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Numero do processo: 11080.014097/2008-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Presume-se ocorrida a omissão de receitas ou de rendimentos, em situação no qual os depósitos bancários indicando a movimentação financeira do contribuinte nao tiverem a origem comprovada pelo titular, mediante apresentação tempestiva de documentação hábil e idônea.
MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. DEPOSITOS BANCARIOS ESCRITURAÇÃO. DEFICIÊNCIAS. ARBITRAMENTO. Livro Razão cujos registros contábeis nas contas CAIXA e CONTA BANCOS MOVIMENTO não refletem a efetiva ocorrência de depósitos bancários, de diversas contas correntes mantidas pela empresa, constitui situação no qual a escrituração contem erros e deficiências que a tomam imprestável para identificar a movimentação financeira, inclusive bancária, hipótese no qual cabe o arbitramento do lucro, conforme previsão do artigo 530, do RIR/99.
Numero da decisão: 1301-001.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Presumese ocorrida a omissão de receitas ou de rendimentos, em situação no qual os depósitos bancários indicando a movimentação financeira do contribuinte nao tiverem a origem comprovada pelo titular, mediante apresentação tempestiva de documentação hábil e idônea. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. DEPOSITOS BANCARIOS ESCRITURAÇÃO. DEFICIÊNCIAS. ARBITRAMENTO. Livro Razão cujos registros contábeis nas contas CAIXA e CONTA BANCOS MOVIMENTO não refletem a efetiva ocorrência de depósitos bancários, de diversas contas correntes mantidas pela empresa, constitui situação no qual a escrituração contem erros e deficiências que a tomam imprestável para identificar a movimentação financeira, inclusive bancária, hipótese no qual cabe o arbitramento do lucro, conforme previsão do artigo 530, do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 40 97 /2 00 8- 77 Fl. 939DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 2 Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ em Brasilia/DF. Tratase de exclusão do SIMPLES e da consequente exigência fiscal por omissão de receitas. Segundo depreendese do presente processo administrativo, teve início a ação fiscal, referente ao anocalendário de 2004, em 23/05/2008, tendo a recorrente, optante pelo simples, apresentado os livros diário e razão. Analisando a escrituração da fiscalizada, constatou a Fiscalização que a conta caixa encontravase escriturada somente até o dia 30/06/2004, registrando apenas um lançamento a débito em 31/01/2004, no valor de R$ 14.214,00, com o histórico “recebimentos nesta data”, e a conta “contas banco movimento” apresenta lançamentos somente no último dia do mês, perfazendo valores a débito de R$ 2.108.100,23, cujos históricos são “débitos nesta data ou créditos nesta data”. Relatou a Fiscalização, que nesse contexto, tendo em vista as irregularidades constatadas na escrituração contábil, e os indícios de ocorrência de uma movimentação financeira maior do que aquela lançada na escrituração, a recorrente, atendendo à intimação, apresentou os extratos das contas bancárias e das aplicações financeiras, sendo que de posse dos extratos bancários, constatou a autoridade tributária créditos nas contas bancárias no montante de R$ 9.367.599,53, distribuídos em cinco instituições financeiras, quais sejam, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Banco Santander e Banco do Estado do Rio Grande do Sul S.A. Constatou a Fiscalização, portanto, que a contribuinte não procedeu com a devida escrituração, incorrendo em omissão de registro contábil de significativa movimentação bancária, descumprindo, nesse sentido, as regras de escrituração aplicáveis às pessoas jurídicas inscritas no SIMPLES, conforme artigo 190, do RIR/99. Ao verificar os depósitos bancários cuja soma resulta em R$ 9.367.599,53, apurou a autoridade tributária, com base nos documentos apresentados pela contribuinte, que R$ 2.774.053,50 referemse a transferências a crédito provenientes de contas próprias e resgate de fundos, ou seja, encontramse devidamente justificados. Relativamente ao restante, no importe de R$ 6.593.546,48, intimou a Fiscalização para que a contribuinte comprovasse, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos depositados nas contas bancárias de sua titularidade, no ano de 2004. No entanto, as justificativas da contribuinte, em resposta à intimação, não se mostraram suficientes Fl. 940DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.014097/200877 Acórdão n.º 1301001.809 S1C3T1 Fl. 3 3 para afastar a presunção legal por omissão de receita com base no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Nesse contexto, concluiu a Fiscalização pela “Representação Fiscal Para Exclusão do SIMPLES” (fls. 01/11), encaminhada ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, que editou o Ato Declaratório Executivo DRF/POA n° 072, de 28 de novembro de 2008 (fl. 121), no qual declarou a fiscalizada excluída do SIMPLES, com efeitos a partir de 1° de janeiro de 2004, em conformidade com o disposto no art. 15, inciso V, da Lei n° 9.317, de 1996, e artigo 24, inciso VII, da IN SRF n° 608, de 2006. No tocante aos Lançamentos de Ofício, tendo em vista a significativa divergência entre os valores escriturados e os depósitos bancários nas instituições financeiras, que perfazem o total de R$ 9.367.599,53, considerou a Fiscalização a contabilidade do contribuinte imprestável, já que não atendeu ao comando do artigo 190 do RIR/99, e, nesse contexto, arbitrou o lucro com fulcro no artigo 530, inciso II, a, do RIR/99. Por sua vez, ao verificar os depósitos bancários cuja soma resulta em R$9.367.599,53, apurou a Fiscalização, com base nos documentos apresentados pela contribuinte, que R$ 2.774.053,50 referemse a transferências a crédito provenientes de contas próprias e resgate de fundos, ou seja, encontramse devidamente justificados, contudo, no que concerne ao montante restante, de R$ 6.593.546,48, intimou a autoridade tributária para que a fiscalizada comprovasse, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos depositados nas contas bancárias de sua titularidade, no ano de 2004. No entanto, as justificativas da contribuinte, em resposta à intimação, não se mostraram suficientes para afastar a presunção legal por omissão de receita com base no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Dessa maneira, do montante de R$ 6.593.546,48, excluiu a Fiscalização o valor de R$2.221.870,64, referente às receitas espontaneamente declaradas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES. O valor remanescente, de R$ 4.37l.675,84, foi lançado de ofício, sendo a infração a presunção legal de omissão de receitas de depósitos bancários de origem não comprovada, com coeficiente de 38,40% aplicado sobre a receita bruta para detenninação da base de cálculo do lucro arbitrado. O valor de R$ 2.221.870,64 foi segregado e lançado em duas infrações, uma referente a venda de produtos de fabricação própria, e a outra de prestação de serviços gerais, com coeficientes de 9,60% e 38,40%, respectivamente, aplicados sobre a receita bruta informada pela contribuinte na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES, para determinação da base de cálculo do lucro arbitrado. Foram efetuados os lançamentos de oficio de CSLL, PIS e Cofins, decorrentes do IRPJ. Destarte, foram lavrados contra a interessada os Autos de Infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, atinentes ao anocalendário de 2004. Foram considerados pela Fiscalização os recolhimentos efetuados pela contribuinte, sendo processada a decomposição do DARF SIMPLES por tributo, conforme planilha de fls. 403. A contribuinte tomou ciência do Ato Declaratório Executivo DRF/POA n° 072, de 28 de novembro de 2008 (fl. 122) e dos lançamentos (fls. 363, 372, 379 e 387), tendo Fl. 941DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 4 apresentando Manifestação de Inconformidade (fls. 407/451), em face da exclusão do SIMPLES, e Impugnação (fls. 452/496), contra os lançamentos de oficio. A Manifestação de Inconfonnidade e a Impugnação apresentadas discorrem sobre idêntico conteúdo, tratando dos pontos relacionados a seguir: 1) Da Nulidade dos Autos de Infração Por Falta do Trânsito em Julgado da Decisão de Exclusão do SIMPLES. Embora o ATO DECLAEATÓRIO DE EXCLUSÃO e o AUTO DE INHLAÇÃO sejam considerados dois procedimentos diversos, estão no mesmo processo administrativo, o que gerou vícios a ambos procedimentos fiscais, ensejando nulidade da decisão que excluiu a empresa do SIMPLES bem como dos Autos de Infração. Durante todo o curso do procedimento administrativo a empresa jamais havia sido intimada da decisão que a excluiu do SIMPLES, até que foi intimada, conjuntamente, das duas decisões, exclusão do SIMPLES e dos Autos de Infração. Maior ainda a irregularidade do procedimento ao se constatar que a REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA EXCLUSAO DO SIMPLES foi lavrada em 26/11/2008, e a empresa estava ainda sendo intimada, em 10/12/2008, a apresentar documentos no curso do mesmo processo fiscalizatório. A Lei n° 9.317/96 assegura o direito ao contraditório e a ampla defesa, e conforme as Portaria SRF n° 1.769/2005 combinada com o inciso III, do artigo 174 da Portaria MF n° 95/2007, a empresa ciente do ADE que a excluiu do SIMPLES teria 30 dias para apresentar manifestação de inconformidade, assim como, ao contribuinte é permitido impugnar, também no prazo de 30 dias, o Auto de Infração, nos termos do PAF. O reflexo da solução da controvérsia acerca da Exclusão do SIMPLES sobre o Auto de Infração é indubitável, nesse contexto, requereu fossem apartados os procedimentos administrativos, bem com a imediata suspensão do Auto de Infração, até o julgamento final do procedimento do ADE de Exclusão do SIMPLES. Ainda, como não foi permitido ao contribuinte a ampla defesa e o contraditório, deveriam ser anulados os Autos de Infração; 2) Da Falta de Documentação e Planilhamento, Pela Fiscalização, de Valores Decorrentes de Movimentação Entre Contas Próprias, Do Extravio de Documentos Apresentados Pela Empresa nos Autos do Processo Administrativo, e Da Inobservância de Justificativas Inequívocas Apresentadas Pela Empresa. A Fiscalização não juntou aos autos do processo todos os documentos apresentados pela empresa. Em anexo, são juntadas todas as petições contendo a relação dos documentos apresentados pela empresa, os quais foram consumidos pela Fiscalização, justamente documentos que comprovam uma movimentação financeira interbancária de R$3.741.820,23, ao invés dos R$2.774.053,05 que foram considerados pela Fiscalização (diferença de R$967.767,18). Se todos os atos da administração pública devem ser documentados, onde está a planilha que apurou somente R$2.774.053,05 e não os R$3.741.820,23 apresentados pela empresa? Foram apresentados inúmeros contratos de empréstimo tomados pela empresa, onde estão tais documentos? A empresa, intimada a justificar os depósitos bancários no valor de R$6.593.546,48, apresentou inúmeros documentos e justificativas, que não foram analisados pela Fiscalização. Prova disso é a informação constante na folha 69 dos autos, no valor de R$ 5.000,00 na data de 02/03/04 e no valor de R$ 4.000,00 na data de 27/04/04, que a Fiscalização considerou como sendo "Créditos de Interesse da Fiscalização" pois não analisou que tais créditos referemse a "Cheques TB" (cheques Fl. 942DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.014097/200877 Acórdão n.º 1301001.809 S1C3T1 Fl. 4 5 utilizados para transferência interbancária de contas correntes próprias para não incidência de CPMF). Enfim, 1) a não documentação e planilhamento dos valores relativos às transferências entre contas próprias, 2) o extravio de documentos apresentados pela empresa, bem como 3) a inobservância às justificativas inequívocas da empresa, viciam o processo administrativo a ponto de tomar os Autos de Infração nulos. Mérito. 1. A) Do Montante Considerado Transferências a Crédito Provenientes de Contas Próprias e Resgate de Fundos. O valor de R$2.774.053,05 identificado pela fiscalização está aquém do verdadeiro montante apresentado e justificado pela empresa, de R$3.741.820,23, ou seja, uma diferença de R$ 967.767,18 a ser abatida em favor da impugnante. A Fiscalização, maliciosamente, juntou somente os extratos bancários, consumindo com TODOS OS CONTRATOS DE EMPRÉSTIMOS, assim como todas as planilhas e petições apresentadas pela empresa. O montante de R$3.741.820,23 a ser considerado pela Fiscalização como não sendo ingresso de receita tributável segue apresentado em anexo, juntamente com todas as petições apresentadas. Basta que seja confrontado cada um dos valores diretamente nos extratos juntados aos autos. Os contratos de empréstimos já apresentados devem ser providenciados pela fiscalização, visto que nas referidas petições está firmado o seu recebimento. Aliás, causa estranheza o fato da fiscalização jamais mencionar que a empresa teria tomado um empréstimo bancário. Ao contrário, a empresa tomou VÁRIOS empréstimos bancários, todos creditados em suas contas correntes. Tal fato, como fundamentado em preliminar de defesa, sustenta a nulidade dos autos de infração lavrados, uma vez que desvirtua a base de incidência dos tributos. 1.B) Das Notas Fiscais Emitidas em 2003, Mas Recebidas em 2004 Nas Contas Correntes da Empresa. A empresa emitiu diversas notas fiscais em novembro e dezembro de 2003, no entanto, os correspondentes valores foram depositados em suas contas correntes apenas em 2004. O crédito de Notas Fiscais de 2003, recebidas em 2004, alcança o montante de R138.937,40,sendo que as cópias dos documentos fiscais seguem anexadas. Assim, o montante de R$138.937,40 deve ser abatido da rubrica "Créditos de interesse da Fiscalização", com o recálculo de todos os quatro autos de infração lavrados. 1.C) Relação de Recebimentos Antecipados Por Desconto Bancário, Cujos Boletos Foram Pagos Pela Própria Empresa em Razão do Cancelamento do Negócio Pelos Clientes. A empresa, tomando como base um contrato de fornecimento ou um pedido confirmado, antecipava o recebimento de seu crédito, descontando o respectivo título junto a um banco, em operação de desconto. O banco, no vencimento, emitia o boleto diretamente contra a empresa constante no respectivo título descontado. Contudo, em muitos casos, o pedido era cancelado, ou substituído por outro, fazendo com que a empresa devedora devolvesse à empresa o boleto enviado pelo banco, para que esta o pagasse ou restituísse o banco do valor descontado. Por sua vez, na maioria das vezes, a impugnante optava por pagar o boleto diretamente, como forma de facilitar o procedimento, visto que, cancelar o contrato com o banco, e providenciar dar baixa no referido título é muito mais trabalhoso. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 6 Assim, tal ingresso não poderia ser considerado como receita. A relação de todos as operações de desconto de títulos, cujos negócios não se perfectibilizaram, fazendo com que a empresa pagasse o boleto devolvido pelo seu cliente alcança o montante de R$ 1.343.381,14 e segue abaixo, corroborada pela juntada em anexo de todos os comprovantes de pagamentos realizados pela contribuinte. 1.D) Das Operações de Empréstimos Sob Caução De Notas Promissórias, Sem Garantias de Recebíveis, Havidas Junto ao Banco Bradesco. A impugnante possuía uma linha de crédito rotativo junto ao Bradesco S/A, sem garantia de recebíveis, mas caucionada por nota promissória própria, em operações no montante de R$ 977.902,47 em movimentação financeira a crédito em conta corrente que efetivamente não representa ingresso de receita tributável. Nesta modalidade de contrato, não é firmado um contrato para cada operação, pois tal limite de crédito é concedido de forma global. Trata se de modalidade de crédito rotativo porque a empresa, dentro do limite previamente contratado junto ao banco, pode realizar tais operações sempre que houver saldo no "rotativo". No ano de 2004, a empresa praticamente financiou a produção para seus clientes e tal informação é comprovada pelo aumento no endividamento da empresa junto aos seus fornecedores de R$ 50.005,77 para R$ 559.613,04, conforme se depreende das informações constantes nas folhas 34 a 50 dos autos. Assim, o montante de R$ 977.902,47 não representa ingresso de receita tributável e deve ser abatido da rubrica "Créditos de interesse da fiscalização". 1.E) Dos Empréstimos Recebidos do Sr. Eliseu Luis Quinhones e do Empréstimo Recebido da Sra. Eloa Barcelos Severino. A empresa recebeu dois empréstimos do Sr. Eliseu Luis Quinhones, CPF 561.182.01072, mediante a transferência bancária em sua conta corrente AG 14303, C/C 80535, do Banco do Brasil, na data de 09/08/04 (no valor de R$ 100.525,00) e na data de 29/12/04 (no valor de R$ 250.000,00), mais outro empréstimo da Sra. Eloa Barcelos Severino, na data de 01/12/04, no valor de R$ 20.000,00, conforme justificativa apresentada nas folhas 73/74 dos autos. O TED bancário é documento hábil a comprovar o registro da movimentação financeira, e assim está registrado nos extratos bancários apresentados pela empresa. As justificativas apresentadas pela fiscalização à folha 09 dos autos de que "na declaração apresentada pelo sr. Eliseu não constam estes empréstimos e que o mesmo não possui a mínima capacidade financeira para realizar as referidas operações" não são argumentos suficientes para desconsiderar tais empréstimos, visto que a empresa não pode ser prejudicada pela sonegação de informações de terceiros à SRF. De nada foi falado sobre a Sra. Eloa Barcelos Severino. Portanto, o montante de R$ 370.525,00 não representa ingresso de receita e deve ser abatido da rubrica "Créditos de Interesse da Fiscalização. 1.F) Transferência Interbancária Mediante “Cheques TB”. A informação constante na folha 69 dos autos, no valor de R$ 5.000,00 na data de 02/03/04 e no valor de RS 4.000,00 na data de 27/04/04, comprovam que a Fiscalização considerou como sendo "Créditos de Interesse da Fiscalização" créditos relativos às operações realizadas por "CHEQUE TB" (cheques utilizados para transferência interbancária de contas correntes próprias para não incidência de CPMF). Ocorre que tais operações não representam Fl. 944DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.014097/200877 Acórdão n.º 1301001.809 S1C3T1 Fl. 5 7 ingresso de receita e devem ser abatidas da rubrica "Créditos de Interesse da Fiscalização". 1.G) Dos Depósitos Bancários Realizado em Dinheiro Pela Empresa. Os depósitos bancários realizados em dinheiro pela empresa, e justificados nas folhas 66 a 74 dos autos devem ser abatidos da rubrica "Créditos de Interesse da Fiscalização" visto que não representam ingresso de receita, mas tão somente, transferência de recursos próprios, e perfazem o montante de R$ 184.498,97. O quadro a seguir lista os depósitos: [...] 1.H) Dos Empréstimos Realizados Pela Empresa Junto ao Banco do Brasil. A impugnante realizou inúmeros empréstimos bancários junto ao Banco do Brasil, sendo os extratos apresentados nas folhas 123 a 199 dos autos documentos hábeis para comprovar as operações, listadas no quadro a seguir. [...] 1.I) Dos Empréstimos Efetuado Pelo Sócio Paulo Vinícius da Silva Decorrente de Venda de Veículo Próprio. A impugnante recebeu empréstimo do sócio Paulo Vinicius da Silva no valor de R$ 334.701,00, creditado na data de 24/09/04, na conta do Banco do Brasil, decorrente de venda de veículo próprio. Tratase de montante que não representa ingresso de receita tributável e, portanto, deve ser abatido da rubrica "Créditos de Interesse da Fiscalização”. 1.J) Do Resgate de Título de Capitalização Junto ao Bradesco. A impugnante resgatou o título de capitalização no valor de R$5.152,83, na data de 05/04/04, junto ao Banco Bradesco S/A, conforme comprova o extrato juntado aos autos, bem como as justificativas apresentadas. Tratase de montante que não representa ingresso de receita tributável e, portanto, deve ser abatido da rubrica "Créditos de Interesse da Fiscalização". 1.K) Da Operação de Desconto de Cheque Dos Sócios da Empresa Junto ao Banco Bradesco. A impugnante realizou operação de desconto de cheque emitido pelos seus sócios no valor de R$ 7.000,00, na data de 20/04/04, junto ao Banco Bradesco S/A, conforme comprova o extrato juntado aos autos, bem como as justificativas apresentadas. Tratase de montante que não representa ingresso de receita tributável e, portanto, deve ser abatido da rubrica "Créditos de Interesse da Fiscalização". 1.L) Dos Contratos de Empréstimos Realizados Junto aos Bancos, Apresentados Pela Empresa e que Não Foram Juntados pela Fiscalização. A impugnante realizou inúmeras operações de contrato de empréstimo junto aos bancos e todos os contratos foram devidamente apresentados para a Fiscalização, tanto que consta a firma do Fiscal, acusando o recebimento dos referidos contratos, cujos valores foram creditados nas contas correntes da empresa. Assim, deve a Fiscalização inforrnar l) porque não juntou os contratos aos autos e 2) porque desconsiderou tais contratos no computo dos Créditos de Interesse da Fiscalizaçao. Tratase de montante que nao representa ingresso de receita tributável e, portanto, deve ser abatido da rubrica "Créditos de Interesse da Fiscalização". Fl. 945DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 8 2) Da Exclusão do SIMPLES e da Ilegalidade da Multa de 20% Por Arbitramento Sobre o Lucro Presumido do IRPJ. lmpugna a empresa sua exclusão do SIMPLES em razão de não possuir receita não declarada, vez que toda a movimentação financeira apurada pela Fiscalização, considerada como receita não declarada, foi justificada nos autos do processo. Em nenhum momento, deixou a contribuinte de apresentar qualquer dos documentos solicitados pela autoridade fiscal, pelo contrário, apresentouos no prazo legal, tanto que foi excluído da autuação o valor de R$ 2.774.053,05, oriundos de movimentação financeira entre contas próprias (lembrando que o valor correto seria R$ 3.74l.820,23). Assim, não há que se falar em reincidência de infração tributária, ou seja, não se aplica o inciso V do artigo 14 da Lei n° 9.317/ 1996. Ainda, a Fiscalização arbitrou o lucro, alegando deficiências contidas na escrituração que não identificou corretamente a movimentação bancária, cabendo uma aplicação de multa de 20% sobre o lucro presumido para apuração do IRPJ (de 8% para 9,6% sobre a receita de industrialização e de 32% para 38,40% sobre a receita de prestação de serviços). O maior prejuízo do alcance dessa decisão é o fato de que a Fiscalização entendeu ser toda a receita supostamente não declarada pela empresa como sendo PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (mesmo que a empresa seja uma indústria de móveis), fazendo incidir a alíquota do IRPJ sobre uma base de lucro presumido de 32% majorada para 38,40%, conforme consta na folha 368 dos autos. Da mesma fonna, não merece procedência a exclusão realizada de maneira retroativa, vez que, não obstante o Fisco Federal ampararse em base legal para determinar, de oficio, a exclusão do SIMPLES produzindo efeitos a partir do mês subsequente ao que incorrida a situação geradora desse ato (art. 15, Il, da Lei n° 9.317/96, na redação conferida pela Medida Provisória n° 2.15835/2001), a verdade está em que esta norma não pode alcançar indiscriminadamente todos e quaisquer fatos, sob pena de ofensa a garantias constitucionais e legais dos contribuintes. Assim, é vítreo que os efeitos da exclusão, se é que legalmente amparada, só poderão alcançar os fatos supervenientes ao entendimento manifestado pela SRF, por força do princípio constitucional da segurança jurídica (consubstanciado na garantia individual da irretroatividade das normas) e das disposições expressas do Código Tributário Nacional em seus artigos 103, I e 146. 3) Da Indevida Aplicação do Lucro Presumido Mediante a Aplicação de Alíquota de 32% Relativa a Prestação de Serviços. Os autos de infração do IRPJ e CSLL consideraram como atividade da empresa exclusivamente prestação de serviços, e não industrialização. Contudo, a atividade fim da empresa é a industrialização, vez que só existe serviço de montagem de móveis se, antes, houve a industrialização e venda dos correspondentes móveis. Por se tratar de industrialização, o contribuinte não vende seus produtos ao consumidor final, motivo pelo qual se verifica que apenas 25% de suas atividades direcionamse à montagem e, em 90% dos casos, o serviço sequer é cobrado. O faturamento do ano de 2004 acusa para os seguintes percentuais de industrialização / prestação de serviços: [...] Logo, fazse necessária a descaracterização da empresa como prestadora de serviço, mediante o recalculo dos respectivos autos de infração relativos ao IRPJ e à CSLL com a aplicação do percentual de 8% de lucro presumido. Inobstante os argumentos legais, a aplicação do coeficiente de 32% torna inviável a manutenção das atividades da empresa, caracterizando a ocorrência Fl. 946DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.014097/200877 Acórdão n.º 1301001.809 S1C3T1 Fl. 6 9 de confisco, que se encontra vedado de acordo com consolidada doutrina e jurisprudência. 4) Do Direito aos Descontos de 50% e 40% da Multa Mesmo Após a Apresentação da Impugnação. O Auto de Infração ora impugnado prevê a concessão de redução de multa de 50% (cinquenta por cento) se o pagamento for realizado até o vencimento da intimação ou de 40% (quarenta por cento), caso seja requerido parcelamento do débito no prazo legal para impugnação e 20% (vinte por cento) após transitado em julgado o processo administrativo. Vislumbrase claro cerceamento a defesa do contribuinte, já que, quanto menor a utilização dos mecanismos de defesa que lhe compete, menor será o desconto. Observese que a vantagem financeira oferecida pela Receita Federal tem estreita relação com a total inexistência de contraditório e ampla defesa, direitos constitucionalmente previstos ao contribuinte. Nesse contexto, caso a impugnação ao auto de infração seja julgada procedente, ou parcialmente procedente, necessário a concessão dos descontos de 50% (para pagamento à vista) ou de 40% (para parcelamento), mesmo após a apresentação da presente impugnação. 5) Da Inexistente Atualização dos Créditos de IRPJ e CSLL. Os pagamentos mensais que a impugnante efetuava, sob o enquadramento do SIMPLES, devem ser considerados como créditos, e por isso devem ser corrigidos mensalmente. Pelo arbitramento, o IRPJ e a CSLL devem ser recolhidos até o final do mês subsequente ao trimestre. Logo, após a decomposição dos recolhimentos efetuados pela empresa a título do SIMPLES, devem ser corrigidos mensalmente as parcelas relativas ao IRPJ e à CSLL antes de compensados com 0 IRPJ e a CSLL apurados no arbitramento, de periodicidade trimestral, sendo que, o índice de correção a ser adotado deverá ser a taxa SELIC. 