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Numero do processo: 11020.914926/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO CONSTATADO EM DILIGÊNCIA.
Deve ser reconhecido o direito creditório quando a autoridade fiscal, durante diligência, constatar a existência do crédito.
Numero da decisão: 3401-002.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
1.0 = *:*
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CRÉDITO CONSTATADO EM DILIGÊNCIA. Deve ser reconhecido o direito creditório quando a autoridade fiscal, durante diligência, constatar a existência do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 49 26 /2 00 9- 17 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de COFINS supostamente recolhido a maior em 15/12/2005, referente ao período de novembro de 2005 (fls.01/05). A delegacia de origem negou o ressarcimento em razão de o crédito localizado ter sido utilizado para quitação de outros débitos (fl.06). A DRJ em Belém/PA manteve o indeferimento (fls.31/34). A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 11/03/2011 (fl.36) e interpôs recurso voluntário em 11/04/2011 (fls.39/59). O recurso voluntário foi apreciado pela primeira vez por esta Turma Julgadora sob a relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis (fls.121/123). Na ocasião, constatouse que o crédito não foi localizado em razão de diversas DCTFs retificadoras apresentadas pela Recorrente. Por isso, o julgamento foi convertido em diligência para que fosse analisada qual a DCTF retificadora é válida e se existe crédito em favor da Contribuinte. O resultado da diligência está presente nas fls. 130/133. Apesar de cientificada, a Recorrente não se manifestou quanto ao resultado da diligência. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Em diligência, após analisar a documentação fiscal da Contribuinte e as DCTF retificadoras apresentadas, a autoridade fiscal concluiu que a retificação válida foi a última apresenta, cuja transmissão ocorreu em 10/06/2009 e que essa retificação está correta, de modo a restar um crédito em favor da Recorrente no montante de R$ 21.782,97. O crédito localizado na diligência tem exatamente o mesmo valor pleiteado pela Recorrente. Portanto, deve ser reconhecido o direito creditório. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto para reformar o acórdão da DRJ e reconhecer o direito creditório pleiteado, bem como homologar a compensação apresentada até o limite do crédito. É como voto. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 11020.914926/200917 Acórdão n.º 3401002.849 S3C4T1 Fl. 141 3 Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 142DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000818/2001-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI.
Somente são suscetíveis do benefício de crédito presumido de IPI os gastos com produtos que se revestem da condição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, e que integrem o processo produtivo.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, que dava provimento parcial. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan Allegretti (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Somente são suscetíveis do benefício de crédito presumido de IPI os gastos com produtos que se revestem da condição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, e que integrem o processo produtivo. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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Somente são suscetíveis do benefício de crédito presumido de IPI os gastos com produtos que se revestem da condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, e que integrem o processo produtivo. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, que dava provimento parcial. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan Allegretti (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 08 18 /2 00 1- 86 Fl. 541DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 2 convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Relatório Cuidase de recurso especial de divergência fundado no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, contra acórdão que negou provimento ao recurso, nos seguintes termos: Relator: Gileno Gurjão Barreto Redator Designado: Maurício Taveira e Silva Acórdão: 20179.852 CRÉDITOS SOBRE AQUISIÇÕES DE INSUMOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo Simples não ensejam aos adquirentes direito à fruição de crédito de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS NÃO ADMITIDOS NO CÁLCULO. Não são suscetíveis do benefício de crédito presumido de IPI os gastos com produtos de limpeza e condicionamento das caldeiras, pois, embora sendo utilizados pelo estabelecimento industrial, não se revestem da condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, posto que sequer entram em contato direto com o produto fabricado. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito. O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior. Recurso negado. Foi negado seguimento ao Recurso Especial que, após a apresentação do agravou foi admitido somente em relação ao direito ao crédito presumido do IPI nas aquisições de produtos de limpeza e produtos químicos. É o relatório. Voto A matéria devolvida ao Colegiado cingese no aproveitamento do crédito presumido de IPI nas aquisições produtos de limpeza e produtos químicos. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 13971.000818/200186 Acórdão n.º 9303002.928 CSRFT3 Fl. 483 3 O contribuinte acima qualificado, em seu Recurso Especial, pugna pela inclusão do IPI incidente nas aquisições de produtos utilizados nas caldeiras (limpeza e anticorrosivos), no controle da umidade do sistema de climatização do parque industrial e partes e peças de máquinas, enquanto produtos intermediários. Discorre também sobre a indispensabilidade desses insumos. Em relação aos produtos citados acima, não podem dar direito ao crédito por não se enquadrarem nos conceitos de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem. A legislação do IPI é restritiva. Somente são considerados insumos os produtos "utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à revenda", assim entendidos como "as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação". Esses produtos de limpeza e produtos químicos não se incorporam ou sofrem desgaste, dano ou perda das propriedades físicas pelo contato com o produto em fabricação. Assim, para fins de apuração do crédito presumido de IPI, não há como se conceder o benefício em relação aos materiais ora analisados. Pelo exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 543DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.008948/2007-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/10/2006
IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA.
As entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91.
Embargos Acolhidos
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em acolher os Embargos de Declaração e negar provimento ao Recurso Voluntário, já que a isenção patronal foi legitimamente cancelada e no período lançado, a entidade ostentava as mesmas obrigações das empresas não isentas, devendo recolher não só as contribuições descontadas dos segurados que lhe prestarem serviços (empregados e contribuintes individuais), mas também as contribuições patronais incidentes sobre a folha de salários.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2002 a 31/10/2006 IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA. As entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em acolher os Embargos de Declaração e negar provimento ao Recurso Voluntário, já que a isenção patronal foi legitimamente cancelada e no período lançado, a entidade ostentava as mesmas obrigações das empresas não isentas, devendo recolher não só as contribuições descontadas dos segurados que lhe prestarem serviços (empregados e contribuintes individuais), mas também as contribuições patronais incidentes sobre a folha de salários. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA. As entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em acolher os Embargos de Declaração e negar provimento ao Recurso Voluntário, já que a isenção patronal foi legitimamente cancelada e no período lançado, a entidade ostentava as mesmas obrigações das empresas não isentas, devendo recolher não só as contribuições descontadas dos segurados que lhe prestarem serviços (empregados e contribuintes individuais), mas também as contribuições patronais incidentes sobre a folha de salários. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 89 48 /2 00 7- 55 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10980.008948/200755 Acórdão n.º 2302003.654 S2C3T2 Fl. 267 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, a fls. 202/203, opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, em face do acórdão nº 230201.400, a fls. 201/203, proferido em 27 de outubro de 2011 pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção de Julgamento, por meio do qual, decidiuse, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão da recorrente ter firmado LDC e, conseqüentemente, ter desistido do recurso voluntário anteriormente interposto. Segundo a Embargante, os documentos que deram supedâneo à conclusão da Turma de Julgamento não se referem ao processo em destaque, não importando, assim, em desistência do recurso. Com efeito, a NFLD de que tratam os autos foi lavrada em 13/12/2006 e corresponde à parte patronal da contribuição previdenciária devida, enquanto que o pedido de parcelamento foi efetuado antes mesmo da lavratura, mais precisamente em 30/11/2006, e se refere a débitos lavrados anteriormente à constituição da presente NFLD e correspondentes à contribuição devida pelos segurados descontada pelo Hospital e não repassada ao INSS, o que motivou o Ato Cancelatório de Isenção. Somente após o cancelamento da isenção, em outro procedimento fiscal, é que foram levantados, na NFLD em pauta, os valores de cota patronal que passaram a ser devidos. Notese ainda que, na mesma ocasião foi lavrado outro Lançamento de Débito Confessado (LDC n° 37.036.2519), também correspondente à contribuição descontada dos segurados empregados e igualmente incluído no parcelamento já referido. Por tais razões, os Embargos foram acolhidos para que a Turma Julgadora deliberasse sobre a contradição apontada, que levou à própria omissão na apreciação do mérito recursal (artigos 65 e 66 do RICARF) e, sendo o caso, avançasse na análise do mérito recursal. É o relatório. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Embargos. Omissão do Julgamento. Análise do Mérito. Quanto aos embargos de declaração, entendo que o acolhimento dos mesmos leva ao reconhecimento de que houve omissão na apreciação do mérito recursal (artigos 65 e 66 do RICARF) e, consequentemente, a Turma deve avançar na análise do mérito recursal. Sendo assim, superado o não conhecimento do recurso voluntário, passase a analisar as razões recursais (fls 233 e seguintes). Isenção/Imunidade. Descumprimento do art. 55 da Lei n° 8.212/91. Existência de Dívida. Posterior Parcelamento. Alega a recorrente que foram constatadas divergências entre os valores declarados em GFIP e os recolhimentos, referentemente ao período de 06/2002 a 04/2003. Como estaria descumprindo um dos requisitos para o gozo da isenção (art. 55 da Lei n° 8.212/91), foi emitido o Ato Cancelatório 14401/001/2004, o qual foi mantido mesmo após recurso da recorrente ao Conselho de Recursos da Previdência Social (processo 35183.005374/200437). Face ao resultado na instância administrativa, a recorrente impetrou mandado de segurança buscando o reconhecimento de que o valor exigido não permitiria a expedição do Ato Cancelatório. Ocorre que, com a publicação da Lei n° 11.345/2006, foi permitido o parcelamento de débitos como aqueles que geraram a emissão do Ato Cancelatório. Assim, ingressou com pedido de parcelamento da dívida, caindo por terra o único fundamento do Ato Cancelatório. Não há qualquer viso de lógica e juridicidade na argumentação da recorrente, pois o fato de ter parcelado a dívida que ensejou o cancelamento da isenção não tem o condão de retirar a legitimidade do Ato Cancelatório, que foi regularmente emitido enquanto a recorrente esteve em débito, tanto que mantido por toda as instâncias administrativas. Se a mora somente pode ser atribuída à recorrente, esta tem que arcar com todas as suas conseqüências, inclusive a perda da isenção. Assim dispunha o Regulamento da Previdência Social (aprovado pelo Decreto n° 3.048/99) à época dos fatos geradores: Art. 206. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 201, 202 e 204 a pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: (...) VII esteja em situação regular em relação às contribuições sociais. (Incluído pelo Decreto n°4.032, de 2001) (...) Fl. 269DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10980.008948/200755 Acórdão n.º 2302003.654 S2C3T2 Fl. 268 5 § 7° O Instituto Nacional do Seguro Social verificará, periodicamente, se a pessoa jurídica de direito privado beneficente continua atendendo aos requisitos de que trata este artigo. § 8° O Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos, observado o seguinte procedimento: (...) § 12. A existência de débito em nome da requerente, observado o disposto no § 13, constitui motivo para o cancelamento da isenção, com efeitos a contar do primeiro dia do segundo mês subseqüente àquele em que a entidade se tornou devedora de contribuição social. (Incluído pelo Decreto n°4.032, de 2001) § 13. Considerase entidade em débito, para os efeitos do § 12 deste artigo e do § 39 do art. 208, quando contra ela constar crédito da seguridade social exigível, decorrente de obrigação assumida como contribuinte ou responsável, constituído por meio de notificação fiscal de lançamento, autodeinfração, confissão ou declaração, assim entendido, também, o que tenha sido objeto de informação na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. (Incluído pelo Decreto n° 4.032, de 2001) (...) Art. 208. A pessoa jurídica de direito privado deve requerer o reconhecimento da isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social, em formulário próprio, juntando os seguintes documentos. (...) § 1° O Instituto Nacional do Seguro Social decidirá sobre o pedido no prazo de trinta dias contados da data do protocolo. § 2° Deferido o pedido, o Instituto Nacional do Seguro Social expedirá Ato Declaratório e comunicará à pessoa jurídica requerente a decisão sobre o pedido de reconhecimento do direito à isenção, que gerará efeito a partir da data do seu protocolo. § 3° A existência de débito em nome da requerente constitui impedimento ao deferimento do pedido até que seja regularizada a situação da entidade requerente, hipótese em que a decisão concessória da isenção produzirá efeitos a partir do 1 2 dia do mês em que for comprovada a regularização da situação. (...) Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social Fl. 270DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: § 4° A pessoa jurídica de direito privado beneficiada pela isenção de que tratam os arts. 206 ou 207 é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado empregado e do trabalhador avulso a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e recolhêla no prazo referido na alínea "b" do inciso I. Como visto, uma vez legitimamente cancelada a isenção, a entidade somente voltaria a gozar do benefício caso regularizasse a sua situação e, posteriormente, requeresse o reconhecimento da isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social. Destarte, no período em comento, a entidade ostentava as mesmas obrigações das empresas não isentas, devendo recolher não só as contribuições descontadas dos segurados que lhe prestarem serviços (empregados e contribuintes individuais), mas também as contribuições patronais incidentes sobre a folha de salários. Pelas razões ora expendidas, voto por acolher os Embargos de Declaração, para negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) RELATOR ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 271DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 13501.000218/99-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999
Declaração de Compensação. IRRF. Aplicações Financeiras. Receitas. Oferecimento à Tributação.
Somente admite-se, para efeito de constituição de saldo negativo de Imposto de Renda, a utilização do valor do imposto pago ou retido na fonte, desde que apresentados comprovantes da retenção e comprovado o oferecimento, à tributação, dos rendimentos sobre os quais incidiram o imposto de renda na fonte.
Numero da decisão: 1101-001.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) Relativamente ao saldo negativo do ano-calendário 1997, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso; 2) relativamente ao saldo negativo do ano-calendário 1998, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso; 3) relativamente ao saldo negativo do ano-calendário 1999, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fez sustentação oral o patrono da recorrente, Dra. Joselene Toledano Almagro Poliszezuk (OAB/SP nº 182.338).
