Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,733)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10218.720646/2014-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
INCENTIVOS FISCAIS ICMS. COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Demonstrado que o recorrente ofereceu os valores dos créditos de ICMS à tributação, insubsiste a acusação fiscal de não oferecimento à tributação dos benefícios.
Numero da decisão: 1401-002.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. A Conselheira Lívia De Carli Germano acompanhou o voto pelas conclusões. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarou-se impedido.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 INCENTIVOS FISCAIS ICMS. COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o recorrente ofereceu os valores dos créditos de ICMS à tributação, insubsiste a acusação fiscal de não oferecimento à tributação dos benefícios.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10218.720646/2014-29
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5764322
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-002.005
nome_arquivo_s : Decisao_10218720646201429.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10218720646201429_5764322.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. A Conselheira Lívia De Carli Germano acompanhou o voto pelas conclusões. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarou-se impedido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarou-se impedido.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6911261
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468533735424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1569; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 10.280 1 10.279 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10218.720646/201429 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.005 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2017 Matéria IRPJ INCENTIVOS FISCAIS ICMS Recorrente SIDEURGICA NORTE BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 INCENTIVOS FISCAIS ICMS. COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o recorrente ofereceu os valores dos créditos de ICMS à tributação, insubsiste a acusação fiscal de não oferecimento à tributação dos benefícios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. A Conselheira Lívia De Carli Germano acompanhou o voto pelas conclusões. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarouse impedido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarouse impedido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 06 46 /2 01 4- 29 Fl. 10285DF CARF MF 2 Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da decisão de Piso. I – DOS ATOS ADMINISTRATIVOS – fls. 02 a 34 Foram lavrados os autos de infração para exigência do IRJP e CSLL, referentes aos anos calendário de 2010, no total de R$ 26.694.156,16, sob o fundamento de resultados escriturados e não declarados referentes a crédito presumido de tributo estadual não considerado no cálculo da correspondente dedução da receita bruta. O Termo de Verificação Fiscal, depois de apresentar histórico dos procedimentos fiscais, registra que: “20. Em análise à Escrituração Contábil Digital (ECD) transmitida pelo sujeito passivo no curso da corrente ação fiscal e, em obediência ao Decreto nº 6.022, de 2007, foi constatado que houve falha na apuração da dedução declarada por meio da Linha 11. () ICMS da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral da DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOS FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA (DIPJ): R$ 69.754.554,43, na forma do que se passa a explicitar. 21. Digase de passagem, o valor mencionado consta tanto na declaração transmitida antes do início da ação fiscal como naquela apresentada à autoridade que presidiu a ação fiscal em virtude da recuperação da espontaneidade da fiscalizada. 22. Por oportuno, esclarecese que, por meio da Resolução n° 001/2010 (segue documento anexo) da COMISSÃO DA POLÍTICA DE INCENTIVOS AO DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO DO ESTADO DO PARÁ, foi concedido benefício fiscal conhecido como crédito presumido de ICMS para o contribuinte, o qual foi calculado sobre o débito fiscal do tributo. O artigo 3° da referida Resolução disciplina a forma como será calculado o referido crédito, conforme abaixo: (...) 23. Em cumprimento a obrigação acessória estabelecida pela referida resolução estadual, consta no plano contábil da fiscalizada as contas de ns° 341100 – “Crédito presumidos de ICMS Dec. 2.738” e 323110 “Crédito presumidos de ICMS Dec. 2.738”. 24. Ao se observar o comportamento dessas contas, constatase que a cada venda contemplada pelo benefício fiscal era lançamento a credito na conta 323110 com contrapartida na conta do passivo de n° 213000 – “ICMS a Recolher”, o que reduzia o valor da dívida do sujeito passivo com o ente estadual por força do benefício citado. 25. Em seguida, ao fim de cada mês, era feito novo lançamento com o intuito de transferir o montante apurado de crédito presumido no período para a conta 341100, isto é debitavase a conta de registro das operações (323110) com contrapartida na conta de apuração (341100). Notese que todo procedimento relatado até então está em prefeita consonância com as exigências do fisco federal. Fl. 10286DF CARF MF Processo nº 10218.720646/201429 Acórdão n.º 1401002.005 S1C4T1 Fl. 10.281 3 26. Ocorre, contudo, que, por ocasião do encerramento do ano calendário, o saldo final da conta 341100:R$ 60.144.004,01, o qual apura o montante integral do benefício concedido pelo fisco estadual foi transferido diretamente para a conta 244000 – “Lucros e Prejuízos Acumulados”, ou seja, não transitou pelo resultado do exercício. 27. Paralelamente, por meio da conta registrada sob o n° 323100 – “ICMS sobre Vendas” foram registradas todas as operações realizadas pela fiscalizada que constituíram base de cálculo do IMPOSTO SOBRE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS E SERVIÇOS (ICMS). Registrese que, ao final do período foi transferido ao resultado do exercício um montante de R$ 69.754.554,43, ou seja, a soma dos débitos do tributo estadual, o que obviamente reduziu a base decálculo do IRPJ e a da CSLL. 28. Em resumo, o sujeito passivo ao apurar seu resultado operacional levou em conta os débitos de ICMS, mas não os correspondentes créditos presumidos. 29. Ainda, o comportamento da conta de n° 213000 – “ICMS a Recolher” corroborou o que já foi explicitado no item anterior, i.e, o real dispêndio com o tributo estadual (calculado da seguinte forma: saldo final da conta + total de baixas, pagamentos, compensações, etc saldo inicial da conta) é compatível com a diferença entre os débitos com o ICMS e o crédito presumido. 30. Simplificandose, a questão resumese a integração ou não do montante apurado como crédito presumido do ICMS no cálculo da dedução da receita bruta e por consequência na receita operacional líquida. Em outras palavras, se o valor do benefício fiscal estadual deve ou não ser subtraído dos débitos com o imposto estadual a fim de se calcular o resultado operacional. 31. Sobre o tema, trazemos ao debate a inteligência do Acórdão DRJ Nº 16 59047 de 2014 da DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO DE SÃO PAULO: (...) 32. Percebase que o crédito presumido de ICMS deve sim ser considerado no cálculo da dedução da receita bruta. Entretanto, quando o benefício for vinculado a aquisição de bens e direitos referentes a implantação ou expansão de empreendimento econômico projetado, o valor deste investimento pode ser excluído por meio do LALUR e da Linha 57. () Doações e Subvenções para Investimento da Ficha 09A – Demonstração do Lucro Real – PJ em Geral da DIPJ. 33. Contudo, o benefício em questão não está vinculado a nenhum projeto de implantação ou investimento. Tampouco a suposta exclusão foi apurada no livro fiscal (LALUR) ou na declaração pertinente (DIPJ). 34. Dessa forma, o sujeito passivo deduziu ao calcular sua receita operacional líquida e por consequência seu resultado operacional um montante de R$ 69.754.554,43, quando somente poderia informar R$ 9.610.550,42 na referente linha da DIPJ. 35. Tal conduta configura omissão no cálculo do resultado operacional no valor de R$ 60.144.004,01.” A fiscalização informa ainda que foi realizada de ofício a compensação de prejuízo fiscal/base de cálculo negativa de períodos anteriores, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal. Fl. 10287DF CARF MF 4 Esclarece que a fiscalizada goza de benefício fiscal de isenção de IRPJ em montante calculado por meio do lucro da exploração de fabricação e venda de aço. No entanto, complementa que não há possibilidade de recomposição do lucro da exploração por falta de amparo legal. Entretanto, continua, como houve diferença entre o benefício calculado R$ 11.297.321,55 e o utilizado (na verdade R$ 10.387.284,48, pois o valor do imposto de renda a pagar somente pode ser negativo por excesso de valores efetivamente recolhidos), coube à autoridade deduzir o valor possível: R$ 910.037,07. II – DA DEFESA fls. 9.580 a 9.592, Em sua peça de defesa, a interessada, depois de tecer considerações sobre a tempestividade e os fatos que originaram a autuação, afirma que, diversamente do sustentado no Demonstrativo de Apuração, comprovou documentalmente na Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica que efetuou o lançamento contábil do crédito presumido do ICMS, objeto do incentivo, complementando: “9. Em sua apuração, o auditor fiscal autuou a Impugnante por não ter descontado, na “linha”, da ficha 6 A, da DIPJ – que se refere ao lançamento contábil dos valores de ICMS – a quantia relacionada às atividades desenvolvidas pela pessoa jurídica e que foi objeto de benefício pelo regime de tratamento tributário diferenciado concedido pelo Governo do Estado do Pará, no valor total de R$ 60.144.004,01. 10. Ocorre que a referida quantia, que não foi deduzida pela impugnante na “linha 11” de sua DIPJ (DOC. 05), foi efetivamente deduzida na “linha 17” da mesma ficha 6 A, quando a Impugnante deixou de acrescentar o referido valor em seus custos de produção dos bens e serviços vendidos (Linha 17), senão vejase: 11. De fato, a “Linha 17”, que trata do “Custo dos Bens e Serviços Vendidos”, deveria ter o valor de R$ 414.884.057,95, conforme registros no SPED contábil e Balanço (DOC. 08), e conforme detalhado do quadro abaixo: Fl. 10288DF CARF MF Processo nº 10218.720646/201429 Acórdão n.º 1401002.005 S1C4T1 Fl. 10.282 5 12. Portanto, a partir de uma rápida análise no Balancete contábil de 2010, bem assim do SPED Contábil da Impugnante, constatase que não houve qualquer irregularidade, e que, ao invés de contabilizar uma dedução de ICMS (no valor de R$ 60.144.004,01) na “linha 11”, acima reproduzida, a impugnante contabilizou a redução na “linha 17”, como demonstrado. 13. Nesse sentido, quer o valor do credito presumido de ICMS (R$ 60.144.004,01, tenha sido debitado na linha 17 da ficha 6 A, como ocorrido, ou na linha 11 da mesma ficha, como entendido pelo fiscal, de qualquer modo seria deduzido de suas receitas, como de fato foi, não tendo impacto algum no cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica. 14. Portanto, ao contrário do que aduzido pelo auditor fiscal, o crédito presumido do ICMS foi sim considerado no cálculo da dedução da receita bruta. Apenas isso se deu na linha 17, e não na linha 11, conforme demonstrado. 15. Não há, pois, que se falar em “RESULTADOS ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS”, como fundamente o auditor fiscal. 16. Ademais disso e, sobretudo, é de se reforçar que, em nenhum momento houve prejuízo ao fisco, uma vez que todo o valor do ICMS decorrente do Incentivo Fiscal (R$60.144.004,01) foi submetido à tributação pelo IRPJ e CSLL, mesmo quando nem precisaria sêlo, uma vez que já é pacífico o entendimento de que não incidem IRPJ ou CSLL sobre os Incentivos Fiscais caracterizados como Subvenções para Investimento. 17. Sobre essa questão, o valor do IRPJ foi pago mediante compensação integral com o Incentivo do Lucro da exploração, consoante se mostra por meio dos documentos anexos. Já a CSLL sobre a base de cálculo ora apurada foi devidamente recolhida, conforme se demonstra através dos comprovantes de arrecada anexos (DOC. 09).” No tópico IV a interessada defende a não tributação do incentivo fiscal de ICMS como subvenção para investimento, assinalando que o incentivo por ela recebido enquadrase com subvenção para investimento, em que pese ter oferecido à tributação todo o montante a ele relativo. Ao final protesta pela produção de provas, inclusive a pericial. Para tanto, indica assistente técnico. III – DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Fl. 10289DF CARF MF 6 Mediante a Resolução 1.908, de 30 de abril de 2015, o julgamento foi convertido em diligência para que a fiscalização examinasse os registros contábeis da impugnante notadamente no que diz respeito à composição dos seus custos, com o objetivo de se verificar a efetiva dedução do valor indicado, bem como se houve o recolhimento do IRPJ e da CSLL. Em atendimento à citada Resolução, a fiscalização intimou a empresa para prestar esclarecimentos. Depois de analisar o entendimento apresentado em resposta à intimação, a fiscalização concluiu que a) foi deduzido do Lucro Líquido o valor de R$ 69.754.554,43 (encargo de ICMS); b) o saldo de R$ 60.144.004,01 é transferido para a conta 244000 (Lucro e Prejuízo Acumulado) e não para contas de resultado. Ou seja, as contas de ICMS Presumido só envolvem contas do Balanço Patrimonial, que são as contas 21300 (ICMS a Recolher e conta 24400 (Lucro/Prejuízo Acumulado); c) no valor de R$343.775.000,08, indicado como Custos da Atividade em Geral, não foi utilizado nem o ICMS presumido nem o ICMS sobre vendas; d) Encontramos também como subtração do lucro o valor de R$ 69.754.554,43 (encargo de ICMS), porém o valor de ICMS presumido (benefício fiscal) não é contabilizado; e) Não é seguro supor que este valor de ICMS Presumido, de grande valor (mais de R$ 60 milhões), não seja indicado no cálculo do Lucro Líquido Antes da CSLL da DIPJ, LALUR entre outros. No SPED Contábil este mesmo valor tramita apenas nas contas de Balanço Patrimonial e não tramita pelas contas de Estoque, Custo do Produtos Vendidos, Produto Acabado, Matéria Prima e ICMS sobre Vendas. Em contraposição, a interessada argumenta que: “A grande questão da autuação fiscal paira no entendimento de que os valores registrados nas contas 341100 e 323110, a título de registro do crédito presumido de ICMS, não foram computados no resultado, visto que tais valores foram transferidos para conta 244000 – Lucro/Prejuízos Acumulados, conta esta pertencente ao grupo de patrimônio líquido. Novamente venho afirmar que os valores registrados a título de crédito presumido de ICMS foram computados no resultado da empresa. Cabe destacar, fato não observado pelos auditores, que o registro de transferência de saldo da conta 341100 – Credito Presumido ICMS para a conta 244000 – Lucro/Prejuízo Acumulado se trata de lançamento de encerramento de exercício conforme podemos observar no próprio SPED Contábil: De acordo com as normas de contabilidade, ao final de cada exercício, todos os saldos registrados nas contas de resultado são zerados e transferidos para as contas de Patrimônio Líquido. Dessa forma, para todos os saldos das contas de resultado foi gerado um lançamento contábil a título de encerramento do exercício conforme demonstro com os exemplos abaixo: Fl. 10290DF CARF MF Processo nº 10218.720646/201429 Acórdão n.º 1401002.005 S1C4T1 Fl. 10.283 7 Quanto a informação do valor do Crédito Presumido na ficha 6A da DIPJ, mais uma vez informo que o valor foi alocado na linha 17. Segue abaixo composição dos valores mais relevantes informados na linha 17: Da análise da impugnação junto com os elementos de autuação a DRJ/BHE emitiu a seguinte decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERÍSTICAS A subvenção para investimento apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, Fl. 10291DF CARF MF 8 a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como subvenção para investimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 PEDIDO DE PERÍCIA Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando esta providência revelase prescindível para instrução e julgamento do processo. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. As subvenções correntes, para custeio ou operação, devem ser computadas na determinação do lucro operacional, visto que, para fins tributários, elas são consideradas como receitas operacionais. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2010 LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento decorrente com os quais compartilha o mesmo fundamento de fato e para o qual não há outras razões de ordem jurídica que lhes recomenda tratamento diverso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão da Delegacia de Julgamento a empresa apresentou Recurso Voluntário às fls. 9839/9862, na qual aduziu o seguintes argumentos: Que possui incentivo fiscal de ICMS concedido pelo Governo do Estado do Pará, conforme Lei nº 6.913/2006, Decreto nº 2.490/2006 e Resolução 001/2006 e que tal incentivo caracteriza subvenção para investimento por terem destinação específica imposta pelo Poder Público e estarem contabilizadas em reserva de capital. Apresenta Parecer Normativo CST nº 112/78 que trata do assunto. Que a recorrente contabilizou o valor dos créditos presumidos de ICMS concedidos como subvenção para investimento na conta de reserva de capital, do que não foi questionado. Apresenta trecho da Lei nº 6.913/2006 do Governo do Pará, no qual em seu art. 1º, § 3º, informa que os incentivos previstos nesta lei consideramse como subvenção governamental para investimento. Que recebeu o incentivo em virtude da instalação de uma usina siderúrgica no Pará. E que a partir da sua instalação e do recebimento destes incentivos aumentou significativamente a quantidade de empregados da empresa. Fl. 10292DF CARF MF Processo nº 10218.720646/201429 Acórdão n.º 1401002.005 S1C4T1 Fl. 10.284 9 Que no período do recebimento deste incentivo realizou a aquisição de bens relativos ao ativo imobilizado em montantes vultosos conforme planilha do imobilizado dos anos de 2006 a 2010 e, por isso, alega que tal crescimento somente foi possível com a utilização dos incentivos de subvenção para investimento por crédito presumido do ICMS. Alega que os valores dos incentivos foram oferecidos à tributação conforme se demonstra do relatório do sistema SAP. Por fim, requer a realização de perícia para confirmar suas alegações e requer o provimento de seu recurso e a improcedência total da autuação. É o relatório do necessário. Fl. 10293DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. Quanto à solicitação do recorrente de realização de perícia, entendo por desnecessária, visto que a matéria probatória a ser coligida depende apenas da apresentação das provas da forma de utilização do benefício por parte da empresa e não de algum conhecimento técnico específico que necessite de auxílio pericial. Assim, neste ponto, voto por não admitir o pedido de perícia. Para analisar o presente caso há de se tentar buscar a resposta a uma indagação simples: Os recursos oriundos da renúncia de receita de ICMS estabelecido pela Lei do Governo do Estado do Pará que, em tese, seriam objeto de subvenção para investimento foram efetivamente utilizados pela empresa para a realização de investimento ou foram objeto de gastos de custeio pela empresa? Tal resposta é imprescindível à nossa análise haja vista que o tratamento tributário a ser conferido a cada tipo de despesa é diverso consoante os seguintes dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda: Subseção V Subvenções e Recuperações de Custo Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); II as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, quando dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso III); III as importâncias levantadas das contas vinculadas a que se refere a legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (Lei nº 8.036, de 1990, art. 29). Seção IV Subvenções para Investimento e Doações Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): Fl. 10294DF CARF MF Processo nº 10218.720646/201429 Acórdão n.º 1401002.005 S1C4T1 Fl. 10.285 11 I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Neste ponto merece destaque verificar as alegações da empresa em relação ao fato de ter contabilizado os créditos presumidos de ICMS como custo da mercadoria durante o exercício e, no final, ter informado este na linha de dedução da receita bruta e ter realizado a exclusão, nos custos das mercadorias vendidas, da parcela do ICMS que era relativa ao crédito presumido. Tal constatação implicaria, em verdade que a empresa não utilizou indevidamente o benefício já que em vez de contabilizar os créditos como redução do ICMS incidente sobre as vendas, teria contabilizado este valor junto ao custo das mercadorias e, quando do preenchimento da DIPJ, excluiu o valor do CMV e informou na linha de ICMS sobre vendas. Utilizamos para a verificação as informações constantes das notas explicativas ao balanço emitidas pela empresa de auditoria externa KPMG. Nelas encontramos as seguintes informações que detalham o tratamento do crédito presumido de ICMS e informam como a sua contabilização foi feita conforme acima. Planilha de fls. 10168/10172 Notas explicativas da DRE do ano de 2009 Item (j) fls. 10125 Notas explicativas reversão do lançamento em custos fls. 10123 (j) Impostos sobre faturamento: corresponde a crédito de imposto sobre a circulação de mercadoria e serviços ICMS, anteriormente apresentado na linha de Impostos sobre faturamento, reclassificado para custos dos produtos vendidos, para fins de melhor apresentação dada sua natureza nos termos do CPC 23. Com base nestas informações elaboramos exemplos de contabilização dos referidos créditos para empresas normais, empresa com crédito presumido contabilizado da forma normal e com o crédito presumido contabilizado junto ao CMV. Vejamos os exemplos abaixo: EMPRESA INCENTIVADA CMV s/créd CMV c/créd RB 10.000,00 10.000,00 () ICMS s/vendas 1.000,00 1.000,00 (+) Créd Presumido 500,00 RL 9.500,00 9.000,00 () CMV 8.000,00 7.500,00 Lucro 1.500,00 1.500,00 Fl. 10295DF CARF MF 12 EMPRESA Não Incentivada DRE RB 10.000,00 () ICMS s/vendas 1.000,00 RL 9.000,00 () CMV 8.000,00 Lucro 1.000,00 Como se por demonstrar dos exemplos acima o efeito quando se considera a contabilização do crédito juntamente ao CMV a apuração do resultado não sofre influência quer seja contabilizado junto ao CMV ou da forma tradicional como redutor do ICMS sobre as vendas. Para melhor robustecer o entendimento em relação à empresa especificamente, apresentamos um comparativo entre os valores da apuração do resultado informados na DIPJ e o resultado apurado pelas demonstrações financeiras da empresa. DIPJ CONTABIL receita liquida DIPJ 491.381.069,91 479.117.000,00 custo DIPJ 343.775.000,00 343.775.000,00 lucro bruto 147.606.069,91 135.342.000,00 demais (receitas e despesas) 204.577.414,07 135.342.000,00 lucro líquido 56.971.344,16 48.811.000,00 DIPJ LUCRO ANTES DA CSLL DIPJ 54.164,00 CSLL 3.748,00 LUCRO LIQUIDO 50.416,00 BALANÇO LUCRO ANTES DA CSLL BAL. 54.165,00 CSLL ANO 3.748,00 CSLL DIFERIDA 1.606,00 LUCRO LIQUIDO 48.811,00 DIFERIDO 1.605,00 Como se pode observar, mesmo realizando a contabilização de forma não usual dos créditos presumidos de ICMS, estes não foram utilizados como redução do resultado do exercício, vez que se demonstra que valor do lucro líquido antes da CSLL foi idêntico tanto no balanço da empresa, quanto na DIPJ, embora as informações tenham sido apresentadas de maneira diferente. Ou seja, mesmo por vias transversas, que podem até ser questionadas tecnicamente, os valores dos créditos presumidos de ICMS não influenciaram no resultado do exercício no ponto em que, sua informação como dedução de vendas foi neutralizada pela exclusão de sua contabilização inusual como custo das mercadorias vendidas. Fl. 10296DF CARF MF Processo nº 10218.720646/201429 Acórdão n.º 1401002.005 S1C4T1 Fl. 10.286 13 Assim, tendo em vista que, apesar de toda a dificuldade, conseguimos demonstrar que a peculiar forma de contabilização dos créditos presumidos de ICMS não foi utilizada como redução da apuração do resultado da empresa, não nos resta outra solução que não a de considerar procedente o recurso voluntário quando alega que os créditos presumidos não foram utilizados como redução do resultado do exercício e, assim, improcede a glosa realizada. De todo o exposto, voto no sentido de dar integral provimento ao recurso voluntário. Abel Nunes de Oliveira Neto Fl. 10297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35166.000064/2006-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/08/2005
EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°.
Numero da decisão: 2301-005.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos embargos de declaração, com o objetivo de sanar o erro material e considerar decaídos os lançamentos anteriores a 11/2000 (inclusive).
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fábio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício).
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 31/08/2005 EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 35166.000064/2006-04
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5766600
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2301-005.075
nome_arquivo_s : Decisao_35166000064200604.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : FABIO PIOVESAN BOZZA
nome_arquivo_pdf_s : 35166000064200604_5766600.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos embargos de declaração, com o objetivo de sanar o erro material e considerar decaídos os lançamentos anteriores a 11/2000 (inclusive). (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fábio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
id : 6922063
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468565192704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1673; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 3.173 1 3.172 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35166.000064/200604 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2301005.075 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de julho de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado TERCEIRIZA SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/08/2005 EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos embargos de declaração, com o objetivo de sanar o erro material e considerar decaídos os lançamentos anteriores a 11/2000 (inclusive). (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 16 6. 00 00 64 /2 00 6- 04 Fl. 3173DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fábio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício). Relatório Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 230200.983, de 14/04/2011. A Fazenda Nacional alega erro material na decisão, uma vez que há equivoco no período considerado decaído. Por meio do despacho exarado em 09/02/2012, o presidente da turma admitiu os presentes embargos para julgamento. É o relatório Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Com razão a Embargante. De fato, considerando a cientificação do sujeito passivo, que se deu em 30/12/2005 (fls. 3), e a aplicação do art. 150, §4º do CTN, estaria alcançado pela decadência o período até 11/2000 (inclusive) e não até 11/2001, conforme constou no acórdão embargado. Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer e dar provimento aos embargos de declaração, com o objetivo de sanar o erro material e considerar decaídos os lançamentos anteriores a 11/2000 (inclusive). É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Relator Fl. 3174DF CARF MF Processo nº 35166.000064/200604 Acórdão n.º 2301005.075 S2C3T1 Fl. 3.174 3 Fl. 3175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.003095/2005-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
No Processo Administrativo Fiscal (PAF), aprecia-se a legalidade ou não do despacho decisório, sendo vedado ao órgão julgador trazer nova fundamentação legal que não constava do despacho original. Deve-se anular a decisão da primeira instância para a realização de novo julgamento adstrita aos fundamentos trazidos no despacho decisório que decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação.
