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Numero do processo: 19515.000602/2007-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
Ementa:
IRPF. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Rejeita-se a preliminar de nulidade do lançamento, quando não configurado vício ou omissão que possa ter cerceado o direito de defesa do contribuinte.
RENDIMENTO RECEBIDO DO EXTERIOR. COMPROVAÇÃO.
Não há que se falar em falta de provas por parte do fisco, quando em decorrência de investigação desenvolvida pela Polícia Federal, Ministério Público e outros órgãos federais, se constata que a contribuinte é responsável pela conta bancária movimentada no exterior.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
Numero da decisão: 2201-002.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência relativamente ao ano-calendário de 2001, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 03/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando não configurado vício ou omissão que possa ter cerceado o direito de defesa do contribuinte. RENDIMENTO RECEBIDO DO EXTERIOR. COMPROVAÇÃO. Não há que se falar em falta de provas por parte do fisco, quando em decorrência de investigação desenvolvida pela Polícia Federal, Ministério Público e outros órgãos federais, se constata que a contribuinte é responsável pela conta bancária movimentada no exterior. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 02 /2 00 7- 70 Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência relativamente ao anocalendário de 2001, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 03/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2001, 2002 e 2003, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 580/610, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 2.115.266,84, calculado até 28/02/2007. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. De acordo com o Termo de Verificação e Constatação Fiscal, fls. 2094/2115, anexos às fls. 2116/2190: 1 a contribuinte Fernanda Aznar Alesso Castueira foi identificada, através do Laudo de Exame EconômicoFinanceiro nº 1289/04, de 20/05/2004, do INCInstituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, como uma das titulares/representantes da subconta denominada IBIZA, de nº 310712, administrada pela empresa Beacon Hill Service Corporation, em agência do Banco JP Morgan Chase Bank – NY. (fls. 157 a 167, bem como documentos de fls. 94 a 120); 2 após intimada a comprovar as origens dos créditos bancários na referida subconta, e também em conta no Brasil, no Banco BRADESCO, a contribuinte não se manifestou, sendo então lavrado o Termo de embaraço à fiscalização, e providenciada a RMF (Requisição de Movimentação Financeira) ao BRADESCO. Em resposta, a contribuinte alegou desconhecimento dos valores referentes à conta IBIZA e nada informando sobre os depósitos no Brasil; Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000602/200770 Acórdão n.º 2201002.643 S2C2T1 Fl. 3 3 3 não tendo a contribuinte apresentado comprovantes quanto às origens dos créditos bancários no exterior e no Brasil, os valores creditados na conta IBIZA, nº 310712, foram imputados à fiscalizada pelo valor de 1/4 dos créditos não comprovados, nos termos do § 2º do art. 1º da IN SRF nº 246/2002, assim como os valores creditados nas contas junto ao Banco BRADESCO, não comprovados quanto à origem foram computados à proporção de 50%, por se tratarem de contas conjuntas. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresenta impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: PRELIMINARES PRELIMINAR. DECADÊNCIA. O anocalendário 2001 estaria decaído, uma vez que se trataria de lançamento por homologação, sujeito ao prazo decadencial previsto no art. 150, §4º do CTN. Cita doutrina e jurisprudência. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DOS DIREITOS DE PETIÇÃO E DE DEFESA. O Auto de Infração teria sido lavrado de forma arbitrária e ilegal, pois teria sido negado à contribuinte vista a material absolutamente necessário ao exercício de seu direito de defesa: a coletânea dos documentos conhecidos como “dossiê do contribuinte”. A interessada afirma que nem ao menos conseguiu protocolar petição para obter cópia dos referidos documentos, o que representaria uma afronta ao direito constitucional de petição (fl. 2215). A interessada conclui que deveriam existir no referido material documentos que não deveriam ou não poderiam ser conhecidos por ela, apesar de lhe dizerem respeito, o que, portanto, prejudicaria o seu direito de defesa. Alega que essa hipotética negativa, pois em sua opinião o auditor responsável pela fiscalização teria indeferido os pedidos de cópias por ela protocolados (fls. 617 e 618 – resposta da fiscalização à fl. 619), teria se dado de maneira indireta, oferecendolhe a cópia de um “dossiê de execução” (fl. 619). Conclui que haveria no dossiê de fiscalização, algo de que a contribuinte não deveria tomar conhecimento, pois, em caso contrário, não haveria razão para indeferir o pedido de cópias (transcreve o artigo 2º da Lei 9.784/99 e o artigo 13 do Decreto 2.134/97; cita doutrina a respeito da publicidade dos atos administrativos). Afirma que decisões secretas ou implícitas, como seria o caso do auto de infração impugnado, seriam nulas de pleno direito. Ainda, o Poder Público teria deixado “de atender a princípios constitucionais básicos, tais quais o da legalidade, da publicidade, do contraditório e da ampla defesa”. Seriam “vícios insanáveis e, como tal, de impossível convalidação! Os efeitos oriundos de tal ato” seriam “como se nunca tivessem existido no mundo do direito” (fl. 644 – grifos e negritos no original). Cita jurisprudência administrativa e judicial. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Conclui o tópico afirmando que à impugnante deveria ser franqueada vista ao PAF e ao dossiê de fiscalização, ou estaria caracterizado o cerceamento do direito de defesa. PRELIMINAR. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. A contribuinte incluiu a preliminar de nulidade em decorrência de suposta violação do sigilo bancário entre as questões de mérito às fls. 676 a 687. Porém, obviamente, esta é uma questão preliminar, por seu conteúdo, e assim será tratada nesta peça. A interessada argumenta que a ordem judicial às autoridades estrangeiras, expedida pelo Juiz Federal Sérgio Fernando Moro, da 2ª Vara Criminal de Curitiba/PR, não se dirigiria a ela, a impugnante. Em segundo lugar, suas contas bancárias no Brasil teriam sido violadas sem ordem judicial, em clara ofensa ao artigo 5º, incisos X e XII da Constituição Federal, pois, a seu ver, a Lei Complementar nº 105/2001 não conferiria à Receita Federal o “status” de órgão equiparado ao Poder Judiciário, e, portanto, a mesma não afastaria a necessidade de ordem judicial para a quebra do sigilo bancário. Pois esta somente poderia ser efetuada ou com ordem judicial ou por uma CPI. Além disso, o sigilo bancário, como garantia ou direito fundamental, seria cláusula pétrea da Constituição Federal e não poderia ser extinto nem por meio de emenda constitucional, mas somente por meio do poder constituinte originário, quanto mais por uma lei complementar, como é o caso da LC nº105/2001. Cita doutrina e jurisprudência. Dessa forma, o lançamento seria nulo, pois o sigilo bancário da interessada teria sido quebrado em ofensa à Constituição Federal. MÉRITO ÔNUS DA PROVA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO A interessada afirma que a fiscalização partiu de premissa falsa, de que operações comerciais com empresas que teriam sido citadas em algum lugar (não diz onde, nem quando) “não teria existido, teriam sido forjadas ou decorreriam de favor”. Afirma que seria preciso comprovar isto (negrito no original – fl. 651). Cita o artigo 2º, inciso VIII, da Lei nº 9.784/99: “em observância das formalidade essenciais à garantia dos direitos dos administrados”. Afirma que o ônus da prova é de quem alega, como dispõe o art. 36 daquela lei: “Art. 36. Cabe a interessada a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.” Cita o art. 9º do Decreto 70.235/72: “Art. 9º. A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000602/200770 Acórdão n.º 2201002.643 S2C2T1 Fl. 4 5 depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." (grifos da impugnante) Cita doutrina e jurisprudência no sentido de atribuir o ônus da prova da ocorrência dos elementos configuradores da ocorrência do fato gerador à Fazenda, dentro do princípio mais geral de que a prova das alegações incumbe a quem as faz (com a ressalva que seria imposto à Administração, por força do princípio da oficialidade, o dever de perseguir a prova). Afirma que, em desacordo com isso, o fisco teria considerado os depósitos bancários como indícios suficientes da infração fiscal apontada (fl. 659). A contribuinte trata da presunção usada como fundamento da autuação adiante, na impugnação, como será visto. NULIDADE DA PROVA POR VÍCIO DE ORIGEM. A interessada alega que os laudos elaborados pelo INC, “no interesse do IPL 1026/2003, solicitado pelo Delegado da Polícia Federal”, nem laudos seriam, pois não passariam de uma mera tradução juramentada de um documento de origem desconhecida, elaborado em território estrangeiro por pessoas também desconhecidas, ao qual a fiscalização conferiria os foros de verdade absoluta. O referido documento descreveria determinadas operações, mas não provaria a efetiva realização das mesmas, seria meramente descritivo e de conteúdo informativo, ou seja, seria uma lista que indicaria mas não provaria, pois as transações nele espelhadas não estariam comprovadas por si só, mas exigiriam “outras e diversas diligências, na busca das provas de sua existência” (fl. 836). De acordo com o entendimento da contribuinte, o laudo não teria força probante contra ela, que não teria sido o alvo das investigações no interesse do IPL 1026/2003, da Delegacia da Polícia Federal do Paraná. Assim, ainda que pudesse ser admitido, teria o caráter de prova emprestada de outros foros, de outras investigações com outros objetivos, nos quais a impugnante teria sido inserido de passagem, como um dos responsáveis pelas contas bancárias denominadas “Beacon Hill” e “Ibiza” em decorrência “de sua suposta assinatura nos cartões respectivos, nos documentos denominados ‘Substitute W 8”, no ‘Termo de Aceitação do Teor do Manual do Cliente’ e na ‘Declaração de Concordância Sobre Normas e Procedimentos’ para abertura de conta”. A interessado afirma que nenhum desses documentos teriam sido a ela apresentados e nem ao menos submetido a exame grafotécnico (por oportuno, cabe neste momento ressaltar que os documentos em tela, bem como cópias das páginas com os dados de identificação dos titulares pertencentes aos passaportes da interessada e demais pessoas físicas citadas no auto de infração como cotitulares das contas em questão, encontramse às fls. 94 a 120, devidamente autenticadas pelas autoridades diplomáticas brasileiras, e o laudo às fls. 157 a 167). Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 A contribuinte argumenta, ainda, que a operação Beacon Hill não teria se destinado diretamente à investigação das pessoas físicas mencionadas no Auto de Infração, as quais não teriam tido conhecimento dos fatos ali narrados, pois seus nomes teriam sido utilizados por terceiras pessoas, estas sim, destinatárias das investigações. A impugnante, portanto, não seria investigada no âmbito do IPL nº 1026/2003 e do processo nº 2003.70000303334, em trâmite na Justiça Federal de Curitiba/PR, dos quais teriam se originado os pedidos de quebra de sigilo bancário, e assim, os laudos, se possuíssem alguma força probante, não seria contra a interessada, pois que não teriam sido produzidos para demonstrar algo quanto a ela. Que não seria pessoa investigada e tampouco parte na relação processual que motivou a requisição da autoridade demandante. Portanto, a utilização desses laudos, estaria eivada de nulidade na origem, comprometendo a sua utilização como suposta prova da omissão de rendas da impugnante. Os laudos teriam sido produzidos sem seu conhecimento ou participação e seriam documentos de origem desconhecida ou, ao menos, duvidosa. A veracidade daquelas operações não teria sido averiguada nem pelo fisco estrangeiro, nem pelo pátrio (fl. 661). A interessada afirma que não haveria segurança de que os dados recebidos pela fiscalização em meio magnético não teriam sido manipulados eletronicamente. Questiona os critérios na elaboração das listas e a confiabilidade dos dados e das pessoas que efetuaram o trabalho. Pergunta se esses dados, eletrônicos e colhidos no exterior, seriam suficientemente seguros para embasar uma imputação fiscal. E conclui que, em sua opinião, evidentemente não o seriam. Afirma que seria obrigação da fiscalização investigar se tais informações correspondem à realidade. Daí, conclui que seriam provas obtidas por meios ilícitos, o que pela teoria da árvore envenenada, contaminaria tudo que delas resultou, em particular, a autuação. E mais, os ofícios expedidos pelas autoridades locais, solicitando a abertura do sigilo, valerseiam do Tratado de Mútua Assistência em Matéria Penal, que, por sua vez, precisaria ser individualizado para cada pessoa investigada e não poderia ser utilizado de forma genérica, para destinatários diversos e não identificados. A identificação das origens dos depósitos localizados em contas bancárias abertas no exterior, solicitada pela fiscalização, seria impossível, pois as contas mencionadas não pertenceriam à impugnante. Ainda que a titularidade estivesse comprovada, seria impossível exigir da contribuinte a identificação de cada um dos movimentos efetuados em cada conta bancária, independentemente da localização da instituição financeira, além do que, tal tarefa não constituiria dever legal da contribuinte, sendo por isso, inexigível (transcreve decisões dos Conselhos de Contribuintes), não podendo assim, ser Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000602/200770 Acórdão n.º 2201002.643 S2C2T1 Fl. 5 7 considerado omisso em relação a uma tarefa que nunca lhe foi imposta por lei. Para a contribuinte os limites no § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 seriam exigências cumulativas, ou seja, deveriam existir depósitos superiores a R$ 12.000,00 e a movimentação bancária deveria superar o limite global de R$ 80.000,00. Além do laudo ser inconclusivo, deveria ser enfrentada a questão das assinaturas nos documentos levantados pela fiscalização, tidas como indício da titularidade das contas bancárias, pois a mera “semelhança” de assinaturas não prova nada, pois a exigência mínima seria uma perícia grafotécnica, o que nunca foi feito. Mesmo que todas as presunções fossem verídicas, os créditos teriam sido originados no exterior, a partir de um depositante também do exterior, portanto, o fato teria ocorrido no exterior, e se há efeitos jurídicos, produzirseiam em território estrangeiro, e não no Brasil. No tocante aos depósitos em contas no Brasil, os valores espelhados não necessariamente constituiriam renda, tal como o ordenamento jurídico a define, pois renda só poderia ser tributada se efetivamente correspondesse a riqueza nova, e para se tributar somente esse “plus”, seria necessário o confronto entre todas as entradas e saídas, o que não teria ocorrido, pois a fiscalização simplesmente teria desconsiderado quaisquer saídas da suposta conta corrente da impugnante, tomando por base somente as entradas, numa atitude despropositada e inaceitável, e mais, os valores indicados em extrato bancário corresponderiam sempre à movimentação do dinheiro, permitindo que um mesmo valor fosse informado por mais de um banco, se tivesse sido movimentado entre diversas instituições financeiras, representando, nessa hipótese, o mesmo dinheiro, que teria circulado entre contas bancárias distintas, de um mesmo titular, além do que, os extratos poderiam conter empréstimos, valores liberados por cheques especiais, circulação de valores entre bancos, etc. A contribuinte alega, ainda, que o Conselho de Contribuintes já teria pacificado o entendimento no sentido de não admitir os depósitos bancários como suposto indicativo de omissão de receita, para fins de lançamento tributário. Cita jurisprudência, administrativa e judicial, em especial a Súmula 182 do extinto TFR. LIMITES DA PRESUNÇÃO A interessada argumenta, à fl. 670: “(...) não se admite a exigência de tributos ou penalidades com base em simples presunções.” Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Cita doutrina e conclui que a presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 não bastaria, mas seria preciso que a fiscalização apresentasse “ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS SEGUROS” de tais circunstâncias. (maiúsculas no original) À fl. 674, afirma que: No presente caso, a conclusão da Agente Fiscal não está fundamentada em qualquer norma jurídica que consagre a presunção de infração fiscal; decorre de meros indícios, e não de determinação legal, como é o caso das presunções legais.(negrito no original) Afirma que as presunções legais, absolutas ou relativas, teriam natureza equivalente e seriam inadmissíveis, por substituírem a verdade material pela verdade legal. Conclui, à fl. 676: Por força do princípio da verdade material, o exame da existência (ou não) dos fatos alegados pela fiscalização deve ser fixado através de uma livre e completa investigação no caso concreto, independentemente de regras prédeterminadas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS A interessada alega que: • Não há prova de que a IMPUGNANTE seja titular das contas bancárias investigadas; • Não há prova de que tais depósitos tenham ocorrido; • Não há inversão do ônus da prova, sendo inexigível do contribuinte a prova negativa das alegações do fisco (mesmo porque, tratase de prova impossível); • O princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal, demanda, como se sabe, a busca da verdade. Repete que fatos no estrangeiro produziriam efeitos apenas no estrangeiro. Afirma que depósitos e renda seriam conceitos distintos. Discorre a respeito, cita doutrina, e equipara renda a riqueza nova ou acréscimo patrimonial (fl. 689, in fine). Discorre sobre o princípio da capacidade contributiva e afirma que na apuração do imposto de renda deveriam ser levadas em conta todas as despesas necessárias à conformação da renda, ao acréscimo patrimonial (fl. 691). Como a fiscalização teria desconsiderado quaisquer saídas das supostas contascorrentes da impugnante, tomando por base somente as entradas, o auto de infração seria inconsistente. Volta a alegar que o mesmo valor poderia transitar entre diversas contas do mesmo titular, em diferentes instituições financeiras e que outros valores poderiam corresponder a empréstimos e a outras situações que não representem renda. Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000602/200770 Acórdão n.º 2201002.643 S2C2T1 Fl. 6 9 Questiona, ainda, a divisão dos valores entre os diferentes titulares da mesma conta em instituição financeira. Conclui citando jurisprudência, inteiramente baseada na Súmula 182 do extinto TFR e comenta que apesar dessa situação houve a autuação. JUROS DA TAXA SELIC A interessada afirma que os juros não poderiam ser aplicados à taxa SELIC, pois não haveria respaldo jurídico para tal, o que contrariaria a adoção de percentual acima de 1% estabelecido pelo CTN, e que a taxa Selic teria caráter de juros remuneratórios, não de juros de mora. Face ao exposto, requer o cancelamento do lançamento em foco. E requer, à fl. 702: Requer, outrossim, seja a IMPUGNANTE devidamente notificada da data e local da sessão de julgamento, para que possa, no exercício da plenitude de seu direito de defesa, assistir à sessão, pessoalmente ou através de advogado, entregar memoriais, sustentar oralmente, etc. DO JULGAMENTO REALIZADO, DA DETERMINAÇÃO JUDICIAL E DOS MEMORIAIS DE JULGAMENTO A interessado impetrou Mandando de Segurança contra o Delegado da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, para que fosse declarado sem efeito o julgamento ocorrido em 10 de dezembro de 2007 nos autos do processo administrativo n° 19515.000602/200770. Em 24 de setembro de 2008 foi prolatada a sentença cujo dispositivo é transcrito a seguir: Determino à autoridade impetrada que promova novo julgamento desse mesmo processo, cientificando a impetrante da sua hora e local de realização, permitindo a presença da contribuinte, acompanhada ou não de patrono, respeitandose o exercício da ampla defesa, seja pela entrega de memoriais, sustentação oral, participação nos debates e qualquer ato necessário ao exercício de tal direito. Em cumprimento à ordem judicial, foi a interessada intimada em 16 de maio de 2012 da realização de novo julgamento no dia 06/06/2012, ao qual foi facultada a presença de seu procurador legal. O procurador legal da interessada compareceu à Delegacia de Julgamento e apresentou memoriais de julgamento que foram anexados aos autos. Nesses memoriais o representante legal da interessada reproduz decisão do CARF em processo de outro titular de algumas das contas que serviram de base para a autuação em Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 10 análise e alega que o CARF prolatou acórdão em que teria concluído pela procedência da impugnação pela inexistência de provas aptas a embasála. Alega que o mesmo deveria ser aplicado ao presente processo. (grifei) A 17ª Turma da DRJ em São Paulo/SPI julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: PRELIMINAR. DECADÊNCIA. Configurado, no presente caso, o dolo, consistente na tentativa do contribuinte em evitar o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador do imposto de renda da pessoa física, o prazo para que a Fazenda Nacional exerça o direito da constituição do crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. A falta de vistas ao dossiê formalizado pela fiscalização não caracteriza cerceamento ao direito de defesa, na medida em que todos os elementos necessários à elaboração da impugnação estão presentes no conteúdo do processo administrativo de cobrança do crédito tributário. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. NULIDADE DA PROVA POR VÍCIO DE ORIGEM. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Na presença de comprovação incontestável de que o contribuinte foi o beneficiário dos depósitos efetuados em contascorrentes de sua titularidade e que foram objetos da presente autuação, há que se refutar a argumentação de nulidade da prova por vício de origem e de ilegitimidade passiva. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes com base em valores da CPMF. Preliminar rejeitada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. Havendo previsão legal para a aplicação da taxa SELIC, não cabe à Autoridade Julgadora exonerar a cobrança dos juros de mora legalmente estabelecida. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000602/200770 Acórdão n.º 2201002.643 S2C2T1 Fl. 7 11 EXCESSO DE EXAÇÃO. Não constitui crime de exação o lançamento efetuado pela autoridade fiscal pautado exclusivamente na legislação de regência do Imposto de Renda Pessoa Física. Impugnação Improcedente A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 11/12/2012 (fl. 973) e, em 19/12/2012, interpôs o recurso de fls. 974/1057, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos nos anos calendário 2001, 2002 e 2003. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, as preliminares suscitadas pela recorrente. Sobre a alegação de decadência, cabe o registro que as alterações legislativas do imposto de renda ao atribuir à pessoa física e jurídica a incumbência de apurar o imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, classificamse na modalidade de lançamento por homologação. E o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN) fixa prazo de homologação de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, no caso em que a lei não fixar outro limite temporal, independentemente de haver ou não pagamento do imposto. Entretanto, o art. 62A do Anexo II da Portaria MF n.º 586/2010, passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Em relação à decadência dos tributos lançados por homologação, temos como parâmetro o Recurso Especial nº 973.733/SC de 12/08/2009, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática prevista pelo art. 543C do CPC. O julgamento determinou que nos casos em que houver pagamento antecipado e/ou imposto de renda retido na fonte, ainda que parcial, o termo inicial será contado a partir do fato gerador, na forma do § 4º do art. 150 do CTN. No caso dos autos, como houve antecipação do imposto de renda, conforme Declaração de Ajuste de fl. 36, devese aplicar à regra contida no § 4º do art. 150 do CTN. Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Assim, o fato gerador do IRPF referente ao anocalendário de 2001 perfezse em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01 de janeiro de 2002 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31 de dezembro de 2006. Dessarte, como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 23/03/2007 (fl. 611) o crédito tributário constituído pelo lançamento, relativamente ao ano calendário de 2001, já havia sido atingido pela decadência. No que tange à alegação de cerceamento de seu direito de defesa, em razão da não disponibilização de toda documentação que alicerçou o lançamento, verifico, pois, que o argumento não merece acolhimento. Diferentemente do que alega a contribuinte, a autoridade autuante franqueou à recorrente todos os documentos que embasaram a autuação, conforme se infere dos esclarecimentos prestados pela autoridade fiscal à fl. 605 (fl. 712pdf). Verificase, também, que a recorrente ao impugnar a autuação, tanto em sua impugnação quanto em seu recurso, demonstrou ter pleno conhecimento da matéria consubstanciada no Auto de Infração, transcrevendo, inclusive, jurisprudência do CARF. Portanto, ausente prejuízo à defesa do autuado, não há que se cogitar cerceamento de seu direito de defesa. No que toca à alegação de afronta ao princípio da capacidade contributiva, vale ressaltar que a exigência foi praticada de acordo com a legislação de regência, que não pode deixar de ser aplicada com base em juízo subjetivo da administração tributária a respeito da capacidade contributiva. Isto é, a compatibilização da carga tributária ao princípio da capacidade contributiva deve ser considerada pelo legislador, ao criar os impostos de sua competência, e, por conseguinte, não pode ser suscitado administrativamente. Quanto à alegação de quebra ilegal de sigilo bancário, constatase que o afastamento do sigilo bancário da contribuinte foi determinado pelo Juiz da Segunda Vara da Justiça Federal de Curitiba/PR, conforme processo nº 200370000303334, datado de 27/08/2003. Assim, não tem qualquer sentido a preliminar aventada, pois o inconformismo da recorrente deveria ser dirigido à autoridade judicial que determinou a quebra de seu sigilo bancário e não a autoridade fazendária. Sobre o pedido de sobrestamento dos autos, cumpre esclarecer que a Portaria MF nº 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Assim, o procedimento de sobrestamento não é mais aplicado no CARF. Finalmente, tendo o lançamento sido efetuado de acordo com a legislação tributária pertinente e não se verificando que o agente fiscal procedeu além dos limites das funções ou atribuições que são determinadas legalmente, não há que se falar em excesso de exação. Encerrada as questões preliminares, passase à análise do mérito. No mérito, cumpre trazer a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000602/200770 Acórdão n.º 2201002.643 S2C2T1 Fl. 8 13 aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Quanto à argumentação de que os depósitos bancários não conduziriam a presunção de disponibilidade econômica, vale registrar que o fato gerador do Imposto de Renda, conforme art. 43 do Código Tributário Nacional1, alberga tanto as disponibilidades econômicas quanto as disponibilidades jurídicas de renda ou proventos de qualquer natureza. Cabe esclarecer que o § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/1990, que previa o arbitramento dos rendimentos com base na renda presumida, foi expressamente revogado pelo art. 88, inciso XVIII, da Lei nº 9.430/1996. Isso, aliás, ratifica a intenção do legislador em dar novo tratamento à matéria, eis que, na lei nova, deixou de existir a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Passando às questões pontuais de mérito, alega a suplicante que o laudo não teria força probante, já que não teria sido o alvo das investigações no interesse do IPL 1026/2003 da Delegacia da Polícia Federal do Paraná. Assim, ainda que pudesse ser admitido, teria o caráter de prova emprestada de outros foros, de outras investigações com outros objetivos, nos quais a impugnante teria sido inserida de passagem, como um dos responsáveis pelas contas bancárias denominadas “Beacon Hill” e “Ibiza” em decorrência “de sua suposta assinatura nos cartões respectivos”. Assevera a interessada que nenhum desses documentos teriam sido a ela apresentados e nem ao menos submetido a exame grafotécnico, além de afirmar que esses dados eletrônicos colhidos no exterior não seriam suficientemente seguros para embasar uma imputação fiscal. Por fim, afirma que se todas as presunções fossem verídicas, os créditos teriam sido originados no exterior, a partir de um depositante também do exterior, portanto, o fato teria ocorrido no exterior, e se há efeitos jurídicos, produzirseiam em território estrangeiro, e não no Brasil. Pois bem, no auto de infração a autoridade fiscal imputa a contribuinte infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, que restou evidenciada pelo extrato da conta nº 310712 do Beacon Hill Service Corp às fls. 218/241pdf, documentos de fls. 205/217pdf, bem como pelo cartão de assinatura de fl. 120pdf, conforme apurado durante as investigações do “Caso Banestado”. Em seu apelo, a contribuinte procura desqualificar da prova, afirmando que os dados eletrônicos colhidos no exterior não seriam suficientemente seguros para embasar uma imputação fiscal. Todavia, penso de forma diversa da recorrente. Com efeito, o tipo de operação praticada pela contribuinte objetivava ocultar das autoridades fiscais brasileiras 1 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 14 recursos no exterior e, dessa feita, a prova produzida pela fiscalização dificilmente seria obtida por meio de registros contábeis da contribuinte ou em documento por ela assinado. Além do que, a maioria dessas transações financeiras era efetuada por ordens verbais ou eletrônicas e, nesses casos, a prova é formada por um conjunto de elementos que convergem no sentido de revelar a ocorrência de determinados fatos envolvendo certos agentes. Não se pode perder de vista que os documentos e/ou informações obtidas pela Polícia Federal, com os quais embasou o Laudo Pericial, foram fornecidas por instituições financeiras, a princípio, idôneas, de sorte que tais informações, se não contrapostas, valem como verdadeiras, surtindo, pois, os efeitos jurídicos pretendidos no feito fiscal em apreço. Portanto, o laudo identifica como material examinado o dossiê da conta analisada, contendo cópias reprográficas de documentos bancários e cadastrais, as mídias computacionais apresentadas pela promotoria do Distrito de Nova Iorque e o laudo abrangendo a movimentação financeira das diversas contas correntes no Banestado NY. Registrese, ainda, que até prove em contrário, a contribuinte não possui homônimos, razão pela qual considerando todas as cautelas que cercam as operações dessa natureza, não há nenhum indício concreto que possa levar à conclusão de que alguém tivesse se enganado, consciente ou inconscientemente, quanto ao nome da contribuinte ou estivesse tentando encobrindo terceiros. Assim, independentemente da origem do depósito, a recorrente está sujeita a legislação brasileira, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Nesse mesmo sentido, não tem passagem a alegação de utilização de prova emprestada, já que a autoridade fiscal pode utilizar informações colhidas por outras autoridades fiscais ou judiciais para efeito de lançamento de Imposto de Renda, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. No caso dos autos, todos aqueles que figuram como titulares da denominada Beacon Hill foram selecionados para procedimento fiscal pela Receita Federal, em razão de apuração de infração a legislação tributária. Concluo, pois, que os documentos constantes dos autos são suficientes para referendar a identificação do sujeito passivo como um dos responsáveis pelas contas bancárias denominadas “Beacon Hill” e “Ibiza” em decorrência “de sua assinatura nos cartões respectivos, nos documentos denominados “Substitute W8”, no “Termo de Aceitação do Teor do Manual do Cliente” e na “Declaração de Concordância Sobre Normas””. Dessarte, em face da ausência de elementos fáticos de que não houve omissão de rendimentos, não há como acolher a alegação da contribuinte. Ressaltese que, de acordo com o quadro demonstrativo de fl. 739pdf, verificase que os valores depositados nas contas da contribuinte ficaram acima dos limites individuais e globais previstos no inciso II do § 3º do art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Por fim, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, consoante determina a Súmula nº 4 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000602/200770 Acórdão n.º 2201002.643 S2C2T1 Fl. 9 15 Ante a todo o exposto, voto por acolher a preliminar de decadência relativamente ao anocalendário de 2001, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10935.006908/2007-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/08/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO A NFLD. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-003.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento em parte ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para limitar as multas dos Autos de Infração e NFLD ao percentual de 75% sobre o valor do principal, ressalvados os períodos em que tenha havido decadência do valor do principal, em que deverá ser mantido o montante determinado pelo colegiado a quo. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martínez Lopez, que votaram por negar provimento ao recurso. Originalmente, nos termos do art. 60 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o Conselheiro Marcelo Oliveira havia votado por dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 18/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO A NFLD. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 69 08 /2 00 7- 14 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento em parte ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para limitar as multas dos Autos de Infração e NFLD ao percentual de 75% sobre o valor do principal, ressalvados os períodos em que tenha havido decadência do valor do principal, em que deverá ser mantido o montante determinado pelo colegiado a quo. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martínez Lopez, que votaram por negar provimento ao recurso. Originalmente, nos termos do art. 60 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o Conselheiro Marcelo Oliveira havia votado por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora EDITADO EM: 18/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n° 37.125.1389, tendo em vista que a empresa deixou de informar em GFIP, nas competências 03/2000 a 08/2007, os valores constantes das faturas de prestação de serviços, relativamente aos serviços prestados por cooperados médicos por intermédio da Unimed Cascavel Cooperativa de Trabalho Médico S/C Ltda. – CNPJ 81.170.003/000175. A decisão de Primeira Instância foi proferida em 14/10/2008 (fls. 136 a 142) e o Recurso Voluntário foi interposto em 23/12/2008 (fls. 153 a 166). Em 18/01/2010, o Contribuinte protocolou requerimento de desistência do Recurso Voluntário, conforme a seguir (fls. 169/170): “AERCOL — ASSOCIAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS DA COPACOL, inscrita no CNPJ sob nº. 77.110.203/000165, requer, para efeito do que dispõe a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009,a desistência parcial do recurso interposto.no, processo administrativo nº 10935.006908/200714. Declara, ainda, que renuncia, de forma irrevogável e irretratável, a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamenta o recurso, na parte relativa à presente desistência. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 10935.006908/200714 Acórdão n.