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Numero do processo: 13805.002408/98-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1992
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO.
São cabíveis embargos de declaração para suprir omissão de acórdão. Os embargos são acolhidos para integrar os fundamentos eivados de omissão, dando-se efeitos infringentes ao recurso quando as omissões constatadas tiverem o condão alterar a decisão embargada.
CSLL. PERÍODO DE APURAÇÃO SEMESTRAL.
O lançamento da CSLL efetuado após 5 anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, ou após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN, não devem subsistir, pois alcançados pela decadência.
Numero da decisão: 1401-002.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, rerratificando o Acórdão 1401-001.776, da sessão de 26/01/2017.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Livia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO. São cabíveis embargos de declaração para suprir omissão de acórdão. Os embargos são acolhidos para integrar os fundamentos eivados de omissão, dandose efeitos infringentes ao recurso quando as omissões constatadas tiverem o condão alterar a decisão embargada. CSLL. PERÍODO DE APURAÇÃO SEMESTRAL. O lançamento da CSLL efetuado após 5 anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, ou após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN, não devem subsistir, pois alcançados pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, rerratificando o Acórdão 1401001.776, da sessão de 26/01/2017. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 24 08 /9 8- 71 Fl. 1186DF CARF MF 2 Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Livia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Relatório Tratase de embargos de declaração propostos pela empresa em epígrafe contra decisão proferida no Acórdão 1401001.776, da sessão de 26/01/2017, da 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, negou provimento, nos seguintes termos: I) Por maioria de votos, negou provimento em relação à glosa de despesas com reflexo na base da CSLL. Vencido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva; e II) Por unanimidade de votos, negou provimento às demais matérias, conforme a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1992 CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS A PESSOA JURÍDICA LIGADA. PAGAMENTO SEM CAUSA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Não obstante a relação íntima entre empresas ligadas, a fiscalização deve comprovar efetivamente que os pagamentos efetuados de uma a outra não podem ser deduzidos da base de cálculo da CSLL, mormente quando a empresa apresenta documentos e esclarecimentos após a intimação. DESPESAS DE VIAGENS. REDUÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO. A CSLL incide sobre despesas não comprovadas, porque estas acarretam a redução indevida do lucro, base de cálculo da referida contribuição social, não competindo embrenharse na discussão de aplicação reflexa para a CSLL dos fatos geradores do IRPJ. Reproduzo, por oportuno, a descrição contida nos embargos de declaração propostos pela empresa em epígrafe: I dos fatos 1. Tratase, na origem de AI por meio do qual foram exigidos valores de IRPJ, CSLL, ILL e IRFonte dos anos calendários de 1992 e 1993, pela exclusão do Lucro Líquido de: (i) despesas tidas por indedutíveis; (II) depreciações dos bens móveis; valor residual das Reservas de Reavaliação de bens móveis e depreciações de bens baixados; (iü) resultado da alienação de imóvel e valor residual da reserva correlata; e (iv) atualização dos valores de depósitos judiciais de ICMS e dos Títulos da Dívida Agrária (TDAs). Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 13805.002408/9871 Acórdão n.º 1401002.037 S1C4T1 Fl. 1.179 3 2. A EMBARGANTE impugnou o AI em questão, o que resultou no cancelamento integral, das cobranças de ILL, de IRPJ e CSLL de jun./92 e dez./92 relativas aos pagamentos sem causa e pelos serviços prestados pela Holding e, declarada decadência, de IRFonte de jun./92 relativos a despesas com viagens, mantendo as demais cobranças. 3. Em Recurso Voluntário, foram canceladas as cobranças remanescentes com aplicação da norma decadencial prescrita no art. 150, §4º do CTN. Ato contínuo a EMBARGANTE interpôs Recursos Especial e Extraordinário, pleiteando aplicação da norma disposta no art. 173, I do CTN no tocante à CSLL de dez. 92, tese que foi acolhida pela Câmara Superior deste CARF. 4. Não obstante, a Câmara Superior determinou o retorno dos autos a essa Colenda 4ª Câmara, para analisar os demais argumentos referentes ao mérito da discussão quanto à CSLL de dez./92 não apreciados inicialmente em razão do reconhecimento da decadência. 5. Ocorre que, em acórdão de fls. 10701092, essa Colenda Câmara apreciou somente a questão relativa às despesas com viagens asseverando, entre outros pontos, que: [...] 6. Entretanto, o acórdão incorreu em uma série de omissões ao não apreciar os demais argumentos de defesa expostos no Recurso Voluntário da Embargante, as quais devem ser sanadas por essa Colenda Câmara. II DAS OMISSÕES II.1 Omissão: Reservas de Reavaliação adição da depreciação e valor residual de ativos baixados/vendidos: 7. Conforme restou amplamente provado e comprovado, os bens que geraram a reserva de reavaliação ora questionada, pertenciam, anteriormente, à BONGOTTI e, em decorrência da incorporação ocorrida em dezembro/1988 (fls. 556 a 565), passaram a pertencer à EMBARGANTE. 8. A capitalização da reserva de reavaliação de bens móveis foi realizada em 30/11/88, na BONGOTTI (fls. 602/612), empresa adquirida pela EMBARGANTE, sendo este o momento para a adição do valor ao lucro real, ou seja, período base de 1988, o que se comprova por meio do Balanço Patrimonial, Ata AGE (fls. 599/601). 9. O art. 326 do RIR/80 exigia a tributação no momento da capitalização, o que se verifica, ainda, no PN 27/81(aplicável aos bens móveis). Assim, a realização dessa reserva foi registrada diretamente na conta contábil de resultado (fls. 615 e cópia da fl. 325 do Livro Diário), por isso não foi lançada no LALUR, vez que o efeito desse lançado já é computado na apuração do Resultado do Exercício e, por óbvio, computado no Lucro Real. 10. As cópias da Demonstração dos Resultados e da Demonstração das Mutações no Patrimônio Líquido da BONGOTTI de 19/12/1988 (fls. 612) comprovam esta argumentação, tanto é que nos anos subsequentes somente foi realizada a reserva de bens imóveis. 11. Os ativos baixados em 1993 se referem à transferência de bens móveis a filial situada em Itatiba, conforme se comprova por meio dos razões contábeis de fls. 325/328/345 destes autos, não havendo fato gerador da CSLL nesse caso e, os demais, são bens móveis relacionados à reserva de reavaliação cuja capitalização fora oferecida à tributação em 1988 na empresa BONGOTTI. Fl. 1188DF CARF MF 4 12. Assim sendo, não há dúvidas quanto ao fato de que houve a capitalização e respectiva tributação da reserva de reavaliação de bens móveis em 30/11/88, razão pela qual a Colenda Câmara deve analisar a questão posta, de modo a sanar a primeira omissão. II.2 Omissão: Postergação da CSLL pela omissão do resultado da alienação no computo do Lucro Líquido: 13. A autuação também exige os tributos supostamente devidos sobre o resultado da alienação de imóveis à INCAL INCORPORADORA S/A que, no seu entender, deveriam ter sido reconhecidos no 1º semestre/92 quando foi emitido o recibo de sinal e princípio de pagamento e não no 2º semestre como procedeu a EMBARGANTE. 14. Ocorre que, como já demonstrado, a alienação do bem imóvel ocorreu no 2º semestre/1992, conforme documentos de fls. (40), sendo os pagamentos/recebimentos ocorridos no is semestre de 1992 referentes aos adiantamentos, assim registrados na contabilidade. 15. Verificase na DIPJ do ano calendário de 1992 (fls. 15), que no 2º semestre a EMBARGANTE apurou CSLL a pagar o que evidencia a tributação do resultado da venda do aludido imóvel. 16. A autoridade fiscal não recompôs o resultado dos dois exercícios afetados, levando em conta, ainda, a correção monetária, conforme art. 69 DL nº 1.598/77 e PN ns 57/79 atualizado pelo PN ns 2/96, fato confirmado pelo Relator dos autos. 17. Concluise, portanto, que inocorreu a alienação dos imóveis no 1º semestre de 1992, sendo, nesse tocante, insubsistente a decisão recorrida. Admitir o contrário significaria exigir o tributo antes mesmo da ocorrência do fato gerador, em flagrante ofensa aos princípios da legalidade, tipicidade cerrada e segurança jurídica, motivo pelo qual essa Colenda Câmara também deve apreciar tal argumento, sanando mais essa omissão. II.3 Omissão: Postergação da CSLL pela omissão das atualizações dos depósitos judiciais e TDAs: 18. A EMBARGANTE foi autuada ainda sob a acusação de postergação de tributos incidentes sobre a correção monetária dos depósitos judiciais de ICMS e de TDAs respectivamente. 19. Não há provas nos autos de que a EMBARGANTE se apropriou das despesas de eventual atualização do valor da obrigação tributária, não podendo o lançamento tributário, valerse da presunção para exigir tributo, sob pena de violação ao art. 142 do CTN. 20. A época da lavratura do AI, os depósitos judiciais ainda não tinham sido levantados pela EMBARGANTE e, em razão disso, as atualizações não poderiam ser oferecidas à tributação. 21. As TDAs não são tributáveis, nos termos do art. 184 da CF/88, por se tratar de recomposição patrimonial decorrente da desapropriação, exatamente para garantira sua irredutibilidade. 22. Não se está a discutir se tais receitas podem ou não ser tributadas (até porque elas foram devidamente oferecidas à tributação, tanto que só se pretende cobrar a diferença entre o recolhido e o supostamente devido postergação), mas quando devem ser reconhecidas: (i) segundo o regime de competência ou (ii) tão somente após o trânsito em julgado de decisão favorável ao contribuinte. Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 13805.002408/9871 Acórdão n.º 1401002.037 S1C4T1 Fl. 1.180 5 23. Finalmente, também não se pode aceitar a alegação de que a EMBARGANTE teria efetuado a atualização do passivo equivalente aos depósitos em TDAs, visto que o procedimento adotado foi o de reconhecer simultaneamente a variação monetária ativa e passiva, a fim de anular qualquer efeito fiscal (fato que só ocorreria com o trânsito em julgado de decisão favorável a EMBARGANTE). 24. Assim, a EMBARGANTE reitera toda a argumentação supra, relativamente ao momento do reconhecimento da correção monetária dos depósitos judiciais, razão pela qual essa Colenda Câmara deve analisar essa matéria, a fim de sanar a última omissão. 25. Posto isso, requer a ora EMBARGANTE sejam recebidos, admitidos e acolhidos os presentes Embargos de Declaração, a fim de sanar as omissões contidas no acórdão, especificamente para apreciar todas as matérias de mérito tão somente em relação à CSLL de dez./92. Na admissibilidade dos Embargos, o presidente desta turma ordinária assim se manifestou: Conclusão As situações de omissão estão apontadas objetivamente. Verificase que não houve expressa manifestação do julgado sobre os pontos em que se impunham os pronunciamentos de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir relativamente: (a) Reservas de Reavaliação adição da depreciação e valor residual de ativos baixados/vendidos, (b) Postergação da CSLL pela omissão do resultado da alienação no computo do Lucro Líquido e (c) Postergação da CSLL pela omissão das atualizações dos depósitos judiciais e TDAs. Por todo o exposto, declaro a procedência das alegações suscitadas, de forma que ADMITO os embargos de declaração interpostos. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Relator Os embargos foram propostos tempestivamente e deles tomo conhecimento. A discussão cingese em 3 (três) questões que, segundo a embargante, não foram analisadas no recurso voluntário. Inicialmente, convém ressaltar que os pontos supostamente omissos, a meu ver, já foram decididos pela 7ª Câmara do antigo Conselho de Contribuintes, conforme se verá adiante a partir de análise de trechos da decisão da referida Câmara julgadora, emanada por meio do Acórdão nº 10788.188, de 10 de agosto de 2005: Fl. 1190DF CARF MF 6 Omissão I: Reservas de Reavaliação adição da depreciação e valor residual de ativos baixados/vendidos No relatório do acórdão embargado (nº 1401001.776), já havia me manifestado acerca do trânsito em julgado referente à tributação da reserva de reavaliação, pois a 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes sedimentara entendimento de que a tributação sobre tal reserva deveria recair no período em que houve o aumento de capital, ou seja, em 30/11/1988, não cabendo mais a tributação em referência em razão da decadência do direito do fisco de lançar a CSLL, como se pode ver no trecho de Ementa constante no acórdão 107 88.188, de 10 de agosto de 2005, da 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. Vejase: Trecho do Relatório constante no acórdão embargado (nº 1401001.776) Convém esclarecer que, quanto aos lançamentos que tratam da realização da reserva de reavaliação (06/1992, 12/1992, 03/1993, 05/1993 e 06/1993), entendeu a Turma de julgamento que o fato gerador ocorrera em 30 de novembro de 1988, data em que foi aumentado o capital social da empresa incorporada Bongotti com a Reserva de Reavaliação constituída. Com isso, a decadência do IRPJ e da CSLL teria ocorrido 5 anos após a data do aumento de capital pela empresa Bongotti. Desta forma, já houve o trânsito em julgado em relação a estes fatos geradores. Trecho de Ementa do acórdão nº 10788.188 IRPJ E CSLL RESERVA DE REAVALIAÇÃO REALIZAÇÃO Se a reserva de reavaliação de máquinas, ferramentas e equipamentos foi capitalizada, era obrigatório o oferecimento à tributação no período da capitalização. Decaído o direito do fisco, é injurídico o procedimento que tributa as depreciações e as baixa de bens em períodos posteriores. (destaquei) Logo, o que se percebe é que a 7ª Câmara deu provimento ao recurso voluntário para afastar a tributação da realização da reserva de reavaliação, em razão do fato gerador ter ocorrido em 1988, e não em 1992 e 1993, como quis fazer crer a fiscalização. Cabe ainda relembrar que não se aplicou no julgamento a decadência, de 10 anos, constante no art. 45 da Lei da Lei nº 8.212/1991. E, mesmo que se fosse aplicado o referido prazo, restaria este relator afastálo, em razão da decretação da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, por meio da Súmula Vinculante do STF nº 08, que confirmou que a CSLL sujeitase ao prazo decadencial de 5 anos, contados do fato gerador (§ 4º do art. 150 do CTN) ou contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (inciso I do art. 173 do CTN). No caso, como o fato gerador ocorrera na data de 30/11/1988 data do aumento do capital social da empresa incorporada Bongotti com a Reserva de Reavaliação constituída e a ciência do auto de infração de CSLL se deu na data de 31/03/1998, concluise pelo reconhecimento da decadência da CSLL tanto pelo § 4º do art. 150 quanto pelo inciso I do art. 173, ambos do CTN. Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 13805.002408/9871 Acórdão n.º 1401002.037 S1C4T1 Fl. 1.181 7 Desta forma, entendo que os embargos devem ser acolhidos, com efeitos infringentes, com fins de reconhecer a decadência do direito do fisco efetuar o lançamento quanto à CSLL incidente sobre a realização da reserva de reavaliação. Omissão II: Postergação da CSLL pela omissão do resultado da alienação no computo do Lucro Líquido Eis os fundamentos a autuação da fazenda pública: 4.1 O contribuinte omitiu da tributação do períodobase encerrado em 30 de junho de 1992, o resultado auferido na alienação dos imóveis localizados na Rua do Bosque, nºs 1362, 1386 e 1398, nesta cidade, pactuada em 13 de abril de 1992 com a empresa INCAL INCORPORADORA S/A. A fiscalização lavrou o auto de infração de CSLL referente a omissão de receitas decorrentes de venda de ativo imobilizado. Segundo a fiscalização, a venda teria ocorrido no 1º Semestre de 1992, quando houve pagamento de parte do valor acordado; ao passo que a embargante tributou o referido ganho de capital no 2º Semestre de 1992, justificando que a efetiva venda havia se concretizado em tal período. Pois bem. No ano de 1992, a Instrução Normativa DPRF nº 90, de 15 de julho de 1992, que dispunha sobre o pagamento do IRPJ, da CSLL e do IRF sobre o Lucro Líquido, estabeleceu a possibilidade de consolidação de resultados semestrais, conforme teor do caput do art. 1º da referida IN: Art. 2º Poderão optar pelo pagamento do imposto calculado por estimativa e pela substituição da consolidação de resultados mensais pela consolidação de resultados semestrais, para efeito de declaração anual de ajuste, no anocalendário de 1992: Como a fiscalização efetuou o lançamento considerando o período de apuração de 06/1992, temse que o início do prazo da contagem da decadência deve levar em consideração tal período de apuração. Como a ciência da autuação fiscal, repito, referente ao período de apuração de 06/1992, se deu em 31/03/1998, devese reconhecer a decadência do direito do fisco efetuar o lançamento fiscal, tanto nos termos do § 4º do art. 1501 (decadência ocorrida em 30/06/1997), quanto nos termos do art. 173, I2 (decadência ocorrida em 31/12/1997), ambos do CTN. 1 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 2 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 1192DF CARF MF 8 Desta forma, entendo que os embargos devem ser acolhidos, com efeitos infringentes, com fins de reconhecer a decadência do direito do fisco efetuar o lançamento quanto à postergação da CSLL pela omissão do resultado da alienação no computo do Lucro Líquido. Omissão III: Postergação da CSLL pela omissão das atualizações dos depósitos judiciais e TDAs Eis os fundamentos a autuação da fazenda pública: 4.3 O contribuinte omitiu da tributação do períodobase encerrado em 30 de junho de 1992, o valor referente a receita de atualização monetária dos DEPÓSITOS JUDICIAIS DO ICMS, como se demonstrou no TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO nº 08, lavrado em 09 de setembro de 1997, de fls. 083 e 084. 4.4 O contribuinte omitiu da tributação do períodobase encerrado em 30 de junho de 1992, o valor referente à receita da ATUALIZAÇÃO DOS TÍTULOS DA DÍVIDA AGRÁRIA – TDAs, conforme TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO nº 11, lavrado em 02 de outubro de 1997, de fls.275 e 276. Como já tratado acima, no ano de 1992, a Instrução Normativa DPRF nº 90, de 15 de julho de 1992, que dispunha sobre o pagamento do IRPJ, da CSLL e do IRF sobre o Lucro Líquido, estabeleceu a possibilidade de consolidação de resultados semestrais, conforme teor do caput do art. 1º da referida IN: Art. 2º Poderão optar pelo pagamento do imposto calculado por estimativa e pela substituição da consolidação de resultados mensais pela consolidação de resultados semestrais, para efeito de declaração anual de ajuste, no anocalendário de 1992: Como a fiscalização efetuou o lançamento considerando o período de apuração de 06/1992, temse que o início do prazo da contagem da decadência deve levar em consideração tal período de apuração. Como a ciência da autuação fiscal, repito, referente ao período de apuração de 06/1992, se deu em 31/03/1998, devese reconhecer a decadência do direito do fisco efetuar o lançamento fiscal, tanto nos termos do § 4º do art. 150 (decadência ocorrida em 30/06/1997), quanto nos termos do art. 173, I (decadência ocorrida em 31/12/1997), ambos do CTN. Desta forma, entendo que os embargos devem ser acolhidos, com efeitos infringentes, com fins de reconhecer a decadência do direito do fisco efetuar o lançamento quanto à postergação da CSLL pela omissão das atualizações dos depósitos judiciais e TDAs. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 13805.002408/9871 Acórdão n.º 1401002.037 S1C4T1 Fl. 1.182 9 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de ACOLHER os presentes embargos para suprir as omissões destacadas, com efeitos infringentes, para incluir em suas razões de decidir o motivo pelo qual deve ser reconhecida a decadência das omissões aqui discutidas, dandose provimento parcial ao recurso voluntário, rerratificando o acórdão nº 1401001.776, da sessão de 26/01/2017, da 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Fl. 1194DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.720133/2014-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE NO PROCEDIMENTO
Quando no Termo de Verificação Fiscal estão contidas todas as informações a respeito dos valores apurados das infrações, as quais lhe foram imputadas, bem como a maneira como foram extraídas as informações, as quais deram ensejo ao presente Auto de Infração, acompanhada da capitulação legal das irregularidades detectadas no curso da fiscalização, não há que se falar em nulidade do procedimento.
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE NO PROCESSO
De fato, o erro de aplicação do direito; ou a contradição; ou o cerceamento do direito de defesa tanto no procedimento quanto do processo administrativo fiscal; não se amoldam ao rol de hipóteses aptas a gerar a nulidade do ato administrativo.
Observa-se que a causa de pedir do contribuinte e responsáveis, ou seja, os fatos por eles descritos cumulados à fundamentação que entendem aplicável ao caso concreto, é que não implicam na nulidade do auto de infração e/ou nulidade do acórdão de primeira instância. Isto porque, reforça-se, nenhum dos fatos se coaduna com a previsão do art. 59 do Decreto-lei n.º 70.235/72.
CUSTOS. FIRMA INIDÔNEA. GLOSA. ART. 217 DO RIR/99
Restou comprovada a inexistência das operações de aquisição de mercadorias, à evidência da situação irregular da suposta fornecedora das mercadorias. Nesse sentido, o art. 217 do RIR/99 dispõe que não produzirá efeitos tributários, em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONSTATAÇÃO DE HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Da análise de todo o aparato probatório, fica claro não se tratar de uma simples apuração de omissão de receita, pois foi procedida de forma ardilosa com emissão de cheques que revelavam uma falsa operação aos olhos dos Fiscos Estadual e Federal; bem como nos autos deste processo restou clara a comprovação de simulação das operações.
DECADÊNCIA. HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO
A existência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado
INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. FORNECIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS
O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. (STF, RE 601314/SP, Sessão de 24/02/2016 - Repercussão Geral).
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas (laranjas) que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas-correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Aplica-se aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum.
Numero da decisão: 1302-002.293
Decisão: Vistos e relatados os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento ao direito de defesa e ilegalidade na quebra de sigilo bancário e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos do voto do relator e, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário dos responsáveis solidários Ariovaldo Ripani e Raphael Eduardo Ripani, votando o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca pelas conclusões e em dar provimento parcial ao recurso dos responsáveis solidários Spartaco Taddeo e Nair Hodas Taddeo, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente)..
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE NO PROCEDIMENTO Quando no Termo de Verificação Fiscal estão contidas todas as informações a respeito dos valores apurados das infrações, as quais lhe foram imputadas, bem como a maneira como foram extraídas as informações, as quais deram ensejo ao presente Auto de Infração, acompanhada da capitulação legal das irregularidades detectadas no curso da fiscalização, não há que se falar em nulidade do procedimento. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE NO PROCESSO De fato, o erro de aplicação do direito; ou a contradição; ou o cerceamento do direito de defesa tanto no procedimento quanto do processo administrativo fiscal; não se amoldam ao rol de hipóteses aptas a gerar a nulidade do ato administrativo. Observase que a causa de pedir do contribuinte e responsáveis, ou seja, os fatos por eles descritos cumulados à fundamentação que entendem aplicável ao caso concreto, é que não implicam na nulidade do auto de infração e/ou nulidade do acórdão de primeira instância. Isto porque, reforçase, nenhum dos fatos se coaduna com a previsão do art. 59 do Decretolei n.º 70.235/72. CUSTOS. FIRMA INIDÔNEA. GLOSA. ART. 217 DO RIR/99 Restou comprovada a inexistência das operações de aquisição de mercadorias, à evidência da situação irregular da suposta fornecedora das mercadorias. Nesse sentido, o art. 217 do RIR/99 dispõe que não produzirá efeitos tributários, em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONSTATAÇÃO DE HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 01 33 /2 01 4- 42 Fl. 3683DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.614 2 Da análise de todo o aparato probatório, fica claro não se tratar de uma simples apuração de omissão de receita, pois foi procedida de forma ardilosa com emissão de cheques que revelavam uma falsa operação aos olhos dos Fiscos Estadual e Federal; bem como nos autos deste processo restou clara a comprovação de simulação das operações. DECADÊNCIA. HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO A existência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. FORNECIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. (STF, RE 601314/SP, Sessão de 24/02/2016 Repercussão Geral). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas (laranjas) que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Vistos e relatados os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento ao direito de defesa e ilegalidade na quebra de sigilo bancário e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos do voto do relator e, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário dos responsáveis solidários Ariovaldo Ripani e Raphael Eduardo Ripani, votando o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca pelas conclusões e em dar provimento parcial ao recurso dos responsáveis solidários Spartaco Taddeo e Nair Hodas Taddeo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fl. 3684DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.615 3 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).. Relatório Por bem sintetizar a autuação, transcrevo o relatório da DRJ/SPO: “Contra a contribuinte, acima qualificada, foi lavrado em 08/12/2014, o Auto de Infração de fls. 2.740/2.759, através do qual foi formalizado o crédito tributário referente ao IRPJ (R$ 8.831.162,07) e de CSLL (R$ 3.192.245,75), incluídos multa de ofício qualificada e juros de mora calculados até 12/2014. Fundamento legal: 1) IRPJ – fls.2.743; 2) CSLL – fls.2.754. O Termo de Verificação Fiscal (fls.3.760/3.798) constatou os seguintes fatos e infrações: DOS FATOS: • Na diligência que realizamos nesta empresa, verificamos apenas um amplo galpão, desprovido de máquinas e equipamentos, inexistindo atividades comerciais ou industriais que justificassem as vultosas operações interbancárias no montante de R$ 593.118.622,00 (quinhentos e noventa e três milhões cento e dezoito mil e seiscentos e vinte e dois reais) conforme dados extraídos da DIMOF – Declaração de Movimentação Financeira; • O contribuinte apresentou sua Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ dos anoscalendário de 2008 a 2011, sendo adotada a forma de tributação LUCRO REAL, com apuração trimestral do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; • A SPARTACO simulou em sua contabilidade operações comerciais que não existiam, sendo que estas representavam meras simulações com o objetivo de aumentar o passivo da conta de fornecedores, através de valores que não representavam reais operações mercantis. Tal fato é corroborado tanto pela própria inexistência da empresa fornecedora DACON, tanto pela própria mecânica das operações mercantis fictas; • Em que pese a inexistência de fato da empresa DACON, que atuava na condição de pseudo fornecedora da contribuinte SPARTACO, a mesma era Fl. 3685DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.616 4 movimentada mediante interposição de pessoas, já que os respectivos quadros sociais de direito eram compostos por pessoas cujo patrimônio declarado não apresentava representatividade econômica, conforme demonstram as declarações de Imposto de Renda Pessoa Física das mesmas. DAS INFRAÇÕES: • Glosa de Custos: Contabilização de custos com base em documentos inidôneos. A contribuinte e os responsáveis tributários, tendo ciência do Auto de Infração (11/12/2014 – fls. 2.795, 2.798, 2.804, 2.801, 2.807), e, sentindose inconformados, dele recorreram a esta DRJ com as respectivas impugnações (fls.2.809/2.823, 2.837/2.854, 2.894/2.921, 3.123/3.138, 3.172/3.187) em 05/01/2015, 09/01/2015, todas resumidas a seguir. • Houve a decadência dos lançamentos do presente Auto de Infração dos períodos de 31/01/2009 a 30/06/2009 em razão do disposto no art.150, §4º do CTN; • Caracterizouse a nulidade e cerceamento de defesa em razão do prazo exíguo para a apresentação da defesa; • O presente ato administrativo é nulo em razão de falta de motivação do lançamento; • A autoridade fiscal quebrou o sigilo fiscal da contribuinte sem autorização judicial; • A autoridade fiscal não analisou a saída de mercadorias da empresa e não estornou os valores glosados, o que aumenta a base de cálculo do IRPJ e da CSLL; • Defende a impossibilidade responsabilidade solidária fundamentada nos arts.124, II e 135 do CTN. A responsabilidade é pessoal do contribuinte e não solidária, o que torna nulo o Auto de Infração; • Não há provas da prática do ato ilícito o que invalida a responsabilização solidária; • O ônus da aprova da prática de atos ilícitos cabe à autoridade fiscal; • Pela falta de provas da prática de atos ilícitos não é cabível a multa qualificada; • Requer a juntada de documentos, perícia e diligência. Ao julgar a impugnação da contribuinte, a DRJ proferiu a seguinte decisão, litteris: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 CUSTOS. GLOSA. As notas fiscais emitidas por firmas inidôneas são inválidas e, portanto, não podem ser reconhecidas como provas para fins de apropriação como custo. Fl. 3686DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.617 5 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos que levaram à manutenção integral da autuação foram os seguintes: (i) A DRJ entendeu que, no caso em tela, não ocorreu nenhuma das hipóteses do artigo 59 do Decreto 70.235/1972 de modo que não se verifica qualquer irregularidade, a qual pode dar ensejo à nulidade do ato administrativo. (ii) A impugnante aduz que houve cerceamento de defesa em razão da ausência de nexo causal entre o fato apurado e a infração prevista em lei. Todavia, a decisão recorrida aponta que da própria manifestação de impugnação se extrai que a contribuinte conhecia perfeitamente das acusações bem como que o Auto de Infração contém todos os requisitos formais exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72. De outro bordo, a DRJ afirma que os atos praticados pela autoridade autuante em momento anterior à formalização do ato de lançamento tem cunho eminentemente inquisitorial de forma que não houve nulidade. (iii) Que o acesso às informações bancárias não configura quebra de sigilo bancário, mas sim mera transferência do sigilo que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira e passa a ser mantido pelas autoridades administrativas. (iv) Que não houve decadência do direito de constituir o crédito tributário visto que por se tratar de lançamento por homologação, aplicase o disposto no artigo 173, inciso I do CTN, sendo o prazo decadencial de 5 anos a contar do ano seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado, de forma que o direito do Fisco expirarseia em 31/12/2015. (v) Compete ao contribuinte comprovar a idoneidade das notas fiscais emitidas pela DACON – INDÚSTRIA COMERCIO E RECICLAGEM DE METAIS LTDA. Contudo, enquanto o trabalho fiscal trouxe prova suficiente de que as operações comerciais com a referida empresa eram meras simulações, a impugnante não comprovou o aduzido em sede de impugnação. (vi) Que se procedeu à qualificação da multa em 150% por ter sido indiscutivelmente dolosa a prática reiterada e sistemática de contabilizar pagamentos e operações comerciais fictícias com empresa inidônea e inexistente, porquanto conforme um sistema de agir incompatível com as excludentes de negligência ou boafé. (vii) Que nos termos do artigo 135, combinado com o artigo 124, inciso II da Lei n. 5172/66 – CTN, é cabível a responsabilização solidária dos sócios visto que estes realizaram a prática de atos ilícitos com intuito doloso de sonegação de tributos. (viii) Quanto às ilegalidades e inconstitucionalidades, a decisão recorrida aduz que a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, deve limitarse a aplicala, sem emitir qualquer juízo de valor acerca de sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Fl. 3687DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.618 6 (ix) Por serem considerados prescindíveis, foram indeferidos os pedidos de perícia e de diligência bem como o pedido de informação do local e hora do julgamento para a possibilidade de a contribuinte exercer seu direito a defesa oral por falta de previsão legal do referido pedido. (x) Por fim, a DRJ decidiu no sentido de que os valores lançados se constituem de tributação reflexa e, portanto, devidos em razão da autuação do IRPJ e da CSLL. Da decisão, as Recorrentes propuseram Recursos Voluntários, aduzindo, em síntese, que o Acórdão recorrido deixou de analisar os argumentos de fato e de direito, conforme segue: (a) O cerceamento do direito de defesa uma vez que por não haver nada que desabonasse a idoneidade da empresa DACON, no SINTEGRA, a recorrente teria agido com total boafé. Além disso, alega que o acórdão recorrido ignorou o pedido para intimar a Fazenda do Estado de São Paulo a fim de que fornecesse a data da publicidade da inabilitação da empresa DACON. Requer a nulidade do procedimento administrativo em virtude de preterição de direito de defesa. (b) Que sequer analisou os argumentos de defesa apresentados no sentido de que inexiste a possibilidade de aplicação de responsabilidade solidária com fundamento no art. 135, III, do CTN, mas sim de responsabilidade pessoal, existindo erro de aplicação do direito, que não pode ser mais revisto, o que torna nulo o ato administrativo, na medida em que implicaria mudança de critérios jurídicos pela autoridade administrativa, conforme art. 146, do CTN. Que o acórdão deixou de analisar ainda, os argumentos levantados por cada um dos impugnantes: (b.1) No que se refere ao sócio, Sr. Spartaco Taddeo, resumidamente, a decisão não levou em consideração o fato de ter alegado ser contabilista formado, com mais de 05 (cinco) décadas de atividade no mercado, possuindo, assim, formação e competência inquestionáveis para constituir e gerir um negócio, o que sempre fez, com vigor e assiduidade. Ainda, o fato de que a idade e a residência, que por ter sido considerada simples pela Sra. Auditora, não são indícios de prática de ato ilícito consistente em figurar como pessoa interposta de empresa com intuito doloso de prejudicar o erário, de modo que, a Autoridade administrativa partiu de meras suposições generalizantes, sem se ater às peculiaridades da pessoa do Impugnante, estabelecendo indícios irreais para concluir pela existência de fraude à lei. (b.2) Com relação à sócia, Sra. Nair Hodas Taddeo, restou totalmente desconsiderado que a Impugnante nunca administrou a empresa e detinha apenas 1% (um por cento) do capital social porque seu esposo necessitava de pessoa para constituir a empresa limitada, razão pela qual figurou no quadro societário. Nesse sentido, ignorou a apresentação de declaração por escritura pública do Sr. Spartaco Taddeo, afirmando que a Impugnante não administrava a empresa, sendo ele o responsável por todos os atos de gestão. (b.3) Do mesmo modo, com relação ao Srs. Ariovaldo Ripani e Raphael Ripani, respectivamente pai e filho, não foi levado em consideração o argumento de que ambos têm vínculos com a empresa ora Recorrente, de ordem trabalhista (Raphael) e de prestação de serviços (Ariovaldo), que não é condição suficiente para a conclusão Fl. 3688DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.619 7 de que os Impugnantes eram os reais beneficiários das riquezas geradas pelas atividades da SPARTACO. (c) A ilegalidade da quebra do sigilo bancário que foi realizado sem que houvesse prévia autorização judicial. (d) Que houve decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário visto que não se aplica ao caso em tela o disposto no artigo 173, inciso I do CTN, mas sim o que determina o artigo 150, § 4º, do CTN, devendo, portanto, se extinguir o crédito tributário, nos termos do artigo 156, V do CTN. (e) Que a busca pela verdade material ficou prejudicada no processo administrativo tributário visto que: (e.1) O acórdão recorrido alega que a Recorrente não trouxe provas de que as infrações não espelham a realidade dos fatos, todavia, o processo de diligência, necessário para que os documentos que retratam as saídas da empresa no ano de 2009 sejam também apurados bem como, a produção de perícia contábil financeira, para comprovar a licitude das operações retratadas na contabilidade da empresa foram indeferidos, mesmo sendo imprescindíveis para que a verdade material fosse alcançada. (e.2) No caso em tela, ônus da prova pertenceria ao Fisco e não ao contribuinte conforme aduz a decisão recorrida. Que houve violação ao princípio do devido processo legal e do dever da administração pública de provar o alegado. (e.3) A autoridade administrativa partiu de meras suposições, indícios fantasiosos para dar continuidade ao procedimento administrativo fiscal e promover a quebra do sigilo fiscal da empresa e supostos corresponsáveis sem levar em consideração que a Recorrente comercializava cobre e seu estoque possuía alto giro, além de se evitar a manutenção de estoque na empresa por questões de segurança. (e.4) Se a mercadoria era fictícia, necessariamente teria a fiscalização que apurar os documentos de saída e estornar os valores glosados, o que não foi feito. Por outro lado, se a mercadoria existia, sendo as notas fiscais utilizadas apenas para dar origem, não houve diminuição da base de cálculo do Lucro Real, mas infração de outra ordem, o que poderia ser apurado apenas com a verificação da saída das mercadorias. (f) Que não houve a comprovação de simulação, fraude ou conluio que autorizasse a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, inciso I, parágrafo primeiro da Lei 9.430/96. É o relatório. Voto Fl. 3689DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.620 8 O contribuinte e os responsáveis apresentaram Recursos Voluntários dentro do prazo legalmente previsto e preencheram os requisitos de admissibilidade. Desta feita, conheço dos Recursos Voluntários interpostos pelo contribuinte e responsáveis tributários. Da Preliminar de Nulidade Da Inexistência de Nulidade no Procedimento A contribuinte alega que a presente exigência é nula, sustentando o vício do lançamento em dois momentos distintos: o procedimento administrativo e o processo administrativo fiscal. Discorrendo primeiramente sobre as hipóteses de nulidade do procedimento, a recorrente alega dois vícios, são estes: o cerceamento do direito de defesa, e a suposta contradição incorrida pela autoridade fiscal. Inicialmente, no que tange ao cerceamento do direito de defesa, a recorrente aduz que à época dos fatos desconhecia quaisquer motivos que pudessem conferir inidoneidade à DACON e continua a desconhecêlos, na exata medida que não teve acesso aos autos do procedimento fiscalizatório. Na oportunidade, além de pedir o reconhecimento da nulidade da autuação, ainda reiterou pedido feito na impugnação, em que solicitou fosse determinada a intimação da Fazenda do Estado de São Paulo, para fornecer a data da publicidade da inabilitação da empresa DACON. Com relação a este primeiro ponto, assevero que o procedimento administrativo, é permeado pelo princípio da inquistoriedade, que confere o caráter investigatório ao procedimento. Assim, o princípio do inquisitório permite uma atuação mais célere e eficaz por parte da Administração, sendo de sua faculdade a requisição de colaboração do contribuinte. Sendo assim, o auditor entendeu que os indícios coletados em seu procedimento inquisitório foram suficientes a estabelecer uma razoável presunção a embasar a autuação, não caracterizando o cerceamento do direito de defesa, nessa fase procedimental, a possibilidade de o contribuinte produzir as provas que entenda necessárias. O segundo ponto que não teria sido objeto de análise pela DRJ, seria a suposta contradição existente na autuação. Isto porque, ao mesmo tempo em que afirma serem as operações feitas com a empresa DACON, meras simulações com o objetivo de aumentar o passivo da conta de fornecedores; a autoridade fiscal afirma, também, que tais operações apenas serviriam para regularizar a existência de mercadorias no estoque da recorrente. No entanto, tais argumentos não merecem prosperar pois, conforme bem pontua a decisão recorrida, no Termo de Verificação Fiscal estão contidas todas as informações a respeito dos valores apurados das infrações, as quais lhe foram imputadas, bem como a maneira como foram extraídas as informações, as quais deram ensejo ao presente Auto de Infração, acompanhada da capitulação legal das irregularidades detectadas no curso da fiscalização. O documento é claro e conciso, expurgando quaisquer dúvidas quanto à descrição dos fatos, ou dos motivos que levaram à autuação. Fl. 3690DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.621 9 Da Inexistência de Nulidade no Processo No que tange à hipótese de nulidade constante no processo fiscal, a contribuinte, bem como os responsáveis solidários alegam que seus argumentos não foram apreciados, o que configura uma preterição do direito de defesa, apto a gerar a nulidade do auto de infração, ou, ao menos, da decisão recorrida. No entanto, a despeito do que alega a Recorrente, constatase que a decisão recorrida demonstrou as razões que a fizeram entender pela inexistência de nulidade tanto no procedimento, quanto no processo administrativo fiscal. Em que pese o julgador não estar obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão, verificase que o acórdão traz a previsão do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72, que estabelece as hipóteses de nulidade do ato administrativo, e conclui que nenhuma daquelas hipóteses era verificada no caso em comento. Portanto, entendo correta a decisão constante no acórdão recorrido. De fato, o erro de aplicação do direito; ou a contradição; ou o cerceamento do direito de defesa tanto no procedimento quanto do processo administrativo fiscal; não se amoldam ao rol de hipóteses aptas a gerar a nulidade do ato administrativo. Observase que a causa de pedir do contribuinte e responsáveis, ou seja, os fatos por eles descritos cumulados à fundamentação que entendem aplicável ao caso concreto, é que não implicam na nulidade do auto de infração e/ou nulidade do acórdão de primeira instância. Isto porque, reforçase, nenhum dos fatos se coaduna com a previsão do art. 59 do Decretolei n.º 70.235/72. Em vista disso, rejeito a preliminar de nulidade. Da Quebra de Sigilo Bancário Do exame do TVF, constatamse os indícios que levaram a autoridade fiscal a requerer a movimentação financeira, são estes: (i) os sócios da contribuinte o SPARTACO TADDEO – CPF 111.473.77804 e sua esposa NAIR HODAS TADDEO CPF 274.377.51810; apresentaram declaração de isenção de Imposto de Renda Pessoa Física, por não possuírem bens e direitos que justificassem a entrega de Declaração ao Fisco Federal. Todavia, em que pese tal situação patrimonial inexpressiva, tais pessoas, já na condição de idosos e sem lastro patrimonial à época, foram inseridos como sócios da referida pessoa jurídica (IRPF SPARTACO TADDEO; DAI 2004 SPARTACO E NAIR); (ii) Na diligência realizada na sede do contribuinte, verificouse a existência de um amplo galpão, desprovido de máquinas e equipamentos, inexistindo atividades comerciais ou industriais que justificassem as vultosas operações interbancárias no montante de R$ 593.118.622,00 (quinhentos e noventa e três milhões cento e dezoito mil e seiscentos e vinte e dois reais) conforme dados extraídos da DIMOF – Declaração de Movimentação Financeira. Na ocasião, conversamos com o senhor Spartaco Taddeo. Sua também simples residência (anexou foto da fachada da casa no corpo do TVF) possui Fl. 3691DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.622 10 padrão discrepante a que, via de regra, deveria possuir o titular de uma empresa que movimentou elevada soma de recursos financeiros conforme descrito, demonstrando claramente tratarse de interposta pessoa na constituição desta personalidade jurídica; Pois bem, conforme preleciona PAULO DE BARROS CARVALHO (A Prova no Direito Tributário, Pág. 190), a presunção é o resultado lógico, mediante o qual do fato conhecido, cuja existência é certa, inferese o fato desconhecido ou duvidoso, cuja existência é, simplesmente, provável. A autoridade fiscal, fundamentou a requisição nos arts. 5º e 6º da LC n.º 105/2001. Assim, entendo que os fatos conhecidos e relatados no TVF, são razoáveis indícios de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato. Destarte, a Solicitação de Emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF). Esclarecido isso, passase à análise do pedido das Recorrentes. A contribuinte e responsáveis, invocaram a aplicação dos §§ 1º e 2º, do art. 62A, do Regimento Interno do CARF, que permitem, por provocação da parte, o sobrestamento dos julgamentos dos recursos neste Conselho até que seja proferida decisão quanto à mesma matéria que se encontre em repercussão geral no STF. Para tanto, invocou o RE 601314RG, que se encontrava em repercussão geral. Sendo assim, verificase que o tema foi julgado pelo STF, conforme ementa à seguir: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Fl. 3692DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.623 11 Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe 198 DIVULG 15092016 PUBLIC 16092016) (Grifei) Como se denota, o tema de repercussão geral em que se fundamentou o pedido de sobrestamento deste processo já foi julgado, e de forma desfavorável às recorrentes, uma vez que foi firmada a tese de que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. Assim, presentes indícios suficientes a solicitação de emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, cumulada ao julgado do STF que, em sede de repercussão geral, fixou que o dispositivo invocado pela Fiscalização (art. 6º Fl. 3693DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.624 12 da LC 105/01) não ofende o direito ao sigilo bancário, entendo que, in casu, não houve quebra de sigilo bancário. Do Mérito Para aferirse o cerne da autuação em apreço, colacionase o item 7 do TVF que descreve o “modus operandi”, que fizeram a Fiscalização concluir pela inidoneidade das notas fiscais emitidas pela fornecedora. Vejamos: Fl. 3694DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.625 13 Fl. 3695DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.626 14 Fl. 3696DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.627 15 Fl. 3697DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.628 16 Fl. 3698DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.629 17 Fl. 3699DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.630 18 Fl. 3700DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.631 19 Fl. 3701DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.632 20 Fl. 3702DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.633 21 Fl. 3703DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.634 22 Fl. 3704DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.635 23 Fl. 3705DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.636 24 Fl. 3706DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.637 25 Fl. 3707DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.638 26 Fl. 3708DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.639 27 Fl. 3709DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.640 28 Fl. 3710DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.641 29 Como visto, do exame da contabilidade da contribuinte foram apuradas diversas irregularidades, as quais, cumuladas com a Situação Cadastral irregular da fornecedora DACON – INDÚSTRIA COMÉRCIO E RECICLAGEM DE MATERIAIS LTDAME, com quem pactuou a maioria das operações, fizeram com que a Fiscalização concluísse pela inidoneidade das notas fiscais emitidas pela fornecedora mencionada e, consequentemente, procedesse à glosa por apropriação indébita da contribuinte. Aprofundandose sobre a empresa DACON – INDÚSTRIA COMÉRCIO E RECICLAGEM DE METAIS LTDA – ME, suposta fornecedora da contribuinte, a Fiscalização apurou, no item 6 do TVF, que: (i) A última DIPJ entregue foi relativa ao anocalendário de 2007; (ii) Não constam GFIP nem DCTF entregues e nem recolhimentos no período de 2008 até hoje; (iii) Apresentase com a situação cadastral junto ao cadastro estadual como “NÃO HABILITADO” desde 30/04/2009 (SINTEGRA DACON); (iv) Foi constituída em nome de ANTONIO CARLOS GOMES DE OLIVEIRA – CPF 342.773.18800, com 10% de participação societária e com inscrição “SUSPENSA” no CPF, e MILTON GARCIA MACIEL PINTO – CPF 269.520.27840, com 90% de participação societária, revelandose tratarem de interpostas pessoas (CADASTRO DACON E SÓCIOS); (v) A última Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF de ANTONIO CARLOS GOMES DE OLIVEIRA foi relativa ao ano calendário de 2008, tendo sido entregue com valores zerados. O único bem declarado, entretanto, foram os 99% do capital social da empresa DELLCOM ELETRONICS COMERCIO DE ELETRONICOS E SERVICOS LTDA – EPP CNPJ 05.600.625/000108 (IRPF SÓCIO Fl. 3711DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.642 30 DACONANTONIO CARLOS AC 2008; TELA DIRPF SÓCIOS DACON); (vi) Em relação ao sócio MILTON GARCIA MACIEL PINTO, sua última DIRPF entregue foi relativa ao anocalendário de 2012, onde declara que recebeu rendimentos tributáveis da ZONA CENTRO BAR E RESTAURANTE LTDA – CNPJ 03.228.332/000116, no valor de R$ 13.460,70 no ano. O único bem declarado foi a sociedade na empresa DACON IND. COM. E RECICLAGEM DE METAIS LTDA – ME, no valor de R$ 90.000,00 (IRPF SÓCIO DACONMILTON AC 2012; TELA DIRPF SÓCIOS DACON); (vii) Em relação ao anocalendário de 2009, o sócio MILTON GARCIA MACIEL PINTO entregou DIRPF com valores zerados, tendo sido o único bem declarado, entretanto, a sociedade na empresa DACON IND. COM. E RECICLAGEM DE METAIS LTDA – ME, no valor de R$ 90.000,00 (IRPF SÓCIO DACONMILTON AC 2012; TELA DIRPF SÓCIOS DACON); (viii) Nos anoscalendário de 2008 e 2009, consta nos sistemas da Receita Federal do Brasil que o sócio MILTON GARCIA MACIEL PINTO recebeu pagamentos da empresa THE WEEK ENTRETENIMENTO LTDA – CNPJ 06.980.178/000122, por meio da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (CADASTRO DACON E SÓCIOS). Em razão disso, a Fiscalização reconheceu a inidoneidade das notas fiscais emitidas pela empresa DACON para a SPARTACO, levando a autoridade fiscal a glosar todas os R$ 11.807.471,70 em notas fiscais para a SPARTACO (fl. 06 do TVF). Em face do quanto apurado no procedimento fiscal, a autoridade chegou às seguintes conclusões: Fl. 3712DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.643 31 Portanto, a motivação da glosa – e consequentemente da constituição do crédito tributário exigido – decorre da escrituração na contabilidade da contribuinte de compras de fornecedor adquiridas através de notas fiscais inidôneas, assim consideradas por terem sido emitidas por empresa que se apresenta com seus registros irregulares nos órgãos competentes, e por ser inexistente de fato, conforme exposto anteriormente. De outro bordo, a contribuinte restringiuse a alegar que a autuação não reflete a realidade dos fatos ocorridos, bem como que a Fiscalização teria que apurar os documentos de saída e estornar os valores glosados, o que não foi feito, de forma a provocar um aumento na base de cálculo do IRPJ e da CSLL; no entanto, sem trazer quaisquer documentos que fizessem prova de suas alegações. Nesse ponto, o trabalho fiscal comprovou, conforme descrito acima, que as operações de aquisição de mercadorias não ocorreram, à evidência da inexistência de fato da empresa DACON, quem supostamente fornecia as mercadorias. Por isso, reputo correto o enquadramento da infração no art. 217 do RIR/99. Vejamos seu teor: Art. 217. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários, em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta. Em vista disso, mantenho as glosas efetuadas pela autoridade fiscal. Multa de Ofício Qualificada Fl. 3713DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.644 32 Com relação à qualificação da multa de ofício, o Acórdão recorrido expressou o seguinte: “No presente caso, a multa qualificada foi aplicada por ter sido constatado pela fiscalização além da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL, a incidência das hipóteses previstas na Lei nº 4.502/64, sendo o montante da penalidade aplicada sobre o valor apurado dos tributos, nos termos do artigo 44, I, §1º da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ................... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Dessa maneira, constatada a subsunção ao texto legal, em razão do inadimplemento da obrigação em seus respectivos vencimentos, correta a exigência acrescida da devida multa de ofício qualificada.” Aqui, as recorrentes alegam que não houve a comprovação destas condutas, e trouxe súmulas do CARF, que entende militarem a seu favor. Entretanto, não merecem prosperar as alegações dos administrados. No que tange às Súmulas CARF n.º 14 (“A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”); e n.º 25 (“A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64”); devese asseverar que tais dispositivos não se aplicam ao caso em comento, pois, através de todo o aparato probatório, fica claro não se tratar de uma simples apuração de omissão de receita, pois foi procedida de forma ardilosa com emissão de cheques que revelavam uma falsa operação aos olhos dos Fiscos Estadual e Federal; bem como nos autos deste processo restou clara a comprovação de simulação das operações. Ademais, o TVF deixa claro que o enquadramento dos atos procedidos se amolda à hipótese de fraude prevista no art. 72, da Lei n.º 4.502/64. Fl. 3714DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.645 33 Por conseguinte, entendo correta a aplicação da multa de ofício qualificada. Da Decadência As recorrentes alegam que o crédito lançado já estaria acometido pela decadência, uma vez que os tributos exigidos são submetidos ao lançamento por homologação, cuja o termo inicial da contagem do prazo decadencial está expresso no §4º, do art. 150 do CTN, a seguir transcrito: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (grifos) A tese de decadência sustentada pelas recorrentes, passa obrigatoriamente pela configuração, ou não, da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, tendo em vista a alegação de não se encontrar provado nos autos a ocorrência de fraude, dolo ou simulação, o que atrairia a disposição da primeira parte do §4º, acima transcrito; e, em decorrência, configuraria a hipótese de decadência no caso em espeque. Contudo, à vista do aqui exposto – máxime no que tange ao tópico da multa de ofício qualificada, bem como do exposto no TVF – crerse ter demonstrado a ocorrência de fraude na contabilidade da contribuinte, de modo a excluir o critério quantitativo da regramatriz de incidência tributária, reduzindo o montante do imposto devido. Logo, os fatos descritos nestes autos se amoldam à hipótese descrita na segunda parte do §4º do art. 150, c/c art. 173, I, ambos do CTN. Assim, não vislumbro a verificação da hipótese de decadência na presente exigência. Da Responsabilidade Tributária Com relação a responsabilidade atribuída para extinção da obrigação tributária, cumpre reforçar o quanto apurado pela Fiscalização, conforme transcrição de trecho do TVF a seguir: 9.4.1. DO MENTOR INTELECTUAL DA FRAUDE Fl. 3715DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.646 34 No rastreamento de recursos da empresa SPARTACO, movimentado principalmente através da Agência 0559 – SP/USP – Radial Leste do Banco Bradesco S\A, constatamos que vários cheques favoreciam pessoas vinculadas à família RIPANI, entre eles, ARIOVALDO RIPANI, que sem qualquer vinculação de direito com a empresa SPARTACO, movimentava através de procuração constituída por instrumento público (INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO PARA ARIOVALDO RIPANI), as contascorrente mantidas nesta agência bancária, demonstrando ser o principal favorecido e real beneficiário das riquezas geradas pelas atividades da SPARTACO. Sobre a Procuração: Em 18/06/2006, a empresa SPARTACO, por meio de seu sócio SPARTACO TADDEO, nomeia e constitui seu procurador ARIOVALDO RIPANI – CPF 486.273.56815, conferindo a ele amplos e gerais poderes para gerir e administrar a empresa outorgante; representala perante quaisquer repartições públicas federais; abrir movimentar e/ou encerrar contas bancárias em Bancos no geral, inclusive no Banco Bradesco S/A, podendo preencher e assinar cadastros, fichas e propostas de abertura de contas correntes, depositar e retirar dinheiro, emitir, endossar, sacar, descontar, visar, protestar, caucionar, reformar e assinar cheques, saques e ordens de pagamentos, pedir saldos e extratos de contas, requisitar talões de cheques para uso dela outorgante, receber e assinar todas as correspondências dela outorgante, inclusive as dirigidas aos Bancos (INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO PARA ARIOVALDO RIPANI). As atividades empresariais ocultas da família RIPANI atingiram um grau elevado de sofisticação, que, além das interposições de pessoas no quadro societário da SPARTACO, visando ao não atingimento dos nomes dos reais beneficiários (os RIPANI), com o objetivo de manter os transportes das mercadorias sob controle e no anonimato, constituíram a empresa ALCANTARA MACHADO TRANSPORTES EIRELI – ME – CNPJ 11.272.163/000140 com endereço à Rua Habenarias, 83 – Jd. Eliane – São Paulo SP, cujos sócios no período de 22/10/2009 a 14/11/2013 eram ARIOVALDO RIPANI – CPF 486.273.56815 e RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI – CPF 255.747.81809 (CADASTRO ALCANTARA MACHADO E SÓCIOS). Em 05/12/2014, a SPARTACO declarou que todas as mercadorias adquiridas da empresa DACON INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA, foram retiradas pelo caminhão da SPARTACO, de placa DTE 3446 VW Caminhão – Carroceria Aberta – RENAVAN 00969839596 Ano 2008/2008, tendo sido vendido em 24/07/2009 conforme Nota fiscal 684 (RESPOSTA AO TERMO DE 13112014). Conforme cópia apresentada da nota fiscal 684, a SPARTACO vendeu em 24/07/2009 o caminhão de placa DTE 3446 para RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI. Em 22/10/2009, RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI, juntamente com ARIOVALDO RIPANI, constituíram a empresa ALCANTARA MACHADO TRANSPORTES EIRELI – ME – CNPJ 11.272.163/000140. Em consulta ao sistema RENAVAN, constatamos que o caminhão está em Fl. 3716DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.647 35 nome de ALCANTARA MACHADO TRANSPORTES EIRELI – ME – CNPJ 11.272.163/000140 (RENAVAM DTE3446). RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI e ARIOVALDO RIPANI possuem uma ligação familiar, pelo motivo de possuírem o mesmo sobrenome e de os domicílios fiscais de ambos serem no mesmo endereço. RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI, juntamente com ARIOVALDO RIPANI, também constituíram em 06/11/2006 a empresa SUBA CONSULTORIA E INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS LTDA – CNPJ 08.446.618/000191, com endereço à Avenida Nossa Senhora do Rocio 229 – Bairro do Rocio Iguape SP (CADASTRO SUBA CONS E INTERM DE NEGÓCIOS E SÓCIOS); e em 10/09/2007, a empresa SUBA FOMENTO MERCANTIL LTDA – CNPJ 09.061.934/000108, com endereço Rua Alegria 129, Brás, São Paulo/SP, CEP 03043010 (mesmo endereço primitivo da SPARTACO). A empresa SUBA FOMENTO MERCANTIL foi baixada em 15/06/2011 (CADASTRO SUBA FOMENTO MERCANTIL E SÓCIOS). Durante a fiscalização, pela análise das fitas detalhes do caixa, constatamos pagamentos a SUBA CONSULTORIA E INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS LTDA, a SUBA FOMENTO MERCANTIL LTDA, e a VENEZA EMPREENDIMENTOS PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA – CNPJ 55.373.542/000100, vinculada à família Ripani (CADASTRO VENEZA E SÓCIOS). O artigo 124, inciso II do CTN prevê que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Por tudo o que foi descrito nos itens precedentes, e nos termos do art. 124, inciso I, combinado com os artigos 135, inciso III Responsabilidade de Terceiros, 137 Responsabilidade por Infrações do Código Tributário Nacional Lei 5.172/66, e art. 210, inciso VI e parágrafos, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99 (RIR/99), restou caracterizada a sujeição passiva solidária dos contribuintes abaixo qualificados, por terem ficado configurados como reais beneficiários das operações da empresa e, portanto, pessoalmente responsáveis pelas infrações à lei cometidas nas operações em nome da empresa ora autuada: ARIOVALDO RIPANI – CPF 486.273.56815 RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI – CPF 255.747.81809 Para as formalidades legais, os responsáveis acima serão cientificados em apartado pelo “Termo de Ciência de Lançamento(s) e Encerramento Parcial do Procedimento Fiscal – Responsabilidade Tributária” da exigência tributária decorrente de Auto de Infração relativamente aos tributos IRPJ e CSLL contra o sujeito passivo supra referido, cujas cópias, juntamente com o presente termo, serão entregues em anexo. (grifos acrescidos) Na autuação, houve arrolamento de quatro pessoas físicas como responsáveis tributárias pelo crédito tributário; sendo duas responsáveis solidárias de direito Fl. 3717DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.648 36 (Sr. Spartaco Taddeo e a Sra. Nair Hodas Taddeo), e duas responsáveis solidárias de fato (Sr. Ariovaldo Ripani e Sr. Raphael Ripani). Sobre o assunto, destacase trechos do voto da DRJ: “O Termo de Verificação Fiscal faz uma exaustiva exposição dos fatos a respeito da composição societária da autuada. Em pesquisa à Junta Comercial de São Paulo, a autoridade fiscal verificou a composição da sociedade, ora autuada, arrolandoos como responsáveis tributários com base no art.135, incisos III do CTN e art.124, I do mesmo dispositivo legal. O art.124, I do CTN, trata da responsabilidade tributária em razão de interesse comum, o qual engloba o interesse econômico e/ou jurídico. O termo “interesse comum” é amplo, pois visa garantir o adimplemento da obrigação tributária via responsabilização solidária. O proveito econômico ocorre não só entre os sócios, os quais pertencem ao quadro societário de empresa, como também quanto às pessoas jurídicas formadoras de um grupo econômico. O proveito econômico de uma empresa aproveita diretamente a seus sócios tanto pessoa física quanto pessoa jurídica de acordo com a participação no quadro societário. Já o interesse ou vínculo jurídico originase do regramento ditado por legislação específica (Código Civil e Lei das S/A), a qual dita os direitos e deveres dos sócios perante a pessoa jurídica e esta perante a sociedade. O art.135 do CTN reforça a responsabilidade dos sócios pelos créditos tributários quando resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Da mesma forma a Portaria RFB nº 2.284, de 29/11/2010 e a Portaria PGFN nº 180 de 25/02/2010, determinam a inclusão do responsável solidário no procedimento de constituição do crédito tributário, no caso de ocorrência de ao menos uma das quatro situações a seguir: Excesso de poderes; Infração à Lei; Infração ao contrato social ou estatuto; Dissolução irregular da pessoa jurídica. O artigo 124, inciso II prevê que são solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei. Para a imputação da responsabilidade tributária basta o simples inadimplemento da obrigação tributária, o qual enseja a responsabilidade tributária por violar dispositivo específico de lei. É obrigação da contribuinte o adimplemento da obrigação tributária e o seu descumprimento ocasiona as sanções previstas na legislação tributária. Fl. 3718DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.649 37 A presente autuação arrolou somente os responsáveis tributários, os quais são os sócios da pessoa jurídica, aplicandose, portanto, a personalização da pena. As penalidades previstas na lei tributária, entre elas a imposição de multas, comunicamse aos sócios, pois estes são responsáveis pela condução das atividades da empresa. Não só a pessoa jurídica responde pelo inadimplemento da obrigação tributária, incluindose as penalidades de caráter moratório, mas também os sócios, pois são decorrentes do inadimplemento da obrigação tributária principal (art.113, §1º do CTN) previstos expressamente em lei (art.135 do CTN). Portanto, os sócios respondem solidariamente com a pessoa jurídica quanto à multa qualificada por meio da imputação de responsabilidade tributária. A pessoa jurídica é representada por seus sócios exercendo poderes para a gestão empresarial e, portanto, não cabe a alegação de que a interessada eximese das responsabilidades tributárias.” (grifos acrescidos) Conforme excerto acima, é fato que a autuação, ratificada pela decisão de primeira instância, considerou as pessoas físicas acima mencionadas como sócias da contribuinte, classificandoas em sócias de fato e sócias de direito. Sócios de direito, aqueles que eram formalmente sócios da empresa, ou seja, as interpostas pessoas que emprestaram o nome para a possibilidade de constituição da sociedade. Sócios de fato aqueles que, de fato, realizaram atos de gestão e administração da sociedade. As recorrentes alegam, em síntese, o que segue: · No que se refere ao sócio, Sr. Spartaco Taddeo, resumidamente, a decisão não levou em consideração o fato de ter alegado ser contabilista formado, com mais de 05 (cinco) décadas de atividade no mercado, possuindo, assim, formação e competência inquestionáveis para constituir e gerir um negócio, o que sempre fez, com vigor e assiduidade. Ainda, o fato de que a idade e a residência, que por ter sido considerada simples pela Sra. Auditora, não são indícios de prática de ato ilícito consistente em figurar como pessoa interposta de empresa com intuito doloso de prejudicar o erário, de modo que, a Autoridade administrativa partiu de meras suposições generalizantes, sem se ater às peculiaridades da pessoa do Impugnante, estabelecendo indícios irreais para concluir pela existência de fraude à lei. · Com relação à sócia, Sra. Nair Hodas Taddeo, restou totalmente desconsiderado que a Impugnante nunca administrou a empresa e detinha apenas 1% (um por cento) do capital social porque seu esposo necessitava de pessoa para constituir a empresa limitada, razão pela qual figurou no quadro societário. Nesse sentido, ignorou a apresentação de declaração por escritura pública do Sr. Spartaco Taddeo, Fl. 3719DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.650 38 afirmando que a Impugnante não administrava a empresa, sendo ele o responsável por todos os atos de gestão. · Do mesmo modo, com relação ao Srs. Ariovaldo Ripani e Raphael Ripani, respectivamente pai e filho, não foi levado em consideração o argumento de que ambos têm vínculos com a empresa ora Recorrente, de ordem trabalhista (Raphael) e de prestação de serviços (Ariovaldo), que não é condição suficiente para a conclusão de que os Impugnantes eram os reais beneficiários das riquezas geradas pelas atividades da SPARTACO. Pois bem. O acórdão recorrido faz correta interpretação do artigo 124 do CTN, pois observase que o inciso “I” deste dispositivo prevê que a responsabilidade solidária “de fato”, quando há interesse comum, em paralelo àquela “de direito”, disposta no inciso II, que não exige a presença do interesse comum, mas precisa estar prevista em lei específica. O texto do art. 124 é expresso ao vincular apenas os casos de responsabilidade solidária “de direito”, objeto do inciso II, à necessidade de designação por lei. Acerca do alcance da expressão “interesse comum”, já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, em acórdão de cuja ementa extraise: O instituto está previsto no art. 124 do CTN, em que o inciso determina a solidariedade quando os sujeitos estão na mesma relação obrigacional. Deve ocorrer interesse comum das pessoas que participam da situação que origina o fato gerador. Conseqüentemente, passam à condição de devedores solidários. (AgRg nos Edcl Resp n. 375.769/RS, Rel. Min. Humberto Martins, 2ª Turma, j. 04/12/2007, DJ 14/12/2007). Também interpretando o interesse comum, o Conselho de Contribuintes já entendeu pela possibilidade de responsabilização solidária da pessoa física na condição de verdadeira sócia da pessoa jurídica, com fundamento no artigo 124, I do CTN: “RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas (laranjas) que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal.” (Processo nº 13603.002869/200301, Recurso nº 148917, Sessão de 16 de agosto de 2006, Acórdão nº: 10708692) Fl. 3720DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.651 39 Assim, o Fisco tem de provar, primeiramente, a autoria da infração, a partir da premissa de que o infrator não é apenas aquele que praticou materialmente o fato, mas também os que com ele colaboraram (partícipes) e os que determinaram a execução da conduta (mandantes). Logo, não basta indicar o nome de todos os sócios constantes do contrato social ou pessoas jurídicas vinculadas aos negócios jurídicos práticados pelo contribuinte, imperioso que se individualize o autor das irregularidades, demonstrando ao menos qual o sócio geria a sociedade, e decidia pela prática dos negócios empresariais tipificados como fatos jurídicos tributários (ou que, de alguma forma, pudessem resultar em obrigações tributárias) ou uma ligação umbilical entre atividades aparentemente independentes, marcada pela confusão patrimonial, vinculação gerencial e coincidência de sócios administradores. E para tanto comprovar, admitemse as provas diretas e indiretas. Destarte, cabe pontuar que do TVF extraise que a empresa SPARTACO foi constituída de direito em 17/01/2005, em nome do Sr. Spartaco Taddeo e sua esposa, a Sra. Nair Hodas Taddeo. No item 1.5 deste Termo, encontramse as seguintes constatações da Fiscalização: “1.5. No ano de 2004, que antecedeu à constituição desta empresa, o senhor SPARTACO TADDEO, que detém 99% de participação societária da empresa e completou 81 anos de idade em maio de 2014 e a sua esposa NAIR HODAS TADDEO apresentaram declaração de isenção de Imposto de Renda Pessoa Física, por não possuírem bens e direitos que justificassem a entrega de Declaração ao Fisco Federal. Todavia, em que pese tal situação patrimonial inexpressiva, tais pessoas, já na condição de idosos e sem lastro patrimonial à época, foram inseridos como sócios da referida pessoa jurídica (IRPF SPARTACO TADDEO; DAI 2004 SPARTACO E NAIR).” Da análise dos autos, não se averigua nenhum ato de gestão procedido pelos “sócios” de direito, à evidência da outorga de procuração pelo Sr. Spartaco Taddeo ao Sr. Ariovaldo Ripani, conferindo amplos e gerais poderes para gerir e administrar a empresa autuada ainda no ano de 2006. Quanto ao Sr. Ariovaldo Ripani e Sr. Raphael Eduardo Ripani, restou provado que esses foram os gestores e reais beneficiários das operações da empresa e, portanto, pessoalmente responsáveis pelas infrações à lei cometidas nas operações em nome da empresa ora autuada inclusive a constituição de outras empresas. Portanto, no que tange à responsabilidade atribuída aos sócios da empresa autuada, DOU PARCIAL PROVIMENTO aos recursos voluntários de Spartaco Taddeo e a Sra. Nair Hodas Taddeo, para isentálos de responsabilidade tributária, por caracterizaramse interpostas pessoas não tendo efetuado atos relevantes de gestão e/ou administração, bem como não restar demonstrado qualquer proveito econômico da presente situação experimentado por ambos. Diversamente, por restar provado serem os mentores intelectuais da fraude, incorrendo em atos de gestão e administração, bem como na utilização de engenhosos artifícios para manteremse no anonimato, NEGO PROVIMENTO aos recursos voluntários Fl. 3721DF CARF MF Processo nº 10932.720133/201442 Acórdão n.º 1302002.293 S1C3T2 Fl. 3.652 40 do Sr. Ariovaldo Ripani e Sr. Raphael Eduardo Ripani, mantendoos no polo passivo da relação jurídicotributária. Conclusão Conforme o exposto, voto por NEGAR provimento aos Recursos Voluntários da contribuinte e dos responsáveis solidários Sr. Ariovaldo Ripani, e Sr. Raphael Eduardo Ripani. Relativamente aos Recursos Voluntários do Sr. Spartaco Taddeo, e Sra. Nair Hodas Taddeo, voto por DAR PARCIAL provimento aos seus recursos voluntários, para isentálos da responsabilidade pelo adimplemento da obrigação tributária ora debatida. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 3722DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.000033/2009-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62, § 2º.
No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543 - B e 543 - C do CPC/1973. Art. 62, §2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento.