Recurso voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3201-003.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes no despacho decisório.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No Processo Administrativo Fiscal (PAF), aprecia-se a legalidade ou não do despacho decisório, sendo vedado ao órgão julgador trazer nova fundamentação legal que não constava do despacho original. Deve-se anular a decisão da primeira instância para a realização de novo julgamento adstrita aos fundamentos trazidos no despacho decisório que decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação. Recurso voluntário Parcialmente Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11543.003095/2005-15
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5761158
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-003.032
nome_arquivo_s : Decisao_11543003095200515.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11543003095200515_5761158.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes no despacho decisório. Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6902458
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468570435584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1703; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11543.003095/200515 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.032 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria COFINS Recorrente EISA EMPRESA INTERAGRÍCOLA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No Processo Administrativo Fiscal (PAF), apreciase a legalidade ou não do despacho decisório, sendo vedado ao órgão julgador trazer nova fundamentação legal que não constava do despacho original. Devese anular a decisão da primeira instância para a realização de novo julgamento adstrita aos fundamentos trazidos no despacho decisório que decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação. Recurso voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes no despacho decisório. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 30 95 /2 00 5- 15 Fl. 1284DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Tratase de reconhecimento de direito creditório de Cofins decorrente do regime de nãocumulatividade, no período de 01/07/05 a 30/09/05, no valor de R$4.114.874,46 (fl. 03), para fins de compensação. A autoridade fiscal decidiu A autoridade fiscal decidiu (fl. 193) homologar parcialmente as compensações efetuadas, porque entendeu que a contribuinte não possuía o direito creditório no montante declarado. Reconheceu, no entanto, o valor de R$3.262.889,51, argumentando por meio do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 2.980/09 (fls. 255 e ss), em resumo, que: 1. a requerente tem por objeto social o comércio atacadista de café, comércio atacadista de algodão em pluma, fabricação de óleos vegetais e fiação de fibras de algodão, todas atividades com vendas no mercado interno e no mercado externo; 2. em razão da atividade desenvolvida e tendo em vista a apuração do IRPJ com base no lucro real no ano calendário 2005, neste ano ficou sujeita ao regime de incidência nãocumulativa da contribuição para a Cofins; 3. a contribuinte informou despesas (manutenção e reparos) não passíveis de aproveitamento de crédito, visto que não se enquadraram na definição de insumos esboçada pela legislação tributária, e em outras situações, não discriminou os serviços efetivamente incorridos; 4. há compras de mais de 200 diferentes fornecedores, porém uma amostragem de mais de 80% das compras de café acabou por definir análise da situação dos 29 maiores fornecedores; 5. aproximadamente 94% destes fornecedores analisados, enquadramse como pessoas jurídicas que se declararam à Receita Federal do Brasil em situação de inatividade, ou simplesmente estão omissas perante o órgão, outras ainda, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular, eis que a receita declarada é totalmente incompatível com o valor das vendas realizadas, isto considerando apenas as operações mercantis com a requerente; 6. se tomados os valores de aquisição que foram declarados, das empresas analisadas, o percentual de aquisições que, em tese, sofreu a incidência da Cofins na etapa anterior é de impressionantes 9,18%, sublinhando que o levantamento se contentou em esquadrinhar apenas os valores declarados, independentemente do efetivo recolhimento de tais exações; 7. no caso examinado há presunção de que a abertura destas "pessoas jurídicas" era meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 51,72% (trinta e três inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002, quando foi publicada a Medida Provisória n° 66/2002, que instituiu a nãocumulatividade para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas; 8. assim, o Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 11543.003095/200515 Acórdão n.º 3201003.032 S3C2T1 Fl. 3 3 que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas inescrupulosas, que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único propósito de "fabricar" créditos da nãocumulatividade para as contribuições em comento; 9. não se está afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse conhecimento de tal situação, ao passo que não houve investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho; 10. nesse contexto, a ausência de provas que unam a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boafé em seu favor, todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal; 11. não se concebe que a adquirente, neste ato requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual; 12. nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boafé; 13. com estes fundamentos foi providenciado o reenquadramento dessas compras, consideradas irregulares pela presente fiscalização, para aquisições de pessoas físicas garantindose o direito ao crédito presumido, de acordo com a planilha de apuração das contribuições nãocumulativas; 14. o sujeito passivo apurou créditos referentes a embalagens adquiridas, de acordo com o DACON/Demonstrativo Analítico de apuração da Cofins, referidas aquisições estão enquadradas nos CFOP de n°s 1920 e 2920, os quais se referem à entrada de sacaria e vasilhame; 15. foram desconsideradas as entradas de mercadorias sob os CFOP de n°s 1122, 2122, 1125 e 2125, visto que referidas aquisições foram contempladas no item Compras Terceiros PJ, conforme declaração do próprio contribuinte às fls. 115/116; 16. verificase, pelo somatório da documentação apresentada, que o contribuinte não logrou êxito em confirmar as despesas de aluguel informadas, razão pela qual essa diferença foi desconsiderada para fins de apuração dos créditos a descontar; 17. o contribuinte ofereceu à base de cálculo dos créditos despesas de condomínio, mas não há previsão no texto legal para a inclusão desta despesa no âmbito da despesa de aluguel, visto que possuem naturezas jurídicas distintas, desta forma, despesas de condomínio não foram consideradas como créditos passíveis de aproveitamento, tendo sido glosadas pela fiscalização; 18. procedeuse, então, à utilização dos créditos na dedução do débito da Cofins apurado no mês, além dos créditos vinculados ao mercado interno, consumiram Fl. 1286DF CARF MF 4 se, também, créditos atrelados ao mercado externo, de sorte que restou saldo credor, a ser utilizado nas compensações de outros tributos ao final do 3º Trimestre de 2005 no montante de R$3.262.889,51. Cientificada da Decisão (fl. 292), em 08/03/10, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 312 e seguintes), em 07/04/10, onde alegou, em resumo, que: 1. o Parecer DRF/VIT/SEORT n° 2.980/2009 tem razões conexas aos Pareceres DRF/VIT/SEORT n.° 2.986/2009, mister se faz o apensamento dos autos correspondentes com vistas a que sejam julgados simultaneamente, evitandose, destarte, decisões conflitantes acerca da mesma matéria; 2. teve limitado seu direito a uma parcela do crédito pleiteado sem que tenham sido dados os fundamentos para a glosa, portanto, pleiteia a nulidade do processo; 3. as despesas pagas às pessoas jurídicas responsáveis pela manutenção e reparos de seus ativos se enquadram verdadeiramente no conceito de insumos albergado pela legislação fiscal de regência; 4. o direito ao crédito da contribuição nascerá em relação a toda e qualquer aquisição de bens e serviços, desde que: (i) tratemse de elementos sem os quais a receita de vendas não se realizaria; e, (ii) não haja vedação legal à apropriação de créditos calculados sobre tais dispêndios; 5. a Requerente esclarece que as tais despesas são registradas na conta 752.600 e referemse à utilização de serviços no beneficiamento do algodão, e que anexará notas fiscais posteriormente; 6. se o art. 3º, II da Lei n.° 10.637/02, ou da Lei nº 10.833/03, não restringiu o direito ao crédito apenas para as hipóteses em que os serviços são aplicados ou consumidos na produção, o ato administrativo ora mencionado (IN nº 247/02 com redação dada pela IN º 358/03) não poderia criar este limite, sob pena de ofensa ao Princípio da legalidade, alçado a patamares constitucionais por força do art. 150, I da Constituição Federal; 7. em relação aos fornecedores inidôneos, a Requerente acosta notas fiscais, comprovantes de pagamentos e de entrada de mercadorias, que comprovam as transações elencadas pelo Sr. AFRF; 8. cumpre destacar que a Lei nº 10.637/2002, ou da Lei nº 10.833/03, não condicionou a apropriação de créditos ao pagamento do produto adquirido, mas sim a sua aquisição; 9. exigir que a Requerente tome os créditos apenas de pessoas jurídicas que estejam em dia com suas obrigações tributárias (principais e acessórias) é no mínimo paradoxal, na medida em que a Requerente não dispõe do mesmo aparato que o Fisco detém para constatar irregularidades tributárias; 10. ainda que existisse regra condicionando o crédito ao pagamento na etapa anterior, tratar seia de dispositivo absolutamente inócuo, na medida em que em virtude do sigilo fiscal (arts. 198 e 199 do CTN) não há como a Requerente constatar se seus fornecedores estão em dia com o Fisco; 11. assim, solicita o cancelamento da glosa referente às aquisições de pessoas jurídicas inidôneas; 12. o Parecer equivocouse ao glosar o crédito pleiteado pela Requerente (registrado na linha 02 da ficha 04 do DACON), na medida em que as embalagens registradas nessa linha do DACON (contabilizadas na conta 755.000) referemse àquelas consumidas na industrialização do óleo de algodão, não guardando qualquer/relação com aquelas adquiridas, sob o CFOP n°s 1.122, 2122, 1125 e 2125; 13. as demais despesas com embalagens citadas referemse às aquisições de sacaria Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 11543.003095/200515 Acórdão n.º 3201003.032 S3C2T1 Fl. 4 5 utilizada na exportação, de café (linha 01 do DACON); 14. não há registro em duplicidade e, consequentemente, não há valores à serem glosados; 15. não há como prosperar a glosa efetuada em relação à aluguel, pois todos os dispêndios encontramse devidamente suportados por recibos e comprovantes de pagamento que à Requerente anexará posteriormente; 16. os dispêndios de condomínio compõem o valor da própria despesa de aluguel e, dessa forma, também geram direito ao crédito. A Inconformada cita legislação e jurisprudência, requerendo, ao final, reconhecimento do direito de crédito e homologação das compensações efetuadas. O processo fora baixado em diligência (fl. 357) para a Unidade a quo examinar, em resumo, se há alguma repercussão, na controvérsia aqui instaurada e no crédito pleiteado, dos mesmos fatos apurados nas operações “Tempo de Colheita” e “Broca”, pedindo ainda esclarecimentos acerca de outros itens glosados. A Delegacia de origem no “Relatório Fiscal”, à fl. 680 e seguintes, responde positivamente a tal indagação, junta variados documentos, e, em síntese, justifica que: 1. a operação fiscal “TEMPO DE COLHEITA” foi deflagrada pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, que resultou na operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão; 2. no rol de supostos fornecedores da contribuinte, é importante mencionar a ACÁDIA, COLÚMBIA, DO GRÃO, L&L, J.C. BINS e V. MUNALDI, hipotéticas atacadistas de café localizadas na cidade de COLATINA, norte do ES, uns dos principais alvos na “Operação Tempo de Colheita”, deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória – ES; 3. a motivação da operação Tempo de Colheita foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras de pessoas jurídicas atacadistas – na ordem de 3 bilhões de Reais nos anos de 2003 a 2006 – e os valores insignificantes das receitas declaradas; 4. dezenove (53%) das empresas atacadistas fiscalizadas foram criadas a partir de 2002, e passaram a ter movimentação financeira crescente e vultosa a partir do ano de 2003; 5. ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispõem de funcionários para operar como atacadistas; 6. entre os documentos obtidos ao longo da operação “TEMPO DE COLHEITA” estão declarações de produtores rurais, maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada, e, ainda, documentos relacionados a tais empresas; 7. do Ministério Público e da Polícia Federal a Fiscalização recebeu documentos fiscais e contábeis em papel e meio magnético, relativos às empresas de fachada; 8. com o objetivo de colher provas sobre o modus operandi do esquema, coletouse, durante as mencionadas operações, documentos, além de realizar diligências nas atacadistas e principais empresas exportadoras de café; 9. junto aos produtores rurais foi apurado que havia uma negociação direta, ou por meio de corretores, entre os produtores rurais e tradicionais maquinistas e empresas do ramo Fl. 1288DF CARF MF 6 atacadistas, exportadoras ou indústrias, porém, nas notas fiscais apareciam como compradores pseudoatacadistas, tais como, Colúmbia, Do Grão, V. Munaldi, JC Bins, e outras; 10. os produtores rurais, via de regra, não preenchiam as notas fiscais, sendo que as mesmas eram preenchidas nos escritórios dos corretores e/ou compradores; 11. os corretores de café convergiram para firmar os pontos levantados pelos produtores rurais, especialmente, no que tange à utilização das pseudoempresas jurídicas para intermediar a venda do café do produtor para a comercial atacadista, inclusive, do pleno conhecimento da empresa, ora autuada, de tais operações; 12. os corretores afirmaram que as próprias empresas tradicionais de exportação e industrialização do café passaram a dificultar a compra com nota fiscal do produtor rural, exigindo notas em nome de pessoas jurídicas; 13. os corretores afirmaram que algumas empresas foram constituídas com a única e exclusiva finalidade de vender notas fiscais, e, ainda, que as Exportadoras/Indústrias tinham pleno conhecimento do esquema fraudulento; 14. a migração para empresas laranjas foi um movimento orquestrado, onde exportadoras e indústrias caminharam no mesmo sentido, com exigência inclusive de que as notas fiscais anotassem ficticiamente a incidência do PIS/COFINS, bem como as mesmas cautelas adotadas de consultar os cadastros fiscais no momento do recebimento do café por meio de empresas laranjas na tentativa de evitar problemas futuros; 15. restou demonstrado que a EISA não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiava, apropriandose de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas gerados por empresas atacadistas de fachada. Intimada do resultado da diligência (fl. 844), em 05/10/13, a contribuinte ratificou os termos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando (fls. 846 e ss), em resumo, que: 1. nenhum dos sócios, administradores ou empregados da Requerente foi investigado no âmbito do Inquérito Policial nº 541/2008 DPF/ SR/ES ou denunciado nos autos do Processo Criminal n° 2008.50.05.0005383, ou em qualquer outro processo criminal oriundo das operações "Tempo de Colheita" e "Broca"; 2. ao revés, em momento algum das investigações ocorridas houve a vinculação da Requerente ao suposto sistema fraudulento; 3. assim, resta evidente a precariedade da acusação da d. autoridade fiscal de que a Requerente teria se utilizado de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores, com o intuito exclusivo de apropriação de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS; 4. o volume de operações mantido com pessoas físicas pouco sofreu alterações com a instituição da nãocumulatividade das contribuições e previsão de direito ao crédito (anoscalendários 2002 e 2003), e com a mudança da legislação aplicável ao setor em 2012 (Lei n° 12.599/2012); 5. ainda que o nome do produtor rural, da fazenda de café e/ou da região fosse informado ao adquirente em referidas situações, como até hoje o é, este adquire o produto da empresa atacadista, que ao final é responsável pela entrega do produto em determinada quantidade, em boa qualidade e em determinado prazo e local; 6. as empresas atacadistas, comerciantes e exportadoras de café cru em grão não necessitam de estrutura física própria para operarem a não ser uma sala, Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 11543.003095/200515 Acórdão n.º 3201003.032 S3C2T1 Fl. 5 7 onde localizado o estabelecimento comercial utilizado para a formalização da compra e venda do café, na medida em que referido produto, após adquirido, pode perfeitamente permanecer depositado em armazém geral até a ocasião da revenda; 7. em nenhum dos depoimentos constantes dos autos é feita menção à pessoa da Requerente ou de algum administrador/funcionário seu como participante do alegado esquema fraudulento; 8. em sendo inegável a boafé da Requerente, verificase a completa improcedência da glosa dos créditos apurados sobre aquisições de café cru em grão de pessoas jurídicas no período compreendido entre o 1º trimestre de 2004 e o 3° trimestre de 2005; 9. demonstrou a completa improcedência da glosa dos créditos originais das contribuições apurados pela Requerente sobre aquisições de café de pessoas jurídicas; 10. considerando a indiscutível boafé da empresa e nos termos do artigo 82, parágrafo único, da Lei n° 9.430/96, deve ser cancelada a glosa dos créditos levada a efeito em razão da suposta inidoneidade dos fornecedores da Requerente; 11. na remota hipótese da glosa em questão ser mantida, o que se admite apenas para fins de argumentação, há que ao mínimo se reconhecer o direito à apuração do crédito presumido de que trata a Lei n° 10.925/04, como fora inicialmente realizado pela d. autoridade fiscal; 12. ainda que não tivesse ocorrido a decadência para inovação dos fundamentos da glosa, apenas a título de argumentação, restará comprovado que a posição da 16ª Turma da DRJ/RJ1 quanto à apuração de crédito presumido de aquisições de café de produtores rurais não deve prosperar; 13. um dos requisitos para a apropriação do crédito presumido na aquisição de produto in natura consiste no fato de que o adquirente exerça a atividade agroindustrial, e a Requerente, na condição de encomendante, é considerada, para todos os fins fiscais, produtora de café e, por conseguinte, beneficiária do crédito presumido. Reitera, “com base nos argumentos constantes da Manifestação de Inconformidade apresentada, somados aos argumentos que aqui são apresentados”, pela reforma da decisão que não homologou os pedidos de compensação, a fim de que seja reconhecido o crédito pleiteado em sua integralidade." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 Créditos a Descontar. Incidência nãoCumulativa. Não dá direito a crédito gastos ou despesas com bens ou serviços utilizados nas atividades da Empresa, quando não corresponderem ao conceito de insumo ou a outra expressa hipótese legal. Fl. 1290DF CARF MF 8 Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificada da decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, alegando em sede preliminar que a decisão da primeira instância inovou a matéria discutida nos presentes autos, ao trazer argumentos para manutenção do lançamento resultante de diligência realizada, que trariam afirmações que a Recorrente teria participado de suposto esquema visando gerar, fraudulentamente, créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins. No restante do recurso são repisadas as alegações já apresentadas na impugnação. Ao apreciar o recurso voluntário, a turma resolveu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração do PIS e a COFINS não cumulativos; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 11543.003095/200515 Acórdão n.º 3201003.032 S3C2T1 Fl. 6 9 informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. A Unidade de Origem procedeu a diligência determinada pelo CARF, elaborando relatório fiscal. Informando que a Recorrente apresentou documentos referentes à glosa de despesas de manutenção e reparos e de aquisição de embalagens. A auditoria fiscal concluiu por manter a glosa referente a despesas com manutenção e reparo, por entender, que não estariam ligados a atividade de produção da Recorrente. Quanto as aquisições de embalagem, entendeu por acatar as alegações da Recorrente e afastar a glosa referente a este item. Cientificada da diligência, a Recorrente apresentou manifestação ,concordando com o afastamento da glosa sobre as aquisições de embalagem e afirmando que as despesas de manutenção e reparo estariam vinculados a atividade da empresa e portanto, também estariam aptas a serem utilizadas como créditos na apuração das contribuições. Com estas considerações, o processo retornou ao CARF para o prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Nos termos detalhados no relatório, em sede de recurso voluntário, a Recorrente alega a nulidade da decisão da primeira instância, sob o arrimo que o acórdão teria inovado nos fundamentos inicialmente citados no despacho negatório do pedido de compensação. Consultando a decisão da primeira instância é possível identificar o enfrentamento de matérias referentes a glosa de créditos, por entender que tais operação não estariam incluídas no conceito de insumo e outra discussão quanto a possibilidade de creditamento sobre operações realizadas com empresas que foram identificadas como inaptas ou inexistentes de fato. Para a segundo grupo de créditos glosados, a decisão recorrida trata de dois fundamentos para negar os créditos. O primeiro seria a inexistência de recolhimento das contribuições na etapa anterior e o segundo a existência de fraude na criação e operação de empresas declaradas inexistentes de fato ou declaradas inaptas pela receita federal. O acórdão da primeira instância adotou como fundamento da decisão, a fraude nas operações realizadas com empresas, conforme pode ser verificado no trecho abaixo, extraído no voto condutor do Acórdão da DRJ. Fl. 1292DF CARF MF 10 Assim, considerando os fatos descritos, e sustentados por conjunto probatório robusto constante dos autos, é imperativo concluir que as ‘compras’ efetuadas pelo contribuinte, ora recorrente, de pessoas jurídicas artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da nãocumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios de fato inexistentes para dissimular o negócio real entre o produtor rural/pessoa física e o contribuinte, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública. A análise exposta acima leva à rejeição peremptória de eventual alegação de planejamento tributário, pois demonstra que o autuado participou da criação ou utilizou de pessoas jurídicas de existência fantasmagórica, a fim de interpor elo fictício na cadeia produtiva e, assim, escapar do pagamento de tributo de sua responsabilidade, por meio de compensação de créditos inexistentes de fato, e ainda com vultosos valores de ressarcimento em dinheiro. O trabalho fiscal, por ocasião da diligência realizada, fundouse em amplo material probatório, permitindo o exercício do direito de defesa e ao contraditório. No Relatório é comprovado detalhadamente o acerto das glosas efetuadas. Neste contexto, perderam relevância as notas fiscais e comprovantes de pagamento. Na decisão recorrida é possível identificar claramente que o enfrentamento da matéria, que nega o direito creditório da recorrente, possui como fundamento a aquisição de produtos de pessoas jurídicas, quando na verdade tratariamse de pessoas físicas. A decisão da primeira instância considerou que os dois fundamentos teriam sido enfrentados no despacho decisório, tanto a questão da ausência de recolhimento das contribuições nas etapas anteriores, bem como, a existência de aquisições de "pseudoatacadistas". Quanto ao primeiro fundamento discutido na decisão da DRJ é inequívoco a sua utilização pelo despacho decisório, que consta de forma explicita na sua conclusão, conforme se depreende do trecho abaixo do despacho decisório, exarado pela Unidade de Origem. Em resumo: . Restou demonstrado que não houve incidência econômica dos tributos na maior parte das aquisições realizadas; . A ocorrência da incidência jurídica é duvidosa, uma vez que as pessoas jurídicas que poderiam realizar o aspecto material da hipótese de incidência (faturamento), aparentam ser meros instrumentos para realização de práticas ilegais; . Sob o ponto de vista econômica, não houve qualquer oneração da cadeia produtiva em relação a tais operações; . Em não havendo tal oneração perde o sentido o dualismo cumulatividade x nãocumulatividade que justificou o escopo da alteração da legislação; . Em conclusão, não ocorrendo a indesejada cumulutividade que ensejou a mudança da sistemática da apuração das contribuições em apreço não há que se falar em saldo credor possível de ressarcimento. Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 11543.003095/200515 Acórdão n.º 3201003.032 S3C2T1 Fl. 7 11 Quanto ao segundo fundamento, a decisão da Delegacia de Julgamento da RFB afirma existir no despacho decisório menção ao fato de existir fraude na criação e operação dos atacadistas revendedores de café, cito trecho abaixo constante da decisão da DRJ, que detalha estes argumentos. 2º argumento: Compras de “pseudoatacadistas” Se a instrução processual se encerrasse neste ponto, dificilmente poderia prosperar a glosa procedida sub examen. Porém, com a diligência veio o relatório, onde se concluiu que parte dos créditos de PIS/Cofins reivindicados nos pedidos de ressarcimento e utilizados nas declarações de compensação foi gerada através de simulação de aquisições de pessoas jurídicas, quando realmente o foi de aquisições de produtores rurais pessoas físicas. Tratase agora da hipótese já contida Parecer DRF/VIT/SEORT (fls. 247 e ss) de considerar as compras, correspondentes aos fornecedores irregulares, transações fictícias: No caso em questão, aparentemente existiria a intermediação comercial por pessoa jurídica. Entretanto, se ditas "pessoas jurídicas" forem apenas instrumentos para práticas fraudulentas, acobertando vendas realizadas por outros sujeitos, muito provavelmente pessoas físicas, não haveria que se falar em hipótese de incidência de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos e, muito menos, em créditos da não cumulatividade como ora pretendido. Entendese que a prova colacionada aos autos no âmbito da diligência lançou nova luz sobre os créditos relativos às compras de café pela contribuinte, que foram glosados pela Autoridade Fiscal. O quadro amplo traçado a partir das Operações Broca e Tempo de Colheita milita desfavoravelmente à contribuinte no que concerne a seu alegado direito de crédito. Além disso, há elementos nos autos que não permitem simplesmente entender pela completa “isenção” do contribuinte na frustração da Receita Federal em sua legítima pretensão de caráter constitucional de amealhar recursos ao Erário. Quanto a este segundo fundamento para afastar os créditos referentes a aquisição das empresas atacadistas consideradas inidôneas, divirjo do entendimento da decisão da primeira instância. Apesar de existir a citação da existência de operações realizadas com empresas inidôneas, o despacho decisório é claro ao afirmar que matéria não esta sendo objeto de enfrentamento e discussão, conforme consta do trecho abaixo extraído do despacho decisório. Fl. 1294DF CARF MF 12 52. No caso examinado há uma presunção que a abertura destas "pessoas jurídicas" era meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 33% (trinta e três inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002 (fls. 210;219), quando foi publicada a Medida Provisória nº 66/2002 que instituiu a nãocumulatividade para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas. 53. Assim, o que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas inescrupulosas que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único propósito de "fabricar" créditos da não cumulatividade para as contribuições em comento. 54. Deixese claro, neste interim, que não se está com isto afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse conhecimento de tal situação, ao passo que não houve nenhuma investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho. De forma alguma. Até porque, se isto ocorreu ou vem ocorrendo, estar seia diante de um crime contra a ordem tributária. 55. Nesse contexto, a ausência de provas que una a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boafé em seu favor. Todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal. Demais disso, não se concebe que a adquirente, neste ato requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual. 56. Frisese: nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em um debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boafé. Neste pormenor aplicase o princípio da prevalência dos interesses públicos sobre os particulares. 57. Como se pode extrair, a situação é paradoxal porquanto a Fazenda Nacional é instada a ressarcir um direito creditório que, como contrapartida, não possui o competente recolhimento dos tributos devidos na etapa imediatamente anterior. 58. Diante do que descortinado, a plausível conclusão conduz à inadmissibilidade do pleito formulado integralmente, no que toca às ditas compras de PJ, sob pena de gerar um claro enriquecimento sem causa em detrimento dos cofres públicos, o que representaria uma cessão de interesses públicos.(grifo nosso) Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 11543.003095/200515 Acórdão n.º 3201003.032 S3C2T1 Fl. 8 13 A leitura do despacho decisório deixa evidente que não existiu o aprofundamento da matéria referente a aquisição de empresas inidôneas, tampouco tal fato foi utilizado como fundamento para negar o creditamento das operações da Recorrente. O Processo Administrativo Fiscal tem seu desenvolvimento a partir da existência de um lançamento ou decisão fiscal, que é objeto de questionamento por parte do contribuinte, que utilizando dos instrumentos da impugnação ou da manifestação de inconformidade, define as matérias sobre a qual discorda da decisão da autoridade fiscal. A delimitação da lide, submetida a apreciação dos julgamentos administrativos, está restrita aos fundamentos e fatos arrolados no despacho decisório, delimitado pelos argumentos trazidos pelo contribuinte nos seus recursos. No caso em tela, ao meu sentir, restou claramente identificado como fundamento utilizado no despacho decisório para negar os créditos referentes a aquisição de empresas atacadistas consideradas inidôneas, o fato de não existir o recolhimento das contribuições nas etapas anteriores. Assim, entendo que existiu na decisão da primeira instância, a utilização de fundamentos que não constariam do despacho decisório, determinando que tal decisão seja cancelada para realização de um novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes do despacho decisório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de um novo julgamento considerando unicamente os fundamentos constantes do despacho decisório. Winderley Morais Pereira Fl. 1296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000100/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2010
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devendo ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
A observância dos requisitos legais para a fruição da isenção patronal das contribuições previdenciárias sujeita-se ao prazo decadencial.
ISENÇÃO. ATO CANCELATÓRIO.