6) Da Impossibilidade de Incidência da Multa de 75% Sobre os Valores Efetivamente Declarados Pela Empresa. Abusividade da Multa Aplicada. Deve a multa de 75% somente ser aplicada sobre valores não declarados à Receita Federal, vez que se trata de uma multa punitiva e não moratória. Contudo, sobre o montante de R$ 2.221.870,64 declarados pela empresa não poderá incidir uma multa punitiva de 75%, justamente porque o Art. 42 da Lei. 9.430/96 trata da incidência do referido encargo sobre a receita omitida decorrente de presunção. Subsidiariamente, por zelo de defesa, a autoridade fiscal poderia, no máximo, aplicar multa moratória de 20% sobre a diferença de tributos apurada após compensados com os tributos pagos oriundos da decomposição do SIMPLES, sobre o montante do valor declarado pela empresa, mas jamais a multa de 75%. No percentual tal como aplicado, a multa é abusiva e apresenta manifesta inobservância aos patamares constitucionais válidos para a tributação, afrontando os princípios da proporcionalidade, do Estado de Direito, do devido processo legal e da vedação ao confisco. Nesse sentido, deve ser desconsiderada a multa aplicada ou, reduzida ao percentual de 20%, a incidir sobre o valor do débito original, sem a correção. Dos Pedidos. Diante do exposto, requerse: Fl. 947DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 10 Em PRELIMINAR de defesa: 1) O desmembramento dos quatro autos de infração daquele procedimento de exclusão do SIMPLES visto que os referidos autos dependem do julgamento definitivo do processo de exclusão e devem tramitar em autos apartados; 2) a declaração de nulidade dos quatro Autos de Infração (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS), uma vez que não foram observados os princípios do contraditório e ampla defesa no processo de exclusão do SIMPLES (que serviu de base para a lavratura dos referidos autos), assim como não foram juntados aos autos os documentos e justificativas apresentados pela empresa visando a comprovação da origem da movimentação financeira identificada pela fiscalização; 3) Subsidiariamente, requerse a suspensão dos presentes Autos de Infração até o julgamento final do procedimento referente ao Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES; Vencida as questões preliminares, no MÉRITO de defesa requerse a desconstituiçao dos referidos autos de infraçao, pelos fatos e fundamentos delineados; 4) requer sejam apurados os corretos valores relativos à "transferência entre contas próprias e resgate de fundos", majorandoos de R$ 2.774.053,05 (apurados pela fiscalização na folha 05 dos autos) para o montante de R$ 3.741.820,23 (diferença de R$ 967.767,18 conforme planilhas e documentos apresentados pela empresa à fiscalização e novamente juntadas em anexo, em confronto aos extratos bancários juntados aos autos), acrescentando a estes, todos os créditos em conta corrente relativos aos empréstimos bancários tomados, reduzindo com isso, o montante relativo aos créditos de interesse da fiscalização, mediante o recálculo de todos os quatro autos de infração lavrados; 5) requer seja abatido da rubrica "Créditos de Interesse da Fiscalização" o montante de RS 138.937,40 relativo às notas fiscais emitidas em novembro/2003 e dezembro/2003, mas recebidas no ano de 2004, já apresentadas nas folhas 66 a 74 dos autos, cujas cópias seguem em anexo, mediante o recalculo de todos os quatro autos de infração lavrados; 6) requer seja abatido da rubrica "Créditos de Interesse da Fiscalização" o montante de RS 1.343.381,14 relativo ao valores recebidos em conta corrente referente às operações de desconto antecipado de títulos cujos negócios não se perfectibilizaram, e boletos foram devolvidos pelos cliente para serem pagos pela empresa, conforme documentos juntados em anexo, mediante o recalculo de todos os quatro autos de infração lavrados; 7) requer seja abatido da rubrica "Créditos de Interesse da Fiscalizaçao" o montante de RS 977.902,47 relativo às operações de "Empréstimo sob caução de nota promissória sem garantia de recebíveis" realizadas junto ao Banco Bradesco S/A cujos documentos e justificativas foram apresentadas nas folhas 67, 67, 70, 75 a 118 e 242 a 270 dos autos, visto que não representam ingresso de receita tributável, mediante o recalculo de todos os quatro autos de infração lavrados; Fl. 948DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.014097/200877 Acórdão n.º 1301001.809 S1C3T1 Fl. 7 11 8) requer seja abatido da rubrica "Créditos de Interesse da Fiscalização" os Valores recebidos a título de empréstimo do Sr. Eliseu Luis Quinhones, inscrito no CPF sob n° 561.182.01072, mediante a transferência bancária em sua conta corrente AG 14303, C/C 80535, do Banco do Brasil, na data de 09/08/04 (no valor de RS 100.525,00) e na data de 29/12/04 (no valor de RS 250.000,00), e da Sra. Eloa Barcelos Severino, na data de 01/12/04, no valor de RS 20.000,00, conforme justificativa e documentos apresentadas nas folhas 73, 74, 174 e 219 dos autos, mediante o recalculo de todos os quatro autos de infração lavrados; 9) requer seja abatido da rubrica "Créditos de Interesse da Fiscalização" os valores creditados na conta corrente da empresa oriundos de transferência por "CHEQUE TB", conforme consta nas informações da folha 69 dos autos, no valor de RS 5.000,00 na data de 02/03/04 e no valor de RS 4.000,00 na data de 27/04/04, mediante o recalculo de todos os quatro autos de infração lavrados; 10) requer seja abatido da rubrica "Créditos de Interesse da Fiscalização" os valores creditados na conta corrente da empresa decorrentes de depósitos em dinheiro, no montante de RS 184.498,97, consoante justificativas apresentadas nas folhas 66 a 74 dos autos, mediante o recalculo de todos os quatro autos de infração lavrados; 11) requer seja abatido da rubrica "Créditos de Interesse da Fiscalização" os valores creditados na conta corrente da empresa do Banco do Brasil decorrentes de empréstimos bancários no montante de RS 35.366,43 consoante justificativas apresentadas nas folhas 66 a 74 dos autos, mediante o recalculo de todos os quatro autos de infração lavrados; 12) requer seja abatido da rubrica "Créditos de Interesse da Fiscalização" o valor de RS 34.701,00 creditado na conta corrente da empresa do Banco do Brasil em 24/09/04, relativo a empréstimo efetuado pelo sócio Paulo Vinícius da Silva, decorrente de venda de veículo próprio, mediante o recalculo de todos os quatro autos de infração lavrados; 13) requer seja abatido da rubrica "Créditos de Interesse da Fiscalização" o valor de RS 5.152,83 creditado na conta corrente da empresa do Banco Bradesco na data de 05/04/04 relativo ao 'resgate de título de capitalização, mediante recalculo de todos os quatro autos de infração lavrados; 14) requer seja abatido da rubrica "Créditos de Interesse da Fiscalizaçao" o valor de R$ 7.000,00 creditado na conta corrente da empresa do Banco Bradesco na data de 20/04/04 relativo à operação de desconto de cheque dos sócios da empresa, mediante o recálculo de todos os quatro autos de infração lavrados; 15) requer seja abatido da rubrica "Créditos de Interesse da Fiscalização" o montante apurado pela análise de todos os contratos de empréstimos bancários apresentados para a fiscalização e que não foram juntados aos autos do processo, mediante o recalculo de todos os quatro autos de infração lavrados; Fl. 949DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 12 16) requerse a exclusão da multa de 20% relativa ao lucro por arbitramento, incidente sobre a base do lucro presumido utilizada para apuração dos autos de infração do IRPJ, visto que a empresa diligenciou toda a sua contabilidade para a autoridade fiscal,e tal dispositivo legal aplicase tão somente para os casos em que não é possível identificar a base de tributaçao; l7) requer seja recalculado os autos de infração relativos ao IRPJ e à CSLL que consideraram que os valores não declarados pela empresa referemse tão somente à atividade de prestação de serviços para fins de apuração do lucro presumido, aplicando, equivocadamente, o percentual de 32% de lucro. A atividade correta desenvolvida pela empresa é o de industrialização, devendo, portanto, ser aplicado percentual de 8% de lucro presumido para fins de apuração do IRPJ e CSLL devidos; 18) Subsidiariamente ao pedido anterior, requer seja considerado o mesmo percentual declarado pela empresa relativo ao seu recebimento no ano de 2004, como sendo 75,91% (relativo à industrialização) e 24,09% (relativo à prestação de serviços). 19) requer seja possibilitado o pagamento do débito com desconto de 50% sobre a multa ou o parcelamento com 40% de desconto sobre a multa, mesmo após a apresentação da presente impugnação, para o caso desta ser julgada procedente ou parcialmente procedente; 20) requer sejam as parcelas de IRPJ e CSLL pagos pela empresa a título de SIMPLES, após a sua decomposição, atualizados mensalmente pela SELIC, desde a data do seu efetivo pagamento, antes de compensados com o IRPJ e CSLL devidos ao final do trimestre, apurados pelo lucro arbitrado; 21) requer a não incidência da multa de 75% sobre os tributos apurados sobre os valores efetivamente declarados pela empresa (R$ 2.221.870,64), visto que tal encargo incide tão somente sobre valores nao declarados espontaneamente; 22) subsidiariamente ao pedido anterior, requer tão somente a incidência da multa de 20% moratória sobre a diferença dos tributos e contribuições apurados sobre os valores efetivamente declarados pela empresa; 23) Caso a autoridade fazendária entenda necessário a juntada dos documentos originais, cujas cópias seguem em anexo, então requerse desde já seja a contribuinte intimada para tanto. 24) Protesta desde já pela produção de todo 0 gênero de provas em direito admitidas. 25) POR TODAS AS RAZÕES E FATOS EXPENDIDOS, a IMPUGNANTE requer a acolhida integral da presente, para que sejam, desconsiderada a sua exclusão do programa SIMPLES no ano de 2004, tendo em vista a inocorrência dos fatos narrados pela fiscalização na representação que culminou com a presente exclusão. [...] Fl. 950DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.014097/200877 Acórdão n.º 1301001.809 S1C3T1 Fl. 8 13 A 2ª Turma da DRJ em Brasília/DF, nos termos do acórdão e voto de folhas 786 a 831, manteve a exclusão do SIMPLES e julgou o lançamento parcialmente procedente. Relativamente à exclusão do SIMPLES, decisão recorrida afastou a alegada preliminar de nulidade ao fundamento de que a ciência simultânea, do Ato Declaratório Executivo e dos Autos de Infração, em nada prejudica a contribuinte, vez que pode apresentar as correspondentes peças de defesa dentro do prazo normativo. Quanto ao mérito da exclusão do SIMPLES, frisou a decisão recorrida que o procedimento adotado pela Fiscalização constatou a ocorrência de reincidência de infração tributária, eis que a recorrente, optante pelo SIMPLES, com receitas declaradas no valor de R$ 2.221.870,64, atinente ao ano calendário de 2004, foi intimada a apresentar a escrituração pertinente, prevista no artigo 190 do RIR/99, escrituração que revelou diversos vícios, como apontado no relatório acima e cotejado devidamente pela decisão recorrida, enfatizandose que a autuação se deu com base me presunção legal, grafada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, situação que inverteria o ônus da prova. Após tais afirmações, cuidou a decisão recorrida de apresentar detalhado quadro comparativo entre as imputações e as justificativas apresentadas pela recorrente, concluindo que não logrou justificar a maior parte dos depósitos bancários, ficando demonstrado que omitiu reiteradamente receitas no decorrer de todo o ano calendário de 2004, além de não ter contabilizado devidamente a movimentação financeira, em colisão com o artigo 190, parágrafo único, do RIR/99, portanto, aplicase a hipótese prevista no artigo 14 da Lei n° 9.317, de 1996, que determina a exclusão de oficio quando a pessoa jurídica incorrer na prática reiterada de infração à legislação tributária. Quanto aos lançamentos, após recapitular os procedimentos e constatações da Fiscalização, em termos coincidentes aos já relatados, a decisão recorrida assinalando que a contribuinte, em sua defesa, inicia protestando sobre o valor considerado pela Fiscalização de R$ 2.774.053,50 como sendo de transferências entre contas próprias, alegando que teria sido apurado a menor, para em seguida, protestar sobre a infração referente a presunção de omissão de receitas, no valor de R$ 4.37l.675,84, alegando que os depósitos estariam devidamente comprovados nos autos, requerendo ainda fosse afastado o arbitramento, e os coeficientes de determinação da base de cálculo revisados, tendo em vista que a atividade finalistica da empresa é a industrialização. Feitas estas marcações, cuidou a decisão recorrida de enfrentar os pontos em discussão, um a um, afastando pontualmente alguns depósitos bancários que entendeu como comprovados. Devidamente cientificada a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 836 em diante), reiterando os argumentos já relatados e pugnando pelo provimento. É o relatório. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 14 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Duas questões preponderantes circundam o presente processo, a exclusão da contribuinte do regime do SIMPLES e as exigências fiscais, decorrentes de omissão de receitas, apurada, a dita omissão, com base em presunção legal contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, arbitrandose o lucro da contribuinte. Nesse passo, o enfretamento da preliminar de nulidade arguida pelo contribuinte precisa ser aferida em dúplice grau, tanto em relação à exclusão do SIMPLES quanto em relação à exigência fiscal. Em verdade, a preliminar manuseada, data vênia aos judiciosos argumentos da contribuinte, é rigorosamente improcedente. O contrário sim me parece faria surgir o cerceamento ao direito de defesa, ou seja, tramitassem separados os autos de infração e a exclusão do regime do SIMPLES, estando eles conectados ao mesmo evento, aliás, conectados não, sendo eles frutos um do outro, é que se verificaria algum tipo de nulidade. Quer parecer sobremodo óbvio que tanto a exclusão quanto a imputação de omissão de receitas necessitavam, como ainda necessitam, tramitar conjuntamente. Não bastasse isso, fez ver a decisão recorrida com acerto inarredável, que a autoridade tributária, ao contatar a ocorrência da hipótese prevista no inciso V do artigo 14 da então vigente Lei n° 9.317/96, foi que excluiu de oficio a empresa do regime de tributação. Bem esclareceu a decisão recorrida que a ciência simultânea, do Ato Declaratório Executivo e dos Autos de Infração, em nada prejudica a contribuinte, vez que pode apresentar as correspondentes peças de defesa dentro do prazo fixado, e tanto na decisão recorrida quanto agora, a questão atinente à exclusão do SIMPLES fora realizada em primeiro lugar, em verdadeira prejudicialidade. Não há mesmo falar em nulidade. Aliás, torno a dizer, cerceamento ao direito de defesa haveria se tratássemos aqui do justo contrário, ou seja, de apreciação separada dos procedimentos, de sorte que rejeito a preliminar de nulidade. Seguindo a ordem metodológica da decisão recorrida e superada a híbrida preliminar de nulidade, convém iniciarse o enfretamento de mérito do Recurso Voluntário pela questão correlata à exclusão do SIMPLES, o que de certa maneira impacta a conclusão acerca da omissão de receitas, eis que esta (omissão), foi o motivo desencadeador do evento excludente “reiterada infração à legislação tributária”, e foi apurada mediante expediente fundado em presunção legal contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.014097/200877 Acórdão n.º 1301001.809 S1C3T1 Fl. 9 15 Importante relembrar, conquanto conste do relatório acima elaborado, parte integrante desta apreciação, que foi pela análise da escrituração da recorrente que a Fiscalização constatou que a conta caixa encontravase escriturada somente até o dia 30/06/2004, registrando apenas um lançamento a débito em 31/01/2004, no valor de R$ 14.214,00, com o histórico “recebimentos nesta data”, e a conta “contas banco movimento” apresenta lançamentos somente no último dia do mês, perfazendo valores a débito de R$ 2.108.100,23, cujos históricos são “débitos nesta data ou créditos nesta data”. Foi neste contexto, repitase, de indícios de ocorrência de uma movimentação financeira maior do que aquela lançada na escrituração, que a Fiscalização iniciou seus trabalhos, e a recorrente, atendendo à intimação, apresentou os extratos das contas bancárias e das aplicações financeiras, sendo que de posse dos extratos bancários, constatou a autoridade tributária créditos nas contas bancárias no montante de R$ 9.367.599,53, distribuídos em cinco instituições financeiras, quais sejam, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Banco Santander e Banco do Estado do Rio Grande do Sul S.A. Constatou a Fiscalização, portanto, que a contribuinte não procedeu com a devida escrituração, incorrendo em omissão de registro contábil de significativa movimentação bancária, descumprindo, nesse sentido, as regras de escrituração aplicáveis às pessoas jurídicas inscritas no SIMPLES, conforme artigo 190, do RIR/99. Ao verificar os depósitos bancários cuja soma resulta em R$ 9.367.599,53, apurou a autoridade tributária, com base nos documentos apresentados pela contribuinte, que R$ 2.774.053,50 referemse a transferências a crédito provenientes de contas próprias e resgate de fundos, ou seja, devidamente justificados, sendo que, relativamente ao restante, no importe de R$ 6.593.546,48, intimou a Fiscalização para que a contribuinte comprovasse, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos depositados nas contas bancárias de sua titularidade, no ano de 2004. Foi este o cenário em que se concebeu o Ato Declaratório Executivo DRF/POA n° 072, de 28 de novembro de 2008 (fl. 121), no qual declarou a fiscalizada excluída do SIMPLES, com efeitos a partir de 1° de janeiro de 2004, em conformidade com o disposto no art. 15, inciso V, da Lei n° 9.317, de 1996, e artigo 24, inciso VII, da IN SRF n° 608, de 2006. Ou seja, outra vez assiste razão à decisão recorrida ao dispor que presente a omissão de receitas, no decorrer de todo o ano calendário de 2004, além de não ter contabilizado devidamente a movimentação financeira, em colisão com o artigo 190, parágrafo único, do RIR/99, inarredável a hipótese prevista no artigo 14 da então vigente Lei n° 9.317, de 1996, que determinava a exclusão de oficio quando a pessoa jurídica incorrer na prática reiterada de infração à legislação tributária, aferindose os efeitos da exclusão do SIMPLES segundo regra do artigo 15, da referida Lei n° 9.317, de 1996, ou seja, a partir do mês em que aferido o evento excludente. Portanto, se prevalente a omissão de receitas, o que se abordará no tópico seguinte, igualmente prevalente será a exclusão levada a efeito. No tocante aos Lançamentos de Ofício, tendo em vista a significativa divergência entre os valores escriturados e os depósitos bancários nas instituições financeiras, que perfazem o total de R$ 9.367.599,53, considerou a Fiscalização a contabilidade do contribuinte imprestável, já que não atendeu ao comando do artigo 190 do RIR/99, e, nesse contexto, arbitrou o lucro com fulcro no artigo 530, inciso II, a, do RIR/99. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 16 Por sua vez, ao verificar os depósitos bancários cuja soma resulta em R$ 9.367.599,53, apurou a Fiscalização, com base nos documentos apresentados pela contribuinte, que R$ 2.774.053,50 referemse a transferências a crédito provenientes de contas próprias e resgate de fundos, ou seja, encontramse devidamente justificados, contudo, no que concerne ao montante restante, de R$ 6.593.546,48, intimou a autoridade tributária para que a fiscalizada comprovasse, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos depositados nas contas bancárias de sua titularidade, no ano de 2004. No entanto, as justificativas da contribuinte, em resposta à intimação, não se mostraram suficientes para afastar a presunção legal por omissão de receita com base no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Dessa maneira, do montante de R$ 6.593.546,48, excluiu a Fiscalização o valor de R$ 2.221.870,64, referente às receitas espontaneamente declaradas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES. O valor remanescente, de R$ 4.37l.675,84, foi lançado de ofício, sendo a infração a presunção legal de omissão de receitas de depósitos bancários de origem não comprovada, com coeficiente de 38,40% aplicado sobre a receita bruta para detenninação da base de cálculo do lucro arbitrado. O valor de R$ 2.221.870,64 foi segregado e lançado em duas infrações, uma referente a venda de produtos de fabricação própria, e a outra de prestação de serviços gerais, com coeficientes de 9,60% e 38,40%, respectivamente, aplicados sobre a receita bruta informada pela contribuinte na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES, para determinação da base de cálculo do lucro arbitrado. Foram efetuados os lançamentos de oficio de CSLL, PIS e Cofins, decorrentes do IRPJ. A contribuinte, a seu turno, em sede da primitiva Impugnação, alegou que do valor de R$ 2.774.053,50, considerado pela Fiscalização como sendo de transferências entre contas próprias, teria sido apurado a menor e acerca da presunção de omissão de receitas, no valor de R$ 4.37l.675,84, sustentou, segundo tópicos relatados, que os depósitos estariam devidamente comprovados nos autos. Já a decisão recorrida, em análise detida e minuciosa de cada argumento da contribuinte, cuidou de afastar: i) parte das operações de empréstimos sob caução de notas promissórias, sem garantias de recebíveis Banco Bradesco S/A; ii) transferência interbancária mediante “cheques TB" no valor de R$ 9.000,00; iii) empréstimos realizados pela empresa no Banco do Brasil, no valor de R$ 19.246,43; iv) resgate de título, de capitalização, no Banco Bradesco, no valor R$ 5.152,83. Insiste a contribuinte, em seu Recurso Voluntário que o crédito proveniente de contas próprias e resgate de fundos, que a Fiscalização entendeu ser de R$2.774.053,05, encontrase apurado a menor, sendo o valor correto o de R$ 3.741.820,23, aduzindo que “mesmo que alguns dos valores informados na impugnação tenham sido afastados da presunção de omissão de receitas, o montante de “Transferências a crédito provenientes de contras próprias e resgate de fundos" e o montante de “Créditos de interesse da Fiscalização"_identificados pela fiscalização devem ser revistos”. Para tanto, insiste a recorrente estar comprovado nos documentos acostados a origem da movimentação bancária e que a autoridade fiscal não teria apresentado nenhum elementos que a motivou a reconhecer o montante de R$ 2.774.053,05, além de não ter juntado aos autos todos os documentos apresentados durante a ação fiscal, incorrendo em extravio, omitindo que ela, recorrente teria tomado empréstimos bancários… Fl. 954DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.014097/200877 Acórdão n.º 1301001.809 S1C3T1 Fl. 10 17 Outra vez é mister reconhecer que a decisão recorrida conferiu correta valoração às provas e satisfatório deslinde à questão. Com efeito, ao analisar os documentos apresentados pela contribuinte, de um universo de R$ 9.367.599,53, a Fiscalização considerou como valores a título de transferências de contas próprias e resgates de fundos o montante de R$ 2.774.053,50, de sorte que a Fiscalização, inegavelmente, analisou sim a sua documentação probatória. A decisão recorrida, em primorosa técnica, bem pondera que a contribuinte, ao protestar sobre o valor considerado pela Fiscalização, alegando que o correto seria R$ 3.74l.820,23, fez juntar aos autos documentação visando amparar sua argumentação, de sorte que a apreciação deuse por considerar que se os depósitos listados pela contribuinte às folhas 498 a 515, já não teriam sido considerados pela Fiscalização para compor o montante que foi excluído da base tributável, de R$ 2.774.053,50, bastaria verificar quais deles (depósitos) compõem a base tributável, de R$ 6.593.546,48, listados às folhas 68 a 74, em quadro elaborado pela autoridade tributária, eis que, se os depósitos apresentados pela recorrente (fls. 498/515), não estiverem relacionados na planilha elaborada pela Fiscalização de folhas 68 a 74, é porque o foram considerados pela autoridade fiscal e, na realidade, integram o montante de R$2.774.053,50 excluído da base tributável. Foi com este critério, inarredável, repito, que a decisão recorrida analisou a planilha apresentada pela recorrente, concluindo que a maior parte dos depósitos da planilha de folha 502 não guardam nenhuma correspondência com os depósitos listados no quadro de fls. 73/74 (que correspondem ao demonstrativo elaborado pela Fiscalização, referente à movimentação financeira não justificada pela contribuinte). Aferiu a decisão recorrida, portanto, que apenas três depósitos guardam correspondência o quadro de fls. 73/74, e assim se encontram justificados, pela própria contribuinte, sendo que estes já foram devidamente afastados e de acordo com a origem informada pela recorrente, constituemse receitas operacionais, que, por consequência, já foram declaradas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – SIMPLES, a revelar que são depósitos que compõem a base tributável e, por sua vez, os demais depósitos listados na planilha de folhas 502, como bem entendeu a decisão recorrida, já foram considerados pela Fiscalização para compor o montante de R$ 2.774.053,50, que foi excluído da base tributável. Assim se deu o expediente da decisão recorrida. Analisou cada tabela apresentada pela contribuinte. Sendo certo que naquela de fls. 507, reconhecendo com acerto que a maior parte dos depósitos ali indicados não guardam nenhuma correspondência com os depósitos listados no quadro de fls. 68, atinentes à movimentação financeira não justificada pela contribuinte, e que por outro lado, dez depósitos guardam correspondência o quadro de fls. 68, e assim se encontram justificados, pela própria contribuinte, mas estes já foram devidamente afastados pela decisão recorrida. Demais disso, é mesmo importante esclarecer à recorrente que, relativamente, a os depósitos cuja justificativa é a “TRANSFERÊNCIA DE CAIXA DA BENTO”, bem frisou a decisão recorrida que não há na conta CAIXA (fls. 42), nenhum registro de qualquer das operações. Tampouco, a recorrente apresentou os elementos capazes dar suporte ao depósito,, de modo que presumidamente se ocupa de receita omitida. Não há como fugir do detido trabalho empreendido pela decisão recorrida ao assinalar que os demais depósitos listados na planilha de fls. 507 já foram considerados pela Fiscalização para compor o montante de R$ 2.774.053,50, que foi excluído da base tributável e Fl. 955DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 18 que às fls. 508/509 encontrase a planilha referente aos depósitos efetuados na conta corrente mantida no Bradesco, perfazendo o valor de R$ l.379.299,59 e que a maior parte dos depósitos da planilha de fls. 508/509 não guardam nenhuma correspondência com os depósitos listados no quadro de fls. 70 (que correspondem ao demonstrativo elaborado pela Fiscalização, referente à movimentação financeira não justificada pela contribuinte) e os que guardam correspondência o quadro de fls. 70, foram reconhecidos. Nessa ordem de ideias, todas as planilhas foram auditadas e confrontadas pela decisão recorrida, não restando mesmo comprovada a origem da movimentação bancária para além daquilo que já reconhece a decisão recorrida. Sendo este o cenário, como de fato é, está a incidir na espécie a expressa disposição do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 consagrador de que caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Temse na espécie, portanto, perfeita subsunção das circunstâncias fáticas à abstrata previsão de presunção legal de omissão de receitas, de sorte que o fato relevante para autuação, não foi a simples existência dos depósitos, como sugere a recorrente, o critério legal de se dá com a ausência de comprovação, por documentação hábil e idônea, da origem da indigitada movimentação financeira, essa sim, a ensejar por disposição legal a presunção de que se omitiu receita. Para infirmar os trabalhos fiscalizatórios, portanto, cumpria à recorrente afastar o motivo pelo qual se implementou a presunção, que como visto no parágrafo precedente, não era a existência dos depósitos ou sua natureza jurídica incompatível com a definição de receita, consistindo sim, na prova documental das origens de tais depósitos. Ausente qualquer justificativa quanto à origem dos depósitos considerados pela Fiscalização, está incidir na espécie a presunção legal versada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e consoante pacífico entendimento desse Conselho Administrativo Fiscal, observado, por exemplo, no verbete da Súmula CARF nº 26. Por essas razões, consideramse hígidas e suficientes as imputações realizadas pela Fiscalização, amparadas em presunção disposta na legislação de regência, considerandose suficientemente demonstrada a materialidade tributável apontada e reconhecida pela decisão recorrida. Sendo assim, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. Sala das Sessões, em 05 de março de 2015. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.014097/200877 Acórdão n.º 1301001.809 S1C3T1 Fl. 11 19 Fl. 957DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 15504.018346/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/01/2007
CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS.
Com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII, da Lei 11.941/09, o Relatório de Representantes Legais (REPLEG) tem a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e o respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. NÃO AFASTA A RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO.
Na hipótese em que o sujeito passivo originário era contribuinte regular do tributo devido, a imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social não afasta a responsabilidade tributária por sucessão.
