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Numero do processo: 10730.720001/2008-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 18/08/2004 a 17/04/2007
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE.
A ocultação, pelo importador, do real adquirente do produto importado, mediante fraude ou simulação, tipifica a figura da interposição fraudulenta, sujeitando tanto a importadora como o real adquirente, este na condição de responsável solidário, à penalidade de perdimento das mercadorias, a ser convertida em multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, nos casos em que estas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.401
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente-substituto.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (presidente-substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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MULTA Recorrente CARTARIO GESTÃO EMPRESARIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 18/08/2004 a 17/04/2007 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. A ocultação, pelo importador, do real adquirente do produto importado, mediante fraude ou simulação, tipifica a figura da interposição fraudulenta, sujeitando tanto a importadora como o real adquirente, este na condição de responsável solidário, à penalidade de perdimento das mercadorias, a ser convertida em multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, nos casos em que estas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidentesubstituto. Charles Mayer de Castro Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (presidentesubstituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 00 01 /2 00 8- 49 Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 2 de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da aplicação de penalidade isolada, referente a fatos geradores ocorridos nos anos de 2004 e 2007. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 4.663.392,04 referente a multa prevista no art. 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002. Depreendese do “Relatório de Auditoria Fiscal” do auto de infração (fls. 995 a 1.064), que a interessada foi submetida a auditoria nos temos da Instrução Normativa SRF nº 228/2002, e que intimada a apresentar esclarecimentos e documentos relacionados à comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de importação referentes ao período entre março de 2004 e abril de 2007 (fls. 07 a 09, 56 a 57, 588 a 601, 742 a 743), a interessada apresentou respostas parciais (fls. 11 a 55, 65 a 587, 602 a 741, 744 a 971), apresentando alguns documentos relacionados às operações realizadas e estrutura da empresa. Diligência realizada na data de 06/06/2007, no endereço da sede da Empresa CARTARIO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA. (CNPJ 04.303.304/000189), em São Fidélis – RJ, constatou a inexistência de qualquer atividade industrial ou comercial no local declarado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo lavrado o “Termo de Constatação” de folhas 03. Diligência realizada na data de 11/06/2007, no endereço da sede da Empresa CARTAGOIAS INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA. (CNPJ 03.752.385/000131), em São Gonçalo – RJ, resultou na Lavratura do “Termo de Constatação” de folhas 04 a 06, onde o Sr. José Carlos Pires Coutinho (CPF 040.574.73734), sóciogerente, representante legal de ambas as empresas prestou diversas informações que restaram consignadas e firmadas no citado “Termo de Constatação”, entre as quais, em síntese que: as atividades desenvolvidas pela Empresa CARTARIO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA. restringiamse a recepção de mercadorias importadas e expedição imediata à Empresa CARTAGOIAS INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA.; a Empresa CARTARIO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA. nunca chegou a realizar atividade econômica de indústria, embora tenha sido registrado CNAE próprio de indústria; as importações são exclusivas para a Empresa CARTAGOIAS INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA., único cliente; provavelmente Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10730.720001/200849 Acórdão n.º 3202001.401 S3C2T2 Fl. 1.663 3 os recursos financeiros utilizados vinham da Empresa CARTA GOIAS INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA. Em razão da mudança de endereço, em 05/10/2007 foi realizada Diligência à sede da Empresa CARTARIO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA., em Maricá – RJ, onde restou constatada a inexistência de qualquer atividade industrial ou comercial no local, sendo lavrado o “Termo de Constatação” de folhas 979. Considerando: as declarações prestadas pelo sócio; a inexistência de fato da Empresa CARTARIO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA. (diligências realizadas, falta de estabelecimento empresarial, incessantes mudanças de endereço); a não comprovação da integralização do capital pelos sócios fundadores (declarações do imposto de renda indicam a origem em empréstimos particulares junto aos seus pais – Sr. José Carlos Pires Coutinho e Sra. Marília Ferreira de Araújo Coutinho (CPF 494.160.49700), porém estes não possuíam lastro financeiro para a concessão dos valores conforme declarações do imposto de renda); a insuficiência de empregados; a inexistência de escrituração contábil; e, a não apresentação de comprovantes de consumo de energia elétrica, telefone e água; a fiscalização concluiu que a Empresa CARTA RIO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA. figurou nas declarações de importação como mera pessoa jurídica interposta, visto que não possuía condições operacionais ou financeiras de arcar com as operações de importação realizadas. Relata a fiscalização que embora as operações de importação efetivamente tenham sido realizadas por conta e ordem da Empresa CARTAGOIAS INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA. (real adquirente), a Empresa CARTARIO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA. apresentava declarações de importação com a informação de que as mercadorias importadas seriam por conta própria. Embora utilizasse recursos de terceiros (adiantamentos), os documentos instrutivos e as declarações não traziam qualquer informação relacionada à este fato, situação que contraria a legislação que rege a matéria. Registra ainda a fiscalização que a Empresa CARTAGOIAS INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA. (real adquirente) teve o pedido de habilitação como importador negado em 2004 (processo administrativo n° 13.116.000303/200417), tendo sido habilitada automaticamente em 19/05/2006 na modalidade simplificada, o que significou limites (US$ 150.000,00) para a realização de operações, restando indeferido o novo pedido de 16/08/2006 para habilitação. Quanto aos recursos financeiros para quitação dos contratos de câmbio referentes às importações realizadas pela Empresa CARTARIO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA., Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 4 estes eram a ela transferidos dias antes pela Empresa CARTA GOIAS INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA, conforme demonstram os extratos bancários, planilhas e declaração indicados à folhas 1.044 e 1.045 pela fiscalização. Aduz ainda a fiscalização que os documentos relacionados ao transporte das mercadorias, após o desembaraço, indicam que as mesmas eram encaminhadas diretamente à Empresa CARTA GOIAS INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA. Conclui a fiscalização de que no caso concreto verificase que a Empresa CARTARIO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA. foi utilizada especificamente para se interpor à Empresa CARTAGOIAS INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA., que por seu turno, encontravase impossibilitada ou com sérias restrições para operar no comércio exterior. Para a consecução dos objetivos restou praticada a apresentação de documentos instrutivos das declarações de importação e as próprias declarações de importação eivados de falsidade de conteúdo. Quanto à responsabilidade tributária a fiscalização atribuiu à Empresa CARTAGOIAS INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA. a responsabilidade solidária, vez que esta é de fato a real adquirente das mercadorias em apreço e que concorreu para a prática da infração e dela se beneficiou. Assim, considerando o disposto no inciso V, do artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/76, o artigo 27 da Lei n° 10.637/02, e ainda, o § 3º do artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/76 a fiscalização lavrou a multa em apreço. Cientificada, a interessada Empresa CARTARIO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA. apresentou a impugnação de folhas 1.088 a 1.103. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, salta aos olhos a falta de critério e de ordem lógica dos trabalhos fiscais, porque, simplesmente estranhar sucessivas mudanças de endereço da Impugnante, jamais poderia ser elemento embasador de uma grave acusação como a que fora imputada à contribuinte. A alegação de inexistência de fato foi repelida pelos documentos apresentados à fiscalização. Abriu conta corrente, efetuou cadastro junto à Prefeitura, registrou importações (estava habilitado para importar); Que, se existiam discrepâncias nas declarações dos sócios subscritores do capital da impugnante, caberia ao Fisco intimá los para que justificassem tal fato, porém, jamais utilizar este fato como preponderante, em detrimento de todo o vasto, conjunto probatório colacionado aos autos pela CartaRio, sem que ao menos tivesse diligenciado no sentido de infirmar tais elementos de prova; Que, o conselho de contribuintes, ao se deparar com casos em que a autuação decorre de indícios destituídos de gravidade, precisão e concordância, que não comprovaram a concretização de ocorrência da hipótese de incidência, vem se manifestando de Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10730.720001/200849 Acórdão n.º 3202001.401 S3C2T2 Fl. 1.664 5 forma firme no sentido de cancelar o lançamento. Semelhante entendimento é expressado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais; Que, a eleição de um terceiro — CartaGoiás – como sujeito passivo responsável solidário da exação em exame, é mais uma imputação que carece de fundamento e de provas, provas que, aliás, a fiscalização não junta em nenhum momento, uma vez que olvida validar o lançamento da malfadada multa aduaneira tão somente com base em desprovidas conjecturas; Que, o auto de infração está embasado em meras presunções e suposições da autoridade lançadora, que pensa serem provas a seu favor as declarações prestadas por terceiros à fiscalização, ou mesmo as singelas diligências por ela efetuadas apenas nos endereços em que a Impugnante já possuiu estabelecimento, ou seja, todas as acusações circulam em volta de declarações não apoiadas em provas documentais; Que, caberia à fiscalização trazer aos autos a prova irrefutável que a permitisse descaracterizar as importações regularmente efetuadas pela lmpugnante, o que, não foi realizado pelo agente lançador, o que torna ainda mais incipiente a acusação no sentido de que teria a CartaRio, juntamente com a CartaGoiás, praticado uma suposta simulação para fins de importar mercadorias; Que, agiu corretamente, recolheu os tributos devidos, não existindo qualquer prejuízo ao Erário público. Inexistente a premissa de dano ao Erário, portanto inaplicável a multa. Os fatos não se subsumem à norma embasadora da multa aduaneira; Requer seja julgado nulo/improcedente o lançamento fiscal. Cientificada, a interessada Empresa CARTAGOIAS INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA. apresentou a impugnação de folhas 1.116 a 1.121. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, não há qualquer prova documental nos autos quanto ao adiantamento de qualquer quantia proveniente da CartaGoiás à CartaRio, ou tampouco qualquer vinculação das referidas empresas na realização da operação de importação objeto da autuação; Que, em matéria tributária somente a lei pode estabelecer a hipótese de solidariedade, prevendoa diretamente na configuração da relação jurídica tributária ou ainda como hipótese de responsabilidade por transferência ou substituição; Que, adota, quanto ao mérito, as razões trazidas pela CartaRio em sua peça de defesa; Requer seja excluída do pólo passivo do lançamento fiscal e, alternativamente, seja julgada a improcedência da exigência. Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 6 Em 06/10/2011 a interessada Empresa CARTARIO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA. apresentou aditamento de sua impugnação à folhas 1.134 a 1.147, anexando os documentos de folhas 1.148 a 1.268. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, as matérias objeto de aditamento são todas de ordem pública, conhecíveis de ofício, razão pela qual não há qualquer espécie de preclusão; Que, houve nulidade decorrente da inobservância do rito do artigo 4º da Instrução Normativa SRF n° 228/02; Que, ocorreu ilegalidade na declaração de inaptidão da empresa; Que, a empresa Carta Goiás não foi ocultada, a SRFB foi informada pela própria importadora mediante o endosso do Conhecimento de Carga; Que, houve indevida responsabilização solidária da Carta Goiás – Há violação às garantias do devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório. Aquela empresa não foi intimada a integrar o processo, a produzir provas ou a prestar qualquer esclarecimento dos fatos em apuração; Pede deferimento. É o relatório. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 0730.026, de 24/10/2010 (fls. 1490 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 18/08/2004 a 17/04/2007 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real responsável pela operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 1520/1549, por meio do qual aduz, em síntese, depois de relatar os fatos: PRELIMINARES DE NULIDADE Alteração de motivação pela DRJ Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10730.720001/200849 Acórdão n.º 3202001.401 S3C2T2 Fl. 1.665 7 O que levou a fiscalização a entender caracterizada a interposição fraudulenta foi a inexistência de fato da Recorrente (a sua inexistência no mundo real). Todavia, a DRJ inovou na motivação do lançamento, enveredando por questões relativas à capacidade operacional da Recorrente. Chegou ao absurdo de asseverar que a autuação decorreu da ocultação do real adquirente das mercadorias importadas e não da declaração de inaptidão da empresa. E foi além, pois sugeriu a aplicação da presunção prevista no art. 27 da Lei n.