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Numero do processo: 10830.016265/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
DEMONSTRATIVO FUNDAMENTADO DO ÁGIO. NÃO APRESENTAÇÃO. EXIGÊNCIA LEGAL. GLOSA DAS DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO.
O valor do ágio, cujo fundamento econômico seja o valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base na previsão dos resultados nos exercícios futuros, deverá ser demonstrado em documento que indique de forma clara e consistente a avaliação da empresa a valor presente, justificando o valor do ágio na aquisição de participação societária. O demonstrativo deverá ser arquivado pelo contribuinte como comprovante da escrituração do ágio.
Não apresentado o respectivo demonstrativo, como exige a lei, justifica-se a glosa das despesas de amortização do ágio registradas pela autuada.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS. GLOSA DA COMPENSAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Na hipótese de não ter sido caracterizada a operação como simulada, é lícita a denominada "incorporação às avessas" para compensação de prejuízos fiscais da incorporadora, quando realizada entre empresas operativas, sob controle comum e tendo por objetivo a melhor eficiência financeira na operação.
Numero da decisão: 1202-000.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a compensação de prejuízos fiscais, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A conselheira Viviane Vidal Wagner acompanhou o relator pelas suas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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NÃO APRESENTAÇÃO. EXIGÊNCIA LEGAL. GLOSA DAS DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO. O valor do ágio, cujo fundamento econômico seja o valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base na previsão dos resultados nos exercícios futuros, deverá ser demonstrado em documento que indique de forma clara e consistente a avaliação da empresa a valor presente, justificando o valor do ágio na aquisição de participação societária. O demonstrativo deverá ser arquivado pelo contribuinte como comprovante da escrituração do ágio. Não apresentado o respectivo demonstrativo, como exige a lei, justificase a glosa das despesas de amortização do ágio registradas pela autuada. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. INCORPORAÇÃO “ÀS AVESSAS”. GLOSA DA COMPENSAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Na hipótese de não ter sido caracterizada a operação como simulada, é lícita a denominada "incorporação às avessas" para compensação de prejuízos fiscais da incorporadora, quando realizada entre empresas operativas, sob controle comum e tendo por objetivo a melhor eficiência financeira na operação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a compensação de prejuízos fiscais, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A conselheira Viviane Vidal Wagner acompanhou o relator pelas suas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 62 65 /2 01 0- 91 Fl. 2373DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 101 2 (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratase do exame dos Autos de Infração do IRPJ e da CSLL, relativamente aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007 com aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora com base na taxa Selic, fls. 1845 e ss. A autoridade fiscal teria identificado a ocorrência de duas infrações tributárias: 1 Glosa das despesas de amortização de ágio por desatendimento aos preceitos legais: i) inexistência de fundamento econômico com base em “laudo de avaliação”; ii) falta de demonstração matemática dos valores do ágio apurado; e iii) não comprovação do pagamento integral do ágio apurado; 2 Glosa da compensação de prejuízos compensados indevidamente em razão do evento de “incorporação” da empresa superavitária (com lucros), por empresa deficitária (com prejuízos a compensar), visando contornar a vedação legal prevista no art. 514 do RIR/99; A dedução da amortização do ágio ocorreu a partir de julho de 2001, em razão do evento de incorporação às avessas, ocorrido em 30/06/2001. No entanto, o lançamento fiscal, efetuado em 2010, somente ocorreu em relação aos anos de 2005, 2006, 2007, face ao transcurso do prazo decadencial para os períodos anteriores (fls. 101 e 1847). Na sequência, por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevo, na parte que interessa, o Termo de Constatação Fiscal, de fls. 1802 e ss., o qual passo a adotar: “5. Apresentamos a seguir as empresas envolvidas nas operações: CNPJ 61.064.689/000102 Até 30/06/2001 a Razão Social era LION S.A. Após incorporação da SOTREQ, CNPJ 33.081.712, ocorrida em 30/06/2001, a razão Fl. 2374DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 102 3 social passou a ser SOTREQ S.A, ora em fiscalização. Antes da incorporação era uma empresa deficitária, inclusive com Patrimônio Líquido negativo. CNPJ 33.081.712/000131 Até 30/06/2001 a Razão Social era SOTREQ S.A. Após a incorporação pelo CNPJ 61.064.689, ocorrida em 30/06/2001, foi extinta. Antes da incorporação era uma empresa superavitária. CNPJ 01.352.859/000122 Até 31/12/2002 a Razão Social era NOIL PARTICIPAÇÕES E COMÉRCIO S.A. Após incorporação pelo CNPJ 61.064.689, ocorrida em 31/12/2002, foi extinta. Era a sociedade controladora da LION. CNPJ 34.151.100/000130 A Razão Social era CABO EMPREENDIMENTOS S.A. Em 31/12/2002 ocorreu cisão parcial, seguida de incorporação do patrimônio cindido pela NOIL, a qual foi incorporada pela fiscalizada CNPJ 61.064.689. Era a sociedade controladora da SOTREQ. Em 30/06/2009 a CABO incorporou a SOTREQ (CNPJ 61.064.689, fiscalizada), tendo alterado sua razão social para SOTREQ. CACo CATERPILLAR AMÉRICAS Co., empresa sediada nos Estados Unidos da América, que mantém contratos de distribuição de seus produtos com diversos representantes no Brasil, entre os quais a SOTREQ e a LION. 6. Segundo a resposta do contribuinte recebida em 26/04/2010, as operações foram efetuadas conforme o disposto a seguir. "A fiscalizada é uma das empresas que representam, no Brasil, a Catterpillar América Co. ("CACo"), sociedade com sede nos Estados Unidos, e, nessa condição, segue modelo de estrutura societária sugerido, qual seja, que as empresas representantes da CACo sejam controladas por sociedades do tipo holding, e não diretamente por pessoas físicas ("PF"). A sociedade é sociedade controlada pela Cabo Empreendimentos S.A ("CABO"). " "Cabe apontar que o grupo CACo não mantém, no Brasil, somente um representante de seus negócios. Assim, outras empresas autorizadas pela CACo também podem desempenhar tais atividades, respeitandose "limites territoriais de atuação". Essa era a situação da Noil Participações e Comércio S.A ("NOIL"), sociedade controladora da LION S.A ("LION"). Assim, a representação da CACo no Brasil, no passado, pode ser esquematizada a partir da figura abaixo:" [desenho esquemático na pág. 1804] "Até o ano de 1996, as dívidas que a LION possuía frente à CACo alcançavam o total de, aproximadamente US$ 22.000.000,00. Diante disso, a CACo decide intervir na sociedade. Conseqüência dessa intervenção foi a aquisição de 84% das ações da NOIL e 33% das ações da LION, de forma que a estrutura anterior passou a ser a seguinte: " [desenho esquemático na pág. 1804] "Três anos depois, em 1999, as dívidas da NOIL ainda não haviam sido quitadas. Pelo contrário, essa sociedade, em conjunto com a LION, havia assumido dívidas ainda maiores, agora com terceiros (em sua maioria, instituições financeiras), atingindo o montante de R$ 33.000.000,00. " "Com isso, buscando recuperar seus negócios, a LION procurou a Fiscalizada, a fim de que ambas as empresas se associassem sob uma única Fl. 2375DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 103 4 sociedade, somando sinergias, otimizando negócios e potencializando a exploração do mercado comum, uma vez que desenvolviam atividades idênticas." "Assim, em 25.10.1999, chegouse a celebrar um Contrato Preliminar de Intenções (doc. nº 2), após a realização de longo estudo de condições econômico financeiras e de mercado (doe. Nº 3). " "A despeito disso, o Contrato Preliminar de Intenções acabou não gerando resultados (grifo da fiscalização). Diante desse cenário, a CACo decide retomar os negócios desenvolvidos pela NOIL, com base na Cláusula 21 do Contrato de Distribuição, passando a representação que por ela era detida a outra sociedade abrindo longa etapa de negociações com outras empresas, inclusive estrangeiras." "Nesse processo, destacouse a proposta apresentada pela representante Sul africana da CACo, a Barlow Limited ("Barlow"), que chegou a celebrar com a LION um Memorando de Entendimentos (Memorandum of Understandings "Memorando "), em 24.6.2000 (doc. n° 4). " "De acordo com as disposições desse Memorando, a Barlow pagaria o valor de USS 52.000.000,00 à LION/CACo pela totalidade de suas ações, e, conseqüentemente, passaria a deter seu controle e atividades no Brasil. " "Entretanto, após novas negociações entre a CACo e a Fiscalizada (que, vale ressaltar, assim como a NOIL, era a representante da CACo no Brasil), decidiuse, em 24.1.2001, que a representante brasileira deveria assumir as atividades antes desempenhadas pela LION, sendo essa decisão consubstanciada em um outro Memorando de Entendimentos (Memorandum of Understandings — "Segundo Memorando ") (doc. Nº 5). ", "De acordo com o Segundo Memorando, dentre outras obrigações, a Sotreq deveria:" "(i) contribuir o valor de US$ 25.000.000,00 na LION, passando a ser detentora de 50% de seu capital social. O pagamento seria dividido em duas parcelas: (a) a primeira, de US$ 10.000.000,00, no momento da celebração de acordo definitivo; e (b) o valor restante, US$ 15.000.000,00, até 31.3.2001. O referido pagamento seria destinado à quitação das dívidas acumuladas pela LION, tanto perante a CACo, quanto a instituições financeiras (dentre as quais, ABNAmro, Barclays e West LB);" "(ii) adquirir a participação detida pela CACo na NOIL e na LION, pelo valor de US$ 22.000.000,00, ao longo do período de sete anos, sendo que tal aquisição deveria se iniciar antes de 1.7.2004, pelo valor mínimo de US$ 5.500.000,00;" (iii)........................................................ "(iv) otimizar a incorporação do patrimônio da LION ao seu próprio, concluída a aquisição da totalidade da participação societária, "(grifo da fiscalização) "Concluída a etapa preliminar de negociações, passaram a ser realizados diversos estudos a respeito das condições econômicofinanceiras, de mercado e de sinergias entre as sociedades objeto do contrato (LION e Fiscalizada) (doc. Nº 6). A partir disso, o negócio foi concluído, de forma que a Fiscalizada passou a deter a representação da CACo nos territórios que antes eram controlados pela LION. " Fl. 2376DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 104 5 "Com a decisão tomada pela CACo de passar a representação de suas atividades para a Fiscalizada, que também era uma sociedade brasileira, foi necessário estabelecer uma reestruturação societária a fim de otimizar as sinergias e redesenhar a logística da Fiscalizada, para que o ramo detido pela LION pudesse ser incorporado de maneira eficiente, sem interferir de maneira negativa em suas operações (grifo da fiscalização). Afinal, vale lembrar, a LION era detentora de dívidas que alcançavam o montante de aproximadamente R$ 33.000.000,00, contemplando, inclusive, Patrimônio Líquido negativo." Em 21.3.2001 foi celebrado entre a CACo, CABO e a Fiscalizada, o Contrato de Compra e Venda de Ações ("Contrato ") a que se referia o Segundo Memorando (doc. Nº 8), estabelecendo, dentre outros, o seguinte:" "(i) a Fiscalizada deveria contribuir o valor de US$ 25.000.000,00 na LION, sendo por isso emitidas 26.346.542 ações ordinárias e 12.781.183 ações preferenciais da classe 4;" (ii) como adiantamento ao futuro aumento de capital, na data da assinatura do contrato a Fiscalizada deveria pagar o valor de US$ 1.000.000,00;" (iii) ...................... (iv) a Fiscalizada se comprometeria a adquirir a participação detida pela CACo na LION e a CABO se comprometeria a adquirir a participação detida pela CACo na NOIL, operações que, no total, atingiam o valor de US$ 22.000.000,00 (sendo US$ 12.000.000,00 relativos à primeira aquisição, e US$ 10.000.000,00 pela segunda);" (v) ...................... (vi) o pagamento de US$ 22.000.000,00 seria efetuado da seguinte forma: (a) a CABO deveria efetuar o pagamento à CACo em quatro parcelas anuais no valor de US$ 2.500.000,00; e (b) a Fiscalizada deveria efetuar o pagamento à CACo em quatro parcelas anuais no valor de US$ 3.000.000,00; sendo cada parcela representada e garantida por Nota Promissória Endossável com vencimento anual, sendo a primeira devida em 1.7.2004 e a última parcela devida em 1.7.2007 (docs. nºs 9 a 16); e " (vii) as parte se comprometeriam a obter todas as aprovações necessárias e a praticar todos os atos necessários para efetivar a incorporação da Fiscalizada na LION até 31.12.2001." "Assim, após o Contrato, a estrutura de representação da CACo no Brasil passou a ser a seguinte:" "Quando do aporte de US$ 25.000.000,00;" [desenho esquemático na pág. 1806] “Quando da aquisição da participação detida pela CACo na NOIL e LION;' [desenho esquemático na pág. 1807] Fl. 2377DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 105 6 "A partir dessa estrutura, começaram a ser tomadas as devidas providências para a concretização da Cláusula 3 do Contrato de Compra e Venda de Ações (incorporação da Fiscalizada na LION). " "Para que a estrutura acima pudesse ser efetivamente concretizada, foi necessário realizar ajustes ao Contrato de Compra e Venda de Ações, de forma que, em 12.4.2001, foi celebrada a Primeira Alteração Contratual do Contrato de Compra e Venda de Ações (doe. n" 17), prevendo as condições pelas quais seriam adquiridas as participações originariamente detidas pela CACo. Não obstante, o Contrato de Compra e Venda de Ações ainda se mostrava incompleto para a concretização da Cláusula 3, de forma que foi necessária a celebração da Segunda Alteração Contratual do Contrato de Compra e Venda de Ações (doc. Nº 18), em 16.2.2005 (decorridos quase 4 anos do Contrato de Compra e Venda de Ações — grifo e observação da fiscalização). " "Nesse esteio, foram também elaborados demonstrativos de avaliação do ágio que seria gerado à Fiscalizada (doe. n" 19), realizadas auditorias legais(doc. nº 20), e solicitadas avaliações de auditores independentes (docs. nºs 21 e 22). " "Concluídos os estudos e realizada a incorporação da Fiscalizada pela LION, que se deu justamente com (i) cisão parcial da CABO; (ii) incorporação da parte cindida da CABO na NOIL; e (iii) incorporação da NOIL na fiscalizada, com sua conseqüente extinção; a estrutura sob análise passou a ser a seguinte: [desenho esquemático na pág. 1807] "A Fiscalizada esclarece que a incorporação foi feita pela LION a fim de que os prejuízos por ela contabilizados não fossem perdidos (grifo da fiscalização), que oneraria ainda mais a operação, causando, consequentemente, aumento no valor de venda de suas ações. " 7. Conforme os documentos apresentados, os acionistas das holdings, antes das incorporações (março/2001), eram os seguintes: • Acionistas da CABO (controladora da SOTREQ): Carl Vagn Orberg, Borge Kristian Orberg, Carl Alfred Orberg e Kathryn Orberg Beeck. • Acionistas da NOIL (controladora da LION): CACo (empresa sediada nos EUA), Paulo Fernando Cavalcanti de Albuquerque, Russel Graham Glover e Edward Russel McKenny Jr.. Conforme verificado posteriormente, a LION EMPREENDIMENTOS S.A (LEMP), CNPJ 61.076.956/000161, também era acionista da NOIL. • Acionistas da CACo: Não foram informados, apesar do contribuinte ser intimado a fazêlo. [...] VII DA COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS DO ÁGIO LION [...] 35. Com relação aos pagamentos de US$ 12 milhões, previstos para serem efetuados em 2004 a 2007, referentes à quitação da participação anteriormente detida pela CACo na LION, a fiscalização não contesta sua efetividade, tendo em Fl. 2378DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 106 7 vista cópia de contratos de câmbio apresentados em 17/03/2010 e INSTRUMENTO PARTICULAR DE QUITAÇÃO celebrado em 20 de abril de 2006 (doc. 1 da resposta recebida em 02/08/2010). 36. Já com relação ao efetivo pagamento de US$ 25 milhões, a fiscalizada não comprovou integralmente sua efetividade, conforme pode ser verificado na PLANILHA 4, em anexo, elaborada com base na planilha DEMONSTRATIVO DE LANÇAMENTOS da LION, apresentada pela fiscalizada em 13/09/2010, e documentos apresentados em 27/09/2010 e 12/11/2010, onde se observa o seguinte: • Com relação aos pagamentos via bancos (R$ 2.000.000,00, R$ 92.900,00), equivalentes a US$ 1 milhão, a fiscalizada não apresentou os extratos bancários da LION, apesar de intimada a fazêlo. Apresentou apenas extrato da SOTREQ, a crédito, quando deveria ser a débito. De qualquer forma, a proprietária das ações era a NOIL, e a fiscalizada não apresentou os livros da NOIL, apesar de intimada a fazê lo. (...) • Com relação ao pagamento de R$ 14.625.117,71, equivalentes a US$ 6.844.081,48, a fiscalizada apresentou o extrato da CABO, mas não da LION. Observase no livro RAZÃO da CABO (cópia em anexo à resposta recebida em 18 /06/2010), folha 1, como histórico, "vlr ref doc para SOTREQ nesta data". • Com relação ao pagamento de R$ 3.738.007,92, equivalente a US$ 1.749.266,66 foi apresentado contrato 3100400032, onde se observa que quem contraiu o empréstimo foi a CABO, não a LION. • Com relação ao pagamento de R$ 2.136.900,00, equivalente a US$ 1 milhão foi apresentado ctr 3100100086, onde se observa que a CABO assumiu a dívida da LION, porém, como contrapartida, a LION entregou à CABO, na mesma data, o valor assumido, conforme cláusula 3.1 do contrato, ou seja, para a LION, teria havido uma cessão de dívida para a CABO e uma saída de dinheiro na mesma data, para a CABO. Observamos também que esses lançamentos não foram encontrados no livro RAZÃO da CABO (cópia em anexo à resposta recebida em 18/06/2010). • Com relação ao pagamento de R$ 6.410.700,00, equivalente a US$ 3 milhões, foi apresentado primeiro termo de aditamento, ctr 3100100088, onde se observa que a CABO assumiu a dívida da LION, porém, não consta a contrapartida no primeiro termo de aditamento, e a fiscalizada não apresentou o "Instrumento Particular", apesar de intimada a fazêlo. • No último lançamento, de 30/06/2001, (R$ 21.251.489,65), equivalente . aproximadamente a US$ 10 milhões, foi lançada a crédito de "CAPITAL A INTEGRALIZAR" e "Sotreq S.A" e a débito de "Outras contas a pagar" e "Transitória pagto a fornecedores". Tal lançamento abre apenas 2 (duas) possibilidades: Primeira Os detentores dos créditos nas contas debitadas, seriam os integralizadores do capital (o que não foi o caso, pois a conta 2162009 "Outras Contas a Pagar", apresentada na resposta recebida em 27/09/2010 (doe. n° 3) é composta de vários fornecedores, destacandose a Cat Brasil, empresa nacional (não a CACo, sediada nos EUA), sendo que os subscritores do aumento de capital seriam a CACo e a NOIL). Segunda Os integralizadores assumiriam as .dívidas lançadas nas contas debitadas. Tal aumento de capital estava previsto na ata da assembléia geral da LION, realizada em 30 de março de 2001, cópia entregue em 23/08/2010 (doe. n° 17). Seria os (ii) 40% do aumento de R$ 53.128.798,83, a ser integralizado até 30.6.2001. O aumento total do capital foi efetuado com a emissão de 26.346.542 ações ordinárias e 12.781.183 ações preferenciais da classe 4. Observase na ata de 29.6.2001 da LION (entregue em 08/10/09), item "e", que tais ações eram detidas Fl. 2379DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 107 8 pela SOTREQ e foram extintas. Dessa forma, a integralização do capital teria sido efetuada pela SOTREQ, como previsto desde o início, ou seja, ela teria assumido as dívidas de "Outras contas a pagar" e "Transitória pagto a fornecedores". Dessa forma, as dívidas, que eram da LION com a incorporação da SOTREQ, pela LION, ocorrida na mesma data teriam continuado com a LION, ou seja, não teria havido mudança em relação à situação antes da incorporação. Observamos também que tais lançamentos não constam no livro RAZÃO da CABO, conforme cópia integral em anexo à resposta recebida em 18/06/2010. De qualquer forma, não houve movimentação de numerários nessa operação. VIII DA COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS DO ÁGIO NOIL [...] 38. Com relação aos pagamentos acima relacionados, previstos para serem efetuados em 2004 a 2007, referente ao pagamento da participação anteriormente detida pela CACo na NOIL, a fiscalização não contesta sua efetividade, tendo em vista cópia de contratos de câmbio apresentados em 17/03/2010 e INSTRUMENTO PARTICULAR DE QUITAÇÃO celebrado em 20 de abril de 2006 (doe. 1 da resposta recebida em 02/08/2010). IX DOS LAUDOS DE RENTABILIDADE FUTURA: [...] 53. Em suma, a fiscalizada foi intimada a apresentar o Laudo de avaliação econômicofinanceira, o fundamento econômico e o demonstrativo de rentabilidade futura por 5 (cinco) vezes, em termos lavrados nas seguintes datas: 22/02/2010, 31/03/2010, 26/04/2010, 14/05/2010 e 05/07/2010. Em resposta recebida em 23/08/2010 a fiscalizada relacionou os documentos que, segundo ela, seriam os laudos, os quais, conforme o disposto nos itens anteriores, comprovouse que não continham o demonstrativo de rentabilidade futura. Na mesma resposta a fiscalizada informou que "não seriam necessários novos estudos para a concretização do negócio entre os grupos SOTREQ e LION". Dessa forma, ficou comprovado que não foi elaborado, por 3 peritos ou por empresa especializada, o Laudo de Avaliação econômicofinanceira, o fundamento econômico e o demonstrativo de rentabilidade futura em questão. X DA GLOSA DAS DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO LION: 54. Resumindo, com relação ao ágio LION: • Em todos os documentos apresentados, não há qualquer demonstrativo de rentabilidade futura, nem qualquer avaliação do valor de mercado de bens do ativo. Dessa forma, as ações da LION foram adquiridas por fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Tal afirmação é corroborada pelo fato de que, com a incorporação, a SOTREQ passou a deter a distribuição dos produtos da CACo nos territórios anteriormente alocados à LION. Isto posto, não sendo aplicável, no caso, a especial norma de dedutibilidade de ágio prevista no artigo 386, inciso III, §2°. do RIR/99, as despesas de amortização ficaram sujeitas à glosa, por não atenderem os requisitos previstos no art. 299 do mencionado regulamento. Fl. 2380DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 108 9 "Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47)." "§1°. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa." "§2°. As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa." 55. A inexistência do Laudo de avaliação econômico financeira, o fundamento econômico e o demonstrativo de rentabilidade futura já é por si só suficiente para a glosa da despesa de ágio. Porém, a falta do demonstrativo matemático dos valores de ágio, bem como a comprovação apenas parcial dos pagamentos, reforçam essa glosa, como o disposto a seguir. • A fiscalizada não conseguiu demonstrar matematicamente os valores do ágio, nem de R$ 76.845.186,06 (constante no LAUDO DE AVALIAÇÃO), como de R$ 79.345.197,83 (ágio amortizado). • Com relação à efetividade dos pagamentos, a fiscalização não contesta os pagamentos referentes aos US$ 12 milhões previstos para serem pagos em 2004 a 2007/referentes à participação anteriormente detida pela CACo na LION. Porém, entende que a fiscalizada não comprovou integralmente a efetividade do pagamento dos US$ 25 milhões, previstos para 2001. Observouse inclusive que em parte desses supostos pagamentos, não houve movimentação de numerários, conforme já disposto no item VII e PLANILHA 4. XI DA GLOSA DAS DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO NOIL: 56. Resumindo, com relação ao ágio NOIL: • os documentos relacionados pela fiscalizada se referem apenas à LION, e não à NOIL. Dessa forma, não há qualquer demonstrativo de rentabilidade futura da NOIL. Isto posto, não sendo aplicável, no caso, a especial norma de dedutibilidade de ágio prevista no artigo 386, inciso III, §2°. do RIR/99, as despesas de amortização ficaram sujeitas à glosa, por não atenderem os requisitos previstos no art. 299 do mencionado regulamento. [...] XIII DA GLOSA DAS COMPENSAÇÕES DE PREJUÍZO E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL 59. A LION S.A (CNPJ 61.064.689/000102), até março/2001, era uma empresa deficitária, com prejuízos acumulados. Segundo documento apresentado à CADE (doc. n° 7 da resposta apresentada em 26/04/2010), a LION era uma distribuidora autorizada do Grupo Caterpillar no Brasil, atuando especificamente nos estados do SP, MT, MS, RO, RR, AC e AM. 60. A SOTREQ (CNPJ 33.081.712/000131), até março/2001, era uma empresa superavitária, sem prejuízos acumulados. Segundo documento apresentado à CADE, a SOTREQ era uma distribuidora autorizada do Grupo Caterpillar no Brasil, atuando especificamente nos estados do RJ; ES, MG, GO, TO, PA e AP. Fl. 2381DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 109 10 61. Seria lógico que a SOTREQ, empresa superavitária, incorporasse a LION, empresa deficitária. Toda a negociação foi pautada nesse principio, com aportes de dinheiro e compra de ações da LION, pela SOTREQ. [...] 64. O art. 514 do RIR/99 dispõe que "a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei n° 2.341, de 1987, art. 33)". Se a SOTREQ (empresa superavitária) incorporasse a LION (empresa deficitária), a SOTREQ não poderia compensar os prejuízos acumulados desta. 65. A própria fiscalizada reconhece esse fato na resposta recebida em 26/04/2010, item 22. "A fiscalizada esclarece que a incorporação foi feita pela LION a fim de que os prejuízos por ela contabilizados não fossem perdidos, o que oneraria ainda mais a operação, causando, conseqüentemente, aumento no valor de venda de suas ações". 66. Dessa forma, unicamente para aproveitar os prejuízos da LION, nas apurações do IRPJ e da CSLL, ao invés da SOTREQ incorporar a LION, foi a LION que incorporou a SOTREQ, tendo alterado sua razão social para SOTREQ. 67. Essa fiscalização considera essa operação ilegal, pois o objetivo do negócio foi unicamente para recolher menos IRPJ e CSLL. O que vale são os fatos, e o que efetivamente ocorreu foi que a SOTREQ incorporou a LION e, portanto, não poderia compensar os prejuízos ficais desta, nos termos do art. 514 do RIR/99. Observamos também que as atividades da incorporada extinta (antiga SOTREQ) continuaram plenamente funcionais nos moldes que já acontecia até aquele momento. [...] 