JUROS(SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente, temporariamente, o conselheiro Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2005 a 31/01/2007 CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII, da Lei 11.941/09, o Relatório de Representantes Legais (REPLEG) tem a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e o respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. NÃO AFASTA A RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Na hipótese em que o sujeito passivo originário era contribuinte regular do tributo devido, a imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social não afasta a responsabilidade tributária por sucessão. JUROS(SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente, temporariamente, o conselheiro Thiago Taborda Simões.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2092; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.018346/200826 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.505 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2015 Matéria REMUNERAÇÃO SEGURADOS: PARCELAS FOLHA PAGAMENTO Recorrente EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL MANGABEIRAS S/C LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/01/2007 CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII, da Lei 11.941/09, o “Relatório de Representantes Legais (REPLEG)” tem a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e o respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. NÃO AFASTA A RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Na hipótese em que o sujeito passivo originário era contribuinte regular do tributo devido, a imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social não afasta a responsabilidade tributária por sucessão. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 83 46 /2 00 8- 26 Fl. 847DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente, temporariamente, o conselheiro Thiago Taborda Simões. Fl. 848DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018346/200826 Acórdão n.º 2402004.505 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativa à parcela desses segurados, descontada dos mesmos e não recolhida aos cofres públicos. O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 02/2005 a 01/2007. O Relatório Fiscal (fls. 23/34) informa que a Associação Educativa do Brasil (SOEBRAS), CNPJ 22.669.915/000127, foi eleita responsável subsidiária, uma vez que adquiriu, inicialmente do grupo econômico Promove, inclusive da autuada, o direito de uso da marca PROMOVE, em 01/11/2006, por meio de contrato particular de “Licença de Uso da Marca”. Para o exercício das atividades pactuadas, a adquirente inscreveu novos estabelecimentos no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, manteve o mesmo endereço e CNAE da cedente, levando a fiscalização a concluir que a subsidiária continuou explorando a antiga atividade da autuada. Em segundo ato, a SOEBRAS, por meio do Contrato Particular de Alienação de Estabelecimento Empresarial (TRESPASSE), adquiriu das empresas do grupo todo o complexo de bens organizados para exercício da atividade, composto da titularidade do estabelecimento empresarial, portanto, todos os direitos, incluindo ativo e passivo, bem como, a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, e semoventes e afins. A SOEBRAS fez também constar em seu Balanço Patrimonial, em 31/12/2007, a aquisição supramencionada, lançando em seu ativo diferido o valor referente à incorporação dos estabelecimentos de ensino PROMOVE COLÉGIOS E PROMOVE FACULDADES. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 05/11/2008 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese: (i) ilegitimidade dos corresponsáveis; (ii) errônea imposição de multa e juros; e (iii) a SOEBRAS arrendou, a partir de 01/11/2006, a utilização da marca "Promove" em troca de pagamento em dinheiro para o Grupo "Promove". O Grupo Promove mantém suas atividades empresariais normais, tanto que possui as unidades Mangabeiras, Pampulha, Núcleo e Supletivo. A SOEBRAS não sucedeu o Promove, mas apenas arrendou o uso da marca. A impugnante existia muito antes de propor o citado arrendamento. Promove e SOEBRAS são empresas diversas, com sócios distintos, personalidades jurídicas próprias e independentes, coexistem no mercado e atuam cada qual em seus objetivos sociais, não se podendo falar em sujeição passiva subsidiária. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão n° 0228.893 da 7a Turma da DRJ/BHE (fls. 629/638) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido Fl. 849DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação nos seguintes termos: (i) a SOEBRAS arrendou a marca "Promove", tendo como contraprestação o pagamento de determinada quantia em dinheiro, e permaneceram a SOEBRAS e Promove como empresas distintas; (ii) exclusão dos representantes leais da relação de coobrigados; (iii) Juros e Multa são ilegais; (iv) imunidade tributária da SOEBRAS deve atingir todos entes que foram objeto do contrato de trespasse. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Belo Horizonte/MG encaminha os autos ao CARF para processo e julgamento. É o relatório. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018346/200826 Acórdão n.º 2402004.505 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente manifesta inconformismo a respeito do relatório dos corresponsáveis, pois entende que estaria sendo imputada responsabilidade aos sócios da empresa. Quanto à essa alegação da indevida responsabilização dos sócios (diretores), cabe esclarecer que os corresponsáveis mencionados pela fiscalização não figuram no polo passivo do presente lançamento fiscal. A relação de corresponsáveis, anexada pela fiscalização, tem como finalidade identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis ou estatuto, conforme determina o Código Tributário Nacional, e permitir que se cumpra o estabelecido no art. 2º, inciso I, § 5º, da Lei 6.830/1980, que dispõe: Art. 2º. Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou nãotributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. (...) § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I o nome do devedor, dos coresponsáveis e sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros (g.n.); Além disso, verificase que o artigo 79, inciso VII, da Lei 11.941/2009 revogou o artigo 13 da Lei 8.620/1993. Com isso, após essa revogação do artigo 13, o denominado “Relatório de Representantes Legais (REPLEG), acompanhada do Relatório de Vínculos, não pode mais ostentar em seu título qualquer expressão que venha mesma a apenas insinuar uma corresponsabilidade das pessoas nela relacionadas. Segue transcrição: Lei 8.620/1993: Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à seguridade social. Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem Fl. 851DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa. A relação de corresponsáveis apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Não é conseqüência do aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no polo passivo da obrigação tributária. O Relatório “REPLEG” serve apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista no Código Tributário Nacional (CTN). Assim, temse que a indicação dos representantes legais é mero subsídio para, se necessário e cabível, o crédito previdenciário ser exigido dos administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente com o contribuinte. No entanto, nem por isso os representantes legais não devam constar em relação preparada pelo Fisco. É da analise dos contratos sociais e estatuto que são identificados os sócios e diretores da empresa, dessa relação a PFN poderá indicar eventuais corresponsáveis pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Portanto, não acato essa preliminar, eis que a finalidade do “Relatório de Representantes Legais REPLEG (Relação de Coresponsáveis)” é apenas identificar os sócios e diretores da empresa, com seu respectivo período de gestão. A Recorrente alega que SOEBRAS e Promove são empresas distintas e não ataca o que motivou a SOEBRAS constar como devedora. Com fundamento no art. 133, II, do CTN, entendese que a empresa SOEBRAS não deve ser excluída do pólo passivo, eis que a SOEBRAS adquiriu todos os bens e direitos, mantendo inclusive as atividades das empresas enumeradas no item 9 do Relatório Fiscal (fls. 23/34). Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional CTN: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: (...) Fl. 852DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018346/200826 Acórdão n.º 2402004.505 S2C4T2 Fl. 5 7 II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. ......................................................................................................... Relatório Fiscal (fls. 23/34): “[...] 9. Restou confirmado pela fiscalização o interesse comum em assuntos particulares das empresas Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi Ltda CNPJ: 05.385.879/000150; Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda CNPJ: 05.401.768/000190; Pampulha Ensino Fundamental Ltda CNPJ: 06.001.557/000123; Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda CNPJ: 05.401.766/000100; Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda CNPJ: 05.392.395/000139; Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda CNPJ: 06.001.546/000143; Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda CNPJ: 04.901.337/000120; Centro Mineiro de Ensino Superior CEMES Ltda CNPJ: 02.636.995/000107; Sociedade Educacional Sistema Ltda CNPJ: 23.840.945/000117; Promove Participações Ltda CNPJ: 05.376.569/000170; Promove Serviços Educacionais Ltda CNPJ: 05.376.559/000134; Promove Cursos Livres e Mercantil Ltda CNPJ: 42.975.896/000174; Magie Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda CNPJ: 05.399.437/000163, sendo emitido e encaminhado para as mesmas o TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA, constituindose parte integrante do presente AI. Isto porque estas empresas demonstraram ter o mesmo posicionamento quanto à sua administração, notadamente em relação aos atos abaixo descritos: (...) (...) 11. A empresa ASSOCIAÇÃO EDUCATIVA DO BRASIL SOEBRAS CNPJ 22.669.915/000127, inicialmente, adquiriu das empresas PROMOVE, inclusive da AUTUADA o direito de uso da marca PROMOVE, conforme contrato particular de "LICENÇA DE USO DE MARCA" datado de 01/11/2006, onde a licenciada (SOEBRAS) deveria utilizar a marca PROMOVE "de forma ampla, efetiva e permanente, em igual ou superior número de unidades educacionais, propiciando a manutenção ou a elevação de seu valor de mercado", ficando, inclusive, investida de "todos os poderes necessários para a defesa da marca PROMOVE, sem prejuízo dos seus próprios direitos". 11.1. A licenciada (SOEBRAS) nos termos do contrato acima mencionado, se responsabilizaria também pelo pagamento das obrigações trabalhistas das empresas licenciantes. 11.2. As licenciantes (empresas PROMOVE) outorgaram à Licenciada, ainda, através do ato mencionado supra, procuração específica, conferindo a esta os poderes para, perante o Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, praticar todos os atos necessários à prorrogação do prazo de validade da marca Fl. 853DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 PROMOVE e adoção de todo e qualquer ato que se destinasse à manutenção e proteção de seus registros. (...) 11.4. Em segundo ato a SOEBRAS, por contrato particular intitulado "CONTRATO PARTICULAR DE ALIENAÇÃO DE ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL TRESPASSE", adquiriu das empresas mencionadas no item 8, todo o complexo de bens organizado para exercício da atividade, compostos da titularidade do estabelecimento empresarial, portanto "todos os direitos, incluindo ativo e passivo (inclusive para os termos do art. 133 do Código Tributário Nacional e Art. 11° e 448 das Consolidações das Leis do Trabalho), bem como a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis e semoventes e afins (...)". 11.5. Além deste mencionado contrato a SOEBRAS fez constar em seu Balanço Patrimonial em 31/12/2007, a aquisição supra mencionada, lançando em seu Ativo Diferido o montante de R$ 14.383.436,00 referentes à incorporação dos estabelecimentos de ensino PROMOVE COLÉGIOS e PROMOVE FACULDADES, "incluindo a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, semoventes e afins". [...]” Conforme descrito no Relatório Fiscal, a empresa SOEBRAS manteve o mesmo endereço e CNAE do antigo estabelecimento da autuada e objeto do contrato de Trespasse em questão, bem como lançou em seu ativo diferido o valor referente à incorporação dos estabelecimentos de ensino Promove Colégios e Promove Faculdades, incluindo os elementos corpóreos e incorpóreos. Nesse caminhar, não se pode acatar também a pretensão da SOEBRAS em verse “imune/isenta” do recolhimento de contribuições previdenciárias, em razão de ser entidade beneficente de assistência social. A imunidade condicionada pelas regras previstas no artigo 55 da Lei 8.212/1991, referese à contribuição devida pela empresa tratada nos artigos 22 e 23, ao passo que no presente lançamento estão sendo exigidas as contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais na forma do artigo 20 da mesma Lei, e, por consectário lógico, não foram alcançadas pela arguida imunidade tributária. Além disso, o contribuinte eleito nos autos da obrigação tributária é a Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras S/C Ltda, diferentemente da empresa SOEBRAS, a quem foi atribuída a responsabilidade subsidiária pelo débito lançado, a teor do art. 133, inciso II, do CTN. Logo, não acato a alegação de que a suposta imunidade da SOEBRAS também deveria atingir os tributos devidos pela empresa Pampulha Ensino Fundamental Ltda, já que a imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social não afasta a responsabilidade tributária por sucessão, na hipótese em que o sujeito passivo originário era contribuinte regular do tributo devido. Esse mesmo entendimento foi afirmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no RE 599176/PR, de 05/06/2014, em que se manifestou no sentido de que a imunidade tributária não abrange os débitos sobre os quais a empresa se torne responsável por meio de sucessão. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018346/200826 Acórdão n.º 2402004.505 S2C4T2 Fl. 6 9 No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frise se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 341 da Lei 8.212/1991. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. 1 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN2, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecia os arts. 34 e 353 da Lei 8.212/1991, sem as alterações da Lei 11.941/2009, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão 2 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. 3 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Fl. 856DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018346/200826 Acórdão n.º 2402004.505 S2C4T2 Fl. 7 11 de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 16004.000402/2010-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006
A contagem do prazo decadencial, havendo dolo do contribuinte na prática das infrações apuradas, é regulada pelo art. 173, I, do CTN, de modo que o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado.
Uma vez comprovado que a sociedade foi constituída com sócios "laranjas" com o fim de proteger o patrimônio dos titulares de fato contra a exigência dos créditos tributários devidos, é cabível a inclusão destes como responsáveis solidários, por haver interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores dos créditos tributários lançados. Também é cabível a atribuição de responsabilidade pelo crédito tributário ao gerente que agir com infração a lei.
Impõese o arbitramento do lucro quando a escrituração contábil e fiscal revelarse imprestável para a apuração do lucro real e para a identificação da movimentação financeira.
É cabível a aplicação de multa qualificada quando for demonstrado que o contribuinte agiu dolosamente para a prática das infrações apuradas.
Quanto ao recurso de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca deste quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo.
Numero da decisão: 1401-001.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, REJEITARAM a preliminar de nulidade, AFASTARAM a decadência e, no mérito, NEGARAM provimento ao recurso voluntário, inclusive mantendo a qualificação e agravamento das multas, , nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Sergio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias, Carlos Mozart Barreto Vianna, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 A contagem do prazo decadencial, havendo dolo do contribuinte na prática das infrações apuradas, é regulada pelo art. 173, I, do CTN, de modo que o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Uma vez comprovado que a sociedade foi constituída com sócios "laranjas" com o fim de proteger o patrimônio dos titulares de fato contra a exigência dos créditos tributários devidos, é cabível a inclusão destes como responsáveis solidários, por haver interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores dos créditos tributários lançados. Também é cabível a atribuição de responsabilidade pelo crédito tributário ao gerente que agir com infração a lei. Impõese o arbitramento do lucro quando a escrituração contábil e fiscal revelarse imprestável para a apuração do lucro real e para a identificação da movimentação financeira. É cabível a aplicação de multa qualificada quando for demonstrado que o contribuinte agiu dolosamente para a prática das infrações apuradas. Quanto ao recurso de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca deste quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 04 02 /2 01 0- 94 Fl. 8785DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, REJEITARAM a preliminar de nulidade, AFASTARAM a decadência e, no mérito, NEGARAM provimento ao recurso voluntário, inclusive mantendo a qualificação e agravamento das multas, , nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente Antônio Bezerra Neto Presidente. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Sergio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias, Carlos Mozart Barreto Vianna, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Relatório Tratase de Recurso Voluntário e de Ofício contra acórdão que julgou procedente em parte as impugnações apresentadas conjuntamente por Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro, Indústrias Reunidas CMA Ltda. e CM4 Participações Ltda., e, separadamente, Djalma Buzolin e o espólio de João Pereira Fraga. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório anterior elaborado pela 7ª Turma da DRJ SP01: “Em ação fiscal conduzida no contribuinte acima identificado, apurouse que sua escrituração não observou as prescrições das leis comerciais e fiscais, além de apresentar evidentes indícios de fraude e vícios, erros e deficiências que a tornam imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, e determinar o lucro real. Ademais, o contribuinte deixou de apresentar os livros e documentos de3 sua escrituração comercial. Diante disso, não restou à autoridade administrativa outra alternativa senão o arbitramento do lucro para os dois últimos trimestres do ano de 2004 e para todos os trimestres dos anos de 2005 e 2006. Além disso, constatou a autoridade administrativa que o contribuinte omitiu receitas para os meses de dezembro de 2004 a dezembro de 2006. Como conseqüência, foram lavrados os autos de infração de IRPJ, CSLL, Fl. 8786DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 4 3 PIS e COFINS. Em 14/02/2008, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls.06 — n° 745568056) NÃO HOMOLOGANDO as compensações declaradas em DCOMP. Conforme descrito no “Termo de Verificação Fiscal”, a ação fiscal foi desenvolvida no âmbito da chamada “Operação Grandes Lagos”, por meio da qual foi desbaratada uma organização criminosa criada para fraudar a administração tributária, por diversas formas. Em linhas gerais, as pessoas físicas e jurídicas envolvidas podem ser divididas em núcleos, da seguinte forma: 1Núcleo Mozaquatro: composto por empresas constituídas em nome de “laranjas”,meio das quais transita a maior parte do faturamento do grupo, sem pagamento dos tributos incidentes sobre as operações. Outras empresas, também constituídas por “laranjas”, servem de anteparo entre o grupo e as ações trabalhistas movidas por seus empregados, mediante contratos simulados de fornecimento de mão de obra; 2Núcleo Itarumã: composto por empresas constituídas em nome de “laranjas” para movimentar a maior parte do faturamento, sem recolher os tributos devidos ou subfaturando as receitas; 3Núcleo dos “noteiros”: composto por algumas empresas, constituídas em nome de “laranjas”, que se especializaram na emissão e venda de notas fiscais “frias” a frigoríficos e a “taxistas”, para que estes movimentassem receitas de suas atividades sem recolher os tributos devidos, atuando, ainda, na geração de créditos fictícios de ICMS que eram vendidos a terceiros; 4Núcleo dos “clientes dos noteiros”: compostos pelas empresas que adquiriam as notas fiscais “frias” das empresas que compunham o “núcleo dos noteiros” para movimentar parte do seu faturamento sem recolher os tributos devidos e também para creditaremse indevidamente do ICMS; 5 Núcleo dos “taxistas”: composto por pessoas físicas que atuam na atividade de compra e abate de gado e venda de carne e couro, como se frigoríficos fossem. Relata a autoridade que o Núcleo Mozaquatro, comandado por Alfeu Crozato Mozaquatro, tinha como objetivo sonegar tributos e evitar demandas judiciais de natureza trabalhista, mediante a criação de empresas em nome de “laranjas”, de modo a acobertar as atividades das empresas ostensivas, bem como os verdadeiros sócios, protegendo o patrimônio destes. No contrato social da FRIVERDE, datado de 12/04/2004, constam como sócios os senhores Álvaro Antônio Miranda e Devanir Aparecido Antônio Campi, titulares, respectivamente, de 95% e de 5% das quotas do capital social da sociedade. Nesse contrato, consta como objeto social a exploração da atividade de indústria, comércio, importação e exportação de carnes verdes, frigorificadas, congeladas, subprodutos e derivados de origem Fl. 8787DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 5 4 animal. Em alteração contratual, datada de 13/09/2004, o Sr. Djalma Buzolin foi incluído como administrador da sociedade, com poderes exclusivos para exercer a administração financeira, especialmente para “abrir e movimentar contas bancárias, retirar talões de cheques, efetuar saques e depósitos, tomar empréstimos, descontar duplicatas ou qualquer outro título de crédito, enfim, todos os atos relacionados com a movimentação financeira da empresa inclusive outorga de procurações”. Em 12/01/2006, Devanir Aparecido Antônio Campi retirase da sociedade, entrando em seu lugar Otacílio José Rezende Freitas. Relata a autoridade autuante que Álvaro Antonio Miranda foi funcionário do HSBC Bank Brasil S/A até 10/12/2001 e, em 02/01/2003, foi admitido pela COFERFRIGO ATC LTDA como sócio minoritário. Posteriormente, em 16/04/2004, tornouse sócioadministrador da FRIVERDE, até que, em 17/11/2004, a função de administrador fosse assumida por Djalma Buzolin. No anocalendário de 2002, seus rendimentos declarados giravam em torno de R$ 15.000,00 e passaram para pouco mais de R$ 120.000,00 em 2003, rendimentos estes declarados como isentos, sem especificação da respectiva procedência. Ressaltese que foram esses rendimentos isentos que dão lastro às quotas do capital social da FRIVERDE por ele subscritas. Nos anos seguintes, voltou a declarar rendimentos totais inferiores a R$ 25.000,00, a despeito de constar no quadro societário da COFERFRIGO ATC LTDA e da FRIVERDE, cujos faturamentos anuais somados ultrapassam os R$ 200.000.000,00. Em depoimento prestado à Justiça Federal, o Sr. Álvaro Miranda reconheceu que emprestou seu nome para a constituição da FRIVERDE e que foi o Sr. Alfeu Mozaquatro que indicou o Sr. Djalma Buzolin para administrála. Quanto ao Sr. Devanir Aparecido Antonio Campi, relata a autoridade autuante que, no “depoimento prestado em 11/10/2006 à Polícia Federal, decorrente da Operação Grandes Lagos, afirmou, entre outras coisas, que trabalhava como autônomo consertando máquinas de costura; que conheceu ÁLVARO ao frequentar a mesma igreja; que ÁLVARO o procurou em 2004 e propôs usar seu nome em uma empresa em troca de um pagamento de R$ 1.000,00 mensais; que em seguida o mesmo levou os papéis para assinar; que, logo após, foi a Campina Verde/MG, local em que estava a FRIVERDE, para fazer fichas de firma no cartório; que passou procuração para ÁLVARO e que nunca recebeu o combinado. Afirmou ainda que quando esteve na FRIVERDE conheceu DJALMA que seria ovadministrador da empresa”. O Sr. Otacílio José Rezende Freitas, em declarações tomadas a termo no curso da ação fiscal, em 03/05/2007, afirmou que Marcos Antonio Camatta o convidou a tornarse sócio da TRANSVERDE TRANSPORTES LTDA, tendo também conversado com Djalma Buzolin sobre o assunto. Asseverou que apenas assinou os papéis e não foi necessário efetuar qualquer pagamento. Esclareceu que, em seguida, foi convidado a se tornar sócio da FRIVERDE pelos senhores Marcos Antonio Camatta e Djalma Buzolin e que, também nesse caso, apenas assinou os papéis e não foi necessário efetuar qualquer pagamento. Relatou que efetuava cotações de preços, controlava contas Fl. 8788DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 6 5 telefônicas, fazia manutenção de veículos, entre outras atividades, sob o comando de Djalma Buzolin. Reconheceu que conhecia Álvaro Miranda, mas não tinha qualquer contato com ele sobre os negócios da FRIVERDE. Observa a autoridade autuante que nenhum dos sócios da FRIVERDE acima referidos tinha condições econômicofinanceiras para fazer frente a uma empresa com faturamento de tal monta, fato esse revelado pelas respectivas declarações de IRPF. Constatouse que estabelecimentos da FRIVERDE e da COFERFRIGO ATC LTDA sucederamse nos seguintes endereços: Av. Três, 1463, Centro, Campina Verde/MG; Rodovia São Paulo – Cuiabá, BR 364, Km 148, Zona Rural, Campina Verde/MG; Rua Capitão Faustino de Almeida, 1530, sala 01, Vila Esplanada, São José do Rio Preto/SP . Em diversas diligências realizadas nos diversos estabelecimentos da FRIVERDE, constatouse que esta empresa não mais exercia atividades nos endereços registrados no sistema CNPJ. O Sr. João Pereira Fraga apresentou preciosos esclarecimentos sobre o Núcleo Mozaquatro. Afirmou que a DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO LUIZ LTDA fornecia notas fiscais “frias” para Alfeu Mozaquatro, com o fim de ocultar as operações de abate e comércio de carnes realizadas pelas empresas deste. Porém, o Sr. Alfeu chegou à conclusão de que a compra de notas fiscais tinha custo muito alto, de modo que constituiu a COFERFRIGO, trazendo da DISTRIBUIDORA SÃO LUIZ o sócio “laranja”, Sr Valter Francisco Rodrigues, que não tinha poder de mando. Esclareceu que o Sr. Valter, assim como o Sr. Álvaro Antonio Miranda, não têm experiência nem respaldo ou condições paratocar um frigorífico. O Sr. João Pereira Fraga asseverou que o arrendamento da planta industrial da COFERCARNES à COFERFRIGO se deu sob o comando do Sr. Alfeu Mozaquatro Esclareceu que tinha procuração da COFERFRIGO para movimentar a conta nº 60.3430,mantida junto à agência 0639 do Banco Bradesco, utilizandoa principalmente para pagamento de aquisição de gado e, eventualmente pagamentos a outros segmentos por ordem do Sr. Alfeu Reconheceu que autorizou pagamentos ao Sr. Valter Francisco Rodrigues com dinheiro próprio, a título de empréstimo, por intermédio do Sr. Jéferson César Gonçalves Resende,argumentando que o Sr. Valter foi humilhado pelo Sr. Alfeu por haver pedido dinheiro a este. Afirmou, ademais, que eventualmente fazia a aproximação das partes interessadas (fornecedor e clientes) na venda de carnes e derivados para a COFERFRIGO e para o Frigorífico Mozaquatro. A atuação de Djalma Buzolin na administração da FRIVERDE, sob o controle de Alfeu Mozaquatro, foi reconhecida em declarações tomadas a termo de Adriana da Silva Souto Vieira, de Marcelo Maciel Mendes e de Marcos Donizetti Martins Lima, todos funcionários que atuaram no frigorífico de Campina Verde/MG. Ressaltese que Adriana da Silva Souto Fl. 8789DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 7 6 Vieira e Marcos Donizetti Martins Lima reconhecem que figuraram como sócios “laranjas” do FRIGORÍFICO MEGA BOI LTDA e da TRANSVERDE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. O teor das declarações tomadas a termo revela que as empresas integrantes do Núcleo Mozaquatro transferiam recursos entre si sem contabilização. Além disso, fica evidenciada a posição de comando ocupada por Alfeu Mozaquatro no grupo coadjuvado por Djalma Buzolin, Marcelo Buzolin Moazquatro e Patrícia Buzolin Mozaquatro . Foram intimados diversos fornecedores de materiais, máquinas e equipamentos FRIVERDE, tendo a autoridade obtido respostas de STEMAC S/A GRUPOS GERADORES, ZEZINHO IND. E COM. DE REFRIGERAÇÃO LTDAILUMINADORA NALLI LTDA, DOMAVE AÇOS E METAIS LTDA, TOLEDO DO BRASIL IND. DE BALANÇAS LTDA e BARCHI FRIGORÍFICOS LTDA. As respostas apresentadas revelam que houve fornecimento de bens utilizados em obras de reforma e ampliação da planta frigorífica de Campina Verde/MG. Ressaltese que esta planta frigorífica, quando da ocorrência dos fatos geradores de que trata o presente processo administrativo, era de propriedade de Ivo Chiodi de Jesus (50%) e da CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA (50%) empresa integrante do Núcleo Mozaquatro. Portanto, fica evidente que a FRIVERDE arcou com parte dos custos dos investimentos para tornar essa planta frigorífica habilitada para atuar no mercado externo, favorecendo a CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA . A planta foi, inicialmente, arrendada à COFERFRIGO ATC LTDA e, posteriormente, foi sublocada à FRIVERDE. A partir de março de 2005, a FRIVERDE deixou de pagar os aluguéis, o que levou o Sr. Chiodi a se desentender com o Sr. Alfeu Mozaquatro e iniciar, em junho de 2005, um processo judicial para a retomada do imóvel. Ao analisar a escrituração da FRIVERDE, constatou a autoridade autuante a ocorrência de diversos lançamentos genéricos, inclusive com valores consolidados, bem como contas genéricas sem subníveis que permitissem a identificação dos envolvidos nas operações, e, ainda, registros inadequados de operações. Intimada diversas vezes a manifestarse sobre esses lançamentos, a FRIVERDE não logrou esclarecêlos. Dentre as irregularidades constatadas na escrituração da FRIVERDE, há mais de 6.600 lançamentos registrados com o histórico “SUPR. CAIXA” a débito da conta “Caixa” e a crédito da conta “Banco”. Tais lançamentos, quando confrontados com os extratos bancários, revelamse equivocados, pois