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Numero do processo: 10215.720150/2010-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007 PESSOAS JURÍDICAS OBRIGADAS À APURAÇÃO DO LUCRO REAL. REFIS. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. POSSIBILIDADE. O art. 4º da Lei nº 9.964/00 autorizou que certas pessoas jurídicas, obrigadas à apuração do lucro real, optassem, excepcionalmente, pelo lucro presumido, no período em que estivessem submetidas ao Programa de Recuperação Fiscal - REFIS. No ano de encerramento da participação da pessoa jurídica no REFIS, a aplicação do permissivo deve ser reconhecida ainda que o dia de encerramento do programa tenha ocorrido antes do momento hábil de opção do lucro presumido, hipótese em que a possibilidade da opção é estendida a esta última data. Recurso de Ofício Negado Provimento.
Numero da decisão: 1402-001.128
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PESSOAS JURÍDICAS OBRIGADAS À APURAÇÃO DO LUCRO REAL. REFIS. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. POSSIBILIDADE. O art. 4º da Lei nº 9.964/00 autorizou que certas pessoas jurídicas, obrigadas à apuração do lucro real, optassem, excepcionalmente, pelo lucro presumido, no período em que estivessem submetidas ao Programa de Recuperação Fiscal REFIS. No ano de encerramento da participação da pessoa jurídica no REFIS, a aplicação do permissivo deve ser reconhecida ainda que o dia de encerramento do programa tenha ocorrido antes do momento hábil de opção do lucro presumido, hipótese em que a possibilidade da opção é estendida a esta última data. Recurso de Ofício Negado Provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10215.720150/201051 Acórdão n.º 1402001.128 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório MINERACAO RIO DO NORTE SA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 172186, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL, ano(s)calendário 2007, com crédito total apurado no valor de R$ 254.702.637,53, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 30/06/2010. Também integra os Autos de Infração o Termo de Verificação Fiscal de folhas 191208. De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Apuração incorreta do imposto e contribuição, decorrente da utilização indevida do lucro presumido. Extraise ainda das peças impositivas que o contribuinte, outrora incluso no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, instituído pela Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, encerrou sua participação neste programa, em 19/03/2007, mediante liquidação total dos débitos. E mais, em 30/04/2007, optou pela sistemática de apuração do lucro presumido, ano calendário 2007, mediante pagamento da cota única do IRPJ, referente ao 1º trimestre de 2007. Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício de 75 %. O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 27/07/2010 (fls. 213) e apresentou sua impugnação em 24/08/2010 (fls. 216243), na qual alegou em síntese que: Da regularidade da opção pelo Lucro Presumido 1. De acordo com os Princípios da Universalidade (art. 153, §2º, I, CF) e da Periodicidade, o regime de apuração do Imposto de Renda (IR) deve ser único para todo o anocalendário; 2. A manifestação pelo lucro presumido, realizada através do pagamento da cota única do IR correspondente ao primeiro período de apuração (art. 516, §4º, RIR/99), tem cunho declaratório e, não, constitutivo; 3. Dessa forma, a decisão da opção pelo lucro presumido pode ocorrer antes do pagamento do IR, através (i) do pagamento do PIS e COFINS cumulativo, próprios da sistemática do lucro presumido, Fl. 414DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10215.720150/201051 Acórdão n.º 1402001.128 S1C4T2 Fl. 0 3 (ii) da apresentação da DACON e (iii) da apresentação da DCTF, indicando em campo próprio esta sistemática de apuração. O que ocorreu no caso concreto; 4. Se a opção pelo lucro presumido deveria ocorrer antes do pagamento da última parcela do REFIS, ela foi realizada em tempo hábil; 5. A opção pelo lucro presumido é definitiva e se aplica para todo o anocalendário de apuração do Imposto de Renda (art. 516, §4º, RIR/99). Com efeito, ainda que o encerramento do REFIS tenha ocorrido antes da data para manifestação pelo lucro presumido (art. 516, §4º, RIR/99), a opção pelo lucro presumido é pertinente desde que realizada “durante o período”, ou seja, no mesmo exercício de encerramento do REFIS, nos termos do art. 4º da Lei nº 9.964/2000. Nesse sentido, as Soluções de Consulta nº 120, de 24/09/2007, 114, de 19/09/2007, e as demais soluções de consulta relacionadas na folha 230; 6. A VALESUL ALUMÍNIO S/A, empresa vinculada e pertencente ao mesmo grupo econômico da recorrente, obteve idêntico parecer, mediante a Solução de Consulta nº 414, de 02/09/2004, que deve também ser aplicado ao caso concreto; 7. O procedimento adotado pela fiscalização se traduz numa penalidade não prevista em lei, além de tratar igualmente situações absolutamente desiguais, pois impôs à impugnante – que adimpliu suas obrigações fiscais – uma pena só aplicada aos excluídos do REFIS; Da impossibilidade de apuração do lucro real 8. Caso não sejam acatadas as argumentações anteriores, a apuração pelo lucro real seria descabida vez que o art. 47 da Lei nº 8.981/95 determina o arbitramento do lucro nos casos de opção indevida pelo lucro presumido; 9. A apuração pelo lucro real também é descabida porque, como a própria autoridade lançadora reconhece, não havia possibilidade de composição do LALUR, cabendo, por mais este motivo, o arbitramento do lucro, na forma do art. 47, VIII, da Lei nº 8.981/95; Dos pagamentos existentes 10. A fiscalização não considerou no lançamento os recolhimentos já efetuados de Imposto de Renda e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativos ao anocalendário 2007; Do Pedido de Perícia Fl. 415DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10215.720150/201051 Acórdão n.º 1402001.128 S1C4T2 Fl. 0 4 11. Pede perícia contábil para que, em caso de reconhecimento da impossibilidade de permanência do contribuinte no lucro presumido durante o anocalendário 2007, sejam apurados os créditos devidos através da sistemática do lucro presumido, levandose em consideração os recolhimentos já efetuados. 12. Para comprovar suas alegações a impugnante juntou os documentos de folhas 244321. A decisão recorrida está assim ementada: LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO. O meio hábil de opção pelo Lucro Presumido é o pagamento da primeira ou única quota do IRPJ devido no primeiro período de apuração de cada anocalendário PESSOAS JURÍDICAS OBRIGADAS À APURAÇÃO DO LUCRO REAL. REFIS. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. POSSIBILIDADE. O art. 4º da Lei nº 9.964/00 autorizou que certas pessoas jurídicas, obrigadas à apuração do lucro real, optassem, excepcionalmente, pelo lucro presumido, no período em que estivessem submetidas ao Programa de Recuperação Fiscal REFIS. No ano de encerramento da participação da pessoa jurídica no REFIS, a aplicação do permissivo deve ser reconhecida ainda que o dia de encerramento do programa tenha ocorrido antes do momento hábil de opção do lucro presumido, hipótese em que a possibilidade da opção é estendida a esta última data. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10215.720150/201051 Acórdão n.º 1402001.128 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, a fiscalização considerou que a opção do contribuinte pelo Lucro Presumido é inválida porque, no momento da opção, efetivada pelo pagamento do IRPJ do primeiro período do ano, já havia sido encerrada a participação deste no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS. A recorrente, por sua vez, contestou o entendimento da fiscalização alegando que a opção pelo Lucro Presumido ocorrera antes mesmo do pagamento do IRPJ, através do pagamento do PIS e COFINS não cumulativo e da apresentação da DACON e da DCTF. Alega ainda que ainda que a opção pelo pagamento do IRPJ ocorreu em tempo hábil. Correto o entendimento da Decisão de 1a. instancia, no que tange a aplicação do art. 4º da Lei nº 9.964/00, dispositivo que autorizou que certas empresas, obrigadas à apuração do lucro real, dentre as quais as que apresentam receita anual superior a R$ 48.000.000,00, excepcionalmente, optassem pelo lucro presumido. Vejamos o que dispõe aludida norma: Art. 4º As pessoas jurídicas de que tratam os incisos I e III a V do art. 14 da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, poderão optar, durante o período em que submetidas ao Refis, pelo regime de tributação com base no lucro presumido. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, as pessoas jurídicas referidas no inciso III do art. 14 da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, deverão adicionar os lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior ao lucro presumido e à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. Por sua vez, a Lei nº 9.718/98 elevou o limite do lucro presumido. Art. 14. Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas: I cuja receita total, no anocalendário anterior seja superior ao limite de R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12 (doze) meses; (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] III que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior; IV que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do imposto; V que, no decorrer do anocalendário, tenham efetuado pagamento mensal pelo regime de estimativa, na forma do art. 2° da Lei n° 9.430, de 1996; [...] Fl. 417DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 10215.720150/201051 Acórdão n.º 1402001.128 S1C4T2 Fl. 0 6 Correto também o entendimento da decisão recorrida conquanto a forma de apuração do imposto de renda deve ser única para todo o anocalendário, conforme a seguir transcrito: (...) resta saber se o contribuinte pode optar pelo lucro presumido, na forma do art. 26, §1º, Lei nº 9.430/96, no mesmo ano e após o dia de encerramento de sua participação no REFIS Durante o período do anocalendário em que o contribuinte esteve submetido ao REFIS ele possuía o direito de optar pelo Lucro Presumido. Contudo, enquanto não encerrado o primeiro período de apuração do imposto não havia possibilidade de exercício do direito pois a obrigação tributária somente se materializa com a ocorrência do fato gerador e opção de lucro presumido somente se consuma com o pagamento da obrigação relativa ao primeiro período de apuração. Dessa forma, levandose em consideração o direito adquirido pelo contribuinte de optar pelo lucro presumido no curso do anocalendário em questão, ele não pode ficar prejudicado pela ausência de instrumentos hábeis que permitissem a opção durante o período em que esteve submetido ao REFIS. Do contrário, atentar seia contra os princípios da boafé e da isonomia tributária, pois o fisco estaria oferecendo um direito e negando seu exercício, estaria também tratando de maneira diferente contribuintes de similar situação. De efeito, na ausência de instrumentos hábeis que permitissem a opção pelo lucro presumido, devese buscar outras forma de exercício do direito. No caso concreto, nada mais justo e sensato do que estender a possibilidade de opção do lucro presumido ao pagamento da primeira ou única cota do imposto, referente ao primeiro período do ano calendário em que encerrou a participação no REFIS, ainda que esta participação tenha se dado em data anterior a data de vencimento do pagamento. Ante o que, considerase validada a opção do contribuinte pelo lucro presumido e, conseqüentemente, improcedente o lançamento. Pois bem, é pacifico nos autos que o contribuinte encerrou sua participação no Refis em 19/03/2007, mediante liquidação total dos débitos. Portanto, poderia mesmo ter permanecido no lucro presumido no anocalendário de 2007. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 418DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O
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Numero do processo: 10830.016762/2010-99
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
MATÉRIA NÃO LITIGIOSA.
Incabível discutir em sede de impugnação matéria que não tenha sido objeto do lançamento de ofício.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPROVAÇÃO.
À míngua de comprovação, rejeita-se a pretensa dedução de despesas médicas e previdência privada.
PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA.
Deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação da fraude. Incabível a aplicação da penalidade por presunção de fraude, em face de mera glosa das despesas pleiteadas como deduções a título de despesas médicas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício lançada, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães e Marcelo Vasconcelos de Almeida.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 MATÉRIA NÃO LITIGIOSA. Incabível discutir em sede de impugnação matéria que não tenha sido objeto do lançamento de ofício. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação, rejeita-se a pretensa dedução de despesas médicas e previdência privada. PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA. Deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação da fraude. Incabível a aplicação da penalidade por presunção de fraude, em face de mera glosa das despesas pleiteadas como deduções a título de despesas médicas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício lançada, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
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Incabível discutir em sede de impugnação matéria que não tenha sido objeto do lançamento de ofício. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação, rejeitase a pretensa dedução de despesas médicas e previdência privada. PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA. Deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação da fraude. Incabível a aplicação da penalidade por presunção de fraude, em face de mera glosa das despesas pleiteadas como deduções a título de despesas médicas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício lançada, reduzindoa ao percentual de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 67 62 /2 01 0- 99 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10830.016762/201099 Acórdão n.º 2801002.964 S2TE01 Fl. 248 2 75%, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ/SP2/SP. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Tratase de Auto de Infração (fls. 01/10), referente aos anos calendário de 2005, 2006 e 2007, que resultou no lançamento de um crédito tributário total de R$ 60.388,77, já incluídos juros de mora e multa de ofício. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 07/10, com fulcro no artigo 835 e 928 do Decreto n° 3.000/99, que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), e tendo em vista que as Declarações de Imposto de Renda do contribuinte (DIRPF's) dos exercícios de 2006 a 2009 encontravamse em análise devido a uma ação judicial (n° 2010.63.03.0018443), a autoridade fiscal realizou procedimento fiscal perante o contribuinte. Consta do aludido Termo que o contribuinte ingressou com ação ordinária de repetição de indébito requerendo a restituição de imposto de renda retido na fonte, incidente sobre os pagamentos de verbas decorrentes de relação jurídica de trabalho (aviso prévio, férias proporcionais não gozadas e respectivo terço, 13° proporcional e multa FGTS), referentes ao período de 20/06/2008 a 22/10/2008, laborado na empresa Minupar Participações S/A., por constituírem indenização em pecúnia. Em primeira instância, a ação foi julgada parcialmente procedente, declarandose a inexistência de relação jurídico tributária relativa ao IRPF incidente sobre os valores recebidos pela parte autora a título de verbas de caráter indenizatório entre as quais não se incluem as verbas recebidas a título de 13° salário ou gratificação natalina e, por conseguinte, o direito à repetição dos referidos valores, bem como para condenar a União a, no prazo de 30 dias após o trânsito em julgado, Fl. 248DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10830.016762/201099 Acórdão n.º 2801002.964 S2TE01 Fl. 249 3 proceder ao alinhamento retificatório das declarações de ajuste anual do imposto de renda da parte autora. Tal decisão transitou em julgado em 09/08/2010. Os parâmetros fixados no julgado foram considerado pela autoridade fiscal que intimou o contribuinte ainda a comprovar a legitimidade das deduções pleiteadas nas DIRPF's relativas aos anoscalendário em comento. Ressalta, todavia, a autoridade fiscal, que a revisão dos valores relativos exercício de 2009, anocalendário 2008, a despeito de terem sido objeto da mesma ação fiscal, não figuram no Auto de Infração ora analisado. Por esta razão, o montante a restituir apurado na revisão do referido exercício, a despeito de ter sido objeto da mesma ação fiscal, será pago via Justiça Federal, processo n° 2010.63.03.0018443. Em atendimento à intimação, o contribuinte apresentou cópias de diversos documentos e algumas afirmações, assim relatadas pela autoridade fiscal: Dependentes Declarados: com relação ao sogro/sogra, não traz comprovantes de rendimentos vez que até aquela data (25/10/2010), o INSS não havia encaminhado. Esclarece a autoridade fiscal que o sogro/sogra não foram aceitos como dependentes devido ao fato de sua declaração não ser em conjunto com sua esposa e a declaração somente seria considerada em conjunto quando o dependente, no caso de sua esposa, possuir rendimento tributável. Como a esposa não possui rendimento tributável, os sogros do contribuinte não poderiam ser dependentes. Relativamente ao dependente Tarcísio Nogueira de Macedo, aduz que o contribuinte não comprovou que seria estudante universitário no anocalendário de 2005; Pagamentos e Doações: 1) Pagamentos a Bruna Godoy e Rosângela Siqueira Amorim: a despeito de o contribuinte ter afirma que se tratavam de atendimentos mensais e pagos em dinheiro, a autoridade fiscal considerou como não comprovado nenhum pagamento. 2) Os demais pagamentos foram separados por anocalendário: 2.1) 2005: indaga o contribuinte porque a autoridade fiscal aceitou a dependência de Maria de Lurdes Alves Pereira e não aceita os pagamentos realizados à Sociedade de Ensino Estácio de Sá, Anhanguera, Maria Izabel Guimarães e Sermed Saúde. A autoridade fiscal esclarece que, como na DIRPF anocalendário de 2006 Maria de Lurdes Alves Pereira não consta como dependente do contribuinte, nem os pais delas podem ser dependentes e nem as despesas dela podem ser deduzidas; 2.2) 2006: Indaga a respeito da Sermed Saúde. A autoridade fiscal aduz que no anocalendário em questão não figuram dependentes na DIRPF do contribuinte. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10830.016762/201099 Acórdão n.