72. Considerandose que efetivamente foi a SOTREQ que incorporou a LION, e considerandose que a SOTREQ não possuía prejuízos fiscais nem bases de cálculo negativas de CSLL acumulados, ela não poderia compensar posteriormente, os prejuízos acumulados da LION. 73. Tendo a SOTREQ também incorporado a NOIL, em 31/12/2002, ela também não poderia compensar eventuais prejuízos acumulados e bases de cálculo negativa da CSLL da NOIL. Irresignado com o lançamento fiscal, o contribuinte apresentou sua impugnação, de fls. 1861 e seguintes, onde em síntese, conclui, fls. 1866: “Quanto à glosa da despesa com a amortização do ágio: (I) tratase de autuação em matéria de ágio totalmente distinta dos casos mais recentes examinados pelo CARF, uma vez que as empresas envolvidas eram empresas efetivamente existentes e operacionais, com contratos em vigor, empregados e ativos utilizados no desenvolvimento de suas atividades, não havendo 'empresa veículo' no caso em exame; (II) o ágio é real, fruto de operação legítima de aquisição de participações societárias, detidas por terceiros, em empresa que atua no mesmo setor (LION) e na sua holding (NOIL), mediante o desembolso efetivo de recursos por parte da adquirente (SOTREQ) para pagamento do preço de compra; Fl. 2382DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 110 11 (III) o evento que desencadeou o direito à amortização fiscal do ágio foi a incorporação da adquirente/controladora pela controlada LION, sendo a incorporação reversa nesse caso motivada por razões de negócio fartamente indicadas e sendo a incorporação reversa expressamente autorizada pelo art. 8o da Lei n° 9.532/97; (IV) o lançamento do registro do ágio foi corretamente realizado na contabilidade da IMPUGNANTE em relação aos investimentos detidos na LION e na NOIL, na forma da lei; (V) o ágio foi fundamentado com base em expectativa de rentabilidade futura de ambas as empresas (LION e NOIL), avaliadas conjuntamente em razão de a NOIL ter como único ativo participação no capital da LION, empresa operacional; (VI) a expectativa de rentabilidade futura encontrase amparada por mais de um demonstrativo apresentado à fiscalização que, não obstante, desconsiderou a apresentação dos mesmos por reputar que estes não revestem a forma que os autos de infração entendem adequada, ainda que não requerida por lei; (VII) este último argumento, aliás, é o único fundamento para a glosa das despesas com amortização do ágio, fundamento este totalmente descabido uma vez que a lei tributária não exige a demonstração da expectativa de rentabilidade futura por laudo de 3 peritos, como pretendem os autos de infração. Quanto à glosa da compensação de prejuízos fiscais e da base negativas da CSLL: (VIII) os autos de infração reputam ilegal a incorporação da SOTREQ pela LION, por considerar que esta operação foi realizada exclusivamente para permitir a compensação de prejuízos fiscais e da base negativa da CSLL; (IX) ignoram os autos de infração que a LION, conquanto deficitária no passado, sempre foi uma empresa ativa e operacional de grande importância e presença no mercado em que até hoje atua; (X) ignoram ainda que os objetivos colimados com a aquisição das participações na LION e na NOIL foram desde sempre o de permitir a união dos negócios dessas sociedade com os da SOTREQ, por meio da incorporação desta pela primeira, visando a consolidação estratégica de suas posições no mercado brasileiro, a ampliação das atividades e maior sinergia nos negócios, com significativo aumento de faturamento e lucros crescentes dos antigos estabelecimentos LION, após a incorporação, conforme evidenciado no documento sob n° 09; (XI) ignoram também que a operação não poderia ser realizada de outra forma, pois se pretendeu assegurar os benefícios fiscais da LION, de isenção do ISS e do IPTU, relevantes para o aumento da viabilidade financeira das operações; (XII) ignoram, por fim, que a incorporação foi um negócio jurídico real e desejado pelas partes e não realizado apenas com o intuito de compensar prejuízos fiscais e base negativa da CSLL; (XIII) a compensação desses valores pela IMPUGNANTE é conseqüência da reorganização de seus negócios e não vice e versa. Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 0533.168 da DRJ/Campinas, mantendo integralmente os lançamentos fiscais e contendo o seguinte ementário: Fl. 2383DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 111 12 Ágio. Contabilização. Prova. Dedutibilidade. A regular contabilização do ágio pago na aquisição dos investimentos deve estar amparada em balanço patrimonial ou balancete de verificação das investidas levantados, com observância da legislação comercial e fiscal, na data da aquisição ou até dois meses ou 60 (sessenta) dias, no máximo, antes dessa data. Na ausência de apresentação da documentação hábil, considerase não comprovado o ágio contabilizado na aquisição dos investimentos, configurandose irregular as decorrentes despesas de amortização. Ágio. Fundamento Econômico. Prova. Dedutibilidade. No lançamento contábil do ágio deve estar indicado o fundamento econômico, e quando este for o valor de rentabilidade futura da investida, deve estar baseado em demonstração a ser arquivada como comprovante da escrituração. Na ausência de apresentação da prova hábil do fundamento econômico, in casu, da demonstração de rentabilidade futura das investidas, considerase não comprovado o ágio contabilizado na aquisição dos investimentos, configurandose irregular as decorrentes despesas de amortização. Ágio. Pagamento. Prova. Integra a comprovação da regularidade da contabilização do ágio a prova do pagamento ou do ônus assumido pela adquirente na aquisição de investimentos. Entretanto, nas operações entre partes não relacionadas e não provada a ocorrência de simulação, a falta de apresentação da prova da efetividade da transferência de recursos, não é suficiente para desconstituir a força probatória da escrituração e dos documentos contratuais apresentados. Desconsideração de Negócios Jurídicos. A autoridade administrativa pode desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, ato administrativo a ser submetido ao contraditório e à ampla defesa garantidos pelo processo administrativo fiscal. A autoridade administrativa está vinculada à realidade dos efeitos jurídicos dos negócios realizados pelas partes, e não à qualificação dada por elas aos seus atos negociais. Comprovada a incorporação às avessas, em que uma empresa, gravemente deficitária, e com valor de mercado seis vezes menor, incorpora uma empresa lucrativa, assume a denominação social e a administração da incorporada, e não apresenta qualquer motivo extratributário para a realização da operação na forma como efetivada, deve ser a sua Fl. 2384DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 112 13 desconsideração, para que sejam considerados os efeitos da operação de fato ocorrida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os principais fundamentos do acórdão recorrido podem ser assim sintetizados: DA PROVA DO VALOR PATRIMONIAL DOS INVESTIMENTOS ADQUIRIDOS e DO FUNDAMENTO ECONÔMICO DO ÁGIO: RENTABILIDADE FUTURA DAS INVESTIDAS 1 apesar de reiteradamente intimada a demonstrar o cálculo do valor do ágio contabilizado pela SOTREQ e pela CABO na aquisição dos investimentos na LION e na NOIL, e de afirmar que o patrimônio líquido das investidas era negativo, a fiscalizada não apresentou à fiscalização o balanço patrimonial ou balancete de verificação da LION e a NOIL levantados, com observância da legislação comercial e fiscal, na data da aquisição ou até dois meses ou 60 (sessenta) dias, no máximo, antes dessa data (arts. 248, 385, 387, 391, 426 e 427 do RIR/99); 2 não podem ser encaradas como meras formalidades as disposições legais de que o desdobramento do custo de aquisição de investimentos relevantes, e a conseqüente escrituração do ágio, depende de apresentação da prova do valor patrimonial da empresa investida. Na verdade, tratase de definir diretamente o valor patrimonial do investimento adquirido e, indiretamente, o valor do ágio na aquisição, o que se constitui em elemento essencial das operações; 3 o Laudo de Avaliação da SOTREQ (incorporada) e da CABO (cindida), nos quais constam os registros dos ágios não fazem prova da regularidade da determinação do valor contabilizado, principalmente quando a escrituração não se encontra respaldada em documentação hábil, nos termos da legislação de regência; 4 conforme expressamente consignado no art. 385 do RIR/99, no lançamento contábil do ágio deve estar indicado o fundamento econômico, e quando este for o valor de rentabilidade futura da investida, deve estar baseado em demonstração a ser arquivada como comprovante da escrituração. Apesar dos protestos da defesa, a exigência contida na norma não pode ser vista como uma mera formalidade, na medida em que se constitui em critério distintivo do fundamento econômico do pagamento do ágio. Na ausência de tal demonstração, o ágio contabilizado fica sem a necessária fundamentação econômica, capaz de viabilizar o enquadramento da situação fática no adequado tratamento normativo contábil e fiscal. 5 na ausência de demonstração da expectativa de rentabilidade futura dos investimentos, interpretase que o fundamento econômico do ágio é o fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, com as conseqüências daí decorrentes, dentre elas a não sujeição à amortização (art. 386, III do RIR/99); 6 considerando a vigência tanto dos preceitos contidos no art. 386 como no art. 430 do RIR/99, foi corretamente aplicada ao caso a regra de dedutibilidade das despesas de amortização do ágio, previstas no primeiro dispositivo, tendo em conta que se trata de Fl. 2385DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 113 14 dedutibilidade de ágio contabilizado na aquisição de investimentos, posteriormente extintos em função de incorporação ou cisão. Para a Impugnante, com o advento do art. 386 do RIR/99, teria sido introduzido um regime de dedução diferida e fracionada no tempo da perda de capital decorrente do ágio, diferente do regime geral de dedução plena e imediata da perda, previsto nos arts. 426 e 430 do RIR/99. Conforme já dito anteriormente, o art. 426 seria inaplicável, porque se refere à alienação ou liquidação de investimento, e não aos casos de incorporação e cisão. Da mesma forma, a norma do art. 430 do RIR/99 também não se aplicaria, porque apesar de se referir à extinção da participação societária, em decorrência de incorporação, fusão ou cisão, no art. 386 do RIR/99, há tratamento específico para os casos de extinção de participações societárias, em decorrência de incorporação, fusão ou cisão, quando adquiridas com ágio ou deságio; 7 apesar dos reiterados protestos da defesa, não foi apresentado qualquer documento que pudesse ser recebido como um demonstrativo de rentabilidade futura das empresas investidas LION e NOIL, que teria fundamentado a operação de aquisição de ações pela SOTREQ/CABO em março de 2001. Nenhum dos documentos apresentados pode ser recebido como a demonstração da rentabilidade futura das investidas requerida pela legislação, na medida em que todos os instrumentos se referem a operações posteriores ao evento da alienação das ações, ocorrido em março de 2001. 8 ainda durante o procedimento fiscal, a contribuinte foi alertada de que entre a documentação apresentada não estaria a demonstração de rentabilidade futura das investidas (LION/NOIL). A glosa da amortização do ágio não se funda, como quer fazer crer a Impugnante, no fato de haver sido apresentado um demonstrativo inadequado, mas de não haver sido apresentado qualquer demonstrativo de rentabilidade futura. Depois, de detida análise do procedimento fiscal e da documentação apresentada não resta dúvida de que apesar de reiteradamente intimada a contribuinte não apresentou a demonstração de rentabilidade futura da LION/NOIL, a fim de respaldar a escrituração do ágio na aquisição dos investimentos, pelo que procedente a glosa da amortização do ágio. DA PROVA DO PREÇO DE AQUISIÇÃO DOS INVESTIMENTOS E DOS PAGAMENTOS CONTRATADOS 9 Além da divergência entre o valor do ágio constante dos demonstrativos das amortizações (R$ 79.345.197,83) fls. 101 e 229/230, e o valor do ágio contabilizado e constante do Laudo de Avaliação da SOTREQ fls. 133 e ratificado na resposta dada à fiscalização às fls. 238 (R$ 76.845.186,86), haveria, segundo a fiscalização, outras inconsistências probatórias relacionadas ao pagamento de parte do valor contabilizado (US$ 25.000.000,00). 10 No contexto do procedimento de fiscalização em análise, que se refere a operações efetuadas entre partes não relacionadas, e em que não provada a ocorrência de simulação, a ausência de prova documental do efetivo ingresso dos recursos no patrimônio da LION, não é suficiente para afastar a força probatória dos instrumentos contratuais e contábeis apresentados, dentre os quais se destacam: o contrato de compra e venda de ações e as suas duas alterações posteriores, o instrumento particular de quitação, a alteração do contrato social em que formalizado aumento de capital ora contraditado, e por fim os próprios registros contábeis. Deve ser mantida a fundamentação de falta de comprovação dos pagamentos apenas em relação à divergência entre o valor do ágio constante dos demonstrativos das amortizações (R$ 79.345.197,83) fls. 101 e 229/230, e o valor do ágio contabilizado e constante do Laudo Fl. 2386DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 114 15 de Avaliação da SOTREQ fls. 133 e ratificado na resposta dada à fiscalização às fls. 238 (R$ 76.845.186,86). Entretanto, a glosa da despesa de amortização do ágio se mantém integralmente com base nas fundamentações já anteriormente analisadas. DA GLOSA DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS: INCORPORAÇÃO "ÀS AVESSAS" 11 a operação de incorporação da SOTREQ pela LION não foi caracterizada como simulada. Entretanto, o procedimento fiscal se encontra amparado em Acórdão do Superior Tribunal de Justiça STJ, prolatado no âmbito do Recurso Especial n° 946.707 (cópia juntada pela defesa às fls. 2042 e seguintes), em que a operação de incorporação da empresa superavitária pela deficitária, foi caracterizada como simulação, com base nos seguintes pressupostos fáticos: 1. a incorporadora possuía patrimônio líquido bem inferior ao da incorporada, acumulando prejuízos fiscais, inexistentes no patrimônio da incorporada; 2. a incorporadora assumiu a denominação social da incorporada, de forma que, no mundo dos negócios, a empresa incorporada e extinta teria continuado a operar; 3. os membros do Conselho de Administração da incorporadora teriam renunciado, tendo assumido os do Conselho da incorporada, restando da incorporadora, nada mais que o CGC; 4. ao tempo da incorporação, a incorporadora já havia, de fato, encerrado suas atividades, com a transferência de seu ativo imobilizado para outra empresa, subsistindo apenas juridicamente, tendo servido apenas de "fachada" para a operação, aspecto a denotar a inviabilidade econômica da operação; 5. a incorporação às avessas teria sido efetivada exclusivamente para serem aproveitados os prejuízos fiscais, cujo aproveitamento a Lei expressamente vedava. Para concluir, o Ilmo. Ministro do STJ pela simulação da operação basicamente nos seguintes termos: "(...) tanto em razão social, como em estabelecimento, em funcionários e em conselho de administração, a situação final após a incorporação manteve as condições e a organização anterior da incorporada, demonstrando se claramente que, de fato, esta "absorveu " a deficitária e não o contrário, tendose formalizado o inverso apenas com o intuito de aproveitar os prejuízos fiscais da incorporadora, que não poderiam ter sido considerados caso tivesse sido ela a incorporada e não a incorporadora, restando evidenciada, portanto, a simulação ". Concluise que a consideração da operação como ilícita seria decorrente do fato de não ter respaldo na realidade fática, o ato praticado pelo contribuinte, na medida em que a incorporação "às avessas" ou incorporação da superavitária pela deficitária, somente teria ocorrido no papel, devido à existência apenas formal da incorporadora. 12 apenas a sede da LION foi mantida em Sumaré/SP, conforme acima referido, mas o mais relevante que é a denominação social foi alterada. O único motivo pertinente e relevante a justificar a incorporação da SOTREQ pela LION seria o fato desta Fl. 2387DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 115 16 última ser beneficiária de isenção de imposto sobre serviços (ISSQN) e do imposto predial e territorial urbano (IPTU) no Município de Sumaré/SP, benefício outorgado pelo prazo de 10 (dez) anos a contar de outubro de 1998, cuja manutenção era imprescindível para a maior rentabilidade do negócio. 13 a incorporação da deficitária pela superavitária fezse exclusivamente por motivos fiscais, tanto no âmbito federal, para compensação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL acumuladas pela deficitária, como municipal, para a manutenção dos benefícios fiscais concedidos. Considerase assim passível de desconsideração pela autoridade tributária a operação de incorporação às avessas, efetuada com o único e exclusivo objetivo de redução da carga tributária. Contra o acórdão da DRJ/Campinas, a empresa autuada apresentou seu recurso voluntário, mediante arrazoado, de fls. , repisando praticamente as mesmas alegações da peça impugnatória. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou contrarazões ao recurso voluntário. Aduz que o contribuinte não logrou apresentar demonstrativo de rentabilidade futura dos investimentos adquiridos, bem assim qualquer avaliação de mercado dos ativos das investidas. Ainda como fundamento de reforço à glosa, a autoridade fiscal indica a falta de demonstrativo matemático dos valores de ágio, bem assim comprovação apenas parcial dos pagamentos. Prossegue, argumentando que, usualmente, a amortização do ágio ou deságio não é deduzida ou tributada. Via de regra, a dedução ou tributação dessa amortização no âmbito do IRPJ e da CSLL somente ocorrerá quando o investimento que lhe deu origem for alienado ou liquidado (arts. 391 e 426 do RIR/99), na apuração de eventual ganho ou perda de capital, quando então o ágio ou deságio é incluído (somado ou diminuído) no preço de aquisição do investimento que está sendo extinto. Tal regra, todavia, não se aplica em certas hipóteses de incorporação, fusão ou cisão societária, quando a dedução da despesa com amortização do ágio na base de cálculo do IRPJ e da CSLL será admitida independentemente da alienação ou liquidação do investimento. Esse benefício fiscal é concedido expressamente pelo artigo 386 do RIR/99, o qual repete o conteúdo dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Tal dedução, contudo, na qualidade de benesse tributária, para ser autorizada deverá envolver a situação literalmente prevista no artigo 386 do RIR/99, assim como observar estritamente as condições lá estipuladas, sob pena de ser considerada indevida. Entre as condições e requisitos previstos, deve a pessoa jurídica ter efetivamente suportado o ágio por ele registrado, ou seja, o ágio deve existir, deve ter propósito negocial e substrato econômico a justificar a sua origem; deve também esse ágio ter como fundamento econômico a rentabilidade futura da controlada e o laudo, que atesta esse fundamento econômico, deve estar arquivado como comprovante da escrituração do ágio. Além disso, o laudo deve anteceder o pagamento do ágio. Se a lei exige que o ágio pago seja fundamentado em documento escrito, o qual deve ser, inclusive, registrado na escrituração da empresa, por certo que esse documento deve ser elaborado antes do pagamento do ágio, nunca depois. Pensar em sentido contrário, além de ser um disparate hermenêutico, implicaria na permissão de inimagináveis situações de fraude. Fl. 2388DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 116 17 De acordo com os elementos dos autos, concluise que o ágio registrado pela contribuinte com a aquisição das participações societárias na LION e NOIL não é dedutível para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos termos do artigo 386 do RIR/99, simplesmente porquê não observa as condições e requisitos impostos pela legislação para o gozo do aludido benefício fiscal. Em relação à glosa de prejuízos fiscais, menciona que devese negar a produção de efeitos relativos à incorporação porque esta apresentou a finalidade exclusiva de, ao arrepio da lei, possibilitar a compensação de prejuízos de empresa deficitária por empresa operacional, em burla ao art. 514 do RIR/99. Transcreve jurisprudência administrativa em apoio aos seus argumentos. Ao final, a PGFN requer seja negado provimento ao recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator O recurso voluntário é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomo conhecimento. Como já mencionado no relatório deste acórdão, a matéria em litígio versa sobre duas infrações tributárias: a) Glosa das despesas de amortização de ágio no evento de incorporação, relativo a aquisição de participações societárias nas empresas LION e NOIL, por desatendimento aos preceitos legais: i) inexistência de fundamento econômico com base em “valor da rentabilidade da controlada ou coligada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros”; ii) falta de demonstração matemática dos valores do ágio apurado; e iii) não comprovação do pagamento integral do ágio; b) Glosa da compensação integral de prejuízos utilizados indevidamente em razão do evento de “incorporação” da empresa superavitária (com lucros) SOTREQ, por empresa deficitária (com prejuízos a compensar) LION; Salientese que a dedução da amortização do ágio ocorreu a partir de 2001, data do evento de incorporação (junho/2001). No entanto, o lançamento fiscal, efetuado em 2010, somente ocorreu em relação aos anos de 2005, 2006, 2007, face ao transcurso do prazo decadencial para os períodos anteriores. O acórdão recorrido manteve integralmente a autuação por entender que a autuada não teria apresentado o laudo de avaliação com o “valor da rentabilidade da controlada ou coligada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros”, como exige a lei, além de deixar de apresentar o demonstrativo do cálculo do valor do ágio que está sendo amortizado. Já a comprovação do pagamento do suposto ágio apurado, foi considerado válido pelo mesmo acórdão. Fl. 2389DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 117 18 Quanto à glosa da compensação de prejuízos fiscais efetuado às “avessas”, pela incorporação de empresa com lucros por empresa com prejuízos, com o objetivo de se beneficiar do aproveitamento integral dos prejuízos, o acórdão da DRJ entendeu que esse tipo de operação foi repelida em julgamento de caso idêntico no Superior Tribunal de Justiça. Além disso, embasou sua decisão no fato de que a incorporação perpetrada somente visou fins fiscais, tendo inclusive a incorporadora LION (com prejuízos) logo após a incorporação, ter alterado a denominação social para a denominação da incorporada, SOTREQ (com lucros), o que demonstraria que a incorporação carece de respaldo com a realidade fática. Já a defesa, entende que teria entregue os documentos pertinentes à apuração do ágio que vem amortizando em sua contabilidade. Além disso, defende que a compensação de prejuízos às avessas não encontra vedação na legislação tributária. A incorporação foi um negócio jurídico real, conseqüência da reorganização de seus negócios e não realizado apenas com o fim único de compensar prejuízos fiscais. Analisando os argumentos trazidos na peça recursal, entendo que assiste em parte razão à recorrente. Inicialmente, passo a examinar a matéria relativa à amortização do ágio. Glosa despesas amortização de ágio O surgimento do ágio se dá quanto da aquisição de participação societária relevante em outra sociedade, onde o valor da transação (em dinheiro, bens ou direitos) é superior ao valor patrimonial da participação adquirida, sujeitandose ao método de equivalência patrimonial. O disciplinamento acerca da contabilização do valor do ágio apurado na aquisição de participação societária em sociedade coligada ou controlada, e de sua possível amortização, encontramse disciplinadosdos nos arts. 