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
PAULO MATEUS CICCONE - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antonio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997, 1998, 1999 Declaração de Compensação. IRRF. Aplicações Financeiras. Receitas. Oferecimento à Tributação. Somente admite-se, para efeito de constituição de saldo negativo de Imposto de Renda, a utilização do valor do imposto pago ou retido na fonte, desde que apresentados comprovantes da retenção e comprovado o oferecimento, à tributação, dos rendimentos sobre os quais incidiram o imposto de renda na fonte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997, 1998, 1999 Direito creditório. Restituição. Compensação. A contribuinte tem o ônus de provar o direito creditório alegado sob pena de não homologação da compensação realizada. As alegações oferecidas desacompanhadas de provas que as sustentem não têm o condão de macular a decisão administrativa questionada, a qual se pautou em declarações ofertadas pela própria interessada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999 Declaração de Compensação. IRRF. Aplicações Financeiras. Receitas. Oferecimento à Tributação. Somente admitese, para efeito de constituição de saldo negativo de Imposto de Renda, a utilização do valor do imposto pago ou retido na fonte, desde que apresentados comprovantes da retenção e comprovado o oferecimento, à tributação, dos rendimentos sobre os quais incidiram o imposto de renda na fonte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) Relativamente ao saldo negativo do anocalendário 1997, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso; 2) relativamente ao saldo negativo do anocalendário 1998, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso; 3) relativamente ao saldo negativo do anocalendário 1999, por unanimidade de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 1. 00 02 18 /9 9- 32 Fl. 636DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13501.000218/9932 Acórdão n.º 1101001.275 S1C1T1 Fl. 3 2 votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fez sustentação oral o patrono da recorrente, Dra. Joselene Toledano Almagro Poliszezuk (OAB/SP nº 182.338). (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antonio Lisboa Cardoso. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13501.000218/9932 Acórdão n.º 1101001.275 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório PRIMO SCHINCARIOL INDÚSTRIA DE CERVEJAS E REFRIGERANTES DO NORDESTE S.A., já qualificada nos autos, recorre a este Conselho do Acórdão proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador – BA, que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a manifestação de inconformidade apresentada em relação a pedido de restituição/compensação formalizado em 28 de outubro de 1999 (indébito tributário saldo negativo do IRPJ), em decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999 IRRF. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS. OFERECIMENTO A TRIBUTAÇÃO. Para que o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre aplicações financeiras seja admitido como integrante do saldo negativo do IRPJ, deverá a contribuinte demonstrar que as receitas correspondentes foram oferecidas A. tributação, quer no próprio anocalendário quer em anteriores. DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Para o reconhecimento de alegado direito creditório oriundo de retenções efetuadas por terceiros objeto de pedido de restituição e de compensação, a pessoa jurídica deverá demonstrar para a repartição competente, além do oferecimento à tributação da correspondente receita, sua efetiva existência com comprovantes emitidos pelas fontes pagadoras dos rendimentos. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Tem a administração tributária o prazo de 05 (cinco) anos, contados da data do pedido de compensação para se pronunciar sobre o mesmo. Ultrapassado este prazo, sem que haja pronunciamento, considerase homologada tacitamente a compensação. Solicitação Deferida em Parte Por bem resumir a celeuma, reproduzem excertos do relatório e do voto condutor do Acórdão recorrido (fls. 578/587)1: Relatório “Trata o presente processo de pedido de restituição/compensação de indébito tributário relativo a saldo negativo do IRPJ, formalizado em 28 de outubro de 1999. 1 A numeração é do processo digitalizado. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13501.000218/9932 Acórdão n.º 1101001.275 S1C1T1 Fl. 5 4 Informase no processo que a empresa teria saldo negativo do IRPJ, conforme segue: Com referidos indébitos a contribuinte pretende ver homologada a compensação de débitos seus conforme demonstrativo seguinte: Após análise do referido pedido a DRF Camaçari, a vista do Parecer DRF/CCl/SAORT N° 183/2006, via Despacho Decisório DRF/CCI N° 0183/2006 (fls. nos. 489 e 490), defere parcialmente o pedido reconhecendo o direito creditório do contribuinte até o valor original de R$ 874.594,96, homologando a compensação até este limite, e nega o direito credit6rio do valor de R$ 1.096.494,18, como segue: Observese, também, que a Contribuinte, originalmente, em seus pedidos de compensação, requereu a quitação de débitos no montante original de R$ 1.184.708,92, sendo que o SEORT homologou a compensação tãosó do valor de R$ 887.341,83 (débito); e, para tanto, Fl. 639DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13501.000218/9932 Acórdão n.º 1101001.275 S1C1T1 Fl. 6 5 reconheceu o direito creditório de R$ 874.594,96, em valores originais, restando de débito da Contribuinte, objeto do pedido de compensação o valor de R$ 297.367,09 (R$ 1.184.708,92 — R$ 887.341,83), sendo esta diferença, também, objeto da lide, uma vez que na Manifestação de Inconformidade, a Interessada visa reformar o Despacho Decisório para que seja complementado o seu pedido original, tanto no que diz respeito ao alegado direito creditório, quanto à pretendida compensação”. (...) Voto AnoCalendário de 1997 “Alega o contribuinte que ao apresentar planilha relacionando os valores que compuseram a receita informada na DIPJ, deixou de esclarecer que os bancos utilizamse do regime de caixa para informar os rendimentos obtidos por seus clientes enquanto que a signatária ao informar suas receitas financeiras o faz pelo regime de competência. É sabido de todos que em se tratando de aplicações financeiras, são estas efetuadas de maneira que, na maioria das vezes ultrapassam o ano em que foram iniciadas e, em obediência ao principio de competência está a empresa obrigada a reconhecer as receitas antes que ocorra o resgate anos após, momento em que as instituições financeiras efetuam a retenção do imposto de renda e apresentam a DIRF informando o total das receitas auferidas pela empresa e o respectivo IRRF. Instada a compor as receitas financeiras que declarara no ano calendário em causa e explicar a diferença no confronto com a DIRF, a Impugnante simplesmente confirma que seus rendimentos financeiros no período foram àqueles constantes de sua DIPJ, não se dando ao trabalho de explicar a autoridade administrativa que receitas relativas àquelas retenções do IRRF que compunham o indébito tributário tiveram as respectivas receitas tributadas em anocalendário anterior. Em face do tal omissão teve a Impugnante ajustado o saldo negativo do IRPJ e, neste momento, na apresentação da Manifestação de Inconformidade, vem apenas trazer em seu favor o que todos sabem. Que as receitas decorrentes de aplicação financeira são contabilizadas atendendo ao regime de competência enquanto a retenção do IR só acontece no resgate”. (...) “Conforme se pode observar no presente caso, a Impugnante cingese em afirmar que o restante foi tributado em anos anteriores, conforme se verifica através do livro Razão cuja cópia segue anexo e que, portanto tem direito a utilizarse integralmente da retenção do IRRF. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13501.000218/9932 Acórdão n.º 1101001.275 S1C1T1 Fl. 7 6 Compulsamos cautelosamente as folhas do livro Razão a que se refere a Impugnante, fls. 516/551 e constatamos tratarem tais folhas do referido livro contábil de registros alusivos ao anocalendário de 1997, ou seja, o anocalendário em que se discute a possibilidade de omissão de contabilização dos rendimentos. Ora, para fazer valer os seus argumentos, a Impugnante deveria ter trazido aos autos as folhas dos livros Razão relativo aos anos calendário anteriores, em que alega haver contabilizado tais receitas financeiras. Desta maneira, fica demonstrada a desídia da Impugnante em provar a contabilização das receitas, se é que o fez, justificandose plenamente a glosa do respectivo imposto de renda retido na fonte”. ESTIMATIVAS “Ainda com relação ao anocalendário de 1997, agora com referencia a não confirmação das estimativas, informa a Impugnante que tal divergência decorre da limitação estabelecida no parecer para o anocalendário que reduziu o valor do IRRF de R$ 262.050,37 para R$ 188.496,50, conseqüentemente impondo uma redução do imposto pago por estimativa de R$ 278.471,98 para R$ 204.775,12. Complementa que ficou provado que ela tem o direito de utilizar integralmente o IRRF, não podendo persistir tal limitação. A limitação de que fala a Impugnante não é outra senão a que acabamos de analisar no item precedente em que não ficou provado pelo contribuinte que rendimentos de aplicações financeiras foram tributados em anoscalendário anteriores, sendo mantida a glosa do IRRF. Destarte, para o presente item, considerandose não comprovada a contabilização das receitas de aplicações financeiras, ha que se manter a glosa das estimativas que deveriam ser absorvidas pelo IRRF referente Aquelas receitas não comprovadamente oferecidas à tributação”. Anocalendário de 1998 ESTIMATIVA “Do valor de R$ 921.824,88 informados pelo contribuinte na Ficha 13, linha 16, imposto de renda pago por estimativa foi apenas confirmado como pago ou compensado o montante de R$ 750.863,08. Afirma que tal fato é decorrente da glosa do IRRF relativo ao anocalendário de 1997, que foi julgado inexistente pelo Delegado da Receita Federal de Camaçari, conforme anteriormente exposto e que não merece acolhida a pretensão exposta da decisão recorrida. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13501.000218/9932 Acórdão n.º 1101001.275 S1C1T1 Fl. 8 7 Também aqui, quer a Impugnante se referir à glosa do IRRF referente ao anocalendário de 1997, quando não ficou comprovada a entrega à tributação de rendimentos de aplicações financeiras. Deste modo há que se manter o entendimento do Despacho Decisório”. AnoCalendário de 1999 “Alega a Impugnante que ao elaborar planilha em atendimento a intimação fiscal deixou de relacionar algumas retenções, o que fez o Fisco ser induzido a erro entendendo que o pedido de compensação foi apenas de R$ 1.625.551,91. Acusa a juntada de planilha para demonstrar que as retenções sofridas no anocalendário de 1999 totalizam R$ 1.655.599,88. Junta como comprovação folhas do livro razão. Observamos que a fl. 515 existe uma planilha, elaborada pela própria Impugnante, de onde consta o valor de R$ 1.655.599,88 de IRRF. A meu ver, não é tal planilha documento hábil para comprovar que houve retenção do IRRF da Impugnante, tal prova somente merece fé partindo da fonte retentora ou demonstrada a efetiva contabilização e tributação das receitas correspondentes. As folhas do livro Razão apresentadas referemse a 1997, enquanto as alegadas retenções referemse ao anocalendário de 1999. Ainda, neste particular, mantenho o entendimento do Despacho Decisório. Desta forma, há que se manter todas as glosas efetuadas no parecer que lastreou o Despacho Decisório contestado. Entretanto, conforme informado acima, o processo em apreciação foi protocolizado 28 de outubro de 1999, sendo que posteriormente foram apresentados outros pedidos de compensação cuja data final se dá em 30 de agosto de 2000, conforme fl. 49. Entre a última data em que o contribuinte apresentou pedido de compensação (30/08/2000) e a data da ciência do despacho decisório (16/11/2006 AR fl.494) já havia transcorrido mais de 05 (cinco) anos. Observase, por outro lado, que foi o despacho decisório expedido à margem das normas procedimentais, mais precisamente da Solução de Consulta n° 01, de 04 de janeiro de 2006”. (...) “No presente caso tendo ocorrido a protocolização do pedido nas datas acima mencionadas, e não tendo ocorrido a desistência por Fl. 642DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13501.000218/9932 Acórdão n.º 1101001.275 S1C1T1 Fl. 9 8 parte da requerente, considerase automaticamente convertido em declaração de compensação e sujeito a contagem do prazo previsto para pronunciamento da autoridade da SRF, bem como a observância das orientações emanadas da Solução de Consulta em apreço. Portanto, em que pese não tenha sido a Interessada alertada para tal situação, por força do artigo 74, § 5°, da Lei 9.430, de 1996, estão alcançados pela homologação tácita a compensação até o valor do débito em litígio, no montante de R$ 297.367,09, ora objeto da presente Manifestação de Inconformidade, sendo nosso dever declarála de oficio. Por todo o exposto VOTO no sentido de DEFERIR EM PARTE a solicitação contida na manifestação de inconformidade, para DECLARAR que estão alcançados pela homologação tácita os débitos objeto da compensação, no montante de RS 297.367,09”. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada da decisão de primeira instância em 12/03/2009 (cf. “AR” fls. 589), a contribuinte interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 591/601, no qual, basicamente, reprisa os argumentos apresentados na impugnação, acrescidos de outros dados com os quais visa obter provimento do pleito. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13501.000218/9932 Acórdão n.º 1101001.275 S1C1T1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro PAULO MATEUS CICCONE O recurso voluntário apresentado é tempestivo, consoante manifestação da autoridade preparadora às fls. 608 e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Tratase de pedidos de restituição de Saldo Negativo de IRPJ (SN), envolvendo os exercícios de 1998 a 2000 (AC/1997 a 1999) valores já deduzidos de autocompensações cumulados com pedidos de compensação com débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF), conforme tabelas já antes estampadas, mas novamente reproduzidas para melhor fixação: Após analisar o requerido e à vista dos documentos apensados, o Delegado da DRF de origem, acolhendo parecer do SEORT daquela unidade decidiu prover parcialmente o pleito, na forma do “Despacho Decisório DRF/CCI nº 0183/2006”, assim exarado (fls. 490): Fl. 644DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13501.000218/9932 Acórdão n.º 1101001.275 S1C1T1 Fl. 11 10 Apreciando a Manifestação de Inconformidade interposta, a DRJ de Salvador manteve a decisão original, apenas deferindo parcialmente o pedido formulado no sentido de declarar alcançados pela homologação tácita os débitos objeto de compensação no montante de RS 297.367,09. Pois bem, em que pese o inconformismo da recorrente, entendo que razão não lhe cabe. De fato, como bem mostram os autos, os documentos a ele apensados e as considerações da autoridade tributária da DRF de Camaçari e dos julgadores da DRJ Salvador, a contribuinte quis fazer valer um direito que entendeu existente em face de possível crédito contra a Fazenda Pública Federal representado por Saldo Negativo de IRPJ (SN), envolvendo os exercícios de 1998 a 2000 (AC/1997 a 1999) e que lhe propiciaria compensar débitos tributários de sua responsabilidade com o mesmo ente público. Inexistem dúvidas de que tal compensação (uma das formas de extinção do crédito tributário), respeitados os limites legislativos e procedimentais que tratam da matéria2, é validamente aceita em nosso ordenamento como forma de contraposição de créditos e débitos entre os mesmos pares. Todavia, como igualmente é sabido, para que tal instituto se exteriorize, mister que os valores apontados como direitos e obrigações das partes tenham consistência e se revistam da necessária liquidez e certeza, de forma a poder se implementar. No caso presente, como bem destacado pela autoridade primária e confirmado pela decisão recorrida, muitos dos valores apontados pela recorrente como compositores do seu SN de IRPJ não se confirmaram, pelo que o pleito foi parcialmente indeferido. Para melhor visualização, insta verificar a situação exposta nos autos, relativamente aos três anoscalendário sob análise: AnoCalendário/1997 De acordo com a DIPJ/1998, ficha 08 – linha 26 (fls. 72), a recorrente apresentou para o AC/1997 um saldo negativo de IRPJ da ordem de R$ 128.328,23, consignado em seu pedido de restituição/compensação. 2 exemplificativamente: CTN – artigos 165, I; 168, I; 156, II e 170; Lei n° 9.430/1996 – artigos 73 e 74; Lei nº 8.383/1991, artigo 66; Instrução Normativa SRF n.° 600, de 2005. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13501.000218/9932 Acórdão n.º 1101001.275 S1C1T1 Fl. 12 11 Todavia, como apontado no Parecer DRF/CCI nº 183/2006 (fls. 475/485), que lastreou o despacho decisório (fls. 490/491), para compor tal SN a recorrente desconsiderou valores que deveria ter levado em conta como, por exemplo, o IRPJ incidente sobre rendimentos de operações financeiras, flagrantemente divergentes entre o considerado pela contribuinte e o informado pelas instituições financeiras. Neste cenário, enquanto a recorrente declarou (e tributou) rendimentos da ordem de R$ 1.320.592,65 (fls. 259 DIPJ – ficha 06 – linha 07), as fontes pagadoras apresentaram à Receita Federal, DIRF nas quais a contribuinte figurava como recebedora de rendimentos totais de R$ 2.650.377,57, destacandose, ainda, que o montante declarado pela recorrente engloba outras receitas que não se confundem com as aplicações havidas junto a instituições financeiras, como, por exemplo, descontos obtidos, juros ativos, etc, de modo que, excluídas tais rubricas, a receita submetida a tributação e sobre a qual incidiu o IRPJ foi de R$ 1.226.909,05, coincidente com o constante no Livro Razão da recorrente (fls. 555) e com a planilha – ajustada por ela apresentada (fls. 270). Em razão desta divergência, reversamente ao pretendido pela recorrente que considerou IRRF no total de R$ 390.378,60, resultado da soma das parcelas declaradas na linha 15, Ficha 08 — Cálculo do Imposto de Renda, fls. 72, e os valores de fonte utilizados para quitação de parcelas de IR estimativa, PA jun, out e dez de 1997, deve ser aceito tão somente o montante de R$ 188.496,50, fruto da aplicação da alíquota básica de 15% sobre os rendimentos oferecidos à tributação. Instada a esclarecer e comprovar as diferenças citadas, a recorrente, em todas as fases processuais, limitouse a expor que tal divergência é originária da adoção de regimes diferentes de contabilização e reconhecimento da receita (regimes de competência, assumido pela contribuinte) e de caixa, pelas fontes pagadoras e retentoras do imposto. Diz textualmente (RV – fls. 596/597): “Dessa forma, podese concluir que parte dos rendimentos informados pelos bancos já foram oferecidos à tributação no ano em que foram gerados, mas seu resgate somente ocorreu no ano de 1997. Com isso, concluise que dos R$2.650.377,57 informados nas DIRF's das fontes pagadoras, somente R$1.320592,65 ainda não haviam sido levados à tributação, o restante já foi tributado em anos anteriores. Tendo a recorrente levado a tributação a totalidade de seus rendimentos financeiros e, tendo sofrido retenção do IR (passível de compensação) no ano de 1997 no valor de R$390.378,61, é direito do contribuinte utilizarse, integralmente, desse valor compensandoo com tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Que a situação exposta pela recorrente (a desconformidade entre os critérios adotados pelas empresas em geral no reconhecimento das receitas e o momento da retenção do IRRF pelas fontes pagadoras) é comum no mundo negocial, inexistem dúvidas. São critérios Fl. 646DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13501.000218/9932 Acórdão n.º 1101001.275 S1C1T1 Fl. 13 12 diferentes impostos por regras legais e contábeis específicas e que causam as divergências suscitadas. Todavia, como é igualmente certo, tal disfunção não retira, por óbvio, o direito de os contribuintes se ressarcirem, pelas formas legais possíveis, do tributo eventualmente sobreposto ao efetivamente devido, de forma que, certamente, o IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras, desde que estas tenham sido submetidas à tributação, pode compor o saldo negativo (SN) do IRPJ. Neste eito, caberia à recorrente, por força da norma imperativa do Código de Processo Civil (art. 333, I) 3 trazer aos autos documentos suficientes para lastrear seu campo de provas, não sendo possível aceitarse mera argumentação, ainda que acompanhada de cópias de seu Livro Razão, pelo simples motivo de que tais documentos referemse ao anocalendário de 1997 (objeto da discussão) e só confirmam exatamente o montante referente a este período (fls. 555), não sendo juntadas cópias de anoscalendário antecedentes (1996, 1995...) e que poderiam justificar as alegações feitas, demonstrando as retenções ocorridas. Como dito antes, a recorrente limitouse, como já alertado pela decisão recorrida, a reiterar o que é sobejamente sabido, que as receitas decorrentes de aplicações financeiras são contabilizadas atendendo ao regime de competência enquanto a retenção do IR só acontece no resgate, sem trazer nenhuma demonstração consistente, lastreada em documentos contemporâneos aos fatos, especialmente da lavra das fontes pagadoras, para alicerçar sua tese. Neste trilho, por falta de comprovação documental, imperioso reconhecer a correção do procedimento da autoridade tributária que reduziu o valor de IRRF requerido pela recorrente de R$ 390.378,60 para R$ 188.496,50, já integralmente utilizado na redução das estimativas mensais. Além disso, há divergência entre o saldo a pagar de junho de 1997 (R$ 10.053,47) e a alegada compensação do respectivo valor com Saldo Negativo de IRPJ/1997, que, após os ajustes procedidos pela MALHA FAZENDA, seria de R$ 8.937,21 (fls. 276), não tendo a combatente conseguido refutar a glosa do Fisco com documentos e argumentos consistentes, nem na Manifestação de Inconformidade nem no presente Recurso Voluntário. Mais a mais, cabe à interessada ter a guarda, manter e apresentar, quando necessário, os documentos necessários a provar suas teses, enquanto não decidida a lide surgida, independentemente do prazo transcorrido. Igualmente, no que concerne às parcelas de estimativa reduzidas com IRRF do próprio período, foi levado à tributação valor incompatível com os valores utilizados ao longo do anocalendário de 1997 e no ajuste anual, da DIRPJ/1998. Assim, o valor inicial de SN de IRPJ do AC/1997 (R$ 128.328,23) que a recorrente informou em seu pedido de restituição/compensação, reverteuse em “IRPJ a pagar” no montante de R$ 73.696,86, conforme abaixo demonstrado: 3 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 647DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13501.000218/9932 Acórdão n.