lhe prestem serviço. Tampouco questiona a contribuição ao SAT ou aquelas incidentes sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais. Se em nenhum momento afirma que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbiu do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que reputase impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Fl. 348DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0518.09087.U59R. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16024.000116/200795 Acórdão n.º 230102.235 S2C3T1 Fl. 309 5 Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto à pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Da inconstitucionalidade da contribuição da agroindústria sobre a comercialização da sua produção A NFLD em comento aponta como fundamento legal da contribuição o art. 22A, I e II da Lei nº 8.212/1991, com a redação da Lei nº 10.256/2001, que dispõe o seguinte: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. Segundo afirma a Recorrente, tal dispositivo seria inconstitucional, já que editado por lei ordinária, quando seria necessária lei complementar, uma vez que instituiu contribuição previdenciária cuja base de cálculo não estava prevista no art. 195 da Constituição Federal. Ocorre que este Conselho somente pode reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivo legal quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art, 62, parágrafo único seu Regimento Interno, quais sejam: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 349DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0518.09087.U59R. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16024.000116/200795 Acórdão n.º 230102.235 S2C3T1 Fl. 310 6 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993 No caso dos autos, contudo, não ocorreu qualquer dessas hipóteses. Cabe esclarecer, por oportuno, que a inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 363852/MG foi a dos arts. 12, V e VII, 25, I e II e 30, IV da Lei nº 8.212/1991, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/1997, referentes à contribuição do empregador rural pessoa física sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção em substituição à contribuição sobre a folha de salários, afastando a incidência da exação nos termos dos dispositivos legais citados, bem como a obrigação da empresa adquirente de efetuar a retenção e recolher dita contribuição. Ainda que o entendimento da Corte Constitucional possa ser aplicado, por analogia, à contribuição previdenciária devida pela agroindústria, este Conselho encontrase impedido de fazer tal extensão interpretativa, pois a autorização regimental concedida limitase a aplicar a decisão do STF que tenha declarado o dispositivo inconstitucional, o que não ocorreu com o art. 22A da Lei nº 8.212/1991, fundamento legal do débito. Cumpre esclarecer que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo Fl. 350DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0518.09087.U59R. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16024.000116/200795 Acórdão n.º 230102.235 S2C3T1 Fl. 311 7 do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, os Conselhos de Contribuintes se autoimpuseram com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária Deste modo, fica afastada a alegação de inconstitucionalidade da contribuição em comento. Do enquadramento da empresa como agroindústria A Recorrente alega que não deve ser enquadrada como agroindústria, uma vez que sua atividade estaria enquadrada na exceção prevista no art. 22A, §6º da Lei nº 8.212/1991, in verbis: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (...). §6o Não se aplica o regime substitutivo de que trata este artigo à pessoa jurídica que, relativamente à atividade rural, se dedique apenas ao florestamento e reflorestamento como fonte de matériaprima para industrialização própria mediante a utilização de processo industrial que modifique a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 2003). Ocorre que a redação contida no parágrafo acima transcrito, fundamento da tese defendida pela Recorrente, foi incluída na Lei nº 8.212/1991 através da Lei nº 10.684/2003, que entrou em vigor em setembro/2003, após o decurso do prazo nonagesimal contado da publicação desta Lei. Fl. 351DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0518.09087.U59R. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16024.000116/200795 Acórdão n.º 230102.235 S2C3T1 Fl. 312 8 Ora, a presente NFLD referese ao período compreendido entre 11/2001 e 04/2003, quando ainda não existia no ordenamento jurídico norma legal afastando a aplicação da regra instituída pelo art. 22A da Lei nº 8.212/1991, não podendo, por isso, ser invocada a exceção do §6º alegada pela Recorrente. Verificase, também, que todas as outras normas suscitadas pela empresa são posteriores ao período autuado, como é o caso das alterações promovidas no RPS pelo Decreto nº 4.862 de 22.10.2003. Desta forma, não pode ser acolhida a alegação da empresa de que não se enquadra na sistemática de recolhimento prevista para as agroindústrias. Em decorrência das alterações no Regulamento da Previdência Social, Decreto 3048/99, implementadas pelo decreto 4862, publicado 22/10/2003, a priori foram excepcionadas as operações de florestamento e reflorestamento e produção de celulose da apuração tributária junto ao INSS a que está sujeita a agroindústria. 31.05.2003 Da cobrança da Taxa SELIC Entendo ser possível e correta a aplicabilidade da Taxa SELIC nos casos de atraso no pagamento de importâncias devidas ao INSS, haja vista sua previsão legal estar devidamente fundamentada no art. 58, inc. II do Decreto nº 2.173/97, consoante se pode observar: Art. 58. Para o pagamento de valores das contribuições e demais importâncias devidas à seguridade social, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS e não recolhidas até a data de seu vencimento, inclusive dos débitos objeto de parcelamento, incidirão: [...] II juros de mora: a) um por cento no mês do vencimento; b) equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC nos meses intermediários; c) um por cento no mês do pagamento; Além do mais, ressalto que recentemente o Segundo Conselho aprovou a Súmula nº 03 que assim dispôs sobre a matéria: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Fl. 352DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0518.09087.U59R. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16024.000116/200795 Acórdão n.º 230102.235 S2C3T1 Fl. 313 9 Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Relembrese, mais uma vez, no que tange à alegada inconstitucionalidade da taxa, o entendimento de que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2°; Emenda Constitucional n° 3/93; Código de Processo Civil , arts. 480 a 482). Da multa aplicada No tocante aos acréscimos legais, salientamos que os mesmos vêm determinados pela legislação previdenciária, não possuindo natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991. Não recolhendo na época própria, o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Imperioso, contudo, destacar que em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Fl. 353DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0518.09087.U59R. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16024.000116/200795 Acórdão n.º 230102.235 S2C3T1 Fl. 314 10 Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09, se for mais benéfica para o contribuinte. Da Conclusão Ante ao exposto, conheço do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para que seja aplicada a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, 29 de julho de 2011 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 354DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0518.09087.U59R. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES em 15/08/2011 18:43:53. Documento autenticado digitalmente por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES em 15/08/2011. Documento assinado digitalmente por: MARCELO OLIVEIRA em 13/10/2011 e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES em 15/08/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 07/05/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP07.0518.09087.U59R Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 7297C7D81BCE930EDFCCC1EB584D597CF6B277C1 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16024.000116/2007-95. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10166.727389/2012-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA
Somente deve ser acolhidos os embargos declaratórios quando presente contradição, omissão e obscuridade. Inexistindo tais requisitos a rejeição é medida que se impõe.
Embargos Rejeitados
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3302-005.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 07/05/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud , José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Júnior, Raphael M. Abad, e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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OMISSÃO. INEXISTÊNCIA Somente deve ser acolhidos os embargos declaratórios quando presente contradição, omissão e obscuridade. Inexistindo tais requisitos a rejeição é medida que se impõe. Embargos Rejeitados Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 07/05/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud , José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Júnior, Raphael M. Abad, e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 73 89 /2 01 2- 47 Fl. 4261DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3302003.524 que, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para manter o lançamento fiscal nos termos do Relatório de Diligência Fiscal de fls. 4.1064.136, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. DILIGÊNCIA FISCAL. Reconhecese o direito creditório, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência, manifestase fundamentadamente pela retificação do lançamento fiscal em razão da constatação de direito do contribuinte e da existência de fatos que não caracterizam infração. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. Segundo a Embargante o v. acórdão embargado é omisso porque não analisou o argumento do contribuinte no sentido de que a autuação é improcedente em relação ao período de janeiro de 2011, posto que os débitos foram equivocadamente contabilizados no referido mês, quando na verdade deveriam têlo sido em fevereiro de 2011, sendo que tal equívoco foi corrigido mediante ajuste na contabilidade no mês de fevereiro de 2011. Em 12 de setembro de 2017, foi proferido o despacho de fls. 4.260 admitindo os Embargos de Declaração para que seja dirimida a omissão suscitada pela Embargante, a saber: Pois bem. Cotejando o recurso voluntário e o voto condutor do acórdão embargado, vislumbro a existência da omissão apontada, uma vez que o ilustre relator aparentemente não tratou da questão do ajuste como sendo resultado de um erro na aplicação do regime de competência. A argumentação lançada no voto condutor, deixa transparecer que a glosa do crédito foi mantida porque os documentos apresentados não são hábeis a comprovar as retenções das contribuições, e não porque não comprovam que os valores escriturados em janeiro de 2011 não deveriam ter ser escriturados em fevereiro do mesmo ano. Com base nesses argumentos, restituo o processo ao ilustre relator, Conselheiro Walker Araújo, a fim de que analise os embargos de declaração e que coloque o processo em pauta de julgamento com proposta de saneamento do vício apontado, se for o caso. É o relatório. Fl. 4262DF CARF MF Processo nº 10166.727389/201247 Acórdão n.º 3302005.392 S3C3T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Os embargos de declaração opostos pelo contribuinte teve o exame de admissibilidade processado regularmente, dele tomo conhecimento. Conforme noticiado anteriormente, os Embargos de Declaração foram admitidos para sanar a omissão quanto ao argumento do contribuinte no sentido de que a autuação é improcedente em relação ao período de janeiro de 2011, porque os débitos foram equivocadamente contabilizados no referido mês, quando na verdade deveriam têlo sido em fevereiro de 2011, sendo que tal equívoco foi corrigido mediante ajuste na contabilidade no mês de fevereiro de 2011. Contudo, entendo que os Embargos de Declaração devem ser totalmente rejeitados pelos motivos a seguir expostos. Com efeito, a matéria tida por omissa, concernente ao ajuste realizado pela Embargante foi objeto de análise realizada pela fiscalização diligente e, constou expressamente no Relatório de Diligência Fiscal de fls. 4.1064.136 os motivos pelas quais não foram acolhidas os argumentos por ela suscitados, a saber: "JANEIRO DE 2011 De acordo com o acórdão da DRJ, foram mantidos os lançamentos de PIS e Cofins nos valores de R$ 93.526,30 e R$ 188.520,23 (fl. 1581), respectivamente. Tais valores correspondem ao total de lançamentos a crédito nas respectiVas contas contábeis (fls. 3149 e 3150), pois não foram informados débitos relativos a estes tributos em DCTF. Alega a recorrente que o autuante deixou de considerar ajustes contábeis, tributos retidos e recolhimentos efetuados. Na tentativa de comprovar que teria direito a tais deduções, apresentou os documentos e esclarecimentos constantes da resposta ao TDF 1 (fls. 2447 a 2450) e do "ANEXO XV" (fls. 3146 a 3186). Considerando estas deduções e os valores declarados em DCTF, foi elaborado o demonstrativo abaixo: (...) Como não foram informados débitos de PIS e Cofins em DCTF e levando em conta os ajustes contábeis, as retenções e os valores recolhidos, já que a DRJ determinou que eventuais pagamentos fossem aproveitados, restariam como devidos os valores de R$ 16.023,26 de PIS e de R$ 78.139,03 de Cofins, reconhecidos pela recorrente. Falta saber se os documentos e esclarecimentos juntados comprovam o direito de a recorrente de deduzir os ajustes, as retenções e os pagamentos. Em relação ao PIS, o valor total de R$ 72.289,39, relativo aos "ajustes" efetuados na contabilidade, corresponde aos seguintes lançamentos na conta contábil 2.1.3.01.0005 — PIS — PROGRAMA DE INTERESSE SOCIAL: (...) Para cada um destes valores, a recorrente apresentou justificativas em resposta ao TDF 2, as quais passamos agora a analisar. Fl. 4263DF CARF MF 4 Lançamento efetuado no dia 02/01/2011, no valor de R$ 623,09: a recorrente alegou tratarse de apropriação efetuada em abril de 2010 (fls. 3841 a 3846). Não foi possível identificar esta apropriação na contabilidade, porém houve um pagamento neste valor ocorrido em 28/05/2010, referente ao período de' apuração de 30/04/2010 (fl. 3843). Considerando a determinação da DRJ para que os pagamentos fossem aproveitados na apuração do quantum devido, o respectivo lançamento contábil de "ajuste" deve ser considerado na apuração do mês de janeiro de 2011. Lançamento efetuado no dia 31/01/2011, no valor de R$ 17.495,85: a recorrente alegou que para este valor houve uma retenção de valor idêntico no mesmo dia (fls. 3847 a 3851), porém não apresentou comprovantes da referida retenção. Assim, o respectivo lançamento de "ajuste" não deve ser considerado na apuração deste mês, isto é, o valor de R$ 17.495,85 deve compor o valor total devido. Lançamento efetuado em 31/01/2011, no valor de 1.428,58: a recorrente alegou tratarse de apropriação efetuada em março de 2011 (fls. 3852 