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Numero do processo: 10830.016265/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 DEMONSTRATIVO FUNDAMENTADO DO ÁGIO. NÃO APRESENTAÇÃO. EXIGÊNCIA LEGAL. GLOSA DAS DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO. O valor do ágio, cujo fundamento econômico seja o valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base na previsão dos resultados nos exercícios futuros, deverá ser demonstrado em documento que indique de forma clara e consistente a avaliação da empresa a valor presente, justificando o valor do ágio na aquisição de participação societária. O demonstrativo deverá ser arquivado pelo contribuinte como comprovante da escrituração do ágio. Não apresentado o respectivo demonstrativo, como exige a lei, justifica-se a glosa das despesas de amortização do ágio registradas pela autuada. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. INCORPORAÇÃO “ÀS AVESSAS”. GLOSA DA COMPENSAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Na hipótese de não ter sido caracterizada a operação como simulada, é lícita a denominada "incorporação às avessas" para compensação de prejuízos fiscais da incorporadora, quando realizada entre empresas operativas, sob controle comum e tendo por objetivo a melhor eficiência financeira na operação.
Numero da decisão: 1202-000.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a compensação de prejuízos fiscais, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A conselheira Viviane Vidal Wagner acompanhou o relator pelas suas conclusões. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 101          2 (documento assinado digitalmente)  Nelson Lósso Filho ­ Presidente    (documento assinado digitalmente)  Carlos Alberto Donassolo – Relator.     Participaram da  sessão  de  julgamento  os Conselheiros Nelson Lósso  Filho,  Orlando  José  Gonçalves  Bueno,  Carlos  Alberto  Donassolo,  Nereida  de  Miranda  Finamore  Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner.    Relatório  Trata­se do exame dos Autos de Infração do IRPJ e da CSLL, relativamente  aos anos­calendário de 2005, 2006 e 2007 com aplicação da multa de ofício, no percentual de  75%, e dos juros de mora com base na taxa Selic, fls. 1845 e ss.  A  autoridade  fiscal  teria  identificado  a  ocorrência  de  duas  infrações  tributárias:  1­  Glosa  das  despesas  de  amortização  de  ágio  por  desatendimento  aos  preceitos  legais:  i)  inexistência de  fundamento  econômico com base em  “laudo de avaliação”; ii) falta de demonstração matemática dos valores do  ágio  apurado;  e  iii)  não  comprovação  do  pagamento  integral  do  ágio  apurado;  2­  Glosa  da  compensação  de  prejuízos  compensados  indevidamente  em  razão do evento de “incorporação” da empresa superavitária (com lucros),  por empresa deficitária (com prejuízos a compensar), visando contornar a  vedação legal prevista no art. 514 do RIR/99;  A  dedução  da  amortização  do  ágio  ocorreu  a  partir  de  julho  de  2001,  em  razão do evento de incorporação às avessas, ocorrido em 30/06/2001. No entanto, o lançamento  fiscal, efetuado em 2010, somente ocorreu em relação aos anos de 2005, 2006, 2007, face ao  transcurso do prazo decadencial para os períodos anteriores (fls. 101 e 1847).  Na  sequência,  por  bem  retratar  os  fatos  ocorridos,  transcrevo,  na  parte  que  interessa, o Termo de Constatação Fiscal, de fls. 1802 e ss., o qual passo a adotar:  “5. Apresentamos a seguir as empresas envolvidas nas operações:  CNPJ 61.064.689/0001­02  ­ Até 30/06/2001 a Razão Social era LION S.A.  Após incorporação da SOTREQ, CNPJ 33.081.712, ocorrida em 30/06/2001, a razão  Fl. 2374DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 102          3 social  passou a  ser SOTREQ S.A, ora  em  fiscalização. Antes da  incorporação era  uma empresa deficitária, inclusive com Patrimônio Líquido negativo.  CNPJ  33.081.712/0001­31  ­  Até  30/06/2001  a  Razão  Social  era  SOTREQ  S.A.  Após  a  incorporação  pelo  CNPJ  61.064.689,  ocorrida  em  30/06/2001,  foi  extinta. Antes da incorporação era uma empresa superavitária.  CNPJ  01.352.859/0001­22  ­  Até  31/12/2002  a  Razão  Social  era  NOIL  PARTICIPAÇÕES E COMÉRCIO S.A. Após incorporação pelo CNPJ 61.064.689,  ocorrida em 31/12/2002, foi extinta. Era a sociedade controladora da LION.  CNPJ  34.151.100/0001­30  ­  A  Razão  Social  era  CABO  EMPREENDIMENTOS  S.A.  Em  31/12/2002  ocorreu  cisão  parcial,  seguida  de  incorporação  do  patrimônio  cindido  pela  NOIL,  a  qual  foi  incorporada  pela  fiscalizada  CNPJ  61.064.689.  Era  a  sociedade  controladora  da  SOTREQ.  Em  30/06/2009 a CABO incorporou a SOTREQ (CNPJ 61.064.689, fiscalizada),  tendo  alterado sua razão social para SOTREQ.  CACo  ­  CATERPILLAR  AMÉRICAS  Co.,  empresa  sediada  nos  Estados  Unidos  da  América,  que mantém  contratos  de  distribuição  de  seus  produtos  com  diversos representantes no Brasil, entre os quais a SOTREQ e a LION.  6. Segundo a resposta do contribuinte recebida em 26/04/2010, as operações  foram efetuadas conforme o disposto a seguir.  "A fiscalizada é uma das empresas que representam, no Brasil, a Catterpillar  América Co. ("CACo"), sociedade com sede nos Estados Unidos, e, nessa condição,  segue  modelo  de  estrutura  societária  sugerido,  qual  seja,  que  as  empresas  representantes da CACo sejam controladas por  sociedades do  tipo holding, e não  diretamente  por  pessoas  físicas  ("PF").  A  sociedade  é  sociedade  controlada  pela  Cabo Empreendimentos S.A ("CABO"). "  "Cabe  apontar  que  o  grupo  CACo  não  mantém,  no  Brasil,  somente  um  representante  de  seus  negócios.  Assim,  outras  empresas  autorizadas  pela  CACo  também podem desempenhar tais atividades, respeitando­se "limites  territoriais de  atuação".  Essa  era  a  situação  da  Noil  Participações  e  Comércio  S.A  ("NOIL"),  sociedade controladora da LION S.A ("LION"). Assim, a representação da CACo no  Brasil, no passado, pode ser esquematizada a partir da figura abaixo:"  [desenho esquemático na pág. 1804]  "Até  o  ano  de  1996,  as  dívidas  que  a  LION  possuía  frente  à  CACo  alcançavam o total de, aproximadamente US$ 22.000.000,00. Diante disso, a CACo  decide  intervir  na  sociedade.  Conseqüência  dessa  intervenção  foi  a  aquisição  de  84%  das  ações  da  NOIL  e  33%  das  ações  da  LION,  de  forma  que  a  estrutura  anterior passou a ser a seguinte: "  [desenho esquemático na pág. 1804]  "Três  anos  depois,  em  1999,  as  dívidas  da  NOIL  ainda  não  haviam  sido  quitadas. Pelo contrário, essa sociedade, em conjunto com a LION, havia assumido  dívidas  ainda  maiores,  agora  com  terceiros  (em  sua  maioria,  instituições  financeiras), atingindo o montante de R$ 33.000.000,00. "  "Com  isso,  buscando  recuperar  seus  negócios,  a  LION  procurou  a  Fiscalizada,  a  fim  de  que  ambas  as  empresas  se  associassem  sob  uma  única  Fl. 2375DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 103          4 sociedade, somando sinergias, otimizando negócios e potencializando a exploração  do mercado comum, uma vez que desenvolviam atividades idênticas."  "Assim,  em  25.10.1999,  chegou­se  a  celebrar  um  Contrato  Preliminar  de  Intenções (doc. nº 2), após a realização de  longo estudo de condições econômico­ financeiras e de mercado (doe. Nº 3). "  "A despeito disso,  o Contrato Preliminar de  Intenções acabou não gerando  resultados (grifo da fiscalização). Diante desse cenário, a CACo decide retomar os  negócios  desenvolvidos  pela  NOIL,  com  base  na  Cláusula  21  do  Contrato  de  Distribuição,  passando a  representação que por  ela  era  detida  a  outra  sociedade  abrindo longa etapa de negociações com outras empresas, inclusive estrangeiras."   "Nesse processo, destacou­se a proposta apresentada pela representante Sul­ africana  da  CACo,  a  Barlow  Limited  ("Barlow"),  que  chegou  a  celebrar  com  a  LION  um  Memorando  de  Entendimentos  (Memorandum  of  Understandings  ­  "Memorando "), em 24.6.2000 (doc. n° 4). "  "De acordo com as disposições desse Memorando, a Barlow pagaria o valor  de  USS  52.000.000,00  à  LION/CACo  pela  totalidade  de  suas  ações,  e,  conseqüentemente, passaria a deter seu controle e atividades no Brasil. "  "Entretanto, após novas negociações entre a CACo e a Fiscalizada (que, vale  ressaltar, assim como a NOIL, era a representante da CACo no Brasil), decidiu­se,  em  24.1.2001,  que  a  representante  brasileira  deveria  assumir  as  atividades  antes  desempenhadas  pela  LION,  sendo  essa  decisão  consubstanciada  em  um  outro  Memorando  de  Entendimentos  (Memorandum  of  Understandings  —  "Segundo  Memorando ") (doc. Nº 5). ",   "De acordo com o Segundo Memorando, dentre outras obrigações, a Sotreq  deveria:"  "(i)  contribuir  o  valor  de  US$  25.000.000,00  na  LION,  passando  a  ser  detentora  de  50%  de  seu  capital  social.  O  pagamento  seria  dividido  em  duas  parcelas:  (a)  a  primeira,  de  US$  10.000.000,00,  no  momento  da  celebração  de  acordo  definitivo;  e  (b)  o  valor  restante,  US$  15.000.000,00,  até  31.3.2001.  O  referido pagamento seria destinado à quitação das dívidas acumuladas pela LION,  tanto perante a CACo, quanto a instituições financeiras (dentre as quais, ABNAmro,  Barclays e West LB);"  "(ii)  adquirir  a  participação  detida  pela  CACo  na  NOIL  e  na  LION,  pelo  valor  de  US$  22.000.000,00,  ao  longo  do  período  de  sete  anos,  sendo  que  tal  aquisição  deveria  se  iniciar  antes  de  1.7.2004,  pelo  valor  mínimo  de  US$  5.500.000,00;"  (iii)........................................................  "(iv)  otimizar  a  incorporação  do  patrimônio  da  LION  ao  seu  próprio,  concluída  a  aquisição  da  totalidade  da  participação  societária,  "(grifo  da  fiscalização)  "Concluída  a  etapa  preliminar  de  negociações,  passaram  a  ser  realizados  diversos estudos a respeito das condições econômico­financeiras, de mercado e de  sinergias entre as sociedades objeto do contrato (LION e Fiscalizada) (doc. Nº 6). A  partir disso, o negócio foi concluído, de forma que a Fiscalizada passou a deter a  representação da CACo nos territórios que antes eram controlados pela LION. "  Fl. 2376DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 104          5 "Com  a  decisão  tomada  pela  CACo  de  passar  a  representação  de  suas  atividades  para  a  Fiscalizada,  que  também  era  uma  sociedade  brasileira,  foi  necessário  estabelecer  uma  reestruturação  societária  a  fim  de  otimizar  as  sinergias  e  redesenhar  a  logística  da  Fiscalizada,  para  que  o  ramo  detido  pela  LION  pudesse  ser  incorporado  de maneira  eficiente,  sem  interferir  de maneira  negativa  em suas operações  (grifo da  fiscalização). Afinal,  vale  lembrar,  a LION  era  detentora  de  dívidas  que  alcançavam  o  montante  de  aproximadamente  R$  33.000.000,00, contemplando, inclusive, Patrimônio Líquido negativo."  Em 21.3.2001 foi celebrado entre a CACo, CABO e a Fiscalizada, o Contrato  de Compra e Venda de Ações ("Contrato ") a que se referia o Segundo Memorando  (doc. Nº 8), estabelecendo, dentre outros, o seguinte:"  "(i) a Fiscalizada deveria contribuir o valor de US$ 25.000.000,00 na LION,  sendo  por  isso  emitidas  26.346.542  ações  ordinárias  e  12.781.183  ações  preferenciais da classe 4;"  (ii) como adiantamento ao futuro aumento de capital, na data da assinatura  do contrato a Fiscalizada deveria pagar o valor de US$ 1.000.000,00;"  (iii) ......................  (iv)  a  Fiscalizada  se  comprometeria  a  adquirir  a  participação  detida  pela  CACo na LION e a CABO se comprometeria a adquirir a participação detida pela  CACo na NOIL,  operações  que,  no  total,  atingiam o  valor  de US$ 22.000.000,00  (sendo US$ 12.000.000,00 relativos à primeira aquisição, e US$ 10.000.000,00 pela  segunda);"  (v) ......................  (vi) o pagamento de US$ 22.000.000,00 seria efetuado da seguinte forma: (a)  a CABO deveria efetuar o pagamento à CACo em quatro parcelas anuais no valor  de US$ 2.500.000,00; e (b) a Fiscalizada deveria efetuar o pagamento à CACo em  quatro  parcelas  anuais  no  valor  de  US$  3.000.000,00;  sendo  cada  parcela  representada e garantida por Nota Promissória Endossável com vencimento anual,  sendo a primeira devida em 1.7.2004 e a última parcela devida em 1.7.2007 (docs.  nºs 9 a 16); e "  (vii) as parte se comprometeriam a obter todas as aprovações necessárias e a  praticar  todos os atos necessários para efetivar a  incorporação da Fiscalizada na  LION até 31.12.2001."  "Assim,  após  o Contrato,  a  estrutura  de  representação  da CACo  no  Brasil  passou a ser a seguinte:"  "Quando do aporte de US$ 25.000.000,00;"  [desenho esquemático na pág. 1806]    “Quando da aquisição da participação detida pela CACo na NOIL e LION;'  [desenho esquemático na pág. 1807]    Fl. 2377DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 105          6 "A partir dessa estrutura, começaram a ser tomadas as devidas providências  para  a  concretização  da  Cláusula  3  do  Contrato  de  Compra  e  Venda  de  Ações  (incorporação da Fiscalizada na LION). "  "Para  que  a  estrutura  acima  pudesse  ser  efetivamente  concretizada,  foi  necessário realizar ajustes ao Contrato de Compra e Venda de Ações, de forma que,  em  12.4.2001,  foi  celebrada  a  Primeira  Alteração  Contratual  do  Contrato  de  Compra e Venda de Ações (doe. n" 17), prevendo as condições pelas quais seriam  adquiridas  as  participações  originariamente  detidas  pela  CACo.  Não  obstante,  o  Contrato  de  Compra  e  Venda  de  Ações  ainda  se  mostrava  incompleto  para  a  concretização da Cláusula 3, de forma que foi necessária a celebração da Segunda  Alteração Contratual do Contrato de Compra e Venda de Ações  (doc. Nº 18),  em  16.2.2005 (decorridos quase 4 anos do Contrato de Compra e Venda de Ações —  grifo e observação da fiscalização). "  "Nesse esteio, foram também elaborados demonstrativos de avaliação do ágio  que  seria  gerado  à  Fiscalizada  (doe.  n"  19),  realizadas  auditorias  legais(doc.  nº  20), e solicitadas avaliações de auditores independentes (docs. nºs 21 e 22). "  "Concluídos  os  estudos  e  realizada  a  incorporação  da  Fiscalizada  pela  LION, que se deu justamente com (i) cisão parcial da CABO; (ii) incorporação da  parte cindida da CABO na NOIL; e (iii) incorporação da NOIL na fiscalizada, com  sua conseqüente extinção; a estrutura sob análise passou a ser a seguinte:  [desenho esquemático na pág. 1807]    "A Fiscalizada  esclarece que  a  incorporação  foi  feita  pela LION a  fim de  que os prejuízos por ela contabilizados não fossem perdidos (grifo da fiscalização),  que  oneraria  ainda  mais  a  operação,  causando,  consequentemente,  aumento  no  valor de venda de suas ações. "   7.  Conforme  os  documentos  apresentados,  os  acionistas  das  holdings,  antes  das incorporações (março/2001), eram os seguintes:  • Acionistas da CABO (controladora da SOTREQ): Carl Vagn Orberg, Borge  Kristian Orberg, Carl Alfred Orberg e Kathryn Orberg Beeck.  • Acionistas da NOIL (controladora da LION): CACo (empresa  sediada nos  EUA),  Paulo  Fernando  Cavalcanti  de  Albuquerque,  Russel  Graham  Glover  e  Edward  Russel  McKenny  Jr..  Conforme  verificado  posteriormente,  a  LION  EMPREENDIMENTOS  S.A  (LEMP),  CNPJ  61.076.956/0001­61,  também  era  acionista da NOIL.  •  Acionistas  da  CACo:  Não  foram  informados,  apesar  do  contribuinte  ser  intimado a fazê­lo.  [...]  VII ­ DA COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS DO ÁGIO LION  [...]  35. Com  relação  aos  pagamentos  de US$ 12 milhões,  previstos  para  serem  efetuados  em  2004  a  2007,  referentes  à  quitação  da  participação  anteriormente  detida pela CACo na LION,  a  fiscalização não contesta  sua  efetividade,  tendo em  Fl. 2378DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 106          7 vista cópia de contratos de câmbio apresentados em 17/03/2010 e INSTRUMENTO  PARTICULAR  DE  QUITAÇÃO  celebrado  em  20  de  abril  de  2006  (doc.  1  da  resposta recebida em 02/08/2010).  36.  Já  com  relação  ao  efetivo  pagamento  de US$  25 milhões,  a  fiscalizada  não  comprovou  integralmente  sua  efetividade,  conforme  pode  ser  verificado  na  PLANILHA 4, em anexo, elaborada com base na planilha DEMONSTRATIVO DE  LANÇAMENTOS  da  LION,  apresentada  pela  fiscalizada  em  13/09/2010,  e  documentos apresentados em 27/09/2010 e 12/11/2010, onde se observa o seguinte:  • Com relação aos pagamentos via bancos (R$ 2.000.000,00, R$ 92.900,00),  equivalentes a US$ 1 milhão, a fiscalizada não apresentou os extratos bancários da  LION,  apesar  de  intimada  a  fazê­lo.  Apresentou  apenas  extrato  da  SOTREQ,  a  crédito, quando deveria ser a débito. De qualquer forma, a proprietária das ações era  a NOIL, e a fiscalizada não apresentou os livros da NOIL, apesar de intimada a fazê­ lo. (...)  •  Com  relação  ao  pagamento  de  R$  14.625.117,71,  equivalentes  a  US$  6.844.081,48,  a  fiscalizada  apresentou  o  extrato  da  CABO,  mas  não  da  LION.  Observa­se no livro RAZÃO da CABO (cópia em anexo à resposta recebida em 18  /06/2010), folha 1, como histórico, "vlr ref doc para SOTREQ nesta data".  •  Com  relação  ao  pagamento  de  R$  3.738.007,92,  equivalente  a  US$  1.749.266,66  foi  apresentado  contrato  3100400032,  onde  se  observa  que  quem  contraiu o empréstimo foi a CABO, não a LION.  • Com relação ao pagamento de R$ 2.136.900,00, equivalente a US$ 1 milhão  foi apresentado ctr 3100100086, onde se observa que a CABO assumiu a dívida da  LION,  porém,  como  contrapartida,  a  LION  entregou  à  CABO,  na mesma  data,  o  valor  assumido,  conforme  cláusula  3.1  do  contrato,  ou  seja,  para  a  LION,  teria  havido uma cessão de dívida para a CABO e uma saída de dinheiro na mesma data,  para a CABO. Observamos  também que esses lançamentos não foram encontrados  no livro RAZÃO da CABO (cópia em anexo à resposta recebida em 18/06/2010).  •  Com  relação  ao  pagamento  de  R$  6.410.700,00,  equivalente  a  US$  3  milhões,  foi  apresentado  primeiro  termo  de  aditamento,  ctr  3100100088,  onde  se  observa que a CABO assumiu a dívida da LION, porém, não consta a contrapartida  no  primeiro  termo  de  aditamento,  e  a  fiscalizada  não  apresentou  o  "Instrumento  Particular", apesar de intimada a fazê­lo.  •  No  último  lançamento,  de  30/06/2001,  (R$  21.251.489,65),  equivalente  .  aproximadamente  a  US$  10  milhões,  foi  lançada  a  crédito  de  "CAPITAL  A  INTEGRALIZAR"  e  "Sotreq  S.A"  e  a  débito  de  "Outras  contas  a  pagar"  e  "Transitória  pagto  a  fornecedores".  Tal  lançamento  abre  apenas  2  (duas)  possibilidades: Primeira ­ Os detentores dos créditos nas contas debitadas, seriam os  integralizadores  do  capital  (o  que  não  foi  o  caso,  pois  a  conta  2162009  ­  "Outras  Contas  a  Pagar",  apresentada  na  resposta  recebida  em  27/09/2010  (doe.  n°  3)  é  composta de vários fornecedores, destacando­se a Cat Brasil, empresa nacional (não  a CACo, sediada nos EUA), sendo que os subscritores do aumento de capital seriam  a CACo e a NOIL). Segunda ­ Os integralizadores assumiriam as .dívidas lançadas  nas  contas  debitadas. Tal  aumento  de  capital  estava previsto  na  ata  da  assembléia  geral da LION, realizada em 30 de março de 2001, cópia entregue em 23/08/2010  (doe. n° 17). Seria os (ii) 40% do aumento de R$ 53.128.798,83, a ser integralizado  até 30.6.2001. O aumento total do capital foi efetuado com a emissão de 26.346.542  ações ordinárias e 12.781.183 ações preferenciais da classe 4. Observa­se na ata de  29.6.2001 da LION (entregue em 08/10/09),  item "e", que  tais ações eram detidas  Fl. 2379DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 107          8 pela SOTREQ e foram extintas. Dessa forma, a integralização do capital  teria sido  efetuada pela SOTREQ, como previsto desde o início, ou seja, ela teria assumido as  dívidas  de  "Outras  contas  a  pagar"  e  "Transitória  pagto  a  fornecedores".  Dessa  forma, as dívidas,  que  eram da LION com a  incorporação da SOTREQ, pela  LION, ocorrida na mesma data  teriam continuado com a LION, ou seja, não  teria havido mudança em relação à situação antes da incorporação. Observamos  também que  tais  lançamentos não constam no  livro RAZÃO da CABO, conforme  cópia integral em anexo à resposta recebida em 18/06/2010. De qualquer forma, não  houve movimentação de numerários nessa operação.  VIII ­ DA COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS DO ÁGIO NOIL  [...]  38.  Com  relação  aos  pagamentos  acima  relacionados,  previstos  para  serem  efetuados  em  2004  a  2007,  referente  ao  pagamento  da  participação  anteriormente  detida pela CACo na NOIL,  a  fiscalização não contesta  sua efetividade,  tendo em  vista cópia de contratos de câmbio apresentados em 17/03/2010 e INSTRUMENTO  PARTICULAR  DE  QUITAÇÃO  celebrado  em  20  de  abril  de  2006  (doe.  1  da  resposta recebida em 02/08/2010).  IX ­ DOS LAUDOS DE RENTABILIDADE FUTURA:  [...]  53.  Em  suma,  a  fiscalizada  foi  intimada  a  apresentar  o  Laudo  de  avaliação  econômico­financeira, o fundamento econômico e o demonstrativo de rentabilidade  futura  por  5  (cinco)  vezes,  em  termos  lavrados  nas  seguintes  datas:  22/02/2010,  31/03/2010,  26/04/2010,  14/05/2010  e  05/07/2010.  Em  resposta  recebida  em  23/08/2010  a  fiscalizada  relacionou  os  documentos  que,  segundo  ela,  seriam  os  laudos,  os  quais,  conforme o  disposto  nos  itens  anteriores,  comprovou­se  que  não  continham  o  demonstrativo  de  rentabilidade  futura.  Na  mesma  resposta  a  fiscalizada  informou  que  "não  seriam  necessários  novos  estudos  para  a  concretização  do  negócio  entre  os  grupos  SOTREQ  e  LION".  Dessa  forma,  ficou  comprovado  que  não  foi  elaborado,  por  3  peritos  ou  por  empresa  especializada,  o  Laudo  de  Avaliação  econômico­financeira,  o  fundamento  econômico  e  o  demonstrativo  de  rentabilidade  futura  em  questão.  X  ­  DA  GLOSA  DAS  DESPESAS  DE  AMORTIZAÇÃO  DO  ÁGIO  LION:  54. Resumindo, com relação ao ágio LION:  •  Em  todos  os  documentos  apresentados,  não  há  qualquer  demonstrativo de  rentabilidade  futura,  nem  qualquer  avaliação  do  valor  de mercado de bens do  ativo. Dessa forma,  as  ações da LION  foram adquiridas  por  fundo  de  comércio,  intangíveis  e  outras  razões  econômicas.  Tal  afirmação é corroborada pelo fato de que, com a incorporação, a SOTREQ passou a  deter a distribuição dos produtos da CACo nos territórios anteriormente alocados  à LION. Isto posto, não sendo aplicável, no caso, a especial norma de dedutibilidade  de  ágio  prevista  no  artigo  386,  inciso  III,  §2°.  do  RIR/99,  as  despesas  de  amortização ficaram sujeitas à glosa, por não atenderem os  requisitos previstos no  art. 299 do mencionado regulamento.  Fl. 2380DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 108          9 "Art.  299.  São  operacionais  as  despesas  não  computadas  nos  custos,  necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora  (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47)."  "§1°. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das  transações ou operações exigidas pela atividade da empresa."  "§2°. As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo  de transações, operações ou atividades da empresa."  55.  A  inexistência  do  Laudo  de  avaliação  econômico­ financeira,  o  fundamento  econômico  e  o  demonstrativo  de  rentabilidade  futura  já  é  por  si  só  suficiente  para  a  glosa  da  despesa  de  ágio.  Porém,  a  falta  do  demonstrativo  matemático  dos  valores  de  ágio,  bem  como  a  comprovação  apenas  parcial  dos  pagamentos,  reforçam  essa  glosa, como o disposto a seguir.  • A fiscalizada não conseguiu demonstrar matematicamente os valores do  ágio, nem de R$ 76.845.186,06 (constante no LAUDO DE AVALIAÇÃO), como de  R$ 79.345.197,83 (ágio amortizado).  • Com  relação à  efetividade  dos  pagamentos,  a  fiscalização  não  contesta os  pagamentos  referentes aos US$ 12 milhões previstos para serem pagos em 2004 a  2007/referentes  à  participação  anteriormente  detida  pela  CACo  na  LION.  Porém,  entende  que  a  fiscalizada  não  comprovou  integralmente  a  efetividade  do  pagamento dos US$ 25 milhões, previstos para 2001. Observou­se inclusive que em  parte  desses  supostos  pagamentos,  não  houve  movimentação  de  numerários,  conforme já disposto no item VII e PLANILHA 4.  XI  ­  DA  GLOSA  DAS  DESPESAS  DE  AMORTIZAÇÃO  DO  ÁGIO  NOIL:  56. Resumindo, com relação ao ágio NOIL:  •  os  documentos  relacionados  pela  fiscalizada se  referem  apenas  à LION,  e  não  à  NOIL.  Dessa  forma,  não  há  qualquer  demonstrativo  de  rentabilidade  futura  da  NOIL.  Isto  posto,  não  sendo  aplicável,  no  caso,  a  especial  norma  de  dedutibilidade de ágio prevista no artigo 386, inciso III, §2°. do RIR/99, as despesas  de amortização ficaram sujeitas à glosa, por não atenderem os requisitos previstos no  art. 299 do mencionado regulamento.  [...]  XIII  ­ DA GLOSA DAS COMPENSAÇÕES DE PREJUÍZO  E BASES  DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL  59.  A  LION  S.A  (CNPJ  61.064.689/0001­02),  até  março/2001,  era  uma  empresa deficitária, com prejuízos acumulados. Segundo documento apresentado à  CADE  (doc.  n°  7  da  resposta  apresentada  em  26/04/2010),  a  LION  era  uma  distribuidora autorizada do Grupo Caterpillar no Brasil, atuando especificamente nos  estados do SP, MT, MS, RO, RR, AC e AM.  60.  A  SOTREQ  (CNPJ  33.081.712/0001­31),  até  março/2001,  era  uma  empresa superavitária, sem prejuízos acumulados. Segundo documento apresentado  à  CADE,  a  SOTREQ  era  uma  distribuidora  autorizada  do  Grupo  Caterpillar  no  Brasil, atuando especificamente nos estados do RJ; ES, MG, GO, TO, PA e AP.  Fl. 2381DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 109          10 61. Seria lógico que a SOTREQ, empresa superavitária, incorporasse a LION,  empresa deficitária. Toda a negociação foi pautada nesse principio, com aportes de  dinheiro e compra de ações da LION, pela SOTREQ.  [...]  64.  O  art.  514  do  RIR/99  dispõe  que  "a  pessoa  jurídica  sucessora  por  incorporação,  fusão  ou  cisão  não  poderá  compensar  prejuízos  fiscais  da  sucedida  (Decreto­Lei  n°  2.341,  de  1987,  art.  33)".  Se  a  SOTREQ  (empresa  superavitária)  incorporasse  a LION  (empresa  deficitária),  a  SOTREQ não  poderia  compensar os  prejuízos acumulados desta.  65.  A  própria  fiscalizada  reconhece  esse  fato  na  resposta  recebida  em  26/04/2010,  item  22.  "A  fiscalizada  esclarece  que  a  incorporação  foi  feita  pela  LION a fim de que os prejuízos por ela contabilizados não fossem perdidos, o que  oneraria ainda mais a operação, causando, conseqüentemente, aumento no valor de  venda de suas ações".  66.  Dessa  forma,  unicamente  para  aproveitar  os  prejuízos  da  LION,  nas  apurações do IRPJ e da CSLL, ao invés da SOTREQ incorporar a LION, foi a LION  que incorporou a SOTREQ, tendo alterado sua razão social para SOTREQ.  67.  Essa  fiscalização  considera  essa  operação  ilegal,  pois  o  objetivo  do  negócio foi unicamente para recolher menos IRPJ e CSLL. O que vale são os fatos, e  o que efetivamente ocorreu foi que a SOTREQ incorporou a LION e, portanto, não  poderia  compensar  os  prejuízos  ficais  desta,  nos  termos  do  art.  514  do  RIR/99.  Observamos  também  que  as  atividades  da  incorporada  extinta  (antiga  SOTREQ)  continuaram  plenamente  funcionais  nos  moldes  que  já  acontecia  até  aquele  momento.  [...]  72. Considerando­se que efetivamente foi a SOTREQ que incorporou a LION,  e  considerando­se  que  a  SOTREQ  não  possuía  prejuízos  fiscais  nem  bases  de  cálculo negativas de CSLL acumulados, ela não poderia compensar posteriormente,  os prejuízos acumulados da LION.  73.  Tendo  a  SOTREQ  também  incorporado  a  NOIL,  em  31/12/2002,  ela  também não poderia compensar eventuais prejuízos acumulados e bases de cálculo  negativa da CSLL da NOIL.  Irresignado  com  o  lançamento  fiscal,  o  contribuinte  apresentou  sua  impugnação, de fls. 1861 e seguintes, onde em síntese, conclui, fls. 1866:  “Quanto à glosa da despesa com a amortização do ágio:   (I) trata­se de autuação em matéria de ágio totalmente distinta dos casos mais  recentes  examinados  pelo  CARF,  uma  vez  que  as  empresas  envolvidas  eram  empresas  efetivamente  existentes  e  operacionais,  com  contratos  em  vigor,  empregados e ativos utilizados no desenvolvimento de suas atividades, não havendo  'empresa veículo' no caso em exame;  (II)  o  ágio  é  real,  fruto  de  operação  legítima  de  aquisição  de  participações  societárias, detidas por terceiros, em empresa que atua no mesmo setor (LION) e na  sua  holding  (NOIL),  mediante  o  desembolso  efetivo  de  recursos  por  parte  da  adquirente (SOTREQ) para pagamento do preço de compra;  Fl. 2382DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 110          11 (III)  o  evento  que  desencadeou  o  direito  à  amortização  fiscal  do  ágio  foi  a  incorporação  da  adquirente/controladora  pela  controlada  LION,  sendo  a  incorporação  reversa  nesse  caso  motivada  por  razões  de  negócio  fartamente  indicadas e sendo a incorporação reversa expressamente autorizada pelo art. 8o da  Lei n° 9.532/97;  (IV)  o  lançamento  do  registro  do  ágio  foi  corretamente  realizado  na  contabilidade da IMPUGNANTE em relação aos investimentos detidos na LION e  na NOIL, na forma da lei;  (V) o ágio foi fundamentado com base em expectativa de rentabilidade futura  de  ambas  as  empresas  (LION  e  NOIL),  avaliadas  conjuntamente  em  razão  de  a  NOIL ter como único ativo participação no capital da LION, empresa operacional;  (VI) a expectativa de rentabilidade futura encontra­se amparada por mais de  um  demonstrativo  apresentado  à  fiscalização  que,  não  obstante,  desconsiderou  a  apresentação dos mesmos por reputar que estes não revestem a forma que os autos  de infração entendem adequada, ainda que não requerida por lei;  (VII)  este  último  argumento,  aliás,  é  o  único  fundamento  para  a  glosa  das  despesas com amortização do ágio, fundamento este totalmente descabido uma vez  que a lei tributária não exige a demonstração da expectativa de rentabilidade futura  por laudo de 3 peritos, como pretendem os autos de infração.  Quanto à glosa da compensação de prejuízos fiscais e da base negativas  da CSLL:  (VIII)  os  autos  de  infração  reputam  ilegal  a  incorporação  da SOTREQ pela  LION, por considerar que esta operação foi realizada exclusivamente para permitir a  compensação de prejuízos fiscais e da base negativa da CSLL;  (IX)  ignoram  os  autos  de  infração  que  a  LION,  conquanto  deficitária  no  passado,  sempre  foi  uma  empresa  ativa  e  operacional  de  grande  importância  e  presença no mercado em que até hoje atua;  (X)  ignoram  ainda  que  os  objetivos  colimados  com  a  aquisição  das  participações  na LION e  na NOIL  foram desde  sempre  o  de  permitir  a  união  dos  negócios dessas sociedade com os da SOTREQ, por meio da incorporação desta pela  primeira, visando a consolidação estratégica de suas posições no mercado brasileiro,  a ampliação das atividades e maior sinergia nos negócios, com significativo aumento  de  faturamento  e  lucros  crescentes  dos  antigos  estabelecimentos  LION,  após  a  incorporação, conforme evidenciado no documento sob n° 09;  (XI)  ignoram  também  que  a  operação  não  poderia  ser  realizada  de  outra  forma, pois se pretendeu assegurar os benefícios fiscais da LION, de isenção do ISS  e do IPTU, relevantes para o aumento da viabilidade financeira das operações;  (XII)  ignoram,  por  fim,  que  a  incorporação  foi  um  negócio  jurídico  real  e  desejado pelas partes e não realizado apenas com o intuito de compensar prejuízos  fiscais e base negativa da CSLL;  (XIII) a compensação desses valores pela IMPUGNANTE é conseqüência da  reorganização de seus negócios e não vice e versa.  