º 2801002.964 S2TE01 Fl. 250 4 Relativamente ao Bradesco Seguro, aduz que os documentos acostados não seriam hábeis para comprovação da despesa (proposta de inscrição em plano de previdência privada); 2.3) 2007: Indaga a respeito das despesas de Anhanguera. O contribuinte não apresentou nenhum documento; Acrescenta a autoridade fiscal que a multa foi qualificada (150%), pois o contribuinte vem apresentado, sistematicamente, DIRPF's com "informações, que em tese são falsas, com objetivo de DEIXAR DE PAGAR IMPOSTO OU RECEBER RESTITUIÇÃO". As deduções foram majoradas para todos os anos revisados, configurando, portanto, prática reiterada, o que afasta a alegação de mero erro ou lapso (art. 44, § I o , da Lei n° 9.430/96 c.c art. 71 da Lei n° 4.502/64). Ao final, consigna que foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, por configurar, em tese, crimes previstos nos art. 1ºo e 2º da Lei nº 8.137/90. Lavrado o Auto de Infração, o contribuinte apresentou a defesa de fls. 163/169, na d alega, em síntese: * Quanto aos sogros, afirma que nas normas de declaração IRPF existiria a possibilidade de companheiro ser dependente, conforme item 328 do perguntas e respostas IRPF 2010). Portanto, incorreria em erro a autoridade fiscal ao alegar que somente é aceita esposa com rendimentos tributáveis. Acrescenta que configuraria outro erro não aceita os sogros como dependentes, pois no item 333 do mesmo perguntas e respostas constaria a faculdade de inclusão dos sogros quando há dependência da esposa, se auferirem renda anual inferior a R$ 17.215,08 (2010), o que proporcionalmente, nunca teria sido auferido pelos sogros que no ano de 2010, por exemplo, tinham aposentadoria de menos de R$ 1.000,00/mês; * Especificamente quanto às despesas médicas, aduz que foi prejudicado pela não aceitação dos sogros, não sendo aceita a assistência médica dos "idosos" e da esposa; * Quanto ao pagamento à fisioterapeuta Bruna Godoy e à psicóloga Rosângela Siqueira Amorim, afirma que a conduta da autoridade fiscal foi absurda, pois apresentou recibos assinados e com todos os dados necessários do emitente, tendo os pagamentos sido feitos em dinheiro. Questiona se seria ilícito pagar em dinheiro. * Quanto à multa qualificada afirma que nunca teve problemas com a receita e muito menos implicação criminal e moral e que se trata de acusação grave, leviana e maldosa, devendo haver investigação minuciosa das alegações apontadas de fraude e falsificação; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10830.016762/201099 Acórdão n.º 2801002.964 S2TE01 Fl. 251 5 * Relativamente à previdência privada, afirma que o documento apresentado foi emitido por instituição financeira habilitada no país e que não se trata de documento inventado, falsificado ou forjado; * Especificamente quanto às despesas com instrução, afirma que juntou comprovantes dos pagamentos das mensalidades escolares; * Afirma ter sido destratado durante o procedimento fiscal.” A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 190/204, que restou assim ementado: GLOSA DE DEDUÇÃO SOGROS . Somente é admitida a dedução de sogros como dependente quando constar assinalado na DIRPF entregue pelo interessado a opção do cônjuge estar apresentando Declaração de Ajuste em conjunto com este. Inteligência do artigo 35 da Lei n° 9.250/95. GLOSA D E DEDUÇÕES . O direito às suas deduções condicionase à comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos. Artigo 73, 80, § Io , III, e 797 do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Deve estar plenamente configurada a existência de dolo para que se possa impor ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência. Art. 44 da Lei n° 9.430/1996 c.c artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502 de 30/11/1964. Regularmente cientificado daquele acórdão em 15/06/2011 (fl. 207), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 238/240, em 15/07/2011. Em sua defesa, alega que: · O artigo 35 da Lei 9250/95 prevê que os pais podem ser considerados dependentes na declaração dos filhos, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não superiores aos limites de isenção previstos na legislação, caso em que se aplica aos pais de minha mulher. Ademais, a glosa nos anoscalendário 2005 e 2006, entendo serem equivocadas, pois o fato de não estarem em conjunto nas minhas DIRPF's, não descaracteriza dependência financeira, pois tanto minha mulher quanto seus pais não receberam rendimentos suficientes para sequer pagar o valor mensal do plano médico e muito menos custos com Educação (faculdade), fato este que poderá ser constato pela RFB nas DIRF'S deles; · Todos os pagamentos das despesas médicas foram comprovados através de recibos onde estão especificados a indicação de nome e Fl. 251DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10830.016762/201099 Acórdão n.º 2801002.964 S2TE01 Fl. 252 6 CPF, de quem os recebeu. Entendo ainda que a confirmação destes pagamentos deve ser verificada nas DIRPF's dos profissionais; · O único documento de previdência privada que dispõe é o que foi apresentado; · A aplicação de multa qualificada de 150%, é uma excepcionalidade a regra, pois subentendese a comprovação de documentos com intuito fraudulento. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Quanto à glosa da dedução de dependentes com os sogros, verificase que somente ocorreu relativamente ao anocalendário de 2007, dado que o contribuinte não os relacionou como dependentes nos anoscalendário de 2005 e 2006. Como já foi restabelecida a referida dedução pela decisão recorrida, não resta mais litígio no que se refere a essa matéria. Melhor sorte não socorre o interessado no que tange às despesas médicas declaradas com à fisioterapeuta Bruna Godoy e à psicóloga Rosângela Siqueira Amorim, uma vez que o recorrente não logrou comprovar o efetivo pagamento dessas despesas, conforme exigido pela fiscalização. Diferentemente do que aduz o recorrente, não se trata de exigências descabidas ou ilegais, já que a legislação que rege a matéria dispõe que todas deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, conforme se depreende dos dispositivos abaixo, cabendo ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). O que não cabe aqui é admitirse a dedução de despesas médicas em valor significativo, como na espécie, sem tais comprovações. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10830.016762/201099 Acórdão n.º 2801002.964 S2TE01 Fl. 253 7 Assim, tão importante quanto o preenchimento dos requisitos formais do documento comprobatório da despesa, é a constatação da efetividade do pagamento direcionado ao fim indicado. Isto quer dizer que os documentos relacionados às despesas permitidas como dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda não representam uma presunção absoluta e inquestionável, pois, sempre que necessário, a autoridade tributária poderá exigir do sujeito passivo a comprovação da sua efetividade/pagamento. Portanto, a exigência de comprovação do efetivo pagamento encontrase amparada na legislação e nos elementos fáticos existentes, razão pela qual deve ser mantida a glosa correspondente. Também deve ser mantida a glosa da dedução de previdência privada, vez que o contribuinte não carreou aos autos o comprovante dos pagamentos efetuados a tal título nos anoscalendários de 2006 e 2007. Da mesma forma, a dedutibilidade das despesas com instrução não merece reparos, por falta de elementos de provas. Em relação à aplicação da multa de oficio qualificada mantida pela decisão de primeira instância, impende verificar se a conduta estampada nos autos coadunase aos tipos abstratos da qualificação previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96, ou seja, se está comprovado o evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72, 73 da Lei nº 4.502/1964. As infrações decorrentes de glosas de despesas ou omissões de rendimentos são apenadas, como regra, com multa de ofício de 75%. Inclusive, foi editada a Súmula CARF nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”, a demonstrar que a simples omissão de receitas ou rendimentos não autorizam a qualificação da multa de ofício. Nesse sentido, para qualificar a multa de ofício, mister a ocorrência de uma conduta delituosa que exceda a simples omissão de rendimentos ou a glosa de despesas. Neste último caso, como exemplo, a qualificação da multa deve ser mantida quando o contribuinte utiliza um documento que se reputa falso, ideológica ou materialmente, para alicerçar a despesa dedutível, tal como um recibo médico inidôneo. Não foi o que aconteceu nestes autos. Tratouse, na espécie, de glosa de despesa médicas, despesas com instrução e despesas com previdência privada, para as quais o contribuinte não apresentou os recibos e/ou comprovante de pagamentos hábeis a confirmar as despesas declaradas. Como se vê, não foi demonstrada a utilização de recibos, material ou ideologicamente, falsos, aí sim, uma hipótese que autorizaria a qualificação para o caso vertente. Assim, considerando que não se conseguiu imputar ao recorrente uma conduta adicional, além da decorrente de meras glosas das deduções a título de despesa médicas, despesas com instrução e previdência privada. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício lançada, reduzindoa ao percentual de 75%. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10830.016762/201099 Acórdão n.º 2801002.964 S2TE01 Fl. 254 8 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 254DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
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Numero do processo: 13161.720035/2010-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 06/07/2007 a 28/12/2009
CONCOMITÂNCIA DE PROCESSOS NA ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. INEXISTÊNCIA.
Uma vez que administrativamente discute-se duplicidade da exigência tributária, e no contencioso judicial discute-se a inexigibilidade das contribuições sobre a importação, inexiste identidade de objetos entre os processos administrativo e judicial, e por via de conseqüência, a concomitância de processos.
Numero da decisão: 3101-001.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 26/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 06/07/2007 a 28/12/2009 CONCOMITÂNCIA DE PROCESSOS NA ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. INEXISTÊNCIA. Uma vez que administrativamente discute-se duplicidade da exigência tributária, e no contencioso judicial discute-se a inexigibilidade das contribuições sobre a importação, inexiste identidade de objetos entre os processos administrativo e judicial, e por via de conseqüência, a concomitância de processos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Corintho Oliveira Machado - Relator. EDITADO EM: 26/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva.
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INEXISTÊNCIA. Uma vez que administrativamente discutese duplicidade da exigência tributária, e no contencioso judicial discutese a inexigibilidade das contribuições sobre a importação, inexiste identidade de objetos entre os processos administrativo e judicial, e por via de conseqüência, a concomitância de processos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 26/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 00 35 /2 01 0- 48 Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Corintho Oliveira Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Dos antecedentes da autuação A empresa obteve, antes da autuação, tutela antecipada na ação ordinária nº 2004.61.00.0332672 ajuizada na 13ª Vara Federal de São Paulo – SP, para deixar de recolher as contribuições relativas ao PIS e COFINS sobre suas importações. A referida ação judicial é acompanhada administrativamente no processo 10814.003588/200555. Para prevenir a decadência foram lavrados os presentes autos de infração relativos às declarações de Importação DI parametrizadas para o canal verde no período de apuração em referência. Outras DI da empresa foram objeto de ação fiscal semelhante em outros processos administrativos. Da autuação Realizado o levantamento fiscal de fls. 02/223 (volumes I e II) foram lavrados, em 25/11/2010, o auto de infração de fls. 224/640 relativo à COFINS – importação e auto de infração de fls. 643/1061 relativo ao PIS/PASEP – importação, totalizando, respectivamente, R$ 15.808.085,73 e R$ 2.818.911,28, com os fundamentos da Lei nº 10.865/2004 que instituiu as referidas contribuições. Além do relatado nos antecedentes da autuação e dos demonstrativos de apuração do crédito tributário, a fiscalização consignou, em apertada síntese ( volumes II, III, IV e V ), que a empresa não informava o nº do processo judicial no campo próprio da Declaração de Importação – DI, fazendoo somente no campo genérico destinado a dados complementares. Da impugnação Cientificado do auto de infração por Aviso de RecebimentoAR em 06/12/2010, o autuado apresentou em 16/12/2010 a impugnação de fls. 1064/1106 (volume V), onde, em síntese, argumenta que: reconhece o direito do fisco proceder a lançamento para prevenção de decadência no caso de ajuizamento de ação pelo contribuinte, mas no presente caso a nulidade da autuação decorre de duplicidade de exigência, caso venha a ser cobrado do crédito tributário lançado nestes autos de infração; não se discute aqui a inexigibilidade das contribuições na importação, mas a impossibilidade da empresa sofrer Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13161.720035/201048 Acórdão n.º 3101001.332 S3C1T1 Fl. 3 3 lançamento face tratarse de mera antecipação de caixa e, independente da decisão judicial final, não haveria mais o que se pagar pois já o fizera integralmente na fase posterior à importação. em que pese o ajuizamento de referida ação judicial, que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário ora debatido, necessário se faz reconhecer a nulidade destes autos de infração em vista do recolhimento integral das contribuições na operação subseqüente, qual seja, a saída do produto (Pis e Cofins sobre faturamento), sem abatimento dos créditos do Pis – importação e Cofins – importação, o que representa duplicidade de exigência, se subsistir o presente lançamento. Continua a impugnante a discorrer sobre a sistemática da não cumulatividade estatuída pelo artigo 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, para afirmar que os valores acaso despendidos pelo importador com o Pis e Cofins seriam obrigatoriamente descontados do montante posteriormente recolhido a título de Pis e Cofins faturamento, como resultado do confronto do saldo devedor e/ou credor de conta gráfica da escritura contábil fiscal. A DRJ em FORTALEZA/CE não conheceu, parcialmente, da impugnação para: I considerála IMPROCEDENTE, no que se refere à arguição de nulidade do auto de infração; II DECLARAR DEFINITIVO, na esfera administrativa, o crédito lançado referente a COFINS – importação e PIS – importação, em virtude de estar sendo objeto de discussão na esfera judicial, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 06/07/2007 a 28/12/2009 EVENTO DEPENDENTE DE TRÂNSITO EM JULGADO Impedidas estão as autoridades administrativas de perquirir quanto a evento futuro e incerto resultante de pagamento de crédito tributário dependente do trânsito em julgado de ação judicial na qual a reclamante objetiva afastar o lançamento. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA PARCIAL ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. OCORRÊNCIA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas. O processo administrativo terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 06/07/2007 a 28/12/2009 Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE DA COFINS E PIS/PASEP O lançamento das contribuições Pis/Pasep e Cofins devidas na importação tem base de cálculo, fato gerador e momento de sua ocorrência distintos daqueles observados no lançamento destas contribuições devidas no faturamento. Cada obrigação há de ser cumprida ao seu tempo e compensada na forma preconizada pela sistemática da nãocumulatividade, sem inversão da seqüência cronológica dos respectivos fatos geradores. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, no qual sustenta não haver concomitância entre os processos judicial e administrativo, porquanto neste plano não se discute a inexigibilidade das contribuições na importação (discussão judicial), mas a impossibilidade da empresa sofrer lançamento a título das aludidas contribuições, uma vez que já as recolheu a título de PISCOFINS Faturamento, e independente da decisão judicial final, não há mais o que pagar, pois já o fizera integralmente na fase posterior à importação; reprisa os argumentos esgrimidos na peça vestibular de defesa e ao final requer a reforma do acórdão a quo, para que seja reconhecido o direito de crédito da recorrente quando do recolhimento do PISCOFINS Faturamento, e afastada a dupla exigência fiscal. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Consoante o minucioso relatório da decisão guerreada, a recorrente sustenta, em síntese apertada, duplicidade de lançamento a título de PIS e Cofins, pois devido à sistemática da não cumulatividade, o valor que teria pago em virtude dos fatos geradores de PIS/Cofins Importação também lhe daria direito aos mesmos créditos, quando da imposição do Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13161.720035/201048 Acórdão n.º 3101001.332 S3C1T1 Fl. 4 5 PIS/Cofins Faturamento, e como a recorrente já pagou tais contribuições sobre o faturamento sem valerse dos créditos a que teria direito a título de PIS/Cofins Importação, considera estar quite com a União sob esse aspecto. O conteúdo do pedido impugnatório é pelo exposto e em que pese a existência de ação judicial que discute a inconstitucionalidade da Lei 10.865/2004, requer sejam consideradas as razões ora trazidas, julgandose improcedente o auto de infração impugnado em sua totalidade, ante ao recolhimento integral de PIS e Cofins faturamento, sem utilização do crédito que a empresa teria direito se tivesse arcado com o recolhimento de PIS e Cofins importação. Releva apontar que durante a exposição da impugnante, fls. 1.066/1.067, é chamada a atenção dos julgadores administrativos para o fato de que a demanda judicial não guarda qualquer identidade com a defesa administrativa, pois aqui se discute duplicidade da exigência tributária; ao passo que lá a discussão versa sobre inexigibilidade das contribuições sobre a importação. A despeito disso, a decisão recorrida entendeu por decretar renúncia parcial à esfera administrativa, porém sem explicitar qual matéria exatamente seria concomitante. Limitouse a tratar alongadamente sobre a inexistência de nulidade no lançamento. Da análise das peças trazidas aos autos, penso que não há qualquer concomitância entre os processos administrativo e judicial no caso vertente, e ipso facto vislumbro fragilizado o quanto decidido pelo órgão julgador de primeira instância, bem por isso voto no sentido de PROVER O RECURSO, para afastar a concomitância aplicada no presente caso, e para que retorne o expediente à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de origem, onde devem ser analisadas as demais circunstâncias do lançamento. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 13839.000604/99-59
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621).
O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005).
No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito.
Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito.
Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito.
