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Numero do processo: 19515.720882/2013-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
IRPJ. INCORPORAÇÃO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. A decadência constitui matéria de ordem pública, razão pela qual não é atingida pela preclusão. Para os tributos lançados por homologação, caso do IRPJ, havendo antecipação de pagamento, e desde que não seja constatado dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, no caso de extinção de empresa por incorporação, é a data da ocorrência do fato gerador, que correspondente à data do evento societário.
IRPJ. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DIVERGÊNCIA ENTRE LALUR E DIPJ/SAPLI. Havendo divergência entre os valores de prejuízo fiscal registrados no LALUR e aqueles declarados em DIPJ, sem que o contribuinte apresente justificativa ou comprovação de eventual erro, correto o lançamento com base no SAPLI, o qual tomou como base os valores da DIPJ.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO.
Inexiste amparo legal para se proceder à compensação de prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado do período de apuração em que a pessoa jurídica foi extinta por incorporação.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE
Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
Numero da decisão: 1201-001.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência para cancelar os lançamentos relativos à empresa incorporada Jatobá e também para manter a exigência decorrente da compensação em excesso - saldos de prejuízos fiscais no LALUR -, relativa à Empresa Alpha, acrescidos de multa e juros. Acordam ainda, por maioria de votos, em manter a autuação relativa ao excesso de compensação pela não observância da trava de 30%. Vencidos o Relator e os Conselheiros Luis Fabiano e Luiz Paulo, que davam parcial provimento, em maior extensão, para afastar a trava de 30% na hipótese de incorporação. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Cezar.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Redator do voto vencedor
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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INCORPORAÇÃO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. A decadência constitui matéria de ordem pública, razão pela qual não é atingida pela preclusão. Para os tributos lançados por homologação, caso do IRPJ, havendo antecipação de pagamento, e desde que não seja constatado dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, no caso de extinção de empresa por incorporação, é a data da ocorrência do fato gerador, que correspondente à data do evento societário. IRPJ. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DIVERGÊNCIA ENTRE LALUR E DIPJ/SAPLI. Havendo divergência entre os valores de prejuízo fiscal registrados no LALUR e aqueles declarados em DIPJ, sem que o contribuinte apresente justificativa ou comprovação de eventual erro, correto o lançamento com base no SAPLI, o qual tomou como base os valores da DIPJ. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. Inexiste amparo legal para se proceder à compensação de prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado do período de apuração em que a pessoa jurídica foi extinta por incorporação. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 08 82 /2 01 3- 84 Fl. 1228DF CARF MF 2 A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência para cancelar os lançamentos relativos à empresa incorporada Jatobá e também para manter a exigência decorrente da compensação em excesso saldos de prejuízos fiscais no LALUR , relativa à Empresa Alpha, acrescidos de multa e juros. Acordam ainda, por maioria de votos, em manter a autuação relativa ao excesso de compensação pela não observância da trava de 30%. Vencidos o Relator e os Conselheiros Luis Fabiano e Luiz Paulo, que davam parcial provimento, em maior extensão, para afastar a trava de 30% na hipótese de incorporação. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Cezar. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Redator do voto vencedor Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 19515.720882/201384 Acórdão n.º 1201001.643 S1C2T1 Fl. 3 3 Tratase de processo administrativo decorrente de Auto de Infração (fls. 942/947), lavrado em 09/04/2013, que constituiu crédito tributário referente ao IRPJ, no valor de R$ 17.540.034,46, incluídos multa de ofício e juros de mora calculados até março de 2013. O lançamento em questão foi capitulado em dois itens, a saber: 001) GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES (Arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR/99); e 002) GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% (Arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, e 510 do RIR/99). Por bem relatar os fatos apurados pela fiscalização, assim como as razões trazidas pela contribuinte em sede de defesa, transcrevo o seguinte trecho constante do relatório da decisão de fls. 1.117/1.136 ora recorrida: "De acordo com o Termo de Verificação fiscal (fls.934/941), a contribuinte incorreu nas seguintes infrações: No ano calendário de 2008, a MAORI S.A incorporou integralmente em 18/12/2008, a empresa CIA DE PARTICIPAÇÕES ALPHA (sucedida) e JATOBÁ HOLDINGS LTDA (sucedida) em 28/03/2008, sendo MAORI S.A, sucessora das obrigações fiscais das sucedidas em conformidade dos códigos civil e tributário; EXCESSO DE SALDO DE PREJUÍZOS FISCAIS NO LALUR NARRATIVA DE PROCEDIMENTOS E FATOS Cia de Participações Alpha: De acordo com o "Sistema de Acompanhamento de Prejuízos Fiscais" (Sapli) da Receita Federal do Brasil, os saldos de prejuízos fiscais de exercícios anteriores de atividade gerais, compensáveis no anocalendário de 2008, são iguais a R$ 29.715.657,56, enquanto no LALUR o saldo apresentava o valor de R$ 33.973.627,40, resultando numa diferença de saldo entre os controles do SAPLI e LALUR da ordem de R$ 4.257.969,84; [...] EXCESSO DE SALDO DE PREJUÍZOS FISCAIS NO LALUR NARRATIVA DE PROCEDIMENTOS E FATOS JATOBÁ HOLDINGS LTDA: De acordo com o "Sistema de Acompanhamento de Prejuízos Fiscais" (Sapli) da Receita Federal do Brasil, os saldos de prejuízos fiscais de exercícios anteriores de atividade gerais, compensáveis no anocalendário de 2008 são iguais a R$ 1.492.967,26, enquanto no LALUR o saldo apresentava o valor de R$ 12.776.672,71, resultando numa diferença de saldo entre os controles do SAPLI e LALUR da ordem de R$ 11.283.705,45; Utilizando as cópias dos LALUR apresentados pela empresa em confronto com as DIPJ entregues e o SAPLI da Receita Federal, procedeuse à conciliação do movimento de prejuízos apurados e compensações a partir de 1998 e chegouse a composição das diferenças existentes entre o controle do contribuinte (LALUR) e o controle da Receita Federal (SAPLI); Fl. 1230DF CARF MF 4 Ficou demonstrada a existência de divergências originadas de erros em montante significativo na escrituração do LALUR; Considerando que inexiste amparo legal para que se proceda à compensação do saldo de prejuízo fiscal sem a observância do limite de 30% a que reporta o art. 15 da Lei n° 9.065/95, há que se concluir devido o crédito tributário apurado nesta ação fiscal de revisão interna da DIPJ, ou seja, valor de prejuízo fiscal compensado a maior, na apuração do lucro real do período de 01/01/2008 à 18/12/2008 (data do evento Incorporação). Cientificada do feito em 09/04/2013 (fl.943), apresenta em 09/05/2013, impugnação, de fls. 992/1.028, arguindo, em síntese, o seguinte: DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA: Como a D. Fiscalização simplesmente desconsiderou o LALUR, o auto de infração é flagrantemente nulo, uma vez que restaram violados os princípios da motivação do ato administrativo e da ampla defesa, este último expresso no artigo 5°, LV da Constituição Federal; De fato, uma vez que, mesmo tendo sido apresentados os Livros contábeis e os LALUR das sociedades incorporadas, a D. Fiscalização simplesmente os ignorou, sem qualquer base legal, para autuar a Impugnante tão somente com base no SAPLI, criouse uma verdadeira presunção simples, inadmissível em Direito Tributário; DAS PRESUNÇÕES EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA: o posicionamento adotado pela fiscalização é, no mínimo, absurdo, uma vez que, não se contentando em ferir diversos princípios jurídicos constitucionalmente assegurados, inverteu o ônus da prova que lhe cabia, pretendendo, sem qualquer amparo legal, transferilo à Impugnante; Podese categoricamente afirmar que o procedimento adotado pela D. Fiscalização, baseado exclusivamente na presunção, fere o princípio da legalidade, sendo, pois, absolutamente arbitrário, tendencioso e parcial; Temos, portanto, no caso em tela, uma autuação baseada em mera presunção simples, ou presumptio hominis, a qual não se admite em ordenamento tributário plasmado pelo princípio da estrita legalidade; DA INAPLICABILIDADE DA LIMITAÇÃO À COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL NOS CASOS DE INCORPORAÇÃO: A parcela do resultado que compensa os prejuízos de períodos anteriores não constitui acréscimo patrimonial, mas mera recomposição do patrimônio perdido nos períodos que lhe são anteriores, e, sendo esta parcela destinada à recomposição do patrimônio da sociedade, admitirse a sua tributação pelo IRPJ seria, na realidade, admitir a tributação de patrimônio e não renda; No mais recente acórdão publicado sobre a matéria, proferido na sessão de 05 de junho de 2012, a Câmara Superior de Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 19515.720882/201384 Acórdão n.º 1201001.643 S1C2T1 Fl. 4 5 Recursos Fiscais mais uma vez reforçou seu entendimento no sentido de que o limite de 30% não se aplica quando do encerramento da pessoa jurídica ao julgar o Recurso Especial 168.615, interposto nos autos do Processo Administrativo N° 16327.000.458/200881; Verificase, portanto, nos termos da legislação aplicável e da iterativa jurisprudência do E. CARF, que é inaplicável o limite de 30% à compensação dos prejuízos fiscais efetuada quando da incorporação de sociedades, haja vista que, nos casos de extinção de empresas, inexiste limitação ao direito de aproveitamento; DA INAPLICABILIDADE DOS JUROS DE MORA E DA MULTA DE OFICIO: não deve prevalecer a exigência de juros e multa de ofício, na medida em que se compensou o prejuízo fiscal com base em uma interpretação sistemática dos artigos 153, inciso III e 145, §1° da Constituição Federal, bem como do artigo 15 da Lei 9.065/1995 e do art. 43 do CTN, que na época dos fatos encontrava guarida na prática reiterada do então Conselho de Contribuintes; INAPLICABILIDADE DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO: a Impugnante requer seja afastada a provável exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, uma vez que a D. Fiscalização também os tem exigido em total afronta à Legislação Pátria e ao Princípio da Segurança Jurídica; Por seu turno, a Lei n° 9.430/96 igualmente prevê a incidência dos juros de mora apenas sobre o valor dos tributos, contribuições e multas isoladas, e não sobre as multas de ofício exigidas como acessório juntamente com o tributo eventualmente exigido". (grifei) A 2ª Turma da DRJ/SP1, em Sessão de 22 de novembro de 2013, decidiu, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento, cuja ementa do julgado restou assim ementada: "COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITAÇÃO. Os prejuízos fiscais de exercícios anteriores somente podem ser compensados até o limite de trinta por cento do lucro real. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade de atos insertos no ordenamento jurídico. CABIMENTO DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. São cabíveis, na forma dos autos, por expressa disposição legal, as exigências de juros de mora sobre a multa de ofício". Fl. 1232DF CARF MF 6 Cientificado dessa decisão em 15/01/2014 (fls. 1.140), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 13/02/2014 (fls. 1.141/1.183), no qual alega, em síntese: (i) a ocorrência de decadência da cobrança relativa à empresa incorporada JATOBÁ; (ii) nulidade do Auto de Infração por ausência de motivação e cerceamento do direito de defesa; Nesse ponto, alega que a fiscalização não poderia fundamentar a autuação apenas com base nos dados de seu sistema de controle de prejuízos fiscais (sistema SAPLI, que não raramente aponta falhas). Aduz que o lançamento, ao não indicar a composição do valor tomado como referência, e ao desconsiderar as informações do LALUR, desrespeita o princípio da motivação e impede o exercício da ampla defesa. (iii) apenas as informações do SAPLI não são suficientes para fundamentar (e provar) o suposto excesso de compensação de prejuízos fiscais. Muito pelo contrário, o meio de provar a existência de saldo de prejuízo fiscal é o LALUR, documento este apresentado e que valida os montantes utilizados; O fisco, na verdade, a partir de um indício duvidoso (SAPLI), acabou adotando, na verdade, uma presunção de excesso de compensação de prejuízo, não admitida em lei, o que macula o lançamento. (iv) a compensação integral de prejuízos fiscais, no caso de encerramento da pessoa jurídica por incorporação, é admitida pelo ordenamento jurídico, na linha das decisões administrativas citadas; e (v) é inaplicável a incidência de juros de mora e multa de ofício nesse caso concreto (cf. artigo 100 do CTN), pois a compensação integral de prejuízo fiscal (isto é, sem aplicação da trava de 30%) pautouse no posicionamento jurisprudencial do E. CARF. É o relatório. Voto Vencido Conheço do recurso voluntário porque estão presentes os requisitos de admissibilidade. I. Da decadência A Recorrente, apenas em sede de recurso voluntário, pede o reconhecimento parcial da decadência, notadamente no que diz respeito às exigências decorrentes da compensação de prejuízos fiscais da empresa incorporada JATOBÁ. A arguição de decadência, por se tratar de matéria de ordem pública, não está sujeita à preclusão, razão pela qual deve ser apreciada. Tal entendimento, aliás, é corroborado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementa do seguinte julgado: “IRPJ CSLL E COFINS DECADÊNCIA Exercício: 2000 PRECLUSÃO.DECADÊNCIA. Sendo a decadência matéria de ordem pública, não se pode arguir preclusão para apreciação de um dos seus pressupostos. DECADÊNCIA. Para os tributos Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 19515.720882/201384 Acórdão n.º 1201001.643 S1C2T1 Fl. 5 7 lançados por homologação, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF.” (Acórdão nº 9101001.542. DOU 26/08/2014). Superada a questão da preclusão, convém lembrar que IRPJ é um tributo sujeito ao chamado lançamento por homologação, uma vez que foi atribuída ao sujeito passivo a obrigação de antecipar o pagamento do tributo sem que haja o prévio exame pelas autoridades administrativas, conforme dispõe o artigo 150, caput, do CTN, in verbis: “Artigo 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” Nos chamados tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a própria lei confere ao contribuinte a competência de efetuar o lançamento, que, no prazo de cinco anos, deverá ser submetido à homologação pela autoridade administrativa competente. Em outras palavras, decorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa tenha homologado expressamente a atividade do contribuinte, ou tenha efetuado o lançamento de ofício, considerase definitivamente homologado o lançamento e extinto o crédito na forma do inciso VII do artigo 156 do CTN. Muito se discutiu sobre o termo inicial da contagem do prazo decadencial aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação: se aplicável o artigo 150, §4º, do CTN (cinco anos a contar do fato gerador); ou o artigo 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). A matéria foi analisada pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 543 do CPC, por meio do julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC (DJ e 18/09/2009), cuja decisão restou assim ementada: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do Fl. 1234DF CARF MF 8 débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Como se percebe, o Poder Judiciário (ora representado pelo STJ) consolidou o entendimento de que o termo inicial para contagem de decadência de tributos sujeitos ao lançamento por homologação – caso do IRPJ – depende de dois fatores: existência ou não de pagamento antecipado e constatação ou não de fraude, dolo ou simulação. Nessa conformidade, a regra que prevalece, instituída por meio de julgamento vinculativo, é a de que aplicase o artigo 150, §4º (5 anos a contar do fato gerador), Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 19515.720882/201384 Acórdão n.º 1201001.643 S1C2T1 Fl. 6 9 no caso de existir pagamento antecipado pelo contribuinte e desde que ele não tenha cometido fraude, dolo ou simulação. Caso contrário (ou seja, inexistindo pagamento antecipado ou estando diante de hipótese de dolo, fraude ou simulação), aplicável o artigo 173, I, do CTN. Isso significa dizer que, à luz do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, a aplicação desse entendimento do STJ tornase obrigatória, na linha, aliás, do que já se posicionou a CSRF. Vejase: “TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008. Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Havendo pagamento ou confissão parcial dos débitos, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra contida no §4º do art. 150 do CTN.” (Acórdão nº 9101002.154. DOU 25/01/2016). Nessa situação concreta, de situação especial (evento de incorporação), é preciso verificar o que dispõe as normas específicas, quais sejam, o artigo 21, §4º, da Lei nº 9.959/2000 e o artigo 861 do RIR/99, dispositivos estes transcritos logo abaixo: “Artigo 21 A pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão deverá levantar balanço específico para esse fim, observada a legislação comercial. [...] § 4º A pessoa jurídica incorporada, fusionada ou cindida deverá apresentar declaração de rendimentos correspondente ao período transcorrido durante o anocalendário, em seu próprio nome, até o último dia útil do mês subseqüente ao do evento”; e “Artigo 861 O pagamento do imposto correspondente a período de apuração encerrado em virtude de incorporação, fusão ou cisão e de extinção da pessoa jurídica pelo encerramento da liquidação deverá ser efetuado até o último dia útil do mês subsequente ao da ocorrência do evento, não sendo facultado nesses casos exercer a opção prevista no § 1º do art. 856 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 5º, § 4º).” Fl. 1236DF CARF MF 10 Da leitura desses dispositivos, verificase que, no caso de liquidação da pessoa jurídica por incorporação, o fato gerador do IRPJ corresponde à data do evento. E nesse caso concreto a data do evento que corresponde ao aspecto temporal do fato gerador do IRPJ ocorreu em 28/03/2008 (fls. 1.207), conforme demonstra a DIPJ de fls. 1.207/1.224. Referida DIPJ também atesta que a empresa JATOBÁ, incorporada pela Recorrente em 28/03/2008, apurou imposto de renda trimestral a pagar em 31/03/2008 (fls. 1.213), valor este que foi pago, conforme comprovante juntado às fls. 1.225. Partindo, então, da premissa de que: (i) estamos diante de cobrança de IRPJ, espécie de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) o fato gerador do IRPJ, em virtude de incorporação ocorreu em 28/03/2008; (iii) houve antecipação de pagamento; e (iv) não se trata de hipótese de dolo, fraude e simulação, aplicável o artigo 150, § 4º, do CTN. E ao aplicar a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, para fato gerador de IRPJ ocorrido em 28/03/2008, o prazo para que a administração tributária tinha para lançar de ofício eventual diferença de IRPJ se esgotou em 28/03/2013. Isso significa dizer que, na data em que a Recorrente foi cientificada do presente lançamento (dia 09/04/2014, cf. fls. 949), o IRPJ relativo ao referido evento de incorporação não mais poderia ser constituído, pois já estava alcançado pela decadência. Dessa forma, voto por acolher a preliminar de decadência, cancelando as exigências decorrentes dos lançamentos referentes à empresa incorporada JATOBÁ. II. Do excesso de compensação de prejuízos fiscais Conforme visto, um dos itens do lançamento ("excesso de compensação de prejuízos fiscais") exige IRPJ em razão da "composição das diferenças existentes entre o controle do contribuinte (LALUR) e o controle da Receita Federal (SAPLI)”. Ou seja, a fiscalização realizou o lançamento de ofício do IRPJ por ter considerado que o saldo de prejuízo fiscal passível de compensação estaria limitado ao valor constante do sistema interno da Receita Federal (SAPLI). Já a contribuinte alega que esse tipo de lançamento é nulo porque a fiscalização nunca apresentou os dados que compõe os saldos usados como parâmetro, sendo o LALUR o documento correto, do ponto de vista legal, para fazer prova acerca do saldo de prejuízo fiscal passível de utilização. De acordo com os documentos dos autos (dos quais merecem destaquem os quadros comparativos dos saldos de prejuízos fiscais comparados LALUR x SAPLI fls. 932/933), chamam atenção dois fatos: (i) foram constatadas divergências entre os valores do LALUR e os valores informados pelas empresas sucedidas em DIPJ; e (ii) há o registro (Nota 1 dos quadros) de que o SAPLI teria se baseado nas informações contidas nas próprias DIPJ, as quais, ao menos em tese, deveriam coincidir com o LALUR. Inexiste, aliás, qualquer argumento ou comprovação por parte da contribuinte acerca de eventuais erros nas DIPJ, restringindose as alegações a questionar o método de tributação adotado e apontar as normas legais relativas ao LALUR. Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 19515.720882/201384 Acórdão n.º 1201001.643 S1C2T1 Fl. 7 11 Vale dizer, a diferença verificada entre o LALUR e DIPJ/SAPLI é o que motivou o lançamento e nunca foi justificada pela Recorrente (a quem, a meu ver, teria o ônus desta prova nessa situação concreta). A decisão de primeiro grau foi direto ao ponto: "A contribuinte foi intimada a apresentar justificativas e não as fez a contendo. Apenas o livro LALUR não é prova cabal para sanar as diferenças apontadas no levantamento fiscal sobre o excesso de compensação de prejuízos fiscais. Para afastar as diferenças apuradas no curso da fiscalização seriam necessárias provas da constituição dos valores lançados no LALUR, o que não foi feito no presente PAF. Na hipótese de constatação de diferenças entre os montantes informados em DIPJ e aqueles lançados no LALUR tornase necessário toda a documentação de suporte, a qual comprove a origem dos prejuízos ora questionados. Referida providência não foi feita pela impugnante. Portanto, não se trata de presunção e sim de situação de fato aferida no trabalho de fiscalização. [...]". Corroboro tal entendimento e considero correto o procedimento fiscal adotado, lembrando que, caso o contribuinte tivesse preenchido a DIPJ com o mesmo valor do LALUR o que deveria ter sido feito a cobrança não teria sido formulada. Dessa forma, julgo procedente a exigência decorrente da compensação em excesso relativa à empresa incorporada CIA DE PARTICIPAÇÕES ALPHA. Da compensação de prejuízos fiscais no caso de incorporação O artigo 10 da Lei nº 154/1947 autorizava a compensação integral de prejuízos, mas limitava temporalmente tal aproveitamento aos 3 períodosbase subsequentes. Posteriormente, o artigo 64 do DecretoLei nº 1.598/1977 aumentou tal prazo para os 4 períodos base seguintes. Somente em 1995, com a edição das Leis nºs 8.981 (artigos 42 e 58) e 9.065 (artigos 12, 15 e 16) foi introduzido o limite quantitativo relativo a 30% do lucro líquido do período para fins da compensação de prejuízos fiscais. A constitucionalidade da trava de 30% foi objeto de diversas ações judiciais, mas o fato é que a jurisprudência, a partir da decisão proferida pelo STF (RE 344.994), se consolidou no sentido de que é legítima essa limitação quantitativa. Ressaltese, por oportuno, que o referido precedente não analisou a legitimidade da aplicação da trava nos casos de extinção da pessoa jurídica, tema este que conta com decisões divergentes (ou seja, tanto a favor quanto contra) no âmbito do CARF. Especialmente no que respeita às situações de incorporação, prevê o Regulamento do Imposto de Renda (aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999), em seu artigo 514, que “a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão, não poderá compensar Fl. 1238DF CARF MF 12 prejuízos fiscais da empresa sucedida”. Ou seja, os prejuízos fiscais constituem direito não transferível por meio desses eventos societários. Não existe, porém, norma expressa que regulamente a aplicação ou não da trava de 30%, cabendo ao intérprete fazer essa análise a partir do sistema tributário como um todo. E nesse caminho interpretativo, chama atenção o seguinte trecho da exposição de motivos da Medida Provisória nº 998/95 (que resultou na Lei nº 9.065/1995, instituidora da trava de 30%) reproduzido abaixo: “Artigos. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com limitações impostas pela Medida Provisória nº 812/1994 (Lei nº 8.981/1995). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo.” – grifei Verificase, assim, que a intenção da limitação de 30% estabelecida em 1995 tem cunho meramente arrecadatório e não de retirar do contribuinte o direito à plena compensação de prejuízos. Como bem observou o Conselheiro Celso Alves Feitosa no acórdão CSRF/0104.258 (Sessão de 02/12/2002), em que o recurso especial da Fazenda foi julgado improcedente: “a expressão “sem retirar do contribuinte o direito de compensar” reforça o meu entendimento de que, em casos de descontinuidade da empresa, na declaração de encerramento cabe integral compensação das bases negativas acumuladas, sendo inaplicável a trava”. Em sessão de 19/10/2004, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, afastou a aplicação do referido limite de 30% no caso de incorporação. Vejase a ementa e trecho do voto do respectivo julgado: “IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO – LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA – À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal. Recurso provido”. (Acórdão CSRF/0105100. Sessão de 19/10/2004). “[...] Esse raciocínio já está pacificado neste Conselho de Contribuintes. A norma (Lei 9065/95, art. 15), ao impor a "trava" na compensação, não pretendeu tolher o direito do contribuinte de não recolher IRPJ sobre a recuperação do capital, correspondente ao lucro após prejuízo. Pretendeu sim uma arrecadação mínima, se apurado lucro líquido, com a limitação de utilização do prejuízo acumulado. Em contrapartida, extinguiu o prazo de aproveitamento do prejuízo (de 4 anos), para que o contribuinte pudesse compensar integralmente seu saldo de prejuízo fiscal, ainda que em muitos anos. Desse modo, e considerando que à empresa incorporadora é vedado o aproveitamento do saldo de prejuízo fiscal da empresa incorporada (Decretolei 2341/87, arts. 32 e 33), deixa de existir a premissa de inexistência de limitação de aproveitamento do Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 19515.720882/201384 Acórdão n.º 1201001.643 S1C2T1 Fl. 8 13 prejuízo com os lucros futuros, o que compromete a legitimidade da trava do prejuízo. A Câmara Superior de Recursos Fiscais pronunciouse a respeito dessa matéria no Acórdão CSRF/0104.258, no sentido de permitir o aproveitamento integral do prejuízo fiscal, na hipótese tal qual a sob exame — último período base por incorporação”. Nesse sentido, a meu ver a limitação de 30% não deve ser aplicada em casos de extinção ou descontinuidade da pessoa jurídica. Ora, afastada a presunção legal de continuidade de determinada empresa no tempo (o que lhe asseguraria a recuperação dos prejuízos, a despeito das limitações), não deve ter aplicação a trava de 30%. Ademais, a limitação de 30% deve ser afastada também em virtude da norma que impede a transferência dos prejuízos fiscais da empresa incorporada à incorporadora (art. 514 do RIR/99, acima transcrito), conforme expõe com clareza o relator do acórdão nº 108 06.682 (Sessão de 20/09/2001): “Com efeito, por vedação expressa do artigo 514 do atual Regulamento sobre o Imposto de Renda, a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não pode compensar prejuízos fiscais da sucedida (Decretolei nº 2.341, de 1987, art.33). Ora, se prevalecesse a limitação na compensação dos prejuízos na declaração final apresentada por conta da incorporação, o direito à compensação de tais prejuízos estaria atingido e não apenas diluído no tempo, postergação essa que é o real objetivo da norma em exame, como bem consignou o culto Relator do Acórdão ora destacado. Dessa forma, numa interpretação sistemática, é preciso admitir a compensação dos prejuízos fiscais, sem a limitação imposta, quando se tratar de declaração final por incorporação, fusão e extinção de pessoa jurídica. Portanto, por força do seu extremo rigor técnico, esse julgado certamente constituirá o paradigma para a análise dessa matéria.” Com efeito, a limitação de 30% somente se justifica enquanto existente a presunção legal de continuidade da empresa. A liquidação da pessoa jurídica por meio de evento societário (como a incorporação) tem o condão de afastar a trava. Entendimento em sentido contrário implica em verdadeira negação ao direito de compensação do contribuinte. A propósito, conforme visto, os prejuízos fiscais da empresa incorporada não se transferem à incorporadora, que é a sua sucessora. Admitir, então, a trava, implica numa despropositada perda de um crédito líquido e certo. Sobre o tema, leciona Ricardo Mariz de Oliveira (Fundamentos do Imposto de Renda. São Paulo: 2008. Quartier Latin. P. 865): “Realmente, se a lei não impede a compensação integral, PIS apenas a posterga, mas se ela não permite que a compensação venha a ser feita futuramente pela sucessora, o impasse se resolve através da permissão de compensação integral pela Fl. 1240DF CARF MF 14 sucedida, em situação que não está abrangida pela hipótese de incidência da norma de limitação.” Feitas essas considerações, entendo que a pessoa jurídica incorporada pode compensar, por ocasião do balanço de encerramento de suas atividades, o prejuízo fiscal acumulado sem observância do limite de 30%. Dessa forma, deve ser afastada a trava de 30% à compensação de prejuízos fiscais nessa situação concreta. Da aplicação de multa e juros Cabível, a meu ver, a aplicação de multa e juros na cobrança formulada pela autoridade autuante. Com efeito, o dispositivo que regula a multa de ofício aplicada, conforme indicado no auto de infração, foi o art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Portanto, a exigência de multa de ofício está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto para o lançamento de ofício, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. Com relação aos juros, aplicável a taxa Selis, na linha do que dispõem o art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996 e a Súmula CARF n. 4, abaixo transcritos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. [...] § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 19515.720882/201384 Acórdão n.º 1201001.643 S1C2T1 Fl. 9 15 SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais A meu ver esta é a legislação aplicável, que não deve ser "influenciada" pelo artigo 100 do CTN, que não é aplicável nessa situação concreta. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, mantendo a exigência decorrente da compensação em excesso (EXCESSO DE SALDO DE PREJUÍZOS FISCAIS NO LALUR) relativa à empresa incorporada CIA DE PARTICIPAÇÕES ALPHA , assim como a multa e os juros, cancelando as demais. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 1242DF CARF MF 16 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Redator designado. Peço vênia para discordar do nobre relator com relação aos termos do seu voto, no que tange ao limite de trinta por cento na compensação de prejuízos fiscais, por ocasião do balanço de encerramento das atividades de pessoa jurídica incorporada. Conforme relatado, constou do Termo de Verificação Fiscal: Considerando que inexiste amparo legal para que se proceda à compensação do saldo de prejuízo fiscal sem a observância do limite de 30% a que reporta o art. 15 da Lei n° 9.065/95, há que se concluir devido o crédito tributário apurado nesta ação fiscal de revisão interna da DIPJ, ou seja, valor de prejuízo fiscal compensado a maior, na apuração do lucro real do período de 01/01/2008 à 18/12/2008 (data do evento Incorporação). O referido limite de trinta por cento, como explanado pelo autuante no referido termo, encontrase previsto no artigo 15 da Lei nº 9.065/95, verbis: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do Imposto sobre a Renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Ocorre que, com exceção da exploração da atividade rural (artigo 14 da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990), não há qualquer outra hipótese que permita a inobservância do limite de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais (nem mesmo a eventual extinção da pessoa jurídica, por incorporação). A possibilidade de compensar prejuízos fiscais de períodos anteriores constitui uma mera liberalidade do legislador. A rigor, o fato jurídico tributário, “acréscimo patrimonial”, demonstrado pela existência do Lucro Real, se circunscreve a um período de apuração, não existindo obrigatoriedade de se levar em conta eventuais resultados negativos apurados em períodosbase anteriores. Assim, nos casos de tratamento fiscal favorecido (como é o presente), a legislação fiscal deve ser interpretada literalmente, conforme artigo 111 do CTN, não se podendo cogitar de interpretação sistemática e/ou teleológica das regras que instituíram a trava para compensação de prejuízos fiscais. Esse entendimento encontra respaldo na jurisprudência deste CARF, tanto das turmas ordinárias, quanto da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementas de acórdãos a seguir reproduzidas: INCORPORAÇÃO. DECLARAÇÃO FINAL. Inexiste amparo para, à luz da legislação que rege a matéria, se proceder, em virtude do desaparecimento da empresa em decorrência de reorganização societária, a compensação dos prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% a que se Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 19515.720882/201384 Acórdão n.º 1201001.643 S1C2T1 Fl. 10 17 reporta o artigo 15 da Lei nº 9.065, de 1995. No contexto do ordenamento jurídicotributário, em homenagem ao princípio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos diplomas legais que regem a matéria. Recurso negado” (Acórdão nº 10515.908 da 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sessão de 16/08/2006). BASE NEGATIVA. COMPENSAÇÃO. LIMITE 30%. INCORPORAÇÃO. A partir do anocalendário de 1995, a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL fica limitada a 30% do lucro líquido ajustado no período. Cabível a exigência de ofício de contribuição incidente sobre diferença compensada a maior na declaração de incorporação, uma vez inexistente qualquer exceção ao limite imposto pela legislação ainda que na hipótese de encerramento da empresa. (Acórdão nº 10515.999 da 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sessão de 21/09/2006) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IRPJ. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.” (Acórdão nº 910100.401 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sessão de 02/10/2009) Com fundamento na legislação e jurisprudência supracitadas, concluise que inexiste amparo legal para se proceder à compensação de prejuízos fiscais sem observância do limite de trinta por cento do lucro líquido ajustado, mesmo no caso de declaração final apresentada por pessoa jurídica extinta por incorporação. Pelas razões expostas, voto por manter a autuação relativa ao excesso de compensação de prejuízo fiscal pela não observância da trava de 30% pela pessoa jurídica incorporada, razão pela qual, nesse ponto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 1244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900063/2014-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/08/2008
NULIDADE. AUSÊNCIA. MOTIVAÇÃO EXISTENTE NO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA.