Na  sequência,  foi  emitido  o  Acórdão  nº  05­33.168  da  DRJ/Campinas,  mantendo integralmente os lançamentos fiscais e contendo o seguinte ementário:  Fl. 2383DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 111          12 Ágio. Contabilização. Prova. Dedutibilidade.  A  regular  contabilização  do  ágio  pago  na  aquisição  dos  investimentos  deve  estar  amparada  em  balanço  patrimonial  ou  balancete  de  verificação  das  investidas  levantados,  com  observância  da  legislação  comercial  e  fiscal,  na  data  da  aquisição  ou  até dois meses  ou 60  (sessenta)  dias,  no máximo,  antes dessa data. Na ausência de apresentação da documentação  hábil,  considera­se  não  comprovado  o  ágio  contabilizado  na  aquisição  dos  investimentos,  configurando­se  irregular  as  decorrentes despesas de amortização.  Ágio. Fundamento Econômico. Prova. Dedutibilidade.  No  lançamento  contábil  do  ágio  deve  estar  indicado  o  fundamento  econômico,  e  quando  este  for  o  valor  de  rentabilidade  futura  da  investida,  deve  estar  baseado  em  demonstração  a  ser  arquivada  como  comprovante  da  escrituração.  Na  ausência  de  apresentação  da  prova  hábil  do  fundamento  econômico,  in  casu,  da  demonstração  de  rentabilidade  futura  das  investidas,  considera­se  não  comprovado  o  ágio  contabilizado  na  aquisição  dos  investimentos,  configurando­se  irregular  as  decorrentes  despesas de amortização.  Ágio. Pagamento. Prova.  Integra  a  comprovação  da  regularidade  da  contabilização  do  ágio a prova do pagamento ou do ônus assumido pela adquirente  na aquisição de investimentos.  Entretanto,  nas  operações  entre  partes  não  relacionadas  e não  provada a ocorrência de simulação, a  falta de apresentação da  prova  da  efetividade  da  transferência  de  recursos,  não  é  suficiente para desconstituir a força probatória da escrituração  e dos documentos contratuais apresentados.  Desconsideração de Negócios Jurídicos.  A  autoridade  administrativa  pode  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  praticados  com a  finalidade  de  dissimular a  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo  ou  a  natureza  dos  elementos  constitutivos  da  obrigação  tributária,  ato  administrativo a ser submetido ao contraditório e à ampla defesa  garantidos pelo processo administrativo fiscal.  A  autoridade  administrativa  está  vinculada  à  realidade  dos  efeitos  jurídicos  dos  negócios  realizados  pelas  partes,  e  não  à  qualificação dada por elas aos seus atos negociais.  Comprovada a  incorporação às avessas,  em que uma empresa,  gravemente  deficitária,  e  com  valor  de  mercado  seis  vezes  menor,  incorpora  uma  empresa  lucrativa,  assume  a  denominação  social  e  a  administração  da  incorporada,  e  não  apresenta qualquer motivo extra­tributário para a realização da  operação  na  forma  como  efetivada,  deve  ser  a  sua  Fl. 2384DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 112          13 desconsideração,  para  que  sejam  considerados  os  efeitos  da  operação de fato ocorrida.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  Os  principais  fundamentos  do  acórdão  recorrido  podem  ser  assim  sintetizados:  DA  PROVA  DO  VALOR  PATRIMONIAL  DOS  INVESTIMENTOS  ADQUIRIDOS  e  DO  FUNDAMENTO  ECONÔMICO  DO  ÁGIO:  RENTABILIDADE  FUTURA DAS INVESTIDAS  1­ apesar de reiteradamente intimada a demonstrar o cálculo do valor do ágio  contabilizado  pela  SOTREQ  e  pela  CABO  na  aquisição  dos  investimentos  na  LION  e  na  NOIL,  e  de  afirmar  que  o  patrimônio  líquido  das  investidas  era  negativo,  a  fiscalizada  não  apresentou à fiscalização o balanço patrimonial ou balancete de verificação da LION e a NOIL  levantados, com observância da legislação comercial e fiscal, na data da aquisição ou até dois  meses ou 60 (sessenta) dias, no máximo, antes dessa data (arts. 248, 385, 387, 391, 426 e 427  do RIR/99);  2­ não podem ser encaradas como meras  formalidades as disposições  legais  de que o desdobramento do  custo de  aquisição de  investimentos  relevantes,  e a  conseqüente  escrituração  do  ágio,  depende  de  apresentação  da  prova  do  valor  patrimonial  da  empresa  investida.  Na  verdade,  trata­se  de  definir  diretamente  o  valor  patrimonial  do  investimento  adquirido  e,  indiretamente,  o  valor  do  ágio  na  aquisição,  o  que  se  constitui  em  elemento  essencial das operações;  3­ o Laudo de Avaliação da SOTREQ (incorporada)  e da CABO  (cindida),  nos quais constam os registros dos ágios não fazem prova da regularidade da determinação do  valor  contabilizado,  principalmente  quando  a  escrituração  não  se  encontra  respaldada  em  documentação hábil, nos termos da legislação de regência;  4­  conforme  expressamente  consignado  no  art.  385  do  RIR/99,  no  lançamento contábil do ágio deve estar indicado o fundamento econômico, e quando este for o  valor de rentabilidade futura da investida, deve estar baseado em demonstração a ser arquivada  como  comprovante  da  escrituração.  Apesar  dos  protestos  da  defesa,  a  exigência  contida  na  norma  não  pode  ser  vista  como  uma mera  formalidade,  na medida  em  que  se  constitui  em  critério  distintivo  do  fundamento  econômico  do  pagamento  do  ágio.  Na  ausência  de  tal  demonstração, o ágio contabilizado fica sem a necessária fundamentação econômica, capaz de  viabilizar  o  enquadramento  da  situação  fática  no  adequado  tratamento  normativo  contábil  e  fiscal.  5­  na  ausência  de  demonstração  da  expectativa  de  rentabilidade  futura  dos  investimentos,  interpreta­se  que  o  fundamento  econômico  do  ágio  é  o  fundo  de  comércio,  intangíveis  e  outras  razões  econômicas,  com as  conseqüências  daí  decorrentes,  dentre  elas  a  não sujeição à amortização (art. 386, III do RIR/99);  6­ considerando a vigência tanto dos preceitos contidos no art. 386 como no  art. 430 do RIR/99, foi corretamente aplicada ao caso a regra de dedutibilidade das despesas de  amortização  do  ágio,  previstas  no  primeiro  dispositivo,  tendo  em  conta  que  se  trata  de  Fl. 2385DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 113          14 dedutibilidade de ágio contabilizado na aquisição de investimentos, posteriormente extintos em  função de  incorporação ou cisão. Para  a  Impugnante, com o advento do  art. 386 do RIR/99,  teria sido introduzido um regime de dedução diferida e fracionada no tempo da perda de capital  decorrente do ágio, diferente do regime geral de dedução plena e imediata da perda, previsto  nos  arts.  426  e 430 do RIR/99. Conforme  já dito  anteriormente,  o  art.  426  seria  inaplicável,  porque se refere à alienação ou liquidação de investimento, e não aos casos de incorporação e  cisão. Da mesma forma, a norma do art. 430 do RIR/99 também não se aplicaria, porque apesar  de  se  referir  à  extinção da participação  societária,  em decorrência de  incorporação,  fusão ou  cisão,  no  art.  386  do  RIR/99,  há  tratamento  específico  para  os  casos  de  extinção  de  participações  societárias,  em decorrência de  incorporação,  fusão ou  cisão, quando adquiridas  com ágio ou deságio;  7­  apesar  dos  reiterados  protestos  da  defesa,  não  foi  apresentado  qualquer  documento  que  pudesse  ser  recebido  como  um  demonstrativo  de  rentabilidade  futura  das  empresas investidas LION e NOIL, que teria fundamentado a operação de aquisição de ações  pela  SOTREQ/CABO  em  março  de  2001.  Nenhum  dos  documentos  apresentados  pode  ser  recebido  como  a  demonstração  da  rentabilidade  futura  das  investidas  requerida  pela  legislação,  na  medida  em  que  todos  os  instrumentos  se  referem  a  operações  posteriores  ao  evento da alienação das ações, ocorrido em março de 2001.  8­  ainda  durante  o  procedimento  fiscal,  a  contribuinte  foi  alertada  de  que  entre  a  documentação  apresentada  não  estaria  a  demonstração  de  rentabilidade  futura  das  investidas (LION/NOIL). A glosa da amortização do ágio não se funda, como quer fazer crer a  Impugnante,  no  fato  de  haver  sido  apresentado  um  demonstrativo  inadequado,  mas  de  não  haver  sido  apresentado  qualquer  demonstrativo  de  rentabilidade  futura.  Depois,  de  detida  análise do procedimento fiscal e da documentação apresentada não resta dúvida de que apesar  de  reiteradamente  intimada  a  contribuinte  não  apresentou  a  demonstração  de  rentabilidade  futura  da  LION/NOIL,  a  fim  de  respaldar  a  escrituração  do  ágio  na  aquisição  dos  investimentos, pelo que procedente a glosa da amortização do ágio.  DA  PROVA  DO  PREÇO  DE  AQUISIÇÃO  DOS  INVESTIMENTOS  E  DOS PAGAMENTOS CONTRATADOS  9­ Além da divergência  entre o valor do ágio  constante dos demonstrativos  das  amortizações  (R$ 79.345.197,83)  ­  fls.  101 e 229/230,  e o valor do  ágio  contabilizado e  constante  do  Laudo  de  Avaliação  da  SOTREQ  ­  fls.  133  e  ratificado  na  resposta  dada  à  fiscalização  às  fls.  238  (R$  76.845.186,86),  haveria,  segundo  a  fiscalização,  outras  inconsistências  probatórias  relacionadas  ao  pagamento  de  parte  do  valor  contabilizado  (US$  25.000.000,00).  10­ No contexto do procedimento de fiscalização em análise, que se refere a  operações  efetuadas  entre  partes  não  relacionadas,  e  em  que  não  provada  a  ocorrência  de  simulação, a ausência de prova documental do efetivo ingresso dos recursos no patrimônio da  LION, não é suficiente para afastar a força probatória dos instrumentos contratuais e contábeis  apresentados, dentre os quais  se destacam: o contrato de compra e venda de ações e as  suas  duas alterações posteriores, o instrumento particular de quitação, a alteração do contrato social  em  que  formalizado  aumento  de  capital  ora  contraditado,  e  por  fim  os  próprios  registros  contábeis. Deve ser mantida a fundamentação de falta de comprovação dos pagamentos apenas  em relação à divergência entre o valor do ágio constante dos demonstrativos das amortizações  (R$ 79.345.197,83) ­ fls. 101 e 229/230, e o valor do ágio contabilizado e constante do Laudo  Fl. 2386DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 114          15 de Avaliação da SOTREQ ­ fls. 133 e ratificado na resposta dada à fiscalização às fls. 238 (R$  76.845.186,86).  Entretanto,  a  glosa  da  despesa  de  amortização  do  ágio  se  mantém  integralmente com base nas fundamentações já anteriormente analisadas.  DA  GLOSA  DA  COMPENSAÇÃO DE  PREJUÍZOS  FISCAIS  E  BASES  DE CÁLCULO NEGATIVAS: INCORPORAÇÃO "ÀS AVESSAS"  11  ­  a  operação  de  incorporação  da  SOTREQ  pela  LION  não  foi  caracterizada  como  simulada.  Entretanto,  o procedimento  fiscal  se encontra amparado  em Acórdão do Superior Tribunal de Justiça ­ STJ, prolatado no âmbito do Recurso Especial n°  946.707  (cópia  juntada  pela  defesa  às  fls.  2042  e  seguintes),  em  que  a  operação  de  incorporação da empresa superavitária pela deficitária, foi caracterizada como simulação, com  base nos seguintes pressupostos fáticos:  1.  a  incorporadora  possuía  patrimônio  líquido  bem  inferior  ao  da incorporada, acumulando prejuízos  fiscais,   inexistentes no  patrimônio da incorporada;  2.  a  incorporadora  assumiu  a  denominação  social  da  incorporada,  de  forma  que,  no  mundo  dos  negócios,  a  empresa  incorporada e extinta teria continuado a operar;  3.  os  membros  do  Conselho  de  Administração  da  incorporadora teriam renunciado, tendo assumido os do Conselho  da incorporada, restando da incorporadora, nada mais que o CGC;  4.  ao  tempo  da  incorporação,  a  incorporadora  já  havia,  de  fato,  encerrado  suas  atividades,  com a transferência de seu ativo  imobilizado para outra empresa, subsistindo apenas juridicamente,  tendo  servido  apenas  de  "fachada"  para  a  operação,  aspecto  a  denotar a inviabilidade econômica da operação;  5.   a  incorporação  às  avessas  teria  sido  efetivada  exclusivamente  para serem aproveitados os prejuízos fiscais, cujo aproveitamento  a Lei expressamente vedava.  Para  concluir,  o  Ilmo.  Ministro  do  STJ  pela  simulação  da  operação  basicamente nos seguintes  termos: "(...)  tanto em razão social, como em estabelecimento, em  funcionários  e  em  conselho  de  administração,  a  situação  final  ­  após  a  incorporação  ­ manteve  as  condições  e  a  organização  anterior  da  incorporada,  demonstrando­ se  claramente  que,  de  fato,  esta  "absorveu  "  a  deficitária  e  não  o  contrário,  tendo­se  formalizado  o  inverso  apenas  com  o  intuito  de  aproveitar  os  prejuízos  fiscais  da  incorporadora, que não poderiam ter sido considerados caso tivesse sido ela a incorporada e  não a incorporadora, restando evidenciada, portanto, a simulação ".  Conclui­se que a consideração da operação como ilícita seria decorrente do  fato de não ter respaldo na realidade fática, o ato praticado pelo contribuinte, na medida em que  a  incorporação  "às  avessas"  ou  incorporação  da  superavitária  pela  deficitária,  somente  teria  ocorrido no papel, devido à existência apenas formal da incorporadora.  12­  apenas  a  sede da LION foi mantida  em Sumaré/SP,  conforme acima  referido,  mas  o  mais  relevante  que  é  a  denominação  social  foi  alterada.  O  único  motivo  pertinente  e  relevante  a  justificar  a  incorporação  da  SOTREQ  pela  LION  seria  o  fato  desta  Fl. 2387DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 115          16 última ser beneficiária de isenção de  imposto sobre serviços (ISSQN) e do  imposto predial e  territorial urbano  (IPTU) no Município de Sumaré/SP, benefício outorgado pelo prazo de 10  (dez)  anos  a  contar  de  outubro  de  1998,  cuja  manutenção  era  imprescindível  para  a  maior  rentabilidade do negócio.    13­  a  incorporação  da  deficitária  pela  superavitária  fez­se  exclusivamente  por  motivos  fiscais,  tanto  no  âmbito  federal,  para  compensação  dos  prejuízos  fiscais  e  bases  de  cálculo  negativas  da  CSLL  acumuladas  pela  deficitária,  como  municipal, para a manutenção dos benefícios  fiscais concedidos. Considera­se assim passível  de desconsideração pela autoridade tributária a operação de incorporação às avessas, efetuada  com o único e exclusivo objetivo de redução da carga tributária.  Contra  o  acórdão  da  DRJ/Campinas,  a  empresa  autuada  apresentou  seu  recurso voluntário, mediante arrazoado, de fls.  ,  repisando praticamente as mesmas alegações  da peça impugnatória.  A  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional  apresentou  contra­razões  ao  recurso  voluntário.  Aduz  que  o  contribuinte  não  logrou  apresentar  demonstrativo  de  rentabilidade futura dos  investimentos adquiridos, bem assim qualquer avaliação de mercado  dos ativos das investidas. Ainda como fundamento de reforço à glosa, a autoridade fiscal indica  a  falta  de  demonstrativo  matemático  dos  valores  de  ágio,  bem  assim  comprovação  apenas  parcial dos pagamentos.   Prossegue, argumentando que, usualmente, a amortização do ágio ou deságio  não  é  deduzida  ou  tributada.  Via  de  regra,  a  dedução  ou  tributação  dessa  amortização  no  âmbito do  IRPJ e da CSLL somente ocorrerá quando o  investimento que  lhe deu origem for  alienado ou liquidado (arts. 391 e 426 do RIR/99), na apuração de eventual ganho ou perda de  capital,  quando  então  o  ágio  ou  deságio  é  incluído  (somado  ou  diminuído)  no  preço  de  aquisição do investimento que está sendo extinto.  Tal  regra,  todavia, não se aplica em certas hipóteses de incorporação,  fusão  ou cisão societária, quando a dedução da despesa com amortização do ágio na base de cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL  será  admitida  independentemente  da  alienação  ou  liquidação  do  investimento. Esse benefício  fiscal  é  concedido  expressamente pelo  artigo 386 do RIR/99, o  qual repete o conteúdo dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997.  Tal dedução, contudo, na qualidade de benesse tributária, para ser autorizada  deverá envolver a situação literalmente prevista no artigo 386 do RIR/99, assim como observar  estritamente as condições lá estipuladas, sob pena de ser considerada indevida.  Entre  as  condições  e  requisitos  previstos,  deve  a  pessoa  jurídica  ter  efetivamente suportado o ágio por ele registrado, ou seja, o ágio deve existir, deve ter propósito  negocial  e  substrato  econômico  a  justificar  a  sua  origem;  deve  também  esse  ágio  ter  como  fundamento  econômico  a  rentabilidade  futura  da  controlada  e  o  laudo,  que  atesta  esse  fundamento econômico, deve estar arquivado como comprovante da escrituração do ágio.  Além disso, o laudo deve anteceder o pagamento do ágio. Se a lei exige que o  ágio pago seja fundamentado em documento escrito, o qual deve ser,  inclusive, registrado na  escrituração da empresa, por certo que esse documento deve ser elaborado antes do pagamento  do  ágio,  nunca depois. Pensar  em sentido  contrário,  além de  ser um disparate hermenêutico,  implicaria na permissão de inimagináveis situações de fraude.  Fl. 2388DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 116          17 De acordo com os elementos dos autos, conclui­se que o ágio registrado pela  contribuinte  com  a  aquisição  das  participações  societárias  na LION e NOIL não  é  dedutível  para  fins  de  apuração  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da CSLL,  nos  termos  do  artigo  386  do  RIR/99, simplesmente porquê não observa as condições e requisitos  impostos pela legislação  para o gozo do aludido benefício fiscal.  Em  relação  à  glosa  de  prejuízos  fiscais,  menciona  que  deve­se  negar  a  produção de efeitos relativos à incorporação porque esta apresentou a finalidade exclusiva de,  ao arrepio da lei, possibilitar a compensação de prejuízos de empresa deficitária por empresa  operacional,  em  burla  ao  art.  514  do  RIR/99.  Transcreve  jurisprudência  administrativa  em  apoio aos seus argumentos.  Ao final, a PGFN requer seja negado provimento ao recurso voluntário.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator  O  recurso voluntário  é  tempestivo  e nos  termos  da  lei. Portanto,  dele  tomo  conhecimento.  Como  já mencionado no  relatório deste  acórdão,  a matéria  em  litígio versa  sobre duas infrações tributárias:  a)  Glosa  das  despesas  de  amortização  de  ágio  no  evento  de  incorporação,  relativo a aquisição de participações societárias nas empresas LION e NOIL,  por  desatendimento  aos  preceitos  legais:  i)  inexistência  de  fundamento  econômico com base  em “valor da rentabilidade da controlada ou coligada,  com  base  em  previsão  dos  resultados  nos  exercícios  futuros”;  ii)  falta  de  demonstração  matemática  dos  valores  do  ágio  apurado;  e  iii)  não  comprovação do pagamento integral do ágio;  b) Glosa da compensação integral de prejuízos utilizados indevidamente em  razão  do  evento  de  “incorporação”  da  empresa  superavitária  (com  lucros)  SOTREQ, por empresa deficitária (com prejuízos a compensar) LION;  Saliente­se que a dedução da amortização do ágio ocorreu a partir de 2001,  data  do  evento  de  incorporação  (junho/2001). No  entanto,  o  lançamento  fiscal,  efetuado  em  2010, somente ocorreu em relação aos anos de 2005, 2006, 2007, face ao transcurso do prazo  decadencial para os períodos anteriores.  O  acórdão  recorrido manteve  integralmente  a  autuação  por  entender  que  a  autuada  não  teria  apresentado  o  laudo  de  avaliação  com  o  “valor  da  rentabilidade  da  controlada ou coligada, com base em previsão dos  resultados nos exercícios  futuros”, como  exige a lei, além de deixar de apresentar o demonstrativo do cálculo do valor do ágio que está  sendo amortizado. Já a comprovação do pagamento do suposto ágio apurado, foi considerado  válido pelo mesmo acórdão.  Fl. 2389DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 117          18 Quanto  à glosa  da  compensação  de  prejuízos  fiscais  efetuado  às  “avessas”,  pela  incorporação  de  empresa  com  lucros  por  empresa  com prejuízos,  com o  objetivo  de  se  beneficiar do aproveitamento integral dos prejuízos, o acórdão da DRJ entendeu que esse tipo  de operação foi repelida em julgamento de caso idêntico no Superior Tribunal de Justiça. Além  disso,  embasou  sua  decisão  no  fato  de  que  a  incorporação  perpetrada  somente  visou  fins  fiscais,  tendo  inclusive  a  incorporadora LION  (com prejuízos)  logo  após  a  incorporação,  ter  alterado a denominação social para a denominação da incorporada, SOTREQ (com lucros), o  que demonstraria que a incorporação carece de respaldo com a realidade fática.  Já a defesa, entende que teria entregue os documentos pertinentes à apuração  do ágio que vem amortizando em sua contabilidade. Além disso, defende que a compensação  de prejuízos às avessas não encontra vedação na  legislação  tributária. A  incorporação foi um  negócio jurídico real, conseqüência da reorganização de seus negócios e não realizado apenas  com o fim único de compensar prejuízos fiscais.  Analisando os argumentos trazidos na peça recursal, entendo que assiste em  parte razão à recorrente.  Inicialmente, passo a examinar a matéria relativa à amortização do ágio.  Glosa despesas amortização de ágio  O  surgimento  do  ágio  se  dá  quanto  da  aquisição  de  participação  societária  relevante  em  outra  sociedade,  onde  o  valor  da  transação  (em  dinheiro,  bens  ou  direitos)  é  superior  ao  valor  patrimonial  da  participação  adquirida,  sujeitando­se  ao  método  de  equivalência patrimonial.   O  disciplinamento  acerca  da  contabilização  do  valor  do  ágio  apurado  na  aquisição  de  participação  societária  em  sociedade  coligada  ou  controlada,  e  de  sua  possível  amortização, encontram­se disciplinadosdos nos arts. 385 e 386 do Regulamento do Imposto de  Renda – RIR/99, cujo embasamento legal provém do Decreto­lei nº 1.598, de 1977, art. 20 e da  Lei nº 9.532, 1997, arts. 7º e 8º:  Desdobramento do Custo de Aquisição  Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade  coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá,  por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de  aquisição em (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20):  I  ­  valor  de  patrimônio  líquido  na  época  da  aquisição,  determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e  II ­ ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o  custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso  anterior.  §  1º O  valor  de  patrimônio  líquido  e  o  ágio  ou  deságio  serão  registrados  em  subcontas  distintas  do  custo  de  aquisição  do  investimento (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º).  Fl. 2390DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 118          19 § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os  seguintes, seu fundamento econômico (Decreto­Lei nº 1.598, de  1977, art. 20, § 2º):  I ­ valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada  superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade;  II ­ valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base  em previsão dos resultados nos exercícios futuros;  III ­ fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.  §  3º  O  lançamento  com  os  fundamentos  de  que  tratam  os  incisos  I  e  II  do  parágrafo  anterior  deverá  ser  baseado  em  demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante  da escrituração (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º).    Tratamento  Tributário  do  Ágio  ou  Deságio  nos  Casos  de  Incorporação, Fusão ou Cisão  Art.  386. A pessoa  jurídica que absorver patrimônio de outra,  em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado  segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art.  7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10):  I ­ deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento  seja  o  de  que  trata  o  inciso  I  do  §  2º  do  artigo  anterior,  em  contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu  causa;  II ­ deverá registrar o valor do ágio cujo  fundamento seja o de  que  trata  o  inciso  III  do  §  2º  do  artigo  anterior,  em  contrapartida  a  conta  de  ativo  permanente,  não  sujeita  a  amortização;  III ­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o  de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  posteriormente à  incorporação,  fusão ou cisão,  à  razão de um  sessenta  avos,  no  máximo,  para  cada  mês  do  período  de  apuração;  IV ­ deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o  de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços  correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os  cinco  anos­calendário  subseqüentes  à  incorporação,  fusão  ou  cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês  do período de apuração.  § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do  bem  ou  direito  para  efeito  de  apuração  de  ganho  ou  perda  de  capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532,  de 1997, art. 7º, § 1º).  Fl. 2391DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 119          20 § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido  transferido,  na  hipótese  de  cisão,  para  o  patrimônio  da  sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §  2º):  I ­ o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma  prevista no inciso III;  II ­ o deságio em conta de receita diferida, para amortização na  forma prevista no inciso IV.  § 3º O valor registrado na  forma do  inciso II  (Lei nº 9.532, de  1997, art. 7º, § 3º):  I ­ será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração  de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu  causa  ou  na  sua  transferência  para  sócio  ou  acionista,  na  hipótese de devolução de capital;  II  ­  poderá  ser  deduzido  como  perda,  no  encerramento  das  atividades  da  empresa,  se  comprovada,  nessa  data,  a  inexistência do fundo de comércio ou do intangível que  lhe deu  causa.  § 4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior  utilização  econômica  do  fundo  de  comércio  ou  intangível  sujeitará a pessoa  física ou  jurídica usuária ao pagamento dos  tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos  de  juros  de  mora  e  multa,  calculados  de  conformidade  com  a  legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 4º).  §  5º  O  valor  que  servir  de  base  de  cálculo  dos  tributos  e  contribuições  a  que  se  refere  o  parágrafo  anterior  poderá  ser  registrado  em  conta  do  ativo,  como  custo  do  direito  (Lei  nº  9.532, de 1997, art. 7º, § 5º).  § 6º O disposto neste artigo aplica­se, inclusive, quando (Lei nº  9.532, de 1997, art. 8º):  I ­ o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor  do patrimônio líquido;  II ­ a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que  detinha a propriedade da participação societária.  §  7º  Sem  prejuízo  do  disposto  nos  incisos  III  e  IV,  a  pessoa  jurídica  sucessora  poderá  classificar,  no  patrimônio  líquido,  alternativamente  ao  disposto  no  §  2º  deste  artigo,  a  conta  que  registrar  o  ágio  ou  deságio  nele mencionado  (Lei  nº  9.718,  de  1998, art. 11).  No caso  em  análise,  o  “fundamento  econômico”  indicado  pelo  contribuinte  para  o  registro  e  amortização  do  ágio  apurado  foi  o  “valor  de  rentabilidade” da  coligada  ou  controlada, com base em “previsão dos resultados nos exercícios futuros” (inciso II do § 2º, do  art. 385 do RIR/99).  Fl. 2392DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 120          21 Já o § 3º do art. 385, determina que o  lançamento do valor do ágio com os  fundamentos  de  que  tratam os  incisos  I  e  II  do  §  2º  do mesmo  artigo,  entre  eles  o  valor  da  rentabilidade  com  base  em  “previsão  dos  resultados  nos  exercícios  futuros”  (laudo  de  avaliação),  deverá  estar  lastreado  em  demonstração  (documento)  que  o  contribuinte  arquivará como comprovante da escrituração.  Por  seu  turno, o  inciso  III do art. 386 do RIR/99 possibilita que o valor do  ágio  assim  apurado  (inciso  II  do  §  2º,  do  art.  385  do  RIR/99),  nos  balanços  levantados  posteriormente  aos  eventos  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  em  que  uma pessoa  jurídica  absorver patrimônio  de  outra, poderá  ser  amortizado  à  razão  de  um  sessenta  avos,  no  máximo, para cada mês do período de apuração, para fins de apuração do lucro real.  Assim, da  leitura dos dispositivos  legais acima  transcritos é admitido que o  valor  do  ágio  apurado  em  participações  societárias,  cujo  fundamento  econômico  seja  a  rentabilidade  “com  base  em  previsão  dos  resultados  nos  exercícios  futuros”,  poderá  ser  amortizado  nos  eventos  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  em  que  uma  pessoa  jurídica  absorver patrimônio de outra, desde que referido ágio seja demonstrado com base em laudo  fundamentado,  devendo  referido  documento  ser  arquivado  como  comprovante  da  escrituração.   Em que pese a lei fiscal (art. 385 do RIR/99) não determinar a forma em que  deveria  ser  elaborado  o  laudo  de  avaliação,  o  próprio  §  3º  do  art.  385  estabelece  que  os  fundamentos  econômicos  utilizados  para  apuração  do  ágio  deverão  ser  baseados  em  demonstração do valor de ágio apurado: “O lançamento com os fundamentos de que tratam os  incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte  arquivará como comprovante da escrituração”.   Assim, não é qualquer documento que pode se valer o  sujeito passivo para  demonstrar e comprovar o motivo determinante dos fundamentos econômicos do valor do ágio.  Há  que  ser  um  documento  técnico  apropriado  e  claro  o  bastante  para  demonstrar  adequadamente a apuração do valor da rentabilidade da empresa, do seu valor de mercado e,  por  conseqüência,  do  próprio  valor  do  ágio,  cujo montante  terá  repercussão  e  efeitos  fiscais  importantes (dedutibilidade) na apuração do IRPJ e da CSLL.   Para que se possa dar credibilidade ao documento que contenha a avaliação  econômica  da  empresa,  é  mais  do  que  razoável  pressupor  que  seja  um  documento  técnico  completo, elaborado por pessoas habilitadas e que contenha uma exposição clara e consistente  da forma como se chegou ao valor presente da empresa avaliada.   No dizer de Luís Eduardo Schoueri,  em  seu  livro Ágio  em Reorganizações  Societárias  (Aspectos Tributários),  São Paulo, Dialética,  2012,  p.  36/37,  o  demonstrativo  de  rentabilidade  futura  deverá  fornecer  dados  a  respeito  do  mercado  em  que  atua  a  empresa  avaliada, as projeções de rentabilidade esperada em determinado período, trazendo por técnicas  de matemática  financeira,  tais  resultados  a  valor  presente,  de modo  a  se  calcular  o  valor  de  mercado da empresa em determinado momento:  “O  estudo  investigará  o  comportamento  do mercado  e  o  comportamento  da  empresa. O  resultado  documentado  serão  números  (projeções)  que  identificarão  a  rentabilidade  esperada  em  determinado  período.  Haverá  quem  buscará  a  rentabilidade  num  período  determinado;  mais  comum  será  o  cálculo  projetar  ao  infinito  a  rentabilidade,  trazendo,  por  técnicas  de  matemática  financeira,  tais  Fl. 2393DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 121          22 resultados a valor presente, de modo a se calcular o valor de marcado. Usualmente,  falar­se­á  em  “fluxo  de  caixa  descontado”,  como  forma  de  se  expressar  o  lucro  econômico  (ou  melhor:  lucro  antes  do  imposto  de  renda,  depreciações  e  amortizações).”  