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Numero do processo: 10380.009181/2005-89
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
O entendimento pela manutenção do lançamento contra a pessoa jurídica (no caso paradigma) não dá base para que se defenda o cancelamento do lançamento contra o responsável tributário (no caso recorrido). A caracterização da divergência jurisprudencial se dá quando o entendimento do caso paradigma pode ser transposto para o recorrido, produzindo o resultado pretendido pelo recorrente, mas isso não ocorre aqui, seja em razão das especificidades de cada caso, seja porque o acórdão paradigma não cancelou nenhum lançamento contra responsável tributário, até porque não houve esse tipo de lançamento naquele caso. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial.
Numero da decisão: 9101-002.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luís Flávio Neto) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. O entendimento pela manutenção do lançamento contra a pessoa jurídica (no caso paradigma) não dá base para que se defenda o cancelamento do lançamento contra o responsável tributário (no caso recorrido). A caracterização da divergência jurisprudencial se dá quando o entendimento do caso paradigma pode ser transposto para o recorrido, produzindo o resultado pretendido pelo recorrente, mas isso não ocorre aqui, seja em razão das especificidades de cada caso, seja porque o acórdão paradigma não cancelou nenhum lançamento contra responsável tributário, até porque não houve esse tipo de lançamento naquele caso. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rafael Vidal de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 91 81 /2 00 5- 89 Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 3 2 Araújo, Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luís Flávio Neto) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo sujeito passivo acima identificado, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto (i) à atribuição de responsabilidade tributária pessoal ao sócio; (ii) à qualificação da multa de ofício, e (iii) à falta de especificação das operações mercantis que deram ensejo à caracterização da omissão de receitas. Apenas a primeira divergência foi admitida no exame de admissibilidade do recurso especial. Houve negativa de seguimento do recurso em relação às outras duas divergências, conforme os despachos decisórios exarados em 29/01/2013 e 02/07/2015 pelo Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento. E essa negativa de seguimento de parte do recurso foi confirmada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, conforme os despachos de reexame de admissibilidade exarados nas mesmas datas acima referidas. O recorrente insurgise contra o Acórdão nº 10517.343, de 13/11/2008, por meio do qual a antiga Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, decidiu, entre outras questões, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva apresentada por Antônio Evaristo Paz, que foi autuado na condição de responsável tributário por débitos apurados em relação à empresa FortalezaDistribuidora de Balas e Caramelos Ltda. (CNPJ n° 02.754.880/000117). O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 ARBITRAMENTO: A falta de apresentação dos livros comerciais e fiscais e dos documentos acerca da movimentação financeira autorizam o arbitramento dos resultados para fins fiscais. É adequada a quantificação das receitas a serem consideradas no arbitramento aquelas informadas ao fisco estadual, salvo se constatada a existência de operações que desatendam ao conceito de receita bruta contido na legislação do imposto de renda. RESPONSABILIDADE DE ADMINISTRADOR: A teor do artigo 135, III, do CTN, o sócio gerente que deixar de promover, com relação a empresa extinta, a comunicação aos órgãos comercial e fiscais, autoriza a presunção de dissolução irregular, (Resp 944872/RS STJ). Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 4 3 IRPJ. Multa qualificada. Tendo o contribuinte se declarado inativo por três exercícios, quando na verdade estava em plena atividade, cabe a aplicação da multa qualificada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido os Conselheiros José Carlos Passuello (Relator) e Paulo Jacinto do Nascimento que votaram por acolher a preliminar de ilegitimidade passiva e afastar a multa qualificada. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello. No recurso especial, o sujeito passivo afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas. Quanto à matéria admitida do recurso (atribuição de responsabilidade tributária pessoal ao sócio), o sujeito passivo desenvolve os argumentos apresentados a seguir: por ocasião do recurso voluntário interposto pelo requerente, de forma preliminar, foi requerida a nulidade dos lançamentos pela incorreta e indevida identificação do sujeito passivo nas obrigações tributárias apuradas e lançadas pela autoridade fiscal. Isto porque os lançamentos foram concebidos em desacordo com os ditames dos arts. 121 e 142 c/c o art. 144, todos do CTN, como ficou nitidamente explicitado no dito Recurso. Esse fato, por si só, já tornaria nulo o ato administrativo; como se observa, a autoridade lançadora incorreu em erro grave e insanável, visto que na fase constitutiva do crédito tributário não se pode confundir a figura do contribuinte com a do responsável. E como já foi dito, é cediço que a extinção da pessoa jurídica ocorreu de forma regular com o cumprimento das formalidades da legislação comercial e, dessa forma, encontrase fora do alcance do art. 207, V, do RIR/99. O simples fato da falta de comunicação dessa extinção à Receita Federal resulta tão simplesmente no não cumprimento de uma obrigação acessória. Ademais, o art. 135, III, do CTN, só é aplicável nos casos em que, de forma comprovada, se possa imputar conduta dolosa à pessoa que se pretenda responsabilizar, fato este que como foi noticiado não se encontra materializado nos presentes autos; como se percebe, o sócio e a pessoa jurídica formada por ele são pessoas distintas à luz do art. 20 do Código Civil. Um não responde pelas obrigações da outra. E segundo o disposto no art. 144 do CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ora, se é essa a regra geral, então, não poderia a agente fiscal desprezar essa regra e substituir a empresa fiscalizada pela pessoa de seu sócio pelo simples fato de que a mesma já havia sido extinta e, no caso, de forma regular; resta claro que a responsabilidade do sócio não é objetiva. Para que surja a responsabilidade pessoal, disciplinada no art. 135 do CTN é necessário que haja comprovação de que ele, o sócio, agiu com excesso de mandato, ou infringiu a lei, o contrato social ou o estatuto. Inexistindo referida comprovação, não há como o lançamento tributário ser Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 5 4 redirecionado para ele com a substituição da figura do sujeito passivo da obrigação tributária, em flagrante agressão aos ditames legais já mencionados; o recorrente, no que tange a essa arguição preliminar tem a oferecer como supedâneo ao pleito objeto da presente Petição, e com amparo legal na existência de Decisões divergentes entre Câmaras do CARF, uma Decisão emanada do então 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, conforme transcrição a seguir: A empresa dissolvida, representada pelo sócio responsável, deve continuar para responder pelo crédito tributário enquanto não decair o direito da Fazenda Nacional de proceder o lançamento. Responsabilidade prevista nos arts. 128 a 138 do Código Tributário Nacional. A autoridade administrativa corretamente agiu, ao cientificar na pessoa do sócio responsável pela guarda dos livros obrigatórios da escrituração comercial/fiscal da empresa dissolvida e comprovantes dos lançamentos neles efetuados, o lançamento do crédito tributário, em nome da empresa e devido por ela, no período em que exerceu suas operações comerciais e deixou de recolher os tributos aos cofres públicos. 1° Conselho de Contribuintes / 1ª Câmara / Acórdão 10706453 em 07.11.2001. Publicado no DOU em 18.04.2002. Como já mencionado, quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento parcial ao recurso, reconhecendo a existência de divergência apenas em relação à primeira divergência suscitada, que trata da atribuição de responsabilidade tributária pessoal ao sócio, nos seguintes termos: Em relação ao primeiro ponto do recurso, o acórdão paradigma apresentado, na parte que interessa ao objeto de análise, tem o seguinte enunciado: [...] De outra parte, está consignado na ementa do acórdão recorrido, no que interessa ao exame do presente recurso: [...] Examinando o acórdão paradigma em seu inteiro teor, verificase que o colegiado entendeu que está correta a eleição do sujeito passivo no lançamento efetuado em nome da pessoa jurídica dissolvida, cujos atos foram registrados somente após o início do procedimento fiscal. Por seu turno o acórdão recorrido traz entendimento em sentido oposto, considerando correto o lançamento efetuado em nome do sócio gerente uma vez que a sociedade (pessoa jurídica) foi dissolvida irregularmente. Verificandose a divergência de entendimento acima exposta é de se admitir o recurso em relação ao primeiro ponto. Em 07/05/2013, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu em parte o recurso especial da contribuinte, e em 21/05/2013 o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 6 5 DOS FUNDAMENTOS PARA A MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO PRELIMINAR DA NÃO CONFIGURAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL ARGUIDA preliminarmente, cumpre salientar que o recurso especial interposto não deve ter seguimento, sob pena de violação do disposto nos §§ 4º e 6º do art. 67 do RICARF; com efeito, o precedente selecionado como paradigma, pela recorrente, não configura divergência jurisprudencial em relação ao acórdão recorrido. Dessa forma, não foi preenchido o requisito indispensável para que seja cabível o Recurso Especial, qual seja: a configuração e demonstração da divergência jurisprudencial; para comprovar essa constatação é preciso conferir os exatos termos da decisão recorrida e do acórdão selecionado como paradigma, bem como os fatos que permearam tais decisões; no caso relatado no presente processo, o que se verifica é que o motivo principal para que o e. colegiado mantivesse a imputação da responsabilidade na pessoa do sóciogerente da empresa, foi a constatação de que a dissolução da sociedade foi considerada irregular, ainda que de forma presumida; assim, considerando que a jurisprudência pacificada do STJ considera que a não comunicação da dissolução da sociedade às autoridades fazendárias torna a mesma presumidamente irregular, correta seria a imputação da responsabilidade ao sóciogerente da empresa, no caso concreto; por seu turno, no caso apontado como paradigma, não houve dissolução irregular e houve comunicação do encerramento das atividades da empresa às autoridades do fisco. Observese: [...]; percebese, portanto, que a decisão recorrida tratou de dissolução irregular presumida, em decorrência da não comunicação do encerramento das atividades da empresa as autoridades fazendárias, e de imputação de responsabilidade ao sóciogerente. Por outro lado, o acórdão paradigma julgou caso em que houve comunicação da dissolução da sociedade às autoridades fazendárias, inclusive com baixa do CNPJ da empresa, e a dissolução da sociedade não foi considerada irregular, razão pela qual, considerouse correto o lançamento feito em nome da pessoa jurídica e não de seu sócio. Assim, fica evidente que a situação fática e os fundamentos utilizados nos dois acórdãos são totalmente distintos; no acórdão selecionado como paradigma, não houve dissolução irregular, não havendo como apontar tais interpretações como divergentes, uma vez que partem de pressupostos fáticos completamente distintos; diante disso, forçoso concluir que o acórdão nº 10706.453 não pode servir como paradigma para o Recurso Especial interposto pela contribuinte. Isso porque, conforme Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 7 6 exaustivamente demonstrado, não tratou da mesma matéria fática e de direito objeto do acórdão recorrido. Implica dizer, não foram debatidas as mesmas questões jurídicas no acórdão recorrido e no acórdão paradigma; DA CORRETA IMPUTAÇÃO DA RESPONSABILIDADE AO SÓCIO DA SUA CONDIÇÃO DE SÓCIO GERENTE de início, mister demonstrar que o Sr. Antônio Evaristo Paz era quem, de fato, gerenciava a empresa autuada, o que constitui pressuposto para a sua responsabilização; consta do Relatório Fiscal que além do autuado, existia um outro sócio, o Sr. Idenio Tavares Ferreiro, que possuía participação minoritária no capital da empresa e que não possuía poder de gerência; o referido fato é confirmado nas informações prestadas pelo Sr. Francisco de Assis Lopes, contador da empresa durante o período fiscalizado, quando do seu comparecimento nas dependências da Receita Federal. Ele informa ainda que toda a gerência da empresa era feita pelo Sr. Antônio Evaristo Paz, a quem respondia quando tratava a respeito das questões fiscais da empresa. Observese: [...]; importante ressaltar que, em momento algum de sua defesa, o responsável em questão busca provar que a condição de efetivo sóciogerente, que lhe foi atribuída, não condiz com a verdade. Ao contrário, apenas alega o fato de que a empresa é quem deveria figurar na condição de sujeito passivo da exação, não cabendo confundir na fase da constituição do lançamento, a figura do contribuinte com a do responsável; posta esta premissa, passemos, então, a demonstrar as razões pelas quais é legítima a responsabilidade tributária imputada ao Sr. Antônio Evaristo Costa; DOS ILÍCITOS PRATICADOS é da dicção do art. 135 do CTN que a solidariedade do diretor, gerente ou representante, pela dívida da sociedade, se manifestará, quando comprovado que, no exercício de sua administração, foram praticados atos contemplados pelo comando legal citado, porém com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; consoante relatado outrora e constatado no curso da ação fiscal instaurada para a apuração de crédito tributário devido pela empresa Fortaleza Distribuidora de Balas e Caramelos LTda., a pessoa jurídica investigada encontravase na condição de inativa, quando do comparecimento das autoridades fiscais ao endereço informado junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil; no Termo de Constatação lavrado pelo Auditor Fiscal competente há informação de que houve solicitação à Junta Comercial do Estado do Ceará JUCEC, os atos constitutivos e alterações em nome da citada empresa, sendo constatado neste momento a existência de um Distrato Social que extinguiu aquela sociedade na data de 05/05/2003; em que pese o registro na Junta Comercial respectiva, na prática, o que se constatou é que a empresa continuava em franca atividade; Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 8 7 tal circunstância se comprova a partir da ampla movimentação financeira da empresa, colhida junto a instituições financeiras com base na CPMF. Ademais, constatouse intensa atividade comercial praticada pela empresa nesse período, conforme registrado nas Guias de Informações Mensais do ICMS GIM, informação esta colhida junto ao banco de dados da Secretaria de Fazenda do Ceará – SEFAZ; assim, a empresa encontravase desativada perante a Junta Comercial, já há algum tempo, não funcionando no endereço informado às autoridades fiscais, permanecendo, contudo em atividade plena; vejam Srs. Conselheiros, que embora o responsável alegue não ter havido a dissolução irregular, não há como ser levada em conta a sua argumentação; esta situação está a configurar a chamada dissolução irregular da empresa que, como é sabido, representa a hipótese em que uma empresa se torna inoperante sem que ocorra sua baixa nas repartições competentes, de forma a desaparecer sem indicar sua nova localização e sem comunicar a sua extinção a quem de direito; com efeito, para a extinção regular de uma pessoa jurídica é necessária a deliberação de seus sócios a respeito, em seguida a liquidação da empresa (com a realização do ativo, o pagamento do passivo e eventual distribuição, entre os sócios, do que restar) e, por fim, a efetiva extinção, com a baixa definitiva da pessoa jurídica nos órgãos responsáveis, e por “órgãos responsáveis” entendase também a Receita Federal do Brasil; assim, a não comunicação da dissolução da sociedade à Receita Federal, tal como se deu nos autos, pressupõe a dissolução irregular da empresa e constitui infração a autorizar a aplicação do dispositivo legal em questão ao caso concreto; nesse sentido, o teor da Súmula nº 435 do Superior Tribunal de Justiça, que prevê que “presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente”; em diversas ocasiões aquele Tribunal corrobora esse entendimento, como mostra o aresto a seguir: [...]; então, revelada a dissolução irregular da sociedade, há que ser determinada a responsabilidade solidária do sócio gerente, com base no art. 135 do CTN; a despeito de a doutrina e a jurisprudência considerarem a dissolução irregular como uma hipótese autônoma a ensejar a responsabilidade dos sócios, não se pode deixar de mencionar que a declaração de dissolução irregular importa, de todo modo, no reconhecimento de uma infração à lei societária (arts. 51, 1033 a 1038 c/c arts. 1102 a 1112 e 1150/1151 do Código Civil), segundo, inclusive, já reconhecido também pelo Superior Tribunal de Justiça, a exemplo do Resp nº 1.104.064; tratando do tema, a Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes concluiu que dissolução irregular da empresa acarreta a responsabilidade pessoal de que trata o art. 135 do CTN ( Acórdão nº 101 96.146); Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 9 8 apesar de devidamente exposta a dissolução irregular da empresa, o que por si só já autorizaria a aplicação do art. 135, III, devese registrar que o sócio gerente cometeu, ainda, outras infrações que justificam a sua responsabilização; não bastasse tudo isso, a pessoa jurídica inicialmente fiscalizada ainda apresentou DIPJ de 2001 a 2003 na condição de inativa; não entregou DCTF em relação a esses períodos; não pagou os tributos federais devidos; registrou intensa movimentação bancária; informou, a despeito das declarações zeradas perante a SRFB, expressiva movimentação de saída de mercadorias para a Secretaria de Estado da Fazenda do Ceará, dados esses que serviram de base para o cálculo dos tributos devidos, o que mais uma vez demonstra que seu sócio agiu com excesso de poder e em afronta à legislação, devendo ser responsabilizado, com base no art. 135, III, segundo também já decidiu este Conselho: Acórdão nº 340300.527 [...]; diante dessas evidências, não se está tratando aqui, por óbvio, de ʺmero inadimplementoʺ, como alegado pelo interessado. Ora, o crédito lançado pela fiscalização em auto de infração não é um crédito de ʺmero inadimplementoʺ, visto que, se houve autuação é porque, segundo a administração fazendária federal, houve infração à lei, havendo, portanto, um ato ilícito do ponto de vista tributário e por esta razão, autorizada está a imputação de responsabilidade tributária do administrador da pessoa jurídica; o art. 135 trata de uma responsabilidade solidária. O elemento subjetivo é o dolo gênero, logo, envolve dolo ou culpa. Se o lançamento de ofício é feito com multa qualificada, como ocorreu no caso em apreço, ocorre a responsabilidade solidária de que trata o art. 135, em relação aos sócios administradores à época do fato gerador e os mandatários, prepostos e empregados; como já decidido pelo CARF, a infração à lei, a que se refere o art. 135 do CTN, não se resume à mera inadimplência, mas a todo um conjunto de procedimentos fraudulentos comprovados nos autos. A jurisprudência administrativa tem admitido a sujeição passiva dos administradores como responsáveis, quando demonstrado, como no presente caso, sua participação direta na prática das infrações: [...]; cumpre à Fazenda Nacional transcrever parte do PARECER PGFN/CRJ/CAT/Nº 55/2009, que analisou a responsabilidade do art. 135 do CTN com muita propriedade: [...]; desta feita, mostrase que o lançamento em tela configurou de forma correta e suficiente a responsabilidade tributária solidária do indivíduo considerado sócio/gerente da empresa autuada; PEDIDO ante o exposto, requer a União seja negado provimento ao recurso especial manejado pelo contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela e. Turma Ordinária a quo. É o relatório. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2001 a 2003. A auditoria fiscal decorreu de requisição do Ministério Público Federal, solicitando investigação sobre possível prática de sonegação fiscal por parte da empresa FortalezaDistribuidora de Balas e Caramelos Ltda., em função de incompatibilidade detectada entre a sua movimentação financeira (base da CPMF) colhida da rede bancária e a situação da inatividade perante o Fisco Federal indicada nas suas declarações de rendimentos apresentadas para os anoscalendário de 2001 a 2003. A partir de informações colhidas junto ao banco de dados da Secretaria de Fazenda do Ceará SEFAZ, constatouse que a empresa, apesar de ter apresentado declaração de inativa, na verdade esteve em efetivo funcionamento durante os anos sob fiscalização (anos 2001, 2002 e 2003). Em visita ao endereço sede da empresa, constatouse que a mesma não mais se encontrava em funcionamento no local. Foi solicitado à Junta Comercial do Estado do Ceará JUCEC, os atos constitutivos e alterações em nome da citada empresa, momento em que foi constatada a existência de um Distrato Social que extinguiu aquela sociedade na data de 05/05/2003. O sócio responsável pela pessoa jurídica foi intimado, mas não apresentou escrituração regular da forma das leis comerciais e fiscais necessárias à apuração do lucro real. Em razão disso, foi realizado o arbitramento dos lucros, adotandose por base de cálculo as saídas de mercadorias realizadas pela empresa FortalezaDistribuidora de Balas e Caramelos Ltda., no período de janeiro de 2001 a fevereiro de 2003, tais como informadas nas Guia de Informação Mensal do ICMSGIM apresentadas à SEFAZ/CE. Pelos fatos apurados, foi aplicada a multa qualificada de 150% prevista no art. 44, II da Lei 9430/96, e a autuação foi direcionada à pessoa física do sócio responsável pela pessoa jurídica Sr. Antonio Evaristo Paz CPF 058.431.70349, na forma dos arts. 135, III do CTN e art. 207, V do Decreto 3000/99. O Termo de Verificação Fiscal apresenta os seguintes fundamentos para a multa qualificada: Multa qualificada: Sobre os tributos e contribuições lançados "exoficio" resultante da presente fiscalização, cabe a aplicação de multa qualificada de 150% de que trata o art. 44, II da Lei 9.430/96, tendo em vista que no curso da ação fiscal foi Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 11 10 constatada a prática de atos tendentes a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador das obrigações tributárias da pessoa jurídica, na medida em que, nos anos de 2001 a 2003 em que a empresa estava em pleno funcionamento, foram apresentadas declarações indicando que a mesma se encontrava em situação de Inativa, não tendo sido efetuado nenhum recolhimento de tributo/contribuição federal ou apresentado DCTF em relação a esses períodos. E sobre a responsabilidade tributária do Sr. Antonio Evaristo Paz, o Termo de Verificação apresenta as seguintes informações: Da Responsabilidade tributária: Os fatos em relato nos levam a concluir pela aplicação do dispositivo contido no inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional, com o fim de responsabilizar pessoalmente pelos débitos da pessoa jurídica fiscalizada, o seu sóciogerente Antonio Evaristo Paz — CPF 058.431.70349, porquanto transparece evidente o intuito sonegatório por ele perpetrado, na medida em que, com relação aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, prestou declarações à Receita Federal se passando por uma empresa em situação INATIVA quando, de fato, estava em pleno funcionamento, não tendo por conseguinte recolhido e declarado nenhum tributo ou contribuição à Fazenda Nacional, com a agravante de que em 05/05/2003 promoveu a extinção da sociedade sem dar baixa no cadastro do CNPJ e quitar suas obrigações decorrentes dos fatos geradores tributários ocorridos durante o seu funcionamento e omitido do conhecimento do Fisco Federal, mediante conduta fraudulenta, sendo de aplicarse na espécie, também o disposto no art. 207, V do Decreto 3000/99. De registrarse que o Sr. Antonio Evaristo Paz figura como único sócio com função de gerência na empresa, desde agosto de 1999, conforme faz prova o 2º Aditivo ao Contrato Social da mesma (doc. fls. 55), fato este que é ainda confirmado pela documentação que nos foi encaminhada pelos Bancos Bradesco e BIC e que indica o Sr. Evaristo como responsável pela movimentação das contas mantidas pela empresa naquelas instituições (doc. fls. 132/153). O lançamento foi mantido pela decisão de primeira instância administrativa, e também pela decisão de segunda instância (acórdão ora recorrido). Em sede de recurso especial, o sujeito passivo suscitou divergência em relação (i) à atribuição de responsabilidade tributária pessoal ao sócio; (ii) à qualificação da multa de ofício, e (iii) à falta de especificação das operações mercantis que deram ensejo à caracterização da omissão de receitas. No exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao recurso apenas para a primeira divergência. Quanto à divergência sobre a atribuição de responsabilidade tributária pessoal ao sócio, o sujeito passivo argumenta, em síntese, que a autoridade lançadora incorreu em erro grave e insanável, visto que na fase constitutiva do crédito tributário não se pode confundir a figura do contribuinte com a do responsável; que segundo o disposto no art. 144 do CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 12 11 então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada; e que a agente fiscal não poderia desprezar essa regra e substituir a empresa fiscalizada pela pessoa de seu sócio pelo simples fato de que a mesma já havia sido extinta e, no caso, de forma regular. Para a comprovação da divergência, o sujeito passivo apresentou como paradigma o Acórdão nº 10706453, que manteve lançamento de crédito tributário em nome de empresa dissolvida, entendendo que a empresa, representada pelo sócio responsável, deveria continuar a responder pelo crédito tributário enquanto não decaído o direito da Fazenda Nacional de proceder o lançamento. Embora o despacho de exame de admissibilidade tenha dado seguimento ao recurso em relação à divergência sobre a atribuição de responsabilidade tributária ao sócio, penso que também em relação a essa matéria o recurso não pode ser conhecido. Em primeiro lugar, há muitas situações em que o lançamento é feito ao mesmo tempo contra uma pessoa jurídica (na condição de contribuinte) e contra os seus sócios administradores (na condição de responsáveis), inclusive com manutenção desse tipo de lançamento pelo CARF. O registro é importante, porque deixa evidente que uma situação (lançamento contra o contribuinte) não é por si só excludente da outra (lançamento contra o responsável). Nesse passo, destaco que o paradigma apresentado apenas rejeitou uma preliminar de ilegitimidade passiva apresentada pela contribuinte (que foi indicada como sujeito passivo naquele caso). O paradigma não cancelou exigência contra responsável tributário, e também não afirmou (nem mesmo indiretamente) que não poderia ter havido lançamento contra esse tipo de sujeito passivo. A referida decisão apenas entendeu, diante das circunstâncias do caso concreto, que não deveria cancelar o lançamento por ele ter sido realizado em nome da empresa. Por outro lado, o recorrido também não cancelou lançamento contra a pessoa jurídica, e nem deu indicação de que teria cancelado o lançamento caso ele tivesse sido dirigido contra a empresa. O acórdão recorrido apenas concordou com a responsabilidade imputada pela fiscalização ao sóciogerente. Nos dois casos cotejados (recorrido e paradigma) apenas houve rejeição de preliminar de ilegitimidade passiva, mas não dá para dizer que o acórdão paradigma teria anulado o lançamento caso ele tivesse sido realizado (também) contra o responsável, e nem que o acórdão recorrido teria anulado o lançamento caso ele tivesse sido realizado (também) contra a pessoa jurídica. Não bastasse isso, é importante destacar, conforme o voto que orientou o acórdão paradigma, que, naquele caso, o distrato social que havia sido apresentado e registrado no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, teve seu registro cancelado, a pedido, no Conselho Regional de Corretores de Imóveis, após o início do procedimento fiscal, e o referido voto esclarece as razões para o cancelamento do registro do distrato: [...] Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 13 12 Pelo Distrato Social de fls. 346/347, LUIZ ALBERTO CHEMIN e LUIS NICODEMO CHEMIN, únicos sócios da firma sob a denominação social de COHAPRO — CONSULTORIA DE IMÓVEIS S/C LTDA., o primeiro, corretor de imóveis, inscrito no CRECI sob o no. 069005, o segundo, comerciante, resolveram em comum acordo dissolver a sociedade dentro das condições seguintes, entre outras: "CLAUSULA PRIMEIRA — A sociedade não mais pratica atos de intermediação de compra e venda de imóveis, locação e administração de imóveis, assessoria e planejamento em negócios imobiliários desde 31/11/93. (...) CLAUSULA QUINTA O sócio LUIZ ALBERTO CHEMIN fica incumbido da regularização dos presentes atos junto às repartições públicas competentes e manterá, sob sua guarda, os livros da sociedade extinta, conservandoos na forma e no prazo da Lei". Referido distrato social, datado de 30 de novembro de 1993, foi apresentado e registrado sob o no. 252520, em 21 de setembro de 1995, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, e teve seu registro cancelado, a pedido, no Conselho Regional de Corretores de Imóveis, em 29 de setembro de 1995 (f1s347verso), após o início do procedimento fiscal, determinado pelo Termo de Diligência de fls. 03, e cientificado ao Diretor Comercial em 04/09/95. [...] A autoridade administrativa tributária agiu corretamente, ao cientificar na pessoa do sócio responsável pela guarda dos livros obrigatórios da escrituração comercial e fiscal da empresa dissolvida, e pelos comprovantes dos lançamentos neles efetuados, até que ocorresse a prescrição/ decadência dos créditos tributários decorrentes das operações, o lançamento do crédito tributário a favor da Fazenda Nacional, em nome da empresa e devido por ela, no período em que exerceu suas operações comerciais e que deixou de recolher os tributos aos cofres públicos. Por outro lado, a empresa não pode ser conceituada como sociedade civil de prestação de serviços relativos ao exercício de profissão regulamentada, quando constituída por titulares de profissão de natureza comercial ou praticar atos mercantis, ainda que tenha sido reconhecida e regulamentada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. O fato de um dos titulares da empresa ser comerciante descaracteriza a sociedade civil de prestação de serviços por profissional de atividade regulamentada. [...] (grifos acrescidos) Essa particularidade do caso paradigma repercutiu na definição da sujeição passiva, e também na rejeição da preliminar de ilegitimidade passiva apresentada pela pessoa jurídica, que foi autuada naquele caso. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 14 13 Diante disso, vêse, com mais clareza, que o entendimento pela manutenção do lançamento contra a pessoa jurídica (no caso paradigma) não dá base para que se defenda o cancelamento do lançamento contra o responsável tributário (no caso recorrido). Não há paralelo entre as decisões que permita chegar a essa conclusão. A caracterização da divergência jurisprudencial se dá quando o entendimento do caso paradigma pode ser transposto para o recorrido, produzindo o resultado pretendido pelo recorrente, mas isso não ocorre aqui, seja em razão das especificidades de cada caso, seja porque o acórdão paradigma não cancelou nenhum lançamento contra responsável tributário, até porque não houve esse tipo de lançamento naquele caso. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 518DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.009943/2005-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/04/1995
DIREITO CREDITÓRIO. PERÍODO ENTRE JAN/1992 E DEZ/1995. APURAÇÃO. ÍNDICE DE ATUALIZAÇÃO APLICÁVEL
A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR da data do efetivo pagamento (UFIR diária) até 01/01/1996 (conversão em reais - UFIR 0,8287), nos termos do art.66 da Lei nº8.383/91.
Numero da decisão: 3402-004.671
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
JORGE OLMIRO LOCK FREIRE - Presidente.
Assinado Digitalmente
PEDRO SOUSA BISPO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente JORGE OLMIRO LOCK FREIRE - Presidente. Assinado Digitalmente PEDRO SOUSA BISPO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo
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PERÍODO ENTRE JAN/1992 E DEZ/1995. APURAÇÃO. ÍNDICE DE ATUALIZAÇÃO APLICÁVEL A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR da data do efetivo pagamento (UFIR diária) até 01/01/1996 (conversão em reais UFIR 0,8287), nos termos do art.66 da Lei nº8.383/91. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Presidente. Assinado Digitalmente PEDRO SOUSA BISPO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 99 43 /2 00 5- 43 Fl. 788DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de pedido de habilitação de crédito judicial, apresentado pelo contribuinte acima identificado (fl. 06), decorrente do trânsito em julgado ocorrido no Mandado de Segurança nº 98.00091424. Às fls. 551 a 558 consta informação fiscal, elaborada pelo Seort/DRF/RecifePE, nos seguintes termos: A Cia. de Cimentos Portland Poty incorporou a empresa Mineradora Ponta da Serra Ltda em 02/01/2002. Posteriormente, a Cia. De Cimentos Portland Poty teve sua denominação alterada para Votorantim Cimento N/NE S/A; O contribuinte apresentou pedido de habilitação de crédito de PIS reconhecido judicialmente, no valor de R$ 22.961,91, abrangendo o período de janeiro de 1992 a setembro de 1995; Foi ainda formalizado outro pedido de habilitação, relativo ao mesmo crédito, no valor de R$ 189.689,67, por meio do processo nº 19647.010434/200563, sob a alegação de tratarse de crédito remanescente. Tal processo foi extinto, tendo sido o crédito em questão habilitado no presente processo, conforme decisão de fls. 81 a 83; Quanto à ação judicial, objetivou a compensação de valores de PIS pagos a maior, com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, com parcelas do próprio PIS, da Cofins e da CSLL, com atualização e IPC integral; A segurança foi denegada. Entretanto, o TRF5ª Região deu provimento à apelação da impetrante para reconhecer a inconstitucionalidade argüida, considerar não ocorrida a prescrição qüinqüenal, e autorizar a compensação pelas regras do art. 66 da Lei nº 8.383/91; O STJ deu provimento parcial ao recurso da Fazenda, mantendo a compensação com o próprio PIS, e fixando os índices de atualização aplicáveis em cada mês; A empresa insurgiuse contra a decisão relativa ao pedido de habilitação, no que tange à limitação de compensação com o próprio PIS. Tal manifestação não foi conhecida pela DRJ/Recife (fls. 101 a 104). Entretanto, em razão do disposto na Lei nº 9.784/99, o processo foi encaminhado à SRRF/4ªRF para apreciação, tendo sido proferido parecer negando provimento ao recurso, mantendose a decisão judicial que autorizou a compensação do PIS apenas com o próprio PIS (fls. 114 a 119); Fl. 789DF CARF MF Processo nº 19647.009943/200543 Acórdão n.º 3402004.671 S3C4T2 Fl. 789 3 A empresa apresentou o requerimento de fl. 93, retificando o valor do crédito para R$ 267.241,93, apresentando nova planilha de apuração, agora de julho de 1988 a abril de 1995; Considerando que a ação foi ajuizada em 04/05/1998 e que foi afastada a prescrição qüinqüenal, são passíveis de repetição de indébito os valores recolhidos a maior que o devido a partir de 04/05/1988, portanto, todo o período pretendido pela empresa; Considerando os documentos apresentados pela empresa (fls. 128 a 161 e 165 a 402), além da planilha de apuração do crédito (fls. 165 a 308), foi elaborada a planilha de fl. 416, com o faturamento da empresa no período em questão (exceto jan/89); Os valores recolhidos em Darf estão compatíveis com a referida planilha e foram devidamente confirmados; Assim, foram elaborados diversos demonstrativos, anexados às fls. 463 a 544; No montante apurado encontrase embutido 1% referente a jan/96. Assim, para que seja o referido valor utilizado na compensação, fazse necessário expurgar este 1% do valor encontrado, o que perfaz o montante de R$ 78.041,00, saldo credor de que dispõe a empresa, conforme decisão judicial, passível de compensação; Procedendose ao encontro de contas entre o crédito passível de compensação e os débitos de PIS, foi elaborado o demonstrativo de fls. 545 a 550, do qual depreendese que o crédito foi suficiente para a liquidação integral dos débitos de PIS; Assim, propõese que seja reconhecido à empresa o direito creditório no montante de R$ 78.041,00, atualizado para 01/01/96, convalidando as compensações dos débitos de PIS efetuadas pela empresa em DCTF; Propõese, ainda, a homologação integral da compensação de débito de PIS referente ao PA 10/2006, no valor de R$ 209.454,34, declarada no PER/DCOMP nº 35961.79002.141106.1.3.579761, e a não homologação da compensação com débito de Cofins, declarada no PER/DCOMP nº 10449.11943.061205.1.7.041380. Em conseqüência, foi proferido, em 15/09/2010, o despacho decisório de fls. 143/144, nos termos propostos na informação acima. O contribuinte tomou ciência desta decisão em 23/09/2010 (fl. 633), tendo apresentado manifestação de inconformidade tempestiva em 25/10/2010 (fls. 647 a 678), com as seguintes alegações, em resumo: Conforme se depreende do despacho decisório, entende a RFB que o valor do indébito é inferior ao crédito tributário que se pretende compensar, resultando em diferença em desfavor da empresa; Fl. 790DF CARF MF 4 Entende o Fisco que, no período entre o PA 01/92 e 09/95 deveria ser aplicado o índice da UFIR diária; A regra que trata da aplicação da UFIR não faz qualquer referência à sua periodicidade, se mensal ou diária, devendo, portanto, ser considerada a sistemática que representa a recomposição real da inflação do período. A empresa apurou um crédito no valor de R$ 113.418,43; Verificase, além disso, que foram adotados critérios de atualização dos créditos que são desconhecidos, não respeitando os parâmetros de correção determinados na sentença transitada em julgado; O direito ao crédito é oriundo de decisão judicial que deve ser absolutamente cumprida, nos termos em que proferida, conforme determinam as regras processuais vigentes; A coisa julgada no âmbito do Poder Judiciário jamais pode ser alterada no processo administrativo, como ocorreu nos presentes autos, pois tal procedimento fere a Constituição; Reconhecido pelo Poder Judiciário o direito de repetição de indébito pela compensação, não pode o órgão administrativo alterar a aplicação dos índices determinados na decisão judicial; Citase jurisprudência do CARF sobre a questão; No mesmo sentido dispõe o Parecer Cosit nº 58/98, item 32; Diante do erro material apontado, requerse a correção de ofício da decisão recorrida, com fundamento na Lei nº 9.784/99, Súmulas 346 e 473 do STF, a fim de que o crédito do contribuinte seja atualizado em conformidade com os índices de correção determinados pelo Poder Judiciário; Os dispositivos da Lei nº 8.383/91 que pretensamente poderiam justificar a apuração dos créditos com a aplicação da variação da UFIR por coeficientes diários não têm aplicação ao caso, na medida em que apenas normatizam a regra de atualização do imposto a ser recolhido; Contrariamente ao citado, o § 3º do art. 66 da Lei nº 8.383/91 trata de regra de correção monetária para a apuração do valor a ser restituído ou compensado de pagamentos indevidos ou a maior e nele não há qualquer referência se a variação da UFIR a ser utilizada é a diária ou a mensal; Assim, não cabe à Administração distinguir, em despacho decisório, aquilo que a lei não distinguiu e impor que essa variação seja diária; Alegar que o critério da utilização da variação mensal gera diferenças significativas a favor do contribuinte é no mínimo forçoso; Todos os critérios de cálculos adotados para medir a inflação foram sobre aquela já incorrida e notória é a defasagem no Fl. 791DF CARF MF Processo nº 19647.009943/200543 Acórdão n.