As contribuições previdenciárias patronais somente serão devidas a partir da decisão definitiva quanto ao Ato Cancelatório de Isenção, devendo o levantamento sujeitar-se àquela.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-004.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2010 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devendo ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. A observância dos requisitos legais para a fruição da isenção patronal das contribuições previdenciárias sujeita-se ao prazo decadencial. ISENÇÃO. ATO CANCELATÓRIO. As contribuições previdenciárias patronais somente serão devidas a partir da decisão definitiva quanto ao Ato Cancelatório de Isenção, devendo o levantamento sujeitar-se àquela. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15521.000100/2010-12
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5750206
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-004.041
nome_arquivo_s : Decisao_15521000100201012.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 15521000100201012_5750206.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
id : 6877576
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468632301568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1436; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.452 1 1.451 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15521.000100/201012 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.041 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FUNDAÇÃO BENEDITO PEREIRA NUNES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2010 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devendo ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. A observância dos requisitos legais para a fruição da isenção patronal das contribuições previdenciárias sujeitase ao prazo decadencial. ISENÇÃO. ATO CANCELATÓRIO. As contribuições previdenciárias patronais somente serão devidas a partir da decisão definitiva quanto ao Ato Cancelatório de Isenção, devendo o levantamento sujeitarse àquela. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 01 00 /2 01 0- 12 Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 15521.000100/201012 Acórdão n.º 2202004.041 S2C2T2 Fl. 1.453 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ, fl. 213 e ss.), complementandoo ao final: Tratase de créditos previdenciários, COMPROT 15521.000100/201012, Autos de Infração da obrigação principal, DEBCAD 37.237.5324, lançado pela fiscalização, contra o contribuinte acima identificado, referente às contribuições sociais relativas à parte patronal incidente sobre os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais, assim como aquelas referentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — Sat/Rat, assim como diferenças de acréscimos legais e diferenças de folhas de pagamento, no valor consolidado em 26/05/2010 de R$ 12.348.326,81 (doze milhões, trezentos e quarenta e oito mil, trezentos e vinte e seis reais e oitenta e um centavos), no período de 01/2006 a 10/2008 e 05/2006 a 01/2010, este último referente a diferenças de acréscimos legais. 2. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 55 a 58 e anexos, temos que: 2.1. "0 presente procedimento teve origem no procedimento fiscal de cancelamento de isenção de Entidade Filantrópica processada nos autos de processo 15521000167/200743" por ter a Impugnante descumprido o inciso III do art. 55 da Lei 8.212/2001, uma vez que não houve a aplicação de recursos mínimos legais para amparar o auto enquadramento como filantrópica. 2.2. O Ato Cancelatório da Isenção de Contribuições Sociais, de 12/04/2008 informa que a Impugnante perdeu a qualidade de isenta a partir de 01/01/1997. 2.3. 0 Fato Gerador são as remunerações pagas aos segurados empregados e aos trabalhadores contribuintes individuais apuradas com base nas remunerações constantes em Folhas de Pagamento e nas declaradas nas GFIP, assim como divergências observadas nos exames de auditoria. (...) 2.6. A Fundamentação Legal do crédito lançado encontrase discriminada no Anexo de Fundamentos Legais assim como no itemIII do Relatório Fiscal. Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 15521.000100/201012 Acórdão n.º 2202004.041 S2C2T2 Fl. 1.454 3 (...) 3. Inconformado com a exigência fiscal, da qual foi cientificada em 29/06/2010, conforme AR de fls. 59, a Interessada apresentou sua impugnação ao lançamento em 28/07/2010, (...) Decidiu a DRJ de origem, em suma, que: 1 o efeito suspensivo aos recursos interpostos contra cancelamento de isenção, não implica em invalidade do lançamento, pois não se deve confundir "suspensão da exigibilidade" com "impossibilidade de lançamento". 2 no presente caso, não há que se falar em decadência uma vez que o crédito tributário foi constituído em 26/05/2010, com ciência do contribuinte em 29/06/2010, relativo aos fatos geradores dos períodos de 01/2006 a 10/2008 e 05/2006 a 01/2010, este último referente a diferenças de acréscimos legais. 3 compete à Receita Federal do Brasil verificar o cumprimento dos requisitos exigidos em lei e o devido enquadramento da entidade na previsão de isenção das contribuições previdenciárias e reconhecer ou não o direito. Tais requisitos, no período da infração imputada A entidade autuada, estavam estabelecidos no art. 55 da Lei 8.212/91, revogado posteriormente pela lei 12.101/09. 4 ressaltase que a impugnante não questionou os demais aspectos fáticos ou materiais, no caso, as remunerações pagas pela entidade, que foram constatados na auditoria fiscal e que serviram de base para o lançamento. Foram apenas apresentadas, em sua defesa, questões de cunho estritamente jurídico, relacionados à alegada condição de isenta da parte patronal das contribuições previdenciárias. Assim, deuse provimento parcial à Impugnação, "no que diz respeito a suspensão da exigibilidade e mantenho o crédito tributário exigido". Cientificada dessa decisão em 28/09/2011, conforme Aviso de Recebimento na folha 1350, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 27 de outubro de 2011, com protocolo na folha 1351. Em sede de recurso, resumidamente, argumenta que: a) foi abordada, em sede de recurso direcionado ao órgão recorrido, a ocorrência de decadência pertinente à exigibilidade do crédito tributário em tela. b) a fiscalização, realizada em 2007, voltouse à análise dos exercícios financeiros de janeiro de 1997 a dezembro de 1999. Todavia, do resultado de tal averiguação, a fiscalização entendeu que havia ensejo para a cobrança do crédito tributário concernente aos anos de 2006 a 2008. c) a Recorrente vem procedendo, ano após ano, está sempre comprovando que permanece em estrito cumprimento às normas atinentes à concessão da isenção. Tanto tal alegação corresponde à verdade, que vem sempre obtendo êxito em sua certificação de entidade beneficente de assistência social. O Conselho Nacional de Assistência Social, após o repetido exame detido de todos os documentos apresentados no decorrer dos anos, vem certificando o atendimento a todos os requisitos legais. Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 15521.000100/201012 Acórdão n.º 2202004.041 S2C2T2 Fl. 1.455 4 d) a fiscalização proferiu entendimento de que a Recorrente não teria cumprido as normas do artigo 55, inciso III, da Lei 8.212/91 e o Decreto 752/1993, artigo 1º, inciso III e artigo 2º , inciso IV (normas já revogadas). Ocorre que a própria norma jurídica indicada, no artigo 2º, §3°, dispensa a entidade do cumprimento do inciso IV acima aludido, desde que a instituição forneça média igual ou superior a 60% (sessenta por cento) do total de serviços realizados nos três últimos exercícios em prol do Sistema Único de Saúde. e) a Fundação Benedito Pereira Nunes se trata de uma instituição de caráter misto, sendo mantenedora da Faculdade de Medicina de Campos e do Hospital Escola Álvaro Alvim, a primeira no ramo da educação e o segunda no da saúde. Caso seja do entendimento dos ilustres Conselheiros a manutenção da decisão recorrida, cumpre ressaltar que a suposta irregularidade que deu ensejo à cobrança do crédito tributário teria ocorrido na Faculdade de Medicina de Campos. REQUER suspensão da eficácia da decisão recorrida, declaração de decadência dos atos fiscalizatórios, alternativamente, anulação do cancelamento da isenção, cancelamento do débito fiscal reclamado ou aplicação do cálculo somente sobre a folha de pagamentos relativa à Faculdade de Medicina. Em 05 de novembro de 2014, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Seção de Julgamento resolveu pela conversão do julgamento em diligência, na Resolução nº 2403 000.293, considerando, em suma, que: a) o Relatório Fiscal aponta que este procedimento teve origem no procedimento fiscal de cancelamento de isenção de Entidade Filantrópica processada nos autos de processo 15521.000167/200743, o qual verificou o descumprimento por parte da empresa do art. 55, III da Lei 8.212/1991. Nos autos, às fls. 135, anexouse cópia do Ato Cancelatório de Isenção referente ao processo n.°15521.000167/200743. O ponto central em discussão seria referente à decisão transitada naquele processo, na qual se discute o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais. Assim, deveria ser verificado o teor daquela decisão definitiva no âmbito administrativo do processo, que se encontrava na Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte. Dessa forma, a Unidade da RFB deveria informar o teor da decisão e, conclusivamente, se o Ato Cancelatório de isenção de contribuições sociais previdenciárias continua válido e regular para efeitos da presente autuação fiscal AIOP nº 37.237.5324 consubstanciada neste processo nº 15521.000100/2010 12. Na folha 1441, foi anexado o Acórdão nº 2302003.001, da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, em sessão datada de 19 de fevereiro de 2014, que discute a informação fiscal proferida em 27/09/2007 e o Ato Cancelatório exarado em 12/03/2008, no bojo do processo nº 15521.000167/200743. Na folha 1448, a Unidade preparadora manifestouse em despacho, concluindo que "o ato cancelatório das contribuições previdenciárias do processo 15521.000167/200743 não continua válido e regular para efeitos da presente autuação fiscal AIOP nº 37.237.5324 consubstanciada no processo nº 15521.000100/201012". Assim, os autos retornaram ao CARF e foram redistribuídos para relatoria. É o relatório. Voto Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 15521.000100/201012 Acórdão n.º 2202004.041 S2C2T2 Fl. 1.456 5 Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético (formato .pdf) Conforme relatado e já bem analisado na citada Resolução nº 2403000.293, anterior, a discussão gira primeiramente sobre a validade do ato cancelatório de isenção, que foi exarado em 2008, com base em informação fiscal de 2007, que analisou documentos relativos a 1997/1999, para concluir que a Entidade não tinha direito ao favor fiscal. Essa discussão teve a seguinte solução, conforme o Acórdão nº 2302 003.001, da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, em sessão datada de 19 de fevereiro de 2014, o qual transcrevo em parte: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devendo ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. A observância dos requisitos legais para a fruição da isenção patronal das contribuições previdenciárias, sujeitase ao prazo decadencial. Voto À época da informação fiscal, cabia a Receita Federal do Brasil verificar se a entidade cumpria com os requisitos esposados no artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, cumulativamente, para poder usufruir da isenção patronal previdenciária. (...) Com este objetivo foi iniciada auditoria fiscal na entidade e o Fisco, após a análise dos elementos disponibilizados, entendeu que a mesma não faz jus à isenção patronal, eis que não cumpre cumulativamente os requisitos expostos no artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, em especial o inciso III, que se refere à promover assistência social, educacional e de saúde ao público alvo. (...) Contudo, ainda que legítima a pretensão quanto ao cancelamento da isenção usufruída pela empresa por não comprovar o cumprimento dos requisitos constantes dos inciso III, do artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, desde 01/1997, há que se observar a decadência nos limites impostos pela Súmula Vinculante n.º 08, do Supremo Tribunal Federal. A informação fiscal foi proferida em 27/09/2007 e o Ato Cancelatório exarado em 12/03/2008, devendo ser considerado Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 15521.000100/201012 Acórdão n.º 2202004.041 S2C2T2 Fl. 1.457 6 que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. (...) Compulsando os autos se vê que quando do início da ação fiscal e emissão do Mandado de Procedimento Fiscal em 09/07/2007, o período de apuração do procedimento fiscal ficou delimitado de 01/1997 a 12/1999, fls. 39. Da mesma forma, os documentos solicitados, examinados e as razões expostas pelo Fisco para cancelar a isenção devido ao descumprimento do artigo 55, inciso III da Lei n.º 8.212/91, se referiram apenas ao período citado, que já se encontrava abrangido pela decadência qüinqüenal, exposta no artigo 173, I do Código Tributário Nacional, quando da fiscalização, não servindo para sustentar o cancelamento da isenção usufruída pela entidade. Vejamos que esta ação fiscal, realizada em 2010, conforme relatório fiscal (fl. 57), decorre do mesmo procedimento de cancelamento de isenção de Entidade Filantrópica de que trata o processo 15521.000167/200743. Ali, entendeuse que a contribuinte perdera a qualificação legal para usufruir da isenção desde 01/01/1997, baseados em informação fiscal que analisou documentos referentes a 1997/1999. O Acórdão nº 2302003.001, da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária do CARF, contudo, entendeu que tal procedimento, realizado com a análise de documentos referentes a períodos já decaídos, não poderia subsidiar o procedimento de cancelamento de 2007/2008. Assim, como concluiu a Unidade preparadora (fl. 1448), não existe um procedimento fiscal válido a amparar o cancelamento ao direito à isenção. Esse procedimento também é sujeito a prazo decadencial e deveria ter sido renovado, antes do lançamento fiscal que aqui se discute. Vejamos que estes autos são referentes às contribuições sociais relativas à parte patronal incidente sobre os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais, assim como aquelas referentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, mas no processo administrativo nº 15521.000097/201029 tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado em 26/05/2010 e cientificado ao sujeito passivo em 29/06/2010, de contribuições destinadas aos Terceiros, relativas às remunerações dos segurados que prestaram serviço à entidade no período de 01/2006 a 12/2008. Lá, o Acórdão 2302003.002, de 19 de fevereiro de 2014, da 2º Turma Ordinária/3ª Câmara, assim concluiu: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devendo ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 15521.000100/201012 Acórdão n.º 2202004.041 S2C2T2 Fl. 1.458 7 A observância dos requisitos legais para a fruição da isenção patronal das contribuições previdenciárias, sujeitase ao prazo decadencial. ISENÇÃO. ATO CANCELATÓRIO. As contribuições previdenciárias patronais somente serão devidas a partir da decisão definitiva quanto ao Ato Cancelatório de Isenção, devendo, o levantamento sujeitarse àquela. VOTO A ação fiscal tendente a examinar o fiel cumprimento da legislação no que concerne à manutenção do benefício legal da isenção patronal das contribuições previdenciárias, teve início com o Mandado de Procedimento Fiscal MPF emitido em 09/07/2007. Neste MPF, o período a ser submetido à fiscalização ficou delimitado de 01/1997 a 12/1999. (...) A informação fiscal foi proferida em 27/09/2007 e o Ato Cancelatório exarado em 12/03/2008, pelo descumprimento de requisitos legais para a manutenção da isenção ocorrido em 1997. (...) Compulsando os autos do processo relativo ao Ato Cancelatório, se vê que quando do início da ação fiscal e emissão do Mandado de Procedimento Fiscal em 09/07/2007, o período de apuração do procedimento fiscal ficou delimitado de 01/1997 a 12/1999, fls. 39. Da mesma forma, os documentos solicitados, examinados e as razões expostas pelo Fisco para cancelar a isenção devido ao descumprimento do artigo 55, inciso III da Lei n.º 8.212/91, se referiram apenas ao período citado, que já se encontrava abrangido pela decadência qüinqüenal, exposta no artigo 173, I do Código Tributário Nacional, quando da fiscalização, não servindo para sustentar o cancelamento da isenção usufruída pela entidade. Portanto, como o presente lançamento está amparado no cancelamento da isenção patronal e considerando que no recurso relativo a tal cancelamento, a posição desta relatora foi pelo reconhecimento da decadência e conseqüente provimento do recurso para desconsiderar a perda da isenção, por decorrência este processo que trata de contribuição arrecadada para as terceiras entidades não merece prosperar. Concordo com as disposições efetuadas no referido Acórdão 2302003.002, as quais adoto como razão de decidir, em resumo porque o período aqui fiscalizado e lançado é de 01/2006 a 01/2010 e a motivação principal do lançamento foi um ato cancelatório de Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 15521.000100/201012 Acórdão n.º 2202004.041 S2C2T2 Fl. 1.459 8 isenção, proferido em 2008, com base em procedimento fiscal desenvolvido em 2007, que analisou documentos do período, considerado decaído, de 1997 a 1999. Dessa feita, VOTO por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 1459DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17883.720021/2014-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
Ementa:
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA.
Para créditos bancários cuja origem foi comprovada, é de se retificar os lançamentos.
Caracteriza-se como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. SOLICITAÇÃO REGULAR. TRANSFERÊNCIA DE SIGILO.
Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, haja vista prestar-se apenas a possível constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal, havendo, na verdade, mera transferência da responsabilidade do sigilo, antes assegurado pela instituição financeira e agora mantido pelas autoridades administrativas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL/PIS/COFINS.
Tratando-se da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplica-se aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ).
Numero da decisão: 1402-002.678
Decisão: Vistos e relatados os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário no que se refere à inconstitucionalidade na norma e, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial para cancelar a exigência referente ao item 001 do Termo de Verificação.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. Para créditos bancários cuja origem foi comprovada, é de se retificar os lançamentos. Caracteriza-se como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. SOLICITAÇÃO REGULAR. TRANSFERÊNCIA DE SIGILO. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, haja vista prestar-se apenas a possível constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal, havendo, na verdade, mera transferência da responsabilidade do sigilo, antes assegurado pela instituição financeira e agora mantido pelas autoridades administrativas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL/PIS/COFINS. Tratando-se da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplica-se aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ).
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 17883.720021/2014-63
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5764049
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-002.678
nome_arquivo_s : Decisao_17883720021201463.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 17883720021201463_5764049.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos e relatados os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário no que se refere à inconstitucionalidade na norma e, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial para cancelar a exigência referente ao item 001 do Termo de Verificação. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6911022
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468636495872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2024; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.111 1 1.110 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17883.720021/201463 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.678 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria OMISSÃO DE RECEITA Recorrente COSTA VERDE TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. Para créditos bancários cuja origem foi comprovada, é de se retificar os lançamentos. Caracterizase como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. SOLICITAÇÃO REGULAR. TRANSFERÊNCIA DE SIGILO. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, haja vista prestarse apenas a possível constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal, havendo, na verdade, mera transferência da responsabilidade do sigilo, antes assegurado pela instituição financeira e agora mantido pelas autoridades administrativas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL/PIS/COFINS. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Vistos e relatados os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário no que se refere à inconstitucionalidade na norma e, na parte conhecida, dar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 72 00 21 /2 01 4- 63 Fl. 2313DF CARF MF 2 lhe provimento parcial para cancelar a exigência referente ao item 001 do Termo de Verificação. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório Fl. 2314DF CARF MF Processo nº 17883.720021/201463 Acórdão n.º 1402002.678 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto por COSTA VERDE TRANSPORTES LTDA em face de decisão proferida pela DRJ de Florianópolis/SC que entendeu parcialmente procedente a impugnação apresentada, mantendo em parte crédito decorrente de omissão de receitas de venda e serviços e por conta de depósitos bancários de origem não comprovada. Adoto o relatório empreendido pela DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo com o que entender necessário: Por meio dos autos de infrações de fls. 1943 a 1970, são exigidas da contribuinte acima identificada as importâncias relacionadas na seguinte tabela, referentes ao anocalendário de 2011, apuradas em conformidade com o regime de apuração do lucro real anual, acrescidas de multa de ofício de 75% e de juros de mora, totalizando R$ 20.191.917,17. O lançamento do IRPJ decorreu de omissão de receitas de venda e serviços e por conta de depósitos bancários de origem não comprovada. Como lançamentos decorrentes da matéria tributável apontada no lançamento de IRPJ, foram lavrados também autos de infrações a título de Contribuição para o PIS, de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, conforme descrito nos Autos de Infrações e detalhado no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante dos Autos de Infrações. 1. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL A autoridade autuante relatou no Termo de Verificação Fiscal os seguintes fatos (fls. 1971 a 2019): • Em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, datado de 23/01/2014, a contribuinte apresentou uma procuração outorgada ao seu contador; extratos dos Bancos HSBC, Itaú, Bradesco e Santander, e uma mídia que deveria conter os balancetes solicitados, mas que não foi possível a leitura por estar danificada; • Tendo em vista que vários extratos bancários apresentados estavam incompletos, foi emitida RMF para a obtenção junto aos Bancos Bradesco, HSBC e Itaú; • Em 27/02/2014, a empresa foi intimada a apresentar os balancetes impressos e a justificar a origem dos recursos creditados na sua conta no Banco Santander, o que foi atendido pela fiscalizada; • No dia 21/05/2014, a contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos depósitos/créditos junto aos Bancos Unibanco S/A e HSBC Bank Brasil S/A, o que também foi atendido pela fiscalizada, após autorização de prorrogação do prazo; • Em 24/06/2014, foram solicitados esclarecimentos adicionais em relação à movimentação financeira no Banco Itaú Unibanco S/A, o que também foi atendido pela fiscalizada, após autorização de prorrogação do prazo; • Após análise dos documentos e informações apresentadas pela pessoa jurídica, concluiuse que os depósitos/créditos na conta nº 15991, Agência 23, Fl. 2315DF CARF MF 4 do Banco Itaú Unibanco, correspondiam a recebimentos de vale transporte, mas não houve a apresentação dos registros contábeis individuais e nem comprovação do oferecimentos das quantias à tributação. Assim, tais valores foram considerados omissão de receitas da atividade; • Para os casos em que a contribuinte foi intimada mas não apresentou documentos que comprovassem efetivamente a origem dos recursos depositados/creditados nas suas demais contas no Banco Itaú, HSBC e Santander, tais valores foram objeto de lançamento mediante auto de infração referente omissão de receitas por presunção legal pela falta de comprovação da origem. Observese que não houve movimentação financeira no período no Banco Bradesco; • Foram consideradas comprovadas as origens dos depósitos/créditos cujo histórico nos extratos bancários consta como referente a empréstimos, financiamentos, estornos, devoluções, transferências de mesma titularidade, resgates de aplicações financeiras e atualizações monetárias. As conclusões das verificações efetuadas pelo auditorfiscal sobre os depósitos/créditos bancários estão detalhadas em documentos anexos aos autos de infrações. 2. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a autuada apresentou impugnação, aduzindo, em síntese, que (fls. 2044 a 2083): • Haveria nulidade dos autos de infrações por se basearem em prova ilícita, pois grande parte dos extratos bancários teria sido obtida pela fiscalização junto às instituições financeiras, sem autorização judicial; • O art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, e o Decreto nº 3.724, de 2001, que autorizariam a obtenção dos extratos bancários pela fiscalização diretamente junto às instituições financeiras, seriam inconstitucionais, por ofensa à inviolabilidade de dados e da privacidade garantida pela Constituição Federal, conforme entendimento do STF no Recurso Extraordinário nº 389.808/PR; • A fiscalização teria incluído indevidamente nos autos de infrações vários créditos que foram estornados e também outros decorrentes de linha de crédito e de transferências entre contas de mesma titularidade; • A Impugnante se dedica primordialmente à exploração de linhas de transporte de passageiros, sendo que os pagamentos das passagens são por diversas formas, tais como dinheiro, cartões magnéticos de valetransporte e cartões de crédito e débito. Ocorre que, independentemente da forma como as passagens são pagas, a empresa contabiliza suas receitas à medida em que elas são emitidas e o serviço de transporte é efetivamente prestado. Assim, os créditos realizados na conta nº 15991, Agência 23, do Banco Itaú Unibanco, corresponderiam a recebimentos de vendas mediante cartões magnéticos de valetransporte e cartões de crédito e débito, cujas receitas já teriam sido oferecidas à tributação anteriormente ao crédito na conta bancária, pelo regime de competência, pois nesses casos haveria um descasamento temporal entre a execução do serviço e o efetivo crédito decorrente do pagamento das passagens; • Quanto aos demais depósitos/créditos considerados omissão de receitas por presunção legal em razão da falta de comprovação da origem dos recursos, argumenta que a autoridade fiscalizadora aplicou o dispositivo legal de maneira indiscriminada, não buscando a verdade material, considerando também as peculiaridades da atividade econômica exercida pela Impugnante. Tal fato teria gerado o lançamento de tributos sobre créditos bancários em montante exorbitante, sem que tenha levado em consideração os valores que já haviam sido efetivamente reconhecidos como receitas pela empresa, que totalizaram R$ 17.756.022,26 no anocalendário de 2011; • O procedimento adotado pela fiscalização seria desproporcional. Argumenta que, quanto muito, poderia se considerar ter havido omissão de receitas em montante correspondente à diferença entre os depósitos Fl. 2316DF CARF MF Processo nº 17883.720021/201463 Acórdão n.