O  método  do  “fluxo  de  caixa  descontado”  (Disconted  Cash  Flow)  é  reconhecido internacionalmente como sendo um método confiável de apuração dos resultados  nos exercícios futuros, pois leva em conta todos os elementos que afetam o valor da empresa,  revelando­se um método que revela a efetiva capacidade de geração de riqueza das empresas.  Pois bem. No caso dos autos o relatório da fiscalização foi bastante incisivo  ao mencionar que o  agente  fiscal  intimou a  autuada, por diversas ocasiões,  a  apresentar dito  demonstrativo de rentabilidade com base em resultados futuros (laudo fundamentado).   Em que pese  terem sido apresentados diversos documentos pela  interessada  no curso do procedimento fiscal, não foi entregue nenhum documento que estivesse revestido  das  características  de  demonstrativo  com  base  em  “previsão  dos  resultados  nos  exercícios  futuros”,  relativo  às  empresas  LION  e  NOIL,  que  pudesse  justificar  o  valor  do  ágio  apurado/amortizado  na  autuada  SOTREQ  em  decorrência  da  aquisição  de  participações  societárias  nas  duas  primeiras  empresas,  conforme  exige  o  inciso  II  do  §  2º,  do  art.  385  do  RIR/99.  A  esse  respeito,  o  acórdão  recorrido,  em detalhada  análise  dos  documentos  entregues  pela  autuada  à  fiscalização,  descreveu  muito  bem  que  nenhum  dos  documentos  entregues poderiam ser caracterizados como sendo um “demonstrativo de rentabilidade” com  base em “previsão dos resultados nos exercícios futuros” (laudo fundamentado).   Veja­se  a  transcrição  de  trechos  do  voto  condutor,  cujas  razões  de  decidir  também passo a adotar:  “No  caso  em  apreço,  apesar  dos  reiterados  protestos  da  defesa,  não  foi  apresentado qualquer documento que pudesse ser recebido como um demonstrativo  de  rentabilidade  futura  das  empresas  investidas  LION  e  NOIL,  que  teria  fundamentado a operação de aquisição de ações pela SOTREQ/CABO em março de  2001.  Para  corroborar  a  regularidade  da  operação  a  fiscalizada  teria  carreado  aos  autos inicialmente a seguinte documentação:  1.  Laudo  de  Avaliação  Contábil  do  Acervo  Líquido  da  SOTREQ  S.A.,  CNPJ n° 33.081.712/0001­31, empresa sediada no Rio de Janeiro/RJ, elaborado em  26/06/2001,  pelo  contador  Anderson  Amorim  Amorim,  a  convite  da  LION  S.A.,  CNPJ  n°  61.064.689/0001­02,  empresa  sediada  em  Sumaré/SP,  para  fins  de  incorporação a ser efetivada na data base de 31/05/2001 (fls. 105/146);  2.  Protocolo  e  Justificação  de  Incorporação  da  SOTREQ  pela  LION  datado de 20/06/2001 (fls. 148/160);  3.  Ata  da  Assembléia  Geral  Extraordinária  da  LION,  realizada  em  29/06/2001, na qual teria sido aprovada a incorporação da SOTREQ pela LION, e a  alteração da denominação social da incorporadora para SOTREQ (fls. 161/169);  Fl. 2394DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 122          23 4.  Ata  da  Assembléia  Geral  Extraordinária  da  SOTREQ,  realizada  em  28/06/2001, na qual teria sido aprovada a incorporação da SOTREQ pela LION (fls.  170/179);  5.  Ata  da  Assembléia  Geral  Ordinária  e  Extraordinária  da  SOTREQ  (CNPJ  n°  61.064.689/0001­02),  realizada  em  30/10/2001,  na  qual  teriam  sido  consolidadas as alterações do Estatuto Social da Companhia (fls. 180/195);  6.  Ata  da  Assembléia  Geral  Ordinária  e  Extraordinária  da  NOIL  PARTICIPAÇÕES E COMÉRCIO  S.A.  (CNPJ  n°  01.352.859/0001­22),  realizada  em 31/12/2002, na qual foram aprovadas as Propostas e Justificações  a.  de  cisão  parcial  da  empresa  CABO  EMPREENDIMENTOS  S.A.  (CNPJ n° 34.151.100/0001­30), com incorporação do patrimônio vertido pela NOIL;  b.  de incorporação da NOIL pela SOTREQ (fls. 196/199);  7.  Protocolo  e  Justificação  de  Cisão  Parcial  Seguida  de  Incorporação,  firmado pela CABO e pela NOIL, em 31/12/2002, pelo qual foram determinadas as  condições,  justificativas  e  a  forma  pela  qual  teria  se  realizado  a  cisão  parcial  da  CABO, seguida da incorporação do patrimônio cindido pela NOIL ­ fls. 203/208;  8.  Laudo de Avaliação do Acervo Líquido Contábil da CABO, para  fins  de cisão parcial, seguida de incorporação pela NOIL, datado de 31/12/2002, de fls.  209/215;  9.  Protocolo  e  Justificação  de  Incorporação,  firmado  entre  a  NOIL  e  a  SOTREQ, em 31/12/2002, no qual foram determinadas as condições, justificativas e  forma pela  qual  teria  se  realizado a  incorporação  da NOIL pela SOTREQ,  de  fls.  216/220;  10.  Laudo de Avaliação do Acervo Líquido Contábil da NOIL para fins de  incorporação pela SOTREQ, datado de 31/12/2002, de fls. 221/226.  É  evidente  que  nenhum  destes  instrumentos  pode  ser  recebido  como  a  demonstração da rentabilidade futura das  investidas  requerida pela legislação, na  medida em que todos os instrumentos se referem a operações posteriores ao evento  da alienação das ações, ocorrido em março de 2001.  Importante  também  salientar  que,  ainda  durante  o  procedimento  fiscal,  a  contribuinte  foi  alertada  de  que  entre  a  documentação  apresentada  não  estaria  a  demonstração de rentabilidade futura das investidas (LION/NOIL). Veja­se que, em  25/02/2010,  a  contribuinte  foi  intimada  (fls.  277/278),  quanto  aos  investimentos  adquiridos  na  LION/NOIL,  a  apresentar  laudo  de  avaliação  a  demonstrar  a  rentabilidade futura da LION/NOIL, com a ressalva expressa de que tal documento  ainda não havia  sido apresentada, contrariamente às afirmações dos  representantes  da Fiscalizada.  Na resposta de fls. 281/283, protocolizada em 17/03/2010, para demonstrar a  rentabilidade  futura  da  LION,  na  data  da  aquisição  pela  SOTREQ  em  março  de  2001, novamente foram apresentados o Protocolo e Justificação de Cisão Parcial da  CABO, Seguida de  Incorporação do Patrimônio Cindido pela NOIL e o Laudo de  Avaliação  do  Acervo  Líquido  da  CABO,  ambos  datados  de  31/12/2002  (fls.  544/556).  Em  31/03/2010  (termo  de  fls.  557/563),  novamente  a  fiscalização  alertou  a  contribuinte de que não teriam sido apresentados os demonstrativos de rentabilidade  Fl. 2395DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 123          24 futura  das  investidas  (LION  e  NOIL)  necessários  a  respaldar  o  fundamento  econômico adotado pela empresa para o pagamento do ágio e, conseqüentemente, a  sua amortização.  [...]  A  fiscalizada  trouxe  também aos  autos o documento denominado MINUTA  PARA DISCUSSÃO SUJEITA A ALTERAÇÃO,  elaborada  em  31/05/2001,  pelo  contador Anderson Amorim Amorim (de apenas 6 folhas ­ fls. 835/840), mediante a  qual  teria  sido  realizada  a  revisão  de  um  relatório  preparado  pela  SOTREQ  de  PROJEÇÃO  DO  RESULTADO  ECONÔMICO  E  DO  CASH  FLOW,  que  contemplava  a  SOTREQ  e  a  LION,  de  forma  individual  e  consolidada,  com  o  objetivo de expressar o entendimento do perito contábil  acerca:  (i) da consistência  das  premissas  adotadas  para  a  elaboração  dos  relatórios;  (ii)  da  metodologia  de  cálculo empregada para a obtenção do fluxo de caixa descontado e do valor presente  líquido;  (iii) do resultado dos cálculos; e (iv) dos negócios e sua gestão, com base  em leitura dos estatutos e dos balancetes preliminares da investidora (SOTREQ) e da  investida (LION).  Destaque­se, preliminarmente, que apesar de apresentar o relatório elaborado  pelo  perito,  a  fiscalizada  deixou  de  apresentar,  para  apreciação  da  fiscalização,  a  PROJEÇÃO  DO  RESULTADO  ECONÔMICO  E  DO  CASH  FLOW  da  SOTREQ/LION sobre a qual teria se debruçado o perito.  [...]  Entretanto, o demonstrativo de rentabilidade futura da LION e da NOIL não  integram a revisão, elaborada pelo perito, do suposto relatório de PROJEÇÃO DO  RESULTADO  ECONÔMICO  E  DO  CASH  FLOW  da  SOTREQ/LION,  não  apresentado à fiscalização.  Por  oportuno,  saliente­se  que  a  referida  revisão  efetuada  pelo  perito  do  relatório,  não  apresentado,  preparado  pela  SOTREQ,  de  PROJEÇÃO  DO  RESULTADO  ECONÔMICO  E  DO  CASH  FLOW,  não  foi  rejeitado  pelos  problemas  formais  apontados  pela  defesa  (por  ter  sido  elaborada  por  um  único  perito;  por  não  estar  assinada;  e  por  ser  pós­datada  em  relação  aos  projetados  aportes),  mas  porque  não  contém  a  demonstração  da  rentabilidade  futura  dos  investimentos adquiridos na LION/NOIL.  [...]  Apesar  de  afirmar  que  teria  sido  elaborada  a  avaliação  da  expectativa  de  rentabilidade futura, vendas e  lucros futuros das empresas adquiridas  ­ mas não  ter sido apresentada à fiscalização, aparentemente, defende­se a fiscalizada, dizendo  que a prova de realização do negócio a preço de mercado seria hábil a dispensar a  demonstração de rentabilidade futura dos investimentos, interpretação não admitida  pela legislação vigente, que prevê um tratamento contábil e fiscal diferenciado para  cada uma das hipóteses normativas.  Confunde assim a Fiscalizada a prova do preço de mercado da operação, com  a prova do fundamento econômico do ágio.  [...]  Depois,  de  detida  análise  do  procedimento  fiscal  e  da  documentação  apresentada  não  resta  dúvida  de  que  apesar  de  reiteradamente  intimada  a  contribuinte não apresentou a demonstração de rentabilidade futura da LION/NOIL,  Fl. 2396DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 124          25 a fim de respaldar a escrituração do ágio na aquisição dos investimentos, pelo que  procedente a glosa da amortização do ágio.  Da  leitura  dos  trechos  do  voto  condutor  acima  transcritos,  bem  como  do  exame  efetuado  por  este  relator  dos  documentos  entregues  para  justificar  o  valor  do  ágio,  verifica­se que nenhum deles contém as características próprias de demonstrativo do valor do  ágio  cujo  fundamento  econômico  seria  o  valor  de  rentabilidade  “com base  em  previsão  dos  resultados nos exercícios futuros.   A demonstração para a determinação do valor da empresa a preços presentes,  e  do  correspondente  valor  de  ágio,  não  se  encontram  em  nenhum  dos  documentos/demonstrativos apresentados pela fiscalizada, carecendo dos seguintes elementos:  1­  inexistência da análise de mercado e da conjuntura onde atua a empresa  examinada;  2­   demonstrativo  do  faturamento  já  ocorrido  e  projeção  para  exercícios  futuros;  3­   projeções do fluxo de caixa;  4­   demonstração da forma de escolha da taxa de desconto do fluxo de caixa;  5­   demonstração  da  apuração  do  valor  de mercado  a  valor  presente  e  do  valor do ágio;  Ressalte­se  que  a  fiscalização  buscou  insistentemente  junto  à  autuada  os  demonstrativos  que  contivessem  os  valores  do  ágio  da  LION  e  da  NOIL,  cujo  fundamento  econômico seria o valor de rentabilidade “com base em previsão dos resultados nos exercícios  futuros”, que deveria ser arquivado como comprovante do registro do ágio, como exige a  lei  (inciso II do § 2º, e § 3º, do art. 385 do RIR/99), pelo que a autuada não logrou comprovar.  O próprio recorrente menciona em seu recurso (fls. 15 do recurso voluntário),  que  o  valor  do  ágio  foi  apurado  de  acordo  com  a  parte  excedente  do  valor  do  patrimônio  líquido das participações societárias adquiridas, ou seja, encontra­se em desacordo com o que  prevê a legislação tributária:  “40. Tal ágio representa, na verdade, a parte do preço que excede o valor de  patrimônio  líquido  das  participações  adquiridas,  que  totalizava  a  quantia  de  R$  79.345.197,83.”  Não apresentados os referidos demonstrativos de apuração do ágio com base  no fundamento econômico estabelecido pelo inciso II do § 2º, do art. 385 do RIR/99 (previsão  resultados  futuros),  é  de  se  considerar  que  o  pretenso  ágio  pago  decorreu  do  fundamento  econômico de fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, previsto no III do §  2º, do art. 385 do RIR/99, não amortizável e, portanto, não dedutível para fins de apuração do  IRPJ e da CSLL (art. 386, II do RIR/99).  Dessa forma, forçoso concluir que, após análise do procedimento fiscal e da  documentação contida nos autos, parece não haver dúvidas que a autuada deixou de apresentar  a demonstração de rentabilidade com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros da  LION/NOIL,  a  fim  de  respaldar  a  escrituração  do  ágio  na  aquisição  de  participações  Fl. 2397DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 125          26 societárias. Deixou, assim, de atender aos  requisitos  legais que  justificassem o valor do  ágio  que pretende amortizar, o que inviabiliza o aproveitamento da dedução na apuração do IRPJ e  da CSLL.  A  jurisprudência do  extinto Primeiro Conselho de Contribuintes  também  já  decidiu  no  mesmo  sentido,  conforme  se  verifica  no  ementário  do  Acórdão  que  abaixo  se  transcreve:  AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO ­ REQUISITOS ­ A inexistência em  Promessa de Compra e Venda de cláusula condicional para que  seja  implementado  o  negócio,  indica  a  absoluta  concordância  pelas  partes,  caracterizando­se  uma  situação  de  fato  conforme  definido no artigo 116 do CTN, não interessando o nome que se  dê  ao  contrato. A  possibilidade  legal  de  amortização  do  ágio  restringe­se  a  situações  em  que  a  pessoa  jurídica  absorve  patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão,  na  qual  detenha  participação  societária  adquirida  com  ágio  apurado  com  fundamento  em  rentabilidade  da  coligada  ou  controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios  futuros.  Não  configurada  tal  hipótese  mantém­se  a  glosa  da  amortização.  Constatado  que  os  valores  excluídos  na  determinação  do  lucro  real  e  da  CSLL  referiam­se  a  valores  contabilizados  em  conta  de  resultado  de  períodos  anteriores,  incabível  o  ajuste  efetivado  em  resultado  de  ano  calendário  posterior.  1º  CC.  /  5ª  Câmara  /  ACÓRDÃO  105­15.913  em  16.08.2006. (grifei)  Não  bastasse  os  motivos  acima  expostos,  a  fiscalização  também  apurou  divergência  entre  o  valor  do  ágio  constante  dos  demonstrativos  das  amortizações  (R$  79.345.197,83)  ­  fls.  101  e  229/230,  e  o  valor  do  ágio  contabilizado  e  constante  da  Demonstração  de Acervo  Líquido  da  SOTREQ  SA  ­  fls.  133,  ratificado  na  resposta  dada  à  fiscalização às fls. 238 (R$ 76.845.186,86), o que só vem a reforçar a  tese de que o valor do  ágio não se encontra devidamente fundamentado nos termos da legislação de regência.   Sobre  a divergência de  valores  apurada pela  fiscalização,  a  recorrente nada  menciona  em  sua  peça  recursal,  de  modo  que  a  mesma  deve  ser  considerada  como  definitivamente  julgada,  a  teor  do  art.  17  do Decreto  nº  70.235,  de  06  de março  de  1972  e  alterações.  Por fim, quanto a este tópico, cumpre registrar que o acórdão recorrido, após  análise detalhada das movimentações financeiras efetuadas durante a reorganização societária,  concluiu  que  as  mesmas  foram  devidamente  registradas  na  contabilidade,  fato  que  nada  interfere nas conclusões deste voto.  Em  vista  do  acima  exposto,  é  de  se  confirmar  a  glosa  dos  valores  de  amortização  fiscal  do  ágio,  por  falta  de  atendimento  aos  requisitos  legais,  uma  vez  que  a  autuada  não  logrou  comprovar  a  entrega  do  “demonstrativo  de  rentabilidade”  (laudo  de  avaliação) com base em “previsão dos resultados de exercícios futuros”, como exige a lei.  Glosa da compensação de prejuízos  Fl. 2398DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 126          27 O  agente  fiscal  glosou  os  prejuízos  compensados  integralmente  quando  da  incorporação  (em  29/06/2001)  da  SOTREQ,  empresa  com  lucros,  pela  LION,  empresa  com  prejuízos,  alterando  a  razão  social  para  aquela  da  dita  incorporada  (SOTREQ),  bem  como  adotando o endereço desta última (LION).  Segundo  a  fiscalização,  o  objetivo  da  incorporação  “às  avessas”  seria  o  contorno da legislação, uma vez que existe expressa vedação legal de compensação quando a  incorporação  se  dá  nos  moldes  da  normalidade  (art.  514  do  RIR/99),  empresa  lucrativa  (SOTREQ) incorpora a empresa com prejuízos (LION). Os motivos que levaram a fiscalização  a considerar a incorporação fictícia foram os seguintes fatos:  ­ a incorporação teria sido efetuada unicamente para aproveitar os prejuízos  da LION nas apurações do IRPJ e da CSLL;  ­ A SOTREQ não possuía prejuízos fiscais nem bases negativas da CSLL;  ­  ao  invés  da  SOTREQ  incorporar  a  LION,  foi  a  LION  que  incorporou  a  SOTREQ, tendo aquela, em seguida, alterado sua razão social para SOTREQ;  ­  a  LION  destituiu  os  componentes  de  seu  conselho  de  administração  e  nomeou  aqueles  da  antiga  SOTREQ  conforme  item  2  da  Ata  da  Assembléia  Geral  Extraordinária  da  LION,  realizada  em  29.6.2001.  Ou  seja,  a  administração  passou  a  ser  a  mesma da empresa incorporada (antiga SOTREQ);  ­  as  mesmas  atividades  da  incorporada  SOTREQ,  continuaram  a  ser  desenvolvidas após a sua incorporação;  ­ o que efetivamente teria ocorrido foi que a SOTREQ incorporou a LION e,  portanto, não poderia compensar os prejuízos ficais desta, nos termos do art. 514 do RIR/99;  O  acórdão  recorrido  entendeu  que  apesar  da  operação  de  incorporação  da  SOTREQ  pela  LION  não  ter  sido  caracterizada  como  simulada,  nem  por  isso  pode  ser  caracterizada como sendo lícita. A incorporação da empresa deficitária pela superavitária teria  sido feito exclusivamente por motivos fiscais, tanto no âmbito federal, como municipal, para a  manutenção dos benefícios fiscais concedidos. Considerou, assim, passível de desconsideração  a operação de incorporação às avessas, efetuada com o único e exclusivo objetivo de redução  da carga tributária.  Já a recorrente alega em seu recurso que inexiste proibição legal de efetuar a  incorporação  nos moldes  do  que  foi  feito  e  que,  na  realidade,  a  operação  de  reorganização  societária de fato era desejada pela partes por razões de natureza empresarial.  Analisando  os  fatos  constante  dos  autos  e  a  legislação  que  rege  a matéria,  creio assistir razão à defesa.  Inicialmente, cumpre transcrever o art. 514 do RIR/99, cuja base legal é o art.  33  do  Decreto­lei  nº  2.341,  de  1987,  que  trata  da  compensação  de  prejuízos  nos  casos  de  incorporação, fusão ou cisão:  Art.  514.  A  pessoa  jurídica  sucessora  por  incorporação,  fusão  ou  cisão não  poderá  compensar  prejuízos  fiscais  da  sucedida  (Decreto­Lei nº 2.341, de 1987, art. 33).  Fl. 2399DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 127          28 Parágrafo  único.  No  caso  de  cisão  parcial,  a  pessoa  jurídica  cindida  poderá  compensar  os  seus  próprios  prejuízos,  proporcionalmente  à  parcela  remanescente  do  patrimônio  líquido (Decreto­Lei nº 2.341, de 1987, art. 33, parágrafo único).  O  dispositivo  acima  transcrito  é  bastante  claro  ao  afirmar  que  a  pessoa  jurídica sucessora, por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da  sucedida.  Por seu turno, a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais apurados  pelas pessoas jurídicas, a partir de 1995, encontra­se regulamentado pelo art. 510 do RIR/99:  Art.  510.  O  prejuízo  fiscal  apurado  a  partir  do  encerramento  do  ano­calendário  de  1995  poderá  ser  compensado,  cumulativamente  com  os  prejuízos  fiscais  apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido  ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto,  observado o  limite máximo, para  compensação, de  trinta  por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065,  de 1995, art. 15). (destaquei)  No  caso  em  análise,  a  LION  detinha  prejuízos  fiscais  e  a  SOTREQ  era  a  empresa lucrativa. Portanto, nos termos do art. 510 acima transcrito, a LION tinha o direito de  compensar os seus prejuízos fiscais.  Pelo  que  consta  dos  autos,  ambas  empresas  desempenhavam  operações  semelhantes  na  colocação  dos  produtos  com  a  marca  “CATERPILAR,  de  modo  que  a  SOTREQ vinha desenvolvendo  tratativas  junto à matriz americana da  “CATERPILAR” para  assumir o controle da LION, uma vez que esta última vinha apresentando sucessivos prejuízos.  Portanto,  nada  mais  natural  que  a  empresa  lucrativa  SOTREQ,  tendo  adquirido a participação societária na LION, fizesse também a incorporação desta última. No  entanto,  vislumbrou  a  SOTREQ  um  impedimento  legal  (art.  514  do  RIR/99)  para  a  compensação de prejuízos da possível sucedida, a LION.  No  bojo  da  reorganização  societária  entendeu­se  que  as  empresas  estavam,  em verdade, sob o manto de um mesmo comando, por isso, procederam de forma contrária: a  empresa com prejuízos incorpora a empresa lucrativa, o que possibilitaria a compensação dos  prejuízos da empresa deficitária, conforme permissivo legal contido no art. 510 do RIR/99.  Nesse contexto, o direito à compensação dos próprios prejuízos da empresa  que  se  encontra  deficitária  (LION)  encontra­se  amparado  pela  lei.  No  presente  caso,  ficou  evidenciado  que  a  compensação  de  prejuízos  ocorreu  obedecendo  o  limite  de  30% do  lucro  líquido ajustado, nos exatos termos do art. 510 do RIR/99, fls.1839/1840 e fls. 1848 e 1856.   Já  a  lei  das  sociedades  anônimas  também  não  veda  a  incorporação  da  empresa lucrativa por empresa com prejuízos.  Assim, do ponto de vista legal, a operação de incorporação às avessas pode  perfeitamente ser  taxada como lícita, posto não haver  impedimento  legal para que a empresa  com  prejuízos  incorpore  a  lucrativa,  detendo  esta,  participação  naquela.  É  claro  que  se  esperaria justamente o contrário, mas em determinadas situações, como no presente, ela pode  Fl. 2400DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 128          29 até efetivamente ocorrer, uma vez que a sucedida (SOTREQ) já detinha participação societária  relevante na sucessora (LION), o que em última análise significa que se  trata de uma mesma  realidade econômica.   Além  disso,  a  operação  teria  sido  realizada  entre  empresas  que  estavam  regularmente  operando  no  mercado,  com  objeto  social  semelhante,  e  teria  sido  assim  justificada  no  Protocolo  e  Justificação  de  Incorporação  da  SOTREQ  pela  LION  (fls.148  e  seguintes):  "3. Entendem os  signatários que, pertencendo a SOTREQ e a LION ao mesmo  grupo, inclusive sendo a SOTREQ acionista da LION, e sendo ambas voltadas ao  mesmo mercado de atuação, a incorporação da SOTREQ pela LION, como  proposta  neste  instrumento,  é  da  maior  conveniência  aos  interesses  sociais  e  financeiros da SOTREQ e da LION, uma vez que a unificação das atividades e da  administração  da  SOTREQ  e  da  LION  resultará  na  redução  de  custos  administrativos,  comerciais  e  financeiros  e  na  racionalização  do  trabalho,  operações  e  metas  de  organização,  propiciando  maior  rentabilidade  ao  empreendimento ".  Veja­se a descrição contida no relatório fiscal a respeito do principal objetivo  da autuada ao eleger este modelo de incorporação, fls. 1826:  “65.  A  própria  Fiscalizada  reconhece  esse  fato  na  resposta  recebida  em  26/04/2010,  item  22.  "A  Fiscalizada  esclarece  que  a  incorporação  foi   fei ta  pela  LION  a  f im  de  que  os  prejuízos  por  ela  contabil izados  não  fossem  perdidos,  o  que  oneraria  ainda  mais  a  operação,  causando,   conseqüentemente,  aumento no valor de venda de suas ações".”   O que se depreende dos autos é que toda a operação de incorporação foi feita  às claras, com ambas empresas operando regularmente no mercado e a forma escolhida tinha  uma  justificação:  a economia  tributária. Ressalte­se que nem a  fiscalização e nem o  acórdão  recorrido caracterizaram a ocorrência de simulação nos eventos societários em análise.  A defesa  também  justificou a  incorporação, nos moldes  como  foi  feito,  em  razão da necessidade de manter a sede da empresa em Sumaré – São Paulo, onde funcionava a  LION, face aos benefícios fiscais concedidos pela prefeitura dessa cidade no recolhimento do  IPTU e do ISS, fls. 1879. Veja­se a manifestação do Acórdão da DRJ nesse sentido, fls. 2167:  “O  único  motivo  pertinente  e  relevante  a  justificar  a  incorporação  da  SOTREQ pela LION seria o fato desta última ser beneficiária de isenção de imposto  sobre  serviços  (ISSQN)  e  do  imposto  predial  e  territorial  urbano  (IPTU)  no  Município de Sumaré/SP, benefício outorgado pelo prazo de 10 (dez) anos a contar  de outubro de 1998, cuja manutenção era imprescindível para a maior rentabilidade  do negócio.  Com efeito, é perfeitamente admitido pelo ordenamento jurídico pátrio que a  redução da carga tributária é um objetivo que deve ser perseguido para a própria sobrevivência  das pessoas jurídicas desde que, evidentemente, seja feita de forma lícita.  Nos processos de reorganização das empresas, a boa técnica de administração  dos  negócios  recomenda  que  os  dirigentes  adotem,  dentro  da  legalidade,  a  alternativa  econômica menos  onerosa  possível,  dentre  elas  optem  pela  economia  tributária.  A  empresa  LION apresentava sucessivos prejuízos, que seriam perdidos, caso a SOTREQ incorporasse a  Fl. 2401DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/2010­91  Acórdão n.º 1202­000.878  S1­C2T2  Fl. 129          30 LION. E uma das  formas de manter a empresa LION em funcionamento foi a  reorganização  societária perpetrada, que a meu ver foi feita de forma legal.  Inexistindo  vedação  legal  para  a  prática  da  conhecida  “incorporação  às  avessas”,  não  se  pode  esperar  que  duas  empresas,  integrantes  do  mesmo  grupo  econômico,  praticando  operações  comerciais  semelhantes,  tendo  a  intenção  de  se  reorganizar  societariamente,  com  o  objetivo  de  melhorar  o  desempenho  das  suas  atividades,  fiquem  impedidas de realizar a incorporação da empresa lucrativa por outra deficitária.  A  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  também  decidiu  nesse  mesmo  sentido, conforme ementário do Acórdão nº CSRF/01­05.413, sessão de 20 de março de 2006:  IRPJ  —  INCORPORAÇÃO  AS  AVESSAS  —  GLOSA  DE  PREJUÍZOS  —  IMPROCEDÊNCIA  —  A  denominada  "incorporação  às  avessas",  não  proibida  pelo  ordenamento  jurídico,  realizada  entre  empresas  operativas  e  que  sempre  estiveram  sob  controle  comum,  não  pode  ser  tipificada  como  operação  simulada  ou  abusiva,  mormente  quando,  a  par  da  inegável intenção de não perda de prejuízos fiscais acumulados,  teve  por  escopo  a  busca  de  melhor  eficiência  das  operações  entres ambas praticadas.  De tudo o que foi exposto, entendo pela possibilidade legal da compensação  de prejuízos fiscais do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL na chamada “incorporação  às avessas”, nos moldes do permitido pelo art. 510 do RIR/99.  Em face do exposto, voto no sentido de que seja dado parcial provimento ao  recurso  voluntário  para  que  seja  admitida  a  compensação  dos  prejuízos  fiscais  e  da  base  de  cálculo negativa da CSLL.  (documento assinado digitalmente)  Carlos Alberto Donassolo                                Fl. 2402DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO

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Numero do processo: 11613.000207/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Data do fato gerador: 22/08/2008 NAFTA UTILIZADA POR CENTRAL PETROQUÍMICA. DESTINAÇÃO CARACTERIZADA. FORMULAÇÃO RESIDUAL DE GASOLINA. Restando comprovado nos autos que a nafta importada não se destinava à produção de gasolina, mas sim à produção de petroquímicos básicos, ficando caracterizada a formulação residual de gasolina como subproduto necessário ao processo produtivo, não há porque excluir a nafta petroquímica importada do benefício da tributação à alíquota zero, previsto no §3º do art. 5º da Lei nº 10.336/2001, regulamentado pelo Decreto nº. 4.940/2003. Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3202-000.607
