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Numero do processo: 11516.001203/2009-76
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
DESPESAS COM ALUGUEL. INEXIGIBILIDADE DE NOTA FISCAL. COMPROVACAO DE PAGAMENTO
É inexigível a apresentação de nota fiscal de pagamento de aluguel, porém fica obrigada a contribuinte a comprovar o efetivo pagamento realizado.
CRÉDITO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
Numero da decisão: 3803-003.604
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar privimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DESPESAS COM ALUGUEL. INEXIGIBILIDADE DE NOTA FISCAL. COMPROVACAO DE PAGAMENTO É inexigível a apresentação de nota fiscal de pagamento de aluguel, porém fica obrigada a contribuinte a comprovar o efetivo pagamento realizado. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1775; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.001203/200976 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.604 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de outubro de 2012 Matéria Processo Administrativo Fiscal Recorrente PLASSON DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DESPESAS COM ALUGUEL. INEXIGIBILIDADE DE NOTA FISCAL. COMPROVACAO DE PAGAMENTO É inexigível a apresentação de nota fiscal de pagamento de aluguel, porém fica obrigada a contribuinte a comprovar o efetivo pagamento realizado. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar privimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 12 03 /2 00 9- 76 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP nº 9943.92613.310306.1.1.098660, fls. 2/10, através do qual a contribuinte requer a compensação de credito da COFINS nãoCumulativa Exportação, relativo ao 4º trimestre de 2004, com débitos de IRPJ e CSLL de período de apuração Fevereiro de 2008, no valor de R$ 48.084,82. Após o recebimento do PER/DCOMP foi aberto Termo de Verificação Fiscal pela DRF em Florianópolis, fls. 15/19, através do qual solicita documentos que entende necessários para a avaliação fiscal e contábil do pedido. Com base na documentação apresentada em atendimento ao solicitado pela DRF, foi gerado o Despacho Decisório, fls. 87/96, que reconhece parcialmente o crédito no valor de R$ 32.272,45, glosando valores de aluguel pagos a pessoa física e outros valores não respaldados por notas fiscais de entrada. Irresignada a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade a DRJ em Florianópolis onde alega, em síntese, que: a. Ouve equivoco na conclusão da autoridade fiscal pertinente aos alugueis pagos, haja vista que foram feitos a pessoa jurídica, conforme documentação em anexo. b. A base de cálculo de créditos para fins de compensação/ressarcimento, referemse ao contrato realizado com a empresa GARANTIA ADMINISTRADORA DE BENS E SERVIÇOS LTDA., pessoa jurídica de direito privado. c. Sendo assim, merecia ser revista a decisão neste particular, para reconhecer um direito creditório adicional de R$1.203,36. d. Anexa contrato de locação e seus aditivos. A Delegacia de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Demonstrou que o valor questionado é de R$ 1.203,36, e o valor glosado de R$ 15.812,37, considerou, portanto, o valor de R$ 12.678,13 incontroverso. Fundamentou sua decisão na falta de notas fiscais que comprovassem o valor gasto com alugueis pagos a pessoa jurídica. Em analise do contrato de locação verificou que apenas após o aditivo nº 01, que a empresa citada passa a ser locadora do imóvel. Ratificou que a contribuinte foi intimada a apresentar as notas fiscais pela DRF de origem. Inconformado o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntario a esta turma julgadora onde argumenta que a exigência de notas fiscais relativas a alugueis é ilegal, pois condiciona o direito ao credito a produção de prova documental inexigível por lei. Ao final pede o deferimento da compensação postulada na origem. É o Relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Fl. 153DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.001203/200976 Acórdão n.º 3803003.604 S3TE03 Fl. 11 3 O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuinte apresentou PER/DCOMP no valor de R$ 32.272,45, que foi homologado parcialmente, tendo sido glosados R$ 15.812,37. Em Manifestação de inconformidade o sujeito passivo questiona apenas o valor de R$ 1.203,36, restando o valor de R$ 12.678,13 incontroverso. O valor glosado referese a despesas com aluguel alegadamente pagas a pessoa jurídica, com isso, firmamos o limite da demanda, exclusivamente, na glosa no valor de R$ 1.203,36. No Recurso Voluntario a contribuinte contesta tão somente a inexigibilidade de Notas Fiscais para comprovar despesas de aluguel. Em analise dos contratos verificamos que os aluguéis passaram a ser pagos a pessoa jurídica após o aditivo nº 01, e que os valores passiveis de serem ressarcidos carecem de provas, pois, a contribuinte anexa para sua defesa apenas declarações (DACON e DCTF), planilha de calculo de PIS/COFINS e contrato de locação. A inexigibilidade de Notas Fiscais de pagamentos de aluguel, não exime a contribuinte de arrolar comprovantes dos valores pagos. A obrigatoriedade de emissão de documento que comprove o pagamento de aluguel (nota fiscal, recibo ou equivalente), está fundamentada na alínea “a”, parágrafo 1o, art. 1o da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994: “Art. 1º A emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, relativo à venda de mercadorias, prestação de serviços ou operações de alienação de bens móveis, deverá ser efetuada, para efeito da legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, no momento da efetivação da operação. 1º O disposto neste artigo também alcança: a) a locação de bens móveis e imóveis; ”Grifamos. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN 4 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) No direito tributário cabe à administração fazendária o ônus da prova no ilícito tributário, entretanto, não conferiu a lei ao contribuinte o poder de se eximir de sua responsabilidade através da omissão da entrega dos elementos materiais à apreciação objetiva e subjetiva estabelecida na legislação tributária. A Contribuinte não anexou documentos suficientes a comprovar o efetivo pagamento dos aluguéis, quer seja através de recibos ou documento equivalente, com isso a liquidez e certeza do credito requerido ficou prejudicada. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 15504.012253/2008-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LOCAÇÃO PELA EMPREGADORA DE VEÍCULOS DE PROPRIEDADE DOS EMPREGADOS DA EMPRESA. SALÁRIO UTILIDADE. NECESSIDADE DA LOCAÇÃO PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONTRATADOS. AUSÊNCIA DE RECIBOS DE DESPESAS INCORRIDAS COM O USO DO VEÍCULO. DESNECESSIDADE EM FACE DO CARACTERIZADO REEMBOLSO DE DESPESAS INCORRIDAS. NÃO INCIDÊNCIA. A locação de veículos dos empregados da empresa, quando demonstrada a necessidade de tal providência para que os serviços venham a ser prestados pelo contratado enseja o entendimento de que os valores pagos, a princípio o são em decorrência da natureza do serviços prestado, e não como retribuição pelo serviço prestado. Não obstante, o fato de não haverem sido carreados aos autos recibos ou comprovantes das despesas incorridas na utilização do veículo para fins de reconhecimento da isenção preconizada pelo art. art. 28, § 9o, alínea s, da Lei 8.212/91, fica elidido em razão de que, no presente caso, é o empregado quem fica responsável e assume o risco pelas despesas de combustível, manutenção, taxas, pedágios, dentre outras, inerentes e notórias ao uso do veículo para a prestação dos serviços contratados antes de receber os valores da locação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-002.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LOCAÇÃO PELA EMPREGADORA DE VEÍCULOS DE PROPRIEDADE DOS EMPREGADOS DA EMPRESA. SALÁRIO UTILIDADE. NECESSIDADE DA LOCAÇÃO PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONTRATADOS. AUSÊNCIA DE RECIBOS DE DESPESAS INCORRIDAS COM O USO DO VEÍCULO. DESNECESSIDADE EM FACE DO CARACTERIZADO REEMBOLSO DE DESPESAS INCORRIDAS. NÃO INCIDÊNCIA. A locação de veículos dos empregados da empresa, quando demonstrada a necessidade de tal providência para que os serviços venham a ser prestados pelo contratado enseja o entendimento de que os valores pagos, a princípio o são em decorrência da natureza do serviços prestado, e não como retribuição pelo serviço prestado. Não obstante, o fato de não haverem sido carreados aos autos recibos ou comprovantes das despesas incorridas na utilização do veículo para fins de reconhecimento da isenção preconizada pelo art. art. 28, § 9o, alínea s, da Lei 8.212/91, fica elidido em razão de que, no presente caso, é o empregado quem fica responsável e assume o risco pelas despesas de combustível, manutenção, taxas, pedágios, dentre outras, inerentes e notórias ao uso do veículo para a prestação dos serviços contratados antes de receber os valores da locação. Recurso Voluntário Provido.
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LOCAÇÃO PELA EMPREGADORA DE VEÍCULOS DE PROPRIEDADE DOS EMPREGADOS DA EMPRESA. SALÁRIO UTILIDADE. NECESSIDADE DA LOCAÇÃO PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONTRATADOS. AUSÊNCIA DE RECIBOS DE DESPESAS INCORRIDAS COM O USO DO VEÍCULO. DESNECESSIDADE EM FACE DO CARACTERIZADO REEMBOLSO DE DESPESAS INCORRIDAS. NÃO INCIDÊNCIA. A locação de veículos dos empregados da empresa, quando demonstrada a necessidade de tal providência para que os serviços venham a ser prestados pelo contratado enseja o entendimento de que os valores pagos, a princípio o são em decorrência da natureza do serviços prestado, e não como retribuição pelo serviço prestado. Não obstante, o fato de não haverem sido carreados aos autos recibos ou comprovantes das despesas incorridas na utilização do veículo para fins de reconhecimento da isenção preconizada pelo art. art. 28, § 9o, alínea “s”, da Lei 8.212/91, fica elidido em razão de que, no presente caso, é o empregado quem fica responsável e assume o risco pelas despesas de combustível, manutenção, taxas, pedágios, dentre outras, inerentes e notórias ao uso do veículo para a prestação dos serviços contratados antes de receber os valores da locação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 22 53 /2 00 8- 98 Fl. 657DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 23/01/2 013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Julio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 23/01/2 013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 15504.012253/200898 Acórdão n.º 2402002.723 S2C4T2 Fl. 613 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por PROLOGI CONSULTORIA E LOGÍSTICA LTDA, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.157.0565, lavrado para a cobrança de contribuições sociais previdenciárias destinadas a terceiros e incidentes sobre os valores pagos aos seus segurados empregados a título de locação de veículos. Consta do relatório fiscal que foi apurada a existência de conta denominada LOCAÇÃO DE VEÍCULOS na contabilidade. Diante de tal fato, requeridos os esclarecimentos sobre os pagamentos efetuados, a recorrente apresentou à fiscalização extratos bancários e contratos de locação de veículos firmados com os seus segurados empregados. Ao que se depreende das ponderações do fiscal autuante os segurados empregados, proprietários dos veículos, eram os locadores dos veículos à recorrente, tida como locatária. Sobre a natureza dos contratos de locação, assim constou do relatório fiscal da infração: [..]Foi constatado que, apesar de o veiculo ficar em poder do empregado da empresa, não foi apresentada documentação que comprove uma prestação de contas, um controle da quantidade de quilômetros rodados por cada veiculo. A inexistência de documentação que discrimine as despesas realizadas pelos empregados com os veículos locados faz concluir que a auditada não tem controle sobre o uso da coisa por ela locada. Pode o empregado utilizarse do veiculo do modo que lhe convier, tanto para a execução do trabalho como para o seu uso pessoal. 9. 0 valor mensal acordado pela locação entre a auditada (locatária) e o empregado, na condição de suposto locador, 6, em média, equivalente a 59% do valor do salário mensal do trabalhador. [...] 11. Devese ressaltar que a utilização de contratos de locação de veículos não aconteceu de forma esporádica e nem tampouco em casos isolados. Ao longo do ano de 2004, a auditada firmou contratos de locação de veículos com 53 de seus 140 empregados (média do ano), contratos esses que chegaram a um montante total de R$ 183.480,13 (cento e oitenta e três mil, quatrocentos e oitenta reais e treze centavos) no ano de 2004. 12. Vale mencionar que a periodicidade inicial de cada contrato de locação era de um ano, ficando comprovado, dessa forma, a habitualidade dos ganhos por parte do empregado, e que esses contratos poderiam ser renovados sistematicamente enquanto durasse o contrato de trabalho do empregado. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 23/01/2 013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO 4 13. Ressaltamos que, o fato de a empresa denominar as parcelas pagas como parcelas do contrato de locação não modifica sua natureza jurídica de remuneração, visto que tal valor acresceu o patrimônio do empregado, tendo sido concedido como um plus na sua remuneração em decorrência do vinculo laboral. [...] 18. Para que o ressarcimento de despesas pelo uso do veiculo se exclua do campo de incidência da contribuição previdenciária, fazse necessário que haja a comprovação de que o pagamento não se reverteu em prol do empregado, mas que representou apenas o reembolso de uma despesa tida como condição imprescindível para a execução do serviço. Caso contrário, o pagamento se situa no caso geral estabelecido pelo artigo 28, I da Lei n° 8.212/91. O lançamento compreende o período de 01/2004 a 12/2004, tendo sido o contribuinte cientificado em 23/07/2008 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 586/590), a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que executa a prestação dos serviços em diversos entes de nossa Federação, necessitando que seus empregados realizassem deslocamentos constantes aos locais efetivos da execução dos serviços contratados, motivo pelo qual necessitavam ter à sua disposição veículos a fim de executarem os serviços prestados pela recorrente; 2. que tal fato, contudo, não era, e nunca foi impeditivo à contratação dos empregados. Mas, com fim de cumprir a prestação dos serviços, sempre foi imprescindível a utilização de automóveis (próprios ou não) pelos seus colaboradores; 3. que no período auditado (janeiro de 2004 a dezembro de 2004), conforme contratos juntados, não havia uma única modalidade de locação de yeículos, mas, no mínimo três. 1) locação de empresas especializadas; 2) locação de terceiros pessoas físicas e 3) locação dos próprios funcionários; 4. que nos contratos com empresas especializadas em locação de veículos, os valores praticados eram muito maiores do que os acordados com os empregados que locavam seus veículos à empresa; 5. que na segunda modalidade de locação (terceiros) o pagamento da verba relativa ao aluguel era repassada a terceiros, e não aos seus segurados empregados, o que não permite a sua caracterização como salário; 6. que caso os empregados não possuíssem veículo próprio e o quisessem locar à recorrente, esta disponibilizava ao Fl. 660DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 23/01/2 013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 15504.012253/200898 Acórdão n.º 2402002.723 S2C4T2 Fl. 614 5 mesmo outros veículos ( locados de empresas especializadas ou terceiros pessoas físicas) para que então pudesse exercer suas atividades; 7. que a locação de veículos de empregados era prática excepcional e foi elevada no ano de 2004 em razão das necessidade dos clientes da recorrente; 8. que muitos dos funcionários que constaram no anexo do Auto de Infração não laboraram durante todo o ano na empresa, tendo sido rescindidos os seus contratos de locação; 9. que havia, em alguns contratos, o adicional por quilometro rodado, vez que, existiam funcionários que realizavam um percurso mais extenso para exercer suas atividades laborais. Tal medida se tornava necessária, com o fim de ressarcir o desgaste e a depreciação extra que o veiculo sofria. Este Complemento, por assim dizer, foi estipulado quando o deslocamento superasse os 2.000 km/mês, o que demonstra a preocupação da Recorrente em apenas ressarcir as despesas em virtude de maior desgaste do automóvel utilizado; 10. que os valores pagos eram efetivamente indenizatórios das despesas incorridas com os veículos, não podendo, portanto, estarem sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias; 11. que a cláusula 3.2 dos contratos previam que o valor da locação determinava estarem nele englobados todas as despesas de pedágios, combustível, impostos, licenciamentos, manutenção preventiva, estacionamentos, multas, etc.; 12. cita doutrina e jurisprudência no sentido de que o aluguel de veículos de empregados não pode ser considerado como salário de contribuição; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 23/01/2 013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO 6 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Conforme já relatado, cumprenos saber se os valores da locação de veículos dos empregados da recorrente pode ou não ser considerada como base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas. Da análise do relatório fiscal percebese que a recorrente efetuava a locação de veículos de seus empregados, mediante contrato de locação, para que estes pudessem vir a exercer suas funções, que exigiam deslocamento a outras unidades da federação, além dos deslocamentos dentro da própria unidade. A fiscalização, ao analisar os contratos, percebeu que estes deveriam ser considerados como efetivo salário uma vez que a recorrente não demonstrou que os valores pagos eram decorrentes de ressarcimento de despesas incorridas com os veículos locados, motivo pelo qual estaria descumprido aquilo o que preconizado pelo art. 28, § 9o, alínea “s”, da Lei 8.212/91, a seguir: " § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veiculo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; " (grifei) Este foi o fundamento da autuação levada a efeito, qual seja, a ausência de discriminação das despesas incorridas com o veículo. Ressaltese que em momento algum a fiscalização defendeu que o veículo locado não era utilizado pelos empregados para o trabalho, mas apenas que também poderia ser utilizado de forma pessoal, situação, a meu ver, absolutamente normal e lógica, uma vez que o mesmo é o proprietário do veículo. Por sua vez, os contratos de locação foram entabulados consideradas, dentre outras algumas cláusulas que devem ser consideradas para o desate da demanda, que a seguir trasncrevo: OBJETO Fl. 662DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 23/01/2 013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 15504.012253/200898 Acórdão n.º 2402002.723 S2C4T2 Fl. 615 7 0 presente contrato tem por objeto a locação do veiculo FIAT UNO MILLE, 1991 placa KNF5734, que será utilizado por Adão Diniz Alves Madruga, para transporte de pessoas e materiais necessários aos serviços da LOCATÁRIA. VALOR 2.1. 0 valor completo da locação é de R$ 550,00 (quinhentos e cinquenta reais) por mês de uso efetivo do veiculo; 2.2. Este valor engloba todas as despesas com impostos, licenciamento, seguros, manutenções preventivas ou corretivas e abastecimento do veiculo, bem como toda e qualquer outra despesa oriunda do uso do veiculo, tais como estacionamentos, pedágios, multas, etc.; 2.3. Quando ocorrer do veiculo ficar parado para manutenção, reparo ou qualquer outro motivo não imputável à LOCATÁRIA, os dias relativos a este período serão descontados proporcionalmente no valor mensal da locação; PAGAMENTOS 3.1. Os pagamentos serão efetuados até o quinto dia útil do mês subseqüente ao do aluguel, segundo dados apurados no Relatório Mensal de Veículos de que trata o item 7.4. 0 atraso na entrega do relatório acarretará atraso no pagamento na mesma quantidade de dias. 6. DAS OBRIGAÇÕES DO LOCADOR. 6.2. Responsabilizarse inteiramente pela manutenção dos veículos objeto da locação, arcando com as despesas de combustíveis, lubrificantes, pneus, seguros, licenciamentos, estacionamentos, pedágios, etc., assumindo também, todo o Onus por quaisquer danos por eles provocados, inclusive a terceiros, durante o período de locação, responsabilizandose, ainda, por todos os impostos e taxas correspondentes; 6.3. Afixar nas portas dos veículos objeto da locação os adesivos fornecidos pela LOCATÁRIA; 6.4. Preencher mensalmente o Relatório Mensal de Veículos, encaminhandoo ao gerente deste contrato, definido no item 5, no máximo até o primeiro dia útil do mês subseqüente ao da locação; Pois bem, o contrato em conjunto com o objeto social da recorrente de fato retrata que os veículos locados eram necessários para a execução de serviços habituais. Além disso, verificase que o valor da locação fixado entre as partes já englobava todas as despesas de manutenção, gastos com combustível dentre outros, sendo pagos no mês subseqüente ao do aluguel incorrido. Ou seja, desta forma, independentemente do valor das despesas relativas ao veículo incorridas no mês de maio, por exemplo, somente em junho é que o empregado, no caso locador, as recebia, no limite máximo de R$ 550,00 Fl. 663DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 23/01/2 013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO 8 (quinhentos e cinqüenta reais) por mês. Logo, em sendo recebidas somente no mês posterior ao aluguel dos veículos, não hã de se falar em qualquer adiantamento de valores pagos. Todavia, o mesmo raciocínio pode ser levado a efeito no caso do empregado ter incorrido em poucas despesas num mês, que nem mesmo alcancem o valor de R$ 550,00 (quinhentos e cinqüenta reais). O ponto interessante a ser considerado é o de que o empregado parece assumir um risco de incorrer em mais ou menos despesas do que aquelas que efetivamente pré determinou com a empresa locatária, pois, em momento algum, o relatório fiscal da infração apontou que em caso de haverem despesas superiores ao valor da locação estas seriam reembolsadas ao locador (empregado). Além disso, o contrato firmado entre as partes determina expressamente que o veículo locado deve ser mantido à disposição da Locatária, quem pode, inclusive, levar a efeito vistorias e reprovar o uso do veículo, rescindindo a locação. Exige, ainda, do locador, o preenchimento de um relatório mensal de veículos, que fez juntar ao presente processo, no qual se verifica que são registrados horários de saída do veículo, chegada, destino e quilometragem rodada. Tais elementos, a meu ver demonstram que ao contrário do que apurou a fiscalização, que a recorrente fiscalizava a execução do contrato, logo, a coisa por ela locada. Ainda entendo que a locação de um veículo, por si só, já enseja uma série de despesas, relativas a manutenção do veículo, em especial as relativas ao combustível gasto. Ora, para que o veículo seja utilizado, o combustível será obrigatoriamente gasto, não há outra saída. E se de fato é o locador (empregado) que vai ter que desembolsar referida quantia para locomoverse durante um mês e recebêlo no mês seguinte, é obvio que está sendo ressarcido de referido valor, pois foi obrigado a ter diminuição patrimonial prévia. O contrato é claro em determinar ao empregado (locador) a assunção das despesas com combustível, por exemplo, situação que a meu ver desobrigaria a necessidade da apresentação da comprovação de gastos, pois estes são obviamente inerentes ao uso da coisa. Ademais, não existem nos autos, elementos que me conduzam à conclusão de se trate no presente caso de uma vantagem concedida pela empresa ao seu empregado, locador do veículo, com o intuito de disfarçar verba salarial concedida, mas sim que se trata efetivamente de um contrato de locação de veículo necessário à execução dos serviços prestados pela recorrente. Ademais, constam dos autos, contrato de locação de veículos também com empresas especializadas no assunto, o que efetivamente reforça a necessidade de que tal providência é efetivamente necessária. Não vejo que os valores pagos a título de aluguel, no presente caso, possam ser considerados como forma de remuneração do empregado, ou mesmo que a utilização do veículo pelo mesmo, de forma, pessoal, também possa refletir referida conclusão. O que exsurge da situação, a meu ver, é situação totalmente diferente, que diante das provas carreadas aos autos enseja uma típica relação de locação e não de concessão de benefício em favor do empregado ou mesmo de situação que necessite da comprovação de gastos incorridos com o veículo, para que tal não se caracterize como salário. Não se trata de caso em que o empregado exerce suas funções em seu veículo e depois vai requerer o ressarcimento da recorrente, mas sim de situação em que o empregado Fl. 664DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 23/01/2 013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 15504.012253/200898 Acórdão n.º 2402002.723 S2C4T2 Fl. 616 9 já colocou à disposição da empresa o seu veículo (bem), via contrato de locação, para que possam ser exercidas as atividades da recorrente. Ao perceber uma contraprestação futura por tal situação, assumindo o risco de efetivamente ter que despender gastos maiores do que o valor que receberia pela locação, não vejo como entender que referida relação possa ser caracterizada como uma contraprestação relativa ao serviços por si prestados. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 23/01/2 013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO
score : 1.0
Numero do processo: 13839.002950/2005-81
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
Ementa:
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. IRRETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174/2001. SÚMULA CARF Nº 35.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. AUSÊNCIA DE PROVA.
A determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, somente pode ser efetuada em relação a terceiro quando restar comprovado pelo Fisco que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem ao autuado.