º 1402002.678 S1C4T2 Fl. 1.113 5 bancários supostamente não comprovados e as receitas escrituradas e já oferecidas à tributação, conforme entendimentos emanados em Acórdãos do CARF; • A Interessada alega que adota o procedimento contábil de registrar todas as receitas que aufere mediante lançamento a crédito em contas de resultado (receita) em contrapartida a um lançamento devedor de igual valor na conta Caixa. Uma parcela considerável dessas receitas é paga em dinheiro pelos usuários. Assim, da maneira como ocorrem as suas operações diárias, os ingressos auferidos em dinheiro não correspondem, necessariamente, aos montantes dos depósitos efetuados, uma vez que parte dos valores existentes em caixa muitas vezes era utilizada para quitação de despesas cotidianas ou, ainda, para compor o chamado “fundo de caixa”. Dessa forma, tornase muito difícil, senão impossível, conciliar a receita auferida com o volume de depósitos bancários; • Destaca que, sob a perspectiva contábil, esses depósitos equivalem à mera movimentação de saldo entre as contas patrimoniais “Caixa” e “Bancos Conta Movimento”, e jamais poderiam acarretar o reconhecimento de receita nova; • Argumenta que não podem prosperar os lançamentos tributários em face dos depósitos de caixa creditados na conta nº 293335 – Banco Itaú, e cuja origem foi constatada pelo auditorfiscal, uma vez que as receitas a eles correspondentes já haviam sido registradas e oferecidas à tributação; • Quanto aos créditos na conta nº 3038349 – HSBC Bank Brasil S/A, conforme consta dos históricos dos lançamentos nos extratos, tratase de valores provenientes das empresas “CIELO” e “REDECARD”, responsáveis pela captura, transmissão e liquidação financeira de transações com cartões de crédito e débito, cujas receitas também já teriam sido previamente registradas e oferecidas à tributação; • Pelas razões expostas, solicita sejam considerados improcedentes os autos de infrações e protesta pela juntada posterior de documentação comprobatória de que os créditos bancários analisados não seriam passíveis de tributação. O acórdão proferido na r. DRJ ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para aqueles créditos bancários cuja origem foi comprovada, é de se retificar os lançamentos. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. SOLICITAÇÃO REGULAR. TRANSFERÊNCIA DE SIGILO. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo Fl. 2317DF CARF MF 6 bancário, haja vista prestarse apenas a possível constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal, havendo, na verdade, mera transferência da responsabilidade do sigilo, antes assegurado pela instituição financeira e agora mantido pelas autoridades administrativas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL/PIS/COFINS. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DA PROVA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada com a decisão a recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário onde sustenta em suma que: (a) a fiscalização identificou que os valores recebidos na conta n. 015991 referemse a recebimentos à título de valetransporte, só não tendo excluído dos valores contabilizados como omissão pela ausência de contabilização individualizada de cada operação. a. Afirma que a administração tributária caberia a prova do indício da ocorrência do fato gerador que permita a aplicação das presunções legais, em respeito ao princípio da legalidade previsto no art. 150, I da CF, no art. 97, do CTN, citando ainda para amparar sua fundamentação os arts. 112 e 142 do CTN. b. Que apura sua receita pelo regime de competência, registrandoa à medida que tais passagens são emitidas e o serviço é efetivamente prestado, nessa toada as passagens pagas em dinheiro são registradas no momento do recebimento, mas os valestransporte implicam em um descasamento entre a compra da passagem e seu registro contábil. c. Ocorre que a Recorrente adota o procedimento de efetuar um lançamento contábil referente à totalidade das passagens emitidas em um determinado dia, independentemente de serem pagas em dinheiro ou no carregamento de valestransporte. Quando do efetivo recebimento, credita à caixa e debita à conta movimento, no caso a conta Itaú 015991. d. Sustenta que tanto a fiscalização quanto a DRJ inferiram omissão de receitas com base na nãoapresentação de “registros contábeis Fl. 2318DF CARF MF Processo nº 17883.720021/201463 Acórdão n.º 1402002.678 S1C4T2 Fl. 1.114 7 individuais” que evidenciassem os recebimentos de vale transporte e o oferecimento à apuração dos tributos devidos; (b) Que a fiscalização presumiu a ocorrência de omissão de receitas com relação aos valores globais depositados nas contas bancárias junto ao Unibanco (CC 293335), Santander (CC014399) e Banco do Brasil (CC 0817118 e 1640530); HSBC (CC 3038349) sob a alegação de que sua origem não teria sido comprovada pela Recorrente, tendo sido aplicado o art. 287, do RIR; a. Tais receitas teriam sido justificadas durante a fiscalização, e ignoradas sob o fundamento de que a contabilidade da Recorrente não refletia adequadamente as transações econômicas de que fez parte; i. Em relação à conta 293335, a Recorrente informou que diversos desses créditos corresponderiam à depósitos em espécie advindos do recebimento de preço pela venda de passagens, o que não foi aceito por faltarem provas; 1. Muitas vezes os valores depositados pelos motoristas em suas contas são utilizados para pagamento do fundo de caixa 2. Tais valores equivalem a mera movimentação de saldo entre contas patrimoniais ii. Em relação à conta HSBC 3038349, tratase de valores recebidos das redes CIELO e REDECARD, referente a transações com cartões de crédito e débito. b. Afirma ainda que foram desconsiderados valores apresentados à tributação, conforme DRE e DIPJ juntados com a Impugnação; c. Sustenta que o procedimento adotado pela fiscalização foi desproporcional, que o auditor fiscal deveria ter considerado a diferença entre os depósitos bancários e supostamente não comprovados e as receitas escrituradas e já oferecidas à tributação; (c) Sustenta, por fim, que a autuação pautouse em prova ilícita, por suposta inconstitucionalidade do art. 6 da Lei Complementar 105/01 e do Decreto n. 3724/01. É o relatório. Fl. 2319DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso Voluntário é tempestivo e assinado por patrono competente. 2. DO MÉRITO 2.1 DA UTILIZAÇÃO DE PROVA ILÍCITA O Egrégio Supremo Tribunal Federal reconheceu a constitucionalidade do art. 6 da Lei Complementar n. 105/01 nos autos do RE n. 601.314SP com repercussão geral, o que vincula este tribunal administrativo nos termos do art. 62, §2º do RICARF. E ainda que assim não o fosse, nos termos do caput do art. 62 do RICARF e da Súmula 2 do CARF, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, como muito bem fundamentado na DRJ. Por este motivo deixo de conhecer dos argumentos lançados contra a constitucionalidade do art. 6 da Lei Complementar 105/01 e do Decreto n. 3724/01, e que poderiam acarretar na ilicitude das provas juntadas aos autos. Ademais, temse que todos os argumentos suscitados pela recorrente sucumbem no mérito diante do reconhecimento da Constitucionalidade pelo E. Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 601.314, com repercussão geral, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, em acórdão que restou assim ementado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a Fl. 2320DF CARF MF Processo nº 17883.720021/201463 Acórdão n.º 1402002.678 S1C4T2 Fl. 1.115 9 um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do auto governo coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe198 DIVULG 15092016 PUBLIC 1609 2016) Diante do exposto não conheço dos argumentos de (in)constitucionalidade veiculados pelo recorrente, e porventura, ultrapassada tal questão julgoos improcedentes diante da posição firmada pelo STF. 2.2 DA OMISSÃO DE RECEITAS Fl. 2321DF CARF MF 10 A recorrente é sociedade empresária concessionária de serviço público de transporte intermunicipal no Estado do Rio de Janeiro percebendo receitas da venda de bilhetes/passagens à vista, por meio de valetransporte e à prazo através de operadoras de cartões de crédito. Afirma a Recorrente que sua prática comercial impõe o modelo de contabilidade que utiliza, qual seja, lançamento diário dos valores recebidos à caixa, independentemente de se tratar de recebimento à vista ou via valetransporte (item 4.37 do RV), e reconhecimento posterior da receita, que implica em novo lançamento contábil, crédito à caixa e débito à conta movimento banco (item 4.41 do RV). Sobre o procedimento, a própria Recorrente admite que a rigor não é a melhor técnica, que tais valores deveriam ter sido lançados sob a rubrica contas a receber e posteriormente lançados contra movimento de caixa, mas os lançamentos corretos seriam de grande dificuldade ante ao grande número de transações diárias e o curto espaço de tempo em que eram liquidadas. Quanto a isso a DRJ se posicionou da seguinte forma: as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais e conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (arts. 251 e 264 do RIR/99). Nos casos em que é admitida a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, é indispensável que sejam utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (art. 258, § 1º, do RIR/99). Não é aceitável e nem razoável, portanto, a alegação da Impugnante de que é muito difícil, senão impossível, conciliar a receita auferida com o volume de depósitos bancários. Embora concorde com a afirmação da r. DRJ de que empresas sujeitas ao lucro real possuem um compliance maior, não vislumbro acerto na conclusão de que o descumprimento da melhor técnica contábil implique em imposto a pagar por presunção. Em relação às receitas oriundas de valetransporte, a Recorrente alega que em 2011 operou 12 linhas de transporte rodoviário de passageiro e que diariamente registrava as receitas de vale transporte à débito na conta contábil n 35 – caixa, conforme exemplo abaixo, relativo ao dia 03.01.2011: Fl. 2322DF CARF MF Processo nº 17883.720021/201463 Acórdão n.º 1402002.678 S1C4T2 Fl. 1.116 11 Esclarece ainda que desses valores, registrados sob a rubrica conta contábil 35 – caixa, conforme impõe o regime de competência, no dia 03.01.2011, parte dele, relativa às receitas de valetransporte, R$ 19.603,70, foram transferidas da conta caixa para a conta rubrica 78 – Itaú n. 015991, no dia 04.01.2011, cujos valores estariam referenciados pelo relatório emitido pela FETRANSPOR. A documentação apresentada pela Recorrente, em resposta ao TIF de 24 de junho de 2014, permite identificar a origem dos rendimentos da conta Itaú 015991, referente a recebimentos de valetransporte, o que está em consonância com os relatórios da FETRANSPOR juntados aos autos que evidenciam os seguintes valores a recorrente no ano calendário 2011: Fl. 2323DF CARF MF 12 Tais receitas jamais foram omitidas, embora não contabilizadas no modo pretendido pela fiscalização, foram regularmente oferecidas a tributação na conta caixa, portanto, não subsistem motivos para autuação nesse ponto. De outro lado, razão não assiste a recorrente quanto as demais contas bancárias. A respeito da conta Itaú 293335, entendo que a argumentação aduzida pela Recorrente não veio acompanhada de documentação que a comprovasse, de sorte que esta não se desincumbiu de seu ônus probatório, decorrente da inversão estabelecida no art. 287 do RIR. A recorrente apresentou apenas seu razão contábil, sem qualquer documento subjacente que o amparasse, assim, entendo que deve ser mantida a autuação quanto aos valores presentes nessa conta. Em procedimento de fiscalização a autoridade fiscal constatou ter a autuada movimentado valores na conta Itaú 293335 e para as quais, devidamente intimada sucessivas vezes não trouxe elementos suficientes para comprovar as origens, levando ao surgimento da presunção expressa do art.287, do RIR. Em sede de Impugnação, bem como do Recurso Voluntário, a recorrente discorreu longamente sobre o tema, no entanto, faltou o principal: a comprovação das origens dos recursos que permitiram fossem carreados às suas contas bancárias, mantidas junto a instituições financeiras e os valores apontados pelo Fisco. Os lançamentos relativos aos anoscalendário de 2011 tiveram sustentáculo na movimentação bancária da autuada que apresentou substanciais valores lançados a crédito das contas por ela mantidas em diversas instituições financeiras e para os quais, devidamente intimada a comprovar suas origens, na forma prevista na legislação vigente não logrou êxito. Durante o procedimento fiscalizatório a fiscalizada teve sucessivas oportunidades para que justificasse os créditos ocorridos em suas contas bancárias, ou seja, as origens de tais recursos, não logrando êxito em sua comprovação. Oportuna se faz a transcrição da doutrina de Maria Rita Ferragut (in Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001) a lecionar que uma prova indireta condutora da mesma ‘probabilidade fática’ da prova direta, in verbis: “Assim, tem a Administração Pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção homini de forma alguma significa que a tributação ocorrerá em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do Fl. 2324DF CARF MF Processo nº 17883.720021/201463 Acórdão n.º 1402002.678 S1C4T2 Fl. 1.117 13 jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível.” A mesma autora no artigo ‘Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação’ (in Revista Dialética de Direito Tributário n.º 67, Dialética, São Paulo) assim esclarece: “As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa”. A prova indiciária é pacificamente admitida como já decidido pelo CARF: Primeira Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão 25/01/2011 Relator(a) ANTONIO BEZERRA NETO Nº Acórdão 1401000.405 ASSUNTO: PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em uma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes Nessas circunstâncias cumpre ao fisco tão somente provar o indício, como, de fato, foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas, mantidas à margem da escrituração regular ou em poder dos sócios. No presente caso, o procedimento fiscal avançou por vários meses, tempo mais que suficiente para que a fiscalizada promovesse a entrega do que foi requisitado pelo Fisco (documentos que comprovassem as origens dos recursos que permitiram a movimentação bancária estampada), o que não ocorreu. Iguais fundamentos são aplicados em relação à conta HSBC – Bonsucesso, a Recorrente apresentou seu razão contábil e extrato bancário em que constam transferências da REDECARDT e CIELO para a referida conta, o que não comprova contudo que os valores depositados sob a rubrica caixa equivalem a referidas transferências, ou que tais valores tenham sido efetivamente submetidos à tributação. Por esses motivos, entendo que também em relação a esta conta a Recorrente esta não se desincumbiu de seu ônus probatório, pelo que voto pela manutenção do auto de infração. Fl. 2325DF CARF MF 14 A contribuinte não apresentou impugnação específica quanto as Contas Santander (14399) e HSBC (817118 e 640530), de sorte que devem ser mantidas as autuações referentes a essas contas. Subsiste ainda o argumento de que a autuação deveria retirar da base de receita tributável os valores já submetidos à tributação apresentados em DIPJ e DRE, no valor de R$ 17.756.022,26. Ocorre que tal posicionamento seria contraditório, pois se excluíssemos os valores apresentados em DIPJ e DRE, como efetivamente tributados, da autuação, significaria reconhecermos que esses valores não são receitas omissas. Assim sendo, por coerência lógica, entendo que o argumento não subsiste. Pelo exposto, entendo que da autuação fiscal em relação ao item 001 deve ser excluída (valores depositados na conta Itaú 015991) subsistindo a autuação quanto aos demais valores decorrentes da ausência de demonstração da comprovação da origem dos depósitos bancários. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 2326DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.907803/2011-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/10/2000
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO PARCIALMENTE COMPROVADO.
Uma vez confirmada pela fiscalização em diligência a existência parcial do direito creditório, este há de ser reconhecido, no limite no crédito identificado.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-003.641
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 31/10/2000 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO PARCIALMENTE COMPROVADO. Uma vez confirmada pela fiscalização em diligência a existência parcial do direito creditório, este há de ser reconhecido, no limite no crédito identificado. Recurso Voluntário parcialmente provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10850.907803/2011-09
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5756439
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.641
nome_arquivo_s : Decisao_10850907803201109.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 10850907803201109_5756439.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6884612
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468693118976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1557; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.907803/201109 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301003.641 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2017 Matéria Restituição. Direito creditório comprovado. Recorrente GREEN VEICULOS COMERCIO E IMPORTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/10/2000 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO PARCIALMENTE COMPROVADO. Uma vez confirmada pela fiscalização em diligência a existência parcial do direito creditório, este há de ser reconhecido, no limite no crédito identificado. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição, cumulado com declarações de compensação, de créditos de Cofins, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração outubro de 2000. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 78 03 /2 01 1- 09 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10850.907803/201109 Acórdão n.º 3301003.641 S3C3T1 Fl. 3 2 O despacho decisório emitido pela unidade de origem indeferiu o pedido de restituição e não homologou a Dcomp, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho propôs ainda a lavratura de auto de infração, para exigir a multa isolada de 50%, conforme o § 17 c/c o § 15, do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, sobre o montante cuja compensação não foi homologada. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real do recolhimento a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tal pagamento seria devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Argumentou que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Requereu ainda a reunião destes autos com o processo nº 10850.721795/201288, o qual havia exigido a multa isolada sobre o montante cuja compensação foi não homologada. Concluiu, requerendo o reconhecimento do direito à restituição e a homologação da Dcomp. Caso o direito creditório não fosse reconhecido, propôs o cancelamento da multa de mora de 20%. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa. Ao analisar o caso, a DRJ em Ribeirão Preto (SP), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos nos termos do Acórdão 14 043.851. O contribuinte foi intimado do conteúdo desta decisão, e, insatisfeito com o seu conteúdo, interpôs Recurso Voluntário. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10850.907803/201109 Acórdão n.º 3301003.641 S3C3T1 Fl. 4 3 Este Conselho, então, através da Resolução nº 3801000.705, entendeu por converter o julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem apurasse a composição da base de cálculo da Contribuição com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil do contribuinte, relativa aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores a restituir inicialmente pleiteados, correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Em atendimento à referida resolução foi elaborada a informação fiscal constante nos autos, através da qual a fiscalização propôs o reconhecimento do direito creditório decorrente do recolhimento a maior apurado, sendo o contribuinte intimado quanto ao teor desta e, posteriormente, encaminhado o processo para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.633, de 24 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10850.722388/201115, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.633): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição de créditos de Cofins, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração de setembro de 2002, no valor de R$ 3.344,37. Como bem assentou este Conselho quando da Resolução nº 3801 000.677, quanto à matéria de direito, assiste razão ao contribuinte, visto que o alargamento da base de cálculo da COFINS inserta no art. 3º, parágrafo 1º da Lei n. 9.718/1998 já foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e, ao contrário do que constou da decisão recorrida, tal entendimento deve ser observado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o que se extrai dos fundamentos da resolução abaixo transcritos, os quais adoto como razão de decidir: A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10850.907803/201109 Acórdão n.º 3301003.641 S3C3T1 Fl. 5 4 estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência aos princípios da ampla defesa e da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito, vejamos o alegado: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10850.907803/201109 Acórdão n.º 3301003.641 S3C3T1 Fl. 6 5 RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Atentese que em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, essa discussão deixou de ser pertinente, vez que as normas em questão instituíram nova base de cálculo, desta feita com amparo na Constituição Federal, pela redação da Emenda Constitucional 20, de 1998. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10850.907803/201109 Acórdão n.º 3301003.641 S3C3T1 Fl. 7 6 Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição COFINS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de Cofins no período de apuração apontado no pedido de restituição, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins). Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição da Cofins e eventuais pagamentos a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. Ou seja, nos termos da resolução em questão, ainda que a matéria de direito fosse de fácil resolução, entenderam os julgadores naquela oportunidade que não havia nos autos elementos suficientes para que se confirmasse a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Isso porque, como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de tais características. Eventual dúvida existente, contudo, restou dirimida pela informação fiscal realizada em decorrência da diligência determinada por este Conselho. No caso concreto ora analisado, restou confirmada pela fiscalização a existência de direito creditório no montante de R$ 3.220,13, cuja conclusão transcrevo a seguir: Após, apuração da Contribuição da COFINS devida para o mês de Setembro de 2002 no valor de R$.6.509,48, e observado que o valor total recolhido foi de R$.9.729,61 (fls.13), concluímos que o valor recolhimento a maior é de R$.3.220,13. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10850.907803/201109 Acórdão n.º 3301003.641 S3C3T1 Fl. 8 7 Desta forma, proponho o reconhecimento do direito creditório pleiteado no Pedido de Restituição às fls.2, transmitido através do programa PERDCOMP sob o nº 38979.57407.160807.1.2.040345, no valor de R$.3.220,13. Mencionese ainda que, intimado para se manifestar sobre o resultado desta diligência, o contribuinte não se manifestou (vide despacho de fl. 277 dos autos), o que leva a crer que concordou com o valor identificado pela fiscalização, ainda que parcial ao seu pleito originário, no valor de R$ 3.344,37. Diante do acima exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de, reconhecendo o direito creditório no importe de R$ 3.220,13, conforme apurado na informação fiscal de fls. 270 e seguintes dos autos, deferir parcialmente o pedido de restituição e, em consequência, determinar a homologação do pedido de compensação, no limite do crédito reconhecido." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a unidade de origem, em atendimento a diligência requerida, conforme apurado na informação fiscal, propôs o reconhecimento do direito creditório pleiteado decorrente de recolhimento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado no importe de R$ 17,73, conforme apurado na informação fiscal constante nos autos, e, em consequência, determinar a homologação do pedido de compensação, no limite do crédito reconhecido. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.907276/2014-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXIGIBILIDADE.
Ao tempo de sua existência, o mandado de procedimento fiscal não era exigível para fins de instauração do procedimento de compensação.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
OFENSA À NORMA DE EXECUÇÃO CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. IMPROCEDÊNCIA.
Eventual desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007 não constitui violação às garantias do contraditório e da ampla defesa.
DECISÃO RECORRIDA VICIADA. DÉFICIT DE TRANSPARÊNCIA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. COMPREENSÃO DO CRITÉRIO DO JULGADOR. IMPROCEDÊNCIA.
Inexiste o alegado déficit de transparência na decisão recorrida, que se baseara em razoável critério para o cálculo do direito de crédito da recorrente, quando esta explicita que pôde compreender o critério empregado pela instância a quo.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. VERIFICAÇÃO. DECADÊNCIA. CTN, ARTIGOS 150, § 4º, ou 173, I. IMPROCEDÊNCIA.
A certificação da certeza e liquidez do crédito decorrente de saldo negativo de CSLL não se submete às regras de decadência dos artigos 173, I, e 150, § 4º, do CTN.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE CSLL/FONTE. CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CRITÉRIO DA PROPORCIONALIDADE.
Não se pode reconhecer o crédito decorrente das retenções de CSLL na fonte incidente sobre a totalidade da receita auferida, já que o cotejo de informações coligidas das fontes de receitas permitiu a conclusão de que parte desse total não foi tributado na declaração. Nessa situação, deve-se admitir o crédito decorrente da CSLL retida na fonte, na proporção das receitas tributadas na DIPJ, tendo em conta que a sonegação de receitas tributáveis na DIPJ reduz a CSLL devida e, por consequência, aumenta indevidamente o saldo negativo de CSLL.