a 3856). Esta apropriação não foi identificada na contabilidade no mês de março, apenas consta um lançamento a débito na conta 2.1.3.01.0005 e a crédito na conta 2.1.1.13.0440, no dia 12/04/2011, neste mesmo valor. Assim, o respectivo lançamento de "ajuste" ocorrido em 31/01/2011 não deve ser considerado na apuração deste mês, isto é, o valor de R$ 1.428,58 deve compor o valor total devido. Lançamento efetuado em 31/01/2011, no valor de 764,48: a recorrente alegou tratarse de apropriação efetuada em fevereiro de 2011 (fls. 3857 a 3862). Não foi possível identificar esta apropriação na contabilidade, porém houve um pagamento ocorrido em 15/09/2011 no valor total de R$ 764,48 (fl. 3858). Considerando a determinação da DRJ para que os pagamentos fossem aproveitados na apuração do quantum devido, o respectivo lançamento contábil de "ajuste" deve ser considerado na apuração do mês de janeiro de 2011. Lançamento efetuado em 31/01/2011, no valor de R$ 51.977,39: a recorrente alegou tratarse de apropriação já ocorrida em dezembro de 2010 (fls. 3863 a 3869). De fato, foi identificado na contabilidade, no dia 31/12/2010 uma apropriação no valor de R$ 56.748,09 que diminuída de retenção no valor de R$ 4.770,70 (já comprovada) perfaz o valor de R$ 51.977,39 (fl. 3085). Assim, o respectivo lançamento contábil de "ajuste" deve ser considerado na apuração do mês de janeiro de 2011. Em relação à Cofins, o valor total de R$ 95.627,40, relativo aos "ajustes" efetuados na , contabilidade, corresponde aos seguintes lançamentos na conta contábil 2.1.3.01.0006 — COFINS CONTRIB. P/FIN. DA SEG. SOCIAL: (...) Para cada um destes valores, a recorrente apresentou justificativas em resposta ao TDF 2, as quais passamos agora a analisar. Lançamento efetuado em 02/01/2011, no valor de R$ 12.001,54: a recorrente alegou tratarse de apropriação efetuada em fevereiro de 2010 (fls. 3870 a 3876). Não foi possível identificar esta apropriação na contabilidade, porém houve um pagamento neste valor ocorrido em 25/03/2010, referente ao período de apuração de 28/02/2010 (fl. 3872). Considerando a determinação da DRJ para que _os pagamentos fossem aproveitados na apuração do quantum devido; o respectivo lançamento contábil de "ajuste" deve ser considerado na apuração do mês de janeiro de 2011. Lançamento efetuado em 02/01/2011, no valor de R$ 2.875,79: a recorrente alegou tratarse de apropriação efetuada em abril de 2010 ,(fls. 3877 a 3883). Não foi possível identificar esta apropriação na contabilidade, porém houve um Fl. 4264DF CARF MF Processo nº 10166.727389/201247 Acórdão n.º 3302005.392 S3C3T2 Fl. 4 5 pagamento neste valor ocorrido em 28/05/2010, referente ao período de apuração de 30/04/2010 (fl. 3883). Considerando a determinação da DRJ para que os pagamentos fossem aproveitados na apuração do quantum devido, o respectivo lançamento contábil de "ajuste" deve, ser considerado na apuração do mês de janeiro de 2011. Lançamento efetuado em 31/01/2011, no valor de R$ 80.750,07: a recorrente alegou que para este valor houve uma retenção de valor idêntico no mesmo dia (fls. 3884 a 3887), porém não apresentou comprovantes da referida retenção. Assim, o respectivo lançamento de "ajuste" não deve ser considerado na apuração deste mês, isto é, o valor de R$ 80.750,07 deve compor o valor total devido. Em relação aos valores de PIS e Cofins retidos, respectivamente de R$ 1.459,66 e R$ 6.736,92 (fls. 3149 a 3152), a recorrente apresentou cópias de notas fiscais e outros documentos (fls. 3174 a 3186) por meio dos quais demonstra a retenção destes tributos no período. Em relação aos valores recolhidos, a recorrente apresentou cópias de "Comprovantes de Arrecadação" (fls. 3159 a 3165), relativos a Documentos de Arrecadação de Receitas Federais — Darf, cuja soma dos respectivos valores correspondem aos totais informados no demonstrativo acima. • Desta forma, para o mês de janeiro de 2011, a considerar os valores recolhidos conforme acordão recorrido da DRJ e a falta de comprovação de' "ajustes", devem ser lançados os seguintes valores: (...) FEVEREIRO DE 2011 De acordo com o acórdão da DRJ, foram mantidos os lançamentos de PIS e Cofins nos valores de R$ 40.578,51 e R$ 176.799,03 (fl. 1581), respectivamente. Tais valores correspondem ao total de lançamentos a crédito nas respectivas contas contábeis (fl. 3191), pois não foram informados débitos relativos a estes tributos em DCTF. Alega a recorrente que o autuante deixou de considerar ajustes contábeis, tributos retidos e recolhimentos efetuados. Na tentativa de comprovar que teria direito a tais deduções, apresentou os documentos e esclarecimentos constantes da resposta ao TDF 1 (fls. 2450 a 2453) e do ."ANEXO XVI" (fls. 3187 a 3252). Considerando estas deduções e os valores declarados em DCTF, foi elaborado o demonstrativo abaixo: (...) Como não foram informados débitos de PIS e Cofins em DCTF e levando em conta os ajustes contábeis, as retenções e os valores recolhidos, já que a DRJ determinou que eventuais pagamentos fossem aproveitados, restariam como devidos os valores de R$ 9.656,34 de PIS e de R$ 47.340,01 de Cofins, reconhecidos pela recorrente. Falta saber se os .documentos e esclarecimentos juntados comprovam o direito de a recorrente de deduzir os ajustes, as retenções e os pagamentos. Em relação ao "ajuste" relativo ao lançamento contábil efetuado em 28/02/2011, no valor de 2.600,33, a recorrente alegou em resposta ao TDF 2 tratar se de apropriação efetuada em fevereiro de 2010 (fls. 3888 a 3894). Não foi possível identificar esta apropriação na contabilidade, porém houve um pagamento neste valor ocorrido em 25/03/2010 (fl. 3894). Considerando a determinação da DRJ para que os pagamentos fossem aproveitados na apuração do quantum devido, o respectivo lançamento contábil de "ajuste" deve ser considerado na apuração do mês de fevereiro de 2011. Fl. 4265DF CARF MF 6 Em relação aos valores de PIS e Cofins retidos, respectivamente de R$ 27.714,29 e R$ 127.912,08 (fls. 3191 a 3194), a recorrente apresentou cópias de notas fiscais e outros documentos (fls. 3206 a 3252) por meio dos quais demonstra a retenção destes tributos no período. Em relação aos valores recolhidos, a recorrente apresentou cópias de "Comprovantes de Arrecadação" (fls.3195 a 3197), relativos a Documentos de Arrecadação de Receitas Federais — Darf, cuja soma dos respectivos valores correspondem aos totais informados no demonstrativo acima. Desta forma, para o mês de fevereiro de 2011, a considerar os valores recolhidos conforme acórdão recorrido da DRJ, restaria ainda um saldo a lançar de PIS de R$ 9.656,34 e de Cofins de R$ 47.340,01, conforme admitido pela própria recorrente. Neste cenário, adotando o relator como causa de decidir, os termos do relatório de diligência fiscal que, expressamente analisou a questão sobre o ajuste suscitado pela Recorrente, improfícuo a alegada omissão suscitada pela Embargante. No mais, o sistema de livre convencimento motivado, adotado no nosso ordenamento jurídico, permite que a decisão proferida seja fundamentada com base nos argumentos que o julgador entender cabíveis, o que foi feito no caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou jurisprudência de que as decisões devem formar um conjunto coerente de enfrentamento das razões apresentadas pelo recorrente, sendo assim desnecessário o enfrentamento pontoaponto: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a ater se aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Diante do exposto, voto por rejeitar os Embargos de Declaração. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 4266DF CARF MF
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Numero do processo: 10111.000295/2005-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 17/03/2005
CONCOMITÂNCIA PARCIAL.
Acertada a decisão da DRJ que entendeu pela concomitância apenas quanto à parte do objeto do presente auto de infração (incidência ou não do PIS-importação e COFINS-importação), procedendo à análise dos demais aspectos discutidos (possibilidade de lavratura de auto de infração após o ajuizamento de demanda judicial com depósitos realizados e procedência da cobrança de juros de mora e multa).
MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. INCIDÊNCIA.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não se dá com o depósito do seu montante parcial. Se a tal exigibilidade não restou suspensa, ao tempo do vencimento dos créditos tributário em pauta, incide multa de ofício.
JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. INCIDÊNCIA.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcelo Costa Marques D'Oliveira e Semíramis de Oliveira Duro. Designado para redação do voto vencedor, o Conselheiro Antonio Carlos Cavalcanti Filho.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 17/03/2005 CONCOMITÂNCIA PARCIAL. Acertada a decisão da DRJ que entendeu pela concomitância apenas quanto à parte do objeto do presente auto de infração (incidência ou não do PIS-importação e COFINS-importação), procedendo à análise dos demais aspectos discutidos (possibilidade de lavratura de auto de infração após o ajuizamento de demanda judicial com depósitos realizados e procedência da cobrança de juros de mora e multa). MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. INCIDÊNCIA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não se dá com o depósito do seu montante parcial. Se a tal exigibilidade não restou suspensa, ao tempo do vencimento dos créditos tributário em pauta, incide multa de ofício. JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. INCIDÊNCIA. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcelo Costa Marques D'Oliveira e Semíramis de Oliveira Duro. Designado para redação do voto vencedor, o Conselheiro Antonio Carlos Cavalcanti Filho. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Multa de ofício e juros de mora. Recorrente GLOBAL VILLAGE TELECOM LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/03/2005 CONCOMITÂNCIA PARCIAL. Acertada a decisão da DRJ que entendeu pela concomitância apenas quanto à parte do objeto do presente auto de infração (incidência ou não do PIS importação e COFINSimportação), procedendo à análise dos demais aspectos discutidos (possibilidade de lavratura de auto de infração após o ajuizamento de demanda judicial com depósitos realizados e procedência da cobrança de juros de mora e multa). MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. INCIDÊNCIA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não se dá com o depósito do seu montante parcial. Se a tal exigibilidade não restou suspensa, ao tempo do vencimento dos créditos tributário em pauta, incide multa de ofício. JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. INCIDÊNCIA. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcelo Costa Marques D'Oliveira e Semíramis de Oliveira Duro. Designado para redação do voto vencedor, o Conselheiro Antonio Carlos Cavalcanti Filho. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 02 95 /2 00 5- 33 Fl. 253DF CARF MF 2 José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10111.000295/200533 Acórdão n.º 3301004.485 S3C3T1 Fl. 252 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, de fls. 485/504 dos autos: Trata o presente processo de lançamentos de créditos tributários, formalizados em dois autos de infração, conforme discriminado a seguir: a) Auto de Infração de fls. 0203, através do qual foi constituído o crédito tributário relativo à Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação (PIS/PASEP Importação), no valor de R$ 1.073,68, acrescido de multa de ofício, no percentual de 75%, e de juros de mora, na forma da legislação de regência; b) Auto de Infração de fls. 0410, por meio do qual foi constituído o crédito tributário relativo à Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social incidente na Importação (COFINSImportação), no valor de R$ 4.945,43, acrescido de multa de ofício, no percentual de 75%, e de juros de mora, na forma da legislação de regência. De acordo com a descrição dos fatos, contida nos autos de infração, houve falta de recolhimento das referidas contribuições incidentes na importação da mercadoria amparada pela Declaração de Importação (DI) nº 05/02779068, registrada em 17/03/2005 (fls. 1117). Os lançamentos foram efetuados com base nos arts. 1º, 3º, 4º, 5º, 7º e 8º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004; art. 44, inciso I, e art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996. Conforme o relato da fiscalização, a empresa impetrou Mandado de Segurança questionando a incidência dos citados tributos na importação (processo nº 2005.34.00.0052292) e realizou depósitos em datas sucessivas que, entretanto, não perfizeram o montante integral do crédito tributário, conforme demonstrativos de apuração anexos aos autos de infração (fls. 0610). Aduz o autuante que “a imposição de multa de ofício para efeito deste lançamento foi realizada em virtude do depósito inicial ter sido em valor inferior ao montante integral. Com o registro da DI, em 17/03/2005, encerrouse a espontaneidade do contribuinte, tendo sido calculada a multa de ofício e os juros moratórios respectivos.” Nos autos de infração consta a seguinte observação: “O crédito tributário lançado através do presente Auto de Infração não está com a exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar concedida nos autos do processo n° MS 2005.34.00.0052292 da 21a. Vara Federal (art. 151, incisos II e IV do CTN), pois os depósitos realizados não perfazem o montante integral.” (sic) Cientificada dos lançamentos, conforme Aviso de Recebimento de fls. 4647, a empresa insurgiuse contra a exigência, apresentando, em 25/07/2005, as impugnações de fls. 5055 e 9297, acompanhada dos documentos de fls. 5691 e fls. 98133, nas quais expõe, em síntese, as seguintes razões de defesa: a) o fiscal inquinou de irregular o momento do recolhimento da COFINS Importação e do PIS/PASEPImportação; Fl. 255DF CARF MF 4 b) alegase que os valores depositados judicialmente perfazem valor inferior ao montante integral do crédito em debate; c) tomando como base os valores apurados pelo Fiscal, temse R$ 4.945,43 (Cofins) e R$ 1.027,65 (PIS/PASEP) como valores depositados em Juízo para suspender a exigibilidade dos créditos tributários, quando na verdade deveriam ter sido recolhidos apenas R$ 4.675,22 e R$ 1.073,68, respectivamente (sic); e) se as quantias depositadas a menor, cingiramse a R$ 471,98 (Cofins) e R$ 46,08 (PIS/PASEP), como afirma a fiscalização, o auto de infração deveria limitar se a esses valores faltantes e não exigir todo o tributo já depositado na conta judicial; f) a exigência fiscal não pode contemplar os valores já depositados, porquanto a exigibilidade está suspensa, restando exigível apenas as citadas diferenças apuradas, sob pena de exigência dos tributos em duplicidade; g) não há razão para se exigir quantia já depositada em juízo, seja porque a União poderá utilizarse desse valor, por força da Lei n 9.703/1998, seja porque o crédito tributário será extinto com a conversão do depósito em renda, em caso, de improcedência do pedido mandamental; h) conforme se verifica do extrato obtido junto à Caixa Econômica Federal (fls. 58 e 133), que discrimina os valores referentes às contas vinculadas ao processo judicial nº 2005.34.00.0052292, atualmente encontrase à disposição do douto Juízo a quantia de R$ 21.643,43; i) o valor depositado judicialmente para suspender a exigibilidade do crédito é quatro vezes superior à quantia exigida indevidamente pelo Fiscal, contemplando, integralmente, o valor exigido; j) ao calcular os juros de mora, a fiscalização baseouse em um valor, porém quando foi calcular a multa de ofício, utilizouse de outro valor, vindo ao final a acrescentar o valor já depositado em Juízo; k) como já se encontra depositado o valor integral dos impostos incidentes sobre a operação, tornase despiciendo manterse a presente “alteração administrativa”; l) de acordo com entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes, “a obtenção de liminar em Mandado de Segurança, confirmada por sentença de Primeiro Grau, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo o prosseguimento do processo administrativo, cujo curso somente foi retomado quando negada a segurança em instância superior”; m) como todas as quantias das obrigações principais foram totalmente depositadas em conta judicial, somente se pode exigir a multa e juros incidentes sobre as diferenças depositadas a destempo, qual seja, R$ 471,98 (Cofins) e RS 46,08 (PIS/PASEP), sendo que esses valores não podem ser exigidos por também já terem sido depositados; n) requerse, a produção de prova pericial, com vista a viabilizar a ampla defesa da impugnante, principalmente a expedição de ofício à Caixa Econômica Federal, para que preste informações sobre a Conta Judicial vinculada ao Mandado de Segurança n° 2005.34.00.0052292, informando os valores e datas dos depósitos, a fim de se apurar adequadamente a incidência dos encargos, pois somente assim se verificará que o valor principal já está devidamente depositado, incidindo a multa e os juros apenas sobre a diferença recolhida intempestivamente; o) por fim, requer seja dado provimento à impugnação para declarar insubsistente o Auto de Infração, retificandose o valor exigido que deve Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10111.000295/200533 Acórdão n.