Ora, se houve equívoco reconhecido na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) o lançamento encontra-se viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-004.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Relator), Rosy Adriane da Silva Dias e Denny Medeiros da Silveira, que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62, § 2º. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543 B e 543 C do CPC/1973. Art. 62, §2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento. Ora, se houve equívoco reconhecido na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) o lançamento encontrase viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Relator), Rosy Adriane da Silva Dias e Denny Medeiros da Silveira, que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 00 33 /2 00 9- 92 Fl. 91DF CARF MF 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) – DRJ/SP1, que descreveu os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a notificação de lançamento de fl. 06, emitida em 15/09/2008, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do ano calendário 2004, que apurou a omissão de rendimentos do trabalho pagos pela Caixa Econômica Federal – CEF, no valor de R$ 15.757,77. Cientificado do lançamento em 09/12/2008 (fl. 32), o contribuinte apresentou, em 05/01/2009, a impugnação de fls. 02 a 05, alegando, em suma, que: 1 – os rendimentos se tratam de diferenças de proventos de aposentadoria pagos por força de decisão judicial nos autos do processo nº 2003.61.84.0386359; 2 – tais proventos se revestem de natureza indenizatória não podendo, sobre ele, recair tributação cumulativa; 3 – o imposto não deve ser cobrado sobre o valor total recebido acumuladamente, mas sim, na forma que teria sido tributado caso tivesse sido pago em parcelas mensais; 4 – o amparo para essa postura se encontra na sentença proferida nos autos da Ação Civil Pública nº 1999.61.00.0037100; 5 – dita Ação Civil Pública foi extinta, mas não por seu mérito, mas sim, porque o Ministério Público foi considerado parte ilegítima para sua propositura; 6 o STJ já dá conta de decisões favoráveis ao requerente em pleitos idênticos. A 15ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1 julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13804.000033/200992 Acórdão n.º 2202004.030 S2C2T2 Fl. 92 3 Os rendimentos atrasados recebidos acumuladamente pelo contribuinte estão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual. Tais rendimentos são tributáveis no momento em que o contribuinte adquire a disponibilidade efetiva da renda (regime de caixa). Cientificado da decisão em 26/07/2013 (fl. 44), o Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 46/77 em 23/08/2013, no qual repisa os argumentos da impugnação e combate a decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. O Contribuinte informa que os rendimentos questionados são decorrentes de diferenças de proventos de aposentadoria pagos por força de decisão judicial nos autos do processo nº 2003.61.84.0386359, os quais devem ser cobrados na forma que teria sido tributado caso tivesse sido pago em parcelas mensais, conforme entendimento pacífico dos tribunais. No que se refere a rendimentos recebidos acumuladamente, verificase que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em recurso repetitivo representativo da controvérsia, submetido ao regime do art. 543C do CPC, no REsp n° 1.118.429SP, decidiu: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008 (STJ, 1ª Seção, REsp 1.118.429/SP,rel. Min. Herman Benjamin, j., em 24.03.2010). (destaquei) Fl. 93DF CARF MF 4 Recentemente o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu sobre a matéria, no âmbito do RE 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida, na sistemática do art. 543B, do CPC, quando acordou por manter a decisão do STJ sobre a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, afastando o regime de caixa, mas adotando o regime de competência, ou seja, concordando com a incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor. Em nenhum momento se cogitou de eventual cancelamento integral de lançamentos efetuados em obediência ao art. 12 da Lei nº 7.713/88, o qual estava plenamente vigente à época do lançamento. Transcrevo a seguir excerto do voto vencedor do Ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, no Acórdão nº 9202003.695, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais acerca desse tema. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. O artigo 62, § 2º, do RICARF, determina que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática prevista pelo artigo 543C do Código de Processo Civil (CPC). Art. 62 [...] Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13804.000033/200992 Acórdão n.º 2202004.030 S2C2T2 Fl. 93 5 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, deve ser aplicado o entendimento do STJ no sentido de que o Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, não sendo legítima a cobrança com base no montante global pago extemporaneamente. Seguem alguns julgados recentes da Câmara Superior nesse sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência. Recurso especial conhecido e provido. (Acórdão nº 9202 004.518, de 26/10/2016 2ª Turma. Relator: Luiz Eduardo de Oliveira Santos). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 [...] IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). (Acórdão nº 9202003.695 2ª Turma de 27/01/2016. Relator originário: José Cheffe Rahal. Redator designado: Heitor de Souza Lima Junior). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 Fl. 95DF CARF MF 6 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência. (Acórdão nº 9202004.182, de 21/06/2016 2ª Turma. Relator: Luiz Eduardo de Oliveira Santos). IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC (art. 62A do RICARF). (Acórdão nº 2202002.785, de 09/09/2014. Rel. Antonio Lopo Martinez). Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada Redator designado. Peço vênia para divergir do ilustre Relator, Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, pelos seguintes motivos, que passo a explanar. Disse em seu voto o Relator: O Contribuinte informa que os rendimentos questionados são decorrentes de diferenças de proventos de aposentadoria pagos por força de decisão judicial nos autos do processo nº 2003.61.84.0386359, os quais devem ser cobrados na forma que teria sido tributado caso tivesse sido pago em parcelas mensais, conforme entendimento pacífico dos tribunais. No que se refere a rendimentos recebidos acumuladamente, verificase que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13804.000033/200992 Acórdão n.º 2202004.030 S2C2T2 Fl. 94 7 regime de caixa, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. (...) Dessa forma, deve ser aplicado o entendimento do STJ no sentido de que o Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, não sendo legítima a cobrança com base no montante global pago extemporaneamente. Considerando que a jurisprudência do STJ já havia se posicionado pela forma como deveria ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 e, posteriormente, o STF entendeu pela inconstitucionalidade do dispositivo, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da fórmula para apuração do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) e observo a determinação contida no Art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF, como fundamento para decidir. Discordo, entretanto, da possibilidade de ser recalculado o tributo, aplicando se outra fórmula de cálculo, como se verificam, na jurisprudência deste CARF, decisões no seguinte sentido, no tocante a esta matéria: Acórdão 2201002.387 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente a tabela progressiva vigente à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, nos termos do voto do relator. Transcrevo e destaco daquele Voto: Releva tratarse de rendimento recebido acumuladamente para incidir na regra do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, pouco importando a espécie ou a natureza do rendimento recebido, se trabalhista, previdenciário ou outro, importa ser rendimento acumulado tributado. Pois bem, a autuação levou em consideração o rendimento total recebido, de forma acumulada, sem separar o período de cada competência. Por essa razão é necessário provimento parcial ao recurso para o recalculo da autuação. Isso porque o artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constituise na atividade atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o Fl. 97DF CARF MF 8 sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituemse em aspectos da hipótese de incidência tributária. Socorrendome na doutrina de Regina Helena Costa: Os aspectos pessoal e quantitativo compõem o chamado "consequente" da hipótese de incidência tributária, isto é, descrita a materialidade e indicadas as coordenadas espacial e temporal do fato no antecedente da norma, exsurge uma relação jurídica mediante a qual um sujeito possui o direito de exigir o tributo e outro sujeito o dever de pagálo (aspecto subjetivo), apontandose o valor da prestação correspondente (aspecto quantitativo).(Op. Cit. p. 205) Ora, se houve equívoco reconhecido na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) o lançamento encontrase viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento. Não é possível, data maxima venia, "corrigir" ou "emendar" um lançamento onde se reconhece que houve erro na apuração do tributo, por aplicação equivocada de alíquotas indevidas sobre bases de cálculo acumuladas. Não entendo que se trate de mero erro de forma, de inobservância de aspectos formais, mas que esteve ferida a própria substância do lançamento, na aferição do montante devido. Porque, observando o processo tributário, forma é aquilo que existe para garantir às partes o exercício de seus direitos, como por exemplo a ampla defesa e o livre acesso ao judiciário. Cito: "... porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1197) E, em ordem prática, suponhase que efetuada nova apuração e encaminhada a cobrança o sujeito passivo dela discorde. Como se darão a impugnação e recurso, nos termos das normas reguladoras do processo administrativo fiscal? Recomeça a fase litigiosa do procedimento? De forma análoga, se o Fisco identifica incorretamente o sujeito passivo, cobrando de Tício quando o contribuinte ou responsável é Mélvio, não se pode simplesmente alterar a ficha de identificação do Auto de Infração e exigir o tributo, agora corretamente, encaminhando a notificação de cobrança, após o julgamento de recurso daquele, a esse. É necessário um novo lançamento, porque se feriram aspectos substanciais da hipótese de incidência tributária. Nesses casos, o novo lançamento só seria possível enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública e observadas todas as normas pertinentes, na legislação tributária. Quanto ao destaque que fez o nobre Relator, de no recurso o contribuinte pedir que lhe fosse aplicado o regime de competência ("Vale ressaltar que o pedido do Recorrente é no sentido de que seja aplicado o regime de competência em relação aos valores por ele recebidos, objeto do presente lançamento de ofício".), é de se ressaltar que o artigo 12 da Lei 7.713/1988 foi declarado inconstitucional pelo STF posteriormente, situação jurídica que era inexistente na data de apresentação do recurso (o Contribuinte interpôs o Recurso Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13804.000033/200992 Acórdão n.º 2202004.030 S2C2T2 Fl. 95 9 Voluntário de fls. 46/77 em 23/08/2013, como consta do relatório, e o RE 614.406/RS foi julgado em 23/10/2014). Assim, a limitação do pedido, no caso, não impede que, em face da declaração de inconstitucionalidade, se mantenha o entendimento de que deva ser cancelado o lançamento, sem "recálculo" do tributo, nos termos aqui discorridos. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.001336/00-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITO DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
Os pedidos de compensação protocolados anteriormente à vigência da MP 135/2003, convertida posteriormente na Lei 10.833/2003, que trouxe a redação do § 5º do art. 74, da Lei nº 9.430/96, são homologados no prazo de 5 anos contados do protocolo do pedido, pois tais pedidos converteram-se em declaração de compensação nos termos do § 4º do art. 74, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela MP 66/2002, transformada posteriormente na Lei 10.637/2002. Entretanto, a compensação com débito de terceiros não está prevista na norma constante do art. 74, da referida Lei nº 9.430/96, devendo ser afastada eventual homologação tácita.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
SALDO NEGATIVO. CRÉDITO ORIGINADO A PARTIR DE IRRF. ERRO DE TRANSCRIÇÃO. POSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO DO CRÉDITO POR OUTROS MEIOS QUE COMPROVEM SUA EXISTÊNCIA.
A informação incorreta da origem do crédito tributário não pode, por si só, fundamentar o indeferimento do pleito, se, após o período de apuração, o IRRF fez parte do saldo negativo apurado e, principalmente, se o crédito efetivamente existiu.
CESSÃO DE CRÉDITOS A TERCEIROS. VIGÊNCIA DO ART. 15 DA IN SRF 21/97. INEXISTÊNCIA DE SALDO DEVEDOR PERANTE A FAZENDA NACIONAL. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência do art. 15 da IN SRF 21/97 era possível a cessão de créditos decorrentes de tributos administrados pela RFB para terceiros, desde que, a partir de encontro de contas (crédito e débito) do cedente perante a Fazenda Nacional, remanescesse saldo credor.
CESSÃO DE CRÉDITOS A TERCEIROS. PROTOCOLIZAÇÃO DO PEDIDO DO TERCEIRO BENEFICIÁRIO APÓS A REVOGAÇÃO DO ART. 15 DA IN SRF 21/97. IMPOSSIBILIDADE.
O § 1º do art. 15 da IN SRF 21/97 determina que ambas as partes desta relação de transferência de créditos (cedente e cessionário) apresentem seus respectivos pedidos de compensação. Desta forma, se uma das partes apresenta o pedido após a vigência do art. 15 da IN SRF 21/97 - que tratava de outorga de créditos a terceiros -, o pedido deve ser rejeitado, mesmo que todas as demais condições estejam preenchidas.
Numero da decisão: 1401-001.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de homologação tácita da compensação. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITO DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação protocolados anteriormente à vigência da MP 135/2003, convertida posteriormente na Lei 10.833/2003, que trouxe a redação do § 5º do art. 74, da Lei nº 9.430/96, são homologados no prazo de 5 anos contados do protocolo do pedido, pois tais pedidos converteram-se em declaração de compensação nos termos do § 4º do art. 74, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela MP 66/2002, transformada posteriormente na Lei 10.637/2002. Entretanto, a compensação com débito de terceiros não está prevista na norma constante do art. 74, da referida Lei nº 9.430/96, devendo ser afastada eventual homologação tácita. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 SALDO NEGATIVO. CRÉDITO ORIGINADO A PARTIR DE IRRF. ERRO DE TRANSCRIÇÃO. POSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO DO CRÉDITO POR OUTROS MEIOS QUE COMPROVEM SUA EXISTÊNCIA. A informação incorreta da origem do crédito tributário não pode, por si só, fundamentar o indeferimento do pleito, se, após o período de apuração, o IRRF fez parte do saldo negativo apurado e, principalmente, se o crédito efetivamente existiu. CESSÃO DE CRÉDITOS A TERCEIROS. VIGÊNCIA DO ART. 15 DA IN SRF 21/97. INEXISTÊNCIA DE SALDO DEVEDOR PERANTE A FAZENDA NACIONAL. POSSIBILIDADE. Durante a vigência do art. 15 da IN SRF 21/97 era possível a cessão de créditos decorrentes de tributos administrados pela RFB para terceiros, desde que, a partir de encontro de contas (crédito e débito) do cedente perante a Fazenda Nacional, remanescesse saldo credor. CESSÃO DE CRÉDITOS A TERCEIROS. PROTOCOLIZAÇÃO DO PEDIDO DO TERCEIRO BENEFICIÁRIO APÓS A REVOGAÇÃO DO ART. 15 DA IN SRF 21/97. IMPOSSIBILIDADE. O § 1º do art. 15 da IN SRF 21/97 determina que ambas as partes desta relação de transferência de créditos (cedente e cessionário) apresentem seus respectivos pedidos de compensação. Desta forma, se uma das partes apresenta o pedido após a vigência do art. 15 da IN SRF 21/97 - que tratava de outorga de créditos a terceiros -, o pedido deve ser rejeitado, mesmo que todas as demais condições estejam preenchidas.
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PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITO DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação protocolados anteriormente à vigência da MP 135/2003, convertida posteriormente na Lei 10.833/2003, que trouxe a redação do § 5º do art. 74, da Lei nº 9.430/96, são homologados no prazo de 5 anos contados do protocolo do pedido, pois tais pedidos converteramse em declaração de compensação nos termos do § 4º do art. 74, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela MP 66/2002, transformada posteriormente na Lei 10.637/2002. Entretanto, a compensação com débito de terceiros não está prevista na norma constante do art. 74, da referida Lei nº 9.430/96, devendo ser afastada eventual homologação tácita. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 SALDO NEGATIVO. CRÉDITO ORIGINADO A PARTIR DE IRRF. ERRO DE TRANSCRIÇÃO. POSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO DO CRÉDITO POR OUTROS MEIOS QUE COMPROVEM SUA EXISTÊNCIA. A informação incorreta da origem do crédito tributário não pode, por si só, fundamentar o indeferimento do pleito, se, após o período de apuração, o IRRF fez parte do saldo negativo apurado e, principalmente, se o crédito efetivamente existiu. CESSÃO DE CRÉDITOS A TERCEIROS. VIGÊNCIA DO ART. 15 DA IN SRF 21/97. INEXISTÊNCIA DE SALDO DEVEDOR PERANTE A FAZENDA NACIONAL. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 13 36 /0 0- 42 Fl. 473DF CARF MF 2 Durante a vigência do art. 15 da IN SRF 21/97 era possível a cessão de créditos decorrentes de tributos administrados pela RFB para terceiros, desde que, a partir de encontro de contas (crédito e débito) do cedente perante a Fazenda Nacional, remanescesse saldo credor. CESSÃO DE CRÉDITOS A TERCEIROS. PROTOCOLIZAÇÃO DO PEDIDO DO TERCEIRO BENEFICIÁRIO APÓS A REVOGAÇÃO DO ART. 15 DA IN SRF 21/97. IMPOSSIBILIDADE. O § 1º do art. 15 da IN SRF 21/97 determina que ambas as partes desta relação de transferência de créditos (cedente e cessionário) apresentem seus respectivos pedidos de compensação. Desta forma, se uma das partes apresenta o pedido após a vigência do art. 15 da IN SRF 21/97 que tratava de outorga de créditos a terceiros , o pedido deve ser rejeitado, mesmo que todas as demais condições estejam preenchidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de homologação tácita da compensação. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSA), que, por meio do Acórdão 0323.065, de 31 de outubro de 2007, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, mantendo na íntegra a não homologação do crédito tributário pleiteado. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10166.001336/0042 Acórdão n.º 1401001.996 S1C4T1 Fl. 474 3 Sirvome do relatório constante na Resolução nº 1102000.187, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, que baixou o processo em diligência após constatação de fatos novos à investigação da contenda: (início da transcrição do relatório constante na resolução do CARF) Tratase de recurso voluntário interposto por ITSA INTERCONTINENTAL COMUNICAÇÕES LTDA contra acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/Brasília que concluiu pelo indeferimento da manifestação de inconformidade contra despacho decisório que havia indeferido pedido de compensação, não reconhecendo o valor creditório alegado. Os pedidos de compensação (fls. 03, 205 a 207, 218 e 203; todas referentes ao processo em papel), que totalizam R$ 437.117,49, são motivados pela existência de um suposto crédito oriundo de valores retidos no anocalendário de 1999, a título de imposto de renda na fonte, os quais totalizavam o montante de R$ 1.674.336,98 no início de uma sequência de pedidos de compensação iniciada no processo de nº 10166.001337/0013. Cumpre também mencionar que parte dos pedidos (o de fls. 03) referese à compensação com débitos de terceiros. Contudo, esse tipo de compensação somente foi vedado, pela IN/SRF nº 41/00, posteriormente à protocolização do seu pedido. Nesta ocasião, tal procedimento era autorizado pelo artigo 15 da IN/SRF nº 21/97. Apenso ao presente processo, consta o de nº 10166.0055141/0035, em que a terceira interessada na compensação solicita o cadastramento de seus débitos. Anexos aos pedidos, a requerente juntou demonstrativos das retenções efetuadas, cópias de notas fiscais de prestação de serviços de administração e cópias de DARF (fls. 7 a 176 do processo em papel). O despacho decisório da delegacia de origem indeferiu o pedido fundamentado no fato de que o imposto de renda retido na fonte, por ser considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração, não pode ser compensado diretamente com outros tributos e contribuições. A requerente haveria que determinar o saldo negativo e, ainda, no caso dos débitos de terceiros, comprovar a impossibilidade de sua utilização com débitos próprios. Em sua manifestação de inconformidade, essencialmente, a interessada alegou que, apesar de o pedido referirse às antecipações do IRPJ, antes de apresentar o pleito de compensação já verificara saldo negativo do imposto de renda ao final de 1999, como demonstrava a DIPJ anexada, e que a mesma indicava a opção pelo lucro real anual. Por isso, no início de 2000, os créditos inseridos no pedido já eram consolidados, líquidos e certos, e já constavam na base da Receita Federal quando da sua apreciação, devendo ter sido considerados pela autoridade fiscal. Invocou, nesse sentido, o efeito declaratório da DIPJ e o princípio da instrumentalidade das formas. Ademais, quanto aos débitos de terceiros, alegou que a legislação à época permitia esta compensação. A já mencionada 4ª Turma da DRJ/Brasília proferiu o Acórdão nº 0323.065, de 31 de outubro de 2007, por meio do qual decidiu pelo indeferimento da manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido fundamentou sua decisão, quanto ao essencialmente alegado, amparado no fato de que não ficou provado nos autos, mediante registros contábeis e fiscais, acompanhados da documentação hábil, que: (i) as receitas auferidas, que sofreram retenções, foram oferecidas à tributação no cômputo do Fl. 475DF CARF MF 4 lucro real e (ii) que seria impossível a utilização de débitos próprios pela pessoa jurídica detentora do suposto crédito. Inconformada, a requerente apresentou recurso voluntário no qual oferece os seguintes argumentos: a) Apesar de o pedido referirse às antecipações do IRPJ, antes da decisão da 1ª instância, o saldo negativo já havia se consolidado através do decurso do tempo e da apresentação da DIPJ, a qual, por sua vez, já indicava a opção pelo lucro real anual. b) No momento do protocolo do pedido de compensação, os créditos inseridos já eram consolidados, líquidos e certos, e já constavam na base da Receita Federal quando da apreciação do pedido, devendo ter sido considerados pela autoridade fiscal. c) Sobre o efeito declaratório da DIPJ, o 1º Conselho de Contribuintes já o havia reconhecido em várias oportunidades, tal como no Acórdão nº 101945.03, do qual transcreve alguns trechos. d) Considerar a existência do crédito compensável a partir da apresentação da DIPJ, em que pese a equivocada menção à antecipações no pedido, encontra respaldo no princípio da instrumentalidade das formas. O formalismo deve servir apenas e exclusivamente para alcançar seu fim e não para obstálo. Nesse sentido, cita doutrina de Eros Grau e alguns julgados do STJ. e) As teorias da invalidação e convalidação dos atos administrativos devem ser consideradas para suprir a invalidade com efeitos retroativos. Cita, nessa linha, os ensinamentos de Celso Antônio Bandeira de Melo. Posteriormente, a título de razões complementares, em nova peça recursiva, acrescenta: f) A Receita Federal, através de despacho decisório prolatado nos autos do processo administrativo nº 10166.000417/200394, do qual anexa cópia, reconheceu o crédito do saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 1999 no montante de R$ 3.058.784,23. g) Quanto à alegada necessidade de comprovação da impossibilidade de se aproveitar dos próprios créditos, cabe salientar fato já comprovado à Receita Federal, de que a ITSA sofreu prejuízos fiscais no período de 1999 a 2006, conforme valores informados em tabela que anexa, os quais foram regularmente declarados nas DIPJs do período. A recorrente, como holding, quase não auferiu receitas no período e o recolhimento de impostos federais não foi suficiente para consumir todo o crédito. Ademais, a exigência de COFINS e PIS sobre receitas financeiras no período de fevereiro de 1999 a janeiro de 2004 foi contestada perante o Judiciário. As ações transitaram em julgado em seu favor, sendo que, relativamente à COFINS, obteve sua homologação nos autos de pedido de compensação deferido em 17/11/06, conforme anexa, e relativamente ao PIS, ainda não teria solicitado a habilitação do crédito. Ao final, requer o provimento do recurso para que seja deferido o pleito de compensação, reconhecendose como válido o valor creditório apresentado para tanto. Antes de o processo ser remetido para o CARF, a delegacia de origem entendeu que o direito creditório havia sido definido pelo mesmo despacho decisório citado pela recorrente, ou seja, aquele proferido nos autos do processo nº 10166.000417/200394. Com isso, visando uniformidade de procedimento com Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10166.001336/0042 Acórdão n.º 1401001.996 S1C4T1 Fl. 475 5 relação a todas as compensações com origem no mesmo direito creditório, as quais foram pleiteadas em diversos processos, procedeu à elaboração de um relatório denominado Demonstrativo Analítico de Compensação por meio do Sistema Operacional – SAPO, no qual detalha a situação de compensação de todos os pedidos por entender que o direito creditório é suficiente. (término da transcrição do relatório constante na resolução do CARF) Não obstante a Informação Fiscal supra prestada pela DRF/BSA em relação ao processo nº 10166.000417/200394, o Conselheiro relator (à época) deste processo ainda permaneceu em dúvida em relação a algumas questões, as quais reproduzo abaixo (efls. 459 e 460): Diante disso, a Divisão de Orientação e Análise Tributária – DIORT – da delegacia de origem elaborou o mencionado relatório do Sistema Operacional – SAPO (fls. 333 a 374 do processo em papel), no qual detalha a situação dos pedidos de compensação de 111 débitos, reunidos em diversos processos, inclusive o presente, e perfazendo um total de R$ 1.990.071,66, por entender que o direito creditório reconhecido seria suficiente. Contudo, não ficou claro se o despacho decisório proferido no processo nº 10166.000417/200394 efetivamente reconheceu os R$ 3.058.784,23 como crédito referente ao saldo negativo do IRPJ de 1999 ou se apenas reconheceu os R$ 393.416,18 utilizados na compensação do referido processo. A dúvida exsurge, principalmente, a partir do que está estatuído no item 21 do despacho decisório. Além disso, não ficou também claro se dentre as retenções do imposto de renda na fonte que fundamentaram o despacho decisório (conforme seu item 19), estão incluídas as retenções que totalizam o montante de R$ 1.674.336,98, inicialmente alegado como crédito passível de compensação na protocolização dos pedidos formulados neste e em outros processos. Ademais, há que se aferir também a efetiva inexistência de débitos da própria recorrente na data da protocolização dos pedidos em que solicita compensação com débitos de terceiros. De fato, o artigo 15 da IN/SRF nº 21/97, autorizado pelas disposições legais então vigentes, assim dispunha: Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. (grifo nosso) Portanto, tratase de verificar se a contribuinte possuía débitos de sua própria titularidade em aberto quando protocolou o pedido. As alegações e documentos juntados pela recorrente em suas razões complementares, apesar de sugestivas dessa inexistência de débitos, não se prestam à comprovação efetiva da condição estabelecida na norma. Assim, resolveu baixar o processo em diligência, ocasião em que foi acompanhado pela turma, para que a Delegacia de origem adotasse as seguintes providências: 1. Confirmar se dentre as retenções do imposto de renda na fonte que fundamentaram o despacho decisório proferido no processo nº 10166.000417/2003 Fl. 477DF CARF MF 6 94 (conforme seu item 19) estão incluídas as retenções que totalizam o montante de R$ 1.674.336,98 inicialmente alegado como crédito passível de compensação na protocolização dos pedidos formulados neste e em outros processos. Observar que junto aos pedidos a requerente havia anexado demonstrativos das retenções efetuadas, cópias de notas fiscais de prestação de serviços de administração e cópias de DARF (fls. 4 a 176 do processo em papel). 2. Verificar a efetiva inexistência de débitos da própria recorrente na data da protocolização do pedido em que solicita compensação com débitos de terceiros (fls. 03 do processo em papel). Terminada a diligência, a fiscalização elaborou Informação Fiscal em que reconhece que dentre as retenções do imposto de renda na fonte que fundamentaram o despacho decisório proferido no processo nº 10166.000417/200394 (conforme seu item 19) estão incluídas as retenções que totalizam o montante de R$ 1.674.336,98. Outrossim, confirmou a autoridade fiscal que não há débitos da própria recorrente na data da protocolização do pedido em que solicita compensação com débitos de terceiros, conforme se pode extrair dos trechos abaixo colacionados (efls. 462 e 463): Resposta ao item 1 da Diligência 2. Em relação ao quesito confirmação das retenções, fora realizada uma conferência entre os documentos (notas fiscais e darfs) apresentados pelo contribuinte (processo 10166.001337/0013 fl. 42/181) e os valores retidos em DIRF. Os valores dos documentos apresentados que foram localizados em DIRF foram desconsiderados, haja vista já terem sido reconhecidos quando da apreciação do processo 10166.000417/200394. Destacase que o citado processo já computou as retenções contidas em DIRF, motivo pelo qual desconsiderase aqui as retenções já utilizadas. 4. Desta feita, excluídos os valores já reconhecidos em DIRF, temse o resultado constante na Tabela1, em anexo. Do total de retenções alegadas pelo Contribuinte (R$ 1.674.336,98), não fora localizado em DIRF beneficiário apenas o valor de R$ 153.336,36 (Cento e cinquenta e três mil, trezentos e trinta e seis reais e trinta e seis centavos.), tendo sido o restante já aproveitado no processo 10166.000417/200394. Portanto, fica esclarecido o quesito 1 da presente Diligência. Resposta ao item 2 da Diligência 5. Quanto ao quesito nº 2, que trata da verificação da inexistência de débito na data da protocolização do pedido, informase que, dentre as consultas que puderam ser realizadas para obtenção de tal informação, não se identificou a existência de débitos em aberto no momento da impetração do processo. 6. Portanto, concluise a presente Informação Fiscal em atendimento aos requerimentos dessa Corte Administrativa. Ainda na Informação Fiscal, o auditor fiscal reforçou a necessidade de manutenção da não homologação do crédito aqui pleiteado. Vejase: Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10166.001336/0042 Acórdão n.º 1401001.996 S1C4T1 Fl. 476 7 8. Todos os processos a seguir relacionados foram impetrados com base no mesmo fundamento, qual seja. Após a realização da apuração do IRPJ, em 31 de dezembro, o impetrante identifica possíveis novas retenções e impetra processo paralelo com o intuito de reaver/compensar tais valores alegadamente retidos. (processos: 10166.001337/0013, 10166.001336/0042, 10166.001469/0046, 10166.001470/0025, 10166.003003/0021, 10166.003006/0019, 10166.003004/00 93 e 10166.003005/0056) 9. Contudo, acertadamente todos os Despachos Decisórios, fundamentados nos artigos 1º a 6º da Lei 9.430/1996, ou em sua regulamentação, Decreto 3000/1999, artigos 647, 650, 770, §§, 773, restaram por indeferir o pleito do Contribuinte. Pois, como decorrência da clara leitura do art. 2º, §§ da Lei 9430/1996, in verbis, a pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado. A pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. (grifos nossos) 10. Ou seja, a previsão legal existente determina a apuração do Lucro Real a cada 31 de dezembro, possibilitando a dedução dos valores antecipadamente retidos na fonte. Contudo, não há previsão legal para o aproveitamento dos valores retidos na fonte que não seja por meio da sistemática estabelecida pela Lei 9.430/1996. Menos ainda existe a possibilidade de restituição/compensação direta de valores retidos. 11. Desta forma, causa muita estranheza o viés dado ao deslinde do presente processo, com a conversão do julgamento em diligência para apreciar uma atitude do contribuinte que não possui substrato legal. E tratandose o E. CARF um tribunal administrativo, é plenamente sabido que suas decisões não podem se fundamentar praeter legem, decidindose de forma a exorbitar que a lei previu. 12. Admitir que o contribuinte possa descumprir a lei, transmutando ao Fisco a responsabilidade pela verificação, conferência, e chancela da atividade contribuinte, significa jogar por terra o instituto tributos lançados por homologação, e lançamento por homologação, o qual atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento (apuração) sem prévio exame da autoridade administrativa. 13. Portanto, dada a solidez do instituto do lançamento por homologação, dada a previsão expressa contida na Lei nº 9.430/1996, e pelo detalhamento contido no Decreto nº 3.000/1999, reforço nesta Informação Fiscal que fora deveras acertado o Despacho Decisório prolatado no presente processo, exarado pelo AuditorFiscal da Delegacia da Receita Federal em Brasília/DF. A empresa foi notificada sobre o teor da Informação Fiscal, por meio de seu representante legal, Sr. Luiz Eduardo B. Pinto da Rocha, mas não apresentou qualquer manifestação. Passado isto, o processo retornou a este CARF para o prosseguimento de seu julgamento. Como o relator do processo no CARF, Ricardo Marozzi Gregório, renunciou ao mandato de Conselheiro, nos termos da Portaria MF nº 442/2016, publicada no D.O.U. de 22/11/2016, o processo foi redistribuído, cabendo a mim sua relatoria. Fl. 479DF CARF MF 8 É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Antes de adentrar na discussão do mérito, verifiquei que há uma questão prejudicial a ser avaliada: o prazo entre a protocolização do pedido de compensação e a ciência do Despacho Decisório é maior que o prazo de 5 (cinco) anos. Assim, passo a apreciar tal questão: PREJUDICIAL DE MÉRITO O pedido de compensação foi protocolado na data de 09/02/2000, conforme se observa na tela abaixo, extraída do comprot. A ciência do Despacho Decisório se deu na data de 24/05/2007 (cf. AR de efls. 259). Antes, porém, de analisar se ocorreu a homologação tácita do pedido de compensação, é preciso expor a falta de prequestionamento quanto a este ponto. A empresa não trouxe ao processo o pedido de reconhecimento de homologação tácita nem na impugnação, tampouco no recurso voluntário , não tendo sido, portanto, explorado pela instância a quo. Assim, devese avaliar a possibilidade de reconhecer, ou não, a matéria que versa sobre eventual homologação tácita, tendo em vista o princípio processual da preclusão, conforme dita o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972: Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10166.001336/0042 Acórdão n.º 1401001.996 S1C4T1 Fl. 477 9 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Da inteligência do artigo, extraise que questões não trazidas ao processo desde a impugnação não merecem ser analisadas pelo julgador, devendo ser afastadas. Por outro lado, é cediço que a decadência (ou, no caso, a homologação tácita) é matéria de ordem pública, a qual pode ser interpretada como norma que ultrapassa o interesse das partes no litígio, porquanto tem objetivo de alcançar o interesse da sociedade, que decorre do interesse público. É de sabença dos militantes do direito que matérias de ordem pública devem ser reconhecidas de ofício, independentemente de prequestionamento, ao menos no processo administrativo fiscal. Sendo assim, reconheço de ofício a possibilidade de análise da homologação tácita, passando a avaliála. Pois bem. Como dito, a empresa apresentou o pedido de compensação na data de 09/02/2000, sendo que a ciência do Despacho Decisório se deu na data de 24/05/2007. Caso o processo de compensação fosse protocolado após a vigência da MP 135/2003, convertida na Lei 10.833/2003, ou seja, após (inclusive) 30/10/2003, o prazo para homologação tácita seguiria o disposto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, reproduzido abaixo: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Como a ciência do Despacho Decisório se deu após o prazo de 5 (anos) do protocolo do pedido de compensação, a homologação tácita já teria sido atingida, cabendo tão somente o seu reconhecimento por parte deste órgão julgador. Entretanto, o pedido de compensação se deu em data anterior à vigência da referida MP 135/2003. Assim, o que se deve buscar é se a referida regra homologatória pode ser aplicada ao caso em comento. A princípio, poderseia concluir que os processos de compensação protocolados antes da vigência da MP 135/2003 não deveriam seguir prazo algum para homologação tácita. Desta forma, a Receita Federal poderia analisar pedidos de compensação e emitir parecer ao pleito das empresas a qualquer tempo. Mas não é isso. A introdução do § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, pela MP 66/2002, convertida na Lei 10.637/2002, teve o objetivo de converter os pedidos de compensação Fl. 481DF CARF MF 10 protocolados anteriormente à data de sua vigência, qual seja, 01/10/2002 em declaração de compensação: § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. Como visto, o legislador atribuiu os mesmos efeitos no artigo 74 aos pedidos de compensação protocolados anteriormente à vigência da MP 66/2002. Posteriormente, com a redação dada ao § 5º do art. 74, da Lei nº 9.430/96, constouse previsão de que os pedidos de compensação são homologados no prazo de 5 anos contados de seu protocolo: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, podese concluir que os pedidos de compensação protocolados anteriormente a 01/10/2002 foram convertidos em declaração de compensação, e, em decorrência disso, seguem o prazo de homologação tácita de 5 (cinco) anos, conforme a redação dada ao supracitado § 5º do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Ocorre que a compensação com débito de terceiros, apesar de permitida durante a vigência do art. 15 da IN/SRF nº 21/971, não foi contemplada pela redação constante no caput do artigo 74, da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) (gn) Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (gn) É de se reparar que o artigo 74 aplicase às compensações efetuadas com débitos próprios, e não com débitos de terceiros, como é o caso aqui analisado. Sendo assim, as compensações efetuadas com débitos de terceiros não se convertem em declaração de compensação, pois, conforme interpretação da parte final da redação do § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, "... serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo" (destaquei), o 1 Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10166.001336/0042 Acórdão n.º 1401001.996 S1C4T1 Fl. 478 11 artigo 74 não se aplica às compensações protocoladas com objetivo de abater débitos de terceiros. Também entendo que deve ser afastado eventual argumento de que a redação não previu a possibilidade de compensação com débitos de terceiros, pois, na época de sua vigência, a legislação que permitira tal compensação já não estava mais vigente. Isto porque entendo que a regra estampada na Lei 9.430/96 é muito clara, não permitindo outra interpretação. Se o legislador intentasse permitir a compensação com débitos de terceiros, teria efetivamente positivado a regra. Como não o fez, deve ser afastado tal argumento. A COSIT se manifestou sobre o prazo para homologação de compensação, conforme SCI (Solução de Consulta Interna) nº 1, de 04/01/2006, concluindo também por sua impossibilidade: EMENTA: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARA PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO NÃO CONVERTIDOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE EXAME DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CABIMENTO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA O NÃORECONHECIMENTO DO CRÉDITO OBJETO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. Não foram convertidos em declaração de compensação os pedidos de compensação de créditos de terceiros, “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Os pedidos de compensação não convertidos em Declaração de Compensação não estão sujeitos à homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal. Diante do exposto, voto por REJEITAR a preliminar de homologação tácita quanto ao pedido de compensação protocolado neste processo. MÉRITO Fl. 483DF CARF MF 12 A questão nuclear a ser discutida gravita na configuração apresentada pela recorrente para pleitear crédito tributário de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999. Como visto, o pedido de compensação protocolado pela recorrente tem na sua origem a apuração de crédito decorrente de IRRF do ano de 1999, e não em apuração de saldo negativo gerado no referido anocalendário. Ultrapassado isso, devese avaliar se a recorrente poderia ter cedido seus créditos a terceiros: análise da legislação da época da cessão; verificação de débitos perante a Fazenda Nacional; e confirmação da data de protocolização dos pedidos de compensação, por parte do cedente e do cessionário do crédito envolvido. Pois bem. A fiscalização, com base na dicção do art. 650, do RIR/99, não homologou a compensação pleiteada por entender que o imposto de renda retido na fonte, por ser considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração, não pode ser compensado diretamente com outros tributos e contribuições. Outrossim, como a recorrente solicitou a compensação com débitos de terceiros, a fiscalização indeferiu o pedido adicionando informação de que a empresa não comprovou a impossibilidade de utilização do crédito apurado com débitos próprios, premissa indispensável à cessão de créditos a terceiros. A recorrente, por sua vez, alega que no momento da análise do crédito pleiteado já havia apurado saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999. Em razão disso, não obstante a informação equivocadamente prestada no pedido de compensação, o direito à compensação superava a forma como foi apresentado o pedido. Pois bem. Analisando a DIRF do anocalendário de 1999, que tem como beneficiária a recorrente, percebo que o valor de Imposto de Renda Retido na Fonte corresponde à monta de R$ 3.058.784,23, veja: No processo 10166.000417/200394 (efl. 210), a DRF preparou a tabela abaixo apresentando a descrição de cada código de retenção: Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10166.001336/0042 Acórdão n.º 1401001.996 S1C4T1 Fl. 479 13 No Despacho Decisório (efls. 213 a 219) constante no processo 10166.000417/200394, a fiscalização deferiu o crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999 no montante de R$ 3.058.784,23, vejase (efl. 218): (início da transcrição do Despacho Decisório) 18. Ao analisar os relatórios do sistema Sief Dirf das filiais verificouse que, no anocalendário de 1999, nenhuma delas sofreu retenção na fonte. 19. Desta forma temse, dividido por código de arrecadação, o total de retenção no ano calendário de 1999 conforme consolidado na Tabela 2 (fl. 214). Fl. 485DF CARF MF 14 Portanto, o montante passível de utilização para compor o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 a título de IRRF é de R$ 3.058.784,23. 20. Como a contribuinte não apurou imposto devido no anocalendário de 1999 e sofreu retenções no valor de R$ 3.058.784,23, o montante total passível de utilização como crédito de saldo negativo de IRPJ seria de R$ 3.058.784,23. Mas a contribuinte optou neste processo a solicitar como crédito apenas o valor de R$ 393.416,18 (fl. 02). (destaquei) 21. Portanto validase, como optou a contribuinte, o montante de R$ 393.416,18 como crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999. (término da transcrição do Despacho Decisório) Como visto, a empresa possuía saldo negativo apto a convalidar a compensação solicitada neste processo. Entretanto, a única diferença é que, em relação a este processo (nº 10166.001336/0042), a recorrente solicitou o pedido de homologação de crédito e compensação a partir da apuração do IRRF, e não do saldo negativo de IRPJ, o que já foi feito no processo nº 10166.000417/200394. Não obstante a indevida informação constante neste processo que se julga, entendo impertinente a improcedência da manifestação de inconformidade pela DRJ/BSA, uma vez que a empresa comprovadamente demonstrou ter apurado saldo negativo no ano de 1999 no montante de R$ 3.058.784,23, apenas tendo cometido falha na elaboração do pedido. Isto porque, como trazido pela recorrente, na protocolização do pedido em 02/2000, a empresa já havia apurado o seu resultado fiscal do ano de 1999, o qual resultou na apuração de prejuízo fiscal do ano corrente. Veja na ficha 13A (Cálculo do IR sobre o Lucro Real) da DIPJ 2000, ac 1999 (efl. 291), que a empresa apurou o referido saldo negativo de IRPJ. Observase que, apesar de conter o valor de R$ 3.199.593,37 de saldo negativo na DIPJ, a empresa posteriormente reconheceu que somente teria o montante de R$ 3.058.784,23. Sendo assim, incorreto seria fundamentar a não homologação do crédito tributário e, por consequência, as compensações efetuadas, na incorreção da informação Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10166.001336/0042 Acórdão n.º 1401001.996 S1C4T1 Fl. 480 15 prestada pela empresa, abstendose de conceder um crédito tributário que efetivamente a empresa demonstrou ter apurado. Para formar meu livre convencimento sobre o julgamento deste processo, entendo que devo me servir da verdade material. Conforme lição de Leandro Paulsen2, o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, segundo o qual a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, conforme ocorrida, e para tal, ao formar sua livre convicção na apreciação dos fatos, poderá julgar conveniente a realização de diligência que considere necessárias à complementação da prova ou ao esclarecimento de dúvida relativa aos fatos trazidos no processo. Aplicando tal primado ao presente caso, entendo perfeitamente possível analisar o pedido de compensação da recorrente, mesmo que tenha se equivocado na prestação de informação sobre a origem do crédito ao fisco. Partindo da premissa de que é possível reconhecer o crédito da recorrente, devese avaliar a possibilidade de compensação com débito de terceiros. Como já trazido pela fiscalização, o pedido de compensação com débitos de terceiros foi apresentado durante a vigência do art. 15 da IN/SRF nº 21/97, dispositivo legal que permitia tal compensação, desde que os créditos excedessem o total dos débitos da requisitante. A partir da diligência requerida pela turma do CARF, a fiscalização confirmou que a recorrente não tinha débitos perante a Fazenda Nacional que impedissem a outorga de créditos a terceiros. Sendo assim, restou possibilitada a transferência dos créditos apurados a terceiros. Entretanto, resta verificar se o crédito é suficiente para compensar os débitos constantes neste processo, nos demais processos de compensação que também foram indeferidos pelas mesmas razões constantes no Despacho Decisório e na decisão da DRJ (processos 10166.001337/0013, 10166.001469/0046, 10166.001470/0025, 10166.003003/0021, 10166.003004/0093, 10166.003005/0056, 10166.003006/0019), e também, no processo nº 10166.000417/200394. Como visto, no processo nº 10166.000417/200394, a fiscalização acostou tabela em que demonstra o total de débitos compensados a partir daquele processo (efl. 209): 2 PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência, 5. ed., Porto Alegre, Livraria do Advogado. Fl. 487DF CARF MF 16 Os débitos de terceiros compensados a partir desse processo e dos processos 10166.001337/0013, 10166.001469/0046, 10166.001470/0025, 10166.003003/0021, 10166.003004/0093, 10166.003005/0056, 10166.003006/0019, comportam o montante conforme a tabela abaixo (efl. 254): Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10166.001336/0042 Acórdão n.º 1401001.996 S1C4T1 Fl. 481 17 Desta forma, mesmo com a compensação dos débitos constantes no processo 10166.000417/200394, ainda assim sobrariam créditos suficientes para que todas as compensações constantes nos processos 10166.001336/0042, 10166.001337/0013, 10166.001469/0046, 10166.001470/0025, 10166.003003/0021, 10166.003004/0093, 10166.003005/0056, 10166.003006/0019 fossem homologadas. Por fim, quanto à tributação dos rendimentos que geraram a retenção na fonte, exigência somente ventilada pela DRJ, entendo que a informação na DIPJ ac 1999 (efl. 283) é suficiente para comprovar que as receitas que sofreram retenção do imposto de renda na fonte foram tributadas, conforme abaixo: Isto porque seria muito improvável que os rendimentos que sofreram retenção na fonte e foram informados na DIRF pelas fontes pagadoras não fossem Fl. 489DF CARF MF 18 informados na DIPJ, mas sim outros rendimentos que não sofreram retenção pelas fontes pagadoras. Outrossim, na ficha 10A (efl. 284), não consta exclusão referente às receitas acima. Somente consta exclusão relevante de "Ajustes por aumento de valor de investimento avaliado pelo PL" no montante de R$ 147.112.829,86, para anular efeito da linha 25 da ficha 07A (Resultados positivos em participações societárias), no mesmo valor. Desta forma, pode se concluir que os rendimentos foram considerados na apuração do lucro real/prejuízo fiscal. Quanto à receita de prestação de serviços, consta como base para retenção o montante de R$ 1.257.339,67. Na DIPJ consta o valor de R$ 1.195.105,93. Apesar de divergência, os valores não são necessariamente coincidentes, pois a retenção é feita (e declarada na DIRF) com base no regime de caixa, enquanto que a tributação da receita é feita com base no regime de competência. Desta forma, como os valores se aproximam, concluo que a receita de prestação de serviços referente à retenção na fonte foi efetivamente tributada. Por tudo que foi exposto, entendo que seria possível o deferimento da compensação solicitada pela recorrente neste processo administrativo fiscal, a não ser pela ressalva que faço abaixo, em relação ao prazo para protocolização do pedido feito pelo terceiro beneficiado com o crédito. Protocolização dos Pedidos de Compensação prazo Como visto, a compensação com débitos de terceiros era permitida com base no art. 15 da IN SRF 21/97: Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) Entretanto, o § 1º do dispositivo legal aduz que o pedido de compensação deverá ser efetuado por ambos os contribuintes, titulares do crédito e do débito. § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) Posteriormente, a referida regra de transferência de crédito foi revogada pelo art. 2º da IN SRF 41/2000, que teve vigência a partir de 10 de abril de 2000: Art. 2º Fica revogado o art. 15, caput e parágrafos, da Instrução Normativa SRF No 021, de 10 de março de 1997. Ocorre que, não obstante ambas empresas envolvidas terem apresentado os pedidos de compensação, como exigia o § 1º do art. 15 da IN 21/97, e a empresa cedente do crédito ora recorrente ter protocolado o pedido de compensação na data de 09/02/2000, a empresa beneficiadora do crédito (terceiro beneficiado) apresentou o referido pedido na data de Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10166.001336/0042 Acórdão n.º 1401001.996 S1C4T1 Fl. 482 19 05/05/2000, ou seja, após o prazo de vigência do art. 15 da IN 21/97 período em que não mais se permitia a transferência dos créditos. Assim, o pedido de compensação deve ser negado. Conclusão Diante do exposto, voto por AFASTAR a preliminar de homologação tácita, e, no mérito, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário, pelas razões acima aduzidas. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 491DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.000485/2006-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/10/2000 a 31/03/2006
BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98.
BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. CUSTOS ASSISTÊNCIAIS. ABATIMENTO.
Nos termos do art. 3º, § 9º-A da Lei nº 9.718/98, introduzido, em caráter interpretativo, pela Lei nº 12.873/2013, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, de que trata o inciso III do § 9º, engloba o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-003.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado para admitir as exclusões dos custos assistenciais com beneficiários próprios, ou de outras operadoras a título de transferência de responsabilidade, das receitas financeiras, das variações patrimoniais e não operacionais, bem assim, da provisão de risco para as empresas operadoras de planos de saúde, vencidos o Conselheiro André Henrique Lemos, que excluía também as recuperações de despesas, e o Conselheiro Tiago Guerra Machado, que mantinha o lançamento no que se refere às receitas financeiras.
Fenelon Moscoso de Almeida Presidente Substituto
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Participou do julgamento, ainda, em substituição ao Conselheiro Rosaldo Trevisan, o Conselheiro suplente Cleber Magalhães.
Nome do relator: Relator Robson José Bayerl
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado para admitir as exclusões dos custos assistenciais com beneficiários próprios, ou de outras operadoras a título de transferência de responsabilidade, das receitas financeiras, das variações patrimoniais e não operacionais, bem assim, da provisão de risco para as empresas operadoras de planos de saúde, vencidos o Conselheiro André Henrique Lemos, que excluía também as recuperações de despesas, e o Conselheiro Tiago Guerra Machado, que mantinha o lançamento no que se refere às receitas financeiras. Fenelon Moscoso de Almeida Presidente Substituto Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Participou do julgamento, ainda, em substituição ao Conselheiro Rosaldo Trevisan, o Conselheiro suplente Cleber Magalhães.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/10/2000 a 31/03/2006 BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. CUSTOS ASSISTÊNCIAIS. ABATIMENTO. Nos termos do art. 3º, § 9ºA da Lei nº 9.718/98, introduzido, em caráter interpretativo, pela Lei nº 12.873/2013, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, de que trata o inciso III do § 9º, engloba o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado para admitir as exclusões dos custos assistenciais com beneficiários próprios, ou de outras operadoras a título de transferência de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 04 85 /2 00 6- 54Fl. 2079DF CARF MF 2 responsabilidade, das receitas financeiras, das variações patrimoniais e não operacionais, bem assim, da provisão de risco para as empresas operadoras de planos de saúde, vencidos o Conselheiro André Henrique Lemos, que excluía também as recuperações de despesas, e o Conselheiro Tiago Guerra Machado, que mantinha o lançamento no que se refere às receitas financeiras. Fenelon Moscoso de Almeida – Presidente Substituto Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Participou do julgamento, ainda, em substituição ao Conselheiro Rosaldo Trevisan, o Conselheiro suplente Cleber Magalhães. Relatório Cuidase de auto de infração para exigir COFINS decorrente da não inclusão dos denominados “atos cooperativos auxiliares” (serviços médicohospitalares, diagnósticos e tratamentos auxiliares) na base de cálculo da contribuição, no período de outubro/2000 a março/2006. Em impugnação o contribuinte apontou, preliminarmente, a decadência parcial do lançamento; a existência de decisão judicial suspendendo a incidência do tributo (MS 2000.51.01.0169347); a inviabilidade jurídica do prosseguimento do procedimento fiscal, ante o deferimento judicial da medida suspensiva; e, a nulidade do auto por imprecisão da descrição dos fatos e por erro na apuração do montante devido. No mérito, em extenso arrazoado, ressaltou a sua natureza jurídica de cooperativa, remetendo à legislação de regência; sustentou que o lançamento estaria fundado em presunções e interpretações restritivas e que, na condição de cooperativa, age como mandatária dos médicos cooperados, sem auferir lucro ou faturamento; que os atos auxiliares, indispensáveis à consecução dos seus objetivos sociais, caracterizamse como atos cooperativos e, nessa condição, não devem sofrer a incidência do tributo exigido; que é absolutamente impróprio e ofensivo à lei considerar os atos auxiliares estranhos à finalidade da cooperativa; que tais atos estão abrigados da incidência tributária, por força dos arts. 79, 85, 86, 88 e 111 da Lei nº 5.764/71; que inexiste qualquer resultado econômico advindo dos atos auxiliares; que, representando esses atos, despesa suportada pela cooperativa, não poderiam ser considerados receitas, para fins de incidência da COFINS; que a fiscalização desconsiderou as exclusões permitidas pelo art. 3º, § 9º da Lei nº 9.718/98 e art. 36 da MP 66/02; e, que o abatimento previsto no art. 3º, § 9º, III da Lei nº 9.718/98 (dedução do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos) englobaria as despesas com os atos auxiliares, como definido no plano de contas das operadoras estabelecido pela Agência Nacional de Saúde – ANS. Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 18471.000485/200654 Acórdão n.º 3401003.962 S3C4T1 Fl. 11 3 A DRJ Rio de Janeiro II/RJ deu parcial provimento ao recurso para ajustar erro de transcrição de base de cálculo, ocorrida no período de apuração agosto/2001, em decisão assim ementada: “DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o lançamento da Cofins é de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. DESCRIÇÃO DOS FATOS Restando evidenciado que a descrição dos fatos encontrase suficientemente clara para propiciar o entendimento das infrações imputadas, refletindose em alentada impugnação, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. SOCIEDADE COOPERATIVA. ATOS AUXILIARES. ATOS NÃO COOPERATIVOS, A teor do art. 79 da Lei n° 5.764/1971, são cooperativos todos aqueles que englobam operações efetuadas com os cooperados ou desta resultem, englobando, portanto, as operações efetuadas com não associados, ainda que estas operações tenham sido realizadas para atender o objetivo social da cooperativa. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. Na apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS, para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, as operadoras de planos de assistência à saúde, poderão deduzir de sua receita bruta o valor da diferença positiva entre os desembolsos efetivamente realizados para indenizar seus conveniados por eventos realizados em associados de outra operadora e as quantias recebidas desta outra operadora a título de ressarcimento por aqueles desembolsos. BASE DE CÁLCULO. ERRO NA TRANCRIÇÃO. Devese exonerar o tributo lançado a maior em decorrência de erro na transcrição da base de cálculo pela autoridade fiscal. Lançamento Procedente em Parte” O recurso voluntário, com certa variação, repetiu a argumentação da impugnação. Em 08/05/2008 o julgamento foi convertido em diligência, através da Resolução nº 20201.224, para que fosse efetuado o levantamento dos abatimentos a que faria jus a recorrente, nos termos da legislação. Em 03/02/2009, através da Resolução nº 20201.280, dada a insuficiência da diligência anteriormente determinada, foi o processo novamente baixado à unidade preparadora para complementação. Fl. 2081DF CARF MF 4 A autoridade administrativa responsável pela diligência informou que, em vista da adoção da forma de contabilização englobada, não havia como promover a discriminação requerida pelo órgão julgador (efl. 1.187). Cientificada do relatório fiscal o contribuinte apresentou manifestação informando a adesão parcial ao regime de parcelamento da Lei nº 11.941/09, pela inclusão dos valores correspondentes aos “atos cooperativos auxiliares”; requereu a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 e a exclusão das despesas com custo médico, receitas financeiras, recuperação de despesas, variações, receitas patrimoniais, receitas nãooperacionais e provisão de risco para operadoras de planos de saúde. Às efls. 1.656/1.660 consta despacho da DEMAC/RJO considerando a desistência parcial não formulada, pela inobservância do disposto no art. 13, § 4º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06/2009. Às efls. 1.661 e ss. foi juntada petição do contribuinte ratificando o pedido de parcelamento e pugnando pelo desmembramento da parte incontroversa. Em 26/07/2011 o autuado interpôs recurso administrativo dirigido à DEMAC/RJO onde contestou a nãoaceitação do parcelamento postulado, oportunidade que requereu a observância à Súmula Vinculante nº 8. Às efls. 1.774/1.777 foi lançado despacho reconhecendo a decadência dos períodos de apuração outubro/2000 a maio/2001 e determinando o envio dos autos à DEMAC/RJO/DIFIS para realização das diligências determinadas e saneamento dos cálculos. Às efls. 1.948/1.955 foi anexado o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, onde realizado o saneamento proposto, onde foram esclarecidos os abatimentos realizados na base de cálculo da contribuição, identificando as contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas e a diferença entre os desembolsos com despesas médicas e hospitalares de outras operadoras do sistema UNIMED e os valores recebidos a título de reembolso (art. 3º, § 9º, II e III da Lei nº 9.718/98). Ciente do parecer conclusivo, o contribuinte ratificou as colocações referentes à adesão ao parcelamento especial da Lei nº 11.941/2006 e as razões recursais. Tocante aos cálculos realizados, apontouse insubsistência da apuração no mês de dezembro dos anos 2001 a 2005. Ante aludida manifestação, a autoridade fiscal acolheu o pleito e retificou os cálculos (efl. 1.968/1.969), em seguida foram os autos devolvidos ao CARF. Em petição datada de 27/05/2014, o contribuinte noticiou a edição da Lei nº 12.873/13, cujo art. 19 deu interpretação às disposições do art. 3º, § 9º, III da Lei nº 9.718/98, e mais uma vez postulou a exclusão das despesas que relacionou. Em 19/05/2015, através do Memorando nº 005/2015Demac/RJO/Dicat, foi solicitada a remessa do processo para prestação de esclarecimentos. Às efls. 1.995 e ss., anexo despacho asseverando o acolhimento parcial do pleito endereçado à unidade, pelo contribuinte, no tocante à decadência parcial do lançamento, e a manutenção do indeferimento do parcelamento, ante a impossibilidade de formalização de parcelamento condicionado, como pleiteava o contribuinte. Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 18471.000485/200654 Acórdão n.º 3401003.962 S3C4T1 Fl. 12 5 O contribuinte, por seu turno, apresentou manifestação aduzindo que não oporia manifestação à diligência realizada, mormente o indeferimento de adesão parcial ao programa especial de parcelamento; na oportunidade, pugnou pela exclusão das receitas financeiras e patrimoniais, com lastro na decisão exarada no RE 346.084/PR, e aplicação retroativa do art. 19 da Lei nº 12.873/2013, além de discorrer sobre a real extensão do conceito de ato cooperativo. Em seguida os autos foram devolvidos ao CARF para prosseguimento. Em 22/02/2017, através da Resolução nº 3402003.875, a 2ª Turma Ordinária/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF declinou a competência de julgamento à 1ª Turma ordinária, da mesma Câmara, tendo em vista a conexão com o PA 18471.000486/200607. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O preenchimento dos requisitos de admissibilidade do recurso já foi aferido quando da primeira oportunidade em que pautado o processo, neste conselho administrativo. Preambularmente, quanto à declinação de competência aprovada pela 2ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF, reconheço a conexão entre os feitos e a prevenção deste relator para julgar o recurso manobrado. Tendo em conta o semnúmero de idas e vindas deste processo à unidade preparadora e as recorrentes manifestações do sujeito passivo, necessária a definição da matéria sub examine nesta assentada. Neste passo, após a leitura dos petitórios protocolados pela recorrente, concluí que no atual estágio do debate, não mais se alterca, enquanto tese, a incidência da contribuição para o PIS/PASEP sobre os “atos cooperativos auxiliares”, reconhecendo o contribuinte essa situação jurídica, de modo que a irresignação remanescente envolveria apenas a declaração de parcial decadência do lançamento e os abatimentos previstos no art. 3º, § 9º da Lei nº 9.718/98, mormente o inciso III, à luz da Lei nº 12.873/13. A título de esclarecimento, as despesas com exames laboratoriais, hospitais, terapias, etc., antes defendido o seu abatimento na qualidade de “atos cooperativos auxiliares”, permanecem como questão controvertida nos autos, porém, já agora sob o epíteto de “custos assistenciais”, expressão utilizada pela mencionada Lei nº 12.873/13, consoante manifestação de efls. 2.033/2.050, que será examinada ao longo do voto. Da mesma forma, diversamente do que constava do PA 18471.000486/2006 07, o recorrente não mais questiona o indeferimento do pedido de adesão ao regime de parcelamento aprovado pela Lei nº 11.941/09, de modo que sobre esse tema não há demanda. Por pertinente, destaco que o PA 18471.000486/200607, referente à autuação pelo PIS/Pasep, envolvendo os mesmos fatos jurídicos, foi julgado por este colegiado Fl. 2083DF CARF MF 6 na sessão de 24/05/2017, através do Acórdão 3401003.791, oportunidade que foi dado parcial provimento ao recurso da seguinte forma: “Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para admitir as exclusões dos custos assistenciais com beneficiários próprios, ou de outras operadoras a título de transferência de responsabilidade, das receitas financeiras, da recuperação de despesas, das variações patrimoniais e não operacionais, bem assim, da provisão de risco para as empresas operadoras de planos de saúde, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Tiago Guerra Machado, no que se refere a receitas financeiras e recuperação de despesas. O Conselheiro Renato Vieira de Ávila atuou em substituição ao Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, ausente justificadamente.” A ementa do julgado restou vazada nos seguintes termos: “REGIME ESPECIAL DE PARCELAMENTO. ADESÃO. CONTENCIOSO. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. IMPOSSIBILIDADE. O debate acerca da inclusão de débitos em regime de parcelamento especial não comporta discussão no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, por ausência de previsão legal ou regimental, não se encartando dentre suas atribuições aludido contencioso. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. CUSTOS ASSISTÊNCIAIS. ABATIMENTO. Nos termos do art. 3º, § 9ºA da Lei nº 9.718/98, introduzido, em caráter interpretativo, pela Lei nº 12.873/2013, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, de que trata o inciso III do § 9º, engloba o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Recurso voluntário provido em parte.” Outrossim, o reconhecimento e declaração da decadência já se concretizou pela manifestação do titular da unidade preparadora no despacho decisórios de efls. 1.778, de modo que a abordagem da matéria, neste voto, fazse apenas a título de registro. Em razão da similitude fática e jurídica das questões erigidas, ressalvada a discussão acerca da adesão ao regime de parcelamento, matéria distinta daqueloutro processo, Fl. 2084DF CARF MF Processo nº 18471.000485/200654 Acórdão n.º 3401003.962 S3C4T1 Fl. 13 7 peço vênia para reproduzir e adotar as razões lá deduzidas e que servem de fundamento ao presente aresto, verbis: “Relativamente à decadência de parcela do lançamento, temse que o Supremo Tribunal Federal, ao examinar a questão envolvendo o prazo decenal estatuído na Lei nº 8.212/91, fundamento para manutenção do lançamento pela decisão recorrida, concluiu pela inconstitucionalidade, com a edição da Súmula Vinculante nº 8, com o seguinte verbete: ‘são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário’. Considerando que tal ato produz efeitos imediatos sobre os processos administrativos não definitivamente julgados e, ainda, o disposto no art. 103 A, caput, da CF/88, que impõe a vinculação, desde a publicação da súmula, dos órgãos da administração pública federal, imediatamente prevalecem os prazos estabelecidos no Código Tributário Nacional, mormente o art. 150, § 4º, que trata dos denominados “lançamentos por homologação”, quando existentes recolhimentos parciais no período. Nesse sentido, à luz do despacho de efls. (1.774/1.778 – acrescido), estão caducas as competências outubro/2000 a maio/2001, devendo ser afastadas do lançamento. Na seqüência, quanto às exclusões previstas no art. 3º, § 9º da Lei nº 9.718/98, impõese primeiramente sua reprodução: ‘§ 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001).’ Concernente à exoneração prevista nos incisos I e II, não há controvérsia alguma nos autos, de modo que o debate fica restrito aos abatimentos do inciso III. A seu respeito, em manifestação de efls. (1.193/1.198 – acrescido), o recorrente requer a exclusão das despesas de custo médico (omissis), receitas financeiras, recuperação de despesas, variações, receitas patrimoniais, receitas não operacionais e provisão de risco para as empresas operadoras de planos de saúde, com fulcro no superveniente art. Fl. 2085DF CARF MF 8 19 da Lei nº 12.873/13, que fez incluir o § 9ºA, no art. 3º da Lei nº 9.718/98, com a seguinte redação: ‘§ 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.’ Nada obstante a catalogação conjunta (em recurso), entendo que os valores referentes a receitas financeiras, recuperação de despesas, variações, receitas patrimoniais e receitas não operacionais não guardam pertinência com o art. 3º, § 9º, III da Lei nº 9.718/98, mas sim com o caput do artigo, que define o faturamento como receita bruta. Especificamente sobre esta matéria, pertinente a remissão à manifestação do Supremo Tribunal Federal sobre a (in)constitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nª 9.718/98, tomada sob a sistemática da repercussão geral, verbis: BASE DE CÁLCULO DA COFINS E INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI 9.718/98 ‘O Tribunal resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência da Corte acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, e negar provimento a recurso extraordinário interposto pela União. Vencido, parcialmente, o Min. Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Min. Cezar Peluso, relator, para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões. Vencido, também nesse ponto, o Min. Marco Aurélio, que se manifestava no sentido da necessidade de encaminhar a proposta à Comissão de Jurisprudência. Leading case: RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso.’ Assim, a teor dos arts. 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) c/c art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/15, por aplicação da mencionada decisão, o faturamento, no regime cumulativo, volta a compreender o produto da venda de bens e serviços e o resultado auferido nas operações de conta alheia, equivalendo ao somatório das receitas próprias da atividade da pessoa jurídica, consoante seu estatuto (...). Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 18471.000485/200654 Acórdão n.º 3401003.962 S3C4T1 Fl. 14 9 Segundo a Instrução Normativa DIOPE nº 36, de 22/12/2009, da Diretoria de Normas e Habilitação das Operadoras, da Agência Nacional de Saúde – ANS, que estabeleceu o plano de contas padrão para operadoras de planos de assistência à saúde, as rubricas indicadas tem as seguintes funções: 1. Receitas financeiras – Grupo 3.4 – Destinadas a registrar, em contas específicas, os rendimentos auferidos em títulos públicos e privados de renda fixa, operações a termo, fundos de investimentos, de renda variável, juros sobre recebimentos em atraso, dentre outros; 2. Recuperação de despesas – Subgrupo 4.1.3 – Registra o valor de outras recuperações, ressarcimentos e deduções de eventos/sinistros de assistência odontológica, não classificadas nas contas anteriores de glosas ou de coparticipação, em decorrência de reembolso de custo, descontos ou abatimentos obtidos por ocasião do pagamento dos eventos/sinistros, ou de outras, com base em registros auxiliares; 3. Variação das provisões técnicas de operações de assistência à saúde – Subgrupo 3.1.2 – Tem por função registrar as provisões técnicas de planos de assistência médicohospitalar e odontológica, segundo critérios definidos pela legislação vigente; 4. Receitas patrimoniais – Subgrupo 3.5.1 – Registrar as receitas provenientes da locação de imóveis de propriedade das operadoras, variação positiva do valor de investimentos em sociedades controladas e coligadas, alienação de bens não registrados no Ativo não Circulante e os rendimentos obtidos com outros investimentos avaliados pelo método de custo. No caso vertente, à luz da classificação contábil determinada pela Agência Nacional de Saúde, tratandose de uma cooperativa médica, operadora de planos de assistência à saúde, as receitas elencadas (financeiras, recuperação de despesas, variações, patrimoniais e não operacionais) não são abarcadas como originárias do exercício das atividades típicas desse tipo de entidade, razão porque devem ser excluídas da base de cálculo da exação. Por oportuno, cumpre registrar que, em minha opinião, as deduções da base de cálculo das contribuições, no caso de operadoras de assistência à saúde, não se restringem àquelas estabelecidas no art. 3º, § 9º da Lei nº 9.718/98, mas abrange, também, os abatimentos gerais, como é o caso, por exemplo, das receitas das vendas de bens do ativo permanente, à época vigentes. Fl. 2087DF CARF MF 10 Assim, as exclusões do art. 3º, § 9º da Lei nº 9.718/98 se caracterizariam como específicas e não afastariam aqueloutras qualificadas como gerais, ex vi do art. 3º, § 2º do mesmo diploma. Quanto à provisão de risco para as empresas operadoras de planos de saúde, in casu verificadas a partir de setembro/2005, segundo os demonstrativos de apuração das contribuições para o PIS/PASEP COFINS, sob o título ‘Variação da Prov. Téc. de Op. de Saúde’, a sua função envolve o registro das provisões técnicas, em contrapartida das contas patrimoniais correspondentes (2.3.1.1 – Provisões Técnicas de Operações de Assistência à Saúde), segundo a norma contábil baixada pela ANS, de maneira que sua exclusão, ante sua natureza, contaria com respaldo do art. 3º, § 9º, II da Lei nº 9.718/98, consoante o qual poderão ser deduzidos da apuração do PIS/PASEP e COFINS a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas. Por derradeiro, resta o exame dos abatimentos pelos custos médicos incorridos. O recorrente defendeu a possibilidade do pretendido abatimento com base no art. 3º, § 9º, III da Lei nº 9.718/98, que prevê a dedução do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. A redação do dispositivo em comento, reconheçase, não é das mais claras, razão porque a Leis nºs 12.873/2013 e 12.995/2014 fizeram incluir o §§ 9ºA e 9ºB, com o seguinte texto: ‘§ 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) § 9oB. Para efeitos de interpretação do caput, não são considerados receita bruta das administradoras de benefícios os valores devidos a outras operadoras de planos de assistência à saúde. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014)’ Até a edição das normas interpretativas adrede arroladas, havia uma compreensão do comando legal segundo a qual o abatimento estaria restrito, no caso das cooperativas médicas, aos custos incorridos com beneficiários de outras cooperativas componentes do sistema, não havendo previsão para exclusão dos custos com os beneficiários da própria operadora, como deixou patente o acórdão da decisão recorrida: ‘BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 18471.000485/200654 Acórdão n.º 3401003.962 S3C4T1 Fl. 15 11 Na apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS, para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, as operadoras de planos de assistência à saúde, poderão deduzir de sua receita bruta o valor da diferença positiva entre os desembolsos efetivamente realizados para indenizar seus conveniados por eventos realizados em associados de outra operadora e as quantias recebidas desta outra operadora a título de ressarcimento por aqueles desembolsos.’ (grifado) Com o advento das já mencionadas Leis nºs 12.873/2013 e 12.995/2014, restou esclarecido que tais abatimentos alcançariam, também, os custo com os beneficiários da própria operadora, frisando que os valores devidos a outras operadoras, correspondentes às transferências de responsabilidades, não comporiam a sua base de cálculo. Uma vez que as normas em epígrafe são textualmente interpretativas, aplicase ao caso vertente o disposto no art. 106, I do Código Tributário Nacional. Este posicionamento, hodiernamente, compartilhado pelas demais turmas julgadoras, inclusive, pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se constata dos seguintes julgados: ‘COOPERATIVAS. UNIMED. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES PRÓPRIAS DAS OPERADORES DE PLANOS DE SAÚDE. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, §§ 9º, 9º A e 9º B. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. O valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III, do § 9º, da Lei nº 9.718/98, é o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Recurso parcialmente provido. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte’ (Acórdão 9303003.295, de 24/03/2015) ‘OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), v isto a norma interpretativa § 9A do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013, esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos Fl. 2089DF CARF MF 12 beneficiários da cobertura oferecida pelos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.’ (Acórdão 9303004.184, de 06/07/2016) Em síntese, os custos assistenciais decorrentes da utilização, pelos beneficiários da própria operadora ou de outras operadoras credenciadas, da cobertura oferecida pelos planos de assistência à saúde podem ser deduzidos na apuração da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e Cofins, a partir da interpretação veiculada pelas Leis nºs 12.873/2013 e 12.995/2014.” Nada obstante a exposição supra, registro que modifiquei o meu entendimento em relação à conta "recuperação de despesa", se comparado àquela assentada, eis que, após melhor refletir sobre a questão, verifiquei que dita rubrica, à luz da acepção veiculada pela IN DIOPE nº 36, de 22/12/2009, da Diretoria de Normas e Habilitação das Operadoras, da ANS, e da decisão em repercussão geral sobre a conceito de faturamento da Lei nº 9.718/98, assimilado como o total das receitas típicas da atividade empresarial da pessoa jurídica, não encontraria razão para sua exclusão na predita inconstitucionalidade, uma vez não açambarcada pelo conceito ampliado de faturamento, mas sim pelo seu conceito ordinário, sujeitandose normalmente à incidência da Cofins. Dessarte, na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, faturamento continuou a corresponder a receita bruta segundo o art. 2º, caput da Lei Complementar nº 70/91, entendida como a receita oriunda da atividade empresarial típica. Esta inferência respaldase nos Recursos Extraordinários 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, precedentes citados para o reconhecimento do vício da Lei nº 9.718/98, que, mesmo declarando a inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, estabeleceram, na linha da jurisprudência do e. STF, que as expressões “faturamento” e “receita bruta”, a par de sinônimas, albergariam o somatório das receitas próprias da atividade da pessoa jurídica, como se extrai do seguinte excerto do voto condutor do RE 390.840, de lavra do eminente Min. Marco Aurélio: “Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (sublinhado) Por outro lado, como já asseverado, correspondendo aludida rubrica (recuperação de despesas) às recuperações, ressarcimentos e deduções de eventos/sinistros decorrentes de reembolso de custo, descontos ou abatimentos obtidos por ocasião do pagamento de eventos/sinistros, inegável sua pertinência ao objeto social de empresa operadora de plano de assistência à saúde. Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 18471.000485/200654 Acórdão n.º 3401003.962 S3C4T1 Fl. 16 13 Outrossim, não se tratando de recuperação de créditos baixados como perda, não se lhe aplica a exclusão prevista no art. 3º, § 2º, II da Lei nº 9.718/98, devendo tais valores serem mantidos no lançamento. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para admitir as exclusões da base de cálculo concernentes aos custos assistenciais com beneficiários próprios ou de outras operadoras a título de transferência de responsabilidade, as receitas financeiras, as variações patrimoniais e não operacionais, bem assim, provisão de risco para as empresas operadoras de planos de saúde. Robson José Bayerl Fl. 2091DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.900286/2013-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.710
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 86 /2 01 3- 39 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.900286/201339 Acórdão n.º 3301003.710 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.744, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.900286/201339 Acórdão n.º 3301003.710 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900286/201339 Acórdão n.º 3301003.710 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900286/201339 Acórdão n.º 3301003.710 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900286/201339 Acórdão n.º 3301003.710 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900286/201339 Acórdão n.º 3301003.710 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900286/201339 Acórdão n.º 3301003.710 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900286/201339 Acórdão n.º 3301003.710 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.723049/2011-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF NA SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGADOS DO CARF. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO.