É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa quando presente a motivação para o indeferimento do pedido de compensação.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-004.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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AUSÊNCIA. MOTIVAÇÃO EXISTENTE NO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA. É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa quando presente a motivação para o indeferimento do pedido de compensação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 00 63 /2 01 4- 85 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13888.900063/201485 Acórdão n.º 3302004.452 S3C3T2 Fl. 69 2 Trata o presente processo de declaração de compensação, não homologada em razão de o DARF informado na Dcomp ter sido utilizado para quitar outros débitos da recorrente, conforme despacho decisório: "A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 35.015,45 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que: 1. O despacho decisório é nulo, pois sem maiores esclarecimentos, indeferiu a compensação sem se dar ao trabalho de intimar a recorrente para esclarecer os fatos, considerando o pagamento indisponível, sem motivar o porquê da indisponibilidade, causando cerceamento de defesa por ausência de motivação; 2 O despacho deveria explicar o significado da expressão "disponibilidade do crédito", pois o que parece à recorrente é que se trata de encontro de contas entre o débito recolhido mediante DARF e o crédito declarado em DCTF; 3. No mérito, a recorrente defendeu que incluiu na base de cálculo do IPI não somente receitas de faturamento, mas também outras que não compuseram o faturamento, conforme teses abarcadas pelo STF sobre a ampliação do conceito de faturamento, tendo o pedido como base a declaração de inconstitucionalidade, em consonância com o disposto na Lei nº 9.430/1996; 4. Necessária a produção posterior de provas, uma vez que, de acordo com o artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, não foi possível à recorrente entender a motivação do indeferimento do despacho, razão pela qual não produziu as provas na impugnação. A DRJ proferiu acórdão nos termos da seguinte ementa: NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13888.900063/201485 Acórdão n.º 3302004.452 S3C3T2 Fl. 70 3 Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas na impugnação, quanto à falta de motivação do despacho decisório, da decisão da DRJ, causando cerceamento de defesa. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente alega apenas nulidades em seu recurso voluntário, nada referindo ao mérito, como fizera em manifestação de inconformidade. Concernente à nulidade do despacho, está claro que o indeferimento foi causado pela indisponibilidade do valor pleiteado pela recorrente, referente ao DARF de julho/2008 uma vez que fora utilizado no PA de julho/2008, conforme efls. 38, não restando assim saldo disponível, restando evidente a motivação do indeferimento. Em manifestação, a recorrente alegou, no mérito, que se tratava de erro na base de cálculo do IPI, em razão de a tese do alargamento da base de cálculo ter sido declarada inconstitucional pelo STF. Inicialmente, esclareçase que a matéria de direito, superficialmente levantada pela recorrente em sua manifestação, se referia à PIS/Pasep e Cofins faturamento, pelo que se pode depreender, não se aplicando ao IPI, cujos fatos geradores estavam dispostos no artigo 341 do Decreto nº 4.544/2002 (vigente à época dos fatos) e não referiam a faturamento, mas a saídas dos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, e ao desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira. Quanto à alegação de nulidade da decisão da DRJ, não há reparos a se fazer na decisão que já havia exposto a motivação do despacho, acrescentando que caberia à recorrente a produção de prova de eventual pagamento indevido ou a maior que devido. O procedimento correto a ser tomado pela recorrente seria a retificação da DCTF, gerando assim um saldo credor, ou, na fase de manifestação de inconformidade, ter apresentado as provas de seu direito, como preceitua o artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 e o artigo 333 da Lei nº 1 Art. 34. Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): I o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; ou II a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13888.900063/201485 Acórdão n.º 3302004.452 S3C3T2 Fl. 71 4 5.869/1973 (antigo CPC) vigente à época dos fatos. Ocorre que a recorrente não se desincumbiu de tal ônus, restando não comprovadas suas alegações. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.903796/2011-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.903796/201172 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.367 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 37 96 /2 01 1- 72 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 16327.903796/201172 Acórdão n.º 1301002.367 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 16327.903796/201172 Acórdão n.º 1301002.367 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 125DF CARF MF Processo nº 16327.903796/201172 Acórdão n.º 1301002.367 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 16327.903796/201172 Acórdão n.º 1301002.367 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 127DF CARF MF Processo nº 16327.903796/201172 Acórdão n.º 1301002.367 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 128DF CARF MF Processo nº 16327.903796/201172 Acórdão n.º 1301002.367 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 129DF CARF MF Processo nº 16327.903796/201172 Acórdão n.º 1301002.367 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.902744/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário:2004
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.328
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente CIAASA MERCANTIL DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2004 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 44 /2 01 1- 19 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10120.902744/201119 Acórdão n.º 3301003.328 S3C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS NãoCumulativa – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de COFINS nãocumulativa, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 03050.595. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10120.902744/201119 Acórdão n.º 3301003.328 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10120.902744/201119 Acórdão n.º 3301003.328 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10120.902744/201119 Acórdão n.º 3301003.328 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10120.902744/201119 Acórdão n.º 3301003.328 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 145DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.902798/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.168
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BIC AMAZÔNIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 27 98 /2 01 2- 01 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10283.902798/201201 Acórdão n.º 3302004.168 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02059.009. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.902798/201201 Acórdão n.º 3302004.168 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.902798/201201 Acórdão n.º 3302004.168 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.902798/201201 Acórdão n.º 3302004.168 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.902798/201201 Acórdão n.º 3302004.168 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.902798/201201 Acórdão n.º 3302004.168 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.725414/2013-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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SUBVENÇÃO. INVESTIMENTOS Recorrente BIMETAL INDÚSTRIA METALÚRGICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 0363.871, de 29 de setembro de 2014, da 2ª Turma da DRJ de Brasília DF que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação da Recorrente, conforme a seguir exposto. A autuação baseouse no entendimento de que contratos de mútuos financeiros entre empresas ligadas não constituiriam despesas dedutíveis, no sentido de que não seriam dispêndios necessários à manutenção da fonte produtora da empresa mutuante. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .7 25 41 4/ 20 13 -2 1 Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 10183.725414/201321 Resolução nº 1302000.493 S1C3T2 Fl. 3 2 O segundo ponto, diz respeito a valores relativos ao Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (PRODEIC), sobre o qual a Recorrente sustenta que constituiriam subvenção para investimento. A DRF e a DRJ concluíram que, tais valores deveriam ser adicionados à Base de Cálculo do IRPJ e da CSLL da Recorrente. O Acórdão recorrido registrou a seguinte ementa: ASSINTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DESPESAS FINANCEIRAS DE EMPRÉSTIMO REPASSADO. INDEDUTIBILIDADE. O custo financeiro de empréstimos repassados em conta corrente para outras empresas do mesmo Grupo econômico, não pode ser apropriado pela repassante por não se enquadrar no conceito de necessidade, violando os pressupostos da normalidade e da usualidade das despesas. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. PROGRAMA PRODEIC. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Os valores contabilizados a título de crédito presumido de ICMS no âmbito do Programa PRODEIC que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimentos, devendo ser computados na determinação do lucro real. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, constituem estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e devem ser computados no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose. portanto, à incidência do imposto sobre a renda. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. A recorrente foi intimada do Acórdão recorrido, em 08/10/2014 (fl. 1599), via AR. Interpôs recurso voluntário, em 06/11/2014 (fls. 1601/1655), cujas razões serão analisas no voto, a seguir. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator O recurso voluntário é tempestivo e a recorrente está regularmente representada. Conheço do recurso. Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 10183.725414/201321 Resolução nº 1302000.493 S1C3T2 Fl. 4 3 Na forma relatada, a autuação referese a (1) glosa das despesas com juros sobre empréstimos obtidos, por considerálas não necessárias; e (2) glosa da exclusão, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL do benefício fiscal concedido pelo Estado de Mato Grosso PRODEIC. A Fiscalização registrou que os valores de subvenção haviam sido empregados no fluxo financeiro da empresa. Concluiu que não haveria aplicação, especificamente, em implantação, expansão, modernização ou diversificação de empreendimento econômico. A Recorrente, por sua vez, alegou que a contrapartida consistiu, exatamente, na: (a) instalação de Parque Industrial para fabricação de silos, secadores, transportadores, armazéns metálicos, tubos para fases, telhas galvanizadas, tubos industriais, etc; e (b) geração de 300 empregos diretos e 200 empregos indiretos. Nesse contexto, portanto, há a necessidade de a recorrente comprovar o valor de seu investimento valor do ativo fixo. Verificase que o acórdão recorrido considerou que houve efetivo investimento. Sendo assim, cabe a comprovação do respectivo valor. É importante destacar que, ao contrário do que registrou o item 7.1 do Auto de Infração, quanto à vinculação de valores, há previsão no referido contrato sobre a existência formal de plano de implantação, com prazo para 12 meses para conclusão. Por todo o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, retornandose os autos à DRF, para que: a) a recorrente seja intimada a comprovar o valor de seu investimento valor do ativo fixo; b) após, a DRF relate se o valor da subvenção é maior ou menor que o valor do investimento; e c) em sequência, seja intimada a recorrente para que se manifeste. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 1663DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722307/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 22 30 7/ 20 10 -1 4 Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10166.722307/201014 Resolução nº 2401000.582 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória DEBCAD n° 37.297.2489, consolidado em 07/10/2010, em face da ADLER Assessoramento Empresarial e Representações Ltda., no valor de R$ 42.953,34 (quarenta e dois mil e novecentos e cinqüenta e três reais e trinta e quatro centavos), referente à multa por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, no período de 01/08/1999 a 31/12/2002. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 06/12 os fatos que ensejaram tal atuação se baseiam em documentos já existentes no Auto de Infração original (DEBCAD N° 35.675.4189), anulado pro vício formal. Sendo assim, o Auto de Infração aqui tratado, se configura como um lançamento substitutivo. A Fiscalização alega que o crédito tributário apurado decorreu de práticas fraudulentas por parte da empresa, traduzidas em omissão de faturamento pela prática criminosa de calçamento de notas fiscais e a conseqüente omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária em seus registros contábeis. A Recorrente apresentou Impugnação e o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 31/12/2002 AIOA DEBCAD n.º 37.297.2489 (CFL 34) DEIXAR DE LANÇAR, EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, FATOS GERADORES DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, constitui infração à legislação previdenciária. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Empresa apresentou Recurso Voluntário de fls. 335/340, alegando, em síntese: Preliminarmente, a presente Autuação, por conexão administrativa, terá provimento intimamente ligado com aquele a ser deferido no Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10166.722307/201014 Resolução nº 2401000.582 S2C4T1 Fl. 4 3 processo de n° 10166016223/200815, em que se discute o AI DEBCAD n° 35.675.4219, na medida em que, se considerada insubsistente a obrigação principal, não há como subsistir a obrigação acessória; Que o presente processo deve ser apensado ao que trata da obrigação principal, para conjunta tramitação, sob pena de nulidade; Que a autuação fiscal se mostrou irregular, baseada em insinuações e desprovidas de razoabilidade; Que as conclusões fiscais são ilegítimas posto terem sido alcançadas pela análise de dados realizada de forma tendenciosa. Que os critérios de aferição para conceber os valores apurados como não informados em GFIP ou levados a registros contábeis se deu de forma temerária quando se valeu de presunção alicerçada em bancos de dados utilizados apenas como meio de controle interno para apuração do salário de contribuição tido como devido; Que tais questões devem ser debatidas no processo de n° 10166.016223/200815 (obrigação principal) posto que seu resultado refletirá no resultado deste. A 3ª Turma Especial do CARF, por intermédio da Resolução nº 2803000.129, às fls. 342/349, por maioria de votos, entendeu pela conexão e determinou que os presentes autos fossem encaminhados à 1º TO da 3ª Câmara, da 2ª Seção do CARF, ou Turma responsável, para julgamento conjunto com processo nº 10166.016223/200815, com base no artigo 9º , § 1º do Decreto nº 70.235/72. Nesse diapasão, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2 Seção, ao analisar os autos já com as devidas conexões promovidas, mais uma vez converte o feito em diligência, por intermédio da Resolução nº 2302000.359, às fls. 353/356, tendo em vista que, no processo principal nº 10166.016223/200815, o retorno da diligência estava incompleto, tendo em vista que o Auditor fiscal, naquele feito, cumpriu apenas 03 (três) das solicitações realizadas por este Conselho, deixando de esclarecer se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS, bem como para que a Fiscalização analise as guias de pagamento juntadas aos autos pela Recorrente, com o intuito de clarificar se os DARFs acostados representam, de fato, as parcelas correspondentes à migração do REFIS para o parcelamento da Lei nº 11.941. Assim o julgamento foi convertido em diligência para que se aguarde o deslinde do processo nº 10166.016223/200815, ante a possibilidade de sua decisão irradiar efeitos na decisão a ser proferida nestes autos. Ocorre que, da manifestação fiscal, em retorno da diligência solicitada nos autos nº 10166.016223/200815, a Recorrente não foi intimada a se manifestar, conforme pude constatar após análise daqueles autos. É o relatório. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10166.722307/201014 Resolução nº 2401000.582 S2C4T1 Fl. 5 4 VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Inicialmente cumprese ressaltar que a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de julgamento do CARF, por intermédio da Resolução nº 2302000.359, às fls. 353/356, converteu o presente feito em diligência tendo em vista que, no processo principal nº 10166.016223/200815, o retorno da diligência, naquele feito, estava incompleto, tendo em vista que o Auditor fiscal, cumpriu apenas 03 (três) das solicitações realizadas por este Conselho, deixando de esclarecer se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS, bem como para que a Fiscalização analise as guias de pagamento juntadas aos autos pela Recorrente, com o intuito de clarificar se os DARFs acostados representam, de fato, as parcelas correspondentes à migração do REFIS para o parcelamento da Lei nº 11.941. Ocorre que, após o retorno da referida diligência de fls.11.251/11.253, nos autos do processo nº 10166.016223/200815, ao invés de se promover a intimação da Empresa Recorrente para se manifestar sobre o retorno da diligência, o processo foi encaminhado para nova distribuição/sorteio de Relator, em virtude do anterior não mais pertencer ao colegiado do CARF (fls.11.256). Em seguida, os autos foram designados a esta relatoria (fls.11.263). Assim, novamente aquele feito foi convertido em diligência para intimar a Recorrente a se manifestar sobre a Informação Fiscal proferida. Nessa esteira de acontecimentos, diante da falta de intimação para manifestação da Recorrente naquele feito, e em observância ao princípio da ampla defesa e do contraditório, reitero a conversão do presente feito em diligência, para que se aguarde o deslinde do processo principal nº 10166.016223/200815, ante a possibilidade de sua decisão irradiar efeitos na decisão aqui a ser proferida.. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 360DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.725083/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.869
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente ESPACIAL AUTO PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 50 83 /2 01 2- 41 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10469.725083/201241 Acórdão n.º 3302003.869 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.436. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10469.725083/201241 Acórdão n.º 3302003.869 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10469.725083/201241 Acórdão n.º 3302003.869 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10469.725083/201241 Acórdão n.º 3302003.869 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10469.725083/201241 Acórdão n.º 3302003.869 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.002192/99-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/1999 a 31/10/1999
PRAZO INICIAL DE CONTAGEM DA PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE SOLICITAR COMPENSAÇÃO.
A prescrição do direito de solicitar compensação tem início somente após o trânsito em julgado da homologação do pedido de desistência da execução do crédito reconhecido em decisão judicial, porque somente a partir desse momento que foi originada a real possibilidade jurídica de ação junto à administração pública. Entendimento decorrente da aplicação conjunta da Súmula n.º 91 deste conselho com o Parecer Normativo Cosit n.º 11 de 2014, Art. 3.º, §2.º da IN SRF 517/2005 e §1.º, do Art. 17 da IN SRF 21/1997.
Numero da decisão: 3201-002.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a decadência e devolver o processo a primeira instância para enfrentar o mérito. Ausente justificadamente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. .
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a decadência e devolver o processo a primeira instância para enfrentar o mérito. Ausente justificadamente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. . (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE.
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A prescrição do direito de solicitar compensação tem início somente após o trânsito em julgado da homologação do pedido de desistência da execução do crédito reconhecido em decisão judicial, porque somente a partir desse momento que foi originada a real possibilidade jurídica de ação junto à administração pública. Entendimento decorrente da aplicação conjunta da Súmula n.º 91 deste conselho com o Parecer Normativo Cosit n.º 11 de 2014, Art. 3.º, §2.º da IN SRF 517/2005 e §1.º, do Art. 17 da IN SRF 21/1997. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a decadência e devolver o processo a primeira instância para enfrentar o mérito. Ausente justificadamente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. . (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 21 92 /9 9- 99 Fl. 690DF CARF MF 2 HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls 670 em face de decisão da DRJ/RS de fls. 648 que decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade de fls 626, restando o direito creditório de Finsocial não reconhecido. Como de costume desta Turma de julgamento, transcrevese o relatório e ementa do Acórdão da Delegacia de Julgamento de primeira instância: "A contribuinte antes identificada protocolou em 19/11/1999 junto ao Órgão jurisdicionante, Pedido de Restituição de FINSOCIAL cominado com Pedido de Compensação onde discrimina débitos de SIMPLES de períodos de apuração entre 30/06/1999 e 31/10/1999 (fls. 01/02). Como fundamento do crédito aponta a Ação Ordinária n° 94.12010982 impetrada em 05/10/1994 junto A l a Vara Federal de Passo Fundo (RS), depois Apelação/Reexame Necessário n° 96.04.430629 no TRF da 4a/R. Houve anexação de extrato de compensação, cópias de DARFs, planilhas e partes de medidas judiciais. Posteriormente foram juntadas cópia de livro fiscal, extrato IRPJ Consulta e planilha de apuração de valores (11. 