º 3301004.485 S3C3T1 Fl. 253 5 compreender apenas a multa e juros incidentes sobre a diferença depositada em juízo a destempo. Conclusos, os autos foram encaminhados a este órgão julgador. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. A decisão foi proferida no sentido de (i) declarar definitivos, na via administrativa, os créditos tributários relativos à DI n. 05/02779068, correspondentes à COFINSImportação, no valor total de R$ 4.945,43 e PISImportação no valor de R$ R$ 1.073,68, haja vista a renúncia à instância administrativa em razão da propositura de demanda judicial; (ii) conhecer da impugnação apenas no que concerne às matérias que não constituem objeto da referida ação judicial; (iii) indeferir o pedido de perícia e diligência; (iv) no mérito, negar provimento à impugnação, para manter o lançamento dos juros e das multas de ofício, na forma da legislação de regência; (v) declarar que o presente julgamento fica subordinado à decisão definitiva a ser proferida no processo judicial n. 2005.34.00.0052292, perdendo automaticamente a validade e eficácia, total ou em parte, acaso se torne incompatível com aquela decisão, ressaltandose que, sobrevindo decisão definitiva favorável à União, quando da cobrança do crédito tributário lançado, serão considerados os valores depositados que venham a ser transformados em pagamento definitivo, dandose prosseguimento à cobrança de eventual diferença de tributos, juros de mora e multas, nos termos da legislação aplicável. A decisão proferida restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/03/2005 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DIVERGÊNCIA DE OBJETOS. INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do Princípio da Unidade de Jurisdição, a propositura de ação judicial contra a Fazenda Pública importa renúncia ao direito de recorrer às instâncias julgadoras administrativas, no tocante à matéria objeto de discussão perante o Poder Judiciário. Em relação à referida matéria, o lançamento tornase definitivo na esfera administrativa, ficando vinculado ao que for decidido no processo judicial. Havendo divergência parcial de objetos entre o processo administrativo e a ação judicial, é cabível o julgamento administrativo da lide unicamente no que concerne à matéria diferenciada. Nesta última hipótese, havendo conexão ou interdependência entre ambos os processos, a eficácia da decisão administrativa ficará subordinada ao resultado definitivo do processo judicial, o que não obsta a cobrança do crédito tributário, exceto quando verificada hipótese suspensiva da exigibilidade (art. 151 do CTN). PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A solicitação de diligência deve ser rejeitada quando essa providência revelarse prescindível à instrução e ao julgamento do processo, por envolver unicamente o exame de prova documental já acostada aos autos, de conhecimento da impugnante, para simples conferência de informações, podendo a apreciação ser efetuada diretamente pelo julgador, registrandose na decisão administrativa o resultado dessa verificação. Deve ser indeferido o pedido de perícia quando não recair sobre matéria fática que requeira conhecimento técnico especializado, sobretudo quando o exame pretendido envolver matéria jurídica cuja apreciação compete à autoridade administrativa julgadora. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 257DF CARF MF 6 Data do fato gerador: 17/03/2005 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO. VALIDADE. A existência de ação judicial, ainda que presentes quaisquer das causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário, não afasta o dever da Fazenda Pública em proceder ao lançamento do crédito em litígio. DEPÓSITO JUDICIAL INSUFICIENTE. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Somente o depósito integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, efeito que não ocorre em se tratando de depósito insuficiente. DEPÓSITO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS DE MORA. MULTA. INCIDÊNCIA. Em caso de depósito parcial do crédito tributário, é cabível o lançamento de ofício do tributo acrescido dos juros de mora e de multa, calculados nos termos da legislação de regência, devendo ser deduzida, por ocasião da cobrança, a quantia depositada que venha a ser transformada em pagamento definitivo, na hipótese de a lide judicial ser decidida a favor da União. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 08/07/2014 (vide AR de fl. 230 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs em 06/08/2014 Recurso Voluntário (fls. 235/243), através do qual requereu: (i) seja dado provimento ao recurso a fim de declarar insubsistente os Autos de Infração, retificandose os valores exigidos para que os mesmos compreendam, quando muito, tão somente à multa e aos juros incidentes sobre a diferença depositada em juízo, supostamente, a destempo; (ii) que fique a decisão proferida no presente procedimento administrativo subordinada à decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n. 2005.34.00.0052292, perdendo totalmente a validade ou eficácia, total ou em parte, acaso seja incompatível com a decisão judicial. Posteriormente, o contribuinte apresentou petição em 17/10/2014, através da qual requereu a juntada aos autos de comprovante de depósito integral do valor ora discutido, pelo que requereu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em comento, eis que garantido nos autos do MS nº 2005.34.00.0052292 (vide petição de fls. 248/250 dos autos). As guias dos depósitos, realizados em 13/10/2014, indicavam o valor de R$ 927,51 para a COFINS e R$ 90,92 para o PIS. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10111.000295/200533 Acórdão n.º 3301004.485 S3C3T1 Fl. 254 7 Voto Vencido Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima indicado, a DRJ entendeu que havia concomitância apenas no que concerne à cobrança do principal (incidência ou não da COFINSImportação e do PIS Importação no que tange à DI em referência). Porém, considerando que a ação judicial não tratava da impossibilidade de lavratura de auto de infração posteriormente ao ajuizamento de demanda judicial, ou mesmo da exigência dos juros e da multa (e nem poderia visto que quando do seu ajuizamento o auto de infração ainda não havia sido lançado), entendeu que deveria enfrentar estas matérias. Agiu certo o Julgador de primeira instância administrativa, cuja decisão encontrase muito bem fundamentada, merecendo elogios. De fato, quando houver no auto de infração matérias estranhas às discutidas na ação judicial, estas deverão ser necessariamente enfrentadas no processo administrativo, em respeito aos princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. O primeiro ponto que merece análise diz respeito ao argumento apresentado pelo contribuinte no sentido de que seria indevida a lavratura de auto de infração em razão da existência de ajuizamento de demanda judicial prévia, em que teria sido realizado depósito do valor discutido. Entendo, contudo, que não assiste razão ao contribuinte. Por concordar com os termos da decisão recorrida que analisou este ponto, transcrevoa a seguir, adotandoa como razão de decidir: DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO NA VIGÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL E DE DEPÓSITO Neste tópico, cabe lembrar que a concretização da hipótese de incidência, prevista em lei, configura o fato gerador, fazendo nascer a obrigação tributária, a qual dá ensejo ao lançamento constitutivo do crédito tributário, tendo este, como uma de suas características, a exigibilidade (arts. 113, 114, 141 e 142 do Código Tributário Nacional CTN). Assim, diante da ocorrência do fato gerador e não tendo a impugnante efetuado o recolhimento espontâneo das contribuições incidentes na importação impõese a sua constituição de ofício, pela autoridade fiscal, independentemente da existência de ação judicial, em que se discuta a legalidade/constitucionalidade da legislação de regência dos tributos, ou ainda de depósito judicial. Conforme determina o art. 142 e respectivo parágrafo único do CTN, deve ser regularmente efetivado o lançamento do valor total dos tributos e consectários legais. Ressaltese que a atividade administrativa do lançamento é obrigatória e vinculada, sob pena de responsabilidade funcional, consoante Fl. 259DF CARF MF 8 disposição expressa do citado artigo. Portanto, a autoridade fiscal não pode eximirse de cumprir seu dever, estabelecido em norma legal cogente. Mesmo nos casos de suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de concessão medida liminar em mandado de segurança ou de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial, ou ainda de depósito judicial do montante integral, é cabível a realização do lançamento, porém, com a ressalva de que, nessas hipóteses, a exigibilidade do crédito tributário ficará suspensa, enquanto vigorarem tais medidas (art. 151, incisos II, IV e V do CTN). Devese compreender que a suspensão da exigibilidade de um crédito tributário pressupõe a existência desse crédito, formalmente constituído, de titularidade da União. Como corolário, somente é possível falar em suspensão da exigibilidade se houver a prévia constituição do crédito, o que se dá pelo lançamento, consubstanciado no Auto de Infração. Assim, nos termos da disposição legal acima mencionada, a concessão de liminar ou de tutela antecipada tem o efeito tãosomente de suspender a exigibilidade do crédito tributário, vale dizer, dos procedimentos de cobrança, enquanto o Poder Judiciário examina o mérito da questão, não afetando, porém, a realização do lançamento, etapa prévia, pela qual apenas se formaliza o direito ao crédito, não deflagrando por si só a sua exigibilidade quando existentes quaisquer das hipóteses elencadas no citado art. 151 do CTN. Tampouco impede a prática dos atos processuais com vista à solução do litígio administrativo, no que concerne a questões não discutidas na ação judicial, etapa que também antecede a cobrança do crédito. Essa ilação se extrai ainda do art. 62 do Decreto nº 70.235/1972, o qual, em seu caput, ao vedar a instauração de procedimento fiscal contra o sujeito passivo, durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança, está se referindo aos procedimentos de cobrança, uma vez que a esta se destina a ordem judicial de suspensão. Por outro lado, fica assegurada a realização do ato administrativo do lançamento, visto que, conforme preceitua o parágrafo único do mesmo artigo, o processo fiscal não deve ter seu curso suspenso, exceto, obviamente, quanto aos atos executórios, porquanto atos de cobrança. Não fosse suficiente a determinação contida no art. 142 do CTN, nas hipóteses aventadas, a efetivação do lançamento tem ainda como objetivo prevenir a decadência do direito à constituição do crédito tributário, o que poderia ocorrer acaso se protraía no tempo a discussão judiciária. Nesse sentido, havendo medidas judiciais suspensivas da exigibilidade do crédito tributário, a obrigatoriedade da realização do lançamento decorre ainda do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430/1996, o qual menciona expressamente a prevenção da decadência, como finalidade da medida. Em caso de depósito integral, a jurisprudência judicial vem se firmando no sentido da desnecessidade de lançamento, sob o argumento de que o mero depósito seria apto a constituir o crédito tributário, à semelhança do lançamento por homologação, sendo o crédito extinto mediante a conversão do depósito em renda da União. Todavia, deve ficar registrado que esse entendimento não implica nulidade de lançamentos acaso efetuados. 5 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10111.000295/200533 Acórdão n.