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Numero do processo: 14485.002811/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/11/2007
INTIMAÇÃO ENDEREÇO DO ADVOGADO. FALTA DE AMPARO LEGAL.
O pedido para intimação dos advogados dos contribuintes não tem amparo na legislação processual administrativa aplicável aos feitos relativos à exigência de tributos administrados pela RFB.
Recurso Voluntário Negado.
Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa.
AUTUAÇÕES COM FUNDAMENTAÇÕES LEGAIS DIVERSAS. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM.
A lavratura fundamentada III do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 tem como objeto a aplicação de multa pelo fato do sujeito passivo deixar de prestar informações e esclarecimentos no interesse da fiscalização, ao passo que a autuação baseada no inciso II do mesmo artigo visa sancionar a conduta da empresa de deixar de preparar sua escrita contábil em conformidade com a legislação previdenciária. A co-existência de ambas as lavraturas em uma mesma ação fiscal em absoluto representa duplicidade de autuação por um mesmo fato, haja vista que se tratam de infrações a dispositivos diversos.
PROVIDÊNCIAS PARA ATUALIZAÇÃO CADASTRAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Por absoluta falta de comprovação, não deve ser acolhido o argumento do recorrente de que buscou a RFB para atualizar seus dados cadastrais.
REDUÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE.
Descabe a redução da multa, posto que esta foi imposta no seu valor mínimo e em perfeita consonância com a legislação de regência.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO DA MULTA. FALTA DE SANEAMENTO DA INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A ausência do requisito de saneamento da infração impede a concessão do favor fiscal de relevação da penalidade.
Numero da decisão: 2401-003.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido para intimação prévia no endereço do advogado; b) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/11/2007 INTIMAÇÃO ENDEREÇO DO ADVOGADO. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido para intimação dos advogados dos contribuintes não tem amparo na legislação processual administrativa aplicável aos feitos relativos à exigência de tributos administrados pela RFB. Recurso Voluntário Negado. Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa. AUTUAÇÕES COM FUNDAMENTAÇÕES LEGAIS DIVERSAS. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. A lavratura fundamentada III do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 tem como objeto a aplicação de multa pelo fato do sujeito passivo deixar de prestar informações e esclarecimentos no interesse da fiscalização, ao passo que a autuação baseada no inciso II do mesmo artigo visa sancionar a conduta da empresa de deixar de preparar sua escrita contábil em conformidade com a legislação previdenciária. A co-existência de ambas as lavraturas em uma mesma ação fiscal em absoluto representa duplicidade de autuação por um mesmo fato, haja vista que se tratam de infrações a dispositivos diversos. PROVIDÊNCIAS PARA ATUALIZAÇÃO CADASTRAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Por absoluta falta de comprovação, não deve ser acolhido o argumento do recorrente de que buscou a RFB para atualizar seus dados cadastrais. REDUÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. Descabe a redução da multa, posto que esta foi imposta no seu valor mínimo e em perfeita consonância com a legislação de regência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO DA MULTA. FALTA DE SANEAMENTO DA INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A ausência do requisito de saneamento da infração impede a concessão do favor fiscal de relevação da penalidade.
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NÃO COMPROVAÇÃO DA ENTREGA. Os documentos colacionados na defesa dizem respeito a arquivos gerados pela autoridade lançadora e entregues a preposto do sujeito passivo, não tendo o condão de comprovar a entrega dos arquivos requeridos pelo fisco. AUTUAÇÃO POR FALHAS CONTÁBEIS. COMPROVAÇÃO DE ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE OS FATOS. O fato do fisco ter autuado a empresa por falhas contábeis não serve para comprovar que houve a apresentação dos arquivos digitais, posto que a verificação contábil pode ter sido realizada nos livros em meio papel. AUTUAÇÕES COM FUNDAMENTAÇÕES LEGAIS DIVERSAS. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. A lavratura fundamentada III do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 tem como objeto a aplicação de multa pelo fato do sujeito passivo deixar de prestar informações e esclarecimentos no interesse da fiscalização, ao passo que a autuação baseada no inciso II do mesmo artigo visa sancionar a conduta da empresa de deixar de preparar sua escrita contábil em conformidade com a legislação previdenciária. A coexistência de ambas as lavraturas em uma mesma ação fiscal em absoluto representa duplicidade de autuação por um mesmo fato, haja vista que se tratam de infrações a dispositivos diversos. PROVIDÊNCIAS PARA ATUALIZAÇÃO CADASTRAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Por absoluta falta de comprovação, não deve ser acolhido o argumento do recorrente de que buscou a RFB para atualizar seus dados cadastrais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 28 11 /2 00 7- 39 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 REDUÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. Descabe a redução da multa, posto que esta foi imposta no seu valor mínimo e em perfeita consonância com a legislação de regência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO DA MULTA. FALTA DE SANEAMENTO DA INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A ausência do requisito de saneamento da infração impede a concessão do favor fiscal de relevação da penalidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/11/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NÚMERO DE INFRAÇÕES. Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 23/11/2007 AUTORIDADE DEVIDAMENTE DESIGNADA PARA O PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA. Desde que devidamente designada, a Autoridade Fiscal tem competência para executar os procedimentos de auditoria em todo o território nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/11/2007 INTIMAÇÃO ENDEREÇO DO ADVOGADO. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido para intimação dos advogados dos contribuintes não tem amparo na legislação processual administrativa aplicável aos feitos relativos à exigência de tributos administrados pela RFB. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.002811/200739 Acórdão n.º 2401003.853 S2C4T1 Fl. 112 3 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido para intimação prévia no endereço do advogado; b) no mérito, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 16 16.931 de lavra da 12.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo I (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração AI n.º 37.134.6541. A lavratura em questão diz respeito à aplicação de multa pelo fato da empresa, mesmo regularmente intimada, haver deixado de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da administração tributária e na forma por ela estabelecida. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 27: " Deixou de atender ao TIAD entregue e assinado por seu representante em 15/08/2007, que solicitou a apresentação de documentos que dessem suporte aos lançamentos contábeis que constaram de relação anexada. Tal solicitação tinha o objetivo de esclarecer. sobre o conteúdo de tais lançamentos; Deixou de apresentar em meio digital as informações que constaram do TIAD de 25/09/2006, embora constasse do referido TIAD por escrito a exigência de apresentação das informações de acordo com o leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais da SRP (Portaria MPS/SRP 058, de 28/01/2005); Deixou de providenciar a alteração cadastral de seu endereço; Deixou de apresentar os seguintes livros/documentos não diretamente relacionados com as contribuições previdenciárias: Livro de Inspeção do Trabalho e Relação Anual de Informações Sociais — RAIS." Cientificado do lançamento em 23/11/2007, o sujeito passivo ofertou impugnação de fls. 34/35, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, que a declarou improcedente (ver fls. 79/84). Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso, fls. 90/98, qual inicialmente suscita a decadência do crédito lançado, em razão do conteúdo da Súmula Vinculado n.º 08 do STF. Afirma que prestou todas as informações requeridas, conforme comprova mediante a juntada de recibo dos arquivos digitais. Junta também cópia do AI n.º 37.134.6533, onde a autoridade lançadora descaracterizou a contabilidade apresentada. Pergunta: como poderia ter sido desconsidera a escrita contábil, se a empresa não tivesse apresentados os arquivos? Advoga que o fisco atuou com abuso de autoridade, posto que teve acesso aos arquivos em meio assemelhado ao digital e mesmo assim efetuou a lavratura pelo simples fato dos arquivos terem sido disponibilizados em formato diverso do que ele queria. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.002811/200739 Acórdão n.º 2401003.853 S2C4T1 Fl. 113 5 Alega que tentou por diversas vezes fazer a sua atualização cadastral junto à RFB, mas por conta de demasiada burocracia que lhe foi imposta, ainda não havia conseguido o seu intento. Ressalta ainda que o agente do fisco não detinha competência territorial para fiscalizar o Sindicato recorrente. O fisco, assevera, não poderia autuar a empresa por um mesmo fato que deu ensejo a lavratura anterior. Argumenta que o agente fiscal incorreu em flagrante contradição, posto que em um dado momento acusa irregularidades nos lançamentos contábeis em outro registra não haver recebido a documentação. Acusa a ocorrência de bis in idem, haja vista que teria havido autuação por irregularidades contábeis neste e em outros AI. Pede a reconsideração da multa pelo fato de ser primária e não haver incorrido em circunstâncias agravantes. Caso assim não se entenda, pugna pela redução da multa ao valor mínimo de R$ 636,17. Ao final, requereu o acolhimento de todas as suas razões recursais e que as intimações sejam feitas no endereço da sua patrona. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.002811/200739 Acórdão n.º 2401003.853 S2C4T1 Fl. 114 7 Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na lavratura em tela, por se tratar de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, aplicase para contagem do lapso decadencial a regra do inciso I do art. 173 do CTN. Considerandose que a ciência do AI ao contribuinte deuse em 23/11/2007, poderiam nele ser incluídas competências a partir de 12/2002. Observase do relatório do fisco que os esclarecimentos não atendidos circunscrevemse a todo o período fiscalizado (11/1997 a 06/2006), já os lançamentos contábeis que a autoridade lançadora selecionou para que fossem apresentadas as devidas explicações referemse às competências de 11/1999 a 06/2006. Assim, de fato, há documentos atingidos pelo período decadente, todavia, para esse tipo de autuação a multa é fixa, não se alterando em razão da quantidade de documentos que deixaram de ser apresentados, portanto, as falhas relativas ao período não decadente justificam a aplicação da multa no patamar fixado pela autoridade lançadora. Apresentação dos arquivos digitais Assevera a empresa que pode comprovar a inocorrência da infração mediante a juntada de recibo de entrega desses. Vejamos. Vejo que às fls. 68/72 constam documentos relativos a entrega de arquivos digitais, todavia, não se referem a arquivos entregues pelo sujeito passivo, mas àqueles entregues pelo fisco ao preposto do Sindicato. O primeiro, fl. 68, diz respeito aos arquivos gerados pelo Auditor Fiscal, a partir dos lançamentos constantes no Livro Razão. A finalidade desses arquivos foi dar ciência ao sujeito passivo de quais lançamentos contábeis o fisco necessitaria de comprovação documental. Esse requerimento não foi atendido pelo Sindicato, sendo essa uma das omissões que deu ensejo à autuação. Os outros arquivos, fls. 69/79, correspondem a relatórios vinculados aos lançamentos efetuados e tiveram como objetivo dar ciência ao contribuinte de todos os dados necessários à compreensão dos débitos lavrados na ação fiscal. Assim não tem razão o recorrente quando afirma que os documentos que juntou à defesa seriam hábeis a comprovar a entrega dos arquivos digitais e, por conseguinte, a inexistência da conduta infracional. Ressaltese que além de não comprovar a entrega dos arquivos digitais, o autuado também não trouxe à colação qualquer prova de que tenha apresentado os outros documentos mencionados no relatório fiscal. Registros contábeis Para o recorrente o fisco, mediante o AI n.º 37.134.6533 desconsiderou a sua contabilidade, o que comprova que os arquivos foram entregues. Alega que a escrita somente poderia ter sido analisada se tivessem sido disponibilizados os arquivos. Para comprovar sua tese juntou cópia do AI mencionado. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 8 Vale a pena reproduzir o que escreveu o Auditor Fiscal ao motivar a lavratura do AI n.º 37.134.6533: "A empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. A empresa adotou na sua contabilidade a utilização de contas com títulos genéricos, como: DESPESAS DIVERSAS (código da conta: 04.04.03.099 00001) utilizada nos exercícios de 2002, 2003 e 2004; OUTROS CRÉDITOS (código da conta : 12103052221) utilizada no exercício de 2006; USO PRÓPRIO (código da conta :31502084213) utilizada no exercício de 2005. A empresa reuniu em uma única conta verbas indenizadas e trabalhadas, quando devia ter dividido. em duas contas: RESCISÕES (código da conta: 31401083172) utilizada no exercício de 2005." Uma primeira constatação é que em nenhum momento o fisco mencionou neste AI que teria desconsiderado a contabilidade do sujeito passivo. O que consta do relatório é que foram detectadas despesas correspondentes a fatos geradores de contribuições previdenciárias que não foram registrados na contabilidade em conformidade com as normas de regência, esta conduta deu ensejo à aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. De outra banda, o fato do fisco haver analisado a contabilidade, em absoluto comprova que foram disponibilizados os arquivos digitais. Estes, de fato, facilitam e agilizam o trabalho fiscal, todavia, a verificação pode ser levada a efeito nos livros físicos, como ocorre nas empresas que não registram o seu movimento mediante processamento eletrônico. Bis in idem Acusa a empresa que o fisco teria lavrado outro AI pela mesma conduta, sendo que a presente lavratura em face da autuação pela falhas contábeis representaria inadmissível bis in idem. Conforme já ponderei o AI n.º 37.134.6533, do qual o sujeito passivo também foi cientificado em 23/11/2007, teve como motivo a conduta do recorrente de deixar de contabilizar em títulos próprios da contabilidade as parcelas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição. Assim não se deve falar em duplicidade de autuação pela mesma conduta na espécie, haja vista que as infrações têm fundamentações distintas. O AI que ora se julga teve como infração a falta de exibição de elementos não diretamente relacionados às contribuições ou em meio não previsto na Lei n.º 8.212/1991. A falta de apresentação destes fere a norma prevista no inciso III do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 e no art. 8.º da Lei n.º 10.666/2003, este último referente aos arquivos em meio magnético. O AI n.º 37.134.6533, por seu turno, teve por fim punir o sujeito passivo pela falta de observância da legislação previdenciária quando da confecção de sua escrita contábil. Esta conduta fere a norma prevista no inciso II do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991. Por isso, não há de falar em duplicidade de pena por uma mesma conduta, posto que as duas lavraturas tem fundamentações jurídicas distintas e as sanções foram aplicadas por fatos diversos, embora apurados na mesma ação fiscal. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.002811/200739 Acórdão n.º 2401003.853 S2C4T1 Fl. 115 9 Ressaltese ainda que existe a possibilidade de autuação em ação fiscal posterior com base na mesma fundamentação legal que outro AI anteriormente lavrado, desde que persista a conduta antijurídica da empresa. Não fosse assim, o sujeito passivo, depois de sofrer uma primeira autuação, ficaria isento de ser compelido pelo fisco a cumprir a legislação tributária. Tentativa de regularização da situação cadastral Embora a empresa assevere que buscou junto à RFB a atualização de seus dados cadastrais e não o fez em razão de excesso de burocracia da Administração Tributária, não devo lhe dar razão. Vejo que a recorrente apenas alega, sem, no entanto, apresentar qualquer elemento de prova que pudesse socorrer suas alegações. Sobre essa questão, é bom que se diga, que o art. 333 do Código de Processo Civil (Lei n.º 5.869/1973), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do réu o encargo de provar a existência de fato que possa extinguir o direito do autor. Eis o dispositivo: Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, não tendo a recorrente demonstrado a veracidade de suas alegações sobre as providências para atualizar o seu cadastro junto à RFB, devo afastar essa alegação. Relevação da multa A relevação da multa é pedido que também não pode ser acatado. A legislação previdenciária prescrevia requisitos objetivos para que esse favor fosse concedido. Eis o que dispunha o revogado art. 291, § 1.º do RPS: §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. Vêse que as exigências regulamentares para a dispensa da multa são cumulativas, ou seja, o favor somente é concedido se estiverem presentes todas as condições normativas. Na espécie, não ocorreu a correção da falta, sendo essa constatação impeditiva de deferimento de pedido de relevação. Incompetência territorial Improcedentes os argumentos apresentados pelos recorrentes acerca da incompetência da autoridade que procedeu à lavratura do presente auto de infração. O artigo 142 do Código Tributário Nacional determina a competência da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, sendo esta autoridade Fl. 119DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 10 representada pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, conforme preceitua a Lei nº 10.593/2002 em seu artigo 6.º, com a redação dada pela Lei nº 11.457/2007: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; Não se vislumbra na legislação que rege a atuação da Receita Federal do Brasil qualquer limitação territorial na competência dos auditores fiscais para autuação em ações fiscais e tampouco norma que determine que a instauração da ação fiscal deve ser realizada na unidade mais próxima da sede da empresa. Nesse sentido, destaquese que a divisão da Receita Federal do Brasil em Regiões Fiscais ou unidades centrais e descentralizadas constitui ato de natureza administrativa e por isso instituído mediante ato denominado ‘Regimento Interno’, destinandose à organização interna dos trabalhos. O Auditor Fiscal é a autoridade competente para a prática do ato de lançamento em âmbito nacional e constitui requisito para o exercício de sua atividade que o mesmo esteja devidamente amparado por ordem específica, representada na data da presente lavratura pelo Mandado de Procedimento Fiscal. Assim dispõe o artigo 2o do Decreto nº 3.724/01: Art. 2o Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. E no presente caso, vislumbrase a existência de Mandado de Procedimento fiscal devidamente assinado digitalmente por autoridade competente, com a devida indicação da portaria que delegou a competência para tanto. Além disso, a Portaria RFB nº 3.014/2011 prevê de maneira expressa a possibilidade da ação fiscal ser desenvolvida em unidade de jurisdição diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo: Art. 6.º (...) § 4 º Os procedimentos de fiscalização a serem realizados na jurisdição de outra unidade descentralizada, subordinada à mesma região fiscal, serão autorizados pelo respectivo Superintendente. Por todo o exposto, não há que se falar em vício decorrente da incompetência da autoridade administrativa. Redução da multa Não devemos também acatar o pedido do recorrente para redução da multa ao patamar de R$ 636,17. Esse valor referese ao mínimo previsto originalmente no Regulamento Fl. 120DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.002811/200739 Acórdão n.º 2401003.853 S2C4T1 Fl. 116 11 da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999 para as infrações previstas no inciso I do seu art. 283. A infração em tela tem como valor mínimo aquele previsto no inciso II do art. 283 do RPS, verbis: Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: Ia partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)nas seguintes infrações: (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos)nas seguintes infrações: (...) b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização; (...) A multa aplicada no patamar de R$ 11.951,21 corresponde ao valor do inciso II acima, reajustado conforme determina o 373 do RPS, portanto, a multa já foi imposta no seu valor mínimo, conforme se pode ver também do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa de fl. 28: "A multa foi aplicada de acordo com o valor mínimo previsto para este tipo de infração que é a de R$ 11.951,21. 0 valor mínimo foi adotado porque a empresa não possui antecedentes de autos de infração, e não ocorreram circunstâncias agravantes. As faltas, no entanto, não foram corrigidas até encerramento da ação fiscal." Deve, assim, ser indeferido o pedido para redução do valor da multa imposta. Intimação no endereço do advogado constituído Indeferese, finalmente, o requerimento formulado pela impugnante para que as intimações e notificações sejam encaminhadas ao procurador subscritor da impugnação. Da análise da legislação que rege o processo administrativo fiscal, observase a ausência de disposição legal a autorizar a ciência do procurador, devendo a intimação via Fl. 121DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 12 postal ser encaminhada diretamente ao domicílio tributário do sujeito passivo, nos moldes do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. (...) § 4.º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (grifo não original) Conclusão Voto por indeferir o pedido para intimação no endereço do advogado e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 19515.001598/2004-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO.
Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733-SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Assim, tratando-se, no caso concreto, de fatos geradores ocorridos em dezembro de 1998, à evidência, o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado a que alude o pronunciamento judicial, à evidência, é o dia 1º de janeiro de 2000, eis que, se considerado o dia 1º de janeiro de 1999, o termo inicial previsto na norma que serviu de suporte torna-se inaplicável.
OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA.
Nos termos do art. 229 do RIR/9, provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas.
Numero da decisão: 1301-001.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator), Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
(Assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Assim, tratandose, no caso concreto, de fatos geradores ocorridos em dezembro de 1998, à evidência, o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado a que alude o pronunciamento judicial, à evidência, é o dia 1º de janeiro de 2000, eis que, se considerado o dia 1º de janeiro de 1999, o termo inicial previsto na norma que serviu de suporte tornase inaplicável. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA. Nos termos do art. 229 do RIR/9, provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 98 /2 00 4- 14 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 464 2 (Relator), Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. (Assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 465 3 Relatório Por bem descrever as circunstâncias fáticas contidas nos presentes autos, adoto o relatório apresentado pela decisão de primeira instância, donde destaco: Em ação fiscal desencadeada por representação do Banco Central do Brasil BACEN (ofício DECIF/GABIN n 9 0544/2003), a Fiscalização da Delegacia de Fiscalização em São Paulo — DEFIC/SP intimou (folha 75) COMPANHIA DE EMPREENDIMENTOS SÃO PAULO, acima qualificada, a comprovar, com documentação hábil e idônea, as operações de alienações de ações em tesouraria a Velbert Global Company Inc. (R$ 80.000,00), Wexford Mercantile Corporation (R$ 55.500,00) e Lurton International Corporation (R$ 1.298.000,00), todas ocorridas no anocalendário de 1998. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal das folhas 103 a 105, tais operações de alienação de ações a sociedades de capital estrangeiro não foram registradas no BACEN, inexistindo tampouco qualquer contrato de câmbio de internação de divisas relativamente a essas operações. 1.1 Em atendimento à referida intimação, a Companhia produziu os documentos das folhas 76 a 97. Entre eles, não constava qualquer prova da entrada dos recursos. Diante dessa constatação, a Fiscalização intimou (folha 98) a Companhia a comprovar a origem dos recursos relacionados às operações de vendas de ações, conforme contabilizado na conta livro Razão "241086 — Ações em tesouraria". Em atendimento, a Companhia apresentou: a) Cópia do cheque no 700954, do Banco Real, nominal à Velbert Global Company, no valor de R$ 80.000,00, referente à compra de salas comerciais em Brasília — DF, juntamente com cópia da ficha de depósito em conta corrente da Companhia no Banco Santos, neste mesmo valor (fl. 99); b) Cópia do cheque no KQ122303 do Banco Itaú, no montante de R$ 37.000,00, cópia do cheque no 012604 do Banco real, no valor de R$ 13.000,00, e cópia da ficha de depósito em conta corrente da Companhia no Banco Santos, no valor de R$ 50.000,00 (fl. 100), e; c) Cópia do cheque no 665653 do Banco Sudameris, nominal à Companhia, no valor de R$ 600.000,00, juntamente com ficha de depósito em conta corrente da Companhia no Banco Santos, no mesmo valor (fl. 101). 1.2 A Fiscalização considerou que a documentação produzida não comprovava cabalmente a origem dos recursos recebidos pela Companhia em contrapartida à venda das ações para as mencionadas sociedades estrangeiras, tendo em vista que "...os pagamentos que consubstanciaram tais operações foram realizados por terceiros dentro do País, não havendo relação com aquisições de ações da fiscalizada com as empresas estrangeiras VELBERT GLOBAL COMPANY INC, WEXFORD MERCANTILE CORP. e LURTON INTERNATIONAL CORPORATION" (folha 104). A Fiscalização constatou também que a Companhia não apresentou qualquer documentação Fl. 510DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 466 4 relativamente à alienação de ações a Lurton International Corporation, no montante de R$ 600.000,00. 1.3 Com apoio no artigo 229 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto no 2 1.041, de 11 de janeiro de 1994 RIR/94, a Fiscalização concluiu que a falta de comprovação da origem dos recursos contabilizados na conta "241086 — Ações em tesouraria" representava um suprimento de caixa, sendo, em realidade, proveniente de receitas omitidas. Ato contínuo, procedeu ao lançamento de oficio do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e reflexos. Em face da inexistência de qualquer pagamento a título de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF relativamente aos fatos geradores apurados na ação fiscal, a reclamar homologação por parte da Autoridade Tributária, a Fiscalização considerou que o prazo decadencial regiase pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966) CTN. 1.4 A exação montou a R$ 1.365.779,35. Foram infracionados os seguintes dispositivos da legislação tributária federal: a) Do IRPJ: arts. 195, inciso II; 197 e parágrafo único, 226 e 229 do RIR/94; art. 24 da Lei n 9.249, de 26 de dezembro de 1995; b) Da Contribuição para o PIS: arts. 1° e 3° da Lei Complementar no 7, de 7 de setembro de 1970; art. 24, § 2°, da Lei no 9.249, de 1995; e; arts. 2°, inc. I; 3°; 8°, inc. I, e; 9°, todos da Lei no 9.715, de 25 de novembro de 1998; c) Da Cofins: arts, 1° e 2° da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991; art. 24, § 2°, da Lei no 9.249, de 1995; d) Da CSLL: art. 2 e §§ da Lei n2 7.689, de 15 de dezembro de 1988; arts. 19 e 24 da Lei no 9.249, de 1995; art. 1° da Lei n2 9.316, de 22 de novembro de 1996, e; art. 28 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 2 Regularmente intimado da exação, em 30/09/2004, (A.R. na fl. 123) e inconformado, o autuado interpôs, em 29/10/2004, as reclamações das folhas 132 a 143 (IRPJ), 206 a 217 (PIS), 273 a 284 (COFINS) e 341 a 352 (CSLL), subscritas por procurador devidamente habilitado nos autos (instrumento público de mandato nas folhas 128 e 129, 150 a 160, 222 a 232, 290 a 300 e 358 a 368 e instruída com os documentos das folhas 161 a 205, 234 a 272, 302 a 340 e 370 a 408, por meio dos quais se controvertem os lançamentos nos termos abaixo relatados. 2.1 Após síntese dos fatos, protesta pela tempestividade de sua reclamação. Em preliminar, argúi decadência do direito do Fisco de lançar o crédito tributário referente a períodos anteriores a 30/09/1999, em face da regra insculpida no § 4° do art. 150 do CTN, que entende reger a matéria. Cita e transcreve jurisprudência. Argumenta que a incidência desse dispositivo não está condicionada ao prévio pagamento, mas à determinação da lei do respectivo tributo, que atribui ao sujeito passivo a obrigação de pagálo antecipadamente a qualquer atividade do fisco. 2.2 No mérito, esclarece que, no anocalendário de 1998, alienou um total de 1.433.500 quotas do capital social, das quais 80.000 foram adquiridas por Velbert, em 03/08/1998; Fl. 511DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 467 5 55.000 pela Wexford, também em 03/08/1998, e; 1.298.000, pela Lurton International, em 04/09/1998 e 06/11/1998. Com relação a essas alienações, esclarece que: a) As 80.000 quotas adquiridas por Velbert em 03/08/1998 foram pagas por meio do cheque administrativo no 700954, no valor de R$ 80.000,00 (doc. 04, fl. 164), que, não obstante ser nominal à sociedade adquirente das quotas, consigna, em seu dorso, a ordem "Paguese à 101 Brasil Petróleo S/A", corroborado pelo depósito em conta corrente da alienante das quotas, mantida junto ao Banco Santos, na mesma data e no mesmo valor e pela alteração estatutária das fls. 168 a 175 (art. 5°), registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo, em 21/08/1998, que inclui a sociedade adquirente das quotas no quadro societário da Companhia; b) As 55.000 quotas adquiridas por Wexford foram saldadas em duas parcelas de R$ 50.000,00 e de R$ 5.500,00, ambas em data de 03/08/1998, sendo que os cheques de no KQ122303 e 012604, nos valores de R$ 37.000,00 e R$ 13.000,00 (fl. 180), respectivamente, dizem respeito ao pagamento da parcela de R$ 50.000,00, com débito na conta corrente mantida pela Companhia no Banco Santos, na mesma data, comprovado pelo recibo de depósito da fl. 182, ao passo que a segunda parcela, no valor de R$ 5.500,00, foi quitada mediante a transferência à Companhia de imóvel nesse mesmo valor, conforme certidão cuja cópia se encontra nas fls. 184 e 185, tudo corroborado pela alteração estatutária das fls.168 a175 (art. 5°) registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo, em 21/08/1998, que inclui a sociedade adquirente das quotas no quadro societário da Companhia; c) As 1.298.000 quotas adquiridas por Lurton foram saldadas pelo crédito de R$ 698.000,00 na conta corrente da Companhia, em setembro de 1998 (cópia do extrato da conta na fl. 194), e pelo cheque administrativo no 665653, no valor de R$ 600.000,00, nominal à alienante das quotas, (fl. 199), depositado na sua conta corrente do Banco Santos, em 03/12/1998 (fls. 203 e 205), tudo corroborado por instrumentos particulares de compra e venda de ações das fls. 187 a 189, 196 e 197. 2.3 Considera esse conjunto probatório hábil para afastar a presunção de omissão de receitas, devendose reconhecer a improcedência do lançamento. Conclui, requerendo que se declarem tacitamente homologados os períodos objeto do auto de infração e se reconheça a decadência do direito de o Fisco lançar o crédito tributário respectivo. Adicionalmente, requer o acolhimento de suas razões de mérito, para o efeito de cancelarse o lançamento. As reclamações contra os lançamentos referentes à Contribuição para o PIS, COFINS e CSLL são vazadas nos mesmos termos. A partir dessas considerações, analisando os termos da impugnação apresentada pela contribuinte, entendeu a douta 1a Turma da DRJ/STM pela PROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO, em acórdão que assim então restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO Fl. 512DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 468 6 A não comprovação da efetiva entrega e da origem dos recursos supridos permite a presunção de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo desconstituir a acusação mediante prova cabal não só de que os recursos ingressaram na sociedade, mas também de que os mesmos foram percebidos pelos supridores de forma estranha à sociedade ou, se da empresa, que foram submetidos à regular contabilização. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO – OMISSÃO DE RECEITA NÃO CARACTERIZADA Para que se corporifique a presunção de omissão de receita, além da inexistência de prova da efetiva entrega e da origem dos recursos envolvidos, a sociedade supridora, em relação à suprida, deverá preencher a condições de acionista controladora, sendo defeso ao intérprete, sob pena de criar novas hipóteses de incidência, adotar entendimento que estenda o alcance da norma além dos limites por ela fixados. Operações de aquisição de quotas sociais por terceiros, sociedades de capital estrangeiro, que não se subsumem aos requisitos do aspecto subjetivo da hipótese de incidência da norma de regência, não permitem a caracterização da omissão de receitas, ainda que inexista comprovação da origem dos recursos. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL A solução dada ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica se aplica integralmente aos lançamentos da Contribuição para o PIS, COFINS e CSLL, quando dele decorrentes. Lançamento Procedente em Parte Regularmente intimada a contribuinte do inteiro teor da decisão exarada, por ela foi então interposto o seu competente Recurso Voluntário, aduzindo, em suas razões, o seguinte: Preliminarmente Da decadência do suposto débito A recorrente argui a ocorrência da decadência do direito de lançar, tendo em vista a aplicação das disposições do Art. 150, parágrafo 4o do CTN, e não o Art. 173, inciso I da forma como efetivado pela fiscalização e pela r. decisão de primeira instância. Tratandose, no presente lançamento, de créditos tributários apurados em relação ao mês de Dezembro/98, e, tendo a contribuinte sido intimada do lançamento no dia 30/09/2004, necessário se faz o reconhecimento da decadência na espécie. Do mérito Das operações de compra e venda de participações societárias – Inexistência de omissão de receitas No ano de 1998, além da já sócia estrangeira Lurton International, foram admitidas mais duas empresas sediadas no exterior nos quadros societários da Impugnante, a saber, a Velbert e a Wexford. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 469 7 Analisando a questão, a r. decisão de primeira instância reconheceu a impossibilidade de desconsideração das operações relativas ao ingresso nos quadros societários da contribuinte das empresas Velbert e Wexford, mantendo, entretanto, o lançamento em relação à empresa Lurton, supostamente aplicando as disposições do art. 299 do RIR/94. Tal entendimento, entretanto, não pode prevalecer, pois a compra das 1.298.000 quotas pela Lurton International reputase válida em função de dois Instrumentos Particulares de Compra e Venda de Ações: um datado de 04/09/1998, representativo da transferência de 698.600 quotas, e outro de 06/11/1998, referente à transferência das 600.000 quotas restantes. Para sustentar a validade da operação, a recorrente faz referência aos documentos juntados quando da apresentação das impugnações contidas nos autos, indicando, assim, a completa regularidade de todas as operações efetivamente realizadas. Em face dessas considerações, requer a reforma da decisão de primeira instância, e, com isso, a efetiva e completa desconstituição do lançamento efetivado. Esse é o relatório. Passo ao meu voto. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 470 8 Voto Vencido Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele tomo conhecimento. Da análise quanto à decadência A primeira questão aduzida nos presentes autos referese à pretensão da recorrente de ver reconhecida a ocorrência da decadência em relação à efetivação do lançamento pelos agentes da fazenda pública, tendo em vista que, tratandose, no lançamento, de fatos tributáveis possivelmente ocorridos em Dezembro/98, e, tendo a contribuinte sido intimada dos termos da autuação no dia 30/09/2004, terseia operado, então, a extinção do direito da fazenda pública, tendo em vista a necessária aplicação das disposições do Art. 150, parágrafo 4o do CTN, especificamente, tendo em vista a natureza dos tributos lançados. A matéria, é bem verdade, por muito tempo foi debatida pela doutrina e pela jurisprudência, havendo, recentemente, o estabelecimento de entendimento específico pelo SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, que, nos termos do Art. 543C (Recursos Repetitivos), assim definiu a querela: RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, Fl. 515DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 471 9 DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Denise Arruda, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Eliana Calmon e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 12 de agosto de 2009(Data do Julgamento) MINISTRO LUIZ FUX Relator Pelo que aqui assentado, a aplicação ou não das disposições do Art. 150, §4o do CTN, passam, agora, a depender da verificação da existência de “pagamento” pelo contribuinte no período respectivo, não importando ser ele suficiente ou não para o adimplemento do crédito tributário no exercício, sendo certo que, inexistente qualquer pagamento, aplicamse, então, as disposições do mencionado Art. 173, I do CTN. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 472 10 Nessas circunstâncias, essencial, aqui, é a verificação de qual regra decadencial deve ser aplicada, o que, a partir dos mandamentos contidos na decisão proferida pelo Colendo STJ, e aqui antes referenciada, necessária se faz a verificação, ou não, de pagamento de tributo no exercício respectivo, sendo destacável que, havendo pagamento no exercício, aplicamse as disposições do Art. 150, §4o do CTN, ao passo que, sendo este inexistente, aplicamse, então, as disposições do Art. 173, I. A aplicação desse entendimento, com toda a certeza, ainda hoje tem sido objeto de relevantes debates no CARF, sobretudo porque, de fato, a discussão a respeito dos elementos para a aplicação do mencionado Art. 173, I do CTN ainda geram relevantes discordâncias, sobretudo em relação a o que, objetivamente, deve (ou não) ser considerado como sendo “o exercício seguinte ao da ocorrência do fato imponível” apontado na referida decisão. Observese que, a esse respeito, ao contrário do que muito se tem falado de que tenha havido possível “equívoco” naquela decisão, da leitura do inteiro teor do acórdão referenciado o que se verifica é que, de fato, esse era o entendimento daquele julgador, e, bem ou mal, foi o que restou pacificado como entendimento da Corte naquela oportunidade. Vejamos o que expressamente consta do voto condutor do Acórdão em referência: Outrossim, impende assinalar que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier , "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). De fato, este relator não desconhece o expresso texto legal contido nas disposições do Art. 173, inciso I do CTN, e, nem tampouco, a doutrina abalizada historicamente construída a seu respeito. No caso, estáse diante, exclusivamente, da estrita ocbservância dos mandamentos procedimentais estabelecidos na seara própria deste Processo Administrativo Fiscal, de onde se destaca, então, a específica e própria dicção das disposições do Art. 62A do RICARF que, a respeito da obrigatoriedade de observância da jurisprudência pacificada pelos Conselheiros do CARF, assim então especificamente aponta: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Grifo nosso) Fl. 517DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 473 11 A partir da leitura dessas disposições, com a mais respeitosa vênia, penso que aos Conselheiros não cabe a avaliação de “conveniência e/ou oportunidade”, e nem muito menos a constituição de qualquer juízo de valor a respeito da eventual (in)correção do entendimento exarado pelas Colendas Cortes Jurisdicionais (STJ e STF), devendo aqui, então, simplesmente “reproduzir” e aplicar o comando ali então determinado. Destaco esse pessoal entendimento nesta oportunidade, sobretudo, em face da respeitosa divergência já levantada em julgamentos anteriores que sustentam que teria “havido equívoco” na manifestação contida no Acórdão do REsp 973.733SC, que, em pronunciamentos posteriores, já teria inclusive ajustado seu entendimento. Ocorre que, como tenho sustentado, aqui se trata de específica regra processual e, com a todas as vênias, para que possa o entendimento expresso em qualquer julgado eventualmente proferido por aquela Colenda Corte se sobrepor ao entendimento antes expressado, deverá então fazêlo nos termos e limites próprios do Art. 543C do CPC, sem o que, absolutamente, o que verifico não é nada mais nada menos que o cabal descumprimento das normas regulamentares. Diante dessas considerações, mesmo reconhecendo a pertinência das críticas traçadas por nobres membros deste Conselho em relação ao entendimento manifestado pelo Colendo STJ no julgamento do REsp 973.733SC, especificamente em relação ao mandamento próprio a respeito da adequada aplicação das disposições do Art. 173, inciso I do CTN (sob a sistemática própria do Art,. 543C do CPC), entendo, pessoalmente, pela existência do específico dever regulamentar que impõe a este Conselheiro s obrigatoriedade de “reprodução” do que especificamente manifestado naquele julgamento, aplicandoo, então, ao presente caso. Com essas considerações, tendo em vista que conforme expressamente determinado pelo Colendo STJ no julgamento do REsp 973.733SC, sob o específico mandamento do Art. 543C do CPC, e, no caso, a determinação regulamentar expressa nas disposições do Art. 62A do RICARF, entendo que, até que substituído aquele entendimento, devese entender que, para fins de aplicação das disposições do Art. 173, inciso I do CTN, "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Em face dessas considerações, aplicandose o Art. 173, inciso I do CTN ao presente caso, verifico que, tratandose de fatos tributáveis apurados no mês de Dezembro/1998, entendendo o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, verifico então o início da contagem do prazo decadencial a partir do dia 01/01/1999, e, com isso, a definição da data final como sendo o dia 01/01/2004. Tendo a contribuinte sido intimada dos termos do auto de infração apenas no dia 30/09/2004, tenho para mim, então, como efetivamente ocorrida a decadência e, com isso, efetivamente extinto o crédito tributário respectivo, nos termos aqui então especificamente apresentados. Nesses termos, encaminho o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, reconhecendo, no caso, a decadência ao direito de lançar pela Fazenda Pública, tendo em vista a aplicação das disposições do Art. 173, inciso I do CTN nos termos determinados pela exegese estabelecida pelo Colendo STJ no julgamento do REsp 973.733SC, sob a sistemática do Art. 543C do CPC, aqui reproduzido em específica obediência às disposições do Art. 62A do RICARF. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 474 12 DO MÉRITO Da omissão de receita Em que pese as considerações apresentadas no tópico anterior, restando vencido em meu entendimento pela ilustrada maioria, cumpre ainda aqui, então, apreciar as questões de mérito levantadas pela recorrente. A questão tratada nos autos, conforme aqui já se tem verificado, referese, no caso, à oposição apresentada pelos agentes da fiscalização em relação às supostas alterações societárias engendradas pela contribuinte, e, no caso, a desconsiderações das referidas operações, entendendo como efetivado, no caso, o efetivo “Suprimento de caixa” e, com isso, o descortinamento da odiosa prática da “omissão de receitas”, nos termos então especificamente expressos no Art. 229 do RIR/94, que, sobre o assunto, assim então objetivamente apontava: Art. 229. Provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretosLei n°s 1.598/77, art. 12, § 3°, e 1.648/78, art. 1°, II). Nas atuais disposições do RIR/99 (Decreto 3.000/99), esse dispositivo apresentase nas disposições do Art. 282, apresentandose hoje com idêntica redação. Pois bem. Nos presentes autos, a fiscalização apontou, originariamente, a invalidade dos procedimentos adotadas pelo contribuinte em relação a (supostas) alterações societárias, essas indicadas como relativas à alienação de quotas às empresas Lurton International (que já era sócia da empresa), e, também, às empresas Velbert e a Wexford, sobretudo por indicar a ausência de registro das referidas operações junto ao BACEN, e, ainda, por não identificar, nas análises realizadas, a origem e a natureza dos recursos recebidos. Analisando as circunstâncias apresentadas nos autos, a r. decisão de primeira instância especificamente se debruçou sobre a questão apontada, destacando que, em que pese reconhecer a existência de dúvidas quanto à efetividade das operações, no caso específico das operações realizadas com as empresas Velbert e a Wexford não se teria como válida a aplicação da presunção apontada, sobretudo porque, não possuindo elas, antes, qualquer relação societária com a contribuinte, não se teria, no caso, efetivamente materializado a hipótese autorizadora da aplicação da presunção legal apontada, não sendo lícito, assim, de forma alguma, a criação de nova hipótese pelos agentes da fiscalização. Vejamos o específico teor da decisão exarada em primeira instância: 3.2.5 O art. 229, antes transcrito, por outro lado, apenas admite a presunção quando os recursos supridos forem provenientes dos administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia. 3.2.6 No caso concreto, verificase, liminarmente, que as sociedades Velbert Global Company Inc. e Wexford Mercantile Corp. não pertenciam ao quadro societário da Fl. 519DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 475 13 autuada, já que só foram introduzidas na sociedade na AGE, realizada em 13/08/1998 (ata nas fls. 76 a 90). Como já mencionado anteriormente, o referido dispositivo admite a presunção de omissão de receitas apenas quando os recursos forem provenientes dos administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia. Não há no processo qualquer documento que comprove que as referidas sociedades se enquadravam na categoria de acionista controladora da companhia (obviamente, jamais poderiam enquadrarse nas demais), razão pela qual se deve afastar a incidência do art. 229 do RIR/94, e o lançamento, neste tocante, deve ser cancelado. Vejase, a propósito, o entendimento do Conselho de Contribuintes: (...) 3.2.7 Caso completamente distinto é o das operações em que Lurton International Corporation figurou como adquirente das ações. De imediato, constato que a mesma já participava da sociedade (fl. 82) e era detentora da maior parcela do capital social da Companhia, satisfazendo assim o aspecto subjetivo acionista controladora mencionado pelo art. 229 do RIR/94. 3.2.8 No que tange a comprovação da origem dos recursos supridos, a prova produzida não foi hábil para tal fim. Desconsiderese, de plano, os dois instrumentos particulares brandidos pela Defesa. Eles nada provam, no que diz respeito à efetividade do pagamento pela Lurton e do recebimento pela Companhia do valor envolvido na pretensa transação. O extrato da conta corrente da Companhia (fl. 194) prova apenas que houve um crédito no valor de R$ 698.600,00, mas nada atesta quanto a origem desse valor. O cheque administrativo do Banco Sudameris tampouco comprova que os R$ 698.600,00 originaramse da adquirente Lurton. 3.2.9 Assim, à mingua de prova da origem dos recursos, e tratandose de sociedade controladora da companhia, há a incidência da norma do art. 229 do RIR194, habilitando a presunção omissão de receitas montantes a R$ 1.298.000,00. Mantenhamse, portanto, os lançamentos referentes a essa parcela. A partir dessas considerações, verificase que, após a exoneração determinada pela decisão de primeira instância (não submetida a Recurso de Ofício, digase de passagem), a questão mantida nos autos referese, especifica e exclusivamente, em relação às operações realizadas com a empresa Lurton International Corporation, que, sendo antes já sócia da empresacontribuinte, satisfazia o critério pessoal necessário para a aplicação das disposições do apontado art. 229 do RIR/94, sendo relevante destacar que, conforme apontado, não teria a contribuinte efetivamente conseguido comprovar a titularidade e a legitimidade dos créditos por ela então recebidos. Em seu recurso voluntário, cumpre destacar, a recorrente simplesmente reproduz as mesmas considerações apresentadas em sua anterior impugnação, não desconstituindo, em momento algum, quaisquer das considerações apresentadas pela r. decisão de primeira instância. No caso presente, analisando os autos, verificase que, em que pese a existência dos instrumentos contratuais apontados, relativos ao suposto aumento da Fl. 520DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 476 14 participação societária na contribuinte pela empresa Lurton, não se verifica qualquer informação ou elemento que possibilite a vinculação daquela pretendida operação aos montantes apontados, ou ainda, no caso, sequer a específica titularidade daqueles montantes, não restando assim, portanto, outra alternativa, senão, a de efetivamente manter a presunção aplicada pelos agentes da fiscalização, nos termos então aqui efetivamente considerados. Em face dessas razões, tendo sido superada a questão do reconhecimento da decadência inicialmente apontada, encaminho o meu voto, então, no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado pela contribuinte, mantendo, assim, o lançamento com os específicos ajustes determinados pela r. decisão de primeira instância. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 521DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 477 15 Voto Vencedor Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES, redator designado. Não obstante a densa e fundamentada argumentação expendida pelo Ilustre Conselheiro Relator em seu pronunciamento, o Colegiado, pelo voto de qualidade, decidiu de forma diversa em relação à caducidade do direito de a Fazenda constituir os créditos tributários. Os fragmentos abaixo reproduzidos, extraídos do pronunciamento do Ilustre Relator, sintetizam o entendimento por ele esposado. [...] Em face dessas considerações, aplicandose o Art. 173, inciso I do CTN ao presente caso, verifico que, tratandose de fatos tributáveis apurados no mês de Dezembro/1998, entendendo o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, verifico então o início da contagem do prazo decadencial a partir do dia 01/01/1999, e, com isso, a definição da data final como sendo o dia 01/01/2004. Tendo a contribuinte sido intimada dos termos do auto de infração apenas no dia 30/09/2004, tenho para mim, então, como efetivamente ocorrida a decadência e, com isso, efetivamente extinto o crédito tributário respectivo, nos termos aqui então especificamente apresentados. Nesses termos, encaminho o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, reconhecendo, no caso, a decadência ao direito de lançar pela Fazenda Pública, tendo em vista a aplicação das disposições do Art. 173, inciso I do CTN nos termos determinados pela exegese estabelecida pelo Colendo STJ no julgamento do REsp 973.733SC, sob a sistemática do Art. 543C do CPC, aqui reproduzido em específica obediência às disposições do Art. 62A do RICARF. Constatase, assim, que o Relator, para fins de aplicação da regra de caducidade estampada no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, empresta interpretação literal ao pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça na apreciação do RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940), que, por ter sido processado nos termos do Art. 543C (Recursos Repetitivos), deve necessariamente ser observado por esta Corte Administrativa, ex vi do disposto no art. 62A do Regimento Interno. Contudo, o Colegiado entendeu de forma diversa, pois, a adoção da definição pretendida pelo Relator, em que pese o fato de ser ela a expressada literalmente pelo Superior Tribunal de Justiça no âmbito das disposições do art. 543C do CPC, implica necessariamente na própria eliminação do termo inicial estampado no inciso I do art. 173 do CTN, norma que serviu de suporte para o pronunciamento judicial Diante de tal circunstância, resta evidente o equívoco da conceituação trazida pelo pronunciamento da Corte Judicial. Equívoco esse devidamente reparado pelo próprio Superior Tribunal de Justiça por ocasião da apreciação dos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497 – PR (2004/01099782). Fl. 522DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 478 16 A questão posta em discussão foi brilhantemente apreciada pelo Ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha em inúmeros julgados, motivo pelo qual peço licença para reproduzir fragmentos do pronunciamento correspondente. [...] A decadência, especialmente no que toca aos tributos sujeitos ao lançamento dito por homologação, é matéria tormentosa, que tem suscitado interpretações variadas mesmo no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em oportunidades anteriores, tenho me manifestado no sentido de que o critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de ofício deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. Os tributos sujeitos a lançamento por homologação seriam aqueles para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. Seria essa sistemática, a atividade exercida pelo contribuinte, que faria com que o lançamento fosse por homologação, e não a mera presença ou ausência de pagamento. Entretanto, com o louvável fito de fazer com que as decisões administrativas se conformassem à jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) sofreu alterações, especialmente a introdução do art. 62A no Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, com a redação a seguir transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Introduzido pela Portaria MF nº 586/2010, publicada no DOU de 22/12/2010) Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009, restando assim ementado (grifos constam do original): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em Fl. 523DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 479 17 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Posteriormente, o próprio STJ reviu seu posicionamento quanto ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, nos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497 – PR (2004/01099782). Ressalto que o ilustre Ministro Relator, após mencionar expressamente o REsp nº 973.733, registra que “impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. O julgamento ocorreu em 09/02/2010, e o acórdão foi publicado no DJe em 26/02/2010, com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Processo nº 19515.001598/200414 Acórdão n.º 1301001.650 S1C3T1 Fl. 480 18 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. De se observar a diferença relevante entre um e outro julgados: no primeiro caso (REsp nº 973.733), o termo inicial para a contagem do prazo decadencial era tido como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, interpretação esta que fugia por completo à textualidade do art. 173, I, do CTN. No segundo julgado, revendo o posicionamento anterior, o Tribunal passou a considerar que (naquele caso), completandose o fato gerador em 31 de dezembro de 1993, o lançamento somente poderia ser feito a partir de 1994, e o prazo decadencial começaria a fluir em 1º de janeiro de 1995. No presente caso, conforme assinala o pronunciamento nesta parte vencido, a contribuinte foi cientificada dos lançamentos tributários em 30 de setembro de 2004, logo, relativamente aos fatos geradores ocorridos em dezembro de 1998, a Fiscalização poderia promover os lançamentos tributários até 31 de dezembro de 2004, motivo pelo qual descabe falar em caducidade. Diante do exposto, rejeitada a preliminar de caducidade do direito de lançar, pronunciouse o Colegiado por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Redator Fl. 525DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Numero do processo: 13896.910135/2012-31
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 13 5/ 20 12 -3 1 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910135/201231 Resolução nº 3801000.912 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 245DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910135/201231 Resolução nº 3801000.912 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910135/201231 Resolução nº 3801000.912 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 247DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910135/201231 Resolução nº 3801000.912 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 248DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910135/201231 Resolução nº 3801000.912 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 249DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16561.720113/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
ALTERAÇÃO DE OPÇÃO PELO MÉTODO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A intimação prévia prevista no art. 20A da Lei nº 9.430/96 somente deve ser observada nos procedimentos fiscais que tenham por objeto as apurações do ano calendário 2012 e seguintes.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL60 e à finalidade do controle dos preços de transferência.
PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador
MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS.
Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento.
Em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O decidido quanto ao IRPJ aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Numero da decisão: 1301-001.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e manter os juros Selic sobre a multa de ofício. Pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso voluntário com relação a matéria preço de transferência. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 ALTERAÇÃO DE OPÇÃO PELO MÉTODO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A intimação prévia prevista no art. 20A da Lei nº 9.430/96 somente deve ser observada nos procedimentos fiscais que tenham por objeto as apurações do ano calendário 2012 e seguintes. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. Em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao IRPJ aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
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AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A intimação prévia prevista no art. 20A da Lei nº 9.430/96 somente deve ser observada nos procedimentos fiscais que tenham por objeto as apurações do ano calendário 2012 e seguintes. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 13 /2 01 2- 51 Fl. 11640DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 2 Em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e manter os juros Selic sobre a multa de ofício. Pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso voluntário com relação a matéria preço de transferência. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 11641DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16561.720113/201251 Acórdão n.º 1301001.781 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Por bem descrever os fatos transcrevo o relatório da decisão recorrida: Em decorrência de ação fiscal a contribuinte foi intimada a informar o método de preço de transferência adotado e a apresentar relação de pessoas vinculadas, memórias de cálculos, arquivos magnéticos e demais papéis de trabalho, para a comprovação dos preços de transferência em suas operações de importações no ano calendário 2007. DOS VALORES UTILIZADOS PELA CONTRIBUINTE PARA OS CÁLCULOS DE PREÇO DE TRANSFERÊNCIA IMPORTAÇÕES Da análise das informações prestadas e com base na DIPJ do ano calendário 2007, a fiscalização verificou que a contribuinte utilizou os seguintes métodos, para os cálculos dos preços parâmetro em suas operações de importações para o período fiscalizado: a) método do PRL (Preço de Revenda menos Lucro), com margem de 20% (PRL20), conforme disposto no item "a" do inciso IV do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002, para o caso de importações realizadas para revendas sem qualquer agregação de valor e com margem de 60% (PRL60), conforme disposto no item "b" do inciso IV do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002, para o caso de importações de insumos que foram submetidos ao processo de produção na fabricação de produto para venda; e b) método PIC (Preços Independentes Comparados), conforme disposto no artigo 8º da IN SRF nº 243/2002, para os casos em que tinha disponíveis os preços praticados em outras operações similares, nas condições elencadas no § único do artigo citado, utilizando tais preços como preços parâmetro. Segundo os valores declarados na DIPJ/2008, a empresa adicionou ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, a título de preço de transferência, o montante de R$ 11.000.000,00. No entanto, a soma dos valores declarados na DIPJ, de acordo com planilha apresentada pela empresa, com os 49 itens mais relevantes e a totalização dos "Não especificados" é igual a R$ 6.953.280,04. Questionada sobre a divergência entre o valor total declarado na DIPJ e o valor adicionado no LALUR, a empresa esclareceu que (fls. 863 e 864): "(...) no momento de entrega da DIPJ, os cálculos dos preços de transferência não haviam sido concluídos e, em função disto, conservadoramente, a Administração da Sociedade optou por oferecer à tributação o valor de R$ 11.000.000,00. Em momento posterior à entrega da DIPJ os cálculos foram finalizados, e o ajuste apurado foi da ordem de R$ 6.953.280,04. (...)”. Apesar da irregularidade acima descrita, tendo em vista que a adição dos ajustes foi feita, em caráter conservador, a maior do que o valor demonstrado, a fiscalização não deixou de considerar, em sua totalidade, os valores ajustados, em seus recálculos de verificação da suficiência dos ajustes efetuados pela empresa (vide tópico “DA CONSOLIDAÇÃO DA APURAÇÃO”). A contribuinte apresentou a seguinte composição do ajuste total por método utilizado com a abertura do código "Não Especificadas": Fl. 11642DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 4 Método Ajuste: PIC R$ 56.416,44; PRL20 R$ 5.748.633,08; PRL60 R$ 684.575,11 e PRL20/60 R$ 463.655,40, totalizando R$ 6.953.280,03. A seguir, a fiscalização discorre sobre os métodos utilizados pela empresa e sobre as verificações efetuadas, com maiores detalhes. Método PIC A fiscalização apresenta, às fls. 9842/9843, os itens para os quais a contribuinte logrou comprovar o método PIC e, à fls. 9843, os itens que não conseguiu comprovar. A fiscalização verificou que, nos cálculos dos preços parâmetros e praticados, para diversos itens, a empresa apresentou mais de um valor de preço praticado para um mesmo preço parâmetro (um preço praticado para cada fornecedor), em dissonância com a legislação brasileira de preços de transferência que não admite que um insumo ou matéria prima tenha mais de um preço praticado e parâmetro. Na tabela de fl. 9844 constam os itens para os quais foram verificadas tais inconsistências (Tabela "Ajustes de Importação do Ano Fiscalizado" CD nº 1). Para os demais itens não relacionados, para os quais a empresa utilizou o método PIC, não foram constatadas as irregularidades apontadas acima. Método PRL Também no tocante ao método PRL a fiscalização verificou diversos itens para os quais a empresa, apesar de ter somente um preço parâmetro, adotou dois preços praticados distintos, um para cada fornecedor (vide Tabela "Ajustes de Importação do Ano Fiscalizado" CD nº 1). Também houve casos nos quais a empresa empregou o método PRL20 (Tabela "Ajustes de Importação do Ano Fiscalizado" CD nº 1), mas deveria ter utilizado o método PRL60, visto que foram identificados vários produtos vendidos pela empresa, para os quais foi utilizado os insumos em questão. Com relação ao método PRL60, a fiscalização observou que a forma de cálculo utilizada não condiz com os ditames do artigo 12, § 11, da IN SRF nº 243/2002. Itens para os quais a empresa não adotou nenhum método (não constantes da tabela “Ajustes de Importação do Ano Fiscalizado”. A fiscalização detectou itens para os quais a empresa não empregou nenhum método, não podendo ser encontrados na tabela "Ajustes de Importação do Ano Fiscalizado" (CD nº 1) e tampouco nas memórias de cálculo apresentadas pela empresa (CD nº 2), itens estes que foram importados de empresas vinculadas e utilizados na produção ou revendidos diretamente. Em virtude da não indicação de método de preço de transferência para esses itens, nem apresentação das respectivas memórias de cálculo, por parte da empresa, a fiscalização elegeu um dos métodos aplicáveis e procedeu à verificação da necessidade de ajustes para os mesmos (artigo 40 da IN SRF nº 243/2002). DA ACEITAÇÃO DOS MÉTODOS APRESENTADOS E DOS CÁLCULOS EFETUADOS PELA FISCALIZAÇÃO Método PIC Como visto anteriormente, houve casos em que a empresa conseguiu comprovar documentalmente o método PIC. Fl. 11643DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16561.720113/201251 Acórdão n.º 1301001.781 S1C3T1 Fl. 13 5 Para aqueles casos em que a empresa não logrou comprovar, a fiscalização adotou o método PRL, nos ditames do artigo 40 da IN SRF nº 243/2002. Método PRL A fiscalização buscou respeitar as escolhas da contribuinte, no tocante aos métodos de cálculo utilizados. No entanto, para os casos em que a utilização do método PIC não pôde ser comprovada, não lhe restou outra alternativa, senão a de proceder ao recálculo dos respectivos ajustes pelo método PRL, sem deixar, no entanto, de levar em conta os valores de ajustes já efetuados pela contribuinte. Para os casos em que a empresa já havia originalmente escolhido o método PRL, a Fiscalização, em função dos diversos problemas apontados, também efetuou os recálculos dos preços praticados e parâmetros, de modo a verificar se havia necessidade de ajustes adicionais àqueles efetuados pela contribuinte. No tocante a estes recálculos, enfatizase o fato já anteriormente citado quanto à aplicação de margem de 20% (revenda) quando deveria ter utilizado margem de 60% (produção). Noutro giro, há que se realçar a adoção, pela empresa, da IN SRF nº SRF 32/2001, em detrimento da IN SRF nº 243/2002, para os cálculos do preço de transferência, sem apresentar as razões jurídicas para a utilização da primeira. Durante a fiscalização não foi constatada ou informada pela contribuinte qualquer liminar em processo judicial que pudesse assegurar a legalidade de seu ato. Para os recálculos acima descritos, os insumos foram divididos em dois grupos: aqueles que não sofreram agregação de valores no país e simplesmente foram revendidos (PRL20) e aqueles que sofreram agregação de valores antes de serem vendidos (PRL60), englobando neste último grupo os casos mistos (revenda + produção). Para os itens que não foram localizados nas memórias de cálculo da contribuinte, o método adotado pela fiscalização foi o PRL, dividindoos nos mesmos grupos citados no último parágrafo, de acordo com sua aplicação (revenda, produção e revenda + produção). Método PRL20 Dentro do método PRL, o PRL20 somente pode ser aplicado para os itens importados e que foram revendidos sem qualquer agregação de valor no país. Para os insumos em que a empresa elegeu o método PRL, e que não sofreram agregação de valor ou para aqueles que, nas mesmas condições, foram provenientes do método PIC, a fiscalização recalculou os preços praticados (R$/kg) na forma CIF + II, isto é, Custo + seguros internacionais + fretes internacionais + Imposto de Importação, exatamente na forma determinada pelo § 4º do artigo 4º da IN SRF nº 243/2002. Os preços parâmetro foram calculados de acordo com o item "a" do inciso IV do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. Os preços praticados foram calculados levandose em conta que as quantidades importadas de insumos, de empresas vinculadas e respectivos valores devem ser ponderadas com as quantidades e respectivos valores dos estoques iniciais, conforme determinado pelo § 3o do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002 (vide "Demonstrativo do Preço Praticado PRL20"). Fl. 11644DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 6 As quantidades de ajuste foram calculadas em função das quantidades vendidas, sem prejuízo da verificação, neste cálculo, do total das quantidades importadas de vinculadas e das quantidades dos estoques iniciais (vide "Demonstrativo da Quantidade de Ajuste PRL20"). Assim sendo, pelo método PRL20, nos termos da IN SRF nº 243/2002, foi apurado o valor de ajuste de R$ 7.549.792,72, já deduzidos os valores declarados. Cumpre observar que na apuração final dos valores foi considerado também o valor excedente recolhido pela empresa (vide tópico “DA CONSOLIDAÇÃO DA APURAÇÃO”). O demonstrativo de apuração e respectivas memórias de cálculos constam do processo Relatório "Consolidação PRL20". Método PRL60 Prosseguindo no método PRL, o PRL60 somente pode ser utilizado quando da importação de matéria prima e de produtos semi acabados que sofreram agregação de valor no país. Para os insumos em que a empresa elegeu o método PRL e que sofreram agregação de valor ou para aqueles que, nas mesmas condições, foram provenientes do método originário PIC (itens para os quais não houve comprovação), a fiscalização recalculou os preços praticados (R$/kg), na forma CIF + II, isto é, Custo + seguros internacionais +fretes internacionais + Imposto de Importação, conforme preceituado pelo § 4o do artigo 4o da IN SRF nº 243/2002. Os preços parâmetro foram calculados de acordo com o item "b" do inciso IV do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. Cumpre ainda observar que, quando da realização do cálculo do preço parâmetro pelo PRL60, foi verificado que as quantidades de matéria prima consumida no produto eram diferentes da relação 1:1. Assim, a fiscalização aplicou o coeficiente insumo produto para ajustar o cálculo do preço parâmetro na mesma base do cálculo do preço praticado para efeitos de comparação. Os valores dos coeficientes de insumo produto foram fornecidos pela contribuinte, de acordo com a contabilidade e relatórios de produção, mediante a tabela "PRL60 Participação Insumo Produto", conforme consta no CD nº 1. Em relação ao cálculo do preço parâmetro, a fiscalização destaca 3 situações relativas à matéria prima importada de vinculada: (1) Matéria prima utilizada na produção de um único produto para venda; (2) Matéria prima utilizada na produção de mais de um produto para venda. Nesse caso, foram calculados mais de um preço parâmetro PRL60. Como a legislação brasileira de preços de transferência não admite que um insumo ou matéria prima tenha mais de um preço parâmetro, a solução encontrada pela fiscalização foi fazer a média ponderada para chegar num preço parâmetro único, para comparação com o preço praticado na importação; (3) Matéria prima utilizada na produção de um produto para venda e também revendida: A fiscalização apurou a média aritmética ponderada entre o valor obtido do PRL20 e o valor obtido a partir do PRL60, de modo a chegar a um único valor de preço parâmetro, utilizado para comparação com o preço praticado na importação (nos moldes da SCI Cosit nº 30, de 30/07/08). Cumpre ainda observar que foram detectados casos de itens importados de empresas vinculadas, não vinculadas, comprados no mercado interno e/ou fabricados, cujas quantidades estão sob o mesmo "código do item". No atinente às quantidades de ajustes, especificamente para o PRL60, foi solicitado à contribuinte o preenchimento de duas tabelas, quais sejam, "PRL60 Quantidade Consumida de Insumo" e "PRL60 Quantidade de Insumo nos EF dos Produtos". A fiscalização Fl. 11645DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16561.720113/201251 Acórdão n.