SELIC. TAXA DE JUROS. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-001.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a parte relativa às contas em nome de terceiro. Fez sustentação oral o Dr. Antonio Airton Ferreira, OAB/SP 156.464.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 23/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. IRRETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174/2001. SÚMULA CARF Nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. AUSÊNCIA DE PROVA. A determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, somente pode ser efetuada em relação a terceiro quando restar comprovado pelo Fisco que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem ao autuado. SELIC. TAXA DE JUROS. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. IRRETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174/2001. SÚMULA CARF Nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. AUSÊNCIA DE PROVA. A determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, somente pode ser efetuada em relação a terceiro quando restar comprovado pelo Fisco que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem ao autuado. SELIC. TAXA DE JUROS. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 29 50 /2 00 5- 81 Fl. 2598DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a parte relativa às contas em nome de terceiro. Fez sustentação oral o Dr. Antonio Airton Ferreira, OAB/SP 156.464. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 23/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 257/262, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.394.296,12, calculados até 30/11/2005. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, com aplicação de multa de 75% e da multa qualificada de 150%. A autoridade fiscal atribuiu ao autuado a movimentação financeira de titularidade do Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini, em função da existência de processo em trâmite na 1ª Vara Criminal Federal de Campinas e de investigação da Polícia Federal. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Inicia protestando contra a inclusão no lançamento de movimentação financeira de titularidade de terceiro por representar um ato açodado e destituído de provas, uma vez que os elementos apontados pela Polícia Federal constituem indícios frágeis e insuficientes para referendar decisão tão grave. Insiste que os recursos transitados em sua conta foram justificados pelo Parecer Técnico que apresentou. Afirma que irá demonstrar também que o lançamento está baseado em provas ilícitas. Argumenta que atribuição da titularidade da conta do Sr. Eloy Gabriel Pacheco Neto Marchesini à sua pessoa já havia sido Fl. 2599DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13839.002950/200581 Acórdão n.º 2201001.898 S2C2T1 Fl. 3 3 feita em relação ao lançamento do ano de 1998 e que já havia refutado tal fato. O único indício apresentado pelo fisco para tal consideração foi o fato de o Sr. Eloy ser funcionário do impugnante trabalhando num estacionamento de sua propriedade. No entanto, afirma que não é proprietário do estacionamento, mas que alugou o terreno a Raul Carneiro de Araújo, firma individual, que é verdadeiramente quem explora o negócio. Segundo entende, esse fato afasta o único indício que amparava a atribuição ao impugnante da movimentação financeira do Sr. Eloy. Chama a atenção para o fato de uma acusação de interposição de pessoa, por sua gravidade, dever ser lastreada em provas consistentes e irrefutáveis, o que não teria ocorrido no caso presente. Entende que os extratos bancários foram obtidos de maneira ilícita, uma vez que a justiça havia determinado a quebra do sigilo apenas para a Delegacia da Polícia Federal e não para a Receita Federal. Mesmo que se pretendesse justificar a aquisição dos extratos com base na LC 105/2001 e Decreto 3.724/2001 haveria o óbice da irretroatividade, uma vez que os extratos dos autos referemse ao anocalendário 2000. Ademais, os requisitos exigidos pelo Decreto 3.724/2001 não estariam preenchidos no presente caso. Acrescenta que o sigilo bancário está ungido pela reserva de jurisdição, o que significa que o alcance dessas informações só pode ser autorizado pelo Poder Judiciário. Sustenta a impossibilidade de aplicação retroativa da LC 105/2001 e da correlata lei 10.174/01 com fundamento no inciso XXXVI do art. 5º da CF e no art. 144 do CTN. Acrescenta que o §1º do art. 144 do CTN não pode ser levantado como suporte para assegurar a retroação da LC 105/2001 e da Lei 10.174/2001 que a regulamenta, pois o parágrafo primeiro do CTN só tem aplicação quando livre o campo para sua influência, o que não se observa no caso concreto, já que esse campo estava bloqueado pela regra do § 3º do art.11 da Lei 9/311/96. Prossegue com o argumento de que teria ocorrido nulidade por erro na determinação do momento de ocorrência do fato gerador, uma vez que o lançamento considerou apenas um único fato gerador ao final de cada anocalendário enquanto o art. 42 da Lei 9.430/96 determina a apuração mensal. Ressalta que a rigidez e o formalismo do lançamento tributário não admitem sejam feitas considerações que o lançamento mensal seria mais gravoso para o contribuinte. Se a lei prevê o lançamento de doze fatos geradores, assim deve ser feito sob pena de nulidade insanável do Auto de Infração. Fl. 2600DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 A incindibilidade da obrigação tributária é o argumento apresentado para suscitar a nulidade do lançamento por terem sido lançadas duas multas de ofício: uma de 75% e outra de 150%. Considera ter ocorrido a decadência do direito do fisco fazer o lançamento com relação a alguns fatos geradores do ano de 2000. Como o lançamento devia ter sido feito mensalmente, os rendimentos supostamente omitidos de janeiro a novembro de 2000 estariam atingidos pela decadência. Insurgese, então, contra a presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei 9.430/96 com fundamento em ofensa ao art. 43 do CTN e na existência da Súmula 182 do TFR. Sobre a origem dos recursos referentes aos depósitos bancários afirma que o Parecer Técnico apresentado comprovou que os depósitos questionados têm origem no exercício da atividade econômica de Factoring. A própria Delegada da Polícia Federal teria justificado o pedido de quebra de sigilo bancário afirmando que o impugnante exercia atividade econômica no âmbito das transações com moedas estrangeiras. Se tal afirmação foi decisiva na autorização judicial para quebra do sigilo bancário, deve representar prova préconstituída da existência de atividade econômica vinculada aos depósitos bancários de modo a ratificar as conclusões do Laudo Técnico. Estranha o fato de as sobras de recursos de um mês não terem sido utilizadas no mês subseqüente, trazendo à colação jurisprudência administrativa em seu favor sobre o assunto. A multa de 150% teria sido aplicada erroneamente, pois a interposição de pessoa não ficou demonstrada. Ademais, tendo sido o lançamento feito com base em presunção legal, a cominação da multa de 150% exigiria a produção de prova direta de conduta tida como ilícita. A aplicação da Taxa Selic seria imprópria conforme precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Por derradeiro, protesta pela não incidência dos juros sobre a multa de ofício. A 3a Turma da DRJ São Paulo/SPOII proferiu Acórdão nº 1717.898, mantendo integralmente o lançamento, conforme se extrai das ementas abaixo transcritas: PRELIMINAR. DECADÊNCIA. Tendo havido recolhimento a menor do tributo, ensejando lançamento de ofício, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da declaração de ajuste anual, conforme previsto no art. 173, I do CTN. SIGILO BANCÁRIO. DADOS FORNECIDOS PELO PODER JUDICIÁRIO. INAPLICABILIDADE DA LC 105/2001. Fl. 2601DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13839.002950/200581 Acórdão n.º 2201001.898 S2C2T1 Fl. 4 5 Quando os dados sobre a movimentação bancária do contribuinte são recebidos pela SRF por meio de determinação judicial não há que se falar em aplicação da LC 105/2001. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (Art.144, § 1º do CTN). ART. 142, §2º DO CTN. REFERIBILIDADE AO CAPUT DO MESMO ARTIGO. INAFASTABILIDADE DA APLICAÇÃO DO ART. 144, §1º DO CTN PARA IMPOSTOS LANÇADOS POR PERÍODOS CERTOS DE TEMPO. O § 2º do art. 144 do C.T.N. dispõe que, em relação aos impostos lançados por períodos certos de tempo, a lei poderá fixar expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. No entanto, quanto aos aspectos meramente formais ou procedimentais, segundo o § 1º do mesmo artigo 144 do C.T.N., aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR ANUAL O fato de a legislação definir que o valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira define a sistemática de apuração da base de cálculo mês a mês, que a exemplo do acréscimo patrimonial a descoberto submetese à tributação a ser realizada mediante a tabela progressiva anual. EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA Na presença de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus da prova de que os depósitos bancários apontados no lançamento referemse ao exercício de atividade que se equipara à atividade de Factoring. A simples apresentação de laudo sem que este esteja amparado em documentos, não constitui prova hábil e idônea para suportar a tese de que exercia atividade similar à empresarial. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Fl. 2602DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 O lançamento de multa qualificada exige que a autoridade fiscalizadora traga elementos para os autos que provem a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que este quis os resultados que o art. 72, da Lei 4.500/64 elenca como caracterizadores da fraude , ou mesmo que assumiu o risco de produzilos. Na presença de prova de interposição de pessoa como titular de conta corrente, fica caracterizado o evidente intuito de fraude. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância, Roberto Moutran apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, alegando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. O processo em questão foi incluindo em pauta no dia 16 de dezembro de 2008 e na ocasião a antiga Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, decidiu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Assim sendo, deverá o processo ser baixado em diligência para que se junte cópia integral: i do processo judicial em trâmite na 1ª Vara Criminal Federal de Campinas, ou sentença judicial (se houver); ii do inquérito policial; iii da ficha cadastral e procuração (se houver) do Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini na instituição bancária; iv outros elementos capazes de conferir certeza à interposição de pessoa. Concluída a diligência, deverá ser dada ciência ao interessado para se manifestar, se assim desejar. Concluída a diligência, foram extraídas cópias integrais dos seguintes documentos: Processo nº 2000.61.05.0022480 Processo nº 2001.61.05.0057758 Fl. 2603DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13839.002950/200581 Acórdão n.º 2201001.898 S2C2T1 Fl. 5 7 Processo nº 2001.61.05.0104451 Processo nº 2003.61.05.0030609 Processo nº 2003.61.05.0098680 IPL 9078398 (Processo n° 98.06121740) É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, relativamente a fatos ocorridos no anocalendário de 2000. Antes de adentrarmos no mérito da questão cumpre examinar, de antemão, as preliminares argüidas pela defesa. A primeira diz respeito à decadência mensal do imposto e a segunda referese à ilegalidade na quebra do sigilo bancário, especialmente em relação à irretroatividade da Lei n° 10.174/2001 e da Lei Complementar n° 105/2001. Quanto ao momento do fato gerador, atinente a omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF editou Súmula. Tratase da Súmula CARF nº 38, cujo entendimento é de adoção obrigatória por este Órgão nos termos regimentais: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Assim sendo, o fato gerador do IRPF referente ao anocalendário de 2000 perfezse em 31 de dezembro daquele ano. Neste sentido, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01 de janeiro de 2001 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31 de dezembro de 2005. Como a ciência do lançamento ocorreu em 26 de dezembro de 2005, o crédito tributário constituído pelo lançamento ainda não havia sido atingido pela decadência. No que tange a arguição de ilegalidade na quebra de sigilo bancário, sobretudo em relação à aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001 e da Lei Complementar n° 105/2001, este Órgão Administrativo já se posicionou, conforme se verifica da leitura da Súmula CARF nº 35: Fl. 2604DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 O art. 11, § 3º, da Lei Nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei Nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Com efeito, o efetivo afastamento do sigilo bancário ocorreu em função da autorização judicial proferida pelo Meritíssimo Juiz Dr. Nelson Bernardes de Souza, conforme Oficio n° 2095/2002 (fl. 297), acompanhado da decisão proferida nos autos do processo 2001.16.05.0022480 (fls. 298/302). Destarte, estéril os argumentos suscitados pela defesa para anular a exigência. Em relação ao mérito, a principal controvérsia reside no fato de a autoridade fiscal ter incluindo no lançamento movimentação bancária de titularidade de terceiro. A conclusão de tal fato decorreu do processo em trâmite na 1ª Vara Criminal Federal em Campinas que tem em seus autos toda a investigação da Polícia Federal, a qual, em tese, teria concluído que o recorrente era o beneficiário da movimentação bancária feita em nome do Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini. De acordo com a autoridade autuante várias são as evidências probatórias sobre a existência de interposta pessoa, cuja conta bancária o recorrente efetuava movimentações financeiras de suas operações. Neste mesmo sentido, foi a conclusão que chegou os membros da 3a Turma da DRJ São Paulo/SPOII, no momento em que considerou procedente o lançamento em função da existência de processo na 1ª Vara Criminal Federal de Campinas; por não ter o Sr. Eloy apresentado declaração de rendimentos e pelo fato de trabalhar em um estacionamento que funciona no terreno de propriedade do contribuinte. Por outro lado, o recorrente alega ilegitimidade passiva, pois segundo argumenta, no citado inquérito policial não há elementos concretos para a transferência de titularidade da conta bancária. Pois bem, em que pese as várias evidências de utilização fraudulenta da conta bancária do Sr. Eloy pelo recorrente, não se pode perder de vista o fundamento legal insculpido no § 5° do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (grifei) Nas situações em que se comprove ser a conta corrente movimentada por terceiro e não aquele cujo nome aparece como titular, se está diante da possibilidade de tributar o terceiro, na condição de interposta pessoa. Assim sendo, compulsandose os inúmeros documentos juntados por ocasião da diligência, verifico, pois, que não foram trazidos aos autos qualquer elemento novo que Fl. 2605DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13839.002950/200581 Acórdão n.º 2201001.898 S2C2T1 Fl. 6 9 pudesse conferir certeza à interposição de pessoas. Por meio da análise de cerca de 2.000 páginas verifico que os únicos indícios apurados foram os mesmos considerados pela autoridade fiscal no momento da lavratura do lançamento, qual seja, que o Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini apresentou declarações de isento para o período fiscalizado; que o Sr. Eloy trabalha no estacionamento que funciona em terreno de propriedade do autuado (fls. 251/252); que o recorrente recebe no local algumas correspondências. De acordo com o “Termo de Conclusão Parcial da Ação Fiscal”, fls. 248/256, a autoridade lançadora atribuiu à totalidade dos depósitos bancários em nome de Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini ao ora recorrente sem, contudo, fazer qualquer vinculação entre os mesmos. Se a Fiscalização afirma que os créditos bancários de Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini são de responsabilidade do recorrente, deveria, pois, ter apresentado provas desse fato. Entretanto, não se encontra nos autos nenhuma tentativa nesse sentido. Assim, em que pese o Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini ter apresentado movimentação bancária no montante de R$ 1.158.278,20, bem como constar alguns poucos cheques de emissão do recorrente para o Sr. Eloy, sem provas de que o suplicante seja de fato beneficiário dos referidos valores, não há como responsabilizálo. Além do mais, as contas bancárias foram abertas individualmente em nome do Sr. Eloy e sem a indicação de procurador. Citase, outrossim, a Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. No caso de lançamento com base em presunção legal, como a do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, como se trata de prova indireta, o Fisco não precisa comprovar, diretamente, que o sujeito passivo adquiriu disponibilidade de renda, contudo, como se trata de atribuir ao fiscalizado a responsabilidade por movimentação bancária de terceiro, a autoridade fiscal tem o dever de comprovar que o autuado foi de fato beneficiário dos depósitos bancários de origem não comprovada, situação que a Lei identifica como caracterizadora de omissão de rendimentos (§ 5° do citado artigo). Nessa esteira, impende citar o art. 112 do CTN: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; (grifei) Portanto, frente aos documentos constantes dos autos, entendo que não restou suficientemente provada a responsabilidade do recorrente sobre a movimentação bancária pertencente a Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini. Em relação ao lançamento efetuado nas contas correntes do autuado a infração deve ser mantida, pois não há nos autos qualquer comprovação da origem dos recursos. A alegação de que os valores depositados são originários da atividade de “factoring”, exercida como pessoa física, carece de comprovação. Com efeito, o Parecer Técnico apresentado que, em tese, demonstraria as operações de crédito, em verdade, nada comprova, Fl. 2606DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 10 posto que necessita, fundamentalmente, de suporte probatório, tais como: cópias de cheques, contratos de mútuo, etc. Pela clareza e precisão dos fundamentos da decisão recorrida, reproduzo o trecho em que a questão é analisada: O Parecer Técnico apresentado pelo impugnante traz elementos sobre várias operações de crédito que supostamente demonstrariam que este realizava operações de crédito de maneira similar a uma factoring. Ocorre que as premissas adotadas e a sustentação fática do laudo retiram sua credibilidade como elemento probatório capaz de demonstrar o que se propõe. Senão vejamos: a. As taxas de juros cobradas são da ordem de 4,5% ao mês sem que qualquer contrato ou outro elemento comprobatório tenha sido juntado para demonstrar a taxa de juros cobrada nas respectivas operações; b. Nenhuma operação teve o “tomador” do empréstimo ou do crédito identificado, bem como nenhum contrato ou documento sobre as supostas operações foram apresentados; c. Não foram apresentados os supostos tomadores que deveriam identificar quais operações, dentre as várias apresentadas, teriam sido feitas em seu nome; d. Os cheques que teriam sido ”descontados” em cada operação não estão identificados quanto à data de depósito e respectiva conta utilizada para tanto pelo impugnante. Os vários cheques que teriam sido “descontados” pelo impugnante, em prazos diversos, precisam ser identificados nos extratos das contas utilizadas para que seja plausível admitir a comprovação da existência das operações de crédito. Sem tais elementos que o sustentem, o Laudo apresentado não passa de um bem elaborado exercício de matemática financeira que nada acrescenta ao conjunto probatório. Por tais razões, o Laudo apresentado não constitui elemento probatório hábil e idôneo para demonstrar que o impugnante realizava operações de crédito de maneira similar a uma pessoa jurídica, nem tampouco para comprovar a origem dos depósitos bancários tributados, conforme previsto no art. 42 da Lei 9.430, de 1996. Isto posto, não há qualquer reparo a fazer em relação ao entendimento esposado pelo colegiado a quo. Quanto à utilização da taxa Selic, convém citar a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 2607DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13839.002950/200581 Acórdão n.º 2201001.898 S2C2T1 Fl. 7 11 Por fim, é devida a imposição dos juros sobre a multa de ofício, pois a Selic incide sobre todo o crédito tributário. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da exigência a parte relativa às contas de titularidade de terceiro. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 2608DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13839.002950/200581 Recurso nº: 159.617 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.898. Brasília/DF, 20 de novembro de 2012 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 2609DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900304/2009-07
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/1996
PRAZO. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. RE 556.621/RS. CPC, ART. 543-B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. REGIMENTO INTERNO, ART. 62-A.