A decisão definitiva de mérito no RE n° 595.838/SP, de 23/04/2014, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária da empresa, prevista no art. 22, inc. IV da Lei n° 8.212/91, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto em seu Regimento Interno.
Numero da decisão: 2301-005.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos embargos de declaração apresentados, para sanar a contradição apontada, rerratificando a parte dispositiva da ementa do Acórdão nº 2301-003.372, e por excluir, de ofício, as exigências fiscais incidentes sobre a remuneração de cooperativas de trabalho, em face da inconstitucionalidade declarada pelo STF, no regime de repercussão geral (RE 595.838, de 23/04/2014).
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fábio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício).
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF NA SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGADOS DO CARF. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. A decisão definitiva de mérito no RE n° 595.838/SP, de 23/04/2014, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária da empresa, prevista no art. 22, inc. IV da Lei n° 8.212/91, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto em seu Regimento Interno.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos embargos de declaração apresentados, para sanar a contradição apontada, rerratificando a parte dispositiva da ementa do Acórdão nº 2301-003.372, e por excluir, de ofício, as exigências fiscais incidentes sobre a remuneração de cooperativas de trabalho, em face da inconstitucionalidade declarada pelo STF, no regime de repercussão geral (RE 595.838, de 23/04/2014). (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fábio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício).
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CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO “IN NATURA”. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos “in natura”, conforme entendimento contido no Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF NA SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGADOS DO CARF. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. A decisão definitiva de mérito no RE n° 595.838/SP, de 23/04/2014, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária da empresa, prevista no art. 22, inc. IV da Lei n° 8.212/91, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto em seu Regimento Interno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 30 49 /2 01 1- 47 Fl. 455DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos embargos de declaração apresentados, para sanar a contradição apontada, rerratificando a parte dispositiva da ementa do Acórdão nº 2301003.372, e por excluir, de ofício, as exigências fiscais incidentes sobre a remuneração de cooperativas de trabalho, em face da inconstitucionalidade declarada pelo STF, no regime de repercussão geral (RE 595.838, de 23/04/2014). (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fábio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício). Relatório Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Tratase de embargos de declaração opostos por Casa de Saúde e Maternidade Santa Fé S/A contra o acórdão nº 2301003.372, de 12/03/2013, que deu parcial provimento ao recurso voluntário para, entre outras providências, excluir do lançamento os valores relativos a alimentação “in natura” fornecida pela empresa, sem a devida inscrição no PAT. As exigências fiscais estão assim distribuídas: Auto de Infração DEBCAD nº Exigência Fiscal 37.284.5592 contribuições previdenciárias correspondentes à parte da empresa 37.284.5606 contribuições previdenciárias correspondentes à parte dos segurados 37.284.5614 contribuições destinadas a outras entidades e fundos, terceiros – Salário Educação (FNDE), INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, incidentes sobre a alimentação fornecida aos empregados 37.284.5622 multa por descumprimento de obrigação acessória estabelecida pela Lei nº 8.218, de 29/8/1991, artigo 11, §§ 3º e 4º, (Código de Fundamentação Legal – CFL 22) Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10680.723049/201147 Acórdão n.º 2301005.073 S2C3T1 Fl. 456 3 37.284.5630 multa por descumprimento de obrigação acessória estabelecida pela Lei nº 8.212, de 24/7/1991, artigo 30, inciso I, alínea “a”, combinado com o disposto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6/5/1999, artigo 216, inciso I, alínea “a” (Código de Fundamentação Legal – CFL 59). A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, o qual foi provido (acórdão nº 2301004.036, de 13/05/2014). Retificouse, assim, o acórdão embargado de modo a constar que se aplicou o prazo decadencial previsto pelo art. 150, §4º do CTN, em virtude da existência de prova de recolhimento dos tributos nos autos. Ato subsequente, a Casa de Saúde e Maternidade Santa Fé S/A opõe embargos de declaração, apontando contradição no acórdão embargado nº 2301003.372, uma vez que o respectivo voto condutor reconhece a exclusão da alimentação “in natura” apenas para a contribuição patronal (DEBCAD nº 37.284.5592), porém, em relação às partes dos segurados e de terceiros (DEBCAD nº 37.284.5606 e 37.284.5614), registra a manutenção da cobrança. Por meio do despacho exarado em 05/03/2015, o presidente da turma admitiu os presentes embargos para julgamento. É o relatório Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Alimentação “in Natura” Com razão a Embargante. Não obstante a turma tenha excluído a incidência da contribuição previdenciária sobre o fornecimento de alimentação “in natura”, a conclusão do voto condutor e a parte dispositiva do acórdão embargado apenas fizeram referência à parte patronal (DEBCAD nº 37.284.5592), esquecendose das partes dos segurados e dos terceiros (DEBCAD nº 37.284.5606 e 37.284.5614). Inexistindo razão para manter essa parte do lançamento sobre as contribuições dos segurados e dos terceiros, o acórdão embargado deve ser retificado, especificamente em sua parte dispositiva: Acordam os membros do colegiado, (...) II) Por unanimidade de votos: (...) c) em dar provimento parcial às autuações nº 35.284.5592, 37.284.5606 e 37.284.5614 para que sejam excluídos do lançamento, por provimento, somente os valores relativos ao auxílio alimentação; Cooperativa de Trabalho Fl. 457DF CARF MF 4 Percebo que uma das matérias em discussão, cuja cobrança foi mantida pelo acórdão recorrido, diz respeito à incidência de contribuição previdenciária sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de cooperativas de trabalho. Acontece que posteriormente à prolação do acórdão embargado, o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional tal exação, no regime de repercussão geral (RE 595.838, de 23/04/2014), havendo, inclusive resolução do Senado Federal suspendendo a execução do art. 22, inc. IV da Lei nº 8.212/91 (Resolução SF nº 10/2016): Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Desse modo, com fundamento no art. 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, reconheço, de ofício, a invalidade da referida cobrança (grifos nossos): § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10680.723049/201147 Acórdão n.º 2301005.073 S2C3T1 Fl. 457 5 reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer e dar provimento aos embargos de declaração, com o objetivo de sanar a contradição apontada, mediante a exclusão da exigência fiscal sobre o fornecimento de alimentação “in natura” também às partes dos segurados e dos terceiros. Também voto por excluir de ofício as exigências fiscais incidentes sobre a remuneração de cooperativas de trabalho, em face da inconstitucionalidade declarada pelo STF, no regime de repercussão geral (RE 595.838, de 23/04/2014). A ementa do julgado passa a ser a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento referese a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN PREVIDENCIÁRIO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF NA SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGADOS DO CARF. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. A decisão definitiva de mérito no RE n° 595.838/SP, de 23/04/2014, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária da empresa, prevista no art. 22, inc. IV da Lei n° Fl. 459DF CARF MF 6 8.212/91, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto em seu Regimento Interno. AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, III, da Lei 8.212/91, É nulo o lançamento quando se verifica vício material de caráter insanável, relacionado à fundamentação legal da autuação e ao cálculo da multa aplicada, quando impedirem o conhecimento pelo contribuinte da sua conduta faltosa e da obrigação descumprida. E a parte dispositiva, passa a ser a seguinte (grifos nossos): § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Relator Fl. 460DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.001950/2006-80
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRAZO DE RECURSO - PEREMPÇÃO. Não se conhece das razões do recurso apresentado fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235172.
Numero da decisão: 1802-000.965
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Nelso Kichel
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E EXPORTAÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRAZO DE RECURSO PEREMPÇÃO. Não se conhece das razões do recurso apresentado fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235172. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marcelo Baeta Ippolito e Marco Antonio Nunes Castilho. Ausente justificadamente o Conselheiro André Almeida Blanco. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 56/58 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Belém (fls. 51/53) que julgou procedente o lançamento do crédito tributário do IRPJ do anocalendário 2001. Quanto aos fatos, consta do auto de infração do IRPJ (fls. 14/15): (...) 001 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO REALIZAÇÃO MINIMA Ausência de adição ao lucro liquido do período, na determinação do lucro real apurado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, do lucro inflacionário (...) Em procedimento de revisão sumária da declaração de rendimentos, apresentada para o anocalendário 2001, exercício 2002, intimouse o sujeito passivo por meio do Termo de Intimação, datado de 02 de março de 2006, enviado via postal por meio dos correios, e recebido dia 14 de março do ano em curso. Transcorridos mais de 15 (quinze) dias da data do recebimento da intimação, não foi apresentado qualquer esclarecimento e/ou documento até a lavratura deste. No que concerne ao Lucro Inflacionário, segundo Demonstrativo do Lucro inflacionário SAPLI, fls. 5/10, observase que o contribuinte possui um saldo de Lucro Acumulado a Realizar em 31 de dezembro de 1995, no valor de R$ 450.391,74. Nos termos do art. 449 do Dec. n° 3000, de 26 março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda, ipsis literis: "Art. 449. A partir de 1° de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda ou dois e meio por cento no caso de apuração trimestral, quando o valor assim determinado resultar superior ao apurado na forma do artigo anterior (Lei n° 9.065, de 1995, art. 8°, Lei n° 9.249, de 1995, art. 6 ° , parágrafo único, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 10 e 2 ° )". (...) Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/12/2001 R$ 45.039,17 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 8° da Lei n ° 9.065/95; Arts. 6º e 7º, da Lei n° 9.249/95; Arts. 249, inciso I, e 449, do RIR/99. (...) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.001950/200680 Acórdão n.º 180200.965 S1TE02 Fl. 2 3 O crédito tributário do auto de infração do IRPJ, anocalendário 2001, perfaz o montante de R$ 11.382,80, estando inclusos multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 24/02/2006 (fl. 12). Na primeira instância de julgamento, a contribuinte em sua impugnação apresentou, em síntese, as seguintes razões: que não pode defenderse da autuação pois somente é obrigada a manter documentos fiscais e contábeis dos últimos 5 (cinco) anos; que o fisco pretende inverter o ônus da prova, alegando a existência de saldos contábeis de 15 (quinze) anos atrás e que não tem como verificar ou comprovar; que o balanço patrimonial em 31/12/2000 não demonstra a existência de lucro inflacionário a realizar e que o saldo de lucro inflacionário a realizar em 31/12/95 no valor de R$ 450.391,14 é absolutamente incompatível com sua movimentação financeira. Como mencionado no início, a decisão a quo não acolheu as razões da recorrente, mantendo o lançamento fiscal. A propósito, a decisão recorrida tem a seguinte ementa (fl. 51): (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 LUCRO INFLACIONÁRIO. DIFERENÇA IPC/BTNF. NÃO REALIZAÇÃO Constatado por intermédio de revisão de malha que o sujeito passivo deixou de realizar qualquer parcela do lucro inflacionário oriunda da diferença entre a correção do IPC e a BTNF no anobase de 1991, legitimo o lançamento para a cobrança do IRPJ que deixou de ser computado no ano calendário de 2001. Lançamento Procedente (...) Irresignada com esse decisum do qual tomou ciência em 29/09/2008 (fl. 55), a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 18/11/2008 (fl. 56), juntando ainda os documentos de fls. 57/58, informando o seguinte, in verbis: Em função da decisão do STJ no Recurso Especial REsp 775589, cujo Acórdão (cópia anexa) declara a não incidência de tributação sobre o Lucro Inflacionário não Realizado, reiteramos nossa solicitação de extinção do crédito tributário que deu origem ao processo em referência. A propósito, transcrevo a ementa do citado REsp 775.589PB, Relator Min. Humberto Martins, data do julgamento 16/10/2008, recorrente Fazenda Nacional (fls. 57/58): Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL 4 PROCESSUAL CIVIL — INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC — SÚMULA 211/STJ —TRIBUTÁRIO — IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA —LUCRO INFLACIONÁRIO NÃO REALIZADO — IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO — ART. 43 DO CTN —,NÃO CONFIGURAÇÃO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL — PRECEDENTES. 1. Inexistente a alegada violação do art. 535 do CPC, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme se depreende da análise do acórdão recorrido. 2. A Corte de origem não analisou, sequer implicitamente, o artigo 111 do Código Tributário Nacional, a despeito da oposição de embargos de declaração. Incidência da Súmula 211/STJ. 3. No que toca ao conceito de renda inscrito no art. 43 do CTN, firmouse nas Turmas de Direito Público o sentido da impossibilidade de tributação do lucro inflacionário, pois o lucro inflacionário não realizado não é lucro real, mas, apenas correção sem representar qualquer acréscimo. Recurso especial conhecido em parte e improvido. (...) É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.001950/200680 Acórdão n.º 180200.965 S1TE02 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator Recurso apresentado tardiamente (intempestivo). O artigo 33 do Decreto n° 70.23/72, diploma que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe que das decisões proferidas pela autoridade julgadora de primeira instância, quando contrárias aos contribuintes, caberá Recurso Voluntário, dentro de trinta dias contados da sua ciência, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Do texto do dispositivo legal citado sobressaem dois pressupostos básicos a serem necessariamente observados pelo contribuinte, quando no exercício do direito ao recurso, quais sejam: a) que o recurso seja dirigido à autoridade competente para apreciar e decidir sobre a matéria recorrida; b) que o recurso seja apresentado no órgão competente, dentro de trinta dias, quando muito, contados da ciência da decisão de primeira instância. O descumprimento de qualquer dos pressupostos citados acarreta a ineficácia do recurso, impedindo o seu conhecimento por parte da autoridade a quem é dirigido. No caso em tela, resta caracterizada a inobservância do prazo legal para interposição do recurso. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 29/09/2008 (segundafeira) Aviso de Recebimento AR (fl. 55), tendo, todavia, protocolizado o encaminhamento de suas razões de apelo a este Colegiado somente no dia 18/11/2008 (terça feira), tudo conforme registro carimbo de protocolo aposto na peça recursal (fl. 56). A contagem do prazo aponta o dia 29/10/2008 (quartafeira) como fatal para apresentação da peça recursal, o que, no caso, não foi observado. Portanto, tratase de recurso serôdio (apresentado a destempo). A não observância do prazo legal para interposição do recurso voluntário impede o seu conhecimento, na medida em que a tempestividade constitui um dos pressupostos objetivos de admissibilidade do apelo. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER das razões do recurso, por se tratar de recurso perempto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL 6 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 11543.001948/2006-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PESSOA JURÍDICA CEREALISTA. RECEITA DE VENDA DE PRODUTO IN NATURA DE ORIGEM VEGETAL. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVA. RECONHECIMENTO DO BENEFÍCIO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
A suspensão da incidência da Cofins sobre a receita auferida por pessoa jurídica cerealista, que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, alcança apenas a venda de produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e
18.01, todos da NCM. Na falta de comprovação de que a referida receita, ainda que auferida por intermédio de filial que exerça cumulativamente as referidas atividades, foi proveniente da venda dos referidos produtos, o reconhecimento do citado benefício fiscal fica impossibilitado.
SALDOS DE CRÉDITOS VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. UTILIZAÇÃO NA COMPENSAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO TRIMESTRE CALENDÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS FORMAIS. IMPOSSIBILIDADE.
1. A compensação de créditos da Cofins, vinculados às receitas de
exportação, efetuada após o encerramento do trimestre-calendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento vinculado ao saldo apurado em único trimestre-calendário.
2. O descumprimento de requisito formal, estabelecido em ato normativo editado pela Secretaria da Receita Federal, no exercício legítimo do poder regulamentar conferido-lhe por lei, impossibilita a análise da certeza e liquidez do direito creditório utilizado e, por conseguinte, da homologação do
procedimento compensatório.
Numero da decisão: 3302-004.650
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da petição e documentos de e-fls. 3295/3316, por referirem a insumos não impugnados em recurso voluntário e que foram rejeitadas as preliminares argüidas. Por maioria de votos, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a tributação das vendas com suspensão relativas às filiais de e-fls. 2834/2837, excetuadas as reconhecidas na diligência como industriais ou meras revendas na e-fl. 3.077, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Maria do Socorro Ferreira Aguiar que negavam provimento e a Conselheira Lenisa Prado que dava provimento em maior extensão. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor nesta parte. Por maioria de votos, foi dado provimento ao recurso voluntário para reconhecer crédito de EPI, vencido o Conselheiro Walker Araújo. Por unanimidade de votos, foi dado provimento à reversão da glosa de duplicidade de utilização de crédito presumido, da glosa de dispêndios de classificação de soja e de despesas de energia elétrica. Por unanimidade de votos, foi negado provimento ao pedido de compensação de ofício de eventuais créditos de IRPJ e CSLL com valores lançados de PIS e Cofins e aos créditos de depreciação de vagões, gerenciamento de resíduos, aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos (Os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato P. de Deus e Paulo G. Déroulède votaram pelas conclusões, cujos fundamentos serão adotados pela Conselheira Lenisa Prado em seu voto. O Conselheiro José Fernandes fará declaração de voto relativa às conclusões). Por maioria de votos, foi negado o aproveitamento de saldo de créditos de meses anteriores, vencida a Conselheira Lenisa Prado. Designado o Conselheiro José Fernandes do Nascimento para redigir o voto vencedor nesta parte.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PESSOA JURÍDICA CEREALISTA. RECEITA DE VENDA DE PRODUTO IN NATURA DE ORIGEM VEGETAL. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVA. RECONHECIMENTO DO BENEFÍCIO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. A suspensão da incidência da Cofins sobre a receita auferida por pessoa jurídica cerealista, que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, alcança apenas a venda de produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM. Na falta de comprovação de que a referida receita, ainda que auferida por intermédio de filial que exerça cumulativamente as referidas atividades, foi proveniente da venda dos referidos produtos, o reconhecimento do citado benefício fiscal fica impossibilitado. SALDOS DE CRÉDITOS VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. UTILIZAÇÃO NA COMPENSAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO TRIMESTRE CALENDÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS FORMAIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A compensação de créditos da Cofins, vinculados às receitas de exportação, efetuada após o encerramento do trimestre-calendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento vinculado ao saldo apurado em único trimestre-calendário. 2. O descumprimento de requisito formal, estabelecido em ato normativo editado pela Secretaria da Receita Federal, no exercício legítimo do poder regulamentar conferido-lhe por lei, impossibilita a análise da certeza e liquidez do direito creditório utilizado e, por conseguinte, da homologação do procedimento compensatório.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da petição e documentos de e-fls. 3295/3316, por referirem a insumos não impugnados em recurso voluntário e que foram rejeitadas as preliminares argüidas. Por maioria de votos, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a tributação das vendas com suspensão relativas às filiais de e-fls. 2834/2837, excetuadas as reconhecidas na diligência como industriais ou meras revendas na e-fl. 3.077, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Maria do Socorro Ferreira Aguiar que negavam provimento e a Conselheira Lenisa Prado que dava provimento em maior extensão. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor nesta parte. Por maioria de votos, foi dado provimento ao recurso voluntário para reconhecer crédito de EPI, vencido o Conselheiro Walker Araújo. Por unanimidade de votos, foi dado provimento à reversão da glosa de duplicidade de utilização de crédito presumido, da glosa de dispêndios de classificação de soja e de despesas de energia elétrica. Por unanimidade de votos, foi negado provimento ao pedido de compensação de ofício de eventuais créditos de IRPJ e CSLL com valores lançados de PIS e Cofins e aos créditos de depreciação de vagões, gerenciamento de resíduos, aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos (Os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato P. de Deus e Paulo G. Déroulède votaram pelas conclusões, cujos fundamentos serão adotados pela Conselheira Lenisa Prado em seu voto. O Conselheiro José Fernandes fará declaração de voto relativa às conclusões). Por maioria de votos, foi negado o aproveitamento de saldo de créditos de meses anteriores, vencida a Conselheira Lenisa Prado. Designado o Conselheiro José Fernandes do Nascimento para redigir o voto vencedor nesta parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PESSOA JURÍDICA CEREALISTA. RECEITA DE VENDA DE PRODUTO IN NATURA DE ORIGEM VEGETAL. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVA. RECONHECIMENTO DO BENEFÍCIO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. A suspensão da incidência da Cofins sobre a receita auferida por pessoa jurídica cerealista, que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, alcança apenas a venda de produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM. Na falta de comprovação de que a referida receita, ainda que auferida por intermédio de filial que exerça cumulativamente as referidas atividades, foi proveniente da venda dos referidos produtos, o reconhecimento do citado benefício fiscal fica impossibilitado. SALDOS DE CRÉDITOS VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. UTILIZAÇÃO NA COMPENSAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO TRIMESTRE CALENDÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS FORMAIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A compensação de créditos da Cofins, vinculados às receitas de exportação, efetuada após o encerramento do trimestre-calendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento vinculado ao saldo apurado em único trimestre-calendário. 2. O descumprimento de requisito formal, estabelecido em ato normativo editado pela Secretaria da Receita Federal, no exercício legítimo do poder regulamentar conferido-lhe por lei, impossibilita a análise da certeza e liquidez do direito creditório utilizado e, por conseguinte, da homologação do procedimento compensatório. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 15 43 .0 01 94 8/ 20 06 -6 5 Fl. 3.385 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária agosto de 2017 agosto de 2017 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins ADM DO BRASIL S.A. ADM DO BRASIL S.A. FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 3385DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da petição e documentos de e-fls. 3295/3316, por referirem a insumos não impugnados em recurso voluntário e que foram rejeitadas as preliminares argüidas. Por maioria de votos, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a tributação das vendas com suspensão relativas às filiais de e-fls. 2834/2837, excetuadas as reconhecidas na diligência como industriais ou meras revendas na e-fl. 3.077, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Maria do Socorro Ferreira Aguiar que negavam provimento e a Conselheira Lenisa Prado que dava provimento em maior extensão. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor nesta parte. Por maioria de votos, foi dado provimento ao recurso voluntário para reconhecer crédito de EPI, vencido o Conselheiro Walker Araújo. Por unanimidade de votos, foi dado provimento à reversão da glosa de duplicidade de utilização de crédito presumido, da glosa de dispêndios de classificação de soja e de despesas de energia elétrica. Por unanimidade de votos, foi negado provimento ao pedido de compensação de ofício de eventuais créditos de IRPJ e CSLL com valores lançados de PIS e Cofins e aos créditos de depreciação de vagões, gerenciamento de resíduos, aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos (Os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato P. de Deus e Paulo G. Déroulède votaram pelas conclusões, cujos fundamentos serão adotados pela Conselheira Lenisa Prado em seu voto. O Conselheiro José Fernandes fará declaração de voto relativa às conclusões). Por maioria de votos, foi negado o aproveitamento de saldo de créditos de meses anteriores, vencida a Conselheira Lenisa Prado. Designado o Conselheiro José Fernandes do Nascimento para redigir o voto vencedor nesta parte. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Lenisa Prado - Relatora (assinatura digital) Walker Araújo - Redator designado (assinatura digital) José Fernandes do Nascimento - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por ADM do Brasil Ltda. contra acórdão proferido pela 17ª Turma de Julgamento da Delegacia Regional da Receita Federal no Fl. 3386DF CARF MF Processo nº 11543.001948/2006-65 Acórdão n.º 3302-004.650 S3-C3T2 Fl. 3.386 3 Rio de Janeiro (DRJ/RJ1), oportunidade em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. A questão tem início em pedido de compensação de débitos de IRPJ com créditos da COFINS não-cumulativa de que trata o art. 3º da Lei n. 10.833/2003, apurados no 2º trimestre do ano 2005. O pedido de ressarcimento foi parcialmente deferido1, tendo sido reconhecido o direito de crédito equivalente ao montante de R$ 10.288.434,80, referente ao saldo remanescente da apuração não cumulativa da COFINS no 2º trimestre de 2005 e, por conseguinte, para homologar as compensações efetuados até o limite do crédito reconhecido. São trechos do Parecer SEORT acolhido pelo Despacho Decisório: a) A empresa atua na comercialização e industrialização de óleo de soja, além de atuar na comercialização de fertilizantes. A partir de 02/2004, a empresa interessada ficou sujeita ao regime de incidência não-cumulativo da Cofins; b) Ao analisar o DACON e as Planilhas de Apuração enviadas pelo sujeito passivo, foi constatada divergência entre os valores informados. A análise da escrituração contábil, das planilhas e outros elementos apresentados demonstraram inconsistências nos valores dos créditos compensados. Consequentemente, foram realizados ajustes e foi gerada a Planilha de Glosas dos Créditos a Descontar, a fim de discriminar por filiais as eventuais glosas efetuadas; c) O sujeito passivo equivocou-se ao excluir da base de cálculo da Cofins não-cumulativa os valores decorrentes das vendas de mercadorias com suspensão. A ADM não poderia fazer jus ao benefício da suspensão prevista no art. 9o da Lei 10.925/04 anteriormente à edição da IN SRF 660 em 04/04/2006; d) A ADM não se enquadra na definição de cerealista definida pela IN SRF 660/2006, conforme resposta ao Termo de Solicitação de Documentos 02-03/2008.Também não se enquadra na definição de atividade agropecuária e nem de cooperativa de produção agropecuária delineada pelos incisos II e III do § 1o da mencionada IN; e) As rubricas "desconto na compra de m. prima e diversos outras rendas", registradas nos balancetes sob a codificação fiscal 411550 e 748950 deixaram de ser adicionadas à base de cálculo. Em outras situações, foram informados valores a menor em relação ao registrado nos balancetes; f) Destarte, foram realizadas as devidas adições nas Planilhas de Apuração das Contribuições não- cumulativas, com vistas a atender ao que dispõe a legislação; g) Foram excluídos créditos calculados sobre aquisições de água mineral, bens de informática, materiais de higiene pessoal, de vestuários e medicamentos por não se caracterizarem no conceito de insumos. Também foram excluídas aquisições dos setores administrativos como por exemplo lápis, caneta, papel, dentre outros e dos setores de segurança, como por exemplo manutenção nos equipamentos de segurança e vestuário do pessoal encarregado; h) O contribuinte apresentou Planilhas de Apuração das Contribuições não-cumulativas por filiais e consolidado. Foram efetuadas glosas nos itens "bens utilizados como insumo industrialização: compras 1 Parecer SEORT n. 788/2009, acolhido pelo Despacho Decisório de fls. 452. Fl. 3387DF CARF MF 4 p/ material intermediário" nas filiais de Campo Grande, Joaçaba, Paranaguá, passo Fundo e Três Passos, por não se enquadrarem na definição de insumos; i) A partir dos relatórios enviados em meio magnético, foram elaboradas as Planilhas 1 (fls. 391/403), discriminando por filiais os bens desconsiderados no cálculo dos créditos. Tais valores foram transportados para a Planilha de Glosas dos Créditos a Descontar (fls. 424) e posteriormente para a Planilha de Apuração das Contribuições não-cumulativas (fls 425/430); j) Foram glosados os valores informados a maior nas Planilhas de Apuração das Contribuições não- cumulativas em relação ao que foi informado nos relatórios em meio magnético, no que tange à filial Paranaguá, conforme Planilha 2 (fls. 452/459); k) Com relação ao item "Bens utilizados insumo industrialização: compras p/ industrialização material de embalagem", foi apurada diferença entre as Planilhas de Apuração das Contribuições não- cumulativas e os relatórios em meio magnético nas filiais de Campo Grande e Catalão. As diferenças foram demonstradas na Planilha 3 (fls. 416/418); l) Foram efetuadas glosas no item "serviços utilizados como insumo na industrialização: despesa com classificação" visto que estes serviços não se enquadram na definição de insumos delineada pela legislação; m) No que se refere ao item "serviços utiliz. Insumos industrializ.:Mão de Obra P. Jurídica (Manutenção/Conservação/Limpeza Máq. e Equip.)", foi constatada a inclusão de serviços não aplicados ou consumidos na fabricação do produto, no que tange às filiais de Catalão, Joaçaba, Rondonópolis e Uberlândia. Por não se caracterizarem no conceito de insumo foram glosados os serviços discriminados na Planilha 4 (fls. 419/422); n) Pelos mesmos motivos foram glosados no item "serviços utilizados como insumos nas atividades portuárias: Unidades Santos e Vitória", serviços destinados à área de comercialização; o) O contribuinte foi intimado a apresentar os contratos de locação e comprovantes de pagamentos dos aluguéis da filial Santos. Da análise dos comprovantes, constatou-se que foram informados valores a maior nas Planilhas de Apuração das Contribuições não-cumulativas. A diferença foi considerada não comprovada e excluída da base de cálculo dos créditos; p) Foram excluídos da apuração dos créditos, os encargos de depreciação referentes às aquisições de vagões pela filial de Rondonópolis, por não serem utilizados na produção dos bens, mas sim no transporte dos bens produzidos. As glosas foram efetuadas nos meses de 2004, mas com impacto nos meses de 2005, visto que os encargos de depreciação se exaurem em 48 meses; q) Foram efetuadas glosas no item energia elétrica na filial Santos, por não ter sido apresentado documentação comprobatória; r) Foram constatadas irregularidades na apuração dos créditos presumidos relacionados à filial de Uberlândia. Não é possível o aproveitamento de créditos decorrentes de compra para recebimento futuro (CFOP 1.922). Dos relatórios em meio magnético foi constatado o aproveitamento de crédito de compras registradas sob o CFOP 1.922 e nas compras registradas sob o CFOP 1.116, quando da entrada real da mercadoria. A Planilha 5 discrimina as compras que foram desconsideradas para fins de cálculo dos créditos; s) As planilhas apresentadas pelo contribuinte indicam que ele adotou a metodologia de rateio proporcional entre as receitas no mercado interno e exportação; t) Não foi possível homologar a compensação declarada em sua totalidade, por insuficiência de créditos; Fl. 3388DF CARF MF Processo nº 11543.001948/2006-65 Acórdão n.º 3302-004.650 S3-C3T2 Fl. 3.387 5 u) O saldo credor de períodos anteriores informado no DACON foi desconsiderado na análise da declaração de compensação de que trata o presente processo. Cientificada da decisão em 03/07/2009 (fls. 461), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/08/2009 (fls. 463 a 512), alegando, em síntese que: 1) Merece correção o posicionamento do agente Fiscal exposto no item 12, no sentido de desprezar as informações do DACON e considerar as planilhas fornecidas pela empresa. Agindo assim, passou a excluir saldos legitimamente apurados. Tal premissa não encontra guarida no ordenamento legal e deve ser reparada; 2) Verifica-se a necessidade expressa de se realizar perícia contábil a fim de não restar dúvida quanto à existência de créditos por parte da contribuinte, bem como sobre a regularidade do procedimento de compensação adotado, sob pena de eivar de nulidade a decisão a ser proferida. Formula os quesitos a serem respondidos; 3) Com relação a vendas de mercadorias com suspensão, a Lei 10.925/04 não é norma de eficácia contida, até porque contém todos os elementos necessários (hipóteses de incidência, condições de aplicabilidade e momento da ocorrência do fato gerador). A simples demora por parte da Receita em publicar Instrução Normativa não pode ensejar vacância legal; 4) A IN 636/06 dispôs que seus efeitos retroagiam à publicação da Lei em abril de 2004. A referida IN foi revogada pela IN 660/06 que deixou de informar a retroatividade de seus efeitos. Nem mesmo esta IN veio dispor de forma contrária aos procedimentos adotados. O Sr. Auditor deixou de citar que uma das principais atividades é o comércio de vegetais a granel, o que se constata pelo CNAE das dezenas de filiais comerciais espalhadas pelo Brasil; 5) Com relação ao item Outras Receitas Operacionais, as alegações fiscais maculam a segurança jurídica, vez que não existem demonstrações do que fora supostamente encontrado. Na conta 388130 consta no mês de abril de 2005 a adição feita pela autoridade no montante de R$ 4.848.139,96, sendo que a parte relativa à referida conta representa R$ 4.520.085,81; 6) A conta 381020 considerada pelo fiscal como outras receitas operacionais a tributar se refere a faturamento de serviços tendo sido tributada normalmente pela manifestante. Para comprovar, junta todos os lançamentos contábeis feitos nestas contas; 7) Com relação à glosa de créditos calculados sobre bens utilizados como insumos, é importante destacar que, segundo o disposto na legislação brasileira, os insumos incluem todos os itens que são comprados e utilizados intrinsecamente na produção de bens. Alguns dos itens excluídos contrariam até mesmo orientação da Receita Federal, conforme Solução de Consulta 174/2009; 8) O serviço de classificação de mercadorias é absolutamente inerente e imprescindível na aquisição de soja e outros vegetais. Tanto é verdade que existem normas do Ministério da Agricultura que demonstram que não se trata de serviço administrativo; 9) O serviço de tratamento de água e efluentes é inerente ao processo de fabricação de óleo de soja; 10) Como suporte dos serviços adquiridos de pessoa jurídica tais como limpeza e manutenção de máquinas e equipamentos foram apresentadas à fiscalização notas fiscais, contratos e relatórios detalhados; Fl. 3389DF CARF MF 6 11) A unidade de Santos localiza-se no porto e contrata serviços de despachantes aduaneiros, de controle de qualidade e inspeção, como insumo para que possa realizar a prestação de serviços a terceiros. Existe uma racionalização dos cálculos dos créditos, ao realizar o rateio dos embarques, que passa a juntar pela presente. O mesmo ocorre na unidade em Vitória; 12) Com relação às despesas com aluguéis de prédios é importante destacar que os valores constantes da DACON são os corretos e seu suporte são os contratos com a CODESP; 13) Foram glosados os valores referentes à depreciação de vagões adquiridos para transporte de farelo de produção da manifestante, portanto o uso das máquinas é intrínseco às atividades de produção e ao seu escoamento devendo ser mantido; 14) Tal qual constam das planilhas de apuração da regional Uberlândia e dos bancos de dados fornecidos pela empresa, os cálculos foram feitos tão somente sobre as notas de remessas 1.922 e não duplamente como afirmado, o que se comprova pelos relatórios e bancos de dados juntados ao presente. O crédito calculado pela manifestante foi de 35% e não 80%; 15) A autoridade fiscal desconsiderou os saldos credores de períodos anteriores constantes da DACON e passou a fazer a apuração por mês isoladamente, contrariando as disposições da Lei e da IN 600/05; 16) Tendo a manifestante direito a utilizar a Cofins paga nas entradas de insumos para abater débito de Cofins pelas saídas tributadas, cuidou de corretamente fazer tal dedução, de maneira a preservar os créditos relativos à exportação, para que estes valores pudessem ser objeto de pedido de compensação; 17) O Conselho de Contribuintes tem proferido reiteradas decisões no sentido de que a verdade material deve prevalecer em todo o processo administrativo; 18) A autoridade administrativa tem total liberdade investigativa, devendo apurar e lançar exclusivamente com base na verdade material. Se os elementos probatórios não foram examinados anteriormente, os mesmos não podem deixar de ser considerados por ocasião do exame da manifestação de Inconformidade; 19) O agente fiscal, ao proferir o Despacho Decisório, entendeu como devida a multa de mora, que deve ser excluída, por não haver qualquer ilícito tributário que justifique a sua imputação, já que a manifestante não agiu com má-fé, baseando-se o seu pedido de ressarcimento em direito amparado na legislação federal (art. 6° da Lei n° 10.833/03); 20) O legislador infraconstitucional estabeleceu, tanto na Lei 10.637/02 quanto na Lei 10.833/03 que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes; 21) O entendimento da SRF sobre o tema fica claro em seu sítio na internet e na Solução de Consulta 215/09 da SRRF da 9a Região Fiscal. Assim, o tratamento dispensado pelo Agente Fiscal destoa dos princípios basilares da não-cumulatividade e da própria legislação aplicável; 22) O novo ordenamento jurídico imposto pela IN SRF 660/06 não tem razão de ser, uma vez que contradiz estrutura lógica disposta anteriormente de maneira clara pela IN SRF 636/06 de forma a revogá-la expressamente, sem nenhuma mudança na obrigação principal, em afronta aos princípios da segurança jurídica e da legalidade; 23) É equivocada a interpretação restritiva oficial manifestada no art. 66 § 5o, inciso I da IN SRF 247/02, inserido pela IN SRF 358/03 e repetida no art. 8o, § 4o, inciso I da IN SRF 404/04. Essa interpretação está influenciada pelo conceito de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que geram créditos de IPI e ICMS. A afirmação das normas infralegais citadas não encontram respaldo legal. Fl. 3390DF CARF MF Processo nº 11543.001948/2006-65 Acórdão n.