º 10.637, de 2002. Presunção de conduta fraudulenta ou simulação – impossibilidade As razões expostas pela fiscalização e corroboradas pela DRJ não são suficientes para justificar a penalidade imposta. Há que se fornecer elementos de provas inquestionáveis e contundentes. Requisitos legais para a confirmação da conduta fraudulenta ou simulada O dolo não pode ser presumido, devendo ser cabalmente comprovado por o alega. A fraude e a simulação reclama a intenção de praticar o ato que é ilícito, o que não estou comprovado. Constatação do dolo, fraude ou simulação com base na convicção do agente autuante O dolo e culpa não se presumem nem pelo legislador, mas devem ser provadas (reproduz ementas de decisões do CARF). Necessidade de prova inequívoca Inexistindo prova, fato algum será construído. Ademais, deve haver um encadeamento lógico entre os fatos. No caso, não há prova robusta e inequívoca, mas apenas alegações e conjecturas. Consequência das ausência de prova definitiva São contrárias ao ordenamento jurídico as presunções produzidas pelo aplicador do direito (cita o art. 5º, XL, da Constituição Federal e o art. 112 do CTN). Havendo dúvida, é de se aplicar o princípio do in dubio pro contribuinte. MÉRITO A fiscalização e a DRJ deram uma interpretação deturpada às informações prestadas pelo sr. José Carlos Pires Coutinho, tratado como se fosse sócio da empresa na época dos supostos ilícitos fiscais. Omitiuse que este só ingressou na empresa em abril de 2007, quando os fatos ocorreram entre março de 2004 e abril de 2007. As informações prestadas não poderiam servir de prova de fatos anteriores a seu ingresso. A relação da Recorrente com a CARTAGOIÁS A DRJ tratou a Recorrente e a CARTAGOIÁS como se fossem sociedades estranhas entre si, referindose à segundo como único cliente da segunda. Todavia, não são empresas estranhas. A CARTAGOIÁS detém 30% de participação acionária da Recorrente. Não deveria causar espécie a Recorrente decidir, em virtude de seu momento peculiar, endossar os conhecimentos de carga à sociedade coligada CARTAGOIÁS. Nada teve de ilegal na transferência dessas cargas. Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 8 Todas as operações questionadas pela fiscalização foram declaradas à RFB. Efetiva existência da Recorrente aliada à regularidade das informações A Recorrente foi intimada a comprovar a existência de seu estabelecimento comercial e a prestar esclarecimentos a respeito das operações de importações. Consoante se verifica do item 8 do Relatório de Auditoria Fiscal, apresentou farta documentação, o que foi posteriormente complementado. A DRJ adota a teoria da prova tarifada, na qual uma conta de luz ou de água vale mais do que quaisquer outras evidências. Desconsiderou, inclusive, o nada consta das empresas fornecedoras, ao argumento de que não se poderia concluir consumo em qualquer padrão. Tais atestados são mais do que legítimos parta comprovar a existência física da Recorrente. Sucessivas mudanças de endereço da Recorrente não poderiam embasar a acusação (elenca documentos que teriam sido entregues à fiscalização, tais como contratos, cópias de notas fiscais de entrada, faturas comerciais, carnês de IPTU etc. (cita outros que estariam sendo anexados ao recurso voluntário). Como consignado no Relatório de Auditoria Fiscal, a própria RFB validou a habilitação da Recorrente como importadora em 23 de março de 2004, permitindolhe importar algo em torno de US$ 600, 000.00. Ao invés de aprofundar a investigação em entidades públicas e privadas, preferiu a fiscalização reverter os fatos e tomas os documentos arrecadados como se constituíssem provas contra a CARTARIO. A responsabilização da CARTAGOIÁS carece de fundamentação e de provas, pois baseada em meras conjecturas. Em nenhum momento os documentos/esclarecimentos apresentados pela Recorrente foram rechaçados pela fiscalização. Não ocorrência de simulação Buscouse desqualificar as importações realizadas pelas CARTARIO como se tivessem sido realizadas pelas CARTAGOIÁS. A acusação, todavia, não encontra supedâneo no trabalho realizado pela fiscalização, visto que, na simulação, há uma mentira, de forma que, para a sua configuração, há a necessidade de comprovação de que a relação jurídica entre as partes regeuse não pela disciplina jurídica, mas atinente ao negócio jurídico declarado, mas de acordo com o negócio jurídico disciplinado, suportando as partes as consequências jurídicas deste e não daquele. Para tanto, deveria a fiscalização trazer aos autos provas irrefutáveis que descaracterizassem as importações regularmente realizadas pela Recorrente. A correção da Recorrente quanto ao recolhimento de tributos – ausência de prejuízo ao Erário Público A multa imputada à Recorrente tem como premissa o dano ao Erário. Assim, mesmo que pudessem ser consideradas factíveis as irregularidades apontadas pela fiscalização, o que se admite apenas para argumentar, o fato é que as importações não geraram qualquer prejuízo aos cofres públicos. Portanto, por falta de subsunção, o art. 23, § 3º, do Decretolei n.º 1.455, de 1976, é de todo inaplicável (fundamentase em ementas de decisões do atual CARF). Inconstitucionalidade da pena de perdimento de bens quando não há dano ao Erário Se houve a pena de perdimento sem a ocorrência de dano, a aplicação da norma contida no art. 23 do Decretolei n.º 1.455, de 1976, é inconstitucional. Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10730.720001/200849 Acórdão n.º 3202001.401 S3C2T2 Fl. 1.666 9 O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lançamento constitui crédito tributário decorrente da aplicação de penalidade isolada – multa de conversão de pena de perdimento, prevista no § 3º do art. 23 do Decretolei n.º 1.455, de 1976 –, referente a importações realizadas no curso dos anos de 2004 a 2007. Assevera a fiscalização que a Recorrente atuava como importador interposto da empresa CARTAGOIÁS INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA., que se constituía, portanto, na real adquirente das mercadorias importadas. Tal informação, obviamente, não fora encartada nas Declarações de Importação DIs. Em sua defesa, a Recorrente sustenta, preliminarmente, que a instância de piso alterou a motivação do lançamento, fundamentada na inexistência de fato da Recorrente (a sua inexistência no mundo real). Todavia, a DRJ teria enveredado por questões relativas a sua capacidade operacional. Não é o que se percebe do alentado e minudente Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 997/1064, no qual se fundamenta o lançamento. Além da inexistência de fato do estabelecimento da Recorrente, a fiscalização elencou uma série de outros, todos devidamente enfrentados no Relatório: incessantes mudanças de endereço, fictícia integralização de capital social da CartaRio, falta de capacidade operacional, inexistência de escrituração contábil etc. Portanto, mudança de fundamentação não houve, assim como não houve lançamento por presunção. É que, como já adiantamentos, a autuação se fundamentou no § 3º do art. 23 do Decretolei n.º 1.455, de 1976, não no § 2º do mesmo dispositivo legal, no qual estabelecida a presunção a que Recorrente provavelmente se refere. No que respeita às demais alegações preliminares, porque relacionados aos requisitos legais para a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, é coisa que, quando da análise do mérito, se apreciará. Assim sendo, rejeitamse as preliminares de nulidade. No mérito, melhor sorte não assiste à Recorrente. As razões sobejam a seu desfavor. É o que se passa a demonstrar. A Medida Provisória – MP n.º 66, de 2002, posteriormente convertida na Lei n.º 10.637, de 2002, encartou, no inciso V do art. 23 do Decretolei n.º 1.455, de 1976, nova hipótese de dano ao Erário, autônoma em relação às demais, mediante a eleição da figura que costumou chamar genericamente de “interposição fraudulenta no comércio exterior” (aqui a autuação se deu com base no inciso V c/c os §§ 1º e 3º do art. 23 do Decretolei n.º 1.455, de 1976, não com base na presunção estabelecida no § 2º do mesmo dispositivo): Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 10 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (g.n.) De logo percebese que o legislador não previu, pura e simplesmente, a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou do responsável pela operação de importação ou de exportação como hipótese configuradora de dano ao Erário, mas qualificou tais condutas, pospondo, à preposição “mediante”, os meios por intermédios dos quais se pode entender, no caso, configurado. Portanto, não basta, por exemplo, ocultar o sujeito passivo, mas há de se fazer mediante fraude ou simulação, que pode se dar por qualquer meio (o legislador não o predeterminou!), inclusive (ou seja, até mesmo, olha aí o advérbio!) a interposição fraudulenta de terceiros. Então, quernos parecer que a interposição fraudulenta de terceiros configura uma entre tantas situações em que se entende haja, na hipótese, fraude ou simulação, as quais, portanto, àquela não se limitam. A responsabilidade no caso é, a nosso sentir, subjetiva, devendo a fiscalização comprovar se fraude ou simulação houve, as quais, como cediço, são defeitos dos atos jurídicos – a vontade manifestada não tem, na realidade, a intenção pura e de boafé que enuncia. A primeira é o engano malicioso, promovido de máfé, para fugir ao cumprimento de um dever. Diferenciase do puro dolo, porque, neste, o engano não é oculto. Sempre se caracteriza pela tentativa de furtarse a obrigações contratuais ou legais (como o pagamento de tributo). Já a simulação é uma declaração fictícia de vontade com o propósito de fugir a obrigações também legais ou contratuais. É, digamos assim, o puro fingimento. É, Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10730.720001/200849 Acórdão n.º 3202001.401 S3C2T2 Fl. 1.667 11 também, uma conduta dolosa, mas a diferença é que, no dolo, a máfé é de uma parte contra a outra, enquanto que, na simulação, é de ambas as partes contra terceiros. No comércio exterior, os motivos que levam os operadores a simular as importações como se diretas fossem são bem conhecidos. Podemse destacar: dificultar os controles do Fisco sobre o real importador (inclusive quanto as suas vendas no mercado interno), reduzir o IPI devido pelo contribuinte equiparado a industrial e auferir benefícios fiscais concedidos no âmbito estadual. Bem traçadas, em poucas linhas, a interpretação que entendemos melhor se ajusta ao caso genericamente chamado de “interposição fraudulenta no comércio exterior”, passemos à análise do caso concreto. Entre os fatos elencados pela fiscalização, destacamse os seguintes, todos devidamente comprovados nos autos: 1ª Razão: A PROVA TESTEMUNHAL DO SÓCIO Segundo afirmou o sr. José Carlos Pires Coutinho, sócio da Recorrente, a atividade desta – que não tinha empregados nem bens móveis ou imóveis (ou seja, capacidade operacional zero!) – restringiase a recepcionar as mercadorias importadas e a imediatamente expedilas para a CARTAGOIÁS – a responsável solidária pelo crédito lançado. O fato de o referido sócio ter ingressado formalmente no quadro societário da Recorrente a partir de abril de 2007 não desautoriza as informações que prestou, notadamente porque analisadas em conjunto com outras coletadas pela fiscalização. 2ª Razão: A INEXISTÊNCIA DE FATO DO ESTABELECIMENTO Inexistência da sede da Recorrente no endereço cadastrado no CNPJ, conforme Termos de Constatação. Além do mais, além das incessantes mudanças de endereço, não havia escrituração comercial, nem de Livro Caixa ou Livro de Registro de Inventário (Lei n° 9.317, de 1996). Não foram apresentadas quaisquer contas de energia elétrica, de água e de telefone. 3ª Razão: A FICTÍCIA INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL DA CARTARIO Como restou demonstrado pela fiscalização (e não contestado no recurso), a integralização do aumento do capital social da Recorrente (de R$ 1.000,00 para R$ 760.000,00) que supostamente teria sido realizada pelos sócios não passou de uma ficção e de certo serviu apenas para possibilitar que esta pudesse operar no comércio exterior. 4ª Razão: A INCAPACIDADE FINANCEIRA Apesar da fictícia integralização de capital, o volume de suas importações acumuladas no período a que se referem os autos alcançou R$ 4.663.392,04. 5ª Razão: A OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DOS PRODUTOS IMPORTADOS Todas as importações realizadas pela Recorrente o foram na modalidade direta, tal como informado nas DIs (as faturas comerciais foram emitidas em nome da Recorrente, assim como os conhecimentos de transporte e as notas fiscais de serviços). Todavia, as importações foram realizadas mediante adiantamento de recursos financeiros fornecidos pela CartaGoiás. 6ª Razão: A HABITUALIDADE Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 12 Não foi uma, nem foram duas ou nem três as vezes em que as importações foram realizadas pela Recorrente como se diretas fossem. Por quase três anos, a Recorrente reiteradamente importou produtos para a CARTAGOIÁS como se diretas fossem, a despeito de em nenhuma das DIs tenha isto sido expressamente declarado. Esses razões – devidamente comprovadas nos autos – sãonos suficientes para avalizar a autuação. Afinal, juntas – a Recorrente e a responsável solidária – importaram, de forma reiterada, em prejuízo dos controles do Fisco, sem que as DIs tenham espelhado a realidade das operações engendradas. A Recorrente fingiu, simulou, com o auxílio e especial participação da responsável solidária, importar diretamente, quando a realidade era, como se viu, outra (o estabelecimento da Recorrente sequer existia de fato!). Cumpre observar, por necessário, que, ainda que a Recorrente e a responsável solidária sejam interrelacionadas e que os tributos aduaneiros tenha sido recolhidos quando do desembaraço (ao menos sobre os valores declarados!), tais fatos não afastam a configuração do dano ao Erário, que só reclama tenha ocorrido, no plano da realidade, algumas das situações previstas no art. 23 do Decretolei n.º 1.455, de 1976. Nada há que retorquir, também aqui, no lançamento. Antes de findar este voto, cumpre assinalar que, embora a impugnante defenda o caráter abusivo, confiscatório e desproporcional da penalidade aplicada, é sabido que as autoridades julgadoras administrativas não podem apreciar, à míngua de competência, a incompatibilidade vertical da norma que a instituiu e a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910880/2008-85
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000
DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO.
Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3803-006.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observandose as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 08 80 /2 00 8- 85 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910880/200885 Acórdão n.º 3803006.699 S3TE03 Fl. 62 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação, em que pretendia compensar crédito da contribuição no valor atualizado de R$ 8.395,71, decorrente de alegado pagamento a maior. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 20/08/2008, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento efetuado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reforma do despacho decisório, alegando que apresentara DCTF retificadora, em 31/07/2008, declaração essa, segundo ele, apta a demonstrar o direito creditório pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório e da DCTF retificadora. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, amparandose nos seguintes fundamentos: a) falta de comprovação do crédito pleiteado; b) a retificação da DCTF promovida em data posterior à ciência do Despacho Decisório não tem o condão, por si só, de infirmar ou modificar a decisão da repartição de origem; c) “a Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte”; d) “a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida”; e) “ao instruir o processo somente com cópia da DCTF Retificadora transmitida após a emissão do Despacho Decisório, o Contribuinte não demonstrou a origem do crédito”. Cientificado da decisão em 25/11/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2011, requereu a homologação da compensação e repisou o argumento relativo à devida comprovação do crédito a partir da apresentação da DCTF retificadora, esta Fl. 62DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910880/200885 Acórdão n.º 3803006.699 S3TE03 Fl. 63 3 transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo violação do princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições para a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. De pronto, registrese que, junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópia da DCTF retificadora transmitida em 31/07/2008, data essa anterior à emissão e à ciência do despacho decisório, eventos esses ocorridos, respectivamente, em 12/08/2008 e 20/08/2008, não tendo tal declaração sido objeto de apreciação por parte da repartição de origem ou da Delegacia de Julgamento. Ainda que se considere que, nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição/ressarcimento e de declarações de compensação, deva prevalecer o princípio do dispositivo, no sentido de que a atividade probatória é ônus do pleiteante, não se pode ignorar que, no presente caso, as informações adicionais fornecidas por meio de DCTF retificadora não foram consideradas pela Administração tributária na prolação do despacho decisório sobre o qual se controverte nos autos. No momento da emissão do despacho decisório, a base de dados da Receita Federal já refletia a nova situação fática declarada pelo sujeito passivo. Nos termos do § 1º do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 786, de 2007, vigente à época da transmissão da declaração de compensação, “[a] DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores.”. Valendose do disposto no art. 147 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN) 1, que disciplinam o lançamento por declaração, aplicáveis, a meu ver, subsidiariamente, ao lançamento por homologação (já que no disciplinamento deste último tipo de lançamento não se faz referência à retificação da declaração), é possível concluir que, em momento anterior à notificação do sujeito passivo, a este é assegurado o direito de retificar as informações até então prestadas à autoridade administrativa, o que, por outro lado, não exclui o ônus de comprovação das alterações promovidas. 1 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910880/200885 Acórdão n.º 3803006.699 S3TE03 Fl. 64 4 Notese que, tendo sido a DCTF retificadora transmitida anteriormente à emissão de qualquer ato da Administração tributária tendente a confirmar ou não os dados anteriormente declarados, não se vislumbra fundamento normativo à desconsideração por parte da Delegacia de Julgamento da retificação procedida nos termos ora apontados. Além disso, nos termos do disposto no inciso III, do § 2º, do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 786, de 20072, considerase ineficaz a retificação da DCTF promovida após a ciência do início do procedimento fiscal, sendo que, no presente caso, não consta dos autos a ocorrência de intimação anterior à data da transmissão da DCTF retificadora. Poderseia argumentar que, embora a retificação tivesse sido realizada anteriormente à emissão e à ciência do despacho decisório, ela se dera após a transmissão da declaração de compensação, o que inviabilizaria, hipoteticamente, a sua consideração no momento da realização do encontro de contas (DCTF versus PER/DCOMP). Contudo, esse raciocínio, ainda que guarde alguma logicidade, não tem respaldo na legislação tributária, não podendo servir de supedâneo à total desconsideração da nova declaração. Neste ponto, mostrase oportuno transcrever trecho do voto condutor do acórdão nº 330201.797, de 26 de setembro de 2012, da lavra do Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, cujo teor vai ao encontro do entendimento ora externado: No caso em tela, o indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 900/2008. Portanto, deve a autoridade da RFB competente para reconhecer o direito creditório pleiteado manifestarse sobre a legitimidade dos débitos declarados na DCTF retificadora (...) e, se for o caso, apurar o crédito a restituir e homologar as compensações realizadas e declaradas pela recorrente. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito a restituir ou apurando em valor inferior ao pleiteado, dar ciência de sua decisão à recorrente, abrindo lhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. (Processo nº 10166.911472/200905, fl. 208) No mesmo sentido, temse o acórdão nº 0821223, de 27 de junho de 2011, da DRJ Fortaleza/CE, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: Normas de Administração Tributária Anocalendário: : 01/01/2004 a 31/12/2004 EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA DE DÉBITO, ENTREGUE ANTES DA CIÊNCIA DO DESPACHO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. EFEITO PROBANTE. A DCTF retificadora que reduz o valor de tributo ou contribuição, quando entregue antes da ciência do despacho decisório que não homologou a compensação de débito do declarante com crédito cuja origem é 2 § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910880/200885 Acórdão n.º 3803006.699 S3TE03 Fl. 65 5 justamente o pagamento a maior do tributo/contribuição retificado, deve ser aceita como prova do direito creditório pleiteado em declaração de compensação, nos casos em que o indeferimento de tal direito se dera tãosomente pela vinculação do mesmo pagamento ao débito informado na DCTF original. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. INFORMAÇÃO PRESTADA EM DACON. EFEITO PROBANTE. O DACON é mera declaração informativa, não se constituindo em instrumento de confissão de dívidas tributárias nem em veículo de inscrição destas em Dívida Ativa da União. A informação prestada em DACON, desacompanhada de graves elementos de convicção, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. (grifei) Uma vez que, no presente caso, a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório. Diante do exposto, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para cancelar o despacho decisório, determinandose à autoridade administrativa a reapreciação do pleito do Recorrente, considerando as informações prestadas na DCTF retificadora, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. O interessado deverá ser cientificado da nova decisão, oportunizandolhe, no caso de decisão denegatória do direito, ainda que parcial, o prazo regulamentar para se pronunciar, observados os ditames procedimentais do Decreto nº 70.235, de 1972. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 23034.033887/2004-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/2002
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Entende-se como pagamento parcial o recolhimento da contribuição previdenciária sobre outras parcelas remuneratórias que compõem a folha de pagamento da empresa (Súmula CARF nº 99).
ABONO.
A natureza jurídica das parcelas integrantes da folha salarial é verificada pelas suas origens e características materiais; sendo irrelevantes para qualificá-la a denominação e demais formalidades adotadas pelo sujeito passivo. O abono salarial pago em parcela única e em decorrência da acordo trabalhista não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Entendese como pagamento parcial o recolhimento da contribuição previdenciária sobre outras parcelas remuneratórias que compõem a folha de pagamento da empresa (Súmula CARF nº 99). ABONO. A natureza jurídica das parcelas integrantes da folha salarial é verificada pelas suas origens e características materiais; sendo irrelevantes para qualificála a denominação e demais formalidades adotadas pelo sujeito passivo. O abono salarial pago em parcela única e em decorrência da acordo trabalhista não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 03 38 87 /2 00 4- 62 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 23034.033887/200462 Acórdão n.º 2402004.455 S2C4T2 Fl. 152 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância proferida pelo FNDE que julgou procedente a notificação para pagamento de débito com o salárioeducação, com ciência em 01/09/2004, fls. 56. A notificação decorreu de representação administrativa do INSS. Foram cobradas contribuições sobre abono único (01/98 a 09/2002), complemento da gratificação de férias (04/95 a 06/97) e compensação salarial (01/97 a 07/97). O contribuinte recorreu da decisão ao Conselho Deliberativo do FNDE; contudo, por força do § 6º do artigo 3º da Lei nº 11.457, de 16/03/2007 o processo foi encaminhado a este CARF para que siga o rito do Decreto nº 70.235/72. Em seu recurso voluntário o contribuinte alega que: a) necessidade de exclusão dos coresponsáveis; b) não incidência da contribuição sobre o abono único; c) não incidência da contribuição para o salárioeducação; d) caráter confiscatório; É o Relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade dos recursos, passo ao exame. Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa Fl. 154DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 23034.033887/200462 Acórdão n.º 2402004.455 S2C4T2 Fl. 153 5 oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Este CARF sumulou o entendimento acerca do que se entende por pagamento parcial. De acordo com a Súmula nº 99, considerase que houve pagamento parcial quando os recolhimentos efetuados não se refiram à parcela remuneratória objeto do lançamento: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, considerando o presente caso, deve ser aplicada a regra no artigo 150, §4º do CTN. Assim, reconheço a decadência até o mês 08/99, inclusive. Para o período subseqüente, restou no lançamento apenas o levantamento relativo ao abono único. No mérito Abono Quanto ao abono salarial, verifico que acordos e dissídios coletivos de trabalho que se trata de abono único, fls. 16 e seguintes. Para cada instrumento de negociação houve um único pagamento de abono. O artigo 28 da Lei nº 8.212/91 ao definir o salário de contribuição dos segurados empregados assim o estabelece: Art. 28 Entendese por saláriodecontribuição I para o segurado empregado e trabalhador avulso a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob forma de utilidade e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador dos serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) § 9º não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7) recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. Por sua vez o Decreto nº 3.265/99 alterou a redação do artigo 214 dada pelo decreto nº 3048/99, que passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 214 Entende por salário de contribuição (...) Fl. 156DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 23034.033887/200462 Acórdão n.º 2402004.455 S2C4T2 Fl. 154 7 § 9º não integram o salário de contribuição, exclusivamente: (...) V as importância recebidas a título de: (...) j) os ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei. Por outro lado o artigo 457 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT ao definir a remuneração do empregado, determina que integram o salário do empregado, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. Pela leitura dos dispositivos legais acima transcritos verificase que os abonos possuem natureza salarial e compõem a remuneração do empregado, podendo a lei, é certo, retirar essa natureza dos abonos pagos pelo empregador. É o que prevê o art. 28, §9º alínea “e” item 7, quando diz que não integram o salário de contribuição os abonos expressamente desvinculados do salário. Não têm o mesmo efeito as disposições entre as partes formalizadas através de acordos coletivos de trabalho, conforme dispõe o artigo 123 do CTN: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. No entanto, através do Parecer PGFN/CRJ/nº 2.114/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN acolheu o entendimento da jurisprudência pacificada no âmbito do STJ: PARECER PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011 Tributário. Contribuição previdenciária. Abono único. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. ... 20. Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, inciso II, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 1997, recomendase sejam autorizadas pela Senhora ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Assim, pela falta de interesse do órgão competente para a defesa administrativa e judicial do crédito tributário sobre o abono único e pela jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, inclinome à tese pela não incidência da contribuição previdenciária sobre o aludido abono para que sejam excluídos do lançamento os valores a ele relativos. Por tudo, voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 158DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912590/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS NÃO PAGAS.
Na composição do saldo negativo do IRPJ, passível de restituição ou compensação, não podem ser computados os valores de estimativa apurados no ano-calendário mas não quitados, seja via pagamento ou compensação. Em sentido diverso, as estimativas que seriam quitadas mediante compensação que restou não homologada podem compor o saldo negativo quando demonstrada nos autos a posterior extinção por pagamento.
Numero da decisão: 1402-001.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito adicional no montante de R$ 1.333.769,46; homologando-se a compensação pleiteada até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernanda Carvalho Álvares, Cristiane Silva Costa, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS NÃO PAGAS. Na composição do saldo negativo do IRPJ, passível de restituição ou compensação, não podem ser computados os valores de estimativa apurados no ano-calendário mas não quitados, seja via pagamento ou compensação. Em sentido diverso, as estimativas que seriam quitadas mediante compensação que restou não homologada podem compor o saldo negativo quando demonstrada nos autos a posterior extinção por pagamento.
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SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS NÃO PAGAS. Na composição do saldo negativo do IRPJ, passível de restituição ou compensação, não podem ser computados os valores de estimativa apurados no anocalendário mas não quitados, seja via pagamento ou compensação. Em sentido diverso, as estimativas que seriam quitadas mediante compensação que restou não homologada podem compor o saldo negativo quando demonstrada nos autos a posterior extinção por pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito adicional no montante de R$ 1.333.769,46; homologandose a compensação pleiteada até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernanda Carvalho Álvares, Cristiane Silva Costa, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 25 90 /2 00 9- 11 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Relatório Tratamse de Declarações de Compensação (Dcomp) através das quais foi requerida a compensação de diversos débitos com pretenso saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 2004 no valor de R$ 10.181.099,86. Em primeira apreciação, a autoridade administrativa prolatou Despacho Decisório e não homologou as compensações no entendimento de que o imposto devido seria maior que as antecipações confirmadas, implicando na inexistência de saldo negativo. O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade sustentando a existência do crédito pleiteado, e o que ocorreu foi o preenchimento equivocado das Dcomps. Acrescenta ter sido informado pelo Plantão Fiscal da RFB que a legislação veda a retificação da Dcomp após manifestação da autoridade e reclama que não poderia ser punido pelo erro formal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – MG prolatou o Acórdão 0223.256 dando parcial provimento à manifestação de inconformidade. Após diversas apurações entendeu como demonstrado o saldo negativo do IRPJ no montante de R$ 5.033.883,32. Em relação às estimativas, não acatou parte dos valores correspondentes às estimativas de fevereiro (R$ 3.756.643,87) e maio de 2004 (R$ 1.333.769,46) que teriam sido quitadas por compensação, nos seguintes termos: Para o mês de fevereiro, a parcela em discussão foi objeto da Dcomp 28639.85457.3l0304.1.3.021299. O contribuinte optou por discutir a procedência do ato executado no Poder Judiciário, conforme documentos anexados às fls. 76 a 84. O julgamento da lide ainda não transitou em julgado, e mais, verificando o trâmite do processo (fls. 79 a 81), percebese que nenhum pronunciamento do Poder Judiciário até a presente data foi favorável ao contribuinte. Assim, não haveria como aproveitar crédito referente à ação judicial ainda não transitada em julgado. No caso do mês de maio, a quitação seria através do Dcomp l0555.12785.300604.l.7.044923. Tratase de PER/DCOMP retificador, que foi objeto de análise do Despacho Decisório n° 672524410, conforme documentos anexados às fls. 85 a 90. A retificação não foi aceita e o débito identificado nesta declaração não foi extinto. Foi computada como “ATIVA” a DCOMP de n° 38744.75146.300604.1.7.046294, cuja compensação foi considerada pela DRF como Homologada (R$ 399.432,23 à fl. 91). Devidamente cientificada, a interessada recorre a este colegiado informando que desistiu da ação judicial a que se refere a estimativa do mês de fevereiro e teria requerido o pagamento parcelado do valor correspondente. Quanto ao mês de maio sustenta que, após cientificado do indeferimento da retificação da Dcomp efetuou o pagamento do valor devido. É o Relatório. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.912590/200911 Acórdão n.º 1402001.916 S1C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo, foi interposto por signatário devidamente legitimado e preenche as condições formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A decisão recorrida fez minuciosa análise dos fatos sob exame e reconheceu parcialmente o direito creditório requerido. Na composição do saldo negativo do IRPJ, não acatou parte do valor das estimativas correspondentes ao meses de fevereiro (R$ 3.756.643,87) e maio ( R$ 1.333.769,46), conforme exposto no relatório. Em relação ao mês de fevereiro, a interessada sustenta que teria desistido da ação judicial correspondente e formalizado parcelamento para quitação do débito. Pelo exame da documentação acostada aos autos pelo sujeito passivo verificase de fato a existência de diversas petições envolvendo desistência de ações e um requerimento de parcelamento. Entretanto, no Anexo I ao requerimento, onde estão relacionados os débitos parcelados, não consta a indicação da estimativa de fevereiro de 2004 no valor de R$ 3.756.643,87. Aliás, os únicos débitos de estimativa do IRPJ indicados correspondem aos meses de novembro e de dezembro de 2001. Assim, não há como acatar os argumentos do sujeito passivo quanto a esse valor. No que se refere ao mês de maio, ainda que a interessada proteste contra a não homologação da compensação por se tratar, segundo alega, de mero erro formal, sustenta que, cientificado da decisão, teria pago o débito. Nesse caso, assiste razão ao sujeito passivo. Junto com o recurso voluntário foi trazido aos autos o DARF que demonstra o pagamento da estimativa no valor de R$ 1.333.769,46, com juros e multa de mora. Do exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de incluir na apuração do saldo negativo do IRPJ o valor complementar de R$ 1.333.769,46; referente à estimativa do mês de maio. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 245DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001184/2008-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 18/11/2008
ALIMENTAÇÃO IN NATURA
Sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
Inexigível a obrigação acessória de declarar em folha, em virtude da não, incidência da contribuição previdenciária sobre bolsas de estudos concedidas.