146). Nas fls. 149/153 foi juntado o Despacho Decisório DRF/PFO de 17/04/2001, onde o Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Passo Fundo (RS) resolveu: a) reconhecer A contribuinte o direito creditório contra a Fazenda Pública da União no valor total, atualizado até janeiro de 1996, de R$ 1.616,28, correspondente ao FINSOCIAL pago a maior nos meses de outubro de 1989 a abril de 1991, que deveria ser acrescido de juros equivalentes A taxa SELIC, acumulada mensalmente, a partir de 01/1996 e utilizado exclusivamente para fins de compensação com débitos da COFINS (inclusive parcela daquela contribuição inserida no SIMPLES), nos termos da decisão judicial; b) indeferir o pedido de compensação do FINSOCIAL com débitos referentes aos demais impostos/contribuições incluídos no SIMPLES, tendo em vista os limites impostos pela decisão judicial. Determinou fosse dada ciência A contribuinte, bem como fosse ela intimada a recolher a parte dos débitos referidos no Termo de Compensação de fl. 02, exceção A parcela relativa A COFINS. Ressalvou o direito de interposição de manifestação de inconformidade no prazo legal. Cientificada da decisão em 10/09/2001 (AR de fl. 160), a interessada manifestou sua inconformidade em 01/10/2001 (fls. 161/163), onde alegou, em síntese, que a RFB baseou sua Fl. 691DF CARF MF Processo nº 11030.002192/9999 Acórdão n.º 3201002.841 S3C2T1 Fl. 691 3 negativa no fato de dever aterse, rigorosamente, aos termos da sentença judicial, que determinou ser possível a compensação com contribuições vencidas e vincendas da mesma espécie. No entanto, lei publicada posteriormente à decisão judicial (art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996) veio desburocratizar e facilitar a vida dos contribuintes, permitindo a compensação com quaisquer tributos ou contribuições sob administração da RFB. Pediu a reforma do Despacho Decisório. Foi solicitada à contribuinte a prévia.comprovação da desistência perante oPoder Judiciário, daexectrOno respectivo titulo judicial relativo à ação que lhe concedeu o crédito (Intimações de fls. 179 e 184, recebidas, respectivamente, em 03/11/2001 — AR de fl. 180 — e 11/09/2002 — AR de fl 185), tendo havido trâmites junto Aquele Poder e à PFN, com anexação de documentos. Nas fls. 256/258 consta o Despacho DRF/PFO de 12/05/2005, onde o Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Passo Fundo (RS) resolveu autorizar a utilização do crédito de F1NSOCIAL reconhecido nas fls. 149/153, na compensação dos débitos da contribuinte perante a Fazenda Pública da Unido, dispensando, para tanto, a exigência da desistência da execução do titulo judicial e assunção das custas, inclusive honorários da ação judicial n° 94.12010982. Determinou fosse dada ciência à interessada. Foram juntados documentos que comprovam o processamento da compensação, tendo a DRF de origem despachado na fl. 282 e emitido a Comunicação de fl. 283, que a contribuinte recebeu em 21/05/2005. Posteriormente foram anexados os PER/DCOMPs de fls. 286/305 e o extrato de fl. 306. Nas fls. 308 esta anexado o Despacho DRF/PFO/Saort, de 12/06/2009, onde o Sr. Chefe da Seção de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Passo Fundo (RS), por delegação de competência, resolveu não homologar as DCOMPs que relacionou, tendo em vista o decurso do prazo para utilização do crédito. Determinou a ciência e intimação da interessada. Foi emitida a Intimação de fl. 309 que a contribuinte recebeu em 17/06/2009 (AR de fl. 310). Não conformada com a decisão administrativa, apresentou ela a manifestação de inconformidade de fls. 319/322, onde traz, inicialmente, considerações acerca do processo administrativo de compensação para, posteriormente, referir: RAZÕES DE INCONFORMIDADE DA INTIMAÇÃO • a Intimação DRF/PFO/Saort n° 146, bem como as orientações passadas pela Chefia estão equivocadas e poderiam induzir a erro, porquanto o prazo de 30 dias a partir da intimação não é Fl. 692DF CARF MF 4 tão somente para pagamento, mas também para que seja apresentada a manifestação de inconformidade; • tal possibilidade não foi informada, tendo sido negada expressamente, o que é grave restrição ao direito constitucional de defesa, devendo ser corrigido o procedimento interno do Órgão. DA COMPENSAÇÃO DO SALDO CREDOR APURADO • a própria narrativa do trâmite do processo administrativo já demonstra que o Despacho que não homologou as compensações realizadas está equivocado de fato e de direito, não havendo a perda do prazo previsto no art. 168 do CTN; • não obstante o trânsito em julgado da ação principal tenha se dado em 27 de junho de 1997, foi ajuizada execução de sentença, que só transitou em julgado em 17 de janeiro de 2003, conforme fl. 201. Mais do que isso, a extinção da execução e seu trânsito em julgado se deram por expresso pedido da RFB, que colocava como condição da homologação a desistência da ação, o que foi atendido pekernpres • além da comprovação pela empresa, por diligência da RFB, a PFN pediu o desarquivamento dos autos e verificou a extinção da execução; • com o ajuizamento da execução da sentença em 08 de junho de 1998 (fl. 109) e a citação da União em 19 de junho de 1998 (fl. 111), foi interrompido o prazo do art. 168 do CTN, conforme interpretação do art. 174, I, do CTN, em conjunto com os arts. 199, I, e 202, I e V, do CC, o qual só recomeçaria a contar com a extinção da execução em 17 de janeiro de 2003 (fl. 138); • na forma do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, e do art. 170 do CTN, a empresa fez pedido de compensação em 19 de novembro de 1999 de todo o valor que obtivera na ação judicial, o que interrompeu o prazo do art. 168 do CTN, ficando suspensa a exigibilidade do crédito, por força do art. 151, III, do CTN, até decisão de autorização para compensação de 12 de maio de 2005 (fl. 258), conforme dispõe o Decreto n° 20.910, de 1932, que regula a decadência e a prescrição de direitos contra a Fazenda Pública; • o tempo em que a própria RFB demorou para homologar e autorizar a compensação pretendida, bem como para apurara a existência de saldo credor não pode ser contado para extinguir o direito da empresa; • não socorre o Despacho exarado ao final o fato de que os valores hoje tratados se referirem ao saldo credor da compensação originaria, pois nova compensação foi orientada pela RFB (fl. 283), sendo exercido o direito em 09 de junho de 2006 (fl. 285 e seguintes); • antes dessa apuração não podia a empresa fazer qualquer novo pedido de compensação porque: 1. ela não sabia da existência do saldo, o que foi apurado pela RFB; Fl. 693DF CARF MF Processo nº 11030.002192/9999 Acórdão n.º 3201002.841 S3C2T1 Fl. 692 5 2. a própria Lei n° 9.430, de 1996 (art. 74, § 3°, inciso V), veda a possibilidade de pedir compensação de créditos, quando essa já tiver sido feita. • a exigência contida no Despacho atacado, de que a empresa tivesse feito o pedido de compensação do saldo no prazo de cinco anos do trânsito em julgado da ação principal, era jurídica e faticamente impossível pois: a) já fizera ela o pedido de homologação, não podendo repetilo por vedação legal; b) o saldo credor foi apurado pela própria RFB em 13 de maio de 2005 (fl. 282). • não pode o procedimento da RFB ser tão claramente contraditório. De fato, a SEORT exarou a Comunicação DRF/PFO/Saort n° 177, informando à empresa a autorização de utilização do crédito do FINSOCIAL para compensação e, especialmente, do saldo credor, orientando que o mesmo poderia ser objeto de Declaração de Compensação; • tal comunicação criou direito subjetivo A empresa, também interrompendo o prazo do art. 168_do_CTN,aoreconhecero direitodaqUtla, conforme interprét4rodo art. 174, IV, do CTN. PEDIDO • pede seja reconsiderada a decisão exarada pela SAORT, homologando a compensação orientada pela própria RFB, por não ter se esgotado o prazo para o pedido de compensação e nem ser possível realizarse o pedido durante o trâmite deste processo administrativo, sendo feita a compensação conforme orientação expressa da RFB. Após a manifestação de inconformidade estão anexados os documentos de fls. 323/327. 0 Órgão de origem despachou na fl. 238." A Ementa do Acórdão de primeira instância, da DRJ/RS de fls 648, foi assim publicada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1999 a 31/10/1999 SENTENÇA JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO EM SEDE ADMINISTRATIVA. OBEDIÊNCIA AOS TERMOS DO PROVIMENTO JUDICIAL. A Autoridade Administrativa está impedida de dar interpretação ampliativa ou alargar o alcance de decisão proferida pelo Poder Judiciário para assegurar direitos não reconhecidos na tutela jurisdicional. Fl. 694DF CARF MF 6 DIREITO DE CRÉDITO. PRESCRIÇÃO. SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. Contase a partir da data do trânsito em julgado o prazo prescricional para que o sujeito passivo exerça o direito de compensação de débitos na via administrativa com o crédito reconhecido em titulo executivo judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Após o protocolo do Recurso Voluntário, os autos foram distribuídos e pautados para julgamento nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. DAS PRELIMINARES. Com relação à preliminar de alegação de nulidade do Acórdão de primeira instância e do vício processual na ciência do contribuinte com relação à sua possibilidade de recorrer dos despachos da autoridade de origem, verificase nos autos que a manifestação de conformidade do contribuinte foi aceita e julgada. Dessa forma, ainda que não seja o trâmite esperado pelo contribuinte, em acordo com o §2 e 3.º do Art. 59 e 60 do Decreto 70.235/72 (PAF), as nulidades poderão ser evitadas quando sanadas. Portanto, não merece provimento esta alegação de nulidade. Outro ponto argüido em preliminar, tratou do termo inicial para a contagem do prazo de prescrição do exercício do direito de compensação de débitos na via administrativa, com créditos reconhecidos em decisão judicial. O Despacho de fls 604 a 606 não homologou as Dcomps exclusivamente em razão de considerar que se passaram mais de 5 anos do marco do termo inicial da contagem da prescrição para o exercício do direito de compensação, que se iniciou a partir do trânsito em Fl. 695DF CARF MF Processo nº 11030.002192/9999 Acórdão n.º 3201002.841 S3C2T1 Fl. 693 7 julgado (27/06/97 em fls. 212) da decisão que reconheceu o direito creditório em Ação Ordinária n.º 94.12010982. A DRJ/RS de fls 648 manteve o entendimento. Contudo, é importante mencionar que tal entendimento sobre o marco inicial de contagem do prazo da prescrição do direito de exercer a compensação exibido acima, não é o entendimento majoritário na doutrina, assim como não é neste Conselho. Assim, adequado transcrever a súmula n.