Numero da decisão: 9900-000.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005). No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA COMPROVADA. Ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, devendo ser aplicado o prazo conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 06 04 /9 9- 59 Fl. 560DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13839.000604/9959 Acórdão n.º 9900000.505 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário, fls. 0455 interposto dentro do prazo regimental pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0448, que decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: PIS. RESOLUÇÃO DO SENADO. Na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal, o prazo de cinco anos para apresentação do pedido, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, iniciase na data da publicação da resolução. Como regra geral, a declaração de inconstitucionalidade de um certo ato normativo tem efeito "ex tunc", não cabendo buscar a preservação visando a interesses momentâneos e isolados. Precedentes jurisprudenciais. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso especial. Em seu recurso extraordinário a PGFN alega, em síntese, que: 1. O acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Terceira e Quarta Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdãos 930300.080 e CSRF/04 00.810); 2. A divergência ocorreu na medida em que desconsiderou que o Código Tributário Nacional, em seu art. 168, fixa, sem qualquer ressalva, a data do pagamento indevido como sendo o marco inicial para a contagem do prazo prescricional, além das disposições da LC 118; 3. O acórdão diverge das determinações do CTN (Art. 156 e 168) e da Lei Complementar 118/2005 (Arts. 3º e 4º); 4. Em razão do exposto, roga pelo conhecimento e pelo provimento do seu recurso. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Por despacho, fls. 0517, deuse seguimento ao recurso extraordinário. O sujeito passivo, devidamente intimado, apresentou suas contra razões, fls. 0520, alegando, em síntese, que: 1. A PGFN busca discutir matéria já preclusa; 2. A insurgência da Recorrente somente poderia residir no especifico aspecto do prazo decadencial aplicável dos recolhimentos a serem repetidos/compensados, ou seja, eficácia retroativa da declaração de inconstitucionalidade dos dispositivos que ensejaram indevidos recolhimentos; 3. Não foi comprovada a divergência para a admissibilidade do recurso; 4. Não procedem as razões sustentadas pela PGFN; 5. Requer, por fim, que seja negado seguimento ao apelo fazendário. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13839.000604/9959 Acórdão n.º 9900000.505 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Para esclarecimento da questão, o(s) fato(s) geradores ocorreram em 07/1988 a 09/1995, fls. 003, e o pedido de restituição ocorreu em 07/04/1999, fls. 001. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) fixaram entendimentos que devem ser seguidos obrigatoriamente por este colegiado, conforme determinação regimental. O STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621), em acórdão assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões Fl. 564DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005): “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” Fl. 565DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13839.000604/9959 Acórdão n.º 9900000.505 CSRFPL Fl. 5 7 (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos EREsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si" (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Fl. 566DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (07/04/1999), aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. CONCLUSÃO: Ante o exposto, voto por conhecer do recurso extraordinário da Fazenda Nacional e darlhe parcial provimento, para não acolher o direito de repetição de indébito do contribuinte para os fatos geradores ocorridos anteriormente à 07/04/1989. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 567DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13830.000318/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Ano-calendário: 2009
Ementa:
OPÇÃO. SIMPLES. DEFERIMENTO. REGULARIDADE FISCAL. COMPROVAÇÃO.
Comprovado o pagamento ou suspensa a exigibilidade dos tributos em
aberto à época do pleito, deve ser deferida a inclusão no Simples.
Numero da decisão: 1102-000.780
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano-calendário: 2009 Ementa: OPÇÃO. SIMPLES. DEFERIMENTO. REGULARIDADE FISCAL. COMPROVAÇÃO. Comprovado o pagamento ou suspensa a exigibilidade dos tributos em aberto à época do pleito, deve ser deferida a inclusão no Simples.
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SIMPLES. DEFERIMENTO. REGULARIDADE FISCAL. COMPROVAÇÃO. Comprovado o pagamento ou suspensa a exigibilidade dos tributos em aberto à época do pleito, deve ser deferida a inclusão no Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. documento assinado digitalmente ALBERTINA SILVA SANTOS LIMA Presidente. documento assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Antonio Carlos Guidoni Filho (vicepresidente), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes e João Carlos Figueiredo Neto. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 05/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13830.000318/200914 Acórdão n.º 110200.780 S1C1T2 Fl. 30 2 Relatório Cientificada do Termo de Indeferimento da Opção Pelo Simples Nacional fundamentado na existência de débitos tributários exigíveis (fl. 15), a Recorrente apresentou Impugnação aduzindo, em síntese, que solicitou uma pesquisa de situação fiscal quando formalizou o pedido de ingresso no Simples, em janeiro de 2009, e efetuou o pagamento à vista ou parcelado de todos os débitos relacionados, o que autorizaria o deferimento do seu pleito. A DRJ de Ribeirão Preto manteve o indeferimento (fls. 25/26), com base no art. 7º, da Resolução CGSN n.º 4, de 30 de maio de 2007, que fixou o dia 20 de fevereiro de 2009 como termo final para a regularização de pendências impeditivas ao ingresso do Simples haja vista a persistência de débito referente a tributo federal em 31/03/09, relativo à competência de 04/03, no valor de R$ 33,26 (fls. 18/20). Intimada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, aduzindo que o débito remanescente e apresentado pela DRJ não poderia ensejar o indeferimento do pleito, uma vez que referente à competência de abril de 2003, antes do deferimento da opção ao Simples Nacional em 01 de julho de 2007, acrescentando que foi excluída do referido programa por ter feito esta opção. É o relatório. Voto Conselheiro SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO O recurso é tempestivo, passo a apreciálo. Insurgese a Recorrente contra decisão que indeferiu o pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional, em razão de débito, no valor de R$ 33,26 (trinta e três reais e vinte e seis centavos), referente à competência de abril de 2003, código 6106, conforme situação fiscal extraída em 31 de março de 2009 (fls. 18/20). Compulsando os autos, verifiquei que o débito utilizado pela decisão a quo para indeferir o pleito da Recorrente foi integralmente pago à vista, com os redutores da Medida Provisória 449, de 03 de dezembro de 2008, conforme guia acostada na fl.12. De acordo com o §2, do art. 1º, da referida Medida Provisória, o pagamento à vista de dívidas de pequeno valor com a Fazenda Nacional afastou a exigência da multa moratória e, ainda, reduziu 30% (trinta por cento) dos juros devidos. Considerando que o pagamento efetuado em fevereiro de 2009 pela Recorrente corresponde à integralidade da exigência, equivocada a cobrança da suposta diferença de R$ 33,26 (trinta e três reais e vinte e seis centavos) e inexistentes pendências fiscais à época do pleito de inclusão no Simples Nacional. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 05/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13830.000318/200914 Acórdão n.º 110200.780 S1C1T2 Fl. 31 3 Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, a fim de que deferido o pleito de inclusão no Simples Nacional formulado pela Recorrente É como voto. documento assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora Fl. 34DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 05/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 13851.000063/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
ÁREA DE PASTAGEM. PROVA.
Incabível considerar como área de pastagem aquela que veio desacompanhada de elemento hábil de prova da efetividade do uso declarado.
Numero da decisão: 2201-001.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Ricardo Anderle (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 ÁREA DE PASTAGEM. PROVA. Incabível considerar como área de pastagem aquela que veio desacompanhada de elemento hábil de prova da efetividade do uso declarado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Ricardo Anderle (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
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PROVA. Incabível considerar como área de pastagem aquela que veio desacompanhada de elemento hábil de prova da efetividade do uso declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Ricardo Anderle (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2000, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 05/14), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 00 63 /2 00 5- 18 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 R$ 3.250,53, do imóvel denominado “Fazenda Santo Antônio”, localizado no município de Ibitinga SP. A fiscalização glosou toda a área informada como pastagens (37,7 ha), tendo em vista que o contribuinte não declarou a existência de animais no imóvel. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: ... que se encontra em dificuldades financeiras, razão pela qual não tem condições de manter gado próprio na propriedade. Informa que tem alugado o pasto ao proprietário do imóvel vizinho. Sustenta que possui área de proteção ambiental no imóvel, o que limita a exploração econômica da propriedade. Informa que já providenciou a venda do imóvel e que o novo proprietário providenciará a averbação da área de reserva legal. Solicita a unificação dos processos 13851.000063/2005 18, 13851.000065/200507, 13851.000066/200543 e 13851.001609/.200388, haja vista que há divergências quanto ao grau de ocupação apurado em cada lançamento. A 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: RESERVA LEGAL. ADA. AVERBAÇÃO. Para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar averbada na Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis em data anterior à da ocorrência do fato gerador do ITR e ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. PASTAGENS. ÍNDICE DE RENDIMENTO. A aplicação do índice de rendimento da pecuária decorre de disposição legal contida no art. 10, § 1°, inc. "V", "b", da Lei n° 9.393/96, não havendo previsão legal para que o índice possa ser afastado pela autoridade julgadora. ÁREA UTILIZADA. Não é possível a alteração da área utilizada considerada no Auto de Infração, quando o contribuinte não comprova, mediante documentação hábil, que a utilização do imóvel deuse em nível superior ao constante do lançamento. Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 08/10/2007 (fl. 47), Ivoneo Galletti apresenta Recurso Voluntário em 07/11/2007 (fls. 68/69), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Fl. 79DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13851.000063/200518 Acórdão n.º 2201001.989 S2C2T1 Fl. 3 3 Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Como visto do relatório, a fiscalização glosou a área de pastagens declarada (37,7 ha), por não ter sido comprovado a existência de qualquer rebanho apascentado na propriedade naquele ano (1999), exercício 2000. Em sua peça recursal alega o suplicante que por não possuir animais cedeu em comodato a área de pastagem ao Sr. Fábio Pinto da Costa, conforme declaração de fl. 23. Pois bem, compulsandose os autos, verificase que a única prova carreada que, em tese, comprovaria a utilização da área de pastagem foi a declaração prestada por Fábio Pinto da Costa às fl. 23. Entretanto, a simples declaração firmada, informando que efetuou um contrato de comodato para utilização do pasto pertencente ao recorrente, é absolutamente insuficiente para comprovar a utilização da área de pastagem. Com efeito, deveria o suplicante apresentar, além da declaração firmada pelo Sr. Fábio Pinto da Costa, o contrato de comodato, Ficha Registro de Vacinação e Movimentação de Gado ou qualquer documento que comprovasse a existência de animais na propriedade. Destarte, a ausência de documentação hábil, comprovando a existência de gado na propriedade no período autuado, autoriza a glosa de área de pastagem. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 80DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10970.000660/2008-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE.
O pagamento de pensão alimentícia, por mera liberalidade, a filho maior de 24 anos, em hipótese não prevista nas normas do direito de família, não está sujeito à dedução fiscal, ainda que homologado em juízo para efeitos civis.
IRPF. DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS.
O art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda estabelece que Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II).
Neste sentido, havendo comprovação do cumprimento desses requisitos em um dos casos, há de ser admitida referida dedutibilidade, à luz do disposto pelo referido dispositivo legal.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n. 2).
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 7.350,00. Vencida a Conselheira Célia Maria de Souza Murphy, que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IRPF. DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE. O pagamento de pensão alimentícia, por mera liberalidade, a filho maior de 24 anos, em hipótese não prevista nas normas do direito de família, não está sujeito à dedução fiscal, ainda que homologado em juízo para efeitos civis. IRPF. DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. O art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda estabelece que Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). Neste sentido, havendo comprovação do cumprimento desses requisitos em um dos casos, há de ser admitida referida dedutibilidade, à luz do disposto pelo referido dispositivo legal. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n. 2). Recurso provido em parte.
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DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE. O pagamento de pensão alimentícia, por mera liberalidade, a filho maior de 24 anos, em hipótese não prevista nas normas do direito de família, não está sujeito à dedução fiscal, ainda que homologado em juízo para efeitos civis. IRPF. DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. O art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda estabelece que “Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II).” Neste sentido, havendo comprovação do cumprimento desses requisitos em um dos casos, há de ser admitida referida dedutibilidade, à luz do disposto pelo referido dispositivo legal. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n. 2). Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 06 60 /2 00 8- 32 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10970.000660/200832 Acórdão n.º 2101002.057 S2C1T1 Fl. 81 2 R$ 7.350,00. Vencida a Conselheira Célia Maria de Souza Murphy, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 78/102) interposto em 24 de junho de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) (fls. 67/74), do qual o Recorrente teve ciência em 25 de maio de 2011 (fl. 77), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 02/04, lavrado em 19 de dezembro de 2008, em decorrência de dedução indevida de pensão alimentícia judicial, verificada no anocalendário de 2003. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Não se pode acatar como dedução, por absoluta falta de amparo legal, os valores pagos pelo contribuinte, na constância da sociedade conjugal, aos seus filhos e a sua sogra, a guisa de "pensão alimentícia judicial", não obstante a existência de acordos judiciais homologados que oficializem, mas não para fins de Imposto de Renda, a realização de tais pagamentos. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A multa de ofício, prevista na legislação de regência, é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, Fl. 121DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10970.000660/200832 Acórdão n.º 2101002.057 S2C1T1 Fl. 82 3 não podendo a autoridade administrativa furtarse à sua aplicação ou conceder desconto não previsto em lei. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 67). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 78/102, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Discutese, no presente caso, questão relativa à dedução de pensão alimentícia consensual, especificamente no que se refere à possibilidade de dedução para fins fiscais de pensão alimentícia paga a filhos maiores e à sogra do Recorrente, as quais foram objeto de homologação em juízo. Em relação à dedutibilidade da pensão judicial, assim dispõe o art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000/99): “Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). §1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. §3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. §4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). §5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10970.000660/200832 Acórdão n.º 2101002.057 S2C1T1 Fl. 83 4 anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º).” Na esteira do referido dispositivo legal, o Código Civil de 2002, da mesma forma que já dispunha em linhas gerais o Estatuto de 1916, estabelece, em caráter geral, o dever de alimentos entre parentes, cônjuges ou companheiros. No tocante ao capítulo específico relativo aos “alimentos”, determina o citado codex o seguinte: “Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. § 1º Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. § 2º Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecêlos, sem desfalque do necessário ao seu sustento. (...) Art. 1.701. A pessoa obrigada a suprir alimentos poderá pensionar o alimentando, ou darlhe hospedagem e sustento, sem prejuízo do dever de prestar o necessário à sua educação, quando menor.” Na hipótese dos autos, como se adiantou, discutese se o Recorrente pode deduzir ou não a pensão decorrente de acordo homologado judicialmente, em que figuram como alimentandos os filhos maiores (HÉLIO LINDOSO QUEIROZ – CPF 034.764.50627, nascido em 11/12/1975, MARIANA LINDOSO QUEIROZ – CPF: 047.860.94692, nascida em 12/03/1978) e também a sogra CREUSA DE NEGREIROS LINDOSO, CPF 111.458.707 91. Como cediço, a doutrina e a jurisprudência majoritária admitem que o pagamento de pensão alimentícia se dê até os 24 (vinte e quatro) anos de idade, mas, neste caso, deve ser comprovado que o alimentando é estudante regularmente matriculado em estabelecimento de ensino superior, sem condições próprias de subsistência. Em tais circunstâncias, o filho do casal ou continua na condição de dependente, informando, assim, os valores recebidos a título de pensão na declaração de ajuste anual apresentada por seu pai ou sua mãe ou passa a apresentar declaração de ajuste anual em seu próprio nome informando os rendimentos recebidos (pensão). A legislação tributária não permite a cumulação da dedução da dependência com a dedução do pagamento da pensão judicial. Verificase que, à época da homologação do acordo de fls. 15/17 no qual se propôs alimentos aos filhos (ano de 1998), nenhum deles havia ainda completado 24 anos, motivo pelo qual, em face do entendimento atual externado no Direito de Família, a pensão alimentícia ainda poderia ser tida como devida. Aliás, por meio da quota de fl. 18 dos autos, percebese que o Ministério Público concordou com os alimentos em razão dos filhos serem, à época, universitários. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10970.000660/200832 Acórdão n.º 2101002.057 S2C1T1 Fl. 84 5 Ocorre que, na época do fato gerador ora discutido, os filhos já possuíam idade superior a 24 anos, de tal sorte que não se poderia mais falar em “pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família”, tendo em vista que, pelo direito de família, não seria mais obrigatório o pagamento dos alimentos aos filhos maiores de 24 anos. Além disso, mesmo em relação à época da homologação do acordo, cumpre mencionar que este tribunal administrativo tem diferenciado o dever de sustento decorrente do poder familiar, do dever de prestar alimentos, in verbis: “AÇÃO DE OFERTA DE ALIMENTOS. CONTRIBUINTE ALIMENTANTE COABITANDO COM A CÔNJUGE E FILHOS. NATUREZA DE DEVER FAMILIAR. Assim como a legislação civil não comporta a comunicação unilateral para a exoneração dos alimentos fixados, a legislação fiscal só permite a dedução dos alimentos pagos em cumprimento às normas do Direito de Família. O dever de prestar alimentos não se confunde com o dever de sustento decorrente do poder familiar. O dever de sustento dos cônjuges se transforma em dever de prestar alimentos quando há a ruptura da vida conjugal. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 2ª Seção, 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, Proc. 10840.001792/200786, Sessão de 18 de outubro de 2012) Dessa forma, se mesmo na época da formulação da proposta de alimentos, homologada em juízo, seria questionável a dedução fiscal, quanto mais após os filhos completarem os 24 anos. Não se ignora o fato de que no Novo Código Civil (arts. 1.694 a 1.710) e mesmo no Codex anterior, a obrigação de alimentar perdura e se dá em razão do parentesco, ou seja, em razão do dever de assistência e de solidariedade existentes entre pessoas que têm a sua gênese em um mesmo tronco familiar, quer seja nas linhas ascendente e descendente, quer seja na colateral até o segundo grau. Todavia, nesse caso, para que seja objeto de dedução do imposto de renda a prestação de alimentos, devese comprovar que os alimentandos não possuem bens nem tem condições de prover, pela sua labuta, a sua própria mantença, hipótese esta que não foi objeto de discussão ou deferimento no acordo homologado. Portanto, como à época do fato gerador ora discutido o pagamento de alimentos aos filhos maiores de 24 anos era feito por mera liberalidade, e não “em face das normas do Direito de Família”, não se aplica a regra de isenção do art. 78 do RIR/99. Por outro lado, em relação aos alimentos pagos à sogra do Recorrente, entendo que não merece acolhimento o pedido contido no recurso. Vejamos a prescrição do Código Civil em relação ao grau de parentesco: “Art. 1.591. São parentes em linha reta as pessoas que estão umas para com as outras na relação de ascendentes e descendentes. Art. 1.592. São parentes em linha colateral ou transversal, até o quarto grau, as pessoas provenientes de um só tronco, sem descenderem uma da outra. Art. 1.593. O parentesco é natural ou civil, conforme resulte de consangüinidade ou outra origem. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10970.000660/200832 Acórdão n.º 2101002.057 S2C1T1 Fl. 85 6 Art. 1.594. Contamse, na linha reta, os graus de parentesco pelo número de gerações, e, na colateral, também pelo número delas, subindo de um dos parentes até ao ascendente comum, e descendo até encontrar o outro parente. Art. 1.595. Cada cônjuge ou companheiro é aliado aos parentes do outro pelo vínculo da afinidade. § 1o O parentesco por afinidade limitase aos ascendentes, aos descendentes e aos irmãos do cônjuge ou companheiro. § 2o Na linha reta, a afinidade não se extingue com a dissolução do casamento ou da união estável.” Considerando que para efeito da contagem do grau de parentesco, as regras para o parentesco por afinidade é semelhante às regras do parentesco consanguíneo, temos que a sogra é parente em primeiro grau em linha reta por afinidade do seu genro (Recorrente). Apesar de ser parente por afinidade, no direito brasileiro a obrigação de pagar alimentos não se estende aos afins, como leciona a doutrina pátria: “No direito brasileiro, ao contrário do que ocorre no francês e naqueles sistemas que seguiram o Código Napoleônico, os parentes afins não são obrigados a prestar, nem tem o direito a receber alimentos uns dos outros” (RODRIGUES, Silvio. Direito Civil: Direito de Família. vol. 6. 28ª ed. ver. E atual. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 380). “Os demais parentes e afins estão excluídos dessa obrigação legal [assistência alimentícia] em nosso ordenamento” (VENOSA, Sílvio de Salvo Venosa. Direito Civil: Direito de Família. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005. p. 404) Sendo assim, por configurar a prestação alimentícia para a Sra. CREUSA DE NEGREIROS LINDOSO mera liberalidade por parte do Recorrente, não previstas nas normas do direito de família, não haveria como reconhecer a sua dedutibilidade se a declaração do IRPF fosse exclusiva do Recorrente por não encontrar guarida na norma prevista no art. 78 do RIR/99. Apesar disso, não se pode olvidar que a Sra. CREUSA DE NEGREIROS LINDOSO é parente consanguínea de primeiro grau em linha reta da cônjuge do Recorrente e esta sim, pelo direito de família, tem o dever de prestar alimentos à sua mãe, conforme dispositivos transcritos do Código Civil vigente. E, além disso, verificase que no acordo homologado em juízo (fls. 13/14), o qual prevê expressamente o pagamento de alimentos à Sra. CREUSA DE NEGREIROS LINDOSO, em razão da hipossuficiência econômica desta, a esposa do Recorrente também figurou como requerente e alimentante. Pois bem, tendo sido apresentada declaração em conjunto pelo Recorrente e por sua esposa ECILA LINDOSO QUEIROZ, que figurou como dependente (fls. 31/35), e, tendo esta o dever, segundo o direito de família, de prestar alimentos à mãe, cabível a dedução tributária prevista no art. 78 do RIR/99. Dessa forma, forçoso se concluir que essa pensão alimentícia é paga de acordo com as normas do Direito de Família, sendo aplicável a isenção prevista no art. 78 do Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10970.000660/200832 Acórdão n.º 2101002.057 S2C1T1 Fl. 86 7 RIR/99, devendo ser restabelecida a dedução da pensão alimentícia paga à Sra. CREUSA DE NEGREIROS LINDOSO, no valor de R$ 7.350,00 (fl. 34). Com relação à alegação de que a multa de 75% (setenta e cinco por cento) possui caráter confiscatório, vale ressaltar que tal percentual é oriundo de norma cogente. Portanto, tratandose de norma vigente, não poderia este órgão administrativo aferir a natureza confiscatória da multa sem, antes, pronunciarse acerca da constitucionalidade da norma, o que é vedado pelo art. 26A do Decreto 70.235/72, além de violar a jurisprudência uníssona deste Tribunal, materializada na Súmula nº. 2, de acordo com a qual não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pronunciarse acerca da inconstitucionalidade de leis. Assim, por existir previsão legal para a aplicação da multa não se pode afastar ou reduzir o referido percentual sob pena de se ultrapassar a competência deste órgão administrativo. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 7.350,00. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10860.002254/00-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000
DECADÊNCIA. FORMALIDADES. FUNDAMENTO DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS NOS AUTOS. AFASTABILIDADE.