º 3402004.671 S3C4T2 Fl. 790 5 tempo da recomposição das perdas. Nesse sentido, citase a Portaria 145/1992, do MF; Ademais, o contribuinte requereu e teve provimento judicial que determinou que os índices para a atualização monetária ocorresse por meio da aplicação do IPC, INPC e UFIR; Ressaltese a incongruência do raciocínio fiscal na medida em que, no período anterior ao ano de 1992, onde a decisão judicial determinou a utilização da variação do IPC e do INPC, entendeu possível a utilização da variação mensal destes coeficientes, mesmo com a existência de legislação que previa a utilização de coeficiente com variação diária para os pagamentos, com a única diferença nos nomes dados aos seus conversores (OTN e BTN); Assim, concluise que a UFIR diária nada mais é do que o IPCA E diário, tendo aplicação somente para pagamento de tributos, e não para restituição/compensação; O próprio Fisco reconhece a possibilidade de aplicação de índices mensais, conforme dispõe a tabela anexa à Norma de Execução SRF/COSIT/COSAR nº 8/97. No mesmo sentido, a tabela de coeficientes do Manual de Cálculos da Justiça Federal; Citase decisão do STJ neste sentido; Tendo a decisão judicial reconhecido a aplicação do IPC, INPC e UFIR, incongruente reconhecer que até 12/91 o coeficiente mensal é válido e a partir de 01/92 não é, devendo ser reconhecido o crédito demonstrado; Acerca da alegada impossibilidade de compensação dos créditos de PIS com outros tributos e contribuições, merece reforma o despacho decisório, pois não se coaduna com o entendimento administrativo e judicial, tendo em vista a edição de norma que autoriza a compensação com quaisquer tributos federais, inclusive em casos análogos ao presente; A Lei nº 9.430/96 aboliu a limitação contida na Lei nº 8.383/91, permitindo a compensação entre tributos de espécies diferentes, conforme art. 74, alterado pela Lei nº 10.637/2002; A jurisprudência do Poder Judiciário e do CARF, inicialmente, firmouse no sentido de que a compensação deve regerse pelas normas vigentes quando do encontro de contas; O direito compensatório é regulado pela legislação do momento em que é feito o encontro de contas, conforme decisões transcritas; A própria RFB admitiu a ampliação da compensação de créditos de PIS com outros tributos, conforme Solução de Consulta nº 14/2004, da 3ª RF; Fl. 792DF CARF MF 6 Atualmente, permanece o entendimento administrativo e judicial de que, diante de norma legal que expressamente prevê a possibilidade de compensação com quaisquer tributos, e não havendo afronta à decisão judicial, é possível estenderse a compensação com outros tributos, ainda que a decisão judicial tenha autorizado apenas com o próprio PIS; Nesse sentido, citamse a Solução de Divergência nº 38/2008 e a Nota Cosit nº 141/2003; Observese, ainda, que a Lei nº 10.637/2002 modificou a redação original do art. 74 da Lei nº 9.430/96, não cabendo o entendimento constante da decisão recorrida de que não seria aplicável ao caso o disposto na Nota Cosit nº 141/2003; Isso porque a compensação com outros tributos estava adstrita a autorização pela RFB, ao passo que a partir da nova redação dada pela Lei nº 10.637/2002 foi reconhecida a plena utilização dos créditos apurados para a compensação com qualquer tributo, independentemente de pedido junto à RFB; Ademais, o STJ tem se posicionado no sentido de que, para uma compensação de crédito tributário com qualquer tributo, basta o cumprimento dos requisitos administrativos, conforme decisão transcrita; Destaquese que, nos termos da Lei nº 9.430/96 (vigente no momento do trânsito em julgado), a compensação com outros tributos não era vedada, mas condicionada à apresentação de Pedido de Restituição, conforme redação original do art. 74. Nesse sentido, as compensações iniciais feitas pela recorrente e lançadas em DCTF com débitos do próprio PIS atenderam ao disposto na norma legal, bem como as compensações ora em análise também atendem as disposições legais vigentes; Assim, verificase que, embora o acórdão tenha dado provimento para reconhecer a possibilidade de compensação do PIS com débitos da própria contribuição, tal decisão foi de acordo com o pedido inicial formulado pela empresa e demais decisões proferidas naquela ação, não se instaurando de fato litígio acerca da possibilidade de compensação com demais tributos. Em ato contínuo, a DRJRIO DE JANEIRO julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1988 a 30/04/1995 DIREITO CREDITÓRIO PERÍODO ENTRE JAN/1992 E DEZ/1995 APURAÇÃO ÍNDICE DE ATUALIZAÇÃO APLICÁVEL Os créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior, passíveis de compensação ou restituição, apurados anteriormente a 01/01/1996, quantificados em UFIR, deverão ser convertidos em Reais, com base no valor da UFIR vigente em 01/01/1996 (R$ 0,8287). Fl. 793DF CARF MF Processo nº 19647.009943/200543 Acórdão n.º 3402004.671 S3C4T2 Fl. 791 7 DECISÃO PROFERIDA POR AUTORIDADE INCOMPETENTE NULIDADE É nula a decisão proferida por autoridade incompetente para apreciar a questão analisada. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO NA VIA JUDICIAL COMPENSAÇÃO NORMA APLICÁVEL INTEGRAÇÃO DA DECISÃO JUDICIAL À NOVA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA Os créditos de natureza tributária, reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado que tenha limitado a compensação aos termos previstos na norma vigente à época do ajuizamento da ação, poderão ser compensados nos termos previstos em legislação mais benéfica, publicada em data posterior ao ajuizamento, por se tratar de mera integração da decisão judicial à norma posterior, não se caracterizando hipótese de descumprimento de decisão judicial. Manifestação de Inconformidade Provida em Parte. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. A Recorrente em seu Recurso Voluntário repisou os mesmos argumentos utilizados na sua Manifestação de Inconformidade quanto a utilização da UFIR mensal na correção dos seus créditos. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos em lei, motivo pelo qual deve ser conhecido. Cingese a matéria da lide a utilização da UFIR diária nos períodos de apuração 01/92 a 12/95, como aplicou a DRF de origem, ou se deve ser aplicada a UFIR mensal para a correção dos seus créditos reconhecidos judicialmente, como quer a Recorrente. Inicialmente, reproduzo a exposição da DRJ sobre as decisões judiciais relacionadas ao mandado de segurança impetrado pela Recorrente, in verbis:: O contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 98.00091424, origem do crédito que ora se analisa, visando a compensação dos valores pagos a maior a título de PIS, apurados com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, com débitos do próprio PIS, da Cofins e da CSLL. A sentença denegou a segurança pleiteada. O TRF/5ª Região deu provimento ao recurso de apelação interposto pela impetrante, com a seguinte ementa: “Tributário. Contribuição para o PIS (Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88). Inconstitucionalidade. Prescrição qüinqüenal. Fl. 794DF CARF MF 8 Inocorrência. Compensação. Incidência da regra do art. 66 da Lei 8.383/91. Devidos na espécie. Apelo provido.” O STJ deu parcial provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda, nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOS LEIS N. 2.445/88 E 2.449/88. COMPENSAÇÃO. PIS E COFINS. LEI N. 8.383/91. IMPOSSIBILIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. INCIDÊNCIA. FGTS. SÚMULA N. 252/STJ. DISSÍDIO PRETORIANO. NÃO CONFIGURAÇÃO. 1. A Primeira Seção deste Tribunal, interpretando o art. 66 da Lei n. 8.383/91 – com as alterações advindas das Leis n. 9.069/95 e 9.250/95 –, firmou entendimento de que só pode haver compensação entre tributos da mesma espécie que possuam a mesma destinação constitucional. Com efeito, afigurase inviável a compensação do PIS com a Cofins, visto tratarse de exações de natureza jurídica diversa com destinações orçamentárias próprias. Precedentes. 2. A circunstância de os índices aplicados para a atualização monetária do indébito tributário serem diversos daqueles utilizados para a correção dos saldos das contas do FGTS não se constitui fato hábil a ensejar o conhecimento do recurso especial fundado na alínea "c" do permissivo constitucional. Isso porque cuidamse de situações fáticas diversas reguladas por regramentos próprios, aspectos que impossibilitam a configuração da divergência jurisprudencial. 3. A Súmula n. 252/STJ não é aplicável à repetição de indébito tributário, porquanto os critérios em que se fundam a correção monetária dos saldos das contas vinculadas do FGTS levam em consideração legislação específica. 4. Consoante reiterada orientação jurisprudencial desta Corte, os índices de correção monetária aplicáveis na restituição de indébito tributário são: a) desde o recolhimento indevido, o IPC, de outubro a dezembro/1989 e de março/1990 a janeiro/1991; o INPC, de fevereiro a dezembro/1991; a Ufir, a partir de janeiro/1992 a dezembro/1995; b) a taxa Selic, exclusivamente, a partir de janeiro/1996. Os índices de janeiro e fevereiro/1989 e de março/1990 são, respectivamente, 10,14%, 42,72% e 84,32%. 5. O índice a ser utilizado para fins de atualização monetária no período compreendido entre os meses de março/90 e janeiro/91, na hipótese da ocorrência de compensação, é o IPC, que se traduz nos seguintes percentuais: 84,32% (março/90), 44,80% (abril/90), 7,87% (maio/90), 12,92% (julho/90), 12,03% (agosto/90), 14,20% (outubro/90) e 21,87% (fevereiro de 1991). 6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. O trânsito em julgado desta decisão ocorreu em 28/10/2004. Tais informações constam da certidão de fls. 11/12, não havendo nos autos cópia da petição inicial, da sentença e nem do acórdão Fl. 795DF CARF MF Processo nº 19647.009943/200543 Acórdão n.º 3402004.671 S3C4T2 Fl. 792 9 do TRF/5ª Região. O inteiro teor destas decisões não consta nos respectivos sítios do Poder Judiciário. (grifei) Percebese que no provimento judicial obtido pelo contribuinte não há determinação para utilização de UFIR mensal ou diária. Assim, nele nada sendo explicitado sobre qual UFIR a utilizar no período de 01/92 a 12/95 sobre os valores pagos indevidamente, cabe à Autoridade administrativa utilizarse dos índices e critérios legalmente determinados. A base legal que prevê a atualização monetária pela UFIR é a Lei nº8;383/91, in verbis:: Art. 53. Os tributos e contribuições relacionados a seguir serão convertidos em quantidade de UFIR diária pelo valor desta: (Redação dada pela Lei nº 8.850, de 1994) (...) IV contribuição para o financiamento da Seguridade Social (COFINS), instituída pela Lei Complementar n° 70, de 1991, e contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP), no último dia do mês de ocorrência dos fatos geradores; (Redação dada pela Lei nº 8.850, de 1994) (...) Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (grifei) A lei em epígrafe dispôs que em compensação ou restituição o crédito será corrigido monetariamente pela variação da UFIR. Como termo inicial para se considerar a atualização monetária deve ser a data do recolhimento, ou seja, a mesma data em que o tributo se tornou indevido, conforme o provimento judicial obtido. A Autoridade Tributária aplicou o determinado em lei, convertendo o crédito do contribuinte pela UFIR diária do dia do recolhimento e converteu para reais pela UFIR 01/01/1996, 0,8287, conforme apontado no Fl. 796DF CARF MF 10 Art.39, da IN nº210/2002 e nas demais Instruções Normativas posteriores editadas pela Receita Federal que repetiram o mesmo dispositivo. O contribuinte pleiteou a aplicação da UFIR mensal pois, segundo seu entendimento, uma vez que o art.66 da Lei nº8.383/91 não estabeleceu taxativamente qual a UFIR a ser utilizada, mensal ou diária, deve ser a aplicada a norma mais favorável ao contribuinte constante no inciso IV, art.53, onde é prevista a utilização da ufir mensal. Equivocase a Recorrente em sua argumentação, pois o inciso IV do art.53 da Lei nº 8.383/91 trata especificamente da conversão em UFIR dos débitos do PIS e da COFINS apurados na data da ocorrência do fato gerador, utilizandose a UFIR do último dia do mês. Não há fundamento legal ou fático para utilizar a UFIR mensal constante no referido dispositivo legal para a correção do seu direito creditório. Caso prevalecesse esse entendimento, isso representaria, de fato, um enriquecimento sem causa da Recorrente, uma vez que a Empresa obteria uma atualização monetária anterior ao pagamento realizado, do último dia do mês do fato gerador até a data do efetivo pagamento do PIS. Assim, a Autoridade Tributária realizou corretamente a atualização monetária do crédito reconhecido judicialmente pela variação da UFIR da data do efetivo pagamento até 01/01/1996 (conversão em reais UFIR 0,8287), nos termos do provimento judicial obtido pelo contribuinte e do art.66 da Lei nº8.383/91. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente PEDRO SOUSA BISPO Relator Fl. 797DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.728581/2013-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÃO DOS HONORÁRIOS PAGOS. COMPROVAÇÃO.
Cabe a dedução dos honorários advocatícios comprovadamente pagos do total de rendimentos recebidos de forma acumulada em virtude de ação judicial.
Numero da decisão: 2401-004.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento para excluir do lançamento o valor de R$ 10.973,60 pagos a título de honorários advocatícios.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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DEDUÇÃO DOS HONORÁRIOS PAGOS. COMPROVAÇÃO. Cabe a dedução dos honorários advocatícios comprovadamente pagos do total de rendimentos recebidos de forma acumulada em virtude de ação judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 85 81 /2 01 3- 44 Fl. 93DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento para excluir do lançamento o valor de R$ 10.973,60 pagos a título de honorários advocatícios. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 11080.728581/201344 Acórdão n.º 2401004.966 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls.08/11 relativa ao Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, anocalendário 2009, para cobrança do crédito tributário total de R$ 6.009,99, composto de: Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar: R$ 2.926,57; Multa de Ofício de R$ 2.194,92 e Juros de Mora calculados até 31/07/2013 no valor de R$ 888,50. O lançamento é decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 35.162,16. O enquadramento legal encontrase às fls. 09 e 11. Cientificado do lançamento em 30/07/2013 (fl.13), o contribuinte apresentou impugnação em 14/08/2013 (fl.01), esclarecendo que os rendimentos considerados omissos no lançamento correspondem a honorários advocatícios pagos e/ou outras despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos declarados. Por fim, lista os documentos trazidos à colação e solicita prioridade na tramitação do processo com base no Estatuto do Idoso. A 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) manteve procedente o lançamento, nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA DECORRENTES DE AÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL. Só são dedutíveis os honorários advocatícios arcados pelo beneficiário e pagos para a percepção de rendimentos recebidos obtidos por via judicial, quando devidamente comprovado mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 79/80), no qual o contribuinte alega: 1) Preliminar: A impugnação apresentada em 14/08/2013 foi analisada por Débora Cristina Debatir Tomassi (ATRFB – mat. 1570556) e com o de acordo de Anelise Hackbart Pom (ATRFB – mat. 64.830, Del.Com.Port. DRF/POA/RS nº 50/2011) e através da intimação nº 203/2013, fui intimado a recolher ou parcelar o imposto relativo a parte não impugnada, com prazo para pagamento até 28/08/2013. Recebi a correspondência no dia Fl. 95DF CARF MF 4 29/08/2013, fora de horário bancário para pagamento, perdendo o benefício da redução da multa. O pagamento foi efetuado em 30/08/2013, conforme DARF pago no Banrisul S/A no valor total de R$ 1.957,04. A alegação da 18ª Turma da DRJ/RJ1 é de que só são dedutíveis os honorários arcados pelo beneficiário e pagos para percepção de rendimentos obtidos por via judicial, quando devidamente comprovado mediante a apresentação de documento hábil e idônea. O recibo de honorários advocatícios apresentado no Termo de Impugnação de 14/08/2013, referese ao valor pago. O recibo apresentado é documento idôneo. 2) Mérito: Para provar o alegado junto os seguintes documentos: 1. Cópia do recibo de honorários onde a advogada menciona o histórico que o valor pago são honorários relativos a processo contra o INSS, 2. Cópia da minuta do contrato de prestação de serviços advocatícios, 3. Cópia do recibo de pagamento do benefício – INSS de 02/12/2009 no valor de R$ 50.368,00, base para cálculo dos honorários, sendo 20% = R$ 10.073,60 + R$ 900,00 = R$ 10.973,60, 4. Cópia da intimação nº 203/2013 com demonstrativo de Apuração do Imposto devido e demonstrativo de crédito tributário e mais o DARF para pagamento do imposto e acréscimos legais c/vcto para 28/08/2013. Cópia do DARF de pagamento do imposto e acréscimos legais recolhido no dia 30/08/2013, 5. Documento de Identidade. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 11080.728581/201344 Acórdão n.º 2401004.966 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 03/01/2014, conforme AR às fls. 64, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 27/01/2014 (fls.79/80) Do mérito Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou procedente a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) para cobrança do crédito tributário total de R$ 6.009,99. O lançamento decorreu da constatação da omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial, no valor de R$ 35.162,16 auferidos pelo titular (fl.09). Em sede de impugnação, o notificado alegou que “os rendimentos considerados omissos no lançamento correspondem a honorários advocatícios pagos e/ou outras despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos declarados” (fl.2). Juntou recibo correspondente a honorários advocatícios no valor de R$ 10.973,60, datado de 08/12/2009 e assinado por Gecy de Oliveira Severo (fl. 4 e 37). A instância recorrida manteve o lançamento (fls. 59/61) sob o entendimento de que não restara comprovado o pagamento, pois, “observandose o supracitado recibo (fl. 04 e/ou 37), podese firmar que não há como aceitálo pois o contribuinte não logrou relacioná lo com a ação judicial cuja Requisição de Pagamento encontrase à fl. 32” (fl.60). Com a devida vênia ao entendimento acima exposto, entendo que a decisão merece reforma, isso porque, compulsando os autos, verificase que o referido recibo, como dito anteriormente, foi assinado por Gecy de Oliveira Severo (fl. 4 e 37), que por sua vez, atuou como advogada do contribuinte nos autos da Ação Judicial nº 2006.71.95.0039580/RS, conforme se infere dos documentos de fls. 28 e 32. Dessa forma, entendo que os citados documentos comprovam de modo inequívoco que a referida profissional, signatária do recibo, atuou efetivamente na mencionada ação. Cabe, assim, considerar o material amealhado pelo contribuinte apto e idôneo para fins de comprovação dos honorários pagos, nos termos do artigo 12 da Lei nº 7.713/88 c/c o § 2º, do artigo 22 da Lei nº 9.784/99 e com o artigo 31 da Lei nº 4.862, de 29 de novembro de 1965. Fl. 97DF CARF MF 6 Destarte, deve ser reformado o acórdão recorrido de modo que se reconheça o direito do contribuinte de deduzir o valor de R$ 10.973,60 pagos a título de honorários advocatícios, dos rendimentos recebidos em função da Ação Judicial nº 2006.71.95.003958 0/RS, consoante postulado. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13710.002514/99-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 27/06/2002
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO CABIMENTO.
É incabível a compensação diante da ausência de comprovação da existência e da liquidez do crédito informado.