º 3301004.485 S3C3T1 Fl. 255 9 Não há que se falar, pois, em nulidade do auto de infração lavrado, o qual seguirá o seu trâmite em total observância ao determinado na ação judicial correlata. Logo, ao contrário do que alega o contribuinte, não há em tal caso cobrança em duplicidade, visto que a decisão recorrida deixou claro que os valores depositados judicialmente deverão ser considerados pela fiscalização quando da execução do presente julgado. Superada essa questão preliminar, há de se analisar, então, se estaria correta a lavratura de auto de infração com a exigência de juros de mora e multa de ofício, diante dos depósitos judiciais realizados no processo judicial. Neste particular, a DRJ entendeu por negar provimento à impugnação, para manter o lançamento dos juros de mora e das multas de ofício, consoante fundamentos trazidos a seguir: DO DEPÓSITO INSUFICIENTE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA E MULTAS. Conforme dispõe o art. 151, inciso II, do CTN, o depósito do montante integral, suspende a exigibilidade do crédito tributário, assegurando ao sujeito passivo a possibilidade de litigar judicialmente sem sofrer os atos executórios relacionados à cobrança da dívida. De acordo com a decisão judicial cuja cópia se encontra anexada às fls. 40, exarada nos autos do processo nº 2005.34.00.0052292, o magistrado assim se pronunciou: “Defiro o depósito, ficando suspensa a exigibilidade do credito tributário (COFINS e PIS) referente a DI 05/0226565, desde que correspondente ao montante integral, cuja correção será verificada pela Autoridade apontada como coatora ...” (os destaques não constam no texto original). Assim os depósitos judiciais ficaram sujeitos ao exame da autoridade fiscal a fim de ser verificado se correspondem ao montante integral do crédito tributário, o que, acaso confirmado, resultaria na suspensão da exigibilidade, em consonância com a supracitada decisão judicial. Entretanto, conforme atesta o auto de infração em litígio, foi detectada a insuficiência dos valores depositados. Com efeito, no caso em exame, as quantias depositadas, mesmos acrescidas dos pagamentos realizados em data posterior, não perfizeram o montante integral do crédito tributário devido na data dos referidos depósitos, consoante se verifica nos demonstrativos de apuração anexos aos autos de infração, de fls. 0610, elaborados com base nos documentos de fls. 1819 e 4143. Cabe observar, por oportuno, que as guias de depósito consideradas nesse exame (fls. 1819), estão formalmente vinculadas a Mandado de Segurança diverso (processo judicial de nº 2005.34.00.0064711). Todavia, de acordo com a petição de fls. 3739, a litigante teria informado, à Fl. 261DF CARF MF 10 autoridade judiciária, o equívoco na indicação do citado número nas Guias de Depósito e que os valores referentes a tais guias efetivamente estão relacionados ao Mandado de Segurança nº 2005.34.00.0052292, que versa sobre a exação de que trata este litígio administrativo (DI nº 05/02779068). Na citada petição, a querelante informa, ainda, que, havendo peticionado ao juiz da outra Vara Federal, onde tramitava o primeiro processo, este teria determinado que a Caixa Econômica Federal transferisse os valores, formalmente vinculados ao Mandado de Segurança n° 2005.34.00.0064711, para conta judicial vinculada ao Mandado de Segurança 2005.34.00.0052292 (conta de n° 3911.635.009551346). Embora no sistema de controle de pagamentos/depósitos, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tais depósitos continuem formalmente vinculados ao Mandado de Segurança anterior, prosseguese na presente análise, partindo se da premissa, adotada pela fiscalização, de que, de fato, os mencionados depósitos vinculamse à presente exação, persistindo a pendência relativa à retificação da informação (vide documentos de fls. 165168). Impõese observar ainda que o extrato apresentado pela impugnante (fls. 58 e 133) indica datas e valores originais, a título depósito, que não coincidem com as datas e valores mencionados pela fiscalização e pela própria impugnante nem se correlacionam com os comprovantes de depósito anexados aos autos. Além disso, o código de receita que consta em tal extrato (7460) referese unicamente ao PIS/Pasep e os valores nele registrados não correspondem aos valores das Contribuições devidas na importação amparada pela DI de que trata este processo administrativo. Assim, a ilação que se impõe é que os depósitos indicados no referido extrato, de fato, não se relacionam ao crédito tributário vinculado à importação em causa. Tudo contribui para se possa dizer que a divergência evidenciada pelo extrato exibido pela impugnante decorre da efetivação equivocada e recíproca de depósito pertinente a determinada ação judicial em conta relativa a ação judicial diversa, conforme se depreende da petição de fls. 3739. Percebese também que o valor que a defendente aponta, de R$ 21.643,43 não encontra respaldo nem mesmo no referido extrato por ela apresentando. Além disso, na presente análise, deve ser cotejado o valor do crédito tributário devido nas datas em que foram realizados os depósitos com os valores originais depositados naquelas datas e não, como pretende a impugnante, com o saldo da conta judicial atualizado, indicado no referido extrato, o qual, além das quantias originais depositadas, exibe valores referentes à aplicação da taxa Selic desde a realização do depósito até a data de emissão do extrato. De qualquer modo, em caso de eventual cobrança do crédito tributário, todos os valores depositados que estejam efetivamente vinculados ao Mandado de Segurança nº 2005.34.00.0052292, serão computados, sendo feitas as fortuitas retificações, que forem necessárias para devida vinculação dos depósitos às correspondentes ações judiciais. Feitos esses esclarecimentos, prosseguese a presente análise, com base nas Guias de Depósito de fls. 1819. Devese registrar primeiramente que, no tocante à DI em causa, o valor original devido, referente à Contribuição para o PIS/PASEPImportação, é de R$ 1.073,68, cujo vencimento ocorreu em 17/03/2005, na data do registro da DI (art. 13, inciso I, da Lei nº Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10111.000295/200533 Acórdão n.º 3301004.485 S3C3T1 Fl. 256 11 10.865/2004). Na referida data, foi efetuado o depósito de R$ 1.027,65 (comprovante de fl. 18). Em 22/03/2005, foi depositada a quantia adicional de R$ 43,80 (comprovante de fl. 19) e em 05/04/2005 foi realizado pagamento, mediante DARF, de R$ 2,23. No que se refere à CofinsImportação, o valor original devido é de R$ 4.945,43, cujo vencimento ocorreu igualmente em 17/03/2005, data em que foi efetuado o depósito de R$ 4.473,45 (comprovante de fl. 18). Em 22/03/2005, foi depositado valor adicional de R$ 201,77 (comprovante de fl. 19). Em 05/04/2005, foram realizados pagamentos das quantias de R$ 270,21 e R$ 123,42, sendo este último a título de multa (comprovantes de fls. 42 43). O quadro abaixo demonstra os valores depositados/pagos e respectivas datas: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO DATA VALOR DEPOSITADO/PAGO (R$) 17/03/2005 (vencimento) 1.027,65 22/03/2005 43,80 05/04/2005 2,23 COFINSIMPORTAÇÃO DATA VALOR DEPOSITADO/PAGO (R$) 17/03/2005 (vencimento) 4.473,45 22/03/2005 201,77 05/04/2005 270,21 05/04/2005 123,42 Com o escopo de verificar a suficiência dos valores depositados/pagos, devem estes ser cotejados com os créditos tributários devidos nas datas dos depósitos/pagamentos. Assim, para suspender a exigibilidade, o depósito, na data em que efetuado, deve corresponder ao montante integral do crédito tributário devido na mesma data, ou seja, abrangendo o exato valor do tributo e, caso ultrapassada a data de vencimento, os valores de eventuais acréscimos legais, calculados de acordo com a legislação tributária. Cabe, pois, ao contribuinte disponibilizar, no mesmo prazo legal para pagamento, o numerário suficiente capaz de suspender a exigibilidade do crédito, isto é, o montante integral do crédito tributário, imputandose ao mesmo as sanções legais pelo eventual atraso na efetivação do depósito. No caso, os somatórios das três primeiras parcelas de cada um dos quadros acima coincidem com os valores originais dos tributos, porém, nas datas em que foram efetivados os depósitos de algumas das citadas parcelas, as quantias devidas não eram mais apenas aquelas. Ocorre que a impugnante efetuou depósitos/pagamentos de quantias a título de tributos e multa, após o Fl. 263DF CARF MF 12 vencimento do prazo para recolhimento, deixando, porém, de acrescentar os valores referentes à integralidade dos juros de mora e à parte das multas, considerando que esses acréscimos passaram a ser devidos. Nesse passo, cumpre anotar que, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, incidirão juros de mora calculados pela taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. De acordo com a mesma disposição legal, os valores que não forem pagos dentro do prazo devem ser acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% (trinta e três centésimos por cento), por dia de atraso, a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitada a 20% (vinte por cento). Tais regras aplicamse também para o depósito. Concluise, então, que, após o vencimento do prazo para pagamento, os valores depositados deveriam incluir os acréscimos moratórios e multas. Sobre a matéria assim decidiu o Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. MEDIDA CAUTELAR, PERANTE O STJ, VISANDO À PRESTAÇÃO DE CAUÇÃO EM GARANTIA DO JUÍZO, OU, SUCESSIVAMENTE, A SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, A FIM DE OBTENÇÃO DE CERTIDÃO POSITIVA DE DÉBITOS COM EFEITOS DE NEGATIVA. DESCABIMENTO. 1. (...) 2. A suspensão da exigibilidade do débito tributário somente é admissível mediante o depósito integral e em dinheiro do valor do tributo questionado, nos termos do art. 151, II do CTN. Reforça tal conclusão o art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, que exige, para efeito de discussão de débito inscrito em dívida ativa nos autos de ação anulatória, o "depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos". No mesmo sentido também o enunciado da Súmula 112/STJ, de seguinte teor: "O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro". 3. Medida cautelar liminarmente indeferida. Agravo regimental de fls. 196/233 prejudicado. 9 (os destaques não constam no texto original) O caso em apreço guarda ainda uma peculiaridade quanto à incidência da multa. É que a previsão legal do artigo acima mencionado, diz respeito aos pagamentos realizados espontaneamente. Contudo, na espécie dos autos, conforme assevera a fiscalização, “com o registro da DI, em 17/03/2005, encerrouse a espontaneidade do contribuinte, tendo sido calculada a multa de ofício e os juros moratórios respectivos.” (destaquei) Com efeito, em 17/03/2005, data de registro da DI, iniciouse o procedimento de fiscalização, nos termos do art. 7º, inciso III, do Decreto nº 70.235/1972: Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10111.000295/200533 Acórdão n.º 3301004.485 S3C3T1 Fl. 257 13 “Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (...) III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.” O art. 485 do Decreto nº 4.543/2002, vigente à época da importação, preceituava: “Art. 485. Temse por iniciado o despacho de importação na data do registro da declaração de importação.” Prevê ainda o art. 138 do Código Tributário Nacional: “Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de Fiscalização, relacionados com a infração.” O art. 102, § 1º, alínea “a”, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo Decretolei nº 2.472/1988, dispõe no mesmo sentido: “Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria;” Assim, o pagamento/depósito do crédito tributário sob o manto do instituto da “denúncia espontânea”, excluiria a responsabilidade pela infração, impedindo a imposição de multas punitivas (multas de ofício), porém, afastada a espontaneidade em razão do início do procedimento fiscal, o contribuinte fica sujeito, a partir de então, à imposição de penalidades pela falta/insuficiência de recolhimento. No caso concreto, não se configurou a denúncia espontânea eis que apresentada após o início do procedimento de fiscalização, deixando de produzir o efeito acima mencionado, atinente à exclusão da responsabilidade pela infração (falta de recolhimento) e das correspondentes multas punitivas, no percentual de 75%. Assim, considerando que quantias foram depositadas e recolhidas após o início do procedimento fiscal, deveriam corresponder à integralidade do tributo, juros de mora e multas, o que não ocorreu, de acordo com o demonstrativo de fls. 0607 e documentos de fls. 1919 e 4243. Cabe repisar que o depósito, somente tem como efeito a suspensão da exigibilidade, se efetuado no montante integral do crédito tributário, o que inclui juros e multas, acaso devidos na data do depósito. Outra não pode ser a conclusão, à vista da redação estampada no art. 151, II, do Fl. 265DF CARF MF 14 CTN, na qual o legislador não elegeu, como hipótese de suspensão do crédito tributário, os depósitos parciais, pois, caso assim tencionasse, não teria qualificado o termo “depósito”, com a expressão “montante integral”. Não fosse suficiente, para alicerçar essa conclusão, o brocardo hermenêutico, de que “a lei não comporta palavras inúteis”, axioma de sólido fundamento lógico, consagrado pela doutrina e jurisprudência, essa exegese se impõe ainda com mais solidez por força do art. 111, inciso I, do CTN, que determina o uso de interpretação literal das normas que disponham sobre suspensão do crédito tributário. O art. 141 do Códex tributário reforça a regra: Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. (destaquei) Com relação à matéria em litígio, observese o escorreito ensinamento de ALIOMAR BALEEIRO: “É importante observar, no entanto, que o depósito parcial do montante devido não oferece as garantias adequadas à Fazenda para afastar a execução fiscal em juízo.”10 A jurisprudência dominante confirma esse entendimento, estando consolidada na Súmula 112, do Superior Tribunal de Justiça, cujo teor é o seguinte: "O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro" (DJ 3/11/1994). Na mesma linha, encontramse os seguintes julgados dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda: "PIS. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL, RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. A propositura de qualquer ação judicial, com o mesmo objeto de discussão administrativa, importa em renúncia ou desistência da esfera administrativa, naquilo em que o processo no âmbito judicial abordar. DEPÓSITO JUDICIAL. VALOR NÃO INTEGRAL. NÃO SUSPENSÃO DO CRÉDITO. Apenas o depósito integral do crédito tributário suspende a sua exigibilidade, o que não resta configurado na hipótese. Recurso não conhecido em parte, face à opção pela via judicial e negado na parte conhecida.”11 "IOF EXIGIBILIDADE Depósito do montante integral do crédito tributário suspende sua exigibilidade. Inocorre, porém, essa circunstância, no caso de depósito insuficiente." 12 As considerações trazidas a lume conduzem a duas conclusões no caso concreto. A primeira delas, já prenunciada, é que, conforme demonstrado no auto de infração, sendo o valor total depositado inferior ao montante integral dos créditos tributários devidos, não se configurou a causa suspensiva da exigibilidade, visto que esse efeito somente ocorre em se tratando de depósito integral. Ressalte se que isso em nada contraria a decisão judicial de fls. 40, a qual apenas teve por objeto o deferimento do depósito, aludindo à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, sob a condição de que o mencionado depósito fosse efetuado no montante integral, o que não foi atendido pela litigante. A segunda ilação consiste em que, não tendo havido o recolhimento espontâneo e diante da insuficiência do depósito, tornase cabível o lançamento dos tributos, acrescidos juros de mora com base na taxa Selic, e Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10111.000295/200533 Acórdão n.º 3301004.485 S3C3T1 Fl. 258 15 das multas de ofício, no percentual de 75%, calculados nos termos da legislação de regência. Quanto aos acréscimos moratórios, prevê o CTN, em seu art. 161: "Art. 161 O Crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” Como corolário da jurisprudência reiterada, em 22/12/2009, foi publicado13 o enunciado da Súmula nº 5 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, in verbis: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” A multa, por sua vez, está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, aplicável às Contribuições incidentes na importação, por força do art. 19 da Lei nº 10.865/2004: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (redação vigente è poça do fato) O depósito parcial do crédito tributário não comporta as garantias próprias do instituto, inclusive no tocante à incidência de acréscimos moratórios e penalidades, consoante já decidiu o Segundo Conselho de Contribuintes: “DEPÓSITO PARCIAL MULTA POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO O depósito de parte do crédito tributário discutido (depósito não integral, portanto) não suspende a exigibilidade do crédito tributário e enseja a exigência de multa por lançamento de ofício pela Fazenda Pública.” 