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Júnior declararam-se impedidos. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Luiz Paulo Romano, OAB/DF nº. 14.303. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1957; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T2  Fl. 400          1 399  S3­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11613.000207/2008­58  Recurso nº               De Ofício  Acórdão nº  3202­000.607  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de novembro de 2012  Matéria  CIDE ­ COMBUSTÍVEL  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  BRASKEM S/A     ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  DE  INTERVENÇÃO  NO DOMÍNIO ECONÔMICO  ­  CIDE  Data do fato gerador: 22/08/2008  NAFTA UTILIZADA POR CENTRAL PETROQUÍMICA. DESTINAÇÃO  CARACTERIZADA. FORMULAÇÃO RESIDUAL DE GASOLINA.  Restando  comprovado  nos  autos  que  a  nafta  importada  não  se  destinava  à  produção de gasolina, mas sim à produção de petroquímicos básicos, ficando  caracterizada a formulação residual de gasolina como subproduto necessário  ao processo produtivo, não há porque excluir a nafta petroquímica importada  do benefício da tributação à alíquota zero, previsto no §3º do art. 5º da Lei nº  10.336/2001, regulamentado pelo Decreto nº. 4.940/2003.  Recurso de ofício negado.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício.  Os  Conselheiros  Rodrigo  Cardozo Miranda  e  Gilberto  de  Castro  Moreira  Júnior  declararam­se  impedidos.  Fez  sustentação  oral,  pela  contribuinte,  o  advogado Luiz Paulo Romano, OAB/DF nº. 14.303.  Irene Souza da Trindade Torres  – Presidente e Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Irene  Souza  da  Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago  Moura de Albuquerque Alves e Adriana Oliveira e Ribeiro.     Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 3. 00 02 07 /2 00 8- 58 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     2 Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  decisão  recorrida,  o  qual  passo a transcrever:  “Trata  o  presente  processo  de  exigência  da Contribuição  de  Intervenção  no  Domínio  Econômico  (Cide),  incidente  sobre  a  importação,  acrescida  de  multa  de  ofício de 75% e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o crédito tributário  no valor total de R$ 15.976.934,82, objeto do Auto de Infração fls. 02­12.  De  acordo  com  a  descrição  dos  fatos  constante  do  Auto  de  Infração,  a  empresa  em  epígrafe  promoveu  a  importação  de  nafta  petroquímica  (NCM  2710.11.41), por meio da DI no 08/1302788­2, de 22/08/2008, deixando de recolher  a Cide, apesar da qualidade de indústria petroquímica produtora de gasolina.  A  fiscalização  assevera  ainda  que  "existe  a  possibilidade  legal  de  comprovação de que uma  importação de nafta não  será destinada à produção de  combustível,  para  que  o  contribuinte,  central  petroquímica,  possa  se  valer  da  isenção prevista na lei, nos termos do inc I do art. 6o da IN SRF 422/2004 e do §4°,  do art. 5o, da Lei n° 10.336/2001. Todavia, (...), tal comprovação tem de ser objetiva  e  prévia  ao  uso,  portanto,  no momento  do  desembaraço  aduaneiro,  o  que  nunca  ocorreu, presume­se, pela impossibilidade mesma do feito."  Cientificado  do  lançamento  em  07/10/2008,  conforme  fl.  03,  o  contribuinte  insurgiu­se  contra  a  exigência,  apresentando  a  impugnação  de  fls.  49­66,  em  21/10/2008, por meio da qual expõe suas razões de defesa, a seguir resumidas:  a) a requerente é empresa petroquímica, não tendo como finalidade precípua a  produção de gasolina automotiva,  sendo que durante o processo de  fabricação dos  produtos petroquímicos, a gasolina é obtida residualmente como subproduto, que em  parte é utilizada no próprio processo produtivo,  sendo  recolhida a Cide quando da  venda da outra parcela deste combustível;  b) o Decreto n° 4.940/2003 reduziu a zero a alíquota da Cide na importação  de correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou  diesel, dentre elas, a nafta petroquímica;  c) a autuação deve basear­se na realidade dos fatos ocorridos, sendo ilegal o  uso da presunção como meio de prova, ou seja, que a importação de nafta tenha sido  destinada  à  produção  de  gasolina  e  não  de  produtos  petroquímicos,  não  havendo  prova dessa alegação, mas mera interpretação subjetiva;  d)  a  compensação  de  valores  eventualmente  recolhidos  a  título  de  Cide  na  importação  não  seria  instrumento  eficaz  e  justo  para  estabelecer  a  neutralidade  tributária,  pois o montante de  tributos  federais devidos  seria bem menor do que o  total da Cide paga na importação, de modo que a requerente  ficaria com um saldo  credor cuja compensação seria impossível;  e) o objetivo do legislador ao instituir a dispensa de recolhimento da Cide na  importação  de  nafta  petroquímica  é  o  de  favorecer  a  indústria  petroquímica,  setor  estratégico da indústria nacional, elo inicial de extensa cadeia produtiva;  f) é inaplicável a taxa Selic, para cálculo dos juros de mora, em razão da sua  inconstitucionalidade.  Em 15/12/2008, a  impugnante  se manifestou nos autos argumentando que o  Decreto  n°  6.683/2008,  publicado  em  10/12/2008,  confirma  que  a mera  produção  residual de gasolina decorrente da industrialização de nafta, em volume até 12% da  produção  total,  não  afasta  a  aplicação  da  alíquota  zero,  referente  à  Cide  na  importação (fls. 112­114).”  Fl. 416DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/2008­58  Acórdão n.º 3202­000.607  S3­C2T2  Fl. 401          3 A DRJ­Fortaleza/CE, em sessão realizada em 30/09/2009, decidiu converter  o  julgamento  em  diligência,  para  que  fossem  respondidos  os  quesitos  formulados  às  fls.  179/180, o que culminou com a elaboração do Parecer Técnico constante às fls. 291/302.  Diante dos elementos constantes dos autos, aquela DRJ julgou procedente a  impugnação (fls. 376/394), em decisão cuja ementa abaixo reproduz­se:  Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico ­  CIDE  Data do fato gerador: 22/08/2008  NAFTA  UTILIZADA  POR  CENTRAL  PETROQUÍMICA.  DESTINAÇÃO CARACTERIZADA. FORMULAÇÃO RESIDUAL  DE GASOLINA.  Restando  comprovado  que  a  nafta  importada  foi  efetivamente  destinada  à  o  produção  de  produtos  petroquímicos,  a  formulação  residual  de  gasolina,  demonstrada  nos  autos  por  prova pericial como inerente ao ciclo produtivo destes, não tem  o condão de descaracterizar a incidência de alíquota zero.  Impugnação procedente.  Crédito tributário exonerado.  Da  decisão,  recorre  a  DRJ­Fortaleza/CE  de  ofício,  em  razão  de  o  crédito  tributário exonerado ser superior ao limite de alçada.  É o Relatório.    Voto             Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora  Ao  teor do  relatado,  chegam os autos, para apreciação deste Colegiado,  em  razão de recurso de ofício interposto pela DRJ­Fortaleza/CE, por haver aquele órgão julgador  exonerado a contribuinte BRASKEM S/A de crédito tributário em valor superior ao limite de  alçada.  A  autuação  deveu­se  ao  fato  de  ter  a  Fiscalização  entendido  que  a  nafta  petroquímica  importada  pela  contribuinte,  pelo  fato  desta  produzir  gasolina,  não  estaria  albergada pela isenção prevista no §4º do art. 5º da Lei nº. 10.336/2001 e.  Dispõe a Lei nº. 10.336/2001:  Art.  1o  Fica  instituída  a  Contribuição  de  Intervenção  no  Domínio  Econômico  incidente  sobre  a  importação  e  a  comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus  derivados, e álcool etílico combustível (Cide), a que se refere os  Fl. 417DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     4 arts.  149  e  177  da Constituição  Federal,  com  a  redação  dada  pela Emenda Constitucional nº33, de 11 de dezembro de 2001.   Art. 2o São contribuintes da Cide o produtor, o  formulador e o  importador, pessoa física ou jurídica, dos combustíveis líquidos  relacionados no art. 3o.  .........................................................................................................  Art.  3o  A  Cide  tem  como  fatos  geradores  as  operações,  realizadas pelos contribuintes referidos no art. 2o, de importação  e de comercialização no mercado interno de:  I – gasolinas e suas correntes;  II ­ diesel e suas correntes;  III – querosene de aviação e outros querosenes;   IV ­ óleos combustíveis (fuel­oil);  V ­ gás liqüefeito de petróleo, inclusive o derivado de gás natural  e de nafta; e  VI ­ álcool etílico combustível  .........................................................................................................  Art.  5o  A  Cide  terá,  na  importação  e  na  comercialização  no  mercado  interno,  as  seguintes  alíquotas  específicas:(Redação  dada pela Lei nº 10.636, de 2002)  ...................................................................................................  §  1o  Aplicam­se  às  correntes  de  hidrocarbonetos  líquidos  que,  pelas suas características físico­químicas, possam ser utilizadas  exclusivamente  para  a  formulação  de  diesel,  as  mesmas  alíquotas específicas fixadas para o produto  § 2o Aplicam­se às demais correntes de hidrocarbonetos líquidos  utilizadas  para  a  formulação  de  diesel  ou  de  gasolinas  as  mesmas alíquotas específicas fixadas para gasolinas.  §  2o  Aplicam­se  às  correntes  de  hidrocarbonetos  líquidos  as  mesmas  alíquotas  específicas  fixadas  para  gasolinas.  (Redação  dada pela Lei nº 10.833, de 2003)  § 3o As correntes de hidrocarbonetos  líquidos não destinadas à  produção  ou  formulação  de  gasolinas  ou  diesel  serão  identificadas  mediante  marcação,  nos  termos  e  condições  estabelecidos pela ANP.  § 3o O Poder Executivo poderá dispensar o pagamento da Cide  incidente  sobre  as  correntes  de  hidrocarbonetos  líquidos  não  destinados  à  formulação  de  gasolina  ou  diesel,  nos  termos  e  condições  que  estabelecer,  inclusive  de  registro  especial  do  produtor,  formulador,  importador  e  adquirente.  (Redação dada  pela Lei nº 10.833, de 2003)  4o  Fica  isenta  da  Cide  a  nafta  petroquímica,  importada  ou  adquirida  no  mercado  interno,  destinada  à  elaboração,  por  Fl. 418DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/2008­58  Acórdão n.º 3202­000.607  S3­C2T2  Fl. 402          5 central  petroquímica,  de  produtos  petroquímicos  não  incluídos  no caput deste artigo, nos termos e condições estabelecidos pela  ANP.  §4o  Os  hidrocarbonetos  líquidos  de  que  trata  o  §  3o  serão  identificados  mediante  marcação,  nos  termos  e  condições  estabelecidos  pela ANP.  (Redação dada pela Lei  nº  10.833,  de  2003)  § 5o Presume­se como destinado a produção de gasolina nafta,  adquirida  ou  importada  na  forma  do  §  4o,  cuja  utilização  na  elaboração  do  produto  ali  referido  não  seja  comprovada.(Revogado pela Lei nº 10.833, de 2003)  §  6o  Na  hipótese  do  §  5o  a  Cide  incidente  sobre  a  nafta  será  devida  na  data  de  sua  aquisição  ou  importação,  pela  central  petroquímica. (Revogado pela Lei nº 10.833, de 2003)  Primeiramente,  é  de  se  notar  que,  com  a  edição  da  Lei  nº.  10.833/2003,  à  época  da  ocorrência  dos  fatos  geradores,  em 2008,  não mais  se  poderia  falar  em  isenção  da  CIDE, em razão da alteração sofrida pelo §4º do art. 5º da Lei nº. 10.336/2001. Demais disso,  restaram, ainda, revogados os §§5º e 6º do art. 5º da Lei nº 10.336/2001, de forma que, àquela  época,  não  mais  existia  a  presunção  legal  adotada  pela  Fiscalização,  a  qual  alicerçou  o  entendimento de que a nafta importada destinava­se à produção de gasolina.   Assim, resta perquirir se, à época dos fatos geradores, a contribuinte fazia jus  à dispensa de pagamento da CIDE prevista no §3º do art. 5º da Lei nº. 10.336/2001, a qual foi  regulamentada pelo Decreto nº. 4.940/2003.  O Decreto nº 4.940/2003, em seu art. 1º, reduziu a zero as alíquotas da CIDE­ Combustíveis  incidente  na  importação  e  na  comercialização  sobre  as  correntes  de  hidrocarbonetos  líquidos  não  destinadas  à  formulação  de  gasolina  ou  diesel,  constantes  da  relação  que  indica.  Dentre  os  códigos  elencados,  encontra­se,  logo  de  plano,  o  código  2710.11.41, correspondente à nafta petroquímica, produto objeto da importação ora analisada.  Veja­se:  Decreto nº. 4.940/2003  O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que  lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista  o disposto no § 3o do art. 5o da Lei no 10.336, de 19 de dezembro  de 2001,  DECRETA:  Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição de  Intervenção  no  Domínio  Econômico  (CIDE­Combustíveis)  incidente na importação e na comercialização sobre as correntes  de  hidrocarbonetos  líquidos  não  destinadas  à  formulação  de  gasolina ou diesel, constantes da seguinte relação:  Código NCM  Produto  2710.11.41  Nafta petroquímica  Fl. 419DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     6 Assim,  a  nafta  petroquímica,  classificada  no  código  2710.11.41,  não  destinada à  formulação de gasolina ou diesel,  estava, à época dos  fato geradores,  tributada à  alíquota  zero.  Veja­se  que,  pela  redação  do  §  3º  da  Lei  nº  10.336/2001,  a  dispensa  de  pagamento prevista por aquela lei e regulamentada pelo Decreto nº.4.940/2003, somente seria  aplicável às correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou  diesel.   Pois  bem,  no  caso  concreto,  entendeu  a  Fiscalização  que,  pelo  fato  de  a  contribuinte produzir gasolina, desde já estaria  impossibilitada à comprovação de que a nafta  importada  não  se  destinava  à  formulação  de  gasolina.  Veja­se  o  que  afirmou  a  autoridade  autuante:  [...].  Durante  a  análise  da  declaração,  constatou­se  que  a  autuada  não  havia  recolhido  a  CIDE,  apesar  de  tratar­se  de  uma central petroquímica que produz gasolina a partir da nafta  que adquire no mercado externo.  2. Ao ser admoestada, a  interessada demonstrou dúvida quanto  ao  cabimento do  recolhimento da contribuição para o  caso  em  análise,  haja  vista,  segundo  ela,  tratar­se  de  importação  de  nafta,  por  central  petroquímica,  para  fins  petroquímicos,  A  fiscalização,  então,  requereu  que  fosse  feita  a  devida  comprovação necessária à isenção [sic] da CIDE.  3. Em resposta a esta exigência, foram apresentados o Relatório  de Produção de Gasolina Automotiva nos Processos Industriais  da  Braskem/Unib  e  a  Relação  entre  a  Venda  de  Gasolina  Automotiva e a Importação de Nafta pela Braskem/Unib ­ ambos  desenvolvidos  por  empresa  independente,  a  pedido  da  própria  interessada, Nesses  relatórios,  tem­se  a  confirmação  de  que  a  Braskem,  efetivamente,  produz  gasolina  a  partir  de  naftas. E  nada  foi  apresentado  no  sentido  de  comprovar  que  a  nafta  objeto desta DI não teria a mesma destinação.  4. Em vista do exposto, decidiu­se pelo lançamento de ofício.  Ao meu sentir, tal entendimento se mostra equivocado. O fato de a Braskem  produzir  gasolina não  afasta,  por  si  só,  a  possibilidade  do  benefício  da  tributação  à  alíquota  zero.  Isso  porque,  conforme  estabelecido  pela  legislação  de  regência,  somente  a  nafta  petroquímica destinada à produção de gasolina é que estaria fora do benefício. O texto da lei  fala em destinação, ou seja, aquela nafta reservada para o fim de produzir gasolina. Destinar,  no  Dicionário  Aurélio,  quer  dizer  determinar  com  antecipação,  fixar  previamente,  designar,  reservar para certo fim. Veja­se, então, que, para estar excluída do benefício, é preciso que a  nafta petroquímica seja destinada à finalidade de produzir gasolina, o que é diferente da nafta  que,  incidentalmente, produza gasolina como subproduto resultante do processo produtivo de  petroquímicos, como é o caso em questão.   O  Parecer  Técnico  de  fls.  291/302,  elaborado  em  razão  da  diligência  solicitada  pela  DRJ,  deixa  claro  que  “a  atividade  principal  da  Braskem  é  a  produção  de  insumos  básicos  petroquímicos  (Eteno,  Propeno,  Butenos,  etc),  além  de  utilidades  (águas  industriais,  nitrogênio,  ar  comprimido,  vapor  de  alta  e média  pressão,  etc) para  atender  às  necessidades  de  diversas  outras  indústrias  instaladas  [no]  Complexo  Industrial”  e  que,  de  acordo  com  as  características  e  condições  do  processo  industrial  analisado,  é  obrigatória  a  produção de gasolina “como forma de utilização completa de todas as correntes obtidas”.   Fl. 420DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/2008­58  Acórdão n.º 3202­000.607  S3­C2T2  Fl. 403          7 Referido Parecer afirma, ainda, que “ a formulação de gasolina a partir dos  subprodutos  gerados  durante  o  processamento  é  necessária  como  forma  de  maximizar  economicamente  todo  o  processo  envolvendo  a  Nafta  Petroquímica.  A  não  formulação  de  gasolina,  com  os  subprodutos,  conduz  a  usos  menos  nobres  desses  citados  subprodutos  (queima  como  combustível).”  E  mais:  que  “a  quantidade  total  de  Gasolina  produzida,  tomando­se como base apenas a nafta petroquímica processada, encontra­se sempre abaixo de  10% do volume total da Nafta Petroquímica adquirida.”  Assim,  restou  claramente  comprovado  nos  autos  que  a  nafta  petroquímica  importada não se destinava à formulação de gasolina, conforme entendeu a Fiscalização, mas  sim à produção de petroquímicos básicos  (eteno, propeno, butenos, etc). Na produção desses  petroquímicos são gerados vários subprodutos, dentre os quais a gasolina, cuja formulação se  mostra como resultado necessário à obtenção dos referidos petroquímicos básicos, como forma  de maximixação dos processos produtivos.  Destarte,  acertada  a  declaração  de  voto  constante  às  fls  384/394,  a  qual  demonstra, claramente, a inviabilidade de se transferir ao contribuinte o ônus de comprovação  de utilização futura do produto, que sofre a ação de diversos mecanismos de controle impostos  pela Administração Pública. Veja­se:  “Acontece que, dentre as correntes referidas nos incs. I e II do art. 3º existem  aquelas  que  tanto  podem  ser  utilizadas  na  produção  de  gasolina  ou  diesel,  como  também para outras finalidades. Assim, os §§ 3º e 4º, do art. 5º, da mesma lei, com a  alteração introduzida pela Lei nº 10.833/03 vieram reforçar que:  Art. 5º [...].   [...].  § 3º O Poder Executivo poderá dispensar o pagamento  da Cide incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos  líquidos  não  destinados  à  formulação  de  gasolina  ou  diesel, nos termos e condições que estabelecer, inclusive  de  registro  especial  do  produtor,  formulador,  importador e adquirente.  §  4º Os  hidrocarbonetos  líquidos  de  que  trata  o  §  3º  serão  identificados  mediante  marcação,  nos  termos  e  condições estabelecidos pela ANP.    [Destaquei].  Duas conclusões podem ser tiradas de imediato desses dispositivos:  1ª) a possibilidade da dispensa de pagamento da Cide, a que a lei se refere no  §  3º,  está  imediatamente  relacionada  ao  produto  “hidrocarbonetos  líquidos  não  destinados à formulação de gasolina ou diesel” e não à qualidade do sujeito passivo;  2ª) a lei procurou garantir o controle da concessão da dispensa quando no § 4º  tratou  de  determinar  que  os  hidrocarbonetos  líquidos,  sobre  os  quais  ocorreu  a  dispensa  da  Cide,  fossem  marcados  “nos  termos  e  condições  estabelecidos  pela  ANP”.   Antes  mesmo  da  publicação  da  Lei  nº  10.336/01,  a  Agência  Nacional  do  Petróleo,  Gás  Natural  e  Biocombustíves  (ANP),  entidade  integrante  da  Fl. 421DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     8 Administração  Federal  Indireta,  órgão  regulador  da  indústria  do  petróleo,  gás  natural,  seus  derivados  e  biocombustíveis,  vinculado  ao  Ministério  de  Minas  e  Energia, no uso das atribuições que lhe foram conferidas pela já referenciada Lei nº  9.478/97, havia editado a Portaria ANP nº 274, de 01/11/01 (DOU 05/11/01), onde,  entre outras, estabeleceu a definição de Produtos de Marcação Compulsória (PMC)  (art. 1º,  inc. II) e determinou a obrigatoriedade de marcação dos PMC, tanto pelos  produtores nacionais como pelos importadores e que a marcação de PMC importado  deveria ocorrer no local e no momento de sua internação no País (art. 2º, caput, e §  2º).  Registre­se  que  no  site  da  ANP  pode  ser  encontrada  a  seguinte  explicação  para a marcação compulsória de produtos1:   MARCAÇÃO  COMPULSÓRIA  DE  PRODUTOS  ­  APRESENTAÇÃO   A  Lei  nº  10.336,  de  19  de  dezembro  de  2001,  estabelece  que correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados  à  formulação  de  gasolina  ou  diesel  poderão  ser  dispensados  de  contribuição  da  Cide­combustíveis  se  forem  identificados  mediante  marcação  nos  termos  e  condições estabelecidos pela ANP.  A ANP denomina as correntes de hidrocarbonetos líquidos  não destinados à  formulação de gasolina ou diesel  como  Produtos de Marcação Compulsória (PMC).  A marcação consiste na adição de marcador aos PMC no  momento  de  sua  internação  no  País,  ou  na  saída  da  unidade produtora ou da distribuidora.  As  amostras  de  gasolina  coletadas  em  postos  revendedores  de  combustíveis  pelo  Programa  de  Monitoramento  da Qualidade  dos  Combustíveis  (PMQC)  da  ANP,  pela  fiscalização  da  Agência  e  por  órgãos  conveniados  com  a  ANP  são  encaminhadas  para  o  laboratório  (contratado  pela  ANP  para  realização  de  análises  do  PMQC)  mais  próximo  do  local  da  coleta  e  submetidas  à  análise  de  detecção  de  presença  de  marcador.  [Sublinhei]  Atualmente,  o  art.  2º,  inc.  I,  da  Resolução ANP  nº  13,  de  09/06/09  (DOU  10/06/09) (que alterou o art. 1º, inc. II, da Portaria ANP nº 274/01) traz a definição  técnica de PMC, nos seguintes termos:  Art.  2º Para  os  fins  desta Resolução  ficam  estabelecidas  as seguintes definições:  I  ­  Produtos  de  Marcação  Compulsória  (PMC)  ­  hidrocarbonetos  derivados  de  frações  resultantes  do  processamento de petróleo, de gás natural, de  frações de  indústrias  petroquímicas,  passíveis  de  serem  utilizados  como  dissolventes  de  substâncias  sólidas  e/ou  líquidas,  puros  ou  em mistura,  cuja  faixa  de  destilação  tenha  seu                                                              1  http://www.anp.gov.br/?pg=16344&m=&t1=&t2=&t3=&t4=&ar=&ps=&cachebust=1317040002139.  Consulta  realizada em 26/09/11.  Fl. 422DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/2008­58  Acórdão n.º 3202­000.607  S3­C2T2  Fl. 404          9 ponto inicial de ebulição superior a 25ºC e ponto final de  ebulição  inferior  a  280ºC,  com  exceção de  qualquer  tipo  de  gasolina,  querosene  de  aviação  ou  óleo  diesel  especificados pela ANP;  A  resolução  acima  referida,  que  estabelece  os  requisitos  necessários  para  o  cadastramento de empresas  interessadas  em  fornecer produto marcador,  exercendo  suas atividades no âmbito da marcação dos PMC indicados pela ANP, entre outras  disposições também define no inc. VII, do mesmo art. 2º que o ponto de marcação é  o local determinado pela ANP, onde é realizada a adição de marcador e abrange as  unidades dos produtores nacionais,  portos,  terminais,  estações  aduaneiras  e pontos  de fronteira com o País.  Interessante também trazer à lume parte do preâmbulo dessa Resolução ANP  nº 13/09:  [...]  Considerando que a Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de  2001, alterada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de  2003,  estabelece,  em  seu  art.  5º,  §  4º,  que  os  hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de  gasolina  ou  diesel  serão  identificados  mediante  marcação,  nos  termos  e  condições  estabelecidos  pela  ANP; e   Considerando  que  a  Portaria  ANP  nº  274,  de  1º  de  novembro  de  2001,  estabelece  a  obrigatoriedade  de  adição de marcador a solventes e a derivados de petróleo  eventualmente  indicados  pela  ANP,  bem  como  a  proibição da presença de marcador na gasolina.  [...].  Veja­se que essa introdução da resolução deixa bastante claro que o controle  da  destinação  dos  hidrocarbonetos  líquidos  será  realizado  mediante  a  marcação,  ficando proibida a presença de tais marcadores na gasolina.  No âmbito do Poder Executivo, com amparo legal do § 3º, do art. 5º, da Lei nº  10.336/01, também foi editado o Decreto nº 4.940, de 29/12/03, cujo art. 1º reduz a  zero  as  alíquotas  da  CIDE­Combustíveis  incidente  na  importação  e  na  comercialização sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à  formulação  de  gasolina  ou  diesel,  constantes  da  relação  que  divulga.  Entre  os  códigos  elencados  está  o  2710.11.41,  nafta  petroquímica,  produto  objeto  da  importação aqui tratada.  Mais  uma  vez,  percebe­se  que  a  redução  a  zero  das  alíquotas  da  Cide  diz  respeito aos produtos  elencados  e não  à qualidade do  sujeito passivo,  como,  aliás,  não poderia deixar de ser, uma vez que um Decreto não pode extrapolar o que a lei  determina.  O benefício foi concedido para as correntes de hidrocarbonetos líquidos não  destinadas à formulação de gasolina ou diesel, que são relacionadas no Decreto nº  4.940/03, importados por qualquer empresa autorizada pela ANP para tal, e não  apenas para as centrais petroquímicas. O fato de uma empresa produzir gasolina  ou  diesel  não  afasta,  por  si  só,  a  possibilidade  dela  vir  a  ser  beneficiária  da  Fl. 423DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     10 alíquota zero no produto importado, nafta petroquímica, com mais razão ainda  se essa empresa for uma Central de Matéria­Prima Petroquímica (CPQ).  (...)  O modo  de  viabilizar  a  concessão  do  benefício  que  a  lei  instituiu,  sem  que  ocorra prejuízo aos controles a cargo da Administração Pública, é um problema que  deve  ser  resolvido  no  âmbito  desta  e  que  não  pode  ser  imposto  como  ônus  ao  contribuinte.  Em particular, no que se refere a nafta petroquímica, tem­se que esse produto  tanto pode ser utilizado para a formulação de gasolina ou diesel como no processo  produtivo  de  uma  CPQ  [Central  de  Matéria­Prima  Petroquímica].  É  o  que  se  depreende  do  Ato  Declaratório  Interpretativo  (ADI)  SRF  nº  34,  de  28/12/04  que  dispõe sobre a classificação fiscal da “nafta normal­parafina”, da “normal­parafina”  e  da  “parafina”,  bem  como  sobre  a  incidência  ou  não  da  Cide  sobre  essas  mercadorias, estabelecendo no seu art. 1º que:  Art.  1º  A  nafta  petroquímica  denominada  “nafta  normal­parafina”  classifica­se  no  código  2710.11.41  da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).  § 1º A “nafta normal­parafina” não deve ser tomada  como  equivalente  a  quaisquer  querosenes  e  pode  servir à formulação de gasolina ou diesel.  § 2º Na hipótese de servir à formulação de gasolina  ou  diesel,  a  “nafta  normal­parafina”  está  sujeita  à  incidência  da  Contribuição  de  Intervenção  do  Domínio Econômico (Cide ­ Combustíveis), instituída  pela  Lei  nº  10.336,  de  19  de  dezembro  de  2001,  e  regulada pela Instrução Normativa SRF nº 107, de 28  de dezembro de 2001.  [...].  Note­se  que  embora  o  ADI  acima  referenciado  afirme  a  existência  de  uma  nafta petroquímica denominada “nafta normal­parafina” que serve para a formulação  de  gasolina  ou  diesel,  o  usual  é  que  a  nafta  seja  utilizada  principalmente  como  matéria­prima  da  indústria  petroquímica  ("nafta  petroquímica"  ou  "nafta  não­ energética") na produção de eteno e propeno, além de outras frações líquidas, como  benzeno, tolueno e xilenos.  É o que explica o glossário disponível no site da ANP2, que classifica a nafta  em  apenas  dois  tipos:  a  nafta  petroquímica  ou  não­energética  e  nafta  energética,  assim consignando:  Nafta   Derivado  de  petróleo  utilizado  principalmente  como  matéria­prima  da  indústria  petroquímica  ("nafta  petroquímica" ou "nafta não­energética") na produção de  eteno  e  propeno,  além  de  outras  frações  líquidas,  como  benzeno,  tolueno e xilenos. A nafta energética é utilizada  para  geração  de  gás  de  síntese  através  de  um  processo  industrial  (reformação  com  vapor  d'água).  Este  gás  é  utilizado na produção do gás canalizado doméstico.                                                               2 http://www.anp.gov.br/?id=582#n. Consulta realizada em 23/09/11.  Fl. 424DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/2008­58  Acórdão n.º 3202­000.607  S3­C2T2  Fl. 405          11 Nafta Petroquímica   Ver Nafta.  De qualquer modo, levando em conta o teor do ADI e do glossário da ANP, o  que temos, no caso da nafta­petroquímica, é um mesmo código de NCM abarcando  um  produto  que  pode  servir  a  mais  de  uma  utilização,  sendo  que  em  uma  delas  (utilização em gasolina ou diesel) ocorre a tributação normal e na outra (utilização  como matéria­prima em CPQ), redução a zero das alíquotas da Cide­combustíveis.  Ora,  essa  questão,  de  um  mesmo  código  de  NCM  dar  guarida  a  produtos  diversos,  distintos  nas  suas  qualidades  intrínsecas  ou  extrínsecas  é  um  problema  enfrentado  rotineiramente  pelas  autoridades  administrativas  encarregadas  do  controle aduaneiro e não representa nenhuma novidade na área.   Relembre­se, embora não tenha relação direta com o caso, mas apenas como  exemplo, que foi em razão desse tipo de dificuldade que foi instituída, pela IN SRF  nº  80,  de  27/12/96,  a  Nomenclatura  de  Valor  Aduaneiro  e  Estatística  (NVE),  de  modo a poder distinguir produtos, que apesar de estarem classificados dentro de um  mesmo  subitem  da  NCM,  na  verdade  possuem  características  que  os  distinguem  substancialmente uns dos outros e que, justamente por essas diferenças, apresentam­ se com valores ou especificidades bastante distintos, fazendo com que, para que não  haja  prejuízo  ao  controle  do  valor  aduaneiro  e  aos  dados  estatísticos  de  comércio  exterior,  o  produto,  para  além da  sua  identificação  em um determinado código  da  NCM, seja desdobrado em atributos e especificações.  Voltando a fazer referência a controles a cargo da ANP, tem­se que esse órgão  estabeleceu,  no  que  diz  respeito  especificamente  à  nafta­petroquímica,  a  regulamentação para a sua importação por meio da Portaria ANP nº 32, de 23/02/00  (DOU 24/02/00).  É pertinente destacar que, referida portaria estabelece no seu art. 1º, caput e  parágrafo  único  que  “fica  sujeito  à  prévia  e  expressa  autorização  da  ANP  a  importação de nafta petroquímica” e que “somente  será autorizada a  importação  de  nafta  petroquímica  que  seja  destinada  ao  uso  exclusivo  como matéria­prima  para o processo produtivo de Central de Matéria­Prima Petroquímica”.  Por seu turno, os arts. 3º e 4º da mesma norma definem que:  Art.  3º.  A  autorização  mencionada  no  artigo  1°  fica  condicionada a:  I  ­  cadastramento  da  empresa  ou  do  consórcio  de  empresas junto à ANP; e   II  ­ anuência  prévia  da ANP,  para  cada  carga  de  nafta  petroquímica a ser importada.  Art.  4º.  O  importador  poderá  solicitar  autorização  da  ANP para uma programação semestral de  importação de  nafta  petroquímica,  ficando,  na  hipótese  de  deferimento  dessa solicitação, dispensado da anuência de que  trata o  inciso II do artigo anterior.  §  1º A  solicitação  de  autorização mencionada  no  caput  deste  artigo  deverá  ser  enviada  à  ANP  com  uma  Fl. 425DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     12 antecedência  mínima  de  30  (trinta)  dias  em  relação  à  data prevista para o início da importação.  §  2º  O  importador  poderá  solicitar  mais  de  uma  autorização  semestral  para  a  importação  de  nafta  petroquímica,  desde  que  possua  contratos  com mais  de  uma CPQ.  Convém trazer à luz também o disposto no art. 11 da mesma Portaria ANP nº  32/00, que preconiza, in verbis:  Art.  11.  Quando  a  importação  não  for  realizada  diretamente por uma CPQ, o importador deverá instruir a  solicitação  de  anuência  prévia  para  cada  carga  ou  a  solicitação  de  autorização  para  uma  programação  semestral,  com  o  pedido  de  aquisição  da  nafta  petroquímica firmado entre o mesmo e uma CPQ.  Note­se  que  o  código  2710.11.41  (“naftas  para  petroquímica”)  se  encontra  elencado  entre  aqueles  produtos  sujeitos  a  licenciamento  não  automático,  tendo  como órgão anuente a ANP, situação que já se observava na data do fato gerador e  que  atualmente  se  encontra  divulgada  por  meio  da  Portaria  Secex  nº  23,  de  14/07/113.  Vê­se,  portanto,  que  só  são  deferidas  licenças  de  importação  de  nafta  petroquímica para as empresas cadastradas (em caráter precário), junto à ANP. Essas  empresas,  autorizadas  a  importar,  não  precisam  ser  Centrais  de  Matéria­Prima  Petroquímica,  mas  têm  que  importar  sob  a  condição  de  que  a  mercadoria  será  destinada ao uso exclusivo como matéria­prima para o processo produtivo daquelas  centrais, fazendo prova disso o(s) contrato(s) firmado(s) entre importador e CPQ.  Ou seja, a autorização da importação de nafta­petroquímica, materializada por  meio  do  deferimento  da  Licença  de  Importação,  pelo  órgão  da  Administração  Federal  Indireta,  legalmente  instituído  para  tal,  permite  que  no  momento  do  despacho aduaneiro a autoridade da Secretaria da Receita Federal do Brasil  (RFB)  encontre respaldo para presumir que o produto foi importado por empresa autorizada  pela  ANP  para  tal  atividade  e  que  será  destinado  exclusivamente  como matéria­ prima  para  o  processo  produtivo  de  Central  de  Matéria­Prima  Petroquímica,  conforme  exigência  prévia  condicionante  do  deferimento  para  a  autorização  de  importação,  expressa  no  parágrafo  único  do  art.  1º,  c/c  o  teor  dos  arts.  3º  e  4ºda  referenciada Portaria ANP nº 32/00, todos já transcritos.  Note­se  que,  no  mesmo  sentido,  o  art.  6º  da  IN  SRF  nº  680,  de  02/10/06  determina que:  Art.  6º  A  verificação  do  cumprimento  das  condições  e  exigências  específicas  a  que  se  refere  o  art.  512  do  Decreto  nº  4.543,  de  26  de  dezembro  de  2002,  inclusive  daquelas  que  exijam  inspeção  da  mercadoria,  conforme  estabelecido  pelos  competentes  órgãos  e  agências  da  administração  pública  federal,  será  realizada  exclusivamente na fase do licenciamento da importação.  Observe­se que as disposições do art. 512, do Decreto nº 4.543/02, referidas  no art. 6º da IN acima citado, encontram­se atualmente exaradas nos mesmos termos  no art. 572, do Decreto nº 6759/09, que revogou aquele:                                                              3 Vide http://www.mdic.gov.br//arquivos/dwnl_1305913858.pdf (consulta realizada em 26/09/11).  Fl. 426DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/2008­58  Acórdão n.º 3202­000.607  S3­C2T2  Fl. 406          13 Art.  572.  Quando  se  tratar  de  mercadoria  sujeita  a  controle especial, a depósito ou a pagamento de qualquer  ônus  financeiro  ou  cambial,  o  desembaraço  aduaneiro  dependerá  do  prévio  cumprimento  dessas  exigências  (Decreto­Lei nº 37, de 1966, arts. 47 e 48, com a redação  dada pelo Decreto­Lei no 2.472, de 1988, art. 2º).  Vê­se  pelo  que  até  agora  foi  explicado  que  a  importação  seja  de  nafta  petroquímica, em particular, ou de petróleo e qualquer de seus derivados, em geral, é  uma  operação  que  se  submete  a  um  controle  rigoroso  por  parte  das  legislação  nacional, desde a Constituição Federal, até normas infra­legais.   Tal  qual  acontece  na  importação  de  outros  produtos  sensíveis,  como  por  exemplo armas e munições, certos insumos farmacêuticos..., o produto em comento  somente  recebe  licença  para  ser  importado  após  análise  prévia  do  órgão  anuente  (licenciamento não automático).   Não  havendo  razões  para  se  concluir  pela  irregularidade  na  emissão  da  Licença de Importação, essa deve ser acatada no momento do despacho aduaneiro,  sem  prejuízo  de  controles a  posteriori  dos  órgãos,  no  âmbito  de  suas  respectivas  atribuições legais.  Ou  seja,  não  se  quer  com  isso,  por  óbvio,  afastar  o  poder/dever  das  autoridades  competentes  de  verificar  posteriormente  se  não  há  desvios  que  descaracterizem o benefício fiscal concedido, mas, repita­se, o modo de viabilizar a  concessão do benefício que a lei  instituiu, sem que ocorra prejuízo aos controles a  cargo da Administração Pública  é um problema que deve  ser  resolvido no âmbito  desta e que não pode ser imposto como ônus ao contribuinte.  Note­se  que  a  marcação  compulsória  das  correntes  de  hidrocarbonetos  líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel objetiva viabilizar uma  fiscalização a posteriori da destinação que foi dada ao produto, mas não representa  garantia que não haverá desvios.   Assim,  não  há  meios  de  previamente  provar  qual  o  destino  que  será  dado  àqueles produtos. Se existissem esses meios, não seria necessário todo o aparato de  controle que foi  instituído para tal pela ANP, não tendo sentido fazer exigência de  provas sobre “o uso futuro do produto”, sob pena de inviabilizar o benefício fiscal  instituído por lei.” Deste modo, não vislumbro qualquer fundamento que alicerce o afastamento  do benefício previsto no §3º do art. 5º da Lei nº. 10.336/2001,  regulamento pelo Decreto nº.  4.940/2003, razão pela qual entendo como acertada a decisão proferida em primeira instância.   Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício.  É como voto.  Irene Souza da Trindade Torres                Fl. 427DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     14                   Fl. 428DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES

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4414222 #
Numero do processo: 18050.001080/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2005 CONHECIMENTO DO RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso voluntário protocolado após o prazo fixado no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 2301-003.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2005 CONHECIMENTO DO RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso voluntário protocolado após o prazo fixado no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/12 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     2 Relatório  Trata­se  de  Auto  de  Infração  nº  37.212.755­0,  o  qual  exige  contribuição  previdenciária  relativa à contribuições previdenciárias  incidentes sobre a  remuneração paga a  segurados empregados e contribuintes individuais.   Segundo o Relatório Fiscal o  lançamento  refere­se exclusivamente às bases  de cálculo não oferecidas à tributação pelo contribuinte através da declaração em GFIP (Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social),  sendo  estas  apuradas  pela  fiscalização com base nas folhas de pagamento e documentação de suporte  A empresa autuada apresentou sua  impugnação alegando, em breve síntese,  os argumentos a seguir:  i) bis in idem, pois a exigência da presente autuação é a mesma da constituída  no AI nº 35.308.848­0;  ii) a fiscalização não considerou pagamentos realizados pela impugnante;  iii) excessividade dos juros cobrados  A  DRJ  de  Salvador  deu  parcial  provimento  à  impugnação  para  excluir  do  lançamento  a competência de 01/2004, em  razão do acolhimento da decadêncial quinquenal,  com fundamento no artigo 150, § 4º do CTN. Não houve recurso de ofício em razão do valor  excluído não ultrapassar o limite de alçada.  A  autuada,  devidamente  intimada  em  interpôs  recurso  voluntário  alegando  que  a  autação  fora  lavrada  fora  do  local  do  seu  estabelecimento,  além  dos  juros  serem  excessivos e padecer, a Selic, de ilegalidades.   É o relatório.    Voto             Conselheiro Adriano Gonzales Silvério  O recurso não pode ser conhecido, eis que intempestivo.  Dispõe  o  artigo  33  do  Decreto  nº  70.235/72  que  das  decisões  de  primeira  instância caberá recurso voluntário no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da  decisão recorrida.  No caso em questão o  sujeito passivo  foi  intimado da decisão  recorrida  em  19/11/2009, conforme AR de fl. 254. Assim, o trintídeo legal para interpor o recurso voluntário  iniciou­se  em  20/11/2009,  uma  sexta­feira,  conforme  determina  o  artigo  5º  do  Decreto  nº  70.235/72, encerrando­se em 19/12/2009, um sábado. Contudo, sabendo­se que não se trata de  dia útil, a data de vencimento ficou prorrogada para o dia 21/12/2009, uma segunda­feira, nos  termos do parágrafo único do citado artigo 5º.  Fl. 274DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/12 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 18050.001080/2009­37  Acórdão n.º 2301­003.013  S2­C3T1  Fl. 274          3 Ocorre que o recurso voluntário fora protocolado em 22/12/2009, terça­feira,  como se nota do carimbo de protocolo de fls. 257 e Despacho de fl. 272.  Nesse sentido destaco julgados dessa Colenda Corte Administrativa:  “ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE  SIMPLES  Ano  calendário:  2002  NORMAS  PROCESSUAIS.  INTEMPESTIVIDADE  DE  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  NÃO  CONHECIMENTO  Nos  termos  do  art.  33  do  Decreto  n°  70.235/72,  não  se  conhece,  por  intempestivo,  de  Recurso  Voluntário  protocolizado  após  o  prazo  de  30  (trinta)  dias,  a  contar da ciência da decisão proferida pela primeira  instância.  É  válida  a  ciência  da  notificação  por  via  postal  realizada  no  domicilio  fiscal  eleito  pelo  contribuinte,  confirmada  com  a  assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não  seja  o  representante  legal  do  destinatário.(Acórdão  1803­ 001.277)  “Assunto:  Simples Nacional Ano­calendário:  2010 PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  PRAZO  PARA  INTERPOSIÇÃO.  INTEMPESTIVIDADE  DO  RECURSO  ADMINISTRATIVO.  NÃO  CONHECIMENTO.  Não  se  conhece  do  Recurso  Voluntário  apresentado  após  o  transcurso  do  prazo  assinalado  no  artigo  33  do  Decreto  nº.  70.235/72 (30 dias).” (Acórdão 1301­000.861)  Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  NÃO  CONHECER  O  RECURSO  VOLUNTÁRIO, nos termos acima explicitados.    Adriano Gonzales Silvério ­ Relator                               Fl. 275DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/12 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO

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4432875 #
Numero do processo: 10380.903177/2009-32
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2000 DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE ERRO. PROCEDÊNCIA DA IRRESIGNAÇÃO. Comprovada a existência de erro no Despacho Decisório, que considerou, indevidamente, em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nele citado, como Valor Original Utilizado, o Crédito Original na Data da Transmissão, procede a irresignação da Recorrente.
Numero da decisão: 1803-001.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Cristiane Silva Costa. Ausente justificadamente a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2000 DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE ERRO. PROCEDÊNCIA DA IRRESIGNAÇÃO. Comprovada a existência de erro no Despacho Decisório, que considerou, indevidamente, em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nele citado, como Valor Original Utilizado, o Crédito Original na Data da Transmissão, procede a irresignação da Recorrente.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Cristiane Silva Costa. Ausente justificadamente a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1235; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 72          1 71  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10380.903177/2009­32  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­001.607  –  3ª Turma Especial   Sessão de  5 de dezembro de 2012  Matéria  CSLL ­ COMPENSAÇÃO  Recorrente  SANTA CLARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2000  DESPACHO  DECISÓRIO.  COMPROVAÇÃO  DA  EXISTÊNCIA  DE  ERRO. PROCEDÊNCIA DA IRRESIGNAÇÃO.  Comprovada  a  existência  de  erro  no  Despacho  Decisório,  que  considerou,  indevidamente,  em  Pedido  de  Ressarcimento  ou  Restituição/Declaração  de  Compensação  (Per/DComp)  nele  citado,  como  Valor  Original  Utilizado,  o  Crédito  Original  na  Data  da  Transmissão,  procede  a  irresignação  da  Recorrente.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 31 77 /2 00 9- 32 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10380.903177/2009­32  Acórdão n.º 1803­001.607  S1­TE03  Fl. 73          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.    (assinado digitalmente)  Selene Ferreira de Moraes ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Sérgio Rodrigues Mendes ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Selene  Ferreira  de  Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman,  Sérgio  Rodrigues  Mendes  e  Cristiane  Silva  Costa.  Ausente  justificadamente  a  Conselheira  Viviani Aparecida Bacchmi.    Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10380.903177/2009­32  Acórdão n.º 1803­001.607  S1­TE03  Fl. 74          3   Relatório  Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório  do acórdão recorrido (fls. 32­verso):  Trata­se  de  Manifestação  de  Inconformidade  interposta  contra  Despacho  Decisório nº 824963990, que homologou parcialmente a compensação declarada por  meio do PER/DCOMP nº 36363.67548.130804.1.3.04­2930.   2.  O pedido de compensação objetiva compensar débito(s)  fiscal(is) com  pagamento indevido de estimativa de CSLL, referente ao mês de dezembro de 1999  e efetuado em 31.01.2000. O Despacho Decisório considerou improcedente o crédito  informado no PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação (fl. 6):  Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na  data  de  transmissão  informado  no  PER/DCOMP:  35.616,18.  A  partir  das  características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível  para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.  3.  O  referido  decisório  está  arrimado  no  seguinte  enquadramento  legal:  arts.  165  e  170  da Lei  5.172,  de  25  de outubro  de  1966  (CTN);  art.  74  da Lei  nº  9.430, de 27 de dezembro de 1996.  4.  Cientificado da decisão em 03.04.2009 (fl. 9), o interessado apresentou  Manifestação  de  Inconformidade  em  04.05.2009  (fls.  10/14),  requerendo  a  homologação da compensação pleiteada com crédito oriundo de pagamento indevido  de  estimativa  de  CSLL,  uma  vez  que  a  parcela  utilizada  do  crédito  em  outra(s)  DCOMP(s) é inferior à registrada pelo despacho decisório, de modo que há crédito  disponível para ser compensado na DCOMP em questão, no montante inicialmente  informado.  2.  A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 32):  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO  ­  CSLL  Ano­calendário: 1999  COMPENSAÇÃO. DÉBITO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS.  Sobre  o  débito  compensado  após  seu  vencimento,  incidem  multa  e  juros  moratórios até a data de apresentação da declaração de compensação.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido.  3.  Cientificada da referida decisão em 30/01/2012 (fls. 39 ­ numeração digital ­  ND),  a  tempo,  em  27/02/2012,  apresenta  a  interessada Recurso  de  fls.  40  (ND)  a  44  (ND),  Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10380.903177/2009­32  Acórdão n.º 1803­001.607  S1­TE03  Fl. 75          4 instruído  com  os  documentos  de  fls.  45  (ND)  a  69  (ND),  nele  reiterando  os  argumentos  anteriormente expendidos.  4.  É o que importa relatar.  Em mesa para julgamento.  Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10380.903177/2009­32  Acórdão n.º 1803­001.607  S1­TE03  Fl. 76          5 Voto             Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator  Atendidos  os  pressupostos  formais  e  materiais,  tomo  conhecimento  do  Recurso.  5.  De  conformidade  com  o  Despacho  Decisório  de  fls.  6,  o  valor  total  do  Documento  de  Arrecadação  de  Receitas  Federais  (Darf),  de  R$  72.788,17,  informado  no  Pedido  de  Ressarcimento  ou  Restituição/Declaração  de  Compensação  (Per/DComp)  nº  36363.67548.130804.1.3.04­2930, transmitido em 13 de agosto de 2004, objeto deste processo,  teria sido, em parte, utilizado no Per/Dcomp retificador nº 16342.98330.160205.1.7.04­2044,  transmitido  em  16/02/2005,  tendo  sido,  neste  último,  utilizado  o  valor  original  de  R$  48.368,38:    6.  Sucede,  porém,  que,  de  conformidade  com  a  cópia  da  Per/Dcomp  anexada  pela Recorrente, esse Valor Original Utilizado corresponderia a R$ 12.752,20 (fls. 20), sendo  a quantia de R$ 48.368,38 equivalente ao Crédito Original na Data da Transmissão:  Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10380.903177/2009­32  Acórdão n.º 1803­001.607  S1­TE03  Fl. 77          6   7.  Ainda  que  se  pudesse,  por  hipótese,  entender  que  o  Crédito  Original  Utilizado no Per/Dcomp retificador nº 16342.98330.160205.1.7.04­2044 teria sido insuficiente  para a compensação nele pleiteada, eventuais diferenças deveriam ser objeto de cobrança em  despacho decisório a ele referente, não repercutindo neste.   8.  Dessa forma, comprovado o erro do Despacho Decisório de fls. 6,  tem­se o  seguinte demonstrativo [(*) Crédito Original Utilizado nesta DComp]:  PER/DCOMP  SALDO ORIGINAL  Valor Original do Crédito Inicial  72.788,17  Db:cód 2484 PA 31/08/2002  24.419,79  Saldo do Crédito Original  48.368,38  PD: 16342.98330.160205.1.7.04­2044  12.752,20  Saldo do Crédito Original  35.616,18  PD: 36363.67548.130804.1.3.04­2930  35.616,18 (*)  Saldo do Crédito Original  0,00  Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10380.903177/2009­32  Acórdão n.º 1803­001.607  S1­TE03  Fl. 78          7 Conclusão  Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto  no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Sérgio Rodrigues Mendes                              Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES

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Numero do processo: 18471.000984/2008-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO - Não há que se falar em nulidade do auto de infração, quando este foi lavrado por autoridade competente, com observância de todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. GLOSA DE DESPESAS. FALTA DE EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS. CABIMENTO. É cabível a glosa de despesas relativas a serviços cuja efetividade não foi comprovada. BENS DO ATIVO PERMANENTE. GASTOS COM FABRICAÇÃO SOB ENCOMENDA. Devem ser ativados quaisquer gastos diretamente atribuíveis para colocar um ativo no local e em condição necessária para seu funcionamento.
Numero da decisão: 1803-001.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO - Não há que se falar em nulidade do auto de infração, quando este foi lavrado por autoridade competente, com observância de todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. GLOSA DE DESPESAS. FALTA DE EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS. CABIMENTO. É cabível a glosa de despesas relativas a serviços cuja efetividade não foi comprovada. BENS DO ATIVO PERMANENTE. GASTOS COM FABRICAÇÃO SOB ENCOMENDA. Devem ser ativados quaisquer gastos diretamente atribuíveis para colocar um ativo no local e em condição necessária para seu funcionamento.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1877; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 2          1 1  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  18471.000984/2008­11  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­001.493  –  3ª Turma Especial   Sessão de  12 de setembro de 2012  Matéria  IRPJ  Recorrente  ORLA RIO ASSOCIADOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005  NULIDADE DO LANÇAMENTO ­ Não há que se falar em nulidade do auto  de  infração,  quando  este  foi  lavrado  por  autoridade  competente,  com  observância  de  todos  os  requisitos  previstos  no  art.  10  do  Decreto  nº  70.235/1972.  Atendidos  todos  os  requisitos  formais,  somente  ensejam  nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e  decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito  de  ampla  defesa,  hipóteses  essas  que  se  encontram  ausentes  nos  presentes  autos.  GLOSA  DE  DESPESAS.  FALTA  DE  EFETIVIDADE  DOS  SERVIÇOS  PRESTADOS. CABIMENTO.  É  cabível  a  glosa  de  despesas  relativas  a  serviços  cuja  efetividade  não  foi  comprovada.  BENS DO ATIVO PERMANENTE. GASTOS COM FABRICAÇÃO SOB  ENCOMENDA.  Devem ser ativados quaisquer gastos diretamente atribuíveis para colocar um  ativo no local e em condição necessária para seu funcionamento.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.       (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 09 84 /2 00 8- 11 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES     2 Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora.         Participaram da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Victor Humberto  da  Silva  Maizman,  Viviani  Aparecida  Bacchmi,  Sérgio  Rodrigues  Mendes,  Meigan  Sack  Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo  Maresch.    Relatório  Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão  julgador de primeira instância até aquela fase:  “Tratam  os  presentes  autos  de  exigências  de  ofício do  imposto  de renda de pessoa  jurídica, R$ 79.938,49,  fls. 129 e da CSLL,  R$  7.932,15,  atinentes  ao  ano  calendário  de2005,  fundamentadas em:  1.­ glosa de custos/despesas não comprovadas;  2.­ não ativação de gastos amortizáveis;  3.­  glosa  de  provisão  não  dedutível  para  perda  de  crédito,  R$  28.135,02;  4.­ insuficiência de recolhimento de valores declarados do iprj:  primeiro trimestre/05: R$ 50.481,16 e segundo trimestre/05: R$  7.423,58;.  2.­  Quanto  à  CSLL,  sua  exigibilidade  foi  fundamentada  nos  valores correspondentes aos incisos 01 e 03 .  3.­  A  glosa  de  custos/despesas  incomprovadas  corresponde  a  pagamento à empresa B/Brasil Consultoria Ltda., (R$180.000,00  e R$ 471.018,43,, NFs n° 14 e 15, fls. 52/53), conforme contrato  de  fls.  54/62,  de  10/05/2005,  dada,  a  entendimento  da  fiscalização,  a  anterioridade  do  contrato  firmado  pela  fiscalizada com a Nestlé, em fls. 103/121; outrossim, os valores  pagos  não  teriam  qualquer  vinculação  com  as  clásulas  percentuais de comissionamento pactuadas.  3.1.­ Quanto ao contrato firmado com Aproveitamento Ltda, fls.  65/70,  há,  inclusive,  inconsistênica  contábil  com  as  NFs  209/212,  fls.  77/80,  além  das  antecipações  de  pagamentos,  fls.  71/73.  3.2.­  Finalmente,  sem  indicação  de  motivação  ou  justificativa,  foram glosados, R$ 70.000,00 no 4 o trimestre de 2005.  Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.000984/2008­11  Acórdão n.º 1803­001.493  S1­TE03  Fl. 3          3 4.­ No que concerne à ativação de valores para amortização, tais  valores de referem:  4.1.­  à  NF  n°  130491,  R$  44.948,45,  emitida  pela  Udinese  Metais, fls. 82; valor que deveria ser lançado com aquisição de  ativo  permanente;  não,  Propaganda  e  Publicidade,  a  entendimento da fiscalização;  4.2.­  R$  200.551,67  pagos  à  SEA  OIL  CONSULTORIA  EMPRESARIAL LTDA,  deveria  ser  lançado  como aquisição  de  ativo permanente; não, pagamento de serviços profissionais, fls.  132;  4.3.­ encargos financeiros pagos em contrato de mútuo UM 115,  os quais, a entendimento da fiscalização, devem ser ativados em  valor  proporcional,  R$  129.597.46^aos  desembolsos  de  mútuo  no projeto, por contribuírem para a  formação de resultados de  mais de um período.  5.­ Ciente das exigências em 01/04/09, fls.130, o sujeito passivo  acosta aos autos a impugnação de fls. 161/167, protocolada em  04/05/09, através da qual alega, em síntese:  5.1.­ quanto ao contrato com a B/Brasil, além de não atentar às  disposições do art.722 do Código Civil e do Código Comercial, a  fiscalização olvidou que a despesa de intermediação decorreu da  concretização do negócio com a Nestlé; o documento de fls. 216  comprova da intermediação da comissionada no contrato com a  Nestlé;  5.2.­  quanto  ao  contato  com  a  empresa  Aproveitamento,  os  valores pagos  se  referem a antecipações de  comissões devidas,  sujeitas  à  compensação  após  o  primeiro  ano  de  contrato,  consoante acordo verbal com a contratada.  5.3.­  No  que  se  relaciona  às  provisões  não  dedutíveis  houve  equívoco da fiscalização, dada sua adição ao lucro líquido para  efeitos  de  apuração  do  lucro  real,  conforme  documento  de  fls.181.  6.­ Em nova  impugnação, protocolada na mesma data,  fls. 190,  além das alegações antes mencionadas, acrescenta:  6.1.­  relativamente  ao  contrato  com  a  SEA  OIL  Consultoria  Ltda., trata­se de serviços prestados que não podem ser ativados,  dada  a  exigência  de  ativação  somente  de  bens  do  ativo  permanente;  6.2.­  os  bens  adquiridos  da  UDINESE  se  relacionam  a  guardasóis  e  lonas  para  guardasóis,  cuja  vida  útil  não  ultrapassa um ano, eis que expostos na orla marítima, sujeito à  maresia.  6.3.­ Ainda que os serviços tivessem por finalidade a melhoria de  bens do ativo permanente, caberia ao fisco a prova do acréscimo  da  vida  útil  desses  bens,  consoante  jurisprudência  administrativa, reportada às fls. 197/198;  Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES     4 6.4.­ quanto aos  encargos de mútuo,  representaram despesa de  financiamento  de  projeto,  para  cumprimento  de  Termo  de  Concessão  firmado  com  a  Prefeitura  Municipal  do  Rio  de  Janeiro.  Trata­se  de  despesa  dedutível,  independentemente  do  valor mutuado vincular­se ou não à aquisição de bens de capital,  conforme  Parecer  Normativo  CST  n°  127/73  6.5.­  quanto  às  insuficiências  de  recolhimento  do  irpj  não  foi  embasada  por  documentação que justificasse tal conclusão.”    A Delegacia  de  Julgamento  considerou  o  lançamento  procedente  em  parte,  em decisão assim ementada:  “GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS.  Na  glosa  de  custos/despesas  não  pode  ser  olvidada  a  factualidade e efetividade dos eventos que as geraram.  GASTOS ATIVÁVEIS. AQUISIÇÃO DE BENS.  A  ativação  de  aquisições  de  ativo  permanente  de  vida  útil  superior a um ano não se relacionam a ano calendário; sim, a  ano  corrido,  competindo  ao  fisco  a  prova  de  vida  útil  superior  em função da natureza e da destinação do bem.  GASTOS ATIVÁVEIS. ENCARGOS DE FINANCIAMENTO.  Legalmente  inadmissível  a  exigência  de  ativação  proporcional  de encargos de empréstimo, vinculado, ou não, este à aquisição  de bens do ativo permanente.  PROVISÕES  NÃO  DEDUTÍVEIS  Injustificável  a  exigência  de  tributo sobre provisões não dedutíveis quando o contribuinte, em  sua  DIPJ,  tempestivamente  apresentada,  as  adiciona  ao  lucro  líquido para efeitos fiscais.  INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO  Quando  a  DIPJ  é  tomada  como  base  à  apuração  de  eventual  insuficiência  de  recolhimento de tributo, tal insuficiência diz respeito ao imposto  a pagar; não, ao tributo devido antes das compensações legais.”  Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário (duas  petições protocoladas em 07/06/2011 – fls. 274/289), em que tece as seguintes considerações:  a)  Deve  ser  excluída  também  a  glosa  referente  às  despesas  referentes  à  contratação  da  empresa Aproveitamento Ltda.  b)  O acórdão manteve a glosa das despesas incorridas apenas sob o fundamento de que os  pagamentos  efetuados  não  poderiam  ter  sido  deduzidos  como  despesas  correntes  no  mês de março, eis que relacionadas às notas fiscais 209/212 emitidas seqüencialmente  entre 13/03/2005 e 13/06/2005.  c)  Em  que  pese  os  pagamentos  tenham  sido  realizados  no mês  de março  de  2005  e  as  respectivas NF’s 209/212 expedidas no período de março a junho de 2005, a autuação é  insubsistente por duas grandes razões: as despesas eram dedutíveis e ocorreram no ano  de 2005.  Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.000984/2008­11  Acórdão n.º 1803­001.493  S1­TE03  Fl. 4          5 d)  Ainda  que  a  apropriação  da  despesa  também  tenha  se  dado  naquele mês,  não  houve  prejuízo  ao  Erário,  na  medida  em  que  tais  despesas  eram  passíveis  de  dedução  e  efetivamente ocorreram naquele mesmo ano, mas, apenas 3 meses depois.  e)  No  máximo,  o  equívoco  da  recorrente  poderia  ser  punido  com  multa  fixa  pelo  descumprimento de obrigação acessória em função da apropriação extemporânea.  f)  A empresa Sea Oil Consultoria Ltda. prestou serviços de consultoria para a recorrente,  os quais não podem ser ativados.  g)  Ainda  que  tais  serviços  tivessem  como  finalidade  a  melhoria  de  bens  do  ativo  permanente, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, caberia ao Fisco comprovar  a duração desses bens.  h)  O auto de  infração sequer  indicou o documento que embasou a sua conclusão de que  não houve pagamento do IRPJ pela recorrente.  i)  O  auto  de  infração  não  contém  dois  dos  seus  elementos  obrigatórios,  quais  sejam,  a  descrição dos fatos e a indicação do dispositivo legal infringido, violando o art. 10 do  Decreto n° 70.235/1972. Por isso é nulo.    É o relatório.  Voto             Conselheira Selene Ferreira de Moraes  A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em  09/05/2011 (AR de fls. 253). O recurso foi protocolado em 07/06/2011,  logo, é  tempestivo e  deve ser conhecido.  Primeiramente  cumpre  identificarmos  quais  as  exigências  mantidas  pela  Delegacia de Julgamento:  · Insuficiência  de  recolhimento  relativa  ao  1°  trimestre  de  2005,  no  valor  de  R$  50.481,16.  · Insuficiência de recolhimento relativa ao 2° trimestre de 2005, no valor de R$ 958,02.  · Glosa  de  pagamentos  efetuados  à  empresa  Aproveitamento  Ltda.,  no  valor  de  R$  60.000,00.  · Ativação de gastos realizados com a empresa Sea Oil,no valor de R$ 200.551,67.    I. Insuficiência de recolhimento  Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES     6 Neste tópico argúi a recorrente, a nulidade do auto de infração em virtude da  falta de descrição dos fatos e da indicação do dispositivo legal infringido.  No  campo  Descrição  dos  Fatos  e  enquadramento  (s)  legal  (is)  consta  o  seguinte (fls. 133):  004  ­  FALTA  DE  RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO  DO  IMPOSTO  DE  RENDA.  INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO.  Insuficiência  de  recolhimento  ou  de  declaração  do  imposto  de  renda  devido,  apurado  pelo  confronto  dos  dados  escriturados  com os declarados e recolhimentos efetuados, conforme doc. de  fls 20.  Enquadramento legal  Art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/99.  Os dispositivos legais mencionados no auto de infração possuem o seguinte  teor:  “Art. 841. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito  passivo (Decreto­Lei nº 5.844, de 1943, art. 77, Lei nº 2.862, de  1956,  art.  28,  Lei  nº  5.172,  de 1966,  art.  149,  Lei  nº  8.541,  de  1992,  art.  40,  Lei  nº  9.249,  de  1995,  art.  24,  Lei  nº  9.317,  de  1996, art. 18, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 42):   I ­ não apresentar declaração de rendimentos;   II ­ deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for  dirigido,  recusar­se  a  prestá­los  ou  não  os  prestar  satisfatoriamente;   III  ­  fizer  declaração  inexata,  considerando­se  como  tal  a  que  contiver  ou  omitir,  inclusive  em  relação  a  incentivos  fiscais,  qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou  restituição indevida;   IV  ­  não  efetuar  ou  efetuar  com  inexatidão  o  pagamento  ou  recolhimento do imposto devido, inclusive na fonte;”  O documento de fls. 20 é a Ficha 12A relativa ao 1° e 2° trimestres de 2005,  em que constam os saldos a pagar de R$ 50.481,16 e R$ 958,02, respectivamente.  Tais saldos correspondem exatamente aos valores exigidos, o que demonstra  claramente que a infração foi a falta de recolhimento dos valores declarados.  O  art.  10  do  Decreto  nº  70.235/1972,  enumera  quais  os  elementos  indispensáveis que um auto de infração deve conter, cuja inobservância pode acarretar nulidade  do ato por vício formal:  “Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.000984/2008­11  Acórdão n.º 1803­001.493  S1­TE03  Fl. 5          7 III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V  ­  a determinação da exigência  e a  intimação para cumpri­la  ou impugná­la no prazo de 30 (trinta) dias;  VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função e o número de matrícula.”  No presente caso, constatamos que o auto de infração lavrado contém todos  os elementos obrigatórios, não se vislumbrando qualquer nulidade na peça acusatória.  Por conseguinte, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, mantendo­se a  exigência  por  não  ter  a  recorrente  comprovado  que  efetuou  o  recolhimento  dos  valores  declarados na DIPJ/2006.  II. Serviços prestados por Aproveitando Ltda.  A  decisão  recorrida  manteve  a  glosa  da  despesa  com  base  nos  seguintes  fundamentos:  “11.­ Quanto  à  glosa  de R$ 60.000,00,  pagamentos  efetuado à  Aproveitamento.Com.Ltda., Ns. 0209/0212, fls. 77/80, equivoca­ se o sujeito passivo, porquanto:  11.1.­  se  referidas  NFs  foram  emitidas  em  sequência,  entre  15/03/05  e  13/06/05,  seus  pagamentos  foram  concentrados  em  março/05, fls. 71/73;  11.2.­  se,  por  acordo  verbal,  houve  pagamento  de  comissão  mínima sujeita à compensação após o primeiro ano de contrato,  fls. 195, tal assertiva implica em reconhecimento de antecipação  de  valores  devidos  a  futuro.  Não,  contraprestação  de  serviços  presentes. Daí, correta a glosa, como despesa presente, de mera  antecipação de R$ 60.000,00.”  A recorrente afirma que as despesas eram dedutíveis e ocorreram no ano de  2005.  Em  resposta  datada  de  10/12/2008  (fls.  78  –  numeração  digital),  a  contribuinte  informou  à  fiscalização  que  estava  realizando  o  levantamento  dos  contratos  de  publicidade intermediados pela empresa Aproveitando que deram origem às comissões pagas  em 2005, tendo solicitado prazo suplementar para apresentar os esclarecimentos solicitados.  As  notas  fiscais  apresentadas  (fls.  79/82  –  numeração  digital)  contém  descrição genérica no campo “discriminação dos serviços”: serviços prestados.  Não  constam  dos  autos  os  contratos  de  publicidade  que  deram  origem  às  comissões pagas em 2005.  Diante  da  falta  de  apresentação  da  documentação  que  deu  suporte  aos  lançamentos,  a  fiscalização  glosou  as  despesas,  tendo  inclusive  salientado  a  ocorrência  de  inconsistência contábil, qual seja, a antecipação do lançamento.  Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES     8 A questão da antecipação do lançamento não foi o principal motivo da glosa,  sendo apenas um indício a mais a fundamentar a glosa.  O ponto principal foi a falta de comprovação da efetividade dos serviços. E  neste ponto, a autuação é procedente, uma vez que a descrição dos serviços nas notas fiscais é  totalmente genérica, e não foram apresentados os contratos de publicidade intermediados pela  empresa Aproveitamento.  A  jurisprudência  deste  Conselho  é  mansa  e  pacífica  no  sentido  de  que  os  documentos devem expressar com detalhes os serviços efetivamente contratados:  “GLOSA  DE  DESPESAS  —  SERVIÇOS  DE  ASSESSORIA  E  CONSULTORIA  ­  DEDUTIBILIDADE.  Para  ser  dedutível  a  despesa com serviços de assessoria e consultoria é fundamental  que  os  documentos  expressem  com  detalhes  os  serviços  efetivamente  contratados.(Acórdão  n°  107­09138,  sessão  em  12/09/2007).  GLOSA  DE  DESPESAS  ­  ÔNUS  DA  PROVA  —  DESPESAS  OPERACIONAIS  ­  Cabe  ao  sujeito  passivo  da  obrigação  de  comprovar,  quando  instado,  a  efetividade  dos  serviços  prestados.A  falta  da  comprovação  resulta  na  glosa  da  despesa  realizada.(Acórdão n° 103­23584, sessão em 19/09/2008).  GLOSA  DE  DESPESAS  INCOMPROVADAS  —  Cabe  ao  contribuinte  reunir elementos que comprovem a efetividade dos  serviços prestados por  terceiros, contabilizados como despesas.  Notas  fiscais genéricas,  sem  individualização dos  serviços,  não  atendem aos critérios cumulativos de necessidade, razoabilidade  e efetividade de tais serviços, conforme preceitua o Regulamento  do  Imposto  de  Renda.(Acórdão  n°  108­07222,  sessão  em  5/12/2002).”  Por conseguinte, deve ser mantida a exigência.  III. Pagamentos efetuados à Sea Oil Consultoria Ltda.  A  decisão  recorrida  manteve  a  glosa  destes  pagamentos  com  base  nos  seguintes argumentos:  “13.­ No  que  se  refere  aos  pagamentos  à SEA Oil Consultoria  Ltda.,  improcede  a  alegação  impugnatória.  Porquanto,  o  contrato de  fls. 84/85 expressamente se refere à  fabricação sob  encomenda  (cláusula única) de 02 unidades de deks completos,  em peças laminadas de vibra de vidro, com repasse dos custos de  17  formas  construtivas. Portanto,  não  se  trata  de  prestação  de  serviços  profissionais.  Sim,  de  aquisições  de  ativo  permanente  para a concretização do projeto Orla.”  Em sua defesa a recorrente insiste na tese de que os gastos com serviços não  podem ser ativados, e que a empresa prestou serviços de consultoria, “como o próprio nome já  informa”  Em primeiro lugar, como muito bem ressaltou a decisão recorrida, o contrato  celebrado  com  a  Sea  Oil  Consultoria  tem  por  objeto  a  fabricação  sob  encomenda  de  duas  unidades de decks completos.  Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.000984/2008­11  Acórdão n.º 1803­001.493  S1­TE03  Fl. 6          9 Vejamos o que dizem as normas contábeis.  A NBC TG 27 assim dispõe sobre os elementos do custo de um item do ativo  imobilizado:  “Elementos do custo   16. O custo de um item do ativo imobilizado compreende:  ­  seu  preço  de  aquisição,  acrescido  de  impostos  de  importação  e  impostos  não  recuperáveis  sobre  a  compra,  depois  de  deduzidos  os  descontos  comerciais  e  abatimentos;  ­  quaisquer  custos  diretamente  atribuíveis  para  colocar  o  ativo  no  local  e  condição  necessárias  para  o  mesmo  ser  capaz  de  funcionar  da  forma  pretendida  pela  administração;  ­ a estimativa inicial dos custos de desmontagem e remoção  do  item e de restauração do  local  (sítio) no qual este está  localizado. Tais custos representam a obrigação em que a  entidade  incorre  quando  o  item  é  adquirido  ou  como  consequência de usá­lo durante determinado período para  finalidades diferentes da produção de estoque durante esse  período.  17. Exemplos de custos diretamente atribuíveis são:  ­ custos de benefícios aos empregados (tal como definidos  na  NBC  TG  33  –  Benefícios  a  Empregados)  decorrentes  diretamente  da  construção  ou  aquisição  de  item  do  ativo  imobilizado;  ­ custos de preparação do local;  ­  custos  de  frete  e  de  manuseio  (para  recebimento  e  instalação);  ­ custos de instalação e montagem;  ­  custos  com  testes  para  verificar  se  o  ativo  está  funcionando  corretamente,  após  dedução  das  receitas  líquidas provenientes da venda de qualquer item produzido  enquanto  se  coloca  o  ativo  nesse  local  e  condição  (tais  como amostras produzidas quando se testa o equipamento);  e honorários profissionais.  A simples leitura da norma acima transcrita faz cair por terra as alegações da  recorrente,  uma  vez  que  quaisquer  gastos  diretamente  atribuíveis  para  colocar  um  ativo  no  local e condição necessárias para seu funcionamento deve integrar o seu custo.  Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES     10 Não há dúvidas sobre a natureza de ativo permanente dos “decks” fabricados  por encomenda, sendo que os pagamentos efetuados para sua construção  jamais poderiam ter  sido deduzidos integralmente como despesa operacional.  Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso.      (assinado digitalmente)  Selene Ferreira de Moraes                                 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES

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Numero do processo: 10880.007361/2002-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 10/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO, EM PARTE. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO PROPORCIONAL. A exoneração de parte do crédito tributário implica exclusão da multa de ofício na mesma proporção. Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3301-001.676
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos pela Derat em São Paulo, conferindo-lhes efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, para esclarecer que a multa de ofício deve ser exigida apenas e tão somente sobre a parte do crédito tributário, mantida nesta fase recursal. (ASSINADO DIGITALMENTE) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso,  Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.  Relatório  Trata­se  de  Embargos  de  Declaração  opostos  pela  Delegacia  da  Receita  Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (Derat), contra o Acórdão nº 201­ 81.526, proferido na sessão de 05 de novembro de 2008.  Alega  a  Embargante,  em  apertada  síntese,  que  teria  havido  obscuridade/  omissão do  acórdão  recorrido pelo  fato de não  ter explicitado  se o percentual da penalidade  aplicada deve ser mantido sobre o valor total que deixou de ser lançado nas respectivas notas  fiscais de  saídas, nos  termos da decisão da DRJ São Paulo, ou sobre o  saldo devedor do  IPI  mantido nesta fase recursal.  Em  face  da  razão  apresentada,  requereu  fossem  acolhidos  e  providos  os  embargos  de  declaração  opostos,  para  que  este Colegiado  se manifeste  sobre  a  obscuridade/  omissão  suscitada,  a  fim  de  possibilitar  a  correta  execução  e  cumprimento  do  decidido  pela  Primeira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes.  É o relatório.    Voto             Conselheiro José Adão Vitorino de Morais  Os  embargos  de  declaração  interpostos  atendem  aos  requisitos  de  admissibilidade. Assim, deles conheço.  Realmente,  no  acórdão  embargado,  a  Primeira  Câmara  do  antigo  Segundo  Conselho  de  Contribuintes  não  se  manifestou  sobre  a  multa  de  ofício  que  foi  suscitada  de  forma tácita pela recorrente em seu recurso voluntário.  A DRJ São Paulo exonerou parte do crédito tributário, mas manteve a multa  de ofício sobre a parte exonerada. Em relação a esta assim se manifestou:  “Outrossim,  embora  a  impugnação  não  questione  especificamente  a  penalidade aplicada, deve ser ressaltado que a infração foi perfeitamente tipificada  como ausência de  lançamento do  imposto na documentação fiscal, o que significa  aplicar  o  percentual  da  penalidade  no  valor  que  deixou  de  ser  lançado,  nas  respectivas notas fiscais, e não sobre o saldo devedor o IPI.”  No recurso voluntário, a recorrente discordou dessa alegação da DRJ, sob o  argumento de que  a multa de ofício deve seguir o principal,  ou  seja,  se exonerado o  crédito  tributário, no todo e/ ou em parte, a multa deve ser exonerada na mesma proporção.  Do  exame  do  auto  de  infração,  verificamos  que  a  penalidade  lançada  e  exigida foi a multa de ofício, no percentual de 75,0%, prevista no art. 45 da Lei nº 9.430, de  27/12/1996, vigente na data da constituição do crédito tributário.  Fl. 2184DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.007361/2002­42  Acórdão n.º 3301­001.676  S3­C3T1  Fl. 2.150          3 Embora  a  legislação  do  IPI,  RIPI/1998,  art.  461,  previsse  também  o  lançamento de multa isolada sobre o imposto que deixou de ser destacado nas respectivas notas  fiscais, o autuante lançou, de forma correta, apenas a multa de ofício, tendo em vista que não se  podem aplicar duas penalidades pela mesma infração.  A  penalidade  lançada  e  exigida  teve  como  fundamento  o  art.  45  da  Lei  nº  9.430, de 27/12/1996, vigente na data da constituição do crédito tributário, que assim dispunha:  “Art. 45. O art. 80 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964,  com  as  alterações  posteriores,  passa  a  vigorar  com  a  seguinte  redação: (Revogado pela Lei nº 11.488, de 2007).  ‘Art.  80.  A  falta  de  lançamento  do  valor,  total  ou  parcial,  do  imposto  sobre  produtos  industrializados  na  respectiva  nota  fiscal,  a  falta  de  recolhimento  do  imposto  lançado  ou  o  recolhimento  após  vencido  o  prazo,  sem  o  acréscimo  de multa  moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício:  I ­ setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de  ser  lançado  ou  recolhido  ou  que  houver  sido  recolhido  após  o  vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória;  (...).”  Ora, segundo este dispositivo legal, a multa de ofício incide sobre o imposto  ou sobre a parcela que deixou de ser recolhida e/ ou paga no vencimento.  Portanto, se exonerado parte do crédito tributário, a multa de ofício incidente  sobre a parte exonerada também deverá ser cancelada.  Em face do exposto, acolho os embargos de declaração interpostos pela Derat  em São Paulo para rerratificar o acórdão embargado, conferindo­lhes efeitos infringentes, para  exigir a multa de ofício apenas e tão somente sobre o saldo devedor do IPI mantido.  (ASSINADO DIGITALMENTE)  José Adão Vitorino de Morais ­ Relator                                  Fl. 2185DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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4487423 #
Numero do processo: 13971.900218/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3102-000.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Leonardo Mussi da Silva, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1453; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T2  Fl. 206          1 205  S3­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.900218/2010­19  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3102­000.236  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  29 de novembro de 2012  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  LULI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  recurso em diligência, nos termos do voto do relator.    Luis Marcelo Guerra de Castro ­ Presidente.     Winderley Morais Pereira ­ Relator.    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de  Castro,  Ricardo  Paulo  Rosa,  Leonardo  Mussi  da  Silva,  Winderley  Morais  Pereira,  Álvaro  Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.      Relatório     Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de Imposto de  Produtos Industrializado – IPI, previsto no art. 11 da Lei nº 9.779/99.      RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .9 00 21 8/ 20 10 -1 9 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/02/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13971.900218/2010­19  Resolução nº  3102­000.236  S3­C1T2  Fl. 207            2 O  pedido  foi  objeto  de  auditoria  eletrônica  com  deferimento  parcial,  sendo  glosando os créditos referentes a aquisições de empresas optantes do SIMPLES.  Inconformada,  a  empresa  impugnou  a  decisão,  alegando  que  a  legislação  permite a apuração de créditos referentes as aquisições de matéria­prima, produto intermediário  e material de embalagem e não exclui deste rol as aquisições realizadas de empresas optantes  do SIMPLES. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento manteve o despacho  decisório. A decisão da DRJ foi assim ementada:  “ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­  IPI   Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007   PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE  CRÉDITOS.  NOTAS  FISCAIS  EMITIDAS  POR  EMPRESAS  OPTANTES PELO SIMPLES.  São  insuscetíveis  de  aproveitamento  na  escrita  fiscal  os  créditos  concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos  intermediários  e  materiais  de  embalagem  emitidas  por  empresas  optantes pelo SIMPLES, nos termos de vedação legal expressa.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido”    Cientificada da decisão, a empresa interpôs recurso, alegando que as aquisições  glosadas foram realizadas de empresas não optantes do Simples e  todas com destaque do  IPI  nas Notas Fiscais, trazendo aos autos cópias de Notas Fiscais.  Ao analisar o Recurso, a Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara, resolveu  determinar  a  baixa  dos  autos  em  diligência  para  que  a  Unidade  Preparadora  verificasse  a  existência do suposto erro no preenchimento do pedido de compensação e se a Recorrente faria  jus ao crédito de IPI, referente ao tributo destacado nas Notas Fiscais às fls. 69 a 85. A partir  dos  fatos  apurados  e  caso  fosse  identificado  alguma  divergência  em  relação  ao  despacho  decisório deveria ser realizado nova apuração do crédito de IPI, a luz das informações obtidas.  Em  atendimento  a  diligência,  a  Unidade  Preparadora  intimou  a  Recorrente  a  apresentar  os  documentos  comprobatórios  do  erro  no  preenchimento  do  PER/DCOMP.  A  Recorrente,  em  atendimento  a  intimação,  apresentou  Planilhas  demonstrando  a  relação  de  CNPJ  preenchidos  erroneamente  no  PER/DCOMP,  os  CNPJ  corretos  e  as  notas  fiscais  relacionadas, despacho decisório que indeferiu o pedido de crédito, a PER/DCOMP em questão  e Notas Fiscais relativas às operações em que houve equívoco.  Após a resposta da Recorrente, foi lavrado termo de informação fiscal, em que a  Autoridade  Fiscal,  informa  sobre  a  apresentação  dos  documentos  e  conclui  por  não  se  manifestar quanto aos documentos apresentados, por entender que cabe somente ao  julgador,  manifestação quanto à comprovação ou não do suposto erro. Do  termo de  informação  fiscal,  extraio o trecho abaixo, que descreve a posição da Unidade Preparadora.   Fl. 207DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/02/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13971.900218/2010­19  Resolução nº  3102­000.236  S3­C1T2  Fl. 208            3 "  Nesse  compasso,  buscando  a  verdade  material,  oportunizou­se  à  recorrente  a  produção  de  qualquer  prova  capaz  de  comprovar  o  suposto erro cometido no preenchimento do Pedido de Ressarcimento.  Tendo  em  vista  as  provas  suso  apresentadas,  não  cabe  ao  órgão  preparador manifestação  no  sentido  de  serem  tais  provas  suficientes  para  o  deslinde  da  questão,  tampouco  colmatar  eventual  lacuna,  cabendo tão somente ao julgador manifestação quanto à comprovação  ou não do suposto erro."    Dada  por  concluída  a  diligência,  retornaram  os  autos  a  este  Conselho  para  prosseguimento do julgamento.    É o Relatório.    Voto     Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.    A teor do relatado, a discussão trata de matéria de fato, qual seja, a comprovação  ou  não  da  opção  pelo  SIMPLES  das  empresas  que  tiveram  as  suas  operações  glosadas  na  apuração do credito de IPI.  Analisando  os  autos,  verifica­se  que  as  Notas  Fiscais,  apresentadas  pela  Recorrente, possuem a mesma data, o valor total e o IPI destacado, constante do relatório à fl.  46. Divergindo somente no número do CNPJ, o que leva a crer na possibilidade de um erro de  digitação,  quando  do  pedido  de  ressarcimento,  sendo  informado  um  CNPJ  diverso  daquele  constante da Nota Fiscal.   A decisão da turma julgadora, em baixar os autos em diligência, ocorreu com o  objetivo  de  confirmar  os  erros  alegados  pela  Recorrente  no  preenchimento  do  pedido  de  ressarcimento/compensação.  Entendo  que  a  diligência  não  atendeu  de  forma  satisfatória  os  objetivos  pretendidos. Assim,  voto  no  sentido  de  baixar novamente  os  autos  em diligência  para que  a  Unidade Preparadora, realize os seguinte procedimentos:  a) Verifique se as Notas Fiscais  informadas pela Recorrente estão  escrituradas  nos Livros Fiscais, nos períodos correspondentes;  b)  Verificar  se  as  empresas  informadas  nas  Notas  Fiscais  seriam  optantes  do  Simples;  Fl. 208DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/02/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13971.900218/2010­19  Resolução nº  3102­000.236  S3­C1T2  Fl. 209            4 c) Se as Notas Fiscais estiverem corretamente escrituradas, e os seus emitentes  não  forem empresas optantes do Simples,  refazer os  cálculos do  crédito a que  teria direito  a  Recorrente,  considerando  estas  Notas  Fiscais  em  substituição  àquelas  informadas  erroneamente;  d)  Lavrar  Relatório  Fiscal  detalhando  os  procedimentos  adotados  e  as  conclusões obtidas, dando ciência à Recorrente, para em querendo, manifestar­se no prazo de  30 (trinta) dias.  Ao final dos trabalhos o processo deverá ser devolvidos a este Conselho para a  retomada do julgamento.      Winderley Morais Pereira    Fl. 209DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/02/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA

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4368277 #
Numero do processo: 10425.901388/2009-77
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A justificativa apresentada pela Contribuinte para o surgimento dos alegados créditos é desprovida de fundamento. Nas declarações retificadoras, a Contribuinte passou a apurar o próprio imposto (e não o saldo a pagar) com valores muito menores do que os declarados inicialmente, e isto não pode ser justificado por retenções anteriormente não computadas. Excluída essa justificativa, a Contribuinte não trouxe nenhuma outra, e nem qualquer elemento de prova que pudesse evidenciar outro tipo de erro nos valores inicialmente declarados e pagos, para dar guarida ao alegado direito creditório. Mantida a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1802-001.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A justificativa apresentada pela Contribuinte para o surgimento dos alegados créditos é desprovida de fundamento. Nas declarações retificadoras, a Contribuinte passou a apurar o próprio imposto (e não o saldo a pagar) com valores muito menores do que os declarados inicialmente, e isto não pode ser justificado por retenções anteriormente não computadas. Excluída essa justificativa, a Contribuinte não trouxe nenhuma outra, e nem qualquer elemento de prova que pudesse evidenciar outro tipo de erro nos valores inicialmente declarados e pagos, para dar guarida ao alegado direito creditório. Mantida a não homologação da compensação.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901388/2009­77  Acórdão n.º 1802­001.431  S1­TE02  Fl. 3          2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira  Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.   Fl. 71DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901388/2009­77  Acórdão n.º 1802­001.431  S1­TE02  Fl. 4          3   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  contra  decisão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de Julgamento em Recife/PE, que manteve a negativa de homologação em relação à  Declaração de Compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos  termos que  já havia  decidido anteriormente a Delegacia de origem.  Os  fatos  que  deram  origem  ao  presente  processo  estão  assim  descritos  no  relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 11­34.693, às fls. 27 a 29:   A  interessada  acima  qualificada  apresentou  Declaração  de  Compensação  —  DCOMP  de  fls.  01/05,  por  meio  da  qual  compensou  crédito  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  —  IRPJ com débitos de sua responsabilidade. O crédito informado,  no  valor  de  R$  12.594,85,  seria  decorrente  de  pagamento  indevido ou a maior do imposto apurado no 2° trimestre do ano­ calendário 2001.  2.  Através  do  despacho  de  fl.  07,  emitido  eletronicamente,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  ­  DRF  em  Campina  Grande  identificou  integral  utilização  anterior  do  pagamento  para  quitação  de  débito  do  IRPJ,  em  face  do  que  não  homologou a  compensação declarada.  3.  A  interessada  apresentou  manifestação  de  inconformidade  (fls. 09/11), alegando, em síntese, que retificou sua Declaração  de Informações ­ DIPJ para demonstrar os créditos, porém não  retificou  a  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  ­ DCTF ajustando os  débitos. Argúi  que  o  erro  nesse  procedimento  não  invalida  a  existência  dos  créditos,  já  que  houve  pagamento  a  maior,  e  que  não  há  norma  que  exija  a  necessidade de  retificação da DCTF para que o Fisco aceite a  existência  dos  créditos.  Requereu,  ao  final,  a  homologação  da  compensação.  Como  mencionado,  a  DRJ  Recife/PE  manteve  a  negativa  em  relação  à  referida compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Ano­calendário: 2001   COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.  A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis  para a compensação autorizada por lei.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  UTILIZAÇÃO  INTEGRAL.  COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.  Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901388/2009­77  Acórdão n.º 1802­001.431  S1­TE02  Fl. 5          4 Mantém­se  o  despacho  decisório  que  não  homologou  a  compensação  quando  constatado  que  o  recolhimento  indicado  como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de  débito confessado em DCTF.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformada  com  essa  decisão,  da  qual  tomou  ciência  em  20/10/2011,  a  Contribuinte apresentou recurso voluntário em 31/10/2011, com os argumentos abaixo:  DA  APRESENTAÇÃO  DA  CONTRADITA  ÀS  RAZÕES  DE  DECIDIR  DA DRJ/RECIFE E DOS VALORES DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS  ­  a  DRJ/Recife  não  mencionou  em  nenhum  momento  que  as  informações  apresentadas na manifestação de inconformidade eram incorretas, simplesmente alegou que a  empresa não apresentou qualquer documentação para justificar seu direito;  ­  contudo,  não  era  necessário  a  apresentação  de  nenhum  documento  pelos  seguintes fatos:  1) os valores informados na DIPJ e as razões pelos quais  foram informados  estão plenamente descritos e detalhados da manifestação de inconformidade;  2)  de  acordo  com  as  normas  da  Lei  n°  9.784/99,  não  é  necessária  a  apresentação  de  qualquer  documento  quando  o  órgão  administrativo  já  dispõem  das  informações necessárias para a análise do processo administrativo;   3)  os  agentes  da  administração  devem  atender  ao  princípio  da  Verdade  Material quando da análise dos processos administrativos.  ­  o  que  ocorreu,  na  verdade,  foi  apenas  uma  falha  de  procedimento  da  empresa  em  não  retificar  as  DCTFs  onde  constavam  as  informações  dos  débitos  cuja  compensação era solicitada;  ­ tal erro de procedimento não anula a existência dos créditos, vez que estes  decorrem da existência de pagamentos a maior de IRPJ decorrentes de revisão das declarações  da empresa e das respectivas bases de cálculo dos tributos;  ­ tais declarações constam desde há muito tempo da base de dados da Receita  Federal  e  o  equívoco  poderia  ter  sido  corrigido  caso  a  empresa  tivesse  sido  intimada  para  esclarecer os fatos;  ­ tal falha de procedimento não inviabiliza o direito de crédito da empresa. A  apuração dos débitos de IRPJ é realizada e apresentada ao fisco por meio das DIPJ. A DCTF,  inobstante  ser  instrumento  de  confissão  de  dívida,  apresenta  apenas  valores  simples,  sem  qualquer valor de apuração;  ­ a declaração mais robusta para fins de formação de convicção é a DIPJ, pois  nela se demonstram os dados que  levaram à apuração dos créditos  tributários. Neste ponto é  mister salientar que a DIPJ foi corretamente retificada pela empresa;  Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901388/2009­77  Acórdão n.º 1802­001.431  S1­TE02  Fl. 6          5 ­ tendo sido revistos os valores de apuração de IRPJ, os pagamentos a maior  realizados  a  tal  título  tornaram­se  indevidos,  na  forma  do  art.  165,  I,  do  CTN,  além  dos  próprios  saldos  negativos  de  IRPJ  apurados,  razão  pela  qual  poderiam  ser  utilizados  pela  empresa, como o foram, para a compensação de outros débitos da empresa para com a Receita  Federal;  ­  a  simples  falha procedimental  da  empresa em não  ter  retificado as DCTF  dos mesmos  períodos  não  pode  ter  o  condão  de  invalidar  a  existência  de  créditos  que  estão  plenamente demonstrados;  DO  DESCUMPRIMENTO  DOS  PRINCÍPIOS  DO  PROCESSO  ADMINISTRATIVO POR PARTE DA RECEITA FEDERAL  ­ em outras compensações, quando o valor da DCTF é menor que o da DIPJ,  a  Receita  Federal  intima  o  contribuinte  da  divergência  entre  estas  declarações,  mandando  retificar sob pena de indeferimento;  ­  porque  nesse  caso  a  Receita  Federal  não  agiu  dessa mesma maneira?  Se  havia  divergência  entre DIPJ  e DCTF,  obviamente  a  empresa  cuidaria  de  retificar  a DCTF.  Sem  a  comunicação  da  Receita,  a  empresa  só  soube  de  sua  falha  após  o  indeferimento  da  compensação;  DA  DESNECESSIDADE  DE  APRESENTAÇÃO  DE  PROVAS  JUNTO  COM A MANIFESTAÇÃO DE  INCONFORMIDADE, QUANDO ESTAS  JÁ  ESTÃO DE  POSSE DO FISCO  ­ a recorrente contesta a informação de que não apresentou qualquer prova a  justificar o seu direito;  ­  a  empresa  informou  na  manifestação  de  inconformidade  os  motivos  que  geraram a formação de seus créditos;  ­ a empresa também informou que os valores estavam à disposição da Receita  Federal nas declarações que esta possuía;  ­  a  Receita  Federal  possui  todas  as  informações  de  apuração  da  empresa  constantes  da  DIPJ  do  respectivo  período  de  apuração.  Tais  valores  constam  dos  próprios  comprovantes de rendimento fornecidos pelos seus clientes;  ­ todos os valores de retenção na fonte informados pela empresa constam do  banco de dados da Receita Federal mediante as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras;  ­ assim, não se fazia necessária a apresentação de nenhum documento, posto  que todas as informações necessárias à análise já constavam do banco de dados de informações  da Receita Federal;  DA NÃO ATENÇÃO AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL  ­ por  tal princípio, o  julgador, mais do que se atentar às alegações e provas  das partes, tem de firmar seu entendimento com base na realidade demonstrada nos autos;  Fl. 74DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901388/2009­77  Acórdão n.º 1802­001.431  S1­TE02  Fl. 7          6 ­ a DRJ/Recife deixou de atender à informalidade do processo administrativo  ao exigir a prévia retificação da DCTF;  ­  também  agiu  incorretamente  ao  exigir  apresentação  de  provas  que  já  estavam em seu próprio banco de dados;  ­ por fim, deixou de atender ao Princípio da Verdade Material como forma de  fazer  justiça  em  seu  sentido  mais  puro,  qual  seja,  o  de  não  atentar  apenas  às  formas  estabelecidas  e  sim  verificar  a  real  existência  dos  fatos  como  forma  de  obter  a  verdade  que  definirá o julgamento do caso.    Este é o Relatório.  Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901388/2009­77  Acórdão n.º 1802­001.431  S1­TE02  Fl. 8          7   Voto             Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator.  O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade.  Portanto, dele tomo conhecimento.  Conforme  relatado,  a  Contribuinte  questiona  a  não  homologação  da  Declaração de Compensação – DCOMP de fls. 01 a 05, na qual o crédito utilizado corresponde  a pagamento indevido ou a maior a título do IRPJ (Lucro Presumido) apurado no 2º trimestre  do ano­calendário de 2001.  A Delegacia de origem, por meio de despacho eletrônico, não homologou a  compensação. A negativa foi motivada pelo fato de o referido pagamento já ter sido utilizado  para a quitação de débito declarado em DCTF.  Em sua primeira peça de defesa, a Contribuinte procurou demonstrar que o  direito creditório decorria de valores de IR retido na fonte que não haviam sido considerados  na DIPJ original, posteriormente retificada para a inclusão destes valores:  A  existência  destes  pagamentos  a  maior  é  constatada  pela  simples  verificação  das  DIPJs  retificadoras  apresentadas  pela  empresa,  que  seguem  em  anexo,  quando  foram  realizadas  as  seguintes alterações de valores:  a) Com relação ao IRPJ, as declarações originais apresentadas  pela  empresa  não  consideraram  os  valores  relativos  ao  IRPJ  retido na fonte quando dos recebimentos da empresa, assim, ao  se  incluírem nas DIPJ as deduções  relativas ao  IRPJ retido na  fonte, a conseqüência imediata é a redução dos valores do IRPJ  a  pagar  o  que  gerou  a  existência  dos  pagamentos  a  maior  realizados;  Demonstra­se,  do  acima  exposto,  que  os  créditos  relativos  a  pagamentos a maior de IRPJ relativos às apurações dos anos de  2000,  2001  e  2002,  foram  gerados  em  conseqüência  das  retificações  das  declarações  originais,  conforme  demonstraremos com exatidão abaixo. O fato de a empresa não  ter  realizado  as  respectivas  retificações  das  DCTFs  que  poderiam  “liberar”  os  pagamentos  para  as  compensações,  constitui mero erro de procedimento que, em nenhum momento,  caracteriza  a  inexistência  do  crédito  apurado  pela  empresa,  posto  que  inexiste  na  legislação  qualquer  norma  que  exija  a  necessidade  de  retificação  da  DCTF  da  empresa  como  regra  para aceitação dos créditos relativos a pagamentos indevidos.  Por  fim,  devemos  informar  que  as  DIPJ  retificadoras  foram  corretamente  apresentadas  à  Receita  Federal  antes  da  entrega  das declarações de compensação e, nestas, constam os corretos  valores  de  retenções  na  fonte  e  compensações  de COFINS que  Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901388/2009­77  Acórdão n.º 1802­001.431  S1­TE02  Fl. 9          8 poderão  ser  confirmados  pela  própria  Delegacia  em  seus  sistema informatizados.  (...)  Assim,  para  facilitar  a  análise  e  apreciação  dos  recursos  informamos  que  segue  em  anexo  à  presente  manifestação  uma  planilha  demonstrativa  dos  valores  dos  créditos  de  IRPJ  apurados  em  cada  período  de  apuração  onde  ocorreu  a  realização de pagamentos a maior  A  Delegacia  de  Julgamento  manteve  a  negativa  em  relação  à  pretendida  compensação,  frisando  que  a  Contribuinte  não  retificou  a DCTF,  e  que  também  não  trouxe  nenhuma prova de seu alegado crédito:   8.  Como  se  sabe,  nos  termos  da  legislação  de  regência  (Instrução Normativa SRF n° 014, de 14 de fevereiro de 200), a  DIPJ  tem  caráter  apenas  informativo,  enquanto  a  DCTF  constitui  instrumento de confissão de divida quanto aos débitos  nela declarados.  9. No  caso  concreto,  verifiquei,  no  banco  de  dados  da Receita  Federal, que a empresa efetivamente apresentou DCTF em que  fez  constar  haver  apurado  débito  do  IRPJ  no  2°  trimestre  de  2001 no valor de R$ 37.784,55, com pagamento em 3 quotas de  R$ 12.594,85, o exato valor do recolhimento efetuado.  10.  Assim,  não  poderia  a  autoridade  a  quo  reconhecer  crédito  algum para a interessada, dado que o valor recolhido já fora, ao  tempo  do  decisório,  integralmente  alocado  a  débito  regularmente  confessado  pelo  sujeito  passivo.  E,  não  sendo  liquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser  postulada  sua  compensação  para  extinguir  débitos  do  sujeito  passivo (art. 170 do CTN) .  11.  Destaque­se  que,  além  de  não  retificar  a  DCTF,  que  constituía  obrigação  sua  (Instrução Normativa  SRF  nº  126,  de  30  de  outubro  de  1998,  e  seguintes),  não  trouxe  a  interessada  prova  alguma  do  tanto  alegado,  desatendendo  ao  disposto  no  art. 16, III, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972.  12. Ante o exposto, voto por julgar improcedente a. manifestação  de inconformidade.  Ao não retificar a DCTF, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa  em relação à compensação pleiteada.  