º 91 deste Conselho, conforme segue: "Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador." Além da súmula, dispositivo obrigatório aos colegiados deste Conselho, verificase que o contribuinte apresentou pedidos de compensação no ano de 19/11/1999 em fls 3 a 5, correspondente ao FINSOCIAL pago a maior nos meses de outubro de 1989 a abril de 1991, anteriormente ao ano de 2005, conforme enunciado. Em razão deste entendimento, o contribuinte teria ultrapassado o prazo para solicitar a compensação somente com relação ao Finsocial do mês de outubro de 1989. Mas ainda é possível identificar na doutrina e neste Conselho outro entendimento que pode ser aplicado ao caso, porque se trata de uma outra situação que não prejudica o entendimento exposto na Súmula 91. Em oposição às decisões do despacho decisório e da DRJ, este entendimento consolidou que o referido termo inicial se dá somente a partir do trânsito em julgado da homologação do pedido de desistência da execução do crédito reconhecido em decisão judicial. Exatamente o caso do contribuinte. Confira o que dispões o Parecer Normativo Cosit n.º 11 de 2014: "O prazo para a compensação mediante apresentação de Declaração de Compensação de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução." Em fls. 354, 360, 364 e 366 estão as provas de que a DRF determinou a desistência da execução judicial para que fosse permitida a compensação. Assim, conforme Art. 3.º, §2.º da IN SRF 517/2005 (data das novas Dcomps de fls 560 a 599) e §1.º, do Art. 17 da IN SRF 21/1997 (utilizada no despacho decisório), verificase que na medida em que se exige a desistência da execução judicial para que a compensação seja efetuada, se permite que a compensação seja efetuada (pelo menos com relação ao prazo e ao direito de solicitar a compensação) se comprovada a desistência da execução judicial, respectivamente transcritas a seguir: Fl. 696DF CARF MF 8 "Art. 3º Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.6, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: IV houve a homologação pela Justiça Federal da desistência da execução do título judicial ou da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios, no caso de ação de repetição de indébito. (...) Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) Parágrafo único. Para efeito do disposto neste artigo, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou ressarcimento uma cópia da sentença e do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito. § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) ." Verificase que somente em 17/01/03, conforme alegado e comprovado pelo contribuinte, foi que transitou em julgado a homologação do pedido de desistência da execução conforme fls. 138, 201, 375, 392, 391 e 475 dos autos. Assim, por motivos de lógica e semântica, com dispositivos legais que expressamente permitem que o contribuinte solicite a compensação após a comprovação da desistência da execução judicial, não faz sentido concluir que o contribuinte não teria o direito de assim proceder. Ou o contribuinte tem o direito de solicitar a compensação, ou não tem. Esta é a razão pela qual existe corrente doutrinária e jurisprudencial que defende que a contagem do prazo para solicitar o direito de compensação se inicia a partir do trânsito em julgado da homologação da desistência da execução judicial (vide Acórdão Carf n.º 3401001.740). Fl. 697DF CARF MF Processo nº 11030.002192/9999 Acórdão n.º 3201002.841 S3C2T1 Fl. 694 9 E faz sentido. Se o contribuinte não tem o direito de solicitar concomitantemente por via administrativa e judicial a compensação e/ou restituição, é determinante que alguma das vias de solução de conflitos seja escolhida e, com a desistência da execução judicial, ficou escolhida a via administrativa para a compensação. Sendo que, a partir deste momento, faz sentido iniciar a contagem do prazo porque somente a partir desse momento que foi originada a real possibilidade jurídica de ação junto à administração pública. Foi assim que o contribuinte procedeu, solicitou nova compensação conforme fls. 560 a 599 entre 09/06/2005 e 08/02/2006, além das originalmente protocoladas no ano de 19/11/1999 em fls 3 a 5, correspondente ao FINSOCIAL pago a maior nos meses de outubro de 1989 a abril de 1991. Portanto, merece provimento a solicitação preliminar pela tempestividade dos pedidos de compensação. Dessa forma, a primeira instância deverá analisar o mérito dos autos. Portanto, transcrevese os exatos termos da decisão judicial da Justiça Federal de fls 122: Assim como transcrevese os exatos termos da decisão judicial do TRF da 4.ªRegião de fls 162: Fl. 698DF CARF MF 10 A análise do mérito deverá considerar se as decisões judiciais limitaram ou não a compensação do Finsocial com a Cofins, ou se simplesmente a Cofins foi dada como exemplo para "tributos da mesma espécie". Inclusive, há uma incongruência nos trabalhos da autoridade de origem que deverá ser verificada, conforme será demonstrado se seguir. Em fls 300 a DRF emitiu despacho deferindo parcialmente o pedido do contribuinte, conforme segue: "10.1 RESOLVO, com base na competência atribuída pelo artigo 12, inciso X, da Portaria (SRF) ri. 4.980/94 e art. 209, inciso XXII, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria (MF) n.° 227/98, 10.2 RECONHECER à pessoa jurídica COMÉRCIO DE BALAS GOBBI LTDA, CNPJ no 92.014.182/000178, o direito creditório contra a Fazenda Pública da União, no valor total, atualizado até janeiro de 1996 de R$ 1.616,28, (hum mil seiscentos e dezesseis reais e vinte e oito centavos), correspondente ao Finsocial pago a maior, nos meses de out/89 a abr/91, que deverá ser acrescido de juros, equivalentes à taxa SELIC, acumulada mensalmente, a partir de 01/96, e utilizado exclusivamente para fins de compensação com débitos da Cofins (inclusive parcela da Cofins inserida no Simples), nos termos da decisão judicial, ficando, este procedimento, entretanto, sujeito it apresentação do respectivo pedido it autoridade administrativa (parágrafo 6° do art. 14 c/c o art. 17, caput, ambos da Instrução Normativa SRF n.° 21, de 10 de março de 1997), e condicionado à prévia comprovação da desistência da execução do respectivo titulo judicial, inclusive honorários, de acordo com o disposto no parágrafo primeiro do art. 17 da IN SRF n.° 21/97, introduzido pela IN SRF n.° 73, de 15 de setembro de 1997. 10.3 INDEFERIR o pedido de compensação do FINSOCIAL COM DÉBITOS REFERENTES AOS DEMAIS Fl. 699DF CARF MF Processo nº 11030.002192/9999 Acórdão n.º 3201002.841 S3C2T1 Fl. 695 11 IMPOSTOS/CONTRIBUIÇÕES INCLUÍDOS NO SIMPLES, tendo em vista os limites impostos pela decisao judicial. 11. Encaminhese o processo à Seção de Arrecadação desta Delegacia para dar ciência deste Despacho A contribuinte e processar a restituição/compensação nos termos das normas em vigor (art. 6°, parágrafos 3° e 4° e arts. 12 e 13 da IN SRF n.° 21/97), adotando as demais providências cabíveis, inclusive para intimála a recolher parte dos débitos referidos no Termo de Compensação de fls. 02, exceção it parcela relativa it Cofins, ressalvado a interessada o direito de interpor manifestação de inconformidade à DRJ de Santa Maria (RS), no prazo de 30 dias, explicitando os motivos de fato e de direito em que se fundamentar a inconformidade." Em seguida, em fls. 395, a DRF emitiu "REPRESENTAÇÃO para controle e cobrança" do percentual correspondente aos demais tributos (CSLL e INSS) inseridos no SIMPLES. Mas em fls. 499 há despacho da autoridade de origem autorizando a compensação com os demais tributos que não sejam da mesma espécie do tributo em questão mas administrados pela RFB, em virtude de dispositivo legal que expressamente ampliou essa possibilidade, o Art. 49 da Lei 10.637, de 2002. Segue trecho do despacho: "De outra parte, também encontrase modificada a legislação que embasou a decisão judicial na parte que restringe a compensação com tributos de mesma espécie. É que o art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da Lei 10.637, de 2002, autoriza o sujeito passivo a efetuar a compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF, utilizandose de crédito tributário passível de restituição ou de ressarcimento. 7. Neste caso, imperioso se faz implementar a decisão judicial mediante sua necessária integração à legislação superveniente e mais favorável ao sujeito passivo, ou seja permitirse a utilização do crédito reconhecido de Finsocial na compensação com outros tributos como pretende o contribuinte, o que não implica, de modo algum, em descumprimento da decisão judicial transitada em julgado, segundo recente entendimento da SRF. 8. Diante disso, 9. PROPONHO seja dispensada a exigência imposta ao contribuinte e dado seguimento ao presente processo com a utilização do crédito reconhecido na compensação de débitos relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF em nome do contribuinte. RESOLVO AUTORIZAR a utilização do crédito de Finsocial, reconhecido as fls. 149/153, na compensação dos débitos do contribuinte perante a Fazenda Pública da União, dispensando, para tanto, a exigência da desistência da execução Fl. 700DF CARF MF 12 do titulo judicial e a assunção das custas, inclusive dos honorários na ação judicial n° 94.12010982. 2. Dêse ciência deste despacho ao interessado." Em contradição, há nos autos o despacho decisório de fls. 604 que não homologou as Dcomps somente em razão de entender ter ocorrido a prescrição do direito de solicitação do contribuinte, sem tratar do mérito ou dos cálculos ou do cumprimento ou não da decisão judicial. E há nos autos o Acórdão da DRJ/RS de fls. 648 que, sem qualquer menção ao anterior e citado despacho de fls 499, afirma ser impossível a interpretação da determinação judicial por parte do contribuinte (partindo da premissa de que as decisões judiciais limitaram a compensação com Cofins) e trata do transcurso do prazo prescricional para que o contribuinte exerça o direito de compensação. Ora, além de haver autorização expressa pela autoridade de origem para a compensação com os demais tributos administrados pela Receita Federal, o CSLL é tributo da mesma espécie que o Finsocial e poderia ser considerado no cálculo, em razão do despacho de fls. 499 e em razão das decisões judiciais. Ao menos, tanto o despacho decisório de fls.604 quanto a DRJ deveriam ter tratado do despacho de fls. 499, mas assim não procederam. E por fim, o despacho de fls. 300 que deferiu parcialmente a solicitação, impedindo a compensação com tributos do Simples Nacional, permaneceu equivocadamente inalterado. Diante de todo o exposto, votase para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para afastar a decadência e devolver os autos a DRJ/RS para a análise de mérito. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator – Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 701DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.733206/2012-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO CRÉDITO JÁ INDEFERIDO. PROCEDÊNCIA.
Constatada a utilização de créditos já indeferidos anteriormente em compensação contra norma de vedação do art. 74, da Lei nº 9.430/96, é de se manter o lançamento de multa isolada em relação aos débitos indevidamente compensados.
MULTA QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE INTUITO DE FRAUDE.
Mantém-se a qualificação da multa quando constatada a ocorrência de ação, caracterizada como fraude, visando à redução do montante devido.
SUJEIÇÃO PASSIVA DOS SÓCIOS.
Não sendo possível confirmar que um dos sócios não participou dos atos de compensação indevida, há de se manter a responsabilidade solidária em relação a todos os sócios.