14 Atentese ainda para o seguinte aresto, cuja ementa declara: “(...) MEDIDA LIMINAR DENEGADA ANTES DA AÇÃO FISCAL. DEPÓSITO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO.PREVALÊNCIA. Descabe a exoneração da multa de ofício de que trata o art. 63 da Lei n.º 9.430/96, por não ocorrência da hipótese prevista no art. 151, inciso IV do CTN. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. INOCORRÊNCIA DE DEPÓSITO. SUPRESSÃO DOS JUROS DE MORA. IMPOSSIBILIDADE. A supressão dos juros de mora só é pertinente na hipótese contemplada pelo art. 151, inciso II do CTN. Os juros de mora cumprem função distinta da multa. Têm aqueles a função de restituir ao credor o seu poder de liquidez pelo lapso de tempo resultante da inadimplência, enquanto a multa de ofício cumpre os desígnios de penalidade.” 15 Fl. 267DF CARF MF 16 Assim, no caso em tela, inexistindo depósito do montante integral, subsiste para a Fazenda o direito à exigibilidade do crédito tributário, impondose, assim, o lançamento de ofício. Outrossim, não estando o sujeito passivo acobertado pelo depósito integral, fica caracterizada a infração concernente à falta de recolhimento, tornando cabível o lançamento, inclusive no que concerne aos juros de mora e às multas de ofício, conforme enquadramento legal citado nos autos de infração. A conclusão esposada neste voto, subsiste, com os mesmos fundamentos antes expendidos, ainda que se considerem os valores de depósito indicados no extrato apresentado pela defendente como vinculados ao Mandado de Segurança atinente à importação em causa, porquanto, considerandose a data de vencimento dos tributos (17/03/2005), persistiria a extemporaneidade do depósito de parte dos valores informados no referido extrato, fazendo exsurgir igualmente a conclusão acerca da incidência de juros e multas. Impende esclarecer também que o fato de a fiscalização basearse em valores diferentes, para cálculo dos juros e das multas, devese ao fato de os referidos acréscimos incidirem sobre quantias diferentes, dependendo da data dos diversos depósitos. Isso também se explica porque os juros somente passam a incidir sobre valores depositados/pagos a destempo a partir do mês seguinte ao do vencimento. Além disso, foi computada, no cálculo, a parcela da multa já recolhida pela impugnante. Acrescentese que a fiscalização calculou os acréscimos sobre as quantias depositadas a destempo, conforme demonstrativo de fls. 0607. Ainda no tocante aos juros, nada mais são do que os frutos do dinheiro que remuneram o credor, por ter ficado privado de seu capital durante um determinado período de tempo. Dizemse moratórios quando devidos em decorrência da falta do cumprimento da obrigação na época determinada. Considerando que a manutenção do capital, pertencente ao credor, em mãos do devedor, após o vencimento da obrigação, implica perda para aquele e lucro para este, a lei impõe ao segundo o dever de indenizar, o que é feito por meio do pagamento de juros. No caso da obrigação tributária, os juros representam o rendimento destinado a indenizar a Fazenda por haver se privado dos seus recursos, enquanto permanecerem na posse do contribuinte. Todavia, acaso a lide judicial seja decidida a favor da Fazenda Nacional, a conversão do depósito em renda da União (transformação em pagamento definitivo), terá como efeito eximir o sujeito passivo da fluência de juros e multa, sobre os correspondentes valores depositados, a partir da data em que foi efetuado o depósito. É que, na situação ventilada, o depósito equivale a pagamento à vista na data em que foi efetuado. Assim, as quantias depositadas e convertidas em renda da União devem ser consideradas para quitação do crédito tributário, de modo a se apurar eventual saldo devedor remanescente, sobre o qual incidirão as multas de ofício e os juros de mora, calculados nos termos da legislação aplicável. Em arrimo dessa conclusão, devese considerar a sistemática inaugurada pela Lei nº 9.703/1998, a qual determina que o valor do depósito deve ser repassado pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade, no mesmo prazo fixado para recolhimento dos tributos e das contribuições federais, Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10111.000295/200533 Acórdão n.º 3301004.485 S3C3T1 Fl. 259 17 estando, portanto, o numerário depositado, disponível à União em momento idêntico ao que acontece quando são realizados pagamentos de tributos. Daí decorre que, caso a quantia depositada seja transformada em pagamento definitivo, ao final da lide judicial, não se configura o pressuposto legal para continuar incidindo juros de mora, sobre o valor depositado, após a data de realização do depósito, porquanto nessa situação não se vislumbra a hipótese de persistência de capital do credor na posse do devedor, após a efetivação do depósito, uma vez que os valores depositados já foram disponibilizados para a União naquela data. Nessa hipótese não há motivo para indenizar o credor, por meio do pagamento de juros incidentes após a data do depósito, sobre a parcela depositada que venha a ser transformada em pagamento definitivo haja vista, quanto a esta e a partir da referida data, não ter mais sido privado de seu capital. A Lei nº 9.703, de 17 de novembro de 1998, dispõe ainda, em seu art. 1º, § 3º, I, que, após o encerramento da lide ou do processo litigioso, o valor do depósito terá uma das seguintes destinações: a) será devolvido ao depositante, acrescido de juros de mora (taxa Selic), quando a sentença lhe for favorável ou na proporção em que o for, ou b) transformado em pagamento definitivo, total ou proporcionalmente à exigência do correspondente crédito tributário, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. Portanto, na hipótese de depósito do montante integral, havendo decisão judicial favorável à União, o credito tributário é quitado mediante a conversão do depósito em pagamento definitivo, operandose a extinção do crédito tributário (art. 156, VI, do CTN). Todavia, em se tratando de depósito parcial, como no caso dos autos, e sobrevindo decisão judicial favorável à União, quando da cobrança do crédito tributário lançado, serão computados os valores depositados que tenham sido transformados em pagamento definitivo, operandose a extinção parcial do crédito tributário e dandose prosseguimento à cobrança de eventual diferença de tributo, acrescido de juros de mora e multas, calculados na forma da legislação aplicável. Apesar de bem fundamentada, discordo em parte da decisão acima colacionada. Isso porque, entendo que deverá ser afastada a imposição da multa de ofício no que tange à parte dos valores exigidos no auto de infração, correspondente àqueles depositados em juízo em 17/03/2005. Consoante reconheceu a DRJ na decisão recorrida, foram realizados dois depósitos judiciais na data do vencimento do tributo, um no valor de R$ 1.027,65 (PIS) e outro no valor de R$ 4.473,45 (COFINS). Logo, entendo que, quanto a tais valores, houve a denúncia espontânea por parte do contribuinte. No intuito de manter a multa de ofício aplicada, a DRJ faz uma ilação entre os depósitos realizados (que teriam sido parciais) e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Dispõe que, como apenas o depósito integral teria o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, seria devida a exigência de multa ofício no caso concreto, em razão da insuficiência dos depósitos realizados. Fl. 269DF CARF MF 18 Acredito, contudo, que não seja esta a melhor solução para a situação aqui analisada. Ora, a razão de ser da determinação de que apenas o montante integral do débito suspende a exigibilidade do crédito tributário é de que o contribuinte não poderia se beneficiar desta suspensão quando fizesse o depósito de apenas parte do valor devido. Faz todo o sentido o teor desta norma, e não se pretende questionála. Acontece que não há qualquer previsão legal no sentido de considerar devida a multa de ofício no que concerne à parte depositada em juízo. Não se está aqui tratando, pois, da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em si, mas sim da incidência ou não da multa de ofício em tal caso. No caso concreto aqui analisado, verificase que o contribuinte fez o depósito da maior parte do valor devido em clara denúncia espontânea (o depósito fora realizado na data do vencimento do tributo em ação judicial que precedeu à lavratura do auto de infração). Sendo assim, não há razões para se exigir multa de ofício sobre tais valores. Tal multa será devida, tão somente, no que concerne à parte depositada a destempo, posteriormente ao vencimento do tributo, ou seja, quando já não se enquadrava mais o contribuinte na situação de denúncia espontânea. Ressaltese, contudo, que a exclusão da multa de ofício aqui determinada fica condicionada à confirmação de que os referidos depósitos referiamse, de fato, ao montante exigido no presente auto de infração (conforme constou da decisão da DRJ, não restou confirmado tão fato em razão de uma confusão relativa ao processo judicial em relação ao qual os depósitos foram realizados), o que deverá ser realizado pela fiscalização quando da execução do presente julgado. De outro norte, no que tange aos juros de mora, entendo que também deverá restar consignado a sua não incidência após a realização dos depósitos judiciais que forem confirmados pela fiscalização. Neste ponto, a decisão recorrida entendeu pela manutenção da exigência atinente à mora, dispondo apenas que essa mora restará afastada quando da conversão dos valores depositados judicialmente. Embora o efeito prático seja o mesmo, entendo que não há razão para se manter os valores exigidos a título de juros de mora após a realização de depósitos judiciais, pois é certo que este acréscimo moratório não será devido em razão da realização dos depósitos realizados. Nesse mesmo sentido, trazse à colação voto proferido no Acórdão 2201 003.335 deste Conselho, em que restou determinado o afastamento dos juros e da multa exigidos sobre a parcela do crédito tributário depositado em Juízo: Com relação à multa, a DRJ concluiu que multa de mora aplicada, relativa aos valores que tiverem sido previamente depositados em juízo pelo contribuinte, deverá ser excluída do débito, por força do contido no art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996. Quanto aos juros cobrados, entendeu a DRJ que estes deverão ser mantidos por falta de previsão legal para a sua exclusão. Ocorre que o objeto de um depósito em juízo de um crédito tributário não é só a sua suspensão nos termos do inciso II do art. 151 do CTN. O que se objetiva, principalmente, é que depositante não seja punido com o pagamento de multas de ofício e juros moratórios. A suspensão é mero reflexo da garantia em juízo do valor em discussão. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10111.000295/200533 Acórdão n.º 3301004.485 S3C3T1 Fl. 260 19 O Decreto 3.048/99, que aprova o Regulamento da Previdência Social, e dá outras providências, prevê: (...) Art. 369. Os depósitos judiciais e extrajudiciais referentes a contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social serão efetuados na Caixa Econômica Federal mediante guia de recolhimento específica para essa finalidade, conforme modelo a ser aprovado pelo Instituto Nacional do Seguro Social e confeccionado e distribuído pela Caixa Econômica Federal. (...) Art. 370. O valor dos depósitos recebidos será creditado pela Caixa Econômica Federal à Subconta da Previdência Social da Conta Única do Tesouro Nacional junto ao Banco Central do Brasil, no mesmo prazo fixado para recolhimento das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social. Grifouse Assim, tendo em vista que os valores depositados foram repassados à subconta da Previdência Social da Conta Única do Tesouro Nacional, no mesmo prazo fixado para o recolhimento das contribuições arrecadadas pelo INSS, não faria sentido algum a incidência de atualização a título de mora, já que os valores já estão de posse da União. Por outro lado, é certo que, sendo uma atitude unilateral do contribuinte em promover o depósito, os valores por ele levados à custódia judicial são os apurados espontaneamente. O que não impede que uma eventual ação fiscal posterior constate que o valor realmente devido pelo contribuinte seja maior do que aqueles depositados. Tal como ocorre quando um contribuinte apura um débito e efetua o recolhimento regular, nada obsta a atuação fiscal para verificação da correção de tal apuração. Como é de elementar conhecimento, quando a fiscalização apura um tributo devido maior que o declarado e recolhido pelo sujeito passivo, a cobrança ocorre exclusivamente sobre o valor suplementar, com incidência de multas e juros de mora. Ora, por que seria diferente para os casos em que, no lugar do pagamento, houvesse o depósito judicial do montante apurado pelo contribuinte? Por que haveríamos de impor a cobrança de juros moratórios sobre o valor total depositado? Assim, penso que a suspensão da exigibilidade prevista no inciso II do art. 151 do CTN deve ser entendida de modo que alcance a parcela correspondente ao valor depositado do débito. Afinal, como dito acima, o que o contribuinte depositou acreditando que seria o montante integral, pode não ser o suficiente para fazer face ao débito levantado posteriormente em lançamento de ofício. Pelo que se nota nos autos, o contribuinte não questiona a ocorrência dos fatos gerados apontados pela fiscalização na apuração do débito fiscal. O que nos conduz ao entendimento de que estão corretos. Insurgese apenas em relação à cobrança de juros e multa de mora sobre os valores depositados judicialmente e pede a suspensão do processo, possivelmente acreditando que tudo o que foi apurado pela fiscalização estaria lastreado em depósitos judiciais, esquecendose de se ater a uma eventual apuração de débito que seja superior ao depositado. Fl. 271DF CARF MF 20 Assim, está correta a DRJ ao manifestarse contrariamente a suspensão do processo. Não obstante, entendo que procedem, em parte, os argumentos da recorrente, pelo quê dou provimento à exclusão de multa e dos juros de mora exigidos sobre a parcela do crédito tributário depositado em juízo e convertido em renda da União, mediante transformação em pagamento definitivo (inciso II do artl 371 do Decreto 3.048/99), devendo estas penalidades serem mantidas para os valores lançados que superarem os montantes depositados. Por fim, quanto aos valores dos depósitos judiciais realizados, é válido destacar que, posteriormente à decisão proferida pela DRJ, o contribuinte apresentou em 17/10/2014 petição através da qual requereu a juntada do comprovante de depósito da diferença do valor indicado pelo Auditor Fiscal (R$ 927,51 para a COFINS e R$ 90,92 para o PIS), realizado judicialmente no MS nº 2005.34.00.0052292, para fins de suspensão da sua exigibilidade (vide petição de fls. 248/250 dos autos). Esses valores, portanto, também deverão ser levados em consideração pela fiscalização quando da execução do presente julgado, para fins de abatimento do valor devido, acaso confirmado que se referem aos valores exigidos na presente demanda. Importante mencionar, ainda, que em consulta realizada no sítio eletrônico da Justiça Federal do Distrito Federal, foi possível constatar que a demanda judicial em questão (MS nº 2005.34.00.0052292) já transitou em julgado. Sendo assim, caberá ao setor competente avaliar o conteúdo da referida decisão, procedendose ao seu cumprimento. Conclusão Diante do acima exposto, conheço tão somente da parte do Recurso Voluntário não atingida pela concomitância, e, nesta parte, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de reconhecer o direito à exclusão da cobrança relativa aos juros e à multa incidentes sobre a parcela depositada judicialmente. Em consequência, quando da execução do presente julgado, deverão ser observados os seguintes critérios: (i) quanto à parte da demanda não conhecida em razão da concomitância, deverá ser dado andamento ao cumprimento da decisão judicial proferida no MS nº 2005.34.00.0052292, já transitado em julgado; e, quanto à parte conhecida (ii) deverá ser excluída da cobrança relativa à multa de ofício quanto aos valores depositados espontaneamente em Juízo (R$ 1.027,65 (PIS) e R$ 4.473,45 (COFINS)), condicionada à confirmação de que os referidos depósitos referiamse, de fato, ao montante exigido no presente auto de infração; (iii) deverá ser excluída da cobrança atinente aos juros de mora incidentes posteriormente a cada depósito realizado judicialmente. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10111.000295/200533 Acórdão n.º 3301004.485 S3C3T1 Fl. 261 21 Voto Vencedor Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho: Com a devido vênia, divirjo do excelente voto da Relatora nos pontos e pelas razões expostas a seguir. O art. 151, II, do CTN determina a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em havendo "o depósito do seu montante integral", o que não ocorreu. Se tal exigibilidade não restou suspensa, ao tempo do vencimento dos créditos tributário em pauta, incide a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. O art. 161 do mesmo CTN assevera que "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta". Também o art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/1996 determina a incidência dos juros de mora quando houver débitos de tributos ou contribuições administrados pela RFB não pagos no prazo da legislação. A Súmula CARF nº 5 determina a incidência dos juros moratórios "sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral", sendo que, no caso, este foi parcial. Assim, não tendo sido integrais os depósitos, subsistem integralmente o multa de ofício e os juros de mora aplicados. Portanto, nesses pontos, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904226/2012-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.306
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 42 26 /2 01 2- 63 Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 10746.904226/201263 Acórdão n.º 3301004.306 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.875, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.600. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente no montante ali expresso. Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10746.904226/201263 Acórdão n.º 3301004.306 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte declarou que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.279, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904178/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.279): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 10746.904226/201263 Acórdão n.º 3301004.306 S3C3T1 Fl. 5 4 Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "deferimento parcial do PER sob nº 01179.52590.291210.1.2.046407, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 14,76" (grifos do original), com o que concordo. Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 10746.904226/201263 Acórdão n.º 3301004.306 S3C3T1 Fl. 6 5 Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o deferimento parcial do PER apresentado, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original expresso na Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1011DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.901893/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.952
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 18 93 /2 00 8- 11 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13884.901893/200811 Acórdão n.º 3401004.952 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.625, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13884.901893/200811 Acórdão n.º 3401004.952 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13884.901893/200811 Acórdão n.º 3401004.952 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13884.901893/200811 Acórdão n.º 3401004.952 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13884.901893/200811 Acórdão n.º 3401004.952 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 76DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.001948/2005-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2003
AUTO DE INFRAÇÃO. PAGAMENTOS EFETUADOS SOB O SIMPLES. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE.
Os valores pagos a título de PIS, sob o regime de tributação pelo SIMPLES, devem ser deduzidos das parcelas lançadas e exigidas do crédito tributário constituído, mediante auto de infração lavrado em virtude da exclusão do contribuinte daquele sistema.
Numero da decisão: 9303-006.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Demes Brito (relator), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal.- Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. PAGAMENTOS EFETUADOS SOB O SIMPLES. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. Os valores pagos a título de PIS, sob o regime de tributação pelo SIMPLES, devem ser deduzidos das parcelas lançadas e exigidas do crédito tributário constituído, mediante auto de infração lavrado em virtude da exclusão do contribuinte daquele sistema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Demes Brito (relator), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal. Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 19 48 /2 00 5- 21 Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10380.001948/200521 Acórdão n.º 9303006.603 CSRFT3 Fl. 3 2 Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 330100.365, proferido pela 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para admitir a dedução dos valores pagos através do sistema Simples referentes ao PIS, dos valores lançados nos presentes autos, mantendo, no mais, a decisão recorrida. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "SUPERMERCADOS MAPEL LTDA., devidamente qualificado nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 334/335, contra o Acórdão n° 8.170, de 23/03/2006, prolatado pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE, fls. 316/324, que julgou procedente o auto de infração de fls. 10/13, decorrente de diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago de PIS, referente aos períodos de maio de 2002 a dezembro de 2003, cuja ciência ocorreu em 07/03/2005 (fl. 11). Conforme Termo de Verificação TV de fls. 18/25, a fiscalização decorreu do cruzamento de informações na Declarações de Operações com Cartões de Crédito, com as receitas informadas junto à Secretaria da Fazenda Estadual — Sefaz — CE e receitas declaradas SRF. O referido Termo registra, ainda, que por meio do processo n° 10380.000451/200596, foi formalizada a exclusão do Sistema Simples, tendo sido expedido o Ato Declaratório Executivo DRF/FOR n° 01, de 24/01/2005. O acórdão recorrido restou assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2002, 2003 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É devido o lançamento e multa de oficio pela falta ou insuficiência de recolhimento de contribuições. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. Caracterizase a responsabilidade tributária a que alude o art. 135 do CTN, na situação em que o crédito tributário embora constituído contra a empresa tiver concorrido diretamente para a prática da infração apurada o representante ou preposto da pessoa jurídica autuada. MULTA QUALIFICADA. VALORES DECLARADOS A MENOR. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10380.001948/200521 Acórdão n.º 9303006.603 CSRFT3 Fl. 4 3 O ato de o sujeito passivo apurar indevida e sistematicamente pelo sistema Simples e, portanto, apenas parte da receita bruta apurada durante vários períodos, recolhendo valor inferior ao devido, configurase evidente intuito de fraude. Aplicável, portanto, a multa de oficio qualificada de 150%. Recurso Voluntário Provido em Parte". Ciente do referido acórdão e tempestivamente, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, suscitando divergência jurisprudencial quanto a possibilidade de dedução dos valores recolhidos sob a sistemática do SIMPLES dos valores lançados em Auto de Infração para constituição de PIS, alegando tal procedimento ser indevido em razão das prescrições legais relativas à compensação. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, aponta, como paradigma, o acórdão n°10807.169. Em seguida, por sido comprovada a divergência jurisprudencial, o Presidente da 3ª Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao recurso, fls. 441/443. Devidamente cientificada, a Contribuinte não apresentou contrarrazões. No essencial, é o relatório. Voto Vencido Demes Brito Conselheiro Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito a possibilidade ou não de compensar/deduzir valores pagos pelo regime do Simples Nacional referente ao PIS, quando a Contribuinte à época tinha sido desenquadrada do regime do Simples. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10380.001948/200521 Acórdão n.º 9303006.603 CSRFT3 Fl. 5 4 segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Passo ao julgamento. In caso, a Contribuinte ingressou no regime do SIMPLES no ano de sua constituição ocorrida em dezembro de 2001, tendo iniciado suas operações mercantis a partir de janeiro de 2002. De acordo com os registros constantes do Livro de Apuração do ICMS e Livros Contábeis razão de diário, consta que o seu faturamento para os anos calendário 2002 e 2003, o valor de R$ 4.140.117,10 e 6.947.365,76, respectivamente. Estes valores representam uma média muito superior a R$ 100.000,00, mensal admitida como limite máximo para que pudesse a mesma se enquadrar na sistemática do SIMPLES naqueles anos, conforme disciplinado no art. 2 ° § 1 ° da Lei 9.317/96, com alteração dada pelo art. 3° da Lei 9.732/98. Tendo em vista a sociedade empresária ter ultrapassado, desde o anocalendário de inicio das atividades, o limite de receita bruta acima referido, sendo desenquadrada do regime " simples", com efeitos a partir 01/01/2002, conforme art.15, inc. III da Lei 9.317/96. Conforme Termo de Verificação TV de fls. 18/25, a fiscalização decorreu do cruzamento de informações na Declarações de Operações com Cartões de Crédito, com as receitas informadas junto à Secretaria da Fazenda Estadual Sefaz/ CE, e receitas declaradas SRF, o referido Termo registra, ainda, que por meio do processo n° 10380.000451/200596, foi formalizada a exclusão do Sistema Simples, tendo sido expedido o Ato Declaratório Executivo DRF/FOR n° 01, de 24/01/2005. Foi lavrado Auto de Infração para exigência de PIS, referente aos períodos de maio de 2002 a dezembro de 2003, decorrente da diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago, sujeitandose a multa de 150% (cento cinqüenta por cento), responsabilidade solidária atribuída a Manuel Pereira Lima. No entanto, exigir a contribuição do PIS não fora descontado o valor da referida contribuição paga á época em que a Contribuinte era optante do Simples. Por outro lado, a decisão recorrida deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, para admitir a dedução dos valores pagos através do sistema Simples referentes ao PIS,dos valores lançados nestes autos, com fundamento " esses fatos já foram objeto de apreciação pelos Conselhos de Contribuintes nos autos de infração de IRPJ ( fls. 349/350) e Cofins (fl. 366), cujas ementas e acórdãos se transcreve". Em que pese os fundamentos da decisão recorrida estar carente de fundamentação jurídica, lógica, é de um dispositivo apto a justificar autorização de uma compensação de ofício de regimes jurídicos distintos, a decisão recorrida merece reparos. Com efeito, é importante destacar que, em 05 de Dezembro de 1996, entrou em vigor a Lei nº 9.317/96, que dispunha sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte, além de instituir o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Esse regime de tributação era conhecido como SIMPLES FEDERAL, em razão de sua abrangência se dar apenas com relação aos tributos federais. De acordo com seu art. 17, competia à Secretaria da Receita Federal as atividades de arrecadação, cobrança, fiscalização e tributação dos impostos e contribuições pagos de conformidade com este sistema, regime vigente á época da lavratura do Auto de Infração. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10380.001948/200521 Acórdão n.º 9303006.603 CSRFT3 Fl. 6 5 Em 14 de Dezembro de 2006, passou a vigorar a Lei Complementar nº 123 que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Tal norma revogou expressamente a Lei nº 9.317/96, criando em seu lugar o conhecido SIMPLES NACIONAL. O novo sistema de tributação simplificada, passou a abranger a arrecadação conjunta dos tributos de todos os entes federados, e não mais apenas da União, como o era na vigência do SIMPLES FEDERAL. Para delimitação da lide, convém lembrar que a Contribuinte não solicitou compensação, pedido de restituição ou qualquer outro procedimento que justifique em tese o pagamento a maior de tributos. Pelo contrário, de minha leitura dos autos, resta configurada uma simulação, antiga e ultrapassada, consta que o seu faturamento para os anos calendário 2002 e 2003, o valor de R$ 4.140.117,10 e 6.947.365,76, respectivamente. Estes valores representam uma média muito superior a R$ 100.000,00, mensal admitida como limite máximo para que pudesse a mesma se enquadrar na sistemática do SIMPLES, portanto, não é por meio de Auto de Infração, que vou chancelar uma compensação de ofício sem previsão legal. Sem embargo, para que a compensação de oficio ocorra a Unidade de Origem deve verificar se o titular do direito a restituição ou ao ressarcimento, tem débito vencido ou pagamento a maior, relativo a qualquer tributo ou contribuição sob sua administração, nos termos do art. 72 do DecretoLei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, e do art. 62 do Decreto nº 2.138, de janeiro de 1997. Por sua vez, Código Tributário Nacional CTN dispõe em seu art. 170 que: "a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Neste mesmo sentido, a Lei nº 8.383/91, regulamentou os requisitos e os procedimentos a serem observados na compensação de tributos Federais recolhidos indevidamente. Vejamos o que dispõe o art. 66 daquele diploma legal , com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.069/99: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação, ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º. A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. Entrementes, houve a edição da Lei nº 9.250/95, ratificando a necessidade de identidade das espécies tributárias a serem compensadas, acrescentando o requisito de possuírem, ainda, a mesma destinação constitucional. in verbis: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10380.001948/200521 Acórdão n.