Contudo,  essa  questão  procedimental  não  justifica  uma  negativa  em  definitivo,  eis  que  o  art.  165  do  CTN  não  condiciona  o  direito  à  restituição  de  indébito,  fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente  interessa  é  verificar  se  houve  ou  não  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  um  determinado  tributo em um determinado período de apuração  A  DCTF,  embora  seja  uma  confissão  de  dívida,  não  pode  ser  tomada  em  caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua  Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901388/2009­77  Acórdão n.º 1802­001.431  S1­TE02  Fl. 10          9 retificação,  da mesma  forma,  não  teria  caráter  absoluto,  pelo  que, mesmo que  apresentada  a  declaração retificadora, esta deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como  a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se  houve ou não recolhimento indevido ou a maior.   No  que  toca  à  comprovação  de  um  indébito,  é  importante  lembrar  que  o  processo  administrativo  fiscal  não  contém  uma  fase  probatória  específica,  como  ocorre,  por  exemplo, com o processo civil.   Especialmente  nos  processos  iniciados  pelo  Contribuinte,  como  o  aqui  analisado,  há  toda  uma  dinâmica  na  apresentação  de  elementos  de  prova,  uma  vez  que  a  Administração Tributária  se manifesta  sobre  esses  elementos quando profere os despachos  e  decisões  com  caráter  terminativo,  e  não  em  decisões  interlocutórias,  de  modo  que  não  é  incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes.  Nesse caso concreto, a Contribuinte apresentou várias DCOMP, dentre elas a  aqui examinada, alegando ter retificado as DIPJ dos anos­calendário 2000, 2001 e 2002, para  incluir nestas declarações valores de “IR retido na fonte” que não haviam sido computados nas  declarações originalmente apresentadas.   O  presente  processo  está  sendo  examinado  em  conjunto  com  os  de  nº  10425.901387/2009­22, 10425.901395/2009­79, 10425.902532/2009­92 e 10425.902875/2009  –57, que tratam de outras DCOMP cujos créditos estão fundados no mesmo argumento.  Os  valores  de  IRPJ  declarados  em  DCTF,  e  que  pelos  argumentos  da  Recorrente correspondiam às DIPJ originais, estão indicados no quadro abaixo:           PA  IRPJ inicialmente     apurado e pago        1º Trim. 2000  19.972,44  2º Trim. 2000  21.047,10  3º Trim. 2000  33.302,91  4º Trim. 2000  31.174,72  1º Trim. 2001  30.926,93  2º Trim. 2001  37.784,55  3º Trim. 2001  37.341,06  4º Trim. 2001  36.908,97  1º Trim. 2002  32.209,11  2º Trim. 2002  40.668,12  3º Trim. 2002  22.817,52  4º Trim. 2002  43.834,50    Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901388/2009­77  Acórdão n.º 1802­001.431  S1­TE02  Fl. 11          10 As DIPJ retificadoras, por sua vez, indicam os seguintes valores para o IRPJ,  antes da dedução do IR retido na fonte:          PA  IRPJ retificado,     antes da dedução     das retenções  1º Trim. 2000  *  2º Trim. 2000  *  3º Trim. 2000  *  4º Trim. 2000  *  1º Trim. 2001  6.940,24  2º Trim. 2001  7.954,17  3º Trim. 2001  8.155,53  4º Trim. 2001  9.493,95  1º Trim. 2002  8.676,23  2º Trim. 2002  8.705,77  3º Trim. 2002  8.467,15  4º Trim. 2002  9.618,25  * Contribuinte não apresentou cópia da DIPJ retificadora  Os valores do “IRPJ retificado, antes da dedução das retenções”, conforme  quadro acima, decorrem diretamente da aplicação da alíquota do IRPJ sobre a base de cálculo.  A redução do imposto na declaração retificadora, portanto, não teve qualquer  relação com o aproveitamento de retenções na fonte. Também não há qualquer comprovação  das alegadas retenções que não teriam sido consideradas inicialmente.  A justificativa apresentada pela Contribuinte para o surgimento dos alegados  créditos mostra­se desprovida de fundamento.  Nas  declarações  retificadoras,  a  Contribuinte  passou  a  apurar  o  próprio  imposto (e não o saldo a pagar) com valores muito menores do que os declarados inicialmente,  e isto não pode ser justificado por retenções não computadas.   As  retenções  poderiam  justificar diferenças  na  rubrica  “imposto  de  renda  a  pagar”,  mas  não  diferenças  surgidas  no  cálculo  do  imposto  em  si,  antes  do  cômputo  das  retenções.   Excluída essa justificativa, a Contribuinte não trouxe nenhuma outra, e nem  qualquer elemento de prova que pudesse evidenciar outro tipo de erro nos valores inicialmente  declarados e pagos, para dar guarida ao alegado direito creditório.  Deste modo, a decisão recorrida não merece reparo.     Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901388/2009­77  Acórdão n.º 1802­001.431  S1­TE02  Fl. 12          11 Nego provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Corrêa                                 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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Numero do processo: 10580.006333/2007-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 12 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006 INDENIZAÇÃO. RECOMPOSIÇÃO PATRIMONIAL. NÃO TRIBUTAÇÃO PELO IMPOSTO DE RENDA. LUCROS CESSANTES. A indenização paga, visando mera recomposição patrimonial, não pode ser considerado acréscimo patrimonial, fato gerador do imposto de renda. No caso dos autos ficou devidamente comprovado através de laudo de avaliação que parte do valor pago é decorrente de recomposição patrimonial e parte lucros cessantes, que enseja o fato gerador do IRPF. MULTA DE OFÍCIO - ERRO ESCUSÁVEL - Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações
Numero da decisão: 2202-000.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da do colegiado por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 2.291.903,20, bem como a multa de lançamento de ofício remanescente, por erro escusável, relativo ao item 02 do auto de infração (indenização de danos materiais e lucros cessantes). (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente)
Nome do relator: Pedro Anan Junior

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2356; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 373          1 372  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.006333/2007­05  Recurso nº  166.824   Voluntário  Acórdão nº  2202­000.481  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de abril de 2010  Matéria  IRPF  Recorrente  PAULO SERGIO PARANHOS DE MAGALHAES  Recorrida  3 TURMA/DRJ SALVADOR BA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2005, 2006  INDENIZAÇÃO.  RECOMPOSIÇÃO  PATRIMONIAL.  NÃO  TRIBUTAÇÃO PELO IMPOSTO DE RENDA. LUCROS CESSANTES.  A  indenização  paga,  visando mera  recomposição  patrimonial,  não  pode  ser  considerado  acréscimo  patrimonial,  fato  gerador  do  imposto  de  renda.  No  caso dos autos ficou devidamente comprovado através de laudo de avaliação  que  parte  do  valor  pago  é  decorrente  de  recomposição  patrimonial  e  parte  lucros cessantes, que enseja o fato gerador do IRPF.  MULTA DE OFÍCIO  ­ ERRO ESCUSÁVEL  ­  Se  o  contribuinte,  induzido  pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável  quanto à  tributação e classificação dos  rendimentos  recebidos, não deve ser  penalizado pela aplicação da multa de ofício  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS   Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº  9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de  rendimentos  com  base  nos  valores  depositados  em  conta  bancária  para  os  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  do  colegiado  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  excluir  da  base  de  cálculo  da  exigência  o  valor  de  R$  2.291.903,20,  bem como  a multa de  lançamento  de  ofício  remanescente,  por  erro  escusável,  relativo ao item 02 do auto de infração (indenização de danos materiais e lucros cessantes).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 63 33 /2 00 7- 05 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR     2   (Assinado Digitalmente)  Nelson Mallmann ­ Presidente    (Assinado Digitalmente)  Pedro Anan Junior ­ Relator    Participaram,  ainda,  do  presente  julgamento,  os  Participaram  do  presente  julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz  de  Aragão  Calomino  Astorga,  Helenilson  Cunha  Pontes,  Gustavo  Lian  Haddad  e  Nelson  Mallmann (Presidente)  Fl. 406DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.006333/2007­05  Acórdão n.º 2202­000.481  S2­C2T2  Fl. 374          3   Relatório  Contra  o  contribuinte  PAULO  SÉRGIO  PARANHOS  DE MAGALHÃES,  inscrito  no  CPF  069.155.305­53,  foi  lavrado  auto  de  infração  para  tributar  rendimentos  apurados  com  base  em  depósitos  bancários  de  origem não  comprovada,  efetuados  em 2004.  Foram tributados também R$ 12.818.250,54, recebidos em 2005, que o contribuinte afirmava  haver  recebido  como  indenização  por  perdas  e  danos.  O  total  do  imposto  lançado  foi  R$  3.623.592,18. Com os acréscimos legais, o total do crédito atinge R$ 6.899.144,65.  De acordo com o  relatório  fiscal  (fls. 04), o contribuinte havia comprovado  parcialmente a origem dos depósitos em suas contas no Banco do Brasil, inclusive no que diz  respeito a verbas indenizatórias recebidas da Câmara dos Deputados, como está demonstrado  na  planilha  às  fls.  09.  Quanto  às  verbas  que  o  contribuinte  argumenta  seriam  indenização,  observa a autoridade lançadora que o pagamento decorre de acordo firmado entre o interessado  e o Banco Alvorada S/A, sucessor do Banco do Estado da Bahia S/A (BANEB) (fls. 55/57), e  que não foram comprovadas pelo autuado as perdas e danos que justificariam a indenização.  Os argumentos do impugnante são, em síntese, os seguintes (fls. 152/173).  1)  O BANEB fora condenado em processo judicial a indenizá­lo  por perdas e danos, em virtude de propositura dolosa de ação falimentar,  desprovida de fundamentos processuais mínimos, contra a PESQUEIRA  PORTO SEGURO S/A, da qual o autuado era presidente e sócio. Após o  trânsito em julgado, em 2001 (fls. 42/43), e já na liquidação da sentença,  foi  realizada  perícia  por  arbitramento,  e  os  danos  patrimoniais  efetivamente  sofridos  em  virtude  da  ação  falimentar  foram  fixados  em  R$ 20.000.000,00.   2)  Posteriormente  o  BANCO  ALVORADA  S/A.  (sucessor  do  BANEB)  concordou  em  pagar  ao  impugnante  R$  12.818.250,54,  e  o  acordo  foi  homologado  por  sentença  judicial  (fls.  55/57).  Como  a  indenização  fora  determinada  anteriormente,  na  sentença  judicial  condenatória,  a  coisa  julgada  não  poderia  ser  agora  questionada  pelo  Fisco, com novas exigências de comprovação dos danos sofridos.   3)  Como indenização, não houve fato gerador do imposto, pois a  mesma destinava­se  apenas  a  repor danos patrimoniais. Em nada  altera  este  raciocínio  o  fato  de  não  se  tratar  de  indenização  por  rescisão  contratual,  para  a  qual  existe  previsão  expressa  de  isenção.  Não  o  contradiz,  tampouco,  o  §1º  do  art.  43  do  Código  Tributário  Nacional,  introduzido pela Lei Complementar 104/2001.  4)  Para  demonstrar  os  danos  sofridos,  requer  a  realização  de  perícia.  Nomeia  o  mesmo  contador  que  confeccionara  os  cálculos  de  arbitramento acima mencionados, e propõe como questão, em resumo, a  validade técnica destes cálculos.  Fl. 407DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR     4 5)  Não  foram descontados  dos depósitos bancários  o 13º  salário  (R$  8.383,56),  líquido  do  imposto  na  fonte,  como  consta  em  sua  declaração,  e  R$  600,00,  declarados  como  rendimentos  isentos  e  não  tributáveis.  6)  Recebera R$ 34.717,20 da Câmera dos Deputados, a título de  ressarcimento por despesas postais e telefônicas, valores não tributáveis,  cabendo excluí­los do lançamento.  7)  Recebera restituição do  imposto de renda em 15/01/2004 (R$  4.652,07)  e  em  16/11/2004  (R$  6.288,59),  valores  que  devem  ser  excluídos dos depósitos.  8)  De  acordo  com  o  demonstrativo  fiscal  (fls.  09),  houve  saldo  líquido negativo no mês de  janeiro de 2004  (R$ 5.060,88), que deveria  ser compensado com os depósitos do mês seguinte.  9)  A Bahia  Comércio  de Cacau  Ltda.  informara  haver  pago R$  343.711,79  pela  venda  de  amêndoas  de  cacau.  Mas  somente  foram  aceitas  com  prova  da  origem  dos  depósitos  bancários  as  notas  fiscais  apresentadas,  que  somaram  R$  39.760,21.  Ao  desprezar  os  demais  valores,  o  autuante  realizou  presunção  não  autorizada  em  lei,  pois  não  investigou, como deveria, a fonte pagadora, fazendo recair sobre o titular  da conta bancária o ônus da prova.  A 3ª Turma da Delegacia  da Receita Federal  de  Julgamento  de Salvador –  DRJ/SDR, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade de votos em manter parcialmente o  lançamento  através  do  acórdão  DRJ/SDR  n°  14.292,  de  22  de  novembro  de  2007  (fls.  338/344), consubstanciado na seguinte ementa:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF  Ano­calendário: 2004, 2005  LIQUIDAÇÃO  DE  SENTENÇA.  ACORDO  PARTICULAR.  INDENIZAÇÃO NÃO COMPROVADA.  São tributáveis as importâncias pagas em liquidação de sentença  quando o montante da indenização tenha sido fixado por acordo  particular (ainda que homologado judicialmente), especialmente  quando  não  forem  comprovadas  as  perdas  e  danos  que  justificariam a reparação indenizatória.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS.   Presumem­se rendimentos tributáveis os depósitos bancários de  origem não comprovada.    Devidamente cientificado dessa decisão em 12 de março de 2008, ingressa o  contribuinte tempestivamente com recurso voluntário em 11 de abril de 2008, às fls. 348/378,  onde ratifica os argumentos da impugnação.  É o relatório    Fl. 408DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.006333/2007­05  Acórdão n.º 2202­000.481  S2­C2T2  Fl. 375          5 Voto             Conselheiro Pedro Anan Junior, Relator  O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto ser  conhecido.    INDENIZAÇÃO RECEBIDA PELO RECORRENTE    A  maior  parte  do  lançamento  tem  como  origem  a  tributação  de  uma  indenização  recebida  pelo Recorrente,  por  força  de  uma decisão  judicial  em  ação  falimentar  movida pelo BANEB, onde este último foi condenada a pagar a indenizar por perdas e danos o  Recorrente, conforme abaixo transcrito (fls. 42).    “Extingo  o  presente  processo  sem  julgamento  de  mérito,  haja  vista  que  o  demandante  deixou  de  instituir  a  inicial  com  documentos indispensáveis à propositura da ação, vulnerando­se  as regras dispostas no artigos 9, III, 9, III, alínea b; e 11, caput,  da Lei Falimentar.  De  outro  lado,  faze  a  norma  embutida  no  art.  20,  caput,  do  mesmo  diploma  legal,  condeno  o  Autor  a  indenizar  ao  contestente em perdas e danos, cujo quantum deverá ser apurado  em liquidação de sentença.  Condeno ainda o autor, no pagamento das despesas processuais  e honorários advocatícios,  estes na base de 20% sobre o  valor  da causa devidamente corrigido.”    Posteriormente foi celebrado um acordo entre as partes onde foi pactuado que  o Recorrente iria receber por força da decisão judicial o valor de R$ 12.818.250,54 a título de  indenização.  Quando do pagamento o Banco Alvorada (sucessor do BANEB) não efetuou  a retenção na fonte do IRRF por entender que tal valor era mera reposição patrimonial portanto  não era fato gerador do imposto de renda, fls 63.  Desta  forma,  cabe  a  esse  colegiado  decidir  se  o  valor  recebido  pelo  Recorrente a título de indenização por danos patrimoniais por força da ação falimentar movida  pelo BANEB é ou não fato gerador do imposto de renda.  Para  podermos  decidir  tal  lide,  antes  de  mais  nada  seria  interessante  definirmos o que é dano patrimonial, dano moral e lucros cessantes.  Fl. 409DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR     6 Podemos  entender  como  dano  todo  prejuízo  sofrido  por  alguém  em  seu  patrimônio ou em sua honra em decorrência da conduta de outra pessoa, que pode ter origem  ou não na culpa dessa pessoa.  Dano patrimonial ou material é o que resulta em prejuízo ou diminuição dos  bens patrimoniais daquele que sofre a ação ou omissão de alguém, desta forma o dano sofrido  pode ser mensurável em dinheiro.  Já dano moral é aquele que  lesa bens ou valores da personalidade, que não  são  apreciáveis  em  dinheiro,  mas  causam  danos  a  honra,  a  integridade,  a  imagem  ou  a  integridade física de quem o sofre.   Ambos os danos se  forem devidamente comprovados e atribuídos a alguém  são  passíveis  de  indenização,  e  tanto  ao  patrimonial  quanto  o  moral  não  são  passíveis  de  tributação  pelo  imposto  de  renda  uma  vez  que  nada  mais  são  do  que  mera  recomposição  patrimonial.  No  que  diz  respeito  aos  lucros  cessantes,  é  renda  que  a  pessoa  deixa  de  auferir no futuro por força do dano sofrido. O lucro cessante esta intimamente relacionado com  a situação futura, é uma frustação de um ganho causado por dano patrimonial ou moral sofrido  por alguém. Sendo portanto um prejuízo patrimonial que a pessoa terá no futuro por forca da  conduta  danosa  de  alguém.  Como  tal  valor  no  meu  entender  representa  um  lucro  que  o  prejudicado deixou de receber por  força da ação danosa de alguém, ele  representa acréscimo  patrimonial, portanto deve ser tributado para fins do imposto de renda.  No  caso  sob  nossa  análise,  devemos  verificar  se  o  valor  recebido  pelo  Recorrente, é lucro cessante ou recomposição patrimonial pelo dano sofrido.  Podemos verificar que o próprio Recorrente nos traz subsídios para esclarecer  tal fato, através do laudo de fls. 371 a 376, que na conclusão estabelece que parte dos valores é  lucro cessantes e parte dos valores devidos seria por força de dano material:    Estima­se os danos materiais e os lucros cessantes com a quebra  do acordo de acionista, pedido de falência Banco do Estado da  Bahia  S/A,  desativação  da  empresa  e  abandono  administrativo  na quantia de US$ 8.180.107,09, sendo lucros cessantes e juros  US$  6.717.717,68,  reposição  do  ativo  permanente  US$  1.097.695,10,  US$  364.704,31,  indenização  referente  ao  valor  residual  de  bens,  cujo  estado  de  conservação  espelha,  a  total  impossibilidade  de  reaproveitamento  econômico.  Os  valores  apurados estão detalhados nas planilhas 18, 19, 20.    Com base no  laudo que  foi apresentado na ação  judicial, podemos verificar  que 82,12 % do valor recebido pelo Recorrente se trata de lucros cessantes, e 17,88% do valor  se trata de reposição material.   Desta  forma,  entendo  que  somente  parte  do  valor  o  equivalente  a  R$  2.291.903,20,  deve  ser  excluído  da  tributação  por  se  tratar  indenização  por  dano  material  visando recomposição patrimonial.  Fl. 410DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.006333/2007­05  Acórdão n.º 2202­000.481  S2­C2T2  Fl. 376          7 O  restantes  R$  10.526.351,34,  que  seriam  os  lucros  cessantes  devem  remanescer a tributação.  No  que  diz  respeito  a  multa  exigida,  podemos  verificar  que  o  Recorrente  deixou de oferecer a tributação o valor recebido por força de uma orientação recebida da fonte  pagadora fls. 63, que entendeu que o valor pago era mera recomposição patrimonial, por força  do erro excusável entendo que a multa não seria devida no presente de caso, portanto entendo  que a mesma deve ser excluída.    OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  –  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  –  PRESUNÇÃO.    Outra parte do auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como  base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996:    “Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  §  1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.  § 2º Os  valores cuja origem houver  sido  comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.”    Nos termos da referida norma legal presume­se omissão de rendimentos sempre  que  o  titular  da  conta  bancária,  regularmente  intimado,  não  comprovar,  mediante  documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de  investimento.   No  presente  caso  foi  comprovado  através  de  documentação  e  provas  que  a  Contribuinte  é  titular  das  contas  bancária,  sendo  que  o  lançamento  foi  efetuado  a  partir  da  presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não  demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996.   Não houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, a  origem dos valores depositados na sua conta bancária, sendo que o mesmo foi  intimado para  demonstrar  que  os  valores  depositados  em  sua  conta  bancária  não  representam  rendimentos  Fl. 411DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR     8 omitidos, o contribuinte somente conseguiu comprovar parte da origem, o que foi devidamente  aproveitado pela DRJ ao analisar os fatos.  Desta  forma  verifica­se  que  os  depósitos  bancários  que  formaram  a  base  de  cálculo  do  auto  de  infração  são  valores  que  foram movimentados  e  não  foram  oferecidos  a  tributação,  não  havendo  nenhuma  evidência  de  que  alguma  dessas  importâncias  foram  declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe  para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos.  Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve  omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam  que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem  isenta ou  já submetida à  tributação.  Simplesmente  alega  que  os  valores  objeto  do  auto  de  infração  não  são  de  sua  titularidade.  Desta forma, é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de  origem não comprovada.   Assim,  por  tudo  o  que  dos  autos  consta, VOTO por DAR PROVIMENTO  PARCIAL  AO  RECURSO  do  contribuinte,  para  excluir  da  tributação  o  valor  de  R$  2.291.903,20, bem como a multa de ofício do item 2 do auto de infração por erro escusável.    (Assinado Digitalmente)  Pedro Anan Junior                                Fl. 412DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR

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Numero do processo: 11080.722509/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2000 a 28/02/2001 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente. Ronaldo de Lima Macedo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2 base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que  observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as  preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.    Julio Cesar Vieira Gomes ­ Presidente.     Ronaldo de Lima Macedo ­ Relator.    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Vieira  Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e  Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.  Fl. 209DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722509/2010­61  Acórdão n.º 2402­002.980  S2­C4T2  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  lançamento  fiscal  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a  remuneração dos segurados empregados, relativa à parcela desses segurados não descontada e  não recolhida em época própria, referente ao período de 10/2000 a 02/2001.  O Relatório Fiscal (fls. 11/23) informa que o crédito lançado é decorrente da  responsabilidade  solidária  imputada  à notificada,  contratante de  serviços  de construção  civil,  por  não  ter  comprovado  o  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  pela  contratada,  conforme estabelecido pela legislação vigente à época do fato gerador.  O objeto do lançamento são as contribuições incidentes sobre a remuneração  paga  aos  segurados  empregados  da  empresa  executora  de  obra  de  construção  civil,  GEREMIAS TELECOMUNICAÇÕES LTDA, CNPJ 72.162.019/0001­45, incluídas em notas  fiscais,  faturas  e  recibos,  pelas  quais  o  Banco  do  Brasil,  na  condição  de  contratante  dos  serviços, responde solidariamente.  Esse  Relatório  Fiscal  informa  ainda  que  o  presente  lançamento  objetiva  restabelecer a exigência fiscal, anulada por vício formal, nos Lançamentos Fiscais constituídos  pelas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD) n°s 35.067.668­2 (levantamentos  SC1  e  SM1)  e  35.067.669­0  (levantamento  SC2),  por  meio  dos  Acórdãos  no  2.338/2005  e  2.339/2005, conforme ementa da 4ª CAJ ­ CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS:  “NOTIFICAÇÃO  FISCAL  DE  LANÇAMENTO  DE  DÉBITO  LAVRADA  COM  FALTA  DO  TIPO  DE  DÉBITO,  ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL  NO  RELATÓRIO  FUNDAMENTOS  LEGAIS  DO  DÉBITO,  ENSEJA  A  SUA  NULIDADE,  PELA  IMPOSSIBILIDADE  TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE  CADASTRAMENTO  DE  DÉBITO,  CARACTERIZANDO­SE  VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.”  Foram  mantidos  todos  os  lançamentos  constantes  das  NFLD  originais,  referentes  à  solidariedade  com  os  prestadores  de  serviços  e  empreiteiros  não  cobertos  por  auditoria  fiscal  no  fato  gerador  (Auditoria  total  com  contabilidade  ou  na  obra  específica),  conforme registros do sistema Cadastro Nacional de Ações Fiscais (CNAF);  O  instituto da decadência  foi aplicado na forma do artigo 173,  inciso  II, do  Código Tributário Nacional ­ CTN (Lei 5.172/1966).  Após  a  nulidade  formal  dos  lançamentos  originais,  a  ciência  do  novo  lançamento fiscal ao sujeito passivo deu­se em 23/08/2010 (fl.01).  A  autuada  apresentou  impugnação  tempestiva  (fls.  80/94)  –  acompanhada  dos anexos de fls. 95/122 –, alegando, em síntese, que:  Fl. 210DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4 1.  deve ser feito o chamamento ao processo da empresa executora, para  se  apurar  a  real  existência  dos  débitos  autuados,  tudo  em  estrita  observância  aos  princípios  da  garantia  de  defesa  e  da  verdade  material,  pois  diversos  documentos  probantes  estão  em  posse  da  empresa que executou os serviços;  2.  a  matrícula  era  de  responsabilidade  da  prestadora  de  serviços,  cabendo  a ela promover os  recolhimentos  e, mesmo assim,  à  luz da  legislação,  a matrícula não  seria necessária,  vez  tratar­se de  simples  reparos,  manutenção  e  ampliação  de  dependência  da  Impugnante,  serviços  esses  que  não  necessitavam  nem  mesmo  de  profissional  técnico habilitado;  3.  o  Banco/Impugnante,  por  fazer  parte  da  Administração  Pública  Federal, e somente poder contratar mediante licitação pública, estava  respaldado pela Lei de Licitações, em que tais dispositivos transferem  a  responsabilidade  pelos  encargos  previdenciários  para  as  empresas  contratadas. Cita STJ (REsp. 417.794/RS);  4.  há pagamentos, comprovadamente efetuados pela empresa contratada,  cujos demonstrativos se encontram inclusos nos processos originários  das NFLD 35.067.668­2 e 35.067.669­0;  5.  as  Certidões  Negativas  de  Débito  (CND),  expedidas  à  época  das  autuações originais, confirmam sobremaneira a inexistência de débito  pendente em nome da empresa contratada junto ao INSS, descabendo,  por  conseguinte,  eventual  responsabilidade  solidária  por  débito  que,  no período autuado, era inexistente;  6.  o  Fisco  deve  cobrar  primeiramente  da  contratada  e,  além  disso,  a  omissão  na  fiscalização  da  empresa  contratada  importa  em  cerceamento de defesa e possibilidade de pagamento em duplicidade,  em  latente  prejuízo  ao  Impugnante.  Ao  menos  até  10.12.1997,  a  impugnante  tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança  de  eventual  crédito  previdenciário,  primeiramente,  das  empresas  contratadas.  Isso porque, apenas com o advento da Lei 9.528/97, ou  seja, a partir de 10.12.97, foi alterada a redação do inciso VI, do art.  30 e, consequentemente, afastada a aplicação do benefício de ordem;  7.  ao menos até fevereiro/99 a Impugnante tem o direito de exigir que o  Fisco  promova  a  cobrança  de  eventual  crédito  previdenciário,  primeiramente,  das  empresas  contratadas.  Isso  porque,  a  redação  original do art. 31 da Lei 8.212/91 (que vigeu até fevereiro de 1999,  em  face  da  edição  da  Lei  9.711/98),  não  vedava  a  aplicação  do  benefício de ordem;  8.  a Diretoria Colegiada  do  INSS,  ao  expedir  a  IN DC/INSS  18/2000,  arbitrou,  ilegal  e  abusivamente,  a  forma  de  apuração  da  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária  devida  sobre  a  remuneração  paga aos segurados empregados para execução de obras de construção  civil;  Fl. 211DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722509/2010­61  Acórdão n.º 2402­002.980  S2­C4T2  Fl. 4          5 9.  a  prova  documental  produzida  nos  autos  dos  processos  administrativos  11686.000242/2008­13  (NFLD  35.067.668­2)  e  11686.00241/2008­79  (NFLD  35.067.669­0)  deverá  ser  aproveitada  no  presente  feito,  apensando  este  processo  àqueles  autos,  tudo  em  nome,  dentre  outros,  dos  princípios  da  eficiência  e  economicidade  processual.  10. REQUER:  seja  acolhida  a  preliminar  suscitada,  para  chamar  ao  processo  a  empresa  contratada  e,  ultrapassada  essa,  no  mérito,  seja  acolhida a presente Impugnação, para se reconhecer a improcedência  da  autuação  e  desconstituir  o  lançamento  fiscal,  declarando  insubsistentes  os  créditos  constituídos  pois,  além  de  indevidos,  não  restou caracterizada a hipótese de incidência tributária.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  em  Brasília/DF – por meio do Acórdão no 03­46.688 da 5a Turma da DRJ/BSB  (fls. 145/157) –  considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno  embasamento  legal  e  observância  às  normas  vigentes,  não  tendo  a  Defendente  apresentado  elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura.  A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo  pela  obrigatoriedade  do  recolhimento  dos  valores  lançados  e  no  mais  efetua  repetição  das  alegações da peça de impugnação.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que  o  recurso  interposto  é  tempestivo  e  encaminha  os  autos  ao  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento.  É o relatório.  Fl. 212DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6   Voto             Ronaldo de Lima Macedo, Relator  Recurso  tempestivo.  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  conheço  do recurso interposto.  DA PRELIMINAR:  A Recorrente alega que deveria ser aplicado o instituto do chamamento  ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, visando apurar a  real  existência dos  créditos  lançados, bem como seja  trazida aos autos a documentação  comprobatória da quitação dos mesmos, que estão em posse da empresa contratada.  Tal  alegação  não  será  acatada  pelas  razões  fáticas  e  jurídicas  a  seguir  delineadas.  Cumpre  esclarecer  que  o  chamamento  ao  processo  é  uma  modalidade  de  intervenção  de  terceiro  provocada  pelo  réu,  cabível  apenas  no  processo  de  conhecimento  dentro  do  âmbito  judicial  e  não  administrativo,  tendo  como  finalidade  ampliar  o  campo  de  defesa  dos  fiadores  e  dos  devedores  solidários,  possibilitando­lhes  chamar  o  responsável  principal,  ou  corresponsáveis  ou  coobrigados,  para  que  assumam  a  posição  de  litisconsorte,  ficando  todos  submetidos  à  coisa  julgada.  Assim,  o  chamamento  ao  processo  é  criado  em  benefício  do  réu  dentro  de  um  processo  que  corre  no  âmbito  do Poder  Judiciário  e  previsto  exclusivamente nos artigos 77 a 80 do Código de Processo Civil (CPC).  O Processo Administrativo Fiscal  (PAF), quer  seja nas  regras  estabelecidas  pelo Decreto 70.235/1972, quer seja nas regras da Lei 9.784/1999, não prevê essa modalidade  de intervenção de terceiros. Contudo, no presente caso, tal requerimento se torna desnecessário,  eis  que  a  empresa  devedora,  contratante  direta  dos  segurados  empregados,  já  figura  no  polo  passivo  do  lançamento  fiscal  e  foi  devidamente  notificada,  conforme  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária  no  1,  lavrado  em  25/08/2010.  