Numero da decisão: 3401-003.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO CABIMENTO. É incabível a compensação diante da ausência de comprovação da existência e da liquidez do crédito informado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Pedidos de Ressarcimento de Imposto sobre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 25 14 /9 9- 67 Fl. 1103DF CARF MF 2 Produtos Industrializados – IPI (PER) (fls. 3 a 7, 97 a 101, e 196 a 200)1, protocolizados em 23/12/1999, nos valores de R$ 3.646,80, R$ 4.471,41, e R$ 3.093,97, referentes ao primeiro, ao segundo e ao terceiro trimestres de 1999, com o seguinte fundamento “CRED IPI MP/ME/PI NA FABRIC. PROD. TRIB. ALIQ. ZERO CONF. IN DA SRF No 33/99 E 21/97”. À fl. 454, consta ainda Pedido de Compensação, registrado em 27/06/2002, no valor de R$ 27.673,11, utilizando créditos referentes ao presente processo (R$ 11.212,18) e aos de no 13710.002166/0098 (R$ 451,45) e no 13710.002513/9902 (R$ 16.009,48). Intimada a especificar o amparo legal para o pedido, e a informar a classificação fiscal (NCM) e a alíquota correspondente ao produto que ela dá saída (fl. 310), a empresa reiterou que o fundamento para o pedido residia nas IN SRF no 21/1997 e no 33/1999, relacionando os produtos a que dá saída, classificados nas NCM 3003.90.99 e 3003.40.90, tributadas à alíquota zero (fl. 313) – cópias dos Livro de Registro de Apuração do IPI às fls. 316 a 448. No parecer de fls. 459 a 462, informa a fiscalização que não houve escrituração do estorno de saldo credor, no Livro de Registro de Apuração do IPI, em desconformidade com a legislação de regência (art. 17 da IN SRF no 460/2004), impedindo o ressarcimento, sem exame da legitimidade dos créditos, e obstando a homologação da compensação. Com base no referido parecer é emitido o Despacho Decisório de fl. 462, em 04/02/2005 (com ciência à empresa em 18/04/2005 fl. 464). A empresa apresenta Manifestação de Inconformidade em 16/05/2005 (fl. 468), alegando que: (a) o pedido, com fundamento no artigo 11 da Lei no 9.779/1999 e nas IN SRF no 21/1997 e no 33/1999, está lastreado nos documentos então exigidos, entre os quais não constava o estorno nos livros fiscais, exigido somente após o advento da IN SRF no 460/2004; e (b) para comprovar que os créditos pleiteados não foram aproveitados em períodos subsequentes, anexase cópia do Livro de Registro de Apuração de IPI até o período onde consta o estorno (fls. 470 a 544). A decisão de primeira instância, proferida em 10/11/2005 (fls. 550 e 551) foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a obrigação de estorno já existia na IN SRF no 125/1989; e (b) nem após a edição da IN SRF no 460/2004 a empresa promoveu os estornos citados. Após ciência da decisão da DRJ, em 03/04/2006 (fl. 553), a empresa apresenta o Recurso Voluntário de fls. 556 a 559, em 28/04/2006, sustentando que o aproveitamento de créditos tem origem no artigo 11 da Lei no 9.779/1999, e que tem direito à compensação tendo em vista que, embora o estorno dos créditos tenha sido feito somente no momento em que foi solicitada a compensação, este fato não trouxe nenhum prejuízo ao fisco tendo em vista a impossibilidade de estes créditos terem sido aproveitados em períodos posteriores em razão da inexistência de débitos, pois os produtos finais têm alíquota zero, e que, diferentemente do que consta na decisão de piso, os créditos foram efetivamente estornados, porém somente no momento em que foram objeto de pedido de compensação com outros impostos, em 2002 (folha 72 do Livro de Registro de Apuração do IPI, em 2002). Para comprovar o alegado, anexa cópias completas dos Livros de Registro de Apuração do IPI de 1999 a 2002, e de notas fiscais de venda dos produtos (fls. 598 a 1028). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência, de forma unânime, em 06/11/2008, pela Resolução no 20201.274 (fls. 1032 a 1035), para que fossem “... examinados 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 13710.002514/9967 Acórdão n.º 3401003.901 S3C4T1 Fl. 1.104 3 os documentos juntados pela recorrente por ocasião do recurso, devendo a unidade fiscal de origem se manifestar conclusivamente sobre os mesmos” (sic). A unidade local intima a empresa a apresentar os documentos de fls. 1045, em 13/03/2009, a fim de verificar a existência e quantificar eventuais créditos, tendo a empresa, após deferimento de prorrogação de prazo, deixado de apresentar os documentos referentes a 1999, alegando prescrição (fl. 1050). Na Informação Fiscal de fl. 1099, revelase que, diante da ausência de apresentação de documentos pela empresa, fica impossibilitada a análise do pleito de ressarcimento de IPI, e resta prejudicado o cumprimento dos quesitos formulados na conversão em diligência. Em agosto de 2016 o processo foi a mim distribuído, por sorteio, visto que o relator original não mais compunha o colegiado. O processo não foi indicado para pauta no mês de dezembro de 2016, por estarem as sessões suspensas por determinação do CARF. O processo, derradeiramente, não foi indicado para o mês de janeiro de 2017, por ser a pauta mera reprodução da referente ao mês de outubro de 2016, que também teve a sessão suspensa por determinação do CARF. De fevereiro a junho de 2017 o processo foi indicado para pauta, mas não pautado, em função do excesso de número de processos a julgar. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. A demanda por crédito de IPI, com fundamento no artigo 11 da Lei no 9.779/1999, até a conversão em diligência, sequer havia sido analisada, no mérito. Isso restou claro no despacho decisório (fl. 464): Fl. 1105DF CARF MF 4 Bastou, tanto à unidade local da RFB quanto à DRJ o fato de não ter havido estorno no Livro de Registro de Apuração de II para o indeferimento do pleito. No CARF, aparentemente, decidiuse ir além, tomando em conta o argumento de que a necessidade de estorno se presta somente a evitar a tomada de créditos em períodos subsequentes. Por isso demandouse que a unidade local analisasse a farta documentação carreada aos autos pela recorrente, sequer analisada no mérito até então. Daí a conversão em diligência. Nas palavras do julgador (fl. 1035): Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 13710.002514/9967 Acórdão n.º 3401003.901 S3C4T1 Fl. 1.105 5 Não demandou o CARF, como resta cristalino no resultado do julgamento, aqui transcrito, uma nova análise fiscal do período, mas tão somente o exame dos documentos apresentados no recurso, com manifestação conclusiva da fiscalização a seu respeito. Assim, a nosso ver, a fiscalização ou compreendeu mal o objeto da diligência ou, para manifestarse conclusivamente, entendeu necessário cotejar os documentos carreados aos autos com outros sob a guarda da empresa, demandandoos. Na primeira hipótese (má compreensão, necessária seria outra diligência, restrita à análise dos documentos carreados a este processo). No entanto, não é preciso muito esforço intelectual para perceber que a carga da expressão “manifestarse conclusivamente”, presente na demanda do CARF, requer análise maisdoqueperfunctória dos documentos acostados, devendo a fiscalização, para tanto, certificarse da exatidão e da veracidade das informações neles presentes. E, por isso é que foram solicitados, pela fiscalização, documentos adicionais à empresa, que, após demandar prorrogação de prazo para apresentálos, externou (fl. 1050) que: Se a empresa está a solicitar créditos de IPI referentes a 1999, deve manter em sua posse tais documentos até que seja apreciada sua demanda, não operando em seu favor a ausência de guarda dos documentos, ainda que após o período decadencial (digase, para lançamento tributário). Ainda que este CARF afastasse a alegação fiscal de que a ausência de estorno dos créditos impossibilita o ressarcimento e a consequente compensação, isso não seria suficiente para garantir o direito de crédito. É preciso recordar que não se está diante de um lançamento, mas de uma demanda de crédito a ser utilizado em compensação, e que, portanto, deve ser líquido e certo. Deve a empresa comprovar a liquidez e a certeza de seu direito, sob pena de não ter homologada a compensação. No presente processo, permanecem carentes de comprovação tanto o direito creditório quanto a liquidez do crédito utilizado em compensação pela postulante. É de se acrescentar, por derradeiro, que no caso concreto, ainda que considerados os documentos apresentados em sede de recurso voluntário, distante estaria a segurança do julgador para atestar a existência e/ou a liquidez do crédito. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 1107DF CARF MF 6 Fl. 1108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000222/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
APURAÇÃO ANUAL. IRRF. COMPROVAÇÃO.
Comprovado em diligência o valor do IRRF, este deve ser considerado para fins de dedução na apuração anual.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
APURAÇÃO ANUAL. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
Comprovado em diligência o valor da CSLL retida na fonte, este deve ser considerado para fins de dedução na apuração anual.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA NÃO PAGA. SÚMULA CARF Nº105.
Até o ano-calendário 2006, não cabe a cobrança de multa isolada concomitante com a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF nº 105.
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO DEVIDAS.
Não havendo valor de CSLL a pagar por estimativa mensal, em face de retenções na fonte, não cabe o lançamento da multa isolada.
Numero da decisão: 1201-001.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, diminuindo o valor do IRPJ lançado para R$ 22.909,05 (já deduzido o valor cobrado em processo apartado), que deverá ser acrescido dos consectários legais, e exonerando a CSLL lançada, em sua totalidade, assim como as multas isoladas relativas ao IRPJ e à CSLL. Vencido o Conselheiro José Carlos, que negava provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 APURAÇÃO ANUAL. IRRF. COMPROVAÇÃO. Comprovado em diligência o valor do IRRF, este deve ser considerado para fins de dedução na apuração anual. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 APURAÇÃO ANUAL. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Comprovado em diligência o valor da CSLL retida na fonte, este deve ser considerado para fins de dedução na apuração anual. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA NÃO PAGA. SÚMULA CARF Nº105. Até o ano-calendário 2006, não cabe a cobrança de multa isolada concomitante com a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF nº 105. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO DEVIDAS. Não havendo valor de CSLL a pagar por estimativa mensal, em face de retenções na fonte, não cabe o lançamento da multa isolada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 APURAÇÃO ANUAL. IRRF. COMPROVAÇÃO. Comprovado em diligência o valor do IRRF, este deve ser considerado para fins de dedução na apuração anual. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 APURAÇÃO ANUAL. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Comprovado em diligência o valor da CSLL retida na fonte, este deve ser considerado para fins de dedução na apuração anual. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA NÃO PAGA. SÚMULA CARF Nº105. Até o anocalendário 2006, não cabe a cobrança de multa isolada concomitante com a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF nº 105. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO DEVIDAS. Não havendo valor de CSLL a pagar por estimativa mensal, em face de retenções na fonte, não cabe o lançamento da multa isolada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, diminuindo o valor do IRPJ lançado para R$ 22.909,05 (já deduzido o valor cobrado em processo apartado), que deverá ser acrescido dos consectários AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 02 22 /2 00 9- 09 Fl. 853DF CARF MF 2 legais, e exonerando a CSLL lançada, em sua totalidade, assim como as multas isoladas relativas ao IRPJ e à CSLL. Vencido o Conselheiro José Carlos, que negava provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Adoto o relatório da Resolução nº 1802000.557 da então 2ª Turma Especial: Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por economia processual, passo a adotar o relatório da DRJ: “Em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela DEFIS/RJ, foram lavrados os Autos de Infração, decorrentes do MPF 0719000/00001/08, para exigência do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fl. 108/114) no valor de R$ 51.303,65 e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fl. 115/119) no valor de R$ 27.109,31, montantes estes acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, bem como da multa exigida isoladamente no valor de R$ 53.327,43 (fl. 108/114). De acordo com a Descrição dos Fatos constante dos Autos de Infração (fl. 110 e 117) e do Termo de Constatação de Infração (fl. 102/107), com base na escrituração e na DIPJ retificadora do anocalendário de 2004 apresentadas pela interessada durante o procedimento de fiscalização, foram apuradas as seguintes irregularidades: • Falta de recolhimento / declaração do imposto de renda: O contribuinte intimado (fl. 99) deixou de comprovar o pagamento, a declaração do IRPJ devido em DCTF, assim como o valor informado como retido na fonte, ocasionando a reconstituição do cálculo da Ficha 12A da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e a apuração do IRPJ devido no valor de R$ 51.303,65; Fl. 854DF CARF MF Processo nº 12898.000222/200909 Acórdão n.º 1201001.889 S1C2T1 Fl. 3 3 • Falta de recolhimento / declaração da contribuição social sobre o lucro líquido: O contribuinte intimado (fl. 99) deixou de comprovar o pagamento, a declaração da CSLL devida em DCTF, assim como o valor informado como retido na fonte p/outras PJ, ocasionando a reconstituição do cálculo da Ficha 17 da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e a apuração da CSLL devida no valor de R$ 27.109,32; • Multas isoladas – falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada: O contribuinte intimado (fl. 84) a comprovar o recolhimento do Imposto de Renda devido mensalmente por estimativa e o Imposto de Renda declarado como retido na fonte, nada comprovou durante os trabalhos de fiscalização, justificando assim o lançamento da multa isolada no valor de R$ 36.299,59; • Multas isoladas – falta de recolhimento da CSLL sobre base de cálculo estimada: O contribuinte intimado (fl. 84) a comprovar o recolhimento da CSLL devida mensalmente por estimativa e a CSLL declarada como retida na fonte, nada comprovou durante os trabalhos de fiscalização, justificando assim o lançamento da multa isolada no valor de R$ 17.027,84; Os enquadramentos legais encontramse às fl. 110, 111 e 117. 2 – DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos Autos de Infração em 13/03/2009 (fl. 109 e 116), apresentou a interessada em 14/04/2009 a impugnação de fl. 133/141, juntamente com os documentos de fl. 142/505, através da qual argúi, em síntese, que: • Os débitos fiscais em questão foram lançados exclusivamente em virtude do suposto fato de que a interessada teria deixado de comprovar o pagamento, a declaração do IRPJ/CSLL e o valor informado na DIPJ retificadora a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); • No que tange ao IRPJ, a autoridade fiscal deixou de observar que houve a retenção na fonte da quantia de R$ 32.713,28 a título de imposto de renda incidente sobre serviços prestados pela interessada, bem como do montante de R$ 14.024,78 a título de imposto de renda incidente sobre aplicações financeiras, conforme se verifica das notas fiscais em anexo (doc. nº 04); • Sendo assim, diferentemente do que entendeu a autoridade lançadora, não há que se falar na falta de recolhimento do montante de R$ 51.303,65 a título de IRPJ, mas tão somente do valor originário de R$ 4.565,59, cabendo esclarecer que a interessada providenciará o recolhimento da mencionada quantia, considerando os acréscimos legais incidentes; • Vale esclarecer que é descabido qualquer argumento no sentido de que parte dessas retenções não teria sido informada Fl. 855DF CARF MF 4 na DIPJ apresentada pela interessada, pois os documentos fiscais em anexo, postos à disposição da Fiscalização, são suficientes para comprovação das alegações daquela; • Por essas razões, fica clara a insubsistência do débito fiscal de IRPJ apurado; • No que tange à CSLL, a autoridade fiscal lançadora entendeu que a interessada teria deixado de comprovar o recolhimento da quantia de R$ 27.109,31, a título de CSLL. Contudo, como se verifica das notas fiscais em anexo (doc. nº 04), houve retenção na fonte da contribuição em questão do montante equivalente a R$ 41.788,61; • Portanto, não obstante a inexistência de débito de CSLL a ser recolhido pela interessada, na verdade foi apurado crédito no montante de R$ 14.679,29; • Ressaltase que, em seu relato, a autoridade fiscal informa que baseou seu entendimento nos documentos apresentados pela interessada, bem como na DIPJ retificadora apresentada (doc. nº 05). Entretanto, se a douta autoridade fiscal tivesse analisado os documentos postos à sua disposição, teria verificado os créditos existentes em favor da interessada; • Por esses motivos, fica igualmente claro o descabimento do pretenso débito fiscal de CSLL apurado pela douta autoridade fiscal; • Em decorrência, não restam dúvidas, ainda, quanto ao descabimento das multas aplicadas em face da interessada; • Acaso os elementos apresentados sejam considerados insuficientes para conduzir ao provimento de seu pedido, o que se admite apenas para fins de argumentação, a mesma requer, desde já a realização de diligências para saneamento do feito; • Cita o art. 18 do Decreto nº 70.235/1972; • Afirma, ainda, que caso as provas não sejam suficientes a demonstrar a insubsistência dos débitos fiscais que constituem o objeto do auto de infração ora impugnado, com vistas a proporcionar à interessada o pleno exercício do direito à ampla defesa, requer a mesma seja determinada a realização de perícia técnica, nos termos dos art. 16, IV e 18, ambos do Decreto nº 70.235/1972, elencando os requisitos; • Indica o Sr. Marcelo dos Santos para atuar no feito na qualidade de assistente técnico da interessada contribuintes.” A DRJ do Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Fl. 856DF CARF MF Processo nº 12898.000222/200909 Acórdão n.º 1201001.889 S1C2T1 Fl. 4 5 Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Se a interessada concorda com uma parcela da autuação ou deixa de impugnála, a matéria correspondente situase fora dos limites da lide, descabendo a sua apreciação pelo órgão julgador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 FALTA DE RECOLHIMENTO. FALTA DE DECLARAÇÃO. IRPJ. A falta de declaração de débito de IRPJ na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), bem como a ausência de seu recolhimento, impõe o lançamento de ofício. IRRF. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. É incabível a dedução, na declaração de rendimentos, de IRRF que não esteja confirmado por comprovante de retenção. IRRF. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DA RECEITA CORRESPONDENTE. Somente é possível a dedução do IRRF devidamente retido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado pelo beneficiário que apura o lucro real quando restar devidamente comprovada a tributação da receita correspondente. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA NÃO PAGA. Constatada a falta ou a insuficiência de recolhimento mensal por estimativa, é devido o lançamento de multa exigida isoladamente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Anocalendário: 2004 CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO. FALTA DE DECLARAÇÃO. Aplicase à CSLL o mesmo entendimento do lançamento do IRPJ, na medida em que não há fatos novos a serem apreciados. CSLL RETIDA. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. Fl. 857DF CARF MF 6 É incabível a dedução, na declaração de rendimentos, de CSLL que não esteja confirmada por comprovante de retenção. CSLL. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DA RECEITA CORRESPONDENTE. Somente é possível a dedução da CSLL devidamente retida para efeito de determinação do saldo de contribuição social a pagar ou a ser compensada pelo beneficiário que apura o lucro real / base de cálculo da contribuição social quando restar devidamente comprovada a tributação da receita correspondente. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA NÃO PAGA. Constatada a falta ou a insuficiência de recolhimento mensal por estimativa, é devido o lançamento de multa exigida isoladamente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 17/10/2013, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (efls. 531) em 18/11/2013, onde em apertada síntese reitera todas as alegações feitas por ocasião de sua impugnação. Por meio da citada resolução, o julgamento foi convertido em diligência para que a delegacia de origem examinasse a documentação acostada à impugnação e: a) verificasse se, à luz da escrita contábil e notas fiscais emitidas, era possível a comprovação de que os tributos foram retidos pela fonte pagadora; b) intimasse a Recorrente para demonstrar por meio da contabilidade e dos livros fiscais que as receitas em questão foram oferecidas à tributação. c) intimar o contribuinte do resultado da diligência para que se manifestasse no prazo de 30 (trinta) dias. O relatório de diligência foi acostado às fls. 845 a 848. Nele consta: Retenção da CSLL 4. Os lançamentos contábeis referentes às retenções da CSLL estão demonstrados na conta 1.1.4.01.005, fls. 194/204 do presente processo. No histórico de cada lançamento consta a nota fiscal de prestação de serviços que gerou o crédito. Esta diligência verificou que nestas notas fiscais, cópias folhas 209 à 432, existe a informação de retenções da CSLL, juntamente com Pis e Cofins (CSLL 1%; Pis 0,65; Cofins 3%; total 4,65%). Tendo em vista o grande número de documentos, foram analisadas as notas emitidas com valores mais relevantes, de modo a formar convicção. 5. Em resumo, se consideradas apenas a escrituração contábil e as notas fiscais emitidas, que constam juntadas aos autos, ficam comprovadas as retenções da CSLL pelos valores informados. Retenção do IR Fl. 858DF CARF MF Processo nº 12898.000222/200909 Acórdão n.