as operações são de transferências de valores da FRIVERDE a terceiros por meio de suas contas bancárias. Há inclusive transferências efetuadas para Alfeu Mozaquatro. Não há como identificar os destinatários dos valores considerando apenas os registros contábeis da FRIVERDE e tampouco é possível identificar a natureza das operações realizadas. Lançamentos como esses foram utilizados inclusive para registrar transferências de valores para conta bancária da FRIVERDE mantida à margem da contabilidade. Há, ainda, lançamentos de valores consolidados correspondentes ao somatório de valores lançados a crédito nos extratos bancários num determinado dia, Fl. 8790DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 8 7 registrados a débito da conta “Banco” e a crédito da conta “Caixa”. Esses valores, na verdade, correspondem a recebimentos ou transferências provenientes de terceiros. Também nesses casos não é possível identificar os remetentes dos valores e a natureza das operações realizadas. Esses lançamentos, ademais, acobertam transferências de valores provenientes de conta bancária da FRIVERDE mantida à margem da contabilidade. Há lançamentos genéricos e/ou com valores consolidados representativos de transferências de valores entre empresas integrantes do Núcleo Mozaquatro, como a COFERFRIGO ATC LTDA e a INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA. A ausência de desdobramento da conta “Clientes Diversos” não permite identificar a contraparte das operações e tampouco os documentos que deram causa aos lançamentos contábeis. Foram identificadas sete contas bancárias mantidas pela FRIVERDE à margem da escrituração contábil, sendo duas delas utilizadas para transferências irregulares de valores a Alfeu Mozaquatro e aos senhores João Pereira Fraga e Djalma Buzolin, bem como para pagamento de despesas operacionais de outras empresas envolvidas nas fraudes. . A FRIVERDE não apresentou livros auxiliares da escrituração, a despeito de intimada a tanto. Os livros Diário do anocalendário de 2005 não foram autenticados no competente órgão de registro do comércio. A autoridade descreve as características principais de cada uma das empresas que atuaram na prática das infrações apuradas para o Núcleo Mozaquatro, mencionando o quadro societário e a função exercida por cada qual. São descritas as participações da CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, da INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA, da CMA INDÚSTRIA DE SUBPRODUTOS BOVINOS LTDA, da COFERFRIGO ATC LTDA, da ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL UNIÃO LTDA, da CONTROLLER CONTABILIDADE S/C LTDA, da FRIGORÍFICO MEGA BOI LTDA, da TRANSVERDETRANSPORTES LTDA, da BARCHI FRIGORÍFICOS LTDA e da ERNESTO BUZOLIN &CIA LTDA. A CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA foi constituída em 06/07/1997 e tem como sócios: Alfeu Mozaquatro (sócioadministrador), Sonia Buzolin Mozaquatro (esposa do Sr. Alfeu), Marcelo Buzolin Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e Rafael Buzolin Mozaquatro, sendo os quatro últimos filhos do Sr. Alfeu. Essa empresa detém a maior parte do patrimônio da família Mozaquatro, tendo arrendado parte dos imóveis e das instalações industriais para outras empresas ostensivas e para empresas dissimuladas do grupo. A CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA é utilizada pela família Mozaquatro como instrumento para proteger seu patrimônio, por meio de arrendamentos fraudulentos. A INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA tem como sócios Alfeu Mozaquatro, sócioadministrador com 95% das cotas sociais, e João Carlos de Lima Mozaquatro, com 5% das cotas sociais. João Carlos foi funcionário da COFERFRIGO no período de 01/10/2001 a 08/07/2002, com remuneração mensal de R$ 420,00 e ingressou como sócio da CMA em 24/07/2002, Fl. 8791DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 9 8 substituindo a Sra. Sonia Mozaquatro. A COFERFRIGO ATC LTDA utilizou as instalações frigoríficas de propriedade parcial da CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA localizada na Rod. São Paulo – Cuiabá, BR 364, Km 148, Zona Rural, Campina Verde/MG. Esta planta industrial, conforme já referido, foi posteriormente sublocada para a FRIVERDE, tendo Alfeu Mozaquatro e sua esposa Sonia Mozaquatro como fiadores. A COFERFRIGO ATC LTDA tem como sócios “laranjas” Valter Francisco Rodrigues Junior (99% das quotas do capital social) e Álvaro Antônio Miranda (1% das quotas do capital social). O FRIGORÍFICO MEGA BOI LTDA, empresa constituída por “laranjas”, conforme reconhecido pelo Sr. Marcos Donizetti Martins Lima, que consta como sóciogerente. dela, e a TRANSVERDE TRANSPORTES LTDA, empresa igualmente constituída por sócios “laranjas”, também foram utilizadas para a prática de fraudes trabalhistas. Na sede da ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL UNIÃO LTDA foi efetuada busca e apreensão, por meio da qual foram obtidos discos rígidos dos quais foram extraídos documentos reveladores. Em um deles consta proposta de prestação de serviços da ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL UNIÃO LTDA, contendo as empresas CM4, CMA,COFERFRIGO e FRIVERDE, bem como as pessoas físicas Alfeu Mozaquatro e Sonia Mozaquatro (suas fazendas), com descrição das tarefas a serem realizadas, incluindo a elaboração de levantamentos periódicos de crédito acumulado de ICMS para Alfeu Mozaquatro. Há documento, intitulado “RELATÓRIO DE EMPRESAS”, contendo as empresas ostensivas e dissimuladas do Grupo Mozaquatro, inclusive a COFERFRIGO ATC LTDA, a FRIVERDE e as locadoras de mão de obra. Há planilha com relação de honorários, relativos ás empresas ostensivas e dissimuladas do Grupo Mozaquatro, dentre as quais a FRIVERDE. Constatou a autoridade autuante que a FRIVERDE emitiu diversos cheques nominais a Djalma Buzolin, sendo a maioria depositada diretamente nas contas deste, enquanto outros foram endossados e depositados nas contas de terceiros. Além disso, Djalma Buzolin firmou diversos cheques da FRIVERDE, na condição de administrador desta, cheques estes provenientes de conta bancária mantida à margem da escrituração contábil, sendo que alguns foram utilizados para transferências de valores para as contas bancárias dele. Apurouse que a FRIVERDE efetuou diversas transferências de valores para contas bancárias de Alfeu Mozaquatro, inclusive provenientes de contas mantidas à margem da contabilidade. Além disso, constatouse que a INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA emitiu cheque nominal à FRIVERDE, que foi endossado e sacado no caixa da instituição financeira, sendo os recursos, em seguida, depositados parte em conta bancária titularizada por Marcelo Mozaquatro e o restante em conta bancária de Patrícia Mozaquatro. Intimados a prestar esclarecimentos acerca das operações que deram causa ao recebimento desses recursos, Alfeu Mozaquatro, Marcelo Mozaquatro e Patrícia Mozaquatro não se manifestaram Fl. 8792DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 10 9 . Constatouse que a FRIVERDE emitiu diversos cheques provenientes de contas bancárias mantidas à margem da contabilidade, cheques esses que foram compensados em contas bancárias da COFERFRIGO ATC LTDA controladas por João Pereira Fraga por procuração. Além disso, a INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA emitiu cheques nominais à FRIVERDE, assinados por sua administradora Patrícia Mozaquatro, que foram endossados, com a utilização de carimbo, e depositados em conta bancária da COFERFRIGO ATC LTDA controlada por João Pereira Fraga. Ressaltese que a Polícia Federal apreendeu carimbo da FRIVERDE em estabelecimento da CM4PARTICIPAÇÕES LTDA, registrado no CNPJ como estabelecimento da INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA. No referido endosso, a assinatura não coincide com a de qualquer dos sócios ou procuradores da FRIVERDE. Ademais, a FRIVERDE emitiu cheque proveniente de conta mantida à margem da escrituração, cheque esse que foi compensado em conta bancária de João Pereira Fraga. Finalmente, João Pereira Fraga efetuou diversas transferências de valores das contas bancárias da COFERFRIGO ATC LTDA, por ele controladas por procuração, para sua conta bancária particular . No escritório de João Pereira Fraga, localizado na Rua Pernambuco, nº 2590, Centro, Fernandópolis/SP, foram apreendidos pela Polícia Federal vários talões de cheques da COFERFRIGO ATC LTDA com as respectivas folhas assinadas pelo sóciogerente da empresa. Djalma Buzolin atuou como administrador de fato dos estabelecimentos da COFERFRIGO ATC LTDA, recebendo inclusive valores desta empresa, provenientes de contas bancárias mantidas à margem da contabilidade. Alfeu Mozaquatro, administrador da CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA outorgou procuração a Djalma Buzolin para tratar de assuntos relativos à compra de gado feitas pela COFERFRIGO ATC LTDA, no âmbito da planta frigorífica de Campina Verde/MG. Posteriormente, esta planta foi sublocada para a FRIVERDE, passando Djalma Buzolin a atuar como administrador desta empresa, chegando até mesmo a assinar cheques de contas bancárias mantidas à margem da contabilidade, sendo que alguns desses foram depositados em suas contas bancárias particulares . No contrato de locação da planta frigorífica de Campina Verde/MG celebrado com a COFERFRIGO ATC LTDA, Alfeu Mozaquatro e sua esposa Sonia Mozaquatro constam como fiadores, assim como na sublocação celebrada com a FRIVERDE. Constatou a autoridade autuante diversas irregularidades na contabilização dos valores relativos aos aluguéis da planta frigorífica na escrituração da COFERFRIGO ATC LTDA, da FRIVERDE e da CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA. Esse conjunto de fatos conduzem à conclusão de que a locação e a sublocação foram simuladas. A FRIVERDE emitiu cheque nominal à CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, proveniente de conta bancária mantida á margem da contabilidade, cheque esse que foi endossado por Patrícia Mozaquatro à COFERFRIGO ATC LTDA. Fl. 8793DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 11 10 A Polícia Federal apreendeu, em estabelecimento informal da CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, registrado no CNPJ como estabelecimento da INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA, carimbos de diversas empresas, inclusive da COFERFRIGO ATC LTDA e da FRIVERDE, além de talões de cheques em branco da COFERFRIGO ATC LTDA, havendo inclusive algumas folhas assinadas. Ressalta a autoridade autuante que os endossos de diversos cheques da INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA nominais a essas duas empresas foram feitos com a utilização de carimbos. No caso da FRIVERDE, a assinatura do endossante sequer corresponde à assinatura de qualquer de seus sócios ou procuradores. No frigorífico Mozaquatro, sede da CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, localizado na Av. Expedicionários Brasileiros nº 139, Jardim Santa Helena, Fernandópolis/SP, foi apreendido pela Polícia Federal balancete de verificação da FRIVERDE referente ao mês de agosto de 2006. A INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA, por meio de seu estabelecimento de Monte Aprazível/SP tinha exclusividade na aquisição, junto à COFERFRIGO ATC LTDA, do couro proveniente da planta frigorífica de Campina Verde/MG. Essa exclusividade continuou informalmente no período em que a FRIVERDE atuou nesta planta frigorífica. Segundo declarações prestadas por Adriana da Silva Souto Vieira, responsável pela área financeira desta planta frigorífica, a INDÚSTRIA REUNIDAS CMA LTDA adiantava recursos à FRIVERDE por conta da aquisição de couro, mas o envio de recursos persistiu mesmo quando da parada da atividade de abate, após a Operação Grandes Lagos. Segundo seu relato depois de algum tempo, os recursos passaram a ser enviados também pelo estabelecimento da INDÚSTRIA REUNIDAS CMA LTDA de São José do Rio Preto, pela COFERFRITO ATC LTDA e pela CMA INDÚSTRIA DE SUBPRODUTOS BOVINOS LTDA. Ressalta a autoridade autuante que a CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA é proprietária das instalações de Monte Aprazível e controla a de São José do Rio Preto/SP. Constatouse, ainda, que a INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA, por diversas vezes, emitiu cheques, transferiu valores ou efetuou pagamentos que foram creditados em conta bancária da FRIVERDE mantida à margem da contabilidade. Da mesma forma, a INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA emitiu cheques nominais à FRIVERDE que foram endossados, com a utilização de carimbo desta, e creditados em contas bancárias da ‘COFERFRIGO. Em sentido inverso, a FRIVERDE emitiu cheques nominais à INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA. A COFERFRIGO ATC LTDA, por diversas vezes, emitiu cheques de suas contas bancárias ou efetuou transferências de valores, os quais foram compensados ou recebidos em contas bancárias da FRIVERDE. Em sentido inverso, a FRIVERDE também emitiu cheques, de sua conta bancária Fl. 8794DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 12 11 mantida á margem da contabilidade, os quais foram compensados em contas bancárias da COFERFRIGO ATC LTDA. Intimada a prestar esclarecimentos sobre as transferências de valores envolvendo a FRIVERDE, a COFERFRIGO ATC LTDA não se manifestou. A FRIVERDE emitiu cheques nominais ao Sr. Álvaro Antonio Miranda e a si própria, sendo estes depositados na conta dele mediante endosso. Intimado a prestar esclarecimentos sobre essas transferências de valores e sobre a integralização de sua parte no capital social da FRIVERDE, o Sr. Álvaro Antonio Miranda preferiu não se manifestar. Da mesma forma, FRIVERDE emitiu cheque nominal ao Sr. Devanir Aparecido Antonio Campi, proveniente de conta bancária mantida à margem da contabilidade. Intimado a prestar esclarecimentos sobre esse cheque, sobre a integralização de sua parte no capital social da FRIVERDE e sobre o recebimento do valor de suas quotas sociais na sua saída do quadro societário desta empresa, o Sr. Devanir alegou não ter recebido o cheque, afirmando que a assinatura relativa ao respectivo endosso não é sua e que desconhece a conta do beneficiário. Afirmou, ainda, que não houve integralização de sua parte no capital social, tendo apenas assinado os documentos de constituição da empresa, e que na sua saída da sociedade nada recebeu pelas quotas sociais . Tendo em vista que a escrituração da FRIVERDE apresentou evidentes indícios de fraudes e vícios, erros ou deficiências que a tornaram imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, bem como para determinar o lucro real, a autoridade autuante arbitrou o lucro do contribuinte para os anos de 2004, 2005 e 2006, com base na receita bruta conhecida. . Na apuração da receita bruta mensal da FRIVERDE, a autoridade autuante considerou os valores declarados pelo contribuinte nas DAPI – Declaração de Apuração e Informação do ICMS, fornecidas pela SEFAZ/MG. A receita bruta omitida foi apurada a partir da comparação entre a receita bruta conhecida, informada nas DAPI, e a receita bruta declarada pela FRIVERDE nas DIPJ. Tendo em vista que na deficiente contabilidade do contribuinte não há registro das receitas de prestação de serviços de transporte de carga, receitas estas informadas nas DAPI, considerou a autoridade autuante que as receitas omitidas são provenientes dessa atividade. Para o anocalendário de 2006, não houve apresentação de DIPJ nem de DACON, razão pela qual a totalidade da receita bruta conhecida foi reputada omissão de receita. Em consequência, foram lavrados os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Na apuração dos créditos tributários a serem lançados, foram deduzidos os débitos declarados em DCTF. Sobre os tributos lançados, foi aplicada multa qualificada e agravada. A qualificação da multa decorreu da constatação de evidente intuito de fraude, tendo em vista os fatos apurados. O agravamento da multa se deu em razão do não atendimento ao solicitado pela fiscalização desde o Termo de Início de Fiscalização, no qual o Fl. 8795DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 13 12 contribuinte foi instado a apresentar os livros de sua escrituração comercial e fiscal, a identificação no movimento contábil de suas contas bancárias, entre outros. Esclarece a autoridade autuante que o contribuinte foi sempre reintimado a prestar os esclarecimentos, tendo sido alertado quanto ao agravamento da multa em caso de não atendimento. Não obstante, a FRIVERDE não se manifestou sobre quaisquer dos termos de intimação, limitandose, no início, a solicitar prorrogações de prazo. A Alfeu Crozato Mozaquatro foi atribuída responsabilidade solidária (art 124, I, do CTN), por interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, e responsabilidade pessoal de forma solidária (art. 135, III, do CTN), em razão do exercício de administração de fato da FRIVERDE, violando as leis e o contrato social. Nesse caso, ressalta a autoridade autuante que Alfeu Mozaquatro praticou, direta ou indiretamente, ou tolerou a prática de atos abusivos e ilegais quando em posição de influir para a não ocorrências deles, além de haver praticado atos de gestão com intuito deliberado de lesar o erário. Apontou a autoridade autuante os seguintes fatos para caracterizar a responsabilidade tributária: Alfeu Mozaquatro colocou interpostas pessoas no quadro societário da FRIVERDE; Alfeu Mozaquatro recebeu valores da FRIVERDE; Alfeu Mozaquatro valorizou seu patrimônio com recursos da FRIVERDE; Alfeu Mozaquatro comanda a CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, que simulou locação de sua planta frigorífica; Alfeu Mozaquatro colocou interpostas pessoas no quadro societário da COFERFRIGO ATC LTDA; Alfeu Mozaquatro comanda a INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA, que simulou operações de compra com a FRIVERDE; Alfeu Mozaquatro dirigia a FRIVERDE infringido a lei e o contrato social da empresa. À CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA foi atribuída responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados, com base no art. 124, I, do CTN, pelas seguintes razões: a CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA simulou a locação de sua planta frigorífica; a CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA valorizou seu patrimônio com recursos da FRIVERDE; Fl. 8796DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 14 13 a CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA recebeu irregularmente recursos da FRIVERDE; a CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA possuía talão de cheques da COFERFRIGO ATC LTDA em seu escritório A Djalma Buzolin foi atribuída responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados, com base no art. 124, I, do CTN e também responsabilidade pessoa, fundada no art. 135, III, do CTN, pelo fato dele exercer a administração do sujeito passivo, praticando reiteradamente infração à lei ou ao contrato social. Aponta a autoridade autuante os seguintes fundamentos para a atribuição de responsabilidade: Djalma Buzolin administrou a FRIVERDE; Djalma Buzolin mantinha os sócios de direito da FRIVERDE sob seu comando; Djalma Buzolin assinou com regularidade cheques de conta bancária mantida à margem da contabilidade da FRIVERDE; Djalma Buzolin transferiu recursos da FRIVERDE para suas contas bancárias particulares; Djalma Buzolin transferiu recursos da FRIVERDE para suas filhas; Djalma Buzolin pagou empréstimo pessoal que contraiu, com recursos da FRIVERDE; Djalma Buzolin utilizou a FRIVERDE para tratar de negócios da CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA. A Marcelo Buzolin Mozaquatro foi atribuída responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados, com base no art. 124, I, do CTN, pelas seguintes razões: Marcelo Mozaquatro recebeu irregularmente recursos da FRIVERDE; Marcelo Mozaquatro valorizou seu patrimônio com recursos da FRIVERDE; Marcelo Mozaquatro efetuou negociações para exportação de produtos produzidos pela FRIVERDE. A Patrícia Buzolin Mozaquatro foi atribuída responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados, com base no art. 124, I, do CTN, pelas seguintes razões: Patrícia Mozaquatro recebeu irregularmente recursos da FRIVERDE; Fl. 8797DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 15 14 Patrícia Mozaquatro valorizou seu patrimônio com recursos da FRIVERDE; Patrícia Mozaquatro controlou o pagamento de aluguéis da matriz da FRIVERDE; Patrícia Mozaquatro assinou cheques da INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA nominais à FRIVERDE que foram endossados de forma fraudulenta . A João Pereira Fraga (espólio) foi atribuída responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados, com base no art. 124, I, do CTN, pelas seguintes razões: João Pereira Fraga recebeu irregularmente recursos da FRIVERDE; João Pereira Fraga transferiu valores para suas contas bancárias particulares por meio de contas da COFERFRIGO ATC LTDA supridas em parte com recursos da FRIVERDE; João Pereira Fraga possuía talões de cheques da COFERFRIGO ATC LTDA em seu escritório particular; À INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA foi atribuída responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados, com base no art. 124, I, do CTN, pelas seguintes razões: a INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA detinha exclusividade na aquisição de peles de animais abatidos pela FRIVERDE; a INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA transferiu irregularmente valores elevados para a FRIVERDE; a INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA recebeu recursos da FRIVERDE; a INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA emitiu cheque nominal à FRIVERDE que foi endossado de forma fraudulenta; a INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA simulou compra de produtos da FRIVERDE. Inconformados com os autos de infração lavrados, Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro, INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA e CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA apresentaram impugnação conjuntamente. Djalma Buzolin e o espólio de João Pereira Fraga apresentaram impugnações separadamente. Não consta dos autos recurso da FRIVERDE. Na impugnação apresentada por Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro, INDÚSTRIAS Fl. 8798DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 16 15 REUNIDAS CMA LTDA e CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA são deduzidas as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Os tributos lançados sujeitamse a lançamento por homologação e houve pagamento antecipado, razão pela qual o prazo decadencial contase de acordo com a regra inscrita no art. 150, § 4º, do CTN, vale dizer, o prazo é de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Tendo em conta que o lançamento ocorreu apenas em 06/05/2010, concluise que houve o transcurso do prazo decadencial para os fatos geradores ocorridos nos meses de setembro e novembro de 2004 e de março de 2005. Alegam os impugnantes que nunca participaram da administração da FRIVERDE e que não praticaram atos com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos, notadamente nos períodos em que ocorreram os fatos geradores dos tributos lançados, de modo que é descabida a atribuição a eles de responsabilidade pelos créditos tributários lançados. Sustentam que os fatos apurados em inquérito policial não foram provados em Juízo, razão pela qual qualquer conclusão que se chegue com base em tais informações não passa de suposição, ainda não submetida ao crivo do contraditório. Afirmam que houve apenas alguns depósitos nas contas correntes deles, fato esse que não basta para responsabilizálos, inclusive porque as empresas nas quais Alfeu, Marcelo e Patrícia são sócios tinham negócios com a FRIVERDE. Aduzem que não foram apontados os atos praticados por eles relacionados com os tributos em cobrança, que autorizassem a aplicação do art. 135 do CTN. Sustentam que a aplicação do art. 135 do CTN exige a demonstração de que o administrador praticou dolosamente infração, com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto. Concluem que não há nos autos prova do exercício da administração por qualquer deles no período dos fatos geradores lançados e tampouco prova da respectiva atuação dolosa de modo ilegal ou contrário aos estatutos ou contrato social. Afirmam que tais fatos não podem ser admitidos com base apenas em presunções e indícios. Citam jurisprudência em apoio a seus argumentos. Por fim, pedem que seja reconhecida a decadência do direito de lançar os créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos em 09/2004, 12/2004 e 03/2005, aplicandose a regra inscrita no art. 150, § 4º, do CTN. Caso assim não se entenda requerem o reconhecimento da decadência para os fatos geradores relativos aos meses de 09/2004 e 12/2004, tendo em conta a regra prevista no art. 173, I, do CTN. Ademais, pedem o cancelamento da autuação contra eles, pela ausência de prática de ato que acarrete a responsabilidade tributária pelos créditos tributários lançados. O espólio de João Pereira Fraga, representado por seu inventariante, Sr. João Adson Fraga, apresenta em sua impugnação as seguintes alegações: Afirma o impugnante que João Pereira Fraga (50% das quotas) e Vera Lucia Bonassi Fraga (50% das quotas) constituíram a COFERCARNES COMERCIAL FERNANDÓPOLIS DE CARNES LTDA em 09/06/1988, com sede na Estrada Municipal Fernandópolis/Meridiano, s/nº, zona rural, Fl. 8799DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 17 16 Fernandópolis/SP. Em outubro de 2004, a Sra. Vera Lucia Bonassi Fraga negociou suas quotas com o Sr. Alfeu Mozaquatro, que as adquiriu colocandoas no capital social da empresa CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA. Em seguida, o Sr. Alfeu impôs que a planta industrial da COFERCARNES COMERCIAL FERNANDÓPOLIS DE CARNES LTDA fosse arrendada, no período de 15/10/2004 a 14/10/2006, para a COFERFRIGO ATC LTDA, filial detentora do CNPJ 04.352.222/000205.Em razão do temperamento difícil do Sr. Alfeu Mozaquatro, a sociedade com João Pereira Fraga foi encerrada em 01/06/2005, retornando a Sra Vera Lucia Bonassi Fraga a figurar no quadro societário da COFERCARNES COMERCIAL FERNANDÓPOLIS DE CARNES LTDA, com 10% das quotas, passando o Sr. João Pereira Fraga a ser titular das quotas remanescentes. Diante desses fatos, conclui o impugnante que não pode ser responsabilizado por atos praticados pela FRIVERDE no período de 01/09/2004 a 31/12/2006, empresa que desconhece e na qual nunca foi sócio. Assevera o impugnante que a COFERFRIGO ATC LTDA foi notificada, em 26/10/2006, a desocupar a planta industrial da COFERCARNES COMERCIAL FERNANDÓPOLIS DE CARNES LTDA, tendo em vista o encerramento do contrato de arrendamento e a falta de pagamento dos últimos alugueres. A desocupação ocorreu em 30/11/2006. Alega o impugnante que João Pereira Fraga não tinha qualquer relação mercantil com as empresas integrantes do denominado Grupo Mozaquatro. Afirma que os fatos apontados pela autoridade autuante relativos às empresas PEDRETTI & MAGRI LTDA, NOGUEIRA & POGGI LTDA, FRIVERDE, FRIGORÍFICO MEGA BOI LTDA, COMERCIAL REIS PRODUTOS BOVINOS LTDA, WOOL COMERCIAL LTDA e FRIGORÍFICO CAROMAR LTDA não demonstram a existência de qualquer relação comercial com a entrada da CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA como sócia da COFERCARNES COMERCIAL FERNANDÓPOLIS DE CARNES LTDA no período de 01/10/2004 a 01/06/2005. Aduz, ainda, que a condição de arrendador do imóvel para a COFERFRIGO ATC LTDA, no referido período, não o faz responsável pelos tributos devidos pela FRIVERDE. Quanto à COFERFRIGO ATC LTDA, assevera o impugnante que esta empresa tem diversos estabelecimentos, de modo que é descabida a atribuição de responsabilidade tributária pelos fatos geradores ocorridos em todas as empresas do Grupo Mozaquatro, pelo simples fato de que uma das filiais da COFERFRIGO ATC LTDA, mais especificamente a de Fernandópolis/SP, teria arrendado as instalações da planta industrial de João Pereira Fraga. Aduz o impugnante que não consta dos autos o esclarecimento acerca de qual conta contábil ou outro documento da escrituração da FRIVERDE foram extraídas as importâncias lançadas e não há menção da apreensão de documentos da FRIVERDE envolvendo João Pereira Fraga. Afirma, ainda, que a fiscalização foi realizada por amostragem, razão pela qual o lançamento é nulo, por falta de clareza e precisão e por preterição ao direito de defesa, inclusive pelo fato de que não lhe foi dado acesso aos livros e documentos fiscais da FRIVERDE. Fl. 8800DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 18 17 Alega que é descabida a atribuição de responsabilidade tributária, com base no art. 135, III, do CTN, a João Pereira Fraga, pois tal norma prescreve que a responsabilidade só é possível para débitos resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos. Ocorre que João Pereira Fraga jamais foi sócio, gerente ou administrador da FRIVERDE, de modo que não se pode dizer que tenha ele agido com excesso de poderes ou infração à lei. Não foi comprovada a existência de qualquer vínculo entre a FRIVERDE e João Pereira Fraga. Aduz que a autoridade autuante desconsiderou a personalidade jurídica da FRIVERDE, de modo que houve aplicação indevida do art. 116, parágrafo único, do CTN, norma de eficácia futura e condicionada que não pode dar fundamento a qualquer ação fiscal sem lei que crie os procedimentos pertinentes. Argumenta que, após o arrendamento da planta frigorífica da COFERCARNES COMERCIAL FERNANDÓPOLIS DE CARNES LTDA para a COFERFRIGO ATC LTDA, aquela empresa permaneceu inativa, tendo ocorrido inclusive o cancelamento de sua inscrição estadual, que foi requerida novamente em 2007. Dessa forma, João Pereira Fraga não pode ser responsabilizado por créditos tributários da FRIVERDE decorrentes de fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 15/10/2004 e 14/10/2006. O arrendador não é responsável pelos créditos tributários devidos pelo arrendatário em razão do exercício de atividade empresarial na planta industrial arrendada, ou mesmo por empresa a este relacionada. Sustenta o impugnante que o lançamento se deu com base em presunções e indícios, bem como em provas emprestadas utilizadas sem fundamentação ou motivação na legislação de regência. Reconhece que comprou gado para a COFERFRIGO ATC LTDA, atuando como corretor e ganhando comissões e que também vendeu gado de sua produção própria, razão pela qual há pagamentos em sua conta particular. Contudo, adverte que isso não basta para atribuirlhe responsabilidade tributária por fatos decorrentes da relação entre a COFERFRIGO ATC LTDA e a FRIVERDE. Assevera que a responsabilidade dos sócios prevista nos arts. 134 e 135 do CTN é subsidiária, sendo cabível a responsabilização pessoal somente nos casos em que a obrigação tributária tenha decorrido de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, hipótese