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Numero do processo: 10935.004296/2009-97
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado.
Numero da decisão: 1802-002.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo com base no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/2009 e alterações posteriores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 42 96 /2 00 9- 97 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 O acórdão embargado, nº 1802002.008, de 12/02/2014, foi cientificado à empresa em 26/02/2014 conforme Aviso de Recebimento (AR), e, os embargos foram apresentados em 27/02/2014. A embargante alega que, apesar do acórdão embargado ter afastado as alegações tecidas pela recorrente, deixou de se manifestar expressamente sobre os argumentos contidos no recurso voluntário no que diz respeito a formação do contraditório e condições de validade do ato administrativos, tratados, respectivamente, nos capítulos I I I e V, do recurso apresentado. Diz que, não ignora que este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não está obrigado a apreciar todas as questões trazidas pelas partes. Entretanto, deve haver o enfrentamento do argumento autonomamente suficiente para acolhimento da pretensão deduzida pela parte recorrente, “como é o caso exposto acima”, principalmente por se tratar de argumento favorável à parte vencida neste julgamento. Finalmente requer seja dado provimento aos embargos de declaração, para o especial fim de suprir as omissões apontadas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Os Embargos de declaração foram apresentados em 27/02/2014, no prazo regulamentar, portanto, tempestivos. Deles conheço. O Acórdão embargado tratou da exclusão do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/04/2009, em virtude de a empresa acima identificada comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, hipótese prevista no art. 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123/2006. Consta dos autos que foi encontrado no estabelecimento as mercadorias descritas no Auto de Infração e Apreensão de Mercadoria nº 10935.004139/2009 81 desprovidas de documentação comprobatória de introdução regular no país. Conforme relatado acima, a Embargante alega que o acórdão embargado deixou de se manifestar expressamente sobre os argumentos contidos no recurso voluntário no que diz respeito a formação do contraditório e condições de validade do ato administrativos, tratados, respectivamente, nos capítulos I I I e V, do recurso voluntário apresentado. No item III do Recurso Voluntário o contribuinte discorre sobre a formação do contraditório no âmbito do processo que trata do Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias. No item IV do Recurso Voluntário, o contribuinte transcreve doutrina e conclui que o ato declaratório de exclusão é inválido porque a Administração não utilizou meio legal ao ofender o princípio do devido processo legal, pois, a exclusão de oficio somente se dará com o devido processo legal, ou seja, assegurado o contraditório e a ampla defesa, antes da prolação da decisão administrativa. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.004296/200997 Acórdão n.º 1802002.067 S1TE02 Fl. 3 3 A alegação da Embargante é incompatível com o traçado no acórdão embargado, pois, como será visto adiante, tanto o Relatório quanto o Voto condutor do acórdão embargado tratam das questões suscitadas pela Embargante, embora não mencionados os números romanos III e IV do recurso voluntário, vejamos: Relatório ... A pessoa jurídica, cientificada da mencionada decisão em 31/07/2012 (Aviso de Recebimento AR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 30/8/2012. Afirma que ao contrário do que descreveu a r. decisão recorrida, a recorrente não fora devidamente intimada para apresentar defesa relativamente ao auto de infração e apreensão de mercadorias, que hora está deflagrando a sua exclusão do Simples Nacional. Diz que, a intimação da lavratura do auto de infração (ato este que facultaria a recorrente impugnar o procedimento no prazo de 20 dias) foi feito único e exclusivamente através de edital n° 153/09 (fls. 10), afixado na sede da Receita Federal do Brasil cm Cascavel Paraná, localizado em município diverso da sede da recorrente. Portanto, diante da ausência de intimação com relação ao auto de infração e apreensão de mercadorias, a recorrente fora declarada revel (fls. 10). Conclui que, sendo o processo administrativo informado pelo princípio do devido processo legal, se o ato eivado de ilegalidade não cumpriu sua finalidade, ocasionando prejuízo à parte, deve ser anulado, como anulados devem ser os atos subseqüentes a ele. Assim, com a declaração de exclusão liminar da contribuinte do SIMPLES houve ofensa ao princípio do devido processo legal, sendo nulo o ato de exclusão e, portanto, devendo ser invalidado por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Como se vê, as questões alegadas pela Embargante constam do relatório e, foram enfrentadas no voto condutor do acórdão embargado, na parte a seguir transcrita: ... Sobre o mencionado processo, consta da decisão recorrida (fl.2) que o contribuinte foi declarado revel no Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias nº 10935.004139/200981, motivo pelo qual foi extinto o processo com o conseqüente perdimento das mercadorias. Toda a argumentação da Recorrente é no sentido de que há cerceamento do direito de defesa no presente processo porque no outro processo do Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias não fora intimada no endereço para fins cadastrais na Receita Federal do Brasil, e sim por edital, para apresentar Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 defesa relativamente ao auto de infração e apreensão de mercadorias, que está deflagrando a sua exclusão do Simples Nacional. A argumentação da Recorrente contém equívoco como bem explicitado na decisão recorrida (fl.3) cujos fundamentos também adoto como razão de decidir, vejamos: Intimação – Ausência de Cerceamento de Defesa Outrossim, não procede a alegação de nulidade por descumprimento do rito referente à cientificação da autuada, fato que teria cerceado seu direito à defesa. Cabe observar que o trâmite do processo de apreensão das mercadorias é regulamentado pelo Decretolei nº 1.455/1976, cujo artigo 27 assim estabelece, in verbis: Art 27. As infrações mencionadas nos artigos 23, 24 e 26 serão apuradas através de processo fiscal, cuja peça inicial será o auto de infração acompanhado de termo de apreensão, e, se for o caso, de termo de guarda. § 1º Feita a intimação, pessoal ou por edital, a não apresentação de impugnação no prazo de 20 (vinte) dias implica em revelia. § 2º Apresentada a impugnação, a autoridade preparadora terá o prazo de 15 (quinze) dias para remessa do processo a julgamento. § 3º O prazo mencionado no parágrafo anterior poderá ser prorrogado quando houver necessidade de diligências ou perícias, devendo a autoridade preparadora fazer comunicação justificada do fato ao Secretário da Receita Federal. § 4º Após o preparo, o processo será encaminhado ao Secretário da Receita Federal que o submeterá a decisão do Ministro da Fazenda, em instância única. (destaquei) Inferese do parágrafo primeiro transcrito, que a intimação do auto de infração de apreensão de mercadorias pode ser realizada tanto pessoalmente quanto por edital, sem ordem de preferência. Um vez conferida a ciência ao interessado por uma das vias estabelecidas pela lei (no caso em tela, por edital), a nãoapresentação da defesa no prazo regulamentar implica revelia, tornando incontestáveis a infração constatada pela autoridade competente. Por outro lado, a publicação do Edital em Cascavel, encontrase em conformidade com o art.23, §1º, inciso II, do Decreto 70235/72, haja vista que o órgão da encarregado pela Intimação na jurisdição a que pertence o contribuinte é a DRFB de Cascavel. Desse modo, não há falar em nulidade, visto que o procedimento (Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias) que antecede o Fl. 109DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.004296/200997 Acórdão n.º 1802002.067 S1TE02 Fl. 4 5 ato de exclusão da empresa do Simples Nacional observou a legislação em vigor relativa a ciência do interessado. No entendimento da decisão recorrida, com o qual concordo, as objeções quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos, que dão ensejo a pena de perdimento de bens, devem ser apresentadas no correspondente Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias. Deixando a defendente de oferecêlas no prazo que lhe foi oportunizado, operase a preclusão temporal. Indubitavelmente, nos presentes autos, não cabe discutir o cerceamento ao direito de defesa ocorrido ou não naquele processo administrativo referente ao Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias nº 10935.004139/200981. Ainda que revel naquele processo, poderia a contribuinte, nos presentes autos, fazer a contraprova de que não comercializara mercadorias objeto de contrabando ou descaminho e, assim, não seria excluído do Simples Nacional. A Recorrente não alega com provas de que não se subsume na hipótese prevista no artigo 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123/2006, que motivou a exclusão do Simples Nacional, que assim dispõe: Lei Complementar nº 123/2006 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; ... Desse modo, não constatada a nulidade aventada pela Recorrente e, não havendo a Recorrente trazido aos autos a prova de que não praticara o ato (comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, descrito no auto de infração) de exclusão da empresa do Simples Nacional há de ser mantido o Ato Declaratório Executivo em comento . Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Resta, pois, demonstrada a improcedência da omissão aventada pela Embargante. Nos termos do art. 65 do RICARF, com a redação dada pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, não se prestando o instrumento processual (embargos de declaração) para instigar à nova apreciação e julgamento. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Com as considerações acima, entendo não estar presente no acórdão embargado qualquer das situações previstas no mencionado dispositivo regimental (obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos), razão pela qual voto no sentido de que sejam REJEITADOS os embargos de declaração. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 111DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000246/2007-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.284
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por maioria de votos em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça (relator) e João Carlos Cassuli Junior.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator designado e Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira e Nayra Bastos Manatta. O Presidente substituto da Turma assina o acórdão face à impossibilidade, por motivos de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
RELATÓRIO
Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 744/771 vol. V) contra o Acórdão DRJ/JFA nº 09-30.427 de 09/07/2010 constante de fls. 736/738 (vol. V) exarado pela 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora - MG que, por unanimidade de votos, houve por bem indeferir a Manifestação de Inconformidade de fls. 249/274 (vol. II), mantendo o Despacho Decisório de fls. 235/245 de 05/04/10 da DRF de Brasília - DF, que indeferiu o Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI relativo ao 1º trimestre de 2005, bem como os respectivos Pedidos de Compensação.
O r. Despacho Decisório de fls. 235/245 da DRF de Brasília - DF, o Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI relativo ao 1º trimestre de 2005, bem como os respectivos Pedidos de Compensação, aos fundamentos expostos nos seguintes termos:
12. 0 pedido de ressarcimento do IPI é tempestivo posto que o suposto crédito foi apurado no 1° trimestre de 2005 e o PER/DCOMP transmitido em 27/04/2005 (fl.02).
13. Conforme exposto nos parágrafos 2, 3, 4, 5 e 6 acima, devido ao expressivo valor dos créditos de IPI, a DIVISÃO DE FISCALIZAÇÃO da DRF/DF realizou o exame da escrituração fiscal no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2006, no estabelecimento da própria Contribuinte.
14. Desse procedimento, instaurado para apurar a veracidade dos créditos de IPI identificados nas notas fiscais de aquisição de matérias-primas escrituradas nos livros fiscais - Livro de Entradas, de Saídas e de Apuração de IPI e utilizados no PERIDCOMP de que trata o processo, resultou a constatação de que as matérias-primas adquiridas pela requerente tiveram origem na Zona Franca de Manaus, com classificação fiscal na TIPI - 2106.90.10, cuja alíquota é "0" (fl.230).
15. Se a alíquota do produto é "0", na TIPI, não há que se falar de crédito a ser escriturado visto que 0% (zero por cento) de alguma coisa semi sempre zero, não passando de mera presunção imaginar a possibilidade de que à Contribuinte fosse defeso ou facultado adotar a alíquota do IPI do produto de saída (26%), para calcular crédito do imposto sobre o valor do insumo (tributado à alíquota "0"), sendo, portanto tais créditos, indevidos, inexistentes.
16. Por serem indevidos, os créditos foram glosados e estornados do livro de apuração do IPI pela equipe fiscal, que procedeu, inclusive, à reconstituição do mencionado livro (fls.188199 e 202/227 VII), de cujo procedimento resultou imposto a pagar que foi objeto de exigência em processo próprio.
(...)
18. Conforme fartamente demonstrado a Contribuinte não dispunha do crédito utilizado para a compensação. Ao contrário, após a auditoria fiscal a que foi submetida sua escrituração restou comprovado que ao invés de crédito de IPI a ser ressarcido, a Contribuinte tinha débito do imposto a pagar.
19. Assim, lembrando que a Declaração de Compensação transmitida e admitida em 27/04/2005 (fls.02/185) constitui confissão de divida, os débitos indevidamente compensados de IRPJ Demais PJ obrigadas ao lucro real/Estimativa mensal 2362-01 e de CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ em base em estimativa mensal 2484-01 foram cadastrados no sistema PROFISC segundo os valores confessados (fl.236).
(...)
20. Isto posto, e
CONSIDERANDO as disposições do artigo 170 do CTN, do artigo 74 da Lei no 9.430, de 1996, e dos incisos X e XI do § 30 do artigo 26 da IN - SRF n° 460, de 2004;
CONSIDERANDO que o alegado crédito foi declarado inexistente no relatório de fiscalização de fls. 228/233 e 234/235;
CONSIDERANDO a inexistência do crédito utilizado na compensação;
CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta,
INDEFIRO o pedido de ressarcimento do crédito de IPI, e
NÃO HOMOLOGO a compensação objeto deste processo administrativo, tendo em vista a inexistência do crédito pleiteado pela Contribuinte e autorizo a cobrança do débito indevidamente compensado.
Por seu turno, a r. decisão de fls. 736/738 (vol. V) da 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora - MG houve por bem indeferir a Manifestação de Inconformidade de fls. 249/274 (vol. II), mantendo o Despacho Decisório de fls. 235/245 da DRF de Brasília - DF, aos fundamentos sintetizados na seguinte ementa:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
RESSARCIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO VINCULADO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva possa alterar o valor a ser ressarcido.
Manifestação de Inconformidade Improcedente
Direito Creditório Não Reconhecido
Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 744/771 vol. V) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida tendo em vista que: a) o art. 19 da INSRFB nº 210/02 seria inaplicável visto que não se trataria de mero ressarcimento, mas de compensação regida pelo art. 74 da Lei nº 9430/96, intentada anteriormente à lavratura do Auto de Infração que originou o Processo Administrativo nº 10166.720116/2008-95 relativo à suposta exigência do IPI, que foi julgado improcedente por decisão de 1ª instância (Acórdão nº 09-24537 da 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora cópia as fls. 785/793); b) como resulta da aludida decisão o insumo que gerou o crédito de IPI em questão para a Recorrente não se sujeitava a alíquota zero, mas sim a alíquota de 27% e é isento do IPI e portanto não poderia ter sido proferida decisão deixando de homologar as compensações realizadas, porque já havia sido proferida decisão favorável no AI MPF n° 0110100/00013/2007; c) a Recorrente tem direito aos créditos de IPI objeto do pedido de ressarcimento em questão, porque também há coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança Coletivo (MSC) n° 91.0047783-4 assegurando o direito aos créditos relativos da aquisição de insumos isentos (por norma de isenção subjetiva regional), oriundos da Zona Franca de Manaus,.por força do principio da não-cumulatividade e por força expressa da disposição do art. 6° do Decreto-Lei (DL) n° 1.435, de 16.12.1975; d) e portanto nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96, a REQUERENTE tem direito de utilizar créditos de IPI para quitar, por compensação, quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRFB.
É o relatório.
Voto
Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça
Submetido o processo a julgamento, na qualidade de relator original do presente processo, por me considerar devidamente esclarecido dos fatos, ousei divergir da d. Maioria vez que meu voto adentrava ao exame de mérito da questão, razão pela qual restei vencido na diligência proposta pelo relator ora designado e acolhida pela C. Turma.
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Voto Vencedor
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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decisao_txt : RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por maioria de votos em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça (relator) e João Carlos Cassuli Junior. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator designado e Presidente Substituto. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira e Nayra Bastos Manatta. O Presidente substituto da Turma assina o acórdão face à impossibilidade, por motivos de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 744/771 vol. V) contra o Acórdão DRJ/JFA nº 09-30.427 de 09/07/2010 constante de fls. 736/738 (vol. V) exarado pela 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora - MG que, por unanimidade de votos, houve por bem indeferir a Manifestação de Inconformidade de fls. 249/274 (vol. II), mantendo o Despacho Decisório de fls. 235/245 de 05/04/10 da DRF de Brasília - DF, que indeferiu o Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI relativo ao 1º trimestre de 2005, bem como os respectivos Pedidos de Compensação. O r. Despacho Decisório de fls. 235/245 da DRF de Brasília - DF, o Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI relativo ao 1º trimestre de 2005, bem como os respectivos Pedidos de Compensação, aos fundamentos expostos nos seguintes termos: 12. 0 pedido de ressarcimento do IPI é tempestivo posto que o suposto crédito foi apurado no 1° trimestre de 2005 e o PER/DCOMP transmitido em 27/04/2005 (fl.02). 13. Conforme exposto nos parágrafos 2, 3, 4, 5 e 6 acima, devido ao expressivo valor dos créditos de IPI, a DIVISÃO DE FISCALIZAÇÃO da DRF/DF realizou o exame da escrituração fiscal no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2006, no estabelecimento da própria Contribuinte. 14. Desse procedimento, instaurado para apurar a veracidade dos créditos de IPI identificados nas notas fiscais de aquisição de matérias-primas escrituradas nos livros fiscais - Livro de Entradas, de Saídas e de Apuração de IPI e utilizados no PERIDCOMP de que trata o processo, resultou a constatação de que as matérias-primas adquiridas pela requerente tiveram origem na Zona Franca de Manaus, com classificação fiscal na TIPI - 2106.90.10, cuja alíquota é "0" (fl.230). 15. Se a alíquota do produto é "0", na TIPI, não há que se falar de crédito a ser escriturado visto que 0% (zero por cento) de alguma coisa semi sempre zero, não passando de mera presunção imaginar a possibilidade de que à Contribuinte fosse defeso ou facultado adotar a alíquota do IPI do produto de saída (26%), para calcular crédito do imposto sobre o valor do insumo (tributado à alíquota "0"), sendo, portanto tais créditos, indevidos, inexistentes. 16. Por serem indevidos, os créditos foram glosados e estornados do livro de apuração do IPI pela equipe fiscal, que procedeu, inclusive, à reconstituição do mencionado livro (fls.188199 e 202/227 VII), de cujo procedimento resultou imposto a pagar que foi objeto de exigência em processo próprio. (...) 18. Conforme fartamente demonstrado a Contribuinte não dispunha do crédito utilizado para a compensação. Ao contrário, após a auditoria fiscal a que foi submetida sua escrituração restou comprovado que ao invés de crédito de IPI a ser ressarcido, a Contribuinte tinha débito do imposto a pagar. 19. Assim, lembrando que a Declaração de Compensação transmitida e admitida em 27/04/2005 (fls.02/185) constitui confissão de divida, os débitos indevidamente compensados de IRPJ Demais PJ obrigadas ao lucro real/Estimativa mensal 2362-01 e de CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ em base em estimativa mensal 2484-01 foram cadastrados no sistema PROFISC segundo os valores confessados (fl.236). (...) 20. Isto posto, e CONSIDERANDO as disposições do artigo 170 do CTN, do artigo 74 da Lei no 9.430, de 1996, e dos incisos X e XI do § 30 do artigo 26 da IN - SRF n° 460, de 2004; CONSIDERANDO que o alegado crédito foi declarado inexistente no relatório de fiscalização de fls. 228/233 e 234/235; CONSIDERANDO a inexistência do crédito utilizado na compensação; CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta, INDEFIRO o pedido de ressarcimento do crédito de IPI, e NÃO HOMOLOGO a compensação objeto deste processo administrativo, tendo em vista a inexistência do crédito pleiteado pela Contribuinte e autorizo a cobrança do débito indevidamente compensado. Por seu turno, a r. decisão de fls. 736/738 (vol. V) da 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora - MG houve por bem indeferir a Manifestação de Inconformidade de fls. 249/274 (vol. II), mantendo o Despacho Decisório de fls. 235/245 da DRF de Brasília - DF, aos fundamentos sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO VINCULADO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva possa alterar o valor a ser ressarcido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 744/771 vol. V) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida tendo em vista que: a) o art. 19 da INSRFB nº 210/02 seria inaplicável visto que não se trataria de mero ressarcimento, mas de compensação regida pelo art. 74 da Lei nº 9430/96, intentada anteriormente à lavratura do Auto de Infração que originou o Processo Administrativo nº 10166.720116/2008-95 relativo à suposta exigência do IPI, que foi julgado improcedente por decisão de 1ª instância (Acórdão nº 09-24537 da 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora cópia as fls. 785/793); b) como resulta da aludida decisão o insumo que gerou o crédito de IPI em questão para a Recorrente não se sujeitava a alíquota zero, mas sim a alíquota de 27% e é isento do IPI e portanto não poderia ter sido proferida decisão deixando de homologar as compensações realizadas, porque já havia sido proferida decisão favorável no AI MPF n° 0110100/00013/2007; c) a Recorrente tem direito aos créditos de IPI objeto do pedido de ressarcimento em questão, porque também há coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança Coletivo (MSC) n° 91.0047783-4 assegurando o direito aos créditos relativos da aquisição de insumos isentos (por norma de isenção subjetiva regional), oriundos da Zona Franca de Manaus,.por força do principio da não-cumulatividade e por força expressa da disposição do art. 6° do Decreto-Lei (DL) n° 1.435, de 16.12.1975; d) e portanto nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96, a REQUERENTE tem direito de utilizar créditos de IPI para quitar, por compensação, quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRFB. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça Submetido o processo a julgamento, na qualidade de relator original do presente processo, por me considerar devidamente esclarecido dos fatos, ousei divergir da d. Maioria vez que meu voto adentrava ao exame de mérito da questão, razão pela qual restei vencido na diligência proposta pelo relator ora designado e acolhida pela C. Turma. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Voto Vencedor
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Vencidos conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça (relator) e João Carlos Cassuli Junior. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator designado e Presidente Substituto. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira e Nayra Bastos Manatta. O Presidente substituto da Turma assina o acórdão face à impossibilidade, por motivos de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 00 24 6/ 20 07 -9 3 Fl. 821DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 14033.000246/200793 Resolução nº 3402000.284 S3C4T2 Fl. 101 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário (fls. 744/771 – vol. V) contra o Acórdão DRJ/JFA nº 0930.427 de 09/07/2010 constante de fls. 736/738 (vol. V) exarado pela 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora MG que, por unanimidade de votos, houve por bem “indeferir” a Manifestação de Inconformidade de fls. 249/274 (vol. II), mantendo o Despacho Decisório de fls. 235/245 de 05/04/10 da DRF de Brasília DF, que indeferiu o Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI relativo ao 1º trimestre de 2005, bem como os respectivos Pedidos de Compensação. O r. Despacho Decisório de fls. 235/245 da DRF de Brasília DF, o Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI relativo ao 1º trimestre de 2005, bem como os respectivos Pedidos de Compensação, aos fundamentos expostos nos seguintes termos: “12. 0 pedido de ressarcimento do IPI é tempestivo posto que o suposto crédito foi apurado no 1° trimestre de 2005 e o PER/DCOMP transmitido em 27/04/2005 (fl.02). 13. Conforme exposto nos parágrafos 2, 3, 4, 5 e 6 acima, devido ao expressivo valor dos créditos de IPI, a DIVISÃO DE FISCALIZAÇÃO da DRF/DF realizou o exame da escrituração fiscal no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2006, no estabelecimento da própria Contribuinte. 14. Desse procedimento, instaurado para apurar a veracidade dos créditos de IPI identificados nas notas fiscais de aquisição de matérias primas escrituradas nos livros fiscais Livro de Entradas, de Saídas e de Apuração de IPI e utilizados no PERIDCOMP de que trata o processo, resultou a constatação de que as matériasprimas adquiridas pela requerente tiveram origem na Zona Franca de Manaus, com classificação fiscal na TIPI 2106.90.10, cuja alíquota é "0" (fl.230). 15. Se a alíquota do produto é "0", na TIPI, não há que se falar de crédito a ser escriturado visto que 0% (zero por cento) de alguma coisa semi sempre zero, não passando de mera presunção imaginar a possibilidade de que à Contribuinte fosse defeso ou facultado adotar a alíquota do IPI do produto de saída (26%), para calcular crédito do imposto sobre o valor do insumo (tributado à alíquota "0"), sendo, portanto tais créditos, indevidos, inexistentes. 16. Por serem indevidos, os créditos foram glosados e estornados do livro de apuração do IPI pela equipe fiscal, que procedeu, inclusive, à reconstituição do mencionado livro (fls.188199 e 202/227 VII), de cujo procedimento resultou imposto a pagar que foi objeto de exigência em processo próprio. (...) 18. Conforme fartamente demonstrado a Contribuinte não dispunha do crédito utilizado para a compensação. Ao contrário, após a auditoria fiscal a que foi submetida sua escrituração restou comprovado que ao invés de crédito de IPI a ser ressarcido, a Contribuinte tinha débito do imposto a pagar. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 14033.000246/200793 Resolução nº 3402000.284 S3C4T2 Fl. 102 3 19. Assim, lembrando que a Declaração de Compensação transmitida e admitida em 27/04/2005 (fls.02/185) constitui confissão de divida, os débitos indevidamente compensados de IRPJ — Demais PJ obrigadas ao lucro real/Estimativa mensal — 236201 e de CSLL — Demais PJ que apuram o IRPJ em base em estimativa mensal — 248401 foram cadastrados no sistema PROFISC segundo os valores confessados (fl.236). (...) 20. Isto posto, e CONSIDERANDO as disposições do artigo 170 do CTN, do artigo 74 da Lei no 9.430, de 1996, e dos incisos X e XI do § 30 do artigo 26 da IN SRF n° 460, de 2004; CONSIDERANDO que o alegado crédito foi declarado inexistente no relatório de fiscalização de fls. 228/233 e 234/235; CONSIDERANDO a inexistência do crédito utilizado na compensação; CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta, INDEFIRO o pedido de ressarcimento do crédito de IPI, e NÃO HOMOLOGO a compensação objeto deste processo administrativo, tendo em vista a inexistência do crédito pleiteado pela Contribuinte e autorizo a cobrança do débito indevidamente compensado.” Por seu turno, a r. decisão de fls. 736/738 (vol. V) da 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora MG houve por bem “indeferir” a Manifestação de Inconformidade de fls. 249/274 (vol. II), mantendo o Despacho Decisório de fls. 235/245 da DRF de Brasília DF, aos fundamentos sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO VINCULADO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva possa alterar o valor a ser ressarcido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 744/771 – vol. V) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida tendo em vista que: a) o art. 19 da INSRFB nº 210/02 seria inaplicável visto que não se trataria de mero ressarcimento, mas de compensação regida pelo art. 74 da Lei nº 9430/96, intentada anteriormente à lavratura do Auto de Infração que originou o Processo Administrativo nº 10166.720116/200895 relativo à suposta exigência do IPI, que foi julgado improcedente por decisão de 1ª instância (Acórdão nº 0924537 da 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora cópia as fls. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 14033.000246/200793 Resolução nº 3402000.284 S3C4T2 Fl. 103 4 785/793); b) como resulta da aludida decisão o insumo que gerou o crédito de IPI em questão para a Recorrente não se sujeitava a alíquota zero, mas sim a alíquota de 27% e é isento do IPI e portanto não poderia ter sido proferida decisão deixando de homologar as compensações realizadas, porque já havia sido proferida decisão favorável no AI MPF n° 0110100/00013/2007; c) a Recorrente tem direito aos créditos de IPI objeto do pedido de ressarcimento em questão, porque também há coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança Coletivo (MSC) n° 91.00477834 assegurando o direito aos créditos relativos da aquisição de insumos isentos (por norma de isenção subjetiva regional), oriundos da Zona Franca de Manaus,.por força do principio da nãocumulatividade e por força expressa da disposição do art. 6° do DecretoLei (DL) n° 1.435, de 16.12.1975; d) e portanto nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96, a REQUERENTE tem direito de utilizar créditos de IPI para quitar, por compensação, quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRFB. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça Submetido o processo a julgamento, na qualidade de relator original do presente processo, por me considerar devidamente esclarecido dos fatos, ousei divergir da d. Maioria vez que meu voto adentrava ao exame de mérito da questão, razão pela qual restei vencido na diligência proposta pelo relator ora designado e acolhida pela C. Turma. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Voto Vencedor Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho – Relator Designado Já me posicionei em outras ocasiões no sentido de que processo que trate de compensação, cujo crédito a ser utilizado esteja sendo discutido em outro processo administrativo, deve esperar a decisão do processo conhecido como “mãe”, aquele que contém o crédito pleiteado, para então poder ter seu desfecho final. Conforme despacho exarado pela Divisão de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília, foi reconstituída a escrita fiscal do recorrente do período compreendido entre 01/2002 a 12/2006. Foram constatados saldos devedores que deram ensejo a feitura do auto de infração para constituição dos respectivos créditos tributários. Esse auto de infração está em discussão administrativa no processo nº 10166.720116/200895. Entendo haver uma ligação intima entre o processo de ressarcimento e o processo do auto de infração, uma vez que os dois discutem a mesma questão e referemse aos mesmos períodos de apuração. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 14033.000246/200793 Resolução nº 3402000.284 S3C4T2 Fl. 104 5 Em face dessa dependência, voto por converter o julgamento em diligência, determinando que acoste cópia da decisão definitiva proferida no processo nº 10166.720116/200895 e que seja elaborada planilha demonstrativa do valor do crédito a ser restituído de acordo com a decisão definitiva do processo acima citado. Depois de tomadas as providências requeridas, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Sala das Sessões, 31/08/2011 Fl. 825DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA
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Numero do processo: 10611.720601/2011-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 20/02/2009 a 22/10/2010
NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICA REITERADA DA ADMINISTRAÇÃO. MULTAS APLICADAS. JUROS DE MORA. EXCLUSÃO.
Comprovado que a conduta do contribuinte decorre da adoção de prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa, aplica-se a regra prevista no parágrafo único do art. 100 do CTN, excluindo-se as penalidades e os juros de mora exigidos.
Numero da decisão: 3201-001.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Adriene Maria de Miranda Veras, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Adriene Maria de Miranda Veras, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 20/02/2009 a 22/10/2010 NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICA REITERADA DA ADMINISTRAÇÃO. MULTAS APLICADAS. JUROS DE MORA. EXCLUSÃO. Comprovado que a conduta do contribuinte decorre da adoção de prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa, aplicase a regra prevista no parágrafo único do art. 100 do CTN, excluindose as penalidades e os juros de mora exigidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Adriene Maria de Miranda Veras, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 72 06 01 /2 01 1- 69 Fl. 2424DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 3201001.615 S3C2T1 Fl. 2.425 2 Trata o presente processo de exigência de créditos tributários, que na data da atuação perfizeram o valor total de R$ 398.590,10, formalizado em três autos de infração, conforme discriminado a seguir: a) Auto de Infração de fls. 03127, por meio do qual foi constituído o crédito tributário relativo: a.1) ao Imposto de Importação, no valor de R$ 163.933,81, acrescido de multa, no percentual de 75%, e juros de mora, na forma da legislação de regência; a.2) à multa por classificação incorreta de mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158/2001 35, no percentual de 1% sobre o valor aduaneiro, correspondente à quantia de R$ 84.018,05; b) Auto de Infração de fls. 128195, através do qual foi constituído o crédito tributário relativo à Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social incidente na Importação (COFINSImportação), no valor de R$ 3.606,53, acrescida de multa, no percentual de 75%, e juros de mora, na forma da legislação de regência; c) Auto de Infração de fls. 196263, por meio do qual foi constituído o crédito tributário relativo à Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação (PIS/PASEP Importação), no valor de R$ 783,48, acrescida de multa, no percentual de 75%, e juros de mora, na forma da legislação de regência. De acordo com a descrição dos fatos, contida no Relatório de Ação Fiscal, integrante dos autos de infração, o procedimento de fiscalização restringiuse ao período de janeiro de 2009 a dezembro de 2010 e teve por objetivo a análise da classificação fiscal das mercadorias importadas, na Nomenclatura Comum do Mercosul. Conforme relata a autoridade fiscal, o contribuinte indicou incorretamente o código 8506.80.90 da NCM na DI nº 09/02279828, e o código 8506.50.10 nas DIs relacionadas na fl. 266, para baterias (acumuladores) recarregáveis. A autuação baseiase nos argumentos abaixo sintetizados: 1) de acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, a posição 8506 da NCM, “não compreende as pilhas elétricas recarregáveis, as quais se classificam, como acumuladores elétricos, na posição 85.07.”; 2) os produtos importados, sob os códigos 8506.80.90 e 8506.50.10, pela sua natureza, composição química e finalidade, são baterias (acumuladores) recarregáveis de composição LI ION (íons de lítio), informação corroborada pela descrição das mercadorias feita pelos próprios fornecedores, conforme Fl. 2425DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 3201001.615 S3C2T1 Fl. 2.426 3 documentação acostada, e ainda de acordo com o constatado em sítios da internet; 3) com base na relação das mercadorias importadas, apresentada pelo contribuinte, foram identificadas as descrições dos produtos informadas pelos fornecedores internacionais ou constantes da invoice (fls. 320319 e 320346); 4) As mercadorias classificadas pelo contribuinte nos códigos 8506.80.90 e 8506.50.10, devem ser classificadas no código 8507.80.00 da NCM; 5) foram disponibilizados pelo contribuinte, bem como pesquisados na rede mundial de computadores, os “folders” descritivos das mercadorias, de acordo com os fornecedores internacionais da empresa fiscalizada; 6) em todos os documentos pesquisados verificase que as baterias importadas são recarregáveis (acumuladores reutilizáveis), destacandose a natureza perene dos equipamentos, não sendo, portanto, meras pilhas passíveis de uma única utilização; 7) de acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), a mercadoria se classifica na posição 8507: “Os acumuladores elétricos ou ‘pilhas (ou baterias) secundárias’ caracterizamse pelo fato de que a ação eletrolítica é reversível de modo que o acumulador pode ser recarregado.”; 8) na data do fato gerador, as alíquotas do Imposto de Importação previstas para os códigos 8506.50.10 e 8506.80.90 correspondiam a 0% (zero por cento) e 15%, respectivamente; 9) a classificação no código 8507.80.00 implica o pagamento do Imposto de Importação mediante a aplicação da alíquota de 18%, não havendo divergência no que diz respeito às alíquotas dos demais tributos incidentes na importação; 10) em conformidade com o art. 7º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, e Instrução Normativa SRF nº 572, de 22 de novembro de 2005, a alíquota do Imposto de Importação integra a fórmula de cálculo do PIS/PasepImportação e da Cofins Importação; 11) como o importador utilizou a alíquota do Imposto de Importação nos percentuais de 0% ou 15%, ao invés de 18%, foram também apuradas diferenças não recolhidas das citadas contribuições sociais incidentes sobre a importação dos bens; 12) sobre os tributos apurados, foi aplicada a multa de 75% prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1966 e calculados os juros de mora, na forma da legislação de regência; 13) foi aplicada ainda a multa de 1% sobre os valores aduaneiros das mercadorias importadas, prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835/2001 c/c/ o art. 69, caput, da Lei nº 10.833/2003. Fl. 2426DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 3201001.615 S3C2T1 Fl. 2.427 4 Cientificada do lançamento em 23/05/2011, conforme fls. 1.824 1.825, a empresa insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 1.8301.842, em 21/06/2011, instruída com os documentos de fls. 1.8441.885, na qual expõe as seguintes razoes de defesa: 1) o importador havia solicitado orientação à fiscalização para classificação das mercadorias, tendo sido indicada a posição 8506; 2) durante o despacho aduaneiro relativo à DI nº 09/02279828 (adição 2), registrada em 20/02/2002, a fiscalização exigiu, por meio do Siscomex, que as baterias do tipo LiIon, compostas de íon de lítio, tivessem sua classificação modificada de 8506.8090 (outras pilhas e baterias de pilhas) para o código 8506.50.10 (de lítio) (fls. 1.8441.875); 3) a importadora reclassificou a mercadoria e, desde então, a fiscalização tem desembaraçado o mesmo tipo de produto sob a classificação por ela mesma indicada, sem nenhuma exigência, o que levou a impugnante a acreditar que essa classificação estaria correta; 4) de acordo com o auto de infração, houve revisão da classificação fiscal em 115 DIs, dentre as quais 28 foram selecionadas para o canal vermelho, em que as mercadorias passaram por verificação física e exame da classificação fiscal durante o período de dois anos, sem qualquer objeção, sendo confirmado o código da NCM adotado, por indicação da própria fiscalização aduaneira; 5) houve prática reiterada da fiscalização, que induziu o importador a utilizar o código 8506.5010; 6) além da multa de 1%, por erro de classificação, a fiscalização, apesar de reconhecer que a descrição das mercadorias está correta na DI, aplicou ainda a multa de 75% sobre os tributos, o que, no tocante ao Imposto de Importação, relacionase à declaração inexata da mercadoria, porém, segundo a autoridade fiscal a penalidade estaria sendo aplicada apenas em razão do recolhimento a menor; 7) apesar da boa fé do importador, que descreveu corretamente a mercadoria e adotou a classificação por exigência da própria fiscalização aduaneira, foi formalizada representação fiscal para fins penais, como se o representante legal da empresa tivesse cometido algum ilícito penal; 8) evidenciando uma interpretação equivocada da lei penal, que exige dolo na conduta, para tipificação de crime contra a ordem tributária, a autoridade autuante entendeu que houve omissão de informação ou prestação de informação falsa na DI, com dolo, o que não corresponde à realidade nem está demonstrado no auto de infração, onde não foi aplicada penalidade agravada; Fl. 2427DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 3201001.615 S3C2T1 Fl. 2.428 5 9) erro de classificação fiscal, com descrição correta da mercadoria, não configura omissão nem informação falsa; 10) citase o art. 100, inciso III e parágrafo único, do Código Tributário Nacional; o art. 101, inciso III, do Decretolei nº 37/1966, e o art. 680, inciso II, do Decreto nº 6.759/2009, dispositivos que se relacionam com o princípio da confiança nos atos da administração pública e no princípio da segurança das relações jurídicas; 11) se o importador, no curso do despacho, é instado a adotar determinada classificação pela fiscalização, não pode depois, a mesma fiscalização, entendendo que o comando anterior estava equivocado, impor penalidades ao contribuinte que agiu em obediência à determinação fiscal, que se constitui em ato interpretativo da autoridade aduaneira sobre classificação fiscal, no caso concreto; 12) as práticas reiteradas das autoridades administrativas estão mais do que comprovadas, não apenas porque a classificação na posição 8506 foi aceita em todos os despachos, como foi exigida formalmente pela fiscalização, durante despacho em 2009; 13) mais do que práticas reiteradas, no caso dos autos, existe exigência formal da fiscalização, interpretando a legislação e exigindo do contribuinte que adotasse determinada classificação, configurando ato interpretativo da autoridade fiscal; 14) “se, em face de certa norma, e a vista de determinada situação de fato, a autoridade age reiteradamente de certa maneira (por exemplo, aceitando, ainda que tacitamente uma conduta do contribuinte), esse comportamento da autoridade implica a criação de uma norma que endossa a conduta do contribuinte, e cuja revogação submetese aos efeitos do parágrafo único do artigo 100 do Código”; 15) a jurisprudência administrativa reconhece que não cabe penalidade nem juros de mora quando o contribuinte age de acordo com práticas reiteradas das autoridades administrativas; 16) a impugnante, que apenas seguia orientação escrita do Fisco, ao se deparar com o auto de infração e textos da NESH, que desconhecia, modificou a classificação fiscal, a partir de então, e tomou a iniciativa de recolher as diferenças de tributos exigidas, contestando apenas as penalidades e juros de mora; 17) além de ser incabível penalidade em razão do disposto no art. 100 do CTN, a multa de 75% sobre a diferença do Imposto de Importação também é inaplicável em virtude da correta descrição das mercadorias nas DIs, uma vez que a citada multa tem como pressuposto a declaração inexata da mercadoria (descrição que não corresponde ao bem importado); 18) no caso do Imposto de Importação, o lançamento é por declaração e a DI preenchida pelo importador antecede o Fl. 2428DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 3201001.615 S3C2T1 Fl. 2.429 6 pagamento do tributo, sendo o documento base do despacho, por isso mesmo, a multa por declaração inexata se relaciona com a descrição da mercadoria (e não sua classificação fiscal), motivo pelo qual o ADN 10/1997 (já revogado) e o ADI 13/2002 tratam de declaração inexata; 19) o art. 84, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835/2001 dispõe que a aplicação de multa de 1% sobre o valor aduaneiro por erro de classificação não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis; 20) quando há despacho com base em DI não se fala da hipótese de falta de recolhimento, mas na de declaração inexata, sendo que se houver erro de classificação fiscal, para se configurar a hipótese de aplicação da multa de 75%, será necessário que a mercadoria tenha sido descrita incorretamente; 21) o ADN 13/2002 referese a pedidos de redução e isenção de tributo, “mas o raciocínio nele incluído vale também quando nenhuma redução ou isenção é pedida e a mercadoria está corretamente descrita, pois quem pode o mais pode o menos”; 22) é descabida a penalidade de 75% sobre a diferença de Imposto de Importação, por descrição inexata da mercadoria, bem como sobre as diferenças de PIS e Cofins, haja vista a declaração correta da mercadoria prestada na DI; 23) com o recolhimento do Imposto de Importação e das contribuições (PIS e Cofins), requer o cancelamento das penalidades aplicadas, bem como dos juros de mora, com base no art. 100 do CTN e, ainda, quanto à multa de 75%, em razão de não ter havido declaração inexata da mercadoria. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontram se consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 20/02/2009 a 22/10/2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PIS/PASEPIMPORTAÇÃO.COFINSIMPORTAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, reputandose definitivo, na via administrativa, o correspondente crédito tributário exigido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 20/02/2009 a 22/10/2010 Fl. 2429DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 3201001.615 S3C2T1 Fl. 2.430 7 TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REVISÃO ADUANEIRA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VALIDADE. O desembaraço aduaneiro da mercadoria não configura homologação do pagamento efetuado pelo contribuinte. Inexistindo homologação de forma expressa, ela somente se configura com o decurso do prazo de cinco anos, contados do fato gerador. Antes de transcorrido o prazo quinquenal, constatada a insuficiência de recolhimento de tributos incidentes na importação, é cabível a revisão aduaneira e o consequente lançamento de ofício. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. INEXISTÊNCIA DE PRÁTICA ADMINISTRATIVA REITERADA. A prática administrativa reiterada, como norma complementar das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, somente se configura diante da inexistência de norma escrita sobre determinada matéria, motivando, assim, o surgimento dos usos e costumes administrativos, bem como quando tal prática estiver em consonância com a legislação que visa complementar e ainda se revelar o entendimento da Administração, de forma manifesta, inequívoca, conclusiva e oficial, acerca de determinado fato ou direito, excluindo se do âmbito desse instituto jurídico, por decorrência, os atos contrários à legislação, aqueles praticados a título precário e ainda os informais e perfunctórios. O desembaraço da mercadoria, sem que tenha sido detectada infração durante o despacho de importação, não configura prática administrativa reiterada, visto que, por expressa determinação legal, o despacho aduaneiro está sujeito à revisão no período qüinqüenal, e mormente quando o entendimento que prevaleceu para fins de tributação e controle aduaneiro da importação, em face das informações prestadas pelo contribuinte, contrariar a legislação de regência da matéria ou estiver em desacordo com os fatos apurados. CLASSIFICAÇÃO ERRÔNEA DE MERCADORIA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. MULTAS. A insuficiência de pagamento de tributos e contribuições incidentes na importação, em decorrência de classificação errônea de mercadoria, enseja o lançamento das diferenças que deixaram de ser recolhidas, acrescidas de juros de mora e multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, cumulada com a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria. Fl. 2430DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 3201001.615 S3C2T1 Fl. 2.431 8 Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A recorrente não se insurge quanto à reclassificação das mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul, bem como em relação à exigência dos tributos e contribuições dela decorrente (Imposto de Importação, PIS/PASEPimportação e Cofins Importação). Contesta, contudo, a aplicação das penalidades e os juros de mora, por entender aplicável a regra estabelecida pelo artigo 100, inciso III e parágrafo único do CTN. O citado dispositivo assim dispõe: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: [...] III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; [...] Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. O CTN, neste dispositivo, diferencia as fontes formais que integram a legislação tributária em dois grupos: as leis, os tratados ou convenções internacionais e os decretos, que podem ser denominados fontes formais primárias; e as normas complementares a estes atos, fontes formais secundárias, estabelecidas nos incisos deste artigo. As normas complementares correspondem a instrumentos legislativos hierarquicamente inferiores as fontes formais primárias, de menor porte, notadamente de cunho instrumental e operacional, com a função de explicitar de forma subsidiária o conteúdo de normas tributárias. Não possuem, contudo, o poder de inovar. As normas complementares integram a legislação tributária e, quando não ofendem reserva legal nem contrariam dispositivos legais, tem a mesma eficácia normativa que as normas superiores. Fl. 2431DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 3201001.615 S3C2T1 Fl. 2.432 9 Entre as normas complementares enquadramse as praticas reiteradas de autoridades administrativas, os usos e costumes adotados iterativamente pela Administração Fazendária, aos quais o CTN decidiu conceder efeitos normativos. Observase, entretanto, que por tratarse de matéria tributária, vinculada ao princípio da legalidade, não se enquadram neste artigo aquelas práticas que introduzem normas de conduta não previstas em lei, ou que deixam de aplicar determinado dispositivo legal. Assim, configuram normas complementares apenas aqueles usos e costumes notadamente interpretativos, que visam a explicitar o sentido de uma lei. Situações em que as autoridades fiscais, de forma reiterada, interpretam uma norma jurídica em determinado sentido. No tocante ao parágrafo único deste artigo, o mesmo determina que a observância das normas complementares, vigentes à época dos fatos geradores, apesar de não excluir a possível cobrança de valor principal de tributo ou contribuição, afasta a incidência de multas, juros e a atualização monetária da base de cálculo. Tal norma demonstra uma preocupação do legislador com prejuízos causados aos contribuintes decorrentes de possíveis modificações de entendimento por parte da administração em relação a normas tributárias. Visando a disciplinar os efeitos da interpretação da legislação tributária, foi definido que aqueles contribuintes que seguissem as orientações emanadas da própria administração tributária não seriam punidos nem estariam sujeitos a mora mesmo que o tributo se revelasse, a posteriori, devido. Luciano Amaro assim se manifesta sobre o tema: [...] Se em face de certa norma e à vista de determinada situação de fato, a autoridade age reiteradamente da mesma maneira (p. ex, aceitando, ainda que tacitamente, uma conduta do contribuinte), esse comportamento da autoridade implica a criação de uma ´norma´que endossa a conduta do contribuinte, e cuja revogação submetese aos efeitos do parágrafo único do art. 100 do Código. (Direito Tributário Brasileiro, 14. ed, p 192.) Assim sendo, quando a praxe administrativa faz o sujeito passivo acreditar que, seguindo aquele entendimento, está agindo corretamente, o mesmo não se sujeita à imposição de penalidades e à cobrança de juros de mora em casos de modificação na interpretação em relação a fontes formais primárias. Ingressandose no caso concreto, a recorrente afirma ter adotado entendimento decorrente de pratica reiterada pela administração, com estas ponderações: 2. A importadora, através de seu despachante aduaneiro, solicitara orientação à fiscalização para a classificação fiscal das mercadorias, tendo sido indicada a posição 8506. Inclusive, durante o despacho aduaneiro da DI 09/02279828, registrada em 20/02/2009, a fiscalização interrompeu o despacho para verificação física e documental, e exigiu que as baterias da Adição 2, do tipo LiIon, compostas de íon de lítio, tivessem a sua classificação modificada para a posição 85.06.50.10 (de Fl. 2432DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 3201001.615 S3C2T1 Fl. 2.433 10 lítio), ao contrário do que havia sido indicado originariamente na DI 85.06.80.90 (outras pilhas e baterias de pilhas).Vide no anexo à Impugnação e cópia juntada novamente neste Recurso, certidão da IRFBH atestando a exigência fiscal. 3. A Recorrente reclassificou a mercadoria, pagou a respectiva multa por erro de classificação fiscal e providenciou a devida retificação da DI, não havendo diferença de tributos a pagar( houve até diminuição). E desde então, a fiscalização tem desembaraçado tais baterias de pilhas, de LiIon na classificação por ela mesma indicada, sem qualquer nova exigência, o que levou a importadora a acreditar que a classificação estaria correta, visto que exigida pela própria fiscalização no SISCOMEX. Vide no anexo à Impugnação cópia da DI retificadora feita por exigência da fiscalização, também juntada novamente neste Recurso. 4. Em anexo à Impugnação está juntada a DI 09/02279828 onde se lê na adição 002, que foram importadas baterias de pilhas, composição química Liion (íon de lítio), 3,7V, 1800Mah, p/ coletor Symbol MC1000, fabricada por SYMBOL TECHNOLOGIES ASIA INC China.Também está juntada a exigência da fiscalização feita no SISCOMEX para a adição 002 da DI acima indicada, informando qual classificação era correta, e onde se lê: "Em ato de conferência aduaneira de mercadoria, nos termos do artigo 564 do Decreto 6.759/2009, verificamos que as mercadorias encontramse com classificação fiscal incorreta, conforme abaixo demonstrado: Adição 002 Bateria de Pilhas, composição química LiIon. 85.06.50.10 Deverá o importador: retificar a DI com a classificação correta das mercadorias recolher a multa capitulada no artigo 711, inciso I, do Decreto 6.759/09 Informar cálculo e enquadramento legal em informações complementares.” 5. No extrato de Solicitação de Retificação da DI 09/02279828, no campo que se refere à adição 002( folha 5) se observa que a importadora retificou, por exigência da fiscalização, a posição 85.06.80.90 (outras pilhas e baterias de pilhas) para 85.06.50.10 (de lítio). 6. Observase no Auto de Infração que houve revisão da classificação fiscal em 115 DIs, onde foi adotada a classificação fiscal 8506.50.10 para as baterias de Liion. E dessas 115 DIs, 28 foram selecionadas para o canal vermelho, onde as Fl. 2433DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 3201001.615 S3C2T1 Fl. 2.434 11 mercadorias haviam passado por verificação física e exame da classificação fiscal pela fiscalização aduaneira no período de dois anos, sem qualquer objeção, por parte de diferentes Auditores Fiscais. Houve então, 28 confirmações da classificação fiscal adotada, por indicação da própria fiscalização em fevereiro de 2009. Ou seja, houve práticas reiteradas da fiscalização aduaneira, que induziram o importador a utilizar a classificação fiscal 8506.5010 nas DIs. De fato, informação emitida pela DRF/Varginha (fls. 2037) confirma que a autoridade aduaneira, no decorrer do despacho aduaneiro da DI nº 09/02279828, registrada em 20/02/2009, exigiu da recorrente a adoção da classificação fiscal das mercadorias importadas no Código 85.06.50.10. Constatase ainda que as DI apresentadas pela recorrente entre 19/03/2009 e 25/11/2010, posteriores à exigência aduaneira, classificaram as mercadorias no Código 85.06.50.10. A recorrente comprova, ainda, que estas DI foram devidamente desembaraçadas, sendo que diversas destas declarações foram submetidas ao canal vermelho do Siscomex, sem nenhuma objeção por parte das autoridades fiscais. A fiscalização fazendária, em procedimento de revisão aduaneira, entendeu que as mercadorias importadas classificavamse no código 85.07.8000 da Tarifa Externa Comum (TEC), exigindo os tributos decorrentes desta reclassificação por meio de Auto de Infração lavrado em 16/05/2011. Não se constata nenhuma mácula ao procedimento de revisão aduaneira, que, verificando que a classificação adotada pela recorrente estava equivocada, procedeu com a exigência dos tributos não recolhidos. Observase, contudo, que a recorrente estava seguindo o entendimento exigido pela autoridade fiscal no despacho aduaneiro da DI nº 09/02279828, e que a classificação das mercadorias no Código 85.06.50.10 foi corroborada por diversos atos de verificação das DI posteriores. Desta forma, estes atos da administração tributária se caracterizam como normas complementares previstas no inciso III do artigo 100 do CTN, o que torna aplicável a previsão contida no parágrafo único deste artigo. Do exposto, concluise que as penalidades impostas devem ser excluídas. Neste mesmo sentido, decisão do TRF da 1ª Região, cuja ementa se transcreve abaixo: PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO AGRAVO REGIMENTAL IMPORTAÇÃO DO "DISPOSITIVO DE CRISTAL LÍQUIDO (LCD) IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO CLASSIFICAÇÃO FISCAL DECISÃO MANTIDA. 1. Segundo o art. 100, III, do CTN, as práticas reiteradas observadas pela autoridade administrativa configuram norma complementar. Fl. 2434DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10611.720601/201169 Acórdão n.º 3201001.615 S3C2T1 Fl. 2.435 12 2. In casu, a aceitação tácita do fisco das importações de "Dispositivo de Cristal Líquido" na posição de NCM 9013.80.10, em situações idênticas a da ora agravante, na própria Região Fiscal e em outras, caracteriza a "prática reiterada", o que justifica neste momento processual a prevalência da interpretação favorável na aplicação da referida posição tarifária à agravante, que se encontra na mesma situação de outros contribuintes. [...] (TRF1, 7ª T.,, AGA 005468285.2010.4.01.0000/AM, 26/06/2012, rel. DESEMBARGADOR FEDERAL REYNALDO FONSECA) Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, cancelando a exigência das multas aplicadas, bem como dos juros de mora incidentes até o momento da lavratura do Auto de Infração. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 2435DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 10580.000919/2008-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - REALIZAÇÃO DE PERÍCIA
Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova
Nos relatórios que compõem o processo é possível não apenas identificar mensalmente as bases apuradas nas GFIP, bem como todos os créditos considerados na apuração do crédito, sejam eles NFLD anteriores, LDC e GPS em nome do recorrente.
Recurso Voluntário Negado.
SUSPEIÇÃO DO AGENTE FISCAL - INDICAÇÃO DE INIMIZADE RESSENTIMENTO.
Não tendo o recorrente trazido aos autos qualquer fato concreto acerca da suposta inimizade ou ressentimento do agente fiscal, não há como declarar a suspeição do mesmo, nem tampouco determinar a nulidade da autuação.
INCONSTITUCIONALIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PARA SAT - INCRA - SEBRAE, SESC, SENAI -
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
DA APLICAÇÃO DE JUROS SELIC - PREVISÃO LEGAL.
Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Numero da decisão: 2401-003.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de suspeição da autoridade lançadora; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. A recorrente não trouxe qualquer argumento, nem mesmo questionou as bases lançadas, como valores informados em GFIP. DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES DESCRITOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE EM GFIP. Em se tratando de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito DAD, não há que se falar em falta de descrição de fatos geradores, muito menos cerceamento do direito de defesa SUSPEIÇÃO DO AGENTE FISCAL INDICAÇÃO DE INIMIZADE RESSENTIMENTO. Não tendo o recorrente trazido aos autos qualquer fato concreto acerca da suposta inimizade ou ressentimento do agente fiscal, não há como declarar a suspeição do mesmo, nem tampouco determinar a nulidade da autuação. INCONSTITUCIONALIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PARA SAT INCRA SEBRAE, SESC, SENAI A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. DA APLICAÇÃO DE JUROS SELIC PREVISÃO LEGAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 09 19 /2 00 8- 39 Fl. 521DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO REALIZAÇÃO DE PERÍCIA Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova Nos relatórios que compõem o processo é possível não apenas identificar mensalmente as bases apuradas nas GFIP, bem como todos os créditos considerados na apuração do crédito, sejam eles NFLD anteriores, LDC e GPS em nome do recorrente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de suspeição da autoridade lançadora; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.000919/200839 Acórdão n.º 2401003.447 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório A presente NFLD, lavrado sob o n. 37.053.8641 em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, bem como a destinada a terceiros, face diferenças de contribuições apuradas, no período de 01/2002 a 06/2007. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 102 a 110 e seguintes, constituem fatos geradores das contribuições lançadas: a remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, aos segurados empregados, definidos no art. 12, inciso 1, alínea "a", da Lei 8.212, de 1991, combinado com o disposto na alínea "a", do inciso I, do art. 9° do Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999, declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, conforme dispõe o art. 32, inciso IV da citada lei, cujos valores constam do Relatório de Lançamentos, parte integrante deste Relatório, que compõe o presente processo. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 14/12/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 26/12/2007. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 169 a 247, onde alega, de forma sintética a suspeição do agente fiscal, a inveracidade das constatações do agente fiscal, a inconstitucionalidade/ilegalidade das contribuições para SAT, INCRA, SEBRAE, SELIC. Foi colacionado aos autos as ações judiciais mencionadas na impugnação. Em 15 de setembro do ano de 2006, possuindo créditos perante o INSS; a requerente ingressou com uma Ação Cautelar de Caução, com pedido de liminar, com o fim de caucionar com o fim de caucionar todos os seus débitos previdenciarios com precatórios de propriedáde da empresa, suspendendo a exigi bilidade dos débitos e possibilitando o fornecimento de Certidão. Positiva com efeito de Negativa do INSS. O processo tem o n0 20.06.33.00.0080759, estando em trâmite na 4° Vara da Justiça Federá) ~ de Salvador, conforme docs. juntados (anexo II). Tivemos nosso pedido de liminar indeferido p ~Juncil z de Ia instãncia. Não satisfeitos, recorremos junto a Regional Federal competente. A MD Desa. Federal Maria do Carmo Cardoso, em decisão exarada em 15 de agosto de 2006, deferiu o pedido. de caução dos débitos _ previden cia rios, bem como fornecimento da certidão requerida. Acostase cópia da referida decisão (anexo III) Tendo em vista termos conseguido a liminar de cauçãc no processo acima relatado, ingressamos com ação ordináric anulatória , onde buscamos. o cancelamento de boa parte dos débitos previdenciários caucionados, processc 2006.33.00.0151298, conforme docs. anexos. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Foi exarado despacho da Chefe da Arrecadação da DRF/Salvador, informando, a ilegitimidade do responsável pela assinatura das impugnações, considerando os termos do contrato social, fls. 397. Requerendo ao final o saneamento do feito, sob pena de impossibilidade de apreciação da defesa. Foi apresentada nova manifestação já com a assinatura do representante legal, fls. 398 a 400. Desde tal época, em relação aos débitos previdenciários caucionados, a requerente encontrase sem nenhuma restrição a Certidão com efeito de negativa, vez que suspensos. Porém o relatório de pendências, que impediriam a certidão negativa a empresa, fornecida pelo INSS, constam estas dívidas caucionadas, com "FASE 000535 AJUIZAMENTO / DISTRIBUIÇÃO, 060302 AG. ANAL. P/ EXPED DESPACHO DECISORIO DE LDC, 090201 – AGUARDANDCO RECEBIMENTO PELA PROCURADORIA", fato inverídico, tendo em vista a decisão supracitada (anexo IV). Deve constar no relatório que tais débitos estão suspensos, conforme decisão judicial. 3 DA FISCALIZAÇÃO A requerente passou por fiscalização por agente fisco do INSS relativo ao período de abril de 2000 a junho de 2007 sendo que foram lavrados NFLD tombadas sob n° 37.053.864 1, 37.053.8684, 37.053.8692, . 37.053.8706, 37.053.8714 37.053.8722, 37.053.8730, 37.053.8749, 37.053.8757 37.142.0270 e 37.142.0288, contra a requerente. A suplicante apresentou, dentro do prazo, impugnação à referidas notificações, conforme processos anexos (V). Tais débitos encontramse no relatório de pendência com "FASE 010203 AGUARDANDO REGULARIZAÇÃO", fato não procedente tendo em vista as impugnações acostadas e já devidamente enviadas e recebidas bia AR pelo Egrégio Ministério da Fazenda DOS PARCELAMENTOS A requerente possui perante o INSS três parcelamentos tombados sob números 603806066, 603870031, 603954944. Os períodos concernentes a tais parcelamentos encontramse nos LCD Lançamento de Crédito Declarado, de n° 36012739 8, 360128777 e 360128787, incorrendo desta forma numa duplicidade no parcelamento de n° 603954944, em sua cobrança, sendo que tais LCD's encontramse caucionadas conforme visto acima. Os parcelamentos de n° 606806066 e 603870031 foram fiscalizados e gerados autos de infrações já citados e devidamente elaborada e enviada defesa respectiva e anexa. Observase, portanto mais uma ocorrência em duplicidades. Logo, vem através dó presente, após expor os motivos acima e os documentos acostados, requerer que o Ministério da Fazenda através do INSS Instituto Nacional de Seguridade Social, venha a retificar o seu relatório de pendências, constando as devidas suspensões dos débitos seja em detrimento de decisão judicial, Fl. 524DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.000919/200839 Acórdão n.º 2401003.447 S2C4T1 Fl. 4 5 seja em decorrência de impugnações, assim como retiradas as duplicidades apontadas, para com isso " a requerente possa ter a real posição dos seus débitos que inibem o fornecimento da certidão com efeito de negativa, . junto ao supracitado órgão, e efetuar as devidas quitações caso caiba. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 412 a 419. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2007 JUROS. É lícita a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DA FAZENDA CONSTITUIR 0 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SÚMULA VINCULANTE N° 8. Dispõe a Súmula Vinculante n° 8 do STF: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Com a existência de pagamentos antecipados, considerase homologado o pagamento e definitivamente extinto o crédito tributário com o transcurso de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado,—salvo se estivesse comprovada— ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2007 CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. As empresas urbanas e rurais estão sujeitas à incidência da contribuição social para o INCRA. SESC. SENAC. SEBRAE. São devidas as contribuições para o SESC, o SENAC e SEBRAE das empresas enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio. CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. A contribuição destinada ao SEBRAE é devida independentemente do porte da empresa. Lançamento Procedente em Parte Vistos, Fl. 525DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 443 a 508, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam: 1. Suspeição da Autoridade Lançadora por inimizade com um dos sócios da empresa; 2. Não tem como prevalecer o presente lançamento, vez que TUDO o que está sendo cobrado no presente lançamento está constituído pela confissão, garantido e com a exigibilidade suspensa pela Justiça, devendo ser cancelada a presente NFLD, sob pena de cobrança em duplicidade e desobediência de ordem judicial. 3. A recorrente ingressou com ação cautelar, com pedido de liminar, em desfavor do INSS, com o fim de caucionar toda a sua dívida previdenciária declarada e em aberto, estando entre eles os valores ora lançados, para que, desta forma, ficasse suspensa a exigibilidade dos créditos previdenciárias, possibilitandolhe a obtenção de Certidão Positiva, mas com Efeito de Negativa (cópia anexa). 4. O magistrado singular negou o pedido de liminar. Insatisfeita, a executada ingressou com o competente agravo de instrumento junto ao TRF da 1a região, tendo sido deferido seu pedido de efeito suspensivo, ficando determinado a suspensão da exigibilidade dos seus débitos previdenciários, entre eles os que são objeto da NFLD, assim como o • fornecimento de certidão positiva com efeito de negativa, conforme se verifica na cópia em anexo. O agravo de instrumento levou o n° 2006.01.00.027631 • 7/BA (cópia anexa). Tal ação está em trâmite na 4a Vara Federal desta Seção Judiciária, processo 2006.33.00.0080759. 5. Alega a inconstitucionalidade da contribuição para o SAT, A Lei 8.212/91, não delegou, e nem poderia mesmo delegar, competência ao Poder Executivo para definir características essenciais da hipótese de incidência e base de cálculo da norma que reintroduziu a contribuição ao SAT no ordenamento jurídico, após sua revogação pela Constituição Federal de 1988. 6. Ilegalidade e improcedência da contribuição ao INCRA. 7. Indevida a contribuição para o SESC, ao SENAI e ao SEBRAE;, uma vez que na condição de prestadora de serviços não se submetem a referido pagamento. 8. • Inaplicabilidade da taxa SELIC, face sua ilegalidade e inconstitucionalidade. 9. A recorrente requer a seja baixado o processo em diligência para comprovar as alegações de que o débito lançado é mesmo que se encontra garantido e suspenso por decisão judicial, conforme argumentado no item 3.1 E ao final, REQUER o provimento integral desta defesa, com base nas argumentações elencadas, cancelando o lançamento fiscal impugnado, por ser de JUSTIÇA. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.000919/200839 Acórdão n.º 2401003.447 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl 302. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DA PRELIMINAR AO MÉRITO A preliminar argüida pelo recorrente diz respeito a suspeição do agente fiscal responsável pela fiscalização face a inimizade que o mesmo demonstra, ressaltando, ainda um certo ressentimento. Quanto a esse ponto, não tenho como acatar a preliminar de suspeição argüida. Embora tenha o recorrente entendido que o fato do agente fiscal ter em tese feito várias acusações gratuitas a empresa e seus sócios, destacando, informações sobre as mesmas no relatório fiscal, entendo que esse fato por si só não gera a nulidade do procedimento. A pesquisa acerca das empresas contidas em páginas da internet é acessível a qualquer cidadão, sendo que as informações ali colacionados podem, muitas vezes, prestar de auxílio a entender a estrutura e prática de negócios de empresas e seus sócios no Brasil. Contudo, não restou demonstrada a efetiva inimizade, não fez o auditor ilações pessoaIs acerca do recorrente além das obtidas na internet, fazendo referência inclusive a ações do Ministério Púbico. Se as informações colacionados pelo auditor forem inverídicas, ou mesmo tenha o mesmo as inventado, nada impede que o recorrente o represente ao órgão competente, ou mesmo em processo próprio no âmbito civil, caso entenda que o mesmo extrapolou seus limites funcionais. Porém, observamos, que o lançamento não está consubstanciado em teses ou ilações, mas em documentos entregues pelo próprio recorrente, sejam as GFIP entregues, ou os documentos digitais, devidamente validados. Assim, embora tenha colacionado informações sobre a empresa, não ocorreu aferição indireta de bases sobre referidas informações. Aliás já havia o julgador de primeira instância se manifestado nesse sentido: “Inicialmente, cabe refutar a alegação de suspeição aventada pelo sujeito passivo em sua impugnação, haja vista não haver qualquer prova de inimizade entre a autoridade lançadora e qualquer dos sócios do sujeito passivo. Ademais, as referências feitas a um dos sócios e ao sujeito passivo no Relatório Fiscal que não guardam pertinência com o lançamento não acrescentam nem subtraem a substância deste, razão pela qual não se configura vicio de nulidade.” Cabe ressaltar que não trouxe o recorrente qualquer fato novo acerca da preliminar em questão, em especial, demonstrar a citada inimizade e ressentimento, razão pela qual rejeito a preliminar de suspeição. DO MÉRITO Fl. 527DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Quanto ao mérito observase que a não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente não constestou nenhum dos fatos geradores extraídos do seu próprio documento GFIP (ou seja, não questionou as bases de cálculo ali informadas), resumindose a alegar a inconstitucionalidade das diversas contribuições apuradas no presente lançamento, bem como indicando que os valores lançados encontrase com a exigibilidade suspensa, face medida cautelar, vez que foram lavradas NFLD e LDC anteriores e que busca judicialmente a compensação das mesmas com créditos precatórios que possui junto a instituições públicas. Por fim, aduz que estando suspensa a exigibilidade de seus débitos e tendo ingressado com ação anulatória sobre os mesmos não há impedimento para emissão de certidões. Observase, pelo relatório fiscal, que os valores ora lançados são fruto de diferenças de contribuições apuradas pelo auditor fiscal, considerando os valores informados em GFIP, os recolhimentos realizados pela empresa em GPS e as NFLD e LDC em nome da empresa para as mesmas competências ora lançadas. O primeiro passo, para que possamos determinar a procedência do lançamento frente aos argumentos colacionados, é identificar quais são as contribuições ora exigidas. Assim, com a leitura do relatório fiscal e de seus anexos, fica evidente que tratase de diferenças de contribuições declaradas em GFIP Frente, a identificação do fato gerador e da base de cálculo, frisese que o recorrente não impugnou os mesmos, devese verificar se as alegações ora trazidas são capazes de determinar a improcedência total o parcial do crédito. Como os valores foram apurados em documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso nos relatórios que compõem a NFLD, em especial no Discriminativo Analítico de Débito DAD e Relatório de Lançamentos – RL, não haveria dificuldade em que o mesmo procedesse a conferência dos valores caso existisse alguma dúvida sobre os valores constantes da NFLD. Contudo, observase que não foi esse o caminho traçado pelo recorrente. Em suas diversas manifestações, além das inconstitucionalidades (que apreciaremos a seguir), o mesmo discorre sobre a impossibilidade de exigência das contribuições lançadas em NFLD e LDC, face as medidas judiciais que visam a compensação do crédito. Ao lermos a NFLD fica claro o seu objeto, LANÇAMENTO DE DIFERENÇAS DECLARADAS EM GFIP, ou seja, considerando as bases sobre as quais o contribuinte entende serem devidas contribuições e mesmos descontadas todos os lançamentos e recolhimentos, ainda existem valores pendentes de recolhimento. Dessa forma, não há o que ser apreciado sobre as ações em curso em nome do recorrente, nem tampouco pouco sobre a suspensão das execuções e liberação de certidões, posto serem matérias estranhas ao presente auto. Por fim, ainda quanto as questões aduzidas, analisando as dificuldades do recorrente em demonstrar os argumentos correlacionados ao presente débito, valhome do seu pedido final, onde requer a perícia para apurar que os débitos ora lançados são os mesmos das NFLD e LDC. A recorrente requer a seja baixado o processo em diligência para comprovar as alegações de que o débito lançado é mesmo que se encontra garantido e suspenso por decisão judicial, conforme argumentado no item 3.1 E ao final, REQUER o provimento integral desta defesa, com base nas argumentações Fl. 528DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.000919/200839 Acórdão n.º 2401003.447 S2C4T1 Fl. 6 9 elencadas, cancelando o lançamento fiscal impugnado, por ser de JUSTIÇA. Contudo, também nesse ponto, entendo que razão não assiste ao recorrente, considerando que o auditor promoveu a compensação das contribuições devias mensalmente com os valores constantes dos sistemas previdenciários, como contribuição recolhida, parcela, ou já constituída por meio de NFLD anteriores. Para comprovar dito fato, inicialmente convém observar que no relatório DAD, fls. 04 consta por levantamento e por competência qual a base de cálculo o valor apurado de contribuição e a totalidade dos créditos considerados para confrontar juntamente a existência de diferenças a recolher, gerando, apenas quando o somatório de todos os créditos do recorrente forem insuficientes, diferenças a serem constituídas por meio do presente lançamento. Esse fato é observado para todo o período, sendo que em determinadas competências a diferença é pequena, porém em outras constatase valores expressivos ainda em aberto, tendo em vista os “créditos considerados” serem em volume bem inferior. Observase, que realmente em algumas competência, o valor é irrisório – “0,01”. Já no documento, RDA – Relatório de documentos apresentados, fls. 28 a 30 observamos, também por competência todas as LDC e NFLD apresentadas como crédito ao recorrente, permitindose identificar se os valores e o montante dos créditos encontrase adequado a realidade dos valores já consumados lavrados em nome do recorrente. Nesse mesmo relatório identificase todas as GPS constantes dos sistemas, fls. 32 a 37. Se ainda, tivesse o recorrente dúvidas acerca de qual das NFLD, LDC e GPS foram consideradas em relação a cada mês, essa dúvida resta espancada no relatório RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, onde mensalmente consta o montante da parte referente ao INSS e o total de terceiros, além do número da LDC e NFLD que gerou o crédito. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES E ILEGALIDADES No que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, quanto ao SAT, SEBRAE, SESC, SENAC, , INCRA, SELIC, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as exigências previstas na Lei n ° 8.212/1991, bem como no Decreto 3.048/99. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, à título de reforço, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o Fl. 529DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Contudo, observase que no lançamento em questão, a autoridade fiscal, cumpriu todos os dispositivos da legislação previdenciária que abarcam a matéria. Embora, não seja apreciada a suposta inconstitucionalidade das contribuições ora exigidas convém colacionar os dispositivos legais que fundamentaram o lançamento. QUANTO AO SAT Não procede o argumento do recorrente de que a cobrança da contribuição devida em relação ao RAT – Riscos Ambientais do Trabalho (antigo SAT) é ilegal/inconstitucional, pois o dispositivo legal não estabeleceu os conceitos de atividade preponderante; estando tais conceitos descritos em Decreto (que não possui atribuição para tanto). A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho RAT é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; Fl. 530DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.000919/200839 Acórdão n.º 2401003.447 S2C4T1 Fl. 7 11 c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de Fl. 531DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceu os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, devese afastar a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou os parâmetros, deixando para o regulamento (Decreto) apenas a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Reforçando tal entendimento já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa segue abaixo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.000919/200839 Acórdão n.º 2401003.447 S2C4T1 Fl. 8 13 II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante, bem como, a graduação dos riscos de acidente de trabalho, não precisariam estar definidos em lei. O Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Não se deve considerar que a cobrança do RAT (antigo SAT) ofenderia o princípio da isonomia, uma vez que o art. 22, § 3º da Lei n ° 8.212/1991 previa que, com base em estatísticas de acidente de trabalho, poderia haver alteração no enquadramento da empresas para fins de contribuição em relação aos acidentes de trabalho, não havendo que se falar em tratamento igual entre contribuintes em situação desigual. Nesse sentido, dispõe o § 3º do art. 22 da Lei n ° 8.212/1991: Art. 22 (...) § 3º ao dispor que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Não há que se falar em violação do art. 3º do CTN, pois toda a atividade de cobrança da referida contribuição é vinculada ao que dispõe as normas regulamentares acima expostas, não permanecendo ao alvedrio da autoridade fiscal. Também não há violação ao art. 153, § 1º da Constituição Federal pelo já exposto. QUANTO AO INCRA Em relação à cobrança do INCRA segue ementa do Recurso Especial n ° 603267, publicado no DJ em 24/05/2004, cujo Relator foi o Ministro Teori Albino Zavascki: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E PARA O INCRA (LEI 2.613/55). EMPRESA URBANA. EXIGIBILIDADE. ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STF. PRECEDENTES DO STJ. 1. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que não existe óbice a que Fl. 533DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 sejam cobradas de empresa urbana as contribuições destinadas ao INCRA e ao FUNRURAL. 2. Recurso especial provido. QUANTO AO SEBRAE Apenas para ilustrar, em relação à cobrança das contribuições destinadas ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) QUANTO A TAXA SELIC Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Fl. 534DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.000919/200839 Acórdão n.º 2401003.447 S2C4T1 Fl. 9 15 Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” REALIZAÇÃO DE PERÍCIA Quanto a possibilidade de realização de perícia, para esclarecer a existência de valores recolhidos em duplicidade, razão não confiro ao recorrente. De acordo com o disposto no art. 9º, IV da Portaria MPAS n ° 520/2004, são requisitos da perícia, nestas palavras: Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 535DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra razões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. No presente caso, não houve o preenchimento dos requisitos exigidos para realização da perícia, como já rebatido pelo julgador de primeira instância, assim considerase não formulado tal pedido. Desse modo, pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11º da Portaria MPAS n ° 520/2004: Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. § 2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.000919/200839 Acórdão n.º 2401003.447 S2C4T1 Fl. 10 17 Ademais, o lançamento em questão não demonstra qualquer dúvida acerca dos fatos geradores, competindo ao recorrente unicamente demonstrar a inexistência de valores recolhidos, podendo a autoridade julgadora dispensar perícia se entender que as mesmas são desnecessárias No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) A Portaria MPAS n ° 520/2004 é a que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, conforme autorização expressa no art. 304 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 e alterações, nestas palavras: Art.304. Compete ao Ministro da Previdência e Assistência Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, bem como estabelecer as normas de procedimento do contencioso administrativo, aplicandose, no que couber, o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e suas alterações. Como se percebe, a Portaria n ° 520 surgiu em virtude da previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, que transferiu a competência para o Ministério da Previdência Social regulamentar a matéria. Dessa forma, está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico. E como demonstrado, o assunto acerca de perícias e diligencias está tratado da mesma maneira no Decreto n ° 70.235/1972. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E com principio basilar do direito processual, cabe à parte provar fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do Fisco. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente e a notificação seguiu o procedimento previsto, não reconheço sua nulidade. Observe que após ter apresentado sua impugnação e ter sido proferido o acórdão determinando a procedência do lançamento, apresentou o recorrente recurso idêntico, sob os mesmos argumentos, deixando de questionar qualquer ponto da Decisão de primeira instância que pudesse entender estar equivocado. Assim, se o próprio recorrente não Fl. 537DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 expendi esforços para rebater pontualmente, provar suas alegações, não há como o julgador determinar diligências, sem que identifiquese os pontos de divergência. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão proferida, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, rejeitar a preliminar de suspeição e no mérito NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10855.003317/2005-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/10/2000 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO, RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS MEDIANTE CREDITO PRESUMIDO DE IPI BENEFÍCIO CENTRALIZADO E EXPORTADO POR COOPERATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada.
Recurso Improvido
Numero da decisão: 3301-001.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra.
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Andréa Medrado Darzé Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada. Recurso Improvido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 33 17 /2 00 5- 13 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Andréa Medrado Darzé Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face de decisão da DRJ de BelémPA, que julgou procedente o auto de infração de fls. 303/328, cientificado à contribuinte em 20/12/2005 (fl. 331), relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados– IPI, sintetizado na ementa a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBREPRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 10/10/2000 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. Incabível a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os cooperados pela Cooperativa centralizadora de vendas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, se não àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional ( CTN). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. De acordo com a decisão recorrida a Cooperativa de Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo Ltda (Copersucar), apurou, de forma centralizada, o crédito presumido do IPI de suas cooperadas, transferindo o referido crédito de seu estabelecimento matriz para sua filial (CNPJ nº 61.149.589/013086) para a compensação de débitos do IPI, tendo feito utilização indevida de crédito presumido de IPI, ensejando o lançamento do imposto, tendo em vista que o mesmo se destina unicamente ao produtor exportador que atenda aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363,de 1996. Ressaltando ainda que a glosa se deveu também pelo fato dos créditos terem sido apurados de forma concentrada no estabelecimento matriz que recebeu os créditos, nos termos da Nota Técnica Cosit nº 234/2003, de interesse da Copersucar, a qual figuraria como responsável pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins, conforme art. 66 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e como substituta tributária do IPI, em relação às operações dos seus cooperados, com base na então vigente Instrução Normativa SRF nº 64, de 13 de agosto de 1997, e, no caso “os créditos do IPI pertencem ao substituído; os débitos, ao substituto”. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10855.003317/200513 Acórdão n.º 3301001.719 S3C3T1 Fl. 427 3 Cientificada em 10/11/2011 (AR – fl. 398) a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 399 e seguintes, em 12/12/2011, aduzindo, em síntese, que na condição de uma das filiais operadoras da Cooperativa – Matriz (CNPJ 61.149.589/000189), utilizouse de créditos presumidos de IPI, calculados e transferidos por aquela Matriz para a filial, ora Recorrente, creditandose no seu Livro de Registro de Apuração do IPI, pelos créditos transferidos correspondentes ao período de 10/10/2000 a 31/12/2003, por meio de Notas Fiscais de Transferência, utilizandoos para compensação com débitos do mesmo IPI. Argui preliminar de nulidade afirmando que a decisão recorrida, acolheu a argumentação de que a cooperada tem direito ao crédito presumido de IPI, por ser um estabelecimento produtor/exportador “que atende aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363, de 1996, para a fruição do incentivo”, afirmando que houve agravamento da exigência fiscal. Aduz ainda que as vendas efetuadas são dos cooperados, visto que, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado, sendo a cooperativa mera mandatária legal em todos os atos comerciais relativos aos produtos que exporta, pois, embora não fabrique os produtos exportados, pode realiar todos os cálculos do incentivo em discussão, possuindo todos os dados necessários, visto que também é responsável na condição de substituo tributário do IPI devido pelas cooperadas, nos termos do art. 35, da Lei nº 4.502/64, com as modificações introduzidas pelo art. 31, da Lei nº 9.430/96. Sustenta por fim, quanto è elaboração do DCP (Demonstrativo do Crédito Presumido) a Nota Cosit nº 234/2003, por não acolher a tese de que as vendas em comum devam ser rateadas, acabou propondo solução inexeqüível no âmbito do sistema cooperativo, sendo que, entretanto, por conta dos itens 19.2 e 21.3, só se poderia concluir que a SRFB teria admitido a transferência de crédito presumido entre estabelecimentos de pessoas jurídicas distintas, assim reconhecendo as peculiaridades do sistema cooperativo, o que se confirmaria no regime previsto na IN 635/06 para o recolhimento do PIS e da COFINS. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais condições legais, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, o presente auto de infração é decorrente da glosa da compensação de valores originários de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, apurado pelo estabelecimento matriz da COPERSUCAR e transferido por meio de notas fiscais de transferência para o estabelecimento filial, ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. Segundo o entendimento da fiscalização, mantido pela decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, que são de fato as empresas produtoras exportadoras. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 Inicialmente deve ser rejeitada a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente, vez que, o reconhecimento pela decisão recorrida no sentido de ser a cooperada produtora e exportadora, com direito à fruição do crédito presumido de IPI, apenas reflete o entendimento do julgador a quo quanto ao real beneficiário do incentivo, não caracterizando qualquer agravamento da exigência. A decisão recorrida está baseado no fato da Nota Cosit n° 234, de 01 de agosto de 2003, que deu nova interpretação do tema, vedandose à cooperativa centralizadora de vendas a apuração, escrituração e utilização do crédito presumido de IPI, cujos trechos de maior relevância para o assunto são a seguir transcritos: "21.Por tudo o que foi exposto, concluise: 21.1. O Cooperado que entregar sua produção à Cooperativa centralizadora de vendas, para exportação, faz jus a crédito presumido do IPI, relativa à parcela de sua produção que haja sido efetivamente exportada; 21.2. O Cooperado, assim que receber as informações da Cooperativa centralizadora de vendas de que sua produção foi exportada, no todo ou em parte, poderá apurar o crédito presumido, ao final do mês e escriturálo em seu livro Registro de Apuração do IPI, observadas as quantidades da sua produção efetivamente exportadas e as normas da legislação especifica; 21.3. Remanescendo saldo credor na escrituração do Cooperado, após a dedução com o IPI devido pela Cooperativa na condição de substituta tributária, poderá haver transferência do crédito presumido para outros estabelecimentos da pessoa jurídica Cooperada, se houver, apenas para dedução do valor do IPI devido por operações no mercado interno; ao final do trimestre calendário, obedecidas as demais normas especificas, poderá haver a compensação com outros tributos do Cooperado, inclusive o PIS/Pasep e a Cofins devido pela Cooperativa, na condição de responsável, mas só a parcela que di2a respeito àquele Cooperado, isto é, a parcela referente à sua produção que tenha sido comercializada no mercado interno. Ao invés da compensação, o Cooperado poderá solicitar o ressarcimento do saldo credor em espécie, no todo ou em parte; 21.4. Não cabe à Cooperativa centralizadora de vendas a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os Cooperados; 21.5. O preenchimento e a entrega do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) está a cargo do Cooperado que se beneficie do crédito presumido, por intermédio de seu estabelecimento matriz. O Cooperado também deverá observar o cumprimento das demais obrigações acessórias." Entretanto, a mencionada nota técnica, nesse ponto, está em desacordo com a legislação do IPI, sobretudo porque quanto à apuração do IPI centralizado no estabelecimento matriz, está em conformidade com o art. 15, II, da Lei nº 9.779, de 1999, determinando que a apuração do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, seja centralizados “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica”, podendo ainda ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI, in verbis: Fl. 429DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10855.003317/200513 Acórdão n.º 3301001.719 S3C3T1 Fl. 428 5 Art.15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; II a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996; [...] Assim sendo, o fato da Recorrente ter centralizado a apuração do crédito presumido centralizado em seu estabelecimento matriz, não é motivo de impedimento para a fruição do benefício, pelo contrário, está de acordo com a legislação que rege o crédito presumido. Da mesma forma dispõe a Lei nº 9.363, de 1996, constando que o crédito presumido do IPI pode ser centralizado pelo estabelecimento matriz e transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI: Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2°..No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3º. O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (grifado). Pelos mesmos motivos acima expostos, também considero não haver nenhum óbice para que o estabelecimento filial possa utilizar o crédito presumido para a compensação de débitos do mesmo IPI. O principal ponto do processo se refere ao crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, enquanto o Fisco entende que o benefício fiscal somente poderia ser utilizado e requerido pelo produtor exportador. A Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que dispõe sobre a política nacional de cooperativismo, e, através de seu art. 79, define o que seja atos cooperativos, os quais não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria: Fl. 430DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características [...] Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (grifado) Conquanto o produtorexportador seja cada um dos produtores rurais, pessoas físicas associados à cooperativa, todo o processo de industrialização e exportação é feito através da pessoa jurídica, que age por conta e ordem dos cooperados, por interesse deles, isto é, os atos da cooperativa devem ser considerados como sendo praticados pelos seus associados, é o que depreendese do art. 83, da citada lei: Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. (grifado). Conforme bem esclareceu a Recorrente, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado. A cooperativa é mera intermediária, mandatária legal, logo o benefício fiscal concedido se destina ao produtor exportador, não sendo apropriado pela cooperativa, não havendo que se falar em apropriação pela cooperativa do resultado obtido com a exportação, que será revertido aos produtores rurais, na proporção de suas participações na sociedade empresarial. Para fins de definição do ato cooperado, especialmente no que se refere à entrega da produção pelo cooperado à cooperativa, nos termos dos arts. 79 e 83 da, da Lei nº 5.764, de 1971, a jurisprudência do colendo Supremo Tribunal Federal (STF) que o assunto depende do exame dos fatos, isto é, depende da forma em que o negócio ocorre entre a cooperativa e cooperado (daí porque não poder ser objeto de recurso extraordinário), in verbis: COMERCIAL. COOPERATIVA. ENTREGA DA PRODUÇÃO PELO COOPERADO A COOPERATIVA. NEGÓCIO QUE O ACÓRDÃO LOCAL, ANTE O EXAME DOS FATOS, ESPECIALMENTE A EXECUÇÃO DADA PELAS PARTES, DEFINIU COMO CONTRATO ESPECIFICO ENTRE COOPERADO E COOPERATIVA (ARTS. 79 E 83 DA LEI N. 5.764, DE 16.11.71), E NÃO COMO CONTRATO DE Fl. 431DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10855.003317/200513 Acórdão n.º 3301001.719 S3C3T1 Fl. 429 7 DEPOSITO IRREGULAR (ART. 1.280 DO CÓDIGO CIVIL). APLICAÇÃO DAS SUMULAS 279 E 454. (RE 92902, Relator(a): Min. DÉCIO MIRANDA, Segunda Turma, julgado em 07/10/1980, DJ 24101980 PP08610 EMENT VOL0118903 PP00727 RTJ VOL0009503 PP 01380). No mesmo sentido, entendendo que a exportação através da cooperativa, como mandatária dos cooperados, ser questão de fato que deve ser apreciado pelo julgador, in verbis: PRODUTO INDUSTRIALIZADO. EXPORTAÇÃO POR COOPERATIVA, QUE TERIA FUNCIONADO COMO MANDATARIA DOS COOPERADOS. QUESTÃO DE FATO PARA CUJO REEXAME NÃO CABE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. RECURSO NÃO CONHECIDO. (RE 76026, Relator(a): Min. LEITAO DE ABREU, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/03/1975, DJ 02061975 PP*****) O aresto acima transcrito contempla através do voto condutor do acórdão, o seguinte trecho da v. sentença prolatada pelo colendo Tribunal de Alçada Cível do Estado de São Paulo (no Agravo de Instrumento nº 55.880), que naquele caso, a Cooperativa funcionou como mandatária no exercício das funções para as quais fora criada: “É de se ponderar ainda que a Cooperativa Central de Produtores de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo não adquire o produto de seus cooperados. Funciona ela como mandatária No exercício das funções para as quais fora criada, podendose mesmo dizer que atua como autêntica “manus longa” dos cooperados.” Este entendimento ainda prevalece na Suprema Corte, conforme depreende se da ementa do acórdão recentemente publicado, in verbis: EMENTA Agravo regimental no agravo de instrumento. Tributário. ISS sobre atos cooperativos impróprios. Reexame de fatos e provas e de contrato social. Impossibilidade. Súmulas nºs 279, 280 e 454 desta Corte. 1. O Tribunal local, com base nos elementos probatórios do autos e na legislação infraconstitucional (Leis nºs 5.764/71, 5.641/89, 7.640/99, 8.464/02 e 8.725/03), consignou que a agravada presta serviços aos seus próprios cooperados. Alterar esse entendimento para análise dos argumentos expendidos pelo agravante requereria reexame das leis em comento, do contrato social e dos fatos e das provas que permeiam a lide, fato vedado nesta instância recursal. Incidência, na espécie, das Súmulas nºs 279, 280 e 454 do Supremo Tribunal Federal. 2. Agravo regimental não provido. (AI 645954 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 21/08/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe176 DIVULG 05092012 PUBLIC 06092012) (grifado). Fl. 432DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 8 O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem entendimento firme no sentido de que o ato cooperado não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE CONSUMO. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃOCOOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. INCIDÊNCIA. 1. O ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado de tal atividade. 2. A operação de venda de bens a terceiros por sociedade cooperativa de consumo se reveste de natureza mercantilista. O resultado positivo advindo dessa atividade, por conseguinte, submetese à incidência da CSLL. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental parcialmente provido. (Grifado). (AgRg no REsp 653.489/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2009, DJe 24/09/2009). No caso concreto, entendo que o estão presentes os pressupostos estabelecidos pelos arts. 79 e 83, da Lei nº 5.764/71, que define o ato cooperativo, bem como a forma como ocorreram as relações entre cooperativa e cooperado, pois, de acordo com os arts. 12 e 13 (Capítulo III – Dos Objetivos e Operações), do Estatuto Social da COPERSUCAR (CNPJ nº 61.149.589/000189, estabelecimento matriz), aprovado pela AGE de 14/04/1987 (fl. 192/193), consta dentre suas atribuições receber e vender a produção de seus associados, senão vejamos: “Capítulo III Dos Objetivos e Operações [...] Art. 12. A Cooperativa tem por objetivo prestar serviços a seus associados: receber, financiar e vender a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel de seus associados. [...] Art. 13. A cooperativa, no cumprimento de seus objetivos sociais, venderá a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel, de seus associados, de forma a conciliar os interesses dos produtores e consumidores. A AGE de 26/01/1999, deu a seguinte redação ao art. 15, do Estatuto Social da Cooperativa: Art. 15. No curso da safra, o associado terá direito a adiantamento em valor igual aos financiamentos obtidos pela Cooperativa de qualquer estabelecimento de crédito, com Fl. 433DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10855.003317/200513 Acórdão n.º 3301001.719 S3C3T1 Fl. 430 9 garantia do produto que lhe foi entregue para venda, e proporcional à entrega. Parágrafo 1º: À proporção que forem sendo vendidos os produtos entregues para venda em comum, a Cooperativa rateará aos associados, as margens líquidas que forem resultando, respeitados os valores dos ágios e deságios por qualidade, que houverem sido fixados pelo Conselho de Administração. Assim sendo, uma análise mais criteriosa dos fatos leva à conclusão de que os atos praticados pela Cooperativa com seus associados obedeceram aos comandos dos artigos 79 e 83, da Lei Geral das Cooperativas, permitindo concluir que não se não houve ato mercantil entre Cooperativa e seus associados. Por último, conforme demonstrado, o fato do crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, e não diretamente pelo produtor exportador, não deve impedir a fruição do benefício, salvo se tivessem sido constatados outros motivos impeditivos, o que no caso não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 434DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 10 Voto Vencedor Conselheira Andrea Medrado Darzé, Redatora Peço vênia para divergir do ilustre Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, especialmente pelo fato do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, ter sido apurado pela cooperativa, no caso a Recorrente, a COPERSUCAR, ainda que tenha sido transferido por meio de notas fiscais de transferência para os estabelecimentos filiais, da ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. De fato, comungo com o entendimento da fiscalização, igualmente com a decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, vez que pertencem às empresas produtoras exportadoras e não à cooperativa. Nesse sentido, quando a Lei nº 9.779/99, determina que o crédito presumido de IPI seja centralizado “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica” (art. 15, II), necessariamente quer significar mesma empresa, por isso utilizou o termo “estabelecimento”, caso contrário autorizaria sua transferência para qualquer outra empresa, contudo manteve a restrição aos estabelecimentos da mesma empresa. Logo, a autorização acima referida não se estende aos estabelecimentos da Cooperativa, ainda que centralizado no estabelecimento matriz da Coopersucar, constituindo motivo de impeditivo à fruição do benefício, que pertence às empresas produtoras exportadoras, não havendo previsão para sua transferência à terceiros. Ao contrário da conclusão do i. Relator, a própria Lei nº 9.363, de 1996, somente autoriza a centralização pelo estabelecimento matriz, isto é, da mesma sociedade empresarial, por isso diz “empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador”quando a apuração do crédito poderia ser centralizada pela matriz, e no caso em tela não há qualquer evidência da existência de vínculo empresarial entre as usinas, ao contrário, são empresas produtoras distintas, sem qualquer relação societária. O fato da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, dispor que os atos cooperativos não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, não autoriza à cooperativa se beneficiar das prerrogativas e benefícios tributários gozados por seus filiados. Em relação às ações judiciais noticiadas nos autos, não consta nenhuma autorização para a apuração ou aproveitamento dos benefícios fiscais usufruídos por seus cooperados, nem mesmo que a Fazenda Nacional tenha atuado nesses processos, não podendo alcançar os fatos discutidos no presente processo. Por fim, cumpre registrar que em sendo o crédito presumido constitui um benefício fiscal, expressamente previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal, há necessidade do mesmo ser regulado por lei específica, e como visto a Lei nº 9.363/96, dispõe expressamente que o crédito presumido de IPI deve ser apurado e requerido pela própria empresa produtora exportadora Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10855.003317/200513 Acórdão n.º 3301001.719 S3C3T1 Fl. 431 11 Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Andréa Medrado Darzé, Redatora Fl. 436DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE
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Numero do processo: 10875.004112/2003-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA. Rejeita-se preliminar de decadência quando não decorrido o prazo qüinqüenal para a constituição do crédito tributário.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE NATUREZA DIVERSA. INDEFERIMENTO. Mantém-se o indeferimento de compensação de créditos (de Finsocial) com débitos de IRPJ, ante o teor de decisão judicial que atesta que os créditos em referência apenas seriam passíveis de compensação com Cofins.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1102-000.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pr unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thome, - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, Jose Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, João Carlos de Figueiredo Neto
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA. Rejeita-se preliminar de decadência quando não decorrido o prazo qüinqüenal para a constituição do crédito tributário. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE NATUREZA DIVERSA. INDEFERIMENTO. Mantém-se o indeferimento de compensação de créditos (de Finsocial) com débitos de IRPJ, ante o teor de decisão judicial que atesta que os créditos em referência apenas seriam passíveis de compensação com Cofins. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pr unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thome, - Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, Jose Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, João Carlos de Figueiredo Neto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. Rejeitase preliminar de decadência quando não decorrido o prazo qüinqüenal para a constituição do crédito tributário. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE NATUREZA DIVERSA. INDEFERIMENTO. Mantémse o indeferimento de compensação de créditos (de Finsocial) com débitos de IRPJ, ante o teor de decisão judicial que atesta que os créditos em referência apenas seriam passíveis de compensação com Cofins. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pr unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thome, Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, Jose Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, João Carlos de Figueiredo Neto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 41 12 /2 00 3- 55 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10875.004112/200355 Acórdão n.º 1102000.967 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Quinta Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. Não comprovado o amparo judicial para a compensação alegada, mantémse a exigência. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do principio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e n° 11.196/2005. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Trata o presente processo do Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, lavrado em 16/06/2003 (fls. 04) e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 11/07/2003 (fls. 30), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 17.552,66, em virtude de débitos declarados para o 3° e 4° trimestre de 1998 terem sido vinculados a compensação por processo judicial de outro CNPJ (fls. 06/07), ensejando exigência do valor principal acrescido de multa de oficio e juros de mora. Impugnando a presente exigência, foi protocolizada, em 19/08/2003, a peça de defesa de fls. 01, acompanhada dos documentos de fls. 02/26, com as razões de defesa a seguir reproduzidas. O n° de processo informado: 1999.61.00.00115699 que tramita perante a 8ª Vara de Execuções Fiscais da Comarca da Capital tendo como Autora a empresa em epígrafe conforme documentos em anexo. Diante disso, é indevida a cobrança de referido tributo haja vista sentença reconhecendo o direito a compensação entre tributos administrados pela União Federal, com parcelas vencidas e vincendas. Por meio do despacho de fls. 58 a autoridade preparadora encaminhou o processo para julgamento consignando tratarse de impugnação tempestiva Fl. 143DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10875.004112/200355 Acórdão n.º 1102000.967 S1C1T2 Fl. 4 3 ... pois devido a movimento paredista .... o prazo para interposição da petição foi dilatado.” Ante a inexistência de proteção judicial à compensação pretendida pela Contribuinte, o acórdão recorrido julgou procedente em parte a impugnação apenas para exonerar a multa de ofício tendo em vista a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II do CTN. Em sede de recurso voluntário, o Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente no que tange à improcedência do lançamento por: (i) possibilidade da compensação dos créditos com débito de natureza diversa, por força do art. 74 da Lei nº 9.430/96; (ii) decadência e prescrição do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma tomo conhecimento. (i) Da possibilidade da compensação com débito de natureza diversa Alega a Contribuinte que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 autorizaria a compensação de crédito tributário de IRPJ com quaisquer créditos (do contribuinte) de tributos administrados pela RFB, sendo que a limitação imposta pela decisão do STJ, transitada em julgado, não deveria ser aplicada. A Delegacia de Julgamento, analisando o histórico do processo nº 1999.61.00.00115699, verificou que: “De pesquisas de fls. 66verso, extraise que referido processo cuida de ação de conhecimento, processada sob o rito comum ordinário, ajuizada com o objetivo de compensar os valores indevidamente recolhidos a titulo de FINSOCIAL com alíquota superior a 0,5%, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, sem as restrições impostas pelas IN n's 21/97 e 73/97, corrigidos monetariamente com a inclusão do IPC até fevereiro de 1991. Ocorre que, ainda que tenha sido proferida sentença favorável ao contribuinte, foi ela revertida por Acórdão do TRF publicado em 22/11/2000, em que, apreciando recurso de apelação da União, foi acolhida a preliminar de prescrição arguida porque o ajuizamento da ação ocorreu somente em 18/03/99, quando já decorrido o lapso prescricional para o exercício da pretensão de compensar FINSOCIAL, sendo também dado provimento A remessa oficial (fls. 62/64). Consultas aos sistemas de acompanhamento processual da Justiça Federal e do STJ, juntadas As fls. 59/80, indicam, ainda, que: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10875.004112/200355 Acórdão n.º 1102000.967 S1C1T2 Fl. 5 4 interposto Recurso Especial, o STJ lhe deu provimento para afastar a ocorrência de prescrição e determinar o retorno do processo ao TRF para prosseguimento do feito, por decisão publicada em 19/04/2006 (fls. 73/75verso); em nova apreciação, foi proferido pelo TRF acórdão publicado em 23/04/2007 (fls. 60) dando parcial provimento à apelação e lz remessa oficial para restringir a compensação com parcelas vincendas da COFINS e da CSLL, corrigidas monetariamente conforme os critérios delineados (fls. 66/70); a Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, o STJ decidiu dar provimento, a fim de limitar a compensação do Finsocial somente com o próprio Finsocial e com a Cofins e negar provimento a recurso da empresa, conforme decisão de 01/10/2008 publicada em 02/10/2008 e transitada em julgado em 20/10/2008 (fls. 76/79); os autos do processo judicial foram baixados ao TRF (fls. 76 e 59) e, posteriormente A Seção Judiciária de origem, onde foram arquivados (fls. 80). Como se vê, quando da ciência do lançamento em 11/07/2003, a sentença, ainda que tivesse admitido a alegada compensação de Finsocial com IRPJ, já havia sido revertida por Acórdão do TRF publicado em 22/11/2000, pelo qual foi reconhecida a prescrição e, conseqüentemente, afastada a possibilidade de compensação. Somente em 19/04/2006, após o lançamento, foi afastada a prescrição e proferida decisão do STJ determinando nova apreciação pelo TRF, cujo acórdão, admitindo a compensação, também foi reformado pelo STJ que manteve apenas a possibilidade de compensação de Finsocial com Cofins (fls. 79 verso).” Em que pesem os argumentos de impugnação, a questão relativa à impossibilidade de compensação dos créditos (de Finsocial) com débitos de IRPJ encontrase superada por força de decisão judicial transitada em julgado em desfavor da Contribuinte. Segundo decisão definitiva do Poder Judiciário, os créditos em referência apenas seriam passíveis de compensação com Cofins e não com IRPJ, como pretende a Contribuinte nesse processo administrativo. Não merece reparos o acórdão recorrido nessa parte, portanto. A argüição de prescrição/decadência também não merece ser acolhida, ante o fato de não ter decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados entre a data da ocorrência do fato gerador dos tributos lançados (3o e 4o trimestres de 1998) e a data da ciência do lançamento respectivo (11.07.2003). Diante de todo o exposto, oriento o meu voto para conhecer do recurso voluntário para rejeitar preliminar de decadência e, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10875.004112/200355 Acórdão n.º 1102000.967 S1C1T2 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 146DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000142/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO PARA EMPRESA VEÍCULO SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. REFLEXO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Deve ser anulada contabilmente a amortização de ágio que, após transferência mediante a utilização de empresa veículo, surge sem substância econômica no patrimônio da investida.
GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS. Deve ser afastada a glosa de compensação de base negativa oriunda de período de apuração não revisado no procedimento fiscal.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE. INOCORRÊNCIA. Existindo ágio pago em processo licitatório, a interpretação equivocada do sujeito passivo acerca da possibilidade de sua amortização não é suficiente para a qualificação da penalidade aplicável aos tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da amortização daquele valor. SUCESSÃO. EMPRESAS PERTENCENTES AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula CARF nº 47).
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1101-000.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; 3) por voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de conexão suscitada pela Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, que restou vencida, acompanhada pelos Conselheiros José Sérgio Gomes e Benedicto Celso Benício Júnior, este votando pelas conclusões, e sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Ricardo da Silva; 4) por maioria de votos, REJEITAR a argüição de decadência, divergindo os Conselheiros José Ricardo da Silva e Marcelo de Assis Guerra; 5) por voto de qualidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente às glosas de amortização de ágio, divergindo os Conselheiros José Ricardo da Silva, Marcelo de Assis Guerra e Benedicto Celso Benício Júnior; 6) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente às compensações de prejuízos fiscais e bases negativas; 7) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à imputação de multa de ofício à sucessora; 8) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros José Ricardo da Silva e Benedicto Celso Benício Júnior, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
(documento assinado digitalmente)
JOSÉ RICARDO DA SILVA Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO PARA EMPRESA VEÍCULO SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. REFLEXO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Deve ser anulada contabilmente a amortização de ágio que, após transferência mediante a utilização de empresa veículo, surge sem substância econômica no patrimônio da investida. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS. Deve ser afastada a glosa de compensação de base negativa oriunda de período de apuração não revisado no procedimento fiscal. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE. INOCORRÊNCIA. Existindo ágio pago em processo licitatório, a interpretação equivocada do sujeito passivo acerca da possibilidade de sua amortização não é suficiente para a qualificação da penalidade aplicável aos tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da amortização daquele valor. SUCESSÃO. EMPRESAS PERTENCENTES AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula CARF nº 47). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; 3) por voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de conexão suscitada pela Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, que restou vencida, acompanhada pelos Conselheiros José Sérgio Gomes e Benedicto Celso Benício Júnior, este votando pelas conclusões, e sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Ricardo da Silva; 4) por maioria de votos, REJEITAR a argüição de decadência, divergindo os Conselheiros José Ricardo da Silva e Marcelo de Assis Guerra; 5) por voto de qualidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente às glosas de amortização de ágio, divergindo os Conselheiros José Ricardo da Silva, Marcelo de Assis Guerra e Benedicto Celso Benício Júnior; 6) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente às compensações de prejuízos fiscais e bases negativas; 7) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à imputação de multa de ofício à sucessora; 8) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros José Ricardo da Silva e Benedicto Celso Benício Júnior, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora (documento assinado digitalmente) JOSÉ RICARDO DA SILVA Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes e Marcelo de Assis Guerra.
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INOVAÇÃO EM DECISÃO DE 1a INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. A autoridade julgadora pode expressar livremente sua percepção dos fatos reunidos nos autos, inclusive acrescendo análises não cogitadas pela Fiscalização, em resposta à defesa do impugnante. Somente não lhe é permitido manter a exigência do crédito tributário com fundamento, exclusivamente, em argumentos novos, por ela adicionados à motivação do lançamento. LANÇAMENTO. AUTORIDADE INCOMPETENTE. INOCORRÊNCIA. COMPETÊNCIA CONCORRENTE. DEMAC (ANTERIOR DEAIN). INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. As competências da Delegacia Especial de Maiores Contribuintes (anterior Delegacia Especial de Assuntos Internacionais) e da Delegacia Especial de Instituições Financeiras são concorrentes para efetuar o lançamento em contribuinte do tipo instituição financeira. Ademais, são válidos os lançamentos lavrados por servidor competente (AuditorFiscal) de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimitase pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos decaídos, mas sim nos posteriores. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 01 42 /2 01 0- 21 Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 3 2 obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN). PROCESSOS DISTINTOS. ÓRGÃOS JULGADORES COMPETENTES. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. DECISÕES ADMINISTRATIVAS DIVERGENTES. POSSIBILIDADE. Não vinculam as decisões administrativas proferidas por órgãos julgadores distintos, exaradas no exercício de suas respectivas competências ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO PARA EMPRESA VEÍCULO SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. REFLEXO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Deve ser anulada contabilmente a amortização de ágio que, após transferência mediante a utilização de empresa veículo, surge sem substância econômica no patrimônio da investida. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS. Deve ser afastada a glosa de compensação de base negativa oriunda de período de apuração não revisado no procedimento fiscal. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE. INOCORRÊNCIA. Existindo ágio pago em processo licitatório, a interpretação equivocada do sujeito passivo acerca da possibilidade de sua amortização não é suficiente para a qualificação da penalidade aplicável aos tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da amortização daquele valor. SUCESSÃO. EMPRESAS PERTENCENTES AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula CARF nº 47). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; 3) por voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de conexão suscitada pela Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, que restou vencida, acompanhada pelos Conselheiros José Sérgio Gomes e Benedicto Celso Benício Júnior, este votando pelas conclusões, e sendo designado para redigir o voto vencedor o Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 4 3 Conselheiro José Ricardo da Silva; 4) por maioria de votos, REJEITAR a argüição de decadência, divergindo os Conselheiros José Ricardo da Silva e Marcelo de Assis Guerra; 5) por voto de qualidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente às glosas de amortização de ágio, divergindo os Conselheiros José Ricardo da Silva, Marcelo de Assis Guerra e Benedicto Celso Benício Júnior; 6) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente às compensações de prejuízos fiscais e bases negativas; 7) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à imputação de multa de ofício à sucessora; 8) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros José Ricardo da Silva e Benedicto Celso Benício Júnior, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora (documento assinado digitalmente) JOSÉ RICARDO DA SILVA – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes e Marcelo de Assis Guerra. Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 5 4 Relatório BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A, já qualificado nos autos, recorre de decisão proferida pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SPI que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 29/03/2010, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 980.901.048,84. O lançamento em debate deu continuidade ao veiculado nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/200872, já apreciado pela 2a Turma da Quarta Câmara desta 1a Seção de Julgamento, em julgamento retratado no Acórdão nº 140200.802. Naqueles autos, a Fiscalização reverteu os efeitos, na apuração do IRPJ e da CSLL, da amortização de ágio promovida pelo Banco do Estado de São Paulo S/A (BANESPA), de 2002 a 2004, ao passo que nestes autos a glosa alcança as deduções de mesma natureza promovidas em 2005 e de 01/01/2006 a 31/08/2006, data na qual o Banco do Estado de São Paulo S/A (BANESPA) foi incorporado pelo autuado, Banco Santander (Brasil) S/A. Após tal incorporação, o Banco Santander (Brasil) S/A continuou promovendo amortizações do mesmo ágio, glosadas por meio de lançamento formalizado nos autos do processo administrativo nº 16643.000144/201011. O relatório da decisão recorrida pouco difere do conteúdo do Termo de Verificação, motivo pelo qual é aqui adotado. Demais disto, na medida em que seu conteúdo também se assemelha, em sua maior parte, aos fatos relatados nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/200872, as diferenças relevantes identificadas serão destacadas ao longo da reprodução do relatório da decisão recorrida. A referida decisão principia com relato específico deste procedimento fiscal, realizado em continuidade a verificações no âmbito da Tributação em Bases Universais: Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 376407, em fiscalização empreendida junto à contribuinte supramencionada, o auditorfiscal constatou os fatos a seguir relacionados: 1. DAS CONSIDERAÇÕES INICIAIS O procedimento foi iniciado a partir das determinações contidas no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 08.1.71.002009000120, relativo ao sujeito passivo Banco Santander (Brasil) S/A (“fiscalizado”), cuja razão social no início da ação fiscal era Banco Santander S/A, CNPJ 90.400.888/000142, abrangendo verificações quanto ao IRPJ dos anoscalendário 2005, 2006 e 2007. O fiscalizado foi cientificado do início da ação fiscal em 29/01/2009, conforme Termo de Início de Fiscalização de fls.0306, nos termos do art.23, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 9.532/97. No mesmo termo, o fiscalizado foi instado a apresentar elementos para o início do exame de suas obrigações tributárias. Em 29/03/2010, o fiscalizado foi cientificado de autos de infração constituindo créditos tributários de IRPJ e CSLL, haja vista ter sido apurada no curso do procedimento violação de dispositivos da Legislação de Tributação em Bases Universais. Esses autos de infração foram formalizados sob o nº Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 6 5 16643.000055/201074, prosseguindose a ação fiscal, porquanto com a lavratura daqueles autos de infração ocorreu apenas seu encerramento parcial. 2. DOS AUTOS DE INFRAÇÃO ANTERIORMENTE LAVRADOS EM FUNÇÃO DA MESMA INFRAÇÃO ABORDADA NESTE TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Impende mencionar que o fiscalizado, como sucessor por incorporação do Banco do Estado de São Paulo S/A – Banespa, CNPJ 61.411.633/000187, já havia sido autuado na ação fiscal instaurada em função do MPF nº 08.1.71.002007001863, visando a constituição de créditos tributários de IRPJ e CSLL por ter sido constatada a mesma infração adiante descrita, para os anoscalendário 2002, 2003 e 2004. Tais autos de infração foram formalizados sob nº 16561.000222/200872. 3. DA INFRAÇÃO APURADA 3.1. DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO 3.1.1. DO PERÍODO OBJETO DA PRESENTE AUTUAÇÃO Inicialmente, destaquese que os autos de infração anexos, dos quais é parte integrante e inseparável este Termo de Verificação Fiscal, se referem apenas a fatos geradores relativos aos anoscalendário 2005 e 2006. Para o ano de 2006, o período ora abordado alcança desde o início desse ano até a incorporação do Banespa pelo fiscalizado em 31/08/2006. O período posterior à incorporação do Banespa será objeto de outras autuações lavradas também no curso deste procedimento fiscal, porquanto compreenderá obrigações tributárias próprias do Banco Santander (Brasil) S/A, e não de sua sociedade incorporada. Conforme os atos societários de fls. 4145, o Banespa foi incorporado ao fiscalizado em 31/08/2006. Em face da sucessão universal e diante da responsabilidade deste último em relação a obrigações tributárias do primeiro (conforme discorrido adiante no item 5), este Termo de Verificação Fiscal e os correspondentes autos de infração foram lavrados em nome do incorporador Banco Santander (Brasil) S/A. Repisese os créditos tributários ora constituídos referemse exclusivamente a obrigações tributárias originárias do Banespa. A partir daí, a descrição feita pela autoridade julgadora passa a apresentar os mesmos contornos daquela que orientou a edição do Acórdão nº 140200.802: 3.1.2. DAS SOCIEDADES ENVOLVIDAS Tendo em vista o número e a similaridade dos nomes das sociedades envolvidas nas operações tratadas neste Termo de Verificação Fiscal, cabe relacionálas abaixo, para facilitar a compreensão dos fatos adiante narrados: 1. Banco Santander (Brasil) S/A (denominações anteriores: Banco Santander S/A, Banco Santander Banespa S/A, Banco Meridional S/A e Banco Meridional do Brasil S/A) (SANTANDER S/A), CNPJ nº 90.400.888/000142; 2. Banco do Estado de São Paulo S/A (BANESPA), CNPJ nº 61.411.633/000187; 3. Banco Santander Brasil S/A (SANTANDER BRASIL), CNPJ nº 61.472.676/000172; 4. Banco Santander S/A (BANCO SANTANDER), CNPJ nº 33.517.640/000172; 5. Banco Santander Central Hispano S/A (SANTANDER HISPANO), instituição financeira constituída de acordo com as leis da Espanha, com sede em Santander, Espanha; 6. Santander Holding Ltda (SANTANDER HOLDING), CNPJ nº 04.154.302/000175; 7. Meridional Holding Ltda (MERIDIONAL HOLDING), CNPJ nº 03.116.561/000149. Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 7 6 3.1.3. DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Inicialmente cabe fazer uma exposição cronológica dos fatos que guardam correlação com a infração adiante apontada. Em 04/10/2000, foi publicado o edital do Programa Nacional de Desestatização – PND nº 03/2000, do Banco Central do Brasil Bacen, com a finalidade de alienar as ações do Banespa por leilão em 20/11/2000 (fls.4655). Em 25/10/2000, foi constituída a SANTANDER HOLDING, com capital de R$1.000,00, dividido em 1000 quotas, sendo os quotistas: (i) SANTANDER BRASIL, com 999 quotas e (ii) AURÉLIO VELO VALLEJO, espanhol, CPF nº 215.139.65840, com uma quota. A referida sociedade tinha como objeto social a participação e administração de bens próprios ou de terceiros, e participação em outras sociedades, qualquer que fosse o respectivo objeto social, na qualidade de sócia minoritária ou controladora (fls.66 71). Em 20/11/2000, o SANTANDER HISPANO, instituição financeira constituída de acordo com as leis da Espanha, com sede em Santander, Espanha, adquiriu, no leilão previsto no citado edital PND nº 03/2000, o controle acionário do BANESPA, por R$7.050.000.000,00, conforme Contrato de Compra e Venda de Ações do Banco do Estado de São Paulo S/A – Banespa, celebrado entre a UNIÃO e o SANTANDER HISPANO (fls.5763). Com a publicação de Fato Relevante em 28/12/2000 (fls.65), tornouse pública a pretensão do SANTANDER HISPANO de realizar uma oferta pública de compra de até a totalidade das ações ordinárias e preferenciais do BANESPA em circulação no mercado, representativas de aproximadamente 67% de seu capital social. Destaquese, neste ponto, que o parágrafo anterior não constou do Termo de Verificação Fiscal lavrado nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/200872. Prosseguindo na reprodução do relatório da decisão proferida nos autos do presente processo, temse: Em 29/05/2001, foi efetuada a Primeira Alteração do Contrato Social da SANTANDER HOLDING (fls.728731), tendo sido aumentado seu capital social de R$1.000,00 para R$9.574.901.000,00, criandose 9.574.900.000 novas quotas, todas subscritas e integralizadas pelo quotista então admitido, SANTANDER HISPANO, mediante a conferência à sociedade de 36.394.636.404 ações representativas do capital social do BANESPA, cujo valor atribuído foi de R$9.574.900.000,00, equivalente ao montante investido pelo subscritor na aquisição das ações de emissão do BANESPA então contribuídas. O valor atribuído às ações de emissão do BANESPA para fins de sua contribuição ao capital social foi fundamentado em laudo de avaliação elaborado pela empresa KPMG CORPORATE FINANCE, CNPJ nº 48.883.938/000123 (fls.7485). O quotista AURÉLIO VELO VALLEJO transferiu sua única quota da SANTANDER HOLDING para o SANTANDER BRASIL, pelo valor de R$1,00, retirandose, assim, da sociedade. Frisou a autoridade lançadora, nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/200872, que o valor em questão incluía um ágio de R$ 7.462.067.630,07 e um patrimônio líquido de R$ 2.173.519.280,48. Retomando o relatório da decisão recorrida nestes autos: Em 30/05/2001, o SANTANDER HISPANO transferiu, conforme a Segunda Alteração do Contrato Social da SANTANDER HOLDING (fls.8692), as quotas de sua Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 8 7 propriedade na SANTANDER HOLDING, representadas pelas ações do BANESPA, no valor de R$9.574.900.000,00, para a MERIDIONAL HOLDING. Conforme o Instrumento Particular da Terceira Alteração do Contrato Social da SANTANDER HOLDING (fls.9397), em 29/06/2001 o BANCO SANTANDER (hoje incorporado pelo SANTANDER S/A), incorporou a MERIDIONAL HOLDING, além de receber as 1.000 quotas da SANTANDER HOLDING pertencentes ao SANTANDER BRASIL, passando a deter a totalidade das quotas da SANTANDER HOLDING. Cabe salientar que no referido instrumento há menção à observância de dispositivos das Instruções CVM nº 319/99 e 349/2001. Assim, o BANCO SANTANDER assumiu todos os direitos e obrigações da MERIDIONAL HOLDING, inclusive as quotas de titularidade desta última, no valor de R$9.574.900.000,00. Por meio do ofício Deorf/GTSP22002/1065, de 23/08/2002, o Banco Central do Brasil comunicou a aprovação da incorporação pelo BANESPA de sua então controladora, SANTANDER HOLDING, segundo deliberado em AGE de 30/07/2001, mediante versão da totalidade de seu patrimônio e consequente extinção (fls.110 111). A partir da incorporação da SANTANDER HOLDING, o BANESPA iniciou a amortização do ágio antes nela contabilizado, diminuindo as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Salientese, por fim, que o BANCO SANTANDER, hoje incorporado pelo SANTANDER S/A, fazia parte do conglomerado financeiro espanhol. Esclareçase que as referências às Instruções CVM nº 319/99 e 349/2001, bem como ao ofício Deorf/GTSP22002/1065, não constaram do Termo de Verificação Fiscal que instrui os autos do processo administrativo nº 16561.000222/200872. De outro lado, aquele Termo indica, neste ponto, os valores do ágio amortizado pelo BANESPA: (i) R$1.492.413.525,96, no anocalendário de 2002; (ii) R$895.942.350,64, no anocalendário de 2003; e (iii) R$1.426.929.732,13, no anocalendário de 2004. Dando continuidade à reprodução do relatório da decisão recorrida, consta ali a acusação de que os fatos anteriormente narrados e relacionados às operações societárias empreendidas, as quais culminaram com a incorporação da SANTANDER HOLDING pelo BANESPA, conduzem à conclusão da ilicitude da diminuição do lucro real e da base de cálculo da CSLL deste, por meio da dedução dos encargos de amortização do ágio então contabilizado na SANTANDER HOLDING. Na seqüência, constam apontamentos que não estavam presentes, nesta mesma seqüência, na motivação exposta no processo administrativo nº 16561.000222/200872, bem como não apresentaram a mesma constatação veiculada naqueles autos, como se verá mais adiante: Cabe tecer algumas considerações sobre o ágio então contabilizado na SANTANDER HOLDING. Para tanto, há que se detalhar o valor total que teria sido pago pelo SANTANDER HISPANO pelos 36.394.636.404 ações (97,208% do capital do BANESPA), considerando o valor pago no leilão mencionado e também os montantes desembolsados na Oferta Pública de Ações (OPA), bem como demais custos. Tais valores são evidenciados no demonstrativo a seguir, que reproduz dados apresentados à fiscalização pela interessada (fls.84): Custo total das ações do BANESPA adquiridas pelo SANTANDER HISPANO Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 9 8 Ações Total 37.440.000.000 100 % Valor pago (R$) Leilão 11.232.000.000 30,00 % 7.050.000.000,00 Funcionários 1.197.760.392 3,20 % 197.740.376,17 Sobra Tesouro 24.630.756 0,07 % 15.460.009,78 OPA 23.896.653.212 63,83 % 2.275.439.318,85 Corretora 12.433.382 0,03 % 1.187.387,98 BSB 31.158.662 0,083 % 2.975.652,26 Subtotal 36.394.636.404 97,208 % 9.542.802.745,04 CPMF 21.803.912,68 Emolumentos 5.334.978,76 Comissões OPA 4.583.925,26 Outras ações BSB 374.438,07 Custo Total 9.574.900.000,00 Portanto, o valor total pago pelo SANTANDER HISPANO pelas 36.394.636.404 ações do BANESPA, considerando todos os custos envolvidos, alcançou R$9.574.900.000,00. Notese que esse valor foi exatamente o aporte de capital realizado pelo SANTANDER HISPANO na SANTANDER HOLDING, por meio das ações do BANESPA. A despeito do laudo de avaliação do valor de mercado das 36.394.636.404 ações do BANESPA ter concluído que tal valor importava em R$10.078.626.000,00 (item 13 do laudo de fls.7485), o montante atribuído pelo SANTANDER HISPANO para fins de subscrição e integralização do capital social da SANTANDER HOLDING alcançou exatamente o valor total que a empresa pagou pelas referidas ações. Considerandose o patrimônio líquido do BANESPA e a participação do SANTANDER HISPANO em seu capital, obtémse, por diferença, o valor total do ágio envolvido na aquisição, com base nas informações prestadas (fls.85): Valor total do ágio pago pelo SANTANDER HISPANO na aquisição do BANESPA Custo total (a) R$9.574.900.000,00 PL do BANESPA em 30/04/2001 (b) R$2.173.519.280,48 Porcentagem de participação do SANTANDER HISPANO (c) 97,208% Valor do investimento (d) = (b)x(c) R$2.112.832.369,93 Ágio (a)(d) R$7.462.067.630,07 Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 10 9 Como o aporte de capital na SANTANDER HOLDING se deu exatamente no montante de R$9.574.900.000,00, e apenas com ações do BANESPA, o ágio contabilizado na SANTANDER HOLDING, quando de seu aumento de capital, é exatamente o ágio pago pela sociedade espanhola na aquisição das ações do BANESPA. Assim, não há como desvencilhar o ágio pago pela sociedade domiciliada na Espanha pelas ações do BANESPA, do ágio contabilizado na SANTANDER HOLDING quando do aumento de seu capital pelo mesmo subscritor espanhol. Tratase do mesmo fato econômico refletido contabilmente nas demonstrações da SANTANDER HOLDING. Os encargos de amortização do ágio pago pela sociedade estrangeira não poderiam reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do próprio BANESPA, conforme os dispositivos legais que tratam da dedutibilidade dos encargos de amortização do ágio. Deste ponto em diante, a decisão recorrida volta a apresentar relatório semelhante à acusação veiculada no processo administrativo nº 16561.000222/200872: Com a Lei nº 9.532/97 o legislador definiu os contornos das situações em que os encargos de amortização poderiam ser deduzidos para a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. O parágrafo 11 da Exposição de Motivos nº 644/MF, relacionada à Medida Provisória nº 1.602/97 (convertida na Lei nº 9.532/97), transcrito a seguir, corrobora esse raciocínio: 11. O art.8º estabelece o tratamento do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos “planejamentos tributários”, vêm utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. Portanto, a Lei nº 9.532/97 passou a estabelecer condições para a dedutibilidade dos encargos de amortização do ágio pago, cujo descumprimento implica a impossibilidade de o sujeito passivo deduzilos na apuração de seu lucro real e da base de cálculo da CSLL. A análise dos fatos demonstra que o BANESPA não preencheu as condições impostas pelo legislador para deduzir os encargos de amortização do ágio em comento, para efeito de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme o disposto nos artigos 7º e 8º, da Lei nº 9.532/97, e no art.20, do Decretolei nº 1.598/77, matrizes legais dos artigos 385 e 386, do RIR/99, todos reproduzidos a seguir: Lei nº 9.532/97 [...] DecretoLei nº 1.598/77 Desdobramento do Custo de Aquisição [...] RIR/99 Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 11 10 Desdobramento do Custo de Aquisição [...] Tratamento Tributário do Ágio ou Deságio nos Casos de Incorporação, Fusão ou Cisão [...] A dedutibilidade dos encargos de depreciação [amortização] condicionase, portanto, ao estrito cumprimento das regras impostas pelos dispositivos referidos. Caso não sejam cumpridas tais regras, eventuais encargos de amortização são indedutíveis. Conforme a legislação tributária, a dedutibilidade dos encargos de amortização de ágio para fim de apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL cingese ao sobrepreço pago que esteja assentado em expectativas de rentabilidade futura. Quaisquer outros fundamentos econômicos que eventualmente tenham alicerçado o ágio pago não autorizam sua amortização para efeito da apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL. Os documentos apresentados pelo fiscalizado mencionam que o ágio pago pelo SANTANDER HISPANO teve por fundamento econômico o valor de rentabilidade do BANESPA com base em previsão de resultados de exercícios futuros (fls. 7483 e 728 731). Não se questiona a existência do ágio pago pelo SANTANDER HISPANO pelas ações do BANESPA, porém não é concebível que todo o ágio efetivamente pago pela sociedade espanhola tivesse fundamento econômico nas expectativas de rentabilidade futura, uma vez que tal conclusão implicaria desprezar todo o fundo de comércio do BANESPA. Na definição do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações (7ª ed., pág.172): O fundo de comércio representa uma gama de fatores, como nome e tradição da empresa no mercado, imagem e qualidade de seus produtos, clientela já formada, qualidade e treinamento de seus funcionários, processos técnicos de fabricação, cartaspatentes, licenças, etc., todos, por natureza, intangíveis que economicamente podem existir, mas não são registrados na contabilidade como ativos. Assim, para efeitos de fundamentação do ágio, fundo de comércio e intangível, não podem ser considerados duas, mas uma mesma razão. A carteira de cerca de 3 milhões de clientes do BANESPA certamente influiu no sobrepreço pago por suas ações, pois constituía um ativo de grande valor para a instituição adquirente . O item 6.7.1.3 do edital PND nº 03/2000 (fls.52) evidencia que a maioria dos clientes pessoas físicas recebiam seus vencimentos por meio do Banespa (“clientes vinculados”). A grande capilaridade do BANESPA, especialmente em SP, era um ativo importante para os planos de expansão do conglomerado financeiro espanhol no Brasil. O nome e a marca também são ativos que influenciaram o ágio pago. A referência ao item 6.7.1.3 do edital de licitação não constou do Termo de Verificação lavrado nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/200872. De outro lado, naqueles autos mencionouse que verdadeiras “batalhas” por clientes já vinham sendo travadas entre instituições financeiras (o que se verifica até hoje) de modo a aumentar suas participações no mercado, bem como destacouse que o ágio pago pelo Santander Central Hispano S.A. no leilão do Banespa superou em muito aquele oferecido pelos demais concorrentes (conforme reportagens da época, ao passo que o Santander Central Hispano S.A. pagou um ágio da ordem de 280% sobre o preço mínimo, o lance do segundo colocado Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 12 11 embutia um ágio da ordem de 13%). Daí a conclusão de que o fundo de comércio do Banespa também influenciou o valor oferecido no leilão de suas ações. Na seqüência, a motivação do presente lançamento volta a apresentar os mesmos argumentos antes expressos no processo administrativo nº 16561.000222/200872: Ao ostentar que todo o suposto ágio teria fundamento em expectativas de rentabilidade futura, o grupo econômico SANTANDER ilicitamente aspirou ao benefício fiscal de amortizar todo esse ágio, a despeito de a legislação vedar tal benefício em relação àquele suportado em outros fundamentos econômicos. As demais condições legalmente impostas também não foram cumpridas para a dedutibilidade dos encargos de amortização deste ágio. As operações societárias realizadas pelo grupo econômico SANTANDER tiveram como objetivo econômico internalizar para o Brasil um ágio pago pela sociedade estrangeira domiciliada na Espanha (SANTANDER HISPANO) e gerado quando da aquisição de ações da pessoa jurídica brasileira (BANESPA). O ponto de partida para tal internalização deuse com o aumento de capital da SANTANDER HOLDING com ações do BANESPA, então detidas pela sociedade espanhola. É patente o intuito do grupo econômico SANTANDER de utilizar a SANTANDER HOLDING para carrear o referido ágio para o Brasil visando o benefício fiscal. A existência legal da SANTANDER HOLDING foi efêmera (constituída em 10/2000, fls.6671, e incorporada em 07/2001, fls.93101), tendo apresentado no período declarações de rendimentos que evidenciavam como operação apenas o aumento de seu capital social de R$1.000,00 para R$9.574.901.000,00, sem revelar quaisquer outras operações (fls. 631637). A sociedade sequer possuía funcionários no período em que existiu. O grupo econômico SANTANDER constituiu a SANTANDER HOLDING com o único fim de internalizar e transferir o ágio para posteriormente amortizálo. Tratase de um caso típico de “empresa veículo”, criada com este exclusivo intuito. A recente jurisprudência administrativa vem sendo firmada no sentido de se exigir um propósito negocial em operações societárias que visem apenas a alcançar benefícios fiscais, tal como o caso em comento. Registrese que no Termo de Verificação Fiscal destes autos foi citado, como exemplo de jurisprudência administrativa favorável, acórdão cuja ementa está a seguir transcrita: INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE AGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE "EMPRESA VEÍCULO". Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve o seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e, ato continuo, o evento da incorporação ocorreu no dia seguinte. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresa veiculo" para transferência do ágio à incorporadora. (Acórdão no 10323290, publicado no DOU de 08/05/2008) Destaquese, também, que, ao lavrar o Termo de Verificação Fiscal nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/200877, o Auditor fiscal se estendeu um pouco mais ao abordar os aspectos acima, expressando constatações relativamente distintas daquelas expostas nestes autos, e antes relatadas: Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 13 12 Cumpre aqui tecer uma primeira observação acerca do valor capitalizado na Santander Holding Ltda pelo Santander Central Hispano S.A.. Apesar de o custo de aquisição das ações do Banespa (entendido como o valor patrimonial das ações acrescido do ágio pago) ter alcançado R$ 7.050.000.000,00, o montante capitalizado na sociedade domiciliada no Brasil foi de R$ 9.574.900.000,00, neste computado o valor de investimento de R$ 2.112.832.369,93 e um ágio de R$ 7.462.067.630,07. E foi este último valor de ágio que foi objeto de amortização. Concluise, por conseguinte, que o ágio inicialmente pago pela sociedade estrangeira domiciliada na Espanha (Santander Central Hispano S.A.) sofreu verdadeira reavaliação quando da tentativa de internalizálo no Brasil. Ainda que todas as condições para a dedutibilidade dos encargos de amortização tivessem sido plenamente atendidas o que aqui se refuta peremptoriamente, como a seguir demonstrado, mas que se assume apenas para efeito de argumentação , para fim de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, caberia adicionar ao lucro liquido os valores da diferença entre o ágio que fora supostamente internalizado e aquele efetivamente pago, nos momentos em que a legislação os considera realizados. Como tais valores tampouco foram espontaneamente adicionados, restaria justificado o procedimento de oficio de oferecêlos à tributação. Repisese que tal procedimento não foi aqui adotado, visto que nem mesmo os encargos de amortização do ágio pago pela sociedade espanhola eram passíveis de dedução para a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, justificando a glosa integral dos encargos deduzidos. E, retomando o relatório da decisão recorrida, temse: Conforme evidencia o item 1.1 do “Protocolo de Incorporação e Instrumento de Justificação” de 12/07/2001 (fls.98), a seguir transcrito, a subsequente incorporação da SANTANDER HOLDING (“SH”) pelo BANESPA também denota o intuito de desfrutar estritamente de um benefício fiscal derivado da amortização do ágio: 1. JUSTIFICAÇÃO 1.1 Tendo em vista que a SH é detentora de ações do Banespa, que inclui o ágio pago na aquisição dessa participação acionária, as administrações das partes entendem que a incorporação, pelo Banespa, da SH, com sua consequente extinção, se justifica na medida em que permitirá a melhoria do fluxo de caixa do Banespa resultante do benefício fiscal gerado pela amortização do ágio pago quando da aquisição de ações de emissão do Banespa registrado na SH, sendo que a operação de incorporação da SH, objeto deste Protocolo, será estruturada de modo a não acarretar a transferência de endividamento da SH ao Banespa. Ainda, os dividendos atribuídos às ações detidas pelos acionistas não controladores não serão diminuídos pelo montante do ágio amortizável em cada exercício , conforme disposto na Cláusula 4.3 deste Protocolo. Cabe aqui consignar que, no lançamento anterior, a autoridade fiscal também destacou, como evidência semelhante à acima referida, os itens 11 e 12 da “Instrumento Particular da Terceira Alteração do Contrato Social” da SANTANDER HOLDING (fls.54), os quais estabelecem que “(...) a sociedade constituiu uma provisão para manter a integralidade do patrimônio do Incorporador. A reversão desta provisão no Incorporador permitirá a neutralização dos efeitos adversos da amortização do ágio em seu balanço. Dessa forma, os dividendos atribuídos às ações do Incorporador não serão diminuídos pelo montante do ágio amortizável em cada exercício”. Entendeu, assim, ter ficado claro o intento eminentemente fiscal da operação societária, um vez que foi utilizado um mecanismo para aplacar o efeito da amortização do ágio na distribuição de dividendos. Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 14 13 Ainda, naquele lançamento, o Auditor responsável denominou a operação como internalização do ágio pago pelo Santander Central Hispano S.A., para depois prosseguir em sua análise de forma semelhante à veiculada nestes autos, a seguir apresentada a partir do relatório da decisão recorrida nestes autos: O ágio foi efetivamente pago pela sociedade domiciliada na Espanha e não por uma domiciliada no Brasil. Portanto, o ágio decorrente da aquisição de ações haveria de ser contabilizado na sociedade estrangeira adquirente das ações do BANESPA, e não em uma domiciliada no Brasil. As operações societárias desencadeadas após a aquisição das ações do BANESPA lastrearamse nessa suposta transferência do ágio pago pela sociedade espanhola para sociedades domiciliadas no Brasil, porque a dedutibilidade dos encargos de amortização do ágio pressupõe que este tenha sido contabilizado em uma sociedade domiciliada no Brasil. As condições de dedutibilidade de encargos de amortização de ágio previstas no art.386, do RIR/99, têm como pressuposto uma anterior contabilização do custo de aquisição do investimento, nos termos do art.385, do RIR/99. A norma prevista no art.385 do RIR/99 é dirigida ao contribuinte, conceito cujo alcance está delimitado nos artigos 146 e 147 do RIR/99, a seguir transcritos: [...] Portanto, o previsto no art.385, do RIR/99, não é aplicável ao SANTANDER HISPANO, porque se trata de sociedade domiciliada no exterior, que como tal não se enquadra no conceito de contribuinte, na acepção técnica empregada no caput do aludido dispositivo (salientese que tal sociedade tampouco se enquadra no art.147, II, do RIR/99). A contabilização desse ágio na sociedade adquirente deve se pautar nas regras do país de seu domicílio, a Espanha, cuja legislação eventualmente poderia também conceder benefícios fiscais em decorrência do pagamento acima do valor patrimonial de ações. Tratase de contabilização em sociedade estrangeira, em relação à qual a legislação brasileira não pode ser impingida. Sendo inaplicável o art.385 do RIR/99 à operação que deu origem ao ágio pago na aquisição de ações do BANESPA, é certo que as operações societárias subsequentes não se subsumem à norma prevista no art.386 do RIR/99, já que a incidência daquela constitui pressuposto para a dedutibilidade autorizada por esta (atendidas as demais condições por ela impostas). A despeito da tentativa do grupo econômico SANTANDER de transferir para o Brasil o ágio pago pela sociedade espanhola, em função da aquisição das ações da sociedade nacional, a legislação brasileira não autoriza que tal ágio seja aqui amortizado para efeito da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da sociedade nacional. O exame da devida contabilização das operações societárias empreendidas (fls.395 398) também torna indiscutível que o escopo único destas foi internalizar e carrear para o próprio BANESPA o ágio pago pela sociedade estrangeira, possibilitando que o BANESPA deduzisse os encargos de amortização do ágio gerado na aquisição de suas próprias ações (salientando que o início da amortização deuse após o BANESPA incorporar sua controladora, a qual seria supostamente detentora do ágio pago pela sociedade estrangeira na aquisição das ações do próprio BANESPA). Como o SANTANDER HISPANO é controlador do SANTANDER S/A, concluise que o investimento no BANESPA (incluindo o ágio pago) permaneceu por via indireta, mesmo após todas as operações societárias já discorridas, sob o controle da empresa espanhola que arrematou as ações com ágio. Assim, o ágio permanece Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 15 14 indiretamente como um ativo da sociedade espanhola, por meio de sua participação na sua controlada brasileira. No lançamento anterior, ressaltouse ser ilógica a situação de uma pessoa jurídica deduzir de seus próprios resultados a amortização de um ágio gerado na aquisição de suas próprias ações, notadamente se este tinha como fundamento uma rentabilidade futura destes mesmos resultados. Já aqui, passouse diretamente à conclusão da motivação do lançamento, sob fundamentos semelhantes aos do processo administrativo nº 16561.000222/200872: Do ponto de vista contábil, o “efeito líquido” das operações societárias consistiu basicamente num lançamento artificial de ágio a débito do ativo do BANESPA e a crédito de seu passivo (exigível ou não exigível), no valor de R$7.462.067.630,07. Como demonstrado, apesar das operações societárias aparentarem uma licitude formal quando individualmente analisadas, o resultado final do conjunto teve por objetivo burlar a legislação tributária, deduzindo ilegalmente encargos de amortização, em prejuízo da Fazenda Nacional. Por consequência, impõese o lançamento de ofício dos créditos tributários do IRPJ e da CSLL, decorrentes da ilícita dedução dos encargos de amortização do ágio do lucro real e da base de cálculo da CSLL efetuados pelo BANESPA (fls. 121). Na seqüência, a quantificação da exigência é específica para estes autos: Encargos de amortização de ágio Período de apuração Encargos de amortização do ágio 2005 (01/01 a 31/12) R$870.574.556,81 2006 (01/01 a 31/08) (*) R$248.735.587,66 (*) Até a incorporação do BANESPA pelo SANTANDER S/A. 3.2. Das compensações indevidas em função dos saldos insuficientes de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL Em face da infração apurada, e considerando os saldos de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL do Banespa, apuraramse compensações indevidas de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL no ano de 2006, conforme o demonstrativo a seguir, sendo também objeto desta autuação fiscal: Compensações indevidas de prejuízos e de base de cálculo de CSLL Infração Valor Saldo insuficiente de prejuízos fiscais compensados R$69.027.562,93 Saldo insuficiente de bases de cálculo negativas da CSLL compensadas R$72.011.096,20 Para qualificar a penalidade, a autoridade lançadora, nestes autos, fez referência a argumentos um pouco diferentes daqueles que motivaram o lançamento anterior: 4. Da multa qualificada A situação descrita se subsume à hipótese prevista no art.72, da Lei nº 4.502/64, o que impõe a aplicação da multa no percentual de 150% prevista no §1º, do art.44, Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 16 15 da Lei nº 9.430/96, tendo em vista a inexistência de sentido econômico da operação. Transcrevese os referidos dispositivos: Lei nº 4.502/64 Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) A redação anterior do art.44 da Lei nº 9.430/96 também previa o agravamento de multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A operação planejada entre as empresas de um mesmo grupo (uma controlada pela outra e ambas sob o controle da mesma pessoa jurídica sediada no exterior, o Santander Hispano) foi engendrada com o intuito único de “criar” despesas de amortização em uma das empresas, diminuindo ilegalmente a base tributável. Diversos aspectos relevantes comprovam a ilicitude das operações: a) A Santander Holding foi constituída em 25/10/2000, permanecendo sem atividade desde a sua constituição até sua capitalização pelo Santander Hispano, em 28/04/2001. Seu capital social permaneceu, durante todo esse período, inalterado em R$1.000,00, e a empresa não realizou nenhuma movimentação financeira, incluindo pagamentos a funcionários ou diretoria. Além disso, não consta nas DIPJ apresentadas nenhuma informação relativa a empregados. Constatase que a Santander Holding foi constituída apenas como “empresa veículo” para ilicitamente carrear o ágio gerado em empresa estrangeira para o Brasil, de forma que fosse posteriormente utilizado para redução do lucro apurado na própria empresa em que o mesmo ágio foi gerado, qual seja, o Banespa. b) Conforme documentos apresentados, o ágio amortizado lastreouse apenas em expectativa de rentabilidade de exercícios futuros, ignorando o fundo de comércio da empresa, porquanto o ágio neste fundado não geraria amortizações dedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Os valores relativos à marca “Banespa”, sua penetração e notoriedade no mercado, sua carteira de clientes, a rede de Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 17 16 agências no Brasil e exterior, sua reputação, enfim, o valor de seu fundo de comércio, foi total e convenientemente substituído pela rentabilidade de exercícios futuros. Prova cabal da relevância do fundo de comércio foi o tempo decorrido entre a aquisição do Banespa e sua incorporação pelo Santander S/A, a qual se deu apenas em 2006, cinco anos depois, período esse em que o grupo Santander dele se beneficiou. c) A incorporação da Santander Holding por sua controlada, o Banespa, e o início da amortização do ágio gerado na aquisição de suas ações por empresa domiciliada no exterior. Os fatos descritos evidenciam a simulação de uma operação envolvendo o Santander Hispano e empresas do grupo Santander sediadas no Brasil, com a finalidade de iludir o Fisco, cujo único resultado foi a redução ilícita das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do Banespa. É incabível a internalização do ágio pago, porque ele permaneceu indiretamente sob o controle da sociedade espanhola. Pelo exposto, fica caracterizado o intuito de fraude, o que justifica a aplicação da multa qualificada. Já no lançamento anterior, a acusação fiscal foi assim erigida, após a citação dos dispositivos da Lei nº 9.430/96 e 4.502/64: A situação já caracterizada indiscutivelmente se subsume à hipótese prevista na norma acima. A operação planejada entre as empresas de um mesmo grupo (uma delas controlada pela outra e ambas sob o controle da mesma pessoa jurídica sediada no exterior, qual seja, o Banco Santander Central Hispano) que "propiciou" o pagamento de um ágio de 280%, ou seja, 2.054% maior que o proposto pelo segundo concorrente (de 13%) e 41.691% maior que aquele oferecido pelo terceiro colocado (0,67%), foi engendrada com o evidente intuito único de "criar" despesas de amortização em uma delas, diminuindo ilegalmente sua base tributável, restando comprovado, conforme item 3.1 acima, a inexistência de sentido econômico da operação. Há que se considerar diversos aspectos relevantes da operação que comprovam, sem nenhuma sombra de dúvida, a ilicitude das operações que almejam aproveitar o ágio aqui discutido. Um dos aspectos importantes é o fato da Santander Holding Ltda., constituída em 25 de outubro de 2000, permanecer desde sua constituição até sua capitalização por parte do Banco Santander Central Hispano, em 28 de maio de 2001, sem qualquer atividade, como já explanado no item anterior. Seu capital social permaneceu, durante todo esse período, inalterado em R$ 1.000,00. Além disso, não empreendeu qualquer movimentação financeira, incluindo pagamentos a funcionários ou diretoria. Ademais, não consta, inclusive, nenhuma informação de empregados na empresa, conforme as DIPJ apresentadas. Pelo que foi exposto acima, constatase que a Santander Holding Ltda. foi constituída apenas como "empresa veiculo" para esdrúxula e ilicitamente carrear o ágio gerado em empresa estrangeira para o Brasil, de forma que fosse posteriormente utilizado para redução do lucro apurado na própria empresa em que o mesmo ágio foi gerado, qual seja, o Banespa. Embora o Banco Santander Central Hispano tenha pago pelas ações do Banespa um montante de R$ 7.050.000.000,00 (sete bilhões e cinquenta milhões de Reais), quando da capitalização da Santander Holding Ltda., o capital representante das ações passou a R$ 9.574.900.000,00, conforme Laudo de Avaliação da KPMG, ampliando o ágio para R$ 7.462.067.630,07, sem que houvesse qualquer contrapartida com fundamento econômico para tanto. Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 18 17 A natureza única do ágio alegada no laudo é de rentabilidade de exercícios futuros, ignorando totalmente a inescapável parcela derivada do fundo de comércio da empresa (pois a parcela do ágio neste fundada não geraria amortizações dedutiveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL). Portanto, os valores relativos à marca "Banespa", sua penetração e notoriedade no mercado, sua carteira de clientes, sua rede de agências no Brasil e no exterior (e aqui não me refiro apenas às instalações físicas, mas sua conveniente distribuição, visibilidade e o próprio fato de estarem disponíveis e operacionais), sua reputação de solidez, enfim, o valor de seu fundo de comércio, foi total e convenientemente substituído pela tosca, questionável e discutível "rentabilidade de exercícios futuros". Uma prova cabal da relevância do fundo de comércio foi o tempo decorrido entre a aquisição do Banespa e sua incorporação pelo Banco Santander S.A., a qual se deu apenas em 2006 (ou seja, após 5 anos), período este em que o Grupo Santander dele se beneficiou. O fato relevante seguinte foi a simples incorporação da Santander Holding Ltda. por sua controlada, o Banespa, e o início da amortização do ágio gerado em sua aquisição por empresa domiciliada no exterior, adicionado àquele consubstanciado no Laudo de Avaliação, quando da capitalização da Santander Holding Ltda.. Os fatos acima descritos evidenciam a simulação de uma complexa operação envolvendo 5 empresas sediadas no Brasil e uma no exterior, com a finalidade de iludir o fisco, cujo único resultado no "mundo real" foi a redução ilícita no lucro do Banespa. A tentativa de internalização do ágio pago restou infrutífera, porquanto ele permaneceu indiretamente sob o controle da sociedade espanhola. Por outro lado, da complexa rede de operações societárias resultou a criação fictícia de um ativo (ágio) no Banespa, a despeito de permanecer existindo como ativo da sociedade espanhola. Pelo exposto, haja vista os elementos narrados, fica patente a caracterização do intuito fraudulento, justificando plenamente a aplicação da multa qualificada. Nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/200872, a autoridade lançadora expôs seu entendimento acerca da contagem do prazo decadencial, e, na seqüência, passou a abordar a responsabilidade do sujeito passivo autuado, adotando os mesmos fundamentos expostos no Termo de Verificação Fiscal que instrui estes autos, assim relatados na decisão recorrida. 5. Da responsabilidade da sucessora Em face da incorporação do Banespa pelo Santander S/A, em agosto de 2006, houve a responsabilização da incorporadora pelos tributos devidos pela incorporada, a teor do art.132, do CTN, e do art.207, III, do RIR/99, transcritos a seguir: CTN Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. RIR/99 RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 19 18 Art.207. Respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas (Lei nº 5.172, de 1966, art. 132, e Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 5º): (...) IIIa pessoa jurídica que incorporar outra ou parcela do patrimônio de sociedade cindida; No caso em tela, a responsabilidade da incorporadora não se restringe aos tributos devidos, mas também às multas aplicáveis à incorporada, tendo em vista que as operações societárias ocorreram entre empresas controladas pelos mesmos sócios e administradores. Logo, é inadmissível haver o desconhecimento por parte do incorporador tanto em relação aos atos ilícitos praticados pelo incorporado, quanto no que concerne ao passivo da sociedade incorporada. Também o art.129 do CTN, transcrito a seguir, estabelece o delineamento geral aplicável à responsabilidade dos sucessores: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. (destacouse) O dispositivo aludido dirige a responsabilidade tributária aos créditos tributários, que abarcam não apenas os tributos, mas também as multas aplicadas ao sujeito passivo. Ademais, embora o art.132 do CTN se refira apenas a tributos, sem alusão a penalidades aplicáveis, a interpretação sistemática do dispositivo à luz do ordenamento jurídico conduz à conclusão de que a responsabilidade dos sucessores também alcança as sanções imponíveis aos sucedidos. Logo, resta demonstrada a licitude da cominação de multas de ofício ao Santander S/A, em face de infrações cometidas pelo sucedido Banespa. Acrescentese que, nestes autos, em reforço aos seus argumentos para imputação de responsabilidade ao autuado, a autoridade lançadora faz referência aos seguintes acórdãos dos Conselhos de Contribuintes: 20309.645, 10708.562, 10322.932, 20310.074, 201 78.499, 20177.517 e 20177.143. Por fim, a decisão recorrida assim demonstra as exigências tributárias aqui veiculadas: Em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 28/06/2010, foram lavrados autos de infração de IRPJ (fls.355361) e CSLL (fls.364370), com os valores a seguir discriminados: Demonstrativo do IRPJ Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Imposto Artigos 146, 147, 249, 385 e 386 do RIR/99; art. 44 da Lei nº 9.430/96; art.72 da Lei nº 4.502/64; artigos 129, 132, 150 §§1º e 4º, e art.173, inciso I, do CTN. 241.134.784,15 Juros de Mora (até 31/05/2010) Art.6º, §2º, e art.61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. 109.806.324,26 Multa de Ofício Art.44, II, da Lei nº 9.430/96. 361.702.176,22 TOTAL 712.643.284,63 Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 20 19 Demonstrativo da CSLL Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Contribuição Art.2º, e §§, da Lei nº 7.689/88; art.1º da Lei nº 9.316/96; art.28 da Lei nº 9.430/96; art.37 da Lei nº 10.637/2002; artigos 57 e 58 da Lei nº 8.981/95, com redação dada pela Lei nº 9.065/95; art.16, da Lei nº 9.065/95. 90.736.195,37 Juros de Mora (até 31/05/2010) Art.28 c/c art.6º, §2º, e art.61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. 41.417.275,79 Multa de Ofício Art.44, II, da Lei nº 9.430/96. 136.104.293,05 TOTAL 268.257.764,21 Os argumentos deduzidos pela interessada em impugnação estão relatados nos seguintes termos, na decisão recorrida: Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 427537, acompanhada dos documentos de fls. 5381213, em síntese alegando que: 1. Dos fatos A Fiscalização concluiu que a Santander Holding seria uma “empresa veículo” com base em presunções, tais como: (i) a efêmera duração da Santander Holding e (ii) a inexistência de funcionários e operações realizadas no período, com exceção do aumento de seu capital social. O ágio objeto de amortização não foi gerado na compra das ações do Banespa pelo Santander Hispano, e sim na conferência da ações do Banespa em aumento de capital na Santander Holding. Os autos de infração devem ser cancelados, pelas razões expostas a seguir. 2. Da incompetência da Demac como sucessora da Deain A Delegacia Especial de Maiores Contribuintes em São Paulo (Demac/SP) não tem competência para fiscalizar a impugnante no que tange à dedutibilidade da amortização do ágio, padecendo de nulidade a autuação. O MPF 08.1.71.002009000120 foi instaurado pela Delegacia Especial de Assuntos Internacionais em São Paulo (Deain/SP) em 29/01/2009 para fiscalização de assuntos de sua competência (tributação de lucros no exterior), conforme fls.02 do Termo de Verificação Fiscal. Porém, a competência da Deain, definida no art.208 da Portaria MF nº 125/2009, não engloba a verificação da dedutibilidade do ágio em território nacional pela impugnante, conforme dispositivo transcrito a seguir: Art. 208. À Delegacia Especial de Assuntos Internacionais Deain compete, no âmbito de sua jurisdição e de forma concorrente em todo território nacional, desenvolver as atividades de fiscalização e as concernentes às operações de preços de transferência entre pessoas vinculadas, tributação em bases universais, valoração aduaneira, movimentação de recursos no exterior, operações de remessas internacionais consubstanciadas em operações de câmbio e de transferências internacionais em moeda nacional, e demais transações de conexão com o exterior com impacto tributário,(...) Verificase que a competência da Deain (sucedida pela Demac) restringiase apenas à fiscalização de operações internacionais envolvendo preço de transferência, Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 21 20 câmbio e transferência internacional de moeda. A dedutibilidade do ágio pela impugnante no território brasileiro não está englobada nessas atividades. A Deain deixou de solicitar ao impugnante esclarecimentos essenciais ao deslinde do caso. Além disso, a impugnante, na condição de Banco Múltiplo, está sujeita à fiscalização da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo (Deinf/SP), nos termos do art.207 da Portaria MF nº 125/2009, com alteração da Portaria MF nº 206/2010, e art.1º da Portaria RFB nº 598/2010. Corrobora tal entendimento a notificação recebida pela impugnante informando que a empresa estaria sujeita a acompanhamento econômicotributário diferenciado sob responsabilidade da Deinf/SP (fls. 615). Logo, padece de nulidade a autuação, nos termos do art.59, inciso I, do Decreto nº 70.235/72. 3. Preclusão da possibilidade do Fisco questionar a legalidade dos atos societários que originaram o ágio Em 20/11/2000 o Santander Hispano arrematou em leilão as ações do Banespa, liquidando a operação em 27/11/2000. A oferta pública para adquirir as demais participações societárias do Banespa foi concluída em 06/04/2001. Em 29/05/2001 a sociedade espanhola aumentou o capital da Santander Holding, sendo o ágio gerado pelo investimento contabilizado pela empresa conforme balanço de 30/06/2001 (fls.623). Verificase que o ágio surgiu em 29/05/2001, com o aumento de capital da Santander Holding, sendo transferido ao Banespa em 30/07/2001, com a incorporação daquela sociedade pelo Banespa. Como o fato contábilsocietário que originou o ágio ocorreu no anobase de 2001, não poderia a fiscalização questionar a legalidade dos atos que originaram o direito ao aproveitamento desse ágio, eis que transcorrido o prazo decadencial de cinco anos quando da ciência da autuação (29/06/2010). Anexos acórdãos do Conselho de Contribuintes nesse sentido (fls.638716). O ágio contabilizado em 2001 é dado contábil e societário, representando parte do custo de aquisição do ativo respectivo. Por disposição legal específica, autorizase a antecipação do aproveitamento desse custo em data anterior a uma eventual alienação do ativo, por intermédio da amortização, desde que a motivação do referido ágio seja a rentabilidade futura da companhia. Não pode a autoridade fiscal desconsiderar em 2010 fato jurídico relativo à contabilização de um ágio em 2001, desconsiderando os efeitos tributários ocorridos em anos subsequentes, pois já transcorrido o prazo de cinco anos entre o surgimento do ágio e a lavratura dos autos de infração. Assim, deve ser cancelada a autuação. 4. Da inexistência de fraude e simulação Não pode prevalecer a multa agravada de 150% pois não houve, no presente caso, fraude ou simulação nas operações que culminaram com a amortização do ágio pelo Banespa. Para se exigir tal multa, é necessário que exista uma conduta contrária à lei, intencionalmente praticada pela contribuinte e comprovada pelo Fisco, o que não ocorreu neste caso. 4.1. Da inexistência de fraude A fiscalização não comprovou, por meio de provas diretas, e não presuntivas, que as operações societárias que resultaram no aproveitamento de ágio pelo Banespa Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 22 21 foram feitas com evidente intuito doloso de retardar ou impedir o surgimento da obrigação tributária, segundo o disposto no art.72 da Lei nº 4.502/64. O dolo específico é caracterizado pela intenção manifesta do agente de omitir dados, informações ou procedimentos que resultem na diminuição ou retardamento no atendimento do dever tributário. Nenhuma conduta dolosa foi praticada pela impugnante pois todas as operações societárias foram devidamente registradas contabilmente e levadas ao conhecimento de todos os órgãos competentes, como a Jucesp, a RFB, o Bacen e CVM. Os documentos fiscais e contábeis foram submetidos à apreciação da RFB durante o curso da ação fiscal. O Bacen emitiu despachos aprovando as operações societárias realizadas pelo grupo Santander, sem qualquer exigência (fls. 718720). Houve o registro na Jucesp de todos os atos societários mencionados no Termo de Verificação Fiscal (fls.722750). Os documentos e as condições da operação foram apresentados à CVM e Bolsa de Valores, havendo divulgação de fato relevante na imprensa (fls.752). As operações societárias foram realizadas com evidentes e declarados propósitos negociais, quais sejam: (ii.1) a aquisição do Banespa por intermédio da operação mais correta, direta e adequada possível; (ii.2) a integração das atividades bancárias do grupo Santander no Brasil; e (ii.3) representar uma etapa do planejamento estratégico mundial do grupo Santander para ser uma das maiores e melhores instituições financeiras do país. A legalidade das operações foi analisada por empresa de consultoria e auditores independentes, os quais emitiram pareceres favoráveis. Ao analisar a estrutura societária pretendida pela impugnante, os consultores não só atestaram a sua licitude e o seu propósito econômico, como também afastaram a ocorrência de simulação ou abuso de forma ou direito, deixando claro que os atos praticados estariam de acordo com os dispositivos legais Lei nº 9.532/97 (fls. 753790). Os auditores externos avaliaram os registros contábeis relativos ao processo de reestruturação societária do grupo Santander no Brasil e concluíram pela adequação do procedimento adotado, atestando que (fls.791797): “Os procedimentos contábeis adotados pelo Grupo Santander no Brasil no processo de reestruturação societária dos seus investimentos atenderam às normas regulamentares vigentes.” Além disso, os auditores externos analisaram e validaram as demonstrações contábeis do Banespa dos anosbase de 2001 a 2006, as quais já refletiam o ágio gerado pela integralização das ações na Santander Holding, bem como as respectivas amortizações, conforme se verifica nas demonstrações, notas explicativas e parecer dos auditores anexos (fls.798925). Todo o processo iniciouse por meio da aquisição das ações do Banespa pelo Santander Hispano por meio de leilão público, sem que tenha havido qualquer questionamento por parte da Administração Pública quanto à lisura dessa modalidade de licitação. O leilão público foi aberto a todos os interessados, sem possibilidade de esconder do Fisco os presentes fatos. O Santander Hispano concorreu em igualdade com os demais interessados, o que fazia com que pudesse aproveitarse da dedutibilidade do ágio pago pela compra do Banespa, por intermédio de operações societárias que se sucederam. As operações societárias que se sucederam após a compra do Banespa pelo Santander Hispano não foram realizadas como forma de “internalizar” ficticiamente valores ilegítimos ou inexistentes. Todos os atos foram praticados ao Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 23 22 abrigo da lei e tinham por finalidade integrar as atividades bancárias do grupo Santander no País. 4.2. Da nãoocorrência da “simulação de uma complexa operação” A simulação não está descrita em nenhum dos artigos da Lei nº 4.502/64 que autorizam a aplicação da multa agravada (artigos 71, 72 e 73). Não obstante a inexistência de previsão legal para aplicação da multa agravada nos casos de simulação, é fato que não ocorreram atos simulados tendentes a transmitir direitos diversos daqueles realizados. A suposta “empresa veículo” não foi constituída com único fim de obter benefícios fiscais, mas sim para viabilizar a aquisição das ações do Banespa por meio de leilão público, sem que fosse deflagrado o valor do lance, o que impediria o êxito na arrematação. A constituição da Santander Holding e todas as etapas que se sucederam foram realizadas e efetivadas com o propósito negocial evidente do grupo Santander de aquisição do Banespa e integração das atividades bancárias do grupo no País. As eficiências fiscais existentes no processo são consequências da aplicação e interpretação da legislação. As reestruturações societárias obedeceram os ditames da lei societária. As operações realizadas permitiram ao grupo Santander concorrer em condições de igualdade e neutralidade fiscal com os demais concorrentes nacionais, já que estes usufruiriam do benefícios fiscais decorrentes do pagamento de ágio em qualquer hipótese. O grupo Santander não poderia internalizar qualquer recurso pecuniário para integralização de capital em empresas coligadas ou controladas no Brasil previamente ao leilão, pois tornaria público o valor do lance, inviabilizando a operação. Também não poderia o grupo Santander, após o leilão, integralizar em outra entidade financeira coligada ou controlada no Brasil (e não na Santander Holding) as ações do Banespa, uma vez que a legislação não permite tal operação. Por isso a necessidade da Santander Holding em toda a operação estruturada. A reestruturação societária culminou com a incorporação pelo Banespa das demais estruturas societárias existentes, dentro de prazo razoável (cerca de 10 meses), no exercício do direito previsto na Lei nº 9.532/97, sem qualquer abuso na aplicação dessa norma, buscandose a eficiência de fluxo de caixa para a empresa e os acionistas. Os atos praticados, desde o leilão, passando pela integralização de capital na Santander Holding até sua incorporação pelo Banespa, não foram realizados para transmitir direitos de forma simulada, nem com base em condições falsas. Conforme art.103 do Código Civil, o ato de simulação somente será considerado defeituoso quando houver o intuito de prejudicar terceiros, ou violar dispositivo de lei. No caso, não houve propósito de prejudicar o Fisco, nem de violar disposição legal. A Santander Holding não necessitava ter capital inicial de grande porte ou um conjunto de funcionários, visto não ser possível ingressar com recursos pecuniários previamente ao leilão, pois tal movimento tornaria público o lance secreto para arrematação das ações do Banespa. Nenhum dos atos societários praticados eram vedados pela legislação vigente à época. Ao contrário, os atos praticados estavam de acordo com o art.586 do RIR/99 e demais atos normativos do Bacen e CVM, ficando claro que os autos de infração foram lavrados sem nenhum fundamento legal. Sendo assim, é incabível a imposição da multa agravada sob a alegação de que haveria simulação no presente caso, pois a Santander Holding foi legalmente constituída com o propósito de viabilizar o processo de aquisição das ações do Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 24 23 Banespa, por meio de leilão público, e não para obter, de forma ilícita, a redução do seu lucro. 5. Do processo fiscalizatório. Ausência de questionamento dos atos praticados. Presunção de falta de propósito negocial No curso da ação fiscal, instaurada em 29/01/2009, a fiscalização não inquiriu a impugnante sobre os motivos que levaram o grupo Santander a estruturar as operações descritas no Termo de Verificação (termos de intimação às fls. 927946). A fiscalização limitouse a reproduzir a maioria dos argumentos apurados no processo 16561.000222/200872 (fls.947983), concluindo de forma equivocada que as operações societárias não possuíam propósito econômico. A fiscalização atevese somente à leitura dos atos societários das operações realizadas, e não analisou o contexto em que foram praticadas todas as operações descritas e por quais motivos foi indispensável a constituição da empresa Santander Holding e demais operações societárias que se sucederam, com as peculiaridades próprias de uma operação de aquisição de ações em leilão público, com a participação de pessoas jurídicas nacionais e estrangeiras. A fiscalização entendeu que seriam determinantes para a mensuração do montante pago a existência do fundo de comércio do Banespa, sua carteira de clientes e seu nome e marca. Porém, esses itens não foram quantificados ou comprovados pela fiscalização, que também não contestou o Laudo de Avaliação (fls.7485) que fundamentou a natureza do ágio. Há inconsistência no argumento da fiscalização quando confunde o valor pago pelo Santander Hispano pelas ações do Banespa no leilão, com o ágio contestado, qual seja, aquele gerado na integralização das ações do Banespa ao capital da Santander Holding. É necessário esclarecer que uma coisa é o pagamento efetuado pelo Santander Hispano quando do leilão, que teve um ágio negocial e eventuais implicações para a referida instituição no seu país de domicílio; outra coisa é o ágio gerado em território nacional, por intermédio de uma operação societária legítima de integralização de capital com aquisição de participação societária. São duas realidades fáticas, contábeis, societárias e jurídicas distintas, porém ligadas por meio de uma finalidade, que era a aquisição do Banespa. O ágio gerado no Brasil decorre de uma operação de aumento de capital realizada pelo Santander Hispano junto à Santander Holding (empresa brasileira residente), após ter adquirido as ações do Banespa em leilão público e em oferta pública de ações. A fiscalização excluiu do presente Termo de Verificação Fiscal parte das afirmações mencionadas nos autos de infração do processo 16561.000222/200872, sem nenhuma justificativa. Os argumentos utilizados pelo Fisco (impossibilidade de condição de rentabilidade futura, ausência de propósito negocial, existência de empresa veículo) não foram comprovados durante o processo fiscalizatório. 6. Da efetiva operação realizada. Aquisição do Banespa para a expansão das atividades do grupo Santander no Brasil A fiscalização não inquiriu a impugnante, no curso da ação fiscal, a justificar os motivos econômicos ou jurídicos pelos quais as operações societárias foram praticadas, restando evidente que os lançamentos foram baseados em presunção de que as operações não tiveram propósito negocial. Conforme o edital PND nº 3/2000 (fls. 9861029), de alienação das ações do Banespa, o grupo Santander passaria a dispor de um grupo de empresas (“Sistema Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 25 24 Banespa”) que oferecia praticamente todos os serviços e produtos disponíveis no Sistema Financeiro Nacional. Haveria um aumento nos produtos oferecidos, o que refletiria na rentabilidade futura do grupo, conforme demonstrou o laudo de fls.10331170. A integralização, pelo Santander Hispano, de suas ações representativas de 97,2% do capital social do Banespa na Santander Holding, foi uma etapa necessária dentro do propósito negocial do grupo Santander, bem como trouxe neutralidade fiscal e isonomia entre os concorrentes nacionais e estrangeiros. Em 30/06/2001 foi realizada constituição de provisão conforme Instruções CVM nº 319/99 e 349/2001, e Circular Bacen nº 3.017/2000, para proteger o fluxo na distribuição de dividendos aos acionistas minoritários quando da incorporação da Santander Holding pelo Banespa. Em 30/07/2001, o Banespa incorporou a Santander Holding e passou a amortizar o ágio, ato societário realizado para utilização de benefício fiscal previsto no art.386, III, e § 6º, II, do RIR/99. Posteriormente, em 31/08/2006, o Banespa foi incorporado pelo Santander S/A, pessoa jurídica ora autuada. Todas as operações realizadas pelo grupo Santander tiveram como objetivo criar uma estrutura societária que viabilizasse a aquisição do Banespa, com o aproveitamento do benefício fiscal de dedução do ágio gerado na integralização de suas cotas na Santander Holding, nos termos do art.386, §6º, inciso II, do RIR/99. 7. Legitimidade da aquisição do investimento com ágio pela Santander Holding e posterior aproveitamento da sua dedutibilidade fiscal pelo Banespa 7.1. Natureza jurídicocontábil do ágio na aquisição de participações societárias No caso presente, distinguese dois fatos jurídicos distintos e autônomos de aquisição das ações do Banespa: (i) Fato jurídico 1: aquisição, pelo Santander Hispano, de ações do Banespa correspondentes a 97,2% do capital social deste, mediante pagamento de R$9,57 bilhões (custo de aquisição – valor pago em leilão e na oferta pública de ações); (ii) Fato jurídico 2: aquisição, pela Santander Holding, de ações do Banespa correspondentes a 97,02% do capital social deste, por meio de conferência em integralização de capital pelo Santander Hispano no valor de R$9,57 bilhões (custo de aquisição na conferência de ações). Como consequência desses dois fatos jurídicos autônomos de aquisição de participação societária, temse que: (i) o Santander Hispano deixou de possuir em seu ativo as ações do Banespa pelo custo de aquisição de R$9,57 bilhões e passou a possuir em seu ativo um investimento em outra sociedade controlada (Santander Holding) no mesmo valor de R$9,57 bilhões (troca de ativos); (ii) a Santander Holding obteve aumento em seu ativo no valor de R$9,57 bilhões correspondente ao investimento no Banespa, como contrapartida do aumento de capital integralizado pelo Santander Hispano. A Santander Holding passou a ser a controladora do Banespa, tendo adquirido 97,02% de suas ações pelo custo de aquisição de R$9,57 bilhões, e estando obrigada, conforme a legislação societária e tributária (artigos 177 e 248, inciso II, da Lei nº 6.404/76; artigos 9º, inciso I, 13 e 14 da Instrução CVM nº 247/96; e art. 20 do DecretoLei nº 1.598/77), a registrar esse investimento pelo valor do patrimônio líquido (método de equivalência patrimonial). Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 26 25 Assim, a Santander Holding desdobrou o valor total do custo de aquisição das ações do Banespa (R$9,57 bilhões) em valor do investimento pela equivalência patrimonial (R$2,11 bilhões) e ágio (R$7,46 bilhões). As práticas contábeis descritas foram referendadas por auditores externos (item 4 das notas explicativas, fls.627), estando em conformidade com os princípios contábeis geralmente aceitos. Portanto, no presente caso todos os atos societários foram lícitos e atenderam às normas emitidas pelo Bacen. Destaquese que o ágio em questão possuía fundamento na expectativa de rentabilidade futura do Banespa, comprovada por laudo de avaliação (fls.10341170 e 11791190). 7.2. Da licitude da aquisição de participação societária com ágio conferida em integralização de ações A fiscalização se manifestou expressamente sobre a conferência de ações do Banespa em integralização de capital na Santander Holding, concluindo que todas as operações consideradas isoladamente foram lícitas. A Santander Holding realizou aumento de capital de R$1 mil para R$9,57 bilhões, mediante a criação de 9,57 bilhões de novas quotas, no valor nominal de R$1,00 cada. Essas quotas foram totalmente subscritas e integralizadas pelo Santander Hispano, mediante conferência das ações do Banespa que possuía. O valor atribuído pelo subscritor na integralização, quando da conferência dos 97,02% das ações do Banespa, foi de R$9,57 bilhões, equivalente ao valor do custo de aquisição pago pelo Santander Hispano, e é o mesmo valor do custo de aquisição pela Santander Holding. A diferença entre o valor do patrimônio líquido e o valor de integralização, R$7,46 bilhões, decorre da expectativa de rentabilidade futura do Banespa, conforme comprovado pelos laudos de avaliação (fls.10341170 e 1179 1190). O valor do ágio deve ser contabilizado na pessoa jurídica detentora do investimento, possibilitando a amortização desse ágio contra os lucros futuros que o justificaram. A legislação tributária não impõe restrição à conferência de bens na integralização de capital, nem à avaliação desse bem pelo valor de patrimônio líquido somado ao valor de expectativa de rentabilidade futura, com base em laudo de avaliação de empresa especializada. 7.3. Tratamento tributário do ágio dedução fiscal da amortização No caso presente, a controlada (Banespa) absorveu o patrimônio da controladora (Santander Holding) em virtude de incorporação. Tendo as ações da controlada sido adquiridas com ágio apurado com fundamento econômico no valor de rentabilidade dos resultados dos exercícios futuros, estabelece a legislação que será possível amortizar o valor do ágio nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados posteriormente à incorporação, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração (inciso III e §6º, do art.386, do RIR/99). O benefício fiscal previsto no art.386, do RIR/99, de aproveitamento do ágio como uma despesa dedutível tem como objetivo beneficiar situações como a do presente caso, pois tornou mais atraente a realização dos investimentos necessários para as privatizações. Era comum que o ágio gerado em operações de privatização fosse aproveitado nas próprias empresas privatizadas, com o lucro por elas gerado, como é o caso dos autos. Existe autorização expressa do art.386, §6º, II, do RIR/99, para aplicação do benefício fiscal quando a empresa incorporada fosse aquela que detinha a propriedade da participação societária. Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 27 26 O aproveitamento do ágio decorrente das privatizações, como trata o presente caso, representa a fruição de um benefício fiscal previsto em lei, e não planejamento tributário, possuindo todos os requisitos legais, motivação econômica e coerência das estruturas adotadas com a finalidade pretendida. 7.4. Rentabilidade futura como fundamento econômico do ágio A aquisição da participação societária que está sob análise é a decorrente da conferência de capital na Santander Holding, cujo fundamento econômico (expectativa de rentabilidade futura) foi comprovado por meio de laudo de avaliação de empresa especializada. Não obstante, não foi feita qualquer prova, pela fiscalização, de que o ágio integralizado pelo Santander Hispano englobaria valor correspondente ao fundo de comércio adquirido do Banespa, nem qual seria a parcela desse montante que comporia o total do custo de aquisição das ações pela Santander Holding. A fiscalização não logrou “desqualificar” o montante do ágio demonstrado no laudo de avaliação, nem demonstrou que o custo de aquisição do Banespa estaria amparado em outros fundamentos econômicos que não a rentabilidade de exercícios futuros. Além disso, o laudo de avaliação não foi questionado em nenhum momento. A marca Banespa não teve relevância para a determinação do valor do investimento, sendo abandonada tão logo fosse possível a integração dos dois bancos. A carteira de clientes e outros elementos do fundo de comércio foram considerados pelo grupo Santander quando da aquisição das ações do Banespa, porém não influenciaram, individualmente, o processo da avaliação do valor a ser pago, em virtude da metodologia adotada (fluxos de caixa descontados). 8. Isonomia entre concorrentes e neutralidade fiscal na alienação do Banespa. Inexistência de privilégio exclusivo para as empresas nacionais de aproveitamento fiscal de ágio O Programa Nacional de Desestatização (PND), no qual foi incluído o Banespa, vinculavase à Lei nº 8.666/93, que regulamenta o art.37, inciso XXI, da CF. Entre os preceitos previstos no art.37, inciso XXI, da CF, para a alienação de bens públicos, está a isonomia entre os concorrentes. Para maior aplicabilidade ao princípio da isonomia, o art.3º, § 1º, inciso I, da Lei nº 8.666/93 prevê que é vedado aos agentes públicos estabelecer “distinções em razão da naturalidade, da sede ou domicílio dos licitantes”. O Edital PND nº 3/2000, no qual estava incluído o Banespa, dispunha que era possível a participação de licitantes tanto nacionais como estrangeiros, o que está em conformidade com os preceitos constitucionais e legais citados. Outro fator fundamental para se garantir a isonomia entre os participantes na determinação do lance a ser oferecido é a igualdade do tratamento tributário, o que somente pode ser atingido pela neutralidade tributária da legislação no tratamento entre nacionais e estrangeiros. Qualquer concorrente nacional estaria em vantagem sobre os eventuais concorrentes estrangeiros caso se opusessem dificuldades transversas (como ocorreu no presente lançamento tributário) à realização por estes de operações societárias legítimas que proporcionassem os mesmos efeitos tributários se realizadas por aqueles. A fiscalização não poderia estabelecer uma restrição ao grupo Santander para o aproveitamento do benefício fiscal do ágio, por representar afronta à neutralidade de concorrência, nos termos do art.3º, §1º, I, da Lei nº 8.666/93. 9. Da sistemática de alienação das ações no leilão – sigilo do lance como fator determinante para a aquisição do Banespa Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 28 27 A importância do sigilo no lance para o leilão consistia no fato de que o Santander Hispano somente poderia arrematar o Banespa, sem a necessidade de realizar lances a viva voz, caso não houvesse nenhum lance igual ou superior a 80% do valor de seu lance, conforme previsto no Edital PND nº 03/2000. Caso o Santander Hispano capitalizasse uma sociedade nacional anteriormente à participação no leilão, sinalizaria aos demais participantes qual o preço que pretendia pagar, impedindo o sigilo da oferta. Além de ser custoso e irrazoável trazer ao País, antes do leilão, o valor do lance sem a certeza de vitória no processo licitatório. Portanto, somente por meio da estrutura societária montada pelo grupo Santander, utilizandose da Santander Holding, é que se pôde atingir a aquisição do Banespa em condições de igualdade com os demais concorrentes e com a garantia de sigilo da oferta. 10. Da necessidade da Santander Holding – fundamento econômico para o presente caso concreto Nos termos dos artigos 26, 27 e 28, da Lei nº 4.595/64, o capital inicial de uma instituição financeira deve ser integralizado exclusivamente em moeda corrente nacional e o aumento de capital pode ser feito em moeda corrente ou por incorporação de reservas ou reavaliação de parcela dos bens do ativo imobilizado. Logo, não existe a possibilidade legal de se aumentar o capital social de uma empresa financeira por meio da integralização de participação societária, motivo pelo qual houve a necessidade da empresa Santander Holding, entidade não financeira, na operação em questão, para poder receber as ações adquiridas do Banespa, em integralização de capital. A empresa Santander Holding foi criada para receber como integralização de capital as ações do Banespa inicialmente adquiridas pelo Santander Hispano. Tal aquisição por parte da Santander Holding se deu por meio da referida operação societária. Tais fatos é que justificam a sua criação. Portanto, ela era imprescindível para a consecução do propósito negocial do grupo Santander. A forma mais direta, correta e adequada de se implementar a operação pretendida pelo grupo Santander foi a realizada no presente caso, reiterese, em razão da vedação de aumento de capital em instituições financeiras por intermédio de integralização de quotas de outras sociedades. De fato, seria necessária a integralização das quotas adquiridas em uma empresa não financeira (Santander Holding), para sua posterior incorporação pelo Banespa. As empresas do grupo Santander em atividade no Brasil, à época do leilão, não possuíam grande estrutura patrimonial no Brasil, se comparada aos demais bancos aqui existentes. Dessa forma, para que fosse possível fazer o pagamento do lance apresentado, seria necessária a remessa desses recursos do exterior, diretamente pela matriz sediada na Espanha a uma dessas empresas. Assim, dessa maneira, a eventual transferência desses recursos para a Santander Holding (empresa do grupo Santander no Brasil que poderia ser utilizada na aquisição do Banespa) antes de finalizado o leilão, seria um ato que inviabilizaria o sigilo da proposta pretendida e, consequentemente, a realização do negócio. O caso em tela trata de ágio gerado em um contexto de privatização distinto de casos que tratam de operações em que o ágio é gerado para a capitalização de uma empresa e posterior cisão, e distinto também do acórdão nº 10323290 do Conselho de Contribuintes, citado pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (fls.391), que trata de operação realizada entre particulares, e de aquisição de empresa do setor comercial. No presente caso, tratase de operação realizada por instituições Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 29 28 financeiras, submetidas às regras do Sistema Financeiro Nacional e do Bacen, o qual aprovou todas as operações em questão. 10.1. Imprescindibilidade da Santander Holding como forma de proteção dos minoritários – fundamento econômico para a operação Antes da incorporação pelo Banespa, o Santander Holding, por exigência da CVM e do Bacen, registrou em seu passivo exigível uma provisão equivalente ao valor total do ágio que estava registrado em sua contabilidade, como forma de evitar os efeitos negativos do ágio no patrimônio líquido do Banespa, decorrentes de sua amortização após a incorporação. Com a amortização do ágio nos exercícios subsequentes pelo Banespa, em contrapartida do resultado do período, igual valor da referida provisão seria também creditado no resultado, anulando o efeito da amortização do ágio no fluxo de distribuição de dividendos, protegendo os acionistas minoritários conforme artigos 6º e 16, da Instrução CVM nº 319/99, com redação dada pela Instrução CVM nº 349/2001; e artigos 1º, 7º e 8º da Circular Bacen nº 3.017/2000. A constituição da provisão no valor total do ágio antecipou o reconhecimento de uma despesa e gerou um prejuízo antecipado para o grupo. Esse prejuízo foi apenas societário, não gerando qualquer benefício fiscal ou redução de tributos para o grupo Santander. A contabilização de provisão como contrapartida do ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura é obrigatória quando se tratar de operação envolvendo instituição financeira, com a finalidade de se obter uma melhor governança corporativa e garantir a proteção dos direitos dos acionistas minoritários contra o efeito contábil da amortização futura do ágio na distribuição dos benefícios gerados pela sociedade, garantindo a manutenção do fluxo de dividendos e a transparência das demonstrações financeiras quanto à identificação dos seus resultados operacionais. 11. Da teoria do propósito negocial – aplicabilidade às operações praticadas 11.1. Motivo, finalidade e congruência do negócio jurídico Como já dito, o caso em questão não se trata de planejamento tributário. Mas, mesmo admitindose os pressupostos da teoria do propósito negocial, encontramse presentes nesse caso o motivo, a finalidade e a congruência dos atos pois: i) todos os atos praticados tiveram por motivo a aquisição do Banespa em processo de privatização, para o consequente aproveitamento do benefício fiscal de dedução do ágio gerado nessa aquisição nos estritos termos da lei; ii) a finalidade da operação era a aquisição de uma instituição financeira de grande porte e participação no mercado brasileiro, expandindo as atividades do grupo Santander no Brasil; e iii) todos os atos societários praticados inseremse congruentemente nesse contexto da aquisição de uma instituição financeira por outra: (a) a forma de participação no leilão; (b) os fluxos de caixa ocorridos; (c) a necessidade da constituição de todas as sociedades envolvidas; e (d) todas as operações realizadas para reduzir estruturas desnecessárias e obter sinergia no grupo Santander. 11.2. Coerência com o planejamento estratégico do empreendimento econômico Há congruência entre o motivo e a finalidade da operação pretendida pelo grupo Santander, que não era predominantemente tributária. A operação ocorrida inserese no planejamento estratégico do grupo Santander, cujo objetivo de longo prazo é o de se tornar o maior banco privado em atividade no território nacional. Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 30 29 12. Resumo dos fatos O grupo Santander não possuía sociedade residente no país em condições de preencher os requisitos exigidos para a participação no leilão sem que fosse internalizado o valor do lance a ser feito e, com isso, fosse aberto o sigilo da proposta. A Santander Holding foi constituída 21 dias após a publicação do edital do leilão do Banespa, para receber a participação societária a ser adquirida em leilão. A constituição de uma holding foi necessária para recepcionar as ações do Banespa legalmente, adquiridas pelo Santander Hispano, em aumento de capital. Uma sociedade holding tem por finalidade gerir investimentos; ela não produz nem comercializa mercadorias, nem presta serviços. Não há atividade que justifique a existência de elevado capital social, nem a contratação de empregados. A holding apenas contém investimentos. A incorporação da Santander Holding pelo Banespa foi uma forma de se proteger o fluxo de dividendos dos acionistas minoritários, pois os lucros líquidos dos períodos em que houvesse a amortização do ágio no Banespa não seriam impactados. Esse procedimento é obrigatório em face das normas da CVM e Bacen aplicáveis ao Banespa, como sociedade de capital aberto e instituição financeira. O Banespa também já possuía todos os registros e autorizações para atuar no Brasil como instituição financeira de capital aberto, tornando menos custosa a operação societária. O aproveitamento fiscal de dedutibilidade do ágio é consequência legal dos atos societários praticados, sem causar efeito adverso no fluxo de dividendos futuros dos acionistas minoritários do Banespa. O prazo de 10 meses foi suficiente para a realização dos atos necessários à aquisição do Banespa, uma etapa do processo de integração bancária do grupo no Brasil, permitindo a sinergia decorrente da integração tecnológica e operacional, com o consequente aproveitamento legal da dedução do ágio. Todas as operações societárias ocorridas, culminando na incorporação do Banespa pelo Banco Santander foram realizadas de forma calculada face ao planejamento estratégico do grupo Santander, para se chegar a uma adequada organização societária que permitisse a geração da sinergia entre as empresas do grupo. 13. Da impossibilidade do lançamento da multa de ofício na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão Conforme o art.132 do CTN, o sucessor responde apenas pelos tributos devidos até a data da sucessão. No caso em análise, a multa foi lançada em 29/06/2010, enquanto a incorporação deuse no dia 31/08/2006. Portanto, não há que se manter a cobrança da multa punitiva em face da impugnante. Também não se pode admitir a transferência dessa penalidade em razão do seu caráter personalíssimo, ainda que as empresas sejam do mesmo grupo econômico. 14. Do vício na apuração dos saldos de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL A premissa da fiscalização de que houve compensações indevidas de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL do Banespa em 31/08/2006 (incorporação) está equivocada pois não considerou os saldos de prejuízos ou de bases negativas anteriores ao anocalendário de 2005. Conforme se verifica da Parte B do Lalur do Banespa (fls.12081213), o saldo de prejuízo fiscal até 31/12/2004 era de R$21.007.348,78; e da base de cálculo negativa da CSLL era de R$250.982.679,35, conforme planilhas de fls. 528. Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 31 30 Não cumpridos os requisitos de liquidez e certeza conforme art.142 do CTN, os lançamentos tornamse nulos, devendo ser cancelados por esta turma julgadora. 15. Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa Ainda que se entenda correta a utilização da taxa Selic para cobrança dos juros de mora incidentes sobre o tributo, tais juros não poderão ser exigidos sobre a multa lançada, por ausência de previsão legal. O art.13 da Lei nº 9.065/95, que prevê a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic, remete ao art.84 da Lei nº 8.981/95, que estabelece a cobrança desses acréscimos apenas sobre tributos. Ora, multa é penalidade pecuniária, não é tributo. Assim, a cobrança de juros sobre multa viola o princípio da legalidade, pelo que devem ser cancelados. 16. Relação de documentos apresentados A impugnante anexou os seguintes documentos em sua defesa: 1. Procuração e atos societários (fls.545556) 2. Autos de infração e termos de verificação fiscal (fls.558611) 3. Termo de intimação nº 11, de 12/05/2010 (fls.613) 4. Notificação 855443994 – Acompanhamento econômicotributário diferenciado da Receita Federal do Brasil (fls.615617) 5. Demonstrações Contábeis da Santander Holding, acompanhadas do parecer dos auditores independentes – 30/06/2001 (fls.621628) 6. DIPJ 2001 da Santander Holding Ltda (fls.630637) 7. Acórdão 10706.572 (fls.639659) 8. Acórdão 10809.501 (fls.661676) 9. Acórdão 10314.794 (fls.678716) 10. Despachos Deorf/GTSP22002/1065 e Deorf/GTSP22002/1066, proferidos pelo Banco Central do Brasil (fls.718720) 11. Atos societários mencionados no termo de verificação fiscal (fls.722750) 12. Fato relevante – exigência da CVM (fls.752) 13. Parecer dos assessores (Arthur Andersen) (fls.754790) 14. Parecer dos auditores (Arthur Andersen) (fls.792797) 15. Demonstrações contábeis, parecer dos auditores e notas explicativas do Banespa, referentes aos anosbase de 2001 a 2006 (fls.799925) 16. Termos de intimação fiscal (fls.927946) 17. Termo de verificação referente ao auto de infração que originou o processo administrativo nº 16561.000222/200872 (fls.948983) 18. Fato relevante 30/11/2000 – Gazeta Mercantil – Santander Hispano (fls.985) 19. Edital PND nº 3/2000 (fls.9871029) 20. Laudo de avaliação econômicofinanceira do conglomerado Banespa (KPMG) (fls.10331170) 21. Reportagem revista Veja (fls.11721177) 22. Laudo de avaliação das ações do Banespa detidas pelo Santander Espanha para fins de integralização do capital social da Santander Holding (KPMG) (fls.1179 1190) Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 32 31 23. Aquisição do Banerj e do Banestado pelo Itaú (fls.11921195) 24. Circular Bacen nº 3.017/2000 e Instrução Normativa CVM nº 319/99 (fls.1197 1207) 25. Parte B do Lalur do Banespa (fls.12091213) É o relatório. A decisão recorrida foi assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/08/2006 COMPETÊNCIA CONCORRENTE. DEMAC (ANTERIOR DEAIN). INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. As competências da Delegacia Especial de Maiores Contribuintes (anterior Delegacia Especial de Assuntos Internacionais) e da Delegacia Especial de Instituições Financeiras são concorrentes para efetuar o lançamento em contribuinte do tipo instituição financeira. COMPETÊNCIA MATERIAL. DEMAC. OPERAÇÃO ENVOLVENDO REMESSA INTERNACIONAL DE VALORES. É competência da Demac desenvolver atividades de fiscalização em operação de remessa internacional de grupo estrangeiro para pagamento de ações adquiridas no Brasil, bem como processar lançamentos de ofício e imposição de multas por infração à legislação tributária. AUDITORFISCAL. LANÇAMENTO. AUTORIDADE COMPETENTE. Ainda que lavrado por servidor competente (AuditorFiscal) de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, permanecem válidos o procedimento fiscal e a exigência de crédito tributário, nos termos do Decreto nº 70.235/72. AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válido é o auto de infração. DECADÊNCIA. FATOS GENÉRICOS DO MUNDO FENOMÊNICO. ACEPÇÃO TÉCNICA DE FATO GERADOR. É incabível afirmar que tenha ocorrido a decadência em relação a um fato genérico do mundo fenomênico. Na acepção técnica definida pelo CTN, a decadência somente pode se verificar em face de fatos geradores expressamente previstos em lei. OPERAÇÃO SOCIETÁRIA. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL POR MEIO DE CONFERÊNCIA DE AÇÕES. VALOR REAL DAS AÇÕES. INEXISTÊNCIA DE ÁGIO. Numa operação de integralização de capital efetivada por meio de conferência de ações deve ser considerado o valor real das ações fixado em relação ao patrimônio líquido da companhia. Cabe ressaltar que tal operação societária não possui o condão de produzir ágio, nem mesmo comporta a transferência de ágio eventualmente apurado na aquisição originária das ações. EMPRESAS NACIONAL E ESTRANGEIRA. DIREITO INTERNACIONAL. LIMITE DE APLICAÇÃO DE ORDENS JURÍDICAS. Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 33 32 Toda empresa, seja nacional ou estrangeira, está sujeita ao domínio de validade da ordem jurídica do respectivo Estado soberano, que é delimitado e circunscrito ao poder territorial de cada Estado. LEILÃO. ESPÉCIE DO GÊNERO LICITAÇÃO. ISONOMIA DE CONDIÇÕES ENTRE LICITANTES. PRINCÍPIO DE VINCULAÇÃO AO EDITAL. INAPLICABILIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS ALHEIAS AO PROCEDIMENTO LICITATÓRIO. O leilão, enquanto espécie do gênero licitação, é um procedimento vinculado, formalmente regulado em lei e regido pelo respectivo edital. A isonomia de condições entre licitantes é garantida pelo princípio de vinculação ao edital, o qual, todavia, não abrange a aplicação de normas tributárias alheias ao procedimento licitatório, em relação às quais não há qualquer previsão no edital. REGISTRO DE OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS. ATRIBUIÇÕES DAS JUNTAS COMERCIAIS. COMPETÊNCIA DE EXAME FORMAL DO ATO MERCANTIL. Ao efetuarem o registro das operações societárias, as Juntas Comerciais se limitam a realizar um exame formal dos atos mercantis, verificando o atendimento das exigências estipuladas por lei. As Juntas não analisam nem a matéria de direito, nem realizam a investigação do mérito dos atos mercantis. FUNDAMENTO ECONÔMICO DO ÁGIO. INDICAÇÃO DO ÁGIO FUNDAMENTADO EM FUNDO DE COMÉRCIO. Em função da expressa previsão legal do §2º, do art.20, do DecretoLei nº 1.598/77, o lançamento de ágio, decorrente de desdobramento do custo de aquisição, deve necessariamente identificar o respectivo fundamento econômico, de acordo com as alíneas do dispositivo legal em comento, que preveem, entre outras hipóteses, a necessária identificação do ágio fundamentado em fundo de comércio. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE "EMPRESA VEÍCULO". Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo (amortização de ágio) a incorporação de pessoa jurídica adquirida com ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária. ÁGIO. PRESSUPOSTO. AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Não demonstrado que houve a aquisição de participação societária, por parte da contribuinte que amortizou o ágio respectivo, não pode esta se aproveitar da amortização do referido ágio. ÔNUS DA PROVA. DETERMINAÇÃO DO VALOR DO ÁGIO. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe à impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que deem a elas força probante. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O fato de os atos societários terem sido formalmente praticados, com registro nos órgãos competentes e escrituração contábil, não retira a possibilidade de que a operação em causa se enquadre como simulação, visto que faz parte da natureza da simulação o envolvimento de atos jurídicos lícitos. Afinal, simulação é a desconformidade, consciente e pactuada, entre as partes que realizam determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais (lícitos) de declaração de vontade. SIMULAÇÃO. INTUITO FRAUDULENTO. MULTA QUALIFICADA. Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 34 33 A prática da simulação com evidente intuito de fraude, definida no artigo 72 da Lei nº 4.502/64, para dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos do §1º, do art.44, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como por eventual multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária, mormente se incorporadora e incorporada encontravamse sob controle comum. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à CSLL dele decorrente. Cientificada da decisão de primeira instância em 28/01/2011 (fl. 1320), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 10/02/2011 (fls. 1327/1464), apresentando argumentos estruturados de forma semelhante aos contidos na defesa apresentada nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/200872. Inicialmente, sintetiza os fatos até aqui ocorridos, apontando que o lançamento foi formalizado porque o Banespa não teria preenchido as condições legais para deduzir os encargos de amortização do ágio gerado quando da aquisição de suas ações pela Santander Holding ("internalização do ágio pago na privatização"), ensejando a recomposição da apuração dos anoscalendário 2005 e 2006, o que também acarretou a glosa de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas compensados neste último período. Afirmando que a visão da Fiscalização, ratificada pela Delegacia de Julgamento, não se sustenta, pois está baseada em ilações destituídas de qualquer fundamento, faz um resumo das operações societárias que culminaram com a amortização do ágio pela recorrente, em termos semelhantes aos apresentados no Termo de Verificação Fiscal, mas com um acréscimo: em 30/06/01 foi constituída provisão no Balanço da Santander Holding para proteção dos acionistas minoritários do Banespa, conforme exigência da Comissão de Valores Mobiliários — CVM e do Bacen. Classifica de precipitada e equivocada a conclusão da Turma Julgadora no sentido de que a Santander Holding Ltda. seria apenas uma típica "empresa veiculo", que foi criada, exclusivamente, para internalizar e transferir o ágio pago pela sociedade espanhola. Isto porque presuntivos seriam os argumentos que a fundamentaram, tais como: (i) a efêmera duração da Santander Holding Ltda. e (ii) a inexistência de funcionários e de operações Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 35 34 realizadas nesse período, com exceção do aumento do seu capital social (de R$ 1.000,00 para R$ 9.574.901.000,00). Equivocado também seria o entendimento fiscal de que a amortização do ágio seria indedutível, baseado no fato de que os permissivos legais teriam como pressuposto a contabilização do ágio por sociedade aqui estabelecida, pois o ágio amortizado não foi gerado em decorrência da compra das ações do Banespa pelo Santander Hispano, mas sim quando da conferência das ações do Banespa em aumento de capital na Santander Holding. Impróprias também seriam as alegações de que outros fatores, além da rentabilidade futura, foram determinantes para o pagamento do ágio pela sociedade espanhola, bem como não merece prosperar a acusação de que as operações engendradas entre as empresas do grupo econômico seriam simuladas ou com intuito fraudulento. Preliminarmente, aponta a existência de indevida inovação do lançamento por parte da Turma Julgadora, pois a Fiscalização teria reconhecido a formal licitude das operações societárias quando individualmente analisadas, embora considerando ilegal seu resultado final (dedução dos encargos de amortização, em prejuízo da Fazenda Nacional), ao passo que, ante os argumentos apresentados na impugnação, a Turma Julgadora reconheceu, na decisão recorrida, que o propósito negocial do grupo Santander era, de fato, a aquisição do Banespa, fragilizando a acusação fiscal e trazendo alguns novos argumentos para tentar “salvar” as atuações fiscais, assim destacados pela recorrente: No caso concreto verificase que, ao integralizar as quotas da SANTANDER HOLDING, o SANTANDER HISPANO não utilizou o valor real das ações do BANESPA, que, na esteira da lição de Waldirio Bulgarelli, é aquele fixado em relação ao patrimônio líquido do BANESPA. Em verdade, o SANTANDER HISPANO conferiu um valor incorreto às ações do BANESPA ao efetuar o aumento do capital social da SANTANDER HOLDING, pois, ao invés de atribuir às ações exclusivamente o valor real em relação ao patrimônio líquido do BANESPA, tal montante foi deliberadamente acrescido do ágio pago pelo SANTANDER HISPANO nas operações de aquisição das ações. E a motivação para que o SANTANDER HISPANO tenha adotado tal prática decorre de sua condição de empresa estrangeira, como previamente exposto: sendo uma sociedade espanhola, o SANTANDER HISPANO não faria jus e tampouco poderia realizar a amortização do ágio facultada pelo ordenamento jurídico brasileiro, em particular, pelo art.386, do RIR/99. Assim, resta inequivocamente demonstrado o dolo do grupo SANTANDER, uma vez que, para fazer uso de um benefício fiscal facultado pela legislação brasileira a que a empresa estrangeira SANTANDER HISPANO não teria direito, criouse uma operação societária manifestamente incorreta, por meio da qual houve um aumento fictício e indevido do capital social da SANTANDER HOLDING. (destaques da recorrente) Tal questionamento também foi veiculado no recurso voluntário apresentado nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/200872, sob o tópico: Da indevida inovação do lançamento por parte da Turma Julgadora. A interessada também se opõe ao erro apontado, pela Turma Julgadora, nas opiniões expressadas nos pareceres elaborados pelos assessores externos, contratados pela recorrente, reproduzindo os seguintes trechos da decisão recorrida: Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 36 35 "Todavia, a leitura dos referidos pareceres anexados pela impugnante demonstra que, na operação de integralização do capital social da Santander Holding, por meio de ações do Banespa conferidas pelo Santander Hispano, ambos os pareceres não consideraram o valor real das ações, fixado em relação ao patrimônio liquido do Banespa, mas sim um valor acrescido da parcela do ágio pago pelo Santander Hispano na aquisição do Banespa. (fls.1283) [...] Notase inclusive que o trecho de fls. 763 possui uma nítida explicação do erro que foi deliberadamente cometido: a operação societária, que deveria ser circunscrita à conferência das ações do Banespa, teve por finalidade transferir não o valor real das ações, mas sim o "registro de investimento" no Banespa, efetuado pelo grupo econômico estrangeiro, para a empresa nacional. (fls. 1284) Embora entendendo que não há qualquer impedimento legal para que o valor conferido na integralização de bens seja diferente do seu valor patrimonial contábil, a recorrente alega que houve inovação do critério jurídico do lançamento. Se as operações societárias, analisadas individualmente, foram consideradas licitas pela própria Fiscalização, não poderia a Turma Julgadora, afirmar, com base em um argumento totalmente inovador trazido na decisão recorrida, que foi criada "uma operação societária manifestamente incorreta". Haveria inovação, também, na afirmação contida na decisão recorrida de que a reestruturação societária realizada pela Recorrente “contém as figuras clássicas de planejamento tributário”, pois em momento algum foi mencionado pelo Sr. Agente Fiscal que as operações realizadas pela Recorrente enquadrarseiam no conceito de “planejamento”. Inexistindo no Termo de Verificação Fiscal referências a expressões do tipo: (i) operações em seqüência e (ii) operações invertidas, não poderia este Conselho Administrativo ventilálas quando o julgamento do presente recurso. Expressa seu entendimento acerca das lições do professor Marco Aurélio Grecco, destacando a necessidade de exame detido em todos os aspectos (de qualquer natureza e complexidade) aplicáveis ao caso concreto e das múltiplas circunstâncias envolvidas nas operações realizadas, e não, simplesmente, à classificação genérica e abstrata, como procedeu equivocadamente a Turma Julgadora ao enumerar as referidas “operações preocupantes”. De toda sorte, ressalta que restará demonstrado que todas as operações objeto do presente processo administrativo são justificadas, lícitas e corretos, atendendo à motivação negocial que se propunham. Outro novo argumento trazido na decisão recorrida seria a referência à operação como ágio de si mesmo, aspecto não suscitado pela Fiscalização, a evidenciar que houve indevida intromissão da competência outorgada à autoridade lançadora e nítido cerceamento de defesa. Em suas palavras: Deveras, uma vez constituído o crédito tributário baseado em determinado critério jurídico, cabe à autoridade julgadora, além de determinar a realização de eventuais diligências e perícias, apenas a declaração: (i) da total improcedência do lançamento; ou (ii) da sua procedência. A procedência ou a improcedência parciais somente alcançam as hipóteses de erros de fato, o que não se verifica no presente caso. Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 37 36 Pede, assim, que se reconheça a nulidade da decisão ora recorrida, em razão da incompetência da Turma Julgadora para inovar a fundamentação dos lançamentos originários do presente processo administrativo, mas subsidiariamente procura demonstrar, mais à frente, os equívocos existentes nesses "novos" argumentos pelo que, também, não poderão ser acolhidos. Ainda em preliminar, reafirma a incompetência da Delegacia Especial de Maiores Contribuintes (DEMAC) como sucessora da Delegacia Especial de Assuntos Internacionais (DEAIN), para fiscalizar e autuar a recorrente no que tange à dedutibilidade fiscal da amortização do ágio, no território brasileiro. Cita doutrina para afirmar que os agentes públicos devem exercer suas funções e praticar seus atos nos estritos limites da legislação que os definem, sob pena de nulidade destes atos, a ser reconhecida pela própria Administração Pública. Como já mencionado na impugnação, o MPF 08.1.71.002009000120 foi instaurado pela Delegacia Especial de Assuntos Internacionais em São Paulo (DEAIN/SP) em 29/01/2009 para fiscalização de assuntos de sua competência (tributação de lucros no exterior), entendendo a Fiscalização, equivocadamente, que teria competência para, em continuidade àquele procedimento fiscal, lavrar as presentes autuações. Todavia, a competência da DEAIN, definida no art. 208 da Portaria MF nº 125/2009, não engloba a verificação da dedutibilidade do ágio em território nacional pela recorrente. Opõese à eventual cogitação de que tal procedimento não teria prejudicado a recorrente, dado que a DEAIN não teve a diligência necessária durante o processo de fiscalização, de forma que deixou de solicitar diversos esclarecimentos ao Recorrente que seriam essenciais para o deslinde do presente caso. Acrescenta, ainda, que como instituição financeira (banco múltiplo) está submetido à jurisdição da Delegacia Especial de Instituições Financeiras – DEINF, nos termos do art. 207 da Portaria MF nº 206/2010 e da Portaria RFB nº 598/2010, e também como evidenciado pela Notificação 855443994, juntada à impugnação. Requer, por estas razões, o cancelamento das autuações fiscais originárias do presente processo administrativo, ante a incompetência dos Srs. Agentes Fiscais para fiscalizar e autuar o Recorrente. Na seqüência, argúi a decadência/preclusão da possibilidade do Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio, na medida em que este como elemento contábil e societário surgiu em 29/05/01, com o aumento de capital do Santander Holding Ltda., que foi, após sucessivas operações societárias, incorporado pelo Banespa em 30/07/01, data a partir da qual surgiu o direito de deduzir os encargos de amortização desse ágio quando da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de forma que em 29/06/2010 não poderia o Fisco efetuar os lançamentos de oficio sobre fatos pretéritos, já consumados no tempo em razão do decurso do prazo decadencial (fatos societários que geraram o direito à utilização do ágio, que ocorreram em 2001) para alcançar os efeitos decorrentes desses fatos, em períodos subseqüentes (amortização do ágio realizado em 2005 e 2006). Reportase a julgados do antigo Conselho de Contribuintes contrários à glosa da compensação de bases de cálculo negativas de CSLL em razão de questionamentos quanto à formação desta depois do transcurso do prazo decadencial. No caso citado, refletido no Acórdão nº 10706.572, o Fisco teria promovido lançamento em 24/06/99 para afastar a Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 38 37 compensação de base de cálculo negativa de CSLL em razão de em sua apuração, nos meses de fevereiro a novembro de 1993, terem sido computadas despesas indedutíveis. Cita decisão semelhante veiculada no Acórdão nº 10809501, bem como o Acórdão nº 10314794, no qual foi desconstituída a glosa de despesas de depreciação de bens reavaliados, em momento no qual não era mais possível questionar as reavaliações havidas. Transcreve, ainda, ementas dos Acórdãos nº 10706061 e 10185155, bem como decisão proferida pelo Primeiro Conselho de Contribuintes no processo administrativo nº 16327.002113/200510. Frisa ser o ágio parte do custo de aquisição do ativo respectivo, cuja dedução é antecipada em razão das disposições da Lei nº 9.532/97, e mesmo se tal norma não existisse, e o custo somente fosse dedutível quando da alienação do ativo, não poderia o Fisco glosálo em uma futura apuração de ganho de capital se já decaiu, ou precluiu, seu direito de fazêlo. No presente caso, mesmo alegando simulação ou fraude, para glosar os efeitos fiscais decorrentes daquele ato pretérito, o lançamento deveria ter ocorrido até 2006. A “Preclusão” da possibilidade do Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao Ágio também foi um dos tópicos da defesa apresentada nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/200872. De toda sorte, defende que não houve fraude ou simulação, pois seria necessário que os Srs. Agentes Fiscais e a Turma Julgadora comprovassem, por meio de provas diretas, e não presuntivas, baseadas em meras alegações, que as operações societárias, que culminaram com o aproveitamento do ágio pelo Recorrente, foram feitas com evidente intuito doloso de retardar ou impedir o surgimento da obrigação tributária. Portanto, é necessário que exista uma conduta contrária à lei, intencionalmente praticada pelo contribuinte e comprovada pelo Fisco, o que não ocorreu no presente caso, conforme jurisprudência administrativa que cita. Em seu entendimento, a Turma Julgadora se ateve à mera descrição teórica do que a doutrina entende por simulação, sem provar, efetivamente, como as operações em questão incorreriam nesse ilícito. Para que se caracterize a fraude é necessário que exista uma conduta contrária à lei, intencionalmente praticada pelo contribuinte, e que esteja presente a figura do dolo especifico caracterizado pela intenção manifesta do agente de omitir dados, informações ou procedimentos que resultam na diminuição ou retardamento no atendimento do dever tributário. A fraude estaria presente quando operações proibidas são realizadas, sem a correspondente escrituração e declaração, e com a sua ocultação durante o procedimento fiscal, bem como mediante a adulteração de documentos, circunstâncias ausentes no presente caso, tanto que a Turma Julgadora trata o assunto como “simulação com intuito de fraude”. Nega também a ocorrência de simulação, pois nenhum ato aparentou direito diverso daquele que foi realmente levado a efeito, nem, sequer, continham quaisquer declarações ou cláusulas não verdadeiras. Os benefícios fiscais da compra do Banespa representam apenas um dos componentes existentes: não se estruturou a referida operação com o propósito de usufruir benefícios fiscais que outros não usufruíram, e assim prejudicar o Fisco. Em suas palavras: Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 39 38 Se tal efeito ocorreu (redução de tributos), isto se deu apenas como conseqüência do legitimo exercício de um direito previsto em lei, decorrente de um propósito negocial evidente e transparente, pelo que não se pode acolher o entendimento da Turma Julgadora no sentido de que "Também é elemento hábil a formar prova de simulação a conduta das partes, que deve estar em consonância com aquilo que foi acordado; havendo discrepância, há indicio de que também há descompasso entre a vontade real e a vontade manifestada"— fls. 1302. Assim, insistase: não foram praticados atos pelo Recorrente para acobertar situações que não poderiam ocorrer. De fato, conforme será detalhado no mérito do presente recurso, a Santander Holding Ltda. não foi criada para "aparentar" ser uma típica "empresa veiculo", como afirmou o Sr. Agente Fiscal e ratificou a Turma Julgadora, ou seja, não se tratou de operação simulada: a participação da Santander Holding Ltda. foi legalmente indispensável ao processo de compra de ações do Banespa e, consequentemente, ao aproveitamento legitimo do ágio gerado, não se tratando de operação indireta ou intermediária — como afirmou a Turma Julgadora uma vez que, pelas particularidades de todo o processo de aquisição, era a forma mais adequada de se atingir o objetivo econômico maior: a compra do Banespa. Adiantase nas referências à desnecessidade de a Santander Holding possuir capital inicial relevante ou conjunto de funcionários, e ao fato de que um aporte de recursos naquela empresa prejudicaria o sigilo para arrematação das ações do Banespa. Entende que a estruturação adotada foi a mais correta, opondose à afirmação contida na decisão recorrida de que a participação e a necessidade da Santander Holding para o processo de compra do Banespa não foram comprovadas pela impugnante. Considera os argumentos das autoridades lançadora e julgadora retóricos e sem fundamento para sustentar a sua idéia préconcebida de que a operação realizada tinha por escopo o aproveitamento indevido do ágio. A Santander Holding foi constituída e existiu com o verdadeiro propósito de participar do processo de aquisição do Banespa e assim foi utilizada, numa estratégia absolutamente necessária e adequada. Ela não foi constituída para figurar como uma "empresa veiculo" para obtenção de benefícios fiscais ocultos ou ilícitos, e também assegurou aos minoritários que a amortização do ágio não traria nenhum impacto nos seus respectivos fluxos de dividendos. Na medida em que simulação não se presume e não se prova por meio de indícios, ante a clareza com que as operações foram feitas, inclusive em conformidade com o artigo 586 [386] do RIR/99 e com os demais atos normativos do BACEN e da CVM vigentes, resta claro que os autos de infração em questão foram lavrados por parte da Autoridade Fiscalizadora e mantidos pela Turma Julgadora sem qualquer convicção, sem nenhum fundamento legal. Transcreve entendimentos expressos no Acórdão nº 10311865, bem como no Acórdão CSRF nº 0101.874, além de outros referências do Primeiro Conselho de Contribuintes, e reportase à própria decisão recorrida ao reconhecer que, para a ocorrência da simulação, é imprescindível a existência de uma vontade ilícita oculta (fls. 1299), o que, conforme já mencionado, não ocorreu no presente caso. Nas palavras da recorrente: Utilizandose, portanto, do próprio entendimento da Turma Julgadora, evidente a ausência de simulação no presente caso tendo em vista a inexistência de um ilícito oculto, de uma declaração de vontade irreal: todos os atos foram praticados com o Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 40 39 propósito de se adquirir o Banespa — não há negócio jurídico aparente, no presente caso. Ademais, destaquese que a Turma Julgadora limitouse a afirmar que houve simulação no presente caso, sem, sequer, demonstrar cabalmente qual seria o "ilícito oculto". Pelo contrário, asseverou que haveria mero "indicio" de simulação: "há indicio de que também há descompasso entre a vontade real e a vontade manifestada"— fls. 1302. Diante de tudo o que foi exposto, resta comprovado que as operações societárias celebradas pelo Recorrente, foram todas licitas, permitidas legalmente, feitas de modo a produzir os efeitos que realmente expressavam, pelo que não foram operações simuladas tendentes a ocultar eventuais atos ilícitos. Portanto, tratandose de operações absolutamente licitas, deve esse E. Conselho Administrativo reformar a decisão ora recorrida para, senão determinar o cancelamento integral das presentes autuações fiscais — o que se alega a titulo argumentativo ao menos cancelar a multa agravada, no percentual de 150%. Ainda opondose à imputação de fraude, aborda: · a publicidade dos atos societários que foram devidamente registrados nos órgãos competentes (JUCESP, BACEN e CVM), além de refletidos em documentos fiscais e contábeis, que foram regularmente submetidos à apreciação da Receita Federal do Brasil, quando solicitados durante o processo fiscalizatório, argumentos não enfrentados pela Turma Julgadora, que se limitou a aduzir que as Juntas Comerciais apenas analisavam aspectos formais dos atos, enquanto a recorrente pretendia demonstrar que sua prática se desenvolveu da forma mais lídima e transparente possível, o que garantiu a ampla publicidade dos atos praticados perante terceiros. Menciona que transcreveu na impugnação trechos dos despachos proferidos pelo BACEN, que aprovaram as operações societárias realizadas pelo grupo econômico, bem como o registro, pela Jucesp, de todos os atos societários, para demonstrar que não agiu com máfé, cumpriu com todas as obrigações acessórias, e deu a devida publicidade a todos os atos praticados, não havendo porque se cogitar de fraude, situação semelhante à tratada nos Acórdãos nº 10194.930, 10709.169, 10708.837. E ressalta, ainda, que toda a reestruturação societária analisada nesse processo iniciouse por intermédio de leilão público, com ampla divulgação nos meios de comunicação. · a opinião dos Assessores, expressa em razão da contratação de especialistas para analisar a reestruturação societária pretendida sob a óptica do Projeto de Lei Complementar (PLC) n° 77/99, que visava acrescentar, à época dos fatos, o parágrafo único ao artigo 116 do CTN, a evidenciar a prudência, a cautela e a boafé do Recorrente, que se pautou em entendimento legitimo e corroborado por especialistas da área de que a operação era transparente, licita e com evidente propósito negocial, tendo como conseqüência o aproveitamento fiscal estipulado em lei, bem como a opinião dos Auditores Externos que examinaram as demonstrações financeiras anosbase de 2001 a 2006, nos quais já estava refletido o ágio gerado em razão da integralização das ações na Santander Holding, bem como as respectivas amortizações, sem fazer qualquer ressalva, e avaliaram também os registros contábeis relativos ao processo de reestruturação societária levada a cabo pelo grupo, no Brasil e, após a análise detalhada e específica tendo como fundamento a legislação societária e a regulamentação do Bacen, concluíram pela adequação do tratamento dispensado. Aduz que a Turma Julgadora limitouse a rejeitar estes elementos, afirmando que haveria suposto erro no trabalho elaborado pelos Auditores Externos, novamente inovando o Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 41 40 lançamento, e adotando argumento que não tem qualquer relação de causa e efeito com a ocorrência de fraude. · o Leilão Público, ato administrativo válido porque observadas todas as normas fixadas para sua realização, sendo origem da reestruturação societária implementada pelo grupo Santander, retira qualquer possibilidade de prática de qualquer ato que tivesse por objetivo "esconder" qualquer ato do Fisco. É imprópria a suposição da Fiscalização e da Turma Julgadora de que o fato de o valor pago pelo Banco Santander Central Hispano S/A, para a aquisição das ações do Banespa, ter sido superior àquele oferecido pelo segundo concorrente seria indício de fraude, especialmente porque: (i) o leilão foi público, sem qualquer questionamento; (ii) não haviam lances superiores a 80% do lance ofertado pelo Banco Santander Central Hispano; (iii) o Banco Santander Central Hispano, para fins de expansão dos negócios, não tinha intenção de perder o leilão (conforme entrevista do presidente do grupo à época que deixa clara a intenção de vencer a disputa citada em sede de impugnação) e (iv) o valor foi liquidado e o Estado recebeu efetivamente o preço. Demais disso, como o Santander Central Hispano S/A deveria concorrer em condições de igualdade com os demais interessados para a aquisição das ações do Banespa, tinha ele o direito de aproveitarse da dedutibilidade do ágio pago pela compra do Banco Banespa, por intermédio de operações societárias que se sucederam, e, como se demonstrará adiante, inexistia qualquer irregularidade no valor adotado para integralização das ações na Santander Holding. Inadmissível o entendimento da Turma Julgadora de que o edital não fazia referência a um eventual direito de aproveitamento do ágio, pois esta matéria é abstratamente regulada por lei e confere este direito a qualquer contribuinte que adquirisse o Banespa, pagando ágio. · a não ocorrência da “simulação de uma complexa operação, na medida em que não houve a "internalização" do ágio e, ainda, a suposta "empresa veiculo" não foi constituída com único fim de obter benefícios fiscais, mas sim para tornar viável a aquisição das ações do Banespa, por meio de leilão público, sem que fosse "deflagrado" o valor do lance, o que impediria, certamente, o êxito na arrematação. O grupo Santander não poderia internalizar qualquer recurso pecuniário para integralização de capital em empresas coligadas ou controladas no Brasil, pois isto tornaria público o valor de seu lance, bem como não lhe era possível, após a vitória no leilão, integralizar em uma outra entidade financeira coligada ou controlada no Brasil (e não na Santander Holding) as ações do Banespa, uma vez que a legislação bancária brasileira não permite. Demais disso, não haveria qualquer questionamento quanto à dedutibilidade do ágio caso a aquisição direta do Banespa pela Santander Holding fosse possível (o que se admite apenas a titulo argumentativo), de modo que as operações realizadas apenas colocaram o grupo Santander em condições de igualdade e neutralidade fiscal para com os demais concorrentes nacionais. As demais operações de incorporação que se sucederam apenas buscaram as sinergias administrativas e burocráticas necessárias; as eventuais economias fiscais são conseqüências lógica e direta das operações societárias realizadas nos estritos termos da legislação vigente; e a reestruturação societária neste processo analisada culminou com a incorporação pelo Banespa das demais estruturas societárias existentes, dentro de um prazo razoável (aproximadamente 10 meses), no pleno exercício do direito previsto na Lei n° 9.532/97, sem qualquer abuso ou excesso na aplicação da referida norma, e buscando a melhor eficiência de fluxo de caixa para a companhia e acionistas. Estes argumentos também integraram o recurso voluntário nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/200872, na parte em que a recorrente defendeu a Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 42 41 inexistência de fraude e simulação, reservando os dois últimos tópicos acima para cogitar, no máximo de erro de proibição e invocar a aplicação do art. 112 do CTN. Por oportuno registrese que, nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/200872, a recorrente também argüiu, em preliminar, a decadência do direito do Fisco lançar o IRPJ e a CSLL referentes ao anocalendário de 2002, na medida em que o lançamento ali em debate foi cientificado à contribuinte em 30/12/2008. Passando ao mérito da exigência principal, a recorrente aqui estrutura seus argumentos sob os seguintes tópicos: 3.1 Do Processo Fiscalizatório Ausência de Questionamento dos Atos Praticados Presunção da Falta de Propósito Negocial Aduz que a Fiscalização não buscou a verdade material para fundamentar a lavratura dos autos de infração ora contestados, pelo contrário, se ateve, tão somente, á leitura dos atos societários que descrevem as operações realizadas, mencionadas, de forma resumida, no Termo de Verificação, para presumir, com base em apressadas premissas pré concebidas, ou seja, sem qualquer fundamento, a inexistência de propósito negocial. Sustentou a Turma Julgadora que o Fisco demonstra um conhecimento efetivo do contexto em que ocorreram as operações societárias que deram origem à amortização do ágio em questão, o que não é verdade pois o Auditor Fiscal, em nenhum momento, inquiriu o Recorrente acerca dos motivos que levaram o grupo econômico a estruturar as operações da forma como descrita no Termo de Verificação, limitandose a reproduzir a maior parte dos argumentos já levantados no Processo Administrativo 16561.000222/200872, sem fazer qualquer intimação ou diligência adicional para apurar a verdade material da operação ora em análise e compreender "o propósito negocial" das reestruturações societárias efetivadas pelo Recorrente. Os Srs. Agentes Fiscais "montaram" sua própria "estória", em uma avaliação préconcebida da operação aludida, sem analisar o contexto no qual foram praticadas todas as operações descritas e por quais motivos foi necessária (indispensável) a constituição da Santander Holding Ltda. e todas as demais operações societárias que se sucederam, com as peculiaridades próprias de uma operação de aquisição de ações em leilão público, com a participação de pessoas jurídicas nacionais e estrangeiras. Além disso, os Srs. Agentes Fiscais utilizaram argumentos retóricos, sem qualquer espécie de comprovação ou fundamentação, para justificar que o ágio objeto do presente processo administrativo não tinha como fundamento econômico as expectativas de rentabilidade futura (o que sequer foi demonstrado ou provado). Classifica de ingênuos, desprovidos de qualquer comprovação os argumentos relativos à: (i) a existência do fundo de comércio do Banespa; (ii) a sua carteira de clientes e (iii) o nome e a sua marca, também mencionados pela Turma Julgadora sem qualquer fundamentação/quantificação, bem como sem qualquer informação acerca da forma de mensurar e segregar o ágio com fundamento (i) no fundo de comércio; e (ii) na rentabilidade futura. Acrescenta que o Laudo de Avaliação que fundamentou a natureza do ágio, elaborado pela empresa especializada de renome, não foi contestado. Afirmando que há inconsistências na acusação fiscal que confunde (i) o valor pago pelo Santander Hispano (empresa espanhola — não residente) pelas ações do Banespa no respectivo leilão, com (ii) o ágio efetivamente contestado, qual seja, aquele gerado quando Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 43 42 da integralização das referidas ações do Banespa ao capital da Santander Holding, esclarece que distintas são as realidades fáticas, contábeis e societárias aí presentes: (i) uma coisa é o pagamento efetuado pelo Santander Hispano quando do leilão que teve um ágio negocial e com eventuais implicações para a referida instituição no seu Pais de domicilio, (ii) outra coisa, é o ágio gerado, em território nacional, por intermédio de uma operação societária legitima de integralização de capital com aquisição de participação societária, realidades ligadas por intermédio de uma finalidade maior que era a aquisição do Banespa e a integração das atividades bancárias do grupo Santander no Pais, buscando sinergia em todas as suas áreas operacionais. Destaca que a Fiscalização excluiu parte das absurdas afirmações mencionadas nos autos de infração objeto do PAF n° 16561.000222/200872, sem qualquer justificativa, do Termo de Verificação Fiscal objeto do presente processo administrativo. Naqueles autos, argumentavase que as operações societárias teriam sido realizadas "com o evidente intuito único de criar despesas de amortização em uma delas", apenas porque o valor do ágio pago pelo Santander Central Hispano S/A "superou em muito aquele oferecido pelos demais concorrentes", afirmação que a recorrente reputa absurda, na medida em que houve o real pagamento dos R$ 7.050.000.000,00 ao governo, sendo irrelevante se este valor é pouco ou muito. O lance foi estipulado com o objetivo de vencer o leilão, sem risco de ir para o pregão em "vivavoz", segunda parte do leilão, adotandose um valor considerado justo, juntamente com a estratégia de não demonstrar interesse pela compra antes do leilão, o que fez os concorrentes ofertaram valores pouco superiores ao preço mínimo. Também nos autos do processo administrativo n° 16561.000222/200872 a Fiscalização havia mencionado a impossibilidade de a pessoa jurídica deduzir, de seus próprios resultados, a amortização de um ágio gerado na aquisição de suas ações, situação que nada tem de ilógico porque expressamente prevista no artigo 386, §6o, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), e também regulada na Circular BACEN nº 3.017/00). Acrescenta que esse argumento, apesar de excluído do Termo de Verificação Fiscal, foi abordado pela Turma Julgadora (fls. 1292) em evidente modificação do critério jurídico adotado nos lançamentos, na tentativa de "salvar" as autuações originárias do presente processo administrativo. Ainda, no lançamento anterior, a autoridade lançadora alegava que o ágio pago pelo Santander Espanha teria sofrido uma "reavaliação" quando de sua integralização na Santander Holding, equívoco evidente pois o valor pago no leilão de R$ 7.050.000.000,00 correspondia apenas à aquisição de parte das cotas pertencentes à União que eram objeto da alienação, aproximadamente 30% do Capital Social (60% do Capital Votante), tendo o Santander Hispano adquirido logo após o leilão, quase a totalidade das demais ações do Banespa por meio de Oferta Pública de Ações concluída em 06/04/2001, de forma que quando da integralização das ações na Santander Holding (momento em que ocorre a aquisição das ações com ágio por esta sociedade), a sua participação no Banespa era de aproximadamente 97% do capital social. Já no presente lançamento, a única iniciativa que foi tomada, após a lavratura dos primeiros autos de infração, foi corrigir parte dos absurdos jurídicos alegados inicialmente, mas sem, contudo, realizar qualquer diligência adicional para verificação do propósito negocial dos fatos ora em análise. Os recurso presuntivos antes utilizados foram Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 44 43 apenas e tão somente relatados pelos Srs. Agentes Fiscais, e mencionadas na decisão ora recorrida, na tentativa de justificar as autuações. Enuncia perguntas que deveriam ter sido feitas pela Fiscalização no sentido de entenderem a operação realizada pelo Recorrente, para mais à frente respondêlas, com vistas a demonstrar que elas levariam à verdade material dos fatos. Prossegue, então, demonstrando que as justificativas adotadas pela Fiscalização e pela Turma Julgadora não possuem qualquer substância, motivo pelo qual se faz necessária a reforma da decisão ora recorrida e o cancelamento das autuações originárias do presente processo administrativo. 3.2 Da Efetiva Operação Realizada Aquisição do Banespa para Expansão das Atividades do Grupo Santander no Brasil Reitera que a Fiscalização não inquiriu a contribuinte acerca dos motivos econômicos ou jurídicos pelos quais as operações societárias foram praticadas, em afronta ao princípio da verdade material porque baseados em mera presunção de que as operações praticadas não tiveram propósito negocial. Entende que tais circunstâncias seriam suficientes para desconstituição da exigência, mas subsidiariamente passa à análise, detalhada, das operações praticadas e dos respectivos documentos que lhes suportaram o que demonstrará o evidente equivoco cometido pelo Sr. Agente Fiscal, erroneamente referendado pela decisão ora recorrida, e adianta: Ao final da análise das operações em questão restará comprovada que a forma jurídica adotada pelo grupo Santander, para participar no processo de leilão, foi a mais direta, correta e adequada para atingir seu objetivo final: a compra do Banespa e a integração das atividades bancárias para obtenção de sinergia no grupo Santander, com o conseqüente aproveitamento do ágio decorrente dessa aquisição. Discordando da afirmação contida na decisão recorrida de que teria analisado a validade dos atos societários considerados isoladamente, expõe a análise histórica das operações praticadas pelo grupo, descrevendo suas atividades desde 1957, destacando outras aquisições de instituições financeiras com a finalidade de expansão do mercado financeiro, até a aquisição do Banespa pelo Santander Hispano em 20/11/2000, que num segundo passo alcançou 97% do capital social daquela instituição financeira, a um custo total de R$ 9,57 bilhões, utilizandose esta participação societária para integralização de capital na Santander Holding, que passou a ser titular do investimento de R$ 2,11 bilhões no Banespa com o ágio de R$ 7,46 bilhões surgido neste evento societário. Aborda seus projetos de modernização tecnológica, que culminara em integração tecnológica, com a migração de todos os sistemas de operação para uma única plataforma, bem como a integração jurídica de todas as entidades bancárias em um único banco: Banco Santander S/A, mencionando a aquisição do ABN AMRO em 2007 em consórcio com RBS e Fortis e a incorporação do Banco ABN AMRO Real S/A, que elevou a instituição ao terceiro maior conglomerado financeiro privado do País e, ao final, em 2009, permitiu ao Banco Santander S/A realizar a maior oferta pública de ações do ano no mundo. Conclui do exposto que a aquisição do Banespa alterou radicalmente a atividade bancária do grupo Santander no Brasil, e representou mais uma etapa da execução de um planejamento estratégico mundial do grupo Santander: qual seja, ser um dos maiores e mais respeitados conglomerados financeiros do mundo. Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 45 44 Transcreve publicação de fato relevante na Gazeta Mercantil, em 30 de novembro de 2000, pelo Banco Santander Central Hispano, destacando o fato de que com a aquisição do Banespa passaria a dispor de um grupo de empresas ("Sistema Banespa") que oferecia praticamente todos os serviços e produtos disponíveis no Sistema Financeiro Nacional, o que refletiria na rentabilidade futura do grupo, conforme laudo da KPMG Corporate Finance que menciona. Cita também reportagem publicada na Revista Veja, Edição n° 1677, de 29/11/2000, acerca da repercussão da aquisição do Banespa. Conclui estar evidente a necessidade, ou indispensabilidade, da aquisição do Banespa, e prossegue descrevendo cada passo adotado pelo grupo Santander, bem como o sentido econômico e o propósito negocial de toda essa operação, destacando que: · a aquisição de 30% do capital social do Banespa em leilão, foi a primeira etapa da operação e, necessariamente, realizada pelo Santander Hispano (empresa espanhola – não residente) tendo em vista as, particularidades do processo de desestatização do Banespa, isto é: lance secreto pelo maior valor, após préqualificação dos concorrentes; · a integralização das ações do Banespa (agora equivalentes a 97,2% do capital social) na Santander Holding ocorreu após o grupo Santander ter participado do leilão público e após realizar oferta pública de ações para aquisição da quase totalidade do capital do Banespa. Além disso, representa operação societária de integralização de capital, por intermédio da qual a Santander Holding adquiriu, nos estritos termos da lei, as ações do Banespa, surgindo dai um ágio; · a integralização das cotas da Santander Holding na Meridional Holding, bem como a incorporação da Meridional Holding pelo Banco Santander S/A buscou sinergia do grupo Santander Brasil (simplificação da estrutura administrativa, integrando e racionalizando as estruturas societárias do grupo); Em suas palavras: Na medida em que o Banco Santander Central Hispano detinha participações no Brasil em distintas instituições financeiras, com o objetivo de consolidar seus investimentos e permitir uma percepção de um único grupo no Pais, foi iniciado o processo de reestruturação a fim de racionalizar, em várias etapas, a estrutura societária no Brasil, bem como consolidar as operações em um único balanço. Tratouse, portanto, de operação de simplificação de estrutura societária, buscando sinergia administrativa e integração das atividades bancárias. A recorrente destaca a constituição, em 30/06/2001, de Provisão Exigência da CVM para proteger os acionistas minoritários na futura incorporação da Santander Holding pelo Banespa, e teve como objetivo a boa prática de governança coorporativa (proteção do acionista minoritário contra o efeito contábil da amortização futura do ágio na distribuição dos benefícios gerados pela sociedade), permitindo a manutenção do fluxo de dividendos e a transparência nas demonstrações contábeis de maneira a deixar evidente, para qualquer interessado, os resultados operacionais do Banespa (e atualmente do Recorrente). Não existe nenhum efeito fiscal nesta operação. Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 46 45 Por fim, com a incorporação da Santander Holding pelo Banespa em 30/07/2001, o ágio passa a ser amortizado, ato societário realizado para utilização de tratamento fiscal previsto em lei (art. 386, III, e § 6o, II, do RIR/99). Com esta operação, o Banespa incorpora o acervo da antiga Santander Holding passando a exercer a atividade bancária plena, como uma das instituições financeiras do grupo Santander, continuando o processo de integração de atividades bancárias e buscando sinergia administrativa e tecnológica, processo que teve continuidade até a integração total do grupo, com a criação de um banco único em 2006. Conclui que estas operações tiveram como objetivo criar uma estrutura societária que tornasse viável, como planejamento estratégico, a aquisição do Banespa, com o conseqüente aproveitamento do direito ao beneficio fiscal de dedução do ágio, gerado na integralização das suas cotas na Santander Holding, exatamente nos termos do artigo 386, § 6°, inciso II, do RIR/99. Logo, não há qualquer evidência de fraude, mas sim de atos societários realizados com o objetivo claro e evidente de aquisição do Banespa, com o conseqüente aproveitamento de um tratamento fiscal previsto em lei, bem como reorganizações societárias para a integração das atividades bancárias que buscaram a sinergia de um conglomerado financeiro que estava se expandindo vertiginosamente. Estes argumentos também constituíram tópico específico da defesa apresentada nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/200872, contrapondose as constatações da Fiscalização, classificadas como “análises de fotografias”, à apresentação dos fatos no recurso voluntário, classificada como “análise do filme”. 3.3 Legitimidade da Aquisição do Investimento com Ágio pela Santander Holding e Posterior Aproveitamento da sua Dedutibilidade Fiscal pelo Banespa e pelo Recorrente Passa, então, a demonstrar que o Grupo Santander cumpriu todos os requisitos necessários para que fizesse jus à aquisição do Banespa e ao conseqüente aproveitamento fiscal da amortização do ágio. Discorre acerca (i) da natureza jurídico/contábil do ágio na aquisição de participações societárias; (ii) da licitude da aquisição de participação societária com ágio conferida em integralização de ações; (iii) o tratamento tributário a ele dispensado no ordenamento jurídico brasileiro; e (iv) o fundamento econômico para sua constituição. Aduz que o ágio ou deságio gerado em operações, como as ocorridas no presente caso, decorre da diferença entre o valor de aquisição (custo de aquisição) e o valor patrimonial das ações adquiridas (valor de patrimônio liquido), quando se adota o registro da participação societária pelo método da equivalência patrimonial. Afirma que a Lei das S/A não se estende sobre o tema, mas entende que devem ser observados os princípios de contabilidade geralmente aceitos, e reportase ao art. 13 da Instrução CVM nº 247/96 e ao art. 20 do Decretolei nº 1.598/77, que rege a matéria no âmbito tributário. Distingue dois fatos jurídicos distintos e autônomos de aquisição das ações do Banespa, e ressalta que a confusão entre os dois fatos jurídicos contábeis permanece na decisão ora recorrida, pois a Turma Julgadora insiste em afirmar que o ágio objeto de amortização é aquele originado no leilão público e não o gerado na integralização de capital. Assim os descreve: (i) FATO JURÍDICO 1: aquisição, pelo Santander Hispano, de ações do Banespa correspondentes a 97,02% do capital social deste, mediante o pagamento de R$ Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 47 46 9,57 bilhões (custo de aquisição valor pago em leilão público e em Oferta Pública de Ações). Ressaltese que este foi o custo de aquisição da participação societária pela pessoa jurídica espanhola. Portanto, a forma de contabilização desse investimento deve seguir a legislação da Espanha, como foi, inclusive, mencionado pela Turma Julgadora fls. 1264; (ii) FATO JURÍDICO 2: aquisição, pela Santander Holding, de ações do Banespa correspondentes a 97,02% do capital social deste, por meio da conferência em integralização de capital pelo Santander Hispano no valor de R$ 9,57 bilhões (custo de aquisição na conferência de ações). Tais fatos ensejam a seguinte conseqüência para as duas pessoas jurídicas em destaque: (i) O Santander Hispano deixou de possuir em seu ativo as ações do Banespa pelo custo de aquisição de R$ 9,57 bilhões e passou a possuir em seu ativo um investimento em outra sociedade controlada (Santander Holding) no mesmo valor de R$ 9,57 bilhões — troca de ativos; (ii) A Santander Holding teve um aumento no seu ativo no valor de R$ 9,57 bilhões correspondente ao investimento no Banespa, como contrapartida do aumento de capital integralizado pelo Santander Hispano, e estava obrigada a registrar este investimento pelo método da equivalência patrimonial, desdobrando o custo de aquisição das ações do Banespa em valor do investimento pela equivalência patrimonial (R$ 2,11 bilhões) e ágio (R$ 7,46 bilhões). Reportase a Parecer de Auditores Independentes da Santander Holding que referendaram este procedimento. Defende a licitude da aquisição de participação societária com ágio conferida em integralização de ações, ante o novo fundamento jurídico que teria sido trazido pela Turma Julgadora aos autos. Aduz que o aumento de capital realizado na Santander Holding, mediante conferência das ações que o Santander Hispano possuía no Banespa foi feita por valor correspondente ao preço pago nas aquisições realizadas junto a terceiros e, ainda, ao montante dos recursos ingressados no Pais na aquisição das ações do Banespa, o qual foi registrado como um investimento estrangeiro direto nos termos das normas cambiais (sistema RDEIED). Ressalta que na integralização de bens ao capital social, a Lei das S/A exige a sua avaliação por empresa especializada (arts. 7o e 8o) e questiona se o valor das ações conferidas em integralização de capital deveria ser o valor de patrimônio líquido. Entende que tanto sob a perspectiva da legislação societária quanto da perspectiva da legislação tributária, inexiste qualquer restrição à integralização da participação societária por seu valor avaliado em dinheiro, pois somente é exigida a avaliação na forma da lei, condição atendida mediante a apresentação de Laudo Avaliação de empresa especializada, fundamentando os critérios de avaliação e justificando o valor das ações do Banespa com base na expectativa de rentabilidade futura. Acrescenta que também corroboram estas operação a sua aprovação pela CVM e pelo Banco Central do Brasil, e cita entendimento de Ricardo Mariz de Oliveira acerca do tema. Destaca, ainda, a total coerência do procedimento sob o ponto de vista econômico, adotandose o preço pago em operações realizadas junto a terceiros, em condições comutativas (de mercado), representativo do efetivo valor do investimento estrangeiro (direto) ingressado no pais, sob pena de se gerar perdas de capital para o investidor estrangeiro. Transcreve lições do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações – FIPECAFI, e conclusões de parecer elaborado pelo Prof. Alexsandro Boerdel Lopes, para justificar que o valor pago com base na expectativa de rentabilidade futura, como ocorreu nos Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 48 47 presentes autos, está intrinsecamente associado à expectativa de lucros futuros gerados por determinado investimento, motivo pelo qual a sua amortização darse6 em contrapartida dessa expectativa de lucros a serem gerados. Destaca também, naquela primeira obra, a orientação de que o valor do ágio e o valor da equivalência patrimonial devem figurar como subcontas que constituem o "valor do investimento". Ressalta que o ágio, como acessório, deve seguir o principal (investimento), e expressa o entendimento de que a amortização do ágio é a forma contábil de se registrar a perda de valor no tempo de um ativo intangível em função de seu uso., à semelhança dos ativos tangíveis. Acrescenta que a legislação fiscal admite a integralização de capital pelo valor de custo de aquisição ou de mercado, no art. 23 da Lei nº 9.249/95, como também reconhecido no Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações – FIPECAFI, distinguindose seus efeitos no resultado da alienação aí existente. Embora entenda que a comprovação da licitude da conferência das ações do Banespa pelo seu valor de mercado (custo de aquisição), pelo Santander Hispano, na Santander Holding é suficiente para reforma da decisão recorrida, a recorrente também aborda o tratamento tributário dispensado ao ágio no ordenamento jurídico brasileiro, principiando por reconhecer que a dedutibilidade de sua amortização depende do fundamento econômico para o pagamento dessa diferença (aqui rentabilidade futura) e, no caso, da incorporação promovida pelo Banespa (controlada) de sua controladora (Santander Holding). Ressalta, porém, que a operação realizada não pode ser considerada como planejamento tributário, como aventou a Turma Julgadora ao acrescentar argumento que não teria sido mencionado no Termo de Verificação Fiscal, pois as figuras da extrafiscalidade e dos incentivos fiscais (como é o caso da dedução do ágio) não fazem parte das hipóteses de planejamento tributário, na medida em que a dedutibilidade fiscal do ágio, gerado na aquisição de sociedades, teve como objetivo incentivar a prática de fusões e aquisições, especialmente quando se tratavam de estatais em processos de privatização. A possibilidade de aproveitamento do ágio fomentaria as privatizações, por representar uma vantagem ao adquirente em termos de fluxo de caixa do futuro negócio adquirido, tornando mais atraente a realização dos vultosos investimentos necessários para as privatizações. E acrescenta: Ademais, também era muito comum que o ágio gerado em operações de privatização fosse aproveitado nas próprias empresas privatizadas, com o lucro por elas gerado como é o caso dos autos. Neste sentido, como já mencionado existe autorização expressa do artigo 386, § 6°, inciso II, do RIR/99 para aplicação da dedução fiscal quando a empresa incorporada fosse aquela que detinha a propriedade da participação societária. Retoma a abordagem acerca da dedutibilidade do ágio, tratando de sua fundamentação em rentabilidade futura, especialmente em razão dos questionamentos acerca da influência do fundo de comércio do Banespa na determinação do valor do investimento em questão. Recorda que a aquisição das ações pelo Santander Hispano, por meio de leilão público não se confunde com a aquisição das ações pela Santander Holding, por meio da conferência de capital., equívoco que levou à afirmação de que o fundamento econômico do ágio seria composto pelos "custos pagos pelo Santander Hispano". Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 49 48 Procura demonstrar que o fundamento econômico do ágio objeto de amortização no presente caso, gerado na aquisição pela Santander Holding, referese exclusivamente à expectativa de rentabilidade futura, asseverando que o art. 20 do Decretolei nº 1.598/77, ao exigir que o lançamento do ágio indique seu fundamento econômico, não estabelece a obrigatoriedade de consideração de todos os critérios mencionados, mas ao menos um "dentre" eles, bem como não fixa uma ordem lógica ou pressuposta para a atribuição destes fundamentos. Acrescenta que tais exigências não seria possíveis, pois o fundamento econômico para o pagamento de ágio em uma aquisição de bens é critério de decisão único e exclusivo do adquirente, ante a livre iniciativa das partes na determinação do preço do ativo, vinculandose ao propósito econômico da aquisição. Em suas palavras: Assim, caso o adquirente tenha por objetivo explorar o negócio adquirido, o preço (e o ágio) pode ser fundamentado pela rentabilidade futura esperada. Por outro lado, se o adquirente pretende liquidar a companhia, poderá estar interessado na mais valia dos ativos subjacentes a serem vendidos. Conclui, assim, que não cabe ao Fisco estabelecer o fundamento que presume suportar o prego pago, especialmente quando o contribuinte preenche todos os requisitos legais para a comprovação de tal fundamento. Mas prossegue discorrendo sobre cada um dos fundamentos econômicos mencionados na lei, citando doutrina e pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC, para afirmar que: Em outras palavras: (i) os incisos I e III do § 2° do artigo 20 do DL n° 1.598/77 trazem como fundamento para o ágio o valor não registrado no Balanço dos elementos do ativo da controlada ou coligada adquirida; enquanto (ii) o inciso II traz como fundamento não o valor de cada elemento do ativo individualizado, mas o valor global de expectativa de rentabilidade futura que supere o valor de patrimônio liquido da empresa registrado em Balanço. Ou seja, parece claro que ao separar o fundamento do ágio em (i) valor dos elementos do ativo individualizadamente (tangíveis ou intangíveis); e (ii) valor global de rentabilidade futura, independentemente dos elementos do ativo individualizados; pretendeu o legislador que o fundamento econômico deve ser aquele que motivou a valoração da aquisição. Dessa forma, concluise que o Decreto 1.598/1977 pretendeu conferir um tratamento especifico a todo ágio cujo fundamento decorra de avaliação da empresa adquirida pelo método da expectativa de rentabilidade futura, não importando qual o elemento do ativo que justifica aquela expectativa, seja ele individualizável ou não. (destaques do original). Destacando que, na forma da doutrina citada, a expectativa de rentabilidade futura nada mais é que uma forma de mensurar o valor de um ativo, tangível ou intangível, e que nem sempre o motivo que justificou a aquisição do investimento considera o valor de rentabilidade futura dos ativos de forma individualizada, mas sim o valor de rentabilidade futura do negócio como um todo, assevera que assim ocorreu no presente caso, evidenciando se o equívoco da Turma Julgadora ao tentar firmar que outro seria o fundamento econômico do ágio pago, diversamente do laudo apresentado, que não foi, em momento algum, desqualificado. Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 50 49 O fato de o laudo ter considerado ativos como marca, carteira de clientes e participação de mercado, sem quantificálos apenas confirma que o que antes alegado: o fundamento econômico do ágio teve em conta a capacidade futura de geração de lucros pelo conjunto dos ativos adquiridos. Frisa, ainda, que não foi feita qualquer prova, pela Fiscalização, de que o ágio gerado no momento da conferência de ações pelo Santander Hispano englobaria algum valor correspondente ao fundo de comércio do Banespa, tampouco foi o Sr. Agente Fiscal capaz de mensurar qual seria a parcela desse suposto montante que comporia o total do custo de aquisição das ações pela Santander Holding. Ou seja, as autoridades não foram capazes de "desqualificar" o montante do ágio demonstrado no Laudo elaborado pela KPMG Corporate Finance. Demais disso, foram atendidos os requisitos legais expressos no art. 385, §3o do RIR/99, que exige "demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante de escrituração", inexistindo regulamentação que explicite a forma desta demonstração. Menciona que ser absurda a decisão recorrida quando tenta refutar o laudo com base em sua ressalva de que ali não se garantia a realização de resultados futuros, pois não é minimamente razoável que se exija que um Laudo de Avaliação possa assegurar com certeza cristalina que os resultados futuros efetivamente serão realizados. Observa que o valor inteqralizado na Santander Holding foi, inclusive, inferior àquele avaliado pelo Laudo dos avaliadores independentes com base na expectativa de rentabilidade futura, pelo método do fluxo de caixa descontado (valor das ações do Banespa que foram integralizadas na Santander Holding foi de R$ 9.574.900 mil, mas o valor de mercado projetado pela KPMG Corporate Finance foi de R$ 10.078.626 mil), e conclui que o ágio correspondente à rentabilidade futura, conforme laudo elaborado pela KPMG, foi devidamente registrado nos lançamentos contábeis do Recorrente, os quais fazem prova a seu favor já que não contestados pelo Fisco, cabendo ao fisco a prova da inveracidade dos fatos assim registrados, nos termos dos arts. 923 e 924 do RIR/99, e conforme doutrina e jurisprudência administrativa que cita. Complementa, ainda, que o § 2° e incisos do artigo 385 do RIR/99 não trazem quaisquer critérios para determinação do fundamento do ágio, nos termos da doutrina reproduzida, e inexistindo qualquer regra/ordem para determinação do fundamento do ágio não se pode criar restrições que a lei não prevê, sob pena de violação ao principio da vinculabilidade da tributação, corolário do principio da legalidade. A lei apenas impõe a guarda da documentação que comprove o fundamento adotado, e assim procedeu a recorrente. Reafirma tais razões para frisar que esse E. Conselho não poderá acolher o "entendimento presuntivo" desenvolvido pela Fiscalização e adotado pela decisão ora recorrida, citando outros textos doutrinários em reforço ao seu entendimento. E acrescenta que, de toda sorte, adotou corretamente o fundamento invocado para o ágio pois, ainda que se alegue que a determinação da fundamentação econômica do ágio pressupõe a avaliação de cada um dos incisos do § 2° do artigo 20 do DL 1.598/77, desprezandose a motivação de seu pagamento, como pretendeu a Fiscalização e a Turma Julgadora, fato é que isso somente se aplica quando os elementos contemplados naqueles incisos possam ser identificados, o que não foi demonstrado pela Fiscalização, nem tão pouco pela Turma Julgadora, no presente caso. Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 51 50 Destaca que a interpretação acerca do que seria o fundo de comércio mencionado na lei deve ser restritiva, sob pena de englobar todos os bens da sociedade. Dessa forma, o legislador quando fala em conjunto de ativos, fundo de comércio e intangível, está se referindo apenas àqueles passiveis de identificação, de modo que para fundamentar o ágio em fundo de comércio ou intangíveis, é essencial a individualização e valoração dos bens que compõem este grupo, providência da qual a Fiscalização não se desincumbiu. A carteira de clientes ou outros elementos quaisquer do fundo de comércio foram considerados pelo Grupo Santander no momento da aquisição das ações do Banespa. Contudo, tais intangíveis não influenciaram, individualmente, o processo da avaliação do valor a ser pago, pois a metodologia adotada foi a dos "fluxos de caixa descontados de uma empresa em atividade". Questiona como pode o Fisco exigir esta individualização, se ela não foi feita pelo avaliador, por entendêla impossível. Reportase, ainda, à Instrução CVM nº 247/96 que, à semelhança dos Pronunciamentos do CPC 04 e 15, demonstra que existem apenas dois motivos que justificam a diferença entre o custo de aquisição e o patrimônio liquido (ágio): (i) preços de mercado dos ativos diferentes do valor contábil e (ii) ágio por expectativa de rentabilidade futura. Infere, daí, que equivocouse o legislador do Decreto 1.598/77 ao mencionar fundo de comércio na alínea "c" (inciso III do § 2° do artigo 385 do RIR/99) e expectativa de rentabilidade futura na alínea "b" (inciso II do § 2° do artigo 385 do RIR199), já que acabou por mencionar o mesmo instituto contábil duas vezes. Aborda, ainda, o abandono da marca Banespa por parte do Recorrente, a qual além de não ter apresentado relevância para a determinação do valor do investimento, de forma individualizada, integrou a aquisição como parte do planejamento estratégico mundial de negócios do Grupo Santander cujo objetivo é firmar e consolidar sua presença e, conseqüentemente, SUA MARCA. Determinante foi o porte da instituição financeira — grande! que permitiria (como de fato, permitiu) que o Santander se impusesse no cenário nacional como uma das maiores instituições financeiras. Assevera que lhe interessaria qualquer banco estatal de grande porte, pois a instituição financeira adquirida seria inevitavelmente incorporada à estrutura do Santander, e receberia, então, a SUA marca (essa sim, a única que possui relevância). A marca do Banespa foi mantida apenas enquanto se procediam as integrações e uniformizações de plataformas tecnológicas, em razão do porte dos dois bancos, e depois abandonada sem qualquer efeito para o bom sucesso dos negócios. Da mesma forma procedeu o grupo empresarial na aquisição do Banco Geral do Comércio e do Banco Noroeste no ano de 1997, do Banco Meridional em 2000. 3.4 — lsonomia entre Concorrentes e Neutralidade Fiscal na Alienação do Banespa Inexistência de Privilégio Exclusivo para as Empresas Nacionais de Aproveitamento Fiscal do Ágio Aborda a necessidade de se respeitar a isonomia entre os licitantes, destacando a vinculação do Programa Nacional de Desestatização aos preceitos da Lei n° 8.666/93 e do art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal e à indispensável manutenção de igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 52 51 permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações, bem como à vedação aos agentes públicos de estabelecer distinções em razão da naturalidade, da sede ou domicilio dos licitantes. E, diferentemente do que entendeu a Turma Julgadora, um fator fundamental para se garantir a isonomia entre os participantes, na determinação do lance a ser oferecido, é a igualdade do tratamento tributário, o que somente pode ser atingido pela neutralidade tributária da legislação no tratamento entre nacionais e estrangeiros, conforme doutrina que transcreve. Na medida em que o aproveitamento fiscal do ágio é um benefício fiscal que possibilita o oferecimento de maiores lances, qualquer concorrente nacional estaria em vantagem sobre os eventuais concorrentes estrangeiros caso se opusessem dificuldades transversas (como ocorreu com o presente lançamento tributário), à realização por estes de operações societárias legitimas que proporcionassem os mesmos efeitos tributários se realizadas por aqueles. Reitera a impossibilidade de, antes do leilão público, ingressar recursos pecuniários em pessoas jurídicas no Brasil, uma vez que, se o fizessem, restaria prejudicado o elemento crucial para obtenção do lance vencedor: o sigilo do prego ofertado. E acrescenta a falta de razoabilidade deste ingresso prévio, sem se saber da vitória, incorrendo em custos cambiais, administrativos e fiscais elevadíssimos (corretagem, CPMF, custos para proteção do risco cambial etc.). A operação societária em questão gera os mesmos efeitos tributários de outras operações e não provoca qualquer ato lesivo ao Estado, até porque o beneficio fiscal de dedutibilidade do ágio não representa, necessariamente, uma perda de receita para a Administração Pública. Isto porque o referido beneficio de redução da base tributável da empresa privatizada em exercícios futuros será um fator de valorização do prego a ser pago, que irá representar o ingresso imediato de recursos para a entidade da Federação. Daí seu entendimento de que decorre de expressa previsão legal a proibição aos Srs. Agentes Fiscais, na qualidade de agente público, estabelecer uma restrição ao grupo Santander para o aproveitamento do beneficio fiscal do ágio por representar clara afronta à neutralidade de concorrência, nos termos do artigo 3o,§ 1o, inciso I, da Lei n° 8.666/93. 3.5 — Da Sistemática de Alienação das Ações no Leilão — Sigilo do Lance como Fator Determinante para a Aquisição do BANESPA Argumenta que o sigilo da proposta dos participantes é preceito fundamental, motivo pelo qual o desrespeito ao sigilo da proposta em procedimento licitatório é crime, e no presente caso garantia ao Santander Hispano a arrematação sem a necessidade de realizar lances a viva voz, caso não houvesse nenhum lance igual ou superior a 80% do valor do seu lance nos demais envelopes. Reitera a importância desta aquisição para implementação de seu plano estratégico, e aduz que afastar a realização do leilão a viva voz era essencial, pois as demais instituições financeiras brasileiras não permitiriam a compra do Banespa, pois pagariam qualquer prego para evitar o ingresso de mais um concorrente "de peso" no mercado nacional. E o sigilo da proposta somente foi possível com a realização da operação tal como descrita anteriormente, pois qualquer movimento cambial correspondente a R$ 7.050.000.000,00 afetaria o mercado como um todo (balança de pagamentos) e seria de conhecimento público com facilidade. Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 53 52 Discorda da afirmação dos Srs. Julgadores a quo, na decisão ora recorrida, no sentido de que "a estrutura ora em análise não seria necessária, pois o cronograma do leilão previa o prazo de sete dias para a liquidação financeira do lance vencedor”, pois este prazo exigiria a habilitação prévia a Santander Holding como licitante no processo de leilão do Banepsa, que, do ponto de vista operacional e administrativo, seria inviável (para qualquer entidade e especialmente para uma entidade com capital de R$ 1.000,00 à época), além do custo e dos riscos que não poderiam ser exigidos da recorrente. 3.6 — Da Necessidade (Imprescindibilidade) da Santander Holding — Fundamento Econômico para o Presente Concreto Opõese às afirmações de que a Santander Holding seria uma "empresa veiculo", uma "empresa de passagem", pois teria uma duração efêmera, sem "propósito negocial" e "sem funcionários" (fls. 1293), reportandose às exigências da Lei nº 4.595/64 para integralização de capital social de uma instituição financeira, a qual não prevê a possibilidade de se aumentar o capital social de uma instituição financeira por meio da integralização de participação societária. Daí a necessidade da Santander Holding — entidade não financeira — na operação em questão para poder receber as ações adquiridas do Banespa, em integralização de capital. No mesmo sentido, cita a Circular do BACEN nº 2.750/97 e nega a possibilidade de o Santander Hispano (empresa espanhola — não residente), ao invés de capitalizar as ações do Banespa na Santander Holding (empresa "veiculo" no entender dos Srs. Julgadores) capitalizar tais ações em outra sociedade financeira pertencente ao grupo. Afirma que adotou a forma mais direta, correta e adequada para implementar a operação pretendida pelo grupo Santander, e reconhece que o componente fiscal era uma das possíveis conseqüências lógicas da referida estratégia econômica, até porque a elaboração dessa estrutura era fundamental para dar neutralidade fiscal e isonomia no processo licitatório, no qual participaram licitantes nacionais e estrangeiros, como antes dito. Destaca a inaplicabilidade dos precedentes existentes no Conselho de Contribuintes ao presente caso, pois todas as decisões que tratam de estruturas societárias que utilizam uma "empresa veiculo" foram casos em que se considerou não existir um propósito negocial, diversamente do que aqui demonstrado. Insiste que não havia outra forma jurídica possível para viabilizar essa operação (aquisição do Banespa em condições de sigilo de preço e com o aproveitamento do beneficio fiscal do ágio) nem as operações societárias subseqüentes que foram implementadas para gerar sinergia no grupo Santander. Em resumo: Em outras palavras, a estrutura utilizada para a aquisição das ações do Banespa era a mais adequada para que (i) se mantivesse o sigilo do lance no leilão, tendo em vista que o Santander Hispano (não residente) não teria como internalizar esses recursos no Brasil sem que os demais participantes do leilão ficassem sabendo qual seria a sua proposta; (ii) fosse possível, por conseqüência, a utilização do beneficio fiscal de aproveitamento do ágio previsto em Lei, uma vez que não havia a viabilidade de utilização de outra sociedade do grupo Santander no Brasil; (iii) fosse dado um tratamento isonômico e neutro operação, e (iv) fossem preservados os direitos dos acionistas minoritários do Banespa, por meio da constituição de provisão na Santander Holding no montante total do ágio (boa governança corporativa), garantindo a manutenção do fluxo de dividendos e a transparência Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 54 53 das demonstrações financeiras quanto identificação dos seus resultados operacionais. Entende, assim, que não há que se falar, como fizeram os Srs. Agentes Fiscais e a Turma Julgadora, de ilícita "internalização" do ágio. A aquisição foi legítima e, se fosse possível ao grupo Santander trazer os recursos financeiros ao Brasil, previamente ao leilão público, capitalizando a Santander Holding para posterior participação no procedimento licitatório, o ágio seria gerado da mesma forma. E pouco importa se a empresa era uma empresa com capital de R$ 1.000,00 e nenhum funcionário, uma vez que qualquer concorrente residente ou não residente assim procederia. Ressalta que o intuito de se utilizar a Santander Holding, como instrumento para a viabilização do leilão, se demonstra inclusive por meio do elemento temporal (esta sociedade foi constituída antes da realização do leilão: 21 dias após a publicação do edital PND — Programa Nacional de Desestatização 03/2000 do Banco Central do Brasil). E também destaca que o presente caso é completamente distinto dos outros casos já julgados pelo Conselho de Contribuintes, especialmente distinto das operações conhecidas como "casa separa" e "operação ágio”, nas quais buscase evitar a incidência do ganho de capital ou não. Tratase, aqui, de ágio gerado em processo de privatização, distintamente de jurisprudência citada na decisão recorrida que aborda operação realizada entre particulares, e não envolve instituições financeiras e sociedade de capital aberto registrada na CVM, as quais estão submetidas às rígidas regras do sistema financeiro nacional e às normas regulamentares do Banco Central do Brasil. Relativamente à constituição da provisão para proteção dos minoritários, classificada como indevida na decisão recorrida, aduz que ela é mais um motivo que demonstra a fundamentação econômica para a realização da operação, tal como praticada no presente caso, tornando clara a necessidade da Santander Holding, dado que em razão de normativos expressos da CVM e do BACEN, a proteção dos acionistas minoritários do Banespa quanto aos efeitos negativos da amortização do ágio sobre o fluxo de dividendos era obrigatória. A provisão em questão foi constituída como forma de evitar os efeitos negativos do ágio no patrimônio liquido do Banespa, decorrentes da sua amortização após a incorporação. Desta forma, com a amortização do ágio nos exercícios subseqüentes pelo Banespa (e pelo Recorrente após a incorporação), em contrapartida do resultado do período, igual valor da referida provisão seria, também, creditado no resultado, de modo a anular o efeito da amortização do ágio no fluxo de distribuição de dividendos, em conformidade com o art. 6o da Instrução CVM n° 319/99 (com redação dada pela Instrução CVM n° 349/01), bem como no artigo 16 da mesma norma. Em suas palavras: A verdade é que a constituição da provisão permite a adequada análise e identificação dos resultados financeiros do Banespa (e do Recorrente) por parte do público, uma vez que os seus resultados operacionais após a incorporação da Santander Holding não foram impactados pela despesa de amortização do ágio. 3.7 — Da Teoria do Propósito Negocial — Aplicabilidade às Operações Praticadas Discorda da afirmação de que o propósito negocial das operações subsequentes ao término da oferta pública de ações teve explicitamente como objetivo criar condições que viabilizassem a amortização do ágio a que a sociedade espanhola não fazia jus, pois tal argumento está fundamentado no equivocado entendimento de que o direito à fruição Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 55 54 da amortização do ágio seria daquela sociedade que o pagou, mas não pela sociedade que explora a instituição adquirida, cuja rentabilidade futura fundamentou o ágio, conforme já foi suficientemente demonstrado em tópico anterior. De toda sorte, aborda o propósito negocial que fundamentou todos os passos que foram tomados, na medida em que parte da doutrina e da jurisprudência administrativa, realmente, vem adotando limites positivos ao "planejamento tributário", exigindo o texto por ele transcrito que o motivo e a finalidade do negócio jurídico não sejam predominantemente tributários e sejam congruentes entre si. No presente caso, todos os atos praticados tiveram por motivo a aquisição do Banespa em processo de privatização, para o consequente aproveitamento do beneficio fiscal de dedução do ágio gerado nessa aquisição nos estritos termos da Lei, demonstrandose neste recurso os motivos pelos quais foram adotadas outras estruturas ou outros caminhos quando da realização de todas as operações, tendo em vista as peculiaridades do caso; a finalidade da operação era a aquisição de uma instituição financeira de grande porte e participação no mercado brasileiro, como forma de expandir as atividades do grupo Santander no Brasil, e todos os atos societários praticados inseremse congruentemente neste contexto da aquisição de uma instituição financeira por outra: (i) a forma de participação no leilão; (ii) os fluxos de caixa ocorridos; (iii) a necessidade da constituição de todas as sociedades envolvidas; e (iv) todas as operações realizadas para reduzir estruturas desnecessárias e obter a sinergia e consolidação do grupo Santander no Brasil. Analisandose os atos praticados como um "filme", resta clara a congruência do motivo e da finalidade da operação realizada pelo grupo Santander, os quais não eram predominantemente tributários, motivo pelo qual não há que se falar em falta de propósito negocial ou ausência de pressuposto econômico, como equivocadamente afirmara a Turma Julgadora. Cogitando, ainda, da aplicação de mais um limite ao suposto "planejamento tributário", reportase à coerência da questão com o planejamento estratégico do empreendimento econômico, transcrevendo doutrina acerca do conceito de planejamento estratégico e afirmando que a operação ocorrida encontrase claramente inserida no planejamento estratégico do grupo Santander, cujo objetivo de longo prazo declarado inclusive por meio de noticias veiculadas em jornais e revistas desde a época da aquisição do Banespa, é o de se tornar o maior Banco privado em atividade no território nacional, filme do qual a aquisição do Banespa representou um capítulo. Abordagem semelhante à expressa nos itens 3.3 a 3.7 foi apresentada, também, no recurso voluntário veiculado nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/200872. 