º 1201001.889 S1C2T1 Fl. 5 7 6. Diante da inexistência de informação de retenção do imposto de renda em grande parte das notas fiscais emitidas, esta fiscalização intimou a diligenciada a comprovar os recebimentos dos valores líquidos referentes a estas notas, à vista dos extratos bancários. Entendemos que somente os lançamentos contábeis, conta n° 1.1.4.01.008 fls. 205/208, eram insuficientes para se ter um mínimo de convicção das retenções, apesar de demonstrarem detalhadamente as operações. 7. Em resposta datada de 20/05/2016, fls. 670/675, o contribuinte demonstra em planilha os depósitos bancários referentes a várias notas fiscais, dentre elas aquelas com a alegada retenção do I.R., além do extrato bancário, fls. 676/764. Tratamse de valores líquidos depositados, sem as retenções. Os valores planilhados coincidem com os depósitos bancários. 8. Por esta planilha apresentada pela empresa, verificamos o total de IRRF no valor de R$ 23.829,01. Comprovação do oferecimento à Tributação 9. Em resposta aos termos fiscais lavrados, o contribuinte apresentou copia do livro razão com as contas que representam as receitas obtidas, assim como a Demonstração do Resultado do Exercício, referentes ao ano de 2004, sendo constatado que as notas fiscais que geraram os referidos créditos de IR e CSLL, estão devidamente contabilizadas e assim foram oferecidas à tributação. A ciência quanto ao resultado da diligência deuse em 7 de outubro de 2016, conforme AR à fl. 850. Não houve manifestação da recorrente. O processo foi redistribuído por sorteio em face da reestruturação do CARF e a extinção das turmas especiais. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Por primeiro, cumpre observar que não há nenhuma dúvida quanto aos valores do IRPJ e da CSLL devidos ao final do anocalendário: R$ 51.303,65 e R$ 27.109,32, Fl. 859DF CARF MF 8 respectivamente. Isso pode ser visto tanto na DIPJ (fls. 15 e 20), quanto no Termo de Constatação (fl. 104). A questão centrase no valor a pagar desses tributos, em face de retenção de IRPJ e CSLL na fonte. Pela decisão de piso, não foi reconhecida a dedução de tributos retidos na fonte em face de não ter sido apresentado o correspondente comprovante de retenção e não ter sido comprovado o oferecimento das receitas à tributação, conforme ementas abaixo: IRRF. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. É incabível a dedução, na declaração de rendimentos, de IRRF que não esteja confirmado por comprovante de retenção. IRRF. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DA RECEITA CORRESPONDENTE. Somente é possível a dedução do IRRF devidamente retido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado pelo beneficiário que apura o lucro real quando restar devidamente comprovada a tributação da receita correspondente. Os autos baixaram em diligência para que fosse verificado "se, à luz da escrita contábil e notas fiscais emitidas, era possível a comprovação de que os tributos foram retidos pela fonte pagadora" e demonstrado "por meio da contabilidade e dos livros fiscais que as receitas em questão foram oferecidas à tributação". Os termos da diligência estão em consonância com o entendimento exarado neste CARF por turma ordinária da 3ª Seção de Julgamento e pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: COFINS. ENERGIA ELÉTRICA. RETENÇÃO DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. A prova da retenção não se faz exclusivamente pela apresentação da DIRF, podendo ser feita pela apresentação de documentos contábeis e bancários que permitam identificar que houve o pagamento do valor líquido, em relação a notas fiscais ou faturas que indicam tanto o valor líquido a pagar quanto os valores de tributos que devem ser retidos. Deste modo, se a fatura indica o pagamento do valor líquido e a necessidade de retenção dos tributos, então o pagamento da fatura torna forçoso entender que houve a retenção do tributo. (Acórdão nº 3403001.758 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2012). RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. INFORME DE RENDIMENTOS E DIRF. DESNECESSIDADE. Ausência do documento específico elencado na norma infralegal, qual seja o informe de rendimentos e a DIRF, instituídos pela SRFB em obediência ao artigo 943 do RIR/99, não pode ilidir o direito do Contribuinte, desde que outros meios possam provar a retenção e recolhimento. (Acórdão nº 9101002876 Câmara Fl. 860DF CARF MF Processo nº 12898.000222/200909 Acórdão n.º 1201001.889 S1C2T1 Fl. 6 9 Superior de Recursos Fiscais 1ª Turma Sessão de 6 de junho de 2017) No voto condutor dessa última decisão está assim consignado: MATÉRIA: APLICABILIDADE DO ARTIGO 943, §2º, RIR/99 Sobre esse ponto, a Turma a quo decidiu que o comprovante de retenção não é o único meio de prova para fins de dedução da retenção pelo beneficiário do rendimento, até porque seu direito não pode ser inviabilizado pela conduta omissiva da fonte pagadora, no seguinte sentido: Possivelmente por não identificar a declaração da retenção pela fonte pagadora Embraer S/A em DIRF (fls. 112/120), a autoridade fiscal exigiu a apresentação de cópia autenticada do informe de rendimentos que a fonte pagadora deveria ter apresentado à contribuinte. De outro lado, porém, também exigiu esclarecimentos acerca do reconhecimento das receitas de juros sobre o capital próprio, e na resposta de fls. 123/124 a contribuinte informou que oferecera à tributação valor superior àquele consignado na intimação, no total de R$ 318.493.770,07. É certo que a Lei nº 7.450/85 estabelece, em seu art. 55, que o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Por sua vez, o art. 86 da Lei nº 8.981/95 obriga as fontes pagadoras a fornecer tais documentos e fixa multa de cinqüenta Ufirs por documento que deixar de ser fornecido ou fornecido com inexatidão. Todavia, o comprovante de retenção não é o único meio de prova para fins de dedução da retenção pelo beneficiário do rendimento, até porque seu direito não pode ser inviabilizado pela conduta omissiva da fonte pagadora. No presente caso, a contribuinte apresenta o aviso de pagamento que lhe foi enviado pela fonte pagadora possivelmente à época do crédito, demonstra o reconhecimento de receitas compatíveis com a dedução pretendida, e a autoridade fiscal nada questionou acerca do eventual recebimento destes créditos sem a retenção pretendida pela contribuinte. Penso de forma semelhante, eventual ausência do documento específico elencado na norma infralegal, qual seja o informe de rendimentos e a DIRF, instituídos pela SRFB em obediência ao artigo 943 do RIR/99, não pode ilidir o direito do Contribuinte, desde que outros meios possam provar a retenção e recolhimento. De forma consentânea também com esse entendimento, acatase o resultado da diligência realizada. Quanto ao IRPJ, na declaração constou valor retido (apuração anual) de R$ 18.328,20. Na impugnação e no recurso voluntário, a contribuinte informa que esse valor seria de R$ 32.713,28 a título de retenção por recebimento de serviços prestados e mais R$ 14.024,78 a título de IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras, num total de R$ Fl. 861DF CARF MF 10 46.738,06, restando a pagar somente R$ 4.565,59 (esse valor já foi inclusive apartado para cobrança por se caracterizar como matéria não impugnada). No entanto, como visto no resultado da diligência, o valor de IRPJ retido foi de R$ 23.829,01. Não ficou provado o IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras. Em face do exposto, o valor lançado deve ser diminuído para R$ 27.474,64 (incluídos os R$ 4.565,59 já reconhecidos pela recorrente). No que tange à CSLL, na DIPJ constou valor retido (apuração anual) de R$ 41.788,61. Na impugnação e no recurso voluntário, a contribuinte reitera esse valor como o efetivamente retido. Em diligência, foi confirmado o valor retido de CSLL inserido no campo próprio da DIPJ e alegado no recurso voluntário, sendo apurado saldo negativo da contribuição no período. Multas isoladas. Ao final da peça que veicula o recurso voluntário consta o seguinte pedido: "sejam integralmente cancelados/desconstituídos os débitos fiscais objeto do processo administrativo em referência". Embora não haja nenhuma alusão específica às multas isoladas em face do nãorecolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL durante o anocalendário em questão, farse á a análise quanto à incidência destas, nos termos seguintes. Uma vez que, quanto ao IRPJ apuração anual (anocalendário 2004), foi mantido parte do lançamento, as multas isoladas devem ser afastadas, em face da Súmula CARF nº 105: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Quanto à CSLL, contudo, o lançamento foi afastado. Assim, não restou nenhuma multa de ofício por falta de pagamento, apurada no período anual, não havendo, pois, motivo para a aplicação da referida súmula. Entretanto, há que se reavaliar a incidência das multas em face do reconhecimento das retenções mensais que alteram o valor da CSLL devida por estimativa (balancete de suspensão), o que se faz conforme abaixo: AGOSTO/2004 Base Estimada apurada com base em balancete de suspensão Base de cálculo da CSLL: R$ 37.037,43 CSLL apurada: R$ 3.333,37 CSLL retida até o mês: R$ 28.583,66 CSLL Mensal a Pagar por estimativa: R$ 0,00 Multa isolada 50%: R$ 0,00 SETEMBRO/2004 Base Estimada apurada com base em balancete de suspensão Base de cálculo da CSLL: R$ 123.497,36 CSLL apurada: R$ 11.114,76 Fl. 862DF CARF MF Processo nº 12898.000222/200909 Acórdão n.º 1201001.889 S1C2T1 Fl. 7 11 CSLL devida em meses anteriores: R$ 0,00 CSLL retida até o mês: R$ 32.139,91 CSLL Mensal a Pagar por estimativa: R$ 0,00 Multa isolada 50%: R$ 0,00 OUTUBRO/2004 Base Estimada apurada com base em balancete de suspensão Base de cálculo da CSLL: R$ 266.218,09 CSLL apurada: R$ 25.939,63 CSLL devida em meses anteriores: R$ 0,00 CSLL retida até o mês: R$ 35.633,99 CSLL Mensal a Pagar por estimativa: R$ 0,00 Multa isolada 50%: R$ 0,00 NOVEMBRO/2004 Base Estimada apurada com base em balancete de suspensão Base de cálculo da CSLL: R$ 378.396,77 CSLL apurada: R$ 34.055,71 CSLL devida em meses anteriores: R$ 0,00 CSLL retida até o mês: R$ 39.094,72 CSLL Mensal a Pagar por estimativa: R$ 0,00 Multa isolada 50%: R$ 0,00 Verificase, pois, não restar nenhum valor de multa isolada de CSLL a ser cobrada. Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE provimento parcial, diminuindo o valor do IRPJ lançado para R$ 22.909,05 (já deduzido o valor cobrado em processo apartado), que deverá ser acrescido dos consectários legais, e exonerando a CSLL lançada, em sua totalidade, assim como as multas isoladas relativas ao IRPJ e à CSLL. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 863DF CARF MF
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Numero do processo: 10803.720154/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL. INEXISTÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. CONTRIBUIÇÕES DE TERCEIROS QUE NÃO REPERCUTEM NO LANÇAMENTO DA MULTA EM GFIP. INEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO DE JUROS MORATÓRIOS. CONHECIMENTO EM PARTE.
1. O sujeito passivo desistiu parcialmente da irresignação, considerando ter aderido ao parcelamento.
2. De conformidade com o § 2º do art. 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), o pedido de parcelamento importa a desistência do recurso, o que implica o seu não conhecimento na parte em que houve desistência.
3. As contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (terceiros) não repercutiram no lançamento atinente à não informação de fatos geradores em GFIP, não subsistindo, diante da decadência das citadas contribuições, interesse recursal no seu questionamento.
4. No lançamento atinente ao descumprimento de obrigação acessória, também não houve a constituição de juros moratórios, igualmente não se vislumbrando a existência de interesse recursal.
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN.
1. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial.
2. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. COMPETÊNCIA DEZEMBRO. TERMO INICIAL QUE CORRESPONDE AO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. SÚMULA CARF 101.
1. O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública.
2. Conforme preleciona a Súmula CARF 101, "na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado".
CARTÕES DE INCENTIVO. PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL.
Os pagamentos efetuados aos trabalhadores da empresa por meio de cartões de incentivo são remunerações sujeitas à incidência das contribuições devidas à seguridade social.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. COMPETÊNCIA.
1. Verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a autoridade administrativa tem o dever legal e funcional de efetuar o lançamento.
2. Na dicção do parágrafo único do art. 142 do Código, a atividade administrativa de lançamento não é apenas vinculada, mas também obrigatória, sob pena de responsabilidade.
3. O art. 33 da Lei 8212/91 delegou ao auditor fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para fiscalizar as contribuições nela previstas, não havendo que se cogitar de qualquer excesso de limites de competência.
MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Súmula CARF nº 2: o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2402-005.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, acolher a preliminar de decadência dos fatos geradores das obrigações principais relativas aos períodos de dezembro de 2006 a novembro de 2007. Votaram pelas conclusões em relação à decadência os Conselheiros Ronnie Soares Anderson e Mário Pereira de Pinho Filho
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL. INEXISTÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. CONTRIBUIÇÕES DE TERCEIROS QUE NÃO REPERCUTEM NO LANÇAMENTO DA MULTA EM GFIP. INEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO DE JUROS MORATÓRIOS. CONHECIMENTO EM PARTE. 1. O sujeito passivo desistiu parcialmente da irresignação, considerando ter aderido ao parcelamento. 2. De conformidade com o § 2º do art. 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), o pedido de parcelamento importa a desistência do recurso, o que implica o seu não conhecimento na parte em que houve desistência. 3. As contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (terceiros) não repercutiram no lançamento atinente à não informação de fatos geradores em GFIP, não subsistindo, diante da decadência das citadas contribuições, interesse recursal no seu questionamento. 4. No lançamento atinente ao descumprimento de obrigação acessória, também não houve a constituição de juros moratórios, igualmente não se vislumbrando a existência de interesse recursal. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. 2. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 01 54 /2 01 2- 71 Fl. 1028DF CARF MF 2 parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. COMPETÊNCIA DEZEMBRO. TERMO INICIAL QUE CORRESPONDE AO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. SÚMULA CARF 101. 1. O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública. 2. Conforme preleciona a Súmula CARF 101, "na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". CARTÕES DE INCENTIVO. PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. Os pagamentos efetuados aos trabalhadores da empresa por meio de cartões de incentivo são remunerações sujeitas à incidência das contribuições devidas à seguridade social. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. COMPETÊNCIA. 1. Verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a autoridade administrativa tem o dever legal e funcional de efetuar o lançamento. 2. Na dicção do parágrafo único do art. 142 do Código, a atividade administrativa de lançamento não é apenas vinculada, mas também obrigatória, sob pena de responsabilidade. 3. O art. 33 da Lei 8212/91 delegou ao auditor fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para fiscalizar as contribuições nela previstas, não havendo que se cogitar de qualquer excesso de limites de competência. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Súmula CARF nº 2: o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10803.720154/201271 Acórdão n.º 2402005.900 S2C4T2 Fl. 3 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, acolher a preliminar de decadência dos fatos geradores das obrigações principais relativas aos períodos de dezembro de 2006 a novembro de 2007. Votaram pelas conclusões em relação à decadência os Conselheiros Ronnie Soares Anderson e Mário Pereira de Pinho Filho (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 1030DF CARF MF 4 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da Resolução CARF 2402000.507, que bem reflete os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação, do acórdão da DRJ e do recurso voluntário: Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente à parcela desses segurados não descontas em época própria (DEBCAD nº 37.378.8207, AIOP) e à parcela patronal (DEBCAD nº 37.378.8193, AIOP), incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (DEBCAD nº 37.378.8215, AIOP). Competências do lançamento 01/2006 a 04/2008. Também há o lançamento pelo descumprimento de obrigações acessórias, para as competências 01/2006 a 04/2008, lavrado por apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (DEBCAD nº 37.378.8185, AIOA, CFL 68). O Termo de Verificação Fiscal (fls. 35/42) informa que foram apurados valores referentes às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre remunerações oriundas de créditos efetuados através de "cartões incentivo", pagas pela empresa a segurados obrigatórios da previdência social, constituídos por meio dos seguintes levantamentos: 1. CE – CARTÃO INCENTIVO EXPERTISE – período do débito: 01/2006 a 01/2008; e 2. CE1 – CARTÃO INCENTIVO EXPERTISE – período do débito: 08/2006 a 04/2008. Do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, item 2, no tópico denominado: “2. DOS INDÍCIOS DE FRAUDE”. Consta que: 1. o contribuinte contratou a prestação dos serviços da empresa Expertise Comunicação Total Ltda. com a finalidade de efetivar a premiação de beneficiários por ele indicados, mediante a utilização de cartões fornecidos pela contratada e entregues aos favorecidos, para que estes pudessem promover o saque das respectivas quantias creditadas nos cartões, conforme contrato número 2057, do qual junta cópia (doc.06), fls. 35/42; 2. nas notas fiscais, (doc. 16), fls. 476/528, acostadas aos autos a CONTRATADA, (Expertise Comunicação Total S/C Ltda), identificou como "TRIBUTADOS" e "NÃO TRIBUTADOS ISS", as importâncias, como descrito no campo: "DISCRIMINAÇÃO Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10803.720154/201271 Acórdão n.º 2402005.900 S2C4T2 Fl. 4 5 DOS SERVIÇOS E DESPESAS", correspondentes, respectivamente, a "Expert Card BPN/Exchange Card Campanha de incentivo", portanto, tais importâncias destinavamse à remuneração pelos serviços que deveriam ser prestados pela CONTRATADA para aquisição de cartões carregados com valores a serem entregues a beneficiários indicados pela CONTRATANTE; 3. com os documentos apresentados o contribuinte fez comprovar o pagamento do valor total das notas fiscais a Expertise Comunicação Total S/C Ltda, os quais foram levados a resultado do exercício com o registro contábil em contas de despesas, como "SERVIÇOS PREST PJ", sem identificar os beneficiários dos pagamentos efetuados por meio dos cartões denominados '"Expert Card BPN / Exchange Card" Relação das Notas Fiscais, (doc. 17), fls. 529; 4. com o procedimento contábil adotado (doc. 14), fls. 165/469, o contribuinte fez ocultar a causa e os beneficiários destes pagamentos. Restaram constatado que o contribuinte deixou de incluir em suas folhas de pagamento e respectivas GFIP's as remunerações pagas por conta dos valores creditados nos cartões emitidos, a seu pedido, pela Expertise, conforme consta em cláusula contratual, e tão pouco identificou os reais beneficiários e os respectivos valores pagos aos mesmos. [...] Para apuração do salário de contribuição foi utilizado o critério da aferição indireta, com respaldo no art. 33, § 3º, da Lei 8.212, de 24/07/1991, pela falta de identificação dos beneficiários do programa de gerenciamento de premiação, mediante o uso do cartão "Exchange Card", assim como dos valores estabelecidos a cada um dos premiados. O Fisco aplicou o princípio da norma mais benéfica, expresso no art. 106, II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), na apuração da multa exigível sobre a contribuição não recolhida tempestivamente, mediante cotejo, competência a competência, entre a soma da multa moratória incidente sobre a contribuição devida com a multa por descumprimento da obrigação acessória (não declaração, em GFIP, da contribuição devida), calculadas de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, e a multa de ofício de 75% sobre a contribuição devida, prevista no art. 35A da Lei 8.212/91, acrescido pela Lei 11.941/2009. [...] A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 545/580 e fls. 594/658), alegando, em síntese, que: 1. sua impugnação seja conhecida e provida para anular o Auto de Infração nº 10803.720154/201271; para os valores do período anterior a novembro de 2007, seja decretada a decadência dos créditos presentes no Demonstrativo Fl. 1032DF CARF MF 6 Consolidado; Da Ausência de Indícios de Fraude. Afirma que, no caso, não se verifica em nenhum momento indícios de fraude e não houve intenção da empresa em ludibriar o Fisco, ao contrário do que foi mencionado no Auto de Infração. A empresa é uma prestadora de serviço, conforme se verifica em seu contrato social que anexa, e possui com a empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda um contrato particular e, assim não incidindo sobre esses prêmios o tributo referente à contribuição social providenciaria, não há essa relação jurídica tributável. Assim, a empresa entende não ser devido esse tributo e não poderia ter usado de má fé com o fisco, não existindo o elemento subjetivo dolo; 2. Da Multa Confiscatória. Afirma que o Auto de Infração é nulo vez que ao caso é aplicada multa fora dos padrões econômicos do nosso pais, ou seja, multa de 75% do valor do imposto devido, portanto confiscatória. No Auto o valor da multa aplicada é de 75% do valor do suposto imposto devido, transcreve os artigos 5º, LIV e 150,IV, da Constituição Federal e, afirma que a multa aplicada tem caráter sancionatório (penal) por ter o Fisco o objetivo de penalizar o sujeito passivo; Da Não Incidência dos Juros de Mora. Afirma que o termo mora indica demora, inexecução, inadimplemento, descumprimento obrigacional e, que os juros de mora só podem ser cobrados a partir do momento em que o contribuinte se torna inadimplente. A conseqüência gerada pelo atraso é a multa, cita lições de Hugo de Brito Machado; Álvaro Villaça Azevedo e conclui que para cobrança dos juros de mora, o contribuinte deve estar primeiramente em mora e, que antes de ser autuada estava apenas em atraso no cumprimento de sua obrigação, que os juros de mora seriam cabíveis somente após a autuação. Assim, a multa e juros são penalidades que não devem ser cobradas juntas, a multa é a penalidade inicial e que poderá dar margem à cobrança de juros de mora se não for paga a partir do momento em que for estabelecida; Da Contribuição ao Incra e ao FNDE. Afirma que a contribuição destinada ao INCRA não está contemplado pelo artigo 240 da Constituição Federal, dada a sua natureza e, como a Lei 8.212/91 não incluiu o INCRA entre as contribuições que devem ser cobradas para o custeio da seguridade social tem por certo que esta norma também extinguiu sua cobrança. Cita decisão do Judiciário; 3. Da Contribuição do SEBRAE. Inconstitucionalidade. Afirma que a contribuição ao SEBRAE surgiu com a Lei 8.154/90 de uma majoração das contribuições ao SESI/SENAI como um verdadeiro adicional às alíquotas dessas contribuições, ocorre que a contribuição ao SEBRAE destinase ao auxilio às micro e pequenas empresas, enquanto a contribuição ao SESI/SENAI tem destinação diversa e, além disso, a contribuição ao SEBRAE necessitaria de Lei Complementar para a sua criação; 4. Das Contribuições ao SESI/SENAI. Alega que não é sujeito passivo das contribuições ao SENAI e SESI por não se tratar de uma empresa de caráter industrial; Do Direito Administrativo. Alega que a Autoridade Fiscal ultrapassou os limites de sua competência quando passou a realizar tarefas além do permitido, além de investigar atos fiscais, passou a investigar atos civis/comerciais pautados pelo Contrato de prestação de Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10803.720154/201271 Acórdão n.