O pedido de restituição do crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ e CSLL não foram atingidos pela decadência, visto ter sido feito dentro do prazo de 5 anos contados da apuração do saldo negativo de 1996 a 2000, qual seja em 09/01/2001.
Desta forma, caberá à DRJ analisar a materialidade do crédito tributário, visto que a decisão recorrida se pautou apenas em aspectos formais e na decadência.
Recurso conhecido e parcialmente provido.
Numero da decisão: 1201-000.741
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
parcial provimento ao Recurso, para afastar a questão quanto à decadência , devendo os autos serem remetidos à DRJ para análise e julgamento do mérito quanto ao crédito tributário retido na fonte e a composição do indébito, visto que as decisões proferidas nesses autos pautaram-se apenas em negar o crédito sob o aspecto da formalidade ou da decadência, não adentrando à materialidade da composição do crédito tributário.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
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FORMALIDADES. FUNDAMENTO DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS NOS AUTOS. AFASTABILIDADE. O pedido de restituição do crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ e CSLL não foram atingidos pela decadência, visto ter sido feito dentro do prazo de 5 anos contados da apuração do saldo negativo de 1996 a 2000, qual seja em 09/01/2001. Desta forma, caberá à DRJ analisar a materialidade do crédito tributário, visto que a decisão recorrida se pautou apenas em aspectos formais e na decadência. Recurso conhecido e parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso, para afastar a questão quanto à decadência , devendo os autos serem remetidos à DRJ para análise e julgamento do mérito quanto ao crédito tributário retido na fonte e a composição do indébito, visto que as decisões proferidas nesses autos pautaramse apenas em negar o crédito sob o aspecto da formalidade ou da decadência, não adentrando à materialidade da composição do crédito tributário. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.086 2 (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Plínio Rodrigues Lima, Manoel Mota Fonseca e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de pedido de restituição e compensação realizados pela contribuinte, 09/01/2001 e 09/11/2000, respectivamente, de créditos de IRPJ e CSLL, dos períodos de 1996 a 2000, referentes ao faturamento de vendas junto aos órgãos da Administração Pública Federal, apurandose nesses períodos saldo negativos. A contribuinte apresentou anexo aos seu pedido cópias de notas fiscais, quadros demonstrativos de faturamento, comprovantes de pagamento das retenções de tributos pelo Ministério do Exército (Batalhões, Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento IPD, Arsenal de Guerra de São Paulo, entre outros), cópia da legislação relativa à sua constituição, haja vista tratarse de empresa pública etc. A DRF intimou a contribuinte a apresentar o formulário de Pedido de Restituição, que poderá ser obtido via internet na homepage da SRF http//www:receita.fazenda.gov.br, na opção guia do contribuinte e explicar os pedidos de compensação anexados, pois encontramse em branco, sem as devidas informações sobre o código, período de apuração, vencimento e valor do imposto. A contribuinte peticionou perante a Receita Federal, informando que seu pedido e documentos apontam o valor do crédito a ser ressarcido e compensado. A fiscalização indeferiu os pedidos de restituição e compensação, nos seguintes termos: O direito de a contribuinte pleitear a restituição está previsto no art.165 da Lei n° 5.172/1966, Código Tributário Nacional (CTN) e era regulamentado à época da protocolização deste processo e do pedido de restituição da fl. 598 pela IN SRF n° 21/1997, em seus arts. 2° e 6° abaixo transcritos. Esta legislação e a corrente (IN SRF n° 600/2005) facultam ao sujeito passivo o direito de requerer a restituição do crédito decorrente de pagamento espontâneo, indevido ou maior que o devido. Instrução Normativa SRF n° 21/1997 "Art. 2° Poderão ser objeto de pedido de restituição os créditos decorrentes de qualquer tributo ou contribuição, seja qual for a modalidade do seu pagamento, nos seguintes casos: (Redação dada pela IN SRF n° 73/97, de 15/09/1997) Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.087 3 I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido; (Redação dada pela IN SRF n° 73/97, de 15/09/1997) erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (Redação dada pela IN SRF n° 73/97, de 15/09/1997) III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. (Redação dada pela IN SRF n° 73/97, de 15/09/1997) Art. 6° À exceção do valor a restituir relativo ao imposto de renda de pessoa física, apurado na declaração de rendimentos, todas as demais restituições em espécie, de quantias pagas ou recolhidas indevidamente ou em valor maior que o devido, a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF, nas hipóteses relacionadas no art. 2°, serão efetuadas a requerimento do contribuinte, pessoa física ou jurídica, dirigido à unidade da SRF de seu domicílio fiscal, acompanhado dos comprovantes do pagamento ou recolhimento e de demonstrativo dos cálculos." Preliminarmente, analisaremos a tempestividade do pedido de restituição. Conforme mencionado nos 2° e 3° parágrafos, temos 3 etapas distintas a serem consideradas nesta análise, que são: a) 09/11/2000 — Protocolização deste processo, onde é solicitada a compensação de pretenso crédito de retenções de IRPJ e CSLL efetuadas no decorrer dos anos de 1996 a 2000, sem, no entanto, informar os débitos a serem compensados; b) 09/01/2001 — Foi anexado ao processo o pedido de restituição de retenções de IRPJ e CSLL, sem indicação a quais períodos de apuração se referiam, juntamente com uma solicitação para que se faça compensação com os débitos por ventura existentes (fls. 598/599). Esta "solicitação" se trata na verdade de uma autorização prévia para que a administração proceda à execução da compensação de oficio, prevista inicialmente no DecretoLei n° 2.287/1986, em seu art. 7°, §1° e também tratada na Lei n° 9.430/1996, em seu art. 73; c) 04/12/2006 Foi entregue à DRF/BSB a solicitação da fl.745, que gerou o processo n° 10166.011269/200686, onde a contribuinte vem esclarecer e solicitar que reconheçamos que a petição das fls.01 a 04 tratase na verdade de pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ e CSLL. Observase que temos, de fato, um pedido de restituição e sua posterior retificação. Consolidandose as informações dos itens a) e b) do parágrafo anterior, concluímos que, até a data de 03/12/2006, não havia propriamente qualquer solicitação de compensação, mas sim, pedido de restituição, que tinha como objeto crédito de retenções na fonte de IRPJ e CSLL feitas Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.088 4 durante os anos de 1996 a 2000. Para este caso, será considerada como data da solicitação a de protocolização do processo, 09/11/2000, pois não houve alteração do crédito solicitado. Antes de prosseguirmos com a análise dos itens do 8° parágrafo, cabe aqui explicitarmos a diferença de natureza creditória entre as retenções na fonte de IRPJ e CSLL e seus saldos negativos. O art. 28 da Lei 9.430/1996 determina que será dado o mesmo tratamento tributário do IRPJ, no caso da apuração da base de cálculo e de pagamento, à CSLL. O aproveitamento das retenções na fonte de IRPJ e CSLL são uma opção legal do contribuinte, prevista no inciso III, § 4° do art. 2°, da Lei 9.430/1996, em contrapartida à apuração do IRPJ ou CSLL a pagar. (...) O §3° do art. 2° da Lei n° 9.430/1996 obriga a contribuinte, que optar por recolhimentos mensais com base em estimativas, a apurar em 31 de dezembro de cada anocalendário, exceto nos casos de incorporação, fusão, cisão ou extinção, o lucro real, para que se possa fazer o ajuste entre o IRPJ ou a CSLL já pagos por estimativa e os valores efetivamente devidos ao final do período de apuração — PA. Por sua vez, o § 4° enumera as deduções que podem ser feitas do IRPJ ou da CSLL devida para se apurar o valor a ser recolhido, no caso de saldo positivo, ou a ser compensado, no caso de saldo negativo. A retenção na fonte destes tributos é prevista como dedução no inciso III daquele parágrafo, sendo uma antecipação do devido ao fim do PA. Portanto, o fato de ter havido retenções na fonte de IRPJ e CSLL, além de não se confundir, não implica na apuração de seus correspondentes saldos negativos. Retornando à análise do 8° parágrafo, a partir de 04/12/2006, de acordo com o seu item c), a contribuinte, embora não tenha utilizado este termo, na prática, retificou o seu pedido das fls.01 a 04 para restituição de saldo negativo de IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendário de 1996 a 2000. Desde 30/12/2005, portanto antes da apresentação desta suposta retificação, a compensação e restituição de créditos tributários é regulamentada pela IN n° 600/2005. Os procedimentos de retificação são tratados nos seguintes artigos: (...) O art. 57 determina que a retificação, tanto do pedido de restituição como da declaração de compensação, só pode ser efetuada caso não haja decisão administrativa sobre a solicitação original. Os artigos seguintes trazem detalhamentos específicos sobre a retificação de declarações de compensação e não citam mais nenhuma observação sobre a retificação dos Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.089 5 pedidos de restituição, conforme explicitaremos nos próximos parágrafos. O art. 58 cita que a retificação da declaração de compensação só pode ser efetuada no caso de inexatidões matérias verificadas no preenchimento do documento. Isso devese ao fato da declaração de compensação ser considerada confissão de dívida e instrumento suficiente para cobrança dos débitos indevidamente compensados (§ 6°, art. 74 da Lei n° 9.430/1996, alterado pela Lei n° 10.833/2003). Portanto, este artigo não se aplica no caso do pedido de restituição. O art. 59 diz que não serão admitidas retificações de declarações de compensação que tenham por finalidade a inclusão de novo débito ou aumento no valor de débitos já declarados. Tal mandamento devese ao fato do disposto no art. 61 o que permitiria ao contribuinte escapar de juros e multa pala não extinção no prazo legal, e novamente não tem nenhuma aplicação no caso de retificação do pedido de restituição. O art. 60 prevê que o prazo para a homologação da declaração de compensação será de 5 (cinco) anos contados da apresentação declaração retificadora, e visa permitir que a administração tenha o mesmo tempo disponível para analisar uma declaração de compensação retificada como para uma original, caso contrário, o prazo de 5 (cinco) anos para a homologação por decurso de prazo seria diminuído do tempo existente entre a transmissão da original e da retificadora. Tal artigo também não tem nenhuma aplicabilidade no caso do pedido de restituição, pois não há prazo para homologação, tendo em vista não se tratar de uma declaração. • O art: 61 prevê que as datas de valoração do crédito e do débito serão a data da apresentação da declaração original. Este artigo nos encaminha para o art. 28, que determina que os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data de entrega da declaração, e também indica a valoração dos créditos deve ser feita nos termos dos art. 52 e 53. Novamente tal artigo não se pronuncia quanto ao prazo para retificação do pedido de restituição. Verificase, portanto, e não poderia ser diferente, que nenhum destes artigos influencia no prazo decadencial previsto no art. 168 do CTN, posto que, constitucionalmente, apenas lei complementar poderia fazêlo. À título de exemplo, caso a retificação do pedido de restituição aproveitasse a data do original, iríamos possibilitar a um contribuinte, que houvesse solicitado em 01/01/2003 a restituição de crédito de pagamento indevido efetuado em 01/01/2000, a alternativa de, em 01/01/2006, modificar este crédito para solicitar um crédito de pagamento indevido recolhido em 01/01/1999, o que seria total desrespeito ao prazo previsto no art. 168 do CTN. Dado que não havia (e não há) previsão legal para que a retificação do pedido de restituição aproveite a data da solicitação original e por se tratar concretamente de um outro Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.090 6 crédito, de natureza distinta do indicado originariamente, conforme demonstrado do 10° ao 12° parágrafo, será considerada como data da solicitação da restituição deste último crédito, para efeitos de análise da decadência, a data de sua retificação, ou seja, 04/12/2006. Considerandose o crédito de saldo negativo de IRPJ e CSLL apurado de 31/12/1996 a 31/12/2000 e o seu pedido de restituição feito em 04/12/2006, verificase que ocorreu a decadência do prazo para seu requerimento, pois o processo foi protocolizado após os 5 (cinco) anos previstos no Código Tributário Nacional — CTN para que a contribuinte exerça o seu direito à solicitação de restituição da repetição do indébito. Além disso, cabe acrescentar que, nos termos do disposto no art. 3° , caput e § 1°, da IN SRF n° 600/2005, a restituição 'de créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação de pedido gerado a partir do programa PER/DCOMP (Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou de Restituição e Declaração de Compensação) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante apresentação do formulário constante do anexo I da mencionada norma. A contribuinte não solicitou a restituição via PER/DCOMP, e não poderia ser de outra forma, já que, como vimos no parágrafo anterior, não é permitida a solicitação de restituição de crédito já decaído. Conseqüentemente, será desconsiderada a retificação solicitada e considerado como objeto de análise deste processo o pedido de restituição original, de retenções na fonte de IRPJ e CSLL, sofridas no decorrer dos anos calendário de 1996 a 2000, em concordância com as solicitações contidas nos autos, com as cópias de retenções na fonte apresentadas e a não decadência do direito à restituição. Porém, de acordo com o exposto do 10° ao 12° parágrafo, o que torna a retenção na fonte do IRPJ ou da CSLL indevida ou em valor maior que o devido é o ajuste ao fim do PA e apenas após este ajuste, ou seja, da comparação entre o já recolhido e o efetivamente devido ao fim do PA, é que se pode falar em pagamento a maior ou indevido, se houver apuração de saldo negativo. Este saldo negativo é que pode vir a ser restituído ou compensado. Tal entendimento atualmente encontrase sistematizado no art. 10 da IN SRF n° 600/2005. Conforme mencionado no 4° parágrafo, a contribuinte transmitiu o PER/DCOMP n° 34221.55230.300707.1.7.033069 (fls. 830 a 858), que retifica o PER/DCOMP n° 42079.55076.170507.1.3.039338 (fls.801 a 