º 9202003.641 CSRFT2 Fl. 12 3 A desistência parcial acima mencionada referese aos seguintes débitos: Código Período de Apuração Valor do Débito novembro/2002 a agosto/2007 R$ 36.451,74 Tendo em vista a desistência ora manifestada a Vossa Senhoria, o recurso interposto fica restrito à questão da ocorrência ou não de decadência relativamente às exigências correspondentes ao período de dezembro/2001 a outubro/2002, já que a decisão recorrida somente reconheceu a decadência para as exigências relativas ao período de março/2000 a novembro/2001, enquanto que o período restante, ou seja novembro/2002 a agosto/2007, corresponde justamente ao objeto da desistência ora apresentada a esse E. Conselho.” Em face do requerimento acima, o SECOJ deste CARF devolveu os autos à DRF em Cascavel/PR, para análise (fls. 175). Em 10/02/2010, a DRF em Cascavel/PR devolveu o processo ao CARF, com o seguinte despacho (fls. 176): “1 — Às fls. 160 a empresa acima mencionada solicita desistência parcial do recurso interposto no processo administrativo n° 10935.006908/200714. 2— Cita o artigo 13 § 4º da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 22 de julho de 2009: "Somente será considerada a desistência parcial de impugnação e de recurso administrativos interpostos ou de ação judicial, se o débito objeto de desistência for passível de distinção dos demais débitos discutidos na ação judicial ou no processo administrativo." 3 — O presente AI —Auto de Infração referese a obrigação acessória (multa) constando rubrica e competência única não sendo possível a desistência parcial do mesmo. 4 Face o acima exposto procedese a devolução do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento.” Em sessão plenária de 11/05/2011, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2403000.531 (fls. 177 a 185), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/08/2007 PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA PARCIAL QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 4 O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP Nº 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150, § 4º do Código Tributário Nacional só seria aplicada quando fosse constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional AUTO DE INFRAÇÃO.DESCUMPRIMENTO.OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP’S. INFORMAÇÕES DE DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. Caso a empresa apresente informações que contenham informações não relacionadas a fatos geradores, será lavrado Auto de Infração por esse descumprimento de obrigação acessória de informar corretamente ao fisco. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, nas preliminares, reconhecer a decadência até 10/2002 com base no art 150 § 4º do CTN. Vencidos os conselheiros. Marthius Sálvio Cavalcante Lobato e Carlos Alberto Mees Stringari que votaram pelo art 173 do CTN. No mérito, por unanimidade votos dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa, na forma do art.32A da Lei n 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao Fl. 221DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 10935.006908/200714 Acórdão n.º 9202003.641 CSRFT2 Fl. 13 5 contribuinte, de acordo com o art.106, II, “c” do Código Tributário Nacional.” Cientificada do acórdão em 18/08/2011 (fls. 186), a Fazenda Nacional interpôs, na mesma data (fls. 188), o Recurso Especial de fls. 189 a 197, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a aplicação da retroatividade benigna, mediante recálculo da multa na forma do art.32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Às fls. 198 consta despacho do Presidente da Câmara recorrida, sem data, autenticado em 21/11/2011, proferido nos seguintes termos: “Em cumprimento ao disposto no inciso XIX, do artigo 18 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n ° 256 de 22 de junho de 2009, determino a devolução do presente auto à Repartição de Origem, para as providências necessárias, tendo em vista a desistência do recurso da parte interessada de acordo com o Email endereçado a Francisca das Chagas Linhares Bezerra de 22/08/2011 conforme copia em anexo.” Às fls. 199 consta cópia do referido email, ilegível. Assim, o processo foi novamente devolvido à DRF Cascavel/PR, que proferiu, em 06/12/2011 o seguinte despacho (fls. 201): “1 — Processo devolvido a esta Seção, por solicitação, tendo em vista noticia de desistência do recurso interposto no processo administrativo n° 10935.006908/200714, para os fins da Lei 11.941/09. 2 — Analisando os autos do processo, constatase que a desistência foi parcial (fls. 160/161). Sobre a desistência parcial, esta Seção já havia se manifestado, conforme despacho de fls. 167, com fundamento no artigo 13, § 4°, da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 22 de julho de 2009, que dispõe que: Somente será considerada a desistência parcial de impugnação e de recurso administrativos interpostos ou de ação judicial, se o débito objeto de desistência for passível de distinção dos demais débitos discutidos na ação judicial ou no processo administrativo. 3 — Assim, considerando que o presente processo cuida de AI — Auto de Infração referente a descumprimento de obrigação acessória, composto de rubrica e competência únicas, constatou se à época (o que não mudou ate o presente momento) não ser possível a desistência parcial do recurso do mesmo, em razão da impossibilidade de seu desmembramento. 4 — Face ao exposto procedese a devolução do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Quarta Camara — Segunda Seção, para prosseguimento.” Fl. 222DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 6 Assim, finalmente foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, conforme o Despacho nº 2400091/2012, de 23/01/2012 (fls. 202/ a 203). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias, portanto não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito; o que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; nessa linha, constatase que antes das inovações da MP nº 449, de 2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II, da Lei nº 8.212, de 1991, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32, da Lei nº 8.212, de 1991 (multa isolada). com o advento da MP nº 449, de 2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212, de 1991. o art. 32A, em sua redação dada pela MP nº 449, de 2008, dispõe que: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo.” tratase de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91; o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% ; assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida; contudo, a MP nº 449, de 2008, também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, in verbis: Fl. 223DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 10935.006908/200714 Acórdão n.º 9202003.641 CSRFT2 Fl. 14 7 “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” tal dispositivo remete à aplicação do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 96, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” a leitura do dispositivo acima transcrito corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991, ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212, de 1991; essa foi a conclusão a que chegou o eminente relator do acórdão paradigma e que reflete a melhor interpretação da nova sistemática de lançamento das contribuições previdenciárias; ressaltase que, conforme salientado alhures, houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito; logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei nº 9.430/96). nessa linha de raciocínio, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, no sentido de se verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 8 Cientificado do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 10/02/2012 (fls. 205), o Contribuinte ofereceu, em 24/02/2012, as Contrarrazões de fls. 208 a 215, alegando que o Recurso Especial da Fazenda Nacional deve ser declarado prejudicado, já que não teria utilidade, por falta de objeto. Isso porque o apelo diz respeito ao período de novembro de 2002 a agosto de 2007, objeto de desistência por parte do Contribuinte, tendo em vista a adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Preliminarmente, quanto à alegação apresentada em sede de Contrarrazões, no sentido de que o apelo deveria ser declarado prejudicado, tendo em vista que o crédito tributário relativo ao seu objeto teria sido parcelado, consta às fls. 176 despacho proferido em 10/02/2010 pela DRF em Cascavel/PR, reiterado em 06/12/2011 às fls. 201, informando acerca da impossibilidade de parcelamento parcial, no presente caso. Assim, rejeito a preliminar arguida pelo Contribuinte em sede de Contrarrazões, conheço do Recurso Especial e passo a examinálo. Tratase do Auto de Infração – AI n° 37.125.1389, tendo em vista que a empresa deixou de informar em GFIP, nas competências 03/2000 a 08/2007, os valores constantes das faturas de prestação de serviços, relativamente aos serviços que foram prestados por cooperados médicos por intermédio da Unimed Cascavel Cooperativa de Trabalho Médico S/C Ltda. – CNPJ 81.170.003/000175. Este Auto de Infração está associado a NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, conforme o TEAF – Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 29. Na decisão recorrida, foi determinada a aplicação da multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, caso esta seja mais benéfica à Contribuinte. Os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, que orientavam o Auto de Infração e a NFLD tinham a seguinte redação: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) §4º. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável Fl. 225DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 10935.006908/200714 Acórdão n.º 9202003.641 CSRFT2 Fl. 15 9 equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. (...) § 7º. A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (...) Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” Assim, no caso em apreço, considerandose que houve exigência por meio de Auto de Infração (descumprimento de obrigação acessória, objeto do presente processo) e de NFLD (descumprimento de obrigação principal), foram aplicadas duas multas, no contexto de lançamento de ofício. Com efeito, o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e NFLD não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. Resta perquirir se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, a teor do art. 106, II, do CTN. Para tanto, porém, é necessário que se estabeleça a exata correlação entre as multas anteriormente previstas e aquelas estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009, a ver se efetivamente seria o caso, e em que condições aplicarseia a retroatividade benigna. As alterações promovidas pela Lei nº 11.941, de 2009, nos artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, no sentido de uniformizar os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, são as seguintes: Fl. 226DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 10 “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) Art. 32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. E o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, assim estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Fl. 227DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 10935.006908/200714 Acórdão n.º 9202003.641 CSRFT2 Fl. 16 11 Destarte, resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício, envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Diante do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que, na fase de execução desta decisão, se aplique a situação mais benéfica para a Contribuinte: a soma das duas multas, aplicadas no presente Auto de Infração e na NFLD correspondente; ou a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, ressalvandose que nos períodos em que porventura tenha ocorrido a decadência da obrigação principal, deverá ser mantida a multa aplicada no acórdão recorrido. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 228DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 13502.900760/2013-32
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba SP (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, com base nos documentos apensados aos autos às fls. 243/1.312 e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS conforme alegado e de acordo com o contido no voto, elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Solon Sehn.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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DE CERV. E REFRIG. DO NORDESTE S/A, CNPJ nº 01.278.018/000112). Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba – SP (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, com base nos documentos apensados aos autos às fls. 243/1.312 e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS conforme alegado e de acordo com o contido no voto, elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Solon Sehn. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .9 00 76 0/ 20 13 -3 2 Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900760/201332 Resolução nº 3802000.391 S3TE02 Fl. 1.318 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a decisão do Acórdão nº 0646.386, da 3ª Turma da DRJ de Curitiba (PR) fls. 191/196, que não homologou a compensação constante do PER/DCOMP nº 00584.44654.250310.1.3.040021, nos termos do despacho decisório emitido em 03/07/2013 pela DRF Sorocaba (rastreamento nº 56416035). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 25/03/2010, a contribuinte indicou um crédito de R$ 768.249,84 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 15/05/2006, sob o código 5856, no valor de R$ 1.576.310,52) e débitos de sua responsabilidade no valor total de R$ 1.095.447,45. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO DESPACHO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. Se a contribuinte, intimada, não apresenta documentos contábeis capazes de comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu Dacon (retificadores), apresentados, ainda que previamente à emissão do despacho decisório, não há como reconhecer direito creditório, devendose manter a não homologação da compensação pleiteada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos contidos nos autos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 14/08/2013, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 00584.44654.250310.1.3.040021, nos termos do despacho decisório emitido em 03/07/2013 pela DRF Sorocaba (rastreamento nº 56416035). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 25/03/2010, a contribuinte indicou um crédito de R$ 768.249,84 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 15/05/2006, sob o código 5856, no valor de R$ 1.576.310,52) e débitos de sua responsabilidade no valor total de R$ 1.095.447,45. Segundo o despacho decisório, cientificado em 15/07/2013, a compensação não foi homologada porque, apesar de o pagamento ter sido localizado, não foi apurado saldo para fins de compensação. Na manifestação apresentada, a interessada discorre sobre os fatos havidos, diz que antes da emissão do despacho decisório foi intimada a Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900760/201332 Resolução nº 3802000.391 S3TE02 Fl. 1.319 3 apresentar documentos que comprovassem a origem do pagamento indevido, consoante processo administrativo nº 10855.722095/201261, e que tais documentos foram apresentados. Aduz, ainda, que a origem dos créditos foi considerada não comprovada pela fiscalização e que a compensação não foi homologada. Discorda da decisão e afirma que tanto a DCTF quanto o Dacon foram retificados antes da ciência do despacho decisório. Salienta que a declaração retificadora substitui integralmente a que foi retificada e, por considerar espontânea a transmissão da declaração, pede que a mesma seja acolhida. Transcreve jurisprudência do CARF e, ao final, pede a homologação da compensação. Às fls. 152 a 190, juntaramse extratos de consulta aos sistemas de controle de DCTF e Dacon. É o relatório. Em 05/05/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância, conforme consta às fls. 201 (ciência eletrônica – abertura do Portal eCAC). Inconformada com a decisão da DRJ/CTA, em 04/06/2014 (recibo do SVA, fl. 203), apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 206/221), argumentando em suas razões que: 1) Dos fatos e decisão recorrida Em síntese, defende a recorrente que, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos, o que acarretou a revisão da apuração de COFINS relativa ao período de abril/2006. E, consequentemente, a constatação de que o mont,ante I devido para referido período de COFINS era de R$ 2.614.857,51 (5856) e não de R$ 3.383.107,35, conforme anteriormente ela havia informado no DACON e na DCTF, ensejou uma diferença passível de restituição/compensação na quantia de R$ 768.249,84 (R$ 3.383.107,35 R$ 2.614.857,51 = R$ 768.249,84). Uma vez retificadas as DCTF e DACON de forma espontânea, ou seja, antes da ciência do despacho decisório, as declarações retificadas (DACON e DCTF) têm a mesma natureza das declarações originais, substituindoas integralmente. Da análise do acórdão recorrido revela que o reconhecimento do direito ao crédito está condicionado à comprovação, por meio da apresentação de provas materiais (documentos contábeis), das alterações por ela feitas na DCTF e no DACON. 2) Das razões da reforma da Decisão Recorrida 2.1 Da revisão da apuração da COFINS e do PIS realizada pela recorrente Tal revisão se fez necessária ante o objetivo almejado pela recorrente de adequar o processo de apuração do PIS e da COFINS, centralizandoo em seu estabelecimento matriz, haja vista que, as referidas apurações eram realizadas em cada um de seus estabelecimentos filiais, com a utilização de critérios que divergiam com o praticado pela matriz. Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900760/201332 Resolução nº 3802000.391 S3TE02 Fl. 1.320 4 A realização da revisão tinha como escopo criar critérios únicos para apuração do PIS e da COFINS, ajustando eventuais equívocos. Conforme demonstra a tabela abaixo, que corresponde às fichas l6A e 16B da DACON, a base de cálculo do crédito apurado, no valor total de R$ 19.432.163,99, foi composta por valores referentes aos bens para revenda, bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis, fretes, encargos de depreciação e valor de aquisição sobre bens do ativo, devolução de vendas, créditos por unidade de medida de produto, outros créditos e bens utilizados como insumos – importação (quadro demonstrativo elaborado no recurso): Alega que tal composição encontra respaldo nos documentos fiscais/contábeis da recorrente, anexados ao presente recurso. A fim de comprovar referida afirmação, a recorrente junta aos autos as planilhas anexas elaboradas de acordo com os valores contidos nos resumos dos livros de registro de apuração do IPI e do I ICMS entradas de cada estabelecimento (doc. n° 1), os CFOPS de cada operação (doc. n° 2), os rótulos de linha (doc. nº 3) as notas fiscais de entrada daquele estabelecimentos (doc. n° 4). Ressaltase que tais demonstrativos foram feitos com espeque nos registros efetuados nos livros de apuração do IPI e do ICMS entradas e saídas e nas notas fiscais de entrada de cada estabelecimento, motivo pelo qual, nesta oportunidade, juntamse aos autos as cópias daqueles registros (doc. n° 5). Por conseguinte, algumas destas operações de entrada ensejaram à recorrente, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, a tomada de créditos de COFINS, a qual por ela foi devidamente efetuada, nos termos da tabela supramencionada. A fim de elucidar que tais créditos foram corretamente encontram respaldo nos documentos fiscais/contábeis, juntamse os demonstrativos anexos (doc. nº 1 ao 16 – fls. 243/1.312). 2.2) Do direito ao crédito da COFINS e do PIS sobre materiais e serviços adquiridos Na época da revisão realizada, a recorrente contratou a empresa PricewaterhouseCoopers Contadores Públicos para a realização de um estudo, cuja cópia se encontra acostadas aos autos (fls. 370/392). Amparada pelo estudo desenvolvido pela PwC, a recorrente apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos anteriormente, com relação a materiais e serviços adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo e despesas de frete relacionadas à aquisição dos materiais adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos. Cita e transcreve várias Soluções de Consulta elaborada pela Receita Federal do Brasil. 3) Do pedido Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900760/201332 Resolução nº 3802000.391 S3TE02 Fl. 1.321 5 Ante todo o exposto, requer o provimento do recurso voluntário de forma a homologar integralmente a declaração de compensação em discussão. Caso entendam que os documentos ora apresentados não são suficientes à confirmação da integralidade do crédito, pedese a conversão deste julgamento em diligência, a fim de que a verdade material seja enfim demonstrada. Por fim, solicita a sustentação oral de suas razões, requer ainda que seja intimada por via postal e, por fim, também intimado de todos os atos processuais, por via postal, o seu advogado, conforme nome e endereço acostado no recurso. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Da admissibilidade do recurso Como visto, em 05/05/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (fl. 201 – data da abertura dos arquivos no link Portal eCAC). Em 04/06/2014 (fl. 203 – recibo entrega pelo SVA), apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 206/221). Portanto, o recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Da análise do processo No caso sob análise, temos que a controvérsia trata que a Recorrente, após intimada em processo específico, não apresentou documentos contábeis capazes de comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu Dacon (retificadores), apresentados, ainda que previamente à emissão do despacho decisório. No caso, além dos Dacon retificadores e da Solução de Consulta, nenhuma outra prova foi apresentada, concluindo a decisão recorrida que “resta inegável que o direito não pode ser reconhecido”. Segundo o despacho decisório, cientificado em 15/07/2013 (fls. 10 e 11), a compensação não foi homologada porque, apesar de o pagamento ter sido localizado, não foi apurado saldo para fins de compensação. Consta dos autos que, em relação ao mês de abril de 2006, a Recorrente transmitiu 02 declarações DCTF (em 06/10/2006 e 25/03/2010). Nelas, a contribuinte alterou o débito sob análise de R$ 3.212.946,91 para R$ 2.614.857,51. Por sua vez, quanto aos Dacon, vêse que apresentou dois demonstrativos (em 06/10/2006 e 22/02/2010) com alterações nos débitos apurados. Ressaltese que o despacho decisório em questão foi cientificado no dia 15/07/2013 (fls.10 e 11) e, portanto, antes de sua emissão (e da ciência), nos dias 22/02/2010 e 25/03/2010, respectivamente, o DACON e a DCTF (fls. 152/190 extratos de consultas sistemas DCTF e Dacon), foram retificados pela Recorrente, afim de alterar o valor da COFINS devida no período de apuração de abril de 2006. Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900760/201332 Resolução nº 3802000.391 S3TE02 Fl. 1.322 6 Quanto a esses ocorridos, a decisão a quo, analisando os autos a luz dos fatos constantes na manifestação de inconformidade, concluiuse da seguinte maneira: (...) Tais alterações, é válido ressaltar, decorreram da mudança nos valores de diversos outros itens do Dacon, tais como: bens para revenda, bens utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, devolução de vendas, ajustes positivos e negativos de créditos, receitas financeiras, outras receitas, receitas isentas, etc. Aludidos ajustes, como pode ser verificado, ocorreram previamente à ciência do despacho decisório que concluiu pela inexistência do direito ao crédito. Apesar de haver decisões administrativas, como a citada na manifestação de inconformidade, acolhendo tais retificações quando ocorridas antes de a contribuinte ser cientificada de algum despacho/decisão envolvendo os créditos tributários tratados nessas retificações, não há como perder de vista que a contribuinte foi intimada em processo específico (nº 10855.722095/201261), acerca da necessidade de comprovar o motivo das alterações por ela inseridas em suas DCTF e em seus Dacon (Intimação DRF/SOR/SEORT nº 1912/2011 – ESK, recebida em 15/12/2011): (...). (...) Pois bem, na medida em que houve uma intimação prévia acerca dos créditos pleiteados, a discussão acerca da existência do crédito passa, necessariamente, para a comprovação dessas alterações, ou seja, antes de se avaliar a questão da espontaneidade das retificações, devese constatar se, nos termos da legislação – e nesse ponto o § 1º do art. 147 do CTN é esclarecedor – houve efetivamente algum erro de fato que, tendo sido comprovado, mereça ser corrigido. Noutras palavras, o fato de a contribuinte ter retificado espontaneamente sua DCTF e seu Dacon, não tem o condão, por si só, de gerar o direito creditório pretendido, afinal, uma vez que ela foi intimada a justificar (apresentando provas materiais) as alterações efetuadas na DCTF e no Dacon, a discussão acaba se deslocando justamente para a comprovação dessas alterações (grifo nosso). Por outro giro, a Recorrente aduz em seu recurso que, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos, o que acarretou a revisão da apuração de COFINS relativa ao período de abril/2006. Que uma vez retificadas as DCTF e DACON de forma espontânea, ou seja, antes da ciência do despacho decisório, as declarações retificadas (DACON e DCTF) têm a mesma natureza das declarações originais, substituindoas integralmente. Destaca que a origem do crédito pretendido está amparada pelo estudo desenvolvido pela empresa PwC (fls. 370/392), concluindo que a recorrente apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos anteriormente, com relação a materiais e serviços adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900760/201332 Resolução nº 3802000.391 S3TE02 Fl. 1.323 7 utilizados no processo produtivo e despesas de frete relacionadas à aquisição dos materiais adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos. Ressalta que tal revisão se fez necessária ante o objetivo almejado de adequar o processo de apuração do PIS e da COFINS, centralizandoo em seu estabelecimento matriz, haja vista que referidas apurações eram realizadas em cada um de seus estabelecimentos filiais, com a utilização de critérios que divergiam com o praticado pela matriz. Enfatiza ainda, que a recomposição demonstrada no recurso encontrase respaldada pelo demonstrativo e documentos fiscais e contábeis que estão anexados aos presentes autos. Pois bem. Neste passo, considerando os dados e informações registrados nos documentos anexo aos autos (fls. 243/1.312), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo agente fazendário da origem do processo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste em uma providência que resulta na melhor aplicação do Direito e da Justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Com base nessas considerações, devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (PAF), voto pela conversão do julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à DRF de Sorocaba – SP (domicílio tributário da Recorrente), para que: 1) com base nos documentos apensados aos autos às fls. 243/1.312 (planilha de cálculo, informações e cópia de documentos, demonstrativos e extrato de livros contábeis e fiscais), levandose em conta a DCTF e DACON, retificados, e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03, analisar se os dispêndios alegados pela recorrente são passíveis de apropriação de créditos da COFINS, conforme demonstrativo de apuração elaborado às fl. 213 do recurso voluntário; após, 2) elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados. Após a conclusão da diligência, devem ser intimados sucessivamente a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestaremse sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 18186.002756/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ESPÓLIO. NULIDADE.
Ciente da morte do contribuinte antes da lavratura da notificação de lançamento, esta deveria ser efetuada em nome do espólio, responsável pelo tributo devido pelo de cujus.
A ausência de indicação da expressão espólio, no presente caso, não se trata de mero erro formal, dada a aplicação da multa de ofício de 75% e não da multa prevista no artigo 964, I, b do RIR/99, à evidência de que o sujeito passivo identificado pela autoridade autuante era o de cujus e não o espólio, em violação aos artigos 131, III e 142 do CTN.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-002.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ESPÓLIO. NULIDADE. Ciente da morte do contribuinte antes da lavratura da notificação de lançamento, esta deveria ser efetuada em nome do espólio, responsável pelo tributo devido pelo de cujus. A ausência de indicação da expressão espólio, no presente caso, não se trata de mero erro formal, dada a aplicação da multa de ofício de 75% e não da multa prevista no artigo 964, I, b do RIR/99, à evidência de que o sujeito passivo identificado pela autoridade autuante era o de cujus e não o espólio, em violação aos artigos 131, III e 142 do CTN. Recurso provido.
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ESPÓLIO. NULIDADE. Ciente da morte do contribuinte antes da lavratura da notificação de lançamento, esta deveria ser efetuada em nome do espólio, responsável pelo tributo devido pelo de cujus. A ausência de indicação da expressão “espólio”, no presente caso, não se trata de mero erro formal, dada a aplicação da multa de ofício de 75% e não da multa prevista no artigo 964, I, “b” do RIR/99, à evidência de que o sujeito passivo identificado pela autoridade autuante era o de cujus e não o espólio, em violação aos artigos 131, III e 142 do CTN. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 27 56 /2 01 0- 16 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Relatório Em revisão da declaração de rendimentos do contribuinte, ora recorrente, referente ao anocalendário de 2004, foi lavrada Notificação de Lançamento (fl. 07 a 12) no dia 09/02/2009 que veio a incluir rendimentos tributáveis no valor total de R$ 101.800,39, recebidos da CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCS DO BANCO DO BRASIL, e de R$ 13.154,24 recebidos do PROIMOVEL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/S LTDA, resultando constituição de crédito tributário de R$ 16.759,01, abarcando imposto, multa de ofício e juros de mora. Falecido o contribuinte em 02/11/2008, a Sra. Cleide Lintz de Almeida, viúva e inventariante do contribuinte (Certidão de fl. 03) apresentou Impugnação (fl. 01) no dia 20/05/2010, concordando com a omissão referente aos rendimentos recebidos do PROIMOVEL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/S LTDA. Já com relação ao valor total de R$ 101.800,39, recebido da CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCS DO BANCO DO BRASIL, argumentou a inventariante do recorrente que este era aposentado e portador de moléstia grave, fazendo jus à isenção do IRRF, conforme juntada de documentos. Em abril/2011, fl. 30, o contribuinte foi então intimado pela Secretaria da Receita Federal para “apresentar Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que IDENTIFIQUE NOMINALMENTE a doença, coincidente com a terminologia empregada pelo legislador, o CID, a data em que a mesma foi diagnosticada, bem como esclarecimento acerca de a doença ser passível ou não de controle, deixando claro se o interessado, no ano de 2004, era portador da moléstia grave apontada." Naquela ocasião, a inventariante do recorrente também foi informada "que o Laudo Médico anexado ao presente processo, pelo interessado, fl. 14, foi emitido pelo HOSPITAL SÃO PAULO, CNPJ 61.699.567/000192, que, segundo pesquisas no Sistema Eletrônico da Receita Federal do Brasil, fls. 28 e 29, tratase de uma Associação Privada." A DRFBJ afastou as preliminares argüidas e julgou improcedente a Impugnação (fls. 67/73). Inconformada, a inventariante do recorrente interpôs Voluntário (fls. 83/87) com vistas a obter a reforma do julgado, requerendo o acolhimento do recurso afim de cancelar o débito fiscal reclamado e a inclusão da restituição retroativa do imposto de renda retido na fonte devido à condição do contribuinte (portador de moléstia grave). Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18186.002756/201016 Acórdão n.º 2201002.680 S2C2T1 Fl. 120 3 Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. De ofício e em sede preliminar, reconheço nulidade insanável, qual seja, o erro na identificação do sujeito passivo, dado o falecimento do de cujus em 02/11/2008, e a ciência da autoridade autuante a respeito da morte do contribuinte antes mesmo da lavratura, e a intimação do contribuinte falecido, a respeito do presente lançamento, apenas em abril de 2010 e cuja Impugnação foi apresentada pela inventariante. Nos termos do artigo 131, III do Código Tributário Nacional, o espólio é pessoalmente responsável pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Vale dizer, a partir do falecimento do de cujus, e por sucessão, a sujeição passiva tributária "(...) se transfere para outro devedor em virtude do desaparecimento do devedor original (Rubens Gomes de Sousa, Compêndio de Legislação Tributária, Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1981, p. 93)". Logo, a partir da ocorrêcia do evento sucessório, a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária pela autoridade lançadora deve observância ao artigo 131, III, do CTN, sob pena de violação ao artigo 142 do mesmo Diploma Legal. Nem se fale que a ausência de indicação da expressão “espólio”, no presente caso, se trata de mero erro formal, dada a aplicação da multa de ofício de 75% e não da multa prevista no artigo 964, I, “b” do RIR/99, à evidência de que o sujeito passivo identificado pela autoridade autuante era o de cujus e não o espólio, em violação ao disposto no artigo 142 do CTN. Por se tratar de erro material, por versar por elemento nuclear da norma de tributação, impossível, nessa adiantada fase litigiosa, qualquer tentativa de saneamento pelo presente órgão julgador, cujo resultado não seja o da realização de novo lançamento. Nesse sentido: VÍCIO FORMAL Não configura vício formal o erro na identificação do sujeito passivo, pois este pertence ao núcleo da regra matriz de incidência e o equivoco em sua identificação configura vicio substancial, não sendo aplicável o inciso II do art. 173 do CTN.(acórdão 10517139, de 13/08/2008) NULIDADE VICIO MATERIAL Considerase vício material aquele que na lavratura de novo lançamento com o objetivo de saneálo altera os elementos intrínsecos do lançamento descritos no art. 142 do CTN, quais sejam, fato gerador, obrigação tributária, matéria tributável, cálculo do montante devido e identificação do sujeito passivo. A descrição precária do fato gerador que resulta em dúvida quanto à sua própria existência se consubstancia em vício material Processo Anulado.( Acórdão 2402002.187, de 27/10/2011). Fl. 113DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Logo, nos termos do já decidido por este Conselho, é de se anular o lançamento: ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ESPÓLIO. Ciente da morte do contribuinte antes da lavratura da notificação de lançamento, esta deveria ser efetuada em nome do espólio, responsável pelo tributo devido pelo de cujus. Acórdão: 2102003.232. Pelo exposto, dou provimento ao recurso, para cancelar o lançamento, dado o erro na identificação do sujeito passivo É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 114DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10469.729183/2011-66
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007, 2008
APURAÇÃO MENSAL.
Após a edição da MP 1.212/95 (vigente a partir de fevereiro de 1996 e convertida, após diversas reedições, na Lei nº 9.715/98), a base de cálculo do PIS deixou de corresponder ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador (apuração semestral) e passou a corresponder ao faturamento do mês anterior ao da ocorrência do fato gerador (apuração mensal).
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RECEITAS E INFRAÇÃO REITERADA À LEGISLAÇÃO.
A prática de omissão de receitas foi comprovada pela autoridade fiscal mediante a comprovação de que foram movimentados recursos da contribuinte em contas bancárias de outra pessoa jurídica e parte dos recursos movimentados em contas bancárias da contribuinte não foi declarada. A omissão de receitas ao longo de dois anos e a constatação de que a contribuinte desenvolveu atividades que obstavam a opção pelo Simples Nacional, entre outros fatos, configuram prática reiterada de infração à legislação do Simples Nacional, impondo a exclusão de ofício do regime simplificado de tributação.
EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL.
A exclusão realizada com fundamento nos incisos IV (interposta pessoa) e V (prática reiterada de infração à LC 123/06) do art. 29 da LC 123/06 produz efeitos a partir do próprio mês em que incorridas tais situações, nos termos do §1º desse mesmo dispositivo legal. Nos termos da Súmula CARF nº 77, a possibilidade de discussão administrativa do ADE de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. NECESSIDADE DE DOLO ESPECÍFICO.
Os tipos previstos nos arts. 71 (sonegação), 72 (fraude) e 73 (conluio) da Lei nº 4.502/64 exigem dolo específico. No caso dos autos, a autoridade fiscal demonstrou a existência de dolo específico da recorrente, pois foram utilizados artifícios visando a ocultar a ocorrência do fato gerador, configurando prática reiterada de sonegação. A despeito de a omissão de receitas, por si só, não permitir a qualificação da multa, foi amplamente demonstrado que a recorrente movimentou parcela considerável de suas receitas em conta bancária mantida por pessoa jurídica extinta, o que configura indício robusto do dolo específico de ocultar a ocorrência do fato gerador, e submeteu parcela ínfima das receitas auferidas nos anos-calendário de 2007 e 2008 à tributação (menos de 2%).
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.
Conforme a Súmula CARF nº 28, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO DA PESSOA JURÍDICA. FALTA DE LEGITIMIDADE RECURSAL DA CONTRIBUINTE. NÃO CONHECIMENTO.
Não há que se aproveitar a parte do recurso voluntário referente à responsabilização tributária da pessoa física que é a sócia da empresa, vez que a peça de defesa foi interposta pela pessoa jurídica, sujeito passivo direto da autuação fiscal. Falece legitimidade à contribuinte para pleitear em nome próprio direito alheio. Uma vez ausente o interesse recursal, mostra-se imprópria a pretensão de se questionar a responsabilidade tributária imputada a terceiros.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO.
Tendo sido observados pela autoridade fiscal todos os requisitos estabelecidos pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105/01 e pelo Decreto nº 3.724/01, a requisição de informações sobre a movimentação financeira da recorrente às instituições financeiras não implica nulidade dos autos de infração.
Numero da decisão: 1103-001.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, rejeitar as preliminares, por unanimidade, não conhecer das razões de recurso relativas à sujeição passiva solidária de Clidenor Aladim de Araújo Júnior, por maioria, vencidos os Conselheiros Breno Ferreira Martins Vasconcelos (Relator) e Marcos Shigueo Takata, e, no mérito, negar provimento ao recurso, por unanimidade. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS - Relator.
(assinado digitalmente)
ANDRÉ MENDES DE MOURA Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 NULIDADE. VÍCIO NA FUNDAMENTAÇÃO DO ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. Não há nulidade quando o ADE indica corretamente os dispositivos legais que fundamentam a exclusão. NULIDADE. VÍCIO QUANTO À CIÊNCIA DO ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. A ausência de intimação do contribuinte quanto aos motivos da exclusão pode implicar nulidade dos autos de infração, pois a mera indicação dos dispositivos legais que fundamentam a exclusão não permite a ampla defesa. No caso dos autos, a ausência de intimação quanto à representação fiscal para exclusão do Simples Nacional não implica nulidade porque no ADE, cientificado ao contribuinte, foi expressamente indicado ter ocorrido a exclusão “conforme Representação Fiscal constante do processo administrativo fiscal nº 10469.729183/201166”, de modo que o contribuinte teve ciência de sua existência e poderia extrair cópia do processo para ter acesso aos motivos da exclusão ou solicitar cópia de tal documento à autoridade fiscal. NULIDADE. VÍCIO QUANTO À EXECUÇÃO DO MPF. Não há vício quando corretamente observados pela autoridade fiscal o prazo de 120 dias para a execução do MPF e o prazo de 60 dias para as prorrogações, nos termos da Portaria RFB nº 11.371/07, vigente durante o procedimento de fiscalização. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. NECESSIDADE DE DOLO ESPECÍFICO. Os tipos previstos nos arts. 71 (sonegação), 72 (fraude) e 73 (conluio) da Lei nº 4.502/64 exigem dolo específico. No caso dos autos, a autoridade fiscal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 91 83 /2 01 1- 66 Fl. 2459DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.460 2 demonstrou a existência de dolo específico da recorrente, pois foram utilizados artifícios visando a ocultar a ocorrência do fato gerador, configurando prática reiterada de sonegação. A despeito de a omissão de receitas, por si só, não permitir a qualificação da multa, foi amplamente demonstrado que a recorrente movimentou parcela considerável de suas receitas em conta bancária mantida por pessoa jurídica extinta, o que configura indício robusto do dolo específico de ocultar a ocorrência do fato gerador, e submeteu parcela ínfima das receitas auferidas nos anoscalendário de 2007 e 2008 à tributação (menos de 2%). REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Conforme a Súmula CARF nº 28, este Conselho “não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.” RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO DA PESSOA JURÍDICA. FALTA DE LEGITIMIDADE RECURSAL DA CONTRIBUINTE. NÃO CONHECIMENTO. Não há que se aproveitar a parte do recurso voluntário referente à responsabilização tributária da pessoa física que é a sócia da empresa, vez que a peça de defesa foi interposta pela pessoa jurídica, sujeito passivo direto da autuação fiscal. Falece legitimidade à contribuinte para pleitear em nome próprio direito alheio. Uma vez ausente o interesse recursal, mostrase imprópria a pretensão de se questionar a responsabilidade tributária imputada a terceiros. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. Tendo sido observados pela autoridade fiscal todos os requisitos estabelecidos pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105/01 e pelo Decreto nº 3.724/01, a requisição de informações sobre a movimentação financeira da recorrente às instituições financeiras não implica nulidade dos autos de infração. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007, 2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE PESSOA INTERPOSTA. O conceito de interposição fictícia de pessoas gira em torno da prática de simulação, correspondendo à situação em que uma determinada pessoa, física ou jurídica, atua como “intermediária” visando a ocultar uma outra pessoa, física ou jurídica. Os elementos carreados aos autos demonstram que um dos sócios da recorrente não possuía verdadeira participação societária, mas sim trabalhava como empregado da contribuinte, exercendo diversas funções administrativas. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RECEITAS E INFRAÇÃO REITERADA À LEGISLAÇÃO. A prática de omissão de receitas foi comprovada pela autoridade fiscal mediante a comprovação de que foram movimentados recursos da contribuinte em contas bancárias de outra pessoa jurídica e parte dos recursos Fl. 2460DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.461 3 movimentados em contas bancárias da contribuinte não foi declarada. A omissão de receitas ao longo de dois anos e a constatação de que a contribuinte desenvolveu atividades que obstavam a opção pelo Simples Nacional, entre outros fatos, configuram prática reiterada de infração à legislação do Simples Nacional, impondo a exclusão de ofício do regime simplificado de tributação. EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. A exclusão realizada com fundamento nos incisos IV (interposta pessoa) e V (prática reiterada de infração à LC 123/06) do art. 29 da LC 123/06 produz efeitos a partir do próprio mês em que incorridas tais situações, nos termos do §1º desse mesmo dispositivo legal. Nos termos da Súmula CARF nº 77, a possibilidade de discussão administrativa do ADE de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 ARBITRAMENTO DO LUCRO. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. É correta a realização do arbitramento quando o contribuinte, após a exclusão do Simples Nacional, é intimado a optar por um novo regime de tributação, mas não o faz, tampouco apresenta escrituração suficiente à apuração do lucro presumido ou do lucro real pela autoridade fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 ARBITRAMENTO DO LUCRO. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. É correta a realização do arbitramento quando o contribuinte, após a exclusão do Simples Nacional, é intimado a optar por um novo regime de tributação, mas não o faz, tampouco apresenta escrituração suficiente à apuração do lucro presumido ou do lucro real pela autoridade fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007, 2008 APURAÇÃO MENSAL. Após a edição da MP 1.212/95 (vigente a partir de fevereiro de 1996 e convertida, após diversas reedições, na Lei nº 9.715/98), a base de cálculo do PIS deixou de corresponder ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador (apuração semestral) e passou a corresponder ao faturamento do mês anterior ao da ocorrência do fato gerador (apuração mensal). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, rejeitar as preliminares, por unanimidade, não conhecer das razões de recurso relativas à sujeição passiva solidária de Clidenor Aladim de Araújo Júnior, por maioria, vencidos os Conselheiros Breno Ferreira Martins Vasconcelos (Relator) e Marcos Shigueo Fl. 2461DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.462 4 Takata, e, no mérito, negar provimento ao recurso, por unanimidade. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS Relator. (assinado digitalmente) ANDRÉ MENDES DE MOURA – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 2462DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.463 5 Relatório Ato Declaratório Executivo e lançamentos de ofício A questão sob análise diz respeito à exclusão da recorrente do Simples Nacional (representação fiscal e Ato Declaratório Executivo DRF/NAT nº 17, de 08/11/2012, às fls. 918 927) e aos autos de infração lavrados para a exigência de IRPJ e CSLL apurados pelo regime do lucro arbitrado e de PIS e Cofins apurados pelo regime cumulativo (fls. 19182080). Na representação fiscal de fls. 918926, a autoridade fiscal consignou que a recorrente foi constituída em 10/05/2007 e optou pelo Simples Nacional em 10/08/2007, logo após a entrada em vigor da Lei Complementar nº 123/06, e possui uma filial na Rua Professor João Maria de Vasconcelos, nº 171, Taipu/RN, constituída em 18/08/2009. O autuante entendeu que a recorrente é sucessora da empresa Central de Serviços e Comércio Ltda., extinta em 2007, pois há coincidência de quadro societário e ramo de atividade (prestação de serviços de contabilidade) e a matriz da recorrente foi instalada no endereço em que funcionava uma filial da sucedida (Av. Alexandrino de Alencar, nº 906C, Natal/RN). O quadro societário da recorrente era inicialmente composto por Clidenor Aladim de Araújo Júnior (60% do capital social) e Rodrigo Soares Aladim de Araújo (40% do capital social). Em 10/08/2007 Rodrigo Soares Aladim de Araújo cedeu integralmente suas quotas para Clidenor Aladim de Araújo Júnior e para o novo sócio Manoel Soares Alves, que passaram a deter, respectivamente, 99% e 1% do capital social. A Fiscalização constatou que o novo sócio Manoel Soares Alves era, na verdade, pessoa interposta, pois, de acordo com o Termo de Declaração por ele prestado ao auditor fiscal (fls. 260261) e esclarecimentos apresentados pela própria recorrente (fls. 259), essa pessoa física era verdadeiro empregado da pessoa jurídica, desenvolvendo atividades de “auxiliar de serviços gerais” e morava nos fundos da empresa, tendo sido “colocado como sócio da empresa para que esta pudesse ser uma sociedade empresarial Ltda.” (fls. 919 – representação fiscal). A Fiscalização também constatou terem sido informados nas DIRF relativas aos anos de 2007 e 2008 “rendimentos do trabalho assalariado” (código 0561) pagos para Manoel Soares Alves. Manoel Soares Alves retirouse do quadro societário da recorrente em 23/02/2012, e suas quotas (1%) foram transferidas para Clidenor Aladim de Araújo Júnior. Fl. 2463DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.464 6 A Fiscalização constatou a participação societária de Manoel Soares Alves como pessoa interposta em outras pessoas jurídicas relacionadas a Clidenor Aladim de Araújo Júnior: - Cozinha Italiana Móveis Projetados e Decorações Ltda. (CNPJ 06.273.045/000116): em 10/08/2007 ingressou no quadro societário em substituição a Bruno Soares Aladim de Araújo (que nessa mesma data retirouse da Central de Serviços Contábeis), filho de Clidenor, e deixou de ser sócio em 13/05/2009; - Fishone Comercial Ltda. – ME (CNPJ 05.408.093/000101): figurou no quadro societário de 28/11/2002 a 17/03/2006. O responsável pelo preenchimento das declarações e pela contabilidade dessa sociedade era Clidenor. O autuante verificou, após a realização de diligências (fls. 196205), que os endereços atual e antigos da filial da recorrente correspondiam a residências humildes e foram indicados como estabelecimento de empresas das quais Clidenor era contador. A Fiscalização também constatou que o novo endereço da recorrente (após 23/02/2012) não existia, a despeito de também ter sido indicado como local de funcionamento de outras sete empresas. O autuante entendeu também ter havido omissão de receitas, pois nas Declarações Pessoa Jurídica – PJ Simplificadas dos anos de 2007 e 2008 e no Livro Razão foi informado o valor total de apenas R$72.690,10, valor consideravelmente inferior à movimentação bancária. Foram considerados, nessa análise, os extratos das contas bancárias mantidas pela recorrente e pela empresa Central de Serviços e Comércio. Isso porque a Central de Serviços e Comércio continuou tendo movimentação bancária significativa mesmo após sua extinção, o que, de acordo com informações prestadas pela recorrente (item 9 da resposta de fls. 148149), ocorreu porque eram recebidas em tais contas receitas decorrentes da prestação de serviços de contabilidade. Tendo em vista que tal sociedade já havia sido extinta, o auditor fiscal concluiu que foram movimentadas em tais contas, na verdade, receitas da recorrente. Também foi considerada a informação apresentada pela recorrente em resposta ao termo de intimação fiscal de 02/09/2011 (item 1 da resposta de fls. 148149), de que (i) os itens dos extratos denominados “liquidação de títulos de cobrança” referemse às receitas da prestação de serviços de contabilidade, ao passo que (ii) os demais créditos em conta referem se a receitas de terceiros (valores depositados pelos tomadores dos serviços de contabilidade para pagamento dos tributos por eles devidos e de suas folhas de salários). Tendo em vista, porém, que a recorrente não especificou as empresas que realizaram tais créditos nas contas correntes e os respectivos valores, tendo apresentado apenas uma relação de clientes, o fiscal considerou a totalidade dos valores depositados/creditados como receitas omitidas. Fl. 2464DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.465 7 Os créditos nas contas bancárias da recorrente e da empresa Central de Serviços e Comércio foram identificados por meio de requisição de informação sobre movimentação financeira – RMF e a autoridade fiscal realizou diligências junto às fontes pagadoras (fls. 928 1526), tendo recebido as seguintes respostas quanto à causa dos depósitos/créditos, as quais indicam terem sido realizadas diversas atividades pela recorrente além da prestação de serviços de contabilidade: - Comissão de venda de imóvel; - Realização de empréstimos e intermediação de empréstimos para os clientes da recorrente junto a factorings e a pessoas físicas; e - Valores relativos a vendas de veículos. Com base em tais elementos, a autoridade fiscal propôs a exclusão da recorrente do Simples Nacional sobre os seguintes fundamentos legais: i. Foi ultrapassado, no anocalendário de 2007, o limite proporcional de receita bruta disposto pelo art. 3º, §2º da LC 123/06, o que configura hipótese de exclusão obrigatória nos termos do art. 30, II da LC 123/06; ii. Foi utilizada pessoa interposta no quadro societário nos anoscalendário de 2007 e 2008, impondo a exclusão nos moldes do art. 29, IV da LC 123/06 c/c art. 5º, IV da Resolução CGSN nº 15/07; e iii. Houve prática reiterada de infração à legislação do Simples Nacional, por deixar de escriturar a totalidade de suas receitas resultando em apresentação de declaração inexata em 2007 e 2008, configurando omissão de receitas em todo o período, o que torna necessária a exclusão com fundamento no art. 29, V da LC 123/06 e no art. 5º, V da Resolução CGSN nº 15/07. Após a exclusão da recorrente do Simples Nacional, foi iniciado procedimento para a verificação dos tributos devidos (fls. 1596 e ss.). No relatório de encerramento de ação fiscal (fls. 20832108), o autuante reiterou os fatos descritos na representação fiscal para a exclusão do Simples Nacional (fls. 918926) e consignou que a recorrente foi intimada para exercer a opção quanto à forma de apuração do IRPJ e da CSLL de julho a dezembro de 2007 e no anocalendário de 2008. A recorrente informou à Fiscalização que não faria opção por outro regime tributário, uma vez que, nos termos do art. 4º, §3ºA da Resolução CGSN nº 15, de 23/07/2007, os efeitos da exclusão do Simples Nacional ficam suspensos enquanto a discussão estiver sub judice. A autoridade fiscal foi ao endereço da recorrente para ter acesso à sua escrituração, mas foi informada pelo sócio Clidenor de que os livros estavam em outro endereço e seriam fornecidos em breve. Fl. 2465DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.466 8 Ainda assim, no dia 29/11/2012 a recorrente informou à Fiscalização que não possuía outros documentos a serem apresentados, razão pela qual foram lavrados os autos de infração pelos regimes do lucro arbitrado (IRPJ e CSLL) e de incidência cumulativa (PIS/COFINS), tendo sido considerados como receitas os valores indicados no quadro de fls. 2.096. Foram deduzidos os pagamentos realizados sob a sistemática do Simples Nacional, que ocorreram apenas no período de abril a dezembro de 2008 e em valores irrisórios. Foi aplicada a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. O relatório fiscal também informa a lavratura de auto de infração para a exigência de IRRF exclusivamente na fonte e à alíquota de 35%, nos termos do art. 674 do RIR/99. Tal crédito tributário é controlado nos autos de outro processo administrativo (nº 10469.731403/201201). O sócio Clidenor Aladim de Araújo Júnior foi considerado responsável solidário, conforme se depreende do termo de fls. 2.0812.082. Impugnações Às fls. 1.5281.592 a recorrente apresentou manifestação de inconformidade ao ADE da DRF/NAT nº 17, de 08/11/2012, de exclusão do Simples Nacional, e às fls. 21112204 a recorrente impugnou os autos de infração lavrados para a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Em tais documentos a recorrente alegou, em suma, o que segue: - Houve cerceamento ao direito de defesa em razão do enquadramento legal incorreto, pois o ADE informa que a recorrente foi excluída do Simples Nacional com fundamento no “art. 3º, §9º (§ 10 do artigo 3º com redação dada pela Lei Complementar nº 139/2011)”, mas o art. 3º da LC 139/11 só possui quatro parágrafos; - Também houve cerceamento ao direito de defesa porque o ADE 17/2012 não descreve os fatos motivadores da exclusão do Simples Nacional; - O art. 29, I da LC 123/06, que trata sobre a exclusão em razão da constituição da sociedade por interpostas pessoas, diz respeito à existência do “laranja”, o que não foi comprovado pela fiscalização; - Nessa esteira, também não foi comprovado ter havido prática reiterada de infração à legislação do Simples Nacional nos moldes do art. 29, V da LC 123/06; - Ainda que se entenda que a recorrente deve ser excluída do Simples Nacional, a exclusão apenas pode surtir efeitos a partir do mês seguinte, e não a partir de julho de 2007; - Fiscalização não comprovou o enquadramento da situação fática no art. 9º, XIII da Lei nº 9.317/96, que trata sobre a impossibilidade de opção pelo Simples Nacional quando são desenvolvidas atividades de representante comercial, corretor ou assemelhadas; Fl. 2466DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.467 9 - Requer a suspensão dos efeitos da exclusão até o encerramento do processo administrativo; - A Fiscalização não demonstrou, no ADE 17/2012, como calculou o excesso de receitas, tampouco o cálculo do limite de 20% indicado no §9ºA do art. 3º da LC 123/06; - Há contradição no relatório fiscal, que afirma, em um primeiro momento, terem sido apresentados os livros diário e razão do período fiscalizado e, em um segundo momento, justifica o arbitramento do lucro por não terem sido apresentados os documentos da escrituração fiscal quando solicitados; - Houve quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, em afronta ao art. 5º, X e XII da Constituição Federal. Afirma que o Plenário do STF proveu, em 15/12/2012, o RE 389.808 para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários com arrimo puro e simples na LC 105/01, sem autorização do Poder Judiciário; - Não houve individuação e clareza na tributação da movimentação bancária, porque foram somados os depósitos por dia, em afronta ao art. 42, §3º da Lei nº 9.430/96; - Houve violação à Súmula CARF nº 29, pois havia mais de um signatário com poderes para movimentar a conta bancária, mas nem todos foram intimados; - É inviável a tributação reflexa no arbitramento; - STF reconheceu, ao julgar a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, a impossibilidade de incidência de PIS/COFINS sobre “outras receitas”, o que não foi observado pela Fiscalização; - Não foi comprovado o dolo do sujeito passivo, impossibilitando a qualificação da multa de ofício; - Houve erro na identificação do sujeito passivo, pois o sujeito passivo da obrigação tributária principal é o agente que executou a infração (por exemplo, os contadores), e não a pessoa jurídica, na condição de vítima; - Improcedência da responsabilidade solidária, pois o simples fato de a pessoa física ser sócia, sem participar da gestão, administração, representação etc. não possui o condão de lhe responsabilizar solidariamente; e - Não poderia o Fisco ter lavrado a representação fiscal para fins penais antes do trânsito em julgado na via administrativa ou judicial, em razão da presunção de inocência; Às fls. 2.2072.219, Clidenor Aladim de Araújo Júnior apresentou impugnação contra o termo de sujeição passiva solidária. Afirma não ter havido sucessão entre a recorrente e a sociedade Central de Serviços e Comércio Ltda e que o simples fato de a pessoa física ser sócia da empresa não possui o condão de lhe responsabilizar solidariamente. Acórdão proferido pela DRJ Fl. 2467DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.468 10 Às fls. 22422268, a 4ª Turma de Julgamento da DRJ Recife decidiu, por unanimidade, indeferir a manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo DRF/NAT nº 17, de 08/11/2012, bem como julgar improcedentes as impugnações da recorrente e do sujeito passivo solidário, pelos motivos a seguir resumidos: - A desconformidade na indicação do art. 3º, §9º da LC 123/06 não invalida o ADE; - Ainda quanto ao argumento de cerceamento de defesa, não assiste razão à recorrente porque a representação fiscal com proposta de exclusão do Simples Nacional, citada como fundamento do ADE DRF/NAT nº 17/2012, descreve minuciosamente as condutas incorridas pela contribuinte; - Não podem ser acolhidos argumentos apresentados pela recorrente com fundamento na Lei nº 9.317/96, que trata sobre o decaído Simples Federal; - Não há comando na LC 123/06 que exija aguardar o trânsito em julgado administrativo da exclusão. Menciona a Súmula CARF nº 77; - Ao contrário do quanto alegado pela recorrente, o cálculo do excesso de receita e do excesso de 20% do limite indicado no §9ºA do art. 3º da LC 123/06 foi discriminado na representação de exclusão do Simples; - As condutas imputadas ao contribuinte e que justificam a exclusão retroativa foram demonstradas pela Fiscalização; - Também não há dúvidas de que a recorrente é sucessora da Central de Serviços e Comércio; - Quanto à quebra de sigilo bancário sem ordem judicial, equivocase o contribuinte ao afirmar que o STF já decidiu a matéria de forma definitiva, pois o assunto ainda está em debate na Excelsa Corte; - Em relação à irresignação contra a realização de lançamento com base nos depósitos de origem não comprovada, caberia à contribuinte indicar os valores transferidos entre contas da mesma titularidade, aplicados, estornados, devolvidos etc., que teriam sido considerados pela Fiscalização; - A alegação da recorrente de que a aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430/96 viola o conceito de renda implica análise de inconstitucionalidade, o que é vedado à DRJ e ao CARF; - A Súmula nº 29 do CARF impõe a intimação de todos os cotitulares, e não dos procuradores; - Quanto à inadequação do arbitramento, deve ser considerado que a autoridade fiscal intimou o contribuinte a fazer a opção de tributação, na forma do art. 32, §2º da LC 123/06, mas o contribuinte não optou por entender que os efeitos da exclusão estavam suspensos. Nessa esteira, os livros apresentados à Fiscalização anteriormente à exclusão não estavam com a sistemática de tributação que seria exercida após a exclusão, razão pela qual era necessária a elaboração de nova escrituração, o que não foi feito pelo contribuinte; Fl. 2468DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.469 11 - Além disso, os livros elaborados antes da exclusão eram imprestáveis, pois não continham ou continham pouca contabilização das receitas e da movimentação financeira; - Quanto à impossibilidade de tributação de forma reflexa, deve ser observado que a autoridade fiscal constatou receitas omitidas e confessadas pelo próprio contribuinte e receitas presumidas como omitidas, do que se apreende a base de cálculo da CSLL, da COFINS e do PIS como reflexos do IRPJ; - No que concerne à declaração de inconstitucionalidade da base de cálculo alargada do PIS/COFINS pelo STF, deveria o contribuinte ter detalhado as receitas que deveriam ser excluídas da base de cálculo das contribuições; - A conduta de omissão de receitas não foi ordinária, mas sim qualificada, pois o contribuinte utilizou diversos artifícios para não submeter seus ganhos à tributação; - No tocante à qualificação da multa de ofício que incidiu sobre os tributos oriundos da presunção de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, a utilização de contas bancárias de outra pessoa jurídica permite a qualificação da penalidade; - Não pode ser acolhido o argumento de que houve erro na indicação do sujeito passivo, devendo a conduta ser imputada ao agente responsável pelos atos, na forma do art. 137 do CTN, pois esse dispositivo é aplicável apenas quando a pessoa jurídica é utilizada por seus sócios e prepostos como meio para a prática de infrações, com dolo específico; e - Quanto à responsabilidade solidária, devese mantêla intocada, pois efetivamente o Sr. Clidenor Aladim de Araújo Júnior não era somente o sócio majoritário da fiscalizada, com 99% das quotas, mas a pessoa que operacionalizava todas as transações comerciais da empresa. Recurso Voluntário No dia 06/08/2013, a recorrente protocolou “manifestação de inconformidade contra o acórdão nº 1140.945, da 4ª Turma da DRJ/Recife”, dirigida a este Conselho, na qual reiterou os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade e na impugnação e afirmou que a multa de ofício exigida no percentual de 150% tem natureza confiscatória, violando o art. 150, IV da CF/88. No dia 26/08/2013, a recorrente apresentou o “aditamento de instrução processual à impugnação” de fls. 22842340 alegando a existência de vícios na execução do MPF e a nulidade do auto de infração lavrado para a exigência de PIS, por força da Portaria MF nº 383/2010 e reiterando o argumento de que a exclusão apenas pode surtir efeitos após o trânsito em julgado. Fl. 2469DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.470 12 Afirmou que não foi observado o prazo máximo de 120 dias para a execução do MPFF, previsto pelo art. 12 da Portaria RFB nº 4.066/07, e que a recorrente não foi devidamente cientificada quanto ao MPF, o que torna nulo o lançamento. Aduziu também a nulidade do auto de infração de PIS porque a contribuição foi apurada mensalmente e não semestralmente, o que violaria a Súmula CARF nº 15 e o art. 6º da LC 7/70. O responsável solidário Clidenor não interpôs Recurso Voluntário. Voto Vencido Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos O recurso é tempestivo (fls. 2458) e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. I. Preliminares de mérito I.1. Cerceamento do direito de defesa Vício na fundamentação do ADE A recorrente alega ter sido cerceado o seu direito à ampla defesa porque o ADE fundamentou a exclusão do Simples de forma confusa, tendo equivocadamente mencionado o “art. 3º, §9º (§10 do artigo 3º com redação dada pela Lei Complementar nº 139/2011)”, pois o artigo 3º da Lei Complementar nº 139/11 possui apenas quatro parágrafos, o que teria impossibilitado a contribuinte de elaborar defesa quanto ao enquadramento de seus atos nos alegados §§9º e 10 de tal dispositivo. No Ato Declaratório Executivo foi afirmado o seguinte: Art. 1º Excluída a empresa CENTRAL DE SERVIÇOS CONTÁBEIS LTDA ME, CNPJ nº 08.970.562/000170, do SIMPLES NACIONAL com fundamento no art. 3º, §9º (§10 do artigo 3º com redação dada pela Lei Complementar nº 139/2011) c/c art. 29, inciso I da Lei Complementar nº 123/2006; art. 29, incisos IV e V da Lei Complementar nº 123/2006, c/c artigo 5º, incisos IV e V, da Resolução CGSN nº 15/2007, conforme Representação Fiscal constante do processo administrativo fiscal nº 10469.729183/201166. (fls. 927) Fl. 2470DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.471 13 A leitura do trecho acima indica estar equivocada a afirmação feita pela recorrente, pois as autoridades fiscais fundamentaram a exclusão no §9º do artigo 3º da Lei Complementar nº 123/06 (que trata sobre a exclusão do Simples em razão do excesso de receita bruta)1, e não nos §§9º e 10 do art. 3º da Lei Complementar nº 139/11, que, de fato, não existem. As autoridades apenas fizeram constar, do ADE, que a redação do §10 do art. 3º da Lei Complementar nº 123/06 (que trata sobre a exclusão em razão da inobservância ao limite proporcional de receita bruta)2 foi alterada pela Lei Complementar nº 139/11. Essa observação constante do ADE, conforme bem pontuado pela DRJ, é impertinente, pois a Lei Complementar nº 139/11 foi editada após os fatos geradores colhidos pelos autos de infração, mas não prejudicou, à evidência, a ampla defesa da recorrente. Vale ressaltar que, a despeito de a redação dos §§9º e 10 do art. 3º da LC 123/06 ter sido modificada pela LC 139/11, a essência de tais dispositivos permaneceu a mesma, isto é, sempre trataram sobre a inobservância ao limite anual de receita bruta e ao limite proporcional de receita bruta no ano de início de atividade, respectivamente3. Vício quanto à ciência do ADE A recorrente também alega ter sido cerceado seu direito de defesa porque “no ADE 17/2012, não existe descrição dos fatos motivadores da referida exclusão, somente, de forma vaga e imprecisa, há transcrição dos dispositivos legais que pretensamente arrimam a exclusão” (fls. 2.347). Após compulsar os presentes autos, verifiquei não existir prova do envio, pela Fiscalização, de cópia da representação fiscal para exclusão do Simples Nacional para a 1 “Art. 3º. (...) §9º A empresa de pequeno porte que, no anocalendário, exceder o limite de receita bruta anual previsto no inciso II do caput deste artigo fica excluída, no anocalendário seguinte, do regime diferenciado e favorecido previsto por esta Lei Complementar para todos os efeitos legais” (Redação anterior à LC 139/11). 2 “§10. A microempresa e a empresa de pequeno porte que no decurso do anocalendário de início de atividade ultrapassarem o limite de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) multiplicados pelo número de meses de funcionamento nesse período estarão excluídas do regime desta Lei Complementar, com efeitos retroativos ao início de suas atividades” (Redação anterior à LC 139/11). 