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Numero do processo: 10245.001172/2005-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO.
Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial desloca-se para a regra do art. 150, §4º, do CTN.
Hipótese em que houve pagamento antecipado.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Alexandre Naoki Nishioka Relator
EDITADO EM: 17/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial deslocase para a regra do art. 150, §4º, do CTN. Hipótese em que houve pagamento antecipado. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 11 72 /2 00 5- 02 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10245.001172/200502 Acórdão n.º 9202003.490 CSRFT2 Fl. 257 2 (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka – Relator EDITADO EM: 17/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em 13 de setembro de 2010 (efls. 227/233), em face do Acórdão n° 220100.487 (efls. 208/222), do qual a Recorrente teve ciência em 10 de setembro de 2010 (efl. 224) e que teve a seguinte ementa: “... DECADÊNCIA IMPOSTO DE RENDA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 1. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF se perfaz em 3l de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4o., do CTN). 2. Decadência reconhecida em relação ao anocalendário de 2000. ...” (efl. 208). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso especial, apontando como paradigma o Acórdão 910100.460, que restou assim ementado: “DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou Fl. 257DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10245.001172/200502 Acórdão n.º 9202003.490 CSRFT2 Fl. 258 3 recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” O recurso foi admitido por meio da decisão de efls. 238/240, não tendo o Recorrido apresentado contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço, adotando como fundamento a decisão de efls. 238/240. Discutese, quanto a este aspecto, se é aplicável, para efeitos de decadência, o disposto no artigo 173, I, do CTN, como quer a Recorrente, ou o artigo 150, §4o., do mesmo Código, como decidiu a Turma Ordinária a quo. Em relação à matéria, vinha me manifestando no sentido de que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sempre seria aplicável o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do CTN, independentemente da existência ou não de princípio de pagamento, pois, à regra geral do artigo 173, I, o Código estabeleceu justamente a exceção contida no artigo 149, V. Homologase, na verdade, a atividade do contribuinte. Todavia, cumpre registrar que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia acerca do prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário, assim se manifestou: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em Fl. 258DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10245.001172/200502 Acórdão n.º 9202003.490 CSRFT2 Fl. 259 4 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (STJ, Primeira Seção, REsp 973733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). (Grifouse). Como é cediço, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 256, de 22 de junho de 2009, no artigo 62A de seu Anexo II, acrescentado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 586, de 21/12/2010, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática estabelecida nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros desse Conselho Administrativo no julgamento dos respectivos recursos. Vejase: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10245.001172/200502 Acórdão n.º 9202003.490 CSRFT2 Fl. 260 5 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Assim, muito embora já tenha me manifestado em diversas oportunidades, anteriormente ao julgamento do Recurso Especial n.º 973.733, acerca da aplicabilidade do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional àqueles casos relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, independentemente de haver início de pagamento, tratandose da exata hipótese apreciada sob a sistemática dos recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, passei a adotar, nos termos do aludido art. 62A do Anexo II do RICARF, o entendimento daquela Corte infraconstitucional. À luz de referido entendimento, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação em situação na qual houve princípio de pagamento do IRPF, verificase que o prazo de lançamento é o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. No presente caso, tratase de auto de infração lavrado em 22 de setembro de 2005 (ciência em 13/01/2006) relativamente a fato gerador ocorrido no anocalendário de 2000. Ocorre, todavia, que, conforme constou do demonstrativo de apuração anexo ao auto de infração (efls. 154), houve recolhimento antecipado. Assim, aplicável ao presente caso o prazo de 5 (cinco) anos a que se refere o artigo 150, §4o., do CTN, conforme jurisprudência do STJ, devendose, portanto, reconhecer a decadência no presente caso, pois a ciência do auto de infração ocorreu mais de 5 (cinco) anos após o fato gerador. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 260DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10245.001172/200502 Acórdão n.º 9202003.490 CSRFT2 Fl. 261 6 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.905859/2012-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
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Recorrida 15ª Turma da DRJ/RPS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. REOLVEM os membros do colegiado, por voto de qualidade, sobrestar o julgamento até que seja apreciado pelo CARF o processo nº 10882.902454/201234. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Fernanda Carvalho Álvares e Carlos Pelá, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, para redigir o voto vencedor. Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Redator ) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernanda Carvalho Alvares, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 05 85 9/ 20 12 -2 4 Fl. 535DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.905859/201224 Resolução nº 1402001.988 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo da não homologação do Pedido de Restituição nº. 16715.08196.171008.1.2.020045 e declarações de compensações indicadas no quadro abaixo, que utilizavam crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2007, no valor de R$ 13.625.027,88. Na análise do crédito, foram verificadas todas as parcelas de composição do saldo negativo de IRPJ 2007. Contudo, a partir da consulta realizada nos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB), a autoridade fiscal não conseguiu confirmar as antecipações de IRPJ de outubro e novembro de 2007, pagas com saldo negativo de períodos anteriores. Em 12/12/2012, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que nenhuma diligência fora efetuada pela DRF de origem buscando comprovar a efetiva extinção das estimativas de outubro e novembro, quitadas através de DCOMP. Entende que para que o Fisco pudesse desconsiderar o saldo negativo apurado, deveria, segundo o que preceituam os princípios da verdade material e da legalidade, ter comprovado plenamente a incorreção dos procedimentos da Contribuinte na apuração desse saldo negativo. No mérito, defende que, estando as referidas estimativas quitadas via DCOMP, por força do art. 156, II do CTN, elas deveriam ser consideras extintas, devendo, portanto, compor o saldo negativo apurado na DIPJ/2008. Questiona, então, o direito do Fisco de rever a apuração do IRPJ dos anos calendário 1999 e 2001 (origem do crédito utilizado nas DCOMP em que foram declaradas as estimativas de outubro e novembro/2007), uma vez que o direito do Fisco revisar os créditos utilizados já estaria decaído. Analisado o caso, a DRJ/CPS enviou o processo em diligência à DRF/Osasco para que a autoridade competente da DRF jurisdicionante da Contribuinte verificasse as informações constantes do processo 10882.902988/201261, especificamente a ocorrência ou não da homologação da compensação declarada na DCOMP 31521.38832.301107.1.3.020306 (referente à quitação da estimativa de outubro/2007, no valor de R$ 11.550.814,34). Em observância, a DRF/Osasco exarou despacho decisório revisando de ofício a análise inicial. Na revisão de ofício, por meio da qual foi aprovado o Parecer SEORT/DRF/OSA nº. 070/2013, as autoridades fiscais novamente deferiram parcialmente o direito creditório da Contribuinte, por entenderem que teriam sido confirmadas parcialmente e 16715.08196.171008.1.2.020045 22882.59667.270209.1.3.021741 06225.97712.051108.1.3.020646 29143.75622.180609.1.3.026477 15854.93257.061108.1.3.020360 37245.05764.300609.1.3.026083 14361.69259.131108.1.3.020060 17592.15080.030709.1.3.021008 08736.63700.211108.1.3.022279 39879.46852.240909.1.3.022082 41918.81444.251108.1.3.020558 20062.64806.240909.1.3.023612 28673.55900.161208.1.3.024901 36153.26510.281009.1.3.024487 17039.78248.050109.1.3.024100 28273.29983.231109.1.3.028930 18408.12664.030209.1.3.025809 32846.19050.301209.1.3.021246 Fl. 536DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.905859/201224 Resolução nº 1402001.988 S1C4T2 Fl. 4 3 não confirmadas as estimativas mensais de IRPJ de outubro e novembro de 2007, acabando por reconhecer parte da estimativa de outubro/2007, no valor de R$ 11.550.814,34, esclarecendo o quanto solicitado pela DRJ/CPS. Além disso, a fiscalização entendeu por bem aumentar o montante não reconhecido de IRPJ estimativa de outubro/2007, para R$ 9.562.721,45, em relação à estimativa de R$ 14.241.378,63. Restaram, portanto, não homologadas as seguintes estimativas de IRPJ do AC 2007: Em face desta revisão, a Contribuinte apresentou nova manifestação de inconformidade, repisando os argumentos da manifestação anterior e acrescentando novos. De início, afirma que a DRF/Osasco não era competente para revisar de ofício itens não contemplados na diligência solicitada pela DRJ/CPS e que decaiu o direito do Fisco de revisar a apuração do IRPJ do anocalendário 1999. Discorre sobre a análise do crédito utilizado nas DCOMP’s 0857.18108.201107.1.3.020306 e 26913.75305.110108.1.7.029058, objeto de discussão nos processos 10882.902454/201234 e 10882.000619/200936. Ademais, informa ter parcelado o débito referente ao IRPJ estimativa de novembro/2007, no valor de R$ 410.278,89, encontrandose já integralmente liquidado. Por fim, aduz que, caso não sejam consideradas as estimativas de outubro e novembro de 2007 no saldo negativo do período, ocorreria duplicidade de cobrança, uma vez que os débitos constantes de DCOMP não homologada, como é o caso das DCOMP 0857.18108.201107.1.3.020306 e 26913.75305.110108.1.7.029058, seriam encaminhados para cobrança, posto que DCOMP é confissão de dívida. Analisando a nova manifestação de inconformidade, a 15ª Turma da DRJ/RPS entendeu por bem (i) nãoreconhecer R$ 9.562.721,45 dos R$ 14.241.378,63 compensados em relação à estimativa de outubro/2007 (DCOMP 0857.18108.201107.1.3.020306); (ii) acatar a confirmação da DCOMP no valor de R$ 11.550.814,34, referente à estimativa de outubro/2007; (iii) confirmar o crédito de R$ 410.278,89 referente à estimativa de novembro/2007, por se tratar de débito parcelado e pago (Acórdão nº. 1443.269, fls. 433/443). Irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 447/480), repisando os argumentos trazidos nas manifestações de inconformidade, afirmando que a compensação efetuada para quitar a estimativa de outubro/2007 de R$ 14.241.378,63 deve ser confirmada, homologandose integralmente o saldo negativo de IRPJ 2007. É o Relatório. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.905859/201224 Resolução nº 1402001.988 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Preliminarmente, sustenta a Recorrente que em razão (i) da falta de empenho da fiscalização e da DRJ/RPO na aferição da verdade material, no que tange à verificação dos seus créditos; e (ii) do cerceamento do seu direito de defesa por parte da DRJ/RPO, devem ser anulados o acórdão da DRJ/RPO e o despacho decisório da DRF/Osasco, retornando o processo à repartição de origem para regular instrução probatória. Especificamente no tocante ao cerceamento de defesa praticado pela DRJ/RPO, a Recorrente explica que, embora a DRJ/RPO tenha entendido que era possível estabelecer exigência fiscal no presente processo com base em compensação anterior não homologada (que já objeto de cobrança em outro processo administrativo), não permitiu à Recorrente demonstrar a regularidade dessa compensação. De fato, a partir da leitura do acórdão recorrido verificase que a DRJ/RPO limitase a afirmar que, no mérito, as razões de defesa da Recorrente referentes à não homologação das DCOMP’s transmitidas para quitação das estimativas de outubro e novembro de 2007 não integrariam o presente litígio (DCOMP’s 08597.18108.301107.1.3.020306 e 16259.34695.261207.1.3.022778), não sendo possível sua apreciação no âmbito deste processo, tendo em vista serem objeto de análise nos processos 10882.902454/201234 e 10882.000619/200936 (vide fl. 440 do Acórdão nº. 1443.269). Conforme visto, a DRJ/RPO deixou de confirmar apenas R$ 9.562.721,45 dos R$ 14.241.378,63 compensados em relação à estimativa de outubro/2007 (DCOMP 0857.18108.201107.1.3.020306), uma vez que essa DCOMP teria sido anteriormente homologada de forma apenas parcial. Ocorre que, a homologação parcial dessa DCOMP já é objeto de discussão e cobrança nos autos do processo administrativo nº. 10882.902454/201234, o que foi, inclusive, reconhecido pela DRJ/RPO. Nessa toada, vale lembrar que desde a edição da Lei nº. 10.833, que alterou a redação do art. 74 da Lei nº. 9.430/96, as DCOMP’s passaram a constituir confissão de dívida e são instrumentos hábeis para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Leiase: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) ... § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 538DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.905859/201224 Resolução nº 1402001.988 S1C4T2 Fl. 6 5 Por isso, (i) seja em virtude de uma decisão favorável à Recorrente nos autos do PA 10882.902454/201234 (que homologará o crédito); (ii) seja em virtude de uma decisão desfavorável à Recorrente nos autos do PA 10882.902454/201234 (que ensejará o pagamento do débito indevidamente compensado acrescido de multa de mora e juros Selic), o crédito discutido naquele processo (saldo negativo de períodos anteriores) se tornará incontroverso, legitimando a compensação declarada na DCOMP 0857.18108.201107.1.3.020306 e, conseqüentemente, o crédito tributário em discussão no presente processo (saldo negativo de IRPJ 2007). A essa altura, vale ter em mente que, embora seja possível compensar estimativas de IRPJ e CSLL com quaisquer tributos administrados pela RFB, na prática tributária as pessoas jurídicas geralmente utilizam os saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados em anoscalendário anteriores para quitar, por meio de compensação, as estimativas de IRPJ e CSLL devidas no anocalendário seguinte. Esse procedimento adotado pelos contribuintes conduz a uma situação bastante peculiar, já que, ao analisar a liquidez e a certeza do crédito utilizado pelo contribuinte para fins de compensação, as Autoridades Fiscais devem confirmar a efetiva existência das antecipações e das retenções que compõem o saldo negativo informado pelo contribuinte em sua DIPJ. Como as antecipações mensais geralmente são quitadas com saldos negativos de períodos anteriores, o Fisco retrocede no tempo para verificar se os saldos negativos anteriores também eram legítimos e passíveis de compensação pelo contribuinte. Entretanto, em virtude dessa íntima relação de interdependência entre os períodos de apuração, a glosa realizada pelo Fisco em relação ao saldo negativo de um determinado anocalendário acaba refletindo na composição dos saldos negativos apurados nos anoscalendário subseqüentes, como aconteceu aqui. Justamente por isso, não constatada falha (i) na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, nem (ii) na apuração do saldo do IRPJ e da CSLL – sem entrar no mérito acerca do crédito utilizado nas compensações das estimativas –, deve ser homologado o eventual saldo negativo de IRPJ e CSLL para que o contribuinte exerça seu direito de restituí lo ou compensálo na forma da lei. Assim, não haveria qualquer impedimento na utilização do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL apurado em anocalendário em cuja extinção das estimativas tenha sido promovida compensação não homologada. Isso porque, frisese novamente, a eventual não homologação de compensação em razão da imprestabilidade do crédito já gera, por si só, a cobrança do débito confessado pelo contribuinte, acrescido de multa de mora e juros Selic. A situação em comento gera dificuldades enormes para os contribuintes, pois, como acontece aqui, o saldo negativo não homologado já foi aproveitado em outro ano calendário que também gerou saldo negativo. Admitindose, por hipótese, que fosse possível afirmar que o crédito gerado pela compensação da estimativa era nulo e o saldo negativo era menor ou mesmo inexistente – como pretende o Fisco – a situação implicaria um descontrole absoluto por parte das Fl. 539DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.905859/201224 Resolução nº 1402001.988 S1C4T2 Fl. 7 6 Autoridades Fiscais da efetiva situação do contribuinte frente ao Fisco, no tocante a débitos e créditos, ensejando diversas exigências do mesmo débito. Nessa linha de raciocínio, forçoso concluir que não podem ser glosadas as estimativas objeto de compensação ulteriormente não homologada na apuração do IRPJ ou da CSLL a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Tendo em conta que esse não foi o entendimento das Autoridades Fiscais até aqui, a situação da Recorrente é exatamente aquela narrada acima, na qual se verifica um descontrole, por parte das Autoridades, da efetiva situação da Recorrente frente ao Fisco, no tocante a débitos e créditos, ensejando diversas exigências do mesmo débito. Frisese novamente que é incólume de dúvida que o crédito em discussão no PA 10882.902454/201234 se tornará incontroverso, tornando possível a homologação da compensação declarada na DCOMP 0857.18108.201107.1.3.020306. Portanto, salta aos olhos a total improcedência da cobrança em duplicidade perpetrada pelo Fisco. Nesse contexto, vale notar que, a própria Coordenação Geral de Tributação, visando coibir situações como esta, proferiu a Solução de Consulta Interna nº. 18, de 13/10/2006, na qual expressamente orienta as divisões de tributação da RFB a não efetuarem a glosa das estimativas objeto de compensação não homologada na apuração do imposto ou contribuição a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Vejamos: 16. Por todo o exposto, no que diz respeito ao tratamento da estimativa não paga ou não compensada, cabe concluir que: ... 16.3 na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em DCOMP, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Por tudo isso, no caso concreto, forçoso concluir que devem ser homologados todos os valores compensados em relação à estimativa de outubro/2007, ainda que a DCOMP 0857.18108.201107.1.3.020306 tenha sido não homologada ulteriormente. Caso contrário, a Recorrente será mantida devedora em duplicidade de um único débito, já que esse sistema de compensação nada mais é do que uma “conta corrente” e um eventual crédito indevido somente pode ser cobrado uma vez. Corroborando o exposto, vale trazer à colação a jurisprudência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento: DRJ/RJ1 9 º TURMA ACÓRDÃO Nº 1251578 de 20 de Dezembro de 2012 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO. AFASTAMENTO DA ALEGAÇÃO. Afasta se a alegação de nulidade do Despacho Decisório por ausência de fundamentação, se a simples leitura de seu conteúdo demonstra que o seu fundamento é a falta de certeza e liquidez do crédito, tendo em vista que a informação do seu valor é igual a zero na DIPJ, original e retificadora, e positivo nos PER/DCOMP em foco. SALDO NEGATIVO DE CSLL. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.905859/201224 Resolução nº 1402001.988 S1C4T2 Fl. 8 7 ESTIMATIVAS OBJETO DE COMPENSAÇÃO. Para efeito de apuração da CSLL anual, poderão ser computadas as estimativas que tenham sido objeto de pagamento ou compensação sob condição resolutória de homologação. Na hipótese de não homologação da compensação, os débitos confessados em DCOMP (§ 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996) serão cobrados por força do que determinam os § 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração da CSLL a pagar ou do Saldo Negativo apurado na DIPJ, uma vez que a referida glosa implicaria a dupla cobrança das estimativas, uma diretamente por força do que determina o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e outra, indiretamente, pela glosa das estimativas. Inteligência do Entendimento da CoordenaçãoGeral de Tributação da Receita Federal do Brasil (Cosit) na Solução de Consulta Interna nº 18/2006. DIREITO CREDITÓRIO RECONECIDO. HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÕES. Homologamse as compensações efetuadas no limite do direito creditório reconhecido. Anocalendário: : 01/01/2009 a 31/12/2009 DRJ/CTA 2º TURMA ACÓRDÃO Nº 0628602 de 07 de Outubro de 2010 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO DO CRÉDITO. ESTIMATIVA DE IRPJ OU CSLL. SALDO NEGATIVO DE IRPJ OU CSLL. SUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Tendo o contribuinte declarado, equivocadamente, crédito de estimativas de IRPJ ou CSLL, ao invés do saldo negativo ou base de cálculo negativa dos respectivos períodos, cancelase a decisão de nãohomologação, quando o crédito correto é suficiente para quitar todos os débitos. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA COSIT N° 18/2006. COBRANÇA DO DÉBITO NÃO HOMOLOGADO. Nos termos da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 13/10/2006, na hipótese de compensação não homologada de débitos de estimativas de IRPJ ou CSLL, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Anocalendário: : 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/12/2003 DRJ/REC 3 º TURMA ACÓRDÃO Nº 1127099 de 24 de Julho de 2009 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS MENSAIS NÃO HOMOLOGADA. COBRANÇA DOS DÉBITOS. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos das estimativas serão cobrados com base e m Dcomp, e, por conseguinte, não cabe sua glosa na apuração do imposto ou contribuição a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ (Solução de Consulta Interna Cosit nº 18/2006). Anocalendário: : 01/01/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 31/12/2001 Com efeito, uma vez que a não homologação das compensações declaradas na DCOMP 0857.18108.201107.1.3.020306 já é objeto de cobrança por parte da RFB nos autos do PA 10882.902454/201234, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2007 deve ser totalmente homologado. Deixo de analisar as demais questões suscitadas pela Recorrente, posto que desnecessárias ao deslinde da controvérsia. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para homologar as compensações realizadas até o limite do direito creditório reconhecido. Carlos Pelá Fl. 541DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10882.905859/201224 Resolução nº 1402001.988 S1C4T2 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Minha divergência do I. Relator dirigese à possibilidade de utilização, na composição do saldo negativo do IRPJ, de estimativas dessa contribuição não quitadas, seja por pagamento ou compensação. De imediato, registrese não haver qualquer impedimento legal à quitação do valor devido a título de estimativas do IRPJ mediante compensação com crédito líquido e certo de titularidade do sujeito passivo. Assim, extinto o débito da estimativa mediante compensação, o valor correspondente pode integrar a composição do eventual saldo negativo apurado no ajuste do período. Por outro lado, não se pode olvidar que as normas regulamentadoras da compensação estabelecem a condição resolutória de ulterior homologação do procedimento. Assim, manifestandose a autoridade pela não homologação, o débito anteriormente compensado passa a ser exigível. No caso da estimativa adimplida mediante compensação, a não homologação pela autoridade retira dos valores em discussão as condições de compor a apuração do saldo negativo do IRPJ no ajuste ao final do período, pela inexistência dos atributos de liquidez e certeza do crédito por eles representado. Em relação a eles, portanto, apenas o pagamento em momento anterior à presente análise permitiria que fosse utilizado na apuração do saldo negativo do IRPJ. Por outro lado, alguns integrantes deste Colegiado entendem que, no que se refere aos pedidos de compensação formalizados a partir do advento da Lei nº 10.833/2003, esse problema é suprido pelo fato do art. 17 dessa norma ter introduzido modificação no art. 74, da Lei nº 9.430/96 estabelecendo que as declarações de compensação representam confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos indevidamente compensados. Assim, terseia a certeza quanto a sua cobrança se não adimplidos. Numa tentativa de conciliar os posicionamentos divergentes, ainda que reiterando meu entendimento quanto à impossibilidade da utilização de estimativas não quitadas, penso ser recomendável aguardar que o CARF se pronuncie relativamente ao processo 10882.902454/201234, a fim de que a decisão tomada nestes autos não corra o risco de se mostrar contraditória frente àquela. É como voto. Leonardo de Andrade Couto – Redator Designado Fl. 542DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10715.005579/2009-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 15/12/2004, 23/12/2004, 27/12/2004, 04/01/2005, 26/01/2005
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. INs SRF 28/1994 E 510/2005. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA DE NORMA POSTERIOR MAIS BENIGNA (IN RFB 1.096/2010).
A expressão imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex. A partir da IN RFB no 1.096/2010, o prazo para o registro desses dados foi fixado em sete dias, implicando, para os processos pendentes de julgamento, a aplicação retroativa do dispositivo mais benigno, como previsto no art. 106, II, a e b, do CTN, de forma a concluir pela inexistência de infração se as informações forem prestadas nesse novo prazo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. INs SRF 28/1994 E 510/2005. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA DE NORMA POSTERIOR MAIS BENIGNA (IN RFB 1.096/2010). A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex. A partir da IN RFB no 1.096/2010, o prazo para o registro desses dados foi fixado em sete dias, implicando, para os processos pendentes de julgamento, a aplicação retroativa do dispositivo mais benigno, como previsto no art. 106, II, “a” e “b”, do CTN, de forma a concluir pela inexistência de infração se as informações forem prestadas nesse novo prazo. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira votaram pelas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 55 79 /2 00 9- 41 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 3 2 conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O presente processo trata da exigência do valor de R$ 90.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 10, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar. prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em outubro de 2004 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "AUTO DE INFRAÇÃO n° 071 7700/00/00263/09” (fl. 10), descumprindo, portanto, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/94, alterado pelo artigo Io da IN/SRF 510/05, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/94, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 15 a 31 alegando, em síntese, que: a autoridade lançadora utilizou norma posterior ã ocorrência dos fatos geradores para aplicar a multa ora impugnada; à época dos referidos fatos não havia norma que estipulasse um prazo especifico e certo para a realização dos referidos registros no Siscomex, devendo ser declarado nulo o auto de infração por ausência de tipificação válida capaz de aplicar penalidade às empresas de transporte aéreo internacional; a manutenção da cobrança da multa vai de encontro aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da isonomia, que devem ser observados pela Administração Pública, uma vez que a própria impugnante prestou todas as informações devidas e de forma espontânea; o prazo de dois dias para que o transportador aéreo registre os dados de embarque no Siscomex passou a viger somente em 15.02.2005, com a edição da TN/SRF 510/05, sendo inaplicável aos fatos narrados no presente lançamento, na medida em que Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 5 4 norma de natureza punitiva não gera efeitos para atos praticados anteriormente à sua vigência, por violação aos principios da irretroatividade, da segurança jurídica e da legalidade, evidenciando a nulidade, também por essa razão, do auto de infração, pois em nítida violação ao inciso IV do artigo 10 do Decreto 70.235/72; a multa contraria o disposto no inciso VI do artigo 2a da Lei 9.784/99 e no parágrafo 2o do artigo 113 do CTN, pelo fato de não possuir qualquer finalidade específica a ela relacionada ou necessidade de proteger determinado bem jurídico, pois após o desembaraço aduaneiro da mercadoria embarcada considerase concluído todo o procedimento fiscalizatório, não havendo qualquer possibilidade de se caracterizar dano ao erário; as normas utilizadas para embasar a aplicação da multa estão desvinculadas do interesse de aprimorar a fiscalização e a arrecadação de tributos, eis que toda fiscalização e recolhimento relativo a tributos já foram efetivamente efetuados; a penalidade, da forma como aplicada no caso vertente, viola os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, pois o valor da multa não se altera, independentemente do quantitativo de registros informados intempestivamente, também porque seu valor é muitas vezes superior ao da multa por embaraço à fiscalização, cuja aplicação depende do valor aduaneiro da mercadoria e do caráter doloso, enquanto que o pequeno atraso na inclusão das informações no Siscomex não causa qualquer prejuízo à fiscalização; tendo em vista a inaplicabilidade da IN/SRF 510/O5, é de ressaltar que a IN/SRF 28/94, em sua redação original, não previa um prazo específico para a inserção das informações de dos dados de embarques das mercadorias no Siscomex, limitandose a afirmar que referido procedimento deveria ser realizado imediatamente após respectivos embarques; o artigo 107 inciso IV alínea "e" do Decretolei 37/66, ao mencionar a expressão "deixar de prestar informações", não se aplica ao caso sob exame eis que a impugnante inseriu absolutamente todos os. dados de embarque das mercadoriasno Siscomex, conforme determinado pela Receita Federal; diversas datas de embarque de mercadorias nas aeronaves da impugnante corresponderam a sextasfeiras, sábados e domingos ou vésperas de feriado, mas que por razões econômicas não é viável a manutenção de pessoal especializado da impugnante para realizar atividades operacionais exclusivas no Siscomex. Portanto, foi exatamente por esses motivos e em atendimento aos princípios da finalidade e da motivação que foi proferida a Solução de Consulta 215/04. que não deixa dúvida quanto à impossibilidade de se realizar o início da contagem de prazo para registro das informações no Siscomex nas retro mencionadas datas, razão pela qual devem ser declarados nulos os lançamentos da multa relativamente àquelas averbações Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 6 5 realizadas no primeiro dia útil subseqüente ao respectivo embarque; por razões alheias a vontade do transportador aéreo o registro da DDE não pôde ser efetuado no exíguo estabelecido pela legislação, não obstante ter sempre agido espontaneamente e em total transparência, efetuando, por conseguinte, o registro no menor prazo possível; por diversas vezes no decorrer do ano de 2004 o Siscomex permaneceu indisponível, impossibilitando as transportadoras e demais intervenientes de inserir os dados de embarque das mercadorias transportadas, não podendo, por conseguinte, ser responsabilizada por fato alheio a sua vontade. Nesse sentido, pede para que seja resgatada a memória das panes de sistema ocorrida no mês dejunho do referido ano. Por todo exposto, requer seja acolhida a presente defesa e, por conseguinte, declarada a nulidade do auto de infração, bem como a desconstituição do crédito tributário apurado.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a Impugnação com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/12/2004, 23/12/2004, 27/12/2004, 04/01/2005, 26/01/2005 INFRAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Datado fato gerador: 15/12/2004, 23/12/2004, 27/12/2004, 04/01/2005, 26/01/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; evidenciada a ausência de qualquer violação às disposições do Processo Administrativo Fiscal ou do Código Tributário Nacional, descabe a nulidade do auto de infração. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, posto que essa atividade é de Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 7 6 competência exclusiva do Poder Judiciário; logo resta incabível afastar sua aplicação, sob pena de responsabilidade funcional. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03. a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/03. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Datado fato gerador: 15/12/2004, 23/12/2004, 27/12/2004, 04/01/2005, 26/01/2005 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. DENUNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. NATUREZA OBJETIVA DA INFRAÇÃO. O instituto da denúncia espontânea, não alcança as penalidades aplicadas em razão do descumprimento de obrigações acessórias autônomas, como é o caso da informação dos dados de embarque de mercadoria destinada à exportação, prestada fora do prazo estabelecido normativamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, infração essa que tem natureza objetiva e cuja sanção colima disciplinar o cumprimento tempestivo da obrigação acessória por parte dos transportadores e seus representantes. DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação é aplicada por viagem do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, acrescentando ainda que com a edição da Instrução Normativa n° 1.096/2010, que deixou de definir como infração a inserção de dados de embarque de mercadorias no Siscomex, quando realizada dentro do prazo de 07 dias, devese aplicar ao caso o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. 106. II. do Código Tributário Nacional. Posteriormente apresentou petição alegando direito superveniente imprescindível à análise da questão, qual seja, a edição da Lei n° 12.350 de 20 de dezembro de 2010, que alterou a redação do §2° doš art. 102 do DecretoLei n° 37/66, que possibilitaria a Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 8 7 aplicação do instituto da denúncia espontânea à infração em análise, considerandose a retroatividade benigna prevista no art. 106. II, Código Tributário Nacional. É o Relatório. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprindo da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) Originalmente a IN SRF n° 28, de 27/04/1994 previa em seu art. 37 que o registro dos dados pertinentes no SISCOMEX deveria ser efetuado imediatamente após realizado o embarque da mercadoria: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (grifei) A IN SRF n° 510/2005, que entrou em vigor em 15/02/2005, veio dar nova redação ao art. 37 da IN SRF n° 28/1994, determinando que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Da inaplicabilidade de infração com base no disposto na redação original do art. 37 da IN SRF n° 28, de 27/04/1994 Verificase que os fatos que geraram a aplicação das multas ocorreram em 2004 e início de 2005, ou seja, no período em que vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita "imediatamente após realizado o embarque da mercadoria ". Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 10 9 Entendo que se trata de regra incerta e a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade. Como ressalta bem, o I. Relator José Luiz Novo Rossari, no processo de n° 10715.006280/200911, acórdão de n° 320200.364, de 01/09/2011: A matéria deve ser tratada com rigor ainda mais acentuado em se tratando de norma tributáriapenal, que deve obedecer ao princípio insculpido no art. 97, inciso V do CTN, devendo o elaborador usar, em sua redação legislativa, dos cuidados básicos pertinentes à matéria, de forma a evitar o surgimento de dúvidas e questionamentos elementares que venham a permitir a aplicação das regras mais benéficas ao autuado, previstas no art. 112 desse mesmo Código. O caso em exame é exemplo da falta desse cuidado, ao apontar prazo incerto para o cumprimento de norma, visto que "imediatamente após" não pode ser considerado como um prazo regulamentar. Daí que, na vigência original da IN SRF no 28/1994, não havia norma que impusesse prazo para que as empresas aéreas procedessem ao registro no Siscomex, visto que a expressão "imediatamente após" não se traduz em prazo certo para o cumprimento de obrigação. Resta acrescentar, por oportuno, que a interpretação dada a essa expressão pela Notícia Siscomex no 105/1994, no sentido de que deve ser entendida como "em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria" não tem base legal para os efeitos da lide, visto não estar compreendida entre os atos normativos de que trata o art. 100 do CTN. Tratase, no caso, de veiculação destinada à orientação do Fisco e dos usuários do Siscomex, mas sem que possua as características essenciais de ato normativo, razão pela qual sequer foi referida na autuação. Retornando à lide, resta que, em não havendo regra fixadora de prazo para que se implementasse a eficácia do art. 37 do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu a Lei no 10.833/2003, por ocasião de sua publicação, há que se concluir que o primeiro ato administrativo que veio a disciplinar esse artigo foi a IN SRF no 510, de 2005, antes transcrita, que em seu art. 1o alterou a redação do art. 37 da IN SRF no 28/1994, de forma a fixar o prazo de 2 (dois) dias para o registro dos dados pertinentes ao embarque. Como parte dos fatos que originaram este processo ocorreu entre 6/2/2005 e 11/2/2005, quando ainda não existia essa Instrução Normativa, são descabidas a sua arguição e a sua trazida ao mundo jurídico, de forma a alicerçar a caracterização de infrações e a legitimar a cominação de penalidades que lhe correspondam. Nesse sentido as regras estabelecidas pelo art. 150, III, "a", da Constituição Federal e pelo art. 2o, parágrafo único, XIII, da Lei no 9.784/1999, que rege o processo administrativo. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 11 10 Desse modo, há que se concluir que a multa objeto de lide somente tem aplicação nos casos em que a inobservância da prestação de informações refirase a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e produziu efeitos. Assim devem ser exoneradas as multas relativamente aos fatos que ocorreram até 14/2/2005, no qual vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994. Da aplicação do novo prazo previsto na IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. No tocante à penalidade, cumpre ainda verificar que a IN SRF n° 28/1994, teve sua redação alterada pela IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010, com vigência a partir de 14/12/2010, estabelecendo o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre embarque de mercadoria, conforme abaixo: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n°1.096, de 13 de dezembro de 2010) (grifei) Portanto, vêse, de fato, que a nova redação deixou de considerar como infração a prestação da informação em tela no prazo de até 7 dias da data do embarque, o que possibilita, em tais casos – desde que a lide não tenha sido definitivamente julgada – a aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Quanto a contagem do prazo previsto para se prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, este deve ser contado de forma contínua, a partir da data da realização do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento, em obediência a forma prevista no caput do artigo 210 do CTN, independente do expediente da repartição aduaneira, uma vez que o acesso ao referido sistema informatizado pelo responsável por prestar a informação ocorre de forma ininterrupta, sem a necessidade da intervenção da repartição aduaneira. Assim, relativamente aos fatos que ocorreram posteriormente a 14/2/2005, devem ser exoneradas as multas com referência aos vôos cujas informações sobre o embarque foram prestadas em prazo inferior aos 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 12 11 Com relação a alegação de aplicação do instituto da denúncia espontânea à infração em análise, não obstante o meu entendimento de que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, a maioria da Turma votou pelas conclusões considerando aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea. À vista do exposto, dou provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005579/200941 Acórdão n.º 3801005.023 S3TE01 Fl. 13 12 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10715.004208/2010-85