BOLSA DE ESTUDOS
Os valores despendidos a título de bolsas de estudo não integram a base de cálculo de contribuição previdenciária.
Inexigível a obrigação acessória em virtude da não, incidência da contribuição previdenciária sobre bolsas de estudos concedidas.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2403-002.835
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 18/11/2008 ALIMENTAÇÃO IN NATURA Sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Inexigível a obrigação acessória de declarar em folha, em virtude da não, incidência da contribuição previdenciária sobre bolsas de estudos concedidas. BOLSA DE ESTUDOS Os valores despendidos a título de bolsas de estudo não integram a base de cálculo de contribuição previdenciária. Inexigível a obrigação acessória em virtude da não, incidência da contribuição previdenciária sobre bolsas de estudos concedidas. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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Inexigível a obrigação acessória de declarar em folha, em virtude da não, incidência da contribuição previdenciária sobre bolsas de estudos concedidas. BOLSA DE ESTUDOS Os valores despendidos a título de bolsas de estudo não integram a base de cálculo de contribuição previdenciária. Inexigível a obrigação acessória em virtude da não, incidência da contribuição previdenciária sobre bolsas de estudos concedidas. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 11 84 /2 00 8- 19 Fl. 360DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001184/200819 Acórdão n.º 2403002.835 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0334.184 da 5ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de Auto de lnfração 'por descumprimento de obrigação acessória AIOA n" 37.156.7475, lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil de BrasíliaDF, contra a empresa em epígrale, consolidado cm l8/1 I/2008, em razão de infração ao dispositivo previsto na Lei n“. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inc. 1, combinado com art. 225, inc. 1 e §9° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n" 3.()48, de 06.05.99 (CFL 30). ' De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 06/10, a empresa deixou de preparar folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidas pela Receita Federal do Brasil, não incluindo, nas mesmas, as remunerações relativas aos valores de bolsas escolares e auxílio alimentação, lançada no Auto de lnfração de Obrigação Principal ~ AIOP n" 37.156.7424 (empresa e SAT). DA PENALlDADE . A Em decorrência do fato acima ‹lescríto, foi aplicada a multa, no valor de R$ 2.509,78 (dois mil quinhentos e nove reais e setenta c oilo centavos), conforme disposto na Lei n. 8.212, de 24.07.91 , art.`92 e 102, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99, art. 283, inc. 1, alínea “a”, art. 290 e art. 373. Valor atualizado pela Portaria Interministerial MPS n" 77, de 1 l/(13/2008. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado pessoalmente do lançamento em 20/11/2008, 0 Autuado impetrou defesa tempestiva ein 17/12/2008 (Fls. 13/39), afirmando, em síntese: Que se trata de entidade de direito privado, que, em 04/06/l98l, foi declarada de Utilidade Pública Federal, mediante o Decreto n.“ 86072; e Municipal, conforme Decreto nf' 220, de 3l/08/2005, pela Prefeitura Municipal de Silvânia, mediante a Lei Municipal ni" 1422, de 31 de agosto de 2005; Que aderiu ao PROUNI ¬ Programa Universidade Para Todos, instituído pela lei n." l l.096/05, oferecendo bolsa de estudo, numa Fl. 362DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 demonstração de estar colaborando com o governo e tendo, portanto, assegurado o seu direito à isenção de tributos, na forina do art. 8°, lll, da lei n.“ ll.096/05, que preceitua a isenção da Contribuição Social sobre 0 Financiamento da Seguridade Social, instituída pela lei Complementar n." 70, de 30 de dezembro de 1991; ' Que requereu e obteve do CNAS, em 3 l dejulho de l97(›, o Certificado de Fins Filantrópicos, passando, então a gozar da isenção da quota patronal previdenciária prevista na Lei n.” 3.577/59; Que obteve judicialmente o reconhecimento do direito adquirido a esse beneficio, nos autos do mandado de segurança ii." 89.0l.§š68038, em que foi constituída em seu favor coisa. julgada sobre essa matéria e faz jus à imunidade do art. l95, §7" da Constituição Federal, por preencher todas as condições estabelecidas nos arts. 9" e l4 do CTN. Apesar disto, a fiscalização passou a desconsiderar a isenção e a imunidade, o que a levou a promover a Ação Ordinária (Proc. 2002.34.00.0249380/DF), tendo por objeto a declaração de inexistência de relação jurídica tributária entre ela, a União Federal e o INSS, em face da imunidade. A ação foi julgada procedente ein l“ grau. A pretexto de que 'a entidade não preenchia os requisitos do art. I4 do CTN, nos termos da Decisão Notificação n.“ 23.40l/03/2006, de 04/()3/2006 e do Ato Cancelatório n." 23.401.002/2006, de 25/09/2006 ~ cuja legalidade encontra.se sul)_judíce a autoridade administrativa passou a negarlhe o benelicio da desoneração de quota patronal, lavrando sete autos de infração, com exigência de principal e multa; Que, equivocadamente, a fiscalização lavrou os Autos de Infração n.“ 37. l 56.7424 e o 37. l 56.7475, ora impugnado, acusando a entidade de ter deixado de declarar, nas folhas de salário e na GFIP, parcelas supostamente integrantes do salário de contribuição de seus empregados, referentes às bolsas de estudo e de alimentação, fornecida em local de trabalho, sem que tais remunerações tivessem sido incluídas em folha de pagamento de junho de 2003 a dezembro de 2007. Entende, dessa forma, ser insubsistente a autuação, pela inexistência de obrigação principal, como passa a demonstrar: I Da ofensa à coisa julgada Alega a defendente que a autuação é nula, por desconsiderar decisões judiciais que põem a impugnante a salvo da exigência de quota patronal, uma vez que fazjus à desoneração, independente da expedição de renovação de certificado de entidade beneficente de assistência social,_por ter direito adquirido a imunidade de que trata. o art. l95, §7° da CF, conforme restou decidido ein ação declaratória, promovida perante o Juízo da 3" Vara Federal de Brasília (Mandado de Segurança n.° 89.01 .868038) Fl. 363DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001184/200819 Acórdão n.º 2403002.835 S2C4T3 Fl. 4 5 Embora tal decisão ainda não tenha transitado em julgado, demonstra o acerto da impugnante ao adotar o código FPAS 639. A autoridade fiscal, ao lançar o crédito tributário, desafia a autoridade da coisajulgada. Da Decadência dos Valores Exigidos em períodos Anteriores a tI2/2003 Alega que, nos termos do art. l5l), §4" do CTN, encontramse atingidos pela decadência, os fatos geradores anteriores a 2() de novembro de 20(_)3. Da não Incidência da Contribuição sobre Bolsas de Estudo A teor do que estabelece o art. 28 ‹la Lei ii." 8.212/91, os valores que a lmpugnante despende com a formação de seus colaboradores e seus dependentes estão fora do âmbito de 'incidência da contribuição em questão, assim como quaisquer ajudas, desde que não representem substituição da remuneração paga pelo empregador ou tomador do serviço em prol da educação, pois a tributação está sujeita aos princípios da legalidade e da tipicidade, não cabendo à fiscalização exigir tributo sem amparo legal, com suposto rastro em procedimentos arbitrários, despidos de razoabilidade e que leveiii a exigência de tributo inexistente; Que a contribuição social ein questão só pode alcançar rendimentos pagos pelo empregador em contraprestação a trabalho efetuado por pessoa fisica. A educação suportada pelo empregador, seja em prol de seus funcionários ou em favor de dependentes destes não constitui contraprestação pelo trabalho efetuado; logo, não tem natureza de salário. Ademais, tanto a Lei n.“ 8.2l2/91 quanto o RPS reconhecem que não estão abrangidos pelo campo de incidência da norma os valores gastos pelo empregador com educação básica. . Assim, como não integram o salário de contribuição, não precisam ser informados ein GFIP. Auxílio Alimentação Dispõe a impugnante que arca com a maior parte das despesas de alimentação de seus empregados; logo, paga, in natura o auxílioalimentação, o que, a teor da Lei e da jurisprudência, afasta a incidência previdenciária, por não se revestir de natureza salarial, independente de a entidade ser ou não inscrita no PAT; Que a doutrina e a jurisprudência divergem sobre se a legislação consagraria o entendimento de que a condição para o gozo da isenção ou “não incidência” seria o fornecimento in natura ou a adesão ao PAT, pois o ato administrativo é meramente declaratório, e não constitutivo. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Assim, por não se revestir de natureza salarial, mas de mero estímulo a que a prestação dos serviços se desenvolvam em condições de maior e melhor produtividade, resta demonstrada a insubsistência do auto de infração. Além de que o auto seria nulo, de pleno direito, por não levar em conta a parte da alimentação suportada pelo próprio segurado. Ante o exposto, como tal rubrica não integra' o salário de contribuição, não precisa ser informada ein GFIP. A Impugnante faz jus ao Código FPPAS 639 Entende, ainda, a Impugnante, que sua conduta em adotar o código FPAS 639 está calcada em decisão transitada em julgado, em sede de mandado de segurança e em decisão de primeira instância, ainda não reformada, em sede de ação ordinária; Que faz jus tanto à isenção (Lei n." 3.577/59) quanto à imunidade (art. 195, §7“ da CF). Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Direito à isenção da cota patronal: o Aderiu ao PROUNI "Programa Universidade Para Todos", instituído pela Lei n° 11.096/05, conforme documento anexo, oferecendo bolsa de estudo, numa demonstração de estar colaborando com o governo, e tendo, portanto, assegurado o seu direito à isenção de tributos, na forma do art. 8° da Lei n° 11.096/05, o Requereu e obteve do CNAS, em 31 de julho de 1976, o Certificado de Fins Filantrópicos, passando, então, a gozar da isenção da quota patronal previdenciária prevista na Lei n° 3.577 de 04 de julho de 1959. o A Recorrente obteve judicialmente o reconhecimento do direito adquirido a esse beneficio, nos autos do mandado de segurança n° 89.01.868038, em que foi constituída em seu favor coisa julgada sobre essa matéria. o Ação Ordinária (Proc. Nº 2002.34.00.0249380/DF), tendo por objeto a declaração de inexistência de relação jurídica tributária entre ela, a União Federal e o INSS, em face da imunidade do art. 195, § 7" da CF. o Nos termos da Decisão Notificação nº 23.401, de 04.03.2006 e do Ato Cancelatório nº 23.401.002/2006, de 25.09.2006 cuja legalidade encontrase sub judice a autoridade administrativa passou a negar o beneficio da desoneração de quota patronal, Fl. 365DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001184/200819 Acórdão n.º 2403002.835 S2C4T3 Fl. 5 7 lavrando ainda sete autos de infração, com exigência de principal e multa. o Direito adquirido à isenção. o Imunidade artigo 195, parágrafo 7º CF. · Decadência dos valores anteriores a 12/2003. · Divergências entre folha e GFIP. · Inexigibilidade de obrigação acessória em virtude da não , incidência da contribuição previdenciária sobre bolsas de estudos concedidas a segurados que prestam serviços à entidade. · Inexigibilidade de obrigação acessória em virtude da não incidência da quota patronal sobre auxílioalimentação fornecido, in natura, pelo empregador. É o relatório. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. O lançamento presente neste processo referese ao descumprimento da obrigação acessória de preparar folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas. Especificamente, aponta o fisco que as remunerações relativas aos valores de bolsas escolares e auxílio alimentação não constaram das folhas de pagamento. DECADÊNCIA Esta autuação fica caracterizada pela ocorrência de 1 único evento em período não decadente. O período de apuração indicado é de 01/2003 a 12/2007, e a ciência do lançamento ocorreu em 20/11/2008. Entendo que, aplicando o prazo qüinqüenal, não se configurou a decadência. DIREITO À ISENÇÃO/IMUNIDADE O fisco aponta a omissão de fatos geradores nas folhas de pagamento. A base de cálculo da contribuição dos segurados e da contribuição da empresa é a mesma, isto é, mesmo para empresas com direito à isenção/imunidade da cota patronal, a inclusão de todos fatos geradores nas folhas de pagamento é uma obrigação. Rejeito a tese da recorrente. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001184/200819 Acórdão n.º 2403002.835 S2C4T3 Fl. 6 9 TRIBUTAÇÃO DE BOLSAS DE ESTUDOS CONCEDIDAS A EMPREGADOS E DEPENDENTES A questão central em discussão é a tributação incidente sobre bolsas de estudos concedidas a empregados da recorrente e seus dependentes. Conforme estabelecido no CTN, a legislação considerada será a vigente à época dos fatos geradores. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. O artigo 28 da lei 8.2121/91 estabelece como regra a tributação da totalidade do rendimento do trabalho. Porém, especifica algumas hipóteses de não incidência, tal como o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que Fl. 368DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Não encontrei menção a que as bolsas de estudos fossem restritas a alguns segurados, do que deduzo que todos tinham acesso. Também não percebo na alínea “t”, do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91 restrição à educação fornecida a dependentes e entendo que uma vez cumpridos os demais requisitos legais, não incide tributação sobre bolsas de estudos concedidas a dependentes. Entendo inexigível a obrigação acessória em virtude da não, incidência da contribuição previdenciária sobre bolsas de estudos concedidas. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO Discutese aqui a tributação de alimentação in natura fornecida a empregados. Abaixo transcrição do Relatório Fiscal da obrigação principal que motiva o lançamento na falta de inscrição no PAT. 8. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO AOS TRABALHADORES: 8.1. Com base nos lançamentos contábeis, apresentados pelo contribuinte, foi constatado o fornecimento de refeições aos trabalhadores da empresa. 0 referido beneficio foi contabilizado na conta "LANCHES E REFEIÇÕES". Após intimação fiscal, a empresa apresentou a relação nominal dos segurados que obtiveram tal beneficio. Foi esclarecido, ainda, que a referida conta não registra apenas fornecimento de refeições a trabalhadores; registra também o fornecimento de lanches e refeições em viagens, eventos, copa, entre outros. 8.2. Conforme descrito nos itens 05 a 20 e no art. 3o da Lei n° 6.321 (Legislação do Programa de Alimentação do Trabalhador PAT), de 14 de abril de 1976, há normativos que regem a concessão de verbas relativas à alimentação aos trabalhadores e asseguram incentivos fiscais a empresas desde que haja prévia aprovação do Ministério do Trabalho ao Programa de Alimentação Trabalhador. 8.3. Nos termos do artigo 3° da Lei 6.321/76, não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. (Grifamos) Fl. 369DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001184/200819 Acórdão n.º 2403002.835 S2C4T3 Fl. 7 11 8.4. Durante o procedimento fiscal, realizado na UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA, verificouse que o contribuinte em questão não aderiu ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Desta forma, procedeuse ao lançamento fiscal do crédito previdenciário decorrente da concessão de refeições aos segurados. Os valores foram apurados com base na relação nominal dos beneficiários, apresentada pelo contribuinte, em meio magnético. A fiscalização, com base no artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 considerou que a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Ocorre que no final do ano 2011 a PGFN editou o Ato Declaratório Nº 03/2011 que estabeleceu que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta Fl. 370DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. Entendo inexigível a obrigação acessória em virtude da não incidência da quota patronal sobre auxílioalimentação fornecido in natura. CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 371DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10850.000074/2007-73