3 Redação após LC 139/11: “§9º A empresa de pequeno porte que, no anocalendário, exceder o limite de receita bruta anual previsto no inciso II do caput fica excluída, no mês subsequente à ocorrência do excesso, do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12, para todos os efeitos legais, ressalvado o disposto nos §§ 9ºA, 10 e 12.” “§ 10. A empresa de pequeno porte que no decurso do anocalendário de início de atividade ultrapassar o limite proporcional de receita bruta de que trata o § 2º estará excluída do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, bem como do regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, com efeitos retroativos ao início de suas atividades.” Fl. 2471DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.472 14 contribuinte, mas apenas do ADE, conforme o “termo de ciência de ato declaratório executivo” de fls. 1.594 e o aviso de recebimento de fls. 1.595. De fato, essa ausência de intimação pode implicar nulidade do ato de exclusão do Simples Nacional, pois o ADE indicou apenas os dispositivos legais que fundamentam a exclusão, e não os motivos da exclusão, isto é, os fatos que a Fiscalização entendeu serem passíveis de enquadramento em tais dispositivos. Deve ser considerado, porém, que o ADE afirma expressamente ter ocorrido a exclusão “conforme Representação Fiscal constante do processo administrativo fiscal nº 10469.729183/201166” (fls. 927). Entendo, assim, que a recorrente foi cientificada sobre a existência da representação fiscal e poderia ter extraído cópias do processo administrativo ou solicitado cópia de tal documento à autoridade fiscal para ter acesso à motivação da exclusão. Em outras palavras, a autoridade autuante deu ciência ao contribuinte sobre o documento que reduziu a termo a motivação do ato administrativo, o que, ao meu ver, supre a omissão. Concluo, assim, que não houve cerceamento ao direito de defesa da recorrente, razão pela qual afasto a preliminar de nulidade. Vício na execução do MPF No “aditamento de instrução processual” apresentado em 26/08/2013, após a interposição do recurso voluntário, a recorrente afirmou existir nulidade por não ter sido observado, durante o procedimento de fiscalização, o prazo de validade de 120 dias para o MPFFiscalização, nos termos do art. 12 da Portaria RFB nº 4.066/07. Tal portaria, revogada a partir de 1º de janeiro de 2008 pela Portaria RFB nº 11.371/07, realmente estabelecia prazo de validade de 120 dias para o MPFF, mas, em seu art. 13, previa que “A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência”. De acordo com as informações disponíveis no sítio da Receita Federal, verifiquei que o MPFF 04.2.01.002010006202 foi instaurado em 10/05/2010 e prorrogado nas seguintes datas: 06/11/2010, 05/01/2011, 06/03/2011, 05/05/2011, 04/07/2011, 02/09/2011, 29/12/2011, 27/04/2012, 24/08/2012, 21/12/2012 e 19/04/2013. Considerandose o prazo inicial de 120 dias e a possibilidade de prorrogação por 60 dias, concluo que não houve vício na execução do MPF, pois o prazo inicial (120 dias) venceu em setembro de 2010, a primeira Fl. 2472DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.473 15 prorrogação (60 dias) se deu até novembro de 2010 e as próximas prorrogações também observaram o prazo de 120 dias. Sendo assim, recebo a petição protocolada pela recorrente após a interposição do recurso voluntário em homenagem ao princípio da verdade material e ao formalismo moderado, mas não acolho a alegação de vício na execução do MPF. Embora a recorrente não tenha trazido aos autos alegação nesse sentido, registro que o ato de exclusão do Simples Nacional e a lavratura dos autos de infração ocorreram anteriormente à extinção do referido MPF, respectivamente, em 08/11/2012 e 04/12/2012. Por tais razões, afasto as preliminares arguidas pela recorrente e passo à análise do mérito. II. Mérito II.1. Procedência da exclusão Conforme a representação fiscal de fls. 918926 e o relatório fiscal de fls. 2.0832.108, a recorrente foi excluída de ofício do Simples Nacional sobre três fundamentos, a saber: (i) existência de pessoa interposta no quadro societário; (ii) excesso de receita bruta; e (iii) infração reiterada às normas de regência do Simples Nacional. Existência de pessoa interposta A autoridade fiscal entendeu pela existência de pessoa interposta no quadro societário da recorrente, situação passível de enquadramento no art. 29, IV da Lei Complementar nº 123/06: “Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) IV a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas”. O conceito de interposição fictícia de pessoas gira em torno da prática de simulação, correspondendo à situação em que uma determinada pessoa, física ou jurídica, atua como “intermediária” visando a ocultar uma outra pessoa, física ou jurídica. A respeito desse conceito, transcrevo trecho da ementa do acórdão 1267339, proferido em 29/07/2014 pela DRJ – Rio de Janeiro 1: EXCLUSÃO DO SIMPLES. INTERPOSTA PESSOA. EFEITOS. Correta a exclusão do Simples motivada pela interposição de pessoas, que é um negócio simulado, no qual a realidade fática é modificada Fl. 2473DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.474 16 artificialmente, com o intuito de usufruir indevidamente os benefícios do regime simplificado de tributação. A simulação pode configurarse quando as circunstâncias e evidências indicam a coexistência de empresas sendo uma com regime tributário favorecido, perseguindo a mesma atividade econômica, com utilização dos mesmos meios de produção e de empregados, implicando em gestão empresarial atípica. A exclusão da sistemática simplificada de tributação, quando ficar comprovada a utilização de interpostas pessoas na constituição e no funcionamento de pessoa jurídica, produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorrida. Os elementos carreados aos autos pela autoridade fiscal demonstram claramente que Manoel Soares Alves não era verdadeiro sócio da recorrente, mas sim empregado, exercendo diversas funções administrativas. Essa conclusão pode ser facilmente extraída dos esclarecimentos prestados pela própria recorrente ao autuante às fls. 259, no sentido de que: “Que o Sr. Manoel Alves é sócio quotista com apenas R$100,00 (cem reais) do valor do capital social da empresa Central de Serviços Contábeis Ltda. Somente para que a empresa possa ser uma sociedade empresarial ltda. (...) Gostaria também de comunica que o SR. Manoel Soares Alves é funcionário de nossa empresa exercendo a função de auxilia de serviços gerais e que no momento se encontra em férias na cidade de FloraniaRN na fazenda do seu genitor.” Além disso, Manoel Soares Alves compareceu pessoalmente à repartição fiscal no dia 14/09/2011 e declarou ao autuante “que atendeu a um pedido do sócio Clidenor Aladim para ingressar como sócio na sociedade, em substituição a Rodrigo Aladim; que, na verdade, exerce diversas funções na Central de Serviços Contábeis, diariamente, como abrir a empresa, fazer a limpeza, cortar grama, servir café, lavar carro e serviços de banco, como sacar cheques, fazer pagamentos, depósitos, entre outros; que também exercia a função de contínuo; que recebe 02 salários comercial, cerca de R$1.080,00; que antes de passar à condição de sócio da Central de Serviços Contábeis, era funcionário da mesma; que mora nos fundos da empresa Central de Serviços Contábeis; que cumpre ordens do sócio Clidenor Aladim.” Fl. 2474DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.475 17 (fls. 260261 – termo de declaração assinado por Manoel Soares Alves às fls. 261) Ao contrário do quanto alegado no recurso voluntário, tais elementos, entre outros mencionados no relatório fiscal – como o fato de Manoel Soares Alves ter ingressado no quadro societário de outras pessoas jurídicas em substituição a filhos de Clidenor Aladim – são suficientes para demonstrar a existência de interposta pessoa no funcionamento da recorrente. A despeito de a autoridade fiscal não ter demonstrado que tal interposição visava à manutenção da recorrente no Simples Nacional, o art. 29, IV da Lei Complementar nº 123/06 impõe a exclusão pelo mero fato de haver pessoa interposta no quadro societário, razão pela qual entendo correta a imputação feita pela autoridade fiscal e a conclusão alcançada pela DRJRecife sobre esse assunto. Omissão de receitas e infração reiterada à legislação Igualmente sem reparos o entendimento firmado no acórdão da DRJRecife de que a omissão de receitas foi cabalmente demonstrada pela autoridade fiscal. A prática de omissão de receitas, no caso dos autos, envolve as seguintes constatações: (i) recursos movimentados em contas bancárias da Central de Serviços e Comércio e (ii) recursos movimentados em contas bancárias mantidas pela recorrente. De acordo com a recorrente, (iii) tais recursos englobariam receita bruta (honorários dos serviços de contabilidade) e receitas de terceiros (valores depositados pelos tomadores dos serviços de contabilidade para pagamento de tributos e salários por eles devidos, e não pela recorrente). Não restam dúvidas quanto à constatação da autoridade fiscal de que os recursos movimentados na conta bancária da Central de Serviços e Comércio no segundo semestre de 2007 e em 2008 pertenciam, na verdade, à recorrente, pois a própria contribuinte afirmou, às fls. 149, que a conta bancária da Central de Serviços e Comércio foi utilizada após a baixa da sociedade para que pudesse ser quitado o cheque especial, procedimento esse que foi utilizado até a implantação da conta corrente da nova empresa. Tendo em vista que a Central de Serviços e Comércio foi extinta em 22/06/2007, presumese que as receitas de prestação de serviços creditadas em sua conta corrente após tal data correspondem, na verdade, a contraprestações por serviços prestados pela recorrente. Já no que concerne aos recursos movimentados em contas bancárias da recorrente, foi constatado que até mesmo os valores reconhecidos pela própria contribuinte Fl. 2475DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.476 18 como sendo receita bruta (indicados nos extratos pela expressão “liquidação títulos de crédito”, conforme o item 1 da resposta à intimação de fls. 148) deixaram de ser submetidos à tributação no ano de 2007 e tiveram parcela ínfima oferecida à tributação em 2008. A omissão de receitas é evidenciada, ainda, pela informação prestada pela recorrente ao Banco Mercantil (fls. 426) de que o faturamento anual era de R$1.782.162,00, quando, para o Fisco, a contribuinte informou não ter auferido receitas em tal ano. Destaquese, ainda, que, embora tenha sido intimada diversas vezes a comprovar a origem dos valores creditados nas contas bancárias, a recorrente limitouse a apresentar a relação de clientes (fls. 109110). Além disso, ao contrário do que alegou a contribuinte nestes autos, a autoridade fiscal fez constar, dos termos de intimação, planilha indicando os depósitos e créditos de forma individualizada (vide, por exemplo, o anexo 1 do termo de intimação fiscal emitido em 02/09/2010 – fls. 8491), não havendo que se falar, portanto, em cerceamento do direito de defesa da recorrente. Ainda quanto à imputação de omissão de receitas, registro ser improcedente o argumento tecido pela recorrente às fls. 2426 no sentido de que foi inobservada a Súmula CARF nº 29: “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento”. Tal súmula é inaplicável porque, no caso dos autos, não foi demonstrado haver cotitularidade, tendo a recorrente afirmado apenas que havia diversos procuradores com poderes para movimentar as contas bancárias titularizadas por uma única pessoa jurídica. Os fatos descritos acima, ao meu ver, configuram prática reiterada de infração à legislação do Simples Nacional, impondo a exclusão de ofício da recorrente desse regime tributário nos termos do art. 29, V da LC 123/2006 e do art. 5º, V da Resolução CGSN nº 15/07. A prática reiterada à legislação do Simples Nacional também ocorreu em razão da constatação, por meio de diversas diligências realizadas pela autoridade fiscal (fls. 9281.526), de que a recorrente não auferiu apenas receitas decorrentes da prestação de serviços contábeis, tendo realizado intermediação de vendas e de empréstimos por factorings, atividades que obstavam a opção por tal regime de tributação. Pelo exposto, reputo correta a exclusão do Simples Nacional com fundamento no art. 29, V da LC 123/06, que dispõe sobre a exclusão de ofício nos casos em que há prática reiterada de infração à legislação de regência do regime tributário simplificado. Fl. 2476DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.477 19 Excesso de receita bruta Ao contrário do que alegou a contribuinte em seu recurso voluntário, entendo que o excesso de receita bruta foi corretamente demonstrado pela autoridade fiscal. Ora, à época dos fatos o §10 do art. 3º da LC 123/06 estabelecia que a pessoa jurídica em início de atividade não poderia ultrapassar o limite de R$200.000,00 multiplicado pelo número de meses do período. No caso dos autos, tendo sido as atividades da recorrente iniciadas em julho de 2007, o limite legal era de R$1.200.000,00 (ou seja, 6 x R$200.000,00). Dessa forma, e considerandose que, conforme o quadro de fls. 2.096, a recorrente teve movimentação bancária de R$2.302.699,02 em 2007 e não logrou comprovar que parte desses valores não correspondiam à sua receita bruta, foi indiscutivelmente extrapolado o limite de faturamento, impondo a exclusão de ofício do Simples Nacional. Registro, por fim, serem impertinentes as considerações tecidas pela recorrente às fls. 23832384 no sentido de que os fatos não se enquadram nas hipóteses de “embaraço à fiscalização”, “declaração de inaptidão” e “comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho”, pois os dispositivos da LC 123/06 e da Resolução CGSN 15/07 que tratam sobre tais hipóteses não foram mencionados no ADE, tampouco na representação fiscal para exclusão e no relatório fiscal. Diante de todo o exposto, não merece reforma a decisão a quo que manteve a exclusão da recorrente do Simples Nacional. II.2. Efeitos da exclusão Inicialmente, registro serem improcedentes todos os argumentos trazidos aos autos pela recorrente com fundamento na Lei nº 9.317/96, pois esse diploma legal (i) tratava sobre o Simples Federal, e não sobre o Simples Nacional, que corresponde ao regime tributário em discussão nestes autos e (ii) foi revogado, anteriormente à ocorrência dos fatos geradores objeto da presente controvérsia (anoscalendário 2007 e 2008), pela Lei Complementar nº 123/06. Além disso, a recorrente não possui razão quando afirma que a sua exclusão do Simples Nacional, ocorrida em 2011, apenas poderia surtir efeitos a partir do próximo ano calendário, isto é, 2012. Isso porque, conforme visto acima, os motivos da exclusão foram corretamente enquadrados pela autoridade fiscal nos incisos I (falta de comunicação de exclusão obrigatória que, no presente caso, se deu em razão do excesso de receitas, nos termos Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.478 20 do art. 30, III da LC 123/06), IV (interposta pessoa) e V (prática reiterada de infração à LC 123/06) e, em relação às hipóteses previstas pelos incisos IV e V, o art. 29, §1º da LC 123/06 prevê expressamente que “a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes”. O mesmo raciocínio acima aplicase aos artigos do Regulamento do Imposto sobre a Renda (Decreto nº 3.000/99) mencionados pela recorrente, pois o art. 196, V dispõe que a exclusão produzirá efeitos “a partir do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII” do art. 195, os quais envolvem a interposição de pessoas (inciso IV) e a prática reiterada de infração à legislação tributária (inciso V). Também não socorre a recorrente o art. 22, §6º da Instrução Normativa SRF nº 34/01, que trata sobre a exclusão do Simples com efeitos a partir do mês subsequente ao da ciência do ato declaratório nos casos em que houve falta de alteração cadastral, o que, evidentemente, não corresponde às situações analisadas nestes autos. Vale ressaltar, por fim, que, nos termos da Súmula CARF nº 77, “A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão”. Nesse contexto, ao contrário do quanto alegado pela recorrente, a apresentação de manifestação de inconformidade e, ou, impugnação não suspende os efeitos da exclusão do Simples Nacional, mas apenas a exigibilidade dos créditos tributários correspondentes aos lançamentos de ofício realizados em decorrência da exclusão. Dessa forma, concluo estar o ADE em plena consonância com a legislação tributária, razão pela qual não merecem ser acolhidas as alegações da recorrente de que a exclusão apenas poderia surtir efeitos a partir do anocalendário subsequente. II.3. Procedência dos lançamentos de ofício Cumpre analisar, em breves linhas, se a autoridade fiscal poderia, após a exclusão da recorrente do Simples Nacional, efetuar o lançamento do IRPJ e da CSLL apurados conforme o regime do lucro arbitrado. Ao meu ver, está correta a realização do arbitramento, pois: Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.479 21 (i) Às fls. 15961628 a recorrente foi devidamente intimada pela autoridade fiscal a optar pelo lucro presumido ou pelo lucro real, nos moldes do art. 32 da LC 123/06, apresentar à Fiscalização a escrituração fiscal e as declarações (DCTF, DIPJ e DACON) elaboradas conforme tal opção e a comprovar os créditos e depósitos realizados em suas contas bancárias. (ii) A recorrente, contudo, respondeu à intimação que “conforme determina o artigo 4º, §3ºA, da Resolução CGSN nº 15, de 23/07/2007, os efeitos da exclusão do Simples Nacional, ficam suspensos enquanto o processo administrativo estiver sub judice. Deste modo, não estamos optando por nenhum regime tributário excludente ao Simples Nacional.” (iii) Ainda que tenham sido apresentados pela recorrente, anteriormente à exclusão do Simples Nacional, os livros diário e razão de fls. 314405, essa escrituração é indiscutivelmente imprestável, pois foi contabilizada parcela irrisória da receita bruta e da movimentação financeira, inclusive bancária, autorizando o arbitramento com fundamento no art. 530, II, “a” do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n º 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n º 9.430, de 1996, art. 1º): (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; (...) Este Conselho tem admitido a aplicação do regime do lucro arbitrado em situações semelhantes à destes autos. Nesse sentido, confirase trecho da ementa do Acórdão nº 1101001.158, de relatoria da Conselheira Edeli Pereira Bessa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 ARBITRAMENTO. O lucro tributável deve ser arbitrado se a escrituração dos sujeito passivo mostrase imprestável para identificação da efetiva movimentação financeira, vez que constatada a manutenção de contas correntes (e de depósitos) à margem da contabilidade, mormente se o sujeito passivo não questiona as receitas presumidas em razão destas omissões, bem como não responde à intimação formulada no curso do procedimento fiscal para opção pelo lucro presumido ou real, em razão da exclusão da pessoa jurídica do regime simplificado de recolhimentos. (1ª Turma Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.480 22 Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, sessão de 31/07/2014) Ainda quanto ao arbitramento do lucro, registro serem impertinentes as considerações feitas pela recorrente às fls. 24382439 de que as autuações recaíram apenas sobre o anocalendário de 2009, de modo que não deveria ter sido solicitada a escrituração dos anos de 2007 e 2008, pois, conforme se depreende de breve leitura dos autos de infração de fls. 19172080, os débitos correspondem exatamente a esses dois anoscalendário, e não a 2009. Também estão corretos os lançamentos de PIS e COFINS apurados pelo regime cumulativo de incidência, pois, tendo sido verificado que a contribuinte deixou de submeter suas receitas à tributação por tais contribuições e não apresentou elementos demonstrando que valores movimentados em suas contas bancárias não correspondiam a receitas próprias, a autoridade fiscal estava obrigada, por dever funcional, à lavratura dos autos de infração. Corrobora essa conclusão a Lei nº 9.249/95: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) §2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. Registro, nesse ponto, que os recolhimentos efetuados sob a sistemática do Simples Nacional foram devidamente deduzidos do valor dos tributos objeto de lançamento de ofício. Especificamente em relação ao PIS, deve ser também analisado o argumento da recorrente, constante da petição de fls. 22842340, de que houve afronta ao art. 6º da Lei Complementar nº 7/1970 e à Súmula CARF nº 15 (“A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária”), pois a contribuição foi apurada mensalmente, e não semestralmente, pela autoridade fiscal. Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.481 23 Igualmente não assiste razão à recorrente nesse ponto, porque após a edição da MP 1.212/95 (vigente a partir de fevereiro de 1996 e convertida, após diversas reedições, na Lei nº 9.715/98), a base de cálculo do PIS deixou de corresponder ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador (apuração semestral) e passou a corresponder ao faturamento do mês anterior ao da ocorrência do fato gerador (apuração mensal). Nesse sentido, transcrevo trecho do voto proferido pelo Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes no acórdão 20309.3514, utilizado como paradigma para a elaboração da Súmula mencionada pela própria recorrente: “A semestralidade do PIS é matéria que se encontra pacificada no presente momento, não restando a este Tribunal Administrativo outra alternativa a não ser curvarse ao pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça, manifestado no Recurso Especial nº 240.938/RS (199901106230), publicado no DJ de 15 de maio de 2000, cuja ementa está assim parcialmente reproduzida: ‘... 3 – A base de cálculo da contribuição em comento, eleita pela LC 7/70, art. 6º, parágrafo único (‘A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto, com base no faturamento de fevereiro, e assim sucessivamente’), permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP 1.212/95, quando, a partir desta, a base de cálculo do PIS passou a ser considerado ‘o faturamento do mês anterior’ (art. 2º)...’ Portanto, até a vigência da MP nº 1.212/95 (fevereiro/96), os cálculos devem ser feitos considerando como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, observandose os prazos de recolhimento vigentes à época de sua ocorrência. Para os fatos geradores ocorridos a partir de março de 1996, aplica se o disposto no art. 2º da Lei nº 9.715/98, que reza: ‘Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: I – pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês;’.” Dessa forma, e tendo em vista que os fatos geradores de PIS controlados neste processo administrativo ocorreram em 2007 e 2008, está correta a apuração mensal e não merece reparos a autuação fiscal. 4 Proferido em 02/12/2003 pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.482 24 II.4. Multa qualificada A fiscalização fundamentou a aplicação da multa qualificada contra a recorrente da seguinte forma: “63. Ademais, entendemos que deve ser aplicada a multa de ofício qualificada, no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), tendo em vista que a contribuinte, como evidenciado ao longo da fiscalização agiu de forma intencional no sentido de diminuir o montante de tributos a serem pagos, pois ao verificarmos o montante de receita declarada, mesmo nas declarações PJ, relativas aos períodos fiscalizados, constatamos que os valores declarados são ZERO – AC 2007 (julho a dezembro de 2007) e R$72.690,10 – AC 2008, sendo que neste último anocalendário somente passou a declarar receita a partir do mês de abril, em valores bastante irrisórios, sendo tais valores de receitas bastante inferiores aos montantes reconhecidos como receita pelo próprio contribuinte, ao longo desta fiscalização, os quais foram, R$377.267,64 – AC 2007 (período de julho a dezembro) e R$814.447,05 – AC 2008, sem esquecer que em sua movimentação financeira tivemos outros créditos em suas contas bancárias no período de julho de 2007 a dezembro de 2008 que alcançam o montante de R$3.348.843, 22 e cuja origem não foi comprovada, apesar do contribuinte ter sido reiteradamente intimado e reintimado. Também não podemos esquecer que o contribuinte Central de Serviços Contábeis Ltda. Continuou utilizando as contas da Central de Serviços e Comércio Ltda., mesmo após a baixa dessa empresa que aconteceu em 22/06/2007. (...) 73. Entendemos estarem configuradas na presente fiscalização as figuras da sonegação e da fraude, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei 4.502/1964, conforme itens 38 a 64, pois o contribuinte visou impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que caracteriza sonegação, conforme artigo 71, inciso I, da Lei nº 4.502/1964. 74. Da mesma forma, a conduta decorrente da vontade livre e consciente do fiscalizado, modificou as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, objetivando evitar o pagamento dos tributos, destacandose os fatos descritos ao longo do presente Fl. 2482DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.483 25 relatório, como enfatizado nos itens 63 e 64 acima. Configurase nesse caso a fraude, prevista no artigo 72 da Lei nº 4.502/1964. 75. Assim, tendo em vista a presença de sonegação e fraude, evidenciada nos presentes autos, aplicamos a multa de ofício qualificada, conforme artigo 44, inciso I e parágrafo primeiro da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/2007, nas infrações referentes ao lançamento da omissão de receitas apurada.” Os itens 38 a 64 do relatório fiscal, mencionados no excerto acima, tratam sobre os motivos que conduziram à exclusão da recorrente do Simples Nacional, em suma: (i) interposição de pessoa no quadro societário (Manoel Soares Alves); (ii) pessoa jurídica não funciona nos endereços informados à Receita Federal; (iii) omissão de receitas e movimentação de recursos em contas bancárias mantidas por outra pessoa jurídica (Central de Serviços e Comércio), e (iv) desenvolvimento de diversas atividades não descritas no objeto social e que obstavam a opção pelo Simples Nacional (como a intermediação de vendas). Nos termos do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, para a aplicação da penalidade qualificada, a fiscalização deverá constatar que o contribuinte realizou ao menos uma das condutas tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, que tratam, respectivamente, sobre a prática de sonegação, fraude e conluio. Destaco que a prática de sonegação, fraude ou conluio exige a prova de ação ou omissão dolosa praticada pelo contribuinte. Ou seja, deve ser comprovada a prática de um ato doloso do contribuinte que possa configurar um desses crimes contra a ordem tributária. Compartilho do entendimento manifestado em voto relatado pelo eminente Conselheiro Marcos Takata, desta Turma, no acórdão nº 110300.538, de 04/10/2011, de que os tipos previstos nos arts. 71 (sonegação), 72 (fraude) e 73 (conluio) da Lei nº 4.502/64 exigem dolo específico: “As infrações pressupostas nos arts. 71 a 73, da Lei 4.502/64 constituem elemento normativo do tipo da multa qualificada do art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96. E as referidas infrações reclamam o concurso de dolo. O elemento subjetivo também integra o tipo da multa qualificada administrativa. Já tive oportunidade de dizer, em inúmeras ocasiões que, para mim, o elemento subjetivo do tipo exigido é o dolo específico, e não o dolo genérico, muito menos o dolo eventual. Quer dizer, o tipo da multa qualificada em comentário reclama a vontade da conduta descrita e a Fl. 2483DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.484 26 finalidade do resultado condenado (que é o concurso do dolo específico).” Nessa esteira, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendimento consolidado no sentido de que a multa qualificada apenas pode ser aplicada quando a autoridade fiscal comprova a prática de ato doloso que configure sonegação, fraude ou conluio, razão pela qual foi editada a Súmula nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” A Câmara Superior de Recursos Fiscais também já afirmou reiteradas vezes que “O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização” (Acórdão nº 920201.983 – 2ª Turma, Sessão de 16/02/2012). Importante registrar que, até a edição da Lei nº 11.488/2007, havia previsão expressa do requisito de “evidente intuito de fraude” na redação do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, termo excluído por aquela lei. O entendimento doutrinário – ao qual me filio – é de que a retirada da expressão “evidente intuito de fraude” do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 não alterou a disciplina geral deste dispositivo, uma vez que a constatação do dolo sempre foi o requisito principal para a aplicação da multa qualificada. É nesse sentido a doutrina de Paulo Coviello Filho: Importante destacar, ainda, que tanto a doutrina quanto a jurisprudência, na vigência da antiga redação dos art. 44, II, da Lei n. 9.430, sempre deram muita importância para a expressão evidente intuito de fraude. O evidente intuito de fraude seria, então, requisito imprescindível para a qualificação da multa de ofício. Apesar dos diversos pronunciamentos doutrinários e jurisprudenciais sobre a necessidade de apresentação desse requisito, não nos parece que a sua retirada da lei tenha mudado a disciplina geral desse dispositivo. Isso porque, conforme supraexposto, o dolo sempre foi o principal aspecto para autorizar a aplicação da multa de ofício na modalidade qualificada. (A multa qualificada na Jurisprudência Administrativa. Análise Crítica das Recentes Decisões do CARF. In: Revista Dialética de Direito Tributário nº 218, São Paulo, Nov. 2013, p. 130141) Tomando por base as premissas acima e os elementos carreados aos presentes autos, concluo que a autoridade fiscal demonstrou a existência de dolo específico da Fl. 2484DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.485 27 recorrente, pois foram utilizados artifícios visando a ocultar a ocorrência do fato gerador, configurando prática reiterada (nos anoscalendário de 2007 e 2008) de sonegação. A despeito de a omissão de receitas, por si só, não permitir a qualificação da multa, foi amplamente demonstrado (conforme quadro de fls. 2096) que a recorrente movimentou parcela considerável de suas receitas em conta bancária mantida por pessoa jurídica extinta (Central de Serviços e Comércio), o que configura indício robusto do dolo específico de ocultar a ocorrência do fato gerador, e submeteu parcela ínfima das receitas auferidas nos anoscalendário de 2007 e 2008 à tributação (menos de 2%). Registro, por fim, que os argumentos da contribuinte de que a penalidade no patamar de 150% possui caráter confiscatório não podem ser analisados por este Conselho por força do art. 62 do Anexo II do RICARF5, uma vez que, para serem acolhidos, seria necessário afastar a aplicação do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 com fundamento em inconstitucionalidade. Sendo assim, voto pela manutenção da multa de ofício qualificada. II.5. Representação fiscal para fins penais Não analisarei os argumentos aduzidos pela recorrente no sentido de que não poderia ter sido formalizada representação fiscal para fins penais porque, nos termos da Súmula CARF nº 28, este Conselho “não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.” De toda forma, registro que as Portarias RFB nº 665, de 24/04/08 (produziu efeitos até 2010) e 2.439, de 21/12/10 obrigam a autoridade fiscal, sob pena de responsabilização funcional, a formalizar representação fiscal para fins penais quando, no exercício de suas atribuições, identificar atos ou fatos que, em tese, configurem crime contra a ordem tributária ou contra a Previdência Social. Além disso, a mera formalização da representação fiscal, no caso destes autos, não causa prejuízo à recorrente, pois tal documento, nos termos do art. 3º da Portaria RFB nº 665/08 e do art. 4º, §1º da Portaria RFB 2.439/10, permanecerá na unidade de origem da Receita Federal até o julgamento final do presente processo, ou seja, apenas será dado andamento à representação após eventual constituição definitiva do crédito tributário. II.6. Responsabilidade solidária 5 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 2485DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.486 28 O responsável tributário Clidenor Aladim de Araújo Júnior impugnou o auto de infração, mas não interpôs recurso voluntário contra a decisão da DRJ que o manteve no polo passivo. A recorrente, por sua vez, requereu a exclusão do sócio do polo passivo da obrigação tributária, o que, a meu ver, é pedido processualmente impossível por força do artigo 6º do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária no âmbito administrativo. Por outro lado, entendo cabível e necessária a análise de ofício dessa matéria, uma vez que o controle da legalidade do lançamento, objetivo maior deste Conselho, resulta também na atribuição inafastável de apreciar as questões de ordem pública trazidas à nossa análise, dentre elas, a legitimidade da parte. Como se sabe, um dos requisitos para o válido estabelecimento e desenvolvimento do processo, ao lado da possibilidade jurídica do pedido e do interesse de agir, é a legitimidade de parte, conceituada por Liebman como “a pertinência subjetiva da ação”6. Isto é, a parte indicada no polo passivo deve ser aquela que, em tese e segundo a lei, suportará os eventuais efeitos da tutela jurisdicional (em sentido lato). Esse conceito processual está em estrita e absoluta consonância com as determinações dos artigos 142 do Código Tributário Nacional e 10 do Decreto nº 70.235/72: o lançamento tributário deve identificar o sujeito passivo da obrigação tributária, que é o titular da relação obrigacional na qual, na outra extremidade, figura o Estado. Em outras palavras, no processo administrativo fiscal, o titular do direito subjetivo (fisco) deverá demandar somente contra o titular da obrigação tributária correspondente. A lei processual elegeu a legitimidade de parte como uma das condições da ação (art. 267, inciso VI do CPC), determinando ao juiz o reconhecimento de ofício da questão, ou seja, mesmo quando não alegado pelas partes (art. 267, §3º). Entendo que a responsabilização indevida dos sócios por tributos da sociedade representa não somente uma agressão àquelas pessoas, mas a todo o sistema social, porque contribui para um ambiente de imprevisibilidade e põe em xeque a segurança jurídica reivindicada pelas atividades econômicas. A submissão do poder público ao primado da legalidade e suas consequências para o desenvolvimento de uma sociedade pujante foi defendida, durante toda a vida acadêmica, pelo professor Geraldo Ataliba7, que dizia: “toda ação pública tem por base e limite a lei”. Pela sua pertinência, transcrevo trecho de uma de suas preciosas obras, República e Constituição: 6Apud Theodoro Júnior, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. Teoria geral do direito processual civil e processo de conhecimento. Rio de Janeiro: Forense, 2009, p. 64. 