º 9303006.603 CSRFT3 Fl. 7 6 importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais Dessa forma, a realização da compensação fora das hipóteses previstas no artigo 170 do CTN, lei nº 8.383/91, lei nº 9.069/99 e lei nº 9.250/95, que regem as modalidades de extinção do crédito tributário, não podem ser admitidas. Portanto, eventuais pagamentos indevidos efetuados pela Contribuinte na sistemática do SIMPLES, não podem ser utilizadas para reduzir crédito tributário exigido por meio de Auto de Infração, quando de sua exclusão do regime, ou por qualquer outra sistemática de arrecadação por inexistência de previsão legal. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relator, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de o contribuinte excluir do crédito tributário exigido, mediante auto de infração, os valores da contribuição pagos sob o regime do SIMPLES. O lançamento em discussão decorreu da exclusão do contribuinte do regime do SIMPLES, sob o qual vinha contribuindo para o PIS, e, consequentemente, sua inclusão no regime cumulativo, em relação a essa contribuição, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998. Na apuração das parcelas lançadas e exigidas, o aututante não deduziu os valores do PIS pagos pelo contribuinte, sob o regime do SIMPLES, conforme provam as planilhas "DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA" às fls. 78/79, parte integrantes do Termo de Verificação Fiscal e, consequentemente, do auto de infração. As planilhas "EXTRATO DE PAGAMENTO" às fls. 458/488 comprovam que o contribuinte efetuou, sob o regime do SIMPLES, vários pagamentos para as competências, objeto do auto de infração. No presente caso, o contribuinte pagou de forma indevida o PIS, segundo o regime do SIMPLES, quando, de fato, deveria ter sido sob regime cumulativo. Portanto, na reconstituição e apuração do saldo devedor, a autoridade lançadora deveria ter abatido dos valores devidos pelo contribuinte os valores por ele pago na sistemática do SIMPLES. A questão é simples, se ele pagou um tanto de PIS naquela competência, esse valor pago não pode ser exigido em duplicidade. Não é razoável que o próprio Fisco, tendo conhecimento do pagamento assim efetuado, não o considere para fins de apuração do quantum devido na apuração do auto de infração. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10380.001948/200521 Acórdão n.º 9303006.603 CSRFT3 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 500DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.004256/2007-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004
MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, por considerar, que, nestes casos, configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, por considerar, que, nestes casos, configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, por considerar, que, nestes casos, configurase a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 42 56 /2 00 7- 38 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10980.004256/200738 Acórdão n.º 9303005.877 CSRFT3 Fl. 300 2 Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pelo contribuinte, contra Acórdão 320200.301, DE 2/6/2011, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO INTEMPESTIVO. CABIMENTO. A exigência de multa de mora é devida quando comprovado que o pagamento do débito foi realizado a destempo. Em Recurso Especial, o contribuinte requer e reforma do acórdão sob o fundamento de que os pagamentos foram feitos anteriormente à apresentação da DCTF Retificadora na qual os valores foram confessados/majorados e antes do início do procedimento fiscal, e que, assim, estaria configurada a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, não cabendo, portanto, a cobrança de multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. A matéria tratada no presente recurso será somente o cabimento ou não da cobrança da multa moratória nos casos de pagamento a destempo, mas feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual se confessou o respectivo débito, e antes do início de qualquer procedimento fiscal. O tema não é mais passível de discussão no CARF haja vista que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu a questão posta, sob a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. O Recurso Especial nº 1.149.022/SP, que trata da matéria, foi interposto pela autora, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que entendeu que não se Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10980.004256/200738 Acórdão n.º 9303005.877 CSRFT3 Fl. 301 3 configurava a denúncia espontânea o deliberado pagamento a destempo do tributo, não discutido judicialmente, cujo lançamento deve por ele ser efetuado. Em julgamento realizado pela Primeira Seção do STJ, em 09/06/2010, sob a Relatoria do Ministro Luiz Fux, foi julgado o mérito, na seguinte decisão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção ...). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira ...). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. (...) 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10980.004256/200738 Acórdão n.º 9303005.877 CSRFT3 Fl. 302 4 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O acórdão foi publicado em 24/06/2010 e o trânsito em julgado deuse em 30/08/2010. A decisão fala especificamente em pagamento concomitante com a retificação da DCTF, mas, pelo teor da decisão, da Súmula e dos precedentes nela citados (ainda que a contrario sensu), mais que claro e óbvio fica que o mesmo vale para pagamentos feitos anteriormente. Por força regimental – Portaria MF nº 256/2009, art. 62, § 2º, a decisão deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA PGFN/CRJ/Nº 1114/2012 (...) (...) 5. ... em resposta à consulta da RFB, segue em lista anexa a esta Nota a delimitação dos julgados proferidos pelo STF e STJ, relacionados pela RFB, para efeitos de que aquele órgão proceda ao cumprimento, no seu âmbito,do quanto disposto no Parecer PGFN 2025/2011. (...) 45 RESP 1.149.022/SP (...) Resumo: 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10980.004256/200738 Acórdão n.º 9303005.877 CSRFT3 Fl. 303 5 tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 303DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.904349/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES.
Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, está compreendida no conceito de serviços hospitalares (art. 15, parágrafo 1º, III, "a", da Lei nº 9.249, de 1995, antes das alterações pela Lei nº 11.727, de 2008) a atividade de laboratório de análises clínicas, autorizando a incidência do percentual de 8% na apuração do lucro presumido.
Numero da decisão: 1201-002.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Souza (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, está compreendida no conceito de serviços hospitalares (art. 15, parágrafo 1º, III, "a", da Lei nº 9.249, de 1995, antes das alterações pela Lei nº 11.727, de 2008) a atividade de laboratório de análises clínicas, autorizando a incidência do percentual de 8% na apuração do lucro presumido.
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LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, está compreendida no conceito de serviços hospitalares (art. 15, parágrafo 1º, III, "a", da Lei nº 9.249, de 1995, antes das alterações pela Lei nº 11.727, de 2008) a atividade de laboratório de análises clínicas, autorizando a incidência do percentual de 8% na apuração do lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Souza (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 43 49 /2 00 9- 24 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10530.904349/200924 Acórdão n.º 1201002.049 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação PER/DComp em que o contribuinte requer direito creditório de recolhimento indevido ou a maior de 2089 IRPJ – Lucro Presumido, para compensar débitos. 2. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação declarada, determinando o prosseguimento na cobrança dos débitos indevidamente compensados, acrescidos de multa e juros de mora. 3. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente, no julgamento de primeira instância. 4. Cientificado, apresentou Recurso Voluntário tempestivo ao CARF, no qual informa: Em síntese, o decisum ora atacado se baseou em duas premissas básicas, quais sejam: i) a Recorrente não constituía, à época do crédito, como uma sociedade empresária; e, ii) a não apresentação de provas para a satisfação do direito da aplicação do percentual reduzido do lucro presumido, para os fins de enquadramento como "serviços hospitalares". Quanto ao primeiro argumento, não deverá prosperar pelo simples fato de que o art. 2.031 do Código Civil permitiu que as empresas constituídas sob a égide do Código Civil anterior e demais legislações esparsas pudessem realizar as devidas adaptações do seu contrato social até 11.11.2007 na redação que foi dada pela Lei 11.127/2005. No tocante ao segundo fundamento, relativamente à apresentação das provas do efetivo exercício da atividade de "serviços hospitalares", cumpre ressaltar que não era esse o cerne da questão que motivou o despacho decisório que indeferiu ou não homologou a compensação Aliás, da leitura do próprio despacho decisório se conclui que a motivação foi exclusivamente a inexistência do direito ao crédito por não ter sido identificado, tais créditos, no confronto dos débitos e créditos informados na respectiva DCTF. Ora, se a discussão se deu exclusivamente em torno da demonstração dos créditos na respectiva DCTF, não há o que se falar da necessidade da apresentação das provas acerca do exercício da atividade de "serviços hospitalares", sob pena de preclusão. Em outras palavras, em momento algum foi questionado no respectivo despacho decisório sobre o direito da Recorrente de se utilizar dos percentuais reduzidos para os fins do lucro presumido. 5. Sobre a Natureza de Sociedade Empresária, refuta que não fosse sociedade empresária à época dos fatos, segundo o Código Civil: Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10530.904349/200924 Acórdão n.º 1201002.049 S1C2T1 Fl. 4 3 Já o art. 966 define o empresário como sendo aquele que exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. O parágrafo único do mesmo artigo ressalva quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Em outras palavras, quem exerce atividade intelectual em princípio, não é empresário, mas pode ser se em sua atividade estiver presente o elemento de empresa. (...) (...) A Recorrente, que possui a atividade de Laboratório de Análises Clínicas, a exerce de forma organizada e evidenciada pela circulação de serviços, necessária para a definição do conceito de "empresário", além do aspecto da mãodeobra especializada e do fator tecnológico (equipamentos modernos, muitos deles importados). A circulação dos serviços se constata também pela necessidade de contratação de diversos profissionais qualificados (bioquímicos, farmacêuticos, enfermeiros, etc.) para a perfeita prestação dos seus serviços, os sócios, ainda que sejam profissionais, não poderiam, sozinhos, dar conta da demanda de um laboratório de análises clínicas. (...) Destarte, concluise, portanto, que é descabido o argumento invocado para negar um direito líquido e certo da Recorrente, por se enquadrar, à época da constituição do crédito a seu favor, como sociedade empresária, mediante os novos conceitos instituídos pelo Novo Código Civil, ainda que seus atos constitutivos tenham sido adaptados em 09 de julho de 2004, no prazo previsto no seu artigo 2.031. 6. Sobre a Prestação dos Serviços Hospitalares, invoca INs da RFB e Solução de Consulta que protocolou: A partir da publicação da Instrução Normativa 306 SRF, de 12 32003, publicada no DOU de 342003, a administração tributaria firmou um entendimento mais abrangente para o conceito de serviços hospitalares. Isto porque, o art. 23 do referido ato normativo disciplina que para os fins previstos no art. 15, § 1.°, inciso III, alínea "a", da Lei 9.249/95 (matriz legal do lucro presumido), poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições relacionadas na Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884/94, do Ministério da Saúde. 7. Que, posteriormente a IN SRF nº 480, de 2004, com as alterações pela IN SRF nº 539, de 27 de abril de 2005, no art. 27, apresentou nova definição, que transcreve. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10530.904349/200924 Acórdão n.º 1201002.049 S1C2T1 Fl. 5 4 8. E relata que protocolou consulta, recebendo resposta positiva na Solução de Consulta 12, de 16 de fevereiro de 2007, cuja ementa transcreve: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 12 de 16 de Fevereiro de 2007 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: Lucro Presumido. Percentuais. Serviços Hospitalares. A pessoa jurídica que exerça a atividade de Laboratório de análises clínicas Ligada à atenção e assistência à saúde, (atribuição 4) de que trata a Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de vigilância sanitária n$ 50, de 21 de fevereiro de 2062, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003, somente terá sua atividade considerada como serviço hospitalar, para os efeitos do artigo 15 do Lei n9 9.249, de 1995, se atender aos requisitos normativos. Consideramse não atendidos esses requisitos quando a pessoa jurídica enquadrar se nas exceções veiculadas no parágrafo único do artigo 9 66 do Código civil e/ou no parágrafo primeiro do artigo 27 da IN SRF n& 480, de 2904. Esse entendimento aplicase retroativamente. 9. Haja vista que o Acórdão recorrido considerou prova insuficiente a Solução de Consulta supra, anexa os seguintes documentos comprobatórios: a) Contratos de Prestação de Serviços firmados com entidades contratantes de tais serviços; b) Notas Fiscais de prestação de serviços faturados para os contratantes em que comprovam a prestação de laboratório de análises clínicas e patológicas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.031, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10530.904165/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos presentes autos o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ do 2º trimestre de 2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.031): Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10530.904349/200924 Acórdão n.º 1201002.049 S1C2T1 Fl. 6 5 "10. A IN SRF nº 539, de 2005, foi revogada pela IN SRF nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012, alterada pela IN RFB nº 1.540, de 05 de janeiro de 2015: Dos Serviços Hospitalares e Outros Serviços de Saúde Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinados a atender à internação de pacientes humanos, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente humano, durante 24 (vinte e quatro) horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde que desenvolvem as atividades previstas nas atribuições 1 a 4 da Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Anvisa (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1540, de 05 de janeiro de 2015) Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel instalada em ambulâncias de suporte avançado (Tipo “D”) ou em aeronave de suporte médico (Tipo “E”); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instalada em ambulâncias classificadas nos Tipos “A”, “B”, “C” e “F”, que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. Art. 31. Nos pagamentos efetuados, a partir de 1º de janeiro de 2009, às pessoas jurídicas prestadoras de serviços de auxilio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que as prestadoras desses serviços sejam organizadas sob a forma de sociedade empresária e atendam às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), será devida a retenção do IR, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, no percentual de 5,85% (cinco inteiros e oitenta e cinco centésimos por cento), mediante o código 6147. 