º 1101001.275 S1C1T1 Fl. 14 13 PEDIDO INICIAL FICHA 08 CÁLCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL (DIPJ Ex/1998 Ac/1997) fls. 72 IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL Valores em Reais Linha Histórico Valor 01. À Alíquota de 15% 462.709,94 03. Adicional 284.473,29 DEDUÇÕES 10. () Redução e/ou Isenção do Imposto (468.711,25) 15. () Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) (128.328,23) 17. () Imposto de Renda Mensal por Estimativa (278.471,98) 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (128.328,23) PEDIDO APÓS AJUSTES FICHA 08 CÁLCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL (DIPJ Ex/1998 Ac/1997) fls. 72 IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL Valores em Reais Linha Histórico Valor 01. À Alíquota de 15% 462.709,94 03. Adicional 284.473,29 DEDUÇÕES 10. () Redução e/ou Isenção do Imposto (468.711,25) 15. () Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) 17. () Imposto de Renda Mensal por Estimativa (204.775,12) 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR AJUSTADO 73.696,86 Pelo exposto, não há, no AC/1997, SN de IRPJ a propiciar a restituição/compensação pretendida pela recorrente, pelo que NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário em relação ao citado PA. AnoCalendário/1998 Para o período, a recorrente informou a existência de SN de IRPJ no montante de R$ 317.953,69 (DIPJ – fls. 65 – ficha 13 – linha 26), tendo declarado como “pagamentos por estimativas mensais”, o valor de R$ 921.824,88 cf. DIPJ Ficha 13 linha 16 (fls. 65). Todavia, a exemplo do ocorrido no PA 1997, os valores apontados pela recorrente não foram totalmente confirmados, exigindo sua recomposição, como abaixo se mostrará. Preliminarmente, como destacado pelo despacho decisório (fls. 480), consignese que a interessada não informou corretamente o imposto de renda devido nos meses anteriores, linha 06, impossibilitando a verificação do valor de IRRF do próprio período (linha 07) efetivamente utilizado para a redução do valor das estimativas mensais, de modo que há Fl. 648DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13501.000218/9932 Acórdão n.º 1101001.275 S1C1T1 Fl. 15 14 que se tomar o importe declarado pela própria recorrente (Ficha 13 linha 16 fls. 65), ou seja, R$ 921.824,88, como ponto de partida para a correta mensuração do pedido. Em sua DIPJ do período (Ficha 12 – linha 10 fls. 66/71), a recorrente declarou “Saldo de Imposto de Renda a Pagar” nos montantes abaixo discriminados: jan/98 14.029,90 fev/98 10.399,05 jun/98 9.998,43 jul/98 23.086,36 ago/98 23.096,45 set/98 37.100,68 out/98 57.474,72 nov/98 57.305,84 TOTAL 232.491,43 Pois bem, se o total declarado pela recorrente a título de “Imposto de Renda Mensal pago por estimativa” foi de R$ 921.824,88 e o montante apontado pela interessada como “Saldo de Imposto de Renda a Pagar” (meses acima listados) foi de R$ 232.491,43, é lícito inferir que a diferença, R$ 689.333,45 (R$ 921.824,88 – R$ 232.491,43) teve como suporte a utilização de IRRF do próprio PA/1998, raciocínio que se robustece pelas parcas informações complementares apresentadas pela contribuinte em todas as fases procedimentais e processuais que pudessem mudar o cenário. Além disso, conforme destacado pelo despacho decisório, foi constatada disponibilidade deste valor de R$ 689.333,45, acrescido do IRRF de R$ 317.953,69 declarado pela contribuinte em sua DIPJ (Ficha 13 – linha 13 – fls. 65), totalizando R$ 1.007.287,14 (fls. 481). Dentro do exposto, a princípio não haveria reparo a fazer ao procedimento da contribuinte nem modificação nos números estampados em seu pedido. Entretanto, a continuidade da análise dos autos mostra que, dos períodos de 1998 informados na DIPJ (Ficha 12 – linha 10) como “Saldo de Imposto de Renda a Pagar” (atrás listados), SOMENTE as estimativas de janeiro, fevereiro e setembro de 1998 foram efetivamente pagas, no total de R$ 61.529,63, enquanto que os demais meses (junho, julho, agosto, outubro e novembro/1998), como se deduz da leitura das cópias do Livro Razão acostadas às fls. 286/299, contas contábeis 10106.15 — IMPOSTO DE RENDA A COMPENSAR e 10106.3 — IMPOSTO DE RENDA DO ANO BASE, supostamente tiveram seu saldo a pagar “compensados” com Saldo Negativo do anocalendário/1997. Todavia, como visto no tópico precedente em que se tratou do PA 1997, em face dos ajustes havidos INEXISTE este SN no mencionado período, de modo que inexequível a tentativa da contribuinte em dele se utilizar. Assim, a valoração apresentada pela recorrente para dar forma numérica ao seu pleito deve ser recomposta, de forma a se apurar o correto SN de 1998. É o que se estampa abaixo: Fl. 649DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13501.000218/9932 Acórdão n.º 1101001.275 S1C1T1 Fl. 16 15 Pagamentos por Estimativas Mensais declaradas pela recorrente (DIPJ Ficha 13 linha 16) 921.824,88 Vlrs. informados como "Saldo de IRPJ a Pagar" (DIPJ Ficha 12 linha 10) (232.491,43) Vlrs. de Estimativas Mensais efetivamente quitados (confirmados no sistema SINAL) 61.529,63 (=) TOTAL DE ESTIMATIVA MENSAL CONFIRMADO 750.863,08 A partir destes dados, recompõese o SN: PEDIDO INICIAL FICHA 13 CÁLCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL (DIPJ Ex/1999 Ac/1998) fls. 65 IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL Valores em Reais Linha Histórico Valor 01. À Alíquota de 15% 2.182.639,17 03. Adicional 1.431.092,78 DEDUÇÕES 05. () Programa de Alimentação do Trabalhador (87.305,57) 10. () Redução e/ou Isenção do Imposto (2.604.601,50) 13. () Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) (317.953,69) 16. () Imposto de Renda Mensal por Estimativa (921.824,88) 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (317.953,69) PEDIDO APÓS AJUSTES FICHA 13 CÁLCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL (DIPJ Ex/1999 Ac/1998) fls. 65 IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL Valores em Reais Linha Histórico Valor 01. À Alíquota de 15% 2.182.639,17 03. Adicional 1.431.092,78 DEDUÇÕES 05. () Programa de Alimentação do Trabalhador (87.305,57) 10. () Redução e/ou Isenção do Imposto (2.604.601,50) 13. () Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) (317.953,69) 16. () Imposto de Renda Mensal por Estimativa (750.863,08) 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR AJUSTADO (146.991,89) Considerando que a recorrente já lançou mão de parte do SN do ano calendário de 1998 para compensar estimativas mensais do exercício/2000, especificamente os meses de março, abril e outubro/1999 (procedimento reconhecido pela própria interessada ver fls. 27, 317 e 320), o montante acima fica reduzido de R$ 146.991,89 para R$ 64.250,43, valor que se reconhece como Saldo Negativo de IRPJ de 1998 passível de utilização, conforme cálculos às fls. 337/339. Do exposto, mantenho a decisão recorrida e NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário em relação ao anocalendário de 1998. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13501.000218/9932 Acórdão n.º 1101001.275 S1C1T1 Fl. 17 16 AnoCalendário/1999 Consoante consta da DIPJ/2000 – AC/1999, Ficha 13A – linha 18 (fls. 322), a interessada declarou a existência de SN de Imposto de Renda no valor de R$ 1.524.807,22. Na mesma Ficha e fls., linha 16, informou que o IRPJ mensal pago por estimativa somou R$ 745.562,45, montante devidamente confirmado pelo despacho decisório, ratificado pela decisão recorrida e adimplido da seguinte forma: ESTIMATIVAS MENSAIS 1999 PERÍODO ESTIMATIVA DEVIDA ESTIMATIVA QUITADA MÊS DIPJFicha 12fls.316/321 C/ IRRF PRÓPRIO PERÍODO PAGA EM MOEDA mar/99 29.381,28 29.381,28 abr/99 33.715,68 33.715,68 mai/99 149.452,59 149.452,59 jun/99 89.253,18 89.253,18 jul/99 80.219,88 80.219,88 ago/99 37.841,26 37.841,26 set/99 97.846,84 97.846,84 out/99 30.802,11 30.802,11 nov/99 197.049,63 197.049,63 TOTAIS 745.562,45 651.663,38 93.899,07 Em outra linha, expôs que sofreu retenções de IR da ordem de R$ 1.003.936,50 (DIPJ – Ficha 13A – linha 13 – fls. 322), valor que somado ao utilizado na quitação de estimativas mensais (tabela acima) no importe de R$ 651.663,38, leva ao resultado de R$ 1.655.599,88. Entretanto, a análise das DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras e dos próprios documentos acostados pela interessada aos autos (fls. 58 a 63 e 98, 106, 108, 115, 116 e 117), além da planilharesumo de fls. 340, aponta para retenções no valor de R$ 1.625.551,91, ou seja, uma diferença de R$ 30.047,97 [R$ 1.655.599,88 – R$ 1.625.551,91], o que exige a retificação do valor declarado como IRRF (Ficha 13A – linha 13 – fls. 322), de R$ 1.003.936,50 para R$ 973.888,53 [R$ 1.003.936,50 – R$ 30.047,97]. É bem verdade que a recorrente tanto na impugnação junto à DRJ quanto no presente Recurso Voluntário assentou ter cometido equívoco no preenchimento da planilha que juntou aos autos (fls. 340), elaborando nova planilha (fls. 517) na qual insiste que o valor correto é R$ 1.655.599,88. Além disso, sustenta ter apresentado cópias do Livro Razão que comprovariam as retenções. Primeiramente, é de se deixar claro que planilhas e documentos da lavra da própria interessada não têm o condão de confirmar retenções feitas por terceiros, exigindose documentos oriundos das fontes pagadoras e informações na DIRF (que, no caso, mostram justamente o contrário do pretendido pela recorrente). Fl. 651DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13501.000218/9932 Acórdão n.º 1101001.275 S1C1T1 Fl. 18 17 Em segundo lugar, as cópias do Livro Razão juntadas (fls. 518/555) referem se ao anocalendário de 1997 e não de 1999, caso aqui tratado, pelo que são desconsideradas como prova. Deste modo, nenhuma restrição à decisão recorrida que manteve as glosas presentes no despacho decisório, conforme abaixo se reproduz: PEDIDO INICIAL FICHA 13A CÁLCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL (DIPJ Ex/2000 Ac/1999) fls. 322 IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL Valores em Reais Linha Histórico Valor 01. À Alíquota de 15% 2.827.660,06 03. Adicional 1.861.106,70 DEDUÇÕES 05. () Programa de Alimentação do Trabalhador (113.106,40) 10. () Redução e/ou Isenção do Imposto (4.350.968,63) 13. () Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) (1.003.936,50) 16. () Imposto de Renda Mensal por Estimativa (745.562,45) 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (1.524.807,22) PEDIDO APÓS AJUSTES FICHA 13A CÁLCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL (DIPJ Ex/2000 Ac/1999) fls. 322 IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL Valores em Reais Linha Histórico Valor 01. À Alíquota de 15% 2.827.660,06 03. Adicional 1.861.106,70 DEDUÇÕES 05. () Programa de Alimentação do Trabalhador (113.106,40) 10. () Redução e/ou Isenção do Imposto (4.350.968,63) 13. () Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) (973.888,53) 16. () Imposto de Renda Mensal por Estimativa (745.562,45) 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR AJUSTADO (1.454.759,25) Há mais, porém. Compulsandose os autos verificase que a recorrente utilizouse do SN/1999 para compensar valores devidos em período futuros (comprovantes às fls. 451/473), situação já alertada pelo despacho decisório, de forma que resta ao interessado, relativamente ao Saldo Negativo de IRPJ/2000 – AC/1999, o valor original de R$ 810.344,53 (oitocentos e dez mil, trezentos e quarenta e quatro reais e cinqüenta e três centavos), que deverá ser acrescido de juros calculados pela taxa SELIC quando da implementação das compensações. Do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário em relação ao anocalendário de 1999. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13501.000218/9932 Acórdão n.º 1101001.275 S1C1T1 Fl. 19 18 É como voto. Brasília (DF), Sala das Sessões, em 04 de março de 2015. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Relator Fl. 653DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13603.722742/2012-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008
PREVIDENCIÁRIO.INCORREÇÃO.OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NAS GUIAS DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL - GFIP.
Constitui infração a empresa informar Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social-GFIP, com incorreções e omissões de todos os fatos geradores de contribuição previdenciária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos Silva. Ausente justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhaes Peixoto e Jhonata Ribeiro da Silva..
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008 PREVIDENCIÁRIO.INCORREÇÃO.OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NAS GUIAS DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL - GFIP. Constitui infração a empresa informar Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social-GFIP, com incorreções e omissões de todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos Silva. Ausente justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhaes Peixoto e Jhonata Ribeiro da Silva..
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Constitui infração a empresa informar Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência SocialGFIP, com incorreções e omissões de todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos Silva. Ausente justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhaes Peixoto e Jhonata Ribeiro da Silva.. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 27 42 /2 01 2- 94 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Conforme Relatório Fiscal de fls. 21/23, a penalidade aplicada ocorreu em razão de a empresa ter apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência SocialGFIP, com incorreções e omissões, relativamente ao período de 05/2008 a 09/2008 e 11/2008. DA IMPUGNAÇÃO Consoante documentos de fls.34/39, o contribuinte apresentou impugnação onde contestou a autuação mediante seguintes argumentos relatados em síntese: que antes que se faça a autuação pelo descumprimento de certa obrigação, devese dar ao infrator a oportunidade de corrigir os erros. que o procedimento diverso constitui verdadeiro confisco, demonstrando o exclusivo intuito arrecadatório da administração fazendária . que a suposta inconsistência dos documentos não causou prejuízo ao fisco, tanto que a empresa foi autuada em relação aos fatos geradores ocorridos no período de aplicação da penalidade. que a penalidade imposta foi fixada em seu grau máximo, sem qualquer razão para tanto, até porque a autuada não é reincidente . que a multa aplicada, no valor de R$3.000.00, foge do razoável, configurando verdadeira cobrança de tributo disfarçado sob a roupagem de multa, adquirindo caráter confiscatório e extrapolando sua função educativa. Requer a produção de todas as provas em Direito admitidas, inclusive testemunhal, com abertura da fase probatória. Ao final, requer, que seja julgada procedente a impugnação e declarada a insubsistência ou nulidade do presente lançamento. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.44, a 6 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte – MG DRJ/BHE, em 21 de fevereiro de 2013, exarou o Acórdão n° 0242.728, não concedendo provimento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.52, onde reiterou as alegações sobre a multa aplicada e pedido de testemunhas já então enfrentadas pela instancia “ad quod ”. É o Relatório. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.722742/201294 Acórdão n.º 2403002.391 S2C4T3 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme despacho e fls 58, o Recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES Não há prejudicial para ser analisada. DO MÉRITO De plano cumpre observar que na forma como contestou alegando que “Antes que se faça a autuação pelo descumprimento de certa obrigação, devese dar ao infrator a oportunidade de corrigir os erros.” a empresa , de modo transverso, confessou o inadimplemento. Ademais em momento algum registra que estivera adimplente por ocasião da lavratura do auto. Assim , não há o que dar provimento. DA MULTA Requerido em sede de impugnação e reiterado em grau de recurso, desatenta, a Recorrente não leu o item 2.2 do Relatório Fiscal de fls. 22, onde a Autoridade autuante esclarece que em respeito ao princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, da Lei nº 5.172/1996 (Código Tributário Nacional), foi feito o comparativo das multas impostas à época da ocorrência dos fatos geradores e aquelas impostas pelas alterações introduzidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, sendo as impostas as regras previstas na legislação superveniente mais benéficas ao contribuinte. Assim, considerando o previsto no artigo 32A, inciso II, da Lei 8.212/99, acrescentado pela Lei 11.941/2009, a multa aplicável observou o limite mínimo previsto no § 3º,II, do mesmo dispositivo legal. Portanto , não há o que dar provimento. CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, conheço do Recurso para no MÉRITO, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10930.905088/2011-71
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
DCOMP. CRÉDITO. ORDEM DE UTILIZAÇÃO.
O crédito apontado em DCOMP deverá ser utilizado seguindo a ordem de apresentação dos débitos que se pretende compensar.
Numero da decisão: 1801-002.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 DCOMP. CRÉDITO. ORDEM DE UTILIZAÇÃO. O crédito apontado em DCOMP deverá ser utilizado seguindo a ordem de apresentação dos débitos que se pretende compensar.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 DCOMP. CRÉDITO. ORDEM DE UTILIZAÇÃO. O crédito apontado em DCOMP deverá ser utilizado seguindo a ordem de apresentação dos débitos que se pretende compensar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 50 88 /2 01 1- 71 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.905088/201171 Acórdão n.º 1801002.283 S1TE01 Fl. 127 2 Relatório CERTANO COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 0640.257 (fl. 58), pela DRJ Curitiba, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação nº 24313.28139.070308.1.3.044333 (fl. 2), que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 7, com a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 11, em que afirma: que tem o legítimo direito de efetuar a compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal; que no mês de junho/2007 apurou débito de R$ 3.176,61 de estimativa de CSLL, com base em balancete de suspensão ou redução, mas recolheu R$ 3.234,33, de modo que houve um recolhimento a maior de R$ 57,72; considerando que, no caso de opção pelo lucro real anual, o fato gerador da contribuição social, de natureza complexiva, somente se verifica no encerramento do respectivo período de apuração, que não procede a aplicação de multa e juros moratórios sobre antecipação devida por estimativa, por absoluta falta de previsão legal. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fl. 58), em que reconhece a possibilidade de utilização de credito de estimativa em compensação de tributos, mas verifica que o crédito apontado pelo contribuinte já foi totalmente utilizado em outras DCOMP, conforme o seguinte excerto (fl. 60): Contudo, verificase que o direito creditório pleiteado de R$ 57,72 já foi integralmente utilizado nos PER/DCOMP nºs 06373.14146.071107.1.3.049080 (processo nº 10930.903205/201162) e 14997.19016.251107.1.3.040057 (processo nº 10930.903258/201183), objetos dos Acórdãos nºs 0640.254 e 0640.255 desta DRJ, em sessão também realizada em 11/04/2013. A decisão adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 ESTIMATIVA MENSAL PAGA INDEVIDAMENTE OU A MAIOR. VALOR JÁ INDICADO COMO DIREITO Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.905088/201171 Acórdão n.º 1801002.283 S1TE01 Fl. 128 3 CREDITÓRIO EM PROCESSO DIVERSO. RECLAMAÇÃO IMPROCEDENTE POR PERDA DE OBJETO. Considerando que o direito creditório em análise, decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, já foi integralmente utilizado em processo diverso, é de se julgar improcedente a reclamação apresentada nos autos por perda de objeto, sob pena de restituição em duplicidade. Cientificado dessa decisão em 26/12/2013, por via postal (fl. 64), o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fl. 66 em 22/01/2014, em que nega a anterior utilização do crédito em análise, conforme o seguinte excerto (fl. 67): Em que pese a elaboração transmissão de PER/DCOMP(s) referindose a um mesmo crédito, a compensação, por seu turno, operouse uma única vez sobre o débito de contribuição social sobre o lucro líquido. O PER/DCOMP n° 06373.14146.071107.1.3.049080, transmitido em 07/11/2007, informa compensação de débito de CSLL referente agosto/2007, no valor principal de RS 35,12 e no valor total de RS 40,19. No mês de agosto/2007, porém, o valor apurado de CSLL foi de RS 11.152,49 e o recolhimento efetuado através de DARF foi de R$ 13.434,25. resultando num recolhimento a maior de R$ 2.2451,76, conforme informado na DCTF do segundo semestre de 2007. Portanto, o direito creditório constante do PER/DCOMP n° 06373.14146.071107.1.3.049080, como se observa, não foi utilizado para compensar débito de CSLL referente agosto/2007, uma vez que no referido mês houve recolhimento a maior de estimativa e, destarte, o crédito original constante da DCOMP retro, no valor de RS 38,75, não pode ser considerado como utilizado. No mês de outubro/2007, por sua vez, o débito apurado de CSLL foi de RS 6.405,86. Referido débito foi quitado através de DARF, no valor de RS 4.700,80 e de compensação, no montante de R$ 1.698,93. As compensações foram efetuadas por meio dos seguintes PER/DCOMP(s): a) 23200.91557.070308.1.3.048467, no valor de RS 1.648,88 (documento anexo); b) 24313.28139.070208.1.3.044333, no valor de RS 50,05 (documento anexo). De acordo com a DCTF referente ao mês de outubro/2007 permaneceu, a titulo de débito de CSLL, um valor residual de RS 6,13. Da mesma forma, observese que o PER/DCOMP n° 14997.19016.251107.1.3.040057, transmitido em 25/11/2007, cujo crédito original é de RS 18,97, não pode ser considerado Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.905088/201171 Acórdão n.º 1801002.283 S1TE01 Fl. 129 4 para fins de compensação do débito de CSLL referente ao mês de outubro/2007, uma vez que não entrou na composição dos créditos vinculados da DCTF referente ao segundo semestre de 2007. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. O pagamento a maior da estimativa de CSLL de junho de 2007, no valor de R$ 57,72, não é controvertido na presente lide. A questão que remanesce diz respeito à utilização em duplicidade do referido indébito. A autoridade julgadora a quo entendeu que o crédito apontado já havia sido utilizado nas DCOMP nº 06373.14146.071107.1.3.049080 (processo nº 10930.903205/2011 62) e 14997.19016.251107.1.3.040057 (processo nº 10930.903258/201183). Por seu turno, o recorrente afirma que, apesar de ter transmitido as referidas DCOMP, não houve duplicidade de utilização do crédito em tela. Afirma que o débito apontado na DCOMP n° 06373.14146.071107.1.3.049080 inexiste e que o crédito apontado na DCOMP n° 14997.19016.251107.1.3.040057 não foi vinculado em DCTF. Assim, o recorrente confirma que transmitiu as DCOMP nº 06373.14146.071107.1.3.049080 e 14997.19016.251107.1.3.040057 e que apontou nelas o mesmo crédito sob análise. O contribuinte não nega que essas DCOMP foram expressamente homologadas no âmbito dos processos nº 10930.903205/201162 e 10930.903258/201183, após decisões da DRJ Curitiba, em resposta à manifestações de inconformidade de sua autoria. Esses fatos foram efetivamente verificados em consultas ao sistema eProcesso. As informações trazidas pelo recorrente, mesmo que verdadeiras, demonstram apenas seus próprios erros ao proceder o controle de seus créditos tributários e as respectivas quitações, não sendo suficientes para invalidar as homologações supracitadas. Nos termos do §7º do artigo 41 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, o indébito do contribuinte será utilizado, na compensação, seguindo a ordem em que os débitos forem apresentados: Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.905088/201171 Acórdão n.º 1801002.283 S1TE01 Fl. 130 5 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. ... § 7º Os débitos do sujeito passivo serão compensados na ordem por ele indicada na Declaração de Compensação. As DCOMP supracitadas foram transmitidas em novembro de 2007, o que lhes dá precedência sobre a DCOMP do presente processo, apresentada em março de 2008. Portanto, está correta a decisão recorrida, que entendeu consumido o crédito apontado. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10320.900320/2006-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2000
PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Ocorre a homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo quando a autoridade administrativa deixar de apreciá-la no transcurso do prazo de cinco anos da sua entrega.