3.8 — Resumo dos Fatos Efetivamente Ocorridos — Respostas às Questões que Deveriam Ter Sido Formuladas pelos Srs. Agentes Fiscais Em face de tudo quanto foi exposto, a recorrente passa, então, a responder as questões mencionadas no início de seu recurso, as quais dariam à Fiscalização a real compreensão da operação praticada: Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 56 55 a) Por que o grupo Santander não participou do leilão do Banespa por intermédio da Santander Holding ou de outra sociedade do grupo e, sim, pelo Santander Hispano? O grupo Santander não possuía nenhuma sociedade residente no Pais que tivesse condições patrimoniais de preencher os requisitos exigidos para a participação no Leilão sem que fosse internalizado o valor do lance a ser feito e, com isso, fosse aberto o sigilo da proposta. b) Por que foi constituída, em 2000, a empresa Santander Holding, sendo que já existiam inúmeras outras sociedades devidamente constituídas do grupo Santander no País? A Santander Holding foi constituída logo após a publicação do Edital do Leilão do Banespa (21 dias após), pois seria a empresa destinada a receber a participação societária a ser adquirida em leilão público. Isto porque, nos termos dos artigos 26, 27 e 28 da Lei no 4.595/64, Circular BACEN n° 2.750 e da Circular COSIF n° 1.273 o aumento de capital em uma instituição financeira somente pode ser feito em moeda corrente ou por meio de incorporação de reservas e de reavaliação de parcela dos bens do ativo imobilizado. Não há previsão de uso de ações para a integralização em aumento de capital de empresas financeiras. Como se vê, a constituição de uma Holding revelouse necessária para legalmente recepcionar as ações do Banespa, adquiridas pelo Santander Hispano, em aumento de capital. Ou seja, a Holding é uma sociedade cuja finalidade é deter o investimento. A integralização das ações do Banespa na Santander Holding, conforme já planejado desde o inicio do processo de privatização, era a forma mais direta, correta e adequada para atingir o seu objetivo final: (i) a aquisição do Banespa; (ii) a reestruturação societária das empresas no Brasil para a integração de suas atividades bancárias, que visava obter ao final a sinergia do Grupo, e (iii) preservação dos direitos dos acionistas minoritários do Banespa, garantindo a manutenção do fluxo de dividendos e a transparência das demonstrações financeiras quanto à identificação dos seus resultados operacionais. O aproveitamento fiscal de dedutibilidade do ágio gerado na aquisição é mera conseqüência legal dos atos societários praticados, sem causar efeito adverso no fluxo de dividendos futuros dos acionistas minoritários do Banespa, mantendose a prática de boa publicidade das demonstrações financeiras. Assim, a Santander Holding era o tipo de sociedade que, no Grupo, poderia ser utilizada para implementar os objetivos pretendidos, sendo, portanto, uma etapa necessária do processo de integração das atividades bancárias no Brasil, especialmente na redução de complexidades, sempre na busca de sinergia no Grupo. c) Por que o Santander Hispano pagou um valor tão alto pela aquisição do Banespa (R$ 7,05 bilhões), montante muito superior ao valor oferecido pelo segundo colocado (lance 2.054% maior do que o efetuado pelo segundo colocado)? No presente caso, a aquisição do Banespa representava para o grupo Santander o ingresso definitivo como uma das maiores instituições financeiras no cenário nacional. Nesse sentido, foi oferecido o preço considerado adequado tendo em conta a estratégia de negócios do grupo Santander. Portanto, era importante que o lance a ser oferecido fosse vencedor para que não fosse necessária a realização de lances a viva voz. Caso as demais instituições financeiras participantes soubessem Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 57 56 que o Santander pretendia efetivamente ingressar no mercado brasileiro (especialmente o Banco Itaú S/A e o Banco Bradesco S/A), elas não teriam deixado. Ainda destaquese que o pagamento do preço "elevado" foi positivo para a União, então "dona" do Banespa. Ademais, o aproveitamento do ágio faz retornar ao comprador apenas parte do valor pago, o que retornaria, insistase, para qualquer que fosse o comprador, residente ou não residente (ressaltese que os Srs. Agentes Fiscais, de forma totalmente injustificada, como mencionado, excluíram esse argumento no presente processo administrativo, mas é importante reiterálo, uma vez que foi alegado nos autos do PAF nº 16561.000222/200872 referente aos períodos de 2002 a 2004). d) Por que o Santander Hispano não trouxe, inicialmente, os R$ 7,05 bilhões para o País, capitalizando em alguma de suas empresas para participar posteriormente do leilão do Banespa? Conforme mencionado, o sigilo do lance inicial secreto a ser feito pelo Santander Hispano era fundamento para que fosse vencedor já na primeira fase do leilão, sem a necessidade de lances a viva voz. Contudo, caso o Santander Hispano trouxesse esses recursos para o Brasil, restaria evidente para os demais concorrentes qual seria a proposta que seria apresentada. e) Por que houve a integralização das ações do Banespa na Santander Holding e não nas demais instituições financeiras do grupo Santander no País? Pode parecer repetitivo, mas a verdade é que a simplicidade do fato não comporta outra resposta: a Santander Holding foi constituída para receber a participação societária a ser adquirida em leilão público. A Santander Holding foi constituída logo após a publicação do Edital do Leilão do Banespa (21 dias após), pois seria a empresa destinada a receber a participação societária a ser adquirida em leilão público. Isto porque, nos termos dos artigos 26, 27 e 28 da Lei n° 4.595/64, Circular BACEN n° 2.750 e da Circular COSIF n° 1.273 o aumento de capital em uma instituição financeira somente pode ser feito em moeda corrente ou por meio de incorporação de reservas e de reavaliação de parcela dos bens do ativo imobilizado. Não há previsão de uso de ações para a integralização em aumento de capital de empresas financeiras. Como se vê, a constituição de uma Holding revelouse necessária para legalmente recepcionar as ações do Banespa, adquiridas pelo Santander Hispano, em aumento de capital. Ou seja, a Holding é uma sociedade cuja finalidade é deter o investimento. A integralização das ações do Banespa na Santander Holding, conforme já planejado desde o inicio do processo de privatização, era a forma mais direta, correta e adequada para atingir o seu objetivo final: (i) a aquisição do Banespa; (ii) a reestruturação societária das empresas no Brasil para a integração de suas atividades bancárias, que visava obter ao final a sinergia do Grupo, e (iii) preservação dos direitos dos acionistas minoritários do Banespa, garantindo a manutenção do fluxo de dividendos e a transparência das demonstrações financeiras quanto à identificação dos seus resultados operacionais. O aproveitamento fiscal de dedutibilidade do ágio gerado na aquisição é mera conseqüência legal dos atos societários praticados, sem causar efeito adverso no fluxo de dividendos futuros dos acionistas minoritários do Banespa, mantendose a prática de boa publicidade das demonstrações financeiras. Assim, a Santander Holding era o tipo de sociedade que, no Grupo, poderia ser utilizada para implementar os objetivos pretendidos, sendo, portanto, uma etapa necessária do processo de integração das atividades bancárias no Brasil, Fl. 1878DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 58 57 especialmente na redução de complexidades, sempre na busca de sinergia no Grupo. f) Por que a Santander Holding não tinha funcionários? Por que a Santander Holding tinha um capital de R$ 1.000,00? Por que a Santander Holding existiu pelo prazo de 10 meses? Conforme mencionado, a Santander Holding foi constituída para ser a sociedade do grupo Santander no Brasil que iria receber a participação acionária do Banespa adquirida pelo Santander Hispano. Isto porque, qualquer sociedade Holding tem por finalidade gerir investimentos. Ou seja, ela não produz e nem comercializa mercadorias, não presta serviços, não industrializa bens. Não há, portanto, nenhuma atividade que demande ou que justifique a existência de um elevado capital social, nem mesmo a contratação de empregados. Pode parecer óbvio, mas uma holding é uma sociedade que meramente contém investimentos. O prazo de 10 meses foi o tempo razoável e suficiente para a realização de todos os atos necessários para a aquisição do Banespa, em processo público de leilão, secreto, pelo melhor valor, em igualdade de condições com os demais concorrentes, sendo uma etapa do processo de integração bancária do grupo no Brasil, permitindo a sinergia decorrente de integração tecnológica e operacional, com o conseqüente aproveitamento legal da dedução do ágio e proteção dos direitos dos acionistas minoritários do Banespa (constituição da provisão para manutenção da integridade do patrimônio liquido). g) Por que ocorreram as demais operações societárias seguidas uma das outras, culminando na incorporação do Banespa pelo Banco Santander S/A? Quais os motivos desses movimentos societários? Todas as operações societárias ocorridas, que culminaram na incorporação do Banespa pelo Banco Santander S/A, foram realizadas de forma calculada em face do planejamento estratégico do grupo Santander, para que se pudesse chegar a uma adequada organização societária, que permitisse a geração da sinergia entre as empresas do grupo. h) Por que foi o Banespa que incorporou a Santander Holding e não o contrário? Em primeiro lugar, conforme destacado, a Santander Holding registrou em seu passivo exigível, antes de ser incorporada, uma provisão equivalente ao valor do ágio que estava registrado em sua contabilidade. Esta provisão foi constituída como forma de evitar os efeitos negativos do ágio no patrimônio liquido do Banespa decorrentes da sua amortização após a incorporação. Desta forma, com a amortização do ágio nos exercícios subseqüentes pelo Banespa em contrapartida do resultado do período, igual valor da referida provisão seria creditado no resultado. Portanto, a incorporação da Santander Holding pelo Banespa era uma forma de se proteger o fluxo de dividendos dos acionistas minoritários, uma vez que os lucros líquidos dos períodos em que houvesse a amortização do ágio no Banespa não seriam impactados. Este procedimento, ressaltese, é obrigatório em face das normas da CVM e do BACEN aplicáveis ao Banespa, na qualidade de sociedade de capital aberto e de instituição financeira. Por outro lado, a incorporação da Santander Holding pelo Banespa também se fez necessária por força de outros entraves burocráticos. De fato, era o Banespa quem possuía todos os registros e autorizações para atuar no Brasil como instituição financeira de capital aberto. Caso a Santander Holding fosse a incorporadora, seria necessário que ela obtivesse todos esses registros e autorizações previamente à Fl. 1879DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 59 58 incorporação, o que geraria um custo e complexidade desnecessários à operação societária. Frisa que as respostas as perguntas "b"; "e" e "f' são suficientes para esclarecer o questionamento feito pela DRJulgamento, as fls. 1295: "Com as informações aqui expostas, cabe, então, perquirir qual seria o sentido de o Santander Hispano ter constituído a Santander Holding em 25/10/2000, logo após a divulgação do edital do leilão em 04/10/2000." 3.9 — Da Inexistência de Previsão Legal para a Adição, à Base de Cálculo da CSLL, da Despesa com a Amortização de Ágio Considerada Indedutível À semelhança do que alegado no processo administrativo nº 16561.000222/200872, aqui também a recorrente, subsidiariamente, aduz que não se apontou qualquer legislação aplicável para fundamentar a suposta necessidade de adição, da despesa com ágio, à base de cálculo da CSLL, o que macula a validade do presente lançamento, por ofensa ao Principio da Legalidade. Os ajustes à base de cálculo da CSLL estão taxativamente fixados na legislação, e esta hipótese não foi ali tratada. Com efeito, uma eventual despesa que tenha integrado o lucro liquido somente será considerada indedutível da base de cálculo da CSLL caso haja previsão expressa em lei para este tributo — o que não ocorre para o caso especifico, consoante reconhecido em julgados administrativos que menciona. 3.10 — Do Vício na Apuração dos Saldos de Prejuízo Fiscal e Base Negativa da CSLL Argumenta que a glosa de compensações indevidas de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL do Banespa em 31 agosto de 2006 (quando foi incorporado pelo Recorrente) somente ocorreu porque não foram considerados os saldos de prejuízos ou de bases negativas anteriores ao anocalendário de 2005, que equivaliam a R$ 21.007.348,78 e R$ 250.982.679,35, respectivamente, conforme seus registros na Parte B do LALUR. O saldo de prejuízos fiscais reduziria a exigência de IRPJ em 2005, e o saldo de bases de cálculo negativas reduziria a exigência de CSLL em 2005 e 2006. Acrescenta que a inexistência de saldo indicada pela DRJ para negar tais utilizações decorre da transferência desse saldo para outro livro LALUR, nº 16, conforme comprova o histórico constante desse mesmo controle. E, aduz, ainda, que seus saldos controlados no LALUR somente poderiam ser afetados por lançamentos fiscais já definitivos no âmbito administrativo, o que não se verificou. Além disso, a Fiscalização nada mencionou acerca destas alterações, o que por si só já é suficiente para tornar os presentes autos de infração ilíquidos e incertos, a exigir a reforma da decisão recorrida. Afirma que a Turma Julgadora não analisou os argumentos e documentos deduzidos em sua impugnação, e anexa cópias de DIPJ entregues de 2001 a 2006 para comprovar a demonstrativo apresentado. Defende, assim, a nulidade do lançamento, ante a falta de liquidez e certeza do montante exigido, consoante jurisprudência administrativa que cita. 3.11 — Da Impossibilidade do Lançamento da Multa de Oficio na Hipótese de Responsabilidade Tributária por Sucessão Fl. 1880DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 60 59 Defende que, nos termos do art. 132 do CTN, o sucessor responde apenas pelos tributos devidos até a data da sucessão. Com relação às multas, devese averiguar o momento em que tal penalidade foi constituída, para então atribuirse ou não a responsabilidade ao incorporador. Isto porque, a multa fiscal somente será transferida ao sucessor se ela tiver sido lançada antes do ato sucessório (hipótese essa em que a multa já integra o passivo da empresa sucedida). No caso em análise, a multa foi lançada em 29 de junho de 2010, enquanto a incorporação deuse no dia 31 de agosto de 2006. Portanto, não há que se manter a cobrança da multa punitiva em face do ora Recorrente. Cita doutrina e jurisprudência administrativa, defende o caráter personalíssimo das multas, reproduz ementas de julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Supremo Tribunal Federal, e pede a exoneração das multas de ofício em apreço. A recorrente manifestouse de forma semelhante contra a exigência formalizada no processo administrativo nº 16561.000222/200872, também formalizado depois do evento de incorporação antes referido. 3.12 — Da Ilegalidade da Cobrança de Juros Sobre a Multa À semelhança do que alegado no processo administrativo nº 16561.000222/200872, aqui também a recorrente, subsidiariamente, pede o cancelamento dos juros calculados com base na taxa Selic sobre a multa de oficio lançada, por absoluta ausência de previsão legal. Assevera que tal previsão não consta do art. 13 da Lei nº 9.065/95, que somente se reporta a tributos, e firma a distinção entre tributo e multa com base no Código Tributário Nacional e em doutrina. Invoca julgados administrativos, inclusive da Câmara Superior de Recurso Fiscais, em abono à sua tese. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, abordando, inicialmente a inexistência de inovação do lançamento pela Autoridade julgadora de primeira instância. Assevera que o fato de a decisão recorrida ter ressaltado que a integralização das ações do BANESPA deveria ter sido feita pelo valor do patrimônio líquido, não constitui alteração do critério jurídico escolhido pela autoridade lançadora, pois decorre do cuidado dessa Autoridade em abordar todos os pontos elencados pelo contribuinte em sua impugnação. Ao reportarse ao aspecto questionado, a decisão de primeira instância trouxe um novo argumento que, ao mesmo tempo que rebatia a argumentação do contribuinte, ratificava a conclusão adotada pelo lançamento. Ambas as autoridades, lançadora e julgadora, entenderam que o ágio internalizado no Brasil pelo SANTANDER HISPANO não poderia ser amortizado, consoante excerto extraído do Termo de Verificação Fiscal às fls. 392/394, e da decisão recorrida à fl. 1268), embora sob uma ótica um pouco distinta. De forma semelhante, o destaque feito na decisão recorrida ao fato de que a autuação do contribuinte decorria de “planejamento tributário” apenas se prestou a rebater alegações da contribuinte e reafirma a motivação do lançamento porém com palavras e expressões distintas daquelas utilizadas pelo Auditor. Destaca que no Termo de Verificação Fiscal, a qualificação da penalidade decorreu do fato da autuada, em conluio com o grupo Fl. 1881DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 61 60 econômico do qual participava, criar um benefício fiscal ilegal por meio de sucessivas operações societárias aparentemente ilegais (fl. 402), fazendose referência diversas vezes à expressão “empresa veículo”, circunstâncias constatadas em casos de “planejamento tributário” por meio do qual se procura amortizar “ágio de si mesmo”. Conclui que a decisão de primeira instância não inovou em nada o lançamento realizado. A DRJSão Paulo I/SP não constatou nenhuma incorreção no lançamento, não pretendeu formalizar nenhum auto complementar, e não procurou acertar nenhum vício encontrado no auto de infração. Opõese à arguição de decadência, firmando entendimento de que o direito de a Fazenda fiscalizar os procedimentos relativos à criação de um ágio não se submete ao prazo decadencial tributário. Preliminarmente observa que a preclusão, por ser instituto eminentemente processual, se verifica no procedimento fiscal, podendo o Fisco praticar atos como bem quiser, desde que observe o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Discorre sobre as espécies de preclusão para demonstrar sua incompatibilidade com os atos praticados durante o procedimento fiscal, ressalta seu caráter inquisitório, e conclui que durante ele não há processo; não há faculdade para se praticar qualquer ato processual; não há preclusão. Destaca que o prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários em nenhum momento pode ser confundido como uma preclusão temporal e acrescenta que no CTN não há qualquer previsão de preclusão dos atos fiscalizatórios. Já a decadência verifica se com o decurso do prazo que o Fisco tem para constituir a obrigação tributária por meio do lançamento, prazo este deflagrado quando ocorrida a materialização da hipótese de incidência tributária prevista em lei (fato gerador). Em resumo, não havendo fato gerador, não haverá prazo decadencial a ser contado. No âmbito do IRPJ e da CSLL, necessária a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza e o resultado ajustado positivo do exercício, sem o que não há o que lançar. O pagamento do ágio na aquisição de uma participação societária não se enquadra como fato gerador de nenhum tributo federal, e representa apenas uma expectativa de ganho futuro associado a uma diminuição patrimonial, de modo que desse fato não corre qualquer prazo decadencial contra o Fisco. Observa, porém, que essa mais valia constitui um potencial benefício fiscal a ser concedido pelo Estado, pois, caso o investimento que deu origem ao ágio seja reunido com o próprio ágio (em resumo), a mais valia anteriormente paga passará a ter conotação fiscal. Somente a partir de sua amortização, o Fisco pode, ao averiguar a sua regularidade, concordar um não com o seu registro, pois se não há fato gerador, não há como o Fisco averiguar a regularidade do ágio e glosar de forma cautelar o seu registro, haja vista que o sujeito passivo pode, no futuro, caso se envolva em uma reunião patrimonialsocietária deduzir a sua amortização na apuração do IRPJ e da CSLL. Em suas palavras: Não sendo fato gerador de nenhum tributo, não há crédito tributário a ser lançado. Sendo um mero registro contábil “para o futuro”, não há cálculo de tributo “no presente” que possa ensejar a sua glosa “no presente”. Anuir com o raciocínio defendido pelo contribuinte significa abrir um caminho livre para a fraude, pois Fl. 1882DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 62 61 será dado aos contribuintes o melhor de dois mundos, quais sejam: a um, ele poderá registrar um ágio fraudulento em face do qual a Autoridade Fazendária nada poderá fazer contra (pois não é fato gerador de nenhum tributo); a dois, após ultrapassado o interregno de cinco anos do registro desse ágio fraudulento, o contribuinte poderá deduzir a despesa com a sua amortização livre de qualquer fiscalização, pois, não obstante o fato de somente agora ele o estar usando para influenciar na apuração dos débitos fiscais que contra ele foram constituídos, este CARF considerará que o direito de a Fazenda glosar aquele registro já decaiu. Assim, embora o ágio tenha surgido de uma operação societária realizada em 29/05/2001, o litígio destes autos tem por objeto a sua amortização nos anos de 2005 e 2006, inexistindo qualquer vício no lançamento ocorrido em 2010, quando comparadas as datas de ciência do lançamento (29/06/2010) e de ocorrência do fato gerador mais remoto (31/12/2005). Registra, a título de analogia, o entendimento jurisprudencial acerca da possibilidade de a Administração Tributária revisar os prejuízos fiscais utilizados pelos contribuintes para reduzir sua tributação futura, citando voto vista da Min. Ellen Gracie no RE nº 344.9940/PR, o entendimento exarado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região no AMS 200270000395534, e acórdão do TRF/3a Região na Apelação REE nº 2005.61.1000072202. Defende a competência da autoridade fiscal para lavratura do auto de infração, asseverando que os argumentos de defesa não guardam qualquer compatibilidade com as normas que disciplinam o poderdever da Autoridade Fazendária de iniciar e desenvolver a fiscalização, bem como de constituir o crédito tributário. Invoca o disposto no art. 142 do CTN e no art. 6o da Lei nº 10.593/2002 para firmar a competência do Auditor Fiscal da Receita Federal para fiscalização e formalização do lançamento, e rejeitar a arguição de nulidade aventada pela recorrente. Entende que uma portaria não afeta esta competência, pois atos desta espécie são meros atos infralegais, destinados à administração de recursos humanos da Secretaria da Receita Federal, não se confundindo, por conseguinte, com norma atributiva de competência. A definição do círculo de atribuições dos órgãos e dos agentes públicos somente é possível por lei, e o próprio Decreto nº 70.235/72 declara válido o lançamento mesmo quando ele é realizado por Auditor lotado em jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo, aspecto inclusive mencionado na decisão recorrida e não contrastado no recurso voluntário. Subsidiariamente aduz que se algum vício existisse ele seria formal e atrairia a regra contida no art. 173, inciso II do CTN, pois tratase de questão atinente ao processo de formalização do crédito tributário e não guarda qualquer relação com os elementos essenciais da regra matriz de incidência tributária. Esclarece, ainda, que os precedentes citados pela recorrente não socorrem sua pretensão de anular o lançamento por incompetência da autoridade autuante. Adentra ao mérito, defendendo a indedutibilidade do ágio registrado pelo BANESPA, pois, não obstante as operações societárias realizadas pelo grupo SANTANDER visarem à aquisição do BANESPA, a realização de uma seqüência de operações societárias com o único objetivo de reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL a serem recolhidos pela empresa final exorbitou esse propósito negocial. Em suas palavras: Um ágio que originalmente é pago por uma empresa estrangeira, sem qualquer fundamento na rentabilidade futura da participação societária adquirida, e posteriormente é transferido a uma empresa nacional, não pode ter a despesa com a Fl. 1883DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 63 62 sua amortização deduzida na apuração do IRPJ e da CSLL de acordo com os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. O ágio computado pelo BANESPA com a incorporação da SANTANDER HOLDING não é dedutível para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, seja pelos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (385 e 386 do RIR/99), seja por qualquer outra norma que autorize tal dedutibilidade. Traça breve histórico das alterações societárias realizadas pelo grupo empresarial do qual o contribuinte faz parte, destacando que o custo de aquisição das ações do BANESPA pelo SANTANDER HISPANO, em operações de 20/11/2000 e 06/04/2001, foi idêntico ao valor adotado para aumento de capital da SANTANDER HOLDING, pelo SANTANDER HISPANO, em 29/05/2001 (R$ 9.574.901.000,00). Acrescenta que nesse momento, o ágio antes pago pelo SANTANDER HISPANO à União e aos sócios que participaram da oferta pública (R$ 7.462.067.630,07) é “transferido” à empresa SANTANDER HISPANO (“internalizado” no País), e o seu valor é justificado em um laudo de rentabilidade futura do BANESPA elaborado nessa mesma data, ou seja, 6 (seis) meses depois do seu efetivo pagamento pelo SANTANDER HISPANO no leilão e na oferta pública de compra (20/11/2000 e 06/04/2001). Acrescenta que todas as operações societárias posteriores que culminaram com a incorporação do BANESPA pelo BANCO SANTANDER S/A envolveram empresas coligadas do referido banco espanhol, frisando que, quando o SANTANDER HISPANO integralizou o aumento do capital da SANTANDER HOLDING com as ações do BANESPA, o referido banco espanhol ocupou simultaneamente os dois pólos do negócio firmado: comprador e vendedor, cobrando ágio de si mesmo. Demais disso, o investimento realizado pelo SANTANDER HISPANO na SANTANDER HOLDING teve um curtíssimo tempo de vida (dois meses), principalmente se comparado com o montante envolvido (R$ 9.574.901.000,00). Aborda os contornos do benefício fiscal previsto nos artigos 7o e 8o da Lei nº 9.532/1997, e 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 – RIR/99, tecendo breves considerações sobre o ágio (ou deságio) na aquisição de participação societária e a sua dedutibilidade (ou tributação), citando doutrina acerca dos efeitos da amortização somente repercutirem no lucro real quando ocorrer a alienação ou baixa do investimento, exceto se caracterizada uma das hipóteses do benefício fiscal veiculado na Lei nº 9.532/97, que constitui ficção fiscal de que o investimento antes realizado pela pessoa jurídica foi extinto com a incorporação, fusão ou cisão patrimonial realizada com a sua controlada (o próprio investimento, consoante doutrina que transcreve. Em razão do previsto no art. 111 do CTN, esta dedução, na qualidade de benesse tributária, para ser autorizada deverá envolver a situação literalmente prevista no artigo 386 do RIR/99, assim como observar estritamente as condições estipuladas, sob pena de ser considerada indevida. Assim, além da incorporação de uma controlada na qual a pessoa jurídica detenha participação societária com ágio, deve essa pessoa jurídica ter efetivamente suportado o ágio por ele registrado, ou seja, o ágio deve existir, deve ter propósito negocial e substrato econômico a justificar a sua origem; deve também esse ágio ter como fundamento econômico a rentabilidade futura da controlada; o laudo que atesta esse fundamento econômico deve estar arquivado como comprovante da escrituração do ágio; por fim, a sua amortização deverá obedecer o mínimo de 1/60 para cada mês do período de apuração. Defende que a existência do ágio depende de substrato econômico, não sendo suportada apenas por registros escriturais. Deve, assim, decorrer de efetiva aquisição de um Fl. 1884DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 64 63 investimento oriundo de um negócio comutativo, onde as partes contratantes, interdependentes entre si e ocupando posições opostas, tenham interesse em assumir direitos e deveres correspondentes e proporcionais. Há esse propósito quando, por exemplo, uma empresa adquire participação societária de outra com ágio com o intuito de auferir os prováveis resultados positivos que esta última terá no futuro; ou, quando uma empresa adquire participação societária de outra com deságio porque a alienante precisava aumentar emergencialmente a liquidez de seu ativo. Transcreve doutrina acerca da causa material que dá ensejo ao ágio ou deságio (propósito negocial), frisando o dever de o adquirente provar que o ágio ou deságio existiu e que o fundamento econômico atribuído tem correspondência com a realidade, bem como a necessidade de uma transação econômica que materialize o valor de aquisição ao mesmo tempo pago pelo adquirente e recebido pelo alienante. Reportase ao OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 01/2007 e ao item 50 da Orientação Técnica – OCPC nº 02/2008, que corroborariam este entendimento, ao abordarem casos onde o ágio é criado artificialmente; onde, indevidamente, empresas de um mesmo grupo econômico geram ágio sem que haja o dispêndio de efetiva despesa (financeira ou patrimonial). Definidas estas premissas, passa ao núcleo do litígio, asseverando que o ágio cuja despesa de amortização foi deduzida pelo BANESPA não cumpre as condições e requisitos impostos pelo artigo 386 do RIR/99. Inicia a argumentação abordando a ausência do encontro num mesmo patrimônio do ágio com o investimento que lhe deu origem. Entende que a dedução autorizada no art. 386 do RIR/99 decorre da confusão patrimonial mediante encontro num mesmo patrimônio da participação societária adquirida com o ágio pago por essa participação. Neste caso, a legislação admite que o contribuinte considere perdido o seu capital investido com o ágio e, assim, deduza a despesa que ele teve quando da sua aquisição. Tal encontro, porém, exige que a mais valia contabilizada tenha sido efetivamente suportada por alguma das pessoas que participa da “confusão patrimonial”. O ágio deve ser de fato pago por alguma das pessoas jurídicas que participam da incorporação, fusão ou cisão societária. Se assim não for, será impossível o ágio ir de encontro com o investimento que lhe deu causa. Em qualquer outra situação, o ágio pode até existir contabilmente, mas não será dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL. E, no presente caso, com a incorporação da SANTANDER HOLDING pelo BANESPA, não houve o encontro num mesmo patrimônio do ágio pago pelas ações do BANESPA com o próprio BANESPA. Quem efetivamente adquiriu o BANESPA não o incorporou. Para demonstrar a ausência de “confusão patrimonial” entre o ágio criado quando da aquisição das ações do BANESPA e o patrimônio desse próprio banco quando da incorporação da SANTANDER HOLDING, tece argumentos para sustentar que quem de fato arcou com o pagamento do ágio das ações do BANESPA foi o SANTANDER HISPANO e que, mesmo com a “internalização” do referido ágio na SANTANDER HOLDING, essa mais valia nunca saiu do patrimônio de seu adquirente originário, o SANTANDER HISPANO. Fl. 1885DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 65 64 O ágio aqui discutido não foi pago nem pela empresa incorporada, nem pela incorporadora. O substrato econômico do ágio se encontra na operação realizada entre os antigos acionistas do BANESPA e o SANTANDER HISPANO (grande interesse do grupo SANTANDER de expandir suas atividades no Brasil por meio do BANESPA). A integralização do aumento do capital da SANTANDER HOLDING pelo SANTANDER HISPANO apenas significou a transferência desse ágio; não a sua criação, o seu surgimento, especialmente ante a identidade de valores e de objeto das duas transações. Destaca que a maior parte do ágio pago pelo SANTANDER HISPANO na aquisição das ações do BANESPA fora destinado à União, e acrescenta que da criação desse ágio não participaram em nenhum momento nenhuma das empresas envolvidas na operação societária que deu ensejo a dedução de sua amortização. A posterior transferência das ações não configura o surgimento de nenhum ágio. O ágio registrado nesse aumento de capital corresponde diretamente (inclusive em valores) ao ágio originalmente pago pelo SANTANDER HISPANO quando da aquisição das ações do BANESPA, de modo que aquele não apresenta qualquer propósito negocial e substrato econômico. Frisa que, como bem destacado pelo Termo de Verificação Fiscal, mesmo com a transferência do ágio a uma empresa brasileira, o ágio pago pelo SANTANDER HISPANO em face da aquisição das ações do BANESPA permaneceu intocável em seu patrimônio, só que travestido em ações de suas controladas brasileiras, não mais como o ágio da compra do BANESPA em si. Logo, com as posteriores operações societárias realizadas, o banco espanhol nunca se desfez do ágio adquirido, apenas o transformou formalmente em investimentos em suas coligadas brasileiras. Assim, mesmo tendo havido a integralização do aumento do capital da SANTANDER HOLDING pelo SANTANDER HISPANO com as ações do BANESPA, o ágio pago pelo banco espanhol nunca foi de fato transferido às empresas brasileiras. A expectativa do retorno em face do ágio adquirido pelo banco espanhol nunca restou extinta. Ainda que de forma indireta, o ágio originalmente pago pelo SANTANDER HISPANO sempre teve seu retorno garantido a ele. Por essa razão, temse que o ágio registrado na SANTANDER HOLDING significou um mero “reflexo contábil” do ágio originalmente pago pelo SANTANDER HISPANO. Conclui que a única possibilidade de o ágio decorrente da aquisição das ações do BANESPA ser dedutível ocorreria caso essa mais valia encontrasse o próprio BANESPA. E como poderia ocorrer essa possibilidade? Como muito bem destacado pelo próprio contribuinte, caso um banco brasileiro tivesse adquirido diretamente as ações do BANESPA com ágio e posteriormente incorporado, ou sido incorporado, pelo próprio BANESPA. Aqui, porém, não havendo a extinção do investimento, não há que se falar em dedução da despesa da amortização do ágio pago na sua aquisição. Em seu entendimento, o SANTANDER HISPANO tentou transformar o ágio por ele pago quando da aquisição das ações do BANESPA em uma verdadeira “moeda de dedução”, a qual poderia ser transmitida por ele a quem ele quisesse. Destaca trecho do Termo de Verificação Fiscal que aborda a impossibilidade do ágio pago pelo SANTANDER HISPANO na aquisição das ações do BANESPA encontrar num mesmo patrimônio o próprio BANESPA, e, com isso, ser dedutível (fls. 383/399), e arremata: Fl. 1886DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 66 65 Vêse, assim, que a conclusão adotada pela Fiscalização é acertada e irretocável. Uma vez o ágio registrado pelo BANESPA não tendo sido efetivamente suportado nem pelo BANESPA nem pela SANTANDER HOLING, ele não é dedutível nos termos do artigo 386 do RIR/99. Como ressaltado, não tendo sido pago por nenhuma das empresas que participaram da reunião patrimonial, não há que se falar que há a extinção do investimento por meio do encontro num mesmo patrimônio do ágio como investimento que lhe deu origem. Não há perda de capital a ensejar a dedução da correspondente despesa. Firma que a transferência contábil do ágio não permite a geração de uma despesa dedutível. A intenção do legislador, com tal dedução, foi beneficiar o real adquirente de uma participação societária, não transformar o potencial direito à dedução dessa despesa em uma moeda que pudesse ser transferida a quem o seu detentor quisesse. A dedução existiria se uma empresa brasileira tivesse adquirido as ações do BANESPA, mas desde que ela não ”autonomizasse” o ágio pago, transferindoo a outra coligada sua. Prosseguindo na demonstração de que o ágio cuja despesa de amortização foi deduzida pelo BANESPA não cumpre as condições e requisitos impostos pelo artigo 386 do RIR/99, a Procuradoria da Fazenda Nacional discorre sobre a ausência de laudo prévio que ateste o fundamento econômico do ágio pago na rentabilidade futura do BANESPA. Assevera que o laudo utilizado para justificar a sua dedutibilidade fora elaborado posteriormente a essas operações de aquisição. Ou seja, o ágio foi pago pelo SANTANDER HISPANO com base em outros elementos, mas não no documento por trazido pelo recorrente. A legislação, porém, exige a indicação do documento que embasa o fundamento econômico do ágio por ocasião de seu reconhecimento contábil, e o laudo deve anteceder o pagamento do ágio, pois só assim será possível atestar que a mais valia que será paga decorre da rentabilidade futura da participação societária que será adquirida. Em que pese a anterioridade do laudo econômico não esteja expressamente prevista em lei, ela decorre de uma estrutura lógica posta a sua materialização. Pensar em sentido contrário, além de ser um disparate hermenêutico, implicaria na permissão de inimagináveis situações de fraude. No presente caso, claro está que o laudo utilizado para dar fundamento econômico ao ágio foi elaborado posteriormente à aquisição da participação societária do banco brasileiro pelo banco espanhol. O pagamento do ágio de R$ 7.462.067.630,07 ocorreu entre 20/11/2000 e 06/04/2001, mas só foi justificado por laudo elaborado em 29/05/2001. Conclui, daí, que o ágio pago não foi pautado na rentabilidade futura do BANESPA, e que para usufruir do benefício fiscal, o SANTANDER HISPANO tentou dar ao ágio por ele pago o fundamento econômico que autorizaria a sua posterior dedução, e também buscou dar a aparência de que a integralização do aumento de capital da SANTANDER HOLDING foi pautado nesse parâmetro. Se outra fosse a exigência legal para dedução, o grupo SANTANDER poderia ter trazido aos autos um laudo que atribuiria ao ágio o fundamento que lhe interessasse. Daí a importância do laudo ser elaborado antes do efetivo pagamento. Opõese à alegação do recorrente de que o ágio registrado pelo BANESPA quanto da incorporação da SANTANDER HOLDING decorre da integralização do aumento Fl. 1887DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 67 66 do capital dessa segunda empresa, pois este investimento nunca existiu, dado que não possui propósito negocial e substrato econômico, e a operação que deu origem ao ágio aqui discutido não foi a integralização do aumento do capital da SANTANDER HOLDING, mas sim a aquisição das ações do BANESPA pelo SANTANDER HISPANO, especialmente ante a identidade dos ágios registrados e o objeto das operações societárias. Classifica de artificial o ágio originado com a integralização do aumento do capital da SANTANDER HOLDING, pois sua existência está viciada pela ausência de propósito negocial da operação que lhe deu origem. Não há qualquer lógica econômica para aquela operação que justifique a aquisição de um investimento por valor superior ou inferior àquele que custou originalmente ao alienante, e ainda que se considere como possível o propósito negocial eleito pelo contribuinte, ele, inquestionavelmente, não se encaixa na situação prevista no artigo 386 do RIR/99 (rentabilidade futura). Enunciando as causas aventadas pela recorrente para o registro do ágio, questiona se seria adequada a cobrança de um ágio com vistas a manter o sigilo de uma proposta comercial, preservar direitos dos acionistas minoritários, aprimorar a sinergia do grupo econômico, e até mesmo, para manter um benefício fiscal que o contribuinte pensa que lhe é devido. Entende que o fundamento do ágio deve ser eminentemente econômico, implicar a expectativa de retorno econômico, não sendo possível embasar o registro de um ágio na aquisição de um investimento em meras estratégias societárias, empresarias, contábeis e fiscais. Para que o registro do ágio na SANTANDER HOLDING fosse possível e válido, seria necessário que essa empresa tivesse adquirido do SANTANDER HISPANO um investimento cujo sobrepreço se justificasse na expectativa de algum ganho futuro. Como confessado pelo contribuinte, essa expectativa da SANTANDER HOLDING nunca houve. O intuito da criação dessa empresa brasileira foi apenas “internalizar” o ágio então efetivamente pago pelo SANTANDER HISPANO. De toda sorte, ainda que admita o fundamento aventado pela recorrente, resta evidenciado que ele não tem cunho econômico, o que já afasta o ágio por completo do benefício fiscal previsto nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, pois ele não pode ser enquadrado no conceito de rentabilidade futura do investimento que foi adquirido. Claro está que, sob nenhuma ótica, a SANTANDER HOLDING adquiriu do SANTANDER HISPANO as ações do BANESPA com o intuito de auferir a rentabilidade futura daquele banco brasileiro, mas sim em decorrência de necessidades empresarias, societárias, contábeis e fiscais, não econômicas e intrínsecas ao negócio realizado. Ressalta que o próprio recorrente confessa que o investimento realizado na SANTANDER HOLDING pelo SANTANDER HISPANO na verdade nunca foi um investimento real, ele apenas operacionalizou o intuito do grupo SANTANDER de manter o sigilo da oferta feita no leilão do BANESPA, assegurou direito dos acionistas minoritários do banco brasileiro, aprimorou a sinergia administrativa do grupo econômico, e, em especial, assegurou o direito do grupo SANTANDER de amortizar o ágio pago pelo banco espanhol. O artigo 386 do RIR/99 dispõe que o ágio criado com supedâneo na previsão de rentabilidade futura de uma empresa poderá gerar despesa dedutível na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O propósito negocial que justifica a criação do ágio deve ser a previsão de ganho calculada pelo adquirente da participação societária. O ágio importa a previsão de ganho futuro pelo adquirente, não um Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 68 67 acerto contábil entre partes coligadas que visam gozar de forma incondicional de um benefício fiscal que não é devido. Acrescenta que não houve qualquer pagamento da SANTANDER HOLDING ao SANTANDER HISPANO. Não houve qualquer circulação de riquezas, até porque as empresas brasileiras envolvidas nas operações societárias pertenciam ao grupo SANTANDER. Logo, ao integralizar o aumento do capital da SANTANDER HOLDING com a cobrança do ágio, o grupo SANTANDER nada mais fez do que cobrar o ágio de si mesmo, o SANTANDER HISPANO cobrou o ágio de si mesmo. Não houve circulação de riquezas de fora para dentro, ou viceversa. O pagamento foi meramente contábil, sem afetar a saúde econômica do grupo SANTANDER. Estando o SANTANDER HISPANO ocupando indiretamente as posições de adquirente e alienante, sem a intervenção de terceiros, inadmissível qualquer variação patrimonial entre os participantes. A operação não foi realizada em ambiente de livre iniciativa e os participantes tinham inúmeros interesses especiais na realização do negócio. Da análise global da reorganização societária realizada, da visão do “filme como um todo”, notase que o único substrato econômico existente é aquele oriundo da amortização do ágio na conta de resultado do BANESPA após a incorporação. Em outros termos, após a incorporação, a única transferência de riquezas é aquela que se dá do Estado, o qual concede um benefício indevido, para o BANESPA, que reduz sua tributação de forma simulada. Concluindo sua argumentação, a Fazenda Nacional ainda se reporta à Exposição de Motivos da Lei nº 9.532/97, para destacar que a elaboração dos artigos 7º e 8º procurou justamente impedir a criação do ágio artificial, ou seja, a realização de um negócio fictício exclusivamente para fazer surgir um benefício fiscal: O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas utilizando dos já referidos “planejamentos tributários”, vêm utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em visto o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. (grifo da Fazenda Nacional) Finaliza esta parte destacando que, conforme ressaltado pelo lançamento, além de não ser dedutível nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, o ágio utilizado pelo recorrente não é passível de integrar a conta de resultado por nenhum outro dispositivo que autoriza a dedutibilidade de despesas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A despesa amortizada pelo sujeito passivo na apuração de seu lucro líquido não se enquadra em nenhuma das hipóteses de dedutibilidade previstas pelos artigos 324 a 327 do RIR/99. Fl. 1889DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 69 68 Aborda, então, a simulação cometida pelo contribuinte, defendendo a aplicação da multa de ofício qualificada, na medida em que o ágio foi criado artificialmente e com o único e evidente intuito de auferir um benefício fiscal indevido. A própria confissão do recorrente de que o ágio foi criado com objetivos alheios a efetiva aquisição de um investimento pela SANTANDER HOLDING, e o fato de que não houve qualquer dispêndio financeiro tornam incontestável o intuito doloso do BANESPA, juntamente com o seu grupo econômico, na criação de um ágio meramente contábil, que na realidade nunca existiu. Entende patente a simulação pois, quando da criação do ágio ora em discussão, evidenciamse duas vontades do grupo SANTANDER, capitaneado pelo SANTANDER HISPANO: a) uma vontade declarada – aquisição de um investimento com ágio pela SANTANDER HOLDING traduzido no valor de mercado das ações do BANESPA calculado na previsão de rentabilidade futura desse banco; e b) uma vontade real – criação de um investimento artificial a fim de gerar um ágio que seria utilizado pelo BANESPA para reduzir a tributação a ser paga após a incorporação da SANTANDER HOLDING (“internalização” do ágio pago pelo SANTANDER HISPANO). Reportase ao artigo 167, § 1º, inciso II, do Código Civil Brasileiro, in fine, e reitera que, como já ressaltado, em que pese o grupo SANTANDER ter elaborado laudo econômico a fim de embasar o ágio registrado na SANTANDER HOLDING, de acordo com suas próprias palavras ele confirma que, na realidade, esse ágio não decorreu da aquisição de um investimento pautado na sua rentabilidade futura. Mas acrescenta: Cabe ressaltar que a simulação cometida pelo BANESPA juntamente com o seu grupo econômico não envolve o leilão de privatização realizado pela União. Quanto a esta operação, todos os envolvidos no presente processo são unânimes em afirmar que o ágio lá pago existiu e é válido. O que se discuti na presente lide são os atos societários realizados após a aquisição do BANESPA pelo SANTANDER HISPANO. Após essa aquisição é que as empresas brasileiras do grupo SANTANDER, capitaneadas pelo banco espanhol, iniciaram uma série de operações societárias com o exclusivo intuito de “internalizar” o ágio pago no leilão pelo SANTANDER HISPANO, e, com isso, tornálo dedutível nos termos do artigo 386 do RIR/99. Afirma que o evidente intuito doloso do BANESPA nos ilícitos tributários cometidos resta caracterizado pela tentativa forçada de se tentar deduzir a despesa com a amortização de um ágio que não é dedutível por sua natureza. Assim, como o grupo SANTANDER sabia desde o início que o ágio pago pelo SATANDER HISPANO pelas ações do BANESPA não poderia ter a despesa com a sua amortização deduzida nos termos do artigo 386 do RIR/99, ele tentou de forma simulada “internalizar” esse ágio, transferindoo contabilmente a SANTANDER HOLDING, e, com isso, encaixálo no benefício fiscal. O evidente intuito de fraude fica ainda mais claro quando se vê que, por meio de laudo de avaliação do BANESPA (fls. 74/83), elaborado posteriormente ao efetivo pagamento do ágio pelo SANTANDER HISPANO, o grupo SANTANDER procurou Fl. 1890DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 70 69 efetivamente dar uma aparência de legalidade a uma operação não prevista na legislação. [...] Por certo, tal como confessado pelo recorrente, o propósito negocial à operação que deu ensejo ao ágio amortizado fora objetivos societários, empresariais, contábeis e fiscais. Destaca que a utilização desse laudo elaborado pela KPMG torna inegável o evidente intuito doloso do contribuinte em fraudar a Fazenda Nacional por meio da amortização de um ágio fictício. Com a elaboração desse laudo, pretendeu o contribuinte ludibriar a Fazenda Nacional. Mas acrescenta que outros pontos importantes também atestam a conduta fraudulenta do contribuinte, reportandose à engenharia societária adotada pelo Grupo e à utilização da SANTANDER HOLDING como empresa veículo, de curta duração, viabilizando aumento de capital que visou unicamente à criação artificial do ágio, sem natureza de investimento. Com a seqüência de operações societárias realizadas, o BANESPA tornou certa uma rentabilidade futura e incerta, além de têla excluído da tributação do IRPJ e da CSLL. Como conseqüência da incorporação, o BANESPA considerou perdido o lucro futuro e incerto que ele próprio poderia ter auferido, e, em razão da exclusão desse investimento nele mesmo, considerou que o artigo 386 do RIR/99 o permitiria deduzir a amortização desse ágio em sua conta de resultado. A simulação prestouse a dar substância econômica a um ágio inexistente de fato, evidenciando que sua criação não teve motivação econômica, mas sim exclusivamente tributária. Ou seja, havia motivo para a realização da simulação e o negócio jurídico realizado (aumento de capital decorrente de um investimento) não foi executado materialmente, contrariando os requisitos expressos em texto doutrinário que transcreve. Caracterizada está a sonegação, dado que a conduta da contribuinte retardou parcialmente o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, e comprovada está a fraude correspondente à atitude dolosa do contribuinte em reduzir o montante do imposto devido, especialmente mediante uso de laudo que, sabidamente, não atestava o real propósito negocial da operação. Inegável também seria o conluio, uma vez que a reorganização societária envolveu todas as pessoas jurídicas que fazem/faziam parte do grupo SANTANDER. Não fosse o esforço conjunto de todas as empresas integrantes desse grupo, a simulação praticada não seria possível ser concretizada, consoante expressou a autoridade lançadora no trechos destacados do Termo de Verificação Fiscal. Transcreve ementa dos acórdãos nº 10196.724 e 10323.290, a fim de demonstrar a pertinência do entendimento aqui expostos quanto à indedutibilidade do ágio criado de forma artificial e à fraude na simulação cometida. Defende a imposição de multa de ofício ao recorrente na qualidade de sucessor, invocando doutrina que reconhece minoritária, no sentido de ser impossível aplicar o princípio da intransmissibilidade da pena às multas fiscais, na medida em que, diferentemente da lei penal, a punição prevista pela lei tributária onera o patrimônio do contribuinte, que é composto de todos os seus direitos e obrigações. Este patrimônio é transmitido, mediante a incorporação, fusão ou cisão, cabendo ao sucessor o ônus de responder por tais obrigações. Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 71 70 Cita julgados do Superior Tribunal de Justiça, do Supremo Tribunal Federal, do antigo Tribunal Federal de Recursos e de outros Tribunais Federais, em favor de sua tese. Invoca, também, jurisprudência do CARF, que admite a sucessão da multa nos casos em que a sucedida e a sucessora se submetiam, antes da sucessão, ao mesmo controle societário, e acrescenta que a recorrente nada opôs a este aspecto reforçado pela decisão de primeira instância. Manifestase, ainda, acerca da impossibilidade de dedução da despesa com a amortização do ágio na base de cálculo da CSLL, transcrevendo o disposto nos arts. 20, 25 e 33 do Decretolei nº 1.598/77 para afirmar que a técnica para segregar na contabilidade o custo do investimento em duas contas distintas tem como fundamento a legislação fiscal, e não decorre de norma específica da contabilidade. Transcreve lições do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, destacando que a Lei das Sociedades por Ações, na verdade, não abordou esse tratamento contábil especificamente; todavia, ele está de acordo com adequada técnica contábil e expresso ainda na legislação fiscal, por meio do art. 385 do RIR/99 e na Instrução CVM n° 247/96 (em seu art. 13). E, nos termos da legislação vigente, o ágio amortizado somente integra a apuração do IRPJ na hipótese do inciso III do art. 386 do RIR/99 ou em caso de alienação/liquidação do investimento. Frisa que a dedução da despesa em debate somente encontra fundamento nos dispositivos antes referidos, e acrescenta que se a finalidade da lei é permitir um controle contábil do ágio e da sua amortização, sem que tenha qualquer efeito fiscal até a alienação ou liquidação do investimento, não faz qualquer sentido neutralizar o ágio para fins de base de cálculo do IRPJ e na CSLL ser possível a dedução. Observa que a CSLL não existia à época da edição do Decretolei nº 1.598/77, e que depois de sua criação o art. 57 da Lei nº 8.981/95 determinou que aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei, estando redigido no mesmo sentido o art. 75 da Instrução Normativa SRF nº 390/2004. Com efeito, o legislador determinou, expressamente, que na apuração do montante devido a título de CSLL devem ser aplicadas as mesmas normas relativas ao IRPJ. Ora, é justamente na atividade de apuração que se encaixam as regras que disciplinam as provisões, despesas dedutíveis, adições, entre outros aspectos que devem ser considerados pelos contribuintes em seus registro contábeis. Logo, a autoridade administrativa, em nenhum momento, ampliou o conceito de base de cálculo que está previsto no caput do art. 2o da Lei nº 7.689, de 1988, qual seja: valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda”, apenas apurando o resultado do exercício utilizando as regras de apuração aplicáveis ao IRPJ –seguindo a regra contida no art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995. Defende, por fim, a necessidade de norma expressa a autorizar a dedução de uma despesa na base de cálculo da CSLL, na medida em que tal enseja renúncia de receita do Estado, e assim submetese ao disposto no art. 111 do CTN. Cita, ainda, reiterada jurisprudência do CARF, em casos análogos de amortização de ágio e tributação reflexa, que confirmam que a solução conferida ao lançamento principal aplicase ao lançamento Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 72 71 decorrente, dada a íntima relação de causa e efeito entre eles existente, de que são exemplos os acórdãos nºs 10195141, 10195469, 10515822, 10194136. Por fim, declara devida a cobrança de juros sobre a multa de ofício, pois esta integra o crédito tributário e, a teor do art. 161 do CTN, deve sofrer a incidência de juros. E tal cálculo deve ter por base a taxa SELIC, pois a referência a débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal não pode abranger apenas o principal, alcançando também a multa de ofício que, à semelhança daquele, possui prazo de vencimento. Cita doutrina e invoca o disposto no art. 2o, §2o da Lei nº 6.830/80, e no art. 39, §2o da Lei nº 4.320/64. Requer, assim, que seja negado provimento ao recurso voluntário. A exigência veiculada no processo administrativo nº 16561.000222/200872 foi desconstituída por meio do Acórdão nº 140200.802, exarado na sessão de julgamento de 21 de outubro de 2011, sob relatoria do Conselheiro Antonio Praga de Souza. A 2a Turma da 4a Câmara desta 1a Seção acordou: i) Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de impossibilidade do fisco efetuar em 2008 a auditoria dos elementos contábeis e fiscais do ano calendário de 2001, para glosar valores com repercussão em períodos posteriores (ágio passível de amortização), vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que acolhia a preliminar, cancelando integralmente o lançamento. O Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva votou pelas conclusões; ii) Por unanimidade de votos, desqualificar a multa de ofício e acolher a preliminar de decadência relativa ao IRPJ e CSLL do ano calendário de 2002; iii) No mérito, por unanimidade de votos, restabelecer a dedutibilidade da amortização do ágio efetivamente pago na aquisição do Banespa pelo Santander e, por conseguinte, cancelar as exigências do IRPJ e da CSLL. Transcrevese, a seguir, a ementa daquele julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimitase pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos decaídos, mas sim nos posteriores. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 73 72 para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não houve dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada. DECADÊNCIA. CONSTITUIÇÃO DE CREDITO TRIBUTÁRIO MEDIANTE AUTO DE INFRAÇÃO. IRPJ E CSLL. Desqualificada a multa de ofício, ‘a luz do entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manifestado em recurso repetitivo, havendo antecipação do pagamento dos tributos, o transcurso do prazo decadencial ocorrerá em 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do CTN. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO EFETIVAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO SOCIETÁRIA. PREMISSAS. As premissas básicas para amortização de ágio, com fulcro nos art. 7o, inciso III, e 8o da Lei 9.532 de 1997, são: i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; iii) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Nesse contexto não há espaço para a dedutibilidade do chamado “ágio de si mesmo”, cuja amortização é vedada para fins fiscais, sendo que no caso em questão essa prática não ocorreu. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO INOCORRÊNCIA. No contexto do programa de privatização das empresas de telecomunicações, regrado pelas Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. Preliminar de Preclusão Rejeitada. Preliminar de Decadência Acolhida. Recurso Provido no Mérito. O voto vencedor do I. Conselheiro Antonio José Praga de Souza apresenta, ao final, síntese de suas conclusões, nos seguintes termos: Diante do exposto e considerando: que não há que se falar em transcurso de prazo decadencial para o Fisco verificar fatos e operações ocorridos e registrados no passado, com repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela decadência; que o contribuinte não incorreu em ação ou omissão dolosa, tendente a ocultar ao Fisco seus procedimentos, muito menos produziu atos societários ou quaisquer outros documentos eivados de falsidade material, pelo que é incabível a aplicação da multa qualificada de 150%; que a autoridade fiscal afirma que o ágio não poderia ser todo de rentabilidade futura, já que não foi destacada a parcela correspondente a fundo de comércio, porém não materializa essa acusação, ou seja, não faz prova de erro na determinação ou no valor da expectativa de rentabilidade futura consubstanciada no laudo apresentado pela contribuinte; que o procedimento adotado pelo Santander Hispano, qual seja, pagar o ágio original na aquisição do Banespa e ato continuo, transferir este ágio para a Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 74 73 Santander Holding, que a seguir foi incorporada pelo próprio Banespa, com vistas a valerse do benefício fiscal, tem amparo nos art. 7o e 8o da Lei 9.532/97, normas instituídas justamente para estas situações de desestatização. que o aludido benefício fiscal é patente, logo, procurar usufruílo é um propósito negocial legitimo para qualquer planejamento tributário, desde que, obviamente, respeite os limites da regularidade; que a Fiscalização afirma ter sido o procedimento irregular, porém não aponta precisamente quais os dispositivos legais infringidos, muito menos especifica qual o procedimento correto que deveria ter sido adotado; que não há vedação à constituição de uma holding no Brasil intermediadora dos investidores estrangeiros em empresas nacionais; que a Fiscalização prendeu se ao fato de que o ágio foi pago por uma empresa estrangeira; mas o relevante é que ele foi pago ao Estado Brasileiro, bem como a outros contribuintes no Brasil, na aquisição de uma empresa da qual participava a própria União, sendo que o ágio foi amortizado com lucros produzidos no Pais; que se a lei pretendesse que a amortização do ágio só afetasse o resultado da empresa adquirente, não teria aberto a possibilidade de amortização também quando a incorporadora é a investida; que o objetivo da lei é deixar de tributar a rentabilidade futura quando ela se efetivar, sendo que em tese, se considerarmos que o ágio é imediatamente tributado pela alienante, ao fim e ao cabo, o resultado será positivo ou neutro para o Estado Brasileiro, haja vista que inexistindo lucratividade no investimento, a amortização do ágio seria inócua; ao passo que se a rentabilidade futura for confirmada, a renuncia tributária estaria coberta pelo ganho de capital anteriormente tributado pela alienante; que a Fiscalização pretendeu negar o direito de amortização ao Santander Hispano, mas este efetivamente nada amortizou, sendo que em verdade. a empresa Espanhola se valeu de um procedimento que não tem vedação legal para criar uma holding no Brasil, e transferir a ela por meio da conferência das ações, o ágio pago na aquisição do Banespa; enfim: a autoridade fiscal não logrou provar a ilegalidade da operação. Considerando, ainda, os fundamentos de direito do acórdão 130100.711 de 19/10/2011, supra transcritos, bem como as razões de mérito contidas nas declarações de voto que também compõe o presente acórdão, que peço permissão aos já citados autores para também adotar como razão de decidir, voto no sentido de: i) Rejeitar a preliminar de impossibilidade do Fisco efetuar em 2008 a auditoria dos elementos contábeis e fiscais do anocalendário de 2001, para glosar valores com repercussão tributária em períodos posteriores (ágio passível de amortização); ii) Afastar a aplicação da multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, reduzindoa 75%, bem como acolher a preliminar de decadência dos tributos relativos ao anocalendário de 2002; iii) No mérito, dar provimento ao recurso e cancelar a exigência. Constam do acórdão declarações de voto nas quais: · O I. Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira acolhe a preliminar de “preclusão” da possibilidade do Fisco questionar a formação do Ágio, mas adentra ao mérito para destacar que todos os Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 75 74 atos societários descritos no presente caso foram lícitos e em conformidade com os princípios contábeis geralmente aceitos, bem como atenderam às normas emitidas pelo Banco Central do Brasil, que sob a ótica estritamente fiscal, o valor utilizado para conferência das ações do Banespa na integralização do capital da Santander Holding está totalmente regular, que não foi feita qualquer prova pela Fiscalização de que o ágio integralizado pelo Santander Hispano englobaria algum valor correspondente ao fundo de comércio adquirido do Banespa, restando evidente que o valor do ágio decorrente da integralização do capital do Banespa na Santander Holding estava sim amparado no fundamento econômico da rentabilidade futura, e assim conclui pelo cancelamento da exigência fiscal; · O I. Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva observa que a causa do lançamento, em essência, não é a existência ou não do ágio decorrente deste ou daquele fundamento, tampouco a quantificação deste, mas sim o não preenchimento dos recorrente, para dedução do mesmo, expõe a definição e os requisitos legais para dedução do ágio, aborda os demais aspectos pertinentes ao julgamento e conclui que a participação do Banco Santander Hispano no leilão do Banespa deu se alicerçada em duas causas: a) manter o sigilo do lance para vencer o leilão; b) adotar os procedimentos necessários para possibilitar a dedução do ágio. Todas as operações foram pensadas e estruturadas antes do leilão. Assim, não se pode admitir como necessárias as estratégias adotadas para manter o sigilo do lance, propiciando que a União recebesse pelo Banco três vezes mais do que o valor ofertado pelo segundo concorrente e desconsiderar a parte da estrutura representada pelo ato de integralização de capital na empresa Santander Holding Ltda como se isto fosse uma fraude, negócio ilícito ou ineficaz para fins de amortização do ágio. Na realidade, a integralização do capital social na Santander Holding Ltda antes de ser entendido como ato ineficaz deve ser compreendido como o ato necessário para que dedução do ágio decorrente do valor pago pelas ações do Banespa, também votando por dar provimento ao recurso voluntário. A decisão em tela foi objeto de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em 08/02/2012, pleiteando que fosse esclarecida a obscuridade apontada, concernente no fundamento apresentado no r. voto condutor do acórdão, de que a fiscalização da Receita Federal do Brasil não teria atinado com a “verdadeira substância da operação”, a qual, inferese, teria observado os requisitos para a amortização do ágio. Isto porque: Dentre os argumentos apresentados pela fiscalização para a glosa do ágio registrado pelo ora embargado, está o de que esse valor, efetivamente pago por empresa sediada na Espanha (Santander Hispano) ao então proprietário das ações do Banespa, não poderia ser transferido para a empresa do grupo no Brasil (o Santander Holding), justamente em decorrência da sua contabilização prévia na empresa espanhola. Fl. 1896DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 76 75 Entendese desse argumento da fiscalização que a sociedade que verdadeiramente pagou o ágio (sediada na Espanha) não o registrou com base em valor de rentabilidade futura da controlada e não apresentou laudo que justificasse o pagamento da mais valia, simplesmente porque não estava obrigada ao cumprimento da lei brasileira, mas da lei espanhola. Inferese, portanto, que se a sociedade que verdadeiramente pagou o ágio não poderia amortizálo no Brasil (eis que não cumpriu com as condições para a amortização previstas na lei de regência), a possibilidade de amortização está bloqueada na origem, e esse óbice não poderia ser suplantado com a “transferência” do ágio a empresa brasileira, mediante operações sem substância econômica (com utilização de empresasveículo e laudos não contemporâneos à operação de compra do Banespa, como ocorrido no caso concreto)1 [1Registrese que o CARF possui jurisprudência nesse sentido, Tratase do acórdão n.° 105 17.219, de interesse do contribuinte Ficap S/A, cuja ementa é a seguinte: “ÁGIO NA INCORPORAÇÃO – Não demonstrado o pagamento de ágio, não há de se falar em aproveitamento do mesmo pela incorporadora”.] Em suma, a fiscalização afirmou que, apesar de ter ocorrido o pagamento de ágio na aquisição das ações do Banespa, não foi cumprido o requisito previsto no art. 20, §2°, alínea “b” do DecretoLei 1598/77, porque a pessoa jurídica que verdadeiramente adquiriu o investimento não indicou, por fundamento econômico do ágio, o valor de rentabilidade da controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. As operações posteriores à aquisição do Banespa (transferência da participação para o Santander Holding e posterior incorporação) não possuem o condão de suprir essa ausência de requisitos, porque são operações sem substância econômica. Os embargos foram rejeitados em despacho da Presidente da 2a Turma da 2a Câmara desta 1a Seção, acolhendo os fundamentos expostos pelo I. Conselheiro Relator Antonio José Praga de Souza, que assim argumentou: · Reportouse ao art. 29 do Decreto nº 70.235/72 e ao art. 50 da Lei nº 9.784/99 para firmar que a decisão ora guerreada decorreu da livre e plena convicção da Turma Julgadora diante dos fatos incontestes e provas trazidas aos autos. · Todos os pontos apontados pela douta PFN foram abordados nos votos integrantes do acórdão, sendo que a decisão de mérito se deu nos termos do voto condutor que adotou como razões adicionais de decidir as declarações de voto ali contidas. · O ponto cuja apreciação se reputa obscura foi tratado às fls. 60/67 do voto condutor do acórdão, bem como nas conclusões antes reproduzidas, destacando do voto os seguintes trechos: Equivocase o Fisco ao argumentar que o ágio amortizado não corresponde ao que foi pago pelo Santander Hispano na aquisição do Banespa, em face de a participação acionaria ter sido antes vertida a uma empresa veículo. Isso porque a “passagem” pela Santander Holding era necessária por diversos motivos, consoante cabalmente demonstrado pela contribuinte, na peça recursal, a seguir sintetizados: [...] Fl. 1897DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 77 76 Por mais óbvio que possa parecer, tal qual já fundamentei na exclusão da multa qualificada, o Banco Santander Hispano desde o inicio foi transparente e coerente em seus objetivos: adquirir o Banco Banespa para alavancar suas operações no Brasil, aproveitandose do benefício fiscal de amortização do ágio que certamente teria que ser pago, haja vista que possuía expertise suficiente para gerar lucros com a nova empresa. [...] Voltando ao presente caso, formei pleno convencimento de que os procedimentos do Grupo Santander, desde antes da aquisição do Banespa, visaram a obtenção de resultados para seus acionistas, bem como amortizar na tributação desses resultados no Brasil, o ágio que certamente teria que pagar e pagou. [...] Na situação versada nos autos, a efetividade dos desembolsos de recursos por parte do Banco Santander Hispano é inconteste. De igual forma, se visto o filme todo, verificase que antes das operações o Banespa era controlado pela União e possuía centenas de acionistas minoritários. No momento da incorporação do Banespa por seu controlador Santander Holding, o controle acionário de ambos era do Banco Santander Hispano. Portanto, a amortização não se deu do “ágio de si mesma”, gerado artificialmente, seja no próprio Banespa, seja no Grupo Santander, e sim do ágio efetivamente pago pelo Banco Santander Hispano na aquisição do Banespa junto a União e demais acionistas minoritários. (destaques do original) · A questão também foi objeto de análise às fls. 115/125 da declaração de voto do Conselheiro Moisés Giacomelli, da qual destacou as conclusões antes reproduzidas e os seguintes excertos: A tese que advoga que deve ser desconsiderado o evento jurídico em que se deu a integralização de capital na empresa Santander Holding, com as ações do Banespa, conflita com o entendimento de que não se pode dizer que a empresa Santander Holding Ltda, por ser subsidiária de empresa estrangeira não pode ser considerada contribuinte para fins de amortização do ágio, mas que possui legitimidade passiva para adimplir os tributos exigidos. No caso concreto, ou se avaliam os atos em seu conjunto, como se sendo lances de uma mesma partida, conforme especificado no item 7 deste voto e se reconhece sua existência, ou se avaliam os eventos de forma individualizada e também se admite a amortização do ágio. O que não pode existir é, na avaliação do mesmo negócio jurídico (a aquisição das ações do Banespa), adotar parâmetros de avaliação divergentes. [...] Ninguém, de forma razoável, deixaria de presumir de que o ágio seria amortizado. Daí a observação de que tanto os procedimentos realizados para manter o sigilo, quanto os relacionados à amortização do ágio, devem ser vistos de forma indissociável, voltados a dois fins lícitos, quais sejam: a) vencer o leilão; b) amortizar o ágio. Aqui, diferentemente do que se verifica em certos planejamentos, temse meios lícitos para fins lícitos, ao passo que em outros se verificam meios lícitos para fins ilícitos. Fl. 1898DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 78 77 Em 05/03/2012 os autos do processo administrativo nº 16561.000222/2008 72 foram encaminhados para intimação de um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no despacho de admissibilidade dos embargos, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Constava do Eprocesso que os autos daquele processo administrativo foram devolvidos ao SECOJ/SECEX/CARF/MF em 21/03/2012, e posteriormente encaminhados à Secretaria da 4a Câmara desta 1a Seção, para admissibilidade de eventual recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Às fls. 1769/1772 destes autos está juntada petição apresentada por Banco Santander (Brasil) S/A em 31/10/2011, requerendo a distribuição deste processo, por conexão, ao Conselheiro Antonio José Praga de Souza, bem como despacho de indeferimento exarado pelo Presidente desta 1a Seção em 03/11/2011, por não vislumbrar a ocorrência de conexão, e também porque estes autos já haviam sido distribuídos a esta Conselheira. Em 31/05/2012 a Procuradoria da Fazenda Nacional requereu a juntada a estes autos de documento, bem como a conversão do julgamento em diligência (fls. 1773/1785), assim expondo: Como registrado nas contrarrazões (p. 4050), um dos fundamentos da autuação consubstanciase na “ausência do encontro num mesmo patrimônio do ágio com o investimento que lhe deu origem”. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 382402), foi apontado que o ágio pago pelo SANTANDER HISPANO na aquisição das participações societárias no BANESPA permaneceu por via indireta no patrimônio do banco espanhol, mesmo após a sua “internalização” no Brasil através da SANTANDER HOLDING. Logo, no caso concreto, não foi caracterizada uma das condições legais para a amortização do ágio (i.e., a “confusão patrimonial”), pois não houve o encontro entre o ágio e o patrimônio que lhe deu causa. Por outras palavras, considerando que o ágio na aquisição do BANESPA foi efetivamente pago pelo SANTANDER HISPANO, a fruição do beneficio previsto nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532/97 estaria condicionada ao encontro dos patrimônios do BANESPA e do SANTANDER HISPANO mediante incorporação, fusão ou cisão, o que impossibilitaria a recuperação do ágio por intermédio da alienação do investimento. Entretanto, essa situação não ocorreu no caso, tendo em vista que o ágio permaneceu no patrimônio do SANTANDER HISPANO, mesmo após a reorganização societária do grupo no Brasil. Para corroborar essa assertiva. vale trazer aos autos o relatório de interesse do SANTANDER HISPANO, encaminhado à SECURITIES AND EXCHANGE COMMISSION dos EUA (cópia anexa). Tratase de documento oficial, de livre acesso na internet, disponibilizado no site http://www.wikinvest.com/stock/Banco_Santander(SANMC)/Filing/20F/2005/ F5503404. Na passagem a seguir do relatório, constatase que o ágio pago na aquisição do BANESPA não apenas permaneceu na Espanha, como ainda foi devidamente amortizado pelo SANTANDER HISPANO (p. 65): “The book value of goodwill is stated at cost less accumulated amortization. We amortize goodwill on a straightline basis over the period in which we estimate the investment would be recovered (maximum 20 years). Nevertheless, if management Fl. 1899DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 79 78 estimates that the investment may not be recovered during the foreseen period, goodwill is amortized on an accelerated basis, recognizing an impairment loss in that year. In 2002 and 2003, goodwill from our investment in Banespa of €400.6 million and €1,703.8 million, respectively, was amortized on an accelerated basis." (grifamos) Como se verifica no trecho em destaque, no ano de 2002, o ágio no BANESPA foi amortizado pelo SANTANDER HISPANO na soma de 400,6 milhões de euros, que se aproxima do valor de R$ 1,492 bilhão amortizado no Brasil — conforme o TVF do processo n° 16561.000222/200872 (euro = R$ 3,80 no final de 2002). Em 2003, houve a amortização de 1,7 bilhão de euros no SANTANDER HISPANO. O valor amortizado corresponde a R$ 6,12 bilhões. Ou seja, segundo o relatório, o Santander fez na Espanha uma amortização acelerada do ágio, o qual foi totalmente amortizado em 2003. No Brasil, foram amortizados R$ 895 milhões em 2003. equivalentes a 249 milhões de euros (euro = R$ 3,60 no fim de 2003). Por outro lado, o exame preliminar da legislação fiscal espanhola indica que essa amortização contábil é dedutivel do imposto de renda do SANTENDER HISPANO: Ley del Impueslo de Sociedades (Ley 43/1995. de 27 de diciembre) Titulo IV La base imponible Articulo 11. Correcciones de valor: amortizaciones. 