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Nayara Fonseca Cunha, OAB/DF 24.083.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Nayara Fonseca Cunha, OAB/DF 24.083. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 42 08 /2 01 0- 85 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004208/201085 Acórdão n.º 3801004.796 S3TE01 Fl. 13 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004208/201085 Acórdão n.º 3801004.796 S3TE01 Fl. 14 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.004208/201085, contra o acórdão nº 0724.401, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 13 de maio de 2012, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 105.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecidos pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: em razão do erro operacional de seu estabelecimento no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, as informações concernentes ao embarque das mercadorias foram fornecidas com atraso, variável, em sua grande maioria, de 01 a 08 dias além do prazo concedido pela legislação para a prestação das informações junto ao Siscomex, nos termos da tabela que acompanha o Auto de Infração. ao contrário do que faz crer a autoridade administrativa, não basta à mera inobservância da legislação aduaneira para validar a imputação de multa. Mister que se configure a intenção dolosa do agente em fraudar o controle aduaneiro, bem como o dano ao Erário incorrido, a fim de justificar a imputação das multas capitaneadas pela legislação que regulamenta o comercio exterior, o que não se apresenta no presente caso. a aplicação da pena de multa mostrase de todo desarrazoada e desproporcional, devendo na espécie se aplicado o artigo 654, do Regulamento Aduaneiro vigente época, Decreto 4.543/2002, o qual prevê a relevação de multa quando a infração não tenha resultado em falta ou insuficiência de recolhimento de tributos. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004208/201085 Acórdão n.º 3801004.796 S3TE01 Fl. 15 4 o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que se aplica às infrações da mesma espécie, apuradas em uma mesma ação fiscal, a teoria da continuidade delitiva, de modo que, ainda que se entendesse pela configuração da infração, esta somente poderia ensejar a imputação de uma multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por todas as infrações apurados na fiscalização. Requer que o Auto de Infração seja julgado improcedente, com a consequente relevação da multa, em razão da ausência de dolo ou prejuízo ao Erário, bem como por força da desproporcionalidade entre a infração cometida e a sanção imposta; ou, em sede de pedido eventual, na hipótese de configurada a infração, e não relevada a multa, que o credito tributário seja reduzido ao valor de R$ 5.000,00 (cinco mil, reais), mediante aplicação da teoria da continuidade delitiva. É o relatório. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela parcial procedência da impugnação, reduzindo o crédito tributário de R$ 105.000,00 para R$ 25.000,00 referente à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto Lei nº 37/1966. Colaciono a ementa do referido. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração ontida a línea e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. Aplicase a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. INFRAÇÃO CONTINUADA. EMBARQUES DIFERENTES. MERA REITERAÇÃO DA CONDUTA INFRACIONAL. É incabível falar em infração continuada quando os atos caracterizadores da infração não resultam do aproveitamento das condições objetivas que balizaram a prática das infrações anteriores. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004208/201085 Acórdão n.º 3801004.796 S3TE01 Fl. 16 5 Tendo em vista a presunção de constitucionalidade das normas legais que foram legitimamente inseridas no ordenamento jurídico, cabe à autoridade administrativa tão somente verificar se os fatos subsumemse na norma de regência e aplicar a penalidade em face da existência de expressa determinação legal, dado que o lançamento não é atividade discricionária, mas, bem ao contrário, vinculado e obrigatória. Impugnação rocedente em Parte Crédito Tributário Mantido Parte Inconformada com a improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 O auto de infração seria nulo por não comprovar as supostas infrações; 2 A infração não é objetiva, sendo necessário perquirir se houve dolo ou dano ao Erário; 3 Aplicação do art. 654 quanto à relevação multa, tendo em vista a ausência de dolo ou dano ao Erário; 4 A manutenção da multa ofende os princípios da proporcionalidade e razoabilidade; É o relatório. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004208/201085 Acórdão n.º 3801004.796 S3TE01 Fl. 17 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Denúncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que embora não tenha sido objeto de defesa no presente recurso voluntário, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea, matéria de ordem pública que deve ser ponderada. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Consultados os autos, nas planilhas apresentadas pela fiscalização é possível verificar que as declarações foram entregues, todavia em atraso de no máximo 03 (três) dias, não configurando dano algum ao Erário. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Fl. 210DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004208/201085 Acórdão n.º 3801004.796 S3TE01 Fl. 18 7 “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser Fl. 211DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004208/201085 Acórdão n.º 3801004.796 S3TE01 Fl. 19 8 excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Nulidade do auto de infração Entendo que não assiste razão o recorrente na sua insurgência sobre a nulidade do auto de infração por não bem comprovar a conduta da recorrente. A fiscalização apresentou a planilha contendo o número das declarações, a data do embarque a data em que foi enviada a declaração e a que voo pretendia, não se olvidando que estas informações são feitas de forma eletrônica e pelo próprio recorrente. Nestes termos, não havendo o recorrente comprovado que de fato as datas de envio não seriam aquelas que apontados pelo fisco, não logrou êxito em desincumbirse do ônus de comprovar a tempestividade das emissões, por força do art. 333, II, do CPC. Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004208/201085 Acórdão n.º 3801004.796 S3TE01 Fl. 20 9 Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN que: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Havendo dúvida sobre capitulação legal do fato deve ser afastada a aplicação da multa. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou Fl. 213DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.004208/201085 Acórdão n.º 3801004.796 S3TE01 Fl. 21 10 punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para dar provimento ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer que uma vez apresentada a declaração está explicita a denúncia espontânea, motivadora da exclusão da multa regulamentar. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 214DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.720979/2013-28
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DESISTÊNCIA. ADESÃO AO PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO FISCAL - REFIS DA COPA. LEI Nº 13.043/2014.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2803-004.219
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, tendo em vista a adesão ao Programa de Recuperação Fiscal - REFIS DA COPA (Lei nº 13.043/14).
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DESISTÊNCIA. ADESÃO AO PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO FISCAL - REFIS DA COPA. LEI Nº 13.043/2014. Recurso Voluntário Não Conhecido
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DESISTÊNCIA. ADESÃO AO PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO FISCAL REFIS DA COPA. LEI Nº 13.043/2014. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, tendo em vista a adesão ao Programa de Recuperação Fiscal REFIS DA COPA (Lei nº 13.043/14). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 09 79 /2 01 3- 28 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11030.720979/201328 Acórdão n.º 2803004.219 S2TE03 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à diferença de contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 20 de março de 2014 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO. ALÍQUOTA DEFINIDA POR ESTABELECIMENTO. PARECER PGFN/CRJ 2120/2011. A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Aplicação do Parecer PGFN/CRJ/nº 2120/2011. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS (RFFP). DEVER FUNCIONAL. A emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) constitui dever funcional dos AuditoresFiscais, não cabendo no julgamento administrativo a apreciação do conteúdo desta peça, à qual será enviada às autoridades competentes em momento oportuno. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Fl. 280DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11030.720979/201328 Acórdão n.º 2803004.219 S2TE03 Fl. 4 3 Tratase de recurso administrativo tirado em face do r. Acórdão proferido nos autos do processo epigrafado, em que a empresa recorrente se vê fustigada por auto de infração que teria cometido quanto ao recolhimento de contribuições previdenciárias SAT/RAT relacionadas no anexo próprio, no período compreendido entre 01/2010 e 12/2012, apuradas nas diligências fiscalizatórias com termo inicial em 05/04/2013 e execução em 19/04/2013, respaldada pelos MPF n. 1010400.2013.00088 e 1010400.2013.0017, respectivamente, relativos a diligência e fiscalização, donde se extraiu também imputação de cometimento de suposto ilícito penal a ser comunicado de ofício após assentamento definitivo do ato infracional ora sob exame. Todo o procedimento fiscalizatório e respectivo relatório foram minudentemente relatados perante a impugnação defesa, onde restou aduzido no que “durante a ação fiscal verificamos que o contribuinte informou em GFIP, alíquota de 3% de RAT – Riscos Ambientais do Trabalho – para os estabelecimentos /000108, 0002/800, /000823;/0006 04,/01090,E/001503, e 2% de RAT para os estabelecimentos /000442; /00957; /001252; /001333; e /001414, no período de 01/2010 a 12/2012, conforme planilha demonstrativa do RAT anexa”. Referido relatório aduz ainda que “para o estabelecimento /00042, nas competências 01/2010 a 04/2010 e 06/2010, a empresa informou FAP 1,71 E 1,70, incidente sobre o RAT de 2%, sendo que para as demais competências, o FAP informado foi de 1,00 e o RAT ajustado em 2,0%, para, destarte, fundamentar sua decisão de aplicar a penalidade de multa na autuada. Em sua defesa impugnatória a empresa pugnou pela regularidade dos recolhimentos efetuados em valores e percentis de ordem legal relativamente a sua sede e todas as filiais, sendo que em especial, no caso das filiais de São Paulo, o percentil diferenciado de recolhimento conta com proteção de liminar concedida pela Justiça em MS impetrado pela organização sindical a que filiada – SINCOVAGA, que a representa como substituto processual – Processo 2009.61.00.0049546 em trâmite perante o Egrégio Tribunal Federal da 3ª Região, e que ainda não teve seu mérito apreciado, em que referido Pretório Regional Federal determina que “a autoridade coatora se abstenha de exigir o pagamento da contribuição previdenciária nos Riscos Ambientais do Trabalho – RAT, até o final da lide, restaurando por corolário, aplicabilidade do artigo 22, II, da Lei 8.212/92” que, de sua sorte, NÃO PREVE aplicação do FAP, conforme acórdão (transcreveu a íntegra). A despeito de todo este articulado e elementos de convicção fáticos, doutrinários e legais carreados, houve por bem a N. 11ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil, sede Rio de Janeiro (RJ), ACOLHER PARCIALMENTE a impugnação, fazendoo apenas “no tocante à matéria em que não houve renúncia ao contencioso administrativo e não conhecer da impugnação, quanto à matéria que se encontra sub judice, em face da renúncia ao contencioso administrativo, MANTENDOSE EM PARTE o crédito tributário exigido no valor de R$384.079,84, que será acrescido de juros e multa a serem calculados na data da liquidação, nos termos do relatório e voto” que integram o julgado. Escudandose na vertente “renúncia ao contencioso administrativo” para deixar de apreciar e se manifestar sobre substancial parcela da impugnação ofertada, secundando o voto do I. Relator, respeitosamente, o julgado não se houve com o costumeiro acerto, além de incidir em NEGAÇÃO da entrega da manifestação buscada com visto de Fl. 281DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11030.720979/201328 Acórdão n.º 2803004.219 S2TE03 Fl. 5 4 demonstrar regulares as contribuições efetivadas e cancelar o crédito tributário lançado e, sobremaneira, as penalidades propostas em exuberante olvido às razões e fundamentos fáticos enunciados e provados da impugnação. Ressalta a Recorrente, vênia concessa, EQUIVOCADA a fundamentação do voto relator na imaginada renúncia à tramitação administrativa da insurreição pronunciada. Na impugnação se debate a ora recorrente por ver reconhecida a legalidade e correção dos recolhimentos da contribuição previdenciária em evidência, bem assim, por ver declarada a excessiva e incabível a apenação pecuniária imposta e consubstanciada em juros de mora e multa por eventual inobservância dos percentis corretos de recolhimento. O conteúdo e a interpretação do art. 202 do RPS, vedam de forma expressa a imposição generalizante noticiada pelos agentes fiscais no item 27 do r. Acórdão n. 12 64.138 para fundamentar a imposição dos consectários penalizantes de que se recorre porque é defeso à Administração Pública afastarse dos ditames imperativos das normas e regulamentos que disciplina sua atividade para justificar, à margem da lei, então, a sanha arrecadadora insaciável hodierna com que fustiga a sociedade e fere de morte a evolução da atividade econômica pátria. Ocorreram afrontas legais que inviabilizam o lançamento, nulificandoo por completo de modo a tornalo insuscetível de exigência, motivo pelo qual reitera a recorrente, se dignem V.Sas., da provimento ao presente recurso para alterar o decisum inserto no r. acórdão guerreado, com conhecimento e manifestação da impugnação nas questões relativas as penalidades oriundas da não aplicação do FAP, tema, portanto, diverso daquele sobre o qual se busca manifestação jurisdicional nos autos do MS; cancelamento do lançamento, mesmo na porção retificada, do crédito para cobro das alegadas diferenças na aplicação das alíquotas de maior expressão legal cumulada com aplicação do FAP, uma vez restabelecido o critério de exame do CNAE e CNPJ de cada unidade que compõe o grupo empresarial, terminando por determinar o cancelamento das penalidades pecuniárias decorrentes das imputações de que se defende a recorrente, ocasião em que, assim decidindo, restabelecerão a justiça e precisão com que sempre se houveram os DD agentes e representantes do Fisco Nacional. Em 10 de setembro de 2014, o processo foi julgado pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF. Em 22 de outubro de 2014, a PGFN opôs Embargos de Declaração. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11030.720979/201328 Acórdão n.º 2803004.219 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário / Embargos de Declaração são tempestivos, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de suas admissibilidades, merecem ser apreciados. O processo em questão foi julgado pela 3ª turma Especial da 2ª Seção do CARF em 10 de setembro de 2014. Em 22 de outubro de 2014, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN opôs Embargos de Declaração. Em 08 de dezembro de 2014, o contribuinte peticiona nos autos requerendo a desistência do recurso, tendo em vista sua adesão ao Programa de Recuperação Fiscal – REFIS DA COPA (Lei nº 13.043/14). Em virtude da dos incidentes anteriormente referidos não conheço do recurso aviado pelo contribuinte, bem como dos Embargos de Declaração opostos pela PGFN. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por não CONHECER do recurso, em virtude do pedido de desistência formulado pelo contribuinte, tendo em vista a adesão ao Programa de Recuperação Fiscal REFIS DA COPA (Lei nº 13.043/14). É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10166.725388/2013-49
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/07/2013
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CONTRATO DE CORRETAGEM. NÃO INCIDÊNCIA.
Não ocorrendo pagamentos pela Recorrente, nem diretamente e tampouco indiretamente, aos corretores que procediam as vendas dos apartamentos, não se caracterizaram os fatos geradores de contribuições previdenciárias descritos por aferição indireta no lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-003.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. Sustentação oral Advogado Dr Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/DF nº 41.765.
(assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(assinado digitalmente)
Oséas Coimbra - Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Magaldi Messetti Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Fábio Pallaretti Calcini, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. Sustentação oral Advogado Dr Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/DF nº 41.765. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (assinado digitalmente) Oséas Coimbra - Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Fábio Pallaretti Calcini, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
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Obrigação Acessória Recorrente M. GARZON EUGENIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/07/2013 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CONTRATO DE CORRETAGEM. NÃO INCIDÊNCIA. Não ocorrendo pagamentos pela Recorrente, nem diretamente e tampouco indiretamente, aos corretores que procediam as vendas dos apartamentos, não se caracterizaram os fatos geradores de contribuições previdenciárias descritos por aferição indireta no lançamento. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. Sustentação oral Advogado Dr Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/DF nº 41.765. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 53 88 /2 01 3- 49 Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.725388/201349 Acórdão n.º 2803003.866 S2TE03 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Fábio Pallaretti Calcini, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.725388/201349 Acórdão n.º 2803003.866 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por não declarar em GFIP os pagamentos efetuados a corretores de imóveis e às demais pessoas físicas que lhes prestaram serviços, como também não reteve as contribuições de responsabilidade desses segurados (contribuintes individuais), conforme determina o art. 4o da Lei n° 10.666, de 08/05/2003, nem recolheu as contribuições devidas à Seguridade Social decorrentes desses pagamentos. O r. acórdão – fls 1168 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · Ao lançar as contribuições previdenciárias incidentes sobre valores supostamente pagos a contribuintes individuais, a Fiscalização não observou que estava lançando tributo incidente sobre pagamentos realizados, por exemplo, a Pessoas Jurídicas, entidades não abrangidas pelo manto da proteção previdenciária e, portanto, não inseridas dentro do conceito de segurados. · Apenas a título de exemplo, destacase a indicação dos pagamentos realizados pela Recorrente à empresa "Ferfratt Marketing" na competência 05/2008 nos valores de R$ 12.403,29 e R$ 7.181,49. · Redução da multa de ofício e decadência das competências 01/2008 a 06/2008 em razão da aplicação do art. 150 do CTN. · Injusta e descabida desconsideração da natureza jurídica do contrato de corretagem, bem como da limitação imposta pelo teto do salário de contribuição, ou ainda do disposto no item 07, da alínea "e", do artigo 28, da Lei n. 8.212/91, que isenta de contribuição previdenciária as verbas ora discutidas, evidenciando a total improcedência da exigência fiscal. · Inexistindo a obrigação tributária principal de proceder ao recolhimento das contribuições previdenciárias lançadas nos Autos de Infração acima mencionados, é evidente que não subsiste a obrigação de exigir a sua declaração nas GFIPs correspondentes, o que torna ainda mais clara a improcedência da exigência fiscal aqui discutida. · Natureza jurídica da corretagem: da inexistência da prestação de serviços prevista no artigo 22, inciso III, da lei N. 8.212/1991. · Ainda que se considere que o contrato de corretagem para fins de incidência da contribuição previdenciária se amolda à prestação de serviços, o que somente se admite por necessidade de argumentação, nem assim as autuações ora combatidas merecem prosperar, tendo em Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.725388/201349 Acórdão n.º 2803003.866 S2TE03 Fl. 5 4 vista haver evidente equívoco na identificação do sujeito passivo da obrigação porventura existente.Afinal, ao contrário do que consta nas autuações ora combatidas, eventual beneficiário dos "serviços" de corretagem prestados pelos corretores autônomos não seria a Recorrente, e sim o adquirente do imóvel. · Isenção das contribuições previdenciárias sobre os ganhos eventuais. · A d. Fiscalização equivocouse quando do arbitramento do valor entendido devido, por não levar em consideração o teto do saláriode contribuição. · Indevida majoração da multa isolada e decadência parcial em razão do art. 150§4º do CTN · Requer o provimento integral do recurso ou subsidiariamente, caso assim não entenda, a redução da multa isolada objeto deste AI, de modo que se coadune aos limites previstos no artigo 32A, inciso I, da Lei n. 8.212/1991, por força do disposto no artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN. É o relatório. Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.725388/201349 Acórdão n.º 2803003.866 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Tratase a decidir se a comissão paga por compradores de imóveis diretamente a corretores pessoa física, associados da recorrente, configura fato gerador de contribuição previdenciária. A lei 8212/91 informa: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: ... III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Depreendese da norma legal que as comissões efetivamente se configuram como salário de contribuição, devendo ser esclarecido se tais valores decorreram de serviços prestados à recorrente ou aos compradores dos imóveis, que efetivaram os pagamentos. Repisase que deve ser esclarecido se a remuneração auferida (comissões) se deu em razão de prestação de serviços à recorrente, que atua no ramo de intermediação na compra, venda, permuta e aluguel de imóveis; prospecção e avaliação de terrenos para incorporação imobiliária; aproximação e assessoria para negócios entre proprietários de imóveis, incorporadores e investidores em geral ou em razão de contratação com os efetivos compradores. Caso reste comprovado que os corretores prestaram serviço à recorrente, esta é a responsável pelas obrigações tributárias daí advindas, independentemente de quem fez o efetivo pagamento. A título exemplificativo temos a situação onde o segurado A presta serviço a empresa B, e o pagamento é feita pela coligada C. Tal situação não atrai a responsabilidade para C, pois o serviço fora prestado a B, que inclusive assim tem que lançar em seus livros contábeis na respectiva conta de despesa. Prosseguindo, o relatório fiscal informa: 1. Realizou diligências junto a construtoras para as quais a recorrente prestou serviço, pois esta não apresentou os contratos requeridos, informando que foram realizados de forma verbal. As empresas contratadas, Brasal, Arquitetura e Lazer e Brookfield, ao contrário Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.725388/201349 Acórdão n.º 2803003.866 S2TE03 Fl. 7 6 do que alegado pela recorrente, apresentaram os respectivos contratos. 2. Igualmente foram realizadas diligências junto aos adquirentes de imóveis. 3. A recorrente afirma que "não possui nenhum tipo de contrato de prestação de serviços de corretagem, ora descrito no item 11 do TIPF, porquanto se trata de serviço autônomo, no qual os corretores são remunerados diretamente pelos clientes/compradores". Sobre os contratos realizados de forma verbal, a princípio nenhuma nulidade há, sendo que a empresa intimada a apresentar tais contratos deve reduzir a termo o que acertado, informando à fiscalização o conteúdo do contrato e os valores envolvidos. Sobre os contratos apresentados em diligência, resta demonstrado que MGARZON é contratada para promover a venda das unidades disponíveis, e esta contrata corretores autônomos para atingir o fim contratado. Inclusive reza em contrato que a remuneração destes corretores será de 1,45%(um vírgula quarenta e cinco por cento) e a empresa 2,05%(dois vírgula cinco por cento). Igualmente fica acertado que tais corretores, pessoas físicas, serão indicados e coordenados pela recorrente. Informa ainda que deverá a recorrente: 1. Manter no plantão de vendas corretores autônomos de imóveis, nos horários indicados pela contratante. 2. Nomear um supervisor de vendas, responsável no stand, exercendo as seguintes funções: orientar o trabalho dos corretores, levar e manter material publicitário e de apoio no stand de vendas, bem como tabelas, recolher as propostas, atender os clientes compradores, (grifei) 3. d) Efetuar o pagamento dos corretores autônomos de imóveis mediante a emissão do correspondente RPA. As diligências, por amostragem, efetuadas junto aos compradores revelaram que todos os imóveis foram adquiridos por intermédio da Imobiliária M Garzon Eugênio; os corretores não foram contratados pelos compradores; e se apresentaram como representante da M Garzon, inclusive usando crachá da empresa com a sua identificação pessoal. Ainda o relatório fiscal: Dentro do novo prazo estabelecido, ou seja, em 20/05/2011, a Empresa apresentou planilha sobre as unidades vendidas no período de apuração, porém não informou os campos relativos à proposta de compra (n° e data) subscrita pelo corretor responsável pela venda e pelo adquirente da unidade, sob a alegação que tais propostas são descartadas após a venda Além Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.725388/201349 Acórdão n.º 2803003.866 S2TE03 Fl. 8 7 dessa informação, não preencheu também os campos da planilha destinados à informação relativa à corretagem ou seja, identificação do corretor responsável pela venda (nome, CPJ e registro no CRECI) e do valor da comissão de venda devida a esse profissional. Neste caso, alegou que não possui informações a respeito da corretagem última coluna da planilha . porquanto se trata de serviço autônomo, no qual os valores são transacionados diretamente entre cliente e corretor." (Anexo 02, fls. 10 e 11). A fiscalização requereu então a "descrição do fluxo das atividades de prestação de serviços de intermediação imobiliária, detalhando como ocorre o processo de vendas, o engajamento dos corretores envolvidos, a definição da comissão do corretor, os formulários utilizados, o pagamento do sinal e da comissão do corretor responsável pela venda, o relacionamento com o cliente, e outras informações necessárias ao esclarecimento da questão". A recorrente informa que "...a comissão dos corretores são negociadas diretamente com o cliente, porquanto faz parte da "carteira de clientes" do próprio corretor, sendo as comissões baseadas nas determinações do Conselho Regional de Corretores de Imóveis CRECP." As alegações da empresa efetivamente não procedem. Os contratos são claros ao dispor sobre a responsabilidade desta e da corretagem efetivamente paga, pois igualmente tem participação na mesma. As diligências também comprovaram que não se trata de "carteira de clientes" do próprio corretor, pois os compradores informaram que não conheciam os corretores e estes atendiam inclusive usando crachá da recorrente. Resumindo,existe uma tarefa ser feita VENDA DE IMÓVEIS e para isso a construtora CONTRATA A CORRETORA/RECORRENTE MGARZON e esta CONTRATA PESSOAS FÍSICAS para executar o que contratado. O contrato firmado com a construtora, que a recorrente dizia não existir, e obtido em diligência, é claro nesse ponto fls 777: Parágrafo Primeiro: Pelos serviços a serem prestados e desenvolvidos sob a coordenação da CONTRATADA, esta receberá a comissão de 3,5% (três vírgula cinco por cento) sobre o valor de cada venda, a ser pago diretamente pelo comprador, e descontado do contrato de compra e venda da unidade, da seguinte forma: a) 1,45%(um vírgula quarenta e cinco por cento) será devido aos corretores autônomos que intermediarem a venda, indicados e sob coordenação da contratada. b) 2,05% (dois vírgula zero cinco por cento) será devido à contratada. Determinava ainda que a recorrente manteria plantão com corretores, em horários pré determinados 08 às 20h, com supervisor de vendas, atendimento a compradores, treinamentos, efetuar os pagamentos do pessoal envolvido, exigir dos Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.725388/201349 Acórdão n.º 2803003.866 S2TE03 Fl. 9 8 corretores o alcance das metas de vendas, se responsabilizar pelas obrigações trabalhistas, sociais e tributárias, etc.. Temos então que a contratada recebe a comissão devida e faz o pagamento aos corretores autônomos contratados. Existe o vínculo entre corretores autônomos e a recorrente e não há que se falar em pagamento direto do comprador ao corretor, por parcela a este devida. As diligências feitas junto aos compradores confirmam que estes não contrataram os corretores, os quais estavam no stand da MGARZON, informaram ainda que emitiram cheques NOMINATIVOS A MGARZON, conforme cópias dos mesmos fls 482. Passo seguinte, havia o repasse aos corretores. Também o documento entregue pelos corretores aos compradores, a PROPOSTA DE VENDA COM RECIBO DE SINAL, que traz o imóvel objeto da proposta, as condições de pagamento, o recibo de pagamento, etc, tem a chancela de MGARZON. Os pagamentos de corretagem eram feitos à MGARZON, que os lançava na conta SERVIÇO PRESTADO À VISTA 3101150001 . Vários desses lançamentos correspondem a notas fiscais com histórico de Serviços de intermediação imobiliária e comissão de venda e em nome dos adquirentes. Tais circunstâncias a desdúvida comprovam que a recorrente efetivamente contratou os corretores para efetivar as vendas de sua responsabilidade. Coordenava e distribuía os corretores como melhor entendesse, e os remunerava, caracterizando assim contratação formal sujeita à contribuição previdenciária. A lei 8212/91 informa que é contribuinte individual aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego;caso dos autos. Ad argumentandum tantum, temos que seria irrelevante se o pagamento tivesse sido feito por terceiros, pois tal situação não tem o condão de alterar a relação jurídica entre a recorrente e as pessoas físicas em questão. Não há que se confundir "remuneração auferida" com pagamento, situações distintas, em momentos diversos e uma inclusive pode ocorrer sem que a outra se efetive. Também não procede a alegação de "Injusta e descabida desconsideração da natureza jurídica do contrato de corretagem", pois tais contratos sequer foram apresentados, em desconformidade com o decreto 81.871/78: Art 5º Somente poderá anunciar publicamente o Corretor de Imóveis, pessoa física ou jurídica, que tiver contrato escrito de mediação ou autorização escrita para alienação do imóvel anunciado. Igualmente não procede as alegações sobre os lançamentos a "Ferfratt Marketing" ou decadência em razão do art. 150, §4º do CTN. O relatório fiscal afirma de forma clara que apurou as bases na conta "SERVIÇOS TERCEIROS PESSOA FÍSICA", código 4201010036, e não sobre pessoas jurídicas. Sobre a decadência, tratase de autuação por descumprimento de obrigação acessória, atraindo a aplicabilidade do art. 173,I do CTN Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.725388/201349 Acórdão n.º 2803003.866 S2TE03 Fl. 10 9 Sobre o valor do auto, onde o contribuinte aponta possível erro na base de cálculo apurada, em razão do teto do salário de contribuição, a recorrente não menciona sobre qual competência se encontra o erro e tampouco o valor que considera alterado, não havendo assim como verificar o alegado. Acerca da multa aplicada, o relatório fiscal aponta às fls 1073 os cálculos efetuados, não havendo reparo a ser efetivado. Dessa feita a r. decisão deve ser mantida em sua inteireza. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.725388/201349 Acórdão n.º 2803003.866 S2TE03 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Antes de proferir meu voto, presto aqui as mais sinceras homenagens ao Conspícuo Conselheiro Relator, compreendendo perfeitamente suas razões de decidir, as quais decorrem de perfeito raciocínio lógicojurídico. Todavia, possuo entendimento diametralmente oposto, o qual peço vênia para explicar. Compulsando os autos, observase pelo Relatório Fiscal acostado pela fiscalização que "constitui o fato gerador integrantes do presente lançamento o pagamento de remuneração, a título de comissão de venda, efetuado a corretores de imóveis autônomos, pelos serviços de intermediação imobiliária prestados à Empresa, no período fiscalizado". Ora, o douto fiscal partiu da premissa de que os valores de corretagem foram pagos diretamente pela recorrente, sendo ela a beneficiária direta pela corretagem executada pelos profissionais habilitados para tanto. Em que pese o entendimento da fiscalização, não vislumbro como concordar com o lapidar voto apresentado pelo Ilustre Relator que, de forma precisa, analisou a questão com a imparcialidade exigida para um membro deste Augusto Conselho Administrativo. Ocorre que, no meu entender, salvo melhor juízo, ficou devidamente demonstrado no processo ora em análise que as comissões de corretagem eram pagas diretamente pelos adquirentes das unidades imobiliárias, não existindo qualquer dispêndio de numerário por parte da recorrente. Ademais, não houve qualquer saída de recursos financeiros dos caixas da recorrente com o escopo de efetuar qualquer pagamento a título de corretagem. Com efeito, utilizando das palavras do eminente Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, ao apreciar caso análogo na 4ª Câmara, da 3ª Turma Ordinária, desta 2ª Seção, " não tendo saído recursos do caixa da empresa para tal finalidade, esta não pode se utilizar desses valores para efetuar lançamentos na sua contabilidade como despesas ou custos e assim obter até mesmo benefícios das reduções na sua declaração de renda sob pena de, em o fazendo, como quer a autoridade autuante, cometer ilícitos seguramente passiveis de procedentes autuações fiscais." Não obstante isso, insta salientar que os efetivos beneficiários do serviço de corretagem foram os próprios compradores, os quais, com seus recursos próprios que não foram repassados de alguma forma pela recorrente, assumiram pagar as comissões dos corretores, não se podendo, por consectário, extrair qualquer ilação de que a recorrente os tenha efetuados de forma indireta. Outrossim, destaco que o presente lançamento teve como motivação o entendimento da Autoridade autuante de que a recorrente pagara indiretamente valores aos corretores de imóveis. Assim, não ocorrendo os sobreditos pagamentos pela recorrente, nem diretamente e tampouco indiretamente, não se caracterizaram os fatos geradores descritos por aferição indireta no lançamento em análise. Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.725388/201349 Acórdão n.º 2803003.866 S2TE03 Fl. 12 11 Saliento, por fim, que esta mesma Terceira Turma Especial já se manifestou expressamente em idêntico caso da ora recorrente, no Processo nº 10166.730551/201212, de relatoria do Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, restando o acórdão assim ementado: Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS X CONTRATO DE CORRETAGEM. FATO GERADOR NÃO CARACTERIZADO. CONFLITO DE NORMAS. INOBSERVÂNCIA, PELA FISCALIZAÇÃO, DOS COMANDOS DOS ARTIGOS 109, 110 E 142 DO CTN. 1. O cerne da discussão entre as partes litigantes diz respeito a contratos de prestação de serviços (tácitos) firmados pela recorrente e corretores ou consultores imobiliários, sob a ótica da lei previdenciária (art. 22 da Lei nº 8.212/91), conforme entendimento da fiscalização / julgadores de primeira instância, e contratos de corretagem (também tácitos) firmados pelos corretores / consultores imobiliários e os adquirentes de imóveis por intermédio da recorrente, sob a ótica do art. 723 do Código Civil / Lei 6.530/79, que define a área de atuação do corretor imobiliário. 2. Não tendo a autoridade administrativa, verificado, efetivamente, a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como impõe o art. 142 do CTN, tendo em vista que a relação existente entre o sujeito passivo e os corretores / consultores imobiliários não decorre de contrato de prestação de serviço, mas de contrato de corretagem, na forma estabelecida no art. 723 do Código Civil, bem como na Lei nº 6.530, de 1979, a constituição do crédito tributário está eivada de vício material insanável, não merecendo, desse modo, prosperar. 3. Além de a fiscalização ter inobservado a regra matriz para a constituição do crédito tributário, como prevê o art. 142 do CTN, ela também desconsiderou solenemente as previsões contidas nos artigos 109 e 110 do mesmo diploma legal. Recurso Voluntário Provido Assim, ouso divergir do voto proferido pelo auspício relator, conhecendo do recurso e, no mérito, dandolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti – Redator Designado Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.725388/201349 Acórdão n.º 2803003.866 S2TE03 Fl. 13 12 Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 19515.003777/2003-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
Ementa:
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174/2001. SÚMULA CARF Nº 35.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCABIMENTO.
O procedimento fiscal é informado pelo principio da inquisitoriedade no sentido de que os poderes legais investigatórios da autoridade administrativa devem ser suportados pelos particulares que não autuam como parte, já que na etapa averiguatória sequer existe, tecnicamente, pretensão fiscal. Incabível a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, pelo fato do sujeito passivo não ter acompanhado todo o trabalho de investigação desenvolvido pela autoridade fiscal, antes da lavratura do auto.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA.
A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal.