º 1301001.781 S1C3T1 Fl. 14 7 solicitou à contribuinte que as preenchesse com os dados de quantidades referentes somente às parcelas importadas de empresas vinculadas mais estoque inicial. A partir dos dados fornecidos, calculouse a quantidade de ajuste para cada item, nos termos do "Demonstrativo de Quantidade de Ajuste PRL60". Deste modo, foram utilizadas as quantidades fornecidas pela contribuinte para o cálculo das quantidades de ajustes. Pequenas divergências encontradas em função de perdas de estoque, ajustes de inventário, foram sanadas, limitando tais valores à soma das quantidades importadas de vinculadas mais estoque inicial. Desta forma, mediante o método PRL60, a fiscalização apurou o ajuste para o ano calendário de 2007 no montante de R$ 15.479.931,00, já deduzidos os valores declarados pela contribuinte no LALUR. O demonstrativo de apuração e respectivas memórias de cálculos constam do Relatório "Consolidação PRL60 e PRL20/60". DA CONSOLIDAÇÃO DA APURAÇÃO O montante consolidado passível de ajuste no LALUR, atinente às operações de importação da contribuinte (Relatório "Consolidação PT Importação"), resultou em R$ 23.029.723,72. Subtraindose o valor excedente ajustado pela empresa (R$ 4.046.719,96 = R$ 11.000.000,00 – R$ 6.953.280,04), conforme os esclarecimentos anteriores, obtémse o montante de R$ 18.983.003,76, passível de ajuste no LALUR, no lucro real e na base de cálculo da CSLL. DA MULTA REGULAMENTAR De acordo com o Termo de Constatação e Intimação de 18/05/2012 (fls. 974 a 976), a fiscalização detectou incorreções na tabela "Insumo Produto Anual" e intimou a contribuinte a sanálas. Em sua resposta à intimação, a empresa simplesmente afirmou que havia incorreções na tabela "Insumo Produto Anual", mas não procedeu às retificações necessárias para solucionar as inconsistências, conforme determinado no Termo. Destarte, em virtude do acima exposto e, tendo em vista as várias versões entregues pela contribuinte da tabela "Insumo Produto Anual, para as quais não se obteve um atendimento satisfatório por parte da empresa, quanto ao solicitado no Termo de 27/04/2012 (fls. 966 a 968), a fiscalização declarou instituída a multa regulamentar no valor de R$ 2.694,79, nos ditames do artigo 968 do RIR/99. 3. DOS RELATÓRIOS DE CONSOLIDAÇÃO DOS CÁLCULOS DE PT A fiscalização apresenta, às fls. 9866/9869, descrição detalhada dos campos dos relatórios de consolidação dos preços de transferência, a seguir relacionados: • "Consolidação PT Importação" • "Consolidação PRL20" • "Consolidação PRL60 (e PRL 20/60)" Além dos relatórios de consolidação, a fiscalização apresenta, às fls. 9869/9875, os demonstrativos de cálculo de algumas variáveis, como os valores de preços praticado, parâmetro e líquido de venda unitário, obtidos a partir dos dados fornecidos pela contribuinte, a seguir relacionados: Fl. 11646DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 8 • Demonstrativo do Preço Praticado PRL20 • Demonstrativo do Preço parâmetro PRL20 • Demonstrativo da Quantidade de Ajuste PRL20 • Demonstrativo do Preço Praticado PRL60 • Demonstrativo do Preço parâmetro PRL60 • Demonstrativo do Preço Líquido de Venda Unitário PRL60 • Demonstrativo da Quantidade de Ajuste PRL60 • Demonstrativo da Quantidade de Ajuste na Revenda PRL20/60 4. DAS TABELAS DE DADOS A fiscalização gravou em arquivo magnético (CD nº 1) as últimas versões das principais tabelas entregues, contendo os dados utilizados nos cálculos de preço de transferência, tabelas estas em formato Access que não foram inseridas no eProcesso, devido aos seus tamanhos peculiares e eventuais facilidades de mecanismos de busca que se perderiam caso houvesse a digitalização e conversão em pdf. Este arquivo magnético se encontra junto à DIPAC da DEMAC à disposição para eventuais consultas. As referidas tabelas são as seguintes: • “Ajustes de Importação do Ano Fiscalizado" • “Importações" • “Insumo Produto Anual" • “Inventário" • “PRL60 Participação Insumo Produto" • “PRL60 Quantidade de Insumo Consumida na Produção" • “PRL60 Quantidade de Insumo nos EF dos Produtos" • “Vendas" Em um segundo arquivo magnético (CD nº 2) foram gravadas as memórias de cálculo fornecidas pela contribuinte (cópia do CD entregue à Fiscalização, em 22/08/2012), para eventuais consultas necessárias à disposição na DIPAC da DEMAC. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 11647DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16561.720113/201251 Acórdão n.º 1301001.781 S1C3T1 Fl. 15 9 Cientificada dos lançamentos em 28/11/2012, a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos, apresentou, em 27/12/2012, a impugnação de fls. 9903/9959, alegando, em síntese, o seguinte: PRELIMINARMENTE DO ERRO DE CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO NECESSIDADE DE SE ABATER TODO O VALOR PAGO PELA IMPUGNANTE Por razões operacionais internas, no momento em que a DIPJ/2008 foi entregue, a impugnante não dispunha de cálculos precisos quanto aos ajustes a título de preços de transferência. Dessa forma, conservadoramente, a impugnante optou por oferecer à tributação o valor de R$ 11.000.000,00. Em momento posterior à entrega da DIPJ os cálculos foram finalizados, e o ajuste apurado foi da ordem de R$ 6.953.280,04, de modo que houve, de fato, um "excesso de ajuste" correspondente justamente à diferença entre os dois valores informados (R$ 4.046.719,96). Esse "excesso de ajuste" (R$ 4.046.719,96) foi considerado pela fiscalização totalmente dedutível do ajuste total que viesse a ser calculado ao término da ação fiscal. Diante deste cenário, seria de se supor que não apenas os R$ 4.046.719,96 seriam deduzidos do valor total do ajuste apurado pela fiscalização ao final da ação fiscal, mas o montante total correspondente a R$ 11.000.000,00 seriam considerados, igualmente, dedutíveis do ajuste apurado. Ocorre que, apesar de a fiscalização alegar que deduziu todos os valores já declarados pela impugnante referentes aos ajustes efetuados espontaneamente, verificase que não houve a dedução integral do valor calculado ao final da ação fiscal. Isso porque, se fossem somadas as parcelas de ajuste espontâneo imputadas pela fiscalização na apuração de cada método, o resultado não poderia ser diferente de R$ 6.953.280,04, que, somado ao valor do "excesso de ajuste" (R$ 4.046.719,96), remontariam aos R$ 11.000.000,00 declarados no LALUR, tidos como totalmente dedutíveis. Conforme se observa do demonstrativo a seguir, a fiscalização deduziu somente o valor de R$ 1.208.020,30, além do "excesso de ajuste" correspondente a R$ 4.046.719,96, do ajuste total apurado ao final da ação fiscal. Método~ Ajuste da Fiscalização Ajuste da Contribuinte PRL 20 R$ 7.549.792,72 R$ 1.049.229,00 PRL 60 R$ 15.479.931,00 R$ 158.791,30 TOTAL R$ 23.029.723,72 R$ 1.208.020,30 Neste sentido, a fiscalização deixou de deduzir o valor de R$ 5.745.259,74 correspondentes ao restante do ajuste efetuado espontaneamente pela impugnante (R$ 6.953.280,04 – R$ 1.208.020, 30). Destaquese que a fiscalização limitouse a indicar o valor de ajuste efetuado pela impugnante que seria considerado por ela no cálculo do ajuste final devido sem, Fl. 11648DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 10 no entanto, justificar o porquê de não ter aceito a integralidade do valor informado na DIPJ/2008. Tratase de evidente equívoco material, de modo que a impugnante faz jus ao abatimento da diferença correspondente a R$ 5.745.259,74 do valor do valor total do ajuste efetuado pela fiscalização. Tratase de medida que se impõe em vista da necessidade de coerência da fiscalização na adoção de critérios de cálculo. DAS DIVERGÊNCIAS QUANTO À APURAÇÃO DOS PREÇO DE TRANSFERÊNCIA SEGUNDO O MÉTODO PRL A divergência entre os ajustes de preço de transferência apurados pela impugnante e pela autoridade fiscal se deve à forma de cálculo dos preços parâmetro segundo o método PRL, mais especificamente, quanto à inclusão dos valores de frete, seguros e impostos devidos na importação e quanto à sistemática de cálculo do preço parâmetro dos produtos aplicados à produção. Ilegalidade da sistemática de aplicação do método PRL60 prevista na IN SRF nº 243/2002 A autoridade fiscal desconsiderou as memórias de cálculo apresentadas pela impugnante referentes à aplicação do método PRL60, elaborando um novo cálculo, de acordo com a metodologia prevista na IN SRF nº 243/2002. Ocorre que os ajustes com base na sistemática trazida pela IN SRF nº 243/2002 devem ser cancelados de plano, tendo em vista que tal sistemática constitui uma inovação ilegal em relação ao texto da Lei nº 9.430/96. As diferenças entre as sistemáticas da Lei nº 9.430/96 e da IN SRF nº 243/2002 acabam por gerar resultados distintos para o mesmo cálculo do preço de transferência segundo o método PRL60. Como resultado, despesas que são dedutíveis segundo uma sistemática passam a ser indedutíveis segundo a outra. A MP nº 478/2009, que não foi convertida em lei, tentou incluir, no corpo da Lei nº 9.430/96, a sistemática de cálculo prevista apenas na IN SRF nº 243/2002. Para a impugnante é claro que o intuito do legislador, ao editar a referida MP, foi o de criar uma disciplina jurídica nova, cuja vigência abrangeria apenas os fatos posteriores à sua entrada em vigor (ou, melhor dizendo, fatos ocorridos a partir do ano seguinte à conversão da MP nº 478/2009 em lei, em atenção ao disposto no artigo 62, §2º da CF/88). Com isso, fica ainda mais evidente que a metodologia prevista na IN SRF nº 243/2002 não encontrava amparo no texto legal anterior; e continuou a não ter esse respaldo, haja vista que a MP nº 478/2009 não foi convertida em lei. Não é outra a conclusão a que se chega a partir da leitura da Exposição de Motivos da MP nº 478/2009, que indica a necessidade de “instituir, em dispositivo legal, essas medidas que hoje constam apenas em Instrução Normativa”. Com isso, fica evidente que a sistemática de cálculo do método PRL60 prevista na IN SRF nº 243/2002 somente poderia prevalecer se a MP nº 478/2009 tivesse sido aprovada pelo Congresso Nacional e, ainda assim, para fatos ocorridos após a sua edição. A metodologia de cálculo prevista pela IN SRF nº 243/2002 somente veio a possuir respaldo legal com a publicação da MP nº 563/2012 e com a sua posterior conversão na Lei nº 12.715/2012. A partir de então, é certo que o critério de cálculo previsto pela instrução normativa passou a ter respaldo legal, não se podendo mais questionar a sua legalidade. No entanto, o mesmo não pode ser dito em relação ao Fl. 11649DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16561.720113/201251 Acórdão n.º 1301001.781 S1C3T1 Fl. 16 11 período anterior à sua vigência, pois, da mesma forma que a MP nº 478/09, a MP nº 563/2012 não veio a retificar realidade preexistente, mas buscou, sobretudo, instituir nova realidade. A ilegalidade da referida sistemática já foi, inclusive, reconhecida pelo TRF da 3º Região, que, ao julgar a apelação cível nº 003404852.2007.4.03.6100/SP, afastou a aplicação da IN SRF nº 243/2002 para o método PRL60. Também o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao julgar, em abril/2012 o processo administrativo nº 16561.000185/200711, reconheceu, pela primeira vez, a ilegalidade da IN SRF nº 243/02 (Acórdão nº 1302000.915, ementa à fl. 9113). Reconhecida a ilegalidade da IN SRF nº 243/2002, no que tange à forma de cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL60, ainda que se entenda, contrariando todo o quanto será exposto no tópico seguinte, que do preço praticado não deveriam ser excluídos os valores de frete, seguros e impostos devidos na importação, a apuração do preço parâmetro considerando a sistemática de cálculo prevista pela Lei nº 9.430/96 conduziria a um ajuste significativamente inferior àquele apurado pela fiscalização. Métodos PRL20 e PRL60 – Indevida inclusão de frete, seguro e impostos na apuração do preço praticado A apuração do PRL20 e do PRL60 pela autoridade fiscal levou em consideração preços praticados que incluem custos de seguro, frete e impostos. A impugnante entende, diversamente do que manifestou a autoridade fiscal, que o preço praticado não pode incluir aquelas parcelas, mas tão somente o custo do bem importado, único dispêndio realizado em favor de parte vinculada no exterior. Tendo em vista que a inclusão de frete, seguro e tributos no preço praticado é um tema recorrente, desde logo, fazse mister destacar o recentíssimo julgado da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF (acórdão n.º 110200.302), o qual entendeu que os valores de frete, seguro e Imposto de Importação não podem integrar o preço praticado. As conclusões as quais chegou o relator do supracitado julgado estão em conformidade com o acórdão nº 10809.763 da 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no qual também foi posta em prática a feliz noção de que os valores de frete, seguro e tributos sobre a importação devem ser neutros quanto ao controle dos preços de transferência. Aduzse daqueles julgados que tal neutralidade se concretiza na medida em que frete, seguro e tributos sobre as importações não gerem, por si sós, qualquer necessária adição ao lucro real. Com efeito, frete, seguro e tributos sobre importações não devem gerar ajustes porque não estão sujeitos aos limites de dedutibilidade impostos pelo artigo 18 da Lei nº 9.430/96. O que se chama “preço praticado" é a despesa abrangida pelo escopo do artigo 18 da Lei nº 9.430/96. É a despesa que se controla, que se submete aos limites decorrentes das regras de preços de transferência. Se um encargo não se insere no campo de incidência do referido artigo (como os dispêndios relativos a frete, seguro e tributos), então, por decorrência lógica, não integra o preço praticado. Fl. 11650DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 12 A interpretação lógica do § 6o do referido artigo conduz à convicção de que, "para efeito dedutibilidade“ indica uma confirmação da regra do caput, no seguinte sentido: já que os valores de frete, seguro e tributos sobre importações não estão sujeitos aos limites de dedutibilidade do caput, eles deverão integrar o custo (ainda que parte deste, por ser paga a pessoa vinculada o valor da mercadoria em si não seja integralmente dedutível, por se submeter aos referidos limites), para fins de apuração do lucro real (ou seja, fins de dedutibilidade). Vejase que o legislador foi muito preciso, ao estabelecer que as parcelas aqui comentadas devem ser dedutíveis, ainda que o custo da importação (o preço do produto em si), sofra limitações ante a aplicação dos métodos de preços de transferência. Assim, há que se destacar a ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 quanto a esse assunto. Enquanto o texto do § 6o do artigo 18 da Lei nº 9.430/96 dispõe que "integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação", a IN SRF nº 243/2002 omitiu a expressão "para efeito de dedutibilidade" no § 4o de seu artigo 4º. Em síntese, procuram as autoridades dizer que o método PRL, exatamente porque extrai do preço de revenda uma margem de lucro, resulta no custo do produto importado acrescido dos itens frete, seguro e Imposto de Importação. Ou seja: na lógica da fiscalização, o método PRL tem apenas dois componentes: custo e lucro; como frete, seguro e Imposto de Importação não compõem o lucro, então são eles parte do custo. Noutras palavras, o custo parâmetro, resultado da aplicação do método PRL, seria um custo acrescido de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Daí a lógica de o preço controlado ser acrescido de iguais parcelas. O raciocínio se revela, entretanto, equivocado, quando se considera que a margem de lucro a que se refere a Lei nº 9.430/96 é bruta, não líquida. Ou seja: pelo método PRL, o legislador pressupôs que a margem de 20% do preço de venda fosse suficiente para remunerar todos os fatores, que não o próprio produto importado. A margem de 20% do preço de venda, insistase, não é o lucro do importador; com aquela margem, o importador deve pagar seus gastos com propaganda, aluguel, garantia e todos os encargos que venha a sofrer; se houver alguma sobra, aí sim, haverá um lucro (líquido). O preço de revenda pode incluir outros custos, além do valor relativo a frete, seguro e tributos, como, por exemplo, custos com armazenagem. Tais valores integram o custo de revenda (preço parâmetro), mas não integram o preço da importação, isto é, o preço praticado. Em nada importa o fato de um custo integrar o preço de revenda; essa circunstância não foi prevista pelo legislador como fator que autorizasse a manipulação do preço praticado, o que, aliás, confirma a leitura, acima exposta, sobre a estrutura simplificada do método PRL. Em vista de tudo quanto se consignou acima, concluise que devem ser excluídos os valores de frete, seguro e impostos que compuseram os preços praticados considerados pela autoridade fiscal para aplicação dos métodos PRL20 e PRL60. Fl. 11651DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16561.720113/201251 Acórdão n.º 1301001.781 S1C3T1 Fl. 17 13 Comparação entre os diferentes possíveis cenários Como se vê, divergem a impugnante e a autoridade fiscal na apuração dos ajustes de preço de transferência quanto à inclusão dos valores de frete, seguros e impostos devidos na importação na apuração do preço praticado e quanto à sistemática de cálculo do preço parâmetro de produtos aplicados à produção segundo o método PRL. Conforme demonstrado, entende a impugnante (1) ser indevida a inclusão dos valores de frete, seguros e impostos devidos na importação na apuração do preço praticado (razão pela qual devese adotar o valor FOB) e (2) ser ilegal a forma de cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL60 trazida pela IN SRF nº 243/2002 (de modo a se adotar a sistemática de cálculo prevista na Lei nº 9.430/96). Considerando tais premissas, a impugnante procedeu ao cálculo dos ajustes de preço de transferência devidos no ano calendário de 2007, que resultou no montante de R$ 11.000.000,00, valor que foi posteriormente retificado e informado na sua DIPJ/2008 como correspondente ao montante de R$ 6.953.280,04. Tal valor, conforme já exposto, deve ser integralmente deduzido dos ajustes lançados, independentemente da posição que venha a prevalecer sobre os cálculos relativos ao PRL no tocante às discussões Lei x IN e CIF x FOB. No cenário preço parâmetro segundo a Lei nº 9.430/96 e preço praticado FOB, inexistiria ajuste possível de lançamento (ajuste total de R$ 5.394.885,13 e dedução de R$ 11.000.000,00, conforme doc. 08). No cenário preço parâmetro segundo a Lei nº 9.430/96 e preço praticado CIF, também inexistiria ajuste possível de lançamento (ajuste total de R$ 8.599.023,01 e dedução de R$ 11.000.000,00, conforme doc. 06). Por fim, no cenário preço parâmetro segundo a IN SRF nº 243/2002 e preço praticado FOB, o máximo ajuste possível de lançamento seria R$ 7.293.649,37 (ajuste total de R$ 18.293.649,37 e dedução de R$ 11.000.000,00, conforme doc. 09). É fundamental destacar que, em qualquer um dos três cenários vislumbrados acima, devese considerar o valor total já declarado pela impugnante de R$ 11.000.000,00 no seu LALUR no cálculo do ajuste final a ser realizado, ou seja, devese admitir não apenas a dedução do valor já considerado pela autoridade fiscal no cálculo do ajuste final devido objeto do presente Auto de Infração (R$ 5.254.740,26), como também o valor correspondente à diferença não considerada pela fiscalização (R$ 5.745.259,74), conforme restou evidenciado. Tais cenários, porém, cogita a impugnante apenas a título de argumentação, pois, conforme demonstrado, é indevida a inclusão dos valores de frete, seguros e impostos devidos na importação na apuração do preço praticado, bem como ilegal a forma de cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL60 trazida pela IN SRF nº 243/2002, razão pela qual o total de ajustes de preço de transferência apurado pela autoridade fiscal é indevido, sendo improcedente, portanto, o Auto de Infração por ela lavrado. PRL ponderado (PRL20 e PRL60) Analisandose as metodologias do PRL20 e do PRL60, constatase que não podem ser considerados um método único, visto que, se ambos fossem um só método, sua aplicação deveria sempre conduzir a um só resultado (preço parâmetro), mas isto que ocorre. Fl. 11652DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 14 Dessa forma, prevendo a legislação a aplicação do método mais favorável ao contribuinte (artigo 18, §4º, da Lei nº 9.430/96), falhou a autoridade fiscal ao combinar os preços parâmetro e utilizálos de forma pretensamente "ponderada", tendo em vista que não foi esta a escolha positivada na legislação brasileira. Em vista de todo o exposto, a impugnante requer o afastamento do método de cálculo da média ponderada para que lhe seja aplicável o método mais favorável, como, aliás, prevê a legislação aplicável. DA IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Na remota hipótese de não ser cancelado o Auto de Infração, devese, ao menos, excluir a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do artigo 161 do CTN e do artigo 61, § 3o, da Lei nº 9.430/96. Embora não seja objeto do Auto de Infração, o pedido de exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício pretende justamente evitar a futura cobrança desses encargos, razão pela qual a impugnante pede a sua apreciação. Tal procedimento que tem sido praticado indiscriminadamente pela Receita Federal do Brasil carece de fundamento legal, já que o § 3o do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, em consonância com o artigo 161 do CTN, é claro ao restringir a incidência dos juros de mora sobre o valor do principal lançado. No mesmo sentido é a jurisprudência do Conselho de Contribuintes (fls. 9141/9142). DAS CONCLUSÕES E DO PEDIDO Às fls. 9955/9958, a impugnante apresenta uma síntese de seus argumentos de defesa, e requer a impugnante que o Auto de Infração seja integralmente cancelado. Requer, ainda, que todas as intimações e notificações a serem feitas, relativas às decisões proferidas neste processo sejam encaminhadas aos seus procuradores, com cópia à impugnante. A DRJ/SÃO PAULO I decidiu a matéria por meio do Acórdão 1647.475, de 11/06/2013, julgando improcedente a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTES APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO. DEDUÇÃO DOS VALORES INFORMADOS NA DIPJ. Constatado que a fiscalização deduziu em sua apuração a totalidade dos ajustes informados pela contribuinte em sua DIPJ, não se observa qualquer irregularidade na ação fiscal quanto a esse aspecto. MÉTODO PRL60. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Fl. 11653DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16561.720113/201251 Acórdão n.º 1301001.781 S1C3T1 Fl. 18 15 Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. MÉTODO PRL. REVENDA E PRODUÇÃO. PREÇO PARÂMETRO. MÉDIA PONDERADA. Nos casos em que os insumos importados de pessoas vinculadas são em parte revendidos e em parte aplicados no processo produtivo, ao se eleger o PRL como método de apuração, o preço parâmetro será o preço médio ponderado resultante da aplicação do método PRL, com margem de 20% (PRL20), na hipótese de revenda, e do método PRL, com margem de 60% (PRL60), na hipótese dos insumos aplicados na produção. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de aspecto que não faz parte da presente lide, concernente à cobrança do crédito tributário, a autoridade julgadora não se manifesta a respeito de juros sobre multa de ofício. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. A contribuinte, por sua vez, apresentou recurso voluntário repisando, em síntese, os argumentos de sua peça impugnatória. É o relatório. Fl. 11654DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 16 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Em preliminar alega a ora recorrente nulidade do lançamento de ofício pela inobservância à norma contida no art. 20A da Lei 9.430/1996, introduzida pela Lei 12.715 promulgada em 17/09/2012. Neste particular aduz, em síntese, que a não intimação da recorrente para apresentar novo método de cálculo dos ajustes previstos nos termos da norma citada, importa a nulidade do lançamento de ofício e impõe o imediato cancelamento do auto de infração. Digase de passagem, que tais argumentos não foram suscitadas na fase de impugnação, só foram aduzidos nesta instância recursal, contudo por se tratar de matéria de ordem pública, passo a análise. No caso, constatase que a alteração legislativa citada foi promulgada em 17/09/2012, ou seja, o mencionado dispositivo, ao permitir a alteração da opção por um dos métodos de apuração de preços de transferência depois de iniciado o procedimento fiscal, estabeleceu tal faculdade em relação às apurações pertinentes ao ano calendário 2012 e seguintes. Assim, somente a partir do ano calendário 2012 o sujeito passivo pode formalizar a opção por meio da DIPJ, e é neste contexto que o Fisco está obrigado a intimar o sujeito passivo e facultarlhe a apresentação de novo cálculo, caso desqualifique o critério originalmente apontado na DIPJ. Embora apresente, inicialmente, nuances procedimentais, a nova norma legal, invocada pela contribuinte, tem verdadeiro caráter material, porque vinculada a uma opção com forma e prazo a ser exteriorizada, a ser observada durante todo o ano calendário, e que somente passou a ser possível a partir da apuração do ano calendário 2012 (IN/SRF 1.312/2012). Estas as razões, portanto, para REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento. Antes de adentrarmos ao mérito propriamente dito, insta analisar a alegação da recorrente de que a fiscalização não considerou como diferença dos ajustes a importância de R$ 11.000.000,00 cometendo enorme incoerência nos critérios de cálculo adotados. Com todo o respeito, tal alegação resta totalmente equivocada, a decisão recorrida trata a matéria conforme a seguir explicitada: "Analisandose os Relatórios "Consolidação PRL20", "Consolidação PRL60" e "Consolidação PT Importação", verificase que a fiscalização refez os cálculos de apenas alguns produtos (obtendo o ajuste total de R$ 24.237.744,24) e, com relação a esses produtos, deduziu os ajustes declarados pela impugnante em sua DIPJ (R$ 1.208.020,52), constatando uma diferença de R$ 23.029.723,72. Fl. 11655DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16561.720113/201251 Acórdão n.º 1301001.781 S1C3T1 Fl. 19 17 Quanto aos demais produtos, a fiscalização, evidentemente, aceitou os ajustes efetuados pela contribuinte, no montante de R$ 5.745.259,52, equivalente ao ajuste total da contribuinte (R$ 6.953.280,04) diminuído do ajuste abatido pela fiscalização (R$ 1.208.020,52). Assim sendo, há que se concluir que o ajuste total que a fiscalização entendeu correto foi de R$ 29.983.003,76 (R$ 24.237.744,24, recalculado, somado a R$ 5.745.259,524, aceito. Dessa forma, há que se observar que a fiscalização deduziu, sim, de sua apuração (R$ 29.983.003,76) todo o valor declarado pela contribuinte (R$ 6.953.280,04), obtendo a diferença tributável (a princípio) de R$ 23.029.723,72. Dessa diferença, deduziu o montante de R$ 4.046.719,96 (excesso de ajuste na DIPJ), apurando o total efetivamente tributável de R$ 18.983.003,76. Concluise, portanto, que a fiscalização, ao contrário do que entende a impugnante, deduziu de sua apuração (R$ 29.983.003,76, considerando todos os produtos) e, todo o montante de R$ 11.000.000,00 (R$ 6.953.280,04 + R$ 4.046.719,96), adicionado pela contribuinte em sua DIPJ." Constatase que no caso não há que se falar em falta de coerência entre os cálculos dos produtos realizados pela autoridade fiscal (ajuste total R$ 24.237.744,24 e dedução de R$ 1.208.020,52 do total declarado em DIPJ de R$ 6.953.280,04) e, os cálculos realizados e declarados pela própria recorrente para os demais produtos conforme trechos acima transcritos. No mérito extraise do relatório e voto combatido que a lide do presente processo relacionase a diferença apurada pela fiscalização nos cálculos de ajustes de preço de transferência nas operações de importações no ano calendário de 2007. A esse título a recorrente informou em sua DIPJ (AC/2007) adição ao lucro real e à base de cálculo da CSLL a importância de R$ 6.953.280,04, enquanto a autoridade fiscal apurou o valor no montante de R$ 23.029.723,72. Quanto a esta matéria insurgese a recorrente com relação a: (I) inclusão do valor do frete, seguros e impostos devidos na importação na apuração do preço parâmetro; (II) sistemática de cálculo de preço parâmetro de produtos aplicados à produção segundo o cálculo PRL; e (III) cálculo do preço parâmetro de produtos destinados ao mesmo tempo à revenda sem submissão de produtos a processo produtivo (sujeito à sistemática do PRL20), bem como à produção (sujeito ao PRL60) através do cálculo da média ponderada. (I) Com relação a inclusão do valor do frete, seguros e impostos devidos na importação na apuração do preço parâmetro a ora recorrente entende que o preço praticado não pode incluir tais parcelas, mas tão somente o custo do bem importado. Aduz, em síntese, que por não se tratarem de valores despendidos em aquisição internacional (importação) ou por não haverem sido pagos a pessoa vinculada, os custos com frete, seguros e tributos devidos na importação não se sujeitam aos limites de dedutibilidade previsto pelo artigo 18 da Lei 9.430/96. Cita jurisprudência em favor de sua tese. Fl. 11656DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 18 Na linha do quanto decidido por maioria de voto desta Turma de Julgamento (Acórdão 1301001.056, de 02/10/2012) e, para o deslinde desta questão, releva, de início, reproduzir as disposições da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, temos (verbis): Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...] § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. Como é cediço, o disposto no parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, acima transcrito, há muito disciplina a apropriação de custos na determinação da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas submetidas ao lucro real. Nesse sentido, assim dispõe o artigo 13 do Decreto Lei nº 1.598, de 1977. Art. 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matérias primas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; [...] O referido dispositivo constitui, inclusive, matriz legal dos artigos 289 e 290 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). Não cabe dúvida de que a disposição contida na Lei nº 9.430, de 1996, efetivamente diz respeito ao custo contábil. Resta claro, também, que a norma em comento tem aplicação genérica, isto é, não diz respeito a um determinado método de determinação de preço parâmetro, mas, sim, à determinação do custo em qualquer dos métodos preconizados no artigo em que se encontra inserida. Quando se trata de aplicação de métodos de preços de transferência, o cuidado que se deve ter (na consideração ou não do frete, seguros e tributos incidentes na importação na determinação do custo de importação) diz respeito a possibilidade de se distorcer os termos da comparação que se pretende empreender. De fato, a Instrução Normativa nº 38, de 1997, ao tratar das NORMAS COMUNS AOS CUSTOS NA IMPORTAÇÃO, estabeleceu que, na determinação do custo de bens adquiridos no exterior, o frete, o seguro e os tributos incidentes na importação poderiam ali ser computados (parágrafo 4º do artigo 4º). Fl. 11657DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16561.720113/201251 Acórdão n.º 1301001.781 S1C3T1 Fl. 20 19 Contudo, é inquestionável que a expressão PODERIA utilizada pelo ato normativo foi direcionada para os métodos dos Preços Independentes Comparados (PIC) e do Custo de Produção mais Lucro (CPL), como devidamente esclarecido em momento posterior pela Instrução Normativa nº 32, de 2001, conforme reprodução abaixo. Normas Comuns aos Custos na Importação Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos referidos nesta Seção, exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. [...] § 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. § 5º Nos preços apurados com base nos arts. 8º e 13, os valores referidos no parágrafo anterior poderão ser adicionados ao custo dos bens adquiridos no exterior, desde que sejam, da mesma forma, considerados no preço praticado para fins de dedutibilidade na tributação do lucro real. Não se pode olvidar que, para fins de preço de transferência, a comparação entre preço praticado e preço parâmetro deve se dar a partir de grandezas semelhantes. Ora, se os valores de frete, seguro e tributos incidentes na importação são computados na apuração do preço de revenda, e o que se deseja é apurar o preço parâmetro em patamares similares aos mesmos bens ou serviços adquiridos no Brasil e de partes independentes, necessariamente o custo do frete, seguro e os tributos não recuperáveis de importação deverão ser considerados. A regra, portanto, é a inclusão, na determinação do custo da importação, do frete, seguro e dos tributos devidos na importação. Dessa forma, entendo que os valores relativos a frete, seguro e imposto de importação devem compor a apuração do preço praticado, uma vez que compõem também o preço parâmetro. Isso porque o § 4º do art. 4º da IN SRF nº 243/2002 reflete o disposto no § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96, com a redação vigente à época dos fatos. (II) Com relação a discordância na sistemática de cálculo de preço parâmetro de produtos aplicados à produção segundo o método PRL insurgese a ora recorrente, em extenso arrazoado, sobre a ilegalidade da IN/SRF 243/2002. Entende, que o critério de cálculo previsto pela IN 243 somente passou a possuir embasamento legal com a publicação da MP 563/2012 e com a sua posterior conversão na Lei 12.715/2012. Traz a lume precedentes jurisprudenciais positivando seu entendimento. Fl. 11658DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 20 No caso, discutese a validade do lançamento fiscal efetivado em face da discordância entre a empresa fiscalizada e as autoridades fiscais a respeito da adequada e válida aplicação dos métodos de apuração dos “Preços de Transferência”, concernentes aos métodos PRL20 e PRL60 expressos nas disposições da IN/SRF 243/2002. Neste ponto, sem dúvida, reconhecese que a matéria é tema de relevantes debates nesta Corte Administrativa, envolvendo, em seu cenário, exatamente a discussão em torno da legalidade das disposições contidas na referida IN 243/2002, em face das disposições expressas na Lei 9.430/96. Inicialmente, ressalvo pequena divergência com relação a decisão recorrida, no que diz respeito tratar a IN SRF 243/2012 como norma jurídica. Ao meu ver, qualquer instrução normativa da Receita Federal que veicule matéria sob reserva legal, nada mais é do que mera interpretação da administração tributária a respeito de uma norma legal de regência. Assim, valhome dos ensinamentos do I. Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior (Acórdão 1302001.167, de 10/09/2013), cujos fragmentos transcrevo: "Com efeito, a norma jurídica, em matéria sob estrita legalidade, é apenas aquela veiculada por LEI ou Medida Provisória (observados os limites estabelecidos no § 2º do art. 62 da CF/88). Logo, os dispositivos da Instrução Normativa que desbordam da simples literalidade da norma legal não são normas jurídicas, mas meras interpretações da administração tributária, cabendo, assim, ao intérprete verificar se tal exegese encontra amparo na LEI. Tanto é assim, que o Regimento Interno da RFB (Portaria MF nº 203/2012), no inciso II do seu art. 1º dispõe que é finalidade da Receita Federal do Brasil “interpretar e aplicar a legislação tributária, aduaneira, de custeio previdenciário e correlata, editando os atos normativos e as instruções à sua execução”. É verdade que, por força do disposto no art. 13 combinado com o art. 42 da Lei Complementar nº 73/93, este Colegiado é obrigado a observar interpretações exaradas em pareceres da Procuradoria da Fazenda Nacional, quando ratificados pelo Ministro de Estado da Fazenda. Tratase, apenas, de uma regra de competência que não transforma o parecer em norma jurídica, mas apenas em uma interpretação vinculante para os órgãos do Ministério da Fazenda. Da mesma forma, os julgadores da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil estão vinculados, por uma regra de competência, às interpretações exaradas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, por meio de Atos Declaratórios e Instruções Normativas. Vínculo esse ao qual não está submetido o julgador do CARF, até mesmo porque é função deste Colegiado fazer o juízo (controle) de legalidade das interpretações da lei tributária feitas pela RFB. Pelo contrário, as interpretações do CARF é que podem vincular a RFB, uma vez que, por proposta do Presidente do CARF, do Secretário da Receita Federal do Brasil ou do Procurador Geral da Fazenda Nacional ou de Presidente de Confederação representativa de categoria econômica de nível nacional, habilitadas à indicação de conselheiros, o Ministro de Estado da Fazenda poderá atribuir à súmula do CARF efeito vinculante em relação à administração tributária federal (art. 75 do Anexo II da Portaria MF 256/09). Notese, por igual ao já dito, que não se trata de erigir a Súmula CARF à categoria de norma jurídica, mas de mera interpretação da norma tributária vinculante à toda administração. Diante do exposto, entendo, in casu, equivocada a afirmação de que “Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade...de normas jurídicas”. Ora, os incisos do § 11 do art. 12 da IN SRF 243/02 não veiculam uma norma jurídica, pois não encontra amparo ipsis litteris no inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Em verdade, os referidos incisos do § 11 são mera interpretação da Receita Federal do disposto no inciso II do art. 18 da Lei 9.430/96, o qual deve ser Fl. 11659DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16561.720113/201251 Acórdão n.