Numero da decisão: 1301-002.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXIGIBILIDADE. Ao tempo de sua existência, o mandado de procedimento fiscal não era exigível para fins de instauração do procedimento de compensação. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 OFENSA À NORMA DE EXECUÇÃO CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. Eventual desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007 não constitui violação às garantias do contraditório e da ampla defesa. DECISÃO RECORRIDA VICIADA. DÉFICIT DE TRANSPARÊNCIA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. COMPREENSÃO DO CRITÉRIO DO JULGADOR. IMPROCEDÊNCIA. Inexiste o alegado déficit de transparência na decisão recorrida, que se baseara em razoável critério para o cálculo do direito de crédito da recorrente, quando esta explicita que pôde compreender o critério empregado pela instância a quo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. VERIFICAÇÃO. DECADÊNCIA. CTN, ARTIGOS 150, § 4º, ou 173, I. IMPROCEDÊNCIA. A certificação da certeza e liquidez do crédito decorrente de saldo negativo de CSLL não se submete às regras de decadência dos artigos 173, I, e 150, § 4º, do CTN. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE CSLL/FONTE. CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CRITÉRIO DA PROPORCIONALIDADE. Não se pode reconhecer o crédito decorrente das retenções de CSLL na fonte incidente sobre a totalidade da receita auferida, já que o cotejo de informações coligidas das fontes de receitas permitiu a conclusão de que parte desse total não foi tributado na declaração. Nessa situação, deve-se admitir o crédito decorrente da CSLL retida na fonte, na proporção das receitas tributadas na DIPJ, tendo em conta que a sonegação de receitas tributáveis na DIPJ reduz a CSLL devida e, por consequência, aumenta indevidamente o saldo negativo de CSLL.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 12448.907276/2014-54
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5764497
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.549
nome_arquivo_s : Decisao_12448907276201454.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : FLAVIO FRANCO CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 12448907276201454_5764497.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6911272
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468717236224
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-08-24T17:22:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-08-24T17:18:41Z; Last-Modified: 2017-08-24T17:22:03Z; dcterms:modified: 2017-08-24T17:22:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:68704267-c6a4-4708-a52a-93b2227f3c68; Last-Save-Date: 2017-08-24T17:22:03Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-08-24T17:22:03Z; meta:save-date: 2017-08-24T17:22:03Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-08-24T17:22:03Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-08-24T17:18:41Z; created: 2017-08-24T17:18:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; Creation-Date: 2017-08-24T17:18:41Z; pdf:charsPerPage: 1755; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-08-24T17:18:41Z | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.379 1 1.378 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.907276/201454 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.549 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2017 Matéria COMPENSAÇAO Recorrente SERES SERVIÇO DE RECRUTAMENTO E SELEÇÃO DE PESSOAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXIGIBILIDADE. Ao tempo de sua existência, o mandado de procedimento fiscal não era exigível para fins de instauração do procedimento de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 OFENSA À NORMA DE EXECUÇÃO CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. Eventual desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007 não constitui violação às garantias do contraditório e da ampla defesa. DECISÃO RECORRIDA VICIADA. DÉFICIT DE TRANSPARÊNCIA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. COMPREENSÃO DO CRITÉRIO DO JULGADOR. IMPROCEDÊNCIA. Inexiste o alegado déficit de transparência na decisão recorrida, que se baseara em razoável critério para o cálculo do direito de crédito da recorrente, quando esta explicita que pôde compreender o critério empregado pela instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. VERIFICAÇÃO. DECADÊNCIA. CTN, ARTIGOS 150, § 4º, ou 173, I. IMPROCEDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 72 76 /2 01 4- 54 Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 12448.907276/201454 Acórdão n.º 1301002.549 S1C3T1 Fl. 1.380 2 A certificação da certeza e liquidez do crédito decorrente de saldo negativo de CSLL não se submete às regras de decadência dos artigos 173, I, e 150, § 4º, do CTN. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE CSLL/FONTE. CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CRITÉRIO DA PROPORCIONALIDADE. Não se pode reconhecer o crédito decorrente das retenções de CSLL na fonte incidente sobre a totalidade da receita auferida, já que o cotejo de informações coligidas das fontes de receitas permitiu a conclusão de que parte desse total não foi tributado na declaração. Nessa situação, devese admitir o crédito decorrente da CSLL retida na fonte, na proporção das receitas tributadas na DIPJ, tendo em conta que a sonegação de receitas tributáveis na DIPJ reduz a CSLL devida e, por consequência, aumenta indevidamente o saldo negativo de CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório, que homologou parcialmente a compensação declarada pelo PER/DCOMP nº 19580.88877.210512.1.7.037546 e não homologou as compensações declaradas pelos PER/DCOMP nº 11625.78947.270210.1.7.035401 e 40368.63936.240310.1.3.038102, com vistas à efetivação do encontro de contas entre débitos tributários e crédito decorrente de saldo negativo de CSLL do segundo trimestre do anocalendário de 2008. Alega a recorrente que o saldo negativo supracitado é o total da CSLL retida na fonte, no valor de R$ 168.964,55, tendo em conta que a CSLL calculada na DIPJ é igual a zero, para o referido trimestre. Todavia, consta no Despacho Decisório, à fl. 11, que a autoridade fiscal só confirmou a importância de R$ 66.228,57, a título de CSLL retida na fonte. Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 12448.907276/201454 Acórdão n.º 1301002.549 S1C3T1 Fl. 1.381 3 Assim, a autoridade fiscal apurou saldo negativo de CSLL do segundo trimestre de 2008 igual a R$ 66.228,57, o que não bastou para compensar integralmente o débito de COFINS referente ao mês de janeiro de 2009, de R$ 122.134,19. Nesses termos, não restou saldo negativo de CSLL do segundo trimestre de 2008 disponível para as compensações declaradas nos PER/DCOMP nº 11625.78947.270210.1.7.035401 e 40368.63936.240310.1.3.038102 . Com o julgamento da manifestação de inconformidade, proclamouse que o total de retenções na fonte alcançou a importância de R$ 135.695,43, por força do reconhecimento do crédito adicional de R$ 69.466,86, uma vez acolhidos “os valores informados em Dirfs das fontes pagadoras, mesmo que com códigos de arrecadação e CNPJs diversos dos indicados na manifestação e na Dcomp, desde que o código seja relativo ao tributo em tela e os CNPJs básicos sejam coincidentes.” Assim, deduzindose a CSLL devida no período (zero), determinouse que a recorrente dispunha de saldo negativo de CSLL, para o segundo trimestre de 2008, no valor de R$ 135.695,43 (R$ 135.695,43 – zero). Decisão de primeira instância assim ementada, à fl. 726: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 SALDO NEGATIVO DE CSLL. RETENÇÃO NA FONTE. CRÉDITO. Tendo havido retenção na fonte de CSLL, o correspondente saldo negativo pode ser utilizado como crédito para fins de compensação com outros tributos." Ciência da decisão de primeira instância em 12/04/2016, à fl. 754. Recurso a este Colegiado às fls. 757/782, com entrada na repartição de origem no dia 11/05/2016, conforme fl. 756. Nessa oportunidade, aduz que é pessoa jurídica de direito privado, submetida ao regime de tributação com base no lucro real trimestral, e que apurou, no segundo trimestre de 2008, saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 168.964,55 oriundo de retenções efetuadas pelas fontes pagadoras, no total de R$ 169.964,55, de acordo com o indicado na DIPJ do exercício. Além disso, acrescenta o seguinte: 1) considerando aquele crédito, coubelhe transmitir, como de fato transmitiu, o PER/DCOMP n° 19580.88877.210512.1.7.037546, com objetivo de proceder ao encontro de contas necessário à extinção da dívida tributária; 2) não obstante a entrega regular do referido PER/DCOMP, tomou ciência de que o Despacho Decisório reconhecera parcialmente o crédito pleiteado, limitando o saldo negativo disponível de CSLL do segundo trimestre de 2008 ao valor de R$ 66.228,57, sob a justificativa de que inexistia comprovação suficiente das retenções na fonte; 3) irresignada com o citado Despacho Decisório, apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade à primeira instância, perante a qual comprovou a efetiva existência do crédito informado no PER/DCOMP, mediante documentos hábeis e idôneos; Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 12448.907276/201454 Acórdão n.º 1301002.549 S1C3T1 Fl. 1.382 4 4) contudo, a DRJ julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendo um crédito adicional de R$ 69.466,86, o que implicou desprezar parte das retenções sofridas, por deixar de validar informações sobre a CSLL retida na fonte, em função da aplicação do limite percentual de 80,31%, resultante da relação entre as receitas declaradas na DIPJ do exercício de 2009 (DIPJ/2009) e as receitas informadas em DIRF pelas fontes pagadoras, para o mesmo anocalendário. Não fosse este redutor, a autoridade julgadora de primeira instância teria reconhecido o crédito adicional de R$ 88.385,66, conforme quadro anexo ao acórdão recorrido; 5) não é admissível a adoção do percentual de 80,31%, anteriormente citado, pois inexiste na legislação tributária disposição normativa que autorize o agente fiscal, com base em critério estimado, a limitar crédito proveniente de saldo negativo formado por retenções de tributo pela fonte pagadora de rendimentos, presumindo a inexistência de tributação na declaração. 6) a decisão recorrida valeuse da receita anual informada pelas DIRF, quando deveria ter considerado receitas e retenções relativas ao saldo negativo da CSLL do segundo trimestre de 2008, em consonância com o regime de tributação trimestral adotado pela recorrente; 7) o acórdão recorrido criou metodologia de fiscalização não prevista em lei, ao tentar modificar a apuração da CSLL do segundo trimestre de 2008 sem que tenha havido a emissão de mandado de procedimento fiscal específico, em respeito às regras do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 142, do CTN; 8) qualquer questionamento a respeito do valor apurado no anocalendário de 2008, no que diz respeito aos elementos da formação da base de cálculo e das informações escrituradas na DIPJ correspondente, deveria observar o prazo decadencial de cinco anos, à luz do artigo 150, § 4o, CTN; 9) a autoridade julgadora jamais demonstrou como encontrara os valores que embasaram a decisão recorrida, pois simplesmente alegou que verificara, nas DIRF dos tomadores de serviços, que havia diferenças, embora, pelo exame das DIRF anexadas aos autos, seja inviável localizar os valores apresentados; 10) nas referidas DIRF, verificase que os valores indicados se referem ao total de impostos e contribuições retidos no anocalendário de 2008. Podese ver que não há como verificar os valores referentes ao segundo trimestre do mesmo anocalendário; 11) impõese que se afaste o mencionado limitador, reconhecendose o crédito na integralidade, diante da ausência de fundamentação legal para a aplicação deste critério, até porque a recorrente comprova, por meio da documentação acostada, a existência do crédito relativo ao segundo trimestre do anocalendário de 2008; 12) uma vez atribuída à fonte pagadora a responsabilidade pela retenção e recolhimento da CSLL, o contribuinte não fica obrigado ao recolhimento do tributo já retido pela fonte pagadora, podendo deduzir o valor da CSLL retida em sua declaração de rendimentos, em consonância com o entendimento exarado no Parecer Normativo nº 1/2002, com base no qual expediuse a Solução de Consulta Cosit nº 377/2014, que dispõe no sentido de que, “na hipótese de a compensação ser considerada não homologada ou não declarada, Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 12448.907276/201454 Acórdão n.º 1301002.549 S1C3T1 Fl. 1.383 5 eventual cobrança do débito retido e não extinto recairá exclusivamente sobre a fonte pagadora”; 13) o próprio acórdão recorrido, a partir da análise das informações constantes das DIRF, atestou a efetiva retenção dos valores de CSLL incidentes nas operações em questão, razão pela qual este fato é incontroverso, sendo inclusive dispensável a apresentação dos comprovantes de retenção; 14) a glosa de parte do valor oferecido à compensação sob a premissa de não confirmação do tributo retido pelas fontes pagadoras anula o direito creditório em questão, já que equivale a cobrar a contribuição em dobro, considerando que este já foi retido na forma de antecipação pelo responsável tributário (fonte pagadora); 15) não bastassem os documentos já juntados, como as notas fiscais correspondentes aos maiores tomadores de serviços, a recorrente anexa ao presente recurso os extratos bancários do mesmo período, a fim de comprovar definitivamente a integralidade do crédito pleiteado; 16) à luz do extrato da conta corrente, em anexo, o valor bruto da nota fiscal, descontando as retenções, equivale ao valor pago à recorrente, razão por que o Fisco Federal não pode, sob pena de enriquecimento sem causa, cobrar algo que foi retido pelas tomadoras de serviços e recolhidos ao Erário; 17) malgrado o reconhecimento do crédito adicional de R$ 69.466,86, em sede de primeira instância, a autoridade julgadora a quo não foi transparente na prolação da decisão recorrida, pois deixou de explicar o modo pelo qual apurou o valor do antedito adicional, já que se limitou a dizer que verificara, nas DIRF dos tomadores de serviços, que os valores retidos seriam diversos; 18) a respeito do subitem anterior, chama a atenção o fato de ter declarado crédito proveniente de retenções de CSLL, efetuadas pela fonte inscrita no CNPJ com raiz nº 33.781.055, no valor total de R$ 91.677,50 (R$ 62.611,56 + R$ 29.065,94), quanto o julgador a quo só reconheceu o montante de R$ 86.100,07 (R$ 57.146,15 + 28.953,92), sem justificar o critério e a metodologia de apuração do valor encontrado; 19) as DIRF juntadas aos autos pelo julgador denotam que os valores nelas indicados se referem ao total de impostos e contribuições retidos durante todo o ano calendário de 2008, por cada fonte pagadora, não sendo possível identificar os valores a título de CSLL relativos, apenas, ao segundo trimestre do anocalendário de 2008; 20) percebese, por conseguinte, a falta de transparência no critério utilizado pelo acórdão recorrido, o que impossibilitou a discussão das razões determinantes ao provimento parcial do crédito de R$ 168.964,55, declarado em PER/DCOMP; 21) em casos análogos, a jurisprudência administrativa pátria tem reiterado que, uma vez demonstrado o erro no preenchimento de documentos fiscais e constatada a existência do crédito, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, reconhecendose o crédito e homologada a compensação declarada; 22) mesmo quando o CARF não homologa diretamente as compensações transmitidas com equívocos materiais, este órgão julgador determina o retorno dos autos à DRF Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 12448.907276/201454 Acórdão n.º 1301002.549 S1C3T1 Fl. 1.384 6 de origem, para que seja reapreciado o crédito postulado em PER/DCOMP, levando em consideração o erro no preenchimento; 23) caso o Colegiado entenda pela impossibilidade de apreciar o mérito, a recorrente deve ser chamada a demonstrar a legitimidade do crédito, porquanto a autoridade fiscal deixou de intimála para justificar as diferenças e apresentar documentos hábeis à comprovação de seu direito creditório, incorrendo em total violação ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo tributário; 24) não fosse assim, a Receita Federal do Brasil não teria editado a Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007, a qual, ao definir procedimentos relativos ao tratamento de pedidos de restituição, ressarcimento e declarações de compensação formalizadas mediante PER/DCOMP, determinou que, nas verificações de divergências relacionadas ao crédito tributário utilizado nas declarações, a Receita Federal do Brasil deve previamente intimar o contribuinte a demonstrar a regularidade do crédito; 25) tal entendimento é corroborado pela jurisprudência administrativa, em consonância com o que se depreende do acórdão n° 1239.074, pelo qual a 7a Turma da DRJ/Rio de Janeiro anulou despacho decisório proferido nos autos do processo administrativo n° 10725.900.095/200815, ao argumento de que a ausência de intimação do contribuinte para comprovar a regularidade do crédito utilizado em procedimento de compensação viola a Norma de Execução CODAC/COSIT/ COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007; 26) portanto, a expedição de Despacho Decisório sob o fundamento de que o crédito não seria suficiente, sem a prévia intimação ao contribuinte, ou mesmo a baixa dos autos para realização de diligência fiscal, incorre em nulidade, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72 (Regulamento do Processo Administrativo Fiscal Federal reproduzido pelo art. 12, inciso II, do Decreto n° 7.574/11); 27) diante deste cenário, é preciso ressaltar que a autoridade fazendária deve obediência às regras positivadas, sejam elas estabelecidas por diplomas legais ou por atos normativos internos de conduta e execução, emanados dos órgãos da Administração Pública, como é o caso da Receita Federal do Brasil; 28) uma vez presentes os fatos acima expostos, não resta alternativa distinta da pronúncia de nulidade parcial da decisão recorrida, em face da violação aos princípios da verdade material, contraditório e ampla defesa, afora o descumprimento da Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007, motivos que impelem a conversão do julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a provar a legitimidade da parcela do crédito vindicado não reconhecida pelo acórdão recorrido; 29) por todo o exposto, a recorrente requer: a) seja admitido, processado e julgado o presente recurso voluntário, produzindo os efeitos que lhe são próprios, com a suspensão da exigibilidade de todos os créditos tributários objeto de compensação com crédito de saldo negativo de CSLL do segundo trimestre de 2008, mormente aqueles dos processos de cobrança nº 12448.909.131/201498 e 12448.909.132/201432; b) no mérito, seja reconhecido integralmente o crédito proveniente de saldo negativo de CSLL do segundo trimestre de 2008, homologandose integralmente a Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 12448.907276/201454 Acórdão n.º 1301002.549 S1C3T1 Fl. 1.385 7 compensação declarada no PER/DCOMP nº 19580.88877.210512.1.7.037546 e cancelandose os valores apontados como devidos nos processos de cobrança nº12448.909.131/201498 e 12448.909.132/201432, pelos seguintes motivos: b.1) decurso do prazo decadencial de a Fazenda Pública glosar o aludido crédito; b.2) impossibilidade de utilização do limitador de 80,31% estimado e definido pelo julgador, haja vista a inexistência de previsão legal; b.3) violação aos princípios da confiança legítima, verdade material, legalidade, razoabilidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, eficiência e impossibilidade de enriquecimento sem causa, que regem o processo administrativo fiscal; e (c) caso se entenda pela impossibilidade de julgamento do mérito, seja determinado o retorno dos autos à DRJ para a efetiva análise dos documentos juntados aos presentes autos relativo à parcela do crédito não reconhecido pelo acórdão recorrido e, em cumprimento à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/CACAJ/ COTEC Nº 6/2007, seja convertido em diligência o presente feito, intimandose a recorrente a demonstrar a legitimidade dos créditos, declarandose parcialmente nulo o acórdão recorrido na parcela que não reconhece o seu direito de crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do recurso voluntário, foram observados os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Primeiramente, a questão alusiva à decadência estabelecida no § 4º do artigo 150 do CTN, para "qualquer questionamento a respeito do valor apurado no ano calendário de 2008, bem como dos elementos da formação da base de cálculo e das informações escrituradas na DIPJ correspondente". Para o deslinde da questão, mostrase necessário descortinar que o PER/DCOMP nº 19580.88877.210512.1.7.037546 foi transmitido pela recorrente no dia 21/05/2012 (fl. 692), em retificação ao PER/DCOMP nº 23059.79926.190209.1.3.033038, com vistas à compensação entre o alegado crédito decorrente do saldo negativo de CSLL do segundo trimestre do anocalendário de 2008, no valor de R$ 168.964,55, e o débito de COFINS , de janeiro de 2009, na importância de R$ R$ 122.134,19. A diferença entre o crédito e o débito mencionados também foi objeto de compensação com débitos tributários informados nos PER/DCOMP nº11625.78947.270210.1.7.035401 e 40368.63936.240310.1.3.038102, conforme fls. 732/739. A compensação veiculada por PER/DCOMP pode se tornar definitiva, por homologação tácita, após o intervalo de cinco anos, contados da data da transmissão do documento que a veicula, na forma do § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996: Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 12448.907276/201454 Acórdão n.º 1301002.549 S1C3T1 Fl. 1.386 8 “Art. 74 ...... .................. 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” Levandose em conta que a transmissão do PER/DCOMP nº19580.88877.210512.1.7.037546 data de 21/05/2012, a homologação tácita da compensação por ele veiculada só poderia ocorrer em 21/05/2017. Entretanto, o Despacho Decisório, à fl. 8, data de 07/08/2014, cientificado à recorrente no dia 14/08/2014, à fl. 706. Nesses termos, revelase patente que não houve homologação tácita da compensação declarada, pois a autoridade fiscal agiu dentro do lapso temporal de que dispunha para revêla. E se podia revêla dentro desse interregno, podia averiguar a certeza e a liquidez do crédito oferecido ao encontro de contas. Porém, nada nos autos demonstra que a autoridade fiscal tenha alterado a base de cálculo do tributo, efetuando adição de receitas omitidas de despesas ou custos indedutíveis, como também não se vê recálculo do tributo devido, por ato de ofício, com a aplicação de alíquota ou coeficiente de apuração distinto daquele que fora empregado pela recorrente. Enfim, nada nos autos denota que houve lançamento tributário, como tal definido "o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível", nos termos do artigo 142 do CTN. Distintamente, o que se vê nos autos é a atuação da autoridade fiscal em busca da comprovação dos créditos que a recorrente registrou como antecipação do tributo devido apurado na DIPJ. Por conseguinte, é descabida a afirmação de que a autoridade fiscal burlou a regra decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, ou do artigo 173, inciso I, do mesmo Código. Tal argumento tem o objetivo de iludir o julgador, desviandoo para um tema que não diz respeito ao fenômeno jurídico ocorrido. Em face, pois, do exposto, proponho a rejeição da preliminar de decadência. Quanto ao tema seguinte, defende a recorrente que o acórdão recorrido criou metodologia de fiscalização não prevista em lei, ao tentar modificar a apuração da CSLL do segundo trimestre de 2008, sem que tenha havido a emissão de mandado de procedimento fiscal específico, em respeito às regras do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 142, do CTN. Antes de tudo, vale salientar que o mandado de procedimento fiscal (MPF), hoje extinto, foi instituído pelo artigo 2º do Decreto n° 3.724/2001, cuja redação, na época da expedição do Despacho Decisório, já havia sido alterada pelo Decreto nº 6.104/2007 (já revogado), verbis: “Art. 2o Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007).” Na ocasião, coube aos artigos 2º e 3º da Portaria RFB nº 3.014/2011 (revogada pela Portaria RFB nº 1.687/2014) a regulação das espécies de MPF e dos tipos de procedimentos fiscais sujeitos a controle mediante mandado: Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 12448.907276/201454 Acórdão n.º 1301002.549 S1C3T1 Fl. 1.387 9 “Art. 2º Os procedimentos fiscais no âmbito da RFB serão instaurados com base em Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e deverão ser executados por AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, observada a emissão de: I Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF), para instauração de procedimento de fiscalização; e II Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência (MPFD), para realização de diligência. Art. 3º Para fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela RFB, bem como da correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em lançamento de ofício com ou sem exigência de crédito tributário, apreensão de mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos comerciais; e II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Parágrafo único. O procedimento fiscal poderá implicar a lavratura de auto de infração, a notificação de lançamento ou a apreensão de documentos, materiais, livros e assemelhados, inclusive por meio digital." No que tange à natureza do MPF, consolidouse na jurisprudência administrativa o entendimento de que tal instrumento constituía mero meio de controle administrativo, despido, como tal, “de aptidão para interferir no procedimento fiscal regulado pelo Decreto nº 70.235/1972, como também carecia de força jurídica suficiente à subtração do poder de fiscalização conferido à autoridade fiscal por ato normativo aprovado pelo Parlamento, no curso de devido processo legislativo” (acórdão nº 1301002.102, 1ª TO/3ª CA/1ª SJ, relator Conselheiro Flávio Franco Corrêa). Quanto à aplicação do MPF, é preciso precedentemente distinguir que o procedimento de compensação abarca atos relacionados entre si e encadeados numa sequência lógica com vistas à extinção do crédito tributário já constituído, ao passo que o MPF se destinava ao controle dos designados: (i) procedimentos de fiscalização, assim considerados os trabalhos fiscais de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), bem como da correta aplicação da legislação do comércio exterior. Essas verificações são aquelas que podem resultar em lançamento de ofício com ou sem exigência de crédito tributário, apreensão de mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos comerciais (artigo 3º, inciso I, da Portaria RFB nº 3.014/2011); e Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 12448.907276/201454 Acórdão n.º 1301002.549 S1C3T1 Fl. 1.388 10 (ii) procedimentos de diligência, assim chamadas os trabalhos fiscais voltados à coleta de informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual (artigo 3º, inciso II, da Portaria RFB nº 3.014/2011). Destaquese do exposto que o procedimento de compensação não visa à constituição de crédito tributário, porque só os créditos tributários já constituídos podem ser compensados. Por outro lado, a lei estabelece que o sujeito passivo deve ser punido com a multa isolada, quando se comprove falsidade da declaração apresentada, na forma do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Logicamente, a multa em referência deve ser aplicada após a conclusão do procedimento de compensação. Ou seja, uma vez constatada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, deve a autoridade fiscal, ao cabo do procedimento de compensação, determinar a abertura de procedimento de fiscalização para a imposição da multa isolada. Assim, é preciso salientar que o procedimento de compensação não resulta em lançamento de ofício, porque se esgota com a decisão sobre a compensação pretendida. Portanto, procedimento de compensação não se confunde com procedimento de fiscalização. Este pode decorrer daquele, quando for constatada a falsidade da declaração apresentada. Entretanto, não é de se estranhar que, no curso do procedimento de compensação, o sujeito passivo ou terceiros sejam intimados a prestar esclarecimentos. Nessas circunstâncias, o procedimento de compensação pode dar ensejo à abertura de procedimento de diligência para a obtenção de informações necessárias à conclusão do procedimento de compensação. Aí o que se vê é a instrumentalidade do procedimento de diligência, pois este, nessas situações, apenas se destina à conclusão do procedimento de compensação. Diante disso, realçase a improcedência do argumento de que o acórdão recorrido criou metodologia de fiscalização não prevista em lei, ao tentar modificar a apuração da CSLL do segundo trimestre de 2008, sem que tenha havido a emissão de mandado de procedimento fiscal específico, em respeito às regras do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 142 do CTN. Como adiantado, não houve procedimento de fiscalização, porque não se verificou o cumprimento da legislação tributária, mas apenas se havia prova de retenções de CSLL em montante suficiente à formação do saldo negativo informado. E de modo algum alterouse a CSLL apurada na DIPJ. Tudo o que se fez não foi além de averiguar se as retenções de CSLL na fonte superavam, ou não, a CSLL que o próprio sujeito passivo apurou em sua DIPJ. Assim vistos os fatos, rejeitase a preliminar arguida. Avançando, no passo subsequente, à questão referente à suposta violação às garantias do contraditório e da ampla defesa, por desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. A Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007 é mera norma interna corporis que disciplina, no âmbito do órgão fiscal, a atuação de vários agentes que intervêm no procedimento de compensação. De modo algum podese acolher a tese de que o eventual desrespeito a tal disciplina administrativa reflita possível violação às Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 12448.907276/201454 Acórdão n.º 1301002.549 S1C3T1 Fl. 1.389 11 garantias do contraditório e da ampla defesa. Como é cediço, no procedimento de compensação, o direito ao contraditório e à ampla defesa nasce apenas no momento em que a autoridade fiscal não homologa a compensação declarada pelo contribuinte, conforme § 9º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, introduzido pela Lei nº 10.833/2003, verbis: “Art. 74 ....... § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação." (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) E mais: a teor do § 10 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, cabe recurso ao CARF da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Já por força do § 11 do citado artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, é lícito afirmar que o recurso voluntário ao CARF e a manifestação de inconformidade são espécies do recurso previsto no inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional, além de se submeterem ao rigor do Decreto nº 70.235/1972, verbis: "§ 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação." (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) A linha diretiva que ressai dos §§ 9º a 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 está espelhada no artigo 119, caput e §§, do Decreto nº 7.574/2011: “Art. 119. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no art. 110, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 9o, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). § 1o Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 10, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17; Decreto no70.235, de 1972, art. 25, inciso II, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). § 2o A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 1o obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 1972 (Título II deste Regulamento), e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 11, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17)." Como se vê, há um conjunto de regras jurídicas que instituiu, no plano legal, o esquema das garantias do contraditório e da ampla defesa plasmadas no texto constitucional, especificamente direcionadas à efetivação do diálogo entre o Estado Fiscal e o administrado, quando este manifesta que pretende compensar, na forma prevista em lei, débitos tributários e supostos créditos em face do mesmo Estado. Nesse esquema, o desenhista institucional estabeleceu que a decisão que não homologa, total ou parcialmente, a compensação declarada Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 12448.907276/201454 Acórdão n.