Numero da decisão: 2201-002.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 20/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 Ementa: QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2. Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174/2001. SÚMULA CARF Nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCABIMENTO. O procedimento fiscal é informado pelo principio da inquisitoriedade no sentido de que os poderes legais investigatórios da autoridade administrativa devem ser suportados pelos particulares que não autuam como parte, já que na etapa averiguatória sequer existe, tecnicamente, pretensão fiscal. Incabível a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, pelo fato do sujeito passivo não ter acompanhado todo o trabalho de investigação desenvolvido pela autoridade fiscal, antes da lavratura do auto. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal.
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2. Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174/2001. SÚMULA CARF Nº 35. “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente”. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCABIMENTO. O procedimento fiscal é informado pelo principio da inquisitoriedade no sentido de que os poderes legais investigatórios da autoridade administrativa devem ser suportados pelos particulares que não autuam como parte, já que na etapa averiguatória sequer existe, tecnicamente, pretensão fiscal. Incabível a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, pelo fato do sujeito passivo não ter acompanhado todo o trabalho de investigação desenvolvido pela autoridade fiscal, antes da lavratura do auto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 37 77 /2 00 3- 13 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 20/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 1998, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 138/159, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.546.646,48. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.003777/200313 Acórdão n.º 2201002.614 S2C2T1 Fl. 3 3 A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Preliminarmente a) Cerceamento de defesa caracterizador de nulidade do procedimento administrativo, a partir da não ciência ao impugnante da juntada de documentos pelos bancos Antes da análise da manifestação apresentada à fl. 130, onde era requerido prazo pra que as instituições financeiras providenciassem as microfilmagens das contas, foi emitido o auto de infração, mesmo antes de haver intimação quanto aos inúmeros documentos acrescidos aos autos, notadamente os extratos bancários, não lhe sido concedido vista aos mesmos ou oportunidade para prestar esclarecimentos. Não lhe foi possibilitado, portanto, o exercício pleno de seu direito de defesa, inclusive com quebra de seu sigilo bancário, sem seu conhecimento ou autorização judicial. b) Nulidade do lançamento tributário e do auto de infração por arbitramento/presunção exclusivamente sobre extratos bancários A suposta omissão de receitas, cujos valores foram apurados no auto de infração, foi obtida por mera presunção ou arbitramento, exclusivamente sobre depósitos bancários em conta corrente. O procedimento tributário é fundamentalmente de elaboração e discussão de lançamento. É a forma administrativa de exame e apuração das possíveis obrigações e, como elas, igualmente regulada por lei e, por isso mesmo, a própria forma de proceder constitui um direito assegurado às partes. Em suma, é o devido processo legal (art. 5º, LIV, da CF de 1988). No caso, não foi observado o devido processo legal, posto que não lhe foi permitido verificar os documentos apresentados pelos bancos, num procedimento ilegal e arbitrário, ou seja, a quebra do sigilo bancário e uma vez de posse dos extratos bancários foi efetuado o lançamento por intermédio de presunção ou arbitramento, sem oportunidade de qualquer manifestação neste sentido ou de juntada de documentos. Por outro lado, a constituição do crédito tributário pelo lançamento, efetivada exclusivamente por presunção ou arbitramento, sobre os valores constantes de depósitos bancários em conta corrente é absolutamente ilegal, inválida e ineficaz. Ocorre que, depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador de imposto de renda, porque não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos, nem acréscimo patrimonial, mesmo porque não foi comprovado o nexo causal Fl. 469DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 entre os depósitos e os fatos que representam a suposta omissão de receitas. O extinto TFR emitiu a Súmula 182 sobre a ilegalidade do lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. Esse entendimento tem sido reiterado pela jurisprudência administrativa e judicial recente, conforme ementas que transcreve. O Fisco Federal está autuando com fulcro na Lei nº 10.174, de 9/01/2001, na Lei Complementar nº 105, de 10/01/2001 e no Decreto nº 3.724, de 10/01/2001, investigando possíveis fatos geradores ocorridos no ano de 1998 e, para isso, está requisitando extratos bancários. Essa devassa bancária é ilegal, porque se exige obrigação impossível de ser cumprida, porque os extratos bancários, fornecidos pelas instituições financeiras, são para guarda e simples conferência do correntista, o qual não os guarda por tempo indefinido, para esperar a ação do fisco. Há manifesta inconstitucionalidade contida em vários dos dispositivos legais constantes dos diplomas legais utilizados pelo fisco federal. Apresenta jurisprudência sobre quebra do sigilo bancário. A Lei nº 10.174/2001, a Lei Complementar nº 105/2001 e o Decreto nº 3.724/2001, que não revogaram o artigo 197, II, parágrafo único do CTN, são absolutamente inconstitucionais, porque afrontam os artigos 5º, incisos X, XII, XXII e LIV e 145, § 1º da Constituição Federal vigente, posto que, o ora impugnante possui direitos líquidos e certos à inviolabilidade de sua vida privada, de sua intimidade e de seus dados, à garantia de suas propriedades e ao devido processo legal, isto é, em tendo o fisco federal quebrado o sigilo bancário sem a prévia cientificação ao contribuinte quanto à fundamentação pertinente sobre a indispensabilidade da apresentação dos extratos bancários, com a discriminação dos motivos da exigência, como mandam os artigos 2ºe 3º do Decreto nº 3.724/2001, restou caracterizado o absoluto desrespeito à lei e aos direitos individuais do impugnante. Como se não bastasse, a Lei Complementar nº 105/2001 e Decreto nº 3.724/2001, também afrontam o disposto no art. 146 e no artigo 150, III, alínea “a” da Constituição Federal, primeiro, porque não versam especificamente sobre matéria tributária; segundo, porque violam os direitos individuais dos contribuintes; e finalmente, porque permitem, por via oblíqua ou indireta, a constituição de crédito tributário, sobre fatos geradores pretéritos (a partir de 1998), surpreendendo os contribuintes, exigindolhes obrigação impossível e gerando insegurança jurídica e social. A emissão do Termo de Início de Fiscalização constitui um ato jurídico e, portanto, o objeto deste, é física e juridicamente impossível, sendo nulo de pleno direito, porque o impugnante Fl. 470DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.003777/200313 Acórdão n.º 2201002.614 S2C2T1 Fl. 4 5 não possui os extratos bancários e nem os documentos comprobatórios da origem dos recursos aplicados em 1998, em razão do interstício temporal havido e dos fatos já mencionados anteriormente. Esse fato não autoriza o Fisco Federal a quebrar o sigilo bancário do impugnante, para obter diretamente das instituições financeiras tais dados, pois consoante a segunda parte do artigo 116, do antigo Código Civil, as condições juridicamente impossíveis invalidam os atos a elas subordinados. Além disso, como se não bastasse, no Termo de Início de Fiscalização não consta expressamente a prévia cientificação dela, quanto a fundamentação pertinente a indispensabilidade da apresentação dos extratos bancários, com a discriminação dos motivos da exigência, como mandam os art. 2º e 3º do Decreto nº 3.724/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 e o Decreto nº 3.724/2001, não concretizam os princípios constitucionais da moralidade administrativa e da razoabilidade, da justiça e da igualdade tributária, da capacidade contributiva, da livre iniciativa. Destarte, denotase que o lançamento tributário é absolutamente nulo porque ofende o princípio da legalidade e do devido processo legal. No mérito Dos juros O fundamento legal, para tal aplicação, encontrase no art. 61, §3º da Lei nº 9.430/96. Em que pese o fato do critério e forma de cálculo dos juros havido sido estipulado por Lei, a sua aplicação é injurídica e inconstitucional, porque fere o princípio da isonomia. Da multa Foi imposta a multa no percentual de 75%, sobre o valor do imposto supostamente devido. O fundamento legal encontrase no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/1996. Em tese, não há ilegalidade, porque o percentual da multa foi estabelecido em lei, mas não é bem assim. Se é vedado usar tributo com efeito de confisco, com muito maior razão, também o será a utilização da multa com este mesmo efeito. A multa deve ter seu percentual minorado para no máximo 10%. Da atividade do impugnante Exerce atividade laboral no mercado informal, no mercado de compra e venda de ouro, motivo pelo qual, possuidor de capital Fl. 471DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 de giro próprio, acabou movimentando diariamente o mesmo, gerando uma seqüência brutal de entrada e saída, sempre do mesmo numerário, em suas contas bancárias. Os valores movimentados foram sempre os mesmos. Prova incontestável é o próprio saldo bancário das contas no final de cada mês. Provará no curso do procedimento administrativo que nunca foi dono do considerável valor apurado pelo fisco, não sendo, aliás, depósito bancário considerado renda passível de tributação em nosso ordenamento jurídico. Conclusão e Pedidos Acolher a preliminar argüida, de cerceamento de defesa, por falta de intimação expressa do impugnante para se manifestar sobre os inúmeros documentos apresentados pelos bancos, reconhecendo e declarando a nulidade do procedimento fiscal. Superada a preliminar argüida, no mérito, seja reconhecida a insubsistência do lançamento, declarandose a ilegalidade do percentual de juros e da multa, determinando o seu cancelamento e arquivamento. Facultar ao contribuinte, provar o alegado por todos os meios em Direito admitidos, tais como juntada de novos documentos e, especialmente, prova pericial, esta requerida consoante o disposto no art. 18 da Lei nº 8.748/93. A 2ª Turma da DRJ em Santa Maria/RS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. CONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis. SIGILO BANCÁRIO. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES RELATIVAS A CPMF Com o advento da Lei nº 10.174/2001, resguardado o sigilo na forma da legislação aplicável, é legítima a utilização das informações sobre as movimentações financeiras relativas a CPMF para instaurar procedimento administrativo que resulte em lançamento de outros tributos, ainda que os fatos geradores tenham ocorrido antes da vigência da referida Lei. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. Impugnação Improcedente Fl. 472DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.003777/200313 Acórdão n.º 2201002.614 S2C2T1 Fl. 5 7 O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 10/03/2008, fl. 381, e, em 09/04/2008, interpôs o recurso de fls. 386/414, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. O processo em apreço foi julgado em 16/08/2012 e os membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio da Resolução nº 2202000.300, decidiram sobrestar o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário 1998. De início, cumpre esclarecer que a Portaria MF n° 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Assim, o procedimento de sobrestamento não é mais aplicado no CARF. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, as preliminares suscitadas pelo recorrente. Sobre a alegação de cerceamento de defesa, em razão da não cientificação da juntada de extratos bancários e outros documentos, deve ser esclarecido que na fase procedimental do processo administrativo fiscal predomina o princípio da inquisitoriedade, ou seja, os poderes legais investigatórios da autoridade administrativa devem ser suportados pelos particulares que não autuam como parte, já que na etapa averiguatória sequer existe, tecnicamente, pretensão fiscal. Portanto, o princípio do contraditório e da ampla defesa somente pode ser invocado na fase processual seguinte, depois de formalizada a acusação fiscal. Assim, incabível a preliminar de nulidade suscitada pela defesa. No que tange à quebra de sigilo bancário, cumpre registrar que a Lei Complementar nº 105/2001 permite o afastamento do sigilo bancário por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente, independentemente de autorização judicial. No caso em exame, foram perfeitamente cabíveis as requisições de informações de dados bancários, em face da impossibilidade do atendimento da intimação pelo contribuinte (fl. 48/50). O não atendimento da intimação possibilitou a aplicação do art. 3º, caput, e inciso VIII do Decreto nº 3.724/2001, tendo sido observada pela fiscalização a condição de que trata o § 2º do seu art. 4º. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 8 No que toca à alegação de impossibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 105/2001 e do Decreto nº 3.724/2001, cabe esclarecer que “Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas...”, conforme dispõe o § 1º do art. 144 do CTN. Em relação à irretroatividade da Lei nº 9.311/1996, bem como a legalidade no uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário, citase a Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (grifei) Pelo que se vê, a Lei nº 10.174/2001, veio ampliar os poderes de investigação do fisco, autorizandoo a instaurar procedimento de fiscalização referente a qualquer outro imposto ou contribuição, com base nas informações decorrentes da CPMF, observandose o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Rejeitase, pois, a suscitada preliminar. Quanto à alegação de nulidade do Auto de Infração, em razão do lançamento praticado exclusivamente por presunção sobre extratos bancários, penso que a matéria se confunde com o mérito e será analisada adiante. No mérito, cumpre trazer a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Na presunção legal a lei se encarrega de presumir a ocorrência do fato gerador, razão pela qual há necessidade de se comprovar o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão. Além do mais, a autoridade fiscal não tem que demonstrar renda incompatível e, tampouco, renda consumida, conforme se observa da Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Sobre a argumentação de que os depósitos bancários não conduziriam a presunção de disponibilidade econômica, vale registrar que o fato gerador do Imposto de Fl. 474DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.003777/200313 Acórdão n.º 2201002.614 S2C2T1 Fl. 6 9 Renda, conforme art. 43 do Código Tributário Nacional1, alberga tanto as disponibilidades econômicas quanto as disponibilidades jurídicas de renda ou proventos de qualquer natureza. Não se pode olvidar que a utilização da figura jurídica da presunção legal para fins de encontrar a renda omitida, está em perfeita consonância com os dispositivos legais constante na legislação pátria. No processo tributário administrativo as provas obedecem às disposições estabelecidas no Código Civil. É o que se extrai do inciso IV do art. 212: Art. 212. Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante: I confissão; II documento; III testemunha; IV presunção; V perícia. (grifei) A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 constitui um instrumento direcionado à facilitação do trabalho de investigação fiscal, justamente em razão das dificuldades impostas à identificação dos fatos econômicos dos quais participou a recorrente. Compete esclarecer que a Lei nº 8.021/1990, ora revogada, condicionava a falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza, contudo, a presunção da Lei nº 9.430/1996, atualmente em vigor, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados, em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. No que tange à alegação de que trabalha no mercado informal de compra e venda de ouro e por esse motivo movimenta diariamente sempre do mesmo numerário, cumpre registrar que na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, as entradas ocorridas em determinado dia não servem para justificar as saídas de recursos havidas em dias subsequentes. Esse é o entendimento, mutatis mutandis, da Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes Sobre o caráter confiscatório da multa aplicada, deve ser esclarecido que não compete a este Conselho Administrativo declarar a ilegitimidade da norma legalmente constituída. A legalidade de dispositivos aplicados ao lançamento deve ser questionada, exclusivamente, perante o Poder Judiciário. O exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais (vedação ao confisco e da proporcionalidade) é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2: 1 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 10 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que se refere à aplicação da taxa Selic, já é de amplo domínio que as instâncias julgadoras administrativas não podem estender suas apreciações para o campo das arguições relacionadas com a ilegalidade ou inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados. É uma limitação de competência que nasce da própria natureza da atividade administrativa. Assim, consoante determina a Súmula n° 4 do CARF, sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, são devidos os juros com base na taxa Selic: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Por fim, como o autuado não trouxe aos autos nenhum elemento que demonstrasse a origem dos depósitos, paira incólume a presunção de omissão de rendimentos. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 476DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13896.002635/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