º 3302-004.650 S3-C3T2 Fl. 3.388 7 Na sessão realizada em 28/09/2010, a então 5a Turma da DRJ/RJ2 (atual 17a Turma da DRJ/RJ1) decidiu, por meio do Acórdão 13-31.539 (fls. 750 e seguintes), julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformada com a decisão, a contribuinte interessada interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF alegando, em sede preliminar, a nulidade da decisão da DRJ, por ter sido indeferido o pedido de prova pericial e, ao mesmo tempo, indeferido diversos pedidos da recorrente sob o fundamento de insuficiência de provas. No mérito, contestou os ajustes promovidos no Parecer SEORT. A 2a Turma Ordinária da 2a Câmara do CARF proferiu o Acórdão 3202- 000.755, de 22/05/2013 (fls. 1363 e seguintes), acolhendo a preliminar suscitada e declarando a nulidade da decisão de primeira instância. A seguir transcreve-se a ementa e a conclusão expressa no voto: PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. Caracteriza cerceamento de defesa acórdão que indefere a produção de provas adicionais, formulada pela contribuinte, e, ao mesmo tempo, nega procedência do pedido sob o fundamento de insuficiência de provas. Processo anulado a partir do acórdão recorrido. VOTO (...) Nesse contexto, entendo que o acórdão recorrido cerceou o direito de defesa da recorrente, pois é necessário dirimir (i) a natureza dos valores registrados nas contas 381020, 39602, 388130, 304530 da contabilidade da autuada; (ii) os serviços portuários prestados a terceiros ou não; (iii) a duplicidade ou não dos cálculos do crédito presumido; e (iv) a diferença dos valores gastos com aluguéis de prédios. Assim, acolho a preliminar de nulidade suscitada para anular o acórdão recorrido por cerceamento de defesa. Em seguida, o processo retornou à Delegacia Regional para novo julgamento. Naquela assentada, a turma julgadora não reconheceu o argumento sobre a indispensabilidade da perícia requerida, já que o entendimento do relator, e partilhado pelos demais componentes, é que: "Não é cabível a perícia que tem por finalidade o simples reexame do pedido de ressarcimento/compensação quando a verificação da liquidez e certeza do crédito pleiteado já foi regularmente realizada pela autoridade competente, mas que resultou em decisão não inteiramente satisfatória ao contribuinte". Quanto ao mérito, a 17ª Turma da DRJ/RJ deu parcial provimento ao recurso, ao concluir que: Fl. 3391DF CARF MF 8 1) Sobre as vendas de mercadorias com suspensão: A contribuinte não se enquadra no conceito de cerealista e, por conseguinte, não faz jus à hipótese de suspensão do PIS/Cofins prevista no art. 9º da Lei n. 10.925/2004. Ademais, aquela turma ponderou que, apesar de estar consignado no §2º do já mencionado art. 9º a previsão da suspensão, no período dos fatos sob litígio ainda não existia a regulamentação indispensável para a fruição desse benefício2, o que torna correta a inclusão na base de cálculo das contribuições devidas o montante que estaria suspenso; 2) Outras receitas operacionais: afastou da autuação os valores correspondentes a Conta n. 411550 - Desconto na Compra de Matéria Prima3, a Conta n. 396020 - Receita Industrial. Mistura4; a Conta n. 381020 - Receitas Serviços Safra5; e também aqueles relacionados a Conta 388130 - Distribuição de Desp. com Exportação; 3) Bens considerados como insumos: * Foram mantidas as glosas sobre as (i) Despesas com classificação; (ii) Manutenção/conservação/limpeza de máquinas e equipamentos; (iii) serv. utiliz. insumo nas atividades portuárias de Santos e Vitória; (iv) aluguéis de prédios (porque já teriam sido apropriados no ítem "Tabela I, II, Condomínio Portuário, Movimentação, Classificação, Água CODESP"); (v) Encargos de depreciação de máquinas e equipamentos; (vi) Bens utilizados como insumos - crédito presumido (por ausência de provas). 2 É a lógica perfilhada por aquela turma: "De fato a suspensão do PIS e da COFINS nas venda efetuadas por pessoas jurídicas que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos do artigo 9o da Lei 10.925/2004 somente foi regulamentada pela IN SRF n° 636/06 (24/3/2006), publicada no DOU de 4/4/2006, posteriormente revogada pela IN SRF n° 660/06 (17/7/2006), publicada no DOU de 25/7/2006, aplicando-se em relação às operações praticadas a partir de 4/4/2006, conforme previsto no artigo 11 da IN SRF n° 660/2006". 3 Motivo: "Os elementos anexados aos autos não permitem estabelecer com precisão qual a origem dos descontos cujos valores são registrados na conta contábil em análise. Tratando-se de desconto financeiro, como afirma a interessada, os valores contabilizados representam receita financeira e, como tal, estão sujeitos à alíquota zero do PIS e da Cofins não-cumulativos. Na hipótese de se tratar de desconto comercial, a inclusão na base de cálculo da Cofins também é indevida. Caberia à autoridade fiscal que proferiu o Parecer verificar se na apuração dos créditos do regime não-cumulativo da Cofins a contribuinte computou os valores brutos decorrentes da aquisição de insumos/mercadorias, ou os valores líquidos, com a redução dos descontos incondicionais obtidos e, na hipótese de constatar qualquer irregularidade, promover a glosa do crédito apurado indevidamente". 4 Motivo: "No Razão da conta (fls. 1035 e ss) é possível confirmar que os lançamentos efetuados no mês de maio foram todos vinculados à unidade 1207, que corresponde à filial Catalão, conforme relação de códigos apresentada à fiscalização em fl. 83. Na planilha de apuração individualizada, anexa à fl. 135, verifica-se que o valor citado, contabilizado em maio, foi, de fato, incluído na composição da base de cálculo da Cofins e do PIS na unidade Catalão, na linha correspondente a "receita na prestação de serviço no mercado interno". A base de cálculo da COFINS aí apurada (R$ 59.598,49) foi transportada para a Planilha Consolidada por Regional em fl. 1042. Por sua vez, o somatório das bases de cálculo apuradas individualmente nas diversas unidades foi indicado na Planilha de Apuração em fl. 85, utilizada como base para a apuração fiscal.A mesma situação ocorre no mês de junho, conforme se verifica na planilha da filial Catalão em fl. 174, em conjunto com o Razão e as já citadas planilha consolidada por regional (fl. 1042) e planilha de apuração (fl. 85), onde se observa que a receita no valor de R$ 80.608,41 registrado na referida conta compôs a base de cálculo do período sujeitando-se à incidência da COFINS". 5 Motivo: "Nas planilhas de apuração das unidades Passo Fundo e Três Passos (fls. 1015 e 1017) constata-se que os valores acima mencionados foram incluídos na base de cálculo da COFINS, na linha correspondente a Receita da Prestação de Serviços no Mercado Interno. As bases de cálculo apuradas individualmente por estas filiais (respectivamente R$ 3.626,17 e R$ 3.940.693,69) foram transportadas para a Planilha Consolidada por Regional (fl. 1014) e o somatório das bases de cálculo individuais, por sua vez, foi inserido na Planilha de Apuração utilizada pela autoridade fiscal como base para a conferência do crédito a compensar". Fl. 3392DF CARF MF Processo nº 11543.001948/2006-65 Acórdão n.º 3302-004.650 S3-C3T2 Fl. 3.389 9 * A instância de origem também considerou acertado o procedimento adotado pela autoridade fsical que desconsiderou o saldo remanescente de créditos informados no DACON relativo ao trimestre anterior, porque não foi apresentado pedido de ressarcimento específico e formalizado para o referido período, o que estaria em descordo com a IN 600/2005. 4) Multa de mora: * A instância de origem não chegou a apreciar o pedido de exclusão da multa de mora, já que este pedido refere-se à exigência da Administração dos débitos remanescentes cuja compensação não foi homologada, consolidada na Carta-Cobrança de fls. 455/457, formulada após o pronunciamento pela improcedência parcial das compensações declaradas pela contribuinte. Aquele Colegiado entendeu, pois, que tal matéria é estranha à decisão recorrida, o que ensejou o silêncio sobre este tema no acórdão. O acórdão acima descrito recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 VENDAS COM SUSPENSÃO. ARTIGO 9° DA LEI 10.225/2004. APLICAÇÃO. A suspensão da exigibilidade da Cofins prevista no artigo 9o da Lei 10.225/2004 só se aplica a partir de 4 de abril de 2006, após a sua regulamentação pela Instrução Normativa SRF 636/2006, posteriormente revogada pela Instrução Normativa SRF 660/2006. COFINS NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da não-cumulatividade, consideram-se insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. ALUGUÉIS DE PRÉDIOS. COMPROVAÇÃO. Os créditos calculados em relação a despesas com aluguéis de prédios devem ser comprovados através de contratos, faturas ou comprovantes de pagamento. AVISO DE COBRANÇA. DRJ. INCOMPETÊNCIA. Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ) apreciar recurso do contribuinte de caráter impugnatório a avisos ou cartas de cobrança. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE PERÍCIA - INDEFERIMENTO. Fl. 3393DF CARF MF 10 A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá o pedido de perícia que considerar prescindível ou impraticável, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É do sujeito passivo o ônus de reunir e apresentar conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido, sem o que não pode ser homologada a compensação efetuada. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Interposto recurso voluntário (fls. 1411/1465), os autos do processo administrativo em tela ascenderam a este Conselho. Em 19/03/2014, a 2ª Turma da 2ª Câmara desta 3ª Seção de julgamentos converteu novamente o julgamento do recurso voluntário em diligência, para que tanto a contribuinte quanto a instância preparadora atendesse aos seguintes quesitos: a) trazer a documentação, relativa à conta 411550, que prove a natureza do desconto comercial ou incondicional (feito na própria nota fiscal) de desconto condicional ou financeiro (pagamentos antecipados); b) informar a atividade de cada filial e da matriz da empresa, destacando quais praticam a atividade de ceralista; c) explicar e contextualizar, em seu processo produtivo (individualizado a atividade de cada filial), a utilização do insumo do bem ou serviço, cujo crédito foi glosado, esmiuçando item a item a essencialidade dos mesmos para atividade fim da empresa; d) confirmar se, embora se refiram a despesas com aluguel de máquinas e equipamentos, passíveis de gerar créditos de COFINS, esses valores já foram computados em item específico na planilha utilizada para mesma filial da empresa, o que tornaria incabível a sua inclusão no campo destinado a aluguéis de prédios; e) apresentar documentação referente à prestação de serviços portuários prestados a terceiros; f) apresentar documentação referente à duplicidade de utilização do crédito presumido; g) apresentar toda documentação que entenda necessária para contrapor as razões utilizadas pela DRJ para negar o ressarcimento. Em resposta a Resolução n. 3202-000.355, foi acostado aos autos o Termo de Encerramento de Diligência (fls. 3075/3085), o qual foi objeto da manifestação da contribuinte acostada às folhas 3091/3105. Em 26/06/2017 foi solicitada a juntada de petição subscrita pela contribuinte, onde são prestados os derradeiros esclarecimentos sobre seus argumentos de defesa (fls. 3256/3263). Devidamente instruído, os autos retornaram a este Conselho para a continuidade do julgamento. Fl. 3394DF CARF MF Processo nº 11543.001948/2006-65 Acórdão n.º 3302-004.650 S3-C3T2 Fl. 3.390 11 Em 27/06/2017 a contribuinte recorrente trouxe aos autos memorial (fls. 3278/3293), oportunidade na qual repisa os argumentos de defesa e acrescenta os esclarecimentos fáticos que entende indispensáveis para o julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Lenisa Rodrigues Prado 1. TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A contribuinte tomou conhecimento sobre o teor do Acórdão n.12-63-117 (fls. 1373/1404) proferido pela 17ª Turma da Delegacia Regional de Julgamentos no Rio de Janeiro em 26/02/2014 (quarta-feira), às 17h24, pela abertura dos documentos disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal E-CAC)6. Consta na petição do recurso voluntário carimbo em que está consignada a data de 27/03/2014 pelo recebimento da peça na DERAT/CAC Paulista, o que confere a tempestividade indispensável do apelo, já que o prazo fatal para sua propositura findar-se-ia em 28/03/2014, sexta-feira. Presentes os pressupostos extrínsecos de conhecimento do apelo, é de rigor a submissão de suas razões a este Colegiado. 2. PRELIMINARES. SOBRE A SUPERFICIALIDADE DO TRABALHO FISCAL. OFENSA AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DA NULIDADE DA DECISÃO DRJ. SOBRE O CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A contribuinte se insurge contra a inércia do auditor fiscal em verificar se os créditos apurados pelo contribuinte efetivamente existem. Defende que ao proceder ao lançamento com base em análises superficiais das planilhas de apuração da COFINS, a autoridade causou evidente prejuízo a contribuinte. E que a averiguação mais detalhada é resultado direto do Princípio da Verdade Material, ao qual toda esfera administrativa deve obediência. Reitera que o indeferimento do seu pedido de perícia, aliado ao argumento de insubsistência de provas, configura o cerceamento ao direito de defesa, o que implica a decretação de nulidade da decisão recorrida. Em que pese os argumentos apresentados pela recorrente, na hipótese dos autos não vislumbro o prejuízo ao direito de defesa da contribuinte, já que os autos do processo contam com dois relatórios de diligências oportunamente demandadas para a produção de provas. É importante consignar que nas duas remessas dos autos à autoridade preparadora, foi conferido o direito ao contribuinte para que, caso entendesse por necessário, apresentassem provas (ainda que inéditas no processos) e se manifestasse sobre a conclusão ofertada pela autoridade fiscal. Percebe-se, portanto, que caso tenha existido alguma falha na apreciação das provas pela autoridade fiscal, tal mácula foi aperfeiçoada ao longo da tramitação do processo. 6 Informações insertas no Termo de Abertura de Documento à folha 1408 dos autos eletrônicos. Fl. 3395DF CARF MF 12 Desse modo, por não vislumbrar a nulidade aventada, nego provimento às preliminares argüidas pela recorrente. 3. MÉRITO. 3.1. DAS VENDAS DE MERCADORIAS COM SUSPENSÃO. AUTO-APLICABILIDADE DA LEI N. 10.925/2004. A contribuinte aduz que o órgão de julgamento, indevidamente, desconsiderou possibilidade de auto-aplicabilidade da Lei n.10.925/2004, "que ao determinar a suspensão da incidência da COFINS sobre a venda dos produtos previstos na norma, não criou uma faculdade, mas sim uma obrigação". Por não se tratar de faculdade, mas de obrigatoriedade, o texto da lei deve ser considerado impositivo, o que não permite que o contribuinte agisse de forma diversa àquela prevista na norma. Sendo a lei auto-aplicável, não há alternativas à sua aplicação. Se não fosse assim, alega a contribuinte: "a IN SRF n. 636, de 24 de março de 2006, não teria retroagido os seus efeitos aos fatos ocorridos a partir de 1º de agosto de 2004. Ora, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil reconheceu e corroborou a auto-aplicação do dispositivo contido na Lei n. 10.925/04, ao retroagir os seus efeitos para a data de sua publicação". Esclarece ainda que: "Posteriormente, em 24 de julho de 2006, foi publicada a IN SRF n. 660, a qual restringiu a eficácia da não incidência da COFINS para as vendas ocorridas a partir daquela data (retificando, inclusive, o disposto na IN SRF n. 636/06). Contudo, nem a IN SRF n. 636/06, tampouco a IN SRF n. 660/06, afetaram a auto-aplicabilidade da Lei n. 10.925/04, no que tange à suspensão da incidência da COFINS sobre as vendas realizadas nos termos em que especifica" (fls. 1424/1425 - grifos no original). Em caráter contraposto, a contribuinte argumenta que, caso não se entenda pela auto-aplicabilidade da Lei n. 10.925/04, especificamente no que concerne a suspensão prevista no art. 9º, será necessário recompor o saldo de seus créditos, já que "o não reconhecimento da suspensão tem reflexo direto no saldo de créditos presumidos; este depende daquele ou, ainda, sem a suspensão, não haverá o reconhecimento dos créditos presumidos" (fl. 1429). E, sobre este tópico, assim conclui: "Portanto, se afastada a suspensão, pelo não reconhecimento da auto-aplicabilidade da Lei n. 10.925/04, deverá ser confirmado o direito da Recorrente de reconhecer os créditos ordinários de COFINS decorrentes da aquisição de mercadorias de pessoas jurídicas e cooperativas, nos termos do art. 3º, da Lei n. 10.637/2002 e art. 3º da Lei n. 10.833/2003. Neste caso, o reconhecimento dos créditos ordinários nada mais é que garantir a não-cumulatividade prevista na legislação da Fl. 3396DF CARF MF Processo nº 11543.001948/2006-65 Acórdão n.º 3302-004.650 S3-C3T2 Fl. 3.391 13 COFINS. Trata-se de preservação do intuito legislativo da não- cumulatividade aplicável à COFINS" (fl. 1429). A questão sobre a qual nos debruçamos diz respeito a aplicação temporal da Lei n. 10.925/2004, que trás em seu bojo a seguinte redação: Art. 8º. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2,3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23 (...)todos da NCM, destinados à alimentação humana e animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis n. 10.637, de 20 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Art. 9º. A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa na hipótese de venda dos produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 09.01, 10.01 a 10.08, 12.01 e 18.01, todos da NCM, efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. Art. 17. Produz efeitos: III - a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei. E da mesma forma estão registradas a Lei n. 11.051, de 29 de dezembro de 2004, bem como a Instrução Normativa SRF n. 636, de 24 de março de 2006: Art. 29. Os artigos 1º, 8º, 9º e 15 da Lei n. 10.925, de 23 de julho de 2004, passam a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 9º. A incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa no caso de venda: I - de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; III - de insumos destinados à produção de mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. Fl. 3397DF CARF MF 14 Art. 34. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, em relação: II - aos arts. 9º, 10 e 11 a partir do 1º dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao de sua publicação; III - aos demais artigos, a partir da data de sua publicação. IN SRF 636/2006 Art.2º. Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) incidentes sobre a receita bruta decorente da venda: I - efetuada por cerealista, de produtos in natura de origem vegetal classificados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) sob os códigos: (...) Art. 5º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. De forma um tanto inusitada, foi publicada a IN SRF 660, em 17 de julho de 2006, de que revogou a IN SRF 636, onde consta a esdrúxula ressalva que: Art. 11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I - em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa n. 636, de 4 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei n. 10.025/2004. Oportunamente, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o Recurso Especial n. 1.160.835/RS, definiu que essa ressalva impertinente não pode subsistir no ordenamento jurídico, pelas seguintes razões: "É como se a Receita Federal tivesse, com a IN SRF 660/2006, mudado de idéia e passado a reconhecer o início de eficácia não mais retroativamente, em 1º.8.2004 (como previa o art. 5º da IN SRF 636/2006), mas apenas em 4.4.2006 (data da publicação da IN SRF 636/2006). Esse argumento não pode subsistir. O benefício da suspensão de incidência do PIS/Cofins foi claramente concedido em favor do contribuinte pela Lei n. 11.051, publicada em 30.12.2004, que deu nova redação ao art. 9º, § 2º da Lei n. 10.925/2004. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal (IN SRF 636 e 660 de 2006) não trouxeram inovações significativas em relação à normatização da matéria, restringindo-se a repetir e a detalhar minimamente a norma legal. (...) Fl. 3398DF CARF MF Processo nº 11543.001948/2006-65 Acórdão n.º 3302-004.650 S3-C3T2 Fl. 3.392 15 A posterior revogação da IN SRF 636/2006 pela IN SRF 660/2006 não poderia atingir o ato jurídico perfeito e o direito das contribuintes à fruição do benefício a partir de 1º.8.2004". Ademais, é importante registrar que a Secretaria da Receita Federal, ao dar cumprimento à determinação inserta na Lei n. 10.925/2004 editou a Instrução Normativa SRF n. 636, em 24 de março de 2006, e inseriu em seu artigo 5º a expressa determinação que os efeitos da indigitada IN retroagem a 1º de agosto de 2004. Deste modo, razão assiste a recorrente, motivo pelo qual o recurso, nesse ponto, deve ser provido. 3.2. SOBRE AS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA CONTRIBUINTE. A recorrente se insurge contra o entendimento registrado no acórdão recorrido que, apesar de ser "uma das maiores exportadoras de soja em grãos do país, não se enquadra no conceito de cerealista e, assim, não faria jus ao benefício do crédito presumido em tela" (fl. 1429). Defende que o seu direito em se apropriar do crédito presumido está previsto no inciso I, do artigo 8º da Lei n. 10.925/2004, c/c, inciso I do § 1º do art. 3º da IN SRF n. 660/06. Para esclarecer de vez a sua natureza de cerealista, a recorrente apresenta o conteúdo do art. 2º do seu Estatuto Social - o qual é reproduzido também na descrição de seu CNPJ-, o qual reproduzo: "Art. 2º. O Objeto da Sociedade é: b) comércio, nos mercados interno e externo, de produtos agrícolas, especialmente de grãos vegetais e seus derivados, para consumo humano e animal, de fertilizantes, suas matérias- primas e subprodutos, de defensivos agrícolas e sementes; p) exploração agrícola em terras próprias ou de terceiros" (grifos no original). Para ilustrar que a venda de soja em grãos faz parte de seu objeto social, a contribuinte apresenta um fluxograma de seu processo produtivo (fl. 1432 dos autos eletrônicos): Fl. 3399DF CARF MF 16 Fl. 3400DF CARF MF Processo nº 11543.001948/2006-65 Acórdão n.º 3302-004.650 S3-C3T2 Fl. 3.393 17 As informações disponíveis na rede mundial de computadores7 asseguram que a ADM do Brasil Ltda é empresa do grupo Archer Daniels Midland Company, multinacional que iniciou suas atividades no início do século XX nos Estados Unidos. Sua atuação é diversificada, operando de forma mais significativa no agronegócio, notadamente na produção de fertilizantes e no processamento de produtos agrícolas, com destaque para a soja. Tem filiais em vários estados da federação, integrando um complexo de negócios que envolvem silos, fábricas, unidades comerciais e de prestação de serviços, operando no mercado interno e externo. A matriz é sediada em Vitória/ES, o centro administrativo em São Paulo/ SP, e as unidades produtivas mais expressivas estão localizadas em Rondonópolis/MT, Campo Grande/MS, Uberlândia/MG e Joaçaba/SC. E essa informação é, em que pese a profundidade do relatório de diligência, coerente com as informações prestadas pela autoridade preparadora, como se verifica pela leitura do seguinte trecho: "Ao analisar a documentação apresentada, no tocante à descrição das atividades por filiais, constatamos que as filiais de Campo Grande, Catalão - fert., Correntina, Joaçaba, Porto Alegre, Panorama, Paranaguá, Pederneiras, Rondonópolis, São Paulo, Santos, Santos Comercial, Sta. Maria da Serra, Três Passos, Uberlândia e Vitória não exerceram atividades de 7 Informações disponíveis no sítio eletrônico oficial da contribuinte, localizado no endereço http://www.adm.com/pt-BR/worldwide/brazil/Paginas/default.aspx Fl. 3401DF CARF MF 18 empresas cerealistas, ora porque agiram como indústria ora como revendedoras. A despeito da empresa ter informado que algumas filiais praticaram atividades características de empresas cerealistas, o entendimento adotado pela fiscalização e corroborado pela presente diligência, é de que uma empresa não pode se intitular de empresa cerealista de forma segregada por filiais, mas sim com base na atividade desenvolvida pela empresa como um todo. No presente caso, consideramos a empresa ADM DO BRASIL como uma indústria, muito embora algumas filiais tivessem agido como empresas cerealistas" (fl. 3077 - grifos nossos) A conclusão do fiscal é que a empresa, por ser uma agroindústria, não é ceralista. E, se porventura exerce as atividades próprias dos cerealistas, é somente em algumas filiais, o que não a confere o título de cerealista. Pois bem. Em atenção ao Princípio da Verdade Material, deveria a autoridade fiscal ter cuidado de apontar, cuidadosamente, quais filiais exercem as atividades de cerealistas. Também merece reparos o fato da autoridade exceptuar as indústrias das cerealistas quando, na verdade, a própria Lei n. 10.833/2003 permite a cumulação das duas características em uma única contribuinte (§ 11 do artigo 3º da mencionada lei). Diante da ausência de provas em contrário, e ao apreciar as provas contidas nos autos (em especial os fluxogramas reproduzidos acima) inclino-me a reconhecer como verdadeira a alegação da Recorrente, de que também desenvolve atividades de industrial, como a produção de farelo e óleo de soja, e que boa parte do seu processo produtivo está voltada à venda de soja in natura, após os procedimentos de limpeza, padronização e armazenagem dos grãos, o que a enquadra no conceito de cerealista no aludido artigo 8° da Lei 10.925/2004 e autoriza a tomada de crédito presumido8. Diante disso, restando demonstrada auto-aplicabilidade do artigo 9o da Lei n° 10.925/2004 e que a Recorrente enquadra-se no conceito de cerealista, é de rigor o reconhecimento dos créditos presumidos apurados pela Recorrente. EM TEMPO Em agosto/2017 a contribuinte trouxe aos autos laudo técnico que confirma ser contribuinte enquadrada na definição legal de cerealista (doc. 1) e também petição (fls. 3333/3338), de onde extraio os seguintes trechos: "6. Ora, à luz do artigo 9º, inciso I, do artigo 8º, inciso I, ambos da Lei n. 10.925/2004, bem como do artigo 3º, § 1º , inciso I da Instrução Normativa SRF ('IN SRF') n. 660/06 (vigentes no período objeto do presente processo) tem-se cristalino que a legislação estabelece que a pessoa jurídica tem direito à suspensão de PIS e COFINS sobre as receitas decorrentes da atividade de cerealista. Ou seja, a legislação não determina que a pessoa jurídica, para fins de gozar da mencionada suspensão, 8 Adoto, como fundamentos subsidiários, os elencados nos Acórdãos n. 3402-003.507 e 3402-003.171, decisões colegiadas proferidas nos recursos voluntários subscritos pela ora recorrente - ADM do Brasil S.A. Fl. 3402DF CARF MF Processo nº 11543.001948/2006-65 Acórdão n.º 3302-004.650 S3-C3T2 Fl. 3.394 19 deve exercer exclusiva ou preponderantemente a atividade de ceralista. 7. Assim, caso a pessoa jurídica desenvolva diversas atividades, como é o presente caso, a suspensão da Contribuição ao PIS e à COFINS deve recair apenas sobre as receitas decorrentes da atividade cerealista, e não sobre as receitas decorrentes das demais atividades. 8. Com efeito, a função de cerealista é definida pelo referido artigo 8º, inciso I, da Lei n. 10.925/2004, como aquela que envolva, cumulativamente, '(...) as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal (...)'. A legislação não prevê exclusividade de atividades para caracterização como cerealista. Dessa forma, poderia a Recorrente realizar atividade industrial sem prejuízo de sua caracterização como cerealista, nos termos da legislação. (...) 11. Inclusive, a própria Fiscalização acabou por reconhecer no Relatório Fiscal que a Recorrente desenvolve atividade de cerealista: 'No presente caso, consideramos a empresa ADM do BRASIL como uma indústria, muito embora algumas filiais tivessem agido como empresas cerealistas'. (...) 13. Não bastasse isso, esse C.Conselho recentemente teve a oportunidade de analisar três casos semelhantes ao processo e, em todos os casos, conclui que a Recorrente se enquadra na definição de cerealista e, portanto, faz jus ao benefício da suspensão prevista no artigo 9º da Lei n. 10.925/2004". 3.3. SOBRE OS CRÉDITOS PRESUMIDOS RELATIVOS À FILIAL DE UBERLÂNDIA. DA LEGITIMIDADE DO PROCEDIMENTO ADOTADO PELA RECORRENTE. A recorrente afirma que a documentação acostada aos autos confirma o equívoco da manifestação da autoridade fiscal, que considerou que a contribuinte teria se aproveitado dos créditos presumidos referente à filial de Uberlândia em duplicidade, porque seria feita a sua contabilização tanto no momento da compra para recebimento futuro quando também da entrada da mercadoria em seus estabelecimentos. Esclarece que basta a análise dos Livros Razão e dos Livros de Entradas e Saídas da Filial Uberlândia para confirmar que não só não teve lançamentos, para fins de apuração do crédito previsto no art. 8º da Lei n. 10.925/04, de compras registradas sob o CFOP 11169, como também excluiu, para fins de cálculo do aludido crédito, todas as compras efetuadas sob o CFOP n. 192210. 9 Corresponde às Compras de Mercadorias a Serem Utilizadas em Processo de Industrialização ou Produção Rural. 10 Corresponde aos Lançamentos Efetuados a Título de Simples Faturamento Decorrente de Compra para Recebimento Futuro. Fl. 3403DF CARF MF 20 Com efeito, a resposta a diligência ordenada confirma os esclarecimentos prestados pela contribuinte, conforme se verifica do seguinte trecho: "f) apresentar documentação referente à duplicidade de utilização do crédito presumido. Ao analisar o arquivo digital apresentado pela empresa, de fato não há registros de créditos com o CFOP 1116, apenas no CFOP 1922. Neste sentido, não houve lançamento em duplicidade com relação ao crédito presumido" (fl. 3084 - grifos nossos). Deste modo, restando comprovado o equívoco perpetrado pelo fiscal, é de rigor o provimento do recurso no que tange o reconhecimento aos direitos aos créditos presumidos referentes a filial Uberlândia. 3.4. SOBRE A LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS APROPRIADOS PELA RECORRENTE. 3.4.1. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS A recorrente sustenta que a definição de insumos, para fins de apropriação dos créditos submetidos a sistemática não cumulativa, deve ser entendido de forma mais abrangente que aquele previsto na legislação do IPI, englobando todos e quaisquer dispêndios ligados ao processo produtivo e, assim, à obtenção de receita. Seria, ao seu ver, "todo e qualquer dispêndio essencial ao processo produtivo, relacionado à formação de receita" (fl. 1442). Sobre a questão, é pacífico o entendimento deste Conselho11 no sentido que não se aplica, para apuração do insumo de PIS ou COFINS não cumulativos (previstos nos art. 3º das Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003) o critério estabelecido para insumos do sistema não cumulativo de IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma, não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. Por outro giro, também não se aplica o conceito específico do imposto de renda que define custo e despesas necessárias. Isso porque os sistema da não cumulatividade do IPI se diferencia do sistema do PIS/COFINS, na medida em que no IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (inciso II, do § 3º do art. 153 da CF/88), enquanto no PIS/COFINS a técnica é de base contra base (§ 12, do art. 195 da CF/88 c/c com o § 1º dos arts. 2º e 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003). É no mesmo sentido a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que confirma que a "a conceituação de insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados -IPI, posto que excessivamente restritiva" (RESP n. 1.246.317/MG, relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 29/06/2015). O Parecer Normativo CST n. 65/79 consigna a interpretação adotada pela Fazenda Nacional que, para que sejam gerados créditos de IPI, o produto intermediário deve 11 Sobre o tema adoto os fundamentos contidos no Acórdão n. 3302-002.260, este proferido no julgamento do recurso voluntário interposto pela Sucocítrico Cutrale Ltda, nos autos do Processo Administrativo n. 12893.000208/2007-85, sob a relatoria da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas. Fl. 3404DF CARF MF Processo nº 11543.001948/2006-65 Acórdão n.º 3302-004.650 S3-C3T2 Fl. 3.395 21 assemelhar-se à matéria-prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. A partir dessa premissa é certo afirmar que para se apropriar de créditos oriundos dos produtos intermediários, esse que não se incorpora ao produto final, é imprescindível que este sofra desgaste ou alteração em suas propriedades químicas ou físicas quando em contato direto com o produto em sua fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS, os eventos que dão direito à apuração do crédito estão citados no art. 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, onde se percebe que houve uma ampliação das hipóteses que conferem créditos em relação àquelas previstas na legislação do IPI. Conclui-se, da leitura dos dispositivos mencionados, que a diferença entre os regimes jurídicos do IPI e das contribuições PIS/COFINS não cumulativas está que no IPI o direito a crédito vincula-se ao produto industrializado, já no âmbito nas contribuições está relacionados ao processo produtivo. Contudo, tal ampliação do conceito de insumo não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Ou seja, para o regime não cumulativo das contribuições PIS/COFINS, adota-se o conteúdo semântico de insumos mais amplo do que aquele previsto na legislação que rege o IPI, porém mais restrito do que aquele previsto nas normas do Imposto de Renda, abrangendo os bens e serviços que não sendo expressamente vedados em lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o produto ou serviço desejado. Como visto, o conceito de insumo para o sistema não cumulativo do PIS e da COFINS é próprio, sendo que deve ser considerado insumo aquele que for utilizado direta ou indiretamente pelo contribuinte na produção/fabricação de produtos/serviços; for indispensável para a formação do produto/serviço final e for relacionado ao objeto social do contribuinte. Em virtude dessas especificidades, os créditos oriundos dos insumos postulados no recurso voluntário devem ser analisados individualmente. Portanto, a analise pormenorizada sobre cada um dos insumos é indispensável para a solução da lide. A) INDUMENTÁRIA E ITENS DE USO OBRIGATÓRIO - A recorrente defende que esses itens são obrigatórios diante das exigências feitas pelas Autoridades Sanitárias e Regulatórias. Por isso não devem ser mantidas as glosas sobre os bens como botas de segurança, luvas de segurança, chapéus, capacetes de segurança, máscaras respirador descartáveis, toucas, aventais, óculos e segurança. Adoto como fundamentos específicos aqueles apresentados pelo Ministro Mauro Campbell Marques ao julgar recurso que trata sobre matéria similar a que aqui está submetida a julgamento: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. Fl. 3405DF CARF MF 22 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO- CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. (...) 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art.3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda - IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n.10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornando-os impróprios para o consumo. Assim, impõe-se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015 - grifos nossos) Diante do exposto, considero que conferem direito a crédito os valores despendido para aquisição de indumentárias e itens de uso obrigatório pela recorrente. B) DISPÊNDIOS COM CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS - Sobre esse serviço, a recorrente transcreve trecho da decisão recorrida onde consta que "embora imprescindível, não se enquadra no conceito de insumo definido na legislação já citada, uma vez que não é diretamente aplicado no processo produtivo da empresa". Afirma que esse serviço é Fl. 3406DF CARF MF Processo nº 11543.001948/2006-65 Acórdão n.º 3302-004.650 S3-C3T2 Fl. 3.396 23 indispensável, já que a classificação da soja no Grupo I ou no Grupo II implica na destinação desse produto (se para o consumo ou se para a produção de óleo e farelo de soja). A leitura dos dispositivos que integram a IN MAPA n. 11/2007, chega-se a conclusão que a atividade de classificação da soja é inerente a atividade econômica da contribuinte, indispensável para a produção de suas mercadorias e também deve ser feita de acordo com a rígida estandardização determinada pelo Ministério da Agricultura. Caso o serviço de padronização não seja realizado pela contribuinte, não poderá produzir ou comercializar soja e seus derivados. Por esse motivo, entendo que os dispêndios incorridos com o serviço de classificação de soja geram os créditos reclamados. C) ENCARGOS E DEPRECIAÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS - A contribuinte se insurge contra a decisão da autoridade fiscal que concluiu que "os créditos calculados sobre os encargos de depreciação de vagões adquiridos em 2004, utilizados no transporte de mercadorias/insumos" não geraria o crédito reclamado. Aduz como fundamento para sua manifestação o conteúdo do inciso VI do art. 3º da Lei n. 10.833/2003, verbis: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços". Não há o que divergir do posicionamento adotado pelo fiscal. No que concerne a apropriação dos custos decorrentes da depreciação de bens do ativo imobilizado os incisos IV, do art. 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 restringem o direito às hipóteses dos bens aplicados diretamente na produção, o que o próprio contribuinte reconhece não ser o caso : " Na linha de todo o exposto acima, a Recorrente reforça que o transporte dos produtos da fábrica para o porto é absolutamente essencial às suas atividades fabris, de forma que a depreciação dos vagões deve dar direito a crédito do PIS e da COFINS. Deve-se ressaltar que o art. 3º, inciso IX, da Lei n. 10.833/2004 prevê a geração de créditos sobre fretes de produtos acabados. Assim, se o pagamento a terceiros de frete gera direito a crédito, não há porque negar o crédito da depreciação de vagão que faz exatamente a mesma função que um transportador terceirizado" "Os créditos com encargos de depreciação de máquinas e equipamentos dizem respeito aos vagões utilizados pela Requerente em seu processo produtivo. Nesse sentido, reitera-se que os vagões são utilizados para transportar a soja e os demais produtos das unidades produtoras da Recorrente até os portos, com a finalidade de exportação, etapa final do processo produtivo. Com efeito, as mercadorias produzidas na filial Rondonópolis são enviadas, via Ferronorte, ao porto de Santos, para serem exportados, não havendo se falar em ausência de relação de tais vagões com a atividade produtiva da Recorrente". (memorial de fls. 3278/3293) Fl. 3407DF CARF MF 24 Diante de expressa previsão legal, é de se manter as glosas sobre os créditos sobre a depreciação de vagões (bens do ativo imobilizado). D) GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS - A recorrente sustenta que os serviços com gerenciamento de resíduos, registrados como "material de limpeza", "locação de caçambas", "remoção de lixo para o aterro sanitário", integram o processo produtivo e estão diretamente relacionados à geração de receitas, o que os tornam geradores de créditos. No memorial acostado aos autos em 27/6/2017 a recorrente esclarece que "todos os resíduos gerados no processo produtivo precisam ter a destinação específica, seja porque a legislação sanitária assim determina, seja porque seria inviável a continuação do processo produtivo sem a eliminação desses elementos". Apesar da vasta argumentação, não há nos autos provas que evidenciem a essencialidade dos serviços elencados sob este tópico. Assim, por absoluta ausência de provas, não é possível que o julgador correlacione os materiais glosados com as formas pelas quais são utilizados no processo produtivo. Compete ao contribuinte o ônus de comprovar o direito alegado aos créditos reclamados, apresentando as provas e fatos que demonstrem a existência do direito creditório reclamado, aptos a ensejar a modificação do que restou lavrado no acórdão recorrido. Inexistindo nos autos a comprovação do direito, há que se manter as glosas realizadas pela autoridade fiscalizadora. E) ENERGIA ELÉTRICA - A contribuinte afirma que estão nos autos todos os documentos necessários para comprovar e quantificar o seu direito ao crédito decorrente de gastos com energia elétrica (Notas Fiscais, Livro Razão, Demonstrativo do Reconhecimento do Crédito de PIS/COFINS Energia Elétrica), nos moldes estipulados no inciso III do art. 3º da Lei n. 10.833/2003. Com efeito, o inciso IX do art. 3º da Lei n. 10.637/2002, bem como o inciso III do art. 3º da Lei n. 10.833/2003 permitem o desconto de crédito de PIS e COFINS calculados sobre a energia elétrica consumida nos estabelecimentos de pessoas jurídicas. Dessa maneira, entendo que a autoridade fiscal deverá restabelecer a glosa efetuada sobre os créditos decorrentes de dispêndio com energia elétrica. F) ALUGUÉIS DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS - A recorrente também se manifesta contrária a decisão que indeferiu a apropriação desses créditos porque teriam sido contabilizados em item específico na planilha. Aduz que o mero erro formal não pode obstar seus direitos. A contribuinte sustenta que em junho/2005 todos os seus dispêndios relacionados aos aluguéis pagos para pessoa jurídica e utilizados nas atividades desenvolvidas na filial Santos corresponderam ao total de R$ 306.930,48. Nesse montante também está os valores incorridos pelos aluguéis de máquinas e equipamentos. A glosa foi justificada porque tal apropriação teria decorrido de escrita equivocada (mero erro formal) e porque estariam incluídos os custos com o manuseamento das máquinas e equipamentos locados. No curso da diligência determinada, a ora Recorrente apresentou planilhas em que foram registradas a apuração de COFINS nos meses de abril, maio e junho de 2005 em relação à filial de Santos, bem como as planilhas de controle dos dispêndios relativos aos Fl. 3408DF CARF MF Processo nº 11543.001948/2006-65 Acórdão n.