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente o Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1358; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 228 1 227 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.000074/200773 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.862 – 1ª Turma Especial Data 13 de novembro de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente RODOBENS COMUNICACAO EMPRESARIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente o Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .0 00 07 4/ 20 07 -7 3 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.000074/200773 Resolução nº 3801000.862 S3TE01 Fl. 229 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente de pedido de restituição (fl. 2) de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), advindos de compensação a maior, referente ao período de julho de 2003. O pedido referese à parcela da contribuição incidente sobre outras receitas além do faturamento, que seria indevida com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º dão art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A DRF/São José do Rio Preto, por meio do despacho decisório de fls.39/44, indeferiu o pedido de restituição, por entender que a decisão do STF não teria efeitos erga omnes, apenas interpartes. Assim, não atingiria a postulante. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 46/53, alegando, em resumo, que a ampliação da base de cálculo da contribuição, prevista no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 390840/MG e que o art. 26A do Processo Administrativo Fiscal (PAF) determina que nos casos em que a lei tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF os órgãos de julgamento da Administração Federal devem afastar sua aplicação. Assim, requer a restituição da parcela da contribuição apurada sobre as receitas que não compõem o faturamento. Conforme resolução de fls. 129/132, a 1ª Turma desta Delegacia de Julgamento, pelo fato de o débito que teria gerado o crédito objeto do presente pedido encontrarse na situação “suspenso”, determinou o retorno do presente à unidade de origem para que se apurasse a situação do referido débito. Conforme despacho de fl. 141, o citado débito foi integralmente compensado, estando suspenso débito de idêntico valor por ter sido cadastrado em duplicidade no processo que o controlava. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/1999 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM CONTROLE DIFUSO. EFEITOS. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.000074/200773 Resolução nº 3801000.862 S3TE01 Fl. 230 3 A competência para suspender a execução de uma lei declarada inconstitucional incidentalmente, em controle difuso, é privativa do Senado Federal e gera sempre efeitos ex nunc. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. REDUÇÃO DE BASE DE CÁLCULO SEM LEI ESPECÍFICA. VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL. Permanecendo válida a lei com todos os seus efeitos, enquanto não retirada do mundo jurídico, a Constituição Federal veda expressamente a redução de base de cálculo de impostos, taxas ou contribuições sem uma lei específica que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, na essência: · que o crédito pleiteado se refere à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição Cofins, de receitas estranhas ao conceito de faturamento dada a inconstitucionalidade do artigo 3o, parágrafo 1o, da Lei n. 9718/98; · que os documentos juntados em sua manifestação de inconformidade são suficientes para comprovar o direito de crédito alegado, não obstante, para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada, requer a juntada aos presentes autos do livro razão, nos termos da alínea "c", do parágrafo 4o, do art. 16, do Decreto n. 70235/72, ficando o livro diário, em razão do extenso volume de documentos, à disposição desta ilustre câmara julgadora, caso entenda ser necessário; · que essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei n. 9718/98; bem como em recurso em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria; · que a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei 9718/98, com fulcro no inciso I, do parágrafo 6o, do art. 26A, incluído no Decreto n. 70235, de 6.3.1972, pela Lei n. 11941, de 27.5.2009 e também no Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.000074/200773 Resolução nº 3801000.862 S3TE01 Fl. 231 4 no seu art. 62, parágrafo 1o, inciso I, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22.6.2009; Assim, postula a reforma da decisão a quo, a fim de que seja deferido o direito creditório pleiteado. É o Relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.000074/200773 Resolução nº 3801000.862 S3TE01 Fl. 232 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Todavia, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que instituiu nova base de cálculo para a incidência de PIS e da Cofins, no julgamento dos RE 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, conforme ementa abaixo: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF, RE 390.840, j. em 09/11/2005) Destaquese que o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJE nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral da questão constitucional e reafirmou a Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.000074/200773 Resolução nº 3801000.862 S3TE01 Fl. 233 6 jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF No mais, o artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941 de 27/05/2009 e o artigo 62 do RICARF, estabelecem estar vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, com exceção dos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, no que também se amolda o presente caso. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal. No entanto, ultrapassada a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, verificamos que a decisão recorrida considerou como impedimento para o deferimento do pleito o fato do contribuinte não ter retificado a DCTF até a transmissão do PERDCOMP e que não teriam sido apresentadas todas as provas documentais que comprovassem a base de cálculo do tributo no período em questão. Para embasar o seu direito a recorrente apresentou balancete de verificação, demonstrativo das receitas do período em questão que não se enquadram no conceito de faturamento e, posteriormente, em sede de recurso voluntário, cópia de balancete registrado no do Livro Diário Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.000074/200773 Resolução nº 3801000.862 S3TE01 Fl. 234 7 Da análise da documentação apresentada, verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. A recorrente alega que a não retificação da DCTF não interfere na obrigação principal (recolhimento do imposto indevidamente) e, portanto, não impede o reconhecimento do direito creditório da recorrente e que o direito ao aproveitamento do crédito é corolário do princípio da legalidade. De fato, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, não havendo norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser considerada a documentação comprobatória apresentada,como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior. No entanto, em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição COFINS e eventuais pagamentos a maior, procedimento esse que compete à Delegacia de origem. Outra questão que não foi enfrentada pela autoridade julgadora a quo é que no caso vertente a recorrente informa que o indébito no qual se lastreia o crédito nele pleiteado não foi realizado por meio de recolhimento com guia DARF, mas através de compensação, formalizada por meio da declaração de compensação eletrônica, colacionando extrato de Declaração de Compensação DCOMP e DCTF onde constam o débito compensado. Em diligência requerida pela autoridade julgadora de 1ª instância para se apurar se houve liquidação do débito contestado, seja por meio de pagamento, seja por meio de compensação a Delegacia de origem constatou que “ o débito da Cofins do PA 07/2003 do contribuinte acima identificado, no valor de R$ 9.503,54, controlado no processo n° 10850.720.026/200886, foi efetiva e integralmente compensado com crédito oriundo do processo n° 10850.900.574/200626 em que foi apreciado Saldo Negativo de IRPJ do exercício 2001, anocalendário 2000”. Para evitar supressão de instância, superada a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998 e a comprovação do valores compensados a maior, caso não se possa decidir do mérito a favor do sujeito passivo, entendo que devem os autos retornar à instância a quo para exame dessa matéria. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição COFINS com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.000074/200773 Resolução nº 3801000.862 S3TE01 Fl. 235 8 b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13558.001344/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO. AÇÃO TRABALHISTA. JUROS MORATÓRIOS. REGRA GERAL. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
Incide Imposto de Renda sobre os juros de mora, inclusive aqueles pagos em reclamação trabalhista, exceto nas situações em que o trabalhador perde o emprego ou quando a verba principal for isenta ou estiver fora do campo de incidência do tributo.
MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2)
MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR. NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA
O princípio da vedação ao confisco, previsto no art. 150, IV, da C.F., é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei. Uma vez positivada a norma, cabe à autoridade fiscal cumpri-la. À multa de ofício devida em face da infração tributária é inaplicável o conceito de confisco.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. LEGALIDADE. MATÉRIA SUMULADA
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 2201-002.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Vercoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao Julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2395; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13558.001344/200847 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.529 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2014 Matéria IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS Recorrente VALMIR MACHADO DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO. AÇÃO TRABALHISTA. JUROS MORATÓRIOS. REGRA GERAL. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Incide Imposto de Renda sobre os juros de mora, inclusive aqueles pagos em reclamação trabalhista, exceto nas situações em que o trabalhador perde o emprego ou quando a verba principal for isenta ou estiver fora do campo de incidência do tributo. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2) MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR. NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O princípio da vedação ao confisco, previsto no art. 150, IV, da C.F., é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei. Uma vez positivada a norma, cabe à autoridade fiscal cumprila. À multa de ofício devida em face da infração tributária é inaplicável o conceito de confisco. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. LEGALIDADE. MATÉRIA SUMULADA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 13 44 /2 00 8- 47 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Vercoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao Julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 13558.001344/200847 Acórdão n.º 2201002.529 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração para exigir o IRPF (fls. 39 a 46), exercício 2006, no valor de R$ 25.282,35, acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora. O contribuinte apresentou tempestivamente a impugnação (fls. 53 a 60), argumentando que havia declarado como isentos os juros de mora incidentes sobre os rendimentos recebidos na ação judicial, por terem natureza indenizatória, como já se pronunciara o Supremo Tribunal Federal em caso semelhante. Contesta a multa de ofício de 75% por entendêla confiscatória e, por isso, inconstitucional, e os juros de mora com base na taxa SELIC, cuja taxa se destinaria exclusivamente à remuneração do capital financeiro. Os membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Salvador (BA), por meio do Acórdão nº 1525.012 (fls. 98 a 101), de 6 de outubro de 2010, julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido Cientificado em 10 de novembro de 2010 (fl. 104), o contribuinte interpôs o recurso voluntário no dia 30 seguinte, no qual repete as alegações da impugnação. Em virtude da orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 1, de 03 de janeiro de 2012, o processo foi sobrestado por meio da Resolução nº 2101000.039, sendo novamente posto em pauta, por força da edição da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, do Ministério da Fazenda, que revogou os §§ 1º e 2º do o artigo 62A, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento A petição não traz elementos novos ao debate. Apenas reiterou os argumentos já apresentados na impugnação em relação à tributação dos juros de mora sobre os rendimentos recebidos na ação judicial, à inconstitucionalidade dos juros de mora e da multa de ofício, e desta última, o seu efeito confiscatório. Preliminares de inconstitucionalidade e confisco A Administração Tributária se submete ao principio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Isso significaria declarar a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). A questão de inconstitucionalidade de lei foi pacificada no CARF por meio da Súmula nº 2, a qual diz: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Da mesma forma, não pode a autoridade lançadora ou julgadora administrativa, por exemplo, invocando o principio do nãoconfisco, afastar a aplicação da lei tributária. Ademais, o princípio constitucional que trata da vedação ao confisco, por força de exigência tributária, deve ser observado pelo legislador no momento da criação da lei, e não pela autoridade lançadora por ocasião de sua aplicação. No que se refere à aplicação da taxa de juros Selic, alega o contribuinte ser patente a ilegalidade da utilização dessa taxa para fins de determinação de juros, tendo em vista possuir a mesma caráter nitidamente remuneratório. Entretanto, essa tese está superada no âmbito do CARF com a edição da Súmula CARF nº 4, assim redigida: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por esse motivo, e considerando que, nos termos do artigo 72 do Anexo II do RICARF, as súmulas são de observância obrigatória pelos membros do CARF, não procedem as alegações do recorrente em relação à taxa de juros e às inconstitucionalidades. Juros sobre rendimentos recebidos em decorrência de ação judicial. No Auto de infração, observase claramente que a auditoria (fl. 64) excluiu da tabela de cálculo os demais valores, mantendo apenas os rendimentos tributáveis, e que no recurso voluntário o contribuinte contesta apenas imposto de renda sobre os juros de mora da ação trabalhista recebida face à decisão proferida pela Justiça de Trabalho. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 13558.001344/200847 Acórdão n.º 2201002.529 S2C2T1 Fl. 4 5 Nessa questão, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) em sede de Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, julgados na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (CPC), fixou o entendimento de que não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, conforme ementa a seguir: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO. Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, devese acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento revalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Embargos de declaração acolhidos parcialmente. (Relator: Ministro Cesar Asfor Rocha) Entretanto, como não ficou esclarecido em quais situações estaria abrangida a expressão “despedida ou rescisão de contrato de trabalho”, tal entendimento foi externado posteriormente, quando do julgamento do REsp nº 1.089.720/RS, em 10 de outubro de 2012, relatado pelo Ministro Mauro Campell Marques. Vejamos a ementa da decisão: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6º, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel.p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). Fl. 121DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 3.1. Nem todas as reclamatórias trabalhistas discutem verbas de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, ali podem ser discutidas outras verbas ou haver o contexto de continuidade do vínculo empregatício. A discussão exclusiva de verbas dissociadas do fim do vínculo empregatício exclui a incidência do art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88. 3.2. O fator determinante para ocorrer a isenção do art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88 é haver a perda do emprego e a fixação das verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros incidentes sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quanto os juros incidentes sobre as verbas não isentas. 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". 5. Em que pese haver nos autos verbas reconhecidas em reclamatória trabalhista, não restou demonstrado que o foram no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância de perda do emprego). Sendo assim, é inaplicável a isenção apontada no item "3", subsistindo a isenção decorrente do item "4" exclusivamente quanto às verbas do FGTS e respectiva correção monetária FADT que, consoante o art. 28 e parágrafo único, da Lei n.8.036/90, são isentas. 6. Quadro para o caso concreto onde não houve rescisão do contrato de trabalho: ∙ Principal: Horasextras (verba remuneratória não isenta) = Incide imposto de renda; ∙ Acessório: Juros de mora sobre horasextras (lucros cessantes não isentos) = Incide imposto de renda; ∙ Principal: Décimoterceiro salário (verba remuneratória não isenta) = Incide imposto de renda; ∙ Acessório: Juros de mora sobre décimoterceiro salário (lucros cessantes não isentos) = Incide imposto de renda; ∙ Principal: FGTS (verba remuneratória isenta) = Isento do imposto de renda (art. 28, parágrafo único, da Lei n. 8.036/90); ∙ Acessório: Juros de mora sobre o FGTS (lucros cessantes) = Isento do imposto de renda (acessório segue o principal). 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. A decisão acima definiu o alcance do acórdão proferido no REsp nº 1.227.133RS, que não é amplo, mas sim restrito às situações de perda do emprego ou quando a verba principal é isenta ou está fora do campo de incidência do imposto sobre a renda. Isso fora posteriormente confirmado pela nota intitulada “Primeira Seção esclarece parâmetros para incidência de IR sobre juros de mora”, publicado pelo STJ em 23 de outubro de 2012, na “Sala de Notícias” (www.stj.gov.br), conforme segue: Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) definiu entendimento sobre tema repetidamente submetido aos tribunais: o Imposto de Renda, em regra, incide sobre os juros de mora, inclusive aqueles pagos em reclamação trabalhista. Os juros só são isentos da tributação nas situações em que o trabalhador perde o emprego ou quando a verba principal é isenta ou está fora do campo de incidência do IR (regra do acessório segue o principal). O julgamento, apesar de não ter se dado no rito dos recursos repetitivos previsto pelo artigo 543C do Código de Processo Civil, fixou interpretação para o precedente em recurso representativo da controvérsia REsp. 1.227.133, a fim de orientar os tribunais de segunda instância no tratamento dos recursos que abordam o mesmo tema. [...] (grifos nossos) Assim sendo, concluíse que STJ entende incidir o imposto de renda sobre os juros de mora recebidos pelo contribuinte, inclusive aqueles auferidos em sede de reclamatória trabalhista, exceto quando o trabalhador perde o emprego ou quando a verba principal é isenta ou está fora do campo de incidência do imposto sobre a renda. Esse entendimento foi reiterado nas decisões seguintes, entre elas: AgRg no REsp 1.234.294/RS (11/04/2013) e REsp 1.235.681/RS (18/02/2014). Fl. 122DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 13558.001344/200847 Acórdão n.º 2201002.529 S2C2T1 Fl. 5 7 A jurisprudência corrente do CARF também é no sentido de que os juros de mora calculados em ação judicial, por sua característica acessória, seguem a natureza tributável da verba principal, fundamentada no art. 55, inciso XIV, do Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), que determina serem tributáveis “os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis”. Feitas essas considerações, vêse nos documentos acostados aos autos que os valores contestados na ação principal decorrem de diferenças salariais, considerados tributáveis nos termos do art. 39 do RIR/99, e que a situação sob análise não se enquadra, portanto, nas exceções previstas nas decisões do STJ, nas quais os juros de mora incidentes sobre verbas recebidas em sede de ação trabalhista são isentos do imposto sobre a renda. O contribuinte alega que “o entendimento jurídico que prospera é o de que [...] tem isenção do Imposto de Renda os valores recebidos pelo contribuinte a titulo de juros de mora (juros cobrados por atraso de pagamento) a partir da vigência do Código Civil de 2002 (novo código).” Entretanto, o dispositivo citado não se aplica, uma vez que não se pode interpretar o espectro passível de ser tributado pelo Imposto sobre a Renda à luz da legislação infraconstitucional (Código Civil) quando a Constituição dá base para a compreensão do direito positivo. Isto posto, voto em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 13161.720452/2012-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com o disposto no art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso é de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão recorrido.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com o disposto no art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso é de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão recorrido. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 04 52 /2 01 2- 52 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por JESUÉ MARQUES ESPÓLIO, em face de acórdão que manteve a integralidade de dois Autos de Infração, ambos lavrados para a cobrança de contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física incidentes sobre o valor da comercialização da produção rural, cujo recolhimento a empresa autuada é responsável na condição de subrrogada. O lançamento fora subdividido nos seguintes Autos: a) 51.010.0945: contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa – GILRAT; b) 51.010.0953: lavrado para a cobrança de contribuições destinadas a terceiros (SENAR); Consta do relatório fiscal que os valores lançados foram obtidos em notas fiscais e relatório SINTEGRA. O lançamento compreende o período de 01/2009 a 12/2010, tendo sido o contribuinte cientificado em 31/05/2012 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a inconstitucionalidade do FUNRURAL; 2. que o procedimento de lançamento fere o princípio da isonomia, na medida em que os produtores rurais pessoas físicas recebem tratamento mais oneroso se comparados aos empregadores urbanos; 3. que restou violado o princípio da capacidade contributiva; 4. que a exigência de desconto ao INSS sobre o resultado final da comercialização feita ao produtor rural empregador pessoa física (distinto do segurado especial), tem como base legislação irregular, lei ordinária (lei 8.540/92, até alteração pela lei 9.528/97) já declarada inconstitucional (RE 363852), hoje regida pela lei 10.256/2001; 5. que diferentemente do entendimento do v. acórdão recorrido, as notas fiscais de simples remessa, de fato eram de simples remessa, tendo em vista que os produtos nela descritos não foram objeto de industrialização; Fl. 429DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13161.720452/201252 Acórdão n.º 2402003.794 S2C4T2 Fl. 429 3 6. que a multa aplicada é confiscatória; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Da análise dos autos verificase às fls. 402 que o contribuinte foi intimado do acórdão recorrido na data de 14/09/2012 (sextafeira), tendo protocolado o presente recurso voluntário em 26/10/2012 (fls. 404), de modo que o prazo legal de 30 (trinta) dias para a sua interposição restou extrapolado. Ante todo o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11634.001692/2010-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para apensação ao processo principal (11634.001693/2010-06), nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para apensação ao processo principal (11634.001693/2010-06), nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Resolvem os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para apensação ao processo principal (11634.001693/201006), nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 34 .0 01 69 2/ 20 10 -5 3 Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 11634.001692/201053 Resolução nº 1301000.169 S1C3T1 Fl. 12 2 Relatório Recorre de ofício a DRJ/Ribeirão Preto pela exoneração do crédito tributário lançado contra a empresa em epígrafe, relativo ao IPI no valor total de R$ 8.770.726,85, decorrente do lançamento de ofício de IRPJ (processo 11634.001693/201006) dos anos calendário de 2005 a 2008, face a constatação pela fiscalização de omissão de receitas, nos termos da Lei n° 9.430, de 1996, art. 42, com base em depósitos bancários em conta de terceiros (empresas: Anemar, Tanzânia e Pássaro Azul) e não contabilizadas. No curso da ação fiscal, a empresa autuada (Ametista) foi intimada e reintimada a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados nas contascorrentes de titularidade das empresas Anemar, Tanzânia e Pássaro Azul, e respondeu ser impossível se manifestar uma vez que os recursos não lhe pertenciam. Em sua defesa, a Ametista volta a negar a titularidade dos recursos depositados naquelas contas, citando a Súmula 32 do Carf, segundo a qual os fiscais da RFB devem reunir elementos suficientes junto às instituições bancárias para que fique evidenciado o uso da conta bancária por terceiro (mesma argumentação do processo de IRPJ). No presente caso, as autoridades fiscais reuniram elementos fortes que indicam que as empresas Anemar, Tanzânia e Pássaro Azul eram inexistentes de fato e que suas contas correntes foram utilizadas pela impugnante, na medida em que pessoas que transferiram recursos a débito ou a crédito dessas contas foram intimadas a informar a natureza jurídica das operações que deram causa às transferências e informaram operações relacionadas à Ametista, .tais como: telefone da autuada em documento bancário pertencente à empresa Anemar, cheque emitido pela Tanzânia para pagamento de fornecedor com vinculação no verso com a Gralha Azul (atual Ametista), local de entrega de mercadorias adquiridas pela Tanzânia era o endereço da Gralha Azul, depósitos efetuados na conta bancária da Anemar de compras efetuadas da empresa Gralha Azul, etc. Concluiu que os recursos movimentados em instituições financeiras pelas empresas Anemar, Tanzânia e Pássaro Azul pertencem à Ametista (antiga Gralha Azul), a qual foi cientificada de que as infrações porventura apuradas naquelas empresas seriam a esta imputadas na condição de verdadeira dona dos negócios (beneficiária oculta), conforme dispõe o Código Tributário Nacional (CTN), art. 121, I. Entendeu a Turma Julgadora a quo que o conjunto dos elementos não são suficientes para comprovar a verdadeira titularidade das contas correntes. Transcrevo, a seguir, a ementa prolatada no Acórdão recorrido: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados/IPI Ano calendário: 2005, 2006, 2007 e 2008 Ementa: Afastada a presunção de omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cancelase, por Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 11634.001692/201053 Resolução nº 1301000.169 S1C3T1 Fl. 13 3 decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 11634.001692/201053 Resolução nº 1301000.169 S1C3T1 Fl. 14 4 Voto Conselheiro Relator Paulo Jakson da Silva Lucas Estando presentes os requisitos legais, conheço do recurso de ofício. Tratase de analisar lançamento referente ao IPI, períodos de apuração ocorridos nos anoscalendário de 2005, 2006, 2007 e 2008, decorrente de lançamento referente ao IRPJ e reflexos, em que se apurou omissão de receitas, caracterizada por diferenças apuradas em inventário final. O lançamento em discussão teve por fundamento o artigo 448 do RIPI/2002, o qual, por pertinente, a seguir transcrevo: Art. 448. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matérias primas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matériasprimas, produtos intermediários e embalagens (Lei 4.502, de 1964, art. 108). § 1o. Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes deste artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigirseá o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento (Lei n° 4.502, de 1964, art. 108, § 1o). § 2o Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, provenientes de vendas não registradas sobre elas será exigido imposto, mediante adoção do critério estabelecido no parágrafo 4.502, de 1964, art. 108, § 2o.). Neste caso, a autoridade julgadora de primeira instância em consonância ao decidido no processo relativo ao IRPJ (11634.001693/201006), o qual restou pela exoneração total do crédito tributário lançado e, conseqüentemente, descaracterizada a omissão de receitas pelas razões aduzidas na esfera do IRPJ, também, afastou a autuação decorrente, já que o julgamento do processo decorrente deve seguir o do principal. Entretanto, no julgamento em segunda instância do processo principal (IRPJ), acima citado, decidiu o Presidente da Segunda Câmara, Segunda Turma Ordinária, pelo sobrestamento do feito nos termos do RICARF (art. 62A) e, Portaria/CARF no. 2, de 2012 (art. 2o.). Portanto, o mesmo encontrase, ainda, pendente de julgamento. Com essas considerações, encaminho o meu voto no sentido de converter o julgamento do presente processo em diligência para apensação por dependência ao processo principal do IRPJ (11634.001693/201006). (documento assinado digitalmente) Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 11634.001692/201053 Resolução nº 1301000.169 S1C3T1 Fl. 15 5 Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10183.722797/2012-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009, 2010
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
É inaplicável a responsabilização tributária de terceira pessoa, com fundamento no art. 124, do Código Tributário Nacional, se não ficou demonstrado sua vinculação com o fato gerador da obrigação tributária.