º 1301001.781 S1C3T1 Fl. 21 21 objeto de juízo de legalidade por parte do julgador deste CARF, mormente por tal questão ser objeto do recurso voluntário." Assim, passo a analisar a questão posta, razão pela qual vale a transcrição dos dispositivos em cotejo (art. 18 da lei 9.430/1996 e art. 12 da IN/SRF 243/2002): Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; (REV) d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. § 1º As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e II e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. Fl. 11660DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 22 § 2º Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. § 3º Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados. § 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. § 7º A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. § 8º A dedutibilidade dos encargos de depreciação ou amortização dos bens e direitos fica limitada, em cada período de apuração, ao montante calculado com base no preço determinado na forma deste artigo. § 9º O disposto neste artigo não se aplica aos casos de royalties e assistência técnica, científica, administrativa ou assemelhada, os quais permanecem subordinados às condições de dedutibilidade constantes da legislação vigente. IN/SRF 243, de 2002 Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de Fl. 11661DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16561.720113/201251 Acórdão n.º 1301001.781 S1C3T1 Fl. 22 23 venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de Fl. 11662DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 24 valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Vêse que a lei estabelece a utilização do método PRL60 na hipótese de agregação de valor resultante de bens importados aplicados à produção. O ato normativo por sua vez menciona a agregação de valor de forma genérica, cabendo, ao caso, interpretações. Para fins de solução da controvérsia, contudo, o que importa apreciar é se a interpretação feita pela recorrente efetivamente traduz a disposição da lei, ou da mesma forma, verificar se a “interpretação oficial”, promovida pela Receita Federal e esposada na Instrução Normativa nº 243, reflete o comando da lei, de modo a afastar a acusação de ilegalidade. A primeira conclusão a que se chega quanto ao tema, e que não pode ser olvidada em nenhum momento nesta análise, consiste no fato de que a fórmula de cálculo deve ser capaz de apurar o preço parâmetro do bem importado insumo no caso considerado individualmente e no limite da margem de lucro legalmente estabelecida. Fl. 11663DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16561.720113/201251 Acórdão n.º 1301001.781 S1C3T1 Fl. 23 25 Com efeito, as regras de preços de transferência, introduzidas no ordenamento jurídico pátrio por meio da já citada Lei nº 9.430, de 1996, objetivam impedir que, por meio de artifícios, rendas que deveriam permanecer no país sejam transferidas para o exterior. Tratandose de operações de importação de bens, serviços e direitos, tais transferências poderiam se dar por meio de superfaturamento, em que os custos seriam artificialmente majorados. A diferença entre o custo majorado e o que seria incorrido em uma operação sem artificialismos revela o montante da renda que, indevidamente, está sendo remetido ao exterior. O que, no parágrafo anterior, denominouse CUSTO INCORRIDO SEM ARTIFICIALISMOS, nada mais é que o PREÇO PARÂMETRO almejado pela lei a partir do estabelecimento de métodos matemáticos. Repetindo minha convicção para o caso em estudo, em que me filio a linha de pensamento vitoriosa em diversos debate aqui nesta mesma Turma de Julgamento, por exemplo, Acórdão 1301001.056, Sessão de 02/10/2012, do qual transcrevo a seguir seus fundamentos como razão de decidir, por entender que suas conclusões definem melhor a matéria. "Observase que, no método em debate (PRL 60), o legislador partiu do preço de revenda para chegar ao custo. Assim, parece razoável que se possa buscar a expressão matemática do preço parâmetro por meio do caminho inverso, isto é, através dos elementos formadores do preço. Em elevada sintetização, a formação de preços consiste em um processo de acumulação de custos, acrescida de uma margem de lucro. Admitida uma liberdade terminológica, isto é, abandonado o rigor dos conceitos próprios da teoria econômica, podese afirmar que o preço praticado por determinado unidade produtiva resulta da soma dos custos totais incorridos no processo produtivo, incluídos aí a remuneração dos fatores de produção (valor agregado), acrescidos de uma margem de lucro. A grosso modo, o preço de venda (PV) de um determinado produto poderia ser assim determinado: PV = custo de importação dos insumos + custo incorrido no processo produtivo (remuneração de fatores = valor agregado) + impostos, descontos incondicionais, comissões, etc. (despesas fixas e variáveis) + margem de lucro. No caso da aplicação do método do Preço de Revenda menos Lucro o insumo importado utilizado no processo produtivo, o preço parâmetro representa o custo de importação livre dos elementos previstos na lei como integrantes do preço de revenda. Daí que se considera esse preço de revenda diminuído dos descontos incondicionais; dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; das comissões e corretagens pagas; da margem de lucro fixada pela lei (60% sobre o preço de revenda após deduzidos os descontos incondicionais, os impostos e contribuições incidentes sobre as vendas e as comissões e corretagens pagas); e do valor agregado do país. Exprimindo matematicamente esta primeira análise, teríamos: PP = PR – C/D – ML (PR – C/D) – VA Onde: PP = Preço Parâmetro; Fl. 11664DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 26 C/D = Custos e Despesas previstos na lei; ML = Margem de Lucro VA = Valor Agregado Considerando “PR – C/D” como Preço Líquido de Revenda (PLV), teríamos: PP = PLV – ML (PLV) – VA Vêse, pois, que, na metodologia do PRL, a determinação do preço parâmetro parte do preço de revenda para, excluindo os elementos formadores deste mesmo preço (custos e despesas incorridos; margem de lucro; e valor agregado) chegar ao valor de comparação estipulado pela lei. Noutra vertente, utilizandose a mesma nomenclatura acima, o preço parâmetro também poderia ser expresso da seguinte forma: PP = PLV – ML (PLV – VA) ou PP = PLV – ML (PLV) + ML (VA) Notese que, neste caso, o preço de comparação (preço parâmetro), que deveria representar o preço de revenda diminuído dos seus elementos formadores, passa a ser o preço de revenda diminuído dos custos e despesas incorridos e da margem de lucro incidente sobre ele, porém, acrescido da margem de lucro incidente sobre o valor agregado, o que, à evidência, revela artificialismo na sua determinação e desvio em relação ao pretendido pela lei. Como reforço à interpretação aqui expendida, segue, abaixo, pronunciamento do Ilustre Conselheiro Leonardo Andrade do Couto (acórdão nº 110200.610, de 23 de novembro de 2011), que, escudandose em estudo feito pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, naquilo que importa reproduzir, assinalou: [...] Em recente trabalho sobre o tema, a PGFN justifica o porquê da apuração nos termos supra estipulados em detrimento à sistemática suscitada pelo sujeito passivo, e esclarece que pela leitura do art. 18, da Lei nº 9.430/96 já se poderia chegar a essa conclusão: É importante ressaltar, nesse passo, que a fórmula mencionada pode ser extraída da leitura do art. 18 da Lei nº 9.430/96, considerando a falta de clareza na redação do item 1 do inciso II, in verbis: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; Fl. 11665DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16561.720113/201251 Acórdão n.º 1301001.781 S1C3T1 Fl. 24 27 De fato, é possível interpretar o texto legal no sentido de que o parâmetro seria obtido a partir da “média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País”. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente “sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores”. Nesse sentido, vale transcrever as observações de Ricardo Marozzi Gregório acerca da falta de clareza do texto legal: “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no “caput” do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 1 Nessa linha de raciocínio, notase que a expressão “do valor agregado” se refere ao termo “diminuídos” (inciso II), e não à palavra “deduzidos” (item 1 da alínea d). Como apontado no trecho citado, cuidase de técnica redacional inapropriada, voltada a evitar a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18, hipótese que se visualiza abaixo: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; Fl. 11666DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 28 d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. e) e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ... Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. Não resta dúvida de que a Instrução Normativa 243/2002 revela interpretação distinta da que foi feita pela a que lhe antecedeu (Instrução Normativa SRF nº 32, de 2001), mas isso não autoriza a conclusão de que a interpretação anterior estava em conformidade com a lei e a atual representou inovação. Ao contrário, como anteriormente demonstrado, a interpretação trazida pela Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, é a que melhor traduz os comandos estampados no art. 18 da Lei nº 9.430/96, vez que revela com maior precisão o objetivo almejado pelo referido diploma legal. No que diz respeito à proporcionalização, a questão é de ordem puramente matemática (e não jurídica), que empresta maior exatidão na determinação do preço parâmetro. Tratandose de comparação de custos (CUSTO LEGAL/PREÇO PARÂMETRO X CUSTO APROPRIADO), resta evidente que eu não posso confrontar o custo do insumo (PARTE DO PRODUTO) com o custo total do produto. Ademais, a proporcionalização em comento produz a exclusão in totum do valor agregado, permitindo, assim, a explicitação mais adequada do preço parâmetro. Fl. 11667DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16561.720113/201251 Acórdão n.º 1301001.781 S1C3T1 Fl. 25 29 A alegada “majoração (indevida) da base de cálculo do IRPJ e da CSLL”, logicamente, é mera decorrência de exercício interpretativo das disposições do art. 18 da Lei nº 9.430/96, que, afastando os preceitos da Instrução Normativa nº 243/2002, revelou alternativa matemática mais favorável para a determinação do ajuste exigido pela legislação de regência. O fato de a exposição de motivos da Medida Provisória nº 478, de 2009, assinalar que grande parte da legislação relativa a preços de transferência encontra se baseada em normas complementares não autoriza concluir que referida Medida pretendeu corrigir ilegalidades da Instrução Normativa SRF nº 243/2002. O objetivo, a bem da verdade, foi, nos exatos termos ali expressos, “reduzir a litigiosidade que a matéria tem suscitado”. Resta evidente que a inclusão da fórmula de determinação do preço parâmetro sob discussão em dispositivo com força de lei, a exemplo do que fez a Medida Provisória nº 563, de 03 de abril de 2012, atual Lei nº 12.715, de 2012, contribui para a redução dos litígios, mas, como dito, isto não significa dizer que a interpretação trazida pela norma complementar editada pela Receita Federal inovou em relação ao comando legal da qual ela emergiu. Em sentido contrário, temse que a contemplação em referência reafirma a procedência da interpretação infralegal, vez que representa absoluta convergência com o objetivo almejado pelas regras de preços de transferência. Cabe destacar que, não obstante a reprodução da metodologia trazida pela Instrução Normativa 243/2002, tanto a Medida Provisória nº 478, como a de nº 563, não trataram exclusivamente desta matéria (metodologia do cálculo do preço parâmetro), eis que promoveram, fundamentalmente, alteração na margem de lucro. Releva notar que os efeitos econômicos decorrentes da aplicação do método PRL60, residem, essencialmente, na fixação, pela lei, da margem de lucro de 60%, matéria em relação a qual, ao menos em seara administrativa, a autoridade julgadora não pode se desviar do estabelecido em lei. A Medida Provisória nº 563/2012 (Lei nº 12.715, de 2012), ao reproduzir a metodologia estampada na Instrução Normativa 243/2002, joga por terra o argumento de que referida norma complementar viola o princípio “arm’s lenght” e reafirma o reverberado por densa doutrina no sentido de que, visto pela ótica econômica, o fator negativo do método PRL 60 repousa na margem de lucro de 60%, considerada excessiva se comparada a aplicável aos casos de importação para revenda (20%). Aqui, não se está negando eventuais efeitos negativos, do ponto de vista econômico, da fórmula estampada na IN 243, mas, apenas, destacando que ela retrata de forma fiel o estabelecido pela lei de regência. Concluiu, assim, o Colegiado, no sentido de que a expressão matemática extraída das disposições da IN 243 é a que otimiza o pretendido pelas normas de preços de transferência, eis que: i) matematicamente, preserva uma margem de lucro mínima, no patamar fixado pela lei (60%); ii) possibilita o ajuste tomando por base o insumo importado, e não o valor total do produto dele decorrente; iii) exclui integralmente o valor agregado, permitindo a explicitação do preço parâmetro livre de qualquer artificialismo; e iv) em que pese eventuais distorções econômicas no âmbito em que é aplicada (empresas submetidas ao controle), alcança o objetivo pretendido pelas normas de preços de transferência." Fl. 11668DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 30 Nesta linha de pensar, entendo que descabe falar em ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, na situação em que ela estabelece a hipótese em que pode ser aceita a aplicação do PRL 20 (situação em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados). No caso, o ato normativo complementou, em absoluta conformidade com o art. 100 do Código Tributário Nacional, a disposição de lei, esclarecendo a amplitude dos termos “revenda” e “produção” por ela utilizados. Assim, quando a referida Instrução Normativa estabelece que o método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento não pode ser aplicado quando há agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados (parágrafo 9º do art. 12), não inova em relação ao disposto na lei de suporte, apenas explicita, em perfeita consonância com a teoria econômica e contábil, o significado das expressões “produção” e “revenda” utilizados por ela. Com efeito, na “revenda” o que temos são encargos necessários à comercialização dos bens, serviços ou direitos, que não se agregam ao custo; na “produção”, diferentemente, os gastos são incorridos no processo interno de geração de bens por parte da empresa, sendo eles agregados ao custo. No caso, não se trata de buscar na lei o conceito de “agregação de valor”, mas de investigar se nela existe tal elemento como indicador da diferença entre as atividades de PRODUÇÃO e REVENDA. Não parece restar dúvida de que a Lei nº 9.430, de 1996, ao determinar a exclusão do valor agregado na determinação do preço parâmetro com base no método PRL60, deixa claro que, ressalvadas obviamente as margens de lucro fixadas, este é o elemento de diferenciação dos métodos, isto é, se existe AGREGAÇÃO DE VALOR AO CUSTO, estamos diante de PRODUÇÃO, se não existe referida agregação, mas, sim, encargos (despesas) de comercialização, tratase de mera REVENDA. (III) Com relação ao cálculo do preço parâmetro de produtos destinados ao mesmo tempo à revenda sem submissão de produtos a processo produtivo (sujeito à sistemática do PRL20), bem como à produção (sujeito ao PRL60) através do cálculo da média ponderada insurgese a recorrente que tratandose de 2 (dois) métodos distintos há que prevalecer aquela mais favorável ao contribuinte por força do disposto no artigo 18, § 4º, da Lei nº 9.430/96 e, não a média ponderada conforme aplicada pela fiscalização. Neste tópico importa ressaltar os seguintes trechos extraídos do TVF (item 2.2.2.2 Método PRL): "É de se ressaltar que esta Fiscalização buscou respeitar as escolhas do contribuinte, no tocante aos métodos de cálculos utilizados. No entanto, para os cálculos em que a utilização do método "PIC" não pode ser comprovada, não lhe restou outra alternativa, senão a de proceder ao recálculo dos respectivos ajustes, efetivamente pelo método "PRL", sem deixar, no entanto, de levar em conta os valores de ajustes já efetuados pelo contribuinte. [...] Noutro giro, há que se realçar a adoção, pela empresa, da IN SRF 32/01 em detrimento da IN SRF 243/02, para os cálculos do preço de transferência, sem apresentar as razões jurídicas para a utilização da primeira. Para os recálculos acima descritos, os insumos foram divididos em dois grupos: aqueles que não sofreram agregação de valores no país e simplesmente Fl. 11669DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16561.720113/201251 Acórdão n.º 1301001.781 S1C3T1 Fl. 26 31 foram revendidos (PRL com margem de 20%) e aqueles que sofreram agregação de valores antes de serem vendidos (PRL com margem de 60%), englobando neste último grupo os casos mistos (revenda, produção e revenda+produção). [...] Outra situação encontrada na empresa Siemens Ltda., para elaboração dos cálculos do preço parâmetro com margem de 60% (PRL60) foi aquela em que o insumo importado é utilizado na produção e também é revendido. Como a legislação brasileira de preços de transferência não admite que um insumo ou matéria prima tenha mais de um preço parâmetro, a Fiscalização apurou a média aritmética ponderada entre o valor obtido do "PRL20" e os valores obtidos a partir do "PRL60", de modo a chegar a único valor de preço parâmetro, utilizado para comparação com o preço praticado na importação (nos moldes da SCI Cosit 30, de 30/07/08)." A citada Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit 30, de 30/07/2008, encontrase fundamentada nos seguintes termos. O cerne da questão está na aplicação do § 2º do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002. Este dispositivo normativo apresenta o seguinte conteúdo: “Normas Comuns aos Custos na Importação Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos de que tratam os arts. 8º a 13, exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. § 1º A determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação, quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pela própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito, somente será efetuada com base nos métodos de que tratam o art. 8º, a alínea "b" do inciso IV do art. 12 e o art.13. § 2º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, devendo o método adotado pela empresa ser aplicado, consistentemente, por bem, serviço ou direito, durante todo o período de apuração. (...) Conclusão Nos casos em que os insumos importados de pessoas vinculadas são aplicados em parte no processo produtivo e em parte são revendidos, ao se eleger o PRL como método de apuração, o preço médio ponderado do período será o resultante da aplicação do método PRL, com margem de vinte por cento, na hipótese de revenda, e do método PRL, com margem de sessenta Fl. 11670DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 32 por cento, na hipótese dos insumos aplicados na produção. Esse será o preço médio ponderado do método PRL apurado para o período anual a ser comparado com os outros dois métodos de apuração (PIC e CPL)”. Vêse, então, que a citada SCI Cosit veio dar praticidade ao determinado no § 2º do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, que tem por base § 1º conjugado com o § 4º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. § 1º As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e II e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. Fl. 11671DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16561.720113/201251 Acórdão n.º 1301001.781 S1C3T1 Fl. 27 33 § 2º Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. § 3º Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados. § 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. Já com relação a IN SRF 243, de 2002, de fato, criou novos conceitos e variáveis para o cálculo; porém, eles estão em conformidade com o que prescreve o artigo 18 da Lei 9.430, de 1996. QUESTÕES SUBSIDIÁRIAS Impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Alega a recorrente que tal cobrança carece de fundamento legal, já que o § 3º do art. 61 da Lei 9.430/96, em consonância com o art. 161 do CTN, é claro ao restringir a incidência de juros de mora sobre o valor principal lançado. Aduz, ainda, subsidiariamente, se decorrer do presente julgamento empate de votos, a decisão resultará pelo chamado "voto de qualidade", e, neste caso, requer nos termos do art. 112 do CTN sejalhe favorável com o conseqüente cancelamento da multa. Pois bem. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se, a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Para uma melhor compreensão da matéria, vejamos o que diz os dispositivos legais acerca das multas e dos juros de mora, incidentes sobre os créditos tributários não pagos nos respectivos vencimentos. Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 CAPÍTULO VII – Das Multas e dos Juros de Mora Art. 59 – Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de um por Fl. 11672DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 34 cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. .......................... Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Recita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. Fl. 11673DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16561.720113/201251 Acórdão n.º 1301001.781 S1C3T1 Fl. 28 35 § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Da leitura dos dispositivos legais transcritos, se depreende claramente que os legisladores definiram inicialmente como base de incidência de juros de mora, tributos e contribuições e, posteriormente, débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União. Logo, em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, no crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. A própria dicção da Súmula nº 4 do CARF corrobora nossos argumentos, na medida em que fala genericamente em débitos tributários: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ou seja, o valor originário do débito, sobre o qual incidem os juros de mora, não exclui a multa de ofício. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo, sujeitase aos juros de mora com base na taxa SELIC. Portanto, nos termos da legislação transcrita, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. CSLL Quanto ao auto de infração relativo à CSLL, uma vez que decorrente da apuração do IRPJ, ou seja, com base nos mesmos pressupostos fáticos e em face das mesmas razões de defesa, aplicase mutatis mutantis o que foi decidido quanto à exigência do IRPJ. Fl. 11674DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 36 Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 11675DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 11634.720182/2013-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ - CONTA ADIANTAMENTO DE CLIENTES - REMESSAS EFETUADAS PELAS EMPRESAS FRANQUEADAS - VENDAS À VISTA - FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO CORRESPONDENTE
Os valores repassados pelas empresas franqueadas, decorrentes da venda à vista de produtos da marca Ortobom e de outras mercadorias fornecidas pelo franqueador (a interessada), representam, em todos os seus elementos constitutivos, o negócio jurídico de uma operação de compra e venda; como tais repasses materializam o exato montante da receita de vendas à vista a ser reconhecida pelo franqueador, os valores constante dessa conta cujo oferecimento à tributação não restou comprovado são considerados mantidos à margem da escrituração.
Além do mais, o Recurso Voluntário deve estar instruído com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não possuem valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
DECADÊNCIA - IRPJ E LANÇAMENTOS REFLEXOS. Os tributos e contribuições cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa sujeitam-se à modalidade de lançamento por homologação, tendo o seu prazo decadencial regido pelo art. 150, § 4º, do CTN.
MULTA DE OFÍCIO DE 75% - EXPRESSAPREVISÃOLEGAL - ARTIGO 44,I,DALEI Nº 9.430/96 - CARÁTER CONFISCATÓRIO - NÃO CARACTERIZADO
De acordo com o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96 é cabível a aplicação de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento).
A vedação ao confisco prevista na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei nos moldes que o poder competente a instituiu.
Portanto, legítima a aplicação da multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de ofício, porquanto em conformidade com a legislação de regência.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais.
DECORRÊNCIA. CSLL, COFINS E PIS.
Tratando-se de tributações reflexas de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento à CSLL, à Cofins e ao PIS.Ano-calendário: 2008, 2009
Numero da decisão: 1202-001.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, em rejeitar as preliminares suscitadas e em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima- Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Maria Elisa Boechat, Gilberto Baptista, Ricardo Diefenthaler, André Almeida Blanco, Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ CONTA ADIANTAMENTO DE CLIENTES REMESSAS EFETUADAS PELAS EMPRESAS FRANQUEADAS VENDAS À VISTA FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO CORRESPONDENTE Os valores repassados pelas empresas franqueadas, decorrentes da venda à vista de produtos da marca Ortobom e de outras mercadorias fornecidas pelo franqueador (a interessada), representam, em todos os seus elementos constitutivos, o negócio jurídico de uma operação de compra e venda; como tais repasses materializam o exato montante da receita de vendas à vista a ser reconhecida pelo franqueador, os valores constante dessa conta cujo oferecimento à tributação não restou comprovado são considerados mantidos à margem da escrituração. Além do mais, o Recurso Voluntário deve estar instruído com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não possuem valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA IRPJ E LANÇAMENTOS REFLEXOS. Os tributos e contribuições cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa sujeitamse à modalidade de lançamento por homologação, tendo o seu prazo decadencial regido pelo art. 150, § 4º, do CTN. MULTA DE OFÍCIO DE 75% EXPRESSAPREVISÃOLEGAL ARTIGO 44,I,DALEI Nº 9.430/96 CARÁTER CONFISCATÓRIO NÃO CARACTERIZADO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 01 82 /2 01 3- 21 Fl. 7823DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 2 De acordo com o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96 é cabível a aplicação de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). A vedação ao confisco prevista na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei nos moldes que o poder competente a instituiu. Portanto, legítima a aplicação da multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de ofício, porquanto em conformidade com a legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais. DECORRÊNCIA. CSLL, COFINS E PIS. Tratandose de tributações reflexas de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL, à Cofins e ao PIS.Ano calendário: 2008, 2009 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, em rejeitar as preliminares suscitadas e em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Maria Elisa Boechat, Gilberto Baptista, Ricardo Diefenthaler, André Almeida Blanco, Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase o presente de Recurso Voluntário e de Ofício provenientes de procedimento fiscal autorizado pelo Mandado de Procedimentos Fiscal MPF n° 09.1.02.00 2011002299 – para os anoscalendários de 2008 e 2009. Contra a contribuinte foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS Fl. 7824DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 11634.720182/201321 Acórdão n.º 1202001.207 S1C2T2 Fl. 21 3 Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL. O lançamento fiscal, com base no lucro real anual, nos termos dos arts. 904 e 926 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 – RIR/99, Decreto nº 3000/99 , decorreu da falta de reconhecimento da receita correspondente aos valores contabilizados a crédito da conta nº 2.2.01.03.01.0010 – Adiantamentos de Clientes, com contrapartida devedora nas contas Banco Bradesco C/C 164470, Visanet, Redecard, Hipercard e Amex. Considerando que a contribuinte deixou de identificar as operações às quais se referem aos valores registrados a crédito na conta – Adiantamentos de Clientes foi no lançamento fiscal considerado que os adiantamentos constituíram receita omitida, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 7371/7401) e detalhado nas planilhas Lançamentos Conta 2.2.01.03.01.0010 – Adiantamentos de Clientes (fls. 72117295) e Exclusões da Base de Cálculo (fl. 7210), com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249/95, e arts. 247, 248, 249, II, 251, 277, 278, 279, 280 e 288 do RIR de 1999. Intimada em 27/03/2013, a contribuinte apresentou, em 26/04/2013, tempestiva impugnação de fls. 7470/7489, instruída com os documentos de fls. 7495/7663, cujo teor é sintetizado a seguir: no tópico “Das despesas necessárias” alega que os valores glosados pela fiscalização referemse a efetivas transações comerciais legais, valores estes tidos como usuais e normais (art. 299, §§ 1º e 2º, do RIR de 1999); que não existe mascaramento no auferimento da receita operacional, até porque as despesas estão devidamente comprovadas pelo Contrato Padrão de Franquia Empresarial; que o art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, também não veda as deduções efetuadas no contrato de franquia; como a análise simples do procedimento contábil é insuficiente para perfeita interpretação dos atos e fatos registrados, demonstra a composição dos valores descontados das vendas efetuadas pelos franqueados: . exemplifica que a Fabricadora (impugnante) emite ao franqueado uma nota fiscal de mercadoria em consignação, que fica em exposição na loja do franqueado; . quando o franqueado vende um colchão, o pedido é encaminhado à Fabricadora, sendo que o valor da venda com cartão de crédito (máquina alugada junto à administradora do cartão) cai diretamente na conta corrente da interessada no Bradesco, enquanto os valores em dinheiro ou cheque são depositados pelo franqueado nessa conta bancária; os valores enviados para a conta corrente no Bradesco são contabilizados na conta Adiantamento de Clientes; . a Fabricadora produz o colchão e emite nota fiscal de venda para o franqueado, que tem descontado os valores previstos na cláusula oitava do contrato de franquia, constantes da Nota de Débito de cada franqueado: (i) cheques sem fundo e cartões estornados/devolvidos; (ii) royalties; (iii) taxa de aluguel de Fl. 7825DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 4 cartão de crédito; (iv) taxa de juros sobre venda financiada; (v) valores relativos a campanhas publicitárias, reformas na loja e outros financiamentos suportados pela Fabricadora em apoio às atividades dos franqueados; junta aos autos algumas “pastas de franquias” que detalham os valores descontados (doc. 01); que em momento algum a fiscalização perquiriu sobre a existência de contrato entre a administradora de cartões de crédito e a impugnante, e nem se havia contrato de cessão e transferência de direitos de crédito com os franqueados (doc. 02); que o contrato de franquia é verdadeiro instrumento firmado entre particulares, com registro público e duas testemunhas; que a ausência da análise desse contrato macula o lançamento fiscal; no tópico “Diligências efetuadas pela Fiscalização. Falta de conhecimento da impugnante. Nulidade.” asseverou que a falta de ciência do resultado das diligências efetuadas pela autoridade fiscal compromete a sua validade probante, porquanto cerceou o seu direito à ampla defesa e ao contraditório; que na diligência da franqueada Comércio de Colchões da Família foi apurado que esta teria recebido R$ 97.787,34 da impugnante em 03/11/2009, cujo valor está registrado em sua contabilidade como devolução de adiantamento; que o valor apontado pela fiscalização não guarda pertinência com a franqueada intimada, até porque, por previsão contratual, certas rubricas devem ser descontadas e lançadas em despesas (doc. 03); que a fiscalização deveria ter intimado e autuado a empresa Aldeia Nacional pela falta de apresentação das notas fiscais relativas às comissões recebidas da impugnante, cujo valor corresponde à devolução de adiantamento nos meses de janeiro a março/2008; que a Comércio de Colchões da Família e a empresa Ortosonho Colchões foram intimadas a explicar os recebimentos, em 03/11/2009, de R$ 97.787,34 e R$ 202.023,75, respectivamente; que essas empresas negaram o recebimento dos valores, o que levou a autoridade fiscal a concluir que “devolução de adiantamento” e “restituição de adiantamento” representam valores de alguma foram apropriados pela impugnante; para provar a improcedência da acusação fiscal, anexa a movimentação contábil do dia 03/11/2009; no tópico “Conta Adiantamento de Clientes” alegou que o sistema adotado pela impugnante, na venda de seus produtos através de franqueados, é sui generis, não podendo receber o tratamento adotado pela fiscalização; o auto não levou em consideração que o contrato de franquia implica, dentre outras, as atividades de cessão de direitos, cessão de knowhow, distribuição, prestação de serviços, venda de mercadorias, etc.; como exemplo, junta documentação das franqueadas Aldeia Nacional e Alphalux (docs. 04 e 05); que cabe à autoridade fiscal demonstrar, com elementos seguros de prova, a inexatidão ou a falsidade do manejo da Fl. 7826DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 11634.720182/201321 Acórdão n.º 1202001.207 S1C2T2 Fl. 22 5 conta “adiantamento de clientes”, bem como os descontos efetuados dos franqueados, nos termos do art. 845, § 1º, do RIR/99; como demonstrado no curso dos exames fiscais, especialmente através das circularizações, não se chegou à conclusão se os recursos foram realmente repassados às franqueadas ou se ficaram no banco/caixa da impugnante; com relação aos documentos bancários apresentados em 01/12/2011, intitulados “Pagfor – Pagamento a Fornecedores Bradesco”, alega que os recursos que ingressaram em uma empresa não podem em sua totalidade serem tidos como receita sonegada; que, em caso de subsistir a incerteza por falta de prova, a fiscalização deve absterse de praticar o lançamento ou deve praticálo com o conteúdo quantitativo inferior; no tópico “Alegada falta de entrega do Lalur” aduz que em 27/03/2012 foram entregues explicações acerca da DIPJ 2010, mas o Lalur de 2006, 2007 e 2010 foi recusado sem maiores justificativas pela fiscalização (docs. 06 e 07); no tópico “Decadência” aduziu que operou a decadência para os fatos geradores ocorridos no 1º trimestre/2008, uma vez que a impugnante pagou e recolheu sem atrasos seus impostos pelo lucro real trimestral; no tópico “Multa confiscatória” argumentou que a multa que excede a 75% do suposto e fictício imposto apurado tem caráter confiscatório por se extremamente elevada e desarrazoada; no tópico “Selic” alega que a aplicação da taxa Selic é ilegal e inconstitucional para fins tributários, pois tem natureza remuneratória de títulos financeiros e necessita de lei estabelecendo os critérios para sua exteriorização; no tópico “PISCofins” afirma que é nulo o auto de infração, pois não descreve o fato que fundamenta (art. 10, III, do PAF); ao final requereu: (i) que a presente impugnação seja recebida; (ii) o restabelecimento das despesas operacionais; (iii) o afastamento da dita omissão de receitas, pela utilização da conta adiantamento de clientes; (iv) o cancelamento do auto, uma vez que a incerteza da fiscalização traz a lume a falta de respaldo legal ao lançamento fiscal; (v) a decadência do 1º trimestre/2008; (vi) o cancelamento dos lançamentos de PIS e Cofins, porquanto deveriam ser descritos os fatos apurados exigidos pela norma legal, a teor do inciso III do art. 39 do Decreto 7.574, de 2011; (vii) a nulidade do lançamento, uma vez que a fiscalização recusou documento que poderia mudar o rumo do lançamento fiscal, em relação à base negativo da CSLL e do IRPJ. Mesmo diante dos argumentos trazidos pela impugnante, a 1ª Turma da DRJ/CTA proferiu acórdão n° 0642.385, fls. 7667/7690, no qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação. Da decisão recorreuse de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – com base no artigo 34 do Decreto n° Fl. 7827DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 6 70.235/1972 e alterações introduzidas pelas Leis n° 8.748/1993 e 9.532/97, e pela Portaria MF n° 03/2008. Em síntese, não acatouse as preliminares de nulidade do lançamento fiscal, no entanto, foi reconhecida a decadência do PIS e da Cofins do mês de fevereiro/2008 e, no mérito, julgouse procedente em parte o lançamento fiscal, mantendo R$ 3.566.654,61 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, R$ 1.289.959,63 de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, R$ 294.394,55 de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e R$ 1.420.070,98 de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, além das respectivas multas de lançamento de ofício de 75% e dos acréscimos legais (taxa Selic). A decisão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 CONTA ADIANTAMENTO DE CLIENTES. REMESSAS EFETUADAS PELAS EMPRESAS FRANQUEADAS. VENDAS À VISTA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO CORRESPONDENTE. Os valores repassados pelas empresas franqueadas, decorrentes da venda à vista de produtos da marca Ortobom e de outras mercadorias fornecidas pelo franqueador (a interessada), representam, em todos os seus elementos constitutivos, o negócio jurídico de uma operação de compra e venda; como tais repasses materializam o exato montante da receita de vendas à vista a ser reconhecida pelo franqueador, os valores cujo oferecimento à tributação não restou comprovado são considerados mantidos à margem da escrituração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 DECADÊNCIA. IRPJ E LANÇAMENTOS REFLEXOS. Os tributos e contribuições cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa sujeitamse à modalidade de lançamento por homologação, tendo o seu prazo decadencial regido pelo art. 150, § 4º, do CTN. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Fl. 7828DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 11634.720182/201321 Acórdão n.º 1202001.207 S1C2T2 Fl. 23 7 Legítima a aplicação da multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de ofício, porquanto em conformidade com a legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais. DECORRÊNCIA. CSLL, COFINS E PIS. Tratandose de tributações reflexas de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL, à Cofins e ao PIS. Em relação ao IRPJ e CSLL e a alegação de decadência para o 1º Trimestre de 2008, a DRJ reconheceu que ambos são imposto e contribuição sujeitos ao lançamento por homologação, pois o contribuinte deve apurar e efetuar o eventual pagamento antes de qualquer exame por parte da Fazenda Pública. Na modalidade de lançamento por homologação os impostos e contribuições devem ser antecipados pelo sujeito passivo sem prévio exame da autoridade administrativa, pois, nessa situação, a atuação da autoridade administrava é posterior. Ocorre a homologação quando a autoridade toma conhecimento da atividade assim exercida pelo contribuinte, de efetuar o recolhimento sem seu prévio exame, expressamente a homologando, ou, se não houver a manifestação expressa do fisco, dentro do prazo estabelecido pelo artigo 150, § 4º do CTN, havendo também a homologação dessa atividade, no entanto, de forma tácita. O prazo estabelecido pelo referido artigo é de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fasto gerador, desde que contribuinte tenha efetuado os recolhimentos de IRPJ e CSLL com base no lucro real trimestral e não tenha restando comprovada a ocorrência das figuras de sonegação, fraude ou simulação. À vista disso, a 1ª Turma da DRJ averiguou que os fatos geradores de IRPJ e CSLL do 1º trimestre/2008 ainda não se encontravam alcançados pelo instituto da decadência quando a impugnante foi cientificada do lançamento fiscal em 27/03/2013 (fl. 7326). Apesar disso, reconheceu que os lançamentos reflexos de PIS e Cofins do período de apuração fevereiro/2008 já se encontravam decaídos. No tópico “Adiantamento de clientes”, a DRJ observou que a autoridade fiscal tributou os valores contabilizados a crédito na conta nº 2.2.01.03.01.0010 – Adiantamentos de Clientes, pois o impugnante não logrou êxito em comprovar que a receita já havia sido oferecida a tributação, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 7371/7401) e detalhado nas planilhas Lançamentos Conta 2.2.01.03.01.0010 – Adiantamentos de Clientes (fls. 7211/7295) e Exclusões da Base de Cálculo (fl. 7210). Fl. 7829DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 8 A autoridade fiscal verificou que esses valores seriam provenientes de repasses efetuados pelas empresas franqueadas e corresponderiam ao resultado da venda à vista de mercadorias fornecidas pelo franqueador (a impugnante). Os ingressos de atividade financeira que tiveram origem em atividade operacional da impugnante, uma vez que não houve comprovação de qual operação esses adiantamentos se reportariam, acabaram sendo considerados como omissão de receita operacional, portanto, houve o lançamento de ofício sobre tais valores. O relator da 1ª Turma da DRJ destacou que sobre a base de cálculo exigida foi excluída os valores comprovadamente restituídos aos franqueados (margem de lucro) e os relativos ao direito de uso da marca: “Era de praxe o registro dos valores nessa rubrica de adiantamento em contrapartida da conta no Banco Bradesco nº 164470; após, ocorria a baixa mediante o histórico de ‘Devolução de Adiantamento’ para essa mesma conta bancária. A contar daí a efetiva destinação dos recursos não é passível de identificação, pois os saques dessa conta bancária são, em quase sua maioria, registrados em contrapartida da conta Caixa, na qual não se constata nenhum pagamento ou restituição aos franqueados. Ressalvem apenas as operações cujo destino a empresa comprovou, como ocorreu com os documentos demonstrativos de restituições aos franqueados e cobrança do direito de uso de marca”. Após essa consideração inicial, o relator do acórdão passou a analisar o contrato entre franqueador e franqueado, concluindo ao final que a impugnação seria procedente em parte. Uma vez que os valores contabilizados a crédito na conta Adiantamento de clientes, materializavam o exato montante da receita que deveria ter sido registrada a crédito da conta de receita nº 3.1.01.142 Vendas à VistaPR, razão pela qual os valores cujo oferecimento à tributação não restou comprovado pela contribuinte foram considerados mantidos à margem da tributação. Neste sentido, entendeu ser indevida a exclusão, na base de cálculo da exigência, do valor correspondente à margem de lucro dos franqueados, discriminado no documento “Pagfor Pagamento a fornecedores Bradesco”, porque se referia à operação distinta que não interferiria no valor das vendas à vista que deveriam ter sido reconhecidas. De igual sorte, entendeu ser descabida a dedução da receita auferida pela interessada a título de direito de uso da marca, escriturada na rubrica 3.1.05.140 – Direito de Uso de Marcas, porquanto contabilizada em conta distinta das vendas à vista e que com esta não se confunde. Ou seja, a tributação ocorreu sobre os valores registrados a crédito na conta – Adiantamento de Clientes, que deveriam ter transitado pela conta de receita Vendas à Vista PR (nº 3.1.01.142). Dessa forma, apenas os valores que comprovadamente passaram da conta – “Adiantamento” para a de receita (nº 3.1.01.142) e que poderiam ser excluídas da base de cálculo. Neste sentido, como apenas parte dos valores registrados a crédito da conta nº 2.2.01.03.01.0010 – Adiantamentos de Clientes foi efetivamente reconhecida como receita na Fl. 7830DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 11634.720182/201321 Acórdão n.º 1202001.207 S1C2T2 Fl. 24 9 conta nº 3.1.01.142 Vendas à VistaPR, mantevese a exigência fiscal sobre as receitas omitidas. O recorrente tomou ciência do acórdão n° 0642.385 (fls. 7667/7690) proferido pela a 1ª Turma da DRJ/CTA em 23 de julho de 2013 (fls.7698) , e em, 20 de agosto de 2013 (7702), apresentou Recurso Voluntário (fls. 7702/7723) retomando os mesmo argumentos apresentados com a impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno I – Do juízo de admissibilidade Por presente os pressupostos e requisitos de admissibilidade, determinados pelo Decreto nº 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF RICARF, tomase conhecimento do Recurso Voluntário e de Ofício. No que tange ao Recurso de Ofício, este, corretamente, foi interposto, haja vista que o valor exonerado – apenas a parte da receita constante da conta nº 2.2.01.03.01.0010 – Adiantamentos de Clientes, que foi efetivamente reconhecida como receita na conta nº 3.1.01.142 Vendas à VistaPR , qual seja, R$ 6.571.079,77, ultrapassando, assim, o limite estabelecido na Portaria MF n° 3/2008, conforme planilha a seguir: Valor Lançado Exonerado Mantido IRPJ R$ 6.134.394,16 R$ 3.566.654,61 R$ 2.567.739,55 CSLL R$ 2.214.372,88 R$ 1.289.959,63 R$ 924.413,25 COFINS R$ 2.229.616,13 R$ 1.420.070,98 R$ 809.545,15 PIS R$ 484.061,38 R$ 294.394,55 R$ 189.666,83 TOTAL R$ 11.062.444,55 R$ 6.571.079,77 R$ 4.491.364,78 II – Matérias Controvertidas II. i – Preliminares de nulidade no lançamento fiscal A recorrente aponta nulidade no lançamento fiscal, sob a justificativa de cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório em face da falta de ciência do resultado das diligências efetuadas pela autoridade fiscal e da falta de descrição do fato que fundamenta os lançamentos de PIS e Cofins. Fl. 7831DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 10 Entretanto, essa alegação não merece ser acolhida como a seguir demonstrado. De fato, como bem destacado pela Delegacia da Receita de Julgamento – DRJ os pressupostos legais para a validade do auto de infração são determinados pelo Decreto nº 70.235/72, cujo artigo 10 dispõe: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” O mesmo decreto elenca as únicas duas hipóteses de nulidade no processo administrativo, senão vejamos: “Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” O auto de infração esta para o inciso I do referido artigo , sendo nulo, portanto, apenas quando lavrado por pessoa incompetente. O artigo 142 do CTN promove a definição legal de lançamento, assentando como requisitos indispensáveis a sua constituição a verificação da ocorrência do fato gerador, a identificação do sujeito passivo, a determinação da matéria tributável e o cálculo do montante do crédito a favor da Fazenda Pública, nos seguintes termos: “Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Fl. 7832DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 11634.720182/201321 Acórdão n.º 1202001.207 S1C2T2 Fl. 25 11 Podese inferir do citado artigo que a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória (princípio da legalidade). Ou seja, não existe brecha para vontade subjetiva da autoridade administrativa, pois esta deve observar a prescriçao da lei, impedindo o agente que constatar a ocorrência de infração à legislação fiscal faltar com o seu dever de ofício, que lhe foi atribuído por lei, qual seja, lavrar o competente auto de infração para a formalização e cobrança do crédito tributário devido pelo sujeito passivo. Da hermenêutica dos dispositivos citados deduzse que são duas as hipóteses de nulidade do auto de infração, consequentemente, maculando o lançamento dele decorrente: a incompetência do autuante e a inobservância dos pressupostos legais para a sua lavratura. A contrario sensu, o que não estiver nestas duas hipóteses não importarão em nulidade e serão sanadas apenas se causaram prejuízo ao sujeito passivo, em conformidade com o que determina o artigo 60 do Decreto nº 70.235/72, senão vejamos: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No caso sob judice os autos de infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS foram lavrados observandose os ditames legais, ou seja, pela autoridade fiscal competente e em pleno exercício de suas funções e contêm todos os requisitos indispensáveis a sua validade, assim, não há que se falar em nulidade. Já em relação a alegação de não ter sido cientificada do resultado das diligências efetuadas pela autoridade fiscal, destacase que os artigos 904 e 911 do RIR/99 conferem amplos poderes para o auditor fiscal apurar o cumprimento das obrigações tributárias, mediante a análise de livros e documentos de contabilidade dos contribuintes, realização de diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados e das informações prestadas. Além do mais, a fase litigiosa do processo administrativo se instaura com a apresentação da impugnação (26/04/2013; fls. 74707489), momento no qual as garantias constitucionais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa são observados. Quanto a nulidade dos lançamentos de Cofins e Pis em decorrência da falta de descrição do fato que fundamenta essas exigências fiscais, acentuase que as peças constantes dos autos são completamente suficientes para certificar que por serem lançamentos reflexos, derivam da mesma irregularidade apontada no lançamento de IRPJ (principal). Conforme demonstrado acima, se não há nulidade a ser sanada no lançamento do IRPJ, com maior convicção podese concluir que não existe nulidade nos lançamentos reflexos de Cofins e Pis. Por último, quanto à alegação desacompanhada de provas de que a autoridade fiscal teria se recusado a receber o Livro Lalur dos anoscalendário de 2006, 2007 e 2010, é plenamente compreensível e correta sua postura, uma vez que tais livros fiscais se referem a períodos de apuração distintos dos alcançados pelo lançamento fiscal, qual seja, anos calendário de 2008 e 2009, portanto, dispensável para o deslinde da causa. Fl. 7833DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 12 Pelo acima exposto, votase no sentido de negar provimento as preliminares de nulidade arguidas pela recorrente. II. ii – Decadência Tanto o IRPJ e a CSLL são imposto e contribuição sujeitos ao lançamento por homologação, pois o contribuinte deve apurar e efetuar o eventual pagamento antes de qualquer exame por parte da Fazenda Pública. O recorrente alega que houve decadência dos fatos geradores ocorridos no Primeiro Trimestre de 2008. Na modalidade de lançamento por homologação os impostos e contribuições devem ser antecipados pelo sujeito passivo sem prévio exame da autoridade administrativa, pois, nessa situação, a atuação da autoridade administrava é posterior. Ocorre a homologação quando a autoridade toma conhecimento da atividade assim exercida pelo contribuinte, de efetuar o recolhimento sem seu prévio exame, expressamente a homologando, ou, se não houver a manifestação expressa do fisco, dentro do prazo estabelecido pelo artigo 150, § 4º do CTN, havendo também a homologação dessa atividade, no entanto, de forma tácita. O prazo estabelecido pelo referido artigo é de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fasto gerador, desde que o contribuinte tenha efetuado os recolhimentos de IRPJ e CSLL com base no lucro real trimestral e não tenha restando comprovada a ocorrência das figuras de sonegação, fraude ou simulação. Como no caso em questão não restou configurada a ocorrência de fraude, sonegação ou simulação e houve o recolhimento de IRPJ e CSLL, o prazo de decadência deve ser contado da ocorrência do fato gerador , conforme dita o supracitado artigo. No entanto, não assiste razão à recorrente, uma vez que é optante do regime de tributação com base no lucro real e por ter sido cientificada do lançamento fiscal em 27/03/2013 (fl. 7326). À vista disso, os fatos geradores de IRPJ e CSLL do 1º trimestre/2008 ainda não se encontravam alcançados pelo instituto da decadência quando a impugnante foi cientificada do lançamento fiscal. Entretanto, o mesmo não se pode dizer dos lançamentos reflexos de PIS e Cofins do período de apuração de fevereiro/2008, já que se encontravam decaídos quando da cientificação do lançamento fiscal, já que sua apuração é mensal. Nesse sentido, improcedentes as alegações da recorrente neste tópico. II. iii – Da conta nº 2.2.01.03.01.0010 – Adiantamentos de Clientes A autuação decorreu basicamente da falta de tributação da conta “adiantamento de clientes”, pois os valores repassados pelas empresas franqueadas relativos a venda dos produtos da marca Ortobom e das demais mercadorias fornecidas pela empresa franqueadora (fiscalizada) representou para a autoridade fiscal um verdadeiro negócio jurídico de COMPRA E VENDA, por isso, os valores cujo oferecimento à tributação não restou comprovado foram considerados à margem da escrituração. Fl. 7834DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 11634.720182/201321 Acórdão n.º 1202001.207 S1C2T2 Fl. 26 13 Em síntese para que a recorrente afastasse a imposição apurada durante a fiscalização pelo auditor fiscal, bastaria apenas a comprovação de forma cabal da origem das operações que geraram crédito na conta 2.2.01.03.01.0010 – Adiantamentos de Clientes e a identificação de que os repasses das comissões que alega ter realizado aos franqueados devido a obrigatoriedade do contrato de franchising, realmente existiram e o restante foi oferecido a tributação. Apesar disso, a recorrente não logrou êxito em demonstrar de forma cabal, tanto na impugnação quanto no recurso voluntário, a origem das operações e veracidade da alegação dos repassas aos franqueados (devolução de adiantamentos), limitandose apenas a retomar os mesmo argumentos já trazidos com a impugnação. Contentouse em alegar que não haveria mascaramento no auferir a receita operacional, até porque as despesas estão devidamente comprovadas pelo Contrato Padrão de Franquia Empresarial, que implica, dentre outras, as atividades de cessão de direitos, cessão de knowhow, distribuição, prestação de serviços, venda de mercadorias, etc. Todavia, a fiscalização assim como a DRJ não questionaram a autenticidade ou a validade do contrato de Franquia, mas apenas a comprovação da origem das operações que geraram créditos na já referida conta “adiantamento de clientes” e, se os mesmos, foram oferecidos a tributação. Pois, durante o procedimento fiscalizatório ficou constatada a prática do registro dos valores nessa rubrica de adiantamento em contrapartida da conta no Banco Bradesco nº 164470 C/C 164470 PR e após ocorria a baixa mediante o histórico de ‘Devolução de Adiantamento’ para essa mesma conta bancária. Após esse momento, a efetiva destinação dos recursos não é passível de identificação, pois os saques dessa conta bancária são, em quase sua maioria, registrados em contrapartida da conta Caixa, na qual não se constata nenhum pagamento ou restituição aos franqueados. Ou seja, a recorrente procedia realizando a baixa de um adiantamento de clientes, cujo registro original deuse em contrapartida de um ingresso de recursos financeiros, esquivandose de oferecer tais recursos à incidência tributária, já que não transitaram por conta de resultado. Como os créditos da conta “adiantamentos de clientes” indubitavelmente tratamse de ingressos de ativos financeiros oriundos da atividade operacional da recorrente, que não comprovou à qual operação os adiantamentos em questão se reportariam, outro caminho não resta a não ser reconhecer que os valores em questão são omissões de receita operacional, portanto, correto o lançamento de ofício sobre essas verbas. Ressaltase, que nestas circunstâncias entendese operação como a transação comercial materialmente estampada numa nota fiscal de vendas, registrada em sua contabilidade. Circunstância que corrobora que tais valores deveriam, em sua totalidade, ter integrado o saldo das contas específicas de receita operacional (3.1.01.142 Venda à Vista e 3.1.02.140 Vendas a Prazo) é comprovada pelas seguintes passagens do Termo de Verificação Fiscal, a saber: Fl. 7835DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 14 Constatouse a existência de lançamentos contábeis demonstrando a transferência de recursos financeiros da conta de Adiantamento de Clientes para conta de resultado ‘Vendas à Vista’, identificados, nos respectivos razões, apenas a partir do mês de março/2009. (...) O registro de valores recebidos pelas vendas que alega serem patrocinadas por suas franqueadas, na rubrica ‘2.2.01.03.01.0010 – ADIANTAMENTO RECEBIDO CLIENTES’, ocorreu exclusivamente até junho de 2009, quando principiaram, concomitantemente, os registros em outras rubricas específicas em que são nominadas as pessoas jurídicas franqueadas responsáveis pelo repasse dos recursos. No entanto, tais valores não foram objetos de lançamento de ofício no presente processo, mas sua menção se mostra necessária para a plena demonstração do conjunto probatório que dá sustento às conclusões a que tomaremos. Além do mais, pelo até aqui enfrentado vêse que o declarado pela recorrente é desacompanhado de provas, tratandose de alegação genérica e sem fundamento que, por isso, não merece ser acolhida. Não se tomou o cuidado ao longo do procedimento fiscal – fiscalização, impugnação e na fase recursal – sequer de indigitar quais as operações originaram os créditos da conta “Adiantamento de Clientes” e a comprovação de sua tributação. Por isso, com base nos artigos 15 e 16, do Decreto nº 70.235/1972, compete ao impugnante colacionar juntamente com suas declarações todos os documentos que lhes dão força probante. Vejamos o que diz os citados artigos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30(trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993). Uma vez que resta comprovado que seu proceder era contabilizar em conta ÚNICA (adiantamento de clientes) os valores das vendas à vista de todos os seus franqueados e após realizava a baixa mediante a contrapartida de devolução de adiantamentos, enquanto esses valores deveriam transitar pela conta de resultado, sendo em seguida oferecidos a tributação. Na verdade para que não houvesse o presente lançamento de ofício, deveria a recorrente ter registrado os valores recebidos de seus franqueados em conta específica criada exclusivamente para cada umas das pessoa jurídica com que mantinha contrato de franchising, conforme passou a agir a partir de junho de 2009. Fl. 7836DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 11634.720182/201321 Acórdão n.º 1202001.207 S1C2T2 Fl. 27 15 Enfim, tanto na fase de auditoria, seja na impugnação, seja agora na fase recursal, o recorrente não alcançou êxito em rechaçar a constatação da autoridade fiscal, em vista disso, é forçosa a manutenção dos lançamentos. II. iv – Do Recurso de Ofício Houve alteração do quantum lançado na decisão da DRJ, que acabou exonerando um montante de R$ 6.571.079,77, o que acabou gerando o Recurso de Ofício, por força do artigo 34 do Decreto n° 70.235/1972 e alterações introduzidas pelas Leis n° 8.748/1993 e 9.532/97, e pela Portaria MF n° 03/2008. Essa exoneração foi decorrente de correção realizada pela DRJ, que apesar de ter mantido o lançamento de ofício e a multa aplicada, entendeu ser indevida a exclusão dos valores comprovadamente restituídos aos franqueados (margem de lucro) e os relativos ao direito de uso da marca na apuração da base de cálculo da exigência do montante dos adiantamentos de clientes. Para melhor compreensão, primeiramente, analisaremos o proceder do auditor fiscal em relação a autuação e os valores que acabaram sendo excluídos da base de cálculo. Para isso, utilizaremos algumas passagens do Termo de Verificação Fiscal, a seguir transcritos: A receita tributável compõese dos créditos sem origem comprovada na rubrica ‘Adiantamento de clientes’, cujos lançamentos podem ser visualizados no livro Razão cujas fotocópias integram o presente processo administrativo. Os valores assim mencionados também estão demonstrados na planilha em anexo, em que se podem verificar os lançamentos contábeis que registram todos os valores que ingressaram nessa rubrica. De antemão, já estão excluídos os lançamentos que tiveram por contrapartida uma conta de resultado (ex. ‘venda à vista’, rubrica 3.1.01.142). Dos totais mensais, para fins do presente lançamento, devem ser expurgados da base de cálculo tributável aqueles valores comprovadamente transferidos às empresas franqueadas, a título de remuneração por seus serviços (comissão), como restou comprovado por meio das diligências anteriormente mencionadas. Tais montantes encontramse discriminados no documento apresentado pela empresa em 01/01/2011, denominado ‘Pagfor Pagamento a fornecedores Bradesco’. Da análise ainda dos contratos de franquia e documentos correlatos é passível de se verificar que a receita operacional, escriturada na rubrica 3.1.05.140 – DIREITO DE USO DE MARCAS, encontrase registrada em contrapartida da conta Caixa. Por se tratar de uma obrigação contratual estipulada entre a empresa e seus franqueados, os valores a tal título são descontados das vendas efetuadas em decorrência desse instrumento contratual. Inferese, desse modo, e somente nas operações dessa natureza, que tais valores compõem o montante de recursos repassados à fiscalizada por suas franqueadas, o Fl. 7837DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 16 que se corrobora à vista dos documentos apresentados em 27/07/2011 e 01/12/2011. Confrontandose os demonstrativos apresentados nas datas citadas no parágrafo anterior com seus registros contábeis, é de se confirmar que os valores egressos da conta Caixa, contabilizados em contrapartida da conta de receita anteriormente citada, têm por origem os adiantamentos contabilizados na rubrica ‘Adiantamento de clientes’. Diante disso, os valores registrados nas rubricas em questão também não comporão o presente lançamento, pois já integraram sua receita tributável. Esse fato, todavia, ocorreu apenas até o mês de junho de 2009, a partir de quando essa receita passou a ser debitada diretamente nas contas específicas de adiantamento de clientes, razão pela qual serão excluídas do presente lançamento os montantes registrados no período de janeiro a junho/2009.” Não obstante, acertadamente a 1ª Turma da DRJ/CTA considerou indevida a exclusão efetuada pelo auditor fiscal, do valor correspondente à margem de lucro dos franqueados, uma vez que se refere à operação diversa que não interfere no valor das vendas à vista que deveriam ter sido reconhecidas pela recorrente. Além do mais, é grande a probabilidade de já deve ter sido contabilizada em conta própria de resultado. No mesmo sentido quanto a dedução da receita auferida pela recorrente a título do direito de uso da marca, escriturada em conta exclusiva e específica na rubrica 3.1.05.140 – Direito de Uso de Marcas, já que fora contabilizada em conta distinta das vendas à vista (objeto de tributação) e que com esta não se confunde. Como já exaustivamente colocado ao longo do presente voto, a tributação ocorreu sobre as verbas da conta nº 2.2.01.03.01.0010 – Adiantamentos de Clientes, pois não houve a identificação das operações que originaram o crédito na referida conta e se as pessoas com quem mantinha contrato de Franquia Empresarial realmente receberam as verbas de comissão e se montante restante dessa operação (seu lucro/sua receita) fora oferecido a tributação. Essa conduta da 1ª Turma da DRJ se mostra totalmente razoável, pois todos os adiantamentos das vendas de produtos da franqueadora (recorrente) eram enviados pelas franqueadas exclusivamente para a conta – Adiantamento de Clientes, sem que houvesse a identificação de tais franqueadas e logo após ocorria a baixa mediante o histórico de “Devolução de Adiantamento” para essa mesma conta bancária. Não é demais reforçar que para evitar o lançamento sob apreço, deveria a recorrente ter procedido como passou a exercer após junho de 2009, registrado contabilmente os valores repassados pelas empresas franqueadas relativos a venda dos produtos da marca Ortobom e das demais mercadorias fornecidas pela empresa franqueadora em contas específicas de cada qual, após realizar a baixa mediante a rubrica “Devolução de adiantamentos” e por fim transitar o restante pela conta de resultado. Em sentido oposto, essa conduta apenas veio reforçar ainda mais as irregularidades verificadas ao longo do procedimento fiscal. Em vista disso, correta a conduta da DRJ em excluir da base de cálculo exigida da recorrente no presente processo apenas a parcela das remessas registradas na conta nº 2.2.01.03.01.0010 – Adiantamentos de Clientes que efetivamente fora reconhecida na conta de receita nº 3.1.01.142 Vendas à VistaPR. Fl. 7838DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 11634.720182/201321 Acórdão n.º 1202001.207 S1C2T2 Fl. 28 17 Isto posto, do presente caso verificase que ocorreu três situações distintas de valores transferidos para a conta de receita de vendas à vista, a saber: 1) no período de fevereiro/2008 a fevereiro/2009 (fls. 3666/3685) não foi transferido valor algum para a conta Vendas à VistaPR, tal como demonstra a movimentação do mês de fevereiro/2008 – Portanto nada deve ser excluído desse período; 2) nos meses de março a maio/2009 (fls. 3685/3713) parte das remessas efetuadas pelos franqueados foi transferida para a conta Vendas à VistaPR, conforme exemplifica o demonstrativo com a movimentação da conta nº 2.2.01.03.01.0010 no mês de março/2009 (R$ 2.436.190,28 de vendas à vista) – Portanto, apenas o valor transferido deve ser excluído; 3) no período de junho a dezembro/2009 (fls. 37134442) os valores anteriormente controlados na conta Adiantamento de Clientes foram parcialmente transferidos para contas específicas de passivo dos franqueados. Assim, apenas parte dos recebimentos de cartões de crédito, dos valores depositados no Banco Bradesco e das vendas à vista continuou a ser controlada na conta Adiantamento de Clientes, pois o restante foi registrado nas contas específicas dos franqueados. Como no levantamento fiscal foram consideradas apenas as remessas controladas na conta Adiantamento de Clientes, cabe deduzir da exigência apenas a parcela das vendas à vista diretamente transferida dessa conta, tal como demonstrado na movimentação do mês de junho/2009 (R$ 1.236.587,14 de vendas à vista). Pelo acima exposto, é de se manter as exclusões em conformidade com o decidido pela DRJ e, consequentemente, negarse provimento ao Recurso de Ofício. II. v – Multa de Ofício e Taxa SELIC Com relação a irregularidade apurada no procedimento fiscal foi aplicada multa de ofício de 75%, sobre a qual o recorrente alegou o princípio constitucional da vedação ao confisco, previsto constitucionalmente no artigo 150, inciso IV. A previsão para a aplicação da multa de ofício de 75% tem como consectário legal o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96, não se podendo falar em violação de princípio. Vejamos o que fiz o citado artigo: Artigo 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguinte multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/07) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos caos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/07) Fl. 7839DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 18 Ademais, à autoridade fiscal cabe prestigiar a Lei, não podendo se distanciar, mesmo sob o fundamento de inconstitucionalidade, por exemplo, violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, vedação ao confisco e da conservação da empresa, conforme o artigo 26 – A do Decreto nº 70.235/72, senão vejamos: Art. 26A – No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos art. 18 e 19 da Lei no 10.522/02; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. Tal entendimento já está consolidado no âmbito do CARF, tendo sido objeto do Enunciado nº 2 da súmula de jurisprudência dominante: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstit ucionalidade de lei tributária”. Cabe lembrar, ainda, que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme artigo 142, parágrafo único, do CTN. Segue a redação do citado artigo: Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Além de tudo, o princípio da vedação ao confisco previsto constitucionalmente é dirigida ao legislador. Seu intuito é alvitrar o processo de criação da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Neste diapasão, podese concluir que a lei que tenha sido aprovada nos moldes constitucionais, tenha estabelecido multas dentro de limites aceitáveis. Fl. 7840DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 11634.720182/201321 Acórdão n.º 1202001.207 S1C2T2 Fl. 29 19 Portanto, como amplamente fundamentada nos autos a infração cometida, e tendo sido aplicada a penalidade prevista na legislação tributária, não merecer ser acolhido a asserção do recorrente, assim, mantidas a multa exigida. Quanto a taxa Selic, limitase a recorrente a argüir que a jurisprudência tem afastado a sua aplicação. Entretanto, tal questão dispensa maiores considerações a respeito, em razão de encontrarse a referida matéria devidamente pacificada no âmbito deste Colegiado do CARF, consoante a Súmula nº 4, de observação obrigatória, que se transcreve a seguir: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Logo, a aplicação da taxa Selic para cálculo dos juros moratórios é entendimento pacificado no âmbito deste tribunal administrativo, devendo mais essa alegação da recorrente ser rejeitada. II. vi – Lançamentos Reflexos Por fim, o decidido no lançamento de IRPJ aplicase aos autos de infração reflexos (CSLL, Cofins e PIS), haja vista a relação de causa e efeito entre estes e a repercussão da omissão de receitas na apuração de tais tributos. Além do mais, a recorrente trouxe no Recurso Voluntário os mesmos fundamentos do IRPJ para combater os lançamentos reflexos e, como já tido, ante a íntima relação de causa e efeito, mantémse, igualmente, em parte a exigência, conforme o decidido acima. III – Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário , assim como negar provimento ao Recurso de Ofício. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 7841DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 27 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO
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Numero do processo: 11020.914927/2009-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO CONSTATADO EM DILIGÊNCIA.
Deve ser reconhecido o direito creditório quando a autoridade fiscal, durante diligência, constatar a existência do crédito.
Numero da decisão: 3401-002.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
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CRÉDITO CONSTATADO EM DILIGÊNCIA. Deve ser reconhecido o direito creditório quando a autoridade fiscal, durante diligência, constatar a existência do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 49 27 /2 00 9- 53 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de COFINS supostamente recolhido a maior em 15/09/2005 (fls.01/05). A delegacia de origem negou o ressarcimento em razão de o crédito localizado ter sido utilizado para quitação de outros débitos (fl.06). A DRJ em Belém/PA manteve o indeferimento (fls.32/35). A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 11/03/2011 (fl.37) e interpôs recurso voluntário em 11/04/2011 (fls.38/58). O recurso voluntário foi apreciado pela primeira vez por esta Turma Julgadora sob a relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis (fls.126/129). Na ocasião, constatouse que o crédito não foi localizado em razão de diversas DCTFs retificadoras apresentadas pela Recorrente. Por isso, o julgamento foi convertido em diligência para que fosse analisada qual a DCTF retificadora é válida e se existe crédito em favor da Contribuinte. O resultado da diligência está presente nas fls. 135/138. Apesar de cientificada, a Recorrente não se manifestou quanto ao resultado da diligência. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Em diligência, após analisar a documentação fiscal da Contribuinte e as DCTF retificadoras apresentadas, a autoridade fiscal concluiu que a retificação válida foi a última apresenta, cuja transmissão ocorreu em 10/06/2009 e que essa retificação está correta, de modo a restar um crédito em favor da Recorrente no montante de R$ 30.288,67. O crédito localizado na diligência tem exatamente o mesmo valor pleiteado pela Recorrente. Portanto, deve ser reconhecido o direito creditório. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto para reformar o acórdão da DRJ e reconhecer o direito creditório pleiteado, bem como homologar a compensação apresentada até o limite do crédito. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 146DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 11020.914927/200953 Acórdão n.º 3401002.850 S3C4T1 Fl. 146 3 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 13830.000958/2002-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
ATIVIDADE EMPRESARIAL. RENDIMENTOS OBTIDOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Inexistindo provas e elementos que desconstituam a fundamentação fático-jurídica sobre a qual foi efetivado o lançamento de omissão de rendimentos por ausência de comprovação da relação entre os depósitos bancários questionados e o efetivo exercício da atividade empresarial alegada, deve ser mantida a exigência fiscal.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGOS 45 E 55 DO RIR/99.
Não comprovado por meio de documentação hábil e idônea que os rendimentos recebidos no período fiscalizado foram oferecidos à tributação, mesmo após a devida intimação do contribuinte, resta caracterizada a omissão de rendimentos e legítimo o lançamento fiscal.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996.
Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2101-002.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 23/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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RENDIMENTOS OBTIDOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Inexistindo provas e elementos que desconstituam a fundamentação fático jurídica sobre a qual foi efetivado o lançamento de omissão de rendimentos por ausência de comprovação da relação entre os depósitos bancários questionados e o efetivo exercício da atividade empresarial alegada, deve ser mantida a exigência fiscal. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGOS 45 E 55 DO RIR/99. Não comprovado por meio de documentação hábil e idônea que os rendimentos recebidos no período fiscalizado foram oferecidos à tributação, mesmo após a devida intimação do contribuinte, resta caracterizada a omissão de rendimentos e legítimo o lançamento fiscal. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 09 58 /2 00 2- 40 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 23/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário onde a Contribuinte/Recorrente objetiva a reforma do Acórdão de nº 1719.654 da 6ª Turma da DRJ/SPOII (fls. 409/413), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em face da ocorrência de omissão de rendimentos no anocalendário de 1998. No caso, consta nos autos que, mesmo após ser regularmente intimada (fls. 36/37, 42/44, 45/70, 74/75, 78/79), a Contribuinte/Recorrente não apresentou os extratos bancários solicitados de contas correntes de sua propriedade, muito menos qualquer documento visando identificar a origem dos depósitos efetivados nas respectivas contas bancárias, a natureza e o motivo do recebimento de valores advindos de pessoas físicas e jurídicas. Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 29/34), a Fiscalizada inicialmente informou que apresentaria os dados bancários, não obstante em nenhum momento promoveu qualquer diligência nesse sentido. Pelo contrário, a Fiscalização Tributária chegou a ser cientificada que a Contribuinte ingressou com Ação Mandamental, obtendo liminar desobrigando a mesma de fornecer as informações requeridas (fls. 83/86). Fl. 445DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13830.000958/200240 Acórdão n.º 2101002.709 S2C1T1 Fl. 3 3 De todo modo, posteriormente, através do MEMO GAB/PSFN/MRA/ n° 2001.61 (fls. 105/107), da Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional de Marília, a Receita Federal recebeu a notícia de que, “foi proferida decisão no Agravo de Instrumento interposto pela UNIÃO nos autos do Processo de Mandado de Segurança n° 2001.61.11.0013298 em trâmite pela lª Vara Federal em Marília, suspendendo os efeitos da liminar que impedia este órgão fiscalizador de prosseguir com o processo de fiscalização em curso e exigir informes bancários do contribuinteImpetrante.” Sendo reintimada a apresentar os documentos necessários, eis que mais uma vez a Contribuinte ofertou resposta alegando que apresentaria os dados solicitados, contudo permaneceu inerte até o presente. Em decorrência da não apresentação dos documentos por parte da fiscalizada, foram emitidas as competentes Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira aos Bancos Itaú (fls. 228/230) e Mercantil de São Paulo (fls. 270), devidamente motivadas, requerendo a apresentação dos extratos bancários, documentos de débito e crédito e fichas cadastrais das contas mantidas pela fiscalizada nos bancos citados. Os documentos apresentados pelos bancos (fls. 231/247, 271/275, 282/283, 287/297, 299/318) foram devidamente analisados, sendo intimadas algumas das empresas (fls. 109/111, 130/132, 143/145, 174/176), por amostragem, com a finalidade de apurar o verdadeiro titular das contas movimentadas pela fiscalizada, tendo sido descoberto que os cheques emitidos pela fiscalizada da conta do Banco Itaú destinaramse em sua maioria, ao pagamento de mercadorias adquiridas pela empresa SAKATA AGRO COMERCIAL DE MARILIA LTDA., CNPJ/MF 59.445.122/000134, de propriedade de seus genitores. Assim, como na conta do Banco Itaú foi movimentada uma quantia de R$ 1.199.344,73 no ano de 1998, incompatível com a ocupação da pessoa física fiscalizada (estudante), considerando ainda que a mesma nem sequer apresentou declaração de IRPF do anocalendário de 1998, a Fiscalização concluiu que a Contribuinte seria interposta pessoa da empresa Sakata Agro Comercial Ltda., CNPJ/MF nº 59.445.1221000134, razão pela qual tais depósitos findaram imputados à empresa mencionada. Contudo, em relação à conta mantida no Banco Mercantil de São Paulo – FINASA, ficou constatado que boa parte dos cheques nominais verificados consistiam em pagamentos de contas diversas, tais como, escolas, lojas de confecção, videogames, papelaria, mercados, quitandas (fls. 320/338), indicando ser movimentada pela própria fiscalizada. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Tendo em vista a ausência de documentação hábil e idônea da origem dos depósitos efetivados na conta mantida no Banco Mercantil de São Paulo S/A, no valor total de R$ 93.014,09, a Fiscalização lavrou o Auto de Infração de fls. 23/28, considerando ter havido omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação da origem, no valor total de R$ 57.165,09, correspondendo a imposto R$ 21.258,87; multa R$ 23.916,22; e juros R$ 11.990,00 (calculados até 30/08/2002). Os argumentos trazidos na Impugnação foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “4. Cientificada do Auto de Infração em 17/09/2002 (fl. 354), a contribuinte apresentou, em 16/10/2002, a impugnação às fls. 355359, alegando, em síntese, que: 4.1 – é estudante, solteira, e vive na casa e às expensas dos seus pais, que são os únicos sócios proprietários da empresa Sakata Agro Comercial de Manha Ltda; não exerce qualquer atividade remunerada, motivo pelo qual não apresentou Declaração de Rendimentos de Pessoa Física do anocalendário 1998; todas as despesas e compras efetuadas pela requerente sempre foram pagas pelos seus pais, e a movimentação bancária feita no ano de 1998, tanto no banco Itaú S/A, como no Banco Mercantil de São Paulo S/A, foram efetuadas por conta e ordem dos mesmos, para atender os interesses da empresa Sakata Agro Comercial de Marília Ltda., como também para pagamento de despesas próprias; 4.2 – pela própria conclusão da fiscalização, ficou claro e patente que a mesma não exerce qualquer atividade e não aufere qualquer rendimento, o que leva ao raciocínio lógico e irrefutável, de que toda a movimentação bancária do ano de 1998 foi efetuada por seus genitores em função da empresa SAKATA AGRO COMERCIAL DE MARILIA LTDA, conforme declaração dos mesmos, que junta à fl. 360, motivo pelo qual não há razão nem necessidade de outras provas; 4.3 – em face do exposto, requer o deferimento de sua impugnação, e quando muito, que seja transferida a responsabilidade fiscal do débito para a empresa em comento.” (fls. 410/411). A decisão proferida pela da 6ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em São Paulo II (SP), restou assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Fl. 447DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13830.000958/200240 Acórdão n.º 2101002.709 S2C1T1 Fl. 4 5 A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Lançamento Procedente” No julgamento, foi ressaltada a legalidade da presunção fiscal, diante do contribuinte não ter apresentado documentos que justificassem a origem de depósitos efetivados em suas contas bancárias, nos termos do art. 42 da Lei. 9.430/96. No Recurso Voluntário, a Recorrente reitera os argumentos anteriormente suscitados, chamando atenção de que não possuía renda própria, e usava suas contas bancárias para pagar as despesas das empresas de seus pais e também suas próprias, com recursos que eram única e exclusivamente da empresa Sakata Agro Comercial de Marília Ltda. Ao final, requereu o provimento do recurso e a improcedência da ação fiscal. Distribuído o feito para nossa relatoria, coloco em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso atende os requisitos de admissibilidade. No caso, avultam dos autos que a Contribuinte/Recorrente foi intimada para apresentar os extratos bancários de todas as contascorrentes, poupanças e investimentos, mantidos em seu nome, comprovar a origem dos recursos e apresentar o comprovante de entrega de Declaração Rendimentos referente ao anocalendário 1998 (fls. 36/37, 42/44). Fl. 448DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Diante da ausência de qualquer resposta do Fiscalizado, é que foram emitidas Requisições de informações sobre Movimentações Financeiras para os bancos Itaú e Mercantil de São Paulo, onde efetivados os depósitos (fls. 228/230 e 270), restando obtidas as respostas solicitadas (fls. 231/247, 271/275, 282/283, 287/297, 299/318). Como a Contribuinte/Recorrente não ofertou qualquer manifestação satisfatória quanto a origem dos depósitos, foram diligenciadas intimações aos beneficiários dos cheques (fls. 109/111, 130/132, 143/145, 174/176), para que esclarecessem o motivo do recebimento dos valores, tendo sido obtidas respostas (fls. 119/129, 138/142, 164/173, 209/226) afirmando que decorreram de operações com a empresa SAKATA AGRO COMERCIAL DE MARILIA LTDA., CNPJ/MF nº 59.445.122/000134, de propriedade dos genitores da Fiscalizada. Assim, considerando toda a documentação apresentada e os resultados das diligências promovidas, a Fiscalização imputou os valores movimentados na conta do Banco Itaú para a empresa Sakata Agro Comercial Ltda. Contudo, no que diz respeito a conta corrente do Banco Mercantil de São Paulo, constatado que era movimentada pela Recorrente (fls. 282/297, 320/338), restou lavrado o Auto de Infração de fls. 23/28, considerando ter havido e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação da origem. Diante do escorço fático, a verdade é que a Contribuinte/Recorrente foi devidamente intimada a prestar esclarecimentos em diversos momentos do procedimento fiscal, tendo se recusado a colaborar com a fiscalização tributária. E mesmo quanto restou autuada, tendo prazo suficiente para apresentação de defesa, em nenhum momento a Recorrente apresentou qualquer documento visando justificar o montante dos valores depositados em suas contas bancárias, como advindos da empresa Sakata Agro Comercial de Marília Ltda. Nesses termos, de logo deve ser destacado que as insistentes alegativas da Recorrente no sentido de ser respeitada a realidade fática evidenciada nos autos, estão superadas, porquanto não foram produzidas provas no sentido alegado, quanto algum contrato, notas fiscais de venda, guias de depósitos nos valores correspondentes, etc, que justificassem os depósitos questionados. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13830.000958/200240 Acórdão n.º 2101002.709 S2C1T1 Fl. 5 7 De fato, a mera existência de empresa da qual os genitores da Recorrente seriam sócios, não conforma justificativa para o montante dos valores depositados. Assim, em relação a desconstituição do Lançamento Fiscal em face de suposta nulidade, pela aplicação de presunção que macularia o Auto, importa destacar que o Auto de Infração combatido se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas posteriormente. E nesse ponto, destaquese, por relevante, que os fundamentos fáticos e legais utilizados pela autoridade fiscal para efetuar o lançamento em apreço, estão todos expressos na peça de autuação, não havendo que se cogitar em desconsideração as provas produzidas, face à narração fática e jurídica posta no Auto de Infração, devidamente motivado, em respeito às disposições dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72. Ora, avultam dos autos que o lançamento fiscal denunciando omissão de rendimentos, decorreu especificamente dos depósitos que não tiveram suas origens comprovadas, de forma individualizada, nos termos da previsão legal (art. 42 da Lei nº 9.430/96), tendo sido consideradas todas as possíveis situações jurídicas apresentadas pela Contribuinte/Recorrente. A verdade que todas as alegativas da Recorrente não conseguem superar, é que os rendimentos questionados pela Fiscalização não foram lançados a tributação pela Contribuinte, e os valores dos depósitos realizados em suas contas bancárias, que foram considerados especificamente neste procedimento fiscal, não tiveram a sua origem comprovada de forma individualizada. Portanto, inexistem dúvidas que o lançamento fiscal em questão figura íntegro, tendo em vista que todas as provas acostadas e documentos juntados aos autos foram considerados, conquanto não tenham informado a origem dos depósitos bancários questionados. De fato, em vez de simplesmente alegar que todos os depósitos questionados provieram de uma suposta atividade econômica exercida pela empresa de propriedade de seus pais, a contribuinte deveria comprovar, individualmente, a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, caso a caso, por meio de notas fiscais, contratos, etc., ou qualquer outro documento que identificasse a operação e justificasse a procedência dos valores, conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96 Fl. 450DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 E sabese que é ônus do contribuinte afastar a presunção legal por meio de documentos que comprovem da origem dos depósitos tomados pela Fiscalização, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária. Com efeito, não basta que a recorrente apenas rebata o lançamento, devendo rechaçalo de forma coerente por meio de provas que visem confirmar suas alegações. No caso deve ser mantida a exação, diante da inexistência de comprovação das origens de todos os depósitos realizados nas contas correntes da Contribuinte/Recorrente, em especial os que foram indicados no presente lançamento fiscal. Na verdade, o fato da Recorrente ter informado que seus pais operavam uma pequena empresa, sem que haja algum indício de prova que relacione as operações comerciais desta aos valores individualizados questionados, não permite concluir que os depósitos existentes em sua conta referemse a tal atividade. Para tanto, seria necessário que a contribuinte fizesse prova individualizada de que os valores que transitaram em suas contas bancárias seriam efetivamente provenientes da atividade comercial. Nesse sentido, não se pode coibir o desenvolvimento da atividade administrativa, sob pena de impedir a fiscalização tributária de cumprir sua função institucional (art. 142 do CTN), ainda mais diante da previsão legal expressa autorizando o exame de informações bancárias em caso de procedimento fiscal. De fato, nos termos da Lei Complementar nº 105/2001: “Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.” Avulta do comando legal transcrito a possibilidade de transferência do sigilo bancário da instituição financeira para a administração tributária. Este inclusive é o entendimento expresso recentemente neste CARF: Fl. 451DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13830.000958/200240 Acórdão n.º 2101002.709 S2C1T1 Fl. 6 9 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2007 TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha consequências específicas previstas na legislação. Preliminar rejeitada. Recurso provido em parte. (Acórdão nº 2202002.842, Processo nº 10675.720742/201137, Relator Cons. MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, 2ª TO/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 28/11/2014). Vale destacar que o Decreto n° 3.724/2001, regulamentando a ordem do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, estabeleceu procedimentos para o acesso às informações financeiras dos contribuintes, assim dispostos com texto vigente na época do lançamento fiscal (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007): “Art. 2º omissis. (...) § 5º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações Fl. 452DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. § 6º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de seus administradores, garantirá o pleno e inviolável exercício das atribuições do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução do procedimento fiscal. Art. 3º Os exames referidos no § 5º do art. 2º somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (...) VII previstas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996; (...) Art. 4º Poderão requisitar as informações referidas no § 5º do art. 2º as autoridades competentes para expedir o MPF. § 1º A requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: I Presidente do Banco Central do Brasil, ou a seu preposto; II Presidente da Comissão de Valores Mobiliários, ou a seu preposto; III presidente de instituição financeira, ou entidade a ela equiparada, ou a seu preposto; IV gerente de agência. § 2º A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF.” Por sua vez, a Lei nº 9.430/96, já determinava: “Art. 33. A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: Fl. 453DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13830.000958/200240 Acórdão n.º 2101002.709 S2C1T1 Fl. 7 11 I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966;” Logo, se o contribuinte, apesar de devidamente intimado, não fornece informações que abonem sua movimentação financeira, esta situação, por si só, já caracteriza a hipótese de exame indispensável, conforme disposto no § 5º do art. 2º do Decreto nº 3.724/2001, conferindo ao titular da unidade fiscal o poder de requisitar os extratos diretamente aos bancos. No caso em questão, vale ressaltar que as RMF dirigidas às instituições financeiras só foram emitidas após diligência realizada por Auditor da Fiscal da Receita Federal, intimando a próprio Contribuinte a esclarecer fatos e apresentar documentos. Como a Recorrente não forneceu as informações solicitadas pela autoridade fiscal, a respeito de sua movimentação financeira, apesar de devidamente intimada neste sentido, tais fatos foram suficientes para autorizar que fossem expedidas as RMF’s, conforme dispunha o § 5º do art. 2º, c/c o inc. VII do art. 3º e os §§ 1º e 2º do art. 4º, todos do mencionado Decreto. E as disposições legais não poderiam deixar de ser aplicadas pelos agentes públicos, que devem pautar suas atividades em estrita observância a legislação em vigor (art. 37 da CF/88). Como bem destacou a decisão recorrida, a farta documentação que serviu de base ao lançamento fiscal, correspondendo a extratos bancários, cópias de cheques, declarações de pessoas físicas e jurídicas em respostas a diligências promovidas, foi toda obtida dentro da estrita previsão legal, não se vislumbrando qualquer irregularidade no procedimento fiscal. Nesses termos, inexistem dúvidas que o lançamento fiscal em questão figura integro, tendo em vista que as provas contundentes acostadas não foram devidamente combatidas na Impugnação e no Recurso, sendo ônus do contribuinte, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 Ademais, pelo exame do processo, verificase que os rendimentos recebidos de pessoas físicas e jurídicas, são alcançados pela tributação qualquer que seja sua origem, nos termos dos artigos 45 e 55 do Decreto 3.000/99 (RIR/99), que dispõem expressamente: "Art. 45. São tributáveis os rendimentos do trabalho não assalariado, tais como (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º): I honorários do livre exercício das profissões de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas; II remuneração proveniente de profissões, ocupações e prestação de serviços nãocomerciais; III remuneração dos agentes, representantes e outras pessoas sem vínculo empregatício que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem por conta própria; IV emolumentos e custas dos serventuários da Justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos; V corretagens e comissões dos corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos; (...) Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): I as importâncias com que for beneficiado o devedor, nos casos de perdão ou cancelamento de dívida em troca de serviços prestados; II as importâncias originadas dos títulos que tocarem ao meeiro, herdeiro ou legatário, ainda que correspondam a período anterior à data da partilha ou adjudicação dos bens, excluída a parte já tributada em poder do espólio; III os lucros do comércio e da indústria, auferidos por todo aquele que não exercer, habitualmente, a profissão de comerciante ou industrial; IV os rendimentos recebidos na forma de bens ou direitos, avaliados em dinheiro, pelo valor que tiverem na data da percepção; V os rendimentos recebidos de governo estrangeiro e de organismos internacionais, quando correspondam à atividade exercida no território nacional, observado o disposto no art. 22; Fl. 455DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13830.000958/200240 Acórdão n.º 2101002.709 S2C1T1 Fl. 8 13 VI as importâncias recebidas a título de juros e indenizações por lucros cessantes; (...) X os rendimentos derivados de atividades ou transações ilícitas ou percebidos com infração à lei, independentemente das sanções que couberem; (...)” Por outro lado, nos termos da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações introduzidas pelo art. 4º da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, o contribuinte deve comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias. Na letra da lei: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Deste modo, não há dúvida de que a autoridade fiscal pode utilizar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 para considerar como rendimentos omitidos os valores depositados em conta corrente sem comprovação de sua origem. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras. Noutro dizer, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Fl. 456DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei nº 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). E figura inadmissível aceitar quaisquer alegações quando desacompanhadas do mínimo de provas, como pretende a Contribuinte/Recorrente, quanto a recursos supostamente advindos de atividade empresarial. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, tãosomente da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo os valores delimitados na decisão recorrida. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 457DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13827.000223/2006-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do fato gerador: 31/01/1997, 28/02/1997, 31/03/1997
Ementa:
PROVA INEQUÍVOCA DE OPÇÃO PELO REGIME SIMPLIFICADO. A melhor solução para o caso passa pela possibilidade de identificação da intenção inequívoca de o contribuinte aderir (ou não) ao SIMPLES, sendo certo que, in casu, o sujeito passivo obteve êxito na demonstração inequívoca de sua intenção de aderir ao SIMPLES no período em discussão.
Numero da decisão: 1101-001.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto que segue em anexo, votando pelas conclusões o Conselheiro Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
(documento assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do fato gerador: 31/01/1997, 28/02/1997, 31/03/1997 Ementa: PROVA INEQUÍVOCA DE OPÇÃO PELO REGIME SIMPLIFICADO. A melhor solução para o caso passa pela possibilidade de identificação da intenção inequívoca de o contribuinte aderir (ou não) ao SIMPLES, sendo certo que, in casu, o sujeito passivo obteve êxito na demonstração inequívoca de sua intenção de aderir ao SIMPLES no período em discussão.
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LTDA. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/1997, 28/02/1997, 31/03/1997 Ementa: PROVA INEQUÍVOCA DE OPÇÃO PELO REGIME SIMPLIFICADO. A melhor solução para o caso passa pela possibilidade de identificação da intenção inequívoca de o contribuinte aderir (ou não) ao SIMPLES, sendo certo que, in casu, o sujeito passivo obteve êxito na demonstração inequívoca de sua intenção de aderir ao SIMPLES no período em discussão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto que segue em anexo, votando pelas conclusões o Conselheiro Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 02 23 /2 00 6- 07 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari. Relatório Cuidase, na origem, de pedido de inclusão retroativa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES para os períodos de 01°/01/1997 a 31/03/1997 (01° trimestre) e de 01°/01/1998 a 31/12/2001 (fls. 02/07). Protocolizado em 22/05/2006, referido pedido foi levado a efeito com base nos seguintes argumentos, litteris: “1.) Que em 20/03/1997 protocolou o Termo de Opção do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições SIMPLES (cópia em anexo) como Empresa de Pequeno Porte, com opção válida retroativamente a partir de 1°/01/1997, a qual permaneceu na mesma condição até 31/03/1997, conforme comprovam os respectivos recolhimentos através das guias DARF SIMPLES, constantes dos vossos arquivos. 2.) Que em 30/04/1997 protocolou a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica FCPJ (código 302) para exclusão do Sistema integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições SIMPLES por ter promovido importação de matériaprima, fato este impeditivo à permanência a partir do mêscalendário subsequente ao fato gerador, desenquadrandoa, portanto, a partir de 1°/04/1997 até 31/12/1997, a qual procedeu a seus recolhimentos de impostos e contribuições na forma de tributação do Lucro Real, conforme Declaração de Rendimentos entregue em 30/04/1998. 3.) Que por cumprir todos os requisitos previstos na legislação vigente, em 30/121997, PROTOCOLOU NOVO Termo de Opção do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições SIMPLES (cópia em anexo) para o anocalendário de 1998 e subsequentes (a partir de 1°/01/1998, permanecendo até 31/12/2001), conforme Declarações Anuais Simplificadas, entregues em 29/05/1999, 30/05/2000, 31/05/2001 e 31/05/2002, Termo este não constante nos vossos cadastros.” (fl. 02) Em 28/07/2006, a SACAT/DRF/BAURU exarou despacho decisório (fls. 79/81) deferindo parcialmente o pleito, de modo a reconhecer, retroativamente, (i) a inclusão do contribuinte no SIMPLES para o período de 01°/01/1998 a 31/12/2001 e (ii) sua exclusão a partir de 01°/01/2002. O parcial deferimento se deu por conta do indeferimento da inclusão retroativa para o período de 01°/01/1997 a 31/03/1997, sob o fundamento de que, litteris: “Dispõe ainda o ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT N° 30 DE 24/12/1997, publicado no D.O.U. de 29/12/1997: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13827.000223/200607 Acórdão n.º 1101001.237 S1C1T1 Fl. 3 3 ‘I a pessoa jurídica optante pelo SIMPLES terá aceita sua opção, com efeitos a partir de 1° de janeiro de 1997, mediante apresentação da Declaração Anual Simplificada; II a não apresentação da referida declaração implica a desistência da opção pelo SIMPLES, com efeito retroativo a 1° de janeiro de 1997, sendo válida, contudo, para o ano calendário de 1998 e posteriores. ’ A FCPJ apresentada em 30/04/1997 com o código de evento 302, ou seja, exclusão do Simples por opção do contribuinte, consta processada no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, conforme tela de pesquisa às fls. 16; e configura a intenção do contribuinte em não permanecer na sistemática do SIMPLES, durante esse ano calendário, fato este confirmado pela entrega da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIRPJ, exercício 1998, conforme tela de consulta às fls. 17, conforme disciplinado pelo Ato Declaratório Normativa supra citado. ” (fl. 80) Intimado em 07/08/2006 (fl. 84), o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 06/09/2006 (fls. 85/90), defendendo, em síntese, que o Ato Declaratório mencionado “é ilegal, pois o seu inciso I criou a obrigação da entrega da Declaração Anual Simplificada e o inciso II criou a obrigação da desistência da opção pelo ‘SIMPLES’ assunto tratado pela lei ordinária 9.317. (...) Uma norma regulamentadora não pode criar ou inovar no mundo jurídico”, sendo certo que “a lei n° 9.317 de 5 de dezembro de 1996 define o rol para as situações de vedação à opção (artigo 9°) e exclusão do simples (artigos 12 e 13) e seu conteúdo deve ser considerado taxativo, ou seja, não pode ser ampliado por interpretação (ensina a melhor hermenêutica que as regras punitivas devem ser interpretadas restritivamente) ” (fls. 88/89). Por fim, ressaltou que (i) “preencheu todos os requisitos do sistema tributário denominado ‘SIMPLES’ criado pela Lei 9.317 nos meses de Janeiro, Fevereiro e Março de 1997, pois cumpriu todas as exigências legais”; (ii) o deferimento da inclusão nessa sistemática do SIMPLES previsto em lei não estaria sujeito “às exigências dos incisos I e II do Ato Declaratório Normativo COSIT n° 30 de 24/12/1997 quando o mesmo ilegalmente criou obrigações não previstas na lei ordinária”; (iii) entregou apenas a DIPJ para o anocalendário de 1997 porque “essa seria a última situação cadastral da Requerente naquele período, além de preponderante em número de meses” e (iv) efetuou os pagamentos dos referidos meses pontualmente sob o código do SIMPLES (6106) de forma pontual e teve “boafé presente no seu pedido voluntário de exclusão do SIMPLES em 30/04/1997, além de não ter causado qualquer prejuízo ao Fisco Federal”. Em sessão de julgamento realizada no dia 12/01/2009, a d. 1ª Turma da DRJ/POR manteve o indeferimento da solicitação do contribuinte, nos termos do acórdão 14 21.921 (fls. 101/103), a seguir ementado: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/1997, 28/02/1997, 31/03/1997 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE IRPJ DESISTÊNCIA DO SIMPLES. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 A pessoa jurídica optante pelo SIMPLES terá aceita sua opção, com efeitos a partir de 1° de janeiro de 1997, mediante apresentação da Declaração Anual Simplificada. A não apresentação da referida declaração implica a desistência da opção pelo SIMPLES, com efeito retroativo a 1° de janeiro de 1997. Solicitação Indeferida. ” Na ocasião, a d. DRJ esclareceu com base na IN 74/96 e no manual de preenchimento da declaração de IRPJ que, “estando o contribuinte sujeito ao SIMPLES em parte do anocalendário, deveria apresentar duas declarações, quais sejam: a declaração do SIMPLES para os meses em que houve submissão a esta sistemática de apuração; a declaração de IRPJ para os demais meses”. Desse modo, como o contribuinte “para o ano de 1997 apresentou apenas a declaração de IRPJ, de modo que, nos termos do Ato Declaratório Normativo COSIT 30/97, desistiu da opção pelo SIMPLES” (fl. 103). Ao final, afirmou que, “conforme prescreve o art. 7° da Portaria MF n° 58/2006, o julgador deve observar o entendimento da Receita Federal expresso em atos normativos. Assim, não se pode acolher sua alegação de que o ADN acima transcrito é ilegal”. Cientificado do r. decisum em 16/03/2009 (AR de fl. 107), o contribuinte interpôs tempestivo recurso voluntário em 14/04/2009 (fls. 108/113) pugnando pelo deferimento de sua solicitação de ingresso retroativo no SIMPLES para os meses de Janeiro, Fevereiro e Março de 1997 com base (i) nos argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e (ii) com base nos arts. 97, inc. V (“somente a lei pode estabelecer (...) a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas”), e 112, incisos I e II (“a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos”), do CTN. É o relatório. Voto BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator: O recurso voluntário é tempestivo – ciência do r. acórdão recorrido no dia 16/03/2009 (fl. 107) e interposição do recurso no dia 14/04/2009 (fl. 108/113) – e preenche os requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Como visto, o caso cingese à verificação da possibilidade de a ora Recorrente ser incluída, de forma retroativa, no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES para o primeiro trimestre do anocalendário de 1997. Nas instâncias anteriores, prevaleceu decisão de indeferimento do pleito do contribuinte por conta da ausência de entrega da Declaração Anual Simplificada relativa ao período somente houve a entrega da DIPJ/1998, que de acordo com o documento de fl. 20, Fl. 130DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13827.000223/200607 Acórdão n.º 1101001.237 S1C1T1 Fl. 4 5 compreenderia todo o anocalendário de 1997 , na esteira do Ato Declaratório Normativo COSIT n. 30/97, que prevê o seguinte, in verbis: “O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda n° 606, de 3 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 8°, parágrafos 2° e 4° da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: 1 a pessoa jurídica optante pelo SIMPLES terá aceita sua opção, com efeitos a partir de 1° de janeiro de 1997, mediante apresentação da Declaração anual Simplificada; II a não apresentação da referida declaração implica a desistência da opção pelo SIMPLES, com efeito retroativo a 1º de janeiro de 1997, sendo válida, contudo, para o ano calendário de 1998 e posteriores. ” A despeito da interpretação literal que se poderia extrair da norma infralegal prevista no ADN COSIT supracitado, pareceme que a melhor solução para o caso em análise passa pela possibilidade de identificação da intenção inequívoca de o contribuinte aderir (ou não) ao SIMPLES. Para tanto, é essencial que se tenha em mente as seguintes manifestações de vontade externadas pelo sujeito passivo: (i) Em 20/03/1997, protocolou Termo de Opção do SIMPLES, com opção válida retroativamente a partir de 01°/01/1997 (fl. 06); (ii) Em 30/04/1997, protocolou Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica FCPJ para exclusão do SIMPLES, por ter (cf. alega) passado a promover importação de matériaprima (fl. 07); (iii) Em 30/12/1997, protocolou novo Termo de Opção do SIMPLES para o anocalendário de 1998 e subsequentes (fl. 05); (iv) Em relação ao anocalendário de 1997, apresentou apenas a DIPJ/2008, em que apontava que apurava seus resultados pelo Lucro Real, sem, contudo, ter apresentado Declaração Anual Simplificada relacionada aos primeiros três meses; (v) Nos termos das fls. 21/22 (documento oriundo do sistema de informações da arrecadação federal que relaciona os pagamentos efetuados pelo contribuinte com o código 6106 SIMPLES), houve o recolhimento de DARFs com o código do SIMPLES para o período de 01°/01/1997 a 31/03/1997 e 01°/01/1998 a 31/12/2001. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 Nesse quadro, penso que, em que pese a previsão infralegal mencionada alhures, o ora Recorrente obteve êxito na demonstração inequívoca de sua intenção de aderir ao SIMPLES no período em discussão (somente se debate o primeiro trimestre de 1997, porquanto os demais períodos já foram deferidos nas instâncias inferiores). O simples fato de não ter cumprido obrigação acessória consistente na apresentação de Declaração Anual Simplificada não pode ter o condão de inviabilizar sua adesão ao regime simplificado, mormente quando se tem informação cabal constante dos arquivos da Receita Federal de que o sujeito passivo procedeu (tempestivamente) a todos os respectivos recolhimentos no código 6106 (SIMPLES) no período em debate. Essa Col. Turma Julgadora, a propósito, já chancelou entendimento no sentido de que comprovantes de pagamentos constituem comprovação inequívoca do animus da pessoa jurídica em aderir ao SIMPLES, in verbis: “PROVA INEQUÍVOCA DE OPÇÃO PELO REGIME SIMPLIFICADO. Não havendo o Fisco recepcionado as declarações simplificadas transmitidas pelo contribuinte, é de se considerar que os DARF Simples quitados são suficientes à comprovação da vontade inequívoca da pessoa jurídica em optar pelo Simples Federal. ” (Acórdão n. 1101000.718 – 1ª Seção/1ª Câmara/1ª Turma Ordinária – CARF Processo n. 10980.007183/20065 Cons. Rel. Benedicto Celso Benício Júnior Sessão de 11/04/2012) Ressaltese a existência de atos da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil demonstrando a possibilidade de se aceitar comprovantes de pagamento como instrumento hábil a comprovar a intenção de se aderir ao regime do SIMPLES, cf. se lê do Ato Declaratório Normativo SRF n. 16/2002, litteris: “O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n. 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o disposto no art. 8° da Lei n. 9.317, de 5 de dezembro de 1996, no art. 16 da Instrução Normativa SRF n. 34, de 30 de março de 2001, e no processo 10168.004370/200237, declara: Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. ” Noutras palavras, a própria Receita Federal entendeu que recolhimentos nos códigos apropriados comprovam a vontade inequívoca do contribuinte em optar pelo Fl. 132DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13827.000223/200607 Acórdão n.º 1101001.237 S1C1T1 Fl. 5 7 SIMPLES, e que tais recolhimentos supririam a omissão da manifestação expressa dessa vontade em obrigações acessórias. Além disso, notase que o protocolo da Ficha Cadastral de Pessoa Jurídica com o evento 302 (exclusão do SIMPLES a partir de Abril/1997) também externa a ideia de que o contribuinte pretendeu enquadrarse no Lucro Real apenas nos nove últimos meses do anocalendário em consideração, e isso a despeito da equivocada menção à integralidade do ano de 1997 em sua DIPJ/98. Ou seja, os únicos elementos que podem ser considerados para impedir a inclusão pretendida pelo sujeito passivo consistem nesse erro em sua DIPJ/98 e na omissão quanto à apresentação da Declaração Simplificada – equivocidades essas que, se não se confundem, são absolutamente interligadas –, sendo certo que outros elementos mais contundentes existem a revelar a intenção do contribuinte de aderir ao regime simplificado em parte do anocalendário de 1997. Outrossim, a Lei n. 9.317/1996 definiu o rol das situações de vedação à opção do SIMPLES (artigo 9°) e de exclusão do SIMPLES (artigos 12 e 13), sendo certo que que a melhor hermenêutica indica que tais dispositivos devam ser interpretados de forma restritiva, o que deve afastar a aplicação da norma infralegal prevista no ADN COSIT n. 30/1997 para o caso concreto. Ante o exposto e tendo em mente a diretriz incontestável da Constituição Federal acerca da necessidade de políticas de fomento e incentivo às empresas de pequeno porte e às microempresas , voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, de modo a deferir a inclusão retroativa no SIMPLES para o período de 01°/01/1997 a 31/03/1997. É como voto. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Fl. 133DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10909.004278/2007-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. EXCLUSÃO PARCIAL DO DISPOSITIVO.
Observada a impertinência, cabe excluir do Dispositivo do Acórdão matéria que já fora providenciada.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2403-002.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada, sem alteração da decisão do acórdão embargado.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.Ausentes, justificadamente, os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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EXCLUSÃO PARCIAL DO DISPOSITIVO. Observada a impertinência, cabe excluir do Dispositivo do Acórdão matéria que já fora providenciada. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada, sem alteração da decisão do acórdão embargado. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.Ausentes, justificadamente, os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 42 78 /2 00 7- 61 Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Com fulcro no art. 65 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, às fls. 1.260 a Procuradora da Fazenda Nacional, opõe, Embargos de Declaração, contra suposta omissão e obscuridade no Acórdão nº 2403002.185, exarado em 13 de agosto de 2013, colacionado às fls.1.243, da lavra desta Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF. Na oportunidade o dispositivo do voto formalizou decisão conforme abaixo: “Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência até 09/2002, inclusive, em conformidade do art. 150 do CTN. No mérito:1) Por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso para: a) Exclusão das empresas optantes pelo SIMPLES. b) Ajuste conforme planilha Anexo III da diligência. 2) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disciplinado no artigo 35, da Lei nº 8.212, na redação dada pela Lei nº 11.941, limitando a 20%, vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. CARLOS ALBERTO MESS STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.” Com grifos de minha autoria reproduzo em parte o documento onde a i. Embargante hostiliza a decisão supra alegando que : “A conclusão pela “exclusão das empresas optantes do SIMPLES” desacompanhada de qualquer fundamentação a embasála importa a caracterização de omissão no julgado. Com efeito, não se podem precisar os motivos determinantes da decisão neste ponto, pois não houve qualquer pronunciamento sobre a matéria. Notase, ademais, que ao referenciar a exclusão das empresas optantes do SIMPLES, a decisão incorre também em obscuridade, uma vez que a matéria não foi ventilada no recurso do contribuinte, que versou sobre os critérios para calcular a base de cálculo da contribuição incidente sobre a cessãode Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Acórdão n.º 2403002.540 S2C4T3 Fl. 3 3 obra quando combinada com o fornecimento de materiais, vide fls. 1006/1024 da numeração original. Cumpre observar, ainda, que foi objeto de exame pela Delegacia Regional de Julgamento a indevida inclusão, na base de cálculo das contribuições em comento, dos valores pagos a empresas inseridas na sistemática de recolhimento do SIMPLES no período de 01/01/2000 a 31/08/2002, quando tais empresas não se sujeitavam à sistemática de retenção prevista no art. 31 da Lei n. 8.212/91, por força da previsão do art. 142 da Instrução Normativa MPS/SRP n.3, de 14 de julho de 2005. Na ocasião, promoveuse o ajuste da base de cálculo com exclusão dos valores correspondentes, conforme fl. 993 da numeração original. Destarte, não há providências a serem determinadas quanto ao ponto, devendo ser mantido o resultado do julgamento pela instância a quo. Ante o exposto, fazse necessário o saneamento do acórdão embargado para que se esclareça a obscuridade, suprimindo a referência às exclusões já realizadas ou explicitando a quais exclusões se refere a decisão e, neste segundo caso, restando a omissão em aberto, que sejam declinados os motivos da exclusão.” É o Relatório. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE Os embargos são tempestivos e admissíveis. Portanto, os ACOLHO. DO MÉRITO De fato às fls. 904 a Autoridade autuante revela que procedera as exclusões em referencia: “3 As empresas prestadoras de serviços discriminadas no relatório com a denominação de ME no período de 01/2000 a 08/2002, conforme documentos anexos as fls. 791 a 800 e 802 a 807 extraídos da base cadastral da Receita Federal do Brasil são optantes pelo Simples e foram retiradas do débito.” Isto posto, cumpre suprimir do dispositivo da decisão recorrida o que se determinara em referência às exclusões já realizadas. Aduz que tal alteração não encerra “ REFORMATIO IN PEJUS” CONCLUSÃO Conheço dos Embargos para retificar o dispositivo do acórdão recorrido no sentido de suprimir o item “a” daquele decisium onde se define excluir os crédito tributários constituídos perante as empresas optantes pelo SIMPLES. Mantenhamse as demais determinações. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Acórdão n.º 2403002.540 S2C4T3 Fl. 4 5 Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11516.722340/2011-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
Ementa:
MULTA QUALIFICADA. DOLO ESPECÍFICO. OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO.
A aplicação da multa qualificada exige a presença de dolo específico, devendo ser comprovado que o contribuinte praticou condutas com a intenção de atingir o resultado específico de camuflar a ocorrência dos fatos geradores. O conjunto probatório colhido pela autoridade autuante e descrito no termo de verificação fiscal não só conduz à conclusão de imprestabilidade da escrituração fiscal e comercial da contribuinte como constitui indício robusto do intuito de fraude, devendo, portanto, ser mantida a qualificação da multa de ofício.
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR AUDITOR FISCAL INCOMPETENTE.
Não há que se falar em nulidade quando o auditor fiscal que emitiu os termos de intimação e o auto de infração foi devidamente designado como responsável no mandado de procedimento fiscal.