O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62-A do Regimento Interno , deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543-B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotando-se como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 21/09/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/1996 PRAZO. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. RE 556.621/RS. CPC, ART. 543-B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. REGIMENTO INTERNO, ART. 62-A. O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62-A do Regimento Interno , deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543-B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotando-se como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. EDITADO EM: 21/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
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PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. RE 556.621/RS. CPC, ART. 543B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. REGIMENTO INTERNO, ART. 62A. O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno , deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotandose como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 04 /2 00 9- 07 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 21/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 35): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/1996 COMPENSAÇÃO. PIS. INDEFERIMENTO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do cred́ito tributário, assim entendido o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Recorrente, nas razões recursais de fls. 4455, após discorrer sobre a inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445/1988 e 2.449/1988, dos efeitos do Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional nº 437/1998 e da Resolução do Senado Federal nº 49/1995, sustenta que teria direito de repetir o indébito da contribuição ao PIS decorrente da aplicação dos dispositivos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Aduz que, em se tratando de tributo lançado por homologação, o prazo para o exercício de tal direito seria de 10 anos, uma vez que o termo inicial prazo quinquenal do art. 150, § 1º, do CTN, teria início apenas após o decurso do prazo de cinco anos para a homologação tácita do lançamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 22/09/2011 (fls. 43) e o protocolo do recurso, em 20/10/2011 (fls. 44). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10865.900304/200907 Acórdão n.º 3802001.209 S3TE02 Fl. 63 3 O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno1, deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543B do Código de Processo Civil: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 64DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (STF. Tribunal Pleno. RE nº566.621/RS. Rel. Min. ELLEN GRACIE. DJe11/10/2011. g.n.). Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotandose como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação. Assim, nos casos de homologação tácita pelo decurso de cinco anos, o interessado tem um prazo final de dez anos contados do evento imponível (CTN, arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I). No caso em exame, é evidente a ocorrência da prescrição, uma vez que o pagamento ocorreu em 15/02/1996 e o PER/Dcomp foi transmitido em 18/12/2006, ou seja, quando já estava prescrito o direito, mesmo aplicandose o prazo anterior de dez anos. Votase, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo desprovimento, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.929980/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato gerador: 20/06/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado.
Recurso Voluntário Negado.
A retificação do débito fiscal declarado na respectiva DCTF e pago tempestivamente é possível, desde que provado erro na apuração do valor inicialmente apurado, declarado e pago, mediante a apresentação de documentos contábeis e fiscais.
Numero da decisão: 3301-001.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Ausente temporariamente a conselheira Maria Teresa Martínez López. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Lívia Maria Marques Melo. OAB/DF 33534.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato gerador: 20/06/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Recurso Voluntário Negado. A retificação do débito fiscal declarado na respectiva DCTF e pago tempestivamente é possível, desde que provado erro na apuração do valor inicialmente apurado, declarado e pago, mediante a apresentação de documentos contábeis e fiscais.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1948; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 101 1 100 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.929980/200966 Recurso nº 01 Voluntário Acórdão nº 3301001.684 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de novembro de 2012 Matéria CIDE DCOMP Recorrente TIM CELULAR S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 14/07/2006 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. É válido o despacho decisório proferido por autoridade administrativa competente de conformidade com as normas legais. DILIGÊNCIA. Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a realização de diligência, rejeitase o pedido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 30/06/2006 CRÉDITO FINANCEIRO. CERTEZA E LIQUIDEZ. PROVAS Compete ao contribuinte demonstrar e apresentar as provas da certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na Declaração de Compensação (Dcomp). DÉBITO FISCAL DECLARADO E PAGO. RETIFICAÇÃO A retificação do débito fiscal declarado na respectiva DCTF e pago tempestivamente é possível, desde que provado erro na apuração do valor inicialmente apurado, declarado e pago, mediante a apresentação de documentos contábeis e fiscais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato gerador: 20/06/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 99 80 /2 00 9- 66 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Ausente temporariamente a conselheira Maria Teresa Martínez López. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Lívia Maria Marques Melo. OAB/DF 33534. (ASSINADO DIGITALMENTE) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ São Paulo I que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito da Cofins, vencido em 20/6/2007, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 2/3, com crédito financeiro decorrente de pagamento a maior da contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), efetuado em 14/7/2006. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat) em São Paulo não homologou a compensação do débito declarado sob o argumento de que o alegado pagamento a maior foi integralmente utilizado para extinguir o débito da CIDE declarado para a competência de junho de 2006, não restando crédito disponível passível de repetição/compensação, conforme Despacho Decisório às fls. 4. A recorrente descordou daquele despacho decisório e apresentou manifestação de inconformidade (fls. 8/22), insistindo na homologação da compensação alegando, razões assim resumidas por aquela DRJ: “3.1 Faz breve relato dos fatos. 3.2 Alega possuir ‘elevada quantia creditícia’ perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, Pisimportação e COFINSexportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP. 3.3 Alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros cento e quarenta e sete Despachos Decisórios, todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.929980/200966 Acórdão n.º 3301001.684 S3C3T1 Fl. 102 3 3.4 Reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE, Pis importação e COFINSexportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações. 3.5 Alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia gerar débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3.6 Discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese. 3.7 Alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao princípio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado. 3.8 Discorre sobe o princípio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que ‘ se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta.’ (sic). 3.9 Alega que qualquer agente fiscal que ‘ analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tãosomente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa ora Impugnada.’ (sic) 3.10 Alega ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido. 3.11 Cita os princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e tributárias. 3.12 Reclama do exíguo prazo para apresentar cento e quarenta e oito defesas em apenas trinta dias e informa que já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito. 3.13 Por fim requer a suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP, a nulidade do despacho decisório e a conversão do julgamento em diligência para ser comprovado o que alega.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 1627.144, datado de 20 de outubro de 2010, às fls. 43/49, sob as seguintes ementas: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL – NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não há ofensa ao princípio da verdade matéria se não é apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. Mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (52/68), requerendo, em preliminar, a nulidade do despacho decisório, por falta de fundamentação legal; e, no mérito, a homologação da compensação declarada, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na manifestação de inconformidade, ou seja, erro na DCTF e a correção do valor inicialmente declarado. Para fundamentar seu recurso voluntário, expendeu extenso arrazoado sobre: a) Da Carência de Fundamentação do Despacho Decisório; b) Da Violação aos Princípios da Estrita Legalidade, da Verdade Material, da Razoabilidade e da Proporcionalidade; e c) do Escorreito Procedimento da Compensação Realizado pela Recorrente, concluindo, ao final, em preliminar, que o despacho decisório é nulo; e, no mérito, que o crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão é líquido e certo, a cópia da DCTF retificadora comprova o pagamento a maior da CIDE referente à competência de junho de 2006, a compensação declarada foi efetuada de conformidade com as normas vigentes e, portanto, deve ser homologada. Requereu, ainda, a juntada da documentação anexa ao recurso voluntário e, caso esta Turma não decida pela nulidade do despacho decisório, converta o julgamento em diligência para que seja examinada a sua escrita fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A suscitada preliminar de nulidade do despacho decisório não tem amparo legal. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.929980/200966 Acórdão n.º 3301001.684 S3C3T1 Fl. 103 5 De acordo com Decreto nº 70.235, de 1972, somente são nulos os atos administrativos proferidos por autoridade incompetente e/ ou com preterição do direito de defesa, assim dispondo: “Art. 59. São nulos: (...); II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...); No presente caso, o despacho decisório foi proferido por autoridade competente e permitiu à recorrente ampla defesa. Conforme se verifica de sua análise, nele constam: o valor do pagamento total informado no darf declarado na Dcomp; o valor utilizado para extinguir o débito declarado na DCTF, segundo o darf vinculado a ela; o valor do débito cuja compensação não foi homologada, a fundamentação legal da não compensação, inexistência de crédito financeiro disponível; e o enquadramento legal (Lei nº 9.430/1996, art. 74, §§ 7º e 9º). A compensação declarada não foi homologada porque não se apurou crédito disponível. Estes dados e informações permitiram à recorrente exercer seu direito de defesa, tanto é que o fez por meio da manifestação de inconformidade interposta para a DRJ. Assim, não há que se falar em nulidade do despacho decisório. Quanto à diligência solicitada, visando examinar a escrita fiscal da recorrente, entendo ser prescindível ao deslinde do litígio. A comprovação do alegado erro no valor da CIDE, declarado para a competência de 30/6/2006, não necessita de exame da escrita fiscal. Bastaria ter apresentado a cópia do livro Razão das contas de remessas de valores para o exterior, pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior. O Decreto nº 70.235, de 1972, assim dispõe quanto à diligência: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. ... Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso.” De acordo com esses dispositivos, compete à autoridade julgadora deferir pedido de realização de diligência, quando entendêla necessária. No presente caso, entendo que não há necessidade da diligência solicitada. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 No mérito, a questão se restringe à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão. A recorrente alega que o indébito (crédito financeiro) decorreu de pagamento a maior da CIDE, referente à competência de 30/6/2006, que foi declarada e paga pelo valor de R$135.238,23, quando o valor correto seria R$67.746,56, resultando um indébito no valor de R$64.491,69. Cientificada pela autoridade administrativo competente de que a compensação declarada não foi homologada por inexistência de crédito financeiro disponível, a recorrente transmitiu DCTF retificadora. A retificação da DCTF visando alterar o valor do débito declarado é possível, mediante a comprovação de erro, de fato, na apuração do débito. A comprovação deve ser demonstrada, mediante a apresentação de demonstrativo de apuração do valor correto da contribuição devida, acompanhado dos documentos contábeis, cópia do livro Razão, contendo os lançamentos errados da escrituração dos valores das bases de cálculo da contribuição, os estornos dos lançamentos errados e os lançamentos corretos. No presente caso, a recorrente apresentou somente o recibo de transmissão da DCTF original e cópia da DCTF retificadora, desacompanhada de quaisquer documentos contábeis e fiscais. A simples apresentação da retificadora, desacompanhada do demonstrativo de apuração do valor correto, com respectiva memória de cálculo e, principalmente, daqueles documentos, não prova o alegado erro nem permite a apuração do valor correto. Ressaltese, ainda, a DCTF retificadora apresentada juntamente com o recurso voluntário, cópia às fls. 95/98, não prova o alegado erro no valor da CIDE, ao contrário comprova que não houve erro. Conforme se verifica do seu exame, o débito da CIDE, declarado para a competência de 30/6/2006, foi de R$135.238,23, exatamente o mesmo valor declarado na original, constante do Despacho Decisório. Nos pedidos de restituição/compensação o ônus de provar a certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na Dcomp é do requerente e não do Fisco. A Lei nº 9.784, de 29/01/1999, art. 36, assim estabelece: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Também, segundo a Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (Código de Processo Civil), art. 333, o ônus da prova é de quem alega, assim dispondo: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: (...); II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Dessa forma, não tendo a recorrente demonstrado o erro na apuração do valor da CIDE, declarado para a competência de junho de 2006, nem apresentado documentos Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.929980/200966 Acórdão n.º 3301001.684 S3C3T1 Fl. 104 7 comprovandoo e/ ou necessários à apuração do valor correto, não há que se falar em repetição/compensação do indébito reclamado. Quanto à homologação da compensação do débito tributário declarado na Dcomp em discussão, nos termos da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, aquela está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado, a recorrente não comprovou a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado nem apresentou os documentos imprescindíveis à apuração do alegado pagamento a maior para a competência de junho de 2006. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.929209/2009-77