IRPF. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA MENSAL. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTIMAÇÃO AOS CO-TITULARES. OBRIGATORIEDADE. SÚMULA CARF Nº 29.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-002.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores relativos às contas conjuntas, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Amaury Maciel, OAB/SP 212.481.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 20/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 Ementa: IRPF. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA MENSAL. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTIMAÇÃO AOS CO-TITULARES. OBRIGATORIEDADE. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores relativos às contas conjuntas, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Amaury Maciel, OAB/SP 212.481. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Relator. EDITADO EM: 20/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
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ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA MENSAL. SÚMULA CARF Nº 38. “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário”. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTIMAÇÃO AOS COTITULARES. OBRIGATORIEDADE. SÚMULA CARF Nº 29. “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento”. SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 26 35 /2 00 7- 31 Fl. 559DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 valores relativos às contas conjuntas, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Amaury Maciel, OAB/SP 212.481. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 20/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2002, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 313/319, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 2.551.934,57, calculado até 30/11/2007. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: I DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO REFERENTE AOS MESES DE JANEIRO A NOVEMBRO DE 2.002 3.1 o pagamento do Imposto de Renda das Pessoas Físicas é feito pelo sujeito passivo sem prévio exame da autoridade administrativa, inclusive o saldo de imposto a pagar apurado na declaração de ajuste a que se refere o art. 93 do RIR/94, motivo pelo qual não se enquadra na modalidade de lançamento por declaração, mas sim, de lançamento por homologação (reproduz Doutrina com esse entendimento); 3.2 por ser imposto cujo lançamento é por homologação, não se aplica ao IRPF o prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do Código tributário Nacional (cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas aquele correspondente ao regime de homologação, ou seja, 5 (cinco) anos contados da ocorrência Fl. 560DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13896.002635/200731 Acórdão n.º 2201002.611 S2C2T1 Fl. 3 3 do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional; 3.3 por conseqüência, deve ser declarada a insubsistência e a improcedência da exigência fiscal constante do Auto de Infração em foco, em relação ao crédito tributário referente aos meses de janeiro a novembro de 2.002, uma vez decaído o direito da Fazenda Nacional de promover o lançamento. II DO MÉRITO II.1 DA ORIGEM DOS CRÉDITOS BANCÁRIOS TRIBUTADOS II.1.1 DOS PROVENTOS DE APOSENTADORIA 3.4 a Autoridade Fiscal Autuante deixou de observar que os depósitos a seguir discriminados referemse a proventos de aposentadoria e créditos CPMF s/benefícios percebidos, pelo contribuinte, no curso do anocalendário 2.002: Banco 341 Itaú, agência 188, conta 592.877 Data do depósito Valor (R$) Folha dos autos 11/06 224,37 310 10/07 245,01 310 09/08 245,01 311 09/08 0,93 311 10/09 245,01 311 09/10 245,01 311 11/11 245,01 311 10/12 486,51 311 Total: R$ 1.936,86 II.1.2 DOS JUROS INCIDENTES SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS E DIVIDENDOS 3.5 o Fisco também não observou que os depósitos abaixo relacionados referemse a juros incidentes sobre aplicações financeiras submetidos ao regime de tributação exclusiva, conforme dispõe o art. 729 do RIR/99: Banco 341 Itaú, agência 152, conta 07647 Data do depósito Valor (R$) Folha dos autos 02/01 317,67 311 01/02 317,67 311 Fl. 561DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Data do depósito Valor (R$) Folha dos autos 01/03 317,67 311 19/03 8.595,71 311 19/03 10.576,45 311 19/03 2.334,01 311 01/04 317,67 311 01/04 160,32 311 03/06 373,72 311 05/06 3.299,10 311 01/07 373,72 312 01/07 226,61 312 01/08 373,72 312 Total: R$ 27.584,04 Banco 341 Itaú, agência 188, conta 640.015 Data do depósito Valor (R$) Folha dos autos 02/09 373,72 312 02/09 3.961,50 312 02/09 1.078,07 312 01/10 373,72 312 01/10 226,61 312 01/11 373,72 312 02/12 373,72 312 Total: R$ 6.761,06 II.1.3 DOS DIVIDENDOS CREDITADOS EM CONTA CORRENTE 3.6 os valores a seguir descritos correspondem a dividendos TJLP/UBB levados a crédito da contacorrente do impugnante: Banco 409 Unibanco, agência 061, conta 11093 Data do depósito Valor (R$) Folha dos autos 31/01 171,20 312 31/07 160,27 312 Total: R$ 331,47 Fl. 562DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13896.002635/200731 Acórdão n.º 2201002.611 S2C2T1 Fl. 4 5 II.1.4 DOS RESGATES DE CARTEIRA DE AÇÕES, FUNDOS E APLICAÇÕES FINANCEIRAS E TED DEVOLVIDA MOT. 62 3.7 os depósitos a seguir relacionados decorreram de saques e levantamentos efetuados pelo impugnante, de valores que se encontravam aplicados em carteiras de ações, fundos e aplicações financeiras, cujos rendimentos submetemse a regime de tributação específica, na forma da legislação de regência (tributação exclusiva na fonte ou ganho de capital); Banco 422 Safra, agência 115, conta 30400 Data do depósito Valor (R$) Folha dos autos 11/11 73.813,65 312 11/11 40.802,04 312 11/11 41.482,23 312 12/11 100.000,00 312 Total: R$ 256.097,92 Outrossim, o Fisco considerou como depósito/crédito não comprovado, efetuado no dia 19/02/2.002, o valor de R$ 100.500,00, referente ao estorno de uma TED pelo motivo 62 (código utilizado pela instituição financeira), tendo a Fiscalização, no demonstrativo de fl. 312, computado, também, o depósito de R$ 100.000,00, efetuado em 18/12/2.002, para dar suporte ao referido TED. Assim sendo, há que se excluir da tributação, por estarem devidamente comprovados, os créditos bancários efetuados no Banco Safra, no montante de R$ 356.597,92. II.1.5 DO RESGATE DE FUNDO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA 3.8 deve ser excluída da tributação a quantia de R$ 241,60, creditada na conta nº 47.958, do Bradesco, agência 56 (fl. 290), por tratarse de resgate de valores aplicados a título de previdência privada. II.1.6 DOS DEPÓSITOS REALIZADOS NA CONTA 21309, MANTIDA NO UNIBANCO, AGÊNCIA 738 (fls. 147, 149 e 312 dos autos) 3.9 a Fiscal Autuante não considerou comprovada a origem dos depósitos efetuados na conta 21309, mantida no Unibanco, agência 738, nos dias 19/03/2.002 e 28/05/2.002, nos valores de R$ 153.154,61 e R$ 339.725,35, respectivamente, devendo ser observado que a movimentação bancária do mês de março/2.002 (fl. 147) indica que o impugnante resgatou a quantia de R$ 530.000,00, que dá respaldo aos depósitos acima citados, devendo, portanto ser excluído da tributação o montante de R$ 492.879,96; Fl. 563DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 II.2 DAS CONTAS CONJUNTAS 3.10 uma vez que as contas do impugnante eram movimentadas por diversos titulares, e em consonância com o disposto no § 6º, do art. 42, da Lei nº 9.430/1.996, ratificado pelo entendimento jurisprudencial (reproduz Jurisprudência), os depósitos remanescentes após a exclusão dos valores já impugnados devem ser rateados entre os diversos titulares, de acordo com os seguintes demonstrativos*: (*os valores mensais dos depósitos a serem rateados, após as exclusões pleiteadas na peça impugnatória, encontramse detalhados nos demonstrativos anexos à peça impugnatória (Anexos “A”, “B”, “C”, “D”e “E”, às fls. 407 a 412) Banco 237 Bradesco, agência 562, conta 537004 1º Titular (Lauriberto Ninelli Silva, CPF nº 660.618.65872): R$ 787.330,26 2º Titular (Jacob da Silva Tomás, CPF nº 024.905.52872): R$ 787.330,26 Total: R$ 1.574.660,52 Banco 237 Bradesco, agência 1229, conta 34363 1º Titular (José Manuel B. das Neves, CPF nº 882.114.36868): R$ 43.612,33 2º Titular (Jacob da Silva Tomás, CPF nº 024.905.52872): R$ 43.612,33 3º Titular (René Neme Filho, CPF nº 015.689.42893): R$ 43.612,33 Total: R$ 130.837,00 Banco 600 Luso Brasileiro, agência 001, conta 2329 1º Titular (Jacob da Silva Tomás, CPF nº 024.905.52872): R$ 154.934,40 2º Titular (Maria Helena Baeta de Jesus, CPF nº 312.587.968 05): R$ 154.934,39 Total: R$ 309.868,79 Banco 422 Safra, agência 30.400, conta 3.0400 Total dos depósitos: R$ 456.597,52 Exclusões pleiteadas: R$ 356.597,92 Saldo a ser rateado: R$ 100.000,00 1º Titular (Jacob da Silva Tomás, CPF nº 024.905.52872): R$ 50.000,00 2º Titular (Álvaro de Jesus Tomás, CPF nº 060.629.82821): R$ 50.000,00 Fl. 564DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13896.002635/200731 Acórdão n.º 2201002.611 S2C2T1 Fl. 5 7 Banco 409 Unibanco, agência 738, conta 21.309 Total dos depósitos: R$ 624.823,46 Exclusões pleiteadas: R$ 492.879,96 Saldo a ser rateado: R$ 131.943,50 1º Titular (Jacob da Silva Tomás, CPF nº 024.905.52872): R$ 65.971,75 2º Titular (Álvaro de Jesus Tomás, CPF nº 060.629.82821): R$ 65.971,75 Banco 104 Caixa Econômica Federal, agência 235, conta 435712 1º Titular (Jacob da Silva Tomás, CPF nº 024.905.52872): R$ 142.230,89 2º Titular (Maria Helena Baeta de Jesus, CPF nº 312.587.968 05): R$ 142.230,89 Total: R$ 284.461,78 Banco 341 Itaú, agência 0188, conta 592877 (aditamento à impugnação, às fls. 441 a 447) Total dos depósitos: R$ 263.890,85 Exclusões pleiteadas: R$ 1.936,86 Saldo a ser rateado: R$ 261.953,99 1º Titular (Jacob da Silva Tomás, CPF nº 024.905.52872): R$ 130.977,00 2º Titular (Maria Helena Baeta de Jesus, CPF nº 312.587.968 05): R$ 130.976,99 3.11 além de tudo o que foi exposto, é insustentável, ilegítimo e nulo de pleno direito o lançamento efetuado com base em extratos bancários, quando não demonstrada pela autoridade fiscalizadora qualquer relação entre os valores depositados e supostas receitas auferidas e não declaradas ou despesas e investimentos realizados, sendo perfeitamente aplicável a Súmula nº 182 do Tribunal Federal de Recursos (reproduz a referida Súmula, bem como Doutrina e Jurisprudência); II.3 DAS DIVERGÊNCIAS ENTRE OS VALORES APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO E PELO IMPUGNANTE 3.12 por derradeiro, cumpre registrar que nos levantamentos mensais o recorrente acusa divergências entre os montantes apurados pela Fiscalização e os constantes nos anexos a esta impugnação, conforme demonstrado abaixo: Mês de referência Valor apurado pelo Fisco Valor apurado pelo Impugnante Diferença Fl. 565DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Fevereiro R$ 565.392,39 R$ 560.945,89 R$ 4.446,50 Março R$ 358.525,35 R$ 358.525,33 R$ 0,02 Mês de referência Valor apurado pelo Fisco Valor apurado pelo Impugnante Diferença Abril R$ 202.433,34 R$ 200.483,34 R$ 1.950,00 Maio R$ 660.479,40 R$ 660.129,40 R$ 350,00 Agosto R$ 331.528,22 R$ 329.495,18 R$ 2.033,04 3.13 assim sendo, protesta pela improcedência do Auto de Infração em análise, por não estar provada a presumível omissão de receitas e por ter ficado evidenciado que os depósitos bancários objetos de tributação não tiveram qualquer reflexo na composição patrimonial do contribuinte; II.4 DOS JUROS DE MORA. DA TAXA SELIC 3.14 não há como aceitar a imposição da cobrança exorbitante dos juros moratórios calculados com base na taxa SELIC, posto que o art. 161 do Código Tributário Nacional estipula que o crédito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, não podendo ser utilizados juros remuneratórios como instrumento de sanção pelo inadimplemento do crédito tributário, dado que aqueles estão sujeitos a variação de um mercado específico; 3.15 é clara a natureza remuneratória da taxa SELIC, mesmo porque é dessa forma que a ela se referem as normas do Banco central do Brasil, tendo sido criada para a remuneração dos títulos públicos e sua fixação atende a critérios ditados pela política econômica do governo federal, não podendo ser exigida como juros de mora; 3.16 os juros moratórios, pelo contrário, e como definido em lei, têm por finalidade ressarcir o credor pelo inadimplemento de uma obrigação no tempo certo, configurando uma indenização pelo dano causado ao credor pela nãosatisfação da dívida ou da obrigação na época correta, sendo claro o art. 161 do CTN, ao estabelecer juros de mora sobre créditos em atraso, acrescentando que, na ausência de lei que os determine, serão eles de 1% (um por cento) ao mês (reproduz Acórdão do STJ); 3.17 da forma com está aplicada no Auto de Infração, a taxa SELIC assume caráter manifestamente confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal; II.5 DOS JUROS MORATÓRIOSDA SUSPENSÃO DE SUA INCIDÊNCIA E EXIGIBILIDADE NO CURSO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL 3.18 não se pode carrear para o contribuinte os encargos financeiros decorrentes da demora no julgamento dos procedimentos administrativos fiscais e, enquanto não for regulamentado o parágrafo único do art. 27 da Decreto nº 70.235/1.972, incluído por força do disposto na Lei nº 9.532/1.997, não há que se falar em imputar os juros moratórios Fl. 566DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13896.002635/200731 Acórdão n.º 2201002.611 S2C2T1 Fl. 6 9 no período compreendido entre a data da interposição da impugnação até a decisão final da lide instalada (o Impugnante reproduz o art. 151, inciso III, do CTN, o caput e o parágrafo único, do art. 27, do Decreto nº 70.235/1.972, o inciso IV, do art. 2º, da Portaria SRF nº 454/2.004, o § 2º, do art. 63, da Lei nº 9.430/1.996, bem como Jurisprudência); III DO PEDIDO 3.19 ante todo o exposto requer que: a) seja acolhida a preliminar de decadência, tornando insubsistente a exigência do crédito tributário constituído no período de janeiro a novembro de 2.002; b) sejam acolhidas, no mérito, todas as razões de fato e de direito expostas na peça impugnatória, declarandose a improcedência da autuação fiscal, por estar fundada em bases inconsistentes e insustentáveis; c) se mantido o lançamento, ainda que parcialmente, que seja afastada a cobrança dos juros moratórios com base na taxa SELIC; d) não incidam juros moratórios durante o trâmite do processo administrativo fiscal, desde a data da protocolização da presente impugnação, até a decisão final do contencioso na esfera administrativa; e) com base no disposto na Lei nº 9.784/1.999, arts. 2º, 3º, inciso III e 69, a produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em Direito, diligências e perícias, se necessárias. A 6ª Turma da DRJ em São Paulo/SP2 julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: PRELIMINAR. DECADÊNCIA RELATIVA AO LANÇAMENTO QUE ABRANGERIA FATOS GERADORES OCORRIDOS NO PERÍODO DE JANEIRO A NOVEMBRO DE 2.002. Nos casos em que o contribuinte entrega a declaração de ajuste anual dentro do prazo legal, apurando, inclusive, saldo de imposto a pagar, o lançamento do Imposto de Renda das Pessoas Físicas tem a natureza jurídica de lançamento por homologação, com fato gerador complexivo, de período anual, sendo que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos é a data da ocorrência do fato gerador, ou seja, 31 de dezembro do anocalendário correspondente ao exercício analisado. Tendo sido o lançamento efetuado dentro do prazo decadencial acima previsto, é de se rejeitar a preliminar de decadência do lançamento relativo ao período de apuração compreendido entre janeiro de 2.002 e novembro de 2.002. Preliminar rejeitada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Fl. 567DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 10 A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular e/ou o cotitular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Tendo o contribuinte comprovado parte da origem dos créditos bancários que lastrearam a autuação em análise, é de se excluir esses créditos das infrações apuradas pelo Fisco. COTITULARIDADE DE CONTASCORRENTES. RATEIO DOS CRÉDITOS BANCÁRIOS. Excluemse da tributação os créditos bancários que, em função de rateio decorrente da cotitularidade de contascorrentes, não devem ser imputados ao contribuinte. DIVERGÊNCIA DE VALORES ENTRE CRÉDITOS BANCÁRIOS COMPUTADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO E OS DEMONSTRATIVOS ELABORADOS PELO FISCO. Devem ser retiradas do montante tributável as diferenças de créditos a maior, resultantes da divergência entre os créditos bancários computados na autuação e os valores constantes dos demonstrativos elaborados pelo Fisco, que discriminaram os depósitos bancários de origem não comprovada. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. Havendo previsão legal para a aplicação da taxa SELIC, não cabe à Autoridade Julgadora exonerar a cobrança dos juros de mora legalmente estabelecida. APLICAÇÃO DOS JUROS SELIC. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. Não pode ser inquinada pela alegação de confisco a aplicação, sobre o imposto apurado, dos juros de mora com base na taxa SELIC, prevista na legislação vigente. No que tange, ainda, à invocação da figura do confisco, refoge à competência da Autoridade Administrativa a apreciação e a decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. JUROS MORATÓRIOS.EXCLUSÃO DE SUA INCIDÊNCIA E EXIGIBILIDADE NO CURSO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL Por falta de previsão legal, não procede o pleito de exclusão de incidência e de exigibilidade dos juros moratórios no período compreendido entre a data de interposição da impugnação e a decisão final do litígio na esfera administrativa. DO PROTESTO PELA PRODUÇÃO DE PROVAS. Uma vez que a prova documental deve ser apresentada quando da interposição da impugnação, que o pedido de produção de prova pericial deve ser formulado com observância dos requisitos legais exigidos e, ainda, sendo prerrogativa da Fl. 568DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13896.002635/200731 Acórdão n.