Numero da decisão: 1401-001.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso da empresa; Por unanimidade NEGAR provimento aos recursos dos sócios-gerentes José Luiz Correa da Silva Júnior e, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso de Carlos Alberto Pinto do Amaral, MANTENDO assim as responsabilidades solidárias dos respectivos sócios. Vencida a Conselheira Lívia De Carli Germano que retirava a responsabilidade tributária do sócio-gerente Carlos Alberto Pinto do Amaral. A conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin declarou-se impedida de votar.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente
(assinado digitalmente)
ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), José Roberto Adelino da Silva. A conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin declarou-se impedida de votar.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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COMPENSAÇÃO CRÉDITO JÁ INDEFERIDO. PROCEDÊNCIA. Constatada a utilização de créditos já indeferidos anteriormente em compensação contra norma de vedação do art. 74, da Lei nº 9.430/96, é de se manter o lançamento de multa isolada em relação aos débitos indevidamente compensados. MULTA QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE INTUITO DE FRAUDE. Mantémse a qualificação da multa quando constatada a ocorrência de ação, caracterizada como fraude, visando à redução do montante devido. SUJEIÇÃO PASSIVA DOS SÓCIOS. Não sendo possível confirmar que um dos sócios não participou dos atos de compensação indevida, há de se manter a responsabilidade solidária em relação a todos os sócios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso da empresa; Por unanimidade NEGAR provimento aos recursos dos sóciosgerentes José Luiz Correa da Silva Júnior e, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso de Carlos Alberto Pinto do Amaral, MANTENDO assim as responsabilidades solidárias dos respectivos sócios. Vencida a Conselheira Lívia De Carli Germano que retirava a responsabilidade tributária do sóciogerente Carlos Alberto Pinto do Amaral. A conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin declarouse impedida de votar. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 32 06 /2 01 2- 35 Fl. 552DF CARF MF 2 ANTONIO BEZERRA NETO Presidente (assinado digitalmente) ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), José Roberto Adelino da Silva. A conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin declarouse impedida de votar. Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da decisão de Piso sobre o caso: Fl. 553DF CARF MF Processo nº 11080.733206/201235 Acórdão n.º 1401001.831 S1C4T1 Fl. 553 3 Fl. 554DF CARF MF 4 Fl. 555DF CARF MF Processo nº 11080.733206/201235 Acórdão n.º 1401001.831 S1C4T1 Fl. 554 5 Fl. 556DF CARF MF 6 Da análise pela DRJ/Porto Alegre, resultou a seguinte decisão: Fl. 557DF CARF MF Processo nº 11080.733206/201235 Acórdão n.º 1401001.831 S1C4T1 Fl. 555 7 Após a ciência ao contribuinte e aos responsáveis solidários foi apresentado recurso voluntário pelo responsável CARLOS ALBERTO PINTO DO AMARAL, fls. 511/521, e por parte da empresa, fls. 526/546. Essas são, em síntese, as alegações recursais: Recurso do responsável CARLOS ALBERTO: 1) Que não tem nenhuma participação na apresentação da compensação com o crédito fictício, pois não participava da administração da sociedade e que ficou claro, pela própria fiscalização, que o sócio JOSÉ LUIZ CORREA DA SILVA JUNIOR foi o responsável pelo preenchimento e transmissão do PER/DCOMP; 2) Que está judicialmente se desligando da sociedade por meio do Processo Judicial nº 11202257461 tramitando na 2ª Vara Cível de Porto Alegre. Alega que no processo cível resta claro que o único responsável pelos atos administrativos da empresa era o sócio JOSÉ LUIZ CORREA; 3) Alega ainda que não restou provado que a houve ação ou omissão dolosa para fins de agravamento da multa aplicada, devendo, portanto ser reduzida a multa aplicada para o percentual de 75%; Recurso Voluntário da Empresa: 1) Alega a nulidade do auto em razão da não notificação do responsável solidário JOSÉ LUIZ CORREA DA SILVA JUNIOR para a apresentação da impugnação, havendo apenas um AR juntado que não foi recebido; 2) No mérito, que não houve a comprovação da inserção de informações falsas nos PER/DCOMP pois não houve a descrição devida dos elementos que caracterizaram a infração, assim não poderia subsistir a aplicação da multa isolada quando já incidente a multa de mora sobre os débitos compensados; 3) Que deve ser reduzido o percentual da multa aplicada para 50% em função das alterações legislativas posteriores que modificaram o percentual da imposição penal; 4) Descabimento da multa aplicada por seu caráter confiscatório. É o relatório Fl. 558DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator No caso em análise as compensações foram consideradas não declaradas em razão de terem sido baseadas em crédito já analisado e inexistente. O contribuinte havia apresentado compensações baseadas em pretensos créditos de pagamento indevido onde apenas foi reconhecido o valor de R$ 12,35. Após a ciência dos despachos decisórios que indeferiram as compensações o contribuinte voltou a apresentar novas compensações baseadas no mesmo crédito. Assim, elas foram consideradas não declaradas por meio do despacho decisório de fls. 316/321, em razão da apresentação de PER/DCOMP utilizando o crédito já indeferido anteriormente, na forma do art. 34, § 3º, XIV, da IN SRF nº 900/2008. Na referida decisão, com base no dispositivo legal já referido, as compensações foram consideradas não declaradas. Não havendo qualquer dúvida quanto a este fato. Assim, o lançamento de multa isolada aplicou a norma do art. 18, caput e § 2º, da lei nº 10.833/2003, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007, conforme abaixo: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ........................ § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Nulidade Pela falta de Intimação do Sócio José Luiz Correa da Silva Junior Em relação a esta alegação, ao contrário do que informa a empresa em seu recurso voluntário, existe sim a prova da ciência do auto de infração por parte do sócio Fl. 559DF CARF MF Processo nº 11080.733206/201235 Acórdão n.º 1401001.831 S1C4T1 Fl. 556 9 José Luiz Correa da Silva Junior. Às fls. 357/358 deste processo consta o Aviso de Recebimento dirigido ao endereço do cadastrado de CPF do referido sócio que foi recebido no dia 19/12/2012 por Elaine Vianna. Tal aviso de recebimento é prova suficiente do recebimento da autuação razão pela qual improcede a alegação da empresa e deve ser negado o pedido de preliminar de nulidade quanto a este ponto. Inexistência de Responsabilidade do Sócio CARLOS ALBERTO PINTO DO AMARAL Quanto às alegações do sócio Carlos Alberto Pinto do Amaral de que não deveria ser responsabilizado solidariamente pelos débitos em função de não ser o responsável direto pela administração da sociedade e, ainda, por ter ingressado com ação judicial de desligamento societário, não podemos excluir a sua responsabilidade sobre os créditos tributários. A sua responsabilidade decorre do próprio contrato social da empresa onde o mesmo consta como um dos administradores da sociedade, donde, exercendo tal função lhe cabia o poder/dever de zelar pelo bom andamento da mesma e pelo atendimento às normas legais. Acrescentese a isso o fato de que o vultoso montante dos créditos tributários envolvidos nas compensações, demonstram que a empresa, no período compreendido entre 2008 e 2009 deixou de pagar mais de nove milhões em tributos e, mais ainda, teve indeferido inúmeros pedidos de compensação, todos eles devidamente intimados à empresa. Desta forma não é possível crerse que, apesar de não exercer o papel principal na administração da empresa, o sócio não tivesse qualquer percepção acerca do montante de tributos não pagos, nem ao mesmo percebesse as inúmeras intimações dirigidas pela Receita Federal à empresa ou procurasse conhecer o seu conteúdo. Por tal razão, deve ser mantida a responsabilização do referido sócio quanto aos créditos tributários do presente processo. Da Inexistência de Comprovação da Falsidade e Necessidade de Redução para 75% Os dois recursos apresentados alegam inexistir a comprovação da falsidade na apresentação das declarações de compensação e, por isso, requerem a redução da multa para 75%. Não procedem tais alegações quando se consultam os itens 3 e 4 do termo de Constatação e Sujeição Passiva de fls. 340/344. Nestes resta claro que o contribuinte, mesmo após ter sido cientificado de que o crédito de pagamento indevido de IPI montava apenas em R$ 12,35 e, após o seu indeferimento, não ter apresentado qualquer recurso contra os despachos decisórios das compensações, continuou a apresentar novos PER/DCOMP com o mesmo crédito. Fl. 560DF CARF MF 10 Demonstrase a falsidade na apresentação das declarações no momento em que o contribuinte, já ciente de que não existia o pretenso crédito pleiteado, continuou a apresentar declarações de compensação, neste caso apenas com o intuito de postergar o pagamento do tributo, haja vista que o PER/DCOMP é apresentado como forma de extinção dos créditos tributários do sujeito passivo. Não se pode escusar o contribuinte quanto ao cometimento de inserir informações falsas nos PER/DCOMP quando o mesmo, claramente, já tinha conhecimento de que os créditos não existiam, haja vista ter sido cientificado dos despachos decisórios denegatórios das compensações. Mister informar, ainda, que a multa isolada foi aplicada apenas em relação às compensações que foram apresentadas APÓS a ciência dos despachos decisórios que informaram ser inexistentes os créditos tributários utilizados nos PER/DCOMP iniciais. Desta forma, não resta dúvida da prática de ação comissiva no sentido de retardar o pagamento dos tributos regularmente devidos, razão pela qual deve ser mantido o lançamento de multa isolada baseada na norma do art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/2003, quanto aos débitos indevidamente compensados, baseados em créditos cuja inexistência era de conhecimento prévio da empresa. Necessidade de Redução do Percentual de Multa para 50% em Função de Alterações legislativas Posteriores Apresenta o contribuinte diversas alterações legislativas que pretendem demonstrar que é necessária a redução do percentual de aplicação de multa isolada de 150% para 50%. Ocorre, no entanto, que o atual percentual de 50% é aplicável apenas aos casos de compensação não homologada. Ocorre que, no caso em tela, não ocorre a simples não homologação da compensação. O que gerou o lançamento da multa isolada foi o fato de as declarações terem sido consideradas não declaradas por terem utilizados créditos já indeferidos anteriormente. Mais ainda, no presente caso, onde, restando comprovada a falsidade na apresentação da informação do crédito, foi aplicada a multa isolada no percentual de 150%, baseada no art. 18, caput, e parágrafo 2º, da lei nº 10.833/2003. Desta forma, entendo não assistir razão à empresa quanto a possibilidade de redução da multa aplicada, devendo ser mantido o percentual de 150% aplicado originalmente. Do Descabimento da Multa Pelo Efeito Confiscatório Quanto ao questionamento do contribuinte acerca dos efeitos confiscatórios da Multa Isolada lançada, devemos considerar que a aplicação da penalidade decorre da estrita obediência da autoridade às normas impositivas da legislação tributária. A consideração acerca de analisar se o percentual de aplicação de uma multa representa ou não efeitos confiscatórios descabe na esfera de julgamento administrativo, conforme leciona a Súmula nº 02 do CARF, abaixo transcrita: Fl. 561DF CARF MF Processo nº 11080.733206/201235 Acórdão n.º 1401001.831 S1C4T1 Fl. 557 11 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, quanto à alegação de efeitos confiscatórios não estão estes caracterizados, posto que o percentual aplicado no cálculo da multa de 150% sobre o valor dos créditos tributários objeto de compensação considerada não declarada, está estabelecido pelas normas do art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não podendo este Conselho insurgirse contra uma norma regularmente instituída pelo Devido Processo Legislativo. CONCLUSÃO Assim, por todo o exposto nesta análise, VOTO no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade pela não intimação do sócio José Luiz Correa da silva Junior, Rejeitar o pedido de exclusão da responsabilidade solidária do sócio Carlos Alberto Pinto do Amaral e, no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário da empresa e negar provimento ao recurso do CARLOS AMARAL e manter integralmente o lançamento realizado. Abel Nunes de Oliveira Neto Fl. 562DF CARF MF
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