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, cujo embasamento legal provém do Decretolei nº 1.598, de 1977, art. 20 e da Lei nº 9.532, 1997, arts. 7º e 8º: Desdobramento do Custo de Aquisição Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). Fl. 2390DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 118 19 § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Tratamento Tributário do Ágio ou Deságio nos Casos de Incorporação, Fusão ou Cisão Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 1º). Fl. 2391DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 119 20 § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 4º). § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 5º). § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no § 2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). No caso em análise, o “fundamento econômico” indicado pelo contribuinte para o registro e amortização do ágio apurado foi o “valor de rentabilidade” da coligada ou controlada, com base em “previsão dos resultados nos exercícios futuros” (inciso II do § 2º, do art. 385 do RIR/99). Fl. 2392DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 120 21 Já o § 3º do art. 385, determina que o lançamento do valor do ágio com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do § 2º do mesmo artigo, entre eles o valor da rentabilidade com base em “previsão dos resultados nos exercícios futuros” (laudo de avaliação), deverá estar lastreado em demonstração (documento) que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Por seu turno, o inciso III do art. 386 do RIR/99 possibilita que o valor do ágio assim apurado (inciso II do § 2º, do art. 385 do RIR/99), nos balanços levantados posteriormente aos eventos de incorporação, fusão ou cisão, em que uma pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, poderá ser amortizado à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração, para fins de apuração do lucro real. Assim, da leitura dos dispositivos legais acima transcritos é admitido que o valor do ágio apurado em participações societárias, cujo fundamento econômico seja a rentabilidade “com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros”, poderá ser amortizado nos eventos de incorporação, fusão ou cisão, em que uma pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, desde que referido ágio seja demonstrado com base em laudo fundamentado, devendo referido documento ser arquivado como comprovante da escrituração. Em que pese a lei fiscal (art. 385 do RIR/99) não determinar a forma em que deveria ser elaborado o laudo de avaliação, o próprio § 3º do art. 385 estabelece que os fundamentos econômicos utilizados para apuração do ágio deverão ser baseados em demonstração do valor de ágio apurado: “O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração”. Assim, não é qualquer documento que pode se valer o sujeito passivo para demonstrar e comprovar o motivo determinante dos fundamentos econômicos do valor do ágio. Há que ser um documento técnico apropriado e claro o bastante para demonstrar adequadamente a apuração do valor da rentabilidade da empresa, do seu valor de mercado e, por conseqüência, do próprio valor do ágio, cujo montante terá repercussão e efeitos fiscais importantes (dedutibilidade) na apuração do IRPJ e da CSLL. Para que se possa dar credibilidade ao documento que contenha a avaliação econômica da empresa, é mais do que razoável pressupor que seja um documento técnico completo, elaborado por pessoas habilitadas e que contenha uma exposição clara e consistente da forma como se chegou ao valor presente da empresa avaliada. No dizer de Luís Eduardo Schoueri, em seu livro Ágio em Reorganizações Societárias (Aspectos Tributários), São Paulo, Dialética, 2012, p. 36/37, o demonstrativo de rentabilidade futura deverá fornecer dados a respeito do mercado em que atua a empresa avaliada, as projeções de rentabilidade esperada em determinado período, trazendo por técnicas de matemática financeira, tais resultados a valor presente, de modo a se calcular o valor de mercado da empresa em determinado momento: “O estudo investigará o comportamento do mercado e o comportamento da empresa. O resultado documentado serão números (projeções) que identificarão a rentabilidade esperada em determinado período. Haverá quem buscará a rentabilidade num período determinado; mais comum será o cálculo projetar ao infinito a rentabilidade, trazendo, por técnicas de matemática financeira, tais Fl. 2393DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 121 22 resultados a valor presente, de modo a se calcular o valor de marcado. Usualmente, falarseá em “fluxo de caixa descontado”, como forma de se expressar o lucro econômico (ou melhor: lucro antes do imposto de renda, depreciações e amortizações).” O método do “fluxo de caixa descontado” (Disconted Cash Flow) é reconhecido internacionalmente como sendo um método confiável de apuração dos resultados nos exercícios futuros, pois leva em conta todos os elementos que afetam o valor da empresa, revelandose um método que revela a efetiva capacidade de geração de riqueza das empresas. Pois bem. No caso dos autos o relatório da fiscalização foi bastante incisivo ao mencionar que o agente fiscal intimou a autuada, por diversas ocasiões, a apresentar dito demonstrativo de rentabilidade com base em resultados futuros (laudo fundamentado). Em que pese terem sido apresentados diversos documentos pela interessada no curso do procedimento fiscal, não foi entregue nenhum documento que estivesse revestido das características de demonstrativo com base em “previsão dos resultados nos exercícios futuros”, relativo às empresas LION e NOIL, que pudesse justificar o valor do ágio apurado/amortizado na autuada SOTREQ em decorrência da aquisição de participações societárias nas duas primeiras empresas, conforme exige o inciso II do § 2º, do art. 385 do RIR/99. A esse respeito, o acórdão recorrido, em detalhada análise dos documentos entregues pela autuada à fiscalização, descreveu muito bem que nenhum dos documentos entregues poderiam ser caracterizados como sendo um “demonstrativo de rentabilidade” com base em “previsão dos resultados nos exercícios futuros” (laudo fundamentado). Vejase a transcrição de trechos do voto condutor, cujas razões de decidir também passo a adotar: “No caso em apreço, apesar dos reiterados protestos da defesa, não foi apresentado qualquer documento que pudesse ser recebido como um demonstrativo de rentabilidade futura das empresas investidas LION e NOIL, que teria fundamentado a operação de aquisição de ações pela SOTREQ/CABO em março de 2001. Para corroborar a regularidade da operação a fiscalizada teria carreado aos autos inicialmente a seguinte documentação: 1. Laudo de Avaliação Contábil do Acervo Líquido da SOTREQ S.A., CNPJ n° 33.081.712/000131, empresa sediada no Rio de Janeiro/RJ, elaborado em 26/06/2001, pelo contador Anderson Amorim Amorim, a convite da LION S.A., CNPJ n° 61.064.689/000102, empresa sediada em Sumaré/SP, para fins de incorporação a ser efetivada na data base de 31/05/2001 (fls. 105/146); 2. Protocolo e Justificação de Incorporação da SOTREQ pela LION datado de 20/06/2001 (fls. 148/160); 3. Ata da Assembléia Geral Extraordinária da LION, realizada em 29/06/2001, na qual teria sido aprovada a incorporação da SOTREQ pela LION, e a alteração da denominação social da incorporadora para SOTREQ (fls. 161/169); Fl. 2394DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 122 23 4. Ata da Assembléia Geral Extraordinária da SOTREQ, realizada em 28/06/2001, na qual teria sido aprovada a incorporação da SOTREQ pela LION (fls. 170/179); 5. Ata da Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária da SOTREQ (CNPJ n° 61.064.689/000102), realizada em 30/10/2001, na qual teriam sido consolidadas as alterações do Estatuto Social da Companhia (fls. 180/195); 6. Ata da Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária da NOIL PARTICIPAÇÕES E COMÉRCIO S.A. (CNPJ n° 01.352.859/000122), realizada em 31/12/2002, na qual foram aprovadas as Propostas e Justificações a. de cisão parcial da empresa CABO EMPREENDIMENTOS S.A. (CNPJ n° 34.151.100/000130), com incorporação do patrimônio vertido pela NOIL; b. de incorporação da NOIL pela SOTREQ (fls. 196/199); 7. Protocolo e Justificação de Cisão Parcial Seguida de Incorporação, firmado pela CABO e pela NOIL, em 31/12/2002, pelo qual foram determinadas as condições, justificativas e a forma pela qual teria se realizado a cisão parcial da CABO, seguida da incorporação do patrimônio cindido pela NOIL fls. 203/208; 8. Laudo de Avaliação do Acervo Líquido Contábil da CABO, para fins de cisão parcial, seguida de incorporação pela NOIL, datado de 31/12/2002, de fls. 209/215; 9. Protocolo e Justificação de Incorporação, firmado entre a NOIL e a SOTREQ, em 31/12/2002, no qual foram determinadas as condições, justificativas e forma pela qual teria se realizado a incorporação da NOIL pela SOTREQ, de fls. 216/220; 10. Laudo de Avaliação do Acervo Líquido Contábil da NOIL para fins de incorporação pela SOTREQ, datado de 31/12/2002, de fls. 221/226. É evidente que nenhum destes instrumentos pode ser recebido como a demonstração da rentabilidade futura das investidas requerida pela legislação, na medida em que todos os instrumentos se referem a operações posteriores ao evento da alienação das ações, ocorrido em março de 2001. Importante também salientar que, ainda durante o procedimento fiscal, a contribuinte foi alertada de que entre a documentação apresentada não estaria a demonstração de rentabilidade futura das investidas (LION/NOIL). Vejase que, em 25/02/2010, a contribuinte foi intimada (fls. 277/278), quanto aos investimentos adquiridos na LION/NOIL, a apresentar laudo de avaliação a demonstrar a rentabilidade futura da LION/NOIL, com a ressalva expressa de que tal documento ainda não havia sido apresentada, contrariamente às afirmações dos representantes da Fiscalizada. Na resposta de fls. 281/283, protocolizada em 17/03/2010, para demonstrar a rentabilidade futura da LION, na data da aquisição pela SOTREQ em março de 2001, novamente foram apresentados o Protocolo e Justificação de Cisão Parcial da CABO, Seguida de Incorporação do Patrimônio Cindido pela NOIL e o Laudo de Avaliação do Acervo Líquido da CABO, ambos datados de 31/12/2002 (fls. 544/556). Em 31/03/2010 (termo de fls. 557/563), novamente a fiscalização alertou a contribuinte de que não teriam sido apresentados os demonstrativos de rentabilidade Fl. 2395DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 123 24 futura das investidas (LION e NOIL) necessários a respaldar o fundamento econômico adotado pela empresa para o pagamento do ágio e, conseqüentemente, a sua amortização. [...] A fiscalizada trouxe também aos autos o documento denominado MINUTA PARA DISCUSSÃO SUJEITA A ALTERAÇÃO, elaborada em 31/05/2001, pelo contador Anderson Amorim Amorim (de apenas 6 folhas fls. 835/840), mediante a qual teria sido realizada a revisão de um relatório preparado pela SOTREQ de PROJEÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO E DO CASH FLOW, que contemplava a SOTREQ e a LION, de forma individual e consolidada, com o objetivo de expressar o entendimento do perito contábil acerca: (i) da consistência das premissas adotadas para a elaboração dos relatórios; (ii) da metodologia de cálculo empregada para a obtenção do fluxo de caixa descontado e do valor presente líquido; (iii) do resultado dos cálculos; e (iv) dos negócios e sua gestão, com base em leitura dos estatutos e dos balancetes preliminares da investidora (SOTREQ) e da investida (LION). Destaquese, preliminarmente, que apesar de apresentar o relatório elaborado pelo perito, a fiscalizada deixou de apresentar, para apreciação da fiscalização, a PROJEÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO E DO CASH FLOW da SOTREQ/LION sobre a qual teria se debruçado o perito. [...] Entretanto, o demonstrativo de rentabilidade futura da LION e da NOIL não integram a revisão, elaborada pelo perito, do suposto relatório de PROJEÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO E DO CASH FLOW da SOTREQ/LION, não apresentado à fiscalização. Por oportuno, salientese que a referida revisão efetuada pelo perito do relatório, não apresentado, preparado pela SOTREQ, de PROJEÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO E DO CASH FLOW, não foi rejeitado pelos problemas formais apontados pela defesa (por ter sido elaborada por um único perito; por não estar assinada; e por ser pósdatada em relação aos projetados aportes), mas porque não contém a demonstração da rentabilidade futura dos investimentos adquiridos na LION/NOIL. [...] Apesar de afirmar que teria sido elaborada a avaliação da expectativa de rentabilidade futura, vendas e lucros futuros das empresas adquiridas mas não ter sido apresentada à fiscalização, aparentemente, defendese a fiscalizada, dizendo que a prova de realização do negócio a preço de mercado seria hábil a dispensar a demonstração de rentabilidade futura dos investimentos, interpretação não admitida pela legislação vigente, que prevê um tratamento contábil e fiscal diferenciado para cada uma das hipóteses normativas. Confunde assim a Fiscalizada a prova do preço de mercado da operação, com a prova do fundamento econômico do ágio. [...] Depois, de detida análise do procedimento fiscal e da documentação apresentada não resta dúvida de que apesar de reiteradamente intimada a contribuinte não apresentou a demonstração de rentabilidade futura da LION/NOIL, Fl. 2396DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 124 25 a fim de respaldar a escrituração do ágio na aquisição dos investimentos, pelo que procedente a glosa da amortização do ágio. Da leitura dos trechos do voto condutor acima transcritos, bem como do exame efetuado por este relator dos documentos entregues para justificar o valor do ágio, verificase que nenhum deles contém as características próprias de demonstrativo do valor do ágio cujo fundamento econômico seria o valor de rentabilidade “com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. A demonstração para a determinação do valor da empresa a preços presentes, e do correspondente valor de ágio, não se encontram em nenhum dos documentos/demonstrativos apresentados pela fiscalizada, carecendo dos seguintes elementos: 1 inexistência da análise de mercado e da conjuntura onde atua a empresa examinada; 2 demonstrativo do faturamento já ocorrido e projeção para exercícios futuros; 3 projeções do fluxo de caixa; 4 demonstração da forma de escolha da taxa de desconto do fluxo de caixa; 5 demonstração da apuração do valor de mercado a valor presente e do valor do ágio; Ressaltese que a fiscalização buscou insistentemente junto à autuada os demonstrativos que contivessem os valores do ágio da LION e da NOIL, cujo fundamento econômico seria o valor de rentabilidade “com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros”, que deveria ser arquivado como comprovante do registro do ágio, como exige a lei (inciso II do § 2º, e § 3º, do art. 385 do RIR/99), pelo que a autuada não logrou comprovar. O próprio recorrente menciona em seu recurso (fls. 15 do recurso voluntário), que o valor do ágio foi apurado de acordo com a parte excedente do valor do patrimônio líquido das participações societárias adquiridas, ou seja, encontrase em desacordo com o que prevê a legislação tributária: “40. Tal ágio representa, na verdade, a parte do preço que excede o valor de patrimônio líquido das participações adquiridas, que totalizava a quantia de R$ 79.345.197,83.” Não apresentados os referidos demonstrativos de apuração do ágio com base no fundamento econômico estabelecido pelo inciso II do § 2º, do art. 385 do RIR/99 (previsão resultados futuros), é de se considerar que o pretenso ágio pago decorreu do fundamento econômico de fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, previsto no III do § 2º, do art. 385 do RIR/99, não amortizável e, portanto, não dedutível para fins de apuração do IRPJ e da CSLL (art. 386, II do RIR/99). Dessa forma, forçoso concluir que, após análise do procedimento fiscal e da documentação contida nos autos, parece não haver dúvidas que a autuada deixou de apresentar a demonstração de rentabilidade com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros da LION/NOIL, a fim de respaldar a escrituração do ágio na aquisição de participações Fl. 2397DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 125 26 societárias. Deixou, assim, de atender aos requisitos legais que justificassem o valor do ágio que pretende amortizar, o que inviabiliza o aproveitamento da dedução na apuração do IRPJ e da CSLL. A jurisprudência do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes também já decidiu no mesmo sentido, conforme se verifica no ementário do Acórdão que abaixo se transcreve: AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO REQUISITOS A inexistência em Promessa de Compra e Venda de cláusula condicional para que seja implementado o negócio, indica a absoluta concordância pelas partes, caracterizandose uma situação de fato conforme definido no artigo 116 do CTN, não interessando o nome que se dê ao contrato. A possibilidade legal de amortização do ágio restringese a situações em que a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio apurado com fundamento em rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. Não configurada tal hipótese mantémse a glosa da amortização. Constatado que os valores excluídos na determinação do lucro real e da CSLL referiamse a valores contabilizados em conta de resultado de períodos anteriores, incabível o ajuste efetivado em resultado de ano calendário posterior. 1º CC. / 5ª Câmara / ACÓRDÃO 10515.913 em 16.08.2006. (grifei) Não bastasse os motivos acima expostos, a fiscalização também apurou divergência entre o valor do ágio constante dos demonstrativos das amortizações (R$ 79.345.197,83) fls. 101 e 229/230, e o valor do ágio contabilizado e constante da Demonstração de Acervo Líquido da SOTREQ SA fls. 133, ratificado na resposta dada à fiscalização às fls. 238 (R$ 76.845.186,86), o que só vem a reforçar a tese de que o valor do ágio não se encontra devidamente fundamentado nos termos da legislação de regência. Sobre a divergência de valores apurada pela fiscalização, a recorrente nada menciona em sua peça recursal, de modo que a mesma deve ser considerada como definitivamente julgada, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações. Por fim, quanto a este tópico, cumpre registrar que o acórdão recorrido, após análise detalhada das movimentações financeiras efetuadas durante a reorganização societária, concluiu que as mesmas foram devidamente registradas na contabilidade, fato que nada interfere nas conclusões deste voto. Em vista do acima exposto, é de se confirmar a glosa dos valores de amortização fiscal do ágio, por falta de atendimento aos requisitos legais, uma vez que a autuada não logrou comprovar a entrega do “demonstrativo de rentabilidade” (laudo de avaliação) com base em “previsão dos resultados de exercícios futuros”, como exige a lei. Glosa da compensação de prejuízos Fl. 2398DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 126 27 O agente fiscal glosou os prejuízos compensados integralmente quando da incorporação (em 29/06/2001) da SOTREQ, empresa com lucros, pela LION, empresa com prejuízos, alterando a razão social para aquela da dita incorporada (SOTREQ), bem como adotando o endereço desta última (LION). Segundo a fiscalização, o objetivo da incorporação “às avessas” seria o contorno da legislação, uma vez que existe expressa vedação legal de compensação quando a incorporação se dá nos moldes da normalidade (art. 514 do RIR/99), empresa lucrativa (SOTREQ) incorpora a empresa com prejuízos (LION). Os motivos que levaram a fiscalização a considerar a incorporação fictícia foram os seguintes fatos: a incorporação teria sido efetuada unicamente para aproveitar os prejuízos da LION nas apurações do IRPJ e da CSLL; A SOTREQ não possuía prejuízos fiscais nem bases negativas da CSLL; ao invés da SOTREQ incorporar a LION, foi a LION que incorporou a SOTREQ, tendo aquela, em seguida, alterado sua razão social para SOTREQ; a LION destituiu os componentes de seu conselho de administração e nomeou aqueles da antiga SOTREQ conforme item 2 da Ata da Assembléia Geral Extraordinária da LION, realizada em 29.6.2001. Ou seja, a administração passou a ser a mesma da empresa incorporada (antiga SOTREQ); as mesmas atividades da incorporada SOTREQ, continuaram a ser desenvolvidas após a sua incorporação; o que efetivamente teria ocorrido foi que a SOTREQ incorporou a LION e, portanto, não poderia compensar os prejuízos ficais desta, nos termos do art. 514 do RIR/99; O acórdão recorrido entendeu que apesar da operação de incorporação da SOTREQ pela LION não ter sido caracterizada como simulada, nem por isso pode ser caracterizada como sendo lícita. A incorporação da empresa deficitária pela superavitária teria sido feito exclusivamente por motivos fiscais, tanto no âmbito federal, como municipal, para a manutenção dos benefícios fiscais concedidos. Considerou, assim, passível de desconsideração a operação de incorporação às avessas, efetuada com o único e exclusivo objetivo de redução da carga tributária. Já a recorrente alega em seu recurso que inexiste proibição legal de efetuar a incorporação nos moldes do que foi feito e que, na realidade, a operação de reorganização societária de fato era desejada pela partes por razões de natureza empresarial. Analisando os fatos constante dos autos e a legislação que rege a matéria, creio assistir razão à defesa. Inicialmente, cumpre transcrever o art. 514 do RIR/99, cuja base legal é o art. 33 do Decretolei nº 2.341, de 1987, que trata da compensação de prejuízos nos casos de incorporação, fusão ou cisão: Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33). Fl. 2399DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 127 28 Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33, parágrafo único). O dispositivo acima transcrito é bastante claro ao afirmar que a pessoa jurídica sucessora, por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Por seu turno, a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais apurados pelas pessoas jurídicas, a partir de 1995, encontrase regulamentado pelo art. 510 do RIR/99: Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). (destaquei) No caso em análise, a LION detinha prejuízos fiscais e a SOTREQ era a empresa lucrativa. Portanto, nos termos do art. 510 acima transcrito, a LION tinha o direito de compensar os seus prejuízos fiscais. Pelo que consta dos autos, ambas empresas desempenhavam operações semelhantes na colocação dos produtos com a marca “CATERPILAR, de modo que a SOTREQ vinha desenvolvendo tratativas junto à matriz americana da “CATERPILAR” para assumir o controle da LION, uma vez que esta última vinha apresentando sucessivos prejuízos. Portanto, nada mais natural que a empresa lucrativa SOTREQ, tendo adquirido a participação societária na LION, fizesse também a incorporação desta última. No entanto, vislumbrou a SOTREQ um impedimento legal (art. 514 do RIR/99) para a compensação de prejuízos da possível sucedida, a LION. No bojo da reorganização societária entendeuse que as empresas estavam, em verdade, sob o manto de um mesmo comando, por isso, procederam de forma contrária: a empresa com prejuízos incorpora a empresa lucrativa, o que possibilitaria a compensação dos prejuízos da empresa deficitária, conforme permissivo legal contido no art. 510 do RIR/99. Nesse contexto, o direito à compensação dos próprios prejuízos da empresa que se encontra deficitária (LION) encontrase amparado pela lei. No presente caso, ficou evidenciado que a compensação de prejuízos ocorreu obedecendo o limite de 30% do lucro líquido ajustado, nos exatos termos do art. 510 do RIR/99, fls.1839/1840 e fls. 1848 e 1856. Já a lei das sociedades anônimas também não veda a incorporação da empresa lucrativa por empresa com prejuízos. Assim, do ponto de vista legal, a operação de incorporação às avessas pode perfeitamente ser taxada como lícita, posto não haver impedimento legal para que a empresa com prejuízos incorpore a lucrativa, detendo esta, participação naquela. É claro que se esperaria justamente o contrário, mas em determinadas situações, como no presente, ela pode Fl. 2400DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 128 29 até efetivamente ocorrer, uma vez que a sucedida (SOTREQ) já detinha participação societária relevante na sucessora (LION), o que em última análise significa que se trata de uma mesma realidade econômica. Além disso, a operação teria sido realizada entre empresas que estavam regularmente operando no mercado, com objeto social semelhante, e teria sido assim justificada no Protocolo e Justificação de Incorporação da SOTREQ pela LION (fls.148 e seguintes): "3. Entendem os signatários que, pertencendo a SOTREQ e a LION ao mesmo grupo, inclusive sendo a SOTREQ acionista da LION, e sendo ambas voltadas ao mesmo mercado de atuação, a incorporação da SOTREQ pela LION, como proposta neste instrumento, é da maior conveniência aos interesses sociais e financeiros da SOTREQ e da LION, uma vez que a unificação das atividades e da administração da SOTREQ e da LION resultará na redução de custos administrativos, comerciais e financeiros e na racionalização do trabalho, operações e metas de organização, propiciando maior rentabilidade ao empreendimento ". Vejase a descrição contida no relatório fiscal a respeito do principal objetivo da autuada ao eleger este modelo de incorporação, fls. 1826: “65. A própria Fiscalizada reconhece esse fato na resposta recebida em 26/04/2010, item 22. "A Fiscalizada esclarece que a incorporação foi fei ta pela LION a f im de que os prejuízos por ela contabil izados não fossem perdidos, o que oneraria ainda mais a operação, causando, conseqüentemente, aumento no valor de venda de suas ações".” O que se depreende dos autos é que toda a operação de incorporação foi feita às claras, com ambas empresas operando regularmente no mercado e a forma escolhida tinha uma justificação: a economia tributária. Ressaltese que nem a fiscalização e nem o acórdão recorrido caracterizaram a ocorrência de simulação nos eventos societários em análise. A defesa também justificou a incorporação, nos moldes como foi feito, em razão da necessidade de manter a sede da empresa em Sumaré – São Paulo, onde funcionava a LION, face aos benefícios fiscais concedidos pela prefeitura dessa cidade no recolhimento do IPTU e do ISS, fls. 1879. Vejase a manifestação do Acórdão da DRJ nesse sentido, fls. 2167: “O único motivo pertinente e relevante a justificar a incorporação da SOTREQ pela LION seria o fato desta última ser beneficiária de isenção de imposto sobre serviços (ISSQN) e do imposto predial e territorial urbano (IPTU) no Município de Sumaré/SP, benefício outorgado pelo prazo de 10 (dez) anos a contar de outubro de 1998, cuja manutenção era imprescindível para a maior rentabilidade do negócio. Com efeito, é perfeitamente admitido pelo ordenamento jurídico pátrio que a redução da carga tributária é um objetivo que deve ser perseguido para a própria sobrevivência das pessoas jurídicas desde que, evidentemente, seja feita de forma lícita. Nos processos de reorganização das empresas, a boa técnica de administração dos negócios recomenda que os dirigentes adotem, dentro da legalidade, a alternativa econômica menos onerosa possível, dentre elas optem pela economia tributária. A empresa LION apresentava sucessivos prejuízos, que seriam perdidos, caso a SOTREQ incorporasse a Fl. 2401DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 1202000.878 S1C2T2 Fl. 129 30 LION. E uma das formas de manter a empresa LION em funcionamento foi a reorganização societária perpetrada, que a meu ver foi feita de forma legal. Inexistindo vedação legal para a prática da conhecida “incorporação às avessas”, não se pode esperar que duas empresas, integrantes do mesmo grupo econômico, praticando operações comerciais semelhantes, tendo a intenção de se reorganizar societariamente, com o objetivo de melhorar o desempenho das suas atividades, fiquem impedidas de realizar a incorporação da empresa lucrativa por outra deficitária. A Câmara Superior de Recursos Fiscais também decidiu nesse mesmo sentido, conforme ementário do Acórdão nº CSRF/0105.413, sessão de 20 de março de 2006: IRPJ — INCORPORAÇÃO AS AVESSAS — GLOSA DE PREJUÍZOS — IMPROCEDÊNCIA — A denominada "incorporação às avessas", não proibida pelo ordenamento jurídico, realizada entre empresas operativas e que sempre estiveram sob controle comum, não pode ser tipificada como operação simulada ou abusiva, mormente quando, a par da inegável intenção de não perda de prejuízos fiscais acumulados, teve por escopo a busca de melhor eficiência das operações entres ambas praticadas. De tudo o que foi exposto, entendo pela possibilidade legal da compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL na chamada “incorporação às avessas”, nos moldes do permitido pelo art. 510 do RIR/99. Em face do exposto, voto no sentido de que seja dado parcial provimento ao recurso voluntário para que seja admitida a compensação dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 2402DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/10/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 11613.000207/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 22/08/2008
NAFTA UTILIZADA POR CENTRAL PETROQUÍMICA. DESTINAÇÃO CARACTERIZADA. FORMULAÇÃO RESIDUAL DE GASOLINA.