º 3302-004.650 S3-C3T2 Fl. 3.397 25 aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos. Aduz que os documentos acostados às folhas 3.016 a 3.073 dos autos eletrônicos demonstram que os créditos referentes a estes custos foram apropriados uma única vez. A recorrente afirma que os créditos relativos aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos estão contabilmente alocados nas contas 522010, 514200-506, 514210-501. Porém, a autoridade preparadora, ao responder a diligência ordenada por este Conselho assim se manifestou: "No entanto, a duplicidade também não foi comprovada pela empresa, visto que a mesma não apresentou as contas 514200- 501/2/4/5.516120, as quais teriam o condão de comprovar a duplicidade dos lançamentos por ventura ocorrida. E nas contas 514200-506 e 514210-503 foram informadas despesas referentes à locação da área da Tabela II, justamente um item específico do Demonstrativo de créditos, o que suscitaria o creditamento em duplicidade. A empresa alega que a prova negativa de que não foram tomados créditos em duplicidade somente pode ser produzida com a prova positiva de que os créditos foram apropriados uma única vez, e que não seria possível juntar todo o suporte de todas as suas contas contábeis. No entanto, deixa de apresentar o Razão das contas em que a própria DRJ suscita que poderia ter havido a duplicidade, que seriam as contas referentes ao item '7. Tabela I, II, Condomínio Portuário, Movimentação, Classificação, Água (CODESP) 514200-501/2/4/5/51620'. (...) Pelas razões aqui expostas, entendo que a empresa não só deixou de comprovar a duplicidade dos créditos apurados, como também reconheceu que tais créditos são inexistentes, na medida em que foram apresentados à presente diligência Demonstrativos de créditos em valores significativamente menor do que foi apresentado durante a fiscalização, sem mencionar que muitos destes créditos não seriam nem passíveis de creditamento, pelo fato de não estarem enquadrados, mais uma vez, no conceito de insumos delineados pela legislação tributária12. Diante da manifestação acima transcrita, conclui-se que não foram carreados aos autos documentos que afastassem a alegada duplicidade dos créditos apurados. Por outro lado, não é possível assentir com a conclusão da autoridade de que não existem créditos passíveis de apropriação porque "foram apresentados à presente diligência Demonstrativos de créditos em valores significativamente menores do que foi apresentado a fiscalização". A única conclusão possível é que a própria contribuinte reconhece ter incorrido em equívoco em suas primeiras manifestações de defesa. Porém, a contribuinte não trouxe aos autos provas suficientes para afastar os fundamentos que resultaram no indeferimento da apropriação dos créditos decorrentes das despesas com aluguel de máquinas e equipamentos. É cediço que a responsabilidade pela 12 O Termo de Diligência informa que foram consideradas despesas geradoras de insumos limpeza e hidrojateamento, locação de toalhas industriais, locação de cadeiras e mesas (fl. 3080). Fl. 3409DF CARF MF 26 produção de provas positivas, aptas a garantir o creditamento reclamado, é da contribuinte, e não da fiscalização, motivo pelo qual entendo que o despacho decisório deve, neste ponto, ser mantido. OBS.: A petição acostada aos autos de folhas 3295/3316, interposta após o protocolo do recurso voluntário e em momento posterior ao início do julgamento do recurso voluntário sob julgamento, não deve ser conhecida pois os argumentos nela contidos estão preclusos. 3.5. DA UTILIZAÇÃO DE SALDO DE CRÉDITO DOS MESES ANTERIORES - Sobre esse tópico, a contribuinte alega que a redação da IN SRF n. 600/05, vigente à época dos fatos, autoriza a utilização dos créditos de COFINS apurados nos meses anteriores na dedução dos débitos da mesma contribuição. Com efeito, os artigos 3º, § 4º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, prevêem a possibilidade de apropriação de crédito de PIS/COFINS em períodos diversos daqueles em que apurados, sem fazer qualquer ressalva ou restrição. Verbis: "Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 4º. O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê- lo nos meses subseqüentes". Desse modo, não existindo qualquer restrição de direito no texto da lei, não se pode admitir que tal restrição seja amparada e validada por atos infra-legais, como defende a autoridade fiscal. Assim, não há como se condicionar o direito de crédito à apresentação de declarações retificadoras, como alega a fiscalização, pois se a lei não fez tal ressalva, não cabe ao administrador, muito menos ao intérprete promover tal restrição. Ademais, o direito reclamado pela recorrente está, por analogia e conseqüência lógica, registrado no verbete n. 84 da Súmula CARF, verbis: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por esses motivos, entendo que deve ser dado provimento ao recurso voluntário para que conste o direito à apropriação dos créditos de COFINS apurados nos meses anteriores na dedução dos débitos da mesma contribuição, desde que existam provas que esses valores não foram apropriados em períodos diversos e estejam aptos a produzir os efeitos pretendidos. 3.6. SOBRE A GLOSA DOS CRÉDITOS DE COFINS E SEUS EFEITOS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - Alega que, se admitido que as despesas geradoras dos créditos da COFINS não constituem insumos, mas "representam despesas necessárias à empresa", tais despesas deveriam ser integralmente dedutíveis para apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL. Sobre esse argumento, adoto as lições apresentadas pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, as quais passo a reproduzir: No recurso voluntário em apreço, em caráter alternativo, alegou a recorrente que, caso esse Colegiado entendesse pela manutenção das glosas efetuadas pela fiscalização e mantidas pela DRJ, o que admitia somente para fins de argumentação, dever-se-ia analisar, mais detidamente, os seus efeitos na Fl. 3410DF CARF MF Processo nº 11543.001948/2006-65 Acórdão n.º 3302-004.650 S3-C3T2 Fl. 3.398 27 apuração de lucro leal e da base de cálculo da CSLL. Especificamente, o que pretende a recorrente é que, esse Colegiado reconheça os efeitos da glosa dos créditos de Cofins na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Para a recorrente, o dispêndio total incorrido com tais eventualmente glosados devia ser integralmente deduzidos, para fins de apuração da base cálculo dos citados tributos, inclusive o montante dos créditos de Cofins glosados. O pleito da recorrente trata de questão que diz a possibilidade de dedução de despesas da base cálculo do IRPJ e da CSLL, a faculdade de escrituração contábil e fiscal dos referidos valores e a dedução dos referidos valores na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL, inequivocamente, matéria completamente estranha à lide. Se a recorrente entende que tais gastos são dedutíveis da base de cálculo dos citados tributos, que ela própria refaça a sua escrituração contábil-fiscal, proceda a nova apuração lucro real e da base de cálculo da CSLL e, se for o caso, retifique as declarações pertinentes entregues à RFB, porém, tal faculdade nada tem a ver com o objeto da presente controvérsia, que se cinge-se à glosa de créditos da Cofins apurados no âmbito do regime não cumulativo. Por essas razões, não se toma conhecimento desse estranho e inoportuno pedido de reconhecimento dos efeitos das glosas dos créditos da Cofins sobre a apuração da base de cálculo. CONCLUSÃO Diante do exposto, rejeito as preliminares argüidas e, no mérito, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário no que concerne (i) as vendas de mercadorias com suspensão; (ii) o direito ao crédito presumido descrito no art. 9º da Lei n. 10.925/2014; (iii) o direito aos créditos presumidos da filial de Uberlândia/MG; (iv) o direito a utilização dos créditos dos meses anteriores. Sobre as glosas questionadas, reconheço o direito ao crédito decorrente das despesas decorrentes de (v) indumentária e itens de uso obrigatório; (vi) dispêndios com classificação de soja, e (vii) energia elétrica. (assinatura digital) Lenisa Rodrigues Prado - Relatora Fl. 3411DF CARF MF 28 Voto Vencedor Conselheiro Walker Araújo, Redator Designado. Peço vênia para discordar do resultado proferido pela i. Relatora em relação a tributação da vendas com suspensão prevista na Lei n. 10.925/2004. Isto porque, a relatora do voto condutor, pelos motivos abaixo, entendeu que tanto a Recorrente como suas filiais se enquadram no conceito de cerealista previsto na Lei nº 10.925/2004, autorizando, assim, a tomada de crédito presumido, a saber: Pois bem. Em atenção ao Princípio da Verdade Material, deveria a autoridade fiscal ter cuidado de apontar, cuidadosamente, quais filiais exercem as atividades de cerealistas. Também merece reparos o fato da autoridade exceptuar as indústrias das cerealistas quando, na verdade, a própria Lei n. 10.833/2003 permite a cumulação das duas características em uma única contribuinte (§ 11 do artigo 3º da mencionada lei). Diante da ausência de provas em contrário, e ao apreciar as provas contidas nos autos (em especial os fluxogramas reproduzidos acima) inclino-me a reconhecer como verdadeira a alegação da Recorrente, de que também desenvolva atividades de industrial, como a produção de farelo e óleo de soja, e que boa parte do seu processo produtivo está voltada à venda de soja in natura, após os procedimentos de limpeza, padronização e armazenagem dos grãos, o que a enquadra no conceito de cerealista no aludido artigo 8° da Lei 10.925/2004 e autoriza a tomada de crédito presumido. Diante disso, restando demonstrada auto-aplicabilidade do artigo 9o da Lei n° 10.925/2004 e que a Recorrente enquadra-se no conceito de cerealista, é de rigor o reconhecimento dos créditos presumidos apurados pela Recorrente. Com todo respeito ao entendimento da i. ilustre relatora, entendo que a fiscalização demonstrou, após análise dos documentos e dados fornecidos pela própria Recorrente, quais empresas (Matriz e Filiais) não exercem atividade de cerealista, conforme se verifica à fl. 3.077, do Termo de Encerramento de Diligência: b) informar a atividade de cada filial e da matriz da empresa, destacando quais praticam a atividade de cerealista; A documentação foi apresentada às fls. 2.834/2.837. No entanto, não foram discriminadas pelo sujeito passivo quais filiais praticaram atividades de empresas cerealistas. Ao analisar a documentação apresentada, no tocante à descrição das atividades por filiais, constatamos que as filiais de Campo Grande, Catalão – fert, Correntina, Joaçaba, Porto Alegre, Panorama, Paranaguá, Pederneiras, Rondonópolis, São Paulo, Santos, Santos Comercial, Sta. Maria da Serra, Três Passos, Uberlândia e Vitória não exerceram atividades de empresas cerealistas, ora porque agiram como indústria ora como revendedoras. A despeito da empresa ter informado que algumas filiais praticaram atividades características de empresas cerealistas, o entendimento adotado pela fiscalização, e corroborado pela presente diligência, é de que uma empresa não pode se intitular de empresa cerealista de forma segregada por filiais, mas sim com base na atividade desenvolvida pela empresa como um todo. No presente caso, consideramos a empresa ADM DO BRASIL como uma indústria, muito embora algumas filiais tivessem agido como empresas cerealistas. Fl. 3412DF CARF MF Processo nº 11543.001948/2006-65 Acórdão n.º 3302-004.650 S3-C3T2 Fl. 3.399 29 Neste cenário, adotando o resultado da diligência de fls. 3.075-3.085, entendo que o lançamento fiscal deve ser mantido somente em relação as empresas indicadas pela fiscalização às fls. 3.077. Por outro lado, o lançamento fiscal em relação as demais empresas não mencionadas pela fiscalização à fl. 3.077 deve ser totalmente afastado, posto que, por critério de exclusão, referidas empresas se enquadram no conceito de cerealista, fazendo, assim, jus ao benefício sob análise. Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para reverter a tributação das vendas com suspensão relativas às filias de fls.2.834-2.837, com exceção daquelas reconhecidas na diligência como industriais ou meras revendedoras, conforme se verifica no termo de encerramento fiscal de fls. 3.075-3.085. É como voto. (assinatura digital) Walker Araujo - Redator Designado Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Com a devida vênia da i. Relatora este Conselheiro apresenta voto divergente em relação à compensação de saldo de créditos de períodos anteriores. De acordo com o referido Parecer Fiscal (fls. 435 e ss.), que serviu de fundamento do questionado Despacho Decisório, o saldo credor de trimestres anteriores informado no Dacon foi desconsiderado, porque tal saldo dependia a formalização de prévio pedido de ressarcimento e declaração de compensação específicos para os respectivos trimestres de apuração, segundo exigia os §§ 8º e 9º do art. 21, combinado com art.. 22, da Instrução Normativa SRF 600/2005, na época vigente, a seguir transcrito: Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3ºda Lei nº10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3ºda Lei nº10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sê-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I - custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; Fl. 3413DF CARF MF 30 II - custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência; ou III - aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3ºe 4ºdo art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1ºde abril de 2005. [...] § 8º A compensação de créditos de que tratam os incisos I e II e o § 4º, efetuada após o encerramento do trimestre-calendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento formalizado de acordo com o art. 22. § 9º O crédito utilizado na compensação deverá estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestre-calendário. Art. 22. Os créditos a que se referem os incisos I e II e o § 4ºdo art. 21, acumulados ao final de cada trimestre-calendário, poderão ser objeto de ressarcimento. § 1º O pedido de ressarcimento a que se refere este artigo será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração (papel) acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. § 2º O pedido de ressarcimento dos créditos acumulados na forma do inciso II e do § 4ºdo art. 21, referente ao saldo credor acumulado no período de 9 de agosto de 2004 até o final do primeiro trimestre-calendário de 2005, somente poderá ser efetuado a partir de 19 de maio de 2005. § 3º Cada pedido de ressarcimento deverá: I - referir-se a um único trimestre-calendário. II - ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação. (grifo não originais) Além de ter utilizado de meio inapropriado, a recorrente utilizou o saldo credor remanescente do trimestre anterior em outra compensação objeto do processo nº 11543.001947/2006-11, conforme relevante esclarecimento extraído do voto condutor julgado recorrido, a seguir transcrito: Neste sentido, é importante registrar que, embora não tenha sido mencionado no Parecer Fiscal, o saldo de crédito relativo ao trimestre anterior (1o trimestre de 2005) foi utilizado pelo sujeito passivo em compensações declaradas e formalizadas no processo administrativo nº 11543.001947/2006-11, analisado pela DRF/Vitória através do Parecer Seort nº 1007/2009, resultando no Despacho Decisório que indeferiu o direito creditório pretendido e não homologou as compensações realizadas. A interessada apresentou sua inconformidade e a então 5ª Turma da DRJ/RJOII decidiu, através do Acórdão 1331.494, de 22/09/2010, julgar parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, com reflexo apenas no crédito tributário lançado de ofício e mantendo o indeferimento do Fl. 3414DF CARF MF Processo nº 11543.001948/2006-65 Acórdão n.º 3302-004.650 S3-C3T2 Fl. 3.400 31 direito creditório requerido. Sendo assim, não há que se falar em saldo de crédito remanescente no trimestre anterior a ser adicionado ao período ora em exame. Por sua vez, no recurso em apreço, a recorrente alegou que a própria IN SRF 600105 (art. 21, caput), vigente à época dos fatos, autorizava a utilização dos créditos de Cofins, apurados em meses anteriores, na dedução dos débitos da mesma contribuição. Apenas se estes créditos não pudessem ser utilizados dessa forma, o sujeito passivo tinha a possibilidade de compensá-los com débitos próprios de outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Diferentemente do que entendeu a recorrente, o referido preceito normativo assegura a dedução de créditos com débitos do mesmo período de apuração. No entanto, se após a referida dedução ainda restar saldo credor, o contribuinte poderá utilizar tal saldo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB. Para esse fim, deverá apresentar prévio pedido ressarcimento por trimestre de apuração, conforme exige o art. 22 da referida IN. Assim, além descumprir a referida exigência, a recorrente utilizou o saldo credor do trimestre anterior em outro procedimento compensatório, integrante do processo nº 11543.001947/2006-11. Porém, em vez de esclarecer ou demonstrar que o referido saldo credor não fora utilizado na citada compensação, a recorrente apresentou o seguinte esclarecimento: 201. Aliás, importante ressaltar que o deslinde do processo administrativo n° 11543.00194712006-11 é irrelevante para que a dedução seja autorizada, pois o efetivo abatimento dos créditos é diferente do reconhecimento da possibilidade de sua utilização. A dedução, portanto, somente será efetuada caso o referido processo seja julgado favoravelmente à Recorrente. Em outras palavras, para a recorrente, a utilização do mesmo saldo credor em diferentes procedimentos de compensação era irrelevante, porque a dedução do referido saldo somente seria efetuada no âmbito do referido processo caso o julgamento fosse-lhe favorável. E com a afirmação de que “o efetivo abatimento dos créditos é diferente do reconhecimento da possibilidade de sua utilização”, a recorrente tenta justificar a sua tentativa de burlar os controles de apuração e utilização de créditos da referida contribuição. Em consulta ao referido processo, na página deste Conselho na internet, verificou-se que o referido processo encontra-se em fase diligência, proposta pelos integrantes da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta 3ª Seção, por meio da Resolução nº 3201-000.647, de 23 de fevereiro de 2016, em que, além de outras informações, foi solicitado que a autoridade fiscal: a) esclareça se os valores declarados como "saldos de créditos do mês anterior" vinculados ao mercado interno foram aproveitados no cálculo da exigência formalizada no processo 15578.000270/200908, apenso a este, ou se foram glosados também em relação ao débito com a contribuição devida; b) informe se os "saldos de créditos do mês anterior" encontram- se analisados em outros processos administrativos e, caso a resposta seja positiva, qual o desfecho que tiveram ou a situação Fl. 3415DF CARF MF 32 em que se encontram estes processos, bem como apresente as informações que entenda auxiliarem no julgamento da lide. Além da indevida inversão do ônus da prova do direito creditório utilizado de forma indevida pela contribuinte, essa informação é a prova inconteste de que a desconsideração dos procedimentos de apuração e utilização dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, regularmente instituídos por atos normativos da RFB, com base em expressa autorização legal, não só facilita como incentiva a apropriação ilegítima do mesmo crédito mais uma vez e ainda proporciona a prorrogação indevida do prazo decadencial do direito de pleitear o ressarcimento ou a compensação do saldo credor apurado ao final de cada trimestre calendário. Este Conselheiro já teve a oportunidade de demonstrar, no voto condutor do acórdão nº 3302-004.119, proferido na Sessão de 26 de abril de 2017, não só a legitimidade dos procedimentos de apuração e de utilização do saldo credor das referidas contribuições, como também as graves implicações que o descumprimento dos procedimentos controle, regularmente instituídos, podem acarretar. Para melhor compreensão, segue transcrito, na íntegra, o referido voto: Previamente, cabe esclarecer que a divergência deste Conselheiro em relação ao bem fundamentado voto proferido pelo nobre Conselheiro Relator cinge-se apenas à questão atinente ao procedimento de compensação de créditos da Cofins, vinculados à operação de exportação, apurados em diferentes trimestres, sem o atendimento da exigência consignada no art. 28, § 2º, I, da Instrução Normativa RFB 900/2008, vigente na data da efetivação do encontro de contas em apreço, o qual, expressamente, determinava que os créditos remanescentes passíveis de ressarcimento, decorrentes do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, vinculados às operações de exportação, somente poderiam ser formulados por trimestre. Para facilitar a compreensão da referida exigência, segue transcrito o citado preceito normativo: Art. 28. O pedido de ressarcimento a que se refere o art. 2713 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração em meio papel acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. 13 "Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestre-calendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: I - às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; ou II - às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não-incidência. § 1º À empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação é vedado apurar créditos vinculados a essas aquisições. § 2º O disposto neste artigo não se aplica a custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação de produtos ou de prestação de serviços, nas hipóteses previstas no art. 8º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. § 3º O disposto no inciso II do caput aplica-se aos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e à Cofins-Importação apurados na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. [...]." Fl. 3416DF CARF MF Processo nº 11543.001948/2006-65 Acórdão n.º 3302-004.650 S3-C3T2 Fl. 3.401 33 § 1º O pedido de ressarcimento dos créditos acumulados na forma do inciso II do caput e do § 3º do art. 27, referente ao saldo credor acumulado no período de 9 de agosto de 2004 até o final do 1º (primeiro) trimestre-calendário de 2005, somente poderá ser efetuado a partir de 19 de maio de 2005. § 2º Cada pedido de ressarcimento deverá: I - referir-se a um único trimestre-calendário; e II - ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre-calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. [...]. (grifos não originais) No caso, é incontroverso que o crédito utilizado pela recorrente no procedimento de compensação em apreço, no valor total de R$ 19.806.424,80, refere-se a supostos saldos credores passíveis de ressarcimento dos meses de janeiro a julho de 2009, ou seja, saldos credores remanescentes relativos aos 1º e 2º trimestres de 2009 e ao mês julho de 2009. Em cumprimento ao disposto no referido preceito normativo, a autoridade fiscal não analisou a certeza e a liquidez dos saldos dos créditos da contribuição dos 1º e 2º trimestres de 2009 e a legitimidade da utilização dos referidos créditos, em razão do descumprimento da referida formalidade. Em consequência, apenas o saldo dos créditos do mês de janeiro foram analisados e parcialmente acatados pela autoridade fiscal. Essa decisão foi mantida pelo Colegiado de primeiro grau e, nesta parte, confirmada por este Colegiado, com respaldo nos fundamentos apresentados no voto do nobre Relator. Assim, a única questão litigiosa que a maioria do Colegiado divergiu do entendimento i. Relator foi quanto à relevação da exigência da prévia formalização do pedido de ressarcimento, baseada no seguinte argumento, extraído do voto vencido, in verbis: Embora se aceita competência da Secretária da Receita Federal em disciplinar ressarcimento, restituição e compensação, penso que nesse aspecto assiste razão ao Contribuinte. Tanto a lei nº 10.833/2002 e 10.637/02, bem como, a Lei 9.430/96 não vedaram o aproveitamento de saldo credor de dois trimestre distinto, sendo assim, jamais poderia a Administração Tributária, como fez por meio do art. 28 da IN SRF 900/08 estabelecer vedação em nome do controle. Com a devida vênia, não se trata de vedação à compensação, como entendeu o nobre Relator. A exigência contida no referido preceito normativo limita-se à fixação de prévio requisito necessário à compensação dos créditos das referidas contribuições, realizada após o encerramento do trimestre calendário dos créditos correspondentes, que se encontra Fl. 3417DF CARF MF 34 expressamente estabelecido no art. 42, §§ 10 e 11, da referida Instrução Normativa RFB 900/2008, que seguem transcritos: Art. 42. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão sê-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I - custos, despesas e encargos vinculados às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II - custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não-incidência; ou III - aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3ºe 4ºdo art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1ºde abril de 2005. [...] § 7º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I do caput, remanescentes do desconto de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do ano-calendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 34. [...] § 10. A compensação de créditos de que tratam os incisos I e II do caput e o § 4º, efetuada após o encerramento do trimestre-calendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento formalizado de acordo com os arts. 27 e 28. § 11. O crédito utilizado na compensação deverá estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestre- calendário. [...] (grifos não originais) Assim, por força do disposto no art. 42, § 7º, da referida Instrução Normativa, por razão óbvia, a única exceção que dispensa a apresentação prévia do respectivo pedido de ressarcimento, cinge-se a situação em que o contribuinte formaliza a compensação (a apresenta a DComp) antes do encerramento do respectivo trimestre, o que, no caso em tela, ocorreu em relação ao saldo dos créditos do mês de julho de Fl. 3418DF CARF MF Processo nº 11543.001948/2006-65 Acórdão n.º 3302-004.650 S3-C3T2 Fl. 3.402 35 2009, uma vez que as referidas DComp foram apresentadas antes do encerramento do 3º trimestre 2009. Assim, por estar vinculada aos atos normativos editados pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal da unidade da Receita Federal de origem estava obrigada a dar pleno cumprimento ao disposto no art. 42, §§ 10 e 11, da da Instrução Normativa RFB 900/2008. Também não procede a alegação da recorrente de que a exigência de apresentação de pedido de ressarcimento por trimestre calendário extrapolava a competência regulamentar da matéria, atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), pelo art. 74, § 14, da Lei 9.430/1996, combinado com o disposto art. 6º, § 1º, II, da Lei 10.833/2003, respectivamente, a seguir transcritos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (grifos não originais) Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. (grifos não originais) Ora, se a exigência em questão tem natureza meramente procedimental, com vista assegurar o controle e facilitar a verificação/confirmação da correta apuração do crédito pleiteado, inequivocamente, estava incluída no âmbito das prerrogativas conferidas ao Secretário da Receita Federal a competência para regulamentar tal matéria. Portanto, legítima tal exigência. Fl. 3419DF CARF MF 36 Além disso, diferentemente do alegado pela recorrente, tal procedimento revela-se indispensável à verificação eficaz e eficiente da correta apuração dos créditos das referidas contribuições e assim evitar ou reduzir as possibilidades de utilização ilícita de créditos, mediante de fraudes cometidas mediante a apropriação de créditos em duplicidade ou indevidos. E, como pretende a recorrente, negar legitimidade aos referidos preceitos normativos, editados com respaldo em expressa previsão legal seria o mesmo que afastar a legalidade dos citados preceitos legais que atribuíram à RFB competência para regulamentar a matéria, o que, fora das exceções estabelecidas no art. 26-A, § 6º, do Decreto 70.235/1972, é expressamente vedado, no âmbito do processo administrativo fiscal, às autoridades julgadoras de todas instâncias. Enfim, cabe ainda consignar que, diferentemente do alegado pela recorrente, as referidas exigências procedimentais estão em perfeita consonância com o disposto no art. 3º, § 4º, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes. [...] Deveras, conforme anteriormente demonstrado, as referidas exigências formais limitam-se a estabelecer procedimentos com vistas apenas a facilitar o controle e a verificação/confirmação da correta apuração dos créditos, sem qualquer óbice ou restrição ao direito de aproveitamento do saldo remanescente de créditos nos períodos de apuração subsequentes, previsto no preceito legal em destaque. Tal direito é plenamente assegurado seja a sob a forma de dedução da contribuição devida apurada nos períodos de apuração seguintes, seja sob a forma de compensação com débitos vincendos ou vencidos do próprio contribuinte. A propósito, não se deve confundir procedimentos de controle da legitimidade do crédito, com meios legítimos de aproveitamento do saldo de créditos remanescente de determinado trimestre calendário por meio de compensação, em relação aos quais não há qualquer vedação ou restrição estabelecida nos atos normativos editados pela RFB. Também não se pode confundir aproveitamento de saldo de crédito remanescente existente no final do período de apuração (crédito com os atributos da certeza e liquidez), previsto no referenciado art. 3º, § 4º, da Lei 10.833/2003, com registro de determinadas operações no Dacon, que asseguram a apropriação de crédito, como consignado no voto do i. Relator. Inequivocamente, trata-se de casos completamente distintos. Com efeito, enquanto o primeiro pressupõe o confronto de Fl. 3420DF CARF MF Processo nº 11543.001948/2006-65 Acórdão n.º 3302-004.650 S3-C3T2 Fl. 3.403 37 débitos e créditos e apuração, no final do período de apuração, de saldo credor remanescente, o segundo representa apenas o registro do valor de determinadas operações que comporão a base de cálculo de apuração dos referidos créditos. Além disso, não é verdade, como afirmado em alguns julgados deste Conselho14, que a “linha 06/31” do Dacon contemplava o registro de operações de créditos extemporâneos. A simples leitura do texto explicativo do conteúdo da referida linha revela que a citada linha destinava-se ao registro de “ajustes positivos de crédito não contemplados na Linha 06A/30”, em que registradas às operações normais de créditos relativas às aquisições de embalagens. E “créditos não contemplados”, obviamente, não significam créditos extemporâneos. Para que não reste qualquer dúvida a respeito, seguem transcritos os textos extraídos das orientações de preenchimento do Dacon: CRÉDITOS DECORRENTES DA APURAÇÃO DE EMBALAGENS PARA REVENDA (Lei nº 10.833/2003, art. 51, § 3º) Linha 06A/30 – Créditos Apurados A pessoa jurídica comercial que adquirir para revenda as embalagens referidas no art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, deve informar nesta linha o valor da Contribuição para o PIS/Pasep referente às embalagens que adquirir no período de apuração em que registrar o respectivo documento fiscal de aquisição (§ 3º do art. 51 da Lei nº 10. 833, de 2003, introduzido pelo art. 25 da Lei nº 11.051, de 2004). Linha 06A/31 – Ajustes Positivos de Créditos Informar nesta Linha ajustes positivos de crédito não contemplados na Linha 06A/30. Linha 06A/32 – (-) Ajustes Negativos de Créditos Informar nesta Linha ajustes negativos de crédito não contemplados na Linha 06A/30, tais como: Não se pode olvidar, ademais, que o registro extemporâneo de créditos, se permitido fosse, além do descumprimento do disposto no art. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, impossibilitaria ou dificultaria em muito o controle das operações com direito a crédito. Se houvesse tal permissão, como saber se as operações registradas extemporaneamente não foram registradas anteriormente no mês correspondente e nos seguintes? Somente mediante a realização de auditoria em todos os meses anteriores ao registro extemporâneo do crédito seria possível confirmar ou não essa informação. Ademais, tendo em conta que a autoridade fiscal não é autorizada a fiscalizar/auditar os períodos pretéritos não alcançados pelo procedimento fiscal em curso, o registro de operações de 14 A título de exemplo, cita-se os acórdãos nºs 3202-001.456 e 9303-004.562. Fl. 3421DF CARF MF 38 créditos extemporâneas, por certo, oportunizaria e facilitaria a prática de fraudes, mediante a apropriação, por mais de uma vez, de crédito de uma mesma operação. Além disso, o registro de operações em períodos subsequentes, inequivocamente, resultaria no indevido alongamento do prazo de decadência do direito de deduzir, ressarcir e compensar os referidos créditos, com evidente extrapolação do prazo decadencial do direito ao aproveitamento dos referidos créditos. Por todas essas considerações, fica demonstrado que a fiscalização agiu com acerto ao não tomar conhecimento e, em decorrência, indeferir, sem qualquer análise, o valor do suposto saldo crédito da Cofins dos 1º e 2º trimestres de 2009 utilizado no procedimento compensatório em apreço. Com base nessas considerações, fica demonstrada o acerto da autoridade fiscal em desconsiderar o saldo credor remanescente de períodos de apuração anteriores no procedimento compensatório em apreço. Por todo o exposto, em relação às questões aqui apreciadas, com a devida vencia da nobre Relatora, vota-se pelo restabelecimento integral dos valores dos créditos glosados dos meses de abril e maio de 2005, calculados sobre o valor de aquisição da energia elétrica consumida nos referidos meses. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Declaração de Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Declarante. Em relação ao pedido reconhecimento dos efeitos da glosa dos créditos da Cofins na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, bem como à glosa dos créditos apropriados sobre as despesas com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos a discordância deste Relator cinge-se à conclusão apresentada pela nobre Relatora. Do reconhecimento dos efeitos dos efeitos das glosas sobre apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL No recurso voluntário em apreço, em caráter alternativo, alegou a recorrente que, caso esse Colegiado entendesse pela manutenção das glosas efetuadas pela fiscalização e mantidas pela DRJ, o que admitia somente para fins de argumentação, dever-se-ia analisar, mais detidamente, os seus efeitos na apuração de lucro leal e da base de cálculo da CSLL. Especificamente, o que pretende a recorrente é que, esse Colegiado reconheça os efeitos da glosa dos créditos de Cofins na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Para a recorrente, o dispêndio total incorrido com tais eventualmente glosados devia ser integralmente deduzidos, para fins de apuração da base cálculo dos citados tributos, inclusive o montante dos créditos de Cofins glosados. Fl. 3422DF CARF MF Processo nº 11543.001948/2006-65 Acórdão n.º 3302-004.650 S3-C3T2 Fl. 3.404 39 O pleito da recorrente trata de questão que diz a possibilidade de dedução de despesas da base cálculo do IRPJ e da CSLL, a faculdade de escrituração contábil e fiscal dos referidos valores e a dedução dos referidos valores na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL, inequivocamente, matéria completamente estranha à lide. Se a recorrente entende que tais gastos são dedutíveis da base de cálculo dos citados tributos, que ela própria refaça a sua escrituração contábil-fiscal, proceda a nova apuração lucro real e da base de cálculo da CSLL e, se for o caso, retifique as declarações pertinentes entregues à RFB, porém, tal faculdade nada tem a ver com o objeto da presente controvérsia, que se cinge-se à glosa de créditos da Cofins apurados no âmbito do regime não cumulativo. Por essas razões, não se toma conhecimento desse estranho e inoportuno pedido de reconhecimento dos efeitos das glosas dos créditos da Cofins sobre a apuração da base de cálculo. Da glosa dos créditos apropriados sobre as despesas com aluguéis De acordo com o Despacho Decisório, não houve glosa sobre aluguéis de máquinas e equipamentos, mas apenas da parcela das despesas não comprovadas com aluguéis de prédios utilizados pela filial. No mesmo sentido, o excerto extraído do voto condutor do julgado recorrido, a seguir transcrito: Os valores glosados neste item se referem a diferenças apuradas pela fiscalização, entre os valores informados pela contribuinte na Planilha de Apuração das Contribuições não-cumulativas relativas à filial Santos (fls. 119, 157 e 196 da numeração eletrônica) e os valores das despesas com aluguéis efetivamente comprovadas através das Notas de Cobrança de Locação de Áreas e Serviços Conexos, anexadas às fls. 232 a 236. Na manifestação de inconformidade a interessada limita-se a afirmar que os valores informados no DACON são os corretos e que estão suportados por contratos firmados com a Codesp. Em razão de não terem sido apresentados comprovantes adicionais das despesas incorridas com aluguéis de prédios, a glosa foi mantida no Acórdão proferido pela DRJ, posteriormente declarado nulo em decisão do CARF. No Recurso Voluntário ao CARF, a empresa recorrente fundamenta sua defesa com uma nova alegação. Afirma que os valores constantes da planilha apresentada à fiscalização não se referem apenas a aluguéis de prédios, conforme informado pela própria interessada, mas também a aluguéis de máquinas e equipamentos e junta documentos em fls. 1207 e seguintes. E continua o nobre Relator do voto condutor julgado recorrido; Das Planilhas de Apuração individualizadas por filial, apresentadas pelo contribuinte à fiscalização, observase que aquelas relacionadas à filial localizada no porto de Santos (fls. 119, 157 e 196) possuem uma estrutura diferenciada em relação às planilhas das demais filiais. Enquanto nas planilhas de todas as filiais consta uma linha para a informação de despesa com Fl. 3423DF CARF MF 40 aluguel de prédios e uma linha específica para despesa com aluguel de máquinas e equipamentos, na filial Santos não consta campo específico para informar aluguel de máquinas e equipamentos. Por outro lado, consta na filial Santos, uma linha descrita como “Tabela I, II, Condomínio Portuário, Movimentação, Classificação, Água (CODESP)”, inexistente nas demais filiais. É certo que, nos termos da legislação acima transcrita, as despesas com alugueis de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa geram crédito na apuração não- cumulativa da COFINS. Fazse necessário, contudo, a comprovação das despesas efetivamente incorridas. Nesse sentido, o contribuinte juntou aos autos (fls. 1207/1306) cópia das notas fiscais e recibos. Às fls. 1224/1225, 1316 e 1360 consta relação dos documentos anexados referentes, respectivamente, aos meses de abril, maio e junho. Da análise das notas fiscais verifica-se, contudo, que não há crédito adicional a ser reconhecido. Parte das notas fiscais já havia sido apresentada à fiscalização e computada no cálculo do crédito a ressarcir. Outra parte se refere a notas fiscais referentes a despesas decorrentes de serviços prestados e contratação de mão de obra (na relação dos documentos aparece com a sigla “MDO” ou “serviços prestados O.S”). O serviço prestado e a contratação de mão de obra, embora passíveis de gerar crédito em determinadas condições, devem ser apurados em item específico, não se prestando, os documentos anexados, à comprovação das despesas ora em análise. Há também despesas com locação de mesas e toalhas que, por óbvio, não se enquadram na previsão legal que admite apenas créditos em relação a despesas com aluguel de máquinas e equipamentos. Por fim, observa-se que há também notas fiscais que se referem, de fato, a despesas incorridas com aluguéis de máquinas e equipamentos. São, em geral, aluguéis de trator, pá carregadeira, contêiner, guindaste, máquina para navio, plataforma e caminhão e notas fiscais da CODESP descritas como “tabela II.2”, ou seja, são despesas relacionadas à movimentação e armazenagem de cargas no porto e nas embarcações. Ocorre que nas citadas Planilhas de Apuração apresentadas pelo contribuinte referentes à filial Santos, consta, como dito acima, item específico, intitulado “Tabela I, II, Condomínio Portuário, Movimentação, Classificação, Água (CODESP)”, cujos valores englobam, de acordo com sua própria denominação, despesas portuárias e despesas com movimentação de cargas. Não foram apresentadas notas fiscais adicionais correspondentes a despesas com aluguel de prédios. Conclui-se, portanto, que embora se refiram a despesas com aluguel de máquinas e equipamentos, passíveis de gerar crédito da COFINS, seus valores já foram computados em item específico na planilha utilizada para esta filial, sendo incabível a sua inclusão no campo destinado a aluguéis de prédios. Fl. 3424DF CARF MF Processo nº 11543.001948/2006-65 Acórdão n.º 3302-004.650 S3-C3T2 Fl. 3.405 41 Em relação à informação de que às despesas com aluguel de máquinas e equipamentos, passíveis de gerar crédito da Cofins, já tinham sido computados em item específico na planilha utilizada para esta filial, a recorrente não apresentou prova em contrário que infirmasse tal assertiva. Em relação a esse ponto limitou-se em apresentar os documentos já apresentados no primeiro recurso voluntário, o quais foram corretamente analisados no julgado recorrido, que concluiu que os valores de tais despesas já haviam sido “computados em item específico na planilha utilizada” pela filial Santos. Assim, se já utilizados em item específico, não poderia a recorrente utilizar tais créditos novamente, portanto, correta a glosa realizada. No que tange às outras despesas decorrentes de serviços prestados e contratação de mão de obra e locação de mesas e toalhas, a recorrente alegou o seguinte: 188. Por fim, também não deve prosperar a afirmação de que a Recorrente não possuiria direito de crédito devido às notas fiscais apresentadas aludirem a "despesas decorrentes de serviços prestados e contratação de mão de obra (na relação dos documentos aparece a sigla ‘MDO' ou 'serviços prestados O.S"' (fl. 1.398). 189. Isso porque, os serviços prestados são necessários para o manuseamento das máquinas e equipamentos locados, que demandam de conhecimento técnico especializado para manuseá-los, como é o caso das empilhadeiras, por exemplo. Desse modo, os valores envolvidos com mão se obra estão intrinsecamente ligados às despesas com os aluguéis das máquinas e equipamentos, configurando assim, direito de crédito por parte da Requerente. Em relação às despesas com locação de mesas e toalhas nada foi dito, portanto, não há controvérsia em relação à glosa dos créditos calculados sobre tais despesas. Quanto às despesas com “serviços prestados e contratação de mão de obra”, diferentemente da recorrente, este Relator entende que não há amparo legal, para que elas sejam apropriadas como despesas com aluguel de máquinas e equipamentos. Há previsão legal para apropriação de créditos sobre tais serviços somente quando eles são utilizados como insumos de produção. Se utilizados na operacionalização de máquinas e equipamentos locados não utilizados no processo de produção, por falta de previsão legal, a apropriação de créditos sobre tais despesas não é admitida. Assim, fica demonstrado que a glosa dessas despesas não foi motivada por questão meramente formal, como alegou a nobre Relatora, mas em razão da ausência de comprovação das despesas, apropriação em outros itens e de falta de amparo legal para apropriação dos créditos glosados. Por essas razões, a glosa dos referidos créditos deve ser integralmente mantida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 3425DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000455/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO PARA ANÁLISE DE MÉRITO. NECESSIDADE DE REANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO AO REEXAME DO DESPACHO DECISÓRIO.