11. O contribuinte, optante pelo lucro presumido, efetuou recolhimento do IRPJ apurado mediante a aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta; pleiteia que efetuou recolhimento a maior, uma vez que, como sua atividade está compreendida no conceito de serviços hospitalares, o percentual correto para a apuração é o de 8%. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10530.904349/200924 Acórdão n.º 1201002.049 S1C2T1 Fl. 7 6 12. Para comprovar a atividade, anexou contratos e notas fiscais; tratamse de contratos: de 17/08/1989, prestação de serviços de análises clínicas; 29/12/1989, patologia clinica; 08/03/2001, assistência médica; 01/02/2001, serviços de laboratório nas dependências do contratante; e contratos de 2003 e 2004, de serviços de análises clínicas, assistência médica, atendimento ambulatorial e procedimentos de diagnóstico e tratamento; e as notas fiscais são de 2004, tendo como objeto "Serviços prestados em exames, Materiais de produtos consumidos", "Exames laboratoriais automatizados", "material de consumo utilizado para a realização de exames automatizados". 13. Às págs. [...], consta a Alteração Contratual n° 09 e Consolidação, de 09/07/2004: SEGUNDA: O objeto da sociedade é: exploração do ramo de laboratório de análises clinicas e a importação de produtos bioquímicos para laboratórios de análises clínicas. 14. Na DIPJ 2003/2002, retificadora entregue em 18/05/2009, informou Código da Natureza Jurídica: 2062 Sociedade por Cotas de Responsabilidade Limitada Empresa Privada; Código da Atividade Econômica (CNAEFiscal): 85.146/02 Atividades dos laboratórios de análises clínicas, na qual informa a totalidade da receita bruta como sujeita ao percentual de 8%. 15. Não consta a DIPJ 2003/2002 original. 16. Esses elementos atestam as atividades de laboratório de análises clínicas, e de importação de produtos bioquímicos, embora a receita informada seja referente à primeira. 1 Atividade Empresarial 17. A antiga Sociedade Civil foi substituída, no novo Código, pela Sociedade Simples (CC, art. 982). a. Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916, Código Civil, revogado. Art. 16. São pessoas jurídicas de direito privado: I. As sociedades civis, religiosas, pias, morais, científicas ou literárias, as associações de utilidade pública e as fundações. 18. Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, Código Civil vigente desde 01/2003: Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10530.904349/200924 Acórdão n.º 1201002.049 S1C2T1 Fl. 8 7 (...) Da Sociedade CAPÍTULO ÚNICO Disposições Gerais Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Parágrafo único. A atividade pode restringirse à realização de um ou mais negócios determinados. Art. 982. Salvo as exceções expressas, considerase empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. 2 Lucro Presumido. Atividades Hospitalares. 19. O CARF já sedimentou o entendimento acerca da questão: Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 13/03/2014 Nº Acórdão 1201000.986 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para: negar o pedido de restituição quanto aos créditos alcançados pela decadência, ao crédito relativo ao REDARF e ao crédito compensado em /duplicidade, nos termos do voto do relator, tendo sido reconhecido o direito ao crédito referente ao reenquadramento do coeficiente de presunção do lucro presumido de 32% para 8%. Ementa(s) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, restam compreendidas no conceito de serviços hospitalares (artigo15, parágrafo 1º, inciso III, alínea a, da Lei nº 9.249/95, antes das alterações da Lei nº 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clínicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8%, relativamente ao IRPJ. 20. Transcrevese o teor do voto do Acórdão CARF supra, que analisou análoga situação relativamente a laboratório de análises clínicas, uma vez que retrata o entendimento do CARF, com o qual esta Relatora concorda: "Vencidos tais argumentos, cumprenos analisar a questão central dos autos, que se consubstancia na qualificação jurídica da Recorrente, que apresentou todas os pedidos de restituição e declarações de compensação até aqui mencionados ante o entendimento de que sua Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10530.904349/200924 Acórdão n.º 1201002.049 S1C2T1 Fl. 9 8 atividade se enquadraria no conceito de “serviços hospitalares”, nos termos da Lei n. 9.249/95. Aliás, a mudança de entendimento somente ocorreu após o trânsito em julgado (20 de março de 2007) da ação que não lhe reconheceu o direito de isenção da COFINS, com base na Lei Complementar n. 70/91. A partir da ciência de tal decisão, conforme acórdão prolatado pelo TRF da 1ª Região, o contribuinte passou a apresentar as DIPJ e DCTF retificadoras já analisadas, bem como as declarações de compensação com os créditos a que entendia fazer jus. A base legal da tributação encontrase nos artigos 15 e 20 da Lei n. 9.249/95, com a redação vigente à época dos fatos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...) Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do §1º do art 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento, (grifamos) De se notar que a legislação, para os anoscalendário sob análise, fazia clara distinção entre os serviços em geral e a prestação de serviços hospitalares. Não há dúvida, em razão da dicção normativa, que o legislador considerava que os serviços prestados pelos laboratórios eram diferentes daqueles compreendidos na expressão "serviços hospitalares", até porque em 2008 o próprio texto foi alterado para incluir, a partir do anocalendário de 2009, os serviços de laboratório na faixa de tributação de 8% do lucro presumido, conforme observamos a seguir: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10530.904349/200924 Acórdão n.º 1201002.049 S1C2T1 Fl. 10 9 § 1° Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxilio diagnóstico e terapia, patologia clinica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clinicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Sacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11. 727, de 2008) (grifamos) Portanto, atualmente é possível que um laboratório de análises clínicas seja tributado pela alíquota de 8%, observados os critérios legais, mas isso só se concretizou a partir do advento da Lei n. 11.727/2008, com para o anocalendário de 2009. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, de que mesmo antes das alterações promovidas pela Lei n° 11.727/2008, deve ser aplicada a alíquota de 8% para fins de presunção do lucro de laboratórios de análises clínicas que se enquadram em determinados requisitos. Reproduzimos, a seguir, o paradigmático acórdão: RECURSO ESPECLAL Nº 837.913 SC (200600756635) Relator: Ministro Hamilton Carvalhido Recorrente: Centro Médico São José Ltda Recorrido: Fazenda Nacional RECLUSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. ALÍQUOTA REDUZIDA ARTIGO 15, PARAGRAFO 1O, INCISO III, ALÍNEA A, DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇOS HOSPITALARES. APOIO DIAGNÓSTICO POR LABORATÓRIO DE ANÀLISES CLÍNICAS. 1. Restam compreendidas no conceito de "serviços hospitalares" (artigo 15, parágrafo 1o, inciso III, alínea a, da Lei n° 9.249/95, antes das alterações da Lei n° 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clinicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8% relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, excluídas as simples consultas médicas ou atividades de cunho administrativo (cf. REsp. n° 1.116.399/BA, julgado sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil). 2. Recurso especial provido Por força de tal decisão, e ante as características da prestação de serviços laboratoriais demonstradas pela Recorrente nos autos, em razão dos diversos contratos firmados, inclusive com entidades de natureza pública, entendo forçoso reconhecer, na esteira do que decidiu o STJ, que deve ser conferido à interessada o direito ao crédito referente ao reenquadramento do coeficiente de presunção do lucro, de 32° o para 8%. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10530.904349/200924 Acórdão n.º 1201002.049 S1C2T1 Fl. 11 10 Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, DOULHE parcial provimento, para reconhecer o direito de reenquadramento da Recorrente no coeficiente de presunção do lucro de 8%." Conclusão Voto por DAR provimento ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório de 2089 – IRPJ Lucro Presumido recolhido a maior, até o limite da diferença entre os valores apurados com o percentual de 32% e o de 8% sobre a receita bruta da atividade de serviços de laboratório de análises clínicas." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 159DF CARF MF
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Numero do processo: 14489.000091/2007-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. ART. 173, I DO CTN.
As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo. Assim o descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade, aplicando-se o art. 173, I do CTN
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para afastar a decadência e determinar que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. ART. 173, I DO CTN. As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo. Assim o descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade, aplicando-se o art. 173, I do CTN APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. ART. 173, I DO CTN. As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo. Assim o descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade, aplicandose o art. 173, I do CTN APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para afastar a decadência e determinar que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 9. 00 00 91 /2 00 7- 37 Fl. 652DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pela Fazenda Nacional em face da decisão proferida pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, consubstanciada no Acórdão n° 2403002.662, em que o colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência com fulcro no artigo 150§4º, do CTN, assim como para determinar o recálculo da multa em relação ao valor remanescente, de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Segue abaixo a ementa e o dispositivo do acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. MULTA. RECÁLCULO. GFIP. OMISSÃO. FATOS GERADORES Constitui infração apresentar, a empresa, a GFIP com dados não correspondentes Com o advento da Lei 11.941.09, para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 14489.000091/200737 Acórdão n.º 9202006.722 CSRFT2 Fl. 653 3 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência das competências de 05/1996 a 10/2001, assim como determinar o recálculo da multa em relação ao valor remanescente, de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Na origem, tratase de lançamento consubstanciado no DEBCAD 37.050.4704, em razão de descumprimento de obrigação acessória preceituada no art. 32, IV e § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter a empresa apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O presente Recurso Especial visa à rediscussão das seguintes matérias: a) CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Decadência/Prescrição Pagamento apto a atrair o art. 150, § 4º, do CTN. Súmula CARF nº 99 b) CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Penalidades/Retroatividade Benigna AIOP/AIOA: fatos geradores anteriores à MP nº 449, de 2008 O Recurso Especial foi admitido quanto às duas matérias. O Contribuinte, devidamente intimado, apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do a quo. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Da decadência É sedimentado que o prazo decadencial aplicável às obrigações acessórias é aquele previsto no art. 173, I do CTN. Isso porque, independentemente do reconhecimento da decadência da obrigação principal essa em algum momento foi devida e por não ter sido adimplida gerou o lançamento de ofício da multa pelo respectivo descumprimento do dever instrumental, multa essa que nos termos do art. 113, §3º do mesmo diploma assumirá a natureza de obrigação principal. A meu ver o art. 113 do CTN deixa claro que as obrigações acessórias, apesar de em sua maioria estarem relacionadas ao dever de pagar um tributo, dessas são distintas e autônomas: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 654DF CARF MF 4 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Assim, descumprida uma obrigação acessória haverá o lançamento de ofício da penalidade, devendo neste caso ser aplicado o art. 173, I do CTN ainda que tenha havido o pagamento parcial do crédito relacionado à obrigação principal. Cito, para ilustrar, o entendimento da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no acórdão 2401003.209, que ainda nos traz apontamentos relevantes acerca da finalidade das informações prestadas em GFIP: Ressalto, que independente da decadência das obrigações principais ter sido decretada a luz do art. 150, § 4, nos autos de obrigação acessória não há como atribuir mesmo raciocínio, tendo em vista serem obrigações distintas, a de recolher a contribuição devida, e a de informar em GFIP fatos geradores de contribuição previdenciária. A informação em GFIP não possui o condão de apenas informar a contribuição devida, mas acima de tudo, informar a remuneração do segurado da previdência social, informação essa que irá subsidiar a concessão de benefícios e o correspondente cálculo do salário de benefício Quanto à retroatividade benigna: A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da Fl. 655DF CARF MF Processo nº 14489.000091/200737 Acórdão n.º 9202006.722 CSRFT2 Fl. 654 5 aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Fl. 656DF CARF MF 6 Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: Fl. 657DF CARF MF Processo nº 14489.000091/200737 Acórdão n.º 9202006.722 CSRFT2 Fl. 655 7 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, Fl. 658DF CARF MF 8 do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 14489.000091/200737 Acórdão n.º 9202006.722 CSRFT2 Fl. 656 9 Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei Fl. 660DF CARF MF 10 nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante de todo o exposto, conheço o Recurso interposto pela Fazenda Nacional dandolhe total provimento para reformar a decisão a quo quanto ao cálculo do prazo decadencial, além da determinação que a multa seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Diante do exposto conheço do Recurso interposto pela Fazenda Nacional para no mérito darlhe integral provimento. É como voto Patrícia da Silva Fl. 661DF CARF MF Processo nº 14489.000091/200737 Acórdão n.º 9202006.722 CSRFT2 Fl. 657 11 Fl. 662DF CARF MF
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