Restando comprovado nos autos que a nafta importada não se destinava à produção de gasolina, mas sim à produção de petroquímicos básicos, ficando caracterizada a formulação residual de gasolina como subproduto necessário ao processo produtivo, não há porque excluir a nafta petroquímica importada do benefício da tributação à alíquota zero, previsto no §3º do art. 5º da Lei nº 10.336/2001, regulamentado pelo Decreto nº. 4.940/2003.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3202-000.607
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Júnior declararam-se impedidos. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Luiz Paulo Romano, OAB/DF nº. 14.303.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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DESTINAÇÃO CARACTERIZADA. FORMULAÇÃO RESIDUAL DE GASOLINA. Restando comprovado nos autos que a nafta importada não se destinava à produção de gasolina, mas sim à produção de petroquímicos básicos, ficando caracterizada a formulação residual de gasolina como subproduto necessário ao processo produtivo, não há porque excluir a nafta petroquímica importada do benefício da tributação à alíquota zero, previsto no §3º do art. 5º da Lei nº 10.336/2001, regulamentado pelo Decreto nº. 4.940/2003. Recurso de ofício negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Júnior declararamse impedidos. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Luiz Paulo Romano, OAB/DF nº. 14.303. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 3. 00 02 07 /2 00 8- 58 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de exigência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), incidente sobre a importação, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o crédito tributário no valor total de R$ 15.976.934,82, objeto do Auto de Infração fls. 0212. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe promoveu a importação de nafta petroquímica (NCM 2710.11.41), por meio da DI no 08/13027882, de 22/08/2008, deixando de recolher a Cide, apesar da qualidade de indústria petroquímica produtora de gasolina. A fiscalização assevera ainda que "existe a possibilidade legal de comprovação de que uma importação de nafta não será destinada à produção de combustível, para que o contribuinte, central petroquímica, possa se valer da isenção prevista na lei, nos termos do inc I do art. 6o da IN SRF 422/2004 e do §4°, do art. 5o, da Lei n° 10.336/2001. Todavia, (...), tal comprovação tem de ser objetiva e prévia ao uso, portanto, no momento do desembaraço aduaneiro, o que nunca ocorreu, presumese, pela impossibilidade mesma do feito." Cientificado do lançamento em 07/10/2008, conforme fl. 03, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 4966, em 21/10/2008, por meio da qual expõe suas razões de defesa, a seguir resumidas: a) a requerente é empresa petroquímica, não tendo como finalidade precípua a produção de gasolina automotiva, sendo que durante o processo de fabricação dos produtos petroquímicos, a gasolina é obtida residualmente como subproduto, que em parte é utilizada no próprio processo produtivo, sendo recolhida a Cide quando da venda da outra parcela deste combustível; b) o Decreto n° 4.940/2003 reduziu a zero a alíquota da Cide na importação de correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel, dentre elas, a nafta petroquímica; c) a autuação deve basearse na realidade dos fatos ocorridos, sendo ilegal o uso da presunção como meio de prova, ou seja, que a importação de nafta tenha sido destinada à produção de gasolina e não de produtos petroquímicos, não havendo prova dessa alegação, mas mera interpretação subjetiva; d) a compensação de valores eventualmente recolhidos a título de Cide na importação não seria instrumento eficaz e justo para estabelecer a neutralidade tributária, pois o montante de tributos federais devidos seria bem menor do que o total da Cide paga na importação, de modo que a requerente ficaria com um saldo credor cuja compensação seria impossível; e) o objetivo do legislador ao instituir a dispensa de recolhimento da Cide na importação de nafta petroquímica é o de favorecer a indústria petroquímica, setor estratégico da indústria nacional, elo inicial de extensa cadeia produtiva; f) é inaplicável a taxa Selic, para cálculo dos juros de mora, em razão da sua inconstitucionalidade. Em 15/12/2008, a impugnante se manifestou nos autos argumentando que o Decreto n° 6.683/2008, publicado em 10/12/2008, confirma que a mera produção residual de gasolina decorrente da industrialização de nafta, em volume até 12% da produção total, não afasta a aplicação da alíquota zero, referente à Cide na importação (fls. 112114).” Fl. 416DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/200858 Acórdão n.º 3202000.607 S3C2T2 Fl. 401 3 A DRJFortaleza/CE, em sessão realizada em 30/09/2009, decidiu converter o julgamento em diligência, para que fossem respondidos os quesitos formulados às fls. 179/180, o que culminou com a elaboração do Parecer Técnico constante às fls. 291/302. Diante dos elementos constantes dos autos, aquela DRJ julgou procedente a impugnação (fls. 376/394), em decisão cuja ementa abaixo reproduzse: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Data do fato gerador: 22/08/2008 NAFTA UTILIZADA POR CENTRAL PETROQUÍMICA. DESTINAÇÃO CARACTERIZADA. FORMULAÇÃO RESIDUAL DE GASOLINA. Restando comprovado que a nafta importada foi efetivamente destinada à o produção de produtos petroquímicos, a formulação residual de gasolina, demonstrada nos autos por prova pericial como inerente ao ciclo produtivo destes, não tem o condão de descaracterizar a incidência de alíquota zero. Impugnação procedente. Crédito tributário exonerado. Da decisão, recorre a DRJFortaleza/CE de ofício, em razão de o crédito tributário exonerado ser superior ao limite de alçada. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Ao teor do relatado, chegam os autos, para apreciação deste Colegiado, em razão de recurso de ofício interposto pela DRJFortaleza/CE, por haver aquele órgão julgador exonerado a contribuinte BRASKEM S/A de crédito tributário em valor superior ao limite de alçada. A autuação deveuse ao fato de ter a Fiscalização entendido que a nafta petroquímica importada pela contribuinte, pelo fato desta produzir gasolina, não estaria albergada pela isenção prevista no §4º do art. 5º da Lei nº. 10.336/2001 e. Dispõe a Lei nº. 10.336/2001: Art. 1o Fica instituída a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível (Cide), a que se refere os Fl. 417DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 arts. 149 e 177 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº33, de 11 de dezembro de 2001. Art. 2o São contribuintes da Cide o produtor, o formulador e o importador, pessoa física ou jurídica, dos combustíveis líquidos relacionados no art. 3o. ......................................................................................................... Art. 3o A Cide tem como fatos geradores as operações, realizadas pelos contribuintes referidos no art. 2o, de importação e de comercialização no mercado interno de: I – gasolinas e suas correntes; II diesel e suas correntes; III – querosene de aviação e outros querosenes; IV óleos combustíveis (fueloil); V gás liqüefeito de petróleo, inclusive o derivado de gás natural e de nafta; e VI álcool etílico combustível ......................................................................................................... Art. 5o A Cide terá, na importação e na comercialização no mercado interno, as seguintes alíquotas específicas:(Redação dada pela Lei nº 10.636, de 2002) ................................................................................................... § 1o Aplicamse às correntes de hidrocarbonetos líquidos que, pelas suas características físicoquímicas, possam ser utilizadas exclusivamente para a formulação de diesel, as mesmas alíquotas específicas fixadas para o produto § 2o Aplicamse às demais correntes de hidrocarbonetos líquidos utilizadas para a formulação de diesel ou de gasolinas as mesmas alíquotas específicas fixadas para gasolinas. § 2o Aplicamse às correntes de hidrocarbonetos líquidos as mesmas alíquotas específicas fixadas para gasolinas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 3o As correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à produção ou formulação de gasolinas ou diesel serão identificadas mediante marcação, nos termos e condições estabelecidos pela ANP. § 3o O Poder Executivo poderá dispensar o pagamento da Cide incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel, nos termos e condições que estabelecer, inclusive de registro especial do produtor, formulador, importador e adquirente. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) 4o Fica isenta da Cide a nafta petroquímica, importada ou adquirida no mercado interno, destinada à elaboração, por Fl. 418DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/200858 Acórdão n.º 3202000.607 S3C2T2 Fl. 402 5 central petroquímica, de produtos petroquímicos não incluídos no caput deste artigo, nos termos e condições estabelecidos pela ANP. §4o Os hidrocarbonetos líquidos de que trata o § 3o serão identificados mediante marcação, nos termos e condições estabelecidos pela ANP. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 5o Presumese como destinado a produção de gasolina nafta, adquirida ou importada na forma do § 4o, cuja utilização na elaboração do produto ali referido não seja comprovada.(Revogado pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6o Na hipótese do § 5o a Cide incidente sobre a nafta será devida na data de sua aquisição ou importação, pela central petroquímica. (Revogado pela Lei nº 10.833, de 2003) Primeiramente, é de se notar que, com a edição da Lei nº. 10.833/2003, à época da ocorrência dos fatos geradores, em 2008, não mais se poderia falar em isenção da CIDE, em razão da alteração sofrida pelo §4º do art. 5º da Lei nº. 10.336/2001. Demais disso, restaram, ainda, revogados os §§5º e 6º do art. 5º da Lei nº 10.336/2001, de forma que, àquela época, não mais existia a presunção legal adotada pela Fiscalização, a qual alicerçou o entendimento de que a nafta importada destinavase à produção de gasolina. Assim, resta perquirir se, à época dos fatos geradores, a contribuinte fazia jus à dispensa de pagamento da CIDE prevista no §3º do art. 5º da Lei nº. 10.336/2001, a qual foi regulamentada pelo Decreto nº. 4.940/2003. O Decreto nº 4.940/2003, em seu art. 1º, reduziu a zero as alíquotas da CIDE Combustíveis incidente na importação e na comercialização sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, constantes da relação que indica. Dentre os códigos elencados, encontrase, logo de plano, o código 2710.11.41, correspondente à nafta petroquímica, produto objeto da importação ora analisada. Vejase: Decreto nº. 4.940/2003 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no § 3o do art. 5o da Lei no 10.336, de 19 de dezembro de 2001, DECRETA: Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDECombustíveis) incidente na importação e na comercialização sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, constantes da seguinte relação: Código NCM Produto 2710.11.41 Nafta petroquímica Fl. 419DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Assim, a nafta petroquímica, classificada no código 2710.11.41, não destinada à formulação de gasolina ou diesel, estava, à época dos fato geradores, tributada à alíquota zero. Vejase que, pela redação do § 3º da Lei nº 10.336/2001, a dispensa de pagamento prevista por aquela lei e regulamentada pelo Decreto nº.4.940/2003, somente seria aplicável às correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel. Pois bem, no caso concreto, entendeu a Fiscalização que, pelo fato de a contribuinte produzir gasolina, desde já estaria impossibilitada à comprovação de que a nafta importada não se destinava à formulação de gasolina. Vejase o que afirmou a autoridade autuante: [...]. Durante a análise da declaração, constatouse que a autuada não havia recolhido a CIDE, apesar de tratarse de uma central petroquímica que produz gasolina a partir da nafta que adquire no mercado externo. 2. Ao ser admoestada, a interessada demonstrou dúvida quanto ao cabimento do recolhimento da contribuição para o caso em análise, haja vista, segundo ela, tratarse de importação de nafta, por central petroquímica, para fins petroquímicos, A fiscalização, então, requereu que fosse feita a devida comprovação necessária à isenção [sic] da CIDE. 3. Em resposta a esta exigência, foram apresentados o Relatório de Produção de Gasolina Automotiva nos Processos Industriais da Braskem/Unib e a Relação entre a Venda de Gasolina Automotiva e a Importação de Nafta pela Braskem/Unib ambos desenvolvidos por empresa independente, a pedido da própria interessada, Nesses relatórios, temse a confirmação de que a Braskem, efetivamente, produz gasolina a partir de naftas. E nada foi apresentado no sentido de comprovar que a nafta objeto desta DI não teria a mesma destinação. 4. Em vista do exposto, decidiuse pelo lançamento de ofício. Ao meu sentir, tal entendimento se mostra equivocado. O fato de a Braskem produzir gasolina não afasta, por si só, a possibilidade do benefício da tributação à alíquota zero. Isso porque, conforme estabelecido pela legislação de regência, somente a nafta petroquímica destinada à produção de gasolina é que estaria fora do benefício. O texto da lei fala em destinação, ou seja, aquela nafta reservada para o fim de produzir gasolina. Destinar, no Dicionário Aurélio, quer dizer determinar com antecipação, fixar previamente, designar, reservar para certo fim. Vejase, então, que, para estar excluída do benefício, é preciso que a nafta petroquímica seja destinada à finalidade de produzir gasolina, o que é diferente da nafta que, incidentalmente, produza gasolina como subproduto resultante do processo produtivo de petroquímicos, como é o caso em questão. O Parecer Técnico de fls. 291/302, elaborado em razão da diligência solicitada pela DRJ, deixa claro que “a atividade principal da Braskem é a produção de insumos básicos petroquímicos (Eteno, Propeno, Butenos, etc), além de utilidades (águas industriais, nitrogênio, ar comprimido, vapor de alta e média pressão, etc) para atender às necessidades de diversas outras indústrias instaladas [no] Complexo Industrial” e que, de acordo com as características e condições do processo industrial analisado, é obrigatória a produção de gasolina “como forma de utilização completa de todas as correntes obtidas”. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/200858 Acórdão n.º 3202000.607 S3C2T2 Fl. 403 7 Referido Parecer afirma, ainda, que “ a formulação de gasolina a partir dos subprodutos gerados durante o processamento é necessária como forma de maximizar economicamente todo o processo envolvendo a Nafta Petroquímica. A não formulação de gasolina, com os subprodutos, conduz a usos menos nobres desses citados subprodutos (queima como combustível).” E mais: que “a quantidade total de Gasolina produzida, tomandose como base apenas a nafta petroquímica processada, encontrase sempre abaixo de 10% do volume total da Nafta Petroquímica adquirida.” Assim, restou claramente comprovado nos autos que a nafta petroquímica importada não se destinava à formulação de gasolina, conforme entendeu a Fiscalização, mas sim à produção de petroquímicos básicos (eteno, propeno, butenos, etc). Na produção desses petroquímicos são gerados vários subprodutos, dentre os quais a gasolina, cuja formulação se mostra como resultado necessário à obtenção dos referidos petroquímicos básicos, como forma de maximixação dos processos produtivos. Destarte, acertada a declaração de voto constante às fls 384/394, a qual demonstra, claramente, a inviabilidade de se transferir ao contribuinte o ônus de comprovação de utilização futura do produto, que sofre a ação de diversos mecanismos de controle impostos pela Administração Pública. Vejase: “Acontece que, dentre as correntes referidas nos incs. I e II do art. 3º existem aquelas que tanto podem ser utilizadas na produção de gasolina ou diesel, como também para outras finalidades. Assim, os §§ 3º e 4º, do art. 5º, da mesma lei, com a alteração introduzida pela Lei nº 10.833/03 vieram reforçar que: Art. 5º [...]. [...]. § 3º O Poder Executivo poderá dispensar o pagamento da Cide incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel, nos termos e condições que estabelecer, inclusive de registro especial do produtor, formulador, importador e adquirente. § 4º Os hidrocarbonetos líquidos de que trata o § 3º serão identificados mediante marcação, nos termos e condições estabelecidos pela ANP. [Destaquei]. Duas conclusões podem ser tiradas de imediato desses dispositivos: 1ª) a possibilidade da dispensa de pagamento da Cide, a que a lei se refere no § 3º, está imediatamente relacionada ao produto “hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel” e não à qualidade do sujeito passivo; 2ª) a lei procurou garantir o controle da concessão da dispensa quando no § 4º tratou de determinar que os hidrocarbonetos líquidos, sobre os quais ocorreu a dispensa da Cide, fossem marcados “nos termos e condições estabelecidos pela ANP”. Antes mesmo da publicação da Lei nº 10.336/01, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíves (ANP), entidade integrante da Fl. 421DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 Administração Federal Indireta, órgão regulador da indústria do petróleo, gás natural, seus derivados e biocombustíveis, vinculado ao Ministério de Minas e Energia, no uso das atribuições que lhe foram conferidas pela já referenciada Lei nº 9.478/97, havia editado a Portaria ANP nº 274, de 01/11/01 (DOU 05/11/01), onde, entre outras, estabeleceu a definição de Produtos de Marcação Compulsória (PMC) (art. 1º, inc. II) e determinou a obrigatoriedade de marcação dos PMC, tanto pelos produtores nacionais como pelos importadores e que a marcação de PMC importado deveria ocorrer no local e no momento de sua internação no País (art. 2º, caput, e § 2º). Registrese que no site da ANP pode ser encontrada a seguinte explicação para a marcação compulsória de produtos1: MARCAÇÃO COMPULSÓRIA DE PRODUTOS APRESENTAÇÃO A Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, estabelece que correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel poderão ser dispensados de contribuição da Cidecombustíveis se forem identificados mediante marcação nos termos e condições estabelecidos pela ANP. A ANP denomina as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel como Produtos de Marcação Compulsória (PMC). A marcação consiste na adição de marcador aos PMC no momento de sua internação no País, ou na saída da unidade produtora ou da distribuidora. As amostras de gasolina coletadas em postos revendedores de combustíveis pelo Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC) da ANP, pela fiscalização da Agência e por órgãos conveniados com a ANP são encaminhadas para o laboratório (contratado pela ANP para realização de análises do PMQC) mais próximo do local da coleta e submetidas à análise de detecção de presença de marcador. [Sublinhei] Atualmente, o art. 2º, inc. I, da Resolução ANP nº 13, de 09/06/09 (DOU 10/06/09) (que alterou o art. 1º, inc. II, da Portaria ANP nº 274/01) traz a definição técnica de PMC, nos seguintes termos: Art. 2º Para os fins desta Resolução ficam estabelecidas as seguintes definições: I Produtos de Marcação Compulsória (PMC) hidrocarbonetos derivados de frações resultantes do processamento de petróleo, de gás natural, de frações de indústrias petroquímicas, passíveis de serem utilizados como dissolventes de substâncias sólidas e/ou líquidas, puros ou em mistura, cuja faixa de destilação tenha seu 1 http://www.anp.gov.br/?pg=16344&m=&t1=&t2=&t3=&t4=&ar=&ps=&cachebust=1317040002139. Consulta realizada em 26/09/11. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/200858 Acórdão n.º 3202000.607 S3C2T2 Fl. 404 9 ponto inicial de ebulição superior a 25ºC e ponto final de ebulição inferior a 280ºC, com exceção de qualquer tipo de gasolina, querosene de aviação ou óleo diesel especificados pela ANP; A resolução acima referida, que estabelece os requisitos necessários para o cadastramento de empresas interessadas em fornecer produto marcador, exercendo suas atividades no âmbito da marcação dos PMC indicados pela ANP, entre outras disposições também define no inc. VII, do mesmo art. 2º que o ponto de marcação é o local determinado pela ANP, onde é realizada a adição de marcador e abrange as unidades dos produtores nacionais, portos, terminais, estações aduaneiras e pontos de fronteira com o País. Interessante também trazer à lume parte do preâmbulo dessa Resolução ANP nº 13/09: [...] Considerando que a Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, alterada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, estabelece, em seu art. 5º, § 4º, que os hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel serão identificados mediante marcação, nos termos e condições estabelecidos pela ANP; e Considerando que a Portaria ANP nº 274, de 1º de novembro de 2001, estabelece a obrigatoriedade de adição de marcador a solventes e a derivados de petróleo eventualmente indicados pela ANP, bem como a proibição da presença de marcador na gasolina. [...]