Numero da decisão: 1102-001.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo relator, para reconhecer a homologação tácita da declaração de compensação discutida nos autos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermam Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros e João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2000 PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Ocorre a homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo quando a autoridade administrativa deixar de apreciá-la no transcurso do prazo de cinco anos da sua entrega.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
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secao_s : Primeira Seção de Julgamento
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Ocorre a homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo quando a autoridade administrativa deixar de apreciála no transcurso do prazo de cinco anos da sua entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo relator, para reconhecer a homologação tácita da declaração de compensação discutida nos autos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermam Thomé Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 03 20 /2 00 6- 04 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10320.900320/200604 Acórdão n.º 1102001.245 S1‐C1T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros e João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 32 e anexos fls. 33/41) interposto contra o Acórdão nº 0816.553 (fls. 27/29) proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE (DRJ/FOR), na sessão de 13 de novembro de 2013, que, por unanimidade, não conheceu o direito creditório informado na DCOMP nº 03874.95027.151003.1.3.048157, transmitida em 15/10/2003 (fls. 19/23). Em suma, na data acima informada, a Contribuinte efetuou pedido de compensação de crédito de SIMPLES FEDERAL (fl. 20) no valor de R$ 293,32, recolhido em 10/02/2000 (fl. 21) com débito de COFINS, de igual montante, vencido em 15/05/2000. Através do Despacho Decisório de fls. 14/16, a compensação não foi homologada, em 07/07/2009, sob o fundamento que o crédito foi “integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. A Contribuinte foi intimada da decisão em 16/07/2009, uma quintafeira (fl. 17) e protocolou manifestação de inconformidade (fl. 02 e anexos fls. 03/13) em 14/08/2009 (fl. 02), alegando: “As PER/DCOMPs acima, referemse apenas a um débito no valor de R$ 293,32 (duzentos e noventa e três reais e trinta e dois centavos) que foi informado equivocadamente. Por esse motivo pedimos que seja reanalisadas as referidas PER/DCOMPs e que seja considerada apenas uma” A 3ª Turma da DRJ/FOR, por unanimidade, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, em razão de a Contribuinte não ter contestado diretamente a decisão constante do Despacho Decisório. O voto de n° 0816.553, proferido na sessão de 13 de novembro de 2009, assim foi ementado à fl. 27: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 EMENTA: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10320.900320/200604 Acórdão n.º 1102001.245 S1‐C1T2 Fl. 4 3 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido As razões da decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/FOR podem ser assim resumidas: a) “(...) não houve contestação por parte da defendente em relação a não homologação de crédito originado por pagamento a maior de SIMPLES, informado na DCOMP n° 03874.95027.151003.1.3.048157” fl. 28; e b) “Devese, dessa forma, considerar como matérias nãolitigiosas, nos termos dos arts. 16 e 17 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com as alterações das Leis n° 8.748, de 1993, e 9.532, de 1997 (...)” – fl. 29. Por fim, decidiu à fl. 29: “Considerando que o crédito que deu origem a tal demanda já restituído/utilizado integralmente, e não tendo sido objeto de inconformidade por parte do interessado, descabe qualquer reforma no Despacho Decisório prolatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza”. A Contribuinte, intimada da decisão em 08/01/2010, uma sextafeira (fl. 31), e objetivando ver reformado o acórdão n° 0816.553, da 3ª Turma da DRJ/FOR, interpôs Recurso Voluntário (fl. 32 e anexos fls. 33/41). As razões do recurso podem ser assim resumidas: a) Alega que o débito lançado estava em duplicidade; e b) Alega que o Fisco não especificou como e onde o crédito citado na PER/COMP já havia sido utilizado. Por fim, requereu o confronto de todos os arquivos que constam na Receita Federal do Brasil, para que seja comprovada a duplicidade desse débito cobrado pelo Fisco. Este processo foi, inicialmente, distribuído para e. Terceira Seção, a qual, em 28/10/2010, declinou da competência, sob o fundamento de o crédito ser de Simples, como pode ser visto no Acórdão nº 340200.875. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10320.900320/200604 Acórdão n.º 1102001.245 S1‐C1T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto Relator. I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Os pressupostos e requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, fazemse presentes, senão vejamos. Nos termos do art. 2º, inciso V1 do Regimento Interno do CARF, combinado com o art. 7º, § 1º2, desse mesmo diploma, os recursos interpostos em processo de compensação, cujo crédito alegado seja SIMPLES, é da competência desta 1ª Seção. No que tange à legitimidade, a petição está assinada pela sócia da empresa, que tem poderes para prática desse ato (fls. 11, 12 e 32). Quanto à tempestividade, considerando que a Contribuinte foi intimada da decisão em 08/01/2010, uma sextafeira (fl. 31), teve como termo final do prazo para interpor o 1 Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); 2 Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. §1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10320.900320/200604 Acórdão n.º 1102001.245 S1‐C1T2 Fl. 6 5 Recurso Voluntário o dia 09/02/2010, mas não é possível precisar a data da interposição, por ausência dessa informação nos autos. Citese, também, que a DRF recebeu o recurso e não certificou se era ou não tempestivo. Desse modo, à luz dos princípios que regem o processo administrativo, considero o recurso tempestivo. Nesses termos, conheço do recurso. II. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Ultrapassado o juízo de admissibilidade, vêse que os pontos controvertidos são, sucessivamente: 1. Considerando que a PER/DCOMP foi transmitida em 15/10/2003 e que o Despacho Decisório foi emitido em 07/07/2009, ocorreu homologação tácita da compensação? 2. Constam nos autos prova da existência do crédito? III. MÉRITO O caso em questão, tratase da DCOMP nº 03874.95027.151003.1.3.048157 (fls. 19/23), transmitida em 15/10/2003 (fl. 19), cujo Despacho Decisório (fls. 14/16) foi proferido em 07/07/2009, o qual chegou ao conhecimento da Contribuinte em 16/07/2009 (fl. 17). Não consta nos autos informação que a DCOMP foi retificada. O art. 74, da Lei nº 9.430/1996 dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. A conclusão que chegamos é que ocorreu a homologação tácita da declaração, haja vista que entre o seu envio em 15/10/2003 (fl. 19) e a intimação do despacho em 16/07/2009 (fl. 17), transcorreu período superior a 5 (cinco) anos. Nesse sentido, citamos acórdão da relatoria do d. Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, proferido em sessão ocorrida em 07/05/2014, e acolhido por unanimidade: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2002 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10320.900320/200604 Acórdão n.º 1102001.245 S1‐C1T2 Fl. 7 6 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Ocorre a homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo quando a autoridade administrativa deixar de apreciá la no transcurso do prazo de cinco anos da sua entrega. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU O PEDIDO. DESCABIMENTO. É inadmissível a retificação de PER/DCOMP para alterar o valor e a origem a que se refere o direito creditório quando solicitada pela interessada posteriormente à ciência da decisão administrativa que não reconheceu o crédito pleiteado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. VALOR INFORMADO. MANIFESTAÇÃO DE VONTADE. Não cabe à autoridade fiscal substituir o sujeito passivo na manifestação da sua vontade de repetir créditos de natureza tributária. O exame do crédito deve se ater ao valor informado no PER/DCOMP e na certeza da origem desse valor. Eventual novo crédito apurado no curso do processo administrativo fiscal deve ser objeto de novo pedido de restituição ou de compensação formulado pelo sujeito passivo”. (Acórdão n° 1202001.157, proferido em 19/05/2014) (grifo nosso). É verdade que a decadência não foi suscitada pela Recorrente, mas, tratando se de matéria de ordem pública, deve ser conhecida de ofício pelo julgador, nos termos do art. 210 do Código Civil: “Art. 210. Deve o juiz, de ofício, conhecer da decadência, quando estabelecida por lei”. IV. CONCLUSÃO Por fim, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para declarar a homologação tácita da DCOMP n° 03874.95027.151003.1.3.048157. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 51DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME
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Numero do processo: 13855.723262/2011-06
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator/Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 55 .7 23 26 2/ 20 11 -0 6 Fl. 4258DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723262/201106 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.209 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1437.389 da 9ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Do Relatório Fiscal: Tratase de processo datado de 23/11/2011, com ciência do sujeito passivo em 29/11/2011, composto pelos seguintes Autos de Infração lavrados pelo descumprimento de obrigações tributárias principais (AIOP): DEBCAD 37.249.9600: contribuições devidas pela empresa incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados (inclusive alíquota para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa – RAT) (Lei 8.212/91, artigo 22, I e II), no valor total de R$ 3.335.715,97 (três milhões, trezentos e trinta e cinco mil, setecentos e quinze reais e noventa e sete centavos), incluindo o principal, juros, multa de ofício e multa de mora. DEBCAD 37.249.9651: contribuições devidas pela empresa a outras entidades e fundos – Terceiros incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados (SalárioEducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), no valor total de R$ 754.611,77 (setecentos e cinqüenta e quatro mil, seiscentos e onze reais e setenta e sete centavos), incluindo o principal, juros, multa de ofício e multa de mora. A autoridade lançadora esclarece que a fiscalização constatou que a autuada utilizou as empresas Geova Batista Machado – EPP, José Rodrigues da Silva EPP e Raquel Batista Machado EPP, todas optantes dos regimes tributários simplificados4, como interpostas pessoas com a finalidade de contratar segurados reduzindo os encargos previdenciários em decorrência da opção por tais regimes tributários. Assim, os empregados formalmente contratados por estas empresas, as quais formalmente eram prestadoras de serviços à autuada, foram considerados, para fins previdenciários, empregados da própria autuada. Discorre acerca da documentação apresentada pela autuada e também, pelas EPP mencionadas (estas últimas foram objeto de diligências realizadas pela autoridade fiscal). Relata depoimentos pessoais dos representantes legais das EPP, a solicitação de esclarecimentos relativos a pagamentos efetuados às EPP e outros fatos relevantes (com as decorrentes respostas dadas pelas empresas) e a emissão de Requisições de Movimentação Fl. 4259DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723262/201106 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.209 S2C4T3 Fl. 4 3 Financeira – RMF para obtenção de informações das EPP junto a instituições bancárias. Prossegue discorrendo acerca dos vínculos de parentesco dos representantes legais das EPP com o Sr. Jânio Machado Rodrigues da Silva (sócio administrador da autuada), e dos vínculos de emprego mantidos pelos representantes legais das EPP antes da constituição destas empresas. Descreve (a) as atividades desenvolvidas pelas EPP; (b) os endereços dos prédios utilizados por elas; (c) a administração das EPP por intermédio de procuradores vinculados à Free Way (notadamente o Sr. Jarbas Maranhas); (d) as características dos contratos de prestação de serviços firmados entre a Free Way e as EPP (com reconhecimento de firma dos signatários com data posterior ao início da ação fiscal); (e) a exclusividade na prestação de serviços no período fiscalizado; (f) a falta de despesas das EPP com os equipamentos pertencentes à Free Way que lhes eram cedidos por comodato para o desempenho de suas atividades; (g) a realização de atividades administrativas das EPP (como representação perante entidades sindicais, elaboração de declarações tributárias) por pessoas vinculadas à Free Way; (h) o pagamento de despesas das EPP pela Free Way não contabilizados corretamente; (i) o efetivo controle destas despesas exercido pela Free Way; (j) a transferência de valores da Geova EPP para a Free Way e seu sócio não contabilizados corretamente; (k) a ausência ou pequeno valor de lucros nas EPP que assim não tinham montantes a esse título para distribuir aos seus sócios; (l) a recontratação imediata pela Free Way da maioria dos empregados demitidos pelas EPP em 2009; (m) a usual prática da Free Way de adiantar valores devidos às EPP para cobrir despesas destas; (n) ações trabalhistas movidas contra a Free Way e a Geova EPP, juntas no pólo passivo. Destaca a prevalência da situação fática sobre aquela formalizada incorretamente (princípio da primazia da realidade sobre a forma) e conclui que os trabalhadores das EPP eram, de fato, empregados da autuada. Assim, o lançamento referese às remunerações dos segurados declaradas nas GFIP destas empresas e constantes em suas folhas de pagamento. Discorre acerca da comparação das multas efetuadas para o período até 11/2008 em decorrência da alteração legislativa introduzida pela Medida Provisória 449/2008 (convertida na Lei 11.941/2009) e por força do disposto no artigo 106, II, “c” do Código Tributário Nacional CTN. Também foi lavrado o AI DEBCAD 37.249.9597 (AI 68), com a aplicação de multa embasada no artigo 32, § 5o da Lei 8.212/91 e artigos 284, II e 373 do RPS, atualizada nos termos da Portaria Interministerial MPS/RF 407, de 14/07/2011, no valor de R$ 243.908,80 (duzentos e quarenta e três mil, novecentos e oito reais e oitenta centavos) pelo fato da autuada não declarar em suas GFIP as remunerações dos segurados formalmente vinculados às prestadoras de serviços (artigo 32, IV e § 5o da Lei 8.212/91 e artigo 225, IV e § 4o do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99). 6 Afirma que restou caracterizada a conduta dolosa na Fl. 4260DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723262/201106 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.209 S2C4T3 Fl. 5 4 utilização de interpostas pessoas optantes dos regimes tributários simplificados, o que impõe: (a) a observância do prazo decadencial de 05 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tendo em vista o disposto nos artigos 150, § 4o e 173, I, ambos do CTN; (b) a responsabilização pessoal do Sr. Jânio Machado Rodrigues Silva – sócio administrador da autuada nos termos do artigo 135 do CTN (foi lavrado o Termo de Responsabilidade Tributária, o qual foi levado à ciência da interessada); e (c) a aplicação da multa qualificada de 150%, fundamentada no artigo 44, I, § 1o da Lei 9.430/96 (redação dada pela Lei 11.488/2007) e artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64. Finaliza mencionando a lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais –RFFP e prestando informações relativas ao exercício do direito de defesa por parte da autuada. Impugnação: A empresa autuada apresentou impugnação tempestiva contendo, em síntese, os seguintes argumentos: As desconsiderações dos vínculos empregatícios mantidos com as EPP deramse sem a devida comprovação, com intuito meramente arrecadatório e em situação diversa da que estabelece o artigo 50 do Código Civil. Faz considerações acerca do histórico da terceirização das atividades de corte e pesponto no pólo calçadista de Franca. Cita o Termo de Ajuste de Conduta firmado em 1996 pelas indústrias do setor com o Ministério Público do Trabalho e esclarece que a maioria das prestadoras de serviço são empresas familiares, sendo tal realidade do amplo conhecimento na cidade. Quanto aos vínculos familiares entre o sócio da autuada e os titulares das EPP, alega que toda família trabalha no setor (pugna pela juntada posterior de documentos comprobatórios), tendo sido o ofício repassado pelo pai do representante legal da autuada, algo natural, já que a cidade de Franca representa um importante pólo calçadista, com grande parcela da população trabalhando nesse setor. Não se aplica ao caso a Súmula 331 do TST, não sendo ilegal a prestação de serviços por intermédio de empresas legalmente constituídas. Quanto à Geova EPP, aponta a seu favor as declarações prestadas por seu representante legal. Aduz que os serviços prestados condizem com o objeto social da EPP e que havia prestação de serviços para outras empresas além da autuada. A Geova EPP nunca esteve estabelecida em um barracão da autuada (menciona documentos comprobatórios). O fato do Sr. Geova manter concomitantemente vínculo empregatício e a firma individual que prestava serviços a seu empregador não representa qualquer ilegalidade ressaltandose que estas situações ocorreram regularmente, com a fomalização do contrato de emprego Fl. 4261DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723262/201106 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.209 S2C4T3 Fl. 6 5 do Sr. Geova e a emissão de notas fiscais pelos serviços prestados à Free Way por sua firma individual. Conforme declarou o Sr. Geova, a administração da empresa não ficava só a cargo do Sr. Jarbas Maranhas, mas também do Sr. João Batista Machado (irmão do Sr. Geova). A idéia era que o Sr. João aprendesse com o Sr. Jarbas os procedimentos necessários para gerir a empresa. No entanto, o Sr. João veio a falecer em acidente fatídico em 2005, ocasionando na assunção definitiva da ajuda por parte do Sr. Jarbas. Ainda quanto à ligação do Sr. Jarbas com a Geova EPP e a Free Way, não existe proibição legal para que uma pessoa com experiência na área preste serviços a mais de uma empresa e este fato não é apto a demonstrar a ingerência financeira da autuada na EPP, fato que nunca ocorreu. Quanto ao contrato de prestação de serviços, afirma que procederá a juntada de instrumento datado de 2003 e aponta a desnecessidade de formalização por escrito de pacto dessa natureza, motivo pelo qual, não serve como argumento para confirmação da tese do fisco o reconhecimento das firmas em 2011 nos contratos de 20057. A cessão do maquinário gratuitamente pela Free Way à Geova EPP decorre de pactuação nesse sentido quando da celebração do contrato de prestação de serviços. Tratavamse de equipamentos que não estavam sendo utilizados pela autuada e tal prática mostrouse vantajosa financeiramente à esta, ante desconto no preço da prestação de serviços decorrente da cessão das máquinas. A manutenção das máquinas cedidas à Geova EPP pela Free Way decorre da preocupação desta com o maquinário que lhe pertencia, e também resultava em desconto no preço pelos serviços prestados. Quanto à falta de registro contábil do comodato (cessão das máquinas à Geova EPP), tal registro tornase desnecessário ante a gratuidade do empréstimo. Quanto à exclusividade dos serviços prestados pela Geova EPP, o fiscal a menciona apenas para o período de 2006 a 2009 (a limitação a esse período teria fins arrecadatórios?). Além disso, não existe proibição