Numero da decisão: 1302-001.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, a) por maioria, em dar provimento parcial, para afastar a responsabilidade tributária de Wilson Ignácio de Oliveira, Marcos Rosendo da Silva, Thiago Adorno Silva e Efrain Barcelos Gonçalves, vencido o Conselheiro Eduardo de Andrade; b)por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário de Ailto Alves de Lima, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Leonardo Mendonca Marques, Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2009, 2010 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. É inaplicável a responsabilização tributária de terceira pessoa, com fundamento no art. 124, do Código Tributário Nacional, se não ficou demonstrado sua vinculação com o fato gerador da obrigação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, a) por maioria, em dar provimento parcial, para afastar a responsabilidade tributária de Wilson Ignácio de Oliveira, Marcos Rosendo da Silva, Thiago Adorno Silva e Efrain Barcelos Gonçalves, vencido o Conselheiro Eduardo de Andrade; b)por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário de Ailto Alves de Lima, por intempestivo. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Leonardo Mendonca Marques, Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. É inaplicável a responsabilização tributária de terceira pessoa, com fundamento no art. 124, do Código Tributário Nacional, se não ficou demonstrado sua vinculação com o fato gerador da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, a) por maioria, em dar provimento parcial, para afastar a responsabilidade tributária de Wilson Ignácio de Oliveira, Marcos Rosendo da Silva, Thiago Adorno Silva e Efrain Barcelos Gonçalves, vencido o Conselheiro Eduardo de Andrade; b)por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário de Ailto Alves de Lima, por intempestivo. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Leonardo Mendonca Marques, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 27 97 /2 01 2- 02 Fl. 4633DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: A contribuinte acima identificada, teve contra si lavrado o auto de infração relativo ao IRPJ (AI e demonstrativos às fls. 2 a 33) em decorrência de omissão de receitas (depósitos bancários de origem não comprovada). O lançamento resultou em R$ 108.163.348,65 de imposto, R$ 162.245.022,99 de multa proporcional de ofício (150%) e R$ 17.526.264,21 de juros de mora calculados até junho de 2012. Foram também lavrados os autos de infração reflexos (Cofins, CSLL e PIS/Pasep – fls. 34 a 68 e 660 a 723). O total do crédito tributário lançado e objeto deste processo é de R$ 434.439.151,99, incluídos os juros moratórios e as multas (fl. 2). Os valores individuais estão discriminados em cada auto de infração. A ciência da contribuinte, relativamente aos autos de infração, ocorreu, por via postal, em 19 de junho de 2012 (AR à fl. 726). Foram emitidos, também, Termos de Sujeição Passiva Solidária relativamente aos senhores: a) Marcos Rosendo da Silva (fls. 638 e 639); b) Maria Thereza Adorno Silva (fls. 640 e 641); c) Thiago Adorno Silva (fls. 642 e 643); d) Thadeu Adorno Silva (fls. 644 e 645); e) Ailto Alves de Lima Júnior (fls. 646 e 647); f) Marco Aurélio Chionha (fls. 648 e 649); g) Efrain Barcelos Gonçalves (fls. 650 e 651); e h) Wilson Ignácio de Oliveira (fls. 652 e 653). A ciência quanto a cada um desses termos ocorreu, respectivamente, em: a) 21 de junho de 2012 (AR à fl. 730); b) 20 de junho de 2012 (AR à fl. 731); c) 25 de junho de 2012 (AR a fl. 733); Fl. 4634DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10183.722797/201202 Acórdão n.º 1302001.605 S1C3T2 Fl. 4.634 3 d) 19 de junho de 2012 (AR à fl. 732); e) 23 de junho de 2012 (Histórico ECT à fl. 727); f) 23 de junho de 2012 (AR à fl. 736); g) 21 de junho de 2012 (AR à fl. 728) e h) 22 de junho de 2012 (Histórico ECT à f. 734). Em 18 de julho de 2012 foi protocolado o documento de fls. 1.238 a 1.295, no qual é aduzido, em apertada síntese, que: a) houve prorrogação irregular do Mandado de Procedimento Fiscal e substituição injustificada do agente fiscal que iniciou o procedimento de fiscalização; b) as provas coligidas e que fundamentam o auto de infração são ilícitas em face do disposto no art. 5º, LV e LVI, da Constituição Federal, em face da quebra ilegal do sigilo bancário da contribuinte; c) a Lei Complementar nº 105/2001 é inconstitucional e, mesmo que constitucional fosse, deveria ser observado os ditames do Decreto nº 3.724/2001, o que não ocorreu; d) não foi observado o direito à ampla defesa e ao contraditório antes da quebra do sigilo bancário; e) os dados protegidos por sigilo bancário antes da vigência da Lei Complementar nº 105/2001 não podem ser utilizados pela fiscalização em face do princípio da irretroatividade das leis; f) o auto de infração é nulo pela imprecisão da base de cálculo; f.1) o simples depósito em contas bancárias não traduz a aquisição de riqueza, não tendo ocorrido, portanto, o fato gerador do tributo; f.2) não foram considerados pelo fiscal as transferências de outras contas bancárias de mesma titularidade, mútuo/adiantamentos etc.; f.3) o arbitramento deve ocorrer em face de processo regular, assegurada a ampla defesa e o contraditório; g) foram infringidos os princípios da ampla defesa e todos os seus desdobramentos, assim como o da verdade material e do devido processo legal; h) o que houve foram atos de elisão e não de evasão tributária i) não pode haver lançamento tributário com base em presunções; j) no caso de arbitramento, deve ser observada a avaliação contraditória; Fl. 4635DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 k) a multa punitiva tem efeito confiscatório; l) houve contrato particular entre o senhor Carlos Sussumu Hasegawa que era detentor dos direitos sobre as cotas societárias havendo transferência diretamente para os atuais sócios Almir Pereira de Melo e Edson Carlos Ferreira dos Santos; m) não há responsabilidade dos senhores Wilson Ignácio de Oliveira, Sérgio Davi Bentlin e Alisson de Souza Santos, que são meros funcionários, sem poderes de gestão e administração e os demais são agentes e distribuidores, que igualmente não detêm tais poderes. Ao final é requerida a declaração de nulidade do auto de infração e o afastamento da multa confiscatória. Também em 18 de julho de 2012 foram protocolados os documentos de fls. 741 a 761, 864 a 884, 988 a 1.008 e 1.111 a 1.131, relativamente aos impugnantes sujeitos passivos solidários Marcos Rosendo da Silva, Maria Thereza Adorno Silva, Thadeu Adorno Silva e Thiago Adorno Silva, todos os documentos com o mesmo teor, nos quais foi alegado, resumidamente, que: a) a venda da autuada Eldorado Combustível Ltda. foi efetuada legalmente em dezembro de 2008 ao senhor Carlos Sussumu Hasegawa, conforme cópia de instrumento anexo; b) segundo consta nesse instrumento, a posse seria assumida pelo senhor Carlos Sussumu “apenas após a assinatura da alteração do contrato social transferindo as quotas do capital social da empresa ao COMPRADOR, ou a quem indicar, que se dará no dia seguinte ao término do pagamento total deste contrato”, o que ocorreu somente em setembro de 2009; c) todos os órgãos públicos foram cientificados da transferência e, nessa data, a empresa autuada não possuía nenhum débito junto aos fiscos federal, estadual ou municipal; d) a responsabilidade dos impugnantes cessou em 13 de outubro de 2009; e) não há nenhuma norma jurídica que indique a responsabilização dos exsócios por atos praticados após a saída deles do quadro societário da empresa; f) as pessoas jurídicas têm existência distinta de seus membros, nos termos do art. 20 do Código Civil; g) para que haja a responsabilização há a necessidade de que tenha havido abuso de poder ou excesso de mandato, o que não ocorreu; h) os fatos anteriores a 13 de outubro de 2009 foram colhidos pela decadência, nos termos do art. 1.003 do Código Civil. Por fim é requerida a anulação do auto de infração em relação aos impugnantes. Fl. 4636DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10183.722797/201202 Acórdão n.º 1302001.605 S1C3T2 Fl. 4.635 5 Foi juntada às fls. 1.323 a 1.357 a impugnação protocolada por Marco Aurélio Chionha em 20 de julho de 2012, firmada por procurador (instrumento de mandato à fl. 1.358), em que é alegado, em resumo, que: a) “foi mero mandatário da empresa autuada, com quem manteve vínculos de representação comercial, mediante contrato expresso firmado e, em detrimento das atividades e representação a serem exercidas, foilhe outorgado procuração 'padronizada' por instrumento público, sendo limitada aos interesses de seus mandantes que, conferida em 06.11.2009, foi revogada em 20.06.2011, face à rescisão do seu contrato de serviços, em decorrência do 'cancelamento' da inscrição de contribuinte paulista, conferido à filial a que estava vinculado”; b) a autuada contratou a empresa PETRUS ÁLCOOL, de propriedade do impugnante, para agenciar venda e distribuição de etanol; c) toda a escrituração fiscal e contábil era efetuada no estabelecimento matriz da autuada em Várzea Grande – MT, inclusive no que tange à apuração e pagamento de tributos devidos pela filial de Paulínia; d) “o Defendente agenciava compra do produto etanol carburante, adquiridos pela contribuinte em usinas produtoras paulistas, gerindo os pagamentos e adimplementos destes contratos, realizando a distribuição ao mercado varejista e geria o recebimento dos haveres resultantes; encaminhando TODA DOCUMENTAÇÃO FISCAL à contribuinte que firmava a escrituração fiscal e gerenciava o pagamento dos tributários incidentes”; e) para que pudesse haver a responsabilidade tributária, os atos praticados teriam de ocorrer com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos; f) “um dos elementos da hipótese de incidência é a impossibilidade de cobrar da empresa o débito tributário. No entanto, não há qualquer demonstração no auto ou no termo de sujeição passiva solidária de que a empresa não tenha condições de pagar o débito apontado no auto de infração, inexistindo, portanto, demonstração de que os fatos correspondem ao descrito no artigo 135 do CTN e não se pode falar em responsabilidade da gerente ou do administrador ou do procurador”; g) “mesmo portando procuração firmada por instrumento público padronizado, cuja finalidade era meramente para prática de atos administrativos e, principalmente, movimentação bancária, todos eram realizados em nome de terceiros e não em nome próprio, resguardando os interesses dos representados”; h) “é inaceitável que o Defendente. em nome próprio, responda por atos que tenha praticado em nome de terceiros, quiçá no presente caso em que sequer praticou os atos narrados como Fl. 4637DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 ilícitos e antijurídicos, estes praticados somente e diretamente pela mandante e seus sócios”; i) “no presente caso, não ocorreu alteração do quadro societário da contribuinte, mantendose incólume os sócios administradores e mandantes da procuração outorgada que, em primeira instância, são suscetíveis de responsabilização subsidiária, preferencialmente ao mandatário, ora Defendente”; j) é “utópico acreditar que poderia ser sócio da contribuinte, pois além de não deter as condições legais exigidas (mesmo as mínimas), está muito longe de deter capacidade financeira necessária. O Defendente detém apenas conhecimento solidificado na representação comercial em agência e distribuição de etanol carburante, pela larga experiência e carteira de clientes vinculados”; k) o auto de infração é nulo, por basearse em suposições, ou seja, valores depositados e creditados em conta bancária; l) os créditos bancários não se constituem em aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda; m) o fisco deve buscar a verdade material; n) não pode haver arbitramento sem o contraditório e a ampla defesa; o) as bases de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são insubsistentes, uma vez terem sido aferidas a partir de informações da ANP, sem contudo ser verificado o preço praticado nas vendas; p) houve cobrança em duplicidade, sendo que “os valores apontados nestes autos devem ser deduzidos dos valores pretendidos no processo n° 10183.722.797/201202, sob pena de cobrança em duplicidade ‘bis idem’” q) a multa a ser aplicada deve ser a moratória e não a de ofício, já que a apuração dos tributos Cofins e contribuição para o PIS/Pasep foi efetuada nos livros contábeis e fiscais; r) a multa aplicada tem caráter confiscatório. Finalmente é requerido o afastamento do impugnante do pólo passivo e a declaração de nulidade do auto de infração. Na pior das hipóteses, que a multa seja reduzida ao percentual de 20%. Às fls. 1.391 a 1.406 consta impugnação de Wilson Ignácio de Oliveira, representado por procurador (instrumento às fls. 1.409 a 1.410). Não há dados relativos à data de protocolo. Nela foi aduzido, em síntese, que: a) as planilhas relativas aos depósitos bancários que deram origem ao lançamento não foram disponibilizadas; b) o patrono diligenciou junto à DRF/Cuiabá, contudo não obteve êxito em obter os documentos acima referidos; Fl. 4638DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10183.722797/201202 Acórdão n.º 1302001.605 S1C3T2 Fl. 4.636 7 c) o processo se encontrava no estado de Mato Grosso e o impugnante é residente em Guarulhos/SP, fato que dificulta o acesso e macula o processo; d) o auditor autuante era incompetente para imputar responsabilidade a pessoa física não residente em sua “jurisdição”, tendo ocorrido flagrante cerceamento do direito de defesa; e) “o Fisco pautouse em meras conjecturas hipotéticas para incluir do Defendente como suposto responsável solidário para obrigação tributária pretensamente descumprida pela empresa autuada, o que é inadmissível na hipótese vertente”; f) “o Defendente figura no polo passivo da autuação como responsável solidário simplesmente por ter sido procurador da empresa, eis que o Fisco não carreou aos autos (ou se carreou não entregou à defesa) qualquer prova, sequer indício que pudesse vincular a pessoa do Defendente a qualquer um dos supostos atos ou negócios jurídicos irregulares que ele (Fisco) alega terem sido praticados por interposta pessoa, por meio de simulação”; g) o caso não se enquadra no art. 124, I, nos artigos 129 e seguintes, no art. 134, nem no art. 135 do Código Tributário Nacional; h) “tendo em vista que inexiste qualquer prova de que o Defendente tenha participado de qualquer ato ou omitido qualquer circunstância que esteja atrelado à ocorrência dos fatos geradores objeto do lançamento de oficio contra empresa ELDORADO COMBUSTÍVEIS LTDA., não há como o mesmo rebater as questões de mérito elencadas pelo Fisco como elementos que pretensamente caracterizaram o descumprimento de obrigação tributária pela empresa autuada”. Ao final é requerida a decretação de nulidade do trabalho fiscal ou, alternativamente, a exclusão do impugnante como responsável solidário pelas autuações lavradas contra a Eldorado Combustíveis Ltda. e, ainda, que as intimações sejam também efetuadas pessoalmente ao patrono do impugnante. Em 20 de julho de 2012 foi protocolada a impugnação de Ailto Alves de Lima Júnior (fls. 1.452 a 1.499), tendo como signatários os mandatários relacionados no instrumento de fls. 1.500 e 1.501, sendo alegado o seguinte: a) o impugnante não recebeu qualquer intimação ou notificação a respeito do MPF, de forma a poder esclarecer alguma dúvida ou até mesmo exercer seu direito de defesa durante a fiscalização, sendo nulo portanto a sua inclusão no pólo passivo; b) foram violados os princípios da legalidade, finalidade, motivação, publicidade, devido processo legal e ampla defesa; Fl. 4639DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 c) “no caso do ora IMPUGNANTE, não há nenhuma descrição clara e objetiva do fato ou ato que denote vinculação com as