Numero da decisão: 1103-001.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado rejeitar a preliminar, por unanimidade, e, no mérito, negar provimento, por maioria, vencido o Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos (Relator). Em primeira coleta de votos, os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira e André Mendes de Moura não conheceram do recurso quanto à parte relativa ao aproveitamento do imposto de renda e da CSLL retidos na fonte. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Shigueo Takata.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno Ferreira Martins Vasconcelos - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Shigueo Takata Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008 Ementa: MULTA QUALIFICADA. DOLO ESPECÍFICO. OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO. A aplicação da multa qualificada exige a presença de dolo específico, devendo ser comprovado que o contribuinte praticou condutas com a intenção de atingir o resultado específico de camuflar a ocorrência dos fatos geradores. O conjunto probatório colhido pela autoridade autuante e descrito no termo de verificação fiscal não só conduz à conclusão de imprestabilidade da escrituração fiscal e comercial da contribuinte como constitui indício robusto do intuito de fraude, devendo, portanto, ser mantida a qualificação da multa de ofício. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR AUDITOR FISCAL INCOMPETENTE. Não há que se falar em nulidade quando o auditor fiscal que emitiu os termos de intimação e o auto de infração foi devidamente designado como responsável no mandado de procedimento fiscal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 Ementa: NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO NO ÂMBITO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE DILIGÊNCIA. Não há nulidade porque o art. 3º da Portaria RFB nº 3.014/11 autoriza a lavratura de autuação fiscal tanto no âmbito de um procedimento fiscal de fiscalização (instaurado por MPFFiscalização) como no âmbito de um procedimento fiscal de diligência (instaurado por MPFDiligência). Além disso, foi instaurado mandado de procedimento fiscal de fiscalização após a emissão do MPFF e anteriormente à lavratura dos autos de infração. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR AUDITOR FISCAL INCOMPETENTE. Não há que se falar em nulidade quando o auditor fiscal que emitiu os termos de intimação e o auto de infração foi devidamente designado como responsável no mandado de procedimento fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 Ementa: ARBITRAMENTO. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE PARA REGULARIZAR A ESCRITURAÇÃO. É correta a realização do arbitramento quando o contribuinte não apresenta os documentos e livros de sua escrituração fiscal após reiteradas intimações. A publicidade e o direito de petição devem ser compatibilizados com o dever de o contribuinte colaborar com a fiscalização, assim entendido como a obrigação de cumprimento dos deveres instrumentais estabelecidos pela legislação tributária, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 23 40 /2 01 1- 62 Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.482 2 tal como o de manter e, quando solicitado, apresentar à fiscalização escrituração contábil regular. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007, 2008 Ementa: Se a utilização das retenções de IRF e de CSLL na fonte já foi reconhecida, com as homologações (totais e parciais) das compensações por meio das Dcomps, não há valor a ser abatido dos tributos lançados de ofício. A fortiori, não há valor a ser abatido para a inflição das multas de ofício, cujas bases de cálculo são os próprios tributos exigidos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 Ementa: MULTA QUALIFICADA. DOLO ESPECÍFICO. OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO. A aplicação da multa qualificada exige a presença de dolo específico, devendo ser comprovado que o contribuinte praticou condutas com a intenção de atingir o resultado específico de camuflar a ocorrência dos fatos geradores. O conjunto probatório colhido pela autoridade autuante e descrito no termo de verificação fiscal não só conduz à conclusão de imprestabilidade da escrituração fiscal e comercial da contribuinte como constitui indício robusto do intuito de fraude, devendo, portanto, ser mantida a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado rejeitar a preliminar, por unanimidade, e, no mérito, negar provimento, por maioria, vencido o Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos (Relator). Em primeira coleta de votos, os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira e André Mendes de Moura não conheceram do recurso quanto à parte relativa ao aproveitamento do imposto de renda e da CSLL retidos na fonte. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Shigueo Takata. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos Relator. (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata – Redator Designado. Fl. 2482DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.483 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Lançamento A questão sob análise diz respeito a Autos de Infração lavrados em 13/12/2011 para a exigência de IRPJ e CSLL, acrescidos de juros de mora e multa de ofício qualificada (150%). As autuações fiscais decorreram do arbitramento do lucro da recorrente em razão da imprestabilidade de sua escrituração para a determinação do lucro real. O termo de verificação fiscal de fls. 13741435 descreve, em suma, o seguinte: (i) O procedimento de fiscalização foi iniciado por meio de MPFDiligência e, posteriormente, foi emitido MPFFiscalização contra a recorrente. (ii) No termo de intimação nº 2/2011 foram solicitados documentos e extratos bancários comprovando o efetivo recebimento dos valores pagos pela NB Fomento, tendo a recorrente apresentado controles financeiros e vários extratos bancários contendo os históricos “CRED TED”, “TRANSF. MESMA TITULARIDADE” e “TRANSF VALOR ENTRE CONTA”. (iii) Nos termos de intimação nºs 3/2011, 4/2011 e 5/2011 foram solicitados documentos referentes aos contratos de serviços prestados e empréstimos contraídos, inclusive extratos bancários que pudessem comprovar as entradas e saídas de recursos financeiros. (iv) No termo de intimação nº 6/2011 foram novamente solicitados alguns comprovantes de recebimentos e pagamentos de empréstimos contraídos, pois não foram apresentados em resposta às intimações anteriormente emitidas. (v) Também por meio do termo de intimação nº 6/2011 a recorrente foi intimada a identificar, por meio de documentos hábeis e idôneos emitidos pelas instituições financeiras, o emitente e o beneficiário de várias movimentações bancárias. (vi) No termo de intimação nº 7/2011 a recorrente foi intimada a comprovar, com documentos emitidos pela instituição financeira contendo identificação do emitente e do beneficiário, o pagamento de juros – conta 3.2.1.04.00003 para Eder Gomes Viana, Terralis Construções Ltda., Cia Via Construções Ltda., Cajoti – Obras e Transportes Ltda., Sinasc – Sinalização e Conservação de Rodovias Ltda. e Paraná Equipamentos S/A. Fl. 2483DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.484 4 (vii) Também no termo de intimação supra referido foram novamente solicitados comprovantes de pagamentos e recebimentos de empréstimos contraídos junto à NB Fomento e NB Multicrédito e os comprovantes dos itens 3 e 9 do termo de intimação nº 6/2011. (viii) Em 2007 e 2008 a recorrente contraiu alguns empréstimos, tendo contabilizado os juros pagos em duas contas de despesas: conta 3.2.1.04.00004 – juros e comissões bancárias (juros pagos a instituições financeiras), na qual foi debitado o valor de R$58.498.517,00 nos dois anos e conta 3.2.1.04.00003 – juros de mora (juros pagos a empresas ou a órgãos públicos decorrentes de pagamento/compensação em atraso), na qual foi debitado o valor de R$11.614.112,49 nos dois anos. (ix) Na conta 4.1.3.01.00001 foram registradas todas as receitas oriundas de descontos recebidos, no valor de R$12.656.716,87 em 2007 e 2008, provenientes, em sua grande maioria, de descontos obtidos em pagamentos de empréstimos ao Banco Pine S.A. (R$9.638.899,22) e à NB Multicrédito (R$1.743.914,39). (x) A recorrente apresentou apenas duas comprovações das transações realizadas junto à NB Fomento por meio de TED. Em relação às demais transações, foram apresentados apenas extratos bancários, que não comprovam emitente e beneficiário da transferência, cópia de supostos ofícios enviados ao banco, recibos de pagamentos relativos a períodos não fiscalizados (anteriores a 2007) e três recibos relativos ao período fiscalizado. (xi) Um dos recibos acima mencionados indica que o valor de R$230.280,00 teria sido pago pelo DNIT, mas esse órgão afirmou que a legislação não permite o pagamento de prestação de serviço, oriunda de contrato, a terceiro não participante do contrato. Além disso, o valor desse recibo não coincide com os registros contábeis. (xii) Para comprovar pagamento realizado em 22/05/2007 à NB Fomento, no valor de R$1.634.000,00, foi apresentada TED na qual a própria recorrente figurava como beneficiária. (xiii) Há disparidade na apropriação de juros em relação a um mesmo contrato, tendo sido apropriados juros de 10,12% em relação às parcelas 32 a 38 e de 70,70% para as parcelas 42 a 50. (xiv) Não foram observadas as regras e princípios da contabilidade quanto aos lançamentos contábeis relativos aos empréstimos da recorrente junto à NB Fomento. (xv) Dos diversos lançamentos realizados pela recorrente na conta 2.1.1.03.00003 – NB Fomento (operações de empréstimos), apenas a transação realizada em 14/11/2007 foi comprovada por meio de TED e constatouse que a transação realizada em 31/03/2008 corresponde à transferência para o circulante. Fl. 2484DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.485 5 (xvi) O contrato 1/2007, firmado com NB Multicrédito, foi registrado na contabilidade como NB Fomento. Não foram apresentados documentos comprobatórios da transação. (xvii) Igualmente não foram comprovadas as transações consubstanciadas nos contratos 2/2007 a 11/08 (NB Multicrédito), com exceção da TED acima mencionada. (xviii) Foram comprovadas, por meio de TED, as entradas dos contratos 12/2008 a 14/2008 (NB Multicrédito), não tendo sido comprovados, porém, os pagamentos. (xix) Os documentos hábeis a demonstrar a origem dos recursos, os valores, os efetivos recebimentos e pagamentos e os beneficiários são os documentos bancários que deram suporte às operações registradas de forma sintética nos extratos bancários (são exemplo: DOC, TEC e cheque nominal). (xx) Os recibos emitidos em nome do DNIT não podem ser aceitos porque não há previsão legal de transferência de valores do DNIT para a NB Multicrédito, pois aquele órgão não participa do contrato de mútuo. (xxi) Também não podem ser aceitos os recibos emitidos em nome do Rodoanel Sul, pois os contratos de mútuo 10/08 a 14/08 foram celebrados junto à NB Multicrédito após o pagamento da última fatura e o termo de encerramento de contrato, ou seja, não havia direito de crédito, pois não havia serviços a serem prestados ou valores a serem recebidos. (xxii) De acordo com diligência feita pela fiscalização, não apenas o contrato acima mencionado estava encerrado como a Rodoanel Sul não efetuou nenhum dos pagamentos que seriam supostamente comprovados pelos recibos em questão. (xxiii) Em relação às despesas de juros de mora lançadas na conta 3.2.1.04.00003, no valor total de R$11.614.112,49, decorrentes de pagamentos realizados em atraso, foram selecionadas algumas empresas, por amostragem, para verificação das efetivas despesas. Não foram comprovados, porém, diversos lançamentos realizados pela recorrente. (xxiv) Foram identificados graves defeitos na emissão de notas fiscais de prestação de serviços, a saber: § Não foram apresentadas as notas fiscais nºs 447, 448, 586, 759, 856, 857, 924, 925, 926, 927, 928, 929, 968, 991, 992, 995, 996 e 997; § Não foi observada a ordem cronológica, tendo sido emitidas notas fiscais com numeração inferior em data posterior às numerações seguintes; Fl. 2485DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.486 6 § Foram encontradas notas fiscais em branco sem serem canceladas: nºs 671, 672, 673, 737, 789, 790, 806, 808, 828, 846, 859, 860, 938, 939, 949, 950, 951, 952, 976, 986, 987 e 1004; § Em relação às notas fiscais canceladas nºs 828, 872 e 969, foram encontradas impressões nas vias seguintes à primeira que divergem completamente da primeira via ou com primeira via em branco, procedimento típico da emissão de nota fiscal calçada. (xxv) O contribuinte apropriou, em 31/03/2008, juros de mora no valor de R$2.825.238,24, referente a débitos de Cofins compensados com saldo negativo de IRPJ e CSLL (por meio de DCOMP), mas os débitos compensados eram relativos aos períodos de apuração 12/1999 a 12/2003, de modo que os juros de mora deveriam ter sido apropriados a cada período correspondente, e não integralmente no dia 31/03/2008. (xxvi) A recorrente não observou a legislação comercial e fiscal quanto ao reconhecimento das receitas e despesas. O art. 409 do RIR prevê o diferimento da tributação do lucro até o efetivo recebimento das contraprestações relativas às atividades de empreitada ou fornecimento contratado com pessoa jurídica de direito público ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária. De acordo com esse dispositivo, pode ser diferida a tributação do lucro, mas a recorrente só reconhecia a receita em suas demonstrações contábeis quando da emissão de fatura (e não quando da prestação do serviço) e a despesa quando da sua realização. Por essa razão, a escrituração da recorrente não permite visualizar a origem da despesa, quando foi paga e quando foi apropriada, o que impossibilita o batimento entre custo e receita para se apurar o verdadeiro lucro/prejuízo contábil. (xxvii) A recorrente adquiriu em 11/12/2007 75.000 debêntures do tipo CVRDA6 da Vale pelo valor de R$525.000,00 e no dia seguinte reavaliou tais ativos, com base em Parecer Técnico Contábil, para o valor de R$46.890.000,00, valor esse que foi transferido para o capital social como subscrição dos sócios, o que possivelmente foi feito para inflar o patrimônio líquido com o objetivo de participar de concorrências públicas, pois, de acordo com o sítio www.debentures.com.br, o valor unitário máximo dos títulos em 12/12/2007 era R$2,00. (xxviii) A recorrente apresentou balanços diferentes para a fiscalização e para as contratantes Rodoanel Sul e DER/SP, tendo sido todos assinados pelo mesmo sócio. As demonstrações financeiras apresentadas à fiscalização indicavam resultado inferior àquele apurado em tais balanços. Tais divergências têm relação com as irregularidades acima mencionadas (diferenças nas contas de empréstimos, juros, receita operacional e do reconhecimento de despesas em descompasso com as receitas). Fl. 2486DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.487 7 Foi realizado o arbitramento do lucro da pessoa jurídica com base em sua receita bruta, pois entendeuse que seria o método mais próximo para se chegar ao resultado fiscal, tendo sido os valores extraídos da folha nº 375 do Livro Diário nº 80 (2007) e da folha nº 661 do Livro Diário nº 92 (2008). Não foram subtraídas as retenções informadas pelo contribuinte nas DIPJ, haja vista que tais valores já foram objeto de compensação por saldo negativo de IRPJ e CSLL. Tendo em vista que o contribuinte praticou atos com evidente intuito de fraude, em especial aqueles indicados nos tópicos 3 e 4 do TVF, foi qualificada a multa de ofício, nos termos do art. 44, I, §1º da Lei nº 9.430/96. Foi formalizada representação fiscal para fins penais. Impugnação Quanto à impugnação apresentada pela recorrente (fls. 14451539), transcrevo trechos do relatório do acórdão da DRJ, por sua pertinência: Em sua impugnação o sujeito passivo apresenta os argumentos a seguir resumidos: (...) alega que o AI não possui número de ordem de emissão nem número tomado no “COMPROT” – consulta de processo. A única referência de numeração do processo administrativo teria sido feita apenas pelos Auditores Fiscais no TVF. Em seu entender, tal situação dificultaria a identificação e a impugnação do débito lançado, fato que caracterizarseia em cerceamento do direito de defesa e tornaria o processo inexistente. Assevera que nem o AI emitido no dia 13/12/2011 nem o TVF emitido no dia 30/11/2011 foram assinados por nenhum dos Auditores Fiscais e que tal falta caracterizarseia em erro insanável, tornando nulo o suposto documento de lançamento. Alega que, apesar de o Mandado de Procedimento Fiscal – Diligência (MPFD) nº 09.2.01.002011000901 ter sido referido no Termo de Início da Diligência datado de 10/02/2010 e no Termo de Intimação 01/2011, de 15/03/2010, constam dos Termos de Intimação de nº 02/2011 ao de nº 08/2011, o MPF nº 09.2.01.002011003293, “porém, embora conste nestes Termos de Intimação e, também no Termo de Verificação Fiscal, Fl. 2487DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.488 8 não foi e nem está disponibilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em seu sitio na rede mundial de computadores”. (...) Afirma que os atos praticados pelo Auditor Fiscal Saul Rosa de Souza, ou de cuja elaboração ele tenha participado, são nulos por falta de autorização, pois seu nome não constaria do MPF. Transcreve dispositivos legais que corroborariam sua decisão. Afirma que, de acordo com as informações sobre emissão e prorrogação de MPF no portal da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a última prorrogação do MPFD nº 09.2.01.002011000901 extinguiuse em 04/11/2011. Logo, ao emitir o auto de infração em 13/12/2011, a Fiscalização teria deixado de observar o art. 15 da Portaria RFB nº 3.014/2011, o que consistiria em uma ilegalidade. (...) Transcreve o art. 5º, X e XII da Constituição Federal de 1988 (CF/88) e em seguida afirma que a prestação de informação acerca das operações financeiras dos contribuintes, sem ordem judicial, ofende o devido processo legal e a reserva de jurisdição para a quebra do sigilo de dados. Reproduz trechos doutrinários e dispositivos normativos para concluir que tais provas devem ser desconsideradas por terem sido obtidas de forma irregular e/ou ilegal. Adiante afirma: Ora, assim considerando o objetivo do MPFD nº 09.2.01.002011000901 – “COLETA DE INFORMAÇÃO RELATIVA À MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA/FINANCIAMENTOS DE LONGO PRAZO” – em consonância com os ditames aplicados pelas: LC nº 105/2001; Decreto nº 3.724/2001 e, PT/RFB nº 3.014/2011, a diligência procedida pelos Auditores Fiscais na empresa Rodoanel Sul e, solicitação de informações ao DER/SP, foram totalmente irregulares e caracterizam, em tese, quebra de sigilo fiscal, de forma que, agindo assim, o Auditor Fiscal afrontou as normas jurídicas tributárias, procedimento este que macula sobremaneira a Lei Maior. Fl. 2488DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.489 9 Dessa forma, em seu entender, o AI deve ser julgado nulo. Cita e transcreve dispositivos legais que tratam da descaracterização da contabilidade e afirma adiante que “o instituto da desconsideração da contabilidade e conseqüente arbitramento do Lucro, […], devem ser utilizados como último recurso”. (...) Afirma ser descabida, confiscatória e improcedente a multa de ofício de 150%, uma vez que não preenche os prérequisitos legais e por caracterizar confisco ilegalmente. Transcreve decisões judiciais e trechos doutrinários. Sob o título “Das Apropriações dos Juros”, a Defendente transcreve trecho do TVF e, após discorrer sobre o conceito de “contabilidade” e de “plano de contas”, apresenta justificativa para manter em sua contabilidade ao mesmo tempo mais de uma conta para registrar os juros e uma conta para “descontos obtidos”. No que se refere à Representação Fiscal para Fins Penais, a Defendente afirma que os Auditores Fiscais teriam se equivocado ao capitular sua tese de ocorrência de crime em Portaria Ministerial e não no Código Penal. (...) Apresenta um conceito de desconto bancário e discorre sobre o capítulo 3 do TVF, transcrevendo as contas contábeis ali dispostas: descontos obtidos, juros de mora e juros e comissões bancárias. Sobre esse ponto afirma: Esclarecese que, juros pagos decorrentes de empréstimos contraídos juntos às instituições financeiras, para capital de giro, integram o CUSTO do produto ou do serviço, enquanto que, os pagos à administração pública por atraso no recolhimento do tributo representam DESPESA. Apenas por essa razão são necessárias contas diversas para registros desses valores. A existência da conta nº 3.2.1.04.00001 – DESCONTOS OBTIDOS, justificase pelo fato de que os juros são levados a CUSTO pelos valores diferidos e, não necessariamente pagos, fato destacado pelo Auditor Fiscal consoante ao Termo de Verificação Fiscal, e portanto, os Fl. 2489DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.490 10 descontos obtidos deverão constar como “RECEITA” a fim de não provocar distorções na apuração de resultado. Continua: Relataram ainda os Auditores Fiscais (fls. 13/62) que, “foram apresentados catorze (14) contratos de empréstimos contraídos juntos à NB Multicrédito, relacionados na planilha abaixo. Todos são contatos de mútuo em que a CBEMI dá em garantia seus contratos de prestação de serviços firmados com órgãos públicos ou outras empreiteiras, como o caso do RODOANEL SUL”. Todos os contratos de “empréstimos” citados pelo Auditor Fiscal são na verdade “contrato de desconto bancário”. Do total de quatorze contratos examinados, o de nº 239 datado em 18/05/2006, teve como contratantes, a empresa CBEMI Construtora Brasileira e Mineradora Ltda e NB Fomento S/A e, tratavase de “Contrato de Fomento Mercantil de Prestação de Serviços Conjugada com a Compra de Ativos Mercantis”, tinha como objeto da cessão o crédito decorrente do Contrato de Prestação de Serviço nº 063/07 com a Rodoanel Sul 5 Engenharia Ltda. Os outros treze contratos foram entre a CBEMI Construtora Brasileira e Mineradora Ltda, impugnante, como “Cedente” de direitos, NB Multicrédito Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizados, e como “Cessionário”, a empresa C&D Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda, condição de “Instituição Administradora” e, NB Gestora Ltda como “Intervenienteanuente” e, referiamse a “Cessão de Direitos de Créditos e Outras Avenças”. Os contratos numerados de 001/07 a 005/07 (cinco) tinham como objeto da cessão o crédito decorrente do Contrato de Empreitadas com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte – DNIT. Os contratos de nºs 006/07 a 014/08 (nove) tiveram por objeto da cessão o crédito decorrente do Contrato de Empreitadas nº 063/07 com a empresa Rodoanel Sul 5 Engenharia Ltda. Dos 10 (dez) contratos que tiveram como objeto da cessão crédito decorrente do contrato nº 063/07 com a tomadora, Rodoanel Sul 5 Engenharia Ltda, com exceção do contrato nº 239/06, os demais Fl. 2490DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.491 11 possuíam garantia adicional constituído por Notas Promissórias emitidas pela CBEMI e avalizadas pelos fiadores do contrato. Como devia saber, o contrato de empréstimo se diferencia do relativo a um investimento não só no fato de envolver um investidor e uma instituição de investimento, mas, também pela legislação, inclusive tributária, aplicável em cada um dos casos. No que se refere aos comentários efetuados pelo Auditor Fiscal a respeito dos “documentos hábeis e idôneos” para comprovar determinado registro contábil ou determinada operação financeira ou bancária, transcreve trecho do TVF que dispõe sobre a apresentação de documentos em atendimento ao Termo de Intimação nº 01/2011, 06/2011 e 07/2011, bem como os arts. 221 e 320 do Código Civil, art. 923 do Decreto 3.000/1999 e trecho do Parecer Normativo CST nº 10/1976, para em seguida asseverar: Portanto, os livros, documentos e informações apresentados, tais como contratos de empreitadas e de cessão de direitos de créditos, notas fiscais, TED – Transferência Eletrônica Disponível, extratos bancários, recebidos de pagamentos, etc., são hábeis, idôneos e legais até que se comprovem o contrário. Os comprovantes de depósito, TED, DOC ou qualquer outro, relativos a créditos efetuados, referentes a contrato de cessão de créditos são emitidos, de propriedade e guarda da empresa cessionária e, garantido pelo sigilo bancário e fiscal. O que seria de estranhar era encontrar os contratos originais com a empresa CBEMI, beneficiária/cedente. As cópias apresentadas pela CBEMI foram cedidas pela cessionária e, assim, a empresa fiscalizada, CBEMI, não deveria apresentalas à fiscalização, vez que, são documentos protegidos pelo sigilo fiscal (CF, LC 105/2001, Decreto nº 3.724/2001). IMPROCEDENTES, portanto, as alusões efetuadas pelos Auditores Fiscais com o fito de descaracterizar os livros contábeis, documentos e, informações e, por conseqüência, a desconsideração da contabilidade da empresa e, finalmente arbitrar o lucro para fins de cobrança de IRPJ e CSLL, sem os créditos legais. Fl. 2491DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.492 12 A seguir dedicase, a Defendente, a tratar individualmente dos contratos mencionados no TVF. Sob o título “Das Acusações de Fraudes e Simulações”, transcreve trecho do TVF afirmando que as “acusações são graves, descabidas e inverídicas, e serão juntados todos os documentos examinados pelo Auditor para estabelecer a verdade”. (...) No dia 05/03/2012 a Defendente apresentou adendo à sua impugnação, fls. 2.117 a 2.121, no qual reitera os argumentos apresentados na impugnação e requer a juntada e a apreciação de novos documentos os quais foram anexados às fls. 2.122 a 2.261. Acórdão da DRJ Em 08/08/2013, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Salvador, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento da impugnação, admitir o exame das provas apresentadas após o prazo de impugnação, rejeitar as alegações de nulidade e, no mérito, considerar a impugnação improcedente, para manter integralmente os lançamentos de IRPJ e CSLL, juntamente com os acréscimos legais correspondentes. No acórdão recorrido foi consignado, em suma, o seguinte: 1. Os novos documentos trazidos aos autos pelo contribuinte após o protocolo da impugnação foram integralmente utilizados no convencimento; 2. Não foi acolhido o argumento de que o auto de infração é nulo por não ter sido indicado seu número de emissão e o número do processo (Comprot), pois tais elementos não constituem pressupostos essenciais de existência do AI, conforme o art. 142 do CTN e não impedem a apresentação de defesa; 3. Improcede o argumento de nulidade do AI e do TVF por falta de assinatura, pois houve assinatura digital pelo auditor fiscal Saul Rosa de Souza; 4. O MPF é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização. Poderão advir consequências dos erros na utilização do MPF, mas não a ponto de ocasionar a nulidade dos atos praticados por auditor fiscal no exercício de sua competência atribuída por lei; 5. Dessa forma, também não há nulidade do AI em razão da ausência do nome do auditor fiscal no MPF ou de descumprimento do art. 15 da Portaria nº 3.014/2011; Fl. 2492DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.493 13 6. A obtenção de informações acerca de operações financeiras sem ordem judicial não ofende o devido processo legal e a reserva de jurisdição para a quebra do sigilo de dados, pois a autoridade fiscal observou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001; 7. Também não merece prosperar a alegação de que a coleta de informações pelos auditores fiscais nas empresas Rodoanel Sul e DER/SP foram totalmente irregulares, por força do art. 195 do CTN; 8. A análise sobre a regularidade ou não da desconsideração da contabilidade e do arbitramento passa, portanto, pela resposta às seguintes questões: (a) há comprovação de que os juros apropriados foram efetivamente incorridos?; (b) os empréstimos registrados na contabilidade podem ser comprovados?; (c) o registro das receitas e a emissão das notas fiscais foram feitos de forma regular?; (d) os juros de períodos anteriores foram apropriados no mês da compensação?; e (e) há descompasso entre o registro das despesas com o das receitas? 9. Verificouse que, nem no âmbito do procedimento de fiscalização, nem em sua impugnação, a defendente logrou êxito em apresentar o fundamento dos registros que efetuou em sua contabilidade concernente aos seguintes registros: despesas lançadas na conta juros de mora código 3.2.1.04.00003 no montante de R$300.633,10; lançamento de despesa na conta Juros e Comissões Bancárias – código 3.2.1.04.00004 dia 03/01/2007 – R$52.531,33; lançamento de despesa na conta Juros e Comissões Bancárias – código 3.2.1.04.00004 dia 22/05/2007 – R$354.000,00; lançamento de despesa na conta Juros e Comissões Bancárias – código 3.2.1.04.00004 dia 21/06/2007 – R$979.177,44; e dia 30/06/2008 – R$2.449.003,12; disparidade na apropriação de juros; 10. Dentre os valores apontados pela fiscalização, apenas o pagamento no valor de R$151.700,00, lançado no dia 10/03/2008, foi comprovado pela Defendente, conforme Aviso de Lançamento juntado às fls. 2.153, não tendo sido apresentado fundamento para os demais lançamentos nem no procedimento de fiscalização nem na impugnação; 11. Quanto aos empréstimos não comprovados, deve ser observado que: (a) correspondência enviada à instituição financeira solicitando a transferência de recurso não prova a efetividade da solicitação nela contida; (b) recibo puro e simples não é instrumento hábil o suficiente para comprovar a transferência de recursos, especialmente quando tais transferências podem ser comprovadas com documentos emitidos por instituição financeira ou mesmo quando existem outros documentos indicados em lei como necessários à eficácia da relação frente a terceiros, como é o caso da notificação, a que se refere o art. 290 do Código Civil, que deve ser feita ao devedor de crédito cedido; (c) documento emitido pela instituição financeira, inclusive extrato bancário, que não indique com clareza a origem, o destino, a data e o valor da transferência não é documento hábil para confirmar as transferências de recurso de que tratam os contratos de empréstimos sob exame; (d) os livros contábeis por si só não são instrumentos hábeis a fim de comprovar os fatos contábeis neles registrados; e (e) a Fl. 2493DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.494 14 defendente, enquanto cliente da instituição financeira, tem o direito de obter informações a respeito da origem dos TED que foram creditadas em suas contas correntes, por força do art. 1º, I, da Resolução Bacen nº 3694/09, não cabendo alegar que as informações atinentes à origem dos recursos seriam de propriedade exclusiva de terceiros; 12. Quanto ao contrato de fomento mercantil e prestação de serviço conjugada com a compra de ativos mercantis nº 239, firmado com a NB Fomento, o conjunto de documentos apresentados pela defendente não foi capaz de demonstrar com clareza as informações consignadas nos termos aditivos, muito menos foram capazes de fundamentar os registros contábeis dos referidos contratos; 13. Em relação ao contrato nº 01/2007, não é suficiente para comprovar a transação a transferência de R$17.258.222,02 que a defendente fez à NB Multicrédito; 14. No que tange aos contratos nºs 02/2007, 03/2007, 04/2007, 05/2007, 06/2007, 11/2008, 12 e 13/2008, 09/2007 e 14/2008 os documentos apresentados pela impugnante não são hábeis a comprovar a efetividade da transação; e 15. A respeito das notas fiscais, a impugnante alegou que a forma utilizada para imprimir documentos pode ter gerado as imperfeições apontadas pela auditoria, que algumas notas fiscais podem ter sido extraviadas e que não foram emitidas notas fiscais calçadas, mas não justificou a ausência de apresentação de notas à fiscalização e a razão pela qual não foi observada a ordem cronológica e foram canceladas notas fiscais em branco. Recurso Voluntário Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 2332 a 2354 (eprocesso), no qual reiterou argumentos contidos na impugnação e adicionou, em suma, o seguinte. Preliminarmente, arguiu a nulidade do auto de infração em razão de vícios relacionados à execução do mandado de procedimento fiscal, a saber: 1. O procedimento foi iniciado em 09/02/2011 pelo MPFDiligência nº 09.2.01.002011 000901, com o objetivo de “coleta de informações relativa a movimentação financeira/financiamento de longo prazo”, tendo sido mencionado nos termos de intimação nºs 2/2011 e 8/2011 e no termo de verificação fiscal o MPFFiscalização nº 09.2.01.002011 003293, que não está disponível no sítio da RFB. Há incorreção no procedimento porque o MPFDiligência se presta apenas a coletar informações ou outros elementos de interesse da Administração tributária, ao passo que as ações que objetivam a verificação do cumprimento de obrigações tributárias e que podem resultar em lançamento de ofício exigem o MPFF; Fl. 2494DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.495 15 2. O art. 7º da Portaria RFB 3014/11 exige que o MPF contenha nome e matrícula do auditor fiscal responsável. O MPFD nº 09.2.01.002011000901 traz como responsável e supervisor apenas o auditor Carlos André Soares Nogueira, que assinou sozinho o termo de início de diligência e o termo de intimação nº 01/2011. Já os termos de intimação 2/2011 e 7/2011 foram emitidos e assinados pelos auditores fiscais Carlos André Soares Nogueira e Saul Rosa de Souza, o qual não costa do MPFD. Os termos de intimação 8/2011 e 9/2011 e os termos de retenção de livros e documentos de ciência, por sua vez, foram assinados apenas por Saul Rosa de Souza, que não consta do MPFD. Dessa forma, os atos praticados por Saul Rosa de Souza são nulos por falta de legitimidade, implicando nulidade dos autos de infração; e 3. O prazo de extinção do MPFD 09.2.01.002011000901 se deu em 04/11/2011, mas o auto de infração foi lavrado apenas em 13/12/2011, o que configura outro motivo para que seja reconhecida a nulidade da autuação fiscal. No mérito, a recorrente afirmou que: 4. Houve erro insanável da fiscalização, pois não permitiu à recorrente regularizar as deficiências apontadas em sua escrituração, o que está em desrespeita a jurisprudência da CSRF; 5. Subsidiariamente, o fiscal deveria ter considerado, no lançamento de ofício, as retenções de IRPJ e CSLL sofridas pela recorrente, para, ao menos, não exigir multa de ofício e juros de mora sobre tais valores; 6. Também subsidiariamente, isto é, apenas caso seja mantido o arbitramento realizado, a multa de ofício deve ser reduzida para 75%, pois a autoridade fiscal não descreveu qual conduta da recorrente ensejaria a qualificação, isto é, se houve sonegação, fraude ou conluio; 7. A autoridade fiscal nem poderia fazer essa comprovação, pois a base de cálculo do lucro arbitrado foi determinada com base nas receitas apuradas pela própria recorrente, não havendo que se falar em intuito doloso; 8. O fato de o autuante apontar a existência de demonstrações financeiras diversas, havendo divergência entre os valores indicados para o fisco e os valores indicados para órgãos públicos para fins de licitação não comprova a existência de intuito doloso, especialmente porque a autoridade fiscal não é capaz de apontar qual das demonstrações estaria correta, cf. fls. 1430. Diligência Em 03 de junho de 2014 os membros desta Turma decidiram, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para a unidade de origem da Fl. 2495DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.496 16 Receita Federal informar se as 17 (dezessete) DCOMP mencionadas no recurso voluntário foram homologadas. Na informação fiscal de fls. 24342436, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis – SC informou que (a) nos termos do despacho decisório proferido no processo nº 10983.901016/201059, a DCOMP 06593.52564.200808.1.7.030215 foi homologada parcialmente e a DCOMP 11634.06523.270808.1.7.037700 não foi homologada, (b) conforme o despacho decisório proferido no processo nº 10983.907856/201378, a DCOMP 29747.55297.310311.1.3.027067 foi homologada parcialmente e (c) as demais DCOMP foram homologadas. As autoridades administrativas consignaram que a recorrente foi devidamente cientificada dos despachos decisórios de não homologação e, ou, homologação parcial. Em 21 de novembro de 2014, quando os presentes autos já haviam sido devolvidos a este Conselho, a recorrente apresentou a manifestação de fls. 24422245 afirmando não ter sido cientificada do despacho decisório relativo à DCOMP 06593.52564.200808.1.7.030215 e que foi apresentada manifestação de inconformidade ao despacho decisório que homologou parcialmente a DCOMP 29747.55297.310311.1.3.027067. Ainda nessa manifestação, a contribuinte requereu que a DRFFlorianópolis informasse quanto à data da ciência do despacho decisório que homologou parcialmente a DCOMP 06593.52564.200808.1.7.030215 e ao meio utilizado para o envio de tal comunicação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 1604), razão pela qual dele conheço. A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. A questão sob análise diz respeito à desconsideração da escrituração comercial e fiscal da recorrente, tendo sido realizado o arbitramento do lucro pela autoridade fiscal para fins de apuração do IRPJ e da CSLL devidos nos anoscalendário de 2007 e 2008. I. Preliminares de mérito Fl. 2496DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.497 17 A recorrente afirma haver nulidade porque as autuações fiscais não poderiam ter sido lavradas no âmbito do MPFDiligência nº 09.2.01.002011000901, instaurado com o objetivo de coleta de informações relativas à movimentação financeira/financiamento de longo prazo. Não vejo incorreção no procedimento adotado pelas autoridades fiscais, pois, de acordo com o art. 3º da Portaria RFB nº 3.014/11, a autuação fiscal poderá ser lavrada tanto no âmbito de um procedimento fiscal de fiscalização (instaurado por MPFFiscalização) como no âmbito de um procedimento fiscal de diligência (instaurado por MPFDiligência): Art. 3 º Para fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela RFB, bem como da correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em lançamento de ofício com ou sem exigência de crédito tributário, apreensão de mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos comerciais; e II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Parágrafo único. O procedimento fiscal poderá implicar a lavratura de auto de infração, a notificação de lançamento ou a apreensão de documentos, materiais, livros e assemelhados, inclusive por meio digital. Além disso, foi registrado na pág. 2 do termo de verificação fiscal que, posteriormente à emissão do MPFDiligência, “foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 09201002011003293” (fls. 1375). Compulsando estes autos, é possível verificar que, no termo de intimação 2/2011 (fls. 9092), a recorrente foi devidamente cientificada sobre a instauração do MPFFiscalização e informada sobre o código de acesso para a consulta a tal mandado pelo sítio da Receita Federal, não sendo possível, portanto, afirmar que não tomou conhecimento do procedimento fiscal de fiscalização. Utilizando o código de acesso indicado no referido termo de intimação, localizei o MPFF no sítio da Receita Federal (“Consulta Mandado de Procedimento Fiscal”). Fl. 2497DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.498 18 A análise do MPFF disponível no sítio da RFB também afasta a alegação da recorrente de que o auditor fiscal Saul Rosa de Souza não teria legitimidade para assinar sozinho (desacompanhado do auditor fiscal Carlos André Soares Nogueira, indicado como único responsável no MPFD) “os termos de intimação nos 08/2011 e 09/2011, bem como, os Termos de Retenção de Livros e Documentos e de Ciência, ambos datados de 14/12/2011”, pois essa autoridade fiscal foi devidamente designada responsável pelo procedimento fiscal no MPFF emitido em 4 de abril de 2011, data anterior à prática dos referidos atos. Tal documento igualmente afasta a alegação de nulidade porque os autos de infração teriam sido lavrados após o prazo de validade do mandado de procedimento fiscal, pois o prazo foi devidamente prorrogado até 27 de janeiro de 2012, ao passo que as autuações foram lavradas no dia 13 de dezembro de 2011 (fls. 1260 e 1289). Por tais razões, não acolho as preliminares de mérito arguidas pela recorrente. II. Do arbitramento II.1. Necessidade de intimação do contribuinte para regularização da escrituração No mérito, alegou a contribuinte ter havido erro insanável da fiscalização porque não se permitiu à recorrente que pudesse regularizar as deficiências apontadas, pois não houve qualquer intimação para tanto. Ainda de acordo com o recurso voluntário, A constatação de tais erros foi cientificada à recorrente somente por meio do Termo de Verificação Fiscal disponibilizado com os autos de infração (fls. 2344). A alegação da recorrente não merece ser acolhida, pois: i. a contribuinte deixou de apresentar comprovantes de recebimentos e pagamentos de empréstimos contraídos, solicitados nos termos de intimação nºs 1/2011 a 5/2011, tendo sido devidamente reintimada por meio do termo de intimação nº 6/2011, do qual foi cientificada em 05/07/2011 (fls. 107112); e ii. não tendo sido até então apresentados comprovantes de recebimentos e pagamentos de empréstimos contraídos junto às empresas NB Fomento e NB Multicrédito, comprovantes de identificação de movimentações bancárias (item 3 do termo de intimação nº 6/2011) e comprovante de pagamento de juros no valor de R$326.392,48 (item 3 do termo de intimação nº 6/2011), já solicitados em termos de intimação anteriores, a recorrente foi reintimada a apresentálos por meio do termo de intimação nº 7/2011, do qual foi cientificada em 22/08/2011 (fls. 116124). Fl. 2498DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.499 19 O termo de verificação fiscal e as autuações fiscais foram lavrados apenas em 13/12/2011, ou seja, mais de 5 meses após a ciência do termo de intimação nº 6/2011 (item “i” acima) e quase 4 meses após a ciência da intimação nº 7/2011 (item “ii” acima). Verificase, assim, que (i) não procede a alegação de que teria tomado conhecimento dos erros em sua escrituração fiscal apenas quando intimada do termo de verificação fiscal e que, (ii) ao contrário do alegado no recurso voluntário, a apresentação dos documentos faltantes foi devidamente oportunizada à contribuinte. O meu entendimento sobre o assunto não diverge dos precedentes deste Conselho transcritos no recurso voluntário (acórdão CSRF/0104.557 e acórdão 10808.429, do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes). Pelo contrário, compartilho do entendimento de que o arbitramento é medida extrema, devendo ser aplicado apenas quando o contribuinte, tendo sido regularmente intimado de forma clara e objetiva, deixa de apresentar documentos de sua escrituração contábil e fiscal ou não apresenta documentos que confiram verossimilhança aos lançamentos contábeis. Ressalto, ainda, que a publicidade e o direito de petição devem ser compatibilizados com o dever de o contribuinte colaborar com a fiscalização, assim entendido como a obrigação de cumprimento dos deveres instrumentais estabelecidos pela legislação tributária, tal como o de manter e, quando solicitado, apresentar à fiscalização escrituração contábil regular, conforme ensina Fabiana Del Padre Tomé: Aos contribuintes cabe proceder aos devidos registros contábeis, dos fatos relativos à sua movimentação empresarial, sempre alicerçados em documentos idôneos e hábeis, que deverão, quando requisitados, ser entregues à fiscalização, servindo à administração fazendária como elemento de prova (...) (TOMÉ, Fabiana Del Padre. A Prova no Direito Tributário. São Paulo: Ed. Noeses, 2005, p. 297). Destaquese que as informações solicitadas reiteradas vezes pela autoridade fiscal durante o procedimento de fiscalização dizem respeito exatamente aos principais vícios identificados na escrituração que conduziram à realização do arbitramento, a saber: ausência de comprovação de pagamentos e recebimentos de empréstimos e não comprovação de pagamentos de juros em valor vultoso (itens 3 e 4 do termo de verificação fiscal), de modo que a inércia da própria recorrente contribuiu para o desfecho da autuação sob a forma de arbitramento. Diante da desídia da recorrente, que sequer requereu a dilação dos prazos estabelecidos nos termos de intimação para a apresentação dos documentos faltantes, o que demonstra sua falta de interesse em colaborar com o Fisco, seria desarrazoado condicionar a Fl. 2499DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.500 20 manutenção do arbitramento à realização de uma última intimação fiscal concedendo prazo para retificação da escrituração e apresentação de documentos comprobatórios de lançamentos contábeis. Por essas razões, não acolho a alegação da recorrente de que os autos de infração estariam maculados por erro insanável em razão da ausência de intimação da contribuinte para a regularização de sua escrituração. Considerandose que a recorrente limitouse a arguir a nulidade das autuações fiscais por não ter sido realizada uma última intimação concedendo prazo para a regularização da escrituração, e não apresentou, em seu recurso voluntário, nenhum argumento visando a infirmar os diversos vícios apontados no termo de verificação fiscal e que deram ensejo ao arbitramento, entendo que essa matéria (procedência do arbitramento realizado pela autoridade fiscal) é incontroversa. Sendo assim, e tendo sido afastada a alegação de nulidade em razão da falta de intimação, merece ser mantido o arbitramento realizado pela autoridade fiscal, observandose, apenas, o ajuste mencionado a seguir quanto às retenções tributárias sofridas pela recorrente. II.2. Retenções sofridas pela recorrente Às fls. 1.433, a autoridade fiscal consignou que sobre o resultado da aplicação do arbitramento dos valores acima mencionados não foram subtraídas as retenções informadas pelo contribuinte nas declarações do Imposto de Renda, haja vista que tais valores já foram objeto de compensação por saldo negativo de IRPJ e CSLL (...). Inconformada com a metodologia adotada pela autoridade fiscal, a recorrente afirmou o seguinte às fls. 23452349: (...) tal procedimento mostrase inaceitável. Cumpriria ao Fisco recompor os valores efetivamente devidos pela Recorrente, considerandose os valores de imposto de renda e CSLL retidos na fonte. Outro não é o posicionamento da própria Receita Federal do Brasil, que, por meio da Solução de Consulta Interna nº 23, de 2006, cuja íntegra segue anexa ao recurso, assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Dedução do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Fl. 2500DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.501 21 Na constituição de ofício do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devem ser considerados, para efeito de dedução do imposto ou da contribuição devida, os valores de IRPJ e de CSLL decorrentes de retenção na fonte ou de antecipação (estimativas) referentes às receitas compreendidas na apuração. A autoridade fiscal deve considerar os valores de IRPJ e CSLL referentes ao período de apuração fiscalizado, apurados pelo sujeito passivo, mediante adoção de forma de tributação diversa daquela aplicada pela autoridade fiscal no curso da fiscalização, lançando apenas a diferença de imposto ou contribuição apurado. (...) O fato de haver pedidos de compensação relativos aos saldos negativos de IRPJ e CSLL, não pode prejudicar a Recorrente. O que desejaria a autoridade fiscal: que a Recorrente não tivesse se utilizado de tais valores? (...) Frisese que não deseja a Recorrente induzir os nobres Conselheiros em erro, de modo a poder se utilizar duplamente dos valores de imposto de renda e CSLL retidos na fonte (uma vez nas declarações de compensação e outra como dedução na presente autuação). Contudo, e considerandose que tais retenções remontam em cerca de R$3,5 milhões, e tendo sido aplicada penalidade de 150% sobre tais valores, estamos a tratar de mais de R$5,2 milhões de multa de ofício sobre os valores retidos na fonte e não deduzidos pela autoridade fiscal, além dos juros de mora de todo o período correspondente. Não se pode olvidar que acatar a dedução pura e simples, na presente autuação, dos valores utilizados em declaração de compensação, deveria redundar em revisão das homologações de compensações referentes às declarações de compensação transmitidas, o que demandaria esforço adicional tanto à administração, quando à Recorrente, que deveria ainda suportar multa de mora em relação a eventuais não homologações de compensação. Não se mostra razoável tal procedimento. Fl. 2501DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.502 22 Isso posto, a respeito do tema, requer a Recorrente que seja, preferencialmente, cancelada somente a exigência de multa de ofício e de juros de mora sobre os valores de imposto de renda e CSLL retidos na fonte e não deduzidos pelo Fisco (mantendose a exigência do principal de IRPJ e CSLL ora exigidos). Conforme relatado, no dia 3 de junho de 2014 os membros desta Turma decidiram, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para a unidade de origem da Receita Federal informar a situação das declarações de compensação apresentadas pela ora recorrente para o aproveitamento de tal saldo negativo. A DRFFlorianópolis informou, às fls. 2.4342.436, que, das dezessete declarações de compensação apresentadas, quatorze foram homologadas totalmente, duas foram homologadas parcialmente e uma não foi homologada. As homologações parciais e a não homologação ocorreram porque as retenções de IRRF e CSLL que deram origem ao saldo negativo não foram informadas em DIRF pelas fontes pagadoras: Na DCOMP nº 06593.52564.200808.1.7.030215, a homologação ocorreu parcialmente, pois a retenção informada no valor de R$59.189,81, relativa à fonte pagadora CNPJ nº 76.669.324/000189, código de retenção 5952, não foi declarada em DIRF, portanto seu valor não foi confirmado pelo sistema. E consequentemente, a DCOMP nº 11634.06523.270808.1.7.03770, que utiliza saldo da referida DCOMP não foi homologada. A DCOMP nº 29747.55297.310311.1.3.027067 foi homologada parcialmente, o crédito no valor de R$1.856.305,75 foi declarado na DCOMP nº 10671.56395.070710.1.3.026793, sendo que a totalidade deste crédito decorreria de IRPJ retido na fonte, no entanto, algumas parcelas não foram confirmadas, ou foram confirmadas parcialmente, nas DIRF das fontes pagadoras, conforme tabela a seguir: CNPJ Fonte Pagadora Código Retenção Valor Retenção DCOMP Valor Retenção Confirmado na DIRF 04.892.707/000100 6147 534.301,09 411.369,62 33.066.408/0001.15 3426 5.621,10 0,00 33.592.510/000154 6800 804,61 0,00 43.052.497/000102 1708 715.503,00 683.940,80 Dessa forma, o contribuinte pleiteou um crédito de R$1.856.305,75 e houve homologação parcialmente, no montante de R$1.695.386,37. Cabe esclarecer que, a DCOMP nº 10671.56395.070710.1.3.026793, foi homologada parcialmente, pois o crédito foi suficiente para Fl. 2502DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.503 23 compensar os débitos informados na mesma, restando ainda um saldo que foi utilizado para quitar débitos de outras DCOMPs, mas não foi suficiente para quitar os débitos declarados na DCOMP nº 06593.52564.200808.1.7.030215, motivo pelo qual ela foi homologada parcialmente. Passando à análise do pedido da recorrente, é cediço que, nos termos do art. 837 do RIR/99, No cálculo do imposto devido, para fins de compensação, restituição ou cobrança de diferença do tributo, será abatida do total apurado a importância que houver sido descontada nas fontes, correspondente a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declaração. Destaco, contudo, que, conforme consignado pela própria recorrente – em atitude louvável –, permitir a dedução do IRRF e da CSLLfonte do valor correspondente ao principal dos autos de infração de IRPJ e CSLL lavrados nestes autos implicaria duplo aproveitamento de tais créditos, o que não pode ser admitido, pois a contribuinte apresentou dezessete DCOMP para a utilização dos saldos negativos originados por tais retenções. Mesmo em relação aos créditos não reconhecidos pela unidade de origem (pois, no entendimento da DRFFlorianópolis, não foram informados em DIRF pelas fontes pagadoras), a existência ou não do IRRF e da CSLLfonte deverá ser objeto de discussão nos processos administrativos originados pelos respectivos despachos decisórios. Registro nesse ponto que a recorrente não acostou ao recurso voluntário os comprovantes das retenções (v.g. informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras) e não demonstrou que as respectivas receitas foram computadas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, de modo que, consoante a Súmula nº 801 deste Conselho, a existência dos créditos não poderia ser reconhecida no presente julgamento ainda que este colegiado entendesse possível analisar, nestes autos, a existência das retenções que não foram reconhecidas pela DRF Florianópolis. Já em relação à dedução das retenções da apuração das multas de ofício e juros de mora exigidos nestes autos, porém, entendo plausível o pleito da recorrente, pelos seguintes motivos. Nos termos do art. 44, I da Lei nº 9.430/96, a multa de ofício de 75%, que poderá ser duplicada quando houver prática de sonegação, fraude ou conluio ou aumentada de metade nos casos de não atendimento a fiscalização, corresponde a penalidade pecuniária calculada 1 Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Fl. 2503DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.504 24 sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. No caso destes autos, tendo sido realizado o arbitramento do lucro pela autoridade fiscal, a multa de ofício foi aplicada sobre as diferenças de IRPJ e CSLL calculadas conforme esse regime de apuração. O IR e a CSLL retidos pelas fontes pagadoras, porém, não podem servir de base de cálculo à multa de ofício, pois, com o perdão da obviedade, correspondem exatamente a tributos suportados pela recorrente (pois o beneficiário do pagamento sofre o desconto do valor da retenção). Dessa forma, não pode ser imputada à recorrente, em relação aos valores retidos, a prática de falta de pagamento ou recolhimento de tributo, eleita pela legislação tributária como fato que enseja a aplicação da multa de ofício. No que tange ao valor das retenções, faltaria até mesmo base de cálculo para a incidência da multa de ofício, que, conforme visto acima, corresponde à diferença de imposto. Esse mesmo raciocínio pode ser aplicado aos juros de mora, que, nos termos dos arts. 161 do CTN2 e 61, caput e §3º3 da Lei nº 9.430/96, incidem sobre os tributos não pagos no prazo de vencimento. Ora, no caso sob julgamento, é evidente que não há mora, isto é, pagamento realizado fora do prazo, em relação às retenções sofridas pela recorrente, as quais, portanto, não podem servir à incidência dos juros de mora. Sendo assim, entendo que o IRRF e a CSLLfonte não podem ser computados na apuração da multa de ofício e dos juros de mora exigidos nos respectivos autos de infração. Registro, apenas, que, conforme visto acima, este Conselho não pode se imiscuir na análise da procedência dos créditos de IRRF e CSLLfonte que não foram reconhecidos pela DRFFlorianópolis por não terem sido informados em DIRF pelas fontes pagadoras. Nesse caso, o eventual aproveitamento de tais créditos para a redução da multa de ofício e dos juros de mora controlados nestes autos apenas poderá ocorrer após o julgamento definitivo, e favorável à recorrente, das manifestações de inconformidade apresentadas nos respectivos processos administrativos. 2 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. 3 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 2504DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.505 25 Sobre tais fundamentos, julgo procedente o pedido da recorrente, devendo a unidade de origem da Receita Federal, no momento da execução do acórdão proferido por este Conselho, deduzir, dos valores correspondentes à multa de ofício e aos juros de mora exigidos nos autos de infração de IRPJ e CSLL, o IRRF e a CSLLfonte objeto de declarações de compensação homologadas. II.3. Qualificação da multa de ofício Cumpre analisar, por fim, o pedido da recorrente de redução da multa de ofício, exigida pela autoridade fiscal no percentual qualificado de 150%, com fundamento no artigo 44, I e §1º, da Lei nº 9.430/96 e nos seguintes dizeres: Conforme visto no presente Termo de Verificação Fiscal, o contribuinte praticou atos com evidente intuito de fraude, em especial nos tópicos 03 e 04, conforme definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, devendo ser imputado o agravamento da multa de ofício, nos termos do art. 44, inciso I, §1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as redações dadas pelos art. 14 da MP nº 351/2007 – período de 01/01/2007 a 21/03/2007 – e art. 14 da Lei nº 11.488/2007 – período de 01/04/2007 a 21/12/2008. (pág. 61 do TVF – fls. 1434) O art. 44, I, §1º da Lei nº 9.430/96 prevê que a multa será de 75% nos casos em que a autoridade fiscal constatar a falta de pagamento ou recolhimento ou falta de declaração ou declaração inexata pelo contribuinte, percentual este que será duplicado (isto é, será de 150%) quando ocorrer uma das hipóteses previstas nos artigos 71 (sonegação), 72 (fraude) e 73 (conluio) da Lei nº 4.502/64, que tratam, em suma, da prática de sonegação fiscal, fraude e conluio. Ao analisar os crimes contra a ordem tributária, Alberto Xavier ensina que a fraude deve ser caracterizada pela presença concomitante de três elementos: A figura da fraude exige três requisitos. O primeiro é um requisito subjetivo consistente no fim da conduta comissiva ou omissiva: reduzir o montante do imposto devido, evitar ou diferir o seu pagamento. O segundo é também um requisito subjetivo: a intencionalidade fraudulenta consistente no caráter doloso da ação ou omissão. (...) Fl. 2505DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.506 26 O terceiro é um requisito objetivo respeitante aos meios de realização do prejuízo ao Fisco: impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou excluir ou modificar as suas características essenciais. (Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva, São Paulo: Dialética, 2002, p. 78) Já ao analisar a sonegação, Alberto Xavier repete o que prevê o próprio caput do artigo 71 da Lei nº 4.502/64: Em sentido estrito sonegação constitui apenas a subtração por ocultação de informações: “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária (...). (Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva, São Paulo: Dialética, 2002, p. 78) Filiome ao entendimento que tem preponderado nesta Turma de que a aplicação da multa qualificada exige a presença de dolo específico. É nesse sentido o seguinte voto do eminente Conselheiro Marcos Takata: As infrações pressupostas nos arts. 71 a 73, da Lei 4.502/64 constituem elemento normativo do tipo da multa qualificada do art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96. E as referidas infrações reclamam o concurso de dolo. O elemento subjetivo também integra o tipo da multa qualificada administrativa. Já tive oportunidade de dizer, em inúmeras ocasiões que, para mim, o elemento subjetivo do tipo exigido é o dolo específico, e não o dolo genérico, muito menos o dolo eventual. Quer dizer, o tipo da multa qualificada em comentário reclama a vontade da conduta descrita e a finalidade do resultado condenado (que é o concurso do dolo específico). (Voto do Conselheiro Marcos Takata no Acórdão nº 110300.538, de 04/10/2011) Assim, para que a multa de ofício possa ser qualificada, deve ser comprovado que a recorrente praticou condutas com a intenção de atingir um resultado específico, qual seja, camuflar a ocorrência dos fatos geradores do IRPJ e da CSLL, conforme as seguintes palavras de Luiz Regis Prado: Entendese por dolo a consciência e a vontade de realização dos elementos do tipo de injusto doloso (tipo objetivo). Dolo, como resolução delitiva, é ‘saber e querer a realização do objetivo de um Fl. 2506DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.507 27 delito’. Age dolosamente o agente que conhece e quer a realização dos elementos da situação fática ou objetiva, sejam descritivos, sejam normativos, que integram o tipo legal de delito. (Curso de Direito Penal Brasileiro. 6ª Ed. Rio de Janeiro: RT, 2006, p. 113 Apud PAULSEN, Leandro. Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 16ª ed. Livraria do Advogado, p. 1974) Nessa esteira, este Conselho tem entendimento consolidado de que a multa qualificada apenas pode ser aplicada quando a autoridade fiscal comprova a prática de ato doloso que configure sonegação, fraude ou conluio, razão pela qual foi editada a Súmula nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. A CSRF também já afirmou reiteradas vezes que O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização (Acórdão nº 920201.983 – 2ª Turma, Sessão de 16/02/2012). Importante registrar que, até a edição da Lei nº 11.488/2007, havia previsão expressa do requisito de evidente intuito de fraude na redação do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, termo excluído por aquela lei. O entendimento doutrinário – ao qual me filio – é de que a retirada da expressão evidente intuito de fraude do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 não alterou a disciplina geral deste dispositivo, uma vez que a constatação do dolo sempre foi o requisito principal para a aplicação da multa qualificada. É nesse sentido a doutrina de Paulo Coviello Filho: Importante destacar, ainda, que tanto a doutrina quanto a jurisprudência, na vigência da antiga redação dos art. 44, II, da Lei n. 9.430, sempre deram muita importância para a expressão evidente intuito de fraude. O evidente intuito de fraude seria, então, requisito imprescindível para a qualificação da multa de ofício. Apesar dos diversos pronunciamentos doutrinários e jurisprudenciais sobre a necessidade de apresentação desse requisito, não nos parece que a sua retirada da lei tenha mudado a disciplina geral desse dispositivo. Isso porque, conforme supraexposto, o dolo sempre foi o principal aspecto para autorizar a aplicação da multa de ofício na modalidade qualificada. (A multa qualificada na Jurisprudência Administrativa. Análise Crítica das Recentes Decisões do CARF. In: Revista Dialética de Direito Tributário nº 218, São Paulo, Nov. 2013, p. 130141) Fl. 2507DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.508 28 Marco Aurélio Greco, ao interpretar a regra contida no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, afirma que a multa qualificada é “a exceção da exceção”, não podendo ser exigida quando não houver intuito de enganar, esconder, iludir (Planejamento tributário. 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2008, p. 253). Verificase, assim, que a autoridade fiscal deve ser cautelosa ao exigir a multa de ofício qualificada, aplicando tal penalidade apenas quando ficar comprovado o intuito de fraude. Entendo que, no caso destes autos, essa cautela foi observada pela autoridade fiscal quando da aplicação da multa de ofício qualificada. Isso porque o conjunto probatório colhido pela autoridade autuante e descrito no termo de verificação fiscal não só conduz à conclusão de imprestabilidade da escrituração fiscal e comercial da contribuinte como constitui indício robusto do intuito de fraude da recorrente. Nesse sentido, ressalto as seguintes condutas constatadas pela autoridade fiscal e que denotam a intenção da recorrente de esquivarse do recolhimento de tributos, valendose de artifícios que configuram a conduta dolosa. Foi constatado que a recorrente “tem duas contabilidades, uma para fins tributários e outra para fins contratuais” (pág. 47 do TVF – fls. 1420), conforme demonstrado na tabela a seguir, elaborada com base nas informações constantes das páginas 47 a 56 do TVF: Total do ativo e do passivo Lucro líquido (DRE) Balanço apresentado ao Rodoanel Sul R$102.658.210,35 R$6.698.383,42 Balanço apresentado ao DER/SP R$90.907.932,21 R$6.698.383,42 Anobase de 2006 Informações apresentadas à RFB (Diário e DIPJ) R$137.770.468,85 R$14.869.499,20 Balanço apresentado ao DER/SP R$160.329.601,03 R$13.652.737,35 Anobase de 2007 Informações apresentadas à RFB (Diário e DIPJ) R$239.193.875,43 R$27.463.343,18 Ao confrontar os balanços, a autoridade fiscal verificou que os valores de determinadas contas foram manipulados, tendo sido incluídos ou excluídos números visando a alterar o resultado. Vejamos: 3 – Um jogo de números são apresentados nos BP trazidos pelo DER/SP e RODOANEL SUL. Observandose a conta PASSIVO – Bancos Conta Empréstimos verificase que no BP apresentado ao DER/SP o valor é de R$2.816.460,23. Já no BP do Rodoanel Sul, este Fl. 2508DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.509 29 valor é de R$23.816.460,23. Simplesmente foi “esquecido” o número três, que corresponde aos milhares. O mesmo ocorre com a conta leasing a pagar, com os valor de R$43.585,46 e 943.585,46, em que o nove “sumiu”. 4 – O grande diferencial está na conta LUCROS/PREJUÍZOS. Nas demonstrações de resultado apresentadas ao DER/SP e RODOANEL SUL a empresa obteve um lucro, digamos que, normal, levandose em consideração o número de obras com valores altíssimos. Para o Fisco – em que este lucro se traduz em pagamento de impostos – foi apresentado uma DRE com PREJUÍZO ASTRONÔMICO. Tal fato decorre da criação pela empresa de várias despesas, principalmente relacionadas ao pagamento de juros vinculados aos empréstimos criados pela empresa. (pág. 51 do TVF – fls. 1424) Considerandose que tais irregularidades implicam indiscutível redução do recolhimento de tributos, as constatações acima mencionadas justificam a aplicação da multa de ofício qualificada. Vale destacar, ainda, que todos os balanços foram assinados pelo mesmo sócio da recorrente e que as divergências entre os valores informados em tais demonstrações financeiras estão relacionadas especialmente às contas 3.2.1.04.00004 Juros e Comissões Bancárias e 3.2.1.04.00003 Juros de Mora, em relação às quais a veracidade dos lançamentos contábeis foi afastada pelo conjunto probatório reunido pela autoridade fiscal e que, lembrese, não foi infirmado pela recorrente. A título exemplificativo, vale analisar a relação entre a recorrente e a NB Fomento. Embora tenha registrado em sua contabilidade o pagamento de juros no valor total de R$5.320.448,44 em relação ao contrato de fomento mercantil firmado com NB Fomento, a recorrente apenas apresentou TED no valor de R$320.784,23, correspondente a transferência realizada pela NB Fomento em 31/05/2007 e outra TED no valor de R$878.378,67, correspondente ao pagamento de parcela pela recorrente em 14/11/2007. Além disso, foram constatados pela autoridade fiscal vícios que indicam a imprestabilidade dos lançamentos contábeis, por exemplo: (a) recibo indicando que o DNIT realizou pagamento para a NB Fomento por conta e ordem da recorrente quando esse órgão afirmou à fiscalização que não faz pagamentos a terceiros não participantes do contrato de prestação de serviços (fls. 1379 – informação em perfeita consonância com a Lei nº 8.666/93, em especial o artigo 62); (b) divergência entre recibo emitido pela NB Fomento e os registros contábeis (fls. 1379); (c) TED apresentada pela recorrente como comprovante de Fl. 2509DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.510 30 pagamento para NB Fomento, mas que, na realidade, corresponde a transferência entre contas de titularidade da própria recorrente (fls. 1380); e (d) em relação às parcelas de um mesmo aditivo contratual, a recorrente pagou juros de 10,12% e de 70,70% (fls. 1382). Destaquese que também foram identificadas graves incorreções quanto à emissão de documentos fiscais. Conforme a pág. 39 do termo de verificação fiscal, a recorrente não observou a ordem cronológica na emissão de notas fiscais, foram encontradas notas fiscais em branco sem serem canceladas e foram encontradas quatro notas fiscais canceladas e em relação às quais as impressões efetuadas nas vias seguintes à primeira divergem completamente desta ou que a primeira estava em branco, o que configura indício de emissão de nota fiscal calçada (fls. 1413). Por fim, cumpre mencionar o fato de a recorrente ter reavaliado debêntures da Vale S.A. de forma totalmente discrepante do valor de mercado, o que, embora não implique, imediatamente, redução do resultado tributável, denota postura adotada pela contribuinte no sentido de manipular suas demonstrações financeiras. Dessa forma, entendo, pelas razões mencionadas, que as provas colhidas pela autoridade fiscal permitem a qualificação da multa de ofício. Pela sua pertinência e semelhança com situações descritas no termo de verificação fiscal que origina este processo, transcrevo o Acórdão nº 10194.351, proferido em 10/09/2003 pela Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes e utilizado como paradigma para a edição da Súmula nº 14: (...) Entendo que para que a multa de lançamento de ofício seja transformada de 75% para 150%, é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Nesse caso, devese ter como princípio o brocado de direito que prevê que ‘fraude não de presume’, ‘se prova’. Ou seja, há que se ter provas sobre o evidente intuito de fraude praticado pela empresa. (...) Para que fosse provada a intenção de fraudar o fisco, seria necessário, antes de tudo, provar que os depósitos bancários são de fato, receitas omitidas. Pois, antes disso, a simples existência de depósitos bancários não escriturados tratamse de simples indício de omissão de receitas. A norma legal estabelece que, no caso da existência de indício de omissão de receitas pela falta de escrituração de depósitos bancários, presumese omissão de receitas, sendo possível o lançamento do tributo. Fl. 2510DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.511 31 Essa presunção tem respaldo na lei, porém, não se pode provar, por via indireta, o evidente intuito de fraude. Essa prova tem de ser direta, como se pode dar por exemplo, o caso da utilização de documentos inidôneos, ou notas fiscais frias, ou mesmo notas calçadas, ou ainda, contacorrente bancária em nome de interposta pessoa, entre tantos outros. Nessas situações, não existe a necessidade de outro prova da intenção de sonegar, pois a comprovação se dá pela ocorrência do fato irregular e pela utilização dos citados documentos, os quais já fazem a prova necessária da fraude. Sendo assim, voto pela manutenção da multa qualificada. III. Conclusão Diante das razões acima expostas, dou parcial provimento ao recurso voluntário, para que a unidade de origem da Receita Federal, no momento da execução do acórdão proferido por este Conselho, deduza, dos valores correspondentes à multa de ofício e aos juros de mora exigidos nos autos de infração de IRPJ e CSLL, o IRRF e a CSLLfonte objeto de declarações de compensação homologadas. É o meu voto. Sala das Sessões, em 3 de março de 2015. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos Relator Fl. 2511DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.512 32 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Shigueo Takata – Redator designado. Rendo minhas homenagens ao nobre Relator, que analisou o caso com extrema percuciência e acuidade. Minha divergência se refere somente ao abatimento dos valores retidos na fonte das bases de cálculo das multas de ofício. Ressaltese também a louvável atitude da recorrente, que, expressamente reconhece não intentar um duplo aproveitamento dos tributos retidos na fonte – in casu, de IRRF e de CSL na fonte – por sua utilização pretendida em declarações de compensação apresentadas antes da autuação em dissídio. Como já acentuado no voto do ilustre Relator, o julgamento deste feito havia sido convertido em diligência, justamente por conta da existência das declarações de compensação. Isso, para se verificar se as retenções na fonte que compuseram os saldos negativos de IRPJ e de CSL foram levadas em conta, ou se, de plano, as declarações de compensação (Dcomps) foram indeferidas ou não homologadas, em face da presente autuação, sob o fundamento de ausência de certeza e de liquidez do crédito postulado nas Dcomps. Do resultado da diligência, constatouse que não houve o indeferimento, ipso facto ou de plano, à guisa da autuação em lide. Das dezessete declarações de compensação, quatorze compensações foram integralmente homologadas, duas homologadas parcialmente e uma não homologada. Embora no relatório do resultado da diligência da DRF de origem tenhase dito que a Dcomp nº 10671.56395.070710.1.3.026793 foi homologada parcialmente, notase que houve erro de digitação, pois é igualmente dito que o crédito nela utilizado foi suficiente para compensação dos débitos nela declarados, restando um saldo para compensar débitos de outras Dcomps, mas insuficiente para compensar integralmente os débitos da Dcomp nº 06593.52564.200808.1.7.030215, que foi uma das duas Dcomps homologadas parcialmente (como transcrito no voto do i. Relator) – a outra Dcomp com homologação parcial foi a de nº 29747.55297.310311.1.3.027067, e a não homologada foi a de nº 11634.06523.270808.1.7.03 770. Ou seja, foram homologadas integralmente as compensações de quatorze Dcomps, e parcialmente homologadas as compensações de duas Dcomps e não homologada a compensação de uma Dcomp, como resulta do mesmo relatório do resultado de diligência. Fl. 2512DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.513 33 E a razão da homologação apenas parcial das compensações relativas a duas Dcomps e da não homologação de uma compensação informada em outra Dcomp foi o fato de os valores de retenção de IRF e de CSL (código 5952) não terem sido declarados nas DIRFs das fontes retentoras em montante igual ao utilizado pela recorrente. Por outro lado, nos termos do art. 943, § 2º, do RIR/994, o comprovante de rendimentos e de retenção é o documento hábil e suficiente para o contribuinte deduzir o IRRF. A mesma inteligência cabe para a dedução de retenções de outros tributos – no caso, da CSL. Não foram acostados aos autos os comprovantes de rendimentos e de retenção que sobejem os valores chancelados no exame das dezessete Dcomps. Essa comprovação pode vir a ocorrer nos processos administrativos em que se discutem as compensações não homologadas (as três Dcomps), de modo que, a depender das provas, eventualmente, a diferença não deferida poderá ser homologada no julgamento relativo a esses processos administrativos. Disso tudo se vê que as retenções de IRF e de CSL na fonte já foram aproveitadas, ou melhor, reconhecidas, de modo que não há como serem abatidas dos tributos lançados objeto deste feito. As mesmas razões interditam a redução das bases de cálculo das multas de ofício. Se a utilização das retenções de IRF e de CSL na fonte5 já foi reconhecida com as homologações6 das compensações por meio das Dcomps, não há valor a ser abatido para a inflição das multa de ofício, cujas bases de cálculo são os próprios tributos exigidos. Ora, se a exigência dos tributos se dá sem o abatimento referido pelas razões expostas, significa que os valores dos tributos são os “não pagos” a que se refere o art. 44, I, da Lei 9.430/96 com a redação dada pela Lei 11.488/07 (e que combinado com o § 1º desse artigo, resulta na multa qualificada). 4 Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). [..] § 2º. O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). 5 Compondo o crédito de saldo negativo de IRPJ e de CSL. 6 Totais e parciais. Fl. 2513DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.722340/201162 Acórdão n.º 1103001.177 S1C1T3 Fl. 2.514 34 O contrário implicaria o duplo aproveitamento dos valores retidos de IRF e de CSL na fonte. Por isso não cabe abatimento das bases de cálculo das multas de ofício e, por conseguinte, redução das multas de ofício. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso, acompanhando em tudo mais o ilustre Relator. É o meu voto. Sala das Sessões, em 3 de março de 2015 (assinado digitalmente) Marcos Takata – Redator designado Fl. 2514DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCE LOS, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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