º 1301002.549 S1C3T1 Fl. 1.390 12 pode ser contestada, não os atos anteriores a ela. Portanto, é descabida a assertiva de que a ausência de intimação do contribuinte, destinada à comprovação da regularidade do crédito utilizado em procedimento de compensação, deve acarretar a pronúncia de invalidade da decisão recorrida, por cerceamento ao contraditório e à ampla defesa, tendo em conta que, no esquema legal de defesas do contribuinte, o direito à manifestação de inconformidade não suge antes da emissão da decisão não homologatória da compensação. Tal é o juízo a ser proferido com suporte nos aludidos preceitos normativos, embora exista outra perspectiva que também acena para idêntica conclusão. Reparese: as disposições normativas do artigo 74, caput e §§ 1º, 2º e 5º da Lei nº 9.430/1996 permitem asselar que a transmissão do PER/DCOMP é um ato material pelo qual o contribuinte manifesta a vontade consciente de efetuar a compensação entre débitos e créditos tributários, desde logo concretizada, tal a simultaneidade da execução do ato (transmissão do PER/DCOMP) com os efeitos compensatórios imediatamente gerados, embora a definitividade de tais efeitos esteja condicionada à homologação da compensação pela autoridade fiscal, que dispõe do lapso temporal de cinco anos para realizála, sob pena de homologação tácita. "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação." (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Por sua vez, a homologação é um ato administrativo mediante o qual a autoridade estatal examina a legalidade de um ato anterior. Nesse cenário, a homologação não tácita da compensação tributária declarada não dispensa a certificação, pela autoridade homologante, da existência e da suficiência do crédito alegado. Essa certificação implica verificação dos supostos fatos geradores do crédito, o que é executado ao longo de uma etapa logicamente antecedente à homologação. Como já foi dito, o direito ao contraditório e à ampla defesa surge apenas após a edição do ato administrativo que não homologa a compensação declarada. Logo, as verificações anteriores ao ato final da autoridade homologante, enquanto atos despidos de conteúdo decisório, não se submetem às determinações legais que fixaram o contraditório e a ampla defesa. Em outras palavras, antes do despacho decisório da autoridade com atribuição para a homologação da compensação declarada, o trabalho fiscal percorre uma fase administrativa de índole inquisitória, indispensável ao exame da legalidade do declarado encontro de contas. Assim, não procede a tese defensiva que advoga a prática de ato atentatório às garantias do contraditório e da ampla defesa, por desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 12448.907276/201454 Acórdão n.º 1301002.549 S1C3T1 Fl. 1.391 13 Na questão subsequente, a recorrente salienta que, malgrado o reconhecimento do crédito adicional de R$ 69.466,86, em sede de primeira instância, a autoridade julgadora a quo não foi transparente na prolação da decisão recorrida, pois se limitou a dizer que verificara, nas DIRF dos tomadores de serviços, que os valores retidos seriam diversos. A tal respeito, examinando a decisão recorrida, à fl. 728, vislumbrase o seguinte trecho do voto onde o relator da instância a quo conecta os fatos apurados à decisão tomada em relação a cada uma das fontes pagadoras, registrando, no quadro anexo, o resultado da análise por ele efetuada: “Tendose (sic) em vista as “Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas” constantes do detalhamento da análise de crédito referido no parágrafo anterior e em face da manifestação, fezse a comparação dos valores nela indicados e que não foram confirmadas ou o foram parcialmente no despacho decisório, com as Dirfs apresentadas pelas fontes pagadoras informadas (fls. 714 a 725). O valor efetivamente comprovado, já deduzido do reconhecido parcialmente no despacho decisório (considerado o valor zero para o caso de valor reconhecido nesse despacho ser maior do que o confirmado em Dirf), consta na última coluna de quadro ao final deste voto (fl. 729). Conforme destacado no referido quadro, foram aceitos os valores informados em Dirfs das fontes pagadoras, mesmo que com códigos de arrecadação e CNPJs diversos dos indicados na manifestação e na Dcomp, desde que o código seja relativo ao tributo em tela e os CNPJs básicos sejam coincidentes.” Com o trecho acima reproduzido, o relator da instância a quo expôs os critérios e a metodologia empregados na elaboração do quadro anexo ao acórdão recorrido, que apresenta a configuração abaixo: Fl. 1391DF CARF MF Processo nº 12448.907276/201454 Acórdão n.º 1301002.549 S1C3T1 Fl. 1.392 14 Está claro que o acórdão recorrido admitiu todos os valores declarados em DIRF, independentemente (i) do código de retenção e (ii) da distinção entre CNPJ da matriz e CNPJ de filial. Também não há dúvida de que, confirmandose a retenção em DIRF, o acórdão recorrido limitouse ao valor que fora aposto no PER/DCOMP, quando este era inferior ao valor confirmado em DIRF, o que está correto, pois o julgador não pode alterar o planejamento do contribuinte, aumentando, ex officio, o montante do crédito a ser compensado, cujo aproveitamento se submete a prazo prescricional. Percebase, nesses termos, a aglutinação de todas as retenções, independentemente de código, no que toca ao CNPJ com raiz nº Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 12448.907276/201454 Acórdão n.º 1301002.549 S1C3T1 Fl. 1.393 15 33.781.055, a traduzir um bloco de um mesmo CNPJ. Por todas essas razões, o acórdão recorrido autorizaria o crédito de R$ 86.100,07 (R$ 57.146,15 + 28.953,92), em relação a este CNPJ com raiz nº 33.781.055, não fosse limitador de 80,31 %. Não obstante o exposto acima, a apreciação do suscitado vício de transparência ainda reclama o exame de outros aspectos trazidos à baila, na peça recursal. Nessa toada, diz a recorrente que não é admissível a adoção do percentual de 80,31 %, resultante da relação entre as receitas declaradas na DIPJ do anocalendário de 2008 e as receitas informadas em DIRF pelas fontes pagadoras, para fins de aferir o crédito proveniente do saldo negativo de CSLL do segundo trimestre do anocalendário de 2008, pois inexiste na legislação tributária disposição normativa que autorize o agente fiscal a realizar tal inferência com base em estimativa. Também sustenta que, para proceder ao cálculo mencionado, a decisão recorrida valeuse da receita anual informada pelas DIRF, quando deveria ter considerado receitas e retenções relativas ao saldo negativo da CSLL do segundo trimestre de 2008, em consonância com o regime de tributação trimestral adotado pela recorrente. Nesse contexto, assinala que a autoridade julgadora jamais demonstrou como encontrara os valores que embasaram a decisão recorrida, pois simplesmente alegou que verificara, nas DIRF dos tomadores de serviços, que havia diferenças, embora os valores indicados nessas DIRF se refiram ao total de impostos e contribuições retidos no anocalendário de 2008. Assim, não seria possível verificar os valores referentes ao segundo trimestre do mesmo anocalendário, a acarretar o afastamento do mencionado limitador, reconhecendose o crédito na integralidade, diante da ausência de fundamentação legal para a aplicação deste critério, até porque haveria prova, por meio da documentação acostada, da existência do crédito relativo ao segundo trimestre do anocalendário de 2008. Nesse ponto, impõe que se dê atenção, por ora, apenas aos argumentos que evocam questões preliminares ao mérito. Tal perspectiva obsta, ainda que temporariamente, a discussão sobre a correção ou a incorreção do critério empregado pela Fiscalização, porquanto o que se quer saber se restringe à existência de clareza suficiente, na decisão recorrida, ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Com efeito, podese ver que a própria recorrente menciona, à fl. 761, que o percentual de 80,31 % decorre da relação entre o total das receitas declaradas em DIPJ, para os quatro trimestres de 2008, e o total da receita anual informada em DIRF, para o mesmo período. Portanto, não há o indigitado déficit de transparência que poderia comprometer a efetividade da defesa. Diante disso, propõese a rejeição da nulidade suscitada. Em face do exposto, rejeitamse as nulidades requeridas. Agora, passando ao exame do mérito, constatase que a decisão recorrida valeuse de um critério segundo o qual o crédito decorrente das retenções de CSLL na fonte não pode ultrapassar a relação percentual entre a receita anual declarada na DIPJ e a receita anual informada nas DIRF. No caso concreto, a receita anual declarada na DIPJ correspondeu a 80,31 % da receita anual informada em DIRF. Tal percentual foi aplicado pela instância julgadora a quo sobre o total das retenções da CSLL na fonte, declarado no PER/DCOMP nº 19580.88877.210512.1.7.037546, no valor de R$ 168.964,55, apurandose o crédito de saldo negativo de CSLL disponível para compensação, na importância de R$ 135.695,43. Segundo a recorrente, não é admissível a adoção do percentual anteriormente citado, pois inexiste na legislação tributária disposição normativa que autorize o agente fiscal, com base em critério estimado, a limitar o crédito proveniente de saldo negativo formado por Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 12448.907276/201454 Acórdão n.º 1301002.549 S1C3T1 Fl. 1.394 16 retenções de tributo pela fonte pagadora de rendimentos, presumindo a inexistência de tributação na declaração. Além disso, a defesa destaca que a decisão recorrida balizouse pela receita anual, quando deveria ter considerado receitas e retenções relativas ao saldo negativo da CSLL do segundo trimestre de 2008, em consonância com o regime de tributação trimestral adotado pela recorrente. A recorrente pleiteia o reconhecimento do crédito indicado no PER/DCOMP nº 19580.88877.210512.1.7.037546, escorandose nas provas documentais juntadas na impugnação e no recurso voluntário, a partir das quais alega que, como traduz o extrato da conta corrente, em anexo, o valor bruto das notas fiscais acostadas aos autos, descontando as retenções, equivale ao valor pago à recorrente, razão por que o Fisco Federal não pode, sob pena de enriquecimento sem causa, cobrar algo que já foi retido pelas tomadoras de serviços e recolhidos ao Erário, afinal a retenção da CSLL na fonte é forma de antecipação da CSLL devida ao final do trimestre. Nessas circunstâncias, assinala que as consequências da omissão das pessoas jurídicas tomadoras de serviço que não apresentaram DIRF devem ser imputadas às próprias fontes responsáveis pelos pagamentos efetuados em benefício da recorrente, jamais à beneficiária. Diante dos argumentos da recorrente, é necessário sublinhar os seguintes fatos, que devem ser levados em conta: 1) as cópias de notas fiscais reunidas na impugnação, às fls. 26/688, não estão acompanhadas dos respectivos lançamentos contábeis e de extratos bancários aptos a comprovar o recebimento do valor bruto do preço do serviço prestado, descontado da CSLL retida na fonte. Tal evidência afasta, por si só, a utilidade dessas notas fiscais para os fins esperados pela recorrente. Isso porque, ainda que as fontes pagadoras das receitas não tenham transmitido a DIRF, admitese a comprovação do tributo retido na fonte à vista dos registros contábeis acompanhados da nota fiscal (ou fatura) respectiva e do recebimento do valor líquido. Confirase: “RETENÇÕES DE IMPOSTO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Na hipótese de a fonte pagadora não fornecer o comprovante anual de retenção, sua prova pode se dar por meio dos registros contábeis do beneficiário, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor líquido quitado pela fonte pagadora.” (Acórdão nº 1101000.988 – 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária – sessão de 10/10/2013, rel. Conselheira Edeli Pereira Bessa) Ressaltase do julgado selecionado a exigência de comprovação da entrada de divisas, o que não se revela factível sem o lastro de terceira pessoa, afinal “ninguém pode constituir título de prova a favor de si mesmo, porque é justificável a suspeita de que quem afirma, ou negue, um dado de fato o faça, ainda que contra a realidade, porém unicamente para favorecer seu próprio interesse”1; 2) já as cópias de notas fiscais inseridas nos autos no recurso voluntário, às fls. 803/1322, não estão acompanhadas dos registros contábeis das receitas recebidas e do crédito decorrente da CSLL retida na fonte, o que é imprescindível para a demonstração da 1 MESSINEO apud SEIXAS FILHO, Aurélio Pitanga. Princípios Fundamentais do Direito Administrativo Tributário – Função Fiscal, 2ª ed.. Rio de Janeiro: Forense, 1996, p. 56. Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 12448.907276/201454 Acórdão n.º 1301002.549 S1C3T1 Fl. 1.395 17 existência do crédito e da comprovação de que este decorre da retenção sobre receita contabilizada e submetida à tributação da CSLL na DIPJ. A CSLL retida na fonte poderá formar o saldo negativo a ser restituído ou compensado, sabendose que este saldo negativo é o excedente das deduções legais (nas quais se inclui a CSLL retida na fonte), em relação à CSLL devida, apurada na DIPJ. Ora, o cômputo, entre os créditos, da CSLL retida na fonte, que incidiu sobre rendimento sonegado à tributação da CSLL na DIPJ, aumenta indevidamente o saldo negativo. Por isso, surgidos os indícios do recolhimento de CSLL retida na fonte, a autoridade se depara com o pressuposto lógico da restituição/compensação da respectiva importância: a submissão da receita tributada na fonte à CSLL apurada na DIPJ, pois, não sendo assim, podese incorrer no erro de se deferir a compensação de CSLL incidente sobre receita não tributada na DIPJ. Aliás, tal questão é de ordem pública, já que, em nome do interesse público, impõese a necessária cautela, vedando se a restituição de qualquer valor a título de CSLL excedente, se não restar comprovado que ocorreu a tributação da receita na DIPJ. Consignese que esta Turma já registra precedente em sua jurisprudência, verbis: "RESTITUIÇÃO. IRRF.COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DO RENDIMENTO. Negase a restituição do imposto de renda retido na fonte se o requerente não comprovar que submeteu à tributação do IRPJ o rendimento sobre o qual incidiu a retenção." (Acórdão nº 1301002.075, relator Cons. Flávio Franco Corrêa) Tal entendimento está em sintonia com a Súmula Carf nº 80: “Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.” Considerando, pois, todo o arcabouço probatório, não há necessidade de diligências. Estas só se justificam quando existe dúvida a ser solucionada, o que não se confunde com a carência de prova do alegado. Ademais, não há censura ao critério empregado pelo julgador de primeira instância, que se valeu da proporção entre a receita total anual, informada em DIRF pelas fontes retentoras da CSLL, e o total anual informado pela recorrente em sua DIPJ. Digase, a propósito, que esta Turma registra decisão recente compatível com a posição ora assumida: "IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RENDIMENTOS PARCIALMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. PROPORCIONALIDADE. É direito do sujeito passivo computar, no saldo negativo apurado ao final do exercício, o imposto retido as sobre as receitas de aplicação financeira efetivamente contabilizadas e reconhecidas na base de cálculo, pois o tributo não pode ser utilizado como sanção pela omissão parcial de receitas, nos termos do art. 3º do CTN, respeitado o princípio da proporcionalidade." (acórdão nº Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 12448.907276/201454 Acórdão n.º 1301002.549 S1C3T1 Fl. 1.396 18 1301002.483, relator Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza) O cotejo entre os dados da DIPJ e das DIRF fez surgir o indício de receitas omitidas. Obviamente, não se pode reconhecer o crédito decorrente das retenções de CSLL na fonte incidente sobre a totalidade da receita auferida, já que o cotejo de informações permitiu a conclusão de que parte desse total não foi tributado na declaração. Nessa situação, devese admitir o crédito decorrente da CSLL retida na fonte, na proporção das receitas tributadas na DIPJ, tendo em conta que a sonegação de receitas tributáveis na DIPJ reduz a CSLL devida e, por consequência, aumenta indevidamente o saldo negativo de CSLL. Desse modo, o estabelecimento de um limite ao crédito derivado da CSLL retida na fonte, equivalente à proporção das receitas tributadas na DIPJ, obsta a dedução de parcela da CSLL retida na fonte incidente sobre as receitas sonegadas à tributação da CSLL na DIPJ. Também não há incompatibilidade entre a aplicação de um redutor do crédito fundado na proporção da receita total anual e as retenções trimestrais de CSLL na fonte, desde que o anocalendário considerado no cálculo da proporção das receitas tributadas na DIPJ abarque o período trimestral das retenções objeto da compensação declarada. De acordo com essa linha de raciocínio, a recorrente deve fazer jus a um montante de crédito originário das retenções de CSLL na fonte na mesma proporção de 80,31 %, aplicado sobre o valor anual total das retenções comprovadas. Acontece, porém, que o total anual confirmado em DIRF das retenções de CSLL, segundo a instância julgadora a quo, é igual a R$ 130.105,34, conforme fl. 729. Tal montante compreende as retenções de CSLL na fonte sobre receitas tributadas na DIPJ, bem como as retenções de CSLL na fonte sobre receitas sonegadas à tributação na DIPJ. Logo, o crédito da recorrente, derivado das retenções de CSLL na fonte sobre as receitas submetidas à CSLL apurada na DIPJ, deve ser calculado na proporção de 80,31 %, resultando na quantia de R$ 104.487,60. Entretanto, o Despacho Decisório já reconheceu o crédito proveniente de retenção de CSLL na fonte na importância de R$ 66.228,57, enquanto a autoridade julgadora de primeira instância garantiu uma parcela de crédito adicional de R$ 69.466,86, totalizando o montante de R$ 135.695,43. Portanto, a recorrente já assegurou o reconhecimento de saldo negativo de CSLL do segundo trimestre do anocalendário de 2008 na importância de R$ 135.695,43, valor superior àquele que lhe seria devido, como resultado da aplicação do percentual de 80,31 % sobre o total das retenções de CSLL informadas em DIRF. Diante de tais conclusões, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 12448.907276/201454 Acórdão n.º 1301002.549 S1C3T1 Fl. 1.397 19 Fl. 1397DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.900310/2012-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado.
Numero da decisão: 9303-005.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10925.900310/2012-08
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5766657
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.465
nome_arquivo_s : Decisao_10925900310201208.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : VANESSA MARINI CECCONELLO
nome_arquivo_pdf_s : 10925900310201208_5766657.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6923785
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468728770560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1828; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 185 1 184 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10925.900310/201208 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.465 – 3ª Turma Sessão de 26 de julho de 2017 Matéria PER/DCOMP PIS/COFINS Recorrente APC DO BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 03 10 /2 01 2- 08 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10925.900310/201208 Acórdão n.º 9303005.465 CSRFT3 Fl. 186 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte APC DO BRASIL LTDA. (fls. 130 a 168) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3802003.315 (fls. 121 a 127) proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de julgamento, em 22/07/2014, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10925.900310/201208 Acórdão n.º 9303005.465 CSRFT3 Fl. 187 3 alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF O presente processo tem origem em Declaração de Compensação (Per/Dcomp) de créditos de PIS/PASEP e COFINS, resultantes de pagamento indevido ou a maior, com débitos de CSLL, transmitido pela Contribuinte em 26/10/2009 (fls. 02 a 06), o qual restou não homologado nos termos do despacho decisório de 01/03/2012 (fls. 07 a 10). Não resignada, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 12 a 95), em cujo julgamento foi mantida a não homologação do pedido de compensação, conforme fundamentos lançados no Acórdão nº 0731.610 da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (fls. 98 a 101), sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra referida decisão, o Sujeito Passivo apresentou recurso voluntário (fls. 103 a 116), ao qual foi negado provimento nos termos do Acórdão nº 3802003.315 (fls. 121 a 127) proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de julgamento, em 22/07/2014, ora recorrido, por ter entendido o Colegiado, em síntese, que não basta, para comprovar a liquidez e certeza do crédito tributário, somente a DCTF retificadora, sendo necessário apresentar outros documentos que provem de forma inquestionável o erro no preenchimento da DCTF, providência não adotada pela Contribuinte. Em face da referida decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial (fls. 130 a 168), alegando divergência jurisprudencial quanto à obrigatoriedade de retificação da DCTF para compensação de pagamento indevido ou a maior, bem como quanto à obrigação da autoridade fazendária de solicitar outros documentos para aprofundar as verificações com vistas à busca da verdade material. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou os acórdãos paradigmas nºs 3102001.265 e 380302.670. Nas razões recursais, o Sujeito Passivo sustenta, em síntese, que: Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10925.900310/201208 Acórdão n.º 9303005.465 CSRFT3 Fl. 188 4 (a) no ano de 2009, procedeu à revisão de seus livros de apuração do PIS e da COFINS, verificando pagamentos a maior no ano de 2006. Para aproveitar referido crédito, formalizou requerimento de compensação, procedendo à retificação dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON. No entanto, não procedeu à alteração das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, pois transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos, tendo requisitado a alteração de ofício; (b) o acórdão recorrido reputa imprescindível a retificação da DCTF para análise do pedido de compensação, bem como entende que no caso dos autos houve omissão da Contribuinte na apresentação de provas demonstrando o erro nas informações prestadas na DCTF, sendo o ônus de prova quanto a tal fato inteiramente do Sujeito Passivo; (c) quanto à necessidade de retificação na DCTF para homologação do pedido de compensação, não há óbice legal à apuração do crédito do Contribuinte, mesmo que a DCTF retificadora não tenha sido transmitida e/ou seja adotada a providência após o despacho decisório; (d) o entendimento da decisão recorrida privilegia a forma em detrimento do conteúdo, objetivo contrário ao do processo administrativo e que viola o princípio do formalismo moderado insculpido no art. 2º, §único, inciso IX, da Lei nº 9.784/99; (e) no que tange à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pretendido restituir pela Contribuinte, aduz que, diversamente do processo judicial, na esfera do contencioso administrativo federal, a prova, em princípio, é de iniciativa do julgador, consoante art. 29 da Lei nº 9.784/99. Assim, a Contribuinte juntou aos autos os documentos que considerava hábeis para comprovar a certeza e liquidez do indébito tributário; nesse caso, entendendo o órgão julgador serem os mesmos insuficientes, providência que se impunha era a intimação da parte para apresentar outros documentos, de modo a apurar o crédito em discussão, e não simplesmente negar o pedido de compensação; (f) por fim, requer o provimento do recurso especial, determinandose o retorno dos autos à origem para apuração da liquidez e certeza do crédito do Contribuinte. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 29 de junho de 2015 (fls. 172 a 176), proferido pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial com relação à possibilidade de homologação do pedido de compensação sem a prévia retificação da DCTF e de o órgão julgador solicitar outros documentos que entendia necessários para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 178 a 182) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10925.900310/201208 Acórdão n.º 9303005.465 CSRFT3 Fl. 189 5 O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. O acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário com base nos seguintes fundamentos: (a) a Contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório para demonstrar a certeza e liquidez do indébito tributário, pois ausente a comprovação de erro ou pagamento a maior que teriam originado o indébito pretendido compensar; (b) embora não tenha transmitido a DCTF retificadora, por força do princípio da verdade material, a empresa teria direito à compensação se demonstrados os atributos de certeza e liquidez do crédito tributário, não tendo se limitado a indeferir o pedido tão somente pela inexistência da DCTF retificadora. Do simples confronto com as ementas e trechos da fundamentação dos acórdãos paradigmas, depreendese existir a divergência jurisprudencial quanto à necessidade de retificação da DCTF para análise do pedido de compensação e, ainda, com relação ao papel do julgador no que tange à produção da prova de liquidez e certeza do crédito do contribuinte. Nesses termos é o despacho de admissibilidade: [...] Vejamos as ementas dos dois primeiros paradigmas apresentados (cópias de inteiro teor juntadas aos autos), transcritas na parte de interesse ao presente exame: Acórdão 3102001.265, de 10/11/2011: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10925.900310/201208 Acórdão n.º 9303005.465 CSRFT3 Fl. 190 6 Data do fato gerador: 31/01/2003 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS DESPACHO DECISÓRIO POSSIBILIDADE. A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada. Descaracterizadas às hipóteses em que a retificadora não produz efeitos. 1. Saldos enviados à PGFN para inscrição em DAU. 2. Valores apurados em procedimentos de auditoria interna já enviados a PGFN. 3. Intimação de início de procedimento fiscal. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Acórdão 3803026.70, de 22/03/2012: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão. Pelo exposto, cabe apontar que a decisão recorrida fundamentouse na ausência de elementos probatórios no autos capazes de comprovar a liquidez e certeza dos créditos pleiteados pelo sujeito passivo, bem como entende fundamental a retificação da DCTF, como antecedente da análise do pedido de compensação. Nos acórdãos paradigmas há, também, o debate acerca da necessidade de se proceder a retificação da DCTF para possibilitar a apuração da liquidez e certeza do crédito do contribuinte. Igualmente, se discute o papel do órgão julgador dos pedidos de compensação, no que tange à produção da prova de liquidez e certeza do crédito do contribuinte. Neste ponto, para melhor ilustrar a divergência ora sob análise, cabe transcrever fragmentos dos votos dos acórdãos paradigmas, respectivamente: Acórdão 3102001.265: (.......) De se acrescentar, ademais, que o acórdão recorrido consignou, dentre as razões de decidir, que a recorrente não teria feito prova dos créditos que dariam respaldo à compensação declarada. Em que pese a respeitável opinião daquele Colegiado. não vejo como. no presente processo, indeferir sumariamente o pleito em razão da não apresentação de elementos da escrita em sede de manifestação de inconformidade. De fato, analisando o despacho decisório à fl. 03. verificase que a justificam a para a nãohomologação da compensação teria sido exclusivamente a utilização do crédito para pagamento de outro tributo, consequência, como já apontado, da não retificação da DCTF. Ou seja. o fato com que, em momento algum o contribuinte foi informado de que, quando da apresentação da sua inconformidade, além de demonstrar a realocação do crédito, deveria apresentar elementos da sua escrita. Como se viu, o despacho Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10925.900310/201208 Acórdão n.º 9303005.465 CSRFT3 Fl. 191 7 decisório não traz qualquer consideração acerca desse aspecto e não consta dos autos qualquer intimação para apresentação de documentos. (.......) Acórdão 3803026.70: (.......) Salientamos que não existe norma na legislação de regência condicionando a apresentação do Per/Dcomp à prévia retificação da DCTF, apesar de este ser um procedimento lógico. O comando empregado pela decisão a quo para rejeitar o pedido consubstanciado na manifestação dc inconformidade, qual seja, o inciso III do § 2o do art. 11 da IN RFB n° 786/2007, abaixo reproduzido, se refere ao início do procedimento fiscal strictu sensu, ou seja, aquele que visa constituir o crédito tributário, o que não é o caso, umaa vez que o tributo já foi pago pelo contribuinte: (.......) No entanto, o acórdão recorrido aponta, conforme trecho do voto abaixo: (.......) Muito embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF. Quando muito, a incoerência do contribuinte macula de dúvida as informações por ele prestadas, o que afasta a certeza do crédito pleiteado. Verificase,ainda, que o contribuinte tentou retificar a supracitada DCTF para adequála ao pedido em tela e aos dados do Dacon. Contudo, não obteve sucesso (a transmissão não foi concluída), uma vez que havia se esgotado o prazo (05 anos) para que a recorrente tivesse o direito de apresentar ou retificar a DCTF (fl. 52). (.......) O contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no Acórdão Recorrido e os Acórdãos paradigmas, sobre a possibilidade de compensação conforme alega o recorrente que argumenta que juntou os documentos que entendia suficientes à comprovação do seu crédito e que se o órgão julgador entendia que outros seriam necessários, deveria ter intimado o mesmo a apresentálos, para apurar a liquidez e certeza do crédito, e não simplesmente indeferir o pedido de compensação, por conta de retificação da DCTF. [...] Portanto, deve ser dado seguimento o recurso especial da Contribuinte. Mérito O recurso especial de divergência da Contribuinte preenche os requisitos para ter prosseguimento, e portanto, necessário adentrarse à análise de mérito da demanda, que consiste em dois pontos: (a) possibilidade de apreciação e deferimento do pedido de Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10925.900310/201208 Acórdão n.º 9303005.465 CSRFT3 Fl. 192 8 compensação independentemente da apresentação de DCTF retificadora; e (b) atribuição do ônus da prova ao julgador para solicitar os documentos que entendia necessários à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário. a. Possibilidade de apreciação e deferimento do pedido de compensação independentemente da apresentação de DCTF retificadora A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.300/2012. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10925.900310/201208 Acórdão n.º 9303005.465 CSRFT3 Fl. 193 9 Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10925.900310/201208 Acórdão n.º 9303005.465 CSRFT3 Fl. 194 10 No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ser este o entendimento explicitado naquela ocasião pelo Colegaido a quo, não tendo sido homologada a compensação, embora também não apresentada a DCTF retificadora, mas sim e principalmente pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, por meio de outros documentos fiscais e contábeis da empresa. Por estas razões, não pode ser acolhido o pleito da Recorrente de serem homologadas as compensações. b. Ônus da prova para comprovação da certeza e liquidez do crédito Pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complemenares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para início dessa comprovação. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10925.900310/201208 Acórdão n.º 9303005.465 CSRFT3 Fl. 195 11 Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.724186/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA.
A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa, quando apresentada em fase recursal, em obediência ao artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
A decadência vem fulminar o direito subjetivo, quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é do contribuinte e não do fisco.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
CONCEITO DE INSUMO. NÃO-CUMULATIVIDADE.
O conceito de insumo é polissêmico, há que se observar o processo produtivo da contribuinte e verificar-se se o insumo enquadra-se nos custos de aquisição e produção - fatores de produção.
CRÉDITO. FRETES. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA.