7República e Constituição, 2ª edição. São Paulo: Malheiros, 1998, p. 178. Fl. 2486DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.487 29 “Para que a liberdade de iniciativa (princípio da livre empresa) e o direito de trabalhar, produzir, empreender e atuar numa economia de mercado não sejam meras figuras de retórica, sem nenhuma ressonância prática, é preciso que haja clima de segurança e previsibilidade acerca das decisões do governo; o empresário precisa fazer planos, estimar – com razoável margem de probabilidade de acerto – os desdobramentos próximos da conjuntura que vai cercar seu empreendimento. Precisa avaliar antecipadamente seus custos, bem como estimar os obstáculos e as dificuldades. Já conta com os imponderáveis do mercado. Não pode sustentar um governo que agrave – com suas surpresas e improvisações – as incertezas, normais preocupações e ônus da atividade empresarial. Isso é inconciliável com as instituições republicanas.” A possibilidade de julgamento aqui aventada, a despeito de recurso da parte, resulta de entendimento em consonância com recente decisão proferida por esta Turma, por maioria de votos, no julgamento do Acórdão 1103001.053, ementado abaixo: “RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIO GERENTE. FALTA DE LEGITIMAÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA. A circunstância de se manter a qualificação da multa não é elemento, de per se, que permita a automática ou imediata conclusão de que o sócio administrador concretizou o tipo do art. 135, III, do CTN. Deve haver plus, em relação à conduta da contribuinte, para a tipificação da hipótese de responsabilidade tributária do sócio administrador ou sócio gerente. No caso em dissídio, sequer há elementos para manutenção da qualificação da multa; a fortiori, para imputação de responsabilidade tributária ao sócio gerente da contribuinte. Legitimação tributária passiva como questão conhecível de ofício. (Acordão 1103001.053, relator Conselheiro André Moura, voto vencedor do Conselheiro Marcos Takata, da 3ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento do CARF, julgado em 7 de maio de 2014)” (sem grifo no original) Superado esse obstáculo, passo a analisar se presentes os elementos necessários para a responsabilização de Clidenor Aladim de Araújo Júnior, à luz da legislação e jurisprudência deste Conselho sobre o assunto. Clidenor Aladim de Araújo Júnior foi incluído no polo passivo do presente processo sobre o seguinte fundamento: “76. A empresa Central de Serviços Contábeis Ltda. tem como atividade principal registrada em seu Contrato Social a prestação de Fl. 2487DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.488 30 serviços de contabilidade e de processamento de dados, sendo optante da sistemática do Simples Nacional desde 10/08/2007, logo após a entrada em vigor da Lei Complementar nº 123/2006. 77. A Central de Serviços Contábeis é sucessora da Central de Serviços e Comércio Ltda., a qual foi extinta em 22/06/2007 e possuía o mesmo quadro societário da Central de Serviços Contábeis, exercendo o mesmo ramo de atividade, prestação de serviços de contabilidade, tendo sido instalada no endereço onde funcionava uma filial da Central de Serviços e Comércio, Av. Alexandrino de Alencar, 906 C – Natal – RN. A Central de Serviços e Contábeis Ltda. foi constituída inicialmente pelos sócios Clidenor Aladim de Araújo Júnior, 60% do capital social, e Rodrigo Soares Aladim de Araújo, 40% do capital social, os quais eram os mesmos sócios do contribuinte Central de Serviços e Comércio Ltda. 78. Ao longo da fiscalização evidenciamos diversas ações do contribuinte, com o intuito de eximirse do pagamento de tributos, seja utilizandose de contas bancárias do contribuinte que sucedeu, no caso a Central de Serviços e Comércio Ltda., baixada em 22/06/2007, seja informando endereços inexistentes para a filial ou mesmo para a matriz, como foi no caso dos últimos endereços informados no cadastro da Receita Federal do brasil e no aditivos contratuais nºs 04 e 05, ou mesmo emitindo notas fiscais de contribuinte baixado, Central de Serviços e Comércio, quando a operação/transação foi realizada pela Central de Serviços Contábeis, no caso da prestação de serviços para Moura Dubeaux e até mesmo utilizandose de interposta pessoa em seu quadro societário, no caso do “sócio” Manoel Soares Alves. Em todas essas ações, verificamos ações consistentes e voluntárias do sócio Clidenor Aladim de Araújo Júnior para alcançar seu objetivo: eximir a Central de Serviços Contábeis Ltda. do pagamento de tributos. 79. Desse modo ficou demonstrada a ocorrência de infração a lei, com consequências tributárias: movimentação de expressivos recursos em conta corrente de titularidade da pessoa jurídica, inclusive de empresa baixada, sem que nada tivesse sido oferecido à tributação, com apresentação de declarações zerada ou com valores bastante inferiores aos montantes efetivos de receitas, violando disposições legais que determinam o pagamento de tributos e a apresentação de declarações refletindo as atividades da empresa. 80. Desse modo com fundamento no artigo 135, III c/c artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, constituímos a pessoa física CLIDENOR ALADIM DE ARAÚJO JÚNIOR CPF nº 090.536.464 Fl. 2488DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.489 31 34, o qual figura como sócioadministrador da CENTRAL DE SERVIÇOS CONTÁBEIS LTDA – ME, desde sua constituição em 10/05/2007 como SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO dos créditos tributários ora lançados, de acordo com as provas acostadas aos autos.” Como se vê, a responsabilização ocorreu com fundamento no art. 135, III c/c art. 124, I do CTN. Conforme jurisprudência do STF (RE 562.276/PR), o sócio tornase corresponsável pelo pagamento do tributo, nos termos do artigo 135 do CTN, não por ser sócio ou por constar do contrato social que exerce cargo de gerência, mas sim por praticar atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, dos quais decorram os créditos tributários exigidos. Imperioso distinguir, portanto, a regra matriz de incidência tributária da regra matriz de responsabilidade tributária, cada uma com os seus respectivos pressupostos fáticos e seus sujeitos passivos próprios. Registro que as hipóteses a serem observadas para a qualificação da multa de ofício não se confundem com os requisitos para a responsabilização dos sócios e, ou, administradores. Para fins da qualificação da multa de ofício, basta a verificação de ocorrência do intuito doloso visando ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária de responsabilidade da recorrente, sendo irrelevante a determinação do agente (pessoa física) responsável pelos atos ilícitos. Entretanto, para a responsabilização dos sócios e, consequentemente, ameaça de comprometimento dos respectivos patrimônios pessoais, a autoridade fiscal deve comprovar que tais agentes foram os responsáveis pelas infrações que deram origem ao surgimento das obrigações tributárias. Ao meu ver, a autoridade fiscal individualizou as condutas praticadas por Clidenor Aladim de Araújo Júnior e que deram origem ao surgimento da obrigação tributária. Vejamos. Considerandose que o quadro societário da contribuinte era formado apenas por duas pessoas físicas (Clidenor e Manoel), das quais uma foi comprovadamente considerada interposta pessoa (Manoel), não restam dúvidas de que, na realidade, Clidenor era o único sócio e administrador da pessoa jurídica. Fl. 2489DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.490 32 Quanto à prática de interposição de pessoas no quadro societário, ressalto que os termos de intimação e reintimação enviados pela Fiscalização a Manoel Soares Alves visando a obter informações quanto à sua efetiva participação na sociedade (fls. 256258) foram respondidos por Clidenor, e não pelo próprio Manoel, às fls. 259: Além disso, a autoridade fiscal demonstrou a participação ativa de Clidenor em diversas outras situações que configuram infração à legislação de regência do Simples Nacional, como na utilização de contas bancárias titularizadas por outra pessoa jurídica (Central de Comércio e Serviços) para o recebimento de receitas da recorrente, conforme declaração prestada pelo próprio contribuinte no item 9 da resposta de fls. 148149: Também foi comprovada a participação direta de Clidenor no desenvolvimento de atividades não previstas no objeto social da recorrente e que impediam a opção pelo regime simplificado de tributação. Nesse sentido, destaco as informações obtidas pela autoridade fiscal nas diligências realizadas junto a terceiros, em que Clidenor foi mencionado diversas vezes como parte envolvida no desenvolvimento de atividades alheias ao objeto da recorrente, por exemplo, notadamente nos seguintes trechos: Fl. 2490DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.491 33 Termo de declaração prestado por Fernando José Silva Maia (fls. 1169): “(...) que descontava os cheques e entregava o dinheiro para Sr. Maurício José; que sabia que os cheques eram referentes a empréstimos, pois sabia que o escritório de Júnior Aladim [sic] era de factorings, emprestando dinheiro a juros.” Esclarecimentos prestados pela “Paladar Comércio e Representações de Produtos Alimentícios Ltda.” (fls. 1391): “01 – Que o sócio administrador de nossa empresa Sr. Mario Luiz Saldon – CPF 021.945.18851 é amigo do sócio administrador da Central de Serviços Contábeis Ltda. Sr. Clidenor Aladim de Araujo Junior. (...) 03 – Que certamente esta transferência foi para que o Sr. Clidenor de Aladim Araujo Junior efetuasse algum pagamento de despesas pessoas do Sr. Mario Luiz Saldon, nosso sócio. (...) 05 – Que não sabemos informar corretamente para o que foi destinado esta transferência, mas que com certeza não foi para pagamento de honorários contábeis pois a empresa Central de Serviços Contábeis Ltda. nunca prestou serviços contábeis para nossa empresa.” Por tais razões, voto pela manutenção de Clidenor Aladim de Araújo Júnior no polo passivo do presente processo administrativo. II.7. Quebra de sigilo bancário A recorrente também se insurgiu contra os lançamentos por terem sido elaborados com base em informações obtidas junto às instituições financeiras mediante “quebra do seu sigilo bancário”. A possibilidade de as autoridades fiscais solicitarem informações sobre a movimentação bancária do contribuinte encontra amparo no art. 197 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras”. Nessa esteira, a Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001 dispôs sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e, em seu artigo 6º, estabeleceu que “As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando Fl. 2491DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.492 34 houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.” O MPF nº 04201000.0062.02010 foi instaurado em 10/05/2010 cientificado à recorrente em 02/06/2010. A autoridade fiscal requisitou às instituições financeiras informações sobre a movimentação financeira da recorrente e da empresa Central de Serviços Contábeis Ltda. – ME no dia 09/07/2010, ou seja, foi atendida a primeira condição exigida pelo dispositivo acima mencionado, pois havia procedimento de fiscalização em curso quando foram requeridas as informações. Além disso, a autoridade fiscal demonstrou serem indispensáveis as informações, tendo enquadrado a solicitação no inciso XI do art. 3º do Decreto nº 3.724/01, que regulamenta o art. 6º da Lei Complementar nº 105/01: Art. 3º Os exames referidos no §5º do art. 2º somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: XI presença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato; A intimação da contribuinte para a apresentação dos extratos se deu em 02/06/2010 por meio do termo de início do procedimento fiscal, estando, portanto, atendida a exigência constante do art. 4º, §2º do Decreto nº 3.724/01. Além disso, foi elaborado pelo autuante relatório circunstanciado contendo as seguintes justificativas para a requisição das informações: “O contribuinte CENTRAL DE SERVIÇOS CONTÁBEIS LTDA., CNPJ nº 08.970.562/000170, possui a movimentação financeira discriminada abaixo: Anocalendário 2007 – R$ 93.602,47. Anocalendário 2008 – R$ 1.720.482,22. Já a sua receita declarada nas respectivas DASN (Simples Nacional), foram as especificadas abaixo: Anocalendário 2007 – zero Anocalendário 2008 – R$72.690,10. Diante das evidências discriminadas acima, e de acordo com a legislação vigente, iniciamos procedimentos fiscal no contribuinte, em 02/06/2010, onde através do Termo de Início de Ação Fiscal, solicitamos a apresentação entre outros documentos, dos extratos bancários. O contribuinte, inicialmente, solicitou prorrogação de prazo, 22/06/2010, para apresentação dos documentos solicitados, Fl. 2492DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.493 35 posteriormente, 06/07/2010, o contribuinte apresentou extratos bancários que sequer identificam a instituição financeira, sendo uma vez indagado sobre tal situação, funcionário do contribuinte afirmou que somente possuía os extratos desta forma. Destaquese que o contribuinte possui uma filial na cidade de Taipu RN, local onde diligenciamos e constatamos que esta filial, nunca funcionou neste endereço, conforme inclusive, informações da Prefeitura de TaipuRN. Por esse motivo, entendemos que a presente situação enquadrase no inciso XI do artigo 3º do Decreto nº 3.724/2001 para expedição de Requisição de Movimentação Financeira – RMF, de acordo com a legislação vigente.” (fls. 407); e “O contribuinte CENTRAL DE SERVIÇOS E COMÉRCIO LTDA., CNPJ nº 03.378.473/00015, possui movimentação financeira discriminada abaixo: Anocalendário 2006 – R$1.723.027,85. Anocalendário 2007 – R$3.179.339,92. Anocalendário 2008 – R$193.072,08. Já a sua receita declarada nas respectivas DIPJ, foram as especificadas abaixo: Anocalendário 2006 – R$28.378,06. Anocalendário 2007 – R$2.930,00. Anocalendário 2008 – zero (extinta em 22/06/2010). Diante das evidências discriminadas acima, e de acordo com a legislação vigente, iniciamos procedimento fiscal no contribuinte, em 02/06/2010, onde através do Termo de Início de Ação Fiscal, solicitamos a apresentação entre outros documentos, dos extratos bancários. O contribuinte, inicialmente, solicitou prorrogação de prazo, 22/06/2010, para apresentação dos documentos solicitados, posteriormente, 06/07/2010, o contribuinte alegou que deixava de apresentar os elementos solicitados, entre os quais os extratos bancários, pelo motivo de extravio dos mesmos. Destaquese que o endereço do contribuinte situavase na cidade de TaipuRN, local onde diligenciamos e constatamos que a empresa nunca funcionou neste endereço, conforme inclusive, informações da Prefeitura de Taipu – RN. Por esse motivo, entendemos que a presente situação enquadrase no inciso XI do artigo 3º do Decreto nº 3.724/2001 para expedição de Fl. 2493DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.494 36 Requisição de Movimentação Financeira – RMF, de acordo com a legislação vigente.” (fls. 509) A despeito de não ter ficado claro, no termo de início do procedimento fiscal, que a recorrente deveria apresentar, inclusive, os extratos bancários de contas titularizadas pela Central de Serviços e Comércio, entendo não ter havido vício na obtenção das informações junto às instituições financeiras, notadamente porque a contribuinte sequer apresentou adequadamente os extratos relativos às suas próprias contas bancárias. Registro que não podem ser apreciados por este Conselho, por força do artigo 62 do Anexo II do RICARF, os argumentos da recorrente de que a forma como foram obtidas as informações relativas à sua situação financeira violam o sigilo de dados assegurado pela Constituição Federal, pois essa alegação envolve a não aplicação da LC 105/01 por inconstitucionalidade. Destacase que, a despeito de esse assunto ter sido julgado de forma favorável aos contribuintes pelo STF (RE 389.8088, mencionado pela recorrente às fls. 2414), não foi reconhecida a repercussão geral nos autos desse processo, razão pela qual os membros deste Conselho não estão obrigados a reproduzir esse entendimento nos termos do art. 62A do Anexo II do RICARF. II.8. Erro na identificação do sujeito passivo Às fls. 2434, a recorrente afirmou que, se houve dolo específico passível de qualificar a multa de ofício, “a autuação só poderia ter sido dirigida ao agente que praticara a infração; jamais à pessoa jurídica”. Ora, conforme visto, o dolo específico que autoriza a qualificação da multa diz respeito a uma conduta praticada pela própria pessoa jurídica, não impondo, necessariamente, a responsabilização de seus sócios e, ou, administradores. Diante desse contexto, já explanado anteriormente, não merece ser acolhida tal alegação da recorrente. Conclusão Diante de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. 8 “SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte.” (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09 052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) Fl. 2494DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.495 37 É o meu voto. Sala das Sessões, em 03 de fevereiro de 2015. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos Relator Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator Designado. Não obstante as considerações do I. Relator, tão bem expostas ao Colegiado, peço vênia para divergir apenas quanto ao fato de ter sido conhecida no voto, de ofício, a matéria referente à responsabilização tributária do Clidenor Aladim de Araújo Júnior. Isso porque o sujeito passivo indireto, apesar de ter sido devidamente cientificado da decisão da DRJ, não interpôs recurso voluntário. Ora, optou o responsável tributário em não contestar a decisão de primeira instância, que o manteve no pólo passivo da autuação. Tratase, portanto, de matéria preclusa, definitiva na seara administrativa, e, por consequência, não devolvida para apreciação deste Tribunal. Por outro lado, ainda que no recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo direto tenha pedido no sentido de excluir o sócio do pólo passivo da obrigação tributária, adoto as razões do relator, de que se trata de pedido processualmente impossível por força do artigo 6º do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária no âmbito administrativo. Sobre o assunto, a Turma já se manifestou, em outras oportunidades (Acórdãos 1103000.848, 1103000.849, 1103000.905, 1103000.982), do qual peço vênia para transcrever as razões expostas pelo Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro: Na trilha do que esta Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara recentemente decidiu, também por maioria, no acórdão nº 1103000.834, de 09/04/13, falece legitimidade ao contribuinte para pleitear em nome próprio direito alheio. Estando ausente o interesse recursal, mostrase imprópria a pretensão de se questionar a responsabilidade tributária imputada a terceiros, ainda que pertencentes a mesmo grupo ou com quadro societário comum. Na oportunidade, frisouse: “[...] Isto porque, dentre os requisitos da impugnação contidos no já mencionado art. 16 do Decreto 70.235, de 1972, consta, expressamente, como inciso II, a necessária menção à qualificação do impugnante [destaque acrescido]: Fl. 2495DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10469.729183/201166 Acórdão n.º 1103001.159 S1C1T3 Fl. 2.496 38 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Também do Código de Processo Civil, instituído pela Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, extraise que para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade (art. 3º). E mais: que ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei (art. 6º). Desse modo, em caso de pluralidade de sujeitos no pólo passivo do lançamento tributário, cada qual poderá defenderse em nome próprio da exigência fiscal assim constituída, quer pessoalmente quer por meio de representante regularmente constituído nos autos, por competente instrumento de mandato.” Portanto, sob qualquer enfoque que se analise a questão, não há que se conhecer, no caso concreto, de quaisquer alegações apresentadas para excluir o responsável tributário Clidenor Aladim de Araújo Júnior do pólo passivo, primeiro, porque não há recurso voluntário e por isso se trata de matéria não devolvida, e segundo, porque não tem legitimidade o sujeito passivo direto para recorrer em nome próprio direito alheio. Diante de todo o exposto, voto do sentido não conhecer das razões apresentadas no recurso voluntário relativas à exclusão do pólo passivo do responsável tributário. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 2496DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 13770.000150/2005-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento o advogado Leonardo Carvalho, OAB/ES nº. 9.338.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1991; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 1.317 1 1.316 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13770.000150/200567 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3202000.331 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de fevereiro de 2015 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente RIO DOCE CAFE S.A IMP E EXP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento o advogado Leonardo Carvalho, OAB/ES nº. 9.338. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento/Declarações de Compensação (Dcomp) de crédito relativo a COFINS nãocumulativa apurado pelo contribuinte para o período de julho de 2004. A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fl. 81, com base no Parecer SEORT/DRF/VIT nº 3.427/2008 (fls. 70/80), decidindo reconhecer em parte o direito creditório pleiteado, concernente ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da COFINS no período de julho de 2004 e, por RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 70 .0 00 15 0/ 20 05 -6 7 Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000150/200567 Resolução nº 3202000.331 S3C2T2 Fl. 1.318 2 conseqüência, homologar parcialmente a compensação declarada pelo contribuinte. No Parecer SEORT, que serviu de base para o Despacho Decisório, a autoridade fiscal registra, em resumo, que: • Foram analisadas as aquisições de café dos fornecedores pessoas jurídicas responsáveis por 78% das aquisições da Rio Doce Café no ano de 2004; • Nesta amostragem, 49% do volume financeiro total registrado referemse a fornecedores que se enquadram como pessoas jurídicas que se declararam à Receita Federal do Brasil em situação de inatividade, ou simplesmente estão omissas perante o órgão. Outras ainda, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular, eis que a receita declarada é nula, portanto totalmente incompatível com o valor das vendas realizadas, isto considerando apenas as operações mercantis com o ora requerente; • Ressaltase que dentre o valor das compras dos fornecedores analisados, 63% enquadramse nas situações acima descritas, não sendo, portanto exceção, e sim a regra as compras de café da Rio Doce Café de pessoas jurídicas em situação incompatível com as transações informadas. • A tabela às fl. 60 apresenta as compras dos fornecedores irregulares; • Como se pode extrair, a situação é paradoxal, haja vista que a Fazenda Nacional é instada a ressarcir um pretenso direito creditório que, como contrapartida, não possui o recolhimento dos tributos devidos na etapa imediatamente anterior; • Diante do que foi retratado, a plausível conclusão conduz inadmissibilidade do pleito formulado, no que toca às ditas compras, em razão de um claro enriquecimento sem causa em detrimento dos cofres públicos, o que representa uma cessão de interesses públicos em favor de particulares; • Com efeito, o princípio da nãocumulatividade, tal como insculpido no art. 153, § 3º, II da CF/88 (não obstante referirse ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, sem sombra de dúvida é o paradigma adotado para esta novel roupagem das contribuições sociais em comento), estabelece a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado na anterior; • Irrefragável é a concepção segundo a qual a efetiva cobrança ou, na pior hipótese, a pressuposição de sua ocorrência, é condição sine qua nom para a admissão do creditamento. Vale esclarecer que tal "cobrança", para os tributos sujeitos ao denominado "lançamento por homologação", onde a lei atribui ao próprio contribuinte a iniciativa de apuração e recolhimento do montante devido, é caracterizada pela efetiva adoção de referidos procedimentos; • Isto se dá porque, diversamente do que só ocorre com o IPI, onde o imposto vem destacado na respectiva nota fiscal de aquisição, o que faz presumir a sua incidência, na apuração dos créditos de PIS/Pasep e Cofins tal cálculo é realizado pela aplicação da alíquota cabível sobre o valor das compras realizadas, o que não conduz a tal conjectura; • Como restou demonstrado na hipótese relatada, sabidamente não houve o respectivo recolhimento tributário de forma tal que não há razoabilidade em se admitir o reconhecimento do direito creditório, sob pena de se patrocinar verdadeira sangria nas finanças públicas; • Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000150/200567 Resolução nº 3202000.331 S3C2T2 Fl. 1.319 3 Outrossim, não se diga que tal compreensão do problema trará irreparáveis prejuízos ao contribuinte, ora requerente, porquanto, sendo o café uma "commodity" agrícola, tal qual a soja e o algodão, seu preço de compra e venda infalivelmente acompanha as cotações das bolsas de mercadorias nacionais e estrangeiras, de modo que a incidência tributária, seja a que titulo for, não influencia sobremaneira as oscilações de preço; Isto posto, foi providenciada a relação nominal dos fornecedores que se encontram nas situações descritas e respectivos valores de vendas, bem como, promovida a glosa pertinente, conforme tabela A (fls.60); • Os exames efetuados nos Livros Fiscais (Razão e Registro de Saídas) apontaram irregularidades quanto ao valor da base de cálculo e ao valor da contribuição apurada pela interessada; • O contribuinte apurou nos meses de agosto e setembro de 2004 receita não operacional decorrente de alugueis e rendas eventuais, conforme balancete às fls.36/46, totalizando R$43.039,13. Este valor foi incluído na base de cálculo da contribuição; • No regime da nãocumulatividade, apurase a contribuição para o PIS/Pasep confrontando os montantes dos débitos e créditos, obtendose como resultado ou o valor a recolher da contribuição, se devedor o saldo, ou o valor do crédito a ser transferido para o período seguinte, se credor o saldo; • No tocante ao crédito passível de utilização na compensação de outros tributos e contribuições, ficou assentado que, nos termos do art. 5°, § 1º, da Lei 10.637 e IN SRF n° 291/03, o mesmo corresponde ao valor apurado após a dedução de débitos da própria contribuição, e desde que seja derivado de operações de mercadorias para o exterior ou de venda a empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação; • No processo administrativo 13770.000629/200412, o contribuinte buscou utilizar créditos no valor de R$ 329.895,53 (f1.05) referente ao mês de julho/2004. A análise deste processo reconheceu o crédito no valor de R$210.327,27, homologando parcialmente as compensações apresentadas naquele processo. Desta forma, do crédito total reconhecido para o período compreendido entre julho/04 a setembro/04 (3° trimestre /2004), abateuse o valor previamente reconhecido e utilizado, restando, pois saldo credor para utilização com compensação de outros tributos no valor de R$194.220,03. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 22/03/2010 (fl. 81) e apresentou, em 15/04/2010, a Manifestação de Inconformidade de fl. 82 e ss. alegando, em síntese que: • As mercadorias (café) adquiridas das empresas supostamente inativas, baixadas, omissas ou com receitas declaradas incompatíveis com as vendas, cujas notas fiscais foram pagas através de depósitos bancários, TED ou DOC diretamente aos emitentes, devidamente registradas, escrituradas e contabilizadas, geram créditos de PIS, visto que a requerente não tem o poder de fiscalizar se as contribuições foram ou não devidamente recolhidas. Ressaltese que todas as informações fiscais são sigilosas, não tendo a recorrente, por isto, acessos aos dados fiscais dos seus fornecedores; • Toda a sistemática da nãocumulatividade do PIS e também da COFINS está assentada na permissão de que compras e a prestação de serviços, mesmo que antecedidas por suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000150/200567 Resolução nº 3202000.331 S3C2T2 Fl. 1.320 4 PIS e COFINS, geram créditos; • Importante frisar que a Recorrente realiza pagamentos aos seus fornecedores, somente via depósito bancário ou via TED/DOC diretamente aos emitentes das notas fiscais. Sua escrituração contábil e fiscal obedece as normas exigidas pela legislação. Agindo assim, de boafé; • No Direito Tributário o que confere a pessoa jurídica e física a condição de contribuinte é o fato dessa pessoa possuir relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; • No caso da contribuição do PIS nãocumulativo, são contribuintes as pessoas jurídicas em geral e a elas equiparadas pela legislação do IR, que auferem receitas, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Se as empresas comercializam bens e serviços sujeitas a incidência da referida contribuição, elas são contribuintes da exação tributária, independentemente das receitas por elas auferidas terem sido declaradas ao Fisco Federal; • Desse modo, os argumentos contidos no Parecer são desprovidos de legalidade e qualquer lógica jurídica, haja vista que as vendas de café por essas empresas, objeto da glosa, foram sim oneradas com a incidência do PIS; • É sabido que para configurar a incidência do tributo, basta que ocorra o seu fato gerador ou a sua hipótese de incidência. Vale lembrar, conforme dicção do artigo 114 do CTN, o fato gerador da obrigação principal se constitui quando se efetiva a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência; • No presente caso, restou configurada a ocorrência do fato gerador do PIS quando essas empresas, que estão sujeitas a referida contribuição, realizaram vendas de café para a requerente. Nesse sentido, cabe ao fisco efetuar o lançamento e realizar a cobrança, não podendo a requerente ser penalizada pela negligência da autoridade fazendária; • Todas as notas fiscais foram registradas e contabilizadas de acordo com a legislação; • Cabe ao Fisco cobrar das empresas fornecedoras das mercadorias (café) os impostos devidos por elas. Não pode penalizar a Recorrente glosando os créditos lançados sobre as referidas notas fiscais; • Ademais, o artigo 3º da Lei n. 10.637/2002, ao instituir as hipóteses que conferem direito a descontar créditos em relação a bens adquiridos para revenda, não condiciona à requerente, a obrigação de exigir a regularidade fiscal dos fornecedores de mercadorias (café); • Diante do exposto, glosar os lançamentos de créditos de PIS, nas hipóteses de notas fiscais supostamente inidôneas, quando estas, em seus aspectos, em suas aparências, nada tem de irregular, é responsabilizar terceiro por obrigação tributária acessória que não lhe compete. Ressaltese que todas as notas fiscais foram devidamente registradas, lançadas, escrituradas e contabilizadas de acordo com a legislação, cujos pagamentos foram realizados através de depósito bancário, TEC ou DOC em nome do emitente da mesma; • Os valores pagos a título de combustíveis e aquisição de sacaria, entre outros, são insumos utilizados na produção de seus produtos, possibilitando, todavia, o lançamento de crédito de PIS sobre os mesmos; • A pessoa jurídica enquadrase na redação do artigo 8º, § 6º, da Lei 10.925/2004, sendo, portanto, uma produtora em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM (café), uma vez que executa, cumulativamente, as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000150/200567 Resolução nº 3202000.331 S3C2T2 Fl. 1.321 5 misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial; • Os créditos lançados pela contribuinte sobre as compras de combustíveis desconsiderados pela fiscalização, são lícitos, tendo em vista que são insumos utilizados na prestação de serviços e na produção de seus produtos destinados à venda e, além disso, todos foram adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no país e suportados pelo comprador (a requerente); • Caso seja mantida a glosa dos créditos conforme proposta pelo Auditor Fiscal, que seja determinado à restituição dos valores pagos a título de Imposto de Renda (25%) e Contribuição Social sobre o Lucro (9%), uma vez que os referidos valores glosados estão inclusos nas mencionadas bases de cálculo. Em 17/05/2012, a 17ª Turma da DRJ/RJ1 encaminhou o processo em diligência, por meio da Resolução nº 110 (fls. 1.350/1.351) para que a Delegacia de origem prestasse maiores esclarecimentos quanto ás irregularidades apuradas na apropriação de créditos da nãocumulatividade do PIS sobre as aquisições de café junto a pessoas jurídicas inaptas, inativas ou omissas. Em atendimento ao solicitado, foram anexados aos autos os documentos de fls. 1.353/1.847 e o resultado do procedimento de diligência realizado pelo SEFIS/DRF/Vitória consta do Relatório Fiscal em fls. 1.848/2.017. No referido Termo, a autoridade fiscal registra, em resumo, que: • A utilização de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores para obtenção e apropriação dos créditos do PIS/COFINS foi descortinada nas investigações da DRF/Vitória/ES (“Operação Tempo de Colheita”), iniciadas em outubro de 2007, e que resultaram posteriormente na “Operação Broca”, deflagrada em 01/06/2010, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão; • No início, as investigações restringiramse ao estado do Espírito Santo, onde estão localizadas importantes exportadoras de café do país. E, após a “Operação Broca”, foram realizadas diligências no Sul da Bahia (café conilon) e Região da Zona Mata Mineira e Sul de Minas Gerais (café arábica); • No período analisado, RIO DOCE CAFÉ era preponderantemente compradora de café arábica principalmente de Minas Gerais, maior produtor de café do país. O Espírito Santo produz mais de 70% de café conilon; • Fato é que na diligência efetuada em 2008 na RIO DOCE CAFÉ já despontavam como supostos maiores fornecedores da empresa a CAFEEIRA SÃO SEBASTIÃO, de VARGINHA/MG, com mais de R$75 milhões; CAIXETA & SCALCO, com R$27 milhões, SANCOSTA, com R$26 milhões, ambas de MACHADO/MG; COMERCIAL ATACADISTA TRIÂNGULO, de MONSENHOR PAULO/MG, CAFEEIRA SUL DE MINAS, de VARGINHA/MG, S.A. SILVEIRA, de SÃO GONÇALO DO SAPUCAI/MG e COMERCIAL DE CAFÉ ARÁBICA, de Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000150/200567 Resolução nº 3202000.331 S3C2T2 Fl. 1.322 6 CAMBUQUIRA/PATROCÍNIO/MG, todas com mais de R$20 milhões cada. No Espírito Santo, COLÚMBIA, com R$16 milhões, e NOVA BRASÍLIA, com R$12 milhões, foram os destaques; • O quadro societário RIO DOCE CAFÉ era composto da CUSTÓDIO FORZZA COMÉRCIO LTDA (acionista majoritário) e NICCHIO CAFÉ S/A EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO, ambas de COLATINA/ES, que foram alvo da Operação Broca; • Muito embora não tenha sido alvo de busca e apreensão durante a Operação Broca, as investigações da Receita Federal realizadas antes da deflagração da aludida operação delinearam diversas negociações de compras de café da própria RIO DOCE CAFÉ no ES, nas quais restou comprovado a interposição fraudulenta de empresa de fachada na compra de café de produtor/maquinista; • O modus operandi descrito detalhadamente pelos agentes da cadeia de comercialização (produtor/maquinista, corretor e representantes das fictas intermediárias – empresas laranjas) foi devidamente demonstrado mediante confrontação dos documentos colhidos no de decorrer das investigações e robustecido com aqueles apreendidos na Operação Broca; • No início das investigações no Espírito Santo, ANTÔNIO GAVA, sócio da COLÚMBIA, situada em COLATINA/ES, em breve palavras contidas nas declarações prestadas em 30/11/2007, apontou para o esquema de venda de notas fiscais da COLÚMBIA para guiar café de produtor; • Em seguida, a V. MUNALDI surgiu como mais uma “firma” vendedora de nota. Em 28/02/2008, ALTAIR BRÁZ ALVES, da V. MUNALDI, revelou o modus operandi do esquema; • Em 06/03/2008, em resposta às indagações fiscais, COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L, todas de COLATINA/ES, manifestaramse de igual teor. Relataram à época que não possuíam imóveis, veículos, tampouco funcionários, e que, quando havia necessidade, contratavam serviços terceirizados de motoboy para entrega de documentos; • Quanto à origem dos recursos creditados nas contas correntes, afirmaram categoricamente que eram recursos que pertenciam a terceiros compradores do café: Asseveraram que não são e nunca foram empresas comercializadoras ou atacadistas de café; • Recebida a informação de quem era o vendedor, o comprador poderia ou não fazer contato com o mesmo. Certo é que o comprador depositava o valor na conta da COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L e “exigia que o produtor ‘guiasse’ o produto com nota de produtor para a fiscalizada”. • E prosseguem relatando que: recebendo a nota fiscal do produtor, liberavam para este o valor da venda e emitiam em seguida uma nota fiscal própria de venda para a Compradora; • A ressaltar ainda das respostas das diligenciadas que o comprador “EXIGIA QUE O PRODUTOR ‘GUIASSE’ O PRODUTO COM NOTA DE PRODUTOR PARA A FISCALIZADA” E ELAS, EM CONTRAPARTIDA, EMITIAM UMA NOTA FISCAL DE SAÍDA PARA O COMPRADOR. Assim, não operam como atacadistas de café, mas, sim, são usadas como uma ponte de repasse de recursos dos compradores para produtores rurais/maquinistas. Agem desta forma “POR IMPOSIÇÃO DOS COMPRADORES (QUE SÃO POUCOS E PODEROSOS)”; • Revelaram, ainda, que em hipótese alguma teriam “recursos para operar da forma como operaram nos últimos anos, mormente considerando a pesada carga tributária imposta por lei na operação, em especial da forma Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000150/200567 Resolução nº 3202000.331 S3C2T2 Fl. 1.323 7 como exigida pelos compradores, qual seja com incidência integral de PIS/COFINS”; • No início, em 2003, as exportadoras sinalizaram e algumas chegaram a indicar as pseudoempresas para guiar suas compras de café, conforme declarado por maquinistas, produtores rurais, corretores e os próprios sócios das empresas de fachada; Criouse, então, a figura da intermediária fictícia, cujo objetivo era vender nota fiscal. A princípio, com poucas “empresas”, esse mercado paralelo de pseudoatacadistas de café expandiuse rapidamente de tal modo que gerou uma concorrência no preço cobrado pela venda da nota fiscal. A existência e o modo delas operarem não só é de pleno conhecimento das empresas exportadoras e torrefadoras como algumas ditavam as regras e outras simplesmente se omitiram, sendo assim culpadas dessa cumplicidade silenciosa; • A fiscalização diligenciou mais de uma centena de produtores rurais do ES. No início, a maioria produtores de café conilon do norte e noroeste do estado, estendendo posteriormente para outras regiões do ES e de outros estados (Bahia e Minas Gerais). O critério utilizado foi ouvir aqueles identificados como maiores produtores de determinadas regiões; • Os produtores ouvidos mostraram total desconhecimento acerca das pseudoempresas atacadistas usadas para guiar o café. Negociavam com pessoas conhecidas, de sua confiança, ou seja, os corretores, maquinistas e empresas da sua região, contudo, no momento da retirada do café surgiam nomes de “empresas” desconhecidas; • Sem exceção, os depoimentos dos produtores têm o mesmo teor: as notas fiscais do produtor rural, preenchidas pelos compradores/corretores/maquinistas ou a mando deles, têm como destinatárias supostas “empresas” totalmente desconhecidas dos depoentes e que não são as reais adquirentes do café negociado; • Ao longo dessas oitivas, surgiram novos nomes de pseudo atacadistas, principalmente, criadas a partir de 2006. A fiscalização diligenciou grande parte delas, que resultou na sua Inaptidão/Suspensão no cadastro do CNPJ; • Cada exportadora/torrefadora criou o seu próprio padrão para fazer referência à tributação do PIS/COFINS, conforme declaração unânime dos corretores. Nas suas compras tanto no Espírito Santo quanto nas demais regiões do país, a RIO DOCE CAFÉ usava o mesmo padrão acima mencionado; • Os documentos apreendidos mostram que a corretora fazia o controle do pagamento de café por meio de uma planilha, onde anotava o nome do vendedor (empresa laranja/produtor/maquinista), comprador, valor, data de entrega, banco para depósito e etc. No caso da operação entre Elaison Armani e RIO DOCE CAFÉ demonstrada nos autos, a planilha de controle corrobora que foi a L&L quem falsamente documentou a operação respaldada pela ordem de compra VT0013, da RIO DOCE CAFÉ; Marcelo Luiz Nascimento Barbosa, exauxiliar de classificação de café da RIO DOCE CAFÉ e corretor autônomo no Ed. Palácio do Café, onde compartilhava espaço cedido pelo corretor Luciano Arpini Gobbi, da corretora GECAFÉ, disse em 03/06/2008 que intermediava compra de café principalmente dos seguintes maquinistas: Luiz Carlos Bernabé, conhecido como Lila; José Valentim Fracaroli, conhecido como Zezinho; Ronan Roque Fortuna, conhecido como Ronan; José Nivaldo Casagrande, conhecido como Nivaldo; Frederido Graziotti, conhecido como Liquinho; Alair Bergamaschi, conhecido como Alair Berg e Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000150/200567 Resolução nº 3202000.331 S3C2T2 Fl. 1.324 8 Luiz Cristiano Muller; • O corretor Luciano Arpini Gobbi, da GECAFÉ, em 03/11/2008, confirmou “que as empresas exportadoras e indústrias do Estado têm conhecimento quanto à origem do café (maquinista ou produtor rural), não obstante o café estar sendo guiado em nome de uma pessoa jurídica”. Dito de outro modo: as exportadoras e torrefadoras sabiam que estavam comprando café de produtor/maquinista documentado com nota fiscal de empresa laranja; • Nos controles do corretor Luiz Fernandes Alvarenga, que foram apreendidos durante a Operação Broca, constam anotações relatando venda de café de Tamanini para a RIO DOCE CAFÉ por meio das empresas de fachada COLÚMBIA e WR DA SILVA. Por exemplo, o controle de Luiz Alvarenga traz a anotação no dia 07/11/2008 da entrega de 300 sacas de café de Tamanini para a RIO DOCE CAFÉ guiadas em nome da COLÚMBIA. Essa operação de compra e venda foi respaldada na confirmação 2400/08 e ordem de compra n° 412, da RI O DOCE CAFÉ; • Na busca e apreensão na residência de Luiz Fernandes Alvarenga e suas corretoras, foram encontradas confirmações de compra para a RIO DOCE CAFÉ, bem como controle de suas operações guiadas por empresas laranjas e anotações para identificar os vendedores produtores/maquinistas: L&L/RONAN (Ronan Roque Fortuna), WR DA SILVA/CUZZUOL (Ronaldo Cuzzuol), WR DA SILVA/MAZOLINI (Luiz Mazolini), CAFÉ BRASILE/MAZOLINI, WR DA SILVA/TAMANINI (Marcelo Fausto Tamanini/Carlos Alberto Tamanini), YPIRANGA/EDIMAR (Edimar Francisco Muller), L&L/ARMANI (Elailson José Armani), WR DA SILVA/AMÉRICO (Américo José Mai), RODRIGO SIQUEIRA/ADEMAR VALANE, L&L/FRANCISCO PRANDO, CAFÉ BRASILE/ADEMIR (Ademir Biazatte Lonardelli), Colúmbia/ROQUE (Roque Romeu Bonfante), NOVA BRASÍLIA/BARNABÉ (Luiz Carlos Bernabé) e WR DA SILVA/JARBAS (Jarbas Alexandre Nícoli). • Entre os documentos recebidos da Polícia Federal, encontrase um arquivo magnético em formato Excel denominado “COLÚMBIA SAÍDAS”. Na verdade, tratase de um controle das notas fiscais de saída emitidas pela COLÚMBIA nos anos de 2005 a 2008. Além de relacionar o número, data e valor da nota fiscal, identifica o verdadeiro vendedor – distinguindo o ficto (COLÚMBIA) do real vendedor (produtor/maquinista), o comprador e a quantidade adquirida, assim como o corretor envolvido na operação; • Ao compulsar o citado arquivo, verificouse que Luiz Mazolini efetuou várias vendas de café para a RIO DOCE CAFÉ documentadas com nota da COLÚMBIA, especialmente no ano de 2006 com mais de 5 mil sacas, intermediadas pela CASA DO CAFÉ, de Luiz Fernandes Alvarenga; • Jarbas Alexandre Nícoli, de Jaguaré/ES, com produção de 10.000 sacas de café conilon, informou em 04/07/2008 que negociou seu café, preponderantemente, por meio dos seguintes corretores de COLATINA: Luiz Fernandes Alvarenga (CASA DO CAFÉ) e Junior Preti (RP COMISSÁRIA); • Afirmou não conhecer Antônio Gava e Thiago Gava, gestores da COLÚMBIA e W.R. DA SILVA, Altair Bráz Alves, gestor da V. MUNALDI – ME, e Fernando Mattede, gestor da ACÁDIA, DO GRÃO e L & L; • Alegou que desde 2003 não consegue vender café diretamente para as empresas exportadoras, ou seja, com nota fiscal de produtor. Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000150/200567 Resolução nº 3202000.331 S3C2T2 Fl. 1.325 9 Assim, teria sido orientado pelos corretores a guiar o café em nome de COLÚMBIA, V. MUNALDI e etc; • Questionado, então, sobre as suas notas de produtor supostamente destinadas à COLÚMBIA, V. MUNALDI, DO NORTE CAFÉ, WR DA SILVA, ACÁDIA, DO GRÃO, respondeu detalhadamente sobre a figura da fícta interposição de uma pessoa jurídica na operação entre o produtor e as exportadoras, o transporte em veículo próprio e a troca de nota fiscal, preferencialmente em postos de gasolina; • O arquivo “COLÚMBIA SAÍDAS” anota vendas de Jarbas Alexandre Nícoli para a RIO DOCE CAFÉ nos anos de 2006 e 2007. Por intermédio da CASA DO CAFÉ e RP COMISSÁRIA, foram vendidas mais de 4,5 mil sacas de café guiadas em nome da COLÚMBIA para a RIO DOCE CAFÉ; • A relação de contratos (confirmações), apreendidas durante a Operação Broca na Corretora Cristal Brasil e na residência do seu sócio Devanir Fernandes dos Santos, mostram vendas de Nivaldo Casagrande em 2008 para a RIO DOCE CAFÉ com notas da laranja NOVA BRASÍLIA; • Os corretores demonstraram unidade em relação aos seguintes pontos: a) com o surgimento do PIS/COFINS não cumulativos as empresas comercias exportadoras e torrefadoras de café passaram a dificultar compra com nota fiscal do produtor rural, exigindo notas em nome de pessoa jurídica; b) com tal exigência surgiram no mercado empresas de fachada, pseudoempresas atacadistas de café; c) com frequência novas empresas de fachada foram criadas e incorporadas ao mercado, passando do dia para a noite a terem movimentação de notas em volume assustador; d) pela venda de nota usada para guiar café do produtor/maquinista, a empresa de fachada recebia um valor por saca de café, pago por produtor/maquinista e exportadores; e) as comerciais exportadoras e torrefadoras sabiam de antemão que o café adquirido por elas era de pessoa física (produtor/maquinista), bem como tinham pleno conhecimento da interposição de empresas de fachada para guiar o café; • A RIO DOCE CAFÉ não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiava, conforme anotações nas próprias notas fiscais apresentadas pela empresa que foram extraídas do processo 15586.720174/201197, bem como das declarações prestadas pelo então comprador da RIO DOCE CAFÉ, em VARGINHA/MG, Regis Roriz de Oliveira, onde se concentrou o maior volume de compras da empresa. Cita se o seguinte trecho sobre a CAFEEIRA SÃO SEBASTIÃO, suposta maior fornecedora da RIO DOCE CAFÉ com R$110 milhões: “a Cafeeira São Sebastião Ltda só vendia as notas fiscais para o exportador”; • Diante desses fatos, restou demonstrado a utilização pela RIO DOCE CAFÉ de meios ilícitos para a obtenção de crédito tributário, o que afasta os limites impostos pela boafé. São operações fingidas, que mascaram a realidade; • Os representantes da COLÚMBIA, ACÁDIA, L & L e DO GRÃO respondendo às indagações dos Auditores Fiscais asseguraram que exportadoras e indústrias tinham pleno conhecimento da venda de notas e que era prática adotada em todo o país. Acrescentaram que muitas destas laranjas eram operadas por exfuncionários das próprias exportadoras e corretores, fato devidamente comprovado nas investigações realizadas no ES e, posteriormente, nas diligências em Minas Gerais; • No curso das investigações, os Auditores Fiscais constataram registros de vultosas compras nas empresas exportadoras do ES de supostas fornecedoras situadas no estado de Minas Gerais, principalmente, no município de Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000150/200567 Resolução nº 3202000.331 S3C2T2 Fl. 1.326 10 Manhuaçu (municípios da Zona da Mata Mineira) e de Varginha e municípios adjacentes (Sul de Minas Gerais); • Entretanto, a confrontação da movimentação financeira com dados fiscais dessas supostas atacadistas de café no estado de Minas Gerais não mostrou um quadro diferente do encontrado pelos AuditoresFiscais no Espírito Santo: movimentação financeira milionária para empresa na situação de inativa, omissa ou simplesmente preenchida zerada; Assim, mesmo antes da deflagração da OPERAÇÃO BROCA e dos Auditores Fiscais tomarem conhecimento da denúncia anônima sobre a mesmo tipo de fraude no estado de Minas Gerais, a análise dos dados fiscais e financeiros apontavam nesse sentido, que foi reforçado com as declarações de alguns produtores/maquinistas do Espírito Santo, situados na Região do Caparaó, divisa entre os estados do ES e MG; • Restou demonstrado que a RIO DOCE CAFÉ não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiava, apropriandose de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas gerados por empresas atacadistas de fachada; • Foram analisadas minuciosamente a origem e o modus operandi do esquema de interposição de empresa de fachada na compra e venda de café; • Os fatos apontados neste Relatório repercutem tanto na glosa de créditos do ano de 2004 quanto na glosa dos créditos dos anos de 2005 a 2010. O contribuinte foi cientificado do Termo de Enceramento de Diligência em 06/03/2013 –fl.2.043 e ss. e apresentou, em 02/04/2013, a Manifestação de fls. 2.045 e ss., alegando o seguinte: • O relatório elaborado após a Diligência propõe a alteração completa do ato administrativo que deu causa a negativa de homologação dos créditos; • O primeiro ato (Parecer e Despacho Decisório) teve como base fática normativa para a negativa dos créditos, simplesmente, o não pagamento das contribuições nas etapas econômicas anteriores e que tal realidade, pela essência da Lei, impediria a homologação. • Após a intimação da DRJ/RJ1, porém, o argumento mudouse por completo, a DRF introduziu a ausência de boafé da adquirente, que pretensamente era sabedora de um elaborado esquema descrito pela Receita Federal, como fator decisivo para a negativa da homologação; • Assim, ou temse como nulo o antigo ato administrativo, que negou primariamente a homologação (devolvendo os autos para a feitura de novo Parecer e Despacho Decisório), ou devese simplesmente desconsiderar os novos argumentos e documentos juntados; • O novo relatório fiscal, os milhares de documentos trazidos aos autos e a mudança radical da motivação para a negativa de homologação implicam em novo ato administrativo e a nulidade do ato anterior pela deficiência de motivação ou de base probatória; A não observância desse requisito legal implica também em violação direta ao devido processo legal e à ampla defesa, ou seja, afronta ao artigo 5º, LIV e LV, da Constituição Federal; • Devese também ter em mente que, se considerado o novo despacho decisório como mera resposta à diligência, a DRJRJ não poderá alterar o motivo primário que deu causa a negativa inicial dos créditos: não pagamento de PIS ou COFINS nas etapas Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000150/200567 Resolução nº 3202000.331 S3C2T2 Fl. 1.327 11 econômicas anteriores. Haveria se assim procedesse, lançamento por órgão incompetente ou supressão de instância. De qualquer modo, o Acórdão da DRJRJ 1 seria nulo; • Dos documentos juntados aos autos e das afirmações elencadas no Parecer SEORT e Despacho Decisório da DRFVitória glosando créditos de PIS/COFINS da recorrente, teve por base as operações Tempo de Colheita e seu sucedâneo policial Operação Broca; • No dia 14 de novembro de 2012, a Primeira Turma Especializada do TRF da 2ª Região, analisando Hábeas Corpus nº 001431181.2012.4.02.0000, em face de ato do Juízo Federal de Colatina – ES que instaurou a Ação Penal nº 2008.50.05.0005383 (surgida da operação broca), por unanimidade, concedeu a ordem para o fim de trancar a referida Ação Penal. Assim, os supostos crimes foram rechaçados pelo TRF 2ª Região; • A ação transitou em julgado, sendo os argumento que motivaram o indeferimento foram rechaçados definitivamente pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região; • Logo no início do processo administrativo, a Fiscalização demonstra o porque de suas conclusões equivocadas: foram ludibriados pelos criadores e gestores das empresas atacadistas e por seus colaboradores, alguns corretores de café do interior; • Notase que as empresas Colúmbia Comércio de Café, Acádia Comércio Exportação, Do Grão e L&L responderam as perguntas do mesmo modo, através de petições modelo, usando da mesma letra, mesma diagramação, mesmo palavreado. Está claro que apenas uma pessoa redigiu todos esses comunicados. Tudo na intenção de convencer os Fiscais de que aquilo que estavam falando era verdade e, assim, livrar os possíveis fraudadores da condenação certa. Pura enganação; • Observase que alguns desses comunicados padrão datam de março de 2008. Não se entende o porque da Receita Federal manter em funcionamento essas empresas, que hoje afirma inexistentes, por tanto tempo depois de ter certeza de suas práticas. Com isso, manteve as exportadoras reféns dessas fraudes; • Em nenhum momento, a Fiscalização traz a informação de que nenhum diretor da recorrente foi sequer citado na Broca, ou seja, não houve indiciamento, denúncia, mandados de prisão ou de busca e apreensão com relação a Rio Doce Café ou qualquer um de seus diretores (extinta pelo TRF2); • Após o advento dos créditos integrais de PIS e COFINS, muitas empresas atacadistas eclodiram nos Estados do Espírito Santo e de Minas Gerais (apesar de algumas já existirem como, por exemplo, a Colúmbia, criada em 2001) para, ao que parece hoje, unicamente, interpor a venda de café dos produtores rurais aos compradores finais; • É relevante citar que a Receita Federal de Vitória – ES já sabia das práticas destas empresas desde o final de 2007 e nada fez, por muitos anos, para coibir seus atos ilícitos. Ao que parece, preferiu aguardar, fomentar a prisão de alguns empresários (não da Rio Doce Café) e imputar a eles a responsabilidade de fiscalizar, que é unicamente sua; • As provas documentais trazidas pela fiscalização são, todas elas, produto unilateral de terceiros, originadas de buscas e apreensões. Mesmo que tais documentos apreendidos implicassem em alguma prova contra a Rio Doce Café, se a própria Fiscalização tem por fraudadores aquelas empresas e corretores, não deveria usálas para afastar a boafé de Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000150/200567 Resolução nº 3202000.331 S3C2T2 Fl. 1.328 12 uma empresa que sequer é citada Operação Broca ou qualquer outra operação; • Quanto à empresa Colúmbia, por exemplo, todas as mercadorias compradas foram devidamente entregues, deram entrada na Rio Doce Café, foram registradas na contabilidade da empresa e todos os pagamentos foram feitos através de depósitos, TEDs ou DOCs. Além disso, a empresa estava ativa na época das compras, como se pode verificar do CNPJ extraído do site da Receita Federal e do SINTEGRA emitido pela Fazenda Estadual. Por fim, o processo de inaptidão da Colúmbia (processo nº 15586.000037/200918) iniciouse em 2009, assim, certamente, ela não estava inativa nas épocas das compras pela Rio Doce Café. O mesmo ocorreu com todas as demais empresas; • Não há prova alguma da máfé e muito menos do dolo da recorrente. Ao contrário, foram juntados a manifestação de inconformidade os CNPJs e os SINTEGRAS, emitidos na época da compra, que provam os cuidados tomados na verificação da regularidade dessas atacadistas; • A fiscalização deveria ter demonstrado, de alguma forma, que a recorrente sabia ou incentivava o não recolhimento de tributos pelas empresas atacadistas ou, no mínimo, que tinha pleno conhecimento da inatividade das empresas; • A recorrente não tem tempo nem poder de investigar as suas centenas de fornecedoras e, após cotejar as declarações de imposto de renda, as DIRFs, as Dcreds, as DOIs, as Dmobs, as Gfips e outras tantas informações disponíveis à Receita Federal, verificar que sua atividade é restrita a corretagem de café ou a uma interposição fraudulenta; • Não havia nenhum Ato Declaratório ou até mesmo baixa de ofício dos contribuintes fornecedores da Rio Doce Café, na época em que foram adquiridas as mercadorias(café); • Os registros contábeis da recorrente, relativo às aquisições das mercadorias para revenda estão corretamente amparados por notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. O acórdão proferido pela DRJ do Rio de Janeiro foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. COMPROVADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da não cumulatividade da COFINS, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000150/200567 Resolução nº 3202000.331 S3C2T2 Fl. 1.329 13 Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando seu uso seja como insumo do processo produtivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 NULIDADE. SEM CAUSA.IMPROCEDÊNCIA. Incabível anular decisão sem que haja fatos ofensivos ao direito de ampla defesa, ao contraditório ou às normas que definem competência. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MEIO IMPRÓPRIO. A manifestação de inconformidade não se presta à formulação de pedido de restituição, compensação ou de parcelamento, devendo estes ser formalizados em procedimentos autônomos. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a matéria não contestada expressamente pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Verifico que a questão gira em torno da desconsideração das notas fiscais de aquisições feitas de empresas caracterizadas com inaptas que geraram a glosa de créditos por parte da fiscalização. Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000150/200567 Resolução nº 3202000.331 S3C2T2 Fl. 1.330 14 O artigo 82 da Lei nº 9430/96 fixa critérios objetivos para aferição da inidoneidade de documentos fiscais para fins de desconsideração dos atos e negócios jurídicos, senão vejamos: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Vêse, portanto, que a efetivação do pagamento do preço constante da nota fiscal, bem como o recebimento de bens pelo adquirente, são critérios objetivos a serem observados para a desconsideração jurídica dos documentos que ensejaram o crédito glosado nestes autos e que necessitam ser minuciosamente confirmados. Além disso, é importante realizar o cotejo destes itens (prova da entrega da mercadoria e prova do pagamento pela aquisição da mercadoria), com a declaração de inaptidão do CNPJ do fornecedor, em termos de cronologia dos acontecimentos, já que isso pode ter influência direta na análise a ser proferida pelo por esta Turma. Destaco, inclusive, que existem situações em que a inaptidão de fornecedores se deu após as compras realizadas pela Recorrente e outras após a autuação. Além disso, parecem existir operações objeto de glosa que foram realizadas até mesmo antes da operação deflagrada pela Polícia Federal. Diante das dúvidas apontadas anteriormente, não resta outra alternativa senão converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem adote as seguintes providências: a) Intimar a Recorrente para, com relação a todos os créditos objeto da glosa, elaborar demonstrativo relacionando os comprovantes de efetiva entrada das mercadorias adquiridas em seu estabelecimento, assim como os comprovantes de pagamento do preço de aquisição das mercadorias retratadas nas Notas Fiscais objeto de glosa, indicando as folhas dos autos em que constem referidas informações ou juntadoas; b) Informar a fiscalização conclusivamente (com cópias) quais as datas de publicação no DOU e a íntegra da decisão e respectiva fundamentação, quanto aos atos que declararam a inaptidão do CNPJ das comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, cujas Notas Fiscais de aquisição supostamente geradoras dos créditos foram glosadas; c) Elaborar Demonstrativo em que conste, por operação, as datas das aquisições, dados das Notas Fiscais de aquisição que foram glosadas, data e endereço da entrega dos produtos adquiridos, data e forma de pagamento pela respectiva compra dos produtos, cotejando com a data de declaração de Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000150/200567 Resolução nº 3202000.331 S3C2T2 Fl. 1.331 15 inaptidão do CNPJ do fornecedor, se for o caso, ou então, manifestando sobre a condição do CNPJ nas datas das operações (CNPJ ativo ou inativo); e d) Elaborar Parecer Conclusivo especificamente quanto a Diligência realizada, bem como informando se a Recorrente consta da lista de empresas apontadas pelo Ministério Público Federal nas operações da Polícia Federal e se existem depoimentos dos dirigentes ou que citam os dirigentes da Recorrente; Em relação à glosa de insumos em razão da atividade de blend, também converto o julgamento em diligência para que unidade de origem providencie o que segue: 1) Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente suas atividades, apontando a utilização dos insumos ora glosados na prestação de serviços; e 2) Após a juntada do laudo, promova diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial, elaborando Relatório conclusivo e sucinto acerca da utilização ou não dos insumos ora glosados na atividade da Recorrente. Após a realização da diligência, é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifeste acerca do tema. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19647.002351/2006-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 23/02/2006 a 01/06/2010
IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS.
A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução.
BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO.
O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto.
BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA.