esta não verificada nos autos. Afirma que não há prova de intervenção do espólio de João Pereira Fraga em qualquer ato ou sua responsabilidade por alguma omissão que desse causa ao crédito tributário devido. Sustenta que a atribuição de responsabilidade ao espólio de João Pereira Fraga depende de declaração eficaz de sua responsabilidade. Os cheques apontados pela autoridade autuante, de emissão da FRIVERDE e da INDÚSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA, depositados em contas da COFERFRIGO ATC LTDA não guardam qualquer relação com João Pereira Fraga. Quanto ao cheque da FRIVERDE que, segundo afirma a autoridade autuante, teria sido depositado na conta de João Pereira Fraga, afirma o impugnante que pode ser decorrente de gado vendido por este. Acresce que o valor diminuto deste cheque, quando confrontado com a receita bruta da FRIVERDE, não autoriza a conclusão de que João Pereira Fraga é devedor solidário dos impostos daquela. Fl. 8801DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 19 18 Quanto à multa, alega que “não há como se aplicar a penalidade agravada porquanto não há certeza sequer do lançamento. Não houve fraude, não houve conluio e não houve falsificação de documentos. O contribuinte realizou suas operações comerciais de forma absolutamente regular”. Afirma que o lançamento não pode subsistir por ter por base simples presunção, e, com mais razão, a penalidade deve ser afastada, pois o crime não se presume. Invoca a Súmula nº 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, segundo a qual a simples apuração de omissão de receita, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Cita diversos julgados administrativos em abono a seus argumentos, ressaltando que o intuito de fraude, além de comprovado, deve ser evidente, ou seja, deve ser demonstrada a intenção prédeterminada e dirigida no sentido de obter determinado resultado contrário à ordem jurídica. Por fim, pede a exclusão da solidariedade atribuída ao espólio de João Pereira Fraga pelos créditos tributários lançados contra a FRIVERDE. Requer, ainda, a redução da multa para 75%. Na impugnação apresentada por Djalma Buzolin são invocados os argumentos a seguir resumidos: Os autos de infração e o Termo de Sujeição Passiva Solidária encaminhados junto da intimação não vieram acompanhados dos documentos fiscais analisados pela autoridade autuante e não está descrita qualquer numeração identificando os referidos documentos, de modo que os atos são nulos. Tece o impugnante extensas considerações sobre o princípio da legalidade, sobre o poder de polícia, sobre os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, para concluir que o Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado não atendeu a tais requisitos fundamentais, razão pela qual deve ser declarado nulo. Afirma o impugnante que não tinha qualquer poder de comando sobre a FRIVERDE, na qual sempre esteve registrado como auxiliar de escritório em sua CTPS, respondendo a ordens do Sr. Alfeu Mozaquatro. Alega que desconhecia as fraudes arquitetadas pelo Sr. Alfeu e que não praticou atos com excesso de poderes ou com infração de lei ou contrato social. Assevera que sua função era de conferir as notas fiscais que chegavam e de assinar os respectivos cheques para pagamentos. Aduz que não tinha ciência de que os cheques da FRIVERDE por ele assinados eram provenientes de conta mantida por ela à margem da escrituração. Além disso, assevera que os cheques por ele repassados ás filhas e ao irmão tinham por origem os próprios recebimentos (salário/comissão), autorizados pelo Sr. Alfeu Mozaquatro. “Quanto ao cheque emitido para pagamento à Ernesto Buzolin & cia Ltda, também restou explicitado e justificado sua origem, mediante documentos fiscais idôneos, que não tinha conhecimento se lançados na escrita/contabilidade da FRIVERDE, pois, sequer tinha autonomia para questionar a esse respeito, seja com o Contador, seja com o Sr. Alfeu”. Fl. 8802DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 20 19 Esclarece que os ditos sócios “laranjas” da FRIVERDE não estavam sob seu comando e que tinha apenas a função de pagálos, seguindo ordens de Alfeu Mozaquatro. Alega que não obteve qualquer benefício enquanto trabalhou para a FRIVERDE e que sempre atendeu às intimações das autoridades competentes. Afirma que não houve demonstração de conduta dolosa sua e tampouco da obtenção de vantagem financeira enquanto esteve na suposta administração da FRIVERDE. Conclui que não tem interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias. Sustenta que não tem patrimônio para fazer frente ao crédito tributário lançado, contrariamente a Alfeu Mozaquatro. Aduz que não há provas nos autos da prática de atos com excesso de poderes, com infração de lei ou contrato social, que sustentasse a responsabilidade solidária a ele atribuída. Aduz que a multa aplicada é nula por falta de motivação e pela violação aos princípios do devido processo legal e da ampla defesa. Sustenta que a imposição de multa requer a formalização de processo administrativo no qual seja garantido o contraditório e a ampla defesa, para só depois a penalidade ser aplicada. Pede que sejam acolhidas suas alegações e requer a realização de perícia sobre todos os documentos fiscais. Solicita, finalmente, que as intimações sejam encaminhadas ao endereço do escritório de seu patrono.” Diante dos argumentos expostos, o órgão julgador a quo entendeu julgar procedente em parte as impugnações apresentadas, exonerando, em razão da decadência, apenas os lançamentos de IRPJ e de CSLL efetuados para o terceiro trimestre de 2004 e mantendose os lançamentos para os demais fatos geradores. Mantêmse integralmente os lançamentos de PIS e de COFINS, restando assim emendado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 DECADÊNCIA SÓCIOS "LARANJAS" – RESPONSABILIDADE SOLIDARIA RESPONSABILIDADE DOS GERENTES ARBITRAMENTO DO LUCRO MULTA QUALIFICADA – MULTA AGRAVADA A contagem do prazo decadencial, havendo dolo do contribuinte na prática das infrações apuradas, é regulada pelo art. 173, I, do CTN, de modo que o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Uma vez comprovado que a sociedade foi constituída com sócios "laranjas" com o fim de proteger o patrimônio dos titulares de fato contra a exigência dos créditos tributários devidos, é cabível a inclusão destes como responsáveis solidários, por haver interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores Fl. 8803DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 21 20 dos créditos tributários lançados. Também é cabível a atribuição de responsabilidade pelo crédito tributário ao gerente que agir com infração a lei. Impõese o arbitramento do lucro quando a escrituração contábil e fiscal revelarse imprestável para a apuração do lucro real e para a identificação da movimentação financeira. É cabível a aplicação de multa qualificada quando for demonstrado que o contribuinte agiu dolosamente para a prática das infrações apuradas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Outrossim, interpuseram Recurso Voluntário, conjuntamente Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro, Indústrias Reunidas CMA Ltda. e CM4 Participações Ltda., em que reeditam as razões apresentadas na impugnação e insistem em que a decadência atingiu também os fatos geradores de competência de 12/2004 a 03/2005. Fl. 8804DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 22 21 Separadamente, o espólio de João Pereira Fraga apresentou recurso tempestivo no qual, desenvolve as mesmas razões de defesa apresentadas na impugnação. Djalma Buzolin não apresentou recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Maurício Pereira Faro, Relator Todos os recursos apresentados são tempestivos. Passo a analisar, as razões recursais dos recorrentes Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro, Indústrias Reunidas CMA Ltda. e CM4 Participações Ltda., articuladas no item II da peça recursal, observando que a questão da decadência é também objeto de recurso de ofício, que trato conjuntamente. 1Decadência. Os recorrentes postulam o reconhecimento da decadência para os fatos ocorridos até março de 2005. Não têm razão, posto que a decisão recorrida, ao analisar a questão, observou rigorosamente a Lei. Não assiste razão aos recorrentes. Para o caso em comento, não há dissenso na doutrina nem na jurisprudência quanto ao termo inicial para a contagem do prazo de decadência. A regra do parágrafo 4º do art. 150 do CTN não é aplicável na hipótese de fraude, casos em que o termo inicial se rege pelo art. 173, I. Isto é, contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para o IRPJ e a CSLL, que têm período de apuração trimestral, o lançamento para os três primeiros trimestres de 2004 poderia ser praticado ainda em 2004, sendo o termo inicial em 01/01/2005 e o termo final em 31/12/2009. Como o lançamento ocorreu em maio de 2010, está ele fulminado pela decadência, como bem decidiu a Primeira Instância Julgadora. Para o 4º trimestre de 2004 o lançamento somente poderia ser efetuado em 2005, de modo que o termo inicial é 01/01/2006 e o termo final 31/12/2010, estando incólumes os lançamentos. Para o PIS e a Cofins, cujos fatos geradores são mensais, estão alcançados pela decadência os tributos relativos aos fatos ocorridos até novembro de 2004, cujos lançamentos poderiam ser feitos já em 2004. Fl. 8805DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 23 22 Isto posto, afasto os argumentos despendidos pelos recorrentes quanto a decadência, bem como, mantenho in totum a r. decisão recorrida quanto a esta matéria e nego provimento ao recurso de ofício. 2 Da prova emprestada. Não procede a alegação de que as provas colhidas no inquérito policial presidido por delegado da Polícia Federal não são lícitas para fundamentar as responsabilidades dos Recorrentes. A polêmica quanto ao uso de prova emprestada está ligada à questão de ela ter sido produzida para outra finalidade, que não a do processo para o qual foi trasladada. Assim a única limitação é quanto à sua utilização apropriada. Ou seja, podese tomar de empréstimo as provas, não as conclusões. Como todos os meios de prova lícitos e os moralmente legítimos são admitidos no processo administrativo fiscal, nada impede que se faça uso da prova emprestada, desde que as conclusões tomadas com base nela guardem pertinência com a legislação tributária aplicável. Dessa forma, as provas colhidas no inquérito policial se prestam a ser usadas, quer para apuração de crime (no âmbito da polícia federal), quer para apuração de infrações tributárias e respectiva responsabilização. No primeiro caso, o agente administrativo (policial federal) confrontará os fatos apurados com a legislação penal. No segundo caso, o agente administrativo (auditor fiscal) confrontará os fatos apurados com a legislação tributária. No caso, a partir das provas coletadas no inquérito policial, encaminhadas a Receita Federal, os auditores fiscais promoveram investigações in loco que demonstraram existência de fato de estabelecimentos envolvidos, tomaram depoimentos, tiraram fotos, apreenderam documentos, circularizaram operações e movimentações financeiras, etc. O resultado dessa investigação foi confrontado com a legislação tributária, levando à constatação das infrações fiscais que determinaram a lavratura dos autos de infração. Não cabe alegação de ausência de contraditório na colheita da prova, pois essa se dá em fase inquisitorial. A ampla defesa é assegurada pela oportunidade de contraditar as provas, já na fase processual, quando se instaura o litígio, pela impugnação. 3 Da ausência de prática de atos por parte dos responsáveis. No tocante às alegações referentes à atribuição de responsabilidade pelos créditos tributários lançados contra a FRIVERDE, vale reassaltar que a autoridade autuante fundamentou a atribuição de responsabilidade a Alfeu Crozato Mozaquatro e a Djalma Buzolin nos arts. 124, I, e 135, III, ambos do CTN. No caso do art. 124, I, a responsabilidade é atribuída em virtude da constatação de interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias lançadas. A responsabilização com base no art. 135, III, por sua vez, é cabível quando a obrigação tributária resultar de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos por parte de diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 8806DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 24 23 Portanto, as alegações versadas nas peças recursais apresentadas relativas à interpretação do art. 135, III, e à possibilidade de aplicação desta norma ao caso concreto levando em conta os fatos apurados são pertinentes apenas quanto aos senhores Alfeu Crozato Mozaquatro e Djalma Buzolin (que não apresentou recurso). Para todos os demais responsáveis tributários de que trata o presente processo administrativo, a responsabilidade foi atribuída tão somente com base no art. 124, I, do CTN, de modo que, para estes, cabe perquirir apenas se houve interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias lançadas. Os recorrentes reclamam que a autuação não apontou atos praticados pelos recorrentes para que se lhes atribua responsabilidade. Contudo, o TVF, após descrever com minúcias todos os elementos de prova colhidos que identificam o esquema articulado para supressão de pagamento de tributos, no seu item XII resume os fatos apurados justificativos da responsabilização solidária. Naturalmente, tratandose de esquema ardilosamente armado para enganar a Fazenda Nacional, não se poderia esperar que os atos fraudulentos praticados pelos responsáveis ficassem documentados, somente sendo possível a prova obtida indiretamente. E a fiscalização trouxe aos autos robusto conjunto probatório, integrado por vários indícios convergentes no sentido da estruturação do esquema, com a participação das pessoas mencionadas, para praticar a sonegação. A prova coligida, a meu juízo, não deixa dúvidas quanto à montagem de um esquema fraudulento para blindar o patrimônio de Alfeu Crozato Mozaquatro e sua família, eximindoos de suas responsabilidades tributárias, bem como das empresas de que participam. O esquema arquitetado compreendeu, entre outras ações, a criação de empresas colocadas em nome de “laranjas” (Coferfrigo e Friverde), e vazias de patrimônio (elas e os sócios de direito), utilizadas para movimentar a maior parte do faturamento das empresas ostensivas do grupo sem pagar os tributos devidos, e servir de anteparo para o Grupo Mozaquatro em face das ações fiscais e trabalhistas movidas contra suas empresas, com o intuito de proteger o patrimônio do grupo e de seus sócios. A Coferfrigo é uma das empresas dissimuladas do Grupo, e se parte do faturamento das empresas ostensivas, entre elas a CM4 Participações Ltda. e a Indústrias Reunidas CMA Ltda., foi movimentada pela Coferfrigo, como demonstrou o alentado Termo de Verificação Fiscal, são elas solidariamente obrigadas pelos tributos devidos por Coferfrigo, conforme dispõe o art. 124, inciso I, do CTN, in verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Quanto à responsabilização das pessoas físicas, repisese que todas as alegações relacionadas à sua qualificação como administrador da FRIVERDE e à prática de atos com excesso de poderes e/ou violação à lei serão desconsideradas, pois estão fora do contexto da autuação. Por outro lado, deve ser averiguado se as pessoas físicas envolvidas têm Fl. 8807DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 25 24 interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, pois esta é a hipótese prevista no art. 124, I, do CTN. Entendo, em princípio, que o art. 124, I, do CTN não seria suficiente para designálas coobrigadas. “Interesse comum na situação que constitua o fato gerador” significa estar em condições de figurar como sujeito passivo da situação que constitua o fato gerador. É o caso, por exemplo, das pessoas jurídicas ostensivas responsabilizadas (CM4 e CMA), que tiveram parte do seu faturamento desviado para a Coferfrigo, que estariam na condição de serem sujeitos passivos do imposto de renda e da CSLL incidentes sobre o lucro gerado por esse faturamento e das contribuições sociais incidentes sobre esse faturamento. Receber recursos irregularmente ou ter suas despesas pessoais pagas pela empresa não significa, por si só, ter interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Ao revés, auferir lucro ou ter faturamento implicaria, sim, em lançamento do imposto de renda exclusivo na fonte sobre pagamentos sem causa e, aí sim, a coobrigação se daria nas pessoas físicas beneficiárias, por terem interesse comum na situação que constitui o fato gerador do imposto de renda na fonte. Contudo, os fatos descritos no TVF relatam uma situação de ações compreendendo a criação pelos proprietários das empresas do Grupo Mozaquatro, de empresas dissimuladas, a fim de acobertar o faturamento das empresas ostensivas do Grupo (entre elas, CM4 e CMA). A criação de empresas sob falsa titularidade constitui infração à lei, e os atos de gerência das empresas envolvidas (Coferfrigo, CM4 e CMA) no sentido de desviar o faturamento constituem, como um todo, infração à lei e ao contrato social ou estatuto. Nessas condições, os fatos descritos dão cobertura à responsabilização das pessoas físicas, a quem a fiscalização identificou como administradores das empresas. O espólio de João Pereira Fraga, por exemplo, sustenta que a atribuição a ele de responsabilidade teve como único fundamento a atuação de João Pereira Fraga como procurador da Coferfrigo para a compra de gado junto a produtores rurais e para pagamento dessas compras por meio de cheques de emissão da própria empresa. Dessa forma, preliminarmente, argui a nulidade do lançamento lavrado contra ele por supostos a)falta de clareza na autuação, b) cerceamento do direito de defesa, c) impossibilidade de redirecionamento de tributo declarado, d) ausência de pressupostos de desconsideração da personalidade jurídica, e) eficácia limitada do art. 116, parágrafo único, do CTN, e, f) inatividade da empresa Cofercarnes. No entanto, há provas bastantes de que João Pereira Fraga foi mais que um simples procurador da Coferfrigo, tendo sido identificadas: contas bancárias da FRIVERDE, mantidas à margem da escrituração contábil, que foram utilizadas para transferências irregulares de valores a diversos integrantes do esquema desbaratado, entre eles João Pereira Fraga; Fl. 8808DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 26 25 emissão de diversos cheques provenientes de contas bancárias mantidas à margem da contabilidade, que foram compensados em contas bancárias da Coferfrigo ATC LTDA controladas por João Pereira Fraga por procuração; emissão pela Indústrias Reunidas CMA Ltda.de cheques nominais à FRIVERDE, assinados por sua administradora Patrícia Mozaquatro, que foram endossados, com a utilização de carimbo, e depositados em conta bancária da Coferfrigo ATC LTDA controlada por João Pereira Fraga; emissão pela FRIVERDE de cheque proveniente de conta mantida à margem da escrituração, compensado em conta bancária de João Pereira Fraga; realização de diversas transferências de valores das contas bancárias da Coferfrigo ATC LTDA, controladas por João Pereira Fraga por procuração, para sua conta bancária particular; e apreensão no escritório de João Pereira Fraga, localizado na Rua Pernambuco, nº 2590, Centro, Fernandópolis/SP, pela Polícia Federal de vários talões de cheques da Coferfrigo ATC LTDA com as respectivas folhas assinadas pelo sóciogerente da empresa. É preciso, antes de tudo, ressaltar que os créditos tributários lançados não foram apurados a partir de presunção de omissão de receitas, conforme dá a entender o espólio de João Pereira Fraga. Houve o arbitramento do lucro para os anos de 2004, 2005 e 2006, com base na receita bruta conhecida, tendo em vista que a escrituração da FRIVERDE apresentou evidentes indícios de fraudes e vícios, erros ou deficiências que a tornaram imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, bem como para determinar o lucro real. Arbitramento este justificado pela autoridade autuante, que descreveu detalhadamente as irregularidades na contabilidade da FRIVERDE, dentre as quais destacamse a manutenção de contas bancárias à margem da escrituração, a existência de lançamentos contábeis irregulares e a ausência de livros contábeis obrigatórios e auxiliares. Na apuração da receita bruta mensal da FRIVERDE, a autoridade autuante considerou os valores declarados pelo contribuinte nas declarações fornecidas pela SEFAZ/MG, mediante comparação entre a receita bruta conhecida informada e a receita bruta declarada pela FRIVERDE nas DIPJ. Considerando que, para o anocalendário de 2006, não houve apresentação de DIPJ, nem de DACON, a totalidade da receita bruta conhecida foi reputada omissão de receita. Como se vê, o conjunto de fáticoprobatório é suficiente para afastar a alegação de que João Pereira Fraga nunca foi sócio ou administrador da FRIVERDE e que, por este razão, não poderia ser responsável pelos créditos tributários por ela devidos, já que os benefícios econômicos por ele auferidos a partir dos ilícitos tributários praticados pela FRIVERDE foram devidamente demonstrados. Fl. 8809DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 27 26 A prática adotada pelas empresas do Núcleo Mozaquatro de transferir recursos entre elas a fim de ocultar a respectiva origem evidentemente não pode servir de argumento para afastar a responsabilidade dos envolvidos no esquema. João Pereira Fraga comprovadamente recebeu recursos da FRIVERDE sem comprovar a respectiva origem e recebeu também recursos da Coferfrigo ATC LTDA supridos pela FRIVERDE. Destarte, ficou devidamente caracterizado o interesse comum também do Sr. João Pereira Fraga nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, razão pela qual é correta a atribuição a ele de responsabilidade solidária com base no art. 124, I, do CTN. Também não merece prosperar sua alegação de que a autoridade autuante desconsiderou a personalidade jurídica da FRIVERDE, mediante a aplicação indevida do art. 116, parágrafo único, do CTN, norma de eficácia futura e condicionada que não pode dar fundamento a qualquer ação fiscal sem lei que crie os procedimentos pertinentes. É preciso ressaltar que o art. 116, parágrafo único do CTN, que ainda não foi regulamentado por lei ordinária, foi inserido no Código Tributário Nacional por meio da Lei Complementar nº 104/2001, com o fim de coibir as práticas de elisão tributária, assim considerada a economia de tributos por meio de atos que dissimulem a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. No presente processo administrativo, constatouse que a FRIVERDE foi constituída por interpostas pessoas, com o fim de ocultar seus verdadeiros titulares, a fim de evitar eventual responsabilização pelos tributos devidos. Não se trata, portanto, da hipótese de que trata o art. 116, parágrafo único, do CTN. Os responsáveis arrolados nos autos tiveram comprovadamente interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores apurados, havendo alguns que inclusive atuaram como gerentes, praticando atos com excesso de poderes e infração à lei. Notese que o CTN, nas hipóteses em que há dolo, fraude ou simulação, faz expressa referência a essas ocorrências, como nos casos dos arts. 149, VII, 150, § 4º, 154, parágrafo único, 155, I e 180, I. A situação contemplada no presente processo administrativo, portanto, não requer a aplicação do art. 116, parágrafo único, do CTN. 4 Da Majoração da Multa. No presente caso, a multa aplicada sobre os tributos exigidos foi majorada de seu percentual básico, que é de 75%, para 225 %. Os Recorrentes contestam a multa aplicada, alegandoa confiscatória. Esse protesto não pode ser analisado em julgamento na instância administrativa, que deve se restringir à análise da legalidade do ato administrativo do lançamento. Tendo, a fiscalização, observado rigorosamente as prescrições legais concernentes à multa, não merece reparo o auto de infração. Fl. 8810DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 28 27 Especificamente no Recurso Voluntário apresentado pelo Espólio de João Pereira Fraga, alegase a inexistência de fraude, conluio, sonegação ou falsificação de documentos. Segundo o artigo 44 da Lei 9.430/96, o percentual é duplicado nos casos previstos nos artigos. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 (sonegação, fraude ou conluio) e é aumentado de metade nos casos de o contribuinte não atender a Intimação para prestar esclarecimentos. Para a Fiscalização aplicar a multa qualificada e majorada, há que restar provado, ao menos, a existência da sonegação ou da fraude. Tanto a fraude quanto a sonegação correspondem, segundo os art. 71 e 72, da Lei n° 4.502/64, a atos comissivos ou omissivos que visem impedir ou retardar a constituição do crédito tributário ou a sua satisfação. Depreendese, ainda, da leitura dos dispositivos acima transcritos que, para aplicar a multa qualificada, é necessário observar a existência do elemento subjetivo — dolo — para caracterizar o intuito (dolo direto), ou o risco assumido (dolo indireto), de fraudar ou de sonegar. Sustenta a decisão recorrida que, no caso em tela, resta justificada a aplicação da multa no percentual de 225% pela ocorrência dos ilícitos previstos na Lei n° 4.502/64, conclusão a que se chegou em razão dos fatos e situações que teriam sido colhidos dos autos do presente processo. Para aplicação da multa mais gravosa, é preciso que a autoridade lançadora justifique a majoração, apontando e demonstrando os fatos que, em seu entendimento, caracterizariam as hipóteses estabelecidas pela lei. Isso porque, para que ocorra a fraude definida pelo artigo 72 da Lei n.º 4.502/64 como “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento” é necessário demonstrar não que o contribuinte teve a intenção de pagar menos imposto, mas que ele teve a intenção de empregar meios ilícitos, “fraudulentos”, para obter a economia fiscal desejada. É o que se depreende, inclusive, da leitura de dispositivos da Lei n.º 8.137/90, que define os crimes contra a ordem tributária, nos seguintes termos: “Artigo 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (...) II FRAUDAR a fiscalização tributária, INSERINDO ELEMENTOS INEXATOS, OU OMITINDO OPERAÇÃO DE QUALQUER NATUREZA, EM DOCUMENTO OU LIVRO EXIGIDO PELA LEI FISCAL; (...).” Fl. 8811DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 29 28 “Artigo 2° Constitui crime da mesma natureza: I FAZER DECLARAÇÃO FALSA OU OMITIR DECLARAÇÃO SOBRE RENDAS, BENS OU FATOS, OU EMPREGAR OUTRA FRAUDE, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; (...)” (não destacados no original). Como se percebe pela simples leitura do inciso II do artigo 1º da Lei n.º 8.137/90, fraudar a fiscalização tributária significa inserir elementos inexatos ou omitir operação de qualquer natureza em documento ou livro exigido pela lei fiscal. Da mesma forma, o inciso I do artigo 2º desta lei deixa bem claro que o núcleo do tipo correspondente à fraude fiscal é a falsidade. Ora, se a fraude pressupõe a apresentação pelo sujeito passivo de elementos falsos ou a omissão de ato sobre o qual a administração tributária deveria ter ciência, é certo que a autoridade autuante, para impor a multa qualificada, deve apontar com toda a precisão os elementos que demonstrem a fraude. Este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, inclusive, já editou Súmula quanto à qualificação da multa de ofício, ainda que naquele caso seja referente à omissão de receita, e no presente caso verse sobre glosa de despesas, o que importa é a questão da presunção: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Como já demonstrado, no caso ora analisado, o TVF descreveu minuciosamente os elementos de prova colhidos que identificam o esquema articulado para supressão de pagamento de tributos. Em síntese, o esquema arquitetado inclui, entre outras ações, a criação de empresas colocadas em nome de “laranjas” (Coferfrigo e Friverde), e vazias de patrimônio (elas e os sócios de direito), utilizadas para movimentar a maior parte do faturamento das empresas ostensivas do grupo sem pagar os tributos devidos. Empresas, inclusive, utilizadas anteparo para o Grupo Mozaquatro em face das ações fiscais e trabalhistas movidas contra suas empresas, com o intuito de proteger o patrimônio do grupo e de seus sócios. Por óbvio, tratandose de esquema articulado para furtar a Fazenda Nacional, não se espera que os atos fraudulentos praticados pelos responsáveis estejam claramente documentados, de modo que a Fiscalização precisou recorrer à prova indireta. Compulsando os autos, verificase que a fiscalização colacionou conjunto probatório robusto, composto por diversos indícios convergentes que apontam para a estruturação do esquema, com a participação das pessoas mencionadas, com a finalidade de praticar a sonegação. Fl. 8812DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.000402/201094 Acórdão n.º 1401001.371 S1C4T1 Fl. 30 29 Portanto, as provas indiretas coligidas, a meu juízo, não deixam dúvidas quanto à montagem do arcabouço fraudulento para blindar o patrimônio de Alfeu Crozato Mozaquatro e sua família, na tentativa de eximilos de suas responsabilidades tributárias, bem como das empresas de que participam. Nesse sentido, é pacífica a Jurisprudência administrativa, que reserva a aplicação da multa qualificada para casos em que haja a tentativa de enganar, esconder, iludir, como, por exemplo: emissão de “notas calçadas” (Ac. 1052.984); conta bancária fictícia (Ac. 10312.178); escrituração pública por valor menor do efetivamente praticado (Ac. 106 3.408/91); apresentação de documentos falsos (Ac. 10318.019); falsidade ideológica (Ac. CSRF/010.351); utilização de notas emitidas por empresa inexistente (Ac. 107233); reiterado oferecimento à tributação de parcela ínfima dos rendimentos (Ac. 10194.111); subfaturamento (Ac. 1076.041); efetuação de aplicação financeira em nome de pessoa interposta, praticando omissão de receitas (Ac. 10807539); operações de compra e venda de títulos inexistentes para comprovação de origem de depósitos bancários (Ac. 10322457); uso reiterado de documentos falsos referentes à empresa inexistente (Ac. 10704255); saída de recursos da empresa para terceiros distintos daqueles indicados na escrituração (Ac. 10515267). Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade alegadas pelo espólio de João Pereira Fraga; nego provimento ao recurso de ofício; nego provimento aos recursos de CM4 Participações Ltda., Indústrias Reunidas CMA Ltda., Alfeu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro e espólio de João Pereira Fraga, confirmando a sujeição passiva solidária dos recorrentes. É como voto. Maurício Pereira Faro Relator Fl. 8813DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 10/03/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO
score : 1.0
Numero do processo: 13836.000399/2007-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
COFINS NÃO-CUMULATIVA OU CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS.