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente e Relator
Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 92 09 /2 00 9- 77 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 2 Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório INDÚSTRIA DE TINTAS CORFIX LTDA. transmitiu Declaração de Compensação – Dcomp com vistas à extinção de débitos própios, montantes a 21.822,77, com direito creditório advindo de pagamento indevido ou a maior de Cofins do período de apuração 01/11/2002 a 30/11/2002. O Despacho Decisório Eletrônico nº 848646824 não reconheceu o direito creditório, nem homologou a compensação, porque o pagamento indigitado na Dcomp foi integralmente utilizado “...para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Em reclamação de fls. 2 a 11, o declarante pugnou pela suspensão da exigibilidade dos débitos em aberto. No mérito, contesta o DDE, alegando que constatou a existência de valores pagos a maior a título das contribuições para o PIS e para a Cofins. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável da contribuição com base no disposto no art. 3º , §2°, inciso III, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Transcreve decisões judiciais que iriam ao encontro de suas alegações. A DRJ/POA2ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente por falta de provas do indébito, nos termos do Acórdão nº 1026.667, de 4 de agosto de 2012, fls. 37 a 39, cuja ementa teve a seguinte redação: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO INEXISTÊNCIA Não havendo comprovação de pagamento indevido, não há como homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/POA. O arrazoado de fls. 42 a 63, após preliminar de suspensão de exigibilidade dos débitos que emergiram inadimplidos como decorrência da não homologação da compensação e síntese dos fatos relacionados com a lide, discorre sobre a base de cálculo das Contribuições Sociais após a edição da Lei nº 9.718, de 1998, para insistir na tese de que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável da contribuição com base no disposto no art. 3º , §2°, inciso III. Rechaça a possibilidade de norma do poder executivo dispor sobre a base de cálculo de contribuições, invocando excertos de doutrina em profusão. Entende desnecessária qualquer norma regulamentadora da eficácia da referida norma de exclusão. Aduz que o dispositivo em questão só foi revogada pela Medida Provisória nº 1.991, de 9 de junho de 2000, que publicada no Diário Oficial da União do dia 10 de junho de 2000. Em face do vacatio legis nonagesimal, entende que teria direito à restituição de pagamentos efetuados até agosto de 2000. Mais excertos de doutrina. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 11080.929209/200977 Acórdão n.º 3803003.580 S3TE03 Fl. 68 3 Discorre sobre seu direito à compensação e sobre o princípio da irretroatividade tributária para defender a ocorrência de uma anomia legal entre a data da Resolução do Senado Federal nº 49, de 09 de outubro de 1995, que suspendeu a execução do DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988, e a promulgação da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998. Lembra da inocorrência da repristinação da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970. Retoma a dissertação sobre o direito à compensação. Lança mais excertos de doutrina. Ao final, requer: a) provimento ao presente Recurso Voluntário, com a conseqüente reforma da decisão, nos termos expostos; b) reconhecimento do direito líquido e certo da contribuinte de compensar a importância recolhida indevidamente; c) reconhecimento do direito creditório da mesma e para que seja homologada a compensação objeto do presente; O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 42 a 63 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA2ª Turma nº 1026.667, de 4 de agosto de 2010. Matéria controversa Controvertese direito creditório, em tese, advindo da tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável da contribuição com base no disposto no art. 3º , §2°, inciso III, da Lei nº 9.718, de 1998. Não se conhecerá da inovação recursal a respeito da impossibilidade de norma do poder executivo dispor sobre a base de cálculo de contribuições aplicação do princípio da estrita legalidade em matéria tributária (item III.2 da peça recursal), e da tese da anomia legal entre a data de publicação da Resolução do Senado Federal nº 49 e a promulgação da Lei nº 9.715, de 1998 (itens III.6 em diante). Por preclusas, deixo de conhecêlas, haja vista que em nenhum momento da peça reclmatória de fls. 2 a 11 o manifestante tratara dessas matérias. Vejase, a propósito, o teor do artigo 473 do CPC, verbis: "é defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão." Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 4 Na lição de Chiovenda, repetida por Luiz Guilherme Marioni e Sérgio Cruz Arenhart, temse que:1 ... a preclusão consiste na perda, ou na extinção ou na consumação de uma faculdade processual. Isso pode ocorrer pelo fato: i) de não ter a parte observado a ordem assinalada pela lei ao exercício da faculdade, como os termos peremptórios ou a sucessão legal das atividades e das exceções; ii) de ter a parte realizado atividade incompatível com o exercício da faculdade, como a proposição de uma exceção incompatível com outra, ou a prática de ato incompatível com a intenção de impugnar uma decisão; iii) de ter a parte já exercitado validamente a faculdade.” A cada uma das situações acima corresponde, respectivamente, os três tipos de preclusão: a temporal, a lógica e a consumativa. No caso em tela ocorreu a preclusão temporal, consistente na perda da oportunidade que a recorrente teve para questionar tais matérias. Ultrapassada aquela etapa, extinguese o direito de levantála agora, nesta fase recursal. Mérito – direito à restituição de indébitos pela falta de exclusão da base de cálculo da Contribuição dos valores que tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica De plano, destaco que não há, nos autos, qualquer início de prova de que o contribuinte, ora recorrente, tenha, efetivamente deixado de proceder à exclusão a que se refere a norma do art. 3º , §2°, inciso III, da Lei nº 9.718, de 1998, e que invoca como fundamento do indébito,ora controvertido. À míngua da comprovação dos atributos de liquidez e certeza do crédito oposto em compensação tributária, corretos o DDE e a decisão recorrida. Incidentalmente e evitando adentrar o mérito da discussão a respeito da eficácia da norma referida (plena, ou dependente de norma regulamentadora), admitamos, ad argumentandum tantum, que a referida norma tivesse produzido efeitos até o fim do período nonagesimal da vacatio legis da MP nº 1.99118, de 2000, em 9 de setembro de 2000, e que o contribuinte, ora recorrente, tenha direito à restituição da importância paga a maior a título de Cofins por não ter deduzido da base de cálculo os valores transferidos a terceiros. A descuidada peça recursal não atentou para o fato de que o pagamento indigitado na Dcomp referese a período de apuração (01/11/2002 a 30/11/2002) posterior 09/09/2000, em já não mais vigia a norma de exclusão, o que fulmina definitivamente qualquer pretensão do recorrente. Nego provimento ao recurso. 1 MARIONI, Luiz Guilherme e ARENHART, Sérgio Cruz Arenhart. Manual do Processo do Conhecimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004, p. 665, apud CHIOVENDA, Giuseppe. "Cosa giudicata e preclusione", in Saggi di diritto processuale civile. Milano: Giuffrè, 1993, vol. 3, p. 233. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 11080.929209/200977 Acórdão n.º 3803003.580 S3TE03 Fl. 69 5 Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2012 Alexandre Kern Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 18239.004515/2010-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 21/10/2010
IPI. AQUISIÇÃO DE VEÍCULO POR DEFICIENTE FÍSICO. ISENÇÃO. REQUISITOS.
A alteração introduzida no art. 1º da Lei 8.989/95 pela Lei 10.690/2003, interpretada literalmente, como impõe o art. 111 do CTN, implica que apenas estão excluídas do favor fiscal as deformidades, congênitas ou adquiridas, de natureza apenas estética e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. Comprovada, por laudo médico regularmente expedido, a restrição para o desempenho de funções, é de se deferir o pleito à isenção.
Numero da decisão: 3201-001.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. A Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim acompanhou o relator pelas conclusões.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Daniel Mariz Gudiño Relator
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño, Luciano Lopes de Almeida Morais e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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AQUISIÇÃO DE VEÍCULO POR DEFICIENTE FÍSICO. ISENÇÃO. REQUISITOS. A alteração introduzida no art. 1º da Lei 8.989/95 pela Lei 10.690/2003, interpretada literalmente, como impõe o art. 111 do CTN, implica que apenas estão excluídas do favor fiscal as deformidades, congênitas ou adquiridas, de natureza apenas estética e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. Comprovada, por laudo médico regularmente expedido, a restrição para o desempenho de funções, é de se deferir o pleito à isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. A Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim acompanhou o relator pelas conclusões. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño, Luciano Lopes de Almeida Morais e Marcos Aurélio Pereira Valadão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 23 9. 00 45 15 /2 01 0- 31 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da manifestação de inconformidade, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: Tratase da aquisição de veículos destinados a pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, com a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de que trata a Lei nº 8.989, de 1995, com as alterações da Lei nº 10.182, de 2001, dos arts. 2º, 3º e 5º da Lei nº 10.690, de 2003, e da Lei nº 10.754, de 2003. O pleito foi indeferido pelo Despacho Decisório de fls. 19/23, fundamentado no fato de que a enfermidade descrita no laudo de avaliação não está contemplada pela norma que confere a isenção solicitada. Foi apresentada manifestação de inconformidade com protocolização em anexo de um novo laudo. A impugnação foi julgada improcedente pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 0935.593, de 17/06/2011: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Data do fato gerador: 21/10/2010 ISENÇÃO. IPI. DEFICIENTE FÍSICO. A isenção de que trata a Lei n° 8.989/95 e alterações posteriores restringese às hipóteses citadas em seu art. 1° ,bem como àquelas previstas no Decreto n° 3.298/99, conforme interpretação expressa no art. 2º, §1°, inciso I, da Instrução Normativa SRF n° 988/2009. É de se indeferir o pedido quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência prevista nas normas pertinentes. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, de forma tempestiva, reiterando os argumentos suscitados em sua manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 07/10/2011. É o relatório. Voto Fl. 47DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18239.004515/201031 Acórdão n.º 3201001.162 S3C2T1 Fl. 47 3 Conselheiro Daniel Mariz Gudiño – Relator O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O cerne do presente litígio gravita em torno do preenchimento dos requisitos legais para a fruição da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de automóveis por pessoas portadoras de deficiência física. A questão está positivada no art. 1º, § 1º, da Lei nº 8.989, de 1995, com redação dada pela Lei nº 10.690, de 2003, a saber: Art. 1º.... § 1º Para a concessão do benefício previsto no art. 1o é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. Como se vê, há requisitos objetivos a serem respeitados para que o portador de deficiência física possa se beneficiar da isenção do IPI na aquisição de automóvel. No caso concreto, constatase que a Recorrente instruiu o requerimento de isenção de IPI com laudo médico, segundo o qual a Recorrente possui artrose classificada sob Código Internacional de Doenças 10 – M19.9: “Artrose não especificada”. Confirase: Posteriormente ao despacho decisório, a Recorrente juntou novo laudo médico divergindo das conclusões do primeiro, a saber: Fl. 48DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 A partir desse segundo laudo, também emitido pelo Hospital Lourenço Jorge, da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro, a enfermidade da Recorrente foi classificada como “seqüelas de outras fraturas do membro inferior” (CID 10 – T93.9). Com efeito, a conclusão do segundo laudo demonstraria que a Recorrente possui membro com deformidade adquirida, que produz dificuldades para o desempenho de funções (invalidez), conformandose ao disposto no art. 1º, § 1º, da Lei nº 8.989, de 1995. Convém esclarecer que a Recorrente juntou documentos oficiais da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e da Previdência Social, os quais demonstram que a aposentadoria por invalidez está diretamente associada a sua enfermidade (fls. 36/37). Registrese, ainda, que a petição de juntada do segundo laudo foi recebida pela autoridade preparadora como manifestação de inconformidade. Na fundamentação da decisão recorrida, o eminente relator entendeu que o direito da Recorrente deveria ser analisado à luz da Lei nº 8.989, de 1995, e do Decreto nº 3.298, de 1999, conjuntamente. Nesse sentido, a omissão do Decreto nº 3.298, de 1999, não desautorizaria o atendimento aos pressupostos da isenção previstos na Lei nº 8.989, de 1995. Em seu pedido de reconsideração, recebido como recurso voluntário, a Recorrente volta a afirmar que possui deficiência física traduzida em sequelas de fratura no membro inferior, contratura articular e rigidez articular, que ocasionou a sua aposentadoria por motivo de invalidez haja vista a sua incapacidade laborativa. Sobre o assunto, há decisão recente da Câmara Superior deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que elucida a questão ora tratada, a saber: IPI. AQUISIÇÃO DE VEÍCULO POR DEFICIENTE FÍSICO. ISENÇÃO. REQUISITOS. A alteração introduzida no art. 1º da Lei 8.989/95 pela Lei 10.690/2003, interpretada literalmente, como impõe o art. 111 do CTN, implica que apenas estão excluídas do favor fiscal as deformidades, congênitas ou adquiridas, de natureza apenas estética e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. Comprovada, por laudo médico regularmente expedido, a restrição para o desempenho de funções, é de se deferir o pleito à isenção. (Grifouse) (Acórdão nº 9303001.811, Rel. Cons. Julio César Alves Ramos, Sessão de 31/01/2012) Fl. 49DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18239.004515/201031 Acórdão n.º 3201001.162 S3C2T1 Fl. 48 5 Considerando que foi comprovada, por laudo médico regularmente expedido, a restrição da Recorrente para o desempenho de funções, há de ser adotado o precedente acima transcrito. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer o direito da Recorrente de gozar da isenção instituída pela Lei nº 8.989, de 1995. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator Fl. 50DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.907484/2009-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
PER/DCOMP. PIS/PASEP. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL.
Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-001.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
EDITADO EM: 25/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Fábio Miranda Coradini, Raquel Motta Brandão Minatel, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Ausente justificadamente o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon - Relator. EDITADO EM: 25/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Fábio Miranda Coradini, Raquel Motta Brandão Minatel, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Ausente justificadamente o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl.
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PIS/PASEP. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 74 84 /2 00 9- 21 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 25/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Fábio Miranda Coradini, Raquel Motta Brandão Minatel, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Ausente justificadamente o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.907484/200921 Acórdão n.º 3801001.485 S3TE01 Fl. 92 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação — PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de valores que teriam sido indevidamente recolhidos a título de Contribuição ao Programa de Integração Social PIS, no período de apuração de abril de 2005, no valor de R$ 172,76 (v. folha 07). Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC pela não homologação da compensação declarada (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, pois o valor do "DARF discriminado no PER/DCOMP" havia sido "integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Inconformada com a nãohomologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, às folhas 9 a 18, na qual alega a inconstitucionalidade do artigo 3°, §1° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. Defende a contribuinte que o Supremo Tribunal Federal, em sessão realizada em 9 de novembro de 2005, declarou a inconstitucionalidade do citado dispositivo, bem como a Lei n° 11.941/09 expurgou do ordenamento jurídico o referido dispositivo legal, confirmando seu pleito. A contribuinte argumenta, ainda, a nulidade do Despacho Decisório por ausência de diligência sobre o crédito informado, nos termos do artigo 65 da Instrução Normativa n° 900/08”. Delegacia de Julgamento em Florianópolis proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A autoridade competente para decidir sobre restituição/compensação poderá, ou seja, tem a faculdade de condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de determinar a realização de diligência. Se pela DCOMP Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 apresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de fls. 49 a 59, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. Assim, levandose em conta que a presente lide tem como objeto principal a restituição parcial de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins), e que os documentos apresentados pela recorrente eram insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e eventuais pagamentos a maior, em 4 de maio de 2011, através da Resolução nº 3801000.164 – 1ª Turma Especial, o julgamento foi convertido em diligência à DRF de origem, a fim de: informe se a interessada propôs ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. Em caso positivo, fazer uma síntese do andamento processual; apure o valor devido a título de contribuição para o PIS com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de abril/2005, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; Retornar o processo a este CARF para julgamento. Em atendimento ao solicitado, a Unidade de Origem elaborou o documento intitulado “INFORMAÇÃO FISCAL DRF/BLU/EAC1 n°. 284/2011”, fls. 85/87, onde consta, em síntese: 1 – A interessada não propôs ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. 2 – O valor devido a título de Pis, referente ao período de apuração abril/2005, é R$ 1.277,37. 3 A interessada foi regularmente notificada e não manifestouse no prazo concedido. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.907484/200921 Acórdão n.º 3801001.485 S3TE01 Fl. 93 5 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatório acima, a interessada apresentou o PER/DCOMP de fls. 01/06, informando a compensação de um débito de Pis, período de apuração 04/2006, no valor R$ 104,97 com um crédito da mesma contribuição, referente ao fato gerador de abril/2005, oriundo de recolhimento a maior efetuado em 13/05/2005, no valor de R$ 172,75 (folha 03). Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) A recorrente explica que o valor do pagamento indevido referese ao recolhimento de PIS sobre as receitas não operacionais obtidas. Assim, do valor total de R$ 1.450,12, declarado na DCTF do 2º trimestre de 2005, referente a abril/2005 — recolhido mediante DARF pelo código 8109, em 13/05/2005 — o equivalente a R$ 172,75 foi recolhido indevidamente, posto que calculado sobre a receita não operacional da empresa. Por seu turno, a autoridade preparadora informa, fls. 87, que o Pis/Pasep devido referente a abril/2005 é de R$ 1.277,37, sendo recolhido o valor de R$ 1.450,12 resultando um pagamento a maior de R$ 172,75. Assim, compulsandose as peças que compõem o presente processo e de acordo com o PER/DCOMP n° 32341.68539.040506.1.3.047995, transmitido em 04/05/2006, fls. 01/06, temse: Valor devido de Pis referente a 04/2005: R$ 1.277,37. Valor recolhido de Pis, em 13/05/2005, referente a 04/2005: R$ 1.450,12. Valor recolhido a maior que o devido: R$ 172,75. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Débito de Pis a ser compensado, período de apuração 04/2006, R$ 104,97. Valor Original do Crédito Inicial: R$ 172,76. Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 172,76. Selic Acumulada: 16,60 % Crédito Atualizado: R$ 201,44. Total dos débitos desta DCOMP: R$ 104,97. Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 90,03. Saldo do Crédito Original: R$ 82,73. Por conseguinte, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, entendo que efetivamente restou comprovada nos autos a ocorrência de pagamento de Pis em valor superior ao devido, relativamente ao PA 04/2005, sendo devido o valor de R$ 1.277,37, e recolhido o valor de R$ 1.450,12, caracterizandose como indevido o valor original de R$ 172,75. Desse modo, diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor original de R$ 172,75, na data de 13/05/2005, homologando a compensação requerida até o limite do crédito a restituir. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10972.000016/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/08/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA.
Não deve ser conhecido o recurso voluntário que foi objeto de pedido de desistência.
MULTA QUALIFICADA. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DAS SITUAÇÕES QUALIFICADORAS PARA APLICAÇÃO DA PENALIDADE. REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO A 75%
Não sendo comprovada as circunstâncias qualificadoras deve-se reduzir a multa de ofício ao seu patamar original de 75%.
RO Negado e RV Não Conhecido
Numero da decisão: 3102-001.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não tomar conhecimento do recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nanci Gama.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrásio e Nanci Gama.
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Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/08/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA. Não deve ser conhecido o recurso voluntário que foi objeto de pedido de desistência. MULTA QUALIFICADA. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DAS SITUAÇÕES QUALIFICADORAS PARA APLICAÇÃO DA PENALIDADE. REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO A 75% Não sendo comprovada as circunstâncias qualificadoras deve-se reduzir a multa de ofício ao seu patamar original de 75%. RO Negado e RV Não Conhecido
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/08/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA. Não deve ser conhecido o recurso voluntário que foi objeto de pedido de desistência. MULTA QUALIFICADA. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DAS SITUAÇÕES QUALIFICADORAS PARA APLICAÇÃO DA PENALIDADE. REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO A 75% Não sendo comprovada as circunstâncias qualificadoras devese reduzir a multa de ofício ao seu patamar original de 75%. RO Negado e RV Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não tomar conhecimento do recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nanci Gama. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 00 00 16 /2 00 8- 44 Fl. 485DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrásio e Nanci Gama. . Relatório Por bem descrever os fatos, adoto com as devidas adições, o relatório da primeira instância. "Trata o presente processo de crédito tributário consubstanciado no auto de infração lavrado contra o estabelecimento em epígrafe às fls. 09/11, instruído pelos demonstrativos de fls. 02/08 e termo de verificação fiscal de fls. 12/19, referente ao imposto sobre produtos industrializados (IPI) no montante de R$3.497.124,31, acrescido de multa de ofício, passível de redução, no valor de R$5.245.686.43, além dos juros de mora que, até a data de 29/02/2008, perfaziam R$1.331 468,14. Na descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 10/11, a Fiscalização assim dispôs sobre a infração apurada: "001 CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITO BASICO INDEVIDO O estabelecimento industrial ou equiparado não recolheu o imposto, por ter se utilizado de crédito básico indevido, referente à aquisição do insumo canadeaçúcar, produto Não Tributado na TIPI, com a reconstituição de escrita apurouse saldo devedor de IPI. Valor apurado conforme demonstrado no TERMO DE VERIFICAÇAO FISCAL que é parte integrante deste auto. (grifo acrescido) Enquadramento legal (fl. 10): “Arts. 42, V, a, 130, 164, inciso 1, 163, 164, I, V, 199, 202, inciso III, do Decreto n°4.544/02 (RIPI/02) "002 CRÉDITOS INDEVIDOS DEAMAIS CASOS O estabelecimento industrial ou equiparado não recolheu o imposto. por se utilizar de créditos indevidos, referente a crédito prêmio do IPI, já extinto pela legislação, com a reconstituição de escrita apurouse saldo devedor do IPI. Valor apurado conforme demonstrado no TERMO DE VERIFICAÇAO FISCAL, em anexo, que é parte integrante deste auto." (grifo acrescido) Enquadramento legal (fl. 11): “Arts. 42, V, a, 130, 164, inciso I, 163, 164, I, V, 199, 202, inciso III, do Decreto n” 4.544/02 (RIPI/02) " Fl. 486DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10972.000016/200844 Acórdão n.º 3102001.617 S3C1T2 Fl. 486 3 Sobre a multa de ofício e os juros de mora, o enquadramento legal consta das fls. 07/08: “MULTAS PASSIVEIS DE REDUÇAO Fatos Geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007. 150,00% Art. 80, inciso II, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA A PARTIR DE JANEIRO DE 1997 (p /Fatos Geradores a partir de 01/01/1997): percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Art. 61, § 3º da Lei n° 9. 43 0/96 ". No termo de verificação fiscal de fls. 12/19, foram detalhados os procedimentos, constatações, critérios e conclusões fiscais que ensejaram a autuação, sintetizados conforme os pontos abaixo. a) Relativamente aos créditos indevidos créditos básicos créditos sobre produtos não tributados: a fiscalizada havia escriturado em seus livros (fls. 239/255) notas fiscais (fls. 223/238, por amostragem) referentes a compras de canadeaçúcar, produto nãotributado (NT), de pessoas físicas e jurídicas, tendo se creditado de IPI pela alíquota (5%) de seu produto final (açúcar), sendo que não havia destaque desse imposto nas notas de aquisição; o art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999 e o art. 5° do Decretolei n° 491, de 1969, informados pela fiscalizada como supedâneo do seu procedimento creditório, não podiam ser juridicamente aceitos, pois somente o insumo tributado gerava direito a crédito, o que não ocorria com o produto nãotributado, já que "Não havendo exação de 1PI nas aquisições desses insumos. por não estarem dentro do campo de incidência do imposto, não há valor algum a ser creditado"; “Diante disso, o fisco deve glosar a utilização de créditos sobre os quais não há permissão legal (...)"; “A impossibilidade jurídica do direito ao crédito, e a atitude sem amparo legai ou judicial da fiscalizada. é ratificada pelo próprio contribuinte quando, simplesmente, em períodos posteriores não mais se apropria dos referidos créditos e, tão pouco estorna os indevidamente escriturados”; sabendo a fiscalizada que os produtos nãotributados, à luz da legislação até então vigente, não dava direito a crédito, porque inexistente, e, nãoobstante, tendo utilizado sistemática e reiteradamente, nos anoscalendário de 2003 e 2004, desse crédito fictício a partir da alíquota aplicável ao seu produto acabado, sem apresentar qualquer fundamentação legal ou judicial eficaz, estava consciente da prática da conduta de tentar impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou de excluir ou Fl. 487DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 modificar as características essenciais deste, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento; a prática acima da fiscalizada caracterizava, em tese, crime contra a ordem tributária, inserindose na tipificação dos incisos I e II do art. 1° e inciso I do art. 2°, todos da Lei n° 8.137, de 1990. sujeitandose, dessa forma, ao pagamento da multa qualificada de 150% sobre os valores creditados indevidamente e glosados pela Fiscalização, a teor do art. 80, § 6°, incisos I e II; § 8°, inciso I; § 9°, todos da Lei n° 4.502, de 1964. b) Relativamente aos créditos indevidos créditoprêmio do IPI: a fiscalizada também havia, indevidamente, aproveitado valores de créditoprêmio do IPI na escrita fiscal, alegando como fundamento o art. 1° do Decretolei n° 491, de 1969, e a Lei n° 8.402, de 2002, além de ação ajuizada perante o Poder Judiciário sob o n° 2000.80.0067800; o créditoprêmio encontravase “revogado desde 30/06/1983, quando expirou a vigência do art. 1° do DecretoLei n° 491, de 05/03/1969, por força do disposto no art. 1º, § 2°, do Decreto Lei n°1.658, de 4/01/1979", não tendo sido "revalidado e nem reinstituído por norma jurídica posterior à vigência do art. 41 do ADCT da CF/88 "; no STJ, o entendimento prevalente considerava a extinção do créditoprêmio em 04/10/1990 por força do art. 41 e § 1° do ADCT da CF/88; sobre a ação judicial interposta pela fiscalizada, observase dos documentos apresentados que se referem "a fatos geradores anteriores ao ano calendário de 2000, com pedido determinado conforme se vê na petição inicial apresentada pelo contribuinte, fls. 71 a 91. A decisão do juiz federal ratifica o entendimento quando reconhece em parte a tutela antecipada, ao autor, o direito de registrar os créditos que tiver, provenientes dos créditosprémios do IPI. fls. 67 a 70, portanto, dá o direito de registrar os créditos' que tiver e não os que venha a ter. Na decisão de primeiro grau o juiz federal julga procedente a ação para determinar que a ré se abstenha de exigir qualquer estorno nos créditos inscritos na contabilidade da impetrante, fls. 61 a 66, mais uma vez os estornos vedadas são os inscritos na contabilidade e não os que vierem a ser inscritos"; nos anoscalendários de 2003 e 2004, não vigorava mais o benefício fiscal do créditoprémio previsto no art. 1° do Decreto lei n° 491, de 1969, e tampouco havia outro dispositivo legal ou judicial capaz de autorizar o suposto crédito aproveitado pela fiscalizada, pelo qual cabia ao Fisco estornar tais créditos, promovendo a reconstituição da escrita fiscal, conforme efetuado nas fls. 258/260; Fl. 488DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10972.000016/200844 Acórdão n.