º 2201002.611 S2C2T1 Fl. 7 11 Autoridade Julgadora de 1ª instância indeferir a realização de diligências ou perícias, quando considerálas prescindíveis ou impraticáveis, é de se rejeitar o pedido de produção de provas, formulado no desfecho da peça impugnatória. Lançamento Procedente em Parte A decisão a quo excluiu da base de cálculo os seguintes itens (fl. 482): II.5 DA RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO 111. .Por todo o arrazoado acima, o lançamento de fls. 313 a 319 deve ser retificado, conforme demonstrado a seguir: a) Infrações lançadas (fl. 317): R$ 3.773.027,90 b) Créditos bancários de origem comprovada a serem excluídos (item 72 do presente Voto): R$ 1.936,86 + R$ 27.584,04 + R$ 6.761,06 + R$ 331,47 + R$ 256.097,92 + R$ 100.500,00 + + R$ 241,60 = R$ 393.452,95. c) Créditos bancários a serem excluídos em função de rateio decorrente de contas conjuntas (item 73 do Voto): R$ 787.330,26 + R$ 65.418,50 + R$ 154.934,39 + R$ 132.160,49 = R$ 1.139.843,64 d) Diferenças a maior apuradas pelo Fisco nos demonstrativos de fls. 305 a 312, que devem ser excluídas da tributação (itens 74 a 76 do Voto): R$ 4.446,50 + R$ 1.950,00 + R$ 350,00 + + R$ 2.033,04= R$ 8.779,54 Infrações a serem tributadas= R$ 3.773,027,90 – R$ 393.452,95 – R$ 1.139.843,64 – R$ 8.779,54 = R$ 2.230.951,77 Base de cálculo declarada = R$ 47.632,12 (fls. 28 e 317) Base de cálculo do Imposto devido = R$ 47.632,12 + R$ 2.230.951,77 = R$ 2.278.583,89 Imposto a pagar = (R$ 2.278.583,89 x 0,275) – R$ 5.076,90 – R$ 8.021,93 (Imposto Pago fls.28 e 317) = R$ 613.511,73 Imposto Suplementar = R$ 613.511,73 Multa de ofício (75,00%) = R$ 460.133,79 Intimado da decisão de primeira instância em 30/11/2009 (fl. 486), Jacob da Silva Tomas apresenta Recurso Voluntário em 23/12/2009 (fl. 489), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. O processo em apreço foi julgado em 12 de março de 2012 e os membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio da Resolução nº 220200.178, decidiram sobrestar o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. É o relatório. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário 2002. De início, cumpre esclarecer que a Portaria MF n° 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Assim, o procedimento de sobrestamento não é mais aplicado no CARF. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, a preliminar suscitada pelo recorrente. Alega o suplicante a ocorrência de decadência mensal, relativamente ao período compreendido entre janeiro a novembro de 2002. No que tange à alegação de decadência mensal, cumpre registrar que o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário, conforme pacificado pela Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. No caso dos autos, como houve pagamento antecipado do imposto referente ao anocalendário de 2002, fl. 29, devese, portanto, aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543C do CPC c/c art. 62A do RICARF, contando o dies a quo a partir da data do fato gerador, conforme prevê § 4º do art. 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Assim, o fato gerador do IRPF referente ao anocalendário de 2002 perfezse em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o primeiro dia para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01 de janeiro de 2003 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase Fl. 570DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13896.002635/200731 Acórdão n.º 2201002.611 S2C2T1 Fl. 8 13 em 31 de dezembro de 2007. Desse modo, como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 26 de dezembro de 2007 (fl. 321), não operou a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002. No mérito, cumpre trazer a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Compete esclarecer que o § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/1990, que previa o arbitramento dos rendimentos com base na renda presumida, foi expressamente revogado pelo art. 88, inciso XVIII, da Lei nº 9.430/1996. Isso, aliás, ratifica a intenção do legislador em dar novo tratamento à matéria, eis que, na lei nova, deixou de existir a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Passando às questões pontuais de mérito, verificase que a autoridade recorrida, em razão da comprovação de cotitularidade, efetuou o rateio dos depósitos bancários entre os diversos titulares. Transcrevese trecho da decisão recorrida: II.2 DAS CONTAS CONJUNTAS 3.10 uma vez que as contas do impugnante eram movimentadas por diversos titulares, e em consonância com o disposto no § 6º, do art. 42, da Lei nº 9.430/1.996, ratificado pelo entendimento jurisprudencial (reproduz Jurisprudência), os depósitos remanescentes após a exclusão dos valores já impugnados devem ser rateados entre os diversos titulares, de acordo com os seguintes demonstrativos*: (*os valores mensais dos depósitos a serem rateados, após as exclusões pleiteadas na peça impugnatória, encontramse detalhados nos demonstrativos anexos à peça impugnatória (Anexos “A”, “B”, “C”, “D”e “E”, às fls. 407 a 412) Banco 237 Bradesco, agência 562, conta 537004 1º Titular (Lauriberto Ninelli Silva, CPF nº 660.618.65872): R$ 787.330,26 2º Titular (Jacob da Silva Tomás, CPF nº 024.905.52872): R$ 787.330,26 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 14 Total: R$ 1.574.660,52 Banco 237 Bradesco, agência 1229, conta 34363 1º Titular (José Manuel B. das Neves, CPF nº 882.114.36868): R$ 43.612,33 2º Titular (Jacob da Silva Tomás, CPF nº 024.905.52872): R$ 43.612,33 3º Titular (René Neme Filho, CPF nº 015.689.42893): R$ 43.612,33 Total: R$ 130.837,00 Banco 600 Luso Brasileiro, agência 001, conta 2329 1º Titular (Jacob da Silva Tomás, CPF nº 024.905.52872): R$ 154.934,40 2º Titular (Maria Helena Baeta de Jesus, CPF nº 312.587.968 05): R$ 154.934,39 Total: R$ 309.868,79 Banco 422 Safra, agência 30.400, conta 3.0400 Total dos depósitos: R$ 456.597,52 Exclusões pleiteadas: R$ 356.597,92 Saldo a ser rateado: R$ 100.000,00 1º Titular (Jacob da Silva Tomás, CPF nº 024.905.52872): R$ 50.000,00 2º Titular (Álvaro de Jesus Tomás, CPF nº 060.629.82821): R$ 50.000,00 Banco 409 Unibanco, agência 738, conta 21.309 Total dos depósitos: R$ 624.823,46 Exclusões pleiteadas: R$ 492.879,96 Saldo a ser rateado: R$ 131.943,50 1º Titular (Jacob da Silva Tomás, CPF nº 024.905.52872): R$ 65.971,75 2º Titular (Álvaro de Jesus Tomás, CPF nº 060.629.82821): R$ 65.971,75 Banco 104 Caixa Econômica Federal, agência 235, conta 435712 1º Titular (Jacob da Silva Tomás, CPF nº 024.905.52872): R$ 142.230,89 2º Titular (Maria Helena Baeta de Jesus, CPF nº 312.587.968 05): R$ 142.230,89 Total: R$ 284.461,78 Fl. 572DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13896.002635/200731 Acórdão n.º 2201002.611 S2C2T1 Fl. 9 15 Banco 341 Itaú, agência 0188, conta 592877 (aditamento à impugnação, às fls. 441 a 447) Total dos depósitos: R$ 263.890,85 Exclusões pleiteadas: R$ 1.936,86 Saldo a ser rateado: R$ 261.953,99 1º Titular (Jacob da Silva Tomás, CPF nº 024.905.52872): R$ 130.977,00 2º Titular (Maria Helena Baeta de Jesus, CPF nº 312.587.968 05): R$ 130.976,99 (grifei) De fato, verificase que os documentos de fls. 426 a 431; fl. 440 e fl. 446 indicam que as contas são conjuntas, entretanto, não se encontram nos autos intimação aos co titulares para comprovar a origem dos créditos bancários havidos em seu movimento financeiro. Ora, em situações como a presente, objetivando identificar quem é de fato o titular da movimentação bancária, a jurisprudência deste Colegiado se consolidou no sentido de que todos os cotitulares das contas bancárias devem ser intimados durante o processo de fiscalização, sob pena de nulidade do lançamento, como ficou assentando na Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Pelo que se vê, o procedimento fiscal não está lastreado nas condições impostas pela legislação pertinente. Assim, as seguintes contas deverão ser excluídas da base de cálculo: 1 Conta 537004, mantida no Bradesco (237), agência 562; 2 Conta 34363, mantida no Bradesco (237), agência 1229; 3 Conta 2329, mantida no Banco Luso Brasileiro (600), agência 001; 4 Conta 3.0400, mantida no Banco Safra (422), agência 30.400 (leiase agência 11.500); 5 Conta 21.309, mantida no Unibanco (409), agência 738; 6 Conta 435712, mantida na Caixa Econômica Federal (104), agência 235 e 7 Conta 592877, mantida no Banco Itaú (341), agência 0188. No que tange à alegação de que os créditos de R$ 153.154,61 e R$ 339.725,35, datados de 19/03/2002 e 28/05/2002, respectivamente, na conta do Unibanco nº 21309, agência nº 738, encontram respaldo em resgate de aplicação em 01/03/2002, no valor de R$ 530.000,00 (fl. 147), como a citada conta foi excluída da exigência, tornase despicienda a manifestação deste Relator quanto ao questionamento. Frisese que a Súmula 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos, bem como as inúmeras jurisprudências colacionadas em sua peça recursal, são absolutamente inaplicáveis, visto que a matéria foi inteiramente superada pela entrada em vigor da Lei nº 9.430/1996, que tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como meio de presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 16 Quanto ao pedido de exclusão dos juros moratórios imputados no período compreendido entre a data da interposição da impugnação até a decisão final da lide, verifico, pois, que a solicitação do contribuinte esbarra no disposto no § 1º da Lei nº 8.981/1995, já que os juros de mora deverão incidir a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento do tributo. Por fim, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, consoante determina a Súmula nº 4 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores relativos às seguintes contas: 1 Conta 537004, mantida no Bradesco (237), agência 562; 2 Conta 34363, mantida no Bradesco (237), agência 1229; 3 Conta 2329, mantida no Banco Luso Brasileiro (600), agência 001; 4 Conta 3.0400, mantida no Banco Safra (422), agência 30.400 (leiase agência 11.500); 5 Conta 21.309, mantida no Unibanco (409), agência 738; 6 Conta 435712, mantida na Caixa Econômica Federal (104), agência 235 e 7 Conta 592877, mantida no Banco Itaú (341), agência 0188. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 574DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 13971.004367/2008-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2004
OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS COLIGADAS.
As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas coligadas sujeitam-se à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA 4/CARF.
A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 3403-003.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário: 2004 OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS COLIGADAS. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas coligadas sujeitam-se à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA 4/CARF. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
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MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS COLIGADAS. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas coligadas sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA 4/CARF. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 43 67 /2 00 8- 22 Fl. 687DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração lavrado em 04/01/2008 (fls. 263 a 2821) para exigência de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF) referente a fatos geradores de 31/01/2004 a 31/12/2004, acrescidos de juros de mora e de multa de ofício (75%), em total original de R$ 730.492,63, por falta de recolhimento, conforme descrito no Termo de Verificação de Infração (TVI). No TVI (fls. 222 a 258), narrase que: (a) foi constatada a existência de valores elevados de créditos com pessoas ligadas na contabilidade da empresa, e, intimada a justificar tais valores, a empresa apresentou cinco contratos de mútuo com as empresas “PLASVALE Indústria e Comércio”, “CÍRCULO Comércio Exterior”, “DUNA COMERCIAL Industrial”, “LANCASTER” e “DUNA VENDAS Domiciliares”, todos os mútuos implementados por meio de contacorrente, sem definição do principal e de prazo para pagamento; (b) a partir dos valores escriturados nos livros contábeis, foram elaboradas planilhas com o somatório dos valores dos saldos diários, calculandose o IOF devido nas operações (fls. 226 a 250); e (c) todos os contratos foram celebrados após a Lei no 9.779/1999, que, em seu art. 13, estabelece a exigência de IOF nas operações, o que é endossado pelo Código Tributário Nacional (art. 63, I), pelo Regulamento do IOF (à época o Decreto no 4.494/2002) e pelo Ato Declaratório SRF no 7/1999. Cientificada da autuação em 14/11/2008 (fl. 264), a empresa apresenta impugnação em 15/12/2008 (fls. 286 a 312), alegando, em síntese, que: (a) os contratos de mútuo entre as empresas não podem ser gravados pelo IOF, pois não houve participação de instituição financeira; (b) a legislação que regulamenta o IOF é omissa em relação a sua incidência sobre contratos de mútuo firmados com empresas coligadas, sendo a única norma expressa sobre o tema o Ato Declaratório SRF no 7/1999, norma complementar ilegal, por não guardar relação com a Lei no 9.779/1999, inovando irregularmente na ordem jurídica; e (c) é indevida a cobrança de juros com base na Taxa SELIC. Em 10/09/2010 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 555 a 559), no qual se acorda unanimemente pela procedência do lançamento efetuado, sob o fundamento de que: (a) o texto legal (art. 13 da Lei no 9.779/1999) estabeleceu a incidência de IOF nas operações de mútuos entre pessoas jurídicas, não importando a vinculação entre as empresas contratantes, ou a existência ou não de instituição financeira na operação; (b) o Ato Declaratório SRF no 7/1999 não amplia conteúdo da lei, mas apenas disciplina aspectos temporais; e (c) também a exigência de juros pela Taxa SELIC decorre expressamente de lei, sendo vedada a apreciação de constitucionalidade pelo julgador administrativo. Cientificada da decisão de piso em 08/11/2010 (cf. AR de fl. 569), a empresa apresenta recurso voluntário em 16/11/2010 (fls. 571 a 599), basicamente reiterando os argumentos expostos em sua impugnação. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 688DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004367/200822 Acórdão n.º 3403003.410 S3C4T3 Fl. 685 3 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. São duas as matérias em discussão: a possibilidade de incidência de IOF sobre operações de mútuo entre pessoas jurídicas coligadas, sem intermediação de instituição financeira, e o cabimento da exigência de juros pela Taxa SELIC. Como é incontroversa a existência de contratos de mútuo, assim como dos cálculos que levaram aos valores lançados, as discussões são basicamente sobre a aplicação dos dispositivos legais/normativos referentes à matéria. Em relação ao art. 13 da Lei no 9.779/1999, entende a recorrente que não permite a exigência de IOF no caso em análise, por não relacionar especificamente empresas coligadas. Vejase o que dispõe o artigo 13 da Lei no 9.779/1999: “Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1o Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2o Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3o O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subsequente à da ocorrência do fato gerador.” (grifo nosso) A leitura do texto não deixa dúvidas sobre a irrelevância de serem ou não as pessoas jurídicas participantes do mútuo coligadas, ou instituições financeiras. Basta que haja mútuo de recursos financeiros entre empresas (ou entre estas e pessoas físicas) para que tenha lugar a incidência de IOF. Assim, não se revelam incompatíveis com o texto legal as disposições regulamentares (como o Decreto no 4.494/2002) e declaratórias (como o Ato Declaratório SRF no 7/1999). Plenamente aplicável ao caso, então, a norma do art. 13 da Lei no 9.779/1999, sendo irrelevante o fato de as empresas serem coligadas, ou não serem instituições financeiras, como já vem decidindo este CARF: Fl. 689DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 “INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 13 DA. LEI N° 9.779/99. A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE EMPRESAS.INCIDÊNCIA DO IOF. Nos termos da legislação em vigor, incide o IOF nas operações de crédito realizadas entre pessoas jurídicas, na modalidade de mútuo de recursos financeiros.” (Acórdão no 3201001.637, Rel. Cons. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, unânime, sessão de 25.abr.2014) “OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS COLIGADAS. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas coligadas sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.” (Acórdão no 3202001.076, Rel. Cons. Luís Eduardo Garrossino Barbieri, unânime em relação ao tema, sessão de 25.fev.2014) Arrematese que esta terceira turma, com a mesma composição atual, decidiu recentemente sobre o assunto aqui em discussão, chegando a conclusão unânime: “OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS COLIGADAS. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas coligadas sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras.” (Acórdão no 3403003.112, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 23.jul.2014) Procedente, assim, a exigência do IOF. Por fim, em relação ao cabimento da utilização da Taxa SELIC a título de juros de mora, cabe menção ao fato de que a matéria já está devidamente assentada neste tribunal administrativo, sendo inclusive objeto de súmula específica: “Súmula CARF no 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 690DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004367/200822 Acórdão n.º 3403003.410 S3C4T3 Fl. 686 5 Fl. 691DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10880.008342/98-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1993
EMBARGOS. OMISSÃO PARCIAL. COMPLEMENTO DA DECISÃO.
Considerando que o voto embargado poderia ter sido mais claro ao acolher as conclusões de diligência encaminhada pelo colegiado, cabe complementar a decisão, para proporcionar maior transparência à fundamentação da acórdão, no sentido de esclarecer que os dois quesitos diligenciados foram devidamente apreciados, quais sejam, primeiro, de que ocorreu de fato a retenção e, segundo, de que os rendimentos objeto da retenção foram oferecidos à tributação.