829). A admissibilidade ou não dos PER/DCOMP retificadores também é tratada na IN SRF n° 600/2005, nos artigos transcritos abaixo: Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.091 7 por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Portanto, qualquer PER/DCOMP onde ocorra aumento do montante do débito declarado ou inclusão de novo débito não será admitido. Cabe salientar que algumas alterações efetuadas em débito já declarado em PER/DCOMP original têm o efeito de excluir este débito e incluir novo, alterando o seu período de apuração ou código do tributo. Tendo em vista estas considerações, analisaremos as alterações contidas no PER/DCOMP retificador em questão. Verificouse que foi somente uma: o débito de IRRF (cód. rec. 6256), com vencimento em 13/04/2007 e valor de R$ 82.559,80 (PER/DCOMP original fl. 828), foi corrigido para o valor de R$ 475,81 (fl. 858). A alteração do débito diminui o valor do mesmo, além de manter coerência com o seu novo valor declarado na DCTF retificadora (fl. 916). Portanto, o PER/DCOMP retificador n° 34221.55230.300707.1.7.033069 será admitido. E por fim, o § 6° do art. 74 da Lei 9.430/1996, alterado pelo art. 17 da Lei 10.833/2003, determina que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Logo, os débitos constantes nos PER/DCOMP n° 34460.68425.170507.1.3.021287, n° 34221.55230.300707.1.7.033069 e n° 20154.38538.300807.1.3.032225 foram cadastrados no sistema Profisc (fls. 893 a 915) para cobrança. Em resumo, a Delegacia da Receita Federal de Brasília: (i) aplicou a decadência para a restituição dos saldos negativos de IRPJ e CSLL dos anos calendários de 1996 a 2000; (ii) considerou que o IRRF ou a CSLL retidas na fonte são antecipações e podem ser deduzidos do valor apurado mensalmente ou ao final do anocalendário e que é incabível sua restituição ou compensação diretamente com tributo e contribuições de diferentes espécies. (iii) com isso, indeferiu os pedidos de restituição e decidiu não homologar as declarações de compensação contidas nos PER/DCOMP n° 34460.68425.170507.1.3.021287, n° 34221.55230.300707.1.7.033069 e n° 20154.38538.300807.1.3.032225. Nos autos do Processo Administrativo n° 10166.011269/200686, que trata de pedido de compensação, constou a seguinte decisão da DRF de Brasília: À fl.179 foi solicitado pela Equipe de Execução desta Divisão que verificássemos a alegação trazida pela contribuinte àquela Equipe de que os débitos em cobrança no sistema Sief (fls.180 a Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.092 8 186), apesar da discrepância de valores, seriam os mesmos compensados mediante os PER/DCOMP deste processo. Sendo assim, dado que foi apresentado "recurso" (fls.169 a 171) ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Brasília contra o despacho decisório de não homologação das fls.159 a 161, a contribuinte solicita a suspensão destes débitos. Para facilitar a análise da sua suspensão ou não, elaboramos a tabela da fl.232, que consolida os dados obtidos em DCTF, PER/DCOMP e no sistema Sief/Fiscalização Eletrônica. Os débitos n°s 1 e 2 estão compensados no PER/DCOMP n° 21485.45979.080208.1.3.029413, que não está sendo tratado neste processo, mas sendo analisado automaticamente pelo sistema Sief/PER/DCOMP (fl.233). No entanto, a cobrança deles é correta, pois, apesar da coincidência de valores, não se relaciona com a compensação do citado PER/DCOMP. Ela é resultante da diferença entre os pagamentos informados em DCTF e os valores validados pelo sistema Sief/Fiscalização Eletrônica, já que alguns pagamentos foram feitos após o vencimento dos débitos e não levaram em consideração as correspondentes multas e juros de mora. Os débitos de n°s 3 ao 12 estão em cobrança no Sief como resultado da diferença entre o valor total do débito informado em DCTF e a sua quitação mediante pagamentos ou PER/DCOMP não declarados em DCTF, porém, transmitidos pela contribuinte e imputados ao débito pelo Sief/Fiscalização Eletrônica. Isto explica o fato de, na tabela, os valores da coluna "Cobrança (Sief)" serem sempre menores do que aqueles da coluna "Valores validados (Sief)>PER/DCOMP>Valor Comp.". Logo, como os PER/DCOMP compensam valores superiores aos que estão sendo cobrados pelo Sief e esta cobrança se deve aos valores declarados nestes mesmos PER/DCOMP, sua cobrança deve ser suspensa em virtude do "recurso" apresentado, que é na verdade, uma manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília (DRJ/BSB). Cabe destacar que haverá necessidade de revisão dos despachos decisórios deste processo e do de n° 10860.002254/0004, além da juntada por anexação dos mesmos, pois deverá ser reconsiderada a data de apresentação do pedido de restituição do último. Este evento também afetará o despacho decisório do atual processo, dado que o direito creditório é o mesmo. Será mantida a suspensão da cobrança dos débitos proposta no 5° parágrafo, uma vez que eles retornarão à condição de suspensos "sob condição resolutória de ulterior homologação do procedimento" (de compensação), de acordo com o previsto no § 2° do art.26 da IN SRF n° 600/2005. E, por fim, lembramos que o § 6° do art. 74 da Lei 9.430/1996, alterado pelo art.17 da Lei 10.833/2003, determina que a declaração de compensação, seja protocolizada via formulário ou transmitida por PER/DCOMP, constitui confissão de dívida e Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.093 9 instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Considerando o disposto nos parágrafos precedentes, proponho que este processo retorne à Equipe de Execução para: a) Manter a cobrança dos débitos n°s 1 e 2; b) Suspender a cobrança dos débitos de n°s 3 ao 12 no Profisc; c) Proceder à juntada por anexação deste processo ao processo n° 10860.002254/0004, transferindo os débitos cadastrados no sistema Profisc para aquele processo; d) Encaminhar de volta à Sacpj o processo n° 10860.002254/00 04 para revisão de despacho decisório; e) Dar ciência deste despacho à contribuinte, observandose que ela deve desconsiderar os despachos decisórios anteriores deste processo e do de n° 10860.002254/0004. Em face da referida decisão o contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que: Em 09/11/2000, a Recorrente requereu junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Taubaté/SP a compensação de créditos de retenção de IRPJ e CSLL acumulados no decorrer dos anos de 1996 a 1999, nos respectivos valores de R$ 979.375,41 e R$ 812.978,61, o processo foi acompanhado dos comprovantes de pagamentos, quadros demonstrativos de cálculos das apurações realizadas e o saldo a restituir. Em 09/01/2001, foi incorporado aos autos do processo o pedido de restituição de IRPJ e CSLL. Em 04/12/2006 foi entregue à DRF/BSB, um adendo ao Pedido de Restituição, com o intuito de facilitar o entendimento do item 02 (dois) do "Motivo do Pedido". Neste adendo ficou consignado que o pedido originário deveria ser considerado Pedido de Restituição de Saldo Negativo de IRPJ e CSLL. A protocolização do adendo gerou novo número de processo (Processo n° 10166.011269/200686). A partir de 17/05/2007, foram transmitidas declarações de compensação através do PER/DCOMP, utilizando o crédito informado no processo n° 10166.011269/200686. Foram geradas as declarações de compensação de números 34460.68425.170507.1.3.021287, 42079.55076.170507.1.3.03 9338, 34221.55230.300707.1.7.033069 (que retifica o PER/DCOMP anterior) e 20154.38538.300807.1.3.032225. Valor dos débitos compensados é de R$ 3.282.723,40. O pedido de restituição incorporado aos autos do processo em 09/01/2001, era regulamentado à época da protocolização pela IN SRF n° 21/1997, que assim dispõem: O art. 1° determina que os pedidos de restituições de tributos e contribuições de competência da União, administrados pela Secretaria da Receita Federal — SRF, assim como os Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.094 10 procedimentos administrativos a eles relacionados, serão efetuados em conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa. Com isso o pedido de restituição seguiu as determinações da IN SRF n° 21/1997 e não a IN SRF n°600/2005 que atualmente regula a matéria. O art. 2° prevê que pode ser objeto de pedido de restituição o crédito decorrente de qualquer tributo ou contribuição administrado pela SRF, seja qual for a modalidade do seu pagamento. As retenções de IRPJ e CSLL sofridas pela recorrente durante os anos de 1996 até 1999 foi uma modalidade de pagamento que culminou na geração de Saldo Negativo de IRPJ e CSLL. O art. 6° estabelece a forma de solicitar a restituição, devendo ser utilizado o formulário "Pedido de Restituição" acompanhado dos comprovantes do pagamento ou recolhimento, demonstrativos de cálculos e cópia da declaração de rendimentos. Essa foi a forma utilizada pela recorrente, juntando ao processo todos os DARF's, cópias de notas fiscais e os demonstrativos de cálculos, que comprovam a legitimidade dos créditos objeto de restituição. Por oportuno encaminho novamente cópia da DIPJ 2000, ano calendário 1999 com as fichas 1 a 7, 10A, 13A, 25A, 26A, 27 e 30 (Doc. 02). Pode ser observado na DIPJ 2000 na Demonstração do Lucro Real, após as adições e exclusões a empresa apurou prejuízo no período de R$ 50.962.910,36 (ficha 10A, linha 38); no Balanço Patrimonial, apresenta prejuízos acumulados de R$ 204.306.378,88 (ficha 26A, linha 40); no Calculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, apresenta saldo negativo de R$ 982.956,78 (ficha 13A, linha 18) e no Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, também apresenta saldo negativo de CSLL no valor de R$ 812.978,61 (ficha 30, linha 31). Ou seja, são os valores apurados na DIPJ de 2000 ano calendário 1999, recebida pela SRF via Internet pelo Agente Receptor SERPRO em 30/06/2000, que forma o Saldo Negativo de IRPJ e CSLL pleiteado pelo recorrente. Considerando o próprio entendimento contido no Despacho Decisório/DRF/BSB/Diort item 24 (fls. 1004) "o que torna retenção na fonte do IRPJ ou da CSLL indevida ou em valor maior que o devido é o ajuste ao fim do PA e apenas após este ajuste, ou seja, da comparação entre o já recolhido e o efetivamente devido ao fim do PA, é que se pode falar em pagamento a maior ou indevido, se houver apuração de saldo negativo. Este saldo negativo é que pode vir a ser restituído ou compensado". Conforme demonstrado no item anterior, o que realmente foi apurado e que a empresa requereu em 09/01/2001 foi Saldo Negativo de 1RPJ e CSLL gerados pelas retenções de Imposto de Renda e Contribuições Sociais referente à comercialização com entidades da Administração Publica, seguido as determinações da IN SRF n° 21/1997 e não a IN SRF n° 600/2005 conforme mencionado no Despacho Decisório. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.095 11 É visível a diferença de procedimentos no preenchimento de pedidos de restituição e declarações de compensação normatizados pela IN SRF n° 21/1997, com os quais atualmente encontramse sistematizados pela IN SRF n° 600/2005. Diante desses fatos, o ILMO. Chefe da DIORT ao apreciar a matéria, julgou ter ocorrido a decadência do prazo para a restituição dos saldos negativos de IRPJ e CSLL e que é incabível sua restituição ou compensação diretamente com tributos e contribuições de diferentes espécies. Convencido ter ocorrido a decadência do prazo para a restituição dos saldos negativos de IRPJ e CSLL, e não permitido a compensação, o ILMO. Chefe da D1ORT, ao analisar os PER/DCOMP n° 34460.68425.170507.1.3.021287, n° 34221.55230.300707.1.7.033069 e n° 20154.38538.300807.1.3.032225, decidiu não homologar as declarações de compensação e também, decidiu por último, cadastrar os débitos no sistema Profisc para cobrança. Entretanto, a recorrente não pode concordar com a referida decisão, na medida em que o pedido de restituição de Saldo Negativo de IRPJ e CSLL foi formalizado nos exatos termos dos Arts. 1°, 2°, 5°, 6° e 25° da 1N SRF n° 21/1997 e as declarações de compensação foram formalizados nos exatos termos da IN SRF n° 600/2005. Registrese que o aludido Recurso esta embasado na IN SRF n° 600/2005, que em seu Art. 48°, assim dispõe: (...) Diante do exposto e não tendo ocorrido a suposta decadência, e sendo permitido a restituição de Saldo Negativo de IRPJ e CSLL e sua compensação, requer de digne V.Sa. seja recebido o presente Recurso, nos seus efeitos devolutivos e supressivo, e determinar a imediata suspensão do cadastramento dos débitos no sistema Profisc para cobrança, até o julgamento final do Recurso, devendo ainda ser determinado o sobrestamento dos DARFs correspondente aos PER/DCOMPs n° 34460.68425.170507.1.3.021287, n° 34221.55230.300707.1.7.033069 e n° 20154.38538.300807.1.3.032225, por ser esta medida de mais legitima. A DRJ de Brasília proferiu decisão administrativa de primeira instancia administrativa nos seguintes termos: A manifestação de inconformidade apresentada é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Assim sendo, dela conheço. De pronto, verificase que ocorreu a decadência do prazo para requerer a restituição do saldo negativo de IRPJ e CSLL apurados em 31121996 a 122006, pois o pedido de restituição foi feito em 04122006, ou seja, mais de cinco anos previstos Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.096 12 para que a contribuinte possa pleitear a restituição (fls. 1.004, item 21). De outra feita, a Lei Complementar n° 118/2005 é clara quanto ao inicio da contagem do prazo para pleitear restituição, ou seja, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento antecipado. Além disso, aquela mesma Lei Complementar determina em seu artigo 4° que o disposto no art. 3° aplicase a ato ou fato pretérito, por ser expressamente interpretativa. Vejase, "in verbis": Art. 3. Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. Por último, é pertinente esclarecer que a compensação pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Confirmase isto no art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Omissis Nessa toada, relativamente ao pleito de suspensão dos débitos em discussão, registrese o comando expresso do inciso II, parágrafo 3 ° do art. 48 da IN SRF 600/2005. "in verbis": Art. 48. É . facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição ou o ressarcimento ou, ainda, da data da ciência do despacho que nãohomologou a compensação por ele efetuada. apresentar manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento do direito creditório ou a nãohomologação da compensação. § 1° e §2°. Omissis. § 3° A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade: Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.097 13 I — enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional relativamente ao débito objeto da compensação; e II não suspendem a exigibilidade do débito que exceder ao total do crédito informado pelo sujeito passivo em sua Declaração de Compensação, hipótese em que a parcela do débito que exceder ao crédito será imediatamente encaminhada à PGFN para inscrição em Divida Ativa da União. Ex positis, voto no sentido de indeferir a manifestação de inconformidade formulada, para manter o Despacho Decisório de folhas 998/1.007. A contribuinte foi intimada da decisão em 30/09/2009. Inconformada com a decisão da DRJ, esta interpôs Recurso Voluntário em 29/10/2009, alegando em síntese que: A questão não é, exatamente, a incidência da decadência sobre o documento protocolado no dia 04/12/2006, mas sim, o seu efeito em relação ao PEDIDO DE RESTITUIÇÃO formalizado pela contribuinte perante a SRF/TaubatéSP, no dia 09/01/2001. Notese que, no dia 09/01/2001, a contribuinte/recorrente protocolizou o PEDIDO DE RESTITUIÇÃO do IRPJ e CSLL efetuados no decorrer dos anos de 1996 a 2000. Não há nenhuma controvérsia com relação à decadência desse pedido. Resta entender o quê, exatamente, representa a Carta da contribuinte, protocolada no dia 04/12/2006, em relação ao PEDIDO DE RESTITUIÇÃO retro mencionado. O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO do IRPJ e CSLL protocolado no dia 09/01/2001 registrou como motivo, a "compensação de IRPJ e Contribuições Sociais sobre pagamentos feitos por entidades da Administração Pública Federal, conforme art. 64 da Lei 9430/96". Após o protocolo do PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, a contribuinte retificou o seu pedido para fazer constar, a título de MOTIVAÇÃO DA RESTITUIÇÃO, o "SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL". Aqui, cumpre notar dois aspectos importantes: Primeiro: O pedido protocolado no dia 09/01/2001 é um PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, nos termos do anexo I da IN 21/97 e não se trata de pedido de COMPENSAÇÃO nos termos do anexo III da mesma IN 21/97. Segundo: A Carta da contribuinte protocolizada no dia 04/12/2006 não representa novo pedido, mas tão somente é uma nota de esclarecimento com relação ao "MOTIVO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO". Em nenhum momento, a contribuinte solicitou alterações na natureza do pedido, que é a RESTITUIÇÃO de tributos realizados a maior nos termos do art. 2° da IN 21/97, em seu inciso I, já reproduzido a fl. 999. Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.098 14 Assim sendo, não pode prevalecer o equivocado entendimento de que a Carta protocolizada no dia 04/12/2006 seria um novo PEDIDO DE RESTITUIÇÃO de tributos. Ademais, no caso específico, a contribuinte comprovou nos autos, que não foi uma empresa lucrativa durante o período de apuração, ou seja, não foi lucrativa entre os anos de 1996 a 2000. A consequência legal, nos termos do art. 10 da IN SRF n° 600/2005 é que os valores a serem restituídos são exatamente os mesmos, tanto sob a rubrica que constou do PEDIDO DE RESTITUIÇÃO protocolizado no dia 09/01/2001, quanto sob a rubrica de SALDO NEGATIVO. Vale dizer, o PEDIDO DE RESTITUIÇÃO do dia 09/01/2001 não foi alterado em sua substância pela Carta do dia 04/12/2006. Em consequência, a Carta do dia 04/12/2006 apenas corrige um equívoco de fundamentação do pedido, mas não inova a sua substância. Mantevese a natureza do PEDIDO que era de RESTITUIÇÃO do valor recolhido a maior e o seu valor, tendo em vista que o somatório das antecipações realizadas a título de IRPJ e CSLL naquele período de apuração (1996 a 2000) correspondente, exatamente ao SALDO NEGATIVO no período, conforme demonstrado nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ). Tratase de mero erro de nomenclatura que não implica na invalidação do referido PEDIDO DE RESTITUIÇÃO protocolizado no dia 09/01/2001. A propósito, a Carta do dia 04/12/2006 visando a indicação da correta motivação do PEDIDO DE RESTITUIÇÃO do dia 09/01/2001, foi protocolizada antes de qualquer decisão administrativa, por tanto deverá ser acolhida como mera retificação do pedido original e jamais como uma nova solicitação eivada pela decadência. Diante do exposto, CONSIDERANDO que a data do PEDIDO DE RESTITUIÇÃO das antecipações de IRPJ e CSLL realizadas no período de 1996 a 2000 foi protocolizado perante à SRF/TaubatéSP, no dia 09/01/2001, portanto no prazo legal, não marcado pela decadência; CONSIDERANDO que a contribuinte/recorrente apurou prejuízo fiscal durante todo o período de 1996 a 2000 e que em consequência, o somatório das antecipações de IRPJ e CSLL foi exatamente o mesmo valor do SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL, conforme demonstrado na DIPJ; CONSIDERANDO que a Carta de 04/12/2006 é mera retificação de aspecto secundário do PEDIDO DE RESTITUIÇÃO de Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.099 15 09/01/2001 e não tem o condão de modificação substancial daquele PEDIDO DE RESTITUIÇÃO nem, tão pouco, de constituir novo pedido CONSIDERANDO que a Carta do dia 04/12/2006 não altera a substância do PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ORIGINAL quanto à natureza (RESTITUIÇÃO) e nem quanto ao valor da restituição devida (a contribuinte comprovou prejuízo no período de apuração), mas tão somente tem o caráter explicativo e de adequação à terminologia mais adequada, aquela Carta jamais poderia ter sido considerada como um novo pedido de restituição; CONSIDERANDO que o pedido formal encaminhado pela contribuinte/recorrente do dia 09/01/2001 é um PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS e não um pedido de COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS, aquele pedido não poderia ser apreciado sob a ótica de compensação; CONSIDERANDO toda documentação comprobatória dos autos, ESPERA a recorrente a reforma do v. Acórdão recorrido para determinar o deferimento do pedido de restituição dos tributos recolhidos a maior, a título de saldo negativo de IRPJ e CSLL no período de 1996 a 2000 e determinar a homologação das declarações de compensação contidas nos PER/DCOMP n° 34460.68425.170507.1.3.021287, n° 34221.55230.300707.1.7.033069 e n° 20154.38538.300807.1.3.032225, como medida de justiça e adequação à legalidade do ato. É o relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Antes de adentrar ao mérito, cumpre destacar nos autos os fatos e documentos apresentados, que definem a questão em análise: a) 09/11/2000 — Protocolização do processo, onde é solicitada a compensação de pretenso crédito de retenções de IRPJ e CSLL efetuadas no decorrer dos anos de 1996 a 2000, sem, no entanto, informar os débitos a serem compensados. Houve informação apenas do valor do crédito de IRPJ e da CSLL. Juntou em seu pedido planilha informando os créditos, cópias de notas fiscais apontando as retenções e os comprovantes de arrecadação CONDARF), declarações do Ministério da Defesa informando da retenção de tributos, as planilhas contendo todos os faturamentos e valores dos tributos retidos da contribuinte. Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.100 16 b) 09/01/2001 — Foi anexado ao processo o pedido de restituição de retenções de IRPJ e CSLL, sem indicação dos períodos de apuração a que se referiam o pedido, juntamente com uma solicitação para que se faça compensação com os débitos por ventura existentes (fls. 598/599). Nesse caso foi intimado o contribuinte para esclarecer com que débitos a empresa gostaria de compensar. c) 04/12/2006 Foi entregue à DRF/BSB petição a fl.745, que gerou o processo n° 10166.011269/200686, onde a contribuinte vem esclarecer e solicitar que reconheçamos que a petição das fls.01 a 04 tratase na verdade de pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ e CSLL. Dessa feita, a questão a ser analisada aqui é se a petição de fl. 745, protocolada em 04/12/2006, é ou não um pedido de aditamento daquilo que fora apresentado em 09/01/2001, ou se trata de um novo pedido de restituição. A despeito de não ter sido indicado os períodos de apuração a que se refiram o pedido, juntamente com uma solicitação para que se faça a compensação, entendo que o pedido de restituição fora protocolado em 09/01/2001, sendo que a petição de fl. 745 nada mais fez que buscou esclarecer e corrigir as formalidades do pedido inicial. Outra questão que se apresenta contraditória no âmbito formal em relação ao entendimento da DRF é o fato de considerar que houve em 09/11/2000, a protocolização do processo, onde é requerida a compensação de crédito de retenções de IRPJ e CSLL efetuadas no decorrer de 1996 a 2000, e no mesmo decisum observou que de fato há um pedido de restituição e sua posterior retificação, porém consolidando as informações concluiu que, até a data de 03/12/2006, não havia propriamente qualquer solicitação de compensação, mas apenas um pedido de restituição. Nesse sentido, não acolho os argumentos da DRF e da DRJ, de que o pedido de restituição do crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ e CSLL foram atingidos pela decadência, visto ter sido feito dentro do prazo de 5 anos contados da apuração do saldo negativo de 1996 a 2000, qual seja em 09/01/2001, devendo ser reformada as referidas decisões. A despeito da forma ter sido questionada, o fato é que o pedido de restituição fora devidamente protocolado em formulário próprio da Receita Federal em 09/01/2001. Caso o procedimento não fosse aquele, deveria a Fazenda ter recusado realizar o protocolo do pedido, o que não ocorreu. Ademais, quando se observa a decisão proferida nos autos do Processo Administrativo n° 10166.011269/200686, constatase a necessidade de se avaliar os reflexos resultantes dos pedidos de compensação frente ao pedido de restituição. Vejamos as descrições da decisão da DRJ, que atinge este julgamento. Os débitos n°s 1 e 2 estão compensados no PER/DCOMP n° 21485.45979.080208.1.3.029413, que não está sendo tratado neste processo, mas sendo analisado automaticamente pelo sistema Sief/PER/DCOMP (fl.233). No entanto, a cobrança deles é correta, pois, apesar da coincidência de valores, não se relaciona com a compensação do citado PER/DCOMP. Ela é resultante da diferença entre os pagamentos informados em DCTF e os valores validados pelo sistema Sief/Fiscalização Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.101 17 Eletrônica, já que alguns pagamentos foram feitos após o vencimento dos débitos e não levaram em consideração as correspondentes multas e juros de mora. Os débitos de n°s 3 ao 12 estão em cobrança no Sief como resultado da diferença entre o valor total do débito informado em DCTF e a sua quitação mediante pagamentos ou PER/DCOMP não declarados em DCTF, porém, transmitidos pela contribuinte e imputados ao débito pelo Sief/Fiscalização Eletrônica. Isto explica o fato de, na tabela, os valores da coluna "Cobrança (Sief)" serem sempre menores do que aqueles da coluna "Valores validados (Sief)>PER/DCOMP>Valor Comp.". Logo, como os PER/DCOMP compensam valores superiores aos que estão sendo cobrados pelo Sief e esta cobrança se deve aos valores declarados nestes mesmos PER/DCOMP, sua cobrança deve ser suspensa em virtude do "recurso" apresentado, que é na verdade, uma manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília (DRJ/BSB). Cabe destacar que haverá necessidade de revisão dos despachos decisórios deste processo e do de n° 10860.002254/0004, além da juntada por anexação dos mesmos, pois deverá ser reconsiderada a data de apresentação do pedido de restituição do último. Este evento também afetará o despacho decisório do atual processo, dado que o direito creditório é o mesmo. Será mantida a suspensão da cobrança dos débitos proposta no 5° parágrafo, uma vez que eles retornarão à condição de suspensos "sob condição resolutória de ulterior homologação do procedimento" (de compensação), de acordo com o previsto no § 2° do art.26 da IN SRF n° 600/2005. E, por fim, lembramos que o § 6° do art. 74 da Lei 9.430/1996, alterado pelo art.17 da Lei 10.833/2003, determina que a declaração de compensação, seja protocolizada via formulário ou transmitida por PER/DCOMP, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Considerando o disposto nos parágrafos precedentes, proponho que este processo retorne à Equipe de Execução para: a) Manter a cobrança dos débitos n" 1 e 2; b) Suspender a cobrança dos débitos de n° 3 ao 12 no Profisc; c) Proceder à juntada por anexação deste processo ao processo n° 10860.002254/0004, transferindo os débitos cadastrados no sistema Profisc para aquele processo; d) Encaminhar de volta à Sacpj o processo n° 10860.002254/00 04 para revisão de despacho decisório; e) Dar ciência deste despacho à contribuinte, observandose que ela deve desconsiderar os despachos decisórios anteriores deste processo e do de n° 10860.002254/0004. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.102 18 Nestes termos, a despeito de não estar sob análise desse julgador os pedidos de compensação realizados nos autos do processo administrativo n° 10166.011269/200686, formalizados através do PER/DCOMP n° 34460.68425.170507.1.3.021287, 42079.55076.170507.1.3.039338, 34221.55230.300707.1.7.033069 (que retifica o PER/DCOMP anterior) e 20154.38538.300807.1.3.032225, caberá a DRJ analisar eventuais reflexos quanto ao reconhecimento do direito de crédito a ser restituído nos presentes autos. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, DOULHE parcial provimento, para afastar a questão quanto à decadência, devendo os autos serem remetidos à DRJ para julgamento e análise do mérito do crédito tributário retido na fonte e a composição do indébito, visto que as decisões proferidas nesses autos pautaramse apenas em negar o crédito sob o aspecto da formalidade ou da decadência, não adentrando à materialidade da composição do crédito tributário. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.006674/2007-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SUPRIDA.
INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS ALCANCE DA SÚMULA CARF nº 57. A Súmula CARF nº 57 aplica-se a qualquer forma de execução dos serviços nela descritos, em qualquer espécie de máquina ou equipamento, desde que seja possível presumir, a partir de sua baixa complexidade (evidenciada, dentre outros aspectos, pela receita bruta da pessoa jurídica), que tais atividades poderiam ser exercidas por tecnólogos e técnicos de nível médio.
Numero da decisão: 1101-000.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos de declaração, mas sem lhes dar efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Nara Cristina Takeda Taga e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SUPRIDA. INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS ALCANCE DA SÚMULA CARF nº 57. A Súmula CARF nº 57 aplica-se a qualquer forma de execução dos serviços nela descritos, em qualquer espécie de máquina ou equipamento, desde que seja possível presumir, a partir de sua baixa complexidade (evidenciada, dentre outros aspectos, pela receita bruta da pessoa jurídica), que tais atividades poderiam ser exercidas por tecnólogos e técnicos de nível médio.