º 3102001.617 S3C1T2 Fl. 487 5 "a certeza da inexistência do direito ao créditoprêmio é ratificado pelo próprio contribuinte quando nos períodos posteriores ao anocalendário de 2003 não se apropriou dos referidos créditos, os quais alega em sua defesa, fls. 45 e 264 a 267, não possuírem qualquer limitação”; sabendo a fiscalizada que não havia mais previsão legal ou judicial que amparasse o créditoprêmio sobre as exportações realizadas, e, não obstante, tendo utilizado sistemática e reiteradamente desse crédito fictício a partir da alíquota aplicável ao seu produto acabado, sem apresentar qualquer fundamentação legal ou judicial eficaz, estava consciente da prática da conduta de tentar impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou de excluir ou modificar as características essenciais deste, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento; a prática acima da fiscalizada caracterizava, em tese, crime contra a ordem tributária, inserindose na tipificação dos inciso I e II do art. 1° e inciso I do art. 2° da Lei n° 8.137, de 1990, sujeitandose, dessa forma, ao pagamento da multa qualificada de 150% sobre os valores creditados indevidamente e glosados pela fiscalização, a teor do art. 80, § 6°, incisos I e II; § 8°, inciso I; § 9°, todos da Lei n° 4.502, de 1964. Cientificada, via postal, do lançamento de oficio em 13/03/2008 (fl. 354), a autuada apresentou em 11/04/2008 a impugnação de fls. 357/383, na qual, em síntese, argumentou os pontos ventilados abaixo. a) Relativamente aos créditos das aquisições de canadeaçúcar: era indevida a glosa dos créditos de IPI decorrentes das aquisições de canadeaçúcar de pessoas físicas e jurídicas no período de 2003 a 2004, porquanto a menção do art. 5° do Decretolei n° 491. de 1969, sobre o direito de manter e utilizar o crédito de IPI de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para utilização na fabricação de produtos exportados foi ampliada pela redação do art. 1°, inciso II, da Lei n° 8.402, de 1992, ao mencionar. para o aludido beneficio fiscal, o termo “insumos” empregados na industrialização de produtos exportados, denotandose daí "que o crédito de 1PI incide sobre todos os insumos da empresa empregados na industrialização, ,sejam eles insumos industrializados ou não"; o crédito de IPI restabelecido pelo art. 1°, inciso II, da Lei n° 8.402, de 1992, tinha nítido caráter de incentivo fiscal à exportação, alcançando, assim, tanto as aquisições entradas de insumos oneradas quanto as desoneradas, desde que respeitada a condição de o produto manufaturado destinarse à Fl. 489DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 exportação. Tal crédito incentivado era, portanto, contrário do crédito de IPI gerado pela nãocumulatividade, "que tinha como fato gerador apenas a utilização dos insumos no processo produtivo". Além disso, a referida Lei n° 8.402, de 1992, fundamentavase no art. 174 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), que estabelecia, na forma da lei, a função, dentre outras, de incentivo fiscal; também o crédito do IPI adstrito ao art. 1°, inciso II, da Lei n° 8.402, de 1992, não se confundia com o tratado pelo art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, já que aquela lei não mencionava "termo “saldo credor” como fez a última; havia vários entendimentos judiciais a corroborar suas assertivas (transcreveu excertos às fls. 366/369); do exposto, não restava dúvida de que o benefício fiscal aos exportadores, previsto pelo art. 1°, inciso II, da lei n° 8.402, de 1992, para "se creditarem do IPI, fazendo incidir a alíquota prevista na TIPI para o seu produto final exportado (in casu, só o açúcar) sobre todas as aquisições de insumos empregados no produto exportado"; b) Relativamente ao créditogrêmio do IPI: o entendimento da Fiscalização de que o créditoprêmio do IPI encontravase extinto desde 30/06/1983 estava superado pela jurisprudência do STJ, que, com base no § 1° do art. 41 do ADCT da CF/ 88, considerava a extinção em 04/10/1990, "razão pela qual a matéria será submetida à apreciação pelo Supremo tribunal Federal "; o direito ao créditoprêmio era assegurado ao produtor vendedor pelo art. 1° do Decretolei n° 491, de 1969, combinado com o art. 3° do Decretolei n° 1.248, de 1972, e o § 1° do art. 1° da Lei n° 8.402, de 1992; no processo judicial n° 2000.80.00.00.0067800, ajuizado perante a Justiça Federal de Alagoas para assegurar o direito ao créditoprêmio do IPI, constava da inicial um "pedido especifico para ressarcimento do crédito prêmio no valor de R$538. 770,83, gerado até 02/2000 e pedido genérico para que seja garantido à empresa o lançamento em sua escrita fiscal dos valores decorrentes do referido crédito”; das decisões judiciais relativas à concessão de tutela antecipada, à sentença de 1° e ao acórdão de 2° grau, restava assegurado "o direito de a empresa registrar o crédito prêmio de IPI, de modo, que se afigura absolutamente legal a escrituração dos créditos de IPI realizada no ano de 2003, objeto de fiscalização "; além de ter reconhecido o direito mencionado acima, a sentença judicial determinava que a ré se abstivesse de exigir qualquer estorno dos créditos inscritos na contabilidade da Fl. 490DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10972.000016/200844 Acórdão n.º 3102001.617 S3C1T2 Fl. 488 7 autora, salvo na hipótese de erro quanto aos valores apropriados, o que não era o caso; a restritiva interpretação da Fiscalização sobre a determinação judicial não condizia com o conteúdo desta e com o objetivo da ação ordinária proposta, "que trata do direito ao crédito prêmio de IPI, gerado em cada exportação de produto industrializado”, uma vez que "a relação jurídica que faz nascer o direito pretendido pela empresa e a obrigação da União é continuativa, ou seja, renovase toda vez em que há exportação de produto industrializado", entendimento este depreendido dos pedidos formulados na ação judicial e atendidos pelas decisões judiciais citadas, o que afastava a exegese fiscal de que somente e estaria vedado o estorno dos créditos já inscritos na contabilidade e não os que viessem a ser inscritos; não tendo a decisão judicial feito referência a período específico, devia ser compreendida como uma ordem geral de abstenção ao Fisco de realizar os estornos; "Assim, como demonstrado o procedimento adotado pela empresa, ao contrário) do afirmado pelo Sr. Auditor Fiscal, tem respaldo em decisões judiciais que autorizaram não só o lançamento na escrita fiscal dos valores decorrentes do crédito prêmio de IPI gerados em cada operação de exportação (relação continuativa), bem como,determinam a abstenção da Receita Federal de exigir o estorno dos referidos créditos”; a teor do dispositivo da sentença judicial exposto nas fls. 61/65, o título exeqüendo reconhecia a relação continuativa de direito material entre a empresa e a União, "que obriga esta a nada opor acerca da apuração do créditoprêmio nas suas exportações", entendimento confirmado pelo teor do art. 471, inciso I, do CPC, que determinava a decisões judiciais "efeitos prospectivos nas relações jurídicas continuativas entre as partes litigantes, desde que, evidentemente, não haja modificação no estado de fato ou de direito "; no caso dos autos, não houve alteração de direito relativamente ao fato gerador do créditoprêmio do IPI desde a propositura da ação judicial até o momento; no auto de infração, a Fiscalização não descrevera alguma das condutas praticadas pela autuada dentre aquelas especificamente tipificadas nos arts. 1° e 2° da Lei n° 8.137, de 1990. como crimes contra a ordem tributária. A “simples discordância quanto ao crédito de IPI escriturado não autoriza a conclusão da fiscalização de que em 'tese' teria ocorrido crime contra a ordem tributária "; para que houvesse a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% seria necessária a inconteste comprovação Fl. 491DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 de ação ou omissão dolosa no intuito de sonegação, fraude ou conluio capitulados nos arts. 71 , 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, o que não condizia com a conduta da autuada trazida no auto de infração; "a escrituração do crédito de insumos teve por base a própria legislação aplicável (art. l° da lei n” 8.402/92), interpretada pelos Tribunais Regionais Federais, enquanto, o crédito prêmio de 1PI foi registrado na contabilidade em razão de autorização judicial expressa que assegurou inclusive a abstenção do fisco de exigir o seu estorno. A simples discordância do fisco quanto a interpretação da legislação aplicável não torna os créditos 'absurdos', como equivocadamente afirmou o AFRFB "; "Deveras, in casu, a empresa não impediu nem retardou o conhecimento do fato gerador do IPI (art. 71) ou seus elementos essenciais (art. 72), na medida em que todas as hipóteses de incidência do IPI foram corretamente escrituradas no respectivo livro. conforme determina o Regulamento do IPI; como revelam os levantamentos realizados pela própria fiscalização autuante. Tampouco a contribuinte, ora Defendente, se utilizou de conluio objetivando tais fins (art. 73) "; no sentido acima havia vários entendimentos tanto do Conselho de Contribuintes quanto das Delegacias de Julgamento (transcreveu ementas nas fls. 380/382); Ao final, por todas as razões expostas, requereu a improcedência Integral do auto de infração impugnado, ou, alternativamente, a procedência em parte, retirandose a aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150%." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ao analisar a impugnação, decidiu por reduzir a multa de ofício aplicada ao patamar de 75%, por entender que os elementos constantes da autuação não são suficientes para a comprovação das circunstância qualificativa para justificar a multa de 150%. O restante do lançamento referente ao principal foi mantido no julgamento. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/08/2005 CRÉDITO DO IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao crédito do IPI condicionase a que as aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização tenham sido efetivamente oneradas pelo imposto, excluindose, portanto. as aquisições de produtos classificados na TIPI como nãotributados (NT) por se situarem fora do campo de incidência do imposto. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10972.000016/200844 Acórdão n.º 3102001.617 S3C1T2 Fl. 489 9 CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. DECRETOLEI N° 491, DE 1969. VIGENCIA. APROVEITAMENTO DO CREDITO. PRESCRIÇAO. O incentivo fiscal à exportação denominado créditoprêmio de IPI, instituído pelo art. 1° do Decretolei n° 491, de 1969, foi extinto em 30/06/83, por força do art. 1° do Decretolei n° 1.658, de 1979. Enquanto vigeu o créditoprêmio à exportação, a prescrição do direito ao seu aproveitamento se verificava com o transcurso de cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originaram, consoante o art. 1° do Decreto n° 20.910, de 1932, pelo que os valores do aludido crédito que foram apropriados pela fiscalizada em 2003, porquanto prescritos, devem ser glosados de oficio pelo Fisco. AUSÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICADORA. REDUÇAO DA MULTA DE OFICIO. A inevidência de circunstância qualificadora implica a redução da multa de ofício para o percentual de 75%. Lançamento Procedente em Parte" Ao concluir o julgamento a DRJ, considerando que o valor exonerado superou o limite de alçada, fez constar no acórdão, a necessidade de submeter a decisão ao CARF, em sede de recurso de ofício, determinando o retorno dos autos a Unidade de origem para ciência do interessado. A autuada ao tomar ciência da decisão da DRJ, veio aos autos apresentado Recurso Voluntário, repisando as alegações já apresentadas na impugnação. Em 27/11/2009 a Recorrente veio novamente aos autos requereu a desistência do Recurso Voluntário (fl. 455). É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Inicialmente é necessário proceder a análise da admissibilidade dos recursos voluntário e de ofício. Conforme se depreende da leitura do relatório, antes da análise do Recurso pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, a Recorrente apresentou pedido de desistência do recurso administrativo. Sendo assim, com a desistência do recurso Fl. 493DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 voluntário, restou para apreciação deste colegiado somente o recurso de ofício que por atender aos requisitos de admissibilidade, merece ser conhecido. O cerne da lide se prende a aplicação pela Fiscalização de multa de ofício qualificada no percentual de 150%. Percentual reduzido ao patamar de 75% pela decisão da primeira instância e que veio a ser objeto do presente recurso de ofício. A motivação para o lançamento da multa qualificada, foi assim descrita pela autoridade autuante. " O contribuinte, sabedor que não existia mais previsão legal ou judicial eficaz que amparasse os créditos fictícios sobre as exportações realizadas, créditoprêmio IPI, em conformidade com a legislação tributária até então vigente, que não dá direito ao crédito, porque inexistente, e, não obstante isso, usufrui o crédito utilizando alíquota aplicável a seu produto acabado, sem apresentar qualquer fundamentação legal ou judicial eficaz, o faz, consciente da ilegalidade e assume a conseqüência desses atos. Tivesse a contribuinte certeza de seu direito, deveria procurar amparo Judicial aos créditos lançados, conforme o fizera relativamente aos créditos anteriores a fevereiro de 2000, com decisão desfavorável ao contribuinte, e não apenas proceder a utilização do crédito a seu bel prazer. Entendemos que a conduta reiterada do contribuinte, ao se creditar, sistematicamente e reiteradamente, indevidamente, de créditos fictícios, sem amparo legal ou judicial eficaz, nos anoscalendário de 2003 a 2004, sem justificativa, contrariando disposição expressa de Lei, caracteriza, em tese, crime contra a ordem tributária, e inserese na descrição prevista nos incisos I e II do art. 1° e inciso I do art. 2° da Lei n° 8.137/90, que foram transcritos na infração anterior. Dessa forma, ficou sujeito ao pagamento da multa de 150% sobre os valores creditados indevidamente e glosados pela fiscalização, conforme estipulado no artigo 80 da lei 4.502/64, também, transcrito na infração anterior." A redução da multa de 150% para o valor de 75% ocorreu, segundo o julgamento da primeira instância, em razão da não comprovação nos autos da ocorrência da situação qualificadora, deixando assim de ser aplicada a penalidade qualificada. Do acórdão da DRJ extraio o trecho abaixo que detalha a motivação para exclusão parcial do lançamento. " A Fiscalização aplicou a multa qualificada de 150% prevista no art. 80 da Lei n° 4.502. de 1961, para ambas as autuações sob a interpretação, explicitada no termo de verificação fiscal (fls. 15/ 16 e 18 dos autos), de que a autuada, nãoobstante tivesse plena ciência de que suas aquisições de insumos não tributados não geravam crédito do IPI à luz da legislação tributária e que não possuía, no período autuado, qualquer amparo para aproveitar valores a título de créditoprêmio do IPI, praticara, sistemática, reiterada e deliberadamente, a indevida conduta de utilizarse desses créditos fictícios, inexistentes, sem apresentar fundamentação legal ou judicial eficaz para tanto, incorrendo, assim, na conduta de “tentar impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o Fl. 494DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10972.000016/200844 Acórdão n.