O serviço de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.354
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, e na parte conhecida, por unanimidade, rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA. A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa, quando apresentada em fase recursal, em obediência ao artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. A decadência vem fulminar o direito subjetivo, quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é do contribuinte e não do fisco. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CONCEITO DE INSUMO. NÃO-CUMULATIVIDADE. O conceito de insumo é polissêmico, há que se observar o processo produtivo da contribuinte e verificar-se se o insumo enquadra-se nos custos de aquisição e produção - fatores de produção. CRÉDITO. FRETES. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. O serviço de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10855.724186/2012-31
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5756457
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.354
nome_arquivo_s : Decisao_10855724186201231.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10855724186201231_5756457.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, e na parte conhecida, por unanimidade, rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6884630
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468739256320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1701; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.724186/201231 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302004.354 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria PER/DCOMP PIS/COFINS Recorrente IHARABRAS SA INDUSTRIAS QUIMICAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA. A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa, quando apresentada em fase recursal, em obediência ao artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. A decadência vem fulminar o direito subjetivo, quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é do contribuinte e não do fisco. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CONCEITO DE INSUMO. NÃOCUMULATIVIDADE. O conceito de insumo é polissêmico, há que se observar o processo produtivo da contribuinte e verificarse se o insumo enquadrase nos custos de aquisição e produção fatores de produção. CRÉDITO. FRETES. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. O serviço de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 41 86 /2 01 2- 31 Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10855.724186/201231 Acórdão n.º 3302004.354 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, e na parte conhecida, por unanimidade, rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria, negarlhe provimento, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de Contribuição para o PIS/Pasep, apurado sob a modalidade não cumulativa, decorrente de vendas no mercado interno, referente ao 3o trimestre de 2008. O contribuinte apresentou declaração de compensação vinculadas ao PER Pedido Eletrônico de Restituição. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba – SP, por meio do Despacho Decisório constante nos autos, reconheceu em parte o direito creditório, homologando as compensações efetuadas até o limite reconhecido, haja vista principalmente, a glosa de fretes entre estabelecimentos da Empresa, os quais não poderiam ser objeto de creditamento nos termos da legislação vigente. Conforme consta no TVF, foi apurado que parte dos fretes sobre os quais a empresa tomou créditos não se referem a operações de venda, e sim, por questões logísticas, tão somente a operações de distribuição. Cientificada do despacho decisório, a Empresa apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade contestando a glosa dos fretes nas operações de venda, alegando que seria lógico a legislação fiscal possibilitar seu creditamento na sistemática de Pis/Cofins não cumulativos e simplesmente desconsiderar parte destes custos quando, por questões de logística e otimização de carga, o frete é desmembrado. Defende que a realização de transporte de mercadorias, seja de modo direto ou indireto, deve ser considerada sempre como destinado à venda para fins de composição da base de cálculo das referidas contribuições. Não se conformando com o indeferimento da parcela dos créditos calculados sobre fretes de transferência de mercadorias entre matriz e filiais ou entre filiais e centros de distribuição, já que entende tratarse de etapa essencial à atividade da empresa, que possui unidades produtivas em diversos municípios do país. Reforça seu entendimento alegando que a sistemática da nãocumulatividade ampararia o creditamento sobre os fretes entre estabelecimentos conforme calculado. Cita excertos de decisões judiciais e transcreve Soluções de Consulta proferidas pela SRF que entende como favoráveis ao seu entendimento. Conclui então que o procedimento adotado estaria de acordo com o Art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/03. Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10855.724186/201231 Acórdão n.º 3302004.354 S3C3T2 Fl. 4 3 Sobreveio, então, acórdão da DRJ/Porto Alegre, considerando a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 10050.207. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, onde repisou as alegações da manifestação de inconformidade e solicitou a reversão das glosas em relação ao arrendamento mercantil. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.337, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10855.002716/200729, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.337): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 07 de julho de 2014, fls. 788, e o recurso foi protocolado em 06 de agosto de 2014, fls. 790. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Da Matéria Preclusa No Recurso Voluntário, a Recorrente alega que a turma julgadora não emitiu juízo de valor sobre o crédito, decorrente de despesas com arrendamento mercantil. Discorre que a apropriação de créditos, decorrentes de custos com arrendamento mercantil, na apuração da COFINS não cumulativa, não foi condicionada ao fato de que o bem, equipamento ou veículo fosse utilizado na atividade fim da empresa, cita precedente do Carf e solicita a reversão da glosa. De fato, não há no acórdão da DRJ/Porto Alegre qualquer manifestação sobre a glosa de despesas com arrendamento mercantil, contudo, a Recorrente somente apresentou tal tema em fase recursal, não havendo, assim, como a decisão, ora contestada, pronunciarse sobre um tema que não havia sido manifestado no momento oportuno. Vale transcrever a legislação que discorre sobre a matéria que deve versar na impugnação administrativa: Decreto nº 70.235/1972 Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10855.724186/201231 Acórdão n.º 3302004.354 S3C3T2 Fl. 5 4 (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifos não constam no original) No caso em análise, a Recorrente não impugnou a glosa dos créditos decorrentes de despesas com arrendamento mercantil na fase da manifestação de inconformidade, que seria equivalente à impugnação. Por tal motivo, a matéria é preclusa e, portanto, não pode ser conhecida. 3. Da Prejudicial de Mérito Da Decadência A Recorrente alega que, no presente caso, operouse o instituto da decadência, uma vez que o seu pedido de ressarcimento eletrônico foi transmitido em 30 de agosto de 2007 às 16h13min e a sua ciência ocorreu em 17 de setembro de 2012. Assim, entende que concluído o prazo de cinco anos sem a manifestação da Receita Federal do Brasil, o pedido de restituição estaria decaído e, por conseguinte, tacitamente homologado. No caso em análise, observase a existência de dois pedidos: um de ressarcimento e outro de compensação. Assim, em primeiro, lugar é necessário observar se o contribuinte faz jus ao crédito pleiteado no ressarcimento, para, então, poder alocálo no pedido de compensação. Quanto ao pedido de ressarcimento, não há como considerar que há uma homologação tácita pelo decurso de tempo, conferindo direito ao crédito. O período de decadência, em análise, seria para o contribuinte efetuar o pedido de ressarcimento, uma vez que o instituto da decadência apresentase como uma forma de estabilizar as relações jurídicas, pois ela se apresenta como uma forma extintiva do direito subjetivo. No caso, a contribuinte faz jus ao direito subjetivo de pleitear o crédito, que entende que possui. Por outro lado, o fisco faz jus ao direito subjetivo de lançar o crédito, que entende que não foi constituído. Portanto, a decadência vem fulminar o direito subjetivo. Quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é da contribuinte e não do fisco. Assim, a existência do crédito no ressarcimento é premissa necessária para a compensação, não podendo falar em homologação tácita. Ademais, não há previsão legal de prazo para o fisco analisar o pedido de restituição. Portanto, rejeitase a prejudicial de decadência e não se conhece da matéria. 4. Dos Créditos Custos de Fretes A Recorrente alega que incorre em custos inevitáveis e necessários com transporte de seus produtos para suas filiais e centros de distribuição, razão pela qual eles devem integrar a base de créditos do PIS, pois se constituem em um verdadeiro insumo essencial na atividade produtiva da empresa, cita a legislação, entende insumo sob o aspecto da essencialidade. Pleiteia que os seus gastos com frete intermediário, aquele para o transporte de seus produtos para outros estabelecimentos, venham a compor a base de créditos do PIS. Cita soluções de consulta e pleiteia pela aplicação do princípio da isonomia. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10855.724186/201231 Acórdão n.º 3302004.354 S3C3T2 Fl. 6 5 Por fim, entende que o conceito de insumo deve ser analisado sob a ótica do imposto sobre a renda. Da Informação Fiscal, fls. 731, extraise: 3.6 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda O item IX do artigo 3° da lei 10.833/2003, traz a permissão para crédito de gastos com “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, “quando o ônus for suportado pelo vendedor”. A memória de cálculo apresentada pela empresa foi detalhada na planilha 6 – Despesas de Fretes e Armazenagem, gravada no CD 04, cujo conteúdo encontrase digitalmente anexado ao Recibo de entrega de arquivos digitais – READ. Nesta rubrica, ao auditála, percebeuse que o número da nota fiscal elencada na planilha e informada no lançamento contábil, tratavase, na verdade, do número da Fatura, que, como sabemos, pode agregar várias notas fiscais, ou Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas, o CTRC. (...) 3.6.1 – Fretes na Operação de Venda (...) Para calcular o valor do crédito de direito, procedeuse da seguinte forma: Extraímos os fretes interiharas, isto é, os fretes da Iharabrás para a própria Iharabrás, consolidando tais valores a fim de glosálos, nos Anexos IX “Fretes Consolidados Iharabrás Para Iharabrás Jul 2004 a Dez 2004 – Analítico” e Anexo X “Fretes Consolidados Iharabrás Para Iharabrás – Jul 2004 A Dez 2004 – Sintético”. Identificamos os fretes cujo remetente é a Iharabrás, e destinatário diverso, a fim de manter o creditamento. No que tange ao conceito de “insumos”, ele é polissêmico e não deve ser considerado como um termo de âmbito fechado, tampouco extremamente amplo; a sua interpretação há que se balizada pela proporcionalidade e razoabilidade, além do dever de observarse o contexto em que o determinado bem ou serviço está inserido, para, então, poder se configurar como despesas atinentes ao processo produtivo ou à prestação de serviço, havendo, assim, uma orientação própria na interpretação do conceito “insumo” a fim de observar o princípio da nãocumulatividade, presente na contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS. Há que se observar o processo produtivo da Recorrente e verificarse se o insumo enquadrase nos custos de aquisição e produção fatores de produção. Da doutrina contábil, extraise: Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10855.724186/201231 Acórdão n.º 3302004.354 S3C3T2 Fl. 7 6 d) Custo gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços. Custo é também um gasto, só que reconhecido como tal, isto é, como custo, no momento da utilização dos fatores de produção (bens e serviços), para a fabricação de um produto ou execução de um serviço1 Assim, assemelhase, em parte, aos custos de produção e despesas necessárias, previstos nos artigos 290, I, e 299, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, mas não há uma identidade total, devendo ser analisado caso a caso, já que se tratam de materialidades similares, mas não idênticas. Assim, ele não pode ser restrito ao conceito, previsto no IPI, nem tão amplo, quanto na legislação do imposto sobre a renda. Da legislação, extraise: Lei 10.637/2002 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; Lei 10.833/2003 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Assim, analisando o contexto, deverá se encontrar um caminho adequado, razoável, para equilibrar o conceito de insumo e, portanto, dar cumprimento à legislação, no caso, a Lei nº 10.637/2002 e a Lei nº 10.833/2003. O cerne da questão é se fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica pode ser considerado como insumo do processo produtivo. Para esclarecer como ocorre o creditamento de fretes no que concerne à contribuição para o PIS/Pasep, valese da preciosa lição do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no 1 MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010, p. 25. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10855.724186/201231 Acórdão n.º 3302004.354 S3C3T2 Fl. 8 7 acórdão nº 3302003.210, que explica didaticamente como ocorre e do qual se adota como fundamento: Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. (grifos não constam do original) Pela análise do anexo XIV, fls. 538 e seguintes, e pela própria argumentação da contribuinte, ela pleiteia pelo crédito de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, que por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito. Por tal motivação, mantémse a decisão da DRJ/Porto Alegre. 5. Conclusão Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10855.724186/201231 Acórdão n.º 3302004.354 S3C3T2 Fl. 9 8 Diante do exposto, conheço parcialmente o recurso voluntário, e, na parte conhecida, rejeito a prejudicial de mérito e, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o Recorrente não impugnou a glosa dos créditos decorrentes de despesas com arrendamento mercantil na fase da manifestação de inconformidade, sendo a matéria preclusa; e, portanto, não pode ser conhecida, e, no mérito, aplicase o mesmo entendimento quanto ao crédito de PIS/COFINS de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, ressalvando que no caso específico do processo não houve litígio quanto à prejudicial de decadência. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente o recurso voluntário, e, na parte conhecida, nego provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 736DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.720554/2010-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE.
As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-004.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por qualidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes e Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Designado o Conselheiro Walker Araújo, para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
(assinado digitalmente)
Walker Araújo - Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10882.720554/2010-82
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5756481
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.605
nome_arquivo_s : Decisao_10882720554201082.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 10882720554201082_5756481.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por qualidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes e Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Designado o Conselheiro Walker Araújo, para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. (assinado digitalmente) Walker Araújo - Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6884654
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468756033536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1699; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 403.393 1 403.392 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.720554/201082 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.605 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2017 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente NATURA COSMÉTICOS S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por qualidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes e Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Designado o Conselheiro Walker Araújo, para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 05 54 /2 01 0- 82 Fl. 403393DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Walker Araújo Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento eletrônico de nº 41076.70778.290708.1.1.101209 (fls. 3/5), em que a contribuinte pleiteia o ressarcimento de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep do 2º trimestre de 2008, no valor de R$ 5.175.491,75, a ser utilizado na compensação de débitos do IRPJ e da CSLL do mês de julho de 2008, declarada por meio da DComp nº 14285.53613.2908.1.3.103359 (fls. 6/9). Em 17/11/2010, o Delegado Adjunto da DRF em Osasco, com respaldo no Parecer Seort nº 1333/2010 (fls. 21/29), por meio do Despacho Decisório de fl. 29, indeferiu o referido Pedido de Ressarcimento e não homologou as compensações declaradas. O referido Despacho Decisório foi declarado nulo pela 3ª Turma da DRJ em Campinas/SP, por intermédio Acórdão nº 0538.171, de 18 de junho de 2012, sob o fundamento de que a decisão não fora motivada adequadamente. Com o retorno dos autos à unidade da Receita Federal de origem, foi prolatado novo Despacho Decisório (fls. 403054/403060), que indeferiu o pleito de ressarcimento e não homologou as compensações vinculadas, sob o fundamento de que o desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre às despesas com armazenagem de mercadoria e com frete na operação de venda, no caso de o ônus ter sido assumido pelo vendedor, não se aplicava em relação aos produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal, sujeitos a tributação concentrada/monofásica, prevista na Lei 10.147/2000. A autoridade fiscal esclareceu ainda que a requerente: a) informara que o direito creditório pleiteado fora apurado sobre despesas incorridas com fretes nas vendas dos produtos sujeitos à tributação concentrada (monofásicos); b) esclarecera que as despesas que deram origem ao crédito ocorreram no período compreendido entre 05/2004 e 10/2007, tendo inclusive apresentado planilha demonstrativa da composição do crédito pleiteado e cópia do livro de registro de apuração do ICMS, comprovando o valor total da despesa incorrida com frete em cada período de apuração; e c) destacara que o crédito fora calculado proporcionalmente ao valor total das receitas provenientes, única e exclusivamente, das vendas dos produtos sujeitos à tributação concentrada, não aproveitado anteriormente. Em sede de Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou as razões de defesa, que foram assim resumidas no relatório encartado na decisão recorrida: Afirma que as Leis nº 10.637 e nº 10.833, de 2003 garantem o direito à apuração de créditos de PIS e da Cofins não cumulativos sobre gastos imprescindíveis para o desenvolvimento de sua atividade empresarial e a percepção da Fl. 403394DF CARF MF Processo nº 10882.720554/201082 Acórdão n.º 3302004.605 S3C3T2 Fl. 403.394 3 receita, como vem a ser o caso dos dispêndios com fretes nas operações de venda, inclusive nas vendas de produtos sujeitos à tributação monofásica. A seu ver, a interpretação sistemática das Leis nº 10.637, de 2002 nº 10.833, de 2003 e nº 11.033 de 2004, afasta o entendimento que orientou o despacho decisório. Diz que a não cumulatividade das ditas contribuições é princípio que tem sede na Constituição e cujo alcance não pode ser restringido pelo legislador ordinário. Acrescenta que o critério a ser invocado na aplicação do princípio da não cumulatividade é o da percepção do faturamento ou receita e não, como ocorre com relação a legislação do ICMS e do IPI, a desoneração de determinada venda de bens. Nesse cenário, o conceito de insumo para efeito de apuração de créditos não cumulativos não coincide com o utilizado na formatação do IPI. Assim, prossegue, os créditos permitidos devem refletir todas as despesas e os custos que colaboram direta ou indiretamente na formação do faturamento. Entende assim, que não pode prosperar a glosa de créditos calculados sobre os fretes, mesmo os incorridos nas vendas de produtos sujeitos à tributação concentrada já que estes se revelam indissociáveis do auferimento das receitas. Na sequência de sua manifestação de defesa, a contribuinte detalha sua atividade empresarial, especificamente a forma de distribuição de seus produtos pelo sistema de venda direta ou portaaporta, procurando justificar a necessidade de desembolso dos valores pagos com fretes: Em outras palavras, todos os serviços de transporte contratados (frete) pela Requerente estão diretamente relacionados com as vendas dos produtos da marca “Natura”, pois viabiliza a sua remessa para os revendedores autônomos e posterior distribuição para os consumidores finais, sendo imprescindíveis para o desenvolvimento da atividade empresarial geradora de receitas, representando, portanto, gasto efetivo, usual, normal e necessário. Sobre o entendimento expresso no despacho decisório de que haveria vedação legal à apuração de créditos sobre dispêndios com fretes nas vendas de produtos sujeito à tributação concentrada, diz que a alínea a “b” do inciso I do art. 3º das Leis nº 10.637 de 2002 e nº 10.833, de 2003 vedou apenas apuração de créditos sobre as aquisições, para revenda, de produtos sujeitos à tributação concentrada. Não se estenderia essa vedação aos fretes incorridos na vendas desses produtos, como também seria o entendimento expresso pela própria Receita Federal do Brasil na regulamentação do ressarcimento e compensação de créditos não cumulativos tratado no art. 27 da Instrução Normativa nº 1.300, de 2012. Assim, a citada alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº Fl. 403395DF CARF MF 4 10.833, de 2003 não se aplica aos demais gastos incorridos nas vendas dos produtos monofásicos, como é o caso dos fretes. Continuando, interpreta ela própria o inciso IX, art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, concluindo que não há nenhuma vedação à apuração de crédito não cumulativo sobre os fretes suportados pelo vendedor nas operações de venda de produtos sujeitos à tributação monofásica. Destaca a contribuinte, mais à frente, que a possibilidade de apuração de créditos sobre o frete mesmo na venda de produtos sujeitos à tributação monofásica se impõe na medida em que impede o efeito cascata já que os serviços de frete são normalmente tributados pelo PIS e Cofins. Abrindo outro tópico, discorre a peça de defesa acerca da impossibilidade de cobrança de estimativas de IRPJ e CSLL compensadas com o crédito em discussão. Isso porque, após o encerramento do anocalendário, as estimativas deixam de existir, assumindo em seu lugar a apuração do tributo com períodobase anual. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 403127/403137), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. FRETES NA VENDA. PRODUTOS TRIBUTADOS COM INCIDÊNCIA CONCENTRADA/MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. Pessoa jurídica que, na espécie, atua no ramo de venda por atacado de produtos de perfumaria, higiene pessoal e de toucador, sujeitos ao modelo monofásico de incidência não cumulativa do PIS, não pode, tendo em vista expressa vedação legal, apurar créditos relativos às despesas de frete na venda dos aludidos produtos, ainda que os fretes tenham sido por ela suportados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 8/7/2013, a interessada foi cientificada da referida decisão (fl. 403139). Inconformada, em 6/8/2013, protocolou o recurso voluntário de fls. 403141/403214, em que reapresentou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Fl. 403396DF CARF MF Processo nº 10882.720554/201082 Acórdão n.º 3302004.605 S3C3T2 Fl. 403.395 5 O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese às questões atinentes a: a) possibilidade ou não de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre as despesas com frete nas operações de revenda de produtos sujeitos ao regime de tributação concentrada do tipo monofásica; e b) não cabimento da cobrança dos débitos das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, informados na referida DComp, sob o argumento de que, após o final do período de apuração dos referidos tributos, tais débitos não eram mais passíveis de cobrança, mas os débitos dos referidos tributos apurados final do anãocalendário de 2008, com base no ajuste anual. Da apropriação dos créditos. Em geral, o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre as despesas com frete nas operações de venda, encontrase assegurado no art. 3º, IX, da Lei 10.833/2003, especificamente para Cofins, mas cujo efeito foi expressamente estendido também para a Contribuição para o PIS/Pasep pelo art. 15, II, do mesmo diploma legal. Para maior clareza, transcrevese a seguir os citados preceitos legais: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; [...] (grifos não originais) Notícia os autos que a recorrente é pessoa jurídica dedicada ao comércio atacadista de produtos de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal e que apura o IRPJ com base no lucro real, portanto, sujeita ao regime de apuração não cumulativo das referidas contribuições. Nessa condição, a recorrente alegou que fazia jus à dedução de créditos relacionados às despesas com frete nas operações de revenda dos citados produtos, sob o argumento de que, embora tais produtos estivessem sujeitos ao regime de tributação monofásica, ela tinha o direito de apropriação de créditos sobre as despesas com frete nas operações de revenda dos citados produtos, nos termos art. 3º, IX, da Lei 10.833/2003. Fl. 403397DF CARF MF 6 Por sua vez, o Colegiado julgador de primeiro grau manteve o não reconhecimento do direito creditório pleiteado pela recorrente, sob fundamento de que art. 3º, IX, combinado com do disposto no art. 15, II, da Lei 10.833/2003, não amparava a pretensão da recorrente, em face do disposto no art. 3º, I, “b”, combinado com o disposto no art. 2º, § 1º, II, da Lei 10.637/2002, a seguir transcritos: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II no inciso I do art. 1o da Lei no10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, no caso de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal nele relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] b) no § 1º do art. 2º desta Lei1; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Da interpretação sistemática dos preceitos legais transcritos, é possível afirmar que a autorização de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, calculados sobre as despesas com frete nas operações de revenda ou venda, aplicase somente às despesas vinculadas às operações de revenda dos bens adquiridos prontos e de venda dos produtos acabados produzidos ou fabricados pelo vendedor, decorrentes das operações de aquisição dos bens adquiridos para revenda ou dos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, submetidos ao regime não cumulativo a 1 A partir da nova redação dada pela Lei 11.787/2008, a referida alínea passou a ter o seguintes teor: "b) nos §§ 1oe 1oA do art. 2odesta Lei;". Fl. 403398DF CARF MF Processo nº 10882.720554/201082 Acórdão n.º 3302004.605 S3C3T2 Fl. 403.396 7 alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento), conforme estabelecido no art. 3º, I e II, da Lei 10.637/2002. Todavia, por força do disposto no art. 3º, I, “b”, da Lei 10.637/2002, as operações de aquisição do bens para revenda relacionados no art. 2º, § 1º, do mesmo diploma legal, não sujeitas à alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento), foram expressamente excluídos da autorização de descontar créditos calculados sobre os respectivos custos de aquisição, dentre os quais, cabe destacar o custo de aquisição de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal para revenda por distribuidor ou comerciante final, posto que sujeitos ao regime de cobrança concentrada no fabricante ou importador, nos termos do art. 1o da Lei 10.147/2000. Com efeito, ao vincular o direito de apropriação de créditos sobre as despesas com frete nas operações de venda de “bens adquiridos para revenda” aos casos previsto no inciso I do art. 3º da Lei 10.637/2002, assim como o Colegiado julgador a quo, este Relator também entende que o art. 3º, IX, da Lei 10.833/2003, expressamente, excluiu o direito de apropriação de créditos sobre as despesas com frete nas operações de revenda dos produtos excepcionados na alínea “b” do inciso I do citado art. 3º, o que alcança, portanto, as operações de revenda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, comercializados pela recorrente e objeto do presente pedido de ressarcimento. Sabidamente, a lei não contém palavras inúteis, conforme ensina o vetusto brocardo jurídico. Logo, se o inciso IX do artigo 3º limitou as despesas com frete aos “casos dos incisos I e II”, por força do disposto do princípio da estrita legalidade tributária, não cabe ao interprete fazer qualquer interpretação extensiva, especialmente, para ampliar hipótese de apropriação de créditos para situações não expressamente prevista em lei. A recorrente alegou que, diante da estratégia empresarial por ela adotada (“venda direta” ou “portaaporta”), a contratação de serviços de transporte (frete) era absolutamente imprescindível para a remessa para os revendedores autônomos, e posterior distribuição aos consumidores finais, dos produtos da marca “Natura” por ela comercializados, incluindo os produtos sujeitos à tributação concentrada (monofásica). Assim, se as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 não vedavam expressamente a apuração de créditos sobre as despesas com fretes incorridas nas vendas dos produtos monofásicos, não podia o intérprete restringir a sistemática não cumulativa de apuração e recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sob pena de violação ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária. Não assiste à recorrente. No âmbito do regime não cumulativo das referidas contribuições, instituído pelos citados diplomas legais, as hipóteses que asseguram o direito de apropriação de créditos das referidas contribuições são apenas aquelas taxativa e expressamente mencionadas nos incisos I a XI do art. 3º da Lei 10.833/2003, com as restrições contidas no referido preceito legal. Assim, para correta interpretação, primeiro devese analisar as hipóteses de permissão de apropriação de créditos, expressamente, previstas no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 e, em segundo, analisar as restrições determinadas no referido comando legal. Seguindo essa orientação, com base no disposto no art. 3º, IX, da Lei 10.833/2003, extraise que, desde que o vendedor assuma o ônus, as despesas com frete nas operações de revenda de produtos sujeitos à alíquota normal (1,65%) do regime cumulativo propiciam o direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep. De outra parte, não geram direito a crédito, se sujeito a alíquotas do regime concentrado (monofásico ou Fl. 403399DF CARF MF 8 substituição tributária) ou especial de tributação, de que trata o art. 2º, § 1º, da Lei 10.637/2002, por estarem expressamente excluídos do inciso I, "b", do art. 3º dos citados diplomas legais. Logo, com o devido respeito, não se revela adequado o procedimento interpretativo adotado pela recorrente que, diante da suposta inexistência de expressa vedação legal, estava autorizada dedução dos referidos créditos. A recorrente alegou que se já houvesse a restrição a tomada de crédito em relação às despesas com frete nas operações de revenda de bens sujeitos ao regime de tributação monofásica, o Poder Executivo não teria proposto a vedação a esse tipo de crédito, por meio das Medidas Provisórias 413/2008 e 451/2008. No entendimento deste Relator, também não procede tal alegação, pois, a referida alteração legislativa visava estender a restrição de apropriação de créditos às hipóteses previstas nos demais incisos do art. 3º, para os quais não havia e continua não havendo proibição de apropriação de créditos (despesas com energia elétrica e aluguel, encargos de depreciação etc.) por parte dos distribuidores e comerciantes atacadistas e varejistas dos citados produtos. Em outros termos, se tivesse sido concretizada a referida alteração, a citada proibição alcançava todas as hipóteses de dedução de crédito previstas no citado art. 3º sobre os custos, despesas e encargos vinculados às receitas com a revenda dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º das referidas Leis, que inclui os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, comercializados pela recorrente, conforme já mencionado. Além disso, se tal alteração tivesse sido implementada, além da falta de amparo legal, construída por meio da interpretação conjunta do art. 3º, IX, da Lei 10.833/2003 com o disposto no art. 3º, I, “b”, combinado com o disposto no art. 2º, § 1º, da Lei 10.637/2002, o impedimento aos distribuidores e comerciantes atacadistas e varejistas de apropriação de créditos sobre as despesas com frete nas operações de revenda dos referidos produtos passaria a ser também por expressa proibição legal. A contribuinte alegou ainda que o disposto no art. 17 da Lei 11.033/2004, amparava o seu direito de apuração dos créditos sobre os fretes em comento, bem como de utilizar os valores de tais créditos na compensação de débitos tributários federais próprios. Para reflexão segue a redação do citado dispositivo, in verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O disposto no citado preceito legal condiciona a manutenção dos créditos vinculados às operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência das referidas contribuições, que haja amparo legal para apropriação dos correspondentes créditos, o que não se vislumbra no caso dos créditos calculados sobre as despesas com fretes nas revendas de produtos submetidos à tributação concentrada, objeto da presente controvérsia, cuja dedução não encontra respaldo no inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2003, em face da restrição determinada no art. 3º, I, “b”, combinado com o disposto no art. 2º, § 1º, II, da Lei 10.637/2002, anteriormente analisada. Também não ampara a pretensão recorrente o disposto no art. 27 da Instrução Normativa 1.300/2012, a seguir transcrito: Fl. 403400DF CARF MF Processo nº 10882.720554/201082 Acórdão n.