º 2402005.900 S2C4T2 Fl. 5 7 Serviço entre a empresa Geosonda e a empresa Expertise Comunicação Total Ltda., interferindo no âmbito de relações de Direito Privado, no momento em que solicita os nomes e a causa deste pagamento; Da Legalidade do Contrato de Prestação de Serviço. Alega que toda a operação é decorrente do contrato entre a empresa Geosonda S.A e a Expertise Comunicação Total Ltda, sendo o objeto do contrato uma prestação de serviço, que por parte da Geosonda a operação é legitima, não havendo qualquer necessidade de uma Ação Fiscal, bem como de um Auto de Infração seguido multa e muito menos qualquer indício de possibilidade de fraude, por ser operação oriunda da iniciativa privada encontrase dentro da total legalidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo/SP – por meio do Acórdão 1649.483 da 14a Turma da DRJ/SP1 – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que declarou a decadência até a competência 11/2006, a teor do art. 173, inciso I, do CTN. A DRJ deixou de recorrer de ofício a este Conselho, uma vez que a sua decisão estava amparada em Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 27, inc. VI, da Lei 10522/02. A recorrente foi intimada da decisão em 18 de setembro de 2013 (fl. 764) e interpôs recurso voluntário em 14 de outubro daquele mesmo ano (fls. 765 e seguintes), no qual suscitou preliminar de decadência e reiterou os demais fundamentos da sua impugnação. Através da petição de fls. 840/844, a recorrente, já sob o patrocínio de outros advogados, requereu (a) a desistência parcial da discussão e a renúncia ao direito sobre o qual ela se funda em relação aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 2007 a abril de 2008; (b) a adequação do valor cobrado nestes autos, com a exclusão dos débitos referentes ao citado período; e (c) o prosseguimento dos autos no tocante ao período de janeiro de 2006 a novembro de 2007, mantendose, inclusive, todas as alegações de direito a ele pertinentes. Às fls. 855 e seguintes, a recorrente acostou aos autos os comprovantes de recolhimentos parciais alusivos ao período controvertido. Diante dos citados comprovantes de recolhimento, em sessão de julgamento realizada em 09 de dezembro de 2015, este Colegiado resolveu converter o julgamento em diligência, para que o Fisco confirmasse se houve ou não recolhimentos parciais, os quais foram confirmados por intermédio da informação fiscal de fl. 1008. A recorrente foi intimada da aludida informação e apresentou a manifestação de fls. 1015/1020, na qual reafirmou o pedido de decadência do crédito remanescente, período de apuração dezembro de 2006 a novembro de 2007. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Fl. 1034DF CARF MF 8 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Farseá a apreciação do recurso voluntário, visto que interposto no prazo legal, o que não significa que será totalmente conhecido. Isso porque o sujeito passivo, às fls. 840/844, requereu (a) a desistência parcial da discussão e a renúncia ao direito sobre o qual ela se funda em relação aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 2007 a abril de 2008; (b) a adequação do valor cobrado nestes autos, com a exclusão dos débitos referentes ao citado período; e (c) o prosseguimento dos autos no tocante ao período de janeiro de 2006 a novembro de 2007, mantendose, inclusive, todas as alegações de direito a ele pertinentes. Por outro lado, e ao se manifestar sobre a informação fiscal prestada pela unidade de origem acerca dos recolhimentos parciais, a recorrente corrigiu a sua insurgência, para manter a controvérsia, ante a decadência, do crédito remanescente, de dezembro de 2006 a novembro de 2007 (fl. 1020), mesmo porque a decisão a quo reconhecera o advento do prazo extintivo até a competência novembro de 2006. Assim sendo, deve ser aplicado o disposto no § 2º do art. 78 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), segundo o qual o pedido de parcelamento importa a desistência do recurso. Vejase: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. (destacouse) Logo, o recurso voluntário não deve ser conhecido em relação aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 2007 a abril de 2008, mantendose a controvérsia apenas em relação ao período de apuração de dezembro de 2006 a novembro de 2007. Ademais, a recorrente não tem interesse recursal nos seguintes pontos deduzidos em seu recurso: a) da não incidência dos juros de mora; b) das contribuições ao INCRA, ao FNDE, ao SEBRAE e ao SESI/SENAI; e c) das deduções para o IRPJ. Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10803.720154/201271 Acórdão n.º 2402005.900 S2C4T2 Fl. 6 9 Quanto aos itens "a" e "b", verseá no tópico 2.1, que remanescerá no presente processo apenas parte do Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, uma vez que a obrigação principal ou está atingida pela decadência ou foi objeto de parcelamento pelo sujeito passivo. As consequências do parcelamento já foram traçadas nos parágrafos acima. As contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (terceiros) não repercutiram no lançamento atinente à não informação de fatos geradores em GFIP. Compulsandose o cálculo da multa do Código de Fundamentação Legal CFL 68 (fls. 530/535), assim como a própria legislação que ampara a incidência da sanção pecuniária (Lei 8212/91), observase que a autoridade fiscal fez o comparativo tomandose por base o número de segurados e/ou o valor da contribuição dos segurados, da empresa e do adicional SAT/RAT, mas não das contribuições de terceiros. De outro vértice, o CFL 68 não sofre a incidência de juros moratórios (vide demonstrativo de fl. 3). Significa dizer que não remanesce qualquer interesse recursal por parte do sujeito passivo nesses pontos, que não têm qualquer impacto no lançamento atinente à GFIP. Quanto ao item "c", a dedutibilidade ou não das despesas do contrato de prestação de serviços não é o escopo da fiscalização e dos lançamentos, igualmente não se vislumbrando interesse recursal a esse respeito. 2 Da controvérsia 2.1 DA DECADÊNCIA Como se depreende dos autos, remanesce controvérsia apenas em relação aos fatos geradores ocorridos de dezembro de 2006 a novembro de 2007. Com efeito, e em primeiro lugar, a própria decisão a quo decotou do lançamento as competências de janeiro de 2006 a novembro de 2006. Em segundo lugar, e ao desistir parcialmente de seu recurso, a recorrente o fez em relação aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 2007 a abril de 2008. Para o período controvertido, a recorrente alega ter ocorrido a decadência, mantendose as demais alegações. Pois bem. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, ambos do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de Fl. 1036DF CARF MF 10 ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. Nesse sentido, eis o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso representativo de controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). [...] 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) Neste caso, a própria unidade de origem informou ter havido recolhimentos parciais nas competências controvertidas. E a decisão a quo se equivocou ao entender que o fato de não ter havido "pagamento antecipado da contribuição exigida nos lançamentos que constituem os autos de infração em comento" (v. fl. 731) impediria a aplicação do § 4º do art. 150. Ora, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento do valor considerado devido pelo contribuinte na competência, mesmo que não tenha sido incluída na sua base a rubrica específica exigida no auto, na dicção da Súmula CARF 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10803.720154/201271 Acórdão n.º 2402005.900 S2C4T2 Fl. 7 11 considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No mais, qualquer análise acerca da existência de indícios de fraude para efeito de contagem do prazo decadencial está prejudicada, uma vez que o acórdão de impugnação entendeu que tal ocorrência em nada alteraria a aplicabilidade do prazo decadencial. Vejase (fl. 729): 31. Inicialmente temos que a ocorrência de fraude em nada altera a aplicabilidade do prazo decadencial nas regras do art. 173, I, do CTN, senão vejamos: É sabido que o recurso somente devolve à instância ad quem o conhecimento da matéria impugnada e que apenas serão objeto de apreciação e julgamento as questões suscitadas e discutidas, desde que relativas ao capítulo impugnado, na dicção do caput e do § 1º do art. 1013 do CPC: Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 1o Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado. A decisão recorrida não enfrentou a questão atinente aos indícios de fraude no capítulo designado à decadência e o Termo de Verificação Fiscal apenas lhes aludiu para tratar da Representação Fiscal para Fins Penais, sem ter, no entendimento desta relatoria, se aprofundado no tema. Isto é, além de não ter sido devolvida a esta instância o conhecimento da fraude para efeito de contagem do lustro extintivo, observase que a acusação fiscal não empreendeu maiores esforços para a caracterização do ilícito, tendo aludido, pelo contrário, a meros indícios e a existência de crime em tese. Outrossim, não faria o menor sentido este Conselho converter o julgamento em diligência, para apurar a existência de recolhimentos parciais nas competências controvertidas, se tivesse havido fraude. Em sendo assim, deve ser acolhida a preliminar de decadência dos fatos geradores das obrigações principais relativas aos períodos de dezembro de 2006 a novembro de 2007, uma vez que as autuações somente ocorreram em 20 de dezembro de 2012 (fls. 4/7), quando já havia transcorrido período de tempo superior a cinco anos. Quanto ao Auto de Infração DEBCAD 37.378.8185, alusivo ao descumprimento de obrigação acessória, por ter a empresa apresentado a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições, é aplicável a sistemática de contagem prevista no inc. I do art. 173 do Código. Tal obrigação (ou dever) é mais instrumental do que acessória, no sentido de que não necessariamente segue o principal, a exemplo da obrigação de a empresa informar em Fl. 1038DF CARF MF 12 folhas de pagamento as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração de seus empregados (inc. IV do § 9º do art. 225 do Regulamento Geral da Previdência Social RGPS) e das entidades imunes de observar o disposto no art. 14 do CTN. Na dicção do § 2º do art. 113 do Código, a obrigação acessória decorre da legislação tributária (compreendendo as leis, os tratados, as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares) e tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (não fazer), que não necessariamente decorrem da existência da obrigação principal, mas sim existem no interesse de eventual arrecadação ou fiscalização. A inexcedível doutrina do professor Luciano Amaro1 assim ensina: A acessoriedade da obrigação dita "acessória" não significa (como se poderia supor, à vista do princípio geral de que o acessório segue o principal) que a obrigação tributária assim qualificada dependa da existência de uma obrigação principal à qual necessariamente se subordine. Logo, a contagem do prazo da obrigação instrumental segue uma regra distinta da obrigação principal, podendose afirmar que o prazo decadencial para constituir obrigações acessórias é contado na forma do inc. I do art. 173 do CTN (do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pelo Fisco, sendo inaplicável o disposto no § 4º do art. 150 (se a lei não fixar prazo para a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação). Eis o entendimento deste Colegiado a respeito da matéria: DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART. 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). Sujeitamse ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito estampado no § 4º do art. 150 do CTN. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. [...] (PAF 10803.720155/201216, Recurso Voluntário, Data da Sessão 09/12/2015, Relator Ronaldo de Lima Macedo; Acórdão 2402004.781) 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 249. Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10803.720154/201271 Acórdão n.º 2402005.900 S2C4T2 Fl. 8 13 Na Câmara Superior de Recursos Fiscais, parece não haver controvérsia a respeito do tema, como revela o precedente abaixo, julgado por unanimidade no ponto relativo à decadência: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DECADÊNCIA. No caso de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Assim, para fins de contagem do prazo decadencial, há que se aplicar a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN.APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. (PAF 10830.721019/201135; Relator Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Acórdão 9202005.373, Sessão de 25/04/2017) Expressandose de outra forma, o reconhecimento da decadência da obrigação principal não atingiu o dever instrumental de informar os fatos geradores em GFIP, mantendose, neste ponto, a decisão recorrida, que reconheceu a decadência até a competência novembro de 2006. Quanto à competência dezembro de 2006, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde a 1º de janeiro de 2008, e não a 1º de janeiro de 2007, ex vi da Súmula CARF 101: Súmula CARF nº 101 : Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (destacouse) Outro não é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se vê no seguinte precedente, julgado por unanimidade: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PERÍODO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. ART. 173, I DO CTN. COMPETÊNCIA DEZEMBRO. SÚMULA CARF Nº 101. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (PAF 15922.000269/200827, Acórdão 9202005.294, Relatora Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira) Fl. 1040DF CARF MF 14 Em 1º de janeiro de 2007, a autoridade ainda não teria como efetuar o lançamento relativo à competência dezembro de 2006, mais especificamente porque o pagamento da remuneração e a obrigação de informar em GFIP ocorrem dentro do próprio ano de 2007, o que explica o fato de o termo a quo recair em janeiro de 2008 (primeiro dia do exercício seguinte). Como se pode concluir, na medida em que foram mantidas as demais alegações de direito relativas ao período controvertido, e como não foi acolhida a preliminar de decadência quanto à obrigação instrumental de informar todos os fatos geradores em GFIP, fazse necessário enfrentar as demais razões recursais pertinentes à controvérsia. 2.2 DA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO E DA LEGALIDADE DO CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO A discussão acerca da existência de remuneração paga por meio de cartões de incentivo ou de premiação é recorrente neste Conselho, tendo se firmado o entendimento já pacificado, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais, pela incidência das contribuições devidas à seguridade social. Este Colegiado, ademais, já julgou os demais Autos de Infração lavrados em face do sujeito passivo, por descumprimento de obrigação acessória (CFL 78, 30 e 34), decorrentes exatamente dos mesmos fatos apurados na fiscalização ora combatida, PAF 10803.720155/201216. Ali se decidiu, por unanimidade, que os pagamentos efetuados por meio de cartões de premiação se constituem em remuneração tributável. Eis a ementa do decisum, no ponto em questão: [...] REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de retribuição pelo serviço, ou seja, contraprestação de serviço prestado. [...] (PAF 10803.720155/201216, Relator Ronaldo de Lima Macedo, Acórdão 2402004.781, Sessão de 09/12/2015). Para evitar tautologia, devem ser adotados como razões de decidir os seguintes fundamentos: Considerando o Relatório Fiscal (fls. 35/42) e o contrato firmado entre a empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda e a Recorrente, constatase que era fornecido cartão de premiação aos segurados empregados, destinado a programa de estímulo ao aumento de produtividade e, portanto, relacionado ao alcance de metas de desempenho, conforme registro no contrato de prestação de serviço, que tem como objeto “Prestação de serviços de marketing de relacionamento, Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10803.720154/201271 Acórdão n.º 2402005.900 S2C4T2 Fl. 9 15 incentivo e fidelização e gerenciamento de premiação, mediante a utilização do cartão eletrônico denominado Exclusive Card”, no qual foi estabelecido: [...] Assim, os referidos “colaboradores” são escolhidos e indicados pela própria empresa contratante como beneficiários dos prêmios, pela razão mais óbvia possível, são subordinados à Recorrente. É importante esclarecer que os contratos firmados entre a Recorrente e a referida empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda não têm o condão de afastar a incidência da lei, pois, pouco importa que nestes contratos esteja previsto expressamente que os prêmios não configuram salários nem remunerações. Isso está em consonância com o art. 126 do Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966 –, in verbis: [...] Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, dentre outros fatores de produção. Caracterizase pelo seu aspecto condicional; uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial. [...] A meu ver, a habitualidade não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, bimestral, semestral, ou anual, mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. [...] O pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores a aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho, que dispõe neste sentido: Portanto, e também por força do art. 126 retro mencionado, é desnecessária qualquer análise acerca da legalidade dos contratos, bastando que se apure, como apurou a fiscalização, a existência do fato gerador das contribuições lançadas (art. 142 do CTN). Logo, negase provimento ao recurso neste ponto. 2.3 DO DIREITO ADMINISTRATIVO A recorrente afirmou que a autoridade fiscal ultrapassou os limites de sua competência. Fl. 1042DF CARF MF 16 Isso não é verdade. Verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a autoridade administrativa tem o dever legal e funcional de efetuar o lançamento. Na dicção do parágrafo único do art. 142 do Código, a atividade administrativa de lançamento não é apenas vinculada, mas também obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O art. 33 da Lei 8212/91, de seu turno, delegou ao auditor fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para fiscalizar as contribuições nela previstas, não havendo que se cogitar de qualquer excesso de limites de competência. 2.4 DA MULTA CONFISCATÓRIA A cláusula de não confisco está prevista na Constituição Federal e, para se concluir pela existência de sanção confiscatória, seria necessário declarar a inconstitucionalidade da Lei 8212/91. Como sabido, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vejase, nesse sentido, a Súmula CARF 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Isto é, a verificação de que a norma implicaria infringência ao desenho constitucional da exação tributária exacerba a competência originária desta Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, negandose provimento ao recurso neste particular. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, ACOLHER A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA dos fatos geradores das obrigações principais relativas aos períodos de dezembro de 2006 a novembro de 2007. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 1043DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.903279/2008-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano calendário: 2002 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado.