infrações indicadas, tampouco justificativa para a atribuirlhe a condição de responsável solidário pelo suposto crédito tributário”; d) não há a descrição adequada da conduta que levou à aplicação das multas, sobretudo aquela no percentual de 150%; e) as multas aplicadas têm caráter confiscatório; f) “a ausência de descrição dos fatos assim como a absoluta ausência de prova direta contra o IMPUGNANTE, tal como um documento, confissão ou perícia, leva necessária e obrigatoriamente À NULIDADE do auto de infração”; g) “o AFRFB não demonstrou e tampouco provou qual o interesse comum que poderia atribuir vínculo entre o IMPUGNANTE e situações que constituíssem fatos geradores das obrigações tributárias da empresa autuada”; h) os “fatos e documentos deixam de forma absolutamente inequívoca o ‘erro’ em arrolar o IMPUGNANTE no rol de responsável solidário por um suposto ‘poder’, lembrando que era apenas para movimentar uma conta bancária da empresa ELDORADO, a qual, acrescentese, NUNCA TEVE NENHUMA RELAÇÃO COM O IMPUGNANTE”; i) “O IMPUGNANTE FOI UM MERO PRESTADOR DE SERVIÇOS que recebeu poderes através de uma procuração para efetuar pagamentos através de uma única conta bancária”; j) “verificase que não é a simples constatação de infrações tributárias e a simples atuação do mandatário no exercício de poderes outorgados pelo mandante que se justifica a atribuição da responsabilidade solidária, sendo obrigatório à Autoridade Fiscal constatar e relatar os fatos e condutas que denotem dolo específico na prática de infrações tributárias”; k) “não há que se falar em responsabilidade de terceiros pelo crédito tributário, eis que inexiste qualquer fundamento ou comprovação de que houve fraude tributária ou sonegação fiscal”. Ao final é requerida a decretação de improcedência da autuação e, ainda, que as intimações sejam também efetuadas em nome do advogado. As razões da impugnação protocolada pelo senhor Efrain Barcelos Gonçalves, em síntese, são as seguintes: a) nulidade dos lançamentos por não terem sido disponibilizados os documentos em que se basearam os autos de infração, tendo havido inclusive comparecimento pessoal do impugnante à DRF Cuiabá, o que restou improfícuo em face da falta da devida autuação processual, conforme documentos inclusos; b) o auditor autuante era incompetente para imputar responsabilidade a pessoa física com domicílio fiscal fora da sua Fl. 4640DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10183.722797/201202 Acórdão n.º 1302001.605 S1C3T2 Fl. 4.637 9 área de atuação, tendo ocorrido flagrante cerceamento do direito de defesa; c) o impugnante foi incluído como sujeito passivo solidário das obrigações tributárias diante de meras conjecturas hipotéticas aventadas pelo autuante; d) não há prova de nenhum ato ou negócio irregular praticado pelo impugnante atuando como mandatário da contribuinte; e) não é aplicável ao caso o art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Requerse, ao final, a declaração de nulidade dos lançamentos ou, caso isso ao ocorra, seja declarada a improcedência da inclusão do impugnante como responsável solidário. Os autos baixaram em diligência para que fossem juntadas cópias de extratos bancários e intimação para que a contribuinte justificasse os créditos (fls. 1.563 e 1.564). Os documentos, planilhas e resposta da contribuinte constam às fls. 1.567 a 4.257, às fls. 4.258 e 4.259 o auditorfiscal responsável pela diligência manifestouse sobre os documentos apresentados, informando que a contribuinte não comprovou a origem dos créditos bancários, tendo apresentado apenas “Relatório de Vendas por Clientes”. Houve uma nova diligência, conforme termo de fls. 4.263 e 4.264, para que os atuais sócios e o senhor Carlos Sussumu Hasegawa fossem incluídos no polo passivo da obrigação como responsáveis tributários, bem como para que o senhor Wilson Ignácio de Oliveira tivesse vista do processo e pudesse complementar sua impugnação. Os termos constam às fls. 4.266 a 4.271 e 4.306. A síntese do resultado da diligência efetuada (fls. 4.288 a 4.290) indica que todos foram devidamente intimados mas que apenas o senhor Carlos Sussumu Hasegawa manifestouse conforme documento de fls. 4.272 a 4.285. Neste, foi aduzido, em síntese que: a) embora tenha sido detentor dos direitos sobre as cotas societárias da contribuinte, não chegou a transferilas para o seu nome, transferindo seus direitos diretamente aos atuais sócios; b) mesmo que se sócio tivesse sido, não houve conduta dolosa com a intenção de praticar atos com excesso de poderes; c) o fisco não logrou comprovar a irregular dissolução da sociedade ou que qualquer sócio ou procurador incorreu nas transgressões previstas no art. 135, incisos II e III, do CTN; d) a multa de 150% tem caráter confiscatório. Fl. 4641DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Após os argumentos relatados acima, sobreveio acordão nº 0432.133 da lavra da 2ª Turma da DRJ/CGE (fls. 4310/4335), o qual julgou improcedentes as impugnações, mantendo o crédito tributário exigido e a sujeição passiva solidária de todos os arrolados, nos seguintes termos de sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 MPF. PRORROGAÇÃO E SUBSTITUIÇÃO DE AUDITOR. Não havendo irregularidade na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal e a substituição de auditorfiscal durante o procedimento de fiscalização não induzem nenhuma nulidade quanto ao lançamento. PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. NULIDADE. O procedimento de fiscalização é inquisitório, iniciandose a relação jurídica processual com o lançamento e a impugnação. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedada aos órgãos julgadores administrativos a análise de alegações de inconstitucionalidade de normas, cabendo o fiel cumprimento daquelas em vigor. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Créditos bancários de origem não comprovada fazem presumir a omissão de receitas, podendo ocorrer o lançamento tributário com base nos créditos que não forem justificados individualizadamente. MULTA QUALIFICADA. Falta de escrituração de depósitos bancários e de pagamento dos tributos devidos caracterizam a conduta dolosa da contribuinte ensejadora da qualificação da multa. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Alegações que ultrapassem a análise de conformidade do ato de lançamento com as normas legais vigentes somente podem ser reconhecidas pelo Poder Judiciário e os princípios constitucionais têm por destinatário o legislador ordinário e não o mero aplicador da lei, que a ela deve obediência. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Havendo interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, correto o arrolamento desses interessados como sujeitos passivos solidários. AUTUAÇÕES REFLEXAS: PIS/PASEP, COFINS E CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Fl. 4642DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10183.722797/201202 Acórdão n.º 1302001.605 S1C3T2 Fl. 4.638 11 INTIMAÇÕES. REMESSA AO PATRONO DO CONTRIBUINTE OU DO RESPONSÁVEL. Não há previsão legal para a remessa de intimações ao patrono do contribuinte ou do responsável. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse passo, foram intimados do r. acórdão acima o contribuinte e os solidários: Eldorado Combustíveis Ltda. – fls. 4377; Ailto Alves de Lima Júnior – fls. 4.373; Efrain Barcelos Gonçalves – fls. 4.370; Marcos Rosendo da Silva – fls. 4.374; Maria Thereza Adorno Silva – fls. 4.376; Thadeu Adorno Silva – fls. 4.377; Thiago Adorno Silva – fls. 4.372; Wilson Ignácio de Oliveira – fls. 4.371; Marco Aurélio Chionha – fls. 4.379; Almir Pereira de Melo – fls. 4.376; Edson Carlos Ferreira dos Santos – fls. 4.378; Carlos Sussumu Hassegawa – fls. 4.375; Todavia, somente recorreram por meio de recurso voluntário do r. acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/CGE (fls. 4310/4335), os sujeitos passivos abaixo, os quais repisaram os fundamentos apresentados em suas impugnações. Wilson Ignácio de Oliveira – fls. 4.381/4.405; Marcos Rosendo da Silva – fls. 4.408/4.445; Thiago Adorno Silva – fls. 4.448/4.519; Ailto Alves de Lima Júnior – fls. 4.522/4.569; Efrain Barcelos Gonçalves – fls. 4.572/4.597; É o relatório. Fl. 4643DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo Os recursos voluntários apresentados por: Wilson Ignácio de Oliveira; Marcos Rosendo da Silva; Thiago Adorno Silva e Efrain Barcelos Gonçalves são tempestivos e apresentam todos os requisitos de admissibilidade, então deles conheço. Todavia, quanto ao recurso voluntário apresentado por Ailto Alves de Lima Júnior, notase que este foi cientificado do julgamento da DRJ em 24/07/13 (fls. 4.373), apresentando seu recurso voluntário em 29/08/13 (fls. 4.522/4.569). Portanto, observase a intempestividade do recurso voluntário apresentado por Ailto Alves de Lima Júnior por decurso de prazo, pois foi juntado nestes autos em exatos 36 dias após a ciência da decisão da DRJ, inobservando o prazo de 30 dias previsto no art. 33, do Dec. 70.235/72. Assim, é incontroverso que o recurso voluntário apresentado por Ailto Alves de Lima Júnior é intempestivo, pelo que dele não conheço. Destaco que a empresa contribuinte e as demais pessoais inclusas na sujeição passiva da obrigação tributária não apresentaram recurso voluntário, tornandose definitiva a decisão de primeira instância quanto a estes, com fundamento no art. 42, I, do Dec. 70.235/72. 1. Das Preliminares 1.1. Do Pedido de Conexão com o Processo Administrativo Fiscal n.º 10183.722798/201249 A recorrente peticionou nestes autos em 18/11/2014, após ser devidamente intimada de sua indicação para a pauta de novembro/2014, pedido de conexão com o processo administrativo fiscal n.º 10183.722798/201249, requerendo a distribuição deste último para este relator a fim de que fosse julgado conjuntamente com estes autos. Em que pese a argumentação de conexão defendida pela recorrente, entendo que esta não ficou devidamente comprovada, porquanto não juntou cópia dos autos n.º 10183.722798/201249 ou qualquer outro documento que possibilitasse a verificação da plausibilidade do pedido. Desta maneira, voto por negar provimento ao pedido de conexão destas autos com o processo administrativo fiscal n.º 10183.722798/201249, por falta de prova não apresentada pelo Patrono. 1.2. Da Falta de Intimação Alega a Patrona, da tribuna, que Thadeu Adorno Silva e Maria Thereza Adorno Silva, não foram intimadas por “AR” e que o “AR” havia sido devolvido como “mudouse”. Fl. 4644DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10183.722797/201202 Acórdão n.º 1302001.605 S1C3T2 Fl. 4.639 13 Segundo a Patrona, não houve qualquer mudança de endereço e o correio “errou” na intimação. Mais uma vez as alegações padecem de provas, aliás não foi apresentado qualquer documento que possa desconstiuir a informação do “AR”, e o Edital 40/13 de 04/11/2013 e 36/13 de 10/10/2013 o qual intima Thadeu Adorno Silva e Maria Thereza Adorno Silva. Concordo que o “AR” não é prova absoluta, porém para sua relativização, precisa de provas, que no presente caso não foram juntadas, não podendo assim ser desconsideradas as informações do “AR” e a intimação via edital. 2. Do Mérito. Da Sujeição Passiva Das Hipóteses de Responsabilização do artigo 124 do CTN O AFRFB lavrou os termos de sujeições passivas (fls. 638/639; 642/643; 650/651; 652/653) em face dos recorrentes (Wilson Ignácio de Oliveira; Marcos Rosendo da Silva; Thiago Adorno Silva e Efrain Barcelos Gonçalves) tão somente em atenção ao disposto no art. 124, do Código Tributário Nacional, conforme pode ser vislumbrado nos termos abaixo (fls. 638): No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e ante o exposto na “descrição dos fatos” do auto de infração que segue em anexo, lavrado em decorrência do procedimento fiscal contra o sujeito passivo acima identificado, ficou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). No que se refere ao art. 124, prescreve o Código Tributário Nacional: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Dessa forma, temse que o dispositivo trata das pessoas que são responsáveis solidários em razão do “interesse comum”. Consoante entendimento que vem sendo adotado, exigese que a situação que consubstancia o fato gerador do tributo seja praticada pelos sujeitos cuja solidariedade se pretende atribuir. Exemplificando os casos de interesse comum, Leandro Paulsen afirma que “têm interesse comum aqueles que figuram conjuntamente como contribuintes, como os coproprietários de um imóvel relativamente ao IPTU ou à taxa de recolhimento de lixo”. (PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário Completo. 5ª ed. rev., atual. e ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2013. p. 166). Mutatis mutandis, é o entendimento aplicado nos casos de empresas sobrepostas (mesma atividade, mesmo endereço, mesma finalidade, praticantes do mesmo fato Fl. 4645DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 gerador), ou seja, empresas que se escondem uma atrás da outra, o que não se confunde com o conceito amplo de “mesmo grupo econômico”, como demonstra o seguinte julgado proferido pelo Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. (...) (STJ. AgRg no AREsp 21.073/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 26/10/2011). No mesmo caminho trilhou o Superior Tribunal de Justiça no julgado abaixo, em que o então Min. Luiz Fux, fundamentandose em doutrina abalizada, discorre sobre o termo “interesse comum”, observese: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA (LETRAS FINANCEIRAS DO TESOURO). AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. RECUSA. POSSIBILIDADE. MENOR ONEROSIDADE. ART. 620 DO CPC. SÚMULA 7/STJ. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. (...) 6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei." 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no polo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo polo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são Fl. 4646DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10183.722797/201202 Acórdão n.º 1302001.605 S1C3T2 Fl. 4.640 15 os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220) (...) (STJ. REsp 859.616/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/09/2007, DJ 15/10/2007, p. 240) (grifo não original) Sendo assim, retornando ao caso dos autos, verificase que foram lavrados autos de infração de CSLL, PIS/Pasep, Cofins e IRPJ em razão de constatado enquadramento da pessoa jurídica autuada em prática de omissão de receita. Como se sabe, esses tributos possuem como fato gerador, de modo geral, o lucro e o faturamento (receita bruta). Nessa esteira, entendo que os recorrentes, pessoas físicas, ainda que possam ter alguma responsabilidade pelas irregularidades desvendadas pelos agentes fiscais, jamais poderia participar da realização dos fatos geradores acima mencionados, daí a impossibilidade de considerálo como responsável solidário pelo art. 124, do CTN. Assim, voto pelo afastamento do art. 124, inc. I, do Código Tributário Nacional e, consequentemente, afasto a sujeição passiva dos recorrentes Wilson Ignácio de Oliveira; Marcos Rosendo da Silva; Thiago Adorno Silva e Efrain Barcelos Gonçalves, em relação ao presente auto de infração. Desta maneira, em face da exoneração da responsabilidade tributária em relação aos recorrentes, deixo de analisar as demais matérias arguidas nos recursos voluntários por perda de objeto. 3. Conclusão Ante ao exposto, voto em dar provimento aos recursos voluntários apresentados pelos recorrentes Wilson Ignácio de Oliveira, Marcos Rosendo da Silva, Thiago Adorno Silva e Efrain Barcelos Gonçalves, a fim de afastar a sujeição passiva a eles imputada com fundamento no art. 124, I do CTN, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 4647DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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