º 3302004.605 S3C3T2 Fl. 403.397 9 Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas Contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente depois do encerramento do trimestre calendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: [...] II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. [...] § 4º O disposto no inciso II do caput não se aplica às aquisições, para revenda, dos seguintes produtos: [...] VIII produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00 da TIPI [...] (grifos não originais) Diferentemente do alegado pela recorrente, a simples leitura do referido comando normativo confirma o entendimento aqui explicitado no sentido de que as despesas com frete vinculadas às operações de revenda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, ainda que suportadas pelo vendedor, não propiciam direito à apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Por todas essas considerações, chegase a conclusão que estão excluídas da previsão de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, contida no art. 3º, IX, da Lei 10.833/2003, as despesas com frete nas operações de venda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, ainda que o ônus tenha sido suportado pela recorrente. Da impossibilidade da cobrança dos débitos. Dessa forma, definido que não existe o direito creditório, passase a analisar a segunda alegação da recorrente de que não caberia a cobrança dos débitos das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, informados na referida DComp, haja vista que, após o final do período de apuração dos referidos tributos, tais débitos não eram mais passíveis de cobrança, mas os débitos dos referidos tributos apurados final do anãocalendário de 2008, com base no ajuste anual. De acordo com o art. 1º da Lei 9.430/1996, a partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas passou a ser determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário. Entretanto, por opção, a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real foi autorizada a realizar o pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, nos termos do art. 2º do citado diploma legal. Ainda consoante este preceito legal, a pessoa jurídica Fl. 403401DF CARF MF 10 optante pelo pagamento do imposto de forma estimada ficou obrigada apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, para fim de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, quando, além de outras deduções, a pessoa jurídica fica autorizada a deduzir do imposto devido apurado no final do anocalendário o valor o imposto de renda pago pela forma estimada, que deverá ser pago até o último dia útil do mês subsequente àquele a que se referir, segundo determinação do art. 6º da citada lei. Portanto, em conformidade com disposto nos referidos preceitos legais, o valor do IRPJ e da CSLL estimados são devidos mensalmente, tanto que a não realização do seu pagamento nas datas estabelecidas, sujeita a pessoa jurídica ao pagamento de acréscimos a título de multa e juros moratórios ou multa de ofício isolada, na forma da legislação vigente. Neste caso, a pessoa jurídica somente não fica sujeita à obrigatoriedade do pagamento mensal estimado, se demonstrar, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso, condição que não foi comprovada pela recorrente. A recorrente também não comprovou que os valores dos débitos por ela compensados por meio da DComp em apreço não foram deduzidos dos valores do IRPJ e da CSLL, apurados no final do anocalendário de 2008, o que impossibilita qualquer análise a respeito da questão atinente à cobrança dos referidos débitos. Na ausência desses elementos probatórios e tendo em conta que, nos termos art. 74, § 6º, da Lei 9.430/1996, a “declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados”, mantémse a cobrança dos débitos estimados do IRPJ e da CSLL do mês agosto de 2008, objeto da compensação em apreço, nos termos da legislação vigente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Voto Vencedor Conselheiro Walker Araújo, Redator Designado. Em que pese as razões arroladas pelo ilustre Relator, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Em síntese, o cerne da questão visa analisar o direito de descontar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre às despesas com frete na operação de venda, no caso de o ônus ter sido assumido pelo vendedor, relacionado aos produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal, sujeitos a tributação concentrada/monofásica, prevista na Lei 10.147/2000. Em suma, no entendimento do nobre Relator não há legislação que permita desconto de créditos calculados sobre as despesas com fretes nas revendas de produtos submetidos à tributação concentrada, objeto da presente controvérsia, cuja dedução, inclusive não encontra respaldo no inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2003, em face da restrição Fl. 403402DF CARF MF Processo nº 10882.720554/201082 Acórdão n.º 3302004.605 S3C3T2 Fl. 403.398 11 determinada no art. 3º, I, “b”, combinado com o disposto no art. 2º, § 1º, II, da Lei 10.637/2002, " Em que pese os fundamentos do i. Relator, entendo que o contribuinte faz jus ao desconto de créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003, sendo que para dirimir a controvérsia da matéria sob análise, empresto as razões de decidir do i. Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior, nos autos do processo administrativo nº 16682.720005/201393 (acórdão 3402002.520): O deslinde da questão passa pela análise da legislação que envolve a matéria, sendo pertinente trazer à colação o preceito legal que veda o direito ao desconto de créditos sobre a aquisição para revenda, de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, que nos autos restou incontroverso serem aqueles que foram comercializados pela Recorrente e que geraram as despesas de frete. Vejamos: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3° do art. 1° desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) nos §§ 1° e 1°A do art. 2° desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) (grifouse) Art. 2° (...) § 1° Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) II no inciso I do art. 1° da Lei n° 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, no caso de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, nele relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) A celeuma, por sua vez, reside na interpretação do disposto no inciso IX, do art. 3°, da Lei n° 10.833/2003 (aplicável a Contribuição ao PIS/Pasep por força do art. 15, desta mesma Lei), e que está assim vazado: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (grifouse) Fl. 403403DF CARF MF 12 Com efeito, segundo se colhe da decisão recorrida, houve o entendimento de que, considerando que haveria a restrição ao desconto de créditos sobre a aquisição, para revenda, de produtos sujeitos a incidência monofásica das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, e, considerando estarem os fretes nas operações de venda vinculados à entrega destes mesmos produtos monofásicos, igualmente não poderia haver o desconto de créditos, eis que o dispositivo em questão (inciso IX, do art. 3°), reportase ao frete na operação de venda “nos casos dos incisos I e II”. Portanto, no entendimento da decisão de piso, se pelo teor do inciso I do art. 3°, da Lei de regência, não houver o direito ao crédito, igualmente não haverá o direito ao crédito sobre o frete na operação de venda. Tenho, no entanto e com a devida vênia dos julgadores da regional, que no caso em concreto a interpretação que foi dada ao preceito legal não é a que melhor atende às normas de hermenêutica e mesmo à sistemática não cumulativa da contribuição, havendo fundamentos para concluir de modo diverso, como passo a expor. Inicialmente, porque as empresas que dedicamse à revenda de produtos sujeitos a incidência monofásica fazem parte daquelas pessoas jurídicas que sujeitamse à nãocumulatividade das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, pois que as receitas provenientes da comercialização de tais produtos são tributadas, porém, em função do regime de tributação concentrado pelo qual se aumenta a alíquota no fabricante ou importador, reduzindoa a zero nos distribuidores atacadistas ou nos varejistas (caso da Recorrente). Assim, as revendas (distribuidores e atacadistas) de produtos monofásicos estão sujeitas a nãocumulatividade, embora as receitas sejam tributadas à alíquota zero. Por tal razão, têm direito ao desconto dos créditos permitidos pela legislação, arrolados nos incisos III e seguintes do art. 3°, das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a COFINS. Cabe pontuar que quanto aos incisos I e II, do mesmo diploma, tratamse dos créditos sobre os produtos para revenda, aqui analisados, e os bens e serviços utilizados como insumo (inc. II), os quais igualmente devem conceder o crédito, nas hipóteses legais pertinentes e de acordo com a atividade de cada contribuinte em particular, já que componentes da sistemática não cumulativa. Neste caso em particular, não estamos lidando com insumos, previsto no inciso II, já que o contribuinte não desenvolve atividade industrial ou de prestação de serviços. Pois bem, tenho que quando o inciso I do art. 3° em questão veda o direito ao desconto de créditos, o faz sobre os bens adquiridos para revenda sujeitos à tributação concentrada. A vedação legal à tomada de créditos referese expressamente à aquisição de bens, de modo que os “custos de aquisição” estão compreendidos na vedação ao crédito, devendo ser interpretado que neste “custo” estão englobados os dispêndios para trazer as mercadorias ao estoque de mercadorias para revenda, nos termos dos itens 9 e 10, do pronunciamento técnico CPC nº 16, aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários através da Deliberação CVM nº 575, de 05 de Junho de 2009, que regulamenta o registro dos estoques. Esta Deliberação possui força de Lei e disciplina o Direito Privado, devendo ser observado pelo direito tributário, nos termos dos arts. 109 e 110, do CTN. Por outro lado, quando o inciso IX, do mesmo art. 3°, das Leis n°s. 10.637/02 e 10.833/03, permite o direito ao desconto de créditos sobre “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”, está tratando de despesas comerciais, inerentes à venda das mercadorias, e não à dispêndios relativos a sua aquisição. Esses dispêndios de entrega dos produtos revendidos não agregam ao “custo de aquisição” das mercadorias, mas antes são despesas de vendas, não podendo ser Fl. 403404DF CARF MF Processo nº 10882.720554/201082 Acórdão n.º 3302004.605 S3C3T2 Fl. 403.399 13 abrangidas na vedação contida no inciso I, do mesmo dispositivo legal, pelo fato de consistir em outra operação de aquisição, relacionada com outra pessoa jurídica (que não o fornecedor de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal), que é o prestador dos serviços de transportes nas operações de entrega da mercadoria para o comprador, o qual é contribuinte das contribuições em questão sobre a receita do frete cobrado à Recorrente. Tenho que a menção existente no inciso IX, do art. 3°, em questão, quando reportase aos “casos dos incisos I e II”, visa firmar que o direito ao desconto de crédito será quando a armazenagem ou o frete na operação de venda tiver como objeto mercadorias para revenda ou bens ou produtos fabricados a partir dos insumos que ali estão especificados, independentemente do regime de sua tributação, não podendo abranger a armazenagem e o frete de bens que não se enquadrem como mercadorias para revenda e nem como bens ou produtos fabricados a partir dos referidos insumos (seria o exemplo de armazenagem ou transporte de bens do ativo imobilizado). Ademais, no caso em questão, o art. 17, da Lei n° 11.033/04 não deixa dúvidas que há direito em manter os créditos que sejam vinculados à venda de produtos desonerados. Vejamos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Como já me manifestei em outras oportunidades, esse dispositivo trata da “manutenção dos créditos” que são passíveis de serem efetivamente “descontados” pelos contribuintes, de modo que, se for permitido descontar o crédito, poderão eles ser mantidos, ainda que vinculados a operações de vendas de produtos sujeitos à suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência das contribuições ao PIS/COFINS. E apenas para o caso de interpretações que tendam a compreender que o dispositivo legal acima refirase apenas ao regime específico de tributação denominado Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuárias – REPORTO, afasto desde já esta possibilidade, colacionando recente julgado do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, que julgou especificamente matéria neste sentido, cuja inteligência nos ensina de que o referido artigo não se restringe ao REPORTO, sendo tal aplicação restrita apenas aos artigos 13 a 16 da Lei 11.033/04. Por ser de extrema valia no caso, transcrevo a ementa e parte do voto do Eminente Ministro Mauro Campbell: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS. CREDITAMENTO. ART. 17 DA LEI 11.033/2004, C/C ART. 16, DA LEI N. 11.116/2005. INCIDÊNCIA QUE NÃO SE RESTRINGE AO REPORTO. NECESSIDADE DE REVISÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO PONTO. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS. REGIME ESPECIAL EM RELAÇÃO AO REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVO. APLICAÇÃO DO ART. 2º, §1º, I, IV E V; E ART. 3º, I "B” DA LEI N. 10.637/2002 E DA LEI N. 10.833/2003. IMPOSSIBLIDADE DE CREDITAMENTO SALVO DETERMINAÇÃO LEGAL EXPRESSA QUE SOMENTE PASSOU A EXISTIR EM 24.06.2008 COM A PUBLICAÇÃO DO ART. 24, DA LEI N. 11.727/2008. Fl. 403405DF CARF MF 14 1. O art. 17, da Lei 10.833/2004, e o art. 16, da Lei n. 11.116/2005, não são de aplicação exclusiva o Regime Tributário para incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO. Necessidade de revisão da jurisprudência do STJ, pois equivocados quanto a pontos precedentes: AgR no REsp. n 1.226.371/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 03.05.2001; REsp. n. 1.217.828/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.04.2001; REsp. n. 1.218.561/SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 07.04.2001; AgR no REsp. n. 1.224.392/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, julgado em 22.02.2011; AgR no REsp. n 1.219.450/SC, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 17.02.2011; REsp. n. 1.140.723/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 02.09.2010. 2. As receitas provenientes das atividades de venda revenda de veículos automotores, máquinas, pneus, câmaras de ar, autopeças e demais acessórios, por estarem sujeita ao pagamento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS em Regime Especial de Tributação Monofásica, com alíquota concentrada na atividade de venda, na forma dos artigos 1º, caput; 3º, caput; e 5º, caput, da Lei n. 10.485/2002, e alíquota zero na atividade de revenda, conforme os artigos 2º, §2º, I; 3º, §2º, I e I; e 5º, parágrafo único, da mesma lei, não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do Regime de Incidência NãoCumulativo, a teor dos artigos 2º, §1º, I, IV e V; e 3º, I "b” da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n.10.803/2003. Deste modo, não se lhes aplicam, por incompatibilidade de regimes por especialidade de suas normas, o disposto nos artigos 17, da Lei n.11.033/2004, e 16, da Lei n. 11.116/2005, cujo âmbito de incidência se restringe ao Regime NãoCumulativo, salvo determinação legal expressa que somente passou a existir em 24.6.2008 com a publicação do art. 24, da Lei n. 11.727/2008, para os casos ali previstos. 3. Recurso especial não provido com o alerta pra necessidade da revisão da jurisprudência desta Casa, conforme item "1.” (REsp. Nº 1.267.003 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17.09.2013) E assim, concluiu o voto, neste tocante: “[...] Deste modo, pareceme claro que somente os artigos 13a 16, da Lei n. 11.033/2004, tratam especificamente do REPORTO, sendo que o art. 17 tem aplicação par fora d citado regime, podendo, em tese, alcançar o contribuinte. Neste ponto, acredito na necessidade de revisão da jurisprudência desta Casa, pois não vejo com aplicarse o benefício instituído pelo art. 17, da Lei 11.033/2004, c/c art. 16, da Lei n. 11.116 /2005, exclusivamente ao REPORTO. Nesta linha surge, portanto, a necessidade de examinar a compatibilidade do sistema monofásico com a técnica do creditamento e identificar e aplicar legislação correta ao caso concreto.” E no caso em análise, embora seja inerente à venda de produtos sujeitos à alíquota zero, própria do regime da tributação concentrada ou monofásica, houve a contratação de serviços de transporte para a entrega dos produtos em questão, de modo que o fato de estar sujeita a alíquota zero nas aquisições e nas revendas, não impede o direito à tomada e manutenção dos créditos sobre o frete na operação de venda, se suportado pelo vendedor, nos termos do preceito legal supra. Digno de nota que houveram tentativas do Governo em restringir o direito à tomada de créditos pelos distribuidores e comerciantes de produtos sujeitos à incidência monofásica. Primeiramente através da edição da Medida Provisória n° Fl. 403406DF CARF MF Processo nº 10882.720554/201082 Acórdão n.º 3302004.605 S3C3T2 Fl. 403.400 15 413, de 03/01/2008, que inseriu os §§ 14 e 22, no art. 3°, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, nos seguintes termos: § 14 / §22. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1° do art. 2° desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004. Referido dispositivo foi rejeitado pelo Congresso Nacional nos termos do Parecer n° 00053, do Deputado Sandro Mabel, nos seguintes termos: Os Artigos 14 e 15 da supracitada MP inseriu novos parágrafos nas leis 10.637/02 e 10.833/03, vedando aos comerciantes varejistas e atacadistas a tomada de créditos de PIS e COFINS sobre serviços tomados, energia elétrica, armazenagem, aquisição de ativos imobilizados, entre outros. A matéria, entretanto, já encontrase amplamente disciplinada,tratandose esta alteração de aumento de impostos a fim de obter compensações pela rejeição da CPMF. A segunda tentativa veio através da Medida Provisória n° 451, de 15/12/2008, que inseriu os §§ 15 e 23, no art. 3°, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, nos seguintes termos: § 15 / § 23. Sem prejuízo da vedação constante na alínea "b" do inciso I do caput, excetuamse do disposto nos inciso II a IX do caput os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1 o do art. 2 o , em relação aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas com a venda desses produtos. Referido dispositivo, por seu turno, foi rejeitado pelo Congresso Nacional nos termos do Parecer n° 00009, do Deputado Eduardo Gomes, nos seguintes termos: Os artigos 8o e 9o da supracitada Medida Provisória inseriram novos parágrafos aos artigos 3o das Leis n°s 10.637/02 e 10./833/03, vedando aos distribuidores e aos comerciantes varejistas e atacadistas de produtos sujeitos às alíquotas monofásicas o reconhecimento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes, armazenagem, aluguéis, energia elétrica, dentre outros. Frisese que dispositivos semelhantes haviam sido também incluídos quando da edição da Medida Provisória n° 413, de 03 de janeiro de 2008, tendo sido suprimidos pelo Legislativo Federal quando de sua votação para conversão da MP na Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008. As alterações previstas na MP 451 resultariam em injustificado aumento da PIS/COFINS incidente na gasolina, diesel e querosene de avião, que tem toda a carga tributária concentrada de forma monofásica na refinaria. A vedação dos créditos de PIS/COFINS incidente sobre esses custos inerentes a comercialização destes combustíveis, caracterizase como aumento da carga tributária, com impactos nos preços, e prejuízos para os consumidores finais. Com efeito, após as duas rejeições à tentativa de impor restrições ao direito de tomada e manutenção de créditos, implementadas nas Medidas Provisórias n°s. 413 e 451, ambas de 2008, emerge claro que não subsiste a referida proibição ao Fl. 403407DF CARF MF 16 desconto de créditos sobre os dispêndios previstos nos inciso II a X, dos art. 3º, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003, senão durante a vigência das citadas MPs. Emerge claro, ainda, que o preceito do inciso IX, do art. 3°, das Leis de regência do PIS e da COFINS, quando reportase aos casos dos incisos I e II, do mesmo dispositivo, não veda a tomada de créditos, pois que se o vedasse, seria desnecessário a edição de Medida Provisória para proibir o que já seria proibido, do que se conclui que não existe a proibição no preceito em questão, mas que ele apenas está se reportando ao dispêndios com armazenagem e frentes nas operações de revenda de mercadorias e de insumos, unicamente. Neste sentido, cumpre invocar o entendimento contido nas Soluções de Consulta n°s. 178/2008, 126/2010, 139/2010. Embora todas sejam aplicáveis, pois que relativas à tributação monofásica, destaco a ementa da Solução de Consulta n° 178/08, por se referir aos produtos da indústria farmacêutica: “DISTRIBUIDOR ATACADISTA DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS E DE HIGIENE PESSOAL. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Relativamente a períodos posteriores a 1º de agosto de 2004, o distribuidor atacadista das mercadorias citadas no art. 1º da Lei nº 10.147/2000 (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) faz jus aos créditos do regime nãocumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, nos termos da legislação de regência. Tais créditos não abrangem as aquisições, para revenda, das mercadorias em questão” (grifou se) Dentro deste Conselho Administrativo já há entendimentos que sinalizam positivamente ao direito ao crédito aqui debatido, como se pode ver pelos seguintes excertos: “(...) Importante denotar que é inerente do regime de nãocumulatividade o direito de crédito, sendo que as hipóteses das receitas sujeitas à alíquota zero, não prejudicam o regime da nãocumulatividade, o qual tem sua alíquota aplicável prevista no art 2o das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Apesar de não serem aplicáveis à base de cálculo das revendedoras de combustíveis, devido ao regime especial da alíquota zero, estas alíquotas são utilizadas para designar o montante do crédito, pois o art. 2o determina em seu §1o que se excetua desse regime exclusivamente a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, os quais devem aplicar as alíquotas previstas nos incisos I a III do art. 4o, da Lei n° 9.718/98 e alterações posteriores. (...) Diante do exposto, concluise que há o direito de crédito para as pessoas jurídicas que auferem receitas de vendas de produtos que incidem a alíquota zero, pois é característica do regime de nãocumulatividade o direito deste. Ademais, inexiste qualquer vedação legal, prevalecendo o direito subjetivo das pessoas jurídicas à compensação ou recuperação dos créditos, mediante a aplicação das alíquotas pertinentes ao regime nãocumulativo, previsto no art. 16 da Lei n° 11.116/2005. (...)” (Processo Administrativo n° 13161.000646/200690, Recurso n° 153.835, Acórdão n° 210200.083, Relator Conselheiro Maurício Taveira e Silva, 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção do CARF, sessão de julgamentos de 06/05/2009). (grifouse) “(...) O contribuinte tem razão quando argumenta que o frete sofreu a incidência integral do PIS e da COFINS e, por isso, não pode ser comparado ao procedimento aplicável ao insumo não tributado. Não se comparam elementos distintos por absoluta impropriedade de meio e inconsistência de conclusão. Fl. 403408DF CARF MF Processo nº 10882.720554/201082 Acórdão n.º 3302004.605 S3C3T2 Fl. 403.401 17 Ao meu sentir também não é possível a restrição imposta sob a fundamentação de que o custo do frete passa a ser o custo do próprio insumo. O custo do insumo é aquele representado na nota fiscal de sua compra e é sobre este número que se deve imputar as regras específicas do crédito presumido. Qualquer outra interpretação resultaria na redução do direito ao crédito do contribuinte sem o supedâneo de fundamentação legal para tanto. (...)” (Processo Administrativo n° 11065.724992/201197, Acórdão n° 3302001.916, Redator Designado Conselheiro José Antonio Francisco, 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da 3a Seção do CARF, sessão de julgamentos de 29/01/201) grifouse. “(...) Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento em relação bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos à tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação (o que é o caso do presente processos). Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de que o fato de o produto não ser tributo ‘contaminaria’ também os serviços a ele associados. Vejase que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições ser objeto de uma operação de transporte tributada. E que o dispositivo legal citado não trata desse assunto. (...) Assim, as Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 impedem o creditamento no caso de a aquisição de bens ou serviços não estar sujeita ao pagamento da contribuição. E a Lei n° 11.033/2004 não gera direito a novo crédito (contrapondo a vedação), mas tãosomente permite a manutenção dos créditos (se existentes), no caso de venda efetuada com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições. Vejase que, no caso em questão, em face da inexistência de vedação no dispositivo legal analisado, era (e continua sendo) possível o creditamento em relação a serviços tributados efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. (...) Destaquese, por fim, que o fato de o serviço compor o custo de aquisição dos bens utilizados como insumos não opera uma transformação da natureza dos serviços tributados em bens não tributados, impossibilitando o creditamento. ‘Integrar o custo de aquisição do bem adquirido’ difere de ‘integrar o tratamento tributário do bem adquirido’. (...)” (Processo Administrativo n° 10950.003054/200645, Acórdão n° 3403001.940, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a Seção do CARF, sessão de julgamentos de 19/03/2013) Com efeito, tenho que a restrição ao desconto de créditos para os produtos sujeitos à incidência monofásica, são inerentes aos “custos” de aquisições, como literalmente disciplinado pela legislação (art. 3°, I, das Leis n°s. 10.637/02 e 10.833/03), não podendo ser estendida para as operações de venda, que são despesas inerentes à outra etapa do processo empresarial, pagas para outra pessoa jurídica, Fl. 403409DF CARF MF 18 diversa daquela do fornecedor do produto monofásico e que está fora dos dispêndios que compõem os “custos de aquisição”, de modo que entendo que não deve prevalecer a glosa dos créditos em questão. Cabe mencionar ainda, que o regime de tomada de créditos das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS não se reveste da natureza nem de benefício e nem de desoneração, não podendo ser implementada uma interpretação literal e restritiva do direito aos créditos. Nas palavras de MARCO AURÉLIO GRECO, temos: “Desta ótica, a não cumulatividade se vocaciona a assegurar a neutralidade da exigência à vista da multiplicidade de modos operacionais de estruturação dos negócios. Por isso, regras sobre regime geral de créditos são regras de adequação da tributação à realidade sobre a qual a norma tributária incide. Têm a fundamental função de garantir a adequada distribuição do ônus tributário em abstrato, pela sequência de operações em concreto. Por ser esta sua função, não visam nem onerar nem desonerar quem quer que seja, mas apenas implementar a tributação adequada para que, de um lado, o conceito abstrato de nãocumulatividade não se apresente como fórmula linguística desprovida de qualquer significado e, por outro lado, que a realidade econômica concreta não seja negativamente discriminada por uma distribuição da carga tributária que privilegie uns em detrimento de outros. (...) Por isso, o artigo 111 do CTN não é aplicável às regras que preveem o direito ao crédito, no âmbito normal de não cumulatividade de PIS e COFINS.” (GRECO, Marco Aurélio. Artigo: PIS e Cofins – Fretes pagos para o transporte de mercadorias. PEIXOTO, Marcelo Magalhães/MOREIRA JUNIOR, Gilberto de Castro. In PIS e COFINS à luz da jurisprudência do CARF – Vol. 2. São Paulo: MP Editora, 2013, p. 347 e ss.) A partir das lições de GRECO, devese averiguar a realidade da incidência tributária no caso em que a empresa distribuidora atacadista adquire produtos gravados pelo regime de tributação concentrada. A política governamental culminou na elevação da alíquota das contribuições ao PIS e da COFINS na “fase” do fabricante ou importador, e na redução a zero das alíquotas dos tributos em questão, nas fases seguintes, dos comerciantes distribuidores atacadistas e varejistas. Com isso, criou a tributação dita “concentrada” ou “monofásica” para determinados produtos. E, aliás, fêlo em troca da sistemática da “substituição tributária” que era aplicada em massa anteriormente, mas que, sabidamente, criava muitas dificuldades de controle quanto a margem de valor agregado – MVA, bem como quanto ao direito de ressarcimento das operações presumidas que não ocorriam. Logo, a mudança de mecanismo da substituição tributária para a de monofasia, manteve a tributação concentada no fabricante ou importador, relativamente a toda a cadeia de circulação de bens, sem que houvesse aumento da carga tributária. Isso é público e notório, e, pois, desnecessário prova matemática neste momento, bastando a citação para o raciocínio em desenvolvimento. Pois bem, ainda que concentrada a tributação em uma única fase (fabricante ou importador), com elevação da alíquota nesta fase, não se poderia prever quais os dispêndios de frete que seriam incorridos pelos distribuidores atacadistas e varejistas no transporte dos produtos sujeitos à incidência monofásica até chegar ao consumidor final. Continuam na cadeia de circulação os transportadores que são contribuintes do PIS e da Cofins, assim como continuam sujeitos a incidência não cumulativas os próprios distribuidores atacadistas e varejistas, sem que, no entanto, os dispêndios com o frente no transporte necessário à entrega das mercadorias Fl. 403410DF CARF MF Processo nº 10882.720554/201082 Acórdão n.º 3302004.605 S3C3T2 Fl. 403.402 19 revendidas, tenham sido atingidos pela concentração de tributação inerente a monofasia. Assim é que quando o comerciante atacadista adquire produtos monofásicos, já está nele contida tributação de toda a cadeia de circulação inerente àqueles produtos. Mas tenho que não se poderia prever a forma ou mesmo o volume das entregas que seriam necessárias para se levar a mercadoria revendida até o consumidor final. Daí porque, os dispêndios com o frete nas operações de entrega da mercadoria revendida não estão contemplados no preço da mercadoria adquirida que já foi “economicamente” tributada pela alíquota concentrada; os serviços de fretes não foram submetidos à incidência monofásica, mas apenas aqueles expressamente elencados no inciso I, do art. 3°, em questão. Não conceder o crédito sobre os serviços de frete cuja receita será tributada pelo transportador, transmudaria o frete em incidência monofásica, contrariamente à Lei, ou pior, transformaria os serviços de frete, quando relativos a produtos monofásicos, em tributação cumulativa. Anulando a sistemática. Por tais razões, a interpretação que entendo deva prevalecer, por privilegiar o desígnio da não cumulatividade, é aquela que concede o direito ao crédito nas operações de armazenagem e frete nas operações de venda, desde que o frete tenha sido suportado pelo vendedor. Apenas durante a vigência das Medidas Provisórias 413 e 451, de 2008, deve prevalecer a glosa de créditos. Na esteira das considerações acima, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para exonerar do lançamento tributário o crédito tributário decorrente dos efeitos da tomada de créditos sobre frentes nas operações de venda de produtos monofásicos. Outro não é entendimento da Câmara Superior de Recurso Fiscais (acórdão 9303004.311 e 9303004.310): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. Fl. 403411DF CARF MF 20 As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Por concordar com os argumentos utilizados na decisão proferida nos autos do processo administrativo nº 16682.720005/201393, anteriormente citado, o adoto como fundamento para afastar a exigência do crédito tributário, o que faço com base no artigo 50, §1º, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator Designado Fl. 403412DF CARF MF
score : 1.0