É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento parcial ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Daiane Ambrosino, OAB/SP 294.123.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 23/02/2006 a 01/06/2010 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO. O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA. É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento parcial ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Daiane Ambrosino, OAB/SP 294.123. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
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REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO. O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA. É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento parcial ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 23 51 /2 00 6- 81 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.002351/200681 Acórdão n.º 3801004.406 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Daiane Ambrosino, OAB/SP 294.123. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJRecife, abaixo transcrito: A empresa Primo Schincariol Ind de Cerv e Refrig do Nordeste S/A solicitou que a DRF/REC encaminhasse ao Coordenador – Geral COSIT, pedido de habilitação para usufruir a redução do IPI incidente sobre refrigerante classificado no código 2202.10.00 da TIPI. A referida redução de alíquota foi instituída pelo Decreto 75.659, de 1975 (TIPI/75), e foi norma reproduzida nas TIPI’s posteriores, estando vigente ainda hoje (TIPI/2012). Na época do protocolo da solicitação, o contribuinte baseou seu pedido no inciso I do art.65 do RIPI/2006 (Decreto 4.544/06): “Art.65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI , que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, quanto ao Fl. 203DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.002351/200681 Acórdão n.º 3801004.406 S3TE01 Fl. 4 3 cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício; Nota Complementar (NC) da TIPI (Decreto nº 6.006, de 2006) NC (221) Ficam reduzidas de cinqüenta por cento as alíquotas do IPI relativos aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério. Conforme verificado pela repartição fiscal de origem, ao regular o tema, o Decreto 75.808, de 2 de junho de 1975, incluiu na tabela (TIPI) o “ex” relativo aos refrigerantes, refrescos e néctares que contiverem suco de fruta, de acordo com os padrões fixados pelo Ministério da Agricultura, e que possuíam “Certificados de Registro” expedido pelo órgão competente daquele Ministério. Reduzindo em 50% a alíquota do IPI. Além disso, o referido Decreto 75.008/75 assim determinou nos seus artigos 2º e 3º: “Art.2º. A redução de alíquota conferida pelo art.1º do Decreto número 75.659, de 25 de abril de 1975, relativas a bebidas incluídas no destaque constante no Anexo a que se refere o artigo anterior, será declarada pela Secretaria da Receita Federal, em cada caso, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto à conformidade do produto com as características exigidas nos padrões de identidade e qualidade estabelecidas pelo Decreto número 73.267, de 6 de dezembro de 1973, e pelos atos complementares baixados por aquele Ministério. Art.3º. Os Ministérios da Fazenda e Agricultura expedirão as normas complementares necessárias à execução do disposto neste Decreto. Veio, então, a Portaria Interministerial MF/MA nº 113, de 04 de março de 1977, determinando aos interessados na fruição do benefício fiscal requerer ao Coordenador Geral do Sistema de Tributação da SRF (atual COSIT), informando os elementos nela indicados, isto é, (i) identificação do requerente, (ii) identificação do produto para o qual se requer o reconhecimento da redução de alíquota e, (iii) o número do Certificado de Registro do Produto, expedido pelo órgão competente do Ministério da Agricultura. Conforme relatado, no Parecer SEORT/RECIFE/2011, segundo o procedimento previsto, coube à unidade local da Receita Federal após formalizar o processo, informar sobre os antecedentes fiscais da requerente e encaminhálo ao Ministério da Agricultura (MA). A DRF/REC encaminhou este processo ao Serviço de Inspeção Vegetal(SIV), da Delegacia do Ministério da Agricultura, Fl. 204DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.002351/200681 Acórdão n.º 3801004.406 S3TE01 Fl. 5 4 Pecuária e Abastecimento – MAPA em Recife/PE, para verificação do cumprimento dos requisitos previstos para o reconhecimento da redução pleiteada. Depois de realizados os procedimentos sob a alçada do MAPA, que culminaram com a concessão do Certificado de Registro dos Produtos: Preparado Líquido para Refrigerante de Guaraná (Schin Guaraná), Registro PE05896000606,Preparado Líquido para Refrigerante de Laranja (Schin Laranja), Registro PE05896000584,Preparado Líquido para Refrigerante de Cola (Schin Cola), Registro PE05896000614ePreparado Líquido para Refrigerante de Limão (Schin Limão), Registro PE05896000592,o processo retornou à unidade da Receita Federal para encaminhamento à COSIT. No entanto, pela Portaria nº 2, de 12 de setembro de 1995, o Coordenador da COSIT, delegou essa competência às Delegacias da Receita Federal para apreciarem os pleitos referentes ao reconhecimento dessa redução de alíquota, e providenciar, se for o caso, a expedição do pertinente Ato Declaratório. A repartição fiscal de origem informou no processo, no Parecer SEORT/RECIFE/2011, que em consulta aos sistemas de controle da RFB, em 22.07.2011, constatou que a requerente possui débitos em cobrança no SIEF, além de constar como inadimplente no CADIN, por débitos junto à PFN. Informou que a necessidade dessa análise de antecedentes fiscais decorre da Lei 9.069/95, a qual determina no seu art. 60, que qualquer reconhecimento de benefício fiscal relativo a tributo administrado pela Receita Federal fica condicionado à comprovação, pelo contribuinte, da quitação respectiva. Por outro lado, verificouse no sistema CNPJ, que a situação cadastral da requerente era de empresa baixada desde 01/06/2010, por incorporação à empresa PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG S/A – CNPJ 50.221.019/000136 . A repartição fiscal de origem observou que o Decreto 7.212/2010 (RIPI),no seu art. 176, caput e inciso I, prevê a transferência, por sucessão, de benefícios fiscais concedidos por prazo certo e em função de determinadas condições à pessoa jurídica que vier a ser incorporada, mediante requerimento da incorporadora, e desde que observados os limites e condições fixados na legislação que instituiu o benefício, em especial quanto aos aspectos vinculados ao tipo de atividade e de produto. (Grifos meus). Mas, o supracitado Parecer SEORT/RECIFE/2011 entendeu que a interessada perdeu a legitimidade para requerer, porque a partir de sua baixa tornouse inexistente, e a sucessora não havia se habilitado no processo;que caso a sucessora ainda desejasse a habilitação poderia requerela em nome próprio. Concluiuse,no entanto, que a procuração da empresa ao representante legal que encaminhou o pedido se encontrava vencida, e como a representada havia sido extinta não seria possível sua renovação. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.002351/200681 Acórdão n.º 3801004.406 S3TE01 Fl. 6 5 Recomendouse assim ao Sr. Delegado da DRF/REC que declarasse extinto o processo com base no art.52 da Lei 9.784/99, porque a finalidade ou o objeto da decisão terseia tornado impossível, inútil ou prejudicado pelo fato superveniente da extinção da empresa requerente. A decisão da DRF/REC, com base no Parecer SEORT/RECIFE/2011, foi por declarar EXTINTO O PROCESSO DE SOLICITAÇÃO DE HABILITAÇÃO da pessoa jurídica PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTE S/A – CNPJ 01.278.018/000384. Cientificouse a empresa sucessora dessa decisão, (…), facultandolhe o direito de interpor recurso no prazo de 10 (dez) dias,contado da ciência do Despacho Decisório, a ser protocolizado na DRF/Recife/PE, nos termos do art.59 da Lei 9.784/99. A sucessora PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG S/A,protocolou seu recurso contra o despacho decisório, na DRF/REC, (…), podendo ser assim sintetizadas as razões essenciais de contestação: 1. A PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTES/A solicitou habilitação para usufruir da redução da alíquota do IPI sobre os refrigerantes SCHIN GUARANÁ, SCHIN LARANJA, SCHIN COLA E SCHIN LIMÃO , nos termos do RIPI, art. 65, Ic/c a NC 221(da TIPI). 2. Importante esclarecer que a pretensão se alicerçou na NC 221(TIPI) e na declaração expedida pela Coordenação de Inspeção Vegetal do MA. Ao analisar o pedido, a Receita Federal em Recife decidiu extinguir o processo, alegando inexistência da parte solicitante, em razão de sua incorporação pela ora recorrente, sem que esta tivesse se habilitado, apresentando novo requerimento neste mesmo processo. 3. Ainda que a ora recorrente não tenha se habilitado no presente processo, é imperioso reconhecer que a até a data de incorporação (01.06.2010), a redução de alíquota de IPI era devida à empresa incorporada PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV EREFRIG DO NORDESTE. Observeseque até 01.06.2010 o CNPJ da referida incorporada estava em plena atividade, e somente foi baixado nessa data. 4. Assim, considerandoseque os requisitos estavam presentes, desde o momento da solicitação pela empresa (só posteriormente) incorporada, e que até 01/06/2010 a referida empresa estava em plena atividade, não restam dúvidas de que até tal data a redução de alíquota de IPI lhe era devida. 5. Frisase que a solicitação foi devidamente instruída com cópia do registro do produto no MA, o qual atestou que o produto em questão atende aos padrões de identidade e qualidade exigidos. Não havendo qualquer óbice para se negar o reconhecimento da redução de alíquota de IPI até 01/06/2010. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.002351/200681 Acórdão n.º 3801004.406 S3TE01 Fl. 7 6 6. Importa, ainda, consignar, que a regularidade fiscal não é condição para a concessão da redução de alíquota de IPI requerida. O art. 60 da Lei 9.069/95aplicase quando da concessão de benefício fiscal, o que não é o caso da redução de alíquota do IPI, pois é tratamento objetivamente atribuído a um determinado produto que preenche os requisitos estabelecidos na NC 221da TIPI. Os requisitos exigidos na NC 221da TIPI foram cumpridos conforme exposto mais acima. Ante o exposto pede que seja provido seu recurso, para que seja deferido o pedido de redução de alíquota do IPI incidente sobre os refrigerantes SCHIN GUARANÁ, SCHIN LARANJA, SCHIN COLA E SCHIN LIMÃO, desde a data dos respectivos registros efetuados pelo MAPA e até 01/06/2010, à empresa PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DONORDESTE S/A. Analisando o litígio, a DRJRecife por unanimidade de votos, preliminarmente, reconheceu a sua competência para apreciar a matéria e, no mérito, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, para declarar que remanesce o processo, mas negou provimento ao direito pleiteado por persistir sem comprovação a regularidade fiscal da manifestante, conforme ementa abaixo transcrita: NORMAS PROCESSUAIS. RITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL. COMPETÊNCIA DA DRJ. PROCESSO SANEADO. Embora a decisão recorrida haja intimado a interessada a apresentar recurso, nos termos do art.56 da Lei nº 9.784/96 (LGPAF), no prazo de dez dias, com base no rito da referida Lei Geral, a repartição de origem procedeu de modo saneador ao encaminhar o recurso à DRJ. É a DRJ que possui competência para apreciar, segundo o rito do Decreto nº 70.235/72, procedimento que busca o reconhecimento do benefício de redução da alíquota de tributos administrados pela RFB, conforme previsto no inciso IV do art.233 da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 (Regimento Interno da RFB). HABILITAÇÃO PARA FRUIÇÃO DE REDUÇÃO DO IPI. Houve certificação, por parte do Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAPA), quanto aos padrões de identidade e qualidade do produto, e de seu respectivo registro, reconhecendo à interessada, incorporada no curso do processo, a satisfação desses requisitos legalmente exigidos para a fruição do benefício fiscal especificado. DIREITO À REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DO IPI. SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. Tratase de pedido de reconhecimento do direito à redução da alíquota de IPI, prevista na NC 221da TIPI/2006, mediante o cumprimento dos requisitos legais para a fruição do benefício fiscal. Depois de reconhecido, esse direito é passível de transferência à empresa sucessora (incorporadora) mediante habilitação no processo. Por economia processual, a repartição Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.002351/200681 Acórdão n.º 3801004.406 S3TE01 Fl. 8 7 fiscal de origem poderia e deveria ter solicitado a habilitação da sucessora no âmbito deste mesmo processo, iniciado pela empresa posteriormente incorporada. HABILITAÇÃO DA SUCESSORA SUPRIDA. O PROCESSO REMANESCE. A pendência do requerimento de habilitação da sucessora não é razão plausível para extinção de ofício do processo, mas sim recomendava à autoridade administrativa o devido saneamento processual. Esse saneamento tornouse suprido pelo teor da manifestação de inconformidade apresentada pela incorporadora, principal interessada, acompanhada de documentos, conjunto cujo teor apresenta mais substância do que o mero requerimento de habilitação da sucessora previsto no caput do art. 176 do RIPI/2010. A busca de reconhecimento do direito à redução de alíquota do IPI era direito da incorporada, e passou a ser direito da incorporadora, objeto processual que justifica o seguimento do processo até a solução do litígio. FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. FALTA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. IMPEDIMENTO LEGAL. Persiste óbice à expedição do ato declaratório. O reconhecimento da redução deve observar não apenas os requisitos legais específicos à fruição do benefício fiscal, mas também deve se enquadrar na regra geral imposta pelo art.60 da Lei 9.069/95. A fruição de qualquer benefício fiscal federal se submete a esse crivo. O benefício de redução da alíquota de IPI de que trata o presente processo está também condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais. O contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário no qual argüi o seguinte: · Que os requisitos para a concessão da alíquota reduzida do IPI estão previstos na NC 221 da TIPI a qual vinculase apenas aos elementos objetivos do produto, quais sejam, o atendimento aos padrões de identidade, qualidade e composição, bem como regular registro perante o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. E que tais requisitos foram prontamente atendidos pela Recorrente; · Que elementos subjetivos, relativo à pessoa jurídica solicitante, são irrelevantes para fins de enquadramento na NC 221 da TIPI. Traz, nesse sentido, decisão exarada pela DRJ em Santarém. Reforça que a regra trazida pelo art. 60 da lei 9.069/95 aplicase somente à concessão de benefícios fiscais, o que não é o caso da redução de alíquota do IPI prevista na NC 221 da TIPI, pois tratase de um tratamento atribuído objetivamente a determinado produto que preencha os requisitos estabelecidos na legislação. Nesse sentido, colaciona decisão exarada pela DRJ em Juiz de Fora; Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.002351/200681 Acórdão n.º 3801004.406 S3TE01 Fl. 9 8 · Que no momento em que efetuou o pedido de redução de alíquota do IPI trouxe aos autos cópia da certidão conjunta positiva com efeitos de negativa de débitos relativos aos tributos federais e à dívida ativa da União. E que se no decorrer do processo, que se prolongou por morosidade da própria autoridade fiscal em analisar o presente pedido, surgiram eventuais débitos em seu desfavor, estes não podem prejudicar seu direito ao reconhecimento da redução de alíquota do IPI. Colaciona decisão do antigo Conselho de Contribuintes nessa linha. · Salienta ainda que a empresa incorporadora da Recorrente encontrase com sua situação fiscal regular, anexando certidão que comprova tal situação. · Por fim, salienta que a redução em comento deverá ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente realizou o reconhecimento da adequação dos produtos aos requisitos previstos em lei. É o relatório. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.002351/200681 Acórdão n.º 3801004.406 S3TE01 Fl. 10 9 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. De pronto, entendo que não devem prosperar as alegações do Recorrente no sentido de que a redução de alíquota concedida pela NC 221 não constitui um benefício fiscal e que, por conseguinte, não se sujeita ao requisito de regularidade fiscal exigido pelo artigo 60 da Lei 9.069/95. Tratase, sim, de desoneração fiscal objetiva, cuja concessão está vinculada à qualidade de um produto, e não ao contribuinte propriamente dito, impregnada de sentido fina1ístico, pois se vale da redução da alíquota do IPI como mecanismo de indução de um comportamento. Vêse, pois, que corresponde invariavelmente a um incentivo ou benefício fiscal Tal prática foi autorizada pelo legislador constitucional, que inseriu o § 6º no artigo 150 da Carta Magna: § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2º, XII, g. Há que se destacar ainda a Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita a ação do legislador na concessão de incentivos de natureza tributária em seu art. 14, e que assim prescreve: Art. 14. § 1o A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado. Fato é que a concessão de incentivos fiscais não se insere na seara do direito tributário, mas no campo da política tributária. O fim visado não é beneficiar o seu destinatário, que apenas usufrui desse benefício por via indireta. E nada obsta que o legislador condicione subjetivamente o contribuinte, para fins de fruição de um privilégio fiscal de natureza extrafiscal, ao atendimento de certos requisitos de interesse público. Por conseguinte, entendo que a redução de alíquota prevista na NC 221 da TIPI corresponde, sim, a um benefício fiscal e que, portanto, enquanto tal, deve observância ao disposto no artigo 60 da Lei 9065/95, que reza que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.002351/200681 Acórdão n.º 3801004.406 S3TE01 Fl. 11 10 Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não obstante, fato é também que,quando da apresentação do pedido de redução de alíquota, o contribuinte apresentou a documentação apta e suficiente para a comprovação de sua regularidade fiscal. Ora, caso o agente fazendário observasse o prazo estipulado pelo artigo 241da Lei no. 9.784/1999, para efetuar a apreciação do pedido envolvendo o benefício fiscal, o Recorrente não teria negado o seu pedido, porquanto se encontrava regular. A regularidade fiscal deve ser examinada no momento da opção do contribuinte. Vale lembrar que esta Turma Especial, num caso idêntico envolvendo esse mesmo contribuinte, em decisão da lavra do nobre Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, já examinou assunto semelhante decidindo da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2006 MOMENTO DA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL Comprovada a regularidade fiscal no momento da apresentação do pedido de reconhecimento de redução de alíquota, deve ser o mesmo deferido. Recurso Voluntário Provido.(Acórdão no. 3801001.594 do Processo 10855.000847/200691) Nesta mesma linha é o teor da Súmula 37 do CARF, assim expressa: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Vale destacar também que, mesmo que se entendesse insuficiente a prova de regularidade fiscal quando da apresentação do pedido de redução de alíquota, a empresa que incorporou a Recorrente encontrase fiscalmente regular, conforme comprova a documentação juntada ao presente Recurso. E, de acordo com o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, emitida no Processo no. 10768.014100/9908, para fins de prova da regularidade em relação aos tributos e contribuições federais a que alude o art. 60 da Lei n° 9.069/95, não se pode negar ao contribuinte o direito de mostrar sua regularidade fiscal no curso do Processo Administrativo, pois o objetivo da Lei é a regularidade fiscal do contribuinte, independentemente do momento em que a prova é feita. Porém, no que tange ao momento de aplicação do benefício fiscal, que a Recorrente entende dever ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente 1 Art. 24. Inexistindo disposição específica, os atos do órgão ou autoridade responsável pelo processo e dos administrados que dele participem devem ser praticados no prazo de cinco dias, salvo motivo de força maior. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.002351/200681 Acórdão n.º 3801004.406 S3TE01 Fl. 12 11 realizou o reconhecimento da adequação dos produtos aos requisitos previstos em lei, posicionome de forma diversa. Adoto como razões o voto de relatoria do já citado nobre Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, no Processo no. 13334.000275/200960, também envolvendo esse mesmo contribuinte e acatado unanimemente por esta Turma Especial: A norma não informa que a SRF pode determinar o momento em que se possa utilizar o benefício, mas é claro que o contribuinte precisa do respectivo ato declaratório emitido pela SRF porque a norma estabelece que cabe a SRF declarar que a empresa está apta a utilizálo, ouvido o Ministério competente. A declaração por parte da Receita Federal é cumprimento de obrigação acessória fundamental à fruição do benefício. O inadimplemento da obrigação acessória prejudica o sujeito ativo na medida em que deixa de cumprir a finalidade controlística para a qual foi criada e priva o contribuinte da benesse constante da prestação principal com efeitos ex tunc do seu protocolo, porque a lei a exige. Portanto, em razão da redução da alíquota do IPI nos termos do artigo 65 do Decreto nº 4.544/02 e da “NC (221)” estar condicionada à qualidade dos produtos contemplados em referidas normas atestado pelo MAPA e à declaração da Secretaria da Receita Federal até a expedição do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010. Como a opção do contribuinte ocorre somente quando do pedido realizado na SRF, o prazo para usufruir desse benefício igualmente só pode ocorrer a partir do protocolo do pleito, como corretamente decidiu a DRJ. Por tudo, voto pelo conhecimento e parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito da Recorrente à alíquota reduzida do IPI a partir do protocolo do pleito junto à Receita Federal do Brasil. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel – Relatora Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio Celani, Redator Designado. Legitimidade do Ato Declaratório e vinculação da atividade administrativa. Nos termos da Portaria SRF nº 001, de 2/1/2001 DOU de 9.1.2001, vigente à época do pedido apresentado, e da Portaria RFB nº 1.098, de 8/8/2013, em vigor, a competência para a prática do atos editados e dos despachos proferidos deve obedecer às atribuições fixadas em lei, norma infralegal ou, sendo o caso, ato de delegação de competência. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.002351/200681 Acórdão n.º 3801004.406 S3TE01 Fl. 13 12 Estes atos são agrupados em função da matéria sobre as quais versam e compreendem, entre outros, o Ato Declaratório Executivo (ADE), que serve para constituir ou por termo a situações individuais em face da legislação tributária e aduaneira, bem assim preservar direitos, reconhecer situações preexistentes ou possibilitar seu exercício. Aplicamse, especialmente, nos casos de: reconhecimento ou suspensão de isenção; suspensão de imunidade; declaração de inaptidão; exclusão de regimes tributários especiais; concessão de registro especial de fabricantes ou importadores; divulgação, quando exigida, de extratos de despachos decisórios concessivos. Logo, o ADE constitui ou põe termo a situações individuais envolvendo reconhecimento de isenção, suspensão de imunidade e exclusão de regime tributário especial. Se o ADE pode constituir ou terminar o reconhecimento de isenção, cuja modalidade condicional poderia se equiparar a redução de alíquota discutida nestes autos, bem como resultar em suspensão de imunidade, que possui status constitucional, logo, privilegiado em relação à redução de alíquota, por que não poderia constituir ou por termo a situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota? Dizer que o Ato Declaratório declara direitos ou reconhece situações preexistentes não significa dizer que, nestes casos, está dispensada ou proibida à autoridade administrativa a verificação da existência destes direitos ou situações. Pelo contrário. A autoridade administrativa, cujas atividades são vinculadas, não pode deixar de verificar o cumprimento de lei, no caso, o art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, que diz: “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. (Vide Lei nº 11.128, de 2005).” Também impõem ao agente público a exigência de comprovação de quitação de tributos as seguintes normas. Constituição Federal de 1988:: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 3º. A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. (...)” Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.002351/200681 Acórdão n.º 3801004.406 S3TE01 Fl. 14 13 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 dispõe: “Art. 47. É exigida Certidão Negativa de DébitoCND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: I – da empresa: a) na contratação com o Poder Público e no recebimento de benefícios ou incentivo fiscal ou creditício concedido por ele. (...) Redução de alíquota é benefício fiscal. Não cabe afirmar que a redução de alíquota não é um benefício fiscal. Vejamse os arts. 150, §6º, e 165, 6º, da Constituição Federal de 1988: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, §2º, XII, g. (...)” “Art. 165. Lei de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: (...) §6º O projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia. (...)” Também a Lei de Responsabilidade Fiscal, citada pela Conselheira Maria Inês Caldeira da Silva Pereira Murgel, ampara o entendimento de que a redução de alíquota é benefício fiscal, logo, aplicase ao caso o art. 60 da Lei 9.069, de 1995. Momento da comprovação da regularidade fiscal. Conforme normas citadas nas sessões anteriores, a comprovação da quitação de tributos federais deve ser feita para o recebimento de benefícios fiscais. No caso da redução da alíquota de IPI, a comprovação deve amparar todas as operações de saídas de produtos industrializados do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, porque a cada operação tributada pelo IPI, a redução significa um benefício fiscal. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.002351/200681 Acórdão n.º 3801004.406 S3TE01 Fl. 15 14 Por isso, não basta comprovar a regularidade fiscal apenas no momento do requerimento do benefício. Assim dispõe a Lei nº 4.502, de 30/11/1964, quanto ao IPI: Art. 2º Constitui fato gerador do impôsto: I quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro; II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. “Art . 13. O impôsto será calculado mediante aplicação das alíquotas constantes da Tabela anexa sôbre o valor tributável dos produtos na forma estabelecida neste Capítulo. Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...) II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...)” O momento do fato gerador é o da saída do produto do estabelecimento contribuinte. O quantum do imposto é o resultado da aplicação da alíquota constante da Tabela do IPI sobre o valor da operação. Para cada operação em que se aplique uma alíquota reduzida, temse uma operação realizada com benefício fiscal. Cada operação realizada com o benefício está sujeita à fiscalização, logo, cada operação submetese ao reconhecimento do benefício, o que leva à conclusão de que a beneficiada deve estar amparada pela certidão de quitação de tributos federais não apenas no momento do pedido de redução de alíquota, mas, durante todo o tempo em que usufrua da concessão do benefício. Nos autos ficou claro que, no momento em que a autoridade administrativa analisou o requerimento, a contribuinte encontravase em situação impeditiva da emissão da certidão negativa de débitos, motivo suficiente para indeferir o pedido. A partir do momento em que a contribuinte passou a reunir as condições necessárias e suficientes para fruição do benefício fiscal, poderia ela pleitear novamente seu reconhecimento. Como conseqüência do que aqui foi dito e tendo em vista que não se está a analisar operações realizadas pela contribuinte entre o protocolo do requerimento e este Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.002351/200681 Acórdão n.º 3801004.406 S3TE01 Fl. 16 15 julgamento, logo, ainda que se considere eventual atendimento, neste momento, às condições para fruição do benefício, não se pode decidir que tais operações sejam alcançadas pelo benefício. A Súmula CARF nº 37, que trata de outras situações fáticas, não se aplica ao benefício da redução de alíquota de IPI, que como visto acima ocorre em cada operação tributada por este imposto. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10920.003145/2004-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
AUXÍLIO COMBUSTÍVEL - INDENIZAÇÃO
A verba paga sob a rubrica auxílio combustível tem por objetivo indenizar gastos com uso de veículo próprio para realização de serviços externos de fiscalização. Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, que não se incorpora à remuneração do fiscal para qualquer efeito e, portanto, está fora do campo de incidência do IRPF.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os menbros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo que apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Declçaração de voto
EDITADO EM:02/02/2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo que apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Declçaração de voto EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
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Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, que não se incorpora à remuneração do fiscal para qualquer efeito e, portanto, está fora do campo de incidência do IRPF. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo que apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 31 45 /2 00 4- 76 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Declçaração de voto EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Em sessão plenária de 02/12/2010, a então 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento proferiu decisão que deu provimento, por unanimidade, ao Recurso Voluntário interposto pelo Interessado, conforme se denota do Acórdão n. 2101 000.902: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2000 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O entendimento manifestado sobre o tema pelo Superior Tribunal de Justiça é que o sistema preconiza para o reconhecimento da nulidade do ato processuala necessidade que se demonstre, de modo objetivo, os prejuízos conseqüentes, com influência no direito material e reflexo na decisão da causa. No presente caso, diante da profícua discussão acerca da matéria tributável, não se vislumbra o alegado cerceamento do direito de defesa. AUXÍLIO COMBUSTÍVEL. INDENIZAÇÃO. A verba paga sob a rubrica "auxilio combustível" tem por objetivo indenizar gastos com uso de veiculo próprio para realização de serviços externos de fiscalização. Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, que não se incorpora à Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10920.003145/200476 Acórdão n.º 9202003.498 CSRFT2 Fl. 9 3 remuneração do fiscal para qualquer efeito e, portanto, está fora do campo de incidência do IRPF. Recurso voluntário provido. Acórdão no 210100.902 – 1ª Câmara/la Turma Ordinária Sessão de 02 de dezembro de 2010 Segundo consta, a Câmara recorrida entendeu que o “auxíliocombustível” tem natureza indenizatória e que não se incorpora à remuneração do fiscal para qualquer efeito, estando, por conseqüência, fora do campo de incidência do IRPF. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, por meio de seu i. Representante, sob o fundamento de que o decisum recorrido estaria em descompasso com a jurisprudência de outras Câmaras – Acórdão n. 10420995 (fls. 73/81): IRPF EXERCÍCIO DE 2001, • ANOCALENDÁRIO DE 2000 AUXILIO COMBUSTÍVEL É tributável a verba que, embora denominada de auxílio combustível/indenização de transporte, é paga de forma generalizada e tem natureza remuneratória. Recurso negado. Submetido ao exame de admissibilidade, a i. Presidente entendeu pela admissibilidade/seguimento por preenchidos os pressupostos de admissibilidade [tempestividade, devida fundamentação e divergência (art. 15, §§2º e 6º, da Portaria MF n. 147/2007)] – fls. 83/84: [...] À leitura da própria ementa já ressalta a divergência. Porque enquanto o ocorrido conclui que o auxilio combustível recebido pelos fiscais do Estado de Santa Catarina tem natureza indenizatória o paradigma afirma, diante do mesmo fato, que a natureza desta rubrica é salarial e, portanto tributável para o imposto de renda das pessoas físicas. O Contribuinte foi devidamente intimado do decisum e recurso, tendo apresentado, tempestivamente, contrarrazões [fls. 87/92]. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n°. 70.235 de 06 de março de 1972, está devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima, razão porque dele tomo conhecimento e passo ao exame do mérito. Foi lavrado Auto de Infração de fls., por meio do qual se exige o pagamento de determinada importância, a título de IRPF, por suposta omissão de rendimentos (auxílio combustível): Fl. 33 [...] O contribuinte apresentou declaração retificadora em que exclui dos rendimentos tributáveis valores recebidos a titulo de indenização de transporte. Pautase em decisão proferida pela Justiça Estadual, proposta contra o Secretário de Administração do Estado de Santa Catarina, responsável pela tributação na fonte, dos referidos rendimentos. Segundo consignou o Contribuinte [fl. 01], “tal verba – denominada indenização por uso de veículo próprio está prevista no art. 1º, §2, inciso VIII, da Lei Estadual n. 7.881/89 e regulamentada pelo art. 3º do Decreto n. 4.606/90, como retribuição aos servidores que realizam atividades de inspeção e fiscalização de tributos e utilizam veículo próprio no desempenho desse mister”. Nessa linha foi o entendimento da Câmara a quo, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao Voluntário interposto [fls. 66/69]: [...] É cediço que o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica da renda e de proventos de qualquer natureza, a teor do art. 43 do CTN. Por essa definição, as verbas de caráter indenizatório (reposição ou recomposição patrimonial) não se submetem a tal tributo. Partilho do entendimento de que aqui se trata de nãoincidência, e não de isenção, o que, se correto for, dispensaria, de fato, a edição de lei com a finalidade de não se cobrar o tributo. Não há por que isentar aquilo que está fora do campo de incidência. No caso sob análise, tratase de indenização em cujo cálculo se levam em conta inclusive aspectos como variações do preço do automóvel, preço do combustível e despesas de manutenção, tudo a evidenciar a vinculação às despesas havidas com a utilização de um bem particular em serviço público e a reforçar o caráter indenizatório do auxílio. Eventuais desvios da própria legislação, com extensões do beneficio a servidores que desempenham outras ocupações (por exemplo: a diretor de empresa pública, como cita a decisão recorrida), não podem modificar a natureza indenizatória Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10920.003145/200476 Acórdão n.º 9202003.498 CSRFT2 Fl. 10 5 original, genuína, do valor pago. É necessário analisar caso a caso. Para corroborar tal entendimento, o voto condutor consignou jurisprudência que decidiu na linha do reconhecimento da não incidência do IR sobre o “auxílio combustível”: "AUXILIO COMBUSTÍVEL — INDENIZAÇÃO — A verba paga sob a rubrica 'auxílio combustível' tem por objetivo indenizar gastos com uso de veículo próprio para realização de serviços externos de fiscalização. Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, que não se incorpora à remuneração do fiscal para qualquer efeito e, portanto, está fora do campo de incidência do IRPF." (Acórdão n° 10247.982, de 19.10.2006, da 2"Câmara do 1° CC) "INDENIZAÇÃO POR UTILIZAÇÃO DE VEICULO PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO — A tributação independe da denominação dos rendimentos bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título, situação que não se verifica em relação à indenização pelo uso de veículo próprio para o desempenho de funções de inspeção ou fiscalização de tributos recebidas por ocupantes do cargo de Auditor Fiscal de Tributos Estaduais, posto que de mesma natureza jurídica daquela paga a Servidor Público da União." (Acórdão n° 10615287, de 26.01.2006, da 6° Câmara do 1° CC) Na condição de relator destaco que o exame da matéria passa, obrigatoriamente, “pela análise da natureza jurídica do auxílio combustível recebido pelo servidores. Há que se identificar se se tratam de valores recebidos pelo trabalho ou para o trabalho. Os valores recebidos pelo trabalho se constituem rendimentos e estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda. As importâncias recebidas para o trabalho, isto é, os recursos que são alcançados para que alguém possa executar determinada atividade, sem os quais não poderia desenvolver da forma esperada, não se constituem em rendimentos, mas sim meios necessários ao exercício da função, do encargo ou do trabalho. Tenho que o referido “auxílio combustível” se constitue meio necessário para que o servidor possa exercer seu mister. A eventual discussão que a não exigência de prestação de contas da forma com que foi gasta o citado auxílio é questão que diz respeito ao controle e a transparência da Administração. Isto, todavia, não transporta o “auxílio combustível” do campo da indenização para o campo dos rendimentos caracterizados por acréscimo patrimonial. Em certos casos, a Administração, por exemplo, quando paga diária com valor previamente fixado, pode exigir que o servidor comprove sua participação no evento, sem precisar o quanto foi gasto. Em tais hipóteses, se o servidor gastar mais do que o valor presumido como meio suficiente à finalidade a que se destina, não terá direito de reclamar a diferença. Entretanto, se o mesmo servidor que recebeu os recursos destinados à alimentação e, por qualquer razão, resolver ficar sem se alimentar, tais recursos não se transformarão em rendimentos para sobre eles incidir contribuição social, imposto de renda e reflexos no cálculo do valor da aposentadoria. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Nas palavras de Luigi Vittorio Berliri, citado por Roque Antonio Carrazza, em sua Obra Imposto sobre a Renda, 2a. Edição, Ed. Malheiros, 2006, pág. 37, “A renda tributável não pode ser constituída senão por uma nova riqueza, produzida do capital, do trabalho ou de um e outro conjuntamente, e que seja destacada de uma causa produtiva, conquistando uma autonomia própria e uma aptidão própria e independentemente para produzir concretamente outra riqueza.” Pelo que se depreende da norma ora transcrita, as despesas acima referidas são necessárias para que o servidor possa desempenhar o seu mister. Assim, têm natureza indenizatória. Pelos fundamentos acima expostos, concluo que o referido auxílio combustível – denominado indenização por uso de veículo próprio está prevista no art. 1º, §2, inciso VIII, da Lei Estadual n. 7.881/89 e regulamentada pelo art. 3º do Decreto n. 4.606/90, como retribuição aos servidores que realizam atividades de inspeção e fiscalização de tributos e utilizam veículo próprio no desempenho desse mister”, não se constitue em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10920.003145/200476 Acórdão n.º 9202003.498 CSRFT2 Fl. 11 7 Declaração de Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Trata o presente processo, de redução do valor a restituir inicialmente apurado pelo Contribuinte na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2000, anocalendário de 1999, tendo em vista a reclassificação de rendimentos recebidos a título de Auxílio Combustível, de Isentos/Não Tributáveis para Tributáveis. A despeito das alegações de defesa, a decisão de Primeira Instância bem registra que a verba ora tratada, a despeito de sua denominação, não se destina apenas àqueles que exercem funções externas, mas sim é paga de forma generalizada: “Desta forma, mesmo que fosse possível excluir de tributação provento tãosomente pelo fato dele possuir natureza indenizatória, a verba em análise, não obstante apresentarse sob a denominação de auxílio combustível ou indenização de transporte, não seria beneficiada, pois, conforme se depreende do item I do anexo I, abaixo transcrito, a que se refere o inciso I, do art. 3° da Lei Estadual supracitada, apesar de estabelecer distinção entre as diversas atividades exercidas pelos seus servidores a fim de definir o valor a ser pago, a referida legislação, não estabelece como requisito para seu pagamento que as atividades sejam desenvolvidas fora da unidade de lotação, com a utilização de meio próprio de locomoção. Pelo exercício das funções inerentes à fiscalização de tributos, inclusive informação em processos, inscrição e alteração cadastral, verificação em máquina registradora e/ou terminal ponto de venda, plantões fiscais em: Coordenadorias Regionais, Setores Fiscais, Postos Fiscais fixos e móveis ou em volantes devidamente certificados pelo Corfe. Como se vê, tanto o servidor que realiza trabalhos externos, como o de auditoria dos livros fiscais na sede do contribuinte, quanto aquele que desempenha atividades dentro do órgão de lotação, inscrição e alteração cadastral, por exemplo, percebem o mesmo valor a título de auxílio combustível. Ressaltase, portanto, o seu cunho remuneratório, uma vez que é paga a todos os servidores ativos que exercem funções inerentes à fiscalização, quer realizem ou não despesas com locomoção durante o exercício de suas atividades. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Tanto é que mais recentemente, o art. 1° do Decreto n° 3.062, de 11 de abril de 2005, incluiu o § 3° ao art. 3° do Decreto n° 4.606, de 1990, estendendo o pagamento da verba em análise para os auditores fiscais em funções de confiança ou em comissão, na Administração Pública direta "ou indireta, inclusive cargo de Diretor em Empresa Pública ou Sociedade de Economia Mista, cujas atividades são desempenhadas essencialmente no interior dos órgãos, indicando mais uma vez que há desvinculação do pagamento do rendimento com o efetivo desempenho de serviços externos inerentes às atribuições próprias do cargo ou função. Assim sendo, apesar de a legislação estadual atribuir a esta verba a denominação de ‘indenização’, o fato de ser paga indistintamente a quem efetua ou não gastos com transporte no exercício de suas funções exclui o caráter compensatório de ressarcimento pela despesa incorrida a bem do serviço público.” Assim, evidenciase que o Auxílio Combustível, pago pelo Governo de Santa Catarina, não constitui indenização pelos gastos com combustível, mas sim remuneração paga de forma generalizada, portanto tem natureza de rendimento tributável. Diante do exposto, tendo em vista que o Contribuinte não logrou comprovar a natureza indenizatória do Auxílio Combustível recebido regularmente e de forma genérica, dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 15586.001077/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O extrato bancário é prova suficiente para a fiscalização efetuar lançamento com base em omissão de rendimentos. O ônus da prova cabe ao contribuinte que deve justificar e comprovar a causa dos depósitos em conta bancária.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APROVEITAMENTO DE DEPÓSITOS DE MESES ANTERIORES PARA JUSTIFICAR DEPÓSITOS DE MESES SUBSQUENTES. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA DO CARF Nº 30.
Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes.
Numero da decisão: 2201-002.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 27/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O extrato bancário é prova suficiente para a fiscalização efetuar lançamento com base em omissão de rendimentos. O ônus da prova cabe ao contribuinte que deve justificar e comprovar a causa dos depósitos em conta bancária. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APROVEITAMENTO DE DEPÓSITOS DE MESES ANTERIORES PARA JUSTIFICAR DEPÓSITOS DE MESES SUBSQUENTES. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA DO CARF Nº 30. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 10 77 /2 00 9- 87 Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 27/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Pelo Auto de Infração, de fls. 1.043 e seguintes, lavrado em 06/10/2009, exigese do Contribuinte JAIR JANTORNO JUNIOR o montante de R$ 1.090.851,77 de imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), R$ 1.636.277,67 de multa de ofício qualificada e R$ 431.928,42 de juros de mora (atualizados até a data da autuação), totalizando um crédito tributário de R$ 3.159.057,83, referente ao ano calendário de 2005, decorrente das seguintes infrações: (i) Omissão de Rendimento de Atividade Rural, (ii) Omissão de Ganhos de Capital na Alienação de Bens e direitos Adquiridos em Reais e (iii) Omissão de Rendimento Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada. O Termo de Constatação e de Encerramento de Ação Fiscal, de fls. 1.030 e seguintes, relata: · A partir das informações prestadas pelas instituições financeiras à Receita Federal apurouse movimentação financeira incompatível, pois o Contribuinte não apresentou Declaração de Ajuste anual para o ano calendário 2005. · Foram realizadas diligências junto aos cartórios com a finalidade apurar os imóveis transacionados pelo contribuinte no ano de 2005. · Diante da ausência de resposta do Contribuinte acerca da origem dos depósitos bancários, foram emitidas Requisições de Movimentação Financeira (RMF) às instituições financeiras, encontrando 01 conta junto ao Banco do Brasil (BB), 02 contas junto ao Bradesco, 01 conta junto ao Banco Mercantil e 01 conta poupança no Banco Real. Com base nos extratos bancários intimouse o fiscalizado a apresentar documentação hábil e idônea comprobatória da origem dos créditos. · Em 05/06/2008, o Contribuinte apresentou DIRPF do ano calendário de 20065, enviada em 04/06/2008, cópias de Cédula de Produtor Rural Financeira, cópia de notas fiscais da Sociedade Quatro Marcos LTDA, dentre outros documentos. · A fiscalização apurou que os valores e datas constantes de parte da escrituras, autorização de transferências de veículos placas MPV 7474, MSC0929 e MSZ8000, parte das Notas Fiscais de venda de produtor rural, contrato de venda para entrega futura, contratos mútuos e cópias de cheques recebidos do Sr. Roberto Pereira, não coincidem com os créditos efetuados nas contas bancárias, não servindo os mesmos de comprovação de origem. Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15586.001077/200987 Acórdão n.º 2201002.633 S2C2T1 Fl. 3 3 · A alegação do Contribuinte de que parte dos depósitos referemse a valores depositados em dinheiro não foi acolhida, uma vez que para tanto deveria ter havido a diminuição no valor de dinheiro em espécie declarado na DIRPF/05 no montante de R$ 225.000,00, entretanto a DIRPF/06, entregue no curso da fiscalização, o Contribuinte declara um valor superior no montante de R$350.000,00. · Procedeuse diligência junto a Quatro Marcos LTDA e Tatuibi Indústria de Alimentos LTDA. Foram consideradas pela fiscalização os valores informados pelas empresas como transferências e cheques creditados nas contas do Contribuinte que coincidem com data e valor constante nos extratos bancários. No entanto, verificou se que diversos créditos foram transferidos para contas de terceiros, motivo porque não serviram para justificar créditos na conta corrente do Contribuinte. Restaram ainda depósitos sem justificativa. · Para comprovação da origem dos depósitos, o Contribuinte apresentou nova documentação e livro caixa. Assim, foram excluídos os créditos de mesma titularidade e os oriundos de empréstimos recebidos e alienação de bens imóveis, sendo o restante classificados como não comprovados e oriundos de atividade rural. · Todos os valores creditados, com comprovação de origem foram eliminados, tais como: baixa automática de poupança e estornos de créditos, cheques devolvidos, TED e/ou cheques recebidos através de recebimentos das empresas acima mencionadas, depósitos de mesma titularidade, empréstimos recebidos, alienação de bens etc. Após as exclusões citadas apurouse um valor total de depósitos de origem não comprovada no montante de R$3.357.363,96. · Os valores apurados referentes à atividade rural foram totalizados e tributados em consonância com a opção mais benéfica para o Contribuinte, ou seja, arbitramento de 20% da receita bruta. Os valores informados na DIRPF/06 também foram tributados pelo presente Auto de Infração e com incidência de multa de ofício, visto que tais valores só foram oferecidos pelo Contribuinte após início do procedimento de fiscalização. · Apurouse ganho de capital na alienação dos veículos de placas MPV7474 e MSC0323, apurouse ganho de capital na alienação da propriedade rural da Gleba Paranaíta, Município de Paranaíta – MT. · Por fim, qualificouse a multa de ofício diante de conduta fraudulenta do Contribuinte por não apresentar DIRPF/06, não havendo como considerar que houve mero esquecimento, uma vez que, os rendimentos omitidos são significativos. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 15./10/2009 (AR Postal fl. 1.053), tendo apresentado Impugnação, de fls. 1.056 e seguintes, em 13/11/2009, na qual trouxe as seguintes alegações: · Origem dos Depósitos Bancários a Autoridade Lançadora não utilizou os recursos tributados da Atividade Rural e venda de bens do patrimônio como fonte par justificação de depósitos nas contas bancárias. Assim, somando todas as Notas Fiscais Rurais, dinheiro em mãos em 31/12/2004, venda de 03 automóveis, venda de 01 imóvel rural, 02 empréstimos Rurais no BB, 02 contratos de Mútuos com pessoas físicas temse a quantia de R$ 4.054.260,26, valor superior aos depósitos apurados pela fiscalização no montante de R$ 3.357.363,96. Ainda, requer a utilização do valor de R$ 3.080.802,96 apurado pela fiscalização como receita da Atividade Rural Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 como origem para os depósitos bancários. Elabora planilha, à semelhança do APD, para comprovar que todo mês o total de recursos eram superiores que os depósitos autuados. Uma vez que o total de recursos é superior aos depósitos, não há como aplicar o art. 42 da Lei nº 9.430/96. · Ganho de Capital Bens Móveis insurgese contra o ganho de capital dos veículos de placas MPV7474 e MSC0323 apontando o pagamento de valores em 2005 que demonstram que a venda gerou prejuízo e não ganho. · Ganho de Capital Bem Imóvel destaca que o ganho de capital da fazenda deve ser dividido à metade diante da copropriedade, no montante de R$ 5.000,00 para o Contribuinte, logo, diante das reduções proporcionadas pela Lei nº 11.196/05 o imposto devido deve ser de R$ 597,52. · Qualificação da Multa de Ofício insurgese contra a qualificação da multa, pois o contribuinte não cometeu qualquer irregularidade que induzisse a uma conclusão de que fraudou ou usou de dolo para o Fisco Federal. A alegação de que o contribuinte não apresentou tempestivamente a DIRPF não tem o condão de ensejar a qualificação da multa. A Autoridade Lançadora não produziu evidencias explícitas de dolo, fraude ou conluio. A 1ª Turma da DRJ/RJ2, na sessão de 16/04/2010, pelo Acórdão 1328.857, de fls. 1.102 e seguintes, julgou procedente em parte a Impugnação, reconhecendo que o custo de aquisição dos bens móveis (veículos) é superior ao valor de vendo, não se verificando, portanto o ganho de capital, bem como desqualificou a multa de ofício por não entender que não restou comprovado dolo. Confirase ementas: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à mateira não impugnada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇAÕ DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ONUS DA PROVA. Se o ônus da prova for atribuído ao contribuinte por presunção legal, caberá a ele a prova da origem dos depósitos bancários em conta de sua titularidade. O Contribuinte foi notificado do Acórdão, às fls. 1.113, em 14/06/2010, vindo apresentar Recurso Voluntário, às fls. 1.116 e seguintes, em 14/07/2010, reforçando os argumentos apresentados na Impugnação e complementandoa nos seguintes termos: · Origem dos Depósitos Bancários insurgese quanto à possibilidade de se tributar os rendimentos rurais mensalmente, mesmo que sejam depósitos bancários frutos de negócios ligados à atividade rural. Por exercer com exclusividade a atividade rural, exige a aplicação da Lei nº 8.023/90 para os depósitos bancários – tributação presumida de 20%. Defende a aplicação como origem, os recursos apurados pela própria fiscalização, dentre eles o valor de R$ 3.080.802,96 decorrente da atividade rural. Acrescenta a inexistência de variação patrimonial a descoberto em decorrência dos depósitos bancários anualizados, em face da existência de origens mais do que suficientes para cobrir a movimentação financeira liquida nos quatros bancos. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15586.001077/200987 Acórdão n.º 2201002.633 S2C2T1 Fl. 4 5 · Ganho de Capital Bem Imóvel insurgese quanto a tributação de ganho de capital do imóvel. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Não há preliminares a serem apreciadas, então passase à análise do mérito. I. DO MÉRITO I.1. Dos Depósito Bancários O Contribuinte argumenta que o somatório de todos os seus recursos é superior ao valor dos depósitos bancários apurados como sendo de origem não comprovada pela fiscalização. E, uma vez que todos os referidos recursos estão comprovados nos presentes autos, requer que seja reconhecido como origem o montante de R$ 4.054.266,26, composto pelas seguintes rubricas: Recursos/ Origens comprovados Fonte Dados ou páginas do processo Valor individual Soma acumulada Receita Rural em 2005 Fiscalização DRF 3.080.802,96 3.080.802,96 Venda veículo Placa n. MPV 7474 Fls. 45 46.000,00 3.126.802,96 Venda veículo Placa n. MSC 0929 Fls. 43 44.000,00 3.170.802,96 Venda veículo Placa n. MSZ 8000 Fls. 44 75.000,00 3.245.802,96 Venda Fazenda com irmão (1/2) Fls. 192/193 45.000,00 3.290.802,96 Dinheiro em mãos – 31.12.2004 Fls. 116 225.000,00 3.515.802,96 Cédula de Produtor Rural B. Brasil Fls. 39 e 40 199.305,00 3.715.107,96 Cédula de Produtor Rural B. Brasil Fls. 41 e 42 244.158,30 3.959.266,26 Primeiro contrato de Mútuo Fls. 123 50.000,00 4.009.266,26 Segundo contrato de Mútuo Fls. 126 45.000,00 4.054.266,26 Alternativamente, caso compreendase haver apuração mensal para atividade rural, o Contribuinte apresenta planilha de variação patrimonial para comprovar que suas origens são superiores as aplicações, mês a mês. Inicialmente cabe apontar que o Contribuinte está sendo autuado por Omissão de Rendimento Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada, cuja soma de depósitos sem origem comprovada é de R$ 3.357.363,96, e não Omissão de Rendimento por Variação Patrimonial a Descoberto, onde o cerne da autuação reside no fato de o total de saídas do contribuinte superar suas entradas. A norma contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 determina a tributação do Imposto de Renda sobre os depósitos com origem não comprovada, vez que, diante da falta de Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 comprovação por parte do contribuinte, os depósitos são presumidamente (juris tantum) considerados como renda auferida e não declarada. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A tributação com base em depósitos bancários de origem não identificada não se confunde com a tributação com base no acréscimo patrimonial a descoberto (APD). Enquanto no caso do depósito bancário, a presunção legal corre a favor do Fisco, sendo que o contribuinte que deve comprovar a origem dos recursos, no caso do APD o ônus de comprovar o acréscimo cabe ao Fisco. No APD deve restar comprovado que houve variação patrimonial superior a renda reportada no período, por outro lado no depósito bancário não há necessidade de comprovação de acréscimo patrimonial sem origem, basta que não seja esclarecida a origem/natureza do depósito para que se presuma renda auferida, com a consequente tributação. Neste contexto, a autuação com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 independe da existência de receitas superiores às despesas ou aos depósitos bancários, uma vez que não se está tributando despesa sem receita para amparála ou depósito sem lastro para realizálos. Assim cabe ao contribuinte fazer prova não quanto à sua disponibilidade econômica, mas sim quanto à origem dos depósitos. Em relação à tributação mensal da omissão de rendimentos por depósito bancário de origem não comprovada, a Súmula do CARF nº 30 já capitulou no sentido de que no caso de autuação com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a sobra de um mês não aproveita o seguinte. Confirase: Súmula do CARF nº 30 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. O Contribuinte também alega que exerce atividade rural e os depósitos bancários efetuados em sua conta corrente são referentes à atividade rural, fazendo jus à tributação específica. Inicialmente, cabe destacar que não se duvida que o Contribuinte exerça atividade rural, porém não basta a alegação do exercício da atividade rural para que os depósitos bancários sejam tidos como vinculados à referida atividade. O Contribuinte logrou êxito em vincular alguns depósitos em suas contas correntes com a atividade rural desenvolvida. Assim, a fiscalização excluiu os depósitos cuja origem foi identificada como sendo da atividade rural, atribuindolhes tributação específica conforme legislação em vigor. No tocante aos demais depósitos, a fiscalização entendeu que o Contribuinte não comprovou a correlação entre o depósito e o exercício da atividade rural, logo os mesmos foram considerados como depósitos sem origem que, por presunção legal, resultam na omissão de rendimentos tributáveis. Como prova do acima, temse que o Contribuinte anexou aos presentes autos uma série de notas fiscais que comprovam a atividade pecuária (rural). Esta documentação Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15586.001077/200987 Acórdão n.º 2201002.633 S2C2T1 Fl. 5 7 ensejou a autuação por omissão de rendimentos da atividade rural, apurandose uma receita no montante de R$ 3.080.802,96, conforme tabela de pág. 1.039 do Termo de Constatação e de Encerramento de Ação Fiscal. O Contribuinte concordou com a referida autuação e, inclusive, não impugnou a matéria. De fato a tributação da atividade rural é específica em face de preceito legal, conforme defende o Contribuinte. E, justamente, por se tratar de legislação específica para que a renda seja tributada conforme sua especificidade resta necessária a prova de que a renda referese à atividade rural. Em sendo comprovada que a renda referese à atividade rural, a tributação específica deve ser aplicada, caso contrário, em não se comprovando que a renda é referente à atividade rural, temse a aplicação da regra geral de tributação. A comprovação dos depósitos, via de regra, deve ser efetuada de forma individualizada com correspondência de datas e valores pelo Contribuinte, sob pena dos mesmos serem considerados de origem não comprovada. Desta feita, como o Contribuinte não conseguiu atribuir a cada crédito em sua conta bancária justificativa (documental) a que se referia, não há como identificar a origem do depósito que ensejaria tributação específica. Não basta alegar que a receita declarada a título de atividade rural é preciso provar que os depósitos referemse à atividade rural. Portanto, como aos depósitos bancários não restou comprovada a origem, tampouco a correlação com a atividade rural, a tributação segue a regra geral, apurandose em bases mensais. I.2. Do Ganho de Capital de Bem Imóvel O Contribuinte afirma ter apurado ganho de capital menor do que aquele apurado pela fiscalização, em face das deduções proporcionadas pela Lei nº 11.196/05: Art. 40. Para a apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital por ocasião da alienação, a qualquer título, de bens imóveis realizada por pessoa física residente no País, serão aplicados fatores de redução (FR1 e FR2) do ganho de capital apurado. § 1o A base de cálculo do imposto corresponderá à multiplicação do ganho de capital pelos fatores de redução, que serão determinados pelas seguintes fórmulas: I FR1 = 1/1,0060m1, onde "m1" corresponde ao número de mesescalendário ou fração decorridos entre a data de aquisição do imóvel e o mês da publicação desta Lei, inclusive na hipótese de a alienação ocorrer no referido mês; II FR2 = 1/1,0035m2, onde "m2" corresponde ao número de mesescalendário ou fração decorridos entre o mês seguinte ao da publicação desta Lei ou o mês da aquisição do imóvel, se posterior, e o de sua alienação. § 2o Na hipótese de imóveis adquiridos até 31 de dezembro de 1995, o fator de redução de que trata o inciso I do § 1o deste artigo será aplicado a partir de 1o de janeiro de 1996, sem prejuízo do disposto no art. 18 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 O Contribuinte afirma que a Receita Federal liberou programa para se calcular corretamente o valor do ganho de capital e foi esse programa que o Contribuinte utilizou para o cálculo do imposto, conforme cópia do Demonstrativo de Apuração de Ganhos de Capital juntado ao tempo da Impugnação. Pelo programa, o Contribuinte alega ter apurado um ganho de capital de R$ 3.983,50, com um imposto a pagar de R$ 597,52, recolhido em 2009, conforme DARF. A 1ª Turma da DRJ/RJ2 destaca que o Contribuinte não comprovou a aplicação do montante na aquisição de qualquer outro imóvel. A argumentação levantada pelo Acórdão aquo não corresponde ao dispositivo aplicado. O art. 39 da Lei nº 11.196/05, utilizado pela DRJ para embasar seu voto, isenta do imposto sobre a renda o ganho de capital apurado, desde que o alienante, no prazo de 180 dias aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais. Confirase: Art. 39. Fica isento do imposto de renda o ganho auferido por pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais, desde que o alienante, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País. § 1o No caso de venda de mais de 1 (um) imóvel, o prazo referido neste artigo será contado a partir da data de celebração do contrato relativo à 1a (primeira) operação. § 2o A aplicação parcial do produto da venda implicará tributação do ganho proporcionalmente ao valor da parcela não aplicada. § 3o No caso de aquisição de mais de um imóvel, a isenção de que trata este artigo aplicarseá ao ganho de capital correspondente apenas à parcela empregada na aquisição de imóveis residenciais. § 4o A inobservância das condições estabelecidas neste artigo importará em exigência do imposto com base no ganho de capital, acrescido de: I juros de mora, calculados a partir do 2o (segundo) mês subseqüente ao do recebimento do valor ou de parcela do valor do imóvel vendido; e II multa, de mora ou de ofício, calculada a partir do 2o (segundo) mês seguinte ao do recebimento do valor ou de parcela do valor do imóvel vendido, se o imposto não for pago até 30 (trinta) dias após o prazo de que trata o caput deste artigo. § 5o O contribuinte somente poderá usufruir do benefício de que trata este artigo 1 (uma) vez a cada 5 (cinco) anos. Porém, conforme o Demonstrativo de Apuração de Ganhos de Capital, de fls. 1.142, o Contribuinte não aplicou ao ganho de capital a isenção prevista no art. 39 da Lei nº 11.196/05, conforme entendeu a DRJ em sua decisão, mas aplicou sim o fator de redução previsto no art. 40 da Lei nº 11.196/05. O dispositivo legal utilizado pelo Contribuinte não exige a comprovação da aplicação do montante da alienação na aquisição de qualquer outro imóvel. Diante do exposto compreendo ser aplicável ao presente caso o fator de redução previsto no art. 40 da Lei nº 11.196/05. Destacase que o Contribuinte tomou conhecimento do procedimento fiscal em 08/04/2008, conforme certidão de fls. 10, e efetuou a apuração do ganho de capital somente em 2009. Logo, o Contribuinte não se beneficia do instituto da denúncia espontânea, prevista Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15586.001077/200987 Acórdão n.º 2201002.633 S2C2T1 Fl. 6 9 no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), não sendo aplicável a exclusão do crédito tributário referente ao ganho de capital. Assim, entendo que o imposto apurado pelo Contribuinte sobre o ganho de capital na venda de bem imóvel no valor de R$ 597,52 encontrase correto. Porém, em razão de a apuração e recolhimento ter ocorrido após o início da ação fiscal, o referido valor não pode ser excluído do crédito tributário em questão, devendo eventual pagamento do imposto, multa e juros ser equacionado quando da execução do crédito tributário. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10325.000613/2004-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.853
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Bernardo Leite Queiroz de Lima. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Redator designado.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Bernardo Leite Queiroz de Lima. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Redator designado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 25 .0 00 61 3/ 20 04 -7 0 Fl. 902DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.000613/200470 Resolução nº 3401000.853 S3C4T1 Fl. 903 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do PIS nãocumulativo do 2o trimestre de 2004. O crédito foi parcialmente indeferido, sob fundamento de que parte dele, decorrente da aquisição de carvão vegetal, tinha como base notas fiscais irregulares, pois se tratam de notas fiscais complementares emitidas pela própria Recorrente. O processo já foi analisado uma primeira vez por este Conselho (fls. 01/05), ocasião na qual o julgamento foi convertido em diligência para que o crédito fosse apurado com base nas páginas do livrorazão apresentadas e nos outros documentos fiscais da contribuinte. No relatório de diligência, consta a conclusão de existência de crédito superior ao declarado na DACON e ao pleiteado pela Contribuinte. A Contribuinte foi intimada do resultado da diligência , mas permaneceu inerte. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade razão pelo qual dele tomo conhecimento. Como já relatado, o objetivo da diligência era fazer uma análise nos demais documentos contábeis da Recorrente a fim de saber se ela realmente recebera a quantidade de carvão alegada e o valor do crédito existente. Cabe salientar que na primeira análise, no voto de relatoria deste Conselheiro ora relata, acolhido por unanimidade, foi consignado que em razão do Princípio do non reformartio in pejus não se poderia levar em consideração as novas fundamentações da DRJ para negar o direito creditório. Com base nisso, ficou definido que o julgamento do recurso ficaria limitado à analise do motivo que levou a delegacia de origem a não reconhecer o crédito, qual seja, irregularidades das notas fiscais da aquisição de carvão vegetal. Com a delimitação definida acima, também ficou decidido que a mera irregularidade da nota fiscal não é suficiente para indeferir o crédito, pois o que gera o crédito é a aquisição do insumo, de modo que bastaria verificar os demais documentos da Contribuinte, Fl. 903DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.000613/200470 Resolução nº 3401000.853 S3C4T1 Fl. 904 3 dentre eles, as folhas do livrorazão anexado ao recurso, para saber se realmente houve a aquisição alegada. A diligência não deixou dúvida de que, com base nos documentos analisados, constatouse a aquisição do carvão, bem como a existência de crédito em quantidade superior ao declarado na DACON. A autoridade fiscal também destacou, acertadamente, que o reconhecimento do crédito deve estar limitado ao valor declarado na DACON e pleiteado no pedido de ressarcimento. Em suma, a Recorrente tem direito ao crédito pleiteado, razão pela qual o crédito deve ser reconhecido e as compensações homologadas. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto para reconhecer o direito creditório até o limite pleiteado e homologar as compensações declaradas. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Voto Vencedor Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Trata o presente de pedido de direito creditório com base em ressarcimento de PIS não cumulativo exportação referente a dezembro de 2002. O pedido da contribuinte (a) foi glosado em virtude de irregularidades constatadas em notas fiscais complementares emitidas pela própria contribuinte relacionadas à aquisição de carvão como insumo e também (b) foi glosado da parcela de crédito proveniente de gastos com energia elétrica consumida no mês de dezembro de 2002. Os julgadores a quo não acolheram a contestação da peticionaria por que teria faltado comprovação dos gastos pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no país e porque os gastos de energia elétrica em dezembro de 2002 somente geraria crédito se insumo para a produção de bens ou prestação de serviços. Em 03/02/2011 o julgamento desta lide foi convertido por este Colegiado em diligência, entendendo que o recurso do contribuinte se circunscreveu à glosa referente à aquisição de carvão. O Colegiado, naquela ocasião, determinou: "Como visto acima, a nota fiscal não é o único documento hábil à análise do crédito, podendo esse ser verificado, também , pelos livros e demais documentos. Portanto, podese concluir que não é a nota fiscal que gera o crédito, mas sim a atividade destacada na legislação tributária, ou seja, a aquisição de determinados produtos. Sendo assim, basta verificar se a recorrente adquiriu, deveras, a quantidade de carvão alegada e se procedeu à escrituração contábil, bem como o recolhimento correto. A recorrente juntou aos autos as folhas do livro razão e as fichas de controle do IBAMA, para provar a Fl. 904DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.000613/200470 Resolução nº 3401000.853 S3C4T1 Fl. 905 4 veracidade das operações mencionadas nas notas fiscais complementares, de modo que, com fulcro na verdade material, voto por converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF de origem, a fim de que sejam cotejadas as folhas do livro razão apresentadas pela recorrente, a fim de verificar a quantidade de carvão adquirida e contabilmente registrada, bem como o valor do crédito por ela gerado. Ao fim da análise, devese fazer relatório pormenorizado, destacandose, se for o caso, a existência a aquisição de carvão na quantidade alegada pela recorrente e o valor de crédito a ser ressarcido." (grifos nossos) A diligência, em sua apuração, se limitou aos dados constantes dos extratos do livro razão e informações do IBAMA que instruíam os autos, e a contribuinte não atendeu a autoridade fiscal apresentando o registro por ela solicitado. A contribuinte, em sua manifestação em resposta a essa diligência, repisa os argumentos de sua contestação levada ao conhecimento dos julgadores a quo. Pede que sejam suas razões apreciadas pelos Conselheiros. Assim, essa lide retorna a este Colegiado. Malgrado a objetividade e a clareza dos votos do Relator, o Ilustre Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, na sessão de 03/02/2011 e na sessão de hoje, ambas desta 1ª Turma Ordinária, ouso expressar minha carência por mais informações, não atendidas pela diligência anterior, e necessárias, a meu ver, para os Respeitáveis Conselheiros formarem sua convicção conclusiva. Portanto, proponho a este Colegiado converter esse julgamento em diligência para enviar este processo à unidade de jurisdição para: 1. identificar os motivos para a emissão das notas fiscais complementares, e segregar o somatório dos valores das operações de acordo com os motivos; 2. segregar o somatório dos valores das operações de acordo com os tipos de fornecedores (se pessoa jurídica ou se pessoa física) e se seu domicílio está ou não em território nacional; 3. identificar, consoante documentação comprobatória, os valores pagos referentes às operações constantes das notas complementares; 4. identificar o somatório dos valores das operações referidos nas notas complementares que possuam documentos e declarações, além do razão e das informações do IBAMA já apresentados, que concorram para comprovar a operação, e identificar o somatório dos valores das operações que não possuam tais comprovações, documentos e declarações. Que a contribuinte seja notificada desta decisão e do resultado da diligência e possa, em cada caso, se manifestar no prazo de 30 dias. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Redator Designado. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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