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OMISSÃO SUPRIDA. INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS ALCANCE DA SÚMULA CARF nº 57. A Súmula CARF nº 57 aplicase a qualquer forma de execução dos serviços nela descritos, em qualquer espécie de máquina ou equipamento, desde que seja possível presumir, a partir de sua baixa complexidade (evidenciada, dentre outros aspectos, pela receita bruta da pessoa jurídica), que tais atividades poderiam ser exercidas por tecnólogos e técnicos de nível médio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos de declaração, mas sem lhes dar efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 66 74 /2 00 7- 90 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10120.006674/200790 Acórdão n.º 1101000.844 S1C1T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Nara Cristina Takeda Taga e João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10120.006674/200790 Acórdão n.º 1101000.844 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório Na sessão plenária de 26 de janeiro de 2011, esta Turma de Julgamento apreciou recurso voluntátio interposto por EROTILDES FERREIRA DA COSTA contra decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra o ato que excluiu a contribuinte do SIMPLES Federal. A exclusão, veiculada no Ato Declaratório nº 138, de 2 de outubro de 2007 (fl. 20), com efeitos a partir de 01/01/2003, decorreu da constatação de que a contribuinte presta serviço que depende de habilitação profissional legalmente exigida, representação comercial e manutenção eletromecânica, atividades abrangidas pelas vedações para opção pelo mencionado sistema, de acordo com o art. 9o, XIII, da Lei n° 9.317, de 1996 (fls. 01/12). A decisão de 1a instância afirmou que a prática de representação comercial e manutenção eletromecânica estaria evidenciada na atividade descrita na declaração de firma individual e em requerimento de empresário, bem como em cópias de notas fiscais de serviços emitidas entre janeiro e junho/2006, e nas notas fiscais juntadas à manifestação de inconformidade, pertinentes ao anocalendário de 2003, que denotam a prestação de serviços de rebobinamento, revisão, substituição de motores elétricos ou seus componentes; montagem e instalação e manutenção em geral; serviços de tubulação e cabeamento (fl. 185); instalações elétricas em unidade industrial (fl. 144); consultoria (fl. 163 e 234). Em recurso voluntário (fls. 322/343) a contribuinte reprisou os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, destacando que sua receita bruta anual nunca ultrapassou R$ 240.000,00, que nunca prestou serviço de representação comercial e que as mencionadas atividades atribuídas a engenheiros poderiam ser prestadas por técnicos, especialmente no que tange à manutenção elétrica, consoante jurisprudência administrativa. Reiterou a discordância à aplicação retroativa dos efeitos da exclusão. Esta Turma de Julgamento firmou o entendimento de que não existiam provas do exercício da atividade de representação comercial, e aplicou a Súmula CARF nº 57 à atividade de instalação e manutenção de equipamentos elétricos, editando o Acórdão nº 1101 00.405 assim ementado: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Anocalendário: 2003 SIMPLES FEDERAL. REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. AUSÊNCIA DE PROVAS. É insuficiente para caracterizar situação excludente a indicação da atividade de representação comercial, em declaração de firma individual, quando acompanhada da atividade de comércio varejista dos mesmos produtos. INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas Fl. 367DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10120.006674/200790 Acórdão n.º 1101000.844 S1C1T1 Fl. 5 4 e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula CARF nº 57). A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs embargos alegando a existência de omissão/contradição a ser sanada. Em síntese, apontou que a atividade de manutenção elétrica não se subsume à Súmula CARF nº 57, citando outros acórdãos deste Conselho que entenderam em sentido diverso. Os embargos foram admitidos ante a constatação de que o voto condutor do acórdão embargado, de fato, manteve implícito o entendimento de que as atividades de manutenção elétrica praticadas pela contribuinte estão incluídas nas hipóteses da Súmula CARF nº 57, deixando de exteriorizar a motivação necessária para esta conclusão. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10120.006674/200790 Acórdão n.º 1101000.844 S1C1T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O voto condutor do Acórdão nº 110100.405 foi assim redigido: O ato de exclusão apontou como causa a vedação prevista no art. 9o, inciso XIII da Lei no 9.317, de 1996 e decorreu de representação da Secretaria de Receita Previdenciária. A representação de fls. 1/13 aponta a exploração, pela empresa, de atividade de engenharia, prestando serviços de instalação, manutenção elétrica e mecânica de máquinas industriais, dado seu objeto social, até 18/01/2004, ser a prestação de serviços de manutenção elétrica; comércio varejista de materiais elétricos e representação comercial de materiais elétricos, passando depois disto a ser comércio varejista de materiais elétricos p/construção; recuperação de motores elétricos; instalação, reparação e manutenção de transformadores, conversores, sicron. e semelhantes; fabricação de subestações, quadros de comando, reg. de voltagem e outros aparelhos e equipamentos p/distribuição e controle de energia, inclusive peças. As cópias de notas fiscais que acompanham a referida representação mencionam serviços de ampliação elétrica, pintura de barramento e ferragens, montagem de painel para acionamento de automático de motos bomba, iluminação, tomadas, compressor e instalação destes equipamentos, manutenção elétrica e mecânica, montagem elétrica e de instrumentação, serviço de eletricidade de alta tensão e montagem de sistema de proteção contra descarga atmosférica de instalações especificadas. A autoridade administrativa da Receita Federal que analisou estes elementos entendeu que restou comprovado que a mesma não poderia permanecer no Simples, pois exerce, dentre outras, atividade atinente à profissão de engenheiro, ou a essa assemelhada, e de outras profissões que dependem de habilitação profissional legalmente exigida, conforme evidenciam os documentos fiscais (fls. 07 a 13), Declaração de Firma Individual e Requerimento de Empresário (fls. 03/04). Em consequência, editouse o Ato Declaratório Executivo nº 138/2007, sob o fundamento de que a empresa presta serviço de profissão que depende de habilitação profissional legalmente exigida, representação comercial e manutenção eletromecânica, atividades abrangidas pelas vedações para opção pelo mencionado sistema, de acordo com o art. 9°, inciso XIII, da Lei 9.317, de 1996. A recorrente alega que não exerce a atividade de representação comercial e, de fato, a única evidência neste sentido é a descrição de seu objeto contida na Declaração de Firma Individual datada de 16/02/98, reunindo as seguintes atividades econômicas: serviços de manutenção elétrica, comércio varejista de materiais elétricos e representação comercial de materiais elétricos. Não se ignora, aqui, os efeitos jurídicos da declaração de vontade, nas hipóteses em que a lei não lhe exige forma específica (art. 107 do Código Civil). Todavia, no caso em tela, é mais razoável admitir que a atividade de representação comercial foi alocada hipoteticamente como objeto da atividade econômica exercida, mormente tendo em conta a prática, também, de comércio varejista dos mesmos produtos e a ausência de qualquer prova do efetivo exercício daquela atividade, a Fl. 369DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10120.006674/200790 Acórdão n.º 1101000.844 S1C1T1 Fl. 7 6 descaracterizar a prestação de serviços profissionais que não é admitida no âmbito do SIMPLES FEDERAL. Quanto à segunda causa apontada para a exclusão da recorrente, tratase de matéria já pacificada no âmbito desta instância de julgamento: Súmula CARF nº 57. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Por estes motivos, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e cancelar o Ato Declaratório Executivo nº 138/2007, que excluiu a contribuinte do SIMPLES Federal. A Procuradoria da Fazenda Nacional afirma que inexiste subsunção da atividade de manutenção elétrica (indicada pela própria empresa na Declaração de Firma Individual de fl. 03) à referida súmula, e que os serviços ali mencionados tratam tãosomente de máquinas e equipamentos de uso comum. As evidências presentes nos autos são de que a contribuinte presta serviços de instalação, manutenção elétrica e mecânica de máquinas industriais, recuperação de motores elétricos; instalação, reparação e manutenção de transformadores, conversores, sicron. e semelhantes; fabricação de subestações, quadros de comando, reg. de voltagem e outros aparelhos e equipamentos p/ distribuição e controle de energia, inclusive peças, conforme seus atos constitutivos. Além disso, notas fiscais por ela emitidas mencionam serviços de ampliação elétrica, pintura de barramento e ferragens, montagem de painel para acionamento de automático de motos bomba, iluminação, tomadas, compressor e instalação destes equipamentos, manutenção elétrica e mecânica, montagem elétrica e de instrumentação, serviço de eletricidade de alta tensão e montagem de sistema de proteção contra descarga atmosférica de instalações especificadas. A Súmula nº 57, por sua vez, abrange a prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais. E, como se vê, a Súmula não distingue quais máquinas e equipamentos sujeitamse a manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos, nem qual especifica a forma de execução destas atividades. Entende a representação fazendária que ali somente estão incluídas máquinas e equipamentos de uso comum, e assim seria de se perquirir o que seria “uso comum”. Certamente não há razão para excluir máquinas e equipamentos utilizados por indústria e comércio e prestadores de serviços, de modo a restringir as atividades àqueles de uso doméstico. E, considerando que indústria, comércio e prestadores de serviços certamente fazem uso de máquinas movidas a motores elétricos, ou dependentes de equipamentos de distribuição ou transformação de energia, dentre outros, não há porque se cogitar que a manutenção, instalação ou serviços correlatos nestas máquinas e equipamentos exigiria habilitação profissional distinta daquela realizada em razão das mesmas atividades para manutenção mecânica ou hidráulica de outras máquinas e equipamentos. Em suma, não há qualquer justificativa para se pretender uma interpretação restritiva dos serviços indicados na Súmula nº 57. As referências jurisprudenciais apontadas Fl. 370DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10120.006674/200790 Acórdão n.º 1101000.844 S1C1T1 Fl. 8 7 pela Procuradoria da Fazenda Nacional são anteriores à edição da Súmula e esta, por sua vez, foi fundamentada nos seguintes paradigmas: Acórdão nº 39300091, DE 20/11/2008: SIMPLES. NÃO EXCLUSÃO. SERVIÇOS DE USINAGEM E FABRICAÇÃO DE PEÇAS INDUSTRIAIS SIMPLES. As atividades de usinagem e fabricação de peças industriais de pouca complexidade não se assemelham à atividade de engenheiro, portanto, não se enquadram na condição impeditiva prevista no art. 9°, inciso XIII da Lei n o. 9.317/96. Acórdão nº 39300054, de 22/10/2008: SIMPLES. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não é competente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei formal vigente. As leis nascem com a presunção de constitucionalidade que somente pode ser enfrentada em foro próprio na esfera judicial. SIMPLES. NÃO EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE BOMBAS HIDRÁULICAS. A prestação de serviços de manutenção de bombas hidráulicas não é própria da atividade de engenheiro, portanto, não se enquadra na condição impeditiva prevista no art. 9º, inciso XIII da Lei nº. 9.317/96. Acórdão nº 39300021, de 30/09/2008: SIMPLES. NÃO EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE USINAGEM. A atividade de usinagem não se assemelha à atividade de engenheiro, portanto, não se enquadra na condição impeditiva prevista no art. 9º, inciso XIII da Lei nº. 9.317/96. Acórdão nº 39100059, de 22/10/2008: SIMPLES. NÃO EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MONTAGEM E MANUTENÇÃO INDUSTRIAL. A vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9º da Lei 9.317, de 1996, não alcança as microempresas nem as empresas de pequeno porte constituídas por empreendedores que agregam meios de produção para explorar atividades econômicas de forma organizada com o desiderato de gerar ou circular bens ou de prestar quaisquer serviços. Ela é restrita aos casos de inexistência da figura do empreendedor cumulada com a prestação de serviços como atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica qualificados profissionalmente dentre as atividades indicadas no dispositivo legal citado. A atividade de prestação de serviços de montagem e manutenção industrial não se equipara a atividade de engenheiro mecânico ou engenheiro civil. Acórdão nº 30239.829, de 12/09/2008: EXCLUSÃO. ATIVIDADE IMPEDITIVA. ENGENHEIRO. MANUTENÇÃO DE TELEFONES CELULARES. A atividade exercida pela recorrente não se configura como específica de engenharia, motivo pelo qual deve ser mantida no SIMPLES. Acórdão nº 30239602, de 20/06/2008: SIMPLES EXCLUSÃO SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE TELEFONIA Na hipótese dos autos, a atividade alegada no ato de exclusão não pode ser equiparada à atividade de engenheiro, já que não exige habilitação técnica para a sua prestação e tampouco inscrição no CREA. Tratase de atividade de nível técnico, sobre a qual não se aplica a exceção do inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96. Acórdão nº 30134801, de 16/10/2008: Fl. 371DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10120.006674/200790 Acórdão n.º 1101000.844 S1C1T1 Fl. 9 8 SIMPLES EXCLUSÃO Manutenção de equipamentos e máquinas. Manutenção de máquinas e equipamentos normalmente não são tarefas cujo nível de complexidade exija a intervenção de engenheiros ou profissionais assemelhados. SIMPLES ATIVIDADES VEDADAS. Verificado que pela Lei Complementar n.º 123/2006, que instituiu o Simples Nacional, as atividades exercidas pela pessoa jurídica não são vedadas, é de se rever a exclusão do SIMPLES Acórdão nº 30134653, de 10/07/2008: SIMPLES EXCLUSÃO ATIVIDADE NÃO VEDADA. COMERCIALIZAÇÃO DE EQUIPAMENTOS EM CONJUNTO COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE APARELHOS E CABOS TELEFÔNICOS. Não se compreende nas atividades privativas de engenheiros ou de outras profissões cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida a comercialização de equipamentos em conjunto com a prestação de serviços de instalação e manutenção de aparelhos e cabos telefônicos. Precedente da CSRF. SIMPLES ATIVIDADES DE ENGENHARIA CIVIL ATIVIDADES NÃO VEDADAS PELA LEI COMPLEMENTAR 123/2006 APLICAÇÃO RETROATIVA. As atividades de construção de imóveis e de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada, não são mais vedadas ao SIMPLES nos termos do artigo 17, § 1º, inciso XIII, da LC 123/2006. Aplicação retroativa em virtude do artigo 106, inciso II, alínea “b”, do Código Tributário Nacional. Acórdão nº CSRF/0306.233, 08/12/2008: SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. NÃO ENQUADRAMENTO. A atividade de prestação de serviço de reparação e manutenção de máquinas e equipamentos industriais não pode ser livremente equiparada àquela de engenheiro, para fim de exclusão do SIMPLES. A diretriz destes entendimentos não está centrada no tipo de máquina ou equipamento, ou na espécie de manutenção, instalação ou reparo executado, mas sim na sua baixa complexidade, de modo que o próprio Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA) os atribui, em suas Resoluções, também a tecnólogos e técnicos de nível médio. E, no presente caso, a baixa complexidade é evidenciada pela receita bruta anual da contribuinte, que não teria ultrapassado R$ 240.000,00. Por fim, a Procuradoria da Fazenda Nacional também se reporta ao Ato Declaratório Normativo COSIT nº 30/99, que exemplifica os serviços auxiliares e complementares da construção civil, e dentre eles inclui as atividades de instalações elétricas. Todavia, como exposto no preâmbulo do referido ato, tratase ali da hipótese de exclusão tratada no inciso V do art. 9o da Lei nº 9.317/96, distinta daquelas que motivaram o presente litígio. Assim, é de se ACOLHER os embargos da Fazenda Nacional, mas sem lhes dar efeitos infringentes, e apenas suprir a omissão apontada, para afirmar a aplicação da Súmula CARF nº 57 a qualquer forma de execução dos serviços nela descritos, em qualquer espécie de máquina ou equipamento, desde que seja possível presumir, a partir de sua baixa complexidade (evidenciada, dentre outros aspectos, pela receita bruta da pessoa jurídica), que tais atividades poderiam ser exercidas por tecnólogos e técnicos de nível médio. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 372DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10120.006674/200790 Acórdão n.º 1101000.844 S1C1T1 Fl. 10 9 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10855.904484/2008-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
DCOMP. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. EFEITOS EQUIVALENTES AO DO PAGAMENTO.
Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, quando reconhecido crédito do contribuinte e homologada a compensação a extinção torna-se definitiva.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF.
Extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, crédito tributário antes não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3401-002.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Júlio Cesar Ramos, que negava provimento.
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira de Ribeiro (Suplente), Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 DCOMP. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. EFEITOS EQUIVALENTES AO DO PAGAMENTO. Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, quando reconhecido crédito do contribuinte e homologada a compensação a extinção torna-se definitiva. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF. Extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, crédito tributário antes não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2147; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 96 1 95 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.904484/200826 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.102 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2013 Matéria DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO EM VEZ DE PAGAMENTO DO DÉBITO CONFESSADO ESPONTANEAMENTE. Recorrente J. F. I. SILVICULTURA LTDA Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETOSP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 DCOMP. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. EFEITOS EQUIVALENTES AO DO PAGAMENTO. Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, quando reconhecido crédito do contribuinte e homologada a compensação a extinção tornase definitiva. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF. Extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, crédito tributário antes não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Júlio Cesar Ramos, que negava provimento. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 44 84 /2 00 8- 26 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira de Ribeiro (Suplente), Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão que manteve Despacho Decisório eletrônico homologando em parte Declaração de Compensação (DCOMP) transmitida em 09/11/2004, com créditos da Cofins e débito da mesma Contribuição. Na Manifestação de Inconformidade a contribuinte requer o cancelamento da cobrança do saldo devedor, alegando que o indébito foi “atualizado” (referese à aplicação da Selic) e não resta nada a recolher. O Colegiado da DRJ manteve a homologação parcial, observando que não há controvérsia sobre o valor original do crédito da contribuinte porque esse foi julgado integralmente procedente. A divergência reside tãosomente no valor do débito compensado da Cofins ao tempo da transmissão da DCOMP, em face do acréscimo da multa de mora. Como o contribuinte deixou de incluir a multa de mora e segundo o acórdão recorrido estes são devidos, haja vista o art. 28 da IN SRF nº 460/2004 e o art. 61 da Lei nº 9.430/96, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente. No Recurso Voluntário, tempestivo, a interessada insiste na compensação integral, sem o cômputo da multa de mora aplicada até a data de transmissão da DCOMP, invocando a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Destaca ter transmitido a DCOMP antes da DCTF retificadora, argüindo que de acordo com a jurisprudência do STJ resta caracterizada a denúncia espontânea, vez que (i) a quitação/compensação foi realizada após o vencimento do débito, (ii) foram acrescidos juros de mora ao débito compensado, (iii) a entrega da DCOMP se deu antes da entrega da DCTF e (iv) de qualquer procedimento de fiscalização. Argúi ainda não haver mora, já que possuía um crédito a ser compensado, apenas aguardando homologação, pelo que, se inaplicável o art. 138 do CTN, de todo modo deve ser afastada a multa de mora. Este Colegiado determinou diligência, visando verificar se o valor do débito compensado, e que se encontrava em atraso na data de transmissão do PER/DCOMP (por isto a contribuinte incluiu na compensação os juros de mora), já constava da DCTF original ou se foi informado apenas na DCTF retificadora. O resultado da diligência confirma que a DCTF retificadora foi transmitida depois da DCOMP e que o débito compensado não constava da DCTF original. Cientificado do resultado da diligência, a Recorrente não se pronunciou. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904484/200826 Acórdão n.