legal para a prestação de serviços exclusivamente a uma tomadora. A emissão e recebimento de um cheque pela mesma pessoa (Sr. Jarbas) justificase pelo fato desta prestar serviços tanto à emissora do cheque (Geova EPP) quanto à beneficiária (Free Way). Repetese a situação quanto à prestação de serviços (elaboração da Declaração do Imposto de Renda) pela Sra. Suraia Palimara à Geova EPP, sendo que tal pessoa física também prestava serviços à Free Way. Não existe ilegalidade nessa situação. Quanto ao contrato firmado pela Geova EPP com a Unimed, a fiscalização apontou que assinava em nome da EPP pessoa não habilitada a tanto, mas depois houve a retificação deste fato, o que foi Fl. 4262DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723262/201106 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.209 S2C4T3 Fl. 7 6 confirmado pela própria Unimed. No entanto, o contrato sempre existiu e foi cumprido pela Geova EPP. Assim, tratouse de mero erro. A Free Way, com o intuito de acompanhar a regularidade das empresas que lhe prestavam serviços (inclusive em virtude do Termo de Ajuste de Conduta firmado com o Ministério Público do Trabalho MPT), revisava e acompanhava os contratos destas e, por equívoco, este contrato foi assinado pela pessoa que fazia esse trabalho em nome da Free Way. Também em decorrência da necessidade de dar cumprimento ao que fora acordado com o MPT, a Free Way sempre acompanhou as homologações das rescisões de contratos de trabalho relativos às empresas que lhes prestavam serviços e também a documentação relativa ao FGTS. A contratação pela Free Way de trabalhadores demitidos pela Geova EPP não tem impedimento legal e decorre do fato de tais trabalhadores terem as qualificações técnicas exigidas para o desempenho do trabalho. A alegação de que a não distribuição de lucros pelas EPP deuse propositalmente não tem nexo, como também a de que havia manobras contábeis para esconder o pagamento de despesas da Geova EPP pela Free Way, imputação com interesse arrecadatório. Não existe qualquer das irregularidades apontadas o que demonstra o histórico fiscal da empresa, sem qualquer débito. Quanto aos depósitos bancários da Geova EPP que não foram justificados por esta, tais fatos dizem respeito apenas à Geova EPP, não se prestando a atribuição da responsabilidade à Free Way. Quanto aos serviços prestados por contadores à Geova EPP, foram devidamente pagos e, qualquer irregularidade também só diz respeito a esta empresa. Conforme declarou o Sr. Geova, sua firma utilizavase de contadores freelance e não existe irregularidade no fato de tais pessoas também prestarem serviços à Free Way. Quanto à afirmação do Sr. Geova de que não sabia quanto pagava de aluguel, o que o auditor fiscal não tinha ciência é que houve negociação no preço dos serviços prestados, com redução do valor em troca das máquinas cedidas. Quanto às atividades do RH, as empregadas da Free Way (Janaína, Regina e Silvana) apenas acompanhavam os serviços da Geova EPP e se não foram identificadas despesas referentes a estes serviços, tal fato deve decorrer da não localização nas folhas de pagamento de empregados que desempenhavam tais atividades. Os depoimentos prestados por exempregados relativos a processos trabalhistas são nulos, por ofensa à ampla defesa e ao contraditório, já que a autuada não foi intimada para acompanhar tais depoimentos. Ademais, o conteúdo destes depoimentos não condiz com a realidade. A informação de que os empregados da Geova EPP quase não viam o Sr. Fl. 4263DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723262/201106 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.209 S2C4T3 Fl. 8 7 Geova não é relevante, já que este tinha pessoas para representálo e ocupavase na produção da Free Way, até que passou a trabalhar exclusivamente em sua empresa, fato não mencionado. Assim, jamais houve a alegada utilização da Geova EPP para a contratação de empregados da Free Way, visando a supressão da carga previdenciária. Quanto à Raquel EPP, afirma que os serviços prestados condizem com o objeto social desta firma, verificandose sua independência administrativa, financeira e operacional. Inexiste irregularidade na cessão à EPP que lhe prestava serviços, do imóvel cedido pela Prefeitura de Ibiraci e com tal prática, o município atingiu a finalidade pretendida, qual seja, a geração de empregos. Não pode ser aceito para a desconsideração da empresa o argumento de que sua titular fora empregada de outra (no caso, a Sra. Raquel foi empregado da José EPP). Não há vedação legal para tanto nem qualquer irregularidade com relação aos vínculos familiares da Sra. Raquel com o Sr. José ou o Sr. Jânio (sócio gerente da Free Way). A existência de várias pessoas da mesma família trabalhando no mesmo setor decorre do fato da cidade de Franca representar um grande pólo calçadista, com boa parte da força de trabalho se ocupando nesse setor. O maquinário foi cedido pela Free Way à Raquel EPP de forma gratuita, por comodato, para o qual não se exige instrumento por escrito. A falta de registro em cartório do contrato ou do reconhecimento de firma dos signatários não invalida o pacto. Quanto à exclusividade dos serviços prestados pela Raquel EPP, não existe proibição legal para tanto. A alegação da autoridade lançadora de que a não distribuição de lucros pelas EPP deuse propositalmente não tem nexo com a pretendida vinculação destas empresas com a Free Way. Em decorrência de acordo firmado com o MPT, empregados da Free Way acompanhavam os procedimentos da Raquel EPP relativos aos registros e rescisões dos empregados, o que não significa que tais atividades eram realizadas pelos empregados da Free Way. As alegações de que pessoas que trabalhavam para a Raquel EPP prestaram serviços para a José EPP e que a Raquel EPP alugou imóvel e o cedeu para uso da José EPP não guardam relação com a autuada. Quanto aos serviços prestados à Raquel EPP pela Sra. Gilberta, antes do registro de seu vínculo de emprego, a autuada acredita trataremse de serviços eventuais prestados antes que tal pessoa viesse a ser empregada da EPP. Os adiantamentos feitos pela Free Way para pagamento de despesas da Raquel EPP decorreram de solicitações desta, inexistindo ilegalidade nesse procedimento. Os valores exatos se dão em virtude Fl. 4264DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723262/201106 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.209 S2C4T3 Fl. 9 8 dos pedidos serem feitos no valor da despesa a pagar. Se tais adiantamentos não foram contabilizados pela Raquel EPP, esta empresa deve ser instada a esclarecer a situação e não concluirse por sua condição de interposta empresa da Free Way. Inexiste irregularidade no fato da mesma contadora (Sra. Suraia) ter prestado serviços à Free Way e à Raquel EPP, sabendose que os contadores transmitem declarações de centenas de clientes. Inexistiu qualquer manobra contábil para acobertar pagamentos de despesas da Raquel EPP pela Free Way. A Free Way não pagava as contas da prestadora de serviços mas como já dito, muitas vezes fez adiantamentos solicitados pela EPP. Os valores parecidos referentes a alguns meses citados no Relatório Fiscal representam coincidências, numa realidade com inúmeros lançamentos e obrigações das empresas. O pedido feito pelo Sr. Jarbas ao Banco do Brasil para a quitação de uma conta de energia elétrica da Raquel EPP representa um simples favor, não se prestando tal fato para comprovar a condição desta pessoa como procurador da Raquel EPP. Assim, nunca existiu o pagamento de despesas da Raquel EPP pela Free Way ou o controle por esta das despesas daquela. Jamais houve a alegada utilização da Raquel EPP para a contratação de empregados da Free Way, visando a supressão da carga previdenciária. Quanto à José EPP, afirma que os serviços prestados condizem com o objeto social da firma, verificandose a independência administrativa, financeira e operacional desta. O titular da José EPP é pai do Sr. Jânio, sócio gerente da Free Way, e o ensinou a lidar no setor calçadista. Posteriormente, pai e filho tiveram uma parceria empresarial. O maquinário foi cedido pela Free Way à José EPP de forma gratuita, por comodato, para o qual não se exige instrumento por escrito. A falta de registro em cartório do contrato ou do reconhecimento de firma dos signatários não invalida o pacto. Quanto à exclusividade dos serviços prestados pela José EPP, não existe proibição legal para tanto. A alegação da autoridade lançadora de que a não distribuição de lucros pelas EPP deuse propositalmente não tem nexo com a pretendida vinculação destas empresas com a Free Way. Em decorrência de acordo firmado com o MPT, empregados da Free Way acompanhavam os procedimentos da José EPP relativos aos registros e rescisões dos empregados, o que não significa que tais atividades eram realizadas pelos empregados da Free Way. Quanto aos serviços prestados à José EPP pela Sra. Gilberta, após findo o registro de seu vínculo de emprego, a autuada acredita trataremse de serviços eventuais prestados quando tal pessoa não mais era empregada da EPP. Fl. 4265DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723262/201106 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.209 S2C4T3 Fl. 10 9 As alegações de que pessoas que trabalhavam para a Raquel EPP prestaram serviços para a José EPP e que a Raquel EPP alugou imóvel e o cedeu para uso da José EPP não guardas relação com a autuada. Inexiste irregularidade no fato da mesma contadora (Sra. Suraia) ter prestado serviços à Free Way e à José EPP, sabendose que os contadores transmitem declarações de centenas de clientes. Os adiantamentos feitos pela Free Way para pagamento de despesas da José EPP decorreram de solicitações desta, inexistindo ilegalidade nesse procedimento. Os valores exatos se dão em virtude dos pedidos serem feitos no valor da despesa a pagar. Se tais adiantamentos não foram contabilizados pela José EPP, esta empresa deve ser instada a esclarecer a situação e não concluirse por sua condição de interposta empresa da Free Way. Inexistiu qualquer manobra contábil para acobertar pagamentos de despesas da José EPP pela Free Way. A Free Way não pagava as contas da prestadora de serviços mas como já dito, muitas vezes fez adiantamentos solicitados pela EPP. Os valores parecidos referentes a alguns meses citados no Relatório Fiscal representam coincidências, que ocorrem numa realidade com inúmeros lançamentos e obrigações das empresas. Assim, nunca existiu o pagamento de despesas da José EPP pela Free Way ou o controle por esta das despesas daquela. Jamais houve a alegada utilização da José EPP para a contratação de empregados da Free Way, visando a supressão da carga previdenciária. Ainda quanto às EPP, é nulo o depoimento segundo o qual a Sra. Ana Rita G S Berdu trabalhou na Free Way de 2001 a 2009, embora estivesse registrada nesse período como empregada de outras empresas. Tal depoimento foi colhido segundo os interesses do fisco, confundindo o depoente. O fisco pautouse apenas nas alegações iniciais das ações trabalhistas. No entanto, em uma delas os pedidos formulados foram afastados e na outra foi feito um acordo com a Geova EPP. Ademais, eventual coresponsabilidade da Free Way decorreria da prestação de serviços, não da utilização de interposta pessoa na contratação de empregados. Repete que nunca houve tentativa de ocultação da movimentação financeira, verificandose tãosomente adiantamentos e empréstimos que eram devolvidos conforme a Geova EPP dispunha de valores. O valor de R$ 122.000,00 transferido da Geova EPP para a empresa Intercar referese a uma dívida da Geova EPP com a Free Way, que foi saldada com o pagamento deste débito da Free Way. Destaca tratarem se de operações regularmente contabilizadas. As transferências de numerários e cheques emitidos pela Geova EPP em favor do sócio administrador da Free Way e do titular da José EPP não guardam relação com o caso sob análise, posto serem relativos a negócios da Geova EPP com estas pessoas físicas. Fl. 4266DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723262/201106 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.209 S2C4T3 Fl. 11 10 Além disso, não existe prova de que o valor de R$ 38.581,85 foi depositado em 24/01/2007 nas contas dos Srs. Jânio e José. A emissão de cheque pela Geova EPP no mesmo valor de uma conta que a Free Way tinha para pagar naquela data não significa que o tal cheque foi utilizado para esse pagamento. A Free Way quitou o seu débito com recursos da conta caixa, o que está devidamente documentado. Os cheques emitidos pela Geova EPP ao Curtume Tropical decorrem de negócios entre essas empresas. Se o Curtume Tropical utilizou tais cheques para pagar a Free Way, tal fato deuse em decorrência de nova operação, agora entre essas duas empresas. Se a Geova EPP emitiu cheques em favor da Free Way conforme o Relatório Fiscal, está sendo reconhecido que existem os lançamentos fiscais de tais valores, ou seja, existiram empréstimos e adiantamentos entre estas empresas. Reforça que não existe prova da condição aventada pelo fisco de que as EPP eram interpostas pessoas utilizadas pela Free Way para a contratação de empregados com redução de encargos previdenciários. A desconsideração da personalidade jurídica visa a responsabilização das pessoas físicas vinculadas à empresa utilizada abusivamente, atingindo o patrimônio dessas pessoas para a solução dos prejuízos causados (artigo 50 do CC). Só pode ser utilizada em casos excepcionais, prevalecendo em regra, a autonomia patrimonial da entidade. Não corresponde, portanto, à hipótese sob estudo em que se observa a existência de fato e de direito das EPP e a regularidade fiscal e tributária dessas empresas, as quais atuaram regularmente, sem qualquer lesão ou intenção de lesar terceiros. Oportunamente, procederá a juntada de Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas. Não houve simulação nem ocultação. A Free Way trabalha dando apoio às parceiras e verificando a regularidade destas quanto aos aspectos tributários e trabalhistas. Transcreve trecho do Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o MPT, afirmando que as relações com as EPP deramse nos moldes deste instrumento. Tece considerações acerca do instituto da terceirização. Menciona os artigos da CLT citados no Relatório Fiscal e aduz que tais dispositivos são aplicáveis na esfera trabalhista, não na tributária. Caracterizouse a bitributação, pois, não foram consideradas as contribuições já pagas pelas EPP quando do recolhimento da guia unificada do Simples, que inclui valores a título de contribuições previdenciárias. O auditorfiscal não dispõe de competência para efetuar a desconsideração da personalidade jurídica, mormente sem observar o direito de defesa da empresa. Esta competência pertence ao Poder Judiciário. Fl. 4267DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723262/201106 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.209 S2C4T3 Fl. 12 11 A situação fática apresentada pela fiscalização não é suficiente para concluir que ocorreu o fato gerador das contribuições lançadas. Impugna a base de cálculo adotada pela fiscalização. Quanto à multa, não pode ser aplicada aquela fundamentada no artigo 32, § 5o da Lei 8.212/91, em virtude da revogação deste dispositivo legal. O descumprimento da obrigação acessória não pode ser trasladado em obrigação de dar. A multa aplicada viola a moralidade e razoabilidade administrativas e o direito de propriedade do contribuinte. O AI referente às contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros) é improcedente também porque as EPP – como optantes do Simples – não são sujeitos passivos destes tributos. Quanto à decadência, deve prevalecer a regra insculpida no artigo 150 do CTN, posto não haver comprovação da intenção dolosa mencionada pela fiscalização. Não deve prevalecer a responsabilização pessoal do sócio administrador, já que não agiu de forma dolosa ao contratar os serviços das EPP legalmente constituídas, fazer auditorias e proporcionar o acompanhamento técnico e do controle de qualidade. Ademais, quando cabível, a responsabilização do sócio restringese à hipótese da sociedade não dispor de bens suficientes para o adimplemento das obrigações. Se a Lei Complementar 123/20068 estabelece regime tributário simplificado, não pode o fisco afastar suas disposições em relação às empresas que efetivamente se enquadram nos ditames legais. Deve ser afastada a multa qualificada de 150% posto não se comprovar qualquer fraude, dolo ou conluio. A Representação Fiscal Para Fins Penais deve ser arquivada. O procedimento fiscal afronta o disposto no artigo 5o XX9 da Constituição Federal, criando embaraços ao livre exercício do trabalho. Ocorreu violação aos princípios constitucionais: da segurança jurídica da tributação, da tipicidade fechada, da vinculação do lançamento à lei, da interpretação estrita da lei, da igualdade, da confiança na lei fiscal, da boa fé do contribuinte, e da legalidade. Ao final, pugna pela juntada de novos documentos e prova testemunhal para demonstrar que houve indução nos depoimentos, requerendo prazo para a apresentação do rol de testemunhas. Requer a nulidade dos lançamentos. Ad cautelam, impugna os valores apresentados e requer a realização de perícia técnica. Também veio aos autos peça impugnatória em nome do Sr. Jânio Machado Rodrigues da Silva, na qual repete os argumentos apresentados pela Free Way e já relatados, requerendo a exclusão de sua responsabilidade. Fl. 4268DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723262/201106 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.209 S2C4T3 Fl. 13 12 Após regularização da representação processual, foram os autos encaminhados à este colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário. Uma vez que os argumentos apresentados na impugnação estão de forma bem detalhada acima apresentados, apresento síntese do alegado e pleiteado no recurso: Julgamento unificado com demais autuações – IRRPJ, CSLL, PIS/COFINS e IPI (processos 13855.723641/201198, 13855.723644/201121 e 13855.723642/201132). Excessos cometidos na colheita de informações. Nulidade do procedimento fiscalizatório vício material. O mandado de procedimento fiscal fora instruído com diversos dados e informações produzidos à revelia da Recorrente. Prática da terceirização de serviços na indústria calçadista. Independência das empresas pe pequeno porte prestadoras de serviços. Geova, José Rodrigues e Raquel Batista são empresas totalmente independentes da Recorrente. Embora o levantamento apurado pela fiscalização seja robusto, ele é precário, uma vez que pautase apenas e tão somente em indícios, não passando de presunção. Inaplicabilidade pe multa qualificada Decadência. Necessidade de aplicação da multa mais benéfica: nulidade do auto de infração n° 37.249.959 7. Compensação da parcela de contribuição previdenciária constante da alíquota do regime simplificado. Afastamento da responsabilidade do sócio administrador da recorrente. Além do recurso voluntário, a Free Way requereu o sobrestamento do processo até que o STF profira decisão acerca da questão do sigilo bancário/requisição de informações financeiras. É o relatório Fl. 4269DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723262/201106 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.209 S2C4T3 Fl. 14 13 Voto O lançamento presente neste processo tem como devedor solidário, conforme Termo de Responsabilidade Solidária, o Sr Janio Machado Rodrigues Silva. Não constatei ciência por parte do devedor solidário da decisão de primeira instância. Entendo necessário cientificálo e abrir prazo para recurso. CONCLUSÃO Voto por baixar o processo em diligência para cientificar o Sr Janio Machado Rodrigues Silva da decisão de primeira instância e abrir prazo para apresentação de recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 4270DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11516.007837/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2007
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas.
AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Caso a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2007 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Caso a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões.
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GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Caso a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 78 37 /2 00 8- 51 Fl. 620DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007837/200851 Acórdão n.º 2402004.540 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 11/2003 a 12/2007. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 06/07), nas competências 11/2003, 01/2005, 02/2005, 02/2006, 08/2006, 09/2006, 13/2006, 07/2007, 08/2007 , 10/2007 e 13/2007, a empresa deixou de informar em GFIP os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais, conforme planilha fl. 10. Os valores constam da folha de pagamento da empresa e de documentos apresentados e são relativos à remuneração da administração e obras. Informa que nos meses 01/2005 e 02/2005, os valores são relativos a serviços de projetos e acompanhamentos de obras do Residencial Alaíde, registrados na página 107 do Livro Razão de 2005, no valor de R$ 18.000,00, pagos a João Batista S. Flaustino. Não consta também na GFIP os serviços prestados por Elisabeth Akiko Guenka, relativos a confecção de projetos, no valor de R$ 20.000,00. Apresenta quadro, fl. 07 de outros pagamentos efetuados a profissionais de engenharia, conforme apurado de ART's, que não foram inclusos na GFIP, nas competência em que estes ocorreram. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 21/11/2008 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 32/53), alegando, em síntese, que: 1. informa que as obras Residencial Dona Martha, Residencial Bernardo Koerich e Residencial Alaíde foram objeto de ações judiciais movidas pela empresa autuada, antes da ação fiscal desenvolvida na empresa. As ações foram motivadas pela recusa do órgão fiscalizador à época, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em conceder a Certidão Negativa de Débito (CND) relativa. as obras mencionadas, quando da solicitação desta, ao término das obras. As ações ordinárias foram de n° 2004.72.00.0076820 (Residencial Dona Martha), 2007.72.00.0115527 (Residencial Bernardo Koerich) e 2005.72.00.0105124 (Residencial Alaíde). Alega que os processos judiciais foram favoráveis à empresa e estes apresentam perícia contábil e que estas indicam que a empresa tem contabilidade formal e regular, e que em momento algum feriu os princípios contábeis geralmente aceitos, conforme afirma a fiscalização. Apresenta documentação relativa às citadas ações judiciais ordinárias em anexo; 2. com relação ao Residencial Bernardo Koerich, ação judicial relativa ao processo 2007.72.00.0115527, informa que foi efetuado depósito Fl. 622DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 judicial no valor de R$208.400,59, conforme extrato juntado aos autos; 3. com relação ao Residencial Guimarães, alega que os empregados relacionados no anexo II dos autos não pertencem a esta obra e tão somente ao Residencial Bernardo Koerich, conforme documentos anexados, sendo que este se encontra com ação em juízo e com perícia judicial deferida; 4. com relação aos contribuintes individuais (engenheiros) citados pela fiscalização, informa que juntou cópias de documentos contábeis, bem como de recolhimentos e GFIPs; 5. alega que o Residencial Guimarães foi adquirido em 09/11/2004 da empresa H.SELL Empreendimentos Ltda, por contrato de permuta, sendo que o terreno foi adquirido com os projetos aprovados e obras de estaqueamento já realizadas no imóvel. Que a obra somente teve registro na contabilidade a partir de abril de 2005, conforme Livro Razão e que antes desta data não poderia ter registro de folha de pagamento; 6. cita que as ART's de n° 26274260 e 26277252, referentes a projeto estrutural e responsabilidade técnica de acompanhamento da obra, são relativas à obra Residencial São José, que se encontra em andamento. Aduz que as obras, com exceção do Residencial Guimarães não necessitam de despesas com preparação de terreno, e que as obras se iniciam com o estaqueamento, posto que os terrenos são planos; 7. discorre sobre o critério de aferição indireta e alega que esta deve ser aplicada apenas nos casos de exceção, ou seja, quando foi impossível a apuração das contribuições previdenciárias devidas através da contabilidade da empresa ou deixar esta exibir documentos pertinentes. Argumenta que a perícia judicial deferida para as obras demonstrou que a contabilidade da empresa é regular e formalizada; 8. argumenta que se ocorresse alguma deficiência na contabilidade, esta não afetaria os cálculos da previdência social a recolher, posto que este é feito de forma extra contábil; 9. aduz que, no caso de ser considerado a aferição, deve ser aplicado a atual norma vigente, a Instrução Normativa 24, de 30/04/2007, que alterou o Título V Normas e Procedimentos Aplicáveis à atividade de Construção Civil, da IN MPS/SRP n° 3 de 14/07/2005; 10. alega que não houve a intenção de sonegar qualquer tributo e que a simples inadimplência não representa crime de sonegação fiscal. Aduz que somente após o julgamento da defesa administrativa do contribuinte é que se pode falar em sonegação fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis/SC – por meio do Acórdão 0717.647 da 6a Turma da DRJ/FNS (fls. 568/571) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que houve a aplicação da retroatividade benéfica, aplicandose a regra do art. 32A, inciso II, da Lei 8.212/1991. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007837/200851 Acórdão n.º 2402004.540 S2C4T2 Fl. 4 5 A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que a empresa possui contabilidade regular. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Florianópolis/SC informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processa e julgamento. É o relatório. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais. Os valores da remuneração desses segurados foram devidamente delineados no Relatório Fiscal e nos quadros demonstrativos, bem como nos processos: 11516.007840/200875 e 11516.007838/200804. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º. A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o: Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social: Fl. 625DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007837/200851 Acórdão n.º 2402004.540 S2C4T2 Fl. 5 7 Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Constatase que as demais alegações expostas na peça recursal reproduzem os mesmos fundamentos esposados na defesa relativa ao lançamento da obrigação previdenciária principal, constituída nos autos dos processos 11516.007840/200875 e 11516.007838/200804. Após essas considerações, informo que, quando da análise do processo da obrigação principal, as conclusões acerca dos argumentos da peça recursal – concernente ao descumprimento da obrigação acessória, no que forem coincidentes, especificamente com relação à utilização do arbitramento da base de cálculo da obrigação principal – foram devidamente enfrentadas. Assim, passarei a utilizar o conteúdo assentado na decisão do processo da obrigação principal para explicitar que os seus elementos fáticos e jurídicos serão parte integrante deste Voto. Isso está em conformidade ao art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999 – diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal –, transcrito abaixo: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.) O processo 11516.007840/200875 assentou em sua ementa os seguintes termos: Fl. 627DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007837/200851 Acórdão n.º 2402004.540 S2C4T2 Fl. 6 9 “[...] AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Caso a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. [...]” Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10120.724092/2013-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE QUESTIONAMENTO EM SEDE RECURSAL.
A matéria que não tenha sido objeto de impugnação não pode por sua vez ser objeto de insurgência em sede de recurso voluntário, por operar-se sobre a mesma a preclusão.
Recurso voluntário de que não se conhece quanto a este aspecto.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N.105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONLUIO. PRESUNÇAO. AJUSTE DOLOSO NÃO COMPROVADO. QUALIFICAÇÃO AFASTADA.
A exigência da multa qualificada tem como requisito a comprovação da ocorrência da hipótese tipificada dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A ocorrência do conluio depende da verificação de dolo dos agentes a que se reporta a conduta. Incabível a presunção de utilização de interposta pessoa e imputação de titularidade de contas-correntes a terceiro, em razão de sentença penal, que reconheceu essa prática, mas não especificou para quais contas os agentes assim procediam. Não restando comprovado o ajuste doloso, deve ser afastada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acórdão os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMDTD (Relator), RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JÚNIOR, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTÔNIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente e Redator designado
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 10/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE QUESTIONAMENTO EM SEDE RECURSAL. A matéria que não tenha sido objeto de impugnação não pode por sua vez ser objeto de insurgência em sede de recurso voluntário, por operar-se sobre a mesma a preclusão. Recurso voluntário de que não se conhece quanto a este aspecto. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N.105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONLUIO. PRESUNÇAO. AJUSTE DOLOSO NÃO COMPROVADO. QUALIFICAÇÃO AFASTADA. A exigência da multa qualificada tem como requisito a comprovação da ocorrência da hipótese tipificada dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A ocorrência do conluio depende da verificação de dolo dos agentes a que se reporta a conduta. Incabível a presunção de utilização de interposta pessoa e imputação de titularidade de contas-correntes a terceiro, em razão de sentença penal, que reconheceu essa prática, mas não especificou para quais contas os agentes assim procediam. Não restando comprovado o ajuste doloso, deve ser afastada. Recurso negado.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE QUESTIONAMENTO EM SEDE RECURSAL. A matéria que não tenha sido objeto de impugnação não pode por sua vez ser objeto de insurgência em sede de recurso voluntário, por operarse sobre a mesma a preclusão. Recurso voluntário de que não se conhece quanto a este aspecto. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N.105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONLUIO. PRESUNÇAO. AJUSTE DOLOSO NÃO COMPROVADO. QUALIFICAÇÃO AFASTADA. A exigência da multa qualificada tem como requisito a comprovação da ocorrência da hipótese tipificada dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A ocorrência do conluio depende da verificação de dolo dos agentes a que se reporta a conduta. Incabível a presunção de utilização de interposta pessoa e imputação de titularidade de contascorrentes a terceiro, em razão de sentença penal, que reconheceu essa prática, mas não especificou para quais contas os agentes assim procediam. Não restando comprovado o ajuste doloso, deve ser afastada. Recurso negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 40 92 /2 01 3- 37 Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMDTD (Relator), RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JÚNIOR, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTÔNIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente e Redator designado (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 10/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT. Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 21 3 Relatório Tratase de auto de infração (fl. 1234/13), no qual foi averiguado o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anoscalendário de 2008, 2009, 2010 e 2011, constituído em razão de omissão se rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, exigindo o crédito tributário no valor de R$ 10.350.125,42, já incluídos juros de mora e multa qualificada de 150%. A autuação tem como sujeito passivo Carlos Augusto de Almeida Ramos e como responsável solidário Geovani Pereira da Silva, em razão da aplicação do art. 124 do Código Tributário Nacional. Como referido pelo Termo de Sujeição Passiva “Conforme fartamente demonstrado no Processo Penal nº 927209.2012.4.013500 da lavra do Meritíssimo Juiz Federal Alderico Rocha Santos da 11ª Vara da Seção Judiciária do Estado de Goiás, ora anexado ao processo administrativo nº 10120.724.092/201337 (fls. 711 a 1.232), o Sr. Geovani dolosamente permitiu a utilização de suas contascorrentes para que o Sr. Carlos Augusto obtivesse êxito na tentativa de sonegar tributo e branquear recurso financeiros de origem ilícita, tendo, portanto, interesse na empreitada”(fls.1269/1270). Procedimento de Fiscalização O procedimento fiscal foi impulsionado inicialmente por determinação do MPF nº 0120200.201200245 (fl. 27), com o fito de verificar indício de movimentação financeira incompatível para os anoscalendário 2008 a 2011 junto a Geovani Pereira da Silva. 92720920124013500 Com base na sentença penal anexada ao processo (fls. 722/1232), Geovani Pereira da Silva, ora responsável solidário, era o “contador” de Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, e movimentava recursos financeiros deste último em suas contas correntes pessoais. Em 26/06/2012, foi lavrado Termo de Início do Procedimento Fiscal e encaminhado para a intimação de Geovani Pereira, no domicílio fiscal indicado (fls. 27/28), para apresentar os seguintes elementos/esclarecimentos: Em relação aos anos calendários de 2008 a 2011 1 – Extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas pelo declarante, cônjuge e seus dependentes junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes ao período de 2008 a 2011. 2 – relação do(s) nome(s) dos bancos, nº de agência e nº de conta corrente de todas as instituições financeiras que mantém ou manteve conta, no(s) período(s) acima especificado(s), acompanhado da cópia da Ficha de Cadastro da abertura da conta Em relação ao ano calendário de 2011 Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 1 – Recibos da(s) Declaraçõe(s) de Imposto de Renda Pessoa Física, ou justificar sua não entrega. 2 – Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista, que o contribuinte se enquadra nas condições de obrigatoriedade de entrega como sócio da empresa. Apresentar ainda cópia da documentação hábil e idônea que utilizar nos lançamentos a serem feitos na referida declaração de rendimentos, tais como os valores de rendimentos tributáveis, não tributáveis, isentos e exclusivos de fonte, de deduções pleiteadas, de bens móveis e imóveis, bancários, entre outros. Não logrando êxito na intimação do fiscalizado (fls. 29/32), foi lavrado edital nº 003/2012EFFMC/SSRF01, de 27/07/2012, em cumprimento aos ditames do inciso III, do art. 23 do decreto 70.235/72. O Edital foi afixado mural do Sefis em 25/07/2012, e desafixado em 24/08/2012 (fl. 33). Em 10/09/2012, foi expedida Solicitação de Emissão de Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira (RMF), das contas de Geovani Pereira da Silva, sob a justificativa de que “O contribuinte movimentou nos anoscalendário de 2008 a 2011 o total de R$ 11.017.985,11, enquanto que declarou o total de rendimento o valor de R$ 63.862,00, o que caracteriza a situação de indício de interposta pessoa. A necessidade de transferência do sigilo bancário se deve principalmente pelo fato de o contribuinte não ser encontrado em seu domicílio fiscal, fato este que obrigou esta Fiscalização lavrar o Edital nº 003/2012EFFMC/SSRF01, que não foi atendido no prazo determinado pelo mesmo bem como o fato de uma movimentação financeira correspondente a 172,5 vezes a renda declarada.” (fl. 34/37). Assim, em 11/09/2012, foram lavradas as Requisições de Movimentações Financeiras nºs; 01.2.02.002012000213, destinada ao HSBC Bank Brasil S.A, fl. 38. Resposta do Banco informando os ativos financeiros em nome do fiscalizado na fl. 42/65. 01.2.02.002012000221, destinada ao Banco Real S.A. (fl. 66/69). Resposta dada pelo Banco Santander, fl. 72/122; 01.2.02.002012000230, destinada ao Unibanco – União de Bancos Brasileiros S.A. (fl.122). Resposta dada pelo Banco Itaú Unibanco, fl. 126/160, , apresentada em 17/01/2013. 01.2.02.002012000248, destinada ao Banco Itaú S.A, fl. 161. Resposta dada pelo Banco Itaú S.A. às fls. 168/209; 01.2.02.002012000256, destinada ao Banco Bradesco S.A. fl. 210. Resposta dada pelo Banco Bradesco, fl. 215/284; 01.2.02.002012000264, destinada à Cooperativa de Livre Admissão do Centro Norte GO, fl. 285. Resposta dada pela Unicred, fl. 289/318. Em 25/09/2012, fl. 319, foi lavrado o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal nº 0551 (fl. 319), sendo expedido AR, tendo o mesmo retornado, em 01/10/2012, com a informação da impossibilidade de intimação, pois o fiscalizado era “desconhecido” (fl. 320). Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 22 5 Em 08/10/2012 foi lavrado Edital nº 008EFFMC/SRRF01, em cumprimento aos ditames do inciso III do Art. 23 do Decreto 70.235/72 (fl. 722). Diante do não atendimento da Requisição de Movimentação Financeira por parte do banco Unibanco, foi lavrado o Termo de Reintimação Fiscal nº 15, para que a instituição financeira apresentasse os extratos bancários solicitados (fls. 323 a 325). A instituição foi intimada em 12/01/2013 (fl. 324). Em razão da apresentação do Sr. Giovani Pereira à Polícia Federal, foi solicitado à Justiça Federal de Goiás o endereço do fiscalizado, havendo a resposta com a informação do seu domicílio em 11/03/213 (fl. 600). De posse dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, foi lavrado o Termo de Intimação nº 78, para Geovani Pereira da Silva apresentasse, no prazo de 20 dias, em relação aos anoscalendário 2008 a 2011 “documentação hábil e comprobatória da origem dos depósitos bancários listados no anexo apresentado, referente a cona bancária mantida em seu nome, identificando natureza tributária da operação que deu origem ao crédito.” (fls. 326/427). O Termo de Intimação Fiscal nº 78 foi novamente encaminhado, agora para o endereço que o contribuinte forneceu para a Justiça Federal de Goiás, tendo havido a ciência em 20/03/2013 (fls. 428/429) e, em 04/04/2013, o mesmo esteve na Delegacia da Receita Federal para obter cópia dos extratos bancários, de acordo com o Termo de Intimação Fiscal nº103 (fl. 716), o que demonstra a ciência do fiscalizado a respeito do TIF nº 78. Em 08/04/2013, o Sr. Geovani solicita uma prorrogação de prazo, o que foi deferido, sem que o contribuinte tenha trazido à fiscalização os esclarecimentos requeridos (fls. 719/721); Em 05/03/13, são expedidos ofícios aos Bancos aos quais remetidos anteriormente os RMF’s, solicitando cópia de documentos referentes aos valores lançados nos extratos analisados (fls. 430/452). Em atenção aos ofícios, as instituições financeiras apresentaram, total ou parcialmente, os documentos solicitados: Banco Bradesco S.A. (fl. 455/528); Banco Itaú S.A. (fls.579/590); Unibanco – União de Bancos Brasileiros S.A., (529/553); HSBC (fls. 555/569); Santander (fls. 570/578) e Unicred (fls. 591/599) Em 18/03/2013, foi lavrado Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 0084, em face Carlos Augusto de Almeida Ramos, onde constou que o intimado era o titular de fato das contas movimentadas pelo Sr. Geovani Pereira da Silva, conforme verificado na sentença penal prolatada em ação penalº 927209.2012.4.01.3500, que corre na 11ª Vara Federal da Seção Judiciária de Goiás. Diante disso, o contribuinte foi instado a apresentar documentação hábil e comprobatória da origem dos depósitos bancários listados em anexo, referente as contas correntes mantidas em nome do Sr. Geovani que, das quais quais o contribuinte Carlos Augusto de Almeida Ramo foi considerado titular de fato (...), identificando a natureza tributária das operações que deram causa aos créditos”(fls. 601/707). Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Intimado em 25/03/2013 (fls. 708/709), o contribuinte apresentou esclarecimentos, alegando desconhecer a origem dos depósitos listados, porquanto nunca teve acesso às mencionadas contas (fls. 710/715). Foi juntada aos autos a Sentença Penal proferida na ação que Carlos Augusto de Almeida Ramos e Geovani Pereira da Silva eram réus (fls. 722/1232) Em razão da ausência de justificativa para a origem dos depósitos, tanto por parte de Carlos Augusto de Almeida Ramos, quanto de Geovani Pereira da Silva, a totalidade dos depósitos listados no Termo de Intimação Fiscal nº 78 e no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 84 foi considerada como não justificada, para fins de apuração do tributo devido. Foi aplicada multa qualificada, sob a justificativa de que o contribuinte e o responsável solidário reiteradamente vêm se utilizando de interposta pessoa para tentar dolosamente impedir o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador, com o único intuito de sonegar os tributos devidos. Impugnação Sendo lavrado o auto de infração, Carlos Augusto de Almeida Ramos foi cientificado do lançamento em 22/05/2013 (fl.1274) e em 18/05/2013 (Geovani Pereira da Silva, fl.1272), os contribuintes apresentaram as impugnações em 17/06/2013 (fls.1284/1315 e 1318/1340, respectivamente). A Impugnação de Carlos Augusto de Almeida Ramos deuse com base nos seguintes argumentos Preliminar Nulidade do auto por Quebra Ilegal de Sigilo Bancário: Entende que o auto de infração é nulo, pois viola a reserva constitucional de jurisdição, para afastamento do sigilo bancário do contribuinte, tendo a autoridade fazendária, com base em sentença penal pendente de trânsito em julgado, estabelecido a premissa de que era o Sr. Carlos Augusto, e não o Sr. Geovani, o verdadeiro titular dos valores movimentados nas contas correntes em nome deste último. Foi com base nessa presunção estabelecida pela sentença de que era o Sr. Carlos Augusto o verdadeiro titular dos valores movimentados nas contas de Geovani Pereira da Silva, que a autoridade requereu deste último os extratos bancários e, diante da ausência de apresentação, foram emitidos as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira do contribuinte. Refere que o sigilo bancário não pode ser afastado sem autorização judicial, o que não teria ocorrido no presente caso. Acrescenta que a proteção ao sigilo bancário constitui espécie do direito à intimidade consagra do no artigo 5º, X, da Constituição, já havendo entendimento do Supremo Tribunal Federal no sentido de que seria inconstitucional a quebra de sigilo bancário por parte da autoridade fazend ária, sem a determinação judicial. Mérito Ilegalidade da Majoração da multa de 150% inexistência de dolo ou fraude. inexistência de dolo ou fraude: Em suas razões, define os conceitos de sonegação e fraude frente os artigos 71 a 73 da Lei n] 4.502/64, como a “ação ou omissão dolosa Explica que, do ponto de vista fiscal, fraude, conforme legalmente definido, consiste na ação ou omissão dolosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador do tributo. Esclarece o que seria, no seu entender, a diferença entre dolo civil e dolo penal, sendo que o primeiro consistiria em artifício enganoso, malicioso, de má fé, utilizado para induzir alguém à pratica de ato em seu prejuízo, já o dolo penal consistiria na vontade consciente do agente, de praticar Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 23 7 ato que irá ocasionar resultado delituoso. Conclui que o dolo presente na definição de fraude é aquele definido pelo direito penal, e estaria caracterizado pela falsificação de documentos, emissão de notas calçadas, adulteração de documentos contábeis, etc. Sustenta que a conduta do contribuinte não almejou o impedimento da ocorrência do fato gerador, a acusação que lhe é feita é a de omitir dados da movimentação financeira, que pode ser aferida mediante programa da Receita Federal. Reitera que não se pode falar em intenção fraudulenta toda vez que a autoridade fazendária tiver a possibilidade de rever as declarações prestadas pelos contribuintes sendo essencial que esteja caracterizada a deliberada intenção de obter o impedimento ou retardamento da ocorrência do fato gerador, ou exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido. Desproporcionalidade da multa aplicada, em razão de seu efeito confiscatório. A Impugnação de Geovani Pereira da Silva repisa os mesmos argumentos jurídicos explorados por Carlos Augusto de Almeida Ramos, ressalvada a diferença de referir que foi o seu sigilo bancário quebrado com base em presunção de que terceiro seria o titular de suas contas. Decisão da DRJ A 3ª Turma da DRJBSB, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo a exigência fiscal (fls.1344/1353). O referido vem bem elucidado na ementa que segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício:2009, 2010, 2011, 2012 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA: OMISSÃO DE RENDIMENTOS EVIDENCIADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS INJUSTIFICADOS. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, conforme o art. 17, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos regularmente editados. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. REGULARIDADE É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante quebra do sigilo bancário, quando efetuada esta com base e estrita obediência ao disposto na LC nº 105 e Decreto nº 3.724, ambos de 2001. MULTA DE OFÍCIO. Por expressa determinação legal, a multa de ofício de 75% é aplicável em casos omissão de rendimentos evidenciada por depósitos injustificados, devendo a multa ser Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 qualificada quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Em seus argumentos, expõe em síntese: No tocante à nulidade por Quebra Ilegal de Sigilo Bancário, traça histórico legislativo acerca da possibilidade de obtenção de informações bancárias dos fiscalizados, indicando que a edição do art. 6º da Lei Complementar nº 105/01 chancelou a possibilidade da autoridade fiscal no bojo do processo administrativo de proceder a quebra do sigilo bancário dos contribuinte. Cita Parecer PGFN/CAT nº 1649/03, para rejeitar a alegação de inconstitucionalidade e ilegalidade da quebra de sigilo bancário sem anterior permissão judicial. Consigna que procedimento fiscal foi instaurado ao se verificar indícios de movimentação financeira incompatível com a renda declarada por Geovani Pereira da Silva, o que autorizava a obtenção de extratos bancários diretamente das instituições financeiras, no caso da ausência de apresentação dos mesmos pelo contribuinte. Afirma que a constatação durante o processo judicial de que a movimentação financeira das contas correntes pertencia ao Sr. Carlos Augusto propiciaram a lavratura do Auto de Infração em nome deste último, mas não foi a causa da obtenção dos extratos diretamente das instituições financeiras. No mérito, Aponta que o contribuinte deixou de impugnar o mérito da omissão de rendimentos evidenciada por depósitos bancários não justificados, aplicando o art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Acrescentando que os impugnantes não se insurgiram contra a constatação, no decorrer do processo judicial, de que a movimentação de recursos nas contas correntes em nome do Sr. Geovani, de fato pertencia ao Sr. Carlos Augusto, tampouco foi dada qualquer explicação que tornasse plausível eventual boa fé que porventura pudesse existir no procedimento adotado. Em relação à multa de 150%, refere que a multa de ofício foi aplicada com base inciso II, do artigo 44, da lei nº 9.430/96, citando o conceito de evidente intuito de fraude definido na lei nº 4.502/64. Aduz que a utilização de interposta pessoa para ocultação de bens ou de movimentação financeira constitui caso claro de tentativa de impedir ou retardar o conhecimento das autoridades fazendárias acerca da ocorrência de fatos geradores ou da condição financeira pessoal do contribuinte. Colaciona Súmula CARF nº 34, que consigna ser cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Em relação ao caráter confiscatório da multa, revela que esta é mera sanção por ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, razão pela qual inaplicável a vedação do confisco prevista no art. 150, IV, da Constituição Federal. Assevera que o princípio do nãoconfisco dirigese ao legislador e não ao aplicador da lei. Colaciona jurisprudência. Recurso Voluntário O sujeito passivo Geovani Pereira da Silva foi notificado do resultado do julgamento de sua impugnação em 12/08/2013 (fl.1363), tendo interposto recurso voluntário em 09/09/2013 (fls. 1418/1436), repisando os argumentos anteriormente esgrimados. Acrescentando, em síntese: Discorre sobre a necessidade de reforma da decisão, no ponto em que afirma que o contribuinte não impugnou o mérito do lançamento. Afirma que caberia ao agente Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 24 9 fazendário determinar se os valores encontrados na conta corrente do recorrente ou do responsável do solidário são renda tributável. No mérito, assevera que os simples depósitos não configuram renda, que são entradas que modificam o patrimônio da pessoa jurídica, incrementandoo. Cita doutrina a respeita da distinção entre ingressos e receitas, afirmando que somente poderia recair a tributação sobre estas. , O sujeito passivo Carlos Augusto de Almeida Ramos foi notificado do resultado do julgamento de sua impugnação em 12/08/2013 (fl.1362), tendo interposto recurso voluntário em 09/09/2013 (fls. 1365/1417), repisando os argumentos anteriormente expostos na sua impugnação. É o relatório. Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Voto Vencido Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt, Relator. Preliminarmente – Conhecimento parcial do Recurso Voluntário de Carlos Augusto de Almeida Ramos Primeiramente, entendo que não deve ser conhecido o Recurso de Carlos Augusto de Almeida Ramos, no ponto em que discute a impossibilidade da presunção da omissão de rendimentos em face do conceito de renda previsto na legislação tributária. Ambas as impugnações apresentadas não se irresignaram quanto ao mérito da omissão de rendimentos, limitandose a discutir: 1) a nulidade do auto de lançamento em razão da prova ilícita (quebra de sigilo bancário); e 2) A impossibilidade de aplicação da multa qualificada. Assim, não houve abertura de litígio quanto à omissão de rendimentos imputada, seja para comprovar sua origem, seja para discutir sua inconformidade ao conceito de renda previsto na legislação tributária. Tratase de aplicação do art. 17 do Decreto 70.235/72, que expressamente determina que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Destacase que a discussão a que pretende o Recorrente no ponto, não é simplesmente trazer argumentos ou provas novas em sede de Recurso Voluntário, o que é aceito. Tratase de trazer, em sede de recurso, irresignação sobre ponto que havia restado incontroverso pelo decurso de prazo para impugnação. Nesse sentido, a impugnação parcial importa na possibilidade de cobrança sobre os valores não litigiosos do lançamento. No presente caso, tal cobrança não foi efetivada em razão da preliminar de nulidade do auto de lançamento por utilização de prova ilícita. Nesse sentido, o despacho de encaminhamento à fl. 1440 refere expressamente que “apesar do julgador de primeira instância ter considerado que no mérito não houve contestação da omissão de rendimentos, todo o crédito tributário foi suspenso no sistema Sief, como se observa no extrato de fls.1438/1439, devido à preliminar de nulidade alegada pelos interessados. para prosseguimento”. Nesse sentido já decidiu este Conselho: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE QUESTIONAMENTO EM SEDE RECURSAL. A matéria que não tenha sido objeto de impugnação não pode por sua vez ser objeto de insurgência em sede de recurso voluntário, por operarse sobre a mesma a preclusão. Recurso voluntário de que não se conhece quanto a este aspecto. (...) (Acórdão nº 2802002.642; Relator: Carlos Andre Ribas de Mello; Sessão de 21 de janeiro de 2014) Assim, não deve ser conhecido do Recurso no ponto. Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 25 11 De todo modo, verificase que a irresignação do contribuinte em relação à presunção da omissão de rendimentos referese unicamente ao ônus probatório da administração fiscal em apontar a ocorrência da efetiva existência de renda. Vale lembrar que, mesmo que conhecido o recurso no ponto, a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recurso Fiscais é pela existência de uma previsão legal, que permite a tributação dos depósitos bancários que não tiveram sua origem comprovada, independentemente da existência ou não de acréscimo patrimonial dele decorrente. Quanto aos demais pontos, ambos os Recursos serão analisados conjuntamente, em razão da similitude de suas alegações. Obtenção de Provas RMF Os recorrentes insurgemse quanto à quebra de sigilo bancário pela fiscalização, requerendo a nulidade do auto de infração. Diante disso, passase à analise do ponto. O sigilo bancário tem sido tratado pelo STF e pelo STJ como assunto sujeito à proteção da vida privada dos indivíduos1. Corroborando, vejase o julgado do STF (RE 219.780), em que o sigilo bancário foi considerado garantia constitucionalmente estabelecida. Do referido precedente, leiase: “O sigilo bancário protege interesses privados. É ele espécie de direito à privacidade inerente à personalidade das pessoas e que a Constituição consagra (CF, art. 5º, X)”. Mais especificamente, o assento constitucional da garantia de sigilo bancário se encontra nos incisos X e XII da CF, segundo os quais “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação” e “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal”. De fato, sua interpretação conjunta conduz à conclusão de que o sigilo dos dados bancários está sujeito à proteção da vida privada dos indivíduos2. Em sendo assim, temos que o sigilo bancário, a par de possuir assento constitucional, é entendido como um direito e garantia fundamental, o que impõe a adoção de exegética que lhe outorgue a maior eficácia possível, conforme bem ensina Canotilho3 quando, ao tratar sobre a correlação entre o princípio da máxima efetividade e os direitos fundamentais, assevera: “Este princípio, também designado por princípio da eficiência ou princípio da interpretação efectiva, pode ser formulado da seguinte maneira: a uma norma constitucional deve ser atribuído o sentido que maior eficácia lhe dê. É um princípio operativo em relação a todas e quaisquer normas constitucionais, e embora a sua origem esteja ligada à tese da atualidade das normas programáticas (Thoma), é hoje sobretudo invocado no âmbito dos direitos fundamentais (no caso de dúvidas deve preferirse a interpretação que reconheça maior eficácia aos direitos fundamentais)”. 1 Mendes, Gilmar. Curso de Direito constitucional, 2011, ed. 6ª, pg. 323 2 Mendes, Gilmar. Curso de Direito Constitucional, 2011, ed. 6ª, pg. 3234. 3 CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito constitucional. 5. ed. Coimbra: Almedina, 1991. p. 162 Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 A hermenêutica da LC nº105, art. 6º, portanto, deve se dar à luz destas normas que lhe são hierarquicamente superiores, para o efeito de se verificar sua compatibilidade ou incompatibilidade com a Carta. No ponto, a tradição doutrinária e jurisprudencial da hermenêutica constitucional determina que a declaração de inconstitucionalidade seja reservada às situações extremas, em que seja impossível compatibilizarse o texto legislativo com as garantias postas na Carta. As leis, ordinariamente, presumemse constitucionais e devem ser aplicadas e respeitadas por todos. A inconstitucionalidade é exceção, já que induz à insegurança e à instabilidade do sistema, além da própria perda de credibilidade dos atos do Poder Legislativo. É o entendimento que se percebe ao ler a jurisprudência do Tribunal Constitucional Alemão. Vejase: Uma lei não deve ser declarada nula se for possível interpretála de forma compatível com a constituição, pois devese pressupor não somente que uma lei seja compatível com a constituição mas também que essa presunção expressa o princípio segundo o qual, em caso de dúvida, deve ser feita uma interpretação conforme a constituição.4 Justamente por esta circunstância é que se desenvolveu o princípio da interpretação conforme, que objetiva “salvar” da inconstitucionalidade todo e qualquer texto legal, sempre que se possa vislumbrar no mesmo um sentido possível, compatível com a Constituição. Canotilho bem demonstra que “diante das normas plurissignificativas ou polissêmicas, devese preferir a interpretação que mais se aproxime das diretrizes constitucionais, e, portanto não seja contrária ao texto constitucional, de onde surgem várias dimensões a serem consideradas, seja pela doutrina ou jurisprudência”. Em tais circunstâncias, o autor5 aponta as dimensões a serem consideradas no âmbito da interpretação conforme: prevalência da constituição: devese preferir a interpretação não contrária à Constituição; conservação de normas: percebendo o intérprete que uma lei pode ser interpretada em conformidade com a constituição, ele deve assim aplicala para evitar a sua não continuidade; exclusão da interpretação contra legem: o intérprete não pode contrariar o texto literal e sentido da norma para obter a sua concordância com a Constituição; espaço de interpretação: só se admite a interpretação conforme a Constituição se existir um espaço de decisão e, dentre as várias que se chegar, deverá ser aplicada aquela em conformidade com a Constituição; rejeição ou não aplicação de normas inconstitucionais: uma vez realizada a intepretação da norma, pelos vários métodos, se o juiz chegar a um resultado contrário à constituição, em realidade, deverá declarar a inconstitucionalidade da norma, proibindo a sua correção contra a Constituição; 4 Bverfge 2, 266 (282) – Tradução livre 5 J. J. G. Canotilho. Direito Constitucional e teoria da Constituição., 6., ed. p. 229230, apud Pedro Lenza. Direito Constitucional Esquematizado., 16., ed. p. 158159. Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 26 13 o intérprete não pode atuar como legislador positivo: não se aceita a interpretação conforme a Constituição quando, pelo processo hermenêutico, se obtiver uma regra nova e distinta daquela objetivada pelo legislador e com ela contraditória, seja em seu sentido literal ou objetivo. Devese, portanto afastar qualquer interpretação em contradição com os objetivos pretendidos pelo legislador. Adentrando à análise do art. 6º da LC nº105, temos que o mesmo dispõe: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Ao interpretar o texto do art. 6º da LC nº105, assim como a lei nº 9.311/96 e o D. nº 3724/01, o Min. Marco Aurélio entendeu por conferirlhes interpretação conforme, com o intento de outorgar aos dispositivos o ÚNICO sentido que os compatibilizasse com a Constituição. Nesse sentido, deixou claro que nenhum dos textos citados dispensa a obtenção de autorização judicial para a quebra de sigilo bancário: “Assentado que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que potencialize o objetivo, harmônico com a Carta da República, provejo o recurso extraordinário interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para agastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários da recorrente. Com isso confiro à legislação de regência – Lei nº 9.311/96, Lei Complementar nº 105/01 e Decreto nº 3.724/01 – interpretação conforme à Carta Federal, tendo como conflitante com essa a que implique afastamento do sigilo bancário do cidadão, da pessoa natural ou jurídica, sem ordem emanada do Judiciário”. De fato, a suspensão de direitos constitucionais, mormente de direitos e garantias individuais não pode ser suposta ou subentendida. No silêncio, sua observância se impõe. Leiase a lição do Ministro Celso de Mello, citado e endossado pelo Ministro Marco Aurélio: “a quebra de sigilo, para legitimarse em face do sistema jurídicoconstitucional brasileiro, necessita apoiarse em decisão revestida de fundamentação adequada, que encontre apoio concreto em suporte fático idôneo, sob pena de inviabilidade do ato estatal que a decreta. A ruptura da esfera de intimidade de qualquer pessoa – quando ausente a hipótese configuradora de causa provável – revelase incompatível com o modelo consagrado na constituição da república, pois a quebra de sigilo não pode ser Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 manipulada, de modo arbitrário, pelo Poder Público ou por seus agentes”. No mesmo sentido é o entendimento do Ministro Carlos Velloso, ao analisar a quebra de sigilo bancário, no RE 389.808, referindo a necessidade de apreciação do tema pelo Judiciário quando da verificação das restrições às liberdade individuais. Vejase: “A mais recente doutrina norteamericana fez do “due processo of law” uma forma de controle constitucional que examina a necessidade de razoabilidade e justificação das restrições à liberdade individual, não admitindo que a lei ordinária desrespeite a constituição, considerando que as restrições ou exceções estabelecidas pelo legislador ordinário devem ter uma fundamentação razoável e conforme o Poder Judiciário (...)A exigência de preservação do sigilo bancário enquanto meio expressivo de proteção ao valor constitucional da intimidade – impõe ao Estado o dever de respeitar a esfera jurídica de cada pessoa. A ruptura desse círculo de imunidade só se justificará desde que ordenada por órgão estatal investido, nos termos de nossos estatuto constitucional, de competência jurídica para suspender, excepcional e motivadamente, a eficácia do princípio da reserva de informações bancárias” Partilhamos do mesmo entendimento. Não vemos motivo – e nem poderíamos, no contexto do processo administrativo – para declarar a inconstitucionalidade do referido art. 6º. Preferimos lêlo à luz das diretrizes constitucionais que garantem a reserva de foro ao Poder Judiciário de todas as pretensões que possam implicar o comprometimento de direitos e garantias individuais. É o que brilhantemente conclui o Min. Celso de Mello ao julgar MS nº 23.452, ao dizer que “o postulado da reserva constitucional de jurisdição importa em submeter à esfera única de decisão dos magistrados a prática de determinados atos cuja realização, por efeito de explícita determinação constante do próprio texto da Carta Política, somente pode emanar do juiz, e não de terceiros, inclusive daqueles a quem se haja eventualmente atribuído o exercício de ‘poderes de investigação próprios das autoridades judiciais’. A cláusula constitucional da reserva de jurisdição – que incide sobre determinadas matérias, como a busca domiciliar (CF, art. 5º, XI), a interceptação telefônica (CF, art. 5º, XII) e a decretação da prisão de qualquer pessoa, ressalvada a hipótese de flagrância (CF, art. 5º, LXI) traduz a noção de que, nesses temas específicos, assiste ao Poder Judiciário, não apenas o direito de proferir a última palavra, mas, sobretudo, a prerrogativa de dizer, desde logo, a primeira palavra, excluindose, desse modo, por força e autoridade do que dispõe a própria Constituição, a possibilidade do exercício de iguais atribuições, por parte de quaisquer outros órgãos ou autoridades do Estado.”: No que toca ao conceito de reserva de jurisdição, Canotilho diz que: Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 27 15 “A idéia de reserva de jurisdição implica a reserva de juiz relativamente a determinados assuntos. Em sentido rigoroso, reserva de juiz significa que em determinadas matérias cabe ao juiz não apenas a última palavra, mas também a primeira palavra”. O STJ possui julgado exatamente neste sentido, assim ementado: “O sigilo bancário do contribuinte não pode ser quebrado com base em procedimento administrativofiscal por implicar indevida intromissão na privacidade do cidadão, garantia esta expressamente amparada pela Constituição Federal (art. 5º, inciso X)”.Por isso, cumpre às instituições financeiras manter sigilo acerca de qualquer informação ou documentação pertinente a movimentação ativa e passiva do correntista/contribuinte, bem como dos serviços bancários a ele prestados. Observadas tais vedações, cabelhes atender às demais solicitações de informações encaminhadas pelo Fisco, desde que decorrentes de procedimento fiscal regularmente instaurado e subscritas por autoridade administrativa competente. Apenas o Poder Judiciário, por um de seus órgãos, pode eximir as instituições financeiras do dever de segredo em relação às matérias arroladas em lei. Interpretação integrada e sistemática dos artigos 3º, par. 5º, da Lei nº 4.595/64 e 197, inciso II e par. 1º do CTN. Recurso improvido, sem discrepância.” (Resp 37.5665/RS93) Dentro do Sistema Constitucional Tributário, o próprio art. 145, §1º, além de assegurar a observância à capacidade contributiva, ainda evidencia ser “facultado à Administração, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, RESPEITADOS OS DIREITOS INDIVIDUAIS e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte”. No caso da quebra de sigilo bancário, a reserva de foro judicial é condição para validar o ato administrativo, assegurando o respeito aos direitos individuais de privacidade e inviolabilidade, albergados na CF. Na hipótese dos autos, só foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial. Isto é, se a fiscalização não tivesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e, consequentemente, não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. Tal foi reconhecido pelo Acórdão da DRJ ao afirmar que: Durante o procedimento fiscal, o Sr. Geovani foi condenado em processo judicial, no decorrer do qual ficou constatado que as contas correntes movimentadas em nome do Sr. Geovani, de fato, pertencem ao Sr. Carlos Augusto de Almeida Ramos. Os extratos bancários do Sr. Geovani foram obtidos com base no artigo 6º, da Lei Complementar nº 105, de 2001, ou seja, já havia processo administrativo instaurado e o exame da movimentação financeira considerada indispensável pela autoridade administrativa. A constatação, durante o processo judicial, de que a movimentação financeira das contas correntes em nome do Sr. Geovani, de fato, pertenciam ao Sr. Carlos Augusto, propiciou a lavratura do Auto de infração em nome deste último tendo como responsável solidário o verdadeiro titular, mas não foi a causa da obtenção dos extratos diretamente das instituições financeiras. Destarte, já que a prova carreada no processo administrativo foi obtida por meio de RMF sem prévia autorização judicial (fls. 34/37), entendo pelo cancelamento do auto de infração lavrado, outorgando interpretação conforme ao art. 6º da LC nº105/01 para o fim de Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 entender válida a quebra de sigilo bancário em procedimento fiscal sempre que acompanhado da imprescindível autorização judicial para tanto. No entanto, caso seja considerada lícita a prova decorrente da quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial, é que se analisa os argumentos remanescentes postos no recurso voluntário. Multa Qualificada De acordo com o auto de lançamento, a capitulação legal da multa deuse com base no art. 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96 (fl. 1254). Ao citar a legislação aplicável, por sua vez, o termo de verificação fiscal cita os arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, e o art. 1º, §§1º a 5º, da Lei nº 12.683/12 (fls. 1257/1258), que dispõe: Lei nº 4.502/64: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Lei nº 9.613/98 com a redação dada pela 12.683/12: Art. 1º Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012): (...) § 1º Incorre na mesma pena quem, para ocultar ou dissimular a utilização de bens, direitos ou valores provenientes de infração penal: I os converte em ativos lícitos; Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 28 17 II os adquire, recebe, troca, negocia, dá ou recebe em garantia, guarda, tem em depósito, movimenta ou transfere; III importa ou exporta bens com valores não correspondentes aos verdadeiros. § 2º Incorre, ainda, na mesma pena quem: I utiliza, na atividade econômica ou financeira, bens, direitos ou valores provenientes de infração penal; II participa de grupo, associação ou escritório tendo conhecimento de que sua atividade principal ou secundária é dirigida à prática de crimes previstos nesta Lei. § 3º A tentativa é punida nos termos do parágrafo único do art. 14 do Código Penal. § 4º A pena será aumentada de um a dois terços, se os crimes definidos nesta Lei forem cometidos de forma reiterada ou por intermédio de organização criminosa. § 5º A pena poderá ser reduzida de um a dois terços e ser cumprida em regime aberto ou semiaberto, facultandose ao juiz deixar de aplicála ou substituíla, a qualquer tempo, por pena restritiva de direitos, se o autor, coautor ou partícipe colaborar espontaneamente com as autoridades, prestando esclarecimentos que conduzam à apuração das infrações penais, à identificação dos autores, coautores e partícipes, ou à localização dos bens, direitos ou valores objeto do crime. O termo de verificação ao apurar a infração ocorrida, justificou a aplicação da multa qualificada da seguinte forma (fl. 1266): “O contribuinte e o responsável solidário vêm reiteradamente se utilizado do método de interposta pessoa para tentar dolosamente impedir o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador, ora demonstrado neste Auto, com o único intuito de sonegar os tributos devidos. Portanto sua multa de ofício foi qualificada para 150%, tendo em vista o indício de crime contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro.” Em suma, a qualificação da multa ocorreu em razão da verificação da prática de conluio entre os agentes para a prática de sonegação. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando à prática de fraude ou sonegação. O Conluio, portanto, é a premissa, condição para as Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 inferências relativas à sonegação, já que o autuado não era titular das contascorrentes. Ou seja, sem a existência de conluio não há que se falar na prática de fraude ou sonegação. Sendo assim, para a qualificação da multa é necessário que se verifique a união dos agentes para a prática dolosa de uma das formas de sonegação. Conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal, o procedimento fiscal foi instaurado em face de Geovani Pereira da Silva, havendo a quebra de seu sigilo bancário e apurada a omissão de rendimentos nas contas correntes fiscalizadas. Posteriormente, houve prolação da sentença penal juntada aos autos, onde restou assentada uma relação de subordinação entre o Geovani e Carlos Augusto de Almeida Ramos e a utilização de contas correntes de propriedade daquele em benefício deste. Com base única e exclusiva em tal premissa, a fiscalização entendeu que Carlos Augusto era o proprietário de fato das contas correntes analisadas e o intimou para prestar esclarecimentos a respeito da origem dos depósitos (fl. 601). Com a negativa de Carlos Augusto acerca da titularidade de tais contas, foi lavrado o Auto de Lançamento, e estendida a solidariedade obrigacional ao fiscalizado original, Geovani Pereira da Silva. Ao analisar os fatos, o termo de verificação fiscal reportase diversas vezes à sentença prolatada, concluindo que Carlos Augusto seria o titular de fato das contas movimentadas por Geovani Pereira. Analisando tais excertos, percebese que a sentença efetivamente demonstra uma relação de subordinação de Geovani Pereira frente a Carlos Augusto, dentre os quais destaco o trecho citado à fl. 1263, o qual peço vênia para transcrever: A distribuição final dos pontos, autorização de abertura e fechamento de casas de exploração de jogos em Goiânia e no entorno de Brasília (em especial em Valparaíso de Goiás e Águas Lindas), sob rígido controle territorial, era efetivada e controlada por Carlinhos Cachoeira, auxiliado diretamente por (...), seu braço operacional, e Giovani Pereira, conhecedor profundo de sua contabilidade e responsável pelo controle financeiro do grupo. Tal afirmativa encontra outro eco citado no Termo de Verificação Fiscal: “Constantemente orientado por CARLINHOS CACHOEIRA, especialmente quanto à movimentação financeira de suas atividades, GEOVANI PEREIRA era profundo conhecedor de toda contabilidade do grupo criminoso. Foi a quem CARLINHOS CACHOEIRA se socorria frequentemente a fim de obter informações a respeito do destino da movimentação financeira, saldos, confirmações de pagamentos, cobranças a realizar. Ademais, GEOVANI PEREIRA arrecadava, em conjunto com LENINE ARAÚJO, os recursos financeiros provenientes do jogo ilegal, seja por transferências eletrônicas, seja pessoalmente, controlandoos e contabilizandoos, tudo sob as orientações de CARLINHOS CACHOEIRA. Outrossim, GEOVANI PERREIRA foi responsável por controlar o pagamento de vantagem indevida a servidores públicos e auxiliar na ocultação dos rcursos arrecadados por meio das atividades espúria. Com efeito, foram constatadas, por meio do sistema de contabilidade da organização criminosa, por exemplo, diversos pagamentos extraídos da seção operação, da conta corrente GEO (referente a GEOVANI PEREIRA), tendo como favorecido servidores públicos da área de segurança. Se não bastasse, GEOVANI PEREIRA era o representante legal, procurador das contas bancárias e o responsável pela movimentação da conta corrente em nome da empresa ALBERTO & PANTOJA CNTRUÇÕES E TRANSPORTES LTDA (CNPJ 11.620.733/000145), conforme, inclusive, consta do CCS – Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro, empresa esta em nome de terceiros e utilizada para movimentação de valores provenientes das atividades espúrias do grupo. Outrossim, GEOVANI PEREIRA também utilizava sua firma individual (GEOVANI PEREIRA DA SILVA ME, inscrita no CNPJ 37.397.353/0001871) para a mesma prática, qual seja, movimentação de ativos da organização criminosa. Com efeito, foi possível entrelaçar as Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 29 19 movimentações financeiras das pessoas jurídicas em favor de vários integrantes do grupo criminoso, sempre realizados por GEOVANI PEREIRA, sob a orientação de CARLINHOS CACHOEIRA, efetivando transferências para pagamentos de despesas pessoais, aquisição de bens, vantagens para servidores públicos. Quanto aos saques efetuados por GEOVANI PEREIRA, observouse , ainda, por exemplo, a realização destes, 113 vezes, no período de 13/08/2010 e 18/04/2011 em valores em torno de R$ 90.000,00 e R$ 99.000,00, em típica operação de estruturação (smarfing ou pitufeo), visando a evitar a realização de comunicação obrigatória da operação suspeita, não despertando desconfiança por parte dos agentes de reguladores do sistema financeiro, ao buscar distanciar a fiscalização, mais ostensiva em operações iguais ou superiores a R$ 100.000,00. A sentença ainda relaciona as empresas vinculadas ao nome de Geovani destinadas a auxiliar Carlos Augusto (fls. 844), como da empresa individual GEOVANI PEREIRA DA SILVA ME para auxiliar na movimentação e ocultação de valores pertinentes ao jogo. Ainda, analisa os rendimentos declarados e movimentações realizadas pelo próprio Geovani, concluindo: “Interessante ressaltar que, com base na análise das quebras de sigilo fiscal e bancário, podese observar que os rendimentos declarados por GEOVANI não passam de R$21.384,00 anuais e seu maior patrimônio bruto anual teria acontecido ao final do ano de 2009, quando declarou possuir bens no valor total de R$197.500,00, embora com dívidas declaradas de R$ 110.000,00. Como se vê, a sua movimentação financeira chama atenção se comparada aos rendimentos declarados, bem como aos seus bens patrimoniais informados à RFB. GEOVANI movimentou nos anos de 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, respectivamente, as quantias de R$471.761,02, R$626.658,02, R$ 1.560.351,52, R$ 3.141.305,48 e R$ 4.355.567.90. A fim de poder dar vazão às solicitações feitas pelos líderes da quadrilha, GEOVANI utilizase, além de sua conta própria, de contas de diversas empresas em que, embora não seja sócio, atua como representante bancário.” Da leitura da sentença penal, portanto, depreendese a relação de subordinação entre os agentes, e o controle contábil que Geovani Pereira fazia da contabilidade das atividades de Carlos Augusto, a mando deste. Ainda, concluise que Geovani Pereira utilizavase de contas correntes em seu nome e em nome de empresas em que atuava como procurador, em prol das atividade de Carlos Augusto. Todavia, entendo que tal relação não configura, a priori, a utilização de interposta pessoa para as contas correntes em questão, que foi o critério utilizado pelo Termo de verificação para a configuração do conluio e para a aplicação da multa qualificada. Em que pese tenha demonstrado a utilização de terceiros para a movimentação financeira advindas das atividades ilícitas de Carlos Augusto, seja através de empresas de fachada, seja em conta própria de Geovani Pereira, não há imputação de quais contas são essas. Das contas correntes analisadas, pode ser que parte delas de fato seja de propriedade de fato de Carlos Augusto de Almeida Ramos. Todavia, pode ser que parte dessas Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 contas não seja. Tal discriminação não foi feita na esfera judicial. E nem se poderia exigir da sentença penal maior aprofundamento no ponto. Vale lembrar que o julgado em questão não analisou um crime contra a ordem financeira e tributária, mas o crime de corrupção ativa e formação de quadrilha, conforme se depreende da fl. 759. Para esses tipos específicos seria dispensável que a sentença demonstrasse a utilização de interposta pessoa para todas as contas correntes do agente a quem se reporta o crime. O mesmo não ocorre na imputação de multa material qualificada em razão de conluio. Isso porque, a tipificação da fraude ou da sonegação depende da imputação de caráter doloso na conduta específica praticada pelo agente. Por sua vez, quando a imputação se dá por conluio, necessário que a conduta dolosa de todos os agentes imputados reste devidamente delimitada. Não havendo certeza do vínculo entre ambos os agentes em relação a todas as contas analisadas não se pode imputar a infração por conluio. Ainda destacase que a presunção utilizada pela autoridade fiscal foi lastreada em sentença na qual não houve trânsito em julgado, pois pendente de recurso, consoante análise realizada ao site do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em 24/09/2014. Assim, entendo que a multa qualificada deve ser reduzida para o patamar de 75%, uma vez que imputou a ocorrência de conluio quando tal não poderia ser feito, porquanto não devidamente demonstrado pela Fiscalização quais as contas específicas em questão eram de propriedade de fato de Carlos Augusto, nem como, pontualmente, as utilizava por meio de Geovani Pereira. Não havendo tal vinculação resta impossível aferir e mensurar a ocorrência de conduta dolosa dos dois agentes para configurar o conluio em razão da utilização de interposta pessoa e, portanto, em última análise aferir a ocorrência de sonegação. Não restando comprovado o ajuste doloso, deve ser afastada a qualificação da multa aplicada em razão de conluio. Nesse sentido, jurisprudência desta Turma, no sentido de afastar a multa qualificada em razão da ausência de comprovação da ocorrência de dolo: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2008, 2009, 2010 DESPESAS LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. Comprovadas com documentação hábil e idônea as despesas necessárias a manutenção da fonte produtora dos rendimentos, devese deferir a dedução delas da base de cálculo do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO NÃO COMPROVADO.QUALIFICAÇÃO AFASTADA. A exigência da multa qualificada tem como requisito a comprovação nos Autos do evidente intuito de fraude. Ausente essa comprovação a qualificação da multa deve ser afastada. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 30 21 de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts.71,72e73 da Lei n° 4.502/64.(SÚMULA CARF Nº 25). (...) Recurso voluntário provido parcialmente (Acórdão nº 2202002.697, Relatora: Dayse Fernandes Leite, j. em 16/07/2014) Tal discussão, inclusive, poderia ser transportada para a discussão da obrigação principal, isto é, se caberia imputar a Carlos Augusto de Almeida Ramos à responsabilidade tributária, em razão de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários ocorridos em contas de titularidade de terceiros. Todavia, considerando o não conhecimento do Recurso Voluntário no mérito, tal análise resta obstada. Sendo assim, no mérito deve ser parcialmente provido o Recurso Voluntário, tão somente para reduzir a multa de ofício aplicada ao patamar de 75%. Conclusão. Isso posto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar o auto de infração em decorrência da ilicitude das provas que o embasaram. Subsidiariamente, voto por conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, e nesta parte reconhecer sua PARCIAL PROCEDÊNCIA, tão somente, para reduzir ao patamar de 75% a multa de ofício aplicada, desqualificandoa. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 22 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Da Preliminar de Prova Ilícita por Quebra do Sigilo Bancário Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.724092/201337 Acórdão n.º 2202002.886 S2C2T2 Fl. 31 23 III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 24 devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto a ilicitude da prova. Acompanho o relator na apreciação das demais questões. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 10/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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