Numero da decisão: 1802-001.002
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos interpostos pela Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos interpostos pela Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marciel Eder Costa. Ausente momentaneamente o conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional com base no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/2009 e alterações posteriores), sob alegação de que no acórdão nº 1802000. 851 de 30/03/2011, este colegiado deu provimento ao recurso voluntário para homologar a compensação de R$ 3.382,83, embora não tenha ficado demonstrada nos autos, a certeza quanto a existência do crédito compensável e a liquidez quanto ao seu valor. O acórdão foi recepcionado na Procuradoria da Fazenda Nacional, em 10/05/2011, conforme Relação de Movimentação – RM nº 18905 à fl.57, considerandose intimada 30 (trinta) dias após. (§§ 7º ao 9º, do art.23, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.547, de 16/03/2007, D.O.U de 19/03/2007). Cientificado o Procurador em 08/06/2011, os embargos foram apresentados no mesmo dia (fl. 56). A Embargante para justificar os embargos, transcreve o seguinte excerto da DRJ, transcrito à fl.59: "15. Não há amparo para a solicitação do interessado para que 'seja acatada a compensação havida na DCTF original', porque é a lei que determina que a compensação em matéria tributária é 'efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados' (pár. 1° do art. 74, da Lei n° 9.430, de 1996). 16. A declaração de que trata o mencionado art. 74, da Lei n° 9.430, de 1996, é a Declaração de Compensação, e não a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Ainda que assim não fosse, embora o interessado, na Manifestação de Inconformidade As fls.1/3, protocolada em 01.08.2008, refirase à compensação havida na DCTF original', a rigor não se está referindo à primeira DCTF entregue em cada trimestre. 17. A uma, porque as DCTFs que junta não são as originais (fls.8/13), e, a duas, porque as DCTFs de 2002 foram várias vezes retificadas (até mesmo após a Manifestação de Inconformidade): seis vezes (no período de 15.05.2002 a 17.11.2006), a do primeiro trimestre;três vezes (no período de 15.08.2002 a 19.07.2005), a do segundo; três vezes (no período de 14.11.2002 a 19.07.2005), a do terceiro; e, quatro (de 13.02.2003 a 16.09.2009), a do quarto, de sorte que faltaria certeza acerca dos valores a que o interessado se refere (fls.34)". (Grifos nossos) A Embargante alega que este colegiado “além de afastar a aplicação do art. 170 do CTN e do art. 74, §1° da Lei n° 9.430/96, afastou também o ônus da prova que competia ao contribuinte. Contudo, não apresentou fundamentação para tanto”. Diz que, o julgador tem liberdade para apreciar as provas e deliberar da forma que melhor entender, segundo suas convicções, por outro lado, é também dever seu fundamentar as Fl. 72DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.903279/200834 Acórdão n.º 1802001.002 S1TE02 Fl. 72 3 decisões, apontando os elementos de prova que justificaram o acolhimento das alegações do contribuinte. Finalmente requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja sanada omissão exposta. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa Os Embargos de declaração foram apresentados em 08/06/2011, portanto, tempestivos, deles conheço. Primeiramente, a Embargante alega que, no julgado embargado este colegiado ao dar provimento ao recurso, para homologar a compensação de R$ 3.382,83, não demonstra a certeza quanto a existência do crédito compensável e a liquidez quanto ao seu valor. Conforme o relatório do acórdão embargado, o presente processo traz como peça inicial a Manifestação de Inconformidade (fls.01/03) interposta em face do Despacho Decisório (fl.04), em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 36679.46184.021204.1.3.047068, fls.05/06, transmitida em 02/12/2004, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ (código 5993: R$ 4.205,21 e 3.465,37) por estimativa apurados em julho e agosto/2002, respectivamente, no total de R$ 7.670,58, com alegado crédito decorrente de estimativa de IRPJ (código 5993:Data de Arrecadação: 31/07/2002) no valor de R$ 7.670,58. Por meio do mencionado despacho decisório de 12/08/2008, fl.04, foi indeferido parcialmente o pedido, e declarada parcialmente homologada a compensação no valor de R$ 4.287,75, ante a constatação de que o valor do crédito original de R$ 7.670,58 , a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foi parcialmente utilizado no pagamento da estimativa de IRPJ (código 5993) apurada em 30/08/2002 no valor de R$ 3.382,83. O acórdão embargado está assim ementado: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano calendário: 2002 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.ESTIMATIVA. Restando comprovado nos autos que houve recolhimento de IRPJ por estimativa relativo a determinado período de apuração no curso do ano calendário, mas não utilizado para o mesmo período, não há óbice que o valor seja indicado para compensação de IRPJ por estimativa em período de apuração posterior no mesmo ano calendário. A Embargante alega que este colegiado “além de afastar a aplicação do art. 170 do CTN e do art. 74, §1° da Lei n° 9.430/96, afastou também o ônus da prova que competia ao contribuinte. Contudo, não apresentou fundamentação para tanto”. Diz que, o julgador tem liberdade para apreciar as provas e deliberar da forma que melhor entender, segundo suas convicções, por outro lado, é também dever seu fundamentar as decisões, apontando os elementos de prova que justificaram o acolhimento das alegações do contribuinte. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.903279/200834 Acórdão n.º 1802001.002 S1TE02 Fl. 73 5 Aduz a Embargante que, no caso dos autos, o contribuinte não se desincumbiu da obrigação da prova e menciona que a própria Relatora reconheceu essa falha. Faz a transcrição: "A recorrente alega equivoco do julgador, mas, não expressa o seu intento de modo claro" (fls. 55). Em primeiro lugar, é preciso que a Embargante compreenda que a prova para a convicção do julgador não se faz apenas com elementos a ser apresentados pelo contribuinte e sim, com todo o conjunto probatório que se encontre nos autos. No presente caso, os dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo, a saber: DARF, DCTF e PER/DCOMP. Nesse sentido labora a Lei nº 9.784, de 1999 que estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Vejamos: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Pelo visto a Embargante cita a frase constante do voto condutor do acórdão embargado mas sem a contextualização necessária dos fatos conforme transcrito a seguir. A motivação para a conclusão do acórdão embargado em que se fundamenta a certeza quanto a existência do crédito compensável e a liquidez quanto ao seu valor foi a seguinte: No recurso, a recorrente alega que no acórdão o julgador considerou equivocadamente a utilização parcial do DARF no pagamento da estimativa do IRPJ apurado em 30/08/2002, fato inexistente conforme se verifica da DCTF retificadora transmitida 19/07/2005 (demonstrativo fl.43). Ora, consta dos autos que o PER/DCOMP (fls.22/26) foi apresentado em 02/12/2004, a DIPJ/2003 retificadora em 25/01/2005, as DCTF retificadoras transmitidas em 19/07/2005, relativas ao 3º trimestre/2002, fls.08/13 (demonstrativo fl.43), e o Despacho Decisório, fl.42, fora expedido em 11/08/2009 e entregue ao interessado em 20/08/2009 (fl.44), o que significa dizer que as DCTF retificadoras surtiram os efeitos que lhes são próprios, porque apresentadas antes do despacho decisório em comento. O DARF mencionado no Despacho Decisório é o mesmo discriminado no PER/DCOMP em questão, que em nada se alterou porque apresentada a dita DCTF Retificadora. Confrontando o PER/DCOMP (fls.22/26) e as DCTF retificadoras transmitidas em 19/07/2005 (fls.10/13) relativas ao 3º trimestre, constatase que houve indicação do PER/ DCOMP nº 36679.46184.021204.1.3.047068 para utilizar o DARF (código 5993:Data de Arrecadação: 31/07/2002) no valor de R$ 7.670,58 para quitar os débitos de IRPJ (código 5993: R$ 4.205,21 e 3.465,37) por estimativa apurados em julho e agosto/2002, respectivamente, no total de R$ 7.670,58. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 A recorrente alega equívoco do julgador, mas, não expressa o seu intento de modo claro. Observo que a DCTF 3º Trim./2002 (fls.12/13), declara o débito do IRPJ ( código: 5993 Agosto/2002), no valor de R$ 15.606,63, vinculando pagamento no valor de R$ 3.791,56 e compensação de pagamento indevido no valor de R$ 11.815,07. A recorrente juntou aos autos a parte das DCTFs que declara a compensação no valor de R$ 4.205,21 relativa ao mês de Julho/2002 e de R$ 3.465,37 relativa ao mês de Agosto/2002, mediante o PER/DCOMP) nº 36679.46184.021204.1.3.047068 restando obscura a informação relativa à diferença da compensação mencionada de R$ 11.815,07 em relação ao mês de agosto de 2002. Por outro lado, temse como controverso o Despacho Decisório de que tratam os presentes autos sob o fundamento de que foi indeferido parcialmente o PER/DCOMP Retificador nº 36679.46184.021204.1.3.047068, e declarada parcialmente homologada a compensação no valor de R$ 4.287,75 ante a constatação de que o valor do crédito original de R$ 7.670,58 , a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foi parcialmente utilizado no pagamento da estimativa de IRPJ (código 5993) apurada em 30.08.2002 no valor de R$ 3.382,83. Vale repisar que o presente processo trata do PER/DCOMP nº 36679.46184.021204.1.3.047068, transmitido em 02/12/2004, fls.05/06, em que a contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ (código 5993: R$ 4.205,21 e 3.465,37) por estimativa apurados em julho e agosto/2002. Depreendese que, do DARF no valor de R$ 7.670,58 (Data da Arrecadação em 31/07/2002) a autoridade administrativa ao reconhecer o crédito de R$ 4.287,75, mediante o Despacho Decisório homologa a compensação do débito de IRPJ código 5993 R$ 4.205,21 relativa ao mês de Julho/2002, bem como R$ 3.465,37 relativa ao mês de Agosto de 2002, pois adotando como fundamento para o indeferimento parcial o valor de R$ 3.382,83 utilizado no pagamento da estimativa de IRPJ (código 5993) apurada em 30.08.2002, tal montante resta incluso na parte indeferida.Ou seja, R$ 7.670,58 () R$ 4.205,21 = R$ 3.465,37. Observo, que o Despacho Decisório (fl.02) é contraditório na medida em que reconhece que o DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foi parcialmente utilizado no pagamento da estimativa de IRPJ (código 5993) apurada em 30.08.2002 no valor de R$ 3.382,83 e mesmo assim não homologa a compensação (PER/DCOMP) com o objeto de compensar a parcela de estimativa de IRPJ (código 5993) apurada em 30.08.2002 no valor de R$ 3.382,83. Com efeito, não constando dos autos que o DARF no valor de R$ 7.670,58 ((código 5993:Data de Arrecadação: 31/07/2002) fora utilizado para quitar débito de junho/2002, não há óbice para que tal valor seja utilizado para quitar os débitos de IRPJ (código 5993: R$ 4.205,21 e 3.465,37) por estimativa apurados Fl. 76DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.903279/200834 Acórdão n.º 1802001.002 S1TE02 Fl. 74 7 em julho e agosto/2002, respectivamente, no total de R$ 7.670,58 como parte do IRPJ por estimativa de que tratam as DCTFs referentes ao 3º trimestre/2002, fls.10/13 e, por conseqüência homologar a compensação declarada no PER/DCOMP sob comento. Nesse contexto a frase ressuscitada pela Embargante : "A recorrente alega equivoco do julgador, mas, não expressa o seu intento de modo claro" (fls. 55) tem por objetivo apenas registrar a vagueza na alegação da recorrente, mas não tem o condão de invalidar as provas constantes dos autos que devem ser analisadas pelo julgador independentemente de serem juntadas pelo próprio Fisco ou o contribuinte, pois não se pode olvidar a verdade material dos fatos consignada nos documentos, mormente o DARF que comprova o pagamento efetuado pelo contribuinte. Ora, se o DARF no valor de R$ 7.670,58 ((código 5993:Data de Arrecadação: 31/07/2002), o qual é líquido e certo, não fora utilizado para quitar débito por estimativa de junho/2002, não há óbice para que tal valor seja utilizado para quitar os débitos de IRPJ (código 5993: R$ 4.205,21 e 3.465,37) por estimativa apurados em julho e agosto/2002, respectivamente, no mesmo total de R$ 7.670,58 como parte do IRPJ por estimativa de que tratam as DCTFs referentes ao 3º trimestre/2002, fls.10/13 e, por conseqüência homologar a compensação declarada no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos. Como se vê é inadmissível a falta de fundamentação na decisão embargada como alega a douta PFN. Desse modo, repetese, restando comprovado nos autos que houve recolhimento de IRPJ por estimativa relativo ao mês de junho/2002, mas não utilizado para o mesmo período, não há óbice que o valor seja indicado para compensação do IRPJ por estimativa em período de apuração relativo aos meses de julho e agosto do mesmo ano calendário. Vale lembrar que o assunto dos autos diz respeito a pagamento por estimativa de IRPJ efetuado no ano calendário de 2002, apurado provisoriamente, pois, o saldo a pagar do IRPJ ou a ser restituído somente se considera devido em 31/12/2002. Fica cristalino, portanto, que inexiste qualquer OMISSÃO ou falta de fundamento no acórdão embargado.Ao contrário, os fundamentos fáticos utilizados foram suficientes para embasar a decisão. De sorte que, não há qualquer fundamento para que sejam acolhidos os Embargos apresentados sob o pretexto de que o julgado embargado foi omisso. Portanto, da análise dos autos entendo não estarem presentes no acórdão embargado qualquer das situações previstas no dispositivo regimental, qual seja, o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Diante das considerações acima, voto no sentido de que sejam rejeitados os Embargos de declaração em comento por inexistir qualquer omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Fl. 78DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10830.900299/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.723
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-08-11T18:23:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-08-11T18:23:14Z; Last-Modified: 2017-08-11T18:23:14Z; dcterms:modified: 2017-08-11T18:23:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-08-11T18:23:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-08-11T18:23:14Z; meta:save-date: 2017-08-11T18:23:14Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-08-11T18:23:14Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-08-11T18:23:14Z; created: 2017-08-11T18:23:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2017-08-11T18:23:14Z; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-08-11T18:23:14Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.900299/201316 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301003.723 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria Restituição. Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 99 /2 01 3- 16 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900299/201316 Acórdão n.º 3301003.723 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.757, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900299/201316 Acórdão n.º 3301003.723 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900299/201316 Acórdão n.º 3301003.723 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900299/201316 Acórdão n.º 3301003.723 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900299/201316 Acórdão n.º 3301003.723 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900299/201316 Acórdão n.º 3301003.723 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10830.900299/201316 Acórdão n.º 3301003.723 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10830.900299/201316 Acórdão n.º 3301003.723 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 180DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.002280/2009-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
LANÇAMENTO CANCELADO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL.
Vício formal é, via de regra, aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que normalmente não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. Se o problema que ensejou o cancelamento do lançamento está situado na própria essência da relação jurídico-tributária, na não comprovação da ocorrência do fato gerador do IRPJ, no errado dimensionamento de sua base de cálculo, mais especificamente na falta de cômputo de custos/despesas que apenas não estavam registrados na DIPJ/original, não há como reconhecer a ocorrência de vício de natureza meramente formal.
Numero da decisão: 9101-003.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO CANCELADO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é, via de regra, aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que normalmente não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. Se o problema que ensejou o cancelamento do lançamento está situado na própria essência da relação jurídicotributária, na não comprovação da ocorrência do fato gerador do IRPJ, no errado dimensionamento de sua base de cálculo, mais especificamente na falta de cômputo de custos/despesas que apenas não estavam registrados na DIPJ/original, não há como reconhecer a ocorrência de vício de natureza meramente formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 22 80 /2 00 9- 69 Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 3 2 Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto à identificação da espécie do vício que ensejou o cancelamento do lançamento contido nos presentes autos (vício material x vício formal). A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 110100.654, de 17/01/2012, por meio do qual a 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento a recurso voluntário anteriormente apresentado pela contribuinte acima identificada, para fins de cancelar o lançamento objeto dos presentes autos. O Acórdão recorrido contém a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 DADOS DECLARADOS. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. PROVA. Se o lançamento se baseia exclusivamente em dados informados pelo contribuinte em declaração e se o contribuinte infirma estes dados na sua defesa, o lançamento perde a sua base fática. LANÇAMENTO. PROVA DOS FATOS. O lançamento deve ser feito com elementos que permitam a convicção dos fatos. Caso a tese que fundamenta o lançamento seja refutável por mera alegação do contribuinte, o Fisco fica sujeito a ver cancelado o lançamento. Antes de apresentar o referido recurso especial, a contribuinte apresentou embargos de declaração contra o acórdão acima referido, e esses embargos foram rejeitados pelo Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, conforme o Despacho nº 110000 000.016, de 22/01/2014, pelas seguintes razões: [...] A Procuradoria da Fazenda Nacional aponta contradição e omissão porque o Colegiado, embora reconhecendo a nulidade da decisão de 1ª instância, não determinou o retorno dos autos para novo julgamento e omitiu manifestação sobre supressão de instância. Cita ementas de julgados administrativos em sentido diverso do que adotado nestes autos. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 4 3 Ocorre, porém, que o voto condutor do acórdão embargado assim expõe, ao seu final: [...] Como se vê, a declaração de nulidade da decisão de 1ª instância deixou de ser promovida em virtude da possibilidade de se decidir o mérito em favor do sujeito passivo, em clara referência ao disposto no art. 59, §3º do Decreto nº 70.235/72. Assim, se a Fazenda Nacional entende que esta providência é inadequada, deve se valer da via do recurso especial para demonstrar à Câmara Superior de Recursos Fiscais que entendimento diverso vem sendo aplicado por Colegiados deste Conselho. Assim, não se confirmando a omissão e contradição apontadas, proponho que sejam rejeitados os embargos de declaração aqui opostos pela Fazenda Nacional. Nessa fase de recurso especial, a PGFN não mais contesta o ponto abordado nos embargos, ou seja, o tratamento que deveria ter sido dado à nulidade apontada para a decisão de 1ª instância administrativa. A matéria tratada no recurso especial diz respeito aos vícios contidos no próprio lançamento fiscal. De acordo com a PGFN, a decisão recorrida deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto à identificação da espécie do vício que ensejou o cancelamento do lançamento contido nos presentes autos (vício material x vício formal). Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. o entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso diverge do adotado pela e. Turma a quo, e está representado em acórdãos, cujas ementas estão abaixo transcritas na forma do art. 67, §9º do RICARF: Acórdão n° 320100.248 É nulo, por vicio formal, o lançamento tributário quando não estiverem presentes todos os elementos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, bem como, quando se constatar confusa contextualização dos elementos de prova que visavam determinar o fato gerador da obrigação, e os que forem formalizados com erro na determinação da matéria tributável, posto que, por representar preterição de uma formalidade essencial, caracterizase cerceamento do direito de defesa. Recurso de Oficio Negado. Acórdão n° 20309.332 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMUNIDADE NULIDADE POR VÍCIO FORMAL A imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e segurança jurídica, macula o lançamento de vicio insanável, tornando nula a respectiva constituição. Processo anulado ab initio. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 5 4 a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso do contribuinte para cancelar o Auto de Infração, em virtude de deficiência na descrição e na comprovação dos fatos atribuídos ao contribuinte; por outro lado, os acórdãos paradigmas sinalizam que esse tipo de vício ou qualquer outra contrariedade ao art. 142 do CTN gera nulidade por vício formal; verificase, portanto, que diante de fatos semelhantes, os acórdãos, recorrido e paradigmas, entenderam de modo divergente. Enquanto um cancela o auto de infração, os outros anulam, por vício de forma; dessa forma, demonstrada a divergência jurisprudencial, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial; DOS FUNDAMENTOS PARA REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO rezam os arts. 10 do Decreto 70.235/72 e 142 do CTN: [...]; pela leitura desses dispositivos, percebese que os requisitos neles elencados possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o auto de infração, deve exteriorizase; desse modo, temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; na hipótese em apreço, a falha na descrição dos fatos imputados ao contribuinte/motivação é causa de anulação do lançamento por vício formal, vez que foi preterido o método estabelecido em lei. A propósito, a jurisprudência do CARF é farta em decisões que anulam o auto de infração por vício de forma, em razão da falta de preenchimento de alguns dos requisitos estipulados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e/ou art. 142 do CTN. A título de exemplo, seguem as ementas dos seguintes julgados: [...]; por tudo, concluise que o acórdão recorrido mostrase equivocado, pois o vício apontado pelo Relator acarreta a anulação do auto de infração, e não o seu cancelamento; DO PEDIDO. em face do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja anulado por vicio formal o Auto de Infração, e lavrado um novo, revestido de todos os requisitos legais. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 17/04/2015, reconheceu a ocorrência de divergência jurisprudencial e deu seguimento ao recurso, nos seguintes termos: [...] A Recorrente trouxe ao dissídio os Acórdãos ns 320100.248 e 203 09.332, cujas ementas trazem: Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 6 5 [...] Nessas decisões, adotouse o entendimento de que deficiências ou imprecisões na descrição dos fatos imputados ao contribuinte devem ocasionar a anulação do lançamento, e não o seu cancelamento. Assim, num exame prelibatório, como o é o exame de admissibilidade de recurso especial, entendo que estão presentes os elementos capazes de comprovar a divergência argüida pela Procuradoria, e ensejar a subida dos autos ao exame da Câmara superior de Recursos Fiscais. IV Conclusão Em razão de terem sido preenchidos os requisitos do art. 67 do RICARF, DOU SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL POR DIVERGÊNCIA. A contribuinte tomou ciência do despacho que deu seguimento ao recurso especial da PGFN, e não apresentou contrarrazões ao recurso. É o relatório. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento para constituição de crédito tributário a título de IRPJ referente aos trimestres do anocalendário de 2005, apurado na modalidade do lucro real trimestral. O relatório constante do acórdão recorrido explicita bem os fundamentos da autuação fiscal: Em 30/04/2009, é lavrado auto de infração (proc. fls. 85 a 93). Conforme o auto de infração, foi constatado que a empresa apresentou DIPJ indicando IRPJ a pagar maior que o pago e que o declarado em DCTF. Também, foi verificado que não existe PER/Dcomp informando compensação da divida. O contribuinte foi intimado e reintimado a explicar porque os valores informados em DIPJ, referentes ao imposto de renda a pagar, são superiores que os informados em DCTF. No entanto, ficou silente. Tais fatos, implicaram na autuação do anocalendário de 2005, com base no imposto a pagar declarado na DIPJ. Os mesmos fatos são registrados no termo de encerramento (proc. fl. 94 e 95). A controvérsia que chega a essa fase de recurso especial diz respeito à identificação da espécie do vício que ensejou o cancelamento do lançamento pela decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido). Em seu recurso, o que a PGFN procura demonstrar é que a insuficiência na comprovação e na descrição dos fatos imputados ao contribuinte é causa de anulação do lançamento por vício formal, e não de cancelamento (por vício material), vez que foi preterido o método estabelecido em lei. Para o Direito Tributário, essa questão de compreender e identificar se o vício é formal ou material tem grande relevância, porque o Código Tributário Nacional CTN, nos casos de vício formal, prolonga o prazo de decadência para constituição de crédito tributário, nos termos de seu art. 173, II: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 8 7 Os prazos de decadência tem a função de trazer segurança e estabilidade para as relações jurídicas, e é razoável admitir que o prolongamento desse prazo em favor do Fisco, em razão de erro por ele mesmo cometido, deve abranger vícios de menor gravidade. Com efeito, o sentido do CTN não é prolongar a decadência para todo o tipo de crédito tributário, mas apenas para aqueles que tenha sido anulados por ocorrência de "vício formal" em sua constituição. Nem sempre é tarefa fácil distinguir o vício formal do vício material, dadas as inúmeras circunstâncias e combinações em que eles podem se apresentar. O problema é que os requisitos de forma não são um fim em si mesmo. Eles existem para resguardar direitos (p/ ex., o direito ao contraditório e à ampla defesa). É a chamada instrumentalidade das formas, e isso às vezes cria linhas muito tênues de divisa entre o aspecto formal e o aspecto substancial das relações jurídicas. É esse o contexto quando se afirma que não há nulidade sem prejuízo da parte. Nesse sentido, vale trazer à baila as palavras de Leandro Paulsen: Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 13ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2011.) A Lei nº 4.717/1965 (Lei da Ação Popular), ao tratar da anulação de atos lesivos ao patrimônio público, permite, em seu art. 2º, uma análise comparativa entre os diferentes elementos que compõe o ato administrativo (competência, forma, objeto, motivo e finalidade): “Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 9 8 a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; c) a ilegalidade do objeto ocorre quando o resultado do ato importa em violação de lei, regulamento ou outro ato normativo; d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido; e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência.” (grifos acrescidos) Pela enumeração dos elementos que compõe o ato administrativo, já se pode visualizar o que se distingue da forma, ou seja, o que não deve ser confundido com a aspecto formal do ato (a competência, o objeto, o motivo e a finalidade). No contexto do ato administrativo de lançamento, vício formal é, via de regra, aquele verificado de plano, no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade jurídica representada (declarada) por meio deste ato. O vício formal normalmente não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, à verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido e à identificação do sujeito passivo, porque aí está a própria essência da relação jurídicotributária. O vício formal a que se refere o artigo 173, II, do CTN abrange, por exemplo, a ausência de indicação de local, data e hora da lavratura do lançamento, a falta de assinatura do autuante, ou a falta da indicação de seu cargo ou função, ou ainda de seu número de matrícula, todos eles configurando elementos formais para a lavratura de auto de infração, conforme art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, mas que não se confundem com a essência/ conteúdo da relação jurídicotributária, apresentada como resultado das atividades inerentes ao lançamento (verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, etc. CTN, art. 142). Aliás, um erro nos elementos que identificam a essência/conteúdo da relação jurídicotributária até pode ser considerado como um vício formal desde que, por exemplo, ele se apresente como resultado de uma evidente discrepância entre o que se pensou e o que se exteriorizou pela escrita (as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo), quando todo o contexto do que está sendo dito aponta num determinado sentido, e um ponto específico, desconexo do conjunto das ideias, aponta em outro, ou dá uma informação simplesmente fora de contexto, etc. Mas mesmo diante desse tipo de situação, ou seja, quando se está tratando do conteúdo da relação jurídicotributária, vale mais uma vez lembrar que não há nulidade sem prejuízo da parte. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 10 9 Penso que a verificação da possibilidade de refazimento (repetição) do ato de lançamento, com o mesmo conteúdo, para fins de apenas sanear o vício detectado, é um referencial bastante útil para se examinar a espécie do vício. Se houver possibilidade de o lançamento ser repetido, com o mesmo conteúdo concreto (mesmos elementos constitutivos da obrigação tributária), sem incorrer na mesma invalidade, o vício é formal. Isso é um sinal de que o problema está nos aspectos extrínsecos e não no núcleo da relação jurídicotributária. Há uma decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o Acórdão nº 9101 00.955, que explicita bem esse aspecto: Acórdão nº 910100.955 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN, por serem elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto, antecedem e são preparatórios à formalização do crédito tributário, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, ai sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. [...] Voto [...] Como visto, há um ponto comum em todos os mestres citados: o lançamento substitutivo só tem lugar se a obrigação tributária já estiver perfeitamente definida no lançamento primitivo. Neste plano, haveria uma espécie de proteção ao crédito público já formalizado, mas contaminado por um vicio de forma que o torna inexeqüível.... Bem sopesada, percebese que a regra especial do artigo 173, II, do CTN, impede que a forma prevaleça sobre o fundo. [...] [...] 4.0 VÍCIO FORMAL NÃO ADMITE INVESTIGAÇÕES ADICIONAIS Neste contexto, é licito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 11 10 o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providencias forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Deveras, como visto anteriormente, a adoção da regra especial de decadência prevista no artigo 173, II, do CTN, no plano do vicio formal, que autoriza um segundo lançamento sobre o mesmo fato, exige que a obrigação tributária tenha sido plenamente definida no primeiro lançamento. Vale dizer, para usar as palavras já transcritas do Mestre Ives Gandra Martins, o segundo lançamento visa "preservar um direito já previamente qualificado, mas inexeqüível pelo vicio formal detectado". Ora, se o direito já estava previamente qualificado, o segundo lançamento, suprida a formalidade antes não observada, deve basearse nos mesmos elementos probatórios colhidos por ocasião do primeiro lançamento. [...] O que a referida decisão esclarece é que se houver inovação na parte substancial do lançamento (seja através de um lançamento complementar, seja através do resultado de uma diligência), não há como sustentar que a nulidade então existente decorria de vício formal. Nesse passo, vale transcrever os fundamentos utilizados pelo acórdão recorrido para cancelar a autuação fiscal: Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme visto, o lançamento foi feito porque a DIPJ informava valor de IRPJ a pagar maior do que o confessado na DCTF e o contribuinte, apesar de intimado e reintimado, não esclareceu a razão desta divergência. Analisando a questão, percebese que o fato de o Fisco ter intimado o contribuinte a explicar a divergência entre a DIPJ e a DCTF indica que o próprio Fisco considerava possível haver uma explicação para tal divergência. Porém, o contribuinte não respondeu às intimações nem justificou a divergência e abriuse ao Fisco algumas possibilidades: 1°) ou investigar para descobrir exatamente os fatos tributáveis e verificar se foram confessados corretamente na DCTF ; 2') ou entender que a DIPJ retratava corretamente os fatos tributáveis e fazer o lançamento de oficio tendo por base fática exclusivamente a DIPJ. Como visto, a fiscalização optou por não efetuar qualquer investigação e adotou as informações da DIPJ corno verdadeiras, mesmo frente às suas inconsistências internas e à divergência desta com a DCTF. De outra banda, no CTN não consta nenhuma exigência para retificação de DIPJ. A única restrição feita no Código sobre retificação de Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 12 11 declaração, é posta no art. 147, e referese à retificação de declaração preparatória de lançamento, relativa a tributo lançado por declaração e assim mesmo aos casos em que esta nova declaração vise reduzir tributo. Ou seja, a única restrição legal para retificação se refere a alteração da declaração do sujeito passivo que será usada pela Administração para efetuar com base nela o lançamento, dentro da sistemática dos tributos lançados por declaração. Apenas este tipo de declaração é que sofre a exigência de que o contribuinte precisa provar o erro que motiva a retificação. As outras declarações a que os contribuintes estão obrigados, não sofrem a restrição feita pela pelo art. 147 do CTN. Assim, submetemse à regra geral que é a da liberdade de modificar o informado sem necessidade de demonstrar o erro que justifique a retificação. Tal regra decorre do princípio constitucional de que o administrado não é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Portanto, no caso concreto, era (ou deveria ser) de conhecimento do Fisco que a DIPJ poderia estar errada e que poderia ser infirmada pelo contribuinte a qualquer tempo, sem maior ônus para este do que a simples afirmação do erro. Deste modo, percebese que foi uma opção consciente do Fisco efetuar o lançamento com os poucos dados que ele tinha sobre a questão. Assim, o Fisco preferiu se abstrair da realidade, para considerar apenas as informações da DIPJ. Inclusive, destaquese que estas informações eram inconsistentes e divergiam das prestadas na DCTF. Ora, para fins de lançamento, o Fisco pode, ao invés de investigar a matéria tributável, utilizar informações declaradas sobre a matéria tributável. Mas, caso opte por usar apenas os fatos declarados, e não a matéria sobre a qual pretende se manifestar, assume o risco de ver suas presunções feitas com base na declaração refutadas pela simples retificação desta declaração. Por isso, no caso em concreto, boa parte da fragilidade do lançamento decorre da opção do Fisco pelo nível de investigação dos fatos. Além disso, a circunstância de usar dados de uma declaração que conflitavam com outra aumenta a fragilidade da autuação. Mas, o que torna mais frágil a autuação é o fato da declaração utilizada como fonte de dados para autuação conter inconsistências internas que justificariam a divergência entre declarações. Não obstante, foi lavrado o auto de infração e o contribuinte impugnou, informando que a divergência entre sua DIPJ e DCTF decorria de que a primeira não informava os custos corretamente. De fato, analisando se a DIPJ juntada ao processo pela fiscalização, percebese que não há qualquer informação sobre as compras do período (proc. fls. 6 a 38). Com isso há uma redução dos custos e um aumento do lucro que confirmam a explicação do contribuinte e poderia justificar a divergência entre as declarações. Porém, a DRJ ao invés de julgar a lide com base no lançamento e impugnação, entendeu que a impugnação consistia em pedido de retificação e que não tinha competência para apreciar tal pedido. Pior que isso, ao perceber a evidente divergência entre a receita de revenda de mercadoria e o custo dos bens vendidos, tal como explicitou na fl. 179, entendeu que deveria encaminhar o processo para que a DRF investigasse os efetivos custos. Com isso, ao invés de julgar a lide, determinou fiscalização de matéria diferente da lançada. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 13 12 Feita a diligência solicitada, a DRJ considerou improcedente a impugnação porque entendeu que os custos não foram comprovados. Assim, acabou julgando a própria fiscalização que determinou e não a lide originariamente apresentada. Por tais razões, a decisão da DRJ é nula. No entanto, apesar da nulidade da decisão recorrida, a matéria pode ser decidida favoravelmente ao contribuinte, pois o exame da DIPJ e sua retificadora demonstram que a divergência entre a DIPJ retificada e a DCTF decorre de erro na primeira, que não informou as aquisições do período e, portanto, informou seus custos a menor e, em conseqüência, seu lucro a maior. Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Está bem claro que a decisão ora recorrida, embora tenha tratado de alguns aspectos que, segundo ela, poderiam ensejar a declaração de "nulidade" da decisão de primeira instância administrativa (e não do lançamento), cancelou a autuação fiscal pelo julgamento de seu mérito. Em relação às divergências entre DIPJ e DCTF, ela registra que, "de fato, analisandose a DIPJ juntada ao processo pela fiscalização, percebese que não há qualquer informação sobre as compras do período (proc. fls. 6 a 38). Com isso há uma redução dos custos e um aumento do lucro que confirmam a explicação do contribuinte e poderia justificar a divergência entre as declarações." Além disso, a decisão ora recorrida afirma que "o exame da DIPJ e sua retificadora demonstram que a divergência entre a DIPJ retificada e a DCTF decorre de erro na primeira, que não informou as aquisições do período e, portanto, informou seus custos a menor e, em conseqüência, seu lucro a maior." Também é oportuno destacar que o próprio despacho decisório que rejeitou os embargos de declaração contra a decisão ora recorrida, consignou que "a declaração de nulidade da decisão de 1ª instância deixou de ser promovida em virtude da possibilidade de se decidir o mérito em favor do sujeito passivo, em clara referência ao disposto no art. 59, §3º do Decreto nº 70.235/72." O que se vê, portanto, é que a motivação do lançamento não subsistiu, que seu fundamento foi afastado claramente num julgamento de mérito. O que se vê também é que o saneamento do vício apontado pela decisão ora recorrida em relação ao lançamento, se isso fosse possível (já que estaríamos adentrando em aspectos de valoração de prova, o que extrapola o âmbito do recurso especial), demandaria ajustes nos aspectos essenciais da relação jurídica, especificamente no que toca ao dimensionamento da base de cálculo (cômputo de custos/despesas), o que também confirma que o problema aqui não é de natureza meramente formal. Não há dúvida de que o problema apontado pela decisão ora recorrida em relação ao lançamento está situado na própria essência da relação jurídicotributária, na não comprovação da ocorrência do fato gerador do IRPJ, no errado dimensionamento de sua base de cálculo, mais especificamente na falta de cômputo de custos/despesas que apenas não estavam registrados na DIPJ/original. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 14 13 Por tudo o que se disse, não há como vislumbrar no problema que ensejou o cancelamento do lançamento um vício de natureza formal. Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 316DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.901912/2008-27
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO.
O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal.
PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO.
Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.073
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Júlio César Alves Ramos, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise dos novos documentos juntados pelo sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Recorrente AUTOTRAC COMÉRCIO E TELECOMUNICAÇOES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 19 12 /2 00 8- 27 Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10166.901912/200827 Acórdão n.º 9303005.073 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Júlio César Alves Ramos, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise dos novos documentos juntados pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3803000.957, de 28/10/2008, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA AUSÊNCIA DA ESCRITURAÇÃO A ausência nos autos de material comprobatório consistente na escrituração contábil e fiscal que justifique a redução da base de cálculo da contribuição na DCTF retificadora, impede formar convicção sobre as alegações de existência de crédito. Contra a decisão, a contribuinte apresentou embargos de declaração, que, acolhidos, mas sem modificação do julgamento, resultou em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão somente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Embargos Acolhidos Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10166.901912/200827 Acórdão n.º 9303005.073 CSRFT3 Fl. 4 3 A contribuinte, então, apresentou novos embargos, aos quais, todavia, foi negado seguimento. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto à inadmissibilidade da prova apresentada pela Recorrente, apenas no recurso voluntário, tendo sido aplicado ao caso o princípio da preclusão, à luz do que reza o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido no Acórdão nº 902001.634. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela contribuinte. Cientificada, a Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.065, de 16/05/2017, proferido no julgamento do processo 10166.900706/200808, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.065): Da Admissibilidade "Com a devida vênia ao bem fundamento voto do Ilustre Conselheiro Relator, a maioria dos membros do Colegiado divergiu do seu entendimento quanto à admissibilidade do recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte, prevalecendo o entendimento pelo prosseguimento do apelo especial. O presente processo administrativo originouse de pedido de compensação transmitido pela Contribuinte, em 11/03/2004, de créditos de COFINS decorrentes de pagamento indevido ou a maior, para liquidação de débitos próprios. Sobreveio despacho decisório não homologando o pedido de compensação, sob o fundamento de inexistência de crédito disponível para compensação com os débitos informados. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10166.901912/200827 Acórdão n.º 9303005.073 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendose insurgido a Contribuinte por meio de manifestação de inconformidade, a DRJ entendeu por manter a não homologação da compensação em razão do saldo insuficiente para compensar e, ainda, acrescentou os seguintes argumentos: a Contribuinte não trouxe aos autos elemento de prova de erro material no preenchimento da DCTF; e a simples apresentação das cópias da DIPJ e da DCTF, bem como de planilha elaborada pelo Sujeito Passivo, sem a devida escrituração, não são suficientes para comprovar as suas alegações. Em sede de julgamento de recurso voluntário, sobreveio o acórdão nº 380300.949, ora recorrido, que lhe negou provimento em razão da ausência de provas nos autos, consistente na escrituração contábil e fiscal da empresa, que justificassem a redução da base de cálculo da contribuição na DCTF retificadora, conforme trecho destacado acima pelo nobre Relator, in verbis: [...] No entanto, a contribuinte não trouxe aos Autos material probatório que comprovasse o erro cometido no preenchimento da DCTF, o que demonstraria a existência do crédito alegado referente ao DARF recolhido, bem como a possibilidade de utilizálo para quitar os débitos apurados em outros períodos. Apresentar apenas cópias da DIPJ, da DCTF e da planilha elaborada pela própria contribuinte, sem a devida escrituração, não é suficiente para comprovar as alegações da contribuinte, não sendo, portanto, capaz de "desconstituir o que foi constituído". [...] Opostos embargos de declaração pela Contribuinte, a decisão de negativa de provimento ao recurso voluntário foi complementada, nos termos do acórdão nº xxx, para acrescentar considerações quanto aos documentos e esclarecimentos trazidos aos autos sobre o equívoco das informações prestadas em DCTF, in verbis: [...] Compulsando o voto condutor da decisão embargada, há que se dar razão à Embargante, já que, aparentemente, o relator limitou se a refutar o poder probante das provas acostadas aos autos até o momento processual da Manifestação de Inconformidade, sem nada acrescentar quanto aos documentos e esclarecimentos trazidos aos autos no recurso voluntário, no sentido de evidenciar o erro cometido nas informações prestadas em DCTF. [...] Talvez tal omissão expliquese pela preclusão temporal que se operou. É que, de acordo com as normas processuais, é na manifestação de inconformidade que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10166.901912/200827 Acórdão n.º 9303005.073 CSRFT3 Fl. 6 5 As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. [...] Este colegiado já teve oportunidade de manifestarse nesse sentido, por meio do Acórdão nº 380302.042, de 6 de outubro de 2011: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004 ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Ainda que, por liberalidade injustificada, se conhecesse dos documentos aportados aos autos intempestivamente, o recorrente o recorrente não se preocupou em identificar, inequivocamente, a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, limitandose a apresentar planilha de demonstração do valor recolhido a maior de cálculo e demonstrativos outros, sem resguardo de qualquer formalidade e, principalmente, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada. [...] Conforme se depreende da fundamentação do acórdão que acolheu os embargos de declaração, não houve alteração do resultado do julgamento do recurso voluntário, nem mesmo acréscimo de argumentos à decisão, mas sim restou esmiuçado e detalhado o entendimento de que a não apresentação das provas do crédito tributário em momento oportuno implica na preclusão de o contribuinte fazêlo. Além disso, no acórdão de embargos de declaração não houve a apreciação dos documentos juntados com o recurso voluntário, conforme pretendia o Recorrente, mas simplesmente foram listados e concluiu o julgador, nos mesmos termos do acórdão então embargado, ser imprescindível a juntada de escrita fiscal e contábil para comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pretendido compensar. A Contribuinte interpôs, ainda, novos embargos de declaração por entender que permanecia a omissão no julgado quanto à documentação apresentada, e a existência de contradição e obscuridade, tendo sido os mesmos rejeitados consoante despacho nº 3803000.154, de 21/09/2012 (fls. 581 a 584), de cujo inteiro teor extraise que: Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10166.901912/200827 Acórdão n.º 9303005.073 CSRFT3 Fl. 7 6 [...] Inexiste no acórdão embargado qualquer omissão a reclamar o acolhimento dos presentes embargos, pois tanto os fatos quanto os fundamentos da decisão foram expostos de forma clara, concisa e nítida. Digno de nota, a decisão recorrida enfrentou expressamente a questão, ao declinar que os documentos apresentados na manifestação de inconformidade não eram hábeis e suficientes para atestar a liquidez e certeza dos créditos opostos em compensação e que a documentação aportada aos autos juntamente com o recurso voluntário, ainda insuficiente para o mesmo fim, não seria conhecida em razão de sua intempestividade. Inexiste vício a sanar na decisão embargada. [...] Portanto, com a devida vênia ao entendimento contrário, um único fundamento prevaleceu para negar provimento ao recurso voluntário: a não apresentação de documentos hábeis a comprovar a pretensão compensatória da empresa quando da apresentação da manifestação de inconformidade, nesses compreendidos a escrita fiscal e contábil, acarreta a preclusão e impede o julgador de formar convicção quanto ao direito creditório. Não há de se falar, assim, em fundamentos autônomos e suficientes, cada um por si só, para manutenção da decisão recorrida. O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte face à negativa de provimento ao recurso voluntário, atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e reproduzido na Portaria MF nº 343/2015, devendo ter prosseguimento. Ao invocar a existência de dissenso jurisprudencial quanto à "inadmissibilidade da prova apresentada pela Recorrente, apenas no recurso voluntário, tendo sido aplicado ao caso o princípio da preclusão", colacionou o acórdão paradigma nº 902001.634, comprovando a divergência de entendimentos, conforme se extrai da ementa do julgado paradigmático: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1999 APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL E PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, a impugnação fixará os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10166.901912/200827 Acórdão n.º 9303005.073 CSRFT3 Fl. 8 7 No entanto, a noção de preclusão não pode ser levada às últimas conseqüências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material. Recurso especial negado. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. Diante do exposto, entendeu a maioria do Colegiado por conhecer do recurso especial da Contribuinte, nos termos do voto que me coube redigir apenas quanto à admissibilidade do recurso." Do Mérito (...) Todavia, como este não foi o entendimento da Turma, aderimos à tese prevalecente quanto ao mérito do litígio, uma vez que, no caso, a Recorrente sequer foi intimada a apresentar provas do direito que alegava seu antes de proferido o Despacho Decisório, em desconformidade com o que preceitua o art. 3º, III, da Lei nº 9.784, de 1999. Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, determinando o envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 558DF CARF MF
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