º 3401002.102 S3C4T1 Fl. 97 3 Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O resultado da diligência confirma que a DCTF retificadora foi transmitida em 19/11/2004 (após a DCOMP, então) e que o débito da Cofins compensado, com código da Receita 21721 (cumulativa), não constava da DCTF original. A primeira DCTF contemplava somente Cofins sob o código 58561, próprio do regime nãocumulativo, cujo valor na DCTF retificadora foi reduzido. Como o pagamento foi efetuado no montante original, originouse o indébito compensado por meio da DCOMP ora em debate. O litígio, como já definido com precisão no voto que resultou da diligência, versa unicamente sobre a exigência (ou não) da multa ofício, na situação em que a contribuinte transmite PER/DCOMP compensando débito em atraso, quando considerada a data da transmissão. Para a Recorrente a denúncia restou caracterizada e, por isso, descabe a multa de mora, de modo que deviam ser exigidos apenas o principal e os juros de mora incidentes entre a data de vencimento do débito compensado e a de transmissão do PER/DCOMP. Reconhecendo que o tema é controverso e já adotei interpretação diversa em julgamentos anteriores, curvome à interpretação do STJ quanto à exclusão da multa de mora na hipótese da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, que na situação dos autos vejo caracterizada por não haver dúvida quanto ao crédito da Recorrente. A Turma da DRJ, ao manter a homologação parcial, observou que não há controvérsia sobre o valor original do crédito da contribuinte porque esse foi julgado integralmente procedente. A divergência reside tãosomente no valor do débito compensado da Cofins ao tempo da transmissão da DCOMP, em face do acréscimo da multa de mora. Sendo certo o reconhecimento do crédito informado na DCOMP, a compensação declarada nos termos da Medida Provisória nº 66, convertida na Lei nº 10.637, ambas de 2002, equiparase ao pagamento por não restar mais dúvida quanto à extinção do crédito tributário. Assim, as condições exigidas pelo art. 138 do CTN, para fins de caracterização da denúncia espontânea defendida pela Recorrente, e consoante interpretação do STJ em Recurso Repetitivo, estão satisfeitas: o débito constante da DCOMP não foi informado antes à Receita Federal e houve a sua liquidação por meio da compensação (no lugar do pagamento a que se refere o texto do citado art. 138) Caracterizada a denúncia espontânea, a multa moratória deve ser excluída por ser obrigada a aplicação da jurisprudência do STJ, como determinada pelo art. 62A do RICARF (Anexo II da Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, modificado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010)1. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 4 Segundo julgamentos do STJ na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, a exemplo do Recurso Especial nº 1149022SP, temse o seguinte, verbis: 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.(AC) Fl. 117DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904484/200826 Acórdão n.º 3401002.102 S3C4T1 Fl. 98 5 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp 1149022, unânime, Relator Min. Luiz Fux, trânsito em julgado em 30/08/2010) Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, homologada a compensação de débito antes não declarado à administração tributária, a extinção tornase definitiva (antes era precária por se submeter a ulterior homologação, nos termos do regime introduzido pela Medida Provisória nº 66, convertida na Lei nº 10.637, ambas de 2000). Na sistemática da compensação introduzida pela MP nº 66, 2002, em que a compensação extingue o crédito tributário, há de se admitir que o contribuinte pode, no lugar do pagamento, preferir compensar o que deve com o crédito que possui. Afinal, não se pode exigir do contribuinte detentor de crédito junto à Fazenda Pública que efetue, a fim de caracterizar a denúncia espontânea, pagamento que pode ser suprido pela compensação. À opção dele, pode ser feito o pagamento do débito confessado espontaneamente ou declarada a compensação a extinguir o débito, extinção esta que poderá ficar sem efeito caso não homologada a compensação. A corroborar a interpretação ora adotada, o Acórdão sob o nº 340101.045, desta Turma sob a relatoria do ilustre Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, processo nº 11516.002888/200714, sessão de 30/09/2010. Destacando que naquela ocasião adotei posição diversa, transcrevo os fundamentos daquele julgado, que é orientado, inclusive, por julgado do STJ, tudo conforme adiante: Inicialmente, de se ressaltar duas características da Dcomp, quais sejam, a de que, nos termos do parágrafo 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30/12/2002, “A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.” (grifei), e a de que, nos termos do parágrafo 6º do mesmo art. 74, acrescentado pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, “A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.” (grifei) Para mim, embora o artigo 138 do CTN refirase a pagamento e a compensação seja apenas uma forma de extinção do crédito tributário, que não o pagamento, há que se considerar os efeitos idênticos em ambos os casos, ou seja, ambos, o pagamento e a compensação, quando homologados, extinguem o crédito na data em que realizados, isto é, respectivamente, na data do pagamento e na data da entrega da Dcomp. Para referendar a minha linha de raciocínio, lembro o teor do parágrafo 1º do art. 150 do Fl. 118DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 6 Código Tributário Nacional, segundo o qual “O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento”. (grifei) A relevância das observações constantes dos parágrafos acima está no fato de que, neste caso, haverá a prevalência dos efeitos da entrega das Dcomp (pagamento) sobre os decorrentes da entrega das DCTF (confissão), visto que a entrega daquelas ocorreu antes da entrega dessas. Explicando melhor e situando os fatos no contexto da discussão, o “pagamento” do PIS/Pasep do período de apuração de dezembro de 2004, vencido em 14/01/2005, ocorreu por meio das Dcomp entregues no dia 31/01/2005, enquanto que a entrega da DCTF do 4º trimestre de 2004, que também é forma de constituição dos créditos tributários, só veio ao conhecimento do Fisco em 11/02/20052, após, portanto, a ocorrência do “pagamento” que ocorreu, frisese, acrescido dos juros de mora. Esclarecimento adicional não menos importante se faz necessário em faz das retificações havidas nas Dcomp originais, isto é, embora as retificadoras tenham sido entregues em 05/05/2005, o encontro de contas, ou as compensações, levou em conta a data de entrega das Dcomp originais, ou seja, em 31/01/2005. Assim, no presente caso, em que a interessada, antes de apresentar a DCTF indicando os débitos em atraso e antes de qualquer iniciativa do Fisco relacionada à cobrança desses débitos, procedeu, janeiro de 2005, via entrega da Dcomp, à confissão e à “extinção” daqueles débitos vencidos em 12/11/2004, com juros de mora, resta caracterizada a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional, na linha do entendimento manifestado pelo STJ, que, à propósito e em situação semelhante a esta, assim se manifestou no AgRg no REsp 1136372/RS, T1, Ministro Hamilton Carvalhido, votação unânime, julgamento em 04/05/2010, Dje 04/05/2010: ‘AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE. IMPROVIMENTO. 1. (...). 2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal, as multas moratórias ou punitivas devem ser excluídas. 3. Agravo regimental improvido.’ 2 Vide "Consulta Declarações DCTF", por mim anexado ao eprocesso. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904484/200826 Acórdão n.º 3401002.102 S3C4T1 Fl. 99 7 Colhese da referida decisão a informação de que o Recurso Especial então interposto pela Fazenda Nacional atacara o Acórdão da Primeira Turma do TRF da 4ª Região, assim ementado: ‘TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO INTEGRAL DO TRIBUTO MEDIANTE GUIAS DARF E COMPENSAÇÃO DECLARADA À RECEITA FEDERAL. EXCLUSÃO DA MULTA.COMPENSAÇÃO. 1. O pagamento espontâneo do tributo, antes de qualquer ação fiscalizatória da Fazenda Pública, acrescido dos juros de mora previstos na legislação de regência, enseja a aplicação do art. 138 do CTN, eximindo o contribuinte das penalidades decorrentes de sua falta. 2. O art. 138 do CTN não faz distinção entre multa moratória e multa punitiva, aplicandose o favor legal da denúncia espontânea a qualquer espécie de multa. 3. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, declarados em DCTF e pagos com atraso, o contribuinte não pode invocar o art. 138 do CTN para se exonerar da multa de mora, consoante a Súmula nº 360 do STJ. Tal entendimento deriva da natureza jurídica da DCTF, GFIP ou outra declaração com idêntica função, uma vez que, formalizando a existência do crédito tributário, possuem o efeito de suprir a necessidade de constituição do crédito por meio de lançamento e de qualquer ação fiscal para a cobrança do crédito. 4. Todavia, enquanto o contribuinte não prestar a declaração, mesmo que recolha o tributo extemporaneamente, desde que pelo valor integral, permanece a possibilidade de fazer o pagamento do tributo sem a multa moratória, pois nesse caso inexiste qualquer instrumento supletivo da ação fiscal. 5. A exegese firmada pelo STJ é plenamente aplicável às hipóteses em que o tributo é pago com atraso, mediante PER/DCOMP, antes de qualquer procedimento do Fisco e, por extensão, da entrega da DCTF. A declaração de compensação realizada perante a Receita Federal, de acordo com a redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, dada pela Lei nº 10.637/2002, extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Até que o Fisco se pronuncie sobre a homologação, seja expressa ou tacitamente, no prazo de cinco anos, a compensação tem o mesmo efeito do pagamento antecipado. 6. A multa, por força do art. 113, § 1º, do CTN, é alçada à categoria de obrigação tributária principal, submetendose ao mesmo regime de constituição, inscrição em dívida ativa e execução dos tributos. Tornandose irrelevante a distinção doutrinária quanto à natureza jurídica da multa, é possível a compensação, desde que o encontro de contas seja feito perante o Fl. 120DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 8 ente responsável pela arrecadação, fiscalização e lançamento do tributo’ E que os argumentos lançados pela Fazenda Nacional para fustigar o mérito do referido Acórdão foram os de que teriam sido violados os artigos 138 e 113, parágrafos 2º e 3º do Código Tributário Nacional, bem como o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, porque: ‘(...) Ora, não efetuado o pagamento do tributo devido, mas apenas o pagamento de valor que a parte entendeu como correto, ou seja, sem a multa moratória, descabida a aplicação da denúncia espontânea, em frontal afronta ao disposto nos artigos retro transcritos. A recorrida entende indevida a multa moratória, alegando que, no caso de mera inadimplência, ao efetuar o pagamento em momento anterior a qualquer atividade do Fisco, estaria caracterizada a denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN. Sem razão, contudo, considerando que a multa moratória não deve ser excluída em face da denúncia espontânea, que, consoante estabelece o artigo 138, está relacionada à responsabilidade por infrações. Isto porque a multa moratória não se constitui em penalidade por infração à legislação tributária, como refere o eminente tributarias Ruy Barbosa Nogueira: (...) Não merece prosperar, portanto a pretensão da recorrida de eximirse do pagamento da multa moratória, sob a alegação de que efetuou o pagamento espontaneamente. Ora, o recolhimento do tributo se deu fora do prazo, estando sujeito ao acréscimo da multa moratória, não se tratando, no caso, de aplicação de multa de ofício, hipótese em que deveria ser observado o disposto no artigo 138 do CTN. Tratase no presente caso, de tributo sujeito ao lançamento por homologação, cujo montante foi recolhido fora do prazo legalmente previsto, mas espontaneamente pago pelo contribuinte. Em tal hipótese, não há se falar em multa punitiva, mas, sim, de aplicação da multa moratória, porque prevista em lei, como medida de garantia indenizatória. (...) Outrossim, vale seja recordado que a legislação prevê que em casos como o dos autos, em que exista débito tributário impago e informado pelo contribuinte, através de declaração de compensação, não é necessário o lançamento do débito, uma vez que devidamente confessado. Desse modo, havendo previsão normativa afirmando a suficiência da declaração do contribuinte a respeito de sua Fl. 121DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904484/200826 Acórdão n.º 3401002.102 S3C4T1 Fl. 100 9 situação fiscal, é legítima a recusa da Fazenda em reconhecer a espontaneidade do recolhimento. Porque a espontaneidade implica, isto sim, em pagamento do débito ao mesmo tempo que o confessa. Assim, se há legislação tornando dispensável o lançamento e considerando formalizado o crédito tributário, em documento que se tem o valor de confissão de dívida, não há como se exigir o lançamento fiscal para caracterizar a exigibilidade da multa. De outro viés, fica afastada, por certo, eventual multa de ofício, eis que o contribuinte declarou dever o tributo. Mas, como já dito acima, multa de ofício não se confunde com multa moratória, esta última devida simplesmente pelo pagamento a destempo, da mesma forma como é devida a multa nas hipóteses em que se atrasa o pagamento de prestações outras, tais como cartões de crédito, condomínio, prestações habitacionais, etc. (...)’ Negando seguimento ao referido Recurso Especial, assim se manifestou a autoridade Judicial: ‘(...) Tudo visto e examinado, decido. Esta é a letra do acórdão recorrido, particularmente a parte em que o Tribunal a quo afirma que o contribuinte efetuou o pagamento do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório do Fisco ou antes, sequer, da entrega da respectiva declaração tributária: (...) A exegese firmada pelo STJ é plenamente aplicável às hipóteses em que o tributo é pago com atraso, mediante PER/DCOMP, antes de qualquer procedimento do Fisco e, por extensão, da entrega da DCTF. O que ocorre, na verdade, é que a declaração de compensação realizada perante a Receita Federal, de acordo com a redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, dada pela Lei nº 10.637/2002, extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Na sistemática dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a compensação equivale ao pagamento antecipado, visto que o sujeito passivo, ao invés de recolher o valor do tributo em pecúnia, registra na escrita fiscal o crédito oponível ao Fisco e o informa na PER/DCOMP. Em outras palavras, até que o Fisco se pronuncie sobre a homologação, seja expressa ou tacitamente, no prazo de cinco anos, a compensação tem o mesmo efeito do pagamento antecipado. Este entendimento coadunase com a jurisprudência deste Tribunal e do STJ, consoante os acórdãos a seguir transcritos: (...) Fl. 122DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 10 In casu, a autora promoveu o pagamento em guias DARF e a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal. Resta configurada, por conseguinte, a denúncia espontânea, fazendo jus à restituição dos valores pagos a título de multa moratória. (...)" Nesse passo, verificase estar caracterizada a denúncia espontânea, eis que não houve a constituição do crédito tributário, seja mediante declaração do contribuinte, seja mediante procedimento fiscalizatório do Fisco, anteriormente ao seu respectivo pagamento, o que, in casu, se deu com a compensação de tributos. Ademais, a compensação efetuada possui efeito de pagamento sob condição resolutória, ou seja, a denúncia espontânea será válida e eficaz, salvo se o Fisco, em procedimento homologatório, verificar a ocorrência de algum erro na operação de compensação.’ (...) No tocante à validade e eficácia imediata do pedido de compensação, colaciono os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO DECIDIDO PELO FISCO SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POSSIBILIDADE. 1. O pedido de compensação na esfera administrativa, mesmo anteriormente à nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96, suspende a exigibilidade do crédito tributário porque enquanto pendente discussão administrativa, a dívida carece de certeza (existência) e exigibilidade. Precedente da Primeira Seção. 2. A processualidade administrativa é instrumento de acertamento do crédito tributário, além de conferir legitimidade ao título extrajudicial fazendário (CDA) pela participação em contraditório do contribuinte, razão pela qual se lhe deve render toda a eficácia possível. 3. Recurso especial provido." (REsp 972.531/AL, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/10/2009, DJe 27/11/2009). TRIBUTÁRIO – EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA – COMPENSAÇÃO –HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA PELA ADMINISTRAÇÃO – RECURSO ADMINISTRATIVO PENDENTE –SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO – FORNECIMENTO DE CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA. 1. As impugnações, na esfera administrativa, a teor do CTN, podem ocorrer na forma de reclamações (defesa em primeiro grau) e de recursos (reapreciação em segundo grau) e, uma vez apresentadas pelo contribuinte, têm o condão de impedir o pagamento do valor até que se resolva a questão em torno da extinção do crédito tributário em razão da compensação. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904484/200826 Acórdão n.º 3401002.102 S3C4T1 Fl. 101 11 2. Interpretação do art. 151, III, do CTN, que sugere a suspensão da exigibilidade da exação quando existente uma impugnação do contribuinte à cobrança do tributo, qualquer que seja esta. 3. Nesses casos, em que suspensa a exigibilidade do tributo, o fisco não pode negar a certidão positiva de débitos, com efeito de negativa, de que trata o art. 206 do CTN. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 850332/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/05/2008, DJe 12/08/2008). Uma vez configurada a denúncia espontânea no presente caso, passo à análise da outra questão suscitada pela recorrente, qual seja, a de que a denúncia espontânea não exclui o contribuinte do pagamento da multa moratória. Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça possui firme entendimento de que o artigo 138 do CTN, ao ressalvar o contribuinte do pagamento de multa, não fez diferenciação entre multa punitiva e a multa moratória, motivo pelo qual não cabe ao intérprete fazêlo, pena de restrição indevida do âmbito de incidência normativo’. Nas suas razões de Agravo, a Procuradoria da Fazenda Nacional alegou: ‘(...) De início, ponderase acerca da legalidade do julgamento monocrático da presente causa, uma vez que a matéria objeto desta demanda não se enquadra nas hipóteses no art. 557, do CPC (...) Perceba Excelência que a decisão não poderia ter sido proferida monocraticamente, eis que não se afigura presente qualquer das hipóteses autorizadoras previstas no art. 557, do CPC. A pretensão recursal deduzida pela União não contraria súmula ou entendimento jurisprudencial predominante deste STJ, nem do STF, muito menos de qualquer outro Tribunal Superior. (...) Ademais, mesmo no mérito, a r. Decisão agravada merece reparos (...) Com efeito, vêse que a caracterização do instituto da denúncia espontânea demanda o pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Em tese, é possível que se considere o pedido de compensação como efetivo pagamento, caso se paute por uma concepção genérica do termo pagamento. Todavia, da detida análise do CTN, aferese que o referido Código pautase por uma concepção estrita dos referidos termos, uma vez que diferencia pagamento e compensação (...) Fl. 124DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 12 Outrossim, o Capítulo IV do Código Tributário Nacional é subdividido em seções, sendo que o pagamento e a compensação são tratados em seções distintas, nas quais são esmiuçadas as particularidades das referidas formas de extinção do crédito tributário . Ora, diante da concepção restrita do termo pagamento propugnada pelo Código Tributário Nacional, não cabe o alargamento de seu conceito, de modo a permitir que o contribuinte que formalize pedido de compensação possa beneficiarse do instituto da denúncia espontânea. Destarte, se o art. 138 do CTN exige pagamento do tributo e dos juros de mora, e o mesmo Código diferencia pagamento de compensação, é de se concluir que não se configura hipótese de denúncia espontânea no caso em que o contribuinte formaliza pedido de compensação de tributos’. E, finalmente, enfrentandoas, o Ministro Hamilton Carvalhido, acompanhado pelos Ministros Luiz Fux, Teori Albino Zavascki e Benedito Gonçalves (Presidente), assim se posicionou: ‘(...) In casu, negouse seguimento ao recurso especial interposto, com fulcro na jurisprudência dominante, por "(...) estar caracterizada a denúncia espontânea, eis que não houve a constituição do crédito tributário, seja mediante declaração do contribuinte, seja mediante procedimento fiscalizatório do Fisco, anteriormente ao seu respectivo pagamento, o que, in casu, se deu com a compensação de tributos." Tal entendimento se compatibiliza com as hipóteses traçadas no artigo 557, caput, do Código de Processo Civil, que autoriza o Relator a negar seguimento a recurso, quando contrário à jurisprudência dominante do respectivo tribunal, restando consolidado, ainda com mais força, o entendimento dominante do Superior Tribunal de Justiça. De resto, merece prevalecer a decisão ora agravada, posto que, uma vez configurada a denúncia espontânea no presente caso, passo à análise da outra questão suscitada pela recorrente, qual seja, a de que a denúncia espontânea não exclui o contribuinte do pagamento da multa moratória. (...) Pelo exposto, nego provimento ao agravo regimental. É O VOTO.’ Assim, repito, no presente caso, em que a interessada, por meio da entrega da Dcomp extinguiu o débito em atraso antes de ter levado ao conhecimento do Fisco tal fato, resta caracterizada a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional, na linha do entendimento manifestado pelo STJ e das demais considerações por mim expostas acima. Pelo exposto, dou provimento ao Recurso. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904484/200826 Acórdão n.º 3401002.102 S3C4T1 Fl. 102 13 Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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