Nas sistemáticas da cumulatividade e da não cumulatividade, o valor do ICMS, integrante do preço e devido pela própria contribuinte, integra a base de cálculo da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Os Conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam a relatora pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheirosWalber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 COFINS NÃO-CUMULATIVA OU CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Nas sistemáticas da cumulatividade e da não cumulatividade, o valor do ICMS, integrante do preço e devido pela própria contribuinte, integra a base de cálculo da Cofins. Recurso Voluntário Negado.
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SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 COFINS NÃOCUMULATIVA OU CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Nas sistemáticas da cumulatividade e da não cumulatividade, o valor do ICMS, integrante do preço e devido pela própria contribuinte, integra a base de cálculo da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Os Conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam a relatora pelas conclusões. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 6. 00 03 99 /2 00 7- 22 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheirosWalber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão nº 0521.102 – 1ª Turma da DRJ/CPS, de 15 de fevereiro de 2008, que, por unanimidade de votos, decidiu por não reconhecer o direito creditório, consoante se demonstra pela ementa e dispositivo a seguir transcritos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. ICMS. BASE DE CÁLCULO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Cofins. Solicitação Indeferida 351ª Sessão da 1ª Turma de Julgamento. Em 15 de fevereiro de 2008. Vistos, relatados e discutidos os autos deste processo, acordam os julgadores da 1ª Turma da DRJ em Campinas, por unanimidade de votos, não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto do relator.” Na origem a contribuinte solicitou a devolução de valores supostamente recolhidos maior a título da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, em virtude de entender como indevida a inclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias — ICMS na apuração da base de cálculo da referida Contribuição Social. Por bem descrever os fatos, transcrevese o relatório do acórdão ora recorrido até a fase da impugnação: “Tratase de Pedido de Restituição de fl. 1, protocolado em 19/06/2007, no valor de R$ 100.794,60, correspondente à Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social —Cofins relativa aos períodos de apuração de janeiro/2002 a dezembro/2002, conforme planilha de cálculo à f1.2. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13836.000399/200722 Acórdão n.º 3302002.476 S3C3T2 Fl. 78 3 A DRF em Jundiaí emitiu o Despacho Decisório de fls. 30/32, indeferindo o pedido de restituição e não reconhecendo o direito creditório da contribuinte, sob a fundamentação de que o ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Cofins. Cientificada do indeferimento de seu pleito em 02/08/2007 (fl. 34), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 29/08/2007 (fls. 35/41), na qual alega: O Supremo Tribunal Federal, quando instado a manifestarse sobre a constitucionalidade da Lei Complementar n° 70/91 (Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 1), entendeu que o faturamento sempre fora considerado como a receita proveniente das vendas de mercadorias e serviços. Vêse, portanto, que o termo faturamento tem significado técnico, o que impede que o legislador amplie o seu conteúdo, por óbice expresso do artigo 110 do Código Tributário Nacional. E se o faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, esse valor deve ser representado pelo preço pactuado na operação, no qual não devem ser incluídos os impostos. O exame do artigo 3° da Lei n° 9.718/98 não evidencia que nesse dispositivo a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para a seguridade social está autorizada. E não se obtém essa certeza porque o termo faturamento, como assim entendeu a Suprema Corte, representa tãosomente a receita derivada da venda de mercadorias e da prestação de serviço, no qual não se inclui o ICMS, visto que nenhum tributo pode ser considerado como receita. Faturamento, portanto, tem conteúdo técnico e assim foi utilizado pela legislação. (...) Importante ressaltar, mais uma vez, que a Impugnante requereu, apenas, que a Administração Tributária se manifestasse sobre a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, visto que o termo faturamento — base de cálculo da referida contribuição — tem conteúdo passível de controle administrativo, a teor do artigo 110 do Código Tributário Nacional. Todavia, ainda que não seja esse o entendimento dessa E. Turma Julgadora, o que se admite apenas para efeitos de argumentação, vale lembrar que a questão em foco está sob exame do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário n° 240.785/MG (.). O julgamento foi suspenso por pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes. Até o presente momento, seis ministros já votaram em favor da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins, o que aponta para um resultado com a declaração de inconstitucionalidade na interpretação dada à norma questionada. Como tal decisão será proferida pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, sua observância tornarseá Fl. 79DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 obrigatória pela Administração Tributária e deverá alcançar os casos em andamento, por efeito declaratório”. Tendo a Delegacia de Julgamento da DRJ/CPS mantido o entendimento proferido no Despacho Decisório DRF/JUN/SAORT, de 19 de julho de 2007, no sentido de que o valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins, de cuja decisão foi cientificada à contribuinte, em 20 de março de 2008, por meio da Comunicação n° 13836/090/2008, esta, irresignada, apresenta em 18 de abril de 2008, recurso voluntário no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, citando doutrina e trechos do voto do Min. Marco Aurélio do STF, no Recurso Extraordinário n° 240.785/MG, para defender as particularidades da abrangência de “faturamento”, no sentido de que receita para fins de tributação das contribuições sociais se caracteriza pela entrada definitiva, configurada pela efetiva disponibilidade de recursos que, ao mesmo tempo em que remuneram, decorrem do efetivo exercício da atividade empresarial, o que, nas suas palavras, exclui o ICMS, que é despesa para a pessoa jurídica, segundo os seguintes itens: 1 DOS FATOS E FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO; 2 DO CONCEITO DE FATURAMENTO; 3 – DA RECEITA PASSÍVEL DE TRIBUTAÇÃO PELAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS; 4 DAS MANIFESTAÇÕES JURISPRUDENCIAIS; 5 DO PEDIDO O processo encontravase sobrestado, conforme consta do Despacho de –e fls. 76, nos seguintes termos: “A matéria do presente recurso é “inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS”, a qual subsumese, em tese, à hipótese de sobrestamento de seu julgamento pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, nos termos do art. 1º, e seu parágrafo único, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2010. Face ao exposto, proponho, na forma do art. 2º, § 1º, I, da Portaria CARF nº 001/2010, o sobrestamento do julgamento do recurso do processo, até que o Supremo Tribunal Federal – STF profira decisão definitiva acerca dessa matéria. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Conselheiro Acolho o parecer do Conselheiro Alan Fialho Gandra para, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inc. VII, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e nos termos da Portaria CARF nº 1, de 03/01/2012, determinar o sobrestamento do julgamento do recurso objeto do presente processo até que seja proferida, pelo STF, a decisão definitiva nos autos do RE nº 574706, haja vista a existência de liminar na Ação Direta de Constitucionalidade nº 18 determinando o sobrestamento dos julgamentos que versem sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13836.000399/200722 Acórdão n.º 3302002.476 S3C3T2 Fl. 79 5 Encaminhese à SECAM/3C/3SJ para aguardar a decisão definitiva do STF. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente” Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de validade,devendo, pois, ser conhecido. Versa a lide sobre a possibilidade, ou não, de a contribuição para a COFINS incidir sobre o ICMS. Verificase que a matéria discutida nos presentes autos encontrase submetida ao rito da Repercussão Geral na Suprema Corte (RE 574.706 RG, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, regime reconhecido no julgado em 24/04/2008, DJe 088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008 EMENT VOL0231910 PP 02174, Tema 69 e que há recursos extraordinários sobrestados, aguardando a decisão do acórdão em repercussão geral. Não obstante, de antemão, registrese a recente alteração do Regimento Interno do CARF, ocorrida por meio da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013 que em seu art 1º revoga os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, afastando, assim, a figura do sobrestamento neste colegiado. Desta forma, nos termos da alteração do regimento do CARF acima mencionada, a pendência de julgamento de igual matéria pelo Supremo Tribunal Federal, em regime de repercussão geral, não mais implica direito ao sobrestamento de recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF. E, ainda, tendo em vista a menção efetuada pelo o Presidente de turma ao sobrestar o julgamento deste processo, conforme o Despacho transcrito logo acima no relatório, cabe destacar que em relação à ADC nº 18, o Plenário do STF decidiu (7 votos a 3) que seu julgamento deve preceder ao julgamento do RE nº 240.785, por tratarse a ADC de controle concentrado de constitucionalidade (com eficácia erga omnes, ou contra todos). Que tal ação foi conhecida (admitida) por unanimidade e, na sessão plenária de 13/8/2008, foi deferido pedido de medida cautelar (9 votos a 2) para suspender todos os processos judiciais que versem sobre a matéria até o julgamento de mérito da ADC. O STF prorrogou a liminar lá concedida por 180 dias, ao julgar a terceira Questão de Ordem na Medida Cautelar. Na oportunidade, consignou expressamente que aquela seria a última prorrogação e que seu prazo deveria ser contado a partir da publicação da ata de julgamento, ocorrida em 15.4.2010. Essa última prorrogação esgotouse em meados de outubro de 2010, razão pela qual não há mais suspensão de julgamento no âmbito do STJ, consoante depreendese de trecho pertinente da ementa de recente julgado a seguir transcrita: Fl. 81DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. SÚMULAS 68 E 94/STJ. SOBRESTAMENTO. INVIABILIDADE. CONCEITO DE FATURAMENTO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. (...) 4. No que se refere à ADC 18/DF, o STF prorrogou a liminar lá concedida por 180 dias, ao julgar a terceira Questão de Ordem na Medida Cautelar. Na oportunidade, consignou expressamente que aquela seria a última prorrogação e que seu prazo deve ser contado a partir da publicação da ata de julgamento, ocorrida em 15.4.2010. 5. Essa última prorrogação esgotouse em meados de outubro de 2010, razão pela qual não há como suspender o julgamento no âmbito do STJ. (...)” (AgRg no AREsp 314.177/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/06/2013, DJe 01/08/2013.) Assim sendo, o presente processo, que já se encontrava com o julgamento do recurso voluntário sobrestado, foi redistribuído. Ultrapassada a questão antecedente, passase à análise de mérito da discussão:a possibilidade, ou não, de a COFINS incidir sobre o ICMS. A DRF/Jundiaí, em seu Despacho Decisório, assim conclui a sua decisão: “(...) No § 2° do art. 2° da Lei n° 9.718/98, acima transcrito, estão relacionadas as exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS. A única hipótese de exclusão de ICMS é quando este imposto é cobrado pelo vendedor de bens ou pelo prestador de serviços na condição de substituto tributário, diferente da situação ora em análise, na qual o ICMS recolhido pelo interessado foi na condição de contribuinte deste tributo. (...). Porquanto os recolhimentos para a contribuição para o PIS nos períodos aqui considerados tenham sido ao amparo de legislação vigente, está provado que não existe nenhum crédito a favor do interessado.” Diante de tal conclusão, a contribuinte afirma, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, que, diferentemente do entendimento dado pela DRF/Jundiaí, não estaria questionando a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins, consoante consta da hipótese de exclusão prevista ou não no § 2°, do artigo 2°, da Lei n° 9.718/1998, mas sim estaria questionando o vício na aplicação da norma, já que a interpretação da Administração Tributária dada ao artigo 3° da Lei n° 9.718/1998 contraria o artigo 110 do CTN. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13836.000399/200722 Acórdão n.º 3302002.476 S3C3T2 Fl. 80 7 Diante de seus argumentos, oportuno será efetuar um breve histórico da legislação da Contribuição sob questão até aquela vigente no período sob litígio, qual seja o ano de 2002. Pois bem, a COFINS foi instituída pela Lei Complementar nº 70/91, que definiu, em seu art. 2º, a base de cálculo do tributo como o faturamento mensal, conceituado por mencionado dispositivo como a receita bruta da venda de mercadorias e/ou de serviços de qualquer natureza, da qual foi excluído o valor correspondente ao IPI destacado na nota fiscal: “Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; (...)” (g.n.) Após, o art. 31, parágrafo único, da Lei nº 8.981, de 20/01/1995, determinou que, na receita bruta de venda de mercadorias e/ou serviços não se incluem os valores correspondentes aos impostos não cumulativos, cobrados destacadamente do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador de serviços seja mero depositário (como é o caso do IPI), senão vejamos: “Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta, não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário.” (destacouse) Prosseguindo, temse que, a partir do ano de 1999, as contribuições para o PIS e COFINS passaram a ser regidas pela Lei nº 9.718, de 27/11/1998, que, em seus arts. 2º e 3º, definiu a base de cálculo desta contribuição como o faturamento, compreendido como a receita bruta da pessoa jurídica e não apenas a receita bruta da venda de mercadorias e/ou de serviços de qualquer natureza (como antes determinava a Lei Complementar nº 70/91): “Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 83DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; (...)” Observase que a Lei nº 9.718/98, ao definir em seu art. 3º, caput e §1º, a base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS como a receita bruta da pessoa jurídica, concebea como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Portanto, nenhuma referência expressa fez a Lei nº 9.718/98 à receita bruta de vendas de mercadorias/serviços (na qual, repisese, não se incluem, nos termos da Lei nº 8.981/95, os impostos nãocumulativos, cobrados destacadamente do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador de serviços seja mero depositário). Daí porque o §2º, I, de referido art. 3º cuidou de aclarar que deveria ser excluído da base de cálculo de referidas contribuições o montante relativo ao IPI. Sabese que o Supremo Tribunal Federal, nos RE 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084 (e em todos os demais julgados pela Suprema Corte) declarou inconstitucional a definição de faturamento enquanto receita bruta total da pessoa jurídica constante do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. É que o STF, nos mencionados julgamentos, reputou que a Constituição Federal, em sua redação vigente quando da edição da Lei nº 9.718/98, somente autorizava a cobrança de contribuição social destinada à seguridade social incidente sobre o faturamento, compreendido como receita bruta da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços de qualquer natureza e que somente em seguida, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/1998 – que não poderia retroagir para legitimar a Lei nº 9.718/98, a Constituição autorizou a exigência de contribuição social sobre a receita bruta. Por isto, o STF tomou a locução “receita bruta”, constante do caput do art. 3º da Lei nº 9.718/98, como sinônimo de “faturamento”, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, cujos ministros manifestaramse que tal se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Assim, o STF declarou inconstitucional a base de cálculo definida no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98 naquilo que extrapolou a receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços, assim entendida como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades típicas da empresa (alargamento da base de cálculo). Contudo, a supradita declaração de inconstitucionalidade não traz prejuízo à exigência desta contribuição sobre o ICMS devido na operação de venda, porquanto o ICMS Fl. 84DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13836.000399/200722 Acórdão n.º 3302002.476 S3C3T2 Fl. 81 9 integra a receita bruta de venda de mercadorias e/ou serviços, sobre a qual a incidência da COFINS é definida pela Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos. O ICMS antigo ICM (Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias) foi inicialmente regulamentado pelo DecretoLei nº 406, de 31/12/1968, que revogou e substituiu os art. 52 a 58 do CTN. O art. 2º, § 7º, de reportado Decretolei determinava que o montante do ICM integrava a sua base de cálculo, constituindo o respectivo destaque do imposto mera indicação para fins de controle. Depois, a Constituição Federal de 1988 passou a denominar o ICM como ICMS (Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação) e lhe introduziu novas incidências, o qual foi, então, regulamentado pelo Convênio nº 66, de 14/12/1988, bem como pela Lei Complementar nº 87, de 13/09/1996, que em seu art. 13, §1º, I, abaixo vazado, manteve as mesmas disposições do art. 2º, §7º, do DecretoLei nº 406. “Art. 13. A base de cálculo do imposto é: (...) § 1º Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela LCP 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; (...)” Então, assim como o extinto ICM, o atual ICMS é embutido no preço da operação (“por dentro”), não sendo destacado na operação de venda. Conseqüentemente, o ICMS, cobrado “por dentro”, compõe a receita da venda de mercadorias, conforme há muito esclareceu o Parecer Normativo CST nº 70, de 10/02/1972 (DOU de 22/03/1972), ao preceituar que “Nos termos da Lei, o ICM tem por base de cálculo ‘o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria’, integrando este valor o montante do próprio tributo; conseqüentemente, este integra o preço da mercadoria ou o seu custo e dele não pode ser destacado na avaliação dos estoques, quando da apuração dos resultados.” Por corroborar com os fundamentos, é oportuno reproduzir excertos do Parecer Normativo CST nº 77, de 23/10/1986 (DOU de 28/10/1986), que elucida que o ICM deveria integrar a base de cálculo da contribuição para o PIS e do FINSOCIAL (tributos à época incidentes sobre a receita da venda de mercadorias e/ou serviços): “O ICM referente às operações próprias da empresa compõe o preço da mercadoria, e, conseqüentemente, o faturamento. Sendo um imposto incidente sobre vendas, deve compor a receita bruta para efeito de base de cálculo das Contribuições ao PIS/PASEP e FINSOCIAL. Entretanto, o ICM referente à substituição tributária não integra a base de cálculo do contribuinte substituto no tocante às suas Contribuições para o Fl. 85DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 10 PIS/PASEP e FINSOCIAL, por constituir uma mera antecipação do devido pelo contribuinte substituído. (...) 4. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias ICM, sendo um imposto incidente sobre vendas (Instrução Normativa nº 51, de 03 de novembro de 1978) e cujo valor integra o preço da operação (Ato Complementar nº 27, de 08 de dezembro de 1966), deve compor a receita bruta de vendas e, conseqüentemente, a base de cálculo do PIS Faturamento e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP, quando os contribuintes realizarem venda de mercadorias sobre as quais ocorra a incidência do ICM, eis que inexiste na legislação de regência dos referidos Programas, qualquer dispositivo que autorize a sua exclusão. (...) 5.1 A legislação enuncia taxativamente que a base de cálculo da Contribuição para o FINSOCIAL é a receita bruta de vendas, nela incluídas todas as parcelas que compõem o preço, salvo aquelas cujas exclusões sejam expressamente autorizadas. O artigo 32 do RECOFIS trata das exclusões da base de cálculo, dentre as quais não se encontra o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias. 5.2 Através do Ato Complementar nº 27, de 4 08 de dezembro de 1966, foi acrescentado o parágrafo 4º ao artigo 53 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), que dispõe sobre o valor tributável do ICM, para declarar que o montante desse imposto integra o valor ou o preço da operação, constituindo o respectivo destaque nos documentos fiscais mera indicação para possibilitar o crédito do adquirente. O artigo 2º do Decretolei nº 406, de 31 de dezembro de 1968, ao definir a base de cálculo do ICM, ressaltou, no § 7º, a disposição supra. 5.3 Portanto, por disposição expressa de lei, o montante do ICM integra o valor ou o preço da operação. Considerando que a base de cálculo da Contribuição para o FINSOCIAL é a receita bruta (faturamento deduzido do IPI e IUM), excluídas desse valor somente as parcelas expressamente enunciadas na legislação, não constando entre elas o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias, é evidente que também sobre a parcela concernente ao ICM, que compõe o valor total referente às operações próprias da empresa, há de incidir a Contribuição para o FINSOCIAL. (...)” (g.n) Sendo a lei o meio legítimo para dispor sobre a base de cálculo de tributos (art. 96, IV, do CTN), poderia a mesma ter determinado que o PIS e a COFINS não incidissem sobre todos os impostos nãocumulativos, cobrados destacadamente ou não, na operação de venda. Como assim não dispõe a lei, e tendo em vista que o ICMS está incluso no preço da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receita bruta, não é permitido à Administração Tributária afastar a incidência do PIS e da COFINS sobre o ICMS não destacado. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13836.000399/200722 Acórdão n.º 3302002.476 S3C3T2 Fl. 82 11 É farta a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Julgamento no mesmo sentido: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/12/2002 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98, assim o ICMS incluise na base de cálculo da contribuição. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão nº 3801002.616 – 1ª Turma Especial, de 28 de novembro de 2013, no processo nº 10940.903187/200985) “BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. A base de cálculo da COFINS e do PIS Faturamento é o faturamento ou receita bruta, sem exclusão do valor do ICMS devido, destacado nas notas fiscais de saída e que compõe o preço total do produto. Recurso negado” (Acórdão nº 340101.031 — 4ªCâmara /1ª Turma Ordinária, de 30 de setembro de 2010, processo nº11080,905084/200817). Junto ao Superior Tribunal de Justiça, há muito se consolidou o entendimento de que na base de cálculo da contribuição para o PIS e do FINSOCIAL (que também incidia sobre a receita de vendas) se incluem o ICM e o ICMS o que, inclusive, foi objeto das Súmulas nº 68 e 94, editadas pelo STJ nos anos de 1992 e 1994 e assim redigidas: Súmula STJ nº 68: “A parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS.” Súmula STJ nº 94: “A parcela relativa ao ICMS incluise na base de calculo do FINSOCIAL.” E, relativamente ao voto proferido pelo o Ministro Marco Aurélio do STF, no Recurso Extraordinário n° 240.785/MG, temse a registrar que tal voto ainda não foi publicado e o julgamento do mesmo encontrase suspenso desde agosto de 2006, inicialmente em face de pedido de vista do Sr. Ministro Gilmar Mendes e, posteriormente, em face da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC 18), em 10/10/2007, proposta pela Presidência da República, objetivando ver declarada a validade formal e material da norma contida no art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. Esse dispositivo exclui do conceito de faturamento, para fins de base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS, o ICMS cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador Fl. 87DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 12 dos serviços na condição de substituto tributário, o que implicaria na legitimação da cobrança do PIS e COFINS inclusive sobre o ICMS próprio da contribuinte, cujo provimento pode alterar o entendimento que foi proferido pelo o então Ministro Marco Aurélio acerca desta matéria. Em não tendo sido ainda concluído e publicado o julgamento do Recurso Extraordinário n° 240.785/MG, ainda não se tem decisão, nos termos do art. 135, §2°, do Regimento Interno daquele órgão, somente quando encerrada a votação é que o Presidente do STF proclama a decisão. E, mesmo que houvesse sido proferido a decisão nos termos do já conhecido voto do Sr. Ministro Marco Aurélio, ainda assim, tal não aproveitaria para a contribuinte, uma vez que a contribuinte não faz parte no citado RE. Repitase que a regra contida no art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98, a qual prevê a exclusão da base de cálculo das contribuições do PIS/PASEP e COFINS do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, conduz ao entendimento acerca da legitimação da cobrança do PIS e COFINS sobre o ICMS próprio da contribuinte. E mais, a despeito da discussão, ainda inconclusa, da questão perante o Supremo Tribunal Federal, o entendimento acima se mantém no STJ. É o que demonstram as seguintes ementas de recentes julgados proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. SÚMULAS N. 68 E 94 DO STJ. 1. Não subsiste o óbice ao julgamento da presente demanda, estipulado pelo STF na MC na ADC n. 18, pois já findou o prazo de suspensão das demandas que versem sobre o objeto deste recurso, conforme Ata de Julgamento publicada em 15.4.2010. 2. A jurisprudência do STJ reconhece a possibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ. 3. Agravo regimental não provido.” (AGRESP Nº 946.042/ES, DJE de 15/12/2010) “PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. LEGALIDADE. REPETIÇÃO DE INDÉBITO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS DO FATO GERADOR MAIS CINCO ANOS DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. ART. 4º DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NOS ERESP 644.736/PE. INCIDÊNCIA DO DISPOSTO NO ART. 481, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MATÉRIA DECIDIDA SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/2008. 1. Primeiramente, impõese o conhecimento do recurso no tocante à incidência do ICMS na base de cálculo da PIS e da COFINS, uma vez que findou o prazo determinado na decisão do Supremo na ADC n. 18, de prorrogar por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13836.000399/200722 Acórdão n.º 3302002.476 S3C3T2 Fl. 83 13 2. A parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ.” (AGRESP nº 1.121.982/RS, DJE de 04/02/2011) “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência firmada no STJ é no sentido de a parcela relativa ao ICMS incluirse na base de cálculo do PIS e da Cofins’ (AgRg no Ag 1.106.213/RS, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, DJ 8/6/09). 2. Agravo regimental não provido.” (AGRESP 1.119.592/PR, DJE de 18/02/2011) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO.INCLUSÃO DO ICMS. SÚMULAS 68 E 94/STJ. SOBRESTAMENTO. INVIABILIDADE. CONCEITO DE FATURAMENTO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O ICMS incluise na base de cálculo do PIS e da Cofins, conforme as Súmulas 68 e 94/STJ. 3. O reconhecimento de repercussão geral pelo egrégio STF não impede o julgamento dos recursos no STJ. Precedentes do STJ. 4. No que se refere à ADC 18/DF, o STF prorrogou a liminar lá concedida por 180 dias, ao julgar a terceira Questão de Ordem na Medida Cautelar. Na oportunidade, consignou expressamente que aquela seria a última prorrogação e que seu prazo deve ser contado a partir da publicação da ata de julgamento, ocorrida em 15.4.2010. 5. Essa última prorrogação esgotouse em meados de outubro de 2010, razão pela qual não há como suspender o julgamento no âmbito do STJ. 6. O STJ tem entendido que a interpretação do conceito de faturamento para fins de incidência de contribuição ao PIS e à Cofins é matéria eminentemente constitucional, que foge da sua competência no âmbito do Recurso Especial. Precedentes: REsp 1.017.645/CE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, DJe 10.9.2010; AgRg no REsp 1.224.734/RN, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, DJe 13.6.2012. 7. Agravo Regimental não provido." (AgRg no AREsp 314.177/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/06/2013, DJe 01/08/2013.) "TRIBUTÁRIO PIS E COFINS BASE DE CÁLCULO FATURAMENTO REPERCUSSÃO GERAL Fl. 89DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 14 SOBRESTAMENTO DO FEITO IMPOSSIBILIDADE INCLUSÃO DOS VALORES DEVIDOS A TÍTULO DE ICMS POSSIBILIDADE SÚMULAS 68 E 94 DO STJ PRESCRIÇÃO DOS CRÉDITOS QUESTÃO PREJUDICADA. 1. O reconhecimento de repercussão geral em recurso extraordinário não determina automaticamente o sobrestamento do recurso especial, apenas impede a ascensão de eventual recurso de idêntica matéria ao Supremo Tribunal Federal. Precedentes. 2. A jurisprudência desta Corte sedimentouse no sentido da possibilidade de os valores devidos a título de ICMS integrarem a base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. Entendimento firmado nas Súmulas 68 e 94 do STJ. Divergência jurisprudencial rejeitada, nos termos da Súmula 83/STJ. 4. Prejudicada análise da prescrição dos eventuais créditos. 5. Agravo regimental não provido."(AgRg no Ag 1051105/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/05/2013, DJe 24/05/2013.) "TRIBUTÁRIO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. LEGALIDADE. ANÁLISE DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. É firme na jurisprudência do STJ que a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme as Súmulas 68 e 94/STJ. No caso dos autos, apenas sobre a COFINS, atendendo à correção do erro material apontado pela agravante. 2. Não há óbice ao julgamento da presente demanda, em razão do estipulado pelo STF na MC na ADC 18, pois já se findou o prazo de suspensão das ações que versem sobre o objeto deste recurso, conforme Ata de Julgamento publicada em 15.4.2010 (AgRg no REsp 946.042/ES, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 2.12.2010, DJe 15.12.2010). 3. A apreciação de suposta violação de preceitos constitucionais não é possível na via especial, nem à guisa de prequestionamento, porquanto matéria reservada, pela Carta Magna, ao Supremo Tribunal Federal. Agravo regimental improvido." (AgRg no REsp 1138894/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/05/2013, DJe 28/05/2013.) E, é essencial registrar o julgamento do RECURSO ESPECIAL nº 1.127.877 SP (2009/0045592), RELATOR MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI, o qual foi recebido na origem pelo regime do artigo 543C do CPC. De início, em face de a matéria nele versada inclusão dos valores pagos a título de ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP – ser objeto da ADC nº 18, em Fl. 90DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13836.000399/200722 Acórdão n.º 3302002.476 S3C3T2 Fl. 84 15 que havia sido proferida decisão liminar impondo a paralisação das demandas em curso que tratam do tema, o seu julgamento ficou suspenso. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, o STJ proferiu decisão monocrática e definitiva no aludido REsp nº 1.127.877SP (transitada em julgado em 20/06/2012), conforme ementa e voto abaixo transcritos: “EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. DECISÃO 1. Tratase de recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que, em mandado de segurança objetivando afastar a incidência do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, bem como o direito à compensação dos valores recolhidos, negou provimento à apelação, sob o fundamento de que o faturamento representa a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Os embargos de declaração foram rejeitados. No recurso especial (fls. 719/726), a recorrente aponta ofensa aos seguintes dispositivos: (a) art.535, II, do CPC, pois, mesmo com a oposição dos embargos de declaração, não foram sanadas as omissões apontadas; e (b) arts. 2° e 3°, da Lei 9.718/98, alegando, em síntese, que, uma vez que o ICMS não é componente do faturamento previsto no art. 195 da CF, é indevida a sua inclusão na base de cálculo da COFINS. Contra razões às fls. 750/752. 2. Não há nulidade por omissão no acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, decide de modo integral e com fundamentação suficiente a controvérsia posta. No caso dos autos, o Tribunal de origem julgou, com fundamentação suficiente, a matéria devolvida à sua apreciação. 3. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min.Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. 4. Pelo exposto, com fundamento no art. 557, caput, do CPC, nego seguimento ao recurso especial. Intimese. Brasília (DF), 31 de maio de 2012. MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI Relator” Fl. 91DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 16 Pois bem, vêse que a Unidade da RFB e a Delegacia de Julgamento de Campinas, deram a devida interpretação à legislação tributária, em conformidade com as orientações internas da RFB, com a Jurisprudência administrativa e com a Jurisprudência Pacífica do tema no STJ, em conformidade com as Súmulas 68 e 94 do STJ, não havendo, pois, razões para alterar a decisão proferida pela 1ª Instância de julgamento Administrativo. Quanto às argumentações referentes ao conceito de faturamento com base nas regras estabelecidas nos artigos 195 e 239 da Constituição Federal, é importante consignar que não se trata de vício de interpretação da norma. A alegação, em síntese, de que o ICMS não é componente do faturamento previsto no art. 195 da CF, sendo indevida a sua inclusão na base de cálculo da COFINS, constitui sim análise de matéria constitucional. Na verdade, a autoridade julgadora tem que observar o princípio da legalidade, não podendo negar aplicação à norma, de sorte que a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e COFINS postulada carece de previsão legal. Além disso, a esfera administrativa não pode apreciar eventual inconstitucionalidade de Lei, tendo em vista que o controle de constitucionalidade de normas é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle concentrado ou difuso. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” CONCLUSÃO Diante de tudo o que foi acima exposto, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/CPS, no sentido de incluir o ICMS na base de cálculo da COFINS e não reconhecendo o direito creditório pleiteado. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 92DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10380.906712/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § Iº, DA LEI n.º 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS.
Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 - Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475-L, § Iº, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação.
Numero da decisão: 3401-002.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § Iº, DA LEI n.º 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 - Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475-L, § Iº, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2328; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.906712/200915 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.900 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria COFINS Recorrente UNIDADE CEARENSE DE IMAGEM LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § Iº, DA LEI n.º 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475L, § Iº, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 67 12 /2 00 9- 15 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Trata o presente de pedido de compensação informado em PER/DCOMP que não foi homologado, e que percorre as instâncias julgadoras pela persistente inconformidade do contribuinte, nos termos da legislação que disciplina a matéria. A Autoridade Administrativa, consoante despacho decisório, entendeu por não homologar a compensação pleiteada pela Requerente, através da PER/DCOMP referenciada em epígrafe, sob os seguintes fundamentos: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 14.327,40. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” [...] Diante da inexistência do crédito, NAO HOMOLOGO a compensação declarada O contribuinte contestou essa decisão. Explicou que seu direito creditório para realizar a compensação provinha da redefinição da base de calculo do Pis e da COFINS conforme constava no texto legal, mas que havia deixado de registrar esse valor nas DCTF e DIPJ, razão porque o sistema informatizado de controle identificou falta de crédito e não homologou a compensação. Mas que providenciou a DCTF e a DIPJ retificadora. Sua argumentação, in verbis: · Consoante exposto nas razões de fato, a Requerente quando da definição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, incluiu, no conceito de faturamento, além das receitas decorrentes das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, outras receitas nãooperacionais, tais como receitas financeiras, decorrentes de descontos obtidos, juros ativos, variação monetária, rendimentos de aplicações, recuperação de despesas e reversão de provisões, conforme comprovam os balancetes elaborados à época (DOC. 04), a seguir descritos · Sobre o montante acima identificado, apurou os valores a pagar das referidas Contribuições, cujas informações foram devidamente prestadas à Receita Federal, através das declarações entregues à época, quais sejam DIPJ's e DCTF's. Ato contínuo, efetuou o recolhimento dos valores supostamente devidos, através de Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, Fl. 163DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906712/200915 Acórdão n.º 3401002.900 S3C4T1 Fl. 3 3 bem como efetuou a vinculação de outros créditos, decorrentes de compensações outrora realizadas. · Ocorre que, por força da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, a Requerente passou a ser detentora de créditos oriundos dos recolhimentos efetuados a maior, a título das referidas Contribuições, relativamente à parcela calculada sobre outras receitas, ... : · A Requerente, todavia, não obstante ter identificado a existência desses créditos em seu favor, não efetuou as retificações necessárias das Declarações originalmente transmitidas à Receita Federal DIPJs e DCTF's motivo pelo qual o Fisco, ao cruzar os valores declarados e os DARF's pagos, não identificou o recolhimento realizado a maior, entendendo que os pagamentos localizados teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. · Por ocasião da presente manifestação de inconformidade, a Requerente procedeu às retificações necessárias das declarações apresentadas à Receita Federal, devidamente transmitidas DIPJ's e DCTF's (DOC. 05), aptas a comprovar o montante do crédito existente, este amparado na contabilidade e demais documentos da Requerente. · Vislumbrando a documentação acostada, fácil constatar que houve pagamento a maior do período, visto que, a partir das Declarações Retificadoras, o valor efetivamente devido a título de COFINS em 30/04/2003 perfazia originalmente R$ 14.648,92 (quatorze mil, seiscentos e quarenta e oito reais e noventa e dois centavos), ao passo que foi efetuada a vinculação de créditos (pagamentos e compensações) no montante de R$ 29.714,07 (vinte e nove mil, setecentos e quatorze reais e sete centavos), remanescendo saldo credor original de R$ 15.065,15 (quinze mil, sessenta e cinco reais e quinze centavos), valor este parcialmente utilizado nesse Pedido de Compensação. Em sede de apreciação do pedido do contribuinte a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza(CE) exarou o Acórdão 0818.228– 4ª Turma, em 15 de junho de 2010, ponderando que: "(...) cabe vincar que a declaração retificadora redutora de tributo deve ser considerada legítima se apresentada no período de espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que implicam a caracterização do pagamento a maior ou indevido, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório, pois a comprovação da disponibilidade de crédito deve ser aferida no momento da decisão exarada pela autoridade recorrida. Se entregue depois do decisório, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos (contábeis e fiscais) que fundamentam a retificação." A respeitável 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza CE apreciou a contestação da contribuinte, mas concluiu pelo indeferimento do seu pedido. Em suma, entendeu que não havia direito liquido e certo quando do pedido de Fl. 164DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 compensação, e que a declarações retificadoras não poderiam produzir efeito para sanear o fato, representado pela exigência relacionada à não homologação. A ementa do Acórdão 0818.228 ficou assim redigida: ASSUNTO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. E legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante ajuntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, onde, além das razões presentes na impugnação, acrescenta outras adicionais porque pede a reforma da decisão de 1º grau: · Seu direito creditório provem do recolhimento indevido de Pis e Cofins face a inconstitucionalidade reconhecida do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998. o “Preliminarmente, antes de adentrar nas razões que levaram à improcedência da Manifestação de Inconformidade em comento, importa destacar que o direito creditório diz respeito à possibilidade de compensação dos valores indevidamente recolhidos pela Recorrente a título da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sob a égide do inconstitucional § I o do art. 3 o da Lei n° 9.718/98.” o “Com a declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, pelo Plenário do Egrégio Supremo Tribunal Federal, restaram reconhecidas como indevidas as majorações da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS decorrentes da ampliação de suas bases de cálculo, assim entendidas como faturamento, deixando de ser considerado como a totalidade das receitas da pessoa jurídica, para voltar a ser entendido como as receitas advindas da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços.” Fl. 165DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906712/200915 Acórdão n.º 3401002.900 S3C4T1 Fl. 4 5 · Em sua opinião, a legislação que rege as DIPJ E DCTF prevê o direito do contribuinte retificar as declarações por ele prestadas, inclusive para louvar os princípios de justiça e da verdade material que devem orientar os procedimentos das relações tributárias: o “Ocorre que mesmo reconhecendo a possibilidade de devolução dos valores recolhidos a maior pela Recorrente, a Ilustre Turma entendeu por julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento da impossibilidade de análise das retificações de declarações apresentadas após o despacho decisório que não homologara as compensações, o que, a seu ver, impossibilitaria a análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado.” o “No caso em comento, a Autoridade Administrativa afirma que o despacho decisório (de não homologação das compensações) levara em conta as informações prestadas em DCTF original, e que o manifestante retificou a DIPJ e a DCTF depois de cientificado do decisório impugnado, o que impossibilitaria a análise das referidas retificações, a não ser que a defesa administrativa fosse acompanhada de provas inequívocas da existência do crédito.” o “ Ocorre que o procedimento de retificação da DCTF, na forma em que fez a Recorrente, não incorre em qualquer vedação, motivo pelo qual merece ser acatado, senão vejase. (...) A Instrução Normativa RFB n°. 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época da retificação das DCTF's que albergam o crédito pleiteado, dispõe, em seu art. 11, sobre os efeitos da referida retificação” (...) E o item ‘c’ desse artigo 11 não pode ser interpretado como restrição para a retificação e seus efeitos pois o contribuinte não havia sido intimado do inicio de procedimento fiscal, mas apenas cientificado do despacho eletrônico de não homologação de seu pedido de compensação. o O princípio da verdade material impõe às autoridades administrativas o dever de apurar todos os fatos que lhe são apresentados na busca da verdade real, não se limitando a emitir juízo acerca dos documentos analisados a partir de mera presunção. o Desta forma, a autoridade administrativa competente para decidir não está limitada às provas produzidas pelas partes, nem está restrita às suas alegações, devendo obrigatoriamente buscar todos os elementos que julgar necessários e suficientes ao seu livre convencimento. o Assim, dada à importância desse princípio, a busca da verdade material não é uma faculdade da autoridade administrativa, mas sim um dever, de modo que esta deve solicitar e analisar todos os documentos que entender necessários à elucidação do caso, principalmente quando o contribuinte apresenta documentação amplamente comprobatória do deu direito. · Não é verdade, como afirmaram os Julgadores que o contribuinte não comprovou seu direito ao crédito e à compensação: o Neste diapasão, afirmou a Autoridade Administrativa que a Recorrente "não se desincumbiu do ônus de comprovar o indébito ao instruir a sua manifestação apenas com a DCTF retificadora." o Ocorre que basta uma análise perfunctória da manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, para verificar que a Fl. 166DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 mesma não instruiu referida impugnação "apenas com a DCTF retificadora", como afirmado pela Autoridade Administrativa. o Quando da apresentação da manifestação de inconformidade por parte da Recorrente, a mesma apresentou diversas PLANILHAS contendo o histórico da formação e utilização do crédito, acostando ainda como documentos, não só a referida DCTF retificadora, como também os BALANCETES do mês em questão com o detalhamento das receitas auferidas, acompanhados ainda da DIPJ devidamente retificada. o Dessa forma, o entendimento exarado no acórdão recorrido, pela não homologação da compensação declarada deve ser modificado, levandose em conta a documentação já apresentada pela Recorrente e já acostada aos autos, quando da apresentação de manifestação de inconformidade, que devem ser objeto de apreciação da Autoridade Administrativa, em obediência aos princípios da verdade material e da instrumentalidade. Este processo chegou à apreciação da Egrégia 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e foi submetido a apreciação, ocasião em que ela proferiu decisões e determinou diligência, tudo isso através da Resolução n.º 3402 000.155. Os Respeitáveis Conselheiros, ao analisarem as manifestações do contribuinte aduziram que: "De fato, há nos autos diversos documentos, coerentes entre si, que demonstram o indébito. Mas nenhum deles é, ao menos comprovadamente, documento contábil cuja validação seja exigida legalmente. Entendo, por isso, que o acatamento do recurso requer a verificação, que já deveria ter sido feita em primeiro grau, da veracidade das informações apostas, primeiro, na planilha integrante da própria manifestação de inconformidade, depois, na peça intitulada "balanço" e referida no recurso como "balancete", e por fim, na DIPJ entregue. Repisese que há perfeita consonância entre as diversas "demonstrações". Para baixar o processo em diligência para que a fiscalização aponte qual é o valor devido da contribuição o Colegiado decidiu que a autoridade da unidade de jurisdição levasse em conta apenas o conceito de faturamento reconhecido pelo STF como apto a constituir a base de cálculo da contribuição, ou seja, considerando apenas receitas de prestação de serviços e/ou de vendas de mercadorias, e que ela indicasse se há indébito no período de apuração em discussão e qual o seu montante, com base nos livros contábeis exigidos pela legislação (Diário e Razão). A autoridade fiscal, como resultado no atendimento da diligência solicitada pelo CARF, de posse das informações apresentadas pelo contribuinte (Livro Razão), finaliza seu parecer informando: O crédito objeto do PER/DCOMP e tratado neste processo referese a COFINS do período de apuração ABRIL/2003. Após os procedimentos de auditoria, chegase ao seguinte valor de crédito a que faz jus o contribuinte: Base de cálculo COFINS apurada COFINS paga/retida Crédito da COFINS Fl. 167DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906712/200915 Acórdão n.º 3401002.900 S3C4T1 Fl. 5 7 R$ 488.297,05 R$ 14.648,91 R$ 29.714,07 R$ 15.065,06 Apesar de cientificada desse relatório fiscal e da possibilidade de se manifestar, o contribuinte nada apresenta a ser juntado ao processo. Assim, o processo retorna ao CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Há tempestividade do Recuso Voluntário e atendimento dos requisitos de admissibilidade. Tratase de recurso interposto contra decisão que indeferiu pedido de compensação declarado por meio do PER/DCOMP n° 34097.11983.290906.1.3.042608. O pedido de compensação objetiva compensar o alegado pagamento a maior de Cofins, referente ao mês de abril de 2003 e efetuado em 15/05/2003, com débito de estimativa de IRPJ, respeitante ao mês de agosto de 2006. Aliome aos que valorizam a busca da verdade material como concorrente à realização dos mais elevados propósitos do julgamento das lides na esfera administrativa. Há acórdãos proferidos em o Conselho de Contribuinte e no atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que representam essa orientação de que a busca da verdade material deve ser fortemente considerada nas relações tributárias e nas soluções dos contenciosos entre o Fisco e o Contribuinte: IRPJ FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO Em respeito à legalidade, verdade material e segurança jurídica não pode subsistir lançamento de crédito tributário quando não estiver devidamente demonstrada e provada a efetiva subsunção da realidade factual à hipótese descrita na lei como infração à legislação tributária. ÔNUS DA PROVA Na relação jurídicotributária o ônus probandi incumbit ei qui dicit. Compete ao Fisco, ab initio, investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não, do fato jurídico tributário ou da prática de infração praticada no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. O sujeito passivo somente poderá ser compelido a produzir provas em contrário quando puder ter pleno conhecimento da infração com vista a elidir a respectiva imputação. PROCESSOS REFLEXOS PIS COFINS IRF CSLL Respeitandose a materialidade do respectivo fato gerador, a decisão prolatada no processo principal será aplicada aos processos tidos como decorrentes, face a íntima relação de causa e efeito. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes, 3° Câmara, Relatora Mary Elbe Gomes Queiroz, Recurso n°. 124737, Processo n°. 10283.002174/9774, Acórdão n°. 10320594,sessão de 22/05/2001) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999 EXCESSO NA DESTINAÇÃO AO FINOR Fl. 168DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 Como cediço, no processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que, buscase descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação, é de se levar em conta, que a preclusão temporal, em razão dos princípios da busca da verdade material, da legalidade e da eficiência pode vir a ter sua aplicação mitigada nos julgamentos administrativos. Recurso Voluntário Provido. (1° Conselho de Contribuintes, 8 Turma Especial, Relator Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Recurso n°.156170, processo n°. 10820.002086/200366, Acórdão n°. 19800116, sessão de 30/01/2009). Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1994 a 30/04/2004 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA PARA EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ELEMENTOS PARA COMPROVAÇÃO DA DECADÊNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material, tão caro no processo administrativo fiscal, deve prevalecer, de modo que sejam considerados documentos hábeis a comprovar a decadência das contribuições vinculadas à realização de obra de construção civil, ainda que não expressamente previstas nas normas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Provido. (2° Conselho de Contribuintes, 6ª Turma Especial, Relator Kleber Ferreira de Araújo, Recurso n°. 246754, processo n°. 12045.000374/200772, Acórdão n°. 296 00078, sessão de 10/02/2009). IRRF DCTF ERRO DE PREENCHIMENTO Comprovados os recolhimentos de IRRF, mediante apresentação das guias respectivas, acompanhadas da regular retificação e complementação da DCTF e dos respectivos lançamentos contábeis, afastase o lançamento. Recurso provido. (Iº Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, processo n°. 10665.000668/200267, Recurso n°. 147364, Relatora Silvana Mancini Karam, Acórdão 10247820, Sessão de 16/08/2006) A meu sentir, correta foi a decisão e orientação dada pelo E. Relator na Resolução n.º 3402000.155 que originou o pedido de diligência, em suas palavras: “Não partilho, como já tive oportunidade de afirmar em outros julgados, a tese da Administração segundo a qual a homologação de compensações declaradas pelo sujeito passivo dependa de prévia retificação de sua DCTF quando nesta conste valor condizente com o pagamento realizado . O que é necessário, a meu ver, é que o alegado indébito esteja provado. E é por isso que não se pode ainda decidir o recurso.” “De fato, há nos autos diversos documentos, coerentes entre si, que demonstram o indébito. Mas nenhum deles é, ao menos comprovadamente, documento contábil cuja validação seja exigida legalmente.” “Entendo, por isso, que o acatamento do recurso requer a verificação, que já deveria ter sido feita em primeiro grau, da veracidade das informações apostas, primeiro, na planilha integrante da própria manifestação de inconformidade, depois, na peça intitulada “balanço” e referida no recurso como “balancete” e, por fim, na DIPJ entregue. Repisese que há perfeita consonância entre as diversas “demonstrações”. Sou, por isso, pela baixa do processo em diligência para que a d. fiscalização aponte qual é o valor devido da contribuição, argüida neste processo, levando em conta apenas o conceito de faturamento reconhecido pelo STF como apto a constituir a base de cálculo da contribuição. Mais especificamente: considerando apenas receitas de prestação de serviços e/ou de vendas de mercadorias, indique se há indébito no mês em discussão e qual o seu montante, com base nos livros contábeis exigidos pela legislação (Diário e Razão) a serem exibidos pelo Fl. 169DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906712/200915 Acórdão n.º 3401002.900 S3C4T1 Fl. 6 9 contribuinte. Dos resultados da diligência, seja cientificada a ora recorrente, abrindoselhe prazo de trinta dias para eventual contestação.” Portanto, não procede deixar de apreciar as retificações das declarações prestadas pelo contribuinte, nem de se verificar a sua correspondência com os próprios registros contábeis. E nessa direção, é que a verificação dos valores que seriam devidos do tributo é procedimento essencial para a apreciação e conclusão da lide. Como já exposto anteriormente, entendo que o Colegiado pode apreciar o mérito da lide, parcial ou totalmente, em sessões que não resultem em Acórdão final, mas, sim, em Resoluções. Entendo que, neste caso, o Colegiado apreciou e decidiu o mérito, no que concerne à não inclusão, na base de tributação do PIS e da COFINS, das receitas apontadas pela contribuinte em sua petição original e indeferida pela autoridade de jurisdição e pelos julgadores a quo. O processo retorna ao CARF para apreciar o resultado da diligência, tendo como válidas as decisões que conduziram e condicionaram a sua realização. Respeitando essa decisão, há que se reconhecer o teor das bases do direito creditório pleiteado. Esta posição adotada pelo Colegiado com relação aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/1998 tem respaldo em entendimento firmado neste Tribunal Administrativo. Há julgamentos do CARF que consolidam, nos casos concretos, a definição de que a ampliação do conceito de faturamento às receitas financeiras pela Lei n° 9.718, de 1998, foi inconstitucional, afastando a aplicação da referida Lei, o que corresponde à tese do recorrente, conforme julgados a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2002, 31/05/2002, 31/08/2002 BASE DE CALCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A ampliação do conceito de faturamento às receitas financeiras pela Lei n° 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitivo do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Recurso voluntário provido. (Segundo Conselho de Contribuintes, Ia Câmara, Acórdão 20181.260, de 03.07.08, Relator: José Antonio Francisco). COFINS E PIS RECEITA FINANCEIRAS INAPLICABILIDADE DA LEI 9.718/98 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 380840 MG Conforme decisão transitada em julgado no RE 390840MG, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o § Iº, do artigo 3°, da Lei 9.718. A extensão dos efeitos dessa decisão definitiva beneficia a ambas as partes, estancando custos desnecessários. Por conseqüência, não compõem a base da contribuição em apreços as receitas financeiras. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Ia Câmara, Processo n". 10120.003831/200381, Recuso n°. 140629, Acórdão 10195764, Relator Mário Junqueira Franco Júnior, Sessão de 21/09/2006). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/P ASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/1999 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3o, § Iº, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3o, § Iº, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente Fl. 170DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tune do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475L, § Iº, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § º do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação. [...] Recurso voluntário provido. (Segundo Conselho de Contribuintes, Iª Câmara, Processo n°. 10980.011343/200318, Recurso nº 139409, Acórdão 20181235,Relator Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Sessão de 01/07/2008). Além disso, a contribuinte tem como objeto social os serviços de diagnóstico médico, e as receitas financeiras aqui em discussão não resultam de suas atividades empresariais operacionais. A autoridade fiscal, em seu relatório em atendimento à diligência confirma a suficiência do crédito para a compensação requerida pela contribuinte. Proponho a este colegiado que seja reconhecido o valor de saldo credor calculado pela autoridade fiscal na resposta á diligência efetuada. Observado este limite, e por todos esses elementos, concluo que deve se dar provimento ao recurso. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 171DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 18088.000764/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2401-000.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 80 88 .0 00 76 4/ 20 08 -1 1 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18088.000764/200811 Resolução nº 2401000.442 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto por UNIÃO TAQUARITINGA SERVIÇOS DE APOIO ADMINISTRATIVO LTDA. (“União Taquaritinga”), nova denominação da União Taquaritinga Veículos e Peças Ltda., em relação à cobrança de crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração DEBCAD de nº 37.148.0248, decorrente de multa por ter a empresa deixado de relacionar em folhas de pagamento todos os pagamentos a segurados a seu serviço, no período 01/2003 a 01/2008, cuja ciência foi obtida em 30/12/2008 (fl. 02). Às fls. 07/08 constam o relatório fiscal da infração e aplicação da multa. Assevera o autuante: 1 – A empresa não relacionou em folhas de pagamentos todos os pagamentos efetuados aos segurados empregados, bem como aos sócios da empresa, no período de 01/2003 a 01/2008. 2 – Estes pagamentos estão discriminados nos levantamentos relatados no item 4.3 do relatório fiscal do auto de infração 37.212.8009. 3 – Assim sendo, ficou caracterizada infração ao dispositivo legal previsto na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. (...) 1 – A infração ora tipificada tem multa prevista na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea “a” e art. 373. Às fls. 82/129 a autuada apresentou Impugnação ao lançamento, alegando em síntese: 1. A ocorrência de abuso de autoridade e arbitrariedade realizada contra si, ao exigir a apresentação de documentos e livros fiscais não obrigatórios, inclusive de outras pessoas jurídicas que não a Impugnante, tendo o lançamento sido efetuado com base em ilações e conjecturas, sendo nulo de pleno direito; 2. Ilegitimidade passiva, tendo em vista que grande parte da autuação se deve a supostas relações jurídico tributárias relacionadas a funcionários vinculados a outras pessoas jurídicas autônomas, que não a impugnante (tomadora de serviços destas); Fl. 545DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18088.000764/200811 Resolução nº 2401000.442 S2C4T1 Fl. 4 3 3. Incompetência do fiscal para fiscalizar a filial da impugnante localizada em Monte AltoSP; 4. Que a não apresentação de documentos se deveu principalmente à ocorrência de sinistros no estabelecimento da autuada, o que não foi considerado pela fiscalização; 5. Erro formal na identificação numérica dos autos de infração no relatório fiscal, cerceando sua possibilidade de defesa, sendo portanto, nula a autuação; 6. A ocorrência de utilização de provas obtidas ilicitamente pelo agente fiscal, em desrespeito a diversas garantias constitucionalmente dispostas no art. 5º da CF, como a vedação de utilização de provas ilícitas, sigilo fiscal, bancário, e de documentos pessoais, entre outros; 7. Da impropriedade de todos os levantamentos (lançamentos) realizados pelo fiscal, apresentando justificativas para cada item lançado; 8. Que a presente autuação fere o princípio constitucional da vedação ao confisco; 9. Da utilização indevida da Taxa SELIC como índice de atualização monetária; 10. Pugnou pela total improcedência do presente lançamento, tendo em vista que as contribuições, quando devidas, foram recolhidas pelas empresas nas quais os funcionários estavam devidamente registrados, conforme demonstrado. À fl. 254 o contribuinte requereu a juntada da documentação solicitada junto às instituições financeiras, complementando as já apresentadas junto à peça impugnatória. Em julgamento de primeira instância, a 9ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP proferiu o acórdão 1438.063, fls. 463/471, abaixo ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2008 Debcad: 37.148.0248 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Consiste em infração à legislação previdenciária, deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e das pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB. Impugnação Improcedente. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18088.000764/200811 Resolução nº 2401000.442 S2C4T1 Fl. 5 4 Crédito Tributário Mantido. Intimada do resultado de julgamento em 03/09/2012 (fl. 473), a empresa interpôs Recurso Voluntário em 02/10/2012 (fls. 475/526), alegando em síntese: 1. Que não houve uma análise detida da extensa documentação juntada no curso do processo, as quais comprovam a total inexistência de relação jurídico tributária da recorrente com as contribuições ora exigidas, devendo prevalecer o Princípio da Verdade Material; 2. Nulidade absoluta da decisão de primeira instância, pelo não enfrentamento da Ilegitimidade da recorrente, tendo em vista que o lançamento se constituiu principalmente sobre pagamentos de terceiros a funcionários de outras pessoas jurídicas (e não de sua própria), utilização de presunções e indícios, além de ser fundado em provas ilícitas, implicando em ausência de motivação para a manutenção da exigência fiscal; 3. Ilegalidade e inconstitucionalidade do lançamento com base em presunções, tendo em vista que foram considerados como salário de contribuição valores que sequer podem ser considerados como remuneração pelo trabalho, não havendo de fato comprovação da ocorrência de fato gerador da contribuição; 4. Impossibilidade legal da recorrente responder pelas contribuições devidas sobre remunerações pagas a empregados e contribuintes individuais vinculados a outras pessoas jurídicas (micro empresas) que lhe prestam serviços, a exemplo da Marina Tomoe Ogata Kodama ME, Marcos Baldassa Taquaritinga ME e José Roberto de Souza Monte Alto ME, as quais recolhem seus tributos na sistemática do SIMPLES; 5. Os fatos geradores da obrigação tributária foram praticados pelas respectivas empresas que lhe prestavam serviços de funilaria, comércio de peças novas e usadas para autos, pintura, mecânica, etc.; 6. Que tais atividades elencadas acima não eram prestadas pela recorrente, por decisão estratégia sua, cabendo apenas a venda de veículos; 7. Que não houve transferência de quadro de empregado para as ME’s, mas sim uma decisão comercial de exercer ou não determinada atividade, ponderando os custos financeiros que lhe trariam; 8. Que os pagamentos registrados em sua contabilidade (arcados pela União Taquaritinga) de verbas salariais, folha, FGTS, impostos, comissões, entre outros, referentes às obrigações das ME’s Marina, Marcos Baldassa e José Roberto, poderiam ser facilmente comprovados através de uma perícia contábil para verificar o encontro de contas mensal entre as Notas Fiscais de Serviços Prestados e os pagamentos de obrigações das ME’s; Fl. 547DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18088.000764/200811 Resolução nº 2401000.442 S2C4T1 Fl. 6 5 9. Exemplifica que valores a título de “ajuste comercial”, transferidos para as empresas prestadoras de serviço foram considerados como base de cálculo da contribuição, e sequer natureza salarial possuem; 10. Que o MPF não abrangia as ME’s, prestadoras de serviços, mas tão somente a Recorrente, e que o fiscal não poderia exigir da recorrente apresentação de documentação de outras pessoas jurídicas, tampouco justificar a utilização de arbitramento com base na não apresentação de tais documentos, sendo ilegal tal conduta, maculando o lançamento de nulidade; 11. Houve dupla tributação na medida em que a fiscalização não reconheceu os pagamentos a título de contribuição já recolhidos pelas prestadoras de serviços em relação a seus empregados, implicando em enriquecimento ilícito por parte do Fisco; 12. Que o procedimento adotado pelo fiscal foi equivocado, pois, constatada eventual irregularidade originada das microempresas optantes do SIMPLES, as mesmas deveriam ser excluídas do regime e responsabilizadas por eventual crédito tributário vinculado a seus funcionários, e não a União Taquaritinga, tomadora dos serviços, sendo tal atribuição de responsabilidade arbitrária e ilegal. Em relação aos lançamentos descritos no relatório fiscal (item 4.3), tece os seguintes argumentos, informando ainda que a documentação referente às suas alegações foram devidamente juntadas nos autos do AI nº 37.212.8009 (PAF nº 18088.000757/200810): 1. EDIVA DE MOURA não pertenceu ao quadro funcional da Marina ME, tampouco está relacionada nas GFIP 02/2003 a 03/2004; 2. ISABEL ENDRES está devidamente relacionada na GFIP de 02/2003, ao contrário do que afirma o autuante; 3. O funcionário ALAN LOPES e ALAN PATRICK são a mesma pessoa (Alan Patrick Lopes), e seu período trabalhado foi de 01/08/2005 a 20/02/2006, com salário de R$396,00, sendo incorreta a atribuição pelo fiscal do período entre 12/2005 a 01/2008; 4. ANDREA MARTINS DA SILVA trabalhou de 22/05/2006 a 30/06/2006, com salário de R$758,00, tendo ocorrido lançamento de ofício entre 01/2003 a 05/2006; 5. VANESSA KEILA TOZATTO trabalhou de 05/12/2005 a 31/01/2006, com salário de R$ 374,30, tendo ocorrido lançamento de ofício entre 02/2006 a 01/2008; 6. Em relação ao prólabore dos sócios Marcos Takeo Ogata e Marina Tomoe Ogata Kodama, o fiscal atribuiu o valor de 10 salários mínimos através de aferição indireta para a competência de 01/2008, sob o frágil fundamento de que não teria sido disponibilizado pela empresa Livro Diário e Razão para esta competência, Fl. 548DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18088.000764/200811 Resolução nº 2401000.442 S2C4T1 Fl. 7 6 desconsiderando, assim, as justificativas do sinistro ocorrido no estabelecimento autuado; Por fim requereu: 1. A anulação do acórdão de primeira instância, por total falta de motivação, ao desconsiderar os principais elementos de defesa e documentação juntados, em flagrante ofensa à ampla defesa e contraditório; 2. Subsidiariamente, a anulação integral do presente lançamento tendo em vista a: a. Ilegitimidade passiva da recorrente para responder por tributos devidos por terceiros, os quais, inclusive, já foram pagos na sistemática do SIMPLES pelas ME’s prestadoras de serviços; b. Total regularidade da operação, lastreada em prova robusta, e, ainda que se considerasse a sujeição passiva da recorrente, grande parte das verbas não possuiriam natureza salarial (remuneratória). À fl. 531 foi encaminhado o presente recurso para apreciação por este CARF. É o relatório. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18088.000764/200811 Resolução nº 2401000.442 S2C4T1 Fl. 8 7 VOTO Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Como se observa, o presente recurso envolve matéria e documentos diretamente relacionados aos autos do PAF nº 18088.000757/200810, referente ao DEBCAD nº 37.212.8009, o qual foi convertido em diligência nesta mesma sessão de julgamento para que a fiscalização se manifestasse conclusivamente, item por item sobre cada lançamento efetuado, acerca do elevado número de documentos trazidos pelo contribuinte em suas seguidas manifestações naqueles autos. Assim sendo, tendo em vista que o resultado da diligência a ser realizada nos autos do PAF nº 18088.000757/200810 certamente impactará o resultado do presente processo, diante de tal prejudicialidade, voto no sentido de converter o presente feito em diligência, para que: a) Sejam os presentes autos remetidos ao órgão competente por realizar a diligência fiscal nos Autos do PAF de nº 18088.000757/200810, aguardando o seu resultado; b) Após o resultado da referida diligência, e na eventualidade de existir exclusão de crédito tributário, que o referido órgão competente se manifeste conclusivamente acerca dos eventuais impactos nos lançamentos efetuados no presente processo, de acordo com cada item lançado, e, sendo o caso, efetuando o recálculo do crédito tributário remanescente. Após a realização da referida diligência nos presentes autos, deverá ser a Recorrente intimada para, querendo, manifestarse sobre o seu resultado. Com ou sem manifestação da Recorrente no prazo estipulado, voltem os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento do Recurso Voluntário interposto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10715.004972/2010-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 03/02/2006 a 28/02/2006
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL.
A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO.
A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário.
MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE.
Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do DecretoLei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 49 72 /2 01 0- 51 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004972/201051 Acórdão n.º 3801004.901 S3TE01 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendose o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004972/201051 Acórdão n.º 3801004.901 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.004972/201051, contra o acórdão nº 0728.391, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 18 de abril de 2012, onde se entendeu pela parcial procedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 45.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecido pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: que não existe base legal especifica para a exigência da prestação das informações em até dois dias; que a imposição da penalidade com base em Instrução Normativa ofende ao principio da legalidade; que o art. 107, IV, "e" do Decreto lei 37/66 é inaplicável, uma vez que não apresenta uma precisa definição das obrigações que devem ser atendidas pelo contribuinte, não se constituindo assim numa norma completa. que deveria haver tratamento isonômico com os embarques marítimos, cuja exigência é de sete dias para o registro dos dados. que não houve qualquer prejuízo ao erário em razão de pequenos atrasos cometidos pela impugnante no registro de dados de suas embarcações; que não dificultou ou embaraçou a atividade das autoridades administrativas. Requer, pelos motivos expostos, a improcedência do auto de infração e a anulação da multa regulamentar. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004972/201051 Acórdão n.º 3801004.901 S3TE01 Fl. 5 4 A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela parcial procedência da impugnação, reduzindo o crédito tributário de R$ 30.000,00 para R$15.000,00 referente à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto Lei nº 37/1966. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 03/02/2006 a 28/02/2006 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração contida na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTARIA. Aplicase a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fls. 74/91, expondo que: 1 Pede a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 2 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 3 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 4 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; É o sucinto relatório. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004972/201051 Acórdão n.º 3801004.901 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Denuncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que a Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito Fl. 148DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004972/201051 Acórdão n.º 3801004.901 S3TE01 Fl. 7 6 da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Fl. 149DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004972/201051 Acórdão n.º 3801004.901 S3TE01 Fl. 8 7 No presente caso, temos portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004972/201051 Acórdão n.º 3801004.901 S3TE01 Fl. 9 8 Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o voo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória. Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004972/201051 Acórdão n.º 3801004.901 S3TE01 Fl. 10 9 Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza d penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004972/201051 Acórdão n.º 3801004.901 S3TE01 Fl. 11 10 exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que deve ser alterada a decisão de primeira instância para que conste o valor correto a ser aplicado de multa, evidenciado o erro formal e pela correta aplicação da penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, devendo incidir sobre cada voo e não por declaração emitida, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10380.012919/2003-23
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. PEDIDO DE DESISTÊNCIA TOTAL EXPRESSA. RENÚNCIA ESFERA ADMINISTRATIVA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA PROCURADORIA PROVIDO POR OUTROS FUNDAMENTOS PARA RESTABELER O LANÇAMENTO.
Nos termos do artigo 78, caput e § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, o contribuinte/recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em andamento naquele Órgão Julgador, conquanto que de maneira expressa mediante petição interposta nos autos do processo, importando na renúncia à discussão da demanda na via administrativa e, por conseguinte, na manutenção da exigência na forma constituída e/ou nos limites da renúncia, somente em relação à parte ainda controversa, ou seja, que não transitou em julgado, in casu, CSLL.
Recurso extraordinário provido.
Numero da decisão: 9900-000.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 22/12/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014).
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. PEDIDO DE DESISTÊNCIA TOTAL EXPRESSA. RENÚNCIA ESFERA ADMINISTRATIVA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA PROCURADORIA PROVIDO POR OUTROS FUNDAMENTOS PARA RESTABELER O LANÇAMENTO. Nos termos do artigo 78, caput e § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, o contribuinte/recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em andamento naquele Órgão Julgador, conquanto que de maneira expressa mediante petição interposta nos autos do processo, importando na renúncia à discussão da demanda na via administrativa e, por conseguinte, na manutenção da exigência na forma constituída e/ou nos limites da renúncia, somente em relação à parte ainda controversa, ou seja, que não transitou em julgado, in casu, CSLL. Recurso extraordinário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 29 19 /2 00 3- 23 Fl. 567DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 22/12/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (VicePresidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (Vice Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (VicePresidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (VicePresidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (VicePresidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (VicePresidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (VicePresidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (VicePresidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014). Fl. 568DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10380.012919/200323 Acórdão n.º 9900000.918 CSRFPL Fl. 8 3 Relatório BEACH PARK HOTÉIS E TURISMO LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 17/12/1998, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ e Reflexos (PIS, COFINS e CSLL), em relação ao anocalendário 1998, conforme peça inaugural do feito, às fls. 03/26, e demais documentos que instruem o processo. De conformidade com a Descrição dos Fatos, às fls. 06/08, a presente autuação decorreu da constatação das seguintes infrações: 1) Omissão de Receitas – Saldo Credor de Caixa; 2) Omissão de Receitas – Créditos em conta bancária cuja origem dos recursos não foram justificados; 3) Custos ou Despesas não Comprovadas – Glosa de Despesas: Após regular processamento, interposto Recurso Especial pela Procuradoria contra Acórdão nº 10708.393, da então 7a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte, a Egrégia 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 15/06/2009, por unanimidade de votos, achou por bem NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº CSRF/910100.163, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Exercício: 1998 Ementa: DECADÊNCIA Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4 o do CTN. Precedentes da CSRF. Recurso especial não provido.” Ainda irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 521/532, com arrimo no artigo 9º do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Inicialmente, pretende seja conhecido seu Recurso Extraordinário, uma vez observados os requisitos para tanto, eis que o Acórdão atacado, ao aplicar ao caso a decadência insculpida no artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, independentemente da ocorrência de antecipação de pagamento, divergiu de outras decisões exaradas pela Câmara Superior de Fl. 569DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Recursos Fiscais, conforme se extrai do Acórdão nº CSRF/0202.288, ora adotado como paradigma. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, ressaltando que somente se discute a CSLL, insurgese contra o Acórdão guerreado, sustentando que a jurisprudência deste Colegiado, corroborada pelo entendimento adotado no Superior Tribunal de Justiça, estabelece que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4º, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente. Contrapõese ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, estaria dispondo sobre prazo para o ato de “homologação” de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento. No caso vertente, assevera que inexistindo recolhimento, ou seja, antecipação de pagamento não há o que se homologar, não estando o lançamento de ofício previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, mas, sim, no artigo 173, inciso I, daquele Diploma legal, conforme doutrina transcrita na peça recursal. Em defesa de sua pretensão, infere que adotandose o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo decadencial começaria a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. In casu, tratandose de CSLL relativa a fatos geradores ocorridos em 30/06/1998, o lançamento poderia ter sido efetuado ainda no ano de 1998, começando o prazo decadencial a fluir em 01/01/1999, findandose em 31/12/2003. Assim, como a notificação do sujeito passivo acerca do auto de infração deuse em 17/12/2003, não há que se cogitar de decadência. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Extraordinário, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, entendeu por bem admitir o Recurso Extraordinário do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no decisum paradigma, Acórdão nº CSRF/02 02.288, consoante se positiva do Despacho CSRF nº 910000.542/2011, às fls. 534. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Extraordinário do Procurador, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 538/543, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, ressaltando ter havido ocorrência de antecipação de pagamento. É o Relatório. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10380.012919/200323 Acórdão n.º 9900000.918 CSRFPL Fl. 9 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da CSRF, a divergência suscitada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, conheço do Recurso Extraordinário e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso, pretende a recorrente a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outra decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão nº CSRF/02 02.288, ora adotado como paradigma, em relação à contagem do prazo decadencial, mormente quando não se constata a ocorrência da antecipação de pagamento. A fazer prevalecer seu entendimento, aduz, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a legislação de regência, notadamente os artigos 150, § 4°, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e, bem assim a jurisprudência deste Colegiado e do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo sejam levados a efeito os ditames do artigo 173, inciso I, uma vez que inexistindo autolançamento do contribuinte, com antecipação de pagamento, não há o que se homologar. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito aduzidas pela recorrente, mister suscitar questão prejudicial ocorrida após a prolação do Acórdão recorrido, capaz de ensejar o provimento do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, por outros fundamentos, senão vejamos. Destarte, em 30 de Dezembro de 2013, a contribuinte apresentou petição, de fls. 565, desistindo totalmente da discussão administrativa em relação ao débito objeto do lançamento, declarando, ainda, que renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam o recurso voluntário, em razão da adesão ao Parcelamento criado pela Lei n° 11.941/2009, c/c a Lei n° 12.865/2013, regulamentado pela Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 07, de 15/10/2013. Na verdade, a grande celeuma que permeia a resolução da presente demanda se fixa no fato de o recurso voluntário da contribuinte ter sido provido, ensejando a interposição do Recurso Especial da Procuradoria, negado pela 1a Turma da CSRF e, posteriormente, Recurso Extraordinário, ora sob análise. Convém registrar que, após todos o caminho processual transcorrido até o presente momento, a discussão neste recurso cingese à decadência do direito de lançar da CSLL, referente aos fatos geradores ocorridos em 30/06/1998, como a própria Procuradoria reconheceu em sua peça recursal. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Os demais tributos que foram lançados no presente Auto de Infração não mais fazem parte da contenda, tendo ocorrido o trânsito em julgado das decisões pretéritas, que os rechaçaram em face da decadência. Neste sentido, a controvérsia passou a se fixar em determinar quais os efeitos do pedido de desistência nesta esfera recursal, diante do Recurso Extraordinário interposto pela Procuradoria, relativamente a CSLL. Consoante se infere dos autos, concluise não poder prevalecer o resultado do julgamento contemplado no Acórdão recorrido, tendo em vista que o pedido de desistência total fora interposto no decorrer do processo administrativo fiscal, sem o trânsito em julgado da decisão, somente em relação a CSLL, em face da interposição do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional. Aliás, o que torna ainda mais digno de realce é que a contribuinte requereu a desistência total de seus recursos ofertados nos autos do processo administrativo fiscal. Tivesse desistido somente da parte do lançamento mantida pelo decisum guerreado não teria causado esta celeuma. Partindo dessas premissas, uma vez já interposto o Recurso Extraordinário da Procuradoria contra Acórdão favorável ao pleito da contribuinte, não podemos olvidar de exarar decisão contemplando todos esses fatos processuais. Entrementes, despiciendo analisar as razões recursais da Fazenda Nacional, eis que o pedido de desistência irretratável e irrevogável, apresentado em qualquer fase recursal representa a renuncia expressa do interesse de agir na esfera administrativa e judicial, inclusive de recursos que porventura já tenham sido interpostos, tendo em vista a adesão ao parcelamento supramencionado, o qual exige a desistência de quaisquer manifestações e alegações de direito em relação ao processo em referência. Na esteira desse entendimento, manifestada em petição nos autos do processo a renúncia total aos recursos interpostos, impõese reformar o Acórdão recorrido, de maneira a restabelecer a exigência fiscal, ainda objeto de contestação (CSLL), na forma constituída, conforme se extrai do artigo 78, § 2o, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, como segue: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo.” (grifamos) Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA PROCURADORIA E DARLHE PROVIMENTO, por outros fundamentos, restabelecendo o crédito tributário originalmente constituído, SOMENTE EM RELAÇÃO A CSLL, em virtude da desistência manifestada pela contribuinte, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 572DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10380.012919/200323 Acórdão n.º 9900000.918 CSRFPL Fl. 10 7 Fl. 573DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.909692/2009-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 96 92 /2 00 9- 24 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909692/200924 Acórdão n.º 3202001.554 S3C2T2 Fl. 375 3 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 376DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10725.720030/2007-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando a decisão não for omissa na matéria apontada. No caso, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou DE FORMA CONJUNTA os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração do processo do autos de infração e dos processos de todas as PER/DCOMPs.
Numero da decisão: 1401-001.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM os embargos declaratórios, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando a decisão não for omissa na matéria apontada. No caso, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou DE FORMA CONJUNTA os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração do processo do autos de infração e dos processos de todas as PER/DCOMPs.
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Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando a decisão não for omissa na matéria apontada. No caso, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou DE FORMA CONJUNTA os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração do processo do autos de infração e dos processos de todas as PER/DCOMP’s. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM os embargos declaratórios, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 00 30 /2 00 7- 07 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720030/200707 Acórdão n.º 1401001.392 S1C4T1 Fl. 3 2 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720030/200707 Acórdão n.º 1401001.392 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional em face da decisão proferida, em conjunto, no julgamento de um auto de infração e correlatas negativas de restituição de crédito tributário relacionados à operação da Contribuinte na execução do “Projeto Cabiúnas”. Conforme se extrai do relatório do julgamento realizado por esta Turma em 08 de agosto de 2013, “O trabalho fiscal empreendido neste feito originouse na análise do processo nº 19404.000358/200298 e resultou no lançamento fiscal realizado no processo nº 15521.000140/200751, cujo mérito também reflete a discussão travada nos pedidos de compensação analisados nos processos 10725.720028200720, 10725.720029200774, 10725.72003200707, 10725.720031200743, 10725.720109200720, 10725.720110200754, 10725.720111200707, 10725.720112200773 e 10725.720113200798, todos julgados conjuntamente tendo em vista a identidade de fatos e de direito aplicáveis ao deslinde dos mesmos”. Disso se extrai que, para evitar contradição nas decisões e coerência no julgamento, tanto o auto de infração quanto as negativas de compensação foram julgadas conjuntamente, tanto assim que os votos constantes de cada um dos processos possui o mesmo conteúdo. Em sede de embargos de declaração, os mesmos processos voltaram à apreciação desta Turma em 27 de agosto de 2014, sendo que este Relator fez consignar, naquela oportunidade que “Assim como no julgamento dos recursos voluntários, o julgamentos dos embargos de declaração serão feitos de forma conjunta”. Interpõe, agora, a Procuradoria da Fazenda Nacional, novos embargos de declaração, apenas para os processos nº 19404.000358/200298, 10725.720028/200720, 10725.720029/200774, 10725.720030/200707, 10725.720111/200707, 10725.720112/2007 43 e 10725.720113/200798, em que aduz o seguinte: A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, sem o trânsito em julgado do Processo Administrativo nº 15521.000140/200751, rejeitou as ponderações contidas nos Embargos de Declaração. Observase que para o correto desfecho do caso, o julgamento do presente feito (...) deveria aguardar a solução definitiva do processo nº 15521.000140/200751, pois ainda há a possibilidade deste ser reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que modificaria a posição adotada nesses autos. Com efeito, o julgamento do presente processo, sem a definitividade da decisão contida no Processo nº 15521.000140/200751, pode ocasionar decisões contraditórias, Fl. 469DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720030/200707 Acórdão n.º 1401001.392 S1C4T1 Fl. 5 4 já que a Câmara Superior de Recursos Fiscais pode adotar entendimento diverso daquele defendido pelo Acórdão nº 1401 001.250. A omissão na análise desse fato dificulta uma possível impugnação do julgamento, e, desse modo, cerceia o direito de defesa da União (Fazenda Nacional). Verificase, portanto, que esse fato repercute no processo, e dele, essa Egrégia Turma não se manifestou. Diante do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja conhecido e provido o presente recurso para que a e. Turma, sanando a omissão, se manifeste acerca do fato apontado Tendo em vista a identidade de matérias e dos fatos, os embargos serão analisados em conjunto. É o relatório, no necessário. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720030/200707 Acórdão n.º 1401001.392 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Os embargos são tempestivos, pelo que deles conheço. Argumenta, a Fazenda Nacional, que teria havido omissão nos julgados dos recursos voluntários e dos embargos de declaração, uma vez que “sem a definitividade da decisão contida no Processo nº 15521.000140/200751, pode ocasionar decisões contraditórias, já que a Câmara Superior de Recursos Fiscais pode adotar entendimento diverso daquele defendido pelo Acórdão nº 1401001.250”. Permissa venia, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração de forma conjunta. Não há dúvidas que o mérito de todos os processos supra relacionados estão interligados, sendo que os mesmos somente não foram apensados por conexão nessa instância por ausência de instrumentos hábeis a fazêlo. Não existe, assim, a omissão arguida. Muito ao contrário, atento a relação entre os feitos foi que, nos recursos voluntários foram “todos julgados conjuntamente tendo em vista a identidade de fatos e de direito aplicáveis ao deslinde dos mesmos”. E o mesmo se deu com relação aos embargos de declaração, que “feitos de forma conjunta”. Com esses fundamentos, voto no sentido de rejeitar os presentes embargos. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 471DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA
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