Superado o fundamento jurídico que inviabilizava a análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação antes de decisão em processo administrativo, devem os autos retornar à unidade de origem para que se proceda o reexame do despacho decisório, com a verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo e regular contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
INTIMAÇÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. DEFINIÇÃO LEGAL.
Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o domicílio tributário eleito a que se refere o art. 23, II, e § 4º, II, do Decreto nº 70.235/1972, é o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado.
Impossibilidade de nulidade da ciência regular realizada nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Inteligência da Súmula CARF nº 9: "válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário".
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-003.056
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que se reexamine o despacho decisório com a análise de mérito do pedido.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO PARA ANÁLISE DE MÉRITO. NECESSIDADE DE REANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO AO REEXAME DO DESPACHO DECISÓRIO. Superado o fundamento jurídico que inviabilizava a análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação antes de decisão em processo administrativo, devem os autos retornar à unidade de origem para que se proceda o reexame do despacho decisório, com a verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, concedendose ao sujeito passivo direito a novo e regular contencioso administrativo, em caso de não homologação total. INTIMAÇÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. DEFINIÇÃO LEGAL. Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o domicílio tributário eleito a que se refere o art. 23, II, e § 4º, II, do Decreto nº 70.235/1972, é o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado. Impossibilidade de nulidade da ciência regular realizada nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Inteligência da Súmula CARF nº 9: "válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 04 55 /2 01 0- 61 Fl. 264DF CARF MF Processo nº 12585.000455/201061 Acórdão n.º 3201003.056 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que se reexamine o despacho decisório com a análise de mérito do pedido. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório SARAIVA S/A LIVREIROS EDITORES transmitiu Pedido de Ressarcimento da contribuição não cumulativa (Cofins/PIS), vinculado a Declarações de Compensação. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Ressarcimento e considerando não declaradas as compensações a ele vinculadas sob o fundamento de que o valor a ressarcir se encontrava sujeito a desdobramentos de ação judicial intentada pelo contribuinte. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou Recurso Administrativo, contestando a decisão de se considerarem não declaradas as compensações, e Manifestação de Inconformidade, esta para protestar contra o indeferimento do Pedido de Ressarcimento, tendo sido ambos os recursos recebidos como Manifestação de Inconformidade por força de liminar em mandado de segurança. Em sua defesa, o contribuinte alegou que somente apurava créditos no mercado interno vinculados a receitas não tributadas, por se tratar a sua atividade de venda de livros sujeita à alíquota zero, e que o objeto da ação judicial por ele impetrada se referia à base de cálculo do débito e não à origem do crédito. Arguiu o contribuinte que a autoridade tributária violara frontalmente o princípio da legalidade ao considerar não declaradas as compensações, em franco desacordo com o art. 74, § 12, da Lei n° 9.430/1996 e o art. 97 do CTN, uma vez que o crédito pleiteado não decorria de decisão de judicial, mas de artigo expresso de lei. Argumentou, ainda, que, ao considerar não declaradas as compensações, a autoridade administrativa excluíra a possibilidade de defesa por manifestação de inconformidade, levando à cobrança dos débitos compensados antes de finda a discussão administrativa acerca do pedido de ressarcimento, o que implicava cerceamento do direito de defesa, uma vez que, de acordo com o art. 151, II, do CTN, o recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário. Aludiu, ainda, que não se sustentava a justificativa da autoridade administrativa fundada no art. 32, §§ 3° e 4°, da IN RFB n° 1.300/2012, pois instrução Fl. 265DF CARF MF Processo nº 12585.000455/201061 Acórdão n.º 3201003.056 S3C2T1 Fl. 4 3 normativa não podia inovar, prevendo hipótese de compensação não declarada inexistente no § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, em flagrante violação ao princípio da legalidade. Nos termos do Acórdão nº 16065.678, foram julgados improcedentes a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Administrativo apresentados, tendo sido afastada a preliminar de nulidade do despacho decisório e confirmado o teor do despacho decisório, em razão da vedação ao ressarcimento de crédito passível de alteração por decisão judicial. Em seu recurso voluntário, o Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a impossibilidade do resultado da ação judicial influenciar o valor do crédito decorrente das vendas internas sujeitas à alíquota zero, uma vez que estas não entram na apuração da base de cálculo da Contribuição. Informa o Recorrente que a Ação Declaratória havia transitado em julgado, confirmando que seu resultado não implicava qualquer influência no pedido de compensação ou descumprimento ao disposto no art. 170A do CTN, configurandose, portanto, indevidas as decisões administrativas precedentes. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.041, de 26/07/2017, proferido no julgamento do processo nº 10880.945004/201337, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.041): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Antes de prosseguir urge ressaltar os eventos nas esferas administrativa e judicial que interessam à lide: a. A Unidade de origem (Derat/SP) não analisou o mérito do pedido de ressarcimento e da compensação declarada, sob o fundamento da existência de ação judicial em curso cujo resultado influenciaria a base de cálculo do crédito pleiteado. A DRJ manteve integralmente o despacho decisório. b. Nos autos não constam elementos que permitam aferir a higidez do crédito pleiteado quanto à sua origem, qualidade e grandeza. c. As Ações Declaratórias transitaram em julgado, em 25/04/2014 (para o Cofins) e 24/06/2014 (para o PIS), no âmbito do STJ, em decorrência do pedido de desistência de Recurso Especial interposto Fl. 266DF CARF MF Processo nº 12585.000455/201061 Acórdão n.º 3201003.056 S3C2T1 Fl. 5 4 pela empresa, em data anterior à da sessão de julgamento na DRJ (12/03/2015). As situações enumeradas exigem o enfrentamento das seguintes questões: 1. Há concomitância entre os processos administrativo e judicial? 2. Na hipótese de se afastar a concomitância, resta passível a alteração dos valores dos créditos pleiteados em razão do resultado da ação judicial? 3. O trânsito em julgado da ação judicial faz restabelecer a análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação? Não se suscitou nos autos a concomitância pela autoridade fiscal, tampouco em sede de julgamento na DRJ. A recorrente nada menciona em suas peças, embora defende argumentos quanto à inexistência de qualquer influência de resultado da ação judicial sobre os créditos pleiteados administrativamente. Compulsando os autos as partes não juntaram as peças processuais, em especial petição inicial, sentença e acórdãos. Há tão somente extrato de consulta processual no TRF/3ª Região e Certidão do STJ. Pesquisa realizada na página da internet do TRF/3ª Região extraise do relatório e ementa da Apelação Cível nº 1182842 ACSP, na Ação Declaratória nº 2004.61.00.0067824 o que segue: RELATÓRIO Tratase de apelação em ação declaratória em que busca assegurar o direito para não se submeter à majoração da base de cálculo da COFINS sobre a totalidade de receitas, prevista na MP 135/03, convertida na Lei 10833/03, pois violou norma constitucional expressa no art. 195, I “b” da CF e violação ao art. 110 do CTN e na forma do art. 151, II do CTN, pretende efetuar depósitos judiciais. A ação foi ajuizada em 11/03/04. O valor da causa é de R$ 30.000,00. O MM. Juiz “a quo” julgou improcedente, considerando que não houve ofensa à Constituição a alteração da base de cálculo da COFINS, sendo que pode ser utilizada medida provisória e que o texto constitucional também não exigia Lei Complementar e que não há ofensa ao art. 246 da Constituição Federal e portanto, não há nenhum vício formal na Lei 10833/03. Determinou que após o trânsito em julgado da sentença, convertam se em renda da União Federal os depósitos efetuados durante a tramitação do processo. EMENTA TRIBUTÁRIO. AÇÃO DECLARATÓRIA. COFINS. LEI 10833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. LEGITIMIDADE DA TRIBUTAÇÃO. ALTERAÇÕES. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS NÃO VIOLADOS. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL POR DESCUMPRIMENTO DO ARTIGO 246 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 12585.000455/201061 Acórdão n.º 3201003.056 S3C2T1 Fl. 6 5 I A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) foi instituída pela Lei Complementar nº 70, de 31 de dezembro de 1991, com fundamento na Constituição Federal, em seu artigo 195, inciso I e tem como objetivo o custeio das atividades da área de saúde, previdência e assistência social, conforme dispunham seus artigos 1º e 2º. II Com o advento da lei 10.833, de 29 de Dezembro de 2003, e atualmente pela Lei 10.865, de 30 de abril de 2004, a contribuição à COFINS passou a ser nãocumulativa. Esse princípio, em relação às contribuições, foi reforçado pela Emenda Constitucional n° 42/03. III A Constituição Federal, após as Emendas Constitucionais n°s 20, 33 e 42, consignou claramente o campo de incidência das contribuições, inclusive com a possibilidade de serem instituídas alíquotas e/ou bases de cálculos distintas, para determinados segmentos. Portanto, autorizou tratamentos não isonômicos, diante de um discrímen a ser ditado por lei, consagrando em benefício, nesta última emenda, a nãocumulatividade para as contribuições. IV A nãocumulatividade é mera técnica de tributação que não se confunde com a sistemática de cálculo do tributo, porquanto, depois de efetuadas as compensações devidas (débito/crédito) pelo contribuinte terseá a base de cálculo, para a apuração do quantum devido. Consignese, por fim, que, para as hipóteses de IPI e ICMS, o legislador constituinte deixou traçados, fixando os limites objetivos de sua ocorrência, os critérios para que se implementasse a não cumulatividade, dadas as características desses tributos, enquanto para a COFINS a lei é que deve se incumbir dessa tarefa. V Não se configurou a afronta ao disposto no artigo 246 da Constituição Federal, pois não houve regulamentação de artigo, nem inovação, criandose nova figura tributária, haja vista que a previsão expressa da contribuição à COFINS no corpo do Texto Constitucional, por si só autoriza eventuais alterações nos critérios de suas exigências, feitas por lei ordinária, não havendo óbices que suas iniciativas se dêem por meio de Medida Provisória, desde que observado o princípio da anterioridade nonagesimal. VI– Apelação da autora improvida. Quanto ao PIS, Apelação Cível nº 000253690.2003.4.03.6100/SP ACSP, na Ação Declaratória nº 2003.61.00.0025369/SP, relatório e ementa se assemelham à ação que versa sobre a Cofins: RELATÓRIO Tratase de ação de procedimento ordinário em que Saraiva S/A Livreiros Editores pretende: a) a declaração de inexistência de relação jurídica no tocante ao recolhimento da contribuição ao PIS, sobre a totalidade de receitas, nos termos da Lei nº 10.637/02; b) assegurar o direito de recolher a referida contribuição sobre o faturamento (receita bruta de venda de mercadorias, mercadorias e serviços ou prestação de serviços). A sentença julgou improcedente o pedido, condenando a autora ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, fixados em R$ 2.000,00 (dois mil reais). Em apelação, a autora reiterou o pedido formulado na petição inicial. Com contrarrazões, os autos foram remetidos a este e. Tribunal. EMENTA Fl. 268DF CARF MF Processo nº 12585.000455/201061 Acórdão n.º 3201003.056 S3C2T1 Fl. 7 6 TRIBUTÁRIO PIS LEI Nº 10.637/02 CONSTITUCIONALIDADE. 1. As contribuições sociais encontramse regidas pelos princípios da solidariedade e universalidade, previstos nos arts. 194, I, II, V, e 195 da Constituição Federal e impõe o reconhecimento de que o seu financiamento deve darse por todas as empresas. 2. As contribuições de seguridade social, previstas nos incisos I, II e III do caput do art. 195 da Constituição Federal, não necessitam, para instituição ou modificação, de lei complementar, bastando para tanto ato normativo com força de lei ordinária. 3. Viabilidade da utilização de medida provisória para instituir tributos e contribuições sociais, bem assim a possibilidade de reedição para prorrogar os efeitos da anterior ou anteriores. 4. A lei pode autorizar exclusões de determinados valores para fins de apuração da base de cálculo do tributo, e, da mesma forma, vedar deduções para a mesma finalidade, levando em conta o momento político e a política fiscal adotada. 5. A alteração do conceito de faturamento, bem como a majoração da alíquota do PIS prevista na MP 66/02, não implicou na regulamentação do disposto no art. 195, inciso I, da CF, com redação dada pela EC 20/98, razão pela qual não constituíram violação à regra do artigo 246 da CF. 6. Não há falarse em violação ao princípio da anterioridade nonagesimal, porquanto expressamente previsto na MP nº 66/02 o prazo de noventa dias para a produção de seus efeitos. 7. Apelação improvida. Os excertos transcritos permitem constatar que os objetos das ações que versaram sobre o PIS e a Cofins foram delimitados pela "majoração da base de cálculo da Contribuição sobre a totalidade das receitas". Cumpre também apontar que a recorrente não logrou êxito na ação declaratória na decisão de primeiro grau e na apelação, em sede de Tribunal Federal. No processo administrativo a recorrente pleiteou ressarcimento do saldo credor remanescente do desconto de débitos da Contribuição ao final do trimestre. Suscita que o crédito referese exclusivamente às vendas de livros no mercado interno, que por força do inciso II do art. 28, da Lei nº 10.865/2004, tem incidência à alíquota é zero. Evidenciase, portanto, que as ações judicial e administrativa têm objeto distintos, o que afasta a concomitância. Ademais, o entendimento doutrinário é no sentido de que se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir, o que não se tem presente no caso dos autos, bastando para a conclusão a existência de pedidos distintos. Destarte, entendo inexistente a concomitância. Pois bem; afastada a concomitância, mister verificar se de algum modo é passível de alteração os valores dos créditos pleiteados em razão do resultado da ação judicial. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 12585.000455/201061 Acórdão n.º 3201003.056 S3C2T1 Fl. 8 7 As partes divergem quanto ao entendimento, o que demanda analisar seus argumentos. O despacho decisório está assentado no fundamento de que o saldo credor passível de ressarcimento é resultado direto do tipo de receita a que estiver vinculado, no caso à receita não tributada no mercado interno. Vejase alguns excertos da decisão: 10. Ademais, referida instrução normativa e as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 dispõem que os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins passíveis de ressarcimento e/ou compensação, são aqueles remanescentes do desconto de débitos dessas contribuições em um mês de apuração. 11. Assim, o crédito passível de ressarcimento depende das receitas auferidas que servirão de base de cálculo para realização do referido cotejamento entre créditos e débitos, mais ainda, as receitas auferidas são necessárias para definir a proporção de créditos vinculados a Receita Tributada no Mercado Interno, Receita Não Tributada no Mercado interno e/ou Receita de Exportação. 12. Não é demais lembrar que somente o saldo de crédito vinculado a Receita Não Tributada no Mercado interno (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c art. 16, inciso II da Lei nº 11.116/2005) ou Receita de Exportação (art. 5º, §§2º e 3º da Lei nº 10.637/2002; art 6º, §§2º e 3º da Lei nº 10.833/2003) são passíveis de ressarcimento. 13. Logo, a apuração dos créditos e, em especial, sua parcela ressarcível é resultado não apenas da composição de várias despesas/custos, mas, também, da receita a que estiverem vinculadas. 14. Diante do exposto, existindo discussão judicial sobre assuntos que poderão alterar o valor a ser ressarcido, deve ser indeferido o Pedido de Ressarcimento eletrônico (...) O julgamento na DRJ trilhou no mesmo entendimento, decidindo ao final pela improcedência da manifestação de inconformidade. Alguns excertos: 30. Assinalese inicialmente que, de acordo com o art. 28, caput e § 2°, II, da IN RFB n° 900/2008, em vigor à época da transmissão do pedido de ressarcimento, os créditos não utilizados acumulados ao final de cada trimestre poderiam ser objeto de pedido de ressarcimento, cabendo ao sujeito passivo efetuálo “pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação”. O grifo é meu. 31. No caso em estudo, verificase que o valor pleiteado no pedido de ressarcimento está em perfeita conformidade com essa regra (...) 32. Como se pode observar, o valor solicitado (...) corresponde ao saldo remanescente dos créditos apurados nos meses de (...), já descontada parte dos débitos de Cofins relativos a esse período. 33. Donde se conclui, sem contestação possível, que o valor do débito afeta o do crédito. Isso porque o crédito suscetível de ressarcimento é apenas o saldo remanescente do desconto de parte dos débitos apurados no trimestre. É por isso que a IN RFB n° 900/2008, no trecho já citado, se refere expressamente ao saldo credor remanescente “líquido das utilizações por desconto ou compensação”. 34. Tratase, portanto, da própria lógica do regime não cumulativo da Cofins, convindo deixar claro que em nada a afeta a circunstância de a Fl. 270DF CARF MF Processo nº 12585.000455/201061 Acórdão n.º 3201003.056 S3C2T1 Fl. 9 8 empresa apurar ou não apenas créditos vinculados à receita não tributada no mercado interno. 35. Assim, dada a natureza da matéria discutida na ação declaratória citada, então ainda em andamento, é evidente que sua decisão final poderia alterar o valor dos débitos de Cofins apurados no trimestre em exame e, conseqüentemente, o saldo de crédito passível de ressarcimento. A recorrente, de sua parte, sustenta que os créditos objeto do pedido de ressarcimento são resultantes da venda de livros no mercado interno, operação sobre a qual a Contribuição incide à alíquota zero, e, portanto, não integram sua base de cálculo, de modo que não guardam nenhuma relação com a discussão judicial. Excertos de suas peças: Inicialmente necessário destacar que a Requerente somente apura seus créditos com base na receita não tributada no mercado interno (Alíquota Zero Cofins), motivo pelo qual patente o equívoco da autoridade fiscal no tocante à classificação do crédito requerido pela contribuinte com suposta proporção na apuração das receitas x créditos. (...) Assim sendo, a manutenção integral do crédito relacionado à receita da venda de livros, a qual é tributada no mercado interno a alíquota zero do PiS e da Cofins é um direito da empresa ora manifestante amparado totalmente na legislação vigente. Diante deste quadro, é patente o equivoco levado a cabo pela autoridade fiscal no tocante a classificação do tipo de crédito utilizado pela contribuinte em seu pedido de ressarcimento e por consequência em sua declaração de compensação considerada indevidamente como não declarada. Entendo que o crédito pleiteado é passível de alteração pela base de cálculo do PIS e Cofins, ou em outras palavras, a dimensão da receita pode afetar o valor do crédito. O valor do saldo credor da Contribuição para o PIS ou Cofins nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c art. 16 da Lei nº 11.116/200 e art. 28, caput e § 2°, II, da IN RFB n° 900/2008, atual inciso II, art. 27, da IN RFB 1.300/2012, somente pode ser ressarcido ou compensado, no encerramento do trimestrecalendário, após a dedução do débito da própria contribuição. Os dispositivos legais: Lei 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0% (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Lei nº 11.116/2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou Fl. 271DF CARF MF Processo nº 12585.000455/201061 Acórdão n.º 3201003.056 S3C2T1 Fl. 10 9 II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. IN RFB nº 900/2008 Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...) II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0% (zero) ou nãoincidência. (...) Art. 28. O pedido de ressarcimento a que se refere o art. 27 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração em meio papel acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. (...) II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. IN RFB nº 1.300/2012: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas Contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente depois do encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...) II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1557, de 31 de março de 2015) Da interpretação dos dispositivos resulta que o procedimento passa primeiro pela etapa de deduzir o saldo credor do débito apurado da Contribuição no período, o que implica afirmar que se o valor do débito estiver sob discussão judicial, em especial em relação à dimensão/extensão de sua base de cálculo, é lógico deduzir que o valor saldo credor apurado estará passível de alteração em razão do resultado da ação judicial. Relevante destacar que a alegação da recorrente de que a totalidade de seu crédito é decorrente de vendas de livros, cuja alíquota do PIS e da Cofins é zero, o que significa tratarse, exclusivamente, de receita não tributada no mercado interno, o que a faz concluir pela total desvinculação entre as bases de cálculo deste crédito e do débito que se discutia judicialmente, não se encontra comprovado nos autos. Inexistem documentos (notas fiscais e registro contábeis) que apontam a natureza do crédito a ponto de atestar a veracidade da Fl. 272DF CARF MF Processo nº 12585.000455/201061 Acórdão n.º 3201003.056 S3C2T1 Fl. 11 10 alegação. Importa anotar também que a autoridade fiscal encarregada do despacho decisório não analisou seu mérito. Assim, encontro razões para afirmar a alterabilidade dos créditos pleiteados em razão do resultado da ação judicial, ainda que afastada anteriormente a concomitância. Por fim, a análise do trânsito em julgado da ação judicial. É inconteste o resultado da Ação Declaratória em que se buscava provimento para afastar o alargamento da base de cálculo da Contribuição, qual seja, não houve êxito por parte do contribuinte. O trânsito em julgado ocorreu em 25/04/2014, portanto, antes do julgamento da manifestação de inconformidade e do recurso administrativo na Delegacia de Julgamento que, contudo, manteve a decisão no despacho da Derat/SP sob o argumento que à época do pedido de ressarcimento e declaração de compensação a Ação não gozava de tal efeito. Cabe então enfrentar a seguinte matéria: acaso afastados os fundamentos da Derat e DRJ para negar o pedido de ressarcimento e considerar não declarada a DCOMP, sustentamse os argumentos da recorrente? Repisase que não houve enfrentamento do mérito do PER/DCOMP; também, não constam dos autos conjunto probatório da certeza dos créditos alegados. O direito ao ressarcimento e à compensação encontramse disciplinados nas legislações a seguir: CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) (grifei) 41. Ora, no caso vertente, como ficou visto, havia uma ação declaratória em andamento cuja decisão final poderia, indiscutivelmente, vir a alterar o valor dos débitos de Cofins apurados no trimestre em exame e, conseqüentemente, o saldo de crédito passível de ressarcimento. Tal saldo, portanto, precisamente pela falta de trânsito em julgado, carecia dos requisitos de liquidez e certeza exigidos pelo art. 170 do CTN. 42. Assim, não há dúvida de que se trata de crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, expressão genérica que abrange qualquer crédito cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial. 43. De modo que, ao considerar não declaradas as compensações vinculadas ao direito creditório objeto do pedido de ressarcimento, a Fl. 273DF CARF MF Processo nº 12585.000455/201061 Acórdão n.º 3201003.056 S3C2T1 Fl. 12 11 autoridade tributária apenas se ateve à letra da lei, mais precisamente ao disposto no art. 74, § 12, da lei n° 9.430/96, acima transcrito. Entendo que a vedação ao pedido de ressarcimento de que trata os §§ 3º e 4º do art. 32 da IN RFB nº 1.300/2012, cuja vigência é posterior à data do protocolo do PER/DCOMP, fundamento legal do despacho decisório já não se sustentava no julgamento da manifestação de inconformidade à vista da decisão transitado em julgado da ação declaratória. Essa vedação ao ressarcimento deve ser interpretada à luz da mesma vedação à compensação, que se encontra em disposição de Lei art. 170A do CTN que ao meu sentir diz tãosó que enquanto houver pendência de ação judicial discutindo tributo, não se concederá ou se analisará a compensação acerca de aproveitamento de crédito desse mesmo tributo. Mutatis mutandis, ocorrido o trânsito em julgado da ação que se discuti o tributo, para o qual se pleiteia o aproveitamento de crédito, permitida estará a compensação. O mesmo se aplica ao ressarcimento. A autoridade julgadora a quo fundamentou a manutenção do despacho decisório para considerar não declarada a compensação na alínea "d", inciso II, do § 12, do art. 74 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) (...) II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004 ) Inconteste que o fundamento para tal decisão encontravase superado por ocasião do acórdão da DRJ. Outra deveria ser a decisão recorrida. De outra banda, a recorrente não colacionou documentos que apontam para a natureza dos créditos que alega tratarse de venda de livros no mercado interno, à alíquota zero do PIS e da COFINS. Assim, conquanto o trânsito em julgado implica a análise do mérito o encontro de contas entre débitos e, no caso, o saldo credor apurado nos termos da legislação processo não se encontra maduro para decisão por este Conselho. Por derradeiro, a recorrente pede que "visando a facilitar o controle das intimações dos atos processuais, doravante, requer que as intimações sejam publicadas EXCLUSIVAMENTE em nome de Júlio Fl. 274DF CARF MF Processo nº 12585.000455/201061 Acórdão n.º 3201003.056 S3C2T1 Fl. 13 12 César Goulart Lanes, inscrito na OAB/SP n.° 285.224, devidamente constituído nos autos, sob pena de nulidade." Impende registrar que o disposto no art. 23 do Decreto no 70.235/1972, que regula o processo de determinação e exigência de crédito tributário estabelece: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)” Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o “domicílio tributário eleito” a que se refere o art. 23, II do Decreto no 70.235/1972, não é aquele no qual o contribuinte pede, em um dado processo, para ser cientificado (por exemplo, no escritório de um advogado), mas, como esclarece o § 4º do mesmo artigo, “o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais , à administração tributária”, e “o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado”. De ressaltar que a intimação realizada nos termos acima é legítima e encontrase pacificada com a Súmula CARF nº 9, cujo enunciado dispõe ser "válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Conclusão O atual estágio do processo indica a possibilidade de existência de um direito creditório não analisado pela unidade de origem da DRF, fundada tãosó na alterabilidade do valor do crédito pleiteado em razão de ação judicial, não concomitante ao presente processo, que se encontra definitivamente julgada. Destarte, por não restar nenhum óbice à análise do direito creditório pleiteado, não efetuado no âmbito do despacho decisório, entendo por determinar o retorno do presente processo à unidade de jurisdição administrativa da recorrente para que se proceda análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação, mediante a apresentação pelo contribuinte dos documentos pertinentes. Após seja dado ciência para que o interessado exerça, se assim o quiser, o contraditório. Portanto, VOTO para DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para determinar o retorno dos autos à Fl. 275DF CARF MF Processo nº 12585.000455/201061 Acórdão n.º 3201003.056 S3C2T1 Fl. 14 13 unidade de origem para que REEXAMINE O DESPACHO DECISÓRIO com a análise de mérito do pedido, a verificação dos documentos acostados e outros que julgar necessários, mediante regular intimação ao contribuinte, instaurandose novo contencioso administrativo, na hipótese de inconformidade da recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que REEXAMINE O DESPACHO DECISÓRIO, com a análise de mérito do pedido, a verificação dos documentos acostados e outros que julgar necessários, mediante regular intimação ao contribuinte, instaurandose novo contencioso administrativo, na hipótese de inconformidade do Recorrente. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 276DF CARF MF
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