4. Las dotaciones para la amortización del fondo de comercio serán deducibles con el limite anual máximo de la décima parte de su importe, siempre que se cumplan los siguientes requisitos: a) Que el fondo de comercio se Ilaya puesto de manifiesto en virtud de una adquisición a titulo oneroso. b) Que la entidad adquirente no se encuentre, respecto de la persona o entidad transmitente, en alguno de los casos previstos en el articulo 42 del Código de Comercio. A estos efectos, se entenderá que los casos del articulo 42 del Código de Comercio son los contemplados en la sección 1ª del capitulo 1 de las normas para la formulación de las cuentas anuales consolidadas, aprobadas por el Real Decreto 1815/1991, de 20 de diciembre. El requisito previsto en esta letra no se aplicará respecto del precio de adquisición del fondo de comercio satisfecho por la persona o entidad transmitente cuando lo hubiere adquirido de personas o entidades no vinculadas. Las dotaciones para la amortización del fondo de comercio que no cumpla los requisitos previstos en las letras a) y b) anteriores serán deducibles si se prueba que respondeu a una depreciación irreversible del mismo. É possível, portanto, que o ágio pago na aquisição do BANESPA tenha sido amortizado em duplicidade, tanto na Espanha quanto no Brasil, em manifesta violação ao escopo dos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532/97. Aliás, ainda que a legislação espanhola não autorize a amortização fiscal do ágio, a eventual amortização contábil no SANTANDER HISPANO, por si só, comprova que o ativo permaneceu na Espanha e, por consequência, infirma a tese da "internalização" ou transferencia do ágio para o Brasil. Por essas razões, a conversão do feito em diligência é medida salutar à adequada solução da lide, para possibilitar que o conteúdo do relatório seja esclarecido pelo contribuinte e pela fiscalização. Afinal, se comprovada, a amortização do ágio na Espanha teria forte repercussão no julgamento do mérito do processo, dado que Fl. 1900DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 80 79 atestaria a permanência do ativo no patrimônio do SANTANDER HISPANO e afastaria a tese da transferência do ágio para a SANTANDER HOLDING. Em face do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer (i) a juntada do documento anexo, considerando a sua pertinência à acusação fiscal e a sua relevância para a formação do convencimento dos Conselheiros, e (ii) a conversão do julgamento em diligência, com a finalidade de elucidar o conteúdo do relatório apresentado pelo SANTANDER HISPANO à SECURITIES AND EXCHANGE COMMISSION. (destaques do original) Na sessão de julgamento de 12/06/2012, após a leitura do relatório deste processo, com fundamento no art. 56 do Anexo II do RICARF, o Presidente da Turma determinou a retirada do processo de pauta para ciência à recorrente e aos demais Conselheiros dos documentos apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Às fls. 1786/1797 está juntada manifestação da autuada, acompanhada de documentos de fls. 1798/1811, datada de 19/07/2012, na qual classifica de protelatória a intervenção da Fazenda Nacional, bem como intempestivos, inverídicos e incorretos os argumentos por ela trazidos. Inicialmente invoca a preclusão, e conseqüente impossibilidade de inovação do critério jurídico do lançamento, recordando a fundamentação adotada pela Fiscalização para a lavratura dos autos de infração e destacando que a Fiscalização, expressamente, reconhece “o encontro do ágio pago com o patrimônio que lhe deu causa”, embora entenda que este seria um “ágio de si mesmo”, supostamente não passível de amortização fiscal”. Assim, não poderia a Fazenda Nacional, agora, questionar a efetiva ocorrência do encontro entre o ágio e o patrimônio que o originou. Acrescenta que a PGFN lança suposição absolutamente desprovida de veracidade, acerca da qual sequer tem segurança, destacando que tal argumentação (desprovida de provas) não foi levantada até o presente momento, agora se mostrando intempestiva. Conclui, assim, ter ocorrido a preclusão por não ter o Sr. Agente Fiscal aduzido nos autos de infração: (i) a suposta permanência do ágio no patrimônio do Santander Hispano; (ii) a suposta ausência do encontro do ágio com o investimento que lhe deu origem num mesmo patrimônio e (iii) o suposto aproveitamento fiscal do ágio em duplicidade na Espanha (argumentos contidos apenas na petição protocolada em 31/05/2012). De toda sorte, destaca o erro GRAVE e GROSSEIRO cometido ao pretender utilizar os dados constantes do "Formulário 20F", apresentado à SEC, para fins de "possível" comprovação da amortização do ágio em questão pela sociedade espanhola. Esclarecendo que o “Formulário 20F” deve ser apresentado à SEC (agência federal que regula e fiscaliza o mercado de capitais nos Estados Unidos) por qualquer companhia estrangeira que tenha ações listadas em bolsa nos Estados Unidos, para fins de comparação, pelos investidores, com as demonstrações da companhias americanas, observa que as informações ali constantes representam o consolidado de todo o Grupo empresarial, e assim faz prova contra a própria PGFN, pois evidencia o registro de um único ágio, aproveitado fiscalmente uma única vez. Aduz que se existissem DOIS ÁGIOS sendo aproveitados o balanço CONSOLIDADO contemplaria DUAS VEZES o referido ágio. E complementa que as informações apresentadas no formulário referido não têm qualquer utilidade para fins fiscais, sequer perante o Governo Espanhol; que a PGFN não teve o cuidado de evitar contradições primárias nas suas próprias argumentações; que o formulário referido menciona a Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 81 80 amortização de ágios decorrentes de investimentos na Colômbia, Venezuela e Argentina; que a PGFN tratou as informações como se fossem de um balanço individual. Observa, ainda, que o registro do investimento adquirido na Espanha é distinto do estabelecido na legislação brasileira, pois lá adotase o registro do custo de aquisição sem desmembramento do ágio, inexistindo ágio a ser contabilizado. Como inequívoca prova documental da inexistência de registro do ágio no ativo do Santander Hispano junta declaração do Sr. José Manuel Tejón Borrajo, responsável pela contabilidade do Banco, atestando que não houve registro de ágio nas demonstrações financeiras individuais desta instituição financeira Espanhola, nos anos de 2001 a 2003 e tampouco a sua amortização na Espanha. No mesmo sentido é a declaração da empresa responsável pela auditoria daquelas demonstrações financeiras. Por fim, diz que o artigo 11.4 da Ley del Impuesto de Sociedades, invocado pela Fazenda Nacional, estabelece a possibilidade de dedução fiscal do “fundo de comércio” apenas no caso em que ocorra a aquisição de “negócio” [compra de um conjunto de ativos e passivos] e não de uma participação societária. De toda sorte, mesmo que a amortização fiscal tivesse ocorrido na Espanha, isto seria irrelevante, pois a lei brasileira não estabelece qualquer restrição decorrente de eventual regime fiscal aplicado à controladora não residente no Brasil, e ademais Espanha e Brasil possuem soberanias independentes, podendo estabelecer as regras fiscais que entenderem mais adequadas. Reproduz o contexto fático abordado em seu recurso voluntário, e assevera inexistir, na legislação fiscal brasileira, nenhuma vedação à dedução fiscal do ágio pago no Brasil para as hipóteses em que o controlador estrangeiro também possa ter algum tipo de benefício fiscal estabelecido no seu país de origem. No mais, opõese à violação ao escopo dos artigos 7o e 8o da Lei nº 9.532/97, apontado pela PGFN, na medida em que a finalidade desse dispositivo legal foi estimular o processo de privatizações e oferecer condições para aumentar o preço pago pelos adquirentes à União. Pede, assim, que a petição da PGFN não seja acolhida, porque intempestiva, ou, então, que o pedido de diligência seja indeferido. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou a petição de fls. 1814/1818, datada de 03/08/2012, na qual diz que a recorrente busca obstar o livre convencimento dos Conselheiros que compõem esta eg. Turma, passando a refutálas, de modo técnico e sereno, sem hostilidades e com o respeito que esse Conselho merece. Destaca que a fiscalização elencou como um dos fundamentos para a lavratura do auto de infração a irregularidade consistente no aproveitamento, pela empresa brasileira, de ágio que havia sido pago e contabilizado pela empresa espanhola. Inclusive, afirmouse, com todas as letras, que a amortização decorreria de “suposta” transferência do ágio, pela empresa espanhola, para a brasileira, conforme excerto do Termo de Verificação Fiscal que transcreve. Nega, assim, qualquer tentativa de inovação nem intuito protelatório por parte da União, asseverando que o documento mostra exatamente a contabilização, na Espanha, do ágio “supostamente” (palavras da fiscalização) transferido para a empresa brasileira. Fl. 1902DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 82 81 Assevera que o documento “FORM 20F” não faz referência a balanço consolidado do grupo Santander, mas apresenta informações do Banco Santander Central Hispano S/A, e acrescenta que o contribuinte apresenta declarações dos diretores do Banco Santander Hispano, os quais corroboram a informação de que o Banco Santander Hispano registrou em sua contabilidade o investimento em Banco Santander Brasil pelo valor correspondente ao ágio pago pela aquisição do Banco Banespa. Aduz, ainda, que a declaração do diretor do Santander Hispano não resolve todas as dúvidas e nem infirma o documento “20 F”, porque, mesmo que se admita que o contribuinte não registrou o investimento como “fundo de comércio”, isso não quer dizer que não teria havido amortização ou aproveitamento da quantia pela empresa espanhola a outro título. Entende, assim, que somente com a análise da contabilidade do Banco Santander Hispano seria possível concluir pela inexistência de efeitos contábeis ou fiscais da amortização informada no documento “20 F”. Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 83 82 Voto Vencido Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente cumpre apreciar a arguição de nulidade da decisão recorrida, fundamentada, basicamente, em inovações promovidas pela Turma Julgadora de 1a instância, especialmente no que tange: 1) às referências ao incorreto valor atribuído às ações do Banespa, pelo Santander Hispano, no aumento do capital social da Santander Holding, de modo a transferir não o valor real das ações, mas sim “o registro de investimento” no Banespa, enquanto a Fiscalização reputou as operações individualmente lícitas; 2) à caracterização das operações como “planejamento”; e 3) às referências à operação como ágio de si mesmo. Nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, a autoridade julgadora de 1a instância pode expressar livremente sua percepção dos fatos reunidos nos autos, inclusive acrescendo análises não cogitadas pela Fiscalização, em resposta à defesa do impugnante. Somente não lhe é permitido manter a exigência do crédito tributário com fundamento, exclusivamente, em argumentos novos, por ela adicionados à motivação do lançamento, com evidente cerceamento ao direito de defesa do autuado, vedado pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/72. E, na decisão recorrida, as referências ao incorreto valor atribuído às ações do Banespa, pelo Santander Hispano, ao aumentar o capital social da Santander Holding, surgem como resposta às alegações da impugnante de que a interpretação da fiscalização estaria equivocada, pois uma coisa seria o pagamento efetuado pelo SANTANDER HISPANO quando do leilão, que teve um ágio negocial e eventuais implicações para a referida instituição no seu país de domicílio; e outra coisa seria o ágio gerado em território nacional, por intermédio de uma operação societária de integralização de capital com aquisição de participação societária. Neste contexto, depois de fazer o adendo questionado pela recorrente, a autoridade julgadora concluiu que os argumentos da impugnante não desconstituem a motivação fiscal: o aumento do capital social da SANTANDER HOLDING foi feito pela conferência à sociedade das ações do BANESPA adquiridas pelo SANTANDER HISPANO, sendo que dessa operação de conferência de ações não decorreu qualquer ágio. De fato, o único ágio efetivamente existente nas operações ora em análise foi aquele originário da aquisição de ações do BANESPA por parte do SANTANDER HISPANO. Assim, não há inovação que possa invalidar a decisão recorrida. A conclusão da autoridade julgadora é a mesma da Fiscalização: o ágio somente se verificou na aquisição original do Banespa pelo Santander Hispano, pois a conferência das ações do Banespa à Santander Holding não é hábil à geração de novo ágio. Quanto à caracterização das operações como planejamento tributário e as referências à existência de ágio de si mesmo, tratamse de abordagens recorrentes na doutrina, quando analisadas operações de reorganização societária. E o caso, ante a criação da Santander Holding, e de sua incorporação pelo Banespa, necessariamente exige a confrontação com as premissas da doutrina para definição do que seriam operações regulares. Assim, na medida em que a impugnante defendia esta licitude, validamente a autoridade julgadora fez as citações Fl. 1904DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 84 83 questionadas para refutálas, mas sem afastarse da motivação fiscal, de que não houve ágio na criação da Santander Holding, e que, de toda sorte, o ágio pago pelo Santander Hispano na aquisição do Banespa não teria fundamentação, exclusivamente, em rentabilidade futura. Por estas razões, o presente voto é no sentido de REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida. A recorrente também argúi a nulidade do lançamento, em razão da incompetência da autoridade lançadora. Neste ponto, a decisão recorrida aborda com profundidade a questão: 1. Da competência da Demac para o lançamento efetuado A impugnante alega que: (i) a Demac/SP não seria competente para fiscalizar a empresa no que toca à amortização de ágio; (ii) a Deain/SP não possuiria competência para verificar dedutibilidade de ágio em território nacional; e (iii) sendo instituição financeira, estaria sujeita à fiscalização pela Deinf/SP; razões pelas quais seria nula a autuação. Inicialmente, é importante fazer uma breve preleção sobre a questão da competência para efetuar o lançamento. Hely Lopes Meirelles, em sua obra “Direito Administrativo Brasileiro”, (23ª ed., pág.65, São Paulo, Malheiros Editores, 1998) nos ensina que a Administração Pública é “todo o aparelhamento do Estado preordenado à realização de seus serviços, visando à satisfação das necessidades coletivas”, e atua “por intermédio de suas entidades (pessoas jurídicas), de seus órgãos (centros de decisão), e de seus agentes (pessoas físicas investidas em cargos e funções)”. Cada órgão, como centro de competência governamental ou administrativa, tem necessariamente funções, cargos e agentes. A competência de que cada órgão é investido é redistribuída entre os seus cargos, com a correspondente parcela de poder necessária ao exercício funcional de seus agentes. A Secretaria da Receita Federal do Brasil é um órgão específico, singular, subordinado ao Ministério da Fazenda, responsável pela administração dos tributos de competência da União, inclusive os previdenciários, e aqueles incidentes sobre o comércio exterior. Nos termos do art.14 do Anexo I do Decreto nº 7.050/2009, vigente à época do lançamento, compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) executar o lançamento dos tributos e contribuições e demais receitas da União, sob sua administração. Atualmente, vigora o Decreto nº7.301/2010 , que manteve a mesma atribuição à RFB. O art.6º da Lei nº 10.593/2002, com a redação dada pela Lei nº 11.457/2007, define que a constituição do crédito tributário mediante lançamento é atribuição privativa dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; Diante dos dispositivos mencionados, concluise que a autoridade competente para efetuar o lançamento do crédito tributário é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 85 84 Naturalmente, os auditores estão distribuídos espacialmente por todo o território nacional, lotados nas diversas unidades administrativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, surgindo assim a questão da fixação dos limites dentro dos quais será exercida a competência de cada uma para efetuar o lançamento. A RFB utilizase de diferentes critérios para efetuar a distribuição da competência entre suas unidades: domicílio tributário, natureza da relação jurídicotributária e qualidade dos contribuintes. A competência territorial leva em consideração o domicílio tributário do contribuinte. A competência material adota como critério o conteúdo da relação jurídicotributária. A competência subjetiva utiliza o critério da qualidade do contribuinte. No caso, o lançamento foi efetuado pela Delegacia Especial de Maiores Contribuintes em São Paulo – Demac/SP. Essa delegacia originouse da Delegacia Especial de Assuntos Internacionais em São Paulo – Deain/SP, de acordo com a Portaria RFB nº 547, de 09/04/2010, permanecendo válidos os atos emitidos pelas autoridades outorgantes da unidade transformada, segundo dispõem os artigos 2º e 3º da referida portaria: Art. 2º Transformar a Delegacia Especial de Assuntos Internacionais (Deain) em São Paulo (SP) em Delegacia Especial de Maiores Contribuintes (Demac) em São Paulo (SP). Art. 3º Os Mandados de Procedimentos Fiscais (MPF) e as Requisições de Informação sobre a Movimentação Financeira (RMF), emitidos pelas autoridades outorgantes das unidades que estão sendo transformadas, permanecem válidos até a sua conclusão e passam a ser alterados e prorrogados pelas autoridades outorgantes da unidade resultante da transformação. Destaquese que a contribuinte foi cientificada dessa transformação no Termo de Intimação nº 11 (fls.3435). O Anexo I da Portaria RFB nº 10.166/2007 dispõe sobre a jurisdição da Deinf e da então Deain: Anexo I Jurisdição das Delegacias da Receita Federal do Brasil – DRF quanto aos tributos e contribuições administrados pela RFB, excetuandose os relativos ao comércio exterior. Deinf São Paulo (SP) Estado de São Paulo SP Deain São Paulo (SP) Estado de São Paulo SP Assim, a competência territorial das duas delegacias é a mesma. No anexo V da mesma Portaria RFB nº 10.166/2007, alterado pela Portaria RFB nº 2.143/2008, consta ainda a jurisdição da Deinf por tipo de atividade exercida pelos contribuintes, na qual se incluem os bancos múltiplos, caso do BANESPA e da impugnante. No Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30/04/2007, a competência da Deinf baseiase no critério da qualidade do contribuinte, e também nas atividades por ele desenvolvidas: Art. 169. Às Delegacias Especiais de Instituições Financeiras Deinf, quanto aos tributos e contribuições administrados pela RFB, excetuandose os relativos ao comércio exterior, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, desenvolver as atividades de controle e auditoria dos serviços prestados por agente Fl. 1906DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 86 85 arrecadador e ainda, em relação aos contribuintes definidos por ato do Secretário da Receita Federal do Brasil, desenvolver as atividades de tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e atendimento ao contribuinte, as atividades de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística e de gestão de pessoas e, especificamente: (Redação dada a partir de 2 de janeiro de 2008 pela Portaria MF n° 23, de 30 de janeiro de 2008) (...) III processar lançamentos de ofício, imposição de multas e outras penas aplicáveis às infrações à legislação tributária, e as correspondentes representações fiscais; (Renumerado a partir de 2 de janeiro de 2008 pela Portaria MF n° 23, de 30 de janeiro de 2008) O mesmo regimento utiliza o critério da matéria para delimitar a competência da Deain: Art. 170. À Delegacia Especial de Assuntos Internacionais Deain compete, no âmbito da respectiva jurisdição, desenvolver as atividades de fiscalização concernentes às operações de preços de transferência entre pessoas vinculadas, tributação em bases universais, valoração aduaneira, movimentação de recursos no exterior, operações de remessas internacionais consubstanciadas em operações de câmbio e de transferências internacionais em moeda nacional, e as atividades de gestão de pessoas, tecnologia e segurança da informação, programação e logística, comunicação social e, especificamente: (destacouse) I processar lançamentos de ofício, imposição de multas e outras penas aplicáveis às infrações à legislação tributária, e as correspondentes representações fiscais; Notese, porém, que ambas as delegacias possuem competência para executar lançamentos de ofício e imposição de multas sobre quaisquer infrações à legislação tributária, conforme previsto no inciso III do art.169 e no inciso I do art.170, visto que tais dispositivos não restringem essa competência para o lançamento a determinada matéria. Destaquese que a Portaria MF nº 125, de 04/03/2009, que revogou a Portaria MF nº 95/2007, manteve em seus art.207 e 208 as mesmas disposições: Art. 207. À Delegacia Especial de Instituições Financeiras Deinf, quanto aos tributos e contribuições administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, excetuandose os relativos ao comércio exterior, competem, no âmbito da respectiva jurisdição, desenvolver as atividades de controle e auditoria dos serviços prestados por agente arrecadador e ainda, em relação aos contribuintes definidos por ato do Secretário da Receita Federal do Brasil, desenvolver as atividades de tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e atendimento ao contribuinte, tecnologia e segurança da informação, programação e logística e gestão de pessoas, e, especificamente: (Redação dada pela Portaria MF nº 206, de 3 de março de 2010) (Vide Art. 6º da P MF 206/2010) (...) III processar lançamentos de ofício, imposição de multas e outras penas aplicáveis às infrações à legislação tributária, e as correspondentes representações fiscais; Art. 208. À Delegacia Especial de Assuntos Internacionais Deain compete, no âmbito de sua jurisdição e de forma concorrente em todo território nacional, desenvolver as atividades de fiscalização e as concernentes às operações de preços de transferência entre pessoas vinculadas, tributação em bases Fl. 1907DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 87 86 universais, valoração aduaneira, movimentação de recursos no exterior, operações de remessas internacionais consubstanciadas em operações de câmbio e de transferências internacionais em moeda nacional, e demais transações de conexão com o exterior com impacto tributário, e as atividades de gestão de pessoas, tecnologia e segurança da informação, programação e logística, comunicação social e, especificamente: (destacouse) I processar lançamentos de ofício, imposição de multas e outras penas aplicáveis às infrações à legislação tributária, e as correspondentes representações fiscais: (...) Em virtude da mencionada transformação da Deain/SP em Demac/SP, a Portaria MF nº 206, de 03/03/2010 revogou o art.208 da Portaria MF 125/2009, acrescentando o art.208A, a seguir: Art. 208A. Às Delegacias Especiais de Maiores Contribuintes Demac competem, no âmbito de sua jurisdição e de forma concorrente em todo território nacional, em relação aos contribuintes de relevante interesse definidos por ato do Secretário da Receita Federal do Brasil e aos demais contribuintes pertencentes ao mesmo grupo econômico ou a eles relacionados, quanto aos tributos e contribuições administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, desenvolver as atividades de acompanhamento e monitoramento de planejamento tributário e de fiscalização e ainda, desenvolver as atividades de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística e de gestão de pessoas e, especificamente: I processar lançamentos de ofício, imposição de multas e outras penas aplicáveis às infrações à legislação tributária, e as correspondentes representações fiscais; (...) § 1º Às Demac compete, ainda, de forma concorrente em todo território nacional, desenvolver as atividades de fiscalização concernentes às operações de preços de transferência entre pessoas vinculadas, tributação em bases universais, valoração aduaneira, movimentação de recursos no exterior, operações de remessas internacionais consubstanciadas em operações de câmbio e de transferências internacionais em moeda nacional, e demais transações de conexão com o exterior com impacto tributário.(destacouse) Do exposto, concluise que: · a competência territorial da Deinf/SP e da Deain/SP (atual Demac/SP) é a mesma, qual seja, a do Estado de São Paulo; · a atividade de banco múltiplo, exercida pelo BANESPA e pela impugnante, incluise entre aquelas atividades passíveis de fiscalização pela Deinf; · à Deain competia, no âmbito de sua jurisdição, e de forma concorrente em todo território nacional, desenvolver as atividades de fiscalização e as concernentes às operações de preços de transferência entre pessoas vinculadas, tributação em bases universais, valoração aduaneira, movimentação de recursos no exterior, operações de remessas internacionais consubstanciadas em operações de câmbio e de transferências internacionais em moeda nacional, e demais transações de conexão com o exterior com impacto tributário; · a Demac tem competência material para desenvolver as atividades de fiscalização concernentes às operações de preços de transferência entre Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 88 87 pessoas vinculadas, tributação em bases universais, valoração aduaneira, movimentação de recursos no exterior, operações de remessas internacionais consubstanciadas em operações de câmbio e de transferências internacionais em moeda nacional, e demais transações de conexão com o exterior com impacto tributário; · tanto a Demac (anteriormente Deain) como a Deinf possuem competência para processar quaisquer lançamentos de ofício e imposição de multas aplicáveis às infrações à legislação tributária. Cabe ressaltar que a competência subjetiva da Deinf não exclui a competência da Demac para efetuar lançamento de ofício na impugnante, pois das atribuições da Demac não foram excetuados os contribuintes que desenvolvem as atividades discriminadas no Anexo V da Portaria RFB nº 10.166/2007. Como estabelecido nos dispositivos referidos, tratase de competência concorrente da Demac. Em relação à notificação de fls.615 da Deinf/SP recebida pela impugnante, tratase de notificação dando ciência de que a empresa terá seus níveis de arrecadação de tributos federais acompanhados pela RFB, sem relação com a fiscalização da matéria que deu origem aos autos de infração ora analisados. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls.377), no curso do procedimento fiscal, a Deain apurou violação de dispositivos da legislação de tributação em bases universais, sendo os respectivos autos de infração formalizados no processo 16643.000055/201074. Prosseguindose a ação fiscal, a Deain, analisando a operação de remessa internacional do SANTANDER HISPANO para pagamento de ações do BANESPA, apurou redução do lucro real e da base de cálculo da CSLL do BANESPA em razão de dedução indevida de encargos de amortização de ágio. O grupo SANTANDER tentou transferir para o Brasil o ágio pago pelo SANTANDER HISPANO na aquisição do BANESPA, em desacordo com a legislação tributária brasileira. Em razão de tais características, tal operação encontrase perfeitamente inserida no escopo de atribuições materiais da Deain (e também da Demac). Portanto, em razão de (i) a competência da Demac ser concorrente à competência da Deinf; (ii) a operação que deu origem ao ágio estar inserida na competência material da Demac (Deain); (iii) a Demac possuir competência para efetuar lançamento de ofício e imposição de multa por infração à legislação tributária; não procede a alegação da nulidade da autuação. Ademais, mesmo que os lançamentos em questão tivessem sido efetuados por AuditorFiscal de outra unidade da Receita Federal do Brasil, ainda assim seriam válidos. O § 2º do art.9º do Decreto nº 70.235/1972, alterado pela MP nº 449/2008, e pelas Leis nº8.748/93 e 11.941/2009, regula hipótese de formalização da exigência fiscal por servidor competente de jurisdição diversa daquela do domicílio tributário do sujeito passivo, ou seja, por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil lotado em repartição fiscal que não a do domicílio da contribuinte: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (...) Art.9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 89 88 § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (destacouse) Assim, por estas razões, REJEITAse a arguição de nulidade do lançamento. Ainda em preliminar, como relatado, o presente lançamento deu continuidade ao veiculado nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/200872, no qual foram glosadas, em períodos anteriores, amortizações do ágio de R$ 7.462.067.630,07, constituído na Santander Holding em 29/05/2001, quando do aumento de seu capital social pelo Santander Hispano, mediante a conferência de ações representativas do capital social do BANESPA. Objetivamente, concluiu a autoridade fiscal pela ilicitude da dedução dos encargos de amortização do ágio porque as operações societárias realizadas pelo Grupo Santander resultaram num lançamento artificial de ágio, com o intuito de burlar a legislação tributária, deduzindo ilegalmente encargos de amortização, em prejuízo da Fazenda Nacional. Logo, o vício constatado pela fiscalização está localizado no registro inicial do ágio, fato constituído, originalmente, nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/200872 e sobejamente discutido pela 2ª Turma da 4ª Câmara desta Seção. Indiscutível, portanto, a conexão entre os lançamentos. Diante deste contexto, necessário se faz traçar os limites de atuação desta Turma de Julgamento para apreciação do litígio presente nestes autos. Dispõe o Regimento Interno do CARF, em seu Anexo II, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010, o que segue: Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. [...] Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...] § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. [...] (negrejouse) Consta às fls. 1769/1770 que, em 31/10/2011, a contribuinte peticionara nestes autos invocando a aplicação dos dispositivos acima transcritos, pois: No presente caso, verificase a existência de matéria reflexa/conexa àquela que foi objeto de julgamento nos autos do PAF n° 16561.000222/200872, uma vez que se trata da cobrança de IRPJ e de CSLL decorrentes do mesmo fato (dedutibilidade fiscal do ágio gerado na aquisição do BANESPA em leilão público) e dos mesmos fundamentos jurídicos, apenas com repercussão em anoscalendário distintos. Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 90 89 Ante o exposto, requer o Recorrente que o processo em referência seja distribuído por conexão ao Ilustre Conselheiro Dr. Antonio José Praga de Souza, em observância dos artigos 47 e 49 do Regimento Interno do CARF. Tal petição foi apresentada depois de concluído o julgamento do processo administrativo nº 16561.000222/200872, momento no qual a distribuição por conexão ao Conselheiro Relator daquele processo, prevista nas disposições regimentais antes referidas, não era mais possível. Neste sentido, inclusive, o Presidente desta 1a Seção, para indeferir o pleito da contribuinte, observou que não se vislumbrava a ocorrência de conexão, e ressaltou o fato de o presente processo já ter sido distribuído a esta Relatora (fl. 1772) De toda sorte, a determinação regimental prestase a atender objetivos maiores, que devem ser observados ainda que a distribuição não seja feita ao mesmo Conselheiro Relator do processo original. O Decreto nº 70.235/72 apenas cogita da reunião dos lançamentos no momento de sua formalização, quando lastreados nos mesmos elementos de prova. Esta permissão assim constava de sua redação alterada pelas Leis nº 8.748/93 e 11.196/2005: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (negrejouse) A redação atual do art. 9o do Decreto nº 70.235/72 não foi alterada, substancialmente, neste ponto: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 91 90 § 4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em decorrência de fiscalização relacionada a regime especial unificado de arrecadação de tributos, poderão conter lançamento único para todos os tributos por eles abrangidos.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica às contribuições de que trata o art. 3o da Lei no 11.457, de 16 de março de 2007. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) No mais, o Decreto nº 70.235/72 nada diz, além de destacar que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias (art. 29, Seção VI – Do Julgamento em Primeira Instância), e dispor que o julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno (art. 37, Seção VII – Do Julgamento em Segunda Instância). Necessário, portanto, o exame da Lei nº 9.784/99, que por força de seu art. 69 aplicase subsidiariamente aos processos administrativos específicos regidos por lei própria, como é o caso do processo administrativo fiscal federal. E de seu texto destacase: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; [...] VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; [...] (negrejouse) Isto porque são os princípios da segurança jurídica e da economia processual, este refletido administrativamente no princípio da eficiência, que informam a conexão, a continência e a litispendência do processo civil. Este tema é abordado nos seguintes artigos do Código de Processo Civil CPC (Lei nº 5.869/73): Art.103.Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art.104.Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Art.105.Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. [...] Art. 253. Distribuirseão por dependência as causas de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei nº 10.358, de 2001) Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 92 91 I quando se relacionarem, por conexão ou continência, com outra já ajuizada; (Redação dada pela Lei nº 10.358, de 2001) [...] Art. 267. Extinguese o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232, de 2005) [...] V quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa julgada; [...] §1o Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1973) §2o Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1973) §3o Há litispendência, quando se repete ação, que está em curso; há coisa julgada, quando se repete ação que já foi decidida por sentença, de que não caiba recurso. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1973) §4o Com exceção do compromisso arbitral, o juiz conhecerá de ofício da matéria enumerada neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1973) [...] Art.300.Compete ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito, com que impugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir. Art.301.Competelhe, porém, antes de discutir o mérito, alegar: (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1973) [...] V litispendência; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1973) VI coisa julgada; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1973) VII conexão; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1973) [...] Nestes termos, havendo identidade de objeto ou causa de pedir entre duas ou mais ações, apenas uma delas pode subsistir. Tais causas devem ser distribuídas ao mesmo juiz, que pode ordenar a reunião das ações para sua decisão simultânea, de ofício ou a requerimento das partes, ou mesmo determinar a extinção, sem julgamento do mérito, do processo que reproduz ação anteriormente ajuizada. Observese que, embora atribuído ao réu o dever de alegar a existência de conexão ou litispendência, o art. 267, §4o do CPC autoriza o conhecimento de ofício, pelo juiz, de tais circunstâncias, como bem destaca Cândido Rangel Dinamarco (Instituições de Direito Processual Civil, 4a ed. rev. atual. e com remissões ao Código Civil de 2002. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 148151): Como se trata de matéria de ordem pública, referente ao exercício de uma função estatal, que é a jurisdição, negase o próprio Estado, independentemente da vontade dos litigantes, a exercêla duas ou várias vezes com o mesmo objetivo. A proibição de duplicar ou multiplicar o exercício da jurisdição em casos assim constitui legítima e racional ressalva à promessa constitucional de tutela jurisdicional (Const., art. 5°, inc. XXXV). [...] O controle oficial deve ser feito durante toda a pendência do segundo processo, a saber, desde o momento em que o juiz despacha a Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 93 92 petição inicial e enquanto não se exaurirem as instâncias ordinárias. Tal é o significado da locução em qualquer tempo e grau de jurisdição, contida na lei. Mesmo nada alegando o réu em apelação, ou mesmo que a demanda haja sido julgada improcedente ou inadmissível por outro fundamento e o autor venha a apelar, é dever do tribunal fazer a verificação. Só se exclui que, sem ter o tema da litispendência sido objeto de pronunciamento explícito pelo tribunal encarregado de julgar a apelação (Tribunais Regionais Federais, Tribunais de Justiça), ele venha a ser examinado em sede de recurso especial (a exigência de prequestionamento: Súmula 282 e 356 STF). Dadas estreitíssimas limitações desse recurso, também não poderia o Superior Tribunal de Justiça apreciar a litispendência sem que isso lhe houvesse sido pedido pelo recorrente. A litispendência é classificada pela doutrina como um dos pressupostos processuais negativos, pois sua ocorrência impede a eficácia e a validade da relação jurídica processual formada em segundo lugar. Seu fundamento está no repúdio da ordem jurídico processual ao bis in idem, evitandose que a mesma demanda seja julgada mais de uma vez, com o risco de decisões contraditórias e prejuízo à segurança jurídica. Neste sentido são as lições de Teresa Arruda Alvim Wambier (Litispendência em ações coletivas. In: Processo Civil Coletivo. Coordenação de Rodrigo Nolasco Mazzei e Rita Dias Nolasco, São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 280), classificando de preventivas as preocupações com a litispendência, pois por trás de todas as discussões que envolvem a litispendência, sempre se percebe que o principal cuidado existente se liga a evitar que, futuramente, haja decisões conflitantes, não no plano lógico, mas no plano empírico sobre o mesmo objeto. De forma semelhante manifestase Luiz Rodrigues Wambier (Curso Avançado de Processo Civil, vol. 1: Teoria Geral do Processo e Processo de Conhecimento. 5a ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002, p. 203), para quem o fundamento para esse pressuposto processual negativo está no princípio da economia processual e no perigo de julgamentos conflitantes. A reunião dos processos, em razão da conexão, objetiva, portanto, evitar decisões contraditórias e incompatibilidades lógicas, ou até operacionais, do ponto de vista da execução do julgado, nos casos em que o cumprimento de uma das decisões poderia implicar o descumprimento de outra decisão judicial. Daí o poder conferido ao juiz de reunir processos com elementos semelhantes, evitando conseqüências danosas aos cidadãos e ao Poder Judiciário, premissas estas que permitem a Cândido Rangel Dinamarco (Instituições de Direito Processual Civil, 4a ed. rev. atual. e com remissões ao Código Civil de 2002. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 148151) definir conexão nos seguintes termos: A conexidade é uma categoria jurídicoprocessual de tanta amplitude, que conceitualmente é capaz de abranger em si todas as demais modalidades de relações entre demandas. [...] a coincidência entre os elementos objetivos das demandas, para determinar a conexidade juridicamente relevante, deve ser coincidência quanto aos elementos concretos da causa de pedir ou quanto aos elementos concretos do pedido. A coincidência de elementos abstratos conduz à mera afinidade entre as demandas, que não chega a ser conexidade e não tem os mesmos efeitos desta. [...] O que importa, nos institutos regidos pela conexidade, é a utilidade desta como critério suficiente para impor certas conseqüências (prorrogação da competência, reunião de processos) ou autorizar outras (litisconsórcio). Essa utilidade está presente sempre que as providências a tomar sejam aptas a proporcionar a Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 94 93 harmonia de julgados ou a convicção única do julgador em relação a duas ou mais demandas. Daniel Amorim Assumpção Neves (Manual de Direito Processual Civil, v, único, 4a edição, São Paulo: Editora Método, 2012, p. 168169) observa que a economia processual é um aspecto secundário na conexão, a ponto de no Projeto de Lei do Novo Código de Processo Civil ter se cogitado de restringir a conexão às hipóteses em que existisse risco de decisões contraditórias se os processos fossem julgados separadamente. Mas destaca a importância desta causa modificadora de competência nos seguintes termos: Fixados os limites da identidade exigida para que se verifique a conexão entre duas demandas com a interpretação possível da redação constante no art. 103 do CPC, é importante analisar as razões de ser da conexão e, mais especialmente, da sua conseqüência: a reunião dos processos perante um mesmo juízo. São duas as principais razões: economia processual e harmonização dos julgados. A primeira e inegável vantagem aferida com o fenômeno da conexão é evitar que decisões conflitantes sejam proferidas por dois juízos diferentes. A existência de decisões conflitantes proferidas em demandas que tratem de situações similares é, naturalmente, motivo de descrédito ao Poder Judiciário, podendo inclusive gerar problemas práticos de difícil solução. Por outro lado, é inegável que a reunião de duas ou mais demandas perante somente um juiz favoreça no mais das vezes a verificação do princípio da economia processual, já que os atos processuais serão praticados somente uma vez [...]. Com a prática de atos processuais que sirvam a mais de um processo, é evidente que haverá otimização de tempo e em razão disso respeito ao princípio da economia processual. [...] Os dois fundamentos que ensejam a reunião dos processos em decorrência de conexão – embora em diferentes graus de importância – estão intimamente ligados a razões de ordem pública, posto interessar ao próprio Estado que os julgados do Poder Judiciário sejam harmoniosos e que se gastem o menor tempo e recursos para obtêlos. Justamente em virtude dos interesse que procura preservar (ordem pública), essa causa modificadora de competência é dotada de maior força que todas as demais. (destaques do original) Abordando a obrigatoriedade da reunião de processos em razão da conexão, o mesmo autor (Op. cit, p. 169170) defende que uma reunião que não possa alcançar nenhum dos dois objetivos traçados para o instituto está totalmente fora de questão. E, nesta linha, acrescenta: [...] E parece concordar com tal posição a jurisprudência, sumulado o Superior Tribunal Justiça o entendimento de que não existe reunião de processos conexos quando um deles já estiver no tribunal, circunstância esta em que obviamente a reunião dos processos não geraria qualquer economia processual ou harmonia dos julgados, visto que em um deles a prova já foi produzida e a decisão já foi prolatada. De fato, firmou o Superior Tribunal de Justiça na Súmula 235 que a conexão não determina a reunião dos processos, se um deles já foi julgado. Ocorre que a necessidade de se produzir outra decisão, no âmbito administrativo, não implica a produção de provas, mas apenas a apreciação de fatos já constituídos pela autoridade competente. Em conseqüência, Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 95 94 negar efeitos à conexão, em tais condições, significa permitir a reapreciação de fato já julgado e eventual decisão em sentido diverso da anterior, desconsiderando o objetivo da norma. No caso presente, o fato jurídico que origina a presente demanda foi apreciado em 1a e 2a instâncias de julgamento, em razão de impugnação e recurso voluntário interpostos nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/200872. Logo, não sendo mais possível a reunião dos processos, na prática, para julgamento conjunto, os princípios da economia processual, eficiência e segurança jurídica determinariam que a apreciação resultante do recurso voluntário interposto naqueles autos fosse reproduzida na resposta ao recurso voluntário interposto nestes autos. Relevante anotar, ainda, que a atribuição conferida à Câmara Superior de Recursos Fiscais de solucionar divergências interpretativas entre Câmaras dos antigos Conselhos ou Turmas do CARF, tem por objeto conflitos na interpretação da lei tributária, e não conflitos interpretativos acerca de um mesmo fato jurídicotributário. A possibilidade, em tese, de os interessados buscarem a uniformização de decisões conflitantes produzidas em relação a um mesmo fato jurídicotributário não pode justificar a sua reapreciação em outros autos, pois não há qualquer garantia de que os fundamentos da segunda decisão caracterizarão interpretação de lei tributária divergente daquela dada por outra Câmara ou Turma desta instância de julgamento, ou mesmo de que o recurso especial seja manejado adequadamente para permitir esta equalização. Vejase, também, que o julgado proferido nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/200872 ainda não se tornou definitivo. E, em tais circunstâncias, poderseia cogitar do sobrestamento deste julgamento até o julgamento definitivo do fato jurídicotributário que enseja a conexão dos processos referidos. Porém, tal entendimento apenas retardaria o andamento deste processo, na medida em que o recurso voluntário presente nestes autos deve ser, de qualquer forma, apreciado. Ainda, esta interpretação, na prática, poderia privilegiar os interessados com um novo recurso especial para questionamento de eventual decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, definitiva, viesse a ser reproduzida no julgamento destes autos. Além disso, ao final, a Câmara Superior de Recursos Fiscais poderia concluir pela incompatibilidade do entendimento antes firmado com outras interpretações adotadas nas Turmas ou nas antigas Câmaras deste Conselho, proferindo decisão divergente daquela firmada no primeiro processo, e remetendo a questão, inexoravelmente, ao Poder Judiciário. Diante desta análise jurídica e pragmática, a solução mais adequada aos princípios que regem o processo civil e administrativo, seria a reprodução, no julgamento do recurso voluntário presente nestes autos, do entendimento firmado pela 2a Turma da Quarta Câmara desta 1a Seção na apreciação de recurso voluntário que teve por objeto a primeira exigência fiscal decorrente do fato jurídicotributário aqui em debate. É patente a identidade do fato jurídicotributário tratado nos dois processos em referência, como evidenciado no relatório acima, no qual observase que a autoridade lançadora não agregou qualquer motivação relevante a esta exigência, mas sim subtraiu argumentos antes veiculados. De fato, os elementos acrescidos pela autoridade lançadora, a seguir sintetizados, não alteraram substancialmente a acusação fiscal: · Referência à publicação de fato relevante em 28/12/2000, dando conhecimento da pretensão do Santander Hispano de realizar uma Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 96 95 oferta pública de compra de ações do Banespa em circulação no mercado; · Discriminação de que o aumento de capital social da Santander Holding, em 29/05/2001, com ações do Banespa, incluía um ágio de R$ 7.462.067.630,07 e um patrimônio líquido de R$ 2.173.519.280,48; · Referência no Instrumento Particular da Terceira Alteração do Contrato Social da Santander Holding, de 29/06/2001, à observância de dispositivos das Instruções CVM nº 319/99 e 349/2001; · Existência do ofício Deorf/GTSP22002/1065, de 23/08/2002, por meio do qual o Banco Central do Brasil comunica a aprovação da incorporação pelo BANESPA de sua então controladora, Santander Holding.; · Referência doutrinária acerca dos elementos que integram o fundo de comércio, e abordagem, com outros termos, da relevância da clientela e da marca do Banespa, classificadas como ativos de grande valor para a instituição adquirente; · Referência ao item 6.7.1.3 do edital PND nº 03/2000, evidenciando que a maioria dos clientes pessoas físicas recebiam seus vencimentos por meio do Banespa (“clientes vinculados”); · Antecipação dos argumentos para caracterização da Santander Holding como empresa veículo, ante suas declarações de rendimento apresentarem como única operação o aumento de capital social que gerou o ágio em debate, e por não possuir funcionários. Tais referências constaram, antes, na fundamentação da qualificação da penalidade; e · Conclusão de que a existência da Santander Holding não teve qualquer finalidade negocial, situação semelhante à abordada no Acórdão nº 10323.290. Ressaltese que, como relatado, a autoridade lançadora, ao elaborar o Termo de Verificação Fiscal que integra estes autos, posicionouse em momento diferente e expressou outras constatações acerca da identidade de valores entre o ágio contabilizado na Santander Holding e aquele pago pela sociedade espanhola no momento da aquisição das ações do Banespa. De fato, nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/200877, a autoridade lançadora chegou a cogitar, subsidiariamente, que mesmo admitindose que o ágio amortizado tivesse sido pago quando da aquisição do Banespa, caberia adicionar ao lucro liquido os valores da diferença entre o ágio que fora supostamente internalizado e aquele efetivamente pago. E isto porque a autoridade lançadora, naquele momento, comparara os seguintes valores: Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 97 96 Cumpre aqui tecer uma primeira observação acerca do valor capitalizado na Santander Holding Ltda pelo Santander Central Hispano S.A.. Apesar de o custo de aquisição das ações do Banespa (entendido como o valor patrimonial das ações acrescido do ágio pago) ter alcançado R$ 7.050.000.000,00, o montante capitalizado na sociedade domiciliada no Brasil foi de R$ 9.574.900.000,00, neste computado o valor de investimento de R$ 2.112.832.369,93 e um ágio de R$ 7.462.067.630,07. E foi este último valor de ágio que foi objeto de amortização. Concluise, por conseguinte, que o ágio inicialmente pago pela sociedade estrangeira domiciliada na Espanha (Santander Central Hispano S.A.) sofreu verdadeira reavaliação quando da tentativa de internalizálo no Brasil. Já nestes autos, a autoridade fiscal não mais mencionou a existência de reavaliação do ágio, pois quantificou o custo total das ações do Banespa adquiridas pelo Santander Hispano da seguinte forma: Ações Total 37.440.000.000 100 % Valor pago (R$) Leilão 11.232.000.000 30,00 % 7.050.000.000,00 Funcionários 1.197.760.392 3,20 % 197.740.376,17 Sobra Tesouro 24.630.756 0,07 % 15.460.009,78 OPA 23.896.653.212 63,83 % 2.275.439.318,85 Corretora 12.433.382 0,03 % 1.187.387,98 BSB 31.158.662 0,083 % 2.975.652,26 Subtotal 36.394.636.404 97,208 % 9.542.802.745,04 CPMF 21.803.912,68 Emolumentos 5.334.978,76 Comissões OPA 4.583.925,26 Outras ações BSB 374.438,07 Custo Total 9.574.900.000,00 Daí a conclusão de que, como o aporte de capital na SANTANDER HOLDING se deu exatamente no montante de R$9.574.900.000,00, e apenas com ações do BANESPA, o ágio contabilizado na SANTANDER HOLDING, quando de seu aumento de capital, é exatamente o ágio pago pela sociedade espanhola na aquisição das ações do BANESPA. De toda sorte, estas diferenças estruturais na acusação em nada alterariam a conclusão de que deve ser aqui aplicada a conexão, na medida que, em ambos os lançamentos, a autoridade lançadora negou a identidade entre o ágio amortizado e aquele pago quando da aquisição do Banespa, e está evidente no Acórdão nº 140200.802 que a dedutibilidade da Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 98 97 amortização do ágio foi restabelecida porque decorrente de valor efetivamente pago na aquisição do Banespa pelo Santander. As conclusões do I. Conselheiro Antonio José Praga de Souza, expressas ao final de seu voto, também não deixam dúvidas de que esta identidade entre o ágio amortizado e o ágio pago na aquisição do Banespa pelo Santander Hispano, foi determinante para o reconhecimento da dedutibilidade das amortizações glosadas: [...] que o procedimento adotado pelo Santander Hispano, qual seja, pagar o ágio original na aquisição do Banespa e ato continuo, transferir este ágio para a Santander Holding, que a seguir foi incorporada pelo próprio Banespa, com vistas a valerse do benefício fiscal, tem amparo nos art. 7o e 8o da Lei 9.532/97, normas instituídas justamente para estas situações de desestatização. [...] que a Fiscalização prendeu se ao fato de que o ágio foi pago por uma empresa estrangeira; mas o relevante é que ele foi pago ao Estado Brasileiro, bem como a outros contribuintes no Brasil, na aquisição de uma empresa da qual participava a própria União, sendo que o ágio foi amortizado com lucros produzidos no Pais; [...] que o objetivo da lei é deixar de tributar a rentabilidade futura quando ela se efetivar, sendo que em tese, se considerarmos que o ágio é imediatamente tributado pela alienante, ao fim e ao cabo, o resultado será positivo ou neutro para o Estado Brasileiro, haja vista que inexistindo lucratividade no investimento, a amortização do ágio seria inócua; ao passo que se a rentabilidade futura for confirmada, a renuncia tributária estaria coberta pelo ganho de capital anteriormente tributado pela alienante; que a Fiscalização pretendeu negar o direito de amortização ao Santander Hispano, mas este efetivamente nada amortizou, sendo que em verdade. a empresa Espanhola se valeu de um procedimento que não tem vedação legal para criar uma holding no Brasil, e transferir a ela por meio da conferência das ações, o ágio pago na aquisição do Banespa; [...] (negrejouse) E isto porque o recurso voluntário traz como essência, no mérito, a alegação de que o Grupo Santander cumpriu todos os requisitos necessários para que fizesse jus à aquisição do Banespa e ao conseqüente aproveitamento fiscal da amortização do ágio, praticando atos que ensejaram a seguinte conseqüência para as duas pessoas jurídicas em destaque: (i) O Santander Hispano deixou de possuir em seu ativo as ações do Banespa pelo custo de aquisição de R$ 9,57 bilhões e passou a possuir em seu ativo um investimento em outra sociedade controlada (Santander Holding) no mesmo valor de R$ 9,57 bilhões — troca de ativos; (ii) A Santander Holding teve um aumento no seu ativo no valor de R$ 9,57 bilhões correspondente ao investimento no Banespa, como contrapartida do aumento de capital integralizado pelo Santander Hispano, e estava obrigada a registrar este investimento pelo método da equivalência patrimonial, desdobrando o custo de aquisição das ações do Banespa em valor do investimento pela equivalência patrimonial (R$ 2,11 bilhões) e ágio (R$ 7,46 bilhões). Importante observar, ainda, que, neste contexto, os argumentos trazidos pela Procuradoria da Fazenda Nacional não mais poderiam ser apreciados nesta Turma de Julgamento. Isto porque, ainda que a Turma de Julgamento anterior houvesse adotado premissa equivocada para suas conclusões, desprezando acusação fiscal eventualmente reforçada pelos Fl. 1919DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 99 98 elementos trazidos pela Fazenda Nacional, o fato é que esta instância de julgamento já teria esgotado sua competência para se manifestar acerca dos motivos desta e da exigência anterior, e não caberia a outra Turma de Julgamento corrigir aquela decisão, por todos os motivos antes expostos. Assim, o presente voto é no sentido de reconhecer a conexão da presente exigência com aquela veiculada nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/2008 77, e reproduzir aqui o mesmo entendimento lá firmado acerca do fato jurídico tributário que ensejou a presente exigência, no sentido de que a autoridade fiscal não logrou provar que a autuada não reunira todos os requisitos necessários para aproveitamento fiscal do ágio. Em conseqüência, tornase desnecessário apreciar os demais questionamentos veiculados em recurso voluntário quanto às exigências decorrentes do principal lançado em razão da glosa das amortizações do ágio. Por estas razões, o presente voto passa a ser no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Todavia, não prevalecendo este entendimento nesta Turma Julgadora, cumpre apreciar a arguição de decadência/preclusão da possibilidade do Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio. Como dito, a“Preclusão” da possibilidade do Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao Ágio também foi um dos tópicos da defesa apresentada nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/2008 72, e não há reparos à conclusão adotada no voto condutor do Acórdão no 140200.802, a seguir transcrita: I. DECADÊNCIA (PRECLUSÃO) DA POSSIBILIDADE DE AUDITORIA DOS ELEMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS DO ANOCALENDÁRIO DE 2001 COM REPERCUSSÃO FUTURA A recorrente alega, em síntese, que no ano de 2008 o Fisco não mais poderia verificar a regularidade dos atos que originaram o direito ao aproveitamento do ágio, haja vista o transcurso do prazo decadencial de cinco anos entre os fatos que propiciaram o surgimento desse ágio, ocorridos no ano 2001, e a lavratura dos autos de infração. A decisão de primeira instância enfrentou essa preliminar, que foi rejeitada pelos seguintes fundamentos (verbis): DA DECADÊNCIA DO QUESTIONAMENTO DOS ATOS SOCIETÁRIOS A contribuinte argumenta que teria ocorrido a decadência do direito de o Fisco questionar a legalidade dos atos societários que originaram o ágio ora em debate, uma vez que os fatos em comento ocorreram em 2001, e os autos de infração foram cientificados à impugnante em 30/12/2008. A fim de enfrentar a questão, é necessário, inicialmente, trazer o conceito técnico de fato gerador, conforme definido pelos artigos 114 e 115, do CTN, in verbis: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Fl. 1920DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 100 99 Dos artigos acima transcritos resta claro que o fato gerador da obrigação tributária é necessariamente um conceito legal, ou seja, é uma situação definida em lei. No que tange à decadência no Direito Tributário, também cumpre analisar o disposto no art.150, caput e §4º, e no art.173, incisos I e II, e parágrafo único, do CTN, in verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Pela análise dos artigos retromencionados, é possível constatar que o §4º, do art.150, do CTN, é específico ao se referir a fato gerador do tributo, ou seja, o dispositivo legal em questão trata de um conceito diferente daquele utilizado pela impugnante, cuja argumentação tratou não da acepção técnica de fato gerador, que, consoante o exposto, é uma situação definida em lei, mas sim de fatos como acontecimentos genéricos do mundo fenomênico, ao mencionar os fatos que propiciaram o surgimento do ágio. Logo, a norma contida no art.150, do CTN, não confere sustentação à alegação da impugnante. A respeito da questão, já se pronunciaram os Conselhos de Contribuintes, conforme se depreende da ementa do acórdão abaixo: DECADÊNCIA – TESE DO PAGAMENTO – IMPROPRIEDADE NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO – LANÇAMENTO –LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO A atividade exercida pelo contribuinte para dar efetividade ao artigo 150 do CTN, assemelhase à atividade exercida pela autoridade administrativa prevista no artigo 142 do CTN. A relação jurídica tributária somente nasce, se o fato previsto na hipótese de incidência prevista na lei ocorrer no mundo fenomênico e for traduzida em linguagem. (...) (1º Conselho de Contribuintes, 7ª Câmara, acórdão 10709263, sessão de 06/12/2007). (negritamos) Fl. 1921DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 101 100 Cumpre destacar que a própria contribuinte demonstrou conhecimento da distinção entre (i) fato gerador do tributo, previsto em lei, e (ii) fato genérico do mundo fenomênico, como fica claro pelo excerto da impugnação de fls.371, quando, ao tratar dos créditos tributários de IRPJ e CSLL relativos ao ano calendário de 2002, a impugnante reconhece: “De fato, considerandose que os fatos jurídicos tributários ocorreram em 31/12/02 (...)”. Da mesma forma, nenhuma das situações descritas nos incisos I e II, e no parágrafo único, do art.173, do CTN, contempla a hipótese de decadência aventada pela contribuinte. Sendo assim, a alegação da contribuinte de decadência do questionamento da legalidade dos atos societários resta improcedente, por absoluta falta de embasamento legal. (Grifei) É certo que a decadência opera no sentido do princípio da segurança jurídica e da estabilidade das relações jurídicas. Em conseqüência, em 2008 o Fisco não mais poderia formalizar lançamento para exigência de crédito tributário e impor penalidades quanto a infrações incorridas no anocalendário 2001, ou seja, constituir exigências tributária. Isso por disposição expressa dos artigos 150 e 173 do CTN conforme acima grifado. O “prazo de preclusão” alegado pelo contribuinte que seria de cinco anos, corresponderia ao mesmo prazo decadencial para o lançamento (constituição da obrigação tributária), previsto no CTN. A preclusão temporal, em principio, corresponde à perda da possibilidade do exercício de um direito em decorrência do decurso de um determinado prazo. Portanto, para que seja possível falar nesse instituto no caso em concreto, caberia ao contribuinte identificar um dever atribuído por lei à Fazenda Pública, o qual seria passível de extinção pelo decurso de prazo. Logo, “para se falar em preclusão, a lei deveria atribuir à Administração Pública o dever de glosar o ágio amortizável registrado pelo Santander Holding, ou mesmo o registrado pelo Banespa após a incorporação, a partir da data dos registros contábeis”, como bem observado pela ilustre Procurador da Fazenda Nacional Paulo Roberto Riscado Junior na sustentação oral realizada durante o julgamento do presente processo. Efetivamente, não existe essa previsão legal. Tanto o art. 142 do CTN quanto o art. 9° do Decreto n. 70.235/72 prevêem apenas o lançamento como forma de exigência do crédito tributário, retificação de prejuízo fiscal e aplicação de penalidade isolada. Não há, em lei, previsão para a glosa de ágio registrado na contabilidade em decorrência de subscrição de ações ou de incorporação nos termos dos arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97. Com efeito, o registro do ágio na contabilidade não implica em redução de crédito tributário, em majoração de prejuízo fiscal ou em causa para lançamento de multa isolada. Repitase: o simples registro do ágio na contabilidade não implica em fato gerador de obrigação tributária ou em alteração, de qualquer ordem, na base de cálculo do IRPJ e da CSSL daquele período. Ao adquirir uma participação societária com ágio, a lei autoriza a pessoa jurídica a amortizar esse valor, na apuração dos tributos por ela devidos sobre os lucros em períodos futuros, sob determinadas condições, isso porque foi exatamente a expectativa desse lucro que justificou o ágio. Apenas nessa hipótese, o ágio pago, que nunca foi e nunca será fato gerador de nenhuma obrigação tributária, passa a influenciar na apuração da base de cálculo dos tributos devidos pela empresa que o pagou. Frisese: o que é homologado pelo Fisco é a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL realizada pelo contribuinte, não o ágio registrado, ou qualquer outro Fl. 1922DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 102 101 elemento patrimonial, ainda que definitivamente constituído. O prazo decadencial corre em face do fato gerador da obrigação tributária, e não sobre qualquer operação contabilizada. Apenas quando se verifica a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária é que surge contra o Fisco o prazo para a homologação dos elementos que dão origem aos créditos passíveis de constituição. O prazo para controle dos registros patrimoniais com possibilidade de repercussão tributária no futuro é definido em função do prazo para gozar do crédito decorrente. Neste contexto, pode a autoridade fiscal, no prazo de que dispõe para rever o período de apuração no qual foi aproveitado, exigir prova de sua efetividade e formação e, na ausência desta, negar sua utilização. É o que o art. 37 da Lei nº 9.430/96 expressamente dispõe: “Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios.” Esclareçase que esse dispositivo não altera o prazo decadencial para constituir o credito tributário estabelecido no CTN, tampouco cria outro prazo decadencial qualquer, apenas viabiliza a autoria fiscal dos fatos com repercussão futura. Frise se, mais uma vez, que o prazo decadencial é sempre norteado pelo nascimento da obrigação tributária, ou seja, que se dá com a ocorrência do fato gerador.. Recentemente, o professor Marco Aurélio Greco manifestou o entendimento de que “não existe direito adquirido da empresa de usar o ágio mesmo depois de passados cinco anos do fato gerador.” A afirmação foi feita na V Jornada de Debates sobre Questões Polêmicas de Direito Tributário, promovida pela FISCOSoft em junho de 2011. Para o Dr. Greco, a tese bate de frente com entendimento do Supremo Tribunal Federal. "Não se tem direito adquirido ao prejuízo, conforme disse o Supremo ao julgar a trava de 30% para redução do lucro tributável", diz. Em 2009, o STF entendeu que a Lei 8.891/1995, que permitiu o aproveitamento, concedeu um benefício fiscal e que, por isso, não havia nada de errado com a trava de 30% por período de apuração. Assevera ele que, enquanto o ágio não é amortizado totalmente, não existe fato consumado, apenas expectativa de direito. "A empresa espera que futuramente estará sujeita ao IR e ao regime de apuração do lucro real. Mas não existe direito adquirido a regime jurídico. Ela vai se submeter àquele a que se enquadrar na data da ocorrência do fato gerador." Por isso, em relação aos autos de infração lavrados depois de passados cinco anos da informação do ágio ao fisco, Greco afirma que a prática é legal. "O auto não existe sozinho, mas decorre da contabilização irregular", defendeu. "Embora a segunda conduta aconteça cinco anos depois, é causal, não bastante em si." Segundo ele, não há prazo para o fisco reconhecer a irregularidade, mas somente para impedir o aproveitamento. "As amortizações feitas no passado ficam consolidadas. Apenas as posteriores podem ser desconsideradas." Tais considerações primam pela coerência e vem ao encontra da tese defendida neste voto. Vejamos, na prática, algumas situações abusivas que podem decorrer do entendimento defendido pelo nobre recorrente (contribuintes optantes pelo lucro real anual): i) No ano de 1998, determinado contribuinte adquire um bem não depreciável, composto por várias partes e peças, pelo valor total de $100, mas contabiliza no Fl. 1923DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 103 102 ativo por $200; nos anos seguintes permanece pelo mesmo valor em seus livros contábeis e balanços. No ano 2007, vende esse bem por $180 e não apura ganho de capital. Sofre auditoria em 2010 e o Fisco solicita a comprovação do custo contabilizado, ele não apresenta notas fiscais de aquisição sequer das peças efetivamente compradas, alegando que o ano de 2001 já estava decaído, logo, ocorreu a preclusão do Fisco de verificar tais custos. É isso mesmo? O tempo pode homologar o que nunca existiu, e permitir que produza efeitos futuros, impedindo a constituição do crédito tributário devido ? Estou certo de que a resposta é não. ii) No ano de 1999 o contribuinte realiza a construção de uma planta industrial com vida útil de 20 anos e contabiliza regularmente os custos. No ano de 2001 inicia a depreciação a 5% ao ano. É Fiscalizado em 2008 e apresenta apenas parte dos custos da construção realizada. Então? o Fisco não poderia glosar o excesso os encargos de depreciação de 2003 a 2007? Evidente que sim, pois esses encargos submetemse ao regime de competência e o contribuinte deve fazer prova da efetividade dos mesmos o que só é possível mantendo em boa guarda os comprovantes dos custos e despesas incorridos. iii) No ano de 2000 o contribuinte adquire um imóvel por $1000. Contabiliza a aquisição por $12.000, utilizando para tanto um documento fraudado. Realiza uma incorporação em 2001, acrescentando diversos custos inexistentes. Vende esse imóvel, já fracionado, nos ano de 2001 e 2002, apurando um pequeno ganho em 2002 que é declarado e o tributo recolhido. É fiscalizado em 2008 (anocalendário 2002). De plano alega que o ano 2002 já está decaído, afinal passaramse mais de 5 anos da ocorrência dos fatos geradores. Todavia, com receio de o Fisco apurar a verdade dos fatos, apresenta o aludido documento de aquisição. O Fisco efetua diligências e apura todas as fraudes tributárias. Em relação à 3a. situação hipotética acima (“iii”), cabe questionar: qual o amparo legal para o Fisco realizar em 2008 uma auditoria do ano de 2002, se o contribuinte estava em tese regular perante a Administração Tributária, inclusive tendo efetuado os recolhimentos? há vedação expressa em lei para a auditoria fiscal alcançar os anos de 2000 e 2001, nos quais apurou a verdade dos fatos? Respondo: a única vedação expressa nessa hipótese “iii” é para constituição do crédito tributário relativo ao ano de 2001, em face da decadência. Este Conselho já se manifestou sobre alegações dessa natureza em diversos acórdãos. Em um deles, inclusive, o contribuinte alegou a preclusão para rever o ágio devidamente registrado na contabilidade. Tratase do acórdão 10709.545, cuja ementa é a seguinte: EMENTA DECADÊNCIA— OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL GLOSA DE ÁGIO. O fisco pode questionar fatos ocorridos no passado cujos efeitos fiscais se dão no futuro, pois o tempo não pode transformar em verdadeiro o que não era real, nem tampouco desfazer o que consolidou, desde que a readequação dos fatos situados em períodos já decaídos não decorra de juízo de valor. É o caso da formação de ágio maior por erro de cálculo, cujos efeitos fiscais somente se verifiquem no futuro, na sua amortização ou na utilização como custo na baixa”. (Grifei) No aludido processo o contribuinte registrou o ágio de forma equivocada em 1995, mas apenas amortizou o valor em 2000. O contribuinte alegou que a fiscalização estaria proibida, face o prazo decadencial, de glosar esse ágio. Tal argumentação foi refutada pela Câmara. Noutro acórdão, de nº 10419.219, de 27/02/2003, que tratou da retificação de prejuízo fiscal da atividade rural de período anterior, com reflexo em outro período de apuração do tributo ainda não atingido pelo decadência, a decisão também foi Fl. 1924DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 104 103 favorável à tese defendida por este relator. Vejamos transcrições da ementa, dispositivo e voto condutor: Acórdão 10419.219, de 27/02/2003 EMENTA IRPF ANOSCALENDÁRIO DE 1996 E 1999 – ATIVIDADE RURAL COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS – DECADÊNCIA – ABRANGÊNCIA O prazo decadencial vinculase direta e exclusivamente aos fatos geradores objeto do lançamento tributário, não se aplicando a elementos advindos de anocalendário anterior, ainda que este já tenha sido atingido pela decadência. Assim, constatandose que o anocalendário fiscalizado encontrase passível de revisão, é perfeitamente cabível o lançamento resultante da retificação do valor apropriado, a título de prejuízo da atividade rural a compensar, mesmo que este tenha origem em anocalendário abarcado pela decadência. DISPOSITIVO ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. VOTO CONDUTOR “(...) De fato, a revisão de valores apurados em anos calendários anteriores já abrangidos pelo decurso do prazo decadencial é absolutamente inquestionável. O que não implica reconhecer que o conceito de decadência abranja também a revisão de valores que, advindos de período já tomados pela decadência, venham a influir na apuração do resultado de ano calendário ainda não decadente. Evidentemente que o conceito decadencial não abrange tal influência.Exatamente por esta integrar as apropriações de ano calendário não decadente. Restrita a revisão à essa especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. Pela simples motivação de que o conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia. (...) A simples leitura do dispositivo em questão evidencia de sua absoluta ressonância com o princípio da decadência, a que se reporta tanto o artigo 149, § único, como os artigos 150, § 4º, e 173, todos do CTN., como antes mencionado. Isto é, se determinada apropriação influi no resultado na apuração do crédito tributário, é passível de revisão essa circunscrita influência. Ainda que, na origem, seja legalmente carregada de período já decadente. (Grifei) Vejase que na situação versada no Acórdão 10419.219, o contribuinte foi intimado a comprovar o saldo de prejuízos da atividade rural do ano de 1989 que foi aproveitado no anocalendário de 1996. Diante do fato de o contribuinte ter efetuado correções a maior do aludido valor no ano de 1990, a fiscalização glosou o excesso de compensações utilizado para reduzir o tributo devido em 1996. O contribuinte alegou decadência nessa revisão, que foi rejeitada pelo Colegiado, haja vista que tais valores “influem na apuração do resultado de ano calendário não decadente”. Analisemos o Acórdão nº CSRF/0400.054, de 21/06/2005. Vejamos sua ementa e dispositivo: Fl. 1925DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 105 104 Acórdão CSRF 0400.054 de 21/06/2005 EMENTA IRPF RESULTADO DA ATIVIDADE AGRÍCOLA REVISÃO DE PREJUÍZO COMPENSÁVEL — DECADÊNCIA — ABRANGÊNCIA O conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia; não abrange a revisão de valores advindos de período anterior, já abrangido pela decadência, que influem na apuração do resultado de ano calendário não decadente, restrita a revisão a essa circunscrita e especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. DISPOSITIVO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso e determinar o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do mérito do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente relatório. Vencidos os Conselheiros Romeu Bueno de Camargo, José Ribamar Barros Penha e Wilfrido Augusto Marques que negaram provimento ao recurso. VOTO CONDUTOR No caso, a fiscalização verificou inicialmente que o prejuízo da atividade rural fora incorretamente apurado na declaração do exercício de 1995, com indevida utilização nas declarações dos exercícios posteriores (1996 a 2000). A origem da incorreção seria o fato de a contribuinte haver procedido à atualização monetária indevida dos saldos de prejuízos e de incentivos fiscais nos anos calendário de 1989 e 1990 (fls. 12 a 18). No acórdão recorrido, foi acolhida a arguição de decadência, sob o seguinte argumento (fls. 276) (...) De plano, verificase que tal entendimento carece de base legal. No caso em apreço, o lançamento, cientificado a contribuinte em 28/09/2000, abarcou os anoscalendário de 1996 e 1999, que ainda não se encontravam atingidos pela decadência, seja qual for o angulo pelo qual se analise. Destarte, uma vez que os anoscalendário fiscalizados não haviam sido atingidos pela decadência, não há óbice à exigência de comprovação acerca dos elementos que de alguma forma influenciaram os respectivos lançamentos, ainda que vinculados a exercícios anteriores. Ressaltese que os anoscalendário anteriores aos autuados, em que teria ocorrido o alegado lapso na correção dos saldos de prejuízo a compensar estes sim alcançados pela decadência não foram revistos. 