Numero da decisão: 1103-001.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, acolher parcialmente os embargos para suprir a omissão no Acórdão nº 1103-00.498/2011, sem alteração do seu dispositivo.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1993 EMBARGOS. OMISSÃO PARCIAL. COMPLEMENTO DA DECISÃO. Considerando que o voto embargado poderia ter sido mais claro ao acolher as conclusões de diligência encaminhada pelo colegiado, cabe complementar a decisão, para proporcionar maior transparência à fundamentação da acórdão, no sentido de esclarecer que os dois quesitos diligenciados foram devidamente apreciados, quais sejam, primeiro, de que ocorreu de fato a retenção e, segundo, de que os rendimentos objeto da retenção foram oferecidos à tributação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acolher parcialmente os embargos para suprir a omissão no Acórdão nº 1103-00.498/2011, sem alteração do seu dispositivo. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1993 EMBARGOS. OMISSÃO PARCIAL. COMPLEMENTO DA DECISÃO. Considerando que o voto embargado poderia ter sido mais claro ao acolher as conclusões de diligência encaminhada pelo colegiado, cabe complementar a decisão, para proporcionar maior transparência à fundamentação da acórdão, no sentido de esclarecer que os dois quesitos diligenciados foram devidamente apreciados, quais sejam, primeiro, de que ocorreu de fato a retenção e, segundo, de que os rendimentos objeto da retenção foram oferecidos à tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acolher parcialmente os embargos para suprir a omissão no Acórdão nº 110300.498/2011, sem alteração do seu dispositivo. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 83 42 /9 8- 96 Fl. 841DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.008342/9896 Acórdão n.º 1103001.194 S1C1T3 Fl. 842 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Os autos tratam de embargos de declaração (fls. 831/838) interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 110300.498, de 30 de julho de 2011 (fls. 821/827), proferido pela 3ª Turma Ordinária/1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento. O auto de infração (fls. 04/12) referese ao anocalendário de 1993, emitido eletronicamente em procedimento de revisão interna. Foi lançado de ofício o IRPJ no valor de R$8.263,09, sendo a motivação da autuação o indevido aproveitamento de prejuízo fiscal na apuração do lucro real. A contribuinte apresentou impugnação aduzindo que sua declaração original teria sido enviada com erro de fato. Requer o recebimento de declaração retificadora, no qual retira a compensação de prejuízos fiscais, e informa deduções do imposto devido relativas a (1) Programa de Alimentação do Trabalhador e Vale Transporte e (2) IRRF (antecipação cód. 8045). A 5ª Turma da DRJ/São Paulo I, em sessão realizada no dia 07/04/2003, julgou o lançamento procedente, no Acórdão nº 3135, de fls. 179/182, conforme a seguinte ementa: AUTO DE INFRAÇÃO BASEADO NA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. IMPUGNAÇÃO SEM DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS QUE A FUNDAMENTEM. Os valores exigidos basearamse em informações contidas na declaração de rendimentos, apresentada pela contribuinte. A falta de comprovação das alegações contidas na impugnação implica na manutenção do lançamento. Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 186/187. Decidiu o colegiado do CARF converter o julgamento em diligência (Resolução nº 110300.005 de fls. 644/648) para a unidade preparadora analisar a documentação apresentada pelo contribuinte, com o objetivo de esclarecer se (1) efetivamente havia valores de IRRF passíveis de serem abatidos do montante do IRPJ a recolher no período de apuração e (2) foi devidamente comprovado o direito ao abatimento dos valores incorridos pela Recorrente para custeio da alimentação e transporte de seus empregados. Manifestouse a unidade preparadora sobre a diligência por meio do despacho de fls. 809/810: 3) No anocalendário de 1993 não foi constatada diferença significativa entre os valores dos impostos declarados em DCTF e os efetivamente recolhidos. O somatório das receitas de Fl. 842DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.008342/9896 Acórdão n.º 1103001.194 S1C1T3 Fl. 843 3 comissões e serviços (cód. 8045) e de remuneração de serviços prestados por P.1 (1708), no valor de R$ 27.323.244,00, que serviram de base de cálculo para os recolhimentos, é inferior a receita de prestação de serviços declarada na DIPJ de R$31.968.245,00 (fls.734). Diante do exposto, mesmo considerando a impossibilidade de confrontar a escrituração com as informações prestadas/declaradas pelo contribuinte e de tudo o mais que do processo consta, concluo, ao final, que as receitas de prestações de serviços declarada na Declaração de Rendimentos do ano calendário de 1993, tem correspondência com as receitas que serviram de base de calculo ao IR Fonte, antecipadamente recolhido. Com o retorno dos autos, esta 3ª Turma Ordinária/1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, em sessão realizada em 30/07/2011, deu provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a dedução do IRRF no valor de RS 7.569,56 na apuração do IRPJ relativo ao anocalendário 1993, nos termos da ementa: IRPJ. REVISÃO SUMÁRIA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE. LANÇAMENTO FUNDADO EM COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS. ERRO DE FATO. DILIGÊNCIA. OBRIGATÓRIA CONSIDERAÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. No procedimento de revisão sumária da declaração de ajuste diante de impugnação do contribuinte indicando erro de fato, tornase obrigatória a análise da totalidade do fato gerador do tributo exigido, não podendo a cognição do processo administrativo se restringir à aferição de veracidade das informações prestadas pelo contribuinte em sua declaração, devendo abarcar a totalidade dos elementos de fato que compõem o fato imponível. Constatando a autoridade preparadora, em diligência, a existência de valores de.imposto retido na fonte não considerados pela autoridade lançadora, fazse obrigatória a consideração destes valores no procedimento de apuração do credito tributário. Esclareceu o relator do voto que a falta de apresentação da documentação solicitada foi a razão para o não acolhimento da dedução dos valores relativos ao Programa de Alimentação do Trabalhador e Vale Transporte. Por outro lado, as conclusões da diligência permitiram o aproveitamento dos valores de IRRF na apuração do IRPJ do anocalendário de 1993. Consta nos autos ciência da decisão à Procuradoria da Fazenda Nacional, conforme RM (Relação de Movimentação) fls. 830 e Termo de Intimação de fl. 828, que interpôs os embargos de declaração de fls. 831/838 em 03/11/2011, discorrendo sobre os seguintes pontos: o acórdão embargado teria incorrido em três omissões; a primeira trata da não observância da Súmula nº 33 do CARF, "A declaração entregue após o inicio do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o Fl. 843DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.008342/9896 Acórdão n.º 1103001.194 S1C1T3 Fl. 844 4 lançamento de oficio", tendo sido o voto embargado omisso ao não se pronunciar sobre o fato de que a contribuinte veio requerer a retificação de sua declaração apenas após a lavratura do auto de infração; a segunda omissão discorre sobre entendimento do voto embargado no sentido de que o Fisco estaria adstrito a proceder à conferência das informações da contribuinte e eventual correção do lançamento, proferido sem apontar fundamento legal e em desacordo com a legislação vigente à época dos fatos, que autorizava a retificação apenas antes de iniciado o procedimento de lançamento de ofício; a terceira omissão trata de vício na fundamentação, tendo em vista que na diligência o relator emitiu comando à autoridade preparadora para verificar, primeiro, se haviam saldo de IRRF a compensar e, segundo, se as receitas que deram causa à retenção na fonte teriam sido efetivamente oferecidas à tributação, e, nas razões de decidir, deuse por satisfeito com a conclusão de diligência unicamente no sentido de que havia evidências de saldo de IRRF, sem considerar o segundo aspecto, qual seja, não se manifestou sobre a verificação de que as receitas deveriam ter sido oferecidas à tributação; o acórdão fez mera remissão à diligência, em emitir qualquer juízo de valor. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Há que se apreciar, a princípio, a tempestividade dos embargos. Constam nos autos que a data de entrada na PGFN deuse em 11/10/2011 (fl. 830). De acordo com o art. 23, § 9º do Decreto nº 70.235, de 6/3/1972 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: ..... §8o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. §9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem Fl. 844DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.008342/9896 Acórdão n.º 1103001.194 S1C1T3 Fl. 845 5 entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo.” (destaquei) Assim, a contagem prevista no § 9º encerrouse em 10/11/2011 (quintafeira), a data em que se considera dada a ciência pessoal à PGFN. Contandose os cinco dias previstos no art. 65, § 1º, do Anexo II da Portaria nº 256, de 22/07/2009, que aprova o Regimento Interno do CARF (RICARF) para a interposição dos embargos, a data seria 18/11/2012 (sexta feira). No caso em análise, consta a devolução dos autos para o CARF (fl. 754) em 03/11/2011 (fl. 839), a mesma data do carimbo de recebimento do recurso à fl. 831. Logo, são tempestivos os embargos de declaração. Nesse sentido, cabe prosseguir com o exame de admissibilidade. Reclama a embargante pela ocorrência de três omissões. A primeira e segunda omissões tem como origem o fato de que a contribuinte apresentou pedido de retificação em sua declaração após o início do procedimento fiscal, o que estaria em desacordo com a Súmula CARF nº 33 e com a legislação tributária de regência, aspectos que teriam sido desconsiderados pelo o voto embargado. Entendo não assistir razão à embargante. Isso porque o voto apresenta, com clareza, o contexto em que se deu a autuação, e as razões pelas quais concedeu à contribuinte a oportunidade de comprovar a sua alegação, qual seja, de que teria incorrido em erro de fato no preenchimento da declaração. O auto de infração emitido eletronicamente em procedimento de revisão interna não ofereceu oportunidade à contribuinte de se manifestar sobre a divergência apontada no decorrer da fase inquisitória. Apenas com a instauração da fase contenciosa, teve o sujeito passivo a chance de se manifestar sobre a questão, quando esclareceu sua declaração original (no qual promoveu aproveitamento de prejuízo fiscal na apuração do IRPJ) teria sido enviada com erro de fato, e que as informações corretas estariam na declaração retificadora, no qual (1) retirou a compensação de prejuízos fiscais; (2) declarou deduções do imposto devido relativas ao Programa de Alimentação do Trabalhador e Vale Transporte e (3) informou deduções a título de IRRF (antecipação cód. 8045). O colegiado do CARF, considerando que na fase inquisitória a contribuinte não teve a oportunidade de se manifestar, e ao se deparar com evidências da ocorrência do erro de fato, converteu o julgamento em diligência, ocasião em que a unidade preparadora analisou a documentação acostada aos autos. Vale transcrever fragmento do voto em análise: Nessa linha, tendo o contribuinte, nas suas sucessivas manifestações nos autos do processo administrativo, juntado vasta documentação que, no seu sentir, ampararia suas impugnações e determinaria a revisão do lançamento, essa 3ª Turma determinou a realização de diligência para apuração das alegações da Recorrente. O voto cita, ainda, acórdão do CARF sobre a situação em debate: Fl. 845DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.008342/9896 Acórdão n.º 1103001.194 S1C1T3 Fl. 846 6 IRPJ. REVISÃO SUMÁRIA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. ERRO DE FATO. Ante à comprovação pela pessoa jurídica da existência de erro de .fato, confirmado ainda através de diligência fiscal, não pode prosperar o lançamento resultante da revisão sumária da declaração de rendimentos, ainda que a declaração retificadora seja posterior à notificação do lançamento, em observância ao principio da verdade material. (Acórdão nº 10196579, 1ª Câmara, rel. Conselheiro João Carlos de Lima Júnior). Portanto, não há que se falar na primeira e na segunda omissões apontadas pela embargante. Restou devidamente esclarecido pelo voto o contexto em que se autorizou a análise da retificação pleiteada pela contribuinte, e, portanto, não se consumou nenhuma afronta ao entendimento sumulado pelo CARF e tampouco à legislação sobre o assunto. A terceira omissão discorre sobre vício na fundamentação do voto embargado, com base nos motivos expostos na diligência encaminhada e nas razões para decidir. De acordo com a embargante, na diligência o relator emitiu comando à autoridade preparadora para verificar, primeiro, se haviam saldo de IRRF a compensar e, segundo, se as receitas que deram causa à retenção na fonte teriam sido efetivamente oferecidas à tributação. Por sua vez, no voto, terseia dado por satisfeito o relator com a conclusão da diligência de que havia evidências de saldo de IRRF, ignorando o segundo aspecto da diligência, ou seja, sobre a verificação de que as receitas deveriam ter sido oferecidas à tributação. Aponta ainda o embargante que as conclusões da diligência foram acolhidas sem nenhuma motivação. No que concerne ao fato do voto embargado ter acolhido as conclusões da diligência, entendo não haver nenhum reparo. Ora, a diligência se prestou precisamente para esclarecer dúvidas quanto à questão de fato, probatória, diante de evidências apresentadas pelos autos. Não poderia ter agido de maneira diferente a autoridade julgadora de segunda instância. Já quanto ao aspecto de que o embargado não teria considerado se as receitas objeto da retenção do imposto de renda teriam sido objeto de tributação, há que se transcrever fragmento do voto: O resultado da diligência apontou: (a) a inexistência de documentos que comprovassem as alegações da Recorrente, tendo esta informado que havia destruído parte da documentação contábil necessária a comprovação do oferecimento à tributação dos valores indicados nas DIPJ's; c, (b) os valores indicados pela Recorrente à guisa de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) têm correspondência com as receitas de prestação de serviços levadas à Declaração de Ajuste do período de apuração em apreço. A falta de apresentação da documentação solicitada impede o acolhimento da pretensão de consideração de valores relativos a dispêndios com o Programa de Alimentação do Trabalhador e do fornecimento de valestransporte. No que concerne ao acossado abatimento dos valores do imposto retido na fonte, entendo que a constatação da autoridade preparadora, no sentido de que "mesmo considerando a Fl. 846DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.008342/9896 Acórdão n.º 1103001.194 S1C1T3 Fl. 847 7 impossibilidade de confrontar a escrituração com as informações prestadas/declaradas pelo contribuinte e de tudo o mais que do processo consta, concluo, ao final, que as receitas de prestações de serviços declarada na Declaração de Rendimentos do anocalendário de 1993, tem correspondência com as receitas que serviram de base de calculo ao IR Fonte, antecipadamente recolhido", é suficiente para o acolhimento da pretensão. Entendo que o voto, de fato, foi econômico ao citar as conclusões da diligência para fundamentar o acolhimento da retenção do IRRF. Contudo, isso não quer dizer que foi desconsiderado aspecto referente ao oferecimento à tributação dos rendimentos objeto de retenção na fonte. O voto embargado deixou claro que acolheu as conclusões do relatório elaborado pela autoridade preparadora, do qual peço vênia para transcrever os fragmentos a seguir (fls. 817/818): Diante disso, intimei a corretora, em 26/05/2010, a comprovar o oferecimento à tributação das receitas correspondentes a estes recolhimentos, mediante a apresentação dos respectivos registros contábeis. Em resposta, o contribuinte limitouse a juntar cópias de documentos dos anos de 1989 a 1992, que, em absoluto, não comprovaram o efetivo oferecimento à tributação das receitas. Reintimada a corretora informou que houve destruição de parte de documentos não mais necessários, e não esclareceu se os livros contábeis e fiscais também foram destruídos. O DecretoLei n 2 486, de 1969, art. 4º, como correspondência no RIR/99, art. 264, estabelece a obrigatoriedade de conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar uma situação patrimonial. Por sua vez o art. 195, parágrafo único, da Lei 5.172, de 1966 (CTN), dispõe que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Desta forma, no caso presente, a corretora tinha o dever legal de conservar os livros e documentos, e de apresentálos quando solicitados, até o momento do encerramento definitivo do processo. Entretanto, com vista à aferição da veracidade das informações apresentadas pelo contribuinte, confrontei os valores declarados nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais DCTF, Declarações de Imposto de Renda na Fonte DIRF, e nas Declarações de Rendimentos DIPJ dos citados anoscalendário 1991 a 1993, e constatei o que segue: Fl. 847DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.008342/9896 Acórdão n.º 1103001.194 S1C1T3 Fl. 848 8 1) No anocalendário de 1991 os valores das receitas apuradas através dos Darfs são coincidentes com as receitas declaradas em DIRF e DIPJ, bem como o imposto de renda retido na fonte recolhido corresponde ao IR Fonte efetivamente declarado e deduzido na DIPJ (fls. 733); 2) No anocalendário de 1992 os valores das receitas correspondentes aos recolhimentos efetuados pela corretora são coincidentes com as receitas declaradas em DIRF mensais. Da mesma forma, a receita de prestação de serviços declarada na DIPJ coincide com a receita declarada em DIRF. Não houve dedução na DIPJ do IRRF antecipado (fls. 734); 3) No anocalendário de 1993 não foi constatada diferença significativa entre os valores dos impostos declarados em DCTF e os efetivamente recolhidos. A somatória das receitas de comissões e serviços (cód. 8045) e de remuneração de serviços prestados por PJ (1708), no valor de R$ 27.323.244,00, que serviram de base de cálculo para os recolhimentos, é inferior à receita de prestação de serviços declarada na DIPJ de R$ 31.968.245,00 (fls.734). Diante do exposto, mesmo considerando a impossibilidade de confrontar a escrituração com as informações prestadas/declaradas pelo contribuinte e de tudo o mais que o processo consta, concluo, ao final, que as receitas de prestações de serviços declarada na Declaração de Rendimentos do ano calendário de 1993, tem correspondência com as receitas que serviram de base de cálculo ao IR Fonte, antecipadamente recolhido. (grifei) Apesar de o voto embargado ter transcrito apenas a conclusão da diligência, a leitura atenta permite verificar que o oferecimento da receitas de retenção na fonte à tributação foi analisado, a partir da comparação entre as informações da DIPJ, DCTF e DIRF. Inclusive, registrou expressamente a unidade preparadora que o somatório das receitas relativas à retenção na fonte foi inferior à receita declarada na DIPJ. Portanto, entendo que o voto embargado poderia ter sido mais claro, ao acolher as conclusões apresentadas pela diligência. Assim, reconheço a ocorrência de omissão, que passa a ser suprida, no sentido de complementar a decisão, para acrescentar que, conforme fragmento transcrito do despacho da unidade preparadora apresentando a análise da documentação disponibilizada pela contribuinte, os dois quesitos da diligência para verificar os valores de IRRF foram apreciados, primeiro, de que ocorreu de fato a retenção e, segundo, de que os rendimentos objeto da retenção foram oferecidos à tributação. Diante do exposto, voto no sentido dar provimento parcial aos embargos declaratórios, sem efeitos infringentes, apenas para complementar a decisão proferida no Acórdão nº 110300.498, nos termos do presente voto. Assinatura Digital André Mendes de Moura Fl. 848DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.008342/9896 Acórdão n.º 1103001.194 S1C1T3 Fl. 849 9 Fl. 849DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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