º 3102001.617 S3C1T2 Fl. 490 11 montante do imposto devido, ou evitar ou diferir o seu pagamento", definida como fraude no art. 72 daquela Lei n° 4.502, de 1964, e no art. 481 do Regulamento do IPI de 2002 (RIPI/02), caracterizando, ainda, “em tese. crime contra a ordem tributária, e inserese na descrição prevista nos incisos I e II do art. 1º e inciso I do art. 2° da lei nº 8.137/90" Nesse ponto da qualificação da multa, este julgador não concorda com o entendimento da Fiscalização. Ora, a qualificação da multa realmente exige o “dolo” como elemento intelectual conformador, significando que, para ser cabível tal sanção pecuniária. os atos da fiscalizada devem expressar inequivocamente que foram praticados com deliberada consciência e vontade de realizar integralmente (ou seja, em toda sua completude os elementos típicos da conduta fraudulenta. Despiciendo salientar que, nessas situações, o ônus da prova é, sem dúvida, do Fisco. Ou seja, ao AFRF autuante, em tais situações, compete carrear ao processo a evidência inequívoca da ocorrência dos elementos caracterizadores da conduta típica. No caso ora em análise, porém, vislumbrase que o procedimento da autuada não condiz com os elementos típicos da fraude previstos no art. 80 da Lei n° 4.502, de 1964, ou no art. 481 do RIPI/02, uma vez que se verifica nos autos que a fiscalizada respondeu as intimações lhe dirigidas, apresentando informações e justificativas para o procedimento por ela adotado e, principalmente, que havia escriturado (fls. 239/255) os créditos glosados de oficio no livro fiscal registro de apuração do IPI (RAIPI), tendo, ainda, declarado tais créditos na DIPJ (fls. 287/288). Tais dados estavam, assim, à disposição do Fisco antes do início da ação fiscal que redundou na autuação ora em análise. I Não se vislumbra, destarte, conduta fraudulenta, dolosamente praticada pela fiscalizada, tendente a tentar impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou evitar ou diferir o seu pagamento. Nesse sentido, os elementos tomados pelo autuante como supedâneo à sua convicção revelamse, no juízo deste julgador, insuficientes para a comprovação patente e notória da circunstancia qualificativa a justificar a multa de 150% formalizada do auto de infração. Com isso, há que ser reduzido, tanto na autuação de tópico 001 quanto na de tópico 002 da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração, o percentual da multa aplicada de 150% para 75%, nos termos do art. 80, inciso l. da Lei n° 4.502, de 1964, com a redução dada, à época, pelo art. 45 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 12 Sobre questão da conduta da fiscalizada enquadrarse na tipificação de crime entre a ordem tributária prevista nos inciso I e II do art. 1º e no inciso I do art. 2° da Lei n° 8.137, de 1990, não há que ser tratada no processo administrativofiscal, conformandose sim em objeto do processo de representação fiscal para fins penais, uma vez que se trata de matéria pertencente à seara penaltributária, sujeitas, pois, a sanções penais privativas de liberdade e de multa, ambas cominadas na legislação penaltributária e não na administrativotributária. Com efeito, a multa aplicada no auto de infração, de 150%, ora analisada e reduzida, nos termos do presente voto, ao percentual de 75%, não possui natureza penal, mas sim administrativa, possuindo, com efeito, cominação legal própria e sujeitandose à análise de legalidade sob a competência deste julgador administrativofiscal." A empresa autuada apresentou justificativa para o seu procedimento, em entendimento obtido a partir de decisões judiciais. Durante a fiscalização, apresentou as documentações solicitadas pelo Fisco e não consta dos autos, documentos que possam comprovar o dolo da empresa ou omissão de informações fiscais necessárias ao trabalho da fiscalização. Conforme detalhado no voto da autoridade de primeira instância, os atos praticados pela recorrente, não se revestem das condições necessárias para ser considerada uma situação qualificadora da multa de ofício aplicada. Assim, não merece reparo a decisão da primeira instância que decidiu pela redução da multa de ofício ao percentual de 75%. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário em razão do pedido de desistência e negar provimento ao recurso de ofício. Winderley Morais Pereira Fl. 496DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10183.002696/2007-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003, 2004, 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO REVISOR.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para rerratificar o acórdão embargado.
MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, - Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010)
JUROS DE MORA.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 4 - Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010)
Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 2102-002.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os embargos de declaração para sanar as omissões existentes no Acórdão nº 2102-01.278, de 11/05/2011, sem efeitos infringentes.
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 29/08/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ACÓRDÃO REVISOR. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para rerratificar o acórdão embargado. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplicase a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) JUROS DE MORA. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 4 Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 26 96 /2 00 7- 46 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.002696/200746 Acórdão n.º 2102002.260 S2C1T2 Fl. 266 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os embargos de declaração para sanar as omissões existentes no Acórdão nº 2102 01.278, de 11/05/2011, sem efeitos infringentes. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 29/08/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em sessão plenária realizada em 11 de maio de 2011 esta Turma julgou o recurso apresentado pela contribuinte AGRO PECUÁRIA COMERCIAL E INDUSTRIAL CAARAPÓ S/A, Acórdão nº 210201.278, sendo proferida a seguinte decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio e DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, a área de preservação permanente de 34.400,0 ha, para os exercícios 2003 a 2005, e a área ocupada com benfeitorias de 2.000,0 ha, para o exercício 2005. A Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti votou pelas conclusões no tocante à controvérsia sobre a área de reserva legal O acórdão está assim ementado: ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ADA. Devese reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, as áreas de reserva legal averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente e informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. LAUDO. Devese reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, as áreas de preservação permanente, informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), cuja existência seja confirmada mediante Fl. 355DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.002696/200746 Acórdão n.º 2102002.260 S2C1T2 Fl. 267 3 apresentação de laudo técnico, elaborado por engenheiro agrônomo, acompanhado de anotação de responsabilidade técnica (ART). ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS. COMPROVAÇÃO. LAUDO. Acolhese, para fins de cálculo do ITR devido, área ocupada com benfeitorias, cuja existência seja confirmada mediante apresentação de laudo técnico, elaborado por engenheiro agrônomo, acompanhado de anotação de responsabilidade técnica (ART). ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. PLANO DE MANEJO SUSTENTADO. Somente pode ser considerada área de exploração extrativa, sem aplicação de índices de rendimento por produto, a área do imóvel rural explorada com produtos vegetais extrativos, mediante plano de manejo sustentado aprovado pelo IBAMA até o dia 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. 0 arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (S1PT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. Cientificada do referido Acórdão, por via postal, em 16/02/2012, Aviso de Recebimento (AR), fls. 246, a contribuinte apresentou Embargos de Declaração, fls. 251/261, em 22/02/2012, onde afirma que o acórdão embargado incorreu em omissão, pois deixou de apreciar as alegações do recurso no que se refere à multa de ofício e aos juros de mora. A embargante acrescenta, ainda, que, no que concerne à área de reserva legal o acórdão embargado não se pronunciou sobre o disposto no art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e no que tange à área de exploração extrativa a embargante afirma que o acórdão foi omisso ao não analisar fato que se encontrava provado documentalmente nos autos. É o Relatório. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.002696/200746 Acórdão n.º 2102002.260 S2C1T2 Fl. 268 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora Os Embargos de Declaração apresentados pela contribuinte preenchem os requisitos legais para sua admissibilidade e devem ser conhecidos. Nos embargos de declaração que ora se analisa a contribuinte afirma que o acórdão embargado incorreu em omissão, pois deixou de apreciar as alegações do recurso no que se refere à multa de ofício e aos juros de mora. Nesse aspecto, assiste razão à contribuinte, de sorte que passase à apreciação das razões de defesa apresentadas pela contribuinte no recurso sobre as referidas matérias. No que se refere aos juros de mora, a contribuinte defendeu a inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa Selic para fins tributários. Tal matéria já foi pacificada neste colegiado, conforme Súmula nº 4, que cristaliza o entendimento de que é legítima a sua aplicação: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) Assim, deve ser mantida a exigência dos juros de mora calculados com base na taxa Selic. Quanto à multa de ofício, a contribuinte limitouse a afirmar que discordava de sua incidência, sob a alegação de que sua aplicação seria totalmente contrária a legislação, com efeito confiscatório. Ora, o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prevê a aplicação de multa de 75% nos casos de lançamento de ofício sobre a diferença de imposto devido. Logo, considerando que no procedimento fiscal apurouse que a contribuinte deixou de recolher o ITR devido, correta a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%. Importa, ainda, ressaltar que o exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme inferese da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) Fl. 357DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.002696/200746 Acórdão n.º 2102002.260 S2C1T2 Fl. 269 5 Como se vê, os julgamentos administrativos não contemplam o exame de constitucionalidade de leis tributárias, de sorte que não será neste voto apreciada a alegação da recorrente de ofensa ao princípio constitucional de nãoconfisco. Assim, deve prevalecer a cobrança da multa de ofício de 75%, conforme exigido no lançamento. Nos embargos de declaração a contribuinte aponta, ainda, a existência de outros dois pontos de omissão, quais sejam: no que concerne à área de reserva legal o acórdão embargado não teria se pronunciado sobre o disposto no art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e no que tange à área de exploração extrativa o acórdão não teria analisado fato que se encontrava provado documentalmente nos autos. No que se refere à área de reserva legal o acórdão embargado manteve a decisão de primeira instância em razão da falta de averbação da referida área junto à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no cartório de registro de imóveis. Nesse ponto, importa observar que o acórdão deve referirse, expressamente, sobre todas as razões de defesa suscitadas no recurso, entretanto, não há a necessidade de responder, um a um, o feixe de argumentos exarados na defesa sobre a mesma questão, sendo suficiente que se fundamente a decisão sobre a matéria em litígio. E este é o caso que se apresenta. O entendimento exarado na decisão embargada foi no sentido de que somente há que se falar em área de reserva legal depois de sua respectiva formalização, mediante averbação na matrícula do imóvel, sendo, portanto, desnecessária a abordagem do disposto no art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393, de 1996. Já no que se refere à área de exploração extrativa temse que no voto condutor do acórdão embargado foram analisados todos os documentos acostados aos autos, sendo devidamente esclarecido que os mesmos não eram suficientes para comprovar o cumprimento do cronograma do Plano de Manejo Florestal Sustentado, razão porque manteve se a glosa da área de exploração extrativa. Assim, no que se refere à área de reserva legal e à área de exploração extrativa não restou caracterizada a existência de omissão no acórdão embargado. Ante o exposto, voto por acolher em parte os embargos de declaração para sanar as omissões existentes no Acórdão nº 210201.278, de 11/05/2011, sem efeitos infringentes. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 358DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.002696/200746 Acórdão n.º 2102002.260 S2C1T2 Fl. 270 6 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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