0 que houve foi tãosomente a retificação do valor do prejuízo a compensar, apropriado nos exercícios fiscalizados. Nesse sentido é o Acórdão n° 10419.219, de 27/02/2003, cujo voto vencedor foi acatado por unanimidade de votos, assim ementado: (...)(Grifei) Apesar de ambos os acórdãos acima terem tratado de atividade rural na pessoa física, cumpre esclarecer que a Legislação sempre estabeleceu a obrigatoriedade de escrituração para os contribuintes que desejam aproveitar prejuízos de períodos anteriores. Aliás, na redação original da Lei 8.023, acima de determinado valor de receitas era obrigatória a escrituração comercial. Fl. 1926DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 106 105 Outrossim, cumpre registrar que em situações análogas, nas quais a verificação de fatos, documentos e registros contábeis, de períodos atingidos pela decadência , com repercussão futura favorável ao contribuinte, ou seja, erros que lhe prejudicam, as decisões deste Conselho são sempre favoráveis à retificação dos lançamentos nos períodos ainda não atingidos pela decadência, inclusive para reconhecimento de direito creditório. Citese como exemplo as seguintes situações em que se admite retificação favorável ao contribuinte: Lucro Inflacionário Inexistente. Fiscalização autua em 2000 a falta de realização do Lucro Inflacionário Diferido (parcelas realizáveis em 1996 a 1999. Somente em sede recurso, o Contribuinte verifica e alega que errou na apuração/declaração do LI de 1991, estando patente que seu Patrimônio Líquido era maior que o ativo imobilizado. Conselho exclui da base de cálculo o lucro inflacionário de 1991, e determina ainda, que as realizações mínimas de 1992 a 1995, porventura não efetuadas, sejam diminuídas do Saldo (existe inclusive súmula neste sentido). Ao fim e ao cabo, mantémse apenas a tributação do saldo do inflacionário efetivamente existe nos anos de 1996 a 1999. Custo de aquisição de imóvel declarado a menor. Pessoa Física e Jurídica. Contribuinte declara/contabiliza a menor o custo de aquisição de imóvel no ano de 1996 e seguintes. Em 2004 aliena o imóvel e não recolhe ganho de capital. Fiscalização autua em 2006 e toma como custo o valor declarado/contabilizado. Contribuinte faz prova do custo de aquisição real do imóvel. Conselho acolhe o custo efetivo, e reduz a exigência ainda que isso implique no reconhecimento de erros de escrituração e/ou declaração de períodos atingidos pela decadência. Nesse sentido vide acórdãos deste Conselho: Acórdão 10321611 processo 13925000136200129 LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO. DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF – Havendo a pessoa jurídica, no períodobase de 1990, apurado saldo devedor de correção monetária e não possuindo lucro inflacionário diferido de exercícios anteriores, não há que se falar em adição ao lucro real, a partir do períodobase de 1993, do valor que corresponder à diferença entre a variação do IPC e do BTNF, de acordo com as normas de realização do lucro inflacionário. Acórdão 10514773 processo 10166016076200115 LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO A MENOR DECADÊNCIA O início da contagem do prazo decadencial para o Fisco dáse a partir do momento em que é possível efetuar o lançamento, no exercício financeiro em que deve ser tributada a sua realização, e não imediatamente após o termo do ano calendário em que foi gerado o lucro inflacionário. LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO REALIZAÇÃO A MENOR DECADÊNCIA RECOMPOSIÇÃO DE SALDO A recomposição do saldo de lucro inflacionário acumulado deve levar em consideração, para fins de decadência, as parcelas de realização do ativo da pessoa jurídica. JUROS DE MORA SELIC Nos termos dos arts. 13 e 18 da Lei nº 9.065/95, a partir de 1º/04/95 os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, rejeitando a preliminar de decadência e, no mérito, acatar o pleito no sentido de se excluir as parcelas do lucro inflacionário que deveriam ser realizadas nos anos calendários de 1993 e 1994. Acórdão 10194663 processo 10410.001504/200168 Fl. 1927DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 107 106 LUCRO INFLACIONÁRIO. SALDO DA CORREÇÃO IPC/BTNF. ERRO DE FATO. Não procede a exigência de crédito tributário decorrente de erro cometido pela pessoa jurídica no preenchimento da declaração de rendimentos, tendo informado a maior o saldo credor da diferença de correção IPC/BTNF. Acórdão 10193740 processo 10880.008657/9805 ERRO DE FATO. PREJUIZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO: Constatado erro de fato no preenchimento da Declaração de Rendimentos, e tendo a contribuinte direito à compensação de prejuízos, procedese a tal compensação, exonerandose o crédito tributário lançado. PREJUIZO FISCAL INSUFICIENTE. DECADÊNCIA: Apesar de não haver prejuízo fiscal suficiente para compensar o lucro real apurado em determinado período de apuração, deixase de propor a formalização da exigência em virtude de já ter transcorrido, nesta data, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário respectivo. ERRO DE FATO. BASE NEGATIVA. COMPENSAÇÃO: Constatado erro de fato no preenchimento da Declaração de Rendimentos, e tendo a contribuinte direito à compensação da base negativa da contribuição social, procedese a tal compensação, exonerandose o crédito tributário lançado. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO Acórdão 10416265, processo 10920.000343/9699 IRPF GANHOS DE CAPITAL CUSTO DE AQUISIÇÃO ESCRITURA PÚBLICA DE COMPRA E VENDA Deve prevalecer para efeitos fiscais o custo de aquisição constante da Escritura Pública de Compra e Venda devidamente registrado no Registro de Imóveis, quando este for mais favorável ao contribuinte que o custo avaliado pelo valor de mercado, em 31/12/91, constante da declaração de bens relativa ao exercício de 1992. O fato gerador do imposto de renda é a situação objetivamente definida na lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Erros ou equívocos por si só, não são causa de nascimento da obrigação tributária. Enfim, ao contribuinte incumbe a prova da regularidade dos valores utilizados para redução da base de cálculo nos períodos fiscalizados, e a autoridade tem a prerrogativa de deles discordar, enquanto não transcorrido o prazo previsto na legislação para constituição do crédito tributário correspondente; podendo, para tanto, efetuar verificações em períodos anteriores, já atingidos por esse mesmo prazo decadencial; vedada, obviamente, a possibilidade de apuração e constituição de créditos tributários desses últimos. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de impossibilidade do Fisco efetuar em 2008 a auditoria dos elementos contábeis e fiscais do anocalendário de 2001, para glosar valores com repercussão tributária em períodos posteriores (ágio passível de amortização). Por estas mesmas razões, nenhum impedimento havia para a Fiscalização, em 29/03/2010, formalizar exigência pertinente aos períodos de apuração de 2005 e 2006, alcançando a repercussão tributária do fato aqui em debate, ocorrido em 2001. Assim, REJEITAse a arguição de decadência/preclusão. Fl. 1928DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 108 107 Adentrando à análise do mérito, mostrase necessário, inicialmente, recordar os pontos relevantes da acusação fiscal, que conduziram à glosa dos valores questionados. Segundo as autoridades lançadoras, as amortizações seriam indevidas porque: · O ágio em questão foi pago por Santander Hispano pelas ações do Banespa, e o aporte por ele feito na Santander Holding destinouse a transferir exatamente o montante investido pela sociedade espanhola na aquisição do Banespa, de modo a refletir aquele fato econômico nas demonstrações da Santander Holding; · A Lei nº 9.532/97 prestouse a coibir planejamentos tributários abusivos, como exposto no parágrafo 11 da Exposição de Motivos nº 644/MF, relacionada à Medida Provisória nº 1.602, que veio a ser convertida naquela Lei. Deste modo, o descumprimento dos requisitos legais impede a dedução dos encargos de amortização; · A existência de ágio pago pelo Santander Hispano na aquisição do Banespa seria inquestionável, mas seu fundamento econômico em rentabilidade futura seria duvidoso, porque ignora o fundo de comércio do Banespa, especialmente a relevância da carteira de clientes, a capilaridade de sua rede, seu nome e sua marca (ativos da instituição); · A Santander Holding, de efêmera duração (10/2000 a 07/2001) e sem qualquer outra atividade, prestouse apenas para carrear o ágio para o Brasil, como típica “empresa veículo”, sem qualquer propósito negocial; · O ágio foi pago pela sociedade espanhola e deveria estar contabilizado em seu patrimônio, de modo que as operações societárias realizadas prestaramse apenas a transferir este ágio para uma sociedade domiciliada no Brasil; · A amortização do ágio tem como pressuposto uma anterior contabilização do custo do investimento por contribuinte, pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Sendo a adquirente espanhola, o registro do ágio deve se submeter à legislação daquele país, que pode, inclusive, conceder benefícios fiscais nestes casos; · Tendo em consideração os lançamentos contábeis das operações realizadas, concluise que o investimento no Banespa (incluindo o ágio pago), por via indireta, permaneceu, mesmo após todas as operações societárias já discorridas, sob o controle da empresa espanhola que arrematou as ações com ágio. Assim, o ágio permanece indiretamente como um ativo da sociedade espanhola, por meio de sua participação na sua controlada brasileira; · Há fraude pois a operação planejada entre as empresas de um mesmo grupo (uma delas controlada pela outra e ambas sob o controle da mesma pessoa jurídica sediada no exterior, qual seja, o Banco Fl. 1929DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 109 108 Santander Central Hispano) foi engendrada com o evidente intuito único de "criar" despesas de amortização em uma delas, diminuindo ilegalmente sua base tributável; · O uso de “empresa veículo” e a fundamentação do ágio exclusivamente em rentabilidade futura, ignorando o fundo de comércio da empresa adquirida, para beneficiarse da dedução fiscal, também justificam a qualificação da penalidade. As autoridades lançadoras, portanto, dentre outros aspectos, entendem que somente houve ágio pago na aquisição original do Banespa pelo Santander Hispano, de modo que o ágio deve integrar o patrimônio da sociedade espanhola. Destacam, inclusive, que o ágio lá permaneceu indiretamente, depois de todas as operações societárias realizadas. Asseveram, assim, que houve fraude para internalização do ágio aqui amortizado, justificando a glosa destas amortizações e a qualificação da penalidade. Esta Relatora já se manifestou contrariamente a este tipo de operação, que busca superar os impedimentos práticos verificados no atendimento às condições legais para dedução, na apuração do IRPJ e da CSLL, da amortização do ágio antes da alienação do investimento. Isto porque os efeitos das amortizações de ágio e deságio estão assim disciplinados no Decretolei nº 1.598/77: Art. 23. [...] Parágrafo único Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização do ágio ou deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País.(Incluído pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). [...] Art. 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) IV provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real. § 1º Os valores de que tratam os itens II a IV serão corrigidos monetariamente. § 2º Não será computado na determinação do lucro real o acréscimo ou a diminuição do valor de patrimônio líquido de investimento, decorrente de ganho ou perda de capital por variação na porcentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). (negrejouse) Fl. 1930DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 110 109 Dessa forma, as amortizações de ágio e deságio deveriam ser adicionadas ou excluídas na apuração do lucro real, e controladas na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, para posteriormente compor a apuração do ganho de capital na alienação ou liquidação do investimento. Mas, segundo a Lei nº 6.404/76: Art. 219. Extinguese a companhia: I pelo encerramento da liquidação; II pela incorporação ou fusão, e pela cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades. Nestes termos, por vislumbrar distinção entre a hipótese do inciso II do art. 219 da Lei nº 6.404/76 e de encerramento prevista no inciso I do mesmo dispositivo, esta hábil a ensejar a aplicação do disposto no art. 33 do Decretolei nº 1.598/77, o legislador assim fixou na seqüência deste dispositivo: Participação Extinta em Fusão, Incorporação ou Cisão Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada períodobase a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. Nos casos em que a incorporação, fusão ou cisão ocorre em momento próximo à aquisição do investimento com ágio, o valor contábil do investimento é sempre superior ao acervo líquido contábil que substitui as quotas/ações extintas em razão da incorporação, fusão ou cisão, ensejando perda de capital. Para que esta perda fosse dedutível, em interpretação literal do texto, necessário seria que o acervo líquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão fosse avaliado a preços de mercado. Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 111 110 De outro lado, caso atendido este requisito, qualquer ágio apurado na aquisição de investimentos, quando esta fosse seguida de incorporação da investida, ensejaria perda dedutível. A exposição de motivos da Lei nº 9.532/97 expressa preocupação com circunstâncias semelhantes a esta, como a seguir transcrito: O art. 8o estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas utilizando dos já referidos “planejamentos tributários”, vêm utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em visto o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. Neste contexto, as disposições da Lei nº 9.532/97 podem ser interpretadas como um instrumento para evitar a dedução do ágio apurado sem fundamento econômico, o qual deveria ser mantido em conta do ativo permanente, não sujeita a amortização, bem como uma forma de parcelar os efeitos tributários do ágio pago sob outros fundamentos: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: Fl. 1932DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 112 111 a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. No mesmo sentido manifestase Luís Eduardo Schoueri, na obra Ágio em Reorganizações Societárias (Aspectos Tributários), Dialética: São Paulo, 2012. Depois de reportarse à doutrina que se posiciona em sentido contrário, diz o referido autor (p. 67): Tal posicionamento não deixa de ser curioso. Afinal, se anteriormente o ágio era deduzido integralmente, a imposição de restrições não poderia ser considerada um incentivo. A exposição de motivos da Medida Provisória no 1.602/1997 deixou hialino esse instituto de restrição da consideração do ágio como despesa dedutível, mediante a instituição de óbices à amortização de qualquer tipo de ágio nas operações de incorporação. Com isso, o legislador visou limitar a dedução do ágio às hipóteses em que forem acarretados efeitos econômicotributários que o justificassem. Realizada a incorporação, na escrituração comercial, o acervo líquido recebido pelo valor contábil anula o investimento correspondente, avaliado pela equivalência patrimonial, e remanesce no patrimônio da sociedade resultante apenas o ágio/deságio, classificado em Ativo Diferido, quando fundamentado em rentabilidade futura, para amortização no período pelo qual ela foi projetada. Com a edição da Lei nº 9.532/97 a amortização do ágio com este fundamento passa a ser dedutível, na apuração do lucro real, no mesmo momento em que registrada contabilmente, desde que observado o prazo mínimo de 5 (cinco) anos para amortização. Quanto ao ágio fundamentado em ativos ou em outras razões econômicas, a doutrina contábil orienta em sentido semelhante ao da lei, pois no primeiro caso vincula seus efeitos no resultado à realização do ativo incorporado, e no segundo caso determina sua baixa imediata, por não ser possível associar seu pagamento a algum critério que permita dimensionar sua amortização. Esta abordagem não autoriza a conclusão de que a Lei nº 9.532/97 tenha instituído um benefício fiscal. A regra expressa em seus artigos 7o e 8o, nos termos de sua Fl. 1933DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 113 112 exposição de motivos, prestouse, em verdade, a evitar planejamentos tributários que viabilizassem a dedução de ágios, como perda de capital, qualquer que fosse seu fundamento. Na sistemática vigente, a amortização do ágio realizada pela investidora permanece indedutível na apuração do lucro real, e somente gera efeitos na alienação ou liquidação do investimento. Já a amortização do ágio realizada após a extinção do investimento não precisa ser adicionada ao lucro real, desde que o ágio esteja fundamentado em rentabilidade futura e a amortização observe o limite temporal mínimo estabelecido pela legislação. Contudo, é fundamental que a incorporação se verifique entre investida e investidora, com conseqüente confusão patrimonial e extinção do investimento, para que a amortização do ágio gere efeitos na apuração do lucro tributável. Aqui, porém, ao término das operações, nada mudou, pois o Santander Hispano permaneceu com a mesma quantidade de ações e na mesma condição de controlador do Banespa. Esta distorção, aliás, é reconhecida pela própria Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ao analisar a incorporação promovida por meio de uma sociedade veículo, assim expondo na Nota Explicativa à Instrução CVM n° 349/2001, que alterou a redação da Instrução CVM n° 319/99: A Instrução CVM n° 319/99, ao prever que a contrapartida do ágio pudesse ser registrada integralmente em conta de reserva especial (art. 6o, § Io), acabou possibilitando, nos casos de ágio com fundamento econômico baseado em intangíveis ou em perspectiva de rentabilidade futura, o reconhecimento de um acréscimo patrimonial sem a efetiva substância econômica. A criação de uma sociedade com a única finalidade de servir de veículo para transferir, da controladora original para a controlada, o ágio pago na sua aquisição, acabou por distorcer a figura da incorporação em sua dimensão econômica. Esta distorção ocorre em virtude de que, quando concluído o processo de incorporação da empresa veículo, o investimento e, conseqüentemente, o ágio permanecem inalterados na controladora original. Significa dizer que embora transferido o ágio par a empresa veículo, e na seqüência para a incorporadora desta, os efeitos econômicos do ágio originalmente contabilizado na controladora subsistem. Assim, a definição acerca do atendimento à finalidade dos arts. 7o e 8o da Lei nº 9.532/97 passa, primeiramente, pelo exame da validade da transferência do ágio originalmente contabilizado pela investidora para a Santander Holding, mediante subscrição de seu capital com o investimento por ela detido no Banespa. Não se exige, aqui, uma lei autorizadora de transferência de ágio por meio de subscrição de aumento de capital. Se não há vedação legal e os atos societários são realizados com observância dos requisitos formais, e têm por objeto ágio efetivo e pago, seria necessário disposição legal específica para se negar validade aos atos societários no âmbito tributário. Contudo, é necessário verificar se a incorporação entre a investida e esta empresa para a qual foi transferido o ágio atende aos requisitos legais para que a amortização deste afete o lucro tributável. Recordese o que diz a Lei nº 9.532/97: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida Fl. 1934DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 114 113 com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. [...] Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. (negrejouse) Claro está que as empresas envolvidas na incorporação devem ser, necessariamente, a adquirente da participação societária com ágio e a investida adquirida. Em que pese a lei não vede a transferência consoante antes demonstrado, este procedimento não extingue, na real adquirente, a parcela do investimento correspondente ao ágio, de modo que ao final dos procedimentos realizados, com a incorporação da empresa veículo pela investida, a propriedade da participação societária adquirida com ágio subsiste no patrimônio da investidora, diversamente do que cogita a lei. Em tais condições, a amortização do ágio que passou a existir no patrimônio da investida (Banespa) somente poderia surtir efeitos na apuração do seu lucro real caso se verificasse a sua extinção, ou da investidora (Santander Hispano), mediante incorporação, fusão ou cisão entre elas promovida, por meio da qual o ágio subsistisse evidenciado apenas no patrimônio resultante desta operação, na forma do art. 7o da Lei nº 9.532/97. Na medida em que tal não ocorreu, a dedutibilidade do ágio submetese à regra geral exposta no Decretolei nº 1.598/77: Art. 23. [...] Parágrafo único Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização do ágio ou deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País.(Incluído pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). [...] Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 115 114 Art 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) IV provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real. [...] Pertinente citar, novamente, abordagem contida na obra Ágio em Reorganizações Societárias (Aspectos Tributários), antes referida. Nela, o autor Luís Eduardo Schoueri preliminarmente expõe o entendimento de que o ágio, para o investidor, é custo que deve ser considerado em caso de alienação do investimento. Os resultados auferidos com este investimento são reconhecidos, no patrimônio do investidor, como resultados da equivalência patrimonial, não sujeitos a tributação nesta ótica. Seguindo a mesma lógica, a amortização contábil do ágio por rentabilidade futura, por parte do investidor, também não deve afetar o lucro tributável. Diante deste contexto, o autor reputa incabível afirmar que o ágio, ainda que fundamentado na rentabilidade futura, pode ser considerado realizado antes da incorporação de uma das pessoas jurídicas envolvidas (exceto se antes disso tiver ocorrido baixa da participação societária adquirida, quando, em regra o ágio será realizado) (Op. cit. p. 73). E complementa mais à frente: com a incorporação, alertese, já não há mais que falar em investimento nem em ágio. Ambas as figuras desaparecem (Op. cit. p. 74). Entende o referido autor que a partir da incorporação, os lucros passam a ser tributados na investidora, pois antes disso no máximo haverá receita de equivalência patrimonial, não tributável (Op. cit. p. 79). Aqui, porém, os lucros permanecem tributados na investida, que os reduz mediante amortização de ágio decorrente de investimento que subsiste no patrimônio da investidora original. Caso a investidora fosse empresa nacional, a provisão determinada pela Instrução Normativa CVM no 349/2001 impediria que a equivalência patrimonial refletisse no seu patrimônio apenas o valor líquido dos resultados, restabelecendo o reconhecimento bruto dos resultados da investida, sem os efeitos da amortização do ágio na investida, dado que a amortização do ágio se repetiria na investidora. A diferença está na redução da carga tributária da investida que esta manobra permite, em desrespeito ao previsto no art. 7o da Lei no 9.532/97. Evidenciado, portanto, que não houve a extinção do investimento, inadmissível a amortização fiscal do ágio. Importante destacar que o entendimento aqui firmado não pode ser comparado ao posicionamento desta Relatora expresso em declaração de voto no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 110100.354, divergindo dos fundamentos do voto condutor de lavra do I. Conselheiro José Ricardo da Silva (caso Vivo): Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 116 115 Com a devida vênia, registro as razões de minha divergência quanto ao posicionamento do I. Relator, que acolheu os fundamentos adotados pela 5a Turma da DRJ/Porto Alegre para exoneração parcial da exigência, bem como deu provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. Como relatado, a Turma Julgadora restringiu as hipóteses de transferência de ágio aos casos de fusão, cisão ou incorporação envolvendo a investida e a investidora, e afastou tal hipótese no contexto presente nestes autos, no qual vislumbrou aquisição de investimento por realização de capital, em razão da qual surgiria novo ágio na nova investidora, ao passo que a antiga investidora deve baixar seu investimento (e respectivo ágio), apurando eventual ganho de capital. Admitiu aquela Turma Julgadora que a entrega, à “Investidora”, de ações (ou quotas de capital) de emissão da “Nova Investida” representaria um “pagamento” desta em favor daquela, e sendo ele maior que o valor patrimonial da participação societária adquirida (referente à antiga “Investida”), seria possível o registro de ágio na aquisição de ações. E transportando estes conceitos para o caso concreto, assim concluiu o I. Relator da DRJ/Porto Alegre: Ora, foi esta a situação que ocorreu com a criação da empresa TULA Part. Ltda.. Com efeito, a empresa “Nova Investida” (TULA Part. Ltda.): (1) recebe ações da antiga “Investida” (Celular CRT Part.) e (2) entrega à “Investidora” (TBS Celular Part. S/A) quotas de capital de sua própria emissão. No caso o valor “pago” pela “Nova Investida” – TULA Part. Ltda. (representado pelo valor de seu capital, entregue à “Investidora” – TBS Celular Part. S/A – na forma de quotas de capital de sua emissão) foi maior do que o valor patrimonial da participação societária adquirida (referente à antiga “Investida” – Celular CRT Part., entregue pela “Investidora” à empresa “Nova Investida” – TULA Part. Ltda.). Assim, nos termos do art. 385 do Decreto 3.000, de 1999, cabe o registro de ágio na aquisição de ações, no patrimônio de TULA Part. Ltda. Por outro lado, há que ser baixado o investimento anteriormente mantido pela Investidora – TBS Celular Part. S/A – na Antiga Investida – Celular CRT Part. – podendo gerar um ganho de capital para a Investidora. Dessa forma, depreendese claramente que o ágio eventualmente existente na “Investidora” não é transferido para a “Nova Investida”, mas somente é baixado do ativo da “Investidora”, reduzindo o eventual ganho de capital a ser por ela auferido. Isso denota que os vícios dos ágios anteriormente existentes em empresas do grupo não têm o condão de serem transferidos para o ágio surgido no patrimônio da TULA Part. S/A. Com efeito, esses vícios lograriam a existência de ganho de capital nas empresas que deram baixa de seus investimentos (e dos respectivos ágios). Entretanto, não foi esse o lançamento efetuado. Todavia, como bem consignou o autuante nos demonstrativos anexos ao Relatório Fiscal, não houve ali ágio pago, ao qual pudesse ser associado o motivo expresso no laudo de rentabilidade futura apresentado pela empresa fiscalizada. E isto porque não houve terceiros envolvidos nesta operação, mas sim transferência da titularidade das ações entre empresas do mesmo grupo, sob controle comum. O próprio procedimento adotado para esta transferência, e para aquelas que a antecederam, evidenciam que o ágio em questão, na verdade, formouse quando da privatização dos serviços de telefonia, e foi sendo atribuído às empresas sucessoras/adquirentes pelo valor remanescente após as amortizações apropriadas nas empresas sucedidas/alienantes, enquanto estas eram titulares do investimento. Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 117 116 Ressalto que o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações da FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, FEA/USP) elaborado por Sérgio de Iudicibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke (7a Edição) é claro quanto à inexistência de ágio formado em operações de transferência como estas: [...] Logo, é necessária uma aquisição onerosa de terceiros para formação do ágio, exigência também expressa na legislação tributária: Decretolei nº 1.598, de 30 de dezembro de 1977 [...] Lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997 [...] É, portanto, o ágio pago na aquisição de investimentos que pode ser amortizado. Referese o art. 7o da Lei nº 9.532/97 ao ágio apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e este, por sua vez, trata do ágio formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição. Assim, se houver uma efetiva aquisição, e o patrimônio líquido da adquirida se mostrar menor que o custo de aquisição do investimento surgirá o ágio passível de amortização com efeitos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, desde que a pessoa jurídica detentora da participação societária adquirida com ágio incorpore a investida, ou viceversa (art. 8o, alínea “b” da Lei nº 9.532/97). Tal tema, inclusive, já foi apreciado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mas em situações mais gravosas, nas quais o ágio surge internamente, mediante reorganização societária envolvendo apenas empresas sob controle comum. Neste contexto, foram as seguintes as conclusões do I. Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, expressas no Acórdão nº 130100.058 e acolhidas por unanimidade pela 1a Turma Ordinária da 3a Câmara desta 1a Seção de Julgamento, em sessão de 13 de maio de 2009: [...] Aqui, porém, a autoridade lançadora entendeu que houve formação de ágio na criação da TBH S/A, cujo capital foi integralizado mediante conferência das ações (mantidas pelos antigos acionistas) da CRT, o qual não estava devidamente fundamentado em rentabilidade futura, a inviabilizar a dedução parcial dos valores contabilizados pela autuada. No entanto, há evidências de formação de ágio na aquisição original da CRT por aqueles acionistas, aquisição esta que se deu em razão da privatização daquela empresa, cujo Edital estipularia preço inicial fundamentado em rentabilidade futura. Assim, no suposto de que sejam verdadeiras estas alegações contidas em recurso voluntário – até porque sua confirmação não se justifica ante o resultado do julgamento favorável à autuada, pelas razões expostas pelo I. Relator José Ricardo da Silva – o ágio transferido até o momento em que se verificou o evento previsto no art. 7o da Lei nº 9.532/97 teria fundamento, sim, em rentabilidade futura, não havendo motivo para acolher o recurso de ofício decorrente da exoneração desta exigência. Naquele caso, a acusação fiscal centravase na falta de comprovação do fundamento do ágio amortizado e, admitindose a transferência do ágio, vislumbrouse a Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 118 117 possibilidade de seu fundamento em rentabilidade futura estar evidenciado no momento da aquisição em processo de privatização, o que desconstituiria a acusação fiscal, vez que não opostas outras condições para dedutibilidade do ágio amortizado. Já no presente caso, a autoridade fiscal, apesar de também questionar o fundamento do ágio contabilizado, observou que requisitos preliminares impediram a repercussão de sua amortização na apuração do lucro real. A autoridade lançadora demonstra no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 395/398, que o investimento inicial de R$ 9,6 bilhões feito pelo Santander Hispano, para aquisição do Banespa, permaneceu sob sua titularidade indireta, ao final representado por investimento na controlada Banco Santander S/A, que posteriormente incorporou o Banespa. Portanto, o requisito legal de extinção do investimento não se verificou, subsistindo ativas a investidora e a investida, e por conseqüência os valores representativos do ágio no patrimônio da sociedade espanhola. Em tais condições, as amortizações promovidas pelas empresas brasileiras são indedutíveis porque não representam despesas próprias, mas sim despesas da adquirente original do investimento, que subsiste ativa. As operações societárias realizadas, visando internalizar o valor equivalente ao ágio pago pela empresa espanhola, e criar uma incorporação para supostamente atender ao requisito do art. 7o da Lei nº 9.532/97, revelam que a contribuinte buscou, apenas, uma vantagem tributária, sem alterar o controle societário da investida no Brasil. Assim, resta comprovada a conduta contrária à lei, intencionalmente praticada pelo contribuinte, mas que no entender da Fiscalização seria, inclusive, hábil a justificar a qualificação da penalidade. Ocorre que, se de um lado não apenas as omissões de dados e informações constituem o dolo necessário para caracterização da fraude, verificandose esta também quando o sujeito passivo constrói um cenário falso para aparentar a presença dos requisitos legais que autorizariam a dedução por ele pretendida, não é possível afirmar que a conduta da autuada, no presente caso, tenha alcançado estes contornos. O grupo empresarial buscou usufruir do que entendia ser um benefício fiscal constituindo empresa veículo para, a partir dela, formalizar uma incorporação que não realizou o objetivo final da lei, qual seja, a união patrimonial entre investida e investidora. De outro lado, porém, o ágio efetivamente existiu e foi pago pela empresa espanhola ao Estado Brasileiro, em procedimento licitatório, apenas não se verificando a incorporação entre investidora e investida, permanecendo o ágio representado no patrimônio da investidora espanhola. Na medida em que somente a empresa espanhola detinha as condições necessárias para a aquisição, a impossibilidade de aproveitamento do ágio era uma desvantagem a ser considerada na decisão empresarial, não podendo ser posteriormente brandida com fundamento na igualdade entre os licitantes. Mas, interpretando de forma diversa a legislação, a contribuinte praticou os atos que reputou válidos para amortizar o ágio pago na aquisição do Banespa, atos que devem ser reprovados com a conseqüente exigência do crédito tributário. Contudo, não se vislumbra dolo suficiente à caracterização da fraude tributária, na medida em que o ágio existe e foi pago em procedimento licitatório, à semelhança de outros casos práticos que ensejaram o aproveitamento do disposto no art. 7o da Lei nº 9.532/97, a motivar a equivocada interpretação da contribuinte. Por oportuno registrese o destaque feito pelo Conselheiro José Sérgio Gomes durante esta sessão final de julgamento, reportandose aos fundamentos do Conselheiro Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 119 118 Antonio José Praga de Souza no Acórdão no 1402000.802 que, como já mencionado, tratou da mesma operação aqui em análise: Voltando a situação versada no presente processo, constatase pela DIPJ/2003, regularmente apresentada dentro prazo e posteriormente retificada, que o Banespa auferiu receitas tributáveis da ordem de 7,100 Bilhões de Reais em 2002. Por seu turno, a base de cálculo do IRPJ e CSLL foi de aproximadamente 80 Milhões de Reais, ou seja, em pouco mais de 1% da receita total, sendo que a amortização do ágio reduziu em R$ 1,492 Bilhão de Reais. Além disso, no ajuste anual a contribuinte apurou Saldos Negativos de Recolhimentos de 4 Milhões (IRPJ). Ora, uma empresa com esses números certamente estava sujeita ao acompanhamento especial de que trata a Portaria SRF nº 448 de 2002. Definitivamente não é crível que a dedução pudesse ser ocultada do Fisco na contabilidade ou na DIPJ da recorrente, o que em verdade não ocorreu. Em suma, o Santander Hispano jamais abriu mão de seu controle sobre o Banespa, e manteve integralmente em seu patrimônio o investimento feito no Brasil para sua aquisição. Logo, o aporte de capital na Santander Holding, representado pelas ações detidas pelo Santander Hispano no Banespa, somente duplica o ágio que subsiste no patrimônio da investidora original. Em conseqüência, não há ágio a ser amortizado com efeitos fiscais pelas empresas nacionais, efeitos estes que somente se verificam na extinção do investimento, por alienação a terceiros ou por liquidação recíproca entre investidora e investida. Interpretando equivocadamente os dispositivos legais que tratam a matéria, a contribuinte acabou por reduzir indevidamente as bases tributáveis, de modo que regular é a exigência dos tributos não recolhidos. Todavia, não há justificativa para a qualificação da penalidade. Quanto aos demais pontos da defesa, relativamente ao mérito da exigência principal, cumpre acrescentar que: · 3.1 Do Processo Fiscalizatório Ausência de Questionamento dos Atos Praticados Presunção da Falta de Propósito Negocial: diz a recorrente que a Fiscalização se ateve, apenas, aos atos societários, sem buscar ou questionar a empresa acerca do propósito negocial destas operações. Todavia, os requisitos legais são claros e objetivos, sendo desnecessário perquirir qual a razão de a contribuinte ter buscado criar um contexto no qual eles aparentemente se mostrassem atendidos, para a partir dali reduzir suas bases tributáveis. Argumentos retóricos foram usados pela Fiscalização e pela recorrente, mas excluindoos resta patente que não houve a reunião da investida e da investidora em um mesmo patrimônio, para atendimento ao requisito legal para amortização do ágio. O ágio pago pela empresa espanhola continuou figurando em seu patrimônio, agregado ao investimento promovido no Banespa, ainda que posteriormente intermediado por outras investidas no Brasil. Embora a recorrente se esforce para demonstrar que há duas realidades, o fato é que materialmente elas se confundem, na medida em que a segunda estrutura aventada, de integralização de capital da Santander Holding é meramente formal, com vistas a tentar atender os requisitos legais para amortização fiscal do ágio. Desnecessário, portanto, avaliar a qualidade da argumentação fiscal acerca da natureza do ágio pago, ou os argumentos excluídos pela Fiscalização a partir do segundo lançamento. · 3.2 Da Efetiva Operação Realizada Aquisição do Banespa para Expansão das Atividades do Grupo Santander no Brasil: irrelevante a demonstração da forma como se processou a aquisição do Banespa, pois a dita integração das atividades bancárias Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 120 119 para obtenção de sinergia do grupo Santander não ensejou a extinção do investimento na adquirente, promovendose apenas incorporações em níveis inferiores da organização, de modo a tentar criar o contexto previsto em lei, inviabilizado originalmente em razão das circunstâncias específicas nas quais a aquisição se verificou. Assim, a análise histórica das operações praticadas pelo Grupo apenas confirma que a aquisição do investimento, e por conseqüência o pagamento do ágio, não foi realizada pelas empresas que participaram da incorporação invocada como marco para amortização fiscal do ágio. Por sua vez, a provisão exigida pela CVM como proteção dos acionistas minoritários reafirma a impossibilidade de amortização do ágio nas empresas autuadas, e a conseqüente redução da distribuição de dividendos, à semelhança da redução do lucro tributável. · 3.3 Legitimidade da Aquisição do Investimento com Ágio pela Santander Holding e Posterior Aproveitamento da sua Dedutibilidade Fiscal pelo Banespa e pelo Recorrente: a aparente regularidade formal das operações individualmente consideradas é reconhecida pela própria Fiscalização, e expressar sua fundamentação legal e o amparo em laudos de auditoria independente não afasta o vício apontado pela autoridade lançadora, no sentido de que o investimento original, adquirido com ágio, permanece no patrimônio da investidora espanhola, apenas que agora travestido em investimento em uma outra empresa do grupo no Brasil. Somente a análise individualizada dos fatos enseja a conseqüência pretendida pela recorrente. Se analisadas em conjunto, as operações revelam que materialmente o investimento inicial subsiste na empresa espanhola (nas palavras da recorrente, o Santander Hispano passou a possuir em seu ativo um investimento em outra sociedade controlada (Santander Holding) no mesmo valor de R$ 9,57 bilhões), mas ainda assim a controlada passa a dispor, em seu patrimônio, do almejado ativo amortizável, para fins de redução de seu lucro tributável, o qual somente deveria existir mediante liquidação recíproca daquele ativo da investidora com o patrimônio líquido da investida. Irrelevantes, assim, as referências feitas pela autoridade julgadora de 1a instância às irregularidades no valor atribuído às ações conferidas em aumento de capital da Santander Holding. E, quanto à obra de Ricardo Mariz de Oliveira (Fundamentos do Imposto de Renda, São Paulo: Quartier Latin, 2008), pertinente observar que o mesmo autor diz na p. 766: Voltando ao primeiro e principal requisito para que a amortização seja dedutível haver absorção de patrimônio por meio de incorporação, fusão ou cisão devese ter presente que, a despeito da largueza de opções dadas pela Lei n. 9532 para a consecução do seu desiderato, tratase de condição a ser cumprida em sua substância, e não apenas formalmente, até tendo em vista a continuidade da vigência da norma de proibição da dedução da amortização se não houver um desses atos, prevista no art. 23 do Decreto lei n. 1598. Portanto, é insuficiente que a amortização do ágio se verifique em contrapartida dessa expectativa de lucros a serem gerados, sendo fundamental a absorção de patrimônio envolvendo investidora e investida. No mais, o tratamento fiscal conferido ao ágio não pode ser interpretado como benefício fiscal, tendo em conta as justificativas expressas para edição da Lei nº 9.532/97, como inicialmente exposto, de modo que as argumentações acerca da extrafiscalidade, e a discussão acerca da fundamentação do ágio pago são irrelevantes, pois não se verificou a absorção de patrimônio entre investida e investidora. · 3.4 — lsonomia entre Concorrentes e Neutralidade Fiscal na Alienação do Banespa Inexistência de Privilégio Exclusivo para as Empresas Nacionais de Aproveitamento Fiscal do Ágio: na medida em que as disposições dos arts. 7o e 8o da Lei nº 9.532/97 Fl. 1941DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 121 120 não são interpretadas como benefício fiscal, não tem lugar, aqui, a pretensão da recorrente em legitimar as operações formalizadas para construir o cenário legal no qual a amortização, com efeitos fiscais, seria admitida. A isonomia na licitação para alienação do Banespa restou atendida com a observância aos requisitos da Lei nº 8.666/93, e nenhuma restrição verificouse em razão da naturalidade, da sede ou domicilio dos licitantes. Impróprio também invocar igualdade de tratamento tributário, se a adquirente é empresa domiciliada na Espanha e sequer se submete às leis brasileiras para fins de tributação de renda e patrimônio. O reflexo da Lei nº 9.532/97 na oferta de um maior lance nas licitações é uma inferência da recorrente, que não tem respaldo na motivação da lei, de modo que a entrega do preço à União não pode ser invocada para admissibilidade das reduções do lucro tributável da empresa privatizada. Ademais, a disparidade entre o lance vencedor e aquele oferecido pelas demais concorrentes permite inferir, também, que a empresa espanhola vislumbrava vantagens globais para o grupo, para além da própria rentabilidade que a empresa adquirida poderia, individualmente, gerar. E são estas vantagens que determinam o valor do lance, e não o alegado “benefício fiscal”, cuja execução, inclusive, revestiase de incertezas por depender de uma estruturação que apresentasse os contornos exigidos por lei para admissibilidade das deduções nela previstas. Acrescentese, ainda, que o aporte do lance como capital de uma empresa veículo, para que esta participasse do leilão público – estratégia desconsiderada por prejudicar o sigilo do prego ofertado – não seria suficiente para caracterizar esta intermediária como adquirente e permitirlhe a amortização do ágio com efeitos fiscais em caso de incorporação da ou pela investida, na medida em que a empresa assim criada representaria apenas uma extensão do caixa da real adquirente, de modo que a subsequente incorporação não ensejaria a união de patrimônios entre investidora e investida, exigida pela Lei nº 9.532/97. · 3.5 — Da Sistemática de Alienação das Ações no Leilão — Sigilo do Lance como Fator Determinante para a Aquisição do BANESPA: o direito ao sigilo da proposta é invocado como impedimento para o prévio aporte do lance no Brasil. O fato, porém, é que os recursos para tal aquisição eram da controladora espanhola, de modo que sua atuação como adquirente nada mais é do que a verdade. Qualquer outra forma adotada somente mascararia esta realidade (a própria recorrente reconhece a inviabilidade de a Santander Holding atuar como licitante no processo de leilão do Banespa, que, do ponto de vista operacional e administrativo, especialmente em razão de seu capital de R$ 1.000,00 à época), restando inadmissível a invocação de sua não implementação em favor da prática realizada. · 3.6 — Da Necessidade (Imprescindibilidade) da Santander Holding — Fundamento Econômico para o Presente Concreto: a necessidade de uma instituição nãofinanceira no Brasil para aporte da participação societária detida pelo Santander Hispano somente justifica o fato de este aporte não ter sido feito em uma das instituições financeiras do Grupo já existentes no Brasil, e não desconstitui o aporte feito sem a intenção de efetivamente transferir a participação societária para a empresa destinatária, permanecendo o Banespa sob o controle indireto do Santander Hispano. Dizer que no aporte de capital na Santander Holding o componente fiscal era uma das possíveis conseqüências lógicas da referida estratégia econômica mascara a realidade, pois nenhuma outra razão se verifica na pretendida transferência da participação societária no Banespa para uma empresa brasileira, que não a dedução fiscal do ágio pago pela empresa espanhola. Em verdade, o único propósito destas operações é fazer valer o que a recorrente entende ser um direito seu, em razão da equivocada interpretação de um Fl. 1942DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 122 121 dispositivo legal como “benefício fiscal” concedido aos participantes de licitações para privatização de empresas públicas, de modo que, também aqui, à semelhança da jurisprudência invocada pela autoridade lançadora, não se verifica propósito negocial na criação da “empresa veículo” Santander Holding, sendo irrelevante, inclusive, que ela tenha sido criada antes do processo licitatório. Quanto à preservação dos direitos dos acionistas minoritários do Banespa, como já dito, a constituição de provisão na Santander Holding no montante total do ágio tratase de providência exigida pela CVM justamente porque não há substância no ágio assim transferido, vez que ele subsiste materialmente no patrimônio da real investidora. Por fim, as justificativas para o baixo capital social e ausência de empregados, em razão da atividade de holding, não permitem que se olvide da existência da Santander Holding por apenas 10 meses, sob a justificativa de esta seria uma etapa do processo de integração bancária do grupo no Brasil, permitindo a sinergia decorrente de integração tecnológica e operacional, pois estas operações permaneceram, antes e depois do aporte questionado, sob o comando do Grupo empresarial, inexistindo demonstração de qualquer atividade específica praticada pela holding neste sentido, senão servir de veículo para o aproveitamento da dedução do ágio. · 3.7 — Da Teoria do Propósito Negocial — Aplicabilidade às Operações Praticadas: como restou aqui demonstrado, o direito à fruição da amortização do ágio exige a participação direta da sociedade que o pagou, mediante união de seu patrimônio ao da investida. Ademais, mantido o controle da investida pela sociedade espanhola, não há o que se falar em direito da sociedade que explora a instituição adquirida. Não se nega o direito de um grupo societário promover planejamento tributário e estruturar suas atividades de modo a pagar menos tributo. Apenas que o resultado destas operações deve se materializar segundo os contornos legais. No presente caso, a análise do “filme” mostra que a aquisição do Banespa foi promovida pelo Santander Hispano, o qual permanece como titular deste investimento, não se materializando o encontro patrimonial da investidora com a investida. A inexistência de propósito negocial não se verifica na aquisição – esta certamente meio para que o grupo Santander pudesse vir a se tornar o maior banco privado em atividade no território nacional –, mas sim nas operações subseqüentes que se prestaram, apenas, a construir o contexto no qual a lei, em seu entender, permitiria a redução do lucro tributável da investida mediante amortização do ágio pago. Pertinente observar, neste ponto, que os argumentos trazidos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em 31/05/2012 (fls. 1773/1785) não suscitam maiores investigações para a conclusão aqui adotada. A permanência, no patrimônio do Santander Hispano, do investimento originalmente feito para aquisição do Banespa, aí incluído materialmente o ágio pago – ainda que sem destaque específico, em razão do que determinaria a legislação espanhola, como alega a recorrente –, já havia sido objeto de acusação pela Fiscalização e, inclusive, reconhecido pela recorrente em sua defesa (fl. 1394). O fato de este ágio também ter sido amortizado pelo Santander Hispano poderia reforçar a acusação fiscal, e eventualmente até sustentar a qualificação da penalidade, caso implementada antes do transcurso do prazo decadencial. De toda sorte, a descrição fiscal se mostra suficiente para a manutenção da parcial da exigência, apenas com exclusão da qualificação da penalidade. Relevante, apenas, é refutar a afirmação da contribuinte, nas razões opostas àquela petição da Fazenda Nacional, de que se existissem DOIS ÁGIOS sendo aproveitados o balanço CONSOLIDADO contemplaria DUAS VEZES o referido ágio (fls. 1786/1797). Isto Fl. 1943DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 123 122 porque a consolidação de demonstrações financeiras exige a eliminação das transações realizadas entre empresas do grupo, de modo a evitar esta duplicidade. No presente caso, com a incorporação da Santander Holding pelo Banespa, o ativo equivalente à participação societária nela aportada como capital pelo Santander Hispano foi parcialmente liquidado em contrapartida ao patrimônio líquido do Banespa, subsistindo apenas o ágio no Ativo Diferido da incorporadora. De outro lado, o capital social da Santander Holding (R$ 1.000,00 acrescido do investimento de R$ 9,6 bilhões) foi somado ao eventual remanescente do Banespa após a liquidação anterior, de modo a representar, no patrimônio líquido da empresa brasileira, o reflexo do investimento mantido no ativo do Santander Hispano. Na consolidação, o ativo representado pela participação do Santander Hispano no Banespa (ou nas empresas brasileiras que intermedeiam este controle) é excluído em contrapartida ao patrimônio líquido do Banespa (ou das empresas intermediárias), subsistindo novamente apenas o ágio registrado como intangível na demonstração consolidada. Logo, apesar de o Santander Hispano manter registrada a participação societária no Banespa por R$ 9,6 bilhões, é possível parte deste mesmo valor estar reconhecido em empresa brasileira como ágio, sem que na consolidação das demonstrações financeiras do grupo sejam revelados dois registros representativos de ágio. Na verdade, a apresentação de apenas um ágio no demonstrativo consolidado do grupo confirma que ele tem existência única, e não pode ser admitido como item patrimonial da empresa espanhola e ativo amortizável de empresa brasileira. Ressaltese, também, que a manutenção integral do investimento para aquisição do Banespa no patrimônio do Santander Hispano, ainda que não permitisse a amortização, também na Espanha, do ágio pago nesta aquisição – afirmação da recorrente, suportada pelas declarações de fls. 1798/1811, no sentido de que o investimento no Banespa, representado por participação no Banco Santander S/A (Brasil), até 2003 estava representando pelo valor R$ 9,6 bilhões –, representaria custo hábil a reduzir o resultado que viesse a ser apurado em eventual alienação daquele investimento, apesar de a amortização daquele valor já ter sido integralmente aproveitada no Brasil, por meio da pretensa transferência promovida pelo Grupo e validamente refutada pela Fiscalização nestes autos. Como se disse, a amortização aqui glosada é indedutível porque não representa despesa da autuada, mas sim da investidora. Subsidiariamente a recorrente também questiona outros aspectos decorrentes da admissibilidade da acusação fiscal. Inicialmente diz que inexiste previsão legal para adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com amortização de ágio considerada indedutível. Todavia, como o trabalho fiscal resultou na conclusão de que o ágio permanece indiretamente como um ativo da sociedade espanhola, por meio de sua participação na sua controlada brasileira, sua amortização resta inadmissível no próprio lucro contábil, referência primeira para apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Logo, é desnecessária norma específica que determine a adição destes valores à base de cálculo daquela contribuição, como adiante se demonstrará. A Lei nº 7.689/88, ao instituir a CSLL, não cogitou especificamente da adição, à sua base de cálculo, de amortizações de ágio que tivessem reduzido o lucro contábil, ou da exclusão de acréscimos decorrentes da amortização de deságio: Fl. 1944DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 124 123 Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados d.e investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) § 2º No caso de pessoa jurídica desobrigada de escrituração contábil, a base de cálculo da contribuição corresponderá a dez por cento da receita bruta auferida no período de 1º janeiro a 31 de dezembro de cada ano, ressalvado o disposto na alínea b do parágrafo anterior. Já no âmbito da apuração do lucro real, o Decretolei nº 1.598/77 disciplinou os efeitos das amortizações de ágio e deságio, mas em razão do disposto em seu art. 34, a Lei nº 9.532/97 impôs limites à amortização do ágio naqueles casos, alinhando os efeitos fiscais aos contábeis, como aqui já demonstrado. E, também como já visto, ao cuidar da qualidade das demonstrações financeiras das companhias abertas, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já havia identificado a distorção promovida por operações como as aqui verificadas, ao final das quais o investimento e, conseqüentemente, o ágio permanecem inalterados na controladora original. Por sua vez, a solução encontrada para corrigir esta divergência foi, justamente, a constituição de uma provisão para manutenção da integridade do patrimônio líquido, a qual se presta a neutralizar os efeitos do ativo contabilizado em razão da transferência do ágio, exceto em relação ao benefício fiscal decorrente da sua amortização, consoante expresso no texto consolidado da Instrução Normativa CVM nº 319/99, alterada pela Instrução Normativa CVM nº 349/2001: Art. 6º O montante do ágio ou do deságio, conforme o caso, resultante da aquisição do controle da companhia aberta que vier a incorporar sua controladora será contabilizado, na incorporadora, da seguinte forma: Fl. 1945DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 125 124 I. nas contas representativas dos bens que lhes deram origem – quando o fundamento econômico tiver sido a diferença entre o valor de mercado dos bens e o seu valor contábil (Instrução CVM nº 247/96, art. 14, § 1º); II. em conta específica do ativo imobilizado (ágio) – quando o fundamento econômico tiver sido a aquisição do direito de exploração, concessão ou permissão delegadas pelo Poder Público (Instrução CVM nº 247/96, art. 14, § 2º, alínea b); e III. em conta específica do ativo diferido (ágio) ou em conta específica de resultado de exercício futuro (deságio) – quando o fundamento econômico tiver sido a expectativa de resultado futuro (Instrução CVM nº 247/96, art. 14, § 2º, alínea a). § 1º O registro do ágio referido no inciso I deste artigo terá como contrapartida reserva especial de ágio na incorporação, constante do patrimônio líquido, devendo a companhia observar, relativamente aos registros referidos nos incisos II e III, o seguinte tratamento: a. constituir provisão, na incorporada, no mínimo, no montante da diferença entre o valor do ágio e do benefício fiscal decorrente da sua amortização, que será apresentada como redução da conta em que o ágio foi registrado; b. registrar o valor líquido (ágio menos provisão) em contrapartida da conta de reserva referida neste parágrafo; c. reverter a provisão referida na letra "a" acima para o resultado do período, proporcionalmente à amortização do ágio; e d. apresentar, para fins de divulgação das demonstrações contábeis, o valor líquido referido na letra "a" no ativo circulante e/ou realizável a longo prazo, conforme a expectativa da sua realização. § 2º A reserva referida no parágrafo anterior somente poderá ser incorporada ao capital social, na medida da amortização do ágio que lhe deu origem, em proveito de todos os acionistas, excetuado o disposto no art. 7º desta Instrução. § 3º Após a incorporação, o ágio ou o deságio continuará sendo amortizado observandose, no que couber, as disposições das Instruções CVM nº 247, de 27 de março de 1996, e nº 285, de 31 de julho de 1998. (negrejouse) Não se trata, aqui, de determinar incidência tributária a partir de ato normativo da CVM, cuja competência, sabese, não afeta este campo interpretativo. Tratase, apenas, de argumento de reforço à conclusão, já antes expressa, de que a transferência do ágio promovida mediante empresa veículo acaba por duplicar seu valor no patrimônio da investida e da investidora, e exige procedimentos contábeis para neutralização deste efeito indesejado. A escolha feita pela CVM confirma que o registro sem substância econômica corresponde ao ágio que surge no patrimônio da empresa veículo e, depois, no patrimônio da incorporadora (investida), entendimento que se alinha à conclusão antes expressa acerca da repercussão desta operação no âmbito da apuração do IRPJ, a qual concentra na investidora os efeitos da amortização do ágio por ela originalmente pago. Diante deste contexto, a neutralização dos efeitos contábeis da amortização do ágio na investida, mediante realização da provisão para manutenção da integridade do patrimônio líquido, justifica a incidência da CSLL sobre os valores amortizados. Em outras palavras, o lucro líquido, base de cálculo daquela contribuição, deve ser aquele apurado contabilmente, tendo em conta não só a dedução da amortização, como também a neutralização de seus efeitos pela realização de provisão criada em razão da ausência de substância econômica do ágio transferido. Fl. 1946DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 126 125 Vejase que a CVM admite o reconhecimento, no resultado, do benefício fiscal que decorreria da amortização do ágio transferido, mediante constituição de uma provisão inferior ao montante do ágio transferido. Mas, como dito, aquela instituição não tem competência para fixar critérios interpretativos de incidência tributária, de modo que evidenciada a indedutibilidade da amortização do ágio transferido, resta sem substância econômica a totalidade deste valor, o que justifica a exigência da CSLL sobre as mesmas bases de cálculo adotadas para o IRPJ. Demais disso, embora à primeira vista a Lei nº 9.532/97 aparente surtir efeitos apenas nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, na medida em que esta aproximouse, no caso de ágio pago por expectativa de rentabilidade futura, da apuração do lucro contábil como antes mencionado, é possível interpretar que a lei, ao valerse daqueles termos, e não meramente firmar a dedutibilidade da amortização na apuração do lucro real, repercutiria, também, na apuração da base de cálculo da CSLL, inclusive como expresso na Instrução Normativa SRF nº 390/2004: Subseção III Do Investimento em Sociedades Coligadas ou Controladas Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Da incorporação, fusão ou cisão Art. 75. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento econômico seja: I valor de mercado de bens ou direitos do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos períodos de apuração futuros, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio. § 1º Alternativamente, a pessoa jurídica poderá registrar o ágio ou deságio a que se referem os incisos II e III do caput em conta do patrimônio líquido. § 2º A opção a que se refere o § 1º aplicase, também, à pessoa jurídica que tiver absorvido patrimônio de empresa cindida, na qual tinha participação societária adquirida com ágio ou deságio, com o fundamento de que trata o inciso I do caput, quando não tiver adquirido o bem a que corresponder o referido ágio ou deságio. § 3º O valor registrado com base no fundamento de que trata: I o inciso I do caput integrará o custo do respectivo bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e para determinação das quotas de depreciação, amortização ou exaustão; II o inciso II do caput: a) poderá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração do resultado ajustado levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período a que corresponder o balanço, no caso de ágio; Fl. 1947DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 127 126 b) deverá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração do resultado ajustado levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período a que corresponder o balanço, no caso de deságio; III o inciso III do caput não será amortizado, devendo, no entanto, ser: a) computado na determinação do custo de aquisição na apuração de ganho ou perda de capital, no caso de alienação do direito que lhe deu causa ou de sua transferência para sócio ou acionista na hipótese de devolução de capital; b) deduzido como perda, se ágio, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa; c) computado como receita, se deságio, no encerramento das atividades da empresa. § 4º As quotas de depreciação, amortização ou exaustão de que trata o inciso I do § 3º serão determinadas em função do prazo restante de vida útil do bem ou de utilização do direito, ou do saldo da possança, na data em que o bem ou direito tiver sido incorporado ao patrimônio da empresa sucessora. § 5º A amortização a que se refere a alínea "a" do inciso II do § 3º, observado o máximo de 1/60 (um sessenta avos) por mês, poderá ser efetuada em período maior do que sessenta meses, inclusive pelo prazo de duração da empresa, se determinado, ou da permissão ou concessão, no caso de empresa permissionária ou concessionária de serviço público. § 6º Na hipótese da alínea "b" do inciso III do § 3º, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa jurídica usuária ao pagamento da CSLL que deixou de ser recolhida, acrescida de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 7º O valor que servir de base de cálculo da CSLL a que se refere o § 6º poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. § 8º O disposto neste artigo aplicase, também, quando: I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 9º O controle e as baixas, por qualquer motivo, dos valores de ágio ou deságio, na hipótese deste artigo, serão efetuados exclusivamente na escrituração contábil da pessoa jurídica. (negrejouse) Assim, quer em razão do disposto na Instrução Normativa SRF nº 390/2004, quer por interpretação dos termos da Lei nº 9.532/97 no contexto em que foi editada, e mesmo em conseqüência da apuração contábil, a base de cálculo da CSLL necessariamente restaria indevidamente afetada pela amortização do ágio aqui em comento, caso reconhecida sua existência no patrimônio da autuada após a reorganização societária debatida nestes autos, bem como sua fundamentação em rentabilidade futura. Não se vislumbra, dessa forma, qualquer especificidade que possa ensejar um resultado diferenciado para a exigência de CSLL decorrente da glosa de amortização do ágio que passou a integrar o patrimônio da autuada após a reorganização societária em comento. Constatado, aqui, que o aporte das ações do Banespa na Santander Holding não fez desaparecer, no patrimônio do Santander Hispano, o valor original do investimento Fl. 1948DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 128 127 adquirido com ágio, resta sem substância o ágio reconhecido contabilmente na Santander Holding, de modo, inclusive, a justificar a anulação de sua amortização, como reconhecido pela recorrente, por meio da realização da provisão exigida pela CVM. Assim, é este lucro contábil, no qual os efeitos da amortização já foram neutralizados pela realização da referida provisão, que se presta como ponto de partida para a apuração do lucro tributável, mostrando se correto o ajuste procedido pela autoridade lançadora e a conseqüente exigência da contribuição questionada. Estas as razões, portanto, para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente às glosas de amortização de ágio, de modo a apenas afastar a qualificação da penalidade. A recorrente também aponta a existência de vício na apuração dos saldos de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, Diz que a glosa de compensações indevidas de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL do Banespa em 31 agosto de 2006 (quando foi incorporado pelo Recorrente) somente ocorreu porque não foram considerados os saldos de prejuízos ou de bases negativas anteriores ao anocalendário de 2005, que equivaliam a R$ 21.007.348,78 e R$ 250.982.679,35, respectivamente, conforme seus registros na Parte B do LALUR. O saldo de prejuízos fiscais reduziria a exigência de IRPJ em 2005, e o saldo de bases de cálculo negativas reduziria a exigência de CSLL em 2005 e 2006. Nos demonstrativos de apuração dos autos de infração observase que: · No anocalendário 2005, a autoridade lançadora reverteu para lucro os prejuízos/bases negativas declarados, calculando os tributos devidos antes de compensações de prejuízos/bases negativas de períodos anteriores; · No período de 01/01 a 31/08/2006, a autoridade lançadora exigiu tributos calculados sobre as amortizações indevidas, bem como sobre a glosa de prejuízos/bases negativas compensados indevidamente. Quanto à glosa de prejuízos/bases negativas compensados indevidamente em 2006, vêse nos demonstrativos de fls. 362 e 371, que a Fiscalização não reconheceu a existência de prejuízos/bases negativas acumulados antes de 2005, de modo, que revertidos para lucro os prejuízos/bases negativas inicialmente declarados em 2005, necessariamente deveria ser glosada a compensação feita em 2006, que somente poderia ter por origem os prejuízos/bases negativas apurados em 2005. Diz a recorrente que não foram considerados os saldos de prejuízos ou de bases negativas anteriores ao anocalendário de 2005, asseverando que eles estariam escriturados em seu LALUR. E, de fato, às fls. 295/297 consta que as parcelas prejuízo fiscal acumulado nos valores de R$ 584.381,31 e R$ 20.422.967,47, compensadas em 31/08/2006, teriam origem em prejuízos apurados nos anoscalendário 2003 e 2004, restando apenas a parcela de R$ 209.084.527,66 atribuída ao anocalendário 2005. Já quanto à compensação promovida em 31/08/2006 com bases negativas de períodos anteriores, R$ 21.567.478,26 teria origem em apuração de 2001, R$ 106.133.657,23 em apuração de 2002 e R$ 112.335.851,84 em apuração de 2003, nada decorrendo da apuração de 2005, cujo montante originalmente apurado foi integralmente baixado em razão da incorporação do Banespa em 31/08/2006 (fl. 298/301). Fl. 1949DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 129 128 De outro lado, descreve a autoridade lançadora que promovera lançamento de IRPJ e CSLL relativo aos períodos de apuração de 2002 a 2004 nos autos do processo administrativo nº 16561.000222/200872, providência que somente seria possível mediante a reversão dos prejuízos fiscais e bases negativas ali apurados. Somente não há notícia acerca da eventual reversão da base negativa de CSLL apurada no anocalendário 2001 (utilizada no valor de R$ 21.567.478,26), motivo pelo qual, nesta parte, a glosa resta injustificada e não pode subsistir. Com referência à impossibilidade de lançamentos fiscais ainda não definitivos afetarem prejuízos fiscais/bases negativas, não prospera a alegação da recorrente. A revisão da apuração do lucro real e da base de cálculo negativa pela autoridade fiscal, mediante lançamento, é ato administrativo dotado de presunção de legitimidade, e seu questionamento no âmbito administrativo somente autoriza a suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado, na forma do art. 151 do CTN. No mais, a autoridade tributária tem o poderdever de adotar as demais providências decorrentes daquela revisão, e dentre elas está a glosa da compensação dos prejuízos/bases negativas infirmados em procedimento fiscal anterior, da qual pode, inclusive, decorrer a necessidade de lançamento, sujeito a prazo decadencial, que poderia transcorrer caso se aguardasse a conclusão do contencioso administrativo para sua formalização. Assim, cumpre DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para afastar a glosa de compensação de base negativa em 31/08/2006, no valor de R$ 21.567.478,26, por ausência de motivação. Frisese, apenas, que esta falha não afeta a validade do lançamento, que subsiste íntegro relativamente ao restante da exigência regularmente suportada pelos motivos de fato e de direito expressos pela autoridade lançadora. Às autoridades julgadoras compete verificar a legalidade do crédito tributário exigido, que por ser divisível, permite a exclusão, apenas, de parcelas que não encontram respaldo nos autos do processo administrativo. Relativamente à aplicação de multa de ofício na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão, tratase de matéria já sumulada neste Conselho: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Como exaustivamente demonstrado, o ágio em questão surge a partir do momento em que o Banespa passa a integrar o Grupo Santander, seguindose operações envolvendo empresas do mesmo grupo para viabilizar sua amortização, ensejando lançamento em face de incorporadora do Banespa, também do mesmo grupo empresarial. Em tais condições, a jurisprudência já se pacificou, nos termos da Súmula referida, em favor da aplicação da multa de ofício à sucessora. Por tais razões, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste ponto. Por fim, os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício são mantidos com fundamento nas razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Câmara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão nº 910100.539: Fl. 1950DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 130 129 Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma noima não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 131 130 A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1o). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 132 131 corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos à taxa Selic. Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora aplicados sobre a multa de ofício. Por todo o exposto, além de REJEITAR as preliminares de nulidade da decisão recorrida e do lançamento, bem como a arguição de decadência/preclusão, e uma vez Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 133 132 prevalecendo o entendimento desta Turma contrário à aplicação dos efeitos da conexão, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base tributável pela CSLL parte da glosa de compensação de bases negativas, no valor de R$ R$ 21.567.478,26 e afastar a qualificação da penalidade. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 134 133 Voto Vencedor Conselheiro JOSÉ RICARDO DA SILVA As razões para rejeitar a preliminar de conexão suscitada pela Conselheira Relatora foram bem expostas em voto vencedor de lavra do Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, integrado ao Acórdão nº 1101000.889, exarado por esta Turma de Julgamento em sua antiga composição. Mantendome filiado ao entendimento ali exteriorizado, reproduzo o como razões de decidir do presente julgado: Em que pese a conveniência do simultâneo julgamento de matérias afins do mesmo contribuinte, evitandose decisões divergentes versando sobre situações análogas, o fato de existir outro processo, cujo julgamento foi concluído, não é fator impeditivo de julgamento por este colegiado do presente processo, muito menos implica a replicação de julgado anterior. Não se vinculam decisões proferidas por órgãos distintos, exaradas no exercício de suas respectivas competências. Juízes distintos podem interpretar os mesmos fatos e as mesmas normas jurídicas de formas diversas, de maneira que exigir que o julgamento de um processo tenha que obedecer a decisão de outro julgado anterior importa afronta à ampla defesa e o contraditório, na medida em que restaria impossibilitada uma parte de argumentar para provar seu alegado direito e as razões de discordar de decisão de outro julgador. Buscase, com replicação do julgamento, privilegiar o princípio da segurança jurídica, porquanto as decisões seriam conformes. Impor, porém, que as sentenças se reproduzam de acordo com o entendimento daquele primeiro julgador que decidiu a matéria ensejaria enorme prejuízo a outros caros princípios do Estado Democrático de Direito, como o da ampla defesa e do contraditório. Se tanto não bastasse, o princípio do livre convencimento do juiz restaria seriamente comprometido, porque os julgadores que sobreviessem ao primeiro estariam condicionados à decisão daquele. Lembrese que não raras vezes julgadores distintos fundamentam decisões atinentes a situações análogas das mais variadas formas. Lembrese que estão previstas no Regimento Interno as hipóteses em que ficam condicionadas as decisões dos julgadores administrativos, não figurando dentre elas, a hipótese de existência anterior decisão, nos autos de outro processo que verse sobre situações análogas para o mesmo contribuinte. Este tribunal administrativo está vinculado às decisões do Supremo Tribunal Federal e do Supremo Tribunal de Justiça nas hipóteses prevista no artigo 62A do RICARF, verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” Os diversos colegiados do CARF também estão vinculados às súmulas editadas por este Tribunal, conforme inteligência do artigo 72 do RICARF, verbis: Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000142/201021 Acórdão n.º 1101000.961 S1C1T1 Fl. 135 134 “Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF”. Com todas as vênias, ainda que se verifique a identidade das razões de fato e de direito, é imperioso admitir que efetivamente não deve haver qualquer vinculação entre os julgados. Isso prejudicaria, por um lado, os já alegados direitos individuais da ampla defesa e do contraditório; e, por outro, engessaria a jurisprudência e negaria o princípio do livre convencimento do juiz. Além disso, como é pacífico, tanto na esfera judicial como na administrativa, a coisa julgada não alcança os motivos e fundamentos da decisão, ou seja, a apreciação da situação fática não produz efeitos extra processo e, desta forma, não é suficiente para vincular outro órgão julgador, conforme se depreende do disposto no art. 469 do CPC, verbis: “Art. 469. Não fazem coisa julgada: I os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; II a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença; III a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo.” (destacamos) Por todo exposto, afasto a preliminar de conexão. (documento assinado digitalmente) JOSÉ RICARDO DA SILVA – Redator designado Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado dig italmente em 21/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13706.004350/2003-09
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1986
IRPF. PEDIDO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF.