Isto  é,  a  empresa  executora  da  obra  de  construção  civil  também  já  está  inserida  na  relação  material  da  obrigação  tributária  e  na  constituição do crédito tributário.  No presente caso, estamos diante do instituto da solidariedade, formado por  um litisconsórcio necessário, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, in verbis:  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93)  (...)  VI ­ o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de  16  de  dezembro  de  1964,  o  dono  da  obra  ou  condômino  da  unidade  imobiliária,  qualquer que  seja a  forma de  contratação  da  construção,  reforma  ou  acréscimo,  são  solidários  com  o  construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das  obrigações  para  com  a  Seguridade  Social,  ressalvado  o  seu  direito  regressivo  contra  o  executor  ou  contratante  da  obra  e  Fl. 213DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722509/2010­61  Acórdão n.º 2402­002.980  S2­C4T2  Fl. 5          7 admitida a retenção de importância a este devida para garantia  do  cumprimento  dessas  obrigações,  não  se  aplicando,  em  qualquer  hipótese,  o  benefício  de  ordem;  (Redação  dada  pela  Lei 9.528, de 10.12.97) (g.n.)  Além disso,  os  argumentos  apresentados pela Recorrente  como  justificativa  para requerer o chamamento ao processo não se aplicam ao presente processo, uma vez que os  documentos  probantes  dos  recolhimentos  efetuados  pela  empresa  executora  da  obra  de  construção  civil  (GEREMIAS  TELECOMUNICAÇÕES  LTDA)  foram  aproveitados  pelo  Fisco,  quando do  relançamento,  conforme  registro  no Relatório  Fiscal  (fl.  12)  de  que  foram  mantidas apenas as competências (meses) não alcançadas por Auditoria Fiscal Previdenciária,  nos  seguintes  termos:  “(...)  foram  excluídas  as  empresas  do  levantamento  original  que  sofreram  procedimento  fiscal  previdenciário  (Auditoria  Fiscal  Total  com  contabilidade  ou  Auditoria específica na obra identificada no levantamento)”.  Também não há que se  falar em cobrança em duplicidade, pois o Relatório  Fiscal  informa  que  foi  verificado  se  a  contratada  havia  sido  submetida  ao  procedimento  de  auditoria fiscal, com exame de contabilidade, no período abrangido por este lançamento, ou se  as  obras  que  foram  objeto  dos  lançamentos,  efetuados  em  desfavor  da Recorrente,  sofreram  fiscalização específica. Assim, no caso de ter havido fiscalização específica ou auditoria fiscal  com  exame  da  contabilidade,  o  Relatório  Fiscal  informa  que  foram  realizados  os  ajustes  necessários e exclusão dessas competências analisadas.  Ressalta­se  que  o  conceito  de  obra,  para  efeitos  previdenciários,  é  bastante  amplo,  abrangendo  a  construção,  demolição,  reforma  ou  ampliação  de  edificação  ou  outra  benfeitoria  agregada  ao  solo ou  ao  subsolo. Com esse  conceito  amplo,  a obra de  construção  civil  funciona  como  se  fosse  um  estabelecimento  ou  filial  da  empresa  construtora  e,  por  consectário  lógico,  necessita  de  matrícula  com  uma  numeração  básica  que  é  o  Cadastro  Específico  do  INSS  (CEI),  sendo  que  essa  matrícula  deverá  ser  efetuada  mediante  comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo de trinta dias contados do  início de sua atividades, ou poderá ser feita de ofício pelo Fisco. Diante disso, a alegação de  que  a  responsabilidade  pela  matrícula  junto  ao  INSS  caberia  a  empresa  executora  da  obra  também se torna irrelevante, pois não altera nem influencia o lançamento fiscal.  Logo, entendemos que não é cabível aplicação de chamamento ao processo  em  face  do  devedor  contratante  dos  segurados  empregados,  pois  este  e  a  Recorrente  já  são  integrantes  do  polo  passivo  do  presente  lançamento  fiscal.  Após  isso,  passo  ao  exame  de  mérito.  DO MÉRITO:  A Recorrente alega que  o Fisco não apropriou no  lançamento  fiscal  os  valores  pagos  pela  contratada.  Tal  alegação  não  será  acatada,  eis  que  os  pagamentos  efetuados pela empresa contratada foram devidamente observados à época do procedimento de  auditoria fiscal, e apropriados nas respectivas NFLD originais (35.067.668­2 e 35.067.669­0),  não  tendo  a  Recorrente,  nem  a  empresa  contratada,  trazido  aos  autos  novos  elementos  probatórios que demonstrassem quaisquer outros recolhimentos efetuados.  Por  outro  lado,  verifica­se  que  o  lançamento  foi  efetuado  pelo  fato  da  Recorrente haver  contratado a  empresa para  a execução  global  (total)  de  obra de  construção  civil  e não haver  solicitado a documentação hábil  a  elidir  a  responsabilidade  solidária,  quais  Fl. 214DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     8 sejam:  (i)  cópia  das  guias  de  recolhimentos  quitadas  e  respectivas  folhas  de  pagamento  elaboradas distintamente pelo executor em relação a cada contratante; ou (ii) comprovação do  recolhimento  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados,  incluída  em  nota fiscal, fatura ou recibo correspondente aos serviços executados, corroborada quando for o  caso,  por  escrituração  contábil;  e  (iii)  comprovação  do  recolhimento  das  contribuições  incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas por arbitramento nos termos, forma e  percentuais previstos na legislação previdenciária.  A execução de obra na área de construção civil, mediante a empreitada total,  enseja  a  solidariedade  do  contratante  para  com  as  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre a mão­de­obra aplicada, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/19911.  No  que  interessa  ao  presente  processo,  tem­se  que  a  responsabilidade  tributária solidária exsurge quando o responsável é chamado para adimplir o crédito tributário  concomitantemente com o contribuinte, arcando,  independentemente deste, com o pagamento  integral do crédito tributário.  O  art.  124  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  Lei  5.172/1966,  define  como devedores solidários:  Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem. (g.n.)  Segundo  a  previsão  do  inciso  II  do  preceptivo  legal  acima  citado,  ocorre  a  solidariedade quando a lei expressamente designa os sujeitos que irão responder pela obrigação  tributária. Neste caso, é necessária a previsão em lei, e isso foi disciplinado pelo art. 30, inciso  VI,  da  Lei  8.212/1991,  em  que  o  proprietário  ou  dono  (que  é  a  Recorrente)  de  obra  de  construção  civil  é  solidário  com  o  construtor  pelo  cumprimento  das  contribuições  sociais  previdenciárias.  No mesmo sentido, o art. 220 do Regulamento da Previdência Social (RPS),  aprovado pelo Decreto 3.048/1999, estabelece a solidariedade entre o proprietário e o executor  da obra de construção civil, nos seguintes termos:  Art.  220.  O  proprietário,  o  incorporador  definido  na  Lei  nº  4.591,  de  1964,  o  dono  da  obra  ou  condômino  da  unidade  imobiliária  cuja  contratação  da  construção,  reforma  ou  acréscimo  não  envolva  cessão  de  mão­de­obra,  são  solidários                                                              1 Lei 8.212/1991:  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social  obedecem às seguintes normas:  (...)  VI  ­  o  proprietário,  o  incorporador  definido  na  Lei  nº  4.591,  de  16  de  dezembro  de  1964,  o  dono  da  obra  ou  condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo,  são  solidários  com  o  construtor,  e  estes  com  a  subempreiteira,  pelo  cumprimento  das  obrigações  para  com  a  Seguridade  Social,  ressalvado  o  seu  direito  regressivo  contra  o  executor  ou  contratante  da  obra  e  admitida  a  retenção  de  importância  a  este  devida  para  garantia  do  cumprimento  dessas  obrigações,  não  se  aplicando,  em  qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)    Fl. 215DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722509/2010­61  Acórdão n.º 2402­002.980  S2­C4T2  Fl. 6          9 com o  construtor,  e  este  e  aqueles  com a  subempreiteira,  pelo  cumprimento  das  obrigações  para  com  a  seguridade  social,  ressalvado  o  seu  direito  regressivo  contra  o  executor  ou  contratante da obra e admitida a retenção de importância a este  devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se  aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.  § 1º Não se considera cessão de mão­de­obra, para os fins deste  artigo,  a  contratação  de  construção  civil  em  que  a  empresa  construtora assuma a  responsabilidade direta  e  total  pela obra  ou repasse o contrato integralmente.  §  2º  O  executor  da  obra  deverá  elaborar,  distintamente  para  cada  estabelecimento  ou  obra  de  construção  civil  da  empresa  contratante,  folha  de  pagamento,  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência Social e Guia da Previdência Social,  cujas cópias  deverão  ser  exigidas  pela  empresa  contratante  quando  da  quitação da nota fiscal ou fatura, juntamente com o comprovante  de entrega daquela Guia.  §  3º  A  responsabilidade  solidária  de  que  trata  o  caput  será  elidida:  I  ­  pela  comprovação,  na  forma  do  parágrafo  anterior,  do  recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração  dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente  aos  serviços  executados,  quando  corroborada  por  escrituração  contábil; e  II  ­  pela  comprovação  do  recolhimento  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados,  aferidas  indiretamente  nos  termos,  forma  e  percentuais  previstos  pelo  Instituto Nacional do Seguro Social.  III  ­  pela  comprovação  do  recolhimento  da  retenção  permitida  no caput deste artigo, efetivada nos termos do art. 219. (Incluído  pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) (g.n.)  Percebe­se,  então,  que  a  apresentação  de  folhas  de  pagamento  e  guias  de  recolhimento  específicas  é  uma  das  formas  que  a  contratante,  no  caso  a Recorrente,  tem  de  elidir­se  de  imediato  da  responsabilidade  solidária  por  contribuições  de  responsabilidade  do  executor de obra de construção civil porventura não recolhidas, sendo que, em caso do salário  de contribuição correspondente às guias apresentadas ser inferior aos percentuais estabelecidos  na  legislação  previdenciária,  a  contratante  deverá  exigir  também  a  comprovação  de  que  a  contratada possui contabilidade formalizada.  Logo,  não  há  como  considerar  a  alegação  retromencionada,  pois  o  lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratada a empresa executora de obra  de construção civil e não haver apresentada a documentação hábil a elidir a responsabilidade  solidária.  Dentro  desse  contexto  da  solidariedade  imputada  à  Recorrente,  esta  alega que o próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirma a não aplicabilidade da  responsabilidade solidária em relação à  sociedade de economia mista. Essa alegação não  Fl. 216DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     10 procede  para  o  caso  ora  analisado,  além  dela  ser  também  impertinente  para  o  deslinde  da  controvérsia instaurada, eis que o conteúdo do acórdão do STJ – proferido no REsp 417.794­ RS, Relator Min. Luiz Fux, 1ª Turma – trata da responsabilidade solidária prevista quando da  contratação  de  serviços  executados mediante  cessão  de mão­de­obra,  conforme  se  extrai  do  Voto condutor a seguir reproduzido:  “[...]  Por  seu  turno,  conheço  do  recurso  no  tocante  à  alegada  afronta ao art. 31 da Lei 8.212/91.  A  questão  sub  judice  é  saber  se  incide  a  responsabilidade  solidária prevista no art. 31, da Lei 8.212/91 sobre o Banco do  Brasil  S/A,  sociedade  de  economia  mista,  integrante  da  administração  indireta,  no  período  em  que  contratou  empresa  para instalação de sistema online nos terminais de sua filial em  suas dependências.  O  referido  comando  legal,  à  época  do  serviço  prestado  pela  empresa (junho/1995), antes, portanto, das  inúmeras alterações  introduzidas, dispunha o seguinte:  Art.  31.  O  contratante  de  quaisquer  serviços  executados  mediante  cessão  de  mão  de  obra,  inclusive  em  regime  de  trabalho  temporário,  responde  solidariamente  com  o  executor  pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a  ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23 [...].” (g.n.)  Constata­se  que  o  lançamento  fiscal  ora  analisado  é  decorrente  da  solidariedade existente entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor  (chamada  de  contratada),  conforme  ficou  devidamente  delineado  no  Relatório  Fiscal  (fls.  11/23) e nas planilhas anexas. Esses documentos (Relatório Fiscal e planilhas) demonstram que  os  valores  lançados  no  presente  processo  são  decorrentes  dos  seguintes  levantamentos  originais:  1.  SC1 – SOLIDA. CONST. CIVIL ANTES 1999  (NFLD 35.067.668­ 2) à  Remuneração  paga  aos  segurados  empregados  das  empresas  executoras de obras de construção civil,  incluída em notas  fiscais,  faturas  e  recibos,  pelas  quais  o  Banco  do  Brasil,  na  condição  de  contratante dos serviços,  responde solidariamente. Período anterior a  01/1999; e  2.  SC2 – SOLIDA. CONST. CIVIL APÓS 1999 (NFLD 35.067.669­0)  à  Remuneração  paga  aos  segurados  empregados  das  empresas  executoras de obras de construção civil,  incluída em notas  fiscais,  faturas  e  recibos,  pelas  quais  o  Banco  do  Brasil,  na  condição  de  contratante dos serviços, responde solidariamente. Período a partir de  01/1999.  Assim, não acatamos o argumento da Recorrente ora analisado, uma vez que  o  lançamento  de  que  trata  este  processo  não  é  de  responsabilidade  solidária  oriundo  da  execução  de  contrato  de  cessão  de  mão­de­obra  –  conforme  estabelecia  o  art.  31  da  Lei  8.212/1991, na redação dada pela Lei 9.528/19972 –, mas de responsabilidade solidária oriunda  de serviços de construção civil, conforme estabelece o art. 30, VI, da Lei 8.212/1991.                                                              2 Art. 31 da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.528/1997, posteriormente a regra estampada neste artigo  foi revogada:  Fl. 217DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722509/2010­61  Acórdão n.º 2402­002.980  S2­C4T2  Fl. 7          11 Ainda dentro desse contexto da relação obrigacional solidária tributária  previdenciária, registra­se que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, diploma que institui  normas  gerais  para  licitação  e  contratos  da  Administração  Pública  –  ao  estabelecer  que  a  inadimplência do contratado com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não  transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento –, não tem o condão  de afastar a regra específica da legislação previdenciária – estampada no art. 30, inciso VI, da  Lei 8.212/1991 –, eis que a regra da legislação licitatória (art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993) é  norma geral a ser aplicada, nos contratos firmados entre a Recorrente (contratante) e a contrata,  caso não houvesse uma norma específica disciplinado a matéria como um preceito de direito  público.  Assim,  a  regra  do  art.  71,  §  1o,  da  Lei  8.666/1993  deve  ser  interpretada  sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com as  normas  pertinentes  à  legislação  tributária  previdenciária,  que  são  normas  essencialmente  de  natureza pública –, não possuindo o arrimo de afastar a solidariedade da relação obrigacional  para com a Seguridade Social estabelecida entre o proprietário ou dono de obra de construção  civil e o construtor, prevista no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991.  Essa interpretação é corolário das normas constitucionais, pois depreende­se  do  art.  173,  §  2º,  da  Constituição  Federal  que  a  empresa  pública  exploradora  de  atividade  econômica, que é o caso da Recorrente, está sujeita ao regime próprio das empresas privadas,  inclusive  quanto  às  obrigações  tributárias  e  trabalhistas,  salvo  se  a  lei  estabelecer  estatuto  jurídico especial para a empresa nos termos do § 1º desse artigo.  Constituição Federal de 1988:  Art.  173.  Ressalvados  os  casos  previstos  nesta  Constituição,  a  exploração  direta  de  atividade  econômica  pelo  Estado  só  será  permitida  quando  necessária  aos  imperativos  da  segurança  nacional  ou  a  relevante  interesse  coletivo,  conforme  definidos  em lei.  § 1º A  lei estabelecerá o estatuto  jurídico  da empresa pública,  da  sociedade  de  economia  mista  e  de  suas  subsidiárias  que  explorem atividade econômica de produção ou comercialização  de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (Redação  dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...)  II ­ a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas,  inclusive  quanto  aos  direitos  e  obrigações  civis,  comerciais,  trabalhistas e tributários; (Incluído pela Emenda Constitucional  nº 19, de 1998) (...)  § 2º As empresas  públicas  e as  sociedades de  economia mista  não  poderão  gozar  de  privilégios  fiscais  não  extensivos  às  do  setor privado. (g.n.)  Esse entendimento de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser  interpretada  sistematicamente  com  as  demais  normas  do  ordenamento  jurídico  brasileiro                                                                                                                                                                                           "Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão­de­obra, inclusive em regime de  trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação  aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício  de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)".  Fl. 218DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     12 também é extraído da regra prevista no art. 54 dessa mesma lei, eis que esta regra afirma que  “(...) os contratos administrativos de que trata esta Lei regulam­se pelas suas cláusulas e pelos  preceitos de direito público (...)”, grifamos.  Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a regra do art. 71, §  1o,  da  Lei  8.666/1993  estabeleceria  uma  responsabilidade  fiscal  exclusiva  para  as  empresas  contratadas  –  elidindo  a  sua  responsabilidade  da  obrigação  solidária  tributária  apurada  pelo  Fisco –, uma vez que há regra mais específica tratando da matéria no art. 30, inciso VI, da Lei  8.212/1991,  sendo  que  esta  regra  especial  tributária  disciplina  a  respectiva  matéria  em  consonância e em obediência às normas constitucionais.  Além  disso,  essa  regra  prevista  no  art.  71,  §  1o,  da  Lei  8.666/1993,  que  transferiria  a  responsabilidade  fiscal  exclusiva  para  as  empresas  contratadas,  não  pode  ser  aplicada ao caso porque prevalece a  regra constitucional, hierarquicamente superior,  já que a  empresa enquadrada como sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica,  que é caso da Recorrente, não poderá gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas  do setor privado, nos termos do art. 173, § 2º, da Constituição Federal.  Com relação à responsabilidade solidária no âmbito tributário, cumpre  esclarecer que ela não comporta benefício de ordem, podendo o Fisco escolher de quem  será  cobrada  a  dívida  de  forma  integral,  nos  termos  do  art.  124,  parágrafo  único,  do  CTN.  Assim,  não  acatamos  a  alegação  da  Recorrente  de  que  antes  da  Lei  9.528/1997,  que  deu  nova  redação  ao  inciso  VI  do  art.  30  da  Lei  8.212/19913,  não  havia  vedação à aplicação do benefício de ordem e, consequentemente, somente a partir da entrada  em  vigor  desse  dispositivo,  em  10/12/97,  é  que  seria  possível  afastar  a  aplicabilidade  do  benefício de ordem e exigir da contratante os valores devidos por responsabilidade solidária.  Com  isso,  entendemos  que  a  inserção  promovida  pela  Lei  9.528/1997  no  inciso  VI  do  art.  30  da  Lei  8.212/1991  não  implicou  qualquer  inovação  interpretativa  com  relação  à  não  aplicação  do  benefício  de  ordem  no  âmbito  tributário,  tornando  apenas  a  sua  inaplicabilidade mais  evidente,  eis  que  essa  inserção  deve  ser  interpretada  sistematicamente  com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com a regra estampada  no parágrafo único do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, não procedem os  argumentos  da  Recorrente  de  que  deveria  ter  sido  cobrado  primeiramente  da  empresa  contratada os débitos anteriores à entrada em vigor dessa lei.  Com relação à apresentação da Certidão Negativa de Débito (CND) pela  contratada, entendemos que a emissão da CND não configura uma modalidade de extinção do  extinção  do  crédito  tributário,  pois  não  está  registrada  nas  hipóteses  do  art.  156  do  Código  Tributário Nacional (CTN)4, que disciplina o assunto.                                                              3 Artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em sua redação original: “VI ­ o proprietário, o incorporador definido  na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou o condômino da unidade imobiliária, qualquer que  seja  a  forma  de  contratação  da  construção,  reforma  ou  acréscimo,  são  solidários  com  o  construtor  pelo  cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor  ou contratante da obra e admitida a retenção de  importância a este devida para garantia do cumprimento dessas  obrigações;”  4 Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966:  Art. 156. Extinguem o crédito tributário:  I ­ o pagamento;  II ­ a compensação;  III ­ a transação;  IV ­ remissão;  Fl. 219DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722509/2010­61  Acórdão n.º 2402­002.980  S2­C4T2  Fl. 8          13 Assim, a concessão da CND não implica nem comprova garantia absoluta de  não  existência  de  crédito  tributário  a  ser  lançado,  tanto  que  no  corpo  da  própria  CND  está  ressalvado  ao  Fisco  o  direito  de  cobrança  de  qualquer  valor  apurado  posteriormente  à  sua  emissão, nos termos do § 1º do art. 47 da Lei 8.212/1991, in verbis:  Art. 47. É exigida Certidão Negativa de Débito ­ CND, fornecida  pelo órgão competente, nos seguintes casos: (Redação dada pela  Lei nº 9.032, de 28.4.95).  (...)  §  1º  A  prova  de  inexistência  de  débito  deve  ser  exigida  da  empresa  em  relação  a  todas  as  suas  dependências,  estabelecimentos e obras de construção civil, independentemente  do local onde se encontrem, ressalvado aos órgãos competentes  o  direito  de  cobrança  de  qualquer  débito  apurado  posteriormente. (g.n.)  Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a emissão da CND  para a empresa contratada caracteriza uma forma de elidir a sua responsabilidade solidária da  obrigação  tributária  apurada  pelo  Fisco.  Isso  decorre  do  fato  de  que  a CND não  é  causa  de  extinção do crédito tributário, mas um mero documento que corrobora, até aquele momento de  sua emissão, a inexistência de valores devidos ao Fisco.  Quanto  à  apuração  da  base  de  cálculo  por  meio  da  aplicação  do  percentual de 40%, incidente sobre as notas fiscais, entendemos que se trata de uma técnica  de  aferição  indireta  para  apuração  dos  valores  devidos  à  Previdência  Social  e  encontra­se  devidamente motivada, eis que a Recorrente não apresentou os documentos que comprovassem  que a contratada cumpriu as obrigações previdenciárias referentes ao serviço prestado.  Logo,  a  contribuição  social  previdenciária  apurada  pela  técnica  de  aferição  indireta  é  adequada,  razoável  e  proporcional,  não  merecendo  ser  reformada.  Além  disso,  a  Recorrente  não  apresentou  qualquer  elemento  probatório  de  que  suas  alegações  sejam  verdadeiras.  Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, §§ 3° e 6°,  da Lei 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrando­se lavrado dentro da legalidade.  Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN):  Art. 148. Quando o cálculo do  tributo tenha por base, ou  tome  em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços                                                                                                                                                                                           V ­ a prescrição e a decadência;  VI ­ a conversão de depósito em renda;  VII ­ o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e  4º;  VIII ­ a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164;  IX  ­  a decisão  administrativa  irreformável,  assim  entendida  a definitiva  na órbita  administrativa,  que  não mais  possa ser objeto de ação anulatória;  X ­ a decisão judicial passada em julgado.  XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei.  (Incluído pela Lcp nº  104, de 10.1.2001)  Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação  da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149.  Fl. 220DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     14 ou  atos  jurídicos,  a  autoridade  lançadora,  mediante  processo  regular,  arbitrará  aquele  valor  ou  preço,  sempre  que  sejam  omissos  ou  não  mereçam  fé  as  declarações  ou  os  esclarecimentos  prestados,  ou  os  documentos  expedidos  pelo  sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada,  em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa  ou judicial.  .........................................................................................................  Lei 8.212/1991:  Art.  33.  À  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  compete  planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas  à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  no  parágrafo  único do art. 11 desta Lei, das contribuições  incidentes a  título  de  substituição  e  das  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.  (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil,  por  intermédio  dos  Auditores­Fiscais  da  Receita  Federal  do  Brasil,  o  exame  da  contabilidade  das  empresas,  ficando  obrigados  a  prestar  todos  os  esclarecimentos  e  informações  solicitados  o  segurado  e  os  terceiros  responsáveis  pelo  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  e  das  contribuições  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.  (Redação  dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  §  2o.  A  empresa,  o  segurado  da  Previdência  Social,  o  serventuário  da  Justiça,  o  síndico  ou  seu  representante,  o  comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou  extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros  relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação  dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  § 3o. Ocorrendo  recusa ou  sonegação de qualquer documento  ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da  Receita  Federal  do  Brasil  pode,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  lançar de ofício a  importância devida.  (Redação dada  pela Lei nº 11.941, de 2009).  (...)  § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  de  remuneração  dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas,  cabendo  à  empresa  o  ônus  da  prova  em  contrário.  (g.n.)  Em perfeita consonância com o lançamento em tela, colaciona­se julgado do  Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a Região, que muito bem elucida a legalidade da aferição  indireta, e a razoabilidade do percentual de 40% incidente sobre as notas fiscais para se aferir a  base de cálculo das contribuições previdenciárias.  Fl. 221DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722509/2010­61  Acórdão n.º 2402­002.980  S2­C4T2  Fl. 9          15 “[...]  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  TOMADORA  DE  SERVIÇOS.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. LEGALIDADE.  (...)  2.  Tratando­se  de  contribuições  previdenciárias,  prestado  o  serviço, por disposição  legal, a  tomadora se  incorpora ao pólo  passivo da obrigação como devedora solidária e só se exime do  cumprimento da obrigação se comprovar que a outra devedora  adimpliu – pagou o tributo –, pois assim extinguira a obrigação  tributária. Ainda que admitida a inserção da  tomadora no pólo  passivo  da  obrigação  pelo  descumprimento  do  dever  de  exigir  comprovação  do  pagamento  do  tributo,  tal  ocorreria  –  com  o  pagamento  da  nota  fiscal  ou  fatura  relativa  à  prestação  do  serviço – antes do lançamento de ofício, pois trata­se de tributo  no qual a lei atribui ao sujeito passivo a apuração e pagamento  do  débito  tributário  sem  qualquer  intervenção  prévia  da  administração.  3. Incluída a tomadora, por lei, no pólo passivo da obrigação, a  comprovação  do  pagamento  pode  ser  dela  exigida  a  qualquer  tempo,  tanto  na  apuração  do  débito  quanto  na  cobrança  dos  valores lançados,  já que o Fisco pode – como qualquer credor,  em matéria de solidariedade – voltar­se contra ela ou contra a  prestadora, ou contra ambas as devedoras, já no lançamento, já  na execução.  4. Segundo a legislação do período no qual ocorreram os  fatos  geradores  (05/1995  a  01/1999),  cabia  à  tomadora,  quando  da  quitação da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, exigir  da  prestadora  cópia  autenticada  da  guia  de  recolhimento  quitada  e  folha  de  pagamento  dos  empregados  postos  a  seu  serviço,  dever  do  qual  não  se  desincumbiu  integralmente,  restando solidariamente responsável pelo débito tributário.  5. A aferição indireta só incide naquilo em que a tomadora não  se desincumbiu de ônus expressamente previsto em lei – exigir as  folhas de pagamentos dos empregados postos a seu serviço.  6. É  razoável  a  fixação de  percentual  (40%)  sobre o  valor  da  nota fiscal ou fatura como representativo do custo da mão­de­ obra, e, em conseqüência, do valor dos salários sobre os quais  deve  incidir  o  tributo.  Com  isso,  não  se  desnatura  a  contribuição, mas apenas se obtém, de modo indireto, na falta da  documentação apropriada para a apuração direta (cujo ônus, no  caso, era da tomadora) o valor dos salários, base de cálculo do  tributo.  Inversão  do  ônus  da  prova  (§  3º  do  art.  33  da  Lei  nº  8.212/91),  estabelecendo presunção  relativa  em  favor do  INSS;  caberia,  portanto,  à  tomadora,  demonstrar  que  o  percentual  é  excessivo.  7.  Embargos  infringentes  improcedentes.  (TRF  4ª  R;  EIAC  ­  Embargos  Infringentes  na  Apelação  Cível;  Processo:  200271000090415/RS;  Órgão  Julgador:  Primeira  Seção;  Data  Fl. 222DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     16 da  decisão:  01/09/2005;  DJU  Data:28/09/2005;  Página:  681;  Relator DIRCEU DE ALMEIDA SOARES) [...].” (g.n.)  Portanto, o procedimento de aferição  indireta utilizado pela auditoria  fiscal,  para  a  apuração  da  contribuição  previdenciária,  foi  corretamente  aplicado,  pois  a  auditoria  fiscal  demonstrou  que  ocorreu  recusa  ou  sonegação  de  documentos  ou  informações,  ou  sua  apresentação  foi  deficiente,  podendo  o  Fisco  inscrever  de  ofício  importância  que  reputar  devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.  Por  fim,  pela  apreciação  do  processo  e  das  alegações  da  Recorrente,  não  encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão  de  primeira  instância,  eis  que  o  lançamento  fiscal  e  a  decisão  encontram­se  revestidos  das  formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídico­tributário vigente  à época da sua lavratura.  CONCLUSÃO:  Voto  no  sentido  de  CONHECER  do  recurso  e  NEGAR­LHE  PROVIMENTO, nos termos do voto.    Ronaldo de Lima Macedo.                              Fl. 223DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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