. Vejase que essa introdução da resolução deixa bastante claro que o controle da destinação dos hidrocarbonetos líquidos será realizado mediante a marcação, ficando proibida a presença de tais marcadores na gasolina. No âmbito do Poder Executivo, com amparo legal do § 3º, do art. 5º, da Lei nº 10.336/01, também foi editado o Decreto nº 4.940, de 29/12/03, cujo art. 1º reduz a zero as alíquotas da CIDECombustíveis incidente na importação e na comercialização sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, constantes da relação que divulga. Entre os códigos elencados está o 2710.11.41, nafta petroquímica, produto objeto da importação aqui tratada. Mais uma vez, percebese que a redução a zero das alíquotas da Cide diz respeito aos produtos elencados e não à qualidade do sujeito passivo, como, aliás, não poderia deixar de ser, uma vez que um Decreto não pode extrapolar o que a lei determina. O benefício foi concedido para as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, que são relacionadas no Decreto nº 4.940/03, importados por qualquer empresa autorizada pela ANP para tal, e não apenas para as centrais petroquímicas. O fato de uma empresa produzir gasolina ou diesel não afasta, por si só, a possibilidade dela vir a ser beneficiária da Fl. 423DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 alíquota zero no produto importado, nafta petroquímica, com mais razão ainda se essa empresa for uma Central de MatériaPrima Petroquímica (CPQ). (...) O modo de viabilizar a concessão do benefício que a lei instituiu, sem que ocorra prejuízo aos controles a cargo da Administração Pública, é um problema que deve ser resolvido no âmbito desta e que não pode ser imposto como ônus ao contribuinte. Em particular, no que se refere a nafta petroquímica, temse que esse produto tanto pode ser utilizado para a formulação de gasolina ou diesel como no processo produtivo de uma CPQ [Central de MatériaPrima Petroquímica]. É o que se depreende do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 34, de 28/12/04 que dispõe sobre a classificação fiscal da “nafta normalparafina”, da “normalparafina” e da “parafina”, bem como sobre a incidência ou não da Cide sobre essas mercadorias, estabelecendo no seu art. 1º que: Art. 1º A nafta petroquímica denominada “nafta normalparafina” classificase no código 2710.11.41 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). § 1º A “nafta normalparafina” não deve ser tomada como equivalente a quaisquer querosenes e pode servir à formulação de gasolina ou diesel. § 2º Na hipótese de servir à formulação de gasolina ou diesel, a “nafta normalparafina” está sujeita à incidência da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide Combustíveis), instituída pela Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, e regulada pela Instrução Normativa SRF nº 107, de 28 de dezembro de 2001. [...]. Notese que embora o ADI acima referenciado afirme a existência de uma nafta petroquímica denominada “nafta normalparafina” que serve para a formulação de gasolina ou diesel, o usual é que a nafta seja utilizada principalmente como matériaprima da indústria petroquímica ("nafta petroquímica" ou "nafta não energética") na produção de eteno e propeno, além de outras frações líquidas, como benzeno, tolueno e xilenos. É o que explica o glossário disponível no site da ANP2, que classifica a nafta em apenas dois tipos: a nafta petroquímica ou nãoenergética e nafta energética, assim consignando: Nafta Derivado de petróleo utilizado principalmente como matériaprima da indústria petroquímica ("nafta petroquímica" ou "nafta nãoenergética") na produção de eteno e propeno, além de outras frações líquidas, como benzeno, tolueno e xilenos. A nafta energética é utilizada para geração de gás de síntese através de um processo industrial (reformação com vapor d'água). Este gás é utilizado na produção do gás canalizado doméstico. 2 http://www.anp.gov.br/?id=582#n. Consulta realizada em 23/09/11. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/200858 Acórdão n.º 3202000.607 S3C2T2 Fl. 405 11 Nafta Petroquímica Ver Nafta. De qualquer modo, levando em conta o teor do ADI e do glossário da ANP, o que temos, no caso da naftapetroquímica, é um mesmo código de NCM abarcando um produto que pode servir a mais de uma utilização, sendo que em uma delas (utilização em gasolina ou diesel) ocorre a tributação normal e na outra (utilização como matériaprima em CPQ), redução a zero das alíquotas da Cidecombustíveis. Ora, essa questão, de um mesmo código de NCM dar guarida a produtos diversos, distintos nas suas qualidades intrínsecas ou extrínsecas é um problema enfrentado rotineiramente pelas autoridades administrativas encarregadas do controle aduaneiro e não representa nenhuma novidade na área. Relembrese, embora não tenha relação direta com o caso, mas apenas como exemplo, que foi em razão desse tipo de dificuldade que foi instituída, pela IN SRF nº 80, de 27/12/96, a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE), de modo a poder distinguir produtos, que apesar de estarem classificados dentro de um mesmo subitem da NCM, na verdade possuem características que os distinguem substancialmente uns dos outros e que, justamente por essas diferenças, apresentam se com valores ou especificidades bastante distintos, fazendo com que, para que não haja prejuízo ao controle do valor aduaneiro e aos dados estatísticos de comércio exterior, o produto, para além da sua identificação em um determinado código da NCM, seja desdobrado em atributos e especificações. Voltando a fazer referência a controles a cargo da ANP, temse que esse órgão estabeleceu, no que diz respeito especificamente à naftapetroquímica, a regulamentação para a sua importação por meio da Portaria ANP nº 32, de 23/02/00 (DOU 24/02/00). É pertinente destacar que, referida portaria estabelece no seu art. 1º, caput e parágrafo único que “fica sujeito à prévia e expressa autorização da ANP a importação de nafta petroquímica” e que “somente será autorizada a importação de nafta petroquímica que seja destinada ao uso exclusivo como matériaprima para o processo produtivo de Central de MatériaPrima Petroquímica”. Por seu turno, os arts. 3º e 4º da mesma norma definem que: Art. 3º. A autorização mencionada no artigo 1° fica condicionada a: I cadastramento da empresa ou do consórcio de empresas junto à ANP; e II anuência prévia da ANP, para cada carga de nafta petroquímica a ser importada. Art. 4º. O importador poderá solicitar autorização da ANP para uma programação semestral de importação de nafta petroquímica, ficando, na hipótese de deferimento dessa solicitação, dispensado da anuência de que trata o inciso II do artigo anterior. § 1º A solicitação de autorização mencionada no caput deste artigo deverá ser enviada à ANP com uma Fl. 425DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 antecedência mínima de 30 (trinta) dias em relação à data prevista para o início da importação. § 2º O importador poderá solicitar mais de uma autorização semestral para a importação de nafta petroquímica, desde que possua contratos com mais de uma CPQ. Convém trazer à luz também o disposto no art. 11 da mesma Portaria ANP nº 32/00, que preconiza, in verbis: Art. 11. Quando a importação não for realizada diretamente por uma CPQ, o importador deverá instruir a solicitação de anuência prévia para cada carga ou a solicitação de autorização para uma programação semestral, com o pedido de aquisição da nafta petroquímica firmado entre o mesmo e uma CPQ. Notese que o código 2710.11.41 (“naftas para petroquímica”) se encontra elencado entre aqueles produtos sujeitos a licenciamento não automático, tendo como órgão anuente a ANP, situação que já se observava na data do fato gerador e que atualmente se encontra divulgada por meio da Portaria Secex nº 23, de 14/07/113. Vêse, portanto, que só são deferidas licenças de importação de nafta petroquímica para as empresas cadastradas (em caráter precário), junto à ANP. Essas empresas, autorizadas a importar, não precisam ser Centrais de MatériaPrima Petroquímica, mas têm que importar sob a condição de que a mercadoria será destinada ao uso exclusivo como matériaprima para o processo produtivo daquelas centrais, fazendo prova disso o(s) contrato(s) firmado(s) entre importador e CPQ. Ou seja, a autorização da importação de naftapetroquímica, materializada por meio do deferimento da Licença de Importação, pelo órgão da Administração Federal Indireta, legalmente instituído para tal, permite que no momento do despacho aduaneiro a autoridade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) encontre respaldo para presumir que o produto foi importado por empresa autorizada pela ANP para tal atividade e que será destinado exclusivamente como matéria prima para o processo produtivo de Central de MatériaPrima Petroquímica, conforme exigência prévia condicionante do deferimento para a autorização de importação, expressa no parágrafo único do art. 1º, c/c o teor dos arts. 3º e 4ºda referenciada Portaria ANP nº 32/00, todos já transcritos. Notese que, no mesmo sentido, o art. 6º da IN SRF nº 680, de 02/10/06 determina que: Art. 6º A verificação do cumprimento das condições e exigências específicas a que se refere o art. 512 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002, inclusive daquelas que exijam inspeção da mercadoria, conforme estabelecido pelos competentes órgãos e agências da administração pública federal, será realizada exclusivamente na fase do licenciamento da importação. Observese que as disposições do art. 512, do Decreto nº 4.543/02, referidas no art. 6º da IN acima citado, encontramse atualmente exaradas nos mesmos termos no art. 572, do Decreto nº 6759/09, que revogou aquele: 3 Vide http://www.mdic.gov.br//arquivos/dwnl_1305913858.pdf (consulta realizada em 26/09/11). Fl. 426DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000207/200858 Acórdão n.º 3202000.607 S3C2T2 Fl. 406 13 Art. 572. Quando se tratar de mercadoria sujeita a controle especial, a depósito ou a pagamento de qualquer ônus financeiro ou cambial, o desembaraço aduaneiro dependerá do prévio cumprimento dessas exigências (DecretoLei nº 37, de 1966, arts. 47 e 48, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2º). Vêse pelo que até agora foi explicado que a importação seja de nafta petroquímica, em particular, ou de petróleo e qualquer de seus derivados, em geral, é uma operação que se submete a um controle rigoroso por parte das legislação nacional, desde a Constituição Federal, até normas infralegais. Tal qual acontece na importação de outros produtos sensíveis, como por exemplo armas e munições, certos insumos farmacêuticos..., o produto em comento somente recebe licença para ser importado após análise prévia do órgão anuente (licenciamento não automático). Não havendo razões para se concluir pela irregularidade na emissão da Licença de Importação, essa deve ser acatada no momento do despacho aduaneiro, sem prejuízo de controles a posteriori dos órgãos, no âmbito de suas respectivas atribuições legais. Ou seja, não se quer com isso, por óbvio, afastar o poder/dever das autoridades competentes de verificar posteriormente se não há desvios que descaracterizem o benefício fiscal concedido, mas, repitase, o modo de viabilizar a concessão do benefício que a lei instituiu, sem que ocorra prejuízo aos controles a cargo da Administração Pública é um problema que deve ser resolvido no âmbito desta e que não pode ser imposto como ônus ao contribuinte. Notese que a marcação compulsória das correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel objetiva viabilizar uma fiscalização a posteriori da destinação que foi dada ao produto, mas não representa garantia que não haverá desvios. Assim, não há meios de previamente provar qual o destino que será dado àqueles produtos. Se existissem esses meios, não seria necessário todo o aparato de controle que foi instituído para tal pela ANP, não tendo sentido fazer exigência de provas sobre “o uso futuro do produto”, sob pena de inviabilizar o benefício fiscal instituído por lei.” Deste modo, não vislumbro qualquer fundamento que alicerce o afastamento do benefício previsto no §3º do art. 5º da Lei nº. 10.336/2001, regulamento pelo Decreto nº. 4.940/2003, razão pela qual entendo como acertada a decisão proferida em primeira instância. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 427DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 18050.001080/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2005
CONHECIMENTO DO RECURSO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de recurso voluntário protocolado após o prazo fixado no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 2301-003.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2005 CONHECIMENTO DO RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso voluntário protocolado após o prazo fixado no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso voluntário protocolado após o prazo fixado no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 10 80 /2 00 9- 37 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/12 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.212.7550, o qual exige contribuição previdenciária relativa à contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais. Segundo o Relatório Fiscal o lançamento referese exclusivamente às bases de cálculo não oferecidas à tributação pelo contribuinte através da declaração em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), sendo estas apuradas pela fiscalização com base nas folhas de pagamento e documentação de suporte A empresa autuada apresentou sua impugnação alegando, em breve síntese, os argumentos a seguir: i) bis in idem, pois a exigência da presente autuação é a mesma da constituída no AI nº 35.308.8480; ii) a fiscalização não considerou pagamentos realizados pela impugnante; iii) excessividade dos juros cobrados A DRJ de Salvador deu parcial provimento à impugnação para excluir do lançamento a competência de 01/2004, em razão do acolhimento da decadêncial quinquenal, com fundamento no artigo 150, § 4º do CTN. Não houve recurso de ofício em razão do valor excluído não ultrapassar o limite de alçada. A autuada, devidamente intimada em interpôs recurso voluntário alegando que a autação fora lavrada fora do local do seu estabelecimento, além dos juros serem excessivos e padecer, a Selic, de ilegalidades. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso não pode ser conhecido, eis que intempestivo. Dispõe o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 que das decisões de primeira instância caberá recurso voluntário no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da decisão recorrida. No caso em questão o sujeito passivo foi intimado da decisão recorrida em 19/11/2009, conforme AR de fl. 254. Assim, o trintídeo legal para interpor o recurso voluntário iniciouse em 20/11/2009, uma sextafeira, conforme determina o artigo 5º do Decreto nº 70.235/72, encerrandose em 19/12/2009, um sábado. Contudo, sabendose que não se trata de dia útil, a data de vencimento ficou prorrogada para o dia 21/12/2009, uma segundafeira, nos termos do parágrafo único do citado artigo 5º. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/12 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 18050.001080/200937 Acórdão n.º 2301003.013 S2C3T1 Fl. 274 3 Ocorre que o recurso voluntário fora protocolado em 22/12/2009, terçafeira, como se nota do carimbo de protocolo de fls. 257 e Despacho de fl. 272. Nesse sentido destaco julgados dessa Colenda Corte Administrativa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2002 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO Nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72, não se conhece, por intempestivo, de Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência da decisão proferida pela primeira instância. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.(Acórdão 1803 001.277) “Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o transcurso do prazo assinalado no artigo 33 do Decreto nº. 70.235/72 (30 dias).” (Acórdão 1301000.861) Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos acima explicitados. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 275DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/12 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.903177/2009-32
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2000
DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE ERRO. PROCEDÊNCIA DA IRRESIGNAÇÃO.
Comprovada a existência de erro no Despacho Decisório, que considerou, indevidamente, em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nele citado, como Valor Original Utilizado, o Crédito Original na Data da Transmissão, procede a irresignação da Recorrente.
Numero da decisão: 1803-001.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Cristiane Silva Costa. Ausente justificadamente a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2000 DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE ERRO. PROCEDÊNCIA DA IRRESIGNAÇÃO. Comprovada a existência de erro no Despacho Decisório, que considerou, indevidamente, em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nele citado, como Valor Original Utilizado, o Crédito Original na Data da Transmissão, procede a irresignação da Recorrente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE ERRO. PROCEDÊNCIA DA IRRESIGNAÇÃO. Comprovada a existência de erro no Despacho Decisório, que considerou, indevidamente, em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nele citado, como Valor Original Utilizado, o Crédito Original na Data da Transmissão, procede a irresignação da Recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 31 77 /2 00 9- 32 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10380.903177/200932 Acórdão n.º 1803001.607 S1TE03 Fl. 73 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Cristiane Silva Costa. Ausente justificadamente a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10380.903177/200932 Acórdão n.º 1803001.607 S1TE03 Fl. 74 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 32verso): Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório nº 824963990, que homologou parcialmente a compensação declarada por meio do PER/DCOMP nº 36363.67548.130804.1.3.042930. 2. O pedido de compensação objetiva compensar débito(s) fiscal(is) com pagamento indevido de estimativa de CSLL, referente ao mês de dezembro de 1999 e efetuado em 31.01.2000. O Despacho Decisório considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação (fl. 6): Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 35.616,18. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: arts. 165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4. Cientificado da decisão em 03.04.2009 (fl. 9), o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade em 04.05.2009 (fls. 10/14), requerendo a homologação da compensação pleiteada com crédito oriundo de pagamento indevido de estimativa de CSLL, uma vez que a parcela utilizada do crédito em outra(s) DCOMP(s) é inferior à registrada pelo despacho decisório, de modo que há crédito disponível para ser compensado na DCOMP em questão, no montante inicialmente informado. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 32): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. DÉBITO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Sobre o débito compensado após seu vencimento, incidem multa e juros moratórios até a data de apresentação da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. 3. Cientificada da referida decisão em 30/01/2012 (fls. 39 numeração digital ND), a tempo, em 27/02/2012, apresenta a interessada Recurso de fls. 40 (ND) a 44 (ND), Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10380.903177/200932 Acórdão n.º 1803001.607 S1TE03 Fl. 75 4 instruído com os documentos de fls. 45 (ND) a 69 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10380.903177/200932 Acórdão n.º 1803001.607 S1TE03 Fl. 76 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 5. De conformidade com o Despacho Decisório de fls. 6, o valor total do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), de R$ 72.788,17, informado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 36363.67548.130804.1.3.042930, transmitido em 13 de agosto de 2004, objeto deste processo, teria sido, em parte, utilizado no Per/Dcomp retificador nº 16342.98330.160205.1.7.042044, transmitido em 16/02/2005, tendo sido, neste último, utilizado o valor original de R$ 48.368,38: 6. Sucede, porém, que, de conformidade com a cópia da Per/Dcomp anexada pela Recorrente, esse Valor Original Utilizado corresponderia a R$ 12.752,20 (fls. 20), sendo a quantia de R$ 48.368,38 equivalente ao Crédito Original na Data da Transmissão: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10380.903177/200932 Acórdão n.º 1803001.607 S1TE03 Fl. 77 6 7. Ainda que se pudesse, por hipótese, entender que o Crédito Original Utilizado no Per/Dcomp retificador nº 16342.98330.160205.1.7.042044 teria sido insuficiente para a compensação nele pleiteada, eventuais diferenças deveriam ser objeto de cobrança em despacho decisório a ele referente, não repercutindo neste. 8. Dessa forma, comprovado o erro do Despacho Decisório de fls. 6, temse o seguinte demonstrativo [(*) Crédito Original Utilizado nesta DComp]: PER/DCOMP SALDO ORIGINAL Valor Original do Crédito Inicial 72.788,17 Db:cód 2484 PA 31/08/2002 24.419,79 Saldo do Crédito Original 48.368,38 PD: 16342.98330.160205.1.7.042044 12.752,20 Saldo do Crédito Original 35.616,18 PD: 36363.67548.130804.1.3.042930 35.616,18 (*) Saldo do Crédito Original 0,00 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10380.903177/200932 Acórdão n.º 1803001.607 S1TE03 Fl. 78 7 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000984/2008-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
NULIDADE DO LANÇAMENTO - Não há que se falar em nulidade do auto de infração, quando este foi lavrado por autoridade competente, com observância de todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos.
GLOSA DE DESPESAS. FALTA DE EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS. CABIMENTO.
É cabível a glosa de despesas relativas a serviços cuja efetividade não foi comprovada.
BENS DO ATIVO PERMANENTE. GASTOS COM FABRICAÇÃO SOB ENCOMENDA.
Devem ser ativados quaisquer gastos diretamente atribuíveis para colocar um ativo no local e em condição necessária para seu funcionamento.
Numero da decisão: 1803-001.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO - Não há que se falar em nulidade do auto de infração, quando este foi lavrado por autoridade competente, com observância de todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. GLOSA DE DESPESAS. FALTA DE EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS. CABIMENTO. É cabível a glosa de despesas relativas a serviços cuja efetividade não foi comprovada. BENS DO ATIVO PERMANENTE. GASTOS COM FABRICAÇÃO SOB ENCOMENDA. Devem ser ativados quaisquer gastos diretamente atribuíveis para colocar um ativo no local e em condição necessária para seu funcionamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1877; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 2 1 1 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000984/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.493 – 3ª Turma Especial Sessão de 12 de setembro de 2012 Matéria IRPJ Recorrente ORLA RIO ASSOCIADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO Não há que se falar em nulidade do auto de infração, quando este foi lavrado por autoridade competente, com observância de todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. GLOSA DE DESPESAS. FALTA DE EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS. CABIMENTO. É cabível a glosa de despesas relativas a serviços cuja efetividade não foi comprovada. BENS DO ATIVO PERMANENTE. GASTOS COM FABRICAÇÃO SOB ENCOMENDA. Devem ser ativados quaisquer gastos diretamente atribuíveis para colocar um ativo no local e em condição necessária para seu funcionamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 09 84 /2 00 8- 11 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Tratam os presentes autos de exigências de ofício do imposto de renda de pessoa jurídica, R$ 79.938,49, fls. 129 e da CSLL, R$ 7.932,15, atinentes ao ano calendário de2005, fundamentadas em: 1. glosa de custos/despesas não comprovadas; 2. não ativação de gastos amortizáveis; 3. glosa de provisão não dedutível para perda de crédito, R$ 28.135,02; 4. insuficiência de recolhimento de valores declarados do iprj: primeiro trimestre/05: R$ 50.481,16 e segundo trimestre/05: R$ 7.423,58;. 2. Quanto à CSLL, sua exigibilidade foi fundamentada nos valores correspondentes aos incisos 01 e 03 . 3. A glosa de custos/despesas incomprovadas corresponde a pagamento à empresa B/Brasil Consultoria Ltda., (R$180.000,00 e R$ 471.018,43,, NFs n° 14 e 15, fls. 52/53), conforme contrato de fls. 54/62, de 10/05/2005, dada, a entendimento da fiscalização, a anterioridade do contrato firmado pela fiscalizada com a Nestlé, em fls. 103/121; outrossim, os valores pagos não teriam qualquer vinculação com as clásulas percentuais de comissionamento pactuadas. 3.1. Quanto ao contrato firmado com Aproveitamento Ltda, fls. 65/70, há, inclusive, inconsistênica contábil com as NFs 209/212, fls. 77/80, além das antecipações de pagamentos, fls. 71/73. 3.2. Finalmente, sem indicação de motivação ou justificativa, foram glosados, R$ 70.000,00 no 4 o trimestre de 2005. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.000984/200811 Acórdão n.º 1803001.493 S1TE03 Fl. 3 3 4. No que concerne à ativação de valores para amortização, tais valores de referem: 4.1. à NF n° 130491, R$ 44.948,45, emitida pela Udinese Metais, fls. 82; valor que deveria ser lançado com aquisição de ativo permanente; não, Propaganda e Publicidade, a entendimento da fiscalização; 4.2. R$ 200.551,67 pagos à SEA OIL CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA, deveria ser lançado como aquisição de ativo permanente; não, pagamento de serviços profissionais, fls. 132; 4.3. encargos financeiros pagos em contrato de mútuo UM 115, os quais, a entendimento da fiscalização, devem ser ativados em valor proporcional, R$ 129.597.46^aos desembolsos de mútuo no projeto, por contribuírem para a formação de resultados de mais de um período. 5. Ciente das exigências em 01/04/09, fls.130, o sujeito passivo acosta aos autos a impugnação de fls. 161/167, protocolada em 04/05/09, através da qual alega, em síntese: 5.1. quanto ao contrato com a B/Brasil, além de não atentar às disposições do art.722 do Código Civil e do Código Comercial, a fiscalização olvidou que a despesa de intermediação decorreu da concretização do negócio com a Nestlé; o documento de fls. 216 comprova da intermediação da comissionada no contrato com a Nestlé; 5.2. quanto ao contato com a empresa Aproveitamento, os valores pagos se referem a antecipações de comissões devidas, sujeitas à compensação após o primeiro ano de contrato, consoante acordo verbal com a contratada. 5.3. No que se relaciona às provisões não dedutíveis houve equívoco da fiscalização, dada sua adição ao lucro líquido para efeitos de apuração do lucro real, conforme documento de fls.181. 6. Em nova impugnação, protocolada na mesma data, fls. 190, além das alegações antes mencionadas, acrescenta: 6.1. relativamente ao contrato com a SEA OIL Consultoria Ltda., tratase de serviços prestados que não podem ser ativados, dada a exigência de ativação somente de bens do ativo permanente; 6.2. os bens adquiridos da UDINESE se relacionam a guardasóis e lonas para guardasóis, cuja vida útil não ultrapassa um ano, eis que expostos na orla marítima, sujeito à maresia. 6.3. Ainda que os serviços tivessem por finalidade a melhoria de bens do ativo permanente, caberia ao fisco a prova do acréscimo da vida útil desses bens, consoante jurisprudência administrativa, reportada às fls. 197/198; Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 6.4. quanto aos encargos de mútuo, representaram despesa de financiamento de projeto, para cumprimento de Termo de Concessão firmado com a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro. Tratase de despesa dedutível, independentemente do valor mutuado vincularse ou não à aquisição de bens de capital, conforme Parecer Normativo CST n° 127/73 6.5. quanto às insuficiências de recolhimento do irpj não foi embasada por documentação que justificasse tal conclusão.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente em parte, em decisão assim ementada: “GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS. Na glosa de custos/despesas não pode ser olvidada a factualidade e efetividade dos eventos que as geraram. GASTOS ATIVÁVEIS. AQUISIÇÃO DE BENS. A ativação de aquisições de ativo permanente de vida útil superior a um ano não se relacionam a ano calendário; sim, a ano corrido, competindo ao fisco a prova de vida útil superior em função da natureza e da destinação do bem. GASTOS ATIVÁVEIS. ENCARGOS DE FINANCIAMENTO. Legalmente inadmissível a exigência de ativação proporcional de encargos de empréstimo, vinculado, ou não, este à aquisição de bens do ativo permanente. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS Injustificável a exigência de tributo sobre provisões não dedutíveis quando o contribuinte, em sua DIPJ, tempestivamente apresentada, as adiciona ao lucro líquido para efeitos fiscais. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Quando a DIPJ é tomada como base à apuração de eventual insuficiência de recolhimento de tributo, tal insuficiência diz respeito ao imposto a pagar; não, ao tributo devido antes das compensações legais.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário (duas petições protocoladas em 07/06/2011 – fls. 274/289), em que tece as seguintes considerações: a) Deve ser excluída também a glosa referente às despesas referentes à contratação da empresa Aproveitamento Ltda. b) O acórdão manteve a glosa das despesas incorridas apenas sob o fundamento de que os pagamentos efetuados não poderiam ter sido deduzidos como despesas correntes no mês de março, eis que relacionadas às notas fiscais 209/212 emitidas seqüencialmente entre 13/03/2005 e 13/06/2005. c) Em que pese os pagamentos tenham sido realizados no mês de março de 2005 e as respectivas NF’s 209/212 expedidas no período de março a junho de 2005, a autuação é insubsistente por duas grandes razões: as despesas eram dedutíveis e ocorreram no ano de 2005. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.000984/200811 Acórdão n.º 1803001.493 S1TE03 Fl. 4 5 d) Ainda que a apropriação da despesa também tenha se dado naquele mês, não houve prejuízo ao Erário, na medida em que tais despesas eram passíveis de dedução e efetivamente ocorreram naquele mesmo ano, mas, apenas 3 meses depois. e) No máximo, o equívoco da recorrente poderia ser punido com multa fixa pelo descumprimento de obrigação acessória em função da apropriação extemporânea. f) A empresa Sea Oil Consultoria Ltda. prestou serviços de consultoria para a recorrente, os quais não podem ser ativados. g) Ainda que tais serviços tivessem como finalidade a melhoria de bens do ativo permanente, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, caberia ao Fisco comprovar a duração desses bens. h) O auto de infração sequer indicou o documento que embasou a sua conclusão de que não houve pagamento do IRPJ pela recorrente. i) O auto de infração não contém dois dos seus elementos obrigatórios, quais sejam, a descrição dos fatos e a indicação do dispositivo legal infringido, violando o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972. Por isso é nulo. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 09/05/2011 (AR de fls. 253). O recurso foi protocolado em 07/06/2011, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Primeiramente cumpre identificarmos quais as exigências mantidas pela Delegacia de Julgamento: · Insuficiência de recolhimento relativa ao 1° trimestre de 2005, no valor de R$ 50.481,16. · Insuficiência de recolhimento relativa ao 2° trimestre de 2005, no valor de R$ 958,02. · Glosa de pagamentos efetuados à empresa Aproveitamento Ltda., no valor de R$ 60.000,00. · Ativação de gastos realizados com a empresa Sea Oil,no valor de R$ 200.551,67. I. Insuficiência de recolhimento Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 6 Neste tópico argúi a recorrente, a nulidade do auto de infração em virtude da falta de descrição dos fatos e da indicação do dispositivo legal infringido. No campo Descrição dos Fatos e enquadramento (s) legal (is) consta o seguinte (fls. 133): 004 FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO. Insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e recolhimentos efetuados, conforme doc. de fls 20. Enquadramento legal Art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/99. Os dispositivos legais mencionados no auto de infração possuem o seguinte teor: “Art. 841. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 77, Lei nº 2.862, de 1956, art. 28, Lei nº 5.172, de 1966, art. 149, Lei nº 8.541, de 1992, art. 40, Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, Lei nº 9.317, de 1996, art. 18, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 42): I não apresentar declaração de rendimentos; II deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusarse a prestálos ou não os prestar satisfatoriamente; III fizer declaração inexata, considerandose como tal a que contiver ou omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida; IV não efetuar ou efetuar com inexatidão o pagamento ou recolhimento do imposto devido, inclusive na fonte;” O documento de fls. 20 é a Ficha 12A relativa ao 1° e 2° trimestres de 2005, em que constam os saldos a pagar de R$ 50.481,16 e R$ 958,02, respectivamente. Tais saldos correspondem exatamente aos valores exigidos, o que demonstra claramente que a infração foi a falta de recolhimento dos valores declarados. O art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, enumera quais os elementos indispensáveis que um auto de infração deve conter, cuja inobservância pode acarretar nulidade do ato por vício formal: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.000984/200811 Acórdão n.º 1803001.493 S1TE03 Fl. 5 7 III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” No presente caso, constatamos que o auto de infração lavrado contém todos os elementos obrigatórios, não se vislumbrando qualquer nulidade na peça acusatória. Por conseguinte, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, mantendose a exigência por não ter a recorrente comprovado que efetuou o recolhimento dos valores declarados na DIPJ/2006. II. Serviços prestados por Aproveitando Ltda. A decisão recorrida manteve a glosa da despesa com base nos seguintes fundamentos: “11. Quanto à glosa de R$ 60.000,00, pagamentos efetuado à Aproveitamento.Com.Ltda., Ns. 0209/0212, fls. 77/80, equivoca se o sujeito passivo, porquanto: 11.1. se referidas NFs foram emitidas em sequência, entre 15/03/05 e 13/06/05, seus pagamentos foram concentrados em março/05, fls. 71/73; 11.2. se, por acordo verbal, houve pagamento de comissão mínima sujeita à compensação após o primeiro ano de contrato, fls. 195, tal assertiva implica em reconhecimento de antecipação de valores devidos a futuro. Não, contraprestação de serviços presentes. Daí, correta a glosa, como despesa presente, de mera antecipação de R$ 60.000,00.” A recorrente afirma que as despesas eram dedutíveis e ocorreram no ano de 2005. Em resposta datada de 10/12/2008 (fls. 78 – numeração digital), a contribuinte informou à fiscalização que estava realizando o levantamento dos contratos de publicidade intermediados pela empresa Aproveitando que deram origem às comissões pagas em 2005, tendo solicitado prazo suplementar para apresentar os esclarecimentos solicitados. As notas fiscais apresentadas (fls. 79/82 – numeração digital) contém descrição genérica no campo “discriminação dos serviços”: serviços prestados. Não constam dos autos os contratos de publicidade que deram origem às comissões pagas em 2005. Diante da falta de apresentação da documentação que deu suporte aos lançamentos, a fiscalização glosou as despesas, tendo inclusive salientado a ocorrência de inconsistência contábil, qual seja, a antecipação do lançamento. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 8 A questão da antecipação do lançamento não foi o principal motivo da glosa, sendo apenas um indício a mais a fundamentar a glosa. O ponto principal foi a falta de comprovação da efetividade dos serviços. E neste ponto, a autuação é procedente, uma vez que a descrição dos serviços nas notas fiscais é totalmente genérica, e não foram apresentados os contratos de publicidade intermediados pela empresa Aproveitamento. A jurisprudência deste Conselho é mansa e pacífica no sentido de que os documentos devem expressar com detalhes os serviços efetivamente contratados: “GLOSA DE DESPESAS — SERVIÇOS DE ASSESSORIA E CONSULTORIA DEDUTIBILIDADE. Para ser dedutível a despesa com serviços de assessoria e consultoria é fundamental que os documentos expressem com detalhes os serviços efetivamente contratados.(Acórdão n° 10709138, sessão em 12/09/2007). GLOSA DE DESPESAS ÔNUS DA PROVA — DESPESAS OPERACIONAIS Cabe ao sujeito passivo da obrigação de comprovar, quando instado, a efetividade dos serviços prestados.A falta da comprovação resulta na glosa da despesa realizada.(Acórdão n° 10323584, sessão em 19/09/2008). GLOSA DE DESPESAS INCOMPROVADAS — Cabe ao contribuinte reunir elementos que comprovem a efetividade dos serviços prestados por terceiros, contabilizados como despesas. Notas fiscais genéricas, sem individualização dos serviços, não atendem aos critérios cumulativos de necessidade, razoabilidade e efetividade de tais serviços, conforme preceitua o Regulamento do Imposto de Renda.(Acórdão n° 10807222, sessão em 5/12/2002).” Por conseguinte, deve ser mantida a exigência. III. Pagamentos efetuados à Sea Oil Consultoria Ltda. A decisão recorrida manteve a glosa destes pagamentos com base nos seguintes argumentos: “13. No que se refere aos pagamentos à SEA Oil Consultoria Ltda., improcede a alegação impugnatória. Porquanto, o contrato de fls. 84/85 expressamente se refere à fabricação sob encomenda (cláusula única) de 02 unidades de deks completos, em peças laminadas de vibra de vidro, com repasse dos custos de 17 formas construtivas. Portanto, não se trata de prestação de serviços profissionais. Sim, de aquisições de ativo permanente para a concretização do projeto Orla.” Em sua defesa a recorrente insiste na tese de que os gastos com serviços não podem ser ativados, e que a empresa prestou serviços de consultoria, “como o próprio nome já informa” Em primeiro lugar, como muito bem ressaltou a decisão recorrida, o contrato celebrado com a Sea Oil Consultoria tem por objeto a fabricação sob encomenda de duas unidades de decks completos. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.000984/200811 Acórdão n.º 1803001.493 S1TE03 Fl. 6 9 Vejamos o que dizem as normas contábeis. A NBC TG 27 assim dispõe sobre os elementos do custo de um item do ativo imobilizado: “Elementos do custo 16. O custo de um item do ativo imobilizado compreende: seu preço de aquisição, acrescido de impostos de importação e impostos não recuperáveis sobre a compra, depois de deduzidos os descontos comerciais e abatimentos; quaisquer custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo no local e condição necessárias para o mesmo ser capaz de funcionar da forma pretendida pela administração; a estimativa inicial dos custos de desmontagem e remoção do item e de restauração do local (sítio) no qual este está localizado. Tais custos representam a obrigação em que a entidade incorre quando o item é adquirido ou como consequência de usálo durante determinado período para finalidades diferentes da produção de estoque durante esse período. 17. Exemplos de custos diretamente atribuíveis são: custos de benefícios aos empregados (tal como definidos na NBC TG 33 – Benefícios a Empregados) decorrentes diretamente da construção ou aquisição de item do ativo imobilizado; custos de preparação do local; custos de frete e de manuseio (para recebimento e instalação); custos de instalação e montagem; custos com testes para verificar se o ativo está funcionando corretamente, após dedução das receitas líquidas provenientes da venda de qualquer item produzido enquanto se coloca o ativo nesse local e condição (tais como amostras produzidas quando se testa o equipamento); e honorários profissionais. A simples leitura da norma acima transcrita faz cair por terra as alegações da recorrente, uma vez que quaisquer gastos diretamente atribuíveis para colocar um ativo no local e condição necessárias para seu funcionamento deve integrar o seu custo. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 10 Não há dúvidas sobre a natureza de ativo permanente dos “decks” fabricados por encomenda, sendo que os pagamentos efetuados para sua construção jamais poderiam ter sido deduzidos integralmente como despesa operacional. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10880.007361/2002-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 10/01/1998 a 31/12/1998
CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO, EM PARTE. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO PROPORCIONAL.
A exoneração de parte do crédito tributário implica exclusão da multa de ofício na mesma proporção.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3301-001.676
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos pela Derat em São Paulo, conferindo-lhes efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, para esclarecer que a multa de ofício deve ser exigida apenas e tão somente sobre a parte do crédito tributário, mantida nesta fase recursal.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/01/1998 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade/omissão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO, EM PARTE. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO PROPORCIONAL. A exoneração de parte do crédito tributário implica exclusão da multa de ofício na mesma proporção. Embargos Acolhidos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos pela Derat em São Paulo, conferindolhes efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, para esclarecer que a multa de ofício deve ser exigida apenas e tão somente sobre a parte do crédito tributário, mantida nesta fase recursal. (ASSINADO DIGITALMENTE) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 73 61 /2 00 2- 42 Fl. 2183DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (Derat), contra o Acórdão nº 201 81.526, proferido na sessão de 05 de novembro de 2008. Alega a Embargante, em apertada síntese, que teria havido obscuridade/ omissão do acórdão recorrido pelo fato de não ter explicitado se o percentual da penalidade aplicada deve ser mantido sobre o valor total que deixou de ser lançado nas respectivas notas fiscais de saídas, nos termos da decisão da DRJ São Paulo, ou sobre o saldo devedor do IPI mantido nesta fase recursal. Em face da razão apresentada, requereu fossem acolhidos e providos os embargos de declaração opostos, para que este Colegiado se manifeste sobre a obscuridade/ omissão suscitada, a fim de possibilitar a correta execução e cumprimento do decidido pela Primeira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Os embargos de declaração interpostos atendem aos requisitos de admissibilidade. Assim, deles conheço. Realmente, no acórdão embargado, a Primeira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes não se manifestou sobre a multa de ofício que foi suscitada de forma tácita pela recorrente em seu recurso voluntário. A DRJ São Paulo exonerou parte do crédito tributário, mas manteve a multa de ofício sobre a parte exonerada. Em relação a esta assim se manifestou: “Outrossim, embora a impugnação não questione especificamente a penalidade aplicada, deve ser ressaltado que a infração foi perfeitamente tipificada como ausência de lançamento do imposto na documentação fiscal, o que significa aplicar o percentual da penalidade no valor que deixou de ser lançado, nas respectivas notas fiscais, e não sobre o saldo devedor o IPI.” No recurso voluntário, a recorrente discordou dessa alegação da DRJ, sob o argumento de que a multa de ofício deve seguir o principal, ou seja, se exonerado o crédito tributário, no todo e/ ou em parte, a multa deve ser exonerada na mesma proporção. Do exame do auto de infração, verificamos que a penalidade lançada e exigida foi a multa de ofício, no percentual de 75,0%, prevista no art. 45 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, vigente na data da constituição do crédito tributário. Fl. 2184DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.007361/200242 Acórdão n.º 3301001.676 S3C3T1 Fl. 2.150 3 Embora a legislação do IPI, RIPI/1998, art. 461, previsse também o lançamento de multa isolada sobre o imposto que deixou de ser destacado nas respectivas notas fiscais, o autuante lançou, de forma correta, apenas a multa de ofício, tendo em vista que não se podem aplicar duas penalidades pela mesma infração. A penalidade lançada e exigida teve como fundamento o art. 45 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, vigente na data da constituição do crédito tributário, que assim dispunha: “Art. 45. O art. 80 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com as alterações posteriores, passa a vigorar com a seguinte redação: (Revogado pela Lei nº 11.488, de 2007). ‘Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; (...).” Ora, segundo este dispositivo legal, a multa de ofício incide sobre o imposto ou sobre a parcela que deixou de ser recolhida e/ ou paga no vencimento. Portanto, se exonerado parte do crédito tributário, a multa de ofício incidente sobre a parte exonerada também deverá ser cancelada. Em face do exposto, acolho os embargos de declaração interpostos pela Derat em São Paulo para rerratificar o acórdão embargado, conferindolhes efeitos infringentes, para exigir a multa de ofício apenas e tão somente sobre o saldo devedor do IPI mantido. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 2185DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13971.900218/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3102-000.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Leonardo Mussi da Silva, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Leonardo Mussi da Silva, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Leonardo Mussi da Silva, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de Imposto de Produtos Industrializado – IPI, previsto no art. 11 da Lei nº 9.779/99. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .9 00 21 8/ 20 10 -1 9 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/02/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13971.900218/201019 Resolução nº 3102000.236 S3C1T2 Fl. 207 2 O pedido foi objeto de auditoria eletrônica com deferimento parcial, sendo glosando os créditos referentes a aquisições de empresas optantes do SIMPLES. Inconformada, a empresa impugnou a decisão, alegando que a legislação permite a apuração de créditos referentes as aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem e não exclui deste rol as aquisições realizadas de empresas optantes do SIMPLES. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve o despacho decisório. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos de vedação legal expressa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada da decisão, a empresa interpôs recurso, alegando que as aquisições glosadas foram realizadas de empresas não optantes do Simples e todas com destaque do IPI nas Notas Fiscais, trazendo aos autos cópias de Notas Fiscais. Ao analisar o Recurso, a Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara, resolveu determinar a baixa dos autos em diligência para que a Unidade Preparadora verificasse a existência do suposto erro no preenchimento do pedido de compensação e se a Recorrente faria jus ao crédito de IPI, referente ao tributo destacado nas Notas Fiscais às fls. 69 a 85. A partir dos fatos apurados e caso fosse identificado alguma divergência em relação ao despacho decisório deveria ser realizado nova apuração do crédito de IPI, a luz das informações obtidas. Em atendimento a diligência, a Unidade Preparadora intimou a Recorrente a apresentar os documentos comprobatórios do erro no preenchimento do PER/DCOMP. A Recorrente, em atendimento a intimação, apresentou Planilhas demonstrando a relação de CNPJ preenchidos erroneamente no PER/DCOMP, os CNPJ corretos e as notas fiscais relacionadas, despacho decisório que indeferiu o pedido de crédito, a PER/DCOMP em questão e Notas Fiscais relativas às operações em que houve equívoco. Após a resposta da Recorrente, foi lavrado termo de informação fiscal, em que a Autoridade Fiscal, informa sobre a apresentação dos documentos e conclui por não se manifestar quanto aos documentos apresentados, por entender que cabe somente ao julgador, manifestação quanto à comprovação ou não do suposto erro. Do termo de informação fiscal, extraio o trecho abaixo, que descreve a posição da Unidade Preparadora. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/02/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13971.900218/201019 Resolução nº 3102000.236 S3C1T2 Fl. 208 3 " Nesse compasso, buscando a verdade material, oportunizouse à recorrente a produção de qualquer prova capaz de comprovar o suposto erro cometido no preenchimento do Pedido de Ressarcimento. Tendo em vista as provas suso apresentadas, não cabe ao órgão preparador manifestação no sentido de serem tais provas suficientes para o deslinde da questão, tampouco colmatar eventual lacuna, cabendo tão somente ao julgador manifestação quanto à comprovação ou não do suposto erro." Dada por concluída a diligência, retornaram os autos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, a discussão trata de matéria de fato, qual seja, a comprovação ou não da opção pelo SIMPLES das empresas que tiveram as suas operações glosadas na apuração do credito de IPI. Analisando os autos, verificase que as Notas Fiscais, apresentadas pela Recorrente, possuem a mesma data, o valor total e o IPI destacado, constante do relatório à fl. 46. Divergindo somente no número do CNPJ, o que leva a crer na possibilidade de um erro de digitação, quando do pedido de ressarcimento, sendo informado um CNPJ diverso daquele constante da Nota Fiscal. A decisão da turma julgadora, em baixar os autos em diligência, ocorreu com o objetivo de confirmar os erros alegados pela Recorrente no preenchimento do pedido de ressarcimento/compensação. Entendo que a diligência não atendeu de forma satisfatória os objetivos pretendidos. Assim, voto no sentido de baixar novamente os autos em diligência para que a Unidade Preparadora, realize os seguinte procedimentos: a) Verifique se as Notas Fiscais informadas pela Recorrente estão escrituradas nos Livros Fiscais, nos períodos correspondentes; b) Verificar se as empresas informadas nas Notas Fiscais seriam optantes do Simples; Fl. 208DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/02/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13971.900218/201019 Resolução nº 3102000.236 S3C1T2 Fl. 209 4 c) Se as Notas Fiscais estiverem corretamente escrituradas, e os seus emitentes não forem empresas optantes do Simples, refazer os cálculos do crédito a que teria direito a Recorrente, considerando estas Notas Fiscais em substituição àquelas informadas erroneamente; d) Lavrar Relatório Fiscal detalhando os procedimentos adotados e as conclusões obtidas, dando ciência à Recorrente, para em querendo, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias. Ao final dos trabalhos o processo deverá ser devolvidos a este Conselho para a retomada do julgamento. Winderley Morais Pereira Fl. 209DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/02/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10425.901388/2009-77
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO
A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A justificativa apresentada pela Contribuinte para o surgimento dos alegados créditos é desprovida de fundamento. Nas declarações retificadoras, a Contribuinte passou a apurar o próprio imposto (e não o saldo a pagar) com valores muito menores do que os declarados inicialmente, e isto não pode ser justificado por retenções anteriormente não computadas. Excluída essa justificativa, a Contribuinte não trouxe nenhuma outra, e nem qualquer elemento de prova que pudesse evidenciar outro tipo de erro nos valores inicialmente declarados e pagos, para dar guarida ao alegado direito creditório. Mantida a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1802-001.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A justificativa apresentada pela Contribuinte para o surgimento dos alegados créditos é desprovida de fundamento. Nas declarações retificadoras, a Contribuinte passou a apurar o próprio imposto (e não o saldo a pagar) com valores muito menores do que os declarados inicialmente, e isto não pode ser justificado por retenções anteriormente não computadas. Excluída essa justificativa, a Contribuinte não trouxe nenhuma outra, e nem qualquer elemento de prova que pudesse evidenciar outro tipo de erro nos valores inicialmente declarados e pagos, para dar guarida ao alegado direito creditório. Mantida a não homologação da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A justificativa apresentada pela Contribuinte para o surgimento dos alegados créditos é desprovida de fundamento. Nas declarações retificadoras, a Contribuinte passou a apurar o próprio imposto (e não o saldo a pagar) com valores muito menores do que os declarados inicialmente, e isto não pode ser justificado por retenções anteriormente não computadas. Excluída essa justificativa, a Contribuinte não trouxe nenhuma outra, e nem qualquer elemento de prova que pudesse evidenciar outro tipo de erro nos valores inicialmente declarados e pagos, para dar guarida ao alegado direito creditório. Mantida a não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 90 13 88 /2 00 9- 77 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901388/200977 Acórdão n.º 1802001.431 S1TE02 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901388/200977 Acórdão n.º 1802001.431 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve a negativa de homologação em relação à Declaração de Compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1134.693, às fls. 27 a 29: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação — DCOMP de fls. 01/05, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ com débitos de sua responsabilidade. O crédito informado, no valor de R$ 12.594,85, seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto apurado no 2° trimestre do ano calendário 2001. 2. Através do despacho de fl. 07, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal DRF em Campina Grande identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada. 3. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 09/11), alegando, em síntese, que retificou sua Declaração de Informações DIPJ para demonstrar os créditos, porém não retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF ajustando os débitos. Argúi que o erro nesse procedimento não invalida a existência dos créditos, já que houve pagamento a maior, e que não há norma que exija a necessidade de retificação da DCTF para que o Fisco aceite a existência dos créditos. Requereu, ao final, a homologação da compensação. Como mencionado, a DRJ Recife/PE manteve a negativa em relação à referida compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901388/200977 Acórdão n.º 1802001.431 S1TE02 Fl. 5 4 Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 20/10/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 31/10/2011, com os argumentos abaixo: DA APRESENTAÇÃO DA CONTRADITA ÀS RAZÕES DE DECIDIR DA DRJ/RECIFE E DOS VALORES DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS a DRJ/Recife não mencionou em nenhum momento que as informações apresentadas na manifestação de inconformidade eram incorretas, simplesmente alegou que a empresa não apresentou qualquer documentação para justificar seu direito; contudo, não era necessário a apresentação de nenhum documento pelos seguintes fatos: 1) os valores informados na DIPJ e as razões pelos quais foram informados estão plenamente descritos e detalhados da manifestação de inconformidade; 2) de acordo com as normas da Lei n° 9.784/99, não é necessária a apresentação de qualquer documento quando o órgão administrativo já dispõem das informações necessárias para a análise do processo administrativo; 3) os agentes da administração devem atender ao princípio da Verdade Material quando da análise dos processos administrativos. o que ocorreu, na verdade, foi apenas uma falha de procedimento da empresa em não retificar as DCTFs onde constavam as informações dos débitos cuja compensação era solicitada; tal erro de procedimento não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de pagamentos a maior de IRPJ decorrentes de revisão das declarações da empresa e das respectivas bases de cálculo dos tributos; tais declarações constam desde há muito tempo da base de dados da Receita Federal e o equívoco poderia ter sido corrigido caso a empresa tivesse sido intimada para esclarecer os fatos; tal falha de procedimento não inviabiliza o direito de crédito da empresa. A apuração dos débitos de IRPJ é realizada e apresentada ao fisco por meio das DIPJ. A DCTF, inobstante ser instrumento de confissão de dívida, apresenta apenas valores simples, sem qualquer valor de apuração; a declaração mais robusta para fins de formação de convicção é a DIPJ, pois nela se demonstram os dados que levaram à apuração dos créditos tributários. Neste ponto é mister salientar que a DIPJ foi corretamente retificada pela empresa; Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901388/200977 Acórdão n.º 1802001.431 S1TE02 Fl. 6 5 tendo sido revistos os valores de apuração de IRPJ, os pagamentos a maior realizados a tal título tornaramse indevidos, na forma do art. 165, I, do CTN, além dos próprios saldos negativos de IRPJ apurados, razão pela qual poderiam ser utilizados pela empresa, como o foram, para a compensação de outros débitos da empresa para com a Receita Federal; a simples falha procedimental da empresa em não ter retificado as DCTF dos mesmos períodos não pode ter o condão de invalidar a existência de créditos que estão plenamente demonstrados; DO DESCUMPRIMENTO DOS PRINCÍPIOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO POR PARTE DA RECEITA FEDERAL em outras compensações, quando o valor da DCTF é menor que o da DIPJ, a Receita Federal intima o contribuinte da divergência entre estas declarações, mandando retificar sob pena de indeferimento; porque nesse caso a Receita Federal não agiu dessa mesma maneira? Se havia divergência entre DIPJ e DCTF, obviamente a empresa cuidaria de retificar a DCTF. Sem a comunicação da Receita, a empresa só soube de sua falha após o indeferimento da compensação; DA DESNECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS JUNTO COM A MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, QUANDO ESTAS JÁ ESTÃO DE POSSE DO FISCO a recorrente contesta a informação de que não apresentou qualquer prova a justificar o seu direito; a empresa informou na manifestação de inconformidade os motivos que geraram a formação de seus créditos; a empresa também informou que os valores estavam à disposição da Receita Federal nas declarações que esta possuía; a Receita Federal possui todas as informações de apuração da empresa constantes da DIPJ do respectivo período de apuração. Tais valores constam dos próprios comprovantes de rendimento fornecidos pelos seus clientes; todos os valores de retenção na fonte informados pela empresa constam do banco de dados da Receita Federal mediante as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras; assim, não se fazia necessária a apresentação de nenhum documento, posto que todas as informações necessárias à análise já constavam do banco de dados de informações da Receita Federal; DA NÃO ATENÇÃO AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL por tal princípio, o julgador, mais do que se atentar às alegações e provas das partes, tem de firmar seu entendimento com base na realidade demonstrada nos autos; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901388/200977 Acórdão n.º 1802001.431 S1TE02 Fl. 7 6 a DRJ/Recife deixou de atender à informalidade do processo administrativo ao exigir a prévia retificação da DCTF; também agiu incorretamente ao exigir apresentação de provas que já estavam em seu próprio banco de dados; por fim, deixou de atender ao Princípio da Verdade Material como forma de fazer justiça em seu sentido mais puro, qual seja, o de não atentar apenas às formas estabelecidas e sim verificar a real existência dos fatos como forma de obter a verdade que definirá o julgamento do caso. Este é o Relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901388/200977 Acórdão n.º 1802001.431 S1TE02 Fl. 8 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação da Declaração de Compensação – DCOMP de fls. 01 a 05, na qual o crédito utilizado corresponde a pagamento indevido ou a maior a título do IRPJ (Lucro Presumido) apurado no 2º trimestre do anocalendário de 2001. A Delegacia de origem, por meio de despacho eletrônico, não homologou a compensação. A negativa foi motivada pelo fato de o referido pagamento já ter sido utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Em sua primeira peça de defesa, a Contribuinte procurou demonstrar que o direito creditório decorria de valores de IR retido na fonte que não haviam sido considerados na DIPJ original, posteriormente retificada para a inclusão destes valores: A existência destes pagamentos a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras apresentadas pela empresa, que seguem em anexo, quando foram realizadas as seguintes alterações de valores: a) Com relação ao IRPJ, as declarações originais apresentadas pela empresa não consideraram os valores relativos ao IRPJ retido na fonte quando dos recebimentos da empresa, assim, ao se incluírem nas DIPJ as deduções relativas ao IRPJ retido na fonte, a conseqüência imediata é a redução dos valores do IRPJ a pagar o que gerou a existência dos pagamentos a maior realizados; Demonstrase, do acima exposto, que os créditos relativos a pagamentos a maior de IRPJ relativos às apurações dos anos de 2000, 2001 e 2002, foram gerados em conseqüência das retificações das declarações originais, conforme demonstraremos com exatidão abaixo. O fato de a empresa não ter realizado as respectivas retificações das DCTFs que poderiam “liberar” os pagamentos para as compensações, constitui mero erro de procedimento que, em nenhum momento, caracteriza a inexistência do crédito apurado pela empresa, posto que inexiste na legislação qualquer norma que exija a necessidade de retificação da DCTF da empresa como regra para aceitação dos créditos relativos a pagamentos indevidos. Por fim, devemos informar que as DIPJ retificadoras foram corretamente apresentadas à Receita Federal antes da entrega das declarações de compensação e, nestas, constam os corretos valores de retenções na fonte e compensações de COFINS que Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901388/200977 Acórdão n.º 1802001.431 S1TE02 Fl. 9 8 poderão ser confirmados pela própria Delegacia em seus sistema informatizados. (...) Assim, para facilitar a análise e apreciação dos recursos informamos que segue em anexo à presente manifestação uma planilha demonstrativa dos valores dos créditos de IRPJ apurados em cada período de apuração onde ocorreu a realização de pagamentos a maior A Delegacia de Julgamento manteve a negativa em relação à pretendida compensação, frisando que a Contribuinte não retificou a DCTF, e que também não trouxe nenhuma prova de seu alegado crédito: 8. Como se sabe, nos termos da legislação de regência (Instrução Normativa SRF n° 014, de 14 de fevereiro de 200), a DIPJ tem caráter apenas informativo, enquanto a DCTF constitui instrumento de confissão de divida quanto aos débitos nela declarados. 9. No caso concreto, verifiquei, no banco de dados da Receita Federal, que a empresa efetivamente apresentou DCTF em que fez constar haver apurado débito do IRPJ no 2° trimestre de 2001 no valor de R$ 37.784,55, com pagamento em 3 quotas de R$ 12.594,85, o exato valor do recolhimento efetuado. 10. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo liquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do CTN) . 11. Destaquese que, além de não retificar a DCTF, que constituía obrigação sua (Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, e seguintes), não trouxe a interessada prova alguma do tanto alegado, desatendendo ao disposto no art. 16, III, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. 12. Ante o exposto, voto por julgar improcedente a. manifestação de inconformidade. Ao não retificar a DCTF, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa em relação à compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901388/200977 Acórdão n.º 1802001.431 S1TE02 Fl. 10 9 retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora, esta deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Nesse caso concreto, a Contribuinte apresentou várias DCOMP, dentre elas a aqui examinada, alegando ter retificado as DIPJ dos anoscalendário 2000, 2001 e 2002, para incluir nestas declarações valores de “IR retido na fonte” que não haviam sido computados nas declarações originalmente apresentadas. O presente processo está sendo examinado em conjunto com os de nº 10425.901387/200922, 10425.901395/200979, 10425.902532/200992 e 10425.902875/2009 –57, que tratam de outras DCOMP cujos créditos estão fundados no mesmo argumento. Os valores de IRPJ declarados em DCTF, e que pelos argumentos da Recorrente correspondiam às DIPJ originais, estão indicados no quadro abaixo: PA IRPJ inicialmente apurado e pago 1º Trim. 2000 19.972,44 2º Trim. 2000 21.047,10 3º Trim. 2000 33.302,91 4º Trim. 2000 31.174,72 1º Trim. 2001 30.926,93 2º Trim. 2001 37.784,55 3º Trim. 2001 37.341,06 4º Trim. 2001 36.908,97 1º Trim. 2002 32.209,11 2º Trim. 2002 40.668,12 3º Trim. 2002 22.817,52 4º Trim. 2002 43.834,50 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901388/200977 Acórdão n.º 1802001.431 S1TE02 Fl. 11 10 As DIPJ retificadoras, por sua vez, indicam os seguintes valores para o IRPJ, antes da dedução do IR retido na fonte: PA IRPJ retificado, antes da dedução das retenções 1º Trim. 2000 * 2º Trim. 2000 * 3º Trim. 2000 * 4º Trim. 2000 * 1º Trim. 2001 6.940,24 2º Trim. 2001 7.954,17 3º Trim. 2001 8.155,53 4º Trim. 2001 9.493,95 1º Trim. 2002 8.676,23 2º Trim. 2002 8.705,77 3º Trim. 2002 8.467,15 4º Trim. 2002 9.618,25 * Contribuinte não apresentou cópia da DIPJ retificadora Os valores do “IRPJ retificado, antes da dedução das retenções”, conforme quadro acima, decorrem diretamente da aplicação da alíquota do IRPJ sobre a base de cálculo. A redução do imposto na declaração retificadora, portanto, não teve qualquer relação com o aproveitamento de retenções na fonte. Também não há qualquer comprovação das alegadas retenções que não teriam sido consideradas inicialmente. A justificativa apresentada pela Contribuinte para o surgimento dos alegados créditos mostrase desprovida de fundamento. Nas declarações retificadoras, a Contribuinte passou a apurar o próprio imposto (e não o saldo a pagar) com valores muito menores do que os declarados inicialmente, e isto não pode ser justificado por retenções não computadas. As retenções poderiam justificar diferenças na rubrica “imposto de renda a pagar”, mas não diferenças surgidas no cálculo do imposto em si, antes do cômputo das retenções. Excluída essa justificativa, a Contribuinte não trouxe nenhuma outra, e nem qualquer elemento de prova que pudesse evidenciar outro tipo de erro nos valores inicialmente declarados e pagos, para dar guarida ao alegado direito creditório. Deste modo, a decisão recorrida não merece reparo. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.901388/200977 Acórdão n.º 1802001.431 S1TE02 Fl. 12 11 Nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10580.006333/2007-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 12 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006
INDENIZAÇÃO. RECOMPOSIÇÃO PATRIMONIAL. NÃO TRIBUTAÇÃO PELO IMPOSTO DE RENDA. LUCROS CESSANTES.
A indenização paga, visando mera recomposição patrimonial, não pode ser considerado acréscimo patrimonial, fato gerador do imposto de renda. No caso dos autos ficou devidamente comprovado através de laudo de avaliação que parte do valor pago é decorrente de recomposição patrimonial e parte lucros cessantes, que enseja o fato gerador do IRPF.
MULTA DE OFÍCIO - ERRO ESCUSÁVEL - Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações
Numero da decisão: 2202-000.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da do colegiado por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 2.291.903,20, bem como a multa de lançamento de ofício remanescente, por erro escusável, relativo ao item 02 do auto de infração (indenização de danos materiais e lucros cessantes).
(Assinado Digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Pedro Anan Junior - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente)
Nome do relator: Pedro Anan Junior
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006 INDENIZAÇÃO. RECOMPOSIÇÃO PATRIMONIAL. NÃO TRIBUTAÇÃO PELO IMPOSTO DE RENDA. LUCROS CESSANTES. A indenização paga, visando mera recomposição patrimonial, não pode ser considerado acréscimo patrimonial, fato gerador do imposto de renda. No caso dos autos ficou devidamente comprovado através de laudo de avaliação que parte do valor pago é decorrente de recomposição patrimonial e parte lucros cessantes, que enseja o fato gerador do IRPF. MULTA DE OFÍCIO - ERRO ESCUSÁVEL - Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da do colegiado por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 2.291.903,20, bem como a multa de lançamento de ofício remanescente, por erro escusável, relativo ao item 02 do auto de infração (indenização de danos materiais e lucros cessantes). (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente)
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RECOMPOSIÇÃO PATRIMONIAL. NÃO TRIBUTAÇÃO PELO IMPOSTO DE RENDA. LUCROS CESSANTES. A indenização paga, visando mera recomposição patrimonial, não pode ser considerado acréscimo patrimonial, fato gerador do imposto de renda. No caso dos autos ficou devidamente comprovado através de laudo de avaliação que parte do valor pago é decorrente de recomposição patrimonial e parte lucros cessantes, que enseja o fato gerador do IRPF. MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da do colegiado por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 2.291.903,20, bem como a multa de lançamento de ofício remanescente, por erro escusável, relativo ao item 02 do auto de infração (indenização de danos materiais e lucros cessantes). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 63 33 /2 00 7- 05 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente) Fl. 406DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.006333/200705 Acórdão n.º 2202000.481 S2C2T2 Fl. 374 3 Relatório Contra o contribuinte PAULO SÉRGIO PARANHOS DE MAGALHÃES, inscrito no CPF 069.155.30553, foi lavrado auto de infração para tributar rendimentos apurados com base em depósitos bancários de origem não comprovada, efetuados em 2004. Foram tributados também R$ 12.818.250,54, recebidos em 2005, que o contribuinte afirmava haver recebido como indenização por perdas e danos. O total do imposto lançado foi R$ 3.623.592,18. Com os acréscimos legais, o total do crédito atinge R$ 6.899.144,65. De acordo com o relatório fiscal (fls. 04), o contribuinte havia comprovado parcialmente a origem dos depósitos em suas contas no Banco do Brasil, inclusive no que diz respeito a verbas indenizatórias recebidas da Câmara dos Deputados, como está demonstrado na planilha às fls. 09. Quanto às verbas que o contribuinte argumenta seriam indenização, observa a autoridade lançadora que o pagamento decorre de acordo firmado entre o interessado e o Banco Alvorada S/A, sucessor do Banco do Estado da Bahia S/A (BANEB) (fls. 55/57), e que não foram comprovadas pelo autuado as perdas e danos que justificariam a indenização. Os argumentos do impugnante são, em síntese, os seguintes (fls. 152/173). 1) O BANEB fora condenado em processo judicial a indenizálo por perdas e danos, em virtude de propositura dolosa de ação falimentar, desprovida de fundamentos processuais mínimos, contra a PESQUEIRA PORTO SEGURO S/A, da qual o autuado era presidente e sócio. Após o trânsito em julgado, em 2001 (fls. 42/43), e já na liquidação da sentença, foi realizada perícia por arbitramento, e os danos patrimoniais efetivamente sofridos em virtude da ação falimentar foram fixados em R$ 20.000.000,00. 2) Posteriormente o BANCO ALVORADA S/A. (sucessor do BANEB) concordou em pagar ao impugnante R$ 12.818.250,54, e o acordo foi homologado por sentença judicial (fls. 55/57). Como a indenização fora determinada anteriormente, na sentença judicial condenatória, a coisa julgada não poderia ser agora questionada pelo Fisco, com novas exigências de comprovação dos danos sofridos. 3) Como indenização, não houve fato gerador do imposto, pois a mesma destinavase apenas a repor danos patrimoniais. Em nada altera este raciocínio o fato de não se tratar de indenização por rescisão contratual, para a qual existe previsão expressa de isenção. Não o contradiz, tampouco, o §1º do art. 43 do Código Tributário Nacional, introduzido pela Lei Complementar 104/2001. 4) Para demonstrar os danos sofridos, requer a realização de perícia. Nomeia o mesmo contador que confeccionara os cálculos de arbitramento acima mencionados, e propõe como questão, em resumo, a validade técnica destes cálculos. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 5) Não foram descontados dos depósitos bancários o 13º salário (R$ 8.383,56), líquido do imposto na fonte, como consta em sua declaração, e R$ 600,00, declarados como rendimentos isentos e não tributáveis. 6) Recebera R$ 34.717,20 da Câmera dos Deputados, a título de ressarcimento por despesas postais e telefônicas, valores não tributáveis, cabendo excluílos do lançamento. 7) Recebera restituição do imposto de renda em 15/01/2004 (R$ 4.652,07) e em 16/11/2004 (R$ 6.288,59), valores que devem ser excluídos dos depósitos. 8) De acordo com o demonstrativo fiscal (fls. 09), houve saldo líquido negativo no mês de janeiro de 2004 (R$ 5.060,88), que deveria ser compensado com os depósitos do mês seguinte. 9) A Bahia Comércio de Cacau Ltda. informara haver pago R$ 343.711,79 pela venda de amêndoas de cacau. Mas somente foram aceitas com prova da origem dos depósitos bancários as notas fiscais apresentadas, que somaram R$ 39.760,21. Ao desprezar os demais valores, o autuante realizou presunção não autorizada em lei, pois não investigou, como deveria, a fonte pagadora, fazendo recair sobre o titular da conta bancária o ônus da prova. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador – DRJ/SDR, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade de votos em manter parcialmente o lançamento através do acórdão DRJ/SDR n° 14.292, de 22 de novembro de 2007 (fls. 338/344), consubstanciado na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004, 2005 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. ACORDO PARTICULAR. INDENIZAÇÃO NÃO COMPROVADA. São tributáveis as importâncias pagas em liquidação de sentença quando o montante da indenização tenha sido fixado por acordo particular (ainda que homologado judicialmente), especialmente quando não forem comprovadas as perdas e danos que justificariam a reparação indenizatória. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS. Presumemse rendimentos tributáveis os depósitos bancários de origem não comprovada. Devidamente cientificado dessa decisão em 12 de março de 2008, ingressa o contribuinte tempestivamente com recurso voluntário em 11 de abril de 2008, às fls. 348/378, onde ratifica os argumentos da impugnação. É o relatório Fl. 408DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.006333/200705 Acórdão n.º 2202000.481 S2C2T2 Fl. 375 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto ser conhecido. INDENIZAÇÃO RECEBIDA PELO RECORRENTE A maior parte do lançamento tem como origem a tributação de uma indenização recebida pelo Recorrente, por força de uma decisão judicial em ação falimentar movida pelo BANEB, onde este último foi condenada a pagar a indenizar por perdas e danos o Recorrente, conforme abaixo transcrito (fls. 42). “Extingo o presente processo sem julgamento de mérito, haja vista que o demandante deixou de instituir a inicial com documentos indispensáveis à propositura da ação, vulnerandose as regras dispostas no artigos 9, III, 9, III, alínea b; e 11, caput, da Lei Falimentar. De outro lado, faze a norma embutida no art. 20, caput, do mesmo diploma legal, condeno o Autor a indenizar ao contestente em perdas e danos, cujo quantum deverá ser apurado em liquidação de sentença. Condeno ainda o autor, no pagamento das despesas processuais e honorários advocatícios, estes na base de 20% sobre o valor da causa devidamente corrigido.” Posteriormente foi celebrado um acordo entre as partes onde foi pactuado que o Recorrente iria receber por força da decisão judicial o valor de R$ 12.818.250,54 a título de indenização. Quando do pagamento o Banco Alvorada (sucessor do BANEB) não efetuou a retenção na fonte do IRRF por entender que tal valor era mera reposição patrimonial portanto não era fato gerador do imposto de renda, fls 63. Desta forma, cabe a esse colegiado decidir se o valor recebido pelo Recorrente a título de indenização por danos patrimoniais por força da ação falimentar movida pelo BANEB é ou não fato gerador do imposto de renda. Para podermos decidir tal lide, antes de mais nada seria interessante definirmos o que é dano patrimonial, dano moral e lucros cessantes. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 Podemos entender como dano todo prejuízo sofrido por alguém em seu patrimônio ou em sua honra em decorrência da conduta de outra pessoa, que pode ter origem ou não na culpa dessa pessoa. Dano patrimonial ou material é o que resulta em prejuízo ou diminuição dos bens patrimoniais daquele que sofre a ação ou omissão de alguém, desta forma o dano sofrido pode ser mensurável em dinheiro. Já dano moral é aquele que lesa bens ou valores da personalidade, que não são apreciáveis em dinheiro, mas causam danos a honra, a integridade, a imagem ou a integridade física de quem o sofre. Ambos os danos se forem devidamente comprovados e atribuídos a alguém são passíveis de indenização, e tanto ao patrimonial quanto o moral não são passíveis de tributação pelo imposto de renda uma vez que nada mais são do que mera recomposição patrimonial. No que diz respeito aos lucros cessantes, é renda que a pessoa deixa de auferir no futuro por força do dano sofrido. O lucro cessante esta intimamente relacionado com a situação futura, é uma frustação de um ganho causado por dano patrimonial ou moral sofrido por alguém. Sendo portanto um prejuízo patrimonial que a pessoa terá no futuro por forca da conduta danosa de alguém. Como tal valor no meu entender representa um lucro que o prejudicado deixou de receber por força da ação danosa de alguém, ele representa acréscimo patrimonial, portanto deve ser tributado para fins do imposto de renda. No caso sob nossa análise, devemos verificar se o valor recebido pelo Recorrente, é lucro cessante ou recomposição patrimonial pelo dano sofrido. Podemos verificar que o próprio Recorrente nos traz subsídios para esclarecer tal fato, através do laudo de fls. 371 a 376, que na conclusão estabelece que parte dos valores é lucro cessantes e parte dos valores devidos seria por força de dano material: Estimase os danos materiais e os lucros cessantes com a quebra do acordo de acionista, pedido de falência Banco do Estado da Bahia S/A, desativação da empresa e abandono administrativo na quantia de US$ 8.180.107,09, sendo lucros cessantes e juros US$ 6.717.717,68, reposição do ativo permanente US$ 1.097.695,10, US$ 364.704,31, indenização referente ao valor residual de bens, cujo estado de conservação espelha, a total impossibilidade de reaproveitamento econômico. Os valores apurados estão detalhados nas planilhas 18, 19, 20. Com base no laudo que foi apresentado na ação judicial, podemos verificar que 82,12 % do valor recebido pelo Recorrente se trata de lucros cessantes, e 17,88% do valor se trata de reposição material. Desta forma, entendo que somente parte do valor o equivalente a R$ 2.291.903,20, deve ser excluído da tributação por se tratar indenização por dano material visando recomposição patrimonial. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.006333/200705 Acórdão n.º 2202000.481 S2C2T2 Fl. 376 7 O restantes R$ 10.526.351,34, que seriam os lucros cessantes devem remanescer a tributação. No que diz respeito a multa exigida, podemos verificar que o Recorrente deixou de oferecer a tributação o valor recebido por força de uma orientação recebida da fonte pagadora fls. 63, que entendeu que o valor pago era mera recomposição patrimonial, por força do erro excusável entendo que a multa não seria devida no presente de caso, portanto entendo que a mesma deve ser excluída. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PRESUNÇÃO. Outra parte do auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que a Contribuinte é titular das contas bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Não houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, a origem dos valores depositados na sua conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos Fl. 411DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 omitidos, o contribuinte somente conseguiu comprovar parte da origem, o que foi devidamente aproveitado pela DRJ ao analisar os fatos. Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Simplesmente alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade. Desta forma, é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Assim, por tudo o que dos autos consta, VOTO por DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO do contribuinte, para excluir da tributação o valor de R$ 2.291.903,20, bem como a multa de ofício do item 2 do auto de infração por erro escusável. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 412DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 11080.722509/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2000 a 28/02/2001
SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA
Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE
A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços.
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR.
A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND.
AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente.
Ronaldo de Lima Macedo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2000 a 28/02/2001 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente. Ronaldo de Lima Macedo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
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PARCELA DOS SEGURADOS Recorrente BANCO DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 28/02/2001 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 09 /2 01 0- 61 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722509/201061 Acórdão n.º 2402002.980 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativa à parcela desses segurados não descontada e não recolhida em época própria, referente ao período de 10/2000 a 02/2001. O Relatório Fiscal (fls. 11/23) informa que o crédito lançado é decorrente da responsabilidade solidária imputada à notificada, contratante de serviços de construção civil, por não ter comprovado o cumprimento das obrigações previdenciárias pela contratada, conforme estabelecido pela legislação vigente à época do fato gerador. O objeto do lançamento são as contribuições incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados da empresa executora de obra de construção civil, GEREMIAS TELECOMUNICAÇÕES LTDA, CNPJ 72.162.019/000145, incluídas em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Esse Relatório Fiscal informa ainda que o presente lançamento objetiva restabelecer a exigência fiscal, anulada por vício formal, nos Lançamentos Fiscais constituídos pelas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD) n°s 35.067.6682 (levantamentos SC1 e SM1) e 35.067.6690 (levantamento SC2), por meio dos Acórdãos no 2.338/2005 e 2.339/2005, conforme ementa da 4ª CAJ CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDOSE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.” Foram mantidos todos os lançamentos constantes das NFLD originais, referentes à solidariedade com os prestadores de serviços e empreiteiros não cobertos por auditoria fiscal no fato gerador (Auditoria total com contabilidade ou na obra específica), conforme registros do sistema Cadastro Nacional de Ações Fiscais (CNAF); O instituto da decadência foi aplicado na forma do artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/1966). Após a nulidade formal dos lançamentos originais, a ciência do novo lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/08/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 80/94) – acompanhada dos anexos de fls. 95/122 –, alegando, em síntese, que: Fl. 210DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 1. deve ser feito o chamamento ao processo da empresa executora, para se apurar a real existência dos débitos autuados, tudo em estrita observância aos princípios da garantia de defesa e da verdade material, pois diversos documentos probantes estão em posse da empresa que executou os serviços; 2. a matrícula era de responsabilidade da prestadora de serviços, cabendo a ela promover os recolhimentos e, mesmo assim, à luz da legislação, a matrícula não seria necessária, vez tratarse de simples reparos, manutenção e ampliação de dependência da Impugnante, serviços esses que não necessitavam nem mesmo de profissional técnico habilitado; 3. o Banco/Impugnante, por fazer parte da Administração Pública Federal, e somente poder contratar mediante licitação pública, estava respaldado pela Lei de Licitações, em que tais dispositivos transferem a responsabilidade pelos encargos previdenciários para as empresas contratadas. Cita STJ (REsp. 417.794/RS); 4. há pagamentos, comprovadamente efetuados pela empresa contratada, cujos demonstrativos se encontram inclusos nos processos originários das NFLD 35.067.6682 e 35.067.6690; 5. as Certidões Negativas de Débito (CND), expedidas à época das autuações originais, confirmam sobremaneira a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada junto ao INSS, descabendo, por conseguinte, eventual responsabilidade solidária por débito que, no período autuado, era inexistente; 6. o Fisco deve cobrar primeiramente da contratada e, além disso, a omissão na fiscalização da empresa contratada importa em cerceamento de defesa e possibilidade de pagamento em duplicidade, em latente prejuízo ao Impugnante. Ao menos até 10.12.1997, a impugnante tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança de eventual crédito previdenciário, primeiramente, das empresas contratadas. Isso porque, apenas com o advento da Lei 9.528/97, ou seja, a partir de 10.12.97, foi alterada a redação do inciso VI, do art. 30 e, consequentemente, afastada a aplicação do benefício de ordem; 7. ao menos até fevereiro/99 a Impugnante tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança de eventual crédito previdenciário, primeiramente, das empresas contratadas. Isso porque, a redação original do art. 31 da Lei 8.212/91 (que vigeu até fevereiro de 1999, em face da edição da Lei 9.711/98), não vedava a aplicação do benefício de ordem; 8. a Diretoria Colegiada do INSS, ao expedir a IN DC/INSS 18/2000, arbitrou, ilegal e abusivamente, a forma de apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados para execução de obras de construção civil; Fl. 211DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722509/201061 Acórdão n.º 2402002.980 S2C4T2 Fl. 4 5 9. a prova documental produzida nos autos dos processos administrativos 11686.000242/200813 (NFLD 35.067.6682) e 11686.00241/200879 (NFLD 35.067.6690) deverá ser aproveitada no presente feito, apensando este processo àqueles autos, tudo em nome, dentre outros, dos princípios da eficiência e economicidade processual. 10. REQUER: seja acolhida a preliminar suscitada, para chamar ao processo a empresa contratada e, ultrapassada essa, no mérito, seja acolhida a presente Impugnação, para se reconhecer a improcedência da autuação e desconstituir o lançamento fiscal, declarando insubsistentes os créditos constituídos pois, além de indevidos, não restou caracterizada a hipótese de incidência tributária. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão no 0346.688 da 5a Turma da DRJ/BSB (fls. 145/157) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que deveria ser aplicado o instituto do chamamento ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, visando apurar a real existência dos créditos lançados, bem como seja trazida aos autos a documentação comprobatória da quitação dos mesmos, que estão em posse da empresa contratada. Tal alegação não será acatada pelas razões fáticas e jurídicas a seguir delineadas. Cumpre esclarecer que o chamamento ao processo é uma modalidade de intervenção de terceiro provocada pelo réu, cabível apenas no processo de conhecimento dentro do âmbito judicial e não administrativo, tendo como finalidade ampliar o campo de defesa dos fiadores e dos devedores solidários, possibilitandolhes chamar o responsável principal, ou corresponsáveis ou coobrigados, para que assumam a posição de litisconsorte, ficando todos submetidos à coisa julgada. Assim, o chamamento ao processo é criado em benefício do réu dentro de um processo que corre no âmbito do Poder Judiciário e previsto exclusivamente nos artigos 77 a 80 do Código de Processo Civil (CPC). O Processo Administrativo Fiscal (PAF), quer seja nas regras estabelecidas pelo Decreto 70.235/1972, quer seja nas regras da Lei 9.784/1999, não prevê essa modalidade de intervenção de terceiros. Contudo, no presente caso, tal requerimento se torna desnecessário, eis que a empresa devedora, contratante direta dos segurados empregados, já figura no polo passivo do lançamento fiscal e foi devidamente notificada, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária no 1, lavrado em 25/08/2010. Isto é, a empresa executora da obra de construção civil também já está inserida na relação material da obrigação tributária e na constituição do crédito tributário. No presente caso, estamos diante do instituto da solidariedade, formado por um litisconsórcio necessário, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e Fl. 213DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722509/201061 Acórdão n.º 2402002.980 S2C4T2 Fl. 5 7 admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) (g.n.) Além disso, os argumentos apresentados pela Recorrente como justificativa para requerer o chamamento ao processo não se aplicam ao presente processo, uma vez que os documentos probantes dos recolhimentos efetuados pela empresa executora da obra de construção civil (GEREMIAS TELECOMUNICAÇÕES LTDA) foram aproveitados pelo Fisco, quando do relançamento, conforme registro no Relatório Fiscal (fl. 12) de que foram mantidas apenas as competências (meses) não alcançadas por Auditoria Fiscal Previdenciária, nos seguintes termos: “(...) foram excluídas as empresas do levantamento original que sofreram procedimento fiscal previdenciário (Auditoria Fiscal Total com contabilidade ou Auditoria específica na obra identificada no levantamento)”. Também não há que se falar em cobrança em duplicidade, pois o Relatório Fiscal informa que foi verificado se a contratada havia sido submetida ao procedimento de auditoria fiscal, com exame de contabilidade, no período abrangido por este lançamento, ou se as obras que foram objeto dos lançamentos, efetuados em desfavor da Recorrente, sofreram fiscalização específica. Assim, no caso de ter havido fiscalização específica ou auditoria fiscal com exame da contabilidade, o Relatório Fiscal informa que foram realizados os ajustes necessários e exclusão dessas competências analisadas. Ressaltase que o conceito de obra, para efeitos previdenciários, é bastante amplo, abrangendo a construção, demolição, reforma ou ampliação de edificação ou outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo. Com esse conceito amplo, a obra de construção civil funciona como se fosse um estabelecimento ou filial da empresa construtora e, por consectário lógico, necessita de matrícula com uma numeração básica que é o Cadastro Específico do INSS (CEI), sendo que essa matrícula deverá ser efetuada mediante comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo de trinta dias contados do início de sua atividades, ou poderá ser feita de ofício pelo Fisco. Diante disso, a alegação de que a responsabilidade pela matrícula junto ao INSS caberia a empresa executora da obra também se torna irrelevante, pois não altera nem influencia o lançamento fiscal. Logo, entendemos que não é cabível aplicação de chamamento ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, pois este e a Recorrente já são integrantes do polo passivo do presente lançamento fiscal. Após isso, passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: A Recorrente alega que o Fisco não apropriou no lançamento fiscal os valores pagos pela contratada. Tal alegação não será acatada, eis que os pagamentos efetuados pela empresa contratada foram devidamente observados à época do procedimento de auditoria fiscal, e apropriados nas respectivas NFLD originais (35.067.6682 e 35.067.6690), não tendo a Recorrente, nem a empresa contratada, trazido aos autos novos elementos probatórios que demonstrassem quaisquer outros recolhimentos efetuados. Por outro lado, verificase que o lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratado a empresa para a execução global (total) de obra de construção civil e não haver solicitado a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária, quais Fl. 214DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 sejam: (i) cópia das guias de recolhimentos quitadas e respectivas folhas de pagamento elaboradas distintamente pelo executor em relação a cada contratante; ou (ii) comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal, fatura ou recibo correspondente aos serviços executados, corroborada quando for o caso, por escrituração contábil; e (iii) comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas por arbitramento nos termos, forma e percentuais previstos na legislação previdenciária. A execução de obra na área de construção civil, mediante a empreitada total, enseja a solidariedade do contratante para com as contribuições previdenciárias incidentes sobre a mãodeobra aplicada, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/19911. No que interessa ao presente processo, temse que a responsabilidade tributária solidária exsurge quando o responsável é chamado para adimplir o crédito tributário concomitantemente com o contribuinte, arcando, independentemente deste, com o pagamento integral do crédito tributário. O art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172/1966, define como devedores solidários: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (g.n.) Segundo a previsão do inciso II do preceptivo legal acima citado, ocorre a solidariedade quando a lei expressamente designa os sujeitos que irão responder pela obrigação tributária. Neste caso, é necessária a previsão em lei, e isso foi disciplinado pelo art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em que o proprietário ou dono (que é a Recorrente) de obra de construção civil é solidário com o construtor pelo cumprimento das contribuições sociais previdenciárias. No mesmo sentido, o art. 220 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, estabelece a solidariedade entre o proprietário e o executor da obra de construção civil, nos seguintes termos: Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários 1 Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 215DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722509/201061 Acórdão n.º 2402002.980 S2C4T2 Fl. 6 9 com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. § 1º Não se considera cessão de mãodeobra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. § 2º O executor da obra deverá elaborar, distintamente para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante, folha de pagamento, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social e Guia da Previdência Social, cujas cópias deverão ser exigidas pela empresa contratante quando da quitação da nota fiscal ou fatura, juntamente com o comprovante de entrega daquela Guia. § 3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma e percentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. III pela comprovação do recolhimento da retenção permitida no caput deste artigo, efetivada nos termos do art. 219. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) (g.n.) Percebese, então, que a apresentação de folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas é uma das formas que a contratante, no caso a Recorrente, tem de elidirse de imediato da responsabilidade solidária por contribuições de responsabilidade do executor de obra de construção civil porventura não recolhidas, sendo que, em caso do salário de contribuição correspondente às guias apresentadas ser inferior aos percentuais estabelecidos na legislação previdenciária, a contratante deverá exigir também a comprovação de que a contratada possui contabilidade formalizada. Logo, não há como considerar a alegação retromencionada, pois o lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratada a empresa executora de obra de construção civil e não haver apresentada a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária. Dentro desse contexto da solidariedade imputada à Recorrente, esta alega que o próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirma a não aplicabilidade da responsabilidade solidária em relação à sociedade de economia mista. Essa alegação não Fl. 216DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 procede para o caso ora analisado, além dela ser também impertinente para o deslinde da controvérsia instaurada, eis que o conteúdo do acórdão do STJ – proferido no REsp 417.794 RS, Relator Min. Luiz Fux, 1ª Turma – trata da responsabilidade solidária prevista quando da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, conforme se extrai do Voto condutor a seguir reproduzido: “[...] Por seu turno, conheço do recurso no tocante à alegada afronta ao art. 31 da Lei 8.212/91. A questão sub judice é saber se incide a responsabilidade solidária prevista no art. 31, da Lei 8.212/91 sobre o Banco do Brasil S/A, sociedade de economia mista, integrante da administração indireta, no período em que contratou empresa para instalação de sistema online nos terminais de sua filial em suas dependências. O referido comando legal, à época do serviço prestado pela empresa (junho/1995), antes, portanto, das inúmeras alterações introduzidas, dispunha o seguinte: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23 [...].” (g.n.) Constatase que o lançamento fiscal ora analisado é decorrente da solidariedade existente entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor (chamada de contratada), conforme ficou devidamente delineado no Relatório Fiscal (fls. 11/23) e nas planilhas anexas. Esses documentos (Relatório Fiscal e planilhas) demonstram que os valores lançados no presente processo são decorrentes dos seguintes levantamentos originais: 1. SC1 – SOLIDA. CONST. CIVIL ANTES 1999 (NFLD 35.067.668 2) à Remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Período anterior a 01/1999; e 2. SC2 – SOLIDA. CONST. CIVIL APÓS 1999 (NFLD 35.067.6690) à Remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Período a partir de 01/1999. Assim, não acatamos o argumento da Recorrente ora analisado, uma vez que o lançamento de que trata este processo não é de responsabilidade solidária oriundo da execução de contrato de cessão de mãodeobra – conforme estabelecia o art. 31 da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 9.528/19972 –, mas de responsabilidade solidária oriunda de serviços de construção civil, conforme estabelece o art. 30, VI, da Lei 8.212/1991. 2 Art. 31 da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.528/1997, posteriormente a regra estampada neste artigo foi revogada: Fl. 217DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722509/201061 Acórdão n.º 2402002.980 S2C4T2 Fl. 7 11 Ainda dentro desse contexto da relação obrigacional solidária tributária previdenciária, registrase que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, diploma que institui normas gerais para licitação e contratos da Administração Pública – ao estabelecer que a inadimplência do contratado com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento –, não tem o condão de afastar a regra específica da legislação previdenciária – estampada no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991 –, eis que a regra da legislação licitatória (art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993) é norma geral a ser aplicada, nos contratos firmados entre a Recorrente (contratante) e a contrata, caso não houvesse uma norma específica disciplinado a matéria como um preceito de direito público. Assim, a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com as normas pertinentes à legislação tributária previdenciária, que são normas essencialmente de natureza pública –, não possuindo o arrimo de afastar a solidariedade da relação obrigacional para com a Seguridade Social estabelecida entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor, prevista no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991. Essa interpretação é corolário das normas constitucionais, pois depreendese do art. 173, § 2º, da Constituição Federal que a empresa pública exploradora de atividade econômica, que é o caso da Recorrente, está sujeita ao regime próprio das empresas privadas, inclusive quanto às obrigações tributárias e trabalhistas, salvo se a lei estabelecer estatuto jurídico especial para a empresa nos termos do § 1º desse artigo. Constituição Federal de 1988: Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) II a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) § 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. (g.n.) Esse entendimento de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro "Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)". Fl. 218DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 também é extraído da regra prevista no art. 54 dessa mesma lei, eis que esta regra afirma que “(...) os contratos administrativos de que trata esta Lei regulamse pelas suas cláusulas e pelos preceitos de direito público (...)”, grifamos. Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 estabeleceria uma responsabilidade fiscal exclusiva para as empresas contratadas – elidindo a sua responsabilidade da obrigação solidária tributária apurada pelo Fisco –, uma vez que há regra mais específica tratando da matéria no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, sendo que esta regra especial tributária disciplina a respectiva matéria em consonância e em obediência às normas constitucionais. Além disso, essa regra prevista no art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, que transferiria a responsabilidade fiscal exclusiva para as empresas contratadas, não pode ser aplicada ao caso porque prevalece a regra constitucional, hierarquicamente superior, já que a empresa enquadrada como sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica, que é caso da Recorrente, não poderá gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado, nos termos do art. 173, § 2º, da Constituição Federal. Com relação à responsabilidade solidária no âmbito tributário, cumpre esclarecer que ela não comporta benefício de ordem, podendo o Fisco escolher de quem será cobrada a dívida de forma integral, nos termos do art. 124, parágrafo único, do CTN. Assim, não acatamos a alegação da Recorrente de que antes da Lei 9.528/1997, que deu nova redação ao inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/19913, não havia vedação à aplicação do benefício de ordem e, consequentemente, somente a partir da entrada em vigor desse dispositivo, em 10/12/97, é que seria possível afastar a aplicabilidade do benefício de ordem e exigir da contratante os valores devidos por responsabilidade solidária. Com isso, entendemos que a inserção promovida pela Lei 9.528/1997 no inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991 não implicou qualquer inovação interpretativa com relação à não aplicação do benefício de ordem no âmbito tributário, tornando apenas a sua inaplicabilidade mais evidente, eis que essa inserção deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com a regra estampada no parágrafo único do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, não procedem os argumentos da Recorrente de que deveria ter sido cobrado primeiramente da empresa contratada os débitos anteriores à entrada em vigor dessa lei. Com relação à apresentação da Certidão Negativa de Débito (CND) pela contratada, entendemos que a emissão da CND não configura uma modalidade de extinção do extinção do crédito tributário, pois não está registrada nas hipóteses do art. 156 do Código Tributário Nacional (CTN)4, que disciplina o assunto. 3 Artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em sua redação original: “VI o proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou o condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações;” 4 Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; Fl. 219DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722509/201061 Acórdão n.º 2402002.980 S2C4T2 Fl. 8 13 Assim, a concessão da CND não implica nem comprova garantia absoluta de não existência de crédito tributário a ser lançado, tanto que no corpo da própria CND está ressalvado ao Fisco o direito de cobrança de qualquer valor apurado posteriormente à sua emissão, nos termos do § 1º do art. 47 da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 47. É exigida Certidão Negativa de Débito CND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). (...) § 1º A prova de inexistência de débito deve ser exigida da empresa em relação a todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil, independentemente do local onde se encontrem, ressalvado aos órgãos competentes o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente. (g.n.) Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a emissão da CND para a empresa contratada caracteriza uma forma de elidir a sua responsabilidade solidária da obrigação tributária apurada pelo Fisco. Isso decorre do fato de que a CND não é causa de extinção do crédito tributário, mas um mero documento que corrobora, até aquele momento de sua emissão, a inexistência de valores devidos ao Fisco. Quanto à apuração da base de cálculo por meio da aplicação do percentual de 40%, incidente sobre as notas fiscais, entendemos que se trata de uma técnica de aferição indireta para apuração dos valores devidos à Previdência Social e encontrase devidamente motivada, eis que a Recorrente não apresentou os documentos que comprovassem que a contratada cumpriu as obrigações previdenciárias referentes ao serviço prestado. Logo, a contribuição social previdenciária apurada pela técnica de aferição indireta é adequada, razoável e proporcional, não merecendo ser reformada. Além disso, a Recorrente não apresentou qualquer elemento probatório de que suas alegações sejam verdadeiras. Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. ......................................................................................................... Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (g.n.) Em perfeita consonância com o lançamento em tela, colacionase julgado do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a Região, que muito bem elucida a legalidade da aferição indireta, e a razoabilidade do percentual de 40% incidente sobre as notas fiscais para se aferir a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722509/201061 Acórdão n.º 2402002.980 S2C4T2 Fl. 9 15 “[...] TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TOMADORA DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. LEGALIDADE. (...) 2. Tratandose de contribuições previdenciárias, prestado o serviço, por disposição legal, a tomadora se incorpora ao pólo passivo da obrigação como devedora solidária e só se exime do cumprimento da obrigação se comprovar que a outra devedora adimpliu – pagou o tributo –, pois assim extinguira a obrigação tributária. Ainda que admitida a inserção da tomadora no pólo passivo da obrigação pelo descumprimento do dever de exigir comprovação do pagamento do tributo, tal ocorreria – com o pagamento da nota fiscal ou fatura relativa à prestação do serviço – antes do lançamento de ofício, pois tratase de tributo no qual a lei atribui ao sujeito passivo a apuração e pagamento do débito tributário sem qualquer intervenção prévia da administração. 3. Incluída a tomadora, por lei, no pólo passivo da obrigação, a comprovação do pagamento pode ser dela exigida a qualquer tempo, tanto na apuração do débito quanto na cobrança dos valores lançados, já que o Fisco pode – como qualquer credor, em matéria de solidariedade – voltarse contra ela ou contra a prestadora, ou contra ambas as devedoras, já no lançamento, já na execução. 4. Segundo a legislação do período no qual ocorreram os fatos geradores (05/1995 a 01/1999), cabia à tomadora, quando da quitação da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, exigir da prestadora cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e folha de pagamento dos empregados postos a seu serviço, dever do qual não se desincumbiu integralmente, restando solidariamente responsável pelo débito tributário. 5. A aferição indireta só incide naquilo em que a tomadora não se desincumbiu de ônus expressamente previsto em lei – exigir as folhas de pagamentos dos empregados postos a seu serviço. 6. É razoável a fixação de percentual (40%) sobre o valor da nota fiscal ou fatura como representativo do custo da mãode obra, e, em conseqüência, do valor dos salários sobre os quais deve incidir o tributo. Com isso, não se desnatura a contribuição, mas apenas se obtém, de modo indireto, na falta da documentação apropriada para a apuração direta (cujo ônus, no caso, era da tomadora) o valor dos salários, base de cálculo do tributo. Inversão do ônus da prova (§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91), estabelecendo presunção relativa em favor do INSS; caberia, portanto, à tomadora, demonstrar que o percentual é excessivo. 7. Embargos infringentes improcedentes. (TRF 4ª R; EIAC Embargos Infringentes na Apelação Cível; Processo: 200271000090415/RS; Órgão Julgador: Primeira Seção; Data Fl. 222DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 da decisão: 01/09/2005; DJU Data:28/09/2005; Página: 681; Relator DIRCEU DE ALMEIDA SOARES) [...].” (g.n.) Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da contribuição previdenciária, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente, podendo o Fisco inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/09/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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