De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, incidente sobre as verbas pagas em decorrência de adesão a Programa de Demissão Voluntária - PDV, formulado anteriormente à vigência de aludida LC, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contando-se da data da ocorrência do fato gerador.
Recurso extraordinário provido.
Numero da decisão: 9900-000.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 28/11/12
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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PEDIDO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF. De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, incidente sobre as verbas pagas em decorrência de adesão a Programa de Demissão Voluntária PDV, formulado anteriormente à vigência de aludida LC, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contandose da data da ocorrência do fato gerador. Recurso extraordinário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 43 50 /2 00 3- 09 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 28/11/12 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório LUIZ CARLOS SPINOLA LEAL DA COSTA, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, apresentou Pedido de Restituição de Imposto de Renda Pessoa Física, em 18/11/2003, em relação ao ano calendário 1986, incidente sobre as verbas indenizatórias percebidas em virtude de adesão a Plano de Demissão Voluntária ocorrida em 31/05/1986 (homologado em 02/06/1986), conforme Petição Inicial, às fls. 01/24, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto Recurso Especial pela Procuradoria contra Acórdão nº 10248.767, da 2a Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, a Egrégia 4ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 05/09/2009, por unanimidade de votos, achou por bem NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 930400.133, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1986 RESTITUIÇÃO TERMO INICIAL PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO Contase a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n°. 165, de 31 de dezembro de 1998, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição Fl. 204DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13706.004350/200309 Acórdão n.º 9900000.382 CSRFPL Fl. 12 3 dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ALCANCE Considerando a Administração, em 06 de janeiro de 1999, data da publicação da Instrução Normativa n°. 165, indevida a tributação dos valores percebidos em face de adesão a Programas de Desligamento Voluntário, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. Recurso especial negado.” Ainda irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 123/134, com arrimo nos artigo 9º e 43, do então Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Inicialmente, pretende seja conhecido seu Recurso Extraordinário, uma vez observados os requisitos para tanto, eis que o Acórdão atacado, ao determinar que o prazo para restituição do indébito tributário, nos casos de declaração de inconstitucionalidade, tem início no momento em que o Poder Executivo reconhece não mais ser devida a exação, divergiu de outras decisões exaradas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se extrai do Acórdão nº 930300.080, ora adotado como paradigma. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, na medida em que admite como termo inicial para contagem do prazo decadencial do pedido de restituição a data do pagamento indevido e não com a publicação de ato normativo ou prolação de decisão judicial, na forma que restou decidido pela Turma recorrida. Insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado os preceitos contidos nos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, do Código Tributário Nacional. Assevera que a Instrução Normativa nº 165/1998, que reconheceu a não incidência de IRPF sobre as verbas pagas a título de PDV, em razão de sua natureza indenizatória, não exerce qualquer influência na contagem do prazo para repetição de indébito e/ou compensação, sobretudo quando referida norma secundária, por esse próprio caráter, não tem o condão de extinguir exigência tributária. Alega que foi editado pela Secretaria da Receita Federal o Ato Declaratório nº 096, de 26 de dezembro de 1999, o qual é expresso ao dispor que o direito a restituição do tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário, não tendo a Instrução Normativa a capacidade de criar ou extinguir direitos, não inovando o lapso decadencial. Nesse sentido, sustenta que, para o CTN, a causa do recolhimento indevido é irrelevante, eis que não definiu como termo a quo para contagem da prescrição a edição de Instruções Normativas, Resolução do Senado Federal ou declaração de inconstitucionalidade pelo STF, não podendo o julgador dar à norma legal em comento interpretação que dela não decorre, sob pena de tornar indefinido o termo inicial do prazo para o pedido de restituição, destruindo o instituto da decadência, em total afronta a segurança jurídica. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Defende que os artigos 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005, c/c artigo 106, inciso I, do CTN, corroboram seu entendimento, possibilitando, inclusive, a aplicação retroativa do artigo 3º, da LC nº 118, em virtude de sua natureza interpretativa. A fazer prevalecer sua pretensão, traz à colação doutrina a propósito da matéria, consonante com o entendimento acima esposado. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Extraordinário, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, entendeu por bem admitir o Recurso Extraordinário do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no decisum paradigma, Acórdão nº 930300.080, consoante se positiva do Despacho nº 910000.439/2011, de fl. 171. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Extraordinário da Procuradoria, o contribuinte não apresentou suas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da CSRF, a divergência suscitada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, conheço do Recurso Extraordinário e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Extraordinário, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram de outras decisões exaradas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se extrai do Acórdão nº 930300.080, ora adotado como paradigma. Em defesa de sua pretensão, sustenta que o Acórdão atacado malferiu os preceitos contidos nos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, os quais prescrevem que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou a maior extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. Nesse sentido, reitera que, para o CTN, a causa do recolhimento indevido é irrelevante, eis que não definiu como termo a quo para contagem da prescrição a edição de Resolução do Senado Federal, a declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou outro ato administrativo qualquer, não podendo o julgador dar à norma legal em comento interpretação que dela não decorre. Infere, ainda, que os artigos 3º e 4º, da Lei Complementar nº 118/2005, c/c artigo 106, inciso I, do CTN, corroboram seu entendimento, possibilitando, inclusive, a aplicação retroativa do artigo 3º, da LC nº 118, em virtude de sua natureza interpretativa. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional merece acolhimento. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido, inobstante as sempre bem fundamentadas razões de direito da ilustre Fl. 206DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13706.004350/200309 Acórdão n.º 9900000.382 CSRFPL Fl. 13 5 Conselheiro relator, as quais sempre compartilhei, apresentase em descompasso com o entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal, especialmente nos autos de Recurso Repetitivo, de observância obrigatória por este Colegiado, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: “ Art.165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;” “Art.168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário;” Na hipótese dos autos, não há dúvidas quanto à existência do indébito, tendo em vista tratarse de pedido de restituição de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF incidente sobre as verbas concedidas em virtude de adesão a Programa de Demissão Voluntária PDV, reconhecidas como indenizatórias e, por conseguinte, não integrantes da base de cálculo do tributo sob análise, mediante edição da Instrução Normativa SRF nº 165, de 06/01/1999. Nesse sentido, a discussão centrase tão somente no prazo prescricional para o contribuinte exercer seu direito de repetição de indébito, mais precisamente em relação ao termo a quo de referido prazo. A Procuradoria da Fazenda Nacional, com amparo nos artigos 106, 165, inciso I, e 168, inciso I, do Códex Tributário, entende que o termo a quo do prazo prescricional em comento é a data do pagamento do tributo indevido. Por sua vez, a Turma recorrida, à sua unanimidade, determinou que o prazo para o contribuinte pleitear a restituição e/ou compensação dos tributos em referência (IRPF) iniciase na data da publicação da Instrução Normativa SRF nº 165, de 06/01/1999, entendimento compartilhado por este conselheiro, pelas razões de fato e de direito que passamos a desenvolver. Afora as várias discussões doutrinárias a propósito do tema, o certo é que o IRPF, cobrado sobre as verbas recebidas pela pessoa física em decorrência de adesão a PDV, só passou a ser indevido quando do definitivo reconhecimento pela autoridade fazendária da não incidência de tal imposto sobre aludidos valores, ou seja, a partir da publicação da Instrução Normativa SRF nº 165, de 06/01/1999. Em outras palavras, antes da IN SRF nº 165/1999, o tributo em debate era devido e deveria ser recolhido em época própria, ou melhor, os pagamentos foram efetuados Fl. 207DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 com fulcro na legislação de regência vigente, só passando a ser indébito quando da edição daquela Instrução Normativa. Nessa toada, ao admitir como termo a quo do prazo prescricional sub examine a data do pagamento do tributo indevido, estamos privilegiando o contribuinte que não o pagou, eis que não cumpriu a legislação de regência válida à época e não suportará lançamento fiscal com o fito de exigir tal exação, porquanto declarada inconstitucional posteriormente. Em outra via, o contribuinte que cumpriu com suas obrigações tributárias, pagando o tributo em dia, será penalizado por seguir os preceitos dos malfadados dispositivos legais que regulamentavam a matéria. Mais a mais, repitase, à época dos pagamentos do IRPF incidentes sobre as importâncias recebidas em razão de adesão a Programa de Demissão Voluntária, tal tributo era efetivamente devido, só passando a ser indébito quando do reconhecimento de sua natureza indenizatória pela própria autoridade fazendária e, por conseguinte, fora do alcance do IRPF, mediante edição da Instrução Normativa SRF nº 165/1999. Na esteira desse entendimento, as razões de decidir do Acórdão atacado representam, além da observância ao princípio da legalidade, o cumprimento do dever legal do julgador de se fazer justiça. Assim, não se pode admitir como termo inicial do prazo prescricional em análise, a data do pagamento do tributo. Este, aliás, era o entendimento majoritário da doutrina e jurisprudência judicial e administrativa, conforme restou circunstanciadamente demonstrado no Acórdão recorrido, bem como nas peças recursais da contribuinte. A propósito da matéria, mister trazer à baila a jurisprudência, anteriormente consolidada nesse Colendo Tribunal Administrativo, oferecendo proteção ao pleito da contribuinte, senão vejamos: “IRPF – RESTITUIÇÃO – TERMO INICIAL – PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO – Contase a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 165, de 31 de dezembro de 1998, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário. . IRPF – PDV – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ALCANCE – Tendo a Administração considerado indevida a tributação dos valores percebidos como indenização relativos aos Programas de Desligamento Voluntário em 06/01/99, data da publicação da Instrução Normativa nº 165 de 31 de dezembro de 1998, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. – Recurso Especial negado.” (1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso nº 127.011, Acórdão nº CSRF/0104.174 – Sessão de 14/10/2002) “IRRF – RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO. PRAZO DECADENCIAL – Nos casos de retenção pela fonte pagadora de importância a título de imposto de renda na fonte considerado indevido por legislação superveniente, o termo inicial para o sujeito passivo apresentar o pedido de restituição junto ao órgão competente é a data em que vigora os efeitos da nova legislação. PDV – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO DE INÍCIO – No Fl. 208DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13706.004350/200309 Acórdão n.º 9900000.382 CSRFPL Fl. 14 7 caso de retenções relativas a Programa de Demissão Voluntária ocorridas além do prazo de cinco anos, o termo inicial para protocolização de pedido de restituição ocorre em 06.01.1999, data da publicação de ato administrativo que reconheceu indevida referida exação. Recurso negado” (1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso nº 126.098, Acórdão nº CSRF/0105.133 – Sessão de 29/11/2004) Não obstante as razões de fato e de direito acima esposadas, as quais vinham sendo adotadas nos julgados por este Colegiado, ao contemplar a matéria, o certo é que o tema vem sendo objeto de inúmeras discussões no Judiciário, o qual já se manifestou das mais diversas formas, sobretudo após a edição da Lei Complementar nº 118, que em seus artigos 3o e 4o, assim prescreveu: “Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional.” Escorado nos dispositivos legais encimados, a Procuradoria reforça sua tese, mormente com arrimo no artigo 4º, que estabelece a retroatividade de aludidas determinações. Em face da edição da Lei Complementar nº 118/2005, inúmeras foram as discussões que permearam o Judiciário, especialmente no que tange a constitucionalidade do disposto na parte final do artigo 4º, relativamente à retroatividade daquela norma. Após muitas disceptações a propósito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que os preceitos inscritos na parte final do artigo 4º da Lei Complementar nº 118/2005, encontramse maculados por vício de inconstitucionalidade, não se cogitando na aplicabilidade retroativa do disposto no artigo 3°, consoante se infere da ementa do Acórdão exarado nos autos do Recurso Especial nº 1.002.932/SP, nos seguintes termos: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao Fl. 209DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: [...] 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13706.004350/200309 Acórdão n.º 9900000.382 CSRFPL Fl. 15 9 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” ” (STJ – 1a Seção – Resp n° 1.002.932/SP – Relator Ministro Luiz Fux, Julgado em 25/11/2009) Conforme se depreende da ementa acima transcrita, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de que, no caso de repetição de indébito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo prescricional para protocolizar o pedido, após o advento da Lei Complementar n° 118, contase da seguinte forma: 1) Recolhimentos efetuados antes da LC 118/2005 – Prazo de 10 (dez) anos – tese dos 5 + 5 , contandose do fato gerador, limitado ao período máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova; 2) Recolhimentos realizados após a vigência da LC 118 (09/06/2005) – Prazo de 05 (cinco) anos a contar da data do pagamento indevido; No mesmo sentido, o Supremo Tribunal Federal, rechaçou de uma vez por todas qualquer dúvida quanto à matéria, ratificando a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, mantendo, portanto, o prazo prescricional com base na tese dos 5 + 5 para nos casos de recolhimentos indevidos ocorridos anteriormente à vigência de aludido Diploma Legal. É o que se extrai do Acórdão exarado nos autos do Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado sob o manto do rito previsto no artigo 543B do Código de Processo Civil, com a seguinte ementa: “DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO .VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA . NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos Fl. 211DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Como se observa do julgado acima ementado, o Supremo Tribunal Federal, ao contemplar a matéria, corroborou a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, ressalvando, porém, seu entendimento no sentido de que referido Diploma Legal somente poderá ser aplicado às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. No caso vertente, afora entendimento pessoal a respeito do tema, é de se restabelecer a decretação da prescrição do direito do contribuinte, tendo em vista que apresentou pedido de restituição em 18/11/2003, antes da vigência da Lei Complementar n° 118/2005, relativamente a recolhimento indevido ocorrido no anocalendário 1986, mais precisamente em 02/06/1986 (fato gerador em 31/12/1986), a título de IRPF sobre verbas Fl. 212DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13706.004350/200309 Acórdão n.º 9900000.382 CSRFPL Fl. 16 11 indenizatórias percebidas em virtude de adesão a Plano de Demissão Voluntária, fora, portanto, do prazo decenal, seja qual for o posicionamento a ser adotado, do STF ou STJ. Partindo dessas premissas, uma vez pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal o entendimento no sentido do prazo prescricional de 10 (dez) anos para protocolização do pedido de restituição de indébito, contado da data do pagamento do tributo indevido, impõese reconhecer a prescrição do pleito do contribuinte de maneira a reformar o Acórdão recorrido. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com a jurisprudência consolidada no âmbito dos Tribunais Superiores, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 213DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10166.728057/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS EM TERCEIROS PARA ESCLARECER FATOS RELACIONADOS À AÇÃO FISCAL. FALTA DE INTIMAÇÃO DA EMPRESA AUTUADA. VALIDADE DAS PROVAS.
São válidas as provas produzidas em sede de diligências fiscais realizadas em terceiros, que tenham alguma relação com o fato gerador dos tributos lançados, independentemente de ciência prévia da empresa autuada, desde de que o fisco, no relatório fiscal, esclareça a origem das referidas provas.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS RELEVANTES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos relevantes da impugnação com fundamento nos fatos presentes nos autos e no direito aplicável à espécie.
Recurso Voluntário Negado.
Ao deixar de efetuar a arrecadação da contribuição dos segurados a seu serviço, incidentes sobre a totalidade das remunerações limitadas ao teto legal, o sujeito passivo incorre em descumprimento de obrigação acessória, merecendo a imposição de multa.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. PAGAMENTO DA COMISSÃO DIRETAMENTE PELO CLIENTE. IRRELEVÂNCIA PARA CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO.
Independentemente do fato do cliente pagar a comissão diretamente ao corretor de imóveis, comprovando-se a existência de vinculo de trabalho deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas obrigações tributárias decorrentes do serviço prestado.
UTILIZAÇÃO DE ARTIFÍCIO PARA ESCONDER DO FISCO A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DOLO. SONEGAÇÃO FISCAL. APLICAÇÃO DE MULTA AGRAVADA.
A estratégia de encobrir a ocorrência do fato gerador mediante o artifício de repassar aos clientes a obrigação de pagar a comissão pelo serviço prestado à empresa imobiliária caracteriza sonegação fiscal, justificando a aplicação da agravante relativa a ocorrência de dolo na aplicação de multas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias.
Numero da decisão: 2401-003.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por afastar o agravamento da multa.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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GARZON EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONFECÇÃO DE FOLHAS DE PAGAMENTO EM DESCONFORMIDADE COM OS PADRÕES NORMATIVOS. INFRAÇÃO. A elaboração de folhas de pagamento em desconformidade com os padrões estabelecidos pela Administração Tributária caracteriza infração, por descumprimento de obrigação acessória. CONTABILIZAÇÃO DE FATOS GERADORES EM TÍTULOS IMPRÓPRIOS. INFRAÇÃO. Ao contabilizar os fatos geradores de contribuições previdenciárias em contas impróprias, a empresa incorre em infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. OMISSÃO NA ARRECADAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Ao deixar de efetuar a arrecadação da contribuição dos segurados a seu serviço, incidentes sobre a totalidade das remunerações limitadas ao teto legal, o sujeito passivo incorre em descumprimento de obrigação acessória, merecendo a imposição de multa. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. PAGAMENTO DA COMISSÃO DIRETAMENTE PELO CLIENTE. IRRELEVÂNCIA PARA CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Independentemente do fato do cliente pagar a comissão diretamente ao corretor de imóveis, comprovandose a existência de vinculo de trabalho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 80 57 /2 01 1- 07 Fl. 621DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas obrigações tributárias decorrentes do serviço prestado. UTILIZAÇÃO DE ARTIFÍCIO PARA ESCONDER DO FISCO A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DOLO. SONEGAÇÃO FISCAL. APLICAÇÃO DE MULTA AGRAVADA. A estratégia de encobrir a ocorrência do fato gerador mediante o artifício de repassar aos clientes a obrigação de pagar a comissão pelo serviço prestado à empresa imobiliária caracteriza sonegação fiscal, justificando a aplicação da agravante relativa a ocorrência de dolo na aplicação de multas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS EM TERCEIROS PARA ESCLARECER FATOS RELACIONADOS À AÇÃO FISCAL. FALTA DE INTIMAÇÃO DA EMPRESA AUTUADA. VALIDADE DAS PROVAS. São válidas as provas produzidas em sede de diligências fiscais realizadas em terceiros, que tenham alguma relação com o fato gerador dos tributos lançados, independentemente de ciência prévia da empresa autuada, desde de que o fisco, no relatório fiscal, esclareça a origem das referidas provas. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS RELEVANTES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos relevantes da impugnação com fundamento nos fatos presentes nos autos e no direito aplicável à espécie. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por afastar o agravamento da multa. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Fl. 622DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.728057/201107 Acórdão n.º 2401003.506 S2C4T1 Fl. 622 3 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 03 49.570 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Brasília (DF), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Autos de Infração – AI: a) AI n. 51.000.9247: aplicação de multa pela falta de inclusão nas folhas de pagamento das remunerações pagas a corretores e consultores imobiliários e demais pessoas físicas prestadores de serviço sem vínculo de emprego; b) AI n. 51.000.9255: aplicação de multa decorrente de falta de contabilização das remunerações do Diretor Administrativo e dos corretores imobiliários; c) AI n. 37.221.7079: aplicação de multa decorrente da falta de desconto e recolhimento das contribuições dos contribuintes individuais mencionados na alínea “a”. Para as três lavraturas a multa foi aplicada no triplo do valor mínimo em razão da ocorrência da agravante decorrente da conduta de dolo, fraude ou máfé. Fatos geradores Os fatos geradores tratados nas lavraturas acima dizem respeito a três situações distintas, conforme se segue. a) pagamentos efetuados a corretores e consultores imobiliários O fisco afirma que,com base na documentação apresentada pela empresa fiscalizada e em diligências realizadas junto a empresas construtoras/incorporadoras, bem como junto a compradores de imóveis, cujas transações imobiliárias foram intermediados pela autuada, concluiu que esta tomava serviços remunerados de corretores/consultores sem a devida informação na GFIP e o correspondente recolhimento das contribuições previdenciárias. Afirmase que, em razão da empresa insistir que a comissão dos corretores/consultores era paga diretamente pelos compradores dos imóveis, além de não apresentar a documentação solicitada no decorrer da ação fiscal, as bases de cálculo relativa a esses fatos geradores foram aferidas indiretamente com base nos dados constantes na Declaração de Informações sobre as Atividades Imobiliárias apresentadas pela autuada à RFB. Informase ainda que para o cálculo da contribuição do segurado não foi observado o limite máximo do saláriodecontribuição, em razão da autuada não haver apresentado a relação dos contribuintes individuais com as respectivas remunerações. b) pagamento de remuneração ao Diretor Administrativo De acordo com o relatório fiscal, o Sr. Marcos Augusto Falci Garzon apresentouse como Diretor Administrativo da empresa, tendo, inclusive, assinado os termos de intimação, todavia, a Autoridade Lançadora, ao apreciar a documentação apresentada pelo Fl. 624DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.728057/201107 Acórdão n.º 2401003.506 S2C4T1 Fl. 623 5 sujeito passivo, constatou que a referida pessoa física não faz parte do quadro societário e não há registro de qualquer remuneração para o citado Diretor. Intimada a esclarecer a situação, a empresa confirmou tratarse de Diretor Administrativo, mas não disponibilizou qualquer documento que pudesse comprovar o exercício do cargo, tampouco o pagamento de remuneração. Diante desse quadro, o fisco aferiu indiretamente a remuneração deste segurado tomando como base remuneração de cargo equivalente em empresa do mesmo porte e segmento econômico que a autuada. c) pagamento de honorários jurídicos e remuneração de demais prestadores de serviço sem vínculo de emprego Nesse grupo consta os honorários jurídicos e contábeis correspondentes aos valores pagos pelos serviços prestados pelo Sr. Francisco Barbosa de Morais. Os demais pagamentos a pessoas físicas foram identificados em várias contas contábeis detalhadas no relatório fiscal. Acerca desses desembolsos, o fisco solicitou da autuada a apresentação de contratos de prestação de serviços, a identificação dos prestadores e a individualização das remunerações. A empresa em resposta a intimação afirmou, em síntese, que se relaciona com os prestadores de serviço de maneira informal. Para fixação da base de cálculo foram adotados os valores constantes na contabilidade, haja vista que os lançamentos continham os nomes das pessoas físicas e os valores pagos. Apresentada a impugnação, a DRJ julgoua improcedente. Inconformada, a empresa interpôs recurso, no qual, em síntese, alegou que: a) é nula a decisão de primeira instância que não debateu com profundidade a alegação da inexistência da agravante apontada pelo fisco; b) as provas juntadas são inválidas, posto que a recorrente não foi intimada de diligências efetuadas junto a terceiros; c) os corretores não prestaram serviços à recorrente, pelo contrário, são remunerados diretamente pelos clientes que se propõem a adquirir os imóveis; d) a empresa não precisa do serviço dos corretores para funcionar, mas são esses que necessitam da intermediação imobiliária para receberem as comissões; e) não ocorreu para empresa o fato gerador que é a prestação de serviço remunerado, uma vez que o serviço é prestado pelo corretor aos clientes, sendo esses os reais beneficiários da atuação daqueles; f) o fisco não se ateve a realidade do mercado imobiliário no Distrito Federal, onde pessoas buscam intermediar a venda de imóveis a qualquer custo e a recorrente atua apenas o intuito de disciplinar a atividade; Fl. 625DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 g) faltando algum dos elementos previstos na norma tributária, não pode o fisco efetuar o lançamento, sob pena de afrontar o princípio da legalidade; i) apresenta julgados em que se afasta o vínculo empregatício entre os corretores e a empresa imobiliária; Ao final pede a anulação do acórdão da DRJ em razão das contradições e omissões presentes na referida decisão. É o relatório. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.728057/201107 Acórdão n.º 2401003.506 S2C4T1 Fl. 624 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Dos limites da lide Observase dos termos do recurso que a autuada questiona apenas os fatos geradores relativos aos serviços prestados pelos corretores, não se insurgindo quando aos demais fatos geradores mencionados no relatório fiscal. Assim, em relação as matérias não contestadas não há contencioso, devendo prevalecer as conclusões da Autoridade Lançadora. Nulidade da decisão de recorrida Postula o sujeito passivo o reconhecimento da nulidade da decisão de primeira instância, em razão de supostas contradições, bem como da falta de enfrentamento do argumento acerca do descabimento da agravante. Suscita a contradição pelo fato da DRJ admitir que os pagamentos das comissões aos corretores foi feito pelos clientes e ao mesmo tempo concluir que o responsável pelos tributos é a corretora. Não acato essa tese. Na verdade, o órgão a quo, assim como esse julgador, partiu do pressuposto de que os pagamentos das comissões feitas diretamente ao corretor representa uma estratégia encontrada para livrar a recorrente do pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações decorrentes dos serviços prestados à autuada pelos corretores. Assim, o órgão de primeira instância concluiu pela ocorrência do fato gerador e imputou a responsabilidade pelo pagamento do tributo à imobiliária, que de fato é a tomadora de serviço dos corretores. Portanto, inexiste a contradição apontada. Sobre a omissão em apreciar a tese contra a aplicação da agravante não devo dar razão à recorrente. A mera transcrição de excerto do voto condutor do acórdão já é suficiente para espaçar qualquer dúvida acerca da suscitada omissão: “A empresa alega ainda que, diante dos argumentos expostos por ela nos Autos de Obrigações Principais, pode se afastar também a circunstância agravante imputada do art. 290, inciso II c/c art. 292 do RPS que elevou a multa em três vezes. Afirma que houve vício na motivação pois não pode o relatório colocar todos os institutos como se fossem a mesma coisa (dolo, fraude ou máfé). Deveria a Fl. 627DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 afirmação ser específica e direta, sob pena de nulidade, a teor do art. 10, inc. IV do Decreto 70.235/72, que garante o contraditório e ampla defesa. No entanto, a fiscalização demonstrou no Relatório Fiscal que a empresa agiu com dolo ao imputar ao comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão de venda diretamente ao corretor pessoa física responsável pela intermediação imobiliária. Nesse caso, a empresa teve o claro propósito de obter um resultado vantajoso, ou seja, o não pagamento das contribuições previdenciárias devidas na operação de venda, cujo procedimento caracteriza o dolo implícito na sonegação de que trata o agravante do inciso II do art. 290 do RPS acima citado. A omissão dolosa, segundo a doutrina jurídica, fundamentase na manobra consciente do agente para induzir outrem à prática de ato de que lhe possa advir prejuízo, como aconteceu no caso em questão. Portanto, correta a aplicação da agravante imposta no Auto de Infração que elevou a multa em três vezes.” Invalidade das provas Pede o sujeito passivo que sejam declaradas inválidas as provas coletadas pelo fisco mediante diligências fiscais efetuadas em construtoras e compradores de imóveis que realizaram operações imobiliárias com a recorrente, posto que não foi intimada destes procedimentos. Sobre essa questão devese ter em conta que no decorrer da ação fiscal não há contraditório. Os agentes do fisco dão ciência de que a empresa está sob ação fiscal através da entrega do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, promovem a intimação para apresentação da documentação necessária ao desenvolvimento dos trabalhos, fazem as diligências que entendem pertinentes, efetuam as lavraturas (se cabíveis), e, por fim, comunicam ao sujeito passivo o resultado da fiscalização. Essa seqüência de atos é que deve ser observada, sob pena de nulidade do lançamento. Na espécie, não vislumbrei qualquer vício relativo ao procedimento narrado que pudesse macular o resultado da ação fiscal. A oportunidade disponibilizada ao contribuinte para demonstrar seu inconformismo ocorre durante o contencioso fiscal. Neste momento é possível apresentar todas as razões e provas que possam afastar ou modificar o lançamento fiscal. Assim, em relação ao trabalho de investigação do auditor fiscal não há o que se falar na obrigatoriedade de manter o contribuinte ciente de todos os passos seguidos pelo agente do Fisco, no entanto, quando da conclusão da fiscalização, o contribuinte deve ser municiado de todos os elementos que lhes sejam úteis a exercer o seu direito de defesa, sob pena de nulidade dos lançamentos porventura lavrados. Nessa linha de pensamento, vale repisar que a ação fiscal é um procedimento inquisitório, de investigação, durante o qual não há obrigatoriedade de ciência do contribuinte em relação ao modo de proceder da Auditoria. Isso porque o direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa só é de observância obrigatória na fase litigiosa do processo, que tem início apenas com a impugnação ao lançamento. Nesse sentido, mesmo para as diligências realizadas pelo Fisco junto a terceiros pessoas físicas e jurídicas, não havia obrigatoriedade de se cientificar previamente o sujeito passivo de tais providências, sendo, todavia, obrigatória a menção no Relatório Fiscal Fl. 628DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.728057/201107 Acórdão n.º 2401003.506 S2C4T1 Fl. 625 9 dos elementos coletados nas diligências efetuadas que tiveram influência nas conclusões da Auditoria quanto à existência de obrigação tributária não adimplida. Uma leitura do relato do Fisco me deixa à vontade para afirmar com convicção que foram apresentadas à contribuinte todas as fases do procedimento fiscal, bem como, as evidências que foram tomadas como base para se concluir sobre a necessidade de efetuar o lançamento das contribuições previdenciárias. A decisão de primeira instância deixou bem claro que o fisco juntou ao processo todas as intimações, respostas e documentos das pessoas e empresas que foram diligenciadas, sendo descabido o inconformismo da recorrente. Dos fatos geradores relativos aos corretores/consultores imobiliários De acordo com o fisco, a autuada era contratada por construtoras/incorporadoras para efetuar as vendas de imóveis, geralmente na planta, e se utilizava de corretores para concretizar as operações de venda com os clientes. A prestação de serviço na venda das unidades imobiliárias foi considerada pelo fisco fato gerador de contribuições previdenciárias, pressupondose que os corretores prestavam serviço à imobiliária autuada e eram remunerados mediante pagamento de comissões. A empresa, para se livrar tributação, advoga que o serviço prestado pelos corretores tinha como destinatários os compradores dos imóveis, que eram responsáveis pelo pagamento das comissões diretamente aos profissionais, inexistindo, portanto, vínculo entre a imobiliária e os corretores. No intuito de esclarecer essa questão, o fisco diligenciou junto às empresas construtoras/incorporadoras e clientes que transacionaram com a autuada e obteve a informação de que os corretores atuavam em nome da imobiliária, conforme se extrai de exceto do relatório fiscal: “Com base nos documentos entregues e nos esclarecimentos prestados pelos compradores de imóveis destacase a afirmação de que os corretores responsáveis pelas vendas identificaramse como representantes da M. Garzon Empreendimentos Imobiliários Ltda e que todas as propostas de compra com recibos de sinal e o recibo de pagamento de comissão têm o timbre e os dados cadastrais desta empresa e são assinadas pelo proponente comprador e pelo corretor autônomo responsável pela venda. Chama ainda a atenção da fiscalização o item 2 das CONSIDERAÇÕES GERAIS das propostas de compra que diz: ´Pelo presente instrumento o proponente retro qualificado promote comprar o(s) objeto(s) deste, obrigandose a comparecer à sede da M. Garzon Empreendimentos Imobiliários Ltda, para assinar o instrumento particular de promessa de compra e venda de unidade imobiliária no prazo de 15 dias contados desta data sob pena de não o fazendo, ficar caracterizado o arrependimento e a perda do sinal pago (Lei de Arras – Código Civil Brasileiro – art. 417 a 420)´. Cumpre também ressaltar que a venda do apto 1202 do Res. Itália foi feita pelo Edson, CPF 832.415.66153 e CRECI/DF n. 6958, que na realidade pertence a da M. Garzon Empreendimentos Imobiliários Ltda”. Continuando, o fisco apresenta narrativa dos dados coletados nas diligências efetuadas nas contratantes da autuada: Fl. 629DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 “Já as construtoras/incorporadoras diligenciadas afirmaram que foram comercializadas por esta empresa imóveis ou frações de terreno vinculadas a unidades autônomas de responsabilidade de cada empresa contratante, em geral, imóveis na planta (lançamentos), apresentando documentos comprobatórios dos serviços de intermediação prestados pela imobiliária em apreço (ANEXO IV). Também as informações fornecidas pelas construtoras/incorporadoras diligenciadas constam nas DIMOBs (Declarações de Informações sobre as Atividades Imobiliárias) apresentadas pela autuada a unidade do Fisco Federal jurisdicionante do domicílio tributário do contribuinte fiscalizado”. Diante desses dados, concluiu o fisco: “Então, os documentos apresentados e os esclarecimentos prestados pelos compradores e pelas construtoras/incorporadoras diligenciadas reforçam ainda mais o entendimento da fiscalização de que a empresa sob ação fiscal é a responsável pela contratação dos corretores autônomos para a comercialização de imóveis ou unidades autônomas pertencentes a diversas construtoras/incorporadoras. Sendo assim, a imobiliária é remunerada pelos serviços prestados com a venda de imóveis (conta 3101050001) e para executar tais serviços necessita da participação obrigatória do corretor de imóvel pessoa física, conforme legislação específica (Lei n. 6.530/78), portanto, por imposição legal é a responsável pelo pagamento da comissão de venda aos corretores autônomos que lhe prestam serviços. No entanto, na prática, a autuada tenta dissimular a realidade ao transferir essa obrigação para o adquirente do imóvel no ato da assinatura da proposta de compra e venda com recibo de sinal. O adquirente, ao pagar a comissão diretamente ao corretor autônomo, o faz sem qualquer objeção ao processo de venda que lhe é imposto pelo corretor, representante da empresa imobiliária”. Coletadas essas informações nos autos, já é possível expor o meu entendimento sobre a celeuma. Para mim, o principal argumento utilizado pela recorrente, de que os serviços eram destinados unicamente aos clientes, é a repetição de uma estratégia utilizada no afã de se livrar do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobres os serviços que lhes foram prestados pelos corretores. Não há como esconder que as construtoras/incorporadoras efetuavam contrato com a imobiliária para venda dos imóveis e esta o fazia mediante o trabalho de captação de clientes realizado pelos corretores. Sendo que estes atuavam como representantes da autuada, por vezes até se utilizando do CRECI da própria imobiliária, conforme demonstrado nos autos. As informações coletadas em sede de diligências fiscais realizadas juntos às construtoras/incorporadoras e aos clientes não deixam dúvida de que o pagamento da comissão efetuado pelos clientes diretamente aos corretores representava apenas uma forma de tentar esconder do fisco a ocorrência do fato gerador. Consigo fazer uma analogia deste caso com os representantes comerciais autônomos que vendem produtos para determinada empresa mediante o pagamento de comissão. Pergunto: se a comissão for paga ao representantes diretamente pelo comprador, esse fato afastará o vínculo de prestação de serviço entre este e a empresa que representa? É evidente que não. Foge à razoabilidade o argumento de que era a corretora que captava os clientes e os direcionava para corretores com os quais não mantinham qualquer vínculo. Não Fl. 630DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.728057/201107 Acórdão n.º 2401003.506 S2C4T1 Fl. 626 11 consigo enxergar que transações imobiliárias possam ser efetuadas mediante pessoas que sequer tinham contrato escrito com a imobiliária. Também não se sustenta a afirmação de que uma empresa imobiliária possa manterse no mercado sem o concurso de corretores, profissionais cuja participação na intermediação de compra, venda, permuta e locação de imóveis é obrigatória, conforme previsto na Lei n. 6.530/1978 e no Decreto n. 81.871/1978. Assim, resta claro que o fato gerador da contribuição previdenciária, consistente na prestação de serviço remunerado por pessoa física sem vínculo de emprego, configurouse, posto que fartamente demonstrado que os corretores prestaram à autuada o serviço de intermediação na venda de imóveis mediante o pagamento de comissão. O artifício de firmar com os compradores dos imóveis acerto para pagamento das comissões diretamente aos corretores não tem o condão de afastar a responsabilidade da autuada, nos termos do art. 123 do CTN, segundo o qual, as convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública para afastar a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária. Embora o pagamento tenha sido efetuado pelo comprador, a prestação de serviço de intermediação na venda dos imóveis foi feita no interesse da imobiliária, posto que esse é a sua principal atividade. Sem esquecer que os profissionais atuaram em nome da empresa recorrente. A jurisprudência colacionada pela recorrente diz respeito à impossibilidade de caracterização de corretores como empregados da imobiliária. Ocorre que no presente lançamento não houve a caracterização de vínculo empregatício, posto que os corretores foram tratados como trabalhadores autônomos. Assim, as decisões invocadas tratam de tema diverso daquele presente no processo sob julgamento. Ocorrência da agravante Na situação sob enfoque, verificase que a motivação do fisco para aplicar a agravante foi a ocorrência de dolo. Essa questão foi debatida quando analisamos a questão da qualificação da multa em razão da ocorrência da conduta tipificada como sonegação fiscal, a teor do art. 71 da Lei n. 4.502/1964, conforme a seguir: “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” Na ocasião concluímos que o artifício usado para esconder os fatos geradores relativos aos serviços prestados pelos corretores caracteriza a existência de dolo. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Eis as palavras lançadas no voto proferido no julgamento do processo n. 10166.728055/201118: “A nossa conclusão quando apreciamos a discussão acerca da ocorrência do fato gerador foi no sentido de que o sujeito passivo utilizouse do artifício de impor ao comprador dos imóveis o pagamento em separado da parcela correspondente à comissão do corretor, no intuito de impedir que o fisco viesse a tomar conhecimento da ocorrência do fato gerador. A bem da verdade a hipótese de incidência se concretizou quando houve a prestação de serviço do corretor para imobiliária, todavia, utilizandose do ardil de impor ao cliente o pagamento em separado da parcela do corretor, a autuada buscava esconder de seus demonstrativos contábeis o pagamento da comissão sobre a qual incidiriam as contribuições previdenciárias. Assim, no meu entender resta comprovada a conduta estampada no art. 71 da Lei n. 4.502/1964, sendo justificada imposição de multa qualificada para o levantamento “CD2”.” Diante das palavras acima a conclusão possível no presente julgamento é de que há respaldo jurídico para aplicação da agravante, conforme o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/2008: Art.290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: Itentado subornar servidor dos órgãos competentes; II agido com dolo, fraude ou máfé; III desacatado, no ato da ação fiscal, o agente da fiscalização; IV obstado a ação da fiscalização; ou V incorrido em reincidência. Vejase que havendo dolo, fraude ou máfé é cabível a imposição da agravante que eleva a multa em três vezes, nos termos do inciso II do art. 292 do RPS. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 632DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11040.721575/2011-71
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. PAGAMENTO POR MEIO DE RPA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 142 DO CTN. OBSERVÂNCIA.
Do mesmo modo que na impugnação, o contribuinte volta a insistir que as pseudos RPA`s, em verdade, nada mais são do que documentos de controle, e que funcionavam como instrumento gerencial de produtividade da frota de veículos da empresa. Alega ainda que tais recibos foram indevidamente contabilizados na conta Serviços de Terceiros, código 000857, por pura ingenuidade e sem qualquer conotação de má fé.
No recurso, a reclamação foi exatamente a mesma da impugnação, sem que as provas para afastar os erros e equívocos fossem efetivamente juntadas aos autos.
Tendo em vista que o crédito tributário foi constituído na forma estabelecida no art. 142 do CTN e o contribuinte não se desincumbiu de provar qualquer erro por parte da fiscalização, deve ser mantido pelos seus próprios fundamentos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.266
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Paulo Roberto Lara dos Santos, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. PAGAMENTO POR MEIO DE RPA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 142 DO CTN. OBSERVÂNCIA. 1. Do mesmo modo que na impugnação, o contribuinte volta a insistir que as “pseudos” RPA`s, em verdade, nada mais são do que documentos de controle, e que funcionavam como instrumento gerencial de produtividade da frota de veículos da empresa. Alega ainda que tais recibos foram indevidamente contabilizados na conta “Serviços de Terceiros”, código 000857, por pura ingenuidade e sem qualquer conotação de má fé. 2. No recurso, a reclamação foi exatamente a mesma da impugnação, sem que as provas para afastar os “erros” e “equívocos” fossem efetivamente juntadas aos autos. 3. Tendo em vista que o crédito tributário foi constituído na forma estabelecida no art. 142 do CTN e o contribuinte não se desincumbiu de provar qualquer erro por parte da fiscalização, deve ser mantido pelos seus próprios fundamentos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 15 75 /2 01 1- 71 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11040.721575/201171 Acórdão n.º 2803003.266 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Paulo Roberto Lara dos Santos, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11040.721575/201171 Acórdão n.º 2803003.266 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, referente à contribuição previdenciária da empresa, incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços diretamente à contribuinte. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 07 de fevereiro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS São devidas as contribuições previdenciárias sobre serviços prestados por terceiros – contribuintes individuais, na forma da legislação vigente. ASSUNTO: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 CONTABILIDADE. PROVA. O Registro contábil é suficiente para embasar o lançamento, quando a impugnante não comprova suas alegações de erro de escrituração dos valores lançados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Tratase de processo administrativo relativo a lançamento de crédito tributário apurado no período de 01/2007 a 12/2008, referente às contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa – contribuintes individuais, cuja alíquota corresponde a 20% incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a segurados, previstas no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91. O fisco entendeu que os lançamentos contábeis registrados na conta “Serviços de Terceiros, Código 000857” correspondem a pagamentos efetuados aos transportadores autônomos, quando, na realidade, a maior parte deles referemse a fretes internos feitos por motoristas da BEBSTREL, empresa prestadora de serviço, com os veículos da recorrente e com todas as despesas inerentes suportadas pela mesma. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11040.721575/201171 Acórdão n.º 2803003.266 S2TE03 Fl. 5 4 A recorrente foi autuada pela presumida falta de recolhimento das contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social, do período de 01/2007 a 12/2008. Salta aos olhos a injustiça do lançamento sob análise, que o levará, certamente, a sua inconsistência, como V.Sas., haverão de concluir ao final da presente instrução, de acordo com os princípios 1) da eficiência introduzido no caput do art. 37 da nossa Constituição pela Emenda Constitucional nº 19 e 2) da verdade material contido no art. 5º, LV, da Carta Maior. A busca pela verdade material, ou real, é necessária no âmbito administrativotributário para verificação do fato gerador, que só ocorre por determinação expressa em lei. O próprio art. 142 do CTN ao tratar sobre o lançamento especifica que o mesmo é o “procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador...”, sendo este indispensável para a imputação da obrigação tributária ao sujeito passivo. As contribuições objeto do lançamento são, segundo conclusão do fisco, decorrentes da análise dos fatos geradores identificados nos lançamentos contábeis registrados na conta “serviços de terceiros”, código 000857 da contabilidade da empresa GASTREL, não declaradas nas GFIP, por terem sido considerados fretes pagos a terceiros. Impende acrescentar que os valores lançados como “levantamento GASTREL”, ou seja, fretes pagos a terceiros – a maior parte – referese a fretes internos, feitos por funcionários da BEBSTREL (motoristas), prestadora de serviço, contabilizados como “Serviços de Terceiros” na conta Razão 000857. Entendese como fretes internos os realizados com os veículos da interessada, utilizando os motoristas da prestadora de serviços contratada (BEBSTREL). Com todas as despesas inerentes ao fato suportadas pela contratante (GASTREL), não se tratando, sob nenhuma hipótese, de serviços de terceiros, como o fisco considerou. Os “pseudos” RPA`s de controle dos fretes internos, que objetivaram, como instrumento gerencial, a aferição da produtividade da frota de veículos da empresa, foram indevidamente contabilizados na conta “Serviços de Terceiros”, código 000857, por pura ingenuidade e sem qualquer conotação de má fé. O fisco é que deixou de fazer a sua parte, pois deveria contradizer a auditada, buscando provas no sentido contrário, ou seja, que os fretes considerados internos eram serviços prestados por terceiros, contribuintes individuais, comprovando que os documentos inidôneos representavam a realidade concreta. Em resumo, podese afirmar com toda a clareza, que a recorrente apresentou os elementos de prova que deram respaldo aos seus argumentos – os “pseudos” RPAs – a fiscalização é que se manteve inerte ao fato, baseando o lançamento em registros contábeis que não expressam a realidade dos fretes em comento, conforme documentação constante dos autos. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11040.721575/201171 Acórdão n.º 2803003.266 S2TE03 Fl. 6 5 Pelas razões e provas apresentadas na impugnação, bem como pelos novos argumentos defendidos, solicitase que o presente recurso voluntário seja julgado totalmente provido, com a retificação do acórdão posto nos autos, no sentido de cancelar a cobrança das contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, do período de 07/2007 a 12/2008. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11040.721575/201171 Acórdão n.º 2803003.266 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em seu recurso o contribuinte diz que salta aos olhos a injustiça do lançamento e o que se busca é a verdade material. Do mesmo modo que na impugnação, o contribuinte volta a insistir que as “pseudos” RPA`s, em verdade, nada mais são do que documentos de controle, e que funcionavam como instrumento gerencial de produtividade da frota de veículos da empresa. Alega ainda que tais recibos foram indevidamente contabilizados na conta “Serviços de Terceiros”, código 000857, por pura ingenuidade e sem qualquer conotação de má fé. No acórdão recorrido, tal passagem ficou bem clara (fls. 4 e 5), quando o julgador a quo transcreve a resposta do contribuinte, concluindo que: Ocorre que a Autoridade Fiscal não pode ficar inerte em face da conduta da impugnante, que apenas alega seus “equívocos” ou “erros” contábeis, mas não apresenta à fiscalização, tampouco na impugnação, quaisquer outros elementos de prova que dessem respaldo aos seus argumentos. Tratase de questão de prova e convicção a respeito dos pagamentos efetuados a terceiros. O que ressalta dos documentos juntados pela impugnante e por ele própria desqualificados, todavia, é que estes não são passíveis da mínima credibilidade, não fazendo prova alguma para alterar o lançamento fiscal. A impugnante não de desincumbiu do ônus, que lhe cabia, de fazer prova acerca dos “erros” e “equívocos” por ela apontados. No recurso, a reclamação foi exatamente a mesma da impugnação, sem que as provas para afastar os “erros” e “equívocos” fossem efetivamente juntadas aos autos. Tendo em vista que o crédito tributário foi constituído na forma estabelecida no art. 142 do CTN e o contribuinte não se desincumbiu de provar qualquer erro por parte da fiscalização, deve ser mantido pelos seus próprios